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Disponibilização:

Eva
Tradução: Nicole
Revisão: Nane, Juzita e Drika
Arte: Niquevenen
Leitura Final e Diagramação: Eva


Banks
Enterrado nas sombras da cidade, há um hotel chamado The Pope. Decadente,
vazio e escuro — ele é abandonado e cercado por um mistério esquecido.
Mas você acha que é verdade, não é, Kai Mori? A história sobre o décimo segundo
andar escondido. O mistério do hóspede sombrio que nunca entrou e nunca saiu.
Acha que posso ajudá-lo a encontrar o esconderijo secreto e chegar até ele, não
é?
Você e seus amigos podem tentar me assustar. Podem tentar me empurrar.
Porque apesar de lutar para esconder tudo o que sinto quando você olha para
mim — e tenho feito isso desde que eu era menina — eu acho que talvez o que
você procura está muito mais perto do que você jamais vai perceber.
Eu nunca vou traí-lo.
Então, fique quieto.
Na DEVIL'S NIGHT, a caçada virá até você.

Kai
Você não tem ideia do que eu procuro Little One. Você não sabe o que eu tive que
me tornar para sobreviver três anos na prisão, por um crime que eu ficaria feliz
em cometer novamente.
Ninguém pode saber no que me transformei.
Quero aquele hotel, quero encontrá-lo, e quero o fim disto.
Quero a minha vida de volta.
Mas quanto mais estou perto de você, mais eu percebo que este novo eu é
exatamente o que eu estava destinado a ser.
Então, vamos lá, garota. Não amarele. Minha casa é na colina. Há tantas maneiras
de entrar, e boa sorte para encontrar a saída.
Eu vi o seu esconderijo. Hora de ver o meu.
Playlist

“Black Honey” by Thrice

“Castle” by Halsey

“Control” by Puddle of Mudd

“Cry Little Sister” by Seasons After


“Emotionless” by Red Sun Rising

“Go to Hell” by KMFDM

“Heavy In Your Arms” by Florence + The Machine

“Jekyll and Hyde” by Five Finger Death Punch

“Like a Nightmare” by Never Say Die

“Lung (Bronchitis Mix)” by Sister Machine Gun


“Paint It, Black” by Ciara

“Remember We Die” by Gemini Syndrome

“Save Yourself” by Stabbing Westward

“Scumgrief (Deep Dub Trauma Mix)” by Fear Factory


“Smells Like Teen Spirit” by Think Up Anger

“Smokin’ In the Boys Room” by Mötley Crüe


“Waiting Game” by Banks
Nota da Autora

Mesmo o romance HIDEAWAY sendo único, o enredo é uma continuação do que começou em
Corrupt (Devil’s Night #1). É altamente recomendável que você leia CORRUPT antes de ler este romance.

Divirta-se!

Para Z. King


Um homem não pode destruir o selvagem nele, por negar seus impulsos. A única maneira de se livrar de
uma tentação é ceder a ela.

- Robert Louis Stevenson,


O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde
Capítulo 1
Kai

A chuva é como a noite. Você pode ser diferente no escuro e sob as nuvens.

Eu não tenho certeza do que é. Talvez a falta de luz solar e como os nossos outros sentidos se
aguçam, ou o manto sutil escondendo coisas de nossa vista, mas apenas determinados momentos são
aceitáveis para fazer certas coisas. Livre-se do seu casaco e arregace as mangas. Despeje uma bebida e
incline-se para trás. Ria com os seus amigos e grite para o jogo de basquete na TV.

Siga uma menina, que você fodeu com os olhos por uma hora, para o banheiro do pub e tenha seus
amigos acenando em aprovação quando você sair.

Tente fazer isso durante o dia, com a estagiária no escritório.


Não que eu queira a liberdade para entrar em qualquer coisa, a qualquer momento, de qualquer
maneira. As coisas são mais especiais quando são raras.

Mas a cada manhã, quando o sol se levanta, as bobinas do meu estômago apertam-se em
antecipação.

O anoitecer está chegando novamente.

Deixo cair à máscara da minha mão ao meu lado, estou no topo do patamar do segundo andar e
observo Rika sentada em seu carro. Ela mantém a cabeça baixa, o rosto visível pelo brilho de seu celular,
apesar da chuva torrencial batendo no pára-brisa, conforme ela digita.
Eu balanço minha cabeça, meu queixo flexiona. Ela não escuta.

Eu vejo quando a noiva do meu melhor amigo o desliga, pois a luz de seu telefone desaparece, e
então ela abre a porta do carro, sai e começa a correr, irrompendo através da chuva torrencial. Viro meus
olhos, fazendo seu inventário. Cabeça e os olhos lançados para baixo. Chaves embrulhadas em seu punho
fechado. Braços protegendo a cabeça da chuva e que impedem a sua linha de visão.

Completamente inconsciente de seus arredores. A vítima perfeita.


Agarro o apoio na parte de trás da minha máscara, o estendo e deslizo o crânio de prata sobre a
minha cabeça, o seu interior abraça cada curva do meu rosto num ajuste apertado. O mundo a minha volta
se encolhe a um túnel, e tudo que eu posso ver é o que está bem na minha frente.

Calor se espalha pelo meu pescoço, penetrando profundamente em meu peito, e puxo uma
respiração longa, gelada, sentindo meu coração batendo, ficando com fome.
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De repente, a chuva, como uma cachoeira no beco lá fora, enche o dojo , e a porta de metal
pesado, no andar de baixo, se fecha.

“Olá?” Ela grita.

Meu coração mergulha no meu estômago, e fecho os olhos, saboreando a sensação. O som de sua
voz ecoa pelo prédio vazio, mas eu fico plantado no patamar escuro, esperando que ela me encontre.
“Kai?” Ouço o grito dela através do grande espaço.

Afasto-me para trás e puxo o capuz do meu moletom preto para cima, cobrindo minha cabeça, e me
viro para olhar para baixo, sobre o parapeito.

“Olá?” Ela pergunta de novo, com mais urgência. “Kai, você está aqui?”

Vejo seu cabelo loiro em primeiro lugar. É o que você sempre observa primeiro sobre Rika. Em sua
cobertura escura, neste dojo escuro, no beco escuro, em salas e ruas escuras. Ela sempre se destaca.

Eu descanso minhas mãos no corrimão de aço enferrujado, mantendo meus pés plantados sobre as
grelhas, e a observo passar lentamente para a sala principal, lançando-se para os interruptores na parede.
Mas nada acontece. As luzes não acendem.

Ela vira a cabeça para a esquerda e para a direita, parecendo, de repente, alerta e, em seguida,
corre a mão, virando os interruptores novamente.
Nada.
Seu peito sobe e desce mais rápido, sua consciência chegando enquanto ela segura a alça de sua
bolsa mais apertada.

Eu luto para não sorrir e inclino a cabeça, olhando para ela. Eu deveria me mostrar. Devo jogar
limpo, deixá-la saber que estou aqui, e que ela está segura.

Mas quanto mais tempo eu espero, quanto mais tempo fico quieto e escondido, mais nervosa ela
parece. E enquanto ela caminha mais para dentro da sala, eu não posso fazer nada, além de sentir esse
momento. Ela está confusa. Assustada. Tímida. Ela não sabe que estou aqui. Logo acima dela. Ela não
sabe que meus olhos estão sobre ela agora. Ela não sabe que eu poderia correr para ela, levá-la a um
porão, e fodê-la no chão antes que ela sequer soubesse o que aconteceu.

Eu não queria assustá-la, mas o fiz. Poder e controle são viciantes. E eu não quero gostar, porque
me faz doente.

Isso me faz como Damon.

Começo a respirar mais forte e aperto meus punhos em torno do parapeito, ficando cada vez mais
assustado. Isso não é normal.
“Eu sei que você está aqui” ela diz, olhando ao redor com as sobrancelhas juntas.

Mas a posição teimosa dos seus olhos é forçada e eu levanto o canto da minha boca em um sorriso
por trás da máscara.
Sua longa camiseta cinza cai para fora de seu ombro, e a chuva brilha sobre seu peito e pescoço. A
chuva torrencial ataca Meridian City lá fora, e a esta hora da noite e neste bairro, as ruas estão vazias.
Ninguém irá ouvi-la. Ninguém, provavelmente, a viu entrar no edifício.

E pela forma como ela começa a recuar lentamente para fora da sala escura, parece que ela está
começando a perceber isso.

Dou um passo.
O piso range, e ela vira sua cabeça para a esquerda, seguindo o som.

Seus olhos fixam-se em mim. Mantendo meu olhar sobre ela, eu ando em direção às escadas.

“Kai?” Ela pergunta.


Por que é que ele não responde? Ela provavelmente se pergunta. Por que ele está usando sua
máscara? Por que as luzes estão apagadas? Por causa da tempestade? O que está acontecendo?
Mas eu não digo nada enquanto caminho lentamente em direção a ela, sua forma bonita e pequena
ficando mais definida quanto mais perto eu fico. Fios de cabelos molhados, que não percebi antes, estão
presos ao seu peito, e as argolas de diamantes, que Michael deu a ela no último Natal, brilham em seus
ouvidos. Os bicos de seus seios cutucam através de sua camisa.

Seus olhos azuis me olham com cautela. “Eu sei que é você.”
Sorrio por trás da minha máscara, seu corpo rígido trai suas palavras confiantes. Sabe?

Eu a circulo lentamente, prendendo-a, enquanto ela permanece teimosamente imóvel. Tem tanta
certeza que sou eu? Eu posso não ser Kai, certo? Eu poderia ter acabado de tomar sua máscara. Ou
comprado uma igualzinha.

Paro atrás dela, eu tento manter minha respiração calma, apesar da maneira que meu coração está
batendo. Eu posso senti-la. A energia entre meu peito e suas costas.
Ela deveria ter se virado. Ela deveria ter se preparado para o perigo, como eu ensinei a ela. Ela
acha que isto era um jogo?
“Pare com isso” ela grita, virando a cabeça apenas o suficiente para que eu possa vê-la mover os
lábios. “Isso não é engraçado.”

Não, não é engraçado. Michael se foi - saiu da cidade nessa noite - e Will está provavelmente
ficando bêbado em algum lugar. Somos apenas nós.

E pela forma como o meu estômago maldito estava virando agora, não é engraçado, ou bom, ou
certo, o quanto eu preciso constantemente me empurrar sobre a borda para me sentir no controle cada
vez mais. Não é bom o quanto eu não quero parar.
Eu a agarro; envolvo meus braços em torno dela e enterro meu nariz em sua orelha. Seu perfume
faz minhas pálpebras pesarem, e ouço seu suspiro conforme eu aperto meu abraço, mantendo seu corpo
contra o meu. “Somos só nós, Pequeno Monstro” rosno. “Assim como eu quero que seja, e temos a noite
toda.”
“Kai!” Ela grita, puxando contra meus braços.

“Quem é Kai?”
Ela se torce, lutando contra meu abraço e lutando. “Eu te conheço agora. Sua altura, sua forma,
seu cheiro...”
“Conhece?” Pergunto. “Você sabe como eu me sinto, né?”

Eu enterro meu rosto mascarado em seu pescoço e aperto os braços em volta dela. Possessivo.
Ameaçador. Expiro em um sussurro, “Eu sinto sua falta como uma menina do colegial, Rika.” Eu gemo,
agindo como se eu amasse a sensação dela se contorcendo contra mim. “Você não deu nenhuma dica.”

Ela para, cada parte de seu corpo congelando exceto sua respiração. Seu peito cede e, em seguida,
começa a tremer debaixo dos meus braços.

Eu a atingi.

Alguém próximo a nós disse exatamente essas palavras uma vez, alguém que a assustou, e agora
ela está duvidando se eu sou ou não ele. Damon desapareceu no ano passado, e ele poderia estar em
qualquer lugar, certo, Rika?
“Esperei muito tempo por isso,” eu digo, ouvindo o trovão estalar lá fora. “Tire essa merda.” Eu
puxo sua camisa para baixo, expondo a parte superior da sua camiseta, e ela solta um grito. “Eu quero vê-
la, porra.” Ela suspira, afastando-se e atirando os braços contra mim. Ela imediatamente dá um passo
para trás, o primeiro contra movimento que lhe mostrei quando alguém a agarrasse por trás, mas eu
afasto o meu pé de trás, sabendo o que ela ia fazer.
Vamos, Rika!

E então, de repente, ela cai, todo o peso do seu corpo deslizando através de meus braços direto
para o chão.
Eu quase rio. Ela está pensando rapidamente. Bom.

Mas eu mantenho o meu ataque. Ela se mexe em suas mãos e joelhos, preparando-se para fugir, e
eu pulo para frente, agarrando-a pelo tornozelo.

“Onde você pensa que está indo?” Eu provoco.

Ela vira e chuta a minha máscara, e eu recuo, rindo. “Oh, Deus, você será divertida. Mal posso
esperar porra.”

Um gemido escapa enquanto ela se arrasta para trás e empurra-se a seus pés novamente. Ela vira-
se, o medo gravado em seu rosto, e começa a correr em direção aos vestiários. Provavelmente vá até a
saída na parte detrás do edifício.

Corro atrás dela, agarrando sua camisa, todo o meu corpo em chamas.
Porra. Sinto uma gota de suor deslizar na parte detrás do meu pescoço.
É só um jogo. Eu não vou machucá-la. É como pega-pega ou esconde-esconde quando éramos
crianças. Sabíamos que nada de ruim aconteceria quando fossemos pegos e não traríamos nenhum dano
quando perseguíamos, mas o medo irracional nos animava de qualquer maneira. É disso que eu gosto. Só
que isso. Isso não é real.

Viro-a; envolvo um braço ao redor dela, levanto o seu joelho com a outra mão e a levanto do chão.
Ela ergue o outro joelho, mas eu torço meus quadris antes que seu chute pouse entre as minhas pernas.
Lançando-a de volta, jogo-nos no chão, caindo em cima dela.

“Não!” Ela choraminga. Seu corpo exausto debaixo do meu, e eu me forço entre suas pernas,
trazendo seus pulsos para cima da cabeça e fixando-os lá.

Ela luta contra o meu agarre, mas seus braços começam a tremer, e sua força começa a
enfraquecer.

Eu me acalmo e olho para baixo. Damon e eu temos cabelos e olhos escuros, embora os dele
fossem quase pretos.
Ela não seria capaz de dizer a diferença sob o manto da escuridão que nos rodeia. Mas ela pode me
sentir.
Manipulando-a, obrigando-a, ameaçando-a... assim como ele.
Eu lentamente inclino minha cabeça contra o seu peito, pairando um centímetro acima de sua pele,
e ela para de lutar.
Seu peito arfa com tanta força, que parece que ela está tendo um ataque de asma.

Olho para ela e vejo seu corpo facilmente se moldar ao meu e as suas mãos atadas impotentes
sobre ela; vejo-a chorar. Ela sabia que era isso. Ninguém para me parar, ninguém para ouvi-la gritar, um
louco em uma máscara que poderia machucá-la, matá-la e levar a noite toda fazendo isso.

Seu rosto de repente vacila, e ela quebra, gritando quando sua luta é engolida pelo horror do que
estava acontecendo com ela.

Droga. Eu puxo de volta o meu capuz e jogo fora a minha máscara, furioso. “Você é um bebê
porra!” Eu grito, batendo a mão no chão ao lado de sua cabeça. “Tire-me de cima de você!” Eu me
aproximo do seu rosto. "Agora! Vamos!"

Ela rosna; seu rosto ficando vermelho, e ela ergue-se e coloca o braço sobre minha nuca.
Espremendo-me em uma chave de estrangulamento, ela estende a outra mão debaixo do braço e crava
seu dedo polegar nos meus olhos.
Não é muito, mas isso me leva a solta-la o tempo suficiente para que ela me bata na lateral do
rosto, e quando eu me volto, ela se ergue e pega sua bolsa, batendo-a na minha cabeça.
“Ugh!” Eu resmungo, arrancando-a de suas mãos.

Mas rapidamente, ela fica de pé e corre para a parede, agarrando uma das espadas de Kendo e
assumindo sua postura, o shinai de bambu2 levantado e pronto.
Sento-me no meu calcanhar e puxo minha mão para longe do meu rosto, procurando por sangue.
Nada. Deixo escapar um suspiro e levanto os olhos para ela, meu corpo ficando frio conforme o medo
deixa seus olhos e é substituído pela raiva.

A adrenalina ainda corre por minhas pernas, e respiro fundo de repente, meu corpo dez vezes mais
pesado quando eu fico em pé.

“Eu não gosto de ser emboscada assim!” Ela grita. “Isto deveria ser um espaço seguro.” Eu pisco,
corrigindo-a com um olhar repreensivo. "Nenhum lugar é seguro."
Eu ando em direção às escadas, tirando meu moletom enquanto subo. “Você não está alerta.” Pego
a garrafa de água que tinha deixado junto à janela. "Eu te observei. Você estava concentrada em seu
telefone na rua. E você mal conseguia me mover. Você gasta muito tempo ficando em pânico.”
Eu engulo a água, tão sedento de mais, do que apenas pelo esforço. Muitos pensamentos, muita
preocupação e conspiração. Preciso disso.

Senti falta disso todas aquelas noites, anos atrás, quando eu tinha autorização. Quando eu tinha
amigos com quem me perder.
Seus passos caem nas escadas, e eu olho pela janela, as luzes brilhantes de Meridian City do outro
lado do rio, um forte contraste com a escuridão deste lado.

“Eu já absorvi tudo o que você me ensinou” ela diz. “Confiei em você, e não estava levando a sério.
No momento, se acontecer de novo, eu vou lidar com isso.”

“Você deveria ter lidado com isso neste momento. E se não fosse eu? O que teria acontecido com
você?”
Olho para ela, vendo seus olhos magoados olhando para fora pela janela, e arrependimento rola
através do meu estômago. Eu odeio ver esse olhar. Rika já tinha passado por muita coisa, e eu tinha
acabado de sacudi-la novamente.
“Acho que você gosta disso” ela responde calmamente, ainda olhando para fora da janela. “Eu acho
que você gosta disso.” Meu coração pula uma batida, e eu me viro para longe dela, seguindo seu olhar
pela janela.

“Se gostasse, não teria parado.”


Ela olha para mim, e eu ouço um carro passando lá embaixo, seus pneus patinando através da
chuva. “Sabe, eu te observei, também,” ela me diz. “Você está quieto, ninguém consegue ver onde você
come ou dorme…"
Eu torço a tampa da garrafa de água, o recipiente plástico estala no meu punho. Sei do que ela
esta falando. Sei que estou distante.

Mas eu tinha que manter tudo sob controle ou arriscar que as coisas erradas escorregassem para
fora. É melhor assim. E está pior recentemente. Tudo esta fodido. Ela e Michael estão tão consumidos um
com o outro, e Will está sóbrio apenas algumas horas por dia. Eu tenho ficado por minha conta mais do
que nunca. “Você é como uma máquina.” Ela dá um longo suspiro. “Não como Damon. Você é ilegível.” Ela
pausa. “Exceto agora. Exceto quando você está vestindo sua máscara. Você gosta, não é? É a única vez
que te vejo sentir alguma coisa.”
Viro a cabeça, suavizando os meus olhos. “Você não está comigo o tempo todo,” brinco.

Eu seguro seus olhos por um momento, ambos sabemos exatamente do que eu estava falando. Ela
não me viu com mulheres, e um blush leve atravessa seu rosto. Ela me dá um meio sorriso, abandonando
sua linha de questionamento.
Limpo a garganta, seguindo em frente. “Você precisa trabalhar em seus contra-ataques” digo a ela.
“E a sua velocidade. Se você para, você dá ao agressor a chance de te segurar.”
“Eu sabia que estava segura com você.”

“Você não sabia” respondo com firmeza. “Sempre assuma o perigo. Se qualquer outra pessoa além
de Michael agarrá-la, eles recebem o que merecem de qualquer maneira.”
Ela cruza os braços sobre o peito, e posso sentir sua irritação. Eu entendo isso. Ela não quer viver
sempre em guarda. Mas ela mal está tomando precauções básicas de segurança, e não há limite para o
quanto ela vai lamentar se aproveitar as chances erradas. Michael não está sempre por perto.
Mas quando ele está por perto, pelo menos ele está com ela. Fazia semanas que eu não falava com
ele.

“Como ele está?” Pergunto a ela.


Ela revira os olhos, e eu posso dizer que o clima está mudando para algo mais leve. “Ele quer voar
para o Rio ou para algum outro lugar, para casar.”
“Achei que ambos tinham decidido esperar até depois que você terminasse a faculdade.” Ela
balança a cabeça, suspirando. “Sim, eu pensei isso também.”

Aperto os olhos sobre ela. Então, o que está acontecendo?


Os pais de Michael e Rika esperam um casamento em Thunder Bay, e, tanto quanto sei, o casal
estava bem com isso. Na verdade, Michael tinha sido muito inflexível sobre fazer um grande alarido disso.
Ele queria vê-la em um vestido, andando pelo corredor em direção a ele. Ele cresceu pensando que ela
iria se casar com seu irmão, afinal. Ele pretendia mostrar a todos que ela era sua.

E então isso me atinge.

Damon.
“Ele está com medo de que um casamento com pompa e circunstância vá atrair Damon de volta,”
adivinho.
Rika concorda novamente, ainda olhando para fora da janela. “Ele acha que se nos casarmos, nada
de ruim vai acontecer comigo. Quanto antes, melhor."

“Ele está certo,” digo a ela. “Um casamento - centenas de pessoas, Will e eu ao seu lado – o ego de
Damon não poderia aguentar. Ele não ficaria longe.”

“Ninguém viu ou ouviu falar dele em um ano.”


Flexiono minha mandíbula, antecipação rola através do meu estômago. “Sim, isso é o que me
assusta.”

Um ano atrás, Damon queria que Rika sofresse de forma inimaginável. Todos nós queríamos, na
verdade, mas Damon foi um pouco além, e quando nós não ficamos ao lado dele, todos nos tornamos seus
inimigos. Ele nos atacou; machucou-a, e ajudou o irmão de Michael, Trevor, a tentar matá-la. Michael foi
inteligente em assumir que a raiva de Damon provavelmente não havia se dissipado. Se soubéssemos
onde ele estava, isso seria uma coisa, mas os detetives que contratamos para encontrá-lo e manter o
controle sobre o seu paradeiro, não tinham sido capazes de localizá-lo.
O que explica por que Michael quer tomar medidas para manter Rika longe dos holofotes, como um
casamento grandioso em nossa afluente cidade natal, à beira-mar poderia colocá-la.
“Você não se importa com um grande casamento,” eu a lembro. “Você só quer Michael. Por que não
ir para longe e fazê-lo como ele quer?”

Ela fica em silêncio por alguns instantes e, em seguida, fala em voz baixa, com os olhos em um
lugar distante. “Não.” Ela balança a cabeça. “Logo atrás de St. Killian, onde termina a floresta e as
falésias dão lugar ao mar. Sob o céu da meia-noite...” ela assente com a cabeça, um belo sorriso
melancólico toca seus lábios. “É onde vou me casar com Michael.”
Estudo-a, pensando sobre aquele olhar distante e sonhador em seus olhos. Como se ela sempre
soube que iria se casar com Michael Crist e tivesse imaginado isso em sua cabeça a vida toda.

“O que é esse edifício?” Rika pergunta, empurrando o queixo, apontando para fora da janela.
Sigo seu olhar, mas eu não tenho que olhar para saber de qual edifício ela falou. Escolhi este local
para ser o nosso dojo por uma razão.

Olhando para fora do vidro, eu vejo o prédio do outro lado da rua, cerca de trinta andares mais alto
do que o nosso, a pedra cinzenta escurecida pela chuva e as luzes da rua quebradas.

“The Pope” respondo. “Foi um bom hotel há alguns anos. Ainda é, na verdade.”

The Pope tinha sido abandonado por vários anos e tinha sido construído quando se falava de um
estádio de futebol que estaria sendo construído aqui, como uma forma de trazer mais turismo para
Meridian City. E foi uma forma de revitalizar Whitehall, em resumo, o distrito urbano em que agora se
encontrava.

Infelizmente, o estádio nunca foi construído, e The Pope decaiu depois de lutar para permanecer no
negócio.
Olho para as janelas escuras, as sombras das cortinas pouco visíveis, dentro de uma centena de
quartos que agora estão quietos e vazios. É difícil pensar que um lugar tão grande não tem mais um pingo
de vida. Impossível, na verdade. Meus olhos desconfiados observam cada canto escuro, meus olhos só me
levam alguns centímetros para dentro da sala antes que a escuridão consuma o resto.
“Parece que alguém está nos observando.”

“Eu sei” concordo, examinando cada janela, uma após a outra.


Vejo-a tremer com o canto do meu olho e pego meu moletom, entregando a ela.
Ela o pega, dando-me um sorriso quando ela se vira para voltar a descer as escadas. "Está ficando
frio. Eu não posso acreditar que outubro chegou. Devil's Night estará aqui em breve,“ ela canta a canção,
parecendo animada.

Eu balanço a cabeça e a sigo.


Mas, quando eu lanço mais um olhar para trás, calafrios se espalham pelo meu corpo, pensando
sobre os cem quartos assombrados e vagos, no hotel abandonado do outro lado da rua.
E na Devil's Night, tanto tempo atrás, quando o menino, que eu costumava ser, caçou uma menina,
que poderia ser como Rika, em um lugar que só pode ser o mesmo hotel escuro do lado de fora da janela.

Mas ao contrário de hoje à noite, ele não parou.


Ele fez algo que não deveria ter feito.
Desço as escadas, centímetros atrás de Rika e combino meus passos com os seus, no exato
momento que olho para a parte de trás de seu cabelo.

Ela não percebe que o perigo está muito próximo dela.


Capítulo 2
Kai

Devil’s Night

Seis anos atrás


3
Devil’s Night . Era isso.

Nossa última.

Iríamos nos formar em maio próximo, e uma vez que nós quatro fossemos para a faculdade, não
estaríamos em casa a menos que fosse para o inverno ou para as férias de verão. E até lá, estaríamos
muito velhos para isso. Nós não teríamos a desculpa da juventude para explicar por que escolhemos
celebrar a noite antes do Halloween, entregando-nos as brincadeiras e outras peripécias infantis, por
nenhuma outra razão além do que para criar um pequeno inferno. Seríamos homens. Não seria aceito,
certo?

Então, esta noite seria isso. O final.


Eu bato a porta do carro e atravesso o estacionamento, passo do BMW de Damon, e vou em direção
a entrada traseira da catedral. Abrindo a porta, entro na área da recepção, que consiste de algumas
mesas, uma cozinha, alguns sofás e uma mesa de café cheia de panfletos sobre Como rezar o rosário e
Jejuar de uma forma saudável.

Eu inspiro profundamente, o sempre presente cheiro de incenso enchendo os corredores


silenciosos. Eu era católico por nascimento, como meu amigo Damon, mas na prática, éramos católicos da
mesma forma que Taco Bell era um restaurante mexicano. Eu joguei junto com minha mãe, enquanto
Damon jogou junto com a diversão.

Eu caminho para o corredor da nave da igreja, mas um baque forte perfura o silêncio, e eu paro,
olhando em volta, procurando de onde ele veio. Soou como um livro caindo sobre uma mesa.
É uma manhã de sexta-feira. Não há muitas pessoas aqui, embora houvesse provavelmente alguns
retardatários ajoelhados nos bancos e orando sua penitência, já que a confissão tinha acabado há pouco.

“O que nós discutimos ontem?” Eu ouço a voz forte do Padre Beir de algum lugar a minha
esquerda.
“Eu não me lembro, Padre.”

Sorri para mim mesmo. Damon.

Virando à esquerda, eu piso silenciosamente em outro corredor de mármore, arrastando meus


dedos sobre os painéis de mogno brilhante nas paredes e tentando reter o meu riso.

Parando pouco antes da porta aberta do escritório do Padre, eu fico para trás e ouço. O tom suave
e calmo de Damon responde a Beir como se seguindo um roteiro.

“Você é impenitente e irresponsável.”

"Sim, Padre."

Meu peito treme. As palavras de Damon estavam sempre em completa contradição em como elas
soavam ao sair de sua boca. Sim, Padre, como se concordasse completamente que tinha se comportado
mal, enquanto ao mesmo tempo Sim, Padre, não está orgulhoso de mim?

A maioria de nós se reconciliava nos confessionários fora da nave, mas Damon - após muitos anos
de “redirecionamento” fracassado de seu pai e seu padre - foi obrigado a ser instruído cara a cara nas
sessões de aconselhamento semanais.

Ele gostava, porra. Ele tinha prazer em ser o diabo de alguém.

Torcendo minha cabeça, eu espreito para dentro da sala, vendo o sacerdote caminhar ao redor da
mesa, enquanto Damon está ajoelhado no único banco, grande, com a Bíblia preta de Beir na sua frente.
“Você quer ser julgado?” O padre pergunta.
“Todos nós seremos julgados.”

“Isso não é o que eu te ensinei.”


A cabeça de Damon está suficientemente abaixada para que o seu cabelo preto esteja pendurado
sobre os olhos, mas eu posso ver a sombra de um sorriso, que Beir provavelmente não pode. Ele usa o
nosso uniforme escolar, calças cáqui com o seu enrugado típico, Oxford branco, punhos desabotoados, e
uma gravata azul e verde pendurado no pescoço. Nós estávamos no caminho para a escola, mas ele
parecia que esteve em suas roupas durante toda a noite.

De repente, ele vira a cabeça para mim, e vejo como ele projeta sua língua, movendo-a de lado a
lado sugestivamente e sorrindo como um idiota.

Curvo-me em um riso silencioso, sorrindo para ele e balançando a cabeça.

Idiota.

Afastando-me, eu caminho de volta pelo corredor, em direção à igreja, deixando Damon para
terminar a sua “lição.”

Há muita coisa que eu amo sobre este lugar, mas ser ensinado desse jeito não é uma delas. As
missas me entediam, a escola dominical é monótona, muitos dos sacerdotes são distantes e frios, e por
isso muitos dos paroquianos são maus uns com os outros de segunda a sábado e, de repente, mudam suas
músicas das dez às onze horas nas manhãs de domingo. É tudo uma mentira.
Mas eu gosto da igreja. É silencioso. E você pode ficar quieto aqui, sem a expectativa de interações
forçadas.
Descendo o corredor, em direção à parte de traz, eu visualizo os quatro confessionários,
certificando-me se as luzes estão acesas, o que sinaliza que um padre está dentro. Já que eles estão todos
vazios, desço para a extrema direita, escolho o último, parcialmente escondido atrás de uma coluna e a
mais próximo das janelas de vidro colorido.

Eu puxo a cortina para trás e entro no cubículo escuro, fechando a cortina novamente. O cheiro de
madeira velha me cerca, mas não há outra coisa que eu noto vagamente. Uma sugestão de estar do lado
de fora. No vento e na água.

Sentando na cadeira de madeira, olho para frente para a tela de vime escurecida na minha frente,
sabendo que o outro lado está vazio. Os sacerdotes tinham ido para suas outras tarefas diárias.
Exatamente como eu gosto. Eu sempre fiz isso sozinho.

Inclino-me, meus cotovelos sobre os joelhos, e aperto minhas mãos juntas. Os músculos dos meus
braços queimam com a flexão involuntária.

“Perdoe-me, Padre, porque pequei” eu digo em voz baixa. “Passou-se um mês desde a minha última
confissão.”
Engulo em seco, sempre mais consciente de que quando um sacerdote não estava me ouvindo, eu
estava. E, acredite ou não, às vezes era mais difícil. Ninguém para me oferecer o perdão, além de mim
mesmo.

“Eu sei que você não está aí” digo ao ar vazio do outro lado. “Eu sei que eu tenho feito isso há
muito tempo, para continuar a inventar desculpas, mas...” faço uma pausa, procurando as palavras. “Mas
às vezes eu só posso falar quando ninguém está escutando.”
Eu inspiro profundamente, minha casca caindo.
“Eu só preciso dizer as coisas em voz alta, eu acho.” Mesmo se eu não tiver a penitência barata que
não faz nada para absorver a culpa.

Eu respiro o cheiro de água e do vento, sem saber de onde ele esta vindo, mas isso me fez sentir
como se estivesse em uma caverna. A salvo de olhos e ouvidos.

“Eu não preciso de você. Só preciso deste lugar,” admito. “O que há de errado comigo, que eu
gosto de esconder? Que gosto dos meus segredos?”

Não posso imaginar que Damon tenha algum segredo. Ele não se gaba de seus atos sujos, mas ele
nunca esconde, tampouco. Will, o outro membro da nossa matilha, não faz nada sem avisar, assim alguém
esta sempre ciente do que ele esta fazendo.

E Michael - nosso capitão de equipe, e aquele de quem eu sou mais próximo, esconde apenas
daqueles em torno dele, o que esconde de si mesmo.
Mas eu... sei quem sou. E eu fiz um esforço concentrado para nunca deixar ninguém vê-lo.

“Eu gosto de mentir para os meus pais,” quase sussurro. “Eu gosto que eles não saibam o que eu
fiz ontem à noite ou na semana passada ou o que vou fazer esta noite. Gosto que ninguém saiba como
gosto de estar sozinho. Como gosto de lutar, e que eu gosto dos quartos privados nos clubes...” paro,
perdido em pensamentos, lembrando do mês passado, desde a minha última confissão e todas as noites
que me perdi.

“Eu gosto que os meus amigos sejam ruins para mim” digo, continuando. “E eu gosto de assistir.”
Envolvo um punho dentro do outro, forçando as palavras.
“Gosto de observar as pessoas. Algo novo que descobri sobre mim mesmo.” Corro a mão pelo
cabelo, sentindo as extremidades ásperas com gel. “Querer estar neles, para sentir o que estão sentindo,
é quase mais quente do que realmente ser uma parte disso.” Eu olho para a tela escura, vendo apenas
uma pequena parte dela deixada aberta. “E eu gosto de escondê-lo. Não quero que meus amigos me
conheçam tão bem quanto eles pensam que fazem. Eu não sei por quê.” Balanço a cabeça, pensando. “Há
algumas coisas que são mais emocionantes quando são um segredo.”
Abaixando meus olhos, eu suspiro. “Mas por mais que eu não queira ser visto, é solitário, também.
Não há nenhuma conexão.”

O que não era inteiramente verdade se você visse pelo lado de fora. Michael, Will, Damon... éramos
cortes do mesmo pano, de certa forma. Todos nós amávamos o passeio selvagem e adorávamos a
adrenalina que só vinha de fazer qualquer coisa que não deveríamos fazer.
Mas eu? Eu gosto da minha privacidade. Mais do que eles.
E gosto das coisas sórdidas. Tanto quanto eles.

Eu empurro a vergonha para longe, voltando. “Então, de qualquer maneira, eu minto. O tempo
todo. Muitas vezes para contar.” Para todos. “Eu também tenho ressentimento do meu pai, na maioria das
vezes. Eu tomei o nome do Senhor em vão cerca de cinco centenas de vezes no mês passado, e tive sexo
pré-marital para quebrar a monotonia de cada minuto de vigília consumido com pensamentos impuros.”
Eu balanço minha cabeça, rindo de mim mesmo. “Penitência não vai me fazer parar, e não tenho nenhuma
intenção de mudar, então...”
É por isso que confessar a um padre não me faz bem. Novamente, eu gosto de fazer tudo o que eu
faço de errado. Mas é bom admitir isso. Pelo menos eu confesso, certo? Pelo menos sei que estou fazendo
coisas que não deveria, e isso é algo.

Fechando os olhos, inclino-me contra a parede e respiro no silêncio.

Foda-me, eu não posso esperar por esta noite. Pensar sobre as catacumbas ou o cemitério ou onde
quer que acabemos, me enche de necessidade. Minha máscara, o medo, a perseguição... engulo o caroço
na minha garganta, sentindo o calor do meu corpo subir.
A calmaria da fonte na parte de trás da igreja pinga suavemente, e ouço o eco de uma tosse a
distância. Eu não sei o que vou fazer primeiro: quebrar alguma coisa, me enroscar com alguém, ou lutar;
mas eu queria o que quer fosse agora, e não está escuro ainda. Esta noite é o destaque do meu ano.
“Há uma história...” uma voz diz de repente, me sacudindo.

Eu abro meus olhos, e meu coração cai no meu estômago, porra. O que…?
“Que diabos?” Eu me sinto explodir e me sento. "Quem é você?"
A voz feminina veio de algum lugar perto.

Como o outro lado do maldito confessionário.


Eu salto da cadeira, as pernas guinchando contra o chão de mármore.

“Não, por favor, não” ela implora, provavelmente sabendo que estou prestes a abrir a porta para a
câmara do padre, do outro lado. “Eu não queria ouvir, mas já estava aqui, e você começou a falar. Não vou
dizer qualquer coisa."

Ela parece jovem, talvez da minha idade, e nervoso. Fico olhando para a tela, sua voz a centímetros
de distância.
“Você esteve aí esse tempo todo?” Rosno; minha cabeça um turbilhão com toda a merda que eu
acabei de dizer.
"Que inferno? Quem é você?"

Abro a minha cortina, mas então eu ouço a grade do seu lado do painel se abrir toda, e seu pedido,
“Por favor” ela sussurra. “Eu quero falar com você, e não posso, se você me ver. Apenas me dê um minuto.
Apenas um minuto."
Paro, travando meu queixo. Que diabos ela estava fazendo ali? Ela sabe quem eu sou?

“Você pode me ver” ela diz. “Apenas me dê um minuto.”


Algo sobre sua voz é frágil. Como se ela fosse um vaso oscilando à beira de uma mesa de café. Eu
fico congelado por um minuto, debatendo se devo ou não deixar a minha curiosidade puxar o seu rabo
para fora da sala ou entrar nela.
OK. Apenas um minuto, então.

“Há uma história” ela começa de novo quando eu não me movo para longe “sobre The Pope Hotel
em Meridian City. Conhece o lugar?”
Eu olho para a tela, mal vendo seu contorno no escuro.
The Pope? Aquele desperdício de milhões de dólares no lado ruim do rio?

Fecho a cortina, tomando o meu lugar novamente. "Quem é você?"


“Há um rumor sobre o décimo segundo andar” ela continua, ignorando a minha pergunta. “Ele
existe, mas ninguém pode chegar até ele. Você já ouviu essa história?”
Eu me inclino apenas um pouco para trás, meu corpo ainda rígido e em guarda. "Não."

“Há rumores de que a família que possui o The Pope construiu um décimo segundo andar em cada
hotel que construiu. Para uso pessoal da família,” ela me diz. “O andar inteiro é a sua residência quando
eles estão em uma determinada cidade em um dos seus hotéis. É inacessível para os hóspedes, no
entanto. O elevador não para no andar, e quando foi investigado, não há nem mesmo a possibilidade do
elevador parar lá. O piso é confinado.” Sua voz atenua, e noto um toque de emoção em suas palavras. “E o
acesso da escada também.”
“Então, como a família chega ao seu andar secreto quando querem entrar?”
“Bem, essa é a questão, não é?” Ela pergunta. “Esse é o segredo. Durante muito tempo, as pessoas
achavam que era apenas algum mistério promovido pelos proprietários e funcionários para aumentar o
fascínio do hotel.” Ela faz uma pausa, e eu posso ouvi-la inspirar. “Mas, então, convidados começaram a
notá-la.”

"Notá-la?"
“Uma mulher - dançando” ela responde.
“Dançando” eu repito, de repente um pouco mais interessado.

Um piso secreto? Uma entrada secreta? Uma garota fantasma?


Eu sinto quando ela balança a cabeça, mas não posso ter certeza. “Depois da meia-noite, quando
quase todos os hóspedes estão escondidos em seus quartos e o hotel está calmo e escuro, eles dizem que
você pode vê-la...” ela quase sussurra, e eu posso ouvir o sorriso em sua voz. “Dançando sozinha, como
uma bailarina, no salão escuro iluminado pelo luar. Dançando uma canção de ninar assombrada.”

Eu vejo seus lábios se moverem, escondidos, em sua maior parte, na sombra, mas eu posso ver o
contorno.

“Outra história fala de uma bailarina dançando na varanda do décimo segundo andar, também,” ela
continua. “Eles podiam vê-la das janelas superiores. A chuva leve brilha, quando reflete as luzes da
cidade, dançando com ela enquanto ela gira e pula no ar. Histórias foram adicionadas ao longo dos anos,
aparições e perguntas... uma menina que nunca fez check-in e nunca fez check-out, escondendo-se de dia
e dançando a noite.” E então sua voz cai para um sussurro, fazendo com que o cabelo em meus braços se
levante. “Sempre sozinha, sempre se escondendo.”
Não podia ser verdade, mas eu meio que queria acreditar que era. Era como uma caça ao tesouro,
não era? Uma menina, oculta do mundo, se escondendo. Bem debaixo do nariz de todos.
“Por que você está me contando essa história?”

“Porque ela ainda está lá”, ela responde. “Escondida no andar secreto. Sozinha. Pelo menos é isso
que eu gosto de acreditar. Segredos e mistérios fazem a vida divertida, não é?”
Eu sorrio para mim mesmo, inclinando-me para frente e descansando os cotovelos sobre os joelhos
novamente. "Sim."
Seus dedos sobem para a tela, e eu finalmente vejo um pedaço dela. Sua mão magra, dedos e
unhas curtas.

“Eu gosto dos seus segredos.” Ela parece sem fôlego. “E quem você realmente está prejudicando,
mantendo-os? Certo?"

O vento e a água me cercam, e eu percebo de onde o cheiro tinha vindo. Eu a tinha cheirado, logo
que entrei no confessionário. Ela já estava aqui.
“Você escuta confissões de outras pessoas, muitas vezes?” Pergunto, um tanto divertido.
"Às vezes."

Sua resposta é tão rápida, que eu não podia deixar de admirá-la. Eu gostei que ela se sentisse tão à
vontade sendo honesta, e eu meio que esperava que fosse por minha causa.
“Eu minto também,” ela oferece.
"Para quem?"

“Para a minha família” ela diz. “Eu minto para eles o tempo todo.”
“Sobre o que você mente para eles?”

“Qualquer coisa que eu precise para mantê-los felizes. Digo-lhes que estou bem quando não estou.
Eu vejo minha mãe, e não deveria. Eu minto sobre a minha luta para ser fiel.”

“É importante esconder a verdade deles?”

“Tão necessário como o desejo deles de conhecer cada passo meu, sim.” Os dedos dela flutuam
para baixo da tela, suas unhas mal a raspando. “Eles ainda me vêem como uma criança. Incapaz."

“Parece que você pode ser,” eu medito. “Jovem, eu quero dizer.”

A zombaria escapa de seus lábios, me desafiando. “Eu era velha aos seis anos. Você pode entender
como isso soa?”

Aperto os olhos, tentando entendê-la. Sua voz, tudo o que ela disse, que ela era... velha aos seis.
Ela cresceu muito cedo. Isso é o que ela queria dizer.
Recostando-me de novo, eu observo a forma escura se mexer do outro lado da tela. Eu queria vê-la,
mas eu não queria parar de falar, também. Ainda não.

Ela disse que não podia falar comigo se eu a visse. Será que eu a conheço, então?
“Somos sempre bons, porque existem consequências” digo a ela. “Leve-os para longe, e todo
mundo mostra seu verdadeiro eu. É como tirar a máscara.”
“Ou colocar uma” ela responde. “Afinal de contas, não há liberdade na clandestinidade, não é?”
Sim, eu acho -

“Você gosta da sensação de uma máscara?” Ela cantarola, mudando de assunto.


Foi inesperado, e meu coração pula uma batida. “Por que você está me perguntando isso?” Ela
sabe quem eu sou, não é? Ela sabe que é a Devil’s Night.
“Eu gosto da sensação” ela diz. “Como esta cortina e a escuridão. Elas são tipos de máscaras, não
são?”

Mais ou menos.
“Eu poderia ser qualquer uma.” Sua voz frágil suaviza, ficando brincalhona. “Eu poderia ser uma
garota com quem você cresceu. Um colega de classe. A irmãzinha de alguém. A garota que você
costumava tomar conta quando você tinha dezesseis anos...”
Os cantos dos meus lábios se levantam, e eu alimento a ideia. Embora eu não reconheça sua voz, o
que não significa que eu não a conheça. Ela pode ser uma menina por quem passo todos os dias nos
corredores. Alguém que eu nunca dei um segundo olhar. Ou ela pode ser a namorada de um amigo ou de
uma das filhas do jardineiro. Quem sabe?

“E você poderia ser qualquer um, também”, ela pondera. “Namorado de uma amiga, um professor
por quem eu tenho uma queda, ou um dos amigos de meu pai. Você poderia me dizer qualquer coisa. Eu
poderia dizer qualquer coisa para você. E não há nenhum constrangimento, porque nunca teremos que
enfrentar um ao outro. Não se não quisermos.”

Inclino-me mais uma vez, tentando respirar mais de seu perfume.


Eu quero vê-la. Definitivamente tenho que vê-la.
“Eu vou manter seus segredos,” digo a ela. "Não importa quem você seja."
“Você é um dos meus segredos,” ela atira de volta. “Estou tentando te roubar, mas gostaria que eu
não quisesse.”

“O que significa isso?” Roubar-me?


“Então, o que você gosta de assistir?” Ela pergunta.
“Huh?” Ela muda de assunto novamente. Ela está se movendo a mil por hora, e estou tendo
dificuldade para acompanhar.

“Em sua confissão, você disse que gosta de assistir. Assistir o que?"
Mordo o canto da minha boca, hesitante. “Acho que você sabe”, eu respondo, prendendo.
“Descubra isso, mocinha.”
Ela ri pela primeira vez. Esse som perfeito, inocente, e minhas mãos cantarolam com a vontade de
tocá-la, de repente.

“E se eu gostar de assistir, também?” Ela brinca. “Mostre-me com suas palavras.”


“Eu não posso.” Olho para baixo, envergonhado, apesar de mim mesmo.
“Por favor”, ela pergunta de novo, sua voz caindo para um sussurro, e eu juro que posso sentir o
calor de sua respiração no meu rosto. "Fale comigo. Diga-me o que você não conta a ninguém.”

Eu balanço a cabeça, lutando. O jeito que ela fala... às vezes era como uma mulher, montando meu
colo com os lábios a centímetros do meu.
Mas agora, era como uma menina, desesperada por um deleite.
“Quando foi sua última confissão, pequena?” Eu cutuco, avançando ainda mais em seu território.

“Eu nunca fiz uma.”


“Você não é católica?”
"Não."

Então por que ela está aqui?


Mas, novamente, por que ela está na câmara do padre, também? “Você é um pouco misteriosa, não
é?” Pergunto, não esperando uma resposta.
"Vamos. O que você gosta de assistir?” Ela repete, me empurrando.

Abro a boca, mas só acabo deixando escapar um suspiro.


Jesus. O que eu gosto de assistir? Não posso dizer isso a ela. Porra.
Fecho os olhos. Eu preciso sair. E se ela me conhece? E se frequento a escola com ela? E se ela é
alguém de quem gosto? Ela não quer saber dessa merda.

Mas, como se ela soubesse o meu medo, ela me diz: “Não tenha medo. Eu já estou imaginando o
pior, e ainda estou aqui, certo?”

Eu balanço a cabeça, sentindo-me estúpido, mas rio de qualquer maneira. “Eu gosto...” Corro a
mão pelo meu rosto. “Um dos meus amigos teve uma garota na sala de imprensa neste verão” digo,
começando de novo. “Já era tarde, estávamos todos muito acesos, e o clima estava ficando aquecido. Ele
começou a beijá-la e senti-la, nada que eu não tenha visto antes, mas ela olhou para mim, provavelmente
esperando que eu participasse, mas...”
Eu inspiro profundamente. Não sinto que estou a salvo no momento. Eu não sinto que estou me
escondendo neste fodido confessionário escuro, com uma tela entre mim e essa garota que eu posso ou
não posso conhecer. Eu devo calar a boca.

Mas parte de mim não quer. Cada palavra trouxe-me mais perto da borda. Mais perto de cair. Eu
quero cair.
Eu continuo. “Algo me manteve enraizado no meu lugar neste momento. Não conseguia tirar os
olhos dela, mas não podia mover-me, também.”
A menina do outro lado permanece quieta, mas sei que ela ainda está lá.

“Eu não queria me mover”, confesso. “E ela não conseguia tirar os olhos de mim, também. Ela
montou nele, fodeu com ele, mas seus olhos estavam em mim o tempo todo.”
Fecho os olhos por um momento, lembrando-me da visão de sua moagem sobre ele. Mas era tudo
para mim.
Tudo o que ela fez foi continuar me assistindo. Eu a controlei.

“Eu podia ver seu peito se movendo mais rápido com sua respiração, o suor em seu pescoço, seus
olhos nervosos... ela não sabia o que eu ia fazer. Ela não sabia se eu gostava do que estava vendo ou se
iria atacar a qualquer momento. Ela estava assustada. E excitada.”
“Ela não tinha ideia do que eu estava pensando. Como gostava do que ela estava fazendo comigo
sem colocar a mão em mim. Eu não estava me comunicando com as mãos ou a boca, apenas os meus olhos
por todo o seu corpo, e a deixava louca não saber. Deus, ela adorou.”
“Ele transou com ela”, eu digo, “mas eu fui a pessoa que a fez gozar.”

Percebi que minhas calças estavam mais apertadas, e me abaixei para me ajustar, grunhindo sob a
minha respiração com a dor.
“Sórdido, certo?” Digo. “Nojento, desprezível, vil...”
“Sim.” Mas ouço um sorriso na sua voz. “Então, o que você faz sobre isso?”

“O que você quer dizer?”


As pontas dos seus dedos pressionam contra a tela novamente. “Você deve ter ficado excitado
depois disso. O que você fez?"
Eu seguro meu riso nervoso. Ela não perde uma batida, não é? “Você está me esfolando vivo agora,
garota."

Uma risada ofegante escapa dela, e eu quase podia perceber seus lábios perto da tela.
“Quantos anos você tem?” Pergunto.
“Idade suficiente para ter visto e ouvido pior” ela responde. "Não se preocupe. Agora o que você
fez depois disso?”

“Eu não posso...” respiro. “Eu não fiz... eu não fiz nada.”
Mas ela espera. Ela sabe que eu estou mentindo.
Lambo os lábios secos, deixando a minha voz cair tanto, que eu não sei se ela pode me ouvir. “Eu
não esperei os meus amigos para me levantar e sair de carro para ir buscar comida” digo a ela. “E não
esperei a menina se arrastar pelo corredor até o banheiro ou que ela entrasse no chuveiro. Eu não a segui
ou desliguei as luzes, assustando-a...”

A memória de seu suspiro soa em meus ouvidos, e o mundo inclina na minha frente. O banheiro
escuro, a cortina do chuveiro balançando, o vapor que já podia sentir o cheiro...

“Está tudo bem,” Garota Misteriosa diz quando eu permaneço quieto.


“Não gostei de assustá-la ou fazê-la gritar.” Eu cerro os dentes, deixando a cabeça cair na minha
mão. “Ou subi em seu chuveiro e a arrastei e a senti desmoronar em minhas mãos...”

Meus dedos deslizam pelo meu cabelo, vergonha queima meu rosto, mas também um peso levanta
de meus ombros. Se essa garota não correr, então talvez eu não fosse tão ruim, certo?
Certo?
“E não amei cada segundo dentro de seu corpo apertado”

“Não, não” ela insiste, me parando. “Não diga mais. Por favor."
Eu levanto minha cabeça, minhas entranhas encolhendo. “Estou te assustando.”
"Não."

"Mentirosa."
“Sim” ela finalmente diz. “Sim, você me assusta. Mas eu gosto. Eu só...”
“Só o que?’

“Eu só estou...” ela fez uma pausa, respirando de forma irregular. “Só estou com ciúmes.”
“Por quê?”
“Porque você a caçou.” Sua testa pálida inclina-se contra a tela, e eu pego alguns fios de cabelo
abundante e escuro. “Talvez eu não devesse deixar você me ver ainda. Talvez eu devesse deixá-lo me
caçar, também. Parece que você é bom no que faz.”
Eu me inclino para trás, um sorriso puxando meus lábios. Eu já não estou envergonhado. Mantendo
meus olhos nela, puxo as minhas chaves do meu bolso e coloco a afiada, do meu carro, em um dos buracos
da tela de vime. Antes que ela tenha tempo de ir para trás, eu puxo a chave para baixo, arrancando uma
fenda na tela, e empurro minha mão através dela, pegando sua camisa no meu punho enquanto ela tenta
escapar. Puxo-a para frente e inclino-me, sentindo o vento em sua pele e sentindo o quão pequena e leve
ela é. Eu mal flexiono um músculo, segurando-a.

“O que faz você pensar que eu não tenha feito isso esse tempo todo?” Eu provoco. “Você acha que
essa pequena história é a mais impertinente que posso ter? Devo te contar sobre o último verão e como
cacei a minha ex-babá uma noite que estava em casa de férias da faculdade de medicina? Ela gostou de
como eu cresci.”
Ela inspira forte, inspirações rasas, e suas mãos vem para cima, apertando a minha. "Sim."
Aperto os olhos, soltando seu moletom e, em vez disso, levanto a mão para seu rosto. No meu
toque, ela treme, mas não recua.

A pele lisa parece como a água quando eu roço meus dedos sobre sua mandíbula afiada e até sua
bochecha. Eu mergulho por seu lóbulo delicado e em seu cabelo, decifro a suavidade e o comprimento
escondido. Tecido roça a palma da minha mão, e percebo que ela está usando um capuz.
Seu cabelo está escondido atrás dela, e tudo está frio. Seu rosto, as mãos, os cabelos... mesmo sua
orelha parece um pingente de gelo.
“Você está tão fria” digo.

Mas ela vira o rosto na minha mão, seu hálito quente caindo em minha palma. “Eu não estou com
frio.”
Seus lábios mal tocam minha mão, e quero ir para frente alguns centímetros para chegar mais
perto e tocá-los, mas não o faço. Ela não está se afastando de mim, e eu quero prolongar isto. Deslizo
minha mão em torno de seu pescoço, seguro-a e roço o polegar na frente de sua garganta, sentindo-a
engolir.
Ela estava tão quieta, como se estivesse realmente com medo. Um som quebra em algum lugar na
igreja, e registro brevemente uma bola de basquete quicando. Depois de anos na quadra, eu conheço o
som como se fosse a voz da minha mãe.

“É a Devil´s Night, e a noite é uma criança” ela finalmente fala. “Talvez você encontre alguém para
assustar esta noite.”
Aperto o meu punho. “E se eu quiser assustá-la?”
Sinto seu corpo tremer com uma risada. “Então talvez eu esteja por perto” ela diz, brincando,
afastando-se. "Boa caçada."

Ouço um arrastar e vejo a luz acender em seu quartinho antes da porta se fechar, tornando-o
escuro de novo.
“Ei.” Puxo minha mão de volta. “Ei!”
Levanto-me e abro a cortina, saindo e olhando ao redor antes de abrir a porta. A câmara do padre
está vazia. Eu me viro e olho ao redor da igreja, notando apenas algumas pessoas nos bancos da igreja,
nenhuma com aparência de uma adolescente. Ando até a fileira de colunas, perto das janelas, olho ao
redor, não vendo ninguém lá, também.

“Que diabos?” Para onde ela foi?


O som de quicar é ouvido novamente, e olho para cima, vendo Damon dar a volta na última fileira
de bancos e caminhar em minha direção. Ele deve ter acabado com Beir.
“O que está acontecendo?” Pergunta através do cigarro apagado na boca.

Eu me endireito e fecho minha boca, tentando respirar mais lento. "Nada."


Eu não tenho ideia de como começar a explicar o que aconteceu. Além disso, não é sábio colocar
uma menina em seu radar se você planeja mantê-la para si mesmo. Pelo menos, no início.
Segurando a bola ao seu lado, ele se inclina e acende o cigarro usando uma das velas de oração.
“Vamos lá, pare com isso,” repreendo, ainda tentando não olhar em volta para procurar a menina. Eu
ainda a sinto ali. Damon o acende, a ponta do seu cigarro ficando laranja e uma nuvem de fumaça
flutuando no ar. "Nem ligo.” Ele tira o cigarro da boca e sopra.
“Mas é um insulto para as pessoas que o fazem. Não admira que você esteja no confessionário cada
porra de semana.” Eu ando em torno dele, ficando impaciente e sem saber o porquê.
Damon faz tudo que pode para ser um idiota, mas isso é dele. Ele é sempre o mesmo.

E de repente, não quero a mesma merda hoje à noite, por algum motivo. Eu não quero que ele seja
ele ou que eu seja eu. Não quero esconder nada esta noite.
É Devil´s Night, ela disse. Ela sabia o que iríamos fazer. Ela me conhecia. Se ela não me
encontrasse, eu a encontraria.
Capítulo 3
Kai

Presente

Pego duas garrafas de água da bacia com gelo ao lado das toalhas e caminho em direção a sauna, o
calor úmido serpenteia até minhas narinas quando abro a porta de vidro fosco e entro.

O Hunter-Bailey Men´s Club está tranquilo esta hora do dia. E não importa o quão ocupado eu e
meus amigos estamos - ou com que grau de ressaca - nos encontramos aqui quase todas as manhãs.

Olho para cima, vendo instantaneamente Michael sentado dois degraus acima, no assento de
mármore que serpenteia em volta da sala, enquanto Will sentou-se a minha direita um degrau para baixo.
Ele levanta a cabeça, e eu posso ver as indiscrições da noite passada escritas por todo o rosto pálido e
cansado. Olheiras se veem debaixo de seus olhos, e ele abaixa a cabeça novamente, resmungando, “Filho
da puta.”

Eu balanço a cabeça, segurando uma garrafa de água. “Você precisa de novos vícios.”

O idiota esta bêbado todos os dias. E para piorar as coisas, ele está gastando cada centavo que
seus pais estúpidos e indulgentes lhes deram, pagando por qualquer uma das três coisas a que ele
dedicou sua vida: bebida, mulheres, e, como estou começando a suspeitar, pílulas e pó.
Ele puxa a água para fora da minha mão e segura a garrafa gelada na testa, sua respiração
superficial fica instável.

Tomando minha garrafa, subo o degrau e sento-me ao lado de Michael. Suas costas e cabeça
descansam contra a parede, e seus olhos estão fechados enquanto vapor ondula no ar ao nosso redor. A
iluminação fraca lança um suave brilho azul, por toda a sala, e sinto uma gota de suor deslizando pelo
meu peito em direção a toalha.

“Como estão as reformas no St. Killian?” Pergunto.

Mas ele sacode a cabeça. “Não faça isso. Não fale comigo sobre a porra das reformas agora.”
Eu estreito meu olhar, vendo seus olhos abertos e sua mandíbula flexionar quando ele olha para
frente. Ele está com raiva? De mim?

E então a suspeita me bate. Anteontem à noite e o que aconteceu no dojo com Rika.

Ótimo. Não é que eu tivesse direito, de modo algum, mas confiei que ela não diria nada a Michael.
Deixo escapar um suspiro. “Cara, sinto muito. Eu não ia machucá-la. Eu -"

“Você sabe sobre o que eu estive pensando ultimamente?” Ele me interrompe, perguntando, mas
não esperando por uma resposta. “Sua mãe, Vittoria.”

Eu mantenho meus olhos sobre ele.

“Ela era uma peça valiosa naquela época, hein?” Ele medita com um leve sorriso no rosto. “Ainda é,
se você me perguntar. Bunda grande. Pernas longas."
Eu paro, apertando meu queixo. Sei o que ele está fazendo, mas a raiva está subindo de qualquer
maneira.

Ele continua: “Eu não acho que te disse o quão quente ela sempre me pareceu, não é? No ensino
médio, indo para sua casa e a vendo em suas roupas apertadas de ginástica. Aquela mulher ainda não
parece ter mais que trinta.” Ele sorri, saboreando os insultos que ele atira na porra do meu rosto.

“Sabe o que eu acho que vou fazer?” Ele provoca. “Eu acho que vou para a casa dos seus pais esta
noite. Esperar até que seu pai esteja dormindo e ver se ela quer subir em cima de mim. Sim.” Ele assente.
“Ela vai adorar me sentir, e se não o fizer, quem se importa? Quem se importa com o quanto ela luta e
chora? Vou colocar medo nela, então cada vez que estiver por perto, ela vai saber que eu posso pegar o
que quiser dela, não importa o quê.”

Eu aperto os punhos ao meu lado e olho para frente, a fúria queimando através do meu interior.
Pra caralho.
Levanto-me e desço os degraus, virando-me para Michael, que ainda está relaxando sentado contra
a parede. Mas seus olhos estão presos nos meus, muito pronto para este confronto.
“Eu nunca a teria machucado” digo novamente.

“Machucado quem -”
Mas Michael corta a pergunta de Will e me olha, inclinando-se para frente. “Quando acordo no
meio da noite, eu espero encontrar Rika lá” ele cospe. “Não chorando enquanto ela espanca um saco de
pancadas no andar de baixo, às três horas da manhã, porque você a fez sentir vergonha de si mesma.” Ele
me segue até o degrau, invadindo o meu espaço e tentando me intimidar. “E quando eu perguntar-lhe o
que está errado” ele continua, “não espero que ela minta para mim para protegê-lo. O que diabos está
acontecendo com você? Por que você foi tão longe?”

“Ela precisa ser capaz de se proteger” digo a ele. “Ela precisa estar pronta. Ela não é a sua
boneca.”

“Não me diga o que ela é!”

“Você disse que ela era uma de nós!” Atiro de volta. “Ela não é diferente, certo? Você não mima
Will ou eu. 'Ela é igual.' Foi o que você disse. Nós somos seus amigos, também, e temos uma participação
em vê-la ser capaz de proteger-se. Eu não vou segurar a porra da mão dela como se ela tivesse cinco anos
de idade.”
Michael se lança para frente, ficando na minha cara. “Você não pode tomar decisões sobre a minha
mulher.”

“Tem certeza que pode?” Respondo.


As rugas entre as sobrancelhas se aprofundam. Ele ainda está chateado.

Mas sou eu quem está certo.

Michael treinou Rika por anos, porra. Desde que eram crianças, ele brincou com ela e a manipulou.
Ele nunca a tratou gentilmente e sempre esperou que ela cuidasse de si mesma e de sua própria merda.
Mas agora que ela era dele, ele tinha mudado. Todos nós lutamos nossas próprias batalhas,
incluindo Rika. O que diabos ele estava pensando? Ele não estava lhe fazendo nada de bom.
Eu ouço os seus ossos estalarem quando algo é apertado. Se eu fosse qualquer outra pessoa, ele já
teria me batido.

Se fosse qualquer outra pessoa, ele não teria medo.


“Experimente,” zombo. "Atreva-se."

Ele dá um passo para mais perto, e eu também, pescoço a pescoço e olho no olho como se nós
estivéssemos no chão. Eu nunca piso no pé de Michael, e ele nunca pisa longe demais do meu. Ele sabe
que não vai ganhar, então para salvar o seu orgulho, eu sempre fui o primeiro a recuar. Nas poucas
ocasiões em que estávamos zangados um com o outro, de qualquer maneira.

Mas encontro-me não tão disposto a ceder desta vez. Eu não queria fazer Rika se sentir mal, mas
ela não deve se sentir confortável, também. Não com Damon correndo por aí. Eu tenho razão.
O suor escorre pelas minhas costas, e nós encaramos um ao outro e nenhum de nós pisca.
“Vocês vão se entender agora?” Will pergunta.

Eu abaixo meus olhos. Pelo amor de Deus.


Deixe Will contar uma piada agora.
Com um suspiro, eu ando em torno de Michael e olho entre os dois. “Temos inimigos. E a lista
cresce a cada dia. Rika deve estar tão alerta quanto nós.”

Nós quatro tínhamos formado uma empresa — Graymor Cristane — a combinação de nossos
sobrenomes e Rika insistiu em ser uma parceira igualitária no negócio. E no grupo. Ela precisava saber
como lidar com qualquer ameaça.
Mas Michael se vira para mim, balançando a cabeça. “Damon se foi.”

“Não, Damon está escondido,” eu o corrijo. “Você já parou para se perguntar por quê?” Jogo um
olhar para Will antes de me voltar para Michael. “Por que não há quaisquer fotos dele online? Por que os
detetives não são capazes de encontrá-lo para vigiá-lo como pedimos a eles? Eles não estão encontrando
compras em seus cartões de crédito, e seu passaporte não mostrou qualquer atividade no ano passado.”
Quer dizer, supondo que ele não está morto, por que é que ele não aparece no radar de ninguém?

“Damon não se esconde” digo a eles. “Por que ele está se escondendo agora? Ele sabe que não
vamos atrás dele. Por que ele não está curtindo nos clubes de Moscou ou comprando merda em Tóquio ou
sendo notado no Havaí ou Fiji ou LA?” Meu tom fica mais alto, mais exigente. “Por que ele está invisível?”

Michael e Will ficam em silêncio por um momento, suas expressões pensativas antes de Will
finalmente responder. “Porque ele não quer que as pessoas saibam onde ele está?”
“Exatamente.” E então eu encontro os olhos de Michael. “E por que ele não quer que as pessoas
saibam onde ele está?"
O olhar de Michael cai, e sua voz está moderada. “Porque ele está em algum lugar que ele não
deveria estar.” Eu concordo. O ego de Damon é uma centena de vezes o tamanho de um navio. Ele não iria
se esconder de nós. Não, a menos ele tivesse uma boa razão para não ser encontrado.

“E se o passaporte que rastreamos para a Rússia no ano passado foi um disfarce?” Pergunto-lhes,
não esperando uma resposta. “E se ele estiver mais perto do que pensávamos?” E então eu me aproximo
de Michael, baixando a voz para um sussurro. “E se ele nunca foi embora?”

Os olhos castanhos de Michael se estreitam de novo, e sua mandíbula flexiona quando as rodas em
sua cabeça começam a girar. Depois de todo esse tempo e todos os esforços fracassados para localizar
Damon, finalmente pensei nisso. Ele estava deliberadamente permanecendo fora do radar. E não foi por
culpa ou vergonha pelo que ele fez. Ele estava escondido, porque estava bem debaixo dos nossos narizes.
Eu apostaria minha vida nisso.
“Ei, ei, ei,” Will entra na conversa, e eu o vejo levantar-se com o canto do meu olho. “De maneira
nenhuma, porra! Ele não poderia ter ficado aqui um ano inteiro sem sabermos disso. E se ele está, o que
diabos ele está esperando?”

Viro a cabeça para ele. “Devil´s Night.” E então eu olho para Michael. "Nós precisamos ir. Agora."

Leva menos de uma hora para chegar a Thunder Bay, nossa cidade costeira onde tínhamos
crescido. Rika ainda esta na sala de aula, uma de iniciante no Trinity College, em Meridian City, por isso
Michael lhe mandou uma mensagem, avisando que estaria de volta em poucas horas. Tenho certeza que
ela teria gostado de fazer a viagem curta para ver sua mãe, mas Michael nem sequer lhe deu a opção.
Provavelmente porque ele não tinha nenhuma intenção de trazê-la para qualquer lugar perto da casa de
Damon ou de seu pai.
E por mais que eu tenha falado muito na sauna, eu não poderia dizer que o culpava. Gabriel
Torrance era um pedaço de merda.

Sentamos em um espaço do estacionamento ao lado da entrada circular de automóveis, no novo


SUV de Michael. “Deixe-me ir,” digo, sentado no banco do passageiro, olhando para a mansão de pedra.
"Eu quero falar com ele sozinho.”
“Vamos todos,” Will fala do banco de trás.

“Não.” Eu viro minha cabeça para ele, estreitando os olhos. "Você fica aqui."

Eu me viro para frente novamente, encontrando brevemente os olhos de Michael. Will tinha se
comportando mal, como se fosse a porra do seu trabalho, desde que Damon foi embora, e eu não tinha
certeza se era boa idéia trazê-lo aqui, muito menos sujeita-lo a esta casa. Pelo que eu sabia, Damon
poderia estar escondido em algum lugar lá dentro.
Limpando a garganta, abro a porta e pulo para fora do carro, olhando para trás, através das janelas
abertas, enquanto fecho a porta. “Diga a minha mãe que morri bem,” eu digo sarcasticamente para ambos
e, em seguida, lanço um olhar para Will. “Não, na verdade, diga você a ela. Michael não tem mais
permissão de ficar perto da minha mãe.” Eu me viro, ouvindo a risada de Michael atrás de mim. É melhor
que nada dessa merda seja verdade, também.
Indo até a porta da frente, olho rapidamente para a torre construída na frente da casa. A casa
Torrance era uma estrutura em estilo de castelo de pedra clara, mas havia três torres de vigia, dando-lhe
uma qualidade de castelo. Uma das torres era próxima ao quarto de Damon, onde uma escada em espiral
do outro lado de sua cama levava até uma pequena alcova no topo com uma única janela pequena. Eu só
estive em seu quarto uma vez, e ele não me deixou ficar muito tempo. Aquele era um lugar onde ele
cobiçava sua privacidade.

Estendo a mão para pressionar a campainha, mas a porta se abre de repente, e deixo cair a minha
mão. "Sr. Mori,” Hanson, um homem loiro em um terno preto me cumprimenta. "Por favor entre."

Hesito apenas um momento antes de pisar para frente. Já que tivemos que nos anunciar no portão,
eles sabiam que eu estava chegando, mas eu sinto um nó apertar no meu estômago, de qualquer maneira,
com a resposta rápida. Mais alguns momentos de atraso, por ter que lidar com Gabriel, teria sido
apreciado.
Ele fecha a porta, e sem uma palavra, eu o sigo pela casa. O pai de Damon poderia, quase sempre,
ser encontrado em casa. É onde ele está mais seguro.
Embora ele tenha se colocado a frente lidando com os meios de comunicação, investindo em redes,
notícias e entretenimento, eu sabia que era apenas uma gota no oceano de como ele ganhou o seu
dinheiro. Homens com trabalhos honestos não mudavam seus sobrenomes russos para ingleses tentando
esconder seu passado. E só os homens com atos sujos que empregavam uma equipe de músculos para
protegê-los o tempo todo.

O empregado me conduz através da vasta casa e para o terraço, onde toda a área foi pavimentada
em um mosaico de pedras cinza com linhas esporádicas de ciprestes italianos. Várias pessoas vagueavam
ao redor, muitas mulheres jovens em vestidos chiques e segurando taças de champanhe. Sem se importar
que fosse quase meio-dia.
Um buffet de alimentos está à minha direita, enquanto, nas proximidades, em uma mesa cheia,
homens bem vestidos conversam e riem.

Gabriel, vestido com calças pretas e uma camisa preta, está parado sobre um rottweiler, agarrando
seu colarinho.

Paro, olhando para ele. Ele gira o punho na parte de trás da cabeça do cão, o anel de ouro com
cabeça de leão em seu dedo médio, pressionando seu crânio. O cão gane, avançando, mas ele tenta
mantê-lo entre suas pernas. A luta continua.
Pressiono meu maxilar e levanto um olhar duro para Gabriel. Filho da puta. Um sorriso doentio
curva seus lábios finos, quando ele o empurra mais para baixo e torce a corrente em volta do pescoço do
cão, sufocando-o.
Dou um passo, mas paro, vendo os dois huskies, o beagle com cortes sangrentos na sua lateral, e o
pit bull cujas costelas eu podia ver através de sua pele.

Dado todo o meu ressentimento de Damon Torrance - como ele tentou me matar no ano passado,
como ele traiu Will e Michael, e como ele tentou ferir Rika - eu nunca deixo de lembrar como um
verdadeiro monstro parece.
O cão finalmente quebra e se deita, tremendo, como previsto.
Gabriel pega um pequeno pedaço de carne do prato sobre a mesa do jardim e o atira para o cão.
Ele então se levanta e pega mais um pouco de carne, jogando os pedaços maiores ao pastor e para o
huskie de pé atrás dele, enquanto os outros cães olham avidamente.

“Então, eles me mandaram o Nipônico, hein?” Ele diz, sem olhar para mim enquanto acaricia a
pele do huskie. “Michael não é mais o cão alfa?”
Eu levanto meu queixo, mantendo o tom, apesar de sua calúnia. “Regras de Moscou, Sr. Torrance.”
Eu o lembro. "Número oito. 'Nunca perturbe a oposição.”
“Número nove” ele dispara de volta, piscando os olhos escuros sob uma sobrancelha cinza.
“Escolha a hora e o local para a ação.”

E ele estende as mãos, apontando para seus homens e suas armas, que nunca foram muito longe, e
sua casa, ou seja, eu estou em seu território. Ele tem a vantagem.

“Então, o que é isso?” Ele limpa as mãos em um guardanapo de linho, cavando entre os seus dedos
e sob o anel. “Estamos chegando a um acordo? Você vai deixar meu filho em paz, se ele voltar para casa?”
“Isso depende. Você está aberto à negociação?”

De repente, o pastor alemão estala, tanto ele como o pit bull latindo um para o outro quando este
tenta roubar sua carne. Gabriel dá um passo, gritando: “Não. Heel!” Ele chicoteia o pano, encaixando-o no
rosto do pit bull.
Um de seus homens corre para pegar o cão conforme Gabriel faz uma careta para o animal que
luta.
“Aquele manchado está me irritando” diz o homem e depois grita para o cão novamente. "Deitado.
Deitado!"
O pobre animal é arrastado e Gabriel volta para a mesa, jogando o guardanapo. Ele olha para mim,
voltando à nossa conversa. “Não brinque comigo, rapaz”, ele vocifera. “Você só está vivo ainda porque
Damon vai querer fazer as honras ele mesmo.”

“Não” respondo; o meu tom muito calmo. “Seu filho fez o suficiente de confusão por você, e você
não precisa de mais uma agora. Se pudermos fazer isso amigavelmente, eu sei que nós dois preferiremos,
então tente não intimidar.”
Ele ri suavemente, tomando um gole do seu copo. Michael, Will, e Rika concordaram que eles iriam
seguir em frente com suas vidas e deixar Damon seguir em frente com a sua se ele ficasse fora da cidade
e longe de nós.
Mas eu não. Eu precisava encontrá-lo, e não podia dizer aos meus amigos o porquê.

E eu precisava encontrá-lo agora, antes que ele voltasse para casa e para a proteção de sua
família.
“O seu hotel na cidade,” eu continuo. "The Pope. É do meu lado do rio, e estou interessado nele.
Quid pro quo. Você me da algo. Eu lhe dou algo. Está à venda?”

“Tudo está à venda.” Ele coloca o copo na mesa e senta-se, gesticulando para eu fazer o mesmo.
“Mas vou querer meu filho de volta.”

Claro que você quer. Sento-me na cadeira preta de ferro forjado do jardim, tentando parecer
relaxado, apesar da dor no meu estômago tenso. Eu odeio a ele e esta casa.
“E mesmo que isso está sobre a mesa” ele continua, “ainda não será suficiente para fazer um
acordo. Eu não gosto de você.”
“Eu sei.” A loira se aproxima, e eu viro meu olhar para ela. Ela usa um robe de seda branca, longo
o suficiente para cobrir seu traseiro quando ela se inclina para colocar outra bebida na frente de Gabriel.
“E eu estou à venda”, ela brinca.

Lanço meu olhar de volta para Gabriel, tentando ignorar a interrupção. Não era incomum ver
mulheres vestidas assim nesta casa, nem seu flerte era fora do comum. Entretenimento sempre está ao
alcance aqui. Mesmo quando a mãe de Damon vivia aqui.
Baixo os olhos, sentindo a adrenalina inundar minhas veias com a lembrança dela. Eu não gostava
dela mais do que o marido.
A jovem vira-se para ir embora, mas Gabriel a puxa de volta para seu colo.

“Você sabe qual é seu problema?” Ele me pergunta conforme ele serpenteia uma mão ao redor dela
e aperta seu seio através de seu robe. “Por que, de vocês três, você era o único que eu odiava pendurado
em torno do meu filho no segundo grau?”
Eu permaneço em silêncio.
“Sua lealdade tem um limite” Gabriel diz, respondendo à sua própria pergunta. “Eu sempre pude
ver isso. Grayson e Crist, eles iriam protegê-lo, mesmo se eles encontrassem uma prostituta morta em sua
cama e sangue em suas mãos. Não haveria perguntas. Sem hesitação. E Damon também.” Ele acena para
mim. “Mas eu não acho que você faria o mesmo por eles.”

Seus olhos arrogantes encontram os meus enquanto ele enfia a mão dentro do robe dela,
distraidamente acariciando seu seio.

Eu enrolo minhas mãos em punhos. Mas então eu relaxo, não querendo lhe dar a satisfação. Ele
nunca saberia o quanto eu fiz por seu filho.
“Mesmo seu amor por seus amigos” ele continua, “nunca poderia ofuscar o seu senso de certo e
errado, certo?”

“Eu fui preso por agredir um policial. Por um amigo,” eu o lembro.


"Não. Por agredir um homem que acreditava que merecia, por abusar de sua irmã” argumenta.
“Mesmo como um criminoso, você é nobre.”
Ele então volta seus olhos para a menina. “Você vê, querida” ele diz a ela, puxando sua mão para
fora de seu robe e escovando seu cabelo para trás da orelha. “Kai Mori é um filho da puta hipócrita, e eu
quero que você vá lá e lhe dê um boquete, agora.”

Raiva aquece instantaneamente meu corpo. A menina tranca os olhos comigo, inclinando a cabeça,
brincando, e, em seguida, ela caminha ao redor da mesa em minha direção.
Aquele filho da puta. Ele sabia como manipular as pessoas, não é? Se eu saísse agora, a conversa
teria acabado. Sem acordo. Que é provavelmente o que ele tinha em mente. Ele pode querer Damon de
volta, mas ele não quer lidar comigo. Ele espera que eu pule do barco e corra.

Agora, se eu deixar a menina me chupar, isso iria surpreendê-lo, não é?


Ela para na minha frente, e eu seguro seus olhos enquanto ela se ajoelha, suas unhas pintadas da
cor vinho lentamente ampliam minhas coxas. Ela agarra a minha cintura, e eu agarro suas mãos,
empurrando-a.
Não.

Gabriel não vai me empurrar na sarjeta com ele.

Levanto-me, endireitando o cinto e alisando minha mão pelo meu casaco.


“Sempre previsível.” Gabriel ri.

A garota olha para ele, provavelmente com medo de ter feito algo errado, e ele empurra o queixo
para ela, falando russo. Ela imediatamente se levanta e volta para a casa.
“Porém, você deve experimentá-la,” ele me diz, pegando sua bebida. “Uma garganta de um
quilômetro de profundidade, essa aí tem.”
“Tudo bem?”

Eu empurro minha cabeça, vendo Michael e Will parados na porta da casa, nos observando. Deixo
escapar uma respiração, não percebendo que eu a estava segurando. Eu não tenho certeza se eles viram o
que tinha acontecido, mas eu realmente não me importo.

“Hanson” Gabriel chama seu homem, colocando sua bebida para baixo e colocando o braço em
torno da cintura de uma morena que tinha levantado. “Leve estes senhores para a sala de jantar.” Ele olha
para nós três. “Meu assistente irá encontrá-lo lá para discutir os termos e The Pope. Eu vou estar em
contato.”
E lá se foi ele, levando a jovem para dentro da casa.

A expressão plana que eu estive forçando vacila, e olho para as suas costas quando ele sai.
O pai de Damon era quase idêntico ao de Michael na personalidade. Eu odiava a ambos. E
compreendia completamente por que meu pai raramente falava com qualquer um deles em festas ou
eventos esportivos quando crescia. Foi a única área onde Katsu Mori e eu concordamos.
“Senhores.” Hanson avança, levantando o braço e apontando para que nós o seguíssemos para a
casa.

Michael franze as sobrancelhas, questionando-me com os seus olhos, mas eu balanço a cabeça,
seguindo o servo.
Os cachorros. A menina. A multidão de pessoas que ele não dá a mínima que vejam seus atos
imundos. Ele queria que eu soubesse que ele era mais forte.
Mas eu ia ser mais esperto.

Hanson nos leva de volta pela casa, mãos entrelaçadas atrás das costas até que chegamos a um
conjunto de portas duplas, e as abre, convidando-nos para uma sala de jantar. Ele para e se vira,
deixando-nos entrar.
“Por favor, sente-se onde quiserem” ele instrui. “Refrescos serão servidos em breve.”
Ele sai do quarto, fechando as portas duplas pretas, e, logo que eu ouço as maçanetas douradas
clicarem fechadas, solto um suspiro e fecho os olhos.

“O que aconteceu?” Michael pergunta, parecendo preocupado.


Eu apenas balanço a cabeça, virando-me e olhando fixamente para fora das janelas, para o terraço
de onde tinha acabado de sair. “Eu quase me esqueci,” murmuro para mim mesmo. “Eu quase me esqueci
que havia uma razão para Damon estar tão fodido.”
Eu chuto a perna de uma cadeira, fervendo. Maldito seja. Ele me chamou de criminoso, porra.
“Mesmo como um criminoso, você é nobre,” Gabriel tinha dito. Ele podia ir se foder. Sua crueldade, sua
natureza diabólica, seu prazer na dor dos outros... cada centímetro daquele cara era imundo. Eu não era o
criminoso. Eu não era como ele.
Michael se aproxima. "O que está acontecendo?"
Seguro o encosto de uma cadeira, vendo Will parado do outro lado da mesa. “Eu não sei ainda,”
digo com os dentes cerrados.

“Por que ele menciona The Pope?”


“Isso -” mas paro quando Hanson abre a porta novamente.

Uma mulher jovem, completamente vestida e com seu cabelo enfiado em um gorro de jornaleiro,
empurra um carrinho com copos de água e uma bandeja de algum tipo de doce.

Eu puxo uma cadeira, e Michael e Will seguem a minha liderança, quando ela começa a trabalhar
tendo os refrescos prontos. Hanson diz algo em russo para ela e sai da sala, deixando as portas fechadas
novamente.
“É em frente ao dojo” Michael diz. “Eu pensei que iria dar uma olhada em Graymor Cristane.”
“Nós não falamos sobre isso” ele reclama. “De onde diabos isso veio? Pensei que veio aqui para ver
se Gabriel sabia para onde Damon foi.”

Eu atiro-lhe um olhar por cima da mesa, tentando dizer a ele com meus olhos que este não é o
melhor lugar para falar. Michael me conhece bem o suficiente agora, para saber que eu não tomo decisões
apressadas. Eu tenho um plano.
“Eu não acho que ele saiba disso” Michael diz conforme eu relaxo na cadeira. “Por que não colocar
o passado para trás e fazer um acordo? O hotel ainda está em ótimo estado. Nós poderíamos fazer algo
com ele.”
“O que?” Michael olha para mim como se eu tivesse três cabeças.

Eu quase rio.

Faço um show em olhar para a minha direita onde a menina estava trabalhando, e depois digo com
um sorriso nos meus olhos, o prendendo, “Você sabia que The Pope é uma propriedade de Torrance?” Eu
viro meus olhos para Michael, esperando que o idiota soubesse como pegar uma pista. “Tem estado
abandonado durante todo esse tempo. Mas deve estar muito bom no interior, porque todas as entradas
são guardadas com um sistema de alarme, câmeras cobrindo todas as portas e cantos ao redor do hotel, e
há até mesmo um segurança que ainda cruza o hotel a cada hora e caminha ao redor do perímetro a cada
quatro horas. Notei olhando do dojo.”
Michael me estuda, as rodas em sua cabeça giram, enquanto Will ainda parecia confuso.

Vamos, Michael. Entenda.

E, finalmente, eu vejo a luz acender em seus olhos, e ele entende. “Oh, sim.” Ele assente. “Certo.”
Eu sorrio para mim, feliz que ele finalmente entendeu.
Por que toda essa segurança para um local que não está sendo usado? Por que não apenas trancar
e bloquear as portas? Ou derrubá-lo e vendê-lo? Por que foi fechado e guardado como uma prisão?

Damon está lá.


Eu não tinha intenção de comprar o hotel, mas eu queria entrar nele. E se os rumores sobre um
misterioso décimo segundo andar escondido fosse verdade, eu precisava de acesso completo ao local e
privacidade para explorar.
Damon tentou nos matar. Ele não ia ser autorizado a voltar para casa, nunca. Mas havia uma razão
para que eu precisasse encontrá-lo. Tínhamos uma ponta solta para cuidar.

Um guardanapo de pano e copos com água foi colocado na nossa frente e ouço um arrastar de
pratos atrás de mim. Onde estava esse assistente que deveria nos atender?
“Apenas confie em mim” murmuro para Michael, ainda falando em código. “Vai ser um grande
hotel. E se não estiver limpo, vamos limpá-lo rápido.”
Ele ri baixinho e depois abre a boca para falar, mas a empregada vem e coloca um prato na sua
frente.

“Eu não estou com fome” ele diz, passando as mãos na frente dele para parar a garota. “Ny-et.”
Ela calmamente pega o prato novamente e o coloca em sua outra mão na frente de Will, antes de
circular a mesa para vir até mim.
“Eu te conheço?” Will fala, olhando sobre a minha cabeça para a jovem que está enchendo meu
copo de água.
Mas antes que a menina tenha a chance de responder, Michael vira-se para ele. “Vamos, idiota.
Logo agora,” ele resmunga. “Você não precisa ficar com alguém cada vez que para o carro. Droga." Os
olhos de Will se viram com raiva, cada músculo em seu corpo se apertando. Jesus. Ele empurrou sua
cadeira para trás e levanta-se, saindo por uma das portas de vidro que dão para o pátio.

Sento-me em linha reta e solto um suspiro. Eu sei que Michael quis dizer isso como uma piada, mas
não verdadeiramente, também. E Will sabia disso. Ele sabia que suas atividades extracurriculares foram
se tornando um problema, mas ele não queria que seus amigos apontassem.

Michael olha para a mesa, seus olhos cor de avelã abaixados e um pouco arrependido. Eu assisto
Will pelas portas enquanto acende um cigarro, um hábito que ele começou no ano passado.
“Então, de qualquer maneira” Michael continua, “nós entramos hotel, fazemos uma 'avaliação', e
vemos se está tudo... em ordem, antes de tentar comprá-lo, certo?”
Eu balanço a cabeça, tomando um gole da minha água.

“E se não estiver?”
O que significa 'E se Damon estiver lá?'
Então nós lidamos com isso. Mas antes que eu tenha a chance de lhe responder, vejo Michael se
afastar quando a água e os cubos de gelo derramam na manga de seu paletó. "Jesus Cristo…"

A menina apressadamente levanta a jarra, inclinando a cabeça em desculpas.


“Iz-vee-nee-tye” ela engasga com uma voz baixa, com medo. Olho para ela, incapaz de ver o rosto
escondido sob o gorro. Ela puxa o recipiente para longe e o abaixa, pegando um guardanapo e tentando
limpar sua manga.
“Apenas...” ele pega a toalha dela. “Deixe-me em paz. E leve isso embora.” Ele lhe entrega o copo e
o guardanapo molhado, afastando-se imediatamente e dispensando-a.

Ela abaixa a cabeça novamente, correndo para se esconder em algum lugar atrás de mim onde a
mesa de servir e seu carrinho estão.
Levanto-me, caminhando em direção as portas do pátio e olhando para fora. “Se tudo não estiver
como deve ser,” eu digo, “então vou lidar com isso.”
“Só você?” Michael se levanta e caminha em minha direção.

“Você cuida de Rika,” digo a ele. “E Will.”


O negócio que eu tinha com Damon era privado.
Michael se inclina, falando baixo. “Todos nós precisamos enfrentá-lo, especialmente Will. Ele está
se debatendo sem Damon.”

“Damon tentou matá-lo,” eu falo. Ele amarrou um bloco no seu tornozelo e o jogou na porra do
oceano.
“Sim.” Michael acena, encontrando meus olhos. “Seu melhor amigo tentou matá-lo.”
“Nós somos seus melhores amigos.”

“Damon e Will foram sempre mais próximos” ele diz. “Assim como nós dois somos mais próximos.
Will precisa de Damon. Você sabe que ele está em uma espiral. Ele precisa enfrentá-lo. Então, vamos
todos encontrar o filho da puta e dar-lhe um aviso que ele nunca vai esquecer.”
“Você quer ele na mesma sala que Rika, também?”
Michael passa a mão pelo cabelo e exala. Isso foi um não.

“Você cuida de todo mundo, e eu vou cuidar do The Pope,” instruo. “Ele não é uma ameaça menor à
Rika do que Trevor foi.”
E nós dois sabemos como Michael tinha tratado seu irmão. A ideia de fazer o mesmo para Damon -
alguém que tinha sido um amigo – faz meu estômago revirar, mas eu faria o que tinha que fazer. Para
manter os meus amigos seguros.

E para manter a maldita boca de Damon fechada.

Viro-me e caminho de volta para a mesa, ficando de pé. Vejo Will fora das portas caminhando em
direção a nós novamente, espero que tenha se acalmado.

“Chega de esperar, porra” Michael diz, pegando meu copo e tomando outro gole. “Vamos cuidar
das pontas soltas.”
“Sim, falando em esperar,” Will interrompe, entrando pela porta. “Onde está esse cara? Este
assistente que deveríamos encontrar?”
Vejo quando ele abre as portas para o corredor e grita para alguém. “Ei?” Ele recua, deixando o
homem, Hanson, entrar na sala.

“Sim, senhor.” Ele olha para Will questionando.


“Onde está esse assistente que deveríamos encontrar?” Will pergunta. “Nós não temos o dia todo.”
Provavelmente só queria acabar com isso para que ele pudesse ficar longe de Michael.
O homem olha para Will, hesitante, e de repente sinto como se uma tragédia estivesse prestes a
acontecer. Eu estreito meus olhos sobre ele. O que estava acontecendo?

Hanson, em seguida, vira a cabeça, falando com a jovem. “Banks?” Pergunta. “Você precisa de
mais alguma coisa dos cavalheiros?”
Banks? O que? Meu coração bate forte no peito.
Eu lentamente viro o meu olhar para a criada com quem ele estava falando, aquela que esteve tão
recatadamente ao lado da parede, quieta esse tempo todo.

Vejo quando ela levanta a cabeça, a atitude tímida e submissa agora se foi. Seu olhar encontra o
meu, as sobrancelhas escuras emoldurando os olhos verdes com uma borda azul ao redor da íris. O queixo
levantado, um desafio sutil no gesto.
Meu Deus. Ela?

“Não, eu acho que tenho tudo o que preciso” ela diz.

Ela, então, desamarra o avental branco de sua cintura e o joga no carrinho de comida.
Eu forço o nó na garganta para baixo. Porra.
Aquele cabelo escuro escondido sob o gorro, os ombros esbeltos e a mandíbula estreita, roupas
masculinas, ela ainda usava... só que ao invés do jeans sujos, sapatos quebrados, e camiseta de grandes
dimensões que me lembrava, agora era uma calça preta, uma camisa preta, e uma gravata listrada.

Baixo os olhos. Suas unhas ainda estavam sujas, porém, visível em suas luvas de couro sem dedos.
Ela se vira e sai da sala, pega um blazer da cadeira do salão e o veste quando ela desaparece de vista. Eu
a sigo com os meus olhos, minha respiração fica superficial.
“Senhores” Hanson diz. "A assistente do Sr. Torrance irá atualizá-los, e um deles entrará em
contato. Se acabaram, vou acompanhá-los.”
“Um minuto” Michael grita. “Essa era a sua assistente?” Eu deixo escapar um suspiro, virando os
olhos para ele. “Essa era Banks.”

Ele junta as sobrancelhas, não se lembrando, mas, em seguida, a luz raia, e ele olha para trás, para
o corredor onde ela desapareceu e, em seguida, volta-se para mim. E sua mandíbula.
“O que ela ouviu vai usar para atualizá-lo?” Will fala, parecendo preocupado. “Será que dissemos
algo ruim?”
Sorrio para mim mesmo, o meu sangue, de repente correndo quente com as lembranças daquela
noite vindo à tona.

“Você acha que ela se lembra de nós?” Michael pergunta.


Dou um passo, todos nós seguimos Hanson para fora da sala de jantar e para a porta da frente, eu
murmuro sob a minha respiração, “Será que ela percebeu que ele não está por perto para ficar no meu
caminho, desta vez?”
Capítulo 4
Kai

Devil´s Night

Seis anos atrás


Eu estive no limite desde a confissão anterior.

Olhando por cima do ombro, dando segundos olhares para todos conforme eu andava pelos
corredores e sentei-me na sala de aula.

A menina no confessionário, eu tinha que conhecê-la, certo? Ela certamente sabia quem eu era.

E me roubar? O que diabos isso significa? Lanço um olhar para as meninas sentadas e conversando
na arquibancada, prontas e esperando para dar aos caras na quadra alguma atenção depois do treino.
Qualquer uma delas poderia ser ela. Qualquer garota na escola poderia ser ela. Embora eu goste de um
pouco de mistério, eu prefiro estar em vantagem. Ser o que está fazendo o jogo, não o que está sendo
manipulado.
Jogando a bola de basquete para Will, eu corro para o final da quadra com todos os outros, vinte
pares de tênis deslizando pelo chão conforme a bola muda de mãos duas vezes mais e, em seguida, volta
para mim. Eu a pego, respirando com dificuldade, com o suor escorrendo pelas minhas costas enquanto
empurro o marcador nas minhas costas, driblando, virando, e, em seguida, arremessando. A bola sobe no
ar, desliza para fora do aro, e cerro meu maxilar quando erro a cesta e ela cai nas mãos de Damon.

Ele sorri, correndo de volta para o outro lado da quadra, satisfeito com meu fracasso.

A raiva cai como um tijolo no meu estômago, mas fico quieto. Eu não deveria ter perdido essa.
Estava pensando nela, e continuaria até que eu descobrisse quem ela era. Eu deveria ter invadido o local
e a confrontado quando tive a chance.

Damon passa a bola para Michael, e ele a pega, a sua camiseta pendurada na parte de trás do
short enquanto corre pela quadra. Há um lampejo de algo a minha esquerda, e viro minha cabeça a tempo
de ver os galhos e folhas do sicômoro de doze metros fora do ginásio balançando contra as janelas acima
das arquibancadas.

“Esse vento está ficando louco,” Will diz, ficando ao meu lado. Ele se mexe com leveza e
rapidamente, mantendo um olho na bola quando ele me lança um olhar, sorrindo. “Vai ser uma noite
selvagem.”

Sim, selvagem. Comparada com o quê?


Meus amigos não precisam da Devil’s Night como desculpa para ficarem loucos. Mas eu preciso. É
a única noite que eu me deixo tomar decisões muito ruins. Decisões tomadas pelo desejo e pelo egoísmo e
uma necessidade de não pensar metodicamente sobre cada detalhe de cada movimento que eu faço todos
os dias. Não fui criado para ser perfeito, mas fui criado para fazer tudo com a perfeição em mente. Lento
e cuidadosamente, com foco... mostrando a mesma consideração em servir uma xícara de café como em
fazer um teste de matemática. Ou em consertar meu carro.

Ou foder uma garota.

E eu estava mais do que pronto para relaxar. Minhas imperfeições estão ansiosas para sair.

Mas agora, em vez de antecipar todas as maneiras que eu ia sujar as mãos esta noite, estava
obcecado por ela e se gostaria ou não de vê-la. Como eu iria reconhecê-la?

A melhor parte sobre falar com ela esta manhã foi que eu não achei que ela pretendia ser
misteriosa ou me causar uma forte impressão, do jeito que ela fez. Ela não estava me manipulando como
outras garotas tentaram fazer. O que ela não disse foi tão interessante quanto o que ela disse. Sua falta de
ar, sua voz baixa, o flerte que escorregou em suas palavras cuidadosas, como se ela quisesse alguma
coisa, mas não tinha ideia de como ser ousada. Eu gostei de sua inocência, mas podia sentir seu desejo de
mudar. Tão perfeita.
“Ei, cara.” Michael cutuca meu braço. Olho para ele, tentando parecer como se não tivesse
acabado de viajar novamente, quando ele inclina o queixo apontando para o meu lado direito. “Seu pai.”
Viro a cabeça, mantendo minha carranca, mas me endireito, no entanto. Meu pai está à beira da
quadra, olhando para mim com os braços cruzados sobre o peito, seu terno elegante e preto contrastando
com as paredes creme e com a madeira da quadra. O que ele estava fazendo aqui? Ele sabe que eu vou
sair depois da aula.

Seu cabelo preto, da mesma cor do meu, parece tão perfeito quanto ele esteve esta manhã, e seus
olhos escuros e sobrancelhas franzidas, presos em mim; dizendo-me que ele estava feliz sobre o tempo,
satisfeito com o treino de ontem à noite, ou completamente alheio sobre o estado das coisas na Ucrânia.
Eu nunca poderia realmente dizer.

Sem pedir permissão para deixar o treino, eu ando em direção a ele, puxando a minha camisa para
fora da parte de trás do meu short e a colocando novamente.

“Pai”, eu digo, agarrando minha toalha da arquibancada inferior e limpando meu rosto.

Ele não diz nada, esperando para ter toda a minha atenção antes de falar. Aqui é onde eu era tanto
sortudo como amaldiçoado. Enquanto os pais dos meus amigos estavam na casa do cinquenta, meu pai
tem apenas quarenta e três. E ele cuidava de si mesmo. Ele não tinha problemas para me acompanhar e
tinha a paciência de um santo.
Guardando minha toalha em minha mochila, pego a água. “Eu não estarei em casa para o jantar. A
mãe disse a você, certo?”

“Ela disse,” ele diz; sua expressão novamente impassível. “Mas eu preferiria que você mudasse de
ideia. Você pode passar mais tempo com seus amigos em outra noite.”

“Outra noite não será Devil’s Night.” Eu abro o topo da minha garrafa de água, incapaz de
encontrar seus olhos. “É uma vez por ano, e é a última antes de ir para a faculdade. Eu vou ficar fora de
problemas.”
Ele permanece imóvel, não discutindo ou se movendo enquanto eu tomo um gole e continuo a
arrumar o resto do meu equipamento. O riso e energia ficam mais altos quando todos pegam suas bolsas,
e ouço a porta do vestiário se abrir e fechar várias vezes.
Nada disso faz a sensação de seus olhos em mim desaparecer.

“Você está desapontado comigo,” eu digo. “Eu sei.”

Eu fecho minha bolsa e a jogo sobre a minha cabeça. Meu pai nunca me proibiu de fazer qualquer
coisa, mas ele não era estúpido. Ele sabia exatamente o que fazíamos na Devil´s Night.

“Eu desejo que você faça as melhores escolhas,” ele esclarece. “Isso é tudo.”

Finalmente olho para ele. “As suas escolhas, você quer dizer.”
“As escolhas certas.” Seus olhos ficam severos. “É por isso que respeitar os mais velhos é
importante. Nós temos muito mais experiência em errar, Kai.”
Não posso evitar. Eu sorrio. “Eu nunca erro,” respondo. “Estou certo ou estou aprendendo. Jaku
niku kyo shoku.”

Recito um dos muitos provérbios japoneses que ele cuspiu para mim ao longo da minha vida.
Os fracos são carne, os fortes as comem.
E, apesar de saber que ele queria dizer mais, ele acena com a cabeça, deixando pra lá com um
sorriso pouco visível em seu rosto. Finalmente.

“Não se esqueça de domingo,” ele disse.


“Eu nunca esqueço.”

E recuo, virando-me e indo para o vestiário. Todo domingo de manhã, me junto a ele, no dojo em
nossa casa, para um treino. É a única coisa que fazemos juntos, e ele nunca deixa de estar lá. E assim, é
claro, nem eu.

