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PM-MG

POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

Direito Penal Militar


Concurso de agentes

Livro Eletrônico
DOUGLAS DE ARAÚJO VARGAS

Agente da Polícia Civil do Distrito Federal, apro-


vado em 6º lugar no concurso realizado em
2013. Aprovado em vários concursos, como Po-
lícia Federal (Escrivão), PCDF (Escrivão e Agen-
te), PRF (Agente), Ministério da Integração,
Ministério da Justiça, BRB e PMDF (Soldado –
2012 e Oficial – 2017).

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DIREITO PENAL MILITAR
Concurso de Agentes
Prof. Douglas Vargas

SUMÁRIO
Introdução.................................................................................................4
Direito Penal Militar – Concurso de Agentes.....................................................4
Teorias.......................................................................................................6
Autoria.......................................................................................................9
Autor....................................................................................................... 10
Partícipe................................................................................................... 11
Participação – Espécies.............................................................................. 13
Coautoria................................................................................................. 14
Outras Classificações................................................................................. 15
Requisitos do Concurso de Pessoas.............................................................. 19
Autoria Colateral ou Acessória..................................................................... 20
Aspectos Complementares.......................................................................... 22
Comunicabilidade de Condições Pessoais...................................................... 22
Impunibilidade da Participação.................................................................... 26
Agravação, Atenuação e Cabeças................................................................. 27
Cabeças................................................................................................... 29
Resumo.................................................................................................... 30
Questões de Concurso................................................................................ 35
Gabarito................................................................................................... 37
Gabarito Comentado.................................................................................. 38

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Concurso de Agentes
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Introdução

Saudações, querido(a) aluno(a) e futuro(a) integrante da PM-MG!

A aula de hoje está dividida em dois tópicos diretamente relacionados.

Parte I:

• Concurso de Agentes no Direito Penal Militar;

• Tópicos complementares sobre o concurso de agentes.

Como fizemos durante todo o nosso curso, vamos apresentar, ao final da aula,

um resumo dos tópicos abordados.

Logo em seguida, faremos uma breve lista de exercícios com as questões exis-

tentes e atualizadas sobre o tema (as quais, infelizmente, são muito escassas).

Como sempre, faremos o possível.

De todo modo, busque seu café. Esta aula vai ser PESADA na teoria!

Direito Penal Militar – Concurso de Agentes

Cena do seriado “La casa de papel”.

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Dica do professor: NÃO assista – só depois de aprovado(a)!

TÍTULO IV
DO CONCURSO DE AGENTES

Coautoria
Art. 53. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este co-
minadas.

Para colocar de uma forma simples, quando falamos em concurso de agentes,

estamos falando da possibilidade de duas ou mais pessoas concorrerem para

a prática de um ou mais crimes – ao melhor exemplo do que fazem os persona-

gens do excelente seriado La casa de papel.

Entretanto, é claro que o concurso de agentes nem sempre será tão organizado

e romantizado como na série. Existem diversas nuances que devem ser observadas

para que possamos compreender o concurso de agentes, que vai desde o conluio

para praticar um furto simples até o planejamento para realizar um grande assalto.

E o primeiro passo para bem compreender esse instituto, presente de forma

muito parecida no CPM e no Código Penal Comum, é relembrar a classificação dos

delitos em uni e plurissubjetivos:

Essa classificação é importante, pois resulta nas primeiras categorias de con-

curso de pessoas que iremos conhecer:

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Muito bom! Com isso já sabemos o básico:

• o concurso de agentes surge quando mais de um agente atua para perpe-

trar um ou mais crimes;

• o concurso de agentes pode ser eventual, quando o delito poderia ter sido

praticado por um agente só, ou necessário, quando o próprio tipo penal exi-

ge que mais de um autor o pratiquem.

Uma vez que já dominamos esses pontos introdutórios, podemos passar ao pró-

ximo passo: as teorias sobre o concurso de pessoas.

Teorias

As teorias sobre o concurso de pessoas podem ser classificadas da seguinte

maneira:

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Cada uma dessas teorias tem como objetivo distinguir as formas de responsabi-

lização dos autores que agirem em concurso. De forma bastante resumida (que, por

ora, é suficiente para nós), podemos definir cada uma delas nos seguintes termos:

Os conceitos acima são um pouco abstratos, mas com o uso de exemplos se

tornarão mais claros. A princípio, só quero que você tome nota do seguinte:

Das teorias acima, a mais importante para nós é a Teoria Monista ou Unitária, pois

ela é a teoria adotada como REGRA pelo Código Penal Militar.

