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O Deus do sexo © 2007 Editora Cultura Cristã.

Originalmente publicado em inglês com o título The God ofsex ©


2006 by Peter Jones. C ook Com m unications Ministries, 4050 Lee Vance View, Colorado Springs, Colorado
80918 USA. Traduzido e publicado com permissão.

I a edição - 2007
3.000 exemplares

Tradução
Julio Severo

Revisão
Claudete Água de Melo
W ilton Vidal de Lima

Editoração
Rissato

Capa
Leia Design

Conselho Editorial
Cláudio Marra (Presidente), Ageu Cirilo de Magalhães Jr., Alex Barbosa Vieira, André Luiz Ramos,
Fernando Ham ilton Costa, Francisco Baptista de Mello, Francisco Solano Portela Neto,
Mauro Fernando Meister e Valdeci da Silva Santos.

Jones, Peter

J785d O deus do sexo / Peter Jones [tradução Julio Severo] - São Paulo: Cultura Cristã, 2007.

240p. ; 16x23 cm.

Tradução de The god of sex


ISBN: 85-7622-181-0

1. Vida Cristã 2. Sexo 3. Apologética I.Jones, P. lI.Título.

CDD - 248.85

s
6DITORR CUITURR CRISTR
Rua M iguel Teles Jr., 394 - C E P 01540-040 - São Paulo - SP
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Superintendente: Haveraldo Ferreira V argas


Editor: Cláudio Antônio Batista Marra
Para minha esposa,
para meus sete filhos e seus cônjuges,
e para meus nove netos.

“Herança do S e n h o r são os filhos; o fruto do ventre, seu


galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos
da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não
será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.”
(SI 127.3-5)

Nous nous verrons à Branches!


S u m á rio

Introdução: Deus e Sexo: U m a C om binação E s tra n h a ................... 7


Prólogo: O C om eço da H istória ........................................................... 9

PARTE UM
A Sexualidade Segundo a Visão Pagã de Deus
1. Fora com o Velho: Faça Amor, não G u e rra ............................... 15
2. Q ue Saia o Velho: A M orte de D e u s ........................................... 31
3. Entra o Novo: A U topia Sexual V in d o u ra .................................. 43
4. Homossexualidade: O Sacramento Sexual do Paganismo
Religioso ............................................................................................. 63
5- Conseqüências Destrutivas Involuntárias................................... 81

PARTE DO IS
A Sexualidade Segundo a Cosmovisão Bíblica
6. Deus e o S exo.................................................................................... 103
7. O Nascim ento do Sexo................................................................... 117
8. A M orte do S e x o .............................................................................. 137
9. Sexo Renascido e o Futuro ............................................................ 153
10. Sexo Renascido e o P re se n te .......................................................... 171
11. Sexo Assustador: N ão T e m a ........................................................... 187
Epílogo: O Restante da H is tó r ia ........................................................... 195

B ibliografia................................................................................................. 197
N o ta s ............................................................................................................ 201
Guia do L e ito r........................................................................................... 235
Introdução

D e u s e S e x o : U m a C o m b in a ç ã o E s t r a n h a

Deus e sexo fazem uma estranha combinação. Aliás, essas duas realida­
des parecem estar em extremos opostos no espectro de valores. Deus repre­
senta a santidade celestial, desligada do corpo; o sexo é a própria essência do
prazer físico exigente — porém os dois jamais hão de se encontrar!
O sexo e os papéis sexuais são temas delicados entre os freqüentadores
de igreja.1Alguns afirmam que a questão é de im portância periférica para o
evangelho. M esmo nos círculos ortodoxos, alguns evitam o debate com o
argum ento de que “não se trata de uma questão confessional”. E claro que
não, já que as nossas confissões do século 16 foram escritas antes da “libera­
ção da sexualidade” da década de 1960. Desde então, porém , o sexo se tor­
nou a questão impulsora da cultura. Se os cristãos não acharem coragem para
lidar com o ensino bíblico sobre o sexo, eles despertarão um dia e verão a si
mesmos e o evangelho com pletam ente marginalizados. Os gays “espirituais”
com acerto vêem a conexão profunda e orgânica. Diz Christian de la H uerta,
um ativista gay. “A sexualidade abrange ou permeia todos os outros aspectos
da nossa hum anidade; é um a parte integral de quem nós som os.”2
E nquanto isso, nossos jovens cristãos suplicam aos líderes eclesiásticos
um debate honesto a respeito do assunto. U m pastor de estudantes univer­
sitários diz: “Nossos jovens na faixa dos 20 anos estão imersos num a cultu­
ra de desvio sexual e a igreja tem perm anecido em silêncio”.3 Cara H u n t,
âncora de noticiário de T V de 28 anos de idade, em Fairbanks, Alaska, e
um a cristã dedicada, sente-se “particularm ente incom odada com os eufe-
m ismos e outras táticas para evitar debates francos sobre os papéis sexuais e
a atividade sexual”.4
As igrejas mais im portantes não têm problem a algum , já que há m ui­
to deixaram de se preocupar com confissões. Portanto, elas batizam a libe­
ração sexual com o a nova obra do Espírito e se m anifestam em favor do
senhorio de Cristo, a centralidade da cruz — e, ao m esm o tem po, em favor
do casam ento gay P Porém, essa distorção é cham ada de “m ercantilização”
religiosa. N o nosso m undo consum ista com em os chocolate, porém nunca
paramos para pensar sobre onde o cacau foi cultivado ou sobre os trabalhado­
res que o colheram ou sobre o processo que finalmente levou o chocolate
8 O Deus do sexo

para os nossos superm ercados. O chocolate é sim plesm ente um produto


sem contexto que consum im os quando temos vontade. Fazemos tam bém
isso com a religião.
M uitos cristãos são com o um episcopal sobre o qual li, que adora a
liturgia de sua igreja, mas tam bém passa horas fazendo exercícios de ioga.
Pelo m enos alguns desses cristãos estão representados num a pesquisa cana­
dense que inform a que quase m etade dos participantes de ioga afirma crer
tanto na reencarnaçao quanto na ressurreição. U m observador que tem
discernim ento nota: “Até mesmo um a leve compreensão de um dos dois
conceitos os reconheceria com o incompatíveis, mas ao arrancar cada um de
suas tradições, a m entalidade consum ista... sem base algum a insiste em
achar um m odo de adotar ambos”.6 O m undo espera um a resposta m elhor
daqueles que afirm am ser cristãos.
D eus e o sexo estão relacionados de uma m aneira complexa. Por am or
aos nossos jovens, às nossas igrejas, à nossa sociedade e ao nosso m undo, é
im perativo que entendam os a conexão entre teologia e sexualidade. E hora
de lidar com a sexualidade no contexto da cosmovisão. Lauren W inner,
que escreveu um livro corajosam ente honesto sobre sexo, com o título de
Real Sex, com preende essa necessidade. Ela escreve:

Precisam os p erg u n tar se o p o n to de p artida para se dar u m testem u n h o


bíblico sobre sexo é a citação isolada do m an d am en to proibitivo, ou se um a ética
bíblica sobre sexo com eça em vez disso com a to talidade da Bíblia, a narrativa do
am o r red en to r de D eus e a tentativa de a h u m an id ad e refletir isso p o r m eio de
nossas instituições e p ráticas... Se enxergarm os as Escrituras não m eram ente com o
um código de c o n d u ta, mas com o um m apa da realidade de D e u s ... a igreja
precisa não m eram ente recitar versículos bíblicos descontextualizados, porém
fu n d am en ta r a nossa ética na vivência fiel da plenitude do evangelho.7

O Deus do sexo é um a tentativa de explicar o m otivo pelo qual a


nossa cultura m oderna ultim am ente “espiritual” libera o sexo e o m otivo
pelo qual a Bíblia restringe o sexo ao casam ento heterossexual. Sua m eta
não é trazer de volta os Estados U nidos da década de 1950. N o final das
contas, o debate acerca do sexo não é um conflito entre tradicionalistas
tensos e futuristas da m oda. Em vez disso, em ergem duas m aneiras de ver
a sexualidade a partir de duas opções religiosas eternas ligadas a duas vi­
sões de m u n d o fundam entais.
Nas palavras do psiquiatra Jeffrey Satinover, a m aneira com o regula­
m os a sexualidade é “um dos índices mais reveladores de um a civiliza­
ção”.8 N a verdade, a m aneira com o a regulamos decidirá a sobrevivência
da nossa civilização.
Prólogo

O C o m e ç o d a H is t ó r ia

Estava fria e tem pestuosa aquela noite na cidade universitária do M eio-


Oeste, mas tive a sensação, à m edida que a m inha palestra ia se desenvol­
vendo, de que a tem peratura tinha continuado a subir. M eu tem a, afinal,
era controverso. Ao descer da plataforma, reparei num hom em grandalhão
saindo do auditório e cam inhando até m im com passos largos. Ao fitar os
olhos no colosso de 1,86 de altura a partir de m inha altura de 1,73 e obser­
var o olhar no rosto dele, fiquei pensando se eu havia acabado de fazer a
m inha últim a palestra sobre esse tem a específico. Ele não disse nada; tudo
o que fez foi jogar um papel amassado na m inha m ão e se afastar. Aquelas
poucas palavras rabiscadas estão agora fixadas na parede do m eu escritório,
e ainda falam comigo:

E stou com raiva, m u ita raiva! Percebo que as coisas que estão in citan d o a
m in h a ten tação e stã o ... servindo de com bustível p ara to d o este m o v im en to
paganista [sic\ ... m as ao m esm o tem po ainda ten h o esses desejos — droga!

Ele saiu da m inha vida e eu nunca mais o vi.


C om o cristão, você fica im aginando com o conversar com alguém que
é gay*. Você tem conhecidos gays que insistem em que você aprove o estilo
de vida deles se quiser a amizade deles? Declarar que os homossexuais são
“infratores” não vai ajudar, já que as bases morais da nossa sociedade vêm
sendo redefinidas. U m cartaz levado na Parada Gay de San Diego diz tudo:
“Ele é seu Deus. Elas são suas leis. Você é que vai para o inferno”.1 Não
podem os mais apelar para um a autoridade m áxim a ou noção de D eus
com um ente sustentada. C itar versículos da Bíblia para gays e outros peca­
dores sexuais pode na verdade ser contraproducente. Isso é irônico, já que os
cristãos sempre tentam pregar o evangelho, e esse evangelho afirma que “to­
dos [o que definitivamente me inclui] pecaram e carecem da glória de Deus”.2
Jeffrey Satinover — que aconselhou m uitos gays e escreve com sabe­
doria e autoridade acerca do m ovim ento hom ossexual — adverte que,
em bora a presente norm alização da hom ossexualidade aum ente a proba­
bilidade de que um jovem adote um estilo de vida hom ossexual, ele ta m ­
bém crê que a “zom baria, a rejeição e a condenação punitiva dura do
10 O Deus do sexo

[hom ossexual] com o pessoa terá a m esm a pro b ab ilid ad e de levá-lo à


m esm a posição”.3 E nfrentam os um a situação delicada no testem u n h o
cristão m o derno.
A m edida que a cultura começa a norm alizar a hom ossexualidade e os
evangélicos “progressistas” lançam acusações desdenhosas de “irracionalidade”,
“preconceito religioso” e “discurso de ódio” contra aqueles que defendem
um a perspectiva bíblica acerca do sexo, vai se agigantando no horizonte o
espectro de conflito grave entre o testem unho bíblico fiel e um a poderosa
ideologia religiosa pagã. Os cristãos que têm am or pelos perdidos e coragem
de defender a verdade têm de chegar a entender a profunda “teo-lógica” da
cosmovisão da Bíblia com relação à sexualidade.
Foi isso o que foi sugerido naquela fria noite no m eu encontro com
m eu interlocutor gay alto que, ao nada dizer, disse tudo.
PARTE UM

A S ex u a lid a d e S e g u n d o
V isão P agã de D eus
Introdução
A Parte U m , “A Sexualidade Segundo a Visão Pagã de D eus”, nos
convida a fazer as perguntas profundas com relação aos m otivos po r trás
da noção de sexualidade que é ensinada aos nossos filhos em m uitas esco­
las e que é vista nas telas de televisão de hoje. Aqueles que pensam que
essa perspectiva de sexo liberado é um a idéia com pletam ente nova preci­
sam saber que, na verdade, é um a volta a um a cosm ovisão m u ito mais
antiquada. Aliás, a cosmovisão que se propõe hoje é a m esm a que as reli­
giões pagas igualm ente antiquadas p ropunham . E stranham ente, no ter­
ceiro m ilênio recebem os a o p o rtunidade de escolher duas visões de m u n ­
do igualm ente “antigas”.
H á um a profunda correlação entre um a com preensão m onística de
Deus e as questões práticas da espiritualidade — de m odo particular, a
sexualidade. A com preensão pagã de Deus com o um a força espiritual d en ­
tro da natureza produz um a desconstrução das norm as heterossexuais. O
politeísmo produz a “polissexualidade”. Por trás das m uitas escolhas sexuais
estão m uitos deuses. Se tivermos de tom ar decisões sábias num tem po de
insanidade cultural, precisaremos pelo m enos entender as profundas ques­
tões que explicam para onde está indo a nossa cultura.
Capítulo 1

F ora com o V elho:


F aça A m o r , N ão G uerra

C om e m others and fathers


T h roughout the land
A nd d o n t criticize
W h at you can t understand
Your sons and your daughters
Are beyond your com m and
Your old road is
Rapidly agin’.*
Bob Dylan

A Revolução Sexual da Década de 1960 na “América Cristã”

De certo m odo, D ylan (o poeta do que vim a considerar a verdadei­


ra revolução am ericana) apreendeu o caráter “apocalíptico” dos tem pos
da sua m úsica de 1963 “T h e T im es T h ey Are a -C h a n g in ” [Os tem pos
estão m u d an d o ].
O utra música de sucesso daquela época a descrevia com o “T h e Age o f
D estruction” [A era da destruição], ou com o “T he Eve o f D estruction” 1
[As vésperas da destruição], e outra música de sucesso do grupo H air da
década de 1960 de m odo preocupante dava boas-vindas à “Age o f Aquarius”
[Era de Aquário] — em bora pareça que ninguém realm ente tivesse en ten ­
dido o que isso significava. Para os revolucionários da década de 1960, o
velho tinha de ir e o novo tinha de ser instalado. Isso incluía desconstruir a
sexualidade-padrão do ancient regime.

* Venham mães e pais / Em todo o país / E não critiquem / O que vocês não conseguem entender
/ Seus filhos e suas filhas / Estão além do seu controle / Seu cam inho do passado está envelhe­
cendo rapidam ente.
16 O Deus do sexo

T em os de ob serv ar dois passos no processo da d e sco n stru ç ã o :


(1) a normalização do excesso heterossexual e (2) a normalização da hom os­
sexualidade. A m oralidade sexual “tradicional” está em farrapos, em grande
parte por causa do im pacto de um hom em , Alfred C. Kinsey.2

Alfred C. Kinsey e a Destruição do Sexo “Norm al”

M uito antes que a revolução cultural irrompesse em âm bito popular


na década de 1960, Kinsey falava para grandes m ultidões em universidades
na nação inteira e no m undo, persuadindo-as de que as norm as sexuais
tradicionais eram falsas e de que o hom em americano era prom íscuo, bus­
cava apenas prazer para si e era consideravelmente homossexual. H oje, pou­
cos se lem bram de Kinsey (1894-1956). Até mesmo um im portante filme
sobre a vida dele, estrelado por Liam Neeson, não conseguiu reviver sua
m em ória, já que acabou sendo um fracasso financeiro. C o n tu d o , os estu­
dos de Kinsey, com eçando com sua potente bom ba Sexual Behavior in the
H um an M ale [A conduta sexual do macho hum ano] (1948), o entronizaram
com o pai da revolução sexual.
D e que m odo a ciência de Kinsey era objetiva? Uns lhe dão m uita
im p o rtân cia com o um grande pesquisador que, baseando-se em fatos,
liberou o sexo das correntes do pensam ento puritano. O u tro s “o difa­
m am com o um a fraude cuja ‘ciência m edíocre’ legitim ou sua própria pre­
ferência pessoal pela decadência m oral”.3 Até m esm o acadêm icos sim pa­
tizantes de Kinsey discordam . C ientistas esquerdistas tais com o A braham
M aslow, Lionel Trilling e até m esm o M argaret M ead condenaram Kinsey
por trair a ciência ao criar dados falsos sobre a vida sexual dos am ericanos.
Am bos os seus biógrafos o consideram um bravo pioneiro e reform ador,4
porém um deles revela que Kinsey “tinha casos com hom ens, incentivava
casam entos abertos entre os m em bros da sua equipe, estim ulava-se com
inserções uretrais e cordas e filmava atividade sexual em seu sótão”.5 Ele
chega a p o n to de justificar o trabalho de Kinsey ao dizer: “N ão deveria
nos surpreender que os apelos em prol de tolerância sexual viriam de um
indivíduo que não conseguia ser ele mesmo em público.6 U m com enta­
rista do trabalho de Kinsey crê que o grande interesse de Kinsey pelo
desvio sexual tinha origem no fato de “suas próprias ambigüidades sexuais”,7
indicado pelo estranho testem unho de um hom ossexual que participou
das entrevistas de Kinsey e que afirm ou ter passado setecentas horas sozi­
n ho com Kinsey.8
Fora com o velho: faça amor, não guerra 17

Enquanto buscava demonstrar mediante pesquisa que a “pansexualidade”9


era a norm a, Kinsey foi claram ente m otivado por interesses pessoais. Ele
foi tam bém m otivado pela ideologia. R eagindo co n tra um rígido pai
m etodista que o obrigava a ir à igreja três vezes no dom ingo, Kinsey, com o
adulto, cria que era um cientista, livre de ideologia. Para ele “a religião e a
m oralidade eram inimigas odiadas que serviam de obstáculo para a liberda­
de sexual... nenhum a atividade sexual era a n o rm al... o hom em era m era­
m ente um anim al com um grau elevado de inteligência”.10 É claro que isso
tam bém é ideologia. E. M ichael Jones identifica essa ideologia com mais
clareza com o um com prom isso de raízes profundas com a “evolução bioló­
gica e social”. Kinsey argum entava que o desvio e/ou a diferença era o m a­
terial “do qual a natureza realiza o progresso... nas diferenças entre os h o ­
mens residem as esperanças de um a sociedade que está sem pre m u d an ­
do”.11 E agora óbvio que esse pré-com prom isso ideológico determ inou o
que Kinsey descobriria em sua pesquisa.12
Apenas um a geração depois de Kinsey e da revolução sexual da década
de 1960, os valores sexuais fundam entais da cultura am ericana estavam se
desm oronando. A norm alidade da sexualidade hom em -m ulher e do casa­
m ento heterossexual havia sido abandonada. Esse desm oronam ento cultu­
ral e espiritual constitui a verdadeira revolução americana.
James H . Jones, biógrafo de Kinsey, tinha isto a dizer sobre o legado dele:

Kinsey m orreu crendo que a sua cruzada para p ro m o v er atitudes sexuais


mais esclarecidas não havia o b tid o êxito. N o en ta n to , em 1957, u m ano depois
de sua m o rte, a decisão R oth do Suprem o T ribunal lim ito u a definição de obsce­
nidade, am p lian d o a abrangência das proteções constitucionais p ara cobrir um a
extensão mais am pla de obras que retratam o sexo nas artes, na literatu ra e nos
filmes. Em 1960, introduziu-se a pílula de controle da n atalidade, que oferecia
um m étodo altam en te eficiente de contracepção. Em 1961, Illinois se to rn o u o
prim eiro E stado a revogar suas leis co ntra a sodom ia. N o an o seguinte, o S u p re­
m o T ribunal decidiu que um a revista que exibisse fotografias de h o m en s nus não
era obscena, de m odo que não estava sujeita à censura.
E ntão, em 1973, n u m a reversão dram ática, a A ssociação A m ericana de
Psiquiatria tirou a hom ossexualidade de sua lista de psicopatologias. Kinsey, o
atorm entado hom em da ciência, havia prevalecido}''

O Poder Destrutivo do Excesso Heterossexual

A história da revolução sexual está bem docum entada.14 O fenôm eno


é tão imenso que é difícil fazer um a medição. M uitos hom ens e m ulheres
com uns, de acordo com as promessas da revolução, m udaram suas vidas
18 O Deus do sexo

particulares, crendo que essas m udanças ajudariam a criar um a sociedade


m elhor e mais aberta. Antes de Kinsey, as pessoas cham avam o am or se­
xual de “o ato conjugal”. Depois de Kinsey, os limites para a expressão
sexual foram perdidos. Eis alguns exemplos para nos ajudar a entender aon­
de chegam os depois desse período desconstrutivo.

Destruição via Pornografia

Q u an d o a nossa cultura deixou para trás a norm a da sexualidade de


um hom em e um a m ulher, um dos efeitos inesperados foi o encontro even­
tual da pornografia e o ciberespaço. Esse encontro tecno-sexual liberou uma
onda sem precedente de liberação sexual por meio da pornografia da Internet.
N ão estam os nem no começo de avaliar as conseqüências que essa obsessão
voyerista — que vê o sexo oposto m eramente como objeto de prazer pessoal
— terá na alma m oral da nossa cultura.

A pornografia da Internet

Estações rodoviárias são lugares deprim entes, principalm ente tarde


da n o ite, e sem pre parecem estar localizadas nas partes mais pobres da
cidade. Q u a n d o eu estava no sem inário, certo dom ingo, tarde da noite,
estava aguardando um ônibus depois de ter passado um grande dia na
igreja com meus amigos, inclusive m inha futura esposa. Q u a n d o m e en­
costei cansado na parede, eu o vi. Ele usava a clássica capa de chuva, tinha
o colarinho virado para cima e capuz abaixado -— o m aior dos detetives.
M as o seu disfarce não era bom o suficiente. R econheci um dos meus
respeitados professores dirigindo-se para a zona de prostituição. Em bora
ten h a sido criado com o evangélico, seu m undo teológico se desm oronou
com a ofensiva do liberalism o, e ele acabou se to rn an d o um porta-voz
estridente contra a fé de sua juventude. Suas visitas às prostitutas vieram
antes ou depois de seu declínio espiritual?
Revelo m inha idade quando digo que naqueles dias ele tinha de ir à
zona de prostituição para satisfazer seus desejos lascivos. Se estivesse vivo
hoje, ele poderia perm anecer em seu confortável escritório e receber sexo
ilícito pela Internet. Seus alunos jamais saberiam. A rede de T V CBS con­
firma o que eu digo: “N o espaço de um a geração, um produto que no
passado era disponível nos becos das cidades grandes se to rnou com um ,
entregue agora diretam ente nas casas e nos quartos de hotéis por algumas
das maiores empresas dos Estados Unidos”.13 N a mesma m edida em que as
empresas de Internet faliram na década de 1990, a pornografia on-line pros­
Fora com o velho: faça amor, não guerra 19

perou — um a das poucas indústrias que com sucesso cobram por conteúdo
on-line. Um a pesquisa recente revelou que um terço dos usuários de Internet
na A lem anha regularm ente visita sites pornográficos. As estatísticas são se­
m elhantes no restante do O cidente e nos Estados U nidos. Eis alguns fatos
assustadores acerca da invasão da pornografia:

• M edia M etrix, que rastreia a utilização da In te rn e t, afir­


m a que os sites pornográficos são o destino preferido dos usuários
de I n te r n e t.16
• Em 2002, estimava-se que a indústria pornográfica on-line
dos Estados U nidos gerou aproxim adam ente 1 bilhão de dólares
em rendim entos anuais, e alguns na indústria esperavam que essa
estatística crescesse de $5 para $7 bilhões durante os próxim os cin­
co anos, a não ser que surjam m udanças inesperadas.17 Em 2005,
estima-se que seja um a indústria de $13 bilhões.18
• As empresas européias de pornografia estão explorando a
possibilidade de um a listagem no mercado de ações.
• Nos Estados U nidos, as Empresas Playboy pagaram $70 m i­
lhões por três redes de T V pornográfica. C om sua decisão de aban­
donar sua política de apenas pornografia leve, suas ações se eleva­
ram im ediatam ente cerca de 12 por cento.
• O avanço mais recente, jogos eróticos e videoclipes p orno­
gráficos para usuários de celulares, duplicará, quando tudo estiver
no lugar, os lucros da indústria, dando à pornografia o atributo de
presença ilim itada em todos os lugares. A notícia deprim ente, de
acordo com os especialistas legais, é que hoje é praticam ente im ­
possível reverter a tendência da pornografia na In te rn e t.19

M uitas vezes, a pornografia é justificada com o um m odo de escapar


dos limites apertados da m oralidade “tensa” para que a pessoa possa desco­
brir a própria personalidade natural, verdadeira e sexualm ente liberada. É
por isso que, ao desconstruir o sexo, a pornografia tem de ser levada às
escolas do segundo grau — para liberar nossos filhos!

A Pornografia no Ensino Secundário

A diversidade é um elem ento obrigatório da orientação que os estu­


dantes recebem na m aioria das faculdades dos Estados U nidos e agora está
sendo prom ovida nas escolas do segundo grau. O s sinos patrióticos tocam
20 O Deus do sexo

ao som de frases tais com o “one m an-one vote” [ou seja, cada cidadão tem
o poder do voto - N .T.], “liberdade e escolha pessoal” ou “tolerância”.
Porém , diversidade pode ser um pretexto para se introduzir perversidade.
Os educadores radicais estão tentando m inar qualquer noção de estruturas
m orais judeu-cristãs-padrão na m ente da geração que está vindo. D eborah
M . Roffm an, educadora sexual, debateu acerca das roupas dos estudantes
nesta “citação do dia” do jornal N ew York Times-,

Já é de esperar que crianças e adolescentes testem os limites; ficam os p reo ­


cupados se não eles o fazem. M as a m ensagem agora é que não há lim ites.20

“O s adolescentes estão tendo mais sexo — e pegando mais doenças”


ao “se voltarem para condutas sexuais que eram em outros tem pos conside­
radas tabu”, declara o U.S. News & World Report.21 Até m esm o a revista
USA Today se queixa: “O fato de que existem adolescentes de escolas do
segundo grau film ando atos sexuais e de fato produzindo pornografia é um
com entário triste sobre o que está acontecendo com a nossa c u ltu ra ... Pro­
vavelm ente não se trata de um a situação isolada”.22 Em bora alguns estejam
pedindo que se aplique a total extensão da lei a esses estudantes que p rodu­
zem pornografia com adolescentes, em vez de irem para a cadeia, eles pode­
rão sim plesm ente ir para a faculdade.

Pornografia na Faculdade —
a Faculdade como Carnaval do Sexo?23

Q ualquer pessoa que tenha filhos na faculdade tem de se preocupar


com o estado da sexualidade no câmpus. Duvido que poderíam os chegar a
ver, na história dos Estados Unidos ou na história inteira do O cidente “cris­
tão”, um artigo com o o intitulado “Bordel no D orm itório: O s Novos Fes­
tejos Sensuais e as Faculdades que Os Deixam A contecer”.24 Em nossas
instituições de “ensino superior” que educam a elite da próxim a geração, o
inferno inteiro está à solta. O autor, um respeitado professor da Loyola
College em Baltimore, expressa um clamor do coração particularm ente
com ovente enquanto relata de prim eira mão a conduta anim alística dos
estudantes que ainda não se graduaram. O que o deixa ainda mais incom o­
dado do que a conduta de alunos do segundo ano nas faculdades é a atitude
da adm inistração de sua faculdade católica romana, que faz tudo o que
pode para facilitar o carnaval sexual. O nam oro está fora de m oda, o
que está na m oda é ficar. Quase como animais, os jovens fazem contato
genital sem sequer se conhecerem . Já não existe nenhum a estrutura social
Fora com o velho: faça amor, não guerra 21

que im pediria a sexualidade de ser qualquer coisa além do que um apetite a


ser satisfeito. Para citar o autor: “N a m aior parte dos dorm itórios mistos
das faculdades americanas, a carne das nossas filhas está sendo diariam ente
servida com o lanches baratos”.
Nesse contexto, a pornografia (e não só a heterossexual) é honrada
com o tema digno de estudo acadêmico, principalm ente agora que as fem i­
nistas acadêmicas lhe deram a luz verde.25 A pornografia disponível inclui
imagens de intercurso heterossexual e homossexual, m asturbação, sexo en­
tre pessoas e anim ais, sadom asoquism o, bondage [prática sexual que envol­
ve prender fisicam ente, com cordas ou algemas, um dos parceiros - N .T .],
estupro, incesto e m uito, m uito mais, tudo justificado no nom e da elevada
m eta da liberação sexual.
A Wesleyan University em M iddletow n, O hio, começa com os fun­
dam entos, oferecendo um seminário cham ado “Pornografia: O Estilo de
Expressão das Prostitutas”. Nessa e em outras universidades, um a indústria
sexual reabilitada é agora parte do currículo. As atrizes pornográficas ope­
ram no circuito universitário de palestras. Por exemplo, A nnie Sprinkle,
um a “artista de desem penho” como ela é por eufem ism o conhecida, lotou
um auditório da Wesleyan para exaltar o valor da prostituição e disse aos
estudantes: “A resposta para a pornografia ruim não é proibir a pornografia,
mas tentar m elhorar a pornografia”.26 Os alunos estão tentando o m elhor
que podem , fazendo filmes pornográficos de si mesm os e de seus amigos e
m ostrando os resultados em sala de aula — do m esm o m odo que os rapazes
da escola do segundo grau, mas dessa vez para obter pontos acadêmicos. O s
pais devem ficar pensando no motivo por que eles pagam mais de 30 mil
dólares por ano para enviar seus filhos a um a universidade que os ensina a
se entregar à pornografia e criá-la. Alguns dão de om bros e dizem, ainda
um tanto surpresos: “E isso o que os jovens fazem hoje em dia, fazem po r­
nografia na escola”27 — com o parte do currículo acadêm ico. A Trinity
College de H arford ofereceu um a aula de filosofia, no o utono de 2000,
sobre as questões legais e políticas que envolvem a pornografia e a prostitui­
ção.28 O fato de ter sido sancionada pela torre de m arfim criou transgressão
sem sentim ento de vergonha — instrução superior para a natureza inferior.
C om a normalização acadêmica da lascívia, não é de adm irar que os
governos da Europa ocidental estejam concedendo benefícios de saúde e
previdenciários para prostitutas autorizadas pelo Estado — em nom e da de­
mocracia.29 E útil explicar o docum ento das Nações Unidas, a Convenção
sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação [contra a M ulher],
22 O Deus do sexo

adotada em 1969. Esse docum ento — cham ado de declaração internacio­


nal de direitos das mulheres e já ratificado por 180 países — recom enda a
descrim inalizaçao da prostituição e a eliminação dos estereótipos tradicio­
nais das m ulheres no papel de m ãe.30 Em toda a história hum ana, n en h u ­
m a geração nascente foi tão inundada de pornografia ou tão levada a achá-
la norm al. U m livro escrito por um jovem de 21 anos disse tudo com o seu
título de duas palavras: Porn Generation [Geração pornográfica].31 Depois
de m uito pensar, eu digo o seguinte: Só dá para deter a podridão quando se
com preende claram ente o m odo como o C riador pretendia que as coisas
fossem. D o contrário, com o civilização estamos condenados.

Aborto — a Desconstrução do Papel de Mãe

N a Escócia, que em outros tem pos foi calvinista, há agora um aborto


para cada cinco nascim entos vivos e em algumas regiões um aborto para
cada três.32 Nos Estados Unidos, a cada ano ocorrem aproxim adam ente
1.370.000 abortos, de acordo com o Instituto Alan G uttm acher.33 O abor­
to vem colocando grande núm ero de moças debaixo do feitiço da trans­
gressão e na teia em aranhadora da im potência moral da autojustificação. A
D ra. Beverly M cM illan, obstetra-aborteira em Jackson, M ississippi, final­
m ente teve de admitir:

Fiquei d ep rim id a a p o n to de pensar em suicídio, e acho que os abortos


tin h a m algo a ver com isso ... C o m a técnica que eu usava, tín h am o s de reju n tar
as partes. A realidade ficou sim plesm ente forte d e m a is... [o que m e fez a b a n d o ­
nar] foi olh ar para os corpos e perceber [que] cinco m in u to s antes, cada pedaço
fazia parte de um belo corpo.34

A D ra. M cM illan finalm ente desistiu depois de anos de prática de


abortos. Ela não conseguia mais justificar o seu trabalho. U m especialista
cristão em ética observou que quando a consciência, estim ulada pelo senti­
m ento de culpa, é abafada, nada perde de sua força. A força é apenas
redirecionada, levando uma pessoa a mais e mais transgressões.35 O fenô­
m eno é ilustrado nas letras das músicas que a artista popular M ary Prankster
cantou num evento da N ational O rganization for W om en (N O W ) / O rga­
nização N acional de M ulheres [uma das maiores entidades defensoras do
aborto nos EUA —N .T .]: “Vai prender-m e àquela grande bom ba de sucção
e despedaçar aquele pedacinho de cadáver que está crescendo dentro de
m im ”.36 A desumanização e destruição de bebês delicados e de frágil sensi­
bilidade m oral são essenciais para se desconstruir os valores tradicionais e
para se prom over as metas da revolução sexual.
Fora com o velho: faça amor, não guerra 23

A Desconstruçao da Família Tradicional

Em bora os relacionam entos sexuais fora do casam ento sempre tenham


sido um a tentação, algo definitivo ocorreu nos Estados U nidos na década
de 1960. A sexualidade foi “liberada” de seus lim ites conjugais e, com o
conseqüência, o casam ento nunca mais foi o mesmo. Até m esm o as crian­
ças precisavam de liberação. N um artigo publicado em novem bro de 1973
no H arvard EducationalReview, Hillary R odham — que se tornou prim ei-
ra-dama e depois senadora Hillary C linton, de Nova York — defendeu a
liberação de nossos “cidadãos crianças” do “im pério do pai”.37 C om noções
desse tipo, não é de surpreender que um sociólogo famoso pudesse obser­
var que “o ideal da família nuclear m orreu durante as décadas de 1960 e
1970”.38 Temos de observar alguns fatores que a produziram :

• A c o n tracep ção ilim ita d a e fácil p ro m o v e u o sexo fora


do casam ento.
• As feministas persuadiram inúm eras moças de que o que é
realm ente im portante é a carreira, não a família.
• Elim inou-se o estigma dos filhos ilegítimos e do divórcio.
• A comercialização do sexo e a sexualização do comércio se­
pararam o sexo do casam ento e venderam a im oralidade com m ui­
to sucesso.
• A educação sexual “m oralm ente neutra” nas escolas incenti­
vou a experim entação.
• A cultura jovem M T V prom oveu o hedonism o.
• A elim inação da transcendência to rnou a m oralidade e a
estrutura da família um assunto puram ente relativo e pessoal.
• O divórcio, que ocorre agora em 50 por cento dos casam en­
tos, se to rnou facilm ente aceito.39

Temos um a geração de “meretrizes” liberadas, “prostitutas sagradas” e


“descarados gigolôs”, libertos das cadeias do casam ento e das restrições da
consciência, sem terem de prestar contas a ninguém , “vivendo em pecado”,
um a geração sobre a qual se construirá o futuro da nossa nação. Isso é
dem ocracia que se transform ou em insanidade! D eclarou um estudante
universitário: “A revolução sexual term inou e todos perderam ”40 — todos,
exceto o program a pagão de liberação das norm as da criação.
24 O Deus do sexo

A Desconstrução do Sexo Normal pela Promoção do Homossexualismo

Ao m encionar a questão do casam ento, já nos envolvem os no deba­


te sobre o hom ossexualism o. Em anos recentes, a prom oção da h om os­
sexualidade e da bissexualidade — que são agora protegidas e até p ro m o ­
vidas pelo Estado — vem destruindo a heterossexualidade norm al. E m ­
bora seja apresentado nas vestes justas da justiça civil, o hom ossexualism o
representa um a total distorção das estruturas sexuais da criação. Só con­
seguirem os com preender as implicações radicais da aceitação do h om os­
sexualism o depois que perceberm os que o hom ossexualism o vira de cabe­
ça para baixo o desígnio da vida.
Por ter feito essa últim a afirmação, sou classificado com o in to leran ­
te e hom ófobo. Existe m uita confusão. As pessoas norm ais n aturalm ente
se co n fu n d em ao ler um livreto cham ado Just the Facts [Sim plesm ente os
fatos], que foi enviado, em cooperação com a Aliança inter-religiosa, para
14.500 diretores de conselhos escolares por catorze im portantes in stitu i­
ções de saúde m ental. O livreto declarava que o hom ossexualism o é um a
“c o n d u ta no rm al”.
A confusão é deliberadam ente semeada. Tome, por exemplo, a Barnes
and N oble. Essa cadeia de livrarias m uito popular cooperou com a Liga
A ntidifam ação para promover o homossexualismo por m eio de um livreto
m andado ju n to com todas as suas encomendas. Close the Book on Hate: 101
Ways to Combat Prejudice [Acabando com a discriminação: 101 maneiras
de com bater o preconceito] começa com um com prom isso ao qual todos
tem os de aderir sem hesitar: “Protestarei contra qualquer pessoa que zom ­
bar, buscar intim idar ou realmente machucar alguém de raça, religião, gru­
po étnico ou orientação sexual diferente”. Mas a m edida que você continua
a ler, as 101 “maneiras de com bater o preconceito” dem onstram ser pelo
m enos 93 maneiras de normalizar a sodomia.

O Hom ossexualism o nas Escolas do Segundo Grau

O livreto da Barnes and Noble recom enda ações específicas que aju­
darão a alcançar a m eta “em casa, na sua escola, no local de trabalho, na sua
igreja, na com unidade”. Para acabar com a discrim inação em sua escola, o
livreto recom enda que “incentivemos que todos os alunos sejam represen­
tados em todos os conselhos escolares, comitês, publicações de grupos e
e q u ip e s... criar um calendário escolar m ostrando todos os feriados e da­
tas im p o rtan tes de direitos civis”. (O bviam ente, acharão um lugar para a
Fora com o velho: faça amor, não guerra 25

semana do orgulho gay.) Os jovens do ensino do segundo grau são incenti­


vados a “fazer um a pesquisa com seus professores acerca de sua origem
étnica e cultural... e suas experiências com o preconceito. Peça a cada um
que escreva um curto parágrafo sobre o assunto que dê para com pilar junto
com suas fotos num ‘arquivo’ do professor”. O problem a é que há o p o rtu ­
nidade real para “se expor pelo que se é” e denunciar publicam ente profes­
sores que não afirm am um a doutrina politicam ente correta.
Nesse docum ento, é usada a proteção legalm ente aceita do hom osse­
xual para prom over o estilo de vida homossexual, até m esm o entre crianças
novas e facilm ente influenciáveis. Sob o pretexto de “neutralidade m oral”,
nossas escolas se tornaram lugares em que não se pode ensinar valores tradi­
cionais, porém o ensino da imoralidade é obrigação. A estratégia de prote­
ger a fim de prom over é exemplificada em dois casos, um de cada costa.
O ex-governador de M assachusetts — e depois em baixador dos EUA
no C anadá — Paul Cellucci, lançou a expensas do contribuinte do im pos­
to de renda um evento pró-hom ossexualism o anual, a Gay, Lesbian and
Straight Education N etw ork — G LSEN (Conferência da Rede de Educa­
ção Gay, Lésbica e H etero), que um observador descreveu com o um festi­
val de sexo gay e um a feira de recrutam ento mal disfarçados. D os 650 par­
ticipantes, 400 eram alunos de escolas públicas, transportados em ônibus
para a ocasião com o dinheiro do contribuinte do im posto. U m observador
astuto observou:

O s grupos homossexuais que apoiam os program as os justificam na base de


que “to rn a m nossas escolas mais seguras p ara as crianças gays" ... O jo rn al Boston
Globe fez a co b ertu ra oficial favorável da conferência em sua edição dom inical
sob a m anchete: “A lerta contra as ameaças aos adolescentes gays". O prim eiro p ará­
grafo repetia a m istificação a respeito de suicídio e segurança nas escolas. A co n ­
ferência, disse o Globe, foi m eram ente um a tentativa de vencer a h om ofobia” .41

Se isso fosse verdade, en tão p o r que se deu ta n ta atenção para in i­


ciativas explicando aos estudantes as várias técnicas de atos sexuais h o ­
mossexuais? Eis a razão.
Q uatro anos mais tarde, em 30 de abril de 2005, a G L SEN patroci­
nou um evento na Brookline H igh School (Massachusetts) onde um livreto
chamado Little Black Book: Queer in the 21st Century [Listinha negra: o ho­
mossexual no século 21] foi distribuído para alunos do ensino secundário.42
O livro — que foi disponibilizado para crianças de até mesmo 13 anos —
contém frases tais com o “Você tem o direito de desfrutar do sexo sem
sentir vergonha ou estigm a”. Esse livreto glorifica a c o n d u ta que mais
26 O Deus do sexo

risco representa e então sugere que os alunos sejam exam inados para saber
se têm DSTs a cada três a seis meses. C ontém fotos de nudez frontal total
de hom ens pondo camisinhas, utiliza obscenidades sexuais em tudo e rejeita
a abstinência com o comentário: “Mas quanta diversão isso dá?” N a lateral da
capa do livreto, há um a lista de bares gays na região de Boston “para o rapaz
hom ossexual inteligente”, com as seguintes observações: “Bar Campus!
Manray. dança, rapazes e aqueles que gostam de rapazes”; Bar Paraíso-, “H o ­
m ens nus dançando nas mesas de b ilh ar... pornografia na TV, os velhos, os
jovens, algo para todos”.43

Homossexualismo nos Campus Universitários

N os cam pus universitários, o voyeurismo homossexual foi elevado a


um a form a de arte. Considere, por exemplo, essa descrição de um a discipli­
na escolar para a turm a do outono de 2002 na U C [U niversidade da
C alifórnia - N.T.] Berkeley:

C IN E M A Q U E E R : Film e 140: Essa discip lin a escolar ex am in a o q u e é


u m d e se m p e n h o ... com o um evento ao vivo que oco rre n o palco o u espaço
e q u iv a le n te ... Ao exam inar as culturas h om ossexuais... darem os tam b é m um a
olhada na relação entre o público hom ossexual e o cinem a.44

N aT rin ity College, em H artford, já m encionada, o D epartam ento de


Estudos Gays e Lésbicos está transbordando de entusiasm o. O website des­
creve a diferença entre as atuais ofertas da faculdade e o que era disponível
em 1985. Em 1985 nada era oferecido, mas

hoje, o catálogo de disciplinas escolares en u m era ap ro x im ad am en te cin­


q ü e n ta cursos — oferecidos p o r catorze diferentes d ep artam en to s e program as
— que têm a ver com estudos gays e lésbicos. A lém disso, os dois ú ltim o s anos
viram o desenvolvim ento de alguns cursos novos — todos com m atrículas lotadas
— q ue especificam ente se concentram na m anifestação da sexualidade nas áreas
da arte, da cu ltu ra, da ciência e da sociedade.45

O progresso da destrutiva força pró-hom ossexualism o não m ostra li­


m ite. G eralm ente, lim itei meus com entários aos Estados U nidos, mas a
m áquina homossexual está avançando rapidam ente em outros países tam ­
bém . Em 2001, no Reino U nido, a idade de consentim ento homossexual
foi reduzida para 16, e foi acrescentada a seguinte cláusula à em enda:
“N e n h u m ato hom ossexual de algum indivíduo será crim e se ele tiver
menos de 16 anos e a outra parte tiver alcançado essa idade”. Futuras reformas
recom endadas pedem a legalização das relações homossexuais em saunas,
Fora com o velho: faça amor, não guerra 27

banheiros públicos e áreas de “caçadas sexuais”.46 O s com entaristas sociais


não precisam ser m uito inteligentes para reconhecer que o casam ento gay é
a questão moral determ inante do século 21. Apesar dos esforços sérios, que
eu apóio, para defender o casam ento tradicional entre um hom em e um a
m ulher,47 o casam ento homossexual patrocinado e legalizado em âm bito
estadual certam ente dará os toques finais na destruição social do casam ento
de acordo com a Bíblia e a criação.

A Feminização dos Homens

N a com édia de situação Some o fM y Best Friends, que pouco tem po


durou, um rapaz heterossexual de vida n oturna entende equivocadam ente
“C C D ” com o “C ara C om D inheiro” num anúncio para dividir o quarto e
sem saber vai m orar com um hom em gay. Porém, já no segundo episódio,
ele aprendeu a fazer papel de gay, rir alto das piadas homossexuais do amigo
fêmeo e até m esm o a circular usando apertadas calças sedosas de ginástica.
Essa nova com édia de situação dem onstra que a feminização dos hom ens
heterossexuais americanos chegou ao horário nobre.48
Esse avanço é evidente há anos em cidades grandes onde os hom ens
gays estão reescrevendo as regras do que é necessário para se ser um hom em
ideal. As revistas de boa qualidade gráfica estão observando que os hom ens
heterossexuais estão parecendo mais gays, mas a influência é mais do que
um a questão de freqüentar academia, exibir os m úsculos e usar roupas caras
e m odernas. Envolve um a m udança profunda na consciência, que se reflete
em tudo, de cum prim entar os colegas gays com um beijo a tratar as m ulhe­
res da mesm a m aneira que outras mulheres e a m aioria dos gays tratam . Nas
zonas que estão mais na m oda de Nova York, L.A., M iam i e M ontreal, a
sensibilidade gay está influenciando os heterossexuais receptivos.
H á nisso um a lição que deve nos fazer parar para pensar. O lobby
homossexual prim eiram ente ganha acesso aos meios de com unicação, e
assim às salas de estar e ao quarto de dorm ir das pessoas. Por interm édio
dos meios de com unicação, esse lobby recria a realidade e com eça a redefinir
o que é “norm al”.49

O Sexo Pós-Moderno: Trocas Sem Fim

Q u an d o o sexo hom em -m ulher deixa de ser o padrão social, e quando


o sexo é separado de sua essência — sua função criada para o casam ento e
procriação — o único padrão que resta são os desejos instáveis de cada
pessoa. E o sexo pós-m oderno é exatam ente isto — a expressão de várias
28 O Deus do sexo

formas de gratificação e fantasia, mas com um a terrível perda de identida­


de. O filósofo pós-m oderno M ark Taylor declara: “A terra sem lei de um
povo falível, que está eternam ente acima do bem e do mal, é o m u n d o de
D ioniso, o A nticristo, que chama todo vagabundo para o carnaval, a com é­
dia e a carnalidade”.50
Esses desejos se tornam o direito dem ocrático do indivíduo. N e n h u ­
m a teoria civil pode frear a nossa locomotiva sexual que está fora de contro­
le. Tem os de acom odar as excentricidades sexuais progressivam ente.51
A década de 1960 reivindicava igualdade sexual para as m ulheres. Essa
igualdade tem agora de ser estendida a todos os cinco sexos! A elite os
enum erou — hom em , mulher, gay, lésbica e bissexual. (Alguns encontram
até catorze.) Diz Charles Colson: “O público gay, lésbico e travesti quer
destruir as categorias sexuais e elim inar com pletam ente as norm as sociais
dentro dessas categorias. Eles dizem que gênero é artificial, um a m era in­
venção da sociedade. Assim, eles querem que a sua escola ensine que as
crianças são livres para adotar qualquer identidade sexual”.52 A parentem en­
te, eles estão sendo bem-sucedidos nisso.
U m a edição de U T N E Reader, uma revista chique da esquerda inte­
lectual, prom ove o envolvim ento ativo da Aliança H etero-H om o nas esco­
las. Especificam ente a Aliança quer incentivar crianças de até m esm o 13
anos a “se m anifestarem como gays ou lésbicas”. O argum ento deles é que
para os jovens, “A identidade sexual pode ser flu íd a... N ão é tão ab so lu ta...
Isso significa rejeitar os rótulos de hom em e mulher. Se apagarmos essas
linhas, então a coisa toda m uda”.53 Os alunos do segundo grau agora se
descrevem com o “pós-gays", isto é, eles se sentem livres para ser qualquer
coisa que escolherem para o m om ento, deslizando da hom ossexualidade
para a bissexualidade, e vice-versa, conform e der na cabeça. Eis algumas das
contribuições para a diversidade colorida agora em oferta:
• Deirdre N. McCloskey. Alguns anos atrás, D eirdre era D onald
N . McCloskey. Agora ela afirma o seu m om ento ao sol: “Q uero
que sejam estendidos aos que trocaram de sexo a cortesia e a segu­
rança de um tratam ento imparcial [que foi dado aos gays]”.v>
• Um rapaz de 15 anos de Massachusetts. O batalhador an ô n i­
m o brigou pelo seu direito dem ocrático de estar presente na sala
de aula usando vestido, salto alto, peruca e um sutiã com enchi­
m ento. Seu terapeuta sugeriu que forçar o adolescente a usar rou­
pas de rapaz poderia colocar em risco a saúde m ental dele! N um a
audiência de tribunal, a sensível juíza lésbica Linda Giles rejeitou
Fora com o velho: faça amor, não guerra 29

as autoridades da escola. Ela argum entou que a atitude da escola de


excluir o rapaz da sala de aula eqüivalia a “sufocar a personalidade
do in d iv íd u o , m eram ente porque causa in cô m o d o em alguns
m em bros da com unidade”.5 5
• Um vigário da Igreja da Inglaterra. O prim eiro vigário a se
subm eter a um a cirurgia de troca de sexo, qu an d o voltou ela rece­
beu calorosas boas-vindas dos paroquianos. A srta. Stone, que foi
casada duas vezes e tem um a filha, dessa vez se levantou no p ú lp i­
to com o p a sto r do sexo fem in in o , vestida de trajes clericais
púrpuros e ostentando um berrante par de brincos e lábios ver­
melhos com o ru b i.56
• Lésbica se torna rei do baile. U m a aluna do últim o ano de
faculdade que afirma ser a única lésbica assum ida na faculdade se
elegeu com o rei “para desafiar o preconceito sexual” da com petição
tradicional. O diretor recusou se opor à nom eação, dizendo: “N ão
querem os que ela sofra discrim inação”.

Saboreando essa nova diversidade, a psicóloga ju ngianae gnóstica June


Singer se tornou apocalíptica: “U m a nova teoria sexual é necessária, por
causa da dissolução da velha ordem [que] ten tou m anter a sexualidade de­
baixo de paradigm as m orais e racionais”.57 Aliás, essa paisagem sexual
desconstruída precisa da ajuda da religião, um “novo” tipo de religião, um a
que a Associação H um anista Americana possa adotar. Esse bastião clássico do
antiquado ateísmo agora declara, sem o m enor senso de constrangim ento:

A bacalha para c o n q u ista r o fu tu ro da h u m a n id a d e p o d e ser travada e


g anha na sala de aula p o r professores que c o rre ta m e n te e n te n d a m o seu papel
com o proselitistas de um a nova fé\ um a religião de h u m an id a d e que reconheça e
respeite a fagulha d e ... divindade em todo ser hum ano. A sala de aula deve ser e se
to rn ará um a arena de conflito entre o velho e o novo — o cadáver em estado de
putrefação d o C ristia n ism o ... e a nova fé do h u m a n ism o .58

O hum anism o de hoje pulsa de espiritualidade. M ikhail Gorbachev,


o últim o líder do im pério soviético e produto puro do sistema marxista
ateísta, agora prega certa forma de conversão religiosa:

Precisam os de u m a nova síntese que in c o rp o re ... valores cristãos e b u d is­


tas d em o crático s... que confirm e tais princípios m orais c o m o ... o senso de u n i­
dade com a natureza e uns com os outros ... um tipo de D ez M a n d a m e n to s que
forneçam u..i guia para a co n d u ta h u m a n a ... no novo século e além .59
30 O Deus do sexo

O m aterialista se to rnou místico, ao preço de jogar fora os Dez M an­


dam entos originais em favor de uma versão substituta que celebra rapazes
de vestido, gays e lésbicas de 13 anos, pastores cristãos que trocaram de sexo
e se divorciaram duas vezes e reis do baile lésbicos.
Essa nova religião tem a intenção não só de salvar o planeta, porém
tam bém de dar um a sexualidade nova e libertadora a todos. Mas prim eiro a
terra tem de se livrar daquela “religião dos velhos tem pos”.

Temas para debate

• M uitas vezes se justifica a pornografia com o um m odo de escapar


das restrições da m oralidade “rígida” para o indivíduo descobrir a própria
personalidade natural, verdadeira e sexualmente liberada. É po r isso que,
ao redefinir o sexo, a pornografia tem de ser levada às escolas — para liberar
nossos filhos!
• O lobby homossexual prim eiram ente ganha acesso aos meios de co­
m unicação, e depois à sala de estar e ao quarto de dorm ir das pessoas. Por
interm édio dos meios de comunicação, esse lobby recria a realidade e começa
a redefinir o que é norm al.
• Q u a n d o o sexo hom em -m ulher deixa de ser o padrão social, e
q u an d o se separa o sexo de sua essência — sua função criada para o casa­
m en to e procriação — o único padrão que sobra são os desejos instáveis
de cada indivíduo.
Capítulo 2

Q ue S aia o V elho:
AM o rte d e D eus

Q u a n d o eu ain d a tin h a cabelos n a cabeça e sabia tu d o , eu achava q u e a


teologia da “M o rte de D eus” da década de 1960 era u m in cô m o d o insignificante,
ou u m a piada. C o m o dizia d eb o ch an d o u m colega de faculdade de teologia: “Eu
nem m esm o fiquei sabendo que ele esteve doente!” M as a “M o rte de D eu s” não
era assunto p ara rir. Em 2 0 0 2 , Steve Bruce, d ireto r do D e p a rta m en to de Sociolo­
gia da U niversity o f A berdeen, publicou um livro, G od Is Dead: Secularization in
the West [D eus está m orto : a secularização do O cid e n te ], d o c u m e n ta n d o com o a
idéia da década de 1960 de que o D eus da Bíblia estava a cam in h o da extinção
tin h a se to rn ad o realidade.1

A fem inista N aom i G oldenburg, que se tornou bruxa, confessa com


alegria sua parte na eliminação de Deus. As feministas, disse ela, estão en­
volvidas “na execução lenta de C risto e de Javé... N ós, m ulheres, vamos
acabar com D eus”.2
U m livro sobre pedagogia, popular entre os professores de religião,
tem o título provocativo de Teaching to Transgress: Education as the Practice
ofFreedom’ [Ensinando a transgredir: educação como a prática da liberdade].
Essa abordagem rebelde ao ensino tipifica a atitude atual para com as nor­
mas da ética sexual. As feministas radicais buscam liberdade do sistema de
“patriarquia” em transgressão deliberada, desconstrutiva e sem remorso. É
um m odo eficaz e rápido de destruir o velho m undo e seu Deus. Assim, elas
reivindicam que suas irmãs sejam “articuladas no pecado”, tenham a “cora­
gem de pecar” e “liberem a prostituta interior”. A “fem inista erótica” D eena
M etzger diz às mulheres: “Temos de nos conceder qualquer tem po que for
necessário para reestabelecer a consciência da Prostituta Sagrada”.4 Sob o
disfarce da liberdade cristã, o pecado e a espiritualidade estão ritualm ente
casados. N um a conferência de duas mil m ulheres de grandes denom ina­
ções “cristãs”, um a palestrante levantou um a maçã, deu-lhe um a m ordida
e, então, incentivada pelas aclamações do público, perguntou: “Q ue tabu
vocês quebraram hoje?”5 Em outra convenção “cristã”, as participantes fo­
ram orientadas a “descobrir e cultivar o Eros sagrado em todas as suas cone-
34 O Deus do sexo

Será que isso poderia estar acontecendo na América “cristã”? D e repente,


essa m ulher frágil ficou possuída de um incom um poder espiritual e com e­
çou a gemer. O utros dentre o público se sugestionaram. U m rapaz negro
sentado ao m eu lado, seguido por um a senhora gorda que até então se
m ostrara alegre na fileira atrás de m im , se levantaram e falaram com seme­
lhante energia estática. Logo a sala de um verde som brio do sem inário no
H otel Palm er H ouse com eçou a se parecer com as cerimônias de iniciação
de um tem plo pagão antigo. Q uando chegou o m om ento de “ir para a sala
seguinte”, com o nos tem plos antigos, fui — • para a saída! Eu precisava de
tem po para refletir sobre o m eu prim eiro contato direto com o paganism o
nos Estados Unidos.
Ali tam bém ouvi Jean H ouston falar pela prim eira vez.

Paganismo: dos Adesivos à Casa Branca

N os adesivos da Califórnia, “Faça o sinal de A nkh Se Você A m a Isis”


está substituindo “Buzine Se Você Ama Jesus”.18 Por que é que Isis está
aparecendo nos adesivos? N o livro de Jean H ouston, The Passion o f Isis and
Osiris: A Gateway to Transcendent lo v e [A paixão de Isis e Osíris: a entrada
para o am or transcendente], a autora explica a atração pelo que ela cham a
de “psicologia sagrada”:19
N essa viagem de tran sfo rm ação ... form am os u m poderoso sentido de id en ­
tidade com o caráter m ístico ... N a nossa vida com eçam a ocorrer aco n tecim en ­
tos sim bólicos que têm clara relevância não só para nossa p ró p ria existência com o
tam b ém para a recriação da sociedade.20

Jean H ouston teve atenção pública pela prim eira vez com o amiga de
H illary C lin to n , quando os noticiários nos contaram que ela e H illary ha­
viam se encontrado na Casa Branca como “duas m ulheres inteligentes...
para debater questões im portantes e fazer um exercício consideravelmente
comum de voltar-se para o interior [a ênfase é minha] para ajudar a centrali­
zar suas idéias”,21 especificamente visualizando o que Eleanor Roosevelt
teria dito e feito. H ouston negou ser “m édium ”.22 C ontudo, em seus escri­
tos m enos conhecidos, H ouston claramente afirma ter poderes xamânicos.23
U m a bruxa lésbica m oderna define um xamã com o “um a pessoa m agnéti­
ca, potente, que inspira tem or e até mesmo pavor, um a pessoa que assume
riscos ao atravessar grandes distâncias para entrar em outros m undos”.24
Tire suas próprias conclusões. C om poderes com o esses que ela própria
proclam a ter, H ouston estava sem dúvida ajudando a prim eira-dam a a en­
trar em contato com o espírito da falecida Eleanor Roosevelt.
Q ue saia o velho: a m orte de Deus 35

O paganism o em nossa época chegou aos escalões mais elevados do


poder político — sem se esquecer das massas.

O Paganismo nos Filmes

M inha experiência bizarra no H otel Palmer H ouse em 1993 ocorreu


alguns anos atrás. Desde então, essas expressões estranhas de paganism o
saíram das obscuras salas de seminário e dos corredores silenciosos do po­
der político para se tornarem com uns nos Estados U nidos. A sociedade
cortou suas ligações com os padrões cristãos e seguiu num a “viagem” que a
levou prim eiram ente à euforia das drogas em H aight-Ashbury, San Fran­
cisco, até K atm andu e a m editação hindu-budista. U m a geração mais tar­
de, é um a coisa com um para os que nasceram na década de 1950 buscarem
a luz no próprio interior em vez de a buscarem na “Luz do M undo”. Para
ajudar na busca da luz interior, Hollyw ood deixou com o herança toda a sua
riqueza interm inável e seu conhecim ento técnico.
Quase todos os americanos conhecem a sabedoria de Obi-W an Kenobi,
o guerreiro Jedi do filme Guerra nas Estrelas, de George Lucas, que explica
o mistério da vida ao jovem Luke Skywalker: “A Força... é um cam po de
energia criado por todas os seres vivos. Ela nos cerca e nos penetra. M an­
tém a galáxia u n id a ... é todo-poderosa e controla tu d o ”.25 Essa única decla­
ração seria suficiente para indicar que a trilogia Guerra nas Estrelas essenci­
alm ente introduz os fundam entos do Budismo nos EUA. A essência do
Budismo e das religiões pagãs em geral é a negação consciente e firme de
Deus, o Criador.

Você não achará a verdade fora de você m e s m o ... Você se to rn o u B uda ao


cu m p rir sua natureza inata original. Essa natureza é p rim o rd ialm en te pura. Essa
é sua verdadeira natureza, sua m en te n a tu ra l... é sem pre perfeita, desde o com e­
ço sem com eço. T udo o que tem os de fazer é desp ertar para ela.26

A nova m itologia para a cultura de massa, vestida na deslum brância


de H ollyw ood, revela ser budista-pagã. Lucas não agiu só.

O Zelo Missionário do Paganismo Religioso

O s budistas dizem que só existe ilum inação quando todos são ilum i­
nados.27 N a prim eira C onferência de Professores Budistas O cidentais, na
década de 1970, um grupo de professores de m editação budista se reuniu
em Dharamsala, índia, para debater a transmissão do dharm a (ensino bu­
dista) no m undo m oderno. Já na década de 1990, eles declararam esta ava­
36 O Deus do sexo

liação de seu progresso: “Construíram -se fortes pontes do O riente para o


O cidente, e o dharm a chegou ao Novo M undo”.28
O Budism o se tornou tão popular entre os judeus que há um a nova
categoria de livros de espiritualidade chamados livros “Ju-B u”. U m é deli­
cadam ente intitulado The Jew in the Lotus [O judeu no lótus].29 bell hooks,
um a filósofa, escritora e educadora negra m uito influente — de um lar
evangélico — hoje encontra vida espiritual no Budismo. N ão é de adm irar
que os budistas m odernos se alegrem com suas realizações.

Q u em , a não ser o ilum inado Buda, poderia ter im aginado que a ioga, o tai
chi e a m editação seriam ensinados nas Associações Cristãs de M oços locais, na
sinagoga e igreja local, instituições de idosos e aulas para educação de adultos?
Q u em poderia ter im aginado as livrarias e clubes livreiros espirituais, os program as
de graduação em estudos budistas, e mais de dois mil centros budistas só nos EUA?30

O s cristãos que vissem, por exemplo, o Japão budista dem onstrar um


interesse sem elhante pelo C ristianism o, com certeza falariam de um
reavivam ento cristão incontrolável.

O Novo Ecumenismo

Em bora a vasta maioria dos americanos não tenha se convertido ao


Budism o ou outras formas abertas de espiritualidade pagã, m uitos se conver­
teram ao “sincretismo”, ou seja, à crença de que todas as religiões dizem quase
a m esm a coisa. Essa tolerância é terreno fértil para o sincretismo, que se tor­
nou tão americano quanto a torta de maçã. George Barna, que faz pesquisas
de opinião, declarou em 1996 que “os Estados Unidos estão num a transição
de nação cristã para uma sociedade sincrética, espiritualmente variada”.31
Em Salem , M assachusetts, a Associação de Líderes Religiosos de
Salém recebeu um bruxo com o m em bro. O bruxo é o sum o sacerdote de
um g rupo de bruxos de duzentos m em bros, o Tem plo da Rosa Negra.
Q u a n d o lhe perguntaram o m otivo pelo qual o bruxo teve perm issão
para se associar, R andal W ilkinson, pastor da Igreja Episcopal de São
Pedro, disse que ninguém conseguiu pensar em algum a razão convincen­
te para im pedi-lo de se juntar.
Barna docum enta o cum prim ento de um a predição que o respeitado
historiador eclesiástico Philip Schaff fez sobre os Estados Unidos em 1888:
O s Estados U nidos, favorecidos pela im igração mais intensa de todos os
outros países, receberão mais e mais todos os elem entos do que é bom e m au no
m u n d o , que ferm entarão ju n to s de m odo incontrolável, e do solo mais fértil
p rod uzirá fruto para a felicidade ou a infelicidade para as gerações fu tu ras.32
Q ue saia o velho: a m orte de Deus 37

Em bora a batalha pela saúde ou pelo declínio espiritual e cultural


esteja enfurecida, a m aior parte dessa batalha está escondida dos olhos do
público. De m odo particular, os Estados U nidos se tornaram solo fértil
para todos os deuses pagãos, enquanto o Deus da Bíblia — o verdadeiro
Senhor do céu e da terra — é em purrado para as margens.
Já em 1985 num a conferência fem inista religiosa com o título de
“M ulheres e Espiritualidade”, a palestrante principal e teóloga “cristã” po­
pular Rosemary Radford R uether reconheceu que, com o passar dos anos,
ela havia recom endado a adoração de deusas pagãs com o m ais benéfica às
m ulheres do que o C ristianism o.33 R uether não se sente bem com o Juda­
ísmo e com o Cristianism o porque são religiões “lineares” que vêem a H is­
tória indo do passado para o futuro. Ela se sente mais feliz com a aborda­
gem cíclica das “religiões da natureza e fertilidade, as religiões pagãs”. O
m onism o pagão de Ruether é levemente menos radical só porque, com o o
gnosticism o do passado, vem vestido parcialm ente em roupas cristãs.34
Nesses círculos feministas radicais, o paganismo se tornou a essência do
Cristianismo. “A palavra em si [paganismo] está assumindo um sentido novo”,
diz um a im portante freira católica feminista. Baseando suas observações
(de m aneira correta) no significado da palavra pagão com o “da terra”, ela diz:

N ão é a crença que cond en am o s no p a ssad o ... creio q u e foi de o n d e Jesus


estava v in d o ... Som os parte da terra, e tem os de desenvolver a nossa evolução na
direção dos seres que devem os nos tornar, em h a rm o n ia com a terra.35

Infelizm ente, essa m istura de D eus e terra se to rn a adoração da


terra e negação do C riador, que é a essência do paganism o que o p ró ­
prio Jesus c o n d e n o u .36

Um deus Novo para um Mundo Novo

O m u n d o novo já está quase aí. M uitos videntes e espiritualistas


hoje adotam um a perspectiva prom issora do futuro. Por um a geração, os
profetas da N ova Era falaram sobre a terra se inclinando em seu eixo com
o surgim ento da Era de A quário (aproxim adam ente 2000 a 2020 d.C .),
dando início ao nascim ento de um a nova h um anidade espiritual num
planeta transform ado.
Os adoradores m odernos de Isis crêem que o terceiro m ilênio deve ser
cham ado de “M ilênio Sofiânico”, porque a deusa (tam bém conhecida com o
Sofia) está voltando para nos levar a uma união profunda com o divino.37
De m odo sem elhante, jean H ouston, que já vimos antes, tem um sentido
38 O Deus do sexo

p rofundo da im portância do que está acontecendo: “O utras épocas da H is­


tória achavam que era o tem po. Estavam erradas. O tem po é este”.38 Essa
certeza trai um utopianism o rom ântico do tipo mais intolerante.39
Podem os pensar que esses mitos são apenas para distração com o fon­
tes de com plôs para filmes e livros. Será que alguém pode levar essas
invencionices a sério?

Teólogos e Futurologistas da Moda

M uitos levam a sério, inclusive sérios pensadores religiosos que des­


crevem a m udança que está para ocorrer na vida e na conduta hum ana de
m odo sofisticado e que propõem o sonho com o parte de um a im portante
reorganização da sociedade.
H u sto n Sm ith, um dos principais professores de religião dos Esta­
dos U nidos, crê que a obra presente do Espírito está p roduzindo um a
geom etria “invisível” para m oldar as religiões do m u n d o num a única ver­
dade”.40 O u tro s teólogos “da m oda” falam de “reinventar-nos n u m nível
profundo [a fim de] liberar a com unidade Terra de seu presente impasse”.41
U m a convicção crescente entre os futurologistas é que “Estam os teste­
m u n h a n d o o surgim ento súbito de um a nova civilização no p la n e ta .. ,”.42
U m deles fala de “um a nova ideologia lutando para nascer — um a nova
consciência global”.43

U m Pensador Acima dos Outros

C o m o é que essas idéias se tornaram tão plausíveis? Em parte, é por­


que a nossa hum anidade global tem os meios de se conectar pela Internet e
pelos m eios de comunicação. Lloyd Geering, professor aposentado de estu­
dos religiosos da Victoria University, é considerado um dos principais pen­
sadores da Nova Zelândia e descrito pelo bispo episcopal aposentado John
Spong com o um “presbiteriano erético”.44 Geering leva bem a sério esse
novo m om ento da história hum ana, colocando a cultura global do futuro
no contexto da história intelectual ocidental. Promovidos pelo Jesus Seminar,
os livros de G eering45 são planos para a futura com unidade da terra —
todos escritos a partir do ponto de vista de um cristão apóstata. G eering
prediz que a cultura global do futuro será pós-cristã e religiosamente pagã.

Pós-Cristão

A cultura do futuro será pós-cristã porque a evolução supostam ente


“prova” que os seres hum anos, à m edida que se desenvolveram, criaram a
Q ue saia o velho: a m orte de Deus 39

linguagem , depois os símbolos, e depois as explicações religiosas. As inven­


ções religiosas hum anas mais recentes são o divino C riador m onoteísta de
todas as coisas e o dualism o entre a esfera espiritual e a esfera da vida criada.
A teologia cristã cham a isso de a distinção entre C riador e criatura. N o
entanto, G eering diz: “O outro m undo do quadro d u alista... vem aos pou­
cos se dissolvendo da consciência ocidental” porque tam bém “a ideologia
fem inista... condena de m odo pesado o m onoteísm o tradicional”. As pen-
sadoras feministas têm m ostrado que

A transferência de lugar de poder sagrado da terra p ara o céu, e a m o rte da


mãe terra provocada pela vitória do pai celestial, tiro u o eq uilíbrio de valores no
relacionam ento se x u a l... [que] nas culturas p ré -m o n o te ísta s... eram concebidas
com o estando n u m estado de h arm o n ia co m p lem en tar.46

Geering é categórico em sua rejeição do Deus da Bíblia: “O tem po


para se glorificar o Deus [masculino] Todo-poderoso que supostam ente
reina já se foi”. Observe com o as novas categorias sexuais redefinem “D eus”.
O fim do Cristianism o é tão evidente “que algumas gerações futuras bem
que poderão ser mobilizadas a descartar inteiram ente o calendário cristão,
e designar o ano 2000 d.C . pelo novo nom e de 1 EG , o prim eiro ano da era
global.47 Logo, a Ceia do Senhor só significará com unhão hum ana, e o
Natal será um feriado para celebrar a família.

Religiosamente Pagão

De acordo com Geering, a cultura do futuro será religiosam ente pagã.


