Você está na página 1de 14

TEMAS PARA O EXAME ESCRITO

1. Explique o conteúdo normativo do cânon 57 (silêncio administrativo) e


indique comentando todas as consequências jurídicas que nele podem
derivar.
Cân. 57 § 1. Sempre que a lei impõe que um decreto seja baixado ou sempre que é
apresentado um pedido ou recurso para a obtenção de um decreto, a autoridade
competente providencie, dentro de três meses, a partir da recepção do pedido ou do
recurso, a não ser que por lei se prescreva outro prazo.
§ 2. Transcorrido esse prazo, se o decreto ainda não tiver sido baixado, presume-se
resposta negativa, no que se refere à apresentação de um recurso ulterior.
§ 3. A presumida resposta negativa não exime a autoridade competente da obrigação
de baixar o decreto e também de reparar o dano eventualmente causado, de acordo
com o cân. 128.
O silêncio administrativo. O silêncio administrativo é um mecanismo para
evitar uma eventual ausência negligente de resposta por parte da Administração, seja
uma situação, prolongada além do prazo razoável estabelecido pela lei e, de incerteza e
indefesa do interessado. Para tal ato jurídico existem fórmulas técnicas que conduzem a
que, transcorrido o prazo determinado sem resposta, o interessado não precisa dirigir-se
de novo à autoridade que não lhe havia respondido para superar sua inércia, porque a lei
atribui um valor jurídico determinado (de afirmação ou de negação) a esse silêncio. Por
isso, desde essa data o interessado pode proceder sobre a base do silêncio
administrativo.
O cânon 57 contém três normas importantes: a primeira obriga à autoridade a
baixar um decreto, no prazo de três meses, sempre que a lei prescreva ou o interessado
apresente legitimamente uma petição ou um recurso para obtê-lo (cf. §1); a segunda
regula as consequências de que, transcorrido o prazo, e a autoridade não cumpre o seu
dever de emitir o decreto se diz que é silêncio administrativo, é a novidade no cânon do
CIC de 1983 (cf. §2) e; a terceira é uma inovação da codificação de 1983, que declara
expressamente a responsabilidade da administração eclesiástica por danos causados
ilegitimamente no exercício da função da autoridade (cf. §3).
A obrigação de prover ante as petições os recursos legítimos. O teor deste
cânon 57 não tem antecedentes no Código de 1917. O Legislador coloca uma novidade
no CIC de 1983, acentua a fórmula técnica da presunção de resposta negativa a efeitos
de um ulterior recurso por parte do interessado; isto regula a defesa dos direitos dos
fiéis, porque impede que a autoridade executiva possa se silenciar quando há uma
situação que deve resolver-se necessariamente emitindo um decreto.
O fundamento necessário da possibilidade de vigência do silêncio administrativo
é a declaração da obrigação de prover por parte da Administração.
Toda petição legítima, feita por uma pessoa juridicamente capaz, devidamente
presentada e razoável, exige da autoridade uma atitude diligente que exclua retraço por
negligência que provocam inseguridades para os fiéis.
Em algum caso, a autoridade executiva está obrigada a dar o decreto singular a
pedido de um fiel. Por exemplo, depois de uma eleição de um fiel, foi escolhido e está
canonicamente legitima, cumpre as condições canônicas de idoneidade e se apresenta
com a petição para a sua confirmação perante a autoridade, o fiel tem direito da
confirmação (cf. cân. 179§2).
Em outro caso, a norma canônica obriga à autoridade a fazer um decreto singular
para que os fiéis possam realizar validamente um ato jurídico. Por exemplo, é necessária
a licença da autoridade executiva para a realização válida de algumas alienações de bens
eclesiásticos (cf. cân. 1291).
A autoridade competente tem verdadeira “obrigação de emitir o decreto” (§3)
quando a lei manda que se emita ou quando um interessado presente legitimamente uma
petição ou um recurso que deve se resolver por decreto (§1).
Legitimamente, quando se refere à apresentação de recursos, significa que deve
tratar-se de um verdadeiro recurso hierárquico e que, portanto, deve cumprir os
requisitos estabelecidos (cf. câns. 1732-1739). A legitimidade das petições deve incluir
também o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo Direito, principalmente
quando se trata de petições regradas, por exemplo, a petição que aparece no cânon 1734,
que deve ser feito por escrito no termo peremptório de dez dias.
A presunção de resposta negativa a efeitos de recurso. O cânon comentado
deixa claro uma obrigação quando a lei prescreve que a autoridade executiva deve dar
um decreto singular, ou um particular faz legitimamente uma petição que deve
responder-se com um decreto singular, o mesmo decreto deve ser emitido pela
autoridade competente dentro de um prazo de três meses.
Transcorrido três meses (cf. câns. 200-203) desde a data da petição ou recurso,
-a não ser que a lei determine outro prazo como por exemplo cf. 1735-, o Direito
presume que a resposta da Administração é negativa, a efeitos o interessado pode
continuar defendendo sua petição em via hierárquica, isto é, ante o superior da
autoridade que deve dar o decreto (cf. cân. 57 §§ 1e2).
Mas, nem essa presunção legal, que tem por finalidade de dar agilidade à
atividade da Administração e contribuir o seu bom uso, nem o fato de que o
administrado utilize a via do recurso hierárquico, eximem à autoridade da obrigação de
emitir o decreto.
