ÀO EGRÉGIO

Ilmo Sr. Procurador Chefe da Procuradoria da Republica do Estado do Paraná

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PEDRO CARLOS SALLES PITTHAN FILHO ,
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Advogado inscrito na OAB/SC sob n° 19.396 teve noticia de fatos acontecidos referentes ao registro de algumas armas de fogo em nome da Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo (FCCTE), em total desacordo com o preconizado na legislação vigente, motivo pelo qual vem perante o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DO PARANÁ, com o acatamento e respeito devidos, apresentar DENÚNCIA por indícios de Improbidade Administrativa no referido ato de registro destas armas, interpondo:

DENÚNCIA SOBRE INDICIOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA EM ATO DE REGISTRO DE ARMAS DE FOGO
Em face do

Comando do Exército 5ª RM - 5ª DE, com sede na cidade de Curitiba, Estado do Paraná, localizada na rua 31 de março s/n, Bairro Pinheirinho, CEP 81150-900
ENDEREÇO PROFISSIONAL: na Av. Nereu Ramos n.º 175-D, sala 1206-A, na Cidade de Chapecó- SC; Tel: (49) 9987.67.57, onde recebe intimações e notificações. e-mail: ppitthan@hotmail.com
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por meio de seu Presidente. a chefia da SFPC/5 (Secretaria de Fiscalização de Produtos Controlados da Quinta Região). posto que a FCCTE entendia que estas armas eram para serem repassadas aos atletas que constavam em uma lista de pretendentes. com sede em Brasília . Oscar Schultz. 01) Com a chegada destas pistolas no Brasil e conseqüente desembaraço das mesmas pelo Exército. (doc. passou orientação à FCCTE para que registrasse estas armas em seu nome. 03) 3 . mesmo contra a vontade desta. conforme entendimento do Comando do Exército 5ª RM . Esta importação deu-se através da emissão do CII (Certificado Internacional de Importação) de numero 1202/DFPC assinado pelo Exmo Sr General de Divisão João Carlos Pedroza Rego em doze de fevereiro de 2008 com vencimento em doze de agosto 2008. exigida pela DFPC (Diretoria de Produtos Controlados).pelos seguintes fatos e fundamentos a seguir expostos: I – RESENHA DA SITUAÇÃO A Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo (FCCTE). (doc. por intermédio da sua Secretaria de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC/5). o Sr.DF. com o objetivo de incentivar e incrementar as modalidades Olímpicas de tiro esportivo deu início aos trâmites legais para a importação de 20 (vinte) pistolas que viessem ao encontro das necessidades de alguns atletas desta modalidade de tiro olímpico.5ª DE. foram registradas em nome de atletas que constavam na lista de pretendentes à aquisição destas pistolas. foi autorizada a transferência e registro de 15 (quinze) destas pistolas para o acervo da FCCTE. sendo que as outras 05 (cinco). (doc. 02) A seguir. com sede em Curitiba – PR.

 Cópia autenticada da Guia de Desembaraço Alfandegário. senão vejamos: 1) A arma deverá estar de acordo com a legislação local (país de origem). Estadual. ao Cmt 5 a RM – 5a DE.  Comprovação de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo. e com parecer assinado pelo Cmt da OM. devendo ser entregue.  Mapa (Anexo L). o Desembaraço Alfandegário. posteriormente. a que requer registro. 4) O interessado requer o registro e cadastro da arma. No caso de pessoas jurídicas. após o registro e cadastro da mesma.  Comprovação de capacitação técnica para o manuseio de arma de fogo.  Cópia autenticada da Identidade. com as armas que já possui e.  Declaração de não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal (Anexo O).  Comprovante de recolhimento da taxa de apostilamento. REGISTRO E CADASTRO DE ARMAS DE FOGO E AQUISIÇÃO DE MUNIÇÕES POR CAC E PESSOAS JURÍDICAS onde na letra “e”. Militar e Eleitoral.  Certidões de antecedentes criminais fornecidas pelas Justiças Federal.  Comprovante de recolhimento da taxa de registro de arma.  Cópia autenticada do CPF/CNPJ.  Documento comprobatório de ocupação lícita. mediante Guia de Tráfego. que o ato de registro de armas deve seguir o que preconizava na época. o PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO Nº 01 / 08 – SFPC/5 – legislação esta que ditava as normas para AQUISIÇÃO.  Cópia autenticada do documento de origem da arma. 4 . apresentando a seguinte documentação:  Requerimento (Anexo A) assinado pelo interessado ou o administrador legal. de acordo com as legislações específicas.  Comprovante de residência. 3) A arma deverá ficar sob guarda da OM que realizar o desembaraço alfandegário.Informamos a Vossa Excelência. e  Comprovante de recolhimento da taxa de emissão de CRAF. por intermédio da OM de jurisdição. 2) O interessado requer o Certificado Internacional de Importação – CII e. tal exigência seja aplicada ao administrador conforme documento legal da constituição da empresa. em destaque. onde conste os dados da mesma. temos o Procedimento para a aquisição e registro de arma de fogo importada. no caso de pessoas jurídicas. emitida por psicólogo cadastrado junto ao Departamento de Polícia Federal.

