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A psicologia aplicada às categorias de base do futebol

*Preparador Físico das Categorias em Formação do MAC - Marília Atlético Clube, Marília -
SP
Especializando em Futebol pela UFV – Universidade Federal de Viçosa, MG Daniel Pereira Coqueiro*
Especializando em Fisiologia do Exercício pela danicoq@yahoo.com.br
UFPR – Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR. Noemi Peres Honorato**
**Psicóloga das Categorias em Formação do MAC – Marília Atlético Clube, Marília – SP noemiperes@hotmail.com
Especialista em Psicologia Hospitalar – Conselho Federal de Psicologia – SP (Brasil)
Especialista em Ações em Saúde Baseada em Evidências pela
FAMEMA – Faculdade de Medicina de Marília - SP.

Resumo
          Este artigo foi desenvolvido através de uma revisão de literatura com a intenção de contribuir
com os profissionais da área do esporte, na compreensão da dinâmica mental dos atletas das categorias
de base do futebol, diante das implicações presentes na prática do trabalho cotidiano. A escolha precoce
pela carreira no esporte, a relação distorcida e inadequada com a sociedade, pais e treinadores, são
fatores que podem interferir de maneira negativa no processo de amadurecimento emocional e trazer
sofrimento psíquico na busca pela nova identidade. Conseqüentemente repercute em seu desempenho
desportivo. Nesse processo de transformação o jovem traz valores e perspectivas morais, normas e
crenças já aprendidas na família, na escola e comunidade e tenta reformulá-las. Busca novos modelos de
identificação em adultos de sua nova convivência e se depara com a figura do técnico, o qual exerce
grande influência em sua formação enquanto pessoa e atleta. O profissional psicólogo junto ao trabalho
do técnico vem a enriquecer e clarificar a dinâmica das relações e o foco das intervenções. Ambos
podem planejar desde o início da temporada uma série de intervenções integrando aspectos de
segurança, apoio e motivação. Neste sentido, é de extrema importância o envolvimento e a
sensibilização dos dirigentes de clubes, para as necessidades emocionais específicas emergentes do
adolescente/atleta que, de maneira direta ou indireta participam do processo de construção de futuros
cidadãos.
Unitermos: Psicologia do Esporte. Adolescente. Futebol.
 
 
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - Nº 123 - Agosto de 2008

1/1

Introdução

    A psicologia do esporte tem início em seus estudos, nos meados de 1920 na União Soviética fundamentada em
pesquisas experimentais psicofisiológicas. No Brasil, o pioneiro foi João Carvalhaes em 1950 (RUBIO, 2000). Seu
trabalho iniciou-se com uma proposta de colaboração na formação de um processo básico de conduta técnica junto
aos árbitros de futebol, pela escola de árbitros da Federação Paulista de Futebol (CARVALHAES, 1974).

    “Meditávamos por várias vezes sobre a inter-relação do comportamento motor, expressão corporal, condições
ideoplásticas, intencionalidade pessoal, e a potencialidade integrada dos atletas” (CARVALHAES, 1974, p. 15).

    João Carvalhaes, um pesquisador em psicometria teve seu primeiro convite a integrar a equipe de futebol do São
Paulo Futebol Clube, onde permaneceu por 20 anos podendo compor a comissão técnica da seleção brasileira de
1958 ficando conhecido no exterior como inovador por excelência.

    O esporte no século XX é considerado um fenômeno sociocultural, onde contempla a necessidade de atuação de
diversas áreas de conhecimento. O que se conhece como Ciências do Esporte: antropologia, filosofia, psicologia,
fisiologia, medicina, entre outras. Embora se perceba a necessidade do trabalho entre as disciplinas, contudo não
representa a prática interdisciplinar. Convivem enquanto soma, mas não enquanto relação. Passado quase meio
século desde seu início a Psicologia do Esporte segue em sua evolução em várias direções (RUBIO, 2002).
    A psicologia do esporte foi regulamentada como especialidade apenas no ano de 2000, o que nos remete às
reflexões sobre a busca de uma identidade pautada na realidade brasileira. Onde os instrumentos e técnicas foram se
adequando as condições e as instituições esportivas com sua peculiar cultura na vida dos atletas e dos cidadãos. E
nessa busca encontra-se uma diversidade de abordagens psicológicas que parte da psicanálise, do cognitivismo, do
behaviorismo radical, do psicodrama, da psicologia social, da psicologia analítica ou da gestalt como referencial
teórico (RUBIO, 2007).

