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ACOMPANHAMENTO DE CRIANÇAS

PROCESSO SOCIALIZAÇAO NA CRIANÇA 25H

MANUAL APOIO AO FORMANDO

FORMADORA | LILIANA RIBEIRO MARTINS


Processo Socialização na Criança

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INDICE - Processo de Socialização da Criança:

1.Socialização – conceitos
2.Definição de Socialização
3.Características da socialização
4.Aspectos consideráveis na sociedade
5.Agentes de socialização
6.Tipos de agentes de socialização
6.1.Familia
6.2.Amigos
6.3.Escola
6.4.Meios de comunicação social – Tv
6.5.Livros Revistas
6.6.Actividades/brincadeiras
6.7. Colegas
6.7.1. Entrada no grupo
6.7.2.Isolamento
6.7.3. As relações entre crianças
6.7.4. Cooperação
6.7.5. Autonomia
7.Papel dos agentes

OBJECTIVOS - Processo de socialização da Criança:

No final da formação o formando deverá ser capaz de:

- Caracterizar o processo de socialização da criança

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Processo Socialização na Criança

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SOCIALIZAÇÃO
O termos socialização designa o processo de integração do indivíduo na sociedade, que

decorre desde que a pessoa nasce até que morre. Consiste na aquisição de comportamentos e

atitudes que permitem a integração da pessoa na sociedade. Os comportamentos são modelados por

valores, crenças, normas e padrões específicos da cultura em que o indivíduo está inserido.

Socialização – Consiste num processo de integração do indivíduo na sociedade, é um processo de


aprendizagem de normas, valores e condutas sociais.

CARACTERISTICAS DA SOCIALIZAÇÃO
O processo de socialização é mais intenso na infância , detendo a família um papel decisivo. Contudo o

processo de integração na sociedade decorre ao longo da vida, sempre que ocorre uma adaptação a

situações sociais novas. O processo de socialização pode ser dividido em duas fases: socialização

primária e secundária

 Socialização Primária: Processo pelo meio do qual a criança se transforma num membro activo,

integrando-se assim na sociedade. É na infância e adolescência que o processo de

socialização é mais evidente

 Socialização Secundária: Processo de integração na sociedade a partir da idade adulta, sempre

que ocorre um processo de adaptação a uma situação nova.

Cada indivíduo através do processo de socialização vai adquirindo e interiorizando crenças, comportamentos,

modos de vida da sociedade a que pertence. Contudo, ninguém aprende toda a sua cultura mas está, apesar

disso, condicionado à transmissão de cultura que se realiza através dos grupos sociais a que pertence. Além

disso, o controlo social que a sociedade exerce sobre o indivíduo leva a que ele não se desvie dos actos e

comportamentos padronizados.
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Processo Socialização na Criança

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MECANISMOS DA SOCIALIZAÇÃO
A socialização consiste na aquisição de comportamentos e atitudes , que se efectuam através de

um certo número de mecanismos, dos quais se destacam a aprendizagem, a imitação e a identificação.

Aprendizagem:

A Aprendizagem consiste em incutir no indivíduo certas


reacções, mais ou menos automáticas, em presença de situações
sociais determinadas. Esta formação de comportamentos varia,
obviamente, com as diferentes culturas. Podemos então
considerar que a aprendizagem consiste na aquisição de reflexos,
hábitos, atitudes, etc.

Aprendizagem é a capacidade de modificarmos os nossos conhecimentos, e consequentemente,

os nossos comportamentos, de uma forma relativamente estável e duradoura, de modo a nos

adaptarmos à sociedade em que vivemos e às exigências dos grupos em que estamos inseridos.

Como tal, é um fenómeno que ocorre durante toda a nossa vida, de diferentes formas (dai que se

fala em tipos de aprendizagem – por condicionamento clássico ou operante; aprendizagem social e

outras... ), e influenciado e determinado por diversos factores, entre os quais a idade, a inteligência e a

motivação.

É a aprendizagem que determina o nosso pensamento, a nossa linguagem, as motivações, as

atitudes, a personalidade. Existem aprendizagens simples e aprendizagens complexas que implicam

uma actividade mental diversificada.

Observação ou Imitação:

A Imitação é um mecanismo de socialização que se traduz pela


reprodução de comportamentos e atitudes dos indivíduos ou dos
grupos integrados na vida quotidiana. A criança imita as atitudes dos
pais e aprende a ser ela imitando os outros.

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Processo Socialização na Criança

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As pessoas, sobretudo as crianças, aprendem observando e imitando os outros. Bandura

desenvolveu uma série de experiências sobre a importância da aprendizagem por observação, aquela

que resulta da interacção e imitação social. Muitos dos nossos comportamentos são então aprendidos

através da observação e imitação de um modelo – modelagem;

O processo de socialização passa, necessariamente, pela observação, imitação e identificação

com os modelos sociais.

Este tipo de aprendizagem pode ser seguido de reforço directo: a criança é elogiada por ter

imitado um comportamento correcto e desejado. A imitação de um adulto também pode ser estimulada

se a criança observar que ele é elogiado por se ter comportado de determinada forma – é o que se

denomina por reforço vicariante. A criança prevê que se se comportar da mesma forma obterá uma

aprovação semelhante.