“Sem ofensa.” Will corre para o meu lado, o suor encharca sua camiseta e cobre o pescoço. “Mas
seu pai me assusta pra cacete. Até mesmo eu quero a sua aprovação, e sei que ele me odeia.”

“Ele não te odeia,” asseguro a ele, sorrindo para mim mesmo. “Ele está esperando o seu melhor.
Isso é tudo.” Ele simplesmente resmunga, e eu o sigo quando ele empurra a porta do vestiário.

Francamente, eu não me importo se meu pai gosta dos meus amigos. O pai de Damon não gosta de
ninguém, e eu ficaria surpreso se o pai de Michael soubesse o meu nome, mesmo depois de todos estes
anos. Meus amigos são simplesmente meus. Era isso. Eles são separados do que acontece em casa, na
sala de aula, ou mesmo na minha cabeça, às vezes. Isso é o que eu gosto sobre eles. Quando estamos
juntos, somos um planeta.
Depois que tirei a roupa e tomei banho, caminho ao lado da fileira de armários, a sala subitamente
tão barulhenta, que eu mal posso pensar. Todo mundo está pronto, e eu também. Eu quero vê-la esta
noite. Ela tem que me encontrar.

Abro meu armário e começo a puxar minhas roupas para fora.


“Tudo bem,” Will grita, arrumando seu cabelo na frente do espelho do seu armário, “os calouros já
arrumaram tudo, e os equipamentos de paintball estão nos carros,” ele nos diz. “Vamos sair e fazer a
nossa coisa, passar um pouco de tempo no cemitério, e depois vamos para a cidade.”

“Espere. A cidade?” Damon fala. “Nós não vamos para o armazém?”

Sorrio. “Você está perdoado, certo?” Pergunto a ele, lembrando-o de sua confissão nesta manhã.
“Você precisa de novos pecados para a próxima semana. Não se preocupe. Você vai gostar.”

“É melhor mesmo,” ele diz, apertando a toalha na cintura. “Porque, puta merda, eu preciso do meu
pau sendo chupado.”

As portas dos armários são imediatamente fechadas, e eu olho para cima, de repente vendo três de
nossos companheiros desocuparem a área rapidamente. Will cai numa gargalhada tão forte, que ele se
curva, tremendo incontrolavelmente.

Damon vira-se e grita, “Ei, aonde vocês vão? Uma boca quente e molhada é tão boa quanto outra,
no que me diz respeito!”
Sorrindo, Will balança a cabeça, e levantando a mão no ar, encontro a palma da mão de Damon em
um high-five. Damon ri e coloca um cigarro apagado na boca, mas depois um berro ecoa pelo vestiário.
“Torrance!” O treinador grita. E Damon imediatamente cospe o cigarro.

“Merda,” ele rosna em voz baixa.

Como Lerner sempre sabe quando Damon está prestes a fumar, eu não tenho ideia. Sua irritação,
porém, não impede Will de sair para fumar cantarolando a música Smoking in the Boys Room de Mötley
Crüe´s, o provocando.
“Tudo bem, vamos fazer isso,” Michael chama, calando-os. “Está na hora.”

Eu visto meu jeans, olhando para o relógio atrás de mim e vendo que são quase duas da tarde.

Hora de fazer a festa acontecer.


Nós rapidamente terminamos de nos vestir, colocando nossos capuzes pretos, e pegando nossos
telefones, carteiras e chaves, deixando todo o resto para trás. O sinal toca, sinalizando o início da última
aula do dia, e nós quatro saímos para o corredor vazio, ouvindo o baixo tagarelar de professores, que
continuam com suas aulas finais nesta tarde de sexta-feira.

Desejo que você faça escolhas melhores. Isso é tudo.


Eu olho para a esquerda e para a direita, vendo que a luz fraca da tarde quase acendeu um brilho
nos armários azuis e verdes. Os cantos escuros estreitam além, e todos ficamos em silêncio por um raro
momento, apreciando a calmaria antes da tempestade.

“Vamos fazer isso,” eu digo, ainda olhando para o corredor e vendo os ramos com folhas vermelhas
e laranja do lado de fora da porta da frente, que estão abertas por causa do vento.

Eu ouço o barulho de uma mochila ser remexida, e sei que Will está tirando nossas máscaras, uma
por uma. Damon veste seu crânio preto, os dentes parecendo garras. Will entrega a Michael a única
vermelha com cortes pretos profundos em todo o rosto que era tão terrível quanto os lábios roídos. Will
me joga a minha máscara prata metálica com fendas para os olhos que eram pequenos e escuros, e os
sulcos na pele grosseiros e duros. Então, ele deslizou uma branca com uma listra vermelha cruzando a
lateral do rosto. Todos nós parecíamos um esquadrão da morte pós-apocalíptico, adequado para o ego de
um bando de garotos mimados e ricos que realmente nunca conheceu o perigo.
Will jogou a mochila de volta no armário do vestiário, e eu vesti minha máscara como um capacete.
Fecho os olhos, saboreando isso. Aqui, eu sou invisível. Eu posso ser quem eu quiser.
Aqui, não estou escondendo.

Retirando meu telefone, eu mando uma mensagem para Kylie Halpern no escritório da frente,
sinalizando para ela tocar a música. Dentro de dez segundos, Sister Machine Gun começa a tocar nos
auto-falantes pelos corredores e ao redor, e guardo meu celular no bolso de trás, respirando fundo.
Michael dá um passo adiante, olhando para a esquerda e depois à direita. “Agora,” diz ele.

“Vai, vai, vai!” Max Cason grita para o vento, com a cabeça de fora da minha janela do lado do
passageiro.
Meia hora depois, quatorze carros, caminhonetes e motos estavam a caminho, cheios a ponto de
ruptura com todos os jogadores da nossa equipe, algumas de suas namoradas, e alguns apenas
acompanhando a diversão. A escola ou ninguém não nos impediu de sair para o que tinha rapidamente
tornando-se a tradicional Devil´s Night para aumentar a camaradagem da equipe e moral.
Atacar a escola às duas da tarde para iniciar tudo isso, tinha se transformado em uma das minhas
partes favoritas da noite. Interferir em salas de aula, agarrando meus colegas jogadores de basquete – e
quem mais queríamos – e arrastar todos fora da escola era como uma anfetamina para o cérebro.
Tínhamos a atenção de todos, o seu temor, e, por vezes, o seu medo. Era poder, e para uma noite por ano,
nós apreciamos uma oferta ilimitada disso. Os professores não nos impediam, policiais ficavam de lado, e
por um tempo, eu realmente gostava de ser eu.

Todo mundo queria ser nós.

A caminhonete preta Ford Raptor de Will segue na minha frente, e todos os caras na carroceria
riem e gritam já com cervejas na mão. Alguns deles tem garrafas de água cheias de um licor claro, que
era uma tática interessante para beber na sala de aula. Enquanto isso parecia água, os professores nunca
sabiam a diferença.
Com a minha máscara enfiada no console ao meu lado, eu troco para a sexta marcha, correndo à
frente e seguindo Will. Damon guia a comitiva, e eu olho à minha esquerda, vendo Gavin Ellison passar a
toda velocidade em sua moto com sua namorada na garupa e seus braços em volta dele.

Damon deve ter visto ele vindo pelo seu espelho retrovisor, porque assim que Gavin acelera para
ultrapassar a BMW de Damon, Damon desvia à esquerda, bloqueando seu caminho. Sorrio sozinho, mas
depois vejo um garoto em uma bicicleta, centímetros do carro de Damon, desviar e cair ao lado da
estrada, e meu rosto fica sério.
“Que diabos?” Eu grito, pressionando meu pé levemente no freio para desacelerar.
O garoto caiu no chão, escorregando na pequena inclinação, e sua bicicleta colidiu com a grama.

E Damon e a moto continuaram a nossa frente.


Caramba cara.

Eu pressiono o pedal do freio mais firme, parando o jipe e vendo as luzes de freio do Will brilhar
vermelho diante de mim. Eu deixo o jipe no neutro e puxo o freio de mão, pulando para fora do carro.

Olho para a estrada à frente, vendo Damon e a moto ainda competindo na velocidade. Não ocorreu
a ele parar?
“Damon é um idiota.” Will olha para mim, saltando da cabine e dando uma mordida na carne seca
em sua mão.
Alguns dos caras da carroceria pulam para fora, também, e Will caminha até onde o garoto caiu,
curvando-se para ajudá-lo.

“Você está bem?”


O garoto senta-se em suas mãos e joelhos, e me aproximo, vendo ele de relance entre as pernas
dos caras enquanto se moviam ao redor, agarrando livros que foram jogados ao lado da estrada. Eu não
ouvi ele responder, e não podia ver seu rosto.
Will pegou dois livros que tinham caído, e avistei uma cesta na frente da bicicleta.

“Eu disse que estou bem,” o garoto fala irritado, e eu paro, vendo um boné de beisebol cair no
chão.
Cabelos longos e escuros, de repente ficam bagunçados, balançando com o vento forte, e eu
identifico um rosto fino e lábios carnudos.
É uma garota.

Vestida como nós, porém, usando jeans e um moletom azul marinho.


Ela estende a mão, mantendo a cabeça baixa e os olhos protegidos por seu cabelo enquanto ela
agarra os livros das mãos de Will.
Ela parece bem. Nós poderíamos ir.

“Eu vi você em algum lugar antes, não é?” Will pergunta, curvando-se para pegar sua bicicleta.
“Você mora por aqui? Podemos levá-la para casa. Entre no carro.”
“Não.” Ela ergue as mãos, impedindo-o de tocar sua bicicleta. “Eu disse que estava bem. Apenas vá
embora. Por favor.”
Estreito os olhos sobre ela, aproximando-me.

Só então dois caras pegaram alguns de seus livros e mostrava um para o outro, rindo. Ela fica
imóvel, olhando para o chão. Seu jeans está imundo. Manchas escuras cobrem os joelhos, mas eu não vejo
nenhum sangue. Não acho que ela esteja ferida.
“Nós deveríamos trazê-la com a gente, cara,” alguém brinca.
“Sim, nós podemos dar-lhe um banho primeiro?”

“Chega,” falo irritado, interrompendo ele. “Voltem para a caminhonete. Suas cervejas estão ficando
quentes.”
Eles se dispersam, e Will caminha de volta para sua cabine, lançando mais um olhar para a garota,
que está discretamente e rapidamente recolhendo seus livros, nos ignorando.
Ela tinha que ter a nossa idade, mas ela certamente não gostava de nenhuma atenção.
Especialmente a julgar pelas roupas surradas que usa e o sapato velho Vans que está largado no chão.
Deve ter saído do pé na queda. Por que ela não está usando meias? Está frio.

Agacho, pegando um pedal de sua bicicleta, que tinha quebrado.


“Você não pode andar nessa bicicleta, garota,” digo a ela. “O pedal está quebrado.”
Seguro o pedal na frente de seu rosto, mostrando a ela.

“Vou dar um jeito.” Ela se levanta, os braços enrolados em torno de todos os seus livros, evitando o
meu olhar.
Ela é muito pequena, não é?
Eu não sei se ela está com medo de nós ou chateada com o que aconteceu, mas ela definitivamente
não queria se envolver.

“Will disse que você vive perto?” Pergunto. “Eu posso jogar a bicicleta na parte de trás do meu jipe
e levar você-”
“Eu disse que vou dar um jeito,” ela fala irritada, ainda mantendo a cabeça baixa. “Apenas vá
embora.”
Não posso deixar de sorrir um pouco. Ela parecia tão desesperada para nós irmos embora. Como
se ela estivesse com medo que algo ruim fosse acontecer. O que ela achou que nós iríamos fazer com ela?

Eu me viro para sair, mas vejo um livro no chão, quase pisei nele. Inclino e o pego, precisando
olhar duas vezes pela surpresa para a ruiva em um vestido esmeralda na capa. Os seios dela estão
arrebentando as costuras enquanto um cara musculoso em uma camiseta apertada a abraça
dramaticamente, mechas de seu cabelo e seu vestido soprando no vento.
Bufo quando me viro e entrego a ela.
“Cale a boca,” ela murmura, ao ver o sorriso no meu rosto e pegando o livro de volta.

Agacho-me mais uma vez, pegando o sapato no chão e, em seguida, puxo seu pé.
Sua pele está congelando, e eu afasto em surpresa. Seu jeans tem buracos por toda parte e sem
meias. Por que ela não estava vestida adequadamente?
Ela afasta o pé, agarrando o sapato. “Eu posso fazer isso.”

Mas eu seguro firme, dando-lhe um olhar desafiador enquanto puxo seu pé para cima.
“Deus, você não pode entender a dica?” Ela pergunta irritada.
“Sua pele está congelando,” comento, calçando o sapato. “Talvez você devesse-”

“Tire a mãos dela,” alguém ordena atrás de mim.


Eu viro minha cabeça e vejo que vários homens tinham chegado, suas motos esportivas
estacionadas no meio da estrada. Com o ronco do motor da caminhonete de Will, eu não tinha ouvido eles
se aproximarem.
Levanto enquanto eles chegam mais perto, e vejo como eles se colocaram em frente da garota,
ficando de pé entre nós.

Que diabos?
“Desculpe-me?” Eu olho ao redor, tentando vê-la.
“Ela está bem,” diz um no meio com a cabeça raspada que está vestido com uma camiseta branca
sem mangas. “Vamos cuidar disso a partir daqui.”

Deixo escapar uma risada, sentindo Will se aproximar do meu lado e vendo Michael chegar ali
também.
“Quem diabos é você?” Pergunto.
Mas ele apenas me ignora, virando a cabeça para ela e sussurrando, “Puxe seu capuz.”

Ela segue a ordem, cobrindo-se rapidamente e mantendo o queixo para baixo. Dois caras ladeando
o Cabeça Raspada, assim como a posição de Michael e Will, todos nós um bloqueio.
“Vá embora,” aquele no meio me ordena.
“Ah claro, de jeito nenhum.” Inclino a cabeça, tentando fazer contato visual com a garota por trás
deles. “Você está bem? Quem são esses caras?”

Eles poderiam ser seus irmãos, mas eles não se pareciam nada com ela.
Ela olha para cima, e então percebo. Um pequeno sorriso em seus lábios e um olhar divertido cruza
seus traços, sua timidez desaparecendo rapidamente. “Eles são muito mais capazes do que você é,
cavaleiro.”
Seus novos amigos soltam uma risada, parecendo presunçosos.

Eu levanto meu queixo.


“Vamos,” Cabeça Raspada diz a ela.
Todos eles olham para nós enquanto se afastam, e a jovem segue, esfregando no meu braço quando
passa por mim. Eu inalo seu perfume fraco. A energia no ar de repente estava tão espessa que você
poderia segurá-la. Havia algo familiar sobre ela.

Ela entrega seus livros para o alto com cabelo loiro e uma corrente de prata no pescoço, enquanto
o outro levanta sua bicicleta por cima do ombro enquanto ele monta sua moto.
Ela sobe atrás do Cabeça Raspada, e estreito os olhos, observando ela envolver os braços ao redor
dele.
Dou um passo para frente quando o motor de suas motos são ligados.

Ela olha por cima do ombro mais uma vez, e eu finalmente vejo seus olhos. Um belo verde com
toques de ouro. “Pensei que você tinha algumas pessoas que queria assustar esta noite,” diz ela.
O que?
Ela se vira, mas não rápido o suficiente para esconder o sorriso no rosto, e eles partem, as três
motos esportivas zumbindo pela estrada enquanto vão embora.

Que diabos ela disse? Como...?


Eu aperto minha mandíbula, entendimento surgindo.

A noite é uma criança. Talvez você encontre alguém para assustar esta noite.

A garota do confessionário de hoje. Porra, era ela.


Eu assisto ela e aqueles idiotas desaparecerem de vista, tudo o que eu disse a ela hoje tocando na
minha cabeça novamente. Como ela sabia quem eu era? E por que eu nunca a vi antes?
Ela estava brincando comigo.
Como confiante e valente ela ficou quando eles chegaram. Ela pensou que aqueles caras – quem
diabos eram – poderiam nos colocar em nosso lugar. Estávamos brincando de ser maus e eles eram a coisa
real. É isso o que ela pensou?

“Você a conhece?” Michael pergunta ao meu lado.


Concentro na estrada, não sei como responder a isso.
“Se você quer ela, ela é sua,” diz Michael.

Eu mantenho o meu sorriso para mim. Michael falava sobre as mulheres da mesma maneira que
ele falava sobre cheeseburgers. Realmente era tão fácil como isso.
“Quer ela?” Will interrompe. “Que diabos ele iria querer com ela quando temos garotas quentes em
nossos carros agora? Você não viu como ela estava vestida? Sem maquiagem, roupas de homens... ela é
uma feminista.”
Fecho os olhos, rindo para mim. Jesus. “Eu pensei que você gostava daquelas difíceis de
conseguir?” Eu brinco, olhando para ele.

Mas ele apenas torce os lábios, o objeto segredo de sua obsessão não mais importante do que a
garota que tinha acabado de sair. “Sim, bem... você quer que eu chame Damon, ou o quê?” Pergunta ele.
“Alguém disse que ela trabalhava em sua casa.”
Ela trabalhava?

“Não,” respondo. “Eu não quero ele me dizendo nada sobre ela. Vou descobrir sozinho.”

Ele já tinha ido embora de qualquer maneira, provavelmente já estava no cemitério agora.
“Então, vamos pega-la?” Michael pergunta.
Mas eu só olho para frente, pensando.

Ela me desafiou, não desafiou? Ela fez isso como um objetivo para me deixar saber quem ela era
antes de fugir com aqueles idiotas. Deixar saber que ela me pegou hoje somente quando ela pensou que
poderia ficar longe de nós.
Eu mal concordo com a cabeça, cada músculo do meu corpo tenso como uma corda. “Eu meio que
quero assustar ela primeiro.”
Ouço Michael rir baixinho e depois vejo virar, gritando, “Ei, Dayton!” Ele chama alguém dos carros,
e eu observo ele jogar suas chaves naquela direção. “Troca de carro comigo. E sai todo mundo! Preciso da
caminhonete.”

Will resmunga animadamente e esfrega as mãos, de repente muito interessado nesse plano.

Nós viramos para entregar as nossas chaves para os outros levarem nossos carros para o
cemitério, então nós três poderíamos ir nessa missão juntos. Isso era mais extravagante do que o meu
gosto usual em brincadeiras, mas eu não conseguia parar.
Não quero me parar.

Eu quero bater através de cada parede na minha cabeça e correr tão rápido que não teria tempo
para pensar. Agora, tanto quanto eu estava preocupado, esta noite nunca iria acabar.
Ela fodeu comigo hoje.
Agora eu ia foder com ela.
Capítulo 5
Kai

Presente

Entro na Sensou, a alça da minha mochila atravessando sobre meu peito enquanto olho em volta,
fazendo um inventário de tudo o que acontece. Espadas de esgrima ressoando à minha direita, vindo da
sala onde Rika conduz aula de esgrima três noites por semana. Pesos colidem um no outro e batem no
chão na sala de musculação à minha esquerda, e grunhidos enche todo o dojo, ecoando nas vigas,
enquanto os alunos exercitam o corpo e se confrontam na grande sala.

Apresso-me silenciosamente através dos novos pisos, ansioso para exercitar alguma energia. A gola
da minha camisa irritando meu pescoço, e um leve suor molha o meu peito e as costas. Eu preciso sair
dessas roupas.

Enquanto eu dirigia de volta para Thunder Bay, todos os domingos, para exercitar com o meu pai e
tomar café da manhã com a minha família, por solicitação da minha mãe, eu não deixei metade do que eu
tinha dentro de mim sair. Meu pai estava em grande forma, mas ele ainda tinha quase cinquenta. Eu não
poderia atingi-lo.
Mas no dojo, eu poderia bater tão forte quanto eu queria, e depois de hoje, eu precisava.

Após a reunião com o “assistente” mais cedo, eu tinha a intenção de vir direto aqui, mas em vez de
pegar a saída da ponte, eu apenas continuei, me perdendo no meu carro por quase duas horas.
Banks.

Jesus Cristo. Seis anos atrás, ela mais do que despertou meu interesse. Hoje, ela estava fria,
estranhamente calma, e muito serena. Lembrava dela muito diferente, no entanto. Ela tentou muito ser
difícil naquela noite, mas aqueles olhos escuros e como eles poderiam me nivelar, e aqueles lábios... sim,
eu me lembrava. Ela não ficaria controlada por muito tempo.

E então alguns anos mais tarde, quando Rika saiu conosco uma noite e Banks tinha se tornado uma
memória, eu fui cativado pelo nosso Pequeno Monstro, porque ela me lembrou de Banks. A inocência, a
luta, a maneira que eu queria olhar para ela ...
Mas tão rapidamente quanto ela tinha entrado violentamente em meu mundo, ela tinha fugido, e
tudo dentro de poucas horas, uma noite, há seis anos.

Quem era ela? De onde ela veio?

Empurro a porta do meu escritório e fecho atrás de mim, deixando cair minha bolsa e arrancando
minha jaqueta.

Eu rapidamente troco para calça de treino e tênis de corrida, pegando uma toalha e vestindo uma
camiseta quando saio do escritório. Na recepção eu passo por Caroline, uma das universitárias que
contratamos meio período, quem me deu um sorriso doce como sempre. Eu levanto a mão, e ela me joga
uma garrafa de água do refrigerador atrás dela. Mesmo treino todos os dias. Ela sabia o que fazer.
“Uh, Sr. Mori?” Ela fala quando continuo andando.

Eu paro e viro para ela. “O que é?”


Seu rabo de cavalo loiro preso no alto, e sua polo azul marinho com o logotipo Graymor Cristane no
peito esquerdo estava limpa e passada, como sempre.

Ela olha atrás de mim e aponta para alguma coisa, e eu viro minha cabeça, ficando irritado. De
verdade, a garota agia como se eu ia come-la se ela falasse.

Mas, vendo os dois visitantes parados sem qualquer propósito no saguão, de repente eu esqueço de
Caroline.

Banks estava ao lado da parede à minha direita, segurando uma das varas de bambu da prateleira
dali. Ela olha para mim e depois de volta para a vara, distraidamente examinando a arma como se ela
estivesse admirando aquilo com nenhum outro propósito para estar aqui.
Do outro lado, à sua direita, estava um homem que parecia vagamente familiar. Claramente um dos
capangas de Gabriel, a julgar pela sua cabeça raspada, corrente de prata, jaqueta de couro brega, e
marcas pretas e azuis em torno de seu olho.

Eu solto a garrafa de água e a toalha. A presença deles era um sinal muito bom ou muito ruim. Eu
não quero problemas, não aqui.

Caminhando lentamente em direção à garota, eu seguro seu olhar enquanto estendo a mão e
gentilmente pego a arma de suas mãos.

“É uma Shanai,” digo a ela. “Uma espada japonesa.”

Ela olha para mim, sem expressão, e a oscilação de seu peito é constante e lenta. Controlada.
Muito controlada. Recuo com a arma, tentando não assimilar sua aparência ou deleitar-me na forma como
isso me diverte.

Um gorro de esqui simples, preto, cobria cada pedaço do que eu sabia que era um rico cabelo
castanho escuro por baixo, e em vez do terno que usara hoje, ela agora escondia quase cada centímetro
do seu corpo em um jeans velho com rasgos sobre os joelhos, botas de combate, e uma jaqueta preta curta
abotoada até o pescoço, as mãos escondidas nos bolsos.

Mas antes que ela escondesse, eu noto que ela ainda usa a mesma luva de couro sem dedos que
estava usando mais cedo hoje. A única pele visível nela era uma parte seu pescoço e rosto.
Eu gosto disso. Ela ainda é um mistério.

Afasto meu olhar com relutância dela, virando a cabeça para o outro homem. “Você veio com uma
mensagem?” Pergunto. “Gabriel vai fazer negócios?”
O homem, a quem eu julguei estar em seus trinta e poucos anos pelas rugas definidas em torno de
seus olhos, lançou um olhar rápido para a garota e depois inclina o queixo para mim.
“Por que você quer o hotel, exatamente?”

“Sou um homem de negócios,” respondo. “Estou adquirindo propriedades, como empresários


fazem.”
Ele olha para ela novamente, e eu estreito meu olhar, seguindo o dele. Banks olha para ele, e juro
que vejo um leve sorriso no rosto dela.

Um diálogo silencioso passou entre eles, e eu os observei com muito cuidado.

O homem finalmente respira fundo e assente. “Sr. Torrance está interessado em abrir um diálogo
com você.”

Mas eu simplesmente zombo. “Abrir um diálogo...” zombo sob a minha respiração. “Sim, eu
conheço o diálogo de Gabriel muito bem. E já concordei que seu filho poderia voltar, mas eu vou precisar
de garantias minhas.”
Ele lança um olhar rápido para Banks – novamente – e então me responde, resoluto. “Sr. Fane
estará seguro.”

“Você não pode garantir isso,” eu argumento, um passo à frente. “Nós dois sabemos que Damon
não deixa ninguém falar por ele.”

“Damon vai fazer o que seu pai diz.”


Fico ali, continuo quieto e pensando.

Se Gabriel estava disposto a me deixar comprar o hotel, isso significava Damon não poderia estar
lá afinal. Ou, muito possivelmente, Gabriel simplesmente não sabia onde seu filho estava. Prisão tinha
envergonhado nossas famílias imensamente, e Gabriel Torrance não estava interessado em ver seu filho
estragar tudo novamente.
Se ele sabia onde o filho estava, ele iria trazê-lo para casa. Minha intenção, porém, era encontrá-lo
antes do seu pai.

“Quero entrar no hotel primeiro,” digo a ele. “Preciso cavar um pouco e avaliar quanto trabalho ele
vai me levar.”

Seus olhos seguem até ela novamente, mas foi tão rápido que eu perdi sua resposta silenciosa.

“Sem problema,” ele finalmente responde.


Por que ele fica olhando para ela? Que diabos estava acontecendo?
Olho para os dois, perplexo e esquecendo que eu tinha acabado de concordar em comprar um hotel
de vários milhões de dólares.
Lambendo meus lábios, eu giro a coisa na minha mão em um círculo, meditando. “Sabe, quando eu
tinha quatorze anos, Gabriel disse para Damon e eu algo que nunca vou esquecer. ‘Mulheres’ disse ele
‘são brinquedos ou ferramentas. Elas são boas para jogar ou boas para pagar.’” Eu giro a coisa devagar e
observo eles com cuidado. “Em todos os anos que fui amigo de Damon, eu notei uma diferença marcante
entre a sua casa e a minha. Minha mãe nunca foi uma mulher dócil, enquanto qualquer mulher que
encontrei na casa de Torrance era ou para o sexo ou uma serva. Brinquedo ou ferramenta.”

“E?” Pergunta o homem.

“E eu não tenho certeza de qual categoria ela se encaixa,” digo, apontando para Banks. “Toda vez
que eu te faço uma pergunta, você olha para ela procurando resposta. É estranho uma mulher ter esse
tipo de poder, dado o que eu conheço de Gabriel Torrance.”
Ele olha para ela de novo, parecendo procurar por direção.

Ela era a única responsável.

Ele não.
É isso aí.

Que interessante.

Seguro a arma ao meu lado e me aproximo dela, olhando para baixo. “Vamos acabar com essa
merda e negociar diretamente, huh?” Eu digo, minha paciência tinha desaparecido.
Quando chego perto dela, o homem se aproxima rapidamente, provavelmente em guarda, e eu
levanto a espada, atingindo-o no peito e impedindo-o. “E se bem me lembro,” digo, olhando para ele, “ela
sabe como lutar, então vá esperar no carro.”

Sua mandíbula flexiona, seu corpo fica rígido, e ele está pronto para uma luta. Mas ele olha para
ela, esperando a ordem.
Ela hesita por um momento, finalmente, dando-lhe um aceno de cabeça e dispensando-o. Ele me
lança um olhar antes de virar as costas e sair do dojo.
Banks fixa os olhos novamente em mim, inclinando a cabeça.

“Você está com medo de mim agora, garota?” Pergunto. “Não é possível falar por conta própria
mais?”
Eu queria deixa-la desconfortável como vingança por jogar comigo hoje, mas eu não queria que ela
perdesse sua coluna vertebral também.
Mas em vez de responder, ela apenas gira a cabeça, aparentemente entediada.

Sorrio para mim mesmo, caminhando para a parede e colocando a arma de volta na prateleira.

“Então, qual a impressão que você reuniu hoje para passar para o pai de Damon?” Pergunto. Eu
queria saber se o que dissemos naquela sala que lhe deu alguma garantia, quando nós pensamos que era
apenas uma empregada espionando.
“Qualquer coisa que tenha sido,” responde ela, “ele gostou do que ouviu, porque ele tem uma
proposta para você. Estou aqui com a sua autoridade.”

Minha mão treme, e afasto da parede. A voz dela. Ela só disse algumas palavras hoje cedo, mas
agora... essa mesma provocação suave que eu me lembrava apareceu, trazendo-me de volta. Eu me viro,
de frente para ela e cruzando os braços sobre o peito.
Ela é quinze centímetros mais baixa do que eu, mas com o brilho arrogante no olhar, ela poderia
muito bem ser quinze centímetros mais alta.
“Kai, está tudo bem?” Rika pergunta atrás de mim.

“Está,” eu digo, sem olhar para ela.


A julgar de toda a conversa por perto e ao som de portas do vestiário abrindo e fechando no
corredor, Rika devia ter terminado com sua aula.
“Rika?” Eu chamo ela por cima do meu ombro, chamando sua atenção antes que se afastasse.
“Você pode encontrar Will e Michael e nos encontrar no escritório, por favor?”

Eu não vejo seu rosto, mas ouço-a hesitante, “Claro.”


Ela afasta, e eu me viro, acenando meu braço e apontando para Banks. “No final do corredor.
Damas primeiro.”
Eu esperava aborrecimento ser visível em seu rosto, mas não havia nada. Seu olhar permanece
estável quando ela passa por mim, indo em direção ao corredor, e eu sigo logo atrás, meu coração batendo
um pouco mais enquanto olho atrás dela.

O cordão de uma de suas botas pretas arrasta no chão, e embora eu não tenha dúvida de que ela
pode cuidar de si mesma, era divertido como tão pouco ela se preocupava com sua aparência. Tão
diferente das mulheres que eu tinha crescido junto, em casa e na escola.
Mas minhas mãos sabiam como ela era bonita. Elas se lembravam.
Ela para ao lado de uma porta rotulada Escritório e espera por mim para abri-la. Aproximo-me e
giro a maçaneta, e ela entra, ao fazer isso, imediatamente em direção ao canto mais distante nos fundos
do escritório. Ela se vira para mim.

Eu quase ri. Ao contrário de Rika, Banks imediatamente entrou em modo de sobrevivência em uma
situação insegura. Enquanto em território inimigo, tomar o ponto de vista com as variáveis em menor
número. Posicionada no canto, ela só precisava ver o que estava vindo para ela, não o que estava vindo de
trás. Eu estava tentando transformar essa lição em instinto com Rika por meses.
Fechando a porta, caminho ao redor da sala, pegando cadeiras e colocando-as em volta de uma
mesa. Uma que poderia acomodar todos os cinco.
“Posso imaginar que lidar com alguns dos companheiros de Torrance pode ser difícil para uma
mulher,” abordo. “É por isso que você fala através daquele idiota lá fora?”

Seus olhos me encontram brevemente antes de voltar para o quadro desenhado em carvão
emoldurado na parede, uma obra de arte que Rika admirava e tinha colocado aqui, uma vez que este
escritório era usado por todos nós. Ela disse que se parecia comigo. Não sei como. O quadro é uma figura
sem rosto, vários riscos sem direção específica. A arte abstrata era um amor do meu pai que eu não tinha
herdado, infelizmente.
“Você se esqueceu que foi você a pessoa que me contou sobre The Pope?” Continuo, mudando de
assunto.
“Eu não esqueço de nada.”

Paro, apoiando-me no encosto da cadeira que eu tinha acabado de mover, estudando-a. Depois de
tantos anos aquela concha não apenas estava lá ainda, mas estava muito mais espessa agora. Ela tinha
crescido.
“Você ainda acha que há um décimo segundo andar escondido?”
“Eu acho que você está muito preocupado com os segredos que você sabe que existem, mais do
que aqueles que você não sabe.”

E então ela concentra sua atenção nas imagens e armas que revestem as paredes, dispensando-me.
O que isso significa? O que diabos eu não sabia?
“Ei, o que está acontecendo?” Michael entra, parecendo suado e jogando uma toalha sobre uma
cadeira. Will e Rika entram logo atrás dele e fecham a porta atrás deles. Will está sem camisa e
respirando com dificuldade, provavelmente estava na sala de musculação.

“Assistente de Gabriel,” eu digo, “veio com uma proposta.”


“Oi.” Rika se aproxima dela com uma mão estendida. “Eu sou Erika Fane.”
Banks simplesmente olha para ela. Seus olhos encontram os de Rika, uma pitada de desdém no
rosto antes dela se virar de novo, ignorando-a.

Rika olha para mim com uma pergunta em seus olhos, e então ela recolhe sua mão, pegando um
assento na mesa.
Nós todos seguimos o exemplo e nos sentamos.
Banks tira algo de dentro de sua jaqueta e coloca sobre a mesa, virado para cima. É uma foto. Ela
empurra isso lentamente sobre a mesa de madeira para mim, e eu estudo a pequena imagem de uma
jovem mulher que eu não conhecia. Cabelo loiro escuro, olhos azuis, rosto angelical, bonita o suficiente...
definitivamente o tipo de Michael. As maçãs do rosto foram tingidas de rosa, e sua boca parecia uma
maçã doce. Jovem e linda.

“Quem é essa?” Pergunto quando todos silenciosamente se aproximam para ver melhor a foto.
“Vanessa Nikova,” Banks responde. “Sobrinha do Sr. Torrance.”
“E?” Encosto na cadeira, tentando parecer relaxado.

“E isso é muito mais do que apenas negociar um hotel para um filho pródigo, você não acha?” Ela
me olha, um olhar condescendente em seu rosto. “Sr. Torrance quer garantia indiscutível de que você e
seus amigos não vão provocar nenhum dano ao seu filho ou sua família. Vai exigir mais investimento do
que apenas dinheiro.”

Ela olha para a foto novamente. “Ela é muito bonita.”


Estreito os olhos nela. Bonita? O que?

Eles pensaram que eu queria comprar o hotel, mas o que isso tem a ver com o arranjo?
“Onde você quer chegar?” Eu pressiono.
Ela inclina a cabeça, um sorriso tímido em seus olhos. “Algo um pouco mais concreto,” diz ela. “Um
futuro. Alianças ainda são feitas dessa maneira.”

Alianças? Olho para os meus amigos, tentando avaliar qualquer compreensão do que diabos ela
estava falando aos olhos deles, também, mas eles parecem tão perdidos quanto eu.
Mas quando olho para a foto novamente, lentamente começa a fazer sentido. Meu coração bate
com mais força, e meus punhos sob meus braços cruzados apertam.
Ela não estava falando sério.

“Você está falando de um casamento?” Rika deixa escapar, olhando para ela.
Mas Banks fala comigo. “Ela vive atualmente em Londres,” ela me informa. “Ela fala fluentemente
inglês, francês, espanhol e russo. Ela é bem-educada-”
“Dá o fora.” Michael ri amargamente.

“E ela é... intocada,” Banks termina, quando Michael estava prestes a explodir a um metro dela.
Eu inclino para frente, olhando para ela. Intocada. Uma virgem.
“Você está brincando,” falo. Qual o século que Gabriel estava vivendo? Um casamento? Isso era
ridículo.

De jeito nenhum!
Mas ela inclina a cabeça para mim. “A única maneira que nós podemos ver que você não será
tentado a ferir a família Torrance é se você estiver envolvido com a família Torrance,” explica ela.
“Queremos uma aliança que é obrigatória.”
Eu mal posso respirar. Quer dizer, não posso dizer que ela está errada, eu acho. Casamentos em
certas famílias poderia ser muito mais sobre como manter a riqueza e alianças seguras em vez de
qualquer outra coisa, mas não havia nenhuma maneira que eu ia fazer algo parecido.

“Para isso, você terá total autonomia sobre a herança dela,” ela me diz, “incluindo as propriedades
que seus pais a deixaram quando faleceram há vários anos.” Ela faz uma pausa, jogando a última parte.
“E você vai ter The Pope. Grátis. Como presente de casamento.”
Will senta-se com os braços cruzados sobre o peito, observando a cena com diversão leve,
enquanto Rika olha para mim, perturbada. Seu corpo inteiro está rígido, e ela lança um olhar duro em
Banks pelo canto do olho.
“Ele não vai se casar com a prima de Damon, ok?” Michael levanta-se, parecendo que ele terminou
com a conversa. “Isso é uma besteira do caralho. Nós não precisamos do hotel. Nós vamos... encontrar o
que precisamos do nosso jeito.” Ele me dá um olhar compreensivo, indicando nossa busca por Damon.

Will agarra a foto da mesa e brinca, “Bem, eu vou casar com ela.”
Mas Michael ignora, me cutucando. “Kai? Diga a ela para ir se foder e sair.”
Mas eu seguro seu olhar escuro, vendo o canto da sua boca curvar ligeiramente, incapaz de
esconder seu prazer nisso.

“Kai?” Rika chama quando eu não respondo ao Michael.


Respiro fundo e encosto na minha cadeira, limpando a garganta. “Pessoal, deixe-nos sozinhos por
um minuto, ok?”
“Kai?” Michael diz novamente.
Eu olho para ele, tentando parecer à vontade. “Alguns minutos, ok?”
Todos meus amigos hesitam, olhando entre mim e a garota e claramente não querendo me deixar
sozinho com ela. Era um crédito para ela, eu suponho. Que eles achavam que ela era tão perigosa.

Eles saem da sala e fecham a porta atrás deles, e pego a fotografia, segurando-a. “Você acha que
pode me mostrar uma foto e sozinha deve me dizer que é a mulher com quem deveria ter os meus filhos?”
Ela encolhe os ombros. “Ela é jovem, saudável... o que mais você precisa saber? Ela vai agradá-lo.”
Sorrio baixinho. Jesus Cristo. “É preciso muito para me agradar,” provoco. “Lembra?”

Seu sorriso desaparece, e ela endireita-se na cadeira.


Jogo a foto de volta para ela, fazendo isso voar por cima da mesa. “Diga a ele para ir se foder. É a
coisa mais absurda que já ouvi falar?”
E desta vez, ela sorri quando pega a foto na frente dela e desliza de volta dentro de sua jaqueta.

“Porque está sorrindo?”


“Eu disse a ele que você não iria concordar.”

“Você acha que eu deveria?” Retruco. “Você acha que isso não é apenas alguma forma horrível
para Gabriel me colocar sob o seu controle? É ridículo.” Eu lambo meus lábios secos. “E estou surpreso
que ele iria querer um descendente de japonês poluindo o sangue da família de qualquer maneira. Parece
diferente dele.”

Na verdade, era exatamente como ele. Ligando minha família com a sua. Para sempre em meu
rosto.
Ela exala lentamente, como se calculando suas próximas palavras enquanto ela cruza as mãos
sobre a mesa. “Eu sei o que você realmente quer,” diz ela. “Você quer saber onde Damon está. Você não
quer ser surpreendido. E agora, você é um rato em um labirinto. Você não sabe para onde se virar, e você
não vai ver que escolheu o lado errado até que tenha ido longe demais.”
“O que você quer dizer?”

“Ou seja, você está preso agora,” ela atira de volta. “E uma vez... você era o caçador.”
Eu inclino para frente, descansando os antebraços sobre a mesa novamente. “Você quer que eu
encontre ele?”
“Eu não poderia me importar menos se você destruir toda esta cidade procurando por ele,” ela
responde. “Estou aqui para entregar uma mensagem. Nada mais.”

“Mas você devia saber que eu ia recusar.”


Ela assente com a cabeça uma vez. “Sim.”
“Então, por que veio?”

Agora ela era a única a hesitar. Ela estende a mão e pega um pedaço de papel e uma caneta do
meio da mesa, olhando para baixo quando ela começa a escrever e falar ao mesmo tempo.
“Porque depois da sua recusa,” ela começa, “eu vou sair.” Ela rabisca no papel, provocando-me
com as suas palavras suaves. “Então você irá lá para cima e sairá para o terraço aberto para exercitar no
ar da noite. Você irá gostar disso lá fora, mais agora, eu posso dizer.”
Meus olhos ardem enquanto olho para ela. O que?

“O tempo está esfriando, por isso é mais confortável a prática ao ar livre, não é?” Ela continua,
ainda não olhando para mim enquanto escreve. “E com a resistência que você possui, a sua mente irá
eventualmente voltar para a nossa discussão esta noite. Você vai pensar em como tão pouco está em seu
controle. Você vai pensar: 'O que eu faço agora?' e como sua vida está em um impasse, e como a pequena
coceira sob a pele chamada raiva está ficando mais forte?”
Paro de respirar, e ela olha para cima e encontra meus olhos, prazer completo escapando do seu
olhar e me alcançando.
“Está crescendo e crescendo e crescendo todos os dias,” diz ela, cortando ainda mais profundo
quando fico ali sentado imóvel. “Porque a sua vida te envergonha. Nem mesmo se tornou próxima do que
era antes de você ser preso.”

Ela baixa os olhos e começa a escrever novamente. “Todos os seus amigos do ensino médio – bem,
quase todos – foram para a faculdade, escolas de direito de prestígio e escolas médicas, deixando suas
famílias orgulhosas,” ela continua, “e à noite, eles vão a clubes e pegam garotas jovens e quentes que lhes
dão um boquete no carro na volta para suas coberturas. Eles estão no topo do mundo sem preocupações.”
Os riscos lentos da sua caneta no papel, soam como uma lâmina de escultura em madeira. “Mas
não você,” ela zomba. “Você acha que é uma piada para eles. Até onde o garoto de ouro caiu. Uma
vergonha para sua família. A história infame que eles vão contar na reunião do ensino médio em cinco
anos, a qual, infelizmente você não vai estar presente porque no fundo você sabe que eles estão certos.”

Ela tampa a caneta e a coloca de volta no suporte, no centro da mesa.

“Então você vai entrar depois do treino, e vai tomar outro banho. Seu terceiro hoje. Isso lava o ódio
de si mesmo por pouco tempo, não é?” Ela dobra o papel ao meio, aprofunda o vinco enquanto seus olhos
me seguram como uma âncora. “Então você vai sair e ir para um clube e encontrar alguém – qualquer um
– para tomar toda essa raiva, de modo que você pode pelo menos dormir por algumas horas hoje à noite.”
Eu aperto meus punhos, pressionando-os na mesa enquanto me levanto da minha cadeira. Preciso
de tudo o que tenho para não agarrá-la no pescoço. Caminhando até ela, eu inclino, empurrando sua
cadeira de reclinar. Seus orgulhosos olhos me encontram, desafiando-me. Onde diabos ela conseguiu tudo
isso? Ela estava me observando?

Não odeio a minha vida. Não estou com raiva. Eu servi meu tempo. A sentença foi dada, e eu não
estava chafurdando na auto piedade. Sei como me levantar e seguir em frente.
Ou, pelo menos eu estava tentando.
“E quando você acordar,” ela diz baixo, quase sussurrando para mim. “Você vai perceber o quanto
tudo ao seu redor é uma porcaria e como é hora de entrar no jogo maldito, Kai Mori, e aceitar algumas
chances.”

Caramba.
Ela ergue o pedaço de papel dobrado entre nós. “A herança dela,” ela diz, entregando-me. “Vai
fazer você um homem muito poderoso. Mais poderoso do que seus amigos nunca serão.”
Ela se levanta da cadeira, me forçando para trás, e meu corpo é preenchido com um mal-estar
repentino. Ela tinha me irritado, e sabia disso. Mas eu não tinha afetado ela.

“Vou esperar até amanhã para dizer ao Sr. Torrance a sua resposta,” ela me diz. “Apenas no caso
de ouvir de você hoje à noite.”
Estendo a mão e agarro seu braço, parando-a. “Eu fiz um monte de decisões ruins na minha vida,”
digo, de pé ao seu lado. “Não vou fazer mais nenhuma.”
Ela olha para mim e puxa seu braço do meu aperto. “Espero que não. Você fez muitas.”

Ela move-se para sair, mas eu bloqueio ela novamente. Deslizando o papel que ela me deu em sua
jaqueta sem olhar para ele, recupero a imagem em vez disso. Finjo olhar para a foto.
Eu precisava de Damon.
E eu precisava daquele hotel.

Mas se ele não estava lá ...


Eu olho para baixo em seus olhos penetrantes, lembrando o cheiro do seu cabelo, a visão de seu
sorriso, e a sensação de seu medo e excitação. Ela era a única coisa que eu nunca tinha visto ele ser
possessivo.
Se ele não estava no hotel, então ela era o poder.

“Diga a ele que temos um acordo,” digo a ela.


Ela pisca para mim por um momento, e sei que ela não estava esperando isso.
Mas quando ela alcança a maçaneta, eu coloco minha mão na porta, mantendo-a fechada. “Mas vou
pagar pelo The Pope,” esclareço. “Em vez disso, meu presente de casamento... será você.”

Ela se vira, e eu finalmente vejo alguma emoção em seu rosto quando ela me olha. “Eu não estou
na proposta.”
E não posso deixar de sorrir para ela, minha mente suja encontrando o duplo significado.
“Você trabalha para mim até o casamento. Este é o acordo. Vá e diga a ele meus termos.” Eu recuo,
de repente muito confiante. “Irá descobrir que você é exatamente o que eu disse que era. Brinquedo ou
ferramenta. Nada mais.”
Deixo seu lado e caminho de volta a minha mesa. Enquanto sua posição com Gabriel me deixa
perplexo, eu sabia que o homem iria vender sua alma para fazer dinheiro. Não havia nenhuma
possibilidade daquela garota ser de muito valor que ele não iria sacrifica-la para ver seu eu iria concordar
com seus termos.

“E, Banks,” digo, vendo ela puxar a porta, uma pequena brasa do fogo que me lembrava nela todos
aqueles anos atrás, finalmente, apareceu novamente. “Uma vez que ele concordar, recolha as chaves,
códigos e projetos para o hotel e traga-os para mim. Eu quero aqui amanhã.”

Ela não se vira ou demonstra reconhecer meu pedido, mas eu vejo a irritação em seu rosto antes
que ela saia do escritório, batendo a porta atrás dela.
Meu peito balança quando solto uma risada silenciosa. Seguindo atrás dela, vejo ela enfiar suas
mãos de volta nos bolsos do casaco e ignorar os meus amigos que estão no saguão. Paro ao lado da
recepção, vendo-a desaparecer pelas portas, e momentos depois um SUV preto desaparece.
“O que você fez?” Michael se aproxima.

Mas eu continuo olhando as portas atrás dela, murmurando, “Ela disse 'destrua a cidade
procurando por ele’.”
“O que?”
“Ela disse que não se importava se eu destruísse toda a cidade procurando por ele,” digo de novo,
mais alto. “Eu nunca disse a ela que pensei que ele estava na cidade.” E balanço a cabeça, agora com
mais certeza do que nunca. “Ele está aqui.”

Viro-me para voltar ao escritório.

“Você não vai se casar,” Michael grita atrás de mim.


Olho para trás. “Eu não vou me casar, porra.”
Capítulo 6
Banks

Devil’s Night

Seis anos atrás


Talvez eu estarei por perto?

Eu disse isso. Por que eu disse isso a ele no confessionário? E por que provoquei ele na estrada
mais cedo? Não havia nenhuma maneira que eu estaria por perto ou teria permissão para ir a qualquer
lugar hoje à noite. Não na Devil’s Night.

Mas, finalmente, sendo capaz de me envolver com ele, não pude me conter. Ele era como um
quebra-cabeça, dando a impressão de que havia tantas coisas que ele queria dizer, mas ele lutou para
conseguir as suas palavras. E depois... de vez em quando naquele confessionário, ele se mostrou. Seu ego
real. O monstro que meu irmão disse que todos tinham dentro deles.

Sigo pela estrada longa, testando minha bicicleta após os reparos que eu tinha feito. Solto meus
dedos do guidão, e espalhando a minha mão, eu estudo minhas unhas sujas.

Ele não gostaria de mim, certo? Eu não era o tipo dele.


Ele estava acostumado com garotas que pareciam modelos, com cabelo de revista, sombra de cem
dólares e saltos durante dias. Olho para o velho Vans do meu irmão em meus pés – aqueles que tinham
ficado pequenos para ele seis anos atrás – permanentemente manchado de óleo que ele tinha derramado
sobre eles muitos verões atrás, e o tecido rasgando na emenda com a sola de borracha. Eu não parecia
uma garota, muito menos uma mulher.

E aos dezessete anos, eu estava tão longe de outras garotas da minha idade. Kai não podia ser visto
comigo mesmo se ele quisesse. Eu iria constrangê-lo.

E nunca seria capaz de me dar ao luxo de parecer como eu poderia, até mesmo tentar me encaixar
com ele e sua turma.
Eu respiro as sempre-vivas em ambos os lados do asfalto quando o vento derruba meu capuz e
acaricia meu cabelo.

Em todas as vezes que eu tinha visto Kai perto de Thunder Bay, perto da minha casa, no jogo de
basquete... ele era frio e calmo, tocado por nada.

Mas não hoje. Deixei ele nervoso.

Sorrio, pedalando mais rápido enquanto eu clico o pequeno controle remoto preto preso no guidão.
Smells Like Teen Spirit domina meus ouvidos, e desvio para a esquerda, aproximando dos portões de ferro
logo que eles se abrem para mim. Seguro firme no declive da estrada, e desço correndo a colina íngreme
e pavimentada da minha entrada. Segurando o guidão reto, fecho os olhos, sentindo instantaneamente
meu coração saltar para minha garganta com a rajada de vento e a sensação me dominando.

Deixei ele nervoso. Minha pele ainda formigava onde ele esfregou quando agarrou meu moletom. O
que ele teria feito sem aquela parede entre nós?
Uma buzina soa, e abro os olhos, vendo um dos carros do meu pai avançando em minha direção.

Merda. Eu desvio fora do caminho, virando à direita, e passo voando pelo Bentley, evitando o
contato visual. O caminho fica nivelado, e eu continuo por ele, sentindo os olhos nas minhas costas
enquanto desapareço atrás da casa, fora da vista do carro.

A chuva da noite passada ainda refrigera o ar, mas o chão está seco quando desço da minha
bicicleta e empurro ela atrás das cercas entre as duas garagens, uma cheia de carros que nunca foram
ligados e uma com janelas escurecidas e um teclado numérico que quase ninguém sabia o código.

Escondo a bicicleta fora da vista e vou rapidamente até a parte de trás da casa. Entrando na
cozinha, eu imediatamente sinto o cheiro de toda a comida e quase gemo quando fecho os olhos por um
momento.
Marina, uma das cozinheiras da família, estava fazendo pão hoje, e eu fecho a porta, sentindo o
calor.
“Onde você estava?” Ouço a voz de David e olho para a longa mesa de madeira no meio da sala
onde ele está sentado com mais dois seguranças do meu pai, Ilia e Lev.

Olho para o outro lado, caminhando para o fogão. “Arrumando minha bicicleta.”

Marina limpa as mãos em uma toalha e pisca para mim, levantando a tampa da panela no fogão.
Inclino, respirando e sorrindo para a sopa de castanha e cogumelos.

“Quando o seu irmão me chama,” David vocifera, “e eu não sei onde você está, sinto que ele vai
alcançar o telefone e arrancar minha garganta. Você está me metendo em encrencas, Nik. E se você
estiver indo para a confissão, avise-nos e um de nós vai lhe dar uma carona.”

Reviro os olhos para mim mesma, pegando a tigela que Marina me entrega. Caminhando para a
mesa, sento no banco ao lado de David, tirando um pedaço de pão que já está servido na minha frente.

“Deixa a garota em paz,” Marina repreende, vindo atrás de mim e puxando meu cabelo para fora
do meu moletom, penteando com os dedos. “Ela precisa de um pouco de liberdade.”
Ele faz uma careta para ela. “Tente explicar isso a ele.”

Eu fico em silêncio, sabendo que ele estava certo. Ele tinha o direito de estar com raiva. Ninguém
queria lidar com o meu irmão. Levantando-me, ando até a pia para pegar uma colher limpa.
Ouço Ilia falar. “Sim, eu não posso mesmo dizer-lhe que você roubou algumas das minhas cervejas
ontem à noite.” Ele me agarra e me prende com uma chave de braço. “Ele apenas vai me culpar por levar
você a tentação.”
Contorço, tentando me libertar. “Pare com isso!” Grito, o odor de cigarros e suor inundam minhas
narinas me fazendo engasgar.

“Eu não roubei suas cervejas!” Grito. “Você estava provavelmente bêbado demais para lembrar que
bebeu todas elas!”
Eu finalmente bato minha colher na parte de trás da sua cabeça, e ele me solta, rindo.

Fico em pé novamente e me sento à mesa, franzindo o cenho. Idiota.

Mergulhando um pedaço de pão na sopa, eu olho para baixo, comendo e tentando manter minha
boca fechada. O calor espalha-se em minha boca e na minha garganta, filtrando através do meu corpo
enquanto tento ignorar os olhos de todos em mim.
“Então, quanta penitência você recebeu? Huh?” Ilia cutuca meu ombro, não desistindo. “Roubar a
minha cerveja, não fazer como lhe disseram, como uma boa garota...” ele lista os meus pecados. “Você
tem quaisquer pensamentos impuros ainda?”

“Pergunte a sua namorada,” respondo, minha boca cheia de comida. “Ela me cobiça mais do que
cobiça você.”

Lev bufa.

“Sua merdinha,” Ilia diz entre os dentes, cutucando minha barriga com os dedos.
Eu me afasto, mas ele circula seus braços em volta do meu corpo e me faz cócegas. Eu me
contorço, atingindo-o no peito. “Deixe-me em paz!”

Mas ele apenas ri, movendo as mãos debaixo dos meus braços e, em seguida, voltando para minha
barriga.
“Deixa ela em paz,” ouço David dizer.

“Mmm.” A mão de Ilia ‘acidentalmente’ encontra-se perto da minha bunda. “Conseguindo o tipo de
perversão aí atrás, não é?” Ele me belisca sobre o jeans. Movendo-me para longe dele, preparo minha mão
e atinjo seu pescoço.

“Tudo bem, o suficiente,” Marina repreende. “Fora da minha cozinha. Fora. Todos vocês. Agora!”
Ilia e Lev riem, empurrando os bancos enquanto se levantam e saem da cozinha, Ilia me dando um
tapinha na cabeça enquanto ele se afasta. David levanta-se, tomando o resto do seu café e largando a
caneca antes de sair da cozinha sem dizer mais nada.

Engulo mais algumas colheradas de sopa e levanto, pegando mais um pedaço de pão na mesa para
levar comigo.
Levantando do banco, eu caminho em direção a escada dos fundos, que leva para meu quarto.

Mas uma voz atrás me impede. “Nik.”

Paro, endireitando meus ombros para me preparar. Eu tinha esperança de escapar, mas era tarde
demais.
Marina não é minha mãe, mas ela assumiu o cargo. Tínhamos um acordo. Eu ia e vinha como
queria, e ela reservou o direito de me dizer o que ela gostava ou não sobre isso.
Minha mãe verdadeira mal podia cuidar de si mesma, muito menos de mim.

Virando-me, rapidamente dou uma mordida no pão que seguro, esperando que seria um sinal de
que eu não quero falar.
Mas ela se aproxima de qualquer maneira, seus olhos azuis nivelando os meus e uma inclinação
solidária em seu sorriso. “Por mais que tente,” ela diz, “seu irmão não pode parar o tempo. Não importa
como você encobre ou quão grande são as roupas que você usa, você não pode se esconder para sempre.
Seu corpo está mudando.”
Calor imediatamente sobe em meu rosto, e eu queria desviar o olhar, mas não faço isso. “Então?”

“Então, os homens estão começando a perceber você,” ela aponta, mais insistente. “Você é uma
garota bonita, e não acho que é uma boa ideia...” Ela faz uma pausa como se estivesse procurando as
palavras certas. “Eu não acho que eles deveriam lidar com você assim mais. Eles vão começar a ter
ideias.”
Ela levanta as mãos e esfrega-as em meus braços, acrescentando, “Se eles já não tem, claro. Você é
uma mulher agora, e seu corpo é seu.”
Desta vez eu desvio o olhar, inalando uma respiração pesada.

Uma mulher. Eu não estava crescendo. Meu corpo poderia mudar tudo o que queria, mas eu nunca
seria uma mulher. Nunca seria nada além do que sou nesse momento.
“Está tudo bem crescer,” Marina quase sussurra como se estivesse lendo minha mente. “Está tudo
bem se vestir e usar maquiagem como as outras mulheres fazem, se é isso que você quer.”

Seguro minha amarga risada. “Eu não vejo como isso faz algum sentido. Não quero que esses caras
me notem- inclino minha cabeça para o corredor onde Ilia, Lev, e David tinha acabado de passar, “-então
por que chamar mais atenção para mim mesma.”

Por que vestir e até mesmo tentar ficar bonita?


“Porque sim.” Marina sorri gentilmente, pegando um tubo do bolso do seu avental. Vejo quando ela
destampa e torce a base, fazendo um batom vermelho aparecer.
Ela aproxima o batom dos meus lábios, e eu recuo por reflexo, mas paro quando ela começa a
desliza-lo em minha boca.

Sorrindo, ela afasta a mão e me vira para o espelho que ela tinha pendurado na parede ao lado da
despensa.
Pisco, surpresa. Eu raramente olhava no espelho, recusando-me a encarar o que eu sabia que
estava acontecendo com minha aparência, mas não conseguia parar de olhar de repente. Apertando meus
lábios juntos, sinto algo que eu não sentia há muito tempo. Um ímpeto.
O vermelho parece fazer minha pele morena brilhar em uma maneira que eu nunca tinha notado
antes, e meus olhos verdes me perfuram enquanto olham de volta do espelho. Até o meu cabelo parece um
marrom mais rico.

“Porque, finalmente,” Marina continua, “haverá alguém cuja atenção você quer.”

E uma imagem de Kai surge na minha cabeça. O que ele pensou de mim hoje?
Marina vira-se, voltando ao trabalho, e olho no espelho mais uma vez antes de ir até a escada dos
fundos.

As coisas estavam mudando. Meu irmão me manteve toda para ele, e enquanto ele era meu mundo,
eu estava começando a me sentir como se pudesse caber em mais. Eu queria mais. Uma vida maior.

Tenho dezessete anos. Eu não tenho amigos e nem educação formal. O que eu faria no próximo
ano, quando meu irmão fosse para a faculdade? Eu podia ignorar como meu corpo estava mudando mas o
tempo estava passando de qualquer maneira, garantindo que a nossa vida evoluiu. Eu teria que ser uma
adulta, finalmente.
Chego ao segundo andar, rapidamente sigo pelo corredor, indo para o quarto do meu irmão, mas
um ruído me chama a atenção, e eu paro. Olho para a janela no final do corredor, vendo a árvore
balançando como uma bandeira no vento forte. Dou um passo mais perto, olhando do lado de fora.

O que Kai estava fazendo agora? Pregando peças, festejando, ou talvez fazendo uma das coisas que
ele confessou hoje? Em sua maneira, numa sala privada em um clube ou algo igualmente doloroso para
mim pensar?

Olhando para baixo, vejo um Charger me encarando – bastante novo – com uma listra preta
desenhada na lateral. Minhas sobrancelhas se unem. De quem é esse carro? Eu não reconheço.
Mas, em seguida, um estouro surge, e afasto minha cabeça da janela, olhando para o céu acima de
mim enquanto eu ouço o zumbido e apito logo depois. Isso era... um fogo de artifício?
De repente, um segundo, terceiro e quarto estouro, parecendo que estava vindo da floresta nas
proximidades, queimando e sibilando acima, e ouço um tumulto lá embaixo enquanto parece que mais
fogos de artifício começam a explodir no céu perto da casa. Portas se fecham, e eu olho por cima do
corrimão, vendo funcionários correrem para os fundos da casa, provavelmente saindo para fora.

Que diabos estava acontecendo?

Viro-me para voltar a investigar, mas então algo é empurrado sobre a minha cabeça, me deixando
no escuro, eu me viro, ofegante.
“O quê?” Eu choro, meu coração pulando na minha garganta.

Mãos agarram meus braços, o pano sobre a minha cabeça aperta em volta do meu pescoço e meus
pés são levantados do chão enquanto sou carregada escada a baixo.
“Solte-me!” Eu bato e chuto. Que porra estava acontecendo? Quem são eles?

Uma mão desce sobre o pano, cobrindo minha boca, e eu continuo a contorcer e torcer contra
aquele aperto enquanto passos fortes batem nos degraus da escada. Quantos são?

“Socorro!” Eu grito contra a mão. Os músculos do meu estômago queimam enquanto eu resisto
com tudo o que tem dentro de mim.
Oh Deus. O ar frio atinge minhas costas onde o moletom levantou-se na luta, e eu sinto seus passos
apressarem.
“Coloque ela aí dentro!” Um deles grita. “Rápido!”

Os fogos de artifício vão à loucura, queimando ali perto, e eu continuo a lutar, torcendo a cabeça
para trás e para frente para conseguir livrar minha boca.
“Socorro!” Meu grito abafado escapa.
Para isso que serviam os fogos de artifício. Uma diversão.

Eu vagamente ouço algo clicar e uma voz de homem zomba, “Espero que você não se importe com
espaços apertados, pequena.”
Alguém ri, e de repente eu estou caindo, atingindo uma superfície dura muita alta para ser o chão.
E então, qualquer luz que vem através do capô desaparece completamente e algo fecha totalmente em
cima de mim, todo o ruído fraco e sem graça agora.
Espaços apertados. Eu estico minhas mãos e pernas, cada um deles batem em uma barreira, como
se estivesse em um caixão. O chão debaixo de mim treme, eu ouço as portas do carro baterem, movimento
minhas mãos na minha frente, encontrando uma tapeçaria de feltro acima.

Estou presa. O motor ruge, e então entendo tudo. Estou em um porta malas. Eu imediatamente
começo a bater e chutar. “Não!” Eu grito, a mão cobrindo a boca agora livre. “Por favor! Deixe-me sair!”

Rasgando o laço em volta do meu pescoço, eu puxo e arranco o saco da minha cabeça, sugando em
uma golfada de ar.
E então eu bato no teto acima de mim. Grito tão alto quanto posso e faço tanto barulho quanto
possível na esperança de que alguém fosse me ouvir.

“Deixe-me sair!” Eu grito, minha garganta queima enquanto grito até a última gota de fôlego dos
meus pulmões. “Ilia! Lev! David! Socorro!”
Porra! O carro embaixo de mim se move, e eu rolo um pouco com o movimento. “Socorro!” Bato
meus punhos mais e mais rápido, ficando louca. Quanto mais longe eles me levassem, maior a chance de
nunca mais ser encontrada.
Música alta toca monotonamente no interior do carro, e meu caixão de metal vibra debaixo de
mim, o barulho abafando o som dos meus gritos.
“Oh, Deus,” choro, meus olhos cheios de lágrimas. “Por favor.”

Eu começo a choramingar incontrolavelmente, sugando respirações curtas e superficiais enquanto


bato minhas mãos pelo assoalho do porta malas, tentando encontrar algo que pudesse usar como arma.
Uma ferramenta, uma roda de ferro, alguma coisa.

Mas o porta malas está completamente vazio, e eu balanço a cabeça. Meu pai nunca viria me
socorrer.
Foda-se. Bato meus punhos, batendo a tampa em cima de mim de novo e de novo, nem mesmo
parando quando eles começam a doer. Eles iam fazer o que queriam fazer. Eu não ia deitar aqui e esperar
por isso. Pode haver uma chance, algum acaso, um carro que passava ou mesmo uma criança em uma
bicicleta pode me ouvir.

“Socorro!” Eu grito, tentando fazer minha voz ser ouvida. “Sooooocoooooorro!”


O carro faz um movimento brusco, e eu balanço para frente e para trás no porta malas. Penso que
nós viramos, e de repente a estrada debaixo é cascalho, e nós desaceleramos.
Mas eu continuo golpeando e batendo, chutando e gritando. Viro de lado e começo a chutar contra
a parede atrás do banco de trás, esperando que possa haver algum tipo de fuga, já que eu sabia que
bancos traseiros de alguns carros dobravam, abrindo para o porta malas. Mas desde que eu não tinha
visto que tipo de carro que fui jogada dentro, eu não podia ter certeza. Então, tento de qualquer maneira.

O carro continua a abrandar, e depois ele finalmente para. Eu respiro com dificuldade e escuto.
Deslocando os olhos na escuridão, ouço a música sendo desligada, o carro fica em silêncio, e as portas
começaram a bater. Quantos deles estão lá? Pelo menos dois me levaram para fora da casa.
O medo percorre meu corpo, e um pequeno suspiro escapa. Eu cubro minha boca com a mão
tremendo quando uma lágrima escorre pela minha têmpora.
Três golpes atingem a tampa do porta malas, e meus olhos arregalam.

“Vá em frente e grite,” uma voz arrogante de homem – a mesma de antes – diz. “Não há ninguém
por perto para ouvi-la agora.”
Eu ouço o riso abafado, e não sei o que fazer. Quero sair daqui, mas ao mesmo tempo não. O que
eles vão fazer?

Mas outra voz surge, essa mais suave e mais sombria, parecendo centímetros longe de mim. “Você
disse que queria ser caçada. Certo?”

Minha respiração fica presa na garganta.

Kai?
Minha testa franze quando as coisas começam a fazer sentido. Medo se transforma em raiva, e meu
olhar tenta queimar um buraco através da tampa do porta mala.

“Você vê essa pequena alavanca verde brilhando no escuro aí?” Pergunta ele. “Puxe-a.”
Alavanca? Qual? Olhando ao redor, finalmente vejo algo verde brilhante no canto à minha direita. É
pequeno, mas facilmente visível, e eu não sei como não vi isso antes. Tem uma foto de um carro sobre ela,
e eu estendo a mão e puxou-a, o porta malas imediatamente abre e um feixe de luz do dia de repente
brilha dentro.
Exalo, meus nervos relaxando.

Empurrando a tampa aberta, olho para cima, vendo três deles de pé na minha frente, com os olhos
pouco visíveis através de suas máscaras. A risada vem do ligeiramente mais baixo a esquerda, na máscara
branca e vermelha – Will – e eu rapidamente limpo minhas lágrimas e escapo do porta malas.
“Idiotas!” Eu grito, empurrando aquele com a máscara prata que sei que é Kai com ambas as
mãos, e, em seguida, avanço e bato diretamente no peito de Michael que usa a máscara vermelha e rígida.
Eles podem não saber muito sobre mim, mas sei exatamente quem eles são e as besteiras que gostam de
fazer simplesmente porque podem. Eu não posso acreditar que eles fizeram isso! Meninos ricos brincando
de ser maus.
Mas a piada era sobre eles. Você não é realmente ruim quando você só faz merda sob a segurança
de nunca ter que sofrer as consequências.

E onde estava Damon? Olho em volta dos quatro, mas além de todos os carros no estacionamento,
está vazio.
“Isso não foi engraçado,” reclamo.

Aquele no meio simplesmente olha para mim, enquanto os outros dois riem suavemente, se
afastando e nos deixando sozinhos. Sigo eles com meus olhos, vendo-os entrar na floresta e desaparecer
entre as árvores. Mais de duas dúzias de carros estão estacionados no cascalho do pátio improvisado, mas
não tem construções, nem casas, apenas floresta e carros.
Onde diabos estamos? Parece apenas uma clareira na floresta.

Viro-me, vendo Kai se aproximar de mim, a máscara continua. Ele coloca uma mão sobre a tampa e
aponta para a alavanca que eu tinha puxado por dentro.

“Cada carro feito desde 2002 tem uma,” ele me diz. “Se isso acontecer com você de novo, já sabe o
que fazer.”
Faço uma careta para ele. “Se isso acontecer de novo, minha equipe não será tão educada como
foram antes.”
David pode me irritar muito, mas ele iria cortar a língua deles se soubesse o que tinham feito.

Mas então, de repente, Kai me empurra, fazendo cair de volta dentro do porta malas sentando no
assoalho. Minhas pernas penduradas do lado de fora, olho para ele, seu corpo longo bloqueando a minha
fuga.
“Isso deveria ser uma ameaça?”
E então ele se inclina, sua máscara terrível a dois centímetros do meu rosto, fazendo meu
estômago revirar. “Fui criado para ser um cavalheiro,” diz ele, “mas se você enviar outros homens atrás
de mim, prendendo meu interesse, será o pior erro que você já fez.”

Forço um sorriso com desprezo, mas um arrepio percorre minha coluna de qualquer maneira.
Ele endireita sua postura e levanta a máscara na sua cabeça, revelando o rosto que eu sabia que
estava por baixo. Seus olhos escuros, sob sobrancelhas ainda mais escuras, olham para mim com desafio,
e uma sensação de mau agouro belisca minhas entranhas. Mas eu não desvio o olhar.
Uma leve camada de suor cobre as bordas de seu cabelo, deixando isso confuso e sexy. Tão raro
para ele ter alguma coisa fora do lugar.

Sem dizer uma palavra, ele se afasta de mim, em direção à frente do carro e fora da vista.
Eu ouço o barulho do cascalho sendo esmagado lentamente ficar cada vez mais fraco, e então
desaparece completamente, eu viro minha cabeça, confusa.
O que? Eu pulo para fora do porta malas e fecho a tampa, olhando por cima do capô. Onde ele foi?

Onde todos foram?


Um mar de carros espalhados diante de mim, uma floresta de árvores em todas as direções, e eu
olho para cima, vendo as primeiras estrelas aparecerem no céu de safira. O sol se pôs há um tempo atrás,
e ficará escuro em breve.
Calafrios cobrem meus braços. Merda.

Virando a cabeça vejo a estrada de terra estreita que passamos atrás de mim. O fato de estar livre
e serpentear em uma curva desaparecendo de vista me assusta. Eu deveria ir por esse caminho. Tinha que
levar à autoestrada.
Mas a música alerta meus ouvidos, e eu me viro de volta para o caminho onde Kai seguiu. O grito
animado de uma garota invade a noite, e eu estudo a escuridão da floresta densa a frente enquanto a
batida dos auto falantes vibram no meu corpo.
Todos estes carros, todas aquelas pessoas... eles estavam na floresta em algum lugar. Isso era uma
festa.

Olho para trás novamente. Eu deveria seguir para a estrada. Caminhar para casa, pegar uma
carona ... qualquer coisa assim.
Mas ele me trouxe aqui, não trouxe? Talvez eu estivesse um pouco curiosa. Ele estava me
desafiando.
Caminhando ao redor do carro, sigo direto para a floresta. Alguém nessa festa teria um telefone, e
eu ligaria para David. Ele iria me culpar por isso, mas ficaria de boca fechada. Nenhum de nós queria
sofrer as consequências de eu estar aqui.
Corro, olhando ao redor enquanto as folhas douradas e laranja remexem debaixo dos meus
sapatos. O cheiro de lenha alcança minhas narinas, mas eu não vejo uma fogueira ou quaisquer pessoas
ainda. Onde eles estão? Eu ainda posso ouvir a música ao longe, então eu continuo diretamente entre as
madeiras escuras.

Lanço um olhar de volta para o estacionamento, a luz da clareira ficando menor.

Talvez isso não era uma boa ideia afinal. Eu avalio a vegetação rasteira novamente. “Olá?” Eu
chamo.

Onde estou exatamente? Eu tinha feito caminhadas na mata, mas não acho que eu tinha ido tão
longe. Tenho certeza que o penhasco fica a oitocentos metros à minha esquerda, Loch Lairn Cave está
atrás de Stuart Hill à minha direita, e da Bell Tower deve ser ...
Bem ali. Olho para cima, à minha direita, e estreito os olhos à frente, decifrando a torre de pedra
cerca de dois andares de altura e os arbustos altos e verdes em torno dela.

A Bell Tower é uma ruína, parte de uma antiga vila que se extinguiu mais de cem anos atrás,
quando uma tempestade fez todo mundo seguir para o interior alguns quilômetros longe dali por
segurança.
“Olá?” Eu chamo novamente. Talvez alguém está ali. “Olá?”
Meu coração dispara. Estava ficando escuro.

“Kai!” Grito.
Meu pé fica preso em um tronco, e eu tropeço para frente, ouvindo um galho ranger à minha
direita. Levanto minha cabeça, procurando de onde veio.
Nada.

Em seguida, um sussurro de folhas surge atrás de mim, e eu viro, ofegante.


“Quem está aí?”
Avisto algo preto e dirijo meus olhos apenas um pouco para a esquerda.

Kai está de pé ali, inclinando o ombro em uma árvore e me observando.


Imediatamente dou um passo para trás. “O-O que você está fazendo?”
Quanto tempo ele já estava lá? Ele estava atrás de mim, o que significa que eu passei por ele na
minha caminhada. Um arrepio percorre minha coluna.

Ele dá um passo, sua máscara pendurada na mão.


Olho em volta. “Onde está todo mundo? Por que você me trouxe aqui?”
Ele não responde, seus olhos presos nos meus enquanto ele se aproxima. Que porra é essa?

Dou um passo para trás para cada passo seu à frente.


“Foi estúpido você me espionar hoje,” ele diz calmamente. “E um erro ainda maior revelar-se mais
cedo. Eu poderia nunca saber que era você.”
Engulo o caroço na minha garganta, ainda recuando. A música ao longe parece para mim uma
tábua de salvação de repente, e ele provavelmente sabe o que estou pensando.

“Você deve correr,” diz ele, sua advertência fria e calma.


Eu devo? Mas este era Kai. Eu não o conhecia, mas eu o observei. Ele era o bom. O quieto.
Ele estava brincando comigo.

“Você...” gaguejo. “Você não vai fazer nada.”


“Como eu não fiz nada para aquela garota no chuveiro?” Ele me desafia. “Você acha que eu iria
passar por todo esse problema para trazer você aqui apenas para deixá-la ir?”
Talvez. Sim. Ok, não, mas...

“Veja, eu não gosto de ser provocado,” continua ele, uma de suas sobrancelhas arqueadas.
“Respeito e reverência são importantes para mim, e você não tem nenhum. Você precisa aprender uma
lição.”
“Isso não é verdade.” Eu o respeitava. Eu não sabia que ele ia estar naquele confessionário hoje.
Eu não queria ouvir.
“Não tenho medo de você,” digo a ele, mas meus pés me traem, ainda recuando.

“Isso é porque você acha que sabe o que está acontecendo agora.”
E de repente, eu encontro uma parede.
“Mas você não sabe,” ele termina.

Congelo, sentindo alguma coisa atrás de mim. Lentamente, eu viro para ver Michael lá de pé,
elevando-se sobre mim.
O que? Eu volto a olhar para Kai, vendo um canto de sua boca elevar com um simples sorriso.
Ah merda.

Minha respiração fica presa na garganta enquanto a caveira vermelha de Michael olha para mim, e
entendo o sentimento de paredes fechando de antes. Olho em volta. Estamos aqui sozinhos. Eu e eles.
E quanto a Will? Ele ainda estava aqui em algum lugar também?
Eu mudo de direção, movendo para esquerda e afastando-me dos dois agora. Eles dão passos
lentos na minha direção, Michael tira a máscara e, em seguida, seu capuz e camiseta, soltando-os no chão.

Minha boca se abre, e o calor domina minhas bochechas. Seu tronco longo, bronzeado de jogar
bola no sol, está bem na minha frente, e eu baixo meus olhos. Eu tinha visto David e os caras sem suas
camisas muitas vezes, mas eles não se parecem assim.
“Ela é bonita,” diz Kai, os dois caminhando lado a lado em direção a mim enquanto eu continuo
afastando. “E ela parece fácil para nós lidarmos. Juntos.”

Ouço a risada tranquila de Kai, e dou outro passo atrás, de repente encontro uma árvore. Enfio
minhas unhas na casca atrás de mim.

“Não tenha medo,” Michael me diz, e olho para cima apenas o suficiente para ver sua cueca
aparecendo na cintura do seu jeans. “Nós somos bons. Somos realmente bons.”
Nós somos bons? Eles não estavam falando sério?
Eu saio em disparada. Sem olhar para trás, eu corro pela floresta em direção a música. Conseguir
um telefone, pegar uma carona, e chegar em casa. Pela primeira vez, o esconderijo que eu sempre tinha
que fazer soa muito bem agora. Meu irmão estava certo. Caras são idiotas.

Eu ofego, determinada a ficar longe. Kai teria deixado isso acontecer? Ser usada como
entretenimento? Havia um ar de perigo sobre ele na igreja hoje, mas ele também foi gentil.
De repente, Kai está na minha frente, me impedindo. “Espere,” ele diz.
Mas eu não me importo com o que ele tinha a dizer. Empurro-o no peito, passando por ele e
fugindo. Eu continuo determinada, correndo o mais rápido que posso, mesmo sem olhar para onde estou
indo.

Braços envolvem minha cintura, e sou levantada do chão enquanto um sussurro rouco sopra no
meu ouvido, “Não é o que você pensa,” ele me diz. “Foi uma piada.”

Oh, ainda melhor. Algo para eles se divertirem.


“Por que você me trouxe aqui?” Eu choro, tentando me libertar.

“Shhh.”
Ele tenta me acalmar, mas eu só balanço a cabeça. Eu só quero ir para casa. Se eu não fui vista,
não poderia ser humilhada.
“Fique longe de mim!” Eu contorço, sentindo ele tropeçar quando nós dois caímos no chão.

Eu pouso sobre ele e ouço-o grunhir, mas quando tento me levantar e afastar rapidamente, ele me
puxa de volta para o chão e sobe em cima de mim. Seu corpo aninhado entre as minhas pernas, e ele
aperta meus pulsos, prendendo-os em cima da minha cabeça.
“Deixe-me ir,” digo com firmeza. “Agora.”
Mas ele apenas paira sobre mim, me olhando. Sua virilha descansa na minha, e eu tento ignorar os
nervos despertando.

“Diga,” ele sussurra.


“Dizer o que?”
“Que você quer só a mim.”

“Eu prefiro lamber uma casquinha de sorvete de lâminas de barbear,” respondo.


Ele sorri. “Você me deixou te tocar no confessionário hoje. Gostou de mim tocando em você.”
Acalmo minha respiração, equilibrando minha expressão. “Mesmo? Eu mal me lembro.”

Ele então move-se entre as minhas pernas, aumentando o desafio, e um pequeno gemido escapa de
mim.
Jesus.
Inclinando-se, ele provoca meus lábios com os seus. “Fica?” Pergunta ele, calor enchendo seus
olhos. “Eu gostaria que você ficasse.”

Deus, ele está em cima de mim. Eu nunca tinha sentido o peso de alguém sobre mim assim. A
menos que eu considere lutar com os caras, e mesmo assim, não era do mesmo jeito.

“O que está acontecendo?” Alguém pergunta. Levanto meus olhos para ver uma garota chegar com
Michael, que está atrás de Kai. Quanto tempo ele esteve lá?
Ela provavelmente veio da festa. Então estamos perto.

Kai vira a cabeça, falando com Michael. “Vá para o cemitério. Eu resolvo isso.”
Michael não diz nada, mas eu vejo seus sapatos aproximarem do nosso lado, e então um
preservativo cai no chão bem perto do meu braço.
Meu peito desaba. O que?

Michael afasta, levando a garota com ele, e Kai olha para mim. Ele solta meus braços, apoiando as
mãos no chão.
“Pegue isso,” ele me ordena. “Ou fuja.”
Eu pego e atiro para longe de nós, em algum lugar atrás dele.

“Nós não precisamos disso,” digo a ele, desafiando-o. “Você está apenas tentando me assustar.”
Mas então ele move seu corpo, empurrando sua virilha em mim, e eu sinto a dureza dentro do seu
jeans.
“Ah,” gemo, e então fecho minha boca com força. Que diabos?

“Podemos precisar dele,” diz ele, um sorriso arrogante no rosto.


Meu clitóris pulsa, e eu me desloco debaixo dele, querendo mais.
“Quem é você?” Ele pergunta.

Mas eu não posso dizer a ele. O confessionário foi um acidente, e eu não tinha nenhuma intenção
de correr para ele novamente. Eu não achei que em algum momento teria que enfrentá-lo.
Olho em seus olhos escuros, querendo falar com ele novamente como fizemos hoje. Querendo que
ele me conheça. Mas eu não tinha permissão.
Em vez disso, digo em voz baixa, “Estou com frio.”

Era tudo que eu conseguia pensar em dizer.


Kai se levanta e pega minhas mãos, me puxando para cima. Mas ele não me solta. Em vez disso, ele
me leva na direção oposta de onde tínhamos vindo.

Para a Bell Tower.

Olho em volta, ainda ouvindo a música ao longe, e eu posso ouvir gritos e risadas também. Estamos
perto da festa. O que ele estava fazendo?

Eu sigo sua orientação de qualquer maneira, não resistindo. Minhas entranhas estão torcendo e
amarrando-se da maneira mais emocionante. Isso era o que eu queria, certo? A chance de estar perto
dele?
A estrutura de pedra cinza é cerca da metade da altura de um farol, com uma câmara de sino na
parte superior. Eu não tinha certeza se o sino ainda estava lá, no entanto. O relógio tinha há muito tempo
parado de funcionar, e um arco nos recebe com uma porta gradeada.
Eu dou um passo lá dentro, olhando ao redor e analisando as proximidades.
As paredes contém algumas janelas, e alguns bancos de pedra foram construídos dentro da sala.
Costumava ser algum tipo de casa ou local de encontros ligado à torre, mas sem utilidade há muito tempo.

Vasos pretos pendurados nas paredes com decadentes rosas cor de cinza plantadas dentro. Quem
sabia quantos anos elas tinham?
Um pouco de luz entrava, fazendo o vermelho, azul e dourado dos vitrais refletirem nas paredes e
escada em espiral de madeira presa em uma parede, tão alta que desaparece da minha vista.
Kai solta minha mão e pega uma caixa de fósforos, iluminando o pequeno toco de vela acomodado
no parapeito da janela. A pequena sala brilha um pouco mais quente, e de repente fico muito consciente
de como está silencioso, a música quase inaudível aqui.

Sua presença – a antecipação – está pesada no meu peito. Deus, ele é lindo.

Sua pele está um pouco mais escura do que a minha – quente, bronzeada e brilhante - e eu mordo o
canto do meu lábio, olhando para seu pescoço. Eu posso ver o sinal da veia através da pele, e eu me
pergunto qual seria a sensação de tocá-la.
Eu vi sua mãe uma vez. Ele tem os lábios dela, o sorriso e cílios.

Mas Kai definitivamente pegou algumas coisas do seu pai também. Mandíbula angular, corpo
magro, nariz reto, e enquanto seu cabelo é grosso como da sua mãe, ele é negro carvão como do seu pai.
Ele também herdou aquele olhar penetrante do seu pai... Tão penetrante e severo que me intimida.
Kai se vira, a cintilação da vela em seus olhos, e ouço o vento uivando nas árvores através da porta
aberta.
“Como você me conhece?” Ele pergunta, andando na minha direção.

“Todo mundo conhece você.”


“Você vai para a nossa escola?”
Eu balanço minha cabeça. “Eu sou... ensinada em casa.”

O que era, eu acho, a melhor maneira de descrever isso. Eu só estudei até a sexta série, faltando
mais aulas do que assisti, quando meu irmão me levou para morar com ele e me fez começar a fazer toda
a sua lição de casa, enquanto eu ficava em casa durante todo o dia. E é assim que eu aprendi álgebra e
espanhol e como Shakespeare usava corrupção, traição e decepção como temas para retratar culpa,
pecado e vingança. Ele frequentava as aulas, absorvendo apenas o suficiente para passar por testes,
enquanto eu fazia o trabalho escrito, absorvendo apenas o suficiente para não ser completamente
ignorante. Havia lacunas, é claro, mas eu tinha feito um trabalho realmente bom em me disciplinar a fazer
o trabalho e suas leituras indicadas. Eu sempre fui menos do que todos ao meu redor, e isso me fez querer
ser mais. Eu ia tentar conseguir meu diploma, em algum momento.

“Eu vejo você por aí, porém,” explico. “Meu irm... minha mãe cozinha para os Torrance.”
Eu engulo, minha garganta como um deserto. Isso foi uma mentira. Marina não é minha mãe, mas
era a explicação que decidimos dar às pessoas, desde que meu pai não queria que ninguém fora da casa
soubesse quem eu realmente era.

Nem o meu irmão.


Eu finalmente olho para cima, vendo Kai apenas me observando com provavelmente um milhão de
perguntas em sua cabeça que eu esperava que ele não fizesse.
“Eu deveria ir,” digo a ele.

Caminho em torno dele em direção a porta, mas ele bloqueia minha fuga, dando um passo na
minha frente novamente.
“Não.” Ele coloca as mãos em ambos os meus lados, na parede, me prendendo. “A coisa é, você
ouviu toda minha merda hoje, e eu gosto da minha privacidade. Como sei que você não irá falar? Como eu
sei que você não publicou no Instagram aquele confessionário, ostentando que você estava zombando de
mim?”
Levanto meu olhar. “Eu não... eu...” falo rapidamente, gaguejando. “Nunca faria algo assim.”

“Por que eu deveria acreditar nisso?”


Porque isso não tinha sequer me ocorrido! Não sou desonesta. Fiquei feliz quando ele começou a
falar naquele confessionário.
“Porque eu...” paro, procurando em meu cérebro. “Eu nem sequer tenho Instagram.”
Ele inclina a cabeça, seus olhos me repreendendo pela resposta tão estúpida.

“Eu nem sequer tenho um telefone celular!” Falo indignada. Eu nem sequer tive a capacidade de
gravar sua confissão, caramba.”
“Você não tem um telefone?” Ele não parecia acreditar em mim. “Todo mundo tem um telefone.”
Aparentemente não.

Mas antes que eu tivesse a chance de responder, ele alcança e coloca suas mãos sobre meus
quadris, agachando, e arrastando suas mãos pelas minhas coxas.
Eu respiro fundo, tentando afastar. Suas mãos derivam em torno da minha bunda, deslizando sobre
meus bolsos traseiros e seus dedos afundando um pouco.
“Você está brincando comigo?” Eu reclamo. Ele estava me revistando?

Mas uma corrente elétrica percorre meu corpo, e a sala começa a girar de qualquer maneira. Ele
estava me tocando.
Olhando diretamente nos meus olhos, seu olhar endurece enquanto suas mãos vagueiam até as
minhas costas e então sobre o meu estômago, procurando o telefone celular escondido que ele
aparentemente achava que eu estava mentindo sobre não ter.
Então ele se levanta, inclinando perto e segurando meus olhos, enquanto uma de suas mãos cruza
lentamente até o interior da minha coxa, e um pulsar bate entre as minhas pernas. Eu respiro fundo.

“Pare com isso,” ofego, batendo nas mãos dele.


Um sorriso arrogante atravessa seu rosto. “Seus joelhos estão tremendo,” diz ele. “Se eu soubesse
que você era inocente, não teria deixado Michael e eu provocá-la antes.”
Eu respiro superficial e lambo os lábios secos.

“Alguma vez você já foi beijada?”


Mantenho minha boca fechada, mas sei que era resposta suficiente para ele.
“Vire-se,” ele ordena.

Olho para ele com ceticismo.

Ele ri baixinho e me vira, inclinando sobre mim e me abraçando por trás. Eu posso senti-lo por
quase cada centímetro de mim: minha coluna, minhas pernas e meus braços. Ele baixa a cabeça ao meu
lado, o rosto no meu ouvido, e acaricia meus dedos com os dele.
“Você sente isso?” Ele sussurra.

“O que?”
Seus longos braços cobrem os meus, minhas mãos descansando dentro das suas. “Você encaixa em
mim como uma camisa. É um molde perfeito.”
Sorrio para mim mesma, sentindo um rubor aquecer meu rosto. “Por agora,” digo. “Eu parei de
crescer, mas você provavelmente não.”

Os homens normalmente continuam crescendo um pouco mais do que as mulheres.


A respiração dele encontra meu ouvido. “Então estamos em posição temporária, não estamos?”

Fecho os olhos, arrepios espalhando pelos meus braços quando ele esfrega os lábios sobre o meu
lóbulo.

Oh Deus. De repente parece que meu corpo tem mil palitos de fósforo, cada um acendendo após o
outro.
Pegando minhas mãos, ele as coloca em minhas coxas e arrasta-as subindo pelo meu corpo.
“Está tudo bem?” Ele pergunta.

Meu corpo treme, e eu concordo. Sim.


“Você vai ter que se confessar novamente amanhã,” brinco.
“Por quê?”
“Sequestro.”
Sua risada atinge meu pescoço enquanto ele esfrega os lábios sobre a minha pele ali. “Odeio
anunciar isso para você, garota, mas eu consegui fraudar aquele lugar. Sem penitência para mim. A
menos que você queira ir comigo,” ele acrescenta. “Purificar alguns de seus próprios pecados, talvez?”

“Não católica, lembra? Eu nem saberia o que fazer lá.”


“Bom,” ele começa, soando de repente travesso.
Ele pega minha mão e me leva para a parede em um dos bancos. Senta-se e então me agarra, me
puxando. Eu grito de surpresa quando caio em seu colo.

“Primeiro, você entra e senta-se,” ele ensina, apertando meus quadris. “Você está sentada?”
Viro a cabeça para olhar para ele, e ele une as sobrancelhas, parecendo sério como um professor.
Reviro os olhos. “Estou agora.”

“Então você faz o sinal da cruz.” Ele pega minha mão direita na dele e toca meus dedos na minha
testa. “E você diz ‘Perdoe-me, padre, porque eu pequei’.”
Deixo ele me guiar, meu próprio toque no meu peito provocando arrepios no meu corpo quando ele
me mostra como fazer o sinal da cruz.
Nossos lábios centímetros longe um do outro, e eu tento falar, mas apenas um sussurro sai.
“Perdoe-me, padre, porque eu pequei.”

“Esta é a minha primeira confissão,” diz ele, me falando o que dizer em seguida.
Eu aproximo, nossos lábios quase encontrando enquanto eu olho para sua boca. “Essa é a minha
primeira vez.”
Ele respira fundo. Seus olhos seguem para minha boca, e ele coloca as mãos em minhas coxas,
enfiando seus longos dedos nos meus.

“Jesus,” ele resmunga baixinho.


Um sorriso cruza meus lábios.
“Então ele vai dizer, 'E o que você gostaria de confessar?'” E então ele limpa a garganta, sua voz de
padre inflexível provocando uma vibração no meu estômago. “O que você gostaria de confessar?”

Seguro meus lábios entre os dentes. “Não sei se posso. Eu...” respiro fundo. “Estou nervosa.”
“Relaxa, minha filha. Você está nas mãos de Deus agora.”
Sorrio baixinho. Gosto dessas preliminares. Sei que não deveria me importar, mas não quero dizer
algo estúpido para estragar o jogo. Não quero incomodá-lo. Toda garota acabou perdendo o interesse do
meu irmão. Odeio o pensamento de que Kai irá se cansar de mim e só quero ir embora.

“Um garoto me segurou, padre,” eu digo a ele, olhando em seus olhos.


“Ele segurou?”
Eu balanço a cabeça. “Dentro da Bell Tower escura, perto do cemitério. Sei que eu não deveria ter
deixado, mas ele me agarrou e...”

“Ele roubou você de todos os outros?” Kai provoca. “Conseguiu deixar você sozinha?”
“Sim, padre.”
Seus dedos afundam no início das minhas coxas e seus olhos estreitam, ficando quentes sobre mim.
“O que você deixou ele fazer com você?” Ele acusa. “Hmm? O que você deixou acontecer?”

“Ele me beijou no pescoço primeiro,” confesso.


E Kai enfia a mão no meu cabelo, entendendo a dica quando ele gentilmente puxa minha cabeça
para o lado, seus lábios no meu pescoço, lentamente mordiscando.
Eu solto um suspiro, fechando meus olhos. “Gostei quando ele fez isso.”

“Você conhece aqueles rapazes...” ele repreende, beijando e mordendo minha pele. “Eles gostam
muito da maneira doce. Você tem que ser forte e resistir.”
“E se eu gostar da maneira doce, também?” Gemo, sentindo minha pele formigar.
“Ele foi o primeiro homem a tocar você?” Pergunta padre Kai.
“Sim.”
Ele geme.

Mordo o lábio, com medo, mas continuo.


“E então ele colocou a mão debaixo da minha camisa,” eu digo, meu peito ansiando pelas minhas
próprias palavras. “Eu estava tão assustada, mas sabia que ele ia ser bom. Eu queria muito isso.”
Eu queria mais. Queria que ele me tocasse em lugares que meu irmão iria querer matá-lo.

Ele levanta a cabeça e olha para mim. Seus dentes estão aparecendo um pouco, e noto uma
protuberância debaixo de mim.
Alcançando atrás de mim, ele lentamente levanta o velho moletom do meu irmão sobre minha
cabeça, deixando-o cair no chão, e então ele enfia a mão debaixo da minha camiseta, mantendo seus olhos
nos meus o tempo todo.
“Aposto que você queria,” diz ele, seus dedos acariciando minha barriga. “Eu aposto que você até
mesmo se esfregou nele para mostrar o quanto você gostou do que ele estava fazendo.”

Eu gemo, notando a umidade entre minhas pernas. “Sim.”


Encosto a cabeça no ombro dele e movimento meus quadris, esfregando minha bunda nele apenas
um pouco. A protuberância debaixo de mim é tão gostosa, a dor do vazio dentro de mim cresce.
Levanto minha mão e pego seu rosto, perguntando se ele ia me beijar. Ele ainda não tinha me
beijado na boca.

Mas, em vez disso, eu sinto sua mão subir um pouco mais sob minha camisa, e abro meus olhos,
lembrando. Oh, Deus, o envoltório. A bandagem ACE que eu tinha enrolado no meu peito para me achatar.
Merda! Eu endireito minha postura rapidamente, puxando a minha camisa para baixo e me
cobrindo. Ele não viu, viu? As lágrimas surgem nos meus olhos, constrangimento aquecendo a minha pele.
Outras mulheres usam sutiã. Ele ficaria confuso e definitivamente sem excitação se ele visse o que
eu usava. Ele pensaria que eu era estranha.

“Está tudo bem,” diz ele, afastando suas mãos de repente. “Está tudo bem. Você não precisa fazer
nada que não queira. Este lugar, esses jogos, eles não são para você de qualquer maneira. Eu não deveria
ter trazido você aqui.”
Sim, eu sei. Era uma piada para ele e uma fantasia para mim. O que eu estava pensando? Eu não
poderia fazer isso com ele de qualquer maneira. Isso nunca poderia acontecer.
Ele pega meu queixo e vira meu rosto para ele. “Eu não tive a intenção de pressioná-la, ok? Sou um
idiota,” diz ele. “Não quero seduzir você aqui. Você é diferente.”

“Diferente como?”
“Eu falo com você,” ele responde. “E gosto de conversar com você. Isso é raro para mim.”
Meus ombros relaxam um pouco, e ele acaricia meu ouvido novamente, me fazendo tremer.

“E quero que seja especial,” continua ele. “Eu quero levá-la ao cinema e sair, ir a passeios, sentar
você no meu colo assim quando eu quiser. E quando estivermos prontos, vamos fazer uma longa viagem
até a enseada na casa de barcos da minha família, e irei devagar com você.” Seu sussurro acaricia minha
orelha, enviando arrepios pelo meu corpo. “Tomando meu tempo onde ninguém pode nos interromper.
Tomando a noite toda.”
Deus, eu queria isso. Queria acreditar que poderia acontecer.
Mas – eu olho para os sapatos velhos do meu irmão e minhas unhas mastigadas – eu estava me
iludindo. Tentando escapar da minha vida e sonhar que eu mesmo poderia parecer pertencer ao seu lado.

“Bem, bem, estou chocado,” uma voz profunda fala em algum lugar atrás de nós. “Santo Kai,
prestes a molhar seu pau no início da noite, hein?”
Meus olhos se arregalam, e nós dois ficamos imóveis.
Não.

Uma risada sombria que eu conheço muito bem surge, e eu apressadamente prendo minha camisa,
afastando as mãos de Kai.
Não, não, não...
“Eu sabia que você viria,” diz Damon, sua voz se aproximando. “Quem você tem aí?”
Eu me encolho, tentando me esconder na frente de Kai.

“Saia,” Kai ordena por cima do seu ombro. “Alguém fora dos limites.”
Fecho os olhos, rezando silenciosamente e desejando ficar invisível. Por favor vá embora. Por favor.
Kai deve ter sentido meu tremor, porque ele aperta meus braços, me dando confiança.

Mas então eu sinto ele.


Ele estava lá.
O calor de seu olhar cai sobre o lado do meu rosto, e eu lentamente abro meus olhos e com minha
visão periférica, vejo os sapatos pretos no chão à minha direita. Olhando para cima, vejo Damon ao lado
de Kai, seu olhar encontra o meu.

Uma onda de náusea me atinge.


Ele parece calmo, mas eu sei que não. Sua boca ligeiramente aberta se fecha, e sua mandíbula
flexiona. Foi um gesto sutil, mas eu conhecia aqueles sinais.
Meu irmão nunca foi calmo. Se ele não estava tendo uma discussão comigo agora, ele iria
eventualmente, e eu não iria ver isso chegando.

Ele solta um suspiro com escárnio, continuando a farsa de não me reconhecer. “Como eu iria
incomodar,” ele diz para Kai. “Ela é uma bagunça do caralho. Você está brincando comigo?”
Seus olhos derivam sobre mim em uma apresentação. Ele não estava avaliando minha aparência.
Ele sabia o que eu usava todos os dias. Eram suas roupas velhas afinal.
Ele estava mantendo o fingimento. Fora da casa, eu não deveria conhecê-lo. Eu era um fantasma.
Ele não queria que eu tivesse amigos, e ele não queria que seus amigos me notassem. Se alguém soubesse
que eu era sua irmã, iriam questionar por que não ia para a escola com ele, vestia tão bem como ele, ou ia
a festas com ele. E se alguém soubesse que Gabriel Torrance era meu pai, questionariam por que não era
tratada como uma filha. Muita história para as pessoas que não precisam saber.

“Há garotas bonitas lá fora, cara, e você escolhe aquela que se parece com um garoto?” Ele pega
um cigarro e bate no topo da sua mão. “Quem é ela, afinal?”
“Não é da sua conta,” Kai retruca, “e não seja um canalha.”
“Relaxe.” Ele enfia o cigarro na boca, acendendo-o enquanto ele fala. “Eu não iria tocar a ratinha
suja mesmo se você me pagasse. Limpe-se, querida.” Ele tira o cigarro da boca e solta uma baforada de
fumaça. “As mulheres são boas para uma coisa, e você está falhando até nisso.”

Eu encolho, querendo desaparecer.


Mas Kai se empurra na minha frente, seu corpo fica rígido quando ele grita. “Pare com isso.”
“Ah, foda-se. Estou saindo de qualquer maneira.”