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Repare bem: a teoria unitária é a regra. Dizemos isso pois ela não é a única,
e também não é adotada de forma absoluta. Por isso devemos considerar que,
embora seja a regra geral, a teoria monista foi adotada pelo legislador de forma
temperada (haja vista a existência de exceções).
Nesse sentido, o que temos no CPM, para a doutrina majoritária (recomendável
para a sua prova), é o seguinte:
• o CPM, em regra, adota a teoria monista;
• excepcionalmente, tanto a teoria dualista quanto a teoria pluralista são ado-
tadas pelo legislador, em casos específicos.

Por exemplo:

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“Mas, professor, eu preciso decorar em quais casos se aplica qual teoria?”

Com certeza não. Isso é praticamente impossível e dificilmente as questões irão

girar em torno desse tema. Os exemplos acima têm o objetivo apenas de te auxiliar

a lembrar dos conceitos e das teorias.

Tenha em mente que o que é essencial é entender que quando dois agentes,

em conluio, praticarem o mesmo delito, estamos diante da aplicação da

teoria monista. Já quando tais agentes praticarem, em um mesmo contexto, cri-

mes diferentes, estaremos diante da teoria dualista ou pluralista, a depender

do caso.

Autoria

O próximo passo que precisamos dar é entender o conceito de autoria.

Você já sabe que aquele que pratica uma determinada infração penal é chamado

de autor. Quanto a isso não há segredo. A questão mesmo é entender como essa

nomenclatura será alterada quando estivermos diante de um crime praticado por

mais de uma pessoa.

É justamente aí que surge a importância as três figuras que iremos estudar

agora:

Com o estudo das figuras acima, poderemos dominar a maneira correta de no-

mear aqueles que se envolvem, em conjunto, em uma prática criminosa, respon-

dendo às seguintes perguntas:

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Mas vamos começar pelo básico: o conceito de autor.

Autor

O autor, nos termos do CPM, é aquele que realiza a figura típica. Em outras

palavras, é o indivíduo que pratica o núcleo, a atividade prevista no TIPO PENAL.

Homicídio simples
Art. 205. Matar alguém:
Pena – reclusão, de seis a vinte anos

No delito acima, por exemplo, deverá ser considerado autor aquele que efetiva-

mente praticar o núcleo do tipo (“matar”). Ou seja, aquele que realiza os disparos,

que desfere as facadas ou que coloca o veneno na bebida. Quem praticar essas

ações é que será considerado o AUTOR do delito.

Tal definição de autoria se dá, pois, o CPM adota a teoria Objetivo-Formal.

São diversas as teorias para definição de quem é o autor de um delito. Entre

elas, cabe mencionar, apenas para agregar em nosso conhecimento:

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Partícipe

O conceito de autor nos leva ao segundo conceito mais importante deste capí-
tulo: o de partícipe.
Ora, se o autor é aquele que pratica o núcleo do tipo penal, o partícipe é
aquele que contribui para a realização do delito, mas cuja ação se limite a ins-
tigar, induzir ou auxiliar o autor principal.
Vejamos um exemplo para deixar esse conceito mais claro:

Kate, tenente da Marinha, pretende matar seu desafeto, o coronel Jack. Com medo
de ser presa, resolve comprar uma arma de fogo com numeração suprimida.
Para isso, Kate procura Sawyer, outro tenente da Marinha, que, ao saber do inten-
to de Kate, por também não gostar de Jack, fornece-lhe uma arma com numeração
suprimida, bem como lhe incentiva moralmente a prosseguir com o intento criminoso.

De posse da arma fornecida por Sawyer, Kate segue em seu intento e desfere 6

tiros contra o coronel Jack dentro do quartel, levando a vítima a óbito.

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Com o exemplo acima, fica bem mais fácil entender a diferença entre o autor e

o partícipe.

Veja que, ao observar os fatos, torna-se mais clara a diferença da conduta do

autor e do partícipe. Entretanto, tome cuidado!

Lembre-se de que, por força da Teoria MONISTA, tanto autores quanto partícipes

irão responder pelo mesmo crime, cada qual na medida de sua culpabilidade.

