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4 PILARES PRECURSORES

DA ALFABETIZAÇÃO

Literalmente, pilar é um elemento vertical de concreto que serve


como sustentação de edificações, sendo, portanto, indispensável
para as construções. No sentido figurado, pilar é um elemento es-
sencial, sem o qual determinada ideia não se fixaria; um sustentáculo
ideológico.
Analogamente, a alfabetização pode ser pensada como uma cons-
trução, a qual, obviamente, necessita de bases para manter-se de
pé: essas bases seriam os 4 Pilares Precursores da Alfabetização:
princípio alfabético; vocabulário; compreensão oral e consciência
fonológica.

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PRINCÍPIO ALFABÉTICO

É o indicador mais importante para medir o êxito do processo de


alfabetização. Trata-se do conhecimento de nomes, formas e sons
das letras, caracterizando um pré-requisito para identificar as pala-
vras. O que difere um leitor bom de um ruim é a capacidade que eles
têm de fazer a correspondência entre letra e som. Nesse sentido, o
desenvolvimento da leitura depende da compreensão do princípio
alfabético.

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Como aponta Morais (1996) apud Scherer (2008), o alfabeto foi


inventado pelo homem e surgiu da necessidade das sociedades de
representar, por escrito aquilo que a fala representa: o fonema. A
partir disso, o homem desenvolveu a capacidade de analisar sua fala
dividindo-a em partes menores. Sendo assim, para que o sistema de
escrita se desenvolva é preciso realizar as associações grafo-fonoló-
gicas, isto é, para escrever, é preciso que o indivíduo compreenda a
relação da escrita com a fala.

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CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA

A consciência fonológica relaciona-se estritamente com a questão


do princípio alfabético, pois entender a segmentação da língua em
fonemas, em sons, é primordial para que se compreenda o sistema
de escrita (SANTOS; NAVAS, 2002).
Capovilla e Capovilla (2004, p. 88) pontuam que: “A habilidade de
discriminar e manipular os segmentos da fala é um quesito funda-
mental para a aquisição da leitura e escrita”. A consciência fonoló-
gica caracteriza-se, portanto, como uma habilidade metalinguística
e configura-se como um forte preditor para o processo de alfabeti-
zação. Quanto mais as habilidades de consciência fonológica forem
desenvolvidas, mais facilidade a criança terá na aquisição da leitura
e da escrita.
As habilidades de consciência fonológica desenvolvem-se desde
quando a criança começa a balbuciar, produzindo sons que fazem
parte de um contexto, uma vez que, nesse período, a criança mani-
pula e controla a linguagem espontaneamente. Elas são: rima; ali-
teração; consciência de palavras; consciência de sílabas e, por fim,
consciência fonêmica. É importante que essas habilidades sejam nes-
sa ordem introduzidas, pois estão classificadas das mais simples às
mais complexas.
Há muitas formas de estimular a consciência fonológica, seja em
casa, na escola ou na clínica, mas é importante que, em todas elas, se
incluam trabalhos com o som e jogos de escuta.

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COMPREENSÃO ORAL

A compreensão no processo de alfabetização envolve a compreen-


são auditiva e a escrita. Para uma criança compreender bem, é ne-
cessário que as pessoas leiam para ela, desde muito cedo, segun-
do pesquisas. A criança precisa ver um adulto mostrando para ela o
mundo, para, então, compreender. A estimulação precoce depende
de uma rotina com leitura, na qual a criança conte com pessoas que
leiam para ela. Nesse sentido, o modo como a família lida com escrita
e leitura interfere diretamente na educação dos filhos e posterior
desenvolvimento do processo de alfabetização.

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VOCABULÁRIO

Trata-se do conjunto de palavras que as crianças precisam saber


para se comunicar efetivamente. O desempenho escolar e o tama-
nho do vocabulário estão diretamente relacionados, pois esse as-
pecto é o que prediz a capacidade de aprender a ler (BRITES, 2019).
Elas aprendem e expandem seu vocabulário direta e indiretamente.
No entanto, o aprendizado de vocabulário é quase sempre indireto.
Uma opção interessante para contribuir com a ampliação do vocabu-
lário é conversar durante tarefas triviais e cotidianas.

© Skydive Erick/ Shutterstock.

Além disso, brincar, ler e expor a criança a situações de conversas es-


timula o vocabulário. A linguagem se desenvolve a partir do relacio-
namento com o outro. Dessa forma, a aprendizagem e a estimulação
para o aumento contínuo do vocabulário são muito importantes para
a criança se preparar para a alfabetização e outras aprendizagens. O
canto, a conversa, a leitura e as brincadeiras propiciam a aquisição de
habilidades de linguagem. A criança precisa se sentir motivada para
que ocorra um processo de comunicação.

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CONCLUSÃO

Todas as áreas que se constituem como pilares da alfabetização de-


vem ser estimuladas para que esse processo se dê com sucesso. É
possível desenvolvê-las cotidianamente, seja em casa, na escola ou
na clínica, portanto, é função dos pais, professores e profissionais
contribuírem com isso.

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REFERÊNCIAS

MORAIS, J. A arte de ler. São Paulo: UNESP, 1996.

SANTOS, M.T.M.; NAVAS, A.L.G.P. Aquisição e desenvolvimento da


linguagem escrita. In: SANTOS, M.T.M.; NAVAS, A.L.G.P. (Org.). Distúr-
bios de Leitura e Escrita – Teoria e Prática. Manole: Petrópolis, 2002.
Cap. 1, p. 1-26.

BRITES, Luciana. Consciência fonológica: manual teórico e prático.


Arapongas: Editora NeuroSaber, 2019.

CAPOVILLA, A.G.S.; CAPOVILLA, F.C. Alfabetização: método fônico.


São Paulo: Memnon, 2004.

SCHERER, A. P. R. Consciência fonológica e explicitação do prin-


cípio alfabético: importância para o ensino da língua escrita. 2008.
233 f. Tese (Doutorado em Letras) - Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

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