Logicamente, se o superior decide o assunto antes de que a autoridade desse a
sua decisão, fica resolvido. Assim também, enquanto a resolução está pendente, a
autoridade pode prover, de maneira que se a sua resposta satisfaz ao destinatário, o
mesmo retirará o recurso, do contrário continuará seu procedimento normal.
Enfim, o único efeito que produz o silêncio -de forma geral, porque em alguns
casos a lei pode estabelecer um silêncio de eficácia substantiva, por exemplo, a
transferência legítima de um clero (cf. cân. 268§1)- é dar ao interessado a possibilidade
de recurso, de modo que se este não chega a apresentar, a situação continua dependente
da decisão da autoridade e não se produz nenhum efeito substantivo.
A responsabilidade da Administração pública eclesiástica por danos. Além
da resposta negativa da autoridade ante a obrigação de emitir o decreto singular, que
não o exime da obrigação de dar o decreto, o cânon 57§3 introduz o reconhecimento
formal da responsabilidade da Administração pública eclesiástica pelos danos causados
ilegitimamente no exercício de sua função. Segundo o § 3, a autoridade tem obrigação
de reparar o dano que há causado conforme o cânon 128.
Toda dilação cometida por negligência pode causar um dano material ou
espiritual aos fieis que confiam em que seus assuntos ou inquietudes possam resolver-se
com celeridade e justiça. Por isso, o cân. 57§3 coloca a responsabilidade para a
autoridade que há causado o dano.
É possível aplicar aos casos em que o silêncio da Administração cause danos que
deveriam ser evitado com uma resposta à petição ou recurso; o § 3 do cânon comentado
trata-se de uma disposição mais complexo que o suposto silêncio administrativo, porque
se remete ao cânon 128 quando se trata de dano, e este cânon estabelece o princípio
universal da responsabilidade canônica por todo dano ilegitimamente causado, seja por
ato jurídico, ou por outro ato feito com dolo ou culpa.
Portanto, em virtude do cânon 57, a autoridade eclesiástica está também sob este
princípio e, responde tanto dos danos causados ilegitimamente pelos seus atos jurídicos,
e entre estes atos realizados incluem também os atos administrativos, assim também
como os causados por outros atos feitos com dolo ou culpa.
A reparação de dano pode ser desde o campo patrimonial ou moral. Por
exemplo, no caso de um grupo de fiéis se encontram desatendidos espiritualmente por
negligência da autoridade em nomear a um pastor próprio; a reparação podia ser de uma
especial atenção para que uma pessoa especial possa compensar a longa carência
espiritual.
Enfim, o modo de reclamar essa responsabilidade, além da via contencioso-
administrativa como está expressamente na Constituição Apostólica Pastor Bonus art.
123§2, cabe apresentar essa reclamação no próprio recurso hierárquico (por exemplo,
cf. cân. 1739), ou por meio de uma petição autónoma à autoridade, quando a causa do
dano não há sido um ato jurídico -administrativo no caso- e, portanto, não haja lugar a
interpor recurso.
2. A potestas sacra: Potestas ordinis e potestas jurisdictionis: o que significa e
quem as possui?
A potestas sacra ocorre por meio de uma dupla missão: divina e canônica. O
Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, deixando clara a
unidade do poder sacro na Igreja, que usa da expressão sacra potestas para designar toda
a potestade, nos seus diversos aspectos e manifestações, que Cristo conferiu a sua
Igreja.
A potestas ordinis é totalmente sacramental e, sendo assim não é delegável, é
sempre exercido e validamente conferido a uma pessoa. Essa vem conferida
exclusivamente com a sagrada ordenação (missão divina). O ato da consagração confere
o oficio e a potestade de exercício (exercitium iuris).
A potestas jurisdictionis, o próprio Concílio Vaticano II usa da clássica tripartição
do poder de regime ou jurisdicional, em administrativo ou executivo, legislativo e
judicial: "Em virtude deste poder os Bispos tem o sagrado direito e o dever perante
Deus de legislar para seus súditos, de julgar e de ordenar tudo que se refere à
organização do culto e ao apostolado"(LG, nº. 27). E, seguindo a orientação do
Concílio, o Código atual já com um caráter mais geral vem afirmar claramente que "o
poder de governar divide-se em legislativo, executivo e judicial" (cân. 135 § 1).
Os órgãos de caráter constitucional que possuem a plenitude da potestas
jurisdictionis, são o Romano Pontífice e o Colégio dos Bispos, em relação com a Igreja
Universal, e cada Bispo na sua diocese. Estes órgãos tem uma potestade que deve
qualificar-se de poder de governo ordinário próprio, de acordo com as noções que se
oferecem no cân. 131 §§ 1 e 2.
Ora, a partir dos cânones 129-144 que integram o Titulo VIII se referem
fundamentalmente a diversos aspectos relativos ao exercício da potestade de regímen ou
jurisdição na Igreja, incluindo também algumas disposições sobre a organização básica
do poder do governo, sobretudo no cânon 134.
