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METODOLOGIA CIENTÍFICA

PROF. NELSON DE SENA FILHO


SUMÁRIO:
1 O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE 09

2 NÍVEIS DE CONHECIMENTO:
Senso Comum – Filosófico - Teológico – Científico 22

3 CIÊNCIA E A PLURALIDADE
DOS MODOS DE CONHECIMENTO 36

4 CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO 44

5 O MÉTODO DIALÉTICO E
SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS 54

6 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE


E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO 64

7 A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA 74

8 PROJETO DE PESQUISA –
ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1) 90
9PROJETO DE PESQUISA –
ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2) 102

10 A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA


NO ENSINO SUPERIOR 112
INTRODUÇÃO

Prezados Estudantes,

Estudaremos nessa etapa, em nossa disciplina de METODOLOGIA CIENTÍFICA, os principais mo-

mentos para a elaboração de um trabalho científico, bem como os pressupostos que fundamen-

tam o que chamamos de Método Científico.

Esta disciplina é obrigatória em quase todos os cursos superiores do país, pois ela é basilar para

que se entendam os mecanismos necessários para se elaborar tanto uma pesquisa como um

trabalho científico.

Neste curso você conhecerá as regras da produção científica, sua natureza e objetivos, bem como

as normas previstas a partir da ABNT, tendo como o objetivo final apresentar o universo da me-

todologia científica e a importância da mesma para o ensino/aprendizagem no Ensino Superior.


SOBRE O PROFESSOR

NELSON DE SENA FILHO

Graduado em Geografia pela Fundação Educacional de Caratinga (1990).

Graduado em História pela Fundação Educacional de Caratinga (1990).

Especializado em Geografia Econômica pela Fundação Educacional de Cara-

tinga (1995), em Análise Ambiental para Gerenciamento de Recursos Naturais

pela UFMG/Fundação Educacional de Caratinga (1996), em História Contem-

porânea pela Fundação Educacional de Caratinga (1991), em Teologia pela Es-

cola de Educação Teológica das Assembleias de Deus (1992).

Mestre em História da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São

Paulo (2001);

Doutor pela Pontifícia Universidade Católica de MG (2006).

Tem experiência na área de Geografia e História, atuando principalmente nos seguintes te-

mas: Geografia da Percepção, Estudos Regionais, História do Brasil, Geopolítica, História Re-

gional e História da Ciência, além de estudar as relações entre Geografia e Guimarães Rosa.

Faz parte do conselho editorial da "Revista Ensaios Científicos", além de ser também avalia-

dor de instituições de educação superior credenciado pelo MEC (conforme Ofício Circular

MEC_INEP_DEAES_Nº 003454_2006). Possui vários livros publicados, dentre eles "Morfolo-

gia das Cidades Médias". Tem orientado inúmeros trabalhos de graduação e pós-graduação.

Foi Secretário Municipal de Cultura de Caratinga de 2012 a 2014. É pesquisador do Núcleo de

Documentação e Estudo Históricos "Pe. Othon Fernandes Loures", dedicando-se a pesquisar

documentos ligados à ditadura militar na região. Possui vasta experiência em Ensino a Dis-

tância, tanto como tutor como na elaboração de conteúdo. Atualmente é coordenador local

de um Doutorado Interinstitucional (DINTER) em Geografia, entre a PUCMINAS e o UNEC.


1 O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE
UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

Nesta Unidade de Aprendizagem, trilharemos um caminho muito interessante: o saber humano

e sua grande diversidade. Vamos estudar como os saberes são diferentes e plurais, e como existe

grande variedade de símbolos que dão significados à vida, tendo o ser humano como o produtor

do seu próprio conhecimento.

Ao final desta unidade de aprendizagem, você deverá estar apto a:


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

» Discutir a necessidade de um novo modo de fazer ciência perante a multiplicidade de saberes;

» Compreender que a ciência contemporânea é constituída de saberes múltiplos e diferentes.

Inicialmente vamos estudar um conceito muito importante para o desenvolvimento de nosso

conteúdo: a diversidade cultural. Em 2001 a UNESCO aprovou a Declaração Universal sobre a Di-
"
versidade Cultural, um dos mais importantes documentos já elaborados por este organismo, na

qual, além de assegurada a diversidade pessoal ou coletiva, a cultura é compreendida como

[...] conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, in-

telectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um

grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os mo-

dos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores,

as tradições e as crenças.

"
Por esta definição, vemos que a diversidade cultural é mais que uma concepção teórica, é a cons-

tatação de que somente assim poderemos ter uma sociedade com menos preconceito, maior

tolerância e, principalmente, menos violência.

A diversidade cultural levou os pensadores a trilharem novos caminhos também no conhecimen-

to. Isto porque o ser humano possui a capacidade de ordenar o seu mundo por meio de elucida-

ções sobre as suas experiências, sensações e pensamentos. Esse exercício possibilita criar uma

série de paradigmas científicos orientados por projeções e ideias de tempo, espaço, vivências,

métodos científicos etc. A isto denominamos construção simbólica, constituída de significados e

sentidos que acabam por dar à experiência humana uma significação única, diferindo-a daquela

que têm os animais.

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

"
Um antropólogo, chamado Edward Burnett Tylor, afirmou que

[...] cultura é este todo complexo que inclui conhecimentos,

crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capaci-

dade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de

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uma sociedade.1

"
A cultura, entendida desta forma, nos faz participarmos dessa experiência única e espetacular

chamada vida. Afinal somos únicos seres pensantes e criadores.

Para muitos antropólogos, a grande diferença entre os homens e os animais é que os seres hu-

manos são capazes de usar símbolos para sua existência. Estes símbolos são criados por seres

humanos criativos e pensativos. Aliás, a possibilidade de criar símbolos é específica dos seres hu-

manos! Evidentemente, esta capacidade está ligada a outras características que nos diferem dos

animais: o pensamento, a compreensão, o raciocínio etc.

A capacidade de produzir cultura é nosso grande diferencial na história da terra. O grande antro-

pólogo americano Clifford Geertz argumentou que a cultura não é algo estático e preso dentro

das cabeças das pessoas, mas ela é demonstrada através dos símbolos públicos. É por meio deles

que os membros de uma sociedade se comunicam, que passam sua visão de mundo, seus valores

e tudo mais, tanto uns com os outros, como é esse o legado que deixam para as futuras gerações.

Portanto, o símbolo é uma coisa cujo valor ou significado é atribuído pelos seus usuários. São re-

alidades físicas ou sensoriais às quais os indivíduos que os utilizam atribuem valores ou significa-

dos específicos. Comumente representam ou implicam coisas concretas ou abstratas, tais como

pessoas, gestos, palavras, ordens, fórmulas mágicas, crenças, cerimonias, hinos, bandeiras, textos

sagrados etc., que tenham adquirido significado específico, representando, em um contexto cul-

tural, por meio de atos, atitudes e sentimentos, constituem-se símbolos2.

Observe a música abaixo, chamada de “Reconvexo”, do genial Caetano Veloso e veja quantos

símbolos ela cita, além de ela mesma ser um.

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara Seu olho me olha mas não me pode alcançar

Sobre os automóveis de Roma Não tenho escolha, careta, vou descartar

Eu sou a sereia que dança Quem não rezou a novena de Dona Canô

A destemida Iara Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor

Água e folha da Amazônia Quem não amou a elegância sutil de Bobô

Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo
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Você não me pega Eu sou um preto norte-americano forte

Você nem chega a me ver Com um brinco de ouro na orelha

Meu som te cega, careta, quem é você? Eu sou a flor da primeira música a mais velha

Que não sentiu o suingue de Henri Salvador A mais nova espada e seu corte

Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô Eu sou o cheiro dos livros desesperados

E que não riu com a risada de Andy Warhol Sou Gitá Gogóia Seu olho me olha mas não me pode

Que não, que não e nem disse que não alcançar

Eu sou um preto norte-americano forte Não tenho escolha, careta, vou descartar

Com um brinco de ouro na orelha Quem não rezou a novena de Dona Canô

Eu sou a flor da primeira música a mais velha Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor

A mais nova espada e seu corte Quem não amou a elegância sutil de Bobô

Eu sou o cheiro dos livros desesperados Quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo

Sou Gitá Gogóia

A simbolização permite ao homem transmitir seus conhecimentos aprendidos e acumulados du-

rante as diferentes gerações. A criação deles consiste, basicamente, na associação de significados

àquilo que se pode perceber pelos sentidos, ou seja, ver, ouvir, tocar, cheirar.

!
Os símbolos são próprios de uma determina-

da cultura. Ou seja, alguém que não pertence

a determinada cultura, pode ter problemas

em sua interpretação.

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

Por isso o conhecimento que advém da cultura multifacetada é diversificado e plural, pois cada

sociedade possui sua história, seu desenvolvimento etc. Cada agrupamento humano possui uma

história própria, que acaba resultando em sua cultura, com seus símbolos, crenças, leis e muitos

outros aspectos culturais.

O ser humano, com sua história que é única para cada um, constrói seu arcabouço cultural.

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Ou seja: o homem é produtor do seu conhecimento. É responsável por sua própria história.

Como os conhecimentos produzidos pelo homem são múltiplos e diversos, temos que discutir a

necessidade de um novo modo de fazer ciência perante a multiplicidade de saberes.

Mas qual a finalidade desse novo tipo de conhecimento?

Em nosso texto de apoio, Marisa Fernandes Nunes afirma:

A cidadania deve ser considerada o espírito de uma nação, somente um povo participante na luta

e na efetivação dos direitos, na valorização da história, da cultura, da sua formação, é um povo

comprometido com a soberania e prevalência dos direitos humanos. Este Projeto de Ensino pro-

põe a valorização da cultura, da história construída e a influência que esta bagagem cultural tem

na formação atual e futura da sociedade.

"
Ou seja, essa nova forma de pensar o mundo tem como objetivo a inclusão, a construção a cida-

dania, a prevalência dos direitos humanos etc.

Perante a pluralidade cultural da nação, é papel das escolas en-

fatizar que não existe uma cultura mais desenvolvida ou me-

lhor que as outras, pois isso irá proporcionar um crescimento

dos estudantes como cidadãos. Só assim construiremos um

país livre e solidário, no qual a cidadania como direito de todos,

e não apenas privilégio de poucos, seja o principal objetivo. Ao

pregar a tolerância à diversidade, os alunos aprendem a convi-

ver e aprender com as diferenças.

" 13
UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE
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Diante disso, você deve estar se perguntando:

o que a matéria de metodologia científica tem a ver com isso?

Nossa disciplina é determinante para se criar uma ponte entre o pensamento, sua sistematiza-

ção e sua dimensão metodológica. Ou seja, a Metodologia Científica possibilita que, através da

redação científica, o pensamento seja sistematizado de forma coerente e científica. Através da

dimensão metodológica da pesquisa, este pensamento plural e diversificado encontra sua forma

correta de sistematização.

!
O ser humano possui várias formas de inter-

pretar o seu universo e através dessa constru-

ção, criar sua própria cultura.

Ao fazer isso, ele cria uma série de conheci-

mentos que serão sistematizados por uma

determinada Metodologia Científica.

Todos as formas de conhecimento são importantes. Temos grandes nomes da literatura que es-

creveram verdadeiras análises do país, com uma precisão maior que muitos cientistas sociais.

Guimarães Rosa, por exemplo, escreveu Grande Sertão: Veredas, que se constitui em preciosa

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

"
análise da categoria sertão, dentre outros inúmeros temas que seu livro abarca. Observe o texto

abaixo, acerca dessa relação da ciência com a literatura na obra de Guimaraes Rosa:

O sertão, é, ao mesmo tempo um “lugar” no sentido da per-

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cepção, cheio de afetividades, e um “espaço”, indiferenciado,

aberto e cheio de perigos onde ocorre o melhor de seus dias.

“O sertão me produz, depois me enguliu, depois me cuspiu do

quente da boca” (GSV, 601). Assim, mesmo recorrendo a todas

as matizes geográficas, resta uma impossibilidade: a raciona-

lidade de qualquer ciência é insuficiente diante de uma obra

literária desta magnitude. A Geografia ainda não dispõe de te-

orias suficientes para descortinar o sertão de Guimarães Rosa.

Mesmo recorrendo a todas as suas matizes, seja ela física, mar-

xista ou humanística, o resultado final ainda será sempre de

incompletude, sempre de busca, de um espaço que afinal, está

o mesmo tempo dentro da gente e em todo lugar. De um es-

paço, que afinal é a própria travessia de todos aqueles que são,

homens humanos. (SENA FILHO, 2008)

"
Como se vê pelo texto anterior, muitas vezes a literatura assume um papel que a torna tão ou

mais precisa que a própria ciência.

Em tempos de saberes diversos, nenhum conhecimento deve ser descartado ou considerado

inferior por conta de uma suposta falta de cientificidade.

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

Vejamos outro exemplo dessa genialidade, em uma música:

Vapor barato Parece pôr tudo à prova

Um mero serviçal Parece fogo, parece

Do narcotráfico Parece paz, parece paz...

Foi encontrado na ruína Pletora de alegria


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De uma escola em construção... Um show de Jorge Benjor

Aqui tudo parece Dentro de nós

Que era ainda construção É muito, é grande

E já é ruína É total...

Tudo é menino, menina Alguma coisa

No olho da rua Está fora da ordem

O asfalto, a ponte, o viaduto Fora da nova ordem

Ganindo pra lua Mundial...(4x)

Nada continua... Meu canto esconde-se

E o cano da pistola Como um bando de Ianomâmis

Que as crianças mordem Na floresta

Reflete todas as cores Na minha testa caem

Da paisagem da cidade Vem colocar-se plumas

Que é muito mais bonita De um velho cocar...

E muito mais intensa Estou de pé em cima

Do que no cartão postal... Do monte de imundo

Alguma coisa Lixo baiano

Está fora da ordem Cuspo chicletes do ódio

Fora da nova ordem No esgoto exposto do Leblon

Mundial...(4x) Mas retribuo a piscadela

Escuras coxas duras Do garoto de frete

Tuas duas de acrobata mulata Do Trianon

Tua batata da perna moderna Eu sei o que é bom...

A trupe intrépida em que fluis... Eu não espero pelo dia

Te encontro em Sampa Em que todos

De onde mal se vê Os homens concordem

Quem sobe ou desce a rampa Apenas sei de diversas

Alguma coisa em nossa transa Harmonias bonitas

É quase luz forte demais Possíveis sem juízo final...

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

A música, de autoria de Caetano Veloso, chamada de “Fora da Ordem”, é uma preciosa análise do

que chamamos de “nova ordem mundial”. Com precisão sociológica, o compositor brasileiro des-

cortina todo o panorama que se esconde atrás das “maravilhas da globalização”. “Aqui tudo parece

que era ainda construção e já é ruina”, fala ele, sobre a proliferação de projetos que nascem mor-

tos, de um desenvolvimento que nunca vem, de uma cidadania sempre negada. Estes dois exem-

plos são provas mais que suficiente da necessidade de pensar o conhecimento do ponto de vista

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plural e inclusivo.

Diante do exposto, surge então a pergunta: para que serve afinal o conhecimento científico?

A palavra-chave para começarmos a entender o que é o conhecimento científico é a seguinte:


"
Método. Em nossa bibliografia citamos o trabalho de Lakatos e Marconi, que definem assim nos-

so objeto de estudo:

[...] o método é um conjunto das atividades sistemáticas e ra-

cionais que, com maior segurança e economia, permite alcan-

çar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –, traçan-

do o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as

decisões do cientista. (2003, p. 85)

"
Portanto, método é o conjunto de processos empregados em uma investigação, se preocupando

com as causas e leis que influenciam determinado acontecimento. Algumas palavras-chave que

permeiam o método são:

» Observação

»Experimentação

» Teste de hipóteses

» Verificação

» Respostas

Em nosso curso, estudaremos os vários “caminhos do saber”, pois Metodologia Científica possui

o seguinte significado: “método” representa caminho, e “logos” significa estudo e “ciência”, saber.

