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Dr. André Carlesso Dra.

Patrícia Lima Santos


OAB/ES 14.905 OAB/ES 15.499
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO 2ª VARA CÍVEL E


COMERCIAL DA COMARCA DE LINHARES – ESPÍRITO SANTO

PROCESSO N.° 0057214-40.2012.8.08.0030

PAULO PETRONETTO SOBREIRO, devidamente qualificada nos autos em


epígrafe da AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO que move em desfavor do BANCO
ITAU CARTOES S/A, igualmente qualificado, por meio de seus
procuradores vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência
apresentar IMPUGNAÇÃO AOS TERMOS DA CONTESTAÇÃO, pelos fatos e
fundamentos adiante consignados.

BREVE HISTÓRICO DO PROCESSO

O AUTOR propôs Ação contra o BANCO ITAU CARTOES S/A à fim de revisar
cláusulas do contrato firmado pelas partes, visando que as cláusulas
sejam adequadas aos parâmetros axiológicos de legalidade,
proporcionalidade, razoabilidade e moralidade, tendo em vista as taxas
e juros abusivos cobrados do AUTOR.

I - DO CONTRATO ENTRE AS PARTES

Em contestação, o REQUERIDO aludiu ao fato do AUTOR, e omitiu que o


mesmo sempre pagou as faturas, na medida das suas possibilidades,
mesmo sabendo assim que existiram “encargos” e juros abusivos para
tais pagamentos.
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Ocorre Excelência, que esses encargos e juros se mostraram abusivos,


incidindo desta maneira em uma onerosidade excessiva ao AUTOR, como
assim preceitua o artigo 51, inciso IV do CDC que segue:

Artigo 51 - São nulas de pleno direito, entre outras, as


cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos
que: (...) IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas,
abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou
que sejam incompatíveis com a boa-fé e a equidade.

Tendo em vista o artigo supra colacionado, cabe ressaltar ainda que o


contrato firmado entre as partes era de adesão, sendo vedado ao AUTOR
quanto à negociação das cláusulas, bem como destes encargos e juros
aplicados.

Aqui faz-se necessário ressaltar que a relação estabelecida entre as


partes trata-se de relação de consumo, corroborando do artigo que
segue:

Artigo 6º - São direitos básicos do consumidor:

V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam


prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos
supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; (grifo
nosso)

Com isto, resta exposto que as cláusulas demonstradas pelo REQUERIDO


merecem serem revisadas, modificadas, por se tornarem excessivamente
onerosas ao AUTOR.

Ademais, o REQUERIDO faz menção sob os encargos sobre o saldo devedor,


colacionando decisão do STF na ação direta de inconstitucionalidade
2591-1, fazendo-se entender que o REQUERIDO tinha total deliberalidade
para aplicar as taxas e juros com o cliente.

Entretanto esta alegação não deve prosperar, pois como relatado acima,
o contrato entre as partes é de ADESÃO, que, como traz a próprio nome,
somente é aderido pela parte contratante, sem espaço para negociação
dos termos expostos.

Resta assim que as cláusulas criadas pelo REQUERIDO são abusivas,


sendo que sua manifestação do abuso está no contrato, onde o redator

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das cláusulas contratuais tem o direito de redigi-las previamente, mas


comete abuso de forma a causar dano ao ADERENTE.

Desta maneira, trás julgado que esboça a reincidência do REQUERIDO


frente à abusividade das taxas pactuadas, bem como demonstra que
existe sim uma delimitação quanto a liberdade sobre as fixações de
taxas:

APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL.


CONTRATOS DE CARTÃO DE CRÉDITO. PRELIMINAR. PROPAGANDA
ENGANOSA. Inovação recursal. Não conhecida. JUROS
REMUNERATÓRIOS. Cartão de Crédito Master Internacional e
Unicard Visa.  Constatada a abusividade da taxa pactuada, esta
deve ser limitada à taxa média fixada pelo BACEN para os
contratos de cheque especial. Cartão de Crédito Hipercard.  Não
havendo demonstração acerca da taxa pactuada, esta deve ser
limitada à taxa média fixada pelo BACEN para os contratos de
cheque especial. [...] (Apelação Cível Nº 70035818962, Segunda
Câmara Especial Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Lúcia de Fátima Cerveira, Julgado em 26/01/2011) (grifo nosso)

Sendo assim, demostra-se que o REQUERIDO pratica atos abusivos não só


com o AUTOR, com referência as taxas de juros e encargos aplicados,
sendo cabível a revisão destas cláusulas, tendo em vista inibirem o
caráter reincidente do REQUERIDO, bem como de proteger os direitos
consumeristas inerente ao AUTOR.