“Diferente do caráter dualista do m undo cristão, o novo m undo global é
monista [o itálico é m eu], Isso significa que o universo é visto com o [sendo]
essencialmente u m .”48 Esse m odo de pensar é paganism o espiritual clássi­
co, e Geering, apesar de seu princípio explicativo que a tudo penetra de
progresso evolucionário, tem de adm itir com surpresa que “a nova história
te m ... ligações com as religiões pré-[m onoteístas]... da natureza, em que
os antigos se viam com o os filhos da mãe terra”. N um a estranha virada de
eventos, a evolução “espiritual” m oderna anda para trás! M ais de cinqüenta
anos atrás, C. S. Lewis com entou acerca do caráter perm anente do paganis­
m o religioso, cham ando-o de panteísm o. Ele reconheceu que esse caráter
apareceu na ideologia nazista quando escreveu: “Por um a estranha ironia,
cada nova recaída nessa antiga ‘religião’ é saudada com o a últim a obra em
novidade e em ancipação... longe de ser desenvolvimento elevado, o panteísmo
é, de fato, a tendência natural perm anente da m ente hum ana”.49
40 O Deus do sexo

Geering não deve ter lido esses com entários de Lewis. Ele crê que o
“novo” paganism o servirá com o a nova religião para a futura sociedade glo­
bal. N a religião futura, a “M ãe Terra seria o sím bolo conscientem ente esco­
lhido para se referir a tudo sobre o ecossistema da terra”.50 Ele observa que
“O cuidado am oroso da M ãe Terra está, em m uitos lugares, substituindo o
sentido passado de obediência ao Pai Celestial.51 N a religião da futura socie­
dade global, o processo de evolução e a existência da própria vida serão
objeto d e ... veneração”.52
Isso é puro paganism o, conform e a definição do Novo Testam ento —
“adorando e servindo a criatura em lugar do C riador”.53 N ão deveria sur­
preender que essa nova religião com bine naturalm ente “as noções budistas,
hindus e chinesas da espiritualidade não-teísta”.54 Pareceria que o plano
seguinte é a unificação de todas as religiões pagãs.55 Soando com o o m ode­
lo perfeito de tolerância, Geering declara: “N ão haverá ‘apenas um cam i­
n h o ’. ...O s grupos têm de aprender a ser inclusivos”.56 Em outras palavras,
haverá apenas o “único cam inho inclusivo pagão” e esse “deve” ser o caso.
G eering não está defendendo a tolerância, como ele afirma, mas um m odo
velado e, portanto, perigoso, de intolerância — mas por am or à sobrevi­
vência do planeta, é assim que tem de ser!
Ao se livrar de Deus, essa norm a de um a só dim ensão inclui, com o
dem onstraram os acontecim entos, livrar-se do sexo de um a só dimensão.
As boas-vindas aos m uitos deuses do politeísm o sincretista e aos poderes
mais elevados da busca espiritual pessoal tem tam bém , e ao m esm o tem po,
sinalizado a chegada de um a nova era de sexo m ultidim ensional. C om o é
isso? Im plícita na declaração de 1974 de M iller sobre o politeísm o está a
cham ada de 1972 da fem inista Shulam ith Firestone reivindicando “um a
reversão para um a pansexualidade sem im pedim entos”.57 O politeísm o nos
dá a p o lisse x u a lid a d e ;58 o sin c re tism o religioso nos dá o arco -íris
m ulticolorido das opções sexuais. Foi preciso apenas um a geração para a
realidade chegar.
E n tre D eu s e o sexo, p o r m ais que os d e fin a m o s, há um a c o n e ­
xão p ro fu n d a .
Q ue saia o velho: a m orte de Deus 41

Temas para debate

• O filme Guerra nas Estrelas de George Lucas introduziu os funda­


m entos do Budism o na América do N orte.
• M uitos am ericanos — até m esm o os que professam ser cristãos — se
converteram ao “sincretism o”, a crença de que todas as religiões dizem qua­
se a m esm a coisa.
• Pagão significa “da terra”. Portanto, paganism o eqüivale a adorar a
terra, que, por sua vez, exige negar o Criador.
C a p ítu lo 3

Entra o N ovo:

A U t o pia S exual V in d o u r a

Sexo no Reino Utópico

O uvim os de m uitos lugares um a perspectiva otim ista e espiritual do


futuro. Nos capítulos anteriores consideram os a “fase necessária” que des-
trói tanto a teoria quanto a prática sexual e o Deus da espiritualidade teísta.
Consideram os, então, a fase otim ista de reconstrução global baseada num a
nova perspectiva de Deus. Nesse reino utópico planetário pagão o que acon­
tecerá com o sexo?
A curta resposta é, virtualm ente qualquer coisa. N a África do Sul, de
cada três crianças, um a está fazendo sexo aos 10 anos de idade.1 Um profes­
sor de Cam bridge escreveu um livro sobre as boas qualidades da lascívia.2
Pela Internet, as adolescentes com pram m aterial pornográfico com o sím ­
bolos de “poder da m ulher”, um m odo de dizer: “Sou eu que m ando no
m eu corpo e no m eu destino”. Para dizer isso com um a expressão facial
séria, precisam os de religião, e as religiões pagas dão um a aura de
espiritualidade ao sexo livre. O bispo Spong confessa que os dois estão
intim am ente ligados. Ele explica o seu C ristianism o apóstata: “A m orte do
Deus do teísmo removeu de nosso m undo a base tradicional da ética”.3 As
feministas radicais argum entam que temos de m udar a nossa consciência
acerca da sexualidade, e elas vêem essa m udança com o transform ação es­
piritual. Em sua versão popular, a liberação sexual vem associada com
“direitos civis”, mas a sua inspiração real procede dos antigos dogm as das
religiões pagãs. Charles Pickstone, um padre anglicano radical, dá o tom
no seu livro The D iv in ity o f Sex [A divindade do sexo]: “O sexo é a
espiritualidade que revela a riqueza sacramental da matéria”.4 Nesse Cristia­
nismo de aparência nova, com o no antigo paganism o, as camas se tornam
altares e os altares se tornaram camas. O espírito guia de Neale D onald
Walsch, autor do best-seller Conversations with God [Conversas com Deus],
balança diante dos olhos das pessoas o m esm o fruto proibido, enquanto
44 O Deus do sexo

convida: “M isture o que você chama de sagrado com o sacrílego, pois você
nada enxergará enquanto não vir seus altares com o o lugar principal para
am ar e seus quartos de dorm ir como o lugar principal para adorar”.5 As pes­
soas são hipnotizadas por um a visão boa demais para ser verdade, de sexo
espiritualizado, liberado, que permite tudo, como se nada fosse imoral.

Sexo Aquariano

O que acontecerá com o sexo nesse reino utópico planetário pagão? A


im p o rtan te psicóloga e escritora popular June Singer acredita ter a respos­
ta. O título do seu livro de 1977 diz tudo: Androgyny: Towards a N ew Theory
o f Sexualityb [Androginia: em direção a um a nova teoria acerca da sexuali­
dade]. Por que é que precisamos de um a nova teoria acerca do sexo? Porque
estamos entrando num novo período da história hum ana. Singer realm en­
te diz que a Era de Aquário é “a Era da Androginia”.7 Já que Eros — o deus
do am or de dois sexos — não conhece limites, com o declara Singer,8 o ser
hu m an o espiritual do futuro será liberto igualm ente das lim itações sufo­
cantes da heterossexualidade masculina ou fem inina. Assim, a verdadeira
liberação sexual inclui a liberdade para ser tanto hom em quanto m ulher ao
m esm o tem po, na mesma pessoa — andros, hom em ; gyny, mulher. N a futura
Era de Aquário todas as coisas serão unificadas, de m odo que na esfera espi­
ritual, “o arquétipo da androginia aparece em nós como um sentido inato
d a ... e testem unho d a ... unidade cósmica primordial, ou seja, é o sacramen­
to do m onism o, agindo para apagar as diferenças... isso foi praticam ente
elim inado da tradição judeu-cristã... e de uma imagem do Deus patriarcal”.9
C o m Singer há um a tentativa deliberada de redefinir a sexualidade
em term os da nova espiritualidade aquariana. Temos de olhar na direção de
um m odo todo de ser... não mais como exclusivamente “m asculino” ou
“fem inino”, mas em vez disso com o seres totais em quem as qualidades
opostas estão sempre presentes.10 E de estranhar que trinta anos mais tarde
tenham os rapazes do colegial sexualmente indefinidos e “pós-gays"?

Um a Nova Visão Moral

U m a nova m oralidade fortalecerá a utopia do futuro. Justifica-se a


perversão sexual com o o progresso da democracia, das liberdades e dos di­
reitos civis da Prim eira Em enda. Q ue americano ousaria falar contra esses
valores? Mas a dem ocracia é incapaz de explicar as questões complexas da
co n d u ta hum ana. “O poder de voto de cada eleitor” não define um a base
para a m oralidade.11 M uitas vezes se com enta que H itler chegou ao poder
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 45

m ediante voto dem ocrático. Em bora tanto a Esquerda q u an to a D ireita


queiram ser vistas com o dem ocráticas, cada lado sabe que a dem ocracia
não é o suficiente. Se a reconstrução sexual paga tiver de acontecer, preci­
sa de um a nova visão m oral e espiritual. Singer observou em 1977: “N ão
há tratados e leis até o m om ento que levem em consideração a consciên­
cia em ergente [da prática sexual] da Era de A quário”. 12 Essa consciência
em ergente só ocorrerá quando as noções cristãs “arbitrárias” de bem e
mal forem destruídas e um a nova “m oralidade” for a d o ta d a .13 Para onde
o program a poderá se voltar para obter essa visão moral? Para m udar a
m oralidade, é preciso m udar o m odo com o as pessoas pensam em geral, e
principalm ente o seu m odo de pensar acerca de D eus. Nesse sentido, já
houve m uitas m udanças.

O Pagão Americano Original

O paganismo não é tão estranho ao solo americano. Ralph W aldo Em er­


son, pagão natural dos EUA do começo do século 19, já descrevia a essência
da moralidade paga, salientando a sua maleabilidade: “A única lei que me
poderá ser sagrada é a lei da m inha natureza. O bem e o mal são apenas
nomes que são facilmente transferíveis para isso ou aquilo”.14 O brilhante
Emerson com preendia que a relativização do bem e do mal é essencial para o
bem-estar pagão. Deve-se silenciar a consciência e negar a culpa.15

U m Emerson da Nova Era

O espírito guia de W alsch parece ser em ersoniano tam bém : “N ão há


tal coisa com o os Dez M andam entos... a Lei de Deus é Lei N enhum a”. 16
“E ntenda que ‘certo’ e ‘errado’ são invenções de sua im aginação”. 17 “N e­
n h u m tipo de evolução chegou a ocorrer por m eio da negação. Se você
tiver que se desenvolver, isso não acontecerá porque você pode com sucesso
negar a si m esm o coisas que sabe ‘fazem você se sentir bem ’, mas porque
você m esm o se concede esses prazeres.”18
H o je tem os o “Jesus” ocultista e lib ertad o r que canalizou m ensa­
gens p a ra H e le n S h u c m a n , a u to ra do livro best-seller d a N o v a E ra,
A Course in M iracles [Um curso em m ilagres]. Esse “Jesus” diz ao lei­
to r acerca de sua m o rte infeliz: “N ão com eta o erro p atético de se agar­
rar à velha rude c ru z ... Seu único cham ado aí é se dedicar com disposi­
ção ativa à negação da culpa em todas as suas form as”. 19 O tiue não é de
su rp reen d er é que M arian n e W illiam son — um a m u lh e r oue m u ito
popu larizo u A Course in Miracles — seja conhecida com o a ‘g uru das
46 O Deus do sexo

estrelas”, essas celebridades sociais, muitas das quais querem espiritualida­


de e significado sem pureza moral.
A solução pagã recom enda que adotem os o nosso mal, o aceitemos, o
justifiquem os e venham os a amá-lo. Em Conversations with God (que são
na verdade conversas que Walsch teve consigo m esm o), o autor adota o mal
para si e para todas as outras pessoas. Ele nos assegura que “H itler foi para
o c é u ... Suas ações foram erros, não crimes. Os erros não fizeram mal al­
gum àqueles cujas m ortes ele provocou porque eles foram libertos de sua
escravidão terrena”.20 Os radicais já se esforçam ao máximo para m ostrar aon­
de pode chegar esse programa — a ponto de declararem H itler inocente.
“A descoberta... do Eros sagrado em todas as suas conexões estáticas”,
conform e propõem as feministas radicais,21 tam bém inclui, para esses tipos
de ‘‘seguidores de Jesus”, as alegrias da pornografia. N o início do seu m ovi­
m ento, as feministas eram contra a exploração sexual do corpo da m ulher.
Agora, algumas prom ovem a pornografia a fim de ajudar a destruir a nor­
m alidade da perspectiva da Bíblia acerca da sexualidade. Em sua palestra na
U niversity o f M innesota Law School, Nadine Strossen, presidente da União
A m ericana de Liberdades Civis, disse ao seu público: “A [censura] não só
viola a livre expressão, com o tam bém m ina a luta pelos direitos das m ulhe­
res”.22 D e m odo semelhante, Christie Hefner, que é, de acordo com seu pai
H ugh, “um a fem inista forte”, assumiu a adm inistração do im pério Playboy
em 1982 e aprovou a decisão da Playboy de prom over a pornografia explí­
cita.23 Assim, a pornografia se torna parte da nova m oralidade sexual.

A Nova Moralidade do Planejamento Familiar

O bserve o paradoxo no parágrafo seguinte:


V. G en e R obinson, bispo hom ossexual de N ew H am p sh ire, disse d u ran te
o q u in to café da m an h ã anual de oração da Federação de P lan ejam en to Fam iliar
[será verdade que essa federação costum a realizar cafés d a m a n h ã de oração?] que
a Federação de P lanejam ento Familiar tem de m irar as “pessoas de fé” para p ro m o ­
ver os direitos ao aborto e um a educação sexual abrangente [as pessoas destroem os
bebês pela fé?]} 4 A Federação de Planejam ento Familiar se to rn o u religiosa: “Nossa
defesa co n tra as pessoas religiosas tem de ser u m a defesa religiosa... Tem os de
usar as pessoas de fé para nos o p o r aos argum entos religiosos c o n tra nós”, disse
R obinson. “T em os p erm itid o que a Bíblia seja to m ad a com o refém , e está sendo
utilizada p o r pessoas que querem usá-la para nos fazer engoli-la goela abaixo.
Tem os de voltar a to m ar posse dessas Escrituras”, disse ele. “Sabe, essas histórias
são nossas histórias. D igo isso ao público lésbico o tem p o inteiro. A história de
liberdade no Êxodo é nossa h istó ria ... Essa é m in h a história, e eles não podem
agir com o d o nos dela.”25
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 47

Necessariamente, essa deve ser uma moralidade de relativismo, em que


o bem e o mal finalm ente se unem. Assim afirma Robinson: “O m undo não
é preto-e-branco. Precisamos ensinar às pessoas acerca de nuança, acerca de
m anter as coisas em tensão, que isso pode ser verdadeiro e aquilo pode ser
verdadeiro e em algum ponto no meio está a resposta certa. Trata-se de um
m odo bem adulto de viver, você sabe. Q ue Deus sem imaginação ele seria se
tivesse colocado um só sentido em qualquer versículo das Escrituras”.26
Esse bispo homossexual precisa de um tipo maleável de sistema m oral
a fim de viver consigo e resolver a “tensão” causada quando ele abandonou
sua esposa e duas filhas pequenas em 1986 e foi viver com um am ante do
sexo masculino. Ele tam bém precisa de um a nova form a de revelação e
afirma encontrá-la na sua própria alma. “Sei, no final, que estou indo para
o céu — e você tam bém .”27 E claro que a fonte cristã clássica de revelação
— isto é, a Bíblia — diz o próprio oposto: Vocês não sabem que os injustos
[inclusive]... os homens que praticam o homossexualismo... não herdarão o
reino de Deus?28
Você pode estar se perguntando se esse relativismo, disfarçando-se
com o m oralidade, está fazendo progresso em nossa m oderna sociedade.
Até m esm o Tam m y Bruce, a apresentadora lésbica de program a de
entrevistas anteriorm ente citada, não se deixou enganar por essa “nova
moralidade”. Em bora ela fosse no passado presidente da filial de Los Angeles
da Organização Nacional de Mulheres e trabalhasse em sua diretoria nacio­
nal, ela desde então se distanciou do m ovim ento. Ela declara em term os
bem claros que “um vácuo moral está engolfando a E squerda... atravessan­
do o corpo da sociedade como um câncer, colocando a todos nós em risco”.29
Ela chama o deus desse m ovim ento o “narcisismo m aligno”.30 A suprem a
sacerdotisa bissexual desse deus é certam ente M adonna, que declara na sua
música de sucesso “H ollywood”: “Estou farta de certo e errado”.31

A Desaprovação da Desaprovação

O sociólogo Alan W olfe observa que os americanos relutam em julgar


o m odo com o as outras pessoas agem e pensam e acrescentaram um déci­
m o prim eiro m andam ento: “N ão julgarás”.32
Essa relutância em julgar se to rnou evidente durante o escândalo
C linton da década de 1990. C om ousadia e farisaísmo, a colunista Ellen
G oodm an aplicou essa nova m oralidade à Esquerda: “N ós, os liberais,
não aprovam os a vida im oral do Presidente C lin to n , mas nos recusamos a
desaprová-la”.33 Aí está um a form a do décim o prim eiro m andam ento:
48 O Deus do sexo

“Tu não desaprovarás a desaprovação”.34 Essa desaprovação relativiza os m an­


dam entos originais (tais com o “N ão cometerás adultério”) e absolutiza o
décim o prim eiro, produzindo a situação que muitas pessoas deploram , como
dem onstram as descobertas de Wolfe.
A geração em ergente aparentem ente não vê isso, tendo recebido lava­
gem cerebral de professores radicais. U m a pesquisa nacional de alunos do
últim o ano de faculdade, conduzida pela Zogby Internacional em 2001,
m ostrou que três quartos deles haviam sido ensinados pelos seus professo­
res que o que é certo e errado depende das diferenças de valores individuais
e diversidade cultural.35 Nas palavras inteligentes deT am m y Bruce: “C om o
Deus, o certo e o errado estão m ortos”.36
D e acordo com a Juíza E dith H . Jones do Tribunal de Apelação dos
EUA para a 5a. Circunscrição, a prática do direito está de m odo sem elhan­
te desmoralizada. A tualm ente, “a questão do que é m oralm ente certo é
rotineiram ente sacrificada ao que é politicam ente vantajoso”. D e acordo
com essa respeitada juíza: “O sistema legal americano foi tão corrom pido
que mal dá para reconhecê-lo... A integridade da lei, suas raízes religiosas,
sua qualidade transcendente estão desaparecendo... O solo histórico da
tradição legal ocidental está sendo destruído pela erosão, e a própria tradi­
ção está sendo ameaçada de colapso”.37
Nesse “novo” contexto moral de “liberdade individual”, a liberação do
sexo está tendo o seu dia de sucesso.

Sexo Liberado — Sexo com Todos e com Qualquer um

Neal D onald Walsch, um porta-voz “m oral” da Esquerda espiritual e


tam bém do deus da Esquerda espiritual, tam bém traz revelações profundas
sobre a natureza do sexo na utopia vindoura. Walsch, falando por si mes­
m o, em vez de citar o seu “deus” (embora isso sem dúvida seja a mesma
coisa), diz: “Antevejo um m undo em que poderem os fazer am or com qual­
quer um , de qualquer m odo que desejarmos, a qualquer m om ento, em
qualquer lugar”.38 O “deus” de Walsch aprova a m asturbação, até mesmo
com o um tipo de ritual religioso: “Dê para si mesmo prazer abundante, e
você terá prazer abundante para dar aos outros. Os mestres do sexo tântrico
sabiam disso. E por isso que eles incentivam a masturbação, que alguns de
vocês realm ente cham am de pecado”.39
Sexo de qualquer um com qualquer um é tam bém o direito de nas­
cença utópico do cidadão. O deus de Walsch aprova a atividade sexual de
crianças e adolescentes, dizendo: “Nas sociedades ilum inadas, nunca se de­
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 49

sanima, corrige ou repreende os filhos quando eles com eçam a descobrir


cedo as alegrias na natureza do seu próprio se r... As funções sexuais tam ­
bém são vistas e tratadas com o totalm ente naturais, totalm ente m aravilho­
sas e totalm ente certas”.40 O deus de Walsch não diz se os pequeninos ilu­
m inados estão fazendo isso sem com panhia, com seus amigos, com seus
irmãos ou com adultos. Para garantir que as crianças entendam a m ensa­
gem, o deus de Walsch diz que as escolas têm de substituir o atual “currícu­
lo baseado em fatos” por um “currículo baseado em valores”, inclusive cur­
sos “carregados de valores” tratando de temas com o “C elebrando a Si M es­
m o, Valorizando os O utros e Alegre Expressão Sexual”.41

Casamento Liberado — Casado com Qualquer um

Barbara M arx H ubbard, que já foi candidata presidencial pelo Partido


D em ocrático e hoje é professora espiritual no Fórum da Situação do M u n ­
do (organizado anualm ente por M ikhail Gorbachev), vê o casam ento desse
m odo. O “espírito fam iliar” dela diz que na nova era, a fidelidade dos par­
ceiros será por am or ao ato que eles escolheram, quer seja ser um a criança
religiosa ou um trabalho religioso no universo. Q uando o ato estiver com ­
pletado, renova-se a parceria se houver mais a fazer. Ele chegará a um fim
amoroso se não houver nada mais que esse casal específico possa criar. Cada
um descobre o novo parceiro ou parceiros sem um pingo de tristeza, pois
nada se separa entre aqueles que estão totalm ente conectados com D eus.42
U m a das prim eiras feministas, Jessie Bernard, em seu influente livro
de 1972 The Future ofMarriage [O futuro do casam ento], adotou o m esm o
sistema de valores: “Para ser feliz n u m ... casam ento trad icio n al... a m ulher
tem de ser um pouco doente m ental”.43 C om o era de esperar, Lloyd G eering
argum enta que na era global pós-cristã que está para vir, “por causa do
crescim ento da a u to n o m ia h u m a n a ... não haverá adesão p erm a n en te a
q u alq u er form a de associação [clube, igreja, cônjuge de casam en to ]”.44
O deus de W alsch d e n u n c ia os votos de fidelidade e o casam ento com o
“a M ais Alta Traição” e “blasfêmia”.45 Essa m ensagem divina que W alsch
ouviu se encaixa perfeitam ente na sua situação de haver se casado cinco
vezes. N a futura utopia sexual, um elem ento essencial da estabilidade nas
sociedades passadas se tornará gloriosam ente instável.

Famílias Liberadas — Criados por Todos e por Qualquer um

N o reino sexual utópico, as famílias tradicionais desaparecerão, e os


líderes tribais criarão os filhos. Barbara M arx H ubbard diz: “O colapso da
50 O Deus do sexo

estrutura da família procriativa do século 20 é um a perturbação necessária


para o progresso da estrutura da família co-criativa do século 2 1 ”.46 Já em
1932, Aldous Huxley no seu famoso romance Brave N ew World (Adm irável
M undo Novo), descrevendo a utopia vindoura, escreveu: “Todos pertencem
a todos”.47 Em 1997, A. Cornelius Baker, o diretor executivo da Associação
N acional de Pessoas com AIDS, adm itiu publicam ente que a m eta do m o­
v im e n to hom ossexual não era tan to a inclusão na sociedade, mas a
redefinição profunda da sociedade. Ele declarou que os homossexuais estão
agora “em penhados na redefinição da sociedade em que vivemos — como
o casam ento é visto, com o a família é vista”.48 Essa redefinição do casam en­
to e da família — que lim ita as exigências estritas de fidelidade associadas
ao casam ento tradicional heterossexual49 e ao m esm o tem po abre o casa­
m ento a todos os tipos de grupos de pessoas50 — torna o casam ento tão
disperso que o espectro do “Estado babá” como a família suprem a se agiganta
de m odo am eaçador no horizonte.
O deus de W alsch propõe que os pais tenham de entregar o cuidado
de seus filhos à “com unidade toda”:

C oloque a criação dos filhos nas mãos de seus respeitados A ntigos. O s pais
vêem seus filhos sem pre que desejam [cham am os isso de “tem po de qualidade”],
m oram com eles se quiserem, mas não são os responsáveis exclusivos pelo cuidado
e criação deles. As necessidades físicas, sociais e espirituais das crianças são supridas
pela com unidade toda, com a educação e os valores que os anciãos oferecem .51

N a utopia sexual do maravilhoso m undo do futuro, “é preciso um a vila”.52


Aliás, os m em bros da família que se recusam a aceitar o privilégio
dessa liberdade gloriosa têm de ser deixados para trás. Barbara M arx H ubbard
diz: “Se m em bros de nossa família escolherem perm anecer onde estão, não
tem os n enhum a obrigação moral de suprim ir o nosso próprio potencial
em favor deles. D e fato, a supressão do potencial é mais ‘im oral’ do que
crescer além de nossos relacionamentos biológicos”.53 Então, sim plesm ente
entregue tudo! O Estado babá cuidará do cônjuge e dos filhos, e todos
viverão depois felizes para sempre.

Gênero Liberado — Sexo com Todos e com Qualquer um

N o C ap ítulo 1 discutim os o cham ado para a liberdade de gênero. A


norm a m oderna é um a identidade sexual fluida. A bissexualidade está na
m oda. Para os adolescentes, a am bigüidade é legal. O s radicais incen ti­
vam a rejeição de rótulos tais com o “m asculino” e “fem inino”, exigindo
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 51

liberdade para organizar a própria vida sem essa cam isa-de-força. O con­
vite de June Singer à androginia é adotado pelo grupo m usical Garbage
[lixo], que apreende o estado em ocional m oderno na sua poderosa m úsi­
ca “A ndrogyny”.54 “N inguém quer ficar só, Todos querem am ar alg u ém ...
Por que não podem os todos nos entender? O s m eninos no quarto das
m eninas, As m eninas no quarto dos hom ens, Libere a m ente em sua
androginia.” A m úsica term ina com a repetição das palavras “m eninos,
m eninas” de m odo que os dois se tornam indistintos. A m ensagem é que
a bissexualidade libera a m ente.
O que está im pulsionando esse tipo de atitude?

O Fim do Gênero — D o Politeísmo à Pansexualidade

O que acontece quando se m uda a religião de um a sociedade? O que


acontece quando aquelas profundas noções religiosas são derrubadas e subs­
tituídas por idéias religiosas conflitantes?
O subtítulo deste livro — Sensuality, Spirituality, and the Transformation
ofWestern Culture [Sensualidade, espiritualidade e a transform ação da cul­
tura ocidental] — sugere a resposta. N a últim a geração, bispos tais com o o
episcopal John Shelby Spong e o anglicano David Jenkins exigiram um a
nova perspectiva [pagã] acerca de Deus, que negava a ressurreição e rejeita­
va todas as outras doutrinas im portantes da ortodoxia cristã sem serem
criticados. Assim, não deveria ser surpresa que em agosto de 2003, a Igreja
Episcopal dos EUA votou por um a m aioria de dois a um em favor da orde­
nação de G ene R obinson (um m inistro divorciado que vive com um am an­
te homossexual) com o bispo. D e novo, as idéias têm conseqüências —
principalm ente nossas idéias acerca de Deus. “Sem D eus”, disse Dostoevsky
em Os Irmãos Karamazov, “tudo é perm itido”.55
Jeffrey Satinover usa o term o “polissexualidade”, observando que “m ui­
tos dos próprios gays... vêm de m odo convincente argum entando que o
estilo de vida gay não é tanto ‘homossexual’ quanto ‘pansexual’”. Satinover
observa, além disso, que a “‘sexualidade hum ana’ no ‘estado da natureza é
im ensam ente diversa e polim orfa... O que cham am os de ‘estilo de vida
gay é, em grande m edida, um a m aneira de viver construída ao redor da
sexualidade sem restrições”.56 U m a perspectiva pagã sem restrições do divi­
no [politeísm o polim orfo] produzirá a pansexualidade polim orfa sem res­
trições, conform e dem onstra com clareza V irginia M ollenkott. Isso repre­
senta a m áxima “liberação da m ente”.
52 O Deus do sexo

Todos os tipos de gênero: Uma Abordagem Transreligiosa

V irginia Ram ey M ollenkott é ex-professora de literatura num a insti­


tuição bíblica presbiteriana. Ela é hoje um a lésbica abertam ente praticante.
Ela oferece um paradigm a radical para a futura liberação da sexualidade,
um a sociedade “de todos os tipos de gênero” de “alossexualidade [outra
sexualidade]... um arranjo de m uitos estilos eróticos sem nenhum a hierar­
quia p a rticu la r”,57 em que virtualm ente todas as escolhas sexuais são
norm alizadas. Essas escolhas incluiriam,

• O s intersexuais ou herm afroditas (pessoas com am bos os órgãos


sexuais, m asculino e fem inino).58
• O s transexuais (cirurgia para m udança de sexo).
• As drag queens e kings (travestis).
• O s transgêneros ou bigêneros (travestis de tem po integral ou parcial).
• O s andróginos (ambos papéis de gênero m asculino e fem inino ao
m esm o tem p o ).59
• O s heterossexuais.
• O s homossexuais.
• O s bissexuais.
• Aqueles que têm prazer sexual por meios anorm ais (oral ou anal,
sexo grupai, sexo sadomasoquista, que é m encionado sem julgar).60
• O s auto-eróticos.
• O s assexuais.
• O s pansexuais.
• O s pedófilos.61

E stá se to rn a n d o cada vez m ais claro que o debate n acio n al sobre


o c a sa m en to do m esm o sexo é m ais am plo do que os hom ossexuais “se
c a sa n d o ”. O s homossexuais estão com eçando a adm itir que eles querem o
q u e M o lle n k o tt p ro p õ e, ou seja, a d estruição to ta l do co n ceito da
m onogam ia e do casam ento tradicional. O que eles querem é um a socieda­
de que reconheça toda união sexual como norm al — até m esm o a poliga­
m ia e as ligações sexuais de grupo.62
Para M ollenkott, essa diversidade é um “m undo utópico pelo qual
vale a pena lu ta r... [no qual] as pessoas são valorizadas em suas com plexi­
dades em vez de serem atacadas por não se classificarem organizadam ente
em um ou dois sexos possíveis”.63 Aí estão as “novas dim ensões” que se
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 53

tornam possíveis quando elim inam os o Deus da Bíblia. A m eta é “fazer a


sociedade avançar para atitudes e programas de ação que favoreçam a liber­
dade e a justiça para todos”.64 Para M ollenkott, a divisão legal das pessoas
com o hom em e m ulher é tão errada quanto a divisão das pessoas com o
negras e brancas.65 Nesse tipo de sociedade (utópica, justa), “cada pessoa
teria a sua própria sexualidade exclusiva, apaixonando-se... pelo ser intei­
ro da outra pessoa, não só pelos órgãos sexuais dessa pessoa... As pessoas
seriam unissexuais, escolhendo se identificar em qualquer p o n to do es­
pectro da sexualidade”.66 O s filhos seriam criados de acordo com a esco­
lha sexual dos pais.

D o H um or do Banheiro à Política do Banheiro

Certa vez, falei na Austrália acerca da importância das diferenças sexuais.


Cinco engenheiros profissionais film aram a palestra. À m edida que fui fi­
cando mais entusiasm ado a respeito do m eu tem a, com grande ajuda dos
fios sob o m eu paletó e os refletores focalizados em m im , exortei os hom ens
do m eu público a respeitar as diferenças entre hom em e m ulher e a “se
agarrarem a seus m ictórios”. Q uando o auditório irrom peu em risadas, me
coloquei num a situação ainda mais problem ática ao m e desculpar pelo “co­
m entário grosseiro e estranho”. Tudo gravado em fita de vídeo vindo de um
professor de teologia!
As questões que envolvem o banheiro provocam risos, mas elas se
tornaram m edidas políticas sérias. N a década de 1960 quando visitei m i­
nha futura esposa em sua sofisticada faculdade só para m ulheres na Costa
Leste, havia um m inúsculo banheiro para os hom ens n u m a escada cham a­
da “O Eufem ism o”. Q uando m inhas filhas estudaram nessa m esm a facul­
dade um a geração mais tarde, os hom ens usavam o banheiro das mulheres!
A proposta de M ollenkott de banheiros claram ente unissex é um a realidade
nos campus universitários67 e em algumas partes do novo exército am erica­
no.68 O m ovim ento está se espalhando. Cerca de setenta m unicípios em
toda a nação estão criando regulamentações que perm itiriam “escolha de
banheiro” com base na auto-avaliação psicológica de um a pessoa. Em ou­
tras palavras, se um hom em se sente m ulher, ele tem o direito de usar o
banheiro fem inino.69 Por am or da engenharia social, as piadas de banheiros
entre alunos de segundo ano na universidade estão dando lugar a sérias
políticas de banheiro.
Essa nova postura quanto ao banheiro m elhora as coisas? A jovem
W endy Shalit, autora de A Return to Modesty: Discovering the Lost Virtue
54 O Deus do sexo

[Um a volta à m odéstia: descobrindo a virtude perdida], denuncia a geração


excessivamente sexualizada da qual ela é parte. Seu testem unho de prim eira
mão é eloqüente: “Q u a n d o ... os banheiros são unissex, e todo m u n d o é
obrigado a ficar ju n to ... não há com o fugir da cultura da im pudência.
Q u an d o tudo está integrado... não há mistério, e não há separação, e não
há reverência entre os sexos”.70
Apesar desse choro lastim oso, a lésbica M ollenkott pede a elim ina­
ção dos opressivos pronom es específicos de gênero com o “ele” e “ela”,71 e
o fim de senhor e senhora na linguagem educada.72 Nesse tipo de socieda­
de não mais veríam os os espaços onde se m arca hom em ou m ulher nos
form ulários de inscrição governam ental, nas carteiras de m otoristas, nos
requerim entos de passaportes ou nos form ulários de casam ento.73 D e acor­
do com M ollenkott, todas as prisões e competições esportivas serão unissex.
Essas m udanças físicas e legais produzirão um a sociedade justa sem n o r­
mas. “Q u a n d o todas as variações de gênero e sexualidade h u m an a se to r­
narem aceitas... então todos serão ‘norm ais’ e a ‘norm alidade’ perderá
seu poder coercivo.”74
Será que as reflexões de M ollenkott são a imaginação de radicais que
nunca obterão êxito? Ela não pensa dessa maneira. C om o prova ela m encio­
na a Plataform a de Ação da Conferência das Nações U nidas sobre as M u­
lheres em Beijing em 1995. Esse plano de ação foi com posto pela delegação
am ericana liderada por Hillary C linton e propunha os cinco sexos que m en­
cionei no começo: hom em , mulher, homossexual, lésbica e bissexual. O
plano foi derrotado apenas por causa de um a aliança entre o Vaticano e
alguns países m uçulm anos.75 N a Brookline H igh School, em 30 de abril de
2005, num a conferência homossexual da GLSEN (Gay, Lesbian, Straight
E ducation N etw ork [Rede de educação gay, lésbica e heterossexual]) para
estudantes do ensino fundam ental e secundário, um a testem unha visual
relatou o seguinte:

Foi u m ta n to triste e d esanim ador. Por exem plo, u m a m e n in a , q u e p are­


cia ser da oitava o u n o n a série, estava vestida com o u m a p ro stitu ta , com botas,
m eias co m p rid as, blusa pro v o can te e b ato m . Ela com eçou a falar sobre “m ú lti­
plos tipos de g êneros” e com o ela se sentia in co m o d ad a q u a n d o p reen ch ia for­
m ulário s on-line que só apresentavam h o m em e m u lh er corno opções de esco­
lha. “N ã o , N Ã O é apenas h o m em ou m u lh e r” , ela disse ao gru p o . O s coorde­
nad o res da con ferên cia co n co rd aram , e resp o n d eram que “E stão apenas m a n ­
te n d o vivo u m estereó tip o ”, in d ican d o que lim itar a sociedade a dois gêneros é
quase co m o u m c rim e.76
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 55

D e m odo semelhante, em algumas das mais im portantes faculdades só


de mulheres, as estudantes votaram para eliminar até o pronom e feminino,
pois exclui as estudantes que não se sentem particularm ente femininas.77
M ollenkott crê que sua visão da sociedade acabará prevalecendo, e à
luz do que está acontecendo nas nossas escolas estatais, ela está provavel­
m ente certa. O velho estereótipo mal está sendo m antido vivo. Em 2001
ela predisse:

C om toda a probabilidade, as políticas oficiais das igrejas serão a retaguarda


na questão d o gênero, e serão arrastadas chu tan d o e g ritando n a direção da justiça
de gênero q u an d o a sociedade secular não mais tolerar q ualquer ou tra coisa.78

O que M ollenkott sabe que as pessoas com uns não conseguem ver?
O apóstolo Paulo indica em Rom anos que quando os pagãos rejeitam
a Deus, a conseqüência inevitável e suprem a é um a sexualidade pervertida.
A sociedade greco-rom ana de sua época era prova viva. A trajetória de
M ollenkott indica que o processo tam bém funciona do outro m odo. A
polissexualista M ollenkott se tornou politeísta, encontrando a “verdade”
que ela está prom ovendo em todas as religiões.79 Sua perversão sexual a
levou bem longe do Deus da Bíblia.
A reivindicação de políticas “para todos os tipos de gênero”, quando
despidas de seu disfarce com o direitos civis e dignidade hum ana, parece o
que é:80 um program a religioso pagão para m udar o caráter espiritual da
sociedade ocidental, outrora “cristã”.

D e Volta ao Futuro: Os Extremos Impensáveis

Se algum exemplo m ostra que deparamos com duas visões de m undo


m utuam ente contraditórias, é certamente a pedofilia. N u m universo teísta,
não há lugar para adultos que se envolvem em sexo com crianças. C ontudo,
num universo m onístico, essa conduta é tão natural quanto a respiração.
M ollenkott é cautelosa com relação às implicações de um a sociedade
de todos os tipos de gênero e não endossa o sexo em qualquer lugar e de
qualquer m odo. Todavia, ela leva em conta o possível valor da pedofilia.
“N a nossa cultura”, diz ela, “a pedofilia não pode abusolutam ente ser ex­
pressa pelos relacionam entos” por causa da m aioridade.81 Para ela, o sexo
entre gerações “não tem a probabilidade de chegar a repercussões trágicas”
e só é perigoso quando os adultos instigam sentim entos de culpa.82 Em
outras palavras, a pederastia bem que poderia ser parte de nosso esclarecido
futuro sexual, exatam ente com o era um a parte aceita da elite social das
56 O Deus do sexo

antigas Grécia e Rom a. Sua legitim idade parece depender apenas da aceita­
ção do público, e os radicais estão trabalhando para isso. A editora da
M in n e so ta U niversity recentem ente publicou um livro escrito por Ju d ith
Levine, H a rm fu l to M inors: The Perils o f Protecting M inors fro m SexH5
(N ocivo para menores: os perigos de se proteger m enores do sexo). O livro
argum enta que as crianças têm direito a um a vida sexual segura e satisfatória.
C inco especialistas acadêmicos asseguraram a credibilidade do livro para a
editora universitária. N um a cultura sem limites, quando não há lim ites de
idade para a atividade sexual, a pedofilia é o passo óbvio seguinte.
U m a indicação adicional do confronto m oderno de visões de m undo
é o sexo de seres hum anos com animais, que M ollenkott estranham ente
om ite. A bestialidade tem um a indústria próspera na Internet. N a época do
H allow een, na livraria local de Barnes and Noble, logo na entrada já se vê o
livro de Fiona H orne, Witch: A M agikal fourney: A Guide to M odern
Witchcraft [Bruxa: um a viagem mágica: guia da feitiçaria m oderna]. No
livro, a fisicam ente bela H orne descreve as possibilidades espirituais conce­
didas po r “Lulu”, sua cobra “familiar”.84 Ela explica: “N o ritual, pode-se
usar um anim al para facilitar a formação de dois elos para as forças sobrena­
tu ra is... e com unicar-se com a natureza”.85 Sua cobra representa a energia
sexual serpentina de Kundalini, uma técnica h in d u para unir a sexualidade
e a espiritualidade pagã. H orne deixa claro essa conexão. Por am or aos lei­
tores da Barnes and N oble em todos os lugares, ela explica com o ela se
deixou fotografar com pletam ente nua com o anim al enrolado em seu cor­
po. N a foto, ela estava num transe místico (kundalini), com a face da cobra
resp iran d o na face dela. “U m a coisa que gosto de fazer”, acrescenta ela,
“é respirar a respiração dela. Ela coloca a cabeça debaixo do m eu nariz e
respiram os ju n tas”.86 Em bora tenha delicadamente evitado os detalhes mais
vividos, todas as insinuações sexuais estão presentes nesse relato “idílico” de
um a bruxa e seu anim al domesticado.
O professor de Nova EraTerence M cK enna crê que as várias espécies
da natureza se com unicam umas com as outras m ediante sinais quím icos.
O s anim ais fornecem um a p o n te po rq u e são tam b ém d iv in o s.87 N a
espiritualidade dos índios am ericanos, a águia e a coruja são “mensageiros
que trazem instruções do espírito da noite [que está] em todos os lugares
[e] não tem nom e” .88 Assim, o xamã, que está em contato com os poderes
da terra, tem um relacionam ento mais que duvidoso com os anim ais.
Eliade explica:
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 57

O xam ã pode se transform ar em vários anim ais, e às vezes não se sabe até que
p onto os gritos dos anim ais expressos d u ran te um a sessão espírita são dos espíritos
familiares ou representam as fases da própria transform ação do xam ã n u m anim al,
ou seja, a revelação m anifesta de sua verdadeira personalidade m ística.8''

A bestialidade sem pre teve o seu lugar em algum as form as de espiri­


tualidade oculta po r causa da necessidade de se experim entar a divindade
da natureza em todas as suas formas. Em outras palavras, nesse m odo
extrem ista de “liberação” sexual há tam bém um a conexão p rofunda entre
“deus” e sexo.

O Poder da Poliamoria

Stanley Kurtz é m em bro pesquisador da Hoover Institution. A Hoover


Institution, uma usina de idéias no campus da Stanford University, dificil­
m ente expressa as opiniões dos direitistas que odeiam gays. O próprio Kurtz
não pode ser cham ado de hom ofóbico, já que ele crê que “a nossa elevada
tolerância social para com o homossexualismo é de m odo geral um a coisa
boa”.90 Apesar disso, Kurtz escreve com inteligência profunda acerca das
decisões que estamos tom ando com o um a cultura que poderiam resultar
em desastre irreversível para a civilização.
Sua tese sustenta que a questão central hoje não é o hom ossexualismo
intrinsecam ente, mas o casam ento gay, que, ele crê, destruirá o casam ento
com o o conhecem os. “O casam ento é um a instituição social vital. As fam í­
lias estáveis dependem dele. A sociedade depende de famílias estáveis... o
casam ento significa m onogam ia. O casam ento gay quebrará essa conexão.
Fará isso por si m esm o e por levar à poligamia e à poliam oria. O que vem
depois do casam ento gay é a extinção do casam ento.”91
Kurtz docum enta os lobbies poderosos que estão prontos para reivin­
dicar direitos iguais em favor da poligamia (m uitos parceiros conjugais) e
da poliam oria (literalm ente, “m uitos am antes”, isto é, mais de duas pessoas
num relacionam ento de com prom isso sexual de longo prazo). A poliam oria
é mais da hora do que a antiquada poligamia, pois envolve todos os tipos
de com binação sexual: um a m ulher e dois hom ens; duas m ulheres e um
hom em ; grupos de mais de três; casamentos de grupos heterossexuais; gru­
pos em que alguns ou todos os m em bros são bissexuais; grupos lésbicos,
grupos homossexuais; e m uitos mais.
A pesquisa de Kurtz m ostra que essa é um a questão da m oda entre os
acadêmicos de direito familiar. Na m edida em que os Estados aprovam o
“casam ento” para um a variedade cada vez m aior de uniões excepcionais,
58 O Deus do sexo

eles estão avançando para a poliam oria sancionada pelo Estado. K urtz iden­
tifica m uitos dos principais líderes legais que favorecem exatam ente essa
legalização. Ele m enciona, entre outros, a antiga diretora de planos de ação
da N ational Gay and Lesbian Task Force (Força-Tarefa N acional Gay e
Lésbica), Paula Ettelbrick, que crê que a prom oção da poliam oria é o m odo
ideal de se “reordenar radicalm ente o m odo com o a sociedade vê a fam í­
lia”.92 E ttelbrick ensina D ireito na University o f M ichigan, Nova York,
Barnard e C olum bia. O utros nesse m ovim ento incluem N ancy Polikoff
(Am erican University Law School), M artha Finem an (professsora de direi­
to da Cornell), M artha Ertm an (professora de direito da University o f Utah),
Judith Stacey (professora no departam ento Barbra Streisand de Estudos
C ontem porâneos de Gênero na U SC), David C ham bers (professor de di­
reito na University o f M ichigan) e M artha M inow (H arvard Law School).
K urtz diz que “juntos, esses acadêmicos representam, de m odo discutível, a
perspectiva dom inante dentro da disciplina de direito familiar. Eles têm
m uitos seguidores e têm m uito poder e iniciativa dentro de suas esferas.
Pode haver outras abordagens para com o direito familiar acadêm ico, mas
nen h u m a excede os radicais em influência”. Essa é um a declaração séria,
que K urtz apóia com evidência factual.
Até que ponto essas idéias penetraram na atual sociedade vem indica­
do pelo livro Joined at the Heart [Unidos pelo coração], escrito em 2002,
no qual os autores Al e T ipper Gore definem um a família com o aqueles
que estão “unidos pelo coração” (em vez de pelo sangue ou pela lei).93 De
acordo com Kurtz, a noção de que uma família é qualquer grupo “unido
pelo coração” vem direto de M artha M inow de H arvard, anteriorm ente
m encionada, que trabalhou com os Gores.
As igrejas principais tam bém são receptivas à poliamoria. A conferência
de 2003 da W O W (Witness O ur Welcome [Testemunhe Nossa Recepção])
na Filadélfia, um encontro ecumênico para “cristãos inclusivos em sexo e
gênero”, celebrou os aspectos espirituais da poliamoria. “Ter m últiplos par­
ceiros sexuais”, disse um dos líderes, Debra Kolodny, “pode ser ‘santo’... é
possível haver fidelidade a três. Pode ser exatamente tão santificado quanto
qualquer outra coisa se todas as partes estiverem de acordo”.94 A conferência
foi patrocinada por grupos de dentro da Igreja Presbiteriana (USA), inclusive
o M cC orm ick Theological Seminary bem como o Dignity USA (católico
rom ano), People for the Am erican W ay (Pessoas em favor do Jeito A m e­
ricano), a H um an Rights Capaign (Cam panha pelos Direitos H um anos), a
Episcopal Divinity School, o Chicago Theological Seminary (Igreja Unida
de Cristo) e o Wesley Theological Seminary (M etodista U nida).95
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 59

K urtz liga d ire tam e n te esse m ovim ento socialm ente explosivo ao
hom ossexualism o. Ele crê que o casam ento homossexual abrirá a porta
para todas as outras perm utações. Alguns não acreditam nisso. “O argu­
m ento ‘conservador’ em favor do casamento gay sustenta que o casamento
sancionado pelo Estado reduzirá a promiscuidade dos hom ens homossexuais”,
mas o oposto sem dúvida ocorrerá se tivermos de crer no caráter promíscuo
bem docum entado dos relacionamentos gays.

E se, em vez de o casam ento reduzir a pro m iscu id ad e gay, os casais gays
sexualm ente abertos ajudarem a redefinir o casam ento com o u m a instituição
não-m onogâm ica? H á evidência de que é exatam ente isso o que a c o n te c e rá ... O s
casais gays legalm ente casados com eçarão a redefinir o sen tid o d o casam ento para
a cultura com o u m todo, em parte p or elim inar a m o n o g am ia [casam ento com
apenas um a pessoa] com o um co m p o n en te essencial do casam en to .96

Volta ao Passado

E irônico que na m uito elogiada e altam ente desenvolvida sofisticação


da cultura contem porânea, estejamos voltando ao m undo antigo em busca
de sua espiritualidade. N a m edida em que adotam os a espiritualidade asso­
ciada às religiões misteriosas do Im pério G reco-R om ano, tam bém assumi­
m os suas expressões de sexualidade desenfreada.
O politeísmo da Grécia antiga era intim am ente ligado à espiritualidade
dos M istérios.97 O s deuses amorais do M onte O lim po eram personifica­
ções das forças da natureza divina, em particular a força ardente da sexuali­
dade. A iniciação nos poderes da natureza era a essência da espiritualidade
pagã, e o transe sexual era um m eio poderoso para essa finalidade. Alguns
dos prim eiros pais da igreja viam o conflito espiritual essencial com o o
confronto entre o Deus da Bíblia e a deusa da sexualidade erótica desenfrea­
da, A frodite.98 Enfrentam os um conflito sem elhante hoje.99 Essa perspecti­
va “afrodisíaca” do sexo era especialm ente evidente na im oralidade e vio­
lência da “H ollyw ood do m undo antigo”, o teatro grego. As peças públicas
gregas eram notórias pelo uso de travestism o, m istura sexual e tem as
andróginos.100 E desnecessário dizer que essas imagens provocativas se re­
fletiam na cultura popular no uso de amuletos, feitiços e poções eróticos
para provocar lascívia.
N a vida real, o sexo entre m arido e m ulher era apenas um a das m uitas
escolhas disponíveis — pelo menos para o hom em . (Antes do advento do
teste de D N A , a esposa era m antida trancada para garantir a pureza da prole.)
O s hom ens podiam se aproveitar de escravos de ambos os sexos, concubinas
60 O Deus do sexo

e hetairas (cortesãs da classe elevada, disponíveis por determinado pagamento).


Eles podiam tam bém tentar seduzir um rapaz que havia acabado de sair da
puberdade. Esses relacionamentos eram celebrados nos desenhos dos vasos,
em grande parte da literatura ateniense e nos palcos dos teatros.
O term o lésbica deriva da história da poetisa grega Safo, que vivia na
ilha de Lesbos no século 6o. a.C. Ela escrevia poemas pornográficos para
acom panhar as imagens nos vasos gregos, retratando de m odo lascivo o
am or entre as mulheres. Em bora essa influência lésbica não fosse tão co­
m um com o o homossexualismo, essa literatura indica certo interesse e pro­
vável prática do lesbianismo no antigo m undo grego.
Já que não havia restrições religiosas, o sexo desordenado não era li­
m itado ao cenário popular. Até mesmo o grande filósofo estóico Zeno de­
clarou que os cidadãos sábios “têm de se envolver em relações sexuais com
os adolescentes sexualmente prediletos e não prediletos, tanto hom ens quan­
to m u lh e res... [porque] o mesmo tratam ento para todos é decoroso e apro­
priado”. 101 Tanto Platão nas Leis e na República quanto os prim eiros estói-
cos p ro p u n h am o fim do casamento e a livre expressão sexual para todos,
que resolveria o problem a do ciúm e e da possessividade sexual em razão do
adultério.102 O s valores da família, diziam os estóicos, im pediam as pessoas
de alcançar a sabedoria e a virtude.103 Nesse m undo antigo sexualm ente
liberado, os filhos tam bém eram um problem a. C om o alguns políticos ra­
dicais hoje que querem programas de creches em massa, Platão e Zeno
argum entavam que a criação de filhos deveria “ser um projeto da com uni­
dade, no qual todos os adultos têm de m ostrar um tipo paternal de am or
por todas as crianças de m aneira semelhante na cidade”.104 C om essa noção
de sexualidade irresponsável, era verdade tam bém no m undo antigo que
“tudo o que era necessário [para se criar crianças] era um a vila”. Platão
tam bém defendia a pedofilia e o hom ossexualism o.105 Além disso, como
observarem os adiante, obscenas e lascivas paradas de sacerdotes hom osse­
xuais cham ando os transeuntes para a experiência libertadora do excesso
das m uitas diferentes escolhas sexuais, eram acontecim entos com uns nos
calendários sociais das grandes cidades do império.
Depois de aceitar a m onogam ia heterossexual por quase dois mil anos
com o a inquestionável norm a cultural, estamos agora “avançando” para o
caos sexual do m undo antigo. Pelo fato de que esse “avanço” vem acom pa­
nhado de um reavivamento da antiga espiritualidade pagã, a “sociedade de
todos os tipos de gênero” de M ollenkott está mais próxim a da realidade do
que im aginam os.
Entra o novo: a utopia sexual vindoura 61

Essa era politeísta pansexual se aproxima cada vez mais, em virtude do


progresso do poderoso m ovim ento religioso e político hom ossexual.106Nessa
era futura de utopia sexual, os cristãos poderão logo ter de se esconder nos
armários dos quais os gays saíram recentem ente.

Temas para Debate

• C ertos psicólogos, professores e até líderes religiosos preem inentes


estão pedindo a chegada da “Era da A ndroginia”. Para eles, a verdadeira
liberação espiritual inclui a liberdade de ser tanto hom em quanto m ulher
ao mesmo tem po, na mesma pessoa. Assim, eles com binam a sexualidade
com a espiritualidade.
• Os americanos se tornaram tão relutantes quando o assunto é criticar
o m odo como as outras pessoas agem e pensam, que o sociólogo Alan Wolfe
crê que acrescentamos um décimo primeiro m andam ento: “N ão julgarás”.
• Os homossexuais estão com eçando a adm itir que querem a destrui­
ção total do conceito da m onogam ia e do casam ento tradicional. Eles que­
rem um a sociedade que reconheça toda união sexual com o normal.
Capítulo 4

H o m o sse x u a l id a d e :

O S a c r a m e n t o S exual do

P a g a n ism o R elig io so

Um Problema Persistente

M eu com putador deu um toque musical, anunciando um a nova m en­


sagem de e-mail. Ela tinha vindo de alguém que visitou o m eu site.

Assunto: Casam ento gay


A orientação sexual é genética e todos têm o direito de buscar
a felicidade neste país! Im por suas crenças aos outros só espalhará
medo e intolerância. Se você é de fato “cristão”, você precisa crer
que nós somos todos filhos de Deus. O bviam ente, você não está
praticando o que prega.
Assinado, G L

Essa pessoa, talvez um homossexual, pensa que não sou cristão por
causa de m inhas convicções acerca do homossexualismo. Tentei exam inar
meus m otivos a fim de elim inar o preconceito. Porém, o C ristianism o é
um a cosmovisão sólida, e o homossexualismo é um a parte integral do siste­
m a de pensam ento pagão. Por isso, não tenho nenhum a escolha a não ser
apresentar o m eu argum ento de m odo tão claro e am oroso qu an to possível.
O hom ossexualismo não é um m odism o insignificante na cultura oci­
dental. C om o os sodom itas que queriam arrom bar a porta da casa de Ló há
m ilênios, o m ovim ento gay m oderno se reúne às portas de nossas igrejas e
instituições acadêmicas exigindo entrada e pleno reconhecim ento. Apesar
dos meros um ou dois por cento de pessoas envolvidas, o homossexualismo
não é um ponto no gráfico das modas sexuais, que hoje está aqui, e am anhã
não mais existirá.1
64 O Deus do sexo

O poder dessa atitude não pode ser ignorado. Ela é estridente, insis­
tente e apoiada por influentes grupos políticos e financeiros. Pelo fato de o
hom ossexualism o ser explicado com o um a condição genética inalterável
(com o ser hispânico, caucasiano ou afro-americano), essa postura reivindi­
ca direitos civis especiais com o grupo “m inoritário”. Mas os que não con­
cordam com essa teoria não aceitam as pressões que querem silenciá-los.
N u m a conversa particular, um psiquiatra bem conhecido me disse que 95
por cento de seus clientes são homossexuais buscando aconselham ento re-
parador.2 Esse tipo de terapia se baseia na noção de que o hom ossexualis­
m o é um distúrbio psicológico tratável. Jeffrey Satinover, autor do livro
Homosexuality and the Politics ofTruth [Homossexualismo e as políticas da
verdade], exerce a psiquiatria desde 1986. Formado em ciências e artes libe­
rais pelo M IT [Massachusetts Institute o f Technology], em psicologia clí­
nica por H arvard e em física por Yale, Satinover recebeu diplom a de m edi­
cina da University ofTexas M edicai School. Ele declara de m odo claro que
a hom ossexualidade não é um a característica estável de conduta: “A noção
de que os ‘homossexuais’ são de fato um a ‘espécie diferente’ (genes diferen­
tes) é tão ridícula que não dá para crer. N ão há a mais leve evidência nesse
sentido, com o qualquer pessoa que realmente lê os estudos (e não o que é
noticiado sobre os estudos) sabe”.3 Até mesmo pesquisadores gays m uito
conhecidos rejeitaram suas descobertas iniciais. Dean H am er foi forçado a
adm itir que “foi constatado que os sinais genéticos [da homossexualidade]
eram insig n ifican tes”.4 Sim on LeVay, num estudo sobre as diferenças
hipotalâm icas entre os cérebros de hom ens homossexuais e heterossexuais,
ofereceu a seguinte análise acerca de sua própria pesquisa: “N ão provei que
a hom ossexualidade é genética, nem descobri um a causa genética para esse
estilo de vida. N ão mostrei que os hom ens gays nascem assim — o erro
mais com um que i . pessoas com etem ao interpretar o m eu trabalho. Além
disso, não localizei um centro gay no cérebro”.5
Apesar da fal:a de prova científica, a Associação Psiquiátrica America­
na retirou a hom ossexualidade da lista de doenças psicológicas,6 e até da
lista de temas para pesquisa e debate.7 O Supremo Tribunal dos Estados
U nidos a descrim inalizou,8 preparando o cam inho para o reconhecim ento
legal do casam ento gay.9 Nossa cultura está tornando a homossexualidade
um a escolha perfeitam ente norm al (como era na Grécia pagã) ou até mes­
m o superior.10
H á um ditado que diz que “Na guerra e no am or vale tudo”, mas
nessa guerra jogar lim po é raro. As forças homossexuais estão no ataque,
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 65

buscando desconstruir a cultura heterossexual dom inante. As táticas de in­


tim idação das forças pró-hom ossexualism o são irônicas, já que conquista­
ram um lugar na sociedade por meio de denúncias contra tais táticas. Pelo
fato de que ninguém aprova intim idações, poderíam os esperar debates e o
livre fluxo de idéias acerca dessa conduta tão nova e anorm al com o a h o ­
mossexualidade. Mas o reitor da Faculdade A nnenberg de Com unicações
da University o f Southern Califórnia descarta a oposição ao program a h o ­
mossexual com o “fascista”.11 Os ex-homossexuais não têm permissão para
dar palestras nas reuniões da Associação Am ericana de Educação e na Asso­
ciação de Pais e Mestres, enquanto a entidade Pais e Amigos de Lésbicas e
Gays pode ocupar a plataform a.12 A Federação de Planejam ento Familiar
tem acesso às escolas, mas raram ente se ouvem vozes alternativas. Essa é
um a guerra espiritual, não um a educada troca de idéias.

Cuidado com o Trem Invisível

Na França, onde morei com m inha família durante m uitos anos, muitas
vezes utilizávamos o excelente sistema de trens. N a estação, onde dá para se
cruzar os trilhos, havia um cartaz com um a advertência: “Attention: un
trainpeuten cacher un autre" (“Atenção: um trem pode esconder outro”). O
óbvio trem , tão grande que não dá para se ver nada mais, é aquele que
vemos sem perceber que um invisível pode ser o perigo real. O program a
homossexual nos adverte acerca do trem da intim idação, mas deixa de nos
prevenir do trem que desconstruirá a heterossexualidade norm al e prom o­
verá a norm alidade do casam ento gay.
Q uem pode resistir ao apelo de se criar program as que elim inem
im portunações e intimidações? Os oponentes do hom ossexualism o não
incentivam a intim idação de estudantes homossexuais. C o n tu d o , a partir
do m om ento em que se usa a estratégia antiim portunação, ninguém —
seja professor, estudante, pai, mãe ou equipe de funcionários — poderá
expressar nem que seja um a opinião acerca da questão (a m enos que a opi­
nião seja a favor do homossexualismo). O hom ossexualism o se torna um a
qualidade m oral, natural e “inata” acima de críticas. As objeções m orais são
ignoradas com o “hom ofóbicas”. Proíbe-se para sem pre a livre expressão
sobre o assunto. O program a antipreconceito se torna a im posição ideoló­
gica da ortodoxia homossexual. Fim do debate!
D urante os tum ultos de 2006 por causa das caricaturas criticando o
Islamismo, o jornalista R obert Spencer fez esta declaração acerca da noção
ocidental de livre expressão: “A liberdade de expressão abrange precisamente
66 O Deus do sexo

a liberdade de incom odar, ridicularizar e ofender. Caso não tenha essa


abrangência, ela é vazia. N o instante em que se considera algum a pessoa ou
ideologia com o fora dos lim ites para um exame crítico ou até m esm o
ridicularizações, é que a liberdade de expressão foi substituída por um a
camisa-de-força ideológica”. 13Aparentem ente, essa noção, tão cara ao O ci­
dente liberal ao criticar o fundam entalism o m uçulm ano, não se aplica ao
debate sobre o homossexualismo.
A contece o m esm o com o casamento gay. M uitas pessoas com uns são
influenciadas pelo discurso de igualdade. O C anadá legalizou o casam ento
gay. O Prim eiro-m inistro canadense, Paul M artin, um católico rom ano,
indo contra o ensino de sua igreja, declara que “é preciso dar a todos os
canadenses o m esm o direito ao casamento”. 14 Q uem poderia se opor ao
argum ento de que a democracia exige direitos civis iguais para todos os
cidadãos? C ertam ente não Karl Giberson, o editor evangélico do influente
Science a n d Theology News [Notícias sobre ciência e teologia], que não con­
segue ver o m otivo por que perm itir aos gays o direito de se casar representa
um problem a para o casamento heterossexual.15
Essa questão esconde não um trem, mas dois. A inda mais escondido e
mais perigoso do que a legalização do casamento homossexual está o mais
poderoso program a por trás desse casamento. A nova sexualidade liberada,
inclusive a homossexualidade, esconde um enorm e trem gêmeo de alta ve­
locidade: um a espiritualidade potente, que m uda vidas.
D e acordo com C hristian de la H uerta, um teórico gay. “M uitas ve­
zes, os homossexuais atuam como catalisadores, agindo com o agentes de
m udança, ajudando a ocasionar reformas, incitando m ovim entos sociais e
apoiando o avanço da sociedade.” 16 Para ele, legalizar o hom ossexualismo e
o casam ento gay desconstruirá totalm ente as norm as da heterossexualidade
e do casam ento tradicional e tornará válidas todas as expressões sexuais
(inclusive a poliam oria e a poligam ia).17 O casam ento tradicional é “um
conceito m eram ente heterossexual e patriarcal, desenvolvido a partir da
necessidade de se estabelecer a paternidade e a propriedade”. 18 O casamen­
to é esvaziado do seu sentido original e redefinido com o a consagração
estatal de toda e qualquer união sexual.19 Esse reconhecim ento legal elim i­
na a linguagem de “m arido e esposa” da lei e obscurece os direitos de as
crianças serem criadas por um a mãe e um pai.
Aqueles que se opõem a esse program a por motivos de consciência ou
religião são considerados fanáticos antigays e hom ófobos. N o C anadá e na
Suécia, pastores vêm sendo ameaçados de prisão por falarem sobre o ho-
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 67

mossexualismo do púlpito, e alguns pastores da Pensilvânia, depois que o


Estado acrescentou o term o “orientação sexual” às suas leis de crimes de
ódio, estavam considerando fazer seguro contra prejuízos para se protege­
rem de processos. O trem da igualdade civil esconde o segundo trem que
destrói o casam ento heterossexual, que esconde o terceiro trem que traz
transform ação religiosa. Se cruzarmos esse trilho, esse terceiro trem espiri­
tual poderá bem ser o assassino do futuro da civilização.

Uma Ideologia Elaborada para Transformar o M undo

O hom ossexualismo não mais é um simples pedido pelo direito à


privacidade sexual ou por um pouco de “divertim ento” sem a supervisão de
adultos. O hom ossexualismo se tornou um program a para se prom over a
engenharia social, um a ideologia que destrói tudo. Veja Paula Ettelbrick de
novo: “Ser homossexual é mais do que m ontar a casa, dorm ir com alguém
do m esm o sexo e buscar a aprovação estatal para se viver desse je ito ... Ser
hom ossexual significa forçar os parâm etros do sexo, da sexualidade e da
família e, no processo, transform ar a própria estrutura da sociedade”.20 T. E.
Schm idt começa o seu livro Straight or Narrow? [Heterossexual ou pessoa de
m ente fechada?] descrevendo a hom ossexualidade com o “um a questão tão
im portante que parece cada vez mais ser o cam po de batalha para todas as
forças que buscam m oldar o m undo do próxim o século”.21 A hom ossexu­
alidade publicam ente aceita, reconhecida pelo Estado e socialm ente n o r­
m alizada é vista com o um a contribuição necessária para a espiritualidade
da cultura. C hris H inkle, da H arvard University, argum enta que “o h o ­
m ossexualismo tem de se justificar m oralm ente, não m eram ente exigir
seus direitos civis e sociais. Tem de m ostrar a p rofunda espiritualidade do
am or hom ossexual”.22

O Poder Espiritual do Homossexualismo

C om o é que o m ovim ento está se justificando “m oralm ente” e m os­


trando sua “profunda espiritualidade”?

Cristianismo Liberal

O s cristãos liberais foram caindo um atrás do outro. M uitas igrejas


im portantes já aprovam o hom ossexualismo.23 D e acordo com um novo
catecismo anglicano com issionado pelo ex-arcebispo de Nova York: “O h o ­
mossexualismo pode bem não ser um a condição para se lamentar, mas pode
68 O Deus do sexo

ter qualidades positivas que Deus planejou”.24 N o dia seguinte a essa decla­
ração do arcebispo, a m aior denom inação presbiteriana do m undo votou
para derrubar um a convicção teológica honrada desde que o Presbiterianismo
apareceu no século 16. A Assembléia Geral votou para elim inar a regula­
m entação que proibia a ordenação de gays e lésbicas com o m inistros e ou­
tras funções eclesiásticas.25 Em 1987 essa mesma denom inação presbiteriana
pediu a “elim inação das leis [civis] que regulam a conduta sexual particular
entre dois adultos que estejam agindo de com um acordo”.26 O Suprem o
T ribunal voltou a esse tem a em 2003 em sua decisão no caso Lawrence
versus Texas, ao proibir os Estados de terem leis que buscam legislar sobre
a c o n d u ta sexual.27 E nquanto isso, com o já observam os, os episcopais
ordenaram com o bispo um hom em divorciado que vive abertam ente num
relacionam ento hom ossexual. O s que são a favor apelam para os p rin cí­
pios cristãos de amor, aceitação, honestidade e tolerância para todos.28
Eles difam am os que usam as Escrituras para se opor à agenda deles, tra-
tando-os com o neanderthais espirituais “vom itando cego preconceito e
horrível ódio no nom e de Jesus”.29 Eles até colocam a oposição cristã ao
hom ossexualism o em pé de igualdade com os lincham entos da Ku Klux
Klan e o anti-sem itism o nazista.30
C o n tu d o , os liberais moderados rapidam ente desaparecem no turb i­
lhão da utopia sexual e espiritual pagã, sem perceberem que eles estão sen­
do desligados de suas raízes evangélicas pelo program a radical religioso pa­
gão. Eles não i itendem que não há um acordo no qual ambas as partes
fazem concessões. O liberalismo requentado, que perdeu sua capacidade de
sentir o D eus transcendente das Escrituras, não tem base algum a sobre a
qual se firmar para se opor à queda da igreja no paganismo. O pansexualismo
traz em seu rastro o paganism o religioso panteístico, pois só o panteísm o
oferece justificativa religiosa para o pansexismo.
A orientação espiritual afeta a sexual. O encontro entre “deus” e o
“sexo” nos m ostra o que está no horizonte. Se o hom ossexualismo obter
aceitação global31 com o parte do program a para trazer “paz e compreensão
à terra”, o futuro árbitro moral e espiritual do planeta será a religião pagã, e
o hom ossexualism o será o seu sacramento sexual.

O que as Pessoas Dizem acerca do Poder Espiritual do Homossexualismo

Q uaisquer que sejam as conclusões a que cheguemos acerca da biologia


e psicologia,32 a prática do homossexualismo contém um profundo com po­
nente espiritual. Essa tese não é invenção dos “detestáveis” fanáticos direitistas.
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 69

Embora nem todo homossexual entenda a conexão entre prática sexual e


premissas religiosas, a elite compreende, e declara isso de m odo inequívoco.

Líderes Gays

U m porta-voz gay num a reunião de Espírito Pagão em 1985 fez esta


declaração: “Sentim os que há um poder em nossa sexualidade... [uma]
energia homossexual que a m aioria das culturas considera mágica. É prati­
cam ente um requisito para certos tipos de rem édio e magia”.33 Assim que se
elim ina a distinção hom em -m ulher, outras categorias da criação tam bém
se tornam irrelevantes. C om o outro pagão gay explica: “E sim plesm ente
mais fácil se m isturar com um espírito da natureza, ou com o espírito de
um a planta ou de um anim al se você não está preocupado com um papel
específico de gênero”.34 Eis um a declaração de um gay espiritual: “Penso
que o futuro do m undo, a esperança do m undo depende de nós, que os
hom ens que am am hom ens são as únicas pessoas que podem salvar este
planeta. Esse é ... o nosso propósito”.35
As paradas do orgulho gay contribuem para a fibra espiritual da cultu­
ra, diz Christian de la H uerta, da N ational Gay and Lesbian Task Force.36 A
m istura confusa — de “garotos de e n tre te n im e n to ” , lésbicas topless e
infindáveis outras variações sexuais, “todos pulsando ao som das batidas de
tam bores tribais” num a exibição escandalosa e provocativa de satisfação
excessiva dos próprios desejos — realmente constitui “a pressão para um a
volta ao passado de lim ites culturais im postos por um povo excepcional­
m ente qualificado para exploração espiritual... os xamãs m o d ern o s... que
andam entre os dois m undos”.37 Esse excesso sexual não é pecado, mas “um
dom , um a b ê n ç ão ... um privilégio... e um culto sagrado”.38 O autor exor­
ta os gays a exercerem o seu dom espiritual, assum indo a sua “responsabili­
dade de continuar trazendo luz, cura e espírito ao m undo, ainda que o
m undo não chegue a com preender ou inteiram ente a apreciar o nosso valor
e as nossas contribuições”.39
Algum a vez você im aginou que os nossos pensam entos acerca do “pro­
gresso” social nos levariam para trás? O que de la H uerta celebra com o nova
possibilidade para a nossa cultura já foi visto na cultura decadente da Rom a
antiga. Vamos voltar rapidam ente ao passado. N o século 5Q d.C ., Santo
A gostinho m enciona paradas de atores obscenos que atuavam em peças
repugnantes, ju n ta m e n te com a exibição pública de sacerdotes hom osse­
xuais, os galloi, “na presença de um a m ultidão imensa de espectadores e
ouvintes de ambos os sexos”.40 Esses galloi eram “bem conhecidos pelo seu
70 O Deus do sexo

travestismo, m aquilagem escandalosa, penteados exibicionistas, danças ri­


tuais, m aneirism os característicos e o dom da profecia”.41 N ada m udou. N o
século 21, enfrentarem os um a form a dessa antiga decadência pagã, vestida
no poder da espiritualidade pagã ocultista.
U m dia logo poderem os ver a desconstrução da cultura heterossexual
(G n 1.27), capacitada pela espiritualidade pagã. O s cristãos bíblicos pode­
rão se achar cercados por um a sociedade “tolerante”, que faz concessões, e
por um a igreja grande e apóstata, embriagada por noções e poções de direi­
tos civis e justiça. Eles se acharão sós, trancados num a luta pela sobrevivên­
cia social com xamãs homossexuais politicam ente poderosos. O acadêmico
luterano Frederic Baue faz a pergunta: “O que virá depois do pós-m oder-
no?” Ele responde: “U m a fase da civilização ocid en tal/m u n d ial que é
inatam ente religiosa, mas hostil ao C ristianism o... ou pior, um a igreja do­
m inante, porém falsa, que coloca em ação contra a verdade da Palavra de
Deus todas as suas forças”.42

A Líder da Nova Era Shirley MacLaine

Shirley M acLaine, um a das primeiras e desembaraçadas defensoras da


nova espiritualidade, pergunta-se em voz alta no seu livro Going W ithin se
o “o objetivo da vida”, a partir de um a perspectiva pagã, da nova era, é
“equilibrar tanto o masculino quanto o fem inino em nós m esm os”. Ela
responde: “Então teremos espiritualizado o material e m aterializado o espi­
ritual para nos expressar pelo que verdadeiram ente somos — andróginos,
um equilíbrio perfeito”.43 A noção de “equilíbrio” é um com ponente essen­
cial da espiritualidade pagã, com o veremos adiante.

Bruxas Modernas

As bruxas acadêmicas M onica Sjoo e Barbara M oor defendem o m es­


m o equilíbrio em diferentes term os num livro enorm e sobre a deusa:

M ulheres e h o m en s criativos de todas as idades vêem a heterossexualidade


rígida com o em conflito com a plena vida e consciência em todos os níveis —
sexual, psíquico e espiritual [o destaque é m e u ]... D ividim o-nos c o n tra nós m es­
m os, e co n tra o “eu” no outro , por m eio dessa oposição m oralística de polariza­
ções naturais na própria profundeza da nossa alm a.44

Se dentro de nós mesmos somos um a m istura de hom em e mulher,


então os hom ens não precisam das mulheres para com pletar suas necessi­
dades sexuais, e as mulheres não precisam dos hom ens. Infindáveis experi­
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 71

m entos criativos com todos os tipos de sexualidade se tornam parte do


program a de estar “plenam ente vivo”.
Emily Culpepper, atualm ente professora adjunta de Estudos das M u­
lheres e Estudos Religiosos e diretora do Programa de Estudos das M ulhe­
res na University o f Redlands no Sul da Califórnia, é ex-m em bro da C o n ­
venção Batista do Sul. Ela tam bém é um a bruxa pagã lésbica, e o quadro se
com pleta com um “anim al familiar” (um gato possesso por um espírito).
Ela vê os gays e as lésbicas, em suas palavras, com o “xamãs de um a era
futura”.45 Em outras palavras, ela vê na hom ossexualidade um com ponente
espiritual que funciona para trazer um a experiência da religião pagã.
C ulpepper deixou a igreja e rejeitou o Cristianism o.