A sacra potestas. O termo sacra potestas se encontra em alguns textos do Concílio
Vaticano II e há sido usado frequentemente por teólogos e canonistas. O Concílio utiliza
o termo especialmente na Lumen Gentium. O primeiro texto está incluído no contexto
da distinção entre sacerdócio comum e ministerial: “O sacerdócio ministerial, pelo
poder sagrado de que goza, forma e rege o povo sacerdotal, realiza o sacrifício
eucarístico na pessoa de Cristo e O oferece a Deus em nome de todo o povo” (LG,
nº.10b). E no mesmo documento do Concílio que abre o capítulo dedicado à
constituição hierárquica da Igreja, disse: “Pois os ministros que são revestidos do
sagrado poder servem a seus irmãos para que todos os que formam o Povo de Deus e
portanto gozam da verdadeira dignidade cristã, aspirando livre e ordenadamente ao
mesmo fim, cheguem à salvação” (LG, nº.18a).
Para poder entender melhor este tema desde uma perspectiva jurídica, é necessário
recorrer ao conceito de organização eclesiástica, que parte de uma consideração mais
institucional da Igreja. Na interpretação mais comum, a sacra potestas se identifica com
a função pastoral no sentido lato. É a potestade que corresponde aos ministros sagrados
e mais concretamente à hierarquia, porque se trata da potestade que Cristo transmitiu
aos Apóstolos e a seus sucessores para que em seu nome possa ensinar, santificar e
governar a Igreja.
A sacra potestas não expressa somente, portanto, o poder jurídico, porque inclui
também a capacidade recebida pelo sacramento da ordem de produzir in nomine Christi
os efeitos sobrenaturais vinculados com a confecção e administração dos sacramentos e
com a pregação da palavra divina.
Deve ficar bem claro que não pode desvincular-se radicalmente a potestade de
regime ou de jurisdição, da ordem, participa da mesma natureza sacramental, mas
também não pode se confundir. A potestas sacra conferida por Cristo à sua Igreja, reside
nos ofícios capitais, Romano Pontífice e Colégio dos Bispos e em cada Bispo na sua
Igreja particular.
O cânon 129 pretende indicar quem pode exercer na Igreja a potestade de regime.
No Código atual se inverte a expressão, falando da potestade de regime que também é
chamada potestade de jurisdição. Esta troca é porque o termo jurisdição se pode
confundir, em alguns casos se aplica apenas a uma parte da potestade de regime ou de
governo, a potestade judicial, no entanto que o termo regime se refere claramente a toda
a potestade de governo.
A primeira afirmação do cânon sobre a potestade de regime ou de governo da Igreja
é que existe nela por instituição divina (§1), a própria Igreja é de instituição divina e, é
uma sociedade humana e divina, de natureza sacramental (cf. LG, nº.1). Neste sentido,
portanto, a potestade é o instrumento coerente que participa da mesma natureza
sacramental, que coloca o humano em relação com e ao serviço do divino. E como
indicamos mais acima, o Concílio Vaticano II se refere significativamente sobre a
potestade da Igreja como uma unidade, a que chama como potestade sagrada (cf. LG, nº
10, 18 e 27; PO, nº 2). Na consagração se dá uma participação ontológica das funções
(munera) sagradas, que se distingue em ensinar, santificar e reger.
O cânon 129§1 afirma quem são os sujeitos hábeis para a potestas iurisdictionis, e
são os que hão recebido o sacramento da Ordem, isto é, os clérigos, conforme à norma
das prescrições do direito. Na mesma linha legislativa coloca o cânon 274§1 afirmando
que a norma segundo a qual somente os clérigos podem obter os ofícios eclesiásticos
cujo exercício requer a potestade de ordem ou a potestade de regime.
No seu segundo parágrafo, o cânon 129 afirma que os leigos (cf. cân. 207§1) podem
cooperar no exercício da potestade conforme à norma do direito. Na mesma linha
legislativa que este parágrafo se encontra a determinação segundo a qual a Conferência
episcopal pode permitir que os leigos sejam nomeados juízes para que, caso de
necessidade, um deles possa integrar um tribunal colegiado (cf. cân. 1421§2).
Enfim, a potestas sacra é conferido pelo próprio Cristo aos Apóstolos e por meio
deles aos sucessores: o Romano Pontífice, o Colégio dos Bispos e em cada Bispos na
sua Igreja particular. Assim também, a potestas ordinis é de natureza divina e somente
aquele que recebe a ordem sagrada pode exercer a potestas jurisdictionis em comunhão
com os capitais: Romano Pontífice e os Bispos.
3. Como erigir e como suprimir um Instituto de vida consagrada?
Cân. 579 – Os Bispos diocesanos podem, com decreto formal, erigir institutos de
vida consagrada em seu respectivo território, contando que tenha sido consultada a Sé
Apostólica.
Segundo o cânon 579 do CIC de 1983, um Instituto de vida consagrada se erige por
meio de um decreto formal pelo Bispo diocesano se está no seu respectivo território,
contanto que tenha sido consultado a Sé Apostólica. Também, o cânon 589 fala da
ereção de um Instituto de vida consagrada aprovado por meio de um decreto formal ou
erigido pela Sé Apostólica.
E no cânon 584, o Legislador coloca a supressão de um Instituto de vida consagrada
que é exclusivamente competência da Sé Apostólica. E a supressão em parte de um
Instituto de vida consagrada, a competência é atribuída expressamente ao Capítulo
Geral do Instituto (cf. cân. 585).