TENDO EM VISTA O EXPOSTO, PROSPERAR O ENTENDIMENTO PRÉVIO DE O NÃO


CONHECIMENTO DE TAXAS E ENCARGOS NO CONTRATO , BEM COMO SE FAZ
ADMISSÍVEL A REVISÃO CONTRATUAL PELOS FUNDAMENTOS EXPOSTO SUPRA.

Salienta-se ainda que o AUTOR firmou contrato junto a REQUERIDA, não


tendo qualquer conhecimento de taxas, tarifas e serviços sendo assim,
POIS É IMPOSSÍVEL CONHECER DAS CLÁUSULAS DE UM CONTRATO DE
FINANCIAMENTO, UM SIMPLÓRIO MOTORISTA.

Ademais, como relatado em exordial na “letra g” dos pedidos, foi


pedido para que a PARTE REQUERIDA traga aos autos o contrato o
contrato original, fato este que o BANCO ITAU CARTOES S/A não o fez.

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II- DA ABUSIVIDADE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS

Quanto aos juros remuneratórios, alega o REQUERIDO que é cabível a


implementação de uma taxa de juros superior a de 12% ao ano, através
da súmula colacionada do STJ 381.

Ocorre que a doutrina rechaça esse pensamento. Nelson Nery Júnior


assim leciona:

"Atendendo aos reclamos da doutrina, o CDC enunciou hipóteses


de cláusulas abusivas em elenco exemplificativo. (...) Sempre
que verificar a existência de desequilíbrio na posição das
partes no contrato de consumo, o juiz poderá reconhecer e
declarar abusiva determinada cláusula, atendidos os princípios
da boa-fé e da compatibilidade com o sistema de proteção do
consumidor. (...) Como a cláusula abusiva é nula de pleno
direito (CDC, art. 51), deve ser reconhecida essa nulidade de
ofício pelo juiz, independentemente de requerimento da parte ou
interessado." (Código Brasileiro de Defesa do Consumidor
Comentados pelos Autores do Anteprojeto. [et al.]. 8ª ed. Rev.
Ampl. E atual., Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária,
2004; p. 693) (grifo nosso)

Ainda se faz necessário trazer julgado que relata sobre os juros


moratórios e sua previsão legal:

Ementa: [...] REVISÃO JUDICIAL E CÓDIGO DE DEFESA DO


CONSUMIDOR. Amparada em preceitos constitucionais e nas regras
de direito comum, a revisão judicial dos contratos bancários é
juridicamente possível. A Lei n. 8.078/90 (Código de Defesa do
Consumidor - CDC)é aplicável às instituições financeiras.
Súmula nº 297 do STJ. No entanto, a sua aplicação depende da
comprovação de abusividade. JUROS REMUNERATÓRIOS. Possibilidade
da limitação da cobrança de juros remuneratórios, quando
comprovada a abusividade. Omissão no contrato da taxa pactuada.
Limitação à taxa média do mercado, adotando-se como paradigma o
cheque especial, já que o Banco Central não disponibiliza
tabela com a taxa média de mercado dos juros dos contratos de
cartão de crédito. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. A Medida Provisória
n. 1.963-17, 31/03/2000, revigorada pela Medida Provisória n.
2.170-36, admite a capitalização dejuros com periodicidade
inferior a um ano em operações realizadas por instituições
financeiras. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. Licitude da cobrança
desde que pactuada e não cumulada com a correção monetária,
juros remuneratórios, juros moratórios e multa. Súmulas n. 294
e 296 do STJ. JUROS MORATÓRIOS. Conforme previsão legal, os
juros moratórios são de 1% ao mês. Vedada a cumulação com
comissão de permanência. [...] (Apelação Cível Nº 70040603946,
Segunda Câmara Especial Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Altair de Lemos Junior, Julgado em 27/07/2011) (grifos
nossos)

Assim resta demonstrado que, há muito, é o entendimento do STJ quanto


aos juros remuneratórios, que para que ocorra a modificação de
cláusula contratual, relativa aos juros praticados por instituição

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financeira, necessário que venha demonstrada a abusividade das taxas


contratadas em cotejo com a média de mercado praticada por outras
instituições financeiras no mesmo período e divulgada pelo BACEN.
Esta, a orientação emanada no Recurso Especial n.° 1.061.530 -
precedente paradigma para o julgamento de matérias do trato bancário,
ou seja, haverá abusividade na pactuação dos juros, quando a taxa de
juros remuneratórios praticada no contrato discrepar da taxa média de
mercado divulgada pelo BACEN para o mês de celebração do instrumento,
assim como se fez no caso em tela.