até 5 (cinco) armas por modalidade. diretamente na indústria nacional quando for o caso.Isto quer dizer que. Excelência. como dito acima. possibilitando desta forma. o Comando do Exército 5ª RM . que pessoa jurídica que não pode visar lucro. atue no comércio especializado. pois. qualquer ato administrativo que obrigue ou autorize a FCCTE a registrar em seu acervo mais que 05 (cinco) armas contrariariam frontalmente o artigo acima transcrito. temos a afirmar que é cristalina a ilegalidade imposta pelo Comando do Exército 5ª RM . ou por importação. 15 da Portaria nº 004-DLog de 08 de março de 2001 aduz que: Art. II – DA COMPROVAÇÃO DA QUEBRA DO LEGALIDADE PRINCIPIO DA Sobre a transferência destas pistolas para o nome da FCCTE.5ª DE em face da FCTE. no comércio especializado. Considerando o texto de lei. 15. para que alguém pudesse fazer o registro de uma arma de fogo.5ª DE autorizou a transferência das pistolas para o acervo da FCCTE. Mesmo sabedores desta ilegalidade patente. desde que atendam às condições de segurança do local de guarda do armamento e da munição. Os clubes de tiro e os clubes com departamento de tiro poderão adquirir armas para a prática do esporte por atiradores iniciantes. passaram por este crivo de legalidade. Os cinco atletas que tiveram suas armas registradas em seu nome. deveria obedecer todos estes requisitos. 5 . pois o art.

por intermédio da sua Secretaria de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC/5) Para complementar.não tem no seu Certificado de Registro (CR) a concessão de comércio expedido pelo Exército Brasileiro através do Comando da 5ª RM – 5ª DE. que lhe permitiram receber o CII e que novamente serão analisadas por ocasião do registro e cadastro.5ª DE foi autorizar o registro e guarda destas armas para pessoa jurídica que não está autorizada armazenar este Produto Controlado pelo Exército (PCE). a mesma deu-se com a chancela do Comando do Exército 5ª RM . registra a arma em BRR. No caso do registro das 15 (quinze) armas em nome da FCCTE. (Grifou-se) 9) O SFPC/5 analisa o processo de registro e cadastro e.arma de fogo de repetição de uso permitido constante da Relação de PCE – ANEXO I do Regulamento para Fiscalização de PCE (R-105). estando em acordo com o presente POP e com a legislação vigente. 8 e 9 da letra “e”. confere e.(Grifou-se) Embora gritante a ilegalidade da transferência destas armas para a FCCTE. com número de ordem 0240 . ou o anexo de armas.5ª DE. remete a este Grande Comando. senão vejamos: 6 . outra ilegalidade praticada pelo Comando do Exército 5ª RM . previstas na legislação vigente.(grifou-se) 8) A OM protocola o processo de registro e cadastro. idoneidade ou outra. dentre elas a quantidade limite de armas. não havendo impedimento legal. emite o CRAF. do referido Procedimento para a aquisição e registro de arma de fogo importada. foram negligenciados os itens 7. Excelência. e o remete à OM do interessado. validade do CR. cadastra no SIGMA. conforme abaixo descritos: 7) O interessado deve atentar para que sejam mantidas as condições.