Num mundo dominado pelos meios de comunicação social, é de salientar o papel, sobretudo

da televisão, neste tipo de aprendizagem: bebés de 11 meses observam e imitam o que vêm na

televisão, independentemente de ser uma conduta desejável ou não – é o problema dos programas

com conteúdos violentos.

Efeitos da aprendizagem por observação:

- Efeito de modelação ou modelagem: o observador observa e imita o modelo,

adquirindo novas formas de resposta. Crianças expostas a cenas violentas apresentavam duas vezes

atitudes mais agressivas perante a mesma situação do que o grupo que não tinha assistido à cena.

- Efeito desinibitório e inibitório: uma criança geralmente inibe a agressividade porque

esse tipo de comportamento é criticado pelas pessoas que a rodeiam (pais, professores, outros

adultos), e por vezes alvo de castigo – efeito inibidor. No entanto, se os referidos pais e professores

exibem esse mesmo tipo de comportamento agressivo, a criança apresentará o mesmo tipo de

reacções – efeito desinibidor.

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São muitos os factores que influenciam a aprendizagem por observação: a proximidade e o

peso afectivo são dois deles. Por isso os pais, professores e amigos são os modelos mais comuns. A

selecção dos modelos passa pela idade e pela pertença de género

(é mais frequente a imitação de modelos entre pessoas do mesmo género e com idades próximas);

pelo estatuto (são imitados os modelos que apresentam estatuto social mais elevado e prestigiado); e

também pela atenção (quanto mais o observador estiver atento ao comportamento apresentado pelo

modelo, mais eficaz será a aquisição).

Identificação:

A Identificação só foi posta em evidência pela psicanálise. A criança


identifica-se com o seu pai ou com a sua mãe que constituem, para ela,
modelos de conduta. Este mecanismo é inconsciente.

É assim que, por exemplo, num processo de identificação de uma criança com um dos
progenitores, existe imitação que, por sua vez, constitui um dos processos essenciais de
aprendizagem.

PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO
Cada modelo de socialização baseia-se no papel que os pais desempenham na educação da cr iança.

Modelo de socialização Crianças Práticas parentais


Laissez-faire Predisposta Deixar andar
Moldar o barro Passiva Moldar e treinar
Conflito Anti-social Disciplina
Mutualidade Participativa Sensibilidade e capacidade de

resposta

AGENTES DE SOCIALIZAÇÃO

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Processo Socialização na Criança

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Os mecanismos de socialização são postos em acção por um certo número de agentes sociais

privilegiados denominados agentes de socialização. Designa-se por agentes de socialização as

pessoas, os grupos sociais, as estruturas, as instituições que transmitem as normas, valores e

comportamentos vigentes numa sociedade. Estas normas são interiorizadas e integradas na

personalidade do sujeito, condicionando o seu comportamento.

Agentes de socialização – grupos ou instituições que se encarregam da socialização.

Na infância e adolescência, a família, a escola e os grupos de pares são os principais modelos

de integração na sociedade, transmitindo atitudes, valores e comportamentos desejáveis. Na idade

adulta, ganham especial importância os grupos socioprofissionais, os grupos de amigos, os grupos

religiosos, politicos, etc. Os meios de comunicação social têm também, na sociedade contemporânea,

um papel muito importante no processo de socialização.

Os diferentes agentes de socialização são responsáveis pela formação e mudança de atitudes

dos indivíduos.

 A Família: tem um papel determinante nos primeiros anos de vida. É aí que as crianças

adquirem a linguagem e os hábitos do seu grupo social. Estes primeiros anos de formação são

muito importantes na vida dos indivíduos. Normalmente, são os pais a adaptar os filhos à

sociedade. Mas na sociedade actual é através dos filhos que os pais têm conhecimento de

novos factores culturais.

 A Escola: permite à criança entrar num meio social novo que vai ter sobre ela uma influência

fundamental. Tem várias funções – além de proporcionar à criança instrumentos de trabalho,

métodos de reflexão e conhecimentos que lhe vão ser úteis durante toda a vida, impõe-lhe

novas regras e uma disciplina que a liberta parcialmente do meio e completa a sua formação,

aprendendo a conhecer os outros e o meio que a rodeia. A escola desempenha uma função de
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socialização deliberada que se manifesta a dois tipos: a socialização formal, que assume a

forma de aprendizagem de conteúdos; a socialização informal, onde através de processos

informais (contactos com colegas e professores), são transmitidos valores, tais como: ordem,

disciplina e a boa educação…

 Os Grupos Sociais: durante toda a vida o homem pertence a grupos sociais e outras

instituições que continuam a sua socialização. Mas os meios mais eficazes de que a sociedade

actual dispõe são os meios de comunicação.

Família
A socialização é um processo que ocorre, em primeiro lugar, no seio da família, sendo
desenvolvida pela acção dos progenitores. O objectivo da socialização e adaptar a criança às
características da sociedade, ou seja, ela deverá adquirir os padrões que são aceitáveis na sociedade.
Assim os pais são os primeiros agentes de transmissão das normas culturais e fazem-no, em primeiro
lugar, apresentando o seu filho às exigências da vida familiar. Todas as famílias têm as suas regras,
que determinam a divisão do trabalho entre os membros, a natureza das disposições para comer e
dormir, a forma como cada membro da família trato o outro, a partilha dos recursos, tais como a
televisão, etc. Em muitos aspectos a família espelha a sociedade, assim as regras aprendidas em
família, podem ser aplicadas à vida noutros grupos sociais.
O desenvolvimento da criança tem lugar, inevitavelmente, para uma ampla maioria das crianças, na
família, sendo o primeiro e o mais importante contexto de crescimento físico, psicológico e social.
As famílias são idealmente adequadas para a educação da criança: são grupos restritos e íntimos, que
facilitam à criança a aquisição de regras de comportamento consistentes. Estas estão ligadas a outras
famílias, ao trabalho, ao lazer, aos quais as crianças são gradualmente apresentadas. As famílias são
habitualmente compostas por indivíduos profundamente dedicados aos filhos, cuja segurança e
cuidados podem, desta forma, ser garantidos. Por isso, a família é a unidade básica dentro da qual a
criança é apresentada à vida social.

Inicialmente, limitava-se a socialização da criança quase exclusivamente à família,


principalmente a mãe, só gradualmente outras fontes de influência vieram a se
consideradas: primeiramente, a partir do interior da família, pai e irmão da criança;
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subsequentemente, fontes exteriores à família, tais como os companheiros, a
escola, os media.

Amigos/ Colegas
A função dos relacionamentos com os companheiros é proporcionar à criança a oportunidade de
prender as aptidões que apenas podem ser adquiridas entre iguais, como as que envolvem cooperação
e competição, assim a experiencia da interagir com outras crianças cumpre funções únicas que não
podem ser cumpridas por nenhum membro da família.
Os relacionamentos entre companheiros garantem contributos únicos para o desenvolvimento da
criança e só o fazem porque o parceiro tem um estatuto igual. Os relacionamentos familiares não são
igualitários e por essa razão não podem ensinar as crianças de um modo tão eficaz como as aptidões
dos grupos de companheiros, tais como a alternância de vez, a partilha, as qualidades de liderança,
lealdade, comformidade, ou o modo de fazer face à hostilidade e ao desportivismo.
De facto, o grupo de companheiros é, em muitos aspectos, uma sociedade em miniatura.

Escola
A escola exerce uma papel importante na consolidação do processo da socialização. A escola

será determinante para o desenvolvimento cognitivo e social da criança, é na escola que se constrói

parte da identidade de ser e pertencer ao mundo. Nela adquirem-se modelos de aprendizagem,

aquisição de princípios éticos e morais vigentes na sociedade. Na escola depositam-se as duvidas,

bem como as expectativas, inseguranças e perspectivas em relação ao futuro e ás suas próprias

potencialidades.

A criança quando nasce, já é membro de um grupo social, pois as suas necessidade básicas

estão inevitavelmente ligadas às outras pessoas e estão programadas para serem satisfeitas em

sociedade.

O grupo social onde a criança nasce necessita também desta incorporação para manter-se e

sobreviver e , por isso, além de satisfazer as suas necessidades transmite-lhe a cultura acumulada ao

longo de todo o curso do desenvolvimento da espécie humana. Esta transmissão cultural envolve

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valores, normas, costumes, atribuição de papeis, ensino da linguagem, habilidades e conteúdos

escolares, bem como tudo aquilo que cada grupo social foi acumulando ao longo da história e que é

realizado através de determinados agentes sociais, que são encarregados de satisfazer as

necessidades da criança e integra-la no grupo social.

A escola deve trabalhar valores como: afecto, solidariedade, dialogo, respeito, confiança,

amizade e claro a não violência.

A escola não só intervém na transmissão do saber científico, mas também no desenvolvimento

das relações afectivas, a capacidade de participar nas situações sociais, a competência comunicativa,

o desenvolvimento da identidade sexual, das condutas sociais e da própria identidade.

O SISTEMA SOCIAL DA ESCOLA

A escola é particularmente significativa no processo de socialização da criança. As crianças não

apenas passam uma grande quantidade de tempo ali, mas além disso a escola constitui também uma

iniciação num tipo de sistema totalmente diferente do da família. É um sistema muito mais amplo, é

organizado com mais formalidade e os fins que serve e os papeis que os indivíduos desempenham no

seu seio são diferentes daqueles que a criança está habituada em casa. A função prioritária da escola

é ajudar a criança a progredir em termos académicos, mas a aprendizagem de oportunidades que

proporciona tem um alcance muito maior do que o apresentado nas lições.

Assim, a escola tem um conjunto de regras que têm de ser cumpridas pelas crianças, tais como

os horários, os códigos de disciplina, os regulamentos de conduta e apresentação das crianças na

escola.

Meios de comunicação social( Televisão)


A televisão constitui um meio muito poderoso no processo de socialização da criança. Esta
apresenta e familiariza a criança com o mundo que a rodeia.

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As crianças desde de muito tenra idade que são cognitivamente activas quando vêm televisão,
particularmente quando os conteúdos transmitidos são compreensíveis e interessantes, as crianças
prestam muita atenção e aprendem-nos.
Assim a televisão é um meio através do qual as crianças constroem a sua identidade,
verificando-se assim que de facto esta constitui um meio de socialização.
Aqui o processo de imitação constitui uma forma importante de aprendizagem na criança, pois a
televisão fornece modelos de comportamento que as crianças imitam.
Assim, desde muito cedo as crianças, através da televisão vão decidindo quais os seus valores e
interesses, fazendo escolhas que vão constituindo a sua identidade, sendo que este processo se torna
mais sólido quando intervém a influência do seu grupo de pares, que partilham esses mesmos
interesses.

“Num mundo dominado pelos meios de comunicação social, é de salientar o papel, sobretudo da

televisão, na aprendizagem por observação: bebés de 11 meses observam e imitam o que vêm na

televisão, independentemente de ser uma conduta desejável ou não – é o problema dos programas

com conteúdos violentos.”

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Livros/ revistas
Colecção Camila – EDIÇÔES ASA

Colecção de livros ilustrados destinada a crianças a partir dos 3 anos, cuja protagonista – a

adorável Camila – reúne todas as características habituais de uma menina dessa idade: a inocência e a

imaginação, a alegria e a "traquinice", a doçura e a teimosia, a curiosidade e a ousadia. As histórias,

também elas, retratam situações comuns do dia-a-dia de uma criança dessa faixa etária: os medos e

as inseguranças, as alegrias e as tristezas, as "birras" e as travessuras, os jogos e as brincadeiras...

Em suma, uma colecção concebida expressamente para criar uma forte identificação entre os

pequenos leitores e a personagem central, tanto pelas situações em que esta se vê envolvida como

pelas suas reacções, em tudo semelhantes às de uma qualquer criança daquela idade. O texto é

simples e divertido e as ilustrações são vivas e de grande formato, visando a captação do interesse dos

mais pequenos em todas as suas vertentes.

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Camila faz chichi nas calcinhas

Em Camila faz chichi nas calcinhas a criança apercebe-

se de como uma situação potencialmente embaraçosa e

geradora de medo e insegurança é, afinal, comum a

outras meninas da sua idade e pode ser resolvida sem

dramatismos.
Camila e a «zanga» dos pais

Na escola, o Vitor comenta que os seus pais se

divorciaram pois estavam sempre a discutir. Mais tarde,

em casa, a Camila ouve os pais a falarem alto e logo

conclui que estão a discutir. Depois, muito aflita, lembra-

se do seu amigo Vitor e convence-se de que também os

seus pais se vão divorciar. Será mesmo assim?


Camila não quer emprestar os seus brinquedos

Camila convida dois amiguinhos para brincarem com

ela em casa mas, ao vê-los pegar nos seus brinquedos,

fica amuada. A mãe explica-lhe que é preciso saber

partilhar e Camila acaba por aceitar a situação. À hora

do lanche, Camila aparece com o vestido e o colar de

pérolas da mãe! Perante a aflição da mãe, Camila

argumenta com a necessidade de saber partilhar...


Camila Não Quer Tomar Banho

Em Camila não quer tomar banho, a criança é levada a

compreender a necessidade da higiene diária e,

sobretudo, a importância de não mexer nos produtos

guardados na casa-de-banho sem a supervisão de um

adulto.

Jogos e brincadeiras

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Processo Socialização na Criança

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Brincar desenvolve as habilidades da criança de forma natural, pois através das brincadeiras
aprende a socializar-se com as outras crianças, desenvolve a motricidade, a mente, a criatividade. Os
brinquedos favorecem a brincadeira livre e a fantasia. A criança coloca no objecto com que está a
brincar, o significado que ela deseja no momento. A brincadeira não é um mero passatempo, ajuda no
desenvolvimento das crianças, promove os processos de socialização e de descoberta do mundo.

Colegas

GRUPO

Conceito de grupo e tipologia dos grupos

1. O conceito de grupo
Um grupo é uma unidade social constituída por duas ou mais pessoas cuja relação consiste
numa interacção regulada por determinados valores e normas, marcada por uma relativa estabilidade,
coesão e permanência e orientada por aspirações, sentimentos e objectivos comuns que permitem a
cada membro referir-se aos outros como «nós».
Um grupo não é um aglomerado de pessoas (caso dos passageiros de um avião, dos
espectadores de um jogo de futebol, dos espectadores numa sala de cinema ou das pessoas que
esperam pela abertura de um banco) nem uma categoria sociológica (caso dos grupos etários, das
classes sociais, dos «grupos» sócio-profissionais).
Um aglomerado de pessoas é um conjunto de pessoas, que embora possam interagir por
alguns momentos, têm como característica essencial a proximidade física ou estarem espacialmente
juntas.

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Uma categoria sociológica é um conjunto de pessoas que têm alguma característica em
comum, como a pertença a uma mesma etnia, e desempenho da mesma profissão, o mesmo credo
religioso, mas a grande maioria dos seus membros não se conhece, nunca interagiu e é pouco
provável que o venha a fazer.
Exemplificando, os jogadores profissionais de futebol do continente europeu são uma categoria
sociológica e a equipa de futebol do Benfica é um grupo.
Deve notar-se que a interacção esporádica e ocasional não faz nenhum conjunto de pessoas
um grupo.

Em que aspectos diferenciam os grupos?

Os grupos variam fundamentalmente em quatro aspectos:


a) Quanto à dimensão: o grupo mais pequeno é a díade (grupo de dois ou par). Quanto mais amplo
um grupo mais formal ele se torna e menor a interacção pessoal entre os seus membros.
b) Quanto à duração: as famílias são grupos que sobrevivem a muitas gerações, adquirindo novos
membros através de mecanismos e casamento e perdendo outros devido a falecimentos e a
divórcios; os membros de uma associação de estudantes formam um grupo que, habitualmente, se
desfaz um ou poucos anos depois de constituído.
c) Quanto aos valores e objectivos: a Associação ajuda de Berço difere nitidamente dos membros de
um clube recreativo.
d) Quanto à amplitude das actividades realizadas: grupos como a família envolvem-se numa grande
diversidade de actividades o que não será propriamente o caso de uma equipa de basquetebol.

2. Tipologia dos grupos

Grupos primários e secundários

Os grupos primários são unidades sociais cujos membros comunicam directamente, sendo a
relação entre eles presencial, baseada mais em veículos afectivos do que funcionais e caracterizada
por intimidade e convivencialidade. Os grupos primários são normalmente pequenos e o contacto entre
os seus membros é frequente.
Exemplo:. Uma turma, uma família, um grupo de amigos.

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Os grupos secundários são unidades sociais cujos membros comunicam mais indirecta do que
directamente entre si (podendo alguns nunca virem a conhecer-se), sendo escassa a vinculação
afectiva e limitando-se a solidariedade a um campo de interesses normalmente de natureza laboral e
funcional.
Os grupos secundários, de maiores dimensões do que os grupos primários, são
tendencialmente mais formais e hierarquizados do que os grupos primários.
Exemplo:. Um sindicato, uma empresa, um partido político, uma associação de pais.

Grupos formais e informais

Um grupo formal é um grupo hierarquizado segundo normas que definem com exactidão o
papel dos seus membros, estando as regras de funcionamento, na maior parte dos casos, expressa
por escrito num regulamento interno. São grupos relativamente estáveis e duráveis.
A família, uma empresa, uma assembleia de escola, um conselho executivo, um partido
político, são exemplos de grupos formais.
Um grupo informal é um grupo cujos membros estão mais vincados por laços afectivos, gostos
e interesses comuns do que por objectivos e normas de funcionamento formalmente definidas. Não há
hierarquias fixas, podendo haver, contudo, liderança, desde que reconhecida pelos membros do grupo.
São grupos efémeros, como é o caso dos grupos de amigos do liceu.
Deve notar-se que um grupo primário não é necessariamente um grupo informal: a família é um
grupo formal.

3. Redes de comunicação

Definem-se como redes de comunicação os canais através dos quais os elementos de um


grupo, seja este de que tipo for (primário, secundário…), comunicam uns com os outros.
As redes de comunicação são de dois tipos: centralizadas e descentralizadas.
As redes de comunicação centralizada são estruturas e que a comunicação entre os membros
do grupo depende de um elemento central que tendo acesso a mais informação, ocupa uma posição
privilegiada, de liderança formalmente explícita face aos outros membros, seus subalternos.
As redes em forma de estrela e as redes em y são exemplos de redes centralizadas, redes em
que se dá a centralização da comunicação. Neste tipo de redes o elemento central domina e controla a
informação ocupando uma posição superior em relação aos seus subalternos. A instituição militar é um
exemplo de rede centralizada.
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Processo Socialização na Criança

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As redes de comunicação centralizada caracterizam-se por uma maior rapidez e eficácia
(menos erros e impasses) na resolução de tarefas simples e, em geral, por uma menor satisfação dos
seus membros na realização das tarefas.
As redes em forma de círculo são um exemplo de descentralização da comunicação. Não há
ninguém que ocupe uma posição central e controladora pelo que a comunicação entre os membros é
aberta mas sujeita a mais distorções. Os grupos informais ilustram este tipo de rede comunicativa
(todos comunicam com todos em posição de relativa igualdade, porque não há hierarquia rígida e
formalmente definida).
As redes descentralizadas (ou mais descentralizadas) são mais eficazes na resolução de
problemas complexos e a satisfação com a interacção grupal é maior do que nas redes centralizadas
ou mais centralizadas.

Conceitos-chave:

Grupo – Conjunto estruturado de indivíduos entre os quais existe interacção estável, percepção
de si

próprios com parte do grupo, interdependência,


diferenciação de funções (um sistema explícito ou implícito de papéis e de estatutos) e cooperação em
vista de objectivos comuns.
O grupo é importante para a auto-percepção, para a ideia que cada membro tem de si próprio.
O «eu» forma-se na interacção com os outros.

Grupos primários – Unidades sociais em que predominam as relações pessoais, directas e


espontâneas. São grupos de contacto directo.

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Processo Socialização na Criança

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Grupos secundários – Grupos de contacto indirecto. Os contactos directos são passageiros e
pouco envolventes. As relações interindividuais são impessoais e mais formais do que no caso dos
grupos primários.

Grupo formal – Grupo com uma hierarquização clara, estável e durável.

Grupo informal – Grupo sem hierarquização durável e de duração efémera.

Redes de comunicação – Padrões de comunicação entre os membros de um grupo. A forma


da rede de comunicação é importante porque determina o modo como o grupo funciona. A rede em
fora de estrela dá grande controlo à pessoa que está na posição central.
Ela pode comunicar com cada um dos membros mas estes ó podem comunicar com o
elemento central e não umas com as outras. Se tal rede de comunicação fosse estabelecida pelas
regras fundamentais durante a formação de um novo grupo a pessoa que ocupasse a posição central
seria provavelmente o líder.
A posse de informação conduz ao poder. As redes em forma de círculo são aquelas em que
cada membro comunica com todos os outros, pelo que é impossível prever que a posição conduzirá ao
domínio ou à liderança. A personalidade e as capacidades dos membros serão porventura os factores
determinantes.

AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO GRUPO

Os membros do grupo, quando se propõem realizar uma tarefa comum, apresentam uma certa coesão
que os força a agir na consecução dos objectivos mantendo-os unidos, isto é, coesos.
Uma das condições básicas para que os membros do grupo cooperem é a CONFIANÇA que se deverá
desenvolver entre eles.
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Processo Socialização na Criança

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Nos grupos, onde a cooperação é elevada, as pessoas sentem-se motivadas pelo trabalho produzido e
mantêm um alto nível de frequência de comportamentos que os levam à solução dos problemas.

O comportamento individual é importante para o sucesso do grupo. O indivíduo sente-se apoiado e


aprovado pelos restantes membros do grupo. Tal facto tende a aumentar o seu desempenho.
O bom contributo de um membro de um grupo conduz os restantes a reforçarem ainda mais o seu
desempenho.

O grupo existe em função da necessidade de se executar uma tarefa comum e da necessidade de se


manter coeso em unidade de trabalho.

O comportamento adequado ao sucesso do grupo é o comportamento ASSERTIVO, ou seja, auto-


afirmativo.

IMPORTÂNCIA DA COESÃO DO GRUPO

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Processo Socialização na Criança

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Coesão de um grupo é o resultado de todas as forças que actuam sobre os membros para que
permaneçam no grupo. O conceito de coesão poderá também ser o de “atracção interpessoal”.

As pessoas que constituem o grupo devem sentir alguma atracção entre si, mantendo uma boa
relação. Deste modo, as pessoas partilham algo de comum, partilham uma determinada IDENTIDADE.

É pelo facto das pessoas cooperarem, e apresentarem atitudes semelhantes, que se tornam coesas,
existindo entre elas, atracção interpessoal.

A coesão do grupo permite, de um modo geral:

 que os membros do grupo permaneçam juntos;


 que os membros do grupo confiem e sejam leais;
 que os seus membros se sintam seguros;
 que os seus membros se deixem influenciar pelo grupo;
 que aumente significativamente a satisfação dos seus membros, à medida que o trabalho se
desenvolve;
 que a interacção entre os seus membros se intensifique.

NÚMERO IDEAL DE MEMBROS DE UM GRUPO DE TRABALHO

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Processo Socialização na Criança

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Num grupo, o grau de satisfação dos seus membros diminui à medida que aumenta o número de
participantes, porque estes têm menos probabilidades de se expressarem e de apresentarem os seus
pontos de vista.
O elevado número de elementos, no grupo, aumenta os problemas interpessoais, diminui a acção e a
realização da tarefa.

A partir de um certo número, a produtividade do grupo é inversa ao número dos seus participantes.

Nº de elementos Vantagens/desvantagens
2 É um grupo eficaz quando existe entre eles uma certa intimidade, isto é,
quando cada um conhece o outro de forma aprofundada.
O seu trabalho é eficaz na procura de ideias ou soluções quando entre os
dois existe uma grande amizade e confiança.
3 É um grupo útil e produtivo quando é necessário resolver problemas precisos
e, de certo modo, definidos.
No entanto, se se trata de tomar decisões, é um grupo menos produtivo do
que um grupo de 5 ou 6 elementos.
5 ou 6 Parece ser, segundo as experiências, o mais produtivo e o mais rico em interacções.
Neste caso é possível a divisão do trabalho e todos poderão
intervir e expressar-se o mais possível, sem que se perca a visão do conjunto
e o objectivo do grupo.
Mais de 6 O grupo com mais de 6 elementos perde a sua unidade quer no plano da amizade,
quer no plano das relações interpessoais, quer na cooperação, quer no plano da
acção.

