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Síndrome dos Ovários Policísticos

CLUBE DA REVISTA
14/12/2018

Alesandra Feitosa Aredes


Residente em Obstetrícia e Ginecologia UFPEL
Mioinositol em combinação com D-chiro-inositol: resultados preliminar no
tratamento de primeira linha de pacientes com síndrome do ovário policístico

REVISTA GINECOLOGÍA Y OBSTETRICIA DE MÉXICO - ano 86, número 8, agosto 2018.


Publicação mensal editada pela Associação Mexicana de Ginecologia e Obstetrícia
Disponível em: https://ginecologiayobstetricia.org.mx
CLUBE DA REVISTA: Mioinositol e SOP

OBJETIVO:
Avaliar o efeito da combinação de mioinositol e D-chiro-inositol no perfil metabólico e endócrino de
mulheres com SOP.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Estudo experimental, prospectivo e longitudinal

- 61 pacientes ♀

- Diagnóstico de SOP (critérios de Rotterdam)

- Com vida sexual ativa

- Sem tratamento ou MEV (3 meses)

- Com consentimento da paciente.


CLUBE DA REVISTA: Mioinositol e SOP

Critérios de ROTTERDAM (2003):

● Hiperandrogenismo
clínico – escala de Ferriman Gallwey ≥ 6;
bioquímico – testosterona total (>54,7ng/dL) ou índice de androgênio livres (>4,94ng/dL);

● Oligo ou anovulação – ciclos menstruais de + ou – 35 dias

● Morfologia ovariana – mais de 19 folículos antrais em um ou ambos os ovários ou volume maior que 10ml.

● Exclusão de outas enfermidades


Hiperplasia adrenal
Tumor de supra-renal
Tumor secretor de testosterona
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MATERIAIS E MÉTODOS:

Administração de 01 dose diária de SONIASE por 90 dias.


Avaliação das pacientes no inicio e ao término do tratamento.
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RESULTADOS:
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RESULTADOS:
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RESULTADOS:

HOMA: método utilizado para quantificar a resistência à insulina e a função das células beta do pâncreas
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RESULTADOS:

08 mulheres engravidaram sem necessidade de tratamento para reprodução.


CLUBE DA REVISTA: Mioinositol e SOP

DISCUSSÃO:

As evidências mostram que há uma estreita associação entre resistência à insulina e disfunção
ovariana.

Desde que se estabeleceu uma relação entre resistência insulínica e SOP vêm se utilizando
diferentes fármacos antidiabéticos e insulino-sensibilizadores (metformina e tiazolidinedionas).

Entretanto, embora a metformina tenha sido eficaz em neutralizar o hiperandrogenismo, diminuir a


obesidade e a resistência insulínica em mulheres com SOP, esta tem baixa efetividade em
pacientes com SOP e sem resistência insulínica.

Outro ponto negativo destas drogas são seus efeitos colaterais – sintomas gastrointestinais,
complicações metabólicas, retenção de líquido, elevação do IMC, doença coronariana e neo de
bexiga.
CLUBE DA REVISTA: Mioinositol e SOP

DISCUSSÃO:

O INOSITOL (mionositol e D-chiro-inositol, estereoisômeros) é um mediador da ação da insulina


dentro da célula – é um sensibilizador de insulina.

Nestler e seu grupo publicaram:


O uso de 1200 mg diários de D-chiro-inositol por 06 a 08 semanas para as mulheres obesas e com
SOP levou a uma melhora na função ovulatória, redução das concetrações androgênicas, da
pressão arterial e dos triglicerideos quando comparado ao uso do placebo.

Em outro estudo de Luorno et al:


A administração diária de 600 mg de D-chiro-inositol para mulheres magras e com SOP, apontou
uma redução na insulina circulante, na concentração de andrógenos séricos e alterações na
síndrome metabólica quando comparado ao uso do placebo.
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DISCUSSÃO:

Chiu e seu grupo:


Prescreviam mioinusitol para pacientes com FIV e comprovaram uma alta concentração da droga
em mulheres com gestação bem sucedida – indicando um provável efeito positivo do inositol tanto
no estagio inicial da FIV como na manutenção do desenvolvimento normal do embrião.

Esse grupo também observou que houve uma melhor qualidade oocitária, havendo portanto uma
correlação entre as concentrações de mio-inositol e oocitos recuperados.
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DISCUSSÃO:

A eficácia da suplementação com mioinositol tem sido demonstrada por varios autores que
observam uma melhora no perfil hormonal de pacientes com SOP, restaurando sua atividade
ovariana espontanea e, consequentemente, sua fertilidade.

Publicações recentes demonstraram que o inositol, quando usado como tratamento de primeira
linha em mulheres com SOP, reduziu significativamente a pressão arterial e o hirsutismo, melhorou
a relação LH – FSH, reduziu a testosterona livre e o índice de resistência insulínica, regulou o ciclo
menstrual.
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DISCUSSÃO:

Em geral, os resultados são promissores. Nosso estudo necessita, neste momento, de uma amostra
mais significativa e acreditamos que existem outros aspectos a serem considerados em pesquisas
futuras:

a) embora ambos estereoisômeros pareçam ter um efeito positivo no metabolismo da glicose em


tecidos altamente sensíveis, o metabolismo do inositol e sua dinâmica continua em investigação;

b) deve ser estudado mais sobre a atividade seletiva do mioinositol e D-chiro-inositol nos diferentes
tecidos e seu modo de regulação para determinadas suas ações;

c) mais estudos são necessários sobre da prescrição de inositol para pacientes com SOP, bem
como estudos em que a dosagem seja mais próxima às concentrações fisiológicas;

d) explorar a combinação mioinositol e D-chiro-inositol em os diferentes fenótipos da SOP devido a


diferenças metabólicas de cada subtipo de pacientes para averiguar a diferença da resistência
insulinica em certos fenotipos.
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CONCLUSÕES:

Os resultados preliminares mostram um efeito positivo da administração combinada de mio-inositol e


D-chiro-inositol no perfil da síndrome metabólica de pacientes com SOP. A melhoria na concentração
sérica de androgenios, relação LH-FSH e regularização de ciclos menstruais pode favorecer o
aumento da fertilidade em pacientes com SOP.

Mais estudos prospectivos e controlados são necessários para definir o papel exato do inositol nas
vias metabólicas da SOP.

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