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LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE

2. CONTEXTUALIZAÇÃO

A implementação de disciplinas que visam o aprimoramento técnico profissional dos


policiais militares do Estado de Goiás, conforme as matrizes curriculares de cursos e o
REGIMENTO DE ENSINO DA PMGO, indicam a necessidade de profissionais
qualificados e bem preparados. Em resposta à essa demanda de formação, utilização de
tecnologias educacionais e formação na modalidade a distância, faz-se necessária uma
melhor capacitação dos policiais militares do Estado de Goiás, no cumprimento de sua
missão institucional, com o aprimoramento de habilidades específicas no
desenvolvimento da atividade policial.
Nesse diapasão, a disciplina Legislação Extravagante visa dotar a praça policial
militar de conhecimentos gerais sobre as leis penais extravagantes e suas recentes
alterações, principalmente aquelas que estão intimamente ligadas ao serviço policial
militar.
Lei extravagante é aquela que se encontra fora do código que regula o setor da vida
social a que se destina. Leis Penais Extravagantes são leis válidas, mas que não estão
escritas no Código Penal, e sim em leis separadas, a exemplo da Lei de Drogas e da Lei
de Crimes Hediondos. Importante destacar que as disposições contidas nas leis
especiais prevalecem sobre as regras gerais.
O Objetivo Específico da disciplina é capacitar a praça policial militar a reconhecer
um ilícito previsto nas principais leis penais especiais, para que tome as iniciativas
corretas, agindo na legalidade e imparcialidade. Convém ressaltar que não é objeto de
estudo desta disciplina o Estatuto do Desarmamento, pois será abordado na parte teórica
da disciplina Uso Seletivo da Força.

5. CONTEÚDOS

a) Módulo | - Abuso de Autoridade


b) Módulo Il —- Crimes Hediondos
c) Módulo Ill “Crimes Ambientais
d) Módulo IV —Lei de Drogas — 11.343/06
e) Módulo V — Lei Maria da Penha

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MÓDULO |

LEI Nº 13.869, de 05 de setembro de 2019


(ABUSO DE AUTORIDADE)

Dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade

E: INTRODUÇÃO
No dia 05 de setembro de 2019 foi publicada a nova Lei 13.869 que dispõe acerca
do Abuso de Autoridade, definindo os crimes de abuso de autoridade cometidos por
agente público, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las, abuse do
poder que lhe tenha sido atribuído.
Cumpre ainda salientar que essa inovação legislativa surgiu no ordenamento
jurídico pátrio revogando a Lei 4.898 de 09 de dezembro de 1965 (antiga Lei de abuso de
autoridade) e dispositivos do Decreto-Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940 (Código
Penal).
Importante observar ainda que a Lei 13.869/19 teve um período de vacatio legis de
120 dias, ou seja, embora já tenha sido publicada, somente entrou em vigor 120 dias
após sua publicação.
2: DISPOSIÇÕES GERAIS

Em relação a esse novo diploma normativo, importante trazer algumas


particularidades imprescindíveis ao domínio do conteúdo em apreço.

ZA. Natureza da Ação Penal nos crimes tipificados na Lei de Abuso de


Autoridade
Cumpre mencionar que todos os crimes previstos nesse diploma legal são de ação
penal pública incondicionada, o que significa dizer que independe de representação da
vítima para que o Membro do Ministério Público possa dar início a eventual Ação penal
pertinente, munido obviamente dos documentos que corroboraram na formação de sua
opinião acerca da prática delitiva.
Importante ainda mencionar que existe a possibilidade do manejo da Ação Penal
Privada subsidiária da publica por parte do ofendido, nos crimes descritos nesse diploma
normativo, quando verificada a inércia por parte do Promotor de Justiça em promover a

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Ação penal no prazo legal. Tal previsão legal encontra-se insculpida no artigo 3º, 81º da
LEI 13.869 de 05 de setembro de 2019, conforme se verifica a seguir:

Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública


incondicionada. (Promulgação partes vetadas)

$ 1º Será admitida ação privada se a ação penal pública não for


intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a
queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos
os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor
recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante,
retomar a ação como parte principal.

$ 2º A ação privada subsidiária será exercida no prazo de 6 (seis)


meses, contado da data em que se esgotar o prazo para
oferecimento da denúncia.

Para que o ofendido possa ajuizar a ação privada subsidiária, é necessário que o
membro do MP fique completamente inerte no prazo legal do art. 46 do CPP, ou seja,
que não adote nenhuma das seguintes providencias:
a) oferecer denúncia;
b) requisitar a realização de novas diligências;
c) pedir o arquivamento;
d) requerer a declinação de competência.

Diante do exposto, se o Promotor de Justiça/Procurador da República pedir, por


exemplo, o arquivamento do inquérito policial, o ofendido, mesmo que não concorde com
tal atitude, não poderá ajuizar a ação privada subsidiária considerando que não houve
inércia do MP. Se, mesmo não havendo inércia por parte do MP e o ofendido oferecer
ação privada subsidiária, neste caso, o juiz deverá rejeitar a queixa substitutiva por
ilegitimidade de parte.
Insta salientar que o Código de Processo Penal, positivado no ordenamento jurídico
pátrio por meio do Decreto-Lei nº 3.689 de 3 de outubro de 1941, em seu Art. 46, estipula
o prazo de 05 (cinco) dias estando o réu preso e 15 (quinze) dias estando o réu solto
para que o Membro do Ministério Público possa oferecer a peça acusatória, conforme se
pode depreender do Artigo a seguir descrito:

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Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu
preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério
Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu
estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do
inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data
em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos.
aa. Necessidade de dolo específico no crime de abuso de autoridade
Outro ponto que merece igual importância, no que se refere a abordagem temática
em apreço, trata-se da exigência de dolo específico na prática do delito de abuso de
autoridade, ou seja, exclui, de forma inequívoca, a possibilidade de se ventilar o
enquadramento de qualquer tipo penal, previsto nesse diploma normativo, na modalidade
culposa.
Corrobora nesse sentido o disposto em seu art. 1º, 8 1º, aduz a Lei 13.869/19:
Art. 1º...
$ 1º As condutas descritas nesta Lei constituem crime de abuso de
autoridade quando praticadas pelo agente com a finalidade
específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a
terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal.

23. Condutas oriundas de divergência de interpretação de Lei ou


avaliação de fatos ou provas e o abuso de autoridade
Por oportuno, muito se falou acerca da possiblidade de, com essa inovação
legislativa, estar se buscando criminalizar o hermeneuta ou o intérprete da Lei, porém, tal
entendimento não merece prosperar considerando que, no próprio texto normativo, já se
proíbe a punição de condutas oriundas de divergência de interpretação de Lei ou
avaliação de fatos ou provas.
Sedimentando tal entendimento verifica-se o disposto no art. 1º, 8 2º, a Lei
13.869/19, aduz que elencado a seguir:
Art. 1º...
$ 2º A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e
provas não configura abuso de autoridade.

3. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR CRIMES RELACIONADOS


NA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE
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A competência para julgar o delito será, em regra, determinada pela esfera seja ela
Federal, Estadual ou Militar, ao qual estiver vinculado o agente público que praticou tal
crime.

Assim, em regra se o delito foi praticado por autoridade (agente público) federal no
exercício dessa função o crime será de competência da Justiça Federal, considerando
que, neste caso, o delito terá sido praticado em detrimento de um serviço público federal,
nos termos do art. 109, IV, da CF/88, senão vejamos:

Art. 109 (...)

IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em


detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as
contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da
Justiça Eleitoral;

Obviamente, para a competência ser da Justiça Federal, o crime deve estar


relacionado com as funções federais exercidas pelo agente público, conforme se
depreende do enunciado de súmula 147 do STJ:

Súmula 147-STJ: Compete à justiça federal processar e julgar os


crimes praticados contra funcionário público federal, quando
relacionados com o exercício da função. Se o delito foi praticado por
autoridade (agente público) estadual ou municipal no exercício
dessa função: o crime será, em regra, de competência da Justiça
Estadual, que é residual.

Cumpre ainda ressaltar que em relação aos militares houve inovação legislativa
com a entrada em vigor da Lei nº 13.491/2017, que alterou o art. 9º, Il, do CPM, de modo
que em relação aos militares esse entendimento sumular encontra-se superado.
Antes da alteração, se o militar, em serviço, cometesse abuso de autoridade ele
seria julgado pela Justiça Comum porque o art. 9º, Il, do CPM afirmava que somente
poderia ser considerado como crime militar as condutas que estivessem tipificadas no
Código Penal Militar. Assim, como o abuso de autoridade não estava previsto no CPM,
mas sim na Lei nº 4.898/65, este delito não podia ser considerado crime militar nem
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podia ser julgado pela Justiça Militar. Isso, contudo, mudou com a nova redação dada
pela Lei nº 13.491/2017 ao art. 9º, Il, do CPM que trouxe para a competência da justiça
militar a responsabilidade pelo processo e julgamento dos crimes praticados em serviço
estando essas figuras típicas previstas ou não no Código Penal Militar.
Desta feita, essa alteração legislativa trazida pela Lei 13.491/2017, a conduta
praticada pelo agente, para ser crime militar com base no inciso Il do art. 9º, pode estar
prevista no Código Penal Militar ou na legislação penal “comum”. Portanto, o abuso de
autoridade, mesmo não estando previsto no CPM pode agora ser considerado crime
militar (julgado pela Justiça Militar) com base no art. 9º, Il, do CPM. Logo, a Justiça Militar
tem plena competência para julgar os crimes previstos na Lei de abuso de autoridade.

4. SANÇÕES DE NATUREZA CÍVEL E ADMINSTRATIVA NOS CRIMES


PREVISTOS NA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE

Os artigos 6º, 7º e da Lei 13.869/2019, esclarece que as esferas de


responsabilização do agente público no âmbito criminal, civil ou administrativo são
independentes entre si, levando a conclusão, portanto, de que o agente público que
exorbita de seus poderes no exercício de seu cargo, emprego ou função pública, poderá
ser responsabilizado em qualquer delas, ainda que cumulativamente, senão vejamos:

Art. 6º As penas previstas nesta Lei serão aplicadas


independentemente das sanções de natureza civil ou administrativa
cabíveis.
Parágrafo único. As notícias de crimes previstos nesta Lei que
descreverem falta funcional serão informadas à autoridade
competente com vistas à apuração.
Art. 7º As responsabilidades civil e administrativa são
independentes da criminal, não se podendo mais questionar sobre a
existência ou a autoria do fato quando essas questões tenham sido
decididas no juízo criminal.

Cumpre, no entanto, consignar que a própria lei de abuso de autoridade, em seu


Art. 8º, ressalta que o desfecho alcançado no âmbito criminal poderá influenciar nas
decisões das outras esferas, quais sejam, administrativa e cível, quando a atuação do

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agente se enquadrar em qualquer das hipóteses descritas como excludentes de
ilicitudes, conforme se pode constatar a seguir:

Art. 8º Faz coisa julgada em âmbito cível, assim como no


administrativo-disciplinar, a sentença penal que reconhecer ter sido
o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em
estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

5. SUJEITOS DO CRIME

No art. 2º da Lei 13.869/19, definiu o legislador quem será o sujeito ativo do delito
de abuso de autoridade:

Art. 2º É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer


agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou
fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo,
mas não se limitando a:
| - servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas;
H - membros do Poder Legislativo;
Hll - membros do Poder Executivo;
IV - membros do Poder Judiciário;
V- membros do Ministério Público;
VI - membros dos tribunais ou conselhos de contas.
Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta
Lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo,
emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput
deste artigo.

Nesse sentido, o sujeito ativo do delito de abuso de autoridade, de acordo com a


conceituação de agente público feita pela Lei 13.869/19, será qualquer agente público,
servidor ou não, que exerça:
a) ainda que transitoriamente ou sem remuneração;
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b) por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer forma de
investidura ou vínculo;
c) mandato, cargo, emprego ou função;
d) em órgão ou entidade da administração direta e indireta de qualquer ente
federativo;

Lembrando da conceituação de agentes públicos trazida pela clássica doutrina


administrativista, serão autores do delito de abuso de autoridade os Agentes Políticos,
Agentes Administrativos, Agentes Honoríficos, Agentes Delegados e os Agentes
Credenciados.
De maneira elucidativa pode-se afirmar que os agentes políticos são os ocupantes
dos altos cargos da Administração Pública, descritos dos incisos Il a Vl, do art. 2º, da Lei
13.869/19.
Os Agentes Administrativos são os servidores e empregados públicos.
Os Agentes Honoríficos não são profissionais contratados pela Administração
Pública. Eles apenas colaboram transitoriamente com o Estado, para exercer
determinadas funções, por exemplo, jurados no Tribunal do Júri e Mesário Eleitoral.
Os Agentes Delegados são particulares que têm a responsabilidade de exercer uma
atividade específica por delegação do Estado, que deve fiscalizar sua atuação, por
exemplo, os leiloeiros de bens públicos.
Por fim, os Agentes Credenciados, são as pessoas que representam o Estado em
alguma circunstância, por exemplo, um pesquisador que participa de um seminário
internacional representando o Brasil.

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6. EFEITOS EXTRAPENAIS DA CONDENAÇÃO
Em seu Art. 4º, a Lei 13.869/19 elenca os efeitos extrapenais da condenação pelo
crime de abuso de autoridade:

Art. 4º São efeitos da condenação:


| - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime,
devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o
valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração,
considerando os prejuízos por ele sofridos;
H - a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função
pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos;
Il - a perda do cargo, do mandato ou da função pública.

Portanto, três serão os efeitos extrapenais de uma condenação por crime tipificado
na Lei de abuso de autoridade, ficando assim dispostos:

e Obrigação de reparar o dano;

e Inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função, pelo prazo de 1 a 5


anos;
e Perda do cargo, mandato ou função pública;
Deve-se atribuir uma atenção especial aos incisos Il e Ill do art. 4º supracitado, pois,
a perda do cargo e a inabilitação para ocupação de outro cargo público são efeitos
extrapenais da condenação. E a inabilitação tem duração de 1 a 5 anos.