Ouço os passos de Damon recuarem cruzando o chão de terra, e eu não olho, mas imagino que ele
deixou a torre.
Engulo o caroço na minha garganta. Era uma coisa meu irmão me pegar em algum lugar que eu
não deveria estar, mas me encontrar aqui com Kai? Não haveria erro na cabeça de Damon sobre o que ele
tinha interrompido agora.
Levanto, passo minhas mãos pelo meu cabelo e arrumo minhas roupas.

“Ei, foda-se ele,” Kai me diz, tentando aliviar o que tinha acontecido. “Ele é um idiota.”
“Ele é seu amigo.”
“E ele é por uma razão.” Ele se aproxima de mim. “Ele só tem um monte de coisa feia dentro dele,
e ele joga isso nas pessoas. Apenas ignore-o.”

Agarro meu moletom do chão. “Eu tenho que ir.”


Eu tinha que sair daqui. Odeio quando ele estava com raiva de mim. Vou voltar para casa e ficar no
meu quarto, e quando Damon chegar lá mais tarde ou pela manhã, ele vai me encontrar dormindo bem
onde eu deveria estar. Esperando por ele.
“Ei.” Kai pega meu braço.
Mas eu me afasto dele.
“Não vá embora.”

Eu não queria, mas tenho que fazer. Afasto o desejo ainda furioso percorrendo meu corpo e passo
por ele, correndo da sala.
“Ei!” Kai grita atrás de mim.
Mas eu apenas corro, rapidamente vestindo meu moletom. As lágrimas reunindo enquanto eu corro
de volta para a floresta, mergulhando nas sombras escuras das árvores.

“Eu nem sei o seu nome!” Ouço seu grito atrás de mim.
Os músculos das minhas pernas estão em chamas e corro em direção ao estacionamento e da
estrada que viemos.
Mas então uma mão agarra meu moletom e me puxa de volta, o cheiro de cigarros do meu irmão
me inundando quando meu corpo se choca com o dele.

Eu respiro fundo e vejo quando Damon se eleva sobre mim, sua calma cuidadosamente construída
tinha sumido agora.
“Oh, você está fora dos limites, tudo bem,” ele rosna as palavras de Kai para mim. “Eu deveria
arrancar cada peça de roupa em seu corpo agora. Tudo o que eu te dei. Eu disse que todas as mulheres
eram egoístas e putas mentirosas. Ele não pode ficar com você, e você não pode ficar com ele.” Ele me
encara, o licor em sua respiração flutuando em minhas narinas.
“Damon, por favor?” Eu imploro baixinho, colocando a mão no seu peito. “Eu não-”

“Não me toque.” Ele bate em minha mão. “Eu lhe disse para não se sujar.”
“Eu não estou,” asseguro a ele, balançando a cabeça.
Mas ele apenas olha para mim, fúria em seus olhos e dor que ele tentou esconder em sua voz.

Ele agarra meu queixo, e eu choramingo quando ele pressiona minhas costas em uma árvore. “Por
que você fez isso?” Ele pergunta irritado. “Eu lhe disse para nunca deixar um homem tocar você.”

“Eu não queria deixar isso acontecer,” respondo. “Mas ele não me tocou em qualquer lugar, eu
prometo.”
“Oh, sim, ele tocou.” Seus olhos se estreitam em mim. “E você gostou. Todas vocês vagabundas
gostam disso. Você vai deixa-lo afastar você de mim. Você vai me ferrar, e se isso acontecer, eu vou te
matar. Você me ouviu? Eu vou te matar.”

Meu estômago revira, olhando para seus olhos escuros enquanto eles me analisam como se eu
fosse sujeira. Como se eu fosse sua mãe.
Eu tinha perdido seu respeito. Ele pensou que eu não era nada. Ele me odiava. A última vez que fiz
algo que ele não gostou eu tinha treze anos, e ele não olhou para mim por uma semana. Eu tinha
caminhado com muito cuidado desde então.
Até agora.

“Por favor. Damon.” Nunca tinha visto ele tão zangado. “Eu amo você. Você é tudo o que eu tenho.
Por favor. Eu cometi um erro.”

Eu queria tantas outras coisas, mas não se isso significasse perdê-lo. Eu não poderia perdê-lo.
Empurro a mão dele e avanço, passando os braços ao redor dele e enterrando minha cabeça em
seu peito. Eu seguro firme com todos os músculos que poderia usar.

Perdoe-me.
“Sempre fui boa,” imploro. “Não vou fazer nada de errado novamente. Eu prometo.” Aperto ele
com mais força. “Sou sua. Eu te amo.”
Ele estende a mão e agarra meus braços, como se estivesse pronto para me afastar, mas depois ele
para, e eu mantenho meus olhos fechados, esperando. Por favor, me ame novamente.

Ninguém mais no mundo me amava, exceto ele. Ele me protegeu, me levou para longe da minha
mãe, mantinha meu pai longe de mim, e se alguém já tentou me machucar, ele acabava com eles.
Eu ainda me sentia insegura às vezes, mas pelo menos eu nunca me senti sozinha mais.
A respiração de Damon acalma, seu peito se movendo para cima e para baixo, cada vez mais lento.
Seus dedos em torno de meus braços relaxam.

“Você não pode afasta-lo de mim,” diz ele em voz baixa. “E ele não pode afasta-la de mim, também.
Você entendeu?”

Eu balanço a cabeça rapidamente, alívio começando a se instalar. “Eu sei. Serei boa.”
Levantando minha cabeça, eu olho para ele, as lágrimas secando no meu rosto enquanto eu
mantenho meus braços em torno dele.
“Eu não quero ele. Só fiquei entediada,” digo. “Quando você não está em casa, eu não quero estar
lá.”

Quando ele não está em casa, fico em nosso quarto tanto quanto possível, então eu não encontro
com nosso pai. Mas quanto mais velha eu fico, mais inquieta eu me torno.
Seu rosto suaviza, e vejo um sorriso aparecer. “Eu sei.” Ele acaricia meu cabelo. “Algum dia nós
teremos nossa própria casa, e você poderá ser livre. Eu vou cercá-la com uma centena de hectares, e você
poderá ficar louca. Ninguém nunca vai olhar para você da maneira errada ou trata-la mal.”
Forço um sorriso naquele nosso sonho. Aquele em que ele iria para a faculdade e voltaria para mim
e nós desapareceríamos em uma casa, longe, no meio de uma floresta ou na borda do mundo, e eu não
teria que me esconder de ninguém.

Mas eu sabia que não era real. Isso nunca seria.


“O que está errado?”
Baixo os olhos. “Alguém vai tirar você de mim, porém, não vão?” Pergunto. “Eventualmente, de
qualquer maneira. Ela não vai me querer em sua casa.”

Esquecendo o fato de que quanto mais velha eu fico, mais eu queria coisas que Damon não quer
que eu tenha, mas também, ele estava crescendo. Nós não tínhamos treze e doze anos mais. Temos
dezoito e dezessete anos, e Marina estava certa. Nós não poderíamos parar o tempo. Ele não iria querer
eventualmente uma família? Eu não poderia ir junto e invadir a festa para sempre.
Mas ele apenas ri de mim. “Você é uma idiota.” Ele belisca meu queixo, empurrando minha cabeça
e me forçando a encontrar seus olhos. “O que eu disse? Há peões, torres, cavalos e bispos, mas apenas
uma rainha.” Ele sorri, brincando. “Nós somos um par, Nik. Todo mundo vem e vai, mas você nunca
escapa do sangue. O sangue é para sempre.”
O canto da minha boca curva em um sorriso. E solto um suspiro, sentindo alívio que ele tinha me
perdoado.

Ele pega seu telefone do bolso da calça e começa a discar. Provavelmente para David, Lev, ou Ilia
para vir e me pegar.
“Eu posso caminhar até em casa,” explico, tentando impedi-lo. “Está tudo bem.”

Mas ele apenas levanta o telefone ao ouvido, olhando para o ar sobre minha cabeça enquanto ouço
a outra linha tocar.

Eles respondem após o primeiro toque. “Damon.”


Eu reconheço a voz de David.
“Você nunca vai adivinhar quem eu peguei a oito quilômetros da casa, no escuro, sem proteção.
Você está demitido.”

“Damon, não posso ficar de olho nela a cada segundo!” David responde. “Você quer que eu amarre
ela?”
“Foda-se.” A voz fria do meu irmão era como o lento movimento de uma faca. “Você e os caras
venham até a Bell Tower e pegue ela agora.”
Não posso deixar de soltar meus ombros um pouco. Eu sabia que tinha de ir para casa. Eu só não
queria ainda.

“E a leve para o cemitério,” Damon termina.


Eu levanto minha cabeça, meu estômago dá uma cambalhota. Mesmo?

Damon sorri para mim enquanto fala. “Ela pode ir para a fogueira, mas mantenha ela quieta e
mantenha os caras longe dela.”

“Tudo bem. Nós estaremos aí em quinze minutos.”


“Cinco,” meu irmão ordena e desliga.
Mordo o lábio inferior, mas ele ainda vê meu sorriso tentando escapar.

Ele inclina meu queixo novamente, avisando-me com seu olhar. “Eles vão cercá-la como uma
maldita parede, entendeu? Não me irrite, e não deixe Kai vê-la.”
Eu balanço a cabeça, tentando não parecer muito animada.
“Dessa forma, você pode ver o que ele não quer que você veja.” Seu sorriso desaparece. “Quem ele
realmente é.”
Capítulo 7
Banks

Presente

“Eu não sou parte do negócio.” Olho para Gabriel sentado do outro lado da mesa. “Você pode
enviar Lev ou David ou qualquer outra pessoa para trabalhar para ele.”

“Sim...” meu pai ri baixinho, nuvens de sua fumaça de charuto escapam antes que ele sopra o resto
fora. “Porque isso é exatamente o que ele quer de você, não é? Para limpar banheiros em seu dojo e
carregar o traseiro dele por aí.”
Inclino meu queixo para cima com seu sarcasmo. “Ele não me quer para...” falo, hesitando. “Para
isso. E se ele quer, ele não vai conseguir.”

Kai poderia muito bem me querer para servi-lo de pés e mãos, mas meu pai tinha outras ideias. Em
sua cabeça, se Kai estava me exigindo, em particular, então ele me queria para nada menos do que um
pouco de diversão.

E ele não ia conseguir isso.

Gabriel não sabia que eu tinha conhecido Kai antes. Gabriel não sabia que eu já tinha jogado a
versão de Kai de diversão. Recusei ser sua ferramenta. Ou seu brinquedo.
“Você vai fazer o que tem que fazer,” ele me diz.

“Eu não vou-”


“Você vai fazer exatamente o que foi ordenada!”

Cada músculo fica tenso, e eu travo minha mandíbula, calando-me. Um suor leve e repentino cobre
minha testa, onde o meu gorro está acomodado.

Damon.

Isso tudo era para Damon. Ele era a única razão pela qual eu fiquei nessa casa. Lembro do fim do
jogo. Encontre-o, leve-o para casa, e mantenha Kai e o resto daqueles idiotas longe dele.

Os olhos exaustos do meu pai estão desfocados, mal dando qualquer importância em mim agora.
Kai estava certo sobre uma coisa. Eu era apenas tão valiosa quanto o que era boa para Gabriel Torrance.
Soube disso no momento em que deixei o escritório de Kai esta noite no dojo. Soube disso quando entrei
neste escritório uma hora mais tarde. Eu sempre soube meu valor aqui.

Uma mulher não era boa suficiente nesta casa, então eu fiz tudo que podia para fazer o meu pai e
irmão esquecerem que eu era um deles.

Gabriel levanta da sua cadeira e caminha lentamente em torno de sua mesa, o vento noturno
uivando no lado de fora do escritório. Ficando na minha frente, ele se inclina para trás em sua mesa, um
pouco mais relaxado enquanto ele me oferece um olhar condescendente. “Você tem sido útil,” diz ele,
soprando a fumaça e virando-se para apoiar o charuto no cinzeiro. “Você é inteligente, e levou muito
tempo para você ganhar minha confiança, mas você ganhou. Sei que posso contar com você. Seu mundo
inteiro é Damon.”
Mesmo que fosse verdade, não foi lisonjeiro ouvir. Meu irmão era o meu mundo. Mas enquanto eu
o amava mais do que amei qualquer outra coisa em toda a minha vida, eu odiava a forma como meu pai
disse isso.

Como se eu fosse o cão de estimação de Damon.

“Mas agora,” Gabriel continua, “você tem a oportunidade de provar a si mesma inestimável.
Insubstituível.”

Importante.

Apesar do meu ódio pelo meu pai, a minha aversão de Kai Mori, Michael Crist, Will Grayson, e
Erika Fane, eu não poderia evitar o pingo de orgulho que se infiltrou.
Eu era insubstituível. Se meu pai não viu isso ainda, ele iria. Mesmo que seja a última coisa que ele
veja.
Gabriel respira fundo e levanta-se, sua expressão ficando um pouco agradável.

“Isso é realmente perfeito,” diz ele enquanto caminha de volta em torno de sua mesa, parecendo
quase animado. “Você vai ser capaz de manter um olho nele. Você vai ter a sua casa pronta para Vanessa
quando ela chegar. Você vai passar o tempo no dojo, trabalhando para ele, treinando, o que seja... você vai
ficar onde ele está e me avisar se existe alguma coisa que eu deveria me preocupar. Com ele ou o resto
daqueles idiotas.” Ele pega o charuto e puxa algumas tragadas. “E se seu irmão sair do esconderijo e
provoca-los novamente, você vai protegê-lo. Certo?”

Desvio meu olhar. Claro, eu faria isso. Eu sempre fiz. Mas eu não queria fazer. Não posso estar
perto de Kai todos os dias.

A raiva ferve sob minha pele.

Eu poderia argumentar. Eu poderia até mesmo sair. Não amo o meu pai, e eu provavelmente era
inadequada.

Mas eu poderia proteger Damon melhor sendo parte disso, e se saísse eu não tinha nada, droga.
Ele precisava de mim. Se ou não meu pai mesmo admitiu isso, ele sabia.
Quando Damon foi preso na faculdade e foi enviado para a prisão, eu estava no controle total da
situação diante de Gabriel. Eu usei todo o esforço que podia para garantir que ninguém tocasse no meu
irmão, e quando ele saiu no ano passado, limpei todas as suas bagunças. E sempre que o nosso pai tentou
controlá-lo e ele não podia ser controlado, fiz o que eu sempre fiz. Esgotei meu irmão mais velho e
espanquei-o até que ele entrou em colapso e toda a raiva tinha desaparecido. Por um tempo de qualquer
maneira. Ele sempre voltava.

Damon, único filho e único herdeiro de Gabriel, ficava apenas no seu melhor quando ele me tinha
cuidando dele. Só quando meu irmão tinha o seu tutor.
Gabriel fica ali, olhando para mim com um raro interesse de repente. “Com quantos homens você
já esteve?” Ele pergunta.

Eu fico em silêncio e firme, mas minha paciência estava ficando mais difícil de encontrar. Com
quantos homens eu já estive... Jesus.

Meu pai caminha novamente ao redor da mesa se aproximando de mim, invadindo meu espaço e
me forçando a olhar para ele. Eu levanto meu olhar, sem me preocupar em esconder o desgosto nisso.
“Você sabe como foder?” Ele exige claramente, chegando ao ponto. “Você sabe como agradá-lo?”

Ele.

Kai.
Minhas entranhas encolhem, e me afasto do seu alcance, desviando o olhar novamente.

Mas ele não cede. Ele lentamente puxa meu gorro, deixando-o cair no chão, e começa a desabotoar
meu casaco. Um golpe de medo me atinge, mas eu não luto, e não resisto. Observo-o entre os longos fios
escuros agora pairando sobre meu rosto.

Meu pai nunca tinha me tocado, mas eu sabia que a razão mais provável não estava relacionado
com o fato de que eu era sua filha e mais a ver com o fato de que Damon não queria ninguém me tocando.

Ele puxa a jaqueta pelos meus braços, e respiro rápido quando ele afasta os cabelos dos meus
olhos, o cheiro de diesel nas mechas, de trabalhar em uma das caminhonetes mais cedo hoje, deriva em
meu nariz.

Seus dedos percorrem minha pele, e ele se senta, estudando-me, inclinando meu queixo para
analisar meu rosto como se ele não tivesse me visto quase todos os dias durante os últimos onze anos.

Ele me circula, sua mão à deriva em torno da minha cintura, e eu aperto meus dentes quando ele
levanta a velha camiseta de Damon para olhar minha barriga. Ele solta a camiseta e seus olhos pousam no
meu peito, balançando a cabeça em aprovação.

“Você não é virgem ainda, não é?” Ele pergunta, provavelmente suspeito quando eu não respondo.
“Quero dizer, Damon cuidou disso há muito tempo, certo?”

Bile surge, invadindo minha garganta, e eu empurro suas mãos para longe. “Você é nojento,” digo
entre dentes, os olhos ardendo com lágrimas.

Como ele podia ser tão vil?


Mas ele apenas ri e caminha de volta em torno de sua mesa. “Aquele garoto ia foder um tijolo se
isso estivesse molhado o suficiente. Não pense que todos nós não sabíamos o que estava acontecendo
naquela torre.”
Eu podia sentir as lágrimas brotando, mas só resmungo e agarro meu casaco do chão e saio da
sala.

Meu estômago se agita com a perspectiva do que ele esperava de mim. Eu poderia atirar, eu
poderia lutar, eu poderia convencer cada homem na cidade a gastar milhares de dólares em uma
prostituta de vinte dólares se eu quisesse... nas eu não seria entregue de um homem para outro como se
fosse escrava para ser presenteada à vontade. Eu sou mais. Sou inestimável. Esta é a minha casa.

Não quero ficar perto de Kai Mori ou dos seus amigos.


Viro o canto do corredor, e rapidamente subo as escadas, ouvindo a voz de David vindo de baixo.
“Banks, eu preciso falar com você.”

“Mais tarde.”
Corro até o segundo andar, pulando os degraus, e determinada faço o contorno no corredor e sigo
até a porta de madeira escura à minha direita. Pegando minha chave do bolso, eu desbloqueio a fechadura
e abro.

Eu entro, o brilho suave das luzes na arandela presa na parede iluminam outra escada quando
fecho a porta e tranco novamente. Subindo na segunda escada, viro a direita em um quarto de forma
circular, o único cômodo no terceiro andar.

Atravessando o piso de madeira brilhante, abro a janela e suavemente empurro os dois painéis de
vidro. A noite de outubro excepcionalmente quente está apenas um pouco mais nítida pelos ventos
repentinos, e eu fecho os olhos, inalando o cheiro de terra e folhas ardentes transportadas na brisa.
Minha pele começa a vibrar, e eu já me sinto melhor. Este quarto era um outro mundo. Nosso
mundo. Meu e do Damon.

Deixando a janela aberta, eu atravesso o quarto e abro o laptop, clicando em uma lista de
reprodução. Like a Nightmare começa a tocar, e então eu me inclino sobre a cama, pegando um
travesseiro.

Colocando o travesseiro contra meu nariz, eu inalo, o menor indício de amaciante de roupa fazendo
minhas narinas formigarem. Eu sabia que não iria sentir o cheiro do meu irmão sobre isso, mas estou
desapontada de qualquer maneira. Fiquei sem ele tempo suficiente. Estou cansada de estar sozinha.
A roupa de cama é nova – eu tinha substituído há vários meses, e limpo o quarto regularmente,
apenas para certificar de que estará impecável se ele aparecer. Mas mesmo que ele não tenha dormido
aqui em mais de um ano, eu ainda espero cada vez que piso aqui, que eu iria encontrar alguma evidência
de que ele esteve em casa.
Coloco o travesseiro de volta em seu lugar, a roupa de cama preta, branca e cinza ficam perfeitas
quando puxo os cantos do travesseiro, tirando as rugas.

Tudo tinha que estar perfeito.


Olhando ao redor do quarto, analiso o chão imaculado, as paredes escuras e arandelas douradas,
as fotos preto e branco que ele tinha penduradas da escola... mulheres e pernas e pele brilhante, não de
mau gosto, mas realmente sexo, no entanto.
Eu não gosto de olhar para elas.

E então, levantando os olhos, vejo outra escada no canto do quarto. Envolto em sombras, a
escadaria leva à “torre”, como nós a chamamos, uma pequena alcova com um piso ainda menor no topo. É
cercada por janelas, quase como um farol lá em cima, onde você pode ver sobre as árvores por
quilômetros. Esse é o meu espaço. Quando eu moro aqui.

Ainda aloja meu colchão, uma lâmpada, e algumas roupas, apenas no caso de precisar de novo.
Não que eu já usei muito isso de qualquer maneira, mesmo quando eu morei aqui. Damon me manteve
perto.
Eu ando até a janela de novo, e encosto contra a parede ao lado da janela, deslizando para baixo
até que estou no chão. Pegando meu cabelo, prendo-o no topo da minha cabeça antes de pegar meu gorro
e cobrir meu cabelo novamente.

Meus ombros finalmente relaxam, e fecho os olhos, segura no conhecimento de que ninguém
poderia me ver agora.
Não que eu era muito visualizada, de qualquer maneira.
Mas eu gostava de assistir outras pessoas. Tipo como Kai fazia.
Há muito tempo atrás, eu observei ele à distância, parte de mim querendo muito ele. Eu pensei que
ele era bom.

Fiel. Bonito.
Mas ele poderia ser mais assustador do que Damon.
E meu irmão, Damon Torrance, foi um pesadelo desde a primeira vez que eu o conheci. Um
pesadelo requintado.

“Levante sua meia,” minha mãe ordena quando bate à porta do lado do passageiro.
Curvando puxo minhas meias encardidas até os joelhos, nós duas de pé ao lado do nosso carro
estacionado em frente a um grande portão, preto. Está aberto, e os carros estão circulando de forma
constante. Mãe disse que havia uma festa acontecendo hoje. Era um bom momento para vê-lo.
“Lembre-se do que eu disse.” Ela me puxa, abotoando o botão de cima do meu cardigã e
endireitando a blusa por baixo. Eu olho para longe, impaciente. Eu tenho doze anos, e ela me vestiu como
uma criança de cinco anos.

“Se ele começar sendo mal,” continua ela, sua voz tremendo tanto quanto suas mãos, “você precisa
me ajudar, ok? Diga-lhe que precisamos de dinheiro. Se não conseguirmos ajuda, Nik, você terá que
deixar o apartamento, o seu quarto, e todas as suas coisas. Você vai dormir em casas de estranhos. E eles
poderiam levá-la para longe de mim.” Ela agarra meus ombros, respirando com dificuldade. “Você quer ir
para casa hoje à noite, certo?”

Eu concordo.
“Então sorriso bonito,” Jake, seu namorado, grita para mim do assento do motorista através da
janela aberta.

Sim, sorriso bonito. Ser legal com alguém que nunca foi bom para mim. Quem nunca quis me
conhecer. Meu estômago continua agitado, e não posso apertar meus dedos. Eu me sinto fraca.

“Apresse-se, Luce,” diz ele para a minha mãe.


Eu sei por que ele quer que nos apressamos e para o que ele queria dinheiro. Os dois. Claro, se nós
tivermos sorte o suficiente para conseguir qualquer coisa, eu iria conseguir alimento e talvez algumas
roupas e sapatos usados. Minhas meias são tão velhas que não se encaixam bem, e eu estava lavando o
meu cabelo com sabão em barra há um mês.

Mas eles vão apenas fazer festa com o resto. Toda vez que temos algum dinheiro, isso desaparecia
antes que nós tínhamos a chance de exalar.
Minha mãe pega a minha mão, e eu a sigo através dos portões e longa entrada. Olhando em volta,
meu coração instantaneamente dói. É tão lindo aqui. Muito verde em ambos os lados do caminho, árvores
e arbustos e o cheiro de flores... Deus, como seria apenas ir lá e correr? Dar cambalhotas e subir nos
carvalhos vermelhos e fazer piqueniques na chuva?
Olhando para frente, vejo a casa, a pedra branca impressionante contra o céu azul. Carros
circundam a entrada de automóveis, e salpicos de vermelho ao redor da casa, que eu acho que devem ser
roseiras, embora eu ainda não estou perto o suficiente para ver.

Mas quanto mais nos aproximamos, mais nervosa eu fico. Eu paro e fico imóvel. Eu quero virar e
dizer, “Eu vou roubar comida do Shop-and-Go na rua do nosso apartamento se eu precisar.” Eu já fiz isso
antes. Precisávamos de leite e cereais, e minha mãe me pediu para conseguir. Se eu fosse pega roubando,
como uma menor eu não iria entrar em tantos problemas quanto ela iria.
Nós seguimos até a casa, e ela me para pouco antes de chegar à porta. Ela agacha, seu longo
casaco a única coisa boa que ela tem para encobrir suas roupas baratas.
Ela segura meus ombros e olha para mim, os olhos tristes. “Sinto muito,” diz ela. “Estas são coisas
que as crianças não deveriam ter que passar. Eu sei disso.” Ela olha em volta, agitada e parecendo
desesperada. “Eu queria que você soubesse o quanto eu quero que você tenha tudo. Você merece tudo,
sabe disso, certo?”

Apenas olho para ela, meus olhos começando a molhar. Minha mãe é confusa, ela nem sempre me
colocou em primeiro lugar, e eu odeio as posições que sou colocada algumas vezes, mas... sei que ela me
ama. Não que isso sempre parece o suficiente, mas eu sei que ela tenta.
“Eu gostaria de poder levá-la e comprar para nós uma casa como esta,” diz ela melancolicamente,
“e tudo o que você poderia fazer é sorrir.” Ela se levanta, alisa as rugas de seu casaco. “Mata-me que o
merdinha do filho dele consegue tudo que quer e você não ganha nada.”
Damon. O filho do meu pai. O único filho que ele assumiu.
Ela só tinha mencionado ele algumas vezes, não que ela já o conheceu. Ele tinha nascido assim que
minha mãe ficou grávida de mim, mas ouvimos o suficiente ao longo do tempo. Ele deveria ser o tipo de
problemas.

Ela pega a minha mão de novo e me leva à porta da frente, onde um servo está segurando-a aberta,
cumprimentando os convidados enquanto eles entram.

Uma mulher em um vestido brilhante olha para mim, estreitando os olhos, e avaliando minhas
roupas. Eu rapidamente desvio o olhar.
Pessoas entram na casa, e nós seguimos, mas o homem na porta coloca a mão no ombro da minha
mãe. “Com licença. Quem é você?”

“Eu preciso ver Gabriel.”


O homem, que está usando um colete branco, move-se na frente dela, bloqueando seu caminho.

Espreito em torno dele, vendo todas as pessoas extravagantes em ternos e vestidos que seguem
por uma porta na parte de trás da casa.

“Sr. Torrance está entretendo convidados agora,” ele diz a ela.

Minha mãe coloca o braço em volta de mim, respondendo categoricamente, “Esta é sua filha, e se
eu não vê-lo agora, vou correr através de sua pequena vila aqui em Thunder Bay e gritar para o mundo.”

O homem franze os lábios, e eu noto algumas pessoas ao nosso redor virar para olhar. Eu tremo
por dentro. Será que Gabriel se importaria se ela fizesse isso?

O servo acena para o homem de pé ao lado da parede, e ele se aproxima. Meu coração dispara,
observando ele apalpar minha mãe.
Mas, em seguida, o guarda corpulento termina com ela e aproxima de mim passando as mãos pelos
meus braços. Eu empurro, e minha mãe me afasta.
“Mantenha suas mãos longe dela,” ela exige.

Fico perto dela, escondendo-me o máximo possível.


“Siga-me,” o servo que tinha aberto a porta diz. Ele nos leva pela casa, e eu olho em volta, notando
uma biblioteca, um escritório, e algum tipo de sala de estar. Tudo é escuro, e quase tudo é feito de
madeira: as escadas, os móveis, algumas das paredes.... nós passamos pela escada, e meu olho percebe
uma figura de pé no topo. Eu olho para cima.
Um menino está de pé ali, encostado na parede, com os braços cruzados sobre o peito. Ele olha
para nós, seus olhos me seguindo enquanto eu passo. Ele tem cabelo escuro como o meu, mas seus olhos
são mais escuros, estreitos e calmos. Mas algo em seu olhar me faz encolher. É ele?

“Espere aqui,” diz o homem.

Minha mãe e eu paramos diante de uma porta, enquanto o homem mais velho contorna o canto.
Minha mãe pega a minha mão e segura com as suas. Ela fez a mesma coisa há alguns anos atrás
quando o Serviço de Proteção à Criança veio a nossa casa e também nas raras ocasiões em que eu tinha
um professor insistente que fez o impossível para convencê-la a ir nas conferências de pais e professores.
Ela está nervosa.

Ouço passos firmes baterem no chão. Meu coração começa a bater na minha garganta, e eu paro
de respirar por um momento.
Uma sombra surge no chão, e eu olho para cima, vendo um homem alto, bem vestido surgir no
corredor.
Cabelos grisalhos preto, bonito terno preto e camisa, sapatos brilhantes... eu olho para ele com os
olhos arregalados, a respiração fica presa na minha garganta com seu forte cheiro, uma mistura de
perfume e tabaco.

Ele aproxima da minha mãe, com a voz soando tão mal que as minhas mãos começam a tremer.

“Sabe o que é mais trágico do que uma pobre prostituta drogada?” Ele fala irritado para ela. “Uma
pobre prostituta viciada morta.”

E então ele olha para mim. “Sente-se,” ele ordena. “Agora.”

Eu respiro superficial – é tudo que posso no momento – e sento no banco, remexendo com as mãos.
Ele empurra minha mãe pela porta, e eu vejo uma mesa e alguns livros antes que ele fecha.
Oh Deus. Que diabos? Ele é tão mau. Por quê? Eu sei que minha mãe pode ser um problema, e ela
é embaraçosa, até mesmo para mim, às vezes, mas eu não fiz nada.

Eu tento afastar as lágrimas que surgem de repente. Eu não quero estar aqui. Essas pessoas são
terríveis. Minha mãe disse que meu pai é dono de uma empresa de mídia e tem função no conselho de
outras – o que seja que isso significa – mas também há outras coisas que ele faz. Ela tinha trabalhado para
ele, mas ela não quis me dizer o que ela fez.
Eu só quero ir embora. Não quero ter nada a ver com ele, e eu não quero saber mais nada.
Um movimento me chama a atenção, e olho para cima para ver o menino de olhos escuros vindo
pelo corredor. Ele parece relaxado, segurando uma garrafa verde pelo pescoço e parando na porta de
entrada, encostando na parede enquanto ele olha para mim.

Eu lambo os lábios, sentindo cada cabelo em meus braços se levantar. Eu desvio meus olhos,
envergonhada, mas eles continuam voltando para ele.
Sua calça preta e sapatos de couro parecem que alguém tentou vesti-lo, mas sua camisa branca
está parcialmente para fora da calça e as mangas estão enroladas. Seu cabelo está penteado, embora, e
noto o quão estreito seu olhar está sobre mim, assim como o arco marcante de suas sobrancelhas escuras.
Eu tenho os mesmos arcos, e minha mãe diz que eles fazem o verde dos meus olhos tão penetrantes, mas
isso faz o mesmo para seus olhos escuros também.
Ele toma um gole da garrafa – algum tipo de cerveja, eu acho, mas ele não parece muito mais velho
do que eu.

Eu ouço uma discussão abafada por trás da porta e olho para ele novamente. Meu pai parecia
saber quem eu sou. Esse menino sabe?
“Você é meu irmão?” Pergunto.
Seus lábios curvam divertidos, e ele não se parece nem um pouco chocado com a minha pergunta.
Caminhando para mim, ele para, suas pernas batendo nas minhas enquanto ele inclina a garrafa, tomando
o resto da bebida. Eu assisto o caroço da sua garganta oscilar antes que ele termina, enfiando o pescoço
da garrada no vaso de plantas sobre a mesa.

Ele se inclina, uma mão apoiada na parede acima da minha cabeça e a outra acaricia meu rosto. Eu
recuo, mas não tenho para onde ir.

A cerveja em seu hálito atinge meu nariz quando ele se aproxima, e eu sinto um suor frio surgir no
meu pescoço. Será que ele vai me beijar?
Sua boca paira centímetros da minha, e ele olha diretamente nos meus olhos. “Você gosta de
cobras?”

Cobras? O que?
Eu balanço minha cabeça.
Uma faísca de algo pisca em seus olhos, e de repente ele se levanta, pegando a minha mão.
“Vamos.”

Ele me puxa do banco, e eu tropeço atrás dele.


“Não, espere,” digo. “Eu acho que tenho que esperar minha mãe. Não quero que ela fique com
raiva.”

Mas ele continua caminhando, me arrastando até as escadas, e eu não luto. Se eu fizer, ele pode
ficar com raiva também. E se eu deixa-lo com raiva, isso poderia deixar o meu pai com mais raiva.

Ele me puxa atrás dele, seu aperto no meu pulso fazendo a pele queimar um pouco enquanto ele
nos leva ao redor do corrimão no topo das escadas. Indo em direção ao fim do corredor, ele abre uma
porta e me puxa para dentro. De repente, estou na escuridão, com apenas um pequeno brilho acima. Meu
coração está batendo tão forte que sinto náuseas. Onde estamos?
O garoto me puxa, e eu sigo, mas meu pé enrosca em alguma coisa, e tropeço. Eu agarro a parte
traseira de sua camisa para me impedir de cair, e percebo que estou em uma escada. Ele continua, e eu
agarro a parede, tentando me equilibrar enquanto eu escalo o declive íngreme. Há um terceiro andar na
casa?
Nós chegamos ao topo, e ele abre uma outra porta, empurrando-me para dentro. Arrepios
espalham pela minha pele, e choramingo sob a minha respiração, de repente com medo. E se minha mãe
não puder me encontrar? E se o meu pai fizer ela sair, mesmo sem mim? Por que estou aqui em cima?
Será que ele vai me deixar sair?
Eu puxo as mangas para baixo sobre minhas mãos, remexendo de novo, e olho ao redor
rapidamente. O quarto bagunçado tem uma grande cama desfeita, cartazes em todas as paredes, e
algumas música de heavy metal sobre o desejo de “ir para o inferno” tocando em alto-falantes que não
posso ver.

Eu inalo pelo nariz e sinto o odor sutil de cigarros.


Quando ele vai até seu computador e abaixa a música, sou incapaz de impedir o medo, mas
também sinto um pouco de admiração. Damon deve ter apenas treze anos, e ele bebe e fuma? Ele pode
fazer o que quiser. Como um adulto.
Ele se vira e curva o dedo para mim, e apesar de quão preocupada eu estou, não me atrevo a
recusar.

Ele pega a minha mão e me leva até uma longa cômoda de madeira, e noto dois aquários de peixes
em cima. Um tem areia com um grande ramo e uma piscina de água, e no outro há húmus com folhas e
mais ramos. Na esquerda, vejo uma cobra listrada de vermelho, preto e amarelo.
Meu coração acelera. É por isso que ele me trouxe até aqui.
“Este é Volos,” diz ele. “E este é Kore.” Ele aponta para a cobra branca no outro tanque, escondida
dentro de um tronco escavado. Eu olho hesitante, vendo as manchas vermelhas em sua pele.

Eu olho para ele com o canto do meu olho, preocupada que ele vai removê-las de suas gaiolas.
“Eles... mordem?” Pergunto.
Ele olha para mim. “Todos os animais mordem quando são provocados.”

Eu me inclino, olhando através do vidro. Esperando que se eu mostrar interesse, ele não vai querer
tentar me assustar, tirando-os para fora.
Seus aquários são grandes, muito espaço para se mover, e eles parecem limpos. As cobras estão
imóveis. “Eles não gostariam de estar juntos?”
“Eles não são cachorros,” ele retruca. “Eles são animais selvagens. Eles não brincam com os
outros, e não gostam de companhia. Não fazem amigos.”

Ele remove a parte superior da gaiola do lado esquerdo, e eu imediatamente dou um passo para
trás. Não.
“Se um deles se irritar ou ficar estressado,” diz ele, alcançando e pegando a vermelha, preta e
amarela, “vai comer o outro.”
Damon puxa as duas mãos, a cobra enrolada entre os dedos, e ele se vira para mim, a cobra
centímetros do meu corpo.

Eu afasto, e ele caminha para mim, rindo. “Como você pode pensar que eu sou seu irmão? Veja
como medrosa você é.”
Ele empurra a cobra no meu rosto, e eu grito, minhas costas batendo na parede.
“Não, eu não gosto-”

“Cale a boca,” ele rosna, agarrando minhas mãos com a sua livre.
Eu luto, tentando me afastar dele, mas seu corpo me prende na parede enquanto ele segura a
cobra com uma mão e consegue prender meus pulsos com a outra. Empurrando-a sobre a minha cabeça,
ele prende minhas mãos na parede, e eu começo a chorar, meu peito enchendo de pavor.
“Não, não, por favor...”

“Cale-se.”
Eu torço minha cabeça para trás e para frente, fechando os olhos enquanto ele me segura lá.
“Você sabe quem eu sou?” Ele pergunta.

Minha respiração treme, e eu não quero abrir meus olhos. Então, algo toca minha bochecha, e eu
afasto.
“Fique quieta ou ela vai morder.”
Eu ofego, acalmando instantaneamente todos os músculos.
“Por favor,” sussurro, implorando.
Mas não me movo. O toque volta, e é suave, como a água. Oh Deus. Por favor.

“Olhe para mim,” diz ele.


Meus pulmões esvaziam, e eu hesito. Mas, lentamente, abro os olhos.
Eu vejo um borrão vermelho, preto e amarelo na minha frente e oscilo com um grito. Ele está
segurando isso bem na frente do meu rosto. Eu sinto a língua agitar sobre a minha pele, e eu começo a
respirar rápido, meu peito subindo e descendo mais rápido do que o meu coração.

“Shhh...” Damon diz suavemente.

Eu me forço a levantar os olhos para ele, e de repente... a minha respiração começa a desacelerar.
Ele está me perfurando com seus olhos – que eu vejo agora são mais negros do que marrom – e estou
presa neles.
“Olhe para eles lá fora,” ele me diz, virando a cabeça para a janela à minha esquerda.

Eu sigo o seu olhar, lentamente virando a cabeça longe da cobra para ver os homens em skulking
preto no gramado, dois manobristas em coletes brancos, e um homem e uma mulher saindo de um carro
preto brilhante.
“Quando eu entro em cena, todos eles desviam o olhar,” ele sussurra, olhando do lado de fora.
“Quando eu falo com eles, suas vozes tremem. Eles nem sequer deixam suas esposas, namoradas ou filhas
perto se sabem que eu estou em casa.”

Minhas sobrancelhas se unem em confusão. De quem está falando? Os servos? Ou os convidados?

“Eu sei tudo, todo mundo faz o que eu quero, e todo mundo está com medo de mim,” ele continua,
e depois vira os olhos em mim, “e dinheiro não compra isso. Dinheiro e poder não andam de mãos dadas.
Poder vem de ter a coragem de fazer o que outros não tem.”
Ele arrasta o corpo da cobra sobre a minha boca, e eu engasgo, afastando novamente.
“Você não é nada como eu,” ele rosna em voz baixa. “Uma simples sujeira. Um erro.”

Ele me solta e afasta, e eu rapidamente enxugo as lágrimas que derramei sobre minhas pálpebras.
Ele se vira e senta em uma cadeira almofadada, acariciando sua cobra. “Não deixe que a sua mãe
volte aqui novamente, entendeu?” Ele ordena, prendendo-me com um olhar. “Ou eu vou trancá-la em um
armário com Volos.”
Eu corro para a porta e pego a maçaneta, mas a minha mão treme tanto que não posso gira-la.
“Não é minha culpa,” deixo escapar, virando a cabeça na direção dele. “Que a minha mãe me teve. Por
que você quer me machucar?”

“Você não é especial.” Ele levanta Volos e olha para ele, agindo como se eu não estivesse aqui. “Há
muitas pessoas que eu quero machucar. E talvez eu vou algum dia... quando descobrir a melhor maneira
de me livrar de um corpo.”

Ele dá um meio sorriso, agindo como se ele estivesse brincando, mas não estou certa de que ele
estava.
“Eu sou especial,” digo. “Meu professor diz que sou a mais inteligente da minha classe.”

“Não importa.” Ele encolhe os ombros. “Em cinco anos, você estará montando paus no banco de
trás por vinte dólares, assim como sua mãe.”
Meu estômago revira, e eu quase engasgo com uma tosse. O que? Como ele poderia dizer algo
assim?
“Damon?” Uma voz ressoa.

Está vindo do sistema de alto-falante na parede, ao lado da porta.


“Damon, sua mãe quer você,” a voz da mulher diz, não esperando por ele responder. “Ela está no
quarto dela.”

Viro a cabeça e olho para ele, unindo minhas sobrancelhas juntas quando eu noto sangue
escorrendo pelo seu dedo. A cobra de repente ataca ele de novo, e eu prendo a respiração. Ele está
apertando-a muito forte. Por que ele está fazendo isso?

Mas ele apenas olha em frente, com os olhos pesados, como se ele estivesse perdido em seus
pensamentos. Será que ele pelo menos ouviu a mulher no interfone?
“Damon?” Digo. Aquela cobra não é perigosa, certo? Ele não iria manter um animal venenoso aqui.
O que há de errado com ele?

Ele finalmente levanta os olhos. “Saia.”


Jesus. Que idiota. Eu abro a porta e dou um passo. Mas então eu paro e giro ao redor mais uma
vez.
“Um cemitério,” digo. “É assim que eu me livraria de um cadáver.”

Ele olha para mim de novo, estreitando os olhos, e eu levanto o meu queixo, encolhendo os ombros.
“Eu iria encontrar uma sepultura recém coberta. Dessa forma, eles não seriam capaz de dizer que foi
reescavada. Coloque outro corpo lá dentro e cubra de volta. Isso é o que eu faria.”
E fecho a porta, cobrindo seu olhar escuro.
Exalo, respirando com dificuldade, mas ficando um pouco mais alta.

Deus, ele era uma confusão. E horrível e malvado, e por que ele fracassou com isso assim quando
quem quer que fosse falou no interfone? Por um momento, ele parecia tão sozinho.
Ele tem tudo. Por que ele está tão zangado? Eu sou a única que deveria estar com raiva. Sou a
única que está sozinha. Um pai que não se importa comigo e uma mãe que me machuca e me obriga fazer
coisas que não quero fazer.
Ele não sabe o que é sofrer para ter algo, para estar zangado.

Minutos mais tarde, quando eu e minha mãe somo indicadas para a porta – de mãos vazias, é claro
– eu ando na calçada, olhando atrás de mim uma última vez. Damon está na janela de seu quarto,
observando-nos sair.
A ponta laranja de um cigarro queima brilhantemente quando ele dá uma tragada, e eu mantenho
seu olhar por tanto tempo quanto posso, incapaz de desviar.
Não, até que uma árvore passa por minha linha de visão, e eu não posso vê-lo mais.

Vou para casa com a última imagem dele naquele terceiro andar sozinho, o menino escuro naquele
quarto escuro, e fico inquieta.
Ele não está bem.
Eu sonhei com ele naquela noite.

E oito dias depois, ele aparece na porta da minha mãe. Ele entrega a ela nove mil, quatrocentos e
sessenta e dois dólares, um Rolex, e brincos de esmeralda.
E me leva para casa com ele.
Eu descanso meus braços sobre os joelhos dobrados, passando meus lábios sobre os dedos
entrelaçados enquanto a memória me deixa. Eu tinha doze anos naquela época, e aqui estamos, onze anos
depois, e aqui era onde eu tinha ficado desde então. Meu pai me deixou ficar, porque ele raramente
negava alguma coisa para seu filho, mas minha tutora legal tinha sido Marina. Só para o meu pai não ter a
tarefa tediosa de me levar ao médico quando estava doente ou responder à polícia se eu entrasse em
problemas.

Mas eu pertencia a Damon Torrance.


Não sei por que ele me queria. Não no começo. E eu estava com medo que coisas ruins fossem
acontecer comigo.
E elas aconteceram.

Mas ele sempre cuidou de mim. Ele pegava o que ele poderia colocar as mãos em torno da casa
para negociar com minha mãe, quem, em um mundo perfeito, teria amado não fazer o que ela tinha feito,
mas o dinheiro e a pequena perspectiva de que eu poderia realmente ter uma vida melhor aqui em
Thunder Bay venceu.
Principalmente, era o dinheiro, no entanto. Que foi gasto tão facilmente como ele foi obtido em
nenhum momento afinal. Ela tentou me levar de volta várias vezes ao longo dos anos, talvez porque ela
odiava o que tinha feito, ou talvez ela só queria renegociar para mais dinheiro, mas Damon tinha o que ele
queria, e ele nem sequer deu ouvidos a ela. Não quando ele tinha quinze anos ou dezessete ou dezenove.
Não que eu queria isso dele, de qualquer maneira. Poderia ser tão estranho como as coisas
acontecem. Como as pessoas que você nunca suspeita se tornam sua única salvação, e você se prende a
eles tão forte como pode, porque não tem escolha. Não existia mais nada para evitar de você cair. Cair na
solidão, desespero ou medo. Ele estendeu a mão para mim, e eu aceitei.

Poucos dias depois de chegar, entrando no meu cubículo na torre e passando horas e horas sendo
sua sombra, fui cativada por ele. Idolatrava-o e queria ser como ele.

Éramos a nossa família.


Olho para os aquários, vendo Volos e Kore II aquecendo sob as lâmpadas de calor. Levantando, eu
aproximo e tiro a tampa, cuidadosamente pegando Volos e ajudando-o a enrolar em volta da minha mão.
Ele já deveria estar morto. Kore morreu anos atrás, mas Volos estava aguentando. Talvez para seu mestre.
Ele descansa tranquilamente, sem se mover, e eu passo meus dedos por sua pele escamosa.

Após o primeiro encontro com Damon, eu tinha pesquisado suas cobras na internet na biblioteca e
descobri que Volos era uma serpente de leite e Kore era uma cobra de milho. Ambos completamente
inofensivas, nem venenosas.

Embora o que Damon disse era verdade.


Cada animal morde quando é provocado.
Capítulo 8
Banks

Devil’s Night

Seis anos atrás


“Você fica com a gente,” David ordena, abrindo a porta do carro. “Se você me irritar, vou arrasta-la
para casa, não importa o que Damon diz.”

Sim eu sei. Você me disse duas vezes.

Todos nós deixamos o SUV, Ilia e eu saímos da parte de trás, enquanto David e Lev saíram da
frente. As fechaduras clicam atrás de nós, e fomos descendo a colina, para a seção isolada do cemitério
onde o brilho da festa era como um vaga-lume em um céu escuro como breu.

Depois de David e os caras chegarem à Bell Tower mais cedo, eles me colocaram no carro, e nós
seguimos ao redor do cemitério, através da entrada principal.

Puddle of Mudd enche o ar, e eu olho para a festa, retardando meus passos, no temor da visão. Um
mar de chamas estabelecidas diante de nós, centenas de velas sobre as lápides, em torno das sepulturas,
e alinhando os perímetros de vários túmulos. O belo gramado verde – negro no escuro – parecia ser vivo
com sombras das chamas dançando sobre a grama.
E mais longe, na distância, queima a fogueira, tão corajosa e brilhante que eu podia ouvir o
crepitar daqui.

Alguém pega minha mão.


Eu olho para ver Lev ao meu lado, apertando meus dedos frouxos nos seus.

Tento afastar. “Eu não sou um bebê,” digo a ele.

Preciso da minha mão sendo segurada? Mesmo?

“Bem, você entra em apuros como um,” ele atira de volta. “Agora, se você quiser entrar em apuros,
eu vou com você.”

Eu não pude deixar de rir um pouco. Ele realmente era o meu favorito. Provavelmente porque ele
não era muito mais velho do que eu. Apenas alguns anos.

Circulando em torno dele, eu pulo nas suas costas, obrigando-o a libertar-me enquanto eu passo
meus braços e pernas ao redor dele. “Por favor...” respondo em seu ouvido. “Se eu quiser entrar em
apuros, eu só tenho que segui-lo.”

Ele resmunga, reajustando sua postura com o meu peso adicional. “Sai de cima de mim, mulher.”

“Você não quer me fazer chorar, não é?”

Ele zomba, me agarrando sob os joelhos e me erguendo para uma posição mais segura. “Eu não
sonharia com isso.”

“Vamos pegar bebidas,” David anuncia, levando-nos para a festa.


Ilia acende um cigarro. “Sim, vamos ver o que esses merdinhas ricos pensam o que é o 'material
pesado’.”

“Levante seu capuz,” Lev me diz.


Eu sigo as orientações, cobrindo-me enquanto aproximamos do ruído.

Antecipação estava me deixando tonta, mas eu não sabia se estava animada por estar em uma
festa, ansiosa que eu iria ver Kai aqui, ou nervosa sobre as últimas palavras de Damon para mim. O que
ele quis dizer? O que poderia possivelmente me chocar depois de tudo o que eu tinha visto? Eu não queria
nada para arruinar Kai na minha cabeça.

Sim, definitivamente nervosa.


Grupos de pessoas nos cercaram, algumas das garotas virando suas cabeças e seguindo os caras
com seus olhos. Não é um choque. Não apenas parecíamos que estávamos fora de lugar com nossas
camisetas de menos de que cinquenta dólares e sem sapatos de marca, mas os caras eram claramente
bandidos.

David com um pouco menos de um metro e oitenta com um corpo grande, mas é a cabeça raspada
e braços tatuados que faz dele um destaque.

Ilia é o modelo. Ou poderia ter sido, provavelmente. Cabelo loiro, olhos sensuais, nariz fino,
mandíbula estreita – tudo o que fazia ele parecer um James Bond russo.

E Lev. Ainda muito criança com vinte e um anos. Sorriso contagiante, um cabelo mais longo preto,
raspado dos lados, parecendo mais que ele pertencia a uma banda do que enterrado em Thunder Bay em
tarefas mundanas que um aluno da terceira série poderia fazer.

Mas eles são atraentes, eu acho. Apenas não para mim. Eu cresci ouvindo como eles falavam
quando não tinham filtro sobre o que diziam e cheirava seus vômitos após longas noites de farra. Super
quente.

Sim, não. Eles são como Damon. Como irmãos.

Os caras se aproximam da carroceria de uma caminhonete com a porta traseira abaixada e um bar
improvisado em exibição. Eu pulo das costas de Lev quando David e Ilia agarram copos e caminham até o
barril, enchendo-os. Lev pega uma garrafa de Patrón e serve uma dose em um copo vermelho.

Penso em pedir um, mas ele tinha acabado de dizer não. Não era como se eu fosse virgem ao álcool
ou qualquer coisa. Damon gostava de ter alguém para correr quando seus amigos não estavam por perto,
então eu tinha cerveja, vinho fresco, bebidas mistas ...

Mas nunca em público. Eles provavelmente sabiam que meu irmão não iria gostar.
Olhando para trás, eu noto David e Ilia ainda perto do barril, mas outro cara vem e começa uma
conversa. Eles estavam sorrindo com facilidade, parecendo relaxados. De uma vez.
“Caminha comigo?” Pergunto para Lev.

Ele levanta os olhos, apenas brevemente hesitando antes de assentir. Lançando um olhar por cima
do ombro para David, ele diz, “Nós vamos fazer as rondas. Voltar.”
As sobrancelhas de David se unem com um aviso. “Não. Perca. Ela.”
Eu vejo Lev revirar os olhos enquanto ele me cutuca, nos tirando de lá.

Virando a direita, ao redor da caminhonete, sigo na direção da fogueira onde eu noto uma briga
nas proximidades. Parecia brincadeira, embora, enquanto as pessoas se sentam em volta assistindo. Eu
lanço olhares para esquerda e direita, procurando meu irmão.

E Kai.
Mas não vejo eles. Eu sabia que eles faziam brincadeiras na Devil’s Night, então eles poderiam
estar fora em algum lugar ainda. Eu mantenho minha cabeça para baixo, no entanto. A pedido de Damon.
Eu estava aqui para observar. Não interagir.

“Você vai fazer dezoito anos no próximo verão,” Lev anuncia. “Você vai sair daqui?”

Balanço a cabeça, observando algumas pessoas atirando marshmallows com um taco de hóquei,
atingindo um grupo de rapazes. “Eu não sei para onde ir.”
“Mas você pode, sabe?” Ele me diz. “Você pode fazer o que quiser. Você não precisa ficar com ele.”

Eu viro para ele, estreitando o meu olhar. Era incomum, coragem da parte dele dizer algo assim.
Desde quando ele se importa com o que eu faço?
E não sei como responder.

Não era como se eu não tivesse pensado nisso. Eu sabia que as coisas iriam mudar em breve, mas
eu não acho que elas iam mudar para o bem. Eu iria continuar na mesma até Damon sair da faculdade, e
então... como ele disse, estaríamos por nossa conta. A ideia de ir embora para sempre – de viver sozinha,
trabalhar sozinha, fazer meus próprios amigos, indo e vindo sem consequência – parecia exagero
considerar. Mesmo que eu quisesse – que eu não queria – Damon não permitiria isso.

Desvio os olhos, deixando cair a minha voz. “Ele é tudo o que tenho.”
“E quem te disse isso?” Ele pergunta. “Ele?”

Dou-lhe um olhar. Idiota.


Mudo de assunto. “Em direção a luta?” Faço um gesto em direção ao grupo dos caras ali perto, e
ele concorda.
Caminhamos entre algumas lápides, e eu posso ouvir o clamor da luta ali na frente. Eu estava
acostumada ver lutas, os caras perto de casa constantemente começavam uma briga com os outros
quando estavam entediados. Eu até peguei algumas jogadas.

“Quem é ela?” Ouço uma mulher perguntar.


Parando com Lev, eu olho para cima para ver uma jovem ruiva, com os braços cruzados sobre o
peito e olhando para ele como se estivesse a dois segundos de cuspir ácido de bateria.
Mas, sem esperar pela resposta dele, ela se vira e começa a se afastar.

“Venha aqui,” diz ele, agarrando seu braço.

Mas ela se afasta. “Vá se ferrar.”


“Até quando?” Ele dispara de volta, aproximando-se dela. “A próxima vez que seu namorado não
puder fazer você gozar, princesa, e você vier me implorar por isso?”

Meus olhos se arregalam. Ele estava trepando com uma garota de Thunder Bay? O que ele estava
pensando?

Para ela, isso era vantagem e prazer. Ele tinha que saber isso.
A garota inclina o queixo na minha direção, carrancuda. “Quem é ela?”

“Não importa.”

Ela se vira e afasta dele, seu cabelo vermelho balançando.


Ele olha para mim. “Fique aqui. Entendeu?”

Eu vejo quando ele se vira e prende ela, forçando ela contra a parte traseira de um túmulo, apenas
uma parte de seus corpos visíveis.

“Onde ele está?” Pergunta Lev, e vejo sua coxa alcançar a cintura dele, ao mesmo tempo que ouço
o som de tecido rasgando.

Ele? O namorado dela?

Respiração pesada, dedos subindo embaixo de sua saia, e... sim, isso é tudo o que eu precisava ver.
Eu não sabia o que estava acontecendo lá, e não me importava. Viro, deixando eles nisso.

Puxando o capuz mais um pouco e cobrindo os olhos, sigo até a luta, ouvindo aplausos e vendo um
corpo bater no chão. Olho através das lacunas no meio da multidão, observando quando um lutador de
cabelos escuros monta nele, e ele levanta a cabeça apenas o suficiente para eu ver seu rosto.
Meu coração salta na minha garganta. Kai.

Seu cabelo está molhado de suor, e noto sangue escorrendo de seu nariz. Eles continuam a luta,
rolando, socando, perfurando, e brigando, e eu paro atrás de uma lapide alta, me escondendo e
espreitando em torno da borda.

Kai rola de costas, segurando o pescoço do garoto acima dele, com os braços flexionados e cada
músculo definido enquanto ele mantem o outro cara no comprimento do braço. Abdômen contraído e
calça jeans um pouco abaixo da sua cintura na luta, ele faz minhas bochechas esquentarem.
O amigo do meu irmão é quente. Por que eu tenho que querer ele?

Damon poderia conformar-se em me apaixonar um dia, mas ele não iria tolerar ser seu melhor
amigo.
Eu sorrio, observando como ele parece tão feliz agora. Não que eu o tinha visto muito, mas não
acho que alguma vez tinha visto uma expressão tão calma em seu rosto antes. Como se ele estivesse
finalmente vivo.
Eu poderia vê-lo durante toda a noite.

Até que sinto o cheiro muito familiar de cigarros do meu irmão. Virando a cabeça, eu observo ele
soprar um fluxo de fumaça, soltando o resto do cigarro no chão, e pisando em cima disso. Ele aproxima-se
e fica atrás de mim, apoiando o braço na lápide.
“Então, é isso que você queria que eu visse?” Pergunto a ele, nós dois assistindo Kai espancando
seu oponente. “É preciso muito para nos chocar, lembra?”
“Não isso.” Ele balança a cabeça. “Apenas espere.”
Olho para a luta novamente, esperando o grande mistério sobre Kai Mori se revelar. Eu não podia
imaginar o que Damon pensou que seria tão chocante. Eu era difícil de impressionar.

Ele solta um suspiro ao meu lado, olhando ao redor. “Eles deixaram você sozinha novamente. Eu
realmente vou matar algum deles um dia desses.”
Sorrio, mesmo que eu sinta pena dos caras que deveriam me cuidar. Era um trabalho de merda, e
eles estavam preparados para mais.
“Você não é tão misericordioso.” Eu olho para ele, meu olhar imediatamente caindo para o canto da
sua boca. “E você tem mostarda em seu lábio. E o seu hálito fede.”

Ele abre a boca e sopra bem na minha cara, o cheiro de cigarros e cachorro quente – ou o que ele
tinha acabado de comer – agride minhas narinas.

Eu estremeço e me viro.
“A última garota não se importou,” ele zomba brincando. “Claro, eu não estava beijando os lábios
dela. Não os que estão no rosto de qualquer maneira.”

E ele avança para colocar um braço ao redor do meu pescoço e lamber meu rosto como um cão
folgado.
“Nojento!” Eu resmungo, empurrando-o e limpando meu rosto. “Jesus.”

Ele apenas balança com o riso.

“Sim, isso é tudo que eu preciso, o ‘suco’ de alguma garota em cima de mim. Obrigada.”
Ele bagunça meu cabelo através do meu capuz, ainda rindo. Claro, o seu deleite na vida vem de
foder com todos ao seu redor, e eu não estava excluída disso. Nunca.
Eu fico em silencio e volto para a luta, observando quando Kai é atingido ao lado esquerdo de sua
mandíbula. Ele volta para a luta com um gancho de direita e empurra seu oponente no peito. Fios
molhados dos cabelos castanhos do cara balançam na frente de seus olhos, mas ele deve ter visto Kai se
aproximando, porque ele joga suas mãos, acenando para Kai parar quando ele curva, tentando recuperar
o fôlego.

Kai vira, de frente para nós, e eu vejo o sorriso em seu rosto. Meu sangue aquece.
Todos aplaudem quando o outro cara desiste, terminando a luta com Kai como o vencedor. Eu
mantenho o meu sorriso, mas eu não poderia segurar isso inteiramente. Ele foi bom. Melhor do que bom.
Ele provavelmente poderia ter terminado a luta muito mais cedo.
Eu o vejo agarrar sua camisa do chão e enxugar o rosto e corpo com isso enquanto ele respira com
dificuldade.

E então eu vejo quando ele enfia a peça de roupa no bolso de trás, enquanto uma loira agarra seu
cinto e puxa-o para ela. Meu sorriso desaparece.
Ela olha para ele com um sorriso tímido, enquanto sua expressão se suaviza quando ele vai até ela,
colocando as mãos na cintura dela e olhando para ela.
O que-

“Aquela é Chloe,” meu irmão diz, seu tom inexpressivo. “A namorada dele.”

Meu peito começa a subir e descer mais e mais pesado, e uma ardência atinge meus olhos. Ele não
tinha uma namorada. Quero dizer, ele tinha. Eu tinha visto ele com as garotas, mas...

Não. Ele não teria me encurralado na Bell Tower, ele não teria confessado todas aquelas coisas que
tinha feito, se tivesse uma namorada. Kai não era assim. Ele não era... Damon.

As mãos de Kai alcançam a bunda dela quando seus lábios deslizam ao longo de sua mandíbula.
Parece que ela está sussurrando coisas, porque ele responde com uma gargalhada ou um sorriso.
Baixo os olhos, sabendo que eu não tinha direito de estar chateada. Ele não era meu.
Eu apenas pensei que ele era diferente.

E sim, eu estava com um pouco de ciúmes.


“Ele está sempre de bom humor depois que fica excitado,” explica Damon. “Uma luta, uma corrida
de carros, assistindo...”
Ou uma perseguição, eu termino na minha cabeça, lembrando-me de tudo o que aconteceu hoje e
como o que meu irmão dz faz todo o sentido. Kai gostava de preliminares.
“E ela está sempre lá para ele,” Damon continua ao meu lado, observando o casal. “Além de nós,
ela é uma dos seus melhores amigos. Campeã estadual no tênis, capitã do time de matemática, trabalha
no jornal da escola, e compete com o Clube de Xadrez... tudo o que o pai de Kai quer para ele. A
namorada para se orgulhar.” Ele coloca a mão no meu braço, apertando-o suavemente enquanto eu
observo Kai e sua namorada.

Meu irmão continua. “Alguém com oportunidades, ambição e direção. E pelo que alguém que os viu
em uma mesa de piquenique no verão passado falou, quando todos nós fomos acampar no litoral, ela
parece gostar de uma boa foda também.”

Fecho os olhos para a imagem na minha cabeça. Lágrimas surgem.


“Sim, ela gosta, tudo bem. Especialmente dele,” Damon me diz.

Eu mantenho minha cabeça para baixo, mas olho através das lágrimas nos meus olhos, vendo as
mãos dela sobre ele, seu corpo colado ao dele.
Um ajuste perfeito.
“Eu disse a você,” Damon diz em voz baixa no meu ouvido. “Os caras vão dizer qualquer coisa. E
nós nem sequer precisamos mentir muito bem. As garotas querem acreditar.” Eu sinto seu braço me
envolver quando ele inclina o rosto contra minha têmpora. “Mas os olhos dela vão dizer a única verdade
que você precisa. Você sabe disso. Basta olhar para ela.”

Eu rapidamente enxugo uma lágrima na borda da minha manga.


“Aquela é quem vai sair com ele – parece como uma namorada, deveria parecer em seu colo,” meu
irmão continua. “Aquela é quem estará em um lindo vestido de baile ao seu lado em maio. Aquela quem
conhece seus pais e participa de jantares com eles. Aquela quem envia mensagens tarde da noite e deixa
ele duro. Aquela que é o normal dele, Nik. Você tem um lugar, e não é esse. Nunca iria funcionar.”
Meu queixo treme, e eu concordo. Sua minissaia xadrez ou meu jeans velho? Sua camisa apertada
ou a minha camiseta de grandes dimensões? Seu dinheiro, educação e a porra toda de um futuro na frente
dela ou o meu... nada?

Eu balanço minha cabeça. Foda-se ele. Eu não precisava de tudo isso, e se é isso o que interessava
Kai – aparências – então estou em uma posição melhor. Eu seria mais do que todos eles.
Girando ao redor, saio do alcance de meu irmão e começo a me afastar, indo na direção oposta.
Damon não iria me seguir. Ele sabia que eu estava fora de perigo agora, sem dúvida satisfeito consigo
mesmo, que ele tinha conseguido me afastar de Kai.
Eu poderia estar zangada com o meu irmão por nunca proteger meus sentimentos ou compreender
algumas das coisas que eu queria, mas ele sempre me disse a verdade e forneceu isso diretamente para
mim. Dançar em torno do meu pobre coração não iria me ajudar.

Ele era meu melhor professor.

Procuro por David, tirando meu moletom e amarrando-o em torno da minha cintura. De repente
estou muito quente, uma irritação mordendo minha pele.

Perambulando através do cemitério, eu verifico perto do barril onde o vi ele pela última vez, e
então sigo até a colina, olhando pequenos grupos de pessoas tentando encontrar os caras. Um tijolo
estabeleceu-se em meu estômago, raiva solidificando. Eu preciso ir para casa. Eu não quero olhar para
essas pessoas mais. Ou ouvir sua música. Ou me ocupar com o drama. Eu quero sair daqui antes de Kai
me ver. Ele pensaria que eu o segui.

“Que tal essa aí?” Alguém fala.


Olho para cima, saindo dos meus pensamentos.
Quatro caras perto de um túmulo aberto, dois deles sentado em lápides próximas. Eu tinha me
afastado da área da festa, todo o ruído e luz atrás de mim.

Merda. Esse túmulo estava vazio?


“Parece que ela se assusta facilmente,” diz um outro, levantando-se da lapide e soprando a fumaça.
“Funciona para mim.”
O que?

Começo a recuar e virar-me, mas então um deles dá um passo na minha frente, me fazendo saltar.
“Quer brincar?” Pergunta ele, maldade em seus olhos castanhos.
“Não.”

“É chamado de Sete Minutos no Céu.” Ele pega minha mão, me entregando um centavo. “Atire isso
no ar. Qualquer um de nós que pegar isso pode levar você lá.”
'Lá?' Céu?
“Não, obrigada.” Eu viro em um círculo, procurando por qualquer um. O cabelo preto de Lev, a
cabeça raspada de David, um cigarro acesso de Damon...

“Joga,” outro cara exige.


“Vá para o inferno!” Eu jogo o maldito centavo para ele e de repente cada um deles se joga para a
moeda.
Merda! Eles saem correndo, caindo uns sobre os outros e rindo, mas antes que eu penso em girar
ao redor e tirar minha bunda de lá, o cara com olhos castanhos e jaqueta de couro preta fica em pé,
erguendo o punho triunfante, sem dúvida com a moeda na mão.

“Pega ela!” Ele grita.


“O quê?” Eu falo assustada.
Todos correm direto para mim, e eu recuo quando eles agarram meus braços, a pele dos meus
pulsos queimando quando eles me arrastam para frente.

“Não, não!”
Mas eles não escutam. Eles me balançam sobre o buraco, e eu me contorço e luto, mas ele
rapidamente me solta no fundo raso da sepultura escura.
Pouso, tropeço para ficar em pé, e bato na parede da sepultura, meu pulso de repente dolorido.
Respiro freneticamente, imediatamente girando para certificar-me que o túmulo estava vazio.

Sujeira por toda parte, sujeira debaixo dos meus sapatos... não sei se isso é uma nova sepultura
cavada por um serviço este fim de semana ou uma sepultura antiga simplesmente não cavada fundo o
suficiente para alcançar o caixão por baixo.
“Oh, Deus.” Eu pulo para cima, tentando agarrar a terra no topo, mas eu só pego a sujeira, os
dedos deslizando através dela.
Tirem-me daqui!” Eu falo rispidamente.

Eu tento o outro lado do buraco, saltando de novo e de novo, tentando segurar em algo com
firmeza.
Mas, então, uma figura pousa à minha direita, e eu me viro, de frente para o cara de olhos
castanhos novamente.
“É apenas sete minutos,” diz ele em um tom arrogante. “Quanto dano posso realmente causar?”

“Vamos descobrir!” Um de seus amigos grita.


Olhos castanhos sorri e avança para mim. “Vem cá, querida.”
“Pare!” Eu o empurro, girando e saltando, pulando tão alto quanto posso e finalmente agarrando
um pouco de grama.

Mas meus dedos deslizam através dela, e eu caio de volta para baixo, caindo do outro lado da
sepultura. Meu braço nu contra a terra molhada, as raízes arranhando a minha pele.
E ele se aproxima de mim novamente. Ele me empurra para um canto, agarrando minha cintura.
“Qual é seu nome?”
“Qual é seu nome?” Retruco, rangendo através dos meus dentes.

“Flynn.”
“Bom.” Eu empurro suas mãos, tentando sair do canto. “Eu espero que você goste de cobras,
Flynn.”
“Huh?” Confusão cruza seu rosto, mas não preocupo em explicar o método favorito do meu irmão
de torturar alguém que mexeu comigo.

Cada músculo do meu corpo fica tão tenso que começa a queimar, e eu levanto meu punho,
atingindo a lateral da sua cabeça. Fora do alvo e descuidado, mas ele cambaleia para trás e estremece.
Empurro-o no peito novamente, fazendo ele cair sentado.
“Socorro!” Levantando-me, eu bato minha palma contra a parede de terra. “Deixe-me sair daqui!”

“Ow, porra!” Eu ouço o rugido de cima, mas eu não posso ver ninguém de repente.
Eu respiro com dificuldade, olhando nervosamente entre o idiota ficando de pé ao meu lado e do
topo da sepultura, agora vazia. Onde diabos estão seus amigos?
E então alguém se aproxima da borda da sepultura, parecendo sem folego enquanto olha para
baixo.

Kai? Por que ele não estava com sua rainha loira do baile?
Ele dá um passo, caindo na sepultura de pé. Eu ignoro o salto em meu coração quando ele olha
para mim, seus olhos observando preocupados meu corpo.
“Kai, Jesus, que inferno?” O outro cara diz, ainda segurando o lado de sua cabeça. “Nós estávamos
apenas brincando.”

Mas Kai apenas se vira para ele, entrando em seu espaço. “Cinco... quatro... três,” ele fala, e a
expressão do cara transforma.
“Dois,” Kai continua, “U-”
E jaqueta de couro salta antes dele terminar a contagem, subindo a parede com as mãos e os pés
até que ele está na borda.

Desaparece.
Kai se vira para mim, estendendo a mão para o meu rosto. “Você está bem?”
Mas eu bato em sua mão, afastando. Que diabos estava acontecendo com todos eles? Doente,
sádico... eu deveria ter pisado diretamente sobre seu pau quando ele estava na porra do chão.

“Ei,” Kai diz, estalando os dedos no meu rosto. “Eles foram embora. Está tudo bem. Você está
ferida?”
Pisco, tentando processar o que ele me perguntou através da minha raiva.
Não. Não, eu não estava ferida. Mas meus nervos foram baleados.

Eu passo por ele, pulando para cima e grunhindo enquanto tento agarrar qualquer coisa para me
tirar daqui. Como é que aquele idiota fez isso tão facilmente?
“Isso não vai funcionar,” Kai me diz.
Paro, fechando minhas mãos e fervendo. “Então me tire daqui.”

“Tudo bem, só segura.”


Ele apoia-se do lado mais baixo da sepultura, parecendo que ele estava abrindo espaço para
começar a correr, então ele podia escalar a parede.

Mas então ele estende a mão e agarra meu braço. “Espere, o que aconteceu?”

Eu giro o braço um pouco, vendo sangue manchar meu cotovelo.


Ha. Eu não tinha sequer sentido isso acontecer. Deve ter sido durante a luta.
Kai pega sua camisa do bolso de trás e limpa o sangue.

“Banks!”
Eu respiro fundo e levanto meus olhos na direção do chamado do meu nome. “Merda,” eu murmuro
sob a minha respiração.
“Banks! Onde está você?”

Baixo os olhos para ver Kai olhando para mim, suas sobrancelhas estreitaram. “Esse é o seu
nome?”
Droga. Eles não iriam se afastar se me encontrassem com ele, mesmo que isso não foi culpa minha.
Eles diriam a Damon, e eu nunca sairia de casa novamente.
Kai abaixa os braços e corre, saltando até a borda e olhando por cima. Depois de um momento, ele
desce.
“Quem são esses caras?” Pergunta. “Eles são os mesmos que pegou você na estrada mais cedo
hoje.”
“Só me deixe sair.”

“Quem são eles?”


“Irmãos,” eu respondo sarcasticamente. “Eles me compartilham, ok? Às vezes, eles me emprestam
para festas. Você quer um pedaço?”
“Banks!” Eu ouço David gritar, a paciência em sua voz agora desapareceu. Olho preocupada para o
topo da sepultura, encolhendo-me no canto.

Droga.
Mas Kai apenas revira os olhos, diversão cruzando seu rosto.
“Ela está aqui!” Ele grita.

O que-? Corro para ele, colocando a mão sobre sua boca, segurando a parte de trás do seu pescoço
com a outra mão. “Cale a boca!” Eu sussurro apressada.
Puxo ele de volta comigo, nos encobrindo na escuridão do canto.
“Shhh,” eu imploro em um sussurro. “Se eles me encontrarem com você, vou ficar presa até que eu
seja velha e grisalha.”

Eu sinto sua boca se espalhar em um sorriso por trás da minha mão, e ele apoia as palmas das
mãos contra a parede de terra atrás de mim, seu olhar escuro fazendo meu estômago revirar.
Ele vira a cabeça, empurrando minha mão. “Você é um monte de problemas.”

“Então, pare de tomar um interesse.”

Olhamos um para o outro, presos em um desafio. Seu corpo está pressionado ao meu, e eu podia o
sentir se mover enquanto ele respira. Inala, exala. Inala, exala.

Olho para seus lábios, molhando os meus.


Ele se inclina, a carícia de seu fôlego encontrando meu rosto, e sei que ele vai me beijar.

Mas alguém chama, nos impedindo. “Kai!” Uma voz de mulher perfura o ar da noite.
E vejo seus olhos se fecharem quando ele diz um “Foda-se” baixo.
Realidade domina o momento.

“Essa seria Chloe?” Eu provoco.


Seus olhos se abrem, me estudando. “Você conhece ela?”
“Eu sei que você é dela.”

“Quem te contou isso?”


Eu fico em silêncio, percebendo a profunda marca de confusão em seu rosto.
“Não.” Ele ri, balançando a cabeça. “Ok? Não. Nós rompemos várias vezes por um longo tempo,
mas...”

“Mas…?”
“Mas nós estamos separados,” ele afirma. “Já há um bom tempo.”
“Mas vocês ainda ficam um com o outro, certo?”

Ele desvia os olhos, parecendo desconfortável quando um sorriso envergonhado surge.

“Kai?” Eu pressiono.
E ele encolhe os ombros, parecendo arrependido. “Melhor lidar com uma situação que já conheço
do que uma que não sei nada, ok?”

Que seja. Ela não podia ser tão ruim se ele ainda gostava de dormir com ela. Era apenas mais
conveniente apostar em uma coisa certa do que fazer o trabalho de seduzir alguém novo.
Típico.
“Olha.” Ele pega meu queixo, me forçando a olhar para ele. “Eu nunca teria tentado nada com você
na Bell Tower se eu tivesse uma namorada. Ela está saindo com outros caras. Nós não estamos juntos.”

“Não importa.”

Dou a volta nele para tentar subir até a parede, mas ele agarra a parte de trás da minha calça e me
puxa de volta contra seu corpo, queimando minha orelha com seu hálito quente. “Eu gosto mais de você.”
Minhas pálpebras ficam pesadas de repente e arrepios espalham sobre meu corpo. Mas eu me
obrigo a ficar com raiva. “Como se eu me importasse,” eu digo. “Se não estivesse aqui, você estaria
‘gostando’ muito dela no banco traseiro do seu carro agora?”
Ele ri no meu ouvido. “Você está tão mau.” E então ele fica calmo, sua voz suave e sincera quando
ele me vira para encará-lo. “Eu realmente gosto de você, apesar de tudo.”

Não sei o que dizer. O que eu poderia dizer? Por alguma razão, no entanto, foi muito bom ouvir. Kai
era bom.
“Deixe-me tocar você,” ele sussurra, prendendo meu olhar e me puxando.
Vejo ele se aproximar, e eu lentamente inclino minha cabeça para trás para lhe dar acesso ao meu
pescoço. Seus lábios tocam minha pele, e minhas pálpebras vibram. Ele é a melhor sensação do mundo.

“Eu não quero ir a encontros,” digo a ele, anunciando diretamente. “Eu não gosto de muita gente.”
Sinto ele sorrir contra a minha pele enquanto ele continua o que estava fazendo. “Nem eu. E
quanto a você, eu, e Netflix?”
Inferno, sim. “E ninguém pode saber que estou envolvida com um garoto rico e mimado, ok? Eu
perderia meu respeito.”

Ele bufa, tremendo de tanto rir. “Ei, não é o rótulo dos jeans, mas o que está dentro que importa.”
E ele me levanta, agarrando minha bunda e me pressionando contra ele.

Eu gemo, sentindo o calor entre nós. Sim, tudo bem, espertinho.


Inclinando-me, eu separo meus lábios, e ele avança, capturando-os. Eu gemo em sua boca. Meu
Deus. O calor, o sabor... ele está lento, mas forte e profundo, e eu me desfaço nele, seguindo seu exemplo,
sugando e mordiscando.

Meu corpo inteiro está vivo, uma corrente elétrica passando dos meus lábios para o resto de mim,
e eu quero que ele me beije em todos os lugares.
“De onde é que você vem, Banks?” Ele sussurra, mordendo meu lábio. “Por que você vive com
Torrance?”
Eu seguro o lado de seu rosto, afastando meus lábios, mas tocando minha testa na dele. “Não
importa. Não quero ser eu esta noite, ok?” Afasto, sorrindo e desafiando-o. “Estamos no confessionário, e
ninguém pode nos ver. Vamos apenas correr e não olhar para trás hoje à noite.”

Seus olhos iluminam, e ele acaricia meu rosto.


“Claro que sim,” responde ele. “Com uma condição.”
Ele me coloca de pé novamente e enfia a mão no seu jeans, e eu olho para baixo entre nossos
corpos, observando quando ele pega algum tipo de cartão.

Ele ergue isso, as palavras The Pope of Meridian City escritas em toda a peça preta de plástico.
Um cartão-chave?
Volto meus olhos para os dele, vendo a emoção lá que também estava circulando em mim.

Ele tem um quarto? No The Pope?


“Eu quero descobrir aquele décimo segundo andar,” diz ele. “Quer ir em uma aventura comigo?”
Eu sorrio e não poderia evitar isso – eu aproximo e envolvo meus braços em torno dele. Eu ia ter
uma queda terrível se ele não fosse cuidadoso.

Isso iria destruir totalmente minha reputação.


Como ele conseguiu um quarto? Tinha que ser hoje mais cedo após a confissão, eu acho.
Eu inclino para trás e aceno com a cabeça, afastando-me dele e fico parada.

“Vamos-”
Mas então, de repente, algo agarra minha camisa e me puxa para cima. Mãos apertam meus
braços, e eu sou arrancada para fora da sepultura.
“Ei!” Eu grito, meu coração balançando na minha garganta.

“Que diabos?” Ouço Kai gritar de baixo.


Eu sou jogada na grama fria acima, o vento me atingindo. Eu me viro, vendo vários pares de botas
pretas.
Quem…

Mas eu imediatamente encontro seus rostos. David, Lev, Ilia, e... Damon estão sobre mim, olhando
para baixo. Os olhos negros do meu irmão estão em chamas.
Ah, não.
Eu lentamente fico de pé, mantendo meus olhos para baixo.

Mas eu mantenho meu queixo para cima. Curvar-me não me faria nenhum bem neste momento.

Kai pula para fora da sepultura, ficando de pé e aproximando da minha frente. “Damon?” Ele diz,
respirando com dificuldade quando ele olha para meu irmão. “Que diabo, cara?”
Eu abro minha boca para dizer alguma coisa – eu não sei o que – mas Damon agarra meu pulso e
me puxa atrás dele.

“Fique quieta, porra,” ele rosna para mim.


Kai avança para ele. “Que diabos está fazendo?”
Meu irmão se vira para ele. “Você não vai se envolver com o que é meu, vai? Pensei que éramos
irmãos.”

Fecho os olhos. Oh, Deus. Eu posso sentir os olhos de Kai em mim. Sua confusão.
“Sua?” Ele pergunta. “Eu não sabia que ela era sua. Você agiu como se não a conhecesse na Bell
Tower!”

Olho rapidamente entre ele e meu irmão, lágrimas brotando. As pessoas estavam começando a se
reunir perto, e eu vejo Michael e Will aparecer em cena também.

Os olhos de Kai estreitam em mim, ainda segurando a chave do hotel em seu punho.

“E eu sinto muito em dizer,” continua ele, “mas realmente não parece que ela quer ser sua.” Ele me
diz, “Você quer que eu te leve para casa?”
Não.

Leve-me para qualquer outro lugar.


“Você quer que ele te leva para casa?” Meu irmão olha para mim, desafiando-me com a voz fria.
Não é uma escolha, no entanto.

Eu adoraria ser outra pessoa, em outro lugar, mas era isso. Damon precisava de mim. Kai não. O
que aconteceria com meu irmão, se eu quebrasse seu coração?
Estendo a mão e pego a mão dele, balançando a cabeça.
E eu posso sentir o silêncio de Kai como uma faca cortando meu interior.

“Bem, isso é muito divertido,” Will entra na conversa. “Vamos, cara, deixa ela em paz.” Ele cutuca
Kai. “Damon reivindicou primeiro. O que isso importa?”
“Desde quando Damon dá a mínima para reivindicações?” Kai responde para Will. “Se a pessoa não
estiver disponível, ele se move para a próxima. Nenhuma mulher vale a pena, certo?” Ele desafia meu
irmão. “Você nunca coloca uma garota diante de nós. E se eu quiser ela também?”
“Bem, você não pode ficar com ela,” Damon responde. “É bom ter uma buceta limpa e pura só para
mim.”

Vomito ameaça subir em minha garganta enquanto o riso explode ao redor do círculo.
Damon vira-se para mim. “A quem você pertence? Quem você ama?”
Eu balanço a cabeça, a raiva rasgando cada pedaço de felicidade que eu acabei de sentir dentro
daquela sepultura. Maldito seja ele.
Mas o sangue era para sempre.
“Eu amo você,” digo, olhando para ele.

E pego o brilho de alívio em seus olhos antes que eles se tornem severos novamente. Ele tinha de
verdade alguma dúvida?
Ele beija minha testa. “Vá para o meu quarto e espere lá,” ele pede, batendo na minha bunda e
olhando de volta para seus amigos. “Eu posso querer um pedaço quando chegar em casa. Qualquer coisa
que isso seja.”
Risadas me rodeiam de novo, e David coloca a mão nas minhas costas, me empurrando para longe.

Nós quatro caminhamos em direção ao SUV, deixando meu irmão e seus amigos, mas eu pego sua
advertência para Kai quando puxo o capuz de volta.
“Ninguém mais toca nela,” diz ele. “Nunca.”
Não. Nunca.
Capítulo 9
Banks

Presente

Kai Genato Mori, leio a mim mesma. Nascimento: 28 de setembro de Thunder Bay ... sem irmãos.

Página após página detalham sua vida, suas notas impecáveis, e suas estatísticas no basquete e na
natação.

E sua prisão e atividade desde que saiu mais de um ano atrás.

Além do que o prendeu - agredir um abusador de criança que aconteceu de ser também um policial
- ele sempre foi uma criança modelo. Ele sabia como fazer uma festa mas nunca foi além do limite como
Will.

Ele gostava de mulheres, mas elas nunca pareciam odiá-lo por isso como faziam com Damon.

E ele podia ser duro e difícil e assustador, mas nunca apareceu como mau, como Michael.

Kai era o melhor de todo seu pequeno grupo.

Até que ele saiu da prisão. Agora ele é diferente.

Nenhuma mulher, pelo menos não publicamente. Nunca mais do que uma bebida, pelo menos não
publicamente. E não só parece que é mau, ele parece quase cruel às vezes.

Paro na foto dele enquanto estava caminhando para Hunter-Bailey um dia. O investigador o pegou
na calçada, seu casaco preto ao vento, a camisa branca de colarinho aberto, uma mochila pendurada no
ombro, e seu cabelo preto fazendo seus olhos se destacarem, parecendo inflexíveis. Olho para sua camisa,
lembrando a sensação do homem embaixo quando era uma camiseta e moletom.

Caloroso. Isso é o que eu me lembro.

Realmente quente.
Eu fecho a pasta, pausando uma respiração profunda, e empurrando-a sob o assento com as outras.
Eu vi o meu irmão brincar com inúmeras garotas, tratando-as como brinquedos insignificantes e, em
seguida, jogando-as de lado como lixo. Eu sei como os homens podem ser horríveis com as mulheres com
quem estão transando. E as mulheres não só aceitam, mas voltam para mais. Imploram por ele, na
verdade.

Isso nunca seria eu.

“Onde diabos ele está?” David resmunga do assento do motorista, sacudindo a cinza do cigarro
pela fresta da janela.

Viro meu olhar para fora do lado do passageiro traseiro, olhando através da chuva escorrendo pela
janela, para a casa de tijolo preto. Chegamos quinze minutos atrás, e eu mandei uma mensagem para que
ele saiba que nós estamos aqui. Ele não mandou uma mensagem de volta, mas eu sei que ele está em
4
casa. Sua RS7 está na calçada, debaixo de uma árvore, coberta da merda de flores de cardos que caíram
com a chuva.

Verificando meu telefone, vejo que são oito e quinze. Se ele não sair, eu vou embora. Eu tenho
outras coisas para fazer além de esperar ele.

Lev boceja à minha esquerda, e olho para cima, vendo seu assento reclinado, e os olhos fechados.
Ele ainda veste a mesma calça jeans preta e a camiseta sem mangas branca da noite passada, e ele
cheirava a banheiro de bar.

“Quando Vanessa deve chegar?” David me pergunta.

Olho para fora da janela, meu coração batendo forte, apesar de si mesmo. “Uma semana mais ou
menos.”

“Como ela recebeu a notícia?”


"Isso importa?"
Eu posso sentir seus olhos através do espelho retrovisor, mas ignoro. Gabriel fez a ligação para
Londres na noite passada e me enviou instruções para lidar com ela quando chegasse. Ela não está feliz,
mas sabia que esse dia chegaria. Eventualmente, ela seria vendida a alguém, e contanto que alguém
mantenha o estilo de vida a que ela está acostumada, ela fará o que lhe for dito.

Ela está, Gabriel divulgou, feliz que Kai é pelo menos jovem e de boa aparência.

Deixo meus olhos fecharem por um momento. Kai não vai levar isso adiante. Isso é uma coisa que
estou confiante que não mudou. Sua integridade. A princesa Nikova, que faz beicinho se ela tiver que dar
um espirro, irá irritá-lo demais.

Sorrio para mim mesma. Não há nenhuma maneira que ele vá suportar ela.

“Sabe, se precisar de mim,” diz David, e abro os olhos, encontrando os seus no espelho “- a
qualquer hora - vou estar lá.”

Quero dar-lhe um aceno de cabeça. Eu trabalhei duro para ter a atenção e respeito que eu tenho
agora na casa do Gabriel. Eu odiava ser expulsa como se fosse dispensável. Mas meus ombros relaxam um
pouco, sabendo que não estou realmente fazendo isso sozinha. Eles ainda estão aqui por mim.
Ele solta fumaça, balançando a cabeça como se estivesse pensando em voz alta. “Eu não gosto
desse cara.”

Eu mantenho o meu sorriso para mim. “Que tipo de cara você gosta?”
Lev começa a rir baixinho, os olhos ainda fechados, e olho para cima, vendo David me mostrar um
dedo do meio no espelho retrovisor.
Eu olho de volta para a casa. As cortinas nas janelas são tão baratas. Posso dizer daqui. A pintura
exterior está desgastada, e os tijolos quebrados em tantos lugares. Espero que o interior esteja melhor.
Será preciso uma merda de tonelada de caras para ter este lugar arrumado em duas semanas.

“Damon estava fodido,” David continua, “mas ele nunca escondeu isso, tampouco. Esse cara...” ele
olha pela janela do lado do passageiro para a casa. "Eu não sei."
Ele deita sua cabeça no encosto de cabeça, e enquanto meu coração aquece que ele está realmente
preocupado comigo sendo deixada com Kai, eu não quero que ele esteja. Eu quero manter o poder que
tenho e ganhar mais. Não ajuda se os caras com quem trabalho tentam me ajudar a atravessar cada poça
maldita para minhas anáguas não ficarem lamacentas. Eu posso lidar com Kai Mori.

“Ele está muito controlado,” diz David. “Pessoas que estão enroladas tão apertado são
imprevisíveis.”

Coloco meu telefone dentro do meu colete de esqui e puxo para baixo as mangas do meu moletom.

“Não se preocupe com ela,” Lev diz, os olhos ainda fechados. “Em duas semanas, ele vai ter a sua
linda noivinha para brincar.”

E não posso evitar isso. Meus lábios torcem em um pequeno grunhido antes de eu rapidamente
esconder novamente.

Sim, ele vai tê-la, não é? E uma imagem deles me vem, sozinhos naquela casa, olhando um para o
outro, se esbarrando um no outro, se conectando e merda ... sento-me e tiro meu cinto de segurança.
“Se o Gabriel quisesse que vocês pensassem, ele teria os colocado no comando,” murmuro. “Eu
estarei de volta.”
Pingos grossos de chuva batem no gorro na minha cabeça, e eu olho através da chuva, colocando
os dedos enluvados nos meus bolsos e subindo as escadas de cimento.

Toco a campainha.
Este lugar é um aterro. Parece sujo, o jardim crescido e negligenciado, e uma varanda suja,
coberta de jornais, vasos vazios e folhas mortas. Por que ele mora aqui? Tenho certeza que ele poderia ter
se mudado para o Delcour – os arranha-céus luxuosos do Michael Crist, do outro lado do rio -
gratuitamente. Erika Fane e Will Grayson vivem lá, então, por que Kai optou por ficar tão longe, aqui, e
sem seus amigos?
Claro, eu sei onde ele morava quando comprou este lugar um ano atrás, mas não me ocorreu ficar
incomodada por isso então.

Agora, desde que eu tenho que deixar isso pronto para uma esposa, estou começando a perceber
quanto trabalho precisa ser feito.
Eu toco a campainha de novo, ficando mais irritada. Onde diabos ele está?

Bato na porta de tela, a madeira velha batendo contra o batente a cada batida. “Olá,” eu grito, mais
como uma ordem do que uma pergunta.

Olhando pela janela à minha direita, posso ver um chão empoeirado e uma pequena, mesa virada, o
resto escondido da vista pela cortina de plástico amarelando pendurada por um canto sobre a janela.
Suspeita me invade conforme me endireito novamente.
Isto não me parece bem. Ninguém vive aqui.

Eu nunca tive a impressão de que Kai Mori precisasse de um palácio para estar contente, mas ele
definitivamente é o tipo de homem que tem orgulho de si mesmo e tudo o que lhe pertence. Ele cuida da
sua merda, e este lugar não é cuidado.

Olho até o topo da colina, à minha direita, vendo uma casa grande, cinza, de pedra. Um pouco
pequena para ser considerada uma mansão, mas bem perto disso. Ela é cercada por um portão alto, preto,
e é o único vizinho de Kai. Eu deveria ter pesquisado quem mora lá. Ter certeza que eles não são
intrometidos.

Lançando um olhar rápido para trás no carro, eu não posso ver Lev através das janelas escuras na
parte de trás, mas posso ver David na frente, me observando.

Foda-se. Virando de volta, abro a porta de tela e giro a maçaneta, encontrando-a desbloqueada.
Empurro a porta aberta e relutantemente dou um passo para dentro, meu olhar indo da esquerda para a
direita conforme observo o interior da casa de Kai Mori.

Uma luz cinza bate nos pisos, entrando através das janelas sujas, enquanto sombras das gotas de
chuva dançam em toda a madeira suja. Lençóis cobertos de poeira pairam sobre objetos que parecem
cadeiras e mesas e um sofá.

Deixando a porta aberta, caminho lentamente para a sala, observando a lareira com seu tijolo
manchado de fuligem e uma pilha de gravetos antes de ir para a cozinha, e ver uma geladeira e fogão dos
anos 50, assim como a bancada antiga de linóleo rosa velho.

Eu sufoco uma risada. Jesus. Quem ele está enganando? Esta não é a sua casa. De maneira
nenhuma.

Indo de volta através do saguão, subo as escadas, de dois em dois degraus de cada vez e entro em
dois quartos e um banheiro, nenhum dos quais parecem ter vida. Não há comida, nem pratos utilizados,
não há escovas de dente, ou roupa suja, sem TV, sem lâmpadas...
Até eu caminhar pelo corredor, entrando no último quarto, e olhar em volta. Eu paro, vendo
instantaneamente uma cama. O único quarto com uma.

Há lençóis na cama, e está perfeitamente arrumada. Eu devo acreditar que ele acabou de dormir
aqui, então?

“Olá!” Grito de novo.


Mas não ouço nada, só o som da chuva lá fora.

Andando para fora do quarto, entro no corredor e abro algumas portas do armário, verificando
todos os cantos. As prateleiras estão vazias, não contendo nem mesmo toalhas de banho.
Qual é o mistério aqui, Kai? “Olá!” Grito.

Fecho a última porta e viro, de repente vendo-o de pé bem na minha frente.

Engulo em seco, o meu coração para com tanta força que dói. “Merda!” Eu explodo, respirando
rápido quanto ele apenas fica em pé ali. “De onde diabos você veio?”

Ele fica em pé no corredor, vestindo jeans e um pulôver preto de aparência cara, parcialmente
aberto para revelar a camiseta branca por baixo.

Ele sacode a cabeça para trás, seu cabelo perfeitamente arrumado sem se mover. “Do quarto.”

Estreito meus olhos nele. “Eu estava lá,” digo a ele. “E você não estava.”
Havia uma cama e velas e uma cômoda e nada mais. Onde ele estava? Escondido no armário?
Eu percebo que estou respirando com dificuldade, então me forço a me acalmar.

“Toquei a campainha e chamei. Era como se ninguém estivesse aqui,” digo.


Mas ele me ignora, parecendo aborrecido quando pergunta “Você trouxe as plantas, chaves e
códigos como eu pedi?”
Sua expressão severa parece impaciente. Certo, tudo bem. Eu vou ter que entrar aqui e cavar em
volta em breve, de qualquer maneira, então eu posso esperar para ser intrometida.

“No carro,” respondo secamente.


Ele balança a cabeça e caminha para as escadas, descendo-a e sabendo que eu iria seguir.
Nós saímos para a varanda, e seu olhar instantaneamente encontra Davi e Lev sentados no SUV,
esperando.

Kai volta seus olhos escuros em mim. “Você está comigo agora. Diga-lhes para saírem.”
Eu escureço meus olhos. Mas me viro e desço as escadas, em direção ao carro, enquanto ele
caminha para a lateral da casa em direção ao seu.
David abaixa a janela do lado do passageiro.

“Volte para Thunder Bay,” eu digo a ele, entrando no carro e recolhendo os arquivos para o The
Pope e o rolo das plantas do assento. "Vejo vocês à noite."
Ele estreita os olhos, parecendo desconfortável.
“Está tudo bem,” eu asseguro, começando a me afastar. “Conclua as coleções, não se esqueça dos
estoques para Weisz´s e Brother´s, e certifique-se que Ilia tenha os canis arrumados.” Olho para a hora no
painel. “E lembre-se, o De Soto vem às três. Certifique-se de que um carro vá pega-lo.”

Viro-me antes que ele tenha a chance de responder e caminho em direção ao Audi de Kai. Ele dá ré
na entrada, a chuva pesada lentamente lavando a flores de cardos sobre o carro, ele para quando me vê
indo em direção a ele.

Contornando o carro, subo no banco do passageiro, jogando tudo atrás e enxugando a chuva do
meu rosto. Eu posso sentir a água escoando pelo tecido do meu gorro, e quero tirá-lo, mas eu terei que
esperar até estar sozinha.
Sem falar, Kai solta o freio e termina de dar a ré o resto do caminho para fora da garagem, e eu
mudo meus olhos para qualquer lugar, menos para ele. Ele coloca o carro em primeira marcha, e minha
respiração fica presa, sentindo-o se mexer ao meu lado enquanto o zumbido suave do motor vibra debaixo
dos meus pés.

Ele acelera e corre pela avenida, mudando para a segunda e até a terceira marcha, enquanto o
carro nos impulsiona mais e mais rápido.

“Você não vive naquela casa,” digo em uma voz baixa, uniforme.
Ele segura o volante, o braço superior preso como aço, reto, enquanto ele olha para a frente.

“Você acha que eu não posso viver com o básico do básico?” Ele brinca, alcançando e aumentando
o volume de Emotionless tocando no rádio.
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“Básico do básico?” Eu escondo meu sorriso. “Eu acho que Howard Hughes era menos obsessivo
do que você. Você nunca iria viver nesse lixo.”

“Eu vivi em um por dois anos e meio,” ele responde, sua voz ficando dura. "As coisas mudam."

Olho para ele com o canto do meu olho, vendo seus olhos ficarem distantes, impassíveis. Engulo
através da secura repentina na minha garganta, fechando-me para o momento.

É fácil esquecer, dadas as suas unhas limpas e roupas caras. Mas não muito tempo atrás ele estava
em uma camiseta de três dólares e trancado em uma jaula com as pessoas dizendo-lhe o que fazer em
cada minuto do seu dia.
Ainda assim, porém, ele mereceu. Ele cometeu o crime.

“Você não está mais hospedada no Torrance,” ele me diz, mudando para quarta marcha e
acelerando. “Você trabalha para mim agora. Eu quero você em Meridian City.”
“Eu moro em Meridian City.” Viro meus olhos da janela do lado do passageiro. “E mesmo que eu
não morasse, você não tem que ditar onde eu durmo.”
Quando eles saíram da prisão no ano passado, eu me mudei para a cidade para estar perto de
Damon. Meu pai começou a me pagar - apenas o suficiente para manter um rato - mas era o suficiente
para encontrar um lugar para dormir.

“E onde você dorme?” Ele pergunta.


"Não longe."
Ele ajusta o espelho retrovisor, dando um olhar demorado. “Com um deles?”

Eu lentamente viro meus olhos para ele e, em seguida, olho para trás, vendo o Escalade seguindo.
Eu não posso deixar de sorrir um pouco.
Eu deveria estar com raiva que eles desobedeceram uma ordem, mas ...
Se Gabriel tivesse dito para irem para casa, eles teriam ido. Ele só tinha a lealdade deles enquanto
ele pagava. Eu não pago nada a eles.

Deixo minha cabeça cair para trás sobre o encosto de cabeça, a paz rara de contentamento me
atingindo. “É tudo no que sou boa, certo?”
Seus lábios torcem. “Damon deve realmente ter te machucado muito para mantê-la tão leal,” ele
cospe. “Eu o vi com as mulheres. Você realmente gosta do que ele faz com você?”
O que ele faz comigo .... fixo os olhos para fora do para-brisa coberto de chuva, olhando para fora.
Eu pertenço a Damon, e se Kai sabe ou não a verdadeira razão para isso, isso não muda que eu sempre
estarei do seu lado.

"Aquela noite -"

“Não,” eu digo, interrompendo-o.


Ele para, e eu posso ouvir sua respiração pesada saindo do seu nariz.

“Eu amei que ele nos viu naquela noite,” ele continua, sua voz quase um rosnado. “Amei aquele
olhar furioso na porra da cara dele quando ele viu você em cima de mim.”
Eu aperto os músculos das minhas pernas, estremecendo com a memória. Eu estava tão mal
naquela noite. E o sentimento de cada centímetro dele em mim ainda é tão claro.
“Há algo sobre você, garota,” ele diz, ainda olhando para a estrada à frente. “Não sei o que é, mas
na maioria das vezes, quando dou aulas, encontro-me com os empreiteiros, converso com meus amigos,
merda...” ele balança a cabeça. “Eu mal posso suportar isso. Até tenho dificuldade de mastigar minha
maldita comida na maioria das vezes.” E então ele olha para mim, mudando para a quinta marcha. “Mas
não perto de você. Perto de você, eu fico com fome. Como se estivesse morrendo de fome.”