Cristãos Apóstatas

O utros perm anecem na igreja, mas dizem essencialm ente a mesm a


coisa. Em term os mais familiares, mas comparáveis, V irginia M ollenkott,
que chama a si m esm a de “um a fem inista lésbica evangélica”, fala em favor
de gays e lésbicas quando diz: “Somos Embaixadores de D eus”/*6 Aliás,
M ollenkott afirma que ela “foi inform ada” pelo seu “anjo guardião, um
Espírito-G uia, o Espírito Santo ou Jesus” que “um a grande m udança está
ocorrendo no m undo, e você é parte dessa m udança”.47 Essa “m udança”
inclui a “m udança” dela da heterossexualidade bíblica para a hom ossexuali­
dade pagã e da espiritualidade bíblica para a espiritualidade m onista, que
agora inclui tais técnicas com o m editação sobre a Nova Era conform e des­
creve o livro A Course in Miracles [Um curso em milagres] e o uso de cartas
de tarô e I C h in g .43 Para M ollenkott, os homossexuais têm a chave do
futuro reavivamento espiritual — do paganismo.
U m sinal dos tem pos é o retrato de Jesus pintado para o jornal National
Catholic Repórter. A artista Janet M cKenzie usou um a m ulher negra com o
modelo, dizendo: “M inha m eta foi ser tão inclusiva quanto possível”.49
Essa inclusividade não era só sexual. Jesus é apresentado n u m fundo de cor
levem ente rosa, fortem ente sugerindo um m otivo hom ossexual. O s deta­
lhes do quadro incluem um círculo de yin-yang representando equilíbrio
perfeito e um a pena sim bolizando a espiritualidade dos índios americanos.
Descrevendo-se com o “ateísta devota” interessada em m uitas religiões,
M cKenzie dedica m uito de seu trabalho a imagens de m ulheres fortes e
espirituais. O novo Jesus icônico para m uitos católicos rom anos vem a se
revelar com o um hom em am bíguo cuja essência profunda tem com o ori­
gem uma forte m ulher de espiritualidade pagã.
72 O Deus do sexo

Rosem ary R adford Ruether, a principal teóloga fem inista “cristã” an­
teriorm ente m encionada, explica a natureza do reavivamento homossexual
pagão. A androginia é o m odelo de um a espécie hum ana futura liberada do
sexo “dualístico” para experim entar a “perfeição psíquica”.50 Esse m odelo já
chegou aos teatros da Broadway na peça “M onólogos da Vagina”. Esse es­
petáculo feminista-lésbico incrivelmente bem-sucedido já foi exportado para
25 países, inclusive a Turquia e a China, e num a apresentação no M adison
Square G arden, deixou de um a só vez dezoito mil m ulheres em estado de
histeria, gritando repetidam ente a palavra vulgar que designa suas partes
íntimas! Em seu com entário sobre o espetáculo, H enry M akow faz as se­
guintes observações notáveis:

O s “M onólogos da Vagina” apresentam u m triste q u ad ro de vida no beco


sem saída do fem inism o. E um grito angustiado de um a geração de m ulheres que
q uerem o am o r do hom em . Elas foram enganadas pelo fem inism o e agora não
têm escolha algum a senão se tornarem lésbicas... Tem os de e n fren tar o fato de
que o fem inism o é um m ovim ento hom ossexual em com petição m ortal com a
heterossexualidade.51

Disse outro ativista: “O s gays, as lésbicas... as bruxas... e os xamãs


sem pre abençoaram a igreja”.52
A conexão íntim a entre a espiritualidade esotérica pagã e a sexualida­
de andrógina não é lim itada nem por época nem por lugar, com o m uitos
gays e lésbicas têm o orgulho de afirmar. O homossexualismo jamais foi
um a m era questão biológica. Sempre esteve ligado a um tipo particular de
com prom isso religioso.

O Sacerdote-Xama Homossexual na História

Em m uitas épocas e em muitas culturas, os cultos pagãos tinham como


seu representante sexual o castrado sacerdote homossexual andrógino.53
M ichael York, especialista em religiões pagãs, declara: “Em m uitos am bien­
tes tradicionais, o xamã é alguém com preferências sexualm ente perverti­
das, e às vezes as roupas de travesti se tornam características das diferenças
do xam ã”.54 M ircea Eliade, especialista na análise comparativa das religiões,
argum enta que a androginia com o m odelo religioso aparece em quase to ­
das as partes e em todas as épocas das religiões do m u n d o .55 O xamã
andrógino é visto com o alguém que ocupa o espaço entre os vivos e os
m ortos, entre o caos e a ordem , onde os opostos se reconciliam .56 Existe
m uita evidência para apoiar essa opinião.57
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 73

Textos da M esopotâm ia do século 19 a.C. falam acerca de sacerdotes


andróginos ligados à adoração da deusa Istar da era sum eriana (1800 a.C .).58
A condição deles era em razão da “sua devoção a Istar que havia ‘transfor­
m ado a m asculinidade deles em fem inilidade’”.59 Eles agiam com o xamãs
de ocultism o que liberavam os doentes do poder dos dem ônios exatam ente
como eles haviam salvo Istar da toca do diabo. “C om o seres hum anos”, diz
um acadêmico m oderno, “eles parecem ter produzido em outros um ódio
dem oníaco... o respeito m edonho que eles provocavam deve ser buscado
em sua diferença, sua posição entre m ito e realidade e sua capacidade de­
m oníaca divina de violar os lim ites.”60
As religiões pagãs da antiga Canaã sustentam um a perspectiva seme­
lhante de espiritualidade e sexualidade. A deusa A nat preserva m uitas das
características de Istar.61 C om o a deusa síria Cibele, A nat é teim osa e não se
subm ete a ninguém .62 Ela é tanto jovem quanto pronta para o casam ento,
mas ela é tam bém um soldado de barba, de m odo que m uitos com entaris­
tas concluem que ela é andrógina ou bissexual.63 Ela sim boliza a união
mística que seus adoradores celebram com o um a lei ritual do “casam ento
espiritual sagrado”.64 N o começo do século 5o. d.C ., o culto da deusa Cibele
continuou a ter sucesso, com o Agostinho descreve de m odo vivido em seu
livro Cidade de Deus,bi anteriorm ente m encionado.

Fenômeno Mundial

A conexão orgânica entre espiritualidade pagã e hom ossexualidade


persiste no que sobrou dessas religiões antigas. Os xamãs siberianos, conhe­
cidos como chukchi, e os xamãs da Ásia C entral se envolvem em rituais
estáticos e se vestem com o andróginos.66 Entre os N gadju Dyak, um povo
pagão que vive distante nas densas selvas do Sul de Bornéo, os basir, “sa-
cerdotes-xamãs assexuados... verdadeiros herm afroditas, que se vestem e
se co m p o rtam com o m ulheres, têm um a função sacerdotal”.67 Essa c o n ­
duta tam bém caracteriza os xamãs da região amazônica, os sacerdotes celtas
(antigos e m odernos) e os hijras da índia. Os hijras, que têm origem hindu,
são um a com unidade religiosa de hom ens que “se vestem e agem com o
m ulheres e cuja cultura está centralizada na adoração de B ahuchara M ata,
um a das m uitas versões da Deusa M ãe adorada em toda a índia”.68
Em outra form a de espiritualidade hindu, a tantra ioga, a androginia
é tam bém a m eta, quando os dois princípios contrários de Siva e Sakti se
unem . Eliade explica: “Q uando Sakti, que dorm e na forma de um a serpente
74 O Deus do sexo

(,kundalini), na base de seu corpo, é despertada por certas técnicas de ioga,


ela se m o v e... através dos chacras até a parte de cima do crânio, em que
habita Siva, e se une a ele”.69 O praticante de ioga, m ediante poderosas
técnicas de m editação espiritual-sexual, é assim transform ado “n u m tipo de
‘andrógino’”.70 N o Budismo, o hum ano verdadeiro, o arquétipo cham ado
bodhisattva, é andrógino.71 Essas práticas de ioga e ensinos místicos com rela­
ção à androginia podem ser tão antigos quanto os exemplos mesopotâmicos
e sírios anteriorm ente discutidos.
N o M éxico, na América C entral e do Sul, os xamãs homossexuais e
transgêneros trabalhavam nos templos dos astecas, C him u, Lacke, Lubacas,
M anta, Maias, M baya, M oche e Tupinam bás.72 N o Alaska, tribos nativas
consideravam os xamãs homossexuais com o especiais:

A cu ltu ra Yupik é de m odo especial n o tá v e l... O s xam ãs hom ossexuais e as


m ulheres curandeiras ocupavam um lugar especial en tre o m asculino e o fem in i­
no bem com o en tre o m u n d o espiritual e o m u n d o m aterial, e assim podiam
atu ar com o interm ediários entre hom ens e m ulheres, e entre o m u n d o espiritual
e o m u n d o terren o .73

N a religião dos índios americanos, os hom ens travestis homossexuais


(.berdaches)74 atuam com o xamãs.75 Entre os navajos, o nadle, um hom em
fem inilizado, atua com o pacificador. De acordo com um m ito navajo, o
herm afrodita original foi até o m undo dos m ortos para se ligar aos m ortos
e aos dem ônios desse m undo inferior.76 N a tribo zuni, o anaw ilona (“ele-
ela”) é um a poderosa figura m itológica.77 Figuras sem elhantes são encon­
tradas em práticas rituais africanas e aborígines australianas.78 “Algumas
sociedades africanas”, observa um etnógrafo, “desenvolveram gêneros in ­
term ediários de hom ens-mulheres e mulheres-homens que, com o seus equi­
valentes entre os índios da América do N orte, são vistos com o sagrados e
com o in d iv íd u o s e sp iritu alm en te p o d erosos.”79 O u tro s exem plos de
androginia físico-espiritual incluem os sacerdotes homossexuais da religião
ioruba em C uba e os “rapazes gays bruxos de M anhattan”.80
U m a história da espiritualidade homossexual m asculina declara com
orgulho óbvio que “os hom ens de variação sexual vêm cum prindo um pa­
pel sagrado ao longo de todo o m ilênio”.81
Q ual é a relação entre homossexualidade e espiritualidade pagã?

Homossexualidade: Significado Religioso

U m a perspectiva pagã e m onística da existência se desenvolverá em


todas as esferas da vida hum ana, principalm ente na esfera da sexualidade.82
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 75

Tanto pensadores heterossexuais quanto homossexuais, cristãos e pagãos, já


observaram essa relação.

Francis Schaeffer, Apologista Cristão

Escrevendo durante a “revolução estudantil” da década de 1960, Francis


Schaeffer observou: “Algumas formas de homossexualismo h o je ... são um a
expressão filosófica... um a negação da antítese. Elas vêm levando, nesse
caso, a um exterm ínio da diferença entre hom em e m ulher. Assim, o h o ­
m em e a m ulher com o parceiros que se com plem entam chegou ao fim”.83
No centro do m onism o pagão está a experiência mística unitiva, um estado
em que desaparecem as diferenças e se unem os opostos. A androginia, em
termos sexuais, reflete e confirm a essa experiência.

C. G. Jung, Psicanalista Influente

Carl Gustav Jung (1875—1961), um dos pensadores mais influentes


dos tem pos m odernos, ensinava que para se tornar um ser hum ano m aduro
a pessoa tinha de rejeitar a noção bíblica de D eus.84 Jung adotou o paganis­
m o e cria que o andrógino homossexual é um m odelo de m aturidade espi­
ritual que com satisfação assume suas tendências físicas e assim une o que o
Deus bíblico separou.85 Na verdade, para Jung, a androginia espiritual sim ­
boliza “a integração dos opostos ou o estado da individuação do indivíduo
autônom o”.86 Portanto, os homossexuais são (em bora alguns inconsciente­
m ente ou apenas parcialm ente) monistas pagãos que foram bem-sucedidos
em traduzir a teoria espiritual em realidade física.87

Joseph Campbell, Guru de George Lucas

Ao atuar com o orientador de George Lucas, p ro d u to r de Guerra nas


Estrelas,88 Joseph C am pbell exerceu um a influência im ensa na m oderna
espiritualidade e m itologia. C om o católico rom ano apóstata, C am pbell
buscou sabedoria nos m itos pagãos e transm itiu m uito dessa sabedoria por
meio da televisão pública.89 Cam pbell declarou seus pensam entos acerca da
sexualidade — e suas implicações — de m odo explícito: “Sem pre pensa­
mos em term os de opostos... [mas temos] de ‘transcender’ a dualidade”.90
Temos de com preender que somos “tanto m ortais quanto im ortais, tantos
masculinos quanto fem ininos”.91
Essa é um a m ensagem socialmente explosiva num tem po de caos se­
xual e religioso. De que m odo explosiva? Temos algum a idéia do seu poder
76 O Deus do sexo

ao m edir o sucesso m undial dos filmes de Lucas — em bora isso seja apenas
um a gota no balde. Na m edida em que o nosso m undo m oderno ju n ta o
sucesso m aterial ocidental à espiritualidade oriental e une o globo em volta
das noções gêmeas de conforto econôm ico e a unidade espiritual de todas
as religiões, começamos a ver que o próxim o grande inim igo da verdade
cristã será o paganismo global triunfante — tanto em suas formas espirituais
q uanto sexuais.

Mircea Eliade, Acadêmico Religioso Mundial

M ircea Eliade, respeitado acadêmico na área de religiões m undiais,


explica a função religiosa dos sacerdotes-xamãs assexuais: “verdadeiros
herm afroditas, que se vestem e se com portam com o m ulheres”. Eles po­
dem atuar com o sacerdotes porque “com binam os dois planos cosmológicos
— terra e céu — e tam bém pelo fato de que eles com binam em sua própria
pessoa o elem ento fem inino (terra) e o elem ento m asculino (céu)”. Temos
aqui a androginia ritual, um a fórm ula bem conhecida para a coincidentia
oppositorum, isto é, “a união dos opostos”.92 De novo, a radical igualdade de
direitos sexuais nos leva ao cerne da espiritualidade pagã.

O M ecanismo

“A energia sexual é uma expressão física de poder espiritual”, diz Margo


A nand em The A r t o f Sexual Ecstasy [A arte do êxtase sexual].93 Pessoas
andróginas, quer homossexuais ou bissexuais, expressam dentro de si m es­
mas am bas as identidades sexuais.94 No ato sexual elas se envolvem tanto
com o hom ens quanto com o m ulheres, os “duros” e as “suaves”95 — e
assim provam tan to a androginia física quanto a espiritual.96 N o plano
físico elas se to rn am m onistas clássicos, un in d o os opostos, experim en­
ta n d o um m u n d o sem diferenças. C o m o verem os, as diferenças na
heterossexualidade refletem a noção teísta fundam ental da distinção Cria-
dor-criatura. A androginia apaga as distinções, inclusive a distinção entre
o hu m an o e o divino.97
D e acordo com Eliade, o ser andrógino alcança a m eta da busca mís­
tica m onística:

N o a m o r m ístico e na m orte, o indivíduo se integra to talm en te ao m u n d o


espiritual: tu d o o que se opõe desm orona. A pagam -se as diferenças entre os se­
xos: os dois se fu n d em n u m todo andrógino. Em resum o, no centro o indivíduo
conhece a si m esm o, é conhecido e conhece a natureza d a realidade.1™
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 77

A elim inação das diferenças sexuais não é um a n o ta incidental ao pé


da página da história religiosa pagã, mas representa um de seus com pro­
missos ideológicos fundam entais. Q ue o sacerdócio pagão, de m aneira tão
freqüente e universal, torna vaga a identidade sexual indica a prioridade
que o paganismo sempre deu para m inar a heterossexualidade m onogâm ica
ordenada por D eus e explica a prom oção entusiasm ada que o paganism o
faz da androginia.

M odelo Espiritual: o Xamã entre os índios Americanos

A idealização da androginia faz sentido teológica e teoricam ente e é


confirm ada por pensadores gays. Diz J. M ichael Clark, professor da Em ory
University e da Geórgia State University: “Algo em nosso ser gay!lésbico
com o um a abrangente perspectiva existencial... parece aum entar a nossa
potencialidade espiritual”.99 Clark afirma que os gays possuem os mesmos
sentim entos das teólogas feministas radicais cujos “impulsos religiosos es­
tão sendo m ortos pela [tradição] judeu-cristã”.100 O problem a real, lem bra
Clark, não são os cristãos “detestáveis”, mas a odiada cosmovisão bíblica e
seu paradigma teológico.101 Clark se afastou da Bíblia e suas raízes cristãs
para adotar o anim ism o dos índios americanos com o um m odelo espiritual
aceitável.
Temos de entender a radical rejeição da espiritualidade crista e a radi­
cal adoção da espiritualidade do xamã homossexual e andrógino. Para Clark,
um excelente m odelo espiritual é o berdache, um xamã entre os índios am e­
ricanos, que nasceu hom em , mas escolheu viver com o m ulher. O berdache
realiza “o encontro das polaridades morais, sexuais e cósmicas”102 (a “ju n ­
ção dos opostos”). Os berdaches eram conhecidos com o “Equilibradores
Sagrados”, que unificavam as polaridades à “perfeição da criação”.103

Anakin

A maioria dos pais não incentivaria seus filhos a se tornar “equilibradores


sagrados”, mas o grande destino de A nakin Skywalker (Guerra nas Estrelas),
um herói m odelo para os jovens de hoje, é se tornar “o equilibrador” dos
dois lados da Força. Nossos filhos — até m esm o os m eninos e m eninas
criados em lares cristãos — têm alguma idéia do que estão absorvendo de
George Lucas? Evidentem ente, não há um a relação direta entre a hom osse­
xualidade religiosa e os filmes de ficção científica. C o n tu d o , pouco a pouco
a cosmovisão pagã sutilm ente se impõe na com unidade global, gradualm en­
te se tornando a norm a em vez da exceção.
78 O Deus do sexo

Nossa época sofisticada recorre ao berdache, um a expressão do antigo


anim ism o pagão, em busca de um a justificativa m oral para negar as dife­
renças, u nir de m odo místico os opostos, aceitar nossas contradições e rei­
nar de m odo suprem o sobre as distorções da criação e das fraquezas morais.
Tudo isso dá apoio espiritual para que os homossexuais possam declarar
que o norm al é anorm al e que o anorm al é norm al.104
Por trás dessa perspectiva acerca do sexo há grande otim ism o. A “teo­
ria hom ossexual” e a pansexualidade, afirma-se, nos liberará das “noções
falsas e inflexíveis de masculinidade e feminilidade”.105 Christian de la H uerta
expressa a esperança estim ulante de que “talvez os hom ens gays poderão
reinterpretar e servir de m odelo para os hom ens heterossexuais no que se
refere a um a m asculinidade mais compassiva, tolerante, carinhosa e cheia
de h u m o r... [e que] as lésbicas continuarão a estender os lim ites do que
significa ser um a m ulher [em term os de questões de] em ancipação e con­
cessão de direitos”. 106
A realidade é que o homossexualismo é certam ente o últim o tabu de
transgressão sexual que tem de ser celebrado se a cosmovisão pagã tiver de
ser norm atizada. O s dois se m antêm de pé ou caem juntos. Para o paganis­
m o, é otim ism o, mas para o teísmo são más notícias. Pois, na m edida em
que se levanta o homossexualismo, o Deus da Bíblia e a cosmovisão bíblica
são banidos e marginalizados. D urante épocas de dom ínio cristão, o h o ­
mossexualismo era discretam ente m encionado com o “o am or que não tem
nom e”. Para que se possa m inar totalm ente a cosmovisão cristã, o hom os­
sexualismo com o o sacram ento sexual da nova espiritualidade deverá e será
pu b licam en te celebrado e terá apoio social. N a m edida em que o paganis­
m o com eçar a dom inar o planeta nos próxim os anos, o hom ossexualism o
será um a questão inegociável para a utopia sexual. Se o m inúsculo lobby
hom ossexual do fim do século 20 conseguiu obter tal influência sobre a
educação e a política n u m país em que a vasta m aioria ainda afirmava ser
cristã, o que refreará o seu dom ínio se o paganism o do m in ar o m undo
inteiro?107
N a nossa cultura neopagã existe um poderoso program a sexual-espiri-
tual. O s “progressistas” o cham am de a “nova consciência”.108 O otim ism o
da revolução sexual da década de 1960 perm anece intacto, m esm o depois
de um a geração de experimentação que trouxe devastadoras conseqüências
sociais e hum anas. Temos de m aneira ingênua cruzado a ponte para o ter­
ceiro m ilênio ao som da música “Im agine”, de John L e n n o n ,109 cheios de
Homossexualidade: o sacramento sexual do paganismo religioso 79

esperança de um a nova ordem m undial de unidade e amor, respeito e de­


mocracia. À frente da procissão, conduzindo o cam inho por essa ponte está
o novo ser hum ano andrógino, sem limitações sexuais, da espiritualidade
pagã. Exatam ente com o os gurus da nova era declararam a chegada da Era
de Aquário, assim tam bém a profecia do teósofo Franz von Baader (1765—
1841) com relação ao reaparecim ento do andrógino original no fim dos
tem pos110 parece estar para se cum prir. Será que estamos à beira de um a
Sodom a e G om orra final e global tal qual propõe o título de um recente
livro pró-hom ossexualism o, Reclaiming Sodom [Reivindicando a volta de
Sodom a]?111 A m aioria de nós não está ciente do perigo que isso represen­
taria — preguiçosos viciados espirituais na televisão, alim entados em exces­
so por um a dieta preparada por H ollywood de degradação sexual e tranqüi­
lizados pela liberação espiritual e moral de m odernos sacerdotes e sacerdo­
tisas pagãos que nunca estiveram mais otim istas do que agora. R econhe­
cendo as derrotas do passado dos incontáveis fracassos hum anos para m u ­
dar o m undo, eles crêem que desta vez será diferente. Por quê? A cons­
ciência global está fazendo com que criemos “um a espécie unificada [por
meio de] um a consciência/superconsciência glo b al... [uma] espécie h u ­
m ana tão unida em am or e boa vontade que haverá algum tipo de centro
espiritual”. 112 C om o que por mágica, o novo hom em perfeito surgirá do
fracassado velho hom em .
É im portante ver a homossexualidade no contexto de sua cosmovisão
pagã por dois motivos. Prim eiro, há um m ovim ento em andam ento para
tornar a oposição ao homossexualismo um a doença tratável.113 M uitos pro­
fissionais de saúde m ental agora vêem aqueles que sentem nojo das práticas
homossexuais com o sofrendo de um a neurose patológica — “hom ofobia”.
Em outras palavras, um a pessoa que vê a legitimação da hom ossexualidade
com o pecam inosa, imoral ou destrutiva para a sociedade pode bem ter um a
doença mental! M ostrar que esse m odo de ver vem logicam ente de um a
cosmovisão tão antiga quanto a Bíblia poderia ser um a im portante defesa
nos próxim os dias. Segundo, apesar do otim ism o, a prática livre dessa sexu­
alidade não prenuncia boas coisas para o futuro da raça hum ana. A pers­
pectiva “liberada” do sexo dificilm ente prom ete um a utopia hum ana. Ver
as implicações de cosmovisão claram ente indica que a ruptura na represa de
nossa proteção bíblica significará que um dilúvio pagão inundará a nossa
cultura. Esse dilúvio levará à autodestruição pessoal, social e sexual.
80 O Deus do sexo

Temas para debate

• N o século 21, o “progresso” social da decadência sexual ilim itada


está realm ente nos levando para o passado, para a R om a do século 5S.
• Se os bruxos e pagãos estiverem corretos — que dentro de nós mes­
mos som os um a m istura de m asculino e fem inino — então os hom ens não
precisam das m ulheres para suprir suas necessidades sexuais, e as mulheres
não precisam dos hom ens.
• O homossexualismo nunca foi uma mera questão biológica. Esteve sem­
pre profundam ente ligado a um tipo particular de compromisso religioso.
Capítulo 5

C o n se q ü ê n c ia s
D estrutivas

I n v o l u n t á r ia s

Os Perigos Psicológicos do Sexo “Liberado”

Nossa cultura deixou o ancoradouro de sua criação e vem se lançando


num a aventura nos mares turbulentos da desconstrução sexual e da recons­
trução andrógina. C om o um a criança num pequeno bote num a grande
lagoa, deslizamos pelas águas desconhecidas do século 21 seduzidos por
esperanças irracionais de progresso hum ano, ignorantes dos experim entos
caros do passado, e perigosam ente inconscientes do tsunam i de mal hum a­
no que bem rapidam ente se aproxima no horizonte.1
A nova sexualidade busca um lugar para todas as form as de perversão
e faz que a m inoria rebelde se sinta aceita na sociedade em geral. O preço é
elevado. Toda a cultura foi pega com o refém por causa do estado confuso
de um pequeno núm ero de travestis, homossexuais e transexuais. U m exem­
plo: Virginia M ollenkott se sente feliz por perturbar a “norm alidade da
heterossexualidade” (para os milhões de pessoas que são norm ais) a fim de
que um pequeno núm ero de travestis possa “ser o que são” sem estigma
num a “nova realidade” — “um a sociedade em que hom ens, mulheres e
todas as pessoas no m eio sejam respeitadas com o criadas à im agem de um
Deus que não é nem hom em nem mulher, mas tem qualidades que inclu­
em todos os graus de ‘m asculinidade’ ou ‘fem inilidade’”.2 M ollenkott ide­
aliza um m u n d o “espiritual”, a “suprem a co m u n id ad e... do planeta”,3 no
qual a noção “opressiva” de norm alidade sexual, com o o term o “desvio com-
p o rta m en ta l”,4 não mais tem sentido.5 E essa visão que a dirige. “N ão
havendo profecia”, diz ela, reprisando um texto bíblico, “o povo perece.”6

A Perda da Individualidade

Essa visão de um a utopia pansexual não consegue ver as vítim as pe­


recendo em toda a nossa volta — e com certeza vai ficar pior, conform e
82 O Deus do sexo

parecem adm itir alguns revolucionários. M ark C. Taylor, que antes citei, vê
as im plicações sociais e religiosas de seu program a pagão com clareza
s u rp re e n d en te . Vale a pena citar de novo na íntegra o seu com entário:
“A m orte de Deus [é] o desaparecimento da personalidade individual e o
fim da H istória. Ela libera a leviandade anorm al de ausência de restrições...
e propósitos”.7 Taylor explica m elhor as implicações dessa nova liberdade:
“A terra sem lei de um povo falível, que está eternam ente acima do bem e
do mal, é o m undo de Dioniso, o Anticristo, que chama todo vagabundo
para o carnaval, a com édia e a carnalidade”.8 Seres hum anos sem propósito
— com m era frivolidade e impulsos anim ais — não constituem um a so­
ciedade com passiva e justa. Essa visão da utopia sexual v indoura m e en­
che de pavor. “A terra sem lei de um povo falível... acim a do bem e do
m al” bem pode dem onstrar ser o mais pavoroso pesadelo da H istória.
Q u a n d o se m isturam os ingredientes do egoísm o h u m ano, a ausência de
restrições m orais e um falso sentido da nossa própria divindade, essa m is­
tura pode produzir apenas um coquetel M olotov social e m oral de poder
inim aginavelm ente destruidor.
Apesar de suas próprias idéias pagãs, Eliade, um dos m odernos defen­
sores do “novo hum anism o”,9 se sentiu obrigado a soar um aviso antes de
morrer, em 1986. Ao falar sobre “androginia ritual” com o “fonte de po­
der”, mas tam bém um a possibilidade apavorante de grande perda, Eliade
ofereceu esta advertência séria:

T oda tentativa de transcender os opostos traz certo perigo. E p o r isso que


as idéias de um a coincidentia oppositorum (junção dos opostos) sem pre despertam
sen tim en to s am bivalentes: p qr um lado, o h o m em é perseguido pelo desejo de
escapar de sua situação p articular e de voltar a u m m o d o de vida transpessoal; p o r
o u tro , ele se sente paralisado pelo m edo de p erder sua “id en tid ad e” e se esquecer
de si m esm o .10

A m aior parte das pessoas vem sendo enganada pelos apelos da elite
usando frases com o expressão e liberdade individual, democracia e a p ro ­
messa de um a utopia global. Mas esses valores jamais ocorrerão se o progra­
m a radical tiver sucesso em nos levar para “a terra sem lei de um povo
falível”. A identidade que Eliade tem ia perder, o que Taylor cham a de “o
desaparecim ento da personalidade individual”, 11 é o que significa ser h u ­
m ano, o que a Bíblia chama de “a imagem de Deus”. O escritor cristão
Philip Yancey declara:

Eu poderia sentir mais atração para com um a abordagem reducionista do


sexo s e ... eu sentisse que a revolução sexual aum entou o respeito entre os sexos,
Conseqüências destrutivas involuntárias 83

criou um am biente mais am oroso para as crianças, trouxe alívio para o sofrim ento
da solidão pessoal e prom oveu intim idade. Eu não vi n en h u m a evidência disso.12

Yancey sente o que todos sentimos. A desconstrução e a reconstrução


pagã nos atiraram , em vez disso, para um redem oinho de decadência social
e destruição psicológica. A com entarista social e literária lésbica Cam ille
Paglia observa que “a H istória m ostra que a hom ossexualidade masculi­
n a ... sempre tende para a decadência”. 13
A realidade está longe de ser utopista! E um pesadelo. A natureza es­
piritual do m ovim ento m uitas vezes cega seus seguidores para suas conse­
qüências destrutivas, mas um jovem autor não é ludibriado. Ele cham a esta
geração de a “Geração Pornográfica”. 14 Psicologicam ente, esta geração
saturada de sexo está “cansada”, incapaz de am or real e afeição genuína,
capaz apenas de “ficar” e casos sexuais de um a noite apenas.15 Fisicamente,
essa geração está ameaçada não só pelos riscos do sexo heterossexual pro­
míscuo, mas até mesmo pela exposição mais perigosa ao sexo homossexual
prom íscuo. O títu lo de certo artigo reconhece esse engano: “M edicai
D ow nside o f H om osexual Behavior: A Political A genda Is T rum ping
Science” 16 [Desvantagem m édica da conduta homossexual: um program a
político está passando a perna na ciência], Ele tenta m ostrar com o os obje­
tivos políticos do m ovim ento homossexual deliberadam ente obscurecem
as implicações cientificam ente provadas de ameaça à vida do estilo de vida
gay. Essa é a geração que tom ará o nosso lugar.

Doença Mental

U m sinal denuncia o program a. Em bora a Associação Psiquiátrica


Am ericana tenha em 1973 retirado o hom ossexualism o de sua lista de
psicopatologias, um fato científico persistente perm aneceu — os hom osse­
xuais têm índices excepcionalm ente elevados de suicídio e de doenças em o­
cionais e m entais, tais com o depressão profunda, uso de drogas, transtorno
maníaco-depressivo, síndrom e do pânico, agorafobia e transtorno com pul-
sivo-obsessivo.17 Supunha-se que a liberação traria liberação psicológica.
Mas tem os de reconhecer os fatos. Se a sociedade em ergente de inclusão
sexual prom ete um aum ento de contentam ento espiritual, por que é que
seus defensores mais m odernos estão tão descontentes consigo mesmos e
com seu estilo de vida? A com unidade homossexual não nega a elevada inci­
dência de doença mental. Simplesmente atribui esses problemas à rejeição
social e à hom ofobia por parte dos heterossexuais.18 C o n tu d o , até m esm o
84 O Deus do sexo

em países tais com o a H olanda, onde os relacionam entos gays, lésbicos e


bissexuais foram normalizados há um longo tem po, os índices de proble­
mas m entais e psicológicos perm anecem os mesmos.
J. M ichael Bailey, em seu com entário sobre a pesquisa profissional
acerca do homossexualismo e a doença m ental, conclui: “Esses estudos con­
têm , com o dem onstram os argumentos, as melhores informações publicadas
sobre a ligação entre homossexualidade e psicopatologia, e ambos conver­
gem para a m esm a conclusão infeliz: as pessoas homossexuais estão num
risco substancialm ente mais elevado de ter alguns tipos de problem a em o­
cional, inclusive tendências suicidas, depressão profunda e transtorno de
ansiedade”.19 A violência é outro sinal de instabilidade. Em seu livro Men
Who Beat the M en Who Love Them: Battered Gay M en and Domestic Violence
[H om ens que batem nos hom ens que os amam: hom ens gays espancados e
violência dom éstica], Island e Letellier m ostram que “a incidência de vio­
lência dom éstica entre hom ens gays é quase o dobro do m esm o tipo de
violência na população heterossexual”.20 Essa violência tam bém m arca a
com unidade lésbica.21 Prosseguindo, Bailey adverte seus colegas pró-ho-
mossexualismo: “Seria um a vergonha se as preocupações sociopolíticas im ­
pedissem os pesquisadores de considerar conscienciosam ente qualquer hi­
pótese lógica com relação ao homossexualismo”.22 Em outras palavras, no
debate acerca da saúde m ental dos homossexuais, as ações políticas (um
acobertam ento ideológico) não deveriam prevalecer sobre a ciência (fatos
bem com provados sobre o estilo de vida hom ossexual).23
O que estou querendo dizer? Esse é um começo infeliz para a “nova
sociedade utópica pansexual” de am or e boa vontade. Os homossexuais são
expostos a grande perigo físico e podem tam bém ser excepcionalm ente
angustiados por causa da instabilidade que tipicam ente caracteriza seus re­
lacionam entos. Raram ente essas uniões são de longo prazo e envolvem fi­
delidade. O padrão homossexual dom inante é a prom iscuidade. O autor
gay G abriel Rotello observa a perspectiva de m uitos gays de que “a liberação
gay foi fundada num a ‘irm andade sexual de prom iscuidade’, e qualquer
abandono dessa prom iscuidade eqüivaleria a um a ‘traição com unal de pro­
porções gigantescas”’.24 A sociedade sexual ideal de Neale D onald Walsch
— “um m undo onde possamos fazer am or com qualquer um , de qualquer
m odo que quisermos, a qualquer hora, em qualquer lugar”25 — não é me­
ram ente um sonho, mas um a realidade presente no m oderno m undo de
prática hom ossexual. A pesquisa mais abrangente sobre conduta sexual nos
Estados U nidos revelou que:
Conseqüências destrutivas involuntárias 85

N oven ta e q u atro p o r cento dos casais legalm ente casados e 75 p o r cento


dos am igados [heterossexuais] tiveram apenas u m parceiro n o an o anterior. Em
com paração, a fidelidade sexual de longo prazo é rara en tre os casais gays, lésbicos
e bissexuais (G LB), de m odo particular entre hom ens gays. A té m esm o d u ra n te o
período de u nião sexual, m uitos h o m en s gays não esperam a m onogam ia. Para os
hom ens gays, o sexo fora do relacionam ento principal é algo que ocorre com
todos eles, até m esm o d u ra n te o prim eiro ano. Segundo os relatórios, os h o m en s
gays têm sexo com alguém que não é seu parceiro em 6 6 p o r cento dos relaciona­
m entos d en tro do prim eiro ano, e esse n ú m ero sobe para ap ro x im ad am en te 90
por cento se o relacionam ento d u rar p or cinco an o s.26

Em m édia, o relacionam ento gay e lésbico é assim de curta duração.


N u m estudo, só 15 por cento dos hom ens gays e 17,3 por cento das lésbicas
tinham relacionam entos que duraram mais de três anos.27 Nossa sociedade
atual está cam baleando com os efeitos desestabilizadores do divórcio hete­
rossexual, ocorrendo agora em 50 por cento dos casam entos. C om justiça,
vemos esse acontecim ento com o algo ruim e ficamos pensando com o um a
civilização poderá sobreviver a esse m odo inconstante de tom ar decisões,
mas na população gay surpreendentes 85 por cento de todos os relaciona­
m entos não duram mais do que três anos! E essa é a sexualidade da m oda
do glorioso futuro de todos os tipos de gênero? C om o é que isso não pode­
rá ser um fator na instabilidade social e mental? U m estudo de longo alcan­
ce, envolvendo hom ens homossexuais, publicado em 1978, revelou que 75
por cento dos hom ens brancos que se identificavam com o gays adm itiram
ter tido sexo com mais de 100 hom ens diferentes em sua vida: 15 por cento
afirm aram que tiveram entre 100 e 249 parceiros sexuais; 17 por cento
afirmaram entre 250 e 499; 15 por cento afirm aram entre 500 e 999; e 28
por cento afirm aram mais de 1.000 parceiros sexuais do sexo masculino
durante a vida inteira.28 Isso é decadência. E de adm irar que o resultado seja
doença em ocional e mental?
Esses núm eros tam bém explicam um a segunda causa de preocupação:
os riscos físicos desse estilo de vida.

Perigos Físicos

Será que o estilo de vida gay é perigoso para a saúde? “O único estudo
epidem iológico até hoje sobre a expectativa de vida de h om ens gays conclui
que os hom ens gays e bissexuais perdem até vinte anos de expectativa de
vida.”29 Em outras palavras, a probabilidade de um hom em gay ou bissexual
de 20 anos viver até 65 anos é só de 32 por cento, comparando-se aos 78 por
cento dos hom ens em geral.
86 O Deus do sexo

Os gays m orrem mais cedo em parte porque a prom iscuidade é um


m eio eficiente de propagar doenças. Práticas sexuais com uns entre hom ens
gays levam a num erosas DSTs e danos físicos, “alguns dos quais são virtual­
m ente desconhecidos na população heterossexual”.30 Em bora a sífilis esteja
p rese n te e n tre os heterossexuais, um estudo no C o n d a d o de K ing,
W a sh in g to n , em 1999, revelou que “85 por cento dos casos de sífilis eram
entre hom ens que se identificavam como praticantes do homossexualis­
m o”.31 U m resultado sem elhante foi constatado nos casos envolvendo a
hepatite A, B e C, bem como câncer anal e a transmissão sexual do tifo.
Incidentalm ente, o risco de câncer anal sobe até 4.000 por cento entre os
hom ens que se envolvem em relações anais com outros hom ens. A lista de
doenças médicas vistas com freqüência extraordinária com o conseqüência
de conduta homossexual anorm al entre hom ens que praticam o hom osse­
xualism o tam bém inclui chlamydia trachomatis, cryptosporidium, giardia
lam b lia, vírus da herpes simplex, o vírus da imunodeficiência hum ana (HIV),
o vírus do papilom a hum ano (H PV ou verrugas genitais), isospora belli,
m icrosporidia, gonorréia e sífilis.
Alguns na população homossexual têm lucidez, vendo-se “com o cer­
cados por um a poderosa ameaça externa, o vírus mais perigoso que a h u ­
m anidade já encontrou”, ou seja, a AIDS. Duas lésbicas bem conhecidas
reconhecem de quem é a culpa. Tam m y Bruce cita Cam ille Paglia com
aprovação: “Todos os que pregavam o am or livre na década de 1960 são
responsáveis pela AIDS. A idéia de que a AIDS é de algum m odo um desas­
tre, um m icróbio que de certo m odo caiu do céu — é absurda. Temos de
encarar o que fizemos”.32
O sexo gay é perigoso. O s danos físicos dos intestinos e do reto ocor­
rem não só com a conduta radical, mas tam bém com as práticas normais
ligadas ao sexo gay, para o qual o corpo não foi criado — lam ber o ânus,
enfiar o p u n h o inteiro no ânus, relação sexual anal, mais a práticas de uri­
nar no parceiro por puro prazer sexual e contato direto com fezes. Tais
práticas m uitas vezes levam ao sadom asoquism o33 e deram origem a um
term o especializado, “Síndrom e Intestinal Gay”, hoje com um ente usado
na literatura médica.
Em 2 0 0 3 , a prestigiosa e pró-hom ossexualism o Journal o f The
American Public Health Association (Revista da Associação Am ericana de
Saúde Pública) dedicou espaço substancial aos riscos ligados às práticas
hom ossexuais.34 A revista, que contém artigos de m uitos terapeutas e aca­
dêmicos pró-hom ossexualism o, “é como um a longa recitação de más notí­
Conseqüências destrutivas involuntárias 87

cias, um artigo após outro”, de acordo com um respeitado terapeuta.35 A


D ra. M ary E. N orthbridge, diretora editorial, faz a apresentação dos estu­
dos devastadores sobre as numerosas condutas de risco dos gays, dizendo:
“Tendo lutado m uito para aceitar o difícil fato da catastrófica epidem ia
H IV entre H S H (H om ens que têm Sexo com H om ens) na década de 1980,
ao enfocarmos as questões mais expostas da sexualidade e heterossexismo,
será que temos determinação de retroceder meros 2 0 anos mais tarde à m edida
que os índices de incidência de H IV sobem sem parar, principalm ente en­
tre H SH ?36 O utro editorial tem o título de “W hen Plagues D o n t E nd”
(“Q uando as Pragas N ão Param”) e de novo enfoca o reaparecimento do
H IV /A ID S entre os hom ens homossexuais.37 A outra contribuição dessa edi­
tora se intitula “T he Second Wave W ill Drown Us” (“A segunda onda nos
afogará”).38 O fato incrível é que apesar de todas as evidências e de todos os
estudos científicos que dem onstram com clareza os riscos m édicos e psico­
lógicos de tal conduta, a m aior parte dos grupos médicos e associações profis­
sionais adota a validade do programa homossexual e defende esse estilo de
vida.39 Diz Charles C olson acerca da recente decisão da Associação Psiqui­
átrica Am ericana de sancionar o casam ento homossexual por “razões de
saúde”: “Parece que o program a homossexual politicam ente correto mas
destrutivo está prevalecendo sobre a ciência e enganando a população geral”.40

PERIGOS SOCIAIS

Casamento sob Ataque

U m resultado devastador da revolução sexual é a explosão do índice


de divórcios — hoje mais de 50 por cento — e a destruição resultante do
casam ento e da família com posta por pai e mãe. Barbara D afoe W hitehead,
escritora que m ora em A m herst, Massachusetts, e é especialista em ques­
tões de crianças e da família, escreveu um livro sobre casam ento nos Esta­
dos U nidos cujo título diz tudo — The Divorce CultureAi [A cultura do
divórcio]. O prof. Lawrence Stone de Princeton fez esta observação cho­
cante acerca da situação do divórcio no O cidente m oderno: “Até onde sei,
a escala de separações m atrim oniais no O cidente desde 1960 não tem pre­
cedente histórico. N os últim os dois mil anos e provavelm ente tam bém em
outros m ilênios, nunca houve nada parecido com a situação atual”.42 De
que mais prova precisamos a respeito do caráter determ inado, desconstrutivo
e eficaz da revolução social que experim entam os nesta últim a geração?
88 O Deus do sexo

E é com base nesse program a que temos de construir um a utopia hum ana?
Inum eráveis vidas têm sentido o efeito destrutivo, e ninguém mais do que
as crianças que vivem hoje arcarão com a responsabilidade de construir a
próxim a fase da civilização.
C o m os casamentos se desintegrando em vastos núm eros, m uitos nem
m esm o querem ter o trabalho de se casar, mas escolhem em vez disso o
cam inho fácil da coabitação. A University o f Chicago publicou um relató­
rio (em 24 de novem bro de 1999) m ostrando que, em 1972, 46 por cento
dos am ericanos viviam em famílias tradicionais (pai, mãe e filhos). H oje, só
26 por cento vivem assim. Os casais em estado de coabitação aum entaram
700 por cento desde 1970.43 Atualm ente, um terço de todos os bebês nas­
cem fora do casamento. Na Europa, a coabitação é quase a norm a. Na
N oruega, 49 por cento dos nascimentos são de pais solteiros; na Islândia,
62 por cento; no Reino U nido, 38 por cento; e na França, 41 por cento. Os
principais líderes da Europa aparecem com suas amantes. Pouco tem po
atrás, o governo britânico retirou, de seu recente relatório sobre a família,
um a seção sobre o casam ento com o a estrutura de família mais desejável.44
D e acordo com o “Relatório ao Congresso sobre Gravidez Fora do
C asam ento” do C entro Nacional de Estatísticas de Saúde, 68,7 por cento
dos bebês afro-am ericanos que nascem hoje são ilegítimos. Assim, apenas
m enos de um terço dos bebês afro-americanos são legítimos. O D eparta­
m ento de Saúde e Serviços H um anos publicou um relatório intitulado
“R enda Familiar na Década de 1970: A Dem ografia das Diferenças entre
Negros e Brancos”. Diz q u e ... a ilegitimidade entre afro-am ericanos era só
25 po r cento em 1965. De acordo com esse relatório, 29,7 por cento das
crianças ilegítimas repetirão pelo menos um grau na escola — com paran­
do-se com o índice m édio de 11,6 por cento. Ao chegarem à idade de 30
anos, essas pessoas que tiveram um nascim ento ilegítimo terão um a renda
m édia de 11.500 dólares a menos do que aqueles que nasceram em famílias
com pai e mãe; a criança ilegítima tem um a probabilidade sete vezes maior
de ser pobre do que a criança num a família de pai e mãe. Setenta por cento
das crianças com sentenças longas nos centros de detenção juvenil não vi­
veram com o pai durante o crescim ento.45
U m a anedota confirm a isso. Um amigo que trabalhou para o D epar­
tam ento de Polícia de Los Angeles me contou que na década de 1960 um
oficial de polícia foi despedido sem chance de apelar depois de se descobrir
que ele vivia em concubinato. Já na década de 1980, m etade dos cadetes da
academ ia de polícia viviam em concubinato. N o fim do século, ninguém
Conseqüências (destrutivas involuntárias 89

nem m esm o se im portava. U m a pesquisa Gallup de 1969 revelou que 21


por cento da população apoiavam o sexo antes do casam ento; em m aio de
2001, 60 por cento o favoreciam (e 67 por cento dos jovens adultos).46
D á para se m edir o sucesso desse program a na desconstrução da velha
cultura por m eio de provas decisivas do Census Bureau (D epartam ento de
Recenseam ento). Em agosto de 2005 — pela prim eira vez na história am e­
ricana — famílias com um adulto solteiro tom aram o lugar das famílias
com pai e mãe com o o tipo mais com um de família am ericana. Em 1990,
as famílias nucleares eram o mais com um , mas em 2000 elas passaram para
o segundo lugar. As crianças são tanto as vítimas quanto o presente foco
desse program a destruidor.

Crianças sob Ataque

Alguém disse: “As crianças são o últim o bastião da velha m oralidade


sexual”.47 Prova da determ inada agenda desconstrutiva dos “progressistas” é
o fato de que eles querem seus filhos. O “últim o bastião” deve cair. Os
revolucionários querem obter o controle do futuro; assim, eles querem re­
crutar tantos seguidores jovens quantos forem possíveis. Tanto o excesso
hetero quanto hom o fazem agora parte do program a das nossas escolas. A
G LSEN (Gay, Lesbian, Straight Educational Network) afirm a que há clu­
bes da Aliança G ay-Hetero em três mil escolas secundárias em todo o territó­
rio americano.48 A Associação Nacional de Educação estava entre as primeiras
organizações nacionais a promover ativamente um mês do orgulho gaye lésbico
e a aceitar professores homossexuais e “transgêneros”.Tam m y Bruce de novo
tem as palavras certas: “C ondicionar as crianças ao vício sexual garante o
controle da Elite Esquerdista sobre sua cultura por gerações”.49
De repente, o que era cham ado de literatura im própria para m enores
hoje é apropriada para crianças de todas as idades. O autor de um rom ance
sexualm ente carregado adaptado para adolescentes de 13 anos defende a
sua obra Teach M e [Ensine-me] — sobre um caso sexual entre um aluno e
um professor — com o “levando os leitores a um nível mais elevado de
m aturidade”.50 As técnicas sexuais outrora “proibidas para m enores” se to r­
naram inform ações essenciais para as aulas de saúde e educação cívica das
escolas secundárias e ginasiais. E o program a de doutrinação está funcio­
nando. U m a pesquisa de Zogby International em 2001 revelou que 85 por
cento dos alunos de últim o ano das escolas secundárias criam que a socie­
dade deveria aceitar o homossexualismo, e 68 por cento expressaram sua
90 O Deus do sexo

convicção de que os homossexuais devem ter o direito de adotar crianças.51


Essas opiniões não surgem no centro inocente e intacto do coração de um a
criança, assim provando que a liberação sexual é real. Essas opiniões são o
resultado de um a ideologia que se apoderou do controle dos meios de co­
m unicação e das instituições de ensino.
Realm ente queremos expor jovens adolescentes, rapazes e moças aos
inerentes múltiplos riscos de saúde da relação sexual anal e aos riscos vastamente
elevados de desenvolver doenças psiquiátricas e condutas suicidas?

A Destruição da Identidade Sexual de uma Criança

As tentativas de ganhar a próxim a geração para a revolução são claras


e constantes. D e acordo com a perspectiva de “especialistas” m odernos em
saúde m ental, é um a utilização positiva do horário escolar incluir debates
explícitos sobre sexo, posições de relação sexual, hom ossexualismo e até
sexo de pessoas com animais no am biente da sala de aula.
M in h a filha é conselheira de adolescentes com problem as n u m siste­
m a de escola pública num a cidade grande da Costa Leste. Poucas semanas
atrás, ela m e m andou esta nota:

Q uerido Pai
Fiquei entristecida e frustrada quando soube que um a repre­
sentante da Federação de Planejam ento Familiar estava vindo falar
com um grupo de jovens já com problem as e perturbações, mas
fiquei ainda mais preocupada quando a apresentadora com eçou a
usar alguns dos term os sexuais mais explícitos enquanto descrevia
m aneiras de se ter “sexo mais seguro”. Ela usou todos os seus “tru ­
ques”, dividiu o grupo em duas equipes e lhes entregou, a cada um,
u m k it de dispositivos contraceptivos. M uitos adolescentes davam
risadas e zombavam enquanto ela descrevia em detalhes com o usar
o preservativo plástico como um meio de im pedir DSTs ao se ter
sexo oral com um parceiro (quer nos órgãos genitais ou no ânus).
Fiquei apavorada e chocada de ver um m enino de 13 anos m anuse­
ando um diafragma e descrevendo em detalhes com o usá-lo para
im pedir um a gravidez.
Em sua segunda visita, ela apresentou um vídeo sobre H IV /
AIDS. Depois do vídeo, um a m enina com entou que ela achava
que era errado que um a m enina de 13 anos no vídeo tivesse seis
parceiros. Ela disse: “Ela é uma prostituta por dorm ir com tantos
Conseqüências destrutivas involuntárias 91

m eninos em idade tão jovem”. A apresentadora a repreendeu pelo


seu com entário e em vez disso a redirecionou para que consideras­
se, o que era pior, um a m enina tendo sexo sem proteção com dois
parceiros ou sexo protegido com seis? A classe concordou e respon­
deu que a m elhor das duas opções era o sexo protegido com seis.
H oje a apresentadora repreendeu a garotada por debochar do
sexo anal e da “sala arco-íris” especialm ente designada para gays e
lésbicas dentro dos centros da Federação de Planejam ento Familiar.
Isso m e deixou enojada. Planejo ir até m eu chefe e pedir que
um grupo pró-vida tenha permissão de vir fazer um a apresentação
às nossas crianças. Q ue agenda carregada! Até m esm o alguns dos
garotos vieram até m im , não se sentindo m uito à vontade com o
m odo em que ela apresentou a sexualidade. T endo engravidado
usando a pílula depois do m eu casam ento, sei que o sexo no final
das contas não é “seguro”. E quanto a todas as ramificações do sexo
na m ente e na alma do jovem adulto?

“U m grupo de jovens já perturbados e problem áticos”, com o os ca­


racterizou m inha filha, está agora profundam ente perturbado por profes­
sores que os em purram para questionar sua sexualidade e a ter experiências
com outros. Q uestionar o próprio sexo é um a condição psicológica reco­
nhecida: o T ranstorno de Identidade de G ênero aparece no M anual de
Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Am ericana. W arren
T hrockm orton, ex-presidente da Associação A m ericana de Conselheiros
de Saúde M ental, crê, de acordo com o critério psiquiátrico, que é im pró­
prio se envolver em debates sobre o hom ossexualismo em instituições de
ensino de crianças de m enos de 12 anos. Ele afirma que “é m uito cedo na
vida para se fazer um a definição acerca da própria identidade sexual. O s
educadores têm de dar aos m eninos opções de esperar um tem po, de consi­
derar um a identidade heterossexual se quiserem”.52 O Dr. M elvin Anchell,
o famoso especialista de Los Angeles que era freqüentem ente convidado
pelo governo para opinar em casos judiciais envolvendo crimes sexuais nas
décadas de 1970 e 1980, escreveu em seu livro de 1983, Sex a n d Insanity
[Sexo e insanidade] que a educação sexual precoce contorna o “período de
latência” do desenvolvim ento infantil, em que as crianças aprendem com ­
paixão antes de aprenderem “paixão”.53 Esse processo é frustrado na pressa
de sexualizar cedo demais. C om o exemplo, um novo program a-piloto de
educação sexual no C ondado de M ontgom ery, M aryland, insiste em que as
92 O Deus do sexo

crianças ponderem com seriedade sua identidade de gênero. Em linguagem


clara, isso significa: “O s m eninos têm de avaliar se realm ente querem ser
m eninos, e as m eninas têm de considerar se devem ser m eninas”.54

Destruição do Senso M oral de uma Criança

C om o indica m inha filha, quando se levanta o assunto se ouve apenas


um dos lados. A lavagem cerebral ideológica no sentido estrito desse term o
— significando que não há lugar para o outro lado defender um argum ento
oposto — está começando a caracterizar o ensino sexual das escolas. O s pa­
drões morais são abolidos. N a área sexual, não há mais certo e errado. Silen-
cia-se qualquer tentativa de interrom per a indagação moral. Por exemplo, na
convenção anual da Associação Nacional de Educação em 2005, o grupo Ex-
Gay Educators Caucus (Grupo Político de Educadores Ex- Gays) ocupou um
ponto no salão de exibição da convenção. O contingente pró-homossexualis-
m o, em m aior núm ero, ficou “ofendido” e desafiou a nova m edida política
da A N E de perm itir que uma facção de ex-gays comercializasse seus produtos
sob o em blem a da “democracia” e “diversidade”. “Daria então para se instalar
um stand da Ku Klux Klan”, observou um representante. Kevin Jennings,
fundador da Gay Lesbian Straight Education Netw ork (GLSEN) (Rede de
Educação Gay, Lésbica e Hetero) chegou a dizer: “As mensagens dos ex-gays
não têm lugar algum nas escolas públicas de nossa nação”. Ele continuou:
“N ão há ‘outro lado’ quando se está falando de estudantes lésbicas, gays e
bissexuais”.55 Recentemente, Jennings foi honrado com o cobiçado prêm io
de “liderança criativa” da NEA na convenção! C om líderes educadores assim,
torna-se impensável qualquer noção de moralidade sexual.
Q u a n d o ajuntam os as insinuações e imagens essencialm ente p o rn o ­
gráficas na m oderna educação sexual com a exposição inevitável à p o rn o ­
grafia da In tern et e da televisão, os resultados são deprim entes. O s valores a
respeito dos relacionamentos, do sexo, da intim idade, do am or e do casa­
m ento estão agora muitas vezes ausentes. Em seu lugar a pornografia de
fotos, vídeos, revistas, jogos virtuais e da Internet que m ostram estupros e a
brutalização das mulheres em cenas sexuais constitui recursos poderosos,
mas distorcedores, da educação sexual. Os desvios de com portam ento fo­
ram norm alizados. N ão há mais nenhum a categoria m oral na esfera da
sexualidade. A socióloga A nne H endershott escreve sobre as ações políticas
desse desvio e m ostra como hoje se justifica o desvio. Ela m enciona um exem­
plo em Conyers, Geórgia, onde um grande núm ero de adolescentes bem
novas estava se envolvendo em condutas sexuais prom íscuas — algumas
Conseqüências destrutivas involuntárias 93

com mais de cem parceiros, uma conduta que levou a um a epidem ia de


sífilis no luxuoso subúrbio. A resposta de alguns sociólogos e grupos de
mulheres foi, para dizer no m ínim o, chocante. D eborah Tolm an, um a ci­
entista pesquisadora e diretora do Projeto Sexualidade do Adolescente da
Wellesley College, sugeriu que “as m eninas têm direito ao seu próprio de­
sejo sexual ou prazer sexual e que as m eninas ‘boazinhas’ ou m eninas ‘de
bom com portam ento’ estão se privando de um a vida plena”.’ 6
Essa “vida plena”, que inclui sífilis, é tam bém um a nova oportunidade
para a pornografia — com resultados igualm ente desastrosos. M uitos estu­
dos dem onstram que um a exposição a quantidades significativas de formas
cada vez mais explícitas de pornografia tem um efeito dram ático no m odo
com o os consum idores adultos vêem as mulheres, e tam bém no abuso se­
xual, nos relacionam entos sexuais e no sexo em geral. “Esses estudos são
virtualm ente unânim es em suas conclusões: Q uan d o os hom ens partici­
pantes dos estudos foram expostos a apenas seis semanas de pornografia
explícita, eles desenvolveram um a insensibilidade sexual m aior em relação
às mulheres; com eçaram a trivializar o estupro e não mais o consideravam
crime; desenvolveram percepções distorcidas da sexualidade; desenvolve­
ram um apetite por tipos mais pervertidos, bizarros e violentos de p orno­
grafia (o sexo norm al não mais parecia cum prir sua missão); desvaloriza­
vam a im portância da m onogam ia e não confiavam no casam ento como
um a instituição viável ou perm anente; viam os relacionam entos não-
m onogâm icos com o conduta norm al e natural.”57
Q ue tipo de m undo está sendo preparado para nós, com esse m odo
de entender o sexo? É pior do que pensamos. C erta vez escrevi um livro
intitulado Pagans in the Pews™ [Pagãos nos bancos das igrejas]. O utro dia,
vi um artigo de jornal com a frase “elefante nos bancos das igrejas”, o que
pode significar a m esm a coisa, já que não estamos vendo esse proverbial
elefante sexual e espiritual. Alguém cham ou os .«tej pornográficos da Internet
de a “cocaína do vício sexual”. O artigo era sobre os 25 a 50 por cento dos
pastores cristãos com problem a de vício em pornografia.59 C o m “hom ens
de D eus” assim, está havendo escassez de sal e luz.

A Destruição do Senso de Realização Cultural da Criança

Já que o índice de divórcios subiu nas alturas em nosso país e a


pansexualidade vem sendo normalizada, os sinais da decadência social des­
de a década de 1960 são prova de que o program a para destruir a família
está tendo êxito. Mas não é só a família que é destruída.
94 O Deus do sexo

• As pontuações do SAT [sigla em inglês para teste de aptidão escolar -


N.T.]: m enos 10 por cento (comissão de exame de admissão à universidade).
• A buso de crianças: mais de 2.300 por cento (Serviços H u m an o s e
de Saúde).
• Prisões de adolescentes por crime: mais de 150 por cento.
• índice de crim e violento: mais de 550 por cento.
• Suicídio de adolescentes: mais de 450 por cento.
• Uso ilegal de drogas: mais de 6.000 por cento (Instituto N acional de
Abuso de Drogas).
• Divórcio: mais de 350 por cento (D epartam ento de Recenseamento).
• N ascim entos ocorridos para adolescentes solteiras: mais de 500 por
cento (D epartam ento de Recenseamento).
• Aborto: aum entou em inumeráveis milhares de pontos percentuais.60

Observe que em bora algumas dessas categorias não pareçam estar rela­
cionadas, estudos m ostram que a dissolução do casamento e da família tem
repercussões em toda a rede de relações humanas. Esses núm eros dificilmen­
te poderiam trazer incentivo para os que querem a chegada da utopia sexual
e hum ana. Temos de nos perguntar se o programa de desconstrução/recons-
trução não tem como sua meta imediata a dissolução total da sociedade m o­
derna, de m odo que no caos eles possam obter o controle.
Apesar dos fatos de que ainda podem os ensinar aos filhos a abstinên­
cia e o autocontrole61 e a m onogam ia heterossexual venha se dem onstran­
do co ntinuam ente com o a form a mais estável de vida hum ana,62 o atual
caos m oral, social e físico parece nem arranhar o otim ism o revolucionário.

O que o Futuro Poderá Trazer

Assim, apesar do colapso social devastador, no qual continuam os a


investir enorm es quantias de dinheiro, a revolução prossegue. N ão se deve
im pedir a liberdade sexual, mesmo que o preço seja o futuro dos nossos
filhos, netos e nossa civilização. O s jovens americanos da contracultura da
década de 1960 introduziram sua ideologia nos lugares mais im portantes
de autoridade na sociedade à m edida que foram assum indo posições de
liderança nas estruturas políticas, educacionais, econômicas e religiosas. O
sonho deles de expressar livremente seus apetites sexuais continua a viver
depois que seus próprios apetites já se desvaneceram. As iniciativas crescen­
tes de liberdade sexual não serão refreadas no novo m ilênio pelas forças do
“Puritanism o reacionário” ou pelo “extremismo direitista”, como se descreve
Conseqüências destrutivas involuntárias 95

hoje a m oralidade tradicional. O gênio não voltará para a garrafa. A pasta


de dentes não voltará para o tubo. O s intelectuais da esquerda se encon­
tram agora em posição de poder ideológico, e eles redefiniram o inimigo.
N os velhos dias costum ava ser os sinistros patrões capitalistas. Agora que
são eles os sinistros patrões capitalistas, escolheram outro inim igo: a “polí­
cia sexual direitista” patriarcal.
A liberação sexual das massas se to rnou um program a tão im p o rta n ­
te para a elite revolucionária com o o foi a liberação m arxista do operário.
O desm antelam ento do grande mal da patriarquia (o pai com o p rotetor e
representante do lar) em todos os níveis da sociedade to rn a as revoluções
com unistas insignificantes em com paração. A verdadeira uto p ia dem ons­
tra ser não só “arroz e feijão para os trabalhadores”, mas escolha sexual
interm inável — sexo im oral quer você trabalhe ou não!63 A revolução
sexual é avidam ente garantida não só pelas teorias educacionais da elite
intelectual, mas tam bém por um a dieta constante de excesso sexual ofere­
cida a todos os consum idores na privacidade de seus lares pela elite de
H ollyw ood criadora de m itos.
Porém, nada é grátis. Será que a pornografia é grátis? Você adquire
um a program ação pornográfica da T V paga, e por ver violência sexual o
preço é incalculável. O velho com unism o “teve de” sacrificar m ilhões de
trabalhadores por am or ao “trabalhador”. A revolução sexual tem sacrifica­
do milhões de crianças em gestação — suicídio de um a geração64 — e tem
destruído a ordem m oral e inocência juvenil de várias gerações de jovens
por am or a essa tão cham ada “nova civilização”. Esse é o preço que temos
de pagar agora pela causa “nobre” da liberdade sexual com pornografia e
aborto. E haveremos de pagar.
Peter G. Peterson, um conselheiro m uito respeitado de recentes presi­
dentes desde Richard N ixon até Bill C linton, traz um a questão im portante
a mais na form a de um alerta urgente para a sociedade ocidental de hoje,
um alerta com relação ao “envelhecim ento da população”. Ele o cham a de
“o alvorecer da velhice”.65 N a década de 1960, o problem a era a explosão
populacional. Esse não é mais o problem a. Por causa das m udanças nas
idéias e práticas sexuais da sociedade m oderna, o O cidente não está se re­
produzindo. Essa é outra form a de “suicídio da geração”. O s jornalistas
falam da “bom ba de tem po da infertilidade”. O aum ento das doenças sexual­
m ente transmissíveis e o adiam ento da gravidez por am or à carreira e à
independência financeira estão produzindo um a crise populacional.66 N es­
sa cultura não fazemos bebês; fazemos velhos. Peterson m ostra que em 2030
96 O Deus do sexo

de cada quatro pessoas, um a terá 65 anos ou mais. O nde costumava haver


avós paternos e m aternos, pai e mãe e vários filhos, hoje de cada quatro
pessoas um a é idosa. Explicando de outro m odo, de todas as pessoas na
história do m undo que viveram até os 65 anos, dois terços estão vivos hoje!67
Em 2040 haverá mais pessoas acima de 80 anos do que o núm ero de crian­
ças en tran d o na pré-escola.68 O bviam ente, as pessoas estão vivendo mais,
mas esse processo começa quando as pessoas têm m enos e m enos bebês.69
Esse fenôm eno coloca um a carga financeira sem precedentes sobre as pes­
soas que trabalham . O s aum entos de custos na assistência de saúde (que
nos Estados U nidos estão altíssimos) e os pagam entos da previdência so­
cial eqüivalerão a um im posto de 9 a 16 por cento adicionais sobre os
trabalhadores, que deverão pagar os 64 trilhões de dólares extras que se­
rão precisos para cuidar dos idosos nos próxim os anos.70 N a Itália, 30 por
cento do salário do trabalhador vai para pagar a conta dos trabalhadores
aposentados.71 M uitos países da Europa estão em dificuldades sem elhan­
tes. E vai ficar pior. Além dos custos, que podem levar ao “colapso finan­
ceiro m u n d ia l”,72 Peterson vê o desaparecim ento da fam ília,73 um a am ea­
ça às nações livres do m undo, o crescim ento do socialism o,74 a d im in u i­
ção nos esforços de m anutenção da paz m undial e m udanças perigosas
significativas na constituição geopolítica do planeta.75 A “nova civilização”
parece com prom etida.
Por trás das ações políticas e sociológicas está a religião. Se virm os o
paradigm a pagão com o perversão da verdade,76 então toda a construção
sexual que vem desse paradigma foi construída sobre um a premissa falsa e
tem inevitavelm ente de levar não à utopia, mas à distopia — caos social e
pesadelo cultural. O cam inho real para o excesso sexual e o nirvana hum a­
no é de m odo preocupante cheio de fendas e buracos.77
Será que há outro caminho? Será que há alguma voz de sanidade social
e espiritual? Será que há um a verdade, a Verdade,78 à qual o sexo deveria se
adequar, escrita nas estruturas profundas da criação e confirm ada por uma
palavra confiável de revelação profética de Deus, o Criador? Em outras
palavras, será que o Cristianism o tem um a m ensagem para essa loucura
sexual autodestrutiva?

D ois Evangelhos

O escritor Philip Yancey entende a relação entre Deus e o sexo. Ele


entende que o sexo separado de seu C riador ainda é religioso. “Se a hum a­
Conseqüências destrutivas involuntárias 97

nidade serve com o sua religião, então o sexo se torna um ato de adoração.
Por outro lado, se Deus é o objeto de sua religião, então o am or rom ântico
se torna um indicador inconfundível, um boato de transcendência tão alto
com o nenhum outro que ouvimos na terra.”79 Podem os dizer que Deus se
interessa pelo sexo. Podemos dizer que o sexo bom é parte das boas notícias.
Mas dizemos isso num contexto social específico, na presença de dois “evan­
gelhos”, e ambos têm implicações sexuais.
O evangelho pagão prega que a redenção é liberação do C riador e
repúdio às estruturas da criação. Ele oferece a “liberação” do sexo de sua
essência com plem entar heterossexual.
O evangelho cristão proclam a que a redenção é reconciliação com o
C riador e honrar o lado bom da criação. Esse evangelho celebra o lado bom
do sexo dentro de seus devidos limites heterossexuais.80 As opções não p o ­
dem ser mais m utuam ente excludentes e ambas não podem estar certas. Se
um a é a boa notícia da “verdade”, a outra tem de ser m á notícia, ou, com o
diria o apóstolo Paulo, a “m entira”.81
Talvez a pregação contem porânea — num sentido exagerado de puri-
tanism o — m uitas vezes om ita o elem ento sexual do evangelho. N um
m undo pagão isso não mais funcionará. N ão podem os nos dar ao luxo de
pregar ou um evangelho am putado que só fala de salvação pessoal (“Jesus
me arrebatará daqui para um a m ansão assexual no céu”) ou um “evange­
lho” sentim entalizado e amorfo de liberalismo teológico que perm ite bis­
pos homossexuais. O C ristianism o não é um a religião sem sexo ou de “cren­
tes” que fazem o que bem entendem com sua sexualidade. Os gnósticos
tentaram isso e fracassaram.82 A Bíblia comprova que essa mensagem é fal­
sa. Todo ser hum ano na terra é um ser sexual, e o ensino da Bíblia sobre a
sexualidade dentro do contexto da criação tem de ser anunciado com o par­
te essencial das boas notícias. A reconciliação com Deus torna possível os
relacionam entos interpessoais e o sexo bom.
Se o paganism o puder ser tornar a religião de nosso futuro global, e se
a igreja tiver de fazer um a defesa co nvincente da heterossexualidade
m onogâm ica, é de im portância suprem a que entendam os a cosmovisão da
Bíblia e o lugar da sexualidade dentro dessa cosmovisão. Nossa cultura pre­
cisa com urgência ouvir não um a lista m oralista de permissões e proibições,
mas um a defesa fresca e convincente da Bíblia e do sexo bíblico que satisfaz
e prom ove vida.
É isso o que tentarem os fazer na Parte 2.
98 O Deus do sexo

Temas para Debate

• Q u a n d o m isturam os o egoísm o com um falso sentido de divinda­


de pessoal e elim inam os todas ás restrições m orais, a com binação jamais
poderá resultar num a sociedade justa e compassiva.
• Estudos m ostram que a dissolução do casam ento e da fam ília tem
repercussões em toda a rede de relações hum anas.
• C aso vejam os o paradigm a pagão com o perversão da V erdade,
en tã o to d a a filosofia do sexo que vem desse paradigm a foi co n stru íd a
sobre um a prem issa falsa e inevitavelm ente levará ao caos social e a um
pesadelo cultural.
PARTE DOIS

A S e x u a lid a d e S e g u n d o
C o s m o v is ã o B íb lic a
Introdução
A Parte Dois, “A Sexualidade Segundo a Cosm ovisão Bíblica”, é um
convite para entrar num m undo diferente do m undo sobre o qual nossos
filhos aprendem na escola e vêem nas telas da televisão de hoje. O s que
acham que estou querendo um a cosmovisão antiquada precisam com pre­
ender que a atual visão otim ista de liberação é, na verdade, um a volta a um a
cosmovisão m uito mais antiquada. Aliás, a cosmovisão que é proposta hoje
com o m oderna é a m esm a que as igualm ente antiquadas religiões pagãs do
passado histórico propunham . Estranham ente, no terceiro m ilênio, somos
colocados diante da opção de ter de escolher entre duas visões de m undo
igualm ente “velhas”.
H á um a correlação profunda entre um a com preensão teísta e bíblica
de Deus e as questões práticas da espiritualidade — de m odo particular, a
sexualidade. C om o vimos na Parte Um , a com preensão que os pagãos têm
acerca de Deus com o um a força espiritual dentro da natureza produz um a
desconstrução das normas heterossexuais. O politeísmo produz o “poXygênero”.
O ensino teísta da Bíblia revela Deus não com o o Espírito dentro da
natureza, mas com o o C riador distinguível da natureza. Por isso, as Escritu­
ras tam bém frisam as diferenças criadas da heterossexualidade, que a igreja
sustenta com o testem unho ao m undo pagão. A convicção e a prática da
igreja prim itiva em ergiram de séria interação com as implicações de um a
cosmovisão bíblica.
N a nossa época, não podem os fazer menos.
Capítulo 6

D eus e o S exo

Introdução à Cosmovisão

Em 2003, George Barna entrevistou mais de dois mil americanos adul­


tos acerca da cosmovisão que eles tinham . O estudo produziu alguns resul­
tados surpreendentes. Só 9 por cento dos cristãos nascidos de novo, 7 por
cento dos protestantes em geral, 2 por cento dos adultos que freqüentam
igrejas protestantes grandes, 4 por cento da população em geral, e m enos
de meio por cento dos católicos tinham um a cosmovisão bíblica. Entre as
visões de m undo alternativas dom inantes estava o pós-m odernism o, que
parecia ser a perspectiva dom inante entre as duas gerações mais jovens.1 Se
essa pesquisa estiver m uito próxim a da realidade, seus resultados são im ­
pressionantes, particularm ente no que se aplicam ao futuro do sexo.
Cosmovisão é a estrutura organizadora que nos perm ite entender todas
as idéias que circulam pela nossa m ente. A Bíblia tam bém tem um a estru­
tura completa. N a esfera sexual, por exemplo, as poucas passagens que tra­
tam da hom ossexualidade em anam da estrutura da com preensão da Bíblia
acerca da natureza da realidade; sem entender essa estrutura, não dá para
com preender as passagens individuais.

