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Puris

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


 Nota: Se procura por por outras acepções, veja Puri (desambiguação).

Retratos de índios puris feitos pelo pintor alemão Johann Moritz Rugendas no


século XIX

"Dança dos puris", pintura do século XIX de Van de Velden a partir de Johann
Baptist von Spix

Pintura de Johann Moritz Rugendas do século XIX retratando cerimônia de dança


dos índios puris
Os puri são um grupo indígena brasileiro pertencente ao tronco
linguístico macro-jê[1], de habitação originária nos quatro estados do Sudeste do
Brasil: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Seu território
tradicional corresponde a toda a extensão regada pela bacia hidrográfica do rio

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Paraíba do Sul e áreas limítrofes das bacias dos rios Grande e Doce. O Rio
Paraíba do Sul e um curso de água que banha os estados de SP, RJ e MG. Ele
atravessa a conhecida região sócio-econômica do Vale do Paraíba, sendo o rio
mais importante do estado do Rio de Janeiro. O Paraíba do Sul segue entre a
Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Esta última percorre o território Puri
desde SP até MG, passando pelo RJ. As comunidades Puri de Araponga-MG e
Padre Brito-MG estão localizadas na Serra da Mantiqueira. [2]. No séc. XVIII,
antes de serem vendidos como escravos, os Puris foram estimados em mais
de 5.000 indígenas[3]. O censo do IBGE 2010 registrou 675 Puris. Desses 335
em MG, 169 no RJ, 113 no ES e 24 em SP.

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Puris

Índice

 1Etimologia
 2Histórico.
 3Ver também
 4Referências
 5Ligações externas

Etimologia
O termo “Puri”, tem origem na língua dos Coroado, significando “ousado”.  Isso
dever-se-ia ao modo surpresa como esses indígenas atacavam seus inimigos e
a mobilidade entre os vales das serras. Os Puris e Coroados eram
denominados um pelo outro da mesma forma.[4] Relatos de antigos anciãos
contam a origem étnica dos Puris junto aos Coroados e Coropó, formando
originalmente um único povo. [5] [6]

Histórico.
Os primeiros registros acerca dos Puris, datam da segunda metade do século
XVI. O contato com a expedição comandada por Domingos Luis Grou no Vale
do Paraíba em 1587, a presença do povo Puri no Vale do Paraíba relatada pela
Câmara de São Paulo em 1591,[7] os registros das andanças de Anthony Knivet
pelo vale do Paraíba no interior de onde seria a capitania do Rio de Janeiro,
entre 1592 e 1601, e sua visita a uma aldeia dos “Pouries”. O corsário inglês,
em missão ordenada por Martim de Sá, informa que fez contato com grupos
dos indígenas “Pories” (Puris) em florestas das margens do Rio Paraíba do Sul:
[8]
 A partir do fim do séc. XVIII e início do XIX, com avanço das fronteiras
agrícolas em direção às áreas dos sertões do Vale do Paraíba, os contatos dos
Puris, assim como dos povos Coroado e Koropó, também habitantes dessa
região; com a sociedade colonial se tornaram frequentes e consequentemente
conflituosos. O contato com os grupos indígenas de territórios tradicionais nos
sertões se intensificou a partir da expansão colonial do litoral em direção ao
interior. Tendo a ocupação colonial se estabelecido primeiramente no litoral, o

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interior era uma fronteira ainda a ser transpassada, uma área considerada
desconhecida, onde ocorria a resistência dos considerados índios bravos,
sobre os quais era aplicado o discurso da necessidade da mão “civilizadora”.
Segundo o sargento-mor Manoel Vieyra Leão, a capitania do Rio de Janeiro em
1767, abrigava uma extensa área ainda não explorada pela marcha
colonizadora. A área ignota, indicada como “Certão ocupado por índios brabos”
correspondia à confluência do Rio Paraíba com o rio Piabanha, em direção
leste, regiões dos Rios Grande, Rio Negro e o vale denominado como "Does
Rios", ocupando vasta área ao norte das serras fluminenses. No século XVIII
as regiões denominadas sertões, eram caracterizadas pelo distanciamento da
civilização.[9] No final do século XVIII e início do XIX, o avanço das fronteiras
agrícolas em direção às terras do interