Você está na página 1de 40

Os paradoxos

IMAGINÁRIO Castor Ruiz


Castor Bartolomé Ruiz é graduado em Filosofia pela Universidade
de Comillas, na Espanha, com mestrado em história pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e doutorado
em Filosofia pela Universidade de Deusto, Espanha. É pós-doutor
pelo Conselho Superior de Investigações Científicas. Atualmente é
professor nos cursos de graduação e pós-graduação em Filosofia da
Unisinos.

Escreveu inúmeras obras, das quais destacamos: Os paradoxos do


imaginário (São Leopoldo: Unisinos, 2003); Os labirintos do poder.
O poder (do) simbólico e os modos de subjetivação (Porto Alegre:
Escritos, 2004) e As encruzilhadas do humanismo. A subjetividade
e alteridade ante os dilemas do poder ético (Petrópolis: Vozes,
2006)
Por uma ontologia da
indeterminação

O que é imaginário? Eis uma questão
singela que todo mundo entende, mas
que provavelmente ninguém pode
responder com exatidão - p. 29


antes da racionalidade consciente,
existia a imaginação - p. 29


a mera racionalidade não constitui a
totalidade da identidade humana,
embora não se possa falar do humano
sem que o racional se explicite - p. 29
JOHNNY MNEMONIC
Dir:
(1995) Robert Longo
MATRIX
(1995)
Dir:
Lana Wachowski,
Lilly Wachowski
LOST
(2004/2010)
Criadores:
Jeffrey Lieber
J. J. Abrams
Damon Lindelof
O HOMEM DUPLO
Dir:
(2007) Richard Linklater

nosso primeiro contato com o mundo
está embalado pela imaginação (...) por
meio das imagens significativas, vamos
tecendo nossa identidade... - p. 30


(...) o imaginário e a imaginação, por
princípio, são indefiníveis - p. 30


na acepção comum, imaginação é sinônimo de alucinação. O real se
contrapõe a imaginação, assim como a verdade, ao erro. O imaginado é
subproduto da racionalidade. Enquanto o racional possui um estatuto
ontológico de verdade - p. 30

na modernidade, estabeleceu-se uma
estreita ligação moral entre o bem e a
racionalidade. Algo é bom e verdadeiro
se é racional. - p. 31


(...) porém, a realidade humana é bem
outra daquele irrelevante divertimento
a que ficou relegada. A relevância da
imaginação e do imaginário não se
restringe ao logos - p. 32

a imaginação e o imaginário constituem
dimensões antropológicas e sociais
interagem com a racionalidade de forma
necessária. Racionalidade e imaginário estão
implicadas numa tensão permanente. Não
há racionalidade, nem ciência ou tecnologia
fora da imaginação, assim como não existe
imaginação fora de dimensão racional,
Ambas se correlacionam, interagem e criam
a partir de dimensão simbólica ao ser
humano - p. 32

não se pode usar indistintamente os termos
imaginação e imaginário. O imaginário
corresponde ao aspecto insondável do ser
humano, em que se produz, além de todos os
condicionamentos psíquicos e sociais, o
elemento criativo; ele constitui o sem fundo
inescrutável da pessoa humana, que
possibilita a imaginação e também a
racionalidade como dimensões próprias do
ser humano - p. 32
FANTASIA Dir:
(1940) Wilfred Jackson,
Hamilton Luske (+)
YELLOW
SUBMARINE Dir:
(1968) George Dunning
ALICE
PAÍS DAS
MARAVILHAS Dir:
(2010) Tim Burton

nunca poderemos solidificar o sem-fundo, o
imaginário, em fórmulas definitórias ou previsões de
tipo lógico, científico ou empírico - p. 32


no instante que modelarmos uma definição plena do
imaginário, petrificaremos o humano - p. 33


o foco de nossa reflexão é a realidade sócioistórica e
não a realidade física - p. 33