    Muitos profissionais psicólogos trabalham nesta área, aperfeiçoando seu conhecimento e atuação junto a atletas,
dirigentes e juízes, com o desenvolvimento técnico significativo. Mas o que se encontra, apesar da proximidade, é um
desconhecimento do papel do psicólogo, restringindo a tarefa, a “atletas problema” e a forma da atividade resumida à
palestras. Um equívoco muito sério manifestado através do desconhecimento sobre os sentimentos e emoções que
envolvem este contexto (SILVA, 2005).

    A psicologia do esporte transpõe a teorias e técnicas de varias modalidades de especialização e abordagens, para o
contexto do esporte. Pode referir-se a avaliação para construir perfil e também ser usadas técnicas de intervenção
para a maximização do rendimento esportivo (FEIJÓ, 2000). Tem como meio e fim o estudo do ser humano envolvido
com a prática de atividade física e esportiva competitiva e não competitiva. Os estudos incluem processos de
avaliação, as práticas de intervenção ou a análise do comportamento social que se apresenta na situação esportiva a
partir da perspectiva de quem pratica ou assiste ao espetáculo (RUBIO, 2002).

    A função da psicologia do esporte, consiste na descrição, explicação e no prognóstico de ações esportivas com o
fim de desenvolver e aplicar programas, cientificamente fundamentados, de intervenção, levando em consideração os
princípios éticos (NITSCH, 1986, p. 189).

    Os temas como a motivação, personalidade, liderança, dinâmica de grupo, pensamentos e sentimentos dos atletas
foram sendo conhecidos e atualmente fazem parte das preocupações e necessidades dos profissionais e
pesquisadores. Os aspectos emocionais têm sido considerados como importante diferencial em situações que
necessitem grandes decisões (BUCETA, 1998; GONZALEZ, 1997).

    A psicologia na categoria de base é de fundamental importância e deve ser estudada também por todos os
profissionais da área. Dentro da prática do esporte há sempre fases a serem superadas que devem estar integrados
aos pilares de desenvolvimento desportivo e uma boa evolução depende diretamente de uma boa base para se
chegar ao alto rendimento. A motivação da escolha de um futuro atleta, é um aspecto importante a ser trabalhado
pela psicologia, nem todos os atletas almejam como meta o desporto de alto rendimento e podem realmente não
virem a ser (RAMIREZ, 1999).

    A aplicação da psicologia desde a base aumenta a qualidade de habilidades psicológicas na vida do jovem que esta
se formando como pessoa e atleta (NÚÑEZ CÁRDENAS, 2005).

O adolescente, a psicanálise e o futebol

    A opção pelo esporte acontece de maneira precoce diante de diversas outras escolhas. A criança começa a
participar de competições esportivas dos 5 ao 12 anos, de acordo com a modalidade. No esporte coletivo, desde os
11/12 anos, já regulamentado pelas federações esportivas. Ingressam em escolinhas, clubes ou instituições de
formação de atletas, onde são separados em categorias. A formação do atleta vai acontecendo simultaneamente com
outras descobertas. Acredita-se que o papel do atleta esteja diretamente relacionado com a formação de sua
identidade (MARKUNAS, 2007).

    A busca pela nova identidade mais amadurecida acontece durante o processo da adolescência que compreende a
faixa etária de: 10 a 19 anos. Esta fase é marcada por intensas mudanças psicobiofisiológicas que irá variar de acordo
com os fatores hereditários, ambientais, nutricionais e psicológicos. Podendo também se definir de acordo com sua
dimensão histórica, política, econômica, social e cultural (OMS, 1965).

    As mudanças são marcadas por lutos (perda do corpo infantil, dos pais de criança, perda da onipotência), pois o
indivíduo irá aos poucos, perdendo sua identidade infantil e busca por uma nova identidade, tanto em nível
consciente como inconsciente. Neste momento, ele não quer o adulto conhecido, agora busca então outros adultos,
aos quais tenta idealizar. As mudanças são lentas e não pode haver pressão interna e externa que seja muito intensa,
pois a expressão de emoção é necessária diante desta nova construção de identidade. O adolescente passa por
transformações em sua estrutura física, provocando um sentimento de impotência frente uma realidade concreta.
Essa dinâmica muitas vezes é manifestada nos pensamentos de fracasso e os desafia com atitudes de onipotência.
Por esta razão é visto pelo adulto que o classifica como extremista difícil e impertinente (KNOBEL, 1990). Ele vivência
as experiências emocionais num clima de alto teor emocional com carga afetiva de maior impacto do que o adulto
(OSÓRIO, 1989).