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

Logo, é o estudo dos caminhos e dos instrumentos usados para se fazer ciência. Esta disciplina

é de fundamental importância na sua vida acadêmica e profissional. Nela você estudará como

o método é fundamental para suas pesquisas, seus trabalhos acadêmicos e até mesmo para a

elaboração de textos em sua vida profissional.


"
Um estudioso do assunto, Pedro Demo, afirmou que a
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metodologia é uma disciplina que instrumentaliza quanto aos

procedimentos a serem tomados na pesquisa, possibilitando

acesso aos “caminhos do processo científico”; além disso, ela

visa também promover questionamentos acerca dos limites

da ciência sob os aspectos da capacidade de conhecer e de

interferir na realidade (DEMO, 1995, p. 11).

"
Nossa proposta é apresentar o mundo dos procedimentos sistemáticos e lógicos que o auxiliarão

em toda sua jornada acadêmica e profissional. Afinal, a metodologia científica é um instrumento

maior, abarca múltiplos meios e ampara a realização da pesquisa e do trabalho acadêmico.

Desta forma, podemos concluir que a metodologia científica se baseia no estudo, na geração e na

verificação dos métodos, das técnicas e dos procedimentos empregados na investigação e reso-

lução de problemas. Trata-se de uma configuração estratégica para conhecer e produzir saberes.

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

Para concluir nossa unidade, dê uma olhada atenta na figura abaixo, que resume nosso conteúdo.

Bons estudos e até a próxima unidade.

MÉTODO CIENTÍFICO
(Esboço)

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OBSERVAÇÃO: HIPÓTESES:
FATOS:
Sistemática Testáveis
Verificáveis
Controlada Falseáveis

TEORIA CIENTÍFICA:
Conjunto indissociável todos os fatos
e hipóteses harmônicos entre si.

IMPLICAÇÕES EXPERIMENTOS
CONCLUSÕES Novas Observações NOVOS FATOS
PREVISÕES Análise Lógica

NÃO Resultados SIM


RECICLAR HIPÓTESES
Corroboram Teoria?

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

RESUMO:
Nesta unidade estudamos os pressupostos básicos para entendermos nossa disciplina

de forma eficaz.

Vimos como é importante o conceito de Método para o conhecimento científico e


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

como a metodologia científica pode ajudar na sua vida acadêmica.

Vimos também como é importante a pluralidade de conhecimentos, pois a literatura e

a música, por exemplo, fornecem importantes saberes para o ser humano.

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UNIDADE 1 :
O SABER HUMANO E SUA DIVERSIDADE

REFERÊNCIA:
DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. 3. ed. São Paulo, SP: Atlas,

1995.

MARCONI, Maria de Andrade; PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Antropologia: uma intro-

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
dução. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006.

NUNES, Marisa Fernandes. As metodologias de ensino e o processo de conhecimen-

to científico. Educar em Revista, v. 9, p. 49-58, 1993. DOI: https://dx.doi.org/10.1590/0104-

4060.105.

PAVAN, Fabiana Cruz. Diversidade Cultural e Aprendizagem Significativa na Cons-

trução da Cidadania. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, ano

1, v. 9, p. 632-647, out. /nov. 2016. ISSN: 2448-0959.

SENA FILHO, Nelson. O deserto de Deus e o Sertão dos homens: Guimaraes Rosa e

o deserto do Sinai. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina – 20 a 26 de

março de 2005. Universidade de São Paulo.

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UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

2 NÍVEIS DE CONHECIMENTO:
SENSO COMUM – FILOSÓFICO - TEOLÓGICO – CIENTÍFICO
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

Bem-vindos a mais uma unidade de nossa disciplina. Vamos estudar agora sobre os vários tipos

de conhecimento, tais como o:

» Senso Comum,

» Filosófico,

» Teológico e

» Científico.

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Esperamos que ao final da unidade você possa:

» Construir um bom conceito dos diversos tipos de conhecimento;

» Distinguir uma boa maneira de se pensar em formas de resolução dos problemas científicos;

Inicialmente vamos pensar sobre uma questão:

Como há algumas centenas de anos atrás o homem formulava seu conhecimento e o transmi-

tia de geração em geração?

Vários povos antigos utilizavam os mitos para se comunicar, formular suas “verdades” e escrever

suas histórias. Normalmente definimos o mito como sendo aquelas narrativas utilizadas pelos an-

tigos para explicar, por exemplo, fatos da realidade, fenômenos da natureza, origens do mundo e

do homem, utilizando de farta simbologia, seres sobrenaturais, deuses, heróis etc. Junto com fatos

reais, emoções humanas e pessoas que tiveram existência real, os antigos criaram uma das mais

poderosas formas de transmitir o conhecimento: a mitologia.

Um dos objetivos da narrativa mítica era explicar fatos de que a ciência ainda não tinha conheci-

mento. Portanto, o mito tinha também a função de explicar ao homem de sua época os temas até

então desconhecidos.

A explicação mítica possui caráter simbólico, quase sempre ligado aos esclarecimentos sobre a

origem do homem e dos deuses, através de personagens sobrenaturais, procurando também

explicar a realidade através das histórias sagradas.

VAMOS DAR ALGUNS EXEMPLOS:

Em seu livro Teogonia, que significa em grego “nascimento de deus” ou “dos deuses”, Hesío-

do (século VIII a.C.), um dos maiores poetas gregos da Antiguidade, descreveu assim o mito

de “Prometeu acorrentado”:

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UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

"
Condenados, desde o seu nascimento, aos tormentos e aos cui-

dados, os primeiros homens não tinham, para nutrir-se, senão

frutas cruas e carnes sangrentas. (...) Tomado de piedade por

sua miséria, Prometeu, para colocar os homens em situação de


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viver melhor, de defender-se com armas eficazes contra as fe-

ras, de cultivar com instrumentos adequados a nutriente Terra,

resolveu dar-lhes o fogo e ensinar-lhes, com a arte de trabalhar

os 3 metais, os meios de escapar à sua deplorável e lamentável

sorte. (...) Aproximando-se das forjas abrasadoras de Hefestos,

roubou uma centelha do fogo que fundia os metais (...) e levou-

-a, como oferenda, aos homens. A humanidade desde então

conheceu, com o fogo, a felicidade de viver melhor, de comer

um alimento menos selvagem, de aquecer-se, de receber a luz.

Mas, em sua alegria imoderada, ela julgou-se igual aos poderes

divinos, esquecendo seus deveres para com os mesmos. Zeus,

então, que não quer que os homens saiam dos justos limites,

colocando seus desejos mais altos que seus destinos, resolveu

castigar aquele cujo roubo havia ocasionado esta presunção

sacrílega. Transportou Prometeu para o mais alto cume do

Cáucaso e mandou Hefestos pregar o Titã a um rochedo escar-

pado. Contra a vontade, o divino ferreiro obedeceu. (...) Para cú-

mulo do infortúnio, todas as manhãs, uma águia de asas aber-

tas ia pastar em seu fígado imortal, e esse monstro de garras

recurva devorava, durante o dia, tudo quanto, à noite, aí podia

renascer. Esse suplício deveria durar mil anos, mas, ao fim de

trinta anos, Zeus, apaziguado, perdoou o culpado, consentindo

então em introduzi-lo entre os Bem-aventurados.

"
Neste mito espetacular vemos como surgiu o fogo (Prometeu, amante da humanidade, rouba o

fogo dos deuses e o redistribui aos homens) e também explica como o fígado se regenera (vem

lhe devorar o fígado todos os dias, órgão que se regenera durante a noite, apenas para voltar a

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UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

ser devorado novamente no dia seguinte). Esse é um bom exemplo de um mito: uma história

ocorrida em um tempo imemorial, ocorre uma ação sobrenatural e surge a partir daí uma nova

realidade. Essas três são características recorrentes nas histórias míticas.

VEJAMOS OUTRO EXEMPLO:

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DILÚVIO
Um mito que foi muito temido e, talvez por isso, compilado di-

versas vezes, em diferentes épocas na história, foi o mito do di-

lúvio. Nesse relato contava-se que, em uma época muito remo-

ta, os deuses, insatisfeitos com os homens, resolveram destruir

a humanidade, fazendo cair uma chuva torrencial, que fez su-

bir as águas dos rios. No entanto, Enki, o deus das águas, reve-

lou o plano dos deuses a um escolhido, Ziusudra (chamado de

Utnapishtim pelos acádios), aconselhando-o a construir uma

"
embarcação gigantesca. Vejam um trecho do relato sumério

desse mito, encontrado em Nippur:

Depois que, durante sete dias [e] sete noites,

O dilúvio se estendeu sobre a terra

[E] o grande barco foi sacudido pelos vendavais sobre as águas

Utu [o deus sol] apareceu, espalhando luz sobre o céu e a terra

(...)

"
Tal mito também foi compilado, muitos séculos depois, num

dos livros que compõem a Bíblia, tendo como principal perso-

nagem um homem chamado Noé. Esse fato pode ser explica-

do, pois os hebreus (povo que deu origem aos judeus) tinham

suas raízes ancestrais em Ur, uma importante cidade da Meso-

potâmia.

Fonte: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/mesopotamia-
---religiao-o-politeismo-e-o-mito-do-diluvio.htm

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UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

Neste mito, percebemos como os antigos entendiam as grandes catástrofes da natureza: eram

castigo dos deuses para os homens. A seguir, uma das adaptações da história do dilúvio judaico

para os cinemas.
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Deve-se ressaltar que o mito se difere da lenda, pois um mito é um personagem criado, como

Zeus, Prometeu, Ulisses, Ícaro, etc., que viveram em tempos imemoriais. Nesse sentido, Pelé, Ayr-

ton Senna, Cristo, Maomé não são mitos, podendo ser considerados como lendas, pelos feitos

notáveis que fizeram.

Houve um momento na história da humanidade, na Grécia antiga, que um grupo de pensadores,

conhecidos como pré-socráticos, tentaram imaginar uma nova forma de ver o mundo.

Dentre estes sábios podemos citar Tales de Mileto, Heráclito, Demócrito, Parmênides entre ou-

tros. Eles foram provavelmente os primeiros sábios a formular uma explicação racional para os fe-

nômenos sem recorrer aos mitos. Esses filósofos foram grandes estudiosos da natureza e buscam

encontrar o princípio fundante, ou seja, a matéria que deu origem a tudo. Eles também criaram

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UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

uma cosmologia, ao tentarem entender a organização racional do universo, procurando leis e

princípios que o regia.

!
Este novo conhecimento, baseado não mais

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nos mitos, mas numa reflexão sobre as leis

racionais que regem o cosmo tendo como

pressuposto a explicação lógica e racional,

recebeu o nome de:

“CONHECIMENTO FILOSÓFICO”.

Podemos afirmar que o conhecimento filosófico é sistematizado e tem como objetivo realizar

uma análise logica tanto do universo como do homem e da natureza, empregando o método

racional. Este tipo de conhecimento realiza uma busca constante de sentido, de justificativas, de

possibilidades e de interpretação acerca da natureza e do cosmos. Este conhecimento tem na

interrogação um instrumento para tentar decifrar os elementos imperceptíveis aos sentidos.

OSBORNE, Richard. Filosofia Para Principiantes. Objetiva, 1998.

27
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

A filosofia busca entender a realidade em seu contexto global. Apesar de não produzir respostas

definitivas para a maioria das questões, ela possibilita ao ser humano um melhor entendimento

do sentido da vida. A filosofia procura entender a realidade em seu contexto universal. Além disso,

o conhecimento filosófico está em constante transformação, realizando seus estudos através de

reflexões altamente críticas. Deve-se ressaltar que, apesar de ser um estudo racional, este conhe-

cimento não possui a preocupação de verificação, que estudaremos mais adiante.


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Vamos abordar agora um outro tipo de conhecimento, que denominamos de “senso comum”.

!
O SENSO COMUM é aquele tipo de conheci-

mento assistemático, baseado nas sensações

e bastante subjetivo, sem o rigor científico. É

o conhecimento baseado nas experiencias e

observações imediatas do mundo que o cer-

ca. Este conhecimento permanece no nível

cultural apreendido por seu grupo social.

Senso Comum é a soma dos conhecimentos do cotidiano e surge a partir de hábitos, crenças,

preconceitos e tradições. Deve-se ressaltar que o conceito de senso comum não foi desenvolvido

pelas pessoas que assim o pensam, mas por cientistas, que, segundo seu critério julgam que seu

conhecimento é superior. Quando um cientista se refere ao senso comum, ele está, obviamente,

pensando nas pessoas que não possuem um conhecimento científico. Evidentemente isto é um

erro. Várias formas de conhecimento dito do senso comum foram incorporadas ao conhecimento

científico.

VAMOS EXEMPLIFICAR:

Muitos remédios que nossos antepassados utilizavam, dados por alguma benzedeira ou

comadre, ou mesmo pelos indígenas, e que eram baseados no senso comum, depois foram

incorporados, após inúmeros testes e análises, e passaram a ser considerados de conheci-

mento científico. O senso comum é repassado de geração para geração, e através dele o ser

humano embasa o seu dia a dia e tenta compreender a realidade em que vive.

28
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

O senso comum é um tipo de


conjuntos de experiências vividas, que
passa de geração para outra geração,
como no modo que prevemos as coisas,
em ditos populares etc.

O senso comum é acrítico (não


tem senso nenhum para críticas), é sub-

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jetivo (não se tem certeza do que diz), é
ametódico (não tem conhecimento do
que se diz), é fragmentário (visão aliena-
da de assuntos, não tem visão ampla ou
geral de um determinado assunto).

O senso comum também é de-


finido como ingênuo e levado por apa-
rências, sem aprofundamento, é levado a
um saber imediato, sem análises. Baseia-
-se em valores adquiridos, crenças, juízos
de valor (se achar certo) e tradições cul-
turais.

Fonte: http://estudando-pedagogia.blogspot.com/2010/05/enso-co-
mum-e-conhecimento-científico.html

Vamos ver outro importante tipo de conhecimento: o conhecimento teológico

(teos – deus; logos – estudo)

!
O CONHECIMENTO RELIGIOSO OU TEOLÓGICO

é aquele que parte do pressuposto que exis-

tem verdades absolutas, que foram reveladas

por alguma divindade.

Normalmente este tipo de conhecimento

está ligado à fé em um ser superior que se

faz revelar através de seus escritos sagrados.

Evidentemente, não se apega a elucidações

lógico-causais e evidências materiais, mas à

revelação divina.

29
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

Este tipo de conhecimento busca conhecer uma divindade e seus mandamentos, sempre em

uma atitude de fé diante dos possíveis mistérios e revelações de seu grupo religioso. Essa noção

está fortemente relacionada a um Deus, seja:

» Jesus Cristo,

» Buda,

» Maomé,
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» um ente sobrenatural, ou

» qualquer entidade apreendida como ser supremo.

Este conhecimento é adquirido através da aceitação de axiomas da fé teológica, sendo resultado

da revelação deste ser superior por meio de seus profetas, que apresentam respostas definitivas

sobre todas as questões, sejam elas relacionadas à vida futura, à existência de Deus ou ao destino

final da humanidade. Este tipo de conhecimento é dedutivo, pois parte de realidades universais

para representar e atribuir sentidos a realidades particulares.

Importantes teólogos medievais deram grande contribuição para o desenvolvimento filosófico,

podendo ser citados, dentre outros:

» Agostinho e sua obra “Cidade de Deus e confissões”,

» Tomás de Aquino e sua grande obra “Suma Teológica”, e

» Abelardo e sua obra “Historia Calamitatum”.

Finalizando, devemos ressaltar que o conhecimento teológico parte da compreensão e da acei-

tação da existência de um Deus ou de deuses, os quais constituem a razão de ser da existência

humana. Como são baseados em premissas advindas da fé, eles não precisam da compreensão

ou mesmo da explicação da razão. Sua verdade é absoluta pois é revelada por um ser perfeito.

Vamos agora a nosso último tipo de conhecimento:

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO.

