Você está na página 1de 10

Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Tema do Trabalho

Nome e Código do Estudante

Curso:
Disciplina:
Ano de Frequência:

Local, Mês, Ano


ÍNDICE
Folha de feedback................................................................................................................3
Introdução............................................................................................................................4
Método e metodologia: definições e caracterizações..........................................................5
Os métodos filosóficos utilizados historicamente na Geografia..........................................6
As características dos métodos geográficos........................................................................7
Conclusão............................................................................................................................9
Referências Bibliográficas.................................................................................................10

ii
Folha de recomendações

iii
Introdução

Na tentativa de caracterizar alguns métodos e técnicas em Geografia, primeiramente, far-


se-á um esclarecimento sucinto entre método, teoria, metodologia, técnicas e
procedimentos metodológicos. Isso por que, existe uma grande confusão na elaboração
de projetos de pesquisas e desenvolvimento de trabalhos, com incoerências nas
terminologias e uso equivocado entre esses conceitos.

O método, no seu mais amplo sentido, sempre esteve presente no discurso geográfico.
Pensar e fazer ciência pressupõe utilizar algum método, mesmo na condição de
procedimentos técnicos minimamente articulados. A preocupação com o método, em
nível de questão, contudo, ocupou um espaço muito incipiente na história das obras
elaboradas pelos geógrafos.

Para tratar do método, sobretudo em seu desenvolvimento histórico, reclamam-se, ao


menos, três atitudes. A primeira é não confundir o método científico propriamente dito
com uma teoria do método. A segunda consiste em não confundir a história da
epistemologia com uma história das teorias do método (ou metodologias), ainda que
relacionadas, não podem ser confundidas (LAUDAN, 2010). A terceira sugere o
reconhecimento plástico do conceito de método, uma vez que, a cada tempo e sociedade,
seu sentido vai modificando-se conforme a própria ciência vai transformando seus
objetos e interesses.

Pierre George (1972) assinala que cada método usado nas pesquisas geográficas estão
dotados de ideologias e posições epistemológicas, onde cada objeto estudado merece um
método adequado pelo geógrafo.

4
Método e metodologia: definições e caracterizações

Para entendermos os diferentes métodos e técnicas, se fará uma breve distinção entre
método e metodologia, no sentido de elucidar as terminologias e explicar suas diferenças.

Método: É um instrumento organizado que procura atingir resultados estando


diretamente ligado a teoria que o fundamenta, conforme o Japiassú e Marcondes (1990) é
um conjunto de procedimentos racionais, baseados em regras, que visam atingir um
objetivo determinado. Conforme Lalande (1999, p.678) o método é “o caminho pelo qual
se chegou a determinado resultado”.

Na obra de Sposito (2004) o autor cita alguns elementos que estão imbricados no
método como a doutrina, ideologia, teoria, leis, conceitos e categorias. Esses elementos é
que dão uma característica comum e o diferencia de cada método.

Buscando caracterizar o método Bachelard (1983, p. 122) diz que “O método é


verdadeiramente uma astúcia de aquisição, um estratagema novo, útil na fronteira do
saber” onde o método científico é “aquele que procura o perigo (...) e a dúvida está na
frente, e não atrás”, dessa maneira “não é o objeto que designa o rigor, mas o método”
(1983, p.122).

Portanto, o método é uma maneira de obter os resultados, ou seja, o pensamento do


pesquisador, utilizando-se de uma teoria para fundamentar, citando, por exemplo, método
fenomenológico, materialismo histórico e dialético, positivismo e hipotético-dedutivo,
entre outros.

Metodologia: São os procedimentos utilizados pelo pesquisador, material e métodos,


em uma determinada investigação, sendo as etapas a seguir em um determinado processo.
Segundo Lalande (1999, p.680) “é a subdivisão da Lógica, que tem por objeto o estudo a
posteriori dos métodos, e mais especialmente, vulgarmente, o dos métodos científicos”.

5
Os métodos filosóficos utilizados historicamente na Geografia

No processo de pesquisa, as definições de método e de técnica de pesquisa são por vezes


confundidas pelo pesquisador. O método é entendido como uma visão mais complexa do
que a técnica. Enquanto o primeiro corresponde ao como fazer a pesquisa, a segunda
aparece como uma visão mais simples e subjetiva, quer dizer, corresponde à ação no
processo de pesquisa sem atender unicamente a um objetivo proposto, pois, a técnica
pode ser aplicada para diferentes objetivos e de formas diferentes para a Geografia.

O geógrafo tem a intenção de perceber, desvendar fenômenos por meio das paisagens,
mapas, estruturas, cidades, assentamentos etc. Para isso é necessário nos apoiarmos nos
métodos e é preciso concordar com Spósito (2004, p. 23): “discutir o método científico
historicamente na dimensão filosófica”.