Eu mantenho meu olhar para a frente, o instinto de me encolher e tentar ser invisível quase
assumindo.
“Você está usando o cinto dele.” Sua voz profunda soa perigosa e faz o pelo na minha pele arrepiar.
O cinto de Damon. Eu me mexo no meu lugar, de repente muito consciente da faixa de couro
apertada, em volta dos meus quadris.

Ele aponta para baixo para o cinto antes de virar seus olhos de volta na estrada. “Eu reconheço as
marcas esculpidas no couro para cada enterrada que ele fez na escola. Dentro e fora da quadra.”

Dentro e fora da quadra? Jesus, Damon. Eu seguro minha respiração.


Peguei o cinto quando ele foi para a prisão, e ele nunca pediu de volta.

“Use-o todos os dias, Banks,” Kai ordena. "Todo santo dia."


“Ah, eu uso,” sussurro, mas sei que ele me ouviu.
Aposto que ele se pergunta se havia uma marca de registro para mim no cinto. Damon estava
certo. É estrategicamente vantajoso ninguém saber quem eu sou para ele. Se Kai soubesse que eu era um
brinquedo Torrance e uma ferramenta, ele não saberia exatamente o que ele tinha, ou as cartas que ele
realmente poderia jogar.

Deus me ajude se ele já descobriu, no entanto.


Kai continua dirigindo, descendo para o distrito de Whitehall, e eu posso ver um navio de carga e
alguns barcos rebocadores descendo o rio na chuva. A cidade surge a distância, arranha-céus
parcialmente encobertos por nuvens, e eu posso ver o dourado e preto do Delcour, no centro dos melhores
comércios e restaurantes.
Kai desacelera conforme nós chegamos ao The Pope, e noto o novo Rover de Michael Crist
estacionado junto ao meio-fio. O que ele está fazendo aqui?

Nós viramos, dirigindo para o pequeno beco do lado do hotel, para a parte traseira, e o carro
subitamente penetra na escuridão. O painel bloqueia qualquer luz, e eu corro minhas mãos lentamente
pelas minhas coxas, sentindo um zumbido por toda a minha pele. O carro parecia muito menor agora.
A escuridão.

O confessionário. O porta malas. A Torre do Sino. A sepultura. Espaços pequenos com ele. Sempre
espaços pequenos e escuros.
Sem me dar um olhar ou uma palavra, Kai estaciona o carro e abre a porta, saindo na chuva. Eu
rapidamente o sigo e observo-o chegar na parte de trás e segurar as plantas que eu trouxe.
Ele começa a correr, indo para uma das portas traseiras, e noto duas lixeiras, algumas paletas de
madeira, e um monte de caixas de papelão ficando encharcadas nas proximidades.

“O que você está fazendo aqui?” ouço Kai perguntar. Olho para cima para vê-lo conversando com
Michael Crist e Will Grayson, que estavam à espera sob um toldo.

Will usa apenas jeans e uma camiseta branca, enquanto Michael está vestido para o clima,
parecendo estranhamente similar a como ele parecia no ensino médio em seu moletom. Manchas de água
cobrem seu jeans.
“Por que vocês não estão esperando no carro, caras?” Kai pergunta.

Os olhos de Michael desviam para mim, estreitando, enquanto Will se afasta da parede e pega seu
chiclete, jogando-o para fora na chuva. “Não queria perder você,” diz ele.
Kai estende a mão para mim, e eu lhe entrego as chaves do hotel.

“Onde está Rika?” Ele pergunta aos rapazes.

Michael vira conforme ele se aproxima, pronto para segui-lo através da porta. “Aula”. E então ele
me olha novamente. “Somos apenas nós.”

A sensação de mau agouro roda no meu estômago, e eu fico atrás, deixando todos eles entrarem
antes de mim.
Nós andamos através de um túnel escuro, e eu não posso ver claramente por trás dos homens com
mais de um metro e oitenta na minha frente, mas depois de alguns momentos, vejo algum branco. Paredes
claras aparecem, e eu observo vários freezers, geladeiras e fogões. Nós entramos pela cozinha. Só é
visível, porém, devido à pouca luz que entra pelas janelas.

Cada um dos caras ligam suas lanternas, e Will me entrega uma.


Eu a pego, ligando-a.

“Então, Kai?” Will grita conforme todos nós entramos pela cozinha. “Você não precisaria de mim
para entrar em sua noiva virgem para você, não é?”

Ele começa a rir e vira a cabeça para mim antes de Kai poder responder. “Kai não gosta de virgens.
Ele gosta de mulheres que sabem o que estão fazendo.”
E então ele deixa seu olhar se mover pelo meu corpo.
Eu levanto uma sobrancelha. Sim, eu não acredito nisso. Eu era virgem naquela noite anos atrás, e
isso não o impediu de querer um bocado de mim.

“Mas eu?” Will continua. “Eu gosto delas a partir do zero. Eu posso ensinar exatamente o que eu
gosto e como fazer da maneira que eu quero.”
“Quer dizer que você gosta que elas não tenham ninguém para comparar com você,” eu digo,
“então elas não podem dizer o quão ruim você é nisso.”
Michael dá uma pequena bufada, mas eu percebo, e posso ver a parte de trás dos ombros de Kai,
tremendo com uma risada silenciosa.

Will se vira, deixando-me sozinha.


Todos nós seguimos Kai, e eu espero fora da sala de controle conforme eles mexem em
interruptores, tentando ter eletricidade. Depois de alguns minutos, porém, nada.
“Ainda bem que nós trouxemos lanternas,” Michael murmura enquanto sai da sala de controle.

Kai segue e para, todos nós parados juntos.


“Bem, pelo menos os quartos estarão destrancados,” ele nos diz. “A má notícia é que vamos de
escada.”
Subir doze andares. Excelente.
“Vamos nos dividir,” ele nos diz, começando a andar para as portas da cozinha, que provavelmente
levam para uma sala de jantar. “Tirem fotos de qualquer quarto que vocês entrarem e close-ups de
eventuais problemas. Roedores, encanamento, vazamentos, qualquer tipo de danos... eu vou trazer
empreiteiros e ter melhores estimativas, mas eu quero uma ideia dos reparos e o que temos que contar
como perdido.”
Michael e Will saem, deixando a cozinha, e Kai se vira para mim. “Veja se você consegue encontrar
o gerador,” ele me diz. “Nós podemos, pelo menos, ter algumas luzes funcionando.”

Sim, tudo bem. Eu mantenho minha acidez para mim e me dirijo para o acesso à escada, ligando
minha lanterna enquanto desço para o porão. Não há janelas aqui embaixo na escada, e meu pulso
começa a correr, lembrando dos estúpidos filmes de horror da porra que Damon assistia quando éramos
mais jovens. Eu acenderia a lanterna, e, de repente uma menina em um vestido branco e a boca cheia de
garras sangrentas iria saltar em cima de mim.
Abrindo a porta no fundo, entro no porão e imediatamente solto um suspiro. É uma enorme sala de
aquecimento aberta com janelas que revestem a parede no topo. Eu só posso detectar os pés de alguns
pedestres andando. Um pouco de luz natural entra, mas eu mantenho a minha lanterna, já que ainda é
muito fraca.
Caminho lentamente pelo corredor, brilhando a minha luz em tubos e tanques, fornos e outras
máquinas que não reconheço. Realmente, o hotel não ficou fechado por tanto tempo assim. A maioria
deste material provavelmente funciona bem ainda.

Vejo um gerador perto da parede e me dirijo a ele. Eu não tenho ideia de como essas coisas
funcionam, mas eu tinha visto eles, e sei como procurar no Google, se precisasse.
Inclinando-me, assopro a poeira dos interruptores, esfregando a sujeira. Essa coisa não é grande o
suficiente para alimentar muito, e definitivamente não vai alimentar os elevadores, mas talvez sirva para a
iluminação do corredor. Viro o botão Power.
Mas nada acontece. Ligou alguma coisa? Bem, ele não iria ligar a uma parede, é claro. Se
tivéssemos eletricidade, não precisaríamos de um gerador.

Talvez esteja conectado a uma bateria de algum tipo. Eu rapidamente tiro minha jaqueta, deixando-
a cair no chão, e me apoio em minhas mãos e joelhos, atirando a lanterna no chão ao redor, à procura de
fios ou cordas.
Algo segura meus tornozelos, no entanto, grito conforme me puxa, meus joelhos cedem e meu
corpo é arrastado pelo chão.
“Que diabos?” Eu grito, olhando ao redor para ver quem me agarrou. Meu coração bate forte.
Michael e Will estão na minha frente, e eu os chuto. “Fiquem longe de mim!”

Michael estende a mão, me agarrando pela camisa e me puxando para cima.


Idiota. Olho em volta, mas Kai não está aqui.
Michael agarra meu pescoço e me planta contra a parede, me soltando.

Eu olho para ele. Eu esperava enfrentar isso com eles em breve - eu sei o que eles fizeram com a
Rika no ano passado, então eu sei como eles gostam de jogar seu peso ao redor - mas por alguma razão,
eu fico parada. Ele vai ter um enorme problema comigo em breve, mas vou fazer a minha jogada quando
estiver pronta.
“Eu não tenho ideia do que Kai está pensando agora,” diz ele com uma mordida no seu tom, “mas
vou lhe dar um aviso e apenas um aviso.”
Eu levanto meu queixo devagar, preparando-me para a sua ameaça.

“Se você foder com a gente, vamos fazê-la desaparecer,” ele rosna. “No momento em que eu
começar a sentir a menor preocupação que você possa ter algo na manga, eu não hesitarei. Entendeu?”
Ele estreita os olhos. “Você trabalha para ele, e cuida dele, e faz o que quer que ele queira que você faça,
e faça isso bem, querida. Só não me dê uma razão para afunda-la no fundo da porra do rio, porque isso é o
quão rápido você pode acabar. Entendeu?"
Oh sim. Entendi.
Começo a respirar rápido. Eu trago meus dedos recatadamente para os meus lábios e finjo um
olhar de medo. O que eu fiz? Oh, não, por favor, não me machuque. Por favor? Deixo escapar um pequeno
gemido e aperto minhas sobrancelhas confusa.

E então eu paro meu choro falso e abro um sorriso, olhando para ele com uma risada silenciosa.
Essa merda pode ter funcionado com a Erika Fane, mas ele tem outro pensamento vindo.
“Vou fazer o meu trabalho,” digo a ele, “e você não me assusta.”
Sua carranca se aprofunda.

“O que você pode fazer?” Pergunto. “Você é um atleta, aos olhos do público, prestes a se casar com
a garota que você sempre amou, com muito a perder. E este” - gesticulo para Will atrás dele- “está apenas
sóbrio a partir do momento que ele arrasta sua bunda para fora da cama de manhã até o tempo que ele
pode ir ao refrigerador de cerveja que ele mantém em sua cozinha.”
Will faz uma careta para mim.
“Os Horsemen estão fracos e morrendo,” continuo, fingindo um olhar preocupado. “Momento
perfeito para os inimigos atacarem.” Estendo a mão e pego meu casaco, deslizando meus braços. “O pai
de Damon adoraria se desfazer de você, seu pai está tentando impedir alguns dos seus negócios
imobiliários, Damon está sabe-se lá onde, Rika anda por aí todo dia, armada com apenas seus pequenos e
truques de kung fu.” Eu olho para Will. “E aquele policial que você foi para a prisão por atacar, não esteve
farejando você ultimamente, procurando algum acerto de contas?”

Os olhos de Michael se estreitam, e ele desvia o olhar, parecendo surpreso. Sim, você não sabia
sobre isso, não é?
“Você tem tanta coisa acontecendo, Michael, realmente,” zombo dele como se ele tivesse cinco
anos, colocando minhas mãos nos bolsos. “E o enquanto você fica me vigiando, você não os vê.”

Eu tiro as duas mãos, e Michael pega o brilho de prata na minha mão direita e agarra meu pulso,
me parando.

Sorrio enquanto ele segura a pequena lâmina longe de seu rosto e me encara com um grunhido.

Mas eu solto meu sorriso e giro a ponta da lâmina na minha outra mão, a que ele não vê,
apontando logo acima de sua virilha.
Ele vai para trás, uma pequena careta no rosto.

“Você não só não está com seus patos em ordem, Michael, mas eles estão cagando em todo o
lugar.” Eu guardo a lâmina de volta no bolso. “Vocês garotos, precisam de um modelo.”
Indo para o lado, ando em torno deles e me dirijo para fora do porão, ouvindo o sussurro de raiva
de Michael atrás de mim. “Que porra é essa?”
“Eu ia te dizer!” Will sussurra-gritando de volta.

Eu balanço a cabeça.
Que perda de tempo.
Depois de todos os anos de trabalho, grunhido - limpando, inventariando, entregas e buscas -
finalmente tenho um pouco de respeito. Agora eu tenho a tarefa de ser a sombra de Kai e sua pequena
equipe, observando-os atrapalharem-se para dar cinco passos quando eles poderiam conseguir o que
precisam com um.

Puxo a frente do meu gorro mais para baixo, tentando resistir ao bocejo que está empurrando seu
caminho para fora.
Meu celular vibra no meu bolso, e eu o puxo para fora conforme subo as escadas.
Encontre-me no treze.

Kai. Como ele conseguiu meu número? E então me lembro que eu lhe mandei uma mensagem
naquela manhã. Ótimo. Treze, e eu estou no porão. Colocando meu telefone de volta no bolso, eu seguro o
corrimão e começo a subir a escada, correndo e pulando degraus conforme voo. Alcançando cada andar,
olho para cima e tomo nota do número do andar, mas no nove paro, meus pulmões agora parecendo
apertados e pequenos. Olhando para cima, vejo os andares apagados acima de mim, iluminados apenas
pelas luzes de emergência.
Respirando fundo, corro um pouco mais devagar até os andares restantes, chegando ao treze e
abrindo a porta da escada.
Um ponto aperta o meu lado, e eu engulo através da secura da garganta. Achei que eu estivesse
em boa forma, caramba.

Entro em um corredor escuro e olho para a esquerda e direita, o carpete cinza, com um design de
filigrana branco enfraquecendo lentamente nos vazios negros de cada corredor escuro.
“Olá?” Grito.
Viro à direita, acendo a lanterna, mas um vento atinge minhas costas, e eu olho atrás de mim. Um
vento sutil refrigera meus lábios.
Virando à esquerda em vez disso, ando para o corredor, inspecionando cada porta enquanto passo
e finalmente notando que estava aberta. Olho para dentro, vendo cortinas brancas do outro lado da sala
chicoteando no vento.

A portas da sacada devem estar abertas.


Entro no quarto, olhando para os dois lados enquanto atravesso, e finalmente percebo a forma de
Kai na varanda. Puxando a cortina, vou para fora.
“A varanda do décimo segundo andar,” diz ele, inclinando-se sobre o corrimão e virando a cabeça
para olhar para mim.

Sigo o seu exemplo, espiando por cima do corrimão e olhando para baixo. Cada andar tem uma
varanda, e a que está diretamente abaixo de nós não é diferente. Entalhada em pedra, um corrimão
grosso, tudo molhado da chuva ...
Eu me endireito, inclinando a cabeça para ele. O décimo segundo andar.
Suspeita começa a entrar em mim.

“Você realmente acha que eu iria ajudá-lo a procurar no The Pope se eu achasse que Damon estava
se escondendo aqui?” Pergunto. “Você não está comprando este hotel por causa de alguma história que eu
te contei quando eu tinha dezessete anos, não é?”
Vejo o canto da sua boca levantar em um sorriso. "A. Sim,” afirma. “Eu achei que você fosse me
ajudar a procurar, se não por qual outra razão iria me apontar na direção errada.” Ele vai para trás e olha
para mim. “E B, eu não tenho certeza se Damon disse a você onde ele está escondido.”
“E por que isso?”

“Porque eu me lembro dele sendo particularmente possessivo com você,” diz ele. “Eu acho que
você sabe que ele está na cidade, mas eu acho que ele pode estar observando-a tanto quanto ele nos
observa.”
Sorrio para mim mesma.
Eu ouvi falar sobre o décimo segundo andar depois de ir morar com Damon e meu pai. Gabriel
ferozmente protegia sua privacidade e construiu quatro hotéis antigamente: um em Meridian City, San
Francisco, São Petersburgo, e Bahrain - os lugares que ele mais viaja. Privacidade, segurança e ser
invisível, às vezes, são necessidades para alguém que fez pelo menos parte do seu dinheiro fora da lei.

Mas meu irmão não está aqui. Pelo menos não da última vez que verifiquei. Kai está perdendo
tempo.
“Nós já exploramos este lugar uma vez, lembra?” Digo a ele.
Ele pisca os olhos divertidos para mim, soando arrogante. “Nós não fomos muito longe, lembra?”

Um rubor aquece instantaneamente minhas bochechas, e eu me viro.


Kai espia por cima da grade de novo, e eu faço o mesmo, observando a grande queda para o chão
abaixo. Olho para ele, estudando a curiosidade estampada em seu rosto. A forma como as sobrancelhas
escuras ficam juntas como se ele estivesse calculando a sua próxima jogada, e a forma que seu pescoço
estica na medida em que lhe dá uma melhor vista. Ele parece tão jovem. Como uma criança tentando
encontrar coragem para seguir seus amigos a um penhasco.
O que ele está fazendo?

Endireitando-me, desenrolo o cachecol em volta do meu pescoço e o tiro fora do casaco. Kai me
observa enquanto eu o seguro sobre o corrimão.
Medindo o vento leve, abaixo-o tanto quanto possível, finalmente deixando sair dos meus dedos e
flutuar para baixo para a sacada do décimo segundo andar. O tecido faz uma onda conforme afunda e,
finalmente encontra o corrimão, o vento jogando-o para o interior da varanda.
Sem olhar para ele, eu volto para o quarto. Ele não tem escolha a não ser me seguir.

Sério, se ele queria passar por cima da grade e se matar, não é da minha conta, mas...
Ele pode estar certo. Damon não estava aqui quando eu procurei por ele, mas isso não significa
que ele não esteja mudando de esconderijos, também. Ele pode estar aqui, e eu preciso ganhar algum
tempo.
Caminhando pelo corredor, viro à direita, indo em direção a saída pela escada que eu vim.
Nós dois descemos rapidamente as escadas, mas depois de dois lances, chegamos ao andar
seguinte, onde uma porta deveria estar marcando o décimo segundo andar. A parede está nua, no entanto.
Sem porta. Sem marcação indicando que andar é, nada. Apenas uma parede branca.

Dou-lhe um olhar, um entendimento mudo passando entre nós. Continuamos a descer, ambos
alcançando a maçaneta da entrada do décimo primeiro andar ao mesmo tempo. Sua mão roça a minha, e
eu rapidamente me afasto, uma corrente elétrica flui pelo meu braço. Ele abre a porta, e ambos corremos
indo direto para o 1122, o quarto diretamente abaixo do 1322.
Giro a maçaneta e entro, seguindo para as portas da varanda que abro, uma rajada de vento
instantaneamente bate no meu rosto. Kai e eu pisamos sobre o limiar, olhando em volta para o lenço.
É apenas uma pesquisa rápida, mas não há nada, como eu sabia que não haveria. Nada, exceto
uma planta morta em um vaso, uma mesa de ferro forjado enferrujada, e uma folha.

O lenço não está aqui, é claro, mas ...


Eu ando para o lado direito da varanda, levanto minha cabeça e olho para cima.
E lá está ele. O lenço preto chicoteando feliz, alguns centímetros pendurado do lado de fora da
varanda bem acima de nós.

“Ali.” Balanço a cabeça para cima.


Kai junta as sobrancelhas e se aproxima, inclinando-se na lateral e virando a cabeça para cima.
Ele olha, tanto confuso como irritado, mas eu sorrio um pouco da mesma forma.

“Que diabos?” Ele resmunga.


“Precisamos chegar lá em cima,” ele me diz.
E como você planeja fazer isso? Os elevadores não estão funcionando no momento, e não é como se
tivéssemos uma corda.

Vejo quando ele começa a subir no parapeito, mas imediatamente estendo a mão e puxo-o para
baixo.

“Está tudo bem,” eu digo secamente. “Não é valioso. Esqueça.”


Suas sobrancelhas se erguem. “Você está preocupada comigo?”

“Sim. Assim como com o preço do chá na China.”


Ele balança a cabeça, sorrindo para si mesmo. Mas, novamente, ele faz um movimento para subir.
Puxo-o para trás. “Eu não posso segurar você. Você é muito grande. Você pode me segurar, então
deixe-me fazê-lo.”

Caminhando em volta dele, subo no parapeito, e ele sai, agarrando o meu braço para me firmar. Eu
sei que se olhar para a direita, eu veria a queda abaixo que está a apenas um erro de distância, então não
olho.
Minhas pernas tremem, mas eu enrolo meus dedos do pé, segurando o corrimão grosso. Droga. Eu
não preciso da porra do lenço de volta, mas eu não quero descobrir se ele é capaz de escalar até lá. Ainda
não.
Apertando o braço dele com uma mão, eu estendo o outro braço para ter equilíbrio e, lentamente,
levanto para ficar de pé. Minha barriga torce.

“Eu seguro você,” Kai me diz. Olho para baixo, vendo seus olhos escuros segurando os meus
quando passa o outro braço em volta das minhas pernas. Minhas mãos ficam fracas, e por algum motivo,
isso não me faz sentir melhor.
Eu subo com ambas as mãos e deslizo até o tecido desgastado, o aperto de Kai aumentando.
Infelizmente, porém, eu ainda estou, pelo menos, a quinze ou vinte centímetros de tocá-lo.
Colocando minha mão no ombro de Kai para me manter firme, eu lentamente fico nas ponta dos
pés mais ficar mais alta. Estendo meu outro braço, esticando os músculos e articulações centímetro por
centímetro, até que finalmente, vou até onde posso ir. Estremeço, tentando pegar o pequeno fio que
pende. Mudando meu corpo apenas ligeiramente, eu continuo tentando, mas é inútil.

Deixo escapar um suspiro. “Eu não consigo alcançá-lo.”


Caindo de volta em pé, olho para Kai.
E paro de respirar.
Ele está apenas olhando para mim. Bem ali, olhando para cima, com os braços em volta das minhas
coxas e seu rosto próximo demais entre elas. Abro a boca, mas as palavras não saem.

Um sorriso divertido bate em seus olhos, e meu coração começa a bombear descontroladamente.
Eu não quero saber o que diabos está passando pela sua cabeça no momento.
“Você está bem?” Pergunto. Eu poderia dizer que o filho da puta está segurando um sorriso.
Eu pulo para baixo, forçando-o para longe, e ajeito a roupa, puxando para baixo minha camiseta e
jaqueta. "Estou bem."

Ele só iria usar você. Eu tenho que lembrar que seu objetivo é Damon. Vingança. E ele sabe que
Damon se importa comigo, de modo que me faz valiosa.
Eu ignoro a batida no meu peito e afasto o olhar dos seus olhos.
Não cometa os mesmos erros. Não deixe ele te tocar. Não queira ele. Você não pode tê-lo.

Esqueci disso há seis anos, mas não desta vez.


O silêncio se arrasta na minha pele, e o som da chuva leve permanece à nossa volta.
“Por que você usa aquela coisa?” A voz de Kai é tranquila e suave.

Coisa. As minhas roupas?


Evito o seu olhar, minha armadura engrossando. Eu aguentei porcaria mais que o suficiente sobre
minha aparência ao longo dos anos.
O que, você não gosta nas minhas botas de segunda mão de combate com os cadarços quebrados e
dedos arranhados? elas te ofendem? Há alguma regra que meu jeans deva ser apertado, para que os
homens que eu não conheço possam ter prazer em olhar para a minha bunda como se eu fosse um carro
na rua?

“Eu uso o que quero,” corto. “Eu não me visto para agradar ninguém.”
“Pelo contrário...” eu o sinto se aproximar, e olho para baixo, vendo seus sapatos pararem
centímetros longe de mim. “Estou pensando se você se veste assim para, de fato, agradar alguém.”
Encontro seu olhar, a longa prática, desgastante, de não mostrar nenhuma emoção vem mais fácil
do que quando eu era criança.

OK. Ponto certo. Talvez eu tenha começado a me vestir assim para agradar Damon. Eu nunca tive
dinheiro para roupas, e até mesmo agora o meu salário é muito pequeno para pagar muito. Mas estou feliz
com o que meu irmão me deu e teria prazer em usar qualquer coisa se isso significasse que eu poderia
ficar com ele.
E crescendo, essas roupas me mantiveram segura. Há muitos homens em volta, e eu pareço mais
jovem quando estou usando isso. Esconde a minha forma e ajuda a me manter invisível.
“Essas são roupas de homens,” ele ressalta, sua voz endurecendo. “Roupas masculinas usadas. De
quem elas são? São todas do Damon?”

“Por que você se importa?” Respondo. “Vou fazer o meu trabalho. Conduzi-lo por aí, consertar sua
merda de casa, limpar o dojo, e eu não preciso usar um vestido de baile para fazer isso.”
Ele irrompe em um sorriso. “Você é um completo mistério, e sou curioso sobre você. Isso é tudo.
Então, vamos começar simples. Qual o seu nome?"
“Banks.”

“Qual é o seu nome, Banks?”


Eu quase bufo.
Quase.

Ele é um pouco mais rápido na pegada que seus amigos, não é?


Banks é meu último nome. Eu gosto dele, porque acho que eu recebo mais respeito soando menos
como uma mulher, e meu pai prefere, porque ele odeia o meu primeiro nome.
E nada disso é da conta de Kai Mori.

Kai continua, “E de onde você é? Onde estão seus pais? Você foi realmente educada em casa?” Ele
começa a caminhar em minha direção, e eu vou para trás, tropeçando. "Onde você mora? Você tem
alguma amiga? Como você pode trabalhar para aquele pedaço de merda nojento, hã? Como você dorme?"
Eu bato na porta de vidro, e ele diminui a distância entre nós, pairando e baixando a voz para um
sussurro, “Ou que tal uma pergunta ainda mais fácil?” Seu calor filtra através de minha jaqueta, e cada
centímetro de mim canta. “Eu vou me confessar hoje. Quer vir... Banks?”

Seus olhos fixam nos meus lábios, e minha respiração fica superficial. Oh, Cristo. O vento carrega
seu cheiro, e eu inalo, o mundo diante de mim começando a girar.
Pisco, virando-me. A lembrança do nosso primeiro encontro — a história que ele me contou que
ficou gravada em minha mente naquele dia no confessionário - Deus, eu gostei do jeito que me senti.
Falando assim com ele.
Eu fecho os punhos e encontro seus olhos novamente, forçando o meu tom para ficar calmo. “Oh,
Sr. Mori, você esqueceu?” Eu respondo, fingindo inocência. “Você sempre se confessa no final do mês.”

Dou-lhe um sorriso presunçoso, vejo sua expressão divertida cair e ficar escura.
Sim. Nunca se esqueça que eu sei tudo sobre você.
Seus olhos se mantem calmos, mas eu posso ouvir a aceitação do meu desafio em suas palavras,
“Vejo você no trabalho.”

E passando por mim sem dizer uma palavra, ele sai do quarto, deixando-me sozinha.
Fico por um momento, olhando para os fios pendurados do meu lenço na varanda acima.
Eu me orgulho de sempre ficar um passo à frente. Informação é poder. É mais valiosa do que
dinheiro.

Mas apreensão silenciosamente crepita, de qualquer maneira.


Kai não é estúpido.
Eventualmente, ele irá pegar tudo.
Capítulo 10
Banks

Presente

Delcour fica do outro lado do rio a partir do distrito de Whitehall. Eu lembro de ver o prédio a uma
distância do nosso apartamento no centro quando eu era criança e vivia com minha mãe. Alto, preto, com
acabamento dourado, lembra-me algo tirado de um filme antigo. Gangsters em ternos risca de giz, carros
com pneus de faixa branca, senhoras em vestidos extravagantes .... um pouco de art deco, um pouco da
antiga Hollywood, e inteiramente ostensivo demais, mas sempre me encheu de admiração quando eu
pegava um vislumbre dele. Eu não sei como uma coisa pode ser fascinante e assustadora ao mesmo
tempo, mas o Delcour provou que há uma coisa assim. Ele fica no meio da cidade como uma joia
ornamentada em alguém vestindo um saco de batata.

Eu não me encaixo em lugares assim, e meus nervos estão agindo por vontade própria.

Há, provavelmente, jovens como eu, mas ao contrário de mim, estão correndo por um conjunto
completamente diferente de prioridades: sapatos de grife e cafés com leite triplos, sem espuma, de soja.
O elevador para e as portas se abrem, as vibrações da música debaixo dos meus pés batendo nos
meus ouvidos agora.

Minha boca fica seca, forço um passo e entro na cobertura de Michael Crist.
“Olá,” um homem em calças pretas e uma camisa preta me cumprimenta. “Posso pegar seu
casaco?”

“Não.”

Passo pelas prateleiras de casacos na entrada, ignorando sua expressão de surpresa, e viro no
corredor para o resto da residência. Música toca alta, mas eu ainda posso ouvir a conversa dos casais que
eu passo. Homens se movem, vestidos casualmente, alguns em ternos com colarinhos abertos, outros em
jeans e camiseta, enquanto as mulheres estão vestidas com capricho. Como sempre.
As luzes ofuscantes brilham sobre o piso de mármore preto, e entro na sala de estar, os pelos nos
meus braços levantando com a visão de todas as pessoas.

Mas eu me forço a relaxar. Multidões me deixam nervosa, mas eu posso lidar. Alguns pares de
olhos estão sobre mim, olhando de cima a baixo a minha aparência, mas eu continuo a minha varredura
da sala.

Onde diabos ele está?

Caminho lentamente procurando na festa os cabelos pretos perfeitamente arrumados e o habitual


olhar aborrecido, mas parece ser impossível. Muitos dos hóspedes parecem ser jogadores do Storm –
companheiros de Michael - porque até mesmo o impressionante um metro e noventa de Kai se perderia no
meio de alguns dos caras de dois metros ou mais aqui.
Cry Little Sister toca nos alto-falantes, e avisto Erika, voltando para dentro pela entrada do
terraço. A luz de vela cintila em sua pele, e nossos olhos se encontram. Ela caminha até mim.

“Oi,” ela diz calmamente, seu sorriso pequeno, mas quente. Mesmo que ela deva saber que eu não
quero ter nada a ver com ela, ela não mostra.
“Kai ainda está aqui?” Pergunto, apontando para o envelope na minha mão. “Ele queria isso esta
noite.” Ela não diz nada por um momento, mas apenas olha nos meus olhos.

“Por aqui,” ela finalmente responde.

Seguindo atrás dela, passo pela cozinha e um corredor, olhando para a minha esquerda e vendo
uma quadra de basquete afundada, aqui, no apartamento.

Porque é claro que haveria.

Vários caras em ternos e blazers correm de um lado para outro da quadra. Eu rapidamente procuro
os rostos dos jogadores, mas não vejo Kai lá, também.
Erika segue mais adiante por um corredor mal iluminado, e meu olhar cai nas costas dela, meio
que admirando o macacão preto elegante que ela usa com tiras entrecruzadas sobre os ombros. Bonita,
simples, e o centro dos cavaleiros.

Tudo o que eu nunca seria para ninguém.

Ainda assim, eu não posso ver por que Damon está tão obcecado por ela.

Ela vira à direita e abre uma porta, vozes profundas e risos imediatamente soam no corredor. Rika
vira as costas para a porta, abrindo espaço para eu entrar.

Eu entro e olho em volta. Uma mesa de cartas com meia dúzia de homens, incluindo Michael e Will,
está no centro da sala, e Kai ocupa uma cadeira, de costas para mim. Vários outros homens estão em
várias mesas ao redor da sala, e uma mulher se apoia na parede no canto, uma bebida na mão.

Alguns, incluindo Michael e Will, me lançam um olhar, parando um momento, mas a maioria não
perde tempo comigo.

Eu marcho para o lado de Kai, sem olhar para trás para ver se Rika ficou ou saiu.

“Eu poderia ter trazido isso para a sua casa mais tarde,” eu digo, irritada conforme empurro o
envelope em seu peito. “Ou para o dojo de manhã.”

Ele me manteve trabalhando e passando recados sem parar nos últimos dois dias, afinal de contas.
Já é tarde, e eu preciso dormir.
Ignorando minhas queixas, ele pega o envelope e abre.

Viro-me para sair.

“Fique,” ouço-o dizer.

Paro, virando-me.
Kai puxa os papéis que Gabriel me deu, enquanto meu olhar passa para Michael, que está me
observando. Eu quase sorrio. Provavelmente o idiota ainda está chateado sobre ontem no hotel.

Eu vejo Kai folhear o contrato, mas, em seguida, para e tira uma caneta do bolso interno do paletó.
Isso era de se esperar. Gabriel sabe que ele vai lutar contra certas estipulações.
“Você não vai apresentar sua amiga, Kai?” Um homem do outro lado da mesa pergunta.

Mas Kai apenas inclina a caneta, estreitando os olhos enquanto ele lê.

E então eu o vejo se mexer na sua cadeira e olhar para cima, olhando para mim. “Ele está
brincando?” Ele aponta a ponta da caneta para um ponto no contrato, algo sobre certificar-se que Vanessa
tenha filhos em tempo hábil.
Uma de suas sobrancelhas sobe quase tocando sua testa conforme ele olha para mim como se fosse
minha culpa. Dou de ombros. “Se você não pode fazer, podemos dar-lhe a um homem melhor. Basta dizer
a palavra.”

Ele só olha para mim, nem mesmo a carranca leve estragando seu rosto escultural. Ele volta para o
documento. Cortando sua caneta em toda a página, ele cruza a cláusula e vai para a próxima página,
também cortando fora várias outras.

“Então, é assim tão fácil no seu mundo, hein?” Ele pergunta, mantendo a voz só entre nós. “Basta
dar uma pessoa para outra?”
“Você deve saber,” eu respondo.

Eu fui dada a ele até o casamento, não fui?


“Esta é Banks,” ele fala de novo, mais alto, para que todos na mesa possam ouvir. “Ela trabalha
para Gabriel Torrance. Há quanto tempo você trabalhou para ele agora?” Ele olha para mim, mas não
espera a minha para responder. “Meio estranho como uma menina tão jovem foi levada a mansão de um
milionário desprezível assim, você não acha?” Sua caneta move-se rapidamente através das páginas,
circulando e fazendo anotações. “Ele conhece a sua família? Eles têm conexões com eles?” Um fio de um
sorriso suaviza o rosto severo conforme ele olha o restante do contrato. “Seria interessante descobrir
como isso aconteceu. Que uso uma mulher poderia ter para uma casa cheia de homens, eu gostaria de
saber.”

Algumas pessoas ao redor da mesa riem sob suas respirações com sua insinuação.

“E quanto ele paga para você ou...” ele para, tirando suas últimas palavras. “O que ele paga por
você?”
Ele olha para mim, virando as páginas de volta no lugar e deslizando o documento de volta no
envelope. Ele pode ter pensado em voz alta, ou ele pode ter insinuado saber as respostas por si só. Não
seria difícil. Um investigador só tem que falar com a minha mãe.

“Tem que ser menos do que o que eu pago por uma mulher,” ouço Will atirar para fora, seguido por
risadas mais baixas ao redor do quarto. Ele me lança um olhar, deixando seu desgosto olhar para cima e
para baixo na minha aparência.
“Oh, por favor,” a mulher no canto interrompe. “Como se eu sequer ainda te cobrasse. Tudo o que
você quer fazer é abraçar a metade do tempo de qualquer maneira.”

Um dos homens na mesa bufa, mal conseguindo conter o riso, enquanto outros não se incomodam
em tentar escondê-lo.

Will vira-se para ela com uma careta, lamentando, “Pooooorra.” Ela sorri e pisca para ele.

Essa deve ser Alex. Estudante universitária e acompanhante caríssima do décimo sexto andar.
Amiga de Rika, e tem Will Grayson como cliente regular.

Damon gostava da energia dela. Não gostava que ela não fazia tudo o que ele queria, no entanto.

“Tantas perguntas...” Kai levanta o envelope, oferecendo à mim. “Quase faz você querer contratar
alguém para descobrir as respostas.”

Pisco lentamente, tentando parecer entediada, mas meu coração acelera apenas um fio de cabelo.
Eu esperava isso. Kai negocia curvas de aprendizado mais rápido que a maioria. Eu estive pesquisando ele
e seus amigos. Ele vai começar a fazer o mesmo comigo, claro.
Terei que fazer uma visita à minha mãe.

Amanhã.
“Faça-o concordar com essas alterações, e eu assino,” diz ele.

Agarro o envelope, mas ele não solta. Em vez disso, ele o puxa para baixo, trazendo-me junto.

“E de todas as maneiras,” ele sussurra, sua respiração caindo na minha bochecha. “Continue me
subestimando.”

Nós dois seguramos o envelope, e eu viro meus olhos nele, momentaneamente congelada.
Tão perto. Eu quero me afastar, mas não consigo. Algo incha em meu peito, e seus olhos escuros
ficam pretos conforme ele me segura, presa.

Você disse que queria ser caçada. Deus, por que eu penso nisso depois de todo esse tempo? Eu
quase fecho os olhos com a lembrança.

Seu cheiro, sua boca, seu corpo pressionando o meu... ele é frio como gelo o tempo todo.
Até que ele queira. Eu sei o quão ganancioso ele pode ficar em seguida.

O pulso entre as minhas pernas começa a latejar, e eu puxo o envelope de suas mãos e me levanto
em linha reta.
“Posso fazer mais alguma coisa para você, Sr. Mori?”

Ele abaixa a mão no descanso de braço e parece se concentrar de volta no jogo de cartas. “Vá
reabastecer as toalhas para os hóspedes na piscina.”

Eu levanto uma sobrancelha. “Eu não estou aqui para servir seus amigos.”

“Você está aqui para mim e tudo o que eu lhe disser para fazer.” Ele me prende com um olhar de
advertência. "A não ser que você queira voltar para Thunder Bay e dizer ao Gabriel que você quebrou o
contrato.”
Sim, você pode simplesmente amar isso, hein? Você tem as chaves e códigos para o hotel, não
assinaram o contrato ainda, e a culpa cairia sobre mim por quebrar o acordo.

Segurando o olhar de Kai, eu saio da sala, ouvindo a voz de Michael atrás de mim. “Elas estão no
armário do corredor no andar de cima!”
Eu cerro os dentes, fervendo quando risadas saem da sala atrás de mim. Idiotas.
Virando no corredor, eu passo entre as pessoas, e agarro o corrimão, subindo as escadas
rapidamente. Eu não estou com nenhuma pressa para estar em serviço, mas eu quero sair daqui, e logo
que eles tiverem suas drogas de toalhas, eu vou sair com ou sem a sua permissão.

A música no andar de baixo desaparece, e chego ao topo, uma grande área aberta cheia de TVs,
sofás, e algumas pessoas me cumprimentam.

Eu continuo pelo corredor, no escuro, abrindo algumas portas até encontrar dois quartos, um
banheiro e um escritório, antes de abrir outra e, finalmente, encontrar prateleiras de roupas de cama e
toalhas empilhadas ordenadamente. Começo a tirar tantas toalhas quanto eu posso carregar.

"Oi."
Eu pulo, minha respiração presa na minha garganta. A jovem do jogo de poker de antes espia pela
porta aberta, com a mão em seu quadril.

“Eu sou Alex,” ela me diz.


"Eu sei quem você é."
Pego mais uma toalha e acrescento na pilha no meu braço.

“Vou tomar isso como uma coisa boa.”


Tome como quiser.
“Eu não posso acreditar que Rika tolera sua presença,” eu digo, fechando a porta do armário.
“Quantos dos clientes dela que você está fazendo clientes seus esta noite?”

Mas para minha surpresa, ela ri. “Não estou trabalhando essa noite, na verdade.”
Um brilho ilumina seus olhos, e eu tenho que entregar a ela. Eu fui propositadamente rude, mas
ela rolou com isso como uma campeã.
“E Rika gosta de me ter em todos os lugares,” ela zomba, inclinando-se. “Ela pensa que eu sou uma
boa beijoqueira.”

Sim, tudo bem.


“As mulheres são normalmente melhores beijoqueiras pela minha experiência, de qualquer
maneira,” ela continua, dando-me uma olhada de cima a baixo que de repente me deixa muito alerta.
“Quero dizer, os homens não têm ideia do que fazer com a língua.” Ela ri. “Cobro extra deles para beijar.”
Minha mente volta para quando eu beijei Kai, e os nervos sob minha pele despertam para a vida.
Kai definitivamente sabia o que fazer com a língua.

Alex continua, revirando os olhos. “É ou sou uma casquinha de sorvete” - ela fecha os olhos e
lambe o ar, grunhindo e fazendo movimentos exagerados com a língua - “ou é como um tornado na porra
de um beco com aquela coisa.” E mais uma vez, ela fecha seus olhos, fazendo círculos no ar com a língua
e demonstrando um ciclone. “É como, sinto muito. Eu deveria usar um babador quando te beijo?”
Ela estremece, e eu não posso evitar de soltar uma pequena risada. Graças a Deus eu não tive o
mesmo infortúnio. Eu provavelmente ficaria tentada a morder qualquer coisa presa na minha boca que
não fosse agradável de estar lá.
Ela percorre o corredor, espiando pela fresta da porta lá.

“Mas Will?” Ela sussurra, a luz de dentro do quarto fazendo seus olhos brilharem. “Ele é muito
bom. Ele sabe como usar a quantidade certa que você pode sentir isso como se sua língua estivesse entre
as suas pernas ao invés da boca. Ele toca cada nervo.”

Sigo-a, espiando Will dentro do quarto com uma garota preso à parede. Sua boca cobre a dela, as
pálpebras dela tremulando enquanto a mão dele se arrasta por toda a pele escura da coxa dela antes de
levanta-la e pressionar mais fundo entre suas pernas, suas roupas a única coisa entre eles agora.
Eu ouço o pequeno gemido dela.

“Gentil primeiro,” Alex continua, observando ele como se estivesse narrando. “Ele saboreia e
brinca, e depois entra mais forte e mais duro, e você nunca foi fodida tão bem e o pau dele nem está
dentro de você ainda.”
Eu posso ver a língua dele movendo-se na boca dela, não muito profundamente, mas, em seguida,
ele lambe o lábio superior dela antes de rapidamente pegar o inferior entre os dentes. Em seguida, ele
mergulha de volta, capturando seus lábios novamente.

Meus dentes tremem, e eu aperto-os, fechando os olhos por um momento.

“Ele faz o trabalho, sabe?” Alex diz, e eu posso ouvir sua falta de ar. “Nenhuma parte do corpo de
uma mulher deve ser deixado sem beijar. Will realmente faz o melhor no que ele é bom.”
A batida da música no andar de baixo vibra através das minhas pernas, mas eu não posso ouvi-la.
Tudo o que eu ouço é ela. A menina no quarto, seus suspiros e gemidos, e não realmente querendo saber
o que ele está fazendo, porque eu já posso ver isso na minha cabeça.

Parte de mim sabe que tudo que meu cérebro me diz é verdade. Homens iriam me machucar, me
usar, e me jogar fora, blah, blah, blah.

Mas não importa o que minha cabeça diga, eu ainda não posso evitar o desejo que sempre vem,
cada vez mais, ultimamente.
Eu quero crescer.

“Eu realmente gostaria de fazer isso com você agora,” diz uma voz no meu ouvido, e eu abro os
olhos, vendo que Alex veio ficar nas minhas costas. “Eu gostaria de tirar sua roupa e enterrar minha
língua entre suas pernas.”
Meus olhos arregalam, e eu deixo cair as toalhas. Merda!
“Alex.” Uma voz profunda de repente perfura o silêncio, e eu congelo.

Alex para, também, e eu sinto ela virar atrás de mim.

“Essa não,” Kai diz a ela.


“Você levou o ménage à trois que eu queria com Michael e Rika, e agora ela?” Ela responde. “Estou
começando a pensar que você é minha competição, Kai.”

A três. Eu engulo o caroço na minha garganta. Eu sabia sobre isso, mas não preciso de lembretes.
Há um silêncio, e então eu finalmente vejo Alex sair pelo canto do meu olho, caminhando de volta
pelo corredor. Aperto minhas coxas, sentindo a umidade entre minhas pernas conforme me viro.
Kai se inclina contra a parede oposta, olhando para mim com os braços cruzados sobre o peito.
Mas não há nada frio em seus olhos. Eles me prendem.

Os sons do quarto onde Will e a menina estão começam a ficar mais altos, e uma imagem
espontânea de Kai em cima de mim há seis anos aparece na minha cabeça.
Minha respiração treme conforme meu estômago vira, e eu me sinto tonta. “Eu estou... estou
passando mal.”
“Você não está passando mal.” Ele permanece na parede, me olhando de cima a baixo. “Você está
excitada.”

O calor sobe para meu rosto, e eu balanço a cabeça, tentando controlar minha respiração.
“Abra suas coxas,” ouço Will mandar pela porta entreaberta. “Abra-as para mim, baby.”

Diversão toca os olhos de Kai conforme nós dois ficamos enraizados, nossos olhares se
encontrando.

“Sim,” a garota diz ofegante. "Rápido. Eu vou gozar.”

“Oh, isso é tão quente,” Will diz a ela, acrescentando: “Continue esfregando essa buceta. Deixe-a
boa e molhada.”

Meu peito cede, e eu imediatamente imagino-a na cama lá dentro, e o que ela está fazendo para
ele.

“Mm- hmm,” ela geme, implorando, “Venha, vamos fazer isso.”

“Vire.”
Um suor frio irrompe por todo o meu corpo, e eu olho para Kai, deixando meus olhos caírem em
seu corpo. Mesmo sob as roupas, eu posso dizer o quão bonito ele é. Fecho os olhos por um segundo,
tentando afastar a necessidade crescendo entre as minhas pernas. Eu quero ser tocada. Eu quero essas
roupas fora. Eu quero toda sua atenção em uma cama, em algum lugar. Eu não me importo onde. Ele é tão
bom, e eu me lembro. Tudo ainda é tão claro.

A cabeceira no quarto começa a bater na parede e grunhidos e pequenos gritos vão para o
corredor.

Eu levo meus olhos para baixo na cintura estreita de Kai e as pernas longas, desejando por um
momento que fosse eu naquele quarto.
Divertindo-me por um momento que eu nunca iria deixar acontecer.
“Continue olhando para mim assim,” Kai fala, “e nós vamos ter problemas.”

Eu desvio meus olhos. Eu preciso sair daqui.


“Posso sair agora?” Solto.
Mas ele não responde. Em vez disso, ele se mexe, deixando cair os braços e andando direto para
mim.

“Você sabe no que eu pensei tantas vezes ao longo dos anos? Mais vezes do que eu gostaria de
admitir?” Ele pergunta, plantando uma mão na parede atrás da minha cabeça. “Você e eu naquela torre,
minhas mãos em você, apenas sentindo você. Lembra disso?"
Eu não digo nada, e ele se inclina. “Eu gostei de ter controle sobre você,” ele continua, suas
palavras saindo suavemente. Pensativas. “Foi diferente do que era com outras garotas. O controle é uma
ilusão. Ele geralmente dura apenas alguns minutos.” Ele levanta os olhos, encontrando os meus. “Mas
com você, eu me senti como se tivesse o controle de você para sempre. Parecia que eu podia segurar tudo
o que você é na palma da minha mão. Você teve que fazer e dizer tão pouco para me fazer querer você.”
Eu avanço para trás, batendo na parede. O que ele quer de mim? Ele desceu pra favela ou algo
assim? Não que eu ache que sou desagradável ou feia, mas Jesus. Eu propositadamente me visto com
roupas grandes demais para deter a atenção, e Kai age como se ele nem sequer visse as roupas, o cabelo
emaranhado, e as unhas sujas.

Ele age como fez há seis anos. Como se eu fosse apenas uma menina.

Mas não média, também. Como se eu fosse especial. Procurada. Desejada.


Ele se inclina no meu ouvido, enviando uma vibração ao meu estômago enquanto sussurra, “Tire o
seu casaco e abra sua camisa para mim.”

O desejo de afastá-lo me bate, mas eu permaneço parada, porque eu realmente quero fazer o que
ele me pede. Eu quero suas mãos novamente.
Eu apenas balanço a cabeça.
Ele estende a mão, puxando o gorro da minha cabeça, e meu cabelo se solta, caindo em torno de
mim. Ele tira uma mecha do meu cabelo, enrolando-o em seus dedos. A pequena sensação faz minhas
pálpebras vibrarem.

Mas então ele se levanta, pegando um punhado do meu cabelo na parte de trás da minha cabeça, e
eu ofegante, estremeço com a dor.

“O que é justo, é justo,” ele rosna baixo, forçando-me a manter os olhos. “Você me observou. Você
me seguiu. Contou quantas vezes por dia eu tomava banho. Você assistiu isso também? Hã?"
Eu cerro os dentes, o calor da sua respiração batendo nos meus lábios.

“Você me assistiu transar?” Seus olhos caem para a minha boca. “Abra sua camisa para mim,
pequena. Vamos ver se eu gosto do que estou me trazendo de problema.”
Seus lábios pairam sobre os meus, e o desejo no meu corpo se enfurece.
“Não,” eu sussurro e planto as mãos em seu peito. “Você tira sua camisa.”

Ele faz uma pausa, olhando para mim curiosamente enquanto segura minha cabeça a centímetros
da sua. Minha pele está queimando, e minhas roupas irritam. É quase doloroso. Eu as quero fora. Eu
quero senti-lo contra o meu corpo.
Estendendo a mão, toco em seu rosto, correndo minha mão em sua mandíbula e para baixo atrás
do pescoço. Quente e suave, mas eu quero mais.
Ele me olha com cautela, com os olhos saltando rapidamente para a minha boca novamente
conforme seus lábios se separam. Mas ele não me impede. Seu aperto relaxa.

Arrasto meus dedos para baixo na sua camisa e mantenho seus olhos quando começo a abrir os
botões, mas meus dedos tremem tanto que eu agarro a camisa em ambas as mãos e a rasgou aberta, os
botões voando em ambas as direções.
Ele solta um suspiro pesado, soando quase como um rosnado quando aperta seus braços e abaixa a
testa na minha.
Mas eu o empurro, fazendo-o tropeçar para trás. “Não me toque.” E avanço para ele, empurrando-o
novamente até que ele bate de volta na parede oposta.
Uma mistura de choque e raiva atravessam seu rosto, mas eu não lhe dou uma chance de
responder. Corro até ele, levando seus pulsos em ambas as mãos e os coloco contra a parede ao seu lado
conforme fico na ponta dos pés e enterro meu rosto no seu pescoço.
E corro meus lábios sobre sua pele.

Lentamente subindo e depois descendo, sobre a veia no pescoço e descendo na curva quente em
direção ao pescoço.
Ele estremece.
Deus, ele é tão suave e quente, e um formigamento bate nos meus lábios, se espalhando por todo o
meu rosto e em todo o meu corpo. Abro a boca, arrastando meus lábios em todos os lugares. Mergulhando
sob seu queixo para o outro lado, eu exploro-o com a minha boca, tão tentada a beijá-lo. Só uma vez. A
afundar meus lábios em sua pele e provar o que cheira tão bom. Corro meu nariz em seu ouvido, inalando
seu aroma e depois solto minha respiração quente. Ele derrete na parede, inclinando a cabeça para trás e
fechando os olhos, me convidando ainda mais.

Ele começa a empurrar contra minha força, querendo as mãos livres, mas eu aperto tão duro
quanto posso, enviando-lhe um aviso.
Voltando a ficar sobre meus pés, eu solto os pulsos. “Mantenha-os lá.”
Puxando sua camisa e jaqueta abertas, levo minhas mãos e boca para seu peito. Meus dedos
descem em sua pele, cantarolando ao sentir as elevações e depressões e minha boca segue o caminho
definido por minhas mãos. Circulo seu mamilo com meu dedo médio e depois sigo com meus lábios,
minhas coxas apertando a pele lá e o centro duro.

Fecho os olhos. Eu não quero que isso acabe. Eu quero que ele envolva seus braços em volta de
mim, me tranque em seu calor e perfume inebriante.
Mas se eu deixá-lo, esse será meu primeiro erro.
Ergo a cabeça, olhando-o me ver conforme seu peito sobe e desce com a respiração pesada.

“Eu não sou sua pequena.” Eu deixo minhas mãos caírem, indo para trás. “Mas você está certo
sobre o controle. É uma ilusão. Olhe para você. Você nunca teve.”
Eu deixo um sorriso aparecer e me abaixo para pegar meu gorro.

Mas a próxima coisa que eu sei, é Kai me agarrando e me puxando de volta para ele. “E nem você,”
ele sussurra no meu ouvido. “Você tem tanto controle quanto eu permito que você tenha.”

“Ah, sim, você ganha. Músculos sobre cérebros toda vez, certo? Mas você esquece uma coisa.” Viro
a cabeça, falando com ele. “Eu posso dizer não quando eu quiser, e termina. A menos que você queira ir
para a prisão novamente.”
Ele para, sem dizer nada.
Ele sabe que eu estou certa. Claro, ele pode dizer não, também, mas não é provável.

A respiração dele cai sobre meu cabelo, e ele solta meus braços, abaixando a cabeça ao lado da
minha.
“Você está certa,” diz ele calmamente. “Você pode dizer não a qualquer hora.” E ele começa a
correr os lábios no meu pescoço assim como eu tinha feito com ele. "Quando você quiser."
Minhas pálpebras flutuam, e sua mão pega o lado do meu rosto, virando a cabeça na direção dele.
Nossos narizes se tocam, nossos lábios a um fio de cabelo longe um do outro, tão perto que posso sentir o
gosto dele, e nós não estamos nos beijando.

Eu estou pulsando entre as minhas pernas, e penso naquele pedaço de porcaria de casa e aquela a
cama solitária no quarto no andar de cima, e como não há outro lugar que eu queira estar agora.

Quem está realmente no controle de quem? Nós dois estamos fodidos.


Sua mão roça por cima do meu estômago, indo mais para baixo, e eu a agarro assim que ele chega
entre as minhas coxas. Eu soluço. “Oh, Deus.” Eu quero afastá-lo, mas me sinto tão bem.

Porra. Eu não tenho ar, e fico ofegante. Estas malditas amarrações.


Eu não consigo respirar.
“Pare,” eu grito, empurrando suas mãos longe. "Pare, pare, pare. Eu não consigo respirar. Eu não
consigo respirar.”
Puxo o ar, descansando minha mão na parede para me sustentar. Jesus. Que diabos? As minhas
costelas e pulmões doem, e eu estremeço, desesperada para ter essa merda fora.
Eu preciso sair daqui.

“Ei, Kai,” ouço uma mulher dizer.


Viro a cabeça para ver duas meninas andando pelo corredor, nenhuma das quais eu reconheço.
Não que eu devesse conhecê-las.
Elas olham para mim, seus olhos caindo pelo meu corpo, e vendo em minha aparência. Elas
desviam os olhos de novo, mas eu não perco o olhar que elas dão uma a outra conforme elas passam por
mim, mal esperando para entrar no banheiro antes de caírem em risadas.

Eu olho para o chão. “Posso dar o fora daqui agora?”


Kai olha para mim, sua jaqueta e camisa parcialmente abertas, revelando a pele bronzeada do
peito. “Não se preocupe com elas. Elas estão apenas bêbadas.”
Eu coloco meu gorro, sem me preocupar em colocar meu cabelo de volta nele. Eu não consigo ter a
paciência. “Como se você desse a mínima,” cuspo. “Você queria que eu ficasse desconfortável. É por isso
que você me fez vir aqui, em volta destas pessoas, para que você pudesse me lembrar do meu lugar.”

“Eu não -”
“Eu não me importo com suas besteiras.” Olho para ele, raiva familiar aquecendo meu sangue
agora. “Você acha que eu não estou acostumada a forma como as pessoas olham para mim? Homens
pensando que se me enfeitarem estariam me fazendo algum tipo de favor, e as mulheres rindo por trás de
suas mãos. Tem sido assim toda a minha vida. Eu não dou a mínima para o que veem quando olham para
mim. Seu mundo é vazio, e ele não pode me ensinar nada.”
Eu me deixei levar. Eu fui levada por ele. Novamente. Mas, felizmente, não fui longe demais. A
culpa é do stress ou a atração em relação a ele que sempre senti, mas eu parei. Eu posso pelo menos me
sentir bem sobre isso.

Levanto meu queixo. “Eu tenho Damon. Ele é tudo que eu quero.”
Os olhos de Kai estreitam em mim, e eu posso ouvir sua respiração lenta, mas difícil daqui. Sim,
pense o que você quiser, mas é verdade. Meu irmão é o único homem que me quer forte. O único homem
que nunca irá me machucar.
Viro-me e volto pelo corredor, em direção à escada.

Contornando o corrimão, eu rapidamente desço os degraus, vendo Kai me seguir com o canto do
olho. Ele arrasta-se lentamente, no entanto, eu sei que ele não está tentando me pegar.
Em dois minutos, estarei fora e longe daqui. Basta ir.
Mas chegando em baixo, olho para cima, vendo uma briga começando no meio da sala de estar. O
que-?

Lev está com as mãos presas atrás da cabeça, sorrindo para David e Michael em pé um de frente
para o outro. Ilia está para trás com os braços cruzados sobre o casaco do terno preto, enquanto Rika,
Will, e vários espectadores estão perto, observando o que está fervendo.
“O que está acontecendo?” Kai grita atrás de mim, passando por mim.
O funcionário da recepção do andar de baixo, ainda em seu terno de três peças, vira-se e fala.
“Sinto muito, senhor,” diz ele, parecendo agitado. "Sr. Crist disse que qualquer um podia vir para cima,
mas eles parecem fora do comum, e quando eu liguei para o check-in, eles só pegaram o elevador. Eu
sinto muito."

Ele olha entre Michael e Kai, seus olhos preocupados. Eu não tenho certeza por que ele está se
desculpando com Kai. Não é seu apartamento.
“Está tudo bem,” Michael assegura-lhe e, em seguida, olha para os meus rapazes. "Quem são
vocês?"
“Eles trabalham para Gabriel,” eu grito, empurrando através das pessoas. “David, o que vocês
estão fazendo aqui?

Vi-os em Thunder Bay algumas horas atrás, quando estava pegando o contrato, mas eles deveriam
ficar lá para a noite. Eu não estava esperando por eles na cidade esta tarde.
David vira a cabeça, olhando para mim. “Você quer ir para casa?”
“Eu estava de saída.”
Mas Kai entra em cena, olhando para mim. “Sente-se,” ele me diz.

Eu endureço meu queixo, olhando para ele. O que?


De jeito nenhum. Foda-se ele e esta viagem de poder. Eu tive o suficiente por uma noite.
“Você não está preparado para começar algo com esses caras,” eu digo, ficando arrogante.

Realmente fácil de fazer quando eu tenho costas quentes. Sim, sou uma merdinha.
Mas Kai fala com David. “Gabriel concordou com isso. Ela trabalha para mim agora. Saiam.”
“Gabriel não nos enviou.” Ele dá um passo para a frente, se aproximando de Kai. “E deixamos isso
ao comando dela. Não seu."

Kai se vira para mim, inclinando a cabeça para me olhar para baixo. "Vá com ele. Eu te desafio.”
Meu coração pula uma batida. Quanto ele me lembra de Damon agora.
Mas o contrato ainda não foi assinado. Uma vez que seja, eu posso me fechar, e seria com ele se
quisesse me perseguir. Se eu quebrar o acordo agora, porém, Gabriel irá me culpar.

Kai abaixa a voz, todos ao nosso redor em silêncio, mas a música e os foliões no resto do lugar
ainda são altos. “A quem você pertence?”
“Kai,” alguém repreende.
“Quieta, Rika,” ele morde fora, ainda olhando para mim. “A quem você pertence?”

Eu posso sentir os olhos em mim vindos de todos os lugares, e eu quero tirar minha faca de bolso e
afundá-la na porra do seu intestino. Foda-se ele. Anos e anos escalando sobre sacos de merda como ele
apenas para dar uma espiada por cima da cerca, e ali está ele, agarrando meus tornozelos e me puxando
de volta para dentro do poço. Todo mundo vai saber. Todo mundo vai me ver impotente aqui.
Eu seguro seus olhos, os meus próprios queimando de ódio. Eu cerro os dentes com tanta força que
começa a doer.

Dando um passo, eu me mudo para o lado dele e viro, de frente para David, Lev, e Ilia.

“A você,” eu digo quase em um sussurro.


E vou matar você por isso. Um caroço se aloja na minha garganta, e eu sinto náuseas.
“Agora...,” diz Kai, sentando-se na cadeira almofadada preta atrás dele. “Você pode levá-la para
casa.”

Eu não espero os rapazes fazerem qualquer coisa. Disparo, empurrando através de todas as
pessoas, os caras virando e me seguindo enquanto eu passo. Sinto uma mão descansar levemente nas
minhas costas.
“Ela sabe como andar,” Kai late atrás de nós. “Não toque nela.”
A mão, provavelmente do Davi, imediatamente me deixa.

Balançando ao virar no corredor, todos nós entramos no elevador, e Ilia aperta o botão. Uma vez
que as portas se fecham, eu estou acabada. Bato meu punho na parede e outra vez, balançando minha
perna para trás e chutando-a, rosnando com meus pulmões. "Porra!"

Eu me viro, jogando meu cotovelo para trás, tudo no meu braço direito, dos dedos até o ombro,
gritando de dor. Bato na parede de novo e de novo, socando e chutando. “Ugh!” Eu dou outro soco.
Felizmente, os rapazes sabem como calar a boca e ficam do lado deles do elevador.

Ando para trás e para frente, respirando com dificuldade. Ele me humilhou lá dentro. Bato na
parede com minha mão de novo, dor atirando para cima do meu braço. Humilhou...
“O que você quer que façamos?” Pergunta David.
Mas eu não olho para eles. Ou respondo.

Eu sei o que precisa acontecer. Preciso que Kai assine esse contrato maldito. Uma vez que ele faça
isso, ele é tudo que eu tenho de enfrentar. Meu irmão poderá voltar e estar seguro, e meu pai estará fora
da jogada, depois de ter conseguido o que quer. Eu poderei fazer as coisas do meu jeito, então.
Mas eu suspeito que Kai nunca teve qualquer intenção de assiná-lo. Esse é o problema. Ele vai
arrastar isso fora e me arrastar com ele.
Eu nunca deveria ter deixado ele me tocar.

“Os homens só querem foder” eu lembro do meu irmão me dizendo uma vez. “Nós fodemos
qualquer coisa que podemos ter em nossas mãos. Ninguém vai te amar. Não de verdade. Ele vai só levá-la
adiante, conseguir o que pode e, finalmente, vai passar para outra mais nova e mais quente. Prometa que
você nunca vai deixar qualquer um usá-la assim. Não seja uma puta. Seja forte."
Meu irmão me ensinou que os homens só me usariam e me machucariam, e pelo que eu vi até
agora nesta vida, ele estava extremamente certo.

Kai pode ficar com tesão como qualquer outra pessoa, mas a luxúria nunca poderia ofuscar o quão
cruel eu sei que ele pode ser. Quão cruel ele foi com Erika no ano passado e quão cruel ele acabou de
provar ser.

Ele está com total controle de mim. Ele sabe, e acabou de provar isso.
Eu preciso parar de responder a ele. Se foi desejo, raiva ou medo, eu preciso encerrar. Preciso
deixá-lo entediado.
Se eu não o fizer, nós dois perdemos.

E então... será guerra.


Capítulo 11
Kai

Presente

Fechando a porta do armário, coloco minhas roupas na mochila e fecho. É tarde, o ginásio está
vazio, e eu saio do vestiário não me sentindo tão exausto quanto eu esperava.

Depois de mais um treino e outro banho, ainda estou muito acordado às dez e meia da noite.

Deixando o vestiário, caminho pelo corredor em direção ao escritório, pego meu telefone de cima
da mesa, e tranco a porta. Todo mundo foi embora por agora, o resto do lugar está silencioso e escuro.

Meu telefone toca.

Olhando, vejo o número da minha mãe.

Meus ombros relaxam um pouco, mas eu sabia que ela iria ligar. Eu cancelei minha visita para o
jantar hoje à noite.

Eu amo meus pais, mas eu realmente invejo a abordagem liberal dos pais de Michael às vezes.

Aproximo o telefone do ouvido. “Você está acordada até tarde.”

“Estou tentando não dormir,” ela anuncia. “Parece que funciona bem para o meu filho.”
Sorrio sozinho, andando ao redor do saguão tendo certeza que os computadores foram desligados.

“Você está ligando para me insultar?” Pergunto a ela.


"Talvez."

“Sinto muito, ok?” Ando em direção à porta da frente. “Eu deveria ter ido hoje à noite.”

Eu vou para casa aos domingos para o almoço e para treinar com o meu pai, por isso, não é como
se nunca os visse. Eu só achei difícil me forçar a estar lá mais, quando ainda posso sentir o
desapontamento dele do outro lado da mesa.
“O papai está com raiva?”

“Não,” ela responde. “Ele está apenas ...”

Balanço a cabeça. “Desapontado. Eu sei."

Minha mãe fica em silêncio, porque até mesmo ela sabe que é verdade. Nós damos voltas e voltas,
e enquanto meu pai raramente grita comigo, o silêncio dela é mais difícil de levar.

“Eu marinei um par de bifes extras,” ela fala cantando. “Eles estão esperando por você, se quiser
voltar para casa amanhã.”

"Talvez."

O que significa que eu vou vê-la domingo, como de costume.


“Você está indo bem,” ela me diz. “E ele vê isso. Ele te ama, Kai.”

“Sim, eu sei.” Em teoria.


Se eu morrer, ele vai lamentar por mim. Eu sei. Duvido que qualquer outra coisa iria nos tirar deste
impasse que nós nos encontramos desde que eu fui preso todos esses anos atrás, no entanto.

“Vou ver vocês em breve, ok?” Eu digito o código no teclado e abro a porta da frente, passando por
ela e trancando-a.

“Eu te amo,” ela diz em voz baixa, mas essas três palavras têm tantas mais coisas que ela não está
dizendo. Eu odeio que já fiz minha mãe chorar.

“Eu também te amo,” respondo e desligo o telefone.


Deslizando-o em meu bolso, eu me viro e olho para o The Pope. Se eu não encontrar Damon, a
merda vai bater no ventilador novamente, e provavelmente nunca serei capaz de olhar meu pai nos olhos.
Caminhando em direção ao beco na esquina, vejo Banks inclinada contra a parede de tijolos com as
mãos nos bolsos.

“O que você está fazendo?” Eu a deixei ir uma hora atrás.

“Esperando minha carona.”

“Você não tem um carro?” Pergunto.

“Você já me viu com um carro?”

Eu hesito. Bem não. Ela é sempre levada por aqueles idiotas.

E falando no diabo...

Olho para cima, vendo o mesmo SUV preto no meio-fio, parando rapidamente. David e aquele
garoto - esqueci seu nome - sentam nos bancos da frente, disparando seus olhos entre Banks e eu.

Sempre que ela chama, eles com certeza vêm correndo, não é?
Eu ando em volta dela para o beco. “Vou levá-la para casa. Entra.”

“Como eu disse, está tudo certo,” ela solta.


Paro, virando e encontrando seus olhos.

“Além disso, estou indo para Thunder Bay,” ela acrescenta. “Eu preciso cuidar de algumas coisas.”

“Ótimo. Estou indo para lá, também.” E me viro, caminhando para o meu carro e destrancando-o.
Eu não estava pensando em ir para Thunder Bay, mas acho que agora estou.

E não estou com ciúmes. Eu só não gosto de como esses caras sempre aparecem, agindo como se
ela ainda fosse deles.

Ela não é, e todos precisam lembrar disso.


Abro a porta do carro, olhando para ela sobre o capô. “Banks.”

Ela fica ali por um momento, lançando um olhar de soslaio para os caras e parecendo
envergonhada. Ela provavelmente quer argumentar, mas ela faz o que foi dito. Andando até o carro e
abrindo a porta, ela entra, bate a porta, e não se incomoda de colocar o cinto de segurança.

Eu dou uma olhada para os caras, vendo-os fazer cara feia para mim. Eu quase sorrio.
Saindo do meu espaço no estacionamento, viro o carro e passo correndo por eles, para fora do beco
para a rua tranquila.
Ela não diz nada, e eu a deixo ficar em silêncio enquanto dirijo. Estou empurrando-a muito
ultimamente, e não quero que essa seja cada interação que tenhamos. Eu gosto de conversar com ela.

Depois da festa de Michael há alguns dias atrás, eu fiquei fora do seu caminho e a deixei ficar fora
do meu, mais porque estava confuso, em vez de com raiva.

Era para eu estar procurando por Damon. Eu deveria estar limpando o que ele tem sobre mim.
Mas na outra noite, naquele corredor escuro no Delcour, tudo veio à tona. Como é fácil se envolver
com ela, falar com ela, e quanto eu amo aqueles raros momentos de vulnerabilidade quando ela quase
precisa de mim. E me quer.

Ela é um mistério, mas agora, a única verdade que eu continuo querendo é o que eu faria com ela
debaixo de mim, entre os lençóis. Como seus olhos ficariam? Que palavras ela sussurraria? Onde ela
colocaria as mãos em mim?
Mas ela é leal aos Torrances. Como eu poderia fazer o que eu preciso fazer e mantê-la?

O carro corta a noite, correndo pela ponte e pela estrada escura para Thunder Bay com os faróis
brilhando à frente. Eu puxo uma respiração grossa, sentindo tudo de repente tão pesado dentro do carro.

Minha pele agita com a sensação dela ao meu lado.

Olho por cima, vendo-a olhando para fora da janela, de costas retas, e as mãos no colo.
Lentamente, porém, ela começa a corre-las subindo e descendo em suas coxas, e percebo quão profunda
sua respiração está ficando.
Ela vira a cabeça para a frente de novo, e eu observo a rápida olhada para fora pelo canto do olho.
Ela prende os lábios entre os dentes.
Viro meus olhos de volta para a estrada, segurando meu sorriso. “Você é realmente boa em
autocontrole, não é, menina?” Eu mantenho meu tom calmo. “Você quer dizer algo para mim? Eu posso
sentir o peso disso. Você pode ir em frente.”

Mas ela permanece quieta como eu sabia que ela faria. Coloco meu cotovelo na porta e corro meus
dedos sobre meus lábios. Como você joga com alguém que não se envolve?
E então eu tenho uma ideia.
“Então, como ela é?” Pergunto.

Suas sobrancelhas ficam juntas. "Quem?"

“Vanessa.”
Ela vira os olhos de volta para fora da janela do lado do passageiro, suspirando com impaciência.
“Como quem vai parecer realmente boa saltando para cima e para baixo em cima de você em sua noite de
núpcias.”

Eu aperto o volante, moendo-o no meu punho. Que pirralha do caralho.

“Então, você nunca falou com ela?” Pressiono.


Eu quero que ela fique com ciúmes.

“Algumas vezes,” ela responde. “E uma vez que ela pagou um menino para agarrar meus seios em
uma festa quando tínhamos quinze anos. Damon o amarrou a uma árvore por isso e colocou sua cobra,
Volos, em sua cueca. O garoto gritou como uma cadela.”
Eu bufo.

E então meu rosto cai, odiando aquilo, por um momento, eu sinto falta do Damon. Eu não gosto de
ouvir que alguém atacou Banks, mas por alguma razão, estou apaziguado, sabendo que ele a vingou. Isso
é estranho vindo dele.

Por que ele é tão ligado a ela?


Mas, novamente, estou ficando rapidamente ligado. Por razões que eu não posso nem mesmo
tentar entender agora.
“Eu conversei com Michael hoje,” digo a ela, mudando de assunto enquanto olho para fora do para-
brisa dianteiro. “Ele disse que você o ameaçou no The Pope. Depois ele te pegou e a prendeu a uma
parede para ameaçar você.”

Eu não posso resistir ao sentimento divertido com a imagem na minha cabeça.

“Você disse a ele que somos vulneráveis e sem foco?” Eu sorrio para ela, fazendo uma curva suave.
“Ele realmente parecia preocupado, como se você tivesse um ponto.”
Suas sobrancelhas ficam mais fundas, claramente tentando ignorar minhas tentativas de conversa.

“Sabe, a última vez que a vi, há seis anos, você era tímida e inocente. O tipo de garota que iria
recuar com uma brisa leve.” Eu deixo escapar um longo suspiro, me perguntando se aquela menina ainda
está dentro dela em algum lugar. “Agora, é como se até mesmo um gole de água é calculado. E os
próximos dezenove passos depois dela.”

Eu posso sentir ela enrijecer ao meu lado.


“Um par de anos depois daquela Devil’s Night, Rika seguiu junto com a gente em uma,” digo a ela,
mas eu suspeito que ela já saiba tudo sobre isso. “Ela me lembrou muito de você naquela noite. Apenas
aprendendo sobre o que a excitava. Apenas começando a dar o primeiro passo sobre a linha que ela
desejava tanto atravessar. Vocês duas são muito parecidas.”

Rika tinha me lembrado de Banks naquela noite. Alguém por quem eu poderia ser atraído. Alguém
que iria cair no buraco do coelho comigo. Eu tinha os meus amigos, mas não era o mesmo.
“Exceto pelo controle. Rika reage por instinto,” acrescento, lambendo meus lábios. “Ela quer o que
ela quer, e ela consegue.”
Banks vira os olhos de volta para fora da janela, agindo como se eu não estivesse aqui.

“Mas amadurecendo, ela também ficou muito diferente.” Eu levo o carro em uma curva suave para
a direita. "Quando somos jovens, somos o que somos por necessidade - nós somos quem somos ensinados
a ser. Com a liberdade, porém, vem a liberdade de ampliar nossos horizontes. Quando nós temos apenas
nós mesmos para responder,” eu digo, e olho para ela novamente. “Você não conseguiu essa liberdade
ainda, não é? Por que? As pessoas te machucam se você pisar fora da linha? O Gabriel te machuca quando
você se comporta mal ou fala fora de hora? O Damon te machucou?” Eu continuo cutucando, esperando
esgota-la.
Ela puxa uma respiração difícil e olha para a frente de novo, limpando a garganta. “Você e Michael
podem começar por reduzir os hábitos destrutivos de Will. Eles pioraram desde que Damon foi embora,”
ela diz, ignorando todas as minhas perguntas. “Ele está deprimido. Você precisa dar-lhe algo para fazer.
Muitas coisas, na verdade, então ele não terá tempo para pensar. Dê-lhe um propósito.”

Eu levanto minhas sobrancelhas. Não estou irritado que ela mudou de assunto de volta para sua
discussão com Michael. Ela está falando, afinal.
Eu penso sobre o que ela disse. Will está raramente sóbrio e isso o faz fraco e um alvo fácil. Talvez
ela esteja certa. Afinal, estou funcionando melhor do que Will, e talvez seja apenas devido ao fato de que
eu me mantenho muito ocupado, então não me debruço sobre o passado.
O carro fica em silêncio novamente, e vejo as mãos, correndo subindo e descendo suas coxas mais
uma vez. Eu levanto a mão e ligo o aquecedor – baixo - apenas no caso dela estar com frio.

O brilho do painel lança luz apenas o suficiente para ver seu queixo, o nariz, e uma tira de pele do
seu pescoço. Eu aperto a direção novamente, meu corpo carregado com nova energia. Muita energia
reprimida.
Faz tempo desde que estive com ninguém.

Talvez eu deva deixar você me caçar, também.

Pisco, tentando tirar o calor correndo dentro de mim. Ela tem muito do meu interesse, e não
preciso da distração. Há outras mulheres para brincar. Inferno; Alex me deu seu cartão umas quinze
vezes. Ela está pronta para ir se eu decidir que quero.
Um pequeno som quebra o silêncio, e eu percebo que é Banks. Seu estômago rosnou. Olho para o
relógio no painel, vendo que é depois das onze.
“Quando foi a última vez que você comeu?” Pergunto a ela.

Mas ela não responde.

“Eu nunca vejo você comer, na verdade.” Continuo olhando para a estrada, mas de volta para ela,
também.
“Acho que todo mundo poderia dizer o mesmo de você.”

Verdade. Eu tenho horas estranhas, então faço as coisas no meu próprio ritmo.
Mas eu não posso ignorar a dor surda no meu próprio estômago, também. Depois das reuniões
anteriores, fiquei ocupado com folha de pagamento e fiz chamadas. Esqueci de comer.

“Você está certa,” digo, desviando para pegar a bifurcação na estrada. “E estou morrendo de fome.
O que você gosta de comer?"

“Eu gostaria de ir para casa.”

Sim. Tenho certeza que você gostaria.


“Sem problema,” respondo.

“Eu quis dizer a minha casa,” ela solta, meia hora depois, irritada.
Sorrio baixinho, passando por ela enquanto ela fica enraizada ao lado de uma parede na sala de
jantar dos meus pais.
Em vez de levá-la de volta para Gabriel, eu a levo para minha casa. Ou a casa dos meus pais, de
qualquer maneira. Minha mãe e meu pai - ambos dormem no andar de cima e alheios que estamos aqui
em baixo - ainda vivem em Thunder Bay, assim como os pais de Michael e Will, e claro, o pai de Damon.
Eu levo pratos para a longa mesa de madeira, brilhante com a luz suave do candelabro de ferro
forjado pendurado em cima. Apesar do amor do meu pai ao estilo japonês tradicional de decoração, minha
mãe ganhou e mobilhou nossa casa com muita madeira escura, tapetes, pinturas e cores.

Mas ela também procurou agrada-lo. Há uma vista maravilhosa da nossa propriedade e muita luz
natural entrando na casa.

Eu coloco dois pratos e guardanapos enrolados com talheres.

“Este é o melhor restaurante da cidade,” digo a ela, jogando uma garrafa de água a ela que eu
carrego debaixo do braço. "Sente-se."
Mas ela cruza os braços sobre o peito, a garrafa de água enfiada embaixo, e desvia o olhar, me
ignorando. “Posso ir agora?”

Puxo minha cadeira. “Eu sei que você está com fome.”
Seus olhos desviam para o prato, mas rapidamente desvia o olhar novamente.

Desenrolando meu guardanapo, sento e seguro o garfo e a faca dentro, começando a cortar um dos
filés mignon que minha mãe disse estariam esperando na geladeira.

Ela permanece na parede, e eu deixo cair meus cotovelos, perdendo a paciência. "Sente-se."

Ela espera cerca de três segundos, só para me irritar provavelmente, mas finalmente puxa a
cadeira e deixa cair sua bunda nela.

Depois de colocar a garrafa de água para baixo, ela prontamente cruza os braços novamente. “Eu
não gosto de bife.”

Sim, tudo bem. Tanto faz.

Eu decido não lutar contra ela sobre isso.


Mesmo que eu saiba que ela está mentindo. É uma desculpa, para ela não ter que ser cordial em
uma refeição comigo.

Quero dizer, quem diabos não gosta de bife? A menos que ela seja vegetariana, e sem ofensa, mas
eu tenho a impressão de que ela cresceu comendo tudo o que lhe foi dado. E mais frequentemente do que
não, isso foi, provavelmente, McDonald´s e sobras de outras pessoas em vez de brócolis orgânico e a
porra de leite de amêndoa.
Baixo os olhos, olhando para o prato com a comida. Batatas baby, feijão verde, e um bife grosso de
carne que eu sei que vai cortar como manteiga.
De repente estou perdido em pensamentos. Nós somos provavelmente mais parecidos do que ela
pensa.

Eu abaixo minha faca e garfo, meu estômago gemendo com o cheiro das bordas carbonizadas que
eu amo na carne.

“Quando eu era pequeno,” eu digo a ela, recostando-me na minha cadeira, “nós vivíamos numa
porcaria de apartamento de dois quartos na cidade.” Eu volto lá na minha mente, tentando me lembrar de
cada detalhe. “Os buracos nas paredes do meu quarto eram tão profundos que você podia sentir o cheiro
da erva que nossos vizinhos estavam fumando e o curry que a senhora lá em cima estava cozinhando.”
Olho na toalha de mesa, lembrando os lances de escadas que subia a cada dia, minha pobre mãe
comigo a reboque.

“Minha mãe fazia o possível para torná-lo agradável, no entanto,” eu digo, lembrando dos meus
desenhos com que ela decorava as paredes. “Ela era realmente boa com dinheiro e fazendo o pouco durar
muito.”
Banks permanece quieta.

“Meu pai estava terminando a escola e trabalhando o tempo todo, então ele quase nunca estava em
casa,” explico. “Eu comia tanto macarrão e queijo que eu nunca perguntava o que tinha para o jantar. Não
que eu me importasse. Macarrão e queijo é incrível.” Dou um meio sorriso. “Mas a minha mãe fazia o seu
melhor para fazer tudo gourmet e merda. Colocava-o em cima de um pouco de pão e adicionava um
raminho de salsa.”

Eu acho que não como macarrão e queijo desde que deixamos o apartamento, agora que penso
nisso.

“Lembro-me de uma noite, eu tinha uns cinco anos e meu pai chegou em casa,” continuo, minha
voz calma como se estivesse falando sozinho. “E eu já tinha comido. Macarrão e queijo, é claro. Eu estava
sentado, assistindo TV, e ela colocou um bife na frente dele na mesa da cozinha. Ainda me lembro de ouvi-
lo no prato. A forma como a manteiga que tinha salteado cheirava. Ele estava lívido.”
Eu me lembro dele olhando para ela de sua cadeira, uma mistura de raiva e confusão. Meu pai
estava acostumado a viver sem isso. Ele cresceu pobre. Mas minha mãe não. Ela veio de uma família rica
e deixou um noivo rico arrumado para ela para se casar com meu pai. Ela foi rejeitada. Meus avós ainda
não tinham me conhecido.

“'Como você pôde gastar dinheiro?” Eu repito as palavras do meu pai para ela em sua voz severa.
“‘Se a minha família não come carne, então eu não como carne.’ Mas minha mãe disse que homens
importantes comem carne, e ela não queria que meu pai esquecesse que ele era um homem importante.”
Ergo os olhos, forçando um sorriso quando olho em seus olhos. “Em vez disso, ele se tornou um
grande homem, e agora nós podemos ter carne a qualquer momento que quisermos.” Deixo cair meu
olhar, murmurando baixinho conforme distraidamente cutuco o prato. “Eu nem sequer preciso ser
importante.”
Eu não sou importante.

Ainda não.
Meu pai trabalhou pra burro para dar a minha mãe de volta tudo o que ela sacrificou na escolha
dele, e como eu retribui a ele? Eu ferrei tudo, dirigindo carros que ele pagou e comendo qualquer coisa
que eu quisesse, não importando o custo. Eu não ganhei nada.
Eu não sou nada na sombra do que ele conseguiu.

Eu peguei meu fundo fiduciário depois que saí no ano passado, investi muito dele, e tentei fazer
algo de mim mesmo, mas a nuvem negra de ser rotulado como um criminoso ainda paira sobre mim. Eu
sempre posso ver isso em seus olhos. Nunca serei capaz de apagar a vergonha.
Meus olhos ardem, e eu pisco, olhando para longe. Não mereço estar nesta mesa, e muito menos
comer a porra da carne.
Mas então eu vejo seu movimento. Olho para cima apenas o suficiente para vê-la desenrolar o
guardanapo, tirando seus talheres. Lentamente, eu vejo como ela corta a carne, corta um pedaço, e
timidamente coloca-o em sua boca.

Ela morde suavemente e, de repente, fecha os olhos, colocando a mão à boca.


Meu corpo aquece. “Está bom?” Pergunto em voz baixa.
Ela abre os olhos de novo e balança a cabeça, deixando escapar um pequeno gemido.

Meus ombros relaxam, e eu observo-a dar outra mordida, esta mais rápida. Sorrio.
O tempero caseiro da minha mãe é fantástico, mas eu sou muito bom em cozinhar, também.
Olho para o meu próprio prato e puxo para frente novamente, pegando de volta a minha faca e
garfo.

“Bem, estou feliz que pude mudar sua ideia sobre bife,” eu digo, cortando de volta o meu próprio.
Ela engole em seco. “Eu na verdade nunca comi bife.”
Dou uma mordida na carne tenra, os sucos deixando minhas papilas gustativas em alta. “Nunca?”

Ela encolhe um dos ombros, olhando para longe, enquanto mastiga outra mordida.
“O que você geralmente gosta de comer?”
Ela corta o bife novamente, terminando rapidamente com ele. Ela deve estar com fome. “Ovos,
torradas...” ela diz. "Esse tipo de coisa."

“Não pode sustentar tanto.”


Mas ela desvia o olhar de novo, ignorando a minha solicitação para obter mais informações. Eu
deixo meu olhar cair para suas mãos. Uma linha fina de mancha preta sob as unhas, e a jaqueta preta que
ela usa está desgastada nos punhos. Ovos e torradas, hein? Eu tenho a suspeita de que é tudo o que ela
pode pagar, droga. Quanto Gabriel lhe paga?
Bem, eu acho que é comigo agora, não é? Vou pensar em algo amanhã, então.

“Você nunca usava essas luvas,” indico, apontando para as luvas de couro sem dedos que ela usa.
“Existe uma razão agora?”
“Para eu não rasgar minhas juntas quando bater em você.” Ela enfia outro pedaço de comida na
boca.
Meu peito retumba com uma risada que eu segurava. Ei, eu posso deixá-la dar um soco. Ela não vai
ganhar, no entanto.

Ela come o bife, o feijão verde, e a maioria das batatas, finalmente abrindo a garrafa de água e
tomando um longo gole.
Ela parece... satisfeita, curiosamente.
Não sei por que, mas foi bom alimentá-la. Ela não é o tipo de pessoa que deixa que os outros façam
as coisas para ela, de modo que isso seria uma raridade. Eu posso também apreciar.

Ela toma outro gole e fecha a garrafa, limpando a boca com a manga.
Termino mais algumas mordidas enquanto ela senta-se calmamente, brincando com o guardanapo
na mesa.
E então ela finalmente fala, quebrando o silêncio. “Eu não sei onde ele está.” Ela levanta os olhos
resolutos, encontrando os meus. “E se eu soubesse, não iria lhe dizer.”

Ela não está tentando ser difícil. Apenas honesta e direta comigo, e eu viro suas palavras na minha
cabeça, finalmente, assentindo.
Eu trago o guardanapo para cima e limpo a boca, colocando-o de volta para baixo e segurando seu
olhar. "Compreendo. Eu ainda assim não vou deixar você ir, no entanto.”
Capítulo 12
Banks

Presente

Um toque estridente perfura o ar na manhã seguinte, e acordo assustada, apalpando a mesa de


cabeceira acima da minha cabeça para pegar meu telefone. Ele pende para o lado, e eu agarro-o,
arrancando do carregador enquanto eu afasto o sono. O nome de Gabriel aparece na tela. Eu atendo
imediatamente.

“Banks,” digo, rapidamente limpando a garganta quando eu sento e jogo as pernas fora da cama.
“Um mensageiro vai levar o contrato para o dojo dele esta manhã,” ele me informa. “Certifique-se
de que ele assine.”

Esfrego meu rosto, tentando acordar. Foda-se, eu não deveria ter comido aquela refeição na noite
passada. Eu tinha mais energia quando comia menos. “Eu disse a você, não acho que ele tem qualquer
intenção de assiná-lo. Ele queria o acesso ao The Pope, porque ele acha que Damon está lá. Ele vai
enganar a gente.”

“Que me importa qual é o seu plano?” Meu pai fala. “Ele selou este pônei. Agora ele vai cavalgar.”

Kai não ia assinar o maldito contrato. Eu não tinha certeza do que ele queria comigo – não tinha
certeza se ele sabia – mas eu definitivamente entendi que Kai não gostava de fazer as coisas da maneira
errada. Depois do que eu ouvi na noite passada, ele nunca se casaria com alguém que ele não conhecia e
explicaria a seu pai que ele tinha acabado de se unir a Gabriel Torrance. Meu pai e o de Kai não se
encontravam por acaso muitas vezes, e apesar do fato de que seus filhos foram bons amigos uma vez,
Katsu e Gabriel se odiavam.

“Damon não está no The Pope, correto?” Pergunta Gabriel.

Levanto e caminho até a janela, espreito por trás da cortina esfarrapada para ver que está
chovendo.
“Como eu disse, acho que ele esteve em algum momento,” eu digo. “Mas ele parece ter ido embora
agora.”

Meu irmão, eu tenho certeza, tinha vários esconderijos na cidade. Se ele estava no The Pope, teria
nos visto chegando a tempo para sumir.

“Você poderia me dizer se ele ligar para você? Ou se você o ver?” Ele pressiona, uma ameaça em
seu tom. Eu poderia dizer que ele estava nervoso. Damon era uma bomba-relógio, e Gabriel estava
perdendo o controle sobre como lidar com ele. “Eu percebo que ele tem a sua lealdade, mas sou o único
que paga você. Você está apenas protegida por minhas boas graças, garotinha. Lembre-se disso."

Eu libero a cortina, a minha ira crescente. “E o seu único poder sobre ele sou eu. Lembre-se disso.”
Eu imediatamente fecho os olhos, lamentando o que disse. Merda.

Meu pai fica em silêncio. Eu já fui rude com as palavras com ele uma vez. E uma vez foi o
suficiente para aprender o meu lugar.
Respiro fundo, acalmando o meu tom. “Estou do seu lado,” asseguro a ele. “Não se preocupe, e
confie que eu posso determinar a melhor maneira de fazer o meu trabalho. Eu conheço Damon melhor do
que ninguém. Vou levá-lo para casa.”

Ele não diz nada por um tempo, mas posso ouvir vozes ao fundo. Graças a Deus não estou em pé na
frente dele agora. Se eu estivesse, as suas opções sobre como lidar com o meu atrevimento não seriam tão
limitadas.

Mas para minha surpresa, ele simplesmente solta um suspiro e diz, “Tudo bem.” E então ele
acrescenta, “Você deveria ter nascido um menino. Você é o filho que Damon deveria ter sido.”

Eu apenas fico ali, o peso sobre meus ombros tão pesado. Parte de mim gostou de ouvir isso. Que
ele desejava meu irmão ser mais como eu e não o contrário. Encheu meu coração com orgulho.
Mas eu ainda não sou um menino. E nunca serei. Isso é tudo a que se resumia. O que está entre
minhas pernas.
E não importa o que eu fiz ou o quão duro trabalhei, sempre haveria isso.

“Ainda assim, as mulheres não são completamente inúteis,” ele continua. “Kai gosta de você, então
use o que Deus lhe deu e faça ele assinar o contrato. Não se preocupe em voltar até que você consiga.”

E então ele desliga.

Aperto o botão de desligar no meu telefone e jogo-o nos lençóis da cama. Cruzando os braços sobre
o peito, eu aperto meus dentes juntos, tentando encontrar a porra do meu foco novamente.

Estou tão cansada.

Eu deveria ter apenas vindo para casa ontem à noite. Não deveria ter entrado em seu carro ou
aceitado sua comida ou deixá-lo me contar histórias estúpidas que fez meu estômago retorcer com as
coisas que eu não deveria sentir.

O que me importa se ele gosta de macarrão e queijo, pelo amor de Deus?

Passo a mão por cima da minha cabeça, empurrando para trás os cabelos que se soltou das minhas
duas tranças francesas.

Droga. Eu fecho meus olhos, gemendo quando afundo minhas unhas em meu couro cabeludo. O
cabelo está de repente tão apertado que eu só queria arrancar aos laços de borracha e desmanchar as
tranças. Minha cabeça dói. Minha pele queima. E meu estômago dói com a fome, o desejo de estar cheio
novamente como se fosse a noite passada.

Tento respirar compassado.

Onde você está, Damon? Não precisamos viver assim. Por que você me deixou para trás?
Mas eu sei a resposta. Ele foi embora, porque sabia que eu iria esperar. Eu sempre esperei.
Quanto mais Kai estava nos meus dias, porém, mais confusa eu estava me tornando. Ele foi tão
sincero na noite passada, relembrando seu antigo apartamento da infância, mas então sua expressão ficou
triste, lembrando que seu pai tinha conseguido se tornar um grande homem. Ele deixou muito por dizer.
Tanto que ele realmente não precisava dizer, eu acho.

Ele pensou que era uma decepção.


Olho em volta do meu pequeno apartamento de um quarto, as tábuas rachadas vibram debaixo dos
meus pés cada vez que alguém passa pelo corredor em frente a minha porta.
A janela suja está coberta por uma cortina amarelada. A pia vazia, um prato, uma tigela, uma
xícara, e um conjunto de talheres acomodados no escorredor de pratos em um lado dela. Tem um futon
que eu tinha comprado em uma loja de segunda mão e alguns blocos de concreto com uma tabua em cima
funcionando como a mesa de café.

Kai Mori não sabe a sorte que ele tem. Pelo menos ele tinha pessoas para contar, uma educação,
oportunidades e chances.

Eu nem sequer tenho um diploma do ensino médio.


Nem dinheiro também, e eu nunca poderia deixar a única pessoa que eu não me importava.

Kai sempre pode subir mais alto, e estou ficando cansada de estar perto dele e ser lembrada de
que eu não podia.
Eu sempre viverei assim.

Subindo a escada estreita rapidamente, eu viro no corrimão e continuo até o segundo andar. Pontas
de cigarro esmagadas no piso de madeira lascada, e eu respiro através de minha boca para impedir o
cheiro de tudo que esteve acontecendo neste edifício me fazer engasgar. Não foi nenhum piquenique
crescer com Damon e Gabriel, mas eu estava tão grata que meu irmão me levou para longe daqui há onze
anos.
Bato na porta do apartamento da minha mãe, o 3 faltando no 232 acima do olho mágico. Agora só a
marca escura da cola em forma de um três permanece.
“Mãe!” Grito, batendo com o lado do meu punho novamente. “Mãe, sou eu!”

Nós duas vivemos no mesmo bairro decadente em Meridian City, então vir aqui levou menos de dez
minutos.
Quando me mudei para a cidade depois que Damon foi para a prisão, eu poderia ter simplesmente
voltado a morar com ela, eu deveria – combinar recursos e tudo – mas eu não queria, e felizmente, ela não
pediu. Ela ainda tinha um estilo de vida que as crianças poderiam ter cãibras, então...
Eu precisava falar com ela, no entanto. Precisávamos de uma história confiável no caso de alguém
– como Kai – venha perguntar sobre mim. Gabriel não estava na minha certidão de nascimento, e as
únicas outras pessoas que sabiam que eu era sua filha trabalhavam para ele, assim, minha mãe era o
único elo fraco. Eu tinha que garantir sua boca fechada. Kai não precisa descobrir exatamente o quanto
de influência ele tinha ao seu alcance.

Depois de um minuto sem resposta e nenhum som vindo de dentro, eu pego minha chave roubada,
destranco a porta. Abrindo, eu dou um passo para dentro e imediatamente olho em volta, assimilando a
bagunça na sala de estar.

“Que diabos?” Eu falo em espanto, estremecendo com o cheiro.


Avisto um homem desmaiado no sofá, uma perna pendurada, e fecho a porta atrás de mim, não me
preocupando em fazer silencio. Ele obviamente não me ouviu batendo um momento atrás de qualquer
maneira.

Guardando minhas chaves no bolso, analiso a sala escura e suja, a única luz vindo das frestas das
cortinas bregas de veludo azul. Vou até a mesa do café, examinando embalagens antigas de comida
chinesa, cigarros, e garrafas de cerveja vazias. Eu pego um tubo, o vidro embaçado do resíduo daquilo
que foi queimado dentro dele. Cada músculo contrai enquanto eu olho para isso, e balanço a cabeça.
Jogo isso de volta na mesa, olho para o motoqueiro deitado no sofá com seu jeans e cinto desatado.
Então, levantando os olhos um pouco, eu olho para a câmera acomodada no braço do sofá. Uma do tipo
boa e de alta tecnologia com um microfone ligado.
Foda-se ela.

Girando, eu caminho até a mesa da cozinha, derrubando uma das cadeiras com força em uma das
pernas, quebrando-a. Pego o pedaço, e sigo pelo corredor em direção a seu quarto, abrindo a porta com
força.

A maçaneta bate na parede, e encontro ela com outro cara, esse mais jovem e desmaiado na cama
ao lado dela. Lençóis enrolados em torno das pernas deles, um abajur desligado caído no chão, e a chuva
respingou no parapeito de onde a janela estava aberta. Roupas estão espalhadas por toda parte, e o mau
cheiro dos cigarros me atingem como uma onda. Eu luto para não tossir.
Olhando para a direita, vejo o tripé para a câmera.

Filho da puta. Balançando o bastão à minha direita, bato em sua cômoda.


“Saia!” Grito. “Dá o fora!”

Bato o bastão de madeira de novo, fazendo os frascos de perfume de cima da cômoda tombar.

“Que diabos?” O homem acorda de repente, tentando sentar e esfregando os olhos.


“Levanta, idiota!” Eu levanto meu pé, pisando sobre a cama. “Saia daqui agora!”
Minha mãe, o cabelo escuro sobre um olho, puxa o lençol e senta. "O que? O que está
acontecendo?”

“Cale a boca,” eu falo irritada, levantando o bastão.


O jovem rapaz, provavelmente apenas alguns anos mais velhos do que eu, me olha como se ele
estivesse parte aterrorizado e parte confuso.
Ok, deixe-me ser mais clara então.

Aproximo-me do seu rosto. "Cai. Fora!” Eu grito, meu rosto quente como fogo quando eu bato o
bastão contra a parede acima de sua cabeça uma e outra vez. “Dá o fora! Vai! Vai! Vai!"
“Que porra é essa?” Ele grita, escapando de cima da cama e correndo para pegar suas roupas.
“Qual é o seu problema?”
“Nik, o que você está fazendo?” Eu ouço minha mãe me perguntar, mas ignoro.
Eu respiro com dificuldade. A câmera, os homens, drogas... prostituta. Engulo a bile subindo pela
minha garganta.

O cara veste seu jeans com dificuldade, agarra os sapatos e puxa sua camisa da cadeira, olha para
mim com uma careta e corre do quarto.
Minha mãe rapidamente veste sua camisola e robe, mas eu sigo o cara para fora, certificando-me
que ele levou o amigo.
Eu o vejo pulando com uma perna só, tentando calçar seus sapatos. “Cara, levante-se!” Ele
sussurra alto para seu companheiro.

O outro começa a desocupar o sofá, mas eu avanço rapidamente e pego a câmera.


“Ei, isso é nosso!” O jovem grita. “Pagamos ela! O que está aí é nosso!”
Mas eu apenas fico ali de pé, o meu punho apertando o bastão enquanto os desafio. “Gabriel,” eu
digo lentamente. “Torrance.”

Eles rapidamente trocam um olhar, e vejo a expressão de seus rostos mudar. Sim, está certo. Esse
nome era útil quando eu precisava que fosse.
Eles não sabiam que meu pai podia não dar a mínima sobre o que minha mãe fazia.
“Saia,” repito uma última vez.

Eles se movem lentamente, mas se movimentam. Eles pegam seus casacos, pegam suas drogas, e
saem pela porta, o jovem olhando para mim com uma expressão descontente antes de desaparecer. “Ela
não era boa de qualquer maneira,” ele fala, seus olhos piscando atrás de mim.

Eles saem, e eu acompanho, chutando a porta atrás deles.


Ouvindo um suspiro atrás de mim, viro, jogando o bastão sobre o sofá.