Por isso, na situação acima, tanto Kate quanto Sawyer irão responder pelo

crime militar de homicídio (art. 205), mesmo que apenas Kate tenha efetivamente

realizado os disparos contra a vítima!

É interessante observar, no entanto, que a responsabilização de Sawyer, em regra,

será mais branda do que a de Kate, haja vista que sua participação tem menor

importância do que a conduta efetiva da autora.

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Participação – Espécies

Embora já tenhamos mencionado a existência de espécies de participação em

nossa aula, é importante apresentar de forma mais clara esse conceito.

A participação pode ser classificada de inúmeras formas, entretanto, duas me-

recem maior destaque para fins de prova de concursos. Vamos a elas:

Primeira Classificação

Segundo a primeira classificação doutrinária que podemos utilizar, a participa-

ção se divide em três categorias:

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Além da classificação acima, temos ainda a classificação a seguir, um pouco

mais complexa, mas também relevante:

Note que ambas as classificações são muito parecidas (só o que muda é a no-

menclatura). Infelizmente, é recomendável conhecer ambas.

Cabe observar que este não é um tópico tão cobrado em provas de con-

cursos, mas vale a pena mencioná-lo, haja vista a tendência crescente do

examinador em cobrar assuntos inéditos ou pouco explorados.

Coautoria

Para o final deste tópico, deixamos o conceito mais simples: o de coautoria.

Coautoria nada mais é do que a autoria praticada por dois ou mais indivíduos!

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No exemplo em que utilizamos, veja que as condutas de Kate e de Sawyer são

bastante distintas em seu conteúdo (ela praticou o núcleo do tipo, e ele apenas se

limitou a auxiliá-la).

Entretanto, em alguns casos, ambos os envolvidos irão praticar o núcleo

do tipo penal. Quando isso acontece, não há que se falar em autoria e parti-

cipação, mas em COAUTORIA!

Exemplo: Kate & Sawyer decidem furtar a casa de Jack, seu comandante.

Sabendo que este estava viajando, ambos pulam o muro de sua casa e arrombam

a porta.

Kate subtrai o televisor de 75 polegadas, enquanto Sawyer subtrai um MacBook

Pro, ambos de propriedade do coronel.

Na situação acima, note que AMBOS os participantes praticaram o núcleo do

tipo penal (subtraíram coisa alheia móvel), de modo que não podemos falar em

autoria e participação, e sim em coautoria!

Outras Classificações

Para finalizar este tópico, precisamos ainda apresentar dois conceitos de autoria

que podem ser utilizados pelo examinador. São eles:

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Veja que a autoria direta é simples. O indivíduo deseja praticar um delito, toma

a iniciativa e realiza a conduta. Simples assim.

Já no caso da autoria indireta ou mediata, o autor faz uso de um terceiro, ma-

nipulando a situação para atingir seu intento. É muito importante perceber que o

terceiro não pode saber o que está fazendo, pois, do contrário (agindo de forma

voluntária), estará participando do crime!

E isso nos leva ao ponto-chave deste trecho da aula:

Na autoria mediata, não há concurso de pessoas!

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Esse ponto é importante, pois pode ser utilizado pelo examinador para elaborar

uma pegadinha, afinal de contas, o terceiro também possui um envolvimento fá-

tico no crime, embora sem consciência do que faz. Por isso, não se deixe levar

meramente pelo ato praticado: sempre analise o contexto da questão!

Vamos deixar isso mais claro com um exemplo:

Exemplo: Locke, Tenente do Exército, trabalha como Médico na enfermaria do

órgão.

Durante o expediente, é procurado por Tenente Sayid, o qual está realizando o

atendimento de um desafeto de Locke.

Sayid, sem saber da desavença entre ambos, pede a Locke que o ajude a preparar

a medicação, a qual Locke substitui por veneno incolor.

Sayid injeta a medicação no paciente, levando-o a óbito.

Analisando apenas os fatos acima, foi Sayid que praticou o núcleo do tipo

penal (matar alguém) ao injetar o veneno nas veias do paciente. Dessa forma, se

Sayid tivesse praticado tal conduta de forma consciente, estaríamos diante de um

caso claro de coautoria entre Sayid e Locke.

Entretanto, conforme estudamos, este é um caso de autoria mediata, pois Locke

utilizou-se de Sayid como um instrumento para seu intento. Sayid de nada sabia e, por

isso, não será responsabilizado. Não há concurso de agentes nesse caso!