    Na tentativa de integração da personalidade o adolescente enfrenta experiências do passado infantil com as
exigências do meio externo (demandas sociais: vocação para o trabalho, relação com o sexo oposto, etc.). Sua
conquista depende também do reconhecimento pelos outros, que o auxilia a encontrar uma maior segurança. Pois se
não consegue afirmar sua identidade no final da adolescência, é porque não conseguiu integrar as diversas
identificações que seu ego realizou no decorrer do desenvolvimento e infelizmente seu resultado poderá ser de um
adulto em permanente crise que representa papéis difusos e contraditórios (D’ANDREA, 1982).

    O jovem se encontra numa etapa de reformulação de valores e perspectivas morais, trazendo consigo uma série de
normas e crenças aprendidas na família, na escola e na comunidade (CARRAVETTA, 1997). Importante salientar que
toda manifestação esportiva esta intimamente relacionada à estrutura da sociedade a qual esta inserida. Pois o
esporte através de sua organização, no processo de ensino-aprendizagem e na prática, expressa valores subjacentes
desta (RUBIO, 2002). Esses fatores externos, juntamente com a disposição e talento individuais mais as políticas
institucionais, o papel dos formadores, sejam eles professores de educação física ou técnicos, podem influenciar a até
determinar a transformação de um aspirante em atleta (MARKUNAS, 2007). A mídia interfere também muitas vezes
na escolha. Produz no imaginário, a pratica esportiva como o desfruto de prazeres, alegrias e diversões ilimitados
(MARKUNAS, 2007).

    Considera-se que o jovem se constitui pela busca do prazer e/ou fuga ao desprazer, resultado de lembranças
associadas às experiências agradáveis ou desagradáveis, positivas ou negativas que inconscientemente estão
presentes nas mais diversas ações esportivas (RAMIREZ, 1999).

    A psicanálise pode integrar e complementar o trabalho desportivo principalmente nas categorias menores ou
preparação física de muitos anos. Por não ser imediatista, se encontra no privilégio diante da possibilidade da
repetição do inconsciente, em relação ao desejo e ao prazer como princípio do sujeito e suas influencias na pratica
desportiva (LAPIERRE, 1984). Ou seja, o atleta irá lidar ou expressar emoções diante da pressão da torcida da mesma
forma como sempre lidou com as pressões exercidas oriundas de seus pais ou figuras semelhantes. O fato é que as
repetições sempre acontecem de forma involuntária (RAMIREZ, 1999).

Relação treinador e atleta amador

    O adolescente é cobrado pela sociedade quanto à escolha profissional, e o papel que irá representar com
determinado valor no grupo social, para ser valorizado e respeitado. O treinamento para ações concretas e voltadas
para vida profissional é de fundamental importância para as necessidades do adolescente. O aprendizado do futebol
pode não consistir na precisão de números de tarefas, mas na espontaneidade de todo organismo do jogador e a
coordenação das interações que une todos os jogadores ao grupo, ao time. Essa busca primeiramente deve ser
estimulada pelo educador, dada a importância de liberar a criatividade e plasticidade (ELMOR, 2002).

    Os treinadores podem expressar e apresentar vários tipos de comportamento, de acordo com sua personalidade.
Por exemplo: disciplinadores, pontuais, autoritários ou exigentes; organizados, dando ênfase aos aspectos
pedagógicos e metodológicos, respeitando as regras morais e éticas. E no extremo temos os treinadores liberais,
exclusivistas e intuitivos, mas são vaidosos não aceitam opiniões (CARRAVETTA, 2002). No entanto para se trabalhar
em categorias de base ele precisa ter algumas características, como por exemplo: ser alegre e bom transmissor de
conhecimentos e valores para que possa promover no atleta uma participação motivadora nos diferentes treinos
(DOSIL, 2001). Sendo muito próximo dos atletas, exerce influencia no comportamento dos mesmos. Pode ser técnico,
educador, conselheiro e líder (CARRAVETTA, 2001). A maneira como um técnico se comporta frente à equipe, este
intimamente associado aos comportamentos de seus atletas refletindo na relação social e execução das tarefas
(CARVALHO; RODRIGUES; SIMÕES, 1998). Para o treinador que trabalha com jovens atletas é necessário que tenha
uma teoria de treinamento que também atenda as necessidades e interesses dos mesmos (HAHN, 1998). É preciso
esclarecer quais são os objetivos trabalhados e compreender que os modelos do esporte são diferentes nos atletas
infantis em relação ao profissional. O fundamental é o desenvolvimento como pessoa, que saiba ganhar e perder
(NUÑES CARDENAS, 2005).

