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Aula 7 – Reprodução de Fêmeas

Parte III – Ciclo Estral e Gestação

Fisiologia Veterinária II
Curso Medicina Veterinária
Prof(a): Betânia Glória Campos
M. Veterinária – Doutora Produção Animal UFMG

Patos de Minas, 2018


Fisiologia II
Curso Medicina Veterinária
Conteúdo

 2 - Fisiologia da reprodução em fêmeas


 2.1 - Puberdade;
 2.2 - Foliculogênese;
 2.3 - No caso de um óvulo fecundado;
 2.4 - No caso de um óvulo não fecundado;
 2.5 - Ciclo ovariano;
 2.6 - Ciclo estral;
 2.7 - Gestação e parto;
CICLO ESTRAL
Ciclo Reprodutivo

Ciclo estral: maioria dos animais.

Ciclo mestrual: humanos e maioria dos


primatas, morcegos.
CICLO ESTRAL

Ciclo Estral

Conceito 1: Conjunto de alterações endócrinas


ovarianas, uterinas e comportamentais pelas quais a
fêmea passa após a puberdade, entre uma ovulação e
outra.

Conceito 2: Fenômeno cíclico observado em todos os


animais, que envolve períodos regulares de receptividade
sexual (estro) ocorrendo a intervalos típicos de cada
espécie.
CICLO ESTRAL
1. Classificação quanto o número de
estros:
• Monoestrais: 1 estro por ciclo reprodutivo (maioria dos
carnívoros - cadela) 1 a 3 ciclos reprodutivos por ano.

• Poliestrais: mais de 1 estro por ciclo (a maioria dos


animais domésticos). Vaca, porca etc.

• Poliestral sazonal: ciclos estrais repetidos dentro de


uma estação de procriação fisiológica (certa época do
ano), seguido de um período de anestro. Ex: Gatas
CICLO ESTRAL
2. Classificação quanto ao Fotoperíodo:

Criadores sazonais :
OVELHAS;
CABRAS;
ÉGUAS;
GATAS;
COELHAS,

A concepção é relacionada, de modo que o nascimento


ocorre quando as condições ambientais são propícias à
sobrevivência dos filhotes.
CICLO ESTRAL
Fotoperíodo:

Criadores sazonais:

OVELHAS;
CABRAS;
ÉGUAS;
GATA.

 Ciclos durante período limitado do ano;


 Poliéstricos sazonais
CICLO ESTRAL

Fatores externos que controlam o


ciclo estral
CICLO ESTRAL
1. Fotoperíodo (cíclico x anestro)

Menor Luz = Maior Melatonina (Gl. Pineal):

 OVELHAS E CABRAS – fotoperíodo = início


acasalamento.

 ÉGUAS E GATAS – fotoperíodo = início


acasalamento.
CICLO ESTRAL

Criadores não sazonais:

VACAS;
PORCAS;

 Ciclos durante todo o ano;


 Poliéstricos não sazonais
CICLO ESTRAL

Monoéstricas:

CADELA;

 Único período de estro por ciclo estral, seguido por


anestro (inatividade ovariana);
CICLO ESTRAL
2. Lactação

Supressão:

 Porcas (total);
 Gata;
 Vacas de corte.

Não supressão:
 Vacas leiteiras;
 Égua;
CICLO ESTRAL
3. Ferormônios

Compostos químicos que permitem a comunicação


entre os animais através do sistema olfatório.

 Glândulas sebáceas;
 Trato reprodutivo;
 Trato urinário.
CICLO ESTRAL
4. Nutrição
CICLO ESTRAL
Ovulação induzida:

GATA;
COELHA;
FURÃO FÊMEA
CAMELO

 Necessidade de cópula para ocorrer a ovulação.


CICLO ESTRAL
Fotoperíodo:

Ovulação induzida:

GATA;
COELHA;
FURÃO FÊMEA
CAMELO

 Necessidade de cópula para ocorrer a ovulação


CICLO ESTRAL
Fotoperíodo:

Efeitos do fotoperíodo na atividade ovariana das gatas, éguas, ovelhas e cabras


a uma latitude de 38,5° N (Califórnia). As barras abertas representam períodos
de inatividade ovariana (anestro). A transição do anestro ao estro está ilustrada
pela parte tracejada das barras referidas a égua, ovelha e cabra.
CICLO ESTRAL

Fases do ciclo estral


CICLO ESTRAL
Pode ser dividido em 4 fases:

• Estro: ou cio - período de receptividade sexual.


Geralmente a ovulação ocorre no final do estro.

• Metaestro: período pós-ovulatório imediato, durante o


qual começa o desenvolvimento do CL.