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Outro ponto importante: a autoria mediata não ocorre apenas em situações


nas quais um terceiro é utilizado como instrumento por força de um ardil ou de um
erro de fato.

Em todas as situações acima, haverá autoria mediata, de modo que não existirá
o concurso de agentes. Vamos verificar alguns exemplos para facilitar o entendimento:

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Requisitos do Concurso de Pessoas

Para determinar que realmente ocorreu o concurso de pessoas, existem alguns

requisitos. Este ponto de nossa aula é de extrema importância, pois irá permitir a

diferenciação do concurso de pessoas com outro instituto muito cobrado pelos exa-

minadores: a chamada autoria colateral (a qual estudaremos ainda hoje).

Mas, antes de mais nada, vamos verificar quais são os requisitos para que haja

concurso de pessoas:

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Autoria Colateral ou Acessória

Antes mesmo de apresentar o conceito de autoria colateral, tome nota:

Agora que já deixamos isso bem claro, vamos explicar com calma o que é a fa-

mosa autoria colateral. E, para isso, nada melhor do que um exemplo:

Exemplo: Tony e Steve têm um desafeto em comum: Thanos.

Separadamente e sem saber da intenção um do outro, Tony e Steve decidem

emboscar Thanos e colocar veneno em sua bebida.

Ambos, em momento oportuno e de forma separada, colocam veneno na garrafa

de água de Thanos, que horas depois bebe e vem a falecer.

Na situação acima, veja que a conduta de ambos tinha o mesmo objetivo: o ho-

micídio. Ambos os agentes tinham a mesma intenção e praticaram atos que tinham

o condão de atingir o resultado desejado.

Entretanto, você se lembra dos quatro requisitos para a existência do concurso de

pessoas? Pois um deles era o chamado liame subjetivo, a unidade de desígnios!

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O agente delitivo tem que querer trabalhar em concurso com seu comparsa,

devem desejar participar do mesmo crime (atuar de forma conjunta). O que acon-

teceu no exemplo acima é o contrário: mera coincidência!

Não havia ajuste e tampouco conhecimento dos desígnios de cada um. Dessa

forma, não haverá concurso de pessoas, e sim autoria colateral.

Autoria Colateral

Autoria colateral é aquela que ocorre quando duas ou mais pessoas, simulta-

neamente, contribuem para a produção de resultado criminoso de modo

INDEPENDENTE, sem atuar de forma conjunta (não há liame subjetivo

entre os agentes).

Como já mencionamos, unidade de desígnios NÃO se confunde com ajuste prévio!

É perfeitamente possível que, em uma determinada situação, dois agentes con-

tribuam para um mesmo delito sem ajuste prévio, mas COM unidade de de-

sígnios. Por exemplo:

Brad decide agredir Tom, seu desafeto. Ao encontrá-lo andando pela rua, inicia as

agressões contra a vítima.

Acontece que naquele momento está passando pela rua a pessoa de Will, que

também não gosta de Tom. Ao ver que Brad está agredindo seu desafeto, Will parte

para a briga, com o objetivo de participar das agressões à pessoa de Tom.

Cabe informar que Will nunca antes havia visto Brad em sua vida. Apenas não gos-

tava de Tom.

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Na situação acima, veja que Will e Brad sequer se conheciam. Não havia ajus-

te prévio algum, mas, ainda assim, houve unidade de desígnios (ambos queriam

participar do mesmo delito). Dessa forma, está configurado o concurso de agentes

nesse caso!

Aspectos Complementares

Até o momento, nós já aprendemos o seguinte:

• o que é o concurso de pessoas;

• qual a diferença entre autor, coautor e partícipe;

• situações em que há e que não há concurso de pessoas;

• requisitos do concurso de pessoas;

• classificações e teorias sobre o concurso de pessoas.

Com isso, todo o aspecto básico deste assunto já está apresentado, restando-

-me apresentar alguns conceitos mais complexos, mas que não podem ser ignora-

dos. Vamos a eles!

Comunicabilidade de Condições Pessoais

Condições ou circunstâncias pessoais


§ 1º A punibilidade de qualquer dos concorrentes é independente da dos outros, de-
terminando-se segundo a sua própria culpabilidade. Não se comunicam, outrossim, as
condições ou circunstâncias de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.