    O técnico influencia muito na educação dos atletas, não se limita apenas a transmissão dos conhecimentos para
um melhor rendimento destes, ele é o facilitador da realização do atleta como ser humano (MARQUES; KURODA,
2000). O educador poderá ser um pai (mãe), orientador(a) ou treinador(a), que procura integrar a transmissão de
conhecimento com a necessidade do aluno reconhecer sua realidade para que possa desenvolver um senso crítico
para transformá-la (ELMOR, 2002).

    A função de treinador é difícil, mas também poderá ser gratificante no que se refere a vencer as competições e
também proporcionar um clima de crescimento individual e grupal para seus atletas (BECKER JUNIOR, 2000).

    Dentre os elementos que estão presentes na atividade cotidiana esportiva do jovem, os pais e o técnico são os
mais importantes, formando a tríade, treinador-atleta-pais com inter-relações que será decisivo na construção de um
ambiente adequado para a formação esportiva (SAMULSKI; VILANI, 2002).

    Durante todo esse processo, o atleta tem a necessidade de se aproximar do técnico para poder entender o que
este espera dele. E o treinador precisa estar consciente dos objetivos de cada atleta que trabalha (DIAS; TEIXEIRA,
2006).
Relação treinador e o psicólogo

    O psicólogo auxilia o técnico a perceber, entender e avaliar suas observações, ou seja, busca trabalhar com a
identificação dos fatores que afetem as interações do grupo facilitando a padronização de atitudes e de linguagem
entre os membros da equipe técnica e também a capacitar a observação para identificar situações problema, para a
escolha do procedimento mais adequado. É através da interlocução da psicologia que os treinadores poderão
compreender os comportamentos dos atletas (MACHADO, 1997). O educador físico também troca impressões com o
psicólogo sobre as condições físicas (rendimento) dos atletas e programa seu trabalho de acordo com as sugestões
dadas para a solução dos problemas que comprometem o rendimento geral (CARVALHAES, 1974).

    É de fundamental importância que o atleta adquira o esporte como um hábito. E o psicólogo e o treinador
promovem este estímulo através de todo o planejamento da temporada. Procuram agregar aspectos de segurança,
confiança e motivação (DOSIL, 1999). O ideal é iniciar a preparação física com a psicológica que promove aos atletas
um enfrentamento mais estruturado diante das competições e os treinamentos. Melhorando assim suas habilidades
físicas e psicológicas (DOSIL, 2001). Uma das dificuldades encontradas pelo treinador é a preparação psicológica. É
preciso fazê-la com certa freqüência para ter um melhor controle de si mesmo, pois enfrenta uma tensão psíquica ao
ver seus atletas na competição. Neste sentido o psicólogo lhe mostrará as técnicas oportunas (NUÑES CARDENAS,
2005).

    A aplicação de algumas técnicas de preparo psicológico aos atletas, não será realizado especificamente pelo
psicólogo. Este irá capacitar e supervisionar o técnico ou o preparador físico, visto que estes estão mais em contato
com os atletas do que o próprio psicólogo (BECKER JUNIOR; SAMULSKI, 2002).

    O técnico, centro de decisões de uma comissão técnica, deve enxergar o psicólogo como um aliado e não como
concorrente. Se ele não entender ou não reconhecer o trabalho, não confiará nesse profissional, vislumbrando-o
como uma ameaça ao seu poder. O trabalho integral é fundamental. Os objetivos devem ser comuns (DE ROSE
JUNIOR, 2000 apud MORETTI, 2004, p. 99).

Relação pais e filhos atletas

    Dentre os elementos que estão presentes na atividade cotidiana esportiva do jovem, os pais e o técnico são os
mais importantes, formando a tríade, treinador-atleta-pais com inter-relações que será decisivo na construção de um
ambiente adequado para a formação esportiva (SAMULSKI; VILANI, 2002).