Ereção canônica de um Instituto de vida consagrada.
A vida consagrada se vive num Instituto canonicamente erigido pela autoridade
competente da Igreja; a ereção canônica, por tanto, é um requisito fundamental para que
uma associação que reúna as características próprias da vida consagrada, adquira sua
condição jurídica na Igreja. Neste sentido, o cânon 579 determina quem é a autoridade
competente e qual procedimento a seguir para a ereção canônica de um Instituto de vida
consagrada.
A competência é do Bispo diocesano, nominalmente, desta forma ficam excluídos
os outros Ordinários do lugar (cf. cân. 134§3). Porém, para a primeira ereção canônica é
também competência da Sé Apostólica (cf. cân. 589). Se a ereção canônica for feita pelo
Bispo diocesano, o Instituto terá a natureza de Instituto de Direito diocesano e; se a
primeira ereção canônica for feita diretamente pela Sé Apostólica, o Instituto é desde o
começo de Direito pontifício.
O procedimento estabelecido pelo cânon 579 e 589 para a ereção de um Instituto de
vida consagrada é o decreto formal, isto é, mediante um ato administrativo que reúna os
requisitos formais, exigidos para este tipo de atos e, que seja feito por escrito (cf. cân.
51). Ora, convém advertir a este respeito, que por meio desse ato administrativo, o
Bispo diocesano ou no caso a Sé Apostólica, confere existência jurídica ao Instituto,
mas não se converte por isso em fundador do mesmo.
O itinerário ou passos a seguir para erigir o Instituto de vida consagrada pode ser:
-nasce uma associação de fato, bem vista pelo Bispo diocesano, transcorrido um
certo tempo pode ser erigida formalmente como associação e ser dotada de
personalidade jurídica;
-quando a instituição é considerada viável, o Bispo diocesano se dirigirá à Santa Sé
informando com clareza de todo o que seja necessário para que possa ser julgado
seriamente sobre a oportunidade de uma nova fundação. Aqui se trataria da consulta
prévia exigida pelo cânon 579;
-tendo a licença da Santa Sé, o Bispo diocesano pode proceder a ereção formal
como Instituto de vida consagrada e aprovar as constituições;
-quando o instituto, transcorrido um tempo razoável, e cresce de forma notável por
diversas dioceses, tendo um número suficiente de membros e dando provas de
vitalidade, solicita-se o decreto da aprovação definitiva do Instituto e das constituições.
Uma vez formalizada esse decreto, o Instituto se converte de Direito pontifício.
A consulta prévia a Santa Sé ajuda o Bispo diocesano a discernir o carisma da
fundação inicial em linha universal e com objetividade. Porque é necessário conhecer e
aprofundar as motivações para a nova fundação. Por isso, a consulta ajuda a esclarecer
aspectos que não estejam claros ou até contraditórios do novo Instituto. O Bispo
diocesano é o competente para emitir o decreto que formaliza o novo Instituto,
reconhecendo a originalidade do novo carisma, depois de consultada a Santa Sé.
Os carismas não podem ser submetidos a critérios individuais, é necessário que seja
inspiração do Espírito Santo através da pessoa do fundador ou fundadora. É nesse
sentido que a Lumem Gentium, nº. 12b, nos diz que os carismas são dons do Espírito
dados às pessoas para a edificação da Igreja, lembrando o critério, sempre válido, dado
pelo Apóstolo Paulo à comunidade de Corinto (cf. 1Cor. 12,-14).
A norma do Código atual segue o critério da legislação anterior e a recomendação
do Concílio Vaticano II, segundo a qual “na fundação de novos Institutos, ponderem-se
atentamente a necessidade ou pelo menos a grande utilidade, assim como a
possibilidade de desenvolvimento, para que não surjam imprudentemente Institutos
inúteis ou desprovidos de suficiente vigor” (PC, nº.19).
Supressão de um Instituto de Vida consagrada.
Cân. 584 – Suprimir um instituto compete unicamente à Sé Apostólica, a quem se
reserva também decidir quanto a seus bens temporais.
A supressão total de um Instituto de Direito diocesano ou pontifício é de exclusiva
competência da Sé Apostólica. Assim também, o Legislador reserva à Sé Apostólica a
supressão de uma única casa, pode ser única por ser a última, depois de ser extinguida
todas as outras casas, ou por ser a primeira antes de ser erigida outra, porque a supressão
da única casa de um Instituto de vida consagrada é a supressão de toda a Congregação;
o mesmo vale para a supressão de um mosteiro sui iuris de monjas (cf. cân. 609§2).
E enquanto pessoa jurídica pública, o Instituto de vida consagrada tem os bens
temporais que são eclesiásticos; o destino dos bens dispõe também a Sé Apostólica,
muitas vezes, os bens passam para o patrimônio da Igreja local ou a outra pessoa
jurídica eclesiástica, conforme determinação do decreto de supressão emitido pela Sé
Apostólica.
Advirta-se que a reserva à Sé Apostólica se aplica também aos Institutos de Direito
diocesano, mesmo que foi erigido pelo Bispo diocesano, e estão sob seu cuidado (cf.
cân. 594). Isso mostra claramente que todo Instituto de vida consagrada, uma vez
erigido formalmente, já faz parte do patrimônio da Igreja universal, mesmo antes de
receber o decreto formal da aprovação pontifícia.
