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CONFLITOS ÁRABE-ISRAELENSES

L.L.L.A

2020
O SIONISMO

Sionismo é um termo que deriva da palavra hebraica, Sião, que significa “lugar
elevado”, “monte”. Sião é uma das colinas próximas a Jerusalém, que foi conquistada
pelo rei Davi, e é considerado um dos lugares sagrados das três religiões abraâmicas:
cristianismo, judaísmo e islamismo. Aparecido no fim do século XIX, o sionismo foi
um movimento nacionalista judaico que tinha por objetivo central a defesa da formação
de uma nação judaica, bem como da criação do Estado judeu, ou uma Eretz Israel, isto
é, a “Terra de Israel”.

O criador do termo “sionismo” foi o jornalista judeu e austríaco Nathan


Birnbaum (1864-1937). Birnbaum empregou a palavra pela primeira vez em um debate
público realizado em Viena, em 1892. O jornalista foi um dos pioneiros no combate
aberto ao antissemitismo presente na Europa e em outras partes do mundo na época. Na
década de 1880, especificamente entre os anos de 1881 e 1883, os massacres (chamados
de pogroms) promovidos contra a comunidade judaica russa pela polícia secreta do czar
Alexandre III, a Okhrana — polícia secreta do regime do czar Alexandre III da Rússia,
criada em 1881 —, escandalizaram o mundo. Antes mesmo de haver o I Congresso
Sionista, que organizaria as propostas do movimento, muitos judeus da Rússia e de
outras regiões começaram a migrar para a Palestina (então sob o domínio otomano) e lá
se estabelecerem.

A primeira Aliya, o Affair Dreyfus e o I Congresso Sionista

Alguns líderes religiosos, como Yehudá Alkalay (nascido na Sérvia), já haviam se


estabelecido na Palestina no início do século XX. Sua geração e a geração de imigrantes
do início dos anos 1880, da chamada primeira Aliya, começaram a traçar as primeiras
formas de negociação com o Império Otomano para a compra de terras na Palestina.
Entretanto, as terras compradas tinham apenas caráter de colônia, e não de Estado. Em
1894, um novo escândalo internacional envolvendo um oficial judeu do Exército francês
acendeu novamente o problema do antissemitismo.

Tratava-se do Affair Dreyfus. Dreyfus, que era de família judaica, foi acusado
injustamente de traição por conspiradores do Exército, que diziam que ele forneceu
informações de inteligência militar para o Exército alemão. Dreyfus foi julgado e
condenado a cumprir pena na Ilha do Diabo. Muitos intelectuais destacaram-se na
defesa pública de Dreyfus à época. Um deles era o famoso escritor Émile Zola; outro, o
jornalista judeu e húngaro Theodore Herzl, que se tornou o grande difundidor do
sionismo. Herzl foi um dos criadores da Organização Sionista Mundial, criada em 1897
e que realizou o 1º Congresso Sionista nesse mesmo ano, na Basileia. Esse congresso
examinou as características da primeira imigração, dos anos 1880, e procurou
estabelecer novas diretrizes paras as próximas com vistas à criação definitiva de um
Estado judaico. É da autoria de Herzl, inclusive, a obra “O Estado Judaico”, na qual
essas diretrizes são esmiuçadas.

Como forma de criar uma resolução para o grave problema do antissemitismo, o Estado
Judeu foi idealizado por Herzl em suas linhas gerais. Para ele, o grande motivo do
antissemitismo era a existência dispersa e desorganizada dos judeus mundo afora, sem
uma nação que os amparasse. A partir da década de 1910, uma nova onda imigratória de
judeus para a Palestina começou a ser efetuada com vistas a formas de organização mais
complexas. Um dos primeiros impulsos recebidos para o estabelecimento de um
possível Estado judaico na Palestina veio com a Declaração Balfour, em 1917.

Declaração Balfour — 1917

A Declaração de Balfour é o documento no qual o governo de uma potência da época -


no caso, a Grã-Bretanha - respalda pela primeira vez "o estabelecimento de um lar
nacional para o povo judeu na Palestina".