Este tópico é um pouco chato, porque é cheio de conceitos abstratos. Mas não

se preocupe, pois vamos trabalhar de forma gradual até chegar à compreensão

perfeita desse conceito.

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Em primeiro lugar, para bem entender esse ponto, você precisa saber o que é

uma ELEMENTAR:

Elementares são os dados que integram o tipo penal. Exemplo:

art. 205 do CPM – Matar alguém.

Sabendo disso, precisamos entender também o que são as circunstâncias do

ponto de vista penal:

Circunstâncias são outros dados relacionados ao crime, que não afetam o

tipo penal básico, mas que podem influenciar a pena cominada.

Um bom exemplo está no parágrafo 1º do crime de furto, previsto no Código Penal

Comum:

§ 1º A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso

noturno.

Agora que você sabe o que são elementares e o que são circunstâncias para fins

penais, podemos adentrar a questão da pessoalidade.

Tanto as elementares quanto as circunstâncias podem ou não ter caráter pes-

soal. Veja só:

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Excelente. Já sabemos diferenciar circunstâncias, elementares, e também como

entender se as mesmas possuem caráter pessoal ou não. Podemos enfim tratar da

chamada comunicabilidade das elementares e circunstâncias!

Em outras palavras, podemos entender quando é que as circunstâncias e elemen-

tares aplicáveis a um autor irão “passar” para os demais no concurso de pessoas!

A regra é a seguinte:

Confuso, certo? Calma que, com os exemplos, tudo vai ficar mais fácil. Imagine

a seguinte situação:

Indivíduo pratica um homicídio sob domínio de violenta emoção, logo em seguida

de injusta provocação da vítima (homicídio privilegiado).

Nessa situação, se houver concurso de pessoas, a circunstância subjetiva do homi-

cídio privilegiado não vai se comunicar ao coautor/partícipe, que não estava sob

domínio de violenta emoção!

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Sabe por que essa circunstância pessoal não se comunica? Porque ela não é

uma elementar do crime (não faz parte do caput do art. 121, ou seja, não integra

o tipo penal de homicídio).

Entretanto, vejamos uma situação em que a circunstância pessoal é elementar

do crime (integra a descrição do tipo penal):

Peculato
Art. 312. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro
bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo,
em proveito próprio ou alheio:
Pena – reclusão, de dois a doze anos, e multa.

Agora sim! Aqui temos uma circunstância pessoal (a qualidade de funcionário

público) que é uma elementar do crime (integra a descrição do art. 312).

Nessa situação, se o coautor ou partícipe de um delito de peculato não for

funcionário público, mas tiver ciência de que está em concurso de pessoas

com um funcionário público, responderá também pelo delito de peculato, pois

a circunstância de caráter pessoal irá se comunicar a ele!

Ainda nesse sentido, vejamos mais um exemplo extraído do Código Penal Co-

mum:

Infanticídio
Art. 123. Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o
parto ou logo após:
Pena – detenção, de dois a seis anos.

No delito de infanticídio, o autor, via de regra, é a mãe da criança, que, duran-

te o parto ou logo após, tira a vida de seu próprio filho.

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Entretanto, note que a circunstância pessoal (influência do estado puerperal)

também integra o tipo penal do art. 123. Dessa forma, suponha que a mãe peça

uma faca para um terceiro que está na sala, logo após o parto, e este terceiro a

auxilie fornecendo o objeto.

O terceiro responderá como partícipe do delito de infanticídio, pois a

circunstância de caráter pessoal irá se comunicar!

E aqui finalmente compreendemos a regra aplicável ao CPM, que é semelhante

à regra contida no CP:

Comunicabilidade de circunstâncias de caráter pessoal

Se a circunstância é de caráter pessoal, não se comunicará (será, em regra,

INCOMUNICÁVEL), salvo se ELEMENTAR do tipo penal.

Impunibilidade da Participação

Casos de impunibilidade
Art. 54. O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição em contrá-
rio, não são puníveis se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

Outra observação relevante (e relativamente simples) está na previsão do art.

54 do CPM, que apresenta a chamada impunibilidade da participação.

Aquele que atua como partícipe, por força desse artigo, somente será punível

se o crime chegar ao menos a ser tentado.

Dessa forma, se um indivíduo sugere, instiga ou auxilia alguém na prática de um

crime, este só irá responder penalmente se a execução do delito ao menos se iniciar.