Este conhecimento surge da necessidade de o ser humano saber o exato funcionamento da na-

tureza ao invés de simplesmente aceitá-la ou atribuí-la a um deus.

30
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

!
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO estuda além

do fenômeno observado pelos sentidos hu-

manos, utilizando para isso um Método, pala-

vra-chave desse tipo de conhecimento.

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Ele procura conhecer as leis que determinam

os acontecimentos, através da observação,

dos testes de hipóteses e da verificação.

Assim ele produz respostas aproximadamen-

te verdadeiras para os fenômenos analisados.

O conhecimento científico procura uma explicação certa/verdadeira sobre as coisas e para isto

utiliza-se de exposição argumentativa dos motivos. Deve-se ressaltar que este tipo de conheci-

mento pode ser refutado, pois não trabalha com a verdade como sendo absoluta.

O conhecimento científico busca, por meio da ciência, sistematizar os fenômenos, sempre se-

guindo determinado método, que apontaria a verdade dos fatos experimentados e qual a sua

aplicação prática.

Trata-se de um conhecimento que é:

» Sistemático,

» Metódico e

» Baseado em métodos rigorosos.

Ele ainda prevê a:

» Experimentação,

» Validação e

» Comprovação de seus experimentos.

31
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

Veja o texto abaixo:

!
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO tem como ca-

racterísticas ser:
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REAL, FACTUAL – lida com ocorrências, fa-

tos, isto é, toda forma de existência que se

manifesta de algum modo.

CONTINGENTE – suas proposições ou hi-

póteses têm a sua veracidade ou falsidade

conhecida através da experimentação e

não pela razão, como ocorre no conheci-

mento filosófico.

SISTEMÁTICO – saber ordenado logica-

mente, formando um sistema de ideias

(teoria) e não conhecimentos dispersos e

desconexos.

VERIFICÁVEL – as hipóteses que não po-

dem ser comprovadas não pertencem ao

âmbito da ciência.

FALÍVEL – em virtude de não ser defini-

tivo, absoluto ou final. Aproximadamente

exato – novas proposições e o desenvolvi-

mento de novas técnicas podem reformu-

lar o acervo de teoria existente.

Fonte: PEREIRA, Adriana Soares et al. Metodo-

logia da pesquisa científica. Recurso eletrôni-

co. 1. ed. Santa Maria, RS: UFSM, NTE, 2018.

Observe agora a figura a seguir, que resume nossos estudos. No centro da figura está uma si-

tuação de morte. Aos lados as várias explicações para cada tipo de conhecimento. Por exemplo,

32
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

para o senso comum, ele morreu porque fez alguma coisa contrária ao que deveria ter feito. Para

o teológico, foi Deus quem quis. O filosófico reflete sobre a morte. O científico detalha as causas

baseada na explicação racional.

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SENSO COMUM Almoçou muito e foi nadar.

TEOLÓGICO Vontade de Deus

MORTE: QUAL A CAUSA?

Dicotomia vida-morte.
FILOSÓFICO Cessou a experiência humana

CIENTÍFICO AVC Hemorrágico

33
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

RESUMO:

Nesta unidade estudamos sobre os vários tipos de conhecimento que existem.

Vimos como o homem se guiava pelo conhecimento mítico, passando depois a explicar
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

as coisas racionalmente, surgindo assim o conhecimento filosófico.

Com o passar do tempo, as explicações voltaram-se para a existência de Deus, e por fim

veio o conhecimento científico, com seus métodos, observações etc.

34
UNIDADE 2 :
NÍVEIS DE CONHECIMENTO

REFERÊNCIA:
Livro digital

Bibliografia base

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia

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Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

PEREIRA, Adriana Soares et al. Metodologia da pesquisa científica. Recurso eletrônico.

1. ed. Santa Maria, RS: UFSM, NTE, 2018.

35
3 CIÊNCIA E A PLURALIDADE
DOS MODOS DE CONHECIMENTO
UNIDADE 3 :
CIÊNCIA E A PLURALIDADE DOS MODOS DE CONHECIMENTO

Olá, Sejam bem-vindos a mais uma unidade de nossos estudos.

Vamos estudar sobre a ciência e a pluralidade dos modos de conhecimento, destacando as múl-

tiplas formas de saberes e qual a sua importância para nossa vida acadêmica e profissional. Espe-

ramos que ao final desta unidade tenhamos cumprido os seguintes objetivos:

» Discutir a pluralidade paradigmática e a ciência contemporânea;

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» Entender a importância da pluralidade para as ciências.

Hoje muito se fala em pluralidade e sua importância para a vida acadêmica. Vamos tentar eluci-

dar um pouco o seu significado. Em um texto escrito em 2005, intitulado “Geopolítica e plurali-

dade epistemológica”, Sena Filho discutiu a possibilidade de um novo “fazer epistemológico”. A

ideia é que o atual século já nasceu sob a perspectiva da complexidade e os modelos antigos de

compreensão não são mais suficientes para compreendê-lo.

Se o século XX terminou com problemas para os quais ninguém tinha solução, e a perplexidade

era uma palavra-chave, o atual século aprofundou ainda mais esta ideia. A partir desse contexto,
"
alguns autores começaram a pensar em uma era “pós-moderna” com uma nova proposta epis-

temológica. Veja o texto:

Mas esta incerteza e complexidade frente ao contexto geopo-

lítico mundial deste início de século parece refletir uma ten-

dência até mesmo da epistemologia das ciências. Segundo o

epistemologista Feyerabend:

A ciência é um empreendimento anárquico... o anarquismo

teórico é mais humano e mais susceptível de encorajar o pro-

gresso do que as alternativas respeitadoras da lei e da ordem.

Este ensaio foi escrito na convicção de que o anarquismo, em-

bora não sendo talvez a filosofia política mais sedutora, é por

certo um excelente tratamento médico para a epistemologia e

para a filosofia da ciência. (FEYERABEND, 1993. p. 12).

" 37
UNIDADE 3 :
"
CIÊNCIA E A PLURALIDADE DOS MODOS DE CONHECIMENTO

Diante deste quadro, a teoria parece reconhecer a complexi-

dade das relações políticas em vivemos. Ilya Prigogine (1996),

outro grande cientista e epistemologista, dirá que, “a filosofia

pós-moderna defende a desconstrução” e “o futuro não é mais

dado. Torna-se uma construção”. Paradoxo e perplexidade são

palavras-chave no ideário pós-moderno.


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Monteiro (1991), falando sobre esta nova forma de se fazer ciência, diz

que é preciso uma “nova sensibilidade geográfica”, em que os cami-

nhos ideológicos não são claramente definidos, mas conta com uma

pluralidade epistemológica que melhor atende a complexidade em

que vivemos. Esta evidente flexibilização das orientações paradig-

máticas leva a uma constatação interessante para a Geografia Políti-

ca: ela avançará por fronteiras antes inimagináveis, mas sem perder

suas referências fundamentais, suas teorias e seu objeto de estudo.

SENA FILHO, Nelson. Geopolítica e pluralidade epistemológica. 2005.

Vamos tentar decifrar alguns termos vistos aqui:


"
» EPISTEMOLOGIA:

Episteme – vem do grego e significa conhecimento e Logos – estudo. Assim, a epistemolo-

gia é o estudo do conhecimento, suas fontes e como ocorre sua aquisição. Pode ser chama-

da de “teoria do conhecimento”, se preocupando com a investigação da natureza, fontes e

validade do conhecimento. Procura elaborar uma teoria do conhecimento, tentando res-

ponder do que ele consiste, como podemos obtê-lo e como é possível justificar este conhe-

cimento.

» PARADIGMA:

Comumente diz-se que se trata de um modelo, um padrão a ser seguido dentro das ci-

ências. Porém a ideia dentro das ciências vai muito além disso. Um autor chamado Tho-

mas Kuhn escreveu um livro chamado “A Estrutura das Revoluções Científicas”, em que

38
UNIDADE 3 :
CIÊNCIA E A PLURALIDADE DOS MODOS DE CONHECIMENTO

ele propõe que o paradigma seja visto como uma estrutura mental composta por teorias,

experiências e métodos que organizam a realidade e torna-se responsável por delinear o

pensamento humano. O paradigma seria então compartilhado pelos participantes de uma

dada sociedade e aceito por eles como verdadeiro. Deve-se lembrar que o verdadeiro não

significa verdade absoluta como na religião, mas apenas uma verdade aceita em certo con-

texto histórico. Nesse caso, podemos afirmar que o paradigma seria uma lente através da

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qual se vê o mundo; sem ela, ter-se-ia uma visão completamente distorcida dele.

» ANARQUISMO TEÓRICO:

Leia o seguinte texto, que se encontra em nossa bibliografia (SENA FILHO, Nelson. Plura-

"
lidade paradigmática e o sertão de Guimarães Rosa: novas abordagens geográficas), que

tenta esclarecer essa teoria:

Nesta perspectiva pós-moderna, as palavras mais dissemina-

das são, “diversidade, pluralidade e incertezas” (AMORIM FI-

LHO, 1993) que se distanciam cada vez mais das “Revoluções

Científicas”, de Tomas Kuhn, com suas ideias de “paradigmas”

e “períodos de normalidade”, e se aproximam cada vez mais

das ideias de Feyerabend, de “questionar a própria validade do

método em si mesmo”:

A ciência é um empreendimento anárquico... o anarquismo

teórico é mais humano e mais susceptível de encorajar o pro-

gresso do que as alternativas respeitadoras da lei e da ordem...

Este ensaio foi escrito na convicção de que o anarquismo, em-

bora não sendo talvez a filosofia política mais sedutora, é por

certo um excelente tratamento médico para a epistemologia e

para a filosofia da ciência”. (FEYERABEND, 1993, p. 23).

"
39
UNIDADE 3 :
CIÊNCIA E A PLURALIDADE DOS MODOS DE CONHECIMENTO

» PLURALIDADE PARADIGMÁTICA:

Possibilidade de se interpretar um fenômeno ou orientar uma pesquisa baseando-se em

uma pluralidade de paradigmas. Preconiza que não existe mais a necessidade se ter um

paradigma dominante nas ciências, mas que podem existir várias “verdades” aceitas no

mesmo contexto histórico.


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» PÓS-MODERNIDADE:

Segundo Ana Maria Nicolaci da Costa, em um texto chamado de “A passagem interna da

modernidade para a pós-modernidade”, este conceito pode ser assim definido:

"
Pós-modernidade é uma linha de pensamento que questiona

as noções clássicas de verdade, razão, identidade e objetivida-

de, a ideia de progresso ou emancipação universal, os sistemas

únicos, as grandes narrativas ou os fundamentos definitivos de

explicação. (...) vê o mundo como contingente, gratuito, diver-

so, instável, imprevisível, um conjunto de culturas ou interpre-

tações desunificadas gerando um certo grau de ceticismo em

relação à objetividade da verdade, da história e das normas, em

relação às idiossincrasias e à coerência de identidades.

Bauman (2001) usa outros adjetivos para qualificar os períodos

moderno e pós-moderno, mas, em última análise, aponta basi-

camente as mesmas características desse estágio do capitalis-

mo flexível: o poder extraterritorial, as comunicações eletrôni-

cas, a instantaneidade, a instabilidade etc.

40
"
UNIDADE 3 :
CIÊNCIA E A PLURALIDADE DOS MODOS DE CONHECIMENTO

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!
RESUMINDO:

Mais do que a existência de um paradigma,

ou de uma explicação única para os fenôme-

nos, as teorias mais recentes propõem que

se tenha uma pluralidade de possibilidades,

que enriquecem nosso estudo e evitam a

contaminação dos mesmos pelas tendências

ideológicas.

41
UNIDADE 3 :
CIÊNCIA E A PLURALIDADE DOS MODOS DE CONHECIMENTO

RESUMO:
Vamos ler o texto “Pluralidade e Diversidade das Ciências Sociais: uma contribuição

para a epistemologia da ciência”, disponível em nosso AVA, que fala sobre nosso tema

e será nossa conclusão.

O mundo contemporâneo, que muitos chamam de pós-modernidade, passa por uma


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revolução paradigmática em que inúmeras “verdades” científicas são demolidas dando

lugar a uma “era da perplexidade”, de incertezas e acima de tudo de pluralidade epis-

temológica.

Nessa multiplicidade, ao contrário do que possa parecer, as possibilidades são enormes

e bastante animadoras: não precisamos mais de uma só orientação, um só caminho,

um só paradigma, mas podemos utilizar uma variedade deles, em nossa procura de

encontrarmos nosso lugar no mundo.

As transformações ocorridas no campo da ciência na passagem do século XIX ao século

XX, abalam muitas certezas, assim, surgem questionamentos e reavaliações dos crité-

42
UNIDADE 3 :
CIÊNCIA E A PLURALIDADE DOS MODOS DE CONHECIMENTO

REFERÊNCIA:
rios de verdade e da validade dos métodos e teorias científicas.

Livro digital

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
Bibliografia base

SENA FILHO, Nelson. Pluralidade paradigmática e o sertão de Guimarães Rosa: novas

abordagens geográficas.

AUTOR, Prenome. Pluralidade e Diversidade das Ciências Sociais: uma contribuição

para a epistemologia da ciência. Soc. estado [online], v. 17, n. 2, [cited 2019-09-30], p.

231-246, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-

d=S0102-69922002000200002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 1 jan. 2020. ISSN: 0102-

6992. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-6992200200020000.

43
4 CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

Olá, sejam bem-vindos a mais uma unidade de ensino!

Vamos estudar agora sobre ciência e Método científico. Vamos destacar a importância desses

conceitos para as pesquisas contemporâneas e também identificar como este Método Científico

é a base para a produção científica.

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Vamos começar nosso estudo tentando dar algumas definições de método científico:

CONJUNTO DE ETAPAS E PROCESSOS a serem seguidos na


apreens¡o ordenada da realidade na busca da verdade sobre os
fen“menos/fatos investigados

CONJUNTO DE A•≥ES, PROCEDIMENTOS E ATIVIDADES


SISTEMüTICAS que possibilitam o ordenamento e a obten≈¡o de
um objetivo no processo de constru≈¡o do conhecimento na ci»ncia

CONJUNTO DE REGRAS BüSICAS utilizadas em uma investiga-


≈¡o cientÀfica com a finalidade de conseguir os resultados mais
seguros

ENGLOBA AS SEGUINTES ETAPAS:


Observa≈¡o, formula≈¡o de uma hip—tese, experimenta≈¡o,
interpreta≈¡o dos resultados e a conclus¡o.

Como podemos ver no quadro, quase todas as definições falam de método como sendo um con-

junto de regras ou de ações ou processos e atividades sistemáticas que seguem procedimentos

rígidos e pré-determinados para tentar provar suas hipóteses.

45
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

No longo caminho que vai da hipótese à conclusão, o método científico é o único meio possível

para, tanto realizar uma pesquisa quanto para realizar um trabalho acadêmico. Vamos tentar es-

clarecer melhor a importância do método científico. Nosso texto de apoio cita os autores Lakatos

e Marconi, que deram importante contribuições em seus estudos sobre metodologia científica.

Eles nos ajudam a compreender melhor ainda o conceito de método, dividindo-o em quatro etapas:
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A OBSERVA•°O:
Etapa inicial em que hø o cumprimento dos questionamentos sobre
o fato e ou objeto estudado, ocorrendo a formula≈¡o da hip—tese,
possÀvel elucida≈¡o para a quest¡o

EXPERIMENTA•°O:
O pesquisador realiza experi»ncias tentando verificar
fundamenta≈¡o de sua hip—tese;

INTERPRETA•°O DOS RESULTADOS:


Ocasi¡o que o pesquisador explana os resultados da pesquisa;

CONCLUS°O:
Anølise final sobre o fen“meno observado.

Esta definição é apenas uma das muitas que existem sobre as possibilidades de definir o que são

métodos, embora bastante eficaz. Deve-se ressaltar que não existe tempo para cada fase, pois

depende da complexidade de cada pesquisa.