7. Os efeitos extrapenais previstos na nova Lei de Abuso de Autoridade são


automáticos?
Essa indagação encontra resposta na disposição legal prevista no parágrafo único
do art. 4º, da Lei 13.869/19:

Art. 4º...
Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos Il e Ill do caput
deste artigo são condicionados à ocorrência de reincidência em

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crime de abuso de autoridade e não são automáticos, devendo ser
declarados motivadamente na sentença.

Ou seja, os efeitos extrapenais da perda do cargo e inabilitação para o exercício de


outro cargo pelo prazo de 1 a 5 anos não são automáticos e, apenas, poderão recair
sobre os réus reincidentes em crimes de abuso de autoridade.
Ao não condicionar o efeito da obrigação de reparar o dano à reincidência do réu e
nem exigir a declaração motivada do mesmo em sentença, o legislador deixou claro que,
a exemplo do que já ocorre no Código Penal, a obrigação de reparar o dano é efeito
automático da condenação e atinge tanto os réus primários quanto os reincidentes.

8. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS


Sobre as penas restritivas de direitos, aduz o art. 5º do novo diploma que:

Art. 5º As penas restritivas de direitos substitutivas das privativas de


liberdade previstas nesta Lei são:
| - prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas;
Il - suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo
prazo de 1 (um) a 6 (seis) meses, com a perda dos vencimentos e
das vantagens;
HW - (VETADO).
Parágrafo único. As penas restritivas de direitos podem ser
aplicadas autônoma ou cumulativamente.

De maneira bem simples, duas são as penas restritivas de direitos cabíveis aos
condenados por crime de abuso de autoridade:
e Prestação de serviços à comunidade;

e Suspensão do exercício das funções pelo prazo de 1 a 6 meses, com perda dos
vencimentos e vantagens;
Nesse sentido, a suspensão do exercício das funções é uma pena restritiva de
direitos cabível em substituição à pena privativa de liberdade, e com prazo que varia de 1
a 6 meses. Importante ainda consignar que durante o período de suspensão o servidor
penalidade ficará sem o recebimento de seus vencimentos e /ou vantagens.

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e dniado dh cúrio

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8.1. Quais os crimes de abuso de autoridade admitem a substituição da pena
privativa de liberdade pelas restritivas de direitos?
De maneira bem didática, no sentido de responder a esse questionamento,
precisaremos esclarecer os requisitos devem ser cumpridos para que essa substituição
seja realizada. Tais requisitos são previstos no Art. 44 do código penal:

Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem


as privativas de liberdade, quando:
| — aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos
e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for
culposo;
Il- o réu não for reincidente em crime doloso;
HI — a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
Partindo da premissa que para se obter a substituição das penas privativas de
liberdade por restritivas de direitos deve-se enquadrar nos requisitos acima, pode-se
afirmar que apenas 3 (três) figuras delituosas descritas na Lei 13.869/19 não admitem a
substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos, nem mesmo
aos réus primários, quais sejam, Art. 13, Art. 22,8 1º, le Art. 24.
Essa conclusão decorre do fato de que, embora nenhum dos crimes de abuso de
autoridade previstos na Lei 13.869/19 possuam pena máxima superior a 4 anos, três
deles são praticados mediante violência ou grave ameaça, fato este que impede a
concessão do benefício.
Os crimes que não admitem a referida substituição são:
Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência,
grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a:
| - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade
pública;
H - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não
autorizado em lei;
W - (VETADO).
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo
da pena cominada à violência.
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Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à

revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas


dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem
determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
$ 1º Incorre na mesma pena, na forma prevista no caput deste
artigo, quem:
| - coage alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas dependências;
IH - (VETADO);
HI - cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h
(vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas).
8 2º Não haverá crime se o ingresso for para prestar socorro, ou
quando houver fundados indícios que indiquem a necessidade do
ingresso em razão de situação de flagrante delito ou de desastre.

Acerca dessa figura típica importante trazer alguns posicionamentos, pois é bem
intrínseca a atividade policial. O art. 22 da Lei de Abuso de Autoridade segue a regra
constitucional prevista ao teor do art. 5., XI, que diz: a casa é asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de
flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial. O art. 150 do Código Penal já tipificava o crime de violação de domicílio. O caput
do art. 22 da Nova Lei de Abuso de Autoridade, porém trouxe uma modalidade especial
de violação de domicílio.
O tipo penal consagra uma presunção do desejo de não ingresso do agente público
(se o ocupante nada diz, então o agente público não pode entrar em seu imóvel).
Portanto, se há revelia da manifestação de vontade do ocupante do imóvel, presume-se
que o ocupante não quer o ingresso do agente público. Tal presunção tem razão de ser,
porque prestigia o direito à propriedade, vida privada e intimidade.
Por oportuno, cabe ainda esclarecer que o legislador passou a considerar crime de
abuso de autoridade a conduta daquele que cumpre mandado de busca e apreensão
domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas). Nesse sentido,
no 81º, inciso Ill, do artigo em análise, o legislador estabeleceu um critério objetivo que

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confere segurança jurídica ao operador do direito, pois, sendo cumprido o Mandado de
busca e apreensão após as 21h e antes das 5h do dia seguinte, haverá crime.

Art. 24. Constranger, sob violência ou grave ameaça, funcionário ou


empregado de instituição hospitalar pública ou privada a admitir
para tratamento pessoa cujo óbito já tenha ocorrido, com o fim de
alterar local ou momento de crime, prejudicando sua apuração:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da
pena correspondente à violência.

9. CRIMES EM ESPÉCIE SOB A ÉGIDE DA LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Discorrendo acerca dos vários tipos penais tipificados como abuso de autoridade
previstos na Lei 13.869/19, de acordo com o previsto no Art. 39 do mesmo diploma legal,
constata-se que diversos deles são classificados como infrações penais de menor
potencial ofensivo, pois a pena máxima em abstrato atribuída ao tipo penal não supera
02 anos e, portanto, necessariamente, devem seguir todo o procedimento estabelecido
pela Lei 9.099/95.
Cumpre ainda consignar que de acordo com o disposto no Capitulo VII, Art. 39 da
Lei 13.869/19, no que couber, ou seja, sempre que possível, as disposições descritas na
Lei nº 9099/95, senão veja:

CAPÍTULO VII

DO PROCEDIMENTO

Art. 39. Aplicam-se ao processo e ao julgamento dos delitos


previstos nesta Lei, no que couber, as disposições do Decreto-Lei nº
3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), e da
Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.

De maneira a facilitar a aprendizagem do conteúdo, serão elencados os


dispositivos que, conforme disposição legal seguirão o rito previsto para os juizados
especiais. São eles:

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Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante
à autoridade judiciária no prazo legal:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:

1 - deixa de comunicar, imediatamente, a execução de prisão


temporária ou preventiva à autoridade judiciária que a decretou;

H1 - deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa


e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela
indicada;

ll - deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte e quatro)


horas, a nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da
prisão e os nomes do condutor e das testemunhas;

IV - prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de prisão


temporária, de prisão preventiva, de medida de segurança ou de
internação, deixando, sem motivo justo e excepcionalíssimo, de
executar o alvará de soltura imediatamente após recebido ou de
promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou
legal.

Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao


preso por ocasião de sua captura ou quando deva fazê-lo durante
sua detenção ou prisão: (Promulgação partes vetadas)

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial durante o período


de repouso noturno, salvo se capturado em flagrante delito ou se
ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

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Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada
do preso com seu advogado:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar procedimento


investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de
alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito
funcional ou de infração administrativa:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. Não há crime quando se tratar de sindicância ou


investigação preliminar sumária, devidamente justificada.

Art. 29. Prestar informação falsa sobre procedimento judicial,


policial, fiscal ou administrativo com o fim de prejudicar interesse de
investigado:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. (VETADO).

Art. 31. Estender injustificadamente a investigação, procrastinando-


a em prejuízo do investigado ou fiscalizado:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, inexistindo prazo


para execução ou conclusão de procedimento, o estende de forma
imotivada, procrastinando-o em prejuízo do investigado ou do
fiscalizado.

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Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso
aos autos de investigação preliminar, ao termo circunstanciado, ao
inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de
infração penal, civil ou administrativa, assim como impedir a
obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a
diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências
futuras, cujo sigilo seja imprescindível: (Promulgação partes
vetadas)

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Art. 33. Exigir informação ou cumprimento de obrigação, inclusive o


dever de fazer ou de não fazer, sem expresso amparo legal:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se utiliza de cargo


ou função pública ou invoca a condição de agente público para se
eximir de obrigação legal ou para obter vantagem ou privilégio
indevido.

Art. 37. Demorar demasiada e injustificadamente no exame de


processo de que tenha requerido vista em órgão colegiado, com o
intuito de procrastinar seu andamento ou retardar o julgamento:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações, por meio de


comunicação, inclusive rede social, atribuição de culpa, antes de
concluídas as apurações e formalizada a acusação:
(Promulgação partes vetadas)

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Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

MÓDULO II

LEI DOS CRIMES HEDIONDOS (Lei 8.072/90)

Em 25 de julho de 1990, foi publicada a Lei n. 8.072, conhecida como Lei dos Crimes
Hediondos, que, além de definir os delitos dessa natureza, trouxe diversas outras providências
de cunho penal e processual penal, bem como referentes à execução da pena dos próprios
crimes hediondos e equiparados (tráfico de entorpecentes, terrorismo e tortura).

1 CONCEITO

Existem três formas:


1) Legal — Compete ao legislador enumerar num rol taxativo quais os delitos
considerados hediondos (adotada pelo Brasil);
2) Judicial - Compete ao Juiz na apreciação do caso concreto, diante da gravidade
do crime ou da forma em que foi executado, decide se é ou não hediondo.
3) Mista — O legislador apresenta um rol exemplificativo de delitos hediondos,
permitindo ao juiz na análise do caso concreto, encontrar outros fatos assemelhados
(interpretação analógica).

Ta. MANDADOS CONSTITUCIONAIS DE CRIMINALIZAÇÃO

As Constituições modernas não se limitam a especificar restrições ao poder do


Estado e passam a conter preocupações com a defesa ativa do indivíduo e da sociedade
em geral.
A própria Constituição impõe a criminalização de bens e valores constitucionais,
pois do Estado espera-se mais que uma mera atitude defensiva. Requer-se que torne
eficaz a Constituição, dando vida aos valores que ela contemplou e protegendo-os de
eventuais ataques (Ex.: art. 5º, XLIII, CRFB).

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1.2. CRÍTICAS AOS CONCEITOS:

1) Legal — Ignora as circunstâncias do caso concreto.


2) Judicial - Não havendo lei que defina os crimes hediondos, gera insegurança,
ferindo o Princípio da Legalidade, que é a nossa segurança quanto o Estado punitivo.
3) Mista — Reúne as críticas dos dois conceitos acima.

A forma mais justa de conceituar crimes hediondos seria a apresentação de um rol


taxativo de crimes hediondos pelo legislador, devendo o juiz na análise do caso concreto,
confirmar a Hediondez da infração. Desta forma há lei, respeitando a legalidade, no
entanto o juiz trabalha, conformado pela lei, as circunstância do caso concreto, não se
contentando com a gravidade em abstrato.

PERGUNTA: Existe crime hediondo previsto em legislação fora do Código Penal?


Existe, o genocídio (art. 1º, parágrafo único, Lei 8.072/90), não se confundindo com
tráfico, tortura e terrorismo que são equiparados a hediondos.

2: CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS

O tráfico ilícito de entorpecentes ou drogas afins, o terrorismo e a tortura não são crimes
hediondos, porque não constam do rol do art. 1º da Lei n. 8.072/90.
Todavia, como possuem tratamento semelhante nos demais dispositivos da lei, são
chamados de figuras equiparadas.
Tal equiparação encontra fundamento no próprio art. 5º, XLII, da Constituição Federal,
que expressamente faz menção a tais infrações penais.
O crime de tráfico ilícito de entorpecentes mencionado no texto constitucional encontra-se
descrito na lei 11.343/2006 (Lei de Drogas).
Já o delito de terrorismo está descrito na Lei n. 13.260/2016.
Por fim, o crime de tortura possui diversas formas, todas tipificadas na Lei n. 9.455/97.

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3. O ROL DOS CRIMES HEDIONDOS

O art. 1º da Lei n. 8.072/90 apresenta um rol taxativo desses crimes, não admitindo
ampliação pelo juiz. Não se admite, tampouco, que o magistrado deixe de reconhecer a
natureza hedionda em delito que expressamente conste do rol.

A Lei n. 8.072/90 confere caráter hediondo a determinados delitos descritos no Código


Penal (e também ao crime de genocídio da Lei n. 2.889/56). Tal lei especifica o nome e o
número do artigo do delito considerado hediondo. Ex.: considera-se hediondo, nos termos do
art. 1º, caput, Il, c da Lei n. 8.072/90, o “crime de latrocínio (art. 157, 8 3º, in fine)”.
Assim, quando o juiz condena alguém por latrocínio, o delito automaticamente é
considerado hediondo, não sendo necessário que o magistrado declare tal circunstância, que,
em verdade, decorre de texto expresso de lei.

Atenção! A lei nº 13.964/19, mais conhecida como pacote anticrime, mudou a Lei nº
8.072/90 (Leis dos crimes hediondos), acrescentando alguns dispositivos que merecem
destaque pela sua recente inclusão. Vejamos:

Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes,


todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de
1940 - Código Penal, consumados ou tentados:
| - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade
típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só
agente, e homicídio qualificado (art. 121, 8 2º, incisos 1, Il, III,
IV, V, VI, VIl e MIll); (Redação dada pela Lei nº 13.964, de
2019)

O crime homicídio doloso simples - art. 121, caput, CP, quando praticado em
atividade típica de grupo de extermínio, ou homicídio condicionado, como é chamado pela
doutrina, é hediondo ainda que cometido por um só agente. O homicídio qualificado, por
sua vez, será hediondo independentemente da qualificadora.
Em razão da ausência de previsão legal, não são considerados hediondos o
homicídio simples, que não cometido em atividade típica de grupo de extermínio e o
homicídio privilegiado - art. 121, caput, e 8 1º, código penal.