Imagine a seguinte situação:

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Mildred decide matar Bill, seu desafeto. Jason, amigo de Mildred, atua como partíci-

pe do delito, ao lhe incentivar a praticar a infração penal, bem como fornecendo-lhe

uma faca afiada para perpetrar a ação criminosa.

Mildred, no entanto, desiste do delito, não chegando sequer a iniciar sua execução.

Em circunstâncias como as apresentadas acima, e tendo em vista que empres-

tar uma faca não constitui crime autônomo, Jason não poderá ser responsabilizado

penalmente por sua conduta de partícipe do delito de homicídio, haja vista que o

crime nunca entrou na esfera de execução!

Agravação, Atenuação e Cabeças

Para que possamos finalizar (e exaurir) esse tema, falta falar sobre os parágra-

fos 2º, 3º, 4º e 5º do art. 53 do CPM, os quais merecem ser lidos na íntegra. Vamos

começar pelos casos de agravação de pena:

Agravação de pena
§ 2º A pena é agravada em relação ao agente que:
I – promove ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agen-
tes;
II – coage outrem à execução material do crime;
III – instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade, ou não
punível em virtude de condição ou qualidade pessoal;
IV – executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa.

Ou seja, em casos de coautoria e participação, temos quatro hipóteses em que a

pena do agente será aumentada, dependendo da forma com que este decide atuar

na prática delitiva:

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Já quanto às atenuantes, temos a seguinte previsão legal:

Atenuação de pena
§ 3º A pena é atenuada com relação ao agente, cuja participação no crime é de
somenos importância.

Participação de “somenos importância” é o jeito “chique” de o legislador dizer

que o partícipe pouco fez na prática do crime (trata-se de uma participação menor,

pouco relevante).

Segundo a doutrina, essa atenuante é de aplicação OBRIGATÓRIA, devendo a pena

do indivíduo ser atenuada nesse caso.

Além disso, cabe informar que a doutrina considera essa atenuante uma EXCEÇÃO

à teoria MONISTA (que é a regra geral adotada no CPM).

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Cabeças

§ 4º Na prática de crime de autoria coletiva necessária, reputam-se cabeças os que di-


rigem, provocam, instigam ou excitam a ação.
§ 5º Quando o crime é cometido por inferiores e um ou mais oficiais, são estes conside-
rados cabeças, assim como os inferiores que exercem função de oficial.

Por fim, o último conceito que precisamos apresentar é o de cabeça, que nada

mais é do que aquele que tem o papel de direção, provocação da ação (basica-

mente estamos falando de liderança no âmbito criminal).

Esse conceito é especialmente importante no âmbito militar, pelo seguinte mo-

tivo:

Oficiais, por força do princípio da hierarquia, sempre serão considerados cabeças

quando figurarem em concurso com Praças na prática de um delito!

Por esse motivo, se um Coronel é autuado criminalmente em concurso com um

Sargento, por exemplo, independentemente de sua responsabilidade no de-

lito, será considerado CABEÇA nos termos do parágrafo 5º do CPM.

Tome nota:

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RESUMO

Concurso de Agentes

Classificação Relevante dos Crimes

Teorias sobre o Concurso de Pessoas

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Classificações quanto à Autoria

Autor

• O autor, nos termos do CPM, é aquele que realiza a figura típica.

Partícipe

• O partícipe é aquele que contribui para a realização do delito, mas cuja

ação se limite a instigar, induzir ou auxiliar o autor principal.

Espécies de Participação

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Coautoria

• Coautoria nada mais é do que a autoria praticada por dois ou mais indivíduos!

Autoria Mediata

• Autoria Mediata ou Indireta se dá quando o autor, com o domínio da vontade

de praticar o delito, utiliza-se de terceiro para realizar seu intento.

Requisitos do Concurso de Pessoas

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Autoria Colateral ou Acessória

• Autoria colateral é aquela que ocorre quando duas ou mais pessoas, simul-

taneamente, contribuem para a produção de resultado criminoso de modo

INDEPENDENTE, sem atuar de forma conjunta (não há liame subjetivo entre

os agentes).

Comunicabilidade de Condições Pessoais

• Se a circunstância é de caráter pessoal, não se comunicará (será em regra

INCOMUNICÁVEL), salvo se ELEMENTAR do tipo penal.

Impunibilidade da Participação

• Aquele que atua como partícipe, por força do art. 54 do CPM, somente será

punível se o crime chegar ao menos a ser tentado.