Os elementos de um grupo não têm necessariamente que ter estruturas pessoais semelhantes, para
serem funcionais.

No entanto, a cooperação é dificultada, se pertencerem a culturas ou grupos sociais muito diferentes.

O fundamental para o grupo é a CONFIANÇA INTERPESSOAL e a motivação para a realização de


uma tarefa comum.

VANTAGENS QUE O GRUPO APRESENTA


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Processo Socialização na Criança

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1. TOMADA DE DECISÃO DE MAIOR RISCO

Os grupos tomam decisões que envolvem maior risco do que as pessoas tomam individualmente.
Quando a decisão do grupo é muito arriscada, em caso de falhar, nenhum dos elementos do grupo se
considera, individualmente, responsável pelo acontecimento.
Caso a decisão tomada pelo grupo, tenha sucesso, o mérito é, quase sempre, assumido por todos em
conjunto.
O risco é valorizado porque se apresenta como sinal de audácia e coragem, o que, em caso de
sucesso, traz muitos benefícios pessoais para os elementos do grupo.

2. MAIOR RAPIDEZ E EFICÁCIA NA CONCRETIZAÇÃO DOS OBJECTIVOS

Os indivíduos que constituem o grupo têm determinados objectivos a atingir que podem ser designados
como os objectivos do grupo. Estes objectivos, devem coincidir com os de cada elemento que interage
com o grupo, considerados na sua individualidade.

Através do grupo, cada indivíduo atinge muito mais rapidamente o seu objectivo porque os esforços de
muitos e diferenciação de papéis facilita o desempenho e aumenta a produtividade, reduzindo,
significativamente, o tempo da sua realização.

3. ENRIQUECIMENTO DAS DECISÕES

As decisões tomadas em grupo tendem a ser mais ricas e ajustadas aos objectivos do que as decisões
tomadas individualmente. O empenho e a intervenção de vários elementos enriquecem a tomada de
decisões, permitem a progressão, a variedade e a validade das decisões.

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4. DIVISÃO DE TAREFAS

Uma das vantagens do grupo é o facto de vários indivíduos poderem intervir numa tarefa comum, cada
um contribuindo com as suas habilidades, capacidades e aptidões.

Cada um pode maximizar o seu potencial não só em proveito próprio, mas também dos outros.
A divisão de tarefas exige a diferenciação de papéis dos diferentes elementos do grupo, o que,
consequentemente, cria expectativas mútuas.

5. CRIAÇÃO DE LAÇOS DE AMIZADE

O grupo é tanto mais coeso e produtivo, quanto maior for a amizade e confiança entre os seus
membros.
Normalmente, os grupos produtivos estendem a sua actividade a outras áreas, como seja o lazer e o
divertimento. As pessoas que interagem no grupo aumentam a sua capacidade de comunicação e dão-
se a conhecer uns aos outros, o que permite a criação de laços de amizade e inter ajuda.

Quando o indivíduo precisa de apoio, é ao grupo que, normalmente, recorre.

6. SEGURANÇA

As ideias, valores e atitudes expressas ou defendidas pelo grupo tendem a ser expressas por cada um
dos seus elementos, sem que temam as reacções do público.
O facto de saberem que mais alguém partilha dessas ideias, dá-lhes segurança e força para as
manifestar.

Defender algo que assume individualmente é muito mais perigoso e difícil, em termos de integridade
pessoal e social, do que defender algo que é defendido por um grupo. O indivíduo não tem que se
defender sozinho, em qualquer circunstância que expresse a opinião do grupo porque este, sendo
coeso, o defende e apoia.

7. PODER E INFLUÊNCIA FACE AO EXTERIOR

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Processo Socialização na Criança

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Todo o grupo sofre a influência social da comunidade onde se insere. Existe uma dinâmica externa ao
grupo, ao qual este não pode ser alheio. O grupo pode interferir positivamente na realidade social, ou
pelo contrário pode ser por ela condenado.

O grupo passa a ser respeitado cada vez que apresentar ideias inovadoras e mostrar a força por ela
exercida.

Dada a força e influência de alguns grupos, é possível alterar atitudes e valores.

DESVANTAGENS QUE O GRUPO APRESENTA

1. TOMADA DE DECISÕES EMPOBRECIDAS

Muitas vezes, as decisões são tomadas tendo em vista os interesses da maioria dos elementos do
grupo. Neste caso, interessa mais uma decisão de consenso do que uma decisão mais válida e
correcta, mas que não interessa à totalidade do grupo.

2. PENSAMENTO DE GRUPO

Por vezes os elementos do grupo assumem comportamentos que conduzem a tomada de decisões
ineficazes. Pensando que são os melhores no campo de tomada de decisão ou busca de soluções,
menosprezam os grupos concorrentes, rejeitando toda a informação divergente.

Deste modo, o grupo pode tornar-se ineficaz, na consecução dos seus objectivos.

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Processo Socialização na Criança

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3. TRANSFORMAÇÃO DO EU EM NÓS

O grupo poderá condicionar alguma liberdade de acção dos elementos que o compõem. À medida que
o grupo se desenvolve e estrutura, criam-se certas expectativas mútuas entre os seus membros que
obrigam à representação de determinados papéis, em favor da coesão e do conformismo que, muitas
vezes, se torna útil para o funcionamento do grupo.
A coesão do grupo, apesar de possibilitar a transposição de uma resposta unitária para o exterior do
grupo, pode ter como consequência o aniquilar das próprias pessoas e a sua submissão ao NÓS, que
é o grupo.

COMPORTAMENTOS DE UM BOM PARTICIPANTE NO GRUPO

O indivíduo, uma vez inserido no grupo, deve participar em todas as decisões. Deve dar a sua opinião,
contribuindo para o enriquecimento da tarefa e simultaneamente, para a coesão do grupo e o
desenvolvimento das relações interpessoais.

No grupo, todo o indivíduo deve:

1. COOPERAR

Significa que deve colaborar na procura dos objectivos que o grupo fixou. Deve-se aproveitar a riqueza
das ideias de todos os membros do grupo. Para isso é necessária a plena colaboração de cada um.

2. RESPEITAR OS OUTROS

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Processo Socialização na Criança

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Cada indivíduo no grupo é uma pessoa, uma unidade social que merece ser ouvida e compreendida.
Cada um deve esforçar-se para compreender o sentido das intervenções dos outros. Não dar atenção
ou evitar o outro é manifestar desrespeito, o que não facilita o trabalho em grupo.
Mesmo que se possuam ideias preconcebidas sobre algum dos elementos do grupo, devemos ter a
abertura e a disponibilidade suficientes para o ouvirmos e compreender o seu ponto de vista. É
importante que se respeite, aceite e ajude os mais tímidos e aqueles que apresentam maior dificuldade
em intervir e expressar as suas ideias.

3. INTEGRAR-SE TOTALMENTE NO GRUPO

Cada elemento deve participar activamente na definição dos objectivos do grupo, deve ajudar a
encontrar as soluções mais adequadas e intervir no plano das decisões. Todos devem ter a
possibilidade de intervir e nenhum deve monopolizar as intervenções.

4. SERVIR O GRUPO SEM PERDER A SUA INDIVIDUALIDADE

O indivíduo deve colocar ao serviço do grupo toda a sua competência e capacidade de trabalho. Todos
os elementos do grupo devem conhecer os seus colegas, os aspectos e qualidades de cada um, que
mais contribuem para o funcionamento do grupo considerando que todos são importantes para atingir
os objectivos e as finalidades do grupo.

5. NÃO SER CONFORMISTA

O grupo só evolui e progride em função da maleabilidade dos seus membros para se adaptarem a
novas situações.
O comportamento conformista imobiliza e impossibilita a abertura de novos valores e ideias. O
participante do grupo deve, ele próprio, pôr-se em causa e procurar saber cada vez mais, adquirir o
máximo de informação para mobilizar o grupo para novas tomadas de posição e soluções mais
realistas e adaptadas.

BARREIRAS QUE IMPEDEM A COMUNICAÇÃO NO GRUPO

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No grupo cria-se uma rede de comunicações e de relações interpessoais que é fundamental para o seu
bom funcionamento. Os bloqueios podem afectar toda a vida do grupo.

Entende-se por barreiras à comunicação todo um conjunto de obstáculos que dificultam ou impedem a
comunicação entre os diversos intervenientes.

EXEMPLOS DE BARREIRAS:

1. DIFERENÇAS ENTRE AS PESSOAS


Todas as pessoas que compõem o grupo são diferentes; tiveram experiências e vivências muito
próprias, o que determinou a sua singularidade.
Porém, diferença não é sinónimo de barreira! As diferenças devem ser conhecidas, respeitadas e
aproveitadas para a produtividade e enriquecimento do grupo.
A diversidade e as diferenças entre as pessoas constituem uma riqueza que é necessário tornar
fecunda através da complementaridade de todas as pessoas do grupo.

É, pois, fundamental que se conheça o outro, que se respeite e se valorize.

2. JUÍZOS DE VALOR
Os indivíduos devem ter muito cuidado com os juízos de valor e as apreciações que fazem acerca do
que os outros dizem ou fazem.
Esses juízos de valor poderão transformar-se em preconceitos que irão bloquear a relação porque o
outro é sempre visto em função deles. Este é o caminho para acabar com o diálogo e a relação.

3. PENSAR SOMENTE EM SI PRÓPRIO

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O egocentrismo impede que aceitemos a relatividade das nossas ideias e tomadas de posição. Impede
que aceitemos os outros porque nos preocupamos somente com a aprovação da nossa ideia.
Pensamos que o que defendemos é o melhor para o grupo e não escutamos sequer a opinião e o
ponto de vista do outro.
É fundamental que se aceitem diferentes perspectivas que poderão ser tão válidas como as nossas.
A riqueza do grupo está exactamente na diversidade de ideias pessoais que contribuem para a busca
de soluções eficazes.

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