Minha mãe está na sala de estar, tinha acabado de sair do corredor, o robe de seda vermelho até o
meio da coxa, cobrindo parcialmente a camisola rosa. Ela morde a unha do polegar, o queixo tremendo.
“Para que é a câmera de vídeo?” Pergunto.
“Eu precisava de dinheiro.”

"Eu te dou dinheiro!"


“Isso nem mesmo cobre o aluguel!”
Seus olhos se enchem de lágrimas, e eu caminho até o sofá, jogando as almofadas novas que
comprara.

“E quanto a essa merda?” Eu acuso, caminhando pela sala de estar, fazendo um quadro balançar
em seu prego e um vaso de cristal da mesa oscilar.
Virei-me, observando suas unhas postiças com francesinha e o bronzeado artificial. Gabriel me
paga uma merda de “salário de mulher” em comparação com o que David, Lev, e Ilia recebem, e depois
que eu pago meu aluguel e os poucos serviços que tenho, ela fica com o resto. Eu, de alguma forma,
consigo viver com menos! Por que ela não poderia? Sinto um soluço na minha garganta, e eu só quero
estrangular ela.
“Há milhões de pessoas no mundo e eles fazem isso funcionar de alguma forma!” Grito,
caminhando para ficar frente a frente com ela.

Tudo estava fodido, e as paredes estavam se fechando. Eu odiava minha vida. Eu odiava Damon,
meu pai e Kai e todos. Eu só queria dormir por um ano. Quando as coisas iam ser diferentes?
“Ele estava certo,” falo entre os dentes, olhando para ela, mas vendo apenas a mim mesma. “Você
é apenas uma prostituta suja e viciada! O que você vai fazer quando ninguém quiser pagar mais por sua
buceta velha? Seus peitos já estão abaixo dos joelhos!”
Sua mão atinge meu rosto, e minha cabeça vira para a direita.

Eu respiro fundo, todo o meu corpo fica imóvel.


A queimadura no meu rosto se espalha como uma picada de cobra ficando mais e mais profunda, e
eu fecho os olhos.
Cristo. Minha mãe nunca tinha me batido antes.
Eu poderia ter recebido algumas palmadas quando criança – não lembro – mas ela nunca me bateu
no rosto.
Lentamente, eu viro minha cabeça para frente de novo, vejo ela olhando para mim, um mundo de
dor em seus olhos vermelhos. Ela leva a mão à boca, e eu não sei se ela estava chocada com o que tinha
feito ou triste que isso foi onde nós acabamos.

Enfio a mão no bolso, sentindo uma lágrima rolar enquanto olho para o chão. Pego sessenta e
quatro dólares que eu tinha no meu clipe e afasto-me dela, jogando na mesa de café.
“Isso é tudo,” eu digo.
Hoje era tudo que eu ia dar-lhe de novo, prometo a mim mesma.

Mas amanhã seria ‘suficiente para viver por alguns dias.’


E na próxima semana eu estaria de volta com mais.
Eu sempre voltava. O que eu ia fazer? Não queria que minha mãe vivesse nas ruas. Eu ainda a
amava.

Ignorando seu leve choro e a cabeça enterrada em suas mãos, eu abro a porta da frente para sair.
“Você tem dinheiro para comer?” Ela pergunta.
Mas eu apenas sorrio baixinho. “Use mais algumas doses,” digo a ela, apontando para o tubo.
“Você não vai se importar mais.”

Fechando a porta, eu solto um suspiro, meu peito tremendo enquanto fecho meus olhos.
“Eu sou importante,” eu sussurro para mim mesma.
Lágrimas silenciosas transbordam nos meus olhos enquanto afasto toda a dúvida. Afasto as
suspeitas de que eu estava sendo usada. Não. Não, meu pai precisava mais de mim a cada dia. E Damon
não estava me usando também. Ele queria que eu fosse feliz. Eu sei que ele queria. E eu seria,
eventualmente.

E se eu não cuidasse da minha mãe, quem faria?


Sou necessária. Sou valiosa.
Eu não seria jogada fora como ela. Eles não fariam isso comigo. Quem ia fazer o que eu fiz para
eles?

A câmera quebra na minha mão, e todos os músculos do meu rosto dói com um soluço, porque até
mesmo eu já não podia acreditar nas minhas próprias palavras.

Oh Deus. Começo a correr quando o mundo na minha frente turva e todas as lágrimas começam a
derramar. Eu ia ser como ela. Meses se transformam em anos, e pessoas como eu não compreendem isso.

Ela ia morrer naquele apartamento. E eu ia morrer nesta cidade, tão estupida, ignorante e pobre
como sou agora.

Descendo as escadas rapidamente, contorno o corrimão e corro para fora.

A chuva fria atinge meu rosto como um pingente de gelo, um alívio bem-vindo da merda correndo
como lava sob a minha pele agora.

Eu inalo e expiro, praticamente ofegando enquanto sigo pela calçada, tecendo entre os pedestres
no caminho para o trabalho deles do dia. Eu não sei onde estou indo. Só preciso fugir.

Tão longe e tão rápido quanto eu posso. Apenas continuar andando.

Então, eu corro. Corro, a chuva batendo na calçada em torno de mim, não vendo nada exceto pés e
pernas enquanto desvio de outros correndo pelas ruas. Buzinas soam, mas eu não levanto o olhar para ver
se foi por minha causa.
A chuva encharcou minhas botas de combate, não foi difícil desde que não foram amarradas
novamente, e logo meu gorro escorrega da minha cabeça, pesado com água.

Salto através das poças, sentindo lentamente cada peça de roupa em mim começar a grudar na
minha pele. Eu enxugo a chuva do meu rosto, mas a chuva está tão espessa que eu mal posso ver seis
metros a minha frente.

Mas eu não paro. Corro, não dando a mínima se existe um precipício ou um carro vindo me
encontrar através da névoa a qualquer momento.
Isso era tudo culpa deles. O irmão de Michael fez Damon ser preso em primeiro lugar, e graças a
Deus ele estava morto, ou eu teria feito isso. Se não fosse por isso, Damon teria terminado a faculdade, e
nós teríamos ido embora.

E depois o resto deles.... meu irmão teria levado uma bala por eles, e eles escolheram Erika Fane
sem hesitação. Anos com ele sempre apoiando-os, e eles ignoraram-no como se fosse nada. Eles nem
sequer lutaram por ele.

Ouvi um som de alta-frequência cruzar o ar, e olho para cima, vendo que estou na passarela que
cruza a ponte. Eu direciono meus olhos cansados para a água, vendo um rebocador que empurra uma
barca no rio abaixo, a sua sirene ecoando pela tempestade.
Olhando para a câmera na minha mão, eu levanto meu punho e a jogo dentro do rio, vendo
desaparecer na água escura.

Baixo os olhos, balançando a cabeça. Isso não era verdade, embora, não é? Eu podia ver o lado de
Damon, porque eu sabia o quanto ele estava sofrendo. Eu sabia como ele pensava.

Ninguém em casa o amava. Nosso pai era um tirano, e sua mãe... ele foi aterrorizado por ela. Eu
suspiro com a náusea crescendo no meu estômago, lembrando todas as coisas que ele nunca quis que eu
presenciasse naquela torre.
Todas as coisas que ela não sabia que eu estava lá para ver.
Por causa de tudo isso, Damon tornou-se muito possessivo das poucas pessoas boas na sua vida.

Eu, seus amigos ....

Qualquer coisa que nos ameaçava era imediatamente um inimigo.


É por isso que ele odiava Erika – ou Rika, como todos parecem chamá-la. Ele não estava certo, mas
eu sabia de onde ele estava vindo, então eu podia entender.

Mas ele conseguiu ser preso por transar com Winter, uma garota que ele sabia que estava fora dos
limites. Em mais de um sentido.
E foi ele quem acabou indo muito longe no ano passado e teve que se esconder.
Se ele realmente me quisesse em sua vida nesses dois anos, ele teria me levado com ele.
Esqueceria seus amigos. Esqueceria Rika. Nós dois simplesmente iriamos embora daqui, e nós
poderíamos finalmente ser livres.

Mas isso não aconteceu, e agora eu percebo que nunca irá acontecer.
Mordo o lábio inferior, tentando não chorar mais. Nós não íamos realmente ir embora, íamos? Ele
estava me usando também.
Cruzando os braços sobre o peito, eu começo a andar de novo, tentando controlar minhas emoções,
mas simplesmente não consigo. Eu caminho, cruzando a ponte, passando o velho mercado do agricultor
na State Street, e descendo pelas pistas vazias e em ruínas do Whitehall, e eu não queria chorar, mas as
lágrimas continuam a cair de qualquer maneira enquanto eu cerro os dentes juntos, tremendo.

A chuva havia encharcado minhas roupas, minha cabeça está pesada com o gorro encharcado, e o
frio cobre minha pele. Eu posso sentir cada cabelo tentando se levantar quando calafrios espalham por
todo meu corpo.
Eu finalmente paro, meus braços me envolvendo enquanto meus dentes batem um nos outros, e
olho para cima.

Sensou brilha em vermelho, um emblema com um labirinto dentro de um labirinto ao lado do nome
e escrita em japonês no centro. Eu acho que meus pés sabiam onde eu deveria estar.

Como uma máquina. Assim sou eu.

Com as mãos trêmulas, eu afasto meu punho e olho para o meu relógio, vendo que são oito da
manhã. Kai me disse ontem à noite para estar aqui as nove.
Eu preciso ligar para David e dizer-lhe que não preciso de uma carona esta manhã.

Indo para a frente do dojo, eu puxo a porta, mas não abre. Trancada.
Caminhando para a lateral do prédio, entro no beco escuro, todos os prédios de tijolos ao redor me
encobrindo na escuridão, mesmo as escadas de incêndio.
Pulando na escada lateral, eu encolho sob o toldo e puxo a porta.
Mas também não abre.
Eu passo meus braços em volta de mim novamente, recostando-me contra o prédio.

O frio está alcançando até meus ossos, e abaixo minha cabeça, minhas pálpebras se fechando.
Minha mãe estava ou fumando o que eu dei a ela ou comprando uma nova roupa agora. O que fosse
preciso para se sentir melhor.

Ela não iria simplesmente amar me ver fazendo qualquer coisa que fosse preciso para trazer mais
dinheiro? Claro, ela se sentiria arrependida sobre isso, mas realmente, o que ela pensou que ia acontecer
comigo quando Damon me comprou naquela época? Ela lhe perguntou o que ele queria comigo. Ele
simplesmente respondeu, ‘Será que isso importa?’

Não importava. Em um mundo perfeito, ela queria ser capaz de dar ao luxo de se importar, mas
quando chegou a hora, ela não tinha ideia do que ele poderia ter feito para mim, e o desconhecido não foi
suficiente para impedi-la de me entregar.
Eu era o que Kai disse que eu era. Uma ferramenta. Algo que outros utilizavam.
Meus olhos se enchem de novo, e eu limpo meu rosto com a manga.

“Bom dia.”
Eu olho rapidamente para a direita.
A calça preta de Kai está coberta dos pingos de chuva, e ele se aproxima, uma mochila no ombro e
um jornal dobrado sobre sua cabeça. Eu viro o rosto, que eu sabia que deve estar vermelho e manchado.
Não quero que ele me veja assim... minha credibilidade nas ruas e tudo.

“O que...” ele para ao meu lado, sob o toldo. “Você está toda molhada. O que acon-”
“Não me pergunte nada, por favor,” imploro em voz baixa. “Eu só fui pega na chuva, e eu... vou
ficar bem.”
Eu aperto os punhos, tentando aquecer minhas mãos, mas não consigo impedir os arrepios.

Não olhei para o seu rosto, mas não ouço ele se mover por um momento, então eu não sei o que ele
está fazendo.
Finalmente, ouço a porta ser destrancada e aberta.
"Entre aqui. Vamos,” ele me diz.

Ele segura a porta aberta para mim, e eu abaixo para passar sob seu braço, entrando na cozinha do
dojo. Eu poderia ligar para David e pedir-lhe para vir, me trazer algumas roupas. Ou talvez houvesse
algumas dessas polos extras que os funcionários usavam. Eu poderia sair do meu jeans molhado agora.
Mordo o lábio, tremendo, quando Kai entra, deixa cair sua bolsa e acende as luzes. Olho para ele,
vendo que está usando uma camisa branca de botão, o peito visível através das gotas molhadas. Eu
apenas olho para ele por um momento. Seu cabelo molhado e bagunçado, parecendo incrível e lindo, me
fazendo esquecer do frio por um momento.
Ele se aproxima, entregando-me uma toalha, mas então ele pega minha outra mão, tentando me
levar a algum lugar.

Afasto-me do seu domínio.


Eu não preciso ser cuidada.
Mas ele se vira, fixando-me com um olhar. “Você não quer lutar comigo agora,” ele alerta. “Basta
fazer o que lhe mandam. Você é boa nisso.”

E ele pega minha mão novamente e me puxa atrás dele. Eu tropeço, seguindo-o até a cozinha, no
saguão, e pelo corredor. Todo o lugar está vazio e escuro, exceto o pequeno brilho das luzes que revestem
a guarnição sobre a parte inferior das paredes.
Ele empurra a porta do vestiário das mulheres, e me leva além dos armários, para os chuveiros.
Abre uma porta da cabine, ele estende a mão e liga a água, a ducha forte inicia. Água começa a
verter e vapor instantaneamente domina o ambiente.

Deus, isso parece bom.


“Você está congelando,” diz ele, voltando-se para mim. “Tire essas roupas.”
Ele estende a mão para os botões do meu casaco, e eu bato nelas. "Não."
Cruzo os braços na minha frente, constrangimento inchando dentro de mim. “Não me toque.”
“Eu não ia tocar em você,” diz ele, sua voz de repente mais suave. “Eu só quero tirar o casaco, ok?”

Eu balanço minha cabeça.


“Olha, você não precisa tirar suas roupas,” explica ele, seu tom cada vez mais urgente de novo
“mas você precisa se aquecer.”

Fico olhando para os nós dos meus dedos brancos ainda apertados em punhos. “Minhas roupas vão
secar.”

Ele solta um suspiro, soando como um grunhido abafado, e antes que eu percebesse o que estava
acontecendo, ele passa os braços em volta de mim e me levanta do chão, levando-me para o chuveiro.
Eu empurro contra seu peito enquanto ele fecha a porta do chuveiro e nos coloca ambos sob a
ducha quente.
“Não!” Argumento.

Mas, com seus lábios apertados, ele me da um irritado “Shh...” E me coloca de pé, os braços presos
em torno do meu corpo e me segurando contra ele.
Idiota!
Eu planto minhas mãos sobre o peito dele, rosnando para ele, mas logo, o calor da água começa a
infiltrar-se em minhas roupas, e então a água está correndo pela minha pele.

Oh ...
Uma onda de alfinetadas deliciosas irrompe em minha pele, fazendo meu sangue despertar quando
tudo vibra com o calor.
Eu queria sorrir, sinto-me tão bem.

Minhas pálpebras ficam pesadas, a água quente cobrindo minhas costas, correndo pelas minhas
pernas, e se espalhando sobre a minha cabeça e pescoço.
Quente. Estou muito quente. Eu só queria…
Eu gemo, começando a vacilar.

Meu corpo estava tão cansado. Kai reforça seu domínio, me permitindo relaxar contra ele, e eu
faço isso. Eu não luto contra. Eu coloco minha cabeça em seu peito, e depois de um momento, sinto ele
deslizar cuidadosamente o gorro da minha cabeça,
A água batendo no meu couro cabeludo e abafando o resto do mundo.
Fecho os olhos e saboreio a sensação.

Só por um minuto, eu digo a mim mesma.


Aconchego meus braços, aninhando em seu peito, me permitindo confiar por um minuto. Seus
braços envolvem meu corpo, um descansa na minha cintura e outro no meu braço, enquanto o calor da
água misturada com o calor de sua pele através de sua camisa molhada me coloca em um momento de paz
que não podia lembrar de alguma vez sentir antes. Nem mesmo com Damon.
Eu não conseguia lembrar da última vez que estive tão perto de alguém.

A ducha cai em torno de nós, abafando o som da tempestade lá fora, nossa respiração, mesmo os
meus pensamentos... Eu não queria pensar. Durante cinco malditos minutos, eu não quero falar,
preocupar, lutar ou ficar com medo, com raiva ou ódio de tudo. Eu nem sequer quero ficar em pé.
“Isso não significa nada,” eu murmuro, ainda aconchegada em seu corpo.
Seu peito balança debaixo da minha cabeça. "Absolutamente nada. Eu prometo."

Algo desliza na minha testa, e eu sinto seus dedos afastarem o cabelo na minha bochecha. Sua mão
alisa os fios para trás por cima da minha cabeça, e outra pequena onda de prazer me atinge até os dedos
dos pés. De repente eu estou ciente das minhas coxas molhadas moldadas às suas e o resto do meu corpo
pressionando contra ele.
Isso era o paraíso.

Sua mão alisa meu cabelo mais algumas vezes, mais lento e suave, e então ele passa os braços em
volta de mim novamente, me segurando apertado.
“Eu gosto de suas tranças.” Sua voz profunda de repente soa rouca. “Seu cabelo é uma cor bonita.
Como o mogno. Por que esconder isso?”
Eu abro minha boca para fazer uma observação desagradável, mas desisto. Eu não quero que isso
acabe agora, e acho que era normal para ele imaginar.

Mas ainda não era da sua conta.


“Você cobre seu cabelo, usa roupas de homem,” ele continua, “Quem é você, garota?”
Quase soa como uma pergunta retórica, como se estivesse pensando em voz alta. E parte de mim
queria confessar tudo.

Eu dou um meio sorriso que ele não vê. "Eu não sou ninguém."
“Isso não é verdade,” ele argumenta, e ouço sua voz mais perto da minha orelha. “Eu nunca vi
Damon possessivo sobre uma mulher, mas ele estava em cima de você naquela noite.” Ele inclina meu
queixo para cima, forçando-me a olhar para ele. “Quem é você para ele?”
Abro a boca, mas novamente, eu não sei o que dizer. Balanço minha cabeça.

“Ele machucou você?” Os olhos de ônix de Kai me imploram por mais quando sua voz se torna um
sussurro. “Ninguém está aqui, apenas você e eu. Ele machucou você? Por que você é leal a eles?”
Encaro seu olhar, meus olhos começam a queimar novamente enquanto eu luto com o meu amor
por meu irmão e o patético desejo crescendo dentro de mim para conseguir alguém.
A ducha caindo sobre seu cabelo preto, água escorrendo em seu pescoço e sobre a veia ali. A água
desaparece sob o colarinho, e eu permito meus olhos seguir de sua mandíbula angular para a boca. Lábios
carnudos, o inferior com um pequeno e singular local plano como se alguém tivesse pressionado o dedo ali
e o sulco permaneceu. Olhando ali, meus dentes de repente doem. Eu podia sentir a carne que ele me
alimentou ontem à noite em minha boca novamente e a sensação de morder isso.

Confusão destrói meu cérebro. Ele não era realmente meu inimigo. Na verdade não.
Ele quer respostas. Eu quero meu irmão de volta.
“Como foi para você na prisão?” Pergunto a ele. “Nós pagamos pessoas para manter Damon
seguro, mas e quanto a você e Will? Foi ruim?”

De repente dor cruza seu olhar, e ele me encara, perdido por um momento.
“Michael fez o mesmo,” ele me diz. “Pessoas pagas para nos manter a salvo, mas...”
Ele para, e eu espero. Como no confessionário todos aqueles anos atrás, ele precisa criar coragem
de falar.

Ele engole em seco. “Eu disse a Rika uma vez que eu nunca ia voltar lá. Que eu nunca soube que as
pessoas pudessem ser tão feias.” Ele me olha nos olhos. “Mas eu estava falando de mim.”
Ele acaricia meu cabelo, parecendo perturbado.
“Não foi tão simples como Michael pensava que seria. Subornar as pessoas, quero dizer. Éramos
ricos, jovens, privilegiados, e estávamos cumprindo metade da pena que os outros estavam cumprindo
pelos mesmos crimes. As ameaças, os olhares, as provocações noturnas vindo das celas na nossa direção,”
ele me diz. “Eu só queria ir para casa.”

Um nódulo distende minha garganta dolorosamente, triste por ele e meu irmão.
“Meu pai me ensinou a lutar,” ele continua. “Ele me ensinou a matar se eu precisasse fazer isso.
Mas ele também me ensinou a tornar o mundo melhor.” Ele faz uma pausa, pensando, e depois fala de
novo. “Um truque de sobrevivência na prisão é, no seu primeiro dia, ande por ali com sua cabeça erguida,
olhando para os olhos de todos, e encontre alguém para bater. Estabeleça a sua força e garanta que todos
vejam isso.”
Ouço, lembrando que eu tinha ouvido a mesma coisa em algum lugar.

“Esperei até três dias,” diz ele. “Eu escolhi o maior cara que eu poderia encontrar, alguém que
tinha afirmado sua posição de autoridade, alguém que tinha ameaçado Will em nosso primeiro dia, e eu
avancei, e bati nele.”

Eu quase posso ver isso na minha cabeça.


“Para minha surpresa, porém, ele não desistiu imediatamente,” Kai continua, um meio sorriso no
rosto. “Eu acabei com um nariz quebrado, três costelas quebradas, e um lábio inchado.”
Sorrio um pouco. Um Horseman não cai muitas vezes, então ele teve seu castigo merecido, eu
diria.
Mas sua expressão torna-se solene. “Ele acabou com uma fratura na coluna.”

Oh, Cristo.
“Eu era a pessoa treinada,” diz ele, parecendo que ainda estava zangado consigo mesmo. “Eu
deveria saber onde eu estava chutando.”
“Ele recuperou?”

Ele assente. “Sim, mas levou algumas semanas, e ele teve alguns danos nos nervos. Ele ficou sem
nenhuma sensibilidade em três de seus dedos da mão direita.”
Bem, poderia ter sido pior. Muito pior.
“No dia seguinte,” continua ele, “minha mesa de almoço foi a mais cheia no bloco de celas.”

“Então, você conseguiu respeito.”

“Sim, agindo como um animal,” ressalta ele. “Isso me assustou, porque não foi a primeira vez que
eu tinha escolhido reagir com violência quando eu não deveria. Isso ia ser um hábito? Eu estava perdendo
a compreensão da vida que eu queria ter e a pessoa que eu queria ser, porque continuei sendo estúpido.”
Ele baixa os olhos, respirando tão forte e parecendo vulnerável. “Eu não quero estragar a minha vida.”
Olho para ele, incapaz de desviar o olhar. Ele não olha para mim, e eu percebo que ele se sentia tão
inútil e inadequado como eu sempre senti.

Um desejo me domina para fazê-lo se sentir bem.


“Ei.” Eu levanto a mão, cutucando seu queixo.
Ele levanta os olhos.

Sorrio para ele. “Às vezes, quando tudo e todos ao meu redor são difíceis de enfrentar, eu olho para
cima.”
Suas sobrancelhas se unem, parecendo que ele não entendia, e eu inclino minha cabeça para trás,
olhando para o teto.
Lentamente, ele faz o mesmo, seguindo o meu olhar.

O vapor circulando no ar acima de nós, abrindo aqui e ali para mostrar o teto de granito branco do
chuveiro. As partículas de cristal na rocha brilham na penumbra, e por um momento, o meu cérebro fica
flutuando entre a névoa. Leve como uma pena, subindo para as nuvens.
“Alterando sua vista...” eu interrompo. “Isso ajuda. Certo?”
Ele sorri, seus ombros relaxam. “Nós vamos ter que tentar isso à noite do lado de fora em algum
momento.”

Nós?
De repente, ele limpa a garganta e se endireita, me liberando. “Eu vou pegar algumas roupas, tudo
bem?” Ele me diz. “Por que não se senta? Aqueça um pouco mais sob a água.”
Eu balanço a cabeça, relutantemente recuando quando ele se afasta. Ele estava envergonhado? Eu
não queria que ele saísse, mas ele parecia que estava com pressa para sair daqui. Talvez ele arrependeu
de dizer tudo aquilo para mim, mas eu estava feliz que ele disse.

Ele aponta para o chão do chuveiro. “Fique aqui, ok?”

Ele caminha até a porta, abre e sai. “Alex,” ouço ele chamar, mas antes que eu tenha a chance de
olhar, ele fecha a porta do chuveiro novamente.
Fico aqui, todo o frio desapareceu agora. Com as pernas cruzadas, eu encosto suavemente contra
parede para ajudar a apoiar o meu peso.

Ele não me tocou. Ele tinha apenas colocado os braços em volta de mim e me segurou, não ficando
extremamente ansioso ou tentou conseguir uma resposta emocional de mim ou qualquer coisa. Mesmo
Damon nunca foi tão paciente e reconfortante comigo.
Nas raras ocasiões que meu irmão parecia compelido a mostrar qualquer afeto, nenhum abraço
nunca durou mais do que alguns segundos. Minha mãe foi provavelmente a última pessoa a me segurar
assim.
Eu deslizo pela parede, minha bunda apoiada no azulejo e os meus joelhos para cima. Fecho os
olhos, sentindo meu sangue fluir quente sob minha pele, minha respiração lenta e constante.
Minha mente deriva, e cada membro pesa dez toneladas. Eu não sei por quanto tempo eu dormi.

“Banks?” Eu ouço uma voz suave dizer.


Poderia ser uma hora mais tarde ou um minuto. Eu não tinha certeza.
Eu me mexo, deixando escapar um pequeno gemido.

“Banks?” Diz a voz, mais perto desta vez, e eu lentamente abro meus olhos.
Alex, a garota da festa, está agachada ao meu lado, usando shorts de treino rosa e um sutiã
esportivo branco. Ela está atrás do pulverizador do chuveiro.

“Kai me pediu para trazer algumas roupas,” ela explica. “Eu estive esperando do lado de fora. Eu
só quero avisar que eu tenho algo para você usar. Você pode ficar aqui por mais tempo se quiser, embora.”

Eu suspiro, abrindo os olhos e mudando de posição. “Estou bem.”

Eu fico de pé, Alex levantando comigo.


“Ok,” diz ela, afastando e apontando para o gancho na parede. “Toalhas estão ali, e tem uma sacola
para colocar suas roupas molhadas também. Eu coloquei algumas roupas secas no banco em frente.”

Balanço a cabeça, relutantemente apreciando como ela tinha pensado em tudo. Eu não tinha ligado
para nenhum dos caras, então eu não tinha roupas, e preciso usar algo enquanto as minhas secam. Sei
que eles têm lavadoras e secadoras disponíveis para a academia.
Ela sai rapidamente, e eu estendo a mão fechando a água. Pegando uma das toalhas do gancho, eu
uso no meu cabelo ainda trançado e penduro de volta, rapidamente tiro a roupa. Tiro minha jaqueta
encharcada e solto no chão, rapidamente seguida com minha camisa de flanela, sapatos, meias, jeans e
roupas intimas. Cada desenrolar das ataduras ao redor do meu peito parecia mais glorioso do que a
última, até que finalmente os meus seios são libertados, encontrando o ar.
Fecho os olhos, deixando escapar um pequeno gemido. Eu me enrolo na mesma toalha e
rapidamente coloco as roupas molhadas em uma das sacolas branca da Sensou vendidas na recepção que
Alex aparentemente trouxe para mim. Desfazendo as tranças no meu cabelo, eu balancei os cachos livres,
massageando meu couro cabeludo com a outra toalha.

Alcançando do lado de fora da porta, agarro a pequena pilha de roupas, ouvindo várias outras
mulheres conversando no vestiário. A academia já deve estar aberta.
Fechando a porta, eu avalio a pilha, olhando para o resto da roupa.
“O quê?” Eu disparo.

Calça de ginástica preta que parecem uma segunda pele e um sutiã esportivo cinza com um
símbolo da Nike no meio. Eu gemo. Onde está a porra do resto? Eu não poderia usar essa merda.
“Ugh,” eu rosno, segurando o sutiã e começando a vestir a calça. Ela tinha que ter colocado algo a
mais aqui. Ou pelo menos um moletom.

Eu puxo a calça para cima, o tecido envolvendo minhas coxas e bumbum, e resmungo com o
desconforto. É estranho ter algo preso a minha pele assim. Mas quando eu puxo a toalha e estendo a mão
para pendurá-la, eu paro, percebendo como a calça ajustou confortavelmente, ficando bom para se mover.
Uma tonelada mais leve.

Deslizando meus braços através das aberturas no sutiã, eu enfio minha cabeça pelo meio e puxo o
sutiã para baixo, rapidamente ajustando meus seios para caber dentro.
Fecho os olhos por um momento. Oh Deus. Sinto-me nua. Puxo meu cabelo sobre o ombro,
tentando cobrir meus seios que estão prestes a pular fora do sutiã esportivo, e cruzo as mãos sobre minha
barriga nua.

Eu abro um pouco a porta, espreitando lá fora. Eu não quero andar por aí assim.

Oh, quem eu estava enganando? Cada mulher aqui está praticamente vestida assim. Eu não seria
tão diferente. Damon sempre me deixou claro, como se eu mostrasse um tornozelo, os homens me
atacariam como lobos.
Secando meus pés novamente, saio, pegando a sacola de roupas e jogando as toalhas no cesto do
lado de fora do chuveiro.
Caminho pelo vestiário, vendo algumas mulheres se apressando para começar seus treinos.
“Você parece bem,” diz uma voz.
Vejo Alex de pé com as mãos nos quadris e acenando para mim enquanto seus olhos me observam
de cima a baixo.

Eu fico tensa.
“Somos quase do mesmo tamanho,” ela medita, aproximando-se e pegando a minha mão. “Não iria
saber isso pela forma como você se afoga em suas roupas habituais.”
Ela agarra a sacola da minha mão, eu vejo quando ela joga-a para uma atendente – uma jovem com
uma polo da Sensou – que leva isso para algum lugar, esperemos que seja para as secadoras.

“Minhas roupas não são tão grandes,” eu murmuro.


Ela me leva até as penteadeiras e empurra meus ombros para baixo, minhas pernas cansadas
cedendo debaixo de mim e minha bunda batendo no assento. Ela imediatamente começa a escovar meu
cabelo.
“Eu posso fazer isso,” eu falo irritada, estendendo a mão para a escova.

Mas ela se afasta. “Você não pode,” ela me diz, arrancando um embrulho de papel alumínio de
cima do balcão e jogando no meu colo. "Você precisa comer."
Eu pego o embrulho macio e quente. "O que é isso?"
“Kai pediu burritos.”

Solto novamente no meu colo. "Estou bem."


“Ele disse que você ia dizer isso.” Ela segura um punhado do meu cabelo, trabalhando
intensamente em escovar as mechas. “Ele também disse que você é inteligente o suficiente para escolher
suas batalhas, e alguém tão prática como você não iria discutir por causa de um burrito estúpido.”
Um sorriso escapa de mim. Ok. Ponto.

O cheiro da massa atinge meu nariz, e meu estômago de repente responde. Eu não tinha comido
esta manhã.
Ela termina de escovar meu cabelo emaranhado enquanto eu desembrulho o burrito e dou uma
mordida. Ovo cozido, linguiça apimentada, cebolas, pimentas e jalapenhas com um pouco de queijo, e eu
não poderia evitar. Mordo novamente, não esperando engolir a primeira mordida primeiro.
“Boa garota.” Alex pisca para mim e liga o secador de cabelo.

Meu cabelo agita em torno de mim, o zumbido abafando tudo exceto eu e esse maldito burrito. Na
maioria das vezes, eu raramente parei de me mover tempo suficiente para perceber se eu estava com
fome ou não, então muitas vezes passei o dia todo apenas com um ovo e um pedaço de torrada. Marina
tinha sempre algo cozinhando também, então eu podia pegar alguns pedaços de sobras ou uma tigela de
sopa da panela que ela mantem no fogão, mas geralmente pego algo rapidamente ou não como nada.

Alex usa a escova pelo meu cabelo enquanto ela seca, os longos fios fazem cócegas na pele nua dos
meus braços e costas. Sinto calafrios sobre minha pele e acabo cedendo um pouco inclinando a cabeça
para trás para lhe dar melhor acesso com a escova. Eu suspiro, fechando os olhos enquanto mastigo. Os
dentes de sua escova esfregando sobre o meu couro cabeludo.
Logo que termino o burrito e fico ali sentada, saboreando a sensação da escova penteando meu
cabelo quando eu percebo que o secador de cabelo não está funcionando. Abro os olhos, vendo Alex me
observando no espelho, seu bonito rabo de cavalo preso no alto com o cabelo em volta do seu rosto.

Meu próprio cabelo, todos os quarenta e cinco centímetros, cai em cascata pelas minhas costas, e
ela coloca uma parte de lado. Há muito tempo eu não o tinha solto, limpo e seco ao mesmo tempo.
“Quando foi a última vez que você foi tocada?” Ela pergunta, me estudando. “Tocada de verdade?”
Abaixo minha cabeça para frente novamente, evitando os olhos dela. Acho que eu tinha gostado do
meu cabelo sendo penteado um pouco demais?

Ela senta-se ao meu lado, montando no banco e de frente para mim.

“Todos nós precisamos, você sabe?” Ela diz calmamente. “Precisamos de contato. É apenas
humano. Mas se você não consegue de outra pessoa, não há nada de errado com um pouco de amor-
próprio também. Apenas comentando isso. Você me parece tensa e isso vai ajudar. Eu me dou amor-
próprio pelo menos duas vezes por dia.”
Eu faço uma careta para ela. Eu não gosto de pessoas que compartilham demais.
Ela ri, e eu percebo seu sorriso brilhante e largo que dá a ela uma aparência docemente infantil,
comum e agradável. Muito ao contrário de seu corpo – não tão infantil - que eu sabia que metade dos
homens naquela festa na outra noite provavelmente tinham levado para a cama. Kai já dormiu com ela?
“Embora estou falando sério.” Ela me cutuca, trazendo-me de volta. “Ser tocada é uma
necessidade. Feche os olhos para mim.”

Hã?
“É um experimento,” explica ela, provavelmente vendo meu olhar confuso. “Eu não vou tocar em
você em qualquer lugar pessoal.”
Não. Eu afasto um pouco.

Mas ela me segue. “Feche os olhos e imagine que eu sou ele.”

“Ele?”
“Sua fantasia.”

Minha fantasia? O que-


“Satisfaça-me por dois minutos,” ela inclina, sussurrando, “e eu vou te dar meu moletom.”
Solto um suspiro incrédulo.

Mas ainda... eu gostaria de um moletom.


Bem. Foda-se. Fecho os olhos.
Sem a minha visão me equilibrando, meu cérebro parece começar a flutuar, mas eu ainda sinto ela
se mover ao meu lado, e então uma mão toca meu estômago, me fazendo saltar.

“Você o vê em sua cabeça,” ela sussurra, sua respiração atingindo minha mandíbula. “Sua fantasia.
Imagine o que ele – ou ela – está vestindo, o quarto, como está vindo para você.”
Minhas pálpebras tremem, as imagens aparecendo na minha cabeça por instinto.
“Não,” eu murmuro, a palavra acidentalmente escapando.

Seus dedos acariciam de leve meu abdômen, provocando calafrios deliciosos em meus braços.
“Sim,” ela respira no meu ouvido. “Você o vê, não é? Ele está tocando em você agora. Esta é sua mão em
seu estômago. Seu corpo ao seu lado. Sua voz em seu ouvido. Você o vê?"
Eu tremo, minha respiração se tornando superficial. De repente eu estava de volta na sepultura.
O peito nu de Kai está na minha frente, e eu quero afundar meus dedos em sua cintura e enterrar
meu nariz em seu pescoço. O ligeiro aroma de seu sabonete e da terra molhada sob nossos sapatos me
cercam, e outro perfume que é apenas Kai. Isso está em seu cabelo, sua boca, sua pele...

“Eu quero você,” ele diz ofegante, seu hálito quente no meu ouvido. “Eu quero você na minha
boca.”
Sua mão desliza até a parte de trás do meu pescoço, enfiando no meu cabelo e puxando-o
levemente. Gemo, sentindo meus mamilos endurecerem.
Ele afunda sua boca no meu pescoço, e eu respiro através de meus dentes, os lábios beijando e
sugando minha pele. Oh Deus. Inclino a cabeça para o lado, dando liberdade a ele.

“Eu vou te comer muito profundo,” diz ele, com a mão possessiva no meu estômago arrastando
para o interior da minha coxa.

Eu posso nos ver em uma cama, sua cabeça enterrada entre as minhas pernas, e até mesmo sinto o
calor do rubor no meu rosto, eu queria ele ali.
“Você me sente?” Ele pergunta. “Você sente o quanto eu te quero? Vou enfiar a língua dentro de
você e lamber até que você grite para que eu a deixe gozar. Você é minha.”

Meu peito oscila, e eu gemo, sentindo-o mordiscar minha orelha, suas mãos cada vez mais
exigentes, me fazendo suar.
“Pegue minhas mãos, baby,” ele sussurra. “Coloque minhas mãos em você.”

Lambo meus lábios secos, nem mesmo hesitando. Eu agarro sua mão na minha coxa, mas paro,
sentindo uma mão macia, pequena, que não parece com a mão de um homem.

Eu abro meus olhos, vendo Alex ao meu lado.


“Oh, meu Deus.” Eu coloco minha mão sobre a boca, constrangimento me dominando. Isso foi tudo
ela. Puta merda. Eu solto sua mão, observando-a relutantemente se afastar e deixar escapar um suspiro.
“Ele é um cara de sorte. Quem quer que seja.”

Eu balanço a cabeça, perplexa com o que acabou de acontecer. E as cambalhotas ainda em curso
no meu estômago.
Ela se inclina. “Hoje à noite, você deveria se lembrar dessa fantasia e terminá-la, mesmo que seja
apenas você, sozinha, na sua cama.”

Não admira que Will manteve ela na folha de pagamento.

“Ou se você quiser,” diz ela, brincando com um sorriso em sua voz, “me chame, e eu vou terminar
para você.”
O pulso entre as minhas pernas lateja mais forte.
Incrível porra, eu reflito para mim mesma. Eu poderia capturar um cara de cento e dez quilos, mas
uma acompanhante de vinte anos me deixou tímida.

Eu estava prestes a levantar quando um grito ecoa pelo vestiário. “Banks não acabou ainda?!”
É o Kai.
Alex pula do banco, agarrando sua escova e empurrando meu cabelo sobre meus ombros. “Sim, ela
está seca e vestida!”

“Deixe ela sair então.”


Eu rapidamente levanto e corro até o armário de Alex, pegando o moletom cinza no banco na
frente dele. É longo, espero que o suficiente para cobrir as partes curvas.
Eu caminho para a porta, vendo-a parcialmente aberta e a forma de Kai através do vidro fosco.
Visto o moletom.

“Eu estou aqui,” eu digo, abrindo a porta. "O que você precisa?"
Ele imediatamente se vira e começa a caminhar, sem olhar para mim, esperando que eu
claramente o siga.
“Eu preciso de você cuidando da recepção por uma hora. A primeira atendente está presa no
trânsito.”

Eu tento fechar o zíper do moletom, mas de repente ele foi arrancado de mim por trás, e eu me viro
bruscamente, vendo Alex sorrindo pegando o moletom de volta e me empurrando no peito me obrigando a
afastar da porta.
Que porra é essa?
Ela fecha a porta do vestiário, e volto para a porta, sacudindo a maçaneta, mas ela está segurando
a porta, não me deixando entrar.

Abro a boca para gritar, mas apenas fecho minhas mãos em punho, rosnando baixo.
Maldita.

“Tudo retarda com uma parada maldita, como se as pessoas nunca viram chuva antes,” Kai
continua, ainda caminhando pelo corredor. “Apenas digitalizar cartões, distribuir toalhas se eles pedirem,
e atender o telefone. Não deve ser por muito tempo.”

Enfio um lado do meu cabelo atrás da minha orelha e o sigo com relutância, remexendo minhas
mãos e tentando cobrir minha barriga com meus braços e também meu decote.
“Eu vou te mostrar como usar o interfone para me bipar se precisar de mim,” ele orienta.
Paro na recepção quando ele se curva sobre ela, agarrando um conjunto de chaves e um walkie
talkie.

Mas então algo cai no meio do saguão e Kai e eu olhamos, vendo Michael de pé imóvel com suas
malditas sobrancelhas arqueadas. Ele está olhando para mim.
Olho ao redor, rangendo os dentes. Sim, ria disso, imbecil.
Kai ergue as mãos, irritado quando ele olha para Michael e Rika parados no meio do saguão de
entrada com Gatorade derramando no chão.
“Qual é o problema com vocês?” Ele pergunta irritado.
E então ele segue o olhar deles, finalmente, virando-se e olhando para mim.

Suas sobrancelhas se unem, ele corrige sua postura, e ele olha para mim como se eu tivesse
chutado um filhote de cachorro.
Seu olhar segue para meus pés descalços, lentamente avaliando a calça de treino apertada de Alex,
meu abdômen nu, o sutiã esportivo, e meu cabelo solto e livre.
Meus punhos apertam ao meu lado.

Os olhos de Kai finalmente encontram os meus, e meu estômago revira. Eu conheço aquele olhar.
Foi o mesmo que ele tinha em seus olhos naquela Devil’s Night, pouco antes dele me perseguir.
Ele levanta uma sobrancelha e vira a cabeça para seus amigos. “O que você está olhando?” Ele
rosna para Michael. “Vestiário é por ali.”
Michael tem um sorriso que ele estava tentando segurar, e Rika faz uma careta para ele.

“Respire, idiota,” diz ela, e então ela segue rapidamente pelo corredor.
Ele a segue, uma risada sufocada em sua voz. “Querida, eu estava um pouco chocado. É uma
grande mudança!”
“Cale a boca.”

“Rika, vamos lá...”


E a discussão deles desaparece no corredor.
Fico ali, minha cabeça nivelada mas meu olhar no chão enquanto eu mordo o interior da minha
bochecha. “Eu vou trocar assim que minhas roupas estiverem secas,” digo a ele, olhando para cima.
“Onde posso conseguir uma dessas polos que os outros funcionários da recepção usam?”

Ele não responde por um momento, seu olhar hesitante olhando de cima a baixo novamente.
Fechando os olhos brevemente, ele vem pela minha lateral, em direção ao corredor. “Não temos em
estoque.”
Capítulo 13
Banks

Devil’s Night

Seis anos atrás


Jogando minhas chaves sobre a mesa, eu fecho a porta e atravesso o quarto, puxando as cortinas
fechadas. Tiro meu moletom, os sapatos, e procuro na primeira gaveta da cômoda de Damon, retirando
uma cueca e uma camiseta. Bocejando, eu entro no banheiro, o piso de mármore branco gelado e suave
sob os meus pés.
Meu irmão não estaria em casa pelo menos até o amanhecer. Kai estava ainda planejando ir para o
The Pope esta noite? Ele deve ter conseguido aquela chave depois da nossa conversa esta manhã, antes
que ele soubesse que iria encontrar comigo novamente.

Eu odiava a ideia dele ir sem mim.

Depois de lançar a minha roupa no cesto, eu visto a camiseta e a cueca, lavo o rosto, escovo os
dentes e cabelo, e saio do banheiro, apagando a luz ao deixar o cômodo.

Engatinho na cama, agarrando o travesseiro e abraçando-o quando ergo a mão e desligo o abajur.
O quarto fica escuro, o zumbido sutil do ar condicionado fluindo pela casa me acalmando. Minha
respiração desacelera e meu coração se acalma.

Kai estava provavelmente com raiva de mim de verdade. Ele não tinha nenhuma razão para não
acreditar em Damon. Ele provavelmente se sentiu traído, enganado, e chateado.

Chateado o suficiente para pensar que ele deveria ter ficado com o diabo que ele conhecia do que
com o diabo que não fazia ideia de quem era. Talvez ele estaria compartilhando aquele quarto de hotel
com Chloe esta noite.

E por alguma razão, eu gostei da dor que isso causou no meu peito. A raiva era mais fácil, e eu
quase queria que ele fosse correndo para ela. Ele faria o mesmo que qualquer outro homem que eu
conhecia. Egoísta, mentiroso, e ganancioso.

Se ele fracassou para mim, eu poderia voltar a não se importar em não tê-lo, certo?

Eu tenho Damon, afinal, e aqui sou a rainha, pelo menos. Ele nunca trouxe as garotas para seu
quarto. Ele nunca me fez sair, para que pudesse ter privacidade. Esse é o nosso espaço, e nenhuma
mulher está acima de mim na sua vida em casa.

Eu só tenho que encontrar contentamento em tudo o que eu já tinha.

Eu bocejo novamente, minhas pálpebras ficando mais pesadas e fechando.

Mas então eu ouço a porta atrás de mim abrir e o chão ranger.

Viro a cabeça sobre o meu ombro, tensa quando vejo uma figura alta e escura se mover em direção
à cama. Eu poderia apenas perceber ele removendo sua camisa enquanto ele aproxima de mim.
“Você já está em casa?” Eu pergunto, mantendo-me imóvel.

Mas ele apenas responde, “Shhh,” e não pressiono ainda mais quando volto minha cabeça a
posição de antes, olhando para a escuridão.
Ele não liga a luz, então eu acho que é um bom sinal de que ele não quer gritar comigo.

Sinto a cama afundar atrás de mim, e ele deita, fazendo isso ranger com o seu peso.

Eu não sei por que ele me queria aqui. Quer dizer, eu dormia ao lado dele mais vezes do que posso
contar, mas sei que ele está chateado, então é melhor apenas dar-lhe o seu espaço esta noite.

Mas então eu sinto ele nas minhas costas quando ele rola na minha direção e envolve um braço na
minha cintura.

Meus pulmões ficam menores enquanto tento sugar mais ar, e posso sentir a veia no meu pescoço
pulsar. O que ele está fazendo?

A respiração dele encontra meu pescoço, e antes que eu percebo o que está acontecendo, ele está
beijando minha pele e enfiando a mão sob minha camisa, pegando meu peito de forma possessiva.

Um grito preso na garganta. “O que você e-"


Sua mão alcança entre as minhas pernas, e ele me agarra, me segurando firme quando ele
empurra seus quadris contra minha bunda.

“Damon, não!” Eu choro, lutando para empurrar as mãos dele e sair da cama.

Mas ele me segura firme. Empurrando-me de costas, ele sobe em mim, prendendo minhas mãos
acima da minha cabeça, e batendo sua boca na minha, áspero e possessivo.

Tento gritar por meio de seu ataque quando lágrimas derramam dos meus olhos. Não, não, não,
por favor! Não faça isso. Eu fecho meus olhos com força, tentando torcer minha cabeça. Náusea avança
pelo meu estômago como uma avalanche. Não, não, não…

Até que ele força sua língua na minha boca, e eu paro, percebendo que algo está diferente. Eu
congelo, inalando profundamente pelo nariz.
6
Nada de Davidoffs . Nem mesmo uma pitada de qualquer cigarro em sua pele, sua respiração, seu
cabelo...

Eu luto, gritando em sua boca enquanto eu arranco meus braços de seu aperto e dou um tapa no
seu rosto.
“Você não é Damon?” Eu falo irritada.

Ele agarra meus pulsos, prendendo-os em cima da minha cabeça mais uma vez. Sua respiração
quente atinge meu rosto, e eu respiro rápido e superficial, o seu corpo sobre mim muito pesado.
“E você não é dele como ele disse, não é?”
Michael? Que diabos ele estava fazendo aqui?

“Quem é você?” Ele pergunta.

“Saia de cima de mim,” rosno, me contorcendo. "O que você está fazendo?"
Seria apenas minha sorte um dos caras – ou pior, meu irmão – entrar aqui agora e pensar que isso
é minha culpa.

Ele libera um dos meus pulsos, inclinando-se para a esquerda, e então o abajur está acesso, e
Michael Crist está olhando para mim.

Liberando meu outro braço, ele fica montado em mim, deixando os olhos seguir pelo meu corpo. Eu
rapidamente puxo minha camiseta de volta para baixo.

Ele sorri. “Não admira que ele mantém você em segredo.”

Ele rola de cima de mim, deitando de costas ao meu lado, deslizando um braço debaixo de sua
cabeça.
“Eu às vezes me sinto possessivo com Rika Fane assim também,” ele diz, olhando para mim.
“Embora ela não é minha irmã.”
Minhas sobrancelhas se unem, de repente em alerta. Como ele...

Ele sabia?

Ou talvez ele apenas suspeita, e eu tinha confirmado quando eu me apavorei durante a sua
pequena aposta.

Ele dá um meio sorriso, provavelmente divertido com a confusão no meu rosto. “Você parece com
ele. Eu não sei como Kai não vê isso.”

“Eu não sou irmã dele, e-”

“O negócio de Damon é um negócio de Damon.” Ele se senta, colocando as pernas fora da cama e
levantando-se. “Mas você está estragando a noite de Kai, garota.”

Reviro os olhos, sentando-me também. “Bem, eu estou fora do caminho agora,” aponto. “Você e seu
melhor amigo podem ir transar.”

Ele ri, segurando meu olhar. “Eu tenho uma ideia melhor,” diz ele, dando um tapa na minha coxa.
“Vamos para a cidade.”
E então ele se abaixa, agarrando meus tornozelos e me puxando para o final da cama.

“O quê?” Eu deslizo sobre o lençol, caindo de costas. “Não!”


Mas meu protesto foi ignorado. Ele me puxa para cima, e meu coração fica preso na minha
garganta quando ele me joga por cima do ombro, e todo o meu mundo vira de cabeça para baixo enquanto
eu oscilo a um metro e oitenta do chão.
“Você não pode!” Eu bato, fazendo-o tropeçar. “Eu não estou nem mesmo vestida!”

“Jesus Cristo!” Ele fala chateado, caindo contra a mesa de cabeceira. Eu apoio minhas mãos na
parede para nos impedir de cair.
“Você sabe, eu estou ficando cansada de dizer para os idiotas me soltarem,” eu digo a ele.

“Então, não diga. Você sabe que quer ir.”

Algo cai nas minhas costas, e eu agarro, vendo a manga de seu capuz que ele deve ter pego de
algum lugar.

Ele começa a andar, e eu fico mais longe da cama, criado-mudo, e quarto.


“Vamos, cara.” Eu gemo, seu ombro afundando em meu estômago. “Damon não vai gostar.”

“Ele não vai saber.”

Sim, ele vai! Meu irmão estaria onde eles estão. Como é que ele não iria me ver?
Ele passa os braços firmemente em torno de minhas coxas, e eu paro de lutar assim que ele
começa a descer as escadas. Eu não quero que ele me solte.

Ele para, e eu sinto uma corrente de ar nas minhas pernas quando ele abre a porta do fundo.
“Sério,” eu imploro. “Eu não quero ir. Damon me mataria se ele me encontrar com Kai novamente.”
Mas ele simplesmente me ignora.

“Vamos!” Eu grito, chutando e batendo nas suas costas. “Não seja um idiota! Eu não quero vê-lo de
qualquer maneira. O idiota mal lutou quando eu saí, não é homem o suficiente para vir atrás de mim ele
mesmo, hein?”

Um tapa atinge minha bunda, e eu grito. A queimadura espalha-se, fazendo-me estremecer.


Ele caminha para a escada, e avisto a porta do quarto do meu pai se abrir, luz invadindo o corredor
escuro.

“Que diabos está acontecendo?” Ele sai do quarto, imediatamente encontrando meus olhos quando
eu consigo virar a cabeça para vê-lo.

“Gabriel.” Eu ofego quando Michael para. “Ele apenas foi para o quarto de Damon. Eu não quero ir
com ele.”
Meu pai apenas arqueia uma sobrancelha, mas eu perco a visão dele quando Michael vira-se para
encará-lo.

Há um silêncio, e eu fico imóvel, à espera de Michael me colocar no chão.


Mas ele não faz isso.
Em vez disso, meu pai fala. “Portões são trancados durante a noite,” informa a Michael. “Se você a
levar para fora, não pode trazê-la de volta até o amanhecer.”

Eu fecho meus olhos, a frustração ferve no meu sangue. Não fiquei surpresa. O que eu esperava
que ele dissesse quando um cara seminu invade sua casa para sequestrar sua filha?

Absolutamente nada.
Eu ouço a porta se fechar novamente, e Michael vira-se, descendo as escadas enquanto seu corpo
treme de tanto rir.

“O pai Modelo, esse aí.” Ele aperta a parte de trás da minha coxa. “Eu acho que você vai realmente
estar mais segura comigo.”

Descemos as escadas, e ele abre a porta da frente, saindo.


“Ouça,” eu digo, vendo a calçada quando meu cabelo bloqueia o resto da minha visão. “Eu não
posso ir com você. Ele já está com raiva o suficiente.”

“Eu disse a você, ele não vai saber que você está lá.”

E então eu sou jogada na posição vertical, meus pés encontrando o chão.


Minha cabeça oscila com tontura, mas eu o vejo abrir a porta traseira de seu G-Class e de repente,
a música e o risos preenche o ambiente. Eu olho dentro, vendo o carro cheio de pessoas. Ninguém que eu
reconheço.
“Abram espaço,” Michael diz a alguém.

Ele então se vira e me empurrou para o banco. “Ty, faça o rosto dela,” diz ele a alguém e a porta
bate atrás de mim.
Olho em volta, encontrando pessoas empilhadas no banco de trás, garotas no colo, enquanto na
frente duas pessoas compartilham o banco do passageiro. Michael dá a volta na frente do carro, indo para
o lado do motorista. Pessoas olham para mim, mas eles estão sorrindo e ainda envolvidos com suas
conversas.
Já bêbados, eu diria.

Michael entra no carro, jogando sua camisa e moletom com capuz sobre as pessoas à sua direita, e
liga o carro.
E então uma garota avança para mim.

Eu respiro fundo, olhando enquanto ela monta em mim. Ela está usando short curto, mas ela
também usa uma jaqueta marrom de couro, botas e um cachecol. Seu rosto está com uma caveira de
açúcar. A borda dos seus olhos pintados de preto, e ela tem belos desenhos de flores em toda a sua
têmpora.

O que ela está fazendo?


Levantando uma espécie de cunha esponjosa, ela dá uma batidinha na maquiagem branca e
aproxima de mim.
Eu recuo. “O que você está fazendo?” Eu grito acima do rádio tocando Save Yourself no fundo.

“Ela está disfarçando você,” Michael diz enquanto ele coloca o carro em marcha e segue descendo
a calçada, seguindo para o portão. "Colabore."
Ela sorri, os lábios da cor vinho espalhando para revelar dentes brancos perolados. Inclinando-se,
ela começa passar a maquiagem em mim novamente.
“É quase meia-noite,” ela sussurra animadamente. “Dia de la Muertos.”

Dia dos Mortos? Isso dura do Halloween até depois dos Finados em primeiro de novembro, eu
sabia, mas por que...
Oh, a maquiagem. Entendi por que ela estava usando pintura facial e o que ela estava fazendo
comigo.
E as velas no cemitério, também.

Eu não sabia muito mais sobre o feriado do que um desfile que eu tinha visto quando criança em
Meridian City.
“Você está com frio?” Michael pergunta, e então um moletom é jogado na parte de trás.
Agarro a peça de roupa. Impressionante. Tudo o que eu estou vestida é uma cueca fina e uma
camiseta.

E então meus Vans caem sobre mim também. Ele pegou meus sapatos? Eu apressadamente calço,
imediatamente me sentindo mais quente.
“Para onde estamos indo?” Eu prendo meu cabelo atrás das orelhas, tornando mais fácil para Ty
trabalhar.
Os olhos dela brilham. "Esconde-esconde."

Gritos e aplausos instantaneamente atingem meus ouvidos quando Michael abre as portas duplas
do The Pope.

Levou menos de quarenta e cinco minutos para entrar em Meridian City, as ruas por todo o
caminho do nosso povoado à beira-mar à agitada metrópole estão agora escuras e silenciosas para a noite.
Pelo menos trinta pessoas perambulam pelo saguão quando olho ao redor e instintivamente puxo
meu capuz – ou o capuz de Michael – preocupada que a pintura facial não seja suficiente para me
disfarçar. Grupos de adolescentes estão espalhados entre colunas pretas que se estendem até o teto alto e
escuro ornamentado de carpintaria e lustres de cristal. Alguns sentam nos sofás e cadeiras estofadas ou
estão perto das grandes janelas com bonitas cortinas brancas e vasos de plantas e bonsai nas
proximidades.
Eu nunca estive aqui antes. Nosso pai raramente encontrou uma razão para nos trazer – ou Damon
de qualquer maneira – para a cidade. Embora eu sei que isso estava em perigo de ser fechado. O estádio,
que deveria ter sido construído anos atrás nunca aconteceu e o negócio estava sofrendo. Era realmente
uma pena que estava tão vazio e desvalorizado por sua grandeza.

Um braço enrosca no meu pescoço, e eu vejo Michael em pé ao meu lado. Ele ainda está sem
camisa.
“Você tem pernas bonitas,” diz ele, olhando em redor do átrio. “Você pode estar a salvo de Damon
no momento, mas não acho que está a salvo do resto de nós.”
Ele então olha para mim com um desafio em seus olhos.

“E não pense que eu não sei como cuidar de mim mesma,” respondo. “Eu não me importo de bater
em uma garota.”
Sua boa abre, e ele ri baixinho. Michael não parece ser um cara que revela muita coisa, mas eu
sinto um pouco de orgulho que ele parecia me achar divertida, pelo menos.
Todo mundo se espalhou, a garota que tinha feito minha maquiagem pega minha mão e me arrasta
em direção aos elevadores. Michael e alguns outros seguem.

“O jogo é,” a garota anuncia, “uma mistura entre esconde-esconde e sete minutos no paraíso.”
Sete minutos no paraíso? Gemo interiormente. Eu já tinha jogado isso esta noite.

“Você se esconde, e se você é encontrado,” ela continua, “você e ele podem ter alguns minutos a
sós.”

“E se eu não quiser jogar?”

“Por que você não iria?” Michael aperta o botão para o décimo terceiro andar e as portas começam
a fechar. "É divertido."
Sim, divertido. Você está me dizendo que meu irmão brinca disso apenas com a esperança de
acariciar alguém em um armário escuro? Eles estavam mentindo ou tornando esse jogo extremamente
mais agradável por minha causa. Eu não tenho interesse nisso.

“Quantos 'candidatos' são?” Eu olho de volta para a garota, ignorando Michael.


Ela encolhe os ombros. “Um para cada uma de nós. Às vezes mais.”
Mais?

O elevador sobe, mas meu estômago está afundando. Calafrios se espalham pelas minhas pernas, e
fico com a boca seco.
Então Michael inclina perto do meu ouvido, sussurrando, “Você não quer Kai encontrando mais
alguém, não é?”
Meus lábios tremem com um leve rosnado. “Não há garantia de que ele vai me encontrar.”

“Então certifique-se que ele faça isso.”

Lambo meus lábios, imediatamente provando o batom cereja preta que a garota tinha passado em
mim. Ela solta minha mão quando as portas se abrem, e vejo quando todo mundo passa por mim saindo
rapidamente do elevador.
Mas eu dou passos lentos.

O corredor está escuro e barulhento, uma canção irritante Fear Factory toca acima de toda as
conversas, e aperto minhas mãos, de repente me sentindo nervosa. Eu não quero entrar em uma situação
que não poderia sair. Eu realmente me sentiria um pouco mais confortável com David aqui.
Sorrio pela ironia.

Sigo todos enquanto eles seguem pelo corredor, que está cheio de mais pessoas e as portas dos
quartos abertas como se este é um grande espaço comum.
As arandelas brilham com luz difusa, mas os lustres acima estão desligados, de modo que dá ao
piso a aparência de uma caverna assustadora. Nós caminhamos passando as portas abertas, música vindo
de cada quarto, e parece mais como um dormitório do que um hotel. Devem ter comprado todo o andar.
Adolescentes mascarados circulam dentro e fora dos quartos escuros, iluminado apenas por velas,
e eu olho dentro de um quarto, vendo vários dançando lenta e sensualmente. Duas garotas estão se
acariciando, com as mãos em todos os lugares, e outra garota monta um cara em uma cadeira.

Se meu irmão me visse, eu culparia Michael. É culpa dele que estou aqui.
“Tudo bem!” Alguém grita, e eu olho. Will está em cima de um cooler do lado de fora de um quarto,
olhando para os dois lados do corredor.
Uma dúzia de pessoas ou mais começam a se reunir, e eu mantenho meu capuz e minha cabeça
para baixo. Eu não tinha visto Kai ainda, mas Michael ainda está ao meu lado, então eu me sinto menos
insegura. Eu sinto o cheiro de comida vindo de um quarto a direita e uma pontada de fome me atinge. Eu
não tinha comido desde... o pão e a sopa desta tarde?

“Para manter isso viável, vamos limitar dos quartos 1312 até o 1322,” Will informa. “Senhoras,
você sabem o que fazer. Encontrar um esconderijo em qualquer um desses quartos, e certifique que seja
bom. Você pode alterar os esconderijos, mas se você for pega em trânsito, você está presa.” Seu rosto está
adornado com um sorriso enquanto olha para os caras, alertando-os. “E se for pedido para vocês
recuarem, vocês recuem.”

Algumas risadas explodem ao redor da área, e eu imediatamente dou um passo para trás. Onde
está Kai? Se ele não ia jogar, então eu não queria. E pelo amor de Deus, se o meu irmão fosse o único a
me encontrar.

Então o que eu faço? Encontro um lugar seguro para esperar essa merda terminar ou ir agora e
encontrar o melhor lugar para me esconder?

E então eu vejo uma figura escura sair de um dos quartos atrás de Will e lentamente se aproximar.
Quando o brilho do candeeiro cai sobre sua máscara, eu queria que fosse de prata.
Mas é negra, e a veia na minha garganta começa a pulsar. É a do meu irmão. Eu olho para baixo
novamente.
“Vocês têm um minuto para se esconderem,” Will diz, e então ele olha para os rapazes “e então
vocês terão quinze minutos para se trancar em um armário com a namorada do seu amigo se você vencê-
lo por ela.” O riso explode, seguido de assobios agudos. “Quando todo mundo ouvir essa buzina,” ele
ergue uma buzina, “tempo acabou e você pode sair.”

Ele joga a buzina para um garoto nas proximidades, provavelmente um colega de classe calouro
que eles determinaram para fazer o trabalho de merda deles, enquanto Will pula do cooler e coloca sua
máscara. Imagino que ele ia brincar também.
Eu começo a andar para trás, dando passo por passo. Eu não ia apenas ficar por aqui e deixar
Damon me ver, mas eu não tinha nenhuma intenção de ser encontrada também. Eu conheço o esconderijo
perfeito.
“Pronto?” Will grita. "Preparado?"

Olho à minha direita, vendo o quarto 1332. Um pouco mais adiante.


“Eeeeee...vão!” Will grita.
Eu não espero para ver o que alguém mais estava fazendo. Girando, eu corro pelo corredor escuro,
ouvindo risos e gritos atrás de mim enquanto eu corro para o 1312, abro a porta, e rapidamente verifico
da esquerda para a direita para ver se alguém estava aqui.

Mas está vazio. Sim.


Sentindo o movimento das outras garotas correndo pelo corredor, eu corro para a cama e
delicadamente subo, entrando atrás das três fileiras de almofadas macias e limpas apoiadas contra a
cabeceira da cama. Segurando os travesseiros para cima e mantendo eles no lugar com uma mão, eu
deslizo atrás deles, deitando na parte de cima da cama, de costas para a cabeceira. Afundo contra os
travesseiros, rapidamente estendendo a mão e sentido eles para garantir que eles ainda permanecem
apoiados, não me revelando.
Meu coração dispara, e meus pulmões parecem que estão ficando cada vez menores. Eu mal posso
respirar por medo. Eu não tenho tanta certeza de que estou com medo, no entanto. É apenas a
perseguição.

Mas eu sei que tenho um bom esconderijo. Está fácil de ver.


Certa manhã, quando eu era mais jovem, acordei com Damon em um ataque. De alguma forma,
durante a noite, eu tinha afundado nos travesseiros, e eu ainda era muito pequena aos treze anos. Magra.
Ele tinha acordado naquela manhã e não me viu na cama, grande como era. Ele pensou que eu já tinha
levantado. No entanto, quando ele desceu as escadas e não conseguiu me encontrar, ele procurou na casa
e nos jardins, chamando por mim.
Quando acordei com toda a comoção, e me arrastei de onde eu estava dormindo o tempo todo bem
debaixo do seu nariz, ele não ficou feliz.

Eu acho que ele estava um pouco assustado naquele dia. Eu também percebi que ele poderia
realmente se preocupar comigo.
Eu ouço a porta se abrir de repente e bater na parede, seguido de risos. Eu fico tensa, parando de
respirar.
“Por trás das cortinas!” Uma garota sussurra alto. “Vou ver se eu consigo entrar no armário.”

Outro grito segue, e ouço movimentos, o ranger de uma dobradiça, e um baque. A música ainda
flutua através das paredes como um eco subterrâneo, e eu aperto o travesseiro ao meu lado, tentando
parar meu tremor.
E então eu ouço. Gritos de algum lugar distante.
E então ouço um estrondo. Como passos pesados de uma dúzia de caras correndo pelo corredor.

Fecho os olhos. Cinco quartos. A menos que eles destruam este lugar, eles não me encontrariam.
Portas batem contra paredes, soando como se estivessem sendo chutadas ao abrir, e vozes
profundas chamam, mas eu não poderia decifrar suas provocações. Mais portas se abrem, cada uma
parecendo mais perto do que a última, até que finalmente ...
A porta do meu quarto é aberta, a maçaneta da porta batendo na parede de novo, e eu salto no
susto. Meu sangue agita, e eu congelo.

“Saia, saia, de onde quer que esteja,” uma voz suave provoca.
E ouço uma risadinha de algum lugar no quarto.
É isso aí. Leve ele até você. Eu só tenho que ficar aqui até que encontrem as outras e fiquem
ocupados fazendo o que querem fazer.

Vários sons vêm do corredor, bem como um grito de alguma garota em outro quarto. Alguém havia
sido encontrado.
“Verifique no armário,” diz alguém.
Existe dois aqui.

Fico o mais imóvel possível, mas então ouço um movimento perto, tento ouvir onde foi.
“Não!” Uma das garotas ri. As argolas da cortina deslizam no varão, e eu sei que um dos caras
tinha encontrado a garota nas cortinas.
“Cai fora,” ela retruca. “Eu não fico com júnior.”

“Bem, sorte sua,” ele responde, “Eu gosto de mulheres mais velhas.”
Ouço um escárnio dela, e uma risada dele.

“Há uma garota no armário. Vá atrás dela,” ela diz.

E então madeira bate em madeira, e parece a alça metálica do armário balançando. “Cadela!” Eu
acho que a outra garota que esconde no armário exclama.

“Ei, obrigado,” diz o outro cara. Eu ouço mais um pouco de movimentos e protestos, uma porta se
fechando (o banheiro?), e então passos.
O silêncio segue, e então a voz da garota que estava escondida nas cortinas fala. “Não diga a
ninguém sobre isso.” A cama afunda debaixo de mim, e eu viro de um lado para o outro, os olhos
arregalando com alarme.

“Não se preocupe,” ele diz a ela. “Você vai querer dizer a todos sobre isso.”

E eu sinto os dois movimentar na cama.


Eu seguro nos travesseiros, tentando certificar de que eles continuem me cobrindo, quando eles
avançam nessa direção. Respiração pesada, movimentos constantes, beijos, e alguns gemidos dela, e de
repente a cabeceira bate na parede.
Jesus! Para uma garota que não fica com um júnior, ela está certamente dando a este tudo dela.

Meu corpo oscila para frente e para trás, e balanço a cabeça. Eu não poderia ficar aqui enquanto
eles fazem sexo.
Virando sobre minha barriga, eu afundo meus cotovelos na cama e me arrasto para o lado,
deslizando para o chão. Eu agacho no tapete, imóvel por um momento e ouvindo os gemidos e beijos
deles.
Ainda estava acontecendo.

Eles não me notariam.


Rastejando ao redor da cama, eu sigo para a porta para ver se o corredor está limpo. Todos já
deviam ser encontrados até agora.
Mas então a porta do quarto se abre novamente, e um cara, sua máscara empurrada cima em cima
da cabeça, imediatamente me vê.

"Bem, bem."
Oh, inferno não.
Levanto e passo correndo por ele, indo para o corredor.

E acabo nos braços de outra pessoa.

Eu grito, recuo minha mão, fecho o punho e bato no cara bem na face da sua máscara.
Ele tropeça para trás. "Merda!"

Tirando a máscara, ele deixa-a cair ao chão e agarra o nariz com as duas mãos.
Will Grayson.
Recuo, mantendo minha distância. Mas eu meio que queria rir. Essas pessoas estiveram me
agarrando a noite toda. Era apenas uma questão de tempo.

Algumas vaias de riso enchem o corredor, e Will afasta suas mãos para verificar se há sangue.
“Você não pode pega-la, cara?” Alguém grita.
As pessoas riem, mas eu mantenho meus olhos nele, pronta. Eu não ia ser pega.

“Bem, o que você quer que eu faça?” Ele estende as mãos, discutindo com seus amigos. “Eu não
posso bater nela!”
“Não, você não pode, não é?” Eu provoco ele.

E a multidão vai à loucura.

Ele balança a cabeça para mim. “Sua merdinha.”


E eu sorrio, apesar de minhas mãos tremerem. Isso é mais confortável para mim. Eu estava
acostumada a morar com caras rudes.
Mas ele avança, ameaçando, “Eu vou colocar você em um armário por isso.”

“Não se você não pode me pegar.” Então eu respiro fundo e dou um passo adiante, lançando meu
punho em direção ao seu rosto, mas ele esquiva. Eu rapidamente bato minha mão esquerda sob seu
queixo, jogando sua cabeça para trás.
Oh, merda, funcionou!
Ele tropeça e rosna, me agarrando pelo moletom, me arrastando e me jogando por cima do ombro.
De novo não!

“É a única maneira que você pode ganhar, hein?” Eu falo irritada, contorcendo-se enquanto os
espectadores balançam com prazer. “Você pega os caras com que você briga também? Ou você gosta que
seus homens se curvem, é isso?”
Risos enchem o corredor, mas depois meu corpo é levantado novamente, e eu grito, minha bunda
batendo no chão. Que diabos?

Fico sem folego, e eu tusso tentando recuperar minha respiração.


Will sobe em cima de mim, me empurrando de costas e agarrando meus pulsos. Eu luto, forçando
meus músculos ardentes contra o seu aperto, mas ele acaba empurrando minhas mãos acima da minha
cabeça, mantendo-as lá. Eu não sou forte o suficiente. Filho da puta.
Movimento sob o seu peso, a multidão uivando em torno de nós enquanto ele me prende no chão.

Will resmunga, o fedor de cerveja vem do seu fôlego enquanto ele luta para manter o poder sobre
mim. “Isto é o que você realmente quer, não é, tampinha?”
“Coma merda!”
Eu ataco debaixo dele, mas ele apenas cai na gargalhada.

Todos eles estão rindo. Meu irmão estava certo. Isso era o que sempre faziam com as mulheres. Fui
sujeita a ficar de costas, sem dúvida, onde o idiota aqui pensou que eu pertencia.
Eu solto um grunhido, jogando todo o meu peso contra ele, e inverto nossa posição. Eu preparo um
soco e atinjo seu nariz, antes que ele se afaste de mim. Eu pouso no chão, nós dois nos esforçando para
ficar de pé, ele segurando o nariz e fazendo uma careta.

Eu avanço para ele novamente.

Mas alguém pega meu moletom por trás e envolve um braço em minha cintura, levantando-me do
chão.

“Uau, calma tigre.” O peito largo nas minhas costas balança quando o homem atrás de mim ri.
Eu respiro com dificuldade, empurrando minha cabeça para dar uma olhada.

Eu encontro cara a cara com uma máscara prateada. O capuz do seu moletom preto está abaixado,
mas eu encontro seus olhos quando eles olham para mim e vejo seu cabelo escuro.
Kai.
Ele olha para frente, inclinando o queixo de sua máscara. "Que diabos está fazendo?"

Eu olho para Will, sua cabeça inclinada para trás, o dedo debaixo do seu nariz, e sangue
escorrendo sobre o lábio superior. “Conseguindo tirar essa merda de cima de mim,” ele resmunga
enquanto a multidão conversa divertida ao nosso redor. “Ela é uma lutadora.”
“Eu só bati porque você me deixou,” eu falo. “Vamos acabar com isso. De verdade dessa vez.”
Will revira os olhos, e Kai aperta seu braço, mas ouço sua risada ofegante atrás de mim.

“Ninguém quer ver você machucada, querida,” diz Kai, me colocando no chão e ficando do meu
lado, olhando para mim. "Você está bem?"
Eu empurro meu cabelo atrás da minha orelha, fazendo uma pausa quando percebo que meu capuz
tinha descido. Olho para esquerda e para a direita. Por favor, permita que Damon não me viu aqui.
Eu puxo o capuz, cobrindo-me tanto quanto possível.

“Você é de outra escola?” Pergunta Kai. “Esta é uma festa de Thunder Bay. Você deveria estar
aqui?”
Ele não me reconheceu.
A maquiagem. Eu tinha esquecido sobre a maquiagem que estou usando.

Além disso, eu estava de pijama e moletom, roupas diferentes daquela que usei no cemitério.
Começo a recuar.
Quanto mais tempo eu fico, maior a chance de ser descoberta. É hora de sair.

“Espere um minuto,” diz ele, dando um passo em minha direção. “Esta é uma festa particular.
Quem é você?”
Meu olhar salta para as pessoas no corredor, vendo eles nos observando.
“Eu posso lhe dar uma carona,” Kai oferece, avançando lentamente enquanto recuo. "Você tem
carro? Quantos anos você tem?"
“Kai, deixa ela ir. Vamos lá!” Will chama, indo para outro quarto.

Dou um passo, segurando o olhar de Kai e meu coração batendo forte. “Idade suficiente para ter
visto e ouvido o pior,” eu digo a ele.
E ele para no meio do passo.
Uma onda de emoção cresce na minha garganta, e minhas pernas queimam com o impulso de
correr.

Ele olha para mim, seu peito subindo e descendo mais rápido. Ele lembrou. Eu estava com medo
que ele não iria. Talvez eu tinha sonhado com o confessionário esta manhã, e nunca realmente aconteceu.
Mas ele levanta a cabeça, e parece que ele está se concentrando.
Merda.

Dou mais um passo para trás, passando pela multidão, e continuo.


“Michael me trouxe aqui.” Eu engulo com dificuldade, minha boca tão seca. "Não tem nada a ver
com você. Eu não quero nem estar aqui.”
Eu tropeço em algo no chão, desviando o olhar para encontrar o meu apoio e rapidamente olhando
para ele. Mas ele apenas fica enraizado em seu lugar, me observando.

Ele não ia dizer nada?


Eu continuo a recuar, com medo de virar as costas para ele.
E então ele dá um passo.

Eu sugo uma respiração curta. "O que você está fazendo?"


Ele dá outro passo. “Dando-lhe uma vantagem.”
Meu estômago revira. “Mas eu não... eu não queria jogar!”

“Oh, você esteve jogando comigo a noite toda,” diz ele, um rosnado preso em sua voz. "Corre.
Porque eu me transformo em uma pessoa muito diferente quando ninguém está olhando.”
Eu perco minha respiração e giro ao redor, afastando. O saguão. Haveria pessoas no saguão. E
funcionários da recepção. Corro até o fim do corredor, passando o elevador, sem olhar para trás e saio
correndo pela porta de saída que conduz à escadaria.
A luz brilhante me cega, e eu agarro o corrimão enquanto desço as escadas correndo, virando no
final da escada, salto no próximo lance de escadas. Eu ouço a porta acima se fechar, mas então um som
ecoa na escada, e eu sei que era o som dela se abrindo novamente.

Engasgo com um suspiro e desço para outro lance, pulando os degraus. Mas eu não podia deixar
de olhar para trás. Olhando sobre meu ombro, eu procuro por seus sapatos ou qualquer movimento, mas
nada. Nem mesmo o som de passos sendo dados.
Mas então, de repente, ele pousa com um baque forte no patamar, saltando sobre os corrimões e
dois lances de escada.

Ele endireita os joelhos curvados, ficando de pé novamente, e seus olhos escuros me perfuram
através da máscara horrível. Meu coração aloja na minha garganta, e eu grito, descendo mais rápido as
escadas e sentindo ele em mim como as roupas do meu corpo.

Os músculos das minhas pernas queimam, e suor cobre minha testa, mas Deus, eu estava excitada.
Eu quero que ele me pegue.
Continuando a descer rapidamente as escadas, posso ouvir seus saltos cada vez mais perto. Mas eu
não olho para trás. Eu não quero vê-lo chegando. Eu só quero sentir. Sentir seus braços envolverem em
torno de mim e o perigo tomar posse, obrigando-me a enfrentá-lo.

Minhas respirações saem curtas e superficiais, cada centímetro da minha pele desesperada para
ser agarrada, apertada, beijada, mordida, e chupada. Deus, o que ele estava fazendo comigo?
Alcançando o saguão, eu abro a porta, avistando o preto com o canto do meu olho e sorrindo, quase
delirante, porque eu estava tão assustada que ele está logo atrás de mim.
Eu corro pela porta, entrando no saguão, e olho em volta, vendo alguns retardatários ainda
sentados pelo hotel mal iluminado. Nenhum funcionário está na recepção, e eu me viro, sem ver quaisquer
seguranças ou porteiros ou alguém. Não que eu estava planejando correr para pedir ajudar, mas eu
assumi que o que Kai iria ou não fazer dependia de quem estava assistindo.
Girando rapidamente, eu tropeço para trás, observando a porta e a parede branca da escada visível
através da pequena janela retangular de repente se tornando negra quando sua forma cobre isso.

Um calor furioso queima em minha barriga, e eu paro de respirar quando ele abre a porta e entra,
seus olhos presos em mim.
Ele parece muito maior agora. Ele já é alto, mas eu estou com medo, e o medo me faz estimar seu
tamanho com o meu. Ele provavelmente poderia envolver seus braços em volta de mim quase duas vezes.
Faça isso, eu desafio ele com meus olhos. Tem sido um longo dia de merda, e eu estou tão cansada,
mas o fogo corre em minhas veias, me fazendo sentir mais viva que nunca. Eu quero ver tudo do que ele é
feito. Silencioso, ponderando, estoico, e reservado Kai Mori. Vamos. Foda comigo.

Eu mergulho minha língua para fora, lambendo meu lábio e provando o suor na minha pele.
E ele dispara, me apressando.
Engulo em seco, girando e correndo para as primeiras portas que vejo. Eu ignoro a atenção que
tinha atraído das pessoas sentadas no corredor de entrada e abro a porta passando rapidamente por ela.

Ela bate atrás de mim, e eu atravesso o salão e entro atrás de um conjunto de cortinas pretas,
assim que porta se abre novamente.
Eu aperto minha mão sobre a boca, desesperada por ar, mas eu não consigo parar de ofegar. Está
muito alto. A porta fecha novamente, e eu não posso ouvir mais nada, meu coração está batendo tão forte
nos meus ouvidos. Ele está na sala?

Será que ele desistiu?

Eu quero que ele me encontre, a adrenalina da perseguição aquecendo meu sangue, mas eu estou
com muito medo também.

“Você sente isso, não sente?” Ele grita.


Fecho os olhos, tremendo incontrolavelmente.

“Eu já estou dentro de você.”


Meu clitóris pulsa, dolorido, e eu estendo a mão, segurando entre as minhas pernas. Oh Deus.
“Eu sei que você está aqui,” continua ele. “Eu vejo as cortinas se movendo.”

Minhas mãos caem, pousando no parapeito da janela atrás de mim quando eu apoio minhas costas
e olho para o pano preto na minha frente.
“Eu quero algo que não é meu,” ele rosna, e sei que ele está bem ali. “Mas não estamos aqui,
estamos?”
O que?

“Nós não existimos, e isso não está acontecendo,” ele me diz.


Mordo o lábio para não sorrir. Damon nunca saberia, e o que ele não sabia não faria mal a mim.

“Nós não estamos aqui,” eu sussurro de volta, seguindo o seu exemplo.

E então as cortinas abrem, e ele se aproxima de mim, tira a máscara, e agarra a parte de trás do
meu pescoço me puxando para ele.

Eu choramingo, minha boca encontra a sua, e de repente ele está em toda parte. Apertando o meu
pescoço, uma mão segurando a minha bunda, meus braços ao redor de seu pescoço, e sua cintura estreita
pressionando dolorosamente forte entre as minhas coxas, eu luto para aproximar mais. Eu quero ele
inteiro. Sua boca cobre a minha, e nos beijamos, forte e rápido, comendo um ao outro vivo. Ele tem gosto
de tudo o que eu sempre precisei.
Mordo seu lábio, arrastando-o entre meus dentes enquanto eu me atrapalho com a fivela do seu
cinto.

“Eu só quero você,” eu falo contra sua boca, nossos lábios macios provocando um ao outro. “Não é
como com ele. Eu só falo com você.”
Ele me empurra para trás, levantando o moletom e minha camiseta, e começa a chupar meu peito
enquanto ele se aninha entre as minhas pernas, esfregando com força.
Fecho os olhos, gemendo. Fogo floresce no meu mamilo e espalha sobre a minha pele. Oh Deus.
“Nós não vamos falar agora,” ele diz entre os dentes, movendo-se para o outro. Sua língua é tão
quente e acende uma fogueira entre as minhas pernas.

Jeans aberto, ele pressiona em mim, e eu reviro os quadris para encontrá-lo novamente. A
protuberância grossa sob sua cueca brinca com meu clitóris e quando esfrega sobre ele novamente.
Eu grito, e ele cobre minha boca com uma mão sobre minha boca, me fodendo sem penetração
enquanto ele se inclina mais perto e morde minha orelha.
“Eu posso sentir isso,” ele sussurra, sua outra mão segurando meu quadril. “Você me quer, não é?
Você quer isso?"

Eu balanço a cabeça, grunhindo, suando, e esfregando com mais força, tentando garantir meu
orgasmo que está quase aparecendo.
“Eu vou roubar essas pernas abertas e te foder em todos os cantos que eu conseguir colocar você
dentro.”
Gemendo de novo, eu viro minha cabeça e pego sua boca, tão faminta. Suas palavras. Deus, suas
palavras. “Foda-me,” eu imploro. “Persiga-me, me roube, e me foda. Esconda-me, eu não me importo.”

Ele agarra a parte de trás da minha cabeça, me puxa para o seu peito, e me fode sem penetração
com mais força, nós dois ofegando e grunhindo e, finalmente beijando enquanto nós dois gozamos. Uma
corrente elétrica é liberada e se espalha pelas minhas pernas, minha buceta tão quente quando eu fico
mais molhada.

“Minha,” ele geme.


Eu deslizo minhas mãos sob seu capuz, sentindo suas costas molhadas e enterro meu rosto em seu
peito quando o orgasmo desaparece, e meu coração pulsa em meus ouvidos.

Ficamos lá, imóveis e quentes, mas incapazes de nos mover. Prendo minhas pernas em torno das
suas costas e apenas respiro quando segundos se transformam em um minuto e um minuto se transforma
em dois.
Seus dedos empurram através do meu cabelo, e ele força minha cabeça para trás e meus olhos
para cima quando ele se inclina e me beija suavemente. Profundo, longo e lento, eu poderia beijá-lo para
sempre.
“Encontre-me amanhã na Bell Tower,” ele me diz.

Mas eu balanço a cabeça. “Eu não posso tão cedo. Estarei trancada.”
“Eu não vou esperar.” Ele se inclina para beijar minha orelha enquanto ele alcança entre minhas
pernas para me esfregar. “Encontre uma maneira de sair, ou vou encontrar uma maneira de entrar. Eu não
me importo de fazer isso atrás de outro conjunto de cortinas se precisamos disso.” E então ele enfia a mão
na frente do meu short de dormir e as pontas de seus dedos dentro de mim.
“Ah,” eu me contorço para trás. Isso machuca.

Mas eu tremo, também. Ainda havia muito para sentir.


“Eu gosto de perseguir você,” diz ele, uma sugestão de sorriso nos lábios. “Gosto das nossas
preliminares.”
Eu balanço a cabeça. "Eu gosto disso também."

“Esconda comigo, então?”


Esconder do meu irmão? Esconder de David, Lev, e Ilia e esgueirar por aí com Kai?
Eu balanço a cabeça novamente. “Ok.”

Ele me beija, e apesar de saber que não estávamos sendo realistas - esconder um com o outro não
duraria – eu não poderia deixar de estar animada pela promessa de mais momentos roubados. Eu só quero
estar com ele. Eu quero senti-lo.
Perdida em seus lábios, eu não notei a música primeiro. Respingos de chuva ao redor, e eu quase
olho pela janela para ver se está chovendo, mas então eu ouço a melodia seguir rapidamente. O tilintar de
notas altas de um xilofone ou algum instrumento que soa como uma canção de ninar assombrada
pendurada no silêncio do salão.
Nós dois paramos e olhamos para cima e, em seguida, ao redor.
E eu não posso acreditar no que estou vendo. De repente, uma mulher bonita vem girando de fora
do palco, entrando na pista de dança, suas sapatilhas de balé pretas amarradas em suas pernas brancas,
mas fortes, enquanto seu cabelo preto balança em volta dela. Ela entra e gira como um sonho para a
melodia estranha, seu traje preto esfarrapado, mas extravagante como um cisne em torno dela, adornado
com penas e brilhos. Ela é sonho.
“Você vê o que estou vendo?” Kai sussurra.

“Sim,” eu respondo, incapaz de afastar o olhar. “É a mulher dançando.”


Capítulo 14
Kai

Presente

“Ei, garota,” chamo Banks quando ela passa pela porta do escritório. “Venha aqui por um minuto.”

Ela para, hesitando antes de entrar. Pego em suas roupas, tudo seco e de volta ao seu corpo,
cobrindo cada centímetro possível de pele novamente. Ela não podia esperar para tirar as coisas de Alex,
não é?

Fico em pé atrás da mesa e pego um conjunto de chaves em um anel, jogando-as pela sala em
direção a ela.

Ela pega, e as analisa por um momento. "O que é isso?"

“Chaves para o dojo. Caso eu precise que você pegue alguma coisa, deixe algo... há também os
chuveiros, os quartos no andar de cima, a lavanderia, a comida na cozinha da equipe...” eu me afasto,
para guardar os recibos do mês em uma pasta na gaveta. “Entre e saia quando quiser.”

“Eu tenho um chuveiro, uma cama, e um lugar para lavar roupa.”


Olho para cima, encontrando seus olhos teimosos e nem um pouco surpreso com o quanto ela é
inteligente. Sim, tudo bem. Talvez, eu não tenha sido tão sutil com a insinuação.

Mas estraguei tudo. “Não foi bem isso que quis dizer. Você precisa de chaves como parte do seu
trabalho. Não é tão complicado.”
“Como você sabe que não vou te enganar?”

Fecho a gaveta, um sorriso puxando minha boca enquanto fico em pé. “Porque eu sou um grande
juiz de caráter e pequenos roubos não parece ser seu estilo,” digo a ela.

Ela pode precisar das chaves no caso de ter que entrar aqui enquanto está fechado, mas suas
suspeitas iniciais também estão corretas. Gabriel a deixou viver como uma miserável — que é evidente em
sua roupa — e ainda não estou seguro de qual é a sua forma de sustento. Ela diz que vive na cidade, mas
nem faço ideia do estado e da situação de sua residência. Quero ter certeza que ela tenha outra opção se
quiser. O dojo é seguro, limpo, e ela teria tudo o que precisa aqui.
Exceto um carro. Devo me certificar que ela tenha um, então, não será apanhada pela chuva como
aconteceu esta manhã.

Ela empurra as chaves no bolso e se vira para sair.

“Posso ver que suas roupas já secaram.” Deixo meus olhos cair na parte de trás de suas pernas —
pernas que vi apenas uma vez.

“Tenho algumas cláusulas contratuais que você pode levar para Gabriel,” digo a ela, limpando a
garganta. "Estão na mesa."
Ela se aproxima e pega o envelope, segurando-o ao seu lado. “Mais alguma coisa?” Não, na
verdade, não.

Mas, também não quero que ela vá embora.


"Sim." Coloco minha caneta no suporte e levanto meus olhos para ela. "Não importa como você se
cobrir, nunca é o suficiente, você é linda."

Ela franze a testa, e depois vira e sai pela porta do escritório o mais rápido que pode.

Balanço a cabeça, sorrindo para mim. A mulher mais teimosa que eu já conheci na minha vida.

Alex cruza a porta aberta, em direção ao fundo do corredor.

“Alex?” Chamo, virando e caminhando ao redor da minha mesa novamente.

Ela entra na sala, uma toalha branca por cima do ombro e suor brilhando em seu tórax.
Pego minha carteira e tiro um cartão preto. “Leve Banks às compras nos próximos dias,” digo e
entrego o cartão de crédito. “A festa de Will está chegando e ela precisará de algo para vestir.”
Sua expressão impaciente se transforma em fascinada quando pega o cartão de crédito.

“Serei uma consultora de moda?” Ela pergunta, brincando. “É isso aí.”


“Eu pago pelo seu tempo.”

“Certo.” Ela encolhe os ombros. “Pode me presentear com uma roupa nova, também, e ficamos
quites.”

Ela vira e se dirige para a porta.

“Alex?” Chamo. “Pegue também algumas roupas normais, para o dia a dia.”

“E se ela rejeitar?”

Desligo a lâmpada de mesa e sigo em direção à porta. “Então, compre o que quiser usar. Ela terá
algumas opções caso decida remover o pau da sua bunda.”

Abro a porta completamente e nós dois saímos.


“Quanto posso gastar?” Ela pergunta.

“Eu te ligo quando os alertas de texto começarem a me assustar.”


Envolvo um elástico em todos os envelopes e pego minha mochila. Passa das seis quando termino,
embora ainda tivéssemos um fluxo constante de pessoas indo e vindo.

Will não ajuda, Rika está ocupada dando aulas ou indo à escola, e Michael está quase sempre
desaparecido. Eu sou o único que não tem absolutamente nada a fazer com o resto do dia.

Não que me importe. Gosto do que fazemos aqui e onde estamos levando nossos outros interesses
imobiliários, mas quero me aproximar do The Pope. Desta vez, sozinho.
Entrego a pilha de cheques de pagamento para Caroline, para que ela possa distribuí-los, aceno
boa noite e sigo até a porta da frente.
Nuvens surgem de forma ameaçadora, atravessando a cidade escura como uma avalanche de
ondas oceânicas, e está excepcionalmente quente. Realmente quente, até posso sentir o cheiro do alcatrão
nas ruas.

Meu telefone toca, e puxo do bolso do jeans enquanto abro a porta do carro e o atendo.

“Alô?”
Jogo minha mochila no carro, pego o telefone com a outra mão e troco para outro ouvido.

A linha fica em silêncio.

“Olá?” Pergunto novamente.


E então a voz disse: “Você já fodeu com ela?”

Levanto meu queixo e empertigo a coluna. Calor inunda minhas veias.


Damon.

Não entendo o que existe em sua voz que me faz tremer. Ele sempre faz de uma forma, mas não
tinha percebido isso até agora. Depois de passar tanto tempo sem ouvi-lo.

Glacial. Isso é o que é. Parece o ponto de uma lâmina cavando em sua pele.

“Ela é bonita enquanto dorme," ele me diz. "Muitas noites a vi ao meu lado, desejando poder
dormir assim.”

Minha mão dói, e abro meus dedos quando percebo que meu punho está tenso ao redor da moldura
da porta.
“Em poucos dias, será a Devil’s Night,” ressalta como se eu não soubesse. “Planos para este ano?”

Minha boca permanece fechada. Olho para cima, virando lentamente a minha cabeça para a
esquerda e para a direita, procurando qualquer sinal dele.

Você já fodeu com ela? Presumo que ele fale sobre Banks. O que significava que ele sabe que ela
trabalha para mim agora.
“Você sabe que não sou estúpido.” Ele não faz uma pergunta, ele enfatiza a palavra sabe. “Você
acima de todos sabe disso. Você realmente acha que vai me encontrar no The Pope? Acha que o lugar não
está grampeado e eu não o veria chegando? Que Banks deixaria você fodê-la se por um segundo pensasse
que eu estava lá? Ela sempre será minha.”

Carros passam enquanto o vento quente chicoteia pelo beco onde havia estacionado. Parte de mim
espera que ele esteja certo. Ela pode me levar a ele.

“Você anda tão entediado, não é?” Ele provoca. “Tão, entediado, porque me ter por perto lhe deu
um pretexto para o ser o depravado que sempre foi. Para se entregar e dar uma boa olhada nesse
monstro. Você não é nobre por trás de portas fechadas, Kai.”

“Onde você está?”, Pergunto.


"Por aí."

Torço meus lábios em sua resposta dissimulada.

“Rika também está sozinha,” continua ele. “Com Michael fora o tempo todo, você realmente não
deveria ter se posicionado tão longe na outra margem do rio.”
Mal registro a mudança de assunto, fechando meus olhos.

“Na noite passada, ela dormiu com a mais tentadora calcinha de seda branca.” Seu tom está
confiante, e sinto minha mão apertar ao redor do telefone. “Foi quase insuportável, observar aquele corpo
desperdiçado naquela cama vazia e fria. Deus, eu queria fodê-la... quarto escuro, meio adormecida... ela
nem poderia ter notado a diferença.”
Ele está mentindo. Fodendo comigo. Não tem como ele entrar naquele apartamento. Michael pode
estar ausente, mas ele tomou precauções significativas. Reforçou a segurança, mudou todas as senhas,
contratou pessoal adicional... inclusive até rastreou seu telefone e carro. Eu deveria me sentir culpado por
isso, desde que ela também é minha amiga, mas sabíamos que ela ofereceria resistência, e seria inútil.
Michael estava certo. Foi necessário.

Estava honestamente surpreso que ele não tenha marcado suas joias, também, já que Damon não
iria levá-la em seu próprio carro e saberia se livrar do telefone.

“Mas preciso esperar meu tempo,” Damon diz melancolicamente. “Aguardo há tanto tempo. Não
vou me precipitar.”
Precipitar?
“Teve tanto trabalho por nada, comprando The Pope,” ele continua. “Você não vai me encontrar.”

“Eu não diria que foi tudo por nada.” Fixo meus olhos na estrada no hotel. “Sua pequena vadia é
muito mais prazerosa do que pensei que seria.”

Essa foi uma declaração completamente verdadeira. Que ele deduza o que quiser.
“Acho que agora entendo por que você gosta tanto dela. Por que, sem as roupas provocativas,
maquiagem e penteados, você encontra algo tão sedutor.” Respiro, gostando deste lado de jogar um
inferno e coisas bem piores. O lado onde estou na ofensiva. “Ela é tão reprimida. É cativante vê-la
totalmente solta e entregue ao prazer. Perceber que ela gosta de ser vista como uma mulher.” E então falo
lentamente, “e que ela gosta de fazer coisas que uma mulher faz.”

Consegui sentir o seu silêncio como se fosse suas mãos contra a minha cara. Só que não vou
recuar.
“Tão silencioso de repente?" Brinco.
“Nik é minha,” ele afirma, com a voz entrecortada. “Você nunca será para ela o que sou.” Nik?
Esse é o primeiro nome dela?

“E vou te matar na frente dela,” acrescento.


“Bem, vamos lá então. Por que esperar até a Devil’s Night? Vamos acabar com isso.” Bato a porta
do carro, caminhando em direção à rua e ao chuvisco que flutua no ar. Não faço ideia se ele está em The
Pope ou não, mas encaro o edifício como se estivesse falando diretamente com ele. “Ou você pode fugir
novamente. Ou."
“Mas isso não é o que você quer,” ele diz, com a maldade dissimulada de volta em sua voz. “Eu te
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disse, Slope , não sou burro. Eu sei o que você está procurando. E não é um confronto, nem vingança, e
nem mesmo Banks.”

Posiciono meus olhos em uma janela acima, desejando que ele apareça.
“Vá em frente,” ele desafia. "Faça. Pergunte-me o que você e eu sabemos que você não quer que
Will, Michael e Rika descubram.”
Meu peito arfa com respirações silenciosas.

“Pergunte-me onde enterrei o corpo quando limpei sua merda há seis anos.” Fecho meus olhos,
completamente nervoso.
Ele não esqueceu. Ele nunca esqueceria. Achei mesmo que ele faria?
Agredir um policial e ficar na prisão por três anos, não foi a pior coisa que fiz. Eu ainda nem
comecei a pagar pelos meus crimes.

“Não me diga,” engasgo, completamente desinflando enquanto olho em frente, mas tento ser forte.
“Porque se você fizer isso, eu vou enterrá-lo com ela. E sei que você odeia isso.”

Desligo, parando na frente do beco e olhando para o hotel enquanto o pesadelo de uma noite
retorna a minha mente.

Como estávamos nos divertindo e tudo fugiu ao controle. Como estava confuso, com raiva e não
conseguia me conter, e como a fúria me consumia. Como eu queria machucá-la, embora não a conhecesse
de verdade, mas ainda assim a odiava.

Como já amei Damon, e como sabia que Gabriel Torrance estava errado. Eu faria qualquer coisa
por seu filho. E fiz qualquer coisa por seu filho.
Eu matei por ele, e no ano passado ele se virou e quase me matou.
Olho para cima, de volta ao hotel, imaginando se ele estava certo. Eu tinha perdido meu tempo?
Talvez eu devesse ter seguido sua preciosa namoradinha em vez disso?

Duas coisas eram certas, no entanto.


Ele estava aqui, na cidade, e ele ainda queria Rika. Antecipar-me a ele não tinha sido um erro.
Eu ligarei para Gabriel amanhã e desistirei da minha proposta sobre o hotel. Eu não tinha assinado
um contrato, então não houve acordo.

Mexo-me para virar, o granulado da luz ficando mais pesado à medida que cai na minha cabeça,
mas depois paro. Olhando para o beco do outro lado da rua, vejo Banks saindo de um SUV sozinha. Ela
olha em volta, não me vendo, e corre para a mesma porta de trás que tinha entrado há poucos dias.
O que ela está fazendo?
O trovão racha em cima, dividindo-se por todo o céu, e eu mergulho do outro lado da rua, correndo
quando os faróis de um carro brilham através da névoa.

Atingindo a parte de trás do edifício, eu cavo minhas chaves e olho para baixo, percebendo que eu
tinha dado a Banks o conjunto do hotel. Mas eu ainda tenho o código memorizado. Digitando os sete
dígitos no teclado, eu coloco minhas chaves no bolso e abro a porta, rapidamente escorregando para
dentro.
Eu não lhe disse para fazer nada no hotel hoje. Ela não está aqui por mim, eu sei disso. Tirando o
meu telefone, eu acendo a lanterna e caminho para fora da cozinha através da sala de jantar e do lobby.
Entrando no espaço aberto, eu viro minha cabeça para a direita e esquerda, procurando por ela. Onde ela
foi?

Mas então eu ouço um zumbido maçante, um ruído enterrado como se nas paredes ou sob o piso.
Seguindo o som, eu viro meu olhar para a esquerda e vejo os números acima um dos elevadores se
iluminando.

Quando ele sobe mais e mais alto.


Eles estão funcionando?

Estendendo a mão para pressionar a seta para cima, faço uma pausa e depois me afasto. Em que
andar ela parou? Eu assisto os números acenderem - oito, em seguida, nove e dez... E então eles
continuam -onze, doze…

E ele para. A luz não sobe mais. Décimo segundo andar.