Art.o número de ordem. a categoria de controle. constantes da relação de produtos controlados pelo Exército. Para comprovar que a FCCTE não tem autorização para armazenar armas. posto que a legislação não permite que a FCCTE possa ter registrado em seu nome tal quantidade de armas e tampouco tem autorização para armazenar armas de fogo nas suas dependências. manutenção. o símbolo do grupo e a nomenclatura do produto. Portanto. precisa e concisa. muito bem demonstrada a ilegalidade do ato praticado pelo Comando do Exército 5ª RM . transporte.as atividades autorizadas de forma clara. importação. 45 Serão lançados no TR ou CR: I . cópia do Certificado de Registro (CR) da mesma. armazenagem. juntamos a esta denuncia. 44 O registro somente dará direito ao que nele estiver consignado e só poderá ser cancelado pela autoridade militar que o concedeu. pois autorizou um CR a uma Federação de Tito sem que nele constasse a possibilidade de armazenar armas de fogo. recuperação e manuseio de produtos controlados pelo Exército. (Grifou-se) Art. comércio. 43. 7 . exportação. (doc.5ª DE. II . sendo este um erro gravíssimo praticado pela Chefia do SFPC/5. O CR é o documento hábil que autoriza as pessoas físicas ou jurídicas à utilização industrial. reparação. o grau de restrição e o nome comercial ou de fantasia do produto. 04) O amparo para a obrigatoriedade do apostilamento do produto controlado arma de fogo para a FCCTE se encontra no artigo 7 e anexo "n" da portaria 05 D Log de 02 de março de 2009. por intermédio da sua Secretaria de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC/5). (Grifou-se) Art.

5ª DE. recolham as armas e encaminhem ao SFPC/5ª RM . que: (doc. Adm para apurar a aquisição e a transferência das armas de fogo. CR nº 4077.5ª DE. c) Notifique os CAC e instaure o competente P. com a publicação do Termo de Destruição conforme a IG 10-51.Com relação às 05 (cinco) amas transferidas para os cinco atletas. c) O 23º Batalhão de Infantaria deverá providenciar a retirada das armas junto ao SFPC/5 e entregá-las. tendo sido configurado ato discricionário e arbitrário do Comando do Exército 5ª RM . Informamos ainda. por intermédio da sua Secretaria de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC/5). o Comando do Exército 5ª RM . por intermédio da sua Secretaria de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC/5). 05) 1. à Federação Catarinense de Tiro. determina ao SFPC/5 que: a) Estorne o cadastro das armas de fogo do SIGMA b) Registre as armas em questão no nome da empresa Federação Catarinense de Tiro. que o ato que registrou estas 05 (cinco) armas em nome da FCCTE não obedeceu ao que preconizava a legislação vigente no que 8 . entendeu haver indícios de irregularidade no ato que transferiu as 05 (cinco) armas registradas legalmente em nome dos atletas e resolveu anular o ato administrativo que aprovou o registro destas armas e determinou no BOLETIN Nº 04 AO BOLETIN REGIONAL RESERVADO Nº 05. como dito alhures. determina ao SFPC/OM que: a) Determino que os SFPC das OM de jurisdição dos atiradores. Na seqüência dos fatos.5ª DE. o Comando do Exército 5ª RM . que realizou a importação. recolheu as armas registradas em nome dos 05 (cinco) atletas e registrou em nome da FCCTE sem que esta tenha solicitado e totalmente contrário à vontade da mesma. mediante recibo.5ª DE. 2. b) As OM das Jurisdição (sic) envolvidas devem recolher também os CRAF destas armas e destruir na própria OM.

impetraram Mandado de Segurança em face do Comando do Exército 5ª RM .4.7000 do Impetrante Pedro Carlos Salles Pitthan Filho e na Segunda Vara Federal sob nº 501210220. o fato de que possa ter havido irregularidade na transferência destas armas para os atletas acima indicados. adquirida diretamente na indústria nacional ou por importação e constante de seu acervo cadastrado. Esta ilegalidade teve como embasamento. A transferência de arma de uso esportivo. ou seja.04.. não obedeceu às imposições insculpidas no PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO Nº 01 / 08 – SFPC/5.4.5ª DE. in verbis: Art. 02 (dois) dos atletas que tinham estas armas registradas em seu nome. no entendimento do Comando do Exército 5ª RM . depois de decorrido o prazo mínimo de 2 (dois) anos.7000 do Impetrante Carlos Augusto Sell.4. posto que esta transferência e registro em nome da FCCTE deu-se por imposição do Comando do Exército 5ª RM .2010. só será autorizada pelo Comando da RM de vinculação. em flagrante arrepio ao Principio da Legalidade.04.concerne à transferência e registro de armas.2010. 23 da Portaria nº 004 D Log de 8 de março de 2001. tendo sido registrado na Sétima Vara Federal sob o nº 5012112-64.5ª DE. 9 . no sentido de DEFERIR a segurança pleiteada. Já o MS da Sétima Vara Federal teve despacho/decisão em Antecipação de Tutela.04. por contrariar os dizeres do art. Estes dois Mandados de Segurança tiveram seus pedidos de liminar deferidos. 23. contados a partir da aquisição inicial pelo primeiro proprietário.7000 do Impetrante Carlos Augusto Sell teve sentença com RESOLUÇÃO DE MÉRITO no sentido de conceder a segurança ao Impetrante.5ª DE.2010. sendo que até o momento. na Justiça Federal do Paraná.(grifou-se) Em função desta última arbitrariedade. o MS da Segunda Vara Federal de nº 5012102-20.