    Nas diversas influências que o jovem recebe em sua formação de atleta, é importante ressaltar a necessidade de
um ambiente com condições favoráveis para esse processo, sendo que a família representa um grupo social primário
para que possa desenvolver sua identidade e motivação para um sucesso futuro. Receberá neste núcleo toda a
segurança, incentivo e amor como suporte para a carreira. Mas se for um ambiente desestruturado, com dificuldades
nas inter-relações, na aceitação ao treinador e influência excessiva e ineficaz, pode interferir negativamente
(HELLSTEDT, 1995).

    Alguns pais projetam nos filhos seus desejos, sonhos que não foram satisfeitos em sua juventude, deixando de
atendê-los nas vivências alegres e seguras. Este comportamento dos pais, de forma inconsciente pode levar a
diferentes condutas que poderá representar tanto aspectos positivos quanto negativos (HANLON, 1994). Ao observar
as condutas dos pais de jovens atletas, encontram-se aqueles que se dedicam a apoiar com sobriedade, outros que
sempre estão ausentes e aqueles que perturbam por sua atitude desequilibrada (BECKER JUNIOR; TELOKEN, 2000).
Os pais desinteressados são os que transferem as responsabilidades ao treinador. Seu filho não apresenta motivação
intrínseca para a modalidade esportiva que o leve a querer praticar; pais mal informados são aqueles que permitem a
prática esportiva, mas não se envolvem no processo nem nas competições. Não é falta de interesse, mas uma
incompreensão sobre sua importância na formação do filho; pais excitados são os se envolvem no processo de
maneira adequada, vão aos treinamentos. Mas em jogos mais empolgantes, se excitam de maneira exacerbada se
dirigindo aos árbitros com ofensas, prejudicando o ambiente competitivo e dando mau exemplo. Não percebem este
comportamento nem o constrangimento que causam aos filhos e os pais fanáticos que são os mais problemáticos têm
expectativas exageradas, desejam que seu filho seja um herói no esporte. Interferem no processo de preparação,
cobram muito do filho chegando quase ao extremo, onde este pode perder o prazer de jogar. Exaltam-se facilmente
com o treinador, árbitro, causando um ambiente hostil (HELLSTEDT, 1987).

    As pessoas que estão envolvidas nos esportes juvenis precisam identificar como os pais podem influenciar
positivamente em seus filhos para a pratica desportiva e encorajá-los a continuarem com essa conduta. Da mesma
forma estarem atentos na identificação de fatores negativos e se mobilizarem a eliminá-los (GOULD; WEINBERG,
2001).

Programa de atuação do psicólogo junto aos atletas

    O preparo psicológico ao atleta deve voltar-se para o equacionamento de seus interesses e os interesses do
complexo meio do esporte onde esta inserido e que este precisa lidar. Às vezes esses interesses se encontram como o
desejo de vitórias e aperfeiçoamento. Entretanto se divergem também no que diz respeito ao desgaste do atleta ou a
relação treinamento / lazer. O psicólogo diante deste universo acaba centralizando sua função como mediador das
situações de comunicação dos diferentes desejos (FEIJÓ, 1992).

Grupo

    Na modalidade do esporte coletivo, o foco de intervenção psicológica esta sobre as relações grupais, colabora com
o estabelecimento dos vínculos, organização de liderança, autoconhecimento, etc.; utilizando técnicas de senso-
percepção e procedimentos verbais advindos da abordagem psicanalítica de grupo (RUBIO, 2002).

    Em busca da identidade é natural que o adolescente possa se identificar com pessoas semelhantes. Surgindo deste
modo o interesse pelo grupo, onde encontra o reforço necessário para seus aspectos mutáveis. O grupo vem a
solucionar grande parte de seus conflitos (KNOBEL, 1990).

    O trabalho em grupo é a modalidade psicoterapêutica que melhor se adequa às características do púbere, por
corresponder a inclinação espontânea à continência para suas ansiedades. É durante as identificações projetivas que
o adolescente pode ter o insight (compreensão interna) desta etapa evolutiva de sua vida. Os grupos de adolescentes
se formam com a necessidade de desvincular-se do grupo familiar. Os fenômenos grupais são inerentes ao homem e
a mentalidade grupal significa que todo o grupo funciona usualmente como uma unidade, mesmo que seus membros
não têm a consciência disso. Os grupos operativos são tão abrangentes que muitos preferem considerá-los como um
continente de todas as demais modalidades, incluindo os terapêuticos. Existe uma série de fatores que regem a
dinâmica de qualquer campo grupal. Manifestam-se de maneira inconscientes e conscientes através da mente, corpo
e mundo externo (OSÓRIO, 1989).