Eu rapidamente aperto o botão de cima, tocando-o várias vezes conforme o meu sangue começa a
ferver.
Você tem que estar brincando comigo. O elevador foi para o décimo segundo andar.
Espero que ele desça novamente, mantendo meu telefone celular à mão no caso de precisar de luz.

Como diabos ela conseguiu que os elevadores funcionassem?

Assim que as portas se abrem, eu entro, dou um soco no doze e, em seguida, o botão para as portas
se fecharem.
Ela sabia que ele estava aqui o tempo todo. Ela estava vendo-o, observando-nos atrapalhar e
ouvindo nossas conversas. Quer dizer, eu sabia que ela não estava do nosso lado. Ela nunca escondeu
onde sua lealdade estava? Então, por que eu quero estrangulá-la mais do que ele agora?

Eu aperto minha maldita mandíbula tão forte, meus dentes doem. Se ela gosta tanto de homens
cruéis, eu deveria mostrar-lhe quão cruel eu poderia ser.
Bato minha mão no 12 de novo, com tanta raiva que eu quase não noto que não esta acendendo.
Ou que o elevador não está se movendo ainda.

Que porra é essa? Não estava funcionando um minuto atrás? Por que ele não estava funcionando
agora?
Aperto o botão mais algumas vezes, olhando ao redor para todas as luzes do painel do elevador que
registram onde eu queria apertar, mas nada.
A iluminação fluorescente está desagradável dentro do elevador, e eu olho em torno de outros
botões para apertar ou qualquer outra coisa que parecia incomum. Qualquer coisa para indicar como
chegar onde eu quero ir.

O elevador foi para o décimo segundo andar. Um décimo segundo andar existia. Eu sabia disso
agora.
Aperto o 11 só para ver se ele vai funcionar.

E ele funciona. O 11 de repente ilumina-se, e eu sinto os cabos se moverem em torno de mim e


gravidade pesar sobre mim, quando começo a subir. As portas se abrem no onze, e eu olho para cima
tempo suficiente para ver o corredor escuro na minha frente antes de apertar o 13 e rapidamente as
portas fecharem novamente. Eu subo, mais uma vez, parando no 13 quando as portas se abrem,
permitindo-me entrar nesse andar.

As portas do elevador se fecham novamente. Como ela fez o elevador parar no 12?
Talvez houvesse outro acesso pela escada em um desses pisos? Eles tinham que ter um que
chegasse ao doze. E se houvesse um incêndio ou os elevadores quebrassem?
Estendi a mão e tentei a única outra coisa que pensei. Apertei o 11 e o 13 juntos.

Para minha surpresa, ambos se iluminaram.


Mas eu ainda não senti o movimento do elevador.
Em vez disso, um pequeno zumbido veio detrás de mim, e eu me virei, vendo um painel de prata
levantar-se para revelar um teclado escondido na parede do elevador.

Meu coração pulou uma batida. Então, era isso. Foi assim que ela foi ao décimo segundo andar.
E ela sabia disso na última vez que estivemos aqui.
Caminhando até o teclado, noto botões claros com números pretos sobre eles, juntamente com uma
pequena tela que está iluminada de verde.

Eu digito o único código que eu sei. Aquele das portas de fora para entrar no edifício.
Nada acontece.

Eu tento novamente, pressionando o símbolo de # depois.

Nada ainda.
Era um código diferente. Um que eu não tinha.
Mas algo que Banks disse certa vez me faz parar.

“... e quando ele foi investigado não havia sequer uma possibilidade de o elevador parar lá. O piso
estava cercado.”
Mas isso não era verdade. Ela parou neste piso.
Mantendo as costas para as portas do elevador, eu inclino-me para a parede de trás, deitando com
a cabeça no aço. Corro a mão até a borda, notando um intervalo onde a parede encontra o painel.

Um vão.
Esta não era uma parede. Era uma porta, e este elevador se abria pela frente e por trás.
Jesus.

De repente, a porta se move na minha frente e começa a abrir. Eu me empurro de volta enquanto a
parede prata - a entrada secreta – se movimenta e Banks está em pé na minha frente, seus olhos se
arregalando quando ela me vê.
Olho além dela brevemente, vendo a extensão maciça e escura atrás dela. Não há portas de
quartos com números, nem corredor, sem carpetes de merda...
É uma cobertura.

Viro meu olhar para trás dela. “Você sabia o tempo todo.”
Ela olha para mim, seu corpo parado e rígido.
Entro na cobertura, obrigando-a a dar um passo para trás. “Leve-me para ele.”

“Ele não está aqui.”


Mas eu caminho para ela, avançando em seu espaço com um olhar de advertência.
“Ele não está aqui!” Ela resmunga.

“Você é uma maldita mentirosa!”

“Eu suspeitava que ele pudesse estar, por isso vim verificar. Mais uma vez” ela acrescenta
enquanto passo por ela e dou uma longa olhada.
Os quartos estavam escuros, a sala de estar no canto, dando lugar a uma biblioteca e salão, com
alguns corredores que conduzem para vários lugares, provavelmente quartos. Havia sofás e luminárias,
mesas e tapetes, todo o lugar configurado como uma casa com uma visão melhor.

Quando eu viro ao redor do elevador, noto a varanda através dos dois conjuntos de portas
francesas que estávamos tentando chegar no outro dia.
Este apartamento parecia que ocupava um andar inteiro. O que significava que ele pode ter várias
varandas contornando todos os lados do edifício.
“Como você conseguiu que o elevador funcionasse sem eletricidade?” Eu pergunto.

Ela enfiou as mãos nos bolsos. “Os elevadores têm um disjuntor diferente.”
“E você sabia disso quando estávamos aqui da última vez?” Ela desvia os olhos.
Obviamente.

O cheiro persistente de cravo chega a minhas narinas, e eu o reconheço imediatamente.


Damon fumava principalmente Davidoffs, mas de vez em quando ele desfrutava de Djarum Blacks.
O odor era persistente, e eu nunca esqueci.
“Você tinha que saber que eu nunca o entregaria a você.” A voz de Banks é solene. “Eu sei do que
você e seus amigos são capazes.”

Eu me viro, incapaz de impedir o rosnado de sair. “O que eu sou capaz?” Eu pergunto a ela. “Então,
ele é a vítima?”
Aproximo-me dela, cansado de sua mente estreita e tudo sendo preto ou branco com ela. “Eu era
seu amigo. Eu sempre estava ao seu lado, e ele não fez nada, além de tentar nos ferir. Ele é uma ameaça.”
Viro de volta e mais para dentro da cobertura, caminhando para baixo em um dos corredores
curtos.
Entro em quartos, levantado um pouco de poeira, alguns lençóis de babados, e um cheiro úmido,
provavelmente do lugar que está fechado há muito tempo.
Pisando em um quarto, uma varanda visível através das portas duplas, eu imediatamente vejo um
cinzeiro em uma cômoda e me aproximo para inspecioná-lo.

Pego uma das pontas de cigarro pretas de Damon em um mar de brancas e a trago para o meu
nariz.
O cheiro de terra e picante tem a mesma doçura avassaladora que eu me lembrava.
Deixo-a de volta no cinzeiro, notando todos os Davidoffs brancos também. Ambas as suas marcas.

Olhando ao redor do quarto, pego nos lençóis desarrumados com os travesseiros no pé da cama, as
garrafas de Corona no lixo, e o chão coberto com as embalagens de lençóis dentro de suas caixas de
cigarro, que Damon tinha uma obsessão em dobrar em pequenos pedaços até que não pudesse ser
dobrado mais.
“Ele pode não estar aqui agora, mas ele estava” eu digo, virando-me para encará-la.
Ela segura o meu olhar, permanecendo em silêncio.

“Onde ele está agora?” Pergunto, caminhando em direção a ela.


"Eu não sei."
Eu levanto minha cabeça, repetindo a minha pergunta. “Onde ele está?”

“Eu não sei.”


Outro passo em direção a ela. "Onde ele está?"

"Eu não sei."

Eu a prendo na parede, calor enchendo meu olhar “Ele é muito possessivo sobre você, não é?”
Ela prende os lábios entre os dentes, e há tantas coisas que eu ainda não tinha entendimento - por
que Damon estava tão ligado a ela, por que ela era tão leal a ele, e eu não tinha a menor idéia de quem
diabos ela realmente era, mas uma coisa eu sabia com certeza. Eu poderia mexer com Gabriel, eu poderia
balançar Rika como uma minhoca no anzol, mas essa menina, aqui, era a única pessoa para deixar Damon
insano.
Ela era sua fraqueza.

“Talvez eu não precise procurar por ele, afinal de contas,” digo a ela. “Eu tenho você, e ele vai vir
até mim, não vai? Com a motivação certa.”
Seus olhos se agarram aos meus, e eu pego um estremecimento de preocupação antes que ela o
esconda.
Mas aquele único vacilo foi tudo. Era uma rachadura, uma das únicas que eu tinha visto em seu
exterior duro, frio.

E por um momento esqueço tudo sobre Damon Torrance.


“Peça-me para não machucá-lo,” eu disse, minha voz falhando inesperadamente.
Mas ela apenas olha para mim, seu olhar vacilando apenas ligeiramente.

Aproximo-me mais, sentindo o calor de seu corpo. “Alguma vez lhe ocorreu que tudo que você tem
a fazer é pedir?”
Eu precisava de Damon, para que eu pudesse obter dele a localização do maldito corpo antes que
ele decidisse usá-lo contra mim, mas eu não tinha que machucá-lo. Isso era com ele. E talvez ela.
Ela procurou meus olhos, o abismo verde infinito começa a brilhar. Seu queixo treme, e ela balança
a cabeça lentamente, em guerra consigo mesma.

“Você não pode, não é? Você não vai me pedir nada.” Ela baixa os olhos, seu peito cedendo. “Você o
ama?” Pergunto.
"Sim."
Sua cabeça ainda estava abaixada quando ela sussurra, mas eu ouço a resposta rápida o suficiente.

“Sim”, ela repete, balançando a cabeça. "Eu o amo tanto. Mais do que eu nunca vou amar
ninguém.” Seus olhos marejados se levantam e encontram os meus novamente. “Eu posso controlá-lo. Se
eu puder encontrá-lo. Só me de uma chance."
Mas eu mal ouço a última parte.

Sim.
Eu o amo tanto.
Mais do que eu nunca vou amar ninguém.

Ela abriu seu coração, pelo menos parecia, mas era só para ele.
Eu me endireito, estremecendo.
“Você está chorando?” Pergunto. "Por ele?"

Ela não diria as palavras, ela não iria me pedir, mas estava em seus olhos. Ela era tanto sua agora
como era naquela época.
“Tudo bem” falo, inclinando-me e zombando dela. “Chore por ele, e me implore. Implore-me para
deixá-lo em paz, e eu vou.”
Sua mandíbula flexiona, e um rubor de raiva cruza seu rosto.

“Você tem uma chance de salvar a sua vida, Banks. Tudo que você tem a fazer é me pedir. Vamos.
Eu quero ver. Quão longe você vai por ele?” Eu mostro os dentes, fervendo. "Implore!"
Ela grita, sua mão enluvada vindo para o meu rosto.
Minha cabeça vira para o lado, e a queimadura do tapa espalha-se para os meus lábios.

Meu coração salta.


Novamente.
“Porra, você é patética.” Eu sorrio arrogantemente quando me viro para encarar sua vitória. “Seu
cachorrinho de colo, não é? Se você é boa, ele lhe permite o privilégio de lamber seu pau até ficar limpo
depois que ele fode uma mulher de verdade?”

“Ugh!” Ela rosna, batendo-me na mesma bochecha novamente.

Meu pescoço dói com o golpe súbito desta vez, e eu respiro fundo, absorvendo a dor. Ela é forte.
Eu mergulho minha língua no canto dos meus lábios, saboreando o gosto metálico onde meus
dentes tinham rasgado a pele. “Você nunca vai ser mais do que você é agora.” Eu me jogo, batendo
minhas mãos na parede atrás dela, trazendo-nos cara a cara. “Algo para os homens usarem. Isso é tudo o
que você é. E em cinquenta anos você vai acabar sozinha nunca sabendo como é.”

Corro meu polegar sobre a gota de sangue no canto da minha boca e a limpo na sua bochecha.
Ela rosna, batendo na minha mão, mas estou voando alto e não sei se estou chateado, excitado, ou
desesperado por este confronto, mas eu mergulho e perco o controle. Meu corpo costuma pensar.
Eu agarro a parte de trás do seu pescoço com uma mão e sua bunda com a outra e trago seu corpo
ao meu. “Como isto parece” rujo sobre os lábios, apertando meu pau duro e já desesperado por ela - na
sua virilha.

Ela geme e seu corpo instantaneamente endurece como se ela estivesse assustada, mas ela agarra
meus ombros de qualquer maneira, os dedos cavando minha pele através da minha camisa.

“E como isto parece”, eu sussurro, deslizando minha mão para baixo na parte de trás de sua calça
jeans e apertando um punhado de sua bunda suave e macia na minha mão.
Ela engasga, apertando os olhos fechados, mas eu não perco a forma como ela move a perna para o
lado de fora da minha, abrindo suas coxas um pouco mais para mim e rolando seus quadris.

Eu não sabia se ela pretendia fazê-lo, ou talvez ela apenas fosse como eu. Apenas se deixando
levar.
“Eu não vou te implorar para merda nenhuma” ela diz, uma lágrima caindo pelo seu rosto.
“Foda-se Damon.” Bato suas costas na parede, levantando-a e moendo meu pau entre as suas
pernas. “Isso é entre você e eu.”

Ela arfa enquanto tranca as pernas em volta do meu corpo. O pequeno traço de sangue em sua
bochecha começa a brilhar com seu suor, e eu não paro de tocá-la e não diminuo, porque se eu lhe der um
segundo para pensar, ela vai parar com isso.
“Eu gostei de você” sussurro. “Eu ainda me lembro como aqueles momentos roubados com você
foram bons.”
Entre todas as mulheres, minha mente sempre a encontrou.

E eu não posso esperar mais. Pego seus lábios, silenciando todas as nossas palavras, preocupações,
bagagem e merda e a beijo, mergulhando minha língua dentro e degustando como se ela fosse a porra da
minha refeição.
Menina fria – menina forte - por que eu estou obcecado? Por que eu estou com ciúmes que ela
provavelmente deu a muitos outros homens um pedaço dela naquela casa, mas mal me poupa uma palavra
ou frase?
Foda-se ela. Ela me quer. Eu não me importo com a besteira que sai de sua boca. Nós não somos
mais adolescentes, e eu não sou o cara bom. Ela vai fazer por mim o que ela fez para Damon ou David ou
quem diabos mais veio dentro e fora do Torrance e ela vai saber que eu sou muito implacável. Ela me
subestimou, mas ela não vai esquecer isso. Eu vou possuir um pedaço dela exatamente como eles.

Eu rasgo o casaco e o puxo para baixo os seus braços. "Tire sua camisa."
Eu a deixo cair a seus pés, o gorro desliza para fora da sua cabeça, deixando o cabelo cair livre
conforme eu puxo meu pulôver e camiseta sobre a minha cabeça e os deixo cair no chão.
Ela faz uma pausa, levantando os braços e cobrindo seu corpo ainda vestido. "Eu -"

Mas eu a agarro e beijo novamente, cortando-a. Ela geme em minha boca, e eu rasgo sua camisa
de flanela, fazendo os botões voarem, e eu me afasto, parando apenas um momento quando vejo as
ataduras que cobrem seu peito.

Que diabos?
Eu teria que perguntar a ela sobre isso mais tarde, quando minha cabeça estiver clara.

Olho para a mesa, vendo um abridor de cartas, e eu agarro, deslizando a lâmina fria de latão no
interior do envoltório e puxo com força, fatiando o material e vendo seus seios bonitos pularem livre. Eu
respiro com dificuldade, vendo brevemente as marcas em sua pele envolvidas tão apertado antes que eu
empurre sua camisa para baixo dos seus braços e me aproximo, aproximando o peito do meu.
“E como isto parece” eu respiro em seu ouvido, tonto com o sentimento de seus mamilos
endurecidos pressionados no meu peito.
Eu passo meus braços em torno dela, ficando louco com a forma como as costas são tão suaves
como a água e pela maneira como seu cabelo acaricia meus braços, deixando arrepios.

Ela se agarra em mim, ofegante e nervosa. "Eu sou dele. Eu pertenço a ele.”
Eu balanço a cabeça, forçando-a de volta para a cama. "Diga isso de novo."
Eu mergulho em seu pescoço, mordendo a pele lá.

“Eu pertenço a ele.” Ela geme, deixando a cabeça cair para trás. “Eu nunca vou ser sua. Eu odeio
você.”
“Mas você me quer.”
E eu a empurro de volta, fazendo-a cair para a cama.

Segurando seus olhos, eu desabotoo meu cinto, abro o zíper e empurro o resto das minhas roupas
pelas minhas pernas e meu corpo.
Ela inspira mais e mais rápido, arregalando os olhos e encarando meu pau enquanto ele se levanta
duro e pronto, assim como esteve desde que ela começou a me bater.
Eu preciso disso agora. Paixão. E não importo que seja com raiva. Desde que os sentimentos sejam
fortes.

Lágrimas enchem seus olhos, e vejo seus seios, apenas grande o suficiente para encher a minha
mão, e não posso esperar para possuir cada maldito centímetro dela.
“Você quer que eu pare”, eu a desafio, piso na cama e olho para ela. “Aqui está sua chance. Peça-
me para parar, e eu paro.”
Ela fica em silêncio, mas, em seguida, sua mandíbula trava, seus olhos ficam com raiva, e ela
rosna. “Sim, eu sabia que você era de muita conversa e de pouca ação. Vá em frente e pare em seguida,
covarde.”
Eu abro um sorriso.
Descendo, agarro o topo da sua calça jeans e calcinha e as puxo para baixo de suas pernas, as
roupas feitas sob medida saem sem nenhum problema. Ela grita, apertando os olhos fechados, mas eu sei
que é apenas seu orgulho falando.

Banks esteve com caras mais ásperos do que eu, mas eu ia ter a maldita certeza de que ela não se
esquecesse disso. A putinha Torrance seria minha por quanto tempo ela mantivesse as pernas abertas.
Eu me abaixo contra ela, gemendo a cada centímetro de sua pele quente contra a minha.
Eu levanto o joelho, e mordisco seus lábios enquanto eu me encaixo entre suas pernas. Deus, eu
posso sentir o calor molhado em seu centro. Meu corpo começa a tremer.

Eu cubro sua boca, sentindo seus gemidos e gemidos vibrarem debaixo dos meus lábios.
Trabalhando minha mão para baixo entre nós, eu me posicionei e começo a empurrar.
Ela engasga, seus músculos de repente tensos. "Eu estou assustada."

“Não fique. Damon não tem que saber que você adora ser fodida por mim mais do que por ele.”
E eu rosno, empurrando duro e profundo e afundando em seu corpo apertado; meu cérebro mal
registrando uma fina barreira cedendo.
Ela grita, jogando a cabeça para trás, com o rosto contorcido em dor. “Ah! Oh, Deus!”

Que porra é essa? Eu paro.


Seu corpo treme, suas unhas se cravam em meus ombros, e ela esta respirando a mil por hora. De
dor, não prazer.
Eu paro de respirar.

Não, não, não… O que? Não.


Eu deito lá, olhando para ela conforme meu pênis pulsa dentro dela.
Uma virgem?

Eu posso sentir a confusão gravada no meu rosto.


Ela era virgem, porra?
Ela suspira de novo e de novo, tentando recuperar o fôlego. Lentamente se acalma conforme o
choque declina, e nós ficamos apenas deitados lá, sua expressão começa a relaxar.

Ela abre os olhos, olhando para minha cara de dor.


Oh Deus. O que eu fiz?
Seus lábios lentamente se curvam em um meio sorriso. “Sim, você não esperava por isso, não é?”
Capítulo 15
Banks

Presente

“Que diabos está acontecendo?” Ele olha para mim em agonia, toda a mesquinhez e arrogância de
mais cedo se foi agora.

Eu sei sobre o que ele está confuso, mas eu não respondo. Pisco através das lágrimas nos meus
olhos.

Isso me feriu. Assim como Damon disse que iria.

Eu quis me afastar dele, mas então ele saberia que eu não poderia lidar com o que estava
acontecendo. Não podia me ajudar, além de me contorcer debaixo dele, no entanto, e tentar mudar a dor.

Queima, e estou desconfortável. Minha garganta incha com as lágrimas que estou tentando
segurar.

Claro, eu sabia que só iria doer uma vez, mas uma vez era tudo que eu iria sofrer, então me ajude.
Eu aperto minha mandíbula para impedir meu queixo de tremer. Não quero mostrar a vergonha que sinto.
Eu nunca farei isso de novo, porra. Isso não é bom.
“Saia de mim.” Resmungo. Estou com frio, dói, e parece uma intrusão. Como algo que não deveria
estar dentro de mim.

“Está tudo bem” ele sussurra baixinho, suavemente empurrando meu cabelo para fora do meu
olho. “Está tudo bem.”
“Você conseguiu o que queria, então saia de cima de mim agora.”

Estou quebrando, e as lágrimas se soltam, correndo pelas minhas têmporas, para o meu cabelo.
Estou arruinada.

Damon iria me odiar agora.


Mas Kai apenas balança a cabeça lentamente, ainda olhando para mim confuso. “Eu não sabia.
Eu... eu pensei...” Seus dedos caem para o lado do meu rosto e, em seguida, para o meu braço. “Que porra
está acontecendo?”

Sua testa cai na minha, e estou prestes a empurrá-lo para fora, mas eu hesito. Por que diabos ele
se importa? Não era isso o que ele queria? Se for a minha primeira vez ou a minha centésima, ele me usou
como o brinquedo que eu era para ele. O que importava?

“Quem você é para ele?” Ele pergunta, levantando a cabeça para olhar para mim.

"Não importa. Eu ainda vou escolhê-lo. Ele nunca me machucou desse jeito. Não como você.”

Ele estremece, e posso dizer que o feri. Kai se preocupa em ser ruim, e ele tenta ser sinistro, mas
não tão no fundo, ele era bom, e era quem ele era. Ele nunca iria mudar.

Ele não gosta de me machucar.

Ele move seu corpo, puxando para fora de mim, e eu vacilo na dor renovada entre as minhas
pernas conforme eu tento fechá-las.

Mas ele não se move de cima de mim. Ele fica entre as minhas coxas.

“Olhe para mim” ele me diz.

Lentamente, levanto os olhos novamente, e ele toca meu rosto.

“Eu teria sido mais suave na sua primeira vez” ele diz.

“Eu não me importo.” Balanço minha cabeça. “Eu não me importo com nada disso.”

Empurrando as palmas das mãos em seu peito, eu o empurro de cima de mim e saio da cama,
correndo.
Mas ele me pega por trás. Envolvendo um braço em volta da minha cintura, ele me puxa de volta, e
eu ofego, quando caímos de costas na cama. Eu deitada em cima dele, minhas costas moldadas no seu
peito.

Meu grito cortado por sua boca quando ele enfia os dedos na parte de trás do meu cabelo e torce
minha cabeça, segurando minha boca para a dele.

Eu bato e empurro, acotovelando-o enquanto eu tento torcer para longe, mas ele não me deixa ir.
Sua boca, forte e exigente, muda-se para o meu queixo, meu rosto, e meu ouvido, chupando e mordendo, e
eu rosno, jogando minha mão esquerda sobre o meu corpo e o esbofeteando.

"Machuque-me. Faça o que quiser comigo,” ele engasga em meu ouvido. "Eu mereço."

Ele trás as pernas para cima, entre as minhas, dobrando-as no joelho e espalhando as minhas.

Sua mão desliza entre as minhas pernas, e eu grito, de repente com medo, mas ele para e apenas a
descansa ali, imóvel conforme ele me segura na palma da sua mão.

“Kai!” Eu grito, lutando contra ele.

Seus lábios param na minha bochecha, respirando com dificuldade e quente. “Não esta noite.” O
quê?

“Eu não sou Kai” ele diz, “e você não é Banks.”


Há algo suplicante em sua voz que me faz hesitar.

“O Thunder Bay não existe, e não estamos no The Pope” ele continua. “É seis anos atrás, quando
eu estava feliz e excitado, e você estava curiosa sobre tudo, e as minhas palavras eram tudo o que
precisava para tocar em você.”

Meu corpo inteiro se acalma, e as lágrimas de repente turvam a minha visão quando ele
sussurra para mim.

“Você é a garota que eu não conhecia, e poderíamos ser qualquer pessoa naquele confessionário.
Tudo o mais caiu. Tudo. Poderíamos nos esconder e foder com o mundo naquela pequena sala. Éramos
apenas nós.”

Fecho os olhos, o cansaço me agarrando.

Todos esses anos atrás. Aquela não era realmente eu, não é?
Eu relaxo nele, incapaz de encontrar a vontade de lutar.

Eu quase me lembro de ser ela. Quando eu ainda esperava que houvessem possibilidades. Quando
eu pensei que havia alguma maneira de tê-lo e ter as coisas divertidas que as meninas normais tiveram.
Quando eu me deixei ansiar os seus beijos roubados e olhos em mim; imaginá-lo querendo coisas que um
homem queria de uma mulher e querendo-os de mim.

Meus pulmões queimam, e eu respiro fundo, percebendo que eu me esqueci de respirar. Deus, toda
aquela necessidade me inundou novamente, caindo sobre mim e aquecendo a minha pele. Estou morrendo
de fome, e de repente senti como se meus ossos estivessem tão fracos que eu poderia quebrar. Estou com
tanta fome.
Viro a cabeça, encontrando seu olhar a um centímetro do meu. Seus dedos relaxados no meu
cabelo, enquanto eu olho suas piscinas escuras, minha mente muito nebulosa para pensar.
“Mantenha os olhos nos meus,” ele diz suavemente. “Basta ficar olhando para mim.” Eu faço isso.
Eu só mergulho e me rendo e caio.

O confessionário.
Estávamos de volta ao confessionário. Éramos mais jovens, e não havia ninguém além de nós.
Escondidos, seguros.

Estou segura.

A mão entre minhas pernas começa a se mover, esfregando de modo suave e lento. “Ninguém nos
vê”, ele expira. “Não há ninguém, além de você e eu. Somos invisíveis. Nós não existimos.”

Eu balanço a cabeça fracamente, mas minhas pálpebras começam a inclinar-se com a sensação de
suas carícias. Oh Deus.

“Mantenha seus olhos em mim, baby” ele me diz.

Pisco várias vezes, me focando enquanto sua mão afasta-se, correndo por cima do meu estômago.
Seu toque envia arrepios por meus braços, e eu gemo, lutando para manter seu olhar quando sua mão
chega ao meu seio. Ele segura-o, amassando tão suavemente e me provocando.
Eu o pego olhando para o meu seio, a boca aberta e seu olhar está faminto como se ele quisesse
que aquilo que está em sua mão estivesse em sua boca.

Lambendo meus lábios, eu o sinto passar para o meu outro seio, acariciando o mamilo até que
esse, também, fique duro. Borboletas invadem minha barriga, e eu começo a sentir o pulso em meu
clitóris palpitar, querendo sua mão lá agora.
Seus dedos cavam levemente em minha pele, correndo de volta para baixo do meu tronco e
estômago, enviando choques para todos os poros do meu corpo quando ele me pega um pouco mais forte
entre as coxas desta vez.
Fecho os olhos e arqueio as costas, sentindo sua ereção pulsar debaixo de mim. “Kai...”

Cada toque, cada respiração aumenta a gravidade tomando conta do meu corpo. Estou flutuando, o
quarto esta girando, e eu não quero sair desse passeio.
Virando a cabeça, eu separo meus lábios, procurando os seus.

Seus dentes pegam meu lábio inferior, arrastando-o para fora provocativamente.

“É assim que deveria ter sido” ele me diz. “Não teria doído tanto se eu tivesse te deixado pronta
primeiro. Eu sinto muito. Eu deveria ter ido devagar.”

Abrindo os olhos, olho para ele. O instinto me diz para fugir. Voltar para minha concha e
permanecer na escuridão.
Mas eu não sou Banks esta noite. Ele não é Kai, e nós não estamos aqui. Nada disso esta
acontecendo.

“Então, vá devagar comigo,” eu sussurro.


Ele só hesita por um momento antes de deslizar por debaixo de mim e me colocar em cima da
cama. Eu imediatamente levanto meus braços para me cobrir, uma bola de golfe na minha garganta e meu
coração palpitante.

Eu o quero, mas ainda estou tímida. Ninguém nunca tinha me visto nua.

A vida tinha ficado um inferno de muito mais complicada nos últimos dez minutos.
Ele não está olhando para qualquer lugar, além dos meus olhos quando ele paira sobre mim.

“Eu quero você.” Ele gentilmente puxa meus braços para baixo.

Seu olhar está em mim quando ele passa a mão até o centro do meu tronco, deslizando entre os
meus seios para o meu pescoço. Ele mergulha, cobrindo meu mamilo com a boca, e eu jogo minha cabeça
para trás, gemendo. “Kai”, digo novamente.
Eu coloco minhas mãos em seus braços enquanto ele me segura com uma das mãos e usa a outra
para apalpar o seio que estava beijando. Sua boca quente chupa a pele firme, forte, puxando o mamilo e,
em seguida, indo por mais, antes que ele comece a se mover.
Estremeço. “Isso é tão bom.”

Ele rapidamente muda para o outro, deixando sua mão onde estava e me mantendo quente.
Ele se arrasta descendo pelo meu estômago, e eu tremo, mergulhando meus dedos em seu cabelo.
“Abra suas pernas” ele diz com a voz rouca.

Eu levanto minha cabeça, e meus olhos imediatamente caem entre as pernas dele, vendo-o duro e
grosso. “Uh,” soluço. "Não."
Sem olhar para cima, ele desce mais baixo e levanta a minha perna pela parte de trás do joelho.
“Tenho que prepará-la, querida.”
Ele baixa a cabeça entre as minhas pernas, enterrando sua boca, e eu tento empurrá-lo. “Não, não
faça isso -”

Mas com o toque sutil de sua língua, minhas pálpebras de repente ficam tão pesadas.
Ele a roda um pouco acima da área, me esfregando com a boca enquanto sua mão circula minha
coxa, segurando-a, e seu corpo se estabelece entre as minhas coxas.
Lambendo e mordendo, seu ataque é suave no início, faz meu estômago cambalear e fogos de
artifício subirem pelas minhas pernas. Eu sinto como se estivesse em um balanço a vinte andares,
inclinando-me para trás com meu cabelo voando no ar.
Quero mais. Algo mais profundo.

Então ele começa a chupar. Tudo. Dentro, fora, e ao redor, beijando minha pele lá e ainda
amassando meu peito com uma mão. Eu levanto a minha cabeça, olhando para ele.
“Você é tão apertada aqui,” ele ofega, me mordendo gentilmente. “Mas você vai esticar. Eu
prometo."
Mordo o lábio enquanto ele olha para mim.

“Você gosta disso?” Ele pergunta, me lambendo lentamente.


Minhas bochechas se aquecem com um rubor e um pequeno sorriso atravessa seu rosto.
“Ou disso?” Ele me observa enquanto ele roda sua língua em volta do meu clitóris outras vezes.

Eu perco a minha respiração, minhas pálpebras vibram.

Ele sorri, me provocando. “Ou talvez isso?”


E então ele cobre meu clitóris com os lábios e suga forte, puxando e puxando, o calor de sua boca
me tortura enquanto arqueio para fora da cama e gemo. “Ah,” eu gemo sem fôlego.

“Tão linda,” ele sussurra. “Você está pronta, garota?”


Meu estômago treme com antecipação, e eu não estou mesmo irritada, ele me chamou de “garota”
novamente. Mas dessa vez, soou cativante.

Eu balanço a cabeça, deslizando minha mão no seu cabelo. Não tenha certeza do que estou pronta
para mais. Eu só quero mais.

Chegando-se, ele me beija, conseguindo a minha boca aberta e mergulhando sua língua dentro. Eu
gemo, meu corpo assume conforme eu agarro seus quadris e separo as pernas, levantando os joelhos e
deixando-o entrar.
Meus mamilos escovam seu peito, e eu empurro, beijando-o de volta com força total. Seu cheiro,
sua pele, seu gosto... neste momento, estou mudando.
Ajoelhado em cima de mim, ele estende a mão entre nós e se posiciona na minha abertura. A ponta
empurra para dentro, e a queimadura apertada imediatamente me faz congelar novamente.

“Dói.” Cada músculo se aperta, e estou com medo de me mover.


“Olhe para mim” ele diz.
Ergo os olhos trêmulos, olhando para o local plano em seu lábio inferior.

“Dobre mais os joelhos” ele me diz.


Eu faço, meus dedos se curvando em seus quadris.

“Agora, relaxe suas coxas,” ele instrui. “Espalhe-as amplamente e deixe-as cair para a cama, ok?
Abra para mim. Basta abrir.”

Eu deito minhas coxas, joelhos dobrados e me espalhou por ele.

Ele empurra um pouco mais, e eu respiro fundo, mas não tento impedi-lo. Ele para e se inclina para
baixo, sussurrando sobre meus lábios. “Você está me torturando. Eu quero tanto afundar em você.”

“Não está dentro ainda?”

Ele se sacode com uma risada. “Nem tudo. Ainda dói?"


Eu estava prestes a dizer que sim. Estava definitivamente desconfortável, mas... acho que não dói.
Eu balanço minha cabeça.

Olhando nos meus olhos, ele lentamente afunda mais, e eu começo a sentir-me esticada e cheia e
meio estranha.
"Que tal agora?"
“Eu... eu não...” gaguejo, me ajustando a ele. "Eu não sei."

Ele empurra até o fim, até o fundo do poço, e me bate tão fundo, que meus olhos reviram. Ah
Merda. “Kai...”
“Banks, Jesus Cristo.” Ele me beija. “Eu adoro a forma como você parece.”

Seguro seus quadris enquanto ele mordisca minha boca e garganta e ouvido, e antes que eu
perceba nada mais está desconfortável.
“Ponha uma mão no meu ombro” ele diz, recostando-se para me olhar. “Eu quero que você sinta
meu movimento.”
Faço o que ele disse, e lentamente, ele puxa. Registro brevemente algo molhado, mas ele revira os
quadris, afundando de volta dentro de mim.

“Oh, Deus.” Eu gemo.


Não dói nada mais.
Agarrada a ele, eu observo seu corpo se mover conforme o quarto se enche com os sons de nossos
movimentos e gemidos. Ele desliza dentro e fora, bombeando mais rápido quanto seus olhos se movem do
meu olhar para os meus lábios, para o meu corpo debaixo dele.

“E pareço como?” Pergunta.


Puxo-o para dentro de mim quando ele empurra de novo, desejando a porra mais e mais.
“Como dedos no meu cabelo” eu expiro. “É suave e forte - eu quero tomar mais. E a pressão... ugh,
bem ali.”

Eu solto um grunhido, apertando os olhos fechados. Vou gozar.


Eu me fiz gozar antes, mas era diferente assim. Como se fosse um músculo travando mais e mais e
algo girando como um ciclone ficando maior, e eu ansiava a liberação.
Empurrando para cima, pego seu pescoço e beijou-o com força e com fome. Suor umedece seu
cabelo enquanto eu sussurro em seu ouvido: “Faça-me gozar, Kai.” Eu sorrio. “Faça-me gozar, e eu vou
deixar você ver e o que eu faço quando estou no chuveiro pensando em você. Você gosta de assistir, né?”

Ele rosna, agarrando meus pulsos e prendendo-os em cima da minha cabeça com uma mão. Sorrio,
surpresa e nervosa e tão excitada.
“E aqui, eu pensei que estava sendo legal, pegando leve você.” Ele aperta minha bunda em sua
outra mão, apertando-me em seu pau.
Eu gemo. "Sim."

Ele bombeia mais rápido e mais áspero, ficando louco em cima de mim, até que tudo o que eu
posso fazer é o agarrar. Até tudo que eu sinto é como se fosse um brinquedo construído para ele brincar,
no momento, eu não tenho nenhum maldito problema com isso.
Eu adoro que ele me vê assim. Amo que ele queira isso de mim.
Ele empurra de novo e de novo, e meus joelhos se levantam, calor cobre meu corpo, e rajadas de
prazer explodem dentro de mim, varrendo minhas pernas para baixo. Eu grito, meu corpo travando
enquanto eu me seguro em cima dele, montando o orgasmo.

Ele resmunga e bombeia e finalmente empurra tão profundo, afundando em mim e mantendo-se lá
conforme ele joga a cabeça para trás.
“Deus, baby. Porra!"
Ele cai em cima de mim, nossos corpos e suor derretendo juntos em calor e euforia. Jesus.

Eu sabia o que estava perdendo todo esse tempo, mas... eu não acho que seria incapaz de resistir a
isso.
Eu não sei se alguma vez seria capaz.
Lentamente, minha respiração se acalma, mas eu não me afasto dele ou o roçar de seus lábios no
meu pescoço.

A realidade iria entrar em breve, e eu desfruto dos últimos momentos.


Nós apenas ficamos deitados. Eu amo seu calor e estar perto.
Eu amo sentir isso.

“Por que você está depilada?” Ele pergunta, de repente,.


Depilada?
Oh. Lá em baixo, ele queria dizer.

Seu nariz escova minha bochecha quando ele se inclina para trás, corado, e seus olhos cansados,
enquanto olha para mim.
“Eu não estou reclamando” assegura com um meio sorriso. “Foi apenas inesperado. Especialmente
para uma... para uma virgem que não está esperando qualquer ação lá em baixo.”
Reviro os olhos, deixando sua piada rolar em mim pela primeira vez.

Mas, então, a minha diversão cai enquanto eu penso sobre como responder a ele. Como se fosse da
conta dele de qualquer maneira.
Eu tenho me depilado há anos. Foi difícil no início, mas ao longo dos anos, a dor da tarefa tornou-se
mais fácil de suportar, e ei, eu só tenho que fazê-lo a cada dois meses.
Tentei raspar quando começou a aparecer em meus anos de pré-adolescencia, mas voltou a crescer
rápido demais e os cabelos vieram muito grossos. Não muito tempo depois, comecei a fazer minhas
pernas e axilas, também. Vestindo-me como um menino, cobrindo meu cabelo, achatando meus seios...
tudo o que eu podia fazer para não ser uma mulher.

“Eu não deveria mudar” disse calmamente. “Eu não deveria crescer.”
Capítulo 16
Banks

Devil’s Night

Seis anos atrás


“Você estava certa,” Kai responde.

Eu balanço a cabeça, distraidamente, sem acreditar em meus olhos. Nós dois assistimos a mulher
dançar no chão, quase como uma borboleta, mas também como uma criança. Tão inocente e etérea. Ela é
bonita.

Tão bonita e... familiar.

Quem -

Seu cabelo flutua ao seu redor, e eu pego um vislumbre de seu rosto, uma sensação de dor
instantaneamente cobrindo meu coração. Eu perco todo ar em meus pulmões.

Ó, meu Deus. Não.

A música. Night Mist. Eu tinha ouvido isso antes.

Eu me encolho atrás das cortinas.


Não pode ser ela.

“Eu pensei que era apenas uma história” Kai diz em voz baixa, ainda a observando - mergulhar a
cabeça e mover seus braços e pés com graça. Ela voa. Ela sempre flutuou e voou, como se a gravidade
não fosse parte de sua realidade. Ainda tão requintada.

“Sabe quem é ela?” Ele pergunta.


Meus olhos disparam para cima para vê-lo olhando para mim, as sobrancelhas franzidas em
preocupação.

Eu aceno uma vez. Meu estômago revira, e estou muito horrorizada para pensar em uma mentira.
“É Natalya Torrance. A mãe de Damon.”
“Sua mãe?” A confusão se espalha por seu rosto quando ele se vira para ela novamente. "Mas…"

Mas nada. Ela desapareceu há três anos, quando Damon tinha finalmente sofrido o suficiente. Ele
tinha se machucado, me fez machucá-lo, e retirou-se para o show de horror de sua própria cabeça até que
uma noite ela veio para ele muitas vezes.

Eu assisti Natalya, seu longo cabelo preto de seda flutuando em torno dela em ondas. Eu não a
conhecia bem, mas nós vivemos na mesma casa por um par de anos, antes que ela escapasse da raiva de
Damon naquela noite e fugiu.

Ela tinha desaparecido desde então.


Ela ainda era bonita, embora. Claro, ela era. Ela só teria cerca de trinta e quatro anos de idade
agora. Gabriel a viu pela primeira vez em um ballet em São Petersburgo, quando ela tinha treze anos. Ele
imediatamente a cobiçou. No momento que ela tinha dezesseis anos ela era sua esposa e já tinha dado à
luz Damon. Ela estava mais próxima em idade para seu filho do que do seu marido.

Duvido que ela tenha feito algum esforço para saber muito sobre mim, no entanto. Eu era uma não-
entidade para ela. Ela sabia quem eu era e o que eu era para Gabriel, mas ela nunca pareceu se importar,
e eu posso muito bem ter sido uma partícula de poeira sob sua pia do banheiro para tudo o que ela
pareceu notar de mim. Ela vivia em um mundo só dela.

“Sim, você está certo.” Kai a estuda, finalmente reconhecendo-a. “Ela partiu há alguns anos,
embora? O que ela está fazendo aqui?”

Eu balanço a cabeça. Deus, eu não tenho ideia. E não sei o que aconteceria se Damon a visse aqui.
Ela não deveria estar perto dele.
Este era o hotel do seu marido, porém, ela e Gabriel ainda eram casados, tanto quanto eu sabia,
mas Damon a tinha mandado embora. Ele disse que a mataria se ele a vise.
Eu precisava tirá-lo daqui antes que ele o fizesse.

“Devemos dizer a ele?” Kai pergunta.


“Não” eu falo rapidamente, pegando sua mão. “Não, ele não vai querer vê-la.”

Ou ele não deveria vê-la. Eu só preciso chegar até ele e encontrar algum motivo para tirá-lo do
hotel.

Meu pai podia lidar com ela sem Damon descobrir.

Puxo Kai para fora das cortinas e nos movemos ao longo da parede, de forma rápida e
silenciosamente caminhando em direção às portas.

“Oh.” Eu a ouço dizer.

E eu paro, fechando meus olhos. Merda.

“Eu não sabia que havia alguém aqui”, ela diz. “O que vocês estão fazendo crianças?”
Eu solto a mão de Kai e viro minha cabeça lentamente em direção a ela. Ela está ali, no meio da
pista de dança, parada, como se no meio de um giro com os braços ligeiramente estendidos.

“Você não deveria estar em Thunder Bay ou Meridian City,” eu disse a ela, dando um passo para
frente.
Ela me olha por um momento, provavelmente tentando me reconhecer através da maquiagem, mas
depois a luz se foi.
“Você” ela diz.

Ela se lembra de mim.

Mas antes que eu possa avançar sobre ela, ela volta-se para a porta, a luz em seus olhos brilhando
como uma criança. “Meu filho está aqui?” Ela pergunta. "Faz tanto tempo."
“Fique longe dele.” Eu chego alguns passos mais perto. "Falo sério."

Seu olhar descansa em mim de novo, seu sorriso tímido enquanto seus dedos descansam no tutu.
“Você gosta?” Ela olha para mim, esperançosa, como se eu não tivesse dito nada. “Eu ainda caibo em
meus velhos figurinos. Eu ainda sou muito bonita, não sou?”

Bonita? O que? Ela está absolutamente louca.


“O que está acontecendo?” Kai surge ao meu lado, mas ela mal lhe poupa um olhar antes de virar
os olhos para as portas.

Ela vai procurar Damon.


“Ele é um homem agora” disse ela melancolicamente. “Jovem e forte.”

Eu balanço a cabeça, empurrando Kai atrás de mim para passar para as portas. “Ela é má.
Precisamos sair.” Eu me viro, agarrando a mão de Kai e alcanço a maçaneta.

“Diga-lhe que mamãe o ama” ela grita. “Eu sou a única que o ama.”

Eu me viro, liberando Kai. “Isso não é amor,” eu rosno para ela.


Um soluço está alojado na minha garganta, me sinto muito impotente apesar da minha raiva. Ela
não iria machucá-lo novamente. Ela não podia. Ele não permitiria isso.

Mas ela me ignora, parecendo calma e até um pouco animada.


“Ouvi dizer que ele é um bom animal agora,” ela provoca. “Nenhuma garota naquela cidade está
segura. Esse é o grande garoto da mamãe.”

“Jesus Cristo.” Eu ouço Kai murmurar ao meu lado. “Que diabos ela fez com ele?”

“Ele já tocou você?” Ela me pergunta.


Eu enterro meus dentes.

“Ele vai, sabe?” Ela dá um passo para mais perto. “Ele é um destruidor. Assim como seu pai.”

Minha cabeça balança ligeiramente. Isso nunca aconteceria. Meu irmão nunca me machucaria
desse jeito. “Eu queria que ele te tomasse.” Suas palavras deixam seus lábios suavemente e se arrastam
dentro de mim enquanto ela segura meu olhar. “Dormir em seu quarto como você faz, ele não será capaz
de resistir ao aroma de sua preciosa menina.” Ela estende a mão, roçando os dedos suavemente sobre
minha mandíbula. “Seu pequeno tesouro.”
“Hey, hey.” Kai empurra a mão para baixo e me puxa de volta.

E então ela finalmente volta seu olhar para ele. "Eu me lembro de você. Amigo do meu filho” ela
diz. “Isso significa que ele está aqui, então?”
Minha respiração fica presa na garganta. Damon.
Mas as portas atrás de nós se abrem de repente, e eu viro minha cabeça, olhando por cima do meu
ombro. Meu irmão invade, os músculos do seu rosto tensos e seus olhos furiosos quando eles bloqueiam
em mim.

“Eu sabia que era você lá em cima” ele diz, fervendo. "O que diabos está acontecendo? Como você
chegou aqui?"
Eu rapidamente viro meu corpo para encará-lo, na esperança de bloquear sua visão dela.

Mas não adianta.

Sua voz soa atrás de mim. “Damon.”


E eu fecho os olhos, apertando as mãos. Damon.

“Por favor, Nik,” ele implora, seus lábios tremendo.


Lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto eu estou acima do meu irmão conforme ele se senta
na beira da cama. Ela foi embora. Ela conseguiu o que queria dele.
Mas o perfume dela ainda esta em cima dele. Ele sempre foi para o chuveiro imediatamente
depois. Por que ele não foi agora?

“Eu estou podre.” Seu sussurro sai como um último suspiro quando ele abaixa a cabeça e olha para
o chão.

Olho para os cortes frescos na sua coxa - no lugar onde a maioria das pessoas não seria capaz de
identificá-los.

Ele tinha feito isso há alguns dias atrás. Depois da última vez.

Ela está vindo ao seu quarto com mais frequência agora. Ele cresceu tão rápido no ano passado,
ficando mais alto e maior, as maçãs do rosto e mandíbula perderam sua suavidade e tornaram-se mais
como de um homem. Seus ombros tinham ficado mais amplos, e o treinamento de basquete durante o
verão tinha preenchido seus músculos.
Quando eu descobri o que estava acontecendo anos atrás, quando me mudei, meu irmão se recusou
a contar a alguém. Ele se recusou a deixar-me contar a alguém. Eventualmente, eu tive esperança de que
ela iria perder o interesse nele quando ele crescesse até a idade adulta.

Ela não o fez. Eu percebi que ela não era uma pedófila no sentido mais estrito da palavra. Não era
sobre seu corpo ou sua juventude. Era sobre ele, e ela é apenas psicótica.

E ciumenta. Ele está na escola agora. Muitas outras meninas - jovens meninas - para roubar a sua
atenção para longe dela. Ela não gosta disso.
Vou até ele e estendo a mão trêmula, tocando-o em seu ombro nu. Ele ainda está nu, o lençol preto
largado em seu colo, cobrindo-o.
Inclinando-me, eu tento pegar seus olhos, suplicando-lhe. “Eu prefiro me machucar. Por favor. Não
me obrigue a fazê-lo novamente. Por favor."

Ele baixa a cabeça, encontrando minha testa e respirando superficialmente, como se ele estivesse
tentando conter os soluços. “Dê-me alguma coisa” ele sussurra. “Algo. Você quer que seja eu? Huh?” Ele
agarra meu queixo, segurando com força. “Se-myah. Eu preciso de você. Faça."

Se-myah.
Família.

Não falo russo bem, não cresci com esse idioma, como Damon - mas aprendi o suficiente para
entender.
Eu balanço a cabeça, tanto quanto ela podia se mover em seu aperto. Ele está piorando. Quando
iria parar? Ele sempre precisa de mais. Mais duro, mais forte mais dor... “Por favor,” choro baixinho.
Ele rosna e puxa o cinto para fora da cama, jogando o braço para preparar o primeiro açoite
através das suas costas.

“Não!” Agarro-o para fora de sua mão. Quando ele faz isso a si mesmo, ele o faz muito forte. Os
caras do treino fariam perguntas.

Levanto-me, deixo cair o cinto no chão, e choro enquanto eu pego um punhado de seu cabelo.
Ninguém iria fazer perguntas sobre cortes e hematomas no rosto. Damon estava sempre em lutas, por
isso é uma história provável para se esconder atrás.
Pegando meu medo e agonia, eu o torço com raiva e rosno, batendo em sua bochecha tão duro
quanto eu posso.

E mergulho. Novamente e novamente e novamente. Eu tenho que acabar com isso. Apenas faça. Eu
soluço mais alto, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
Alguém Tem que ceder, ele disse.
Ele estava certo. O álcool não foi suficiente. Nem foram os cigarros, as meninas que ele usou e
tratou como merda na escola, ou a dor. Eventualmente, ele se acostumou com tudo isso, e precisou de
mais.

Alguém Tem que ceder. Quanta dor que ele poderia ter antes de quebrar? Quanto tempo até que
nada fosse o suficiente para satisfazê-lo?

Corro até Damon. “Basta ir” eu digo a ele, agarrando seu braço. "Vamos. Anda."

Puxo-o, ignorando o olhar confuso no rosto de Kai, mas meu irmão esta enraizado como uma
árvore.

Seus olhos sobre ela eram de aço, duro e afiado.


“Baby”, ela murmura, chegando a ele. "Você está tão bonito. Eu senti tanto sua falta.” Eu balanço a
cabeça, puxando-o para chamar sua atenção. Mas ele está congelado.

“Eu sei que você perdeu a cabeça, e está tudo bem” ela lhe diz docemente, sempre a flor delicada
no lado de fora. "Estou bem. Eu te amo independentemente de qualquer coisa. E prometo que vai ser
melhor desta vez. Eu cuidarei de você."
“Damon,” grito, tentando quebrar o feitiço.
Mas seus olhos estão fechados, seguindo-a conforme ela rasteja para frente, cada vez mais perto.
“Eu senti sua falta”, ela continua. "Eu preciso de você. Estou tão solitária. Estou tão perdida, baby, eu-”

Só então, ele corre para frente e a segura pelo pescoço, sua grande mão envolvida ao redor de sua
garganta esbelta e pálida.
“Damon...” olho entre ele e ela, sem saber o que fazer.
Ela engasga, mas se mantém calma quando ele a puxa até os dedos dos pés e para bem perto. Sua
mandíbula estava apertada, e calor líquido corre por minhas veias conforme eu os assisto olhar um para o
outro.

“Esse é o meu menino forte,” ela sussurra. “Você cresceu e ficou tão forte.”
“Damon,” eu imploro a ele. "Olhe para mim."
Ele simplesmente fica ali, segurando seu pescoço, extasiado.

“Eu esperei que você viesse para mim” ela ofega. "Tomasse o controle. Você é o homem agora.
Tudo o que meu filho precisar.”
Fecho os olhos.
“Ela é louca,” Kai profere baixinho ao meu lado.

“Damon!” Eu grito. "Olhe. Para. Mim!"

Ele a segura, mas ela segura completamente sua atenção. “Tome-a”, ela insiste com ele. “Lave-a.
Assim como mamãe costumava levá-lo.”

Eu quebro, a agonia de anos atrás vindo a tona enquanto eu olho para o meu irmão através das
minhas lágrimas. “Você é o homem” ela repete. "Tudo é seu. Tudo.”

Eu balanço minha cabeça. Damon.

“Se você a ama, ela pode feri-lo” Natalya diz a ele. “Se você machucá-la em vez disso, ela nunca vai
escapar de você. Você sempre vai possuí-la . Ela é sua. Você não pede e você não se importa. Tome o que é
seu. Tome-a."
Sua voz cai tão baixo que eu mal posso ouvir. “Tome-a.” E, de repente, ele finalmente se vira,
encontrando meus olhos.
Não.

Lágrimas caem conforme silenciosamente imploro. Nós tínhamos ficado sozinhos no mundo. Nós só
estávamos seguros quando estávamos juntos. Eu nunca iria machucá-lo. Ele tinha que saber disso!
Ela queria que ele nos arruinasse. Para destruir qualquer coisa boa que restasse nele, porque
Damon era o futuro da família, e pelo menos, monstros eram fortes.

Damon pode acabar sendo muito pior do que o meu pai sempre foi.

“Tome-a”, Natalya o instiga, passando a mão em seu peito. “Ela vai alimentá-lo. Tome-a. Mostre-lhe
o que você é.”

Fique comigo. Eu seguro seu olhar. Eu sei quem você é. Você me protege, você me leva às compras
no meu aniversário e me deixa escolher o que eu quiser, e você me acorda com meus milk-shakes favoritos
quando você chega a casa no meio da noite. Eu sei quem você é.
“Lamba tudo” Natalya inspira. “Leve-a para sua casa e reclame-a.”

Uma sugestão de medo ainda resta nos olhos dela, e de repente ele apenas olha para mim como se
ele fosse uma máquina. Como se ele não estivesse realmente lá.
Como se não fosse mais Damon.

Eu chupo em um pequeno suspiro, paralisada.

E então Kai está lá. Ele se aproxima, me afastando, e agarra Damon pelo pulso. “Vamos lá,” ele
exige. “Deixe-a ir, Damon.”
“Somos todos seus,” ela sussurra para seu filho como se Kai não estivesse lá. “Eu vou cuidar de
você, baby. Vou me certificar de que sua doce e pequena buceta, seja sua.”
“Cale a boca!” Kai grita para ela. “Sua doente!” E então ele vira-se para Damon que ainda
segurava meu olhar. “Olhe para mim, cara. Não olhe para ela!”

Ele não faria isso. Não. Ele nunca viria até mim assim. Nunca.
“Tome-a” Natalya pede novamente.

E eu choro. “Damon!” Acorde.

“Não olhe para ela!” Kai berra, o empurrando.


“Ela é uma parte de você” sua mãe sussurra como se a provocação fosse de um fantasma. “Ela vai
torná-lo forte. Tome-a."
“Cale a boca!” Kai vira e sacode a mão em seu rosto, perdendo a calma.

E uma respiração fica presa na minha garganta enquanto eu observo seu corpo chicotear e seu
peito cair em uma mesa de jantar redonda. Óculos batem à medida que eles tombam, o vaso cai ao seu
lado, e pratos e talheres deslizam para fora, enquanto ela os empurra.

Mas então eu ouço o arfar e o afastar de Natalya, olhando para o meu irmão. Ele está curvado,
apoiando-se no encosto de uma cadeira, e começa a passar mal com a cabeça baixa enquanto ela cospe e
tosse.
Corro, ainda soluçando. “Está tudo bem.” Eu passo meus braços em torno do lado dele. "Está bem.
Está bem. Estou aqui. Ouça a minha voz.”

Ele cambaleia, nada aparece, além do seu cuspir enquanto ele luta para inalar ar. Aperto-o mais
forte. Muitas crianças que sofrem abuso não gostam de ser tocadas, mas quando Damon está em espiral,
ele não podia chegar perto o suficiente de mim. Como se ele só quisesse rastejar dentro da minha cabeça,
onde ele sabia que era seguro.
“Ela não tem controle sobre você.” Eu o abraço apertado, sussurrando em seu pescoço úmido.
"Somos livres. Somos apenas nós.”
“Isso ainda está dentro de mim” ele engasga. "Isso dói."
Eu aperto meus olhos fechados, chorando mais forte. "Segure-se em mim. Apenas segure em mim.”

Eu sei o que ele quer. O que ele precisa. E eu não posso negar-lhe. Não essa noite.
Abro a boca e mordo a pele entre seu pescoço e seu ombro. Passando os braços em torno dele, eu o
sinto grunhir conforme eu cravo meus dentes com mais força em sua pele. Seus braços serpenteiam em
torno de mim, e ele segura firme, mantendo-me perto. Se Kai olhasse, pareceria apenas como se nós
estivéssemos nos abraçando.

Mas ele ainda esta focado em Natalya, eu não posso ver por trás das costas do meu irmão.

Isso ainda está dentro de mim. Isso. Eu não sabia se ele se referia a ela ou ao terror e medo ou
qualquer outra coisa. Eu só sabia que eu me senti tão impotente.

Lágrimas escorrem pelo meu rosto, fazendo cócegas na minha pele e pairando sobre meus cílios
embebidos.

“Mais duro” ele sussurra.

Mordo mais forte, saboreando sua pele salgada e cercada pelo cheiro familiar de seus cigarros. Ele
não vai me machucar. Ele precisa de mim.

Ele me ama.
Eu sinto o gosto de cobre, e eu sei que quebrei a pele. Ele solta um suspiro e se afasta.

“Obrigado” ele diz, e olha para mim, sua habitual e estranha calma fixando-se em todo o corpo.
"Você está bem?"
Eu balanço a cabeça. "Você?"
Ele dá um aceno cansado, virando-se e ajustando seu capuz para se certificar de que minhas
marcas de dentes foram encobertas.

E eu finalmente olho para Kai.


Ele olha para o chão, onde Natalya está deitada, e eu não consigo ver a expressão em seu rosto
enquanto eu me movimento para o seu lado. Ela parecia mudar em um segundo.
Ele está com medo? Ele não fez nada de errado. Se ele não a tivesse calado, ela...

Eu não posso sequer pensar nisso agora. Meu irmão estava completamente bloqueado, e eu não
poderia envolver minha cabeça em torno do que estava acontecendo com ele. Será que isso acontecerá
novamente?
Fiquei contente que Kai bateu nela.
Damon caminha até seu lado, ambos encarando Natalya. Ela está no chão, depois de ter caído de
volta contra a perna da cadeira, mas ela parece que pode estar ferida. Seus olhos estão fechados, mas sua
cabeça balança levemente enquanto ela segura seu lado.

“Você está bem?” Kai vira-se para Damon. “Cara, eu sinto muito. Eu não sei -”
“Cale a boca” Damon grita. “Ela estava falando bobagem. Esqueça. Entendeu?”
Meu irmão olha para o amigo, uma ameaça atando suas palavras.

Kai não responde, apenas fecha a boca e olha para Damon. Ele sabe que é uma mentira.
O sangue escorre por entre os dedos de Natalya, e eu verifico a mesa, finalmente vendo a haste de
um copo de vinho quebrado e caído ao seu lado. Uma das bordas afiadas está mergulhada em sangue. Ela
tinha sido cortada.
“Ela está ferida,” Kai continua. “Precisamos de uma ambulância. Eu acho que ela bateu a cabeça,
também.”

"Eu cuidarei disso. Você já fez o suficiente.” Ele olha por cima do ombro para mim. “Você a colocou
em perigo. Ela não deveria estar aqui.”
“Eu não vi você fazer um movimento para fazer qualquer coisa.”
“Chega.” Eu dou um passo para frente.

Tínhamos problemas maiores. A sanidade de Natalya tinha claramente deteriorado ainda mais
desde que ela desapareceu há três anos. Todas as coisas que ela tinha dito, e na frente de Kai... não há
como não dizer quão fora de controle ela poderia se tornar. Gabriel não gostava de ser constrangido. O
que faríamos com ela?
“Saiam,” Damon diz a Kai. “Vou ligar para o meu pai.”

Kai o olha, parecendo incerto. “Não, é minha culpa que ela se machucou. Eu quero ter certeza que
ela chegue a um médico.”
“E quando ela disser a alguém no hospital que você bateu nela?” Damon responde. “Sim, eu tenho
certeza que vai fazer maravilhas para suas aplicações da faculdade.” Ele balança a cabeça. “Basta sair
daqui. Minha família vai ter certeza que ela esteja bem e mantenha o silêncio. Não se preocupe. Ninguém
quer uma cena.”
Kai hesita; provavelmente preocupado em certificar-se de que ela estaria bem cuidada, mas o
Torrance, obviamente, tinha um pouco da história de família séria, e ele tinha que entender que Damon
queria que seu pai visse Natalya. Sem hospitais. Sem policiais. Todos nós tínhamos uma participação em
mantê-la calma.

Kai pega minha mão. "Vamos."


Mas Damon me agarra e me puxa para ele. “Minha” ele diz ao seu amigo.
“O diabo.” Kai faz uma careta para ele. “Vi-o em seu rosto, cara. Você está uma bagunça. Você iria
machucá-la.”

Damon apenas balança a cabeça para ele, sem se preocupar em se defender. Isso era algo que eu
admirava sobre meu irmão e desejava que eu pudesse controlar a mim mesma. As pessoas vão pensar o
que elas quiserem pensar, não porque acreditam que estão certas, mas porque está em sua natureza
sustentar o que são. Ao defender a si mesmo, você alimenta o apetite para o drama. Ao abster-se, você
termina a conversa. Você. Não eles.
Mas eu não pude evitar, também me pergunto se Kai talvez esteja certo. O que teria acontecido se
ele não tivesse intercedido?
Damon vira-se para mim, empurrando o queixo. “Vá com ele, então. Vá.”

“O quê?
“Está tudo bem” ele me diz. “Vá embora, se quiser.”

“Damon”

“Você quer, eu sei que você quer. Eu não preciso de você. Eu nunca precisei."
Meu peito cede. Por que ele está fazendo isso? Por que ele sempre faz isso?
“Vamos.” Kai pega minha mão.

Mas eu me afasto. “Basta ir.” Baixo a cabeça, incapaz de olhar para ele. “Volte para a festa.”
“Banks.”
“Eu nunca vou deixá-lo,” digo a Kai.

Nunca. Dou um passo para o meu irmão e tomo sua mão, querendo que Kai apenas fosse.

Duas vezes esta noite eu tinha escolhido Damon. Ele não sabia que éramos uma família, e ele
poderia entender mais se o fizesse, mas essa informação ainda não mudaria nada. Damon fica em
primeiro lugar. Sempre.
Meu irmão aperta minha mão, um gesto sutil me dizendo que ele me perdoou.

“Mulheres, cara” ele diz a Kai, um toque de humor em sua voz.


O silêncio se estende entre eles, e eu posso sentir os olhos de Kai em mim. Ele é um bom rapaz,
mas ele não aceitaria ser empurrado ao redor por um terço do tempo. Olho para Natalya, cada segundo
que Kai fica ali, se estendendo como uma eternidade.
“Sim” ele responde. “Noite louca, né?” E então eu o vejo ir para longe com o canto do meu olho.
“Até segunda-feira na escola.”

E então ele sai, o meu coração ficando cada vez mais dolorido a cada momento que ele não vira e
volta para mim através das portas. Mais tarde, quando estiver sozinha e perdida na minha cabeça, eu vou
perguntar o que teria acontecido se eu o tivesse seguido. Se tivesse tomado sua mão e me escondido com
ele o resto da noite.
Damon me puxa para perto, beijando minha testa. “Boa menina. Você nunca me decepcionou.”
Natalya geme, suas pálpebras tremulando abertas. Sangue satura a mão dela, e embora parecesse
um corte ou vários cortes desagradáveis - o desagradável fluxo não está tão ruim. Precisávamos levá-la a
um médico, no entanto. Ela precisa de pontos ou algo assim.
Damon me entrega o telefone e, em seguida, agacha-se, olhando para ela. “Ligue para David,” ele
me diz. “Diga a ele para trazer sua bunda aqui para buscá-la, e vá esperar por ele no hall de entrada.”

“Porque você não pode me levar para casa? Vamos apenas ir-”
“Estarei em casa mais tarde” ele diz, com os olhos ainda sobre ela. “Eu preciso limpar tudo aqui.”
Capítulo 17
Banks

Presente

Eu acelero o passo descendo a rua movimentada, desviando de pedestres com uma mão no bolso
do casaco e a outra segurando um envelope grande com mais um contrato para Kai assinar. Ele deveria
estar no dojo, mas quando volto dos meus afazeres esta manhã, ele manda uma mensagem, dizendo-me
para encontrá-lo em seu clube. Ele sabe que eu não tenho um carro, caramba.

E eu não estou pronta para enfrentá-lo.


Ontem à noite, naquele hotel, enterrados em um andar secreto e em uma sala sem telefones, sem
televisão, e ninguém além de nós, foi inimaginável. Como um sonho de onde fui tirada e continuei
fechando os olhos para perseguir o sono novamente apenas para que eu pudesse voltar para lá. Isso foi há
apenas algumas horas atrás?

Ele tentou tirar um pouco mais de informação de mim na noite passada, mas ele não forçou muito.
Quando minha guarda subiu, eu soube que ele não queria estragar o que aconteceu. Ele era bom em ler
os meus sinais, eu tenho que lhe dar esse crédito.

Ele queria me levar para casa, mas fui embora antes que ele pudesse lutar comigo de novo.
Mergulhei na noite chuvosa, tudo que tinha me feito tão bem, de repente desaparecendo, e eu não sabia
como tê-lo de volta. Culpa e vergonha, a sensação dos olhos de Damon sobre mim, julgando-me, porque eu
não podia superar isso?
Então, eu transei com um cara. Quem se importa? Eu gostei. Processe-me.

Mas é dia agora, e as consequências podem ser lentas, mas elas estão vindo. Minhas habilidades
não se estendem longe o suficiente para equilibrar o meu desejo por um e as exigências do outro.

Subindo os degraus da Hunter-Bailey, eu abro uma das portas duplas e entro, o mobiliário polido
citrus imediatamente me circundando. A madeira brilha em todos os lugares, e o relógio de pé no saguão
faz tique-taque à minha esquerda.
Vou até a pequena mesa. “Eu preciso ver Kai Mori, por favor.”

O jovem, de cabelo preto e em um terno simples, com uma gravata fina, assente como se me
esperasse.

“Ele ainda está na sala.” Ele anda em volta da sua estação para as próximas portas duplas.

“Só vire à direita ao entrar na sala de jantar.”

Hmm. As mulheres não são normalmente permitidas no clube. Estou surpresa que ele esteja me
deixando entrar tão facilmente. Eu acho que Kai cuidou disso.

Ele abre as portas, dando um passo para o lado para que eu possa entrar, e eu imediatamente viro
para a esquerda, notando brevemente toda a equipe na sala de jantar arrumando as mesas para o almoço.

Entrando na sala, olho em volta por um momento, absorvendo a sensação de esconderijo da grande
sala. Sofás de couro marrom brilham à luz da lâmpada, enquanto cortinas verdes cobrem as janelas do
chão ao teto ao redor da sala. Arandelas de ouro, veados, alces, e até mesmo uma cabeça de leão estão
penduradas no alto, e almofadas xadrez estão jogadas em cadeiras e sofás. Um bar fica na parte de trás,
prateleiras de livros alinham nas paredes, e uma tapeçaria representando algum tipo de guerra paira
sobre a lareira.

Cristo. Esta sala foi decorada com o tema “Se os nazistas tivessem vencido...”

Eu dou uma olhada na sala, rapidamente encontrando Kai perto das janelas. Sem paletó, as
mangas estão arregaçadas, e minha boca de repente fica seca com a visão dele. Quase dói olhar conforme
ele senta lá, debruçado sobre uma mesa de papéis.

Aquelas mãos estavam sobre mim na noite passada. E aquela bela expressão severa que parece
quase com raiva e meio que me faz querer sorrir estava perdida de prazer na última vez que eu vi.
Tão controlado e tão frio, mas ele pode ser tão áspero, também.
Michael e Will sentam de cada lado dele, um no telefone e o outro largado em sua cadeira com seu
copo de gelo pressionado na testa e os olhos fechados. Eu caminho, ignorando os olhares da dúzia de
outros cavalheiros na sala.

Kai olha para cima enquanto eu me aproximo. "Você está atrasada."

Seu tom é seco, mas sua boca não, está curvada nos cantos como se ele só estivesse pensando
sobre o porquê de eu mal conseguir dormir na noite passada.

“Eu tive que ir ao Thunder Bay esta manhã,” eu digo a ele.

"Por que?"

“Gabriel quer saber por que você não assinou o contrato.”

Ele para o que está fazendo e olha para mim novamente. Michael se afasta do seu telefone.

“O que você disse a ele?” Kai pergunta.

Jogo o envelope com um contrato fresco dentro em cima da mesa na frente dele. Alguns de seus
papéis revoam em protesto. “Que você está atrasando,” eu digo. “A mesma coisa que eu venho lhe
dizendo.”
"O que-"

Mas ele para o que ele ia dizer, pegando o telefone que estava zumbindo.
Aborrecimento em seu rosto, ele responde. "Sim."

Ele ouve enquanto alguém do outro lado fala, suas sobrancelhas ficando mais cavadas.

“A & J Plumbing?” Ele diz, parecendo confuso. “Eu não liguei para qualquer-”
Debruço-me sobre a mesa e estico a mão.
Ele para, olhando para mim. Pego o telefone.

“Deixei as chaves para ele em um envelope debaixo da mesa,” disse ao garoto no dojo que eu sabia
que estava do outro lado, “e desliguei o sistema de alarme na casa para ele. Diga a ele para começar lá
em cima nos banheiros. Eu preciso de uma estimativa completa o mais rápido possível.”
“Uh, sim, senhora”, ele gagueja, e eu desligo.
Eu fiz a ligação para arrumar encanadores, eletricistas e empreiteiros no meu caminho de volta da
Thunder Bay. Pensei que estaria no dojo, no entanto, então achei que o encontraria lá.

Eu entrego o telefone de Kai volta para ele.


“Isso é para minha casa?” Ele questiona. "O que eu lhe disse?"

Eu me endireito, colocando minhas mãos nos bolsos. “Vanessa chega em três dias,” eu digo a ele.

Sua carranca lentamente cai, e vejo Will com o canto do meu olho colocar a sua bebida para baixo
e levantar a cabeça para cima.

Kai não diz nada.


“Parte da atualização de Gabriel, esta manhã,” eu explico, sentindo o mesmo nó no estômago que
eu tive quando Gabriel me disse. “Surreal, não é? No que você se meteu?”

Eles três simplesmente ficam lá, e eu não sei se eles estão atordoados ou bravos ou o que, mas eles
definitivamente não estão felizes.
“Eu tenho certeza que você se imagina o arquiteto de algum grande esquema,” eu continuo, “mas o
acordo que você vai para a frente, independentemente de você estar ou não pronto. Sua noiva em breve
estará em seu caminho para cá. Arrumei uma suíte no Mandarin para ela enquanto nós fazemos os
reparos na casa.”
Kai pega o envelope, a mandíbula flexionando quando ele o rasga aberto, tira a papelada, e começa
a folhear as páginas.

“Ele não fez as revisões,” diz ele, examinando-o.


“Nem vai, ouso dizer. É pegar ou largar."

Kai está encurralado, e ele sabe disso. Mas, realmente, qual é o problema? Ele sabe como chegar
no décimo segundo andar agora. Ele não precisa do hotel, e ele não quer nenhuma ligação com a família
Torrance. Por que não se afastar simplesmente? Por que ele concordou em primeiro lugar?
“Se eu não assinar, é temporada de caça a Damon,” alerta. “Michael, eu, Will, Rika ... vamos lidar
com isso, e vamos fazer isso da maneira que nós quisermos.”

Eu balanço a cabeça, entendendo. Se ele não assinar, Damon não terá nenhuma promessa de que
será bem-vindo na cidade. Se ele vier para casa, eles podem ir atrás dele.
“Mas se eu não assinar,” diz ele, com a voz baixa, “você vai embora.”

Eu vou? É isso que está ligando ele a este acordo estúpido?

Eu vejo o caroço na garganta dele se movimentar.


Ele não quer que eu vá.

E eu não tenho certeza do quanto eu ainda quero, mas esse contrato não pode me fazer ficar se eu
realmente quiser ir embora. Ele tem que saber isso. Estou aqui a pedido de Gabriel.

“Posso sair a qualquer momento que eu queira,” eu o lembro.

“Você vai voltar para ele, não é?”


Baixo os olhos, não querendo ter essa discussão e, especialmente não quero tê-la na frente dos
seus amigos.

Sua voz está estranhamente calma. “Você quer que eu assine isso?”
“Sim,” falo entre dentes. “Eu quero Damon em casa.”
Ele me observa, os olhos duros, mas ele não faz nenhum outro movimento. Os caras ouvem
silenciosamente.

“Eu acordei na noite passada, querendo você de novo,” diz ele.


Meu coração bate mais forte, o calor da vergonha subindo para minhas bochechas.

Recostando-se na cadeira almofadada, ele respira fundo. “Eu fodi tudo, rapazes,” diz ele, desta vez
para seus amigos.

Michael olha para ele. “Nós queremos o que queremos, certo?”

Kai balança a cabeça para mim.


Então, Damon não é o único objetivo aqui. Em algum lugar ao longo do caminho, tornou-se sobre
mim, também. Gabriel me fez trabalhar para Kai, então eu o fiz. Mas nenhum contrato, nenhuma Banks.

“Você veste as roupas dele,” diz Kai para mim. “Você mal come. Ele controla a sua liberdade, sua
comida, suas amizades.... o que você quer, garota? Se você fosse ele, se você fosse um homem, o que você
faria? O que você tomaria?”
Eu disparo, rodeando a cadeira de Will e chegando ao lado de Kai. Inclinando-me para baixo, eu
pego o contrato da mesa e uma de suas canetas, virando para a página final. Eu rapidamente rabiscado
Kai Mori em sua maldita escrita quase exatamente como eu tinha visto em outros documentos no dojo.
Jogando a caneta para baixo, eu coloco o contrato de volta no lugar, deslizo para dentro do
envelope rasgado, e entrego a ele.

Vamos acabar com isso. Estou chamando seu blefe. Cancelar este acordo idiota e me deixar ir, ou
dar os papéis para Gabriel e deixar meu irmão voltar para casa.
“Agora você tem uma escrava até seu casamento,” eu o desafio. “O que você vai fazer comigo?
Tirar minhas roupas aqui e dobrar-me sobre a mesa, garotão?”
Ele pega o envelope, um sorriso amargo nos lábios. “Não. Isso é bom e doce. Algo que eu vou fazer
para a nova esposinha,” ele zomba. “Meus brinquedos recebem um pouco mais de desgaste e lágrimas.”

Ouço Will bufar à minha esquerda e em seguida ele solta um suspiro. "Droga."
Michael passa a mão sobre o rosto, parecendo exasperado, e Kai apenas olha para mim. Ele se
levanta, pegando o paletó da cadeira e rolando para baixo as mangas.
“Vá ao dojo,” ele me ordena. “Vai ser um longo dia.”

Horas mais tarde, e estou sufocada. Ele estava me fazendo trabalhar pra caramba.

Depois de lidar com o encanador e dois empreiteiros que me dizem que um ano é uma estimativa
razoável para aquele pedaço de merda de casebre que Kai vive, eu tinha voltado para o dojo para passar o
resto da porra do dia lidando com mais merda. Uma máquina de lavar explodiu, algum jogador idiota do
Storm amigo do Michael deixou cair seu celular no banheiro, uma garota na sua quarta aula de aikido esta
semana vomitou no lobby, e por que diabos eu estou lidando com essa merda?
Kai está bravo, e continuo me falando para ir embora hoje. Ninguém pode me manter aqui, e eu
não estou presa a um contrato estúpido. Eu digo a mim mesma que é pelo meu irmão. Sente-se firme e
apenas respire até chegar a hora.

Digo a mim mesma que não vou deixar Kai vencer. Ele está tentando me empurrar, e meu orgulho
está em jogo.
E digo a mim mesma que tenho um dever. Eu assumi um compromisso com a casa de Gabriel, e eu
não vou me dobrar.
Mas a verdade é que eu não tenho outro lugar para ir. Eu consegui um salário hoje. Um cheque de
verdade, emitido para sacar mais de um salário que eu faço em um mês com meu pai. Se eu sair agora,
sem outro plano, estarei sozinha. Gabriel não vai me levar de volta se eu quebrar o acordo, e estarei fora
do circuito, incapaz de ainda ser os olhos e ouvidos de Damon.

Eu tenho todos os motivos para ficar.

Mas meu humor não tem qualquer melhora quando Rika e Alex entram enquanto estou catando lixo
do chão, seus rios de cabelo, perfume de cem dólares, e shorts curtos bonitos no clima de sessenta graus
amplificando toda a merda que eu estava me sentindo.
Especialmente meu ciúme.

Cada centímetro de Kai que me tocou na noite passada tocou ela uma vez.

Eu sempre me ressenti dela. A partir do momento que eu ouvi pela primeira vez sobre ela, Michael
e Kai na sauna no Hunter-Bailey. Mas as coisas são diferentes agora. Minha ligação com Kai está
crescendo, e cada momento que ele e eu estamos no mesmo quarto e ele não está me tocando me faz
quere-lo mais.
Eu odeio que eles se veem todo maldito dia. Eu mal posso conter meu ódio enquanto olho para as
costas dela enquanto caminha para o vestiário.

Eu termino de jogar as toalhas sujas na máquina de lavar, e saio da lavandaria, empurrando a porta
de vaivém tão forte que bate na parede.
É hora de ir para casa. Eu preciso de um tempo e uma caminhada agradável, longa, saindo daqui.
Eu vou para o escritório para dizer a Kai, mas ele não está lá. Estou prestes a sair e procurar por
ele, mas o telefone fixo sobre a mesa começa a tocar. Pego-o rapidamente.

“Sensou.”
“Quem é?” Um cara pergunta, parecendo confuso.
“Quem é?” Eu respondo.

“Ah. Banks,” diz ele, finalmente notando a minha voz. “É o Michael. Onde está Kai?”
Pego o telefone sem fio e ando para o corredor, olhando lentamente para a esquerda e para a
direita. “Saiu por alguns minutos, eu acho. Posso passar algum recado?”
"Não. Eu não confio em você, lembra?”

Sorrio baixinho, caminhando mais pelo corredor. “Isso é inteligente de você, Michael. Você está
aprendendo.”
Mas eu paro, vendo Rika e Kai no átrio. Eu permaneço escondida, vendo-os conversar. A severidade
que sempre endurece seus olhos para olhar um estudante eterno é mais suave agora. Relaxado.
É difícil respirar.
Ele está muito perto. Também sorri suavemente demais para ela e toca em seu braço muito tempo.
“Mas você confia em Kai?” Pergunto a Michael, ainda olhando para eles. “Cegamente?”

“O que é que isso quer dizer?”


Eu balanço a cabeça, observando quando Kai faz seu caminho para a Grande Sala e Rika vem em
minha direção, de volta para o corredor.
Viro-me, relaxando na parede e olhando para baixo quando ela passa. Ela desaparece em uma das
salas de treino.

Limpo a garganta. “Nada,” eu digo. "Estou entediada. Algum recado ou não?” Ele não diz nada.
“Tudo bem, vou dizer que você ligou.”
"Espera."

Paro, colocando o receptor de volta ao meu ouvido. "Sim?"


Ouço seu suspiro do outro lado, mas o cara para de falar de novo de repente. Espero, ouvindo
apenas o silêncio.

“Oi?” Eu cutuco.

“Você acha que você é tão esperta, não é?” Ele finalmente pergunta. "Está bem então. Se você
fosse eu, na minha situação, o que você faria para fortalecer seu domínio sobre todos os seus ferros no
fogo? Você disse que nós éramos fracos. Onde? Com o que?"
Eu quase sorrio. Ele está falando sério?

Eu caminho de volta para o corredor, de repente intrigada. “Você está me pedindo conselhos?”

“Estou pedindo para você colocar seu dinheiro onde sua boca inteligente está, pestinha,” ele
responde. “Finja que você administra minha equipe agora. O que você faria?"

“O que faz você pensar que eu o ajudaria?”


“Porque eu acho que você está morrendo para algum uso real das suas habilidades.”

Bem, ele está certo nisso. Kai não está me usando com todo meu potencial, e eu adoro ter um lugar
à mesa. Eu mataria para lhe dizer exatamente o que penso dele e de sua operação de ensino médio.
Eu paro na entrada da sala de treino e vou para trás, observando Rika jogar blocos contra seu
boneco Wing Chun. Ela manobra, batendo nos postes, rápido, mas metodicamente, parando de vez em
quando para corrigir sua postura.
E de repente me ocorre.

Michael está acariciando meu orgulho.

“Sensou” significa “guerra” em japonês. Este lugar, o nome, o que eles fazem aqui ... é parte de um
maior objetivo.

Rika pode ser suave, mas ela está treinando. Michael pode ser descuidado, mas ele é atento. Will
pode ser fraco, mas ele tem Kai.

E Kai está se preparando.

Essas pessoas são meus inimigos.


“Se eu fosse você,” respondo calmamente. “A primeira coisa que eu faria seria me demitir. Eu não
sou sua amiga."

E eu desligo a ligação.
Eu quero que isso acabe.
Estou cansada das voltas e espera, e enquanto eu sei que meu irmão é parcialmente responsável
por toda a merda em que ele se encontrou no ano passado, ele tem todos os motivos para se ressentir
dessas pessoas. Eles não lutaram por ele. Tão facilmente eles desistiram dele, não é?

E eu tenho todos os motivos para odiá-la.

Sigo até a porta, encostada no batente e observando seu trabalho.


Mesmo se Damon vier para casa, mesmo que algum milagre o reconcilie com seus amigos, e não
haja mais qualquer sangue ruim, Kai Mori, ainda assim, não será nada mais para mim do que ele é agora.
Não com ela por perto. Ele transou com ela, porque ele a quis, e mesmo que esse desejo tenha diminuído
ao longo do tempo, ele nunca vai desaparecer. Basta olhar para ela. O pacote perfeito. Inteligente, rica,
bonita. E todos eles simplesmente pensam que ela é a coisa mais doce, também.

Eu trago minhas mãos para cima, distraidamente estalando meus dedos, dobrando cada dedo para
trás até ouvir os cracks e estalos.

Sim, raiva é melhor. Eu fiquei tão perdida na noite passada, me afundando em como tudo parecia,
ser segurada, tocada e beijada.... mas isso trouxe nada além de confusão.
A raiva é uma linha reta. Ela tem um alvo.
"Você precisa de alguma coisa?"

Pisco, levantando os olhos. Rika tem a cabeça virada, olhando para mim por cima do ombro
enquanto ofega. Eu não percebi que ela me notou.
Incapaz de esconder minha distração, eu lentamente entro na sala, indo em direção a ela. Damon e
eu ambos herdamos a natureza metódica do nosso pai, mas Damon também tem um pouco de paciência.
Eu não.
“Você já esteve realmente em uma luta?” Pergunto, apontando para o manequim.

"Sim. Por que?” Ela endireita as costas, tornando-se um pouco mais alta.
Eu ando em volta de Wing Chun, avaliando-o. “Você gasta muito tempo em sua postura e sua
forma,” eu digo a ela. “A maioria das pessoas que lutam estão lutando para sobreviver. Não há regras. Não
há fair play. Sem tempo para manter a distância de ataque adequada. Todos os seus planos vão pela
janela.”
“Não se preocupe,” ela me assegura. “Eu sei como puxar cabelo, arranhar, e chutar se precisar.”

“E morder,” acrescento, observando-a voltar ao seu manequim. “Quando Damon amarra-la


novamente, mostre a lutadora que você é. Ele vai se divertir.”
Ela vira, fúria em seus olhos.
E eu não consigo evitar o sorriso que vem para fora. Sim, eu sei tudo sobre Pithom, o iate da
família de Michael, no ano passado e como ele a assustava. Não que eu aprovei na época, mas Deus,
espero que ele vá fazer tudo o que pode para criar problemas para ela agora.

Diminuo minha voz. “Eu sei que você evitou os caras de irem atrás dele no ano passado. Eu sei que
você insiste em ficar sozinha na cobertura, sem proteção, quando Michael está fora da cidade.” Eu avanço
para a frente, sem piscar nenhuma vez. “Eu também sei que você gosta das mãos de um homem em você,
e elas não têm necessariamente de ser do seu noivo, não é? Então, quando Damon vier para você, não se
esqueça de lutar um pouco, por precaução, ok? Assim, Michael acreditará em suas mentiras quando você
disser a ele que não quer cada centímetro dele.”
Seu rosto se contorce em fúria, e ela rosna, balançando para trás o punho e me batendo do outro
lado da mandíbula. Eu tropeço um passo para o lado, perdendo o fôlego e fechando meus olhos em
reflexo.
Mas o calor da adrenalina inunda meu peito. Sim.

Eu rapidamente me endireito novamente, me forçando a encará-la. A dor afunda profundamente no


osso, e minha pele queima. Tocando no canto do meu lábio, eu puxo minha mão para trás, vendo sangue
nas minhas mãos.
“Obrigada,” eu digo a ela.
Usando tudo que eu tenho, eu me torço e bato as costas da minha mão em seu rosto, enviando-a
para o chão. Ela se contem, caindo de quatro, e eu posso ouvi-la puxar o ar, o ar tendo sido tirado dela.
Ela bate os punhos no chão uma vez, rosnando de raiva, e antes que eu perceba, ela se virou, avançando
para mim e colocando as mãos no meu peito, nós duas caindo de volta para as esteiras.

“Que porra é o seu problema?” Ela grita, desabando em cima de mim.


Mas eu nos giro, colocando-a no chão comigo montando em cima dela agora. Agarrando o cabelo
loiro no topo da sua cabeça, me inclino. “Apenas mantendo o seu mundo em perspectiva, Erika Fane! Nem
todo mundo se curva aos seus pés!”

Bato meu punho para baixo em seu rosto, mas ela me empurra, me fazendo perder meu aperto.
Agarro seu pescoço então e bato nela mais duas vezes.

Ela rosna, tirando meu gorro da cabeça e puxando meu cabelo, forçando minha cabeça para baixo
e meu couro cabeludo. Eu estremeço de dor.
Maldita!

Eu deveria ter cortado meu cabelo. Anos atrás. É apenas a única parte de mim que ainda é Nik e
não Banks, e eu me prendi nisso por algum motivo.
Eu perco meu poder sobre ela, dando-lhe tempo suficiente para me empurrar fora. Ela me solta,
sentando e jogando sua perna, me chutando no estômago.
E eu não consigo respirar. Minha garganta fecha, e eu luto para respirar. Tusso, me curvando. Meu
estômago passou pela maldita espinha?

“Você terminou?” Ela grita, e eu noto que ela tem um fio de sangue saindo de seu nariz.
Uma pontada momentânea de satisfação me bate com a dor. Ela me fez sangrar, afinal de contas. É
justo.
“Ainda não.” Eu respondo para ela, agarrando seu pescoço novamente e enrolando meus dedos
com tanta força que minhas unhas cravam em sua pele.

Ela engasga, os olhos arregalam conforme ela segura meu pulso. Eu sei que tinha rasgado a pele.
Mãos me agarram por trás e me puxam para longe, de cima dela.
“Que diabos?” Ouço Kai rosnar. Viro minha cabeça, voltando brevemente meu olhar nele.

Ele ainda está com as calças de treino de antes, mas agora suor aparece nas extremidades de seu
cabelo e seu peito brilha.
“Não!” Rika empurra Kai, fervendo. “Vamos acabar com isso!”

Sorrio baixinho, vendo as quatro meias-luas vermelhas tatuadas em sua pele ao longo de sua
jugular, onde uma pequena cicatriz que ela já tinha estava. Olho para as minhas unhas, vejo sangue
misturado com sujeira.

Dou uma guinada para ela novamente, mas Kai me pega, me puxando para trás.
“Basta!” Ele vem entre nós, gritando. “Todo mundo está vendo vocês duas. Que diabos está
acontecendo?”
Espectadores permanecem fora da sala, espiando a comoção. Voltando para Rika, eu envolvo o
corte na minha bochecha e cuspo o sangue nos pés dela.

Ela se lança para mim novamente.


“Droga!” Kai me agarra pelo colarinho, me empurrando para trás. Ele aponta o dedo na minha
cara, os dentes à mostra quando me encara com um olhar de advertência.
Voltando-se para Rika, ele inclina a cabeça para cima, verificando seu nariz sangrando. “Você está
bem?”

Ela está bem? Sua pequena princesa deu o primeiro soco, imbecil.
“Eu estou bem.” Ela vira a cabeça para fora de suas mãos, me desafiando. “Eu posso ter qualquer
coisa que você teve!”
“Eu tenho certeza! Em ambas as extremidades, ouvi dizer!”

Ela vem para mim novamente, mas Kai a empurra para trás, virando-se para mim. “Que porra é o
problema com você?”
“Eu não gosto dela, e não trabalho para ela, então vou fazer a porra que eu quiser!” Eu grito.
“Você vai fazer o que eu quiser,” ele sussurra, ficando na minha cara. "Fim da história."

Olhando em volta de mim, ele fala à plateia reunida. “Continuem, todos. Acabou.” E para Rika,
“Deixe-nos sozinhos, por favor.”
Ela não se move por um momento, ainda olhando para mim e vermelha do esforço, e seu rabo de
cavalo pendurado por um fio. Mas ela finalmente passa por nós, deixando a sala.
Eu ouço as vozes desaparecerem lentamente conforme todos vão cuidar dos seus negócios e saem.

“O que você tem contra Rika?” Kai questiona. “Você não falou com ela uma vez ou mal olhou para
ela. O que é isso?"
Tomando meu punho, eu limpo o sangue da minha boca, não lhe respondendo.
"Você está com ciúmes?"

Dou-lhe um olhar 'foda-se' e volto a olhar para o espelho atrás dele.


Posso sentir seus olhos em mim, corroendo a pequena distância entre nós e envolvendo meu corpo
como uma gaiola.

“O que você quer dizer com 'em ambas as extremidades'?”

"Você sabe o que eu quero dizer."


O pequeno trio deles na sauna. Kai na frente. Michael atrás. Quantas vezes isso aconteceu depois
daquilo?
“Você ouviu sobre Rika e eu?” Sua voz é baixa. “Sobre a sauna?”

Quem não ouviu? Eles foram vistos, apareceu no clube todo, e não é segredo o que ele sente por
ela. Está lá cada vez que ele olha para ela.
"Eu-"
“Não.” Eu o interrompo. “Eu tive minha cota de suas histórias, e eu não poderia me importar
menos-”

“Shh, shh, shh...” ele aperta o dedo nos meus lábios, balançando a cabeça para mim. “Não vamos
fazer isso aqui, ok? Precisamos conversar sobre isso, mas em algum lugar que nós podemos realmente
conversar.”
E seu olhar fica escuro, me dizendo que há outro significado para suas palavras.

Realmente falar? Onde?

Soltando a mão, ele caminha em volta de mim, saindo da sala.


“O que você quer dizer?” Eu grito atrás dele.
“Você vai descobrir,” ele joga por cima do ombro e, em seguida, desaparece.
Capítulo 18
Banks

Presente

Uma hora mais tarde, e eu ainda estou no limite. Estava cansada antes da luta no dojo, mas agora
estou ligada, acordada, e com raiva de mim mesma. Minhas cartas estão na mesa agora.

Ela sabe que eu a odeio, então não há como me aproximar dela se eu precisar, e Kai está
provavelmente saboreando minha exibição nojenta de ciúme. O que Damon me disse, várias vezes? É
sempre melhor dizer o mínimo possível. Quanto mais misterioso você é, menos poder eles têm.
E eu fui e fodi tudo.

Desço a rua tranquila, entrando no Halston Park, a área comercial da Meridian City. É pouco
depois das nove, e eu olho para o céu, finalmente capaz de ver algumas estrelas. As luzes em todo lugar
nesta cidade são muito brilhantes para ver muitas mais.

O que a Alex quer? Ela mandou uma mensagem, dizendo que Kai queria que eu a encontrasse na
McGivern e Bourne.

Eu nunca estive lá, mas sei que é uma loja de departamentos luxuosa.
Virando em um corredor, tiro um cabelo do meu olho e coloco de volta sob o meu gorro quando me
aproximo das portas de vidro do edifício.

Levanto minha mão para bater, mas paro, vendo que está escuro no interior. Há algumas luzes de
emergência brilhando lá no fundo, corredores iluminados, mas esta loja está fechada. Por que ela me disse
para vir aqui?

Foda-se. Solto minha mão e me viro para sair.


“Ah, não se atreva!” Uma voz de mulher grita.

Viro-me, vendo Alex saindo pelas portas. Ela usa uma blusa ondulante, branca sexy que pende do
seu ombro com leggings pretas e botas de couro marrom até os joelhos. Ocorre-me que eu quase sempre
apenas a vi em roupas de ginástica. Além da festa de Michael.
Ela pula e agarra minha mão, me puxando.

Seguro meus saltos. “O que é isso? Este lugar não está fechado?”

“Não para nós,” ela canta. "Venha."

Ela abre a porta de volta, me forçando para dentro.

“O que está acontecendo?” Eu gemo.

“Ordens de Kai,” Alex responde. “Cale-se e siga-me.”

Um segurança em um uniforme cinza escuro se aproxima, fechando a porta atrás de nós.


“Divirtam-se, senhoras.”
“Obrigada, Pip,” Alex diz.

“Phillipe,” ele corrige.


“Que seja.”

Aperto os olhos sobre ela. "Você o conhece?"

“Não, acabamos de nos conhecer. Ele caiu rápido, no entanto.”

Reviro os olhos. O que está acontecendo? Claramente, a loja está fechada. Exceto para nós. Por
que?

Minhas botas de combate guincham através dos pisos de mármore, e eu olho para cima novamente,
esquecendo momentaneamente de resistir a ela conforme o ar em meus pulmões é expelido.
Uau. Pelo menos cinco andares estão empilhados em cima de nós. Nós paramos na parte inferior
do átrio, e eu viro minha cabeça para frente e para trás, vendo como os lances acima de nós circulam o
perímetro do espaço aberto, todo o caminho até a claraboia no topo do edifício. Cada andar poderia olhar
sobre a borda e nos ver aqui embaixo.

Um lustre enorme está pendurado no alto, e tudo brilha branco e dourado enquanto o cheiro de
couro e perfumes sopra sobre mim.

Passamos por vitrines de joias, balcões de perfumes, e bolsas, enquanto quadros estão pendurados
em todos os lugares, exibindo pessoas bonitas em iates e em casas de neve de luxo brandindo seus
relógios de dez mil dólares ou botas de camurça que você poderia facilmente pegar aqui e então você
também, seria magicamente transportada para um iate no Mediterrâneo ou uma casa em Aspen ou um
clube de polo na Escócia.

Eu costumava sonhar que minha mãe e eu iriamos às compras em algum lugar como este quando
eu era pequena.

Algum dia, quando fossemos ricas e todos os problemas tivessem ido embora, teríamos coisas
bonitas, eu seria popular, e minha vida real teria começado.

Parece que parte de mim ainda está sonhando com isso. Sempre esperando. Aguardando minha
hora.
“Você já esteve aqui antes?” Alex pergunta, me levando para um elevador.

"Não."

“É legal, não é?” Ela aperta o botão para o quarto andar e as portas do elevador se fecham,
imediatamente começando a subir. “Você já viu aquele filme antigo dos anos 80? Mannequin?"

Cruzo os braços sobre o peito, balançando a cabeça.


“Bem, um vitrinista trabalha à noite em uma loja de departamento como esta, e sempre pareceu
muito divertido ser ele, sabe? Ter todo o lugar para si mesmo para experimentar as roupas, explorar e
brincar com tudo.”

O elevador para, as portas se abrem, e ela sai, não me esperando para segui-la.
“Olha, já é depois das nove.” Eu sigo atrás enquanto passamos por um labirinto de prateleiras. “Eu
ainda tenho umas coisas para cuidar hoje à noite. O que estou fazendo aqui?”
Ela delicadamente pega um pedaço de seda - lingerie? - roupas íntimas combinando.
“Experimentar roupas, explorar e brincar com tudo” ela responde francamente, inspecionando as peças
de roupa.

Ela segura o top até mim, e eu recuo, vendo alças finas, rendas, botões, e uma porrada de tecido
faltando que deveria estar cobrindo a barriga. Jesus. Isso não é roupa. São pedaços que sobraram das
roupas.

Ela aperta os lábios, me avaliando. “Hmmm... cabelo castanho escuro. pele bronzeada. Ardósia
cinza, sim. Isso vai ficar muito bem.”

“Ficar muito bem para que?” Eu fico tensa. “Eu não vou usar isso.”

“Oh, pelo amor de Deus.” Ela baixa os braços, suspirando. “Você poderia tomar uma bebida, por
favor? Muitas bebidas?”

Viro-me para sair. Esta é a última coisa que eu preciso hoje.


Mas um corpo de repente bloqueia meu caminho, e eu respiro fundo, indo para trás novamente.

Will Grayson olha para mim, sorrindo.


“O que você está fazendo aqui?” Eu explodo. Ele não está extravagante, e seus olhos não estão
encapuzados, como de costume. “Sóbrio uma vez?”
Ele ri e anda em volta de mim, começando a mexer nas calcinhas na mesa. Ele pega uma tanga
preta e a atira para Alex antes de virar de volta e procurar por mais que ele goste.

É melhor isso ser para ela.


“Olha, eu tenho que ir.” Eu me viro de volta e caminho em direção aos elevadores.

“As portas estão trancadas,” ele grita.

“Não se preocupe.” Olho por cima do meu ombro para ele. “Isso não vai me impedir.”
Ele joga outra peça para Alex, falando com ela. “Vá pegar mais algumas coisas.” Ela balança a
cabeça e se afasta, e ele caminha até mim. Paro e me viro.
“Olha.” Ele suspira, olhando para mim como se eu fosse uma criança. “Você parece que não tem
um monte de amigos, e uau, isso é um choque, mas Alex parece gostar de você, e eu gosto dela, então eu
tento ser um amigo.”

“Isso deve custar uma pequena fortuna.”


Ele levanta uma sobrancelha, não apreciando a minha observação. “Ela providenciou para o local
ser aberto depois da hora de fechar, assim você não ficaria nervosa por conta de todas as... oh, qual é a
palavra?” Ele bate no queixo, fingindo pensar. "Pessoas?"

Que seja.

Sim, eu não gosto de pessoas, mas é uma escolha consciente, não um problema.
Eu poderia lidar com elas. Se eu quisesse. Que eu não quero.

“Kai quer que você compre roupas,” continua ele. “Elas não têm que ser sexy ou femininas ou
mesmo tão elegantes como aquela calça jeans impressionante herdada de homem que você está vestindo
com os recortes de maços de cigarros de Damon no bolso de trás. Mas elas têm que ser agradáveis, elas
têm que servir direito, e elas têm que ser suas. Estou aqui para me certificar de que você faça isso.”

“Eu prefiro comer minha mão do que deixar Kai Mori pagar a minha merda,” eu falo entre dentes.

“Ele não está pagando. Graymor Cristane está.” Ele caminha até mim, me forçando a ir para trás.
“Você é uma empregada, e você nos representa. Temos uma conta de despesas para roupa. Não é pessoal.
É trabalho. E você sempre parece uma merda, então aqui estamos.” Ele joga os braços, apontando para a
enorme mal iluminada loja de departamentos, e vazia, onde estamos agora às nove e meia da noite.
Que eles tinham completamente arranjado com meu conforto em mente.