• Diestro: período de atividade do CL maduro, que


começa cerca de 4 dias após a ovulação e termina com
a regressão do CL.
• Proestro: período que começa com a regressão do CL e
termina com o início do estro. Durante o proestro, o
desenvolvimento folicular rápido no desenvolvimento do
folículo e no início da receptividade sexual.
CICLO ESTRAL
O ciclo estral é específico para cada espécie
CICLO ESTRAL
Fases:
O
V
Estro: receptividade sexual; U
L
Metaestro: período necessário para o A
Ç
estabelecimento da atividade do CL. Ã
O
Ex: Novilha

0 d – ovulação;
1 a 3 d – metaestro
4 – 18 d – diestro – qdo o corpo lúteo se tornou
funcional. Nesta fase o CL pode ser palpado via retal
CICLO ESTRAL
Ex: Novilha
0 d – ovulação;
1 a 3 d – metaestro
4 – 18 d – diestro – qdo o corpo lúteo se tornou funcional.
Nesta fase o CL pode ser palpado via retal
CICLO ESTRAL
Estro: ovário bovino com folículo dominante pré-ovulatório.
CICLO ESTRAL
Diestro: nesta fase o CL pode ser palpado via retal.
CICLO ESTRAL
Em animais de grande porte
tendo em vista:
 a relação temporal entre a fase
folicular e a fase lútea do ciclo
estral;
 Disponibilidade de PGF2α
sintética;

O CL constitui um alvo passível de manejo, de modo que o


ciclo possa ser manipulado.
CICLO ESTRAL

O CL constitui um alvo passível de manejo, de modo que o


ciclo possa ser manipulado.
CICLO ESTRAL x CICLO MENSTRUAL
Primatas: ciclo menstruais (não há período específico para
receptividade sexual);
Demais animais: ciclo estral (receptividade somente no
estro)
Dia 0 – 1º dia mestruação Dia 0 – 1º dia estro

Ciclo Menstrual Ciclo Estral


FOLICULOGÊNESE E OOGÊNESE

Presentes em animais jovens.

O desenvolvimento do oócito (oogênese), ocorre


simultaneamente ao desenvolvimento do folículo
(foliculogênese).
Oogênese Foliculogênese
FOLICULOGÊNESE E OOGÊNESE

36.000 céls égua


120.000 céls vaca
FOLICULOGÊNESE E OOGÊNESE
Fase não dependente de Hormônios

O crescimento
60 d
inicial de folículos
independe de
hormônios
FOLICULOGÊNESE E OOGÊNESE
Fase dependente de Hormônios

1. Síntese de FSH e
receptores de ESTRADIOL nas
cels granulosa.

2. LH direciona a síntese de
androgênio pelas céls da teca

60 d

3.ANDROGÊNIOS_AROMATASE_ ESTROGÊNIOS
Regulado pelo FSH
FOLICULOGÊNESE E OOGÊNESE
Fase dependente de Hormônios

4. O estradiol inibe a
biossíntese de progesterona.
Qdo o folículo atinge seu
tamanho máximo o FSH induz
a formação de receptores de
LH.

60 d
ONDAS FOLICULARES

Onda: 3 a 6 folículos que


são recrutados qdo seu
diâmetro atinge 1 a 2mm

Bovinos podem ter de 2 a


3 ondas foliculares.
ONDAS FOLICULARES

Após vários dias um


folículo dominante
continua a crescer e os
outros regridem.

A INIBINA e o ESTRADIOL do folículo dominante suprimem a


secreção de FSH de modo que não há crescimento de outros
folículos.

O folículo dominante presente por ocasião da regressão lútea,


torna-se o próximo folículo ovulatório.
ONDAS FOLICULARES

 No caso de uma gravidez, o CL continua a funcionar além


da duração de uma fase lútea normal do ciclo estral.
PROTOCOLOS DE IATF EM BOVINOS
OVULAÇÃO INDUZIDA
 GATA, COELHA, FURÕES, MARTA, CAMELÍDEOS

 Estro – produção estrogênica folicular;

 Pulso LH – somente ocorre após a cópula;

 A gata requer mais de um ato de cópula para


induzir a ovulação
OVULAÇÃO INDUZIDA
 Sinalização sensorial – vem da vagina provocada pela
cópula;
Medula Espinhal
 Na ausência de cópula, os
Hipotálamo folículos ovulatórios regridem.
Libera GnRH
Liberação pulsátil
de LH
Ovulação
AÇÃO DA PROGESTERONA

 Aumenta as secreções das glândulas uterinas necessárias


a nutrição do embrião;

 Atua como mediadora do fechamento da cerviz;

 Aumenta o desenvolvimento da glândula mamária;

 Inibe as contrações uterinas

 CL pode ser acompanhado por palpação retal em grandes


espécies, exceto na égua (sequestrado dentro do
estroma).
AÇÃO DA PROGESTERONA

 CL de égua (sequestrado dentro do estroma).