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I-A — lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art.
129, 8 2º) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, 8 30),
quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos
arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro
grau, em razão dessa condição; (Incluído pela Lei nº 13.142, de
2015).

Conforme expressamente previsto, deve haver o chamado nexo funcional para que
incida a hediondez no caso concreto, isto é, a lesão gravíssima deve guardar relação com
o fato de ser a vítima integrante das forças armadas, sistema prisional ou da força
nacional de segurança pública. Como o texto legal faz menção a parente consanguíneo
até o terceiro grau, abrange irmão, tio e sobrinho, mas não abrange sogra, cunhado e filho
adotivo.
Por fim, vale consignar que a lesão corporal dolosa de natureza grave - 129, 8 1º,
código penal, não possui caráter hediondo.

| - roubo: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)


a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima
(art. 157, 8 2º, inciso V); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art.
157, 8 2º-A, inciso |) ou pelo emprego de arma de fogo de uso
proibido ou restrito (art. 157, 8 2º-B); (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou
morte (art. 157, 8 3º); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Ill - extorsão qualificada pela restrição da liberdade da
vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, 8 3º);
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de
exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável
(art. 218-B, caput, e 88 1º e 2º). (Incluído pela Lei nº 12.978,
de 2014)
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IX - furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de
artefato análogo que cause perigo comum (art. 155, S 4º-A).
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Parágrafo único. Consideram-se também hediondos,
tentados ou consumados: (Redação dada pela Lei nº 13.964,
de 2019)
| - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º,2º e 3º da
Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956; (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
Il - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de
uso proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de
dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto
no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003;
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo,
acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, de
22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
V - o crime de organização criminosa, quando
direcionado à prática de crime hediondo ou equiparado.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

A lei nº 13.964/19 (Anticrime) desmembrou o art. 16, caput, da lei nº 10.826/03


(Estatuto do Desarmamento), e manteve a mesma pena anteriormente prevista, qual
seja: reclusão de 03 a 06 anos, e multa, quando se tratar de posse ou porte de arma de
fogo de uso restrito, munição ou acessório (fuzil, metralhadora, etc), e criou, no 8 2º, do
art. 16, da referida lei de armas uma qualificadora, a qual prevê a pena de reclusão de 04
a 12 anos, quando as condutas descritas no caput e no $ 1º envolverem arma de fogo de
uso proibido.
Ocorre que o art. 2º, inciso Ill, alíneas "a" e "b" do Decreto nº 9.847, de 25 de junho
de 2019, estabalece que:

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Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:

II - arma de fogo de uso proibido:


a) as armas de fogo classificadas de uso proibido em acordos e tratados
internacionais dos quais a República Federativa do Brasil seja signatária; ou
b) as armas de fogo dissimuladas, com aparência de objetos inofensivos;
Conclui-se, portanto, a que a Lei Anticrime declarou a hediondez apenas para as
armas de fogo de uso proibido - art. 16, S 2º, da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do
Desarmamento).

Em outras palavras, ao desmembrar o dispositivo legal acima mencionado, fazendo


distinção entre uso restrito e uso proibido, a posse ou o porte ilegal de arma de fogo de
uso restrito deixou de ser hediondo por falta de referência legal.
Trata-se, portanto, neste aspecto de novatio legis in mellius, uma vez que a Lei
Anticrime foi benéfica nesse sentido.
Registre-se que no final do ano de 2017 a posse ou porte de arma de fogo, munição
ou acessório de uso restrito havia sido inserida no rol de crimes hediondos, sendo que,
posteriormente, a Lei Anticrime fez referência tão somente à arma de fogo de uso
proibido.

Em razão disso, podem ser cogitadas duas posições a respeito da hediondez


prevista no art. 1º, parágrafo único, Il, da Lei, 8.072/90:
1º Corrente - Restritiva: Como o inciso Il, do parágrafo único da Lei de Crimes
Hediondos nº 8.072/90 faz referência apenas às armas de fogo de uso proibido - art. 16,
8 2º, lei 10.826/03 - Estatuto do Desarmamento, a posse ou o porte ilegal de armas de
fogo de uso restrito - art. 16, caput, do mesmo diploma legal teria deixado de ser crime
hediondo, de modo que, neste ponto, a Lei Anticrime teria sido benéfica, portanto,
retroativa.
2º Posição - Ampliativa: Ao se referir genericamente ao art. 16 da Lei de Armas, a
Lei dos Crimes Hediondos estaria abrangendo todas as figuras típicas do referido
dispositivo legal, de modo que a posse ou o porte ilegal de arma de fogo de fogo de uso
restrito e proibido continuariam sendo consideradas hediondas.

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4. CONSEQUÊNCIAS DOS CRIMES HEDIONDOS:

a) Insuscetíveis de anistia, graça e indulto, que são formas de renúncia estatal


ao seu poder de punir.

PERGUNTA: A Constituição Federal/88 proibiu anistia e graça, mas a lei


acrescentou indulto, seria esse alargamento constitucional?

1º Corrente: entende que a ampliação é inconstitucional, pois as vedações previstas


no art.5º, XLIII, da CRFB, são máximas, sendo defeso ao legislador ordinário, suplantá-
las.
Observa ainda, que a concessão do indulto está entre as atribuições privativas do
Presidente, não podendo o legislador ordinário, limitá-lo no exercício desta atribuição.
2º Corrente: entende que a ampliação é constitucional, pois o indulto não deixa de
ser modalidade de graça e, por isso, alcançado pela vedação constitucional (Corrente
adotada pelo STF).

GRAÇA INDULTO
Destinatário certo Destinatário não certo, por ser
benefício coletivo

Depende de provocação Não depende de provocação

Note que a graça não deixa de ser indulto no sentido singular e indulto, não deixa
de ser graça no sentido coletivo, assim a segunda corrente entende que ao se proibir
graça, obviamente o indulto que está ligado à graça, também está vedado.

Graça e indulto excluídos para crimes cometidos antes da Lei 8.072/90, não existe
ofensa à garantia constitucional da lei penal mais grave, consistindo a exclusão, exercício
do poder do Presidente da República de negar o indulto a determinados crimes. Logo, o
Presidente concede a quem bem entender, pois o indulto é discricionário do Presidente.

b) Insuscetível de fiança pela lei 11.464/07, que antes desta além da proibição
da fiança, proibia liberdade provisória, gerando discussão doutrinária sobre a liberdade
provisória.

UVUMANIMI DA AUADENMIA DE PULILIA MILIIAR


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1º Corrente: entende que fiança se confunde com liberdade provisória e assim a lei
11.464/07, acaba com essa redundância.

2º Corrente: entende que liberdade provisória e fiança não se misturam tanto que há
liberdade provisória sem fiança, logo é possível a liberdade provisória.

4.1 CRIMES HEDIONDOS (ou equiparados) X LIBERDADEPROVISÓRIA

LEI 8.072/90 LEI 11.464/07 HC 104339 STF


Art 2º, Il da lei, Ar. 2º, Il foi O STF declarou
proibia: alterado e só proíbe | inconstitucional
Fiança e | fiança. qualquer vedação legal
Liberdade provisória. 12 Corrente — a liberdade provisória,
Vigorava a súmula Passou a ser permitida fundamentando:
697, STF. Reconhece a Liberdade Provisória a) Incompatível
implicitamente a em crime hediondo ou com o Princípio da
constitucionalidade da equiparado. Presunção de
vedação da liberdade 2º Corrente — A Inocência;
provisória vedação está implícita b) A proibição em
na proibição da fiança. abstrato não analisa os
pressupostos da
necessidade da prisão
cautelar;
c) É antecipação
de pena. Superou-se a
súm. 697, STF.

4.2. CRIMES HEDIONDOS X REGIME DE PRISÃO (Art. 2º, 81º e 2º da Lei


8.072/90 e Lei 13.964/19 — Pacote Anticrime)

LEI 8.072/90 STF HC LEI STF HC LEI


82959/07 11.464/07 | 111840 13.964/19 —
Pacote
Anticrime

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que
nova
redação ao
art. 112 da
LEP
Regime Julgou o Regi O STF Nos
integral fechado e | regime integral | me inicial | julgou crimes
vedação de | fechado fechado. inconstitucional | hediondos e
progressão de | inconstitucional, por Progr | também o | equiparados
regimes violar os princípios: | essão com | regime inicial |, os novos
Confirmado pela i) 2/5 da | fechado, com | parâmetros
Súmula 698 STF | Individualização da | pena se |fundamento para a
que reconhecia | Pena; primário principal a | progressão
implicitamente a ii) Isonomia; ou 3/5 da | violação do | são os
constitucionalidad ii)PProporcional | pena se | Princípio da | seguintes:
e do regime |idade;e reincidente | Individualizaçã | a) 40%, para
integral fechado. iv) Dignidade o da Pena. o réu
da Pessoa Humana. ATENÇÃ |primário e
Com isso O: Ainda | 60% para o
autorizou a admite reincidente
progressão com 1/6 progressão em crime
da pena, superando diferenciada. hediondo ou
a Súmula 698. equiparado;
b) 50%, para
o réu
primário e
70% para o
reincidente
em crime
hediondo ou
equiparado
com
resultado
morte,

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vedado o
livramento
condicional
em ambos
os casos.

OBS2.: Hoje para fixar regime inicial fechado para crime hediondo ou equiparado, o
magistrado deve observar a necessidade do regime mais rigoroso com base na
gravidade em concreto do fato somado aos fins da pena (atentar para as súmulas 718 e
719 do STF).
Vale ressaltar que antes da Lei 11.464/07, a progressão de regime, por conta do HC
82959 de 2007 (STF), era de 1/6 da pena (art. 112, LEP). Com o advento da mencionada
lei, surge a progressão diferenciada, com 2/5 da pena se primário ou 3/5 da pena se
reincidente.

A partir daí, indaga-se se esta nova progressão é retroativa, alcançando os fatos


praticados antes de sua vigência? Cuidado! Súmula Vinculante. 26 e Súmula 471 do STJ
dizem que não retroagem por ser maléfica a nova lei.
Outro ponto que merece destaque é o 8 3º, art. 2º, da Lei, que deve ser interpretado
conforme a CRFB e adota duas situações:

a) Acusado processado preso (provisoriamente), recorre preso, salvo se não


presentes mais os requisitos da prisão preventiva; ou
b) Acusado processado solto, recorre solto, salvo se presentes os fundamentos da
prisão preventiva.

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4.3. CRIMES HEDIONDOS X PRISÃO TEMPORÁRIA

A lei 7.960/89 criou as hipóteses de prisão temporária, vejamos:

LEI 7.960/89 LEI 8.072/90


Hipóteses: Diz que se tratando de crime
a) 121, CP; hediondo ou e que o prazo é de
b) 148, CP; 30+30 dias.
61467, CP; Alíneas a, c, d, e, f, im, n que
d) 158, CP; enumeram os crimes ao lado são
e) 159, CP; hediondos e assim será 30+30 dias.
) 233, OR
i) 267, 81º, CP;
j) 270 clc 285, CP;
|) 288, CP
m) Genocídio (arts. 1º,
2º e 3º da Lei nº 2.889/56);
n) Tráfico; e
o) Crimes contra o sistema
financeiro.
Nestas hipóteses o prazo é de
5+5 dias.

PERGUNTA: Há prisão temporária aos crimes não previstos na Lei 7.960/89, mas
hediondos, como: 217-A, 273, tortura e terrorismo?
Se atentarmos para a redação do 84º do art. 2º da lei 8.072/90, logo perceberemos
que o referido parágrafo ampliou não apenas o prazo, mas também o rol dos delitos
possíveis de prisão temporária (Princípio da Posterioridade, ou seja, lei posterior
alterando anterior, alterando o prazo e aumentando o rol).

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4.4. CUMPRIMENTO DE PENA DOS CRIMES HEDIONDOS (art. 3º da Lei)

Condenado pela justiça estadual, cumprindo pena em presídio federal, a execução


da pena passa a ser de responsabilidade da justiça federal e vice-versa (Súmula 192 do
STJ).

4.5. LIVRAMENTO CONDICIONAL (liberdade antecipada)

Previsto no art. 83, V, do CP, incluído pela Lei 13.344/16, estabelece os seguintes
pressupostos:

a) Condenado não sendo reincidente específico em crime hediondo deve cumprir


mais de 2/3 da pena;
b) Condenado primário ou reincidente pela prática de crime hediondo ou equiparado
com resultado morte é vedado o livramento condicional conforme Art. 112, Vl, alínea a e
VIII, da LEP, alterada pela Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime);

4.6. CRIMES HEDIONDOS X ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (art. 8º da Lei)

Começamos diferenciando o art. 288 do Código Penal para prática de crimes


comuns e hediondos ou equiparados.

Art. 288 CP Art. 288 CP (sendo crimes


hediondos)
Pena 1 a 3 anos + pena dos Pena de 3 a 6 anos + pena dos
crimes eventualmente praticados. demais crimes eventualmente
praticados.
Admite sursis processual por ter Não admite sursis processual
pena mínima não superior a 1 ano e | por ter pena mínima superior a 1 ano
não cabe preventiva para o |e cabe preventiva para o associado
associado primário (art. 313, |, CPP). | primário pela pena máxima superior a
4 anos.

5. É IMPORTANTE SABER
UVUMANIMI DA AUADENMIA DE PULILIA MILIIAR
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No caso de tráfico de drogas, não se aplica o art. 288 CP, mas sim o art. 35 da Lei
11.343/06, que possui pena de 3 a 10 anos.

PERGUNTAS:

1. A delação premiada (parágrafo único, art. 8º, da Lei) é somente endereçada aos
associados ou alcança não associados que participaram do crime praticado pela
organização criminosa? A delação não se restringe aos associados.