O deus do Futebol

A igreja da m inha infância em Liverpool, Inglaterra, havia sido um


tem plo presbiteriano galês. O edifício de tijolos verm elhos com bancos de
m adeira para duzentas pessoas estava aconchegado entre um a fileira de ca­
sas semi-separadas na Spellow Lane, a só um quarteirão do poderoso está­
dio de sessenta mil lugares do Everton Football Club, um a equipe de fute­
bol profissional de prim eira. (Futebol é o jogo que se joga com os pés, não
com as mãos!) A igreja ficava tão perto que nas noites de reunião de oração
eu era, na m inha adolescência, transportado para dentro do estádio lotado,
onde o brilho dos holofotes ilum inava o céu. Infelizm ente, o m eu com pro­
misso cristão era ainda fraco e não podia com petir com a poderosa atração
do “m undo”. A glória im ediata do Everton Football C lub era ofuscante
para um fanático por futebol com o eu.
104 O Deus do sexo

Q u a n d o fui para a universidade (o prim eiro na m inha família), a in ­


fluência do futebol cedeu à tentação do secularismo. O s versículos da Bí­
blia e a religiosidade emocional que eu havia aprendido na m inha infância
nu m a com unidade simples, calorosa e crente na Bíblia não estavam em
condições de enfrentar os argum entos brilhantes e de am plo alcance de
professores descrentes. C om o m uitos cristãos, a revolução cultural da déca­
da de 1960 me pegou de surpresa porque eu não tinha noção da cosmovisão
da Bíblia. Eu sabia de cor m uitos versículos da Bíblia, mas não tinha lentes
bíblicas amplas para me ajudar a processar, entender e reagir à cosmovisão
oriental pagã dos hippies. C itar versículos da Bíblia não parecia ser o sufici­
ente.
E então eu li Francis Schaeffer.
C om o missionário cristão na Suíça, Schaeffer articulou —- de um m odo
com preensível — os m ovim entos culturais que estavam abalando os alicer­
ces da sociedade ocidental. Q uando expunha as questões po r trás das
m anchetes e dos protestos de desobediência civil e ao descrever em term os
globais um a perspectiva bíblica da realidade, Schaeffer envolvia tanto as
em oções quanto o intelecto. Q uando tentam os entender a conexão entre
sexo e cosmovisão, temos de começar, com o fez Schaeffer, com a nossa
perspectiva acerca de Deus.

O Deus que Está A li

Q u a n d o estive no Brasil para dar palestras, soube que a tradução para


o português do título do prim eiro livro de Francis Schaeffer é O Deus que
Intervém . E um a tentativa genuína de traduzir o título em inglês que de
certo m odo é estranho — The God Who Is There1 [O D eus que está ali].
Q u a n d o vi esse títu lo pela prim eira vez, pensei que era quase com o dizer:
“Para on d e que que você vá, ali você está”. Se essa frase se aplica a
qualquer pessoa, com certeza se aplica prim eiro a Deus; então, po r que se
inco m o d ar em dizê-la? Foi só trinta anos mais tarde, depois de estudar o
sistem a coerente do paganism o, que finalm ente en ten d i a lógica desse
título. A existência objetiva de Deus fora da criação é o p o n to de partida
mais adequado para se entender o m odo com o a Bíblia vê a realidade. Se
tiverm os de convencer a nós mesmos, nossos filhos e nossa cultura da
perspectiva da Bíblia acerca do sexo, tem os de com eçar com a perspectiva
da Bíblia acerca de Deus.
Deus e o sexo 105

A deusa que Não Está em Lugar Algum

O Deus que Está A li não é um título que a cosmovisão pagã usaria. Os


pagãos crêem que Deus (ou Deusa) não está em lugar algum . Diz Joseph
Cam pbell, guru de George Lucas: “Nas religiões em que o deus ou criador
é a mãe, o m undo é o corpo dela. Não há nenhum outro lugar' (o destaque
é m eu).3 Cam pbell prom ove um a religião em que não existe “ali” algum
para Deus. C am pbell não é um ateu racionalista antiquado. Ele está defen­
dendo o paganism o espiritual. Deus ê um a palavra para a divindade de
todas as coisas naturais, mas ele ou ela não tem n en h u m lugar especial.
Deus está sim plesm ente em todo lugar, dentro de tu do.4 O Budism o decla­
ra isso de um a m aneira comparável:

O s votos básicos que fazemos com o budistas nos lem b ram de que não há
n e n h u m “o u tro ”. As práticas mais básicas... do B u d ism o ... ap o n tam para o fato
de que não há n e n h u m “o u tro ”. O s ensinos fu n d am en tais de B uda nos dizem
que não há n e n h u m “o u tro ”.5

Essa declaração usa repetição planejada para insistir em que não há


nenhum Deus fora de nós, nenhum Deus que é “outro”, diferente de nós.
Cam pbell, um ex-católico rom ano, sente que a Bíblia errou ao rejeitar a
deusa dos antigos cananeus e sua com panheira, a serpente. A serpente, que
está sempre trocando de pele,6 simboliza o rejuvenescim ento da natureza e
expressa o caráter divino da vida natural.7 Diz Cam pbell:

A serp en te representa a consciência e energia im o rta is... a vida em sua


qualidade m ais o rig in a l... N a ín d i a ... a cobra é o anim al sagrado, e a m itológica
Serpente Rei vem logo atrás de B u d a ... N as tradições dos índios am ericanos [há]
a dança da cobra dos índios h o p i... N a história cristã, a serp en te é o sedutor. Isso
eqüivale a recusar su sten tar a v id a ... a serpente é o p rincipal deus do Jard im do
É den [representante da deusa]. Ja v é ... é apenas o u tro visitante. O jard im é o
lugar da serp en te.8

C am pbell é tão radical e antibíblico qu an to é possível ser. Nessa


citação, ele afirm a que não há n enhum “D eus que existe ali” e que a terra
pertence à serpente — que é apenas um a repetição do que a prim eira
serpente indicou ao seduzir Eva.9 Sabendo da influência de C am pbell
sobre G eorge Lucas, tente ver Guerra nas Estrelas com esse enredo secun­
dário em m ente.
Nesse conflito da verdade, quem está certo? U m a coisa é certa. N ão dá
para ambos estarem certos.
106 O Deus do sexo

Teísmo

A crença pagã na divindade de todas as coisas é cham ada de monismo.


O m onism o é um-ismo, isto é, os seres hum anos, os animais, as árvores, as
pedras e D eus são um porque todas as coisas têm a m esm a natureza. Pense
num grande círculo. Todas as coisas pertencem a esse círculo, inclusive Deus.
D e acordo com C. S. Lewis, esse deus é um “mero zero”, um “nada”, um a
“generalidade sem sinais distintivos”.10
O oposto do m onism o é o teísmo, a nobre cosmovisão da Bíblia, que
revela e honra a Deus como Senhor de tudo. Deus (theos em grego) e o
universo são distintos, com o um relógio e um relojoeiro, ou para usar uma
figura bíblica, com o um oleiro e seu barro.11 Antes de Schaeffer, C. S. Lewis
disse a m esm a coisa em termos diferentes: “Deus é um a Coisa específica”. 12
Deus não pertence ao circulo m onístico, ou o “círculo da vida”, com o al­
gum tipo de energia difusa. Ele está fora do círculo porque ele o criou. Ele
tem o seu próprio lugar — “ali”, sua própria esfera de existência. Descrever
essa esfera específica estabelece quem e o que é Deus.

D eus é Santo

Q u a n d o alguém usa a palavra santo, podem os pensar em M adre Te­


resa, em m ísticos sentados em postes no deserto, ou pessoas com vidas
puras e um impecável registro público. Mas essa definição põe a carroça
na frente dos bois.
Q u a n d o usamos a palavra holiday [“feriado”, em inglês - N.T.] (que
somos forçados a usar m uito mais vezes agora que o N atal não é um term o
politicam ente correto), estamos usando a abreviação de “boly day” [“dia
santo” —N .T.]. O s dias santos são santos porque os separamos com o espe­
ciais. Assim, quando dizemos que Deus é santo, querem os dizer que ele é
especial. N o caso de Deus, ele é excepcionalm ente especial.
Dizer “Deus está ali” é afirmar a santidade dele. D ar a Deus um “lu­
gar” distinto é santificá-lo, ou confessá-lo com o “santo” porque o significa­
do fundam ental de santo é “separado”. Coisas e pessoas têm seus lugares
especiais. Por exemplo, no Antigo Testam ento, ficamos sabendo que n in ­
guém deveria entrar no tem plo do Senhor exceto os sacerdotes e levitas de
serviço: “Estes entrarão, porque são santos [consagrados, isto é, separados];
mas todo o povo guardará o preceito do S E N H O R ”.13 Esses sacerdotes
eram santos não por causa de pureza moral excepcional, mas porque Deus
os havia separado para um a tarefa sacerdotal especial. Até m esm o as roupas
deles eram santas porque as roupas haviam sido “separadas”.14
Deus e o sexo 107

O m andam ento de reconhecer a Deus com o santo significa separá-lo


com o único, ou seja, não confundi-lo com outras entidades que reivindi­
cam o direito à divindade ou confundi-lo com o que ele fez. Os dois não
são o m esmo. Em certo sentido, Joseph C am pbell está certo. Deus é um
visitante no jardim do Éden, mas ele o visita com o seu C riador gentil e
Sustentador sábio. C o n tu d o , o Éden não é sua verdadeira esfera. “Assim diz
o S E N H O R : O céu é o m eu trono, e a terra, o estrado dos meus pés.”15
Dar-lhe esse lugar especial e elevado de seu próprio trono, em vez de con­
fundi-lo com o estrado terreno, torna Deus santo aos nossos olhos, honra-o
em seu lugar exclusivo, e reconhece seu ser exclusivo. D iz Isaías:

Porque assim diz o A lto, o Sublim e, que h ab ita a etern id ad e, o qual tem o
n om e de Santo: H a b ito n o alto e santo lu g a r.'6

A santidade de Deus tem a ver com o seu lugar, alto e sublim e, habi­
tando a eternidade. Em outras palavras, Deus é santo porque ele é diferente
das criaturas. N a famosa oração de Jesus, conhecida com o “A Oração do
Senhor”, Jesus nos ensina que temos de orar: “Santificado seja o teu nom e”.17
Santificamos o nom e de Deus quando não o usamos de m odo im próprio.18
N ão devemos orar com o os pagãos, que, com seus m antras, não se dirigem
ao Deus verdadeiro e pessoal.
O que fazem os na terra, os anjos fazem no céu. “D eus é sobrem o­
do trem en d o na assem bléia dos santos e tem ível sobre todos os que o
rodeiam .” 19 N o céu há ordens e postos específicos, e D eus é distinto deles.
Foi concedida a Isaías um a visão do Senhor em seu trono celestial. Ele diz:

Eu vi o S en h o r assentado sobre u m alto e sublim e tr o n o ... Serafins esta­


vam p o r cim a d e le ... E clam avam uns para os o u tro s, dizendo: S anto, santo,
santo é o S E N H O R dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.20

A santa assembléia angélica declara Deus santo três vezes. Nessa expe­
riência, Isaías tam bém entendia, com o poucos entendem , a diferença entre
C riador e criatura. Tendo visto o que os anjos fazem, Isaías se declara acaba­
do: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou hom em de lábios im puros”.21
Até m esm o ficar perto de um Senhor tão santo e transcendente sem prote­
ção significa destruição.22 Q ualquer coisa ou qualquer pessoa que não reco­
nheça o lugar especial de Deus com relação à ordem criada pode ser defini­
da com o profana ou pecadora. E por causa do caráter de Deus com o o
exclusivo C riador soberano que nós, suas criaturas, temos de adorar a ele e
não a criação. Deus revela a Moisés, o líder de Israel:
108 O Deus do sexo

N ã o terás o u tro s deuses d ian te de m im . N ã o farás para ti im agem de escul­


tu r a ... N ã o as adorarás, nem lhes darás culto; p o rq u e eu sou o S E N H O R , teu
D eus, D eu s z elo so .. ,23

O paganism o m uitas vezes faz imagens específicas de Deus para ado­


rar, mas tam bém adora a terra, a água, o sol, o céu e outras criaturas criadas.
E assim culpado do pecado terrível — idolatria, o insulto m áxim o e a m á­
xim a insensatez — que é adorar a criação em vez do C riador.24 A sabedoria
consiste no próprio oposto. “O tem or do S E N H O R é o princípio da sabe­
doria, e o conhecim ento do Santo é prudência.”25

D eus é Exclusivo

A Bíblia insiste na exclusividade de Deus. N o M onte Carm elo, Deus


se põe em julgam ento diante de Elias, o profeta de Javé, diante de quatro­
centos sacerdotes de Baal, as 450 profetisas de Aserá, e diante do povo
reunido de Israel. Q uando cai fogo do céu, Deus declara a sua exclusividade
por m eio de um a demonstração de seu poder, e o povo grita: “O S E N H O R
é Deus! O S E N H O R é Deus!”26
Deus é incomparável. “A quem me comparareis para que eu lhe seja
igual? E que coisa sem elhante confrontareis comigo?”27 Suas obras são in­
com paráveis,28 com o é sua pessoa.29 E por isso que é um a grande afronta
fazer imagens de D eus.30 N ada na ordem criada é com o ele. O s ídolos mais
provam que as pessoas são adoradoras sofisticadas da natureza do que as
m ostram com o selvagens primitivas. Deus é “zeloso”, não porque ele é in­
seguro, mas porque ele zela para que a verdadeira natureza das coisas seja
conhecida. O prim eiro m andam ento se baseia nesta exigência (“N ão terás
outros deuses diante de m im ”) e cria a grande confissão de Israel, conhecida
com o a Shema, ainda repetida hoje em m uitos lares judeus: “Ouve, Israel, o
S E N H O R , nosso Deus, é o único S E N H O R ”.31
Ao falar do “Deus vivo”32 ou do “Deus vivo e verdadeiro”, a Bíblia
tam bém afirm a a exclusividade de Deus e seu lugar especial.33 D iante dos
deuses falsos e seus ídolos, há só um Deus verdadeiro que tem sua própria
vida e é a fonte de toda a vida criada. Paulo lem bra aos pagãos na igreja de
Tessalônica, que haviam se convertido recentem ente: “vos convertestes a
D eus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro”.34
Já que Deus é verdadeiram ente exclusivo e diferente de qualquer ou­
tra coisa, nós o cham am os “transcendente” ou “outro” porque ele existe
bem além de qualquer coisa que conheçamos. Esse é o tipo de Deus que eu
posso h onrar e adorar, um Deus real de mistério absoluto, e em sentido
algum um clone hum ano.
Deus e o sexo 109

Lloyd G eering não concorda comigo.

Deus é Transcendente

Geering, cujas idéias radicais encontram os num capítulo anterior, pro­


põe que o grande problem a da Bíblia é a transcendência de Deus, isto é,
que Deus é radicalm ente diferente de nós. “N ós hum anos”, afirma ele,
“saímos da terra com o que de um útero cósmico”.35 G eering espera redefinir
o C ristianism o com esse raciocínio pagão de adoração à deusa. Mas não dá
para escapar do fato de que desde o começo da Bíblia até o fim a fé bíblica
m antém a separação entre Deus e sua criação. Se alterarm os isso, não mais
somos fiéis à Bíblia.
J. Gresham M achen, um forte defensor da ortodoxia cristã, escreven­
do na década de 1920, viu o começo do m ovim ento apóstata radical do
qual G eering é um a expressão m uitíssim o recente. M achen viu o liberalis­
m o como paganism o — em roupagem cristã36 — entrando nas principais
igrejas, e ele de m odo hábil tocou na essência dessa apostasia num a época
em que ela não era tão óbvia:

A verd ad e é que o liberalism o há m u ito p e rd eu de vista o p ró p rio cen tro


e o coração d o e n sin o cristão. N a perspectiva cristã acerca de D eu s com o a
B íblia ap resen ta, h á m u ito s elem entos. P orém , u m a trib u to de D eu s é a b so lu ­
ta m e n te fu n d a m e n ta l n a B íblia; um a trib u to é a b so lu ta m e n te necessário a fim
de que to d o o restan te se to rn e com preensível. Esse a trib u to é a m ajestosa
tran scen d ên c ia de D e u s.37

É da verdade acerca da transcendência de D eus que flui o que os teó­


logos cham am de os atributos “incom unicáveis” de Deus. Isso não significa
que Deus não seja bom quanto à comunicação. Ele criou a comunicação.
Isso significa que há algumas coisas em sua natureza divina que ele não
reparte conosco. Eis um a lista:
• Deus não teve começo algum (sua eternidade)', a criação teve.
• D eus é independente (sua asseidade)\ nós somos dependentes.
• Deus é todo-poderoso (sua onipotência); nós obviam ente não somos.
• D eus sabe tudo (sua onisciência)-, nós não sabemos.
• Deus conhece o futuro; nós não.
• A presença de Deus é sentida em todo lugar (sua onipresença)-, somos
lim itados em espaço e tem po.38
• Deus é absoluto; nós somos relativos.
• Deus não m uda (sua imutabilidade)-, nós somos sujeitos à m udança.
110 O Deus do sexo

Li essa lista para um grupo de jovens ricos, bem -sucedidos do sul da


C alifórnia. Para obter a atenção deles, prom eti um exem plar de um dos
m eus livros a qualquer um que tivesse apenas um desses atributos de Deus.
N o final, um hom em de cerca de 40 anos foi até m im e exigiu um exem­
plar. Ele disse: “M inha esposa diz que nunca m udo”. Eu dei-lhe um livro
por causa da sua criatividade, não pela sua exatidão.
Apesar do senso de hum or desse m arido yuppie, jamais dá para se
atribuir às criaturas nenhum desses atributos de Deus. É óbvio, à luz da
revelação da Bíblia acerca de Deus, que nenhum a criatura jamais poderá se
tornar Deus. Q uando se alega divindade, deixa-se de reconhecer quem é
Deus e deixa-se de “santificar o seu nom e”. Deus jamais será qualquer outra
coisa além de Senhor sobre tudo. Deus diz para Israel: “Pensavas que eu era
teu igual”,39 e lhes lembra: “Os meus pensam entos não são os vossos pensa­
m entos, nem os vossos caminhos, os meus cam inhos”.40 Para honrar a Deus
tem os de m anter a diferença entre a natureza dele e a nossa. Devemos res­
peitar a sua majestosa transcendência e sua santidade consum idora, que é a
essência da adoração. O salmista diz: “Adorai o S E N H O R na beleza da sua
santidade; trem ei diante dele, todas as terras”.41 Santidade é a separação ou
transcendência de Deus diante da qual a terra criada treme.

D eus é Pessoal

C o m o pode esse Deus trem endo tam bém ser pessoal? Ele é, diz Paulo,
o único “Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existim os”.42
Ao associar “Pai” com “C riador” Paulo não está inovando. Ele encontrou
essa noção no A ntigo Testam ento. Moisés declara para Israel: “N ão é ele
teu pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?”43 O profeta M alaquias
repete o que Moisés disse com igual clareza: “N ão tem os nós todos o mes­
m o Pai? N ão nos criou o mesmo Deus?”44 O C riador não é um a força
impessoal, mas o Pai.
George Barna observa o declínio na crença da doutrina da Trindade.
Ele relata que “N o dom ingo da Trindade eu estava num a igreja episcopal,
onde o pastor declarou que isso era algo apenas para os pastores pensarem.
As pessoas com uns não tinham de se incom odar com isso”.45 C ertam ente,
a doutrina da Trindade é misteriosa e nenhum ser hum ano pode realmente
explicá-la; porém , ela é, apesar disso, essencial para um a com preensão cris­
tã de Deus e do m undo.
M uitos não têm absolutam ente nenhum a com preensão dessa im por­
tante doutrina. June Singer, a psicóloga jungiana que foi criada com o judia
Deus e o sexo 111

e se converteu ao gnosticism o, m ostra um a ignorância total do Deus de


seus pais quando diz: “O deus criador está num estado de total solidão...
no m eio do vazio interm inável”.46 Sem elhante é a noção h in d u do criador
que se sente solitário e não possui nenhum a sensação de prazer.47
A Trindade revela que Deus é transcendentalmente pessoal. O u seja, ele
não precisa de você ou de m im para ser pessoal. O Evangelho de João co­
meça, assim com o Gênesis, descrevendo a criação divina: “N o princípio era
o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era D e u s... Todas as coisas
foram feitas por interm édio [do Verbo]”.48 A prendem os claram ente a par­
tir dessa passagem e de outras no Novo Testam ento o que já é discernível
no Antigo: O Deus por trás do m undo criado é um a união independente
de três pessoas divinas — Pai, Filho e Espírito.

[C onsiderando] que D eus já é, “a n tec ip ad am en te” à criação, um a c o m u ­


n hão de pessoas existindo em relações am orosas, se to rn a possível dizer que ele
não precisa do m u n d o .4''

Na Trindade há am or e com unhão pessoal mais que suficientes para


satisfazer a todos eternam ente. Deus não estava cosm icam ente solitário ou
necessitado de amigos hum anos ou afirmação pessoal. Diz G unton:

D eus pode querer a existência de ou tra coisa sim p lesm en te p or sua pró p ria
causa. A criação é, aliás, o resultado do am o r de D eus, m as do seu am o r sem
restriçõ es... O m u n d o é valorizado com o um a esfera de existência p or si m esm o.
E, nas palavras de G ênesis, “m uito b o m ”, não só parcialm en te b o m ou com o um
m eio para um fim , mas sim plesm ente com o é e pelo o que é: a o rdem criada.50

E nquanto Deus é transcendentem ente pessoal, o fato de que ele criou


o hom em e a m ulher à sua própria imagem form a um a conexão pessoal
entre o C riador e os seres hum anos criados. D iferente do m onism o, a fé
cristã explica o m otivo por que os seres hum anos são pessoas e não pedras;
o m otivo por que podem os cantar, amar, pintar e escrever poesia. O Deus
pessoal fez os hom ens e as m ulheres para refletirem a sua natureza pessoal.
A Palavra escrita de Deus de revelação revela o cam inho que ele nos abre
para nos unirm os com ele em am or eterno.
O m onism o torna Deus difuso. Torna o m undo qualquer coisa que
você gostaria que fosse, com o as linhas de energia chi que, de acordo com a
m edicina oriental, supostam ente percorrem o nosso corpo. N inguém sabe
ao certo onde elas estão ou até mesmo se existem. N o paganism o, o único
círculo da unidade pagã dem onstra ser um buraco negro de m au presságio
de vazio impessoal.
112 O Deus do sexo

A Bíblia propõe um relacionamento pessoal com o C riador do céu e


da terra. Esse relacionam ento já pode ser visto no A ntigo Testam ento, o
qual alcança o seu ponto mais elevado em Jesus Cristo e em seu dom do
Espírito Santo. A presença de Deus é íntim a, consoladora e real. As criatu­
ras podem conhecer a alegria da profunda intim idade pessoal com o seu
Criador. Som ente essa definição de Deus perm ite o relacionam ento pessoal
associado à oração, com o tam bém viu M achen:

A verdadeira oração sem pre im agina D eus com o pessoal, ao passo que boa
p arte do p en sam en to religioso m oderno im agina D eus com o apenas o u tro nom e
para o m u n d o ... A diferença pessoal entre o h o m em e D eus é ab so lu tam en te
essencial na oração.51

O s cristãos oram , enquanto os pagãos recitam ou m editam . Os cris­


tãos se dirigem ao C riador pessoal que está verdadeiram ente “ali” e atende
à porta quando batem .52

D eus é Criador

A santidade, a exclusividade, a transcendência e a incom parabilidade


de Deus se tornam um a expressão observável em seu papel com o Criador,
com o o próprio Deus diz:

“A quem , pois, m e com parareis para que eu lhe seja igual? — diz o Santo.
Levantai ao alto os olhos e vede. Q u em criou estas coisas?”53

N ão há som ente um círculo que envolve a realidade, com o afirm am


os m onistas. A Bíblia insiste em que os cristãos desenhem dois círculos. H á
dois tipos de realidade: a realidade do Criador divino e a realidade da ordem
criada. Esse “dualismo” entre céu e terra, entre Deus e a criação — o dualismo
que os pensadores pagãos tanto difam am — é a própria essência da revela­
ção bíblica.54 Por esse motivo, o próprio primeiro versículo da Bíblia contém
a declaração surpreendente “N o princípio, criou Deus os céus e a terra”.55
Poderíamos até dizer que tudo o mais que a Bíblia revela é com entário,
um a conseqüência dessa prim eira declaração program ática. Primeiro havia
Deus e nada mais, e então Deus fez o universo.
O s cristãos não crêem que Deus f'a criação ou que Deus é um tipo de
espírito impessoal dentro de todas as coisas. Em bora a marca de sua mão
criativa esteja verdadeiram ente em tu d o ,56 Deus é apesar disso diferente do
que ele fez, exatam ente como o relojoeiro não é um relógio.
Deus e o sexo 113

Essa declaração da Bíblia — de que o Deus que inspirou a Bíblia é o


C riador do céu e da terra — fica em contraste extrem o com o paganismo.
É preciso fazer um a escolha, com o afirma C olin G unton:

H á, provavelm ente, no final das contas, apenas duas respostas possíveis


para a perg u n ta das origens, e elas ocorrem perio d icam en te em lugares diferentes
em todas as épocas: que o universo é o resultado da criação p o r um m eio livre e
pessoal, e q u e de um m o d o ou de o u tro ele criou a si m esm o . A s duas respostas
não são abso lu tam en te com patíveis, e exigem um a escolha, ou en tre elas ou um a
atitude de recusa agnóstica de decidir.57

Os acadêmicos im portantes às vezes adm item que a m ensagem cristã


é exclusiva em suas declarações. Depois de tratar o Gênesis com o mais um
m ito prim itivo das origens comparável a m uitos m itos sem elhantes do pa­
ganismo antigo, alguns agora confessam que Gênesis é especial e diferente.
Longe de ser um m ito antigo entre m uitos, a Bíblia apresenta um a m ensa­
gem que não se encontra em nenhum outro texto antigo. A Bíblia é dife­
rente e traz um a m ensagem exclusiva.58 Klaus W esterm ann, o im portante
estudioso alemão do A ntigo Testam ento, faz um contraste entre o relato do
Gênesis e os m itos babilônicos da criação da seguinte m aneira:

O que distin g u e o relato [do Gênesis] da criação en tre as m uitas histórias


da criação do A ntigo O rie n te M édio é que para o G ênesis só pode haver um
criador e que tu d o o mais que é 011 que possa ser, jam ais p o d erá ser qualquer coisa
a não ser um a criatu ra.w

N em todos os acadêmicos estão dispostos a dar ao Gênesis esse tipo


de tratam en to . Lloyd G eering o descarta com o um “m ito que relata
noogênesis [o nascim ento da consciência]”, um a história im aginária acerca
de com o os prim atas em ergiram da consciência de si m esm os para a
transcendência de si mesmos.60 De m odo surpreendente, o m oderno Judaís­
m o está fazendo o m esm o e agora confessa:

A fim de que o Judaísm o sobreviva, ele tem de elim in ar as suas perspectivas


tradicionais acerca de D eus, e a dim ensão espiritual da fé tem de ser reform ulada
em term os h u m an istas.61

O u tro acadêm ico judeu im portante sustenta que para que Israel con­
siga se desenvolver, deverá considerar com o obrigatória “a supressão do
teísmo judaico”.62 M uitos líderes judeus m odernos estão prontos para se
livrar dessa jóia exclusiva de sua tradição por um prato de m ingau pagão
global, assim com o m uitos cristãos apóstatas. Lam entavelm ente, a pedra
114 O Deus do sexo

preciosa que eles estão jogando no lixo é o próprio coração do que torna a
Bíblia judaica exclusiva. De acordo com G unton, o relato bíblico diz coisas
que não foram ditas em nenhum outro lugar do pensam ento hum ano. A fé
bíblica nesse sentido não tem paralelo. “Em geral”, diz G u n to n , “o pensa­
m ento grego sustentava que a m atéria era tanto eterna quanto inferior à
m ente ou espírito. A Bíblia ensina que a m atéria teve um início e, por esse
m otivo, não era inferior, mas foi planejada por um bom criador”.63 G un to n
explica a exclusividade desse ensino bíblico:

O que diz de m odo diferente essa d o u trin a revolucionária da criação? A


criação ocorreu “do nada” . Esse ensino é fu n d am en tal e to rn a o ensino cristão
to talm en te diferente. Ele afirm a que D eus ao criar o m u n d o não se apoiou em
nad a a não ser em si m esm o, de m odo que a criação é um ato de soberania e
liberdade divina, u m ato de disposição pessoal para que haja de certa m aneira
o u tro algo. Indica tam b ém que o universo teve um com eço no tem p o e está
lim itado em espaço: ele não é nem eterno nem in fin ito /’4

Implicações Práticas da Revelação da Bíblia acerca de Deus

T endo exam inado a revelação da Bíblia acerca de Deus, em ergem duas


noções essenciais e fundam entais que definem Deus, sem as quais não há
um Deus bíblico:
1. D eus é santo, separado do que ele fez. A base fundam ental da fé
bíblica é a diferença entre o Criador e as criaturas. Pelo fato de que ele é
Deus, só ele pode revelar a verdade sobre o universo, daí a nossa necessida­
de das Escrituras; pelo fato de que ele é Deus, só ele pode salvar.
2. Deus é pessoal. Embora Deus seja separado de nós, é possível a inti­
m idade com o Criador. Aliás, sem diferença pessoal não há nenhum a intim i­
dade genuína.

Essas características de Deus determ inam a nossa perspectiva sobre o


m undo e, em particular, sobre o sexo.
Sempre que se aceita essa compreensão bíblica de Deus, o Cristianis­
m o faz m uito sentido. O teísmo não é a fé de pessoas intolerantes que se
recusam a se adequar ou a ter boas relações com os outros. E a verdade
sobre quem somos com o criaturas finitas num universo estupendo, plane­
jado de m odo belo, um universo que não fizemos, face a face com o Deus
pessoal que o fez. Por que sou teísta? Porque só Deus poderia ser o autor do
acontecim ento que radicalm ente determ ina toda a m inha existência, passa­
da, presente e futura, sobre a qual não tenho absolutam ente n en h u m con­
Deus e o sexo 115

trole — ou seja, a m in h a criação. N ão afirmo — nem posso afirmar — ter


esse poder. Sim plesm ente reconheço e louvo o poder transcendente e a
habilidade estupenda de O utro.
Estamos na presença de duas noções radicalm ente opostas e religiosas
do m undo. John Shelby Spong, bispo episcopal aposentado e apóstata de
Newark, N ew Jersey, declara sem nuança de um m odo sem elhante aos líde­
res judeus anteriorm ente citados: “Se o Cristianism o depende de defini­
ções teístas acerca de Deus, então tem os de enfrentar o fato de que estamos
observando esse nobre sistema religioso entrar no estado de rigidez cadavé-
rica de sua própria m orte”.65 Em bora a nossa época pareça um m om ento
propício para heresias m ortais, pode-se ver o rastro dessas heresias no passa­
do da igreja, que sem pre teve seus dissidentes radicais. O prim eiro gnóstico
reconhecido,66 M arcião (c. 150 d.C .), rejeitou o Deus da Bíblia e pregou “o
Deus Estranho” — acima, além e dentro — que estava em todos os lugares
e em lugar n e n h u m .67
Os limites foram estabelecidos. O conflito não é sobre detalhes, nem
sobre diferenças de opinião acerca de dados recentes. Se estamos tendo
problem as com o sexo, é porque estamos tendo problem as com Deus. Pre­
cisamos fazer a nós algumas perguntas:

• C om o a d o u trin a bíblica de Deus afeta o ensino da Bíblia acerca


da sexualidade?
• Se a perspectiva bíblica acerca de Deus com o C riador transcendente
for trancada em tal com bate fechado e urgente com os protagonistas do
neopaganism o, é de estranhar que a sexualidade bíblica esteja sob tal ata­
que total dos prom otores da utopia sexual pagã?
• Se Deus está “ali” no seu próprio lugar “santo”, qual é o nosso lugar
santo e qual é o lugar santo da sexualidade?

A resposta a essas perguntas é o assunto do próxim o capítulo.

Temas para Debate

• R econhecer a santidade de D eus significa separá-lo com o exclusi­


vo, não c o n fu n d in d o -o com outros que afirm am divindade e nem com o
que ele fez.
• O paganism o m uitas vezes faz imagens específicas de D eus para
adorar, mas tam bém adora a terra, a água, o sol, o céu e outras coisas criadas.
116 O Deus do sexo

É assim culpado do potente pecado — idolatria — adorar a criatura em


lugar do Criador.
• D ife re n te do m o n ism o (todas as coisas — inclusive D eus —
são u m a), o C ristianism o explica o m otivo por que os seres h um anos são
pessoas e não pedras, o m otivo por que podem os cantar, amar, p in tar e
escrever poesia.
Capítulo 7

O N a sc im e n t o d o S exo

D ificilm ente poderia haver alguém mais diferente de m im do que a


m inha esposa. Ela gosta do café da m anhã com doces; eu gosto de salgados
e condim entados. Ela confia em mapas; eu vou na base do palpite. Ela olha
para os detalhes; eu olho para o quadro grande. Ela toca música por vista;
eu toco por ouvido. Ela odeia comer fora; eu adoro com er fora. Ela fica
acordada até tarde da noite; eu acordo bem cedo. Ela adora produtos do­
mésticos; eu adoro produtos esportivos. Estamos casados já há 35 anos!

Vive la Différence

C om um casam ento com o o nosso, é bom saber que, de acordo com


a Bíblia, o plano de Deus para o casam ento é a “diferença”. C om o qualquer
casal, de tem pos em tem pos temos lutas por causa das nossas diferenças.
C om o dizem na França, onde m oram os por mais de dezessete anos: “Vive
la différence”.
Eva foi criada com o um a auxiliadora diferente de A d ã o } Ela o
com plem entava em todos os sentidos — igualm ente valiosa, mas crucial e
essencialmente diferente. Essencial porque a tarefa hum ana — com o a Bí­
blia a descreve — era (e ainda é até outro aviso) tornar a terra habitável e
enchê-la de descendentes. Partindo dessa perspectiva, o hom ossexualismo
é um a disfunção da criação, e o casamento homossexual é um paradoxo.
H á pouco tem po, um a sacerdotisa pagã en co n tro u o m eu site na
Internet e escreveu: “Sou um a m ulher, e de acordo com a bíblia [sic\ sou o
mal e a tentação do hom em . Bem, sinto orgulho de poder gerar vida. Essa
é um a grande alegria para m im ”. A com preensão incorreta dela a respeito
da posição cristã acerca da sexualidade é ecoada pelo bispo apóstata John
Shelby Spong, que vê “a ‘anulação da sexualidade’ e a ligação [entre]... a
culpa hu m an a geral... e ... o desejo sexual... [como] um a realização em
grande parte cristã”.2
Q uaisquer que sejam as coisas estranhas que certos cristãos na história
da igreja tenham dito acerca do sexo, a evidência das Escrituras torna as
opiniões acim a erradas e ilusórias. Considere as frases seguintes usadas no
Antigo Testam ento.
118 O Deus do sexo

“Eis que és form osa, m eu a m o r... O s teus lábios são com o


u m fio de escarlata... O teu pescoço é com o a torre de Davi,
edificada para arsenal... Os teus dois seios são com o dois filhos
gêm eos da gazela...3
Alegra-te com a m ulher da tua mocidade, corça de amores e
gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tem po; e embria-
ga-te sempre com as suas carícias. Por que, filho meu, andarias cego
pela estranha e abraçarias o peito de outra?”4

N u m livro bíblico, há ainda um a exortação a “embriagar-se de amor!”5


Q ualquer religião que contenha em suas escrituras canônicas essa ex­
pressão erótica, mas santa, da sexualidade dificilm ente pode ser acusada de
anulação da sexualidade carregada de culpa. M edite por um m om ento nas
noções do Novo Testam ento acerca do am or do hom em por sua esposa e a
com paração feita com o am or de Cristo pela igreja.6 C onsidere os m anda­
m entos bíblicos de que os cônjuges têm de se dar sexualm ente um ao ou­
tro.7 Essas declarações não denigrem a sexualidade hum ana. Pode-se espe­
rar ignorância desse tipo de sacerdotisas pagãs, mas não de um bispo epis­
copal. T anto a sacerdotisa quanto o bispo não conseguem entender as n o ­
ções bíblicas de santidade e sexo porque não conseguem entender a revela­
ção bíblica acerca de Deus, o Criador.
A Bíblia dá grande honra à m ulher.8 Em oposição aos antigos gregos
pagãos que falam da “asquerosa tribo das m ulheres” (M enander),9 a Bíblia
celebra Eva com o “a mãe de todos os seres hum anos”.10 A idealização da
m ulher que é encontrada na Bíblia11 contrasta com a rejeição grega à m u ­
lher com o “o m aior m al” ou a “praga”. Sócrates começava cada m anhã
agradecendo aos deuses pelo fato de ter nascido hom em , não m ulher.
Aristóteles rejeitava as mulheres com o “irracionais”. 12 As Escrituras, po­
rém , descrevem a m ulher assim: “A força e a dignidade são os seus vesti­
d o s... Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua”.13
O valor dela “m uito excede o de finas jóias”.14
A acusação de Spong de “anulação da sexualidade” não condiz com a
Bíblia. Em parte alguma, evidentem ente, a Bíblia aprova o sexo com o um
m ercado de carne para satisfazer apetites. N ão é tam bém um impulso ani­
mal ou m ecanism o evolucionário pelo qual os mais saudáveis sobrevivem.
O sexo, de acordo com a Bíblia, é um a bela criação da m ente de Deus,
incluído em sua perfeição moral. C om o é que sabemos disso?
O nascimento do sexo 119

Impressões Digitais

Q uando m eus filhos eram pequenos, eu podia dizer onde eles haviam
estado apenas olhando para os batentes brancos das portas ou para a porta
basculante de vidro. Eu não tinha necessidade de um a equipe de detetives
para seguir as impressões digitais deles.
As impressões digitais de Deus estão por todo o m undo que ele criou,
mas não arruinam a sua beleza e elas não podem ser elim inadas. Essas im ­
pressões são a beleza do m undo. “Os a trib u to s... de D eus”, diz Paulo, “cla­
ram ente se reconhecem ... por meio das coisas que foram criadas”.15 O pro­
feta Isaías diz: “toda a terra está cheia da sua glória”. 16 D eus investiu a si
m esm o num a obra fabulosa de criatividade divina. A terra reflete o caráter
bom e santo de seu Criador. Assim, Deus exorta seu povo: “Vós sereis san­
tos, porque eu sou santo”.17 Mas o que significa ser santo?

Criação com o Separação e Santificação

C om o vim os, o significado fundam ental de santidade é in ten cio ­


nalm ente “o estado de estar ali” — estar n u m lugar específico para um a
função específica. E assim que D eus é santo. Dessa posição exclusiva,
D eus criou o m u n d o . M as D eus não é o único a ter um lugar. N ós, suas
criaturas, tam bém tem os um lugar distinto, santo e im p o rta n te do qual
po r direito fazemos parte.
O s prim eiros dois capítulos da Bíblia co n tam a história de com o
D eus criou. O s term os e a estrutura desse relato esclarecem as intenções
de D eus para a sua criação.

Separação

A distinção entre C riador e criatura determ inou o m odo com o Deus


cria. Deus fez a m atéria cósmica nascer do nada, do “caos” 18 original ou
m atéria sem forma. A obra da criação de Deus transform ou o caos em
universo organizado. C om o um especialista habilidoso cuidadosam ente
aperfeiçoando cada detalhe de sua obra-prim a, Deus criou estabelecendo
distinções, filtrando as coisas e dando a cada coisa o seu lugar e função. Essa
é a essência do que a Bíblia quer dizer com o ato da criação. É por isso que
a separação é im ediatam ente associada “ao que é bom ”. O paganism o crê
que a separação é má; Deus declara que é boa. “E viu D eus que a luz era
boa; e fez separação entre a luz e as trevas.”19 Deus separou as águas de cima
das águas de baixo.20
120 O Deus do sexo

Espécies

O u tra frase parece igualmente im portante na insistência das Escritu­


ras com relação à diferença e à separação. A frase “segundo a sua espécie” é
um tem a program ático usado dez vezes nos prim eiros 25 versículos da Bí­
blia. C ada tipo de vegetação,21 toda criatura viva foi criada “segundo a sua
espécie”.22 Assim, a diferença entre “espécies” tam bém é declarada como
algo “bom ”.23

Nom es

Tudo tem de receber um nom e a fim de que se possa fazer um a dife­


rença clara. Deus cham ou a luz de “dia”. Ele cham ou a escuridão de “noi­
te”.24 D e m odo significativo, Deus chama o prim eiro ser hum ano de um
nom e específico, “Adão”. N ão é de surpreender que Adão atue no m undo
criado de um m odo parecido. Deus leva todos os animais “a Adão”, dizem
as Escrituras, “para este ver como lhes chamaria”.25 A Bíblia afirma diferen­
ças reais, identificáveis e criadas — coisas com rótulos claros (nomes).
A tarefa de Adão de dar aos animais nom es indica o papel especial do
hom em no universo criado.26 De m odos comparáveis, só Deus e Adão com ­
partilham o “dom ínio” e a “glória”.27 O paganismo rejeita a idéia de que o
h om em tem um lugar especial. O hom em é, em vez disso, um a doença na
natureza, a causa de todas as nossas tragédias. C ertam ente, o hom em é
responsável (essa é sua glória) e muitas vezes pecador (essa é sua vergonha),
mas a Bíblia não abrirá mão de sua noção de nobreza hum ana.

Santidade

O s atos de “separação” criativa de Deus têm relação com a noção de


santidade. D eus ordena a Israel: “E separarás os levitas do m eio dos filhos
de Israel” para que eles pudessem m anter o serviço do T em plo.28 Moisés
usa o m esm o verbo, “separar”, aqui em N úm eros com o ele usa no relato
da criação de Gênesis. Esses levitas têm perm issão de entrar no Tem plo
“porque são santos” (consagrados, separados).29 Separar e santificar são
term os sin ô n im o s.30
A atitude de atribuir nom es tam bém está intim am ente ligada à san­
tidade. Essa conexão profunda é clara com relação a festas especiais. Em
Levítico, D eus diz a Moisés: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas
fixas [ou cham adas/nom eadas] do SE N H O R , que proclamareis, serão san­
tas convocações; são estas as m inhas festas”.31 Essas convocações especiais
O nascim ento do sexo 121

são separadas por Deus, chamadas “santas” por Deus. C om o veremos, a


diferença entre m acho e fêmea é um a parte essencial da santidade cósmica.
É justo dizer que, na criação, a separação e a designação de seus ele­
mentos como sendo de m odo reconhecível diferentes constituem a santificação
do universo. Ao filtrar as coisas e dar a cada um a um nom e específico e um a
função diferente, Deus está “santificando” e declarando santo o que ele faz.
Elas refletem, em algum nível de criatura, a santidade de Deus.
Um universo pessoal e organizado também aparece na noção de “aliança”.

Aliança

Diferença e intim idade são essenciais para a noção bíblica de conhe­


cer a Deus, descrita na Bíblia com o aliança. U m a aliança é constituída por
duas partes e selada num relacionam ento pessoal e legal por am or de um
objetivo im portante. A aliança de Deus define um a vida santa, isto é, estru­
tura, vida, com objetivos e proibições. Talvez a mais bem conhecida seja a
aliança de Deus com Abraão.32 U m acordo sem elhante foi estabelecido com
Adão no Éden.33 Deus dá a Adão um a função e os term os de um relaciona­
m ento fiel. Para m anter essa aliança, a passagem im ediatam ente diz: “N ão
é bom que o hom em esteja só; far-lhe-ei um a auxiliadora que lhe seja idô­
nea”.34 Em outras palavras, o casamento e a intim idade sexual são prim eira­
m ente introduzidos dentro do contexto m aior da aliança de Deus com a
hum anidade e, por extensão, com toda a criação.

O Testemunho das Subseqüentes Escrituras do Antigo Testamento

O s prim eiros dois capítulos de Gênesis não são tudo o que a Bíblia diz
acerca da criação original.

Salmo 8

O Salmo 8 é um a declaração majestosa da com preensão do A ntigo


Testam ento da glória da criação original:
“Ó S E N H O R , Senhor nosso, quão m agnífico em toda a terra
é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua m ajestade...
Q uando contem plo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e
as estrelas que estabeleceste, que é o hom em , que dele te lem bres?...
Fizeste-o, no entanto, por um pouco, m enor do que Deus e
de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe dom ínio sobre as obras
da tua m ão e sob seus pés tudo lhe puseste.. . ”
122 O Deus do sexo

A elevada visão da dignidade hum ana é, até onde sei, sem paralelo na
literatura do m undo antigo. Deus é o C riador soberano; os seres hum anos,
tanto hom ens quanto mulheres — com todas as coisas subm etidas a eles —
são vice-reis de Deus, e tudo o mais tem o seu devido e designado lugar,
com o um a grande sinfonia de louvor. Aí está a intenção original de Deus
para o universo.

A Vida de Santidade de Israel

O testem unho das Escrituras acerca dessa ordem criada não se lim ita
a um as poucas “passagens de evidência”. Até m esm o depois da queda a
criação serve com o plano para Israel. O term o “santo” (qodesh) ocorre 468
vezes no A ntigo Testam ento, indicando que é um tem a m uitíssim o signifi­
cativo. A vida de Israel, como luz e testem unho para as nações,35 tem de
refletir o caráter santo da vida que Deus cria com o C riador do céu e terra
no com eço.36 A nação serve como um m icrocosm o de com o o cosmo origi­
nal criado deveria ter sido. Ao separar Israel, o Deus santo o torna santo.
“Ser-me-eis santos, porque eu, o SE N H O R , sou santo e separei-vos dos
povos, para serdes m eus.”37
C o m o um a teocracia, um Estado governado diretam ente por Deus,
Israel refletia o seu caráter santo até nos m ínim os detalhes. Tudo na vida era
regulado de acordo com o princípio seguinte: “Para fazerdes diferença [se­
parar] entre o santo e o profano e entre o im undo e o lim po”.38 Observe
que a separação (o que Deus faz na criação) e a santidade estão unidas aqui.
A vida recebe sentido e direção na m edida em que Israel é orientado:

• a com o co m er:39 “Para fazer diferença e n tre o im u n d o e o lim ­


po e e n tre os anim ais que se p o d em com er e os anim ais q u e se não
p o d e m c o m e r” ;40
• a com o fazer tecidos para roupas: “N em usarás roupa de dois estofos
m isturados”;41
• a com o criar gado: “N ão permitirás que os teus anim ais se ajuntem
com os de espécie diversa”;42
• a com o cultivar: “N o teu cam po, não semearás sem ente de duas
/ • » A\
especies .

C on q u an to nós, hoje, possamos achar esses m andam entos bizarros,


as regulam entações sobre sementes e animais se referem a Gênesis 1 quan­
do D eus cria e distingue plantas de acordo com sua espécie, e animais de
O nascimento do sexo 123

acordo com sua espécie. E há mais. As ofertas de Israel ao Senhor são des­
critas com o “ [aquilo] que haveis de separar ao S E N H O R ”.44 O s sábados de
Israel proclam am a m esm a realidade. U m dia é separado com o “santo” para
recordar a adoração devida a Deus — o C riador.45 Esses m uitos detalhes
indicam com o a vida diária de Israel está ligada aos atos criativos originais
de Deus, com o testem unho às nações pagãs da fé e do conhecim ento de
Israel acerca de Deus, o C riador.46

O Testemunho das Escrituras do Novo Testamento

U m conceito errado popular é im aginar o Deus do A ntigo Testam en­


to com o o Deus da criação (e da Lei), e o Deus do Novo Testam ento como
o Deus da salvação, do am or e da liberdade radical. U m exame mais m in u ­
cioso indica que o Deus da criação está em todas as partes do Novo.

O Salvador é o Criador

O Novo T estam ento faz um a afirm ação estupenda. Você pode acei­
tar ou rejeitar, mas suas implicações são imensas. Jesus C risto — nascido
da virgem M aria, crucificado sob Pôncio Pilatos — é o C riador. O após­
tolo João, que foi mais próxim o de Jesus do que qualquer o u tra pessoa
durante o seu m inistério terreno, começa seu Evangelho com essa decla­
ração im pressionante:

N o princípio era o V erbo... Todas as coisas foram feitas por


interm édio dele.47

Essa afirmação surpreendente com relação a Cristo com o C riador não


é exclusiva de João. N a epístola aos H ebreus, Jesus Cristo, o Filho eterno, é
descrito com o “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder”.48 O
apóstolo Paulo fala de “um só Senhor, Jesus C risto, pelo qual são todas as
coisas, e nós tam bém , por ele”49 e “nele, tudo subsiste”.50 Em outras pala­
vras, é Cristo que separou todas as coisas e as santificou, dando-lhes form a
e significado, e que, desde então, as m antém desse m odo.
Os cristãos que am am o seu Salvador não conseguem evitar se identi­
ficar com Deus, o Criador.

O Lado Bom da Criação

Seria errado pensar no Jesus terreno com o o São Francisco de Assis da


Palestina, com passarinhos pousando em seus braços num a cena bucólica
124 O Deus do sexo

pintada em tons suaves digna de um a Toscana dos dias de hoje. Ele foi um
“hom em de dores” que teve a experiência de um a m orte violenta, mas ele
entendia a beleza da criação. Seu apreço pelos “lírios do cam po”, pardais,
pela luz do sol e pela chuva indica que Jesus não era nenhum guru gnóstico
que negava a terra e aguardava a m orte como a liberação de seu espírito da
m atéria. Pelo contrário, Jesus orava ao Pai celestial com o o bom C riador de
todas as coisas terrenas e o adorava.

A Importância do Corpo

Deus está envolvido com as questões do corpo. Ser santo no corpo é


usar o corpo do m odo correto de acordo com o plano da criação de Deus.
As fem inistas m odernas rejeitam o corpo fem inino. “A biologia”, dizem
elas, “não corresponde ao destino”.51 As Escrituras do Novo Testam ento
dizem “D eus lhe d á ... [a cada um] corpo com o lhe aprouver dar”.52 Estar
no lugar certo na hora certa é, no final das contas, o que torna as coisas
m oralm ente certas. N o Israel antigo, o estado físico do corpo simbolizava
que D eus exigia pureza m oral, tanto do indivíduo quanto da nação.53 Mas
em bora o sim bolism o ritual desapareça com o fim da teocracia, a exigência
de D eus de santidade física na nova aliança não.
Eis a idéia nas próprias palavras do apóstolo: “D eus não nos cham ou
para a im pureza, e sim para a santificação”.54 “O corpo [é]... para o Se­
nhor, e o Senhor, para o corpo.”55 O lugar onde os crentes têm de servir e
h o n ra r a D eus em santidade não está em algum espírito angélico, mas em
seu corpo. Viver um a vida santa envolve não só pensar pensam entos de­
votos ou praticar ações amorosas, mas realm ente usar o próprio corpo da
m aneira que D eus prescreveu. O pecado é usar o corpo de m odo im p ró ­
prio, com o diz Paulo:

Assim com o oferecestes os vossos m em bros para a escravidão da im p u reza...


assim oferecei, agora, os vossos m em bros para servirem à justiça para a santificação.56
... cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e h o n ra .57

Aí “honra” e “santificação”, e por extensão lógica “desonra” e “profa­


nação”, são sinônim os, com o é indicado em outro lugar.58 Obviam ente,
praticar coisas honráveis honra o Criador. O que os adoradores falsos não
fazem — honrar a D eus59 — os crentes verdadeiros fazem.60 “Porque fostes
com prados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.”61
Esse papel para o corpo lhe dá grande dignidade. Em bora muitas for­
mas de paganism o desprezem o corpo físico com o ilusão inútil, o Novo
O nascimento do sexo 125

T estam ento coloca o corpo no centro do discipulado cristão. Repare na


lógica de Paulo: “para que tam bém a ... vida [de Jesus] se manifeste em
nosso c o r p o . 62 “com o sempre, tam bém agora, será C risto engrandecido
no m eu corpo”.63 A exaltação de Cristo é o assunto sobre o qual a fé cristã
tem tudo a ver — e é feita no corpo! Pelo fato de que isso é verdade, o corpo
recebe um título nobre, o “santuário do Espírito Santo”.64 M ais um a vez o
corpo é associado com santidade (Espírito Santo), e entende-se santidade
com o o uso especial e designado de Deus. Então, com o é que a sexualidade
se encaixa nisso?

Sexo na Bíblia

Essas declarações da Bíblia a respeito da sexualidade não podem ser


isoladas desse entendim ento abrangente da natureza da ordem criada, da
qual a sexualidade é um elem ento fundam ental. N a verdade, a segunda
coisa que a Bíblia diz acerca da hum anidade, depois de sua declaração de
grande im portância sobre o fato de que o hom em foi feito à imagem de
Deus, é um a declaração ressonante da heterossexualidade hum ana.65

Vive la Difference

C om o m encionei no início, m inha família e eu m oram os na França


por mais de dezessete anos. O s franceses inventaram a frase “Vive la
différence” por m uitas razões. A França produz quatrocentos tipos diferen­
tes de queijo. C erta noite, enquanto eu estava sentado num a mesa bela­
m ente arrum ada de um restaurante de classe alta que tinha um a vista pano­
râmica para o histórico porto de M arselha, o chefe dos garçons, vestido em
smoking, inform ou-m e que cada um desses quatrocentos queijos franceses
requer um vinho francês diferente! Engoli em seco de puro espanto. C om o
é que alguém podia ter tanta capacidade de distinguir?
A diferença é o tem pero da vida — na cozinha, no sexo e nas grandes
questões do significado e im portância da própria vida. N o pseudom undo
da imaginação pagã, todos os queijos têm o m esm o gosto, e os quatrocen­
tos vinhos servem tanto para um queijo quanto para outro. Esse é um prato
religioso que chegou ao cúm ulo da loucura e os franceses, pelo m enos, o
definem com o inferno, não utopia. O que vale para queijos e vinhos tam ­
bém vale para a espiritualidade. Thom as M oinar diz acerca do panteísm o
budista: “A dissolução de Deus [em todas as coisas] leva diretam ente à dis­
solução da personalidade e de todos os atributos que tornam o indivíduo
um ser hum ano m ultifacetado”.66
126 O Deus do sexo

Um a Cosmovisão para o Corpo — e para o Queijo

“Seguir a verdade em am or” é um cham ado cristão essencial.67 Mas o


C ristianism o não é só conversa. Personificar a verdade no próprio corpo
físico é um a parte essencial do discipulado cristão.
N a terra dos quatrocentos queijos, os teólogos falam do perigo do
angélisme, o erro de pensar que logo que alguém se torna seguidor de Cristo
ele se torna um anjo. As coisas com relação ao corpo — com o queijo e sexo
— não mais im portam . Isso, é claro, vai contra tudo o que a Bíblia defen­
de. Pois se Deus é o C riador então, como vimos, tudo o que Deus criou é
bom . D e certa perspectiva, o evangelho é a revelação do que D eus faz com
corpos de carne e sangue — e o que ele pensa sobre queijos! As coisas físicas
são indispensáveis para as intenções presentes e futuras do Criador. E por
isso que o Paulo “espiritual” exorta os cristãos: “apresenteis o vosso corpo
por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.68
N ão espíritos, mas corpos tam bém .69 E nquanto aguardamos a vinda de
Cristo, temos de aprender acerca da santificação do corpo.
Esse é o lugar em que o sexo se encaixa perfeitam ente.

Macho e Fêmea

A criação alcança o seu ponto mais elevado na diferença adicional e


final dentro da hum anidade — entre o hom em e a m ulher.70 O que deixa
claro a diferença im plícita nesse ato criativo é o fato de que Adão assinalou
um a diferença em Eva ao lhe dar um nome. Adão declarou sobre sua esposa:
“C ham ar-se-á varoa, porquanto do varão foi tom ada”.71 Esse nom e declara
a igualdade fundam ental da m ulher com o hom em . Ela é diferente dos
anim ais, “porquanto do varão foi tom ada”72 e é “idônea para o hom em ”.73
M as ela é tam bém diferente. Isso poderia chocar a m oderna leitora fem inis­
ta criada num a dieta de uniform idade de igualdade de direitos, mas o Los
Angeles Times teve um a seção inteira sobre as diferenças biológicas funda­
m entais entre hom ens e mulheres. Sherry M arts, vice-presidente da Socie­
dade de Pesquisa da Saúde da M ulher, declara: “As m ulheres não são apenas
hom ens m enores com encanam ento diferente... há diferenças em todos os
sistemas fisiológicos do corpo”.74 No Gênesis, exatam ente com o a luz e a
escuridão têm nom es diferentes, assim tam bém tem o prim eiro casal h u ­
m ano. N um ato de dar nom e, Adão deu de novo à sua esposa o nom e de
“E va... por ser a mãe de todos os seres hum anos”.75 As diferenças na criação
são essenciais para se com preender o projeto redentor e assim o significado
O nascimento do sexo 127

da criação. D e um m odo incom um e notável Paulo reafirm a isso quando


diz: “ [A mulher] todavia, será preservada através de sua missão de mãe”.76
C om Paulo, estamos num m undo que aceita a criação, um m undo total­
m ente diferente do m undo dos antigos gnósticos que no nom e de “C risto”
exortavam suas m ulheres a “destruir as obras da fem inilidade”.77 Se o leitor
tivesse algum a dúvida de que as noções gnósticas acerca da espiritualidade e
sexualidade tenham retornado às nossas praias,78 então observe a declaração
da fem inista Shulam ith Firestone: “O cerne da opressão de um a m ulher
são seus papéis de gravidez e criação de filhos”.79
N o Gênesis, o últim o ato divino de separação na criação original é
quando Deus faz os seres hum anos, hom em e m ulher.80 D eus enfatiza esse
ato diferenciador e criativo quatro capítulos mais tarde no começo da his­
tória da linhagem de Adão até Noé: “m acho e fêmea [ele] os criou”.81 Por
m eio de Moisés, Deus revela que a heterossexualidade é o único m odelo
para a sexualidade hum ana. A declaração tem algo de program ático.82 Sis­
tem aticam ente, a diferença fundam ental hom em -m ulher é m antida no
código civil de Israel com o a única form a sexual aceitável ao Senhor.83 A
distinção hom em -m ulher é assim explicada com o norm ativa no Antigo
Testam ento, e o m esm o vale para o Novo Testam ento.
Jesus, in stru íd o nas Escrituras, vê a declaração de Gênesis com o
programática. Em seu apoio ao casamento heterossexual perm anente, ele
responde às perguntas enganadoras dos fariseus: “N ão tendes lido que aquele
que os fez no princípio, m acho e fêmea os fez?”84 Nosso Senhor aí simples­
m ente aceita sem questionar a condição norm ativa da heterossexualidade
conform e ensina o relato da criação. D e m aneira sem elhante, o apóstolo
Paulo, ao descrever a hum anidade por meio de três categorias binárias dife­
rentes, vê “hom em e m ulher” com o um a delas. Nessa passagem m uito con­
testada, Paulo não está pedindo o fim do sexo m asculino e fem inino.85
Caso contrário, tudo o mais que ele diz acerca da sexualidade seria aberta­
m ente contraditório. Pelo contrário, ele afirma que essas duas possibilida­
des — hom em e m ulher — são tudo o que existe. Ele está fazendo um a
declaração norm ativa sobre gênero, deliberadam ente em pregando essa lin­
guagem im pressionante e técnica — homem e mulher — que todos sabiam
havia vindo do relato da criação. É por isso que ele cham a as relações h o ­
mossexuais de “não naturais”.86
O apóstolo Paulo endossa essa cosmovisão ao ensinar aos ex-pagãos
de C orinto acerca da ressurreição. “D e u s... dá corpo com o lhe aprouve dar
e a cada um a das sementes, o seu corpo apropriado. N em toda carne é a
128 O Deus do sexo

mesma; porém um a é a carne dos hom ens, outra, a dos anim ais, outra, a
das aves, e outra, a dos peixes.”87 A implicação óbvia é que não se deve
m isturar o que Deus deu em tal esplendor variado. Isso vale no âm bito
sexual. Somos sexualm ente santos ao guardar as diferenças de sexo e gênero
que D eus ordenou.

Diferença com Intimidade

A diferença não distancia Deus de sua criação nem as pessoas umas


das outras. Em vez disso, a diferença é um elem ento essencial da in tim i­
dade bíblica.

Com unhão Exclusiva: Deus como Pessoa

D e m odo surpreendente, a diferença de Deus não é um obstáculo in­


superável para sua proximidade. Em bora a “majestosa transcendência de
D eus” (a frase de M achen anteriorm ente citada) pudesse indicar um a dis­
tância intransponível, é evidente que Deus só pode estar realm ente próximo
se ele for diferente. Para explicar de outro m odo, a santidade ou diferença de
Deus é o requisito essencial de sua personalidade. Em sua declaração antes
m encionada, Thom as M oinar mostra entender o que acontece quando Deus
é reduzido ao panteísmo: “A dissolução de Deus [em todas as coisas] leva
diretam ente à dissolução da personalidade e de todos os atributos que tor­
nam o indivíduo um ser hum ano m ultifacetado”.88 D e acordo com o
panteísm o, em bora Deus esteja em todas as coisas e assim aparentem ente
bem perto, ele acaba em lugar algum e assim não está absolutam ente perto.
Ele só aparece quando olhamos para o nosso interior e vemos a nós mesmos.
Esse não é o D eus que Paulo declarou aos atenienses que eram m u i­
to religiosos:

O Deus que fez o m u n d o ... não está longe de cada um de nós.89

O Deus da Bíblia é um Deus pessoal que pode ser procurado, encon­


tra d o e co n h ecid o . J. G resham M achen, que d efendia a “m ajestosa
transcendência de Deus” contra o liberalismo na década de 1920, viu o que
aconteceria com a oração se essa transcendência fosse perdida. O bispo
Spong é resultado vivo dessa teologia liberal. Ele diz acerca da oração:

A definição de D eus im plícita na O ração do S en h o r não pode ser um a


definição im p o rta n te para nós h o je ... N ão com eço [m inha oração] dizendo: “Pai
nosso, que estás nos céus” . A deidade que adoro é até certo p o n to p arte de quem
eu sou in d iv id u alm en te e coletivam ente.90
O nascimento do sexo 129

A verdade é que Spong não ora mais, ou com o Jesus diz ao apresentar
a O ração do Senhor, ora com o os pagãos. Spong é um discípulo não de
Jesus, mas de Tillich, que tam bém não orava.91

Com unhão Exclusiva: Deus como Marido Fiel

O Deus pessoal do teísmo se propõe com o um m arido fiel e am ante


de seu povo. “Porque o teu C riador é o teu m arido.”92 Esse é o alto ponto
das esperanças de Israel: “Naquele dia, diz o S E N H O R , ela me chamará:
M eu m arido e já não me chamará: M eu Baal”.93 Essa esperança é reassumida
no Novo Testam ento com o um a realidade parcialm ente cum prida, na m e­
dida em que a igreja agora se tornou a noiva do Messias. Assim Paulo diz
aos coríntios: “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho
preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é
C risto”.94 A realização plena ainda é futura. A história de am or contém um
clímax majestoso, com o acontece em todos os grandes romances. O final
feliz é recontado na profecia de Apocalipse, que vendo o futuro declara:
“Vi tam bém a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte
de Deus, ataviada com o noiva adornada para o seu esposo”.93
Essa história tam bém contém sofrim ento e desapontam ento. A infi­
delidade espiritual ao Senhor é tam bém apresentada em term os conjugais.96
A idolatria religiosa do paganismo é descrita como adultério e prostituição.97
É por isso que o sexo não só tem de ser heterossexual; tem de ser tam bém
exclusivo, pois desse m odo reflete o grande projeto de Deus para o universo.
N ão se deve om itir o óbvio. A heterossexualidade exclusiva é o único meio
que a Bíblia usa para descrever o relacionamento de Deus com o seu povo.
N ão há estilos de vida alternativos que correspondam às exigências.
Q uando Deus criou o m undo e o santificou fazendo diferenças, ele
im prim iu a sua própria pessoa no m odo que as coisas são. A própria pessoa
m isteriosa de Deus dá expressão m áxim a à noção de com unhão exclusiva e
fiel entre seres separados. Pois o Deus do teísmo é um a Trindade. Deus o
Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo são três pessoas distintas ligadas em
com unhão eterna. Juntas, elas colaboram para criar o universo material, e é
essa im agem divina que o universo reflete.
Os cristãos conhecem Deus num a união comparável ao casam ento.
C o m o no casam ento — um relacionam ento em que n en h u m dos dois par­
ceiros abandona a sua identidade, mas ambos são, apesar disso, unidos em
intim idade profunda — assim tam bém nós, criaturas hum anas, podem os
130 O Deus do sexo

m anter nossas diferenças com Deus e ainda ter um a união viva e verdadeira
com o Criador.

O Poder do Deus Único

M eus filhos me provocam porque eu não entendo nada de m atem áti­


ca. N aturalm ente, eu hesito quanto a entrar em questões que envolvam
m atem ática teológica, mas aí vai. A intim idade profunda entre dois seres
hum anos sexualm ente diferentes unidos no casam ento se expressa na no­
ção bíblica dos “dois se tornando um ”. A implicação dessa afirmação parece
ser esta: que um é m aior do que dois, ou para m udar a m etáfora, que o
resum o é m aior do que as partes. Essa declaração — “tornando-se os dois
um a só carne” — é feita um a vez no relato da C riação98 e repetida duas
vezes tanto por Jesus99 quanto por Paulo100 quando eles ensinam com auto­
ridade divina acerca da natureza do casamento.
Tornar-se “um ” é a idéia principal do paganismo. O m onism o, recor­
dem os, é a teoria de “m ono”, ou seja, “unidade”. Q uando tentam os com ­
parar o m odo com o o m onism o vê “um ” e o m odo com o o teísm o vê “um ”,
deparam os com outro abismo intransponível. N o paganism o, a unidade
envolve a destruição das diferenças, a autonom ia radical do indivíduo e a
aniquilação m áxim a da personalidade. N o teísmo, a unidade nutre, incen­
tiva e celebra as diferenças e as une num a tapeçaria rica e ordenada por
D eus de com plem entabilidade interm inavelm ente variada.

Unidade Bíblica

A unidade não é apenas um a noção do Novo Testam ento. C om o em


todas as coisas, o A ntigo Testam ento é um a profecia do Novo. Termos tais
com o “respondeu a um a voz”,101 ou Deus “dando-lhes um só coração”, 102
sugerem conform idade com a vontade de Deus. A conform idade com a
santidade que Deus determ ina para seu povo na Lei é a essência da unida­
de. Essa conform idade fundam enta a visão para um a unidade nacional.
Observe o tem a de “tornando-se os dois um a só carne” na seguinte citação
em que Deus prom ete por m eio de Ezequiel: “Farei deles um a só nação na
terra, nos m ontes de Israel, e um só rei será rei de todos eles. N unca mais
serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos”.103
A promessa de um rei sobre um a nação se cum pre no Rei Jesus no
Novo Israel, a igreja. “Todos vós sois um em Cristo Jesus”104 é a grande
declaração da unidade cristã. N ão há mais dois, mas um . Paulo afirma isso
quatro vezes na mesm a passagem.105 Q uem realiza essa unidade é Cristo,
O nascimento do sexo 131

que pelo seu sangue aproxim ou aqueles que estavam longe (os pagãos) para
terem com unhão com aqueles que estão perto (Israel). Observe como a
estrutura de casam ento da criação fornece as categorias para a redenção.
Exatam ente com o Deus cria seres hum anos com o hom em e m ulher a fim
de que eles se tornem “um a carne” para cum prir o m andado divino de
encher a terra,106 assim o “propósito” de Deus, diz Paulo sobre a redenção,
“ [era] dos dois [criar], em si m esm o, um novo hom em , fazendo a paz”. 107
Esse novo e exclusivo corpo com posto de dois cum pre o plano de salvação
e recriação de D eus para o universo: “para que, pela igreja, a m ultiform e
sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades
nos lugares celestiais”. 108
M uitas vezes — de m odo particular em referência aos esportes —
chamamos essa noção de unidade de “trabalho de equipe”. O mesmo tra­
balho de equipe está presente no trabalho do evangelho. “O ra, o que planta
e o que rega são um ; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu
próprio trabalho.” 109 C ada um tem um papel separado; cada um receberá
um salário diferente, mas ambos são um em propósito porque com binam
seus esforços diferentes para alcançar um objetivo santificado com um .

Unidade Conjugal

Essa unidade é verdadeira na sexualidade. Está bem ali no começo da


Bíblia: “Por isso, deixa o hom em pai e mãe e se une à sua m ulher, tornan-
do-se os dois um a só carne'}™ N o começo da Bíblia encontram os essa de­
claração program ática acerca da heterossexualidade. Nesses versículos é de­
clarado: (1) a profunda igualdade hum ana do casal hum ano — “osso dos
m eus ossos”; (2) sua diferença sexual — ela é “m u lh er”, ele é “hom em ”;
(3) sua unidade que com plem enta — “tornando-se os dois um a só carne”.
Claram ente, a intenção de Paulo é que vejamos o casam ento com o
um quadro de redenção. Esse princípio de “dois se to rn a n d o um ” no ca­
sam ento é até usado para expressar a própria essência do “m istério”, isto
é, o evangelho. N ão só os judeus e os pagãos se to rn am um com o conse­
qüência da obra redentora de Cristo na cruz, mas os pecadores tam bém
se to rn a m unidos em seu Salvador divino para se tornarem “m em bros do
seu corpo” 111 para que esses “dois” form em “um novo h o m em ” 112 ou “um a
so carne ” . 113•
/

A redenção não aniquila a criação, mas em vez disso constrói sobre


ela. O casam ento cristão assume a estrutura da criação para a vida na carne
— com o insistem tanto Jesus com o Paulo — mas é tam bém o sím bolo de
132 O Deus do sexo

incrível redenção cósmica porque m antém dentro dele o próprio segredo do


universo — a identidade pessoal em intimidade abnegada com o outro. Os
dois não se tornam dois indivíduos andróginos e autônom os com o na noção
paga da junção dos opostos. Em vez disso, cada cônjuge se torna um em
projeto e com unhão. A unidade para um projeto é verdadeira no que se refere
ao casam ento com o é verdadeira no que se refere à igreja. As diferenças entre
hom em e m ulher divinamente sancionadas dentro do casamento, com o tudo
o mais que Deus santifica, foram criadas para um propósito, isto é:

• procriação (filhos são um presente do Senhor e essenciais para a


m anutenção da civilização);
• com unhão pessoal (o casamento santifica);
• profecia (o casam ento expressa o significado m áxim o e final da
existência).