O mesmo documento simboliza a pedra fundamental de Israel como Estado para os


judeus e, ao mesmo tempo, uma "grande traição" na visão dos palestinos. A declaração
do então ministro britânico de Relações Exteriores foi enviada a Walter Rothschild, um
dos principais proponentes do Sionismo, movimento que defende a autodeterminação
do povo judeu em sua "terra histórica" - que vai do Mediterrâneo até o lado oriental do
Rio Jordão, uma área que passou a ser conhecida como Palestina. Ela diz que o governo
britânico apoia "o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu na Palestina".
Ao mesmo tempo, a carta diz que nada deveria "prejudicar os direitos civis e religiosos
de comunidades não-judias que já estavam ali". Os palestinos veem isso como uma
grande traição, especialmente levando em conta uma promessa feita separadamente para
garantir o apoio político e militar dos árabes - então sob jugo dos turcos otomanos - na
Primeira Guerra Mundial.

Todavia, os inúmeros problemas que ocorreram entre o fim da Primeira Guerra


Mundial (1914-1918) e o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), sobretudo
envolvendo o nacionalismo árabe e a tentativa de construção de um Estado Palestino,
postergaram a criação do Estado Judaico para o ano de 1947.
CRIAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL — 1947

Atualmente, o Estado de Israel é um dos mais poderosos, econômico e militarmente, do


mundo. É também um Estado que possui uma das mais eficientes e temidas polícias
secretas de todo o globo desde o fim da Segunda Guerra Mundial: a Mossad. A despeito
de sua curta existência enquanto Estado – Israel só foi oficializado e reconhecido como
país em 1948 –, foi protagonista de intensos episódios conflituosos ocorridos na região
do Oriente Médio na segunda metade do século XX, sobretudo em virtude do conflito
histórico com os países muçulmanos que circundam seu território. A criação do Estado
de Israel, como dito, ocorreu em 1948, mas o processo de formação das comunidades
judaicas na região da Palestina remonta às últimas décadas do século XIX, quando foi
criado o movimento sionista. O sionismo, ou movimento sionista, foi criado por
intelectuais judeus no início da década de 1890 e tinha por objetivo principal o combate
ao antissemitismo (aversão ao povo judeu que se espalhou pelo mundo após a
dissolução dos antigos reinos judeus na Idade Antiga), que subsistia na Europa desde a
Idade Média e que havia se intensificado no século XIX.

Primeira Guerra Mundial e o Fim do Império Otomano

Na década de 1910, sobreveio a Primeira Guerra Mundial, que pôs em xeque toda a
geopolítica mundial, inclusive a da região do Oriente Médio. O Império Otomano, que
antes garantia a unidade das nações muçulmanas, fragilizou-se durante a guerra e
fragmentou-se ao seu término, sendo extinto em 1924. Muitas das nações outrora
submetidas à autoridade otomana conquistaram sua independência política, como a
Turquia. Outras, como a Palestina, por não constituírem uma unidade política definida
e, evidentemente, pela então presença massiva de judeus no mesmo território, não
puderam formar imediatamente um Estado. Coube a um dos países vencedores da
guerra, a Grã-Bretanha, administrar a região da Palestina após a guerra.