2. É possível sursis ou penas restritivas de direitos em crimes hediondos ou


equiparados?

1º Corrente — Não, pois tais benefícios são incompatíveis com a gravidade desses
delitos;
2º Corrente — A vedação de sursis ou penas restritivas de direitos para esses crimes
com base na gravidade em abstrato é inconstitucional, devendo o juiz analisar a
suficiência das penas alternativas (Princípio da Suficiência das Penas Alternativas) com
base no caso concreto (Corrente adotada pelo STF).

3. Cabe remição (diferente de remissão = perdão), ou seja, resgate de pena em


virtude de trabalho ou estudo, para esses crimes?

A lei 8.072/90 não proíbe, sequer implicitamente, logo é perfeitamente cabível,


tratando-se de importante instrumento de ressocialização.

5.1. LEI DOS CRIMES HEDIONDOS X LC 64 /90 alterada pela LC 135/10

Condenado por órgão colegiado a crime hediondo ou equiparado é considerado


“ficha suja”, portanto, inelegível nos termos da LC 64/90.

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5.2. LEI DOS CRIMES HEDIONDOS X LEI 12.654/12 (identificação do perfil
genético)

Esta lei 12.654/12 alterou a lei 7.210/84 e dispondo no art. 9º- A que os condenados
por crimes hediondos, mas não os equiparados sem violência, serão submetidos,
obrigatoriamente (sem ação ativa do condenado, ex.: cabelos caídos ao chão), a
identificação do perfil genético por técnica adequada e indolor, visando abastecer sistema
de dados do Estado (esta alteração vigerá em 180 dias de 29/05/12).

5.3. LEI DOS CRIMES HEDIONDOS E O DIREITO PENAL DE EMERGÊNCIA

É representado pela produção normativa penal destinada à repressão da alta


criminalidade. Nessas hipóteses, não raras vezes, o Direito Penal afasta-se de seu
importante caráter subsidiário assumindo função nitidamente punitivista, visando o
caráter educativo e o atendimento do clamor público.

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MÓDULO III

LEI DE CRIMES AMBIENTAIS (LEI 9.605 de 12/02/1998)

O homem, ao mesmo tempo, é


criatura e criador do meio ambiente.

(Conferência Estocolmo - 1972)

1. INTRODUÇÃO

O meio ambiente é um bem fundamental à existência humana e, como tal, deve ser
assegurado e protegido para uso de todos. Este é princípio expresso no texto da
Constituição Federal, que no seu art. 225, caput, dispõe sobre o reconhecimento do
direito a um meio ambiente sadio como uma extensão ao direito à vida, seja pelo aspecto
da própria existência física e saúde dos seres humanos, seja quanto à dignidade desta
existência, medida pela qualidade de vida. Este reconhecimento impõe ao Poder Público
e à coletividade a responsabilidade pela proteção ambiental.

2. PECULIARIDADES DAS LEIS AMBIENTAIS

É comum na legislação ambiental que as condutas tipificadas como crimes também


sejam consideradas infrações administrativas;
Isto ocorreu no Código de Caça, de Pesca e Florestal e se repete na Lei de Crimes
Ambientais.

dl. POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE

A Política Nacional do Meio Ambiente trata das diretrizes para a preservação e


conservação do meio ambiente no país.

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A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e estabelece que sua
execução se dará por intermédio do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA).

2a. SISNAMA

O Sistema Nacional de Meio Ambiente — o SISNAMA é o conjunto de instituições e


órgãos públicos responsáveis pela política nacional do meio ambiente que visa à
proteção e à melhoria da qualidade do meio ambiente nas três instâncias: federal,
estadual e municipal.

O SISNAMA é o responsável pelas políticas de proteção ambiental.

2a. ESTRUTURA DO SISNAMA

Como os problemas ambientais são setorizados, ou seja, cada região possui suas
próprias peculiaridades, o sistema é composto de órgãos federais, estaduais e
municipais, de forma que a aplicação da lei atenda às circunstâncias locais.

Órgãos que compõe o SISNAMA:


e Órgão Superior: O Conselho de Governo.
e Órgão Consultivo e Deliberativo: O Conselho Nacional do Meio Ambiente
(CONAMA).
e Órgão Central: O Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Desde 1992, a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República foi extinta


e em seu lugar surgiu o Ministério do Meio Ambiente; embora a lei não tenha sido
atualizada, quem faz as vezes de órgão central do SINASMA é o Ministério do Meio
Ambiente.
Órgão Executor: O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio).

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Órgãos Seccionais: Os órgãos ou entidades federais/estaduais responsáveis pela
execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de
provocar a degradação ambiental.
Órgãos Locais: Os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e
fiscalização dessas atividades nas suas respectivas jurisdições.
É importante entender que os Estados e os Municípios participam de forma ativa do
SISNAMA e são responsáveis por elaborarem normas complementares à União.

Exemplo: Se a legislação federal estabelece que a quantidade máxima de pescado


por pescador é de 15kg + 1 exemplar de qualquer tamanho, o Estado de Tocantins pode
fixar em 10kg a quantidade permitida no estado (nunca acima da norma federal, sempre
de forma mais restritiva), de igual modo, o Município de Miracema — TO, pode baixar a
norma e estabelecer que nos limites do município a quantidade máxima é de 5kg.

2.4. COMPETÊNCIAS DO SISTEMA NACIONAL DE MEIO AMBIENTE

Os órgãos que compõem o SISNAMA são responsáveis pelo licenciamento


ambiental, pela criação de unidades de conservação, pelo controle de atividades
potencialmente poluidoras, dentre outras competências.
Ao estudar a legislação que trata dos crimes ambientais, observe que as infrações
são punidas nas esferas penal e administrativa, e você, como agente encarregado da
aplicação da lei, só poderá agir, administrativamente, se o órgão ao qual pertencer for
membro do SISNAMA ou tiver celebrado convênio com órgão ou entidade membro do
SISNAMA.

Assim, juntamente à União, os Estados e os Municípios têm competência para


legislar em matéria ambiental, como a Constituição Federal prescreve.

Rd INFRAÇÃO AMBIENTAL

A Polícia Militar Ambiental do Estado ou o IBAMA, devem tomar as medidas


administrativas cabíveis quando tiverem conhecimento de Infração ambiental.
Para seu conhecimento, as infrações ambientais são punidas com as seguintes
penas administrativas, dentre outras:

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* Advertência;
* Multa;
* Embargo;
* Suspensão das atividades;
* Apreensão dos animais; dos produtos e subprodutos da
prática delituosa, inclusive os instrumentos utilizados para a
prática do crime;
* Destruição dos produtos e subprodutos apreendidos.

Quanto à competência para agir no caso de infrações ambientais, o poder de polícia


a ser exercido pelos entes federados insere-se nesta competência administrativa. Logo, a
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios possuem competência comum para
realizar os atos derivados do poder de polícia, como, por exemplo, os relativos à
fiscalização e à autuação administrativa das infrações ambientais. Por tal atribuição ser
comum, todos estes entes públicos possuem igual responsabilidade, não podendo
renunciá-la.

3. BATALHÃO DA POLÍCIA MILITAR AMBIENTAL

A Policia Ambiental em Goiás tomou forma a partir da necessidade de montar uma


equipe de policiais para uma operação emergencial no ano 1987, durante o trágico
acidente radiativo, que se deu por conta da abertura de uma cápsula de césio 137.
Diante do ocorrido a Polícia Militar recebeu a missão de atuar na operação, através
dos serviços de policiais militares e bombeiros militares na execução de isolar o local e
na construção de um Depósito de Rejeitos Radioativos (DRR) criado no município de
Abadia de Goiás, com o objetivo de anular a efeito químico existente no ambiente em que
o objeto havia sido manuseado.
Na ocasião, foi criada uma (Companhia Independente de Polícia Especial
(CIPOLES), com fins específicos de realizar a tarefa de vigilância do deposito de Rejeitos
Radioativos. Na sequência, através do Decreto 3.441, foi criado o Batalhão de Polícia
Militar Florestal que substituiu o CIPOLES.
O Batalhão recebia a missão de fazer a segurança do local. A companhia
Independente de Policiamento Especializado ao constatar a gravidade no índice de
contaminação que foi identificado pelos técnicos da Comissão Nacional de Energia
Nuclear — CNEN intensificou o isolamento com intuito de proteger a população.
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Em 11 de novembro de 2010 foi instaurada a Portaria nº 982 com o objetivo dar
início a um planejamento das atividades em defesa do meio ambiente em todo o Estado,
surge então a criação do Comando de Policiamento Ambiental - CPA (GOIÁS, 2010).
A Constituição Estadual de Goiás previu a criação do Batalhão de Polícia Militar
Florestal com a obrigação de proteger as nascentes dos mananciais e os parques
ecológicos, somente com o Decreto nº 3.441, de 05 de junho de 1990 houve essa criação
sendo oficialmente instalado no em 28 de julho de 1990, dia do aniversário da PMGO.
O Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMAMB)é parte integrante do Sistema
Nacional do Meio Ambiente tendo como dever legal a promoção da educação ambiental,
sua atuação como unidade especializada da polícia militar é direcionada para a
repressão baseada na lei que a instituiu, Lei nº 9.605/98 e também no Decreto nº
3.179/99 que a regulamentou.
Atualmente o 1º BPMAMB está localizado na zona rural da cidade de Goianápolis, e
tem o objetivo de fiscalizar: as explorações florestais; o transporte de produtos e
subprodutos florestais; o transporte e o comércio de pescados; o transporte e o comércio
de plantas vivas, procedentes de florestas; os desmatamentos e queimadas; os
criadouros de animais silvestres; as atividades de pisciculturas. Como também coibir as
atividades que poluem o meio ambiente, fornecer relatórios e laudos para que se inicie a
ação penal e civil de reparação de danos quando necessários cooperando assim com as
Promotorias de Justiça do Meio Ambiente.
Na busca de uma eficiência maior na detenção do meio ambiente referente à fauna
e à flora criou-se através da Lei nº 17.091 de 02 de julho de 2010, o 16º Comando de
Policiamento Ambiental — CRPM — que também foi instalado na cidade da Abadia de
Goiás, esse comando é o responsável por planejar as atividades que visem a defesa do
meio ambiente no Estado de Goiás.

4. CONCEITO DECRIME AMBIENTAL

Constitui crime ambiental todo e qualquer dano ou prejuízo causado aos elementos
que compõem o ambiente: flora, fauna, recursos naturais e o patrimônio cultural. Por
violar direito protegido, todo crime é passível de sanção (penalização), que é regulado
por lei. O ambiente é protegido pela Lei n.º 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de
Crimes Ambientais), que determina as sanções penais e administrativas derivadas de
condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

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5. OS PRINCIPAIS PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL

Os princípios do direito ambiental são frutos de uma construção jurídica originada no


direito internacional ambiental, a partir das conferências ambientais internacionais. Eles
foram elaborados para dar legitimidade jurídica aos Estados a criarem políticas
públicas voltadas à proteção ambiental.
Por isso, os princípios do direito ambiental possuem a função de ordenar a
construção normativa ambiental internacional, regional e nacional.
Iremos abordar brevemente os mais importantes princípios do direito ambiental,
trazendo uma definição e histórico de cada um.

Bl. PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO

Tem origem a partir da Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente Humano, de 1972.

O princípio possui como característica impedir a ocorrência da poluição.

A importância do princípio se dá pelo dever de vigilância em prevenir a ocorrência


de danos irreversíveis e transfronteiriços. Por isso, necessita da participação pública as
tomadas de decisões.

Dz. PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o princípio se originou na Alemanha,


na década de 1970, conhecido como Vorsorgeprinzip. Se consolidou nos demais países
europeus em 20 anos.

Esse princípio pode ser considerado complementar ao da prevenção. No princípio


da precaução, o foco está para casos em que há ausência de evidências científicas
que apontem com certeza a ocorrência de dano ambiental.

5.3. PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR

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O Princípio teve origem como uma recomendação da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em 1972. A CF/88 reconhece o princípio no
art. 225, 83º e foi adotado pelo direito brasileiro pela lei 6.938/81, de 31 de agosto de
1981.

Diferente dos princípios do direito ambiental citados anteriormente, este possui


como característica identificar as externalidades causadas pela atividade
econômica. Tal externalidade é inserida nos custos da atividade econômica a fim de
mitigar os custos dos danos ambientais ao contribuinte.

Um exemplo recente é o caso do rompimento da barragem de contenção da Vale na


cidade de Brumadinho. Neste caso, foi imputada à empresa uma multa sobre os danos
ambientais ocasionados. Também foi criado um plano de ação para modificar as formas
de exploração dos minérios e da contenção dos resíduos não aproveitados.

5.4. PRINCÍPIO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O conceito do princípio do desenvolvimento sustentável foi se construindo ao longo


dos debates de Conferências Internacionais. Ganhou força a partir da Conferência do
Rio, em 1992. Nessa ocasião, foi reconhecida a necessidade de assegurar o
desenvolvimento sustentável ao longo de 12 dos 27 princípios fundamentais da
Conferência.

Provavelmente seja o mais controverso dos princípios do direito ambiental


devido ao seu alto grau de abstração, não obrigatoriedade, ou até mesmo se discute se é
realmente um princípio ou um conceito.

Os objetivos do desenvolvimento sustentável devem prezar pela integração de


ações empreendidas pelo Estado, empresas, ONGs e demais atores sociais.

5.5. PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO PÚBLICA

A origem do Princípio da Participação Pública se deu no Princípio 10 da


Declaração do Rio, posteriormente, foi editada a Convenção Aarhus, de 1998, na
Dinamarca, que regula o direito à participação social no campo internacional. Muito
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embora seja uma convenção restrita à Comissão Econômica das Nações Unidas para a
Europa (UNECE), está aberta à adesão, aceitação ou aprovação pelos Estados por meio
das organizações de integração econômica e regional.
Tal princípio é a maneira em que se é possível propiciar ao público fazer parte nas
tomadas de decisões do Estado em questões ambientais. A participação pública na
execução e elaboração de políticas ambientais acontece por meio das audiências
públicas. A sociedade civil participa em órgãos colegiados, que formulam diretrizes, bem
como acompanham a execução de políticas públicas.