O que mais eu poderia pedir do sexo e da vida? Essa estrutura guarda


o segredo da felicidade genuína — um projeto que m e leva à profunda
com unhão com outro que é diferente de m im , mas me com plem enta e não
destrói a m inha própria identidade; um projeto de vida que doa vida e é
fundam entalm ente altruísta, que espelha o significado do universo. C om
efeito, a m onogam ia heterossexual não é apenas o assunto de alguns
versículos da Bíblia, mas, em vez disso, expressa as grandes placas tectônicas
das estruturas essenciais da Bíblia.
O poder de um significa um comprom isso de fidelidade a vida inteira,
wowogamia, bem com o comprom isso com as próximas gerações. Significa
um hom em descobrir a alegria de ser hom em : a alegria de ser pai e avô, de
aprender a ser um provedor, um cavaleiro em arm adura reluzente, um líder
corajoso, um m odelo espiritual, um am ante sensível e finalm ente a alegria
de descobrir m ediante todos esses aspectos do sexo que a vida é um a vida
para o u t r o s . 114

Sexo Saudável

Isso não é chauvinism o m asculino. É psiquiatria, conform e suas


expressões principais. É terapia que dá vida. O famoso psiquiatra Richard
J. Stoller declara com sim plicidade desarmante: “A prim eira ordem do ne­
gócio de ser hom em é: não seja m ulher”.115 Terapeutas reconhecidos falam
do processo de descobrir a identidade masculina ou fem inina como essencial
para a saúde m ental e o am adurecim ento pessoal. A tarefa de um m enino,
O nascimento do sexo 133

diz o psiquiatra Joseph Nicolosi, é “identificar-se com seu pai e com a mas­
culinidade que ele representa... incorporando um sentido m asculino da
individualidade”. 116 As diferenças sexuais vêm impressas nas coisas mais
simples. “E nquanto está aprendendo a falar (ele e ela’, ‘dele e dela’)”, diz
Nicolosi, “a criança descobre que o m undo se divide em opostos naturais
de m eninos e m eninas, hom ens e m ulheres”. 117 A essa luz, o desejo de
M ollenkott de elim inar “ele” e “ela” seria desastroso para a saúde m ental. Já
que essas identidades diferentes são absolutam ente cruciais para a saúde
pessoal, é igualm ente essencial que a igreja sustente essas diferenças. Espe­
cificamente, a igreja tem de confirm ar os papéis m asculino e fem inino dife­
rentes na sua vida e no seu m inistério. Se, com o Nicolosi afirma, “a m ascu­
linidade é um a realização... [que] requer boa criação dos pais... e apoio
familiar”,118 tam bém requer apoio da igreja.119 Aqueles que defendem o
ensino bíblico de pastores do sexo masculino não são hom ens chauvinistas
interessados em conservar o poder masculino. Aqueles que conheço estão
interessados em que a igreja tam bém reflita a verdade de que o Deus da
Bíblia é tanto o C riador quanto o Redentor, e que as diferenças sexuais da
criação são m antidas m esm o na redenção. Isso é assim, tanto por am or ao
testem unho cristão para com Deus, o Criador, quanto por am or à respon­
sabilidade de criar pessoas saudáveis.120 Mas estou divagando!
Para um a m ulher, o com prom isso com um a heterossexualidade
monogâmica significa a descoberta da maternidade (quer física ou espiritual),
ser mãe e avó, aprender a ser a am ante de um hom em tão diferente dela
mesma, ser o centro em ocional de um a família, encontrar a sua identidade
e verdadeira liberação no projeto com um de um a fam ília e o cham ado de
seu m arido, o desenvolvim ento criativo do instinto aconchegador num lar
estável e acolhedor, a alegria de ver seus filhos se levantarem e a cham arem
de “ditosa”. 121
Esse relacio n am en to sexual p rojetado e criado p o r D eus é assim
coroado com o parte do sentido e da im portância da história cósmica.
Reflete as intenções de D eus para a hum anidade. Encaixa a cosmovisão
da Bíblia e vem escrito na base da existência. D eus será A m an te e Senhor
do que ele fez.122 Nesse projeto divino, a criatura conhecerá a união pes­
soal com o C riad o r que guarda a aliança. C risto fielm ente am ará sua igre­
ja com o um m arido am a a sua esposa.123 O D eus especial “que está ali” dá
sentido a tudo o que ele faz e separa. A heterossexualidade espelha o cará­
ter de um universo divinam ente criado em que a unidade é a unidade da
com unhão das diferenças.
134 O Deus do sexo

O Sexo é Bom

A Bíblia começa com um a declaração maravilhosa sobre a criação. O


aparecim ento da luz que cega, esquenta e dá vida é algo “bom ”. A criação
dos lim ites do oceano e a formação das massas de terra são coisas “boas”.
D a im aginação rica de Deus, mangas, sequóias e rosas de arom a doce ador­
nam a terra e a tornam “boa”. Nos céus aparece a música das estrelas e a
vastidão m agnífica de incontáveis galáxias, todas sob o controle de Deus e
levando a marca do que é “bom ”. Os abundantes reinos anim ais do mar, do
ar e da terra, intrigantes tanto em seu núm ero quanto em sua diversidade
infinita, são tam bém declarados com o “bons”. Seis vezes Deus olhou para
sua criação e a declarou “boa”. Na sétima vez — depois que D eus criou os
seres hum anos (hom em e m ulher), o toque coroador de sua obra — ele
declarou a criação toda algo “m uito bom ”. Podia ser fácil não conseguir
e n tender o m otivo por que quando Deus olha para todo o universo interli­
gado e em o cio n an te pela sétim a vez com um a sensação de realização
prazerosa ele declara a criação inteira algo “m uito bom ”.124 Mas repare. Entre
o sexto “bom ” e o sétim o “m uito bom ” há apenas um acréscimo a mais à
obra-prim a de Deus — o sexo. Esse é o sexo em sua dim ensão hum ana
plena conform e Deus cria o toque de coroação de toda a sua obra, isto é, os
seres hum anos — hom em e m ulher — feitos à im agem de Deus. Esse
acréscimo final da hum anidade — que inclui papéis de gênero e sexualidade
— to rn a a obra de Deus algo “m uito bom ”. A Bíblia borbulha de surpresas
ingênuas com a beleza e a boa qualidade da criação. “O s céus declaram a
glória de D eus e o firm am ento anuncia a obra das suas m ãos.” “Ó Senhor,
Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu n om e.”125
N a outra extrem idade da Bíblia, no Novo Testam ento, Paulo dá o seu
“am ém ” a esse louvor da criação. C om palavras virtualm ente idênticas àquelas
encontradas no Gênesis, Paulo solenem ente declara aos cristãos que vivem
na Efeso pagã: “Tudo que Deus criou é bom",12C
Se tudo é bom , então o sexo é bom tam bém .

O Propósito da Criação

Em 1993 m e sentei por sete dias com o observador no Parlam ento das
Religiões M undiais em Chicago. Esse evento enorm e reuniu cerca de oito
m il representantes de 125 religiões e produziu em m im a reação emocional
mais estranha. Apesar da variedade infinita de gurus, das vestes sacerdotais,
das línguas e das tradições religiosas, fiquei entediado! N en h u m a vez vi essa
O nascimento do sexo 135

vasta audiência levada a expressar um louvor genuíno. A verdade é que a


religião pagã é estritam ente sobre o ego. C om certeza, alguns podem ser
tocados pela natureza, mas se a natureza é divina e somos parte da natureza,
então somos divinos, de m odo que é tudo sobre nós. Então o ato de louvar
a natureza se torna louvor ao ego. Isso é autolouvor, não louvor, e todos
temos problem as com pessoas que louvam a si mesmas.
A revelação bíblica de Deus e o objetivo de sua criação suprem um a das
necessidades mais profundas do coração hum ano. Fomos criados para louvar
a Deus. E isso o que encontram os na Bíblia do começo ao fim, do que o
Salmo 148 é um exemplo notável, pois não cessa de louvar a Deus e suas
obras. Só um Criador separado da criação pode evocar esse tipo de louvor.
Fomos tam bém criados para ser testem unhas, isto é, para apontar para
alguém acima de nós mesmos. Se Deus, o Criador, se distingue das coisas
que ele fez, então m anter as diferenças — na vida em geral e na sexualidade
em particular — é um a parte essencial da verdade sobre o m undo. Dizer
que não há separação entre nós e Deus, dizer que tudo é o m esmo, dizer
que todas as perm utações sexuais são boas é expressar falsidade acerca da
sexualidade.127 N ão é bom para Deus; não é bom para o m undo. Todas as
opiniões sobre o que é certo e errado, verdadeiro e falso, bom e ruim , santo
e profano, e todas as nossas declarações do que é im portante e significativo
dependem dessa distinção básica entre C riador e criatura. O dram a do
rom ance da h um anidade com o C riador pessoal está na interação das
diferenças sexuais, o dram a do nam oro e a beleza do casamento e da família.
A heterossexualidade m onogâm ica dá testem unho do m istério glorioso do
relacionam ento entre o C riador e a criação.

Louvem a Deus, de quem fluem todas as bênçãos;


Louvem a ele, todas as criaturas aqui embaixo;
Louvem a ele, encim a, vós exércitos celestiais;
Louvem ao Pai, ao Filho e ao Espírito S an to .128

O propósito do sexo é ajudar a conduzir o universo físico à sua per­


feição. Assim, Eva é cham ada de “a mãe de todos os seres h u m an o s”, e
com Adão, esse casal heterossexual m onógam o segue o m an d ad o cultural
de ter dom ínio, m ultiplicar-se e encher a terra. N u m relacionam ento co n ­
jugal com posto po r diferença, intim idade e im portância vocacional, eles
tam bém dão testem unho e dão louvor a Deus, o Senhor T rinitariano dis­
tin to e transcendente.
136 O Deus do sexo

Essa, com o veremos, não é a última palavra de Deus acerca de sua “boa”
criação. N o m eio-tem po, porém , a Serpente e o pecado têm algo a dizer.

Temas para Debate

• A adm o estação de Paulo para que h o n rem o s a D eus com o n o s­


so c o rp o dá ao c o rp o g ran d e d ig n id a d e e o co loca no c e n tro do
d isc ip u la d o cristão.
• D e acordo com o panteísm o, em bora Deus seja todas as coisas e
assim esteja aparentem ente bem perto, ele term ina em lugar algum e assim
não tão perto de m odo algum. Ele só aparece quando olham os para o nosso
interior e vemos a nós mesmos.
• A heterossexualidade exclusiva é o único m eio sexual que a Bíblia
usa para descrever o relacionam ento de Deus com seu povo.
Capítulo 8

A M o r te d o Sexo
E nquanto escrevo este capítulo, Nova Orleãs está cam baleando sob o
golpe destrutivo do Furacão Katrina. Mas a reação do povo é igualm ente
destrutiva, com o no caso do jovem que deu um tiro na cabeça da sua irm ã
quando brigaram por causa de um a caixa de sorvete. T anto a “M ãe N ature­
za” quanto a natureza hum ana aí m ostram sinais evidentes da queda. Mas
não precisamos olhar tão longe. Tudo o que precisamos fazer é olhar para o
nosso próprio relacionam ento com a nossa família e os nossos amigos para
com preender que todos estamos longe do ideal da criação descrito no capí­
tulo anterior. Tratam os as pessoas com o objetos para o nosso próprio pra­
zer, m uito em bora a m aioria de nós desejasse não agir assim. Nossas falhas
nos acusam; nossos desejos mais profundos m ostram a necessidade de sig­
nificado pessoal que só um C riador pessoal pode suprir. Em bora tenha­
mos sido criados para louvar a Deus, gastamos o nosso tem po louvando a
nós mesmos.
A nossa prática do sexo está arruinada. Alguns que estão casados que­
riam poder ficar livres. Alguns casais aparentem ente perfeitos lutam com a
pornografia, a violência ou o tédio quando estão na privacidade de seu lar.
M uitos daqueles que escolheram o homossexualismo estão profundam ente
descontentes com o que suas vidas se tornaram . A lista não term ina.
A Bíblia diz que a criação está gem en d o .1 N ós gem em os tam bém .2
O próprio Jesus gem eu com a m orte de seu am igo,3 e com a crueldade da
crucificação a própria terra reagiu com convulsões sísmicas.4 Algo está pro­
fundam ente errado, e precisamos saber o m otivo. D e acordo com a Bíblia,
a criação sofreu queda e está em estado term inal. U m a passagem fascinante
de Paulo, Rom anos 1.18-32, dem onstra com o é que é isso. Flá boas razões
para se dar atenção ao que Paulo diz;

• Já que este livro busca esclarecer, a partir de um p o n to de partida


declaradam ente cristão, o relacionam ento fundam ental entre cosmovisão e
sexualidade, entre a perspectiva de Deus e a nossa prática sexual, é im por­
tante testar a tese do livro diante da norm a das Escrituras.
138 O Deus do sexo

• O exame dessa passagem antiga traz clareza ao debate m oderno, pois


em bora o hom ossexualismo seja hoje apresentado com o o program a da
m oda das liberdades civis do século 21, ele estava presente na época de
Paulo, dois mil anos atrás, quando ele o denunciou com o um a expressão
inevitável da religião pagã. Nesse nível profundo, a questão das liberdades
civis não é realm ente a questão im portante.

Ver a relevância das Escrituras antigas aplicada a um ardente debate


m oderno só confirm a a fé que os crentes cristãos têm na veracidade e fide­
lidade da Palavra inspirada de Deus.

D ois Sermões Bem Diferentes sobre o Hom ossexualism o

1. O sermão do bispo presidente, Frank Griswold, que fechou o con­


gresso da 749 Convenção Geral da Igreja Episcopal dos EUA em agosto de
2003, é um exemplo perfeito de espiritualidade pagã se disfarçando como
o evangelho cristão. N um a proporção de 2 a 1 a assembléia votou para
ordenar com o bispo um hom em divorciado, pai de dois filhos, que estava
vivendo com o seu am ante homossexual. “Essa Convenção”, disse Griswold,
“foi sobre a m o r... ocorreu algo que é m aior do que qualquer perspectiva.”
Observe que as posições morais se tornaram “perspectivas”. Para enfatizar o
que ele estava mais querendo defender, Griswold não cita a Bíblia. Ele cita
o poeta sufi Rum i: “Longe das idéias de fazer o que é certo e fazer o que é
errado há um campo. N ós nos encontrarem os ali”. “O cam po”, continuou
Griswold, “é o cam po da compaixão divina em que todas as coisas se recon­
ciliam de m odo que só podem os com preender de m aneira vaga.”5
Essa é linguagem em código. O sufismo, um a seita m uçulm ana pagã,
rejeita, com o m uitos bispos “cristãos” im portantes, a noção de Deus, o
Criador, distinto da criação. Isso significa que Deus e o m u n d o são um , e
todas as distinções são eliminadas, inclusive a distinção entre certo e erra­
do. Pense no yin e no yang ou nos dois lados da Força. O ponto principal
de Grisw old afirma na linguagem sutil e “cristianizada” a junção pagã dos
opostos. A justificativa real para se perm itir o hom ossexualismo na igreja
não é o am or “cristão” ou o evangelho. E a reabilitação de um a cosmovisão
pagã contrária à Bíblia. O sermão do bispo presidente não faz apelo algum
ao Gênesis nem ao ensino claro da Bíblia sobre a criação nem aos credos
históricos da igreja. “Creio em Deus Pai todo-poderoso, C riador do céu e
da terra.” Essa prim eira frase do Credo Apostólico há m uito é rejeitada como
m ito prim itivo.
A m orte do sexo 139

A senadora canadense M arilyn Trenholm e Counsell, que se proclama


“cristã” anglicana, fez a declaração pública de que Jesus C risto teria votado
com o ela votou no Parlam ento, em favor do casam ento gay.6 “C om o cris­
tã”, disse ela, “m uitas vezes pergunto a m im mesma: ‘O que Jesus faria?’
Nesse caso, nessa ocasião, creio que ele diria sim”. A razão dela: “Estamos
bem adiantados em nossa com preensão da sexualidade hum ana”.7 C om
exceção de m ero sentim entalism o subjetivo, com o sabemos o que Jesus
faria nesses casos? Susan Russell, sacerdotisa episcopal lésbica, crê que ela
sabe. Ela está convencida de que o que im porta para Deus não é a “orienta­
ção sexual, mas a orientação teológica”.8 C om o ela sabe o que Deus pensa?
Essa ex-esposa e mãe que diz: “Às vezes ainda me im agino com o um a mãe
de classe m édia”, tam bém declara, “ouvi em m inha cabeça a voz de Deus
dizendo ‘Eu fiz você desse jeito”’.
A senadora Counsell e a pastora Russell não fazem tentativa alguma
de entender a cosmovisão bíblica de Jesus conform e revelam as Santas Es­
crituras. O que determ ina seus pensam entos são os sentim entos pessoais,
não a objetividade das Escrituras, em bora as Escrituras fossem referência
para os primeiros cristãos e até mesmo para Jesus. Ao ser tentado pelo diabo,
Jesus não buscou em seu próprio interior um a ilum inação subjetiva. Ele
citou as Escrituras do A ntigo Testam ento.9 E desse m odo que os cristãos
sabem o que Deus pensa. A abordagem mais clara sobre esse assunto, p rin ­
cipalm ente em relação à conexão entre Deus e o sexo, vem de Paulo, após­
tolo de Cristo, em seu sermão de Rom anos 1 com base nas Escrituras.
2. O ‘‘s ermão” do “Bispo” Paulo a igreja rom ana do século 1° ê bem
diferente. Ali tem os toda um a cosmovisão baseada num a com preensão de
Deus como Criador, um tem a tão evidente na base de todas as passagens
bíblicas que só deixaremos de vê-lo, diz Paulo, se form os espiritualm ente
“cegos”. Em Rom anos 1.18—32 Paulo descreve um processo religioso, clas-
sicam ente retratado com o a queda, que sai da teoria para a prática, da fé à
ação, com o em “idéias têm conseqüências”. Especificamente, ele descreve
com o a teologia falsa (pensar acerca de Deus) leva à espiritualidade falsa
(idolatria) e então à sexualidade contrária à natureza (homossexualidade).
Ele entende m uito bem que “o desejo de lascívia” é típico dos “gentios que
não conhecem a D eus”.10 Em outras palavras, em bora todos tenham a ca­
pacidade de sentir desejos lascivos, a “lascívia” e o “paganism o” são parte de
um sistema de pensam ento.
D epois de sua ordenação episcopal, Gene Robinson se uniu a Stephen
Greenberg, o prim eiro rabino a se revelar como homossexual. N um a reunião
140 O Deus do sexo

pública eles com partilharam suas experiências em com um . Am bos expressa­


ram a convicção de que a oposição à postura que adotaram é “irracional” e
declararam que acreditam que “Deus está fazendo um a coisa histórica, algo
novo na cultura e com as pessoas religiosas”.11 O argum ento teológico do
apóstolo Paulo é tudo, menos “irracional”. Ele é apresentado em três passos
lógicos, da teologia à espiritualidade, da espiritualidade à sexualidade. Preci­
samos exam inar de m odo mais profundo esse sermão “apostólico”.

Rom anos 1.18-32: O Ensino de Paulo acerca do H om ossexualism o

Paulo trata de três áreas essenciais da vida religiosa hum ana, m encio­
nando três m udanças que levam bem a fundo a questão que ele está tra­
tando. A escolha de Paulo de três repetições segue, sem dúvida, o padrão
bíblico de três, significando totalidade e perfeição. (Por exem plo, os
querubins dizem de Deus, “Santo, santo, santo”, proclam ando o estado
absoluto de santidade.)
Paulo faz um a lista de três m udanças em três áreas im portantes:

1. Teologia (Rm 1.23): “M udaram a glória do Deus incorruptível em


sem elh an ça da im agem de h o m em co rru p tív el, bem com o de aves,
quadrúpedes e répteis”.
2. Espiritualidade (Rm 1.25): “Eles m udaram a verdade de D eus em
m entira, adorando e servindo a criatura em lugar do C riador”.
3. Sexualidade (Rm 1.26): “As mulheres m udaram o m odo natural de
suas relações íntim as por outro, contrário à natureza”.

Essas m udanças viram a criação de cabeça para baixo. Essas m udanças


são apostasia radical nas áreas essenciais da teologia, da espiritualidade e da
sexualidade. O s pagãos claram ente vivem essas m udanças, com o Paulo lem ­
bra aos cristãos efésios.12 Mas é tam bém um a possibilidade triste para o
povo especial de Deus de acordo com o Salmo 106.19,20 ao qual Paulo
alude no versículo 25. O Salmo diz: “Em H orebe, fizeram um bezerro e
adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo sim u­
lacro de um novilho que come erva”. Um a noção sem elhante é encontrada
em Jeremias 2.11: “H ouve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto
que não eram deuses? Todavia, o m eu povo trocou a sua G lória por aquilo
que é de nenhum proveito”. O correm problem as quando se troca a verda­
deira perspectiva de Deus por um a perspectiva falsa.
A m orte do sexo 141

Teologia: Q uem é Deus?

A ira de D eu s se revela do céu co n tra to d a im p ied ad e e perversão dos


hom ens que d etêm a verdade pela injustiça... p o rq u a n to , te n d o co n h ecim en to de
D eus, não o glorificaram com o D eus, nem lhe d eram graças; antes, se to rn aram
nulos em seus pró p rio s raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração in sen sato .13

Paulo com eça com um a declaração poderosa acerca da pessoa de Deus


(teologia certa) e acerca dos pensam entos falsos da hum anidade sobre Deus.
A natureza divina de Deus antecede toda a realidade criada, e seu poder
eterno decide quais coisas existem e com o elas se relacionam com ele. (Todo
o capítulo 6 foi dedicado a essa perspectiva de Deus.) O sermão do bispo
Griswold não tem lugar para essa perspectiva, conquanto ela seja o ponto
de partida de Paulo do qual fluem todas as outras coisas. Esse fato da exis­
tência separada, divina, poderosa e anterior estabelece quem somos com o
seres hum anos dependentes e criados. Para as criaturas, esse tipo de relaciona­
m ento correto com Deus envolve reconhecer a distinção essencial que deve
ser preservada entre o C riador soberano e a criatura dependente, muitas
vezes m encionada com o a distinção entre C riador e criatura.
A essência do pecado hum ano é a recusa de se h onrar essa distinção.
“O s h o m e n s... detêm a verdade [pura] pela injustiça.” 14 O que é a verdade
pura? E o que se pode conhecer sobre Deus com o o C riador soberano. Está
escrito na estrutura da criação e é parte da im agem de D eus que todo ser
hum ano carrega. Mais tarde em Rom anos, Paulo descreve o pecado de Adão
com o “desobediência”,13 e quando lemos Gênesis sabemos que a desobedi­
ência foi a recusa de Adão de reconhecer o direito de D eus de instituir os
term os para se viver no jard im .16 Esse é o pecado mais im portante e antigo,
o paradigm a de todo o restante. Em princípio, o que aconteceu quando
Adão e Eva transgrediram a distinção entre C riador e criatura havia se tor­
nado, já na época de Paulo, um dilúvio de religiões pagãs que suprim iam
essa verdade e m udavam a natureza em Deus. A rebelião de Adão e Eva é a
m uda que se desenvolve plenam ente até chegar aos sistemas com pletos do
paganism o que nega a Deus.
O problem a hum ano é teológico, conhecer (mas rejeitar) a verdade
acerca da identidade de Deus. O senso agudo de desordem no universo
ocorre com a rejeição ao Deus da revelação bíblica. D e acordo com R om a­
nos 2.8 há um a conseqüência final e triste para essa desobediência.
O s efeitos dessa m udança teológica são vistos no foco do hom em nes­
sa espiritualidade m undana e idólatra.
142 O Deus do sexo

Espiritualidade: Temos de Servir a Alguém

“In c u lcan d o -se p o r sábios, to rn aram -se loucos e m u d a ra m a glória do


D eu s in co rru p tív e l em sem elh an ça da im agem de h o m e m c o rru p tív e l, bem
c o m o de aves, q u ad rú p ed es e ré p te is... eles m u d a ra m a verd ad e de D eu s em
m e n tira , a d o ra n d o e servindo a criatu ra em lugar do C riad o r, o q u al é b e n d ito
e tern am e n te . A m ém !” 17

O s seres hum anos, criados à imagem de Deus, são espirituais. Esse é o


m odo que Deus nos fez. A real linha de divisão, tanto então quanto agora,
não é entre ateus e “pessoas de fé”, mas entre dois tipos contrários de “fé”.
Compromisso Total
Q u a n ta espiritualidade têm aqueles que Paulo descreve? Ele declara
que aqueles que rejeitam a Deus apesar disso “adoram e servem” outros
objetos de veneração religiosa.18 Esses são termos fortes. Sua expressão “ado­
ração” ocorre de novo em Atos quando ele descreve “a grande deusa, D ia n a ...
m ajestade daquela que toda a Ásia e o m undo adoram ”.19 Esse term o para
adoração é às vezes traduzido com o “tem or” religioso.20
O segundo term o, “servir”, é usado no A ntigo Testam ento para des­
crever o serviço dos levitas no Templo. O papel deles é “servir”, ou literal­
m ente “m inistrar”.21 O mesmo term o ocorre em Rom anos 12, em que Paulo
fala do “culto racional” [ou adoração espiritual] do crente.22 Repare que a
frase com binada “adoração... servir” ocorre em outras partes na Bíblia como
um a declaração de devoção total.23
Sem levarmos em consideração se estamos falando sobre adoração
verdadeira ou falsa, o que estou querendo dizer é que esse tipo de adoração
verdadeira é total e exclusiva. Em ambos os casos é adoração do coração.
Em sua devoção e comprom isso, ambos os grupos são desconcertantem ente
os mesmos; nos objetivos de sua veneração os dois estão em total contradi­
ção. U m é “a m entira” ou “engano”;24 o outro é “a verdade”. U m adora a
criação; o outro adora o C riador que é bendito eternam ente.
O bispo G risw old não apreciaria ser cham ado de pagão, mas com ­
pare a declaração dele com as palavras de um a sacerdotisa da deusa Sofia.
C aitlín M atthew s, que se declara paga, diz que Sofia (outro nom e para
Isis) é a salvadora divina que “nos livrará da ilusão da d u alidade”.25
M atthew s e G risw old concordam com a definição paga de D eus — ele
deve ser en contrado no nosso interior; ele está além do certo e errado, da
verdade e da m entira.
A morte do sexo 143

A Verdade e a M entira

Negar a distinção entre C riador e criatura é a essência da m entira


pagã. Ao m undo caído vem a noção de verdade e erro. N o centro da fé
bíblica estão essas duas escolhas. Josué confronta Israel com estas palavras
memoráveis: “Escolhei, hoje, a quem sirvais”.26
Essa é a m esm a desobediência corajosa evidenciada nas decisões de
Sadraque, M esaque e Abede-Nego que se recusaram a adorar o rei pagão
N abucodonosor porque eles não podiam servir e adorar “a qualquer outro
deus, senão ao seu D eus”.27 A exclusividade das afirmações cristãs é tão
antiga quanto a Bíblia, e Jesus fez um a diferença clara entre Deus e M am om
(coisas terrenas),28 o reino de Deus e o reino de Satanás,29 o cam inho estrei­
to para a vida e o cam inho largo para a destruição.30
A missão de Paulo ao m undo pagão expõe as linhas divisórias contrá­
rias entre as religiões de sua época e o evangelho de Cristo. Paulo afirma a
antítese, não para ser ofensivo, mas para ser lúcido e claro de m odo que as
pessoas pudessem crer na verdade e serem salvas. Ele coloca em contraste
forte dois sistemas opostos que ele chama a verdade ou a m entira,31 justiça
e injustiça, luz e trevas.32
O resultado lógico da espiritualidade pagã é adoração da criação e
do ego. Paulo diz isso num a linguagem que poderia ter sido escrita hoje:
“Inculcando-se por sábios, tornaram -se loucos e m udaram a glória do Deus
incorruptível em sem elhança da imagem de hom em corruptível, e de aves,
quadrúpedes e répteis”.33

Imagem Esculpidas Então e Agora

O pensam ento é insensato porque começa a partir de um a premissa


falha; porém , saindo dessa premissa, a lógica é implacável. A crença no
C riador transcendente im plica num tipo específico de espiritualidade. Pelo
fato de que Deus é separado da ordem criada, segue-se que “N ão farás para
ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos
céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”.34
A crença na natureza tem sua própria expressão espiritual. A crença
na divindade da natureza significa que o paganism o está in u n d ad o de
im agens de coisas criadas. Im agens esculpidas se acham nos altares de
Baal, o deus da fertilidade.35 Toda vez que o paganism o lhe provoca te n ­
tação, Israel faz “ídolos detestáveis”.36 A m udança é tão inevitável com o é
no final das contas insensata.
144 O Deus do sexo

As imagens gravadas estão voltando. As palavras de Paulo sobre esse


assunto têm um a aplicação consideravelmente m oderna. A história antiga
é nossa história na m edida em que a espiritualidade do passado é redescoberta
no nosso presente. T hom as Berry, um padre católico rom ano apóstata e
um dos líderes do reavivamento do paganism o em nossa época, crê que a
tarefa da hum anidade m oderna é se ligar novam ente à espiritualidade dos
tem pos antigos. “As tradições hum anas mais antigas”, diz ele, “experim en­
tavam um a intim idade profunda com o m undo n a tu ra l... N ós deixamos
essa in tim idade.37 Esse relacionam ento encontrou expressão visível nas es­
culturas de totens”.38 Em linguagem clara, isso é adoração de ídolos. C om o
Berry, mais e mais intelectuais sofisticados do século 21 estão adorando
“esculturas totêm icas”, isto é, ídolos feitos pelas mãos do hom em .
Isso vai ainda mais longe. N a psicologia (ocultista) transpessoal m o­
derna, os que procuram espiritualidade profunda experim entam um a “co­
nexão com os animais, plantas e forças elementares da natureza”.39
Tudo isso indica que as duas visões de m undo espirituais oferecidas —
o paganism o e o teísmo — são tão antigas quanto os m ontes e que as
batalhas teológicas do passado são agora as nossas batalhas de hoje. Essas
duas visões de m undo “eternas” se opõem um a à outra no presente com o se
opuseram no passado porque são os únicos dois m odos puros e m u tu am en ­
te exclusivos de conceber a espiritualidade — a adoração da criação ou a
adoração do C riador.40
E m p arte algum a essa questão é m ais clara do que no d ebate sobre
a sexualidade.

Sexualidade: H om em e Mulher

“Por causa disso, os entregou D eus a paixões infames; p o rq u e até as m u lh e­


res m udaram o m odo natural de suas relações íntim as por outro, co ntrário à n a tu ­
reza; sem elhantem ente, os hom ens tam bém , deixando o contacto natural da m u ­
lher, se inflam aram m utuam ente em sua sensualidade, com etendo torpeza, ho­
m ens com hom ens, e recebendo, em si mesmos, a m erecida punição do seu erro.”41

U m im portante estudioso do Novo Testam ento diz: “Se... há um a


única passagem do Novo Testam ento que claram ente retrata a prática
hom ossexual com o sinal do distanciam ento da h um anidade de Deus, o
C riador, [é essa]”.42 A “teológica” é impecável. Isso não é um a oposição
“irracional” ao program a homossexual. É a racionalidade de um universo
teístico. Aqueles que rejeitam o Criador tam bém rejeitam a noção da ordem
A morte do sexo 145

“natural” criada. Se não há Criador, não há nenhum a norm a e/ou limite.


Tudo evolui, inclusive o sexo. As pessoas são livres para seguir suas próprias
paixões e lascívias. A hom ossexualidade destrói a separação heterossexual
que Deus colocou entre hom em e m ulher, turvando os limites. A junção
dos opostos que Deus separou é tanto um a rejeição radical das norm as da
criação quanto um a expressão espiritual poderosa de rebelião m onista pagã.
O professor R ichard Hays vê a referência deliberada em Rom anos ao
prim eiro casal heterossexual de Gênesis 1, e com enta: “Por meio de con­
traste fo rte... Paulo retrata a conduta homossexual com o um ‘sacram ento’
[por assim dizer] da anti-religião dos seres hum anos que se recusam a h o n ­
rar a Deus com o criador: é um sinal eterno e visível de um a realidade inte­
rior e espiritual, [declarando] m ediante a ‘desonra de seus corpos’ a condi­
ção espiritual daqueles que ‘m udaram a verdade de Deus em m entira”’.43
A partir do m odo em que Paulo argum enta em R om anos 1.18ss, pa­
rece evidente que essas questões acerca de Deus e do m undo, acerca de
adoração de ídolos e da atividade sexual física pervertida são questões eter­
nas. Paulo incorpora toda a cosmovisão do Antigo Testam ento à m edida
que desenvolve esse argum ento teológico. E ele não é o único a agir assim.
Os rabinos, dos quais ele era um , já tinham essa conexão profunda entre a
ordem física criada e a perversão pagã. N o Testamento de Levi lemos:

Sol, lua e estrelas não alteram sua ordem ; assim vocês não devem alterar a lei
de D eus pela desordem de suas ações. O s gentios, pelo fato de que se afastaram do
cam inho e ab an d o n aram o Senhor, m udaram a ordem e se dedicaram a pedras e
paus, m odelando-se de acordo com espíritos que vagam. M as vocês, meus filhos,
não serão assim: n o firm am ento, na terra e no mar, em todos os produtos de sua
m ão-de-obra discirnam o S enhor que fez todas as coisas, de m odo que vocês não se
tornem com o Sodom a, que m udou a ordem da natureza.4'1

Paulo descreve as relações sexuais homossexuais e lésbicas com o sendo


“contrário à natureza”;45 Judas fala de “outra carne”.46 Eles não acham lugar
algum para o que não é natural e é estranho na criação organizada de Deus.
Am bos os autores bíblicos predizem conseqüências devastadoras.47
Paulo, com o um teólogo cristão judeu, está fazendo declarações gerais
sobre a pessoa do Criador e a natureza da criação. C om o os rabinos anterior­
m ente citados, Paulo identifica a interseção da sexualidade pervertida, a
teologia falsa e a espiritualidade idólatra. Seu texto diz: “Por causa disso, os
entregou D eus a paixões infam es”.48 A razão im ediata para a perversão
sexual é a adoração da criatura em vez do C riador.49 Para Paulo, a conclusão
lógica é que, um a vez que adoram os a criatura, qualquer coisa é possível,
146 O Deus do sexo

até práticas que são “contrárias à natureza”. U m a vez que a criatura se torna
deus, ela tem de definir o que é normal.
Essa referência à criação é sem dúvida o m otivo por que Paulo usa os
term os “m acho” e “fêmea”, em vez de “hom em ” e “m ulher” [Assim na ver­
são da Bíblia usada pelo autor. Na versão AR nessa passagem aparece “h o ­
m ens” e “m ulheres” —n.r.].50 Paulo im plicitam ente nos rem ete de volta ao
com eço quando tudo — inclusive as distinções sexuais — foi feito “bom ”.
A passagem de Gênesis diz: “E criou D eus o hom em à sua im agem ; à
im agem de D eus o criou; macho e fêm ea os criou”.51 [ A versão A R traz,
em G n 5.1,2: “Deus criou o hom em , à semelhança de Deus o fez; hom em
e m ulher os criou” - n.r.] As proibições do Antigo Testamento contra a ho­
mossexualidade masculina tam bém usam o termo “macho”.52 [Na AR apare­
ce a tradução “hom em ” —n.r.] Jesus cita essa passagem fundamental de Gênesis,
inclusive os term os “macho” e “fêmea” [na versão AR, “hom em ” e “m ulher”
—n.r.] para estabelecer o caráter do casamento que Deus ordenou — “des­
de o princípio”.53 Essa é a única vez que esses term os são usados por Jesus.
Paulo usa “m acho” e “fêmea” apenas outra vez: quando ele declara que nada
— nem m esm o o sexo criado — pode ser usado para obstruir um a pessoa
de fazer parte do corpo de C risto.54 [Na AR, “hom em ” e “m ulher” - n.r.] Aí
ele explicitam ente com para o sexo “natural” entre m acho e fêmea com o
sexo “contrário à natureza” entre macho e m acho e fêmea e fêm ea.55
U m paralelo interessante ocorre entre os versículos 25 e 26. N o
versículo 25, Paulo fala sobre “m udar” “a verdade” em “m entira”. No versículo
26 ele fala sobre “m udar” “o m odo natural” por aquilo que é “contrário à
natureza”. Esse verbo ocorre apenas quatro vezes ao longo de toda a Bíblia:
duas vezes no A ntigo Testam ento e duas vezes no N ovo.56 Temos assim um
verbo incom um e term os técnicos para m acho e fêmea, organizados num
tipo de paralelism o literário. A verdade m udada em mentira representa a
derrubada da noção essencial do m odo com o as coisas realm ente são: a
criatura tom ando o lugar do Criador. N o plano sexual, a ordem natural
criada é derrubada e a não-natural e pervertida é colocada em seu lugar.
U m a vez mais, a sexualidade reflete a teologia.

Será que Paulo é Homófobo?

Por que Paulo trata a homossexualidade de m odo diferente? N a m ente


dele, a hom ossexualidade tem ligação profunda com a religião pagã. (Veja
o C ap ítu lo 4.) Toda deslealdade a Deus, ele argum enta, produz pecado
A m orte do sexo 147

h u m an o (veja os vs. 28-32), inclusive, na esfera sexual, o adultério hete­


rossexual e a fornicaçao. N inguém escapa disso. “Todos pecaram e care­
cem da glória de D eus.”57 Todos, inclusive os m oralizadores que julgam
os outros a partir de posições de superioridade moral, são “indesculpáveis”.58
E ntre os pecadores, D eus não tem favoritos. A ira de D eus cai poderosa­
m ente sobre os hipócritas, que em seu estilo de vida exterior parecem
bons, mas d entro têm profundas falhas.59 “Assim com o po r um só h o ­
m em en tro u o pecado no m undo, e pelo pecado, a m orte, assim tam bém
a m orte passou a todos os h o m en s.”60
C ontudo, a “m udança” radical da religião pagã, que nega totalm ente
o C riador e coloca a obra que ele criou no lugar de Deus, resulta na extrema
desordem sexual da hom ossexualidade e produz “um a cultura de m orte”.
Nessa passagem, Paulo não está falando sobre pecadores individuais, mas
sobre cosmovisão, sobre as implicações da sexualidade para a teologia, e
vice-versa. Im plícito aí está o argum ento de que a fornicação heterossexual,
em bora igualm ente pecam inosa, fa z uso impróprio da estrutura divinam en­
te organizada da diferença sexual. A hom ossexualidade, po r outro lado,
trata essa desordem com total desprezo e nega, n u m âm bito principal, o
significado da diferença e do lugar do Criador. É, assim, a recusa absoluta
da vida da criação.
N a nossa época, convencidos do progresso inevitável das liberdades
hum anas e cívicas, os tribunais estatais declaram o casam ento gay um direi­
to constitucional. De um ponto de vista bíblico, essa ação subverte um a das
partes fundam entais da criação. Essa ação — em bora sem dúvida m otivada
em parte por intenções nobres — destrói a cosmologia bíblica. Já que o
casamento heterossexual reflete o caráter do Deus triúno, tanto como Cria­
dor61 com o R edentor,62 a legalização do casam ento gay efetivam ente ani­
quilará mais um sinal da obra de Deus dos bancos de m em ória da cultura
m oderna. Se a nova espiritualidade prom ete “reinventar o hum ano no ní­
vel da espécie”63 (que no passado era crido ser a prerrogativa exclusiva de
Deus), a norm alização da homossexualidade efetivam ente contribuiria para
o projeto — o novo hom em com o andrógino.64
A exatidão da análise de Paulo mais um a vez com provou estar certa
em nossa época com o aum ento sim ultâneo da espiritualidade pagã e da
hom ossexualidade espiritual e m ilitante. Essa conexão não passou desper­
cebida para Paulo. N ão deveria passar despercebida para nós. Se, como
argum enta Paulo, a hom ossexualidade reflete no plano sexual a espirituali­
dade e a religião do paganism o, dá para se concluir com certeza que a
148 O Deus do sexo

heterossexualidade m onógam a no plano sexual refletiria algo da imagem


de D eus na hum anidade e assim a religião do teísmo bíblico.65

A Queda da Heterossexualidade

M as, aí, a heterossexualidade tam bém está caída. A bela janela de vi­
dro colorido da sexualidade hum ana foi quebrada de um m odo que quase
não dá para consertar. Se a criação é um a rede de integração de elem entos
espirituais e físicos separados mas organicam ente relacionados, qualquer
coisa diferente inclinará o sistema inteiro. O hom em é a coroa da criação
de D eus e a intim idade entre o hom em e a m ulher no casam ento reflete a
própria intim idade de Deus com o hom em . O m elhor lugar para se com e­
çar a desm antelar a criação é seu elem ento mais belo: a sexualidade hum a­
na. A m orte do sexo começa com a desordem heterossexual.
N o com eço não há anorm alidade sexual alguma: “O ra, um e outro,
o h o m em e sua m ulher, estavam nus e não se envergonhavam ”.66 N ão foi
nem a Bíblia nem os cristãos ortodoxos que associaram o sexo físico à
queda. Pelo contrário, a Bíblia confirm a o caráter nobre do papel de mãe
e da gravidez.67
A queda do sexo começa não com o sexo “contrário à natureza”, mas
com a recusa de se aceitar os papéis de gênero sexual.68 Adão, que foi divi­
nam ente nom eado “cabeça” de sua esposa69 bem com o seu protetor e pro­
vedor, perm anece ali passivamente observando enquanto Eva cai na tenta­
ção da Serpente.70 Eva, criada do lado de Adão, para estar ao lado dele como
“auxiliadora”, de m odo independente tom a a sua própria decisão infeliz de
m udar as condições do Éden.
Parte da queda é a queda do próprio sexo. O hom em e a m ulher
foram criados para a unidade.71 Os dois sexos m utuam ente apóiam um ao
outro na divina vocação de encher a terra. Essa unidade heterossexual tem
raízes na própria natureza de Deus. Pois exatam ente com o Deus quer ex­
clusividade em nossa com unhão com ele, ele cria um reflexo dessa exclu­
sividade no relacionam ento sexual hum ano do casamento. O pecado que­
bra o padrão, e o relacionam ento começa a se fragmentar. Eva seduz seu
m arido a desobedecer.72 Adão culpa sua esposa.73 Eva culpa a serpente.74
O resto é história hum ana caída.
N o A ntigo Testam ento depois da queda, o adultério, a prostituição, o
concubinato e a poligam ia m arcam até mesmo a vida sexual de Israel. Paulo
se refere às nações gentias com o aqueles que “se entregaram à dissolução
A m orte do sexo 149

para, com avidez, com eterem toda sorte de impureza”.75 O objetivo de Deus
para a hum anidade é “santidade”, não im pureza”,76 mas seu próprio povo
tanto no A ntigo quanto no Novo Testam ento sofre da queda do sexo.
Paulo ainda terá de dar m uito aconselham ento sexual nas igrejas que
ele estabelece. Ele lida com um cristão que tem o orgulho de dorm ir com a
esposa de seu pai77 e lida com crentes que estão tendo sexo com prostitu­
tas.78 (Q uantos estudantes de seminário hoje têm esse tipo de pessoas como
seu objeto de ministério?) “O u não sabeis que o hom em que se une à pros­
tituta forma um só corpo com ela? Porque, com o se diz, serão os dois um a
só carne.”79 Para Paulo, a com unhão sexual com um a prostituta distorce de
tal m aneira o casam ento heterossexual que não mais conseguim os reconhe­
cer o dom bom e satisfatório de Deus. Junta o que Deus ordenou fosse
m antido separado — um hom em com um a m ulher que não é sua esposa.
Essas distorções são com uns no nosso m undo. Experim entam os obsessão
sexual descontrolada, sexo com o fastfood, a vida com o um constante orgas-
m o físico, e o sexo tirado de seu devido lugar de integração pessoal holística
e empregado para o prazer individual. Esse desequilíbrio obsessivo certa­
m ente semeia as sementes da desintegração moral.
Paulo repudiaria os sentim entos do poeta budista Saraha: “G ozando o
m undo dos sentidos, ficamos incontam inados pelo m u n d o dos sentidos.
Apanham os a flor de lótus sem tocar a água”.80 N a verdade, não dá para
apanhar um a lótus sem nos molhar. A união sexual não nos deixa intocados,
mas nos envolve n u m projeto com um e num a cosmovisão com um . H o r­
rendo é o estado de um cristão que se m ete com a prostituição, pornografia
ou outras perversões sexuais. Paulo adverte contra o poder dos pecados
sexuais — que são pecados “contra o próprio corpo”81 — com o sendo uma
combinação particularm ente potente em que “espírito, alma e corpo”82 estão
inteiram ente envolvidos no projeto da desobediência.83 Paulo não é do tipo
que subestim a o poder da união física, quer para o bem ou para o m al.84 Os
frutos desse estilo de vida são evidentes: divórcio abundante, rejeição ao
casam ento e coabitação sem comprom isso. C om o cultura, estamos b rin­
cando com fogo —■m oral e eterno.

D eus O s Entregou — D e Novo

Aqueles que seguem sua própria rebelião contra as estruturas de Deus


sofrerão os efeitos. D e novo, Paulo oferece um conjunto de três term os em
Rom anos 1.18—27. Três vezes, Deus “os entregou”:
150 O Deus do sexo

1. R om anos 1.24: Deus os entregou à im undícia.


2. R om anos 1.26: Deus os entregou a paixões infames.
3. Romanos 1.28: Deus os entregou a uma disposição mental reprovável.

Essa declaração bíblica tripla é um a advertência solene de m orte físi­


ca, juízo extrem o e m orte espiritual final.85 O ato de entreter a apostasia
leva um a alm a ao lugar perigoso além da m isericórdia de Deus. Fazer essas
três m udanças é um a afirmação insistente de descrença, atraindo três ho r­
rendas declarações de juízo final. De acordo com a Bíblia, os idólatras per­
m anecerão um dia diante do C riador como Juiz,86 quando a santidade que
Deus requer for o único padrão para a vida eterna com ele.
Deus podia ter trazido juízo final logo que Adão e Eva pecaram , mas
ele reteve sua ira e prom eteu redenção. As tão chamadas m aldições de
Gênesis87 eram realm ente meios misericordiosos para sustentar a vida h u ­
m ana. Adão foi am aldiçoado em seu papel com o protetor e provedor, mas
a terra produziria alim ento para o prim eiro casal hum ano. Eva foi am aldi­
çoada em seu papel com o ajudante e mãe da raça, mas a vida continuou.
Por causa do pecado, os papéis seriam difíceis, mas no m eio das maldições
veio a prim eira cham ada fraca da trom beta do evangelho: “Porei inim izade
entre ti e a m ulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te
ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.88 Im ediatam ente depois das
m aldições, Adão, em esperança, cham ou sua esposa Eva de “a m ãe de todos
os seres hum anos”.89
T enho tanto boas quanto más notícias. As más notícias são que por
causa da queda, no sustento da vida criada, o casam ento heterossexual de
“um a carne” é difícil, com o a vida em geral. Todas as nossas dificuldades no
final das contas derivam da “impossibilidade” da unidade e união de seres
hum anos pecadores e egoístas com o Deus de santidade ardente. Nossa
autonom ia aparente do Deus que nos fez deixa esse relacionam ento mais
fundam ental em farrapos, de m odo que todos os outros relacionam entos,
principalm ente o casam ento, tendem a se desintegrar tam bém . N ão dá para
que dois pecadores egoístas possam ser bons candidatos para a extensão
plena da intim idade de um a carne.
As boas notícias são que há vida depois da queda. O sexo santo foi
designado para nos atrair a nosso C riador santo. O anúncio de m orte se
transform ará em anúncio de casamento. Pois em bora nós, com o o sexo,
enfrentem os a desintegração, o C riador é tam bém o Redentor. Assim, exa­
tam ente com o C risto, o Redentor, traz reconciliação para dois povos irre-
A m orte do sexo 151

conciliáveis, judeus e pagãos, e os torna um na igreja, assim tam bém Cristo


reconcilia hom ens e mulheres pecadores e os torna “um a carne” na santa
instituição do casamento. Em outras palavras, o sexo bíblico tem um futuro.

Temas para Debate

• Independentem ente de o objeto da adoração ser verdadeiro ou falso,


por definição a adoração é total e exclusiva e envolve o coração.
• Aqueles que rejeitam o C riador tam bém rejeitam a noção da ordem
“natural” criada. Se não há Criador, não há norm as ou lim ites. As pessoas
são livres para seguir suas próprias paixões e lascívias.
• Exatam ente com o Deus quer exclusividade em nossa com unhão com
ele, ele cria um reflexo dessa exclusividade no relacionam ento sexual hum a­
no do casamento.
Capítulo 9

S exo R e n a s c id o
e o F uturo

M eias A inda nos Sapatos

Coelhos coloridos, ovos de chocolate e cartões com mensagens espe­


ciais são a única versão de Páscoa que algumas pessoas chegam a conhecer.
Mas esses sím bolos não têm nada a ver com a verdade da ressurreição.
N ão havia n en h u m ovo no ninho, por assim dizer. A prim eira busca
da Páscoa não teve sucesso — não havia nenhum corpo no túm ulo. Três
dias depois de Jesus ter m orrido nas mãos dos carrascos rom anos, apareceu
um a inexplicável rachadura no universo físico que, em outros sentidos, é
previsível, e o m ovim ento cristão começou com um a m ensagem incrivel­
m ente boa, em bora perturbadora. Pela prim eira e única vez na História,
um cadáver voltou à vida com um novo tipo de corpo.
Ao redor da mesa de jantar, m inha família e eu chegamos, em nossa
leitura, ao C apítulo 20 de João, o relato surpreendente da ressurreição.
Expliquei que o m ilagre do túm ulo vazio era realm ente o milagre das vestes
vazias do túm ulo, por causa do m odo que João descreve o acontecim ento.
Os dois discípulos vêem duas peças de vestes do sepultam ento no chão, no
lugar em que o corpo havia estado. Eles vêem a m ortalha no lugar do corpo
e o sudário ainda na form a de um círculo no chão, onde a cabeça havia
estado. Para ilustrar, sugiro o quadro de um chefe mafioso m orto deitado
na laje de um necrotério m unicipal, vestido em seu terno escuro, chapéu
preto e sapato preto-e-branco. O corpo havia atravessado as vestes sem
desarrumá-las — o paletó ficou em seu lugar e o chapéu em seu lugar onde
a cabeça havia estado. M eu filho mais novo, Toby, ao perceber o que eu
estava tentando dizer, im ediatam ente acrescentou: “e as meias ainda esta-
vam nos sapatos”. É isso mesmo! Jesus não se levantou e de m odo organiza­
do dobrou as roupas com as quais havia sido sepultado. Pelo poder incrível
da ressurreição, seu novo corpo as atravessou, com meias e tudo!
154 O Deus do sexo

U m Jesus Nascido de Novo

O s cristãos prim itivos entenderam que um milagre exclusivo e “cós­


m ico” havia ocorrido naquele túm ulo de jardim no dom ingo de m anhã. O
h om em novo, o Jesus ressurreto, por um ato de Deus havia se tornado um
protótipo de coisas maiores e melhores para o futuro — não só para eles,
mas tam bém para toda a criação.
Porém , aí, a m ensagem cristã foi rebaixada a um a pura simplificação.
Engolim os a “pílula do evangelho” — um a versão curta e personalizada do
evangelho em que Jesus m orre por mim e me arrebatará dessa confusão
terrena. Falamos sobre nascer de novo e pensam os pouco sobre o que isso
significa para o universo. A verdade é que o evangelho é boas notícias não
só para a nossa salvação pessoal, mas tam bém para a futura purificação e
transform ação espetacular de todo o universo, comparável em abrangência
ao acontecim ento cataclísmico original da própria criação. Se o R edentor é
o C riador de todas as coisas materiais, então a ressurreição tem de ser física
e o túm ulo tem de estar vazio. N a ressurreição do seu corpo físico, Jesus
nasceu de novo. Essa é um a fórm ula rara, mas inteiram ente bíblica.1 E n­
quanto o sangue de Cristo purifica do pecado, sua ressurreição física asse­
gura um universo físico renovado.2
As religiões têm um a visão am pla e otim ista do futuro. O desejo de
um “final feliz”, com o dizem os franceses, parece inato dentro do coração
hu m an o . A té m esm o os Beatles “im aginaram ” que podiam “aprim orá-
lo”. M uitos pensadores esperam por um a “utopia”, um a sociedade idílica
em que tu d o é perfeito. M as o exterm ínio de H itle r dos ju d eu s ou a
destruição arb itrária de vidas provocada pelos terroristas que lançaram
aviões com erciais co n tra o W orld Trade C e n te r envia u m c h o q u e de
realidade em to d o o m u n d o . N o contexto da Segunda G u erra M u n d ial,
C . S. Lewis disse:

Se tín h am o s tolas esperanças acerca da cu ltu ra h u m a n a, elas estão agora


estilhaçadas. Se achávam os que estávamos co n stru in d o u m céu na terra, se está-
vam os p ro cu ran d o algo que transform aria o m u n d o atual de um lugar de pere­
grinação n u m a cidade p erm an en te que satisfaria a alm a do h o m em , estam os
decepcionados, e na hora exata. Em tem pos norm ais só os sábios percebem isso.
A gora [no tem p o da guerra] os mais bobos en tre nós sabem disso.3

Q uan d o a paz volta, rapidam ente nos esquecemos desses lembretes da


incapacidade da hum anidade de consertar as coisas.
Sexo renascido e o futuro 155

Utopia — a Grande Tentação

T h o m a s M o in ar, um teólogo católico ro m a n o , p ro p õ e que “o


utopianism o é a tentação original”.4 Ele quer dizer: se eu o entendo corre­
tam ente, que seres hum anos pecadores crêem que podem consertar a pró­
pria confusão que criaram . Q uanto à tentação original, a Serpente tira van­
tagem do fato de que a criação, m esm o antes do pecado, não é a condição
m áxim a que Deus pretende para o universo. O final da provação de Adão e
Eva dificilm ente é um a bem -aventurança eterna. Talvez parte do poder e
sutileza dessa tentação fosse incentivar nossos prim eiros pais, que tinham
todas as coisas colocadas sob seus pés,5 a crer que eles, em sua força criada,
poderiam gerar um a perfeição utópica (um a boa coisa em si) independen­
tem ente de Deus (que é a essência do pecado), Satanás em pregou a mesma
técnica quando ten to u Jesus, o últim o Adão, no deserto. F uncionou um a
vez, use-a de novo! Insistindo na m eta desejável de perfeição dos últimos
tem pos, o T entador propõe que Jesus tom e posse de todos os reinos da terra
e crie um a utopia terrena cum prida e unificada. O único requisito secun­
dário (!) é que o segundo Adão tem de se prostrar diante dele do mesmo
m odo que o prim eiro Adão havia feito. Jesus se recusa. Ele sabe que ir para
a cruz é o único m odo de elim inar esse pecado original de Adão e criar com
êxito a utopia de Deus do m odo que Deus quer.

Renascimento — o Ultimo Ato de Deus, o Criador, Trazendo a Utopia

Todos sentem que a criação não está do m odo que deveria estar —
até m esm o os m onistas pagãos que afirm am crer que ta n to o yin q u an to
o yang tem cada um o seu lugar. M as a tentação é ain d a forte de se crer
que podem os red im ir o nosso m u n d o caótico em vez de se confiar em
D eus, o único que pode. F riedrich N ietzsche, filósofo cristão apóstata
do século 19, ex o rto u as pessoas de sua época: “R ogo-lhes, m eus ir­
m ãos, perm aneçam fié is a terra, e não creiam naqueles entre vocês que
falam de esperanças acim a deste m u n d o ”.6 O apóstolo Paulo discorda: “Se
a nossa esperança em C risto se lim ita apenas a esta vida, som os os mais
infelizes de todos os hom ens”.7 Paulo não é um escapista com esperanças
irrealizáveis. Ele sabe que só Deus, o C riador transcendente, é capaz de
p roduzir um a utopia cósm ica em que a m orte é d errotada e a criação é
transform ada. Só um a visão futura dessas proporções é digna de nossas
aspirações hum anas mais elevadas.
156 O Deus do sexo

O D eus que Cria É o Deus que Recria

T anto os antigos gnósticos quanto seus equivalentes m odernos crêem


que Deus, o Criador, é um incom petente e que só se chegará ao renascimento
m ediante “o deus por trás de Deus”. A Bíblia insiste em que o único Deus
— o D eus da criação — em preende a missão da redenção. A diferença
entre o paganism o e a Bíblia reside aí. De acordo com as Escrituras, Cristo,
o R edentor, é aquele pelo qual “foram criadas todas as coisas”.8 O R edentor
é o C riador, de m odo que o projeto de redenção em ana do Criador.
O cham ado de Paulo é “m anifestar qual seja a dispensação do m istério
[o evangelho], desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas”.9
O que sabemos acerca da nova criação vem da sabedoria e do plano do
Deus que criou todas as coisas em primeiro lugar. Essas são boas notícias.
N ão dá para se com prar um com putador reformado num a oficina de conser­
to de carros. Só se pode esperar a transform ação final do universo do pró­
prio C riador do universo.
Recuam os da m orte num instinto natural de m edo, revulsão e ira.
Nossa busca de drogas que produzam a juventude e possibilidades de
clonagem evidencia o nosso anseio profundo pelas boas notícias de que a
m orte foi conquistada. Porém, só dá para se alcançar a vida eterna por meio
da redenção pelo único que é capaz de fazer esse trabalho. Nosso problem a
não está na organização da nossa vida, mas na nossa m ortalidade. É por isso
que, “havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconci­
liasse consigo m esm o todas as coisas”.10
A Bíblia apresenta D eus com o o autor dos dois acontecim entos que
definem a história cósmica: (1) o acontecim ento passado da criação e
(2) o acontecim ento futuro de um a criação red im id a.11 Estávam os acos­
tum ados a pensar não só na criação, mas tam bém na redenção com o um
projeto passado, e n u m sentido im portante isso é correto. “C risto morreu
[tem po passado] pelos nossos pecados”; 12 “vós vos lavastes, mas fostes san­
tificados, mas fostes justificados em o nom e do Senhor Jesus C risto”. 13
Versículos tais com o esses constituem a rocha sólida da nossa salvação
assegurada por Cristo. Nele encontram os o C riador com o R edentor am o­
roso, e pela graça e por seu Espírito chegam os ao lar, ao universo “n a tu ­
ral”. M as o C risto ressurreto é um p ro tótipo do que virá, e assim a reden­
ção é tam bém e suprem am ente um fenôm eno fu tu ro que tem a ver com a
transform ação futura do universo inteiro.
Sexo renascido e o futuro 157

Renascimento — Um Acontecim ento Futuro

U m professor da University o f Oxford fez um a declaração impressio­


nante acerca do sentido da ressurreição de Cristo:

Pode-se dizer que seria possível, antes que C risto ressuscitasse dos m ortos,
que alguém ficasse p en san d o se a criação era u m a causa perdida; se a criatura agiu
de m odo sistem ático para se descriar, e consigo descriar o restante da criação, isso
significou que a o b ra-p rim a de D eus está tão defeituosa que não dá para se co n ­
sertar?... “M as, de fato, C risto ressuscitou d en tre os m o r to s ...” Esse fato exclui
aquelas outras possibilidades, pois no segundo A dão o p rim eiro é resgatado. N ão
foi p erm itido que o desvio de sua vontade descriasse o que D eus c rio u .14

C om o a ressurreição de Jesus mostra que Deus não desistiu do m undo


físico, então os m andam entos bíblicos de honrar a Deus com o nosso corpo
do mesmo m odo m ostram que Deus não desistiu do nosso corpo físico. A
redenção foi realizada por meio de um corpo físico. C om o diz Hebreus: “Por
isso, ao entrar no m undo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste; antes, um
corpo me formaste”.13 C om esse corpo, o próprio Jesus se deu pelos pecados
do m undo. Ele, “tom ando um pão, tendo dado graças, o p a rtiu ... dizendo:
Isto é o m eu corpo oferecido por vós”.16 A redenção adquirida por um corpo
redime o corpo e o presenteia com im portância presente e futura. A redenção
não é só perdão presente de pecados e bem -av en tu ran ça espiritual e
desencarnada no futuro. É a transfiguração do corpo, semelhante ao corpo
transfigurado do Jesus terreno.17 Na redenção, Deus exige o que é dele por
direito e gloriosamente o transforma, produzindo um a borboleta a partir de
um a lesma, por assim dizer. É por isso que, um dia, Deus nos chamará a
prestar contas “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”
Perm ita-m e repetir — a ressurreição física de Jesus declara um a verda­
de chocante: que Deus não desistiu da criação. Este m u n d o físico tem um
futuro glorioso, e o evangelho contém a boa palavra de Deus de que ele não
se esqueceu de sua criação.19

Deus Recriará do M esm o M odo que Criou

U m leopardo não m uda suas m anchas, nem D eus m uda sua natureza.
Deus recria do m odo que ele originalm ente criou.

D eus Criou e Recriará Miraculosamente

A criação original a partir do nada foi exatamente tão miraculosa quanto


a transform ação m áxima da criação. O m esm o Deus que operou milagres
158 O Deus do sexo

no com eço operará milagres no fim. A ressurreição do corpo é certam ente


o m aior milagre a ocorrer dentro de nossa história. Mas o m ilagre da cria­
ção para com eçar a história foi do mesmo m odo enorm e. Talvez seja por
isso que a “ciência das origens” tenha tido tanta dificuldade até agora de dar
um a explicação racional para o começo da vida física. O milagre conecta
esses dois acontecim entos cósmicos. A Bíblia coloca esses dois atos divinos
criativos no m esm o nível de grandeza. U m ato m iraculosam ente faz a cria­
ção; o outro m iraculosam ente o transfigura.

D eus Criou e Recriará com Ordem

A criação sempre inclui a ordem e a coerência com que foi prim eira­
m ente com posta. Observam os que, ao criar, Deus separou as coisas, p ro d u ­
zindo um a estrutura organizada. Ele transform a o caos em universo, distin­
guindo entre luz e escuridão, terra e mar, m acho e fêmea. É assim, com o
anteriorm ente argum entei, que Deus santificou a sua obra, separando cada
coisa da outra em seu próprio lugar. Essencial para a vida hum ana nessa
ordem santa é a diferença entre macho e fêmea. Na redenção, Deus não
m uda. D e acordo com o Novo Testam ento, Deus é ainda um D eus de
o rd em ,20 e nessa m esm a ordem a redenção será alcançada. Deus com o
Recriador do universo ainda m antém a sua natureza com o Deus. Q uando
falamos da diferença entre C riador e criatura, tem os tam bém de falar da
diferença entre Recriador e criatura transform ada. Q ue contraste diante do
nirvana do paganismo! Fritjof Capra, físico da Nova Era, descreve o estado de
consciência “em que todos os limites e dualismos foram transcendidos e toda
individualidade se dissolve na unidade universal sem diferenciação”.21 De
acordo com as Escrituras, haverá diferenciação. Deus com o C riador sempre
será reconhecido no céu como distinto e digno de louvor.22
Q u an d o Paulo descreve o corpo da ressurreição no grande capítulo
sobre a ressurreição, ele com para a ordem criada à nova realidade ressurreta.
Exatam ente com o há diferentes tipos de corpo e m uitos tipos de “carne” na
ordem criada — “um a é a carne dos hom ens, outra, a dos animais, outra, a
das aves, e outra, a dos peixes”,23 e “há corpos celestiais e corpos terrestres;
e, sem dúvida, um a é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres”24 —
assim há um a ordem comparável no universo ressurreto. N a linguagem
poética de Jó, Deus, o Criador, põe “a areia para lim ite do m ar”25 e mostra
“à ... alva... o seu lugar”.26 N a transformação do universo, Deus coloca
cada elem ento em seu “lugar” ou posição: “todos serão vivificados em Cristo.
Sexo renascido e o futuro 159

C ada um , porém , por sua própria ordem :27 Cristo, as primícias; depois, os
que são de Cristo, na sua vinda”.28
M entes inquisitivas já estarão fazendo a pergunta: A ordem masculina
e fem inina ainda existirá após a ressurreição? Tudo o que posso dizer é:
C o n tin u e lendo!

Renascimento — Deus Restabelece Posse do Universo

Precisamos pensar de m aneira estrutural a fim de expressar opiniões


sólidas e bíblicas acerca da natureza da sexualidade dentro do contexto da
redenção e do renascimento. Exatamente o que ocorre na ressurreição de
Jesus? O universo tem um a estrutura? H á normas para a expressão sexual?
Eis m in h a resposta: A ressurreição de C risto é a prim eira evidência
de que Deus está restabelecendo posse direta do universo, tom ando de volta
o que por direito é dele, mas se perdeu por meio da queda. Até mesmo na
queda, porém , Deus perm aneceu no controle. Deus sujeitou (o mesmo ver­
bo que significa “colocar em seu lugar certo”)29 o m undo caído à vaidade.30A
maldição de Gênesis 3, essa sujeição à vaidade, foi a ação de Deus para limitar
o efeito do pecado num m undo que ele ainda controlava. Até certo ponto, a
obra redentora de Cristo é participar dessa sujeição à vaidade, pois ele leva a
m aldição,31 é sujeito ao pecado e é colocado “sob a lei”.32 Mas permanece a
esperança de um a criação renovada, sujeita à vontade de Deus, sem vaidade,
na qual Deus é em toda a parte reconhecido como Senhor de todos.

A Primeira Criação — Todas as Coisas Debaixo dos Pés de Adão

Deus possui a criação, pois ele é sua fonte e ele faz com que ela reflita
o seu caráter de ordem e distinção. D entro dessa ordem está a ordem da
diferença entre m acho e fêmea. O Deus que originalm ente colocou todas
as coisas criadas em seus lugares específicos tam bém colocou os seres hu­
m anos em seu lugar com o vice-reis com todas as coisas debaixo de seus pés.
A hum anidade é m acho e fêmea, refletindo a im agem de Deus. D e Adão e
da hum anidade em geral o salmista diz: “Deste-lhe dom ínio sobre as obras
da tua m ão e sob seus pés tudo lhe puseste”.33 Adão tam bém tem algo do
senhorio de seu criador, do qual se diz: “Baixou ele os céus, e desceu, e teve
sob os pés densa escuridão”.34 O salmista Davi tam bém vê o lugar de Adão
com o antecipação do senhorio do Messias dentro da realidade da queda:
“Disse o S E N H O R ao m eu senhor: Assenta-te à m inha direita, até que eu
p o n h a os teus inim igos debaixo dos teus pés”.35
160 O Deus do sexo

N a Nova Criação — Todas as Coisas Debaixo dos Pés do Ultim o Adão

N a redenção, C risto é re-identificado como Senhor do universo cria­


do. A estrutura da velha criação é restaurada e transform ada — aí está a
prova. A declaração acerca do lugar de Adão e do lugar da hum anidade na
prim eira criação é usada em três ocasiões diferentes no Novo Testam ento
para descrever a nova criação e o senhorio do últim o A dão.36 H á um a gran­
de ironia na lógica do evangelho: Aquele que cum pre a profecia acerca dos
pés cravados37 está agora elevado da cruz m ediante a ressurreição ao senho­
rio universal, e todas as coisas estão em submissão a esses pés transpassados.
D a cruz Jesus reinou em fraqueza, mas agora ele reina em poder com o o
Senhor ressurreto. N o grande capítulo sobre a ressurreição, 1 C oríntios 15,
Paulo desenvolve as implicações da ressurreição para o futuro do universo
citando o m esm o Salmo 8: ‘“ Sob seus pés tudo lhe puseste’. Agora quando
diz que ‘todas as coisas lhe estão sujeitas’, certam ente, exclui aquele que
tudo lhe subordinou [o próprio D eus]”.38 N aturalm ente, esse senhorio é
mais glorioso do que o senhorio que havia sido concedido a Adão, exata­
m ente com o os céus e a terra recriados são mais gloriosos do que os velhos.
A segunda obra de Deus m elhora a primeira. Assim declara Paulo:

O qual exerceu ele em C risto, ressuscitando-o d entre os m ortos e fazendo-o


sentar à sua direita nos lugares celestiais, acim a de to d o p rin cip ad o , e potestade,
e poder, e do m ín io , e de todo nom e que se possa referir, não só n o presente
século, m as tam b ém no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para
ser o cabeça sobre todas as coisas... que a tu d o enche em todas as coisas.39

C om o em m uitas coisas o apóstolo Pedro concorda:

[C risto que], depois de ir para o céu, está à destra de D eus, ficando-lhe


su bord in ad o s anjos, e potestades, e poderes [colocados em seu devido lugar de­
baixo dele].40

Essas passagens estupendas aplicam a realidade do senhorio u n i­


versal não a C risto com o segunda pessoa da divina T rindade, mas a
C risto, o ú ltim o Adão, o verdadeiro ser h u m an o prototípico da nova
ordem futura. C o m o dom ínio e governo originalm ente concedidos a
Adão e Eva,41 C risto, o últim o Adão em seu papel de rei, subm ete todas as
coisas à santa ordem .
Mas é igualmente estupendo que a nova ordem seja a velha transforma­
da. “Q uando descrevemos a obra salvadora de Cristo pelo term o ‘redenção’”,
observa O liver 0 ’Donovan:
Sexo renascido e o futuro 161

Frisam os o fato de que [a redenção] pressupõe a o rd e m criada. A “re d en ­


ção” sugere a recuperação de algo que foi d a d o e p erd id o . Q u a n d o p e rg u n ta ­
m os o q ue é q u e foi d ad o e p e rd id o , e tem agora de ser recu p erad o , a resposta
não é só a “h u m a n id a d e ”, mas a h u m an id ad e em seu contexto c o m o o governante
da criação o rg an izad a q u e D eu s fez; pois a o rd em criada, ta m b é m , não pode ser
o que é e n q u a n to lhe falta o governo au to rizad o e b en e fice n te que o h o m em
lhe deveria d a r.42

Em outras palavras, o ato salvador de Deus é a restauração da criação


caída das garras do mal e da m orte e sua transform ação final.
Essa interpretação tem o forte apoio das Escrituras. A carta aos Hebreus
diz: “N ão foi a anjos que sujeitou [colocou em seu devido lugar] o m undo
que há de vir, sobre o qual estamos falando”.43 E C risto com o o último
Adão, pois a passagem de H ebreus im ediatam ente acrescenta: “Alguém, em
certo lugar, deu pleno testem unho, dizendo: Q ue é o hom em , que dele te
lembres? O u o filho do hom em , que o visites?”44 Essa é, evidentem ente, a
introdução ao Salmo 8, que é então citado mais adiante: “Fizeste-o, por um
pouco, m enor que os anjos, de glória e de honra o coroaste... Todas as
coisas sujeitaste debaixo dos seus pés”.45
De novo O liver 0 ’D onovan encontra as palavras certas:

A ressurreição carrega consigo a prom essa de que “todos serão vivificados” . ..


[isso] nos leva de volta à m ensagem da encarnação m ed ian te a qual aprendem os
com o, p o r m eio de u m a presença exclusiva de D eus na sua criação, toda a o rdem
criada foi levada n o destino desse hom em representante específico nesse m o m e n ­
to específico d a H istó ria, em cujo único destino gira a redenção de todos. E nos
leva adiante até o fim da H istó ria q u an d o esse destin o específico e representativo
se universalizar na ressurreição da h u m an id ad e d en tre os m o rto s. “C ada um ,
p orém , por sua p ró p ria ordem : C risto, as prim ícias; depois, os que são de C risto,
na sua v inda” (1 5 .2 3 ). O sinal de que D eus perm aneceu com sua ord em criada
indica que essa ord em , com a h u m an id ad e em seu lugar ad eq u ad o , deverá ser
to talm en te restaurada n o fim .46

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A frase “todas as coisas” prova o m esm o p o n to de vista. N a redenção


C risto reconcilia “consigo m esm o todas as coisas”.47 Aqui, “todas as coisas”
deve ser com preendido com o referência ao universo criado, não coisas to­
talm ente novas criadas do nada. De acordo com Paulo, D eus é o C riador
de “todas as coisas”,48 e o prim eiro versículo da Bíblia deixa claro o que é:
“C riou Deus os céus e a terra”.49 “Todas as coisas” significa “os céus e a
terra”. Q uan to ao futuro, o plano redentor de Deus é “fazer convergir nele,
162 O Deus do sexo

na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu,


com o as da terra”.50 Nessa passagem, “todas as coisas” e “céus e terra” são
ajuntados para m ostrar que o objetivo da redenção é ainda a plenitude e
vasta expansão da criação santa, original e organizada.
Q u an d o Paulo diz que Cristo “a tudo enche”, ele está dizendo que
C risto, no nom e de Deus, tem em princípio retom ado posse do universo.
Esse não é algum novo espaço recém-criado que só Deus conhece. São os
céus e a terra originais que Deus criou do nada. A nova criação não é “do
nada”. É a redenção e transformação da velha.
O fato de que Cristo agora sustenta todas as coisas juntas na ordem
criada m ostra que o universo está nos seus planos futuros.