4. Batismo. Comente:
a) Porta dos sacramentos – sua necessidade, ao menos em desejo –
“condição nova”, realizada por ele – condições para recebê-lo e para
administrá-lo validamente – seu ministro – presença dos pais e
padrinhos – registro.
b) Por que o batizado deve ser crismado?
O Sacramento do Batismo é a porta dos sacramentos. O princípio fundamental
do Batismo é a porta de acesso à vida em espírito e aos demais sacramentos (cf. cân.
842). O Batismo constitui, o homem, pessoa na Igreja, o integra na comunhão dos fiéis
e é a condição indispensável para qualquer direito e dever dentro dela. O Batismo
capacita para receber os demais sacramentos que de outro modo se receberiam
invalidamente. Isto é uma verdade de caráter dogmático que estabelece uma proibição
de administrar os sacramentos a quem não esteja batizado.
O Concílio Vaticano II fala da vontade salvífica de Cristo e afirma que “o único
Mediador e o caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente no Seu corpo, que
é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do
batismo (cf. Mc. 16,16; Jo. 3,5) ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na
qual os homens entram pelo Batismo como por uma porta” (LG. nº.14).
O Concílio Vaticano II enfatiza, na Lumen Gentium nº.9, de uma maneira
singular e clareza, o que outrora era latente na vida e na doutrina dos primeiros séculos
do cristianismo, a igualdade fundamental de todos os fiéis pela virtude do Sacramento
do Batismo. O efeito jurídico da recepção deste Sacramento é: todos os fiéis se
encontram numa situação básica de igualdade e gozam, portanto, de uma condição
comum: a condição jurídico-constitucional do fiel.
A primícia do Legislador tendo em consideração a ênfase jurídica, pode-se
salientar os cânones 204 e 205, quando o Legislador introduz junção da
sacramentalidade do Batismo e da classificação de fieis e sociedade eclesiológica ou
eclesial. O Batismo como porta do céu incorporado a Cristo (a dimensão ontológica), ou
seja, configurado a Cristo (cf. cân. 849). Sendo assim, os efeitos sacramentais do
Batismo são a libertação do pecado -original e pessoal- a filiação divina e a união a
Cristo.
O cânon 201§1 que abre o Estatuto dos fiéis, estabelece os quatro elementos,
essencialmente unidos entre si. São fiéis cristãos: os batizados validamente e; pelo
mesmo fato, incorporados como membros do Povo de Deus que é a Igreja e;
consequentemente, partícipes, cada um, segundo a sua condição, da missão sacerdotal
de Jesus Cristo e; chamados a continuar a missão que Deus encomendou a cumprir à
Igreja e no mundo.
A dimensão jurídica da sacramentalidade do Batismo é a mais fundamental do
Povo de Deus, porque refere-se a todos os fiéis cristãos, sem exceção, desde o Romano
Pontífice até o último batizado de hoje. A condição de fiel, é a mesma em todos os
batizados.
A incorporação ao Povo de Deus leva consigo uma participação na missão
própria da Igreja (cf. cân. 204), pois há um único Povo cujos membros possuem a
mesma dignidade pela sua regeneração em Cristo (cf. LG. 32), em virtude pela qual
todos são iguais. Essa qualidade de membro do Povo de Deus se designa com a palavra
fidelis ou christifidelis (cf. cân. 204 e cân. 96). O vínculo de coesão do Povo de Deus,
concebido como grupo social, é o Batismo. No seio desta sociedade juridicamente
organizada, a condição de fiel é radicalmente uma condição de liberdade, de dignidade,
isto é, liberdade ontológicas.
Também, o batizado possui na Igreja o seu caráter universal. O passaporte
universal para o fiel batizado se chama Batismo. Por isso que o fiel, uma vez
incorporado a Cristo, pode transitar livremente na Igreja Católica; não existe para um
fiel batizado católico uma muralha, ele sempre será acolhido com seu passaporte
indelével que se chama Batismo. É a grandeza da dimensão jurídica do Sacramento do
Batismo. Portanto, através dessa sacramentalidade adquire a personalidade jurídica:
direitos e obrigações (cf. cân. 96).
Nesse sentido, da mesma forma que se fala da dignidade humana, pode se falar
da dignidade cristã. Se da dignidade humana derivam alguns direitos e deveres do
homem, da dignidade cristã derivam uns direitos e deveres do fiel. O caráter batismal é
uma dimensão ontológica que eleva o homem ao plano sobrenatural e faz partícipes em
Cristo, dá uma participação no ser divino.
Após da definição descritiva do fiel cristão, de modo geral (cf. cân. 204,§1), o
cânon 205 destaca o fiel católico, o Batizado na Igreja Católica. A comunhão plena com
a Igreja implica ligação visível com Cristo. É vontade expressa do próprio Fundador da
Igreja, Cristo Nosso Senhor, que a comunhão plena com seu Corpo Místico (cf. LG,
nº.7), o povo de Deus, seja mantida através da fé, dos sacramentos e do regime
eclesiástico.
O cânon 205 salienta que os batizados estão unidos em Cristo e, encontram-se
em plena comunhão na Igreja católica pelos vínculos da profissão de fé, dos
sacramentos e do regime eclesiástico. O embasamento deste cânon corresponde em
grande parte ao n.14 da Lumen Gentium. Lá, de fato, se falava de “incorporados
plenamente à sociedade da Igreja” (que é um conceito jurídico).