    O trabalho grupal propicia um melhor rendimento desportivo da equipe ou habilidade em interagir-se para
comunicação entre seus membros e superação de problemas comuns (BECKER JUNIOR; SAMULSKI, 2002).

Individual

    O objetivo do atendimento individual também é de melhorar o rendimento esportivo, bem como habilidade global
do atleta como ser humano. O psicólogo em sua avaliação observa a questão da ansiedade, depressão, agressividade,
motivação, personalidade e a relação do atleta com suas próprias percepções quanto ao treinamento, competições e
tudo que o envolve (BECKER JUNIOR; SAMULSKI, 2002).

    A psicoterapia de orientação analítica baseia-se nos princípios teóricos e técnicas da psicanálise, e a estratégia
principal é a promoção de mudanças, insights. Mas é preciso que a pessoa tenha indicação para tal, ou seja, certo
nível de inteligência, capacidade para insight, verbalizar sentimentos e suportar angustias (CORDIOLI, 1989).

    No que diz respeito ao atendimento psicológico do atleta infanto-juvenil, a psicoterapia breve de orientação
psicanalítica pode ter um papel importante junto a estes. Auxilia nos conflitos emocionais e a busca de sua
identidade. Nesta técnica é possível viabilizar e possibilitar ao atleta infanto-juvenil, aprender a lidar com suas
dificuldades e conseqüentemente melhorar seu desempenho e promover um amadurecimento emocional. Permite ao
psicólogo ser mais dinâmico em seu trabalho e mais diretivo também. E o estabelecimento do vínculo entre o atleta e
o psicólogo é um dos pontos principais dentro da psicoterapia dinâmica breve (RODRIGUES, 1998).

Atendimento familiar

    Os pais exercem influencia sobre os filhos e é importante compreender que não seja necessariamente influência
negativa. Na realidade do esporte é importante o processo de orientação e intervenção junto aos mesmos para
propiciar relações e ambiente adequado para o desenvolvimento da carreira esportiva. Estas intervenções poderão ser
realizadas individualmente ou em grupo (GORDILLO, 2000). De acordo com a temática citada anteriormente. É
preciso ressaltar que de acordo com os objetivos do trabalho do treinador e do clube na formação de atletas, busque
alternativas para intervir e aperfeiçoar esse processo (SAMULSKI; VILANI, 2002).

Atividades motivacionais

    O conhecimento sobre o estado emocional dos atletas nos treinos e competições é de grande auxilio no que se
destina à preparação do jogador independente de seu nível técnico e idade (RODRIGUES, 1998).

Motivação

    A motivação pode ser definida como a totalidade daqueles fatores que determinam a atualização de formas de
comportamento dirigido a um determinado objetivo (SAMULSKI, 2002).

    O fator principal visto pelo treinador é a motivação de seus atletas em competições e também nos treinamentos. A
motivação é elemento essencial para o atleta seguir as orientações do treinador (BECKER JUNIOR, 2000).
Alguns recursos utilizados:

 Técnica de visualização: Motiva o atleta para a conduta motora. Não só para o aperfeiçoamento da
habilidade de atletas de elite, mas também nas crianças e adolescentes que possuem pouca
habilidade. Esta técnica bloqueia o impacto negativo de um rendimento de baixa habilidade e oferece
suporte na convicção de que poderá melhorar (BECKER JUNIOR; SAMULSKI, 2002).
 Técnicas Somáticas ou de relaxamento : Concentram-se nas reações corporais: tensão muscular,
freqüência cardíaca e respiratória etc. Oportuniza um controle sobre o estresse, ansiedade e o
aperfeiçoamento motor. Essas técnicas podem ser associadas a mensagens, sentimentos ou
sugestões (BECKER JUNIOR; SAMULSKI, 2002).
 Filmes e Vídeos Motivacionais : a utilização da televisão/vídeo na educação física entra como recurso
de ensino, na perspectiva do conhecimento, vivência e reflexão: motivam debates, reflexões de
temas atuais; linguagem atraente, sintética e com imagens e recursos gráficos; a imagem atinge
primeira pelo impacto da emoção (BETTI, 2001).
 Dinâmicas de grupo (exercícios): cada exercício tem um objetivo como, por exemplo: eliminar
barreiras de comunicação; promover a colaboração efetiva; identificar a agressividade, indiferença,
liderança e dominação. Ou seja, habilidades e limitações dos componentes (FRITZEN, 1988).
 Contação de histórias: o potencial terapêutico de contar histórias é incontestável, tanto para crianças
como para adultos. Elas representam uma contribuição para estrutura emocional (GUTFREIND,
2004).