6. TÉCNICA LEGISLATIVA UTILIZADA NA CRIAÇÃO DOS DELITOS PENAIS

NORMA PENAL EM BRANCO

* Tipos penais “abertos”;


* Crimes de danos ou perigo concreto;
* Crimes de perigo abstrato (potencialidade);
* Crimes de mera conduta.

7. CRIMES CONTRA A FAUNA (arts. 29 a 37)

* Morte; (art. 29)


* Perseguição; (art.29)
* Caça; (art. 29)
* Caça e Pesca Predatórias; (arts.34 e 36)
* Apanha; (art.29)
* Utilização; (art.29)
* Maus tratos. (art.32)

Pena: reclusão de 1 a 3 anos e multa

pl: EXEMPLOS DE PROTEÇÃO DA FAUNA

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* Art. 33 — Provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de materiais, O
perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, lagoas,
baías ou águas jurisdicionais brasileiras.
* Pena: detenção de 1 a 3 anos ou multa.

* Art. 34 — Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares


interditados por órgão competente.
* Pena: detenção de 1 a 3 anos e/ou multa.

TA EXCLUDENTES

Não é crime o abate:


- em estado de necessidade (para saciar a fome);
- para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória de animais, desde
que autorizado pelo IBAMA;
- por ser nocivo o animal, desde que autorizado pelo IBAMA.

8. CRIMES CONTRA A FLORA (ARTS. 38 a 53)

BUSCA PROTEGER FLORESTAS E DEMAIS FORMAS DE VEGETAÇÃO


CONTRA:

- Corte; (Art.39)
- Incêndio; (art.41)
- Danos diretos e indiretos a UC; (Art.40)
- Destruição; (arts.38 e 50)
- Extração; (art.45 — reclusão:1 a 2 anos)
- Impedimento de regeneração; (art.48);
Penas: detenção de 1 a 3 anos; rec.1 a 5.

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8.1. EXEMPLOS DE CRIME CONTRA A FLORA

* Art. 38 — Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente,


mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção
Pena: detenção de 1 a 3 anos e/ou multa
Crime culposo: pena reduzida pela metade.

* Art. 48 — Impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas


de vegetação.
Pena: detenção de 6 meses a 1 ano e multa.

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MÓDULO IV

LEI DE DROGAS — 11.343/06

1. INTRODUÇÃO

A Lei 11.343/06 revogou a Lei 6.368/76, instituiu o Sistema Nacional de Políticas


sobre Drogas — Sisnad; prescreveu medidas para prevenção do uso indevido, atenção e
reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabeleceu normas para
repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e definiu crimes.

Diferente da Lei 6.368/76, que tinha um foco maior na repressão às drogas, a Lei
11.343/06 trata a questão da droga como questão de saúde pública, punindo de forma
mais severa o traficante, porém “despenalizando” o usuário, focando na ressocialização.

O “uso” de drogas não deixou de ser crime, continua sendo tipificado no artigo 28 da
Lei n. 11.343/06, porém não possui uma pena que restrinja a liberdade do usuário.
Portanto, usar drogas é, sim, crime!

O artigo 1º da Lei 11.343/06 deixa claro que o principal objetivo da Lei de Drogas é
trazer um tratamento diferenciado ao usuário e o traficante de drogas.

2. CONCEITO DE DROGAS

A Lei 11.343/06 não trouxe a definição do que seriam essas drogas.

Contudo, podemos conceituar drogas como sendo as substâncias ou produtos


capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas
atualizadas periodicamente pela União (por meio da Portaria nº 344 - Anvisa).
Estamos diante de uma Norma Penal em Branco, que é aquela cuja compreensão
de um preceito primário depende de uma complementação.
No caso da Lei 11.343/06, essa complementação não vem da mesma fonte
legislativa, ou seja, não vem de uma lei, e sim da Portaria de número 344 da ANVISA.
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3. FINALIDADE DO SISNAD

O art. 3º da Lei 11.343/06 trouxe a finalidade do SISNAD.

Atenção! Em 2019, entrou em vigor a Lei 13.840/2019, que alterou a Lei de Drogas,
e um dos pontos alterados foi exatamente aqui no artigo 3º, definindo o que seria o
Sisnad (81º) e a previsão de uma atuação conjunta com o SUS e com o SUAS.
Basicamente a Lei 13.840/2019 realizou alterações no Sisnad, apresentando uma
formulação de uma política sobre drogas, não trazendo alterações na seara criminal.
Nos artigos seguintes, verificamos outras definições, como o Plano Nacional de
Políticas sobre Drogas, dos Conselhos de Políticas sobre Drogas, das Diretrizes; enfim,
temos enumeradas diversas ações de prevenção ao combate às drogas.

As alterações trazidas pela Lei 13.840/2019 mais comentadas pela mídia e demais
veículos de comunicação foram as referentes ao tratamento e acolhimento dos usuários
e dependentes de drogas.
O tratamento do usuário deverá ser realizado em uma rede de atenção à saúde,
sendo que de forma prioritária esse tratamento será ambulatorial.
Temos a previsão ainda de que esses tratamentos deverão ser orientados por
protocolos técnicos predefinidos, baseados em evidências científicas.
No âmbito nacional, caberá à União dispor sobre esses protocolos.
Atenção! De forma excepcional, será admitida a internação em Unidades de Saúde
e hospitais gerais.

SA. INTERNAÇÃO

Essa medida só se dará quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem


insuficientes, devendo elas em, no máximo, 72h serem comunicadas ao Ministério
Público, à Defensoria Pública e a outros órgãos de fiscalização por meio de um sistema
informatizado único.

3.2. PLANO DE ATENDIMENTO


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A Lei 13.840/2019 estabeleceu o plano individual de atendimento nas redes de
atenção à saúde ao inserir na Lei de drogas os arts. 23-B e 26-A.

4. CRIMES PREVISTOS NA LEI DE DROGAS

4.1 PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL

O art. 28 da Lei 11.343/06 trata do porte de drogas para consumo pessoal, observe
que o legislador trouxe diversos verbos para identificar a conduta; temos o que a doutrina
chama de tipo penal complexo, ou misto.

Ou seja, se o agente praticar qualquer uma dessas condutas, responderá pelo artigo
28 da Lei n. 11.343/06 (adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar) , porém, caso ele pratique mais de uma, isso
nãoquer dizer que ele estará praticando mais de um crime.

À necessidade do dolo específico presente nesse artigo. É necessário que o agente


adquira, guarde, tenha em depósito, transporte ou traga consigo substância entorpecente
para consumo pessoal.

Assim, o que houve com o porte de drogas para consumo pessoal foi a
despenalização, ou seja, não temos a cominação de uma pena privativa de liberdade.

Atenção! O legislador tipificou o “porte para uso” e não o “uso” propriamente”.

O que isso significa?

Imagine que em uma abordagem policial a equipe policial perceba a presença do


odor típico da droga vulgarmente conhecida como maconha e perceba que os abordados
estão visivelmente alterados.

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Caso não seja localizado o cigarro de maconha ou qualquer outra substância, a
equipe policial não poderá lavrar o Termo Circunstanciado, até mesmo porque é
necessário a apreensão da substância para a realização da perícia.
Já que o art. 28 da Lei de Drogas não prevê pena privativa de liberdade para o porte
para o uso, vejamos o que estabelece a lei:

* Advertência: o magistrado faz uma explanação sobre a nocividade do uso da


droga;
* Prestação de serviços à comunidade: esse serviço deve ser prestado
preferencialmente em entidade que tenha como finalidade a prevenção do consumo de
drogas terá como prazo máximo de 5 meses ou 10 meses, em caso de reincidência;
* Medida socioeducativa: frequentar cursos ou programas educativos, não
necessariamente voltados à temática das drogas; prazo máximo de 5 meses ou 10
meses.

Em caso de recusa injustificada o juiz poderá aplicar uma pena de admoestação


verbal e multa (parágrafo 6º).

Outro ponto importante do artigo 28 é quanto ao parágrafo 1º, que traz a conduta
equiparada ao caput. O que devemos ficar atentos é que esse cultivo deverá se dar para
o consumo pessoal, caso contrário o agente poderá responder pelo previsto no artigo 33.

4.2. DESTRUIÇÃO DAS PLANTAÇÕES

Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas


pelo delegado de polícia na forma do art. 50-A, que recolherá
quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando
auto de levantamento das condições encontradas, com a
delimitação do local, asseguradas as medidas necessárias
para a preservação da prova.

Atenção! conforme o entendimento majoritário da doutrina, a


destruição das plantações poderá ser realizada sem a prévia autorização judicial.

4.3. TRÁFICO DE DROGAS


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Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar,
x
adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito,
transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar,
entregar a consumo ou fomecer drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:

Pena — reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento


de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.

Esse artigo trata do tráfico de entorpecentes propriamente dito.

Segundo o entendimento do STJ, o tráfico de drogas é um crime de ação múltipla, e


a prática de qualquer um dos verbos contidos no artigo 33 é suficiente para a sua
consumação, sendo desnecessária a realização dos atos de venda.

Existem 18 núcleos do tipo (verbos) no caput do artigo 33 e, portanto, o agente que


pratica qualquer um praticará o tráfico de drogas.

Para que seja comprovada a materialidade do delito é necessário um laudo que


comprove que a substância é entorpecente e está presente na portaria 344 da ANVISA.

No dia a dia policial funciona assim: a guarnição da polícia militar conduz o preso
em flagrante até a Delegacia de Polícia, e a substância apreendida é submetida a exame
pericial, sendo juntada ao Flagrante (ou TC no caso do artigo 28) uma cópia do laudo
preliminar da droga.

Após, o Instituto de Criminalística realiza o laudo definitivo da substância.

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4.4. MATÉRIA-PRIMA - INSUMO OU PRODUTO QUÍMICO DESTINADO À
PREPARAÇÃO

81º Nas mesmas penas incorre quem:

| — importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende,


expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta,
traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico
destinado à preparação de drogas.

O inciso primeiro do parágrafo primeiro trata da matéria-prima ou insumo para a


preparação do tráfico de drogas.

Exemplo: a lidocaína, cafeína, taurina, para ser misturada à cocaína, essas


substâncias são tratadas como insumo.

Atenção! Não é porque a pessoa foi encontrada com um quilo de lidocaína que será
presa por tráfico, pois é necessária a comprovação de que essa substância era destinada
a preparação das drogas.

4.5. CULTIVO DE MATÉRIA-PRIMA

Il — semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em


desacordo com determinação legal ou regulamentar, de
plantas que se constituam em matéria-prima para a
preparação de drogas.

Atenção! Não confundir essa conduta com a prevista no artigo 28. Naquela o agente
realiza o plantio para consumo próprio, já aqui a finalidade do agente é a circulação
dessa substância entorpecente.

4.6. UTILIZAÇÃO DE LOCAL


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Wl — utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a
propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou
consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente,
sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.
Isso significa que mesmo uma pessoa que sequer tocou na droga, se consentir que
se realize a traficância em seu imóvel responderá nas mesmas penas.

4.7. INDUZIMENTO AO USO


8 2º Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de
droga:
Pena — detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100
(cem) a 300 (trezentos) dias-multa.
A indução é “colocar” a ideia na cabeça da pessoa: o agente nunca tinha pensado
em utilizar drogas, mas o agente vem o induz a utilizar.
A instigação é a estimulação à ideia já existente e o auxílio diz respeito à
colaboração material do agente, sempre permitindo que a pessoa satisfaça a sua
vontade de utilizar o entorpecente.
E a “marcha da maconha”?
No julgamento da ADI 4247 o STF afirmou que:
- Impossibilidade de restrição ao direito fundamental de
reunião que não se contenha nas duas situações excepcionais
que a própria Constituição prevê: o estado de defesa e o
estado de sítio (art. 136, 81º, inciso |, alínea “a”, e artigo 139,
inciso |V).

- Ação direta julgada procedente para dar ao 82º do art. 33 da


Lei 11.343/06 interpretação conforme a Constituição e dele
excluir qualquer significado que enseje a proibição de
manifestações e debates públicos acerca da descriminalização
ou legalização do uso de drogas ou de qualquer substância
que leve o ser humano ao entorpecimento episódico, ou então
viciado,das suas faculdades psicofísicas.

4.8. OFERECIMENTO DE DROGA SEM OBJETIVO DE LUCRO


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83º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a
pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem:

Pena — detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e


pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos)
dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.

É a famosa “rodinha de maconha”, que possui uma menor


censurabilidade por parte do legislador, sendo considerada pela doutrina como sendo o
tráfico de menor potencial ofensivo.

4.9. CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO DE PENA

8 4º Nos delitos definidos no caput e no $ 1º deste artigo, as


penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços,
vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde
que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se
dedique às atividades criminosas nem integre organização
criminosa.

A doutrina intitula de “tráfico privilegiado”. Conforme a jurisprudência do STJ, a


causa de diminuição de pena prevista no 8 4º do artigo 33 da Lei de Drogas só poderá
ser aplicada se todos os requisitos estiverem cumulativamente presentes:
* Primariedade;
* Bons antecedentes;
* Não se dedicar às atividades criminosas;
* Não integrar organização criminosa.

A reincidência de que trata esse parágrafo não precisa ser específica, conforme o
entendimento do STJ no julgamento do HC 393.709/SP, julgado em 20/06/17.
O tráfico de drogas privilegiado é equiparado a hediondo?
Segundo o STF o tráfico de entorpecentes privilegiado não se harmoniza com a
hediondez do tráfico de entorpecentes definido no caput e 81º do artigo 33 da Lei de
tóxicos.
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No mesmo julgamento, o STF disse ainda que o tratamento penal dirigido ao delito
cometido sob o manto do privilégio apresenta contornos mais benignos, menos gravosos,
notadamente porque são relevados o envolvimento ocasional do agente com o delito. Há
um evidente constrangimento ilegal ao se estipular ao tráfico de entorpecentes
privilegiado os rigores da Lei n. 8.072/90. (HC 118533, de 16/09/2016).