Sua p luralidade de graus hierárquicos, suas distinções en tre céus e terra,


en tre realidade espiritual e m aterial, são m antidas sob controle. A co m u n id ad e
de todas as naturezas não tem perm issão para explodir em frag m en to s.51

E nem tem ela tam bém permissão de im plodir na unidade de um


buraco negro m onístico. Em Cristo como o divino Filho e C riador todas as
coisas no presente, apesar do pecado, se m antêm juntas, m antêm suas iden­
tidades e distinções, e funcionam do m odo que Deus o C riador as planejou
para funcionar. M as na redenção, Cristo, o últim o Adão, livra todas as
coisas da vaidade da queda e nele elas são reconciliadas, ou seja, levadas de
volta a D eus de um m odo novo e glorificado.
C risto com o o verdadeiro hom em , o últim o Adão, é nosso m odelo
presente e futuro. Q uando o universo for renovado, teremos parte plena nes­
se senhorio universal, como anunciou o profeta Daniel há m uito tempo:

“O reino, e o dom ínio, e a majestade dos reinos debaixo de to d o o céu serão


dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os
dom ínios o servirão e lhe obedecerão [ou receberão seu devido lugar abaixo dele].”52

Diz 0 ’D onovan: “ [Como] Redentor, como a presença visível do Deus


invisível que é a consumação da criação, ele tem de ter, m esm o com o cria­
tura, ‘a p rim a z ia ... ele é a ‘cabeça da criação renovada tom ando form a na
igreja, ele é o ‘prim ogênito’”.53
O quadro da criação reocupada e renovada com as coisas em seus
devidos lugares finalm ente se com pleta quando o Filho, com o verdadeiro
hom em e verdadeiro D eus, se coloca em seu lugar de direito em relação a
Deus, o Pai: “Q u an d o , porém , todas as coisas lhe estiverem sujeitas, en­
tão, o próp rio Filho tam bém se sujeitará àquele que todas as coisas lhe
Sexo renascido e o futuro 163

sujeitou, para que D eus seja tudo em todos”.54 D ian te dessa declaração
majestosa de perfeição, não poderem os evitar a sensação de que todos
serão justos, todos serão santos.
C om base nessa verdade, conclui-se que estar em Cristo é tom ar parte
no dom ínio da criação, mas de que maneira?

Renascimento com o a Santificação Máxima da Criação

Deus tom a de volta o que é dele pela re-santificação da criação. A obra


redentora de Cristo na cruz e na ressurreição o coloca com o cabeça sobre
todas as coisas. C om o cabeça ele sujeita de novo todas as coisas, coloca de
novo todas as coisas em seus devidos lugares e as reconcilia. Em outras
palavras, com o cabeça sobre todas as coisas ele santifica, ou melhor, re-
santifica, o universo em seu devido lugar de “submissão” à vontade e ao
desígnio de Deus do qual ele caiu. Assim a ressurreição geral e transform a­
ção final representam a santificação com pleta do universo, em que tudo
encontra o seu lugar devido e máximo. A utopia bíblica é um lugar santo.
A Bíblia usa upotassw, o verbo que significa “colocar sob” para descre­
ver tanto a criação quanto a redenção de m odo sem elhante.55 O salmista
diz que Deus pôs “sob seus pés [de Adão] tudo”, que é mais um a expressão
da atividade santificadora de Deus para “separar as coisas em seus lugares
apropriados”. Assim, quando o Novo Testam ento em prega “colocar sob”
para descrever o lugar do últim o Adão ressurreto, tem os de concluir que o
ato final de recriação de D eus é tam bém um a obra de santidade, de
santificação. H á boas razões para se sustentar essa posição:

• A ressurreição de Cristo é a obra do Espírito Santo. O Espírito de


santidade levanta Jesus dos m ortos, com o Paulo declara com clare­
za: “ [Cristo] foi designado Filho de Deus com poder, segundo o
espírito de santidade pela ressurreição dos m ortos, a saber, Jesus
Cristo, nosso Senhor”.56 A ressurreição é assim a re-santificação da
m atéria criada.
• A ressurreição de Cristo com o o últim o Adão, isto é, com o um ser
hum ano é o m om ento da santificação definitiva de Cristo. É verda­
de que Cristo sempre foi santo, sem pre o “Santo de Deus”, reco­
nhecido com o tal pelo m undo dem oníaco.57 Assim, não podem os
entender a santificação em seu sentido com um de progresso moral.
Mas podem os em seu sentido de ser separado. Pois há um sentido
em que, em sua ressurreição, Cristo foi erguido para fora do m undo
164 O Deus do sexo

de pecado e m orte para ser de m odo pleno e final separado para


Deus. C onform e declara Paulo, “quanto a ter m orrido, de um a vez
para sempre m orreu para o pecado”.58 Richard Gaffin explica o que
Paulo está argum entando:

A questão que d o m in a essa passagem ... é ... será que os crentes têm de
c o n tin u a r a viver em p ecad o ?... [a resposta] é que os crentes m o rreram e ressus­
citaram com C ris to ... [receberam santificação definitiva porque] a ressurreição
de C risto é sua santificação.59

N o caso de C risto que foi feito pecado por nós60 com o conseqüência
de sua ressurreição, ele nunca mais teria de enfrentar a m orte e o pecado.
Mas então Paulo acrescenta: “quanto a viver, [Cristo agora] vive para D eus”.61
A presente vida que Cristo vive é a vida da ressurreição. Separado para a
nova vida com Deus, C risto agora vive num novo lugar, o lugar que ele está
preparando para nós.62

• Pelo fato de que Cristo se tornou santo no sentido definitivo, ele se


to rn o u nossa santidade ou o paradigma da santidade. “Vós sois dele,
em C risto Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria,
e justiça, e santificação, e redenção.”63 Assim, o crente tem de se
revestir “do novo hom em , criado segundo Deus, em justiça e reti­
dão procedentes da verdade”,64 e é exortado: “porque escrito está:
Sede santos, porque eu sou santo”.65 Cristo, que agora vive a vida
recriada e santa, nos concede a sua vida.
• A presente obra de Cristo por meio de seu Espírito Santo é nos
preparar para um a nova vida futura de santidade, com o a seguinte
passagem deixa claro: “a fim de que seja o vosso coração confirm ado
em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na
vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos".66 Buscar a
santidade agora nos leva à vida eterna: “Agora, porém , libertados do
pecado, transform ados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para
a santificação e, por fim, a vida eterna”.67
• O futuro pertence aos “santos”. Veja Colossenses 1.12: “dando gra­
ças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos
santos na luz”.68 A disciplina presente é para um a m eta futura: “Deus,
porém , nos disciplina para aproveitam ento, a fim de sermos partici­
pantes da sua santidade”.69
• N o universo bíblico de distinções, depois da queda há santidade e
há profanação. Assim, no futuro reino de luz, não haverá lugar para
Sexo renascido e o futuro 165

os profanos, pois “sem [santificação] ninguém verá o Senhor”.70 Isso


tam bém se aplica aos que não vivem em santidade sexual e que não
se arrependeram .71 A velha Jerusalém terrena era cham ada de “santo
m onte”.72 “H oje aguardamos que desça a C idade Santa.”73

Essa ênfase na santidade futura certam ente significa que exatam ente
com o a criação original era santa no sentido de cada parte tendo o seu lugar
e a sua função justos e designados por Deus, assim tam bém a criação reno­
vada será santa do m esm o m odo. C om certeza, o plano é a perfeição moral,
pois o pecado e a m orte terão um fim. Apesar disso, essa idéia de santidade
tam bém indica a nova vida de serviço a Deus em que as criaturas redimidas
— em im itação a C risto, que hoje vive para Deus — servem ao Senhor de
maneiras e estruturas que o honram com o C riador e Redentor.
Tudo se fará novo, tudo será santo. Pode estar certo disto: “estas pala­
vras são fiéis e verdadeiras”. Mas essa promessa acerca de tudo inclui o sexo?

O Renascimento do Sexo

O que ocorrerá com o sexo nos novos céus e nova terra do futuro?
Temos de fazer essa pergunta à Bíblia porque a fazemos ao paganismo. No
paganism o, o leitor recordará, o futuro do sexo é um paraíso orgiástico e
m undano de sexo livre e livre expressão sem limites ou norm as, seguido por
um a espiritualidade andrógina depois da m orte, sem corpo, de absorção no
espírito impessoal. A resposta cristã é tanto mais contida quanto impressio­
nantem ente mais radical.

Ninguém Pode Prever o que Virá no Futuro

Thom as M oinar faz um a observação interessante acerca de visões futu­


ristas humanas: “O futuro é essencialmente incalculável, [de m odo que a
utopia hum ana] seria um presente congelado, se chegasse a se concretizar”.74
O que ele quer dizer é que o hom em é incapaz de ter um a perspectiva
verdadeiram ente transform ada e transcendente do futuro. Por isso, seu
m undo ideal im aginado seria inevitavelmente lim itado a um a percepção
m u ndana e seria transcendentem ente entediante. Paulo cham aria esse tipo
de raciocínio “a sabedoria deste século”,75 um a sabedoria que nunca vai
além da presente difícil situação hum ana e é totalm ente incapaz de entender
“o m undo que há de vir”. É por isso que a visão cristã do futuro é tão esparsa.
N ão é esparsa porque conhecem os alguma verdade terrível e relutam os em
166 O Deus do sexo

revelá-la. Em vez disso, é discreta porque o futuro m áxim o de D eus tem de


ir além de tu d o o que nós terrestres poderíam os chegar a com preender ou
até im aginar aqui na terra com a nossa lim itada e pecadora m ente terrena.
A recusa da Bíblia de nos dar esses detalhes é um sinal de sua própria auten­
ticidade. Ela diz sem constrangim ento: “N em olhos viram, nem ouvidos
ouviram , nem jamais penetrou em coração hum ano o que Deus tem prepa­
rado para aqueles que o amam ”.76

Sem Casamento

O que acontecerá com o sexo nos novos céus e nova terra? O s líderes
judaicos que rejeitavam a vida após a m orte usaram exatam ente essa per­
gunta para tentar apanhar Jesus num a arm adilha em seu ensino acerca da
ressurreição. Eles inventaram um caso hipotético de um a m ulher viúva de
sete m aridos e que, depois desse feito notável, ela própria m orreu. O auge
da história tinha com o objetivo confundir Jesus e silenciá-lo de um a vez
por todas acerca da noção inacreditável da ressurreição. Podem os simples­
m ente vê-los esfregando as mãos enquanto perguntam de m odo triunfan­
te: “N o dia da ressurreição, de qual deles será esposa?”77
Em sua resposta, Jesus revela um princípio fundam ental sobre a rela­
ção da criação e nova criação. O m andato cultural dado a Adão e Eva era
“Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”.78 A fim de cum ­
prir o program a, Deus criou os seres hum anos, hom em e m ulher, e forne­
ceu a instituição do casamento. Jesus endossou o program a e reconheceu a
presente norm atividade do sexo da criação quando disse: “Moisés vos per­
m itiu repudiar vossa m ulher; entretanto, não foi assim desde o princípio”.79
C om er e beber, casar e dar em casam ento,80 de acordo com Jesus, é típico
da vida m u ndana da criação, cujo propósito natural alcança o seu objetivo
quando a terra ficar cheia.
Mas exatamente com a mesma naturalidade, o velho m andato da cria­
ção não mais se aplica na eternidade. Cristo enche o universo de um m odo
diferente do m odo que Adão e Eva encheram a terra. Assim, Jesus responde
aos seus opositores, que não entenderam nem a escatologia bíblica nem o
poder de Deus, C riador e Redentor: “Os filhos deste m undo casam-se e
dão-se em casamento; mas os que são havidos por dignos de alcançar a era
vindoura e a ressurreição dentre os m ortos não casam, nem se dão em casa­
m ento”.81 O casam ento e a procriação física não são atividades apropriadas
no m u n d o futuro.
Sexo renascido e o futuro 167

Casamento em Todos os Lugares

Por outro lado, o casam ento em si será o próprio coração da nova


criação. Esse encontro que se aproxima não é o buraco negro anônim o do
nirvana pagão,82 mas um a festa de casamento, a ceia das bodas do Cordeiro83
e o encontro face a face entre o Senhor, C riador e Salvador, e cada criatura
redim ida, cada um em sua própria posição. Em sua grande obra sobre o
céu, Randy Alcorn relata um a conversa que ele teve com um a m ulher sol­
teira que expressou um sentim ento de grande perda caso ela fosse para o
céu sem nunca ter tido um grande romance. A resposta dele foi “nosso
rom ance com C risto de longe superará todos os rom ances terrenos. N e­
n h u m rom ance é perfeito, e m uitos term inam em desapontam ento. Nosso
rom ance com Cristo jamais nos desapontará”.84 A m onogam ia heterosse­
xual achará seu cum prim ento glorioso e m áximo no casam ento do Criador
e da criatura, de Cristo e sua noiva. “O propósito do casam ento não é
substituir o céu, mas nos preparar para ele.”83
C om o cum prim ento do casam ento, isso significa que nos novos céus
e na nova terra os seres hum anos redim idos serão criaturas sem sexo? E m ­
bora haja poucas passagens bíblicas que tratam do assunto, a teologia e a
lógica da Bíblia são contra essa conclusão.

Com o os Anjos?

Um a passagem da boca de Jesus vem provocando m uito debate. Al­


guns entendem a declaração de nosso Senhor, conform e está registrada em
M ateus, como significando que seremos seres assexuais “com o os anjos no
céu”.86 E verdade que os anjos jamais se casam ou são casados. Eles não
procriam . Ser com o os anjos indicaria um a condição final mais com o um a
utopia pagã, em que, conform e criam os gnósticos, ao entrar no reino de
Deus seriamos despidos do peso opressivo de um corpo m asculino ou fe­
m inino e nos tornaríam os um espírito andrógino puro.87 A resposta de
Jesus no relato de M ateus deixa a questão de certa m aneira am bígua, pois
ele diz: “N a ressurreição, nem casam, nem se dão em casam ento; são,
porém , com o os anjos no céu”.88 Nessa passagem, o p o n to em com um
entre anjos e hom ens é o fato de que eles não se casam .89 O relato de
Lucas esclarece mais ainda. C entraliza a referência aos anjos ao redor de
um a questão diferente. Jesus diz acerca dos que estão no céu: “Pois não
podem mais morrer, porque são iguais aos anjos”.90 Claram ente a referência
aí aos anjos tem a ver com a imortalidade deles, não apenas sua sexualidade.
168 O Deus do sexo

O sexo m asculino e fem inino, com o expressão da im agem de Deus, não é


parte da ordem angélica, mas da ordem hum ana (veja G n 1.27) e certa­
m ente está destinado a sobreviver, até m esm o florescer, enquanto as criatu­
ras hum anas sobreviverem.

H om ens e Mulheres no M undo Futuro?

Q u an d o o apóstolo Paulo diz que em C risto não há “nem hom em


nem m ulher”, será que ele está projetando um a perspectiva gnóstica acerca
da igreja e do céu, onde as diferenças sexuais não mais se aplicam e onde o
espírito substitui a carne? C ertam ente ele está insistindo em que nosso sexo
nunca seja um a barreira para a inclusão na igreja.91 Jamais se deve perm itir
que a categoria de hom em e m ulher funcione com o um princípio de exclu­
são pecam inosa do corpo de Cristo. C ontudo, na passagem m uito debatida
de Gálatas 3.28, Paulo certam ente não está declarando o fim das diferenças
sexuais, com o sustentam m uitas feministas m odernas.92 Caso contrário, ele
certam ente não insistiria com tal paixão acerca do lado físico da ressurreição
de Jesus ou acerca das diferenças sexuais heterossexuais com o um a imagem
do evangelho93 ou acerca da im portância do sexo para a natureza das fun­
ções na igreja.94 Assim, pelo fato de que as diferenças sexuais têm realmente
um a função nobre e significativa entre o povo redim ido de Deus no presente,
temos de perguntar se a realidade da criação macho-fêmea sobreviverá de
alguma m aneira na realidade redimida da nova criação.9’
Sabemos um a coisa com certeza acerca do futuro porque nosso co­
nhecim ento se baseia em algo que ocorreu no passado — a ressurreição de
Jesus. O corpo ressurreto de Jesus foi transform ado, porém reteve conti­
nuidade na form a terrena. Em bora o corpo de Jesus tenha passado po r um a
transform ação profunda, seus discípulos ainda podiam reconhecê-lo.96 Em
parte algum a há indício de que Jesus era andrógino. H á continuidade pro­
funda em sua fisicalidade antes e depois da ressurreição. Paulo ensina isso
sistem aticam ente quando diz: “é necessário que este corpo corruptível se
revista da incorruptibilidade, e que o corpo m ortal se revista da im ortali­
dade”.97 N a ressurreição ocorre um a m udança radical, mas não cria do nada
um novo ser físico. Transforma um corpo que já existia. O apóstolo João,
que viu o Jesus ressurreto, declarou: “Amados, agora, somos filhos de Deus,
e ainda não se m anifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando
ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo
com o ele é”.98 Paulo diz a mesma coisa: Cristo “transform ará o nosso corpo
de hum ilhação, para ser igual ao corpo da sua glória”.99 C om o o nosso
Sexo renascido e o futuro 169

corpo será como o dele, então poderemos esperar algum tipo de continuida­
de com o que somos agora já que isso era verdade no caso de Jesus. Somos
assim obrigados a perguntar o que ficará da personalidade “física” hum ana.
A visão de Ezequiel do tem plo futuro, em bora claram ente simbólica
com o é toda nossa linguagem acerca do futuro, tem em si a noção de dife­
rença. D e fato, ao descrever a nova criação Ezequiel usa a m esm a palavra
(“separação”) que Moisés usou para descrever a velha.100
O profeta relata sua visão: “M ediu pelas quatro bandas; havia um muro
em redor, de quinhentas canas de com prim ento e quinhentas de largura,
para fazer separação entre o santo e o profano”.101 N a realidade sem pecado
do estado futuro, com o a do jardim antes da queda no pecado, há um lugar
para as diferenças. Por que não tam bém diferenças sexuais? A m aior dife­
rença de todas, entre Deus e sua criação, é claram ente sustentada no grande
esplendor do reino final com o m ostra a visão inspirada de João:

“E os q u a tro seres viventes, tendo cada u m deles, respectivam ente, seis


asas, estão cheios de olhos, ao redor e p or d en tro ; não têm descanso, nem de dia
nem de noite, pro clam an d o : Santo, Santo, S anto é o S en h o r D eus, oT o d o -P o d e-
roso, aquele que era, que é e que há de vir.”102

Apesar da com unhão profunda da ceia final do casam ento, Deus eter­
nam ente perm anecerá Deus e nós eternam ente perm anecerem os criaturas,
criaturas redim idas. Exatam ente como eram no passado, as diferenças serão
um aspecto essencial da nova criação, por mais gloriosam ente transform a­
da que se torne. C om o jamais deixaremos de ser criaturas feitas à imagem
de Deus, então por que não criaturas masculinas e fem ininas, originalm en­
te formadas à im agem de Deus desse modo? “O fato de se receber um
corpo glorificado... não apaga a H istória, entra no p o n to m áxim o da H is­
tória.”103 C om o no céu seremos nós mesmos com o fom os designados para
ser quando fomos criados, mas transform ados, então a identidade masculi­
na e fem inina é parte da realidade que será transform ada — sem dúvida
com m uitas funções novas que nem m esm o podem os imaginar.
N a nova criação, quando a função do casam ento procriativo tiver se
cum prido conform e Jesus ensinou, o sexo renascerá para ter outras funções
com o tudo o mais acerca da nossa presente realidade terrena. Será que pode­
mos nos imaginar no céu sem a nossa racionalidade, principalm ente confor­
me recebemos a promessa de não o atual conhecim ento parcial, mas conhe­
cim ento pelo qual conhecerem os com o somos conhecidos?104 O conheci­
m ento não é aniquilado. E cum prido. Isso significa que nunca usaremos o
170 O Deus do sexo

nosso cérebro de novo? C om certeza não. Q uando virmos o nosso Criador e


Redentor “face a face”,105 diferente do não encontro do paganismo impesso­
al, Deus não apagará a nossa personalidade. Essencial à nossa personalidade é
nossa sexualidade como muitos pensadores cristãos afirm aram .106
Se o sexo santo, com o tudo o mais que fazemos aqui na terra, tem
sentido eterno, se agora mesmo tem valor para sempre, então com o prati­
camos agora o sexo “renascido”? Se Cristo está presentem ente santificando
a sua noiva, separando-a para a futura festa de casam ento no céu,107 então
qual é o sentido e condição do sexo renascido no presente? Essa pergunta
será o assunto do próxim o capítulo.

Temas para Debate

• C o m o ressurreição física de Jesus declara um a verdade m uito im por­


tante: D eus não desistiu da criação.
• N a redenção, Cristo livra todas as coisas da vaidade da queda, e nele
elas são trazidas de volta a Deus de um a m aneira nova e glorificada.
• O futuro m áxim o de Deus tem de ir além de tudo o que nós terres­
tres poderíam os chegar a com preender ou até mesmo imaginar. A recusa da
Bíblia de nos dar os detalhes disso é sinal de sua própria autenticidade.
Capítulo 10

S exo R e n a s c id o
e o P r esen te
O m elhor sexo é o sexo bíblico.
C om o é que eu sei? C om o Deus criou o sexo e o cham ou de bom —
e na ressurreição de Cristo o sexo ficou m elhor — quem seria tolo o sufici­
ente para buscar em outro lugar o verdadeiro prazer sexual?
Mas ouço um a objeção. Caso o casam ento heterossexual um dia se
cum pra no casam ento de Cristo com a igreja (o que é cham ado de o casa­
m ento santo das criaturas com o seu C riador), deveremos antecipar essa
vida futura e abandonar o sexo terreno e o casamento? O Novo Testam ento
responde com um retum bante não!

As Muitas Advertências contra a Imoralidade Sexual

T ão im portante é o corpo e a sexualidade física no serviço de Deus


nesta vida que as Escrituras dão grande atenção ao seu devido lugar. A Bí­
blia está ciente do poder do desejo sexual para o bem ou para o mal. Pelo
fato de que a transgressão dos limites sexuais é um a expressão com um de
rebelião hum ana contra Deus, o Criador, a Bíblia, em bora jamais denigra a
sexualidade hum ana, apesar de tudo a regula de acordo com o desígnio do
Criador. Deus adverte o seu povo para que busque santidade física e evite
liberdade sexual excessiva. V inte e três extensas passagens denunciam a
im oralidade sexual.1
Alguns usariam essas passagens com o um exemplo perfeito de um a
cosmovisão que atrapalha o sexo. O sexo é um a arm adilha. O gozo é diabó­
lico. C o n tu d o , tem os de considerar outra possibilidade: de que esses
versículos m ostram com o a sexualidade é im portante no plano de Deus
p ara a h u m a n id a d e — mas não apenas q u a lq u er p e rm u ta çã o sexual.
A heterossexualidade exclusiva dentro do casam ento é o que Deus, o C ria­
dor deseja e requer. A heterossexualidade exclusiva não é só “boa” para a
raça hum ana, mas aponta além de si para o próprio significado do univer­
so. A heterossexualidade reflete, em term os sexuais, a impressão da própria
172 O Deus do sexo

natureza e do caráter do C riador nas coisas que ele fez. N ão é um com po­
nente incidental, mas essencial, da cosmovisão da Bíblia.

Um a Cosm ovisão para o Sexo

O C ristianism o não é só conversa. Personificar a verdade é um a parte


essencial do discipulado cristão. Lembra-se de com o o povo francês adora
queijo? As coisas físicas são indispensáveis para as intenções presentes e
futuras do Criador. O nosso corpo bem com o a nossa alma são oferecidos a
Deus com o sacrifícios vivos e agradáveis. É nesses corpos que vivemos e
honram os a D eus até que o seu plano futuro se torne realidade.
Essa perspectiva realística da vida, que aceita o nosso corpo com o “se­
parado” para honrar a Deus, é a base para nossa cosmovisão sobre o sexo.
E nquanto aguardam os a vinda de Cristo, deveremos aprender acerca da
santificação do corpo.

O Corpo e a Santidade

A prim eira imagem de santidade física que vem à m ente — a de um a


criança virgem — não é a correta. Lembre-se de que o significado funda­
m ental de santidade é “separar” num lugar especial. A santidade física sig­
nifica usar o nosso corpo de acordo com o desígnio da criação de Deus.
“D e u s... dá corpo [a cada um] como lhe aprouve.”2 Deus está envolvido
com as questões do corpo. Estar no lugar certo na hora certa é tanto um a
fórm ula eficaz para ganhar jogos de futebol quanto para estabelecer o que
torna as coisas m oralm ente certas. N o Israel antigo, o estado físico do cor­
po simbolizava que Deus exige pureza m oral, tanto do indivíduo quanto
da nação. Assim ele ordena: “Falai aos filhos de Israel e dizei-lhes: Q ualquer
hom em que tiver fluxo seminal do seu corpo será im undo por causa do
fluxo”.3 O sím bolo ritual perde a intensidade no fim da teocracia, mas
perm anece a realidade de que na nova aliança Deus exige santidade física.
O apóstolo nos revela o program a: “Deus não nos cham ou para a
im pureza, e sim para a santificação”.4 “O c o rp o ... é . .. para o Senhor, e o
Senhor, para o c o rp o .”5 Os crentes não servem e h o n ram a D eus em
algum espírito angélico pairando a cinco centím etros do chão, mas em
seus corpos de carne e sangue. Viver “para a santificação” envolve não só
pensar pensam entos piedosos ou praticar ações amorosas, mas usar o nos­
so corpo do m odo que Deus prescreveu. Parte do pecado é usar o corpo
de m aneira im p ró p ria.6
Sexo renascido e o presente 173

“H onrável” e “santo” e, por extensão lógica, “desonrável” e “profano”,


são sinônim os. “Se alguém a si mesmo se purificar desses erros, será utensí­
lio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para
toda boa obra.”7 O bviam ente, fazer coisas honráveis honra o Criador. O
que os adoradores falsos não fazem — honrar a D eus8 — os verdadeiros
crentes fazem.9 Eles honram a Deus — em seu corpo. “Fostes comprados
por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.”10
Isso dá ao corpo grande dignidade. O paganism o m uitas vezes despre­
za o corpo físico com o ilusão inútil. O Novo Testam ento o coloca no cen­
tro do discipulado cristão. Repare na lógica de Paulo: Já que “para que
tam bém a sua vida [de Jesus] se manifeste em nosso corpo”, 11 “com o sem­
pre, tam bém agora, será C risto engrandecido no m eu corpo”.12 Pelo fato de
que isso é verdade, recebe o nobre título de “o santuário do Espírito Santo”.13
Mais um a vez o corpo é associado à santidade (o Espírito Santo), que se
entende conform e o uso especial designado de Deus. C om o é que a sexua­
lidade se encaixa nisso?

Santidade Cristã

Israel serviu com o luz de alerta para o antigo m u n d o pagão. Deus o


cham ou para d em onstrar de m odo tão explícito q u a n to possível em to ­
dos os aspectos de sua realidade nacional o caráter teísta criado do univer­
so. Q u an d o o israelita verdadeiro — C risto — chega, ele cum pre os deta­
lhes da vida ritual e social de Israel. C risto é a realidade, não a sombra; ele
é o cu m prim ento, não a promessa. Ele traz a salvação definitiva pela qual
Israel esperava.
Mas a realidade da criação continua na igreja, o novo Israel, em bora a
estrutura não mais tenha nenhum a identidade teocrática. D epois da ressur­
reição de C risto, a igreja é enviada ao Im pério G reco-R om ano para buscar
e salvar os pagãos. Está sob a obrigação de expressar a verdade acerca de
D eus, o Criador, pois essa é a própria verdade que os pagãos negam. O
C riador com o R edentor é a declaração essencial do evangelho da igreja.14

Um a Igreja Santa

U m a das categorias que definem a igreja é a santidade. Pensamos na


santidade no Novo Testam ento com o um processo de desenvolvimento
m oral. M as a santidade, exatam ente com o era no A ntigo Testam ento, é um
estado que Deus confere a pessoas e coisas. Só dá para experim entá-la com o
174 O Deus do sexo

um processo depois de haver sido concedida. Essa verdade em erge claram en­
te no caso dos pagãos convertidos.
N a década de 50 (do século 1® a.C.), Paulo estabeleceu um a com uni­
dade cristã em C orinto, um dos centros urbanos mais imorais do m undo
antigo. Era com o começar um a igreja em Las Vegas, só que sem dois mil
anos de civilização “c ristã ”. Aliás, C o rin to se to rn o u um verbo —
“corintianizar” — que os antigos escritores de peças teatrais usavam para
descrever um a vida de sensualidade infam e.15 Q uando Paulo ensinou os
cristãos coríntios “que os injustos não herdarão o reino de Deus”, eles sabiam
exatam ente o que ele estava querendo dizer.16 Ele então os lem brou de que
“Tais fostes alguns de vós”.
Q u an d o Paulo escreveu aos pagãos convertidos, o estilo de vida pagão
deles era um a coisa do passado. Esse estilo de vida havia sido realidade no
caso deles. Agora havia ocorrido um a m udança estrutural. D eus agiu em
favor deles para santificá-los. Os cristãos coríntios não se com portaram de
m odo aceitável a fim de corresponderem às exigências. “Aos santificados”,17
diz Paulo a um a igreja que continuava a dem onstrar conexões profundas com
seu passado pagão e im oral.18 Ele se dirige a eles como “santos”, em bora eles
estejam longe da perfeição. A salvação é a obra de santificação de Deus. Ele
nos torna santos. Ele separa os pecadores para um a vida de boas obras.19 Os
coríntios são santos porque foram separados para serem incluídos no novo
Israel, o povo de Deus. Paulo diz que eles foram enxertados no povo santo de
Deus, recebendo um a condição santa.20 A exortação à igreja é um a reprise da
exortação dada a Israel: “Retirai-vos do meio deles, separai-vos”.21

Santidade Requer Separação

A exortação de Paulo para se separar significa tornar as diferenças im ­


plícitas nu m a cosmovisão bíblica. A separação não significa estabelecer
guetos, correr para os m ontes, para aguardar o arrebatam ento ou pessoas
que não se adaptam socialmente. A santidade é um a separação intelectual,
teológica e m oral. Significa entender as visões de m undo contrárias que
separam os pagãos dos crentes. Significa com preender a divisão radical en­
tre a verdade e a m entira. Significa:

• não estar “em jugo desigual com os incrédulos”, quer pelo casamen­
to ou por qualquer outra com unhão espiritual;
• afirm ar que “entre a justiça e a iniqüidade” nada há em com um ;
• ensinar que não há nenhum a com unhão entre luz e trevas;
Sexo renascido e o presente 175

• fazer a diferença entre “C risto e o M aligno”;


• reconhecer que, em term os profundos de cosmovisão, o crente nada
tem em com um com um descrente;
• nenhum a “ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos”.22

A exortação para se separar, outrora dada a Israel, foi colocada agora


sobre a igreja porque a igreja enfrenta as mesmas tentações que o Israel
antigo. Exatam ente com o Israel foi avisado, “Q uando entrares na terra que
o SE N H O R , teu Deus, te der [isto é, Canaã], não aprenderás a fazer con­
forme as abom inações daqueles povos”,23 de m odo que a igreja tem de se
guardar dos cam inhos profanos das nações pagas ao seu redor. Isso não
significa form ar guetos cristãos.24 Significa estar no m u n d o com um estilo
de vida radicalm ente diferente.
Se quiserm os ser filhos de Deus, temos de entender esse tipo de sepa­
ração. Fazer concessões ao paganismo é tão tentador para nós como era
para os pobres Ló e sua família que não queriam se m isturar com a cultura
homossexual de sua época, mas sim ganhar a vida honestam ente.25 Nossa
motivação para a separação é aquilo que m otivou o povo de Deus há m uito
tem po: “Purifiquem o-nos de toda im pureza, tanto da carne com o do espí­
rito, aperfeiçoando a nossa santidade no tem or de D eus”.26 “Esta é a vonta­
de de Deus: a vossa santificação.”27 Se desejamos reverenciar a Deus, temos
de entender a santidade. Em outras palavras, temos de entender a cosmovisão
da Bíblia. C om ousadia contracultural, em harm onia com o Israel antigo e
com a igreja de C o rin to do século I o., declaramos: “D o Senhor é a terra e
a sua plenitude”.28
Graças a essa condição de santidade, os cristãos têm de responder ao
cham ado im perativo de Deus à santidade com o fez Israel. A igreja respon­
de de seu próprio m odo, mas o princípio é o mesmo. C om o declara o
apóstolo Pedro: “Segundo é santo aquele que vos cham ou, tornai-vos san­
tos tam bém vós mesmos em todo o vosso procedim ento”.29 A nova criação,
bem com o a velha, foi cham ada para um lugar especial e santo que tem
identificação. Para honrar essa noção de santidade, somos fiéis ao ensino de
jesus: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado
seja o teu n o m e .. .”30 E as radicais feministas cristãs hoje não mais querem
usar o nom e “Pai”! De acordo com Jesus, santificamos Deus nos dirigindo
a ele como o “Pai celestial”.31 N ão podem os tornar o Senhor m oralm ente
puro, mas santificamos seu nom e quando reconhecem os o seu papel e o seu
lugar especial na nossa vida.
176 O Deus do sexo

Sexo Santo para Santificação Pessoal

H á um lugar santo para o sexo exatam ente com o há um lugar santo


para tudo, inclusive Deus. O requisito da Bíblia para que o casam ento seja
exclusivo, perm anente e hom em /m ulher não é arbitrário. Reflete a santida­
de da criação bem com o a santidade do Criador. H á um m odo certo de se
ter sexo e há um jeito errado. Ser “um espírito” com o Senhor é, em term os
sexuais, observar o que o Senhor diz acerca do sexo que honra a Deus.
“Agora, pois”, diz Paulo, “glorificai a Deus no vosso corpo”.32 Ser um com
o Senhor na esfera da sexualidade hum ana é receber em fé o projeto de um a
carne só de heterossexualidade m onogâm ica com o presente do Senhor.

“O Marido é o Cabeça da Mulher”33

“Cabeça”? Eu preferiria ser a cauda, para deixar os outros fazerem o


planejam ento e cuidarem de m inhas próprias necessidades. M uitos hom ens
que conheço são assim. Mas 35 anos de casam ento foram em m inha vida a
m aior fonte de santificação — para me ensinar o m eu devido lugar e fun­
ção com o m arido e pai. Tenho tido de aprender com o ser “cabeça”, assumir
responsabilidade pela m inha esposa e família quando m inha tendência na­
tural é m e encostar. Saber com o se subm eter à autoridade bem com o exercê-
la é essencial para o desenvolvimento hum ano. Em bora eu tenha m uito
que aprender, vejo realm ente progresso. C om o diz Paulo: “O m arido incré­
dulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no
convívio do m arido crente. D outra sorte, os vossos filhos seriam impuros;
porém , agora, são santos”.34 U m processo santificador, com m arido e esposa
contribuindo de maneiras diferentes, mas essenciais, é um a parte indispensá­
vel do am adurecim ento hum ano. Esse processo ocorre num casamento e
num a família que têm um compromisso com o m odelo bíblico.

“Será preservada através de sua missão de mãe”35

M inha esposa dá testem unho do mesmo processo em sua vida. O


sexo santo é a influência curadora em vidas individuais e tam bém num
m undo ím pio e sexualm ente imoral. E nquanto em preende iniciativas para
legitim ar o “casam ento gay”, a nossa sociedade deixa de pensar na próxim a
geração e na m anutenção da civilização. Mas, aí, um a visão egoísta e
glamorizada da vida controla os meios de com unicação e prom ove auto-
realização im ediata e carreira como o único cam inho para o sucesso. As
mulheres (em núm eros significativos, temo) agora recusam um elem ento
essencial do casam en to — o papel de m ãe. O fd m e M ona Lisa Sm ile
Sexo renascido e o presente 177

(O sorriso da M ona Lisa), por exemplo, sutilm ente ridiculariza o papel de


mãe e o casam ento tradicional, enquanto prom ove a nova e autônom a
m ulher “Wellesley” que nem m orta se subm eteria a um m arido.
M inha esposa é um a m ulher “Wellesley”, assim com o são m inhas duas
primeiras filhas, mas cada um a do seu próprio m odo ama a Escritura, “Será
preservada através de sua missão de m ãe”. C om “será preservada”, Paulo
não quer dizer que um a m ulher obtém a sua salvação eterna por ter bebês.
Ele usa o term o com o ele o usará dois capítulos mais tarde quando fala do
“Deus vivo, Salvador de todos os hom ens, especialm ente dos fiéis”.36 Ele
está falando sobre Deus com o o C riador ou “benfeitor”. As mulheres que
têm filhos (ou as mulheres solteiras que cuidam de crianças na comunidade)
trazem bênção porque essa é um a parte essencial do bom desígnio do
Criador. Elas são “abençoadas” ao ter filhos e são abençoadas por seus fi­
lhos. Os próprios filhos não são um a praga no m undo, com o querem nos
fazer acreditar os ativistas que prom ovem cam panhas para a redução da
população, mas um a bênção para o m undo.
A “Dra. Karim ” era especialista em obstetrícia e ginecologia formada
na University o f M issouri-Kansas C ity School o f M edicine que aceitou a
idéia fem inista de que ela poderia se realizar com pletam ente. Mas depois
de duas décadas na profissão médica, ela deixou sua carreira lucrativa para
ser mãe de tem po integral que dá a seus três filhos educação escolar em
casa. Ela diz: “Eu gostava m uito do m eu trabalho, e adorava meus pacien­
tes. Gostava tanto que não conseguia me ver fazendo outra coisa. Mas Deus
trabalha em nós”. Ela veio a com preender que “contratar outros para criar
os filhos” não era para ela. Agora ela entende essa passagem de Paulo que o
“m aior papel na vida é estar em casa com meus filhos e criá-los do m odo
que devem ser e assegurar que eles sejam crianças que respeitem a Deus. Por
que no m undo eu confiaria essa tarefa a outra pessoa?”37
Recordo um versículo de Isaías: “Ele com erá m anteiga e mel quando
souber desprezar o mal e escolher o bem ”.38

“Os vossos filh os... são santos”39

Filhos santos não são “anjinhos”, mas santos no sentido de conhece­


rem o seu lugar no m undo e se alegrarem nele.
Apesar da engenharia social que promove igualdade em tudo com o
um program a político e religioso, Deus fez os sexos diferentes, mas com-
plem entares — para sua eficiência e riqueza, mas tam bém para a produção
da próxim a geração. O O cidente está com etendo “suicídio de um a geração
inteira” na m edida em que mais mulheres se recusam a ter filhos por am or
178 O Deus do sexo

a um a carreira e um a “identidade pessoal”. O s cristãos jam ais devem es­


quecer da perspectiva da Bíblia acerca dos filhos: “H erança do S E N H O R
são os filhos”.40 A pílula do dia seguinte, que é abortiva e é cham ada de
“Plano B”, trivializa o ato sexual tratando-o com o um a necessidade física
em pé de igualdade com o ato de comer, ao passo que Deus dotou essa
própria expressão física de am or com conseqüências enorm es — a produ­
ção de outros seres hum anos incríveis criados à imagem de Deus. Q uando
entenderm os a atrocidade disso, não precisaremos de um Plano B. Teremos
escolhido o Plano A de Deus.
Essa perspectiva bíblica do casamento e da família é boa para a socie­
dade tam bém . “U m dia”, diz A rthur H u nt, “a nossa cultura de divórcio vai
voltar para nos assom brar... [porque] famílias fortes ajudam a garantir um a
nação forte. O colapso da unidade da família enfraquece a resiliência psico­
lógica e nos torna mais vulneráveis às seduções demagógicas.”41 A família é
portadora da civilização.

O Casamento Expressa o “Grande Mistério” do Universo42

N o topo disso tudo, o casamento tem um propósito ainda m aior —


sim bolizar o m istério do universo. Ele declara em term os físicos e hum anos
o significado profundo da vida expressando em si a noção de diferença e
unidade, que tam bém se aplica ao relacionam ento entre o C riador e a cria­
ção. Se a igreja fracassar aí, tudo está perdido. A m oralidade não é sobre ser
correto. E um com prom isso determ inado de preservar as distinções criadas
que D eus estabeleceu com o boas. De acordo com Jesus, ser o sal da terra só
funciona se somos bom sal.43 O bom sal dará ao bom C riador glória, ora­
ções, ações de graças e “boas” obras que “se evidenciam”.44
Esse estilo de vida não é apenas um a profunda responsabilidade m o­
ral; é um cham ado elevado e nobre de recuperar o universo caído.

O Sexo Santo Retoma a Posse do Universo

A realização total ainda virá, mas o futuro até certo p o n to é agora.


O que sabemos dos novos céus e terra Ao futuro vimos a entender a partir
do que aconteceu com Cristo no passado, que nos capacita a conhecer algo
profundo acerca do presente. Esse conhecim ento liberta. As pessoas imagi­
nam que são livres quando seguem seus impulsos e obedecem a suas imagina­
ções. M as não são de fato mais livres do que o golfinho encalhado na praia.
Liberdade é descobrir o seu ponto de apoio para viver o grande plano de
Deus — olhando para o futuro.
Sexo renascido e o presente 179

Assum a Sua Parte no Universo R etom ado

Pelo fato de que o Cristo ressurreto é nosso protótipo e todas as coisas


foram colocadas sob seus pés, nós, hom ens e m ulheres, já participam os de
seu senhorio. “Segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a
si todas as coisas.”45 O poder de ressurreição do Espírito Santo é nosso, pois
recebemos ordens de retom ar posse do universo para o Criador. Os discí­
pulos sabiam disso durante a época de Jesus. “Então, regressaram os seten­
ta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios dem ônios se nos sub­
m etem pelo teu nom e!”46 Esse poder está ainda mais presente depois da
ressurreição de C risto porque Cristo, o Senhor ressurreto, é nossa liber­
dade de agir. A gim os em confiança: “E o D eus da paz, em breve, esmaga­
rá debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja
convosco”.47 A ressurreição de Jesus não é o fim da criação, mas seu
renascim ento48 que nos enche de esperança. Agim os tam bém em fé por­
que, com o o escritor aos H ebreus diz: “ [Deus] nada deixou fora do seu
dom ínio. Agora, porém , ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas”.4 9
O presente é um tem po de fé, não vista.

Retomando Posse da Criação se Submetendo às Suas Estruturas

A presente tarefa do cristão capacitado pelo Espírito é retom ar posse


da santa criação original com o sinal de testem unho para o futuro destino
da criação. Observam os anteriorm ente que o verbo submeter descreve a
ação de C risto ao tom ar de volta a criação com o o futuro m u n d o transfor­
m ado.50 O m esm o verbo, submeter, tam bém é usado com o exortação aos
cristãos em suas vidas presentes de ser sal e luz.51 Recebemos ordens de
assumir controle nos subm etendo ativam ente às estruturas que Deus colo­
cou no m undo. Ao fazer isso, damos testem unho do fato de que Deus
ainda está no controle e que tudo o que Deus criou é b o m .52 O resultado da
salvação é prim eiram ente nos tornar boas criaturas. Q u an d o fazemos isso,
antecipam os a vitória de C risto, C riador e R edentor que reconcilia todas as
coisas — hoje e no futuro -— e um dia nos tornará criaturas plenam ente
transform adas.53 C om o criaturas em ancipadas tam bém nos colocamos de
m odo obediente e alegre em estruturas que prom ovem a santidade. Isso é a
santificação cristã. Isso é reviver a experiência em que Adão e Eva falharam.
Reinamos, governamos e submetemos todas as coisas acima de tudo nos sub­
m etendo às boas estruturas na terra. Reinamos sobre o pecado como Caim
foi exortado a fazer,54 e parte de nosso senhorio é submissão autoconsciente e
180 O Deus do sexo

de bom grado à vontade de Deus. Retom am os posse do universo e honra­


m os o C riador honrando o aspecto bom das estruturas da criação, não
com o um a estratégia ambiciosa para conquistar o planeta, mas com o uma
declaração hum ilde de testem unho fiel para com aquele que o criou. Al­
guns estão estabelecendo um a visão política para arrancar de D eus seu
m u n d o m inando suas estruturas (principalm ente na área da sexualidade).
Eles se encontram com reis e conspiram juntos, com o diz o Salmo 2. Esse
não é o m odo cristão.
Talvez seja útil parar por um m om ento e nos lem brar do que dizem os
pagãos intelectuais da m oda acerca da área da sexualidade. Q u an d o os cris­
tãos buscam pesar a im portância da sexualidade bíblica em seu cham ado
com o testem unho ao Senhor da criação, é crucial entender a agenda neopagã.
O s principais pensadores pagãos estão m apeando um projeto abrangente
para um a nova civilização, conscientes do papel crucial que a sexualidade e
o gênero desem penham . De m odo particular, temos de dar atenção à de­
claração de Thom as Berry, um padre católico rom ano apóstata com enor­
m e influência nos corredores do poder geopolítico e religioso. N a m eta de
reinventar o ser hum ano “no nível da espécie... por m eio de histórias e
p a rtilh ad as experiências de sonhos”,55 de acordo com o desígnio do
neopaganism o religioso, um a “reinvenção” tem prioridade sobre todas as
outras. D iz Berry: “a transformação dos hom ens e da sociedade ocidental
[patriarcal] é um a condição básica para todas as outras m udanças”.56 Em
outras palavras, para que o program a da transform ação pagã tenha êxito em
todas as dim ensões da vida hum ana, nossa com preensão do sexo e gênero
precisa ser transform ada. Berry desafia face a face o Rei do universo.

Todos T êm de se Submeter

Esse é o contexto em que os cristãos ouvem a exortação das Escrituras


com relação à submissão. O m om ento é carregado de dificuldade, mas tam ­
bém cheio de potenciais oportunidades para testem unhar. N um a série in­
teira de áreas, os cristãos recebem ordens para se subm eter — não num a
atitude de m edo covarde, mas de obediência deliberada, inteligente (uma
obediência que honra a Cristo) à ordem que Deus dá,57 em atos que reto­
m am posse da criação. N inguém é deixado de fora. N inguém é obrigado a
se submeter. E feito de m odo autoconsciente, inteligente e de todo o cora­
ção.58 N ão há grupo que não participe.59 O próprio Cristo, o novo hom em
prototípico, conhecia a realidade da submissão. Nisso ele é nosso modelo.
Em sua encarnação, Cristo nasceu sob a lei e se subm eteu a ela. Especifica­
m ente, ele se subm eteu à lei com respeito aos pais,60 mas tam bém a todas as
Sexo renascido e o presente 181

outras estruturas de vida criada. Exatam ente com o o Senhor que reina,
cabeça da nova hum anidade, ele se subm ete a Deus, o Pai.61 Q uando so­
mos renovados nele, adotam os o seu m odelo de senhorio.
O Novo Testam ento usa as várias formas relacionadas do verbo “sub­
m eter”62 76 vezes. Esse uso extensivo que vários autores do Novo Testa­
m ento fizeram (envolvendo todos os tipos de subm issão para todos os
tipos de pessoa) m ostra que é m entirosa a alegação das fem inistas radicais
de que o ensino bíblico sobre a submissão das m ulheres é um a conspira­
ção patriarcal m asculina para se apoderar do poder e m antê-lo.63 N ão há
nada degradante acerca da submissão porque ela é pedida de todos, inclu­
sive de Cristo. E nquanto ainda estamos na carne, as estruturas criadas boas
e santas não m udam . Elas existem para o nosso bem — e para o bem de
nossos pés! Perm anecem os em solo santo, já que o lugar em que perm a­
necem os é um universo ressantificado. Só aí poderem os glorificar a Deus
com o o bom C riador.
As instruções do Novo Testamento sobre o casamento e os relaciona­
m entos entre o m arido e sua esposa não devem ser vistas com o adaptações
estratégicas do século 1B, feitas por Paulo para se adequarem às normas cultu­
rais romanas de um a ordem de igualdade “cristã” mais elevada (como alegam
os escritores cristãos que promovem a plena igualdade).64 Em vez disso, essas
instruções expressam a majestosa teologia bíblica da renovação da criação na
redenção e do chamado e glória da Nova H um anidade em Cristo.65
As pessoas gostam de falar m uito sobre a liberdade cristã. M argaret
M iles, reitora e vice-presidente de A ssuntos A cadêm icos da G raduate
Theological U nion, Berkeley, Califórnia — que acabou de estabelecer um
C entro de Estudos Lésbicos e Gays em Religião — declara: “Se o Cristia­
nism o é sobre algo, deveria ser um exemplo de encarnação. C om o é que dá
para se viver am orosam ente, num corpo, no m undo?”66 O que se insinua é
nossa liberdade de estabelecer nossos próprios limites. Aí palavras-chave de
aparência cristã tais com o “encarnação” e “am oroso” são usadas num con­
texto paradoxal à cosmovisão da Bíblia. N o debate sobre a liberdade cristã,
é im portante lem brar de que, de acordo com as Escrituras, C risto não livra
a criação da sujeição, mas da sujeição à vaidade. Liberdade ilim itada é pro­
duto da imaginação, o ouro dos tolos. N ão existe. Temos de nos sujeitar à
justiça ou à injustiça.67 Somos livres para ser santos ou profanos. U m “C en ­
tro de Estudos Lésbicos e Gays em Religião”, com o o sistema pagão que lhe
dá apoio, é o que a Bíblia cham a de “vaidade”. N ão leva à vida ou à verda­
deira liberdade. N ão tem nenhum lugar genuíno no universo de Deus. A
liberdade gloriosa é realmente sujeição às estruturas da criação de Deus, in­
182 O Deus do sexo

clusive as diferenças entre hom em e mulher, em antecipação à ordem cós­


mica renovada e perfeita.

Submissão ao Sexo Bíblico

A sexualidade hum ana é submissa à estrutura de um a só carne do


casam ento heterossexual, que é a relação com plem entar de um hom em e
um a m ulher que contribuem com funções diferentes, porém igualm ente
im portantes. O que a Bíblia revela como diferença e submissão para fun­
ção, o nosso m undo denigre como hom ens tom ando o poder à força e
op rim indo as mulheres. N ão nego que hom ens pecadores tenham trans­
form ado as estruturas de Deus em “vaidade” usando de m aneira im própria
a autoridade que lhes foi dada a fim de oprim ir as m ulheres ou m elhorar a
sua posição e o seu prazer. Mas todas as estruturas hum anas às quais nos
subm etem os — governo, empregadores, professores, até pastores e presbí­
teros — foram distorcidas e usadas para finalidades diabólicas. Aliás, o uso
im próprio das boas estruturas de Deus é a própria essência do pecado.
E lim inar as estruturas não nos livrará do mal. Livrar-se da perspecti­
va bíblica acerca do trabalho, da família e do casam ento não elim inará o
m al pessoal. D e fato, destruir as estruturas de autoridade interm ediária
coloca indivíduos pecadores autônom os face a face com um Estado todo-
poderoso, impessoal e igualm ente pecador. Essa solução sem pre levou
aos piores tipos de abuso e opressão. A cura é pior do que a doença. Por
exem plo, o uso im próprio do sistema legal não deve servir de ocasião
para se desm antelar os tribunais, júris e processos legais. Deve ser a oca­
sião para reform á-los. N o caso de papéis sexuais, m uitos crêem que a
revolução fem inista foi ocasionada pelo livro best-seller The Feminine
M ystique (1963) (A m ística fem inina), escrito po r Betty Friedan. Em ar­
tigos publicados depois da m orte dela, em 4 de fevereiro de 2006, veio a
público que ela havia sofrido m uito com o anti-sem itism o, era um a m ar­
xista convicta, afirmava ser esposa espancada e, de acordo com sua filha
m édica, era um a m ulher profundam ente p erturbada.68 O m arido dela
negou a acusação de espancam ento com as palavras, “Sou a vítim a ino­
cente dos tiros de um a m otorista im prudente que selvagem ente com eçou
a atirar no sexo m asculino em geral”.69
Para resolver esses problem as bem reais de frustração fem inina,
Friedan se em p en h o u num a agressão fundam ental à família tradicional.
T ão devastantes foram os resultados que a própria Friedan tentou, mais
tarde na vida, mas sem sucesso, refrear o m ovim ento. N o final da sua
Sexo renascido e o presente 183

vida, a grande revolucionária confessou que o fem inism o “negava aquela


essência da personalidade das m ulheres que se realiza por m eio do amor,
do cuidado e do lar”.70
A resposta da Bíblia ao uso im próprio das estruturas da criação é en­
tender essas estruturas à luz da boa criação de Deus e do seu projeto de
redenção, e então responder — com o criaturas com entendim ento, arre­
pendim ento e ações de graças — dentro do contexto da constante luta
terrena pela justiça.
Reclaiming Sodom [Reivindicando a volta de Sodom a],71 o program a
homossexual m áxim o, necessariamente está em conflito com o program a
cristão de retomar a posse do universo para a santidade, inclusive a santidade
da heterossexualidade exclusiva. N ão dá para reconciliar essas duas agen­
das, por mais que os hom ossexuais “cristãos” te n te m .72 A submissão a
C risto, que em sua vitória coloca todas as coisas sob seus pés, tem de envol­
ver participação ativa na ressantificação do universo, qualquer que seja o
preço social. H enry M akow faz um a declaração profunda: “U m hom em
não pode ser governado pelo desejo de ter sexo e o am or [narcisista], U m
hom em é o agente de Deus, criando um M undo Novo, a família. Esse é seu
dever, propósito e realização. A realização de um a m ulher é com o parceira
dele e m eio para esse fim”.73

Papéis Sexuais na Igreja

Por causa do relacionam ento íntim o entre criação e redenção, a igreja


reflete em sua organização a estrutura de distinções sexuais com plem enta-
res, derivando-as dos relatos bíblicos de nossos prim eiros pais. Em bora esse
assunto requeira um livro só para si,74 é im portante sim plesm ente observar
aí a diferença de cosmovisão entre o teísmo cristão e o m onism o pagão. A
liderança m asculina na igreja não é um a tentativa m achista de se apoderar
do poder, mas um a parte integral do testem unho da igreja n u m tem po de
paganism o dom inante. O s apóstolos com preendiam que se a igreja — os
prim eiros frutos da nova criação — deveria refletir a verdade da criação
bíblica, que o paganism o negou, ela precisava refletir em sua organização as
estruturas da criação que apontam para o Criador. C om o vimos, o sacerdote
ou xamã andrógino/hom ossexual muitas vezes se torna um líder religioso em
organizações religiosas pagãs. A androginia pagã m uitas vezes, em bora nem
sem pre, tem a função sim bólica de expressar no plano sexual os co m p ro ­
missos religiosos essenciais da crença pagã. O povo de D eus é organizado
de m odo bem diferente tan to no A ntigo qu an to no Novo Testam ento.
184 O Deus do sexo

N a cosmovisão da Bíblia, os líderes da igreja são hom ens heterossexuais, casa­


dos norm alm ente, unidos a um a esposa num a aliança legal, perm anente,
exclusiva e conjugal. H á profundas razões bíblico-teológicas para que isso
seja assim.
O s cristãos não ganharão concursos de popularidade no presente cli­
m a egoísta, pró-aborto e radicalm ente igualitário. Até m esm o na igreja —
até m esm o em m uitas partes da igreja evangélica — essas noções são anáte-
m a porque m esm o os cristãos não com preendem a natureza e a im p o rtân ­
cia do ensino da Bíblia sobre a criação. M uitos inconscientem ente se torna­
ram gnósticos m odernos cheios de espírito, mas rejeitando a criação física.

Submissão Perfeita

U ltim am ente, o tem a da submissão vem recebendo um a cobertura


desfavorável da imprensa. Isso aconteceu com o velho hino, “Q ue seguran­
ça tenho em Jesus” de Fanny J. Crosby, que Bev Shea cantava nas cruzadas
de Billy G raham : “N a perfeita submissão, tudo está em paz; em m eu Salva­
dor, sou feliz e abençoada”. N o nosso m undo pós-m oderno, a democracia
tem enlouquecido e todos somos patrões. N inguém é em pregado. N in ­
guém está disposto a aceitar um a autoridade central. Deus se torna o divi­
no Eu. Essa não é a cosmovisão da Bíblia! Em bora a nossa submissão jamais
seja perfeita, os cristãos realmente crêem que somos separados com o cria­
turas para um propósito especial. A submissão é um a parte essencial do
teísm o bíblico. Aceitamos as estruturas que Deus estabeleceu e nos coloca­
mos na esfera e no processo de santificação. A submissão não é hum ilhante.
E aceitar alegrem ente a nossa santificação em C risto e nosso lugar santo,
im portante e que honre a Deus no universo com o criaturas redim idas.
E p o r isso que o quadro ideal da criação original inclui a noção de
subm issão. O salm ista diz de Adão: “D este-lhe d om ínio sobre as obras da
tua m ão e sob seus pés tudo lhe puseste”.75 C om o vice-reis, Adão e Eva
governavam sobre as estruturas da criação abaixo deles.76 M as, com o vi­
m os, o hom em é tam bém sujeito aos m agistrados,77 líderes de igreja,78
m aridos,79 pais,80 em pregadores,81 à lei de D eus,82 a C risto83 e a D eus.84
Essa subm issão jam ais é pesada ou hum ilhante. É um alinham ento do
indivíduo em fé diante de Deus para com as estruturas “boas” que Deus
criou e o rd en o u .85 N ós descansamos nelas. E por isso sem dúvida que,
nas poucas vezes em que apareceu nos Salmos, o verbo grego para subme-
ter-se foi traduzido “descansar”, com o em “Descanse som ente em Deus, ó
m in h a alma; dele vem a m inha esperança” [Assim na versão da Bíblia que
Sexo renascido e o presente 185

o autor está usando; na AR tem “Som ente em Deus, ó m in h a alma, espe­


ra silenciosa, porque dele vem a m inha esperança” —n.r.] .86 O s cristãos —
até m esm o os cristãos pagãos gentios — com preenderam a submissão e
descansam nela. Sua própria fé se cham a “a obediência da vossa confissão
quanto ao evangelho”.87
A submissão ao am or e à lei de Deus traz descanso e um a consciência
de que somos partes de algo. O teólogo e filósofo alemão D ietrich von
H ildebrand, ao se tornar cristão no começo do século passado, viu que a
verdade revelada “capacita o crente a entrar num m undo de santidade pelo
qual ele ansiava inconscientem ente”.88 C om o no A ntigo Testam ento, assim
tam bém no Novo D eus é um Deus de paz, não de desordem .89 Assim,
deve-se fazer tudo de m odo adequado, estruturado e com ordem .90 Paulo
congratula os colossenses pela boa ordem deles.91 N ão há ordem santa, agra­
dável a Deus, sem submissão. Para agradar a Deus, os cristãos se subm etem
“por dever de consciência”.92
Lembre-se, a m ente pecadora não se submete à lei de Deus.93 Aquele
que se opõe (não se submete) a Deus se opõe ao que Deus ordenou.94 Aqueles
que se opõem ao trabalho não são sim plesm ente preguiçosos. Eles são
desordeiros, sem estrutura da criação.9’ Os pecadores deliberados não são m e­
ram ente malfeitores. São rebeldes, sem um espírito de submissão a Deus.96

Submissão Perfeita E Submissão Grata

Em vez de elim inar essas estruturas de submissão em obediência a


m odernas teorias seculares e pagãs de liberdade dem ocrática e pessoal, a
Bíblia exorta os cristãos a adotá-las m ediante ações de graças por elas. Ele
diz a T im óteo que “Deus criou” [o casamento] para ser recebido “com ação
de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem pelnam ente a verdade”.97
Em bora m uitos pagãos rejeitem a norm a sexual bíblica de casam ento hete­
rossexual exclusivo, os cristãos não têm essa opção. “D igno de honra entre
todos seja o m atrim ônio.”98 Eles tam bém não têm um a opção de rejeitar a
subm issão, que, para Paulo, é um a parte integral do casam ento de um a só
carne. Para fazer a apresentação de seu ensino sobre subm issão na epístola
aos efésios, Paulo exorta os crentes a dar “sem pre graças p o r tudo a nosso
Deus e Pai [com o criador]99, em nom e de nosso Senhor Jesus C risto”. 100
E o próprio versículo seguinte diz: “Sujeitando-vos uns aos o u tro s... As
m ulheres sejam submissas ao seu próprio m arido...” 101
D ar graças é o sinal de que obtivemos a verdadeira com preensão espi­
ritual acerca do projeto criativo e redentor de Deus. O s pagãos não dão
186 O Deus do sexo

graças. Eles “não o glorificaram como Deus [o Criador], nem lhe deram
graças”. Em vez de darem graças, eles escolhem confusão e raciocínio per­
verso — eles “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecen-
do-se-lhes o coração insensato”. 102 Eles têm de desconstruir a ordem criada.
As palavras num a camiseta num a parada do orgulho gay dizem tudo: “Nem
m esm o consigo pensar straight [em inglês, straight significa heterossexual e
tam bém correto - N .T .]”.103 Pelo contrário, dar graças é essencial para a fé
cristã e para a m ente saudável. A Ceia do Senhor é construída ao redor das
ações de graças,104 e é um estado essencial da m ente do crente, com o diz
Paulo: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em
nom e do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.105
Agradecemos a Deus porque ele nos criou e nos redim iu e nos redimirá.
Saber disso nos ajuda de m aneira ativa, disposta e grata a nos subm eterm os
e a adotarm os a perspectiva da Bíblia acerca do sexo.

Sexo Santo como Adoração

“N ada [do que Deus criou] é recusável”,106 mas em vez disso “recebido
com ações de graças”. Essa declaração fundam ental da fé cristã, dada a pa­
gãos recém -convertidos, m ostra um endosso com pleto da criação. Ensina-
ihes com o viver com o cristãos em relação à ordem criada. O m andam ento
flui da afirmação de Paulo de que a criação é boa: “Tudo que Deus criou é
bom ”. 107 A terra não é um erro, nem é a m atéria o resultado do pecado ou
da queda. A criação é o bom produto do plano benevolente de Deus. Deus,
o bom Criador, é o “Salvador, [nesse caso, significando benfeitor] de todos
os hom ens”.108 A criação é um a bênção fabulosa e maravilhosa. É por isso
que C antares de Salomão está incluído na Bíblia, um hino majestoso de
louvor à sexualidade rom ântica e física.

Temas para Debate

• A santidade é um estado que Deus confere a pessoas e coisas. Só dá


para experim entá-la com o um processo depois de haver sido concedida.
• O requisito da Bíblia para que o casam ento seja exclusivo, perm a­
nente e m acho/fêm ea não é arbitrário. Reflete a santidade da criação bem
com o a santidade do Criador.
• A m oralidade não é sobre ser correto. É um com prom isso determ i­
nado de preservar as distinções criadas que Deus estabeleceu com o boas.
• N áo há nada degradante acerca da submissão porque ela é pedida de
todos, inclusive de Cristo.
Capítulo 11

S exo A s s u s t a d o r :
N ão T em a

Levei meus filhos à Disneylândia. Eles insistiram em que eu participasse


de um passeio, num a espécie de cápsula espacial que visita outros planetas
atravessando o universo em altíssima velocidade. O que era embaraçante é
que a cápsula espacial nunca se movia, só os assentos de tem pos em tempos.
Cambaleei para fora daquela caixa de diversão, e passei as três horas seguintes
deitado num banco tentando me recuperar do enjôo causado pelo m ovim en­
to da cápsula. M eus filhos me deixaram ali para fazer a coisa real, especifica­
m ente a M ontanha Espacial. Observei quanto eles claram ente amavam o
estímulo da velocidade. Era tanto excitante quanto assustador. N ão é estra­
nho que o sexo, em bora maravilhoso, excitante e ardente, seja tam bém assus­
tador? H á algo estranho no fato de nos tornarmos tão vulneráveis e íntimos
com outro ser hum ano. Porém, o sexo envolve o mais íntim o dos relaciona­
m entos entre duas pessoas porque foi criado para refletir um relacionamento
mais íntim o — aquele entre Deus e sua noiva. Assim, até certo ponto é
norm al que o sexo seja assustador. O relacionam ento santo entre o m arido
e sua esposa é tão sério quanto divertido. E o relacionam ento entre Deus e
sua noiva é tão sério quanto divertido tam bém. Temos de ter um tem or sau­
dável no que se refere ao sexo, exatamente como temos de ter um tem or
saudável acerca de nosso relacionamento com Deus.
O m odelo de separação, de submissão e hierarquia que exam inam os
em relação à sexualidade e santidade tam bém tem relação com nossa com ­
preensão acerca do temor.

Temer ou N ão Temer

A Bíblia define dois tipos de m edo — o m edo bom e o m edo ruim .


O m edo ruim significa correr assustado. O m edo bom significa m ostrar
tem or e respeito por Deus e suas obras. Esses dois sentidos ocorrem num
versículo: “N ão temais; Deus veio para vos provar e para que o seu tem or
esteja diante de vós, a fim de que não pequeis”. 1
188 O Deus do sexo

U m justo tem or de Deus, o Senhor transcendente, C riador do céu e


da terra, preserva o seu caráter estupendo e espantoso. A vida sem o tem or
bom é tédio. C. S. Lewis capta essa idéia de m odo brilhante no livro The
Lion, the Witch, an d th e Wardrobe [O leão, a feiticeira e o guarda-roupa] em
sua descrição do grande leão, Aslan. As crianças ouvem acerca de Aslan e
ficam com m edo. Susan pergunta: “Ele é perigoso? Se eu encontrar um
leão, vou m e sentir um pouco nervosa”. A Sra. Beaver responde: “Nervosa
você ficará, m inha querida, e não tenha dúvida disso... se há alguém que
pode aparecer diante de Aslan sem trem er de m edo, é ou mais valente do
que a m aioria ou então um im becil”. O utra m enina, Lucy, interpõe: “En­
tão ele é perigoso mesmo?” Ao que a Sra. Beaver dá a m em orável resposta:
“Perigoso? Claro que ele é perigoso. Mas ele é bom ”.
Ser Deus é ser “terrível”. Moisés pergunta: “Ó S E N H O R , quem é
com o tu entre os deuses? Q uem é como tu, glorificado em santidade, terrí­
vel em feitos gloriosos, que operas maravilhas?”2 Assim, “terrível” é real­
m ente um nom e de Deus. Ele é conhecido com o “o Tem or de Isaque”.3
Nessa noção de tem or está o próprio caráter de Deus.
O tem or de Deus é m encionado no contexto das religiões pagãs que
dom inavam a cultura em que o povo de Deus vivia. Deus e os deuses são
com parados — e os deuses nada têm a oferecer! “O S E N H O R , vosso Deus,
é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e
tem ível”.4 O s “deuses” não têm a capacidade de inspirar tem or porque eles
nada são. Jeremias ridiculariza a adoração pagã: “O s ídolos são com o um
espantalho em pepinal e não podem falar; necessitam de quem os leve,
p orquanto não podem andar. N ão tenhais receio deles, pois não podem
fazer m al, e não está neles o fazer o bem”.5
O Senhor, por outro lado, é o C riador santo e transcendente. Sua
presença realm ente inspira m edo. C onform e diz Paulo: “E assim, conhe­
cendo o tem or do Senhor, persuadimos os hom ens”/ ’ Q uan d o as criaturas
adquirem esse bom “tem or do Senhor”, tem or assustador, o tem or ruim é
expulso de um a vez por todas e as boas coisas acontecem . Esses crentes
podem organizar suas vidas em torno de um fundam ento correto e sábio.
“O tem or do S E N H O R é o princípio do saber.”7 Ver D eus em tem or e
respeito, que é o que a Bíblia quer dizer com santo tem or, caracteriza a vida
do crente. É isso o que Deus “exige”: “que temas o S E N H O R , teu Deus, e
andes em todos os seus cam inhos, e o ames, e sirvas ao S E N H O R , teu
Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os m anda­
m entos do S E N H O R e os seus estatutos”.8
Sexo assustador: não tema 189

Para o cristão, “tem er” é norm al. Paulo descreve o caráter essencial do
povo da Nova Aliança com o aqueles que desenvolvem a sua “salvação com
tem or e trem or”.9 Nas Escrituras o bom tem or e respeito a Deus são um
elem ento essencial de tudo o que eles fazem — de louvor,10 de salvação,"
de am izade,12 de santidade,13 de am or,14 de confiança,15 de perdão,16 de
hum ildade17 e de um a vida liberta do pecado.18 Nesse sentido de tem or e
respeito direcionados ao lugar certo, o tem or é bom para a vida h u m an a.19
O tem or de D eus é essencial num a cosmovisão teísta que frisa a
diferença entre C riador e criatura. Deus é o governante sobre toda a terra
para que “Tem a ao S E N H O R toda a terra, tem am -no todos os habitantes
do m u n d o ”.20
Esse padrão de tem or e respeito pelo C riador se reflete dentro da or­
dem criada. O tem or do Senhor tam bém se expressa com o um tem or-
pavor por suas obras. (Q ualquer pessoa que tenha vivido a experiência de
um terrem oto, um furacão, um tornado ou um incêndio florestal ou tenha
olhado o G rand C anyon entende o que é tem er as obras estupendas de
Deus.) Exatam ente com o nos subm etem os, de bom grado e alegria, às es­
truturas da criação, com o anteriorm ente observam os, assim da mesma
m aneira as m antem os, com alegria, em tem or e respeito. “Submissão” e
“tem or” são assim noções bíblicas paralelas que caracterizam o povo de
Deus. Exatam ente com o tem em os a Deus com o aquele que coloca lim i­
tes,21 assim tam bém m antem os no lugar, em temor, esses mesmos limites
que ele coloca. Essa noção é encontrada ao longo de toda a Escritura.
O reino anim al tem de tem er os seres hum anos,22 as nações têm de
tem er o povo de D eus,23 os cidadãos têm de tem er os governantes,24 a espo­
sa tem de tem er o m arido2’ e os escravos seus donos.26 Aqui está um princí­
pio geral: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a
quem im posto, im posto; a quem respeito, respeito; a quem honra, h o n ­
ra”.27 O respeito oferecido não é necessariamente porque a pessoa em autori­
dade merece respeito. O s governantes políticos podem ser ditadores cruéis.
O m arido pode ser grosseirão e canalha. Os professores podem ser m ons­
tros autoritários. O respeito é oferecido por causa do cargo e porque Deus
estabeleceu a estrutura. Assim, o apóstolo Pedro exorta os crentes: “Tratai
todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei”.28
Em m uitas passagens da Bíblia, “subm issão” e “tem o r” ocorrem ju n ­
tos, im plicando que se trata de noções paralelas que expressam um tem a
bíblico fundam ental e central.29 Essa estrutura de respeito, tem or ou sub­
missão influencia a nossa com preensão e prática do sexo. O sexo bíblico
190 O Deus do sexo

e n co n tra o seu caráter assustador na m edida em que reflete o caráter as­


sustador de D eus. O s cristãos fazem o que os pagãos não querem : eles
recebem com agradecim ento as coisas e estruturas criadas com o boas,
confiáveis e assustadoras.

Sexo H um ilde

M ais um fio bíblico une tudo •— a noção de “hum ildade”.