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Agravação

Atenuante

• A pena é atenuada com relação ao agente, cuja participação no crime é de

somenos importância.

Cabeças

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (CESPE/STM/JUIZ-AUDITOR/ADAPTADA) Com relação ao concurso de agentes,

o CPM adotou, como regra, a teoria dualista.

2. (CESPE/STM/JUIZ-AUDITOR/ADAPTADA) A participação não é possível nos cri-

mes de autoria coletiva necessária, como, por exemplo, o crime de rixa.

3. (CESPE/STM/ANALISTA JUDICIÁRIO) O CPM, ao estabelecer que aquele que, de

qualquer modo, concorrer para o crime incidirá nas penas a este cominadas, ado-

tou, em matéria de concurso de agentes, a teoria monista.

4. (CESPE/STM/ANALISTA JUDICIÁRIO) O CPM, ao adotar o princípio da participa-

ção de menor importância, estabeleceu uma exceção à teoria monista do concurso

de agentes.

5. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) No cálculo da pena de crimes militares em que

haja concurso de pessoas, as condições ou as circunstâncias de caráter pessoal dos

coautores serão consideradas apenas nos casos em que os agentes tenham cons-

ciência dessas condições ou circunstâncias.

6. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) O CPM tipifica como causa de aumento da

pena o fato de um agente dirigir as atividades dos demais agentes envolvidos no

evento delituoso.

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7. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Se o crime for praticado com o concurso de

dois ou mais oficiais, a pena desses oficiais deverá ser aplicada em dobro.

8. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Agente cuja participação no crime seja de me-

nor importância deve ser apenado na mesma proporção que os demais agentes

envolvidos no delito.

9. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Se o crime for cometido por inferiores junta-

mente com um ou mais oficiais, estes, assim como os demais inferiores que esti-

verem exercendo função de oficial, serão considerados cabeças da ação delituosa.

10. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Se o crime for cometido por inferiores junta-

mente com um ou mais oficiais, estes, assim como os demais inferiores que esti-

verem exercendo função de oficial, serão considerados cabeças da ação delituosa.

11. (CESPE/STM/ANALISTA JUDICIÁRIO) Considerando-se que, em relação ao con-

curso de agentes, o CPM possui disciplinamento singular, entendendo o “cabeça”

como o líder na prática de determinados crimes, é correto afirmar que, havendo

participação de oficiais em crime militar, ainda que de menor importância, para to-

dos os efeitos penais, eles devem ser considerados como “cabeças”.

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GABARITO

1. E

2. E

3. C

4. C

5. E

6. E

7. E

8. E

9. C

10. C

11. C

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GABARITO COMENTADO

1. (CESPE/STM/JUIZ-AUDITOR/ADAPTADA) Com relação ao concurso de agentes,

o CPM adotou, como regra, a teoria dualista.

Errado.

Na verdade, conforme estudamos, a regra adotada pelo CPM é a teoria MONISTA,

e não dualista, como afirma a assertiva.

2. (CESPE/STM/JUIZ-AUDITOR/ADAPTADA) A participação não é possível nos cri-

mes de autoria coletiva necessária, como, por exemplo, o crime de rixa.

Errado.

Claro que é possível a participação nesses casos. Concurso necessário não obsta

que um indivíduo atue como autor e outro como partícipe!

3. (CESPE/STM/ANALISTA JUDICIÁRIO) O CPM, ao estabelecer que aquele que, de

qualquer modo, concorrer para o crime incidirá nas penas a este cominadas, ado-

tou, em matéria de concurso de agentes, a teoria monista.

Certo.

Exatamente! A regra geral no CPM é a adoção da teoria monista. Simples assim!

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4. (CESPE/STM/ANALISTA JUDICIÁRIO) O CPM, ao adotar o princípio da participa-

ção de menor importância, estabeleceu uma exceção à teoria monista do concurso

de agentes.

Certo.

Com certeza. Exatamente como apresentamos, a doutrina majoritária considera

que a participação de menor importância é uma exceção à teoria monista no âmbi-

to do concurso de agentes!

5. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) No cálculo da pena de crimes militares em que

haja concurso de pessoas, as condições ou as circunstâncias de caráter pessoal dos

coautores serão consideradas apenas nos casos em que os agentes tenham cons-

ciência dessas condições ou circunstâncias.