4.10. OBJETO DESTINADO À PREPARAÇÃO DA DROGA

Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender,


distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou
fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho,
instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação,
preparação, produção ou transformação de drogas, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:

Pena — reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de


1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa.

Esse artigo tipifica, excepcionalmente (já que a regra é que atos preparatórios não
sejam punidos), os atos preparatórios para o tráfico de drogas.

Atenção 1! Se o agente praticar as condutas previstas tanto no artigo 34 como no


artigo 33, num mesmo contexto fático, responderá somente pela conduta do artigo 33.

Atenção 2! A maioria da doutrina entende que a prática dessa conduta (do artigo 34)
se equipara aos crimes hediondos.

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4.11. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de


praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos
nos arts. 33, capute 8 1º, e 34 desta Lei:

Pena — reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de


700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo


incorre quem se associa para a prática reiterada do crime
definido no art. 36 desta Lei.

A associação para o tráfico também pode ser considerada uma punição excepcional
de ato preparatório do crime, já que o fato de se associarem duas ou mais pessoas com
o fim de praticar o tráfico já configura o crime, mesmo que o tráfico não ocorra.

A conduta de associação é autônoma ao tráfico, ou seja, se os agentes se


associarem e praticarem efetivamente o tráfico, responderão em concurso material pelos
crimes de tráfico e associação para o tráfico.

A jurisprudência do STJ entende que essa associação deverá se dar de forma


estável e permanente, de modo que, se ocorrer de forma eventual, teremos um mero
concurso de agentes.

O parágrafo único traz a conduta da associação com o fim de financiar o tráfico de


drogas, conduta prevista no artigo 36 da lei. Nesse caso, teremos as mesmas penas
descritas no caput.

Atenção! A associação para o tráfico (art. 35) não é crime equiparado a hediondo.

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4.12. FINANCIAMENTO DO TRÁFICO

Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes


previstos nos arts. 33, capute 8 1º, e 34 desta Lei:

Pena — reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de


1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa.

A conduta descrita no artigo 36 não precisa da obtenção de lucro por parte do


agente, basta que ele financie a prática dos delitos previstos nos arts. 33, capute 8 1º, e
34.

Atenção! Essa conduta é equiparada a hediondo.

4.13. COLABORAÇÃO COM O TRÁFICO

Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização


ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes
previstos nos arts. 33, capute 8 1º, e 34 desta Lei:

Pena — reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de


300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa.

Essa é a conduta típica do “olheiro”, “fogueteiro”, ou seja, aquele que colabora com
o tráfico de drogas, com o grupo ou organização criminosa.

O STF no julgamento do HC 106.155/RJ afirmou que a conduta do “fogueteiro” seria


punida por meio da conduta descrita no artigo 37.

Caso a colaboração seja permanente, o agente incorrerá no delito de associação


para o tráfico.

Portanto, para que seja tipificado no artigo 37, a colaboração deverá ser eventual.

Atenção! O delito do artigo 37 não é equiparado a hediondo.


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4.14. PRESCRIÇÃO CULPOSA DE DROGAS
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem
que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses
excessivas ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:

Pena — detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e


pagamento de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) dias-multa.

Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho


Federal da categoria profissional a que pertença o agente.

No caso da prescrição culposa, como o próprio nome já diz, é decorrente de culpa.


Já que o artigo 38 é necessariamente culposo, caso o agente realize a conduta de forma
dolosa, ele responderá pelo artigo 33, caput.
Atenção! Crime culposo não admite tentativa e, como podemos observar na pena,
trata-se de um crime de menor potencial ofensivo.

4.15. CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE SOB A INFLUÊNCIA DE


DROGAS
Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de
drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem:

Pena — detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da


apreensão do veículo, cassação da habilitação respectiva ou
proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo da pena privativa de
liberdade aplicada, e pagamento de 200 (duzentos) a 400
(quatrocentos) dias-multa.

Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas


cumulativamente com as demais, serão de 4 (quatro) a 6 (seis)
anos e de 400 (quatrocentos) a 600 (seiscentos) dias-multa, se
o veículo referido no caput deste artigo for de transporte
coletivo de passageiros.
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Para que seja configurado esse delito, é necessário que o agente esteja sob o efeito
de drogas ilícitas, sendo que essa ingestão deverá ser comprovada.
Outro fator importante é que para configuração do delito é necessário a exposição a
um dano potencial a incolumidade de outrem, ou seja, deverá ser comprovada a
exposição da incolumidade a provável dano (crime de perigo concreto).
Atenção! Esse é um crime que não é equiparado a hediondo.
4.16. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são
aumentadas de um sexto a dois terços, se:
| — a natureza, a procedência da substância ou do produto
apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a
transnacionalidade do delito;
Il — o agente praticar o crime prevalecendo-se de função
pública ou no desempenho de missão de educação, poder
familiar, guarda ou vigilância;
ll — a infração tiver sido cometida nas dependências ou
imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou
hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais,
culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de
trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou
diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades
militares ou policiais ou em transportes públicos;
IV — o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça,
emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de
intimidação difusa ou coletiva;
V — caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou
entre estes e o Distrito Federal;
VI — sua prática envolver ou visar a atingir criança ou
adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída
ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação;
Vil — o agente financiar ou custear a prática do crime.

Sobre a transnacionalidade, tem-se que:


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Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, |, da Lei
11.343/06) se configura com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que
não consumada a transposição de fronteiras. STJ. 3º Seção. Aprovada em 11/04/2018.

O rol trazido pelo inciso Ill é taxativo, já que não é possível uma interpretação
analógica in malam partem.

4.17. COLABORAÇÃO PREMIADA

Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente


com a investigação policial e o processo criminal na
identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e na
recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de
condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços.

Assunto muito em voga atualmente. É importante que saibamos que a Lei 11.343/06
possui a sua própria previsão de colaboração premiada.

5. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

O STJ entende que o princípio da insignificância não se aplica aos delitos de tráfico
de drogas e porte de substância entorpecente para consumo próprio, pois relaciona-se a
de crimes de perigo abstrato ou presumido.

6. LIBERDADE PROVISÓRIA E CONVERSÃO DA PENA PRIVATIVA DE


LIBERDADE EM RESTRITIVA DE DIREITOS

Embora o texto de lei (art. 44) estabeleça que não caberá a liberdade provisória e
também a conversão da pena restritiva de liberdade em restritiva de direitos, o STF tem o
entendimento pacífico de que essa previsão é inconstitucional.

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7. PROCEDIMENTOS PROCESSUAIS

A Lei 11.343/06 não traz apenas a definição de crimes e a cominação de penas ela
também estabelece procedimento próprio, aplicando-se de forma subsidiária o Código de
Processo Penal

Tá. PROCEDIMENTO DE DESTRUIÇÃO DAS DROGAS

Trata-se de mais uma alteração legislativa trazida pela Lei 13.840/2019.

Art. 5O-A. A destruição das drogas apreendidas sem a


ocorrência de prisão em flagrante será feita por incineração, no
prazo máximo de 30 (trinta) dias contados da data da
apreensão, guardando-se amostra necessária à realização do
laudo definitivo.

Se ocorrer a apreensão da droga sem a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante,


ou seja, foi somente apreendida a substância entorpecente e não o autor do tráfico, a
droga deverá ser destruída no prazo máximo de 30 dias, sendo necessário guardar uma
amostra para a realização da perícia e elaboração de um laudo definitivo.
A incineração da droga com a prisão em flagrante não foi algo alterado pela lei,
permanecendo conforme o disposto no artigo 50.
O delegado de polícia, na presença do Ministério Público e da autoridade sanitária,
deverá realizar essa destruição das drogas, sendo que o local de realização dessa
incineração deverá ser vistoriado antes e depois do procedimento.

Pat. PRAZOS DO INQUÉRITO POLICIAL

A Lei de Drogas traz prazos diferentes do Código de Processo Penal.

Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30


(trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa)
dias, quando solto.

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Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem
ser duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante
pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

* 30 dias se o indiciado estiver preso;


* 90 dias se o indiciado estiver solto;
* Os prazos podem ser duplicados.

8. LEI DE DROGAS E A APLICAÇÃO DA LEI 9.099/95

Alguns dos delitos são classificados como infração de menor potencial ofensivo e,
portanto, seguem o rito sumaríssimo da Lei n. 9.099/95; é o que ocorre com o porte de
substância entorpecente para consumo, previsto no artigo 28.

A Lei 9.099/95 prevê que caso o agente se recuse a assinar o termo de


compromisso de comparecimento do JECrim, poderá ser preso em flagrante.

Ocorre que a Lei 11.343/06, em seu artigo 48, 82º, veda expressamente a prisão em
flagrante do autor do delito previsto no artigo 28.

Art. 48, 8 2º Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta


Lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do
fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou,
na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer,
lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as
requisições dos exames e perícias necessários.

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9. INFILTRAÇÃO E AÇÃO CONTROLADA

Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos


crimes previstos nesta Lei, são permitidos, além dos previstos
em lei, mediante autorização judicial e ouvido o Ministério
Público, os seguintes procedimentos investigatórios:

| — ainfiltração por agentes de polícia, em tarefas de


investigação, constituída pelos órgãos especializados
pertinentes;
Il — anão atuação policial sobre os portadores de drogas, seus
precursores químicos ou outros produtos utilizados em sua
produção, que se encontrem no território brasileiro, com a
finalidade de identificar e responsabilizar maior número de
integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo
da ação penal cabível.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso Il deste artigo, a
autorização será concedida desde que sejam conhecidos o
itinerário provável e a identificação dos agentes do delito ou de
colaboradores.

No caso da infiltração somente o juiz poderá autorizar tal medida.

A infiltração dos agentes é a possibilidade de que os agentes se façam passar por


pessoas voltadas para a realização da traficância, com a finalidade de colher informações
necessárias para o esclarecimento dos fatos.
Outra informação importante constante deste artigo é sobre o flagrante diferido,
expressamente autorizado pela lei.
A equipe policial pode deixar de dar voz de prisão a uma pessoa com uma menor
participação no crime para prender outra que tem uma maior participação.
Veja que aquele que não foi preso num primeiro momento será preso assim que
possível; não é que devemos “liberar um para pegar vários”, não é bem assim que
funciona.

Deixamos de prender um agora para prender ele e vários outros depois.


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10. PROVIDÊNCIAS DO MP

Art. 54. Recebidos em juízo os autos do inquérito policial, de


Comissão Parlamentar de Inquérito ou peças de informação,
dar-se-á vista ao Ministério Público para, no prazo de 10 (dez)
dias, adotar uma das seguintes providências:

| — requerer o arquivamento;
Il — requisitar as diligências que entender necessárias;
Ill — oferecer denúncia, arrolar até 5 (cinco) testemunhas e
requerer as demais provas que entender pertinentes.

O que ocorre é que a autoridade policial enviará o inquérito policial para o


magistrado, que o remeterá ao MP (Promotor de Justiça ou Procurador da República).
A diferença entre um e outro é que em regra, o tráfico de drogas será de competência
da justiça estadual, portanto será remetido ao Promotor de Justiça. Porém, no caso da
transnacionalidade, a competência será da Justiça Federal, então teremos a atuação do
Procurador da República.
Sobre o arquivamento requerido pelo MP, não custa lembrar que o delegado de
polícia não poderá requerer arquivamento, sendo essa competência do MP.

11.MEDIDAS ASSECURATÓRIAS

O artigo 60 da Lei foi alterado pela Lei 13.840/19.

Dentre as mudanças ocorridas, temos as seguintes:

* O magistrado não pode mais determinar a concessão das medidas assecuratórias


de ofício;
* Foi inserida a previsão expressa de que o assistente de acusação pode requerer
ao juízo a concessão de medidas assecuratórias;
* O art. 60 possuía dois parágrafos trazendo regras de procedimento para essas
medidas, tendo revogado esses dispositivos e remetido a regulamentação para o CPP.
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Tivemos ainda outras alterações promovidas pela Lei 13.840/2019, bem como pela
Medida Provisória 885/2019 (aprovada no Senado Federal na forma do Projeto de Lei de
Conversão 20/2018), que foi editada alguns dias após a publicação da Lei, que tratam
sobre a apreensão e destinação dos bens do investigado:

Art. 61. A apreensão de veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer


outros meios de transporte e dos maquinários, utensílios, instrumentos e
objetos de qualquer natureza utilizados para a prática dos crimes
definidos nesta Lei será imediatamente comunicada pela autoridade de
polícia judiciária responsável pela investigação ao juízo competente.
(Redação dada pela Lei n. 13.840, de 2019).

8 1º - O juiz, no prazo de 30 (trinta) dias contado da comunicação de que


trata o caput, determinará a alienação dos bens apreendidos, excetuadas
as armas, que serão recolhidas na forma da legislação específica.
(Incluído pela Lei n. 13.840, de 2019).
8 2º - A alienação será realizada em autos apartados, dos quais constará
a exposição sucinta do nexo de instrumentalidade entre o delito e os bens
apreendidos, a descrição e especificação dos objetos, as informações
sobre quem os tiver sob custódia e o local em que se encontrem.
(Incluído pela Lei n. 13.840, de 2019).
8 3º - O juiz determinará a avaliação dos bens apreendidos, que será
realizada por oficial de justiça, no prazo de 5 (cinco) dias a contar da
autuação, ou, caso sejam necessários conhecimentos especializados, por
avaliador nomeado pelo juiz, em prazo não superior a 10 (dez) dias.
(Incluído pela Lei n. 13.840, de 2019).
8 4º - Feita a avaliação, O juiz intimará o órgão gestor do Funad, o
Ministério Público e o interessado para se manifestarem no prazo de 5
(cinco) dias e, dirimidas eventuais divergências, homologará o valor
atribuído aos bens. (Incluído pela Lei n. 13.840, de 2019).