C o m o m uitas vezes se refere aos “hum ildes” ou “pobres” m aterial­
m ente, não dá para limitar essa noção bíblica à privação financeira ou social,
já que ela descreve a condição espiritual do rei de Israel que obviam ente
tem pouca falta de confortos físicos.30 Esse tipo de pobreza se refere a um
estado m ental que reconhece a fraqueza hum ana em relação ao poder eter­
no de D eus.31 Deus salva os “pobres” e “hum ildes”, mas não os “altivos”.32
Essas pessoas são hum ildes porque estão cientes da santidade de Deus, do
seu próprio pecado33 e de sua necessidade profunda da lei de D eus.34 A
Bíblia cham a esse tipo de pobreza ou hum ildade de “as angústias de m inha
alma”.35 Jesus conheceu isso na cruz36 e ensinou que seus seguidores verda­
deiros, pelos quais ele m orreu,37 são os “hum ildes de espírito”.38
O term o para pobreza ou hum ildade espiritual é tam bém traduzido
com o “m ansidão” e m arca a vida de M oisés,39 Jesus40 e o verdadeiro discí­
pulo. Tem os de tom ar o jugo de Jesus e aprender com ele, que é “h u m il­
de”. U m a justa “pobreza de espírito”, diz Jesus, realm ente traz “descanso
para a alm a”41 e produz otim ism o, pois esses são “os m ansos, [que] herda-
" ^
rao a terra ” .4 2
A hum ildade é assim outro fio bíblico que com pleta o tecido da
cosmovisão da Bíblia acerca do sexo. Aquele que entendeu o sexo bíblico
“se su bm eterá” às estruturas de criação de Deus, e com hum ildade e m an­
sidão as respeitará e adotará. Assim o masoquismo, a escravidão e a dom ina­
ção não têm lugar na Bíblia. Especificamente, esses termos de hum ildade,
mansidão e submissão são juntados pelo apóstolo Pedro e aplicados ao caso
particular da m ulher cristã. Ela se submete ao seu m arido com temor e respei­
to e com um espírito manso.43 Esse estilo de vida é vivido “diante de Deus”44
com o testem unho ao m undo pagão.45 Ao praticar o bem, ela “não teme
perturbação alguma”, pois “quem é que vos há de m altratar, se fordes zelo­
sos do que é bom ?” N a mesma passagem, o m arido deverá “ter considera­
ção” para com sua esposa, tratando-a com dignidade “com o parte mais
frágil” e com o “juntam ente, herdeira da mesm a graça de vida”. Nessa base
Sexo assustador: não tema 191

foi colocado o alicerce da intim idade no sexo e na oração. N ão há m elhor


m otivação para o sexo — agrada a Deus e conduz os pagãos à fé.
N a com panhia do Israel antigo,46 dos Serafins que Isaías viu,47 e dos
seres vivos da Nova Jerusalém que um dia verem os,48 os cristãos adoram e
servem o C riador que é bendito eternam ente.49 A boa obra do Criador,
inclusive o sexo, não foi destruída pela queda nem desfeita pela redenção,
nem está para sem pre em fluxo evolucionário. E, com o seu C riador, ben­
d ita ... eternam ente!

Conclusão

N o alvorecer do século 21, os cristãos vivem tem pos confusos. A espi­


ritualidade pagã está em ascensão. O hom ossexualismo busca aceitação. A
natureza do testem unho cristão e a essência do evangelho estão sendo
redefinidas. A nossa coragem está sendo testada. Para sobreviver, alguns
líderes de igreja fazem o evangelho se desentender com a Bíblia e propõem
um a nova leitura das Escrituras.50 O Rev. Ronald Rude, um pastor luterano
de Denver, ao falar da abordagem dividida da Igreja Evangélica Luterana da
América acerca da questão do homossexualismo, pergunta: “O evangelho
anula a Bíblia nesse caso?”51 Alguns pensam que, para sobreviver, temos de
rejeitar a cosmovisão da Bíblia em favor de um a noção m oderna de libera­
ção que supostam ente reflita o “evangelho”. Porém, essa versão am putada
do evangelho não é de m odo algum evangelho. O s líderes “cristãos” que
fazem concessões e que rejeitam a compreensão teísta de Deus poderão so­
breviver, mas serão transformados em sacerdotes pagãos em vestes de bis­
pos, pacificando o m undo todo com diversidade sexual e unidade religiosa.
O s cristãos precisam encontrar coragem para confirm ar a cosmovisão
da Bíblia como o evangelho. O testem unho cristão fica de pé ou cai na
questão de cosmovisão. N ão é suficiente saber versículos da Bíblia. A m e­
nos que D eus seja C riador, R edentor e C onsum ador, e a m enos que o seu
caráter estru tu re a criação, não há evangelho algum para ser pregado. A
reconciliação do evangelho é reconciliação com D eus, o C riador. Prega­
ções lúcidas incluirão a revelação de Deus com relação à sexualidade. Pois
— para nossa grande surpresa, talvez — a batalha pela nossa alm a está
sendo travada na batalha pelo nosso corpo sexual. Aqueles que foram
pegos nas garras viciadoras da pornografia lhe dirão — em m om entos de
clareza — acerca do buraco horrível de apostasia e lam a ao qual seu enga­
no os conduziu. M as, aí, a cada dia que passa a cultura de hoje desce mais
fundo nesse buraco.
192 O Deus do sexo

A pequena D anielle Van D am cresceu num bairro de elegantes lares


suburbanos no Sul da Califórnia. E nquanto seus pais estavam envolvidos
num a confusão irrem ediavelm ente sórdida de relações sexuais — aparente­
m ente com parceiros de ambos os sexos — essa m enina de 7 anos foi rapta­
da. Drogas e álcool entorpeciam a consciência já enfraquecida do casal, e
eles pareciam se alegrar na experiência de choque de sua extrem a perversão
sexual. O vizinho deles, condenado pelo assassinato dela, havia arm azena­
do m ilhares de fotos pornográficas (algumas de crianças) no seu com puta­
dor. M esm o antes de ser assassinada, essa garotinha foi vítim a de sexo “libe­
rado”. A escravidão dos pais dela à perversão sexual, a escravidão do vizinho
dela à pornografia, a escravidão do treinador de futebol ao tráfico de drogas
— o pecado acum ulado dos adultos na vida dela — tudo a deixou vulnerá­
vel à negligência e às conseqüências m ortais do mal.
Por am or aos nossos filhos, ninguém se levantará e denunciará essa
cultura de narcisismo desenfreado?
Alguém se levantou. C om o Salvador do m undo, custou a Jesus a sua
vida. É de esperar que o horror de tal escravidão fará que alguns se voltem
para Cristo, aquele que tom ou sobre si as conseqüências de nosso mal. Só
ele, nosso C riador e Redentor, pode quebrar as cadeias do egoísmo que
am arram a todos nós. Tanto a igreja quanto o m undo precisam com preen­
der a natureza do sexo santo, pois o sexo santo conduz ao evangelho do
Deus verdadeiro, vivo e santo.
Existem duas visões de m undo conflitantes. O monismo pagão detesta o
C riad o r, odeia a sua criação e as estruturas da criação, e prom ove a
pansexualidade livre de limites. O teísmo bíblico ama o Criador, celebra a
criação que ele fez e se submete à estrutura de m onogam ia heterossexual, que
enche a terra de vida e pinta um quadro das diferenças que Deus pôs no
m undo bem como no relacionamento íntim o que Deus tem com seu povo.
O s teístas bíblicos serão vistos, como eram os prim eiros cristãos em
Rom a, com o um a seita religiosa suspeita. Em nossa cultura, a sexualidade
traça as linhas de batalha. Em seu nível mais profundo, o debate nada tem
a ver com direitos civis; ele força as pessoas a escolher entre o paganismo
religioso ou o teísmo bíblico.
Tanto a igreja quanto o m undo precisam dar atenção e com preender
a natureza do sexo santo, que nos leva a um a com preensão mais profunda
da natureza de um Deus santo. Por outro lado, cair vítim a da sedução do
sexo profano nos deixará na cama com ídolos sem vida.
Sexo assustador: não tema 193

A escolha de cosmovisão que fazemos significa que escolhemos entre


os dois modelos seguintes para a identidade sexual.

Androginia Pagã

O m odelo para a androginia é o berdache, um xamã que nasce como


hom em entre os índios americanos, mas escolhe viver com o um a m ulher que
alcança “o encontro das polaridades cósmicas, sexuais e espirituais”,52 ou a
“junção dos opostos”. Esse tipo de hom em gay espiritual servirá para os ho­
mens heterossexuais com o modelo de “um a masculinidade mais compassiva,
tolerante, carinhosa e cheia de h u m o r... [e] as lésbicas continuarão a esten­
der os limites do que significa ser uma m ulher [em term os de questões de]
emancipação e concessão de direitos”.53 Esse m odelo andrógino nos libertará
das “noções falsas e inflexíveis de masculinidade e fem inilidade”.54

Heterossexualidade Bíblica

De acordo com a Bíblia, o hom em m odelo é alguém

“irrepreensível, m arid o de um a só m u lh e r... [seus] filhos crentes que não são


acusados de dissolução, nem são in su b o rd in a d o s... não arro g an te, não irascível,
não d ado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de to rp e ganância; antes, h ospi­
taleiro, am igo do bem , sóbrio, justo, piedoso, que ten h a d o m ín io de si, apegado
à palavra fiel, que é segundo a d o u trin a , de m odo que te n h a p o d er tan to para
exortar pelo reto ensino com o para convencer os que o co n tra d iz e m .”55

A m ulher m odelo é

“subm issas a [seu] vosso p ró p rio m arido, ... [tendo] h o n esto co m p o rta m en to
cheio de te m o r... [seu] ad o rn o [não] e x terio r... p o rém , o h o m em in terio r do
coração, u n id o ao incorruptível trajo de um espírito m an so e tran q ü ilo , que é de
g rande valor d ian te de D e u s ... ju n ta m en te, herdeiros [com seu m arido] da m es­
m a graça de v id a .”56

Tanto o m odelo andrógino quanto os m odelos bíblicos são profunda­


m ente religiosos. São m utuam ente exclusivos e definitivam ente determ i­
narão o tipo de cultura que nossos filhos um dia herdarão. O m odelo
andrógino não deixa espaço para filhos. N o m odelo bíblico, filhos são a
“herança do Senhor”.57 O m odelo andrógino nos deixa no colo impessoal
da Deusa, M ãe Natureza. O m odelo bíblico aponta para além de si mesmo
para um encontro face a face com o Senhor pessoal, C riador e R edentor do
céu e da terra — e do sexo.
A escolha é sua.
194 O Deus do sexo

Temas para Debate

• O Senhor, porém , é o Criador santo e transcendente. Q uan d o as


criaturas adquirem um bom “tem or do Senhor”, tem or assustador, o tem or
ruim é expulso um a vez por todas.
• O m onism o pagão detesta o Criador, a sua criação e as estruturas da
criação e prom ove a livre pansexualidade.
• O teísmo bíblico ama o Criador, celebra sua criação e se subm ete às
estruturas da m onogam ia heterossexual, que pinta um quadro diferente
das diferenças que Deus estabeleceu bem com o o relacionam ento íntim o
que Deus tem com seu povo.
Epílogo:

O R esta nte da H ist ó r ia

O objetivo deste livro foi delinear as implicações dos dois sistemas de


crenças do paganism o e do teísmo bíblico e m ostrar suas implicações inevi­
táveis para a prática sexual. M uitos, como o hom em que m encionei no
m eu prólogo, não estão conscientes de com o suas escolhas diárias e profun­
dam ente em ocionais — principalm ente escolhas sexuais — realmente im ­
plicam decisões de cosmovisão. M uitas pessoas nem m esm o sabem que há
tal coisa com o cosmovisão! Elas nunca im aginaram que há um a série de
crenças acerca da natureza da realidade e, em particular, do sexo, que deter­
m ina a m aneira com o elas se com portam . M uitos parecem fazer decisões
na base de instintos, impulsos e razões de “bom senso”, talvez porque todo
m undo está fazendo isso ou porque eles viram na televisão.
C ertam ente, m uitos não pensaram acerca de com o a sua m aneira de
pensar e sentir sobre questões de m áxima im portância afetam suas ações
ou, aliás, com o suas ações afetam a sua m aneira de pensar e sentir sobre
questões de máxima importância. C ontudo, não podem os deixar as pessoas
nesse estado, com o meros animais de instinto, incapazes de raciocínio ou
genuína ação m oral, m eram ente aliviando seus apetites físicos e sexuais
conform e surge a necessidade. Sei de algumas pessoas que apreciariam ou
aceitariam essa perspectiva de si mesmas.
É claro, sua elevada perspectiva de si mesmas se explica por meio de
nossa Bíblia, que é m uito difam ada e que faz um a declaração estupenda
acerca da nobreza e dignidade dos seres hum anos:
“C rio u D eus, pois, o h o m em à sua im agem ; à im agem de D eus o criou; m acho e
fêm ea os criou. E D eu s os abençoou e D eus lhes disse: Frutificai, e m ultiplicai-
vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e do m in ai sobre os peixes do m ar, e sobre as aves
dos céus, e sobre to d o o anim al que rasteja pela te r r a ... E viu D eu s tu d o q u an to
tin h a feito, e eis que era m u ito b o m .” 1

O salmista apanha esse m esm o tem a e declara:


“Q u e é o h o m e m , que dele te lem bres? E o filho do h o m e m , q u e o visites?
Fizeste-o, no e n ta n to , p o r um pouco, m e n o r do q u e D eu s e de glória e de
h o n ra o coroaste. D este-lh e d o m ín io sobre as o b ras da tua m ão e sob seus pés
tu d o lhe p u seste.”2
196 O Deus do sexo

A Bíblia declara que todos os seres hum anos são de origem nobre,
feitos à sem elhança de Deus e destinados à dignidade, à beleza e ao valor. E
em bora a desobediência hum ana nos m anche de pecado e nos condene à
m orte, os propósitos de Deus na criação — m ediante a graça m aravilhosa
de sua ação de redenção em Cristo — no final terão a últim a palavra. H a­
verá novos céus e um a nova terra, novos corpos, um novo nom e, a mais
im portante festa de casamento, novas expressões sexuais e não mais m orte.
E o Senhor da criação e redenção — Pai, Filho e Espírito Santo — reinará em
justiça e santidade cósmica eternamente. Essa cosmologia bíblica é a grande
boa notícia do evangelho que todos os tipos de pecadores precisam ouvir.

Oh! E o Restante da História?

D urante vários anos eu contei a história com que comecei este livro,
aquela sobre o cantor de ópera gay de 1,86 de altura que se aproxim ou de
m im depois de um a palestra, atirou na m inha m ão um papel amassado
com um bilhete, e foi em bora. C om o contei, sugeri para várias audiênci­
as que pensar sobre cosmovisão é, sem dúvida, o m elhor m odo de falar
com a m ente pós-m oderna e com a m ente homossexual pós-m oderna em
particular.
O ito anos mais tarde, contei essa mesma história a um grupo de estu­
dantes cristãos num a grande universidade em outra parte do país. Depois
da palestra, um jovem estudante veio até mim: “Reconheço este hom em ”,
disse-me ele. “Ele é m eu am igo.” Ele me contou o resto da história. Algum
tem po depois daquela palestra fatal, seu amigo, cuja voz grave era um a das
m elhores, desistiu de sua carreira de cantor porque o m u n d o em que ele
trabalhava e viajava envolvia um a tentação homossexual com a qual ele não
conseguia lidar. Ele pegou um emprego m odesto de servir idosos n u m asi­
lo. “Ele não canta mais?” perguntei. M eu jovem amigo, com face anim ada,
respondeu: “Você devia ouvi-lo cantar na igreja”.
Eu creio que um dia o ouvirei. N o coral celestial vou pedir, se possível,
um lugar ao lado desse m eu irmão. A ntecipo o som dessa voz grave cantan­
do com liberdade total:

“Tu és digno, S enhor e D eus nosso, de receber a glória, a h o n ra e o poder, porque


todas as coisas tu criaste, sim, p or causa da tua v o n tad e vieram a existir e foram
c ria d a s... G ran d es e adm iráveis sáo as tuas obras, S en h o r D eus, Todo-Poderoso!
Justos e verdadeiros são os teus cam inhos, ó Rei das nações!”3
Bibliografia

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Notas
Introdução
D eus e Sexo: Um a C om binação E stranha
1. Justin Taylor, “ Introduction”, Sex and the Supremacy o f Christ, org. por John Piper e Justin
Taylor (Wheaton, IL: Crossvvay, 2005). 15, representa uma abordagem bem-vinda e saudável.
2. Christian de la Huerta, Corning Out Spiritually: The Next Step (Nova York: Tarcher/Putnam,
1999).
3. Craig Dunham. “A Church T hat’s Too Embarrassed to Talk about Sex and Chastity” , By Faith
(julho/agosto de 2005), 21.
4. Ibid., 20.
5. Ed Thomas, "Pro-Hom osexual UCC Leaders Are Pushing ‘C ounterfeit’ Christianity”, Agape
Press (14 de julho de 2005).
6. Jill Carattini, “Consuming Christianity", slice@ sliceofinfinitv.org. (26 de agosto de 2005).
7. Lauren F. Winner. Real Sex: The Naked Truth About Chastity (Grand Rapids: Brazos Press,
2005), 30.
8. Jeífrey Satinover, Homosexuality and the Politics o f Truth (Grand Rapids: Baker, 1996), 17.

P rólogo
O C om eço da H istória
1. Ernest Sanders, Times Advocate (16 d eju lh o de 1995).
2. Romanos 3.23.
3. Satinover, H omosexuality, 227.

C apítulo 1
Fora com o Velho: Faça Amor, não G uerra
1. P. F. Sloan, "Eve o f Destruction”, gravado por Barry McGuire on Eve o f Destruction, MCA, 1965.
2. Para dois estudos excelentes sobre esse assunto escritos por E. Michael Jones, veja Degenerate
M odems: M odernity as Rationalized Sexual M isbehavior (San Francisco: Ignatius, 1993), e
Libido Dominandi: Sexual Liberation and Political Control (South Bend, IN: St. Augustine
Press, 2000).
3. Caleb Crain, “Alfred Kinsey: Liberator or Pervert?” American Family Online (3 de outubro
de 2004).
4. Veja James H. Jones, Alfred C. Kinsey: A Public/Private Life (Nova York: W. W. Norton,
1997), e Jonathan Gathorne-Hardy, Sex, the Measure ofA II Things: A Life o f Alfred C. Kinsey
(Bloomington, IN: Indiana University Press, 2000). Veja também a análise de E. Michael
Jones acerca de James H. Jones. Alfred C. Kinsey, in Culture War 17/2(1998) para entender a
importância da sexualidade e a importância de Kinsey para a década de 1960.
5. Crain, art. cit.
6. Citado in Crain, art. cit.
7. Jones, Degenerate M odem s, 104.
8. Ibid., 105.
9. Ele com certeza não via problema algum na pedofilia e no sexo de pessoas com animais —
veja Judith A. Reisman, Kinsey: Crimes and Consequences: The Red Queen and the Grand
Seheme (Crestwood. KY: The institute for M edia Education, 1998), 226, 245—46.
10. Robert Peters, Christian Wire Service, 8 de novembro de 2004, see mim@moralityinmedia.org.
11. Kinsey, citado por Cornelia Christenson em Kinsey: A Biography (Bloomington, IN: India­
na University Press. 1971). 9. Veja também Jones, Degenerate M odem s. 99.
202 O Deus do sexo

12. Veja a pesquisa notável de Judith A. Reisman, Kinsey: Crimes and Conseqnences.
13. James E. Jones, "A nnals o f Sexology: Dr. Yes”, New Yorker, Io de setembro de 1997, 113.
14. Veja os livros de E. Michael Jones anteriormente mencionados. Veja também Marjorie
Coppock. Wrestling with Angels: The Sexual Revolution Confronts the Church (Eugene,
OR: ACW Press, 2003); TFP Committee on American Issues, Defending a Higher Law:
Why We Must Resist Same-Sex Marriage and the Homosexual M ovement (Spring Grove,
PA: TFP, 2004); Alan Sears e Craig Osten, The Homosexual Agenda: Exposing the Princi­
pal Threat to Religious Freedom Today (Nashville: Broadman and Holman. 2003); Patrick
J. Buchanan, The Death o f the West: How Dying Populations and Im m igrant Invasions
Im peril Country and Civilization (Nova York: Thomas Dunne Books/St. M artin‘s Press,
2002); Linda Grant, Sexing the Millennium: Women and the Sexual Revolution (Londres:
H arperC ollins, 1993); David Allyn, Make Love, Not War: The Sexual Revolution: An
Unfettered History (Nova York: Little, Brown and Co., 2000).
15. 60 Minutes, '‘Porn in the USA”, CBS (5 de setembro de 2004).
16. Peter Cheney, “N et Nightmare”, Australian Presbyterian, março de 2001, 6.
17. Veja o site, books.nap.edu.
18. Greg Taylor, “XXX M inistry”, ChristianityToday.com, 16 de agosto de 2005.
19. Ibid., 7.
20. NYTimes.com, 11 de setembro de 2001.
21. US News A World Report, 27 de maio de 2002.
22. USAToday.com, 10 de julho de 2001.
23. Uso o termo que vem de Vigen Guroian, “Dorm Brothel: The New Debauchery, and The
Colleges That Let It Happen”, Christianity Today, fevereiro de 2005, 46.
24. Veja Guroian, “Dorm Brothel”.
25. Jamie Gadette, “Porn and Prejudice”, Salt Lake City Weekly, 17 de março de 2005.
26. Eric Rich, Courant, 8 de maio de 1999.
27. Ibid.
28. Ibid.
29. “Prostitutes Mean Business”, Netscape Highlights/Reuters, 6 de agosto de 2001.
30. “Femininity Betrayed: A Global Attack”, Life Issues, 13 de setembro de 2003.
31. Ben Shapiro, Porn Generation: How Social Liberalism is Corrupting our Future (Washing­
ton, DC: Regnery Publishing, 2005).
32. “A bortion rate rises, leading to new calls for better sex education”, Scotsman.com, 25 de
maio de 2005.
33. “N ews and Issues”, About.com.
34. Julia Duin, “Form er Abortion Providers Provide Peace, Solace in Therapy”, Washington
Times Weekly Edition, 26 de fevereiro de 2001.
35. J. Budziszewski, “ Human Life, Natural Law, and Pastoral Care”, Theology M atters 7/1
(janeiro/fevereiro de 2001), 3-4.
36. World, 5 de maio de 2001, 12.
37. Citado in Joyce Milton, The First Partner: Hillary Rodham Clinton (Nova York: William
Morrow, 1999), 59.
38. Professor Popenoe, professor de sociologia da Rutgers University em Life Without Fathers
(Nova York: The Free Press, 1996), 135.
39. Ibid.
40. Gerard Reed, Reedings 97 (janeiro de 2000), 3.
41. John Haskins, “Joining the Gay Movement Provides Fisting ...” www.massnews.com, 27 de
março de 2001. Sou agradecido a esse artigo pelos detalhes que seguem.
42. Warren Throckmorton, “GLSEN Distributes Gay Pornography to Youth at Massachusetts
High School”. Education Repórter, 30 de abril de 2005.
Notas 203

43. Ibid.
44. http://womensstudies.berkeley.edu/.
45. http://www.trincoll.edu/pub/academies/departm ents/gay_les_studies.html.
46. Philip Johnston, Home Affairs Editor, Electronic Telegraph, 11 de fevereiro de 2000.
47. A The Alliance for M arriage está buscando uma emenda constitucional que defina casamen­
to como entre um homem e uma mulher.
48. Chris Nutter, “How Gay Men Are Remodeling Regular Guys Post-Straight”, Village Voice, 8
de agosto de 2001. Veja também Will and Crace, NBC.
49. Veja o livro bem documentado escrito por Sears e Osten, The H omosexual Agenda.
50. Ibid., 157-58.
51. Veja Joseph Cardinal Ratzinger, The Ratzinger Report (San Francisco: Ignatius Press, 1985),
que é antigo, mas espantosamente profético.
52. Charles Colson. “ Prom K ingT hinks She‘s a He”, Breakpoint, 17 de maio de 2001.
53. Andy Steiner, “Out Early”, Utne Reader, janeiro-fevereiro de 2001, 17.
54. Deirdre N. McCloskey, "‘From Donald to Deirdre: How a Man Became a Woman— And
What it Says About Identity”, Reason, dezembro de 1999, 45.
55. “Schoolboy wins right to dress in drag”, BBCWorldNews.com, 16 de outubro de 2000.
56. BBCWorldNews.com, 12 de abril de 2000.
57. June Singer, Androgyny: Towards a New Theory ofSexuality (Londres: Routledge and Kegan,
1977), 267.
58. The H um anist( 1983), a revista da American Humanist Association.
59. Mikhail Gorbachev, The Search fo r a New Beginning: Developing a New Civilization (San
Francisco: HarperSanFrancisco, 1995), citado na página de Internet de State o f the World
Forum, www.worldforum.org.

C apítulo 2
Q ue Saia o Velho: A M orte de Deus
1. Steve Bruce, G od Is Dead: Secularization in the West (Oxford: Blackwell, 2002).
2. Naomi Goldenburg, C hanging o f the Gods: Feminism and the E nd ofT raditional Religions
(Boston: Beacon Press, 1979), 41.
3. Bell hooks, Teaching to Transgress: Education as the Practice o f Freedom (Nova York:
Routledge, 1994). A autora escreve o nome dela sem letras maiúsculas para transgredir as
regras gramaticais.
4. Veja Deena Metzger, “Revamping the World: On the Retum o f the Holy Prostitute”, Anima
12/2 (1986), citado in George Otis Jr., The Twilight o f the Labyrinth: Why Does Spiritual
Darkness Linger Where it Does? (Grand Rapids: Chosen Books/Baker, 1997), 107.
5. Jam es R. E dw ards, “E arthquake in the M ainline” , C hristianity Today, 14 de novem bro de
1994, 39.
6. Realizado na Catedral Episcopal da Graça, em San Francisco. Berit Kjos, “ An Unholy
Renaissance o f Sacred Sexuality”, Southern Califórnia Christian Times, julho de 1994, 9.
7. Geraldine Coughlan, “Dutch Launch Sex Workers’ First Union”, BBC World News, 2 de
outubro de 2001.
8. Julia Duin, “M orality matters to middle class; tolerance more so; Few use the language o f
absolutes”, Washington Times, 10 de março de 1998.
9. Alan Wolfe, One Nalion, After Ali: How the Middle Class Really Think A bout God, Countiy,
and Family (Nova York: Viking Press, 1998), 27.
10. Tammy Bruce, The Death o f Right and Wrong: Exposing the L e fts Assault on Our Cidture
and Values (Roseville, CA: Forum/Prima Publishing, 2003), 162.
11. Ibid., 46.
12. Ibid., 57.
204 O Deus do sexo

13. Ibid., 73.


14. Anne D. Neal, Jerry Martin, e Mashad Moses, LosingAmerica ’s Memory: Historical Illiteracy
in the 21 st Century (Washington, DC: American Council ofT rustees and Alumni. 2000), 2,
citado in Bruce, Death, 176.
15. Ellen Sorokin, “University to Replace Western Civilization Classes”, Washington Times, 19
de abril de 2002.
16. David Miller, The New Polytheism: Rehirth o f the Gods and Goddesses (Nova York: Harper
& Row, 1974), vii-x.
17. Ibid.. vii. Essa declaração de independência nos levou ao julgam ento de impeachment de
Clinton em que a comentarista Margot Adler da Rádio Pública Nacional verbalizou o con­
fronto de cosmovisões. Os convidados de seu programa observaram o apelo do congressista
Henry Hyde em favor do “padrão universal da verdade”, ao passo que Sherry Mills, a advogada
do presidente, falou sobre dez versões da verdade.
18. Ankh significa “ vida” na antiga língua egípcia.
19. Jean Houston, The Passion o f Isis and Osiris: A Gateway to Transcendent Love (N ova York:
Ballantine/W ellspring, 1995), 7.
20. Ibid., 28.
21. Jean Houston, “An Open Letter to President Bill Clinton”, Tikkun: The Journal ofN o etic
Sciences (1997).
22. Veja também “First Lady’s ‘A dviser’ Says She’s Not a Psychic”, Providence Journal Bulletin,
25 de junho de 1996, A3.
23. Veja David H. Lane, The Phenomenon ofTeilhard: Prophet fo r a New Age (Macon, GA:
Mercer University Press, 1996), 136-37.
24. Emily Culpepper, “The Spiritual, Political Journey o f a Fem inist Freethinker” , After
Patriarchy: Feminist Transformations o f the World Religions, org. por P. Cooey (Maryknoll:
O rbis Books, 1991), 164, citando Judy Grahn.
25. Internet Movie Database, “ Memorable Quotes from StarW ars(1977)”, http://www.imdb.com/
title/tt0076759/quotes.
26. Surya Das, Awakening the Buddha Within: Tibetan Wisdom fo r the Western World (Nova
York: Broadway Books, 1997), 16.
27. Ibid., 370.
28. Ibid.
29. A famosa frase budista Om Marti Padme Hung expressa a essência do Budismo Mayana.
30. Das, Awakening the Buddha Within, 377.
31. George Barna, The Index o f Leading Spiritual Indicators (Word, 1996), citado in Jeremiah
Greedon, “God With a Miliion Faces”, Utne Reader julho-agosto de 1998, 42-49.
32. Philip Schaff, America: A Sketch o f its Political, Social and Religious Character, org. por
Perry M iller (Cambridge, MA: Belknap Press, 1961), citado in Catherine L. Albanese,
“Religion and the American Experience a Century After”, Church History 57 (setembro de
1988), 337.
3 3. Veja Donna Steichen, Jngodly Rage: The Hidden Face o f Catholic Feminism (San Francis­
co: Ignatius Press, 1991), 32.
34. Veja Rosemary Radford Ruether, Women-Church: Theology and Practice (San Francisco:
Harper & Row, 1985), 104.
35. Irmã Dorothy Ollinger, S.S.N.D, citado in Steichen, Ungodly Rage, 60.
36. Mateus 6.7, 24 (mamom aí significa “coisas terrenas”). Veja também Romanos 1.25. Veja
Michael P. Levine, Pantheism: A Non-theistic Concept o f Deity (Nova York: Routledge,
1994).
37. Veja Peter Jones, Spirit Wars: Pagan Revival in Christian America (Mukilteo, WA: Winepress,
1997), 252-53.
Notas 205

38. Veja o site de Jean H ouston. w ww. jeanhouston.org. Veja também Steichen, Ungodly Rage,
251: “No C onvento de N ossa Senhora dos Anjos em W heaton. a Irmã G abriele dá aulas de
‘ilum inação’ para 'e x p lo rar' as 'trad içõ es’ e os rituais judaicos, budistas, islâmicos, indí­
genas e ocultistas e para introduzir o 1 Ching, o sistem a chinês de adivinhação. A Irmã
Gabriele explicou de maneira incrível seus motivos [de envolvim ento na] Nova Era: 'N ão
mais temos o luxo de fazer tranqüilam ente uma busca religiosa. Estam os no processo de
desvelar uma nova identidade humana, e na balança pende nossa capacidade de navegar
com êxito nossa iniciação como pessoas planetárias. A convergência está sobre nós tão
certamente como a evolução da espécie’".
39. Para uma análise e crítica brilhante, veja Thomas Moinar, Utopia: The Perennial Heresy
(Nova York: University Press o f America. 1990).
40. Veja G McLeod Bryan, Foices in the Wilderness: Twentieth-Century Prophets Speak to the
New Millennium (M acon. GA: Mercer University Press. 1999). 42. Smith comandou uma
das maiores e mais entusiásticas audiências dc professores de religião na Academia Ameri­
cana de Religião realizada em Nashville, em novembro de 2000.
41. O Instituto de Verão Sophia na Holy Names College em Oakland, Califórnia, em 2001
debateu o tema “Nascim ento dos Humanos Planetários”, traçando os “esboços de uma trans­
formação mundial do espírito humano”. Os palestrantes incluíam Sally McFague, professo­
ra na Vanderbilt Divinity School, e Brian Swimme, cientista e profundo ecologista, autor de
The Universe Is a Green Dragon. Informações extraídas do folheto sobre as aulas.
42. Alvin e Heidi Toffler. IVar and Antiwar: Survival at the Dawn o f the 21" Century (Nova
York: Little. Brown and Co.. 1993), 242.
43. William Greider, One World Ready or Not (Nova York: Simon and Schuster, 1997), 468.
Veja também Scott Gillette, “A Glorious New Century? The Corning Age o f Prosperity”,
Etlier Zone, 14 de agosto de 2001.
44. John Shelby Spong, Why Christianity Must C.hange or Die: A Bishop Speaks to Believers in
Exile (San Francisco: Harper. 1999), xviii.
45. Lloyd Geering. The World to Come: From Christian Past to Global Future (Santa Rosa, CA:
Polebridge Press. 1999), e Tomorrow ’s God: How We Create Our Worlds (Santa Rosa. CA:
Polebridge, 2000).
46. Geering, Tomorrow s God. 130.
47. Geering. The World to Come. 107.
48. Geering. Tomorrow s G od, 159.
49. C. S. Lewis, Miracles (Nova York: Macmillan, 1947), 82-83.
50. Geering, The World to Come. 157.
51. Ibid., 158.
52. Ibid.. 157.
53. Romanos 1.25.
54. Geering, The World to Come. 161.
55. Ibid., 154: "Todas as tradições religiosas contribuirão... e as que puderem responder com
mais flexibilidade... aos desafios atuais terão provavelmente o máximo para oferecer”.
56. Ibid., 160.
57. Shulamith Firestone, The Dialectic o fS e x (Nova York: Bantam Books, 1972), 12.
58. Joseph Nicolosi e Linda Ames Nicolosi, A P arents Guide to Preventing Homosexuality
(Downers Grove, 1L: InterVarsity Press, 2002), 22.

C apítulo 3
Entra o Novo: A Utopia Sexual V indoura
1. Juggie Naran, “More Younger Children Are Having Sex”, www.IOL.co.za. 10 de julho de
2005.
206 O Deus do sexo

2. ”Lust declared virtue. not vice”. BBC, l g de janeiro de 2004. A lascívia vem erradamente
m arcada como um vício e deveria ser "recuperada para a humanidade” como uma virtude que
prom ove a vida, de acordo com um filósofo muito importante, o Prof. Simon Blackburn da
Cambridge University. A campanha dele é parte de um projeto da editora Oxford University
Press sobre a relevância moderna dos sete pecados capitais.
3. Spong. Why Christianity Must Change, 159.
4. Charles Pickstone, The Divinity ofSex: The Search fo r Ecstasy in a Secular Age (Nova York:
St. M artin’s Press. 1997), analisado p o rJohnA ttarianem Culture IVars, março de 1998, 46ss.
Pickstone está repetindo os passos de Ezra Pound, que deixou o teísmo do Presbiterianismo
para buscar liberdade espiritual em Paris na década de 1920. Ele cria que o sexo, a criatividade
e o misticismo eram parte da busca espiritual, que "chegamos ao divino por meio dos senti­
dos". e assim se envolveu numa vida de sensualidade a fim de testar sua teoria, mas sua
"busca" terminou em fracasso. Veja E. Fuller Torrey, The Roots ofTreason: Ezra Pound, and
the Secrel o] St. Elizabeth s (Nova York: McGraw Hill. 1984). 115. citado in Peter C. Moore.
D isarming the Secular Gods: How to Talk So Skeptics IVill Listen (Downers Grovc. 1L:
InterVarsity Press, 1989), 45.
5. Neale Donald VValsch. Conversations with God: An Uncommon Diaíog, Book 3 (Charlottesville.
VA: Hampton Roads Publishing. 1998), 56. Sou agradecido a Lee Penn (veja referência adi­
ante) por me levar a conhecer os escritos de Walsch e Barbara Marx Hubbard.
6. Singer. Androgvnv.
7. Ibid., 18.
8. Ibid.. vii.
9. Ibid.. 20, 22.
10. Ibid.. 275.
11. Essa é exatamente a questão que o Pe. John C. Murray, We H old these Truths (Nova York:
Sheed and Ward. 1960). 208, frisou. Ele observa como os utopinianos usarão o processo
democrático para seus próprios fins de um jeito que os Fundadores dos EUA não tenciona-
ram: "Todas as questões da vida humana — intelectuais, religiosas, morais — deverão... ser
resolvidas pela onicompetente técnica política de voto da maioria” . Se as coisas tiverem de
avançar nessa direção, o programa pagão se apossará dos órgãos de comunicação de massa
a fim de decidir o modo que as pessoas votam. E isso o que vem ocorrendo.
12. Singer. Androgyny. 254.
13. Veja Daniel R. Heimbach. True Sexual Morality: Recovering Biblical Standards fo r a Culture
in Crisis (W heaton. 1L: Crossway. 2004).
14. Ralph Waldo Emerson, Self-Reliance (1847), citado in Eugene Narrett. "Proud Ephemerals:
Signs o f Self Made Men”. Culture Wars, dezembro de 1999, 4.
15. As citações são do Saraha's Treasury ofSongs in Edward Conze et al. (orgs.), Buddhist Texts
through the Ages (San Francisco: Harper Torchbooks, 1964), 24, 48, 64, 74.
16. Walsch. Conversations with God. Book 2, 167.
17. Ibid., Livro 3, 146.
18 .Ib id ., Livro 2, 79.
19. Helen Shucman. A Course in Miracles (Nova York: Foundation for Inner Peace, 1975), 47,
262.
20. Lee Penn. "United Religions: Globalists and New Age Plans”, SCP Journal, novembro de
1999, 45.
21. Metzger. “ R evam pingthe World” .
22. Terry Collins. "Bovs face felony charges in videotaped sex case", Minneapolis Star Tribune,
3 de abril de 2001. A palestra foi intitulada “Defending Pornography: Free Speech, Sex, and
the Fight for W omen’s Rights” e ocorrcu em M inneapolis em 3 de abril de 2001.
23. Kevin Peraino, "Playboy Goes XXX ”, Newsweek, 16 de julho de 2001, 36.
Notas 207

24. Jon Ward, “Gay bishop backs Planned Parenthood”, Washington Times, 16 de abril de 2005.
25. Ibid.
26. Ibid.
27. Ibid.
28. 1 Coríntios 6.9. Há muitos que acreditam como Robinson. A rede de clérigos da Federação
de Planejamento Familiar atualmente tem 1.400 pastores e outros líderes religiosos.
29. Bruce, Death, 7, 11.
30. Bruce, Death, 27.
31. Citado in Shapiro, Porn Generation, 50.
32. Wolfe, One Nation, produz uma análise surpreendente da morte do relativismo moral nos
Estados Unidos.
33. Ellen Goodman, North County Times, 26 de janeiro de 1999. Isso é limbo moral, mas há
desaprovação implícita — daqueles que ousam desaprovar. Há só desaprovação da desapro­
vação e intolerância para com aqueles que são intolerantes.
34. Outro exemplo vem de Cyber-NOT, um dispositivo de censura que filtra materiais ofensivos
na Internet. Antes de 1995 a censura se estendia a sites controlados por ativistas gays. De­
pois que os gays protestaram, o bloqueio de sites gays foi eliminado, e um membro do
GLAAD (Gays and Lesbian Alliance Against Defamation) foi incluído na diretoria de
Cyber-NOT. Logo depois, American Family Association de Don W ildmon, uma organiza­
ção cristã oposta à agenda homossexual, foi incluída na lista de Cyber-NOT de sites censu­
rados. De novo os desaprovadores são formalmente desaprovados. Acerca desse assunto,
veja John Leo, “See No Evil, Surf No Evil”, US News <£ World Report, Io. de fevereiro de
1999, 18.
35. “Ethics, Enron and American Higher Education: A N A S/Z ogby Poli o f College Seniors”,
National Association ofScholars, julho de 2002.
36. Bruce, Death, 170.
37. Edith H. Jones, “American Legal System Is Corrupt Beyond R ecognition”, MassNews.com,
28 de fevereiro de 2004.
38. Uma entrevista com Walsch. citado in Lee Penn, “Dark Apocalypse, Blood Lust o f the
Compassionate”, SCP Journal 24:2-24:3 (2000): 29.
39. Ibid.
40. Walsch, Conversations with God, Book 2, 105.
41. Ibid., 127.
42. Barbara Marx Hubbard, The Revelation: A Message o f Hope fo r the New Millennium (Nova­
to, CA: Nataraj Publishing, 1995), 166.
43. Jessie Bernard, The Future o f Marriage (Nova York: World Publishing, 1972), 51.
44. Geering, The World to Come, 86.
45. Walsch, Conversations with God, Book 2, 97: e Livro 3, 210.
46. Barbara Marx Hubbard, Conscious Evolution: Awakening the Power o f O ur Social Potential
(Novato, CA: New World Library, 1998), 208.
47. Citado in A rthur W. Hunt, The Vanishing Word: The Veneration o f Visual Imagery in the
Postmodern World (W heaton, IL: Crossway, 2003), 236.
48. Citado por Ed Vitagliano, “New Video Introduces Kids to Same-Sex Couples”, Theology
Matters 8/2 (março/abril de 2002): 6.
49. Alan F. H. Wisdom, “Let Marriage Be Held in Honor”, Theology Matters 8/2 (março/abril de
2002). Uma cerimônia de casamento proposta pelo gay Rev. Juan Oliver, missionário da Diocese
Episcopal de New Jersey (onde John Spong era o bispo presidente), evita noções tradicionais
de compromisso. Omite “até que a morte nos separe” e “esquecendo todos os outros”. Não há
menção de filhos ou do papel dos pais.
208 O Deus do sexo

50. Ibid., 4. Veja as declarações da Rev. Marilyn McCord da Yale Divinity School, definindo a
Trindade como “o Coro dos Homens Gays” e sugerindo-o como um exemplo que a igreja
deve seguir ao “abençoar” três ou mais pessoas envolvidas num relacionamento firme.
51. Walsch. Conversations with God, Livro 3. 35-36.
52. Lee Penn, “Dark Apocalypse”, 12.
53. Barbara Marx Hubbard, The Book o f Co-Creation Part II (publicação pessoal, 1993), 60,
citado in Lee Penn, “ Dark Apocalypse”, 12.
54. “Androgyny”. single do álbum “beautifulgarbage”, 2 de outubro de 2001.
55. Citado in Satinover, Homosexuality, 121.
56. Satinover, ibid., 61. Ele cita como exemplo a revista Anything That Moves, de San Francisco.
57. Virginia Ramey Mollenkott. Omnigender: A Trans-Religious Approach (Cleveland, OH:
The Pilgrim Press, 2001), 41, 74.
58. Um dos órgãos é sempre defeituoso, que significa que a pessoa não é verdadeiramente
homem e mulher, mas tem uma anormalidade biológica bem rara.
59. M ollenkott, ibid., 69, propõe isso como uma útil estratégia temporária parajovens inseguros
acerca de sua sexualidade.
60. Ibid., 70.
61. Ausente dessa lista está a palavra “poliamoria”, que significa amar mais de uma pessoa ao
mesmo tempo, o que desafia a noção normativa da monossexualidade.
62. Rev. Louis P. Sheldon, “Senate Panei Debates Need to Protect Traditional M arriage”,
TraditionalValues.org, 9 dc setembro de 2003. Sheldon dá vários exemplos: Mitchel Raphael,
editor de uma revista homossexual canadense chamada F ab... observou: “ Eu seria a favor
do casamento se eu achasse que os gays quisessem desafiar e mudar a instituição e não
quisessem adotar o sentido tradicional de "até que a morte nos separe’ e monogam ia eter­
n a ...” Paula Ettelbrick diz: “Ser homossexual significa empurrar os parâmetros do sexo e
família, e no processo transformar a própria estrutura da sociedade”. O ativista homossexual
M ichelangelo Signorile, escrevendo na revista Out! Magazine (dez./fev. de 1994) disse que
os homossexuais têm de trabalhar a favor do casamento gay como uma estratégia para sub­
verter a instituição inteira do casamento. Ele diz que a “ação mais subversiva que os gays e
lésbicas podem empreender — e uma que talvez beneficiaria toda a sociedade — é transfor­
mar inteiramente a noção de família”.
63. Ibid., 61.
64. Ibid., 79.
65. Ibid., 167.
66. Ibid.
67. A U nião de Estudantes da Universidade de Michigan oferece a escolha de “banheiros
m ultigêneros” com vários espaços e pias para aqueles com estilos de vida excêntricos. Veja
Nick Thomm, “Multi-Gendered Restrooms at UM”, CREDO: News fo r Cathoiic and Other
Christians, 11 de fevereiro de 2002. Kelly Garrett, coordenadora de programas e desenvol­
vimento estudantil na Secretaria de Assuntos Lésbicos, Gays, Bissexuais e Transgêneros,
diz: “As pessoas que não se encaixam nas normas sexuais vêm à União especificamente para
usar esse banheiro. N ossa meta é ter um banheiro seguro em cada prédio no campus”.
68. M ollenkott cita os banheiros no navio de fuzileiros navais USS SanA ntonio, que já não tem
mictórios.
69. Mark Bergin, “Gender Blender”, World, 18 de junho de 2005, 37.
70. Citado in Shapiro, Porn Generaíion, 38.
71. Ibid., 38. Há prova de que Mollenkott não é uma voz solitária. Em 2003, estudantes da
Faculdade Smith, uma escola só de mulheres em Massachusetts, votaram para remover to­
dos os pronom es femininos da constituição da escola e substituí-los por pronomes sexual­
mente neutros. A revisão da constituição é parte de uma campanha para fazer os estudantes
Notas 209

transgêneros se sentirem mais bem-vindos no campus. No mesmo ano, a Wesleyan University


em Connecticut ofereceu um andar de dormitórios “sexualmente cego” para a chegada de
estudantes que não estão certos de qual sexo são. Os estudantes que solicitam o andar terão
colegas de quarto nomeados sem se levar em consideração seu sexo, percebido ou não. Os
quartos reservados para estudantes transgêneros, descritos como aqueles estudantes que
nasceram com órgãos genitais ambigúos ou que não se identificam com seu sexo físico.
72. Ibid., 169.
73. Ibid., 61.
74. Ibid., 80. Nicolosi e Nicolosi, A Parents Guide, 16-17, pelo contrário, argumenta que “nor­
mal” é “aquilo que funciona de acordo com seu projeto... [e] nós todos fomos projetados
para ser heterossexuais”. Nicolosi (ibid., 99), psiquiatra clínico, identifica o que está por trás
dessa reivindicação por todo tipo de sexo e o fim da normalidade. “ Pelo fato de que o sexo
é lembrado como uma fonte de dor na infância, a aniquilação das diferenças sexuais é, o que
não é de surpreender, uma exigência central da cultura gay.”
75. Ibid., 81.
76. Veja o site Article 8 Alliance.
77. Kristin Rowe-Finkbeiner, The F Word: Feminism in Jeopardy: Women, Politics and the
Future (Emeryville, CA: Seal Press, 2004), 102.
78. Ibid., 82.
79. Ibid., 185. Veja também sua Sensuous Spirituality: Out from Fundamentalism (Nova York:
Crossroad, 1992).
80. N a nota 85, a profunda causa é a dor humana, mas considero o mais profundo nível como o
religioso e teológico.
81. Essa restrição não é um obstáculo tão grande assim. Algum tempo atrás, o Parlamento britâ­
nico baixou a idade de consentimento para o sexo na Inglaterra para 16 anos.
82. Mollenkott, Omnigender, 70-71, n. 66.
83. Judith Levine, Harmful to Minors: The Perils o f Protecting Minors fro m Sex (Minneapolis:
University o f M innesota Press, 2002).
84. “ Espírito familiar” é o termo técnico usado para descrever o animal “possuído por espíritos” .
85. Fiona Home, Witch: A Magikal Journey: A Guide to M odem Witchcraft (Londres: Thorstons,
2000), 77.
86. Ibid., 84.
87. Terence McKenna, F ood fo r the Gods: The Search fo r the O riginal Tree o f Knowledge
(Nova York: Bantam, 1992), 40^41.
88. Otis, The Twilight Labyrinth, 175, citando um xamã de Paviotso.
89. M ircea Eliade, Sham anism : Archaic Techniques o f Ecstasy (Princeton, NJ: Princeton
University Press, 1972), 328-29.
90. Stanley Kurtz, “Beyond Gay Marriage”, Weekly Standard, 8 de abril de 2003, versão do site.
91. Ibid.
92. Ibid.
93. Ibid., Geri D. Weitzman, “What Psychological Professionals Should Know about Polyamory”,
www.Polyamory.org. (Baseado num documento apresentado na 8a Conferência Anual de
Diversidade, 12 de março de 1999, Albany, NY.)
94. Mark Tooley, “Some Gays Say M ultiple Partners Can Be Holy”, The Layman, setembro de
2003, 20.
95. Ibid.
96. Ibid.
97. A conexão não se limita a essa expressão de religião pagã. No Antigo Testamento a adoração
de Baal estava associada ao excesso sexual — veja Números 23, 25, 31; Deuteronômio 4.3;
Josué 22:17; Salmo 106.28; 1 Coríntios 10.7,8.
210 O Deus do sexo

98. Isso também se aplica a Tatiano e Clemente. VejaKathy L. Gaca, The Making ofFornication:
Eros, Ethics and Political Reform in Greek Philosophy and Early Christianity (Berkeley,
CA: University o f Califórnia Press, 2003), 223ss. '
99. Veja Peter Jones, Capturing the Pagan Mind (Nashville: Broadman and Holman, 2003).
100. Nancy Sorkin Rabinowitz, “The MaleActorof Greek Tragedy: Evidence of Misogyny orGender-
Bending?” Hamilton College, Clinton, Nova York, E-mail: nrabinovv@itsmail.hamilton.edu.
101. Gaca, The M aking o f Fornication, 77.
102. Ibid., 80.
103. Ibid., 81.
104. Ibid.. 80.
105. Veja seu tratado Symposium, em que ele acha o lesbianismo, o homossexualism o e a
heterossexualidade anormais. Ele crê no mito de que havia originalmente três tipos de
pessoa, um homem, uma mulher e um ser andrógino. Zeus cortou todos os três ao meio de
modo que as duas partes do homem procurassem cada outra (que explica o homossexualis­
mo) exatamente como as duas partes da mulher (que explica o lesbianismo). O ser andrógino
explica para ele a origem da heterossexualidade. Acerca das opiniões de Platão sobre a
sexualidade, veja David M. Halperin. “Plato and Erotic Reciprocity”, Classical Antiquity
5 (1985): 60-80; também Halperin, “ Platonic Eros and What Men Call Love”, Ancient
Philosophy 5 (1985): 161-204.
106. Horne, IVilch, 332-34, revela como a feitiçaria e o lesbianismo podem estar intimamente
identificados. Ela descreve a celebração da Deusa em que quarenta mulheres nuas se entre­
laçavam nos braços umas das outras, beijando-se umas às outras, entoando, “Virgem, sem
necessidade de outros! Virgem completa em si... virgem, mas não celíbata”.

C apítulo 4
H om ossexualidade: O Sacram ento Sexual do P aganism o R eligioso
1. John Leo, “M edia Groupthink: How Gay ' H ousehold’Numbers Are Distorted” , U.S. News &
World Report, 23 de julho de 2001.
2. Veja Nicolosi, A P arents Cuide.
3. Marvin Olasky. “From Mental Disorder to Civil-Rights Cause”, World, 19 de fevereiro de
2005. Nas Leis de Platão, o sexo de homem com homem é descrito como para phusin, o
mesmo termo que Paulo usa. Veja Simon Goldhill, F oucaults Virginity, 51. 53. Parece que
em bora Platão visse o homossexualismo como "contrário à natureza”, ele o promovia.
4. A. Dean Byrd, PhD, Shirley E. Cox, PhD, and Jeffrey W. Robinson, PhD, “The Innate-
Immutable Argument Finds No Basis in Science: In Their Own Words: Gay Activists Speak
A bout Science, Morality, Philosophy”, Salt Lake City Tribune, 27 de maio de 2001.
5. Art. cit.
6. Veja Satinover, Homosexuality, 31-37. Dois anos depois a Associação Americana de Psicolo­
gia fez a mesma coisa.
7. Nicolosi, A P arents Guide, 14. “Um igualitarismo furioso... forçou os especialistas em psi­
quiatria a negociar a condição patológica do homossexualismo com os próprios homossexuais.”
Veja também Psychology Today, jan./fev. de 2003, org. por Robert Epstein, PhD; Christopher
Rosik, PhD, “Conversion Therapy Revisited: Parameters and Rationale for Ethical Care”,
Journal o f Pastoral Care. 55 (primavera de 2001): 47-67; Roy Waller and Linda A. Nicolosi,
“Homosexuality a Choice: Evidence Found for EfFectiveness o f Reorientation Therapy”, Narth,
outubro de 2003; e Dr. Robert L. Spitzer. Archives o f Sexual Behavior. 32 (outubro de 2003):
403-17. Spitzer desafia a suposição de que a orientação homossexual é “parte intrínseca da
identidade de uma pessoa que jam ais dá para mudar”.
8. Em agosto de 2003 a decisão legal Lawrence v. Texas foi anulada. Veja também a decisão em
favor de Romer v. Evans em 1996.
Notas 211

9. Linda Harvey. “ What Homosexual ‘Marriage" Will Mean to A m erica’s C hildren”, C hoicefor
Truth, setembro de 2003: 1-2.
10. Observe a popularidade de tais programas como Queer Eye fo r the Straight Guy.
11. Hugh Hewitt, “Exiled Voices", World, junho de 2005, 9.
12. Nicholas A. Jackson. “The Ex-Gay Gene?” Mission America, 5 de julho dc 2005.
13. Robert Spencer, "Cartoon Rage vs. Frecdom o f Speech”, FrontPageMagazine.com. 2 de
fevereiro de 2006.
14. “Canadians Legalize Same-Sex Marriage". Los Angeles Times, 21 de julho de 2005, A8.
15. Karl Giberson. ''The Real Assault on Marriage", Science and Theology News, julho/agosto
de 2005: 6.
16. De la Huerta, Corning Out Spirituaily. 7.
17. Depois da legalização do casamento gay em Massachusetts, um grande anúncio outdoor de
um site gay exibia dois homens nus enrolados nutria bandeira americana.
18. De la Huerta, Corning Out Spirituaily, 11.
19. Nem mesmo a Grécia antiga legalizou o casamento gay. O casamento era para procriação c
a manutenção do Estado-cidade.
20. Paula Ettelbrick, citado in William B. Rubenstein. "Since When Is Marriage a Path to Liberation?"
Lesbians, Gay Men, and the Law (Nova York: l he New Press. 1993). 398. 400.
21. T. E. Schmidt, Straight cfc Narrow? Compassion and Clarity in the Homosexual Debate
(Downers Grove, IL: InterVarsitv Press, 1995), 1.
22. Chris Hinkle, "M ore Than a Matter ofConscience: Homosexuality and Religious Freedom".
AAR, 2000. 112.
23. Alguns conservadores dentro das principais igrejas se opõem à tendência geral. Veja Dr.
Robert Sanders. I lrtueonline: The Voice fo r Global Orthodox Anglicanism . para conhecer
uma oposição teológica equilibrada.
24. "Homosexuality Is Divinely Ordered, says Anglican Catechism” . Religion Today, 14 de
junho de 2001.
25. Edvvard Walsh. "Presbyterian Board Alters Gay Policy", Washington Post, 16 de junho de
2001, A01.
26. Anotações da 199a. Assembléia Geral (1987), United Presbyterian USA. 776, citado in
David W. Jones, “Egalitarianism and Homosexuality: Connected or Autonomous Ideologies?”
Journal fo r Biblical M anhood and Womanhood VII (outono de 2.003), 7.
27. Veja Alan Charles Raul, "How Legalizing Gay Marriage Undermines Society's Morais”,
The Christian Science Monitor, 9 de dezembro de 2003.
28. Veja o artigo dc Religion Today. "Homosexuality is Divinely Ordered . . . ” : “Os crentes
cristãos homossexuais precisam ser incentivados a descobrir em suas preferências sexuais
tais elementos de beleza moral que possam melhorar sua compreensão geral do chamado de
Cristo". Veja também Walsh, art. cit.: “ Remover a proibição” contra os homossexuais no
ministério ordenado, diz o liberal John Buchanan, um ex-presidente da Assembléia Geral
Presbiteriana, “cria espaço para se viver e trabalhar juntos”.
29. Peter J. Gomes, The G ood Life: Truth That Lasts in Times o f N eed (San Francisco:
H arperSanFrancisco, 2002), 308. Gomes cita o testemunho de Richard Holloway, bispo dc
Edimburgo, que vendo outros cristãos anglicanos se opondo ao homossexualism o diante de
um grupo de estudantes universitários citando versículos da Bíblia, deu a opinião anterior e
acrescentou: "Estou bastante convencido de que o encontro [desses estudantes] com o Cris­
tianismo nesse dia os escandalizou” .
30. Ibid., 310-11.
31. Os eleitores suíços aprovaram direitos iguais de herança e imposto para casais homossexuais
em igualdade com os casais heterossexuais casados. Veja “Swiss vote to ease border control",
BBC, 5 de junho de 2005. A Grã-Bretanha imitou, embora o chefe de Estado também seja
defensor da fé (cristã), e os bispos cristãos tenham assento na Câmara dos Lordes.
212 O Deus do sexo

32. Veja Satinover. H o m o se x u a lity ^ icolosi eN icolosi, A P arents Guide', Sears and Osten, The
Homosexual Agenda. Satinover. Homosexuality, 103, argumenta que se o homossexualismo
fosse geneticamente determinado, sua presença na população tenderia a diminuir. Veja tam­
bém 109-17.
33. Citado in Otis, The Twilight Labyrinth, 180.
34. Ibid.
35. N icolosi, A P a ren t’s G uide, 100.
36. Christian de la Huerta, “Articles o f Faith: In the Spirit o f Pride". vvvvw.thetaskforce.org, 16
de junho de 2005.
37. Ibid.
38. Ibid.
39. Ibid.
40. Citado in Robert Turcan. The Culls ofT he Roman Empire, trad. de A ntoniaN eville (Oxford:
Blackwell. 1996). 58.
4 1. De la Huerta. Corning Out Spiritaally, 34.
42. Frederic Baue, The Spiritual Society: What Lurks beyond the Postmodern (W heaton, IL:
Crossvvay. 2001), 16.
43. Shirley MacLaine, G oing Within: A Guide fo r Inner Transformation (Nova York: Bantam
Books. 1989), 197.
44. M onica Sjoo and Barbara Mor, The Great Cosmic Mother: Rediscovering the Religion o f
the Earth (San Francisco: HarperSanFrancisco, 1987), 67-68.
45. Culpcpper, "Fem inist Freethinker", 164.
46. V irginia M ollenkott, Sensuous Spirituality: Out fro m F undam entalism (N ova York:
Crossroads. 1992), 42, 166.
47. Ibid.. 19, 24.
48. Uma forma de adivinhação chinesa — veja ibid., 16.
49. The (London) Daily Record, 11 de dezembro de 1999.
50. Steichen, Ungodly Rage, 302.
51. I lenry Makovv. "The Vagina Monologues and the Clash o f Civilizations", Toogood Reports,
24 de outubro dc 2001.
52. "A Report", Good News. janeiro de 1994, 2. Judy Westerdorf. pastora da Igreja Metodista
Unida, fez essa declaração para duas mil mulheres das principais denominações cristãs tra­
d icionais na C onferência R eim aginando, um evento fem inista “ cristão " pagão, em
M inneapolis em 1993. Para uma avaliação acadêmica e simpática à feitiçaria moderna, veja
Helen A. Berger, A Community ofW itches: Contemporary Neo-Paganism and Witchcrafi in
the United States (Columbia. SC: University o f South Carolina Press. 1999).
53. Muitas dessas informações também podem ser encontradas in Peter Jones, “Androgyny: The
Pagan Sexual Ideal". Journal o f the Evangelical Theological Society 43 (setembro de 2000):
443-69.
54. Michael York. Pagan Theology: Paganism as a World Religion (Nova York: New York
University Press, 2003), 42. York se refere à obra de Eliade, Shamanism.
55. De la Huerta, Corning Out Spiritually, 31, declara: “ Por muitas épocas e freqüente em cultu­
ras diferentes, os indivíduos com inclinações homoeróticas e variações sexuais cumpriam
diretam ente funções espirituais, assumindo o papel de xamãs, curandeiros, videntes,
adi vinhadores, mestres espirituais, sacerdotes, sacerdotisas e prostitutas sagradas". Para exem­
plos adicionais, veja 31-43.
56. York. Pagan Theology. 42.
57. Além da obra original d é Eliade. veja a obra mais recente de Arlene Swidler, (org.),
H omosexuality and World Religions (Valley Forge. PA: Trinity Press International. 1993).
Notas 213

58. Sou grato a Martti Nissinen, Homoeroticism in the Biblical World: A Histórical Perspective
(M inneapolis: Fortress Press, 1998), 28. Veja também Helmer Ringgren. Religions o f the
Ancient Near East, trad. de John Sturdy (Filadélfia: Westminster Press, 1973), 25. que fala
de “eunucos” nus ligados ao culto da deusa sum eriana Inanna (Istar).
59. Nissinen, Homoeroticism, 30.
60. Ibid., 32.
61. Neal H. Walls, The Goddess A nat in Ugaritic Myth: SBL Dissertation Series 135 (Atlanta:
Scholars Press, 1992): 83.
62. Ibid., 107. Sobre Cibele, veja adiante.
63. Ibid., 86.
64. VejaNicholas Wyatt, “The Anat Stela from Ugarit and its Ramifications”, Ugarit Forschungen
16(1984): 331.
65. Agostinho, City o f G od, vii: 26.
66. Eliade. Shamanism, 125. Veja também Nissinen, Homoeroticism, 34.
67. Eliade, Shamanism, 352.
68. Veja Serena Nanda, Neither Man nor Woman: The Hijras o f índia (Belmont, CA: 1990), xv.
Citado in Nissinen, ibid. De acordo com Tal Brooke, Avatar o fN ig h t (Berkeley, CA: End
Run Publishing, 1999), 331, Sai Baba, um importante guru hindu e adorador da Deusa (veja
193, 200), com quem ele estava intimamente associado antes de sua conversão cristã, era
andrógino e praticava o homossexualismo com muitos de seus discípulos.
69. Mircea Eliade, The Two and the One (Nova York: Harper. 1969), 118.
70. Ibid.
71. Das, Awakening the Buddha Within, 140; cf. 384. Das observa que no passado o Budismo
"olhava com desconfiança... o sexo homossexual. Mas a maioria dos mestres do darma de
hoje sente que [talj conduta... está dentro dos limites e é viável mediante carmas” (209).
72. Mollenkott, Omnigender, 155.
73. Site, SoutheastAlaska Gay and LesbianAlliance, http://wvnv.ptialaska.net/~seagla/perspective/
Testimonies.htm. Veja Walter Williams, The Spirit and the Flesh: Sexual Diversity in American
Indian Culture (Boston: Beacon Press, 1986).
74. Em 1576 o explorador europeu Pedro de Magalhães de Gandavo observou a presença de
guerreiros transgêneros entre os índios tupinambás; o m issionário católico romano Padre
M arquette descreveu os berdache de Illinois em 1673. Veja R obert M. Baum, “The
Traditional Religions o f the Américas and África", in Svvidler, H om osexuality and World
Religions, 14-15.
75. Baum, art. cit., fornece uma discussão sistemática c uma bibliografia especializada útil.
76. Mircea Eliade, “Androgynes", The Encyclopedia ofR eiigion, vol. I. org. por Mircea Eliade
(Nova York: Macmillan, 1987). 277.
77. Ibid.
78. Veja Wendy Doniger O Tlaherty, Women, Androgynes and Other M ythical Beasts (Chicago:
University o f Chicago Press, 1980), 285-89. Veja também Baum, "Traditional Religions”,
19-32. Baum examinou cinqüenta sociedades africanas.
79. Baum, art. cit., 21.
80. Veja Randy P. 0 ’C onnor, B lossom o f Bone: R eclaim ing the C o n n ection s betw een
Homoeroticism and the Sacred (San Francisco: 1larperSanFrancisco, 1994).
81. Baum, “Traditional Religions” . 15. Veja também Edward Carpenter, “ On the Connection
between Homosexuality and Divination, and the Importance o f the Intermediate Sexes
Generally in Early Civilizations”, Revue d ’ethnographie et de sociologie 11 (1910): 3 1 0 -
16, e Intermediate Types am ong Primitive Folk: A Study in Social Evohition (Londres, 1919)
(M anchester, New Hampshire: Ayer Co. Pub., 1975); Williams, The Spirit and the Flesli.
214 O Deus do sexo

82. C. G Jung. Mysterium Coniunctionis: An Inquiry into the Separation and Synthesis ofPsychic
Opposites in Alchemy: Bollingen Series XX: trad. de R. F. C. Hull (Princeton: Princeton
University Press, 1970), 244-45, identifica esse mesmo fenômeno embora não diretamente
associado com a sexualidade.
83. Francis A. Schaeffer, The G od Who Is There (1968) Complete Works, vol. 1 (W heaton, IL:
Crossway, 1982), 37.
84. Richard Noll, The Jung Cult: Origins o f a Charismatic Movement (Princeton: Princeton
University Press, 1994). 41-42, 269-73.
85. Satinover, Homosexuality, 4 6 -4 7 , observa como Jung viu o aspecto espiritual do h o ­
m ossexualism o.
86. 0 ’Flaherty, Women, Androgynes. 294.
87. A tentativa cristã de “amar o pecador e odiar o pecado” (como o colocou Agostinho) é muitas
vezes rejeitada. A espiritualidade pagã exige que amemos o pecado de alguém e adotemos
suas antinomias numa experiência mística de unidade.
88. George Lucas reconheceu Campbell, um convidado freqüente no Rancho Skywalker, como
mentor espiritual.
89. Numa série do Serviço de Transmissão Pública da década de 1980 o dinheiro dos contribu­
intes do imposto de renda promoveu uma apologia profundamente religiosa e anticristã para
a espiritualidade pagã.
90. Joseph Campbell e Bill Moyers, The Power ofM yth (Nova York: Doubleday, 1988), 57.
9 1. Ibid.
92. Eliade. Sham anism , 352. Pastor batista e conselheiro presidencial, o Rev. Tony Campolo faz
um pronunciamento extraordinário: “Não só amo o feminino cm Jesus, mas quanto mais
conheço Jesus, mais percebo que Jesus ama o feminino em m im ... A sociedade rae criou
para suprimir a tão chamada dimensão feminina de minha natureza humana. Mas quando
Jesus rae restaura completamente, ambos os lados de quem fui designado para ser se torna­
rão finalmente realidade. Então e só então eu poderei plenamente amar Jesus". Tony Campolo,
Carpe Diem: Seize the Day (Dallas: Word, 1994), 87-88.
93. Margo Anand, The Path ofSaeredSexuality fo r Western Lovers (Nova York: Tarcher/Putnam,
1989), 4.
94. N icolosi, A P arents Guide, 99, cita um travesti gay que diz: "Envolver-se em travestismo é
um jeito de tomar posse de todos os arquétipos possíveis do universo... Na linha divisória
entre homens e mulheres, gosto de estar em cima do muro, apto a sentir e experimentar
ambos os lados e implicitamente apontar que as divisões são artificiais”.
95. O termo suaves (malakoj) é a palavra grega usada para “homossexual" em 1 Coríntios 6.9 —
veja Dale B. Martin, “Asenokoitês and Malakos: Meaning and Consequences” , em Biblical
Ethics and Homosexuality: Listening to Seripture, org. por Robert L. Brawley (Louisville,
KY: Westminster/John Knox Press, 1996), 117-36.
96. Eliade, Two and the One, 112, menciona a prática homossexual em iniciações rituais
andróginas.
97. Em Symposium, 192E. de Platão, um de seus preparadores de discursos, Aristófanes, diz: “O
desejo de todos é scr um. não dois... não se dividir em noite e dia... no passado... éramos
um; mas agora, por causa de nossos pecados, todos estamos dispersos” .
98. Ibid., 154.
99. J. Michael Clark, “Gay Spirituality”, Spirituality and the Secular Ouest, org. por Peter H. Van
Ness (Nova York: Crossroads/Herder. 1996), 337.
100. Ibid.. 338.
101. Uma feminista “cristã" radical declarou com honestidade: "Nenhuma mulher pode servir a
duas autoridades, um mestre chamado Escrituras e uma senhora chamada feminismo”. Citado
sem referência in Mary Kassian, The Feminist Mistake: The Radical lmpact o f Feminism on
Church and Culture (Wheaton, IL: Crossway, 2005. reedição de The Feminine Gospel), 278.
Notas 215

102. Clark, “Gay Spirituality”, 342.


103. Ibid. Esse é semelhante ao nadle dos navajos. conhecido como o “ reconciliador”.
104. O Islamismo desaprova o homossexualismo, mas sua variante monista. Sufismo, está cres­
cendo em popularidade no Ocidente. Um muçulmano pró-homossexualismo faz esta ob­
servação interessante: “Os gays religiosos no mundo m uçulm ano... teriam de se refugiar
no Sufismo antinomiano [m isticism o... em que] tudo o que vale é a união com o divino-
por meio de exaltação mística. Nesse nível se torna insignificante se o crente é hetero- ou
h om ossexual” — veja K halid D uran, “ H om osexuality and Islam ” , in Sw idler,
Homosexuality and World Religions, 196.
105. De la Huerta, Corning Out o f Spirituality, 39.
106. Ibid.
107. Os cristãos protestarão: Deus está no controle, e o paganismo não poderá ganhar. Todo
joelho vai se prostrar diante do nome de Jesus Cristo, mas a Bíblia não garante que algum
país permanecerá fiel, nem promete que não passaremos por sofrimento e opressão nas
mãos de autoridades pagãs.
108. Veja o relato da palestra de Rosemary Radford R ueuther “G lobalization, Christian
Ecofeminism and World Religions”, in Charles A. Coulombe, “Truth Is Divisive” Mission,
12 (2003): 10.
109. Essa música foi tocada nas cerimônias que marcaram o novo milênio, presididas pelo então
Presidente Clinton — nada de céu, nada de inferno, nada de religiões, apenas unidade.
110. Eliade, “Androgynes”, 279.
111. Jonathan Goldberg, Reclaiming Sodom (Nova York: Routledge, 1994). Veja também Stephen
D. Moore, “Que(e)rying Paul: Preliminary Questions” , Auguries: TheJubilee Volume o f the
Sheffield Department o f Biblical Studies (orgs.), David J. A. Clines and Stephen D. Moore,
em JSOT, Supplement Series 269 (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1998), 253.
112. Geering, The World to Come, 105.
113. Allan Dobras, “ Prescription for Tolerance: Is Moral Judgment a Mental Disorder?” Veja
MissionAmerica, 2 de fevereiro de 2006. Veja também “ Psychiatry Ponders W hether
Extreme Bias Can Be an Illness”, Washington Post, 10 de dezembro de 2005.