Nesse gráfico vemos como o método se inicia na observação, sua etapa inicial, onde se determina

o objeto a ser estudado e onde se formulam as primeiras hipóteses. A seguir passamos pela expe-

46
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

rimentação, onde são realizadas as experiências que tentam validar a hipótese. O passo seguinte

é a interpretação e análise detalhada dos resultados, e por fim a conclusão, ocorrendo a análise

final, comprovando ou não a hipótese inicial. Vamos ver agora um pouco sobre a origem do méto-

"
do científico. Vamos ler o texto de Carlos Alberto Ávila Araújo, com o título, “A ciência como forma

de conhecimento”:

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A necessidade do homem de uma compreensão mais apro-

fundada do mundo, bem como a necessidade de precisão para

a troca de informações, acaba levando à elaboração de siste-

mas mais estruturados de organização do conhecimento. Gé-

rard Fourez destaca que, no início, os homens se comunicavam

a partir de uma linguagem que utilizava um código restrito,

em que os objetos do mundo são descritos sem uma preocu-

pação com o alcance das descrições – não havendo, pois, uma

reflexão elaborada. É a linguagem do dia-a-dia, "útil na prática

e que não leva adiante todas as distinções que se poderia fazer

para aprofundar o meu pensamento" (Fourez, 1995: 18).

Mas, com o tempo, passaram a desenvolver um código "elabo-

rado", com o objetivo de tornar as noções mais precisas e sis-

tematizar os campos de conhecimento. Aqui se tem a origem

dos "conceitos", noção fundamental para a formação dos cam-

pos disciplinares. De acordo com outro autor, "a ciência tem as

suas origens nas necessidades de conhecer e compreender (ou

explicar), isto é, nas necessidades cognitivas" (Maslow, 1979: 206).

De um conhecimento difuso, espalhado, assistemático e de-

sorganizado, passa-se a um trabalho de arranjo segundo certas

relações, de disposição metódica. Esse processo é fundamental

para a composição de campos específicos do conhecimento.

Michel Serres (1989), no tratado que organiza sobre a história da

ciência, apresenta as principais eras científicas ou do conheci-

mento, isto é, eras marcadas por uma grande sistematização

47
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

dos conhecimentos: a Matemática no Egito Antigo e Mesopo-

tâmia, a Grécia Clássica, a Intermediação Árabe, a Teologia da

Idade Média e a Ciência Moderna (que, em sentido estrito, é a

única forma de conhecimento que realmente pode ser classifi-

cada como "científica").


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Embora se possa dizer que "não existe um 'lugar de nascimen-

to' daquela realidade histórica complicada que hoje chama-

mos de ciência moderna" (Rossi, 2001: 09), uma vez que a nova

forma de conhecimento é fruto do trabalho de autores de di-

versas nacionalidades e contextos, existe uma força de agre-

gação do projeto científico que é sua orientação marcada pelo

racionalismo de Descartes e pelo empirismo de Bacon e Galilei

(Lara, 1986).

AVILA ARAUJO, Carlos Alberto. A ciência como forma de co-


nhecimento. Science as a kind of knowledge. Ciênc. cogn. [on-
line], v. 8 [citado 2019-09-30], p. 127-142, 2006. Disponível em:
h tt p : //p e p s i c . bvs a l u d .o rg /s c i e l o. p h p? s c ri p t = s c i _a r ttex t& p i -
d=S1806-58212006000200014&lng=pt&nrm=iso. ISSN: 1806-5821.

"
Como disse o autor, embora seja difícil precisar o nascimento da ciência moderna com o seu filho

predileto, o método científico, a maioria dos autores – no entanto não sem contestações – aponta

o fim do medievo e o início da idade moderna para tais eventos.

Segundo os pensadores que concordam com essa ideia, a argumentação é que a modernidade

valorizou a experimentação e a observação, além do raciocínio como caminho legítimo para che-

gar ao conhecimento científico. Este tipo de pensamento moderno provocava uma ruptura com

o pensamento medieval, em que o paradigma dominante não considerava a observação humana

como possível, uma vez que o conhecimento perfeito pertencia e era dado somente por Deus, por

meio da revelação.

48
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

A imagem é um símbolo desse

período, em que os cientistas são

aqueles pensadores engajados no

processo de formulação de uma

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nova forma de ver o mundo.

Uma imagem retratando Galileu. FONTE: Shutterstock

Os cientistas são os primeiros a se agruparem; no período a sociedades científicas pouco a pouco

ocupam o lugar que antes pertenciam aos escolásticos medievais. Aliás, a consolidação desta

nova forma de ver o mundo e fazer ciência só é possível pela consolidação destas instituições e

comunidades científicas estáveis e independentes.

Veja abaixo alguns nomes do período e suas obras:

RENÉ DESCARTES GALILEO GALILEI FRANCIS BACON


» Método dedutivo » Experimentação » Indução experimental

» Obra: » Obra: » Obra:


"O Discurso do Método" "Diálogo sobre os Dois Prin- "Novum Organum"
cipais Sistemas do Mundo"

49
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

Em nosso texto base, o autor cita estes três pensadores e explica a causa disso:

Ao apontar o surgimento do método científico no século XV, Gressler não descarta que, desde

a idade antiga, já houvesse habilidades e preocupações com uma linguagem técnica e uma ar-

gumentação lógica fundamentada na razão – como bem demonstra, por exemplo, a geometria

desenvolvida pelos gregos. Contudo, a autora particulariza o projeto científico como uma forma

específica de conhecer a realidade desenvolvida com a contribuição de uma série de persona-


"
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gens, destacando-se sobretudo três:

A necessidade de se ter fundamentos sobre o processo de in-

vestigação e sobre a certeza dos resultados despertou o inte-

resse de pensadores, já no início do século XVI, em três povos

distintos do Ocidente. Na França, René Descartes pautou sua

defesa no método dedutivo; na Inglaterra, o grande teoriza-

dor da experimentação, Francis Bacon, deu uma configuração

doutrinária à indução experimental, procurando ensinar al-

guns métodos rudimentares de observação e apontamentos

e na Itália, Galileu Galilei, preocupado em instituir um pensa-

mento baseado na experimentação, resolveu pôr à prova al-

guns ensinamentos de Aristóteles. (Gressler, 2003: 28).

FONTE: AVILA ARAUJO, Carlos Alberto. A ciência como for-


ma de conhecimento. Science as a kind of knowledge. Ciênc.
cogn. [online], v. 8 [citado 2019-09-30], p. 127-142, 2006. Disponí-
vel em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S1806-58212006000200014&lng=pt&nrm=iso. ISSN: 1806-5821.

"
Como podemos ver, no texto e na figura a base para situar o nascimento da ciência moderna e

do método científico no período pós-medievo baseia-se sobretudo no trabalho destes grandes

homens da ciência.

Para finalizarmos, veja a charge abaixo: ela mostra Galileu Galilei que teve sérios problemas com a

igreja por causa de suas teorias. Após comprovar a teoria heliocêntrica, ele foi submetido a julga-

mento pela inquisição de Roma, em 1633, sendo obrigado a se retratar publicamente por afirmar

50
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

a existência do movimento de rotação da terra em torno do sol. Após se retratar, teria dito em

voz baixa: “eppur si move” (“mas ela se move”). Este foi um dos lemas da revolução científica e do

pensamento científico.

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FONTE: http://formatempoeespaco.blogspot.com/2010/01/humor.html

51
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

RESUMO:
Nesta unidade vimos como o método científico surgiu, e como suas premissas ainda

são as bases para o conhecimento atual.

A importância para a humanidade é sem paralelos em nossa história. Inúmeras desco-


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

bertas nos mais variados campos, da medicina a astronomia passando pelas revoluções

tecnológicas, melhoraram a vida de bilhões de pessoas.

O grande perigo que a ciência corre é quando sistemas religiosos ou políticos a im-

pedem de progredir. Este método científico continua sendo a base também para os

trabalhos científicos.

52
UNIDADE 4 :
CIÊNCIA E MÉTODO CIENTÍFICO

REFERÊNCIA:
Referência Bibliográfica

Livro digital

AVILA ARAUJO, Carlos Alberto. A ciência como forma de conhecimento. Scien-

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
ce as a kind of knowledge. Ciênc. cogn. [online], v. 8 [citado 2019-09-30], p. 127-142,

2006. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi-

d=S1806-58212006000200014&lng=pt&nrm=iso. ISSN: 1806-5821.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia

Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

53
5 O MÉTODO DIALÉTICO E
SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

Olá! Sejam bem-vindos a mais uma unidade de ensino.

Vamos estudar nesta unidade sobre a importância da dialética, tanto para nossos trabalhos cien-

tíficos quanto para nossas atividades profissionais. Tentaremos compreender como o método

dialético permite entendermos a realidade de uma maneira diferente e desafiadora.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

Procuraremos de início trazer algumas definições necessárias para seguirmos com nosso conteúdo.

"
Em nossa bibliografia citamos o trabalho de Lakatos e Marconi como sendo base para nosso es-

tudo. Vamos utilizá-lo para dar uma definição de dialética:

Ao contrário da metafísica, que concebe o mundo como um

conjunto de coisas estáticas, a dialética o compreende como

um conjunto de processos.

Para Engels (POLITZER, 1979, p. 214), a dialética é a “grande

ideia fundamental segundo a qual o mundo não deve ser con-

siderado como um complexo de coisas acabadas, mas como

um complexo de processos em que as coisas, na aparência es-

táveis, do mesmo modo que os seus reflexos intelectuais no

nosso cérebro, as ideias, passam por uma mudança ininterrup-

ta de devir e decadência, em que, finalmente, apesar de todos

os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos, um de-

senvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje”. (LAKATOS;

MARCONI, 1988, p. 100)

"
Devemos nos lembrar que dialética é uma palavra grega que significa “arte do diálogo”, “arte de

debater”, “de persuadir ou raciocinar”. É um método de diálogo cujo foco é a contraposição de

ideias, e tem sido fundamental na discussão das ciências desde tempos pré-socráticos.

A dialética se propõe a entender um mundo em mudanças, contraditório, e que avança atra-

vés destas mesmas contradições. O método que estamos estudando reconhece como é difícil a

56
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

apreensão da realidade, de forma objetiva. Para isso, desenvolveu três noções importantes para

conseguir tal objetivo: totalidade, mudança e contradição.

TOTALIDADE
A realidade estø totalmente interdependente e
interrelacionada com os fatos e fen“menos que a constitui.

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MUDANÇA
Tanto a natureza quanto a sociedade vivem em mudan≈a
contÀnua, tanto quantitativa como qualitativamente.

CONTRADIÇÃO
Todas as rela≈”es ocorrem num processo de conflitos que
acabam por gerar novas situa≈”es sociais.
A contradi≈¡o « o motor dessas mudan≈as que s¡o constantes e
pertencentes æ pr—pria realidade dos fen“menos

A contradição existe por que a nossa realidade é feita de contrários, ou seja, a toda mudança ou

ruptura, uma nova contradição se faz presente. Esta contradição está na base da dinâmica das

sociedades e da própria ciência. Ou seja, a contradição é o motor da história.

Mas como se dariam essas contradições? Segundo alguns autores, ela viria do movimento des-

crito abaixo:

A tese seria uma afirmação,

a antítese uma afirmação contrária, e

a síntese o resultado dessa contradição.

57
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

A síntese, embora contenha elementos das duas situações anteriores, é algo de natureza diferen-

te. Quando a síntese se afirma, ela mesma se torna uma tese, surgindo nova antítese e uma nova

síntese, num movimento que nunca tem fim. Ou seja, em um movimento dialético.

!
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DIALÉTICA
É uma possibilidade de debater as ideias em

um ambiente onde elas são levadas a uma

discussão e esta a uma contraposição (tese

– antítese) cujo objetivo é de formular uma

conclusão final (síntese).

A dialética é a história do pensamento humano e de suas contradições. Ao criar um moto-contí-

nuo, ela possibilita que novas realidades sejam sempre criadas, que uma realidade seja substitu-

ída por outra, mesmo a custo elevado.

"
Vamos ler um texto de um dos que pensaram este método de uma maneira completamente

nova. Trata-se do filósofo Karl Marx:

“na produção social da sua vida, os homens contraem determi-

nadas relações necessárias e independentes da sua vontade,

relações de produção que correspondem a uma determinada

fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais.

O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura

econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta

a superestrutura jurídica e política e à qual correspondem de-

terminadas formas de consciência social. O modo de produção

da vida material condiciona o processo da vida social, política

e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que de-

termina o seu ser, mas pelo contrário, o seu ser social é que

determina a sua consciência” (MARX, K. Prefácio à Crítica da

economia política. In. MARX, K. ENGELS F. Textos 3. São Paulo.

Edições Sociais, 1977 (adaptado).

58
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

Vamos ver um exemplo disso que Marx afirma sobre as relações de produção em um movimento

dialético:

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Vemos como a dialética foi aplicada através das forças de produção: o feudalismo era um sistema

baseado no trabalho servil, em que praticamente não existiam moedas circulantes. Aos poucos

uma nova classe de viajantes se estabelecia nos burgos e vivia do comércio e prestação de servi-

ços. Com o tempo os burgos foram crescendo e o trabalho assalariado virando norma. Os burgos

cresceram e o seus habitantes foram chamados de burgueses, os novos ricos da idade moderna

e do nascente capitalismo.

Ou seja:

o feudalismo era o sistema dominante (tese),

e dentro de seu interior nasceu sua própria contradição, a burguesia (antítese),

que levou ao seu fim e ao início de um novo sistema, o capitalismo (síntese).

!
LEMBRE-SE:

A dialética não é apenas um método científi-

co para se provar uma hipótese.

É uma percepção do homem, da sociedade e

da relação homem-mundo.

59
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

Do mesmo modo que aplicada às relações sociais, a dialética invadiu as ciências, a produção cien-

tífica, as pesquisas etc.

Por isso hoje falamos de método dialético, muito utilizado por pesquisadores de todas as áreas. O

método dialético se propõe a adentrar no universo dos fenômenos por meio da contradição que,

como vimos, é inerente a todo fenômeno. Esta contínua contradição resulta em mudança dialé-
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

tica tanto na sociedade quanto na natureza.

O universo é um conjunto de processos. Toda análise deve ser feita através de fenômenos em

contínuo movimento e não de objetos fixos. Não existem objetos isolados, mas todos são parte

de uma totalidade. O saber científico organiza-se por meio de contradições (ou, como vimos, te-

se-antítese), que transformam todas as coisas em uma mudança dialética.

Vamos ver o que Lakatos e Marconi contribuem para nossos estudos:

!
Os diferentes autores que interpretaram a dialé-

tica materialista não estão de acordo quanto ao

número de leis fundamentais do método dialé-

tico: alguns apontam três, e outros, quatro.

Quanto à denominação e à ordem de apre-

sentação, estas também variam. Numa ten-

tativa de unificação, diríamos que as quatro

leis fundamentais são:

A) AÇÃO RECÍPROCA,

unidade polar ou “tudo se relaciona”;

B) MUDANÇA DIALÉTICA,

negação da negação ou “tudo se transforma”;

C) PASSAGEM DA QUANTIDADE À QUALIDADE

ou mudança qualitativa;

D) INTERPENETRAÇÃO DOS CONTRÁRIOS,

contradição ou luta dos contrários.

60
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

A dialética representa a realidade em movimento, propondo que se pense além das aparências. A

mudança é uma possibilidade real, tanto nas estruturas sociais como no conhecimento científi-

co. O método dialético procura sempre uma análise crítica da realidade, pois procura entender o

funcionamento e as contradições de qualquer fenômeno. O método dialético não se satisfaz com

as soluções dadas como absolutas, como naturalizadas e como respostas prontas. A ciência que

abre portas para percorrer o caminho dialético permite ao homem ver o mundo por outra lente.