Judeus x muçulmanos

Em 1920, os britânicos criaram o chamado Mandato Britânico da Palestina, uma


comissão de administração de todo o território palestino, dos lados do rio Jordão, por
assim dizer. Esse mandato atravessou o período entreguerras, a Segunda Guerra
Mundial e só teve fim em 1948. Durante o período do Mandado Britânico, houve um
renascimento alarmante do nacionalismo e do revanchismo político em várias partes do
mundo, incluindo a Europa e o Oriente Médio. Foi nessa época que houve a ascensão
do nazifascismo e a intensificação do antissemitismo europeu. Obviamente, uma das
repercussões disso foi o aumento da migração em massa de judeus para o território da
Palestina. Todavia, ao mesmo tempo, começava um duplo fenômeno na região do
Oriente Médio: a radicalização de uma parte do movimento sionista e a também a
radicalização da ideologia nacionalista muçulmana, que absorveu muitos pressupostos
do antiocidentalismo da Irmandade Muçulmana (criada em 1928) e do antissemitismo
nazista – inclusive alguns líderes nacionalistas árabes tiveram contato direto com o
nazismo nessa época. Os palestinos, inflamados pelo pan-islamismo e o
antissemitismo, passaram a contestar a presença dos judeus naquele território e
começaram a promover ataques às instalações judaicas na Palestina. Os judeus, de sua
parte, responderam com a formação de uma força paramilitar chamada Haganah, que
logo se tornou a base para um proto-estado judaico a partir do Yishuv (do assentamento
que já havia), arquitetado pelo sionista David Ben-Gurion.
Ben-Gurion, entretanto, procurava orientar-se pelas diretrizes do Mandato Britânico e,
mesmo mediante os conflitos armados com os muçulmanos, partilhava da ideia da
divisão da região entre palestinos e judeus. Todavia, o sionismo de Gurion não era o
único. Houve uma ala radical, encabeçada por Zeev Jabotinsky e, depois, Menachem
Begin, que pretendia subverter o Mandato Britânico e estender o território judaico para
além das margens orientais do rio Jordão, isto é, ocupar todo o território palestino,
incluindo a região onde se encontra hoje o reino da Jordânia.

Ao mesmo tempo em que essas divergências ocorriam, a Segunda Guerra chegava ao


fim e o holocausto dos judeus, perpetrado pelos nazistas, era revelado e noticiado no
mundo inteiro. Esse acontecimento chocante estimulou ainda mais as ações do
movimento sionista
internacional e gerou uma tensão entre as potências vencedoras da guerra para que
decidissem a questão da Palestina.
O problema foi que, ao fim da guerra, a radicalização entre palestinos e judeus
aumentou consideravelmente dos dois lados. Ao mesmo tempo em que milícias
palestinas continuavam os ataques aos assentamentos judaicos e negavam
veementemente a criação de Israel, outras nações árabes, como o Egito e a Síria,
também se declaravam abertamente contra o mesmo propósito.

Do lado sionista, também houve extremismo. Um grupo terrorista judeu,


chamado Irgun, promoveu um atentado a bomba no Hotel King David, em Jerusalém,
em 22 de junho de 1946. Esse atentado vitimou o ministro britânico para assuntos no
Oriente Médio, Lord Moyne.
Diante do agravamento dos fatos, os ingleses repassaram o problema para a recém-
criada Organização das Nações Unidas (ONU), que criou o Comitê Especial para
Palestina (UNSCOP) a fim de tratar da decisão pela partilha territorial. O eleito para a
Assembleia Geral de 1948, que ficou encarregado de gerir essa questão, foi um
brasileiro que havia sido ministro de Getúlio Vargas: Oswaldo Aranha. Aranha
advogou em favor da criação do Estado judaico e conclamou uma votação de delegados
das nações então constituídas. Todos os países árabes votaram contra a criação de Israel
e a divisão do território. Alguns países ocidentais, como a Inglaterra, não votaram, mas
a maioria votou a favor. O Estado de Israel foi então declarado oficialmente existente. O
líder judeu que encabeçou todo o processo, contornando a ala radical, era ainda Ben-
Gurion. Foi ele que, inclusive, assinou a declaração de Independência de
Israel no Museu Nacional de Tel Aviv, e, depois, foi eleito o primeiro-ministro da
república parlamentarista de Israel. No mesmo ano em que foi reconhecido como
Estado oficialmente existente, Israel já teve de lidar com a primeira de muitas guerras
que viria a enfrentar contra os Estados Árabes, que, diga-se de passagem, por muito
tempo não reconheceram o direito de Israel de existir.

PRIMEIRA GUERRA ÁRABE-ISRAELENSE — 1948, 1949

A proposta da ONU de divisão da Palestina entre palestinos e israelenses foi


prontamente aceita pela Organização Sionista Mundial, mas foi rejeitada pelos países
árabes. A tensão entre os dois lados aumentou ainda mais, o que levou milícias judaicas
a atacar comunidades árabes, causando a morte de centenas de pessoas. Quando o
Estado de Israel foi proclamado, a guerra na região começou. A primeira guerra,
iniciada em 1948, ficou conhecida como Primeira Guerra Árabe-Israelense e foi
resultado da não aceitação, pelos países árabes, da criação do Estado de Israel dentro
dos termos estabelecidos pela ONU.

Essa guerra estendeu-se até janeiro de 1949, quando um acordo de paz foi assinado e
colocou fim ao conflito. Israel saiu vitorioso desse confronto e aumentou seu território
em aproximadamente 1/3. Uma consequência grave dessa guerra é conhecida entre os
palestinos como “nakba”, palavra que, em árabe, significa “tragédia”. “Nakba” faz
referência à diáspora de cerca de 700 mil palestinos que foram obrigados a fugir da
Palestina por conta da violência das tropas israelenses. Esses 700 mil palestinos
espalharam-se por diversas partes do mundo, e Israel nunca concedeu o direito para que
eles retornassem à Palestina, mesmo com a ONU determinando o direito de retorno
desses refugiados.

NAKBA — 1948
Talvez o maior impacto humano da guerra de 1948 foi a expulsão de grande parte da
população palestina. Dentro das fronteiras do novo Estado de Israel, havia perto de um
milhão de árabes palestinos antes da guerra. Até o final da guerra em 1949, entre
700.000 e 750.000 deles tinham sido expulsos. Apenas 150.000 permaneceram em
Israel.

Refugiados são sempre um infeliz efeito colateral da guerra. Ao longo da história,


grupos de pessoas fugiram para escapar da luta e conquista. O que faz com que os
refugiados palestinos de 1948 sejam únicos, no entanto, é o motivo pelo qual eles se
tornaram refugiados. Uma vez que este é ainda um conflito hoje, os historiadores que
analisam as causas do êxodo palestino são fortemente influenciados pela política e
relações internacionais. Os historiadores (incluindo historiadores israelenses) têm,
porém, definido algumas razões principais para o êxodo:

Medo: Muitos palestinos partiram devido ao medo de ataques israelenses e atrocidades.


Estes receios não eram injustificados. Em 9 de abril de 1948, cerca de 120 combatentes
israelenses entraram na cidade palestina de Deir Yassin, perto de Jerusalém. 600
moradores foram massacrados. Alguns morreram defendendo a cidade na batalha contra
as forças israelenses, enquanto outros foram mortos por granadas lançadas em suas
casas, ou executados após serem humilhados pelas ruas de Jerusalém. Naturalmente,
uma vez que a notícia deste massacre se espalhou por toda a Palestina, os palestinos
temiam o pior dos israelenses. Em muitos casos, inteiras aldeias palestinas fugiram dos
avanços israelenses, na esperança de evitarem o mesmo destino de Deir Yassin. Alguns
grupos israelenses, como Yishuv, acelerou esse sentimento através de uma guerra
psicológica destinada a intimidar cidades palestinas a se entregarem ou fugirem. As
transmissões de rádio foram ao ar em árabe, alertando os moradores árabes que não
podiam levantar-se aos avanços israelenses, e que a resistência era inútil.

Expulsão por forças israelenses: Medo foi o principal fator motivador para os
refugiados no início da guerra. À medida que a guerra se arrastava até 1948, no entanto,
a expulsão de Israel deliberada tornou-se mais popular. Como os israelenses
conquistavam mais e mais território, suas forças se tornaram mais repartidas por todo o
país. Como resultado,

muitas aldeias recém-conquistadas foram violentamente esvaziadas pelas forças


israelenses.