[nessa perspectiva] indícios apontam para o conceito
de indeterminação ontológica da realidade - p. 33
o
SHOW
DE TRUMAN Dir:
(1998) Peter Weir
A
VIDA SECRETA
DE WALTER MITTY
Dir:
(2013) Ben Stiller

a ontologia da determinação reduz o antropológico a
algo pré-definido por uma essência, teleologia, leis ou
regularidades - p. 34


ao ousarmos pensar a realidade desde a perspectiva da
indeterminação, emerge um mundo novo de
indefinidas possibilidades do ser - p. 34


ao conceber a realidade como algo indeterminado, a
práxis humana não se limita a descobrir o já implícito,
mas a criar o inédito - p. 34


pensar a realidade como algo indeterminado nos
permite compreender que o humano e o socioistórico
existem enquanto criação real e ontológica - p. 33
A ORIGEM Dir:
(2010) Christopher Nolan
WESTWORLD
Dir:
(1973) Michael Crichton
OS DOZE
MACACOS Dir:
(1996) Terry Gillian
NO LIMITE
DO AMANHÃ
Dir:
(2014) Doug Liman
O
SOBREVIVENTE
Dir:
(1987) Paul Michael Glaser
No decorrer do texto o autor vai discorrer de
forma panorâmica como diferentes “correntes”
trataram da lógica e ontologia da
determinação. Para os clássicos a quem a
objetividade do real está pré-definida, os
modernos, que seguem com a percepção do
ser como algo determinado continua sendo um
objetivo amplamente perseguido.
? “
para explicar a realidade como algo determinado por
uma racionalidade implícita, devemos podar todas as
singularidades que não se adaptam ao modelo (...) - p.
45


muito mais complexo resulta compreender o desejo
humano (...) o funcionalismo não tem respostas para
esses porquês - p. 45

? “
embora as leis e as regularidades sejam parte da
realidade, ambas se estruturam de modo aberto e
indeterminado - p. 45


o homem é pré-visor. Está orientado - como Prometeu
- ao longínquo, ao não presente no espaço e no tempo -
p. 33
? “
só se pensarmos o antropológico e o sociológico e o
socioistórico sob a ótica de uma ontologia da
indeterminação (apeíron), pode existir o tempo real -
p. 47


o ser humano e sociedade são radicalmente
inexplicáveis, porque sua raiz ontológica está
impregnada de indeterminação - p. 47

? “
essa natureza ou modo de ser do humano e do
socioistórico se manifesta na possibilidade de inovar,
de fazer existir algo que não estava pré-visto,
pré-definido anteriormente em nenhum tipo de
essência, teleologia ou lei natural. Essa natureza
criadora se exprime na alteridade diferenciadora das
instituições, das línguas, das personalidades, do ethos
- p. 47
2001
UMA ODISSEIA
NO ESPAÇO Dir:
(1968) Stanley Kubrick
STAR
WARS
(1977)
Dir:
George Lucas
INTERESTELAR
Dir:
(2014) Christopher Nolan
a indeterminação
radical do imaginário

o ser humano, antes de pensar logicamente as coisas,
imagina-as - p. 48


pela imaginação, o mundo deixa de ser apresentação
para se transformar em representação - p. 45


o imaginário é, por natureza, indeterminação radical.
Ele flui como uma força incontrolada e incontrolável
dentro do ser humano e da sociedade - p. 49


[ o imaginário ] se manifesta como fluir criador que
constrói permanentemente imagens com sentido de
um mundo que, por princípio natural, é insignificante
para o resto das espécies - p. 49

[o imaginário] não pode existir senão imbricado na
racionalidade - p. 50


(...) a própria realidade está impregnada pelo poder
criador do imaginário - p.50


o imaginário é pura potencialidade de renovar o
sentido do já existente. Porém essa criação de sentido
só pode expressar-se por meio do logos. Só a lógica
permite especificar as potencialidades criadoras do
imaginário - p. 50
ao pensar uma ontologia da
indeterminação, estamos
resgatando dos porões aquela
que foi habitualmente
considerada a “louca da casa”: a
imaginação
AVATAR
(2009)
Dir:
James Cameron

Você também pode gostar