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Concluindo, vamos citar novamente Lakatos e Marconi, que falam sobre a contradição, presente

no método dialético:

"
Estudando-se a contradição como princípio do desenvolvimento, é possível destacar seus princi-

pais caracteres:

A) A CONTRADIÇÃO É INTERNA:

Toda realidade é movimento e não há movimento que não seja

consequência de uma luta de contrários, de sua contradição

interna, isto é, essência do movimento considerado e não exte-

rior a ele. Exemplo: a planta surge da semente e o seu apareci-

mento implica o desaparecimento da semente. Isto acontece

com toda a realidade: se ela muda, é por ser, em essência, algo

diferente dela. As contradições internas é que geram o movi-

mento e o desenvolvimento das coisas;

B) A CONTRADIÇÃO É INOVADORA:

não basta constatar o caráter interno da contradição. É neces-

sário, ainda, frisar que essa contradição é a luta entre o velho

e o novo, entre o que morre e o que nasce, entre o que perece

e o que se desenvolve. Exemplo: é na criança e contra ela que

cresce o adolescente; é no adolescente e contra ele que ama-

durece o adulto. Não há vitória sem luta. “O dialético sabe que,

onde se desenvolve uma contradição, lá está a fecundidade, lá

está a presença do novo, a promessa de sua vitória” (POLITZER

et al., s.d., p. 74);

61
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

C) UNIDADE DOS CONTRÁRIOS:

A contradição encerra dois termos que se opõem: para isso, é

preciso que seja uma unidade, a unidade dos contrários. Exem-

plos: existe, em um dia, um período de luz e um período de

escuridão. Pode ser um dia de 12 horas e uma noite de 12 horas.

Portanto, dia e noite são dois opostos que se excluem entre si,
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

que não importa que sejam iguais e constituam as duas par-

tes de um mesmo dia de 24 horas. Por sua vez, na natureza

existem o repouso e o movimento, que são contrários entre

si. Para o físico, entretanto, o repouso é uma espécie de movi-

mento e, reciprocamente, o movimento pode ser considerado

como uma espécie de repouso. Portanto, existe unidade entre

os contrários, apresentando-os em sua unidade indissolúvel.

(LAKATOS; MARCONI, 2010, p. 105)

"

62
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

RESUMO:
Vimos nesta unidade a importância do método dialético, tanto para a compreensão da

realidade quanto para a utilização em nossas pesquisas.

Estudamos como a dialética pode ser fundamental para a compreensão do mundo.

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
A dialética atua pela lei dos contrários, ou seja, pela afirmação (tese) pela negação da

afirmação (antítese) e pela síntese, resultado final.

63
UNIDADE 5 :
O MÉTODO DIALÉTICO E SUAS POSSIBILIDADES REFLEXIVAS

REFERÊNCIA:
Livro digital

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia

Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

ZAGO, Luis Henrique. O método dialético e a análise do real. Kriterion [online], 2013, v.

54, n. 127 [cited 2019-09-30], p. 109-124. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?s-

cript=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000100006&lng=en&nrm=iso. ISSN: 0100-512X.

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-512X2013000100006.

64
6 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE
E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Olá! Bem-vindos a mais uma unidade de ensino.

Vamos passar a estudar a partir de agora os elementos necessários para a elaboração de um tra-

balho de pesquisa bem realizado e dentro das normas de pesquisas.

A primeira etapa de nosso trabalho é exatamente o início de qualquer atividade científica: a leitura.
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

Vamos estudar a importância da leitura da análise e da interpretação de textos, e como isso é im-

portante para a pesquisa científica. Entenderemos que compreender o que se lê através de uma

análise crítica é fundamental para a realização de seu trabalho acadêmico. A leitura é o início de

todo trabalho científico, pois separar o que será lido, fichar e citar as fontes corretamente é que

farão seu trabalho ter a aprovação necessária.

De início vamos ressaltar a importância de se criar o hábito de ler. A sua atração pela leitura será

capaz de ampliar significativamente seus conhecimentos e aumentará a possiblidade de seu

trabalho ser bem realizado.

Outra dica importante: selecione bem o seu material bibliográfico, ou seja, o que realmente é im-

portante para a realização de seu trabalho. Por fim, após a leitura, a parte mais crucial: ser capaz

de compreender e reproduzir o que foi lido.

!
IMPORTANTE:

A leitura, somente terá sentido se você con-

seguir, além de compreender e discutir seu

conteúdo. Além disso o domínio do vocabu-

lário é de fundamental importância para se

compreender o texto, portanto tenha em

mãos um bom dicionário.

66
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Outro fator fundamental é o ambiente da leitura. Procure locais silenciosos, arejados e ilumina-

dos. Isso é fundamental para uma boa leitura e sua compreensão.

COMPREENS°O
DO QUE FOI LIDO

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
LEITURA

AMBIENTE SABER DISCUTIR


ADEQUADO O QUE FOI LIDO

Este gráfico ilustra bem o que se entende por uma leitura eficaz. Além disso, um bom leitor de-

ve-se lembrar de uma coisa:

NÃO É SUFICIENTE SER ALFABETIZADO PARA REALMENTE SABER LER.

O cuidado com as palavras e seus significados, a leitura atenta para que não passe nada desaper-

cebido, a atenção voltada somente para a leitura são alguns dos requisitos de um bom leitor. A

leitura rápida quase sempre é sinônimo de leitura malfeita.

As novas possibilidades tecnológicas trouxeram a possiblidade de uma leitura diversificada e até

mesmo interativa. Mas isso também trouxe uma responsabilidade:

É NECESSÁRIO LER E LER BEM PARA ACOMPANHAR ESTE MUNDO CADA


DIA MAIS INOVADOR.

67
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

A leitura é seu guia para aumentar seus conhecimentos e permitir a reflexão necessária sobre o mundo.

!
UMA BOA DICA:

Para se iniciar um livro, uma leitura de reco-


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

nhecimento é necessária, isto é, deve-se exa-

minar sumariamente o livro que parece ade-

quar ao seu trabalho.

Além do título, nome do autor, sua qualifica-

ção, leia também a “orelha” do livro prefácio

etc., até descobrir se este livro merece ter

uma leitura mais atenciosa.

"
Nosso texto de apoio cita os autores Lakatos e Marconi, que são referências na área da metodolo-

gia científica e assim falam sobre uma leitura proveitosa:

Urna leitura deve ser proveitosa e trazer resultados satisfató-

rios. Para tal, alguns aspectos são fundamentais, como estes:

A) ATENÇÃO:

Aplicação cuidadosa e profunda da mente ou do espírito em

determinado objeto, buscando o entendimento, a assimilação

e apreensão dos conteúdos básicos do texto;

B) INTENÇÃO:

Interesse ou propósito de conseguir algum proveito intelectual

por meio da leitura;

C) REFLEXÃO:

Consideração e ponderação sobre o que se lê, observando

68
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

todos os ângulos, tentando descobrir novos pontos de vista,

novas perspectivas e relações; desse modo, favorece-se a as-

similação das ideias do autor, assim como o esclarecimento e

o aperfeiçoamento delas, o que ajuda a aprofundar o conheci-

mento;

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D) ESPÍRITO CRÍTICO:

Avaliação do texto. Implica julgamento, comparação, aprova-

ção ou não, aceitação ou refutação das diferentes colocações

e pontos de vista. Ler com espírito crítico significa fazê-lo com

reflexão, não admitindo ideias sem analisar ou ponderar, pro-

posições sem discutir, nem raciocínio sem examinar; consiste

em emitir juízo de valor, percebendo no texto o bom e o verda-

deiro, da mesma forma que o fraco, o medíocre ou o falso;

E) ANÁLISE:

Divisão do tema em partes, determinação das relações existentes

entre elas, seguidas do entendimento de toda sua organização;

F) SÍNTESE:

Reconstituição das partes decompostas pela análise, proce-

dendo-se ao resumo dos aspectos essenciais, deixando de lado

tudo o que for secundário e acessório, sem perder a sequência

lógica do pensamento.

(LAKATOS; MARCONI, ANO, p. 21)

"
Resumindo, uma leitura de estudo nunca deve ser realizada sem se determinar de antemão seu

objetivo ou propósito, sem entender parte do que se lê (mesmo que seja uma ou outra palavra),

sem avaliar, discutir e aplicar o conhecimento emanado da análise e síntese do texto lido.

69
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Vamos agora abordar as várias fases da leitura, que podem ser assim sintetizadas:

Reconhecimento Explicativa

Explorat—ria LEITURA Interpretativa


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Seletiva CrÀtica

Reflexiva

"
Vamos falar resumidamente de cada uma delas, baseados no estudo de Lakatos e Marconi:

DE RECONHECIMENTO:

Leitura ligeira, com a finalidade de procurar se as informa-

ções nele contidas são interessantes para seu trabalho. “Faz-se

olhando o índice ou sumário, verificando os títulos dos capítu-

los e suas subdivisões”;

EXPLORATÓRIA:

leitura de exploração, procurando as informações, uma vez que

já se tem conhecimento de sua existência. “Parte-se do prin-

cípio de que um capítulo ou tópico trata de assunto que nos

interessa, mas pode omitir o aspecto relacionado diretamente

com o problema que nos preocupa”.

SELETIVA:

visa à seleção dos elementos mais relevantes para seu trabalho. “A

seleção consiste na eliminação do supérfluo e concentração em

informações verdadeiramente pertinentes ao nosso problema”;

70
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

REFLEXIVA:

Aprofunda-se mais a leitura. “Procede-se à identificação das

frases-chave para saber o que o autor afirma e por que o faz”;

CRÍTICA:

“Avalia as informações do autor. Implica saber escolher e dife-

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
renciar as ideias principais das secundárias, hierarquizando-as

pela ordem de importância. O propósito é obter, de um lado,

uma visão sincrética e global do texto e, de outro, descobrir as

intenções do autor”.

INTERPRETATIVA:

“Relaciona as afirmações do autor com os problemas para os quais,

através da leitura de textos, está-se buscando uma solução”.

EXPLICATIVA:

“Leitura com o intuito de verificar os fundamentos de verdade

enfocados pelo autor (geralmente necessária para a redação

de monografias ou teses)”.

"
Após esta leitura atenta, é fundamental que se tenha anotado as ideias principais dos textos lidos,

ou que se tenha marcado o que utilizará em seu texto.

Vamos agora ver uma forma bastante eficaz de recordar as partes mais importantes do que você

leu: trata-se de sublinhar o texto, isto é, traçar uma linha por baixo das ideias mais importantes e

que você poderá usar no futuro.

É importante salientar que se faça a busca criteriosa de palavras-chave no texto que tenham total

relação com seu trabalho para que não criem um emaranhado de palavras sublinhadas e compli-

quem ainda mais o seu trabalho.

71
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Observe o desenho, que resume as etapas para você sublinhar seu texto corretamente:

Leia o texto para se ter uma vis¡o


geral dele.
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Leia novamente, agora analisando o


texto e anotando o que for importante
para seu tema de pesquisa.

Leia novamente, agora sim,


sublinhando o que voc» tem certeza
que serø de ÿtil para seu trabalho.

Vimos que a leitura é parte essencial na elaboração dos trabalhos acadêmicos. É através dela que

adquirimos o conhecimento necessário para a realização dos diversos trabalhos, desde os realiza-

dos durante o curso, como aqueles realizados posteriormente. Ler é parte fundamental da nossa

experiência humana, nos conecta com o mundo e nos prepara para elaboração de qualquer tra-

balho científico.

!
SUGESTÃO:

Capítulo: Como estudar um texto.

MATOS, Henrique Cristiano José. Apren-

da a estudar: orientações metodológicas

para o estudo. Petrópolis: Vozes, 2011.

72
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

RESUMO:
Nesta unidade vimos algumas dicas importantes sobre como deve ser feita a leitura de

um texto, com seus devidos cuidados de atenção, ambiente e como se deve atentar para

suas ideias principais e principalmente aquelas ideias que serão úteis no seu trabalho.

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73
UNIDADE 6 :
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, DA ANÁLISE E DA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

REFERÊNCIA:
Livro digital

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia

Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

URBANO, Cavalcante Filho. ANAIS DO XV CONGRESSO NACIONAL DE LINGUÍSTICA E

FILOLOGIA p. 1721 Cadernos do CNLF, Vol. XV, Nº 5, t. 2. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2011 ES-

TRATÉGIAS DE LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS NA UNIVERSIDADE:

DA DECODIFICAÇÃO À LEITURA CRÍTICA

74
7
A ORGANIZAÇÃO E
DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

Olá! Bem-vindo a mais uma unidade de ensino.

Vamos estudar agora sobre um tema fundamental para a elaboração de trabalhos científicos:

como organizar e documentar a leitura (Esquemas, Fichamentos, Resumos eResenhas).

Além desses tópicos veremos um tema sem qual seu trabalho perde totalmente o valor: a lingua-
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

gem científica!

!
RESUMINDO:

Vamos compreender a importância da or-

ganização documental para a realização da

pesquisa científica.

Um fato comum no meio estudantil é que a maioria absoluta de estudantes possui facilidade de

articular suas ideias e até expô-las de modo oral. Mas quando precisam colocá-las no papel, a di-

ficuldade é enorme, ainda mais quando precisam utilizar a linguagem científica.

Esta unidade tem como objetivo exatamente proporcionar uma compreensão de como fazer uso

desta linguagem, a partir da organização e documentação de suas leituras.

De início devemos observar que a linguagem científica deve ser objetiva e clara, sem aquelas

palavras ditas sofisticadas, além do uso de gírias. As palavras banais também devem ser evitadas.

!
NÃO SE ESQUEÇA:

O uso da impessoalidade é fundamental,

além de uma linguagem clara e objetiva.

Evite elogios, críticas sem fundamentos ou

baseadas em crenças, bem como parágrafos

longos e supérfluos e repetição de palavras.

76
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

"
Lakatos e Marconi, falando sobre o uso da linguagem, afirmam que:

A comunicação, como outro qualquer trabalho científico, exige

rigor no uso da linguagem, obedecendo às normas básicas de

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
conduta da redação.

O significado das palavras empregadas no texto deve ser cla-

ro, preciso, não deixando margem a dúvidas. As divergências

relativas a palavras ou expressões com significados diferentes,

com algumas teorias ou áreas científicas, devem ser esclareci-

das, a fim de evitar erros de interpretação. É, pois, de suma im-

portância a definição de alguns termos, dando a eles seu exato

significado. Para evitá-los, aconselha Rudio (1978:23): "Procura-

-se, na ciência, fazer a comunicação na base dos significados e

dos referentes e não apenas da própria palavra." O processo de

comunicação só é eficaz à medida que ajuda o leitor ou ouvin-

te a entender o que leu ou viu, a compreender aquilo que se

deseja transmitir. Salomon (1999:245) apresenta alguns requi-

sitos básicos próprios da divulgação científica:

a) exatidão;

b) clareza;

c) simplicidade;

d) correção gramatical;

e) linguagem objetiva e estilo direto;

t) equilíbrio na disposição e tamanho das partes;

g) emprego da linguagem técnica necessária, evitando-se o

preciosismo e a pretensão;

h) apresentação dos recursos técnicos da redação para que

a apresentação atinja melhor seu fim".

Robert Barras (1979:31-33) afirma que, em primeiro lugar, há

necessidade de levar em consideração as necessidades do lei-

77
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

tor, e acrescenta alguns itens:

A) IMPARCIALIDADE:

O autor deve indicar como, quando e onde obteve os dados

de que se valeu e especificar as limitações do trabalho. Dei-

xar explícito os pressupostos de sua argumentação;


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

B) ORDEM:

A informação e as ideias devem ser apresentadas numa or-

dem lógica para melhor compreensão;

C) ACUIDADE:

Cuidado nas observações, precisão das mensurações e de

atenção no registro das observações medidas. Cada experi-

mento pode ser passivo de reprodução e cada conclusão deve

ser passível de verificação. Acuidade e clareza dependem de

meticulosa escolha de palavras e de seu precioso emprego.

De modo geral, a ciência vale-se das palavras que deseja para

revelar um pensamento ou apresentar algum aspecto da re-

alidade, utilizando-as tanto para elaboração do pensamento

quanto para a comunicação.