Somente os Batizados que se unem a Cristo na sociedade visível católica estão
em plena comunhão com a mesma. São os fiéis que se abrem para a instrução da
doutrina católica, que se santificam pelos sete sacramentos e caminham guiados pelos
pastoreios do Papa, dos bispos e os demais ministros ordenados. Não havendo essa
plenitude de vínculos, não há plenitude de comunhão.
A não plena comunhão tem-se quando falta um ou parte destes três vínculos. Na
realidade, nem todos os batizados estão em plena comunhão com a Igreja católica.
Conforme o Código, de três modos podem um fiel cristão se afastar da plena comunhão
com a Igreja católica: pela “heresia”, isto é, pela negação pertinaz ou dúvida pertinaz,
após a recepção do Batismo, de qualquer verdade que se venha crer com fé divina e
católica; pelo “cisma”, isto é, recusa de sujeição ao Papa ou recusa de comunhão com os
membros da Igreja sujeito ao mesmo; e pela “apostasia”, isto, é, recusa total da fé cristã
(cf. cân.751).
Pode haver comunhão parcial, por exemplo, através do Batismo em Cristo,
celebrado na formula trinitária; como também na presença da Palavra, na presença real
de Cristo Eucarístico, na constituição hierárquica pelo sacramento da Ordem, como por
exemplo, Ortodoxos, Anglicanos..., mas, não a comunhão plena e total. Esta exige:
profissão de fé, contida no Credo Apostólico e no Credo Niceno-Constantinopolitano,
vivência dos sete sacramentos e obediência filial a Suprema Autoridade constituída da
Igreja (cf. UR, nº.3).
Uma última dimensão jurídica do Batismo a salientar encontra-se no cânon 11
do Código de Direito Canônico de 1983 e se refere unicamente aos batizados na Igreja
Católica ou admitidos nela após haver recebido o Batismo válido numa Igreja ou
Comunidade eclesial separada. O Batismo, neste caso não só incorpora à Igreja como
membro, mas determina por sua vez o sujeito passivo das leis meramente eclesiásticas.
A estas leis não estão submetidos quem foram batizados e permanecem numa Igreja ou
Comunidade não Católica. Estão, porém, sujeitos a elas os batizados na Igreja Católica,
mesmo que posteriormente se separe dela notória ou formalmente, a não ser que esteja
previsto expressamente pela lei (cf. câns. 1086; 1117).
O Batismo é um sacramento que se oferece a todos os homens sempre e quando
que ainda não formam parte o Povo de Deus (cf. cân. 864). É verdade que não há
nenhum preceito no Código onde se diga expressamente que todos os homens têm
direito a receber o Batismo, mesmo que guarda relação com o disposto do cân. 748§1.
No entanto, deve ser levado em consideração que todo homem está destinado à
salvação, a ser batizado e, pertencer à Igreja, daí a admissão, inclusive do Batismo de
desejo. O desejo de salvar todo ser humano, por isso Jesus Cristo vem como homem.
Ora, qual é a condição para receber o Sacramento do Batismo? Dito de outra
maneira, quem é capaz de recebe-lo?. O cânon 864 diz: "É capaz de receber o Batismo
toda pessoa ainda não batizada, e somente ela". Neste cânon, o Legislador tutela a
capacidade universal para o Batismo fundada na vontade salvífica de Deus. E coloca
duas condições para a validade de receber o Batismo: "solus homo" e "nondum
baptizatus".
A capacidade de todo ser humano para ser batizado tem seu fundamento, por um
lado na vontade divina de salvar a todos os homens, e por outro, na necessidade da
Igreja e do Batismo para a salvação. E, é importante salientar como falamos
anteriormente, além da capacidade, todo ser humano tem direito de receber o Batismo
sempre que está devidamente disposto. Por isso, ninguém pode ser excluído de recebê-
lo.
O Batismo abre a porta para o batizando a fazer a vida pública da Igreja. Entra
na Igreja tendo uma missão como batizado, por isso, também, é importante trabalhar o
sentido de pertença na comunidade eclesial, sabendo que está inserido no Mistério da
Salvação. Deus salva a todos por meio de Jesus Cristo, por isso todo ser humano não
batizado tem direito de receber o Sacramento do Batismo porque é a via de santificar e
se salvar.
O inciso final do cânon 849 alude aos elementos necessários para a válida
administração: “tantummodo per lavacrum aquae verae cum debita verborum forma”. E
a forma, a teor do disposto nos cânones 846§1 e 853, é a invocação às três Pessoas
Divina, que deve ater ao Ritual em vigor.
O Legislador distingue três tipos de ministros: "Ministro ordinário do batismo é
o Bispo, o presbítero e o diácono, mantendo-se a prescrição do cân. 530, nº.1" (cân.
861). Embora a legislação coloca os três -bispo, presbítero e diácono- de ministros
ordinários do Batismo, não existe, entre eles uma igualdade. Aqui tem-se a Constituição
Hierárquica. O Bispo é o ministro ordinário porque está revestido da plenitude do
sacramento da Ordem, isto afirmam os Padres Conciliares na Lumen Gentium: "O
Bispo, distinguido pela plenitude do sacramento da Ordem, é o "administrador da graça
do sacerdócio supremo" (LG, 26a).