AGENTES LUTEOLÍTICOS

Prostaglandina PGF2α

 Vaca/Égua – administração no 5º dia útil do ciclo


leva a regressão

 Estro: vai ocorrer 2 a 5 dias após.


ONDAS FOLICULARES

O folículo dominante presente por ocasião da regressão lútea,


torna-se o próximo folículo ovulatório.
ONDAS FOLICULARES

Momento da inseminação em bovinos com melhor taxa de


concepção, 10 horas após o início do estro.
AGENTES LUTEOLÍTICOS

Prostaglandina PGF2α

 A porca não é susceptível a regressão lútea induzida


pela prostaglandina até depois do dia 13 ou 14 do
ciclo;

 O que limita a eficácia do emprego de prostaglandina


para controlar a duração do ciclo na porca.
A ESPÉCIE CANINA – CASO EXCEPCIONAL

 Início do ESTRO ____FERTILIZAÇÃO

 Prolongado na cadela em
comparação com outras espécies.

PORQUE?

 A cadela ovula um oócito primário e não secundário


como a maioria das espécies.

 Então no período pós ovulatório o oócito deve


completar a meiose I e se tornar secundário (1 a 2
dias após ovulação).
A ESPÉCIE CANINA – CASO EXCEPCIONAL

1 a 2 dias após
ovulação;

Oócitos são
fertilizados 5 a 9
dias após início
do estro
A ESPÉCIE CANINA – CASO EXCEPCIONAL

 Os espermatozoides ficam viáveis


no aparelho reprodutor feminino por
cerca de 7 dias;

 Recomendação de acasalamento é a cada 2 dias a


partir do estro

 Proestro: sangramento – devido a fragilidade capilar


do endométrio mediado por estrogênios.
GESTAÇÃO

 Os espermatozoides – normalmente depositados


na vagina;

 Cães,equinos e suínos – ejaculados na cérvix e no


útero.

 Muco cervical (estrógeno) – facilita a motilidade do


espermatozoide.

 Reservatórios especiais – locais para armazenamento


de espermatozoides (cérvix e oviduto)
GESTAÇÃO

 Locais de
deposição égua
de sêmen. vaca

porca cadela
GESTAÇÃO

 Capacitação – mudanças dentro do trato genital


feminino que são pré-requisitos para fertilização;

 Efeitos: remoção de glicoproteínas, adicionadas com


propósito de proteção, mas interferem na fertilização.

 Reação acrossômica – reação quando entra em


contato com o oócito, liberando a enzimas como
hialuronidase e acrosina
GESTAÇÃO
GESTAÇÃO
Placentação –formação das membranas embrionárias
(cório, alantoide e âmnio) placenta fetal;
Placenta difusa –
éguas e porcas.

Tipos de placenta –
de acordo com as Placenta
distribuições das cotiledonária –
ruminantes.
projeções coriônicas.

Placenta zonária
– cães e gatos.

Placenta discoidal –
humanos e macacos.
CICLO ESTRAL

A placenta como um órgão


endócrino
GESTAÇÃO
GESTAÇÃO
PARTO
PARTO
Caracterísitcas Reprodutivas das Espécies
Características das espécies:
Caracterísitcas Reprodutivas das Espécies
Características das espécies:
REFERÊNCIA
CUNNINGHAM, Klein, Bradley G. Tratado de
fisiologia veterinária. 5. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier Editora, 2014. 608 p

Cap –38 (431 p).

REECE, William O. (Ed.). Dukes: fisiologia


dos animais domésticos. 12. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, c2006.

Cap –39 (644 a 669 p).


EXERCÍCIO – PARTO
ATENÇÃO,

ESTE TÓPICO “PARTO” NÃO FOI ABORDADO POR MEIO DE


SLIDES E SERÁ POR MEIO DE TÓPICOS (PERGUNTAS) COM O
OBJETIVO DE ESTUDO DIRIGIDO.

MAS CAI NA PROVA!!!!

Consulta
Cap –38 (434 a 436 p).
ESTUDO DIRIGIDO – PARTO
1.Quais as mudanças que ocorrem na cérvix e útero ao início
do parto?

2. Qual o hormônio responsável por iniciar o processo do


parto? Quais seus efeitos? Ele é sintetizado por quem, feto ou
mãe?

3. O que determina o momento da maturação da suprarrenal


no feto?

4. Qual o hormônio determina o início da fase aguda do parto?

5. Em quais animais ocorre a regressão do CL 24 a 36 hs


antes do parto e consequentemente a remoção da
progesterona?
ESTUDO DIRIGIDO - PARTO
6. Qual o papel da ocitocina no momento do parto?

7.Qual o papel do hormônio relaxina?

8. Defina o primeiro, segundo e terceiro estágios do parto.

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