“Agora, sente-se,” ele ordena, “preciso ir buscar um sutiã para combinar com sua calcinha.”

Um pouco mais de uma hora depois, estamos no carro de Will, dirigindo pela cidade com a parte de
trás repleta de sacolas. Eu não posso acreditar no que aconteceu. Ou o quão rápido isso aconteceu. Alex
era como um tornado, e ela e Will falavam rápido demais para eu conseguir pensar ou discutir. Eles
começaram a escolher as coisas que eu odiei, e antes que eu percebesse, eu estava jogando fora roupas
que eu não gostava e mantendo aquelas que eu pensava que pudesse ser capaz de usar. E depois de mais
alguns minutos, eu participei e comprei toda a merda.
Eu sento lá, ainda um pouco atordoada.

Eu provavelmente apenas me livraria da maior parte disso. Colocaria na caixa de doação do


Goodwill e faria a manhã de Natal de alguém amanhã, certo?
Ou ei, tenho certeza que minha mãe adoraria as coisas. Por que não?
Eu não gostava de ninguém pagando minhas coisas. Deixava-me em dívida.

Mas é meio divertido entregar-me à fantasia de que tudo isso é meu. Que, por alguns minutos, eu
tenho sacolas e sacolas de pequenos tesouros e coisas novas, bonitas, que nunca pertenceram a ninguém
e qualquer mulher na cidade me invejaria por elas.
Eu até gostei da sensação da lingerie cinza ardósia quando ela me empurrou em um camarim para
experimentar. Pensei como ficaria o rosto de Kai se ele me visse.
“Bem, obrigada.” Olho para Alex no banco ao meu lado enquanto Will dirige. “E obrigada pela
carona para casa.”

Ela me dá um sorriso sincero. "De nada. E você poderia ter usado um de seus novos trajes, não é.”
Seus olhos vão para a mesma roupa suja que eu usei na loja.
Dou de ombros. "Eu vou dormir daqui a pouco. O dia foi longo. Não há sentido em arriscar sujar
alguma coisa.”

Viro meus olhos para Will, observando-o puxar uma tragada do seu cigarro, enquanto Alex começa
a digitar em seu telefone. Eles têm um relacionamento estranho. Eles são amigos, que dormem um com o
outro, mas eles também dormem com outras pessoas.
Mas quem sou eu para falar? Eu não tive uma única relação saudável na minha vida. Pelo menos
eles gostam um do outro.

Meu celular vibra no meu bolso, e eu enfio a mão na jaqueta, pescando-o.


“Alô?” Respondo.
“Ei, problemas.”

Esse tom suave, profundo cai como mel no meu ouvido. Apenas uma pessoa pode fazer essas duas
palavras soarem como uma ameaça.
Meu peito sobe e desce mais e mais rápido, e meu coração dispara.
Deus, eu não ouvia a voz há tanto tempo, e eu olho para a Alex e depois para Will, certificando-me
de que eu não tinha chamado a atenção para mim mesma. Will observa a rua, enquanto Alex virou para
olhar pela janela.

“Ei, um...” respiro com dificuldade, lambendo meus lábios ressecados conforme mantenho minha
voz baixa. “Eu realmente não posso falar agora. Eu posso ligar para você de volta?"
“Você se divertiu hoje à noite?” Ele pergunta.
Esta noite? Como...

Deus, Kai está certo. Damon está me observando, também? Ou ele está tendo alguém me seguindo.
Ele sabe sobre a noite passada?
“Eles vão te machucar,” ele me diz. “E ele vai jogá-la fora como lixo, porque é isso que vagabundas
são. Lixo."
Meu queixo treme.

“Se eu fosse deixar minha irmãzinha passar sua buceta para os meus amigos,” diz ele, “eu teria,
pelo menos dado para Will primeiro. Ele era o mais leal.”
Eu olho para Will enquanto ele dirige, completamente alheio a com quem estou falando.
“Eu tenho que ir,” digo ao meu irmão.

“Ele vai morrer,” ele cospe.


Ele. Kai?
“Não porque ele me traiu, mas porque você o fez,” ele explica. “Isso vai ser tudo culpa sua.”

Meu coração bate tão forte que dói. Não há dúvidas em minha mente que Damon faria isso. Ele não
tem nada a perder.
E ele é obstinado em sua ideia do que é certo e o que é errado. Traição é imperdoável.

Limpo a garganta, mantendo as minhas palavras vagas, já que Alex e Will estão sentados aqui. "Eu
cuidarei disso."

“Eu já estou fazendo isso. É quarta-feira à noite. Ele está normalmente na catedral essa hora, não
é?"
Fecho os olhos. “Não,” eu sussurro.

Mas ele já desligou.

"Alô?"
A outra extremidade da linha está muda.
Droga. Kai trabalha até tarde nas noites de quarta-feira. Então, ele toma banho e come e dirige
para Thunder Bay para a Catedral de Saint Raphael. Às vezes, ele entra no confessionário, às vezes ele
passeia e olha a arte. Às vezes, ele fica lá menos de dez minutos, às vezes mais de uma hora.

Ele vai toda quarta-feira, no entanto. Toda. Quarta. Feira.


Ele deve ser um especialista em autodefesa, certo? “Variar sua rotina” não é uma medida
preventiva, droga?

Eu enfio o telefone no meu bolso. “Você pode me levar para a St. Raphael?” Grito para Will.
“Em Thunder Bay?” Ele olha por cima do ombro para mim. “Por que?”
“Eu só preciso chegar lá.”

“E suas roupas?”
“Eu não dou a mínima para as roupas,” eu mordo. “Só me deixe pegar seu carro, então? Por favor!”

“Tudo bem, tudo bem.” Ele suspira e gira o volante para a esquerda, virando e acelerando pela rua
estreita, em direção à rodovia. “Eu te levo.”

Eu puxo meu cinto de segurança. "Vá rápido."


Capítulo 19
Kai

Presente

“Kai?”

Viro-me, seguindo a voz.

A catedral está praticamente vazia, exceto por mim e um par de faxineiros à espreita em algum
lugar, mas as portas ainda estão destrancadas. Eu não estou esperando ninguém. Mantendo os braços
cruzados sobre o peito, desço as Estações da Cruz para espiar em volta das colunas de mármore maciço.

Banks está na parte de trás da igreja, perto de uma das pias de água benta, girando lentamente a
cabeça para trás e para a frente, olhando para mim.

Como ela sabe que eu estaria aqui?

Não, claro. Ela fez sua pesquisa, não fez?

Deixo meus olhos caírem em sua forma. Ela não estava fazendo compras? Eu vi todas as compras
entrarem no cartão, mas ela ainda usa suas mesmas roupas sujas com o gorro de jornaleiro cobrindo seu
cabelo como antes. Embora, alguns fios escuros caiam ao redor do rosto.

É engraçado. Ela parece fazer tudo o que pode para distrair o fato que ela é uma mulher, mas ela
não percebe que as roupas que ela usa apenas amplificam seu rosto. Sem suas curvas ou a pele lisa, você
não tem escolha, a não ser descansar os olhos na parte dela que você pode ver.
Infelizmente, depois da noite passada, eu vi tudo, e eu sei o que ela esconde agora. Excitação abre
seu caminho através do meu corpo.

Eu saio de trás da coluna, caminhando em direção a ela entre os bancos. Sua cabeça
imediatamente agarrada a mim.

“Você está aqui sozinho?” Ela pergunta, seus olhos voando ao redor novamente.
Eu luto para não sorrir. O que ela está fazendo? Ela parece nervosa.

“Não mais,” eu digo, brincando com ela.

“Bem, eu só...” ela continua a olhar ao redor, olhando para a varanda e pelo corredor em direção ao
altar. “Hum, eu sabia que você estaria aqui, é isso. Pensei que seria, um...”

“Um...?”

“Uh.” Ela engole em seco, ainda olhando ao redor, para o que, eu não sei. “Uh, eu pensei que seria
uma boa oportunidade para discutir o casamento. Este é um espaço agradável para ele. Devo reservá-lo?”

Sorrio baixinho. "Lógico. Por que não?"

Que seja. Eu não vou me casar, porra, e mesmo que eu não precise mais de acesso ao hotel, eu
realmente amo ter acesso a ela. Gosto dela.
Muito.

Além disso, ela é minha única ligação com Damon. Eu não estou pronto para desistir dela ainda, e
ela vai embora no segundo que eu disser ao Gabriel que não há acordo.
“Você já fez a sua 'confissão'?” Pergunta.

"Não. Eu não faço isso desde...” baixo a voz. “Desde a última vez com você.”

"É mesmo? Mas você vem aqui todas as semanas.”

“Eu?” Provoco.

Agora como é que você sabe disso?


Mas nós dois sabemos que ela foi o meu próprio satélite pessoal, me circulando a uma distância de
só Deus sabe quanto, muito antes de eu aparecer no Gabriel naquele dia.
Ando até ela, pelo corredor, e deixo meus olhos percorrerem o vasto salão. Madeira escura brilha
em todos os lugares, desde os arcos ornamentados trinta metros acima de nós, até os confessionários na
parte de trás e as dezenas de fileiras de bancos em volta de nós. Eu não venho aqui para uma missa há
anos, mas o cheiro de incenso e flores doces ainda permanece da Quaresma há seis meses.

“Você sabia que de Michael, Will, e Damon, Damon foi o primeiro que eu conheci?” Eu digo a ela.
“Nós não nos tornamos todos amigos realmente até o ensino médio, mas eu conheci Damon muito antes
disso. Nós dois fomos consagrados aqui quando tínhamos dez anos.” Eu olho para cima e em volta
novamente antes de encontrar seus olhos. "Juntos. Aulas toda quarta-feira.”

Seus olhos se deslocam. “E você vem aqui, porque...”

“Porque eu posso não saber onde ele está, mas sei onde ele esteve. Ele é tão provável de voltar
aqui como em qualquer lugar.”

Ela aperta os olhos, parecendo confusa. “Por que ele teria qualquer razão para voltar aqui? Para a
catedral?”

Ela realmente não sabe? Hã.


Bem, acho que Michael e Will não sabem também, não é estranho de Damon manter as coisas para
si mesmo. Algumas coisas de qualquer maneira.

Coisas que o deixam vulnerável.

Bem, não serei eu a educá-la. Eu venho aqui toda quarta-feira, o mesmo dia da semana que
tínhamos nossas aulas quando tínhamos dez anos, por várias razões, sendo a mais importante eu saber
que esta igreja é significativa para Damon.
Neste instante, porém, eu gosto de estar um passo à frente dela, e uma vez que ela ainda não está
do meu lado, eu não vou entregar minhas informações.

“Você está muito bonita,” eu digo, notando um batom lilás fraco que combina com o rosa escuro
normal do seus lábios.
“Você não está respondendo a minha pergunta. O que você não está me dizendo?”

“Tudo o que você pode usar para chegar à minha frente.”

Ela desvia o olhar, irritada. Mas ela sabe que faria o mesmo na minha posição. Não somos
parceiros – ainda não.

“Tudo bem,” ela solta, recuando. "Justo. Sinto muito se incomodei você.” Girando, ela vai para as
portas de trás, mas eu grito, parando-a.

“Eu vi os débitos no cartão da empresa,” informo a ela. “Por que você não está usando suas roupas
novas?”

“Oh, eu estou.”

Ela vira de volta, procura dentro de sua jaqueta, e levanta a camisa, mostrando um pedaço de
renda cinza escuro de lingerie acentuando a porra da barriga de fora, seios perfeitos e a pele linda. A
parte de baixo abraça sua cintura um pouco acima do umbigo, e cada curva - do morro dos seus seios ao à
descida para seu quadril, é como se alguém apertasse meus pulmões.
“Merda.” Fecho os olhos nela e avanço.

Ela grita, correndo para uma fileira de bancos e pulando três fileiras para baixo antes que eu
pudesse chegar até ela. Sorrio.
Correndo em volta, ela segura meus olhos, fogo fluindo entre nós, e eu coloco minhas mãos na
parte de trás do banco na minha frente enquanto ela fica rígida e espera.
“Você tem bom gosto,” eu provoco. "Estou surpreso."

“Will que escolheu.”

Meu sorriso cai. “Ele te viu com isso?”


Ela assente, parecendo muito satisfeita em admitir isso. “Ele até acertou o meu tamanho de
calcinha. Embora eu não ache que haja tecido realmente suficiente lá para chamar uma tanga de
‘calcinha’.”
Aquele filho da puta! Eu pulo sobre o banco, e ela corre pela fileira, de volta para o corredor. Sigo,
perseguindo-a e vendo quando o gorro cai da cabeça e os cabelos se soltam, balançando enquanto ela
tenta escapar.
Eu pego a parte de trás de sua jaqueta, puxando-a para mim e, em seguida, empurrando-a contra a
parede do confessionário, pressionando meu corpo ao dela. Deus, eu posso senti-la agora. A pressão em
seus seios se foi, e ela é suave em todos os lugares.

Enfiando os dedos na parte de trás de seu cabelo, eu puxo levemente, forçando o queixo para cima
e os olhos em mim.
“Você é uma malcriada, sabe disso?” Digo. “Eu poderia bater em você se eu não achasse que você
iria pedir isso em segundos apenas para me irritar.”
“Eu nunca vou me comportar para você.”

"É assim então?"

Ela se inclina, sussurrando sobre minha boca. “Você não é assustador, sem sua máscara, Kai Mori.”
Eu aperto o meu punho em seu cabelo, e ela grunhe, arqueando-se na ponta dos pés para aliviar a
pressão.

Eu não sou assustador? Ou seja não a intimido o mínimo.


Droga, ela é difícil de lidar. Constantemente me empurrando, sua porra de orgulho não está
disposto a conceder um centímetro.
Eu mostro os dentes, falando baixo conforme a puxo para mais perto. “Você já falou demais com o
problema em que se meteu com a briga hoje.”

Ouço-a engolir conforme endurece. “Eu não quero falar sobre ela.”
“Eu acho que você precisa.” Puxo minha cabeça de volta para cima, olhando para ela. Raiva
aprofunda o vinco entre seus olhos, e eu posso dizer que ela não está brincando mais.

Agarro-a pela jaqueta novamente e a puxo ao redor do confessionário.

"O que você está-"


“Precisamos ir a algum lugar que podemos realmente conversar,” eu digo a ela, empurrando-a
através da porta.
Meu pé bate no genuflexório, mas há também uma cadeira de madeira, e eu puxo a porta fechada,
sentando nele e trazendo-a para o meu colo.

"Solta."
"Não."
“Não?” Ela explode.

O lugar está escuro como breu, e eu mal posso ver sua sombra, muito menos todas as cores. Um
pequeno pedaço de luz violando a tela de vime e um pouco mais através das fissuras na porta, mas para
além disso, estamos escondidos do mundo.
Novamente.

“Eu não vou tocar em você,” prometo. “Vou soltar minhas mãos agora, porque...” descanso minha
testa em seu ombro. “O que começou entre nós aqui há seis anos começou honesto. Se nada mais, apenas
que seja sempre assim. Apenas ouça."

A última vez que estivemos aqui juntos, ela ouviu tudo. Tudo o que eu não queria que as pessoas
soubessem. E eu queria uma pessoa que me conhecia. Eu não queria essa mancha entre nós,
simplesmente porque eu tinha medo do que ela pensaria. Eu precisava que ela entendesse.
Ela respira com dificuldade, mas está parada, não fazendo nenhum movimento para sair.
Afrouxando meu aperto, mantenho minhas mãos descansadas em sua cintura. “Meu pai costumava
me contar histórias sobre guerreiros japoneses,” eu digo a ela, mantendo a voz baixa, “que, se eles eram
derrotados na batalha, cometiam o que é chamado o seppuku. Um ritual suicida.” As imagens dos livros
que eu vi passam pela minha cabeça, homens e mulheres ajoelhados com uma espada em suas mãos.
“Usando uma lâmina curta, eles se empalavam e fatiavam seus estômagos abertos. Isso iria recuperar a
sua honra.”

Ela ouve, e eu me inclino para trás, levando-a comigo.


“Eles preferiam se matar do que viver o resto de suas vidas com vergonha,” eu explico. “E não só
eles, mas isso recuperava a honra de sua família, também.”
Ela ainda permanece parada, mas sinto ela relaxar um pouco.

“Ser preso mudou tudo para mim,” eu continuo. “- meu futuro, minha família, minha esperança....
mesmo depois que eu saí, ainda podia ver isso nos olhos dos meus pais. A tristeza nos da minha mãe e a
decepção nos do meu pai.” Meus olhos ardem, e eu a sinto relaxar contra o meu peito enquanto ouve.

“O que eu poderia fazer, sem a porra de uma espada no meu intestino, que faria o meu pai me ver
da mesma forma novamente?”

Eu passo meus braços ao redor da cintura dela, ouvindo o rangido da catedral em volta de nós
conforme o vento sopra do lado de fora.

“Eu não podia estar com uma mulher, Banks. Não podia tocá-las. Não podia beber ou sorrir ou mal
comer. Não podia fazer nada que pudesse me dar prazer, porque eu não era digno.”
Hesito, não querendo magoá-la, mas ela precisa de honestidade.
“Colocamos Rika através de tal inferno no ano passado,” eu admito. “Nós a culpamos e a
marcamos, a colocamos em perigo e a assustamos. Nós a aterrorizamos, Banks.”

Deixo minha voz virar um sussurro. “Ela me viu o pior que eu já me comportei, e ela ainda falou
comigo. Ainda ouviu. Ainda colocou os braços em volta de mim e porra...” engasgo, lágrimas nascendo.
“Nós simplesmente, nós três, precisávamos daquele momento. Cada um por razões diferentes, mas ela me
fez sentir como se eu não estivesse mais sozinho. Ela me fez sentir desejado e forte. E isso me trouxe um
pouco de paz pela primeira vez em um longo tempo.”
Eu posso sentir seu corpo tremendo em meus braços, e sua respiração estremece. Ela chora
baixinho. “Mas você ...” enterro meu nariz em seu pescoço, cheirando algo inebriante e perfumado. “Você
me faz sentir motivado. Você me deixa faminto e em chamas e querendo retardar o tempo em vez de
querer apressa-lo. É você que eu procuro quando eu entro por aquelas portas de manhã. Não ela. Você."
Ela solta uma respiração pesada e vira a cabeça ao redor, encontrando minha boca. Nós nos
beijamos, os lábios dela derretendo nos meus e nossas línguas se encontrando, provocando e brincando,
mordendo e tomando. Eu gemo, meu pau inchando dentro da minha calça, crescendo doloroso.

“Você pode me tocar agora,” ela sussurra entre beijos.

Ela não precisa falar duas vezes.


Corro minhas mãos em volta da sua cintura, sentindo a renda e a pele e apertando-a, porque a
minha adrenalina está correndo tão quente que estou perdendo o controle. Ela é tão doce.

Eu seguro um de seus seios, segurando-o para mim e saboreando a sensação dela.


“Eu gosto do sutiã.” Beijo e mordo seu pescoço “Eu amo.”
“Eu vou te pagar pelas roupas.”

Tiro sua jaqueta, deixando-a cair no chão, antes de levantar sua camisa sobre a cabeça. "Sim você
vai."
Minha brincadeira sugestiva não parece irritá-la, porque ela me beija novamente, sua língua
roçando contra a minha.
“Para começar, você pode se comportar,” eu digo a ela, amassando ambos os seios na renda cinza
novamente.

“Eu sou uma punk de rua, Mori”, ela provoca, deixando beijinhos na minha bochecha que estão me
deixando louco. “Eu luto sujo.”

"Não mais. É a sua vez agora.”


“Minha vez para que?”

Eu a empurro para cima do meu colo e a viro ao redor, trazendo-a de novo para ficar entre as
minhas pernas.
Olhando para cima para seu contorno suave no escuro, seguro seus quadris enquanto suas mãos
repousam sobre meus ombros.

“Confessar,” eu digo a ela. “Hora de virar a página.”

Ela não faz nenhum movimento e permanece em silêncio, provavelmente pensando sobre o que ela
deve fazer. O que ela deve me dizer? O que ela não deve me dizer?
“Vá em frente,” eu peço a ela.

“Eu ...” seus dedos deslizam em volta do meu pescoço, e ela solta uma risada nervosa. “Uh ...
perdoe-me ó Pai, porque pequei. Tem sido…"
Ela para de falar quando eu desabotoo a calça jeans e a deixo cair pelas pernas.
“Faz seis anos desde a minha última confissão.”

Ela pisa para fora das calças, para o lado de fora das minhas pernas, e senta, montando meu colo.

Fecho os olhos por um momento, passando minhas mãos descendo para sua bunda. Estou de volta
lá novamente. Na Torre do Sino, muito antes de tudo ir a merda, e estou feliz.
“Eu ...” ela pressiona sua virilha na minha, inclinando-se. “Não sei por onde começar. Estou
nervosa.”

“Muitos pecados, hein?”


Ouço sua risada, e sorrio.

“Ok, deixe-me ajudá-la.” Eu a aperto em minhas mãos. “Você pensou muito em mim muito durante
os últimos seis anos?”

“Sim,” ela sussurra.

Cavo meus dedos, sentindo sua pele lisa e a renda da calcinha.


“Alguns dos pensamentos eram bons?” Questiono.

Ela inclina o peito no meu, seus lábios roçando os meus. "Sim."


Calor elétrico rodopia baixo, e eu posso sentir quase cada pedacinho dela entre suas pernas. Meu
pau está lutando contra minha calça.
“Você se tocava, pensando em mim?”

Ela começa a ofegar, rolando lentamente seus quadris contra minha dureza. Sinto ela assentir.
E tiro a mão de sua bunda e a trago de volta com uma pancada afiada. Ela grita, empurrando de
volta. "Ei!"
Ela esfrega a área que eu bati, mas eu pego sua mão, trazendo-a de volta para o meu ombro.

“Isso é muito impertinente,” eu digo a ela. “Então, o que você usava... um vibrador, um travesseiro
...?”
Ela respira nervosa agora. “Hum, minha ... a minha, a minha mão.”
Eu bato nela novamente e, em seguida, a beijo com força, cortando seu grito. Eu esfrego o local
que eu bati, sentindo seu corpo lentamente relaxar novamente.

“Você gostou da noite passada?” Pergunto.


"Sim."

Outro tapa.

Ela cai para a frente, ofegante. “Kai...”


"Você gosta de mim?"
Ela ofega no meu ouvido e aperta meus ombros forte. “Sim.”

Tapa.
"Você gosta muito de mim?"
“Sim!” Ela grita.

Tapa. Ela resmunga, passando as mãos em cima de mim e seus lábios pelo meu queixo.

“Você está ficando faminta, pequena?”


"Sim."
Tapa.
E ela geme dessa vez, começando a esfregar no meu pau.
“Alguma vez você já mentiu para mim?” Pergunto, meu tom profundo.

Ela faz uma pausa, e eu bato duas vezes dessa vez, sabendo que era definitivamente a minha
resposta.
“Ah!” Ela se pressiona contra mim.
“Eu posso jogar sujo também.” Levantando-a de cima de mim, eu a giro e puxo a calcinha por suas
pernas. Tiro minha jaqueta e desabotoo meu cinto, puxando meu pau para fora sentindo alívio por lhe dar
algum espaço.

Puxo-a de volta para baixo em mim.


“Isso é chamado de cowgirl reverso, pequena,” Eu rosno em seu ouvido. "Espere."
Eu a empurro para a frente, suas mãos indo agarrar a pequena saliência sob a tela do padre, e eu
seguro sua perna na curva onde encontra seu quadril e usa a outra mão para guiar meu pau.
Encontrando-a molhada, empurro sua abertura e, ao mesmo tempo, meus quadris, puxo-a de volta para
mim, e deslizo para dentro de uma vez.

Ela respira fundo, e minha cabeça cai para trás enquanto eu gemo.

Tão quente e apertada.


Choramingando, ela aperta os músculos em volta de mim, segurando-me dentro dela. “Oh, meu
Deus,” ela suspira baixinho.

Agarrando um punhado de seu cabelo, eu puxo sua cabeça para trás e tiro, empurrando
profundamente de novo.

“Mais, mais rápido,” ela geme.


E eu começo a foder com ela. Mais rápido e mais forte, batendo nela enquanto ela agarra a borda
na frente dela e a usa como alavanca, indo para trás em mim.

Isto é o que eu quero. O que eu sempre quis, desde a primeira vez que a vi. Alguém que me
conheça e queira mergulhar comigo.
Todos os anos sentindo-me impotente, alguém me dizendo quando comer, dormir, andar e falar, eu
saí daquele lugar, me sentindo menos do que humano. Sentindo-me menos do que um cão. Eu fui
removido, com medo das consequências se eu tivesse raiva ou fosse violento ou mau, então eu segurei
tudo, porque eu nunca iria voltar para lá. Eu nunca vou ser esse homem de novo, porque eu matei uma
parte de mim e matei meus pais quando fui embora.
E eu ainda estava na prisão quando saí, vivendo como uma máquina, então eu não iria cometer
erros, e queria sentir a porra de alguma coisa. Eu queria empurrar e puxar e lutar e foder e possuir todo
este maldito mundo novamente.

Eu queria tomar.
Aperto meus olhos fechados, deleitando-me com quão bonita ela é. Soltando seu cabelo, corro
minhas mãos sobre seu traseiro, desejando que houvesse luz suficiente para ver se ainda estava vermelho
da surra.
Agarro seus quadris e apenas seguro enquanto ela assume o controle, empurrando de volta para
mim, deslizando para cima e para baixo no meu pau.

“Ei, Kai!” Alguém grita. “Yo, onde você está?”


Will.

Porra.

Banks engasga, e eu fecho a mão sobre sua boca, nós dois em pé com meu pau ainda dentro dela.
“Shhhh,” eu falo em seu ouvido. Imobilizando-a contra a parede, eu abro mais suas pernas, tiro
minha camisa, e a seguro firme, continuando minhas empurradas.
Mas, em seguida, vem a voz de Alex, também. “Banks!”

Que diabos? Eu aperto minha mão com mais força quanto mais Banks começa a gemer.
"Ele está aqui? Ela o encontrou?” Eu ouço Alex perguntar.
"Não sei. O carro dele ainda está lá na frente,” acrescenta Will. “Kai!”
Banks se afasta da minha mão. “Eles me deixaram aqui,” ela sussurra. “Eles estão provavelmente
checando para garantir que te encontrei. Devemos parar.”
“Não.” Eu beijo seu pescoço, sentindo meu orgasmo chegando conforme eu apalpo seu peito.

“Ah,” ela choraminga. “Vai mais forte. Por favor."


Beijo seus lábios e a bochecha, orelha e pescoço, em todos os lugares que eu posso chegar
enquanto a seguro com força contra mim. “Sim, sim ... oh, Deus.”
Coloco minha mão sobre sua boca novamente, mas estamos tão perto, que eu realmente não dou a
mínima se Will e Alex nos ouvem. Só que Banks ficaria envergonhada quando voltar a si.

“Você não foi feita para eles,” eu digo em seu ouvido quando chego ao redor e esfrego seu clitóris.
“Nem Damon ou Gabriel ou qualquer outra pessoa. Você foi feita para mim, e eu quero você na minha
cama esta noite.”
“Eu não vou dormir naquele lugar de merda.”
Eu bato na bunda dela, e sua respiração acelera antes dela virar e agarrar a parte de trás do meu
pescoço, beijando-me com uma risada.

Eu não sei se Alex e Will saíram ou não, mas eu não ouço mais nada, então eles ou se separaram ou
ouviram os ruídos saindo do confessionário e depois saíram por vontade própria.
Eu a esfrego mais e mais rápido, empurrando tão profundo quanto eu posso. "Vem cá, baby. Vamos
lá.”

“Kai,” ela choraminga.

E em seguida, seu corpo aperta, congelando no lugar, apenas segurando enquanto eu bato,
trazendo seu traseiro de volta para mim cada vez mais forte.

Ela grita, gozando e respirando com dificuldade enquanto fica mole, deixando-se naufragar por seu
corpo.
Deus, eu queria saber o que está em sua cabeça nesse momento.

Mais alguns segundos, eu alcanço meu clímax e empurro, derramando dentro dela e meus dedos
apertando a pele encharcada de suor de seus quadris.
Ela se segura rápido no pequeno balcão, desesperada por ar no confessionário agora abafado
conforme pequenos gemidos escapam.

Prazer percorre todo o meu corpo, e eu me sinto tonto conforme descanso minha testa em suas
costas.

Ela é incrível.

Mas puta merda, minha mãe me mataria se ela souber o que eu acabei de fazer e onde. Eu
realmente não me importo, no entanto. Este sou eu, e isso é o que fazemos.
Um zumbido vem de algum lugar, e faço uma pausa, perguntando se era o meu telefone ou o dela e
se devemos apenas deixar tocar.

Mas aos poucos, ela se afasta e se abaixa para recuperar seu jeans.
Ela tira o telefone para fora, e eu vejo um flash de luz verde, sabendo que era do dela que tinha
vindo o barulho.
Ela desliza na tela e bate algumas vezes, em seguida, lê.

“O que é ?” Pergunto, vendo-a ficar ali congelada.


Ela deixa cair a mão do seu lado, sem olhar para mim.
“Vanessa chegou cedo,” diz ela calmamente. “Ela está aqui em Thunder Bay.”
Capítulo 20
Banks

Presente

O fraco ding-dong da campainha vêm até o quarto de Damon, e fecho a tampa da caixa de Kore,
andando até a janela. A limusine que meu pai enviou para Kai está na frente.

Meu estômago dá um nó. É hora de conhecer Vanessa, e eu não quero ele nesta casa com ela. Eu
não quero ela em qualquer lugar perto dele. Por que ele veio?

Eu abro a porta do quarto e desço as escadas, ouvindo meu coração bater em meus ouvidos. Eu
poderia dizer a ele que quero ficar com ele, e isso acabaria. Eu poderia dizer que eu quero estar com ele,
e ele vai me levar, e nós poderemos ir embora daqui.

Mas eu não poderia garantir-lhe minha lealdade. Eu sei que não poderia.

Fechando a porta, no fim da escada, eu dou a volta no corrimão e desço os próximos degraus, já
ouvindo Hanson abrir a porta e cumprimentar os convidados.

“Boa noite, Sr. Mori,” ele diz. "Sr. Grayson. Senhorita Fane. Por favor…"
Will e Rika, também? Estou meio agradecida, na verdade. Eles não querem ver Kai fazer algo
estúpido, por isso, se eles intervirem, eu não tenho que fazer isso. Não terei que escolher.

Kai aparece, e meus passos desaceleram, travando os olhos com ele. Faço tudo para não sorrir.
Eu amo como ele olha para mim e apenas olha. Eu amo como o olho direito perfura um pouco mais
do que o esquerdo. E eu amo como apenas a visão dele faz meu estômago dar cambalhotas.

Seu olhar cai pelo meu corpo, suavizando enquanto ele observa minhas roupas novas. Nada
exagerado, mas o jeans novo cai perfeitamente, e eu realmente gosto da camiseta branca com decote em
V e a jaqueta militar bonita. Eu até passei um pouquinho de rímel que Alex me empurrou goela abaixo
ontem à noite na McGivern & Bourne.

“Kai, como você está?” Gabriel se aproxima, estendendo a mão.


Mas seu tom é falso, e o corpo de Kai fica tenso. Eles não estão enganando um ao outro.

Desço o resto dos degraus e dou um passo ao lado do meu pai, não tenho certeza se é onde eu
deveria estar. Se não fosse, eu posso estar em outra confissão mais tarde.

Minha bunda ainda está um pouco crua da noite passada.

Gabriel me lança um olhar rápido e, em seguida, vira-se para Kai. “Você a tirou fora daqueles
trapos dela,” diz ele. "Bem feito. Nós meio que sentimos falta dela por aqui, na verdade.”

Meu pai cutuca meu queixo com os dedos, e os olhos de Kai estreitam nele.

“Will,” Gabriel cumprimenta, apertando a mão de Will. "Bom te ver de novo."

Will assente, provavelmente quem conhece melhor meu pai dos três deles, uma vez que ele e
Damon foram muito próximos.
“E Erika Fane.” Gabriel dá um passo adiante, invadindo seu espaço e estendendo a mão. “Gabriel
Torrance. Eu acredito que você conheça o meu filho.”

Os olhos dela se movem, parecendo desconfortável, mas ela toma sua mão, aperta-a e afasta-se
rapidamente. Eu não posso acreditar que Michael a deixou vir sem ele. Ele é meio cego, mas eu não o
considero ignorante.

“Crist é um homem de sorte,” ele diz a ela. E então ele vai para o lado, apontando para eles
entrarem. “Vamos entrar no esconderijo.”

Gabriel vira, abrindo o caminho pelo corredor, e eu sigo, andando ao seu lado. Mas um aperto
segura as costas do meu casaco, e eu puxo uma respiração súbita conforme Kai me puxa para trás.

Para o seu lado.


Continuamos andando, e ele não olha ou fala comigo ainda.
“Onde ela está?” Kai pergunta a Gabriel. “Vanessa.”

O tremor no meu estômago de ter ele perto muda para outra porra de nó com a menção dela, e eu
fecho meus dedos.
“Por aí,” Gabriel provoca e entra no escritório.

Ele se aproxima de sua mesa, e todos entram, deixando Hanson para fechar a porta. Will
imediatamente encontra o sofá de couro e planta a bunda para baixo, enquanto Rika vai para o lado da
sala.

Kai toma o lugar oposto a Gabriel do outro lado da mesa.

Gabriel inclina seu queixo para mim. “Vá verificar o jantar.”

“Ela não trabalha mais para você,” Kai interrompeu.

“Na verdade, ela trabalha. Tecnicamente falando, é claro.”

Nenhum contrato. Nenhum acordo.


Mas Kai não morde a isca, relaxando em sua cadeira. “Vou encontrar a noiva primeiro, obrigado.”

Meu pai ri baixinho. “Hanson.” Ele pega o charuto apoiado em seu cinzeiro. “Busque a minha
sobrinha.”

O homem acena com a cabeça, calmamente deslizando para fora da sala.


Eu olho para fora das portas do pátio, vendo um grupo de mulheres jovens sentadas nas mesas a
vários metros de distância. Eu não consigo ver seus rostos, mas o cabelo loiro-branco de Vanessa é fácil o
suficiente para ver, e ela está de costas para mim.

E se ele for atraído por ela?

“Então, quando é o casamento?” Pergunta Gabriel, e eu pisco, vendo-o olhar para Rika.
Por um momento, acho que ele está perguntando a Kai.

Rika responde: “Nenhuma data específica ainda.”


“E onde está Michael?”

Seus olhos brilham para Kai antes de responder. “Longe em um jogo pelo dia todo.”

Meu pai sorri, os pensamentos em sua cabeça mal mantendo-se contidos conforme seus olhos
correm sobre o corpo dela.

Kai levanta e anda pelas estantes de livros, colocando-se na frente dela. Meu pai está fodendo ela
com os olhos, e Kai sabe disso. Sua testa está enrugada, incomodado, mas ele permanece em silêncio, sem
falar ou olhar para mim. O que ele está pensando?
E, finalmente, uma batida leve quebra o silêncio.

Todos se voltam ou olham para cima quando a porta se abre e Vanessa Nikova entra.

Eu não sei o que eu esperava. Talvez que ela se sentisse estranha e olhasse para qualquer lugar,
menos para ele, ou talvez que Kai ficasse surpreso e instantaneamente atraído, perdendo toda o
semblante de pensamento ao vê-la.
Mas eles travam os olhos e apenas olham um para o outro por um minuto enquanto ela lentamente
fecha a porta.

Isso é pior.
Corro meus olhos para ele, observando-o assimila-la nos como se ele estivesse realmente
considerando-a.

Ela entra na sala, vestindo um vestido de festa prata que a faz parecer etérea com seu cabelo loiro
e olhos grandes e azuis. Ela tem a mesma cor de Rika, mas Rika é diferente. Ela está viva, e Vanessa
parece uma boneca mantida em uma caixa. Nenhuma impressão digital sobre ela.

Ela não é tão imaculada por dentro, no entanto.


Ela se aproxima de Kai, e eu o vejo se endireitar, preparando-se. Estendendo a mão, ela sorri, as
sobrancelhas bem cuidadas amolecendo para ele.
“Olá,” ela diz docemente.

Dou uma meia rolada de olho antes de me conter. Cobra de duas cabeças.

“Olá.” Ele toma sua mão, aperta-a, e, finalmente, solta. Alguns segundos atrasados, na minha
opinião.
“Vanessa, este é Kai Mori.” Gabriel faz as apresentações oficiais. “E seus amigos, William Grayson
III e Erika Fane.”
Vanessa se vira, seus saltos batendo quando ela se aproxima de Will e aperta sua mão. Virando-se
para Rika, porém, ela faz uma pausa, avaliando-a claramente, conforme a outra estende a mão com um
sorriso tenso.

“Rika está prestes a se casar com Michael Crist,” explica Gabriel. “Outro amigo de Kai.
Infelizmente, ele não pôde estar aqui hoje.”
Vanessa relaxa, a rachadura em sua fachada selando novamente enquanto ela aperta a mão de
Rika. "Prazer em conhecê-la."
A sala fica em silêncio quando todos apenas ficamos lá, e eu posso ouvir os cães latindo ao longe,
provavelmente com fome. Gabriel alimenta alguns e deixa outros esfomeados, e enquanto os mais
experientes sabem que latir só deixa pior, ele sempre tem sangue novo entrando e aprendendo a tortura
toda de novo.

“Bem,” Vanessa finalmente fala, tentando deixar leve. “Nós não teremos problemas de ligação
afetiva assim.”

Gabriel ri, Kai oferece um sorriso, e eu faço uma carranca. Por que ele está sorrindo?
Por que ele sequer ainda está aqui? Qual é o seu jogo agora? Ele não vai realmente se casar com
ela, pelo amor de Deus, então por que tentar um vínculo?

“Eu preciso de um pouco de ar fresco,” ela diz a Kai. "E você?"


Sua cabeça vira como se estivesse prestes a olhar para mim, mas então ele concorda, parando.
"Parece bom."

Ela sorri mais brilhante, mostrando os dentes, e segue para fora das portas do pátio. “E não nos
siga,” ela brinca com Hanson que se moveu para acompanhar. “Precisamos de privacidade.”

Eu olho a parte de trás da cabeça dela conforme eles desaparecem. A propriedade é extensa. Eles
podem ficar fora por uma hora. Tempo suficiente para ela encantá-lo de qualquer maneira que ela queira.
“Vá verificar o jantar.”

Olho ao redor, encontrando os olhos de Gabriel. E agora eu vou servir o jantar para o homem com
quem estou dormindo e sua noiva. Fantástico.

Saindo da sala, eu bato a porta fechada, sabendo muito bem que meu pai sabe que estou com
raiva. Ele não se importará. Ele sabe que eu farei o meu dever de qualquer maneira, não importa o quanto
eu esteja brava.
Um cão gane fora, e eu não sei se ele foi atacado por outro cão ou regido por um treinador, mas
depois outro uiva o som mais angustiante como se estivesse implorando. Para o que, eu não sei, mas eu
entro na cozinha sentindo como se quisesse acompanhá-lo. Uivar e gritar e lutar até que eu escape ou
alguém me tire da minha miséria.

“Ei!” Marina exclama, vendo-me entrar enquanto ela lava as mãos na pia. Seus olhos encantados
observam minhas roupas. "Você parece ótima. Quando isto aconteceu?"

Acho que ela quer dizer a minha “reforma” mas eu não estou no clima. Vendo os bifes para o jantar
na tábua de corte, eu ando e pego uma faca grande de cortar deitada ali.
E começo a cortar.

“Esses são os bifes-”

Marina para, observando-me cortar tiras, cortando a carne nobre com a faca afiada como se fosse
manteiga, e em seguida, pico as fatias em pedaços.

“Esses são os bifes para o jantar!” Ela diz apressando-se para a ilha. “Banks, o que você está
fazendo?”
Olho para ela, sentindo meu coração disparar, e atiro-lhe um sorriso de boca fechada. Ela recua,
apertando os olhos.
Ela provavelmente não consegue se lembrar da última vez que eu sorri para ela.
Terminando a minha tarefa, eu tiro uma tigela grande do gabinete, jogo nela todos os pedaços de
carne, e pego o prato, levando-o para fora da porta de trás.

Isso não vai acabar bem para mim, mas Deus, me sinto bem. E não posso parar.

“Onde estão os bifes?” Pergunta Gabriel, olhando para baixo na sobra da sopa de milho do almoço
de hoje dos rapazes e os pratos de Piroshki - uma torta com recheio de carne que Marina estava
preparando para o almoço de amanhã.
“Eu alimentei os cães,” eu digo.

Will bufa, e ouço um deboche, provavelmente de Vanessa, mas continuo a olhar para a parede à
minha frente, pronta para sofrer quaisquer consequências chegando.

Eu posso sentir a diversão de Kai. Ele senta do outro lado da mesa, e eu tenho quase certeza que
ele está olhando para mim, também.
Gabriel exala forte. “Algumas semanas com você e ela volta toda audaciosa,” diz ele a Kai. “Assim
como quando ela era uma adolescente.”
A mesa fica em silêncio, com exceção de Will, que começou a comer.

“Ela sabe como ser disciplinada, no entanto,” ele acrescenta.


“Oh?” Kai cutuca.

Pisco longo e forte. Isso não é da conta de ninguém. Não aqui, não agora.

Mas Gabriel continua. “Peça-lhe para tirar as luvas.”


Idiota.
Eu imediatamente bloqueio minhas mãos atrás das costas, fora da vista conforme todos voltam os
olhos para mim. Gabriel não pode me disciplinar agora, então ele faz o que tem que fazer para manter seu
orgulho. Ele me humilha. Kai não me viu sem as luvas. Não desde que eu tinha dezessete anos, antes de
eu ser “disciplinada”.

“Outra vez, talvez,” Gabriel diz, parecendo satisfeito consigo mesmo. “Ela vai em breve ser o seu
problema de qualquer maneira.”
“Oh?”
Desta vez, é Vanessa.

“Parte do contrato,” Gabriel explica, tomando um gole de sua sopa. “Kai recebe você, o hotel, e
Banks. Até o casamento, de qualquer maneira.”
Ela permanece em silêncio, e já que ela está sentada depois de mim, eu não posso ver seu rosto,
mas há hesitação o suficiente para saber o que está pensando.
Ou o que ela suspeita.

“Ela é uma boa trabalhadora,” Kai entra na conversa, pegando uma torta e cheirando.

“Bem, bem,” Vanessa suspira, bancando a boba. “Por que você não vai desfazer minhas malas,
Banks? Deixe-nos comer."

“Eu arrumei uma suíte na cidade para você.”

“Eu mudei de ideia.” Ela me dispensa. “Eu vou ficar aqui.”


Olho para cima, encontrando os olhos de Rika, nenhum de nós parecendo nada satisfeito de estar
aqui.
Bem. Que seja. Não que eu estivesse aqui, com tanta frequência mais, de qualquer maneira, mas
eu prefiro que ela estivesse em um hotel onde fosse ainda menos provável eu encontrar com ela.

Viro-me e caminho em direção à porta.


“E não dê minhas roupas para os cães,” ela grita.
Eu não sonharia com isso.

Eu fecho a porta atrás de mim e subo as escadas para um dos quartos. Eu honestamente não me
importo com a tarefa se ela me tira da sala.
Encontro a bagagem Louis Vuitton ao lado da cama em um quarto no corredor do quarto do meu
pai e pego suas coisas tão lentamente quanto posso, esperando que Kai, Rika, e Will tenham ido quando
eu acabo. Infelizmente, ela não trouxe tanto quanto pensei que ela faria.
Claro, ela iria para a cidade para fazer compras, então ela só embalou algumas malas. Eu penduro
a maioria de suas roupas, colocando blusas de lã, roupas de ginástica e íntimas nas gavetas e organizo
todos os seus produtos - hidratantes, produtos de limpeza de pele, maquiagens - perfeitamente no balcão
da suíte em consideração com o pessoal que teria que arrumar o quarto, em vez da Vanessa.

Coloco as malas debaixo da cama, ajeito o edredom, e dou uma olhada no quarto, certificando-me
que as gavetas e armários estejam fechados antes de voltar para o corredor.
Levo mais de uma hora. Talvez eles tenham ido embora até agora.
Mas quando eu vou para a janela no corredor no andar de cima, noto que a porta para o terceiro
andar está aberta.

Eu fechei isso.
Abrindo-a, olho para o alto da escada, vendo luz entrando pela porta aberta no topo.
Subo as escadas suavemente, em guarda. Ninguém sobe lá, exceto Damon e eu.

“Claro, ele teria cobras,” ouço Rika dizer e ouço seus passos pelo andar do meu irmão.

Que diabos ela está fazendo no quarto dele?


“Qual é o problema com você?” Pergunta Kai.

“Eu poderia te perguntar a mesma coisa.” Ela parece preocupada. “Você perdeu completamente a
cabeça?”
Eu fico tensa por instinto. Por que eles escaparam juntos? Will está lá com eles? Paro no topo e fico
para trás, ouvindo através da porta aberta.

“Isso é estúpido,” ela insiste com ele, “e o que eu respeito sobre você é que você não faz coisas
estúpidas.”

“Eu tenho um registo criminal que diz diferente.”

Ela solta um deboche, e ouço mais passos.


“Há muito tempo atrás você me disse algo importante,” ela continua. “Sempre que você quiser
fazer uma impressão e você achar que já foi longe demais, dê um passo além. Sempre deixe-os pensar que
você é apenas um pouco louco e as pessoas nunca irão foder com você de novo.”

"E?"

“E você foi mais do que um passo adiante.”


Eu ouço alguma respiração instável, e não tenho certeza de quem é, mas o tom de Rika parece
chateado. Preocupada como um amigo estaria.

“Eu gosto de quem eu sou agora, e para melhor ou para pior, você é parcialmente responsável,” ela
diz a ele. "Mas isso? Este erro pode arruinar você. Esta não é a vida que queremos para você.”

Ouço mais passos, e já que eu não posso vê-los através da fresta, imagino que eles estejam perto
dos tanques do outro lado da sala.
“Há um plano aqui,” ele diz a ela, falando mais suave. "Você tem que confiar em mim."

Há um silêncio, mas eu quase quero ouvir mais. Ela está preocupada com ele, e ela parece tão
confusa como eu estou. Que plano é esse? Eu quero que ela o pressione ainda mais. Ele pode dizer coisas
que ele não quis me dizer.
Mas a conversa acabou.
Abro a porta, vendo Kai virar e Rika olhar para cima quando eu fico em pé lá.

Os olhos dele brilham para minhas luvas, e eu cruzo os braços sobre o peito. “Ninguém deve estar
aqui.”
Kai se aproxima. “Mas você está,” diz ele, jogando-me um dos meus gorros que ele deve ter
encontrado aqui.

Eu o pego, permanecendo em silêncio.


“Por que você é permitida? Quando você veio morar com esta família? Você não está dormindo com
Damon, porque você era virgem, então o que ele está fazendo com você, hein? Quem exatamente é você?”
Eu dou um meio sorriso. “Sua inimiga favorita,” respondo.

Mas então, ele corre e segura minhas mãos. Eu cerro meus dentes juntos, conforme ele tira uma
luva e depois a outra, soltando-as no chão.
Merda.
Ele segura-as com força, olhando para as costas das minhas mãos. Apenas uma tem a queimadura
de charuto nela.

Eu uso duas luvas, no entanto, para manter a farsa.


Eu posso ouvir sua respiração com raiva ficando mais rápida. Mas ele não faz perguntas. Eu acho
que ele é inteligente o suficiente para descobrir como Gabriel me disciplinou.
Felizmente, levou apenas uma vez para eu aprender, no entanto.

Rika desloca a cabeça só um pouco, tentando ser discreta conforme ela dá uma olhada. A cicatriz
circular é do tamanho de uma moeda, a carne esburacada e rosa. Não é uma cicatriz antiga, mas se
desvaneceu muito ao longo dos últimos anos. Eu olho para a pequena marca no pescoço dela, sabendo que
ela a conseguiu no mesmo acidente de carro que matou seus pais anos atrás.

“Você não sabe o que está fazendo comigo,” Kai solta, parecendo solene.
Eu viro minha cabeça e mantenho minha boca fechada.

Rika começa a caminhar para fora, dando-nos privacidade, mas eu paro ela.
“Não, fique,” eu digo a ela. “Ele vai precisar de seus amigos.”
Ele olha para mim, analisando minha cara. “Você quer que eu me case com ela?” Ele pergunta. “E
isso será nós? Você, minha pequena amante para quem eu fujo para foder no meio da noite. Hã? Você
gostaria disso?”

“Você acha que eu iria aguentar isso?” Replico.


Meu rosto está começando a rachar e meu queixo treme, mas eu aperto todos os músculos que eu
posso reunir, mantendo as lágrimas.
“Olhe para mim,” ele sussurra enquanto Rika está perto, mas desvia o olhar. “Olhe para mim.” Eu
não o faço.

“Eu gosto de você,” ele me diz. “Eu quero você na minha casa. Eu quero ver você na minha cama.
Eu não quero te ver todos os dias. Fique comigo esta noite.”
Mas eu não posso. Eu não posso estar com ele por nada mais do que momentos roubados.
Por uma razão simples.

“Você odeia Damon?” Pergunto-lhe.


Ele endireita os ombros, e eu posso dizer que uma parede está subindo. “Ele não é um fator para
nós. Ele não tem lugar na minha vida.”
“Bem, ele tem na minha,” eu digo. "Eu o amo."

Antes que ele possa dizer qualquer outra coisa, eu me viro e saio, movimentando-me rapidamente
pelas escadas. Suficiente, droga. Apenas saia. Tudo está fodido, por causa dele, e eu quero voltar para
quando era simples. Quando eu era sincera no fato de que eu era fiel a uma pessoa, e que, por si só, era o
meu propósito.
Quando eu não queria dizer 'sim'.
Quando eu não estava me apaixonando.

Chego no fim das escadas e atravesso a porta, batendo em David. “Ei” ele diz. “Eu estava
procurando por você.”
Pisco as lágrimas nos meus olhos e desvio o olhar. "O que?"
Mas, em seguida, rangidos e pisadas aparecem atrás de mim, e Kai e Rika saem da escada,
também.

Eu gemo.
David recua, olhando interrogativamente entre nós três, mas ele continua. “Ok, ótimo,” diz ele,
balançando a cabeça. “Todo mundo em um só lugar. Perfeito.” E então ele olha para mim. “Gabriel precisa
de você por alguns momentos. Traga-os para a casa de hóspedes.”
E ele se vira para sair.

A casa de hóspedes - agarro o braço dele, estreitando os olhos. Não. É onde Gabriel leva seus
problemas para lidar longe de olhares indiscretos.
Mas David apenas ri baixinho e se inclina para sussurrar. "Está tudo bem. Todo mundo vai sair
inteiro. Eu prometo."

Passando pelo terraço e as luzes piscando da festa de boas-vindas de Vanessa começando a


aparecer, levo Kai, Will, e Rika em volta da lagoa para o quarto de hóspedes. É mais como uma primeira
casa, de tamanho muito maior do que qualquer apartamento que minha mãe e eu já vivemos. Kai e Will
estiveram lá antes. É onde Damon sempre levou seus amigos nas raras ocasiões em que ele convidava
alguém.

Assim, ninguém encontrava sua mãe. Ou me via. É totalmente mobilada e decorada com três
quartos, dois banheiros, uma cozinha completa e uma grande sala. Para o que Gabriel precisa deles aqui
que ele não pode fazer em seu escritório?
Painéis bonitos de vidro cercam a frente da casa, e avisto alguns homens dentro da casa. Meu
pulso acelera. O que está acontecendo?
Eu luto para não dar a volta e tirá-los daqui. Isto não parece bom.

Mas David disse que estarão seguros. Ele não mentiria para mim.
Antes que eu possa decidir, no entanto, as portas de vidro abrem.
“Kai!” Meu pai aparece partir de dentro enquanto Ilia segura a porta aberta para nós. “Venham!”

Kai anda até mim, meus pés ainda enraizados no lugar. Rika e Will seguem, e eu finalmente me
mexo, enfiando as mãos nos bolsos, meus dedos deslizando para o lugar onde escondi lâminas.
“Você gosta?” Gabriel estende as mãos na sala enorme. “Acabou de ser reformada. Eu pensei em
fazer isso a sua casa e de Vanessa quando vocês visitarem. Vai ser bom ter alguma família por perto de
novo.”
Ilia fecha a porta atrás de mim, e todos nós vamos mais para dentro da sala. Três homens vagando
atrás do meu pai, se espalham casualmente, mas eles estão se movendo. Embora lentamente para não
atrair a atenção.

Mas eles têm a minha. Eles estão se posicionando em volta de nós. Ilia fica ao meu lado, enquanto
Lev e David estão ausentes, provavelmente em uma missão em algum lugar.
“O que você quer?” Kai para atrás de uma cadeira almofadada, olhando para Gabriel. “Vamos sair."
Meu pai vai para atrás de uma mesa e pega uma caneta-tinteiro preta, segurando-a para Kai. “Só a
pequena questão de uma assinatura.”

Deixo escapar um suspiro. Ele não está em perigo, afinal de contas. Isso é apenas sobre o contrato
estúpido que Kai nunca vai assinar. Imagino que ele não entregou um com a assinatura que eu forjei na
manhã de ontem com raiva.
“Envie-o para o dojo,” ele diz ao meu pai. “Se não há mais alterações a serem feitas, eu vou
assinar.”
“Você vai assinar agora. Vanessa está aqui, e o casamento está sendo planejado.” Ele olha para Kai,
toda a paciência e gentilezas agora desaparecidas. "Agora."
Kai dá um passo. “Como eu sei que você não escorregou em uma contingência que eu não vi? Eu
vou tomar meu tempo para lê-lo novamente antes de concordar com qualquer coisa.”
Meu pai larga a mão e lança um olhar sobre Ilia, acenando para ele.

O que -
“Desculpe, garota,” Ilia murmura.

Hã?

E então ele me agarra.


“Ei!” Eu grito.
Mas ele me puxa para o outro lado da sala, e eu viro minha cabeça ao redor, tentando ver o que
está acontecendo. Tudo acontece tão rápido. Cada um dos homens do meu pai pega um dos nossos
convidados, e Kai corta seu agressor no rosto com a palma da sua mão, fazendo o outro homem cair de
joelhos.

Ele imediatamente olha para mim conforme sou forçada sobre atrás da mesa com o meu pai, e
então alguém bate uma barra de aço em seus ombros, e Kai desce, grunhindo. Ele tropeça, balançando
enquanto tenta ver Will e Rika que estão cada um sendo contido pelos braços.
“Que diabos está acontecendo?” Ele grita.
Torço nos braços de Ilia.

“Sem contrato, sem acordo,” Gabriel fala entre dentes. “Sem hotel, e Banks é nossa.”
“Eu não dou a mínima para o hotel!” Kai grita quando é levantado por aquele que bateu nele. Ele
empurra o homem fora e vira, olhando para o meu pai. “E ela não tem que ficar em qualquer lugar que
não queira. Ela não é sua propriedade!”
Seus olhos ardem, parecendo ao mesmo tempo furioso, mas pronto. Gabriel vira-se para mim.
“Você quer ir com ele? Vá.”

Não. Não faça isso. Eu imploro a ele com meus olhos.


“Vá,” ele me diz mais uma vez, o desafio forte em seu tom. “Veja quanto tempo ele quer você. Veja
o que acontece quando você tentar rastejar de volta aqui, porque você sabe como eu premio a
deslealdade. Vá."
Eu aperto os olhos fechados por um momento, sentindo todos os olhares sobre mim. Isso é
insuportável. Se eu sair com ele, eu saio sem nada. Completamente dependente de Kai.

Eu quero ele, mas meu pai está certo. Eu realmente vou trocar o diabo que eu conheço pelo diabo
que não conheço? Eu não posso confiar no que pode ou não estar entre Kai e eu. Ele é meus nos próximos
cinco minutos, e minha família será pelo resto da minha vida.
“Você quer ele?” Gabriel cutuca novamente. "Vá."
Ele empurra, e eu tremo, tentando segurar as lágrimas. Por favor. Kai está esperando por mim, e
isso é uma tortura.

Eu posso ouvir a respiração agitada de Kai quando estende a mão. “Vamos, baby,” ele implora. “Só
estenda."
Meus dedos cantam, querendo seu toque. Querendo pegar sua mão.
Mas eu enrolo os punhos e encontro seus olhos, lentamente, balançando a cabeça.

E Kai apenas olha para mim, sua expressão congelada, mas seu peito lentamente afundando. O
calor da vergonha distribui pelo meu rosto. Eu odeio machucá-lo.
Mas nós dois sabíamos que isso acabou antes mesmo de começar.
“Não fique tão surpreso,” Gabriel diz a ele, a autossatisfação em sua voz. "Ela ama ele. Ela sempre
vai escolhê-lo.”

A dor nos olhos de Kai fica dura, e ele se endireita, alisando uma mão para baixo na sua camisa e
casaco conforme olha para mim.
Meu pai se vira para mim, divertido. “Eu acho que ele não quer mais você.”
Eu engulo o caroço na minha garganta.
“Se você não vem, é guerra,” Kai me ameaça, seu tom tão morto como uma máquina. “E eu vou
fazer isso doer. Desafie-me."
Ouço meu pai rir, mas eu sei que Kai não está blefando. E isso pode até não ser sobre Damon mais.
Ele está com raiva de mim agora.

E então, de repente, acontece. Kai dispara, pega a caneta e rabisca sua assinatura sobre a linha.
“Kai, não!” Rika grita.
“Não,” eu digo ofegante. Cada pedaço de ar deixa meus pulmões enquanto eu olho horrorizada
para o contrato assinado.

Oh, meu Deus.


Ele vira a caneta, deixando-a cair sobre a mesa e empurra o contrato a Gabriel, sua expressão
desafiadora. Então ele se aproxima da mesa, me agarra pelo colarinho com ambas as mãos e me levanta,
minhas pernas e pés mandando documentos, uma bandeja de arquivos, e uma luminária para o chão.
“Kai,” eu respiro, segurando as mãos enquanto as lágrimas brotam nos meus olhos. O que ele fez?

Ele me levanta na frente dele, ambos de nós de frente para Gabriel enquanto Kai passa o braço em
volta do meu pescoço. “Agora você é minha,” ele ameaça no meu ouvido. “Pelo menos até o casamento.”
“Bom garoto.” Gabriel sorri quando pega o contrato e vira todas as páginas de volta no lugar.
“Kai, o que você fez?” Rika corre para frente.

Mas Kai não diz nada.


“Eu vou informar à sua noiva da boa notícia,” Gabriel diz a ele.
Kai agarra meu colarinho em uma mão, empurrando-me para o lado enquanto recua.

“Nós manteremos contato,” assegura Gabriel.


Ele aperta minha mão, me arrastando para fora da casa conforme Rika e Will correm para alcançá-
lo.

“Kai, ouça-me!” Rika tenta chamar sua atenção.

Mas Kai simplesmente continua andando, levando-nos ao redor da casa para a entrada de carros.
Eu tropeço, meus músculos queimando para me manter.

Paramos na frente dos seus carros.


“Kai!” Rika rosna. “Você não pode fazer isso!”

“Você não está pensando direito, cara”, Will entra na conversa. “Nós precisamos daquele contrato
de volta.”
“Esse contrato é a menor das minhas preocupações,” Kai cospe, chegando nos carros. “Eu
precisava de uma alavancagem, e agora eu tenho.”
“Não, larga isso!” Rika grita. “Você não pode-”

“Damon tem algo sobre mim!” Diz Kai, cortando-a.


O que?
Ele vira, olhando para todos nós. “Algo ruim, ok?”

Todo mundo congela, apenas olhando para ele.


O que? Ele tem algo sobre ele. Por que eu não sei disso?

“O que ele tem sobre você?” Rika se aproxima dele.

"Isso importa?"
“O que ele tem sobre você?” Ela grita novamente.
Kai olha longe, fúria em seus olhos, mas hesitante. O que ele não quer dizer?

“A mãe dele,” ele finalmente diz. “Ela está morta por minha causa.”
Minha boca se abre um pouco, e eu olho para ele em choque. Rika e Will ficam quietos.
Ela está morta? Quer dizer, eu suspeitava que ela poderia estar por agora. Ninguém tinha visto ou
ouvido falar dela desde aquela noite há seis anos, mas eu pensei que poderia ter sido Damon ou Gabriel
que tinham finalmente a executado.
Não que eu realmente me importe. Contanto que aquela cadela tenha ido embora, estou feliz.

A mandíbula de Kai aperta. “A noite do Devil, há seis anos no The Pope,” explica. “Ela estava...
ferindo Damon. E ela estava tentando machucar Banks. Eu perdi a cabeça, e a ataquei. Ela se machucou
na queda.”
Aquela noite vem à tona. O terror, as palavras repugnantes, vis que ela falou, a dor de Damon, e...
Kai perdendo a paciência, batendo nela, e o sangue. Ele nos protegeu, e se ela está morta, então boa
libertação da porra.
“Você só está nos dizendo isso agora?” Rika deixa escapar. “Depois de todo esse tempo?”

“Eu não sabia que a matei. Não até o ano passado no iate,” diz ele. “Você, Michael, e Will estavam
na água, e Damon e eu estávamos brigando. Ele me provocou com isso. Um pequeno detalhe que ele tinha
guardado para o caso.” Ele respira. “Depois que eu deixei o hotel naquela noite, ela não sobreviveu. Ele se
livrou do corpo para me proteger. Agora ele está usando-o para me ameaçar. É por isso que eu preciso
encontrá-lo. Eu não vou arriscar voltar para a prisão.”
“E se ele estiver mentindo?” Will argumenta. “Como você sabe que ele está dizendo a verdade?”
“Você correria esse risco?” Kai morde fora. “Porque ela não foi vista desde então. Ou ele traz sua
mãe muito viva ou seu corpo, para que eu possa seguir em frente com a porra da minha vida e não tenha
isso pendurado sobre a minha cabeça. E se eu não conseguir um ou o outro, eu vou para calá-lo para
sempre.”

“Então, é por isso que você esteve tão preocupado em encontrar ele?” Rika pergunta. E, então,
acrescenta “Você deveria ter nos dito antes, cara. Como no ano passado.”
Mas Kai ignora seus protestos, me empurrando para Will. “Só pegue ela,” ele ordena, tirando o
casaco e limpando o nariz com o polegar. O sangue mancha a ponta do dedo. Eu não vi ele ser acertado,
mas ele deve ter sido. “Traga-a para Darcy Street e depois saia,” diz ele. “Eu preciso me acalmar antes de
lidar com ela.”
E ele não olha para mim quando entra no carro e dá ré, saindo o mais rápido que pode.

Rika e Will ficam comigo na calçada, observando-o correr, e Will me empurra. “Eu acho que você
está nessa agora.”
Capítulo 21
Banks

Presente

“Kai!” Rika rosna em seu telefone. “Atenda!” E então ela termina a ligação, parecendo exasperada.
“Droga.”

Essa é a terceira vez que ela liga para ele desde que saímos de Thunder Bay. Will dirige, e Rika
senta no banco do passageiro ao lado dele, enquanto eu seguro as lâminas escondidas nos bolsos sentada
no banco de trás.
Alavancagem. Ele disse que eu era a alavancagem. Ela está realmente morta? Ele não pode saber
com certeza, mas eu acho que é o que ele está tentando descobrir. Nada como ter um assassinato
potencial pairando sobre sua cabeça.

Damon realmente o jogaria aos lobos?

“Precisamos falar com ele,” Rika diz a Will enquanto acende um cigarro.

Mas eu o vejo sacudir a cabeça. “Precisamos deixá-lo sozinho. Kai sabe o que está fazendo.”
“Ele não planejou esse rumo dos acontecimentos, seu babaca! É tudo sobre ela.” Ela vira a cabeça
em minha direção. “E ele está nessa agora. Eu preciso entrar em contato com Michael.”

Ela olha para o telefone de novo, e eu viro meus olhos para fora da janela, vendo as luzes da cidade
brilhando na água escura do rio conforme nós cruzamos a ponte.
Eu não estou presa a esse contrato. Servidão contratada não é mais uma coisa. Eu posso fugir, e eu
faria. Eu fui útil, meu pai conseguiu o que queria. Eu seria bem recebida de volta agora.

E meu irmão certamente não espera que eu honre o acordo.

“Você precisa falar com ele.”

Eu ouço as palavras de Rika, mas não é até eu pegar ela me olhando com o canto do olho que eu
percebo que ela está falando comigo.

"Desculpe?"

“Você precisa falar com ele,” ela me diz. “Você o trouxe para esse lado. Assuma alguma
responsabilidade.”

Sorrio baixinho, olhando para longe novamente. Jesus. Nada disso é culpa minha, e eu não vou
levar a culpa. Homens e sua idiotice, e eu estou cansada de ser dano colateral.

“Você ouviu o que ele disse,” eu respondo. “Sou a alavancagem. Isso é tudo o que ele quer
comigo.”

“Você realmente acredita nisso?” Ela me olha. “Ele poderia ter apenas pego você, se é isso que ele
queria. Ele assinou o contrato, porque ele estava com raiva. De você,” ressalta. “Ele vai ouvir você. Eu o
conheço há muito tempo, e uma vez que ele acalme-”

“Eu o conheci muito antes de você vir,” eu rosno. “Eu não preciso de você para me explicar sobre
quem ele é.”

Ela aperta os lábios, se calando.

“E eu conheço um inferno de muito mais tempo do que ambas de vocês,” Will solta. “Kai está
agindo fora de si, mas ele funciona o caralho melhor quando é deixado quieto, ok? Se ele falar com
alguém, vai ser Michael.” E então ele acena para Rika. “Tente ele outra vez.”

Ela suspira e pega o telefone, ligando para o noivo dela mais uma vez.

“E você,” Will grita.

Olho para cima, vendo-o me ver no espelho retrovisor.


“A merda vai bater no ventilador, independentemente do contrato. Você sabe disso, certo?”
Sim. Sim, eu sei disso. Mesmo se Kai deixar de lado sua raiva e Natalya estiver viva e bem, Damon
ainda está por vir.

E há uma boa chance de que ele não vá ganhar.


Will solta uma baforada de fumaça, sacudindo as cinzas para fora da janela quando vira para a
Darcy Street. “Se você pedir para Kai não ferir Damon,” ele me diz, “então ele não vai. Tudo que você tem
que fazer é pedir.”

Agarro a maçaneta da porta, pronta para fugir, logo que as portas destrancam.

Mas lentamente relaxo os dedos, pensando em suas palavras.

Talvez Will tenha um ponto. Kai pode ser intimidante e assustador e tão mau como eu posso ser, ás
vezes, mas ele não é cruel. Ele pode ser razoável.

Solto minha mão da porta conforme o carro desacelera no topo da rampa.

“Aqui estamos nós,” Will diz, parando o carro.

Olho pela janela novamente, vendo a casa de tijolo preto de Kai com cortinas rasgadas sobre as
janelas e a luz trêmula da varanda, parecendo algo saído de um daqueles filmes do tipo “Você entra, mas
você não sai”. Para que ele usa este lugar? Ele não mora aqui.
Onde ele dorme? Onde ele faz suas refeições e toma banho e fode as mulheres além de mim?

“Ele está esperando lá dentro.”

Encontro os olhos de Will no espelho novamente. "Como você sabe?"


“Ele acabou de mandar uma mensagem,” ele me informa, segurando o telefone. “Aqui está sua
chance.”

Nós saímos há menos de uma hora atrás. Ele não vai ter calma ainda. “Basta falar com ele,” diz
Rika, virando-se para mim. "Por favor."
A última coisa que eu quero fazer é alguma coisa para ela. A tensão se arrasta pela minha pele, e
eu abro a porta, de repente querendo estar fora de lá mais do que longe daqui.
Certo. Vou pedir a ele. Não porque eles querem que eu peça, mas porque isso pode funcionar.
Damon poderia voltar para casa, eu poderia mantê-lo longe deles, e todos eles podem continuar com suas
vidas aqui na cidade, enquanto meu irmão e eu continuamos com as nossas.

Abro a porta e imediatamente começo a subir os degraus da casa.

Mas meu olhar vai mais longe até a colina para a casa empoleirada em cima, vendo uma única luz
no segundo andar. E diminuo.

Parece um inseto aceso pairando sobre um lago preto à noite. Não há nada aqui. Não há outras
casas, negócios, e a luz da cidade não poderia furar a floresta fina ao redor da área. Estamos no alto e
isolados, apenas aquela casa e a de Kai. Ele sabe quem mora lá?

Arrepios espalham pelos meus braços. É linda, tipo gótica da virada do século com cumeeiras
pontudas e um portão preto.

“Você está bem?” Will grita, e eu olho para vê-lo inclinando-se para fora da janela.
Eu viro para trás, mostrando-lhe um dedo médio sobre o meu ombro enquanto me dirijo para a
casa novamente.

Uma vez que estou na varanda, viro a maçaneta da porta, encontrando-a destrancada.
Não há luzes dentro, à exceção do luar fluindo através das janelas sem cortinas. Entro no foyer e
ouço Will ir embora antes de fechar a porta.

Um clique alto soa, e todos os pelos do meu corpo ficam em pé conforme olho para a esquerda e
direita. Onde diabos ele está?

A casa parece o mesmo que da última vez. Ainda quase nenhum móvel e tudo que está aqui está
coberto de lençóis. Não há lâmpadas, e quando eu estendo a mão e aperto o botão na parede, a antiga
luminária pendurada acima não faz nada.

Poeira cobre os degraus, mas quando entro mais longe, noto algumas partículas que flutuam no ar.
Como se alguém tivesse estado aqui e mexido.
Olho em volta, hiper atenta. “Kai?”

O vento lá fora aumenta, e eu ouço guinchos vindo de cima. Como um ramo raspando contra uma
vidraça.

“Kai!” Eu grito novamente, desta vez mais alto. "Onde você está?"
Meu quadril vibra, e eu percebo que é o meu telefone. Puxando para fora, eu bato na tela e olho
para a mensagem.
Feche.

Eu me viro para frente e para trás, atirando meus olhos em todos os lugares, tentando ver onde ele
está. Entro na sala e, em seguida, na sala de jantar, procurando nos cantos e atrás das portas.
“Que diabos?” Rosno.

Eu não consigo ver nada. Nenhuma sombra, nenhuma forma, e eu não consigo ouvir nada, também.
A casa está completamente silenciosa.

“Eu não vou jogar seus jogos!” Eu grito para as escadas.

Meu telefone toca novamente.


Você já está.

Balanço minha cabeça. O que ele pensa que está fazendo? Uma pequena diversão doente?

Claro, eu me lembro a versão de Kai de diversão. A Devil’s Night, há seis anos. O hotel, a
perseguição, o salão de baile, as cortinas... o medo.
Eu não me importava como isso me excitou naquela noite, mas eu não estou com vontade agora.

“Estou indo embora,” grito para o ar vazio.


E me virando, giro a maçaneta da porta novamente.
Mas ela não gira. O que? Eu sacudo a maçaneta, empurrando. a porta batendo contra o batente
conforme empurro mais.

Uma luz verde pisca à minha esquerda, e eu olho para a parede, vendo um teclado. Meu estômago
afunda. Ele tem um sistema de alarme e travas automáticas.

Eu puxo a porta de novo, ainda não abrindo.


Viro-me. “Eu quero sair!” Eu digo a ele. “Ou vou quebrar uma janela!”

Outra mensagem aparece.

Você disse que eu não era assustador. Você já está com medo?
Olho para cima para o segundo andar. "Estou chateada."

Mentirosa.

Idiota.
Ouço um rangido acima de mim, e levanto meus olhos novamente. O vento uiva por entre as
árvores do lado de fora, e estou muito sozinha agora.

Com ele em algum lugar nesta casa.


Se você pedir para ele para não ferir Damon, ele não vai.
Molho meus lábios secos e forço as minhas palavras. "Eu preciso falar com você."

Encontre-me.
“Onde você está?” Grito, ficando enraizada onde estou.

Espero alguns segundos, mas nenhuma resposta vem. Nenhuma voz. Nenhuma mensagem. Kai
está mesmo aqui? Quer dizer, eu não sei com certeza que foi ele quem mandou as mensagens de texto,
certo? Alguém pode ter colocado seu corpo em uma fornalha, pego o seu telefone, e agora está fazendo a
coisa assustadora dos Jogos Mortais onde eles perguntam se você quer jogar um jogo, mas na verdade,
você não tem escolha, então você joga antes de ser picada por um cortador de carne num matadouro.

E lá se vai minha imaginação.


Eu aperto o telefone na mão. “Onde você está?” Grito novamente.
Andar de cima, vem a mensagem finalmente.

Idiota.
Bem. Foda-se, então. Eu subo as escadas. “Se eu tiver que encontrá-lo, você vai sangrar,” eu digo.

Mas, então, uma mensagem vem.

Ficando mais quente agora.


Olho para a esquerda para a direita, me mantendo alerta enquanto subo lentamente as escadas.
"Por que você está fazendo isso?"
Mas apenas uma resposta de duas palavras vem conforme dou outro passo. Mais quente.

Um suor frio na minha testa. O assoalho debaixo dos meus sapatos range, conforme chego ao topo
da escada, olhando para a direita e vendo a porta do quarto aberta. Eu posso ver a parte inferior da cama
e cortinas brancas voando no vento que entra pela janela aberta. Eu acho que não estava aberta da última
vez que estive aqui. Eu não consigo lembrar.
Em vez disso, viro à direita, indo para o outro quarto.
Frio.

Paro, respirando com dificuldade. Então, ele está no quarto principal. Eu não consigo engolir.
Controle-se. Ele está fodendo com você.
Virando, me dirijo de volta para o principal.

Meu celular vibra, e eu olho para baixo.


Posso lhe dizer mais alguma coisa?
“O que?” Eu rosno baixo.

E a próxima mensagem vem.

Você nunca vai sair desta casa.


Minha boca se abre, eu paro de respirar, e não posso juntar a porra de um pensamento coerente.
Kai ...

Viro-me rápido, mas lá está ele. Ele sai do banheiro, vestido com jeans, um capuz preto, e sua
máscara de caveira prata.

Paro, indo para trás conforme digo ofegante. “O que…"


Tudo está preto. Ele é apenas uma forma. As roupas escuras, o manto da noite, o negro de seus
olhos ... apenas os brancos são visíveis, deixando-me saber que havia um homem lá dentro.

“Kai...” estendo as mãos. Foda-se, por que não consigo pensar?!


Um arrepio atinge minha parte inferior, e eu fecho as coxas, de repente me sentindo como se
tivesse que ir ao banheiro.

Ele lentamente caminha para mim, colocando um pé na frente do outro, e eu me mexo com as mãos
trêmulas, pegando a lâmina do meu bolso.

“Vá para trás, porra!” Falo, segurando a lâmina na minha frente.

Mas ele continua andando, cada parada no tempo perfeito, até que estou contra a parede, em
frente ao quarto principal.

Ele não para, e eu disparo, rosnando. “Eu não tenho medo de você.”

Ele inclina a cabeça, sua máscara parecendo dizer “Oh, sim, você tem.”
O espaço entre nós fica menor e menor, e eu ataco, tentando assustá-lo. Ele agarra minha mão, no
entanto, e eu grito quando ele arranca a lâmina dos meus dedos, jogando-a sobre o corrimão. Ouço ela
bater no chão, em algum lugar lá embaixo.
Prendendo meus pulsos na parede ao meu lado, ele pressiona seu corpo no meu e me segura
contra a parede.

Puxo o ar, curto e rápido, porque meu peito não consegue expandir com ele em mim assim.
E ele apenas fica lá.
A cabeça inclinada para baixo para mim.

Observando-me.
Eu não posso nem mesmo ouvi-lo respirar. O único som que ele está vivo é a subida e descida do
seu peito contra o meu.
“O que você quer comigo?” Eu solto, soluços presos na minha garganta.

O que, ele não vai dizer nada?

A casa geme em volta de nós conforme o vento sopra novamente e zumbe pelas pequenas
rachaduras nas paredes.
E eu estou lá. Sozinha, ninguém por quilômetros, e uma máscara pairando sobre mim e parecendo
uma faca na minha garganta.

Porra, eu estou com medo. Oh, Deus, oh, Deus ...


Suor irrompe sobre minhas costas, e o calor espalha pelas minhas pernas onde seu corpo toca o
meu. Nossas coxas em camadas, uma das suas entre ambas as minhas, meu peito ficando sensível e
consciente do calor de seu corpo. Sua virilha está pressionada contra a minha e aumenta a pressão entre
nós, mesmo que não haja movimento.
Porra…

E eu ainda não consigo respirar. Eu não consigo respirar, porque estou pulsando em todos os
lugares. Meu corpo está pulsando e esquentando, e eu quero gritar, morder, e ...
Desistir.
Por que não quero correr?

Deixo minha cabeça cair para a frente, em seu peito, exausta e com fome e querendo cavar minhas
garras em algo.
“Estou com medo,” sussurro. “Eu tenho medo de você mesmo sem a máscara.”
Por causa de tudo o que você me faz sentir.

Ele não se move. Apenas me segura lá, seu aperto em meus pulsos soltando um pouco.
Olho para cima, falando baixo conforme meus lábios roçam sua máscara. “Eu...” eu não sei o que
dizer.
Sou realmente apenas uma alavanca neste jogo de gato e rato entre você e Damon? Apenas uma
arma?

Quero dizer, Rika está certa, não está? Ele poderia ter me levado, se isso fosse tudo o que ele
queria. Ele queria que eu o escolhesse na casa de hóspedes.
Ele me queria.
E eu queria que ele soubesse que eu tive que fazer uma escolha impossível. Mas, na minha cabeça,
escondida, onde guardo meus segredos, será sempre ele. Dez anos ... vinte anos de estrada. Eu o
observaria de longe e o veria construir sua vida e seria feliz se ele estivesse feliz.

Eu queria que ele soubesse que eu amo nossas preliminares.


Eu queria que ele soubesse que eu o amo.
“Eu gostaria de poder mantê-lo,” eu digo. “Pessoas como eu não conseguem o que querem, no
entanto. Elas ganham o que precisam para sobreviver, e mesmo se não houvesse tantos segredos entre
nós, eu não me encaixo em seu mundo, Kai.”

“Meu mundo?” Diz ele, olhando para mim. “Quer ver o meu mundo?”
E ele se afasta de mim, entrando no quarto principal.
Hã? O que isso significa?

Respiro fundo, sentindo como se eu fosse cair sem ele lá para me segurar, mas me forço a me
endireitar e o sigo.
De repente, ouço um som arranhando combinado com um trovão, e eu levanto minha cabeça,
caminhando para o quarto e vendo Kai tirar um painel inteiro da parede.
Que diabos?

A lareira - ou falsa lareira eu acho - ligada a uma seção de pavimento que vai para fora, abrindo a
parede do chão ao teto.
Há uma passagem secreta.
Sem olhar para mim, ele desaparece pelo buraco e deixa a entrada aberta.

Onde ele está indo?


Esta casa está começando a fazer um pouco mais de sentido. Eu sabia que tinha que haver uma
razão para ele comprar.
Cuidadosamente andando até a abertura, espreito dentro, meus olhos indo para a única coisa lá
dentro. Uma escada. Ela vai para baixo, com iluminação amarrada ao longo da parede, e eu sintonizo meu
ouvido, escutando ruídos. Mas não ouço nada. Nem mesmo o som de seus passos.

“Kai?” Chamo. "Onde você está?"


Mas as minhas palavras apenas caem no vazio. Qual a profundidade que isso vai?
Eu prendo meu cabelo atrás da minha orelha e aperto minha jaqueta contra o ar frio conforme
entro. E desço. Deixo a porta aberta, porém, apenas no caso.

Os degraus são de arenito, e as paredes revestidas com cabos que ligam a iluminação instalada em
pequenos intervalos. Continuo a descer a escada em espiral, abraçando a parede como apoio e sentindo o
ar ficar mais vivo quanto mais longe eu vou. Círculo após círculo após círculo, eu tenho que piscar várias
vezes para não ficar tonta.

Para que tudo isso?


Depois do que parece uma eternidade, eu finalmente chego ao fundo, e olho para frente, vendo um
túnel. A luz da lua entra por cima, e eu sei que não deveria ter medo, mas eu tenho um pouco. Se Kai
estava escondendo isso, o que mais ele esconde? Basta ir, Banks. Quanto menos você sabe, mais medo
você tem, então vá saber mais.

Eu caminho, mantendo meus olhos e ouvidos alertas conforme piso sobre o piso de grade de aço e
olho para baixo para ver um fluxo de água. Olhando para cima, vejo outra grade e o céu negro com
estrelas acima. É um esgoto para escoar a chuva. As paredes de pedra e o túnel foram construídos há
várias décadas, provavelmente. Há arcos à minha direita, e eu posso dizer que o túnel costumava desviar
para fornecer acesso a outras áreas da cidade, mas as passagens foram emparedadas. Há apenas um
caminho a percorrer. Reto.
“Kai?” Chamo novamente, olhando para frente. “Kai, você está embaixo?”
Claro, ele não responde. Talvez ele não possa mais me ouvir.

Acelero meus passos e me dirijo para baixo do túnel, chegando a uma outra escada. Olho para
cima, incapaz de ver o topo. Ela só continua.
Engulo, a garganta tão seca. Eu não como ou bebo há horas.
Bem, para cima é bom, pelo menos. A parte superior deve sair no nível do solo.

Corro para cima, repetidamente olhando atrás de mim para garantir que nenhuma coisa
assustadora esteja no meu rastro. Meus músculos começam a queimar, e eu desacelero um pouco, não
estou acostumada com uma inclinação tão íngreme. Onde isso vai?
Chegando ao topo, vejo uma porta dando para uma sala, assim como a de onde eu vim.

Estendo a mão e empurro a parede um pouco mais para ter uma visão melhor, a divisória
facilmente deslizando. Que diabos é isso?

Entro em uma sala enorme, com tetos abobadados e mobiliário. Pisos de madeira brilham à luz que
vem da lareira a lenha, e um longo, tapete persa foi colocado sob os sofás de couro preto e mesas de
madeira sofisticadas. Arte adornam as paredes, uma luminária de prata em uma mesa repleta de papéis, e
ouço música que vem de algum lugar fora do escritório.
Meu pulso dispara.
Sigo o som através da sala e entro em um grande foyer, minha cabeça caindo para trás e meus
olhos absorvendo o espaço vazio acima de mim quando me viro em um círculo.
“Oh, meu Deus.” Tremo.
Outra sala, uma sala de estar, acho, do outro lado da sala, uma grande escada ergue atrás de mim,
e dois outros corredores em ambos lados da escada, levando para parte de trás da ...

Casa.
Isso é uma casa.

A casa dele.

Tudo que eu esperava da casa de Kai e muito mais.


Eu posso sentir o cheiro da tinta fresca conforme eu observo as molduras que adornam as pinturas
nas paredes, e as belas mesas, cadeiras e sofás espalhados por toda o escritório e sala de estar. Há um
lustre de cristal pendurado acima de mim, tilintando com a leve brisa vindo do túnel.
É uma casa projetada por um homem que se preocupa com detalhe, refletindo tanto suas heranças
japonesas como italianas. Elegante, equilibrada e organizada, mas também ornamentada, rica em
detalhes, e exuberante como uma mansão Europeia.

Eu ando até a escada preta, seguindo a música conforme meu corpo inunda com adrenalina. Seus
amigos sabem sobre este lugar?
É grande e espaçosa, mas também escura e acolhedora. Como uma câmara escondida do mundo
exterior.
Como se ele tivesse criado seu próprio confessionário pessoal aqui.

Ou ... sua própria Torre do Sino, sepultura, o The Pope ...


No andar de cima, ando pelos corredores, seguindo a voz suave cantando uma música que eu
finalmente reconheço ser uma versão de Paint It, Black, e passo por um quarto com a porta aberta e paro.
A cama preta de dossel está perfeitamente arrumada, lençóis brancos, edredom e travesseiros, e
eu entro, vendo um quadro emoldurado na parede. Uma noite preta com um sol vermelho, chuva, garças
voando ...

E há aquele símbolo japonês no centro novamente. O mesmo da placa do Sensou.


Guerra. Isso é o que significa. Assim como o nome do lugar.
Ouço o chuveiro desligar, e ando em direção à porta, virando o corredor em direção ao banheiro.

Kai fica em pé no espelho grande redondo com uma toalha enrolada na cintura, penteando o cabelo
com as mãos. Gotas de água brilham em suas costas, e vapor enche o aposento.
“Kai.”
Ele faz uma pausa, fixando os olhos em mim através do espelho.

“O que é isso?” Pergunto, lentamente entrando.


“A casa na colina.”

“E esta é a sua casa?” Esclareço. “Sua casa de verdade?”

Eu sabia que é - o cheiro dele está em toda parte, mas eu não tenho certeza do que eu sei e não sei
mais, e eu preciso ouvi-lo dizer isso.

Ele balança a cabeça, sorrindo. “Você realmente não acha que eu vivo naquele lugar imundo, não
é?”
Eu bufo, mas estou tão pronta para chorar também. Estou tão exausta. “Kai, Jesus -”

Começo a protestar, querendo interrogá-lo sobre que diabos está acontecendo e por que ele
escondeu esse lugar, mas ele se vira, balançando a cabeça.
“Apenas me dê dez minutos, está bem?” Diz ele, parecendo tão cansado quanto eu. “Apenas me dê
dez minutos com você, e então nós podemos levar isso a sério.”
Caminhando até mim, ele tira minha jaqueta e coloca em um banco perto da banheira.

Que estava enchendo com água. Bolhas sobem mais alto uma vez que a torneira joga água na bacia
profunda, branca, e é meu instinto lutar com ele, mas ele fala, me cortando.
“Vou explicar tudo em dez minutos.”
Minhas pálpebras caem, e eu não sei que horas são, mas tem que ser tarde. Deixo que ele tire
minha roupa.
Tudo é tirado, e ele não tenta me apalpar ou beijar, embora eu não teria realmente me importado
se não estivesse tão cansada.

“Entre na banheira,” ele me diz.


Eu entro, imediatamente sentindo arrepios deliciosos se espalhando pelas minhas pernas conforme
o calor da água embebe minha pele.
Lentamente, me sento, afundando até meu peito e trago meus joelhos para cima, abraçando-os. Kai
tira a toalha, e eu acho que ele vai entrar, mas ele pega uma calça de agasalho e desliza sobre ela.

Algo sob a minha pele sacode com a visão de sua nudez, e eu mordo meu lábio. Ele olha para cima,
e eu desvio o olhar, mas posso sentir seu sorriso estúpido pegando meu olhar.
Colocando minhas roupas no balcão, ele senta no banco e pega uma esponja de banho,
mergulhando-a na água.
Em seguida, ele tira todo o cabelo do meu ombro, e começa a ensaboar minhas costas.

Eu torço minha cabeça, pegando a esponja. "Eu posso fazer isso."


Mas ele puxa-a, dizendo gentilmente, “Eu sei que você pode.”
Eu não gosto de pessoas fazendo coisas para mim. É desconfortável ser cuidada. Eu não estou
acostumada com isso. Mergulhando a esponja de novo, ele aperta a água sobre minhas costas, deixando-a
cair em cascata para baixo da minha pele, e eu fecho os olhos, entregando-me.

“Oh,” eu suspiro.
Minha cabeça cai para o lado enquanto ele esfrega a esponja quente sobre meu ombro e pescoço, e
sinto como um cobertor que eu nunca queira deixar ir embora. Nós não falamos, e ele não me dá ordens,
simplesmente inclinando minha cabeça para trás e derramando água sobre o meu cabelo antes de lava-lo,
e eu mantenho meus olhos fechados o tempo todo. Seus dedos no meu couro cabeludo, a água quente
sobre a minha cabeça, e o cheiro dele e de seu perfume me deixam tonta e alta, e eu nunca me senti tão
bem.
Eu quase me sinto feliz.

Depois de lavar meu cabelo, ele lava meu corpo, deslizando a esponja entre as minhas pernas, e eu
fico mais alerta, abrindo meus olhos.
“Use as mãos,” digo a ele. “Elas são melhores.”
Vejo seus lábios transformarem-se em um sorriso, e ele solta a esponja, ensaboando as mãos.

Deslizando-as entre as minhas pernas, ele se abaixa perto conforme me lava.


Estou prestes a fechar os olhos novamente, mas ouço um som de telefone.
Ele vira a cabeça, tentando ver a tela sobre o balcão. Em seguida, ele solta um suspiro e puxa as
mãos longe, secando-as.

“O que é?” Eu sento, abraçando meus joelhos novamente.


Ele olha para o telefone, passando a tela e lendo. Ele franze a testa e coloca o celular no bolso,
levantando.
“Michael”, ele me diz, inclinando-se e beijando minha testa. “Ele está no portão. Eu preciso ir falar
com ele. Tenho roupas no quarto, então encontre o que você quiser para dormir, e eu vou trazer alguma
comida no meu caminho de volta, ok?”

Balanço a cabeça, relutante em deixá-lo ir. Ele sai, e eu o observo o até que ele desaparece no
corredor.
Então, obviamente, seus amigos sabem onde ele vive.
Embora, eu me pergunto se já estiveram aqui. na minha pesquisa nunca houve qualquer indicação
que Kai tinha este refúgio. Eu nunca vi ele ou seus amigos virem para esta casa.

É linda, no entanto. E, claro, eu estava certa o tempo todo. Não havia nenhuma maneira que ele
vivesse naquele casebre.

Eu termino o banho e puxo o plugue na água, ficando em pé. Pego uma toalha na prateleira perto,
me seco, enxugando todas as espumas e envolvo o tecido macio, grosso em volta do meu corpo.
Após eu escovar meu cabelo - e ser curiosa, cheirando sua colônia - vou para o quarto e tiro uma
das suas camisetas de uma gaveta. Sempre usei coisas do meu irmão, porque é o que ele me dava para
usar, mas eu sorrio, colocando a camisa de Kai. Eu quero sentir suas roupas em mim e seu cheiro em volta
de mim.

Olhando para a porta vazia, visto rapidamente e, em seguida, levo a toalha de volta para o
banheiro, jogando-a no cesto, e dobro minhas roupas, que estão no balcão.

“Não!” Ouço um grito e paro, virando a cabeça.

“Como você pode levá-la a qualquer lugar perto desse pedaço de merda?” Outra voz grita.
Michael. Fico surpresa que possa ouvi-lo daqui.

Deixo as roupas e me arrasto levemente para trás através do quarto e de volta pelo corredor,
chegando ao topo das escadas. Olhando por cima, vejo que o vestíbulo está vazio, mas estou apenas de
camisa. Não vou para lá se as pessoas estão aqui. ando até o degrau mais alto e paro, ouvindo barulho
vindo do escritório.
“Eu não preciso limpar tudo através de você. Ela faz suas escolhas!” Kai rosna de volta.
Ela? Significa eu?

“Rika é minha!” A voz de Michael baixa, mas a fúria continua tão forte. “Minha parceira, se você
tem qualquer ideia da porra que isso significa. Nós tomamos decisões juntos!”
“Você sabe, que eu estou aqui!” Ouço Rika gritar. “Fale comigo!”

Oh, eles estão falando de Rika.

E eu acho que Michael descobriu sobre o jantar hoje à noite. Kai não deveria deixar Rika ir para a
casa do Gabriel, eu acho?

Vejo Will perto da parede, os braços cruzados enquanto ele apenas assiste.
Kai continua, “Você que disse que ela era uma de nós. Ela pode carregar seu peso. Ela é uma igual,
então -”

“Ela não é igual!” Michael grita.


E todo mundo fica em silêncio.
Droga, eu queria poder ver seus rostos.

“Ela nunca será igual!” Ele continua. “Ela sempre vai significar mais do que você.”
Meu coração bate descontroladamente, e eu consigo imaginar o rosto de Kai conforme essas
palavras pairam no ar. Ele está machucado que Michael disse isso?
Mas se fosse comigo, eu não iria esperar significar mais para o homem que eu ia casar do que seus
amigos?

A julgar pelo silêncio vindo do escritório, todo mundo está percebendo que a dinâmica de sua
pequena equipe está recebendo uma dose muito clara da realidade.
“Eu amo vocês, caras” Michael diz, “mas vocês são a porra de densos? Vocês são meus amigos. Ela
é tudo. Talvez um dia vocês vão saber que diabos estou falando.”
E a próxima coisa que eu sei, é que ele sai para o saguão, em direção à porta, segurando a mão de
Rika enquanto ela lança um olhar triste de volta para os rapazes. Eu recuo, fora da vista.

Eu posso dizer que ela sentia muito que eles gritaram, mas o que você faz? Michael tinha medo por
ela.
E ele certamente não é o único homem que não quer sua mulher ao redor do meu pai.
Eles saem, e Kai e Will vão para o vestíbulo, parecendo acabados.

“O que isso significa?” Will pergunta, olhando para seu amigo.


Mas Kai apenas olha para a porta que Michael passou. “Isso significa que precisamos de novos
cavalheiros.”
Capítulo 22
Banks

Presente

“Olá, Olá?” Uma voz alegre perfura meu sono.

Aperto meus olhos bem fechados, finalmente percebendo uma luz brilhando através das minhas
pálpebras. Que diabos? Eu estou morta.

Eu bocejo, rolando e esticando meus braços no ar conforme registro uma porta se fechando e o
farfalhar de sacolas.

"Eu acordei você?"

“Duh,” resmungo, reconhecendo a voz de Alex.

Sério, qual é a dessa garota? Toda vez que eu viro ela está violando meu espaço seguro.

Eu gostaria que ela não gostasse tanto de mim.

Pisco para abrir os olhos, bocejando novamente. "Que horas são?"

Sem esperar por uma resposta, viro à esquerda e à direita, procurando as mesas de cabeceira no
quarto de Kai para ver um relógio. Eu devo ter caído no sono antes mesmo dele subir na noite passada.
Ele e Will tinham que conversar, então eu deitei, vestindo sua camisa, para esperar.

“Não há relógios aqui,” penso em voz alta, sentando.

“Sim.” Ela vem e se senta na cama ao meu lado, no lado bagunçado onde Kai deve ter dormido.
Eu faço uma careta, um pouco desapontada que dormimos na mesma cama pela primeira vez, e eu
estava desmaiada.
“Esta casa é uma outra dimensão onde o tempo não existe, aparentemente.” Ela balança os dedos
para mim como um fantasma.

Segurando seu telefone, ela verifica a tela. “São duas e meia.”


“Da tarde?”

Ela assente com a cabeça, encaixando um braço sob a cabeça. “Você devia estar cansada.”

“E Kai simplesmente me deixou aqui?” jogo as cobertas.

"Claro que não. Ele trabalhou de casa hoje” explica ela “para que ele estivesse aqui o tempo todo,
mas agora ele está ocupado com os fornecedores, e eu acabei de chegar, então ele me pediu para acordá-
la.”

Eu olho para ela. “Os fornecedores?”

“Para a festa?” Ela aponta, exercitando minha memória. “A festa do pijama que Will quer fazer para
a Devil’s Night?”

Oh sim. Eu vagamente ouvi sobre isso. Eu não sabia que Kai ia fazer a festa, no entanto.
Levanto, sentindo o cheiro de café e pão. Noto uma bandeja perto da porta. “Mas a Devil’s Night
não é em alguns dias,” eu digo a ela.

“Sim, mas eles são homens agora. Sem festas nas noites de trabalho.”
Ela sorri docemente, e eu procuro em volta as minhas roupas. Ah, certo. Deixei no banheiro.

“Eu tenho tanta coisa para fazer.” Entro no banheiro particular, mas minhas roupas não estão no
balcão onde eu dobrei e deixei. Elas não estavam em qualquer lugar. Merda!

Se Kai assinou o contrato, então talvez Damon recebeu a notícia e estaria em casa a qualquer
momento. Eu preciso falar com ele. Ele disse a Kai a verdade sobre Natalya?
“Você não tem nada para fazer,” ela grita, sua voz se aproximando, “nada para se preocupar, e
nada em que pensar. Kai está lidando com seu chefe, não há nenhuma palavra sobre o retorno de Damon
ainda, e Kai não tem absolutamente nada para você fazer hoje. Então, coma.”

Volto para o quarto enquanto ela coloca a bandeja de comida em cima da cama.

“Eu não posso comer,” eu digo a ela. “Eu não posso ficar aqui. Eu…"

Eu paro de falar, e vou para a cômoda. Abrindo um par de gavetas, procuro algum tipo de roupa,
finalmente, localizando uma calça de agasalho na terceira gaveta.

“Você pode fazer o que quiser,” ela me diz, seu tom sério. “E eu diria que estamos todos precisando
de algum divertimento, não é?”

Dou um meio sorriso, incapaz de evitar. O que é isso que você está falando? Diversão? Nunca ouvi
falar disso.

“Se você sair,” Alex diz “Kai simplesmente vai segui-la. E então todos nós vamos segui-lo. E eu acho
que o problema sabe onde estamos e sempre soube, e uma noite não fará diferença.”

Faço uma pausa. Sim, Kai me seguiria. Eu não tenho dúvida de que é verdade. Se, por algum
milagre, eu achar Damon, eu preciso dele sozinho.

“Agora...” ela sorri enquanto caminha até as sacolas de boutique na cadeira, uma luz em seus olhos
como se tivesse ganho a discussão. “Conhecendo a sua timidez, eu tomei a liberdade de escolher pijamas
especiais para você para a festa de hoje à noite.”

Horas mais tarde, e um par de bebidas coagidas a mim por Alex - acho que estou pronta para ir à
festa, que já está em pleno andamento. Kai saiu de casa depois que eu comi o almoço tardio que Alex me
trouxe, então eu não o vejo desde a noite passada.
Eu me pergunto se ele está preocupado. Ou de mau humor sobre a briga com Michael na noite
passada. Ou se ele está zangado comigo. Ele pode vê-la como minha culpa, sentindo-se forçado a assinar
esse contrato, e mesmo que eu saiba que não sou, eu também sei que continuamos nos cavando mais
profundo. E isso é definitivamente, em parte, culpa minha.

Se ele souber que Damon é meu irmão, ele pode entender por que meus sentimentos são tão fortes
por ele e não esperar que eu faça escolhas que ele sabe que não posso fazer.

Devo dizer a ele. Menos um segredo, certo? Mas não há nenhuma garantia de que ele desista da
vingança, e além do mais, ele não me usou como alavanca ainda, mas ele pode. Eu não queria que ele
soubesse exatamente o que ele tem em suas mãos.
Mas eu definitivamente preciso falar com Kai. O que ele vai fazer com o contrato? E se Vanessa
aparecer aqui?

E por que ele manteve esta casa fora do radar? Por que a entrada secreta?
Ugh. Talvez eu deva usar aqueles “pijamas” que Alex comprou para mim, afinal de contas. Talvez
sua mente entre em ação e ele possa ser mais próximo?

Sim, não. Não há nenhuma maneira que eu vá, usando uma frente única preta com calcinha
claramente visível debaixo de uma saia longa transparente. Ela até tentou me colocar saltos, para gritar.