Errado.

Vamos relembrar o que dispõe o art. 53, parágrafo 1º, do CPM, em seu trecho final:

Art. 53.
§ 1º [...] Não se comunicam, outrossim, as condições ou circunstâncias de caráter pes-
soal, salvo quando elementares do crime.

Conforme estudamos, o essencial não é APENAS que os agentes tenham ciência. É

necessário que as condições de caráter pessoal sejam ELEMENTARES do crime para

que a comunicabilidade seja possível.

6. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) O CPM tipifica como causa de aumento da

pena o fato de um agente dirigir as atividades dos demais agentes envolvidos no

evento delituoso.

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Errado.

Pegadinha esperta (e antiga) do CESPE, mas que pode ser utilizada pelas mais di-

versas bancas. Causa de aumento de pena é uma coisa, agravante é outra.

O art. 53, parágrafo 2º, do CPM apresenta agravantes, dentre as quais está listada

a hipótese narrada na assertiva:

Art. 53.
§ 2º A pena é agravada em relação ao agente que:
I – promove ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos de-
mais agentes;
II – coage outrem à execução material do crime;
III – instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade, ou não
punível em virtude de condição ou qualidade pessoal;
IV – executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa.

7. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Se o crime for praticado com o concurso de

dois ou mais oficiais, a pena desses oficiais deverá ser aplicada em dobro.

Errado.

Questão maldosa, mas que vale a pena ser inserida para ressaltar a importância

da leitura do texto de lei, a qual muitas vezes basta para a resolução de algumas

questões:

§ 5º Quando o crime é cometido por [...] um ou mais oficiais, são estes considerados
cabeças, assim como os inferiores que exercem função de oficial.

Note que o referido artigo não menciona a aplicação da pena em dobro, e menciona

apenas UM ou mais oficiais, não dois, como asseverou o examinador.

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8. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Agente cuja participação no crime seja de me-

nor importância deve ser apenado na mesma proporção que os demais agentes

envolvidos no delito.

Errado.

Mais uma questão extraída diretamente do texto de lei. Vamos relembrar:

§ 3º A pena é atenuada com relação ao agente, cuja participação no crime é de somenos


importância.

Veja, portanto, que não estamos diante da aplicação da mesma pena, mas sim de

uma pena ATENUADA, diferentemente do que afirma a questão em estudo.

9. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Se o crime for cometido por inferiores junta-

mente com um ou mais oficiais, estes, assim como os demais inferiores que esti-

verem exercendo função de oficial, serão considerados cabeças da ação delituosa.

Certo.

E de novo o examinador se baseou apenas no texto legal. Vejamos:

Art. 53.
§ 4º Na prática de crime de autoria coletiva necessária, reputam-se cabeças os que di-
rigem, provocam, instigam ou excitam a ação.
§ 5º Quando o crime é cometido por inferiores e um ou mais oficiais, são estes conside-
rados cabeças, assim como os inferiores que exercem função de oficial.

10. (CESPE/TJ-DFT/JUIZ/ADAPTADA) Se o crime for cometido por inferiores junta-

mente com um ou mais oficiais, estes, assim como os demais inferiores que esti-

verem exercendo função de oficial, serão considerados cabeças da ação delituosa.

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Certo.

E de novo o examinador se baseou apenas no texto legal. Vejamos:

Art. 53.
§ 4º Na prática de crime de autoria coletiva necessária, reputam-se cabeças os que di-
rigem, provocam, instigam ou excitam a ação.
§ 5º Quando o crime é cometido por inferiores e um ou mais oficiais, são estes conside-
rados cabeças, assim como os inferiores que exercem função de oficial.

11. (CESPE/STM/ANALISTA JUDICIÁRIO) Considerando-se que, em relação ao con-

curso de agentes, o CPM possui disciplinamento singular, entendendo o “cabeça”

como o líder na prática de determinados crimes, é correto afirmar que, havendo

participação de oficiais em crime militar, ainda que de menor importância, para to-

dos os efeitos penais, eles devem ser considerados como “cabeças”.

Certo.

Veja como os examinados gostam desse tema sobre os “cabeças”, peculiar ao Di-

reito Penal Militar.

Como você já sabe, de fato, os oficiais, em razão da posição que ocupam na hie-

rarquia militar, são sempre considerados cabeças, mesmo em caso de participação

de menor importância.

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