contrariarem as disposições do presente Regulamento (art. o Juiz Federal JOÃO PEDRO GEBRAN NETO manifestou-se no relatório da seguinte forma: É o relatório. no que interessa ao caso em tela. autorizam a apreensão do produto quando seu depósito. De outro lado. Em relação ao alegado perigo na demora do provimento. inciso III. 2. adquirida diretamente na indústria nacional ou por importação e constante de seu acervo cadastrado. importação.1. IX). exige a presença concomitante da relevância da fundamentação e da sujeição da parte a dano de difícil ou impossível reparação. Modelo CM84E. Sem embargo disso. exportação. compete ao Comando do Exército autorizar e fiscalizar a produção. que alterou o Regulamento para a Fiscalização de produtos Controlados pelo Exército (R-105). os artigos 240 e seguintes do Decreto nº 3. trazendo parâmetros para atividade fiscalizadora do Exercito. desembaraço alfandegário e o comércio de armas de fogo e demais produtos controlados. 2. apreendida pela autoridade coatora. o artigo 23 da Portaria D Log nº 004/2001 (Evento 11 INF_MAND_SEG1) expressamente determina que a transferência de arma de uso esportivo. dentre outras normas.826/00 que ressalvada a competência do Sistema Nacional de Armas . modalidade olímpica de pistola de ar comprimido e pistola de 50 metros. 241. da Lei nº 12.016/09. e necessita da pistola Morini. inclusive o registro e o porte de trânsito de arma de fogo de colecionadores. o impetrante é atleta de tiro esportivo.665/2000. Número de Série nº 03972. o artigo 7º. comércio e demais atividades sujeitas à fiscalização. em que pese o autor sustentar a ilegalidade da apreensão procedida pela autoridade coatora.No Mandado de Segurança impetrado na Sétima Vara Federal. Nessa toada.SINARM. o artigo 263 do referido decreto autoriza o Chefe do D Log a baixar aos Comandantes de RM as instruções necessárias para a conveniente aplicação deste Regulamento e resolver os casos omissos que venham a surgir e que não dependam de apreciação do Comandante do Exército. caso a prestação jurisdicional ocorra apenas por oportunidade da sentença.2. Assim. dispõe o artigo 24 da Lei nº 10. para prosseguir em seus treinamentos e competições em que se inscreveu. em relação à relevância da fundamentação.665/2000. Para a concessão de liminar em mandado de segurança. pelo Decreto nº 3. calibre 22LR. atiradores e caçadores. 2. só será autorizada pelo Comando da RM de 10 . Referido controle é regulamentado.

3.665/2000. estabelecem um prazo mínimo para a transferência de titularidade de armas de uso esportivo. prevista no artigo 23 da Portaria D Log nº 004/2001.665/2000. calibre 22LR. nem o Decreto nº 3. Ante o exposto. Modelo CM84E. devendo a autoridade coatora proceder a restituição da pistola Morini. bem como a União (AGU).vinculação. chegou a ser avalizada num primeiro momento pela autoridade coatora. 25 de outubro de 2010. Curitiba/PR. DEFIRO o pedido liminar para afastar a exigência do interstício de 2 anos para a transferência de arma de uso esportivo. Ocorre que. cuja operação. Intimem-se as partes. Número de Série nº 03972. Desta forma. vale frisar que nem a Lei nº 10. Número de Série nº 03972. nos termos do artigo 263 do Decreto nº 3. bem como a expedição do Certificado de Registro de Arma de Fogo e da Guia de Tráfego de Arma em favor do impetrante. voltem conclusos para sentença. que expediu Certificado de Registro de Arma de Fogo e da Guia de Tráfego de Arma em favor do impetrante (Evento 01 . inclusive. não podendo criar novas restrições. quer me parecer inexistir a aponta ilegalidade na transferência da titularidade da pistola Morini. JOÃO PEDRO GEBRAN NETO Juiz Federal 11 . calibre 22LR.826/00. bem como para resolver os casos omissos que venham a surgir. Intime-se o representante do Ministério Público Federal para aviar parecer no prazo legal e. após. Nesse aspecto. adquirida diretamente na indústria nacional ou por importação e constante de seu acervo cadastrado. como a que estabelece prazo mínimo para a transferência da titularidade da arma de uso esportivo. desde que preenchidos os demais requisitos legais necessários para tanto. contados a partir da aquisição inicial pelo primeiro proprietário (destaquei). Modelo CM84E. ao menos em sede de cognição sumária. da Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo para o impetrante.CERT8). 4. tenho que a Portarias baixada pelo Chefe do D Log deve se limitar a dispor a respeito das instruções necessárias para a conveniente aplicação do citado Decreto. depois de decorrido o prazo mínimo de 2 (dois) anos.