Para Spósito (2004, p. 23) método é: “instrumento intelectual e racional que possibilita a
apreensão da realidade objetiva pelo investigador”. Na geografia junto ao método é
preciso estar atento às mudanças sociais, políticas e econômicas, entendendo que estes
elementos variam a cada lugar, assim, como também o nível técnico, as religiões, os
saberes e as ideologias. No entanto, a Geografia não possui um método próprio ela se
apropria dos métodos das outras ciências, das abordagens filosóficas para construir suas
análises.

Reconhece-se, assim, diferentes tipos de métodos e de técnicas. Na ciência geográfica,


alguns métodos são consagrados e usados na maioria dos trabalhos: Fenomenológico,
Materialismo Histórico e Dialético, Positivismo e Hipótetico-dedutivo.

Embora a separação ou definição entre método e metodologia seja possível, em muitos


momentos elas se misturam. A rigor método é considerado como a ascendência filosófica
utilizada, ou seja, qual a origem histórica e conceitual que o cientista usará (positivismo,
neo-positivismo, marxismo, anarquismo, etc.), enquanto metodologia é especificamente
do cronograma.

Entre os princípios da dialética, temos a negação da criação de leis, pois cada objeto
possui características próprias, nada pode ser totalmente ou igualmente analisado pelas
categorias que se pressupõe. Porém, não é bom cairmos no relativismo. O autor Gomes
(1991) nos orienta quanto à identificação e análise das principais categorias do
Materialismo histórico e Dialético que podem nortear nossas pesquisas.

6
No que se refere aos princípios ou Leis da Dialética podemos considerar segundo Gadotti
(1997, p. 24-27):

1° “tudo se relaciona” (reciprocidade, totalidade, interação, não se deve isolar um


fenômeno, verificar a historia, ir além da metafísica ou da descrição);

2° “tudo se transforma” (movimento, natureza inacabada, repetição dos conflitos,


negação da negação: a vida produz a morte, do velho nasce o novo a maça verde
se torna madura, etc.);

3° “mudança qualitativa” (passagem da quantidade para a qualidade, quando se


muda a natureza. Exemplo: agua transforma-se no fenômeno ebulição, evaporação
ou gelo);

4° “unidade e luta dos contrários” (forças opostas, contradição. Aquilo que


aparentemente pode não ter nada haver, pode ter relação. Exemplo: sábio e
ignorante, para ser sábio é preciso ser ignorante primeiro).

O fenômeno seria segundo Moreira (2002, p. 64) “tudo que é percebido pelos sentidos
e pela consciência”. Ele não é apenas a representação do objeto, possui natureza própria.

Essa perspectiva fenomenológica também busca o estudo da descrição, das aparências e


das vivências das consciências, como explica o mesmo autor (p.65): “A apreensão,
análise e descrição do fenômeno que assim se dá á nossa consciência é o objeto primário
da fenomenologia”.

As características dos métodos geográficos

As características dos métodos citados ao longo deste item encontram-se sintetizados no


quadro 01 a seguir, com base em alguns autores, como Spósito (2002), Gomes (1996),
Moraes (2003), Moreira (2002):

Positivismo Neopositivismo
Materialismo Abordagem
hipotético (teorético
histórico e dialético fenomenológica
dedutivo quantitativo)
Corrente filosófica
Rigor matemático e
August Comte De Marx e Engels. fundada
Ciência de gabinete
por Kant/Hegel/Husserl
Negação da neutralidade,
Verdade Quantitativismo e Busca ir além da
uso da mediação,
absoluta, Rigor valorização da essência
posicionamento político
matemático verdade científica dos fenômenos
do pesquisador

7
Foco central na Crítica ao sistema
Uso da análise lógica
razão e no econômico e as Valorização dos sujeitos
formal
racionalismo desigualdades sociais
Neutralidade Ir além da aparência e Rompe com a oposição
Indução
científica das formas entre sujeito e objeto
Descrição, crítica à Busca entender as causas, a Não vê problema no
Descrição generalidade e uso estrutura, o processo, o ecletismo metodológico
de análises abstratas movimento e epistemológico
Valorização do uso Observação das
Valorização do espaço
Enumeração de mapas, gráficos, contradições e uso da
vivido, do cotidiano
tabelas e quadros dedução
Estudos pautados na Uso das histórias orais,
Observação e Valorização da relação
relação homem poesias, músicas,
classificação homem-natureza
meio literatura
Leitura da subjetividade,
Categorias: possibilidade,
Saber a serviço do despir-se de elementos
Valorização do realidade, matéria,
estado e da classe teóricos a priori.
empirismo consciência, qualidade,
dominante
quantidade, causa e efeito
Redução eidética:
O importante está na descrição significativa,
O objeto separa Relação entre espaço e
produção de preocupação não só com
se do sujeito tempo
resultados a essência mas com a
percepção do mundo
O real é descrito Não há A análise marxista só faz Uso da estética, do
posicionamento
imaginário e da
Por hipóteses político do sentido junto à prática
percepção
pesquisador
Intencionalidade
A ideia permite a Discurso político (intentio): o objeto
elaboração de Temas geométricos relacionado à intervenção nunca é o objeto em si, é
outra ideia social algo imaginado
sobre ele
Suspensão (époche):
Espaço visto como deixar o fenômeno falar
Neutralidade Região como modelo
reprodutor das por si só sem produzir
científica espacial
desigualdades sociais uma verdade
apressada
Características principais dos métodos científicos de pesquisas. Organização: BORGES, Joyce de
Almeida, 2013.