!
"
IMPORTANTE:

Vamos resumir o que o autor entende como

sendo os “requisitos básicos próprios da di-

vulgação científica”:

78
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

EXATIDÃO

RECURSOS
TÉCNICOS
CLAREZA

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
LINGUAGEM ESCRITA
CIENTÍFICA
SIMPLICIDADE
TÉCNICA

CORREÇÃO
EQUILÍBRIO
GRAMATICAL

OBJETIVIDADE

Tenha sempre em mente estes itens quando for realizar a sua escrita científica. Caso necessário,

tenha sempre em mãos o desenho acima para que seu texto seja objetivo e claro.

Vamos agora passar a definir alguns de exemplos e formas de documentar a sua leitura, através

de esquemas, fichamentos, resumos e resenhas.

79
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

O ESQUEMA
O esquema é uma síntese de algo mais complexo e organizado. É uma versão simplificada de

algo mais complexo, um roteiro do que foi lido de forma resumida. Vem de uma palavra grega

que significa figura ou forma.

O esquema procura identificar os tópicos essenciais do texto, para permitir uma visualização
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

completa dele, tornando-se uma das melhores formas de compreendê-lo. Evidentemente, uma

boa leitura é fundamental para se compreender o texto e ao mesmo tempo estabelecer uma hie-

rarquia em relação às ideias e temas principais.

É importante que um esquema contenha as ideias do autor e os detalhes mais importantes. Não é

permitido, de forma alguma, mudar as ideias do autor, devendo manter a integridade do texto original.

!
IMPORTANTE:

O objetivo do esquema é auxiliar em seu

estudo, por isso ele é flexível, cabendo você

adaptá-lo às suas funcionalidades.

Um esquema pode ter várias formas, tais como:

» Organograma

» Gráfico

» Desenhos

» Traços etc.

Marconi e Lakatos (ANO, p. 25), falando sobre a elaboração do esquema afirmam que ela “funda-

menta-se na hierarquia das palavras, frase e parágrafos-chave que, destacados após várias leituras,

devem apresentar ligações entre as ideias sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido”.

80
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

Vamos tentar resumir:

COMPREENDER
O TEMA

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
USAR
SIMPLICIDADE SUBORDINAR
E CLAREZA IDEIAS
E FATOS

ESQUEMA

SER FIEL AO SISTEMATIZAR


TEXTO ORIGINAL SUAS
OBSERVAÇÕES

Dentre os vários tipos de esquema, podemos citar alguns como os mais utilizados:

» Esquema numérico: 1; 1.1; 2; 2.1 ...

» Chaves { }

» Seta de chamada

81
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

RESUMOS "
Marconi e Lakatos trazem uma interessante definição de resumo. Vejamos:

Um resumo consiste na capacidade de condensação de um

texto, parágrafo, frase, reduzindo-o a seus elementos de maior


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

importância. Diferente do esquema, o resumo forma parágra-

fos com sentido completo: não indica apenas os tópicos, mas

condensa sua apresentação. Por último, o resumo facilita o tra-

balho de captar, analisar, relacionar, fixar e integrar aquilo que

se está estudando, e serve para expor o assunto, inclusive em

uma prova (MARCONI; LAKATOS, ANO, p. 25).

Segundo Lakatos e Marconi (p. 68),

“os resumos são instrumentos obrigatórios de trabalho através

dos quais se podem selecionar obras que merecem a leitura

do texto completo... o resumo é a apresentação concisa e fre-

quentemente seletiva do texto, destacando-se os elementos

de maior interesse e importância, isto é, as principais ideias do

autor da obra”. Segundo a NBR 6028, o resumo é a “apresenta-

ção concisa dos pontos relevantes de um documento” (ABNT,

2003, p. 1).

"
O resumo distingue-se do esquema, pois é formado por frases que oferecem sentido completo;

já o esquema indica somente os tópicos. Isto significa que resumir é apresentar o que foi longa-

mente descrito de forma reduzida, sintetizada com uma ampla visão de conjunto.

O objetivo principal do resumo é fornecer determinadas informações contidas em alguma obra,

possibilitando ao que se quer ler, se deve ou não consultar a obra toda.

82
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

"
Ainda segundo Lakatos e Marconi (ANO, p. 68), o caráter de um resumo depende de seus objetivos:

apresentar um sumário narrativo das partes mais significati-

vas, não dispensando a leitura do texto; condensação do conte-

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
údo, expondo ao mesmo tempo tanto as finalidades e metodo-

logia quanto os resultados obtidos e as conclusões da autoria,

permitindo a utilização em trabalhos científicos e dispensan-

do, portanto, a leitura posterior do texto original; análise inter-

pretativa de um documento, criticando os diferentes aspectos

inerentes ao texto.

!
IMPORTANTE:
"
Resumir significa sintetizar as ideias do au-

tor. Aqui não é possível fazer comentários ou

avaliações do texto, também não significa

reproduzir frases do texto original: resuma o

conteúdo, sendo fiel ao texto, mas com suas

próprias palavras.

Resumir não é copiar as frases do texto ori-

ginal, inventando um ajuntamento de partes

do texto; temos que exprimir, com as nossas

palavras, as ideias centrais da obra.

Resumir é uma tarefa complicada. Por isso, é necessário compreender o conteúdo total, o que

somente será possível após uma leitura atenta de todo o texto. Para concluir, veja abaixo os prin-

cipais tipos de resumo e sua breve descrição.

83
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

INFORMATIVO : CR´TICO : DESCRITIVO :

Informa ao leitor finalidades, Apresenta o mesmo do Apresenta apenas as ideias


metodologia, resultados e informativo. principais do texto
conclusões do documento, Porém além de emitir as idéias
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de tal forma que este possa, centrais do autor, apresenta


inclusive, dispensar a suas opiniões e comentários
consulta ao original sobre o texto.

(ABNT, 2003, p. 1).

FICHAMENTOS
Este é um artifício empregado na organização de informações da pesquisa de documentos. Seu

principal objetivo é arquivar as informações necessárias para seu trabalho e facilitar a busca e

identificação dos textos e obras. O fichamento é um importante recurso para auxiliar em traba-

lhos de pesquisa, pois as fichas propiciam maior rapidez para achar as anotações necessárias so-

bre qualquer assunto. Hoje em dia, com uso do computador, pode-se armazenar seu fichamento

e achá-lo de maneira mais fácil ainda, acessando as informações necessárias quando for elaborar

seu trabalho.

Lakatos e Marconi assim descrevem o fichamento:


"
À medida que o pesquisador tem em mãos as fontes de refe-

rência, deve transcrever os dados em fichas, com o máximo de

exatidão e cuidado. A ficha, sendo de fácil manipulação, per-

mite a ordenação do assunto, ocupa pouco espaço e pode ser

transportada de um lugar para outro. Até certo ponto, leva o

indivíduo a pôr ordem no seu material. Possibilita ainda uma

seleção constante da documentação e de seu ordenamento.

84
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

Em face do exposto, deve-se tentar convencer o aluno da im-

portância, necessidade e utilidade das fichas, principalmente

por facilitar o desenvolvimento das atividades acadêmicas e

profissionais. (LAKATOS; MARCONI, 2010 p. 48)

"

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!
IMPORTANTE:

O fichamento possibilita a ordenação do ma-

terial principal para a realização do trabalho

científico, além de facilitar a procura do que

foi selecionado.

Vamos ver agora os tipos de fichamentos com alguns exemplos. Ainda segundo os autores Laka-

tos e Marconi (ANO, p. 66), os fichamentos podem ser dos seguintes tipos:

A) COMENTÁRIO:
Explicitação do conteúdo, para sua melhor compreensão.

B) INFORMAÇÃO GERAL:

Enfoque mais amplo sobre o conteúdo geral.

C) GLOSA:

Explicitação ou interpretação de um texto obscuro para tomá-lo mais claro.

D) RESUMO:

Síntese bem clara e concisa das ideias principais ou resumo dos aspectos essenciais.

E) CITAÇÕES:

Reprodução fiel de palavras ou trechos considerados relevantes e que deverão ser coloca-

dos entre aspas, devido à sua importância em relação ao estudo em pauta.

85
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

A seguir veremos um exemplo de cada, que poderá lhe auxiliar em seus futuros fichamentos.

A) FICHA DE COMENTÁRIO :

GUARDIANO, Paschoa Baldassari. Uma leitura de São Bernardo; a exortação litótica.

Franca: UNESP 119771.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

Descreve um aspecto do discurso narrativo de grande interesse: o estudo da enunciação e

do enunciado em obras narradas em primeira pessoa. O ponto alto, porém, é a validação

da retórica estrutural como instrumento adequado para o estudo das personagens e das

situações em que elas atuam. É por intermédio da retórica que a A. chega a estabelecer as

homologias estruturais da narrativa e a visão do mundo humanista do autor.

B) FICHA DE INFORMAÇÃO GERAL:

GUARDIANO, Paschoa Baldassari. Uma leitura de São Bernardo; a exortação litótica.

Franca: UNESP 119771.

A obra é resultado de pesquisas visando à elaboração de tese de doutoramento em Letras,

na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e Ciências Humanas da USP. Obra didática e

necessariamente erudita; destina-se aos interessados em Literatura e Teoria Literária. Vale-

-se, como apoio metodológico e fundamentação teórica, do Estruturalismo Genérico de L.

Goldmann e do Estruturalismo Linguístico. A obra visa à descrição e à interpretação de São

Bernardo, romance de Graciliano Ramos, podendo servir como modelo a análises similares.

Foi editada pela UNESP, Campus de Franca, em 1977, na série Teses e Monografias.

C) FICHA DE GLOSA

GUARDIANO, Paschoa Baldassari. Uma leitura de São Bernardo; a exortação litótica.

Franca: UNESP 119771.

Leitura, termo utilizado no título da obra não é o ato de ler; é termo específico de Teoria da

Literatura; significa descrever um texto particular, uma obra existente, utilizando os instru-

mentos elaborados pela Poética – toda teoria interna da Literatura – para evidenciar sua sig-

nificação. Assim, a leitura de São Bernardo significa a descrição da estrutura de São Bernardo.

86
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

D) FICHA DE RESUMO

GUARDIANO, Paschoa Baldassari. Uma leitura de São Bernardo; a exortação litótica.

Franca: UNESP 119771.

Objetiva descrever a construção do discurso narrativo de São Bernardo; explicitando as

unidades narrativas e os princípios de coesão que fundamentam o romance, a A. examina

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mecanismos de verossimilhança e o sistema de motivações para revelar os procedimentos

indiciais e as funções das personagens. Encontrando na retórica o instrumento adequado

para desvendar a significação do texto – a palavra crítica, invariante temática de Graciliano

Ramos – opõe, como conclusão, a reificação humana existente na sociedade brasileira à

visão do mundo humanista proposta pelo narrador.

E) FICHA DE CITAÇÕES

GUARDIANO, Paschoa Baldassari. Uma leitura de São Bernardo; a exortação litótica.

Franca: UNESP 119771.

Da obra:

“O valor final encontrado é a medida do julgamento dessa ideologia; incomunicabilida-

de, solidão e infelicidade foram, de fato, os resultados de sua busca”. p. 127

“O futuro do homem brasileiro, presumimos, sua autorrealização, dependerá do conhe-

cimento de suas próprias limitações e da real tentativa de superá-las mediante uma fun-

damentação ideológica que não perca de vista os melhoramentos essenciais do ser hu-

mano: a comunicabilidade e a solidariedade”. p. 173.

87
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

RESENHA
É um tipo de resumo crítico, porém com maior abrangência. A resenha, além de reduzir o texto,

possibilita a inclusão de opiniões e comentários. É possível também incluir julgamentos de valor,

comparando-a com outras obras do mesmo gênero. As resenhas normalmente são publicadas em

periódicos, com o objetivo de divulgar as ideias básicas do autor. O resenhista deve ter grande co-

nhecimento do assunto.
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

!
IMPORTANTE:

A resenha é uma espécie de resumo crítico!

Constitui-se em um excerto que compara o

texto com mais obras da mesma área, permi-

tindo comentários e juízo de valor.

88
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

RESUMO:
Vimos nesta unidade como devemos trabalhar para que nossa pesquisa seja organizada

e documentada.

Vimos que a linguagem científica tem seus pressupostos e suas regras para que esta

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
redação seja realizada de forma clara, precisa e objetiva.

Vimos também como podemos utilizar o esquema, o fichamento, a resenha e o resumo,

que poderão nos auxiliar enormemente na produção de nosso texto científico.

89
UNIDADE 7 :
A ORGANIZAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DA LEITURA

REFERÊNCIA:
Livro digital

ANDRADE, M. M. Técnicas para elaboração dos trabalhos de graduação. In: ______. In-

trodução à metodologia do trabalho científico. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 25-38.
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Pesquisa bibliográfica. In: ______. Metodologia do traba-

lho científico. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-77.

90
8 PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA
DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

Bem-vindos a mais uma unidade de ensino.

Vamos estudar agora, sobre as normas técnicas exigidas na elaboração dos trabalhos técnicos. Va-

mos compreender a necessidade de realizar seus trabalhos científicos de acordo com as normas da

ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. Vamos falar também de como fazer citações e da

estrutura do trabalho de modo geral.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

"
De início vamos comentar um pouco sobre a ABNT. Em seu site, na página inicial temos a seguinte informação:

ABNT é o Foro Nacional de Normalização por reconhecimento

da sociedade brasileira desde a sua fundação, em 28 de setem-

bro de 1940, e confirmado pelo governo federal por meio de di-

versos instrumentos legais.

Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABNT é membro fun-

dador da International Organization for Standardization (Orga-

nização Internacional de Normalização – ISO), da Comisión Pa-

namericana de Normas Técnicas (Comissão Pan-Americana de

Normas Técnicas – Copant) e da Asociación Mercosur de Norma-

lización (Associação Mercosul de Normalização – AMN). Desde a

sua fundação, é também membro da International Electrotech-

nical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional – IEC).

A ABNT é responsável pela elaboração das Normas Brasileiras

(ABNT NBR), elaboradas por seus Comitês Brasileiros (ABNT/CB),

Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e Comissões

de Estudo Especiais (ABNT/CEE).

Desde 1950, a ABNT atua também na avaliação da conformida-

de e dispõe de programas para certificação de produtos, siste-

mas e rotulagem ambiental. Esta atividade está fundamenta-

da em guias e princípios técnicos internacionalmente aceitos e

alicerçada em uma estrutura técnica e de auditores multidisci-

92
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

plinares, garantindo credibilidade, ética e reconhecimento dos

serviços prestados.

Trabalhando em sintonia com governos e com a sociedade, a

ABNT contribui para a implementação de políticas públicas,

promove o desenvolvimento de mercados, a defesa dos consu-

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
midores e a segurança de todos os cidadãos.

"
Essas normas criadas pela ABNT são fundamentais para padronizar a publicação científica no país.

Isto é fundamental para que não existam conflitos na produção e além disso, ajuda na comparação

de pesquisas relacionadas a mesma temática. O trabalho “Orientações para elaboração de tra-

balhos técnicos científicos: projeto de pesquisa, teses, dissertações, monografias, interdisciplinar,

relatórios, entre outros conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, da PUCMI-
"
NAS, traz as atualizações que são realizadas ano após ano e também fala da importância delas no

trabalho científico:

Todo trabalho acadêmico deve estar normalizado para ser apre-

sentado e/ou publicado dentro dos padrões mundiais de nor-

malização da International Organization for Standardization

(ISO), órgão internacional responsável pela criação de normas

para a escrita na área científica, juntamente com as agências de

cada país. A ABNT, adotada pelas Instituições de Ensino Superior

(IES), é a agência membro da ISO responsável por essas normas

no Brasil. Este novo modelo está fundamentado nas Normas

Brasileiras (NBRs) (6028: 2018, 14724: 2011, 6027: 2012, 10719: 2015,

6023: 2018, entre outras), as quais visam a atender aos anseios

da sociedade científica, respeitando os princípios ecológicos, ao

sugerir a impressão frente e verso, o uso do papel reciclável e

a diminuição dos espaçamentos entre linhas, além de introdu-

zir novas regras de formatação das ilustrações, em consonância

com as exigências internacionais

93
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

Vemos como, além de normatizar as publicações científicas, fato fundamental para nossas pesqui-

sas, a ABNT também se preocupa com o ambiente, criando normas que respeitem os princípios

ecológicos. Este mesmo documento fala sobre a importância dessa normatização: Vimos como

é importante a padronização dos trabalhos científicos, através do estudo dos caminhos do saber,

ou seja, os métodos ensinados nesta disciplina são procedimentos ou normas para a realização de

trabalhos acadêmicos, a fim de dar ordenamento aos assuntos pesquisados. Vamos ver, a partir de
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

agora, alguns elementos que compõem o trabalho científico e como eles devem ser elaborados.