Devidamente notificada. adquiriu a aludida pistola. Narra o impetrante que é atleta da atividade desportiva denominada Tiro Esportivo filiado à Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo com o respectivo Certificado de Registro de Atirador. nos termos do artigo 15. fabricada pela Morini Competition Arm S. da Suiça. cadastrada no SIGMA e entregue ao impetrante junto com o seu Certificado de Registro de Arma de Fogo .CRAF. a autoridade impetrada apresentou informações no evento 17.22LR. da Portaria Dlog n. Acrescentou que em razão desta autorização foi expedido o 12 . modelo CM84E. a Juíza Federal GISELE LEMKE decidiu em Sentença da seguinte forma: SENTENÇA Trata-se de mandado de segurança impetrado por Carlos Augusto Sell contra ato do Comandante da 5ª Região Militar por meio do qual visa à concessão da segurança para determinar que a autoridade coatora restitua a posse da pistola Morini. Destacou que a apreensão da arma se deu ao arrepio da lei. número de série 03968. Caçador. ainda. que também tornou sem efeito seu registro. cuja importação foi realizada pela Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo e supervisionada pelo Exército Brasileiro. supostamente em razão de irregularidades na aquisição e transferência da arma. Asseverou que em maio/2010 a arma adquirida foi apreendida pela autoridade coatora. calibre 22LR. DECLIM1. porquanto não há previsão legal sobre a apreensão do equipamento na hipótese de transferência supostamente irregular.SFPC/5. Relata.Já no Mandado de Segurança impetrado na Segunda Vara Federal. parágrafo único. Alega que a Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo foi autorizada pelo Exército Brasileiro a importar 20 pistolas Morini. O pedido liminar foi indeferido. que a arma foi registrada.CRAF e a Guia de Tráfego da arma. no ano de 2009. expedido pelo Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 5ª Região . Instrutor de Tiro e Recarga de Munição. com sede em Bedano . por falta de 'periculum in mora'. Aduz que.. 004/2001. conforme decisão proferida no evento 3. bem como expeça o respectivo Certificado de Registro de Arma de Fogo .A.Suíça. calibre .

João Pedro Gebran Neto. O MM. exportação.PET1).SINARM. desembaraço alfandegário e o comércio de armas de fogo e demais produtos controlados.665/2000. importação. pelo Decreto nº 3. representante do Ministério Público Federal opina pela denegação da segurança (evento 19 . dentre outras normas. Juiz Federal da 7ª Vara Federal Cível desta Subseção Judiciária de Curitiba. 1. o impetrante. por violação ao artigo 23 da Portaria Dlog n. inclusive o registro e o porte de trânsito de arma de fogo de colecionadores. Decido. em fundamentação que adoto na íntegra e que passo a transcrever: 'Dispõe o artigo 24 da Lei nº 10. Asseverou que. Dr. 241. e posteriormente apreendida a arma que se encontrava em posse do impetrante. no que interessa ao caso em tela. trazendo parâmetros para atividade fiscalizadora do Exercito.000021/2010-24 em face da Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo. que alterou o Regulamento para a Fiscalização de produtos Controlados pelo Exército (R-105). pugnou pela denegação da segurança. no que se refere à arma n. nos autos n. /PR examinou as mesmas questões ora postas a julgamento.Advocacia Geral da União pugna pelo seu ingresso no pólo passivo da ação e ratifica as informações apresentadas pela autoridade impetrada (evento 21). em que pese o autor sustentar a ilegalidade da apreensão procedida pela autoridade coatora. O DD.dentre eles. Por derradeiro. que estabelece o prazo mínimo de dois anos para a transferência das armas. Destacou que foi instaurado o processo administrativo n. A União .202/DFPC. Referido controle é regulamentado. Assim. atiradores e caçadores. compete ao Comando do Exército autorizar e fiscalizar a produção. IX). autorizam a apreensão do produto quando seu depósito.Certificado Internacional de Importação n.665/2000.826/00 que ressalvada a competência do Sistema Nacional de Armas . Sem embargo disso. após o desembaraço alfandegário das referidas armas. comércio e demais atividades sujeitas à fiscalização. o artigo 263 do referido decreto autoriza o Chefe do D Log a baixar aos Comandantes de RM as instruções necessárias para a conveniente aplicação deste Regulamento e resolver 13 . 03968. Brevemente relatado. os artigos 240 e seguintes do Decreto nº 3. 004/2001. foi constatado que cinco das vinte pistolas foram registradas em nome de terceiros que não a Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo . 64317. contrariarem as disposições do presente Regulamento (art.