Outrossim, é necessário ressaltar que no caso em tela o histórico das


taxas de juros do mercado não condiz com o juros arbitrado pela
financeira.

Sendo assim, resta evidente o caráter abusivo das taxas arbitradas de


forma deliberada pelo REQUERIDO, devendo ser arbitrado assim taxas de
juros requeridas pelo AUTOR em exordial, a fim de evitar
desproporcionalidades ainda maiores.

III – DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC

Ressalta o REQUERIDO que a correção monetária através da taxa Selic


não deve prosperar sob a alegação de que o contrato entre as partes
foi firmado e assim deverá permanecer, sem alterações, aludindo ao
principio pacta sunt servanda.

Ocorre que existe a mitigação deste princípio em razão da função


social do contrato. Em decorrência disto, em relações como as do caso
em tela, a questão suscitada apresenta entendimento pacificado no
repertório jurisprudencial de nossos Tribunais:

APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO DE REVISÃO


DE CONTRATO BANCÁRIO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - CDC. O
CDC é aplicável às instituições financeiras. Súmula 297 do STJ.
PACTA SUNT SERVANDA. Revisão contratual por mitigação do
princípio pacta sunt servanda. Admissibilidade. JUROS
REMUNERATÓRIOS. Constatada a abusividade da taxa de juros
ajustada, impõe-se sua redução à média da taxa mensal praticada
pelas instituições financeiras nacionais ao tempo da
contratação. [...] JUROS DE MORA. Possível a contratação de
juros de mora no patamar de 1% ao mês, pois as instituições
financeiras não estão sujeitas à Lei da Usura. Súmula 379 do
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STJ. TAC. Não ocorre ilegalidade ou abusividade na cobrança de


TAC, por se tratar de remuneração de serviço prestado,
permitida pelas resoluções do BACEN. COMPENSAÇÃO DA VERBA
HONORÁRIA. Presente a figura da sucumbência recíproca, correta
a sentença ao determinar a compensação da verba honorária.
Inteligência do art. 21, caput, do CPC e Súmula 306, do STJ.
Ônus sucumbenciais redimensionados. DERAM PARCIAL PROVIMENTO
AOS RECURSOS. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70047338868, Décima
Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Nelson
José Gonzaga, Julgado em 29/03/2012) (grifo nosso)

E ainda assim:

APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. REVISÃO DE


CONTRATO [...] Ainda, a revisão das cláusulas contratuais não
constitui ofensa ao ato jurídico perfeito, ao princípio da
autonomia privada ou ao princípio do pacta sunt servanda. -
Contrato de Adesão: Regular a modalidade contratual, desde que
observadas as ressalvas previstas no art. 54, Lei n. 8.078-91.
[...] AFASTADA A PREJUDICIAL DE PRESCRIÇÃO, CONHECIDO EM PARTE
O RECURSO DO RÉU E, NESTA, NEGADO PROVIMENTO. RECURSO DO AUTOR
PARCIALMENTE PROVIDO. (Apelação Cível Nº 70051548956, Vigésima
Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Breno Beutler Junior, Julgado em 27/03/2013) (grifo nosso)

Assim como este entendimento, com posição majoritária se tem a


mitigação do pacta sunt servanda, sendo assim, é descabível a alegação
de que o contrato não mereça ter as taxas de juros arbitradas
revisadas pela taxa Selic, ou ainda, subsidiariamente a utilização da
Taxa Média de Mercado, tendo em vista que o AUTOR sofreu grave
abusividade, tornando sua dívida em um valor excessivamente
desproporcional ao que é realmente devido.