Exemplos notáveis disto foram as cidades de Lida e Ramla, perto de Jerusalém. Quando
eles foram conquistados em julho de 1948, Yitzhak Rabin assinou uma ordem de
expulsão de todos os palestinos das duas cidades, na quantidade de entre 50.000 e
70.000 pessoas. Forças israelenses despacharam por ônibus alguns deles para as linhas
de frente árabes, enquanto outros foram forçados a caminhar, só sendo permitido ter
com eles tudo o que podiam carregar. Esta expulsão sozinha representou cerca de 10%
do total da expulsão palestina em 1948.
Incentivo por forças árabes: Em alguns casos, os exércitos árabes de países vizinhos,
particularmente Jordânia, incentivaram cidades palestinas a evacuarem. Uma possível
razão para isso foi fornecer um campo de batalha aberto sem os civis no meio do fogo
cruzado. Em todo o caso, muitos civis palestinos deixaram suas casas, sob a direção de
exércitos árabes, na esperança de voltarem em breve, após a vitória árabe inevitável,
porém acabaram por se tornarem refugiados nos países vizinhos.

CRISE DE SUEZ — 1956 (Segunda Guerra Árabe-Israelense)

A Crise de Suez, também conhecida como Guerra do Sinai ou Operação de Kadesh, foi
a invasão do Egito por Israel, Reino Unido e França no final de 1956 com o objetivo de
ganhar o controle do Canal de Suez e derrubar Gamel Abdel Nasser, presidente egípcio.
No entanto, a pressão política dos EUA, da ONU e da União Soviética obrigou os três
invasores a retirar-se, causando humilhação à Grã-Bretanha e à França e ao
fortalecimento do presidente Nasser. Os três países atingiram alguns objetivos militares,
mas o Canal de Suez foi fechado por seis meses, de outubro de 1956 a março de 1957,
com a ONU formando forças de paz da UNEF para monitorar a fronteira egípcia-
israelense. O Canal do Suez foi inaugurado em 1869 após a conclusão da sua
construção, que foi financiada conjuntamente pelos governos francês e egípcio. Foi
gerido

e operado pela Companhia Universal do Canal Marítimo de Suez, permanecendo a área


circundante um território egípcio. A estrutura aumentou o comércio entre os países e
ajudou as potências coloniais europeias a controlarem suas colônias. Em 1875, o Egito
destinou 44% de sua parcela do canal para os britânicos, com os franceses mantendo a
maioria das ações.

Quando o Reino Unido invadiu o Egito em 1882, eles assumiram o controle do país,
incluindo o canal propriamente dito. O canal foi declarado zona neutra em 1888 durante
a Convenção de Constantinopla. O canal foi estrategicamente importante durante
a Primeira e Segunda Guerras Mundiais como rota de embarque. Depois da Segunda
Guerra Mundial os britânicos consolidaram e fortaleceram sua posição no Suez. O canal
tornou-se uma fonte de crescente tensão na relação anglo-egípcia. Em 1951, o Egito
anulou o Tratado Anglo-Egípcio de 1936, que concedeu aos britânicos um
arrendamento no canal por 20 anos. No entanto, os britânicos se recusaram a se retirar,
levando a um golpe militar em 25 de julho de 1952, que estabeleceu o Egito como uma
república.
O Egito submeteu cargas e remessas que iam para Israel a processos de busca e
apreensão ao passar pelo Canal de Suez. Em 1951, o Conselho de Segurança da ONU
interferiu no Egito para acabar com as restrições e cessar todo o atrito com esse
transporte.

Em 1954, Nasser patrocinou ataques a Israel, desencadeando uma série de operações de


represália. Ele também buscou políticas que frustrassem o objetivo britânico no Oriente
Médio, aumentando assim a hostilidade entre o Egito e a Grã-Bretanha. Em julho de
1956, Nasser nacionalizou o Canal de Suez, congelou todos os ativos da Companhia do
Canal de Suez e fechou o canal para a navegação israelense. Os britânicos decidiram
intervir militarmente para recuperar o controle do canal. A ação de Nasser também
enfureceu o governo francês, que também decidiu pela intervenção militar. O
planejamento militar israelense para a operação concentrou-se em capturar a cidade de
Sharm el-Sheikh, que lhes permitiria ter acesso ao Mar Vermelho. A Faixa de
Gaza também era um alvo, já que era o campo de treinamento do grupo Fedayeen. A
Força Aérea Israelense iniciou o conflito em 26 de outubro de 1956, às 15h00, com uma
série de ataques ao Sinai. As forças egípcias montaram uma defesa vigorosa, mas foram
dominadas no primeiro dia, relatando uma baixa de 260 pessoas. Em 30 de outubro de
1956, a Marinha egípcia despachou seu navio de guerra para Haifa. No entanto, o navio
foi dominado pelas forças israelenses, que danificaram o motor da

embarcação. Em 31 de outubro, as forças britânicas se juntaram à guerra no norte do