O ministro extraordinário, quando está ausente ou impedido o ministro
ordinário, pode ser um catequista ou outra pessoa destinada pelo Ordinário do lugar. Em
caso de necessidade, qualquer pessoa que tenha a devida intenção e que tenha a matéria
e forma prescritas (cf. cân. 861).
A presença dos pais e padrinhos são importantes. Os pais e padrinhos são os
responsáveis da fé da criança, a semente da graça de Deus, que o Batismo deposita na
alma da criança, deve desenvolver-se num ambiente favorável, pelo que não deveria
batizar a crianças cujos pais não podem garantir a educação posterior, a não ser que os
padrinhos ou outros familiares possam acompanha-los. Por isso, a Igreja não deveria
batizar a filhos que os pais são poucos praticantes ou somente ocasionalmente, eles não
poderão assegurar que, uma vez batizados o filho, poderá o beneficiar da educação
católica exigida pelo sacramento.
Ora, se as garantias oferecidas são suficientes, pela qualidade dos padrinhos ou
porque se apresentam outros familiares, poderiam ser os avôs que se responsabilizam da
criança, se for assim, o sacerdote não deveria recusar o Batismo. Do contrário, quando
as garantias são insuficientes e não há certeza moral, seria mais prudente retrasa-lo, mas
mantendo o contato com os pais para procurar a melhor solução.
No Batismo de crianças, a função dos padrinhos têm dois objetivos
fundamentais: apresentar ao candidato junto com os pais na celebração e obrigar-se com
eles a solidificar as bases para o compromisso futuro da criança com a fé católica (cf.
cân 872). É um dever para acompanhar junto com os pais cumprindo assim sua função
como padrinho (cf. c^n. 774).
No caso de batizado adulto, a função do padrinho consiste em acompanhar o
catecúmeno na comunidade e, no dia da celebração dos sacramentos e na etapa
mistagógica.
O Código estabelece que haja somente um padrinho e se for possível do mesmo
sexo da criança, se forem um casal, isso para dar um sentido de paternidade espiritual,
com a finalidade também de não multiplicar o numero de padrinhos e evitar uma
descontinuidade deste ministério (cf. cân. 873).
Depois da celebração do Sacramento do Batismo, o neófito cristão tem que ser
registrado. Da celebração do Batismo como ato litúrgico deriva o ato jurídico. Nasceu
no seio da Igreja Católica o registro, o direito notarial (cf. 877§1). Para isso, existe o
livro de registro, a partir daquele momento o batizado é cidadão. Ele pertence ao Povo
universal.
A situação jurídica que se deriva da recepção deste Sacramento exige que se
cuidem com as devidas anotações para tutelar não apenas o bem público da Igreja, mas
também os direitos dos fiéis que se adquirem por meio do próprio Batismo.
A importância jurídica do livro de Batismo tem uma finalidade de prova. A
prova de que foi conferido o Batismo é uma questão prática. Por isso, deve-se fazer na
presença do padrinho ou pelo menos de uma testemunha (cf. cân. 875). Tudo isso, para
evitar casos que pode surgir como dúvida de sua celebração, sabendo que o Batismo é
"iuna sacramentorum" (cân. 849).
Aqui estamos tratando da iniciação cristã. Por isso, vamos ver a importância do
batizado ser crismado. Pois, no Batismo, os fieis renascem e se robustecem pelo
sacramento da Confirmação e, finalmente se alimentam com o decorrer da vida na
Eucaristia, de maneira que através destes sacramentos da iniciação cristã, participam
mais e mais dos tesouros da vida divina e progridem na perfeição da caridade.
A fé da Igreja na Confirmação, recolhida no cânon 879, reafirma o caráter
sacramental, que significa a configuração plena com Cristo e a incorporação plena na
Igreja. Na vida mistagógica do fiel batizado, a Confirmação é o crescimento e
robustecimento da vida divina que qualifica ao confirmado para testemunhar Cristo com
as palavras e com as obras, vinculando-o de maneira mais perfeito à Igreja com quem
tem a corresponsabilidade na sua missão. Daí que a Confirmação seja necessária para
receber outros sacramentos como a Ordem (cf. 1033), matrimônio (cf. cân. 1065§1) ou
para ser admitido ao noviciado (cf. cân. 645).
A Confirmação (crisma) como crescimento e robustecimento da vida divina e da
perfeição da caridade explicita a especificidade e a relação harmoniosa existentes entre
o Batismo e a Confirmação, como sacramentos da iniciação cristã. É este um dato
importante que foi posto pelos Padres conciliares no Sacrosanctum Concilium: “Seja
revisto também o rito da Confirmação, para mais claramente aparecer a íntima conexão
deste Sacramento com toda a iniciação cristã. Por este motivo é muito conveniente que
a renovação das promessas do Batismo proceda à recepção deste Sacramento” (SC,
nº.71).