IV - DA INVALIDADE DA CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS

Sob a alegação do REQUERIDO sobre a possibilidade da capitalização de


juros, possui suas ressalvas, porquanto subsiste o preceito do artigo
4º do Decreto 22.626/33, contrário ao anatocismo, redação não revogada
pela Lei 4.595/64, somente sendo possível nos casos expressamente
previstos em lei, hipótese diversa ao caso concreto.

Ainda assim, como ressaltado em exordial, corroborada com Súmula 121


do STF “É vedada a capitalização dos juros, ainda que expressamente
convencionada”.

Como se não fosse o bastante, alega o REQUERIDO que é inexistente a


capitalização de juros nos financiamentos dos contratados.
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Sendo assim, cabe a análise da interpretação mais favorável ao


CONTRATANTE, no caso o AUTOR, deste modo, pela falta de clareza, que
também lhe é de direito, é cabível o entendimento de que há cobrança
de juros sobre juros.

V – DA COMISSÃO DE PERMANÊNCIA

É admitida a cobrança da comissão de permanência durante o período de


inadimplemento, desde que pactuada e NÃO CUMULADA COM DEMAIS ENCARGOS.

As Súmulas 30 e 296 do STJ trouxeram a afirmação sobre a inviabilidade


da cumulação da comissão de permanência com correção monetária e juros
remuneratórios.

Complementando tal entendimento, atualmente, a Segunda Seção tomou a


decisão de não admitir a cumulação da comissão de permanência com os
juros moratórios e multa, além dos encargos já vedados (correção
monetária e juros remuneratórios):

“É admitida a incidência da comissão de permanência após o


vencimento da dívida, desde que não cumulada com juros
remuneratórios, juros moratórios, correção monetária e/ou multa
contratual.” (“AgRg no REsp 706368 / RS, Relatora Ministra
NANCY ANDRIGHI, Segunda Seção, Data do Julgamento 27/04/2005,
Data da Publicação/Fonte DJ 08.08.2005 p. 179). (grifo meu)

Com relação ao montante da comissão de permanência, o STJ sedimentou o


entendimento, no REsp 1.058.114/RS, no sentido de que não poderá ser
superior aos encargos moratórios e remuneratórios previstos na avença,
quais sejam: “a) juros remuneratórios à taxa média de mercado, não
podendo ultrapassar o percentual contratado para o período de
normalidade da operação; b) juros moratórios até o limite de 12% ao
ano; e c) multa contratual limitada a 2% do valor da prestação, nos
termos do artigo 52, § 1º, do CDC”.

Tendo em vista o exposto, não cabe a sua cumulação com a correção


monetária, juros remuneratórios, juros moratórios e multa, durante o
período de inadimplemento contratual.

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VI – DA COBRANÇA INDEVIDA DE ENCARGOS MORATÓRIOS

A prática realizada pelo REQUERIDO esta em desconformidade com o que


dispõe julgados do TJRS, por serem indevidos encargos moratórios se
são cobrados os remuneratórios, tendo em vista ser vedada a cumulação
destes.

Neste sentido, colaciona-se julgado que segue:

Ementa: APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE


ARRENDAMENTO MERCANTIL. CARÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL
(INCIDÊNCIA DO CDC). Tendo a sentença reconhecido a
possibilidade da revisão contratual consoante às disposições do
CDC, a parte autora/apelante se apresenta, nestes pontos,
carecedor de interesse recursal, impondo-se o não conhecimento
do recurso quanto à matéria. [...] JUROS MORATÓRIOS. Os juros
moratórios são de 1% ao mês, conforme disposto no Resp.
1.061.530. Todavia, diante da manutenção da cobrança dos juros
remuneratórios no período de inadimplência, resta vedada a
incidência dos juros moratórios, porque vedada a sua
cumulação[...] JUROS REMUNERATÓRIOS NO PERÍODO DE
INADIMPLÊNCIA. SIMILITUDE COM A COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. É
possível a cobrança dos juros remuneratórios, previstos para o
período de inadimplência, desde que contratados. Entretanto,
não poderá ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e
moratórios previstos no contrato, ou seja: a) juros
remuneratórios à taxa média de mercado prevista pelo BACEN, não
podendo ultrapassar o percentual contratado para o período da
normalidade; b) juros moratórios até o limite de 12% ao ano e
c) multa contratual limitada a 2% do valor da prestação.
Paradigma do STJ. RESP 1.058.114-RS. Inviabilidade da cumulação
dos juros remuneratórios para o período de inadimplência com
comissão de permanência, correção monetária e demais encargos
moratórios [...] Diante da singeleza da ação, onde não foram
produzidas outras provas além da documental, acolho o pedido de
redução dos honorários advocatícios, formulado pela parte ré.
Apelações Cíveis parcialmente conhecidas e, nesta parte,
parcialmente providas. (Apelação Cível Nº 70053067377, Décima
Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Lúcia de Castro Boller, Julgado em 28/03/2013) (grifo nosso)