Desta forma. da leitura do art. nem o Decreto nº 3. Nesse aspecto. o que não inclui a criação de requisitos inexistentes no decreto em exame. Ocorre que. calibre . fazendo parecer que as pistolas seriam adquiridas em nome da Federação. calibre 22. adquirida diretamente na indústria nacional ou por importação e constante de seu acervo cadastrado. Assim. inexiste a apontada ilegalidade na transferência da titularidade da pistola Morini. 263 do Decreto n.665/2000.826/00. nos termos do artigo 263 do Decreto nº 3. Nessa toada. Número de Série n. o artigo 23 da Portaria D Log nº 004/2001 (Evento 11 INF_MAND_SEG1) expressamente determina que a transferência de arma de uso esportivo.' Com efeito.665/2000. o prazo de 2 anos em questão é para transferência. Para além disso. como é o caso do prazo de 2 anos em discussão nos autos. 3.os casos omissos que venham a surgir e que não dependam de apreciação do Comandante do Exército. contados a partir da aquisição inicial pelo primeiro proprietário (destaquei). especialmente do arquivo CERT6. tenho que a Portarias baixada pelo Chefe do D Log deve se limitar a dispor a respeito das instruções necessárias para a conveniente aplicação do citado Decreto. o que não aconteceu na hipótese dos autos.665/2000.22LR. embora por intermédio da Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo. depois de decorrido o prazo mínimo de 2 (dois) anos. chegou a ser avalizada num primeiro momento pela 14 . em que pese eventual falha formal no encaminhamento do pedido. extrai-se que o Chefe do Dlog fica autorizado a baixar as instruções necessárias à aplicação do Regulamento. inclusive. 18 da Portaria DLog n. que é ato de hierarquia superior à da Portaria Dlog n. não podendo criar novas restrições. estabelecem um prazo mínimo para a transferência de titularidade de armas de uso esportivo. fica claro que a Federação apenas estava intermediando o pedido para alguns atiradores. bem como para resolver os casos omissos que venham a surgir. da Federação Catarinense de Caça e Tiro Esportivo para o impetrante. 004/2001 e segundo o que se extrai dos documentos acostados à petição inicial. nos termos do que dispõe o art. cuja operação. em que a arma foi adquirida diretamente pelo impetrante. 03968. só será autorizada pelo Comando da RM de vinculação. em que se vê que a Federação anexou ao pedido relação de atiradores interessados na aquisição da pistola Morini. como a que estabelece prazo mínimo para a transferência da titularidade da arma de uso esportivo. Modelo CM84E. 004/2001. vale frisar que nem a Lei nº 10.

Registre-se. do Código de Processo Civil. Gisele Lemke Juíza Federal Desta forma. foram instaurados Procedimentos Administrativos em face da FCCTE e dos cinco atletas que tiveram o registro de suas armas chancelado pelo Comando do Exército 5ª RM . Tribunal Regional Federal da 4ª Região. desde que o impetrante preencha os demais requisitos.5ª DE. Ante o exposto.5ª DE. para que a autoridade impetrada restitua a posse da pistola Morini. Condeno a União ao ressarcimento das custas processuais adiantadas pelo impetrante. Intimem-se. modelo CM84E. 03 de novembro de 2010. conforme os dizeres da Carta Magna. totalmente reprovável e inadmissível em um órgão público da administração federal que tem por finalidade a guarda do território e proteção dos direitos individuais. fato este.CRAF e a Guia de Tráfego da arma.5ª DE está laborando e extrapolando as suas funções administrativas e agindo ao arrepio ou desconhecimento da lei. encaminhem-se os autos ao e. Sentença sujeita ao reexame necessário. Excelência.CERT7). nos termos do artigo 269. Curitiba. bem como expeça o respectivo Certificado de Registro de Arma de Fogo . as decisões destes Magistrados Federais demonstram de forma cristalina que o Comando do Exército 5ª RM . que expediu Certificado de Registro de Arma de Fogo e da Guia de Tráfego de Arma em favor do impetrante (Evento 01 . I. Oportunamente. em função deste entendimento ilegal do Comando do Exército 5ª RM . ficando extinto o feito com resolução do mérito. concedo a segurança requerida. Publique-se. calibre 22LR. Ainda mais. sendo que tais procedimentos administrativos foram 15 . Sem honorários.autoridade coatora. número de série 03968.