Podemos observar que cada um dos métodos acima apresentados possuem características
diferentes, contudo, no mesmo grau de importância, uma vez que os diferentes
pesquisadores atuais apropriam de vários desses elementos, mesmo sem perceber,
conforme o enfoque e o objeto a ser explorado.

8
Conclusão

Com este artigo conclui – se que a palavra método é derivada do grego meta (por, através
de) e hodos (caminho). Para Santos (1996, p. 62-63) “a questão do método é fundamental
por que se trata da construção de um sistema intelectual que permita, analiticamente,
abordar uma realidade, a partir de um ponto de vista” no sentido de que “a realidade
social é intelectualmente construída”. Podemos afirmar então que o método é sinônimo
de teoria ou uma forma de analisar uma dada realidade.

Conclui – se ainda que a dificuldade em encontrar um método e técnicas para a Geografia


é um desafio para quem trabalha com o social, devido à dinâmica e a velocidade de
transformações que o espaço social sofre. E nessa pequena apreciação sobre métodos e
técnicas ficou evidente que o geógrafo tem a liberdade para selecionar seu aporte teórico-
metodológico, bem como as técnicas e materiais mais apropriados para sua investigação.

A cerca das utilizações de métodos distintos na geografia, Alentejano e Rocha-Leão


(2006) discorrem da seguinte forma:

Vale destacar que o método dialético de investigação científica foi muito


pouco aplicado ao estudo da natureza, sendo esse fortemente influenciado
pelo método positivista, que separa o sujeito do objeto, embora as análises
sistêmicas em Geografia física tenham ajudado a problematizar as relações
entre o sujeito e o objeto. (ALENTEJANO e ROCHA-LEÃO, 2006, p.60).

As técnicas que são meios para se chegar a um fim, devem estar de acordo com a
fundamentação teórico-metodológica e por isso, a seleção de um método não contempla
essa diversidade técnica e teórica tão vasta. Cabendo ao geógrafo fazer sua escolha em
relação ao método e técnica, pois a complexidade do espaço geográfico é profunda e deve
ter cuidado para não cair em um reducionismo ou senso comum.

Deste modo, podemos concluir que o rigor teórico e metodológico realmente são as
melhores armas de um pesquisador. A base teórica e técnica deve ser integrada, ou pelo
menos “entrosada”. É o pensamento teórico que faz a leitura dos fenômenos e não o
método por si só. E assim, vivemos em um misto entre o empirismo e o racionalismo,
entre a fronteira metodológica e o ecletismo, esse misto faz parte do fazer ciência, cujo
objetivo é explicar ou compreender algo.

9
Referências Bibliográficas

BACHELARD, G. 1983. Epistemologia. 2.ed.Tradução Nathanael C. Caixeiro. Rio de


Janeiro, Brasil: Zahar Editores,
DEMO, P. 1985. Introdução à metodologia da ciência. São Paulo, Brasil: Atlas.
GEORGE, Pierre. 1972. Os Métodos da Geografia. São Paulo, Brasil: Difusão Européia
do Livro.
JAPIASSÚ, H. & MARCONDES, D. 1990. Dicionário básico de Filosofia. Rio de
Janeiro, Brasil: Jorge Zahar.
LALANDE, A. 1999. Vocabulário técnico e crítico da filosofia. 3.ed. São Paulo, Brasil:
Martins Fontes.
LAUDAN, L. 2000. Teorias do método científico de Platão a Mach. Tradução de
Baltazar Barbosa Filho. Cadernos de História e Filosofia da Ciência. Série 3, v.
10, n. 2, jul-dez.
SPÒSITO, Eliseu Savério. 2004. Geografia e filosofia: contribuição para o ensino do
pensamento geográfico. SP, Brasil: Unesp.
DESCARTES, René. 2013. O discurso do método. [trad. Paulo Neves]. Porto Alegre,
Brasil: LPM, 128 pgs.
GADOTTI, Moacir. 1997. A dialética: concepção e método. In: concepção dialética de
educação. SP, Brasil: Cortez.
GOMES, Horieste. 1996. Caminhos para re construção do homem. Goiânia, Brasil:
Kelps.
MOREIRA, Daniel Augusto. 2002. O método fenomenológico na pesquisa. SP, Brasil:
Pioneira Tomson.
MORAES, Antonio Carlos.; COSTA, Wanderley Messias da. 1984. O ponto de partida: o
método. In: __. Geografia crítica: a valorização do espaço. SP, Brasil: Hucitec, P.
26-34.

10

Você também pode gostar