Arranco tudo fora e procuro nas gavetas de Kai até encontrar uma cueca boxer. Enfio e visto uma
camisa limpa, branca de gola dele do armário. Eu a deixo colocar um pouco de maquiagem - delineador,
rímel e batom - mas meu cabelo fica confuso. Eu disse a ela que iria toda produzida, mas realmente, eu
não estou pronta para ir com força total. Não que eu não goste de me vestir e arrumar o cabelo, mas uma
coisa de cada vez. Eu preciso sentir alguma aparência familiar. Muita coisa está acontecendo muito
rápido.
Mas pelo menos estou mais coberta do que ela em sua boxer minúscula de seda vermelha com laço
de renda e corselete risca de giz. Eu posso experimentar algo como isso, mas definitivamente no privado.
“Vamos.” Ela puxa minha mão.

Entrando no corredor, sou pega de surpresa em como está escuro. Olho para os dois lados,
percebendo como as luzes de mais cedo estão agora abaixadas e, em vez disso, velas acesas brilham em
cima de castiçais em pequenas mesas que seguem pelo corredor. Música vem de baixo para cima, e posso
ouvir a campainha tocando.
Riso e conversa fraca misturadas com barulhos de saltos e de tilintar de copos.

Vamos para baixo em direção à escada, mas assim que chegamos ao degrau mais alto e eu vejo
todas as pessoas, algumas que eu reconheço como antigos colegas de Damon de Thunder Bay e outros
como jogadores do time de Michael Storm, eu travo.
“Eu não...” puxo a minha mão da dela. “Eu não tenho certeza que esse é o meu lugar. Eu não gosto
disso. Eu sinto…"
Não sei o que dizer. Meu corpo está coberto, e eu correria até o The Pope com essa boxer anos
atrás também, mas agora ...

Olho para todas as mulheres. Vestidas com lingerie. Sexy. Bronzeadas. Bonitas. Eu não quero me
vestir assim, mas também não me sinto ajustada como estou. A única pessoa para quem eu queria usar
esse tipo de coisa é Kai, e eu não posso fazer isso. Esta é a sua cena, não a minha.
Dou um passo para trás. Seria mais divertido ficar aqui e explorar o resto da casa de qualquer
maneira. Há dezenas de quartos, e um sótão, tenho certeza. Para não mencionar que se há uma passagem
secreta no escritório, provavelmente há mais. Nada seria mais divertido do que isso.

Mas mãos agarram meu quadril por trás, e o sussurro de Kai de repente está no meu ouvido.

“Onde você pensa que vai?”


Eu cruzo os braços sobre o peito. “Eu não me mostro para o prazer dos homens.”
Seu peito sacode com uma risada atrás de mim. “Bem, bom. Fico feliz em ouvir isso, porque eu sou
o único homem cuja atenção você deve tentar ter, e baby, você conseguiu isso anos atrás, enquanto vestia
roupas de outro homem.” Ele beija minha testa, seu hálito quente enviando arrepios na espinha. “Então,
você pode imaginar como a porra de linda você está para mim agora vestindo as minhas.”

Meu coração acelera, e de repente, sinto-me mais corajosa.


Sem outra palavra, ele passa por mim, descendo as escadas, para cumprimentar seus convidados.
Olho para os músculos das suas costas, visíveis já que ele só usa calças de pijama como um monte de
outros caras, e sinto-me aquecer novamente.

Mas eu não me sinto mais nervosa. Começo a descer as escadas com Alex.

A festa não está realmente tão cheia quanto eu pensava. Ele poderia ter facilmente acondicionado
mais de cem pessoas, no piso inferior, mas parece haver apenas cerca de setenta a oitenta dos seus
amigos pessoais, próximos de sua gangue. Os jogadores de basquetebol, colegas de trabalho, amigos da
antiga escola...

E o lugar está montado como uma festa do pijama, de acordo com o tema de pijamas do Will.
Mesas enchem a sala de jantar, cobertas com uma variedade de salgadinhos e Heavy In Your Arms
toca no sistema de som da casa.

Garçons circulam com mais hors d'oeuvres, incluindo taças de vinho cheias de leite, cobertas com
um enorme cookie M & M com gotas de chocolate. Eu sorrio, amando como isso me lembra ser criança.
Nenhuma das minhas memórias de ser criança, propriamente dito, mas como uma criança deve crescer.
Travesseiros maciços também foram lançados em pilhas, enquanto as jovens, algumas em camisolas
pequenas e sensuais e algumas com pijama de homens como eu, descansavam, deitadas, comendo e
conversando.

Há até mesmo uma bela tenda no canto da sala de estar feita de lençóis esticada com luzes de
Natal brancas no interior.

“Isso parece tão diferente de Kai.” Olho em volta, notando como a atmosfera deixou as pessoas
meio que brincalhonas. Um cara, com bem mais de um metro e oitenta, está mergulhando para dentro da
tenda atrás de sua namorada gritando.

“Não é nada como ele.” Ela bebe um gole de Patrón e chupa uma fatia de limão. “Eu planejei isso.”
"Por que?"
Ela encolhe os ombros. “Will precisa se divertir com seus amigos. Kai achou que era uma boa ideia,
então ele abriu a casa. Finalmente."

Ela me dá um copo de shot, mas eu aceno que não. Eu ainda estou nervosa e quero manter a
cabeça clara.
“Se Kai tivesse mais habilidade,” diz um homem, “ele iria descobrir como ter você, sem a
assinatura de um contrato."
Eu me viro, vendo Michael se aproximar de mim. E ele não parece estar brincando.

Mas Kai segue, balançando a cabeça.


“Cale a boca,” ele resmunga.
Michael veste calça de pijama preta e está sem camisa, me observando de cima a baixo. “Você está
bem, arrumada,” ele sorri, baixando a voz para um sussurro. “Ainda melhor do que a última vez que te vi
de pijama.”

Eu paro de respirar, e ele se vira para a festa, ele e Kai observando todos conforme espero o que
virá em seguida. A última vez que ele me viu de pijamas foi há seis anos, e apesar de Kai pensar que ele
estava falando sobre todos nós no The Pope naquela noite, o sussurro de Michael insinuava sobre quando
ele se esgueirou para a cama de Damon e ficou em cima de mim. Quando ele descobriu que sou a irmã de
Damon.
Então, Michael sabe quem eu sou. E daí? Ele também sabe que não muda nada, e Michael não
interfere quando não é necessário. Damon sempre gostou disso nele. Enquanto Will era intrometido e Kai
tentava reinar sobre Damon, Michael raramente interferia com a forma como Damon queria se divertir.
Kai vai descobrir, mas eu espero que ele ainda não o faça.

“Vocês dois estavam prestes a chegar às vias de fato na noite passada?” Eu aponto, mudando de
assunto. "O que aconteceu?"

Por que ele está de repente em uma festa na casa de Kai, agindo como se tudo estivesse bem?
Michael engole sua cerveja, abaixando o copo. "Nada. Nós brigamos, e seguimos em frente. Nós
não somos meninas.”

Idiota.
“Que diabos ela está vestindo?” Pergunta Kai, olhando para o saguão.
Sigo seu olhar, vendo Rika entrar e entregar o casaco para o atendente. Ela usa shorts de dormir
8
com abacates nele e uma camiseta combinando que diz Eu tenho um crush por você.

Michael começa a rir baixinho, sacudindo a cabeça. “Eu não acredito que ela ainda tem esse
pijama. Minha mãe deu a ela quando tinha uns quinze anos, e eu me senti tão mal por ela. Mas ela usava
de qualquer maneira. É por isso que ela deve ter voltado para casa hoje, eu acho.”
Ele anda até ela, e ela tenta esconder o sorriso envergonhado quando ele a levanta nos braços e ri
com ela.
“Então, podíamos usar pijamas normais?” Eu olho para Alex que evita meu olhar.

“Como eu disse, você pode fazer o que quiser.”

Sim.
Eu preciso pegar o jeito disso.

Segunda porta depois da escada.


As velas estão queimando, então Kai me pede para pegar mais no armário no corredor. Eu sei que
algumas das portas levam para o porão ou são usadas como armários de casacos, então eu encontro a que
fui instruída e viro a maçaneta.
Era fundo. Prateleiras no fundo, assim como dos lados, e eu entro, meu dedo preso no suporte de
vela conforme estendo a mão para puxar a corrente para acender a lâmpada.

A corrente faz um barulho, mas a luz não acende. Olho ao meu redor, ainda capaz de ver um pouco
com a vela que eu trouxe.
OK. Velas, velas, velas.... onde estão vocês?
Curvando-me, eu coloco o suporte para baixo e olho nas prateleiras, tirando as coisas do caminho,
e meio que perguntando por que estou à procura de velas, quando há lanternas e pilhas aqui na minha
frente. Mas as pessoas ricas gostam de ter festas à luz de velas, então ...

Passo os olhos, finalmente achando as velas do outro lado.

Mas, de repente, a porta se fecha, e o quarto escurece mais, deixando apenas a luz da minha
pequena vela. Eu assusto, virando.

“Então, eu ouvi que você chutou a bunda de Rika,” Michael diz, bloqueando a porta e se movendo
em direção a mim. Ele é alto e imponente, e não há nenhuma maneira de passar por ele.
Meu coração bate mais forte, mas eu deixo de lado.

É só o Michael.
“Eu não saí ilesa,” eu digo, virando ao redor e pegando algumas velas da caixa.
“E eu ouvi que você fez um comentário sobre ‘aceitar em ambas as extremidades’.”

Sorrio baixinho, encarando-o novamente. “E você está aqui para lutar por sua honra?”
“A Rika pode lutar suas próprias batalhas.”
Claramente.

E claramente ela não tem escolha, a não ser fazer isso, porque nunca ocorreria a Michael ser
ciumento ou possessivo ou bravo. Ele nunca iria ser incomodado com grandes gestos, iria?
Eu balanço a cabeça. “Deus, você tem algum orgulho?”

Ele me empurrou de volta contra as prateleiras, e eu deixo cair as velas.

Inclinando, eu mal consigo ver alguma coisa, além do seu peito largo na minha frente enquanto ele
paira sobre mim. Tento controlar minha respiração.

“Que tal isso?” Ele pergunta, fervendo. “Rika é a minha lembrança mais antiga, e eu sempre a
amei. O sol nasce com ela. Sempre nasceu. E tudo o que fazemos, fazemos juntos. Tudo.” Ele mostra os
dentes. “Ninguém nos julga, e nós vamos passar por cima de qualquer um que tente. Você entendeu?
Olhe-se na porra do espelho da próxima vez que quiser lançar calúnias sobre o caráter dela. Tudo o que
você vai ver é seu próprio ódio e inveja. O que você não sabe sobre nós é muito.”

Eu olho de volta para ele, nenhum de nós vacilando, mas meu pulso está correndo a mil por hora
agora. Eu me importaria se Rika estivesse com Will naquela sauna?

Não. Eu posso não compartilhar sua mente aberta, mas eu não me importaria. Ele está certo. Era
ciúme.
E era problema meu. Não dela.

A Luz cai dentro do armário, e eu olho sobre o ombro de Michael para ver Kai parado lá. Ele deve
ter vindo me procurar.

Michael vira, mas não se move da minha frente. Abaixo-me e pego as velas enquanto os olhos de
Kai estreitam na cena. Tenho certeza de que parece ruim.
“O que está acontecendo?” Ouço uma voz feminina e olho para cima para ver Rika em pé ao lado
de Kai e olhando para dentro.
Oh, impressionante. A festa toda está aqui.

“Eu estava prestes a me perguntar isso,” diz Kai, ainda olhando para Michael.

E Michael finalmente vai para o lado. “Só deixando tudo claro para ela.”
Kai entra, e Rika segue, fechando a porta.

“Você está bem?” Ele pergunta, se aproximando de mim.


“Ela está bem,” Michael oferece.
“Eu estava perguntando a ela.”

Kai olha para o amigo, mas Rika dá um passo à frente, colocando-se entre eles.
“Você não precisava dizer nada,” ela diz a Michael. “Se a situação fosse inversa, eu me sentiria
estranha da mesma forma com isso.”
“Eu não me sinto estranha,” interrompo. “Como está o nariz, a propósito?”
Ela balança a cabeça, dando-me um meio sorriso. Aproximando-se, ela diz “Eu não sou uma ameaça
para você, ok? Eu amo Kai, mas eu não sou uma ameaça para você.”

“Eu não me importo.” Eu ando em volta deles. “Deixe-me sair.”


“Eu acho que você se importa.” Michael entra no meu caminho, mas não me toca. “Muito, na
verdade. E eu meio que entendo. Quer ficar quites?”
Faço uma pausa, olhando para ele, confusa. "O que?"

Quites? Como…?
“Do que você está falando?” Rika pergunta a ele.
Ele se vira para ela, lançando um olhar rápido para Kai. “Kai pegou você. Por que eu não deveria
pega-la uma vez?”

“Você está fora de si?” Kai entra, avançando para o espaço de Michael. “Eu não compartilho.”
“Desde quando?” Seu amigo se endireita, ambas as paredes rígidas conforme eles desafiam um ao
outro. “Por que não deixá-la fazer a escolha? Veja o que ela diz.”
Kai parece completamente perdido. Como se ele não tivesse certeza se devia rir ou brigar.

Eu fico lá com a boca aberta e ainda tentando descobrir se isso é uma piada.

Rika não parece nada confusa, no entanto. Ela olha para Michael, parecendo preocupada.
“Você é muito bonita,” Michael diz, voltando-se para mim, seus olhos suavizando. “Rika esteve com
o Kai. Você quer me ter? E então todo mundo fica quites?”

Fico estupefata. Ele não está falando sério.


“Michael.” Rika intensifica. “Eu não gosto deste jogo.”
“Eu estou jogando?” Ele pergunta a ela. E ela fica tensa.

Eu encontro os olhos de Kai, e seu olhar entra em mim. Ele pode estar à espera do que eu tenho a
dizer sobre o assunto, mas se eu escolher errado, ele vai dar um passo à frente.
Ele não compartilha.
E eu luto com um sorriso, mas não quero que ele compartilhe.

Eu vejo Rika olhar para Michael e ele olhar de volta, e então seus olhos vacilam, enfraquecendo ao
vê-la.
Ele está jogando comigo. Ela é dele, e ele é dela, e eles sabem quem e o que eles querem.
Mas eu ainda não gosto de Michael brincando comigo. Eu posso jogar também.

Eu o empurro de volta. “Transar com você me deixa quites com ela?” Digo a ele. “Eu não coloco
minha visão tão baixa. Eu quero estar quites com Kai.”
Suas sobrancelhas apertam, não me acompanhando. Encontro os olhos de Rika.
E ela irrompe em um sorriso. “Ela é inteligente, não é?”

“O que está acontecendo?” Michael olha entre Rika, Kai, e eu. “O que significa isso?”
Estendendo a mão, Rika pega a minha e gentilmente me puxa para ela. “Isso significa que, se Kai
me teve, o mesmo acontece com ela.” E então ela olha para Michael. "O que? O justo é justo, certo?”
Ele franze a testa, voltando-se para Kai, que apenas fica lá parecendo tão chocado.

Meu coração dispara, e eu não tenho certeza se eu estava blefando quando disse isso, ou eu apenas
não pensei tão longe quando falei demais como eu sempre faço, mas sei de uma coisa. Eu amo a sensação
dos olhos de Kai nas minhas costas agora. Eu amo ele me observando, e sei que tudo é para ele.
Ela coloca as mãos no meu quadril, e eu abro a boca para protestar. “Eu não-”
“O que ele faz que você gosta?” Ela sussurra, inclinando-se mais perto.

“Um... dentes?” Eu gaguejo. “Ele morde meus lábios.”


Ela fica ofegante, sua boca pairando sobre a minha. “Sim, eu gosto quando Michael faz isso
também.” E ela faz isso, aproximando-se e arrastando meu lábio inferior entre os dentes.
Eu soluço, minha respiração trêmula conforme meu desejo cresce.

“Só que o Michael,” ela respira no meu ouvido, “morde aqui embaixo.”
E ela pega minha mão e me faz me tocar. Eu sorrio animada. "Merda."
Ela me beija, e eu coloco minhas mãos em seu quadril, beijando-a de volta. O que diabos estou
fazendo?

Ela fecha os olhos, mordendo meus lábios novamente, e balançando o meu lábio superior com sua
língua, a respiração quente, doce, me aquecendo toda. Eu gemo, um nervo entre as minhas pernas
começando a pulsar.
“Você deveria vê-los,” ela sussurra, mordiscando minha orelha. “Eles estão prestes a perder a
cabeça.”
Eu tremo com uma risada tranquila e inclino a cabeça para trás, deixando seus lábios devorarem
meu pescoço. Eu amo ele me observando. Amo ele me ver sentir prazer.

Trazendo minha cabeça para baixo novamente, deixo meu cabelo cair nos meus olhos quando me
inclino perto dela, pressionando nossos corpos juntos.
E eu assumo o comando. Empurrando-a para trás, nós caímos nas prateleiras, e eu seguro seu
rosto enquanto a beijo novamente, surpreendendo quando ela geme e se esfrega em mim.
“Toque-me” ela ofega contra os meus lábios.

“Oh, merda,” Michael engasga.


E eu sorrio, mergulhando dentro da boca dela uma e outra vez enquanto lentamente deslizo
minhas mãos para cima em sua camisa. Ela toma isso como uma sugestão e puxa a camiseta sobre sua
cabeça, deixando-a nua em cima. Mordo o lábio e encontro seus olhos, segurando-os conforme minhas
mãos se levantam e seguro um peito em minha mão.
Ela solta um gemido.

“Banks,” ouço Kai respirar para fora, mas eu não olho para ele.
Rika começa a desabotoar minha camisa, e cada nervo sob a minha pele anseia por ser tocada. Eu
não consigo tirar rápido o suficiente. Posso sentir a língua de Kai na minha coluna, embora ele não esteja
me tocando. Sinto seus dentes e mãos nos meus seios.

A camisa cai no chão, e nós gozamos juntas, pressionando nossos corpos juntos conforme meus
mamilos roçam os dela. Eu como seus lábios novamente, querendo tanto ver o rosto de Kai. Mas não sei se
devo virar. Eu não quero quebrar o feitiço ainda. E se ele estiver com raiva?

Nós nos beijamos e lambemos e ofegamos um pouco, e cada centímetro da minha pele resfria com
suor enquanto ela aperta meu seio direito e passa a língua pela minha garganta. Nós agarramos o quadril
uma da outra, nos esfregando uma sobre a outra. Deus, eu estou molhada.
“Tire sua boxer, Rika,” Kai diz de repente com uma voz rouca. Como se ele estivesse fora do ar.
Rika sorri, encorajada. Ela desliza os dedos dentro da minha cintura e puxa para baixo. Eu sorrio, saindo
da boxer.
Eu faço o mesmo com ela, empurrando para baixo seus shorts de dormir, quase todas as nossas
roupas empilhadas no chão enquanto continuamos a balançar e esfregar.

E eu finalmente viro a cabeça, enquanto ela mordisca minha orelha. Michael está atrás de nós, mas
Kai se mudou para o canto perto da porta para ter uma visão melhor. Ele observa, seu corpo
dolorosamente tenso, e seu pau um cume duro, grosso projetando contra sua calça.
Nós duas olhamos para os meninos conforme nos abraçamos mais perto, de rosto colado, conforme
Rika dá beijos pequenos, leves, no canto dos meus lábios.
“Queremos ser fodidas,” ela diz para Michael.

Eu afirmo com a cabeça, um sorriso dançando em meus lábios enquanto observo os olhos escuros
de Kai e coloco as mãos atrás da calcinha dela, provocando-o.
Ele acompanha, enfia os dedos pelo meu cabelo, e puxa minha cabeça para trás, beijando-me tão
forte e áspero que tira meu fôlego.
Antes que eu perceba, Rika é levada, e ouço um tecido rasgar antes do sussurro rouco de Michael,
“Deus, monstro pequeno, eu te amo.”
Kai me dobra, minha cueca é puxada para baixo, e eu coloco minhas mãos nas prateleiras na minha
frente conforme seu pau me coroa. Eu tenho tempo de puxar uma respiração rápida, e então ele está me
empurrando, se enfiando em mim com um movimento.
Grito, sentindo-o fundo, a dor doce me tocando tão profundo. Olho por cima, vendo brevemente a
frente de Rika pressionada nas prateleiras conforme Michael segura seu joelho para o lado, abrindo-a
para ele enquanto empurra dentro dela. A cabeça dele está enterrada no pescoço dela, e ela alcança ao
redor, segurando a parte de trás do pescoço dele enquanto ele vai nela forte e rápido.

Kai rosna, segurando meu cabelo e puxando minha cabeça para trás. “Eu acho que você gostou
demais daquilo,” diz ele no meu ouvido. "Gostou?"
Eu soluço, mal capaz de pensar conforme fecho os olhos. “Bem, eu não vou tentar quebrar o nariz
dela mais, se é isso que você quer dizer.”
Ele solta uma risadinha. "Bom."

E me puxa mais, e eu viro minha cabeça, saboreando sua boca conforme o quarto enche de
gemidos e respiração ofegante. Então eu vou para trás, olhando em seus olhos quando ele me fode.
Eu não iria pará-lo. Eu não iria nunca pará-lo. O que está feito está feito, e eu roubo e cobiço todos
os momentos que restam. Fecho os olhos, saboreando a sensação dele na minha memória.
Ele agarra meu quadril e respira no meu ouvido. “Eu gosto de você, garota.”

Eu sorrio, odiando esse apelido estúpido tanto quanto quando ele me chama de garota.
"Eu também gosto de você."
Eu te amo.

Acordando na manhã seguinte, olho e vejo que Kai não está na cama ao meu lado novamente. A
que horas ele levantou? Ele foi para a cama comigo, mas ele sequer dormiu? Ele parece estar sempre
fazendo algo, movendo-se ou pensando ou correndo. Limpo meus olhos para acordar e bocejo, verificando
o relógio. É um pouco depois das oito. Mais tarde do que normalmente levanto, mas só consegui dormir
seis horas atrás também.
Levantando, caminho para seu armário e abro as gavetas, encontrando outra cueca boxer. Visto e,
em seguida, vou para o closet, abrindo a porta e ficando de olhos arregalados com o espaço enorme. Eu
mergulhei aqui ontem para pegar uma camisa para a festa, mas eu não tive tempo para apreciá-lo.

Entro. E continuo andando. Seu cheiro inunda minha cabeça, e quase me sinto tonta.

O closet é exatamente Kai, e eu balanço a cabeça, sentindo-me tão estúpida. Eu deveria ter
pensado melhor. Eu sabia exatamente que tipo de casa que ele teria. Eu não disse a ele? Bela decoração,
móveis caros, todas as suas camisas engomadas alinhadas em cabides de madeira com a quantidade certa
da porra de espaço entre cada peça de roupa, para sair gritando. Um homem que se orgulha de cada
aspecto, minuto de sua vida.
Corro minhas mãos na fileira de camisas brancas, sentindo o tecido macio, fresco entre meus
dedos. Meu Deus, fico surpresa que ele me deixe tocá-lo com meus germes. Sorrio para mim mesma. Ele é
como Christian Gray encontrando Howard Hughes encontrando Patrick Bateman. Se eu encontrar uma
motosserra ou um machado dentro da casa, estou fora daqui.
Empurro todos os ganchos até o fim, amassando as camisas juntas e destruindo seu pequeno
mundo perfeito, enquanto sorrio para mim mesma conforme puxo uma camisa azul de manga comprida
fora de um cabide. Deslizando-a em mim, abotoo, cruzo minhas mãos atrás das costas e saio do armário,
assobiando.

Eu tenho que voltar para o meu apartamento para pegar uma muda de roupa em algum momento.
Estou com as roupas de Kai há dois dias agora.
Saindo do quarto, ando pelo corredor e desço as escadas, seguindo ao redor do corrimão, em
direção à sala de jantar. Os fornecedores limparam toda a montagem na noite passada, depois da maior
parte dos convidados terem ido embora, mas eu avisto a tenda de lenço ainda montada na sala de estar e
as almofadas espalhadas.
“Ele não está no The Pope. Nós procuramos no décimo segundo andar,” ouço Kai dizer.
Vou mais devagar, parando antes da sala de jantar.

“Você tem certeza que ele não está em outro andar?” Pergunta Michael.
"Sim. Ele não está lá, porra.”
Damon.

Olho dentro, vendo Kai e seus amigos, incluindo Will, Michael, e Rika relaxando ao redor da mesa
enquanto tomam o café da manhã. Ninguém está realmente vestido ainda, ainda vestindo suas roupas de
dormir.
Rika levanta um envelope grande amarelo, a outra mão sobre uma pilha de caixas pequenas. São
fósforos?
“Nós não sabemos se isso é dele,” diz Kai.

“De quem mais poderia ser?”

“Olhe para o carimbo do correio!” Ela explode, parecendo irritada conforme joga o envelope para
ele do outro lado da mesa. “É da Cidade do México. Ele não está aqui."
“Olhe para as caixas de fósforos!” Ele rosna de volta. “Ele pode ter pedido para qualquer um enviar
isso de qualquer lugar que queira. E ele mandou para você. Isso é uma mensagem. Ele não está apenas
me ameaçando mais.”

Ele pega o envelope e atira-o de volta para ela.


Caixas de fósforos. Estudo a pilha de pequenas caixas e livros sobre a mesa que, obviamente,
tinham vindo no envelope, vejo uma caixa prata que eu reconheço imediatamente como sendo da Realm,
uma discoteca que os caras frequentam aqui em Meridian City. Todos eles são desta área? Era por isso
que Kai estava preocupado?
Michael passa as mãos pelo cabelo e desce sobre o rosto.

“Então, o que você vai fazer?” Ela desafia Kai. “Perder a cabeça correndo em círculos, enquanto
ele ri de nós? Damon está jogando. Ele não vai fazer nada.”
"Como você sabe?"
“Porque ele teve uma dúzia de chances comigo no ano passado, e parou! Cada vez!” Ela se levanta
da sua cadeira, empurrando-a. “Ele gosta de foder com as nossas cabeças. É isso. Basta deixá-lo sozinho.”

“Por que você sempre diz isso?”


Rika hesita, olhando para ele. "O que?"
Kai baixa a voz ao normal e se aproxima, desafiando-a. “Toda vez que queremos lidar com ele, você
nos diz para deixá-lo sozinho,” ele solta. “Ele tem merda de mim. Ele tentou matar Will. Que diabos é o
problema com você? Por que você está protegendo ele?”

Sua boca se abre, e meu coração acelera. Ela parece ofendida com a acusação.
Seus olhos vão para Michael e, em seguida, Will, todos olhando para ela assim como Kai. Protegê-
lo? Por que eles pensam isso?
Ninguém diz nada, e então ela pisca, zombando enquanto pega seu prato e se afasta de todos eles,
em direção a mim e para a porta.

Eu saio de trás da parede, fora do seu caminho, e ela passa por mim sem olhar.
Kai me nota, e sua expressão se suaviza. “Você está com fome?” Pergunta. “Tem café da manhã.”
Olho para a mesa do buffet, balançando a cabeça. “Sim, em um minuto.”

Viro e passo pelas escadas, para o escritório, e vejo Rika desaparecer com seu prato para o jardim.
Depois da noite passada, eu não acho que somos amigas, mas estou curiosa. Se o meu irmão lhe
enviou um pacote para assustá-la, porque ela não está mais preocupada? Não era só o Kai pegando seus
sinais também. A forma como Michael e Will olharam para ela ...
Sigo-a fora, grata pelas nuvens bloqueando o sol brilhante da manhã. Ela senta no chão,
inclinando-se contra uma árvore. Descansando a cabeça para trás, ela coloca seu prato de comida ao seu
lado, mas não come.
Eu ando até ela.
“Ei,” eu digo enquanto me abaixo e deito no chão.

Ela assente com a cabeça, ainda parecendo preocupada.


“Damon enviou caixas de fósforos?” Pergunto, não hesitando. "Por que?"
Ela encolhe os ombros. “Eu coleciono,” ela responde. “Meu pai costumava trazer alguns de suas
viagens, e eu comecei a acumula-las. Michael continuou a tradição, trazendo aquelas que encontra em
viagens fora da cidade que eu não o acompanho.”

Então, Damon sabe que ela gosta disso. “E ele te enviou de Meridian City,” eu imagino. Ele quer
que ela saiba que ele esteve aqui. Ou que ele está aqui agora.
Ela fica em silêncio por um tempo, e eu quero perguntar mais - perguntar por que ela não está
brava - mas não somos amigas, e sei que ela não confia em mim. Depois do que aconteceu ontem à noite,
porém, eu esperava que pudéssemos conversar um pouco mais fácil.
“Você cresceu com Damon?” Ela pergunta.

"Por um tempo."
Ela abre a boca para falar, mas depois para, hesitando.
“Alguma vez você... viu alguma coisa?” Ela pergunta, apertando seus polegares no colo. “As coisas
que podem ter acontecido com ele?”

O que?
Ela sabe?
“Damon lhe disse alguma coisa?” Questiono.

“Não, claro que não.” Ela balança a cabeça. “O irmão de Michael, Trevor contou, no entanto, uma
vez. Eu não tinha motivos para confiar nele, mas não posso imaginar por que ele iria inventar uma história
como essa. Faz sentido, dada a forma como Damon é.”
Ela finalmente olha para cima, e eu tenho medo do que ela vai dizer. Damon não quer que ninguém
saiba de nada que aconteceu em casa. Eu não posso falar sobre isso.
“Ele disse que a mãe de Damon...” ela diz, parecendo que está lutando para ter as palavras “que
ela começou a machucá-lo quando ele tinha doze anos.” E então ela fecha os olhos, baixando a voz.
“Violentando ele.”

Então, ela sabe. Ela contou para o Michael?


“Deus, isso me deixa doente só de pensar nisso.” Ela respira fundo, olhando para longe.
Mas então ela apenas dá de ombros, acenando para mim. "Deixa pra lá. Ainda não é desculpa. Eu
só acho que se ele quis agir como ele fez há muito tempo, nós devemos apenas deixar pra lá. Talvez ele
tenha sofrido, e enquanto eu nunca vou perdoá-lo, posso deixá-lo tentar encontrar a paz que puder. Ele
está doente, e nada de bom vem de cutucar um urso dormindo.”

Eu concordo com ela. Ainda não é desculpa. Muita gente teve uma vida difícil e se comportou
muito bem.
Em teoria.
Mas quando você está no meio de abuso e ainda vive com o tormento em sua cabeça todos os dias,
é um pouco diferente. Ninguém lida com isso. Eles simplesmente fingem melhor. De que outra forma você
lida com a terrível merda que você passou?

“Ele nunca chorou,” eu digo a ela, minha voz calma. “Eu nunca o vi chorar.” Ela permanece em
silêncio, e eu viro meus olhos para o céu.
“Quando ela entrava, ele me fazia me esconder,” continuo, minha pulsação ecoando nos meus
ouvidos. “No closet com seus fones de ouvido. E depois que acabava, ele me deixava sair, e então ele ia
tomar um banho. Às vezes, ele ficava lá por uma hora. Às vezes, três ou quatro.”

Lágrimas brotam, e eu fecho os olhos.

Os rangidos da cama violavam a música nos meus ouvidos, às vezes. Eu ainda posso ouvir.
“Ele ficava no chuveiro até se controlar novamente,” eu digo a ela. “Às vezes, os cortes estavam em
seus braços ou no peito. Dependendo da época e o que suas roupas cobriam.” Lágrimas silenciosas
escorrem pelo meu rosto. “Quando ele tinha quinze anos, ele começou a cortar a parte debaixo dos pés
dele, então ele sentiria isso cada vez que ele andasse. Eu não entendo como ele conseguia correr na
quadra de basquete com a dor. Suas meias ficavam encharcadas de sangue, às vezes.” Eu olho para ela, o
azul de seus olhos brilhando como uma piscina. “E havia outras coisas que ele fazia. Maneiras que ele me
fazia machucá-lo...” faço uma pausa e depois continuo. “Até a noite que era hora de machucá-la.”
Damon bateu em sua mãe até sangrar uma noite, e nós pensamos que era a última, que jamais a
veríamos. Essa foi a noite em que ele parou de se machucar, porque ele aprendeu como era bom sentir-se
machucando os outros.

Ele não precisava sofrer mais.


“Damon come dor,” eu digo a ela. “Ele vai encontrar uma maneira de leva-la e torcê-la e enfia-la
para baixo em sua garganta, para que ele possa engoli-la. Ele está feito disso. Vocês todos podem suportar
até superá-la, mas Damon... ele quer estar no inferno.”
É onde ele brilha.

Eu viro meus olhos de volta para o céu, deslizando um braço debaixo da minha cabeça. “Mas ainda
assim... ele nunca chorou.”
Capítulo 23
Kai

Presente

Um toque de penas acaricia meu rosto, e eu me agito, percebendo que estava dormindo. Minha
cabeça está como um peso morto, e eu não consigo levantá-la.

Piscando, vejo a luz entrar no quarto e Banks deitada ao meu lado. Eu sorrio. Sempre odiei dormir
com outra pessoa - tipo sono real, na mesma cama.

Ela está tão tranquila, no entanto. E eu gosto de vê-la no momento em que acordo.

Estendendo a mão, passo um braço em volta da cintura dela e a puxo para perto.

Mas ela está dura, e algo está fora. Fecho os dedos em volta de sua pele, mas não é pele que estou
sentindo. É roupa.

Abro os olhos totalmente e vejo que ela está com a cabeça virada para mim, me observando.

Seus olhos parecem tristes.

“O que é, baby?” Apoio nos meus cotovelos e me viro para ela, mantendo meu braço em volta dela.
"O que está acontecendo? Por que você está vestida?”
Ela está usando a mesma roupa que veio em um par de dias atrás.

Seu sussurro é pequeno conforme ela passa as costas da mão na minha bochecha. “Não esqueça
como sente isso.”

Aperto minhas sobrancelhas. "O que?"

Empurrando-me para cima, sento de joelhos e noto seu telefone na mão. Uma sensação inquietante
me toma. O que ela quer dizer?
Pego o telefone dela, e ela deixa, em silêncio me observando enquanto eu leio a tela.

Olhe pela janela.


Eu não reconheço o número, e ela não tem o contato salvo. Nenhum nome. Uma única mensagem.

Olho para ela, em busca de uma explicação, mas ela parece paralisada.

Eu deslizo para fora da cama. Caminhando para a janela do quarto, a voltada para a cidade longe,
olho para fora, meu estômago imediatamente afundando.

Uma nuvem de fumaça negra indo para o céu, e está vindo deste lado do rio. De Whitehall. Eu
posso ouvir a sirene fraca dos caminhões de bombeiros daqui, e um helicóptero ainda paira perto.

“O que é isso?” Pergunto, virando os olhos para ela. "O que está acontecendo?"

Ela engole em seco, sentando com a cabeça baixa. Ela nem sequer olha para mim.

“O que é isso?” Grito, agarrando-a e puxando-a para cima.


Sua respiração acelera. “Sensou.”

Não. Eu a solto e saio correndo do quarto, descendo as escadas. Mas a porta da frente se abre
antes que eu chegue lá, e eu olho para cima para ver Michael, Will, e Rika entrando.
Will me pega, tentando me impedir de correr para fora.

"É tarde demais. Ele se foi,” diz ele, empurrando-me para trás e parecendo aflito.

Minha mão dispara para o meu cabelo, e eu olho para fora da porta da frente, vendo toda a fumaça
escurecer o céu.

Deus, não.
Rika chora baixinho no hall, e penso em tudo o que eu construí naquele lugar. Todas as armas que
meu pai doou quando eu o abri. Foram embora. Todos os registros e arrendamentos, tudo estava lá! Eu
faço todos os nossos negócios de lá.

E a clientela que nós construímos? Foi. Levaria meses para reconstruir.

Eu aperto a porra dos dentes, a dor da perda perto do insuportável.

“Haverá mais incêndios,” ouço Banks dizer.

Minha tristeza se transforma em raiva, e eu viro, vendo-a caminhar lentamente descendo as


escadas.

Damon mandou uma mensagem para ela.

“E ele vai trazê-los para Thunder Bay, também,” ela adverte. “Está fora do controle de Gabriel.”

Quanto tempo ela me deixou dormir? Apenas o tempo suficiente para o fogo acabar com tudo? Eu
seguro o telefone, verificando a hora da mensagem.

Seis minutos atrás.

Eu pressiono o ícone de telefone na mensagem e trago até o meu ouvido, deixando tocar.
Mas uma gravação de voz vem, dizendo que a linha está fora de serviço. Ele está usando um
gravador. Eu termino a ligação e me viro, lançando o telefone para fora na calçada e no mato além do
portão.

Depois de um momento, Michael entra na conversa. “Caminhões de bombeiros já estão lá. Vista-
se.” Mas eu me aproximo de Banks enquanto ela cautelosamente chega no fim da escadaria.
“Eu não sabia,” diz ela.

“Você teria o detido se você soubesse?”

Dor brilha em seus olhos, mas seu silêncio diz tudo.


Uma sombra cai sobre a sala, bloqueando a luz do sol, e eu me viro para ver os caras de Gabriel, os
mesmos que a pegaram da festa do Michael naquela noite, em pé do lado de fora da porta.

O de cabeça raspada - David, acho - olha para mim e inclina o queixo para ela. “Vamos.”

“Ela não vai a lugar nenhum.” Eu viro, colocando-me entre eles e ela.
“Vanessa foi embora,” diz David, entrando na casa. “Alguém chegou a ela. Assustou-a. Ela não quer
fazer parte disso.”
“Eu não dou a mínima,” rosno de volta, apontando para Banks. “Ela não vai a lugar nenhum.”

“O casamento está cancelado. Nenhum acordo,” ele repete, e me movo para avançar nele, mas ele
abre a jaqueta, pondo a mão em seu quadril.
É uma ação causal, mas um gesto com o propósito de certificar-se de que eu vejo a arma que ele
tem enfiada em um coldre debaixo do braço. Vou para ele.
Mas Michael tira a mão, me parando. “Eles têm armas. Não temos nada. Seja paciente.”

Cada porra de músculo aperta, e eu fecho os punhos, apertando-os com tanta força que dói.

“Não se preocupe.” David sorri. “Nós não vamos forçá-la a ir se ela quiser ficar.”
Viro-me, encontrando seus olhos, e quando ela vacila, eu sei qual é a sua decisão. Meu sangue
ferve.

Foda-se.
Talvez ela esteja realmente escolhendo-os ou talvez ela pense que pode manter Damon longe de
nós se ela for embora, mas eu estou cansado de tentar ser o homem que eu acho que deveria ser. O
homem que eu era no colégio.
Sem implorar. Se ela gosta de homens que tomam, eu posso tomar.

Ela passa por mim, e eu me viro, observando-a sair com eles.

Ela se vira, andando para trás enquanto fala comigo com lágrimas nos olhos.
“Era tudo tão fácil,” diz ela calmamente. “Tudo o que você tinha que fazer era perguntar meu
nome.”
Eu hesito. O que ela está falando? Eu sei o nome dela.

Eles saem, e nós quatro ficamos olhando para o SUV preto conforme ele acelera para fora da
garagem.

A fumaça do fogo foi para as montanhas, e eu posso sentir o cheiro da queima de madeira e
alcatrão do telhado. Haverá mais incêndios, e este foi apenas o início. A Devil’s Night nem sequer começa
até a meia-noite.
Viro-me para Rika, vendo os olhos secos, mas vermelhos. “Agora você vê?” Eu digo a ela. Ela tem
que parar de esperar o melhor dele. Esse era o nosso lugar. Nossos negócios. Meu sustento.
“Então, a Devil’s Night está vindo não importa o que fizermos,” Will entra na conversa.

Eu balanço a cabeça. “E nós temos uma peça de poder,” eu digo, virando para Michael. “Não
queremos usar?”
Mas, estranhamente, ele sorri. “Na verdade,” diz ele. “Você tem uma outra carta para jogar.”

Eu tenho?

Ele se inclina, cruzando os braços sobre o peito. “O nome dela... é Nikova,” ele me diz. “Pense
direito. Você vai entender.”

Nik.

Eu pensei talvez Nikki? Talvez Nicole?

Não.
Nikova.

A variante feminina de Nikov. Como em Gabriel Torrance, nascido Gabriel Nikov, cuja família
adotou o sobrenome mais “americano” de Torrance para seus negócios quando eles imigraram.

Gabriel ainda usa Nikov, no entanto. De tempos em tempos.

E parecia que ele não permitiu que sua filha ilegítima tivesse o seu nome de família, então a mãe,
para irritá-lo, deu-lhe o seu primeiro nome.

Inteligente, realmente. Provavelmente o irritou, mas ele não podia impedi-la.

“O que você está fazendo aqui, garoto?”


Eu entro no escritório de Gabriel, Will e Michael ao meu lado.
Dois dos rapazes de Gabriel ficam fora atrás, guardando a porta que acabamos de entrar, mas
meus olhos brilham para Banks, que está ao lado do seu pai vestida com as roupas de Damon novamente.

Tanto faz sentido agora.


Mas isso não deixa nada melhor.
“Eu vim para a minha noiva,” eu digo, olhando para ele em sua cadeira. “Vamos acabar com isso.”

Mas ele apenas fica sentado. Ele não late ou grita como eu pensei que ele iria.

Em vez disso, ele apenas balança a cabeça, parecendo cansado e perdido em pensamentos.
“Damon...” ele para, respirando com dificuldade. “Eu pensei que ele fosse se afastar de seus impulsos, e
aprender que gastar energia com batatas pequenas, como você, é uma perda de tempo.” Ele dá uma
baforada no charuto. “Ele tem muito mais paciência do que eu lhe dei crédito, no entanto, e ele é singular
em seus desejos em relação a seus amigos.”
“Nós não somos seus amigos.”

“Ele não vai parar,” ele assegura, parecendo realmente arrependido sobre isso. “E ele assustou
Vanessa, então o contrato é nulo e sem efeito. Você deveria estar feliz."
Inclino-me e coloco as palmas das mãos sobre a mesa, sentindo Michael e Will atrás de mim. Olho
para ele, esperando ele encontrar meus olhos.
Mas Banks está me observando. Eu não tenho que olhar para ela para saber isso.
Ele finalmente coloca os pés para baixo e olha para cima.

“Eu não estou gostando de ser deixado de fora,” respondo calmamente, mordendo cada palavra.
“Eu sou singular, também, e não vou correr. Um negócio é um negócio, e você está preso comigo.”
“Bem, eu não tenho mais sobrinhas para lhe dar.”
Olho para Banks e depois de volta para ele. “Você tem uma filha,” eu aponto.

Seus olhos brilham para mim, eu ouço Banks puxar uma respiração, e porra, eu quase sorrio.

“E eu não me importo se ela caminha pelo corredor nesse jeans sujo que ela está usando agora,” eu
digo a ele. “Leve a bunda dela para a igreja esta noite, e você tem a minha palavra de que não vou
machucar seu filho. Mas se ela não estiver lá ...”
Enfio a mão no bolso e tiro um telefone celular, segurando-o.

Seus olhos se estreitam. "O que é isso?"

“É aquele ...?” Banks olha para ele e então olha para mim. “Você não destruiu?”
Eu vou para trás, colocando-o de volta no bolso. O telefone celular era nosso anuário no ensino
médio. Ele tem fotos e vídeo de todos os nossos atos, bons e maus, incluindo os vídeos dos crimes que
mandaram Damon, Will, e eu à prisão.

Depois de Damon escapar no ano passado, nós pretendíamos destruí-lo, mas depois decidimos que
um pequeno poder não era uma má ideia. Depois de apagar os vídeos que nos incriminava em quaisquer
outros crimes, carregamos um par de drives com os dele.
E os salvamos.
O telefone era para o efeito.

Claro, eu posso usar os vídeos para ameaçá-lo como ele está me ameaçando, mas eu ainda preciso
saber onde Natalya Torrance está. Eu preciso resolver isso.
Viro-me e caminho para a porta, meus amigos seguindo.
“Ela é uma bastarda,” ele grita. “Uma das minhas muitas. O que faz você pensar que casar com ela
lhe dá qualquer poder sobre mim? Você sabe que eu não dou a mínima para ela.”

Paramos, e eu viro minha cabeça sobre o ombro, meus olhos imediatamente travando em Banks.
Ela fica imóvel, olhando para a mesa na frente dela. O instinto me diz para levá-la para fora daqui
agora. Leva-la para casa e me certificar que ela nunca tenha de ouvir algo assim de novo.
Mas ela fez suas escolhas.

“Você pode não dar,” respondo, “mas Damon dá. Ele se preocupa muito com ela, não é? Você pode
estar morto em cinco anos, mas eu vou ter seu filho - e único herdeiro - exatamente onde eu quero.”
Encontro os olhos de Banks. “Se eu a tiver.”
Ele tomou algo que eu amava hoje. Agora eu tomo o que ele ama.
Capítulo 24
Banks

Presente

Kai sai da sala, seguido por Will e Michael, e o escritório fica em silêncio até que ouvimos o ruído
surdo da porta da frente se fechando.

Então, meu pai levanta da cadeira, vira-se e me agarra com uma mão, apertando meu queixo.

Engulo em seco enquanto seus dedos enterram.

“Eu gostaria de poder matar você,” ele solta, olhando na minha cara. “Eu iria tirar a porra do seu
pescoço em um segundo se eu não soubesse que aquele pedaço de merda do meu filho iria perder a
cabeça e fazer algo estúpido.”

Ele me empurra para longe, e eu caio em David, que me pega antes de eu cair e me endireita.

“Certifique-se de que ele a receba usada,” diz David.

Minha respiração treme. "O que?"

Mas ele não me responde. Ele dá a volta na mesa e vai para fora da sala, deixando-me sozinha com
os caras.
Eu me afasto de David e vou para o lado, colocando todos na minha frente. O que diabos ele quis
dizer?

Um dos rapazes, McCandless, move-se em direção a mim lentamente, um sorriso em seus olhos
azuis.

Mas Ilia se levanta do outro lado, colocando a mão em seu peito, impedindo-o.

Um momento de alívio me bate. Eu poderia aguentar um, mas eu não poderia levar todos. David,
Lev, e Ilia não me machucariam.
Mas, em seguida, os olhos azuis gelados de Ilia viram-se para mim, e ele se move, tirando sua
jaqueta. “Eu quero isso há muito tempo,” ele diz, jogando o casaco na mesa do meu pai.

Meu estômago afunda para os meus pés, e meu queixo cai. Deus, eu vou vomitar.
Passando a mão pelo cabelo loiro, ele estende a mão e me agarra, me puxando para o seu corpo.

Rosno, me soltando, empurrando, e passando por ele. Corro para a porta, mas os dois guardas
estão lá, e Ilia agarra meu casaco por trás, me puxando para trás e me jogando no chão.

“Ah!” Eu grito, a dor atingindo minhas costas, mas eu rapidamente viro e corro para longe.

As portas do pátio estão lá. É só final da tarde, mas está ficando escuro. Eu poderia perdê-los na
floresta.
Algo pega meu tornozelo, no entanto, e me puxa de volta. Cavo minhas unhas no piso de madeira,
tentando fazer com que meus joelhos debaixo de mim empurrem, mas o seu peso esmaga para baixo, e
estou ofegante por ar conforme meus pulmões se contraem.

Minha jaqueta, só presa com botões, é arrancada de mim por trás, e o cabelo cai na minha cara,
meu gorro caído em algum momento.
Olho ao redor por David e Lev, não sendo capaz de levantar muito a cabeça, mas eu não posso vê-
los. Onde eles estão? Eles não deixariam isso acontecer, não é?

Eu aperto os olhos fechados, tremendo com um soluço silencioso que me recuso a deixar sair.

Ouço um barulho de papel atrás de mim, mais grunhidos, e soa como se uma mesa estivesse caindo
mas eu não posso ver.

E então sua mão está no meu jeans. Ele está sendo puxado contra o meu quadril, e tudo dentro
entra em atividade. Eu me debato, chutando e tentando me soltar conforme mostro os dentes. Assim que
eu puder encara-lo, eu vou morder. Tudo o que eu disse para Rika fazer.
Ele agarra meu cabelo forte no meu couro cabeludo, empurrando minha cabeça no chão enquanto
puxa a minha calça jeans. Eu aperto minha mandíbula, meu rosto se contorce e cada músculo fica tenso.

Não.
Não!

“Você não vai gritar?” Ele provoca no meu ouvido. “Chorar?”

Não.

Sinto-o trabalhar em sua própria calça atrás de mim, e então ele se inclina novamente, deslizando
uma mão entre minhas pernas. “Você pode ser minha,” ele sussurra. “Uma putinha tão doce.”

E eu levanto, torcendo o pescoço mais do que deveria, e mordo sua bochecha.

“Ugh!” Ele rosna e vira, afrouxando o aperto tempo o suficiente para me atirar e agarrar qualquer
coisa que eu possa alcançar.

Eu pego a perna de uma mesa pequena, redonda e puxo, pegando uma tigela de cristal que caiu.
Pegando-a, eu viro e a esmago no lado da cabeça de Ilia, cacos de vidro caindo em todos os lugares
conforme o prato se desintegra na minha mão.
Pressionando os pedaços em sua pele, eu quase não noto a dor aguda na minha própria mão,
conforme os pedaços esmigalham na minha mão.

Ele grita, caindo para o lado. Eu rapidamente tiro minhas botas e jeans, ainda em volta dos meus
joelhos, e corro para longe dele. Bato minha mão sobre a mesa de Gabriel, empurrando-me para cima, e
vejo o abridor de cartas de ouro ali.

“Vem cá, sua cadela.”


Agarrando o objeto afiado e segurando-o apertado, me viro, sem ter certeza do quão perto ele está.
Ele pega o lado do seu rosto, cortando uma linha carmesim da orelha a boca.

Ele segura seu rosto, caindo de joelhos novamente. Fecho os punhos, sentindo a dor do vidro, e
bato nele tão forte quanto posso de novo e de novo e de novo até que eu não consigo mais respirar.
Ele cai de costas, acabado, e eu olho para ele, os dedos ainda segurando a faca com força. Eu luto
para não ir e afundar a lâmina em seu peito.
Eu quero que todos eles – todos – saibam que não podem me machucar. Eu não permito isso.

Levantando os olhos, olho para Lev e David, que estão do outro lado da sala com os guardas de
Gabriel. David segura um, e Lev tem o outro preso à parede. Isso era a briga que eu ouvi.
Eles estavam me protegendo, afinal de contas.

Largo o abridor de cartas no chão e pego o guardanapo em cima dos pratos do jantar de Gabriel
em sua mesa. O sangue escorre do meu nariz, em volta dos meus lábios, e pinga do meu queixo, e eu
limpo-o, sentindo o gosto de salinidade metálico através dos meus dentes.

Enrolo o guardanapo ao redor da minha mão cortada e caminho até o homem aos pés de David,
apertando minha mão em seu cabelo. “Pegue-o e saia daqui,” eu digo em um tom baixo, empurrando-o
para Ilia.
Eu estaria morta em um dia se eu chamar a polícia.
Mas a justiça virá. Eu tenho certeza disso.

Lev solta seu guarda, e os dois tropeçam fora do escritório, levando Ilia com eles. Eu fungo,
provando mais gotejamento de sangue na minha garganta enquanto caminho para os caras. Eu ainda
estou de calcinha e camiseta, e há sangue no meu cabelo, fazendo com que alguns fios grudem na minha
cara. Isso é tudo que Lev e David veem conforme eles me olham com desconfiança, como se não me
conhecessem.

Merda, eu nem tenho certeza do que eu fiz.


Mas, estranhamente, não me importo. Essa é quem eu deveria ser.

“Chame a Marina,” digo a David, passando por ele para fora do escritório. “Eu preciso de um
vestido.”

Estou em pé fora das portas da catedral, na entrada, segurando meus braços para fora para dar
espaço para Marina trabalhar. Meu corpo está puxado em uma dúzia de direções diferentes, enquanto ela
prende, costura, e aperta o vestido que ela me deu quando eu tinha dezesseis anos, mas nunca usei. Foi o
único vestido que pude encontrar tão rapidamente.
Olho para as portas fechadas na minha frente. Eu o odeio. Mas por que não estou mais nervosa?
Por que não estou com medo?

Tudo o que eu sinto é raiva. E instinto. Eu não ligo para o que acontece comigo agora. Deixe-o
fazer o seu pior.

“Posso passar rímel em você?” Pergunta Alex.

“Por que não?” Murmuro. Esfrego meus lábios, sentindo o batom vermelho que ela já passou sobre
eles. Eu quero ficar bonita, mas não para ele. Algo dentro de mim está diferente. Eu não estou pensando
mais em todas as coisas que quero ser.
Eu só preciso falar mais alto sobre isso.

Ela trabalha nos meus olhos, adicionando um pouco de delineador, e puxa o plugue do ferro da
parede, terminando os cachos no meu cabelo em ondas soltas.
“Eu tenho flores para você” Marina coloca um buquê nas minhas mãos.
Mas eu só levanto uma sobrancelha, olhando para as rosas brancas. E então as jogo para o lado,
deixando-as pousar em um banco de veludo. Foi legal da parte dela ter esse trabalho, mas ela sabia
melhor.

Eu não consigo ouvir nada acontecendo dentro da igreja, a não ser o eco do genuflexório estranho
sendo empurrado para cima e para baixo nos bancos. Alex rapidamente coloca mais pó no meu nariz,
provavelmente ainda um pouco vermelho do ataque anterior.

Meu corpo ainda está preso nisso. Eu não vejo meu pai, Ilia, ou os dois guardas, desde que eu
joguei minha roupa e saí correndo da casa antes que ele descobrisse o que aconteceu. Eu não estou com
medo por mim tanto como por David e Lev, que foram contra as ordens e me protegeram. Nós todos
voamos para um carro e fomos embora, Marina nos encontrando aqui, pouco depois, pegando o vestido no
caminho.
Estou realmente grata. Por ter o vestido e Alex arrumando meu rosto. Sinto-me armada. Eu quero
ser ousada, não invisível. Não parecer como sempre pareci, apologética e como se estivesse sempre
tentando compensar por existir. Estou aqui, e foda-se eles.

Aceno para Alex se afastar, e agarro meu vestido, levantando-o para caminhar para as portas.

“O que você está usando?” Alex explode.


Eu me viro para vê-la olhando para os meus pés.

Olho para baixo para tentar ver qual é o problema.


Minhas botas de combate, as pretas, arranhadas nas pontas, estão nos meus pés, soltas com os
cadarços desamarrados, como de costume.
“Elas combinam,” eu digo a ela e me viro.

Mas eu a ouço dar um suspiro pesado atrás de mim.


Soltando o vestido, abro as portas, sem esperar por uma dica. Odeio formalidades, e se Kai quer
sofrer tanto, porque não ir para a Câmara Municipal?
As pessoas se demoram em torno da frente da igreja quase vazia, alguns paroquianos aleatórios
nos bancos de trás da igreja. Todos, um por um, param para olhar.

Eu espero que o meu vestido preto faça uma declaração. O corpete é cor de carvão e apertado,
deixando meus ombros e braços completamente nus, enquanto o tule branco está em volta da parte de
baixo com uma capa totalmente preta.
Kai está em pé na frente da igreja, de frente para Michael na lateral, mas sua cabeça está voltada
para mim. O vestido é um sonho e lindo, e eu espero como o inferno que eu esteja bem nele.
Sem esperar por qualquer música começar, ando, fixando os olhos no altar conforme marcho até o
altar. A igreja fica em silêncio, e eu absorvo o calor de uma dúzia de pares de olhos em mim.
Meu pai está sentado na frente, mas eu sabia que ele ia estar aqui. Hanson me encontrou um
tempo atrás para assinar a certidão de casamento.

Michael está em pé na frente, ao lado de Kai, enquanto Will e Rika estão à minha esquerda.
Eu posso sentir outros corpos também, mas eu imagino que pertençam ao lado do meu pai. Uma
vez que ele se acalmou e parou de culpar-se por não se livrar de mim, mais cedo, ele deve ter percebido
que, enquanto eu fui para esse casamento sem nada, eu saio com a minha legítima metade.

Ou tudo se Kai acontecer de ser atropelado por um ônibus.

Um padre de cabelos brancos e óculos sai de trás de um pódio, me observando, e move-se


rapidamente para os degraus para ficar no centro. Ele olha nervosamente para Kai, provavelmente
percebendo o quão anormal esta “cerimônia” é.
Kai descruza os braços e deixa seus olhos caírem na minha forma, um olhar cético no rosto.
Caminhando para mim, ele acena com a cabeça, e nós dois nos aproximamos do sacerdote.
“Você está usando um vestido,” diz ele em voz baixa. “A cor me surpreendeu.”

Idiota.
Mas eu dou ao homem alto na nossa frente um sorriso doce, observando seu manto branco
extravagante com bordados de ouro.
“Nunca usei um,” respondo calmamente. “Um vestido, quero dizer. E já que eu só vou me casar
uma vez ...”

“Ah, você terá muitas oportunidades de usar vestidos, casada comigo”, assegura. “Estou pensando
em tornar este casamento tão torturante quanto possível para você.”
Mas eu atiro de volta, inclinando meu queixo para cima. “Vá em frente enquanto pode. Vou ser uma
viúva em breve, tenho certeza.”
Ouço sua risada tranquila ao meu lado, mas ele para as brincadeiras conforme o padre olha além
de nós à nossa lista de convidados patética.

“Fique atento às nossas orações, ó Senhor,” ele fala, abrindo os braços para todos, “e em sua
bondade, derrame sua graça sobre estes, teus servos, Kai e Nikova, que, unidos perante seu altar, eles
possam ser confirmados no amor um pelo ou-.”

“Pule para os votos,” Kai diz entre dentes.


O padre para seu roteiro, parecendo perturbado. Eu quase bufo. Coitado. É estranho, porém, ouvir
meu nome assim. Ninguém usa, exceto minha mãe e Damon, e eles me chamam Nik.

Meu pai não gosta de Nikova, porém, então eu me acostumei a usar Banks. Essa é quem eu sou
agora.
O padre pigarreia, puxando uma respiração profunda. “Kai e Nikova, vocês vêm aqui para se
casarem sem coerção, livremente e de todo coração?
“Eu venho,” responde Kai.

Eu hesito, mas finalmente concordo, sentindo o peso do meu pai na igreja. "Eu venho."

“E vocês estão preparados, conforme seguem o caminho da união, para amar e honrar um ao outro
enquanto ambos viverem?”

“Sim,” Kai sussurra, soando com pressa. "Estou."

Meu coração dá um pulo. Deus, isso está realmente acontecendo? “Sim,” respondo.
Eu não posso detectar Will atrás de mim, e Michael está tão imóvel como uma pedra, mas eu posso
ouvir a inquietação constante de Rika à minha esquerda.
“Vocês estão preparados para aceitar as crianças de Deus e para ensina-las de acordo com a lei de
Cristo e da sua Igreja?”

O que? Eu viro meus olhos para Kai, que simplesmente olha para o padre com a sobrancelha
arqueada.
De maneira nenhuma. Podemos estar aqui sob falsos pretextos, mas essa é demais. Eu não vou
sequer fingir concordar com isso.
“Continue,” Kai diz, e percebo que ele não vai fazer isso, também.
Dou um suspiro de alívio.

O padre olha para o seu livro, parecendo nervoso antes de seguir gaguejando. “Uma vez que... uma
vez que seja sua intenção entrar no pacto do Santo Matrimônio,” diz ele, encontrando sua voz novamente,
“juntem as mãos direitas, e declararem o seu consentimento diante de Deus e da sua Igreja.”
Kai se vira para mim, e tudo que posso fazer é travar minha mandíbula, para não sair palavrões. Eu
fico de frente para ele, e ele segura minhas mãos, mas me recuso a fechar os dedos em volta dele. Mesmo
com o formigueiro que está correndo nos meus braços.
“Kai Genato Mori,” o padre começa, “você aceita Nikova como sua legítima esposa, para ter e
cuidar, deste dia em diante, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até
que a morte os separe?”

Até a morte…
Ele olha para mim, seu olhar vacilante, e eu vejo um vislumbre do homem sentado na mesa do seu
pai, me contando a história sobre o bife.
E então ele sorri. “Até a morte,” ele especifica. "Eu aceito."

Meus pulmões esvaziam, e aperto suas mãos só porque eu preciso que a minha pare de tremer.
“Nikova Sarah Banks.” O homem mais velho se vira para mim. “Você aceita Kai como seu legítimo esposo,
para ter e cuidar, deste dia em diante, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na
doença, até que a morte os separe?”

Eu não posso acreditar que isso está acontecendo.


Ele aperta minhas mãos de volta, sinalizando que é a minha vez de falar, e me solto do seu aperto,
atirando-lhe um olhar.

“Até que a morte nos separe,” murmuro. “O que não deve ser longe a partir de agora, então sim, eu
aceito.” Kai sorri, rindo baixinho para mim.

Foda-se, não é uma piada.


“Que o Senhor na sua bondade fortaleça o consentimento...”

O padre continua com sua bênção, e o resto passou como um borrão conforme trocamos anéis, e o
sacerdote oferece palavras gentis para os presentes.
A respiração que eu estava segurando solta, e eu abaixo meus olhos. Merda.
Nós nos casamos.

Olho para Kai, ambos de frente para o padre de novo, e a raiva ferve sob minha pele. Eu vou ser a
pior esposa que você já teve.
“Seu beijo é a sua promessa um ao outro,” diz o clérigo para Kai. “Vão em paz para glorificar a sua
união, e agora você pode beijar sua noiva.”
Kai se vira para mim, e meu coração salta na minha garganta, mas ...

Mas ele não parar de rodar.


Ele roda a volta toda e sai fora, de volta pelo corredor, de onde eu vim, me deixando ali parada
como uma idiota. Pisco longo e duro, constrangimento aquecendo meu rosto. Puto.
Um por um, Michael, Will, e Rika vão atrás dele, cada uma de suas testemunhas correndo pelo
corredor e saindo da igreja. Ele não olha para trás, mas eu sei que todos os outros olhos ali estão em mim.
O padre não sabe o que fazer. Ele só fica lá.

Então, Kai vai ser o pior marido, também, pelo que parece. Palmas lentas para ele. Isso foi vil, e eu
estou realmente impressionada.
Capítulo 25
Kai

Presente

Alcanço a tigela grande, pegando um pouco de macarrão e recarrego meu prato.

“Porra,” solto através dos meus dentes, pensando na bagunça que eu me meti. Como diabos tudo
ficou fora de controle? Estou atrás do que mais? Qual é o objetivo final?

Eu quero encontrar Damon. É isso. Determinar se há mais perigo para Rika, Michael, ou Will, e
descobrir o que ele fez com o corpo, para poder lidar com isso e ou me entregar ou chegar a um acordo
com a cadela doente recebendo exatamente o que ela merece. E se assim for, então me certificarei que ela
esteja bem escondida e lidar com isso se ela não estiver.

Eu nem sequer sei o que fazer em uma situação como essa. A ideia de ver tudo de novo, até mesmo
falar sobre isso... eu fecho os olhos. Eu não me livrei do corpo. Jesus.

Um momento. Minha vida é uma série de enormes erros cometidos em momentos que perco o
controle.

Exceto hoje. Quando olhei para ela e disse aquelas mentiras - votos que não tenho a intenção de
manter - mas naquele momento, eu tive. Como se meu mundo seria perfeito se eu pudesse engolir meu
orgulho e dizer a ela que a amo e que ela me deixasse segurá-la. Não importa o que, tudo teria ficado bem
se eu pudesse ter visto seu sorriso no dia do casamento.

Levantando os pauzinhos, fecho a boca em volta do macarrão e legumes, olhando para o meu
telefone e observando que não há outras mensagens enquanto mastigo. Will esperou Banks sair da igreja,
para que ele pudesse trazê-la aqui. Ela argumentou e lutou, mas a ameaça do telefone celular apareceu, e
ela finalmente concordou.

Faz mais de uma hora, no entanto. Se ela não estiver aqui em breve, eu vou buscá-la.

Mas então ouço um clique, e olho para cima da mesa da sala de jantar e a observo abrir a porta,
lentamente entrando em sua nova casa.

Ela olhou ao redor, e eu relaxo na minha cadeira enquanto ela fecha a porta e arruma os ombros.
Sorrio para mim mesmo. O que eu vou fazer com ela?

A cabeça dela finalmente se vira, e ela trava os olhos comigo. Engulo minha comida.

“Entre,” eu digo a ela, empurrando a tigela de volta.

Hesitante, ela dá um passo na minha direção, entrando na sala de jantar. “Qual é o meu quarto?”

“O meu.”

Seus ombros teimosos caem um pouco. “Estou cansada, Kai.”


“Você também é minha esposa.” Eu pego meu copo, tomando um gole de água. “Seu precioso,
irmão mais velho deve estar rastejando pelas paredes agora.”

Ela balança a cabeça, parecendo enojada de mim. “Eu não sou seu peão, então confie em mim
quando digo que casar comigo não me deixa menos difícil.”
Oh, eu espero que não.

Olho para ela, absorvendo o vestido que ela usou hoje e nada mais. Ela veio completamente de
mãos vazias, a menos que ela tenha suas pequenas facas enfiadas em uma liga sob o vestido. Ela pensa
que não vai ficar tempo suficiente para se mudar?

Eu vou mandar trazer suas roupas aqui. Ou ela poderia usar as minhas.

“Não estou preocupado,” eu digo. “Você irá se curvar.”

Ela ri, e eu pego uma tigela limpa e um garfo, colocando yakisoba no prato. “Venha comer.” Eu
coloco a comida e os utensílios na mesa, apontando para a cadeira na minha frente.
Ela só olha para mim.
“Coma, e vou te mostrar que quarto é o seu?” Eu negocio.

Mas ela não senta. Em vez disso, ela caminha até a mesa de buffet e pega mais duas tigelas.
Voltando para a mesa, ela pega o garfo e enche ambas as tigelas com macarrão, empilhando-as, e
colocando quase tudo o que foi deixado.

Eu geralmente faço o suficiente para as sobras durarem três dias.

“O que você está fazendo?” Pergunto a ela.

“Meus homens estão lá fora. Eles nos seguiram até aqui.” Ela enfia garfos em ambas as tigelas e os
levanta. “Eles precisam comer, também.”

O quê - quem?

“Seus homens?” Eu desafio. “Aqueles idiotas que trabalham para Gabriel? Diga-lhes para sair.”

Eu levanto da minha cadeira e caminho em direção à janela, puxando para trás a cortina. E com
certeza, aquela mesma SUV preta está parada na minha garagem. Eu podia ver o careca no assento do
motorista.

“Você diz a eles,” ela atira de volta. “Eles se colocaram na linha de frente por mim esta noite, e é
assim que você recompensa a fidelidade?”
“Colocaram-se na linha de frente? O que você quer dizer? O que aconteceu?"

Ela desvia o olhar, balançando a cabeça. "Nada. Só...,” ela faz uma pausa, procurando as palavras.
Então ela olha diretamente para mim. “Eles não vão sair. Eles trabalham para mim, e eles não podem
voltar para lá. É isso."

Ela vira-se e caminha para a porta da frente, empilhando uma tigela em cima da outra para abrir a
porta.
“Eles trabalham para você?” Levanto a minha voz. “Como você está pensando em paga-los?”

“Fácil,” diz ela, seus olhos atirando em volta dela para a casa e tudo o que nos rodeia. “Metade do
que é seu é meu agora.”
E ela sai pela porta, batendo-a atrás dela.

Eu só fico em pé ali, estrangulando o ar na minha frente. Filha de uma puta – Deus - que porra?

Droga, ela é uma merdinha! O que diabos eu quero com dois caras pendurados em volta da minha
casa o tempo todo? Eles vão estar no meu caminho, e eu não gosto de pessoas no meu espaço e
bagunçando as minhas coisas. Estou ficando acostumado a tê-la ao meu redor, caramba!
Eu balanço a minha perna para chutar a mesa do buffet, mas me controlo, parando. Ela é, cara, e
antiga e merda, então ...
Puxando a cortina de volta, eu mantenho um olho de águia para fora, certificando-me de que ela
não tente fugir com eles ou algo assim. A janela do lado do passageiro rola para baixo, e vejo o mais novo
9
com o Mohawk preto no banco.

Ela desliza as tigelas pela janela, e o garoto cheira, parecendo satisfeito. Ela fala com eles por
alguns minutos, dando alguns olhares de volta para mim, e eu finalmente solto a cortina, deixando-a lá.
Eu não gosto de como eles olham para ela. Como se eles tivessem mais direito à sua atenção.
Mas eu penso que, quem não iria querer sua atenção? Nikova Banks é uma mulher bonita.

Vê-la naquele vestido hoje na igreja foi o mais perto que eu cheguei de perder o controle
totalmente. Fiquei em guerra comigo mesmo toda a cerimônia. Ela esconde tanto sob a roupa, mas esse
vestido certamente trouxe tudo para fora. A pele lisa e curvas incríveis ...

Seu cabelo, sua maquiagem... eu não sei por que ela se arrumou toda - eu não achei por nenhum
momento que era para mim.

A porta da frente se abre e ela entra na sala de jantar, parecendo um pouco mais calma.

Mantemos os olhos um no outro, e eu sinto uma pontada de desejo por ela. Por uma chance para
salvar o que este dia se transformou e tratá-la bem.

Mas eu não a mereço. Não importa o que ela tenha feito ou como suas escolhas me machucaram,
eu tomei sua mão, hoje, com tanta força quanto eu tomei sua inocência naquele quarto no The Pope. Ela
precisa ser deixada sozinha.
Faço um gesto para a mesa para ela se sentar e comer.

Ela senta e coloca a tigela na sua frente, pegando o garfo. Mas ela para, percebendo minha tigela
com um conjunto de pauzinhos cruzados em cima.
Encontrando um par sobre a mesa, coloca o garfo para baixo e pega os pauzinhos. Claro, ela
provavelmente não tinha interesse em usá-los. Eu lhe dei um garfo, e é a sua natureza teimosa que você
não diz a Banks o que ela pode e não pode fazer. É o problema de eu deduzindo que ela iria querer um
garfo.
Ela tenta encaixá-los em seus dedos, mas eles continuam escorregando.

Eu ando até seu lado direito e estendo a mão. "Assim."

Pego-os nos meus dedos, ignorando o cenho franzido dela conforme eu encaixo ambos entre meu
dedo indicador e o dedo médio, usando o último para firmar e o outro para controlar o movimento. Eu
balanço meu dedo indicador para cima e para baixo, mostrando-lhe que é esse que mexe. Abrindo grande,
eu pego um pedaço do repolho e fecho, prendendo-o entre as varas.

“Eu posso fazer isso,” diz ela, arrancando-os de volta.

E ela faz. Com mais algumas tentativas, ela segura direito e é capaz de pegar sua comida e coloca-
la em sua boca, ainda trêmula. O anel de platina no dedo dela brilha à luz suave do candelabro, sinto uma
pontada de culpa, agora que eu me acalmei. Ela deveria ter um diamante na mão.
“Eles são chamados de hashi,” digo a ela, apontando para os pauzinhos. "Em japonês."
Levantando, pego um pequeno descanso de cerâmica e o coloco na frente dela. “E isso é chamado
hashioki. Quando você não está comendo, você descansa as extremidades de seus pauzinhos aqui. Ou,” eu
indico, apontando para minha tigela. “Você pode colocá-los na sua tigela. Mas nunca na comida e nunca
cruzados.”

"Por que?"
“Porque é... rude,” digo a ela. Há outra razão tendo a ver com pessoas falecidas e ofertas e
tradições, mas tenho a sensação de que só iria incitar a sua rebelião.
Sento-me de volta, deixando-a comer. Minha cabeça está nadando. Eu ficaria feliz se conseguisse
dormir esta noite.

Eu tenho que chamar os caras que estão lá fora aqui e colocá-los na folha de pagamento. Bem
como descobrir que diabos eles vão fazer para mim.

Eu tenho que voltar para o Sensou e me reunir com o agente de seguro. Descobrir qual o próximo
passo. Iremos reabrir?
Eu preciso ver meus pais também. Estou surpreso que eu não recebi ligações hoje à noite, na
verdade. Se eles ainda não ouviram falar, isso será em breve. Surpreendentemente, não estou muito
triste. Eu só não gosto de me explicar. Provavelmente porque não posso.

E amanhã é a Devil’s Night. Nós ainda não descobrimos onde Damon está escondido, então ele
pode chegar até nós antes de chegarmos até ele. Ou talvez nada aconteça. Talvez Rika esteja certa, e ele
está fodendo com a gente.
Eu ainda preciso lidar com ele, no entanto. Não posso continuar, tendo as coisas pairando sobre a
minha cabeça. Talvez a gente traga todos aqui para a noite. Colocar o lugar em confinamento.
Ela termina sua tigela e olha para a maior, vendo se há alguma sobra. Eu sorrio, gostando que ela
claramente gostou da minha cozinha. Bifes e tudo.

Ela inclina a tigela mais, usando os pauzinhos para pegar qualquer macarrão remanescente em sua
tigela menor, e eu fecho os olhos, rindo baixinho.
Ela acabou de quebrar cerca de três regras de etiqueta. Meu pai ficaria louco, se visse.
Mas olhando seu rosto e me perdendo naqueles lábios vermelhos, ela realmente é incrível.

“É um lindo vestido,” eu digo a ela. “Onde você conseguiu?”

Ela termina de mastigar devagar, sem olhar para mim. “Marina,” diz ela, “cozinheira de Gabriel.
Ela fez para mim quando fiz dezesseis anos.”
O lembrete que Gabriel é seu pai me bate de novo, e eu tenho tantas perguntas ainda.
“Meu pai estava dando uma festa,” ela explica, “e Marina pensou que ele poderia me deixar ir, se...
se eu estivesse bonita o suficiente.”
Bonita o suficiente?

"Você foi?"
Ela balança a cabeça. “Eu me arrumei toda. Cabelo e um pouco de batom. Mas Damon não
permitiu isso. Ele me fez ficar lá em cima.”
Ela dá uma risadinha, como se estivesse tentando se livrar da possessividade dele, mas...

Territorial é bom quando é no quarto. Não é bom quando impede alguém que você deve amar de
viver uma vida.
Todas as peças começaram a se encaixar. A Devil’s Night, há seis anos. Como ele não deixou ela
sequer falar comigo. Como ele fez esses caras a levarem embora. Como ela sempre parecia se esconder
como um rato - no confessionário, no cemitério - medo do gato sair para pega-la.
Como eles se trancaram um ao outro no The Pope. Como ela era a única mulher que eu já vi ele se
pendurar como um salva-vidas.

Dado o que eu sei dos seus pais, não é de admirar que eles fizeram de sua família apenas os dois.
Era o único lugar que eles eram seguros e amados.
“Venha aqui,” eu digo, deixando a minha voz virar um sussurro.

Ela estreita os olhos.

Ela tem todos os motivos para me odiar depois do que eu puxei hoje. Depois de Gabriel e eu
jogarmos ela para frente e para trás como uma posse. Ela já esteve em algum lugar, além da cidade de
Meridian ou Thunder Bay? Ela, pelo menos, terminou a escola? Ela tem uma única amiga que não seja um
cara na equipe de Gabriel?
Inclino-me, de repente querendo tudo. Eu quero mostrar-lhe o mundo.
“Foda-se ele e seu pai,” eu digo suavemente. “Foda-se eu e a merda que sai da minha boca.”

Suas sobrancelhas ficam mais fundas, parecendo confusa.

Passando um braço ao redor dela, eu a puxo para o meu colo, e ela imediatamente tenta me
afastar.
“Eu queria isso,” digo a ela, olhando em seus olhos.

Ela faz uma pausa.


“Por nenhuma outra razão além de que eu queria.” Eu enlaço meus dedos com os dela, roçando
contra a aliança em seu dedo. Eu vou arrumar um anel de noivado para ela na próxima semana. Mesmo
que nunca estivemos noivos. Talvez ela gostasse de escolher, na verdade. “Damon sabe o tesouro que você
é, e ele te ama. Mas ele não vai me manter longe de você.” Eu levanto seu queixo para encontrar meus
olhos. “Isto não é sobre ele ou o hotel ou o seu pai. Eu quero você."
“E se eu não quiser você?”

Meu olhar vacila, mas eu decido ser direto. “Você não quer?”
Eu não interpretei mal os sinais. Ela gosta de mim.
“Não vou machucá-lo,” eu digo, sabendo quais são suas preocupações. “Mas preciso me proteger,
então eu preciso vê-lo. Você entende?"

“Você promete?”
Ela parece tão vulnerável. Não posso pedir-lhe para escolher.

Balanço a cabeça. “Prometo.” Aperto-a, uma mão em sua cintura, a outra em sua coxa. “Eu vou
consertar isso, mas não posso responder por ele. Se ele me empurrar muito longe, vou ser forçado a agir.
Você sabe disso."

Vejo-a engolir quando olha para seu colo.


“Eu quero você,” digo a ela novamente. “E não me importa qual é o seu nome, e não me importo
quem são seus pais ou quanto dinheiro você tem ou não tem. Eu só quero você, lá em cima, e vestida com
nada, além dos meus lençóis.”
Um sorriso bonito, pequeno, puxa seus lábios. “Eu não vou ser Banks hoje à noite?”
Eu balanço a cabeça. “E eu não sou Kai.”
“Só por essa noite?”

Balanço a cabeça, adorando o nosso joguinho. “Só por essa noite.”


Ela se levanta e lentamente solta todo seu cabelo sobre o ombro. “O vestido é um espartilho.” Ela
vira as costas para mim. “Você me ajuda a desamarrar antes de eu ir para cima?”
Meu coração bate mais forte.

Eu corro minha mão para baixo no laço entrecruzado e tiro a fita amarrada no vestido. Soltando, eu
puxo o laço comprido, preto, algumas voltas e depois passo meus dedos por sua coluna, afrouxando os
laços. Meu corpo é sacudido com prazer. Eu amo despi-la.
O vestido começa a cair lentamente, mais das costas delgadas dela ficando à mostra, e eu coloco
minha mão dentro, sentindo a sua nudez.
Não há nada. Nem sutiã, nem calcinha, nenhuma combinação, nada além dela, completamente
pura e bela e inocente debaixo do vestido.

O vestido cai no chão, e meu pau lateja e incha. Sua bunda, seus ombros, suas pernas – douradas,
que ela com certeza não herdou do lado de seu pai, brilhando sob a luz fraca.

Ela se vira, seus olhos caindo sobre minha calça e a protuberância crescendo lá.
Ela começa a respirar mais rápido, seu olhar ficando aquecido. “Foda-se os lençóis,” ela sussurra.

E ela desliza para baixo, abre as pernas, e monta em mim. Eu gemo, desabotoando e abrindo meu
jeans. Tiro meu pau e esfrego a ponta para cima e para baixo do seu comprimento, encontrando-a tão
molhada já.

Ela se abaixa, me abraçando mais perto e gemendo conforme eu a preencho.


Porra. Eu agarro seus seios, cobrindo os mamilos com a minha boca, um por um, enquanto seguro
a parte de trás da cadeira e começo a me mover dentro e fora, rolando seus quadris mais e mais rápido.
Ela me guia, seus gemidos ficando mais altos, e eu me inclino para trás, segurando sua bunda com as
duas mãos e só a observo.

Deus, eu tenho sorte.


“Então, você ainda gosta de mim?” Ela pergunta, brincando.
Sorrio um pouco. Eu mais do que gosto de você.

“Acho que vou mantê-la,” digo a ela ao invés disso. “E ninguém me afasta de você. Entendeu?"

Eu beijo seu queixo, trilhando beijos ao longo de sua mandíbula. “Nem seu pai, nem seu irmão,
nem seus homens.” Eu aperto sua bunda novamente, puxando-a profundamente. “Eu quero a sua boca
espertinha.” Beijo seus lábios. “Eu quero cada lembrança que você vai ter a partir de agora.” Beijo sua
testa. “E quero isso.” Agarro-a, puxando-a para dentro de mim conforme mordo o pescoço. “No carro,
nessa mesa no café da manhã, amanhã, em todos os lugares...”
Seu corpo fica tenso, e ela coloca os braços em volta de mim, balançando mais e mais rápido.
“Então, você realmente gosta de mim, afinal?”

Eu sorrio para a piada dela. Merdinha.


“Sim,” digo a ela. "Eu gosto muito de você."
Muito.

Eu desabotoo o colarinho de uma camisa e a puxo do cabide, deslizando meus braços nela. É pouco
depois das seis da manhã, e posso sentir o cheiro da chuva no ar, logo que acordo. Abotoo minha camisa e
caminho até a mesa de cabeceira, agarrando meu telefone e parando quando vejo as luvas de couro que
ela sempre usa ao lado do abajur.
Mudo meu olhar para ela, vendo suas mãos, uma descansando no travesseiro e a outra sobre seu
estômago. Um sorriso puxa meus lábios. Ela as tirou.
A cicatriz parece quase como um carimbo de tinta vermelha nas costas da mão, e eu aperto o
telefone, ficando com raiva. Gabriel vai pagar por isso. E por muito mais.
Seus lábios estão entreabertos, e noto um fio de cabelo cor de chocolate que caiu sobre seu lábio.
Inclinando para baixo, eu suavemente o tiro antes de dar-lhe um beijo, demorando apenas tempo
suficiente para o cheiro dela lançar um rastro de calor do meu coração para minha virilha.

Eu gemo, relutantemente indo para trás. Agora não. Ela precisa dormir, e eu quero que ela acorde
para o café da manhã. Ela disse que gosta de ovos.
Não.
Ela apenas disse que comia muitos ovos. Talvez ela não goste deles tanto assim. Eles são baratos,
baixo teor de gordura, e sustentam. Perfeito para uma pessoa de baixa renda.

Olho para o meu anel, finalmente sentindo que ela é minha agora. Até que ela fuja novamente, de
qualquer maneira.
E ela tem uma vida para viver, se eu tiver alguma coisa a dizer sobre isso. Sem ovos. Eu vou gostar
de mimar ela.
Abrindo o meu telefone, saio o quarto, fechando silenciosamente a porta atrás de mim enquanto
verifico o tempo para hoje. Eu nunca deveria ter ido dormir na noite passada. Eu não tenho ideia do que
há hoje na loja, mas eu deveria ter me preparado antes. A necessidade do corpo de perder um terço da
sua vida útil inconsciente é um erro da evolução. Veja o quanto eu poderia ter feito.

Nublado durante todo o dia, máxima de vinte graus. Tempestades à noite. Ótimo. Preciso ter a casa
fechada, alguns suprimentos e alimentos, e tenho uma enxurrada de telefonemas de amigos de casa
perguntando se iríamos estar na cidade esta noite e funcionários perguntando se eles devem encontrar
novos empregos. Não e sim.
Aquele fodido. Eu prometi que não iria machucá-lo, mas depois do que ele fez, eu posso não ser
capaz de me conter.
Meu telefone toca enquanto eu desço a escada, e verifico a tela, vendo um número que eu não
reconheço.

Eu ando mais devagar, olhando para ele.


Damon. Eu não ouço falar dele desde o dia na rua em frente ao The Pope. Ele deve ter um celular
descartável cada vez que ele fez suas pequenas ligações.
Eu sorrio para mim mesmo, tocando meu anel de casamento com o polegar. Ele não deve estar de
bom humor.

Atendendo o telefone, eu o trago para minha orelha.


“Onde ela está?” Diz ele, sem esperar por uma saudação.
"Dormindo."

“Vou levá-la de volta,” ele me diz.


Eu respiro fundo e caminho até a porta da frente, olhando para fora da pequena janela na lateral.
Os homens da Banks ainda estão lá fora.
Impressionante.

“Então, venha,” digo a ele. “Venha para a casa, e a leve de volta.”


Sua risada enche meu ouvido. “Ah, eu vou,” diz ele. “Mas sou mais esperto do que você. Vou ter
minha moeda de troca primeiro.”

Que moeda de troca?

Eu não o quero aqui. Eu não quero ele perto dela. Mas estou pronto para calá-lo. Ele não vai pega-
la de volta.

“Fui eu quem tomou conta dela,” ele argumentou. “O único que a amava. Você não pode pedir a ela
para desistir de mim. Você sabe por que? Porque é uma escolha impossível e você não quer saber que ela
pode simplesmente não escolhê-lo.”
Eu balanço a cabeça, abrindo a porta da frente. Não vou pedir para ela fazer mais essa escolha.
Vou apenas continuar lutando, porque eu amo-

De repente, sinto como se o ar tivesse sido batido fora de mim.


Porque eu a amo.
“Você me vê nela, não é?” Ele provoca, baixando a voz. “Você realmente quer ser confrontado com
ela todos os dias? Você pode realmente a amar, sabendo quem ela é e que vou sempre dividir sua
atenção?”

Rosno e saio na calçada, batendo no capô do SUV duas vezes. Os caras dentro pulam, tirando seus
pés do painel. Volto para a casa, sabendo que eles vão me seguir.
“Onde você está?” Pergunto a Damon.
“Eu gostaria de poder lhe dizer,” ele sussurra. “Eu realmente gostaria, porque é simplesmente
muito bom. Se você ao menos tivesse feito um pouco mais de pesquisa, cara.”

“Damon -”
“É realmente um milagre para mim que você ainda não percebeu.”
“Damon!”

“Não posso falar,” diz ele. “Mas eu vou te ver em breve.”


"Esta noite?"
E ouço um clique.

“Damon!” Eu grito no telefone. O que ele quis dizer 'em breve'?


“Sim.” Eu ouço uma voz atrás de mim.
Viro-me, olhando para a ligação muda na tela do meu telefone. Eu poderia ligar de volta, mas o
telefone estaria desligado, sem dúvida. Além disso, é um desperdício de tempo.

Vejo David e o garoto, Lev, pisar no saguão, o mais jovem bocejando.


Andando até a mesa no hall, eu pego um molho de chaves de um pequeno baú em cima.
Jogo o molho para ele. “O terceiro andar é seu,” eu digo. “Banks vai organizar suas tarefas nessa
casa e fora dela, e vou colocá-los na folha de pagamento. Ela está dormindo agora.” Vou até eles, pesando
minhas instruções fortemente, para eles saberem que estou falando sério. “Não a deixe sozinha aqui ou a
deixe sair, e quando ela acordar, diga a ela que eu fui executar uma missão, e volto logo.”

“Você.” Olho para Lev. “Vá para Delcour. Traga Will e Rika aqui e mantenha-os aqui. Diga-lhes para
trazer a mala para passar a noite.”
“Eles não vão vir comigo,” ele argumenta.
“Estou mandando mensagens de texto agora para que eles saibam que você está a caminho. Vá."

Ele suspira e pega as chaves do carro de David, dirigindo-se para a porta da frente, e eu pego meu
celular, mandando uma mensagem para Michael para me encontrar no The Pope e depois outra para Will
e Rika.
“Verifique todas as janelas e portas,” ordeno a David, pegando as chaves do meu carro e saindo.
“Uma vez que todos cheguem, é confinamento. Você entendeu?"
Ele assente. "Entendi."
Capítulo 26
Kai

Presente

Caminho distraidamente através do salão de baile, repetindo tudo na minha cabeça. Aquela Devil’s
Night todos aqueles anos atrás. Banks e eu. A mulher dançando.

Quanto tempo Natalya Torrance esteve lá? Quantas vezes os Torrances usaram seu andar secreto?
Ela deixou Damon três anos atrás. Ela esteve lá o tempo todo?

Existe algo que estou perdendo.

A luz da manhã entra pelas janelas, revelando a poeira que flutua no ar, e eu olho ao redor,
percebendo o chão cheio de folhetos. Havia estandes para folhas de música ainda no palco, e algumas
mesas redondas ao redor da pista de dança.

Eu puxo uma respiração profunda, esfregando os olhos. Ela queria estar perto dele.

Mas, então, isso levanta uma outra questão. O The Pope não é muito velho. Onde a família ficava
quando eles estavam na cidade antes de o The Pope ser construído? Isso pega na minha cabeça, e porque
eu não tinha prestado qualquer atenção a isso. Não parece importante, mas é estranho.
E quando algo parece fora, é.

“Ei, o que está acontecendo?” Michael grita.


Viro a cabeça, vendo-o entrar no salão. Eu o tirei fora da cama e disse-lhe para me encontrar aqui.
Eu deveria ter chamado o Will, mas eu prefiro que alguém fique perto de Rika quando Lev for pegá-los.

Balanço minha cabeça. “Eu sei ouvir meus instintos, e eu os ignorei.”

“Por que? O que está errado?"

Viro-me para ele. “Este lugar foi construído no início dos anos noventa,” digo a ele, “mas era um
hotel familiar, e o boato é que a família tinha um andar secreto em cada hotel que possuía.”
“E daí?” Ele suspira, parecendo cansado.

“E daí que a família do Damon é uma das mais antigas em Thunder Bay,” eu aponto. “Os Nikovs
estão nesta área desde os anos trinta. Não faria sentido começar seus negócios perto, como fizemos, para
monitorá-los mais facilmente antes de se expandir para o exterior?”

Eles construíram hotéis muito antes da década de noventa. Por que esperar para construir um
perto de casa até então?

“Você está certo.” Ele olha para o nada, parecendo perdido em pensamentos. “Por que eles não
tiveram um hotel em Meridian primeiro?”

Sem mencionar o fato de que não houve nenhum movimento para construir outro ou reabrir este.
Ele não queria um lugar local onde ele pudesse ter reuniões de negócios, acondicionar clientes, dar
festas...? Não faz sentido.

Provavelmente não é nada. Então, ele não abriu um hotel perto de casa. É estranho, mas a família é
assim.

Olho para Michael, balançando a cabeça em exaustão. Meu cérebro está fritando.

Mas ele está congelado. Ele olha para frente, com o foco em nada como se as rodas girassem em
sua cabeça.

E então ele suspira, “Merda”, e mergulha a mão no bolso, puxando o seu celular. "Não não não…"

Avanço para frente. Que diabos?

Ele respira com dificuldade, digitando um número e colocando o telefone no ouvido. “Rika ...”

“O que há de errado?” Eu lato.


Mas ele só aponta para mim, já caminhando para a porta. “Entre no carro!”
“O que?”

Ele sai, e eu tenho que correr para alcançá-lo. Nós corremos por trás, e eu não discuto ou tento
impedi-lo. Michael nunca perdeu a cabeça, e se ele perdeu, há uma razão. Ele pula em seu Rover, e eu
deixo meu carro ao lado dele, pulando em seu lado do passageiro.

Antes mesmo de eu fechar a porta, no entanto, ele coloca o carro em marcha à ré e bate no
acelerador, fazendo meu corpo ir para a frente. Eu estico a mão para me segurar.

Ele acelera pelo beco e vira o carro, indo para a rua e, em seguida, descendo a rua da cidade em
direção à ponte.

“Robson!” Ele grita para quem finalmente atende do outro lado da linha. “Quem tinha o Delcour
antes de nós?”

Delcour? O que -

Ele ouve o outro homem falar, preocupação marcando seu rosto. “Eu sei que ele mudou muito de
mãos,” ele grita. “Mas ele foi construído na década de trinta. Quem construiu?"

Não, não, não ... Ele não acha-

Delcour, o prédio de apartamentos da família Crist era uma joia na cidade negra. Foi artisticamente
desenhado, tem as melhores vistas, e a arquitetura é misteriosa e sedutora.

E facilmente poderia ter sido um hotel. Tem até um salão de baile.

Bom Deus.
Michael corre, desviando pelos veículos, e tira o telefone longe de sua orelha, apertando mais
botões. “Baby, vamos lá, vamos lá”, suplica ele, colocando o telefone no ouvido novamente. "Vamos.
Atenda o telefone."
“Delcour?” Eu solto, voltando-me para ele. “Você está brincando comigo?”

Como?
“Todo esse tempo,” ele engasga, apertando o volante com tanta força que seus dedos estão
brancos. “Os Torrance venderam o Delcour na década de oitenta e construíram o novo hotel em Whitehall
para lucrar com o estádio.”
“Delcour é o The Pope original?”

Ele puxa o telefone longe, rediscando. “Rika, droga!”

Atravessamos a ponte e corremos através do distrito de armazém, virando na Parker Avenue.


“Você sabia?” Eu pressiono. “Você sabia que eles eram os donos do prédio? Foi o hotel em um
momento?”

“Não, eu não sabia!” Ele rosna. “Nós não tínhamos nem nascido ainda, pelo amor de Deus! Eu só
sabia que foi construído na década de trinta, e que nem sempre nós o possuímos.”

Mas o advogado do pai de Michael acaba de confirmar. Os Torrances eram os proprietários


originais. E se havia um piso escondido no The Pope, então ...
“Rika, atenda a porra do telefone!”

Ele joga seu celular contra o para-brisa, e ele cai pelo painel e no chão.
“Apenas chegue lá,” eu digo entre dentes.
Calcinha de renda branca. Só pode estar brincando comigo. Ele pode ter estado no prédio, mas ele
não pode ter chegado no apartamento deles, pode? Ele realmente esteve lá e foi capaz de resistir a fazer
contato com Will? Alex?

Michael acelera, buzinas em volta de nós, e para na frente do Delcour, parando em um sobressalto.

Abrindo nossas portas, corremos para fora do carro e para dentro do prédio, o porteiro lutando
para manter a porta aberta.

“Você viu Rika?” Michael grita para o homem atrás da mesa conforme nós corremos para o
elevador.

Seus olhos se erguem, ficando arregalados, enquanto tenta encontrar as palavras. “Uh, não
senhor.”
Nós entramos no elevador e Michael aperta o botão e as portas fecham.

“Você sabe se o edifício tem um piso oculto ou um apartamento escondido ou alguma coisa?”
Questiono.
Ele balança a cabeça, o suor cobrindo a testa. “Eu não sei nada. Eu não presto atenção em nada
que a minha família faz. Você sabe disso."
O que inclui a compra deste edifício ou não saber nada além do que precisa para ter sua bunda na
sua cobertura. Ele é tão egocêntrico. Ele alguma vez se preocupou em aprender ou ouvir qualquer coisa
que alguém disse? Ficar curioso, talvez? Se fosse comigo, e eu tivesse carta branca no lugar, teria
explorado cada canto deste edifício.

Não Michael, no entanto.


Basquetebol, Rika, comida, sexo e sono são as únicas coisas que chamam sua atenção.

O elevador passa vinte e um andares, e desacelera parando no topo do edifício. As portas se abrem,
e Michael e eu voamos para fora, virando no corredor e correndo em seu apartamento.

Lev e Will estão no centro da sala de estar, e Michael vai direto para eles. “Vocês estão com ela?
Onde ela está?"
"Ei, o que há?"
A voz de Rika vem de cima, e minha cabeça se levanta, vendo-a descer as escadas com uma mala
de couro marrom.

Michael sobe as escadas, pulando dois degraus de cada vez, e a agarra. Ele passa os braços em
volta dela e a levanta, abraçando-a.
Exalo, deixando cair a cabeça. Ele não a levou. Talvez ele não esteja aqui, afinal de contas.
“Baby,” Michael engasga. “Por que diabos você não atende o telefone?”

Ela o abraça de volta, parecendo confusa. “Eu... está na minha bolsa, eu acho,” ela gagueja. “Eu
estava arrumando a mala no andar de cima. O que está errado?"
Mas ele apenas balança a cabeça. Não é hora para explicar.

“Senhor,” outra voz diz, e eu olho de volta para ver Patterson, um dos gerentes do edifício entrar
na cobertura. "Algo errado? Jackson lá embaixo disse que pode haver um problema.”

“Eu não tenho certeza,” Michael responde. “Você viu alguém suspeito entrando e saindo do
prédio?”
“Não, senhor.” Ele se aproxima, parecendo preocupado. “Eu teria tomado medidas se eu tivesse, eu
lhe garanto.”
“Sim, eu sei.”

Mas eu salto, abordando Michael. “Quando os Torrances venderam esse lugar?”

Ele pega a mão de Rika e segura sua mala, descendo as escadas. “Em 1988, disse o Robson.”
Eu balanço a cabeça. “Então, controladores computadorizados em elevadores não existiam até
mais tarde no século passado,” penso em voz alta. “Sabendo que ele estava vendendo o edifício, Gabriel
não teria atualizado o sistema para incluir códigos para o andar escondido. O que significa que eles
tinham uma maneira muito mais simples para acessar o décimo segundo andar do que o hotel mais novo
do outro lado do rio.”

Sem teclado. Definitivamente sem reconhecimento de impressão digital ou cartão magnético.


Eles tinham que ter um elevador separado, mas ...
Os elevadores de Delcour foram remodelados. Eles foram tirados para fora, os poços renovados, o
andar escondido teria sido encontrado. A menos que…

“Existem outros elevadores?” Pergunto a Patterson. "Qualquer coisa? Não em uso. Até mesmo fora
de serviço? Ou uma outra escada?”
Ele balança a cabeça, mostrando ser um beco sem saída, mas depois ele para, parecendo pensar
em algo.
“Bem, há uma escada no primeiro andar levando para cima, mas foi murada. Não vai a lugar
nenhum mais."

Meus ombros caem.

“E há um elevador de serviço no porão,” acrescenta.


Eu levanto a cabeça.

“Mas é tampado,” ele nos diz. “Não acho que foi usado em... trinta anos?” Bem, isso seria quase
certo.

Dou um passo em direção a ele. "Mostre-nos."

Ele caminha para o elevador de novo, descendo, passando o lobby, a garagem, debaixo da rua, e
para baixo mais um nível. Quanto dava para ir.

Michael mantem Rika, mas me lança um olhar aborrecido. Eu não acho que ele já esteve aqui em
baixo, e a ideia de que Damon estava no edifício, especialmente nas noites em que Michael tinha jogos ou
estava fora da cidade, é quase paralisante.

Entrando no porão, dois níveis abaixo do solo, Patterson nos leva por um corredor e vira em um
canto. Água corre através das tubulações acima de nós, e eu posso ouvir o ronco suave do forno vindo de
algum lugar.
Seguimos por um corredor e entramos em uma pequena área aberta, e lá está ele. O antigo
elevador de serviço.

Patterson para de repente, no entanto, parecendo confuso. “As placas foram tiradas,” diz ele.

Sigo seu olhar, vendo todas as tabuas, cinco, com dez com pregos enferrujados saindo delas
espalhadas para o lado. Quanto tempo tinha passado desde que ele esteve aqui embaixo?

O antigo elevador não parece muito grande, e está com uma crosta de sujeira e teias de aranha,
mas há um seletor antigo em cima das portas. Não há números, mas uma luz brilha atrás do vidro
manchado, mostrando que está recebendo energia.
“Você tem que estar brincando comigo,” Michael murmura, sem saber o que mais dizer.

Apertando o botão, as portas do elevador imediatamente abrem com um ding, e todo mundo fica
parado ali por um momento.
Mas eu dou o primeiro passo.
O chão se move sobre os cabos só um pouco, mas parece estável o suficiente, e eu seguro a porta
aberta, gesticulando para que todos entrem.

O interior é pequeno. Tapete cobre no chão, e as paredes são de madeira de cerejeira escura na
parte debaixo e espelhadas na parte de cima.
Há apenas um botão no interior. Uma vez que todos entram, eu digo a Lev para voltar para a minha
casa e deixar Banks saber que estarei em casa em breve, e, em seguida, Michael diz a Patterson para
enviar segurança aqui atrás de nós. Então eu fecho as portas e nos levo para cima.
Os cabos rangem, e eu posso sentir as vibrações do movimento sob meus pés.

“Um ano,” diz Michael. “Ele está indo e vindo, observando todos nós, há um ano do caralho. Direto