Mar Vermelho. A guerra se intensificaria nos próximos cinco dias com a França
também participando da guerra.

GUERRA DOS SEIS DIAS — 1967 (Terceira Guerra Árabe-Israelense)

A Guerra dos Seis Dias, ou Terceira Guerra árabe-israelense, foi travada entre os dias 5
e 10 de junho de 1967, tendo de um lado do conflito as forças armadas do Estado de
Israel e, do outro, as do Egito, Síria, Jordânia e Iraque, que, por sua vez, receberam o
apoio de Kuwait, Líbia, Arábia Saudita, Argélia e Sudão. Essa foi a guerra mais rápida
travada entre árabes e israelenses e foi também a guerra que possibilitou a Israel
expandir seu território, conquistando a Península do Sinai, a Cisjordânia, Gaza,
Jerusalém oriental e as colinas de Golã – o que, posteriormente, desencadeou a Guerra
do Yom Kippur, em 1973.

Árabes e israelenses já haviam entrado em conflito em duas ocasiões desde


a Independência do Estado de Israel, em 1948. Nas décadas de 1950 e 1960, estava
em ascensão o nacionalismo árabe, liderado pelo presidente do Egito e posterior
presidente da República Árabe Unida (RAU), Gamal Abdel Nasser. Abdel Nasser era
apoiado por Hafez al-Assad, da Síria, pelo rei Hussein, da Jordânia, e por outros chefes
de Estado árabes, sobretudo os que integravam a Liga Árabe. Na Segunda
Conferência do Cairo, de 1964, esses países deixaram claro, por meio de uma
declaração, que um dos seus objetivos principais era a destruição do Estado de Israel.
Esse tipo de postura aumentou sobremaneira a tensão na região do Oriente Médio. A
situação piorou quando Síria e Jordânia passaram a dar apoio a grupos guerrilheiros
nascidos da Organização para a Libertação da Palestina, a OLP, e a movimentar tropas
regulares nas fronteiras com Israel, em maio de 1967. Pressionado por sírios e
jordanianos, Gamal Abdel Nasser mobilizou tropas egípcias na Península do Sinai, em
16 de maio, e ordenou que as tropas da ONU – presentes no lugar desde o fim da última
guerra árabe-israelense (1956) – retirassem-se. Em 22 do mesmo mês, Nasser ordenou o
bloqueio ao Golfo de Aqaba. Em 4 de junho, o Iraque juntou-se ao pacto jordaniano-
egípcio de ajuda mútua em caso de
guerra. Antevendo um ataque coordenado desses países, no dia seguinte, Israel deu
início à sua “guerra-relâmpago”.

Guerra-relâmpago

No primeiro dia da guerra, houve a destruição de 309 dos 340 aviões de combate
egípcios pelos caças israelenses em um espaço de apenas duas horas. Os aviões foram
destruídos em suas bases militares no solo. No segundo dia, Israel cruzou as fronteiras
da Península do Sinai. No terceiro dia, paraquedistas israelenses conquistaram a cidade
velha de Jerusalém, que estava sob o domínio de jordanianos, e ainda no dia 7
chegaram ao estreito de Tiran e, no dia 8, a Rumani, perto do canal de Suez. Nos dias
seguintes, Egito e Síria já estavam derrotados, e a guerra continuava contra a Jordânia.
Com o avanço das tropas israelenses sobre a fronteira, houve a captura da Cisjordânia –
porção jordaniana próxima à fronteira natural do rio Jordão.