O trabalho “Orientações para elaboração de trabalhos técnicos científicos: projeto de pesquisa, te-

ses, dissertações, monografias, interdisciplinar, relatórios, entre outros conforme a Associação Bra-
"
sileira de Normas Técnicas (ABNT)”, da PUCMINAS, traz a seguinte afirmação:

“O caminho para uma pesquisa inicia-se com a elaboração de

um projeto, ou seja, uma proposta. Conforme a Norma Brasileira

(NBR) 15287:2011, projeto “compreende uma das fases da pesqui-

sa. É a descrição da sua estrutura” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA

DE NORMAS TÉCNICAS, 2011, p. 3). Assim, o projeto é um roteiro

de trabalho, o registro do planejamento de uma pesquisa, ou

seja, é a descrição das etapas de um planejamento de ação. A

NBR 15287:2011 orienta: O texto deve ser constituído de uma par-

te introdutória, na qual devem ser expostos o tema do projeto, o

problema a ser abordado, a(s) hipótese(s), quando couber(em),

bem como o(s) objetivo(s) a ser(em) atingido(s) e a(s) justificati-

va(s). É necessário que sejam indicados o referencial teórico que

o embasa, a metodologia a ser utilizada, assim como os recursos

e o cronograma necessários à sua consecução. (ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011, p. 5)”.

"
94
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

Vamos observar um esquema dos elementos que compõem o trabalho científico:

A ABNT(2011,p.5) sugere
também constituir a Introdu-
ção sem subseções, ou seja,

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texto único, contendo:
Tema
Problema
Hipóteses (quando houver)
Objetivos, e
Justificativas

A estrutura de tese, dissertação ou de um trabalho acadêmico, compreende:

» Elementos pré-textuais,

» Elementos textuais e

» Elementos pós-textuais:

PARTE EXTERNA: Capa

PARTE INTERNA:

ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS:

» Folha de rosto (elemento obrigatório);

» Lista de ilustrações (opcional);

» Lista de tabelas (opcional);

95
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

» Lista de abreviaturas e siglas (opcional);

» Sumário (obrigatório);

ELEMENTOS TEXTUAIS:

» Introdução:

» Referencial teórico;
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» Metodologia;

» Cronograma.

ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS:

» Referências (obrigatório);

» Apêndices (opcional);

» Anexos (opcional).

Os elementos pré-textuais antecedem o texto com informações que ajudam na identificação e uti-

lização do trabalho. Os elementos textuais fazem parte do trabalho em que é exposta a pesquisa. Já

os elementos pós-textuais complementam o trabalho.

Vamos voltar a cada parte em outra unidade. Vamos agora falar de uma parte essencial do trabalho

científico: as citações.

As citações têm como objetivo esclarecer ou complementar as ideias do autor. Ao inseri-las, deve-se

fazer com precisão e clareza, com a preocupação de citar a fonte de onde as citações foram tiradas,

pois elas enriquecem e qualificam o trabalho científico.

!
IMPORTANTE:

Você não deve ter receio de citar o autor ou

autores de onde as informações foram obti-

das. O plágio é inadmissível em qualquer tra-

balho científico e pode acarretar na reprova-

ção do texto!

96
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

A citação pode ser:

» DIRETA (DE TRANSCRIÇÃO OU TEXTUAL):

Trata da citação literal das palavras de um texto, mantendo a grafia, a pontuação, o uso de

maiúscula e o idioma original, isto é, transcreve com exatidão as palavras do autor citado. É

utilizada somente quando for definitivamente necessário e essencial transcrever as palavras

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de um autor e pode ser curta ou longa.

» INDIRETA:

Trata-se de uma citação livre, sem manter as exatas palavras com as quais o texto foi escrito.

» CITAÇÃO DE CITAÇÃO:

Faz-se uma citação direta ou indireta de um texto ao qual não se teve acesso.

CITAÇÃO DIRETA: CITAÇÃO INDIRETA: CITAÇÃO DE CITAÇÃO:

Realizada de forma textual, ipsis lit- O texto escrito é “baseado na obra Faz-se uma citação direta ou indireta
teris, isto é, uma transcrição tal qual do autor consultado” (ABNT, 2002, de um texto ao qual não se teve aces-
a escrita no texto original. p. 2) sem fugir das suas ideias. Tam- so. Neste tipo de citação emprega-se
bém chamada de citação livre. a expressão “apud” (citado por).
É escrito entre aspas duplas.

Escrevem-se as deias do autor sem,

no entanto, copiá-las literalmente.

IMPORTANTE:

deve-se citar a fonte e não usar as-

pas.

97
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

O cuidado de citar sempre a fonte das citações é parte fundamental de seu trabalho. O plágio NÃO
"
pode ocorrer em hipótese nenhuma. Veja o texto abaixo:

O uso excessivo de citações em trabalhos acadêmicos é a repro-


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dução de conhecimentos já consolidados, é uma cópia da ideia

de outros, deixando-se de criar novos conhecimentos, com crí-

ticas, argumentações e opiniões próprias. A função das citações

é legitimar o conteúdo do trabalho. Portanto, ao apropriar de

ideias de terceiros sem citar o autor, comete-se plágio – crime de

violação de direito autoral – conforme estabelece a Lei n. 9.610

(BRASIL, 1998), e comentada por Balbi (2009):

O plágio é caracterizado no ato de copiar, imitar obra alheia,

apresentando como seu, um trabalho intelectual advindo, de

fato, de outra pessoa. Reproduzir, ainda que em pequenas par-

tes, um texto, sem citar sua fonte, é considerado plágio. Haven-

do citação, porém sendo esta incompleta, há caracterização de

irregularidade, de descumprimento das normas pertinentes à

citação e às referências bibliográficas.

[...] É bom saber que a caracterização de plágio em trabalhos aca-

dêmicos pode acionar o rigor da Lei n. 9.610, sujeitando o infrator

à punição, e no mínimo sua expulsão da Instituição de Ensino Su-

perior à qual encontra-se vinculado. [...] Em suma, originalidade é

imprescindível em todo e qualquer trabalho acadêmico, mas em

caso do aproveitamento de citações alheias, estas devem estar

corretamente sinalizadas e identificadas. (BALBI, 2009).

"
98
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

Esta questão do plágio é extremamente importante. Nunca cometa este erro. Observe o quadro

abaixo e pense bem quando for escrever seu texto:

CITAÇÃO INDIRETA CITAÇÃO INDIRETA CORRETA


TEXTO ORIGINAL
COM PLÁGIO (SEM PLÁGIO)

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
Como toda atividade racional Conforme explica Gil (2007), a De acordo com Gil (2007), o pro-
e sistemática, a pesquisa exige pesquisa exige planejamento cesso de pesquisa deve ser ini-
que as ações desenvolvidas ao das ações desenvolvidas durante ciado com o planejamento, e o
longo de seu processo sejam efe- seu processo. Planejar é o ponto primeiro passo a ser dado é a for-
tivamente planejadas. De modo de partida da pesquisa, que par- mulação do problema.
geral, concebe-se o planejamen- te da formulação do problema

to como a primeira fase da pes- passa pela construão de hipóte-

quisa, que envolve a formulação ses etc.

do problema, a especificação de

seus objetivos, a construção de

hipóteses, a operacionalização

de conceitos, etc.

REFERÊNCIA: REFERÊNCIA: REFERÊNCIA:


GIL, Antonio Carlos. Como ela- GIL, Antonio Carlos. Como elabo- GIL, Antonio Carlos. Como elabo-
borar projetos de pesquisa. 4. rar projetos de pesquisa. 4. ed. rar projetos de pesquisa. 4. ed.
ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 19. São Paulo: Atlas, 2007. p. 19. São Paulo: Atlas, 2007. p. 19.

POR QUE É PLÁGIO? POR QUE ISTO NÃO É PLÁGIO?


O redator manteve a mesma O redator conservou palavras es-
estrutura do texto original e re- senciais do texto original (pesqui-
produziu trechos literais, apenas sa, planejamento) e usou sinôni-
substituiu alguns termos por si- mos para outras, mas mudou a
nônimo. estrutura da sentença, utilizou a

voz passiva e reduziu o texto para

um período.

99
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

As formas de citação, as notas de rodapé, as inúmeras formas de fazê-las, bem como muitos outros

elementos que compões o texto estão em nosso texto base, que disponibilizamos para a realização

de ser trabalho.

O texto “Orientações para elaboração de trabalhos técnicos científicos: projeto de pesquisa, teses,

dissertações, monografias, interdisciplinar, relatórios, entre outros conforme a Associação Brasilei-

ra de Normas Técnicas (ABNT)” da PUCMINAS deve ser utilizado como um manual na elaboração

de seu trabalho.

Você deve consultá-lo para saber como fazer as citações, as citações de cotações, as notas de ro-

dapé etc. Crie o hábito de consultá-lo sempre, pois ele será seu guia durante toda a elaboração do

trabalho.

BONS ESTUDOS.
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

RESUMO:
Em nossa unidade, apresentamos os motivos pelos quais é necessário a normatização da

pesquisa científica.

Vimos como a ABNT é fundamental na elaboração de toda a pesquisa no país e também

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
algumas de suas normas principais.

Vimos como as citações devem ser indicadas no texto seguindo os modelos normatizados.

Vimos também como é importante evitar a todo custo o plágio. Além de seu trabalho ser

desclassificado, o plágio é crime. Crie o hábito de consultar as normas da ABTN disponi-

bilizadas em nosso texto base, pois elas serão seu guia na atividade acadêmica.

101
UNIDADE 8 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (1)

REFERÊNCIA:
Livro digital

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12225: informação e documen-

tação – lombada- apresentação. Rio de Janeiro, 2004.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Pesquisa bibliográfica. In: ______. Metodologia do traba-

lho científico. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-77.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Sistema Integrado de Biblio-

tecas. Orientações para elaboração de trabalhos técnicos científicos conforme a As-

sociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 3. ed. Elaboração: Roziane do Amparo

Araújo Michielini e Fabiana Marques de Souza e Silva. Belo Horizonte, 2019.

102
9 PROJETO DE PESQUISA
– ESTRUTURA E NORMAS TÉCNICAS (2)
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

Bem-vindos a mais uma unidade de ensino.

Vamos continuar nossos estudos sobre as normas técnicas e suas aplicações nos trabalhos científi-

cos. Vamos agora falar sobre a estrutura geral de seu trabalho e de alguns itens fundamentais para

a elaboração dele: as notas que enriquecem seu trabalho.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

Vamos começar dando uma ideia geral dos elementos que serão essências em seu trabalho:

» Introdução,

» Desenvolvimento e

» Conclusão.

Como vimos na unidade anterior, estes elementos fazem parte dos elementos textuais:

» INTRODUÇÃO:

Sua função principal é apresentar o tema, expor o problema, a justificativa, a relevância, os ob-

jetivos e os procedimentos de abordagem da pesquisa. Segundo o trabalho desenvolvido na

PUCMINAS e que consta em nossa bibliografia, a introdução deveria apresentar as seguintes

expressões:

Expressões ou elementos coesivos são indispensáveis para que a compreensão se manifeste,

são importantes instrumentos no processo de produção e sequenciação textual. E para que

um texto apresente coerência, é preciso escrever de maneira que as ideias se vinculem umas

às outras, constituindo uma direção lógica e contínua.

Exemplos dessas expressões:

» Com assiduidade, com frequência ou frequentemente;

» Eventualmente;

» Muitas vezes;

» Não raro;

» Parece que;

» Poderia se dizer que;

» Por um lado.

104
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

» DESENVOLVIMENTO:

Nessa parte é apresentada a fundamentação teórica de autores, por meio de citações, e é

onde estão contidas a fundamentação teórica, a demonstração do processo e o resultado da

pesquisa. Ainda segundo o mesmo trabalho desenvolvido na PUCMINAS, algumas expres-

sões são fundamentais na elaboração do desenvolvimento.

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
No intuito de ilustrar as informações anteriores, seguem-se alguns mecanismos de coesão

textual que demonstram posicionamento e argumentação:

» CONTRASTE OU OPOSIÇÃO:

ainda assim, apesar disso, mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, embora,

apesar de, a despeito de, não obstante, ao contrário, entre outros;

» CAUSAIS:

que, como, pois, porque, visto que, em virtude de, uma vez que, devido a, por esse motivo,

por causa de, por isso que, isso implica pensar, entre outros;

» FINALIDADE:

a fim de, a fim de que, com o intuito de, para, para que, com o objetivo de, o foco deste

estudo se dirige, entre outros;

» ESCLARECIMENTO:

vale dizer, ou seja, quer dizer, isto é, esclareça-se que, deixamos claro que etc.;

» PROPORÇÃO:

à medida que, à proporção que, ao passo que, etc.;

» TEMPORAIS:

enquanto, desde que, sempre que, em pouco tempo, em muito tempo, logo que, assim

que, antes que, depois que, quando, há muito tempo, tempos atrás, certo tempo atrás,

uma vez etc.;

» CONDICIONAIS:

dado que, se, caso, contanto que, a não ser que, a menos que, exceto se.

105
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

» CONCLUSÃO:

Consiste no encerramento de todo o trabalho, a síntese de todo o processo reflexivo, demons-

trando as diversas partes do estudo. Parte final do texto, na qual são apresentadas as con-

clusões correspondentes aos objetivos ou hipóteses. Na maioria das vezes, retorna-se à ideia

apresentada na Introdução, mas com uma ênfase conclusiva. Expressões fundamentais na

conclusão:
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

» logo;

» portanto;

» dessa forma;

» quanto à questão norteadora desta pesquisa;

» em vista dos argumentos apresentados;

» levando-se em conta o que foi observado;

» esse conjunto de ideias apresentadas;

» tendo em vista os aspectos abordados;

» assim, é possível pensar, entre outros;

» a investigação nos mostrou que...

Lakatos e Marconi (ANO, p. 236) assim descrevem estas três fases do trabalho científico:

Os trabalhos científicos, em geral, apresentam a mesma estrutura: introdução, desenvolvi-

mento e conclusão.

Pode haver diferenças quanto ao material, o enfoque dado, a utilização desse ou daquele mé-

todo, dessa ou daquela técnica, mas não em relação à forma ou à estrutura.

A) INTRODUÇÃO:

Formulação clara e simples do tema da investigação; é a apresentação sintética da ques-

tão, importância da metodologia e rápida referência a trabalhos anteriores, realizados sobre

o mesmo assunto.

B) DESENVOLVIMENTO:

Fundamentação lógica do trabalho de pesquisa, cuja finalidade é expor e demonstrar.

106
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

No desenvolvimento, podem-se levar em consideração três fases ou estágios:

» EXPLICAÇÃO:

"É o ato pelo qual se faz explícito o implícito, claro o escuro, simples o complexo" (Asti Vera,

1979:169).

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
Explicar é apresentar o sentido de uma noção, é analisar e compreender, procurando su-

primir o ambíguo ou obscuro.

» DISCUSSÃO:

É o exame, a argumentação e a explicação da pesquisa: explica, discute, fundamenta e

enuncia as proposições.