C apítulo 5
C on seqü ên cias D estrutivas Involuntárias
1. O Fórum da Situação M undial, invenção de Mikhail Gorbachev, reflete um pensamento utó­
pico semelhante. Num grupo de jurados sobre “Cosmologia, C ultura e Mudança Social”, foi
proposta uma nova “cultura integrada” na qual “todos os papéis e relacionamentos serão
redefinidos” junto com o paradigma da “integração de arquétipos masculinos e femininos” —
veja “ 1997 State o f the World Forum: Cosmology, Culture and Change — Final Report”,
Internet document, wwvv.worldforum.org/1997/forum/Cosmology and culture.html., 2.
2. Mollenkott, Omnigender, 174.
3. Ibid., 162.
4. Veja Anne Hendershott, professora de sociologia da University o f San Diego, The PoHtics o f
Deviance (San Francisco: Encounter Books, 2004).
5. Mollenkott, 80.
6. M ollenkott, ibid., 185, citando Provérbios 29.18.
7. Mark C. Taylor, Erring: A Postmodern A/theology (Chicago: University o f Chicago Press,
1984), 158-59.
8. Ibid., 157-58.
9. Veja David Cave, Mircea Eliade s Vision fo r a New Humanism (Nova York: Oxford, 1993), 3.
10. Eliade, Two and the One, 123, n. 1.
11. Taylor, Erring, 158-59.
216 O Deus do sexo

12. Philip Yancey, Rumors o f Another World: What on Earth Are We M issing? (Grand Rapids:
Zondervan, 2003), 77.
13. Citado por Diggs, art. cit.
14. Shapiro, Porn Generation.
15. Shapiro, Porn Generation, 7, 45.
16. Rick Fitzgibbons, “Medicai Downside o f Homosexual Behavior: A Political Agenda Is
Trumping Science”. Zenith.org, 18 de setembro de 2003.
17. John R. Diggs Jr., MD, em “The Health Risks o f Gay Sex”, para o Corporate Resource
Council, dfacr.org.
18. Há um site inteiro dedicado a essa tese, http://www.virtualcity.com/youthsuicide/, cuja meta
é m ostrar a causa homofóbica do suicídio entre gays.
19. J. Michael Bailey, “ Homosexuality and Mental Illness”, Archives o f General Psychiatry, 56
(1999), 883-84.
20. D. Island e P. Letellier, Men Who Beat the Men Who Love Them: Battersd Gay Men and
Domestic Violence (Nova York: Haworth Press, 1991), 14.
21. N um a pesquisa envolvendo 1.099 lésbicas, a Journal o f Social Service Research revelou
que pouco mais que metade das lésbicas relatou que haviam sido abusadas por uma parcei-
ra-am ante. G w at Yong Lie e Sabrina G entlew arrier, “ Intim ate V iolence in Lesbian
Relationships: Discussion o f Survey Findings and Practice Implications”, Journal o f Social
Service Research 15 (1991), 46.
22. Bailey, art. cit., 884.
23. Veja o artigo bem docum entado do Dr. Timothy J. Dailey, membro e pesquisador sênior no
C entro de E studos de C asam ento e Fam ília no C onselho de P esq u isa da Fam ília,
“ Com paring the Lifestyles o f Homosexual Couples to M arried Couples”, Fam ily Research
Council, 4 de ju n h o de 2005.
24. Citado in Diggs, art. cit.
25. Uma entrevista com Walsch, citada in Lee Penn, “Dark Apocalypse, Blood Lust o f the
Com passionate”, SCP Journal 24:2-24:3 (2000), 29.
26. Diggs, art. cit.
27. Diggs, art. cit.
28. “Survey Finds 40 percent o f Gay Men Have Had More Than 40 Sex Partners”, Lambda
Report, janeiro de 1998, 20. Veja também Roger Magnuson, Are Gay Rights Right? (Portland,
OR: M ultnomah, 1990), 43, citando “The AIDS Epidemic”, Newsweek, 18 de abril de 1983,
7 4 -7 9 e Glenn Wood e John Dietrich, The AID S Epidemic, (Portland, OR: Multnomah,
1990), citado in Ron Gleason, What Homosexuals Do, um manuscrito não publicado gentil­
mente cedido pelo autor.
29. Diggs, art. cit.
30. Diggs, art. cit.
31. Diggs, art. cit.
32. Bruce, Death, 97.
33. Diggs, art. cit.
34. Journal o f the Am erican Public Health Association, 93 (junho de 2003).
35. Veja o artigo de A. Dean Byrd, presidente daNARTH (National Association o f Research and
Therapy o f Homosexuals), “Journal o f the American Public Health Highlights Risks o f
Homosexual Practices", www.narth.com.
36. Mary E. Northbridge, “ HIV Returns”, na seção editorial da Journal o f the American Public
Health Association, 93 (junho de 2003), 860.
37. M ichael Gross, “ W hen Plagues D on’t End”, Journal o f the Am erican Public Health
Association, 93 (junho de 2003), 861-62.
38. Ibid., 872-81.
Notas 217

39. Rick Fitzgibbons, “Medicai Downside o f Homosexual Behavior: A Political Agenda Is


Trumping Science” . Zenith.org, 18 de setembro de 2003.
40. Charles Colson, Breakpoint, 7 de junho de 2005.
41. Barbara Dafoe Whitehead, The Divorce Culture (Nova York: Alfred A. Knopf, 1997).
42. Citado in Glenn T. Stanton, Why Marriage Matters: Reasons to Believe in Marriage in a
Postmodern Society (Colorado Springs: Pifion Press, 1997), 20.
43. Ibid., 24.
44. Sarah Lyall, “Europeans O ptingN ot to Marry”, New York Times, 24 de março de 2002.
45. Matt Magio, “Jesse Jackson Endorses Illegitimacy!” Alamance Independent, janeiro de 2001.
46. GoodNews. Etc.. julho de 2001, 8.
47. Bruce, Death, 204m, citando um professor da Universidade de M issouri-K ansas City.
48. Veja “Casual Attitude Towards Adult-Teen Sex by GLSEN”, www.agapepress.org, maio de
2005.
49. Bruce, Death, 195.
50. Janet Shamlian, “Parents alarmed that books are more ‘Sex in the C ity’ than ‘Nancy Drew’”,
NBC News, 15 de agosto de 2005.
51. Alan e Osten, The H omosexual Agenda, 67.
52. Citado in Beverly Eakman, “Telling Kids They Might Be Gay”, NewsW ithViews.com, 29 de
julho de 2004.
53. Ibid.
54. John Leo, “ Stealth Language at the U.N. Is Dangerously U ndem ocratic”, Jewish World
Review, 11 de setembro de 2001.
55. Eakman, art. cit.
56. H endershott, The Politics o f Deviance. Esse com entário vem de um a entrevista com
Hendershott em “Standard deviance — redefinition o f bad behavior as ‘norm al’ (thanks to
‘Progressive’ liberais)”, World Magazine, 6 de junho de 2005.
57. Donna Rice Hughes, Kids Online: Protecting Your Children in Cyberspace (Nova York:
Revell, 1998), citado em Protectkids.com.
58. Veja a bibliografia.
59. Jane Lampman, “Churches confront an ‘elephant in the pew s” ', Christian Science Monitor,
25 de agosto de 2005.
60. De uma correspondência de Traditional Values Coalition, P. O. Box 97088, Washington, DC
20090-7088.
61. Veja Kevin McCuIlough, “The secret lives o f Christian school boys”, WorldNetDaily.com,
maio de 2005.
62. Psicólogo David de Vaus da La Trobe University. de M elbourne, “Study Finds Married Men
Live Longer”, www.health.discovery.com/news/afp/20020930/feminists.html. Veja também
o respeitadíssimo psicólogo Winifred B. Cutler, PhD, Love Cycles: The Science o flntim acy
(N ova York: V illard B ooks, 1991), e G eorge G ilder, “In D efense o f M onogam y” ,
Commentary, 58 (novembro de 1974), 22-39.
63. Veja E. M ichael Jones, Dionysos Rising: The Birth o f Cultural Revolution out o f the Spirit o f
Music (San Francisco: Ignatius Press, 1994).
64. Aparentemente 46 milhões de bebês em gestação são abortados no mundo inteiro anualmente.
65. Peter G Peterson, The Cray Dawn: How the Corning Age Wave Will Transform America —
and the World (N ova York: Random House, 1999).
66. M ichelle Roberts, “ Infertility Time Bomb Warning”, BBC News, 22 de ju n h o de 2005.
67. Peterson, Cray Dawn, 28.
68. Ibid., 42.
69. Ibid., 47.
70. Ibid., 12-14.
218 O Deus do sexo

71. Ibid., 77.


72. Ibid., 111.
73. Ibid., 202.
74. Ibid., 207, 217-20.
75. /6/rf., 187.
76. Romanos 1.25.
77. E verdade que nem todas as sociedades pagãs têm mostrado uma tendência automática de
adotar a liberação sexual. Sem dúvida as coisas são mais complicadas. A “imagem de Deus” da
criação refreia as culturas de prosseguirem até o fim. As sociedades são incoerentes. Rosemary
Radford Ruether se sente chocada com as “contradições agudas” que ela encontra na cultura
hindu na qual imagens da deusa são mais comuns do que em qualquer outra cultura, mas ela
também encontra uma subordinação estrita de mulheres — veja Rosemary Radford Ruether,
Inlegrating Ecofeminism, Globalization and World Religions (Nova York: Rowman and
Littlefield, 2005), 49. Há, porém, uma coerência brutal em certas formas de paganismo antigo
— veja as antigas religiões de mistério ou as muitas formas de animismo tribal (veja o capítulo
anterior) — que agora reaparecem na agenda programática do neopaganismo.
78. Romanos 1.25.
79. Yancey, Rumors o f Another World, 88.
80. 2 Coríntios 5.20: 1 Timóteo 4.4. Veja Jones, Capluring the Pagan Mind.
81. Romanos 1.25.
82. Veja meu livro, Stolen Identity (Colorado Springs: Victor, Cook Communications, 2006).

C apítulo 6
Deus e o Sexo
1. “Church doesn’t think like Jesus: Survey shows only 9 percent o f Christians have biblical
w orldview", WorldNetDaily.com, 3 de dezembro de 2003.
2. Schaeffer, The G od Who Is There.
3. Campbell e Moyers, The Power ofM yth, 58.
4. Lewis, Miracles, 85, diz: “O panteísta é levado a declarar que ou tudo é Deus ou que nada é
Deus, mas em nenhum dos dois casos ele é incapaz de dar algum significado preciso a seu
conceito” .
5. Roshi Joan Halifax, “ Excerpts from Buddhist Peacework: Creating Cultures o f Peace”, Boston
Research Center for the Twenty-First Century: Newsletter 14 (inverno de 2000): 10-11.
6. Aparentem ente, uma cobra troca de pele a cada dois ou três meses.
7. Campbell e Moyers, Power ofM yth, 55.
8. Ibid., 53. Veja Jones, Spirit Wars, 126-30, sobre os vários usos dos símbolos da serpente.
9. Gênesis 3.1-5.
10. Lewis, Miracles, 90-91.
11. Isaías 29.16; cf. Romanos 9.20,21.
12. Ibid., 87.
13. 2 Crônicas 23.6.
14. Êxodo 28.4: “Farão vestes sagradas para Arão, teu irmão, e para seus filhos, para me oficia­
rem como sacerdotes” .
15. Isaías 66.1;cf. Mateus 5.35; Atos 7.49.
16. Isaías 57.15.
17. Mateus 6.9.
18. Êxodo 20.7.
19. Salmo 89.7.
20. Isaías 6.1-3.
21. Isaías 6.5.
Notas 219

22. Isaías 33.14.


23. Êxodo 20.3-5.
24. Romanos 1.25.
25. Provérbios 9.10.
26. 1 Reis 18.39.
27. Isaías 46.5; cf. 40.18.
28. Salmo 86.8.
29. Salmo 89.6.
30. Êxodo 20.4,5.
31. Deuteronôm io 6.4. M uitos lares judaicos ainda dizem isso em hebraico: S h ’ma Yis-ra-eil,
A-donai E-lo-hei-nu, A-do-nai E-chad.
32. Deuteronômio 5.2; Josué 3.10; 2 Reis 19.4, 16: Salmos 42.2; 84.2. Veja também na literatura
judaica, Filo, Decálogo 67; 2 Macabeus 15.4; Oráculos Sibilinos 3:763. No Novo Testa­
mento, a frase ocorre em Atos 14.15; 2 Coríntios 3.3; 6.16; e 1 Tessalonicenses 1.9,10.
33. Para um estudo fascinante das passagens citadas, vejaM ark J. Goodwin, Paul: Apostle ofthe
Living G od (Harrisburg, PA: Trinity Press International, 2001).
34. 1 Tessalonicenses 1.9,10.
35. Geering, Tomorrow s God, 189.
36. Ele usou o sinônimo “naturalismo” .
37. J. Gresham Machen, Christianity and Liberalism (Grand Rapids: Eerdmans, 1923), 62-63.
38. Nem mesmo a N ova Era e as viagens astrais do ocultismo chegam perto da onipresença
divina.
39. Salmo 50.21.
40. Isaías 55.8.
41. Salmo 96.9.
42. 1 Coríntios 8.6; cf. Efesios 4.6: “ Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por
meio de todos e está em todos” .
43. Deuteronômio 32.6.
44. Malaquias 2.10. De acordo com R udolf Bultmann, Theology o f the New Testament (Nova
York: Charles Scribner's Sons, 1955), 69, Deus é descrito como essencialmente o Criador,
muitas vezes em expressões do Antigo Testamento ou do Judaísmo. Veja referências exten­
sas ao que Bultmann chama de “a igreja helenística fora de Paulo”, 69 -7 0 . mas que inclui
muitas referências a Paulo e aos pais da igreja primitiva.
45. Citado in Uwe Siemon-Netto, “ Poli Shows Protestant Collapse”, UPI, 28 de junho de 2001.
46. Singer, Androgyny, 61.
47. Veja Jean Naudou, “ Sexualité et Ascèse", Sexualité et Religions, org. por Mareei Berrnos
(Paris: Editions du C e rf 1988), 32.
48. João 1.1-3.
49. Colin E. Gunton, The Trinne Creator: A Histórica! and Systematic Study (Grand Rapids:
Eerdmans, 1998), 9.
50. Ibid., 10.
51. J. Gresham Machen, The New Testament: An Introduction to Its Literature and History
(Edimburgo: Banner ofT ruth, reeditado em 1992), 319.
52. Apocalipse 3.20; cf. Mateus 7.7.
53. Isaías 40.25,26.
54. Geering, Tomorrow s God, 50.
55. Gênesis 1.1.
56. Romanos 1.19,20.
57. Gunton, Triune Creator, 3.
58. Ibid., 1.
220 O Deus do sexo

59. Klaus Westermann, Genesis l - l I : A Commentary, traduzido por J. J. Scullion (M inneapolis:


Augsburg Press, 1984), 127.
60. Geering, Tomorrow s G od, 62.
61. Dan Cohn-Sherbok, The Jewish Messiah: The Future o f a Delusion (Londres: Dr. W illiams’
Trust, 1999), 16, citando Mordecai Kaplan, o fundador do Judaísmo Reconstrucionista.
62. Ibid., 15.
63. Gunton, Triune Creator, 9.
64. Ibid., Paulo em Romanos 4.17.
65. Spong, Why Christianity Must Change, 21 — vejaLarry Witham, “ What Path for Christianity?
Three Theologians, Three Views”, Washington Times, 29 de fevereiro de 2000.
66. Sobre o Gnosticismo, veja Hans Jonas, The Gnostic Religion (Boston: Beacon, 1963); Kurt
Rudolph, Gnosis: The Nature and History o f anA ncient Religion (Edimburgo: T&T Clark,
1983); Jones, Spirit Wars, capítulos 5, 7, 9, 11, 13 e 15.
67. Sobre Marcião, veja R. S. Wilson, Marcion: A Study o f a Second-C entw y Heretic (Londres:
1933).

C apítulo 7
O N ascim ento do Sexo
1. Gênesis 2.20.
2. Spong, Why Christianity Must Change, 90.
3. Cantares 4.3,4.
4. Provérbios 5.18-20.
5. Cantares 5.1.
6. Efésios 5.22,33.
7. 1 Coríntios 7.1-5.
8. Veja Rebecca Jones, Does Christianity Squash Women? A Christian Looks at Womanhood
(Nashville: Broadman and Holman, 2005). Veja também Piper e Taylor, Sex and the Supremacy
(veja o cap. 1, n. 1).
9. Bruce S. Thom ton, Bros: The Myth o f Ancient Greek Sexuality (Boulder, CO: Westview
Press, 1997), 69.
10. Gênesis 3.20.
11. Veja Provérbios 31.
12. Para várias referências aos escritores gregos e seus comentários, veja Thornton, Eros, 69-73.
13. Provérbios 31.25,26.
14. Provérbios 31.10.
15. Romanos 1.20.
16. Isaías 6.3.
17. Levítico 11.45; cf. 1 Pedro 1.16.
18. Gênesis 1.2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia”.
19. Gênesis 1.4.
20. Gênesis 1.6, 14.
21. Gênesis 1.21. Veja também Provérbios 8.27, que descreve a criação, e no texto grego usa o
verbo separar.
22. Gênesis 1.24.
23. Gênesis 1.25. O termo é usado muitas vezes mais tarde para distinguir entre "lim pos” e
“ imundos”, veja Levítico 11.22 e 29.
24. Gênesis 1.5, 8, 10; Isaías 40.26.
25. Gênesis 2.19, com o mesmo verbo.
26. Gênesis 1.26.
27. Salmo 8.1, 5,6.
Notas 221

28. Números 8.14.


29. 2 Crônicas 23:6.
30. Veja Jacob M ilgrom , Leviticus 1-16: The A nchor Bible (N ova York: Doubleday, 1991),
689: “A criação... foi o produto de Deus fazendo distinções (Gn 1.4, 6, 7, 14, 18). Essa
função divina deveria ser continuada por Israel; os sacerdotes deveriam ensinar essas
distinções (Lv 10.10,11) e o povo deveria praticá-las (Ez 22.26)”.
31. Levítico 23.2, 21.
32. Gênesis 17.1,2.
33. Gênesis 2.15-17.
34. Gênesis 2.18.
35. Êxodo 19.6.
36. Isaías 66.19: “Eles anunciarão entre as nações a minha glória”. Veja também Gênesis 12.3;
18.18; Deuteronômio 2.25; Salmo 98.2; Levítico 26.45; cf. Isaías 52.10.
37. Levítico 20.26; cf. 20.24.
38. Levítico 10.10. Veja também Isaías 35.8.
39. Kosher, agora muitas vezes aplicado a uma maneira particular de preparação de alimentos
judaicos, significa “aquilo que é digno ou próprio” , ou “algo feito apropriadam ente” — veja
Kasher, Encyclopaedia Judaica, vol. 10 (Jerusalém: Reter Publishing House, 1972), 806.
40. Levítico 11.47; Deuteronômio 14.21.
41. Levítico 19.19.
42. Ibid.
43. Ibid.
44. Ezequiel48.9. Veja também Êxodo 29.24,27; Levítico 10.15; 14.12; Números 15.19; Ezequiel
44.29.
45. Êxodo 20.8-11.
46. Levítico 20.7,8, 23-25.
47. João 1.1-3; cf. Apocalipse 22.13.
48. Hebreus 1.3.
49. 1 Coríntios 8.5,6.
50. Colossenses 1.17.
51. Veja o tratamento dos efeitos do feminismo moderno na cultura in Kassian, The Feminist
Mistake, 51-59.
52. 1 Co 15.38.
53. Levítico 15.2.
54. 1 Tessalonicenses 4.7.
55. 1 Coríntios 6.13. Sobre a im portância do corpo, veja Lauren Winner, Real Sex, 32-34 (veja
capítulo 1, n. 7).
56. Romanos 6.19.
57. 1 Tessalonicenses 4.4.
58. 2 Timóteo 2.21.
59. Marcos 7.6; João 5.23.
60. 1 Timóteo 1.17; 6.16; Apocalipse 5.13.
61.1 Coríntios 6.20.
62. 2 Coríntios 4.10.
63. Filipenses 1.20.
64. 1 Coríntios 6.19.
65. Gênesis 1.27.
66. Moinar, Utopia, 63. Veja também 123: Na utopia pagã, de acordo com Moinar, “tudo é igual
a tudo o mais”. Ele cita a descrição de G. K. Chesterton acerca das perspectivas da teosofista
Annie Besant: “De acordo com a Sra. Besant a igreja universal é simplesmente o ego univer­
222 O Deus do sexo

sal. É a doutrina de que somos realmente todos uma só pessoa; de que não há paredes reais
de individualidade entre homem e homem. Se posso explicar desse modo, ela não nos man­
da amar o nosso próximo; ela nos manda ser o nosso próxim o... O abismo intelectual entre
o Budism o e o Cristianismo é que, para o budista ou teosofista, a personalidade é a queda do
homem, para o cristão é o propósito de Deus, a parte principal de sua idéia cósm ica” — de
G K. Chesterton, Orthodoxy (Nova York: Mead and Company, 1927), 244-45.
67. Efésios 4.15.
68. Romanos 12.1.
69. 1 Tessalonicenses 5.23.
70. Gênesis 1.27.
71. Gênesis 2.23.
72. Gênesis 2.23.
73. Gênesis 2.20.
74. M arianne Szededy-Maszak, “A Distinct Science”, Los Angeles Times, 9 de maio de 2005,
seção especial de saúde feminina.
75. Gênesis 3.20.
76. 1 Timóteo 2.15 (ACF). (Dialogue o f the Savior 144:15-21, in James Robinson (org.), The
N ag H amm adi Library in English [Nova York: Harper & Row: 1977], 237.)
77. Veja por exemplo, Dialogue o f the Savior 144:15-21, in Robinson, Nag Hammadi Library, 237.
78. Veja, a respeito desse assunto geral, Peter Jones, The Gnostic Empire Strikes Back: A n Old
Heresy fo r the New Age (Phillipsburg, NJ: P&R, 1992), e Jones, Spirit Wars.
79. Firestone, Dialectic o fS ex, 81.
80. Gênesis 1.27.
81. Gênesis 5.2 [RC].
82. Gênesis 6.19.
83. Levítico 27.5.
84. Mateus 19.4 [RC],
85. Richard Hove, Equality in Christ: Galatians 3:28 and the Gender Dispute (W heaton, IL:
Crossway, 1999), 83.
86. Ibid.
87. 1 Coríntios 15.38,39.
88. Moinar, Utopia, 63.
89. Atos 17.24-27.
90. Spong, Why Christianity Must Change, 140, 147.
91. Tillich, quando lhe perguntaram, antes de sua morte, se ele orava, respondeu: “Não, mas eu
medito” . Veja Schaeffer, The G od Who Is There, 79. Spong identifica Tillich como seu pai
espiritual — veja Why Christianity Must Change, 174.
92. Isaías 54.5.
93. Oséias 2.16. Veja também Jeremias 3.14; 3.20; 31.32; Ezequiel 16.32; Oséias 2.2.
94. 2 Coríntios 11.2.
95. Apocalipse 21.2.
96. Jeremias 3.20.
97. Jeremias 3.1. Veja também Isaías 57.3; Deuteronômio 20.18; 23.18; 32.16; 2 Reis 9.22;
Isaías 1.21; Jeremias 2.20; 3.9; 13.27; 19.13; Ezequiel 6.9; 16.25; 16.36,37.
98. Gênesis 2.24.
99. Mateus 19.5,6; cf. Marcos 10.8, uma passagem paralela.
100. 1 Coríntios 6.16; Efésios 5.31.
101. Êxodo 24.3.
102. 2 Crônicas 30.12.
103. Ezequiel 37.22.
Notas 223

104. Gálatas 3.28.


105. Efésios 2.14, 15, 16 e 18, usando ou “dois” ou “ambos”.
106. Gênesis 1.28.
107. Efésios 2.15.
108. Efésios 3.10.
109. 1 Coríntios 3.8.
110. Gênesis 2.23,24.
111. Efésios 5.30.
112. Efésios 2.15.
113. Efésios 5.31.
114. Embora a união conjugal seja a norma bíblica, outros relacionam entos, tais como um estilo
de vida de solteiro, podem extrair princípios do casamento para estabelecer relacionamen­
tos de união genuína.
115. Richard J. Stoller, Presentations o f Gender (New Haven: Yale University Press, 1985),
183, citado in Nicolosi, ibid., 24.
116. Nicolosi e N icolosi, A Parent s Guide, 22. Veja também seu livro Reparative Therapy o f
Male H omosexuality (Northvale, NJ: Jason Aronson, Inc., 1991).
117. Nicolosi, A Parent s Guide. 23. Essas são coisas simples, mas são também profundas como
indica a tentativa de M ollenkott de nos livrar de tais pronomes. Veja também meu artigo
sobre a im portância da linguagem de diferenciação sexual nas traduções bíblicas: Peter
Jones, "The TNIV: Gender Accurate or Ideologically Egalitarian”. Journal fo r Biblical
M anhood and Womanhood, org. por Bruce A. Ware (maio de 2003) TNIV Special Edition
(Louisville, KY: Council on Biblical Manhood and Womanhood). Embora publicado pela
InterVarsity Press, que vem fazendo um compromisso significativo com a perspectiva igua­
litária de gênero e ministério, Nicolosi, apesar disso, faz uma declaração sobre a importância
da diferenciação sexual na linguagem: “Vemos essa confusão sexual... na iniciativa de lim­
par toda linguagem das terminologias que especificam o sexo... [e a rejeição da] possibilida­
de de um indivíduo do sexo masculino agindo como cabeça de uma família” (ibid., 68-69).
118. Nicolosi, ibid., 29.
119. A luz dessas declarações de psiquiatras clínicos, ficamos nos perguntando o que fazer da
palavra de Tony Campolo para os jovens cristãos: “Não só amo o feminino em Jesus, mas
quanto mais conheço Jesus, mais percebo que Jesus ama o feminino em m im ... A socieda­
de me criou para suprimir a tão chamada dimensão feminina de m inha natureza humana.
Mas quando Jesus me restaura completamente, ambos lados de quem fui designado para
ser se tornarão finalmente realidade. Então e só então eu poderei plenamente amar Jesus”.
Veja Campolo, Carpe Diem, 87-88. Nicolosi, ibid., 40, sem referência a Campolo, dá uma
opinião condenadora contra tal conselho: Com a abordagem confusa de hoje nas questões
sexuais... os professores podem dizer [aos meninos] que adotem seu ‘lado fem inino' ou
‘natureza andrógina’, ou, pior... se identifiquem como gays".
120. Nicolosi, ibid., 30, fala da necessidade de os meninos crescerem com o modelo de uma
figura masculina “preem inente”. Ele define “preeminente” como juntando duas coisas:
força e benevolência. Essa, é claro, é a descrição perfeita do pastor do sexo masculino e do
marido nas Escrituras — Efésios 5.22,33 e 1 Timóteo 3.1-7.
121. Provérbios 31.28.
122. Isaías 54.5.
123. Efésios 5.22,33.
124. Gênesis 1.31; cf. Gênesis 1.4, 10, 12, 18, 21, 25.
125. Salmos 19.1; 8.1.
126. 1 Timóteo 4.4.
127. Romanos 1.25.
128. "Praise God, from Whom AU Blessings Flow” ("Doxology"). Thomas Ken (1967).
224 O Deus do sexo

Capítulo 8
A M orte do Sexo
1. Romanos 8.22.
2. Romanos 8.23.
3. João 11.33, 38,39.
4. M ateus 27.51.
5. Texto do Sermão de Sexta do Bispo Griswold, presidente, na 74a. Convenção Geral, Serviço
N oticioso Episcopal, 8 de agosto de 2003.
6. “Jesus w ould Vote with Me in Favour o f Gay ‘M arriag e’ Says C anadian S enator” ,
LifeSiteNews.com, 8 de julho de 2005.
7. ibid.
8. A ndrew Wang, “ M aking the Case for Full Inclusion o f H om osexuals”, Los A ngeles Times,
9 de ju lh o de 2005, B2.
9. Mateus 4.1-11.
10. 1 Tessalonicenses 4.5.
11. Larry B. Stammer, “Gay bishop, Rabbi Discuss Religion, Sex”, Los Angeles Times, 5 de
novembro de 2003, B5.
12. Efésios 4.17-19.
13. Romanos 1.18-21.
14. Romanos 1.18.
15. Romanos 5.19.
16. Gênesis 2.15-17; 3.1-7.
17. Romanos 1.22,23.
18. Romanos 1.25.
19. Atos 19.27.
20. Josué 4.24; Jn 1.9.
21. N úm eros 16.9.
22. Veja também Mateus 4.10; cf. Deuteronômio 6.13.
23. Os termos gregos exatos nem sempre são idênticos, mas certamente sinônimos.
24. Veja Deuteronôm io 11.16. Discordo aqui da tradução NIV [em inglês] de Romanos 1.25,
que diz: “Trocaram a verdade de Deus por uma mentira”, pois o grego tem o artigo definido
antes de verdade e mentira, e assim, o texto deveria dizer “Trocaram a verdade de Deus pela
m entira”. N esse nível mais fundamental há só uma verdade e há apenas uma mentira.
25. Caitlín Matthews, Sophia, Goddess ofW isdom: The Divine Fem ininefrom Black Goddess to
World-Soul (Londres: The Aquarian Press/Harper Collins, 1992), 332, 327.
26. Josué 24.15. Veja também 1 Reis 3.9.
27. Daniel 3.28.
28. Mateus 6.24.
29. Mateus 12.26.
30. Mateus 7.13,14.
31. Romanos 1.25.
32. 2 Coríntios 6.14.
33. Romanos 1.22,23.
34. Êxodo 20.4.
35. 2 Reis 11.18.
36. Ezequiel 7.20; veja Deuteronômio 4.16.
37. Thomas Berry, The Great Work: Our Way into the Future (Nova York: Bell Tower, 1999), 73.
38. Ibid., 88, 22.
39. Stanislav Grof, Future ofPsychology: Lessonsfrom M odem Consciousness Research (Nova
York: State University o fN ew York Press, 2000), 149.
Notas 225

40. Veja Cornelius Van Til. Christian Apologetics, org. por William Edgar (Phillipsberg, NJ:
1976, 2003), 62, que observa: “Há duas e apenas duas classes de homens. Há os que adoram
e servem a criatura, e há os que adoram e servem o Criador” .
41. Romanos 1.26,27.
42. Richard B. Hayes é professor de Novo Testamento do Departamento George Washington
Ivey da Duke Divinity School. Veja seu artigo “Relations Natural and Unnatural ...”, 186.
43. Richard B. Hays, “Relations Natural and Unnatural: A Response to John BoswelFs Exegesis
ofR om . 1”, Journal o f Religious Ethics 14 (primavera de 1986), 191.
44. Fonte: The Testament o f the Twelve Patriarchs. O profeta Oséias, 4.7ss, fala sobre trocar a
glória, o que traz como conseqüência a idolatria pagã e perversões sexuais.
45. Romanos 1.26,27. Veja, anteriormente, Capítulo 5. Veja também o artigo de Richard B.
Hayes anteriormente mencionado.
46. Judas v. 7.
47. Judas v. 7 declara: “são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição” .
48. Romanos 1.26,27.
49. Satinover, Homosexuality, 173, chama o homossexualismo de “uma condição espiritual”,
que, como rebelião contra Deus constitui “pecado”. Satinover, ibid., 184, cita seu colega,
Joseph Nicolosi, que descreve o homossexualismo como “ um modo desajustado de estar no
mundo”. Se essas opiniões forem verdadeiras, a tentativa imensa de nossos dias de normali­
zar e legalizar o homossexualismo é um exemplo notável “da mentira”, para citar Paulo.
50. Muitos acadêmicos bíblicos bem conhecidos argumentam de modo semelhante.
51. Esse termo [de Gênesis 2.27 RC] é usado especialmente acerca da criação e da “recriação”
depois do dilúvio — veja Gênesis 5.2; 6.19,20; 7.2,3, 9, 16.
52. Levítico 18.22; 20.13. [O termo macho, male em inglês, é encontrado em algumas versões
em inglês dessas passagens - N.T.]
53. Mateus 19.4; Marcos 10.6 [RC],
54. Gálatas 3.28.
55. A menção adicional a aves, animais e répteis é também uma lembrança óbvia de Gênesis
1.26, em que esses mesmos termos ocorrem (menos “peixe”) na mesma ordem.
56. O verbo é metalassw. E usado apenas aqui em Romanos 1.25,26 e duas vezes em Ester 2.7, 20.
57. Romanos 3.23.
58. Romanos 2.1.
59. Romanos 2.17-26.
60. Romanos 5.12.
61. Mateus 19.4-6. Aí Jesus cita Gênesis 2.24 na defesa do casamento heterossexual como a
obra de Deus.
62. Efésios 5.31, em que Paulo cita Gênesis 2.24 para ilustrar a obra de Cristo na redenção.
63. Berry, The Great Work, 159.
64. Singer, Androgyny, 18.
65. Isso, é claro, não significa que todos os homossexuais sejam pagãos praticantes ou que todos
os heterossexuais monogâmicos sejam crentes cristãos. Paulo está lidando com cosmovisão,
principalmente a ordem da criação que deveria nos levar a Deus, o Criador.
66. Gênesis 2.25.
67. Gênesis 3.20; 1 Timóteo 2.15.
68. N um artigo bastante persuasivo, D avid W. Jones, “ E galitarianism and H om osexuality” ,
5 -1 9 , mostra como os adeptos da igualdade bíblica são expostos a argumentos hom ossexu­
ais que negam a relação entre identidade sexual e papéis sexuais. Eles concordam que Deus
criou as diferenciações de identidade sexual, mas se recusam a ver a evidência bíblica de que
a identidade assume o papel. Poderia se argumentar que a identidade sexual recebe impor­
tância real nas Escrituras pela designação de papéis específicos para cada sexo. Caso contrá­
226 O Deus do sexo

rio a identidade sexual se tom a virtualmente sem sentido na realização dos propósitos de
Deus para o universo.
69. 1 Coríntios 11.3; Efésios 5.23. Veja também Romanos 5.12-19, que descreve a posição de
líder “federal” que Adão tinha.
70. 1 Timóteo 2.14.
71. Gênesis 2.24.
72. Gênesis 3.6.
73. Gênesis 3.12.
74. Gênesis 3.13.
75. Efésios 4.19.
76. 1 Tessalonicenses 4.7.
77. 1 Coríntios 5.1-5.
78. 1 Coríntios 6.12-20.
79. 1 Coríntios 6.16.
80. As citações são de Saraha’s Treasuiy ofSongs in Conze, et al, Buddhist Texts, 48, 24, 64, 74.
81.1 Coríntios 6.18.
82. 1 Tessalonicenses 5.23.
83. 1 Coríntios 6.17. Veja também Filipenses 2.2.
84. 1 Coríntios 6.18.
85. 1 Coríntios 5.5; 2 Coríntios 4.11; 1 Timóteo 1.20; 2 Pedro 2.4.
86. Ezequiel 18.15 mostra como eles são unidos descrevendo o crente verdadeiro que “não
come carne sacrificada nos altos, não levanta os olhos para os ídolos da casa de Israel e não
contam ina a mulher de seu próximo” .
87. Gênesis 3.14-19.
88. Gênesis 3.15.
89. Gênesis 3.20.

C apítulo 9
Sexo R enascido e o Futuro
1. Veja meu livro Capturing the Pagan Mind: Paul s’ BluePrint fo r Thinking a n d Living in the
New Global Culture (Nashville: Broadman and Holman, 2003), 192-93.
2. Ibid., 181-207.
3. C. S. Lewis, “Learningin War-Time”, citado por Tim Keller no site da sua igreja, Redeemer.com.
4. Moinar, Utopia. 237.
5. Salmo 8.6.
6. Citado in Geering, Tomorrows God, 189.
7. 1 Coríntios 15.19.
8. Colossenses 1.16.
9. Efésios 3.9; cf. Colossenses 3.10.
10. Colossenses 1.20.
11. Veja 1 Coríntios 15.45,46 para ler uma declaração bíblica explícita.
12. 1 Coríntios 15.3.
13. 1 Coríntios 6.11.
14. Oliver 0 ’Donovan, Resurrection and the Moral Order: An Outline fo r Evangelical Ethics
(Grand Rapids: Eerdmans, 1994), 14.
15. Hebreus 10.5.
16. Lucas 22.19. Veja também Efésios 2.16: “E reconciliasse ambos em um só corpo com Deus,
por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade”. Veja também Colossenses 1.22:
“Agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresen­
tar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis": Hebreus 10.10: 1 Pedro 2.24.
Notas 227

17. Marcos 9.2-8. A transfiguração, como indica 9.1, é um a antecipação profética da ressurrei­
ção de Jesus.
18. 2 Coríntios 5.10.
19. Romanos 8:21-23.
20. 1 Coríntios 14.33, 40.
21. Fritjof Capra, The Turning Point: Science, Society and the Rising Culture (Nova York:
Simon and Schuster, 1982: reedição Nova York: Bantam, 1983), 371.
22. Apocalipse 4.11.
23. 1 Coríntios 15.38,39.
24. 1 Coríntios 15.40.
25. Jeremias 5.22. O texto grego usa o verbo tassw, “colocar no lugar” .
26. Jó 38.12. Aí o texto tem o substantivo taxis, “lugar”, que deriva do verbo tassw.
27. O mesmo termo, taxis, “lugar”, é usado aqui atrás da tradução em português “ordem”.
28. 1 Coríntios 15.22,23.
29. O verbo em grego é huptassw, “colocar sob” e é composto de tassw, “colocar ou pôr” .
30. Romanos 8.20.
31. Gálatas 3.13.
32. Gálatas 4.4.
33. Salmo 8.6; cf. Salmo 18.38,39.
34. Salmo 18.9.
35. Salmo 110.1. Veja também Daniel 7.27.
36. 1 Coríntios 15.27,28; Efésios 1.20-22; Hebreus 2.8; cf. 1 Pedro 3.22 em que o mesmo verbo
[colocar sob, ou se submeter] do salmo é usado, de modo que isso poderia ser considerado
como uma quarta repetição do Salmo 8.
37. Salmo 22.16, m encionado em Mateus 26.24; cf. Fp 3.2.
38. 1 Coríntios 15.27. Paulo usa várias vezes o mesmo verbo, “subm eter-se”, hupotassw que
ocorre no Salmo 8.
39. Efésios 1.20-22.
40. 1 Pedro 3.22.
41. Gênesis 1.26; cf. 1.28.
42. 0 ’Donovan, Resurrection, 14.
43. Hebreus 2.5.
44. Hebreus 2.6.
45. Hebreus 2.7,8.
46. 0 ’Donovan, Resurrection, 15.
47. Colossenses 1.20.
48. Efésios 3.9.
49. Gênesis 1.1.
50. Efésios 1.10.
51. 0 ’Donovan, Resurrection, 32-33.
52. Daniel 7.27. De novo o verbo hupotassw.
53. 0 ’Donovan, Resurrection, 32-33.
54. 1 Coríntios 15.28.
55. O verbo, em grego transliterado, é upotassw, colocar sob. [Obs.: o “w” simplesmente signi­
fica um “o” longo.] Tassw significa “colocar no lugar”.
56. Romanos 1.4.
57. M arcos 1.24; Lucas 4.34; Atos 3.14.
58. Romanos 6.10.
59. Richard Gaffin, Redemption and Resurrection: A Study in Pauline Soteriology (PhilliDsburg,
NJ: P&R, 1987), 124-25.
228 O Deus do sexo

60. 2 Coríntios 5.21.


61. Romanos 6.10.
62. João 14.1-4.
63. 1 Coríntios 1.30.
64. Efésios 4.24.
65. 1 Pedro 1.16.
66. 1 Tessalonicenses 3.13.
67. Romanos 6.22.
68. Colossenses 1.12.
69. Hebreus 12.10.
70. Hebreus 12.14.
71. A pocalipse 21.8; cf. a perspectiva do Antigo Testamento acerca do futuro em Isaías 52.1.
Veja também Efésios 5.5; 1 Coríntios 6.9; Apocalipse 22.15.
72. Jeremias 31.23.
73. A pocalipse 21.2-5.
74. Moinar. Utopia. 241.
75. 1 Coríntios 2.6.
76. 1 Coríntios 2.9.
77. Lucas 20.33.
78. G ênesis 1.28.
79. Mateus 19.8.
80. M ateus 24.38.
81. Lucas 20.34,35.
82. O físico d aN o v aE raC ap ra, The Turning Point, 371, descreveam eta da espiritualidade pagã
como o estado da consciência “em que todos os limites e dualismos transcenderam e toda
individualidade se dissolve na unidade universal sem diferenciação”.
83. A pocalipse 19.7; 21.2.
84. Randy Alcorn, Heaven (Wheaton, IL: Tyndale House, 2004), 339.
85. Dale W. Whitchurch, Wakingfrom Earth: Seeking Heaven, the H earts True H ome (Kearny,
NE: Morris, 1999). 95. citado in Alcorn, Heaven, 336.
86. Mateus 22.30.
87. Veja the Gnostic Gospel ofThom as: The Nag Hammadi Library in English, org. por James
Robinson (San Francisco: Harper & Row, 1977), 114.
88. M ateus 22.30.
89. E claro, mesmo que esse seja o paralelo intencionado, essa declaração não diz que os seres
hum anos ressuscitados serão “sem sexo” . Só os descreve como não mais precisando de
casamento.
90. Lucas 20.36.
91. Gálatas 3.28.
92. Veja Hove, Equality in Christ, para uma discussão bem oportuna das questões.
93. Efésios 5.22,33.
94. 1 Timóteo 2— 3.
95. John Frame, “Men And Women in the Image o f God”, Recovering Biblical M anhood and
Womanhood: A Response to Evangélica! Feminism (W heaton, IL: Crossway, 1991), 232,
dá: “um voto fraco” cm favor do que estou afirmando, e diz: “De preferência, creio que
ainda seremos homens e mulheres na ressurreição” .
96. Lucas 24.31, 36-43; João 21.1-14.
97. 1 Coríntios 15.53.
98. 1 João 3.2.
99. Filipenses 3.21.
Notas 229

100. Veja a nota seguinte.


101. Ezequiel 42.20. Ezequiel 42.20. O mesmo verbo grego, badal. "separar”, usado em Gênesis,
sobre a criação original, é usado aqui acerca da nova criação.
102. Apocalipse 4.8.
103. Alcom, Heaven. 235.
104. 1 Coríntios 13.12.
105. Ibid.
106. Veja John Piper. What s the Difference?: M anhood and Womanhood D efined according to
theBible (Wheaton, IL: Crossway, 2001), 17-21, que cita fortes declarações de Emil Brunner
e Paul Jewett. Veja também Alcom. Heaven, 338: “Seremos homens e mulheres” e Lewis.
Miracles. 159-160. que é da mesma opinião.
107. Efésios 5.26; 2 Coríntios 11.2.

C apítulo 10
Sexo R enascido e o Presente
1. Mateus 15.19; Atos 15.29; 1 Coríntios 5.9; 6.9: 6.13, 15,16, 18; 7.2; 10.8; 2 Coríntios 12.21;
Gálatas 5.19; Efésios 4.19; 5.3; 5.5; Colossenses 3.5; 1 Tessalonicenses 4.3; 4.7; 1 Timóteo
1.9,10; Hebreus 12.16; 13.4; Apocalipse 2.20; 21.8.
2. 1 Coríntios 15.38.
3. Levítico 15.2.
4. 1 Tessalonicenses 4.7.
5. 1 Coríntios 6.13.
6. Romanos 6.13.
7. 2 Timóteo 2.21.
8. Marcos 7.6; João 5.23.
9. 1 Timóteo 1.17; 1 Timóteo 6.16; Apocalipse 5.13.
10. 1 Coríntios 6.20.
11.2 Coríntios 4.10.
12. Filipenses 1.20.
13. 1 Coríntios 6.19.
14. Gênesis 12.3 não foi revogado, conforme mostram Isaías 42.6; 49.6; 5 1.4.
15. Aristófanes (c. 450-385 a.C.) inventou esse verbo para indicar até que ponto Corinto era
conhecida pela imoralidade sexual. Veja Gordon Fee, The First Epistle to the Corinthians
(Grand Rapids: Eerdmans, 1987), 2. C. K. Barrett, The First Epistle to the Corinthians
(Nova York: Harper & Row, 1968). 2. observa que “palavras derivadas do nome Corinto
parecem ter sido usadas na Antiga Comédia com o sentido de praticar fornicação, procurar
prostitutas, e termos assim”.
16. 1 Coríntios 6.9-11.
17. 1 Coríntios 1.2. Veja também Atos 20.32: 26.18; Hebreus 10.10. Em todos esses textos,
repare no tempo passado.
18. Veja 1 Coríntios 5-6.
19. Veja também 1 Pedro 1.2.
20. Romanos 11.16; E f 2.19.
2 1 .2 Coríntios 6.17,18, uma citação de Isaías 52.11; Ezequiel 20.34. 41; e 2 Samuel 7.14, 8.
22. 2 Coríntios 6.14-16.
23. Deuteronômio 18.9.
24. 1 Coríntios 5.9,10.
25. Gênesis 19.
26. 2 Coríntios 7.1.
27. 1 Tessalonicenses 4.3.
230 O Deus do sexo

28. 1 Coríntios 10.26, citando SI 24.1; cf. 50.12; 89.11.


29. 1 Pedro 1.15. Veja também 2 Timóteo 1.9; 1 Tessalonicenses 4.7.
30. Mateus 6.9.
31. Mateus 23.9. Nomes nos tornam especiais. Falar o nome de Deus como Pai o torna santo ou
especial, separado.
32. 1 Coríntios 6.20.
33. Efésios 5.23.
34. 1 Coríntios 7.14.
35. 1 Timóteo 2.15.
36. 1 Timóteo 4.10.
37. Isabel Lyman, “Oklahoma City Doctor Finds Her Way Home (To Homeschooling/Stay-at-
home!)”, Oklahoma Council on Public Affairs, 2 de agosto de 2005.
38. Isaías 7.15.
39. 1 Coríntios 7.14.
40. Salmo 127.3.
41. A rthur W. Hunt, The lanishing Word, 230.
42. Efésios 5.32.
43. Lucas 14.34.
44. 1 Timóteo 5.25; 6.18.
45. Filipenses 3.21.
46. Lucas 10.17.
47. Romanos 16.20; Deuteronômio 15.6; Isaías 14.2.
48. Elizabeth Johnson. “Apocalyptic Family Values,” Interpretation 56 (2002): 34ss., argumenta
que Gálatas 3.28 é uma fórmula batismal e que “o batismo representa a própria finalidade da
ordem criada". Essa interpretação não faz justiça ao caráter orgânico da teologia bíblica con­
forme Paulo desenvolveu e chega perto da negação gnóstica das qualidades boas da criação.
49. Hebreus 2.8.
50. Hebreus 2.5: “N ão foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos
falando”.
51. Mateus 5.13-16.
52. 1 Timóteo 4.3,4.
53. Veja o próprio estudo útil deTim othy G Gombis, “ARadically New Humanity: The Function
o f the H auslafel in Ephesians”, Journal o f the Evangelical Theological Society. 48 (junho
de 2005): 317-50, que com justiça afirma que Paulo não jo g a fora as estruturas da criação,
como patriarquia e submissão, mas as enche de “dinâmica da nova criação” (324). Na mes­
ma revista, William Webb, "A Redemptive-Movement Hermeneutic: Encouraging Dialogue
among Four Evangelical Views”, Journal o f the Evangelical Theological Society, 48 (junho
de 2005): 351-64, comete o erro fatal de não conseguir ver o contexto social em Efésios da
desconstrução pagã e a importância da manutenção das estruturas da criação. Usando sua
“herm enêutica do movimento redentor”, que lhe permite imaginar onde o argumento de
Paulo teria terminado se ele o tivesse seguido até sua conclusão lógica, ele argumenta que
Paulo teria rejeitado tanto a submissão quanto a hierarquia como formas imperfeitas. Mas é
aí que chegamos quando a doutrina de Paulo acerca de Deus. o Criador, é subestimada —
que é também o caso de seu artigo “Balancing PauTs Original-Creation and Pro-Creation
Arguments: 1 Corinthians 11:11-12 in the Light of M odem Embryology”, Westminster
Theological Journal 66 (2004): 275-89.
54. Gênesis 4.7; cf. Romanos 6.12.
55. Berry. The Great Work, 159.
56. Ibid., 181.
57. 1 Coríntios 14.33.
Notas 231

58. Paulo exorta os cristãos a “se submeterem”.


59. Essa é a força de Efésios 5.21: “sujeitando-vos uns aos outros no tem or de Cristo” . Veja
adiante.
60. Lucas 2.51.
61.1 Coríntios 15.28.
62. No Antigo Testamento o termo é usado 27 vezes.
63. Veja Marilyn Gottschall, “The Ethical Implications o fth e Deconstruction ofG ender”, Journal
o f the American A cadem y o f Religion 70 (2002): 279-99.
64. Veja, por exemplo. Gordon D. Fee, “The Cultural Context o f Ephcsians 5:18 -6 :9 ”. Priscilla
Papers 16 (2002), 3-8. Veja a análise crítica dessa posição por Timothy Gombis, "A Radically
New Humanity”. 317-19, em que ele argumenta que Paulo não está buscando pontos em
comum com a cultura pagã. mas em vez disso mostra sua “ incom patibilidade absoluta” .
65. Veja também Gombis, art. cit.
66. “An Interview with Margaret Milcs". GTU Currents, verão de 2001, 2.
67. Romanos 6.15-19.
68. Elaine Woo, “Catalyst o f Feminist Revolution”, Los Angeles Times, 5 de fevereiro de 2006,
1, 26-27. A filha de Friedan, a Dr“. Emily Friedan, chamava sua mãe de “um conjunto de
contradições”. Karen Matthews, "Friends. Family Eulogize Feminist Friedan”, ABC News,
6 de fevereiro de 2006, http://abcnews.go.com/US/wireStory?id= 1586990.
69. Margalit Fox, “Betty Friedan, Who Ignited Cause in "Feminine M ystique’, Dies at 85”, New
York Times, 6 de fevereiro de 2006.
70. Art. cit., Los Angeles Times, 27.
71. Veja Moore. "Q ue(e)rying Paul”, 253.
72. Veja o site C hristianlesbians.com , que busca manter essa posição. A autora, uma ex-
fundamentalista, está agora matriculada numa faculdade teológica liberal e já descobriu
métodos excgéticos essenciais e libertadores para seu novo método da moda de estudar a
Bíblia.
73. Henry Makow, "C onfessions o f a Survivor o fth e (Homo)sexual Revolution", Toogood
Reports, 16-18, novembro de 2001.
74. Para uma biografia extensa, veja o The Council on Biblical Manhood and Womanhood e seu
site www.cbmw.org.
75. Salmo 8.6.
76. 1 Crônicas 29.24; Salmo 36.7 (“ descansa” realmente traduz “ submeter-se a” ); 47.3.
77. Romanos 13.1; Tito 3.1; e 1 Pedro 2.13; cf. 1 Timóteo 2.3. Observe que cada uma das
referências seguintes inclui o verbo grego hupotassw, "subm eter-se”, ou seus cognatos.
78. 1 Coríntios 16.15,16; 1 Pedro 5.5.
79. 1 Coríntios 14.34; Efésios 5.23; Colossenses 3.18; 1 Timóteo 2.11; Tito 2.5; 1 Pedro 3 .1 ,5 .
80. 1 Timóteo 3.4; Lucas 2.51; cf. Efésios 6.1-3.
81. Tito 2.9; I Pedro 2.18; cf. Efésios 6.5-8; 1 Timóteo 3.4-7.
82. Romanos 8.7; cf. 1 Timóteo 1.8.
83. Efésios 5.24.
84. Hebreus 12.9; Tiago 4.7.
85. Romanos 13.2.
86. Salmo 62.5; cf. 61.2 (NV1).
87. 2 Coríntios 9.13.
88. Alice von Hildebrand, The Soul o f a Lion: Dietrich von H ildebrand (San Francisco: Ignatius
Press, 2000), 137.
89. 1 Coríntios 14.33,40.
90. 1 Coríntios 14.33, 40 — “de acordo com sua estrutura ou lugar — taxin", que deriva de
tassw, "colocar em lugar”, da qual obtemos upotassw, literalmente "colocar em lugar sob” .
232 O Deus do sexo

91. Colossenses 2.5 — "sua ordem — taxin" também deriva de tassw.


92. Romanos 13.5.
93. Romanos 8.7.
94. Romanos 13.2. Esses termos — opor-se e ordenação — também são cognatos do verbo
hupotassw. "submeter-se".
95. 1 Tessalonicenses 5.14— sem estrutura.
96. 1 Timóteo 1.9; Tito 1.6. 10; o adjetivo, baseado na raiz tassw significa literalmente "sem
submissão".
97. 1 Timóteo 4.3.4.
98. Hebreus 13.4.
99. Geralmente, quando Paulo usa o termo Pai. o termo contém a noção de Deus como Criador
ou fonte — veja Efésios 3.14.
100. Efésios 5.20.
101. Efésios 5.21,22.
102. Romanos 1.21.
103. Ernest Sanders, Times Advocate.
104. Eucaristia significa "dar graças”. Veja 1 Coríntios 11.24.
105. Colossenses 3.17.
106. 1 Timóteo 4.4.
107. Ibid. Veja também 1 Coríntios 8.1-13; 10.14-22, 25-32; 11.2-16; 15.45.
108. 1 Timóteo 4.9.10. VejaSteven M. Baugh,"SaviorofAU People— 1 Timothy 4:10 inContext”,
WTJ 54 (1992): 331-40. Baugh mostra que essa não é uma declaração “universalística”
sobre a salvação final, mas uma declaração da “graça comum" de Deus — veja Mateus
5.45; Atos 14.16,17; Salmo 145.9; cf. Romanos 9.22. “Salvador” no mundo greco-romano
tem “como seu sentido principal "um benfeitor generoso”'.

C apítulo 11
Sexo Assustador: Não Tema
1. Êxodo 20.20.
2. Êxodo 15.11; cf. Deuteronômio 10.17; Jó 37.22.
3. G ênesis 31.42, 53.
4. Deuteronôm io 10.17.
5. Jeremias 10.5. Veja também Isaías 41.23.
6. 2 Coríntios 5.11.
7. Provérbios 1.7.
8. Deuteronôm io 10.12,13.
9. Filipenses 2.12; cf. Romanos 11.20; 2 Coríntios 5.11.
10. Salmos 22.23; 40.3; 66.3; 96.4; Apocalipse 19.5.
11. Salmos 85.9; 145.19.
12. Salmo 25.14.
13. Salmo 99.3; cf. Apocalipse 15.4.
14. Salmo 103.11, 13, 17; 118.4; 147.11.
15. Salmo 115.11.
16. Salmo 130.4.
17. Jeremias 44.10.
18. Êxodo 20.20; Provérbios 3.7.
19. Deuteronômio 6.24; Salmo 111.5; 128.4; Eclesiastes 8.12,13.
20. Salmo 33.8; cf. Êxodo 14.31.
21. Jeremias 5.22.
22. Gênesis 9.2.
Notas 233

23. M iquéias 7.17; Êx 23.27; Dt 2.25.


24. Provérbios 24.21. Veja também Romanos 13.3; 1 Pedro 2.17.
25. Efésios 5.33; “a esposa respeite [tema] ao marido”, c f 1 Pedro 3.1.2.
26. Efésios 6.5; Colossenses 3.22; 1 Pedro 2.18.
27. Romanos 13.7.
28. 1 Pedro 2.17.
29. Romanos 13.1-3; Efésios 5.22, 33; 1 Pedro 2.13. 18.
30. Salmo 86.1.
31. Salmo 102.1, 11,12.
32. 2 Samuel 22.28; Salmos 18.27; 76.9; 149.4.
33. Salmo 25.18.
34. Salmo 119.153; Isaías 66.2.
35. Salmo 31.7.
36. Salmo 69.1,2; mencionado em João 19.29,30; cf. Marcos 15.36.
37. Isaías 49.6, 13.
38. Mateus 5.3.
39. Números 12.3.
40. Mateus 21.5; citando Zacarias 9.9.
41. Mateus 11.29.
42. Mateus 5.5; cf. Salmo 37.11.
43. I Pedro 3.1^1.
44. 1 Pedro 3.4.
45. 1 Pedro 3.1,2.
46. Salmo 24.1.
47. Isaías 6.1-3.
48. Apocalipse 4.8-11.
49. Ibid.
50. Veja a declaração de Jack Rogers, quando ele foi eleito presidente da Igreja Presbiteriana dos
EUA, verão. 2001 (Deb Price, "Editorial”, The Detroit News, 22 d eju n h o de 2001]); “Creio
que se lermos a Bíblia do mesmo modo que aprendemos a lê-la a fim de aceitar a igualdade
d a s... mulheres, seremos forçados à conclusão de que os gays e as lésbicas também deverão
ser aceitos como iguais".
51. Richard N. O stling, “The Evangelical Lutheran Church in A m erica orders its first major
study on whether to endorse homosexual relationships”. A ssociated Press, 13 de agosto
de 2001.
52. Clark, “Gay Spirituality”, 342.
53. De Ia Huerta, Corning Out Spiritually.
54. Ibid., 39.
55. Tito 1.6-9.
56. 1 Pedro 3.1-7.
57. Salmo 127.3.

Epílogo:
O R estante da H istória
1. Gênesis 1.27,28, 31 [RC],
2. Salmo 8.4-6.
3. Apocalipse 4.11; 15.3.
G u ia do L e it o r

Para Reflexão Pessoal ou


Discussão de Grupo
O tem a do sexo se encaixa confortavelm ente n u m a prateleira e m uitas vezes
perm anece escondido nas som bras até que um a crise exija qu e o exponham os à luz de
novo. O nosso país — na verdade, o nosso m u n d o — está no m eio desse tipo de crise.
A norm alidade está sendo atacada. D eus está sob a m ira de caçadores. E o sexo bíblico
está sendo suplantado por alternativas pervertidas, destrutivas e anorm ais. Essa crise
p articular não será ignorada. A ignorância pode ser confortável, mas a negação é um
luxo absoluto ao qual não podem os nos perm itir. E m bora a aridez da condição m oral
da nossa cultura seja alarm ante, recusar olhar e lidar com os fatos é um a tática perigosa
e cara. N ão tem os escolha senão nos arm ar e enfrentar o dilúvio que está para vir. Agir
de outra m aneira é arriscar ser arrastado ju n to com a cultura.
O guia de estudo seguinte tem o objetivo de ajudar você a selecionar as inform a­
ções que este livro contém , analisar a sua própria ideologia e fazer quaisquer m udanças
qu e você se sentir m otivado (por meio do estím ulo do E spírito Santo) a fazer.
Por meio de oração e estudo, você poderá se preparar para en fren tar e responder
ao cético — ou pagão — que crê que a fé no D eus bíblico é esquisita e antiquada, que
proclam a confiantem ente que “a perm issividade é progresso”, q ue desafia verdades
eternas com m entiras habilidosas.
C o n h e c im e n to é poder. O ram os para que, à m edida qu e você se aplica a trab a­
lh ar com essas questões, in dividualm ente ou com o p arte de um g ru p o pequeno,
você se sinta fortalecido e m otivado a usar o co n h ecim en to q u e obtiver aqui na
defesa do evangelho.
Q u e D eus o abençoe — e abençoe a igreja em todo o m u n d o na m edida em que
buscam os fazer que o seu reino progrida.

C apítulo 1
Fora com o Velho: Faça Amor, não Guerra
1. A descrição de A lfred C . Kinsey suscita a questão da objetividade. N a sua
opinião, a sociedade deveria seguir a orientação de um ho m em qu e estava tão pessoal­
m en te preso a excessos e anorm alidades sexuais?
2. Pense naqueles que orientam e aconselham você. Eles servem com o m odelo
de caráter consagrado a Deus?
3. Só D eus tem a capacidade de aconselhar com o b jetividade perfeita a p artir
de u m a posição de sabedoria onisciente. T om e n o ta de q u an tas vezes você recorre à
236 O Deus do sexo

Palavra de D eus em busca de direção em com paração a quantas vezes você aceita
conselho das pessoas.
4. O que você acha da declaração “A diversidade pode ser um pretexto para que
a perversão seja introduzida?” Você concorda ou discorda, e por quê?
5- Q u an d o você lê sobre artistas pornôs que fazem palestras nas universidades,
sobre estudantes universitários que produzem e distribuem pornografia para obter notas
e sobre materiais sexualm ente explícitos sendo oferecidos a crianças de até 13 anos, você
se sente paralisado ou com vontade de agir? Você crê que dá para fazer algo para
reverter essa tendência? Caso ache que sim, o quê?

Capítulo 2
Q u e Saia o Velho: A M orte de D eus
1. O que você acha da declaração do sociólogo Alan W olfe de qu e “O s Estados
U nidos eram um a nação cristã. R ecentem ente, tornam os-nos um a nação que tolera
todas as religiões”.
2. Por que você supõe que o Cristianism o é o “últim o preconceito aceito”? O
que Jesus disse acerca disso em João 15.18,19?
3. Leve essa citação à sua conclusão final: “U m a revolução nos currículos está
reescrevendo a história am ericana. Em todas as principais universidades dos Estados
U nidos hoje, os estudantes podem se form ar sem fazer um único curso de história
am ericana — repleta com o é de referências interm ináveis a D eus”. O qu e acontece
com um a cu ltu ra com “am nésia histórica”? Q u an d o se elim ina D eus da nossa H istória,
o que resta?
4. Será que a elim inação de D eus da nossa H istória im pede os cristãos de dar
testem unho?
5. Você crê que os Estados Unidos ainda são um país cristão? Caso não, o que somos?
6. M uitos crêem que podem sem risco algum se envolver com ioga, m editação e
outras técnicas orientais e extrair os aspectos “úteis”, descartando o espiritual. Você
concorda ou discorda? Por que ou por que não?

Capítulo 3
Entra o Novo: A U topia Sexual Vindoura
1. O bispo episcopal John Spong crê que “a m orte do D eus do teísm o retirou do
nosso m u n d o a base tradicional da ética”. Se essa base foi retirada, o que passou a
ocupar o seu lugar? Q u e com entário Juizes 17.6 faz sobre esse assunto?
2. Boa parte do program a de ação pagão envolve apagar as diferenças entre os
gêneros. N a sua opinião, que perdas específicas causaríam os a nós mesmos se os dois se
m isturassem e se unissem de tal m odo que perdessem as diferenças?
3. “Tu não julgarás” se tornou, com o m ostrou o sociólogo Alan W olfe, o décim o
prim eiro m an d am en to . As E scrituras são claras acerca do lugar correto para o juízo.
O que 1 C oríntios 5 ensina sobre a necessidade de juízo?
4. Segundo Rom anos 1.18-32, o que está na raiz da sexualidade descontrolada e
da libertinagem ?
Guia do leitor 237

5. A iniciativa de elim inar D eus é um a iniciativa para se livrar de todos os limites


morais. C om o disse Dostoyevsky: “Sem D eus, tudo é p erm itid o ”. C o m o os versículos
seguintes se opõem a essa idéia?
a. G ênesis 2.7
b. Colossenses 1.16,17
c. Salm o 66.8,9

Capítulo 4
Hom ossexualidade: O Sacramento Sexual do Paganismo R eligioso
1. O s hom ossexuais e a Federação de Planejam ento Fam iliar têm voz nas escolas,
mas os cristãos não. Por mais silenciado que você se sinta, com o é que a verdade do
Salmo 18.6 o consola?
2. Dr. Jones repetiu Efésios 6.12 quando disse: “Esta é um a guerra espiritual,
não um a discussão educada na qual se trocam idéias”. Leia Efésios 6 .1 0 -1 8 . Q ual é a
orientação pessoal qu e você sente nessa passagem?
3. Dem ocracia, direitos civis, a C onstituição — esses são ideais nos quais a maioria
não ousa tocar. Em que p o n to a sua fé inform a as suas perspectivas acerca desses ideais?
Em que p onto você se distancia dessas noções elevadas?
4. Será que dá para se resolver questões de m oralidade m ediante o voto da maioria?
Por que ou por que não?
5. N este capítulo, Dr. Jones levantou o espectro de pastores sendo presos pelo
“crim e de ódio” de falar contra o hom ossexualism o. Leia A tos 4 .1 6 —20. C o m o isso
desafia você?

Capítulo 5
C onseqüências Destrutivas Involuntárias
1. Dr. Jones citou a declaração da cientista pesquisadora D eborah Tolm an que
disse que “as m eninas têm direito ao seu próprio desejo sexual ou prazer sexual, e as
m eninas ‘boazinhas’ ou as m eninas ‘de bom com p o rtam en to ’ estão se privando de um a
vida plena”. O que você pensa dessa opinião? C om o R om anos 1 4 .1 1 -1 4 refuta a
posição de Tolman?
2. O paganism o — e as políticas e a sociologia que lhe são inerentes — é um a
religião que batalha contra a verdade da Palavra de D eus e se ergueu contra o próprio
Deus. Q ue esperança essa ideologia tem? Pode algo construído n um alicerce diferente de
Cristo conseguir sobreviver? Q ue versículos você conhece que apóiam a sua perspectiva?
3. Leia R om anos 1.25. D efina “m entira”.
4. Dr. Jones sugere que o silêncio da igreja acerca do assunto do sexo tem sido
devido em parte a um sentido de pudicícia. C om preen d en d o qu e o silêncio não é mais
u m a opção viável (principalm ente já que os pagãos de m odo tão ab erto expressam suas
m entiras), você está preparado para falar mais abertam ente a respeito do sexo — no
contexto da sua bênção bíblica — do que costum ava falar?
5. Caso você — e a igreja em geral — não se levante e fale a verdade, o que acha
que acontecerá?
238 O Deus do sexo

6. C o m o o paganism o está construído sobre um a base de m entiras e está conde­


n ado ao fracasso no fim, por que se incom odar em assum ir um a posição co n tra ele?

Capítulo 6
D eu s e o Sexo
1. N este c a p ítu lo , D r. Jones d efiniu cosmovisão co m o sen d o “a e s tru tu ra
organizadora que nos perm ite entender todas as idéias que circulam pela nossa m en ­
te”. Q ual é a sua cosmovisão?
2. Dr. Jones explicou que quando a revolução cultural da década de 1960 se
apresentou, ele conhecia alguns versículos da Bíblia, mas não com preendia a cosmovisão
da Bíblia. P o rtanto, ele não tinha lentes bíblicas m ediante as quais vei os acontecim en­
tos. O que nos m antém a salvo de doutrinas e filosofias enganadoras?
3. Q u e exemplos você vê de idolatria (a adoração da criação em vez do C riador)
na nossa cultura?
4. D r. Jones declara que o ciúm e [zelo] de D eus não está baseado em inseguran­
ça, mas n u m desejo de que a verdadeira natureza das coisas seja conhecida. Você já se
en c o n tro u se sentindo frustrado porque a “verdadeira natureza das coisas” ainda não é
conhecida? Q u a n d o você se sente desse modo?
5. Faça um a lista dos atributos (dos m encionados neste capítulo ou segundo o
seu p róprio enten d im en to ) de Deus. Q ual destes o paganism o busca tirar de Deus?
6. Este capítulo definiu “h onrar a D eus” com o “m an ter a diferença entre a n atu ­
reza dele e a nossa”. Será que descuidadam ente você se apropriou de algum atrib u to de
D eus para você mesmo? A ntes que você responda apressadam ente, considere isto: O
que você está fazendo quando se apóia no seu próprio entendim ento? Q u an d o você
escolhe a sua própria lógica acim a de verdades bíblicas já declaradas?

C apítulo 7
O N ascim ento do Sexo
1. N o assunto de separação, o paganism o crê que é ruim , e n q u a n to D eus decla­
rou que é algo bom . Q uais outras perspectivas pagãs estão em oposição direta à o pi­
nião de Deus?
2. N este capítulo, D r. Jones propõe que ao separar os elem entos criados em
entidades d istin tam en te diferentes e com nom es, D eus estava santificando ou decla­
rando “santa” a sua criação. Você concorda ou discorda? Por que e por que não?
3. U m elem ento de gnosticism o era a crença de que tu d o o que era material,
inclusive a carne, era ruim e que Jesus apareceu em form a espiritual, mas não possuía
u m corpo. Além disso, eles criam que o que acontecia no corpo e com o corpo não era
im p o rtan te e não podia prejudicar um a pessoa espiritualm ente. C o m o Dr. Jones indi­
ca, “Jesus não era um guru gnóstico que negava a terra, aguardando a m o rte com o a
liberação de seu espírito da m atéria”. Se Jesus tivesse sido um guru gnóstico que negava
a terra, aguardando a m orte com o a liberação de seu espírito da m atéria, em que
sentido a nossa discussão acerca do sexo seria diferente?
Guia do leitor 239

4. C om o é que você descreveria a diferença entre a perspectiva bíblica e a pers­


pectiva pagã acerca da “u nidade”?
5. O que você vê com o sendo o m aior perigo em crer qu e não há separação,
n en h u m a distinção entre nós e Deus?

C apítulo 8
A M orte do Sexo
1. M uitos em nossa cultura vêem a aceitação do hom ossexualism o com o um
m ovim ento progressista do século 21. C om o você poderia usar essa inform ação neste
capítulo para fazer frente a essa opinião?
2. O que acontece qu an d o as posições morais com eçam a ser vistas com o meras
perspectivas?
3. N este capítulo, Dr. Jones declara que a justificativa para o hom ossexualism o
na igreja não é o am or ou o evangelho, mas, em vez disso, é um a tentativa de reabilitar
um a cosmovisão pagã. Será que isso é possível? N um a tentativa de m isturar Cristianis­
m o e paganism o, o que acontece com a verdade?
4. Dr. Jones citou a declaração de um a senadora canadense que afirm ou que
Jesus teria votado a favor do casam ento gay. C om o é qu e sabem os o que D eus pensa?
5. O s m esm os pagãos que zom bam da exclusividade da Bíblia ten tam usar um a
perspectiva falsa de Jesus para proteger a sua posição. M as o que M ateus 7.13,14 lhe
diz sobre Jesus e a noção de exclusividade?
6. E m b o ra seja verdade, com o declara Dr. Jones, q u e “e n tre os pecadores,
D eu s não tem favoritos” , este ca p ítu lo faz um a d iferen ça e n tre o pecad o h eterosse­
xual e o pecado hom ossexual. Q u e diferença D r. Jones vê? V ocê co n c o rd a ou d is­
corda, e po r quê?

Capítulo 9
Sexo Renascido e o Futuro
1. C om o a nossa cultura expressa o seu desejo utópico de “consertar a terra”? D ê
exemplos de pessoas ou grupos que fixaram suas esperanças na terra.
2. C om o você responderia ao am bientalista que propõe qu e devem os resgatar e
restaurar a terra? O que Dr. Jones diz acerca do estado da criação antes do pecado?
3. D e acordo com Dr. Jones, que evidência tem o s de q u e D eu s não desistiu
da criação?
4. Leia D aniel 7 .2 7 . O que terem os em co m u m com C risto q u a n d o o universo
for renovado? Essa profecia apóia os seus conceitos an terio res acerca da segunda
v in d a de C risto — e o que isso significa para você — ou faz q u e você ajuste o seu
m o d o de pensar?
5. C o m o a ressurreição de C risto deu início à santificação da criação e o seu
retorno final culm inará na transform ação e santificação final do universo em que tudo
“en contra o seu lugar devido e m áxim o”, que palavras você usaria para descrever os
esforços de proponentes utópicos seculares que crêem qu e tem os o p oder d en tro de
nós m esm os para restaurar o universo?
240 O Deus do sexo

6. C o m base na discussão deste capítulo, com o você responderia a um a feminista


que argum entasse, a partir de Gálatas 3.28, que as diferenças sexuais foram eliminadas?

Capítulo 10
Sexo Renascido e o Presente
1. O m u n d o descrente vê as advertências e adm oestações da B íblia sobre o
sexo co m o d enegrindo o próprio ato. O s descrentes deduzem q u e essas passagens
refletem um a cosm ovisão que atrapalha o sexo e q ue considera o sexo com o algo
ruim . D e acordo com D r. Jones, por qual ou tra razão essas advertências teriam sido
incluídas nas Escrituras?
2. Dr. Jones diz que estamos errados quando im aginam os que um a criança vir­
gem representa a santidade física. Q ue definição alternativa ele oferece? Isso desafia
você, e se desafia, de que modo?
3. O paganism o m uitas vezes m inim iza a im portância do corpo, mas as E scritu­
ras sustentam o seu valor. N a sua opinião, o que dignifica o corpo?
4. Você crê que desenvolvemos e adquirim os a santidade ou a recebemos?
5. C o m o você pode m inistrar com eficácia para um a cultura que detesta D eus
en q u a n to ao m esm o tem po você m antém distância dessa cultura?
6. Q u al é sua definição de liberdade?

C apítulo 11
Sexo Assustador: N ão Tema
1. Q u e atitu d e para com D eus deveria caracterizar a vida de um crente?
2. Q u e opinião o m undo descrente apóia com relação a essa atitude?
3. D e acordo com este capítulo, o que elim ina o “m au” temor?
4. Q u al é a sua definição de humildade?
5. C o m o Dr. Jones descreve os “líderes cristãos” que rejeitam o en ten d im en to
teísta de Deus?
6. Você conhece esse tipo de “líderes cristãos” na sua própria esfera de influência?