O saldo da guerra foi o seguinte: para Israel, os danos computados foram de 980
soldados mortos, 4.520 feridos, 40 aviões abatidos e 394 tanques danificados. Do lado
árabe, foram 4.300 soldados mortos, 6.120 feridos, 444 aviões abatidos e 965 tanques
danificados.

GUERRA DE YOM KIPPUR — 1973 (Quarta Guerra Árabe-


Israelense)
a Guerra do Yom Kippur ocorreu entre Israel e um grupo de nações sob a liderança
da Síria e do Egito. O combate deu-se entre os dias 6 e 26 do mês de outubro de 1973.
A Guerra do Yom Kippur teve início após um ataque súbito à Israel, organizado por
Síria e Egito. O nome do conflito remete ao feriado da cultura judaica chamado Yom
Kippur, pois na data da celebração, Síria e Egito ultrapassaram as barreiras do cessar-
fogo nas Colinas de Golã e no Monte Sinai, que pertenciam à Israel. Aos
primeiros 6 dias do conflito, as forças sírio-egípcias conseguiram retomar parte de seus
territórios. Porém, após duas semanas de batalhas, Israel começa a predominar na
guerra, fazendo o exército da Síria recuar das colinas de Golã, mas as forças do Egito
continuavam na região do Monte Sinai. A saída encontrada pelos israelenses foi um
atalho na área sul do Sinai, desprotegido pelo exército egípcio. Desta forma, conseguiu
deslocar-se para a região oeste referente ao canal de Suez, localidade em que a muralha
Bar-Lev não tinha sido ocupada pelas forças do Egito. Então, o exército do Israel
começou a ameaçar Ismailia, província egípcia.

Entre os dias em que a Guerra do Yom Kippur ocorria, as maiores potências do mundo
organizaram-se para interferir no conflito para defender seus interesses. Os Estados
Unidos  auxiliaram Israel e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ficou
ao lado de Síria e Egito. Com isso, ocorreu um aumento na tensão entre as duas nações
(EUA e URSS), que à época mediam forças na corrida armamentista e tecnológica
conhecida como Guerra Fria. Evitando maiores proporções ao conflito, através
da Organização das Nações Unidas (ONU), foi promulgado um cessar-fogo em outubro
de 1973. Após o fim dos conflitos armados, o exército de Israel havia se recuperado e
apresentava enorme poder bélico. As forças armadas israelenses encontravam-se
infiltradas em territórios árabes, sendo que chegaram a 40 quilômetros da capital síria,
Damasco, e a 101 quilômetros da capital do Egito, Cairo. Ambas as cidades foram
fortemente bombardeadas. As consequências da Guerra do Yom Kippur ultrapassaram
as fronteiras dos países envolvidos e influenciaram profundamente outras nações.
Tempo após o final do conflito, as relações entre Israel e Egito foram normalizadas
através dos Acordos de Camp David, de 1978. Pela primeira vez na história, uma nação
árabe havia reconhecido o território de Israel.

RESOLUÇÃO 242 DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU, 1967

A resolução encarna o princípio que tem guiado a maioria dos planos subsequentes: a
troca de terra por paz. Ela pedia “a saída das Forças Armadas israelenses dos
territórios ocupados no conflito daquele ano, como Jerusalém Oriental, a península do
Sinai, Cisjordânia e as colinas de Golã, e o “respeito pela soberania, integridade
territorial e independência política de cada Estado na região e seu direito de viver em
paz”. Mas a resolução é famosa por suas imprecisões ao pedir a retirada israelense de
“territórios”. Israel argumentou que isso não significava necessariamente a retirada de
todos os locais ocupados.

I. ACORDOS DE CAMP DAVID

Os Acordos de Paz de Camp David foram realizados entre o dia 5 e o dia 17 de


setembro de 1978. O primeiro acordo expandia a resolução 242, pedia negociações
multilaterais para resolver o “problema palestino”, falava em um tratado entre Israel e
Egito e instava a assinatura de outros tratados entre Israel e seus vizinhos. Mas a
fraqueza deste primeiro acordo foi que os palestinos não participaram das negociações.
O segundo acordo tratava da paz entre Israel e Egito, o que ocorreu em 1979, com a
saída de Israel da península do Sinai, ocupada desde 1967. Isso resultou no primeiro
reconhecimento do Estado de Israel por parte de um país árabe.