    O conto é o espelho, onde podemos identificar problemas e propostas para soluções que pode ser elaborada na
imaginação (BETTELHEIM, 1995).

Considerações finais

    Diante do que foi explanado, fica evidente que a psicologia nas categorias de base do futebol pode ser estudada
por todos os profissionais que estão envolvidos neste processo de formação de atletas. É primordial compreender a
fase da adolescência e suas implicações com diversos fatores que estejam agindo sobre esse jovem. Esta
compreensão dará maior segurança ao profissional que optou por desenvolver seu trabalho nesta categoria ou então
proporcionará um reconhecimento de suas limitações na atuação profissional e convivência pessoal com os atletas
desta categoria. O jovem não poderá sofrer uma pressão muito intensa, seja ela externa ou interna para poder
superar esta fase sem maiores problemas, alem do esperado. É um período de transformação e “turbulências” onde
emerge conflitos infantis, que tenta se libertar e busca a identidade adulta. Este conflito resulta em comportamentos
ambivalentes e atitudes de onipotência devido ao sentimento de fracasso e frustração. Por esta razão é visto pelo
adulto com difícil e impertinente (KNOBEL, 1990). O adolescente quer limites, mas também quer compreensão e colo
para suas aflições, pois suas transformações são rápidas e sofridas. Têm pouco tempo para administrá-la
(RODRIGUES, 1998).

    Cabe ao psicólogo ser o facilitador do conhecimento e compreensão da dinâmica do adolescente aos profissionais
da área. Mas terá uma atenção em especial ao técnico que nesse momento passa a ser o modelo referencial do atleta
e que deverá atendê-lo.
    O técnico por sua vez, precisa ser alegre e um bom transmissor de conhecimentos e valores para motivar seu
atleta em diferentes treinos (DOSIL, 2001). O técnico e o psicólogo planejam estratégias juntos no inicio da
programação do trabalho com objetivos estruturados e previamente estabelecidos a fim de melhorar as habilidades
físicas, emocionais e de inter-relacionamentos.

    É preciso propiciar um ambiente favorável para seu desenvolvimento e os pais têm grande contribuição neste
sentido. Sua influência é direta e pressupõe-se que é no núcleo familiar que este jovem terá primeiramente apoio,
segurança e amor diante de sua escolha. Contudo, observa-se que alguns pais apresentam algumas posturas
inadequadas que vai desde ao desinteresse ao fanatismo. Diante de tantas variáveis de interferência neste processo
de formação, o psicólogo também contribui em intervenções especificas de atuação junto ao atleta e seus pais.

    A psicanálise como referencial teórico na categoria de base, promove a melhor compreensão do desenvolvimento
psicossexual do jovem e suas necessidades. Por não ser imediatista possibilita a repetição do inconsciente, em relação
ao desejo e ao prazer como princípio do sujeito e suas influencias na prática desportiva (LAPIERRE, 1984).

    Acreditamos que para desenvolver um trabalho de formação ao jovem atleta, é necessário que os profissionais
sejam capacitados não apenas tecnicamente, mas na interação afetiva com este.

    Sugerimos aos dirigentes de clubes e comissões técnicas, uma reflexão mais apurada sobre a subjetividade das
situações com as quais o adolescente esta envolvido. Permitindo desta forma uma diferenciação nas estratégias de
ação e organização específicas pertinentes às categorias de base do futebol.

Referências

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criança no esporte. Novo Hamburgo: Edelbra, 2000. p. 15-30.
 BECKER JUNIOR, B. Manual de psicologia do esporte e do exercício. Porto Alegre: Nova Prova, 2000.
 BECKER JUNIOR, B.; SAMULSKI, D. Manual de treinamento psicológico para o esporte: aplicação das
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 BETTELHEIM, B. A psicanálise dos contos de fada. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995. 
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 CARRAVETTA, E. S. O esporte olímpico: um novo paradigma de suas relações sociais e pedagógicas .
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