de 29 de janeiro de 1. de 7 de agosto de 2009. instaurado em face PAdm nº 64317. do Sr. Pedro Carlos Salles Pitthan Filho.000184/2010-15. Presidente da FCCTE. instaurado em face do Sr.000183/2010-62. para não abrangermos demais o leque de investigação.784. Para seu conhecimento. Mas sobre este tema. PAdm nº 64317. R1 Mauriverth Spena Junior. os Procedimentos Administrativos instaurados foram: a) b) c) do Cel PM. atleta de tiro esportivo.000180/2010-29. desde a instauração até a decisão final do processo administrativo. informamos que o mesmo será alvo de outra denuncia a ser feita no devido tempo. Excelência. trazendo no seu bojo os requisitos materiais. Oscar Schultz. Carlos Augusto Sell.016. veio dar contornos de processualidade à atividade administrativa. d) PAdm nº 64317. Lei do Processo Administrativo no âmbito Federal. instaurado em face PAdm nº 64317. Sobre estes procedimentos administrativos temos que a Lei nº 9.conduzidos de forma atabalhoada.999. instaurado em face do Cel. III – DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA E A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO 16 . sem critérios e totalmente contrário ao insculpido na lei Lei nº 12. formais e principiológicos.000216/2010-74.

III – DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA A lei que versa sobre a improbidade administrativa é a lei 8. as quais têm no inquérito civil e na ação civil pública. in verbis: “Art. impessoalidade. a perda da função publica a 17 . moralidade.. A administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União. 37. dos Estados. os novos instrumentos processuais para a defesa de direitos difusos e coletivos. (grifou-se) § 4º... uma destinação constitucional de agente legítimo para agir em nome dos interesses da sociedade civil organizada. o que estatui. Esta atuação se efetiva através dos seus órgãos de execução (promotorias e procuradorias de justiça). Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos.429.429.A partir de considerações sobre a lei 8. entendemos que foi dada a este órgão. do Distrito federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade. sendo que seu fundamento é de regulamentação do parágrafo 4º do artigo 37 da Constituição Federal. de 2 de junho de 1992. É justamente através desta libertação institucional que o Ministério Público vê-se imbuído na total necessidade de atuação quando houver indícios de improbidade administrativa. de 2 de junho de 1992 e por todos os meios que a Constituição Federal de 1988 atribuiu às funções do Ministério Público. por excelência. publicidade e eficiência.

da Constituição Federal: "Os princípios básicos da administração pública estão consubstanciados em quatro regras de observância permanente e obrigatória para o bom administrador: legalidade. Constituem. mas também entre o honesto e o desonesto”. o administrador “não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal. no caso. o justo e o injusto.indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. págs. 1997. pág. Hely Lopes. RT. ou. Por esses padrões é que se hão de pautar todos os atos administrativos. expressamente elencados no art. 16ª ed. atentam contra a moral comum e também contra a moral administrativa. firma-se a fundamental importância da moralidade como elemento inerente a todo e qualquer ato da Administração Pública e. MEIRELLES. Malheiros Editores. São Paulo. o oportuno e o inoportuno. pois. Neste ponto. 2 18 . Partindo deste pressuposto. impessoalidade e publicidade. por outras palavras. por conseguinte. é bom logo relembrar as lições do saudoso HELY LOPES MEIRELLES quanto aos princípios básicos da Administração Pública. 1991. 37. os fundamentos da validade da ação administrativa. a violação deste princípio. por assim dizer. os sustentáculos da atividade pública.. 22ª ed. sem prejuízo da ação penal cabível. Não há maiores dificuldades em se reconhecer que os fatos aqui narrados. DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO. Vislumbra-se. conforme ensina Hely Lopes Meirelles2. o conveniente e o inconveniente. 77/78). 83. o total repúdio a qualquer ato que viole tal princípio. Relegá-los é desvirtuar a gestão dos negócios públicos e olvidar o que há de mais elementar para a boa guarda e zelo dos interesses sociais" (in "Direito Administrativo Brasileiro". na forma e gradação previstas em lei. moralidade..