» DEMONSTRAÇÃO:

É a dedução lógica do trabalho; implica o exercício do raciocínio. 'Demonstra que as pro-

posições, para atingirem o objetivo formal do trabalho e não se afastarem do tema, devem

obedecer a uma sequência lógica.

C) CONCLUSÃO:

Fase final do trabalho de pesquisa e como a introdução e o desenvolvimento, possui uma

estrutura própria.

A conclusão consiste no resumo completo, mas sintetizado, da argumentação dos dados e

dos exemplos constantes das duas primeiras partes do trabalho. Da conclusão devem constar

a relação existente entre as diferentes partes da argumentação e a união das ideias e, ainda,

conter o fecho da introdução ou síntese de toda reflexão.

Vamos agora ver alguns dos elementos que compõem este trabalho e que ainda não analisamos:

A) NOTAS DE REFERÊNCIA:

É muito utilizada em notas de rodapé para indicar a obra consultada, quando se redige o

trabalho utilizando o sistema numérico de citações. São utilizadas para apresentação de co-

mentários, elucidações ou explicações.

107
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

Lembre-se: sua numeração é feita em algarismos arábicos, com numeração única e consecu-

tiva para cada capítulo. Não se inicia a numeração a cada página.

B) NOTA EXPLICATIVA:
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

Utilizada no sistema de citações autor-data. Assim a nota explicativa é usada, no rodapé da

página, para fazer comentários, explicações ou justificar uma informação, cuja inclusão no

texto possa prejudicá-lo. Elas são utilizadas para indicar as fontes consultadas, desde que te-

nham sido citadas no corpo do texto.

Lembre-se: A numeração é feita por algarismos arábicos, com numeração única e consecuti-

va para cada capítulo. Não se inicia a numeração a cada página. Logo na primeira citação de

uma obra, em nota de rodapé deve ter sua referência completa.

As notas de rodapé devem ser em fonte de tamanho 10 e com alinhamento justificado.

A fonte é a mesma do corpo do texto.

Vamos dar um exemplo de como utilizar essas notas:

NOTA EXPLICATIVA:

No texto:
O sertão de Riobaldo seria o lugar do estranho, da perplexidade, do demoníaco,

do sagrado, ou seja, o lugar próprio do ser humano. O deserto de Moisés seria o

lugar da redenção, da ordem no caos, da manifestação de Deus. Os dois são locais

de travessias dantescas3, no sentido existencial, onde o ser humano, como Jó é


posto à prova.

No rodapé da página:
O mesmo texto, agora utilizando a nota de referência:

O sertão de Riobaldo seria o lugar do estranho, da perplexidade, do demoníaco,

do sagrado, ou seja, o lugar próprio do ser humano. O deserto de Moisés seria o

108
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

lugar da redenção, da ordem no caos, da manifestação de Deus. Os dois são locais

de travessias dantescas, no sentido existencial, onde o ser humano, como Jó é

posto à prova ¹.

No rodapé da página:
¹ SENA FILHO, N. O deserto de Deus e o Sertão dos Homens: Guimarães Rosa e

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
o Deserto do Sinai. In: FERRAZ, Salma (Org.). No princípio era Deus e Ele se fez

poesia. Acre: EDUFAC, 2008, p. 03-352.

C) DOCUMENTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA:

Esta parte do texto é fundamental para seu trabalho. Todo o material lido deve ser armazena-

do para que você possa citá-lo posteriormente. As formas de organização podem ser uma das

inúmeras que vimos, tais como esquemas, resumos, comentários, fichamentos etc.

Além de documentar o texto, ela registra também as informações da obra que você usará

posteriormente. Para elaborar referências de diversas fontes, tais como livros, revistas, sites de

internet e outros, precisamos conhecer as Normas estabelecidas pela ABNT disponíveis em

nossa bibliografia base.

D) BIBLIOGRAFIA:

Deve contemplar a autoria, o título da obra, local de publicação, editora e ano de publicação.

Exemplos:

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. 3. ed. São

Paulo: Atlas, 2000.

GALLIANO, Alfredo Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Har-

bra, 1986.

109
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

Vejamos algumas regras básicas na elaboração das referências:

» Escrever todas as referências de modo uniforme ou padronizado, sendo adotado um único

destaque, em negrito para o título. Esta regra não se aplica às obras sem indicação de autoria,

ou de responsabilidade, cujo elemento de entrada é o próprio título.

» Optar entre o uso dos prenomes dos autores abreviados ou por extenso.

» Anotar todas as informações de uma obra ao consultá-lo. Nos documentos impressos, estas
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

informações estão na folha de rosto.

» Adotar a ordenação alfabética crescente de sobrenome de autor para todo o tipo de mate-

rial citado.

» Alinhar as referências à esquerda.

» Usar espaço simples entre linhas numa mesma referência, e espaço duplo entre uma refe-

rência e outra.

!
IMPORTANTE:

Existem normas para as mais variadas cita-

ções e elementos que compõem um trabalho

científico. Sempre que tiver alguma dúvida,

acesse nossa bibliografia básica. Ela deve fun-

cionar como um manual para você.

110
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

RESUMO:
Estudamos nesta unidade as partes principais de um trabalho científico:

» Introdução,

» Desenvolvimento, e

» Conclusão.

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
Estes elementos compõem a maior parte e a mais importante da pesquisa científica.

Nestes elementos temos também as notas explicativas e as notas de referência. Elas

são parte fundamental do texto, e sua correta utilização é a chave para o sucesso.

Por fim vimos as citações bibliográficas, chave para a fiscalização do texto.

111
UNIDADE 9 :
PROJETO DE PESQUISA – ESTRUTURA DO PROJETO E NORMAS TÉCNICAS (2)

REFERÊNCIA:
Livro digital

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12.225: informação e documen-

tação – lombada- apresentação. Rio de Janeiro, 2004.


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Pesquisa bibliográfica. In: ______. Metodologia do traba-

lho científico. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-77.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Sistema Integrado de Biblio-

tecas. Orientações para elaboração de trabalhos técnicos científicos conforme a As-

sociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 3. ed. Elaboração: Roziane do Amparo

Araújo Michielini e Fabiana Marques de Souza e Silva. Belo Horizonte, 2019.

112
10 A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA
NO ENSINO SUPERIOR
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

Olá! Bem-vindos a nossa última unidade de ensino.

Vamos estudar sobre a importância da pesquisa na sala de aula, na universidade e no Brasil.

Vamos ver a importância da Iniciação Científica na formação do aluno pesquisador e como isso é

importante para a vida acadêmica, bem como a correta utilização dos métodos e técnicas nestas
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

pesquisas, e compreender que os programas de iniciação científica são fundamentais para a for-

mação do aluno pesquisador.

A PESQUISA é a base para o desenvolvimento de qualquer país. Importantes contribuições em


todas as áreas vieram do incentivo à pesquisa.

Mas a pesquisa não é importante apenas para o desenvolvimento científico de um determinado

país. Em cada faculdade, em cada sala de aula, somos continuamente incentivados a pesquisar.

Somente assim poderemos contribuir para que as futuras gerações tenham um mundo melhor

que o nosso.

A PESQUISA CIENTÍFICA é desenvolvida por pesquisadores que se utilizam dos métodos e as


técnicas que vimos em outras unidades, procurando obter informações relevantes ao conhecimen-

to, à compreensão e à explicação de um dado fenômeno investigado.

Os Métodos, as técnicas e os instrumentos são procedimentos adotados pelo pesquisador para

fazer ciência, pois, como vimos, toda atividade a ser desenvolvida, seja teórica ou prática, requer

procedimentos normatizados.

114
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

Vamos definir métodos, técnicas e instrumentos:

MÉTODO
Significa o caminho para se chegar a um fim

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
TÉCNICA
ß o meio de fazer, de forma mais segura e adequada,
determinadas atividades que se encaminham para
um fim especÀfico

INSTRUMENTOS
S¡o os recursos utilizados para coleta de dados
junto as fontes de pesquisa

!
IMPORTANTE:

A pesquisa é responsável pela consolidação

do conhecimento. Através dela conseguimos

respostas para as questões cotidianas.

A pesquisa proporciona estímulos para a produção de conhecimentos que podem ser úteis à so-

ciedade, produzindo melhorias na vida da comunidade, inserindo o pesquisador no meio que se

encontra, possibilitando transformações no seu contexto social.

A ciência tem modificado em nosso mundo moderno de maneira radical. As transformações, tanto

115
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

tecnológicas quanto epistemológicas, foram tão profundas que é impossível a vida sem a ciência.
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

https://tecnologia2503.wordpress.com/2017/08/05/meme-evolucion-del-almacenamiento-de-memoria/

Leia o texto abaixo, de Lakatos e Marconi (ANO, p. 81), sobre a importância da ciência:

Diversos autores tentaram definir o que se entende por ciência. Consideramos mais precisa a

definição de Trujillo Ferrari, expressa em seu livro Metodologia da ciência.

Entendemos por ciência uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de proposi-

ções logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se de-

seja estudar: "A ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas

ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação"

(1974:8).

As ciências possuem:

A)OBJETIVO OU FINALIDADE:

Preocupação em distinguir a característica comum ou as leis gerais que regem deter-

minados eventos.

B) FUNÇÃO\ APERFEIÇOAMENTO:

Através do crescente acervo de conhecimentos, da relação do homem com o seu mundo.

116
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

C) OBJETO. SUBDIVIDIDO EM:

» Material, aquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou verificar, de modo

geral;

» Formal, o enfoque especial, em face das diversas ciências que possuem o mesmo

objeto material.

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
Leia a reportagem abaixo, sobre as principais descobertas da ciência nos últimos anos e veja como

as pesquisas são importantes. A fonte é a revista Superinteressante (28/12/2017).

As principais des-
cobertas da ciência
em 2017

Portanto, é necessário que as instituições de ensino cumpram bem seu tripé educacional:

PESQUISA – EXTENSÃO – ENSINO.

A pesquisa é parte importantíssima também para inserir o aluno nesse universo. Os trabalhos de

iniciação científica oportunizam experiências para que os alunos criem pesquisa e seus desafios.

Essas pesquisas são importantes, tanto para a vida acadêmica quanto para a vivência profissional

do estudante. Além disso, a pesquisa cria uma consciência mais crítica e analítica do estudante e

do profissional que dela se encarrega.

Deve-se levar em conta que, além dos programas de Iniciação Científica fazerem parte tanto de

programas governamentais quanto de programas internos das instituições de ensino, eles tam-

bém são desenvolvidos dentro das salas de aula, através das orientações metodológicas, das dis-

117
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

cussões sobre os caminhos da ciência no país etc.

ESTE É UM DOS OBJETIVOS DESTA DISCIPLINA ESTUDADA:

Fornecer elementos aos estudantes para desenvolverem seu raciocínio crítico, expressar sua

opinião social e política com argumentos, dentro da conjuntura em que vivem. Em um mun-

do tomado pelas fake news, torna-se extremamente importante o conhecimento científico


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

para validar ou desmistificar tais opiniões. O rigor do método, os procedimentos que nor-

teiam as pesquisas etc., são fundamentais neste mundo pós-moderno das “verdades” das

redes sociais.

!
IMPORTANTE:

em seus trabalhos científicos tenha sempre

em mãos a normatização disponibilizada. Ela

será seu guia em muitas situações não con-

templadas aqui.

A ciência é o único caminho na construção de

uma sociedade mais justa e fraterna.

118
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

RESUMO:
Nesta unidade estudamos a importância da pesquisa para o desenvolvimento do país.

Sua importância é tão grande que ela se inicia na sala de aula, com as aulas de metodo-

logia científica, perpassa todo o curso de graduação, se insere na pós-graduação e depois

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
pelos laboratórios de pesquisa, pelas bibliotecas etc.

A pesquisa é o que faz um país tornar-se mais ou menos desenvolvido. A pesquisa é que

possibilita desde a preservação da memória até as maiores invenções tecnológicas, pas-

sando pela medicina, pela biologia etc.

PESQUISE SEMPRE. Seja um incentivador das pesquisas em sua área de atuação.

119
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

REFERÊNCIA:
Livro digital

BARROS, A. J. da S.; LRHFELD, N. A. de S. Fundamentos de Metodologia Científica: um

guia para iniciação científica. 2. ed. São Paulo: MAKRON Books, 2000.
Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Pesquisa bibliográfica. In: ______. Metodologia do traba-

lho científico. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-77.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Sistema Integrado de Biblio-

tecas. Orientações para elaboração de trabalhos técnicos científicos conforme a As-

sociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 3. ed. Elaboração: Roziane do Amparo

Araújo Michielini e Fabiana Marques de Souza e Silva. Belo Horizonte, 2019.

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UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Chegamos ao fim de nossa etapa de estudo.

Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.
Vimos como a nossa disciplina de Metodologia Científica é fundamental tanto para sua

vida acadêmica como profissional. A importância da normatização é fundamental para a

realização de pesquisas em qualquer nível.

Iniciamos nossa caminhada vendo como é importante ter em mente que existe uma

pluralidade de saberes e que todos merecem nosso respeito. Por isso, lemos em nossa

unidade textos de romances e poesia com os mesmos olhos que temos para os textos

científicos – claro, cada um com seu objetivo.

Vimos também a necessidade de definir os tipos de conhecimento e saber qual a fina-

lidade de cada um deles. O senso comum, por exemplo, traz suas verdades subjetivas e

construídas a partir do contexto cultural de cada um – vimos, porém, que este tipo de

conhecimento não se baseia em nenhum método científico.

Vimos como foi importante o surgimento do conhecimento filosófico e a passagem do

pensamento mítico para o pensamento racional. O pensamento teológico, base ainda

para milhões de pessoas mundo afora, cria um conhecimento revelado e absoluto. Por

fim, o conhecimento científico, com seus métodos, sua racionalidade, experimentação

etc., que serve de base para a ciência moderna.

A pluralidade epistemológica, com conceitos como pós-modernidade, anarquismo teóri-

co etc., trouxe a importância de se pensar o mundo do ponto de vista da multiplicidade.

A complexidade da nova ordem mundial trouxe em seu arcabouço uma série de mudan-

ças, tanto geopolíticas quanto epistemológicas; para se compreender esse mundo, so-

mente com uma pluralidade de paradigmas. Apesar desse emaranhado pós-moderno, a

ciência atual tem seu método científico: o conjunto de ações, procedimentos e atividades

sistemáticas que possibilitam o ordenamento e a obtenção de um objetivo no processo

121
UNIDADE 10 :
A PESQUISA E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR

de construção do conhecimento na ciência. Vimos que um dos muitos métodos científicos recebe

o nome de dialético e é baseado em um esquema simples: tese-antítese-síntese. Este choque das

contradições é um motor contínuo e que sempre gera uma realidade nova.

Passamos então a analisar os elementos que compõem a organização e fundamentação dos tra-

balhos científicos. Começamos falando da importância da leitura, da análise e da interpretação


Material para uso exclusivo dos alunos da Rede de Ensino Doctum. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da lei.

de textos. Esta parte é fundamental na elaboração de qualquer atividade acadêmica. Consiste na

leitura atenta e analítica dos vários textos que servirão de base para seu trabalho. Após a leitura de

vários textos, surge então uma questão:

COMO DOCUMENTAR O QUE FOI LIDO?

Surge então a importância dos esquemas, dos fichamentos etc., isto é, dos vários tipos de docu-

mentar o que foi lido. Esta documentação é fundamental para quando você for escrever utilizando

seu material de pesquisa.

Depois de todo esse caminho até aqui, começamos a falar sobre a escrita do trabalho científico:

seus elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais, de que consiste a introdução, o desenvolvi-

mento e a conclusão; como se fazem as referências bibliográficas, a importância das notas de ro-

dapé etc. A importância de seu trabalho ser bem referenciado baseia-se no fato de que, em um

trabalho científico, não devemos nunca plagiar nada.

O PLÁGIO É CRIME.

Para finalizar, vimos como a ciência tem contribuído para o desenvolvimento da pesquisa no mun-

do, e como inúmeras descobertas fizeram nossa vida na terra muito mais longeva e feliz.

122

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