A histórica iniciativa do presidente Sadat em visitar Jerusalém e a recepção que lhe foi


feita no Parlamento, pelo Governo e pelo povo de Israel, bem como a visita recíproca do
primeiro-ministro Begin à Ismailia, as propostas de paz feitas pelos dois líderes e, ainda,
a calorosa recepção destas missões, pelos povos de ambos os países, criaram uma
oportunidade para o estabelecimento de um clima de paz no Médio Oriente. O acordo
estabelecido entre Israel e o Egito veio definir claramente as futuras relações entre os
dois países.
Sendo propósito das conversações alcançar a paz e estabelecer boas relações de
vizinhança, foi reconhecido que, para se atingir esse objetivo, era necessário o
envolvimento de todos aqueles que foram afetados pelo conflito. Assim, ficou assente
que o acordo constituiria as bases para a paz, não apenas entre o Egito e Israel, mas,
entre Israel e cada um dos seus vizinhos que estivessem preparados para negociar.

II. Conferência de Madri, 1991

Realizada sob os auspícios dos americanos e soviéticos, que reuniu representantes de


Israel, Síria, Líbano, Jordânia e Palestina. Os processos formais foram seguidos por
negociações bilaterais entre as partes e por conversas multilaterais sobre preocupações
regionais

III. ISRAEL E SÍRIA — CONVERSAS BILATERAIS


Dentro da fórmula de Madrid, as negociações entre as delegações de Israel e Síria
começaram em Washington e foram feitas ocasionalmente com embaixadores,
envolvendo altos funcionários norte-americanos.

Duas rodadas de negociações Israel-Síria (em dezembro de 1995 e janeiro de 1996)


focaram a segurança e outras questões fundamentais. Altamente detalhadas e
abrangentes, as negociações identificaram importantes áreas de concordância e
convergência conceituais para discussão e consideração futuras. As negociações entre
Israel e Síria foram renovadas em janeiro de 2000, em Shepherdstown, EUA, após uma
pausa de mais de três anos. No entanto, não trouxeram avanços; o encontro entre o
Presidente Clinton e Hafez Assad em Genebra (em março de 2000) também não levou a
novas negociações.

IV. ISRAEL E LÍBANO — CONVERSAS BILATERAIS

A 23 de Maio de 2000, Israel completou a retirada de todas as forças militares da zona
de segurança no sul do Líbano, em conformidade com a decisão do governo israelita
para implementar a Resolução 425 do CS da ONU. Infelizmente, o Líbano ainda não
cumpriu totalmente a sua parte da Resolução 425, nem da Resolução 1.559 (que exige o
desmantelamento do Hezbollah e o deslocamento do exército libanês no sul do Líbano).
Houve violência novamente, após o sequestro de dois soldados israelitas e o
bombardeio de cidades do norte de Israel pelo Hezbollah em 12 de julho de 2006. Israel
foi forçado a agir para remover a presença terrorista do Hezbollah no sul do Líbano, o
que incluiu dezenas de milhares de mísseis de artilharia pesada fornecidos pelo Irão e
pela Síria e que foram disparados contra os milhões de civis israelitas. No conflito que
se seguiu, mais tarde conhecido como a II Guerra do Líbano, mais de 4.000 mísseis
foram disparados contra alvos civis dentro de Israel, causando 44 vítimas civis e danos à
infraestrutura civil e propriedades. Cento e dezenove soldados israelitas também foram
mortos no conflito durante as operações militares. A luta terminou com a adopção, em
11 de agosto de 2006, da Resolução 1.701 do Conselho de Segurança, que exige a
libertação incondicional dos soldados sequestrados, e determina que o Líbano e a
UNIFIL atuem, juntos, em todo o sul do Líbano, para um embargo de armas para a
grupos libaneses não governamentais.