Assim também, os Padres conciliares, no Presbyterorum Ordinis enfatizaram a
Eucaristia dizendo: “Assim a Eucaristia se apresenta como fonte e ápice de toda
evangelização, pois já os catecúmenos são introduzidos pouco a pouco a participar da
Eucaristia, e os fiéis, uma vez assinalados pelo santo Batismo e Confirmação, acabam
por inserir-se plenamente pela recepção da Eucaristia no Corpo de Cristo” (PO, nº.5). E,
o cânon 842§2 diz: “Os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da santíssima
Eucaristia acham-se de tal forma unidos entre si, que são indispensáveis para a plena
iniciação cristã”.
5. Organização interna das igrejas particulares. Em que condição se pode
afirmar que os Conselhos Presbiteral e Pastoral tenham voto deliberativo.
O Conselho Pastoral não poderia ser considerado como um Sínodo
Permanente?
O Conselho Presbiteral é “um grupo de sacerdotes que, representando o presbitério,
seja como o senado do Bispo, cabendo-lhe, de acordo com o direito, ajudar o Bispo no
governo da diocese, a fim de se promover ao máximo o bem pastoral da porção do povo
de Deus que lhe foi confiada” (cân. 495§1). Neste sentido, a função do Conselho
Presbiteral é de assistência ao Bispo no governo da Diocese, ou seja, sua tarefa
fundamental é a de assistir e ajudar o Bispo no governo de toda a Diocese, segundo as
modalidades estabelecidas no direito.
O cânon 500§2 diz: “o Conselho Presbiteral tem voto somente consultivo; o Bispo
diocesano ouça-o nas questões de maior importância, mas precisa de seu consentimento
só nos casos expressamente determinados pelo direito”.
O §2 do cânon ratifica a natureza somente consultiva do Conselho Presbiteral,
porém afirma o princípio segundo o qual o direito pode determinar casos específicos
nos que se requer expressamente seu consentimento, deixando, portanto, aberto o
caminho para uma eventual força vinculante para a suas deliberações.
O cânon se refere de direito expressamente determinados. Este “direito” é universal
ou particular? O Conselho Presbiteral deve ter seus estatutos próprios, este estatuto deve
estar de acordo com o direito universal, redigidos pelo próprio conselho e aprovado pelo
Bispo diocesano. Portanto, o direito que menciona o final do §2, parece mais que se
refere do estatuto.
Porque, o Conselho Presbiteral é um órgão consultivo de natureza particular.
Consultivo porque não tem voto deliberativo, por isso, não pode aprovar decisões que
obriguem ao Bispo, porém, pode ser que em determinados casos reconhecidos pelo
estatuto, possa ser também deliberativo. Isso dependerá do critério do Bispo a quem
cabe aprovar o estatuto. Ora, como órgão de consulta e senado do Bispo, é necessário
haver uma íntima solidariedade entre os conselheiros e o Bispo, expressão sincera da
communio que se configura também na discrição e segredo sobre os assuntos tratados.
Como já afirmamos anteriormente, o Conselho Presbiteral é o órgão consultivo
fundamental do Bispo no exercício dos seus poderes de governo, sendo assim, não se
pode falar de competência específicas do Conselho Presbiteral, pois uma competência
supõe um poder de governo que este conselho não possui, inclusive nem se pode fazer
um elenco exaustivo das matérias que deve tratar, porque seus limites são os próprios
limites do governo episcopal, isto é, coopera estavelmente com a função de governo da
Diocese.
O Código atual reconhece certo valor deliberativo, mesmo que seja de natureza
negativa, pelo menos a dois órgãos diocesanos: Conselho diocesano para assuntos
econômicos e ao Colégio dos Consultores, cujo parecer as vezes tem um caráter
deliberativo negativo.
O Conselho Pastoral, segundo o cânon 514 § 1 “Compete exclusivamente ao Bispo
diocesano, de acordo com as necessidades do apostolado, convocar e presidir o
Conselho Pastoral, que tem somente voto consultivo; também a ele compete publicar o
que foi tratado no conselho”.
O Conselho Pastoral é uma instituição nova no ordenamento canônico. Surge a
partir do Concílio Vaticano II (cf. CD, nº. 27), que expressou com clareza o seu desejo
de que se institua em cada diocese um conselho, presidido pelo Bispo, para estudar e
ponderar questões pastorais e tirar conclusões práticas que orientassem ao Bispo na sua
missão de pastor.

6. Quais são as regras estabelecidas pelo Código de Direito Canônico no que se


refere à licença ou aprovação para a publicação de Livros da Sagrada
Escritura, textos litúrgicos, e ainda para os livros usados na Catequese e no
Ensino Religioso (cf. cân. 825ss)
7. Bens Materiais da Igreja: O que determina a eclesialidade dos bens
temporais e como se diferencia a administração ordinária e extraordinária
destes bens?
8. Vigário da Paróquia de Nossa Senhora Desatadora de Nós converteu uma
senhora batizada e casada validamente na Igreja Assembleia de Deus.
Agora essa senhora quer largar o marido da Assembleia de Deus e se casar
com um homem verdadeiramente católico praticante. O bondoso vigário
disse logo que não havia problema algum, porque na Assembleia de Deus o
casamento não é sacramento. O vigário está certo? Que orientação você
daria?

9. Comente sobre as várias instâncias dos Tribunais Eclesiásticos: suas


especificações, organizações e seus membros (cc. 1417-1445).

10. Descreva minuciosamente as diversas “provas” aceitas pelo Código de


Direito Canônico de 1983.

Você também pode gostar