Art. 62. Comprovado o interesse público na utilização de quaisquer dos


bens de que trata o art. 61, os órgãos de polícia judiciária, militar e
rodoviária poderão deles fazer uso, sob sua responsabilidade e com o
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objetivo de sua conservação, mediante autorização judicial, ouvido o
Ministério Público e garantida a prévia avaliação dos respectivos bens.
(Redação dada pela Lei n. 13.840, de 2019).
8 2º - A autorização judicial de uso de bens deverá conter a descrição do
bem e a respectiva avaliação e indicar o órgão responsável por sua
utilização.
8 3º - O órgão responsável pela utilização do bem deverá enviar ao juiz
periodicamente, ou a qualquer momento quando por este solicitado,
informações sobre seu estado de conservação. (Redação dada pela Lei
n. 13.840, de 2019).
8 4º - Quando a autorização judicial recair sobre veículos, embarcações
ou aeronaves, O juiz ordenará à autoridade ou ao órgão de registro e
controle a expedição de certificado provisório de registro e licenciamento
em favor do órgão ao qual tenha deferido o uso ou custódia, ficando este
livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores à decisão de
utilização do bem até o trânsito em julgado da decisão que decretar o seu
perdimento em favor da União.
8 5º - Na hipótese de levantamento, se houver indicação de que os bens
utilizados na forma deste artigo sofreram depreciação superior àquela
esperada em razão do transcurso do tempo e do uso, poderá o
interessado requerer nova avaliação judicial.
8 6º - Constatada a depreciação de que trata o 8 5º, o ente federado ou a
entidade que utilizou o bem indenizará o detentor ou proprietário dos
bens.
8 12. Na alienação de veículos, embarcações ou aeronaves, a autoridade
de trânsito ou o órgão de registro equivalente procederá à regularização
dos bens no prazo de trinta dias, de modo que o arrematante ficará livre
do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de
execução fiscal em relação ao antigo proprietário. (Incluído pela Medida
Provisória n. 885, de 2019).
8 13. Na hipótese de que trata o 8 12, a autoridade de trânsito ou o órgão
de registro equivalente poderá emitir novos identificadores dos bens.
(Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
Art. 62-A. O depósito, em dinheiro, de valores referentes ao produto da
alienação ou relacionados a numerários apreendidos ou que tenham sido
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convertidos, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, por meio de
documento de arrecadação destinado a essa finalidade. (Incluído pela
Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 1º - Os depósitos a que se refere o caput serão repassados pela Caixa
Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional,
independentemente de qualquer formalidade, no prazo de vinte e quatro
horas, contado do momento da realização do depósito. (Incluído pela
Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 2º - Na hipótese de absolvição do acusado em decisão judicial, o valor
do depósito será devolvido ao acusado pela Caixa Econômica Federal no
prazo de até três dias úteis, acrescido de juros, na forma estabelecida
pelo 8 4º do art. 39 da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995. (Incluído
pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 3º - Na hipótese de decretação do seu perdimento em favor da União, o
valor do depósito será transformado em pagamento definitivo,
respeitados os direitos de eventuais lesados e de terceiros de boa-fé.
(Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 4º - Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal, por decisão
judicial, serão efetuados como anulação de receita do Fundo Nacional
Antidrogas no exercício em que ocorrer a devolução. (Incluído pela
Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 5º - A Caixa Econômica Federal manterá o controle dos valores
depositados ou devolvidos. (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de
2019).
Art. 63. Ao proferir a sentença, o juiz decidirá sobre: (Redação dada pela
Lein. 13.840, de 2019):
| — o perdimento do produto, bem, direito ou valor apreendido ou objeto
de medidas assecuratórias; e (Incluído pela Lei n. 13.840, de 2019).
Il — o levantamento dos valores depositados em conta remunerada e a
liberação dos bens utilizados nos termos do art. 62. (Incluído pela Lei n.
13.840, de 2019).
8 1º - Os bens, direitos ou valores apreendidos em decorrência dos
crimes tipificados nesta Lei ou objeto de medidas assecuratórias, após
decretado seu perdimento em favor da União, serão revertidos
diretamente ao Funad. (Redação dada pela Lei n. 13.840, de 2019).
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8 2º - O juiz remeterá ao órgão gestor do Funad relação dos bens,
direitos e valores declarados perdidos, indicando o local em que se
encontram e a entidade ou o órgão em cujo poder estejam, para os fins
de sua destinação nos termos da legislação vigente. (Redação dada pela
Lein. 13.840, de 2019).
8 4º - Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz do processo,
de ofício ou a requerimento do Ministério Público, remeterá à Senad
relação dos bens, direitos e valores declarados perdidos em favor da
União, indicando, quanto aos bens, o local em que se encontram e a
entidade ou o órgão em cujo poder estejam, para os fins de sua
destinação nos termos da legislação vigente.
8 5º - (VETADO). (Incluído pela Lei n. 13.840, de 2019).
8 6º - Na hipótese do inciso Il do caput, decorridos 360 (trezentos e
sessenta) dias do trânsito em julgado e do conhecimento da sentença
pelo interessado, os bens apreendidos, os que tenham sido objeto de
medidas assecuratórias ou os valores depositados que não forem
reclamados serão revertidos ao Funad. (Incluído pela Lei n. 13.840, de
2019).
Art. 63-A. Nenhum pedido de restituição será conhecido sem o
comparecimento pessoal do acusado, podendo o juiz determinar a prática
de atos necessários à conservação de bens, direitos ou valores. (Incluído
pela Lei n. 13.840, de 2019).
Art. 63-B. O juiz determinará a liberação total ou parcial dos bens, direitos
e objeto de medidas assecuratórias quando comprovada a licitude de sua
origem, mantendo-se a constrição dos bens, direitos e valores
necessários e suficientes à reparação dos danos e ao pagamento de
prestações pecuniárias, multas e custas decorrentes da infração penal.
(Incluído pela Lei n. 13.840, de 2019).

Art. 63-C. Compete à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do


Ministério da Justiça e Segurança Pública proceder à destinação dos
bens apreendidos e não leiloados em caráter cautelar, cujo perdimento
seja decretado em favor da União, por meio das seguintes modalidades:
(Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019)
| — alienação, mediante: (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019)
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a) licitação; (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019)
b) doação com encargo a entidades ou órgãos públicos que contribuam
para o alcance das finalidades do Fundo Nacional Antidrogas; ou
(Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019)
c) venda direta, observado o disposto no inciso Il do caput do art. 24 da
Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993; (Incluído pela Medida Provisória n.
885, de 2019).
Il — incorporação ao patrimônio de órgão da administração pública,
observadas as finalidades do Fundo Nacional Antidrogas; (Incluído pela
Medida Provisória n. 885, de 2019).
III — destruição; ou (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
IV — inutilização. (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 1º - A alienação por meio de licitação será na modalidade leilão, para
bens móveis e imóveis, independentemente do valor de avaliação,
isolado ou global, de bem ou de lotes, assegurada a venda pelo maior
lance, por preço que não seja inferior a cinquenta por cento do valor da
avaliação. (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 2º - O edital do leilão a que se refere o 8 1º será amplamente divulgado
em jornais de grande circulação e em sítios eletrônicos oficiais,
principalmente no Município em que será realizado, dispensada a
publicação em diário oficial. (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de
2019).
8 3º - Nas alienações realizadas por meio de sistema eletrônico da
administração pública, a publicidade dada pelo sistema substituirá a
publicação em diário oficial e em jornais de grande circulação. (Incluído
pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
8 4º - Na alienação de veículos, embarcações ou aeronaves, a autoridade
de trânsito ou o órgão de registro equivalente procederá à regularização
dos bens no prazo de trinta dias, de modo que o arrematante ficará livre
do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de
execução fiscal em relação ao antigo proprietário. (Incluído pela Medida
Provisória n. 885, de 2019).
8 5º - Na hipótese do S 4º, a autoridade de trânsito ou o órgão de registro
equivalente poderá emitir novos identificadores dos bens. (Incluído pela
Medida Provisória n. 885, de 2019).
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8 6º - A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da
Justiça e Segurança Pública poderá celebrar convênios ou instrumentos
congêneres com órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios, a fim de dar imediato cumprimento ao
estabelecido neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de
2019).
8 7º - Observados os procedimentos licitatórios previstos em lei, fica
autorizada a contratação da iniciativa privada para a execução das ações
de avaliação, administração e alienação dos bens a que se refere esta
Lei. (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de 2019).
Art. 63-D. Compete ao Ministério da Justiça e Segurança Pública
regulamentar os procedimentos relativos à administração, à preservação
e à destinação dos recursos provenientes de delitos e atos ilícitos e
estabelecer os valores abaixo dos quais se deve proceder à sua
destruição ou inutilização. (Incluído pela Medida Provisória n. 885, de
2019).
Art. 64. A União, por intermédio da Senad, poderá firmar convênio com os
Estados, com o Distrito Federal e com organismos orientados para a
prevenção do uso indevido de drogas, a atenção e a reinserção social de
usuários ou dependentes e a atuação na repressão à produção não
autorizada e ao tráfico ilícito de drogas, com vistas na liberação de
equipamentos e de recursos por ela arrecadados, para a implantação e
execução de programas relacionados à questão das drogas.

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MÓDULO V

LEI MARIA DA PENHA

1. INTRODUÇÃO

A Lei 11.340/2006, chamada de Lei Maria da Penha, foi publicada em 8 de agosto


de 2006 e batizada com este nome em homenagem a cruel história de vida da
farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes.

Ela foi vítima de violência doméstica durante seus 23 anos de casamento, ela era
casada com um professor universitário e economista. Em 1983, seu marido tentou
assassiná-la, simulando um assalto fazendo uso de uma espingarda, como resultado ficou
paraplégica. Pouco tempo depois em uma nova tentativa de assassiná-la, buscou
eletrocutá-la com uma descarga elétrica durante o banho.

Durante todo seu casamento Maria da Penha sofreu muitas agressões. Nunca
reagiu nem denunciou por medo de expor sua vida e de suas filhas. Depois de ter sido
quase assassinada duas vezes resolveram fazer uma denúncia pública.

Mesmo após ter feito a denúncia, nenhuma decisão foi tomada, chegou a ficar com
vergonha de si, achando que era culpada por tudo que havia lhe acontecido.

Em 1991 o réu foi condenado pelo tribunal do júri a 8 anos de prisão. Recorreu em
liberdade e após um ano o julgamento foi anulado. Novamente foi julgado em 1996, o
agressor pegou 10 anos e 6 meses de reclusão. Mais uma vez respondeu em liberdade,
até que em 2002 finalmente foi preso depois de 19 anos após a primeira tentativa de
homicídio.

O Brasil foi condenado internacionalmente pela Comissão Interamericana de Direitos


Humanos, que por várias vezes solicitou informações ao governo brasileiro e não recebeu
resposta.

No relatório n. 54/2001 da OEA, realizou uma análise dos fatos responsabilizou o


estado brasileiro por negligência, recomendando uma reforma legislativa a fim de
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combater a violência doméstica contra a mulher e também simplificar os processos
judiciais. A comissão também impôs uma indenização em favor de Maria da Penha, que
foi paga em uma sessão solene pelo Governo do Estado do Ceará.

A Lei Maria da Penha foi embasada no parágrafo 8º do artigo 226 da Constituição


Federal, na Convenção sobre a eliminação de todas as formas de violência contra a
mulher, na Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra
a mulher e em outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do
Brasil.

A Lei Maria da Penha não é uma simples lei, é um precioso estatuto, não somente
de caráter repressivo, mais, sobretudo, preventivo e essencial. Cabe lembrar que antes
da Lei 11.340/06, o registro da violência perante a autoridade policial não gerava
qualquer iniciativa protetiva imediata.

Atenção! Recentemente a Lei Maria da Penha foi alterada pela Lei 13.894/19.

2. CONCEITO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHER

A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a


Mulher OEA define “A violência contra a mulher como qualquer ato ou conduta baseada
no gênero, que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à
mulher tanto na esfera pública quanto na esfera privada”.

3. OBJETIVOS DA LEI MARIA DA PENHA

- Criar mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a


mulher;
- Dispor sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher;
- Estabelecer medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de
violência doméstica e familiar.

4. DIREITOS ASSEGURADOS À MULHER

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A Lei 11.340/06 em seus arts. 2º e 3º assegura às mulheres os seguintes direitos:
viver sem violência; preservar sua saúde física e mental; aperfeiçoamento moral,
intelectual e social; à vida; à segurança; à saúde; à alimentação; à educação; à cultura; à
moradia; ao acesso à justiça; ao esporte; ao lazer; ao trabalho; à cidadania; à liberdade;
à dignidade; ao respeito e à convivência familiar e comunitária

A quem cabe criar as condições necessárias para o efetivo exercício dos direitos
enunciados?

Não cabe apenas ao Estado criar essas condições e sim à família, à sociedade e ao
poder público como um todo.

5. INTERPRETAÇÃO DA LEI

A interpretação da lei levará em conta os fins sociais a que ela se destina (proteção
da mulher contra violência doméstica e familiar) e condições peculiares das mulheres em
situação de violência doméstica e familiar.

5.1. CONFIGURAÇÃO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA MULHER

De acordo com o art. 5º da Lei Maria da Penha configura violência doméstica e


familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

Para fins de aplicação da lei, a violência contra a mulher se configura nos seguintes
âmbitos:

Unidade doméstica Espaço de convívio permanente de


pessoas (casa onde a mulher mora),
com ou sem vínculo familiar, inclusive
as esporadicamente agregadas
(pessoa que não mora na casa, mas
está passando alguns dias, por
exemplo).

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Família Comunidade formada por indivíduos
que são ou se consideram
aparentados, unidos por laços
naturais, por afinidade ou por vontade
expressa

Relação íntima de afeto Na qual o agressor conviva ou tenha


convivido (ex-namorado, por
exemplo) com a ofendida,
independentemente de coabitação

Atenção! Essas relações não dependem de orientação sexual! Ou seja, a lei não
exige que o agressor seja um homem, sendo assim, é possível que a agressora seja a
namorada da mulher por exemplo.