Tendo em vista o julgado supra, cabe saliente que é indevido a


cobrança dos juros moratórios sendo que existente se faz a cobrança
dos remuneratórios, por mais abusivos que sejam, para o período de
inadimplência.

VII – DA COFORMIDADE DOS PEDIDOS DA EXORDIAL

Diferentemente do que aludiu o REQUERIDO, os pedidos efetuados pelo


AUTOR são de caráter legítimos, visando proteger seus direitos frente
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às abusividades cometidas, bem como pelas taxas e encargos excessivos,


que tornaram a dívida real do AUTOR em um montante exacerbadamente
desproporcional ao valor devido.

Assim sendo, o REQUERIDO colaciona orientações e súmulas do STJ que


não coincidem com a real perspectiva do caso concreto, sendo elas:

Orientação1 – Como supra relatado, as porcentagens de juros


estipulados de maneira livre pelo REQUERIDO se tornaram
desproporcionais por estarem em total desconformidade com a média dos
mercados dos anos de contrato efetivado.

Orientação 2 – Assim como o princípio da pacta sunt servanda, existem


a função social do contrato que mitiga o primeiro princípio citado em
função da revisão de cláusulas abusivas a uma das partes, como restou
demonstrados nos autos.

Sobre a capitalização mensal, como ressaltado em exordial, corroborada


com Súmula 121 do STF “É vedada a capitalização dos juros, ainda que
expressamente convencionada”.

Assim, verifica-se que a pretensão do AUTOR possui respaldo legal,


jurisprudencial e doutrinário, bem como devem prosperar.

VIII – CABIMENTO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO

Em discordância com a alegação feita pelo REQUERIDO, as taxas cobradas


por esta não estão em conformidades, se tornando onerosas quanto às
prestações dos juros, cabendo assim provimento a repetição de
indébito.

Sendo assim, não deve prosperar o requerimento do REQUERIDO em


desmerecer pretensão que o AUTOR tem por direito expresso no CDC,
restando assim que é admitida a compensação de valores e a devolução
do que foi pago.

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IX – DAS TARIFAS/TAXA E SERVIÇOS E DEVOLUÇÃO EM DOBRO DOS VALORES

Como relatado em exordial, o AUTOR não havia conhecimento da Tarifa de


Contratação e Gravame Eletrônico que o REQUERIDO estava cobrando.

Sendo assim, conforme a negativa do AUTOR cabe ao REQUERIDO, como


dito, a comprovação do que alega, pois como o AUTOR não contratou e
não foi informado dos respectivos serviços, taxas e tarifas,
indiferente das diversas formas de contratação que o REQUERIDO possui,
esta deveria ter preservado em sua instituição o documento probatório
da adesão, caso a contratação se desse por meio do preenchimento e
assinatura do formulário, bem como mediante carta convite, maneiras
apresentadas pelo REQUERIDO como possibilidades em que o AUTOR teria
sido imposto tais tarifas/taxas e/ou serviços.

Ainda assim, o REQUERIDO tende a alegar que o valor cobrado fora


devido.

Veja bem Excelência, tendo em vista a falta de provas oferecidas pelo


REQUERIDO de que a Tarifa de Contratação e Gravame Eletrônico fora
imposto na pactuação do contrato de financiamento, esta não possui
condições de afirmar que os valores cobrados estavam em conformidade
com a legalidade, tendo em vista o AUTOR desconhecer a origem, ou o
que é tais tarifas/taxas e serviços.

Sendo assim, como relatado em exordial se faz necessária a repetição


do indébito por valores cobrados indevidamente.

X - DOS PEDIDOS

Diante do exposto requer a Vossa Excelência a total procedência da


presente ação para condenar o REQUERIDO nos termos do pedido da
exordial, ratificando-os.

Nestes termos, pede deferimento.

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Linhares(ES), 28 de Setembro de 2.016.

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