pelo Poder Executivo.5ª DE deixou violada. de modo a impedir que toda e qualquer divergência. emanada sob a forma escrita. o Legislativo. pelo império da lei. por conseguinte. e vem consagrado no inciso II do artigo 5º da Constituição Federal. é um dos sustentáculos do Estado de Direito. dotada ainda de sanção jurídica da imperatividade. normalmente expedida pelo órgão de representação popular. Lei é a expressão do direito. lei nada mais é do que uma espécie normativa munida de caráter geral e abstrato. as lides se resolvam pelo primado da força. dispondo que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. em sua integralidade.A conduta do Comando da 5ª RM . a ordem administrativa e. prescrevendo condutas estabelecidas como justas e desejadas. 19 . de autoridade competente surgida após tramitar por processos previamente traçados pelo Direito. sim. mas. os conflitos. IV – DA QUEBRA DO PRINCIPIO DA LEGALIDADE PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O princípio da legalidade é um dos princípios mais importantes do ordenamento jurídico Pátrio. ou excepcionalmente. a probidade na administração pública. Noutros dizeres.

tais como as leis delegadas. oriundo do Estado. originariamente. assim. Em nosso país.Destes apontamentos. especificamente. um bem da vida. um em sentido amplo e outro em sentido formal. seja estipulado por lei. não é possível pensar em direitos e deveres subjetivos sem que. o insigne doutrinador Celso Ribeiro Bastos leciona que “o princípio da legalidade mais se aproxima de uma garantia constitucional do que de um direito individual. pode-se afirmar que nenhum 20 . em seu sentido formal. tudo aquilo que não está proibido por lei é juridicamente permitido. a autonomia da vontade individual. concluí-se que a expressão “lei” possui dois sentidos. Reverencia-se. É a submissão e o respeito à lei. nas medidas provisórias e nos decretos. apenas a lei. ao particular. é apta a inovar. por ato normativo. Lei em sentido amplo é toda e qualquer forma de regulamentação. Logo. contudo. O império e a submissão ao princípio da legalidade conduzem a uma situação de segurança jurídica. Complementando o raciocínio. já que ele não tutela. em virtude da aplicação precisa e exata da lei preestabelecida. Neste obstante. Lei em sentido formal são apenas os atos normativos provenientes do Poder Legislativo. cuja atuação somente poderá ceder ante os limites pré-estabelecidos pela lei. a prerrogativa de repelir as injunções que lhe sejam impostas por uma outra via que não seja a da lei”. na ordem jurídica. De um modo mais simplificado. mas assegura.

desde que respaldada em indícios mínimos. A honestidade do administrador. pela via da moralidade pública. aliás. não apenas a honestidade. em flagrante ato de improbidade administrativa. [. Cobra-se transparência da atividade pública dos atos administrativos. deve revestir-se de formalidade tais que não se permitam dúvidas a esse respeito. Não há espaço para suspeitas nos procedimentos públicos..] Caso estas afirmativas sejam corretas. A mera suspeita. na pessoa de seu Procurador Chefe da Procuradoria da Republica do Estado do Paraná a) 21 . traduz ofensa objetiva ao princípio da moralidade. essencialmente os princípios norteadores da Administração Pública previstos no caput do art. estamos diante de uma grave violação aos Princípios Constitucionais que regem a Administração Pública. ainda que o procedimento se adapte às exigências legais específicas. violando e afrontando a própria Constituição Federal de 1988. mas a aparência de honestidade e lisura dos atos administrativos. a deixar de fazer ou a tolerar que se faça alguma coisa senão em virtude de lei..brasileiro ou estrangeiro pode ser compelido a fazer. requer-se a este Egrégio Ministério Público Federal. 37. colaciona-se o ensinamento de Fábio Medina Osório: "Exige-se. no desempenho de suas atribuições. ANTE O EXPOSTO. Sobre o tema.

º 19. b) seja instaurada investigação para configurar Ato de Improbidade Administrativa praticado pelo Comando do Exército da 5ª RM . e) caso confirmada esta denúncia de improbidade administrativa. “ITA SPERATUR JUSTITIA” Nestes Termos Pede e espera deferimento Chapecó.5ª DE.o provimento da presente denuncia juntamente com os documentos que a instruem. se configurado o ato. Pedro Carlos Salles Pitthan Filho OAB n. 22 de dezembro de 2010. que sejam tomadas as medidas cabíveis conforme o insculpido no § 4º do art. sejam os mesmos punidos conforme os rigores da lei específica.396 22 . sendo os mesmos funcionários públicos. 37 da Constituição Federal de 1988. para averiguação de atos de improbidade administrativa em face do Comando do Exército da 5ª RM .5ª DE e da Chefia do SFPC/5.

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