Atenção! A Lei Maria da Penha é uma norma de Direitos Humanos.

5.2. FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER

VIOLÊNCIA

Física Psicológica Sexual Patrimonial Moral


Integridade/saúde | Dano emocional; | Relação Objetos; Calúnia;
corporal. Diminuição da | sexual não | Instrumentos de | Difamação;
autoestima; desejada; trabalho; Injúria;
Controle de | Impedir de | Documentos;
ações, usar método | Bens, valores e
comportamentos | contraceptivo | direitos/recurso
: crenças el; s econômicos;
decisões; Prostituição,
matrimônio,
gravidez ou
aborto
forçados.

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5.3 MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO

O art. 8º traz as diretrizes das medidas que diversos entes públicos (União, Estados,
Distrito Federal e Municípios) e organizações não governamentais (ONGs), vão adotar
conjuntamente (vão unir esforços) para garantir assistência e proteção à mulher vítima de
violência doméstica e familiar.

5.4. ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E


FAMILIAR
O art. 9º da lei trata dos sistemas de saúde, assistência social e segurança pública
atuando de forma integrada e conjunta para garantir a assistência adequada à mulher
vítima de violência doméstica e familiar.

Percebe-se uma forte atuação jurisdicional na assistência à mulher vítima de


violência doméstica e familiar.

Medidas que podem ser adotadas pelo magistrado são:

Inclusão da Acesso prioritário Manutenção do Encaminhamento

mulher, por prazo a remoção vínculo à assistência

certo, em quando servidora trabalhista, judiciária, quando


situação de pública, quando for o caso,

violência integrante da necessário o inclusive para


doméstica = administração afastamento do eventual

familiar no direta ou indireta. local de trabalho, ajuizamento da


cadastro de por até seis ação de divórcio,
programas meses. de anulação de
assistenciais do O — empregador casamento ou de
governo federal, não é obrigado a dissolução de
estadual e arcar com os união estável
municipal. salários da perante o juízo
mulher e sim competente.
garantir o vínculo Inovação trazida
trabalhista. pela Lei

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13.894/19.

5.5. ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL

Ocorrendo violência doméstica e familiar contra a mulher ou na iminência de ocorrer


a autoridade policial adotará de imediato as medidas legais cabíveis. Isso também
ocorrerá em caso de descumprimento de medida protetiva de urgência anteriormente
deferida pelo juiz.

As providências adotadas pela Polícia são:

e Garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao


Ministério Público e ao Poder Judiciário;
e Encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal;
e Fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local
seguro, quando houver risco de morte;
eSe necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus
pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar;
e Informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis,
inclusive os de assistência judiciária para o eventual ajuizamento perante o juízo
competente da ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou de
dissolução de união estável. Inovação trazida pela Lei 13.894/19.

Atenção! Essas providências, em regra, serão adotadas pela Polícia Militar, pois é o
braço estatal que primeiro tem contato com a vítima.

Providências a serem adotadas pelo Delegado de Polícia, sem prejuízo do que já


previsto pelo Código de Processo Penal:

e ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo


(por se tratar de uma ação penal condicionada é necessária essa medida), se
apresentada;
ecolher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas
circunstâncias;

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e remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o
pedido da ofendida, para a concessão de medidas protetivas de urgência. Quem pede
medida protetiva é a vítima o Delegado de Polícia só faz o encaminhamento e conterá
obrigatoriamente as informações do art. 12, S 1º da lei.
e determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar
outros exames periciais necessários;
e ouvir o agressor e as testemunhas;
eordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de
antecedentes criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de
outras ocorrências policiais contra ele;
everificar se o agressor possui registro de porte ou posse de arma de fogo e, na
hipótese de existência, juntar aos autos essa informação, bem como notificar a ocorrência
à instituição responsável pela concessão do registro ou da emissão do porte, nos termos
da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (Estatuto do Desarmamento); (Incluído
pela Lei nº 13.880, de 2019).
e remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério
Público.

Os Estados e o Distrito Federal darão prioridade, no âmbito da Polícia Civil, à


criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), de Núcleos
Investigativos de Feminicídio e de equipes especializadas para o atendimento e a
investigação das violências graves contra a mulher.

Constatado o risco atual ou iminente contra a vida da mulher em situação de


violência doméstica e familiar ou à sua integridade física, ou de seus dependentes, o (a)
agressor (a) será imediatamente afastado (a) do lar, domicílio ou local de convivência com
a ofendida:

e pelo juiz;
e pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca; ou
e pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado
disponível no momento da comunicação do crime.

(Essa inovação legislativa foi incluída pela Lei nº 13.827, de 2019)

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Caso não seja o juiz que determinou tal medida ele deve ser comunicado no prazo
máximo de 24 (vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a
revogação da medida aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público
concomitantemente.

Caso o agressor tenha sido preso e haja risco à integridade física da ofendida ou à
efetividade da medida protetiva de urgência, o magistrado não concederá liberdade
provisória ao preso.

5.6. PROCEDIMENTO

Nos processos em que envolvam a prática de violência doméstica e familiar contra a


mulher aplica-se as normas dos Códigos de Processo Penal e Processo Civil e da
legislação específica relativa à criança, ao adolescente e ao idoso conjuntamente com a
Lei Maria da Penha, desde que não conflitantes.

Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher poderão ser criados


pela União, Territórios, Estados e Distrito Federal.

Nos termos do art. 29 da Lei Maria da Penha esses juizados poderão contar com
uma equipe de atendimento multidisciplinar, a ser integrada por profissionais
especializados nas áreas psicossocial, jurídica e de saúde

Entre outras atribuições devem fornecer subsídios por escrito ao juiz, ao Ministério
Público e à Defensoria Pública, mediante laudos ou verbalmente em audiência, e
desenvolver trabalhos de orientação, encaminhamento, prevenção e outras medidas,
voltados para a ofendida, o agressor e os familiares, com especial atenção às crianças e
aos adolescentes.

Obs.: Quando a complexidade do caso exigir avaliação mais aprofundada, o juiz


poderá determinar a manifestação de profissional especializado, mediante a indicação da
equipe de atendimento multidisciplinar.

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Esses juizados reúnem a competências cível e criminal. Antes da Lei Maria da
Penha e da criação desses juizados esses processos eram julgados por juízes distintos
(Vara Cível e Vara Criminal).

Atenção! As disposições transitórias (art. 33) da Lei Maria da Penha prevê que
enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher, as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer e
julgar as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.
E tais processos terão preferência no processo e julgamento.

Obs.: Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno. Em regra os atos


processuais são realizados durante o dia, mas como nos casos de aplicação da Lei Maria
da Penha podem necessitar de medidas urgentes a Lei autoriza que sejam realizados em
horário noturno.

JUIZADO COMPETENTE

Por opção da ofendida é competente (juiz onde pode julgar o caso) o Juizado:

e do seu domicílio ou de sua residência;


e do lugar do fato em que se baseou a demanda;
e do domicílio do agressor.

5.7. RENÚNCIA À REPRESENTAÇÃO

A ação penal pública pode ser condicionada à representação da vítima ou


incondicionada.

A lei penal (não a Lei Maria da Penha) é quem vai dizer quando a ação penal
pública vai ser condicionada ou incondicionada. Em regra a grande maioria dos delitos é
de ação pública incondicionada.

No caso da ação penal pública condicionada é registrado o Boletim de Ocorrência, o


delegado de polícia investiga, mas o promotor de justiça (Ministério Público) só poderá

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oferecer a denúncia (petição inicial da ação penal pública), e o criminoso ser processado
caso a vítima queira (deve haver a concordância da vítima).

A Lei Maria da Penha em seu art. 16 estabelece que nas ações públicas
condicionadas caso a vítima tenha realizado a representação ela só pode renunciar tal
representação (só pode arrepender-se, retirar, voltar a trás), na frente do juiz em uma
audiência específica para tal ato e ouvido Ministério Público.

Obs.: Nessa audiência tanto o juiz quanto o promotor de justiça podem tentar
convencer a vítima a continuar com a representação contra o ofensor.

Momento: Até quando a mulher pode renunciar a representação?

Antes do recebimento da denúncia. Após o recebimento da denúncia a ofendida não


mais pode desistir.

5.8. CESTA BÁSICA

A Lei Maria da Penha veda expressamente como pena o pagamento cesta básica
ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o
pagamento isolado de multa

5.9. MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA

O juiz ao receber o pedido de medidas protetivas tomará as seguintes providências


no prazo de 48 (quarenta e oito) horas:

e conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de


urgência;
e determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária,
quando for o caso, inclusive para o ajuizamento da ação de divórcio, de anulação de
casamento ou de dissolução de união estável perante o juízo da Vara de Família;(A
redação dessa providência foi dada pela Lei nº 13.894, de 2019)
e comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis.

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e determinar a apreensão imediata de arma de fogo sob a posse do agressor. (Essa
medida foi incluída pela Lei nº 13.880, de 2019).

Atenção! As medidas protetivas podem ser solicitadas pela vítima ou pelo Ministério
Público. Em regra o delegado de polícia não pode solicitar.

Atenção! A prisão preventiva do agressor pode ser decretada pelo juiz, de ofício, a
requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial.

O juiz não depende de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público


para decidir o pedido.

Após decidir o pedido o juiz ouvirá as partes podendo revogar ou alterar as medidas
protetivas anteriormente concedidas.

O juiz pode aplicar uma medida isolada ou várias medidas ao mesmo tempo e
poderá alterar a qualquer tempo.

Exemplo: O juiz decretou medida para que o agressor não se aproxime a menos de
200 metros da vítima, mas o agressor insiste em ir à casa da vítima, por esse motivo o
juiz decreta a prisão preventiva do ofensor.

Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão


preventiva do agressor. O juiz poderá revogar ou decretar novamente a prisão preventiva
se houver razão para tal.

A vítima será notificada dos atos processuais, especialmente dos pertinentes ao


ingresso e à saída da prisão.

5.10. MEDIDAS PROTETIVAS EM ESPÉCIE

O art. 22 da Lei Maria da Penha traz as medidas protetivas de urgências aplicadas


ao agressor, sendo esse rol exemplificativo.

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Atenção! Os incisos VI e VIl foram acrescentados recentemente pela Lei nº 13.984,
de 2020.

Atenção! Tendo o agressor porte de arma garantido pelo caput e incisos do art. 6º
da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão,
corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a
restrição do porte de armas, ficando o superior imediato do agressor responsável pelo
cumprimento da determinação judicial.

Poderá, contudo, trabalhar em regime de cautela, ou seja, quando estiver em


serviço poderá estar portando seu armamento descautelando ao final do serviço.

O art. 23 da Lei Maria da Penha traz as medidas protetivas de urgências aplicadas à


vítima, sendo esse rol exemplificativo.

As medidas protetivas de urgências para salvaguardar o patrimônio da vítima estão


previstos no art. 24.

Ocorrendo o descumprimento da decisão judicial que defere medidas protetivas de


urgência previstas na Lei Maria da Penha o ofensor estará sujeito a uma pena de
detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, nos termos do art. 24-A.

MINISTÉRIO PÚBLICO

O Ministério Público sempre atuará nos processos em que seja aplicada a Lei Maria
da Penha, seja como parte seja como fiscal da lei, podendo requerer:

e requisitar força policial e serviços públicos de saúde, de educação, de assistência


social e de segurança, entre outros;
e fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à mulher em
situação de violência doméstica e familiar, e adotar, de imediato, as medidas
administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a quaisquer irregularidades constatadas;
e cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher.

5.11. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA


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A mulher vítima de violência doméstica ou familiar será acompanhada por advogado
em todos os processuais, sendo garantido acesso aos serviços de Defensoria Pública ou
de assistência judiciária gratuita, em sede policial e judicial, mediante atendimento
específico e humanizado.

Atenção! A mulher vítima de violência doméstica ou familiar não precisa estar


acompanhada de advogado para realizar requerimento de medida protetiva de urgência.

5.12. REGISTRO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA OU FAMILIAR CONTRA MULHER E


MEDIDAS PROTETIVAS

As estatísticas sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher serão


incluídas nas bases de dados dos órgãos oficiais do Sistema de Justiça e Segurança a
fim de subsidiar o sistema nacional de dados e informações relativo às mulheres.

As Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal poderão


remeter suas informações criminais para a base de dados do Ministério da Justiça.

A Lei 13.827/19 acrescentou o art. 38-A à Lei Maria da Penha para estabelecer que
o juiz competente providenciará o registro da medida protetiva de urgência.

As medidas protetivas de urgência serão registradas em banco de dados mantido e


regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça, garantido o acesso do Ministério
Público, da Defensoria Pública e dos órgãos de segurança pública e de assistência
social, com vistas à fiscalização e à efetividade das medidas protetivas.

BIBLIOGRAFIA

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. DECRETO-LEI Nº 2.848 — Código Penal, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940.. Rio
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junho de 2020.

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DE 1941.. Rio de Janeiro, 03 outubro 1941. Disponível em <www.planalto.gov.br>.
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. Lei nº. 11.340, de 07 de agosto de 2006. Brasília, 07 agosto 2006. Disponível


em <www.planalto.gov.br>. Acesso em 10 de junho de 2020.

. Lei nº. 11.343, de 23 de agosto de 2006. Brasília, 23 agosto 2006. Disponível


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. Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Brasília, 02 setembro 1981. Disponível


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. Lei nº. 8.072, de 25 de julho de 1990. Brasília, 25 julho 1990. Disponível em


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. Lei nº. 9.605, de 28 de fevereiro de 1998. Brasília, 01 março. 1998. Disponível


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ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental, 12. ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris,

2010.

BACILA, Carlos Roberto; RANGEL, Paulo. Comentários penais e processuais penais


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BELTRÃO, Antônio F. G. Direito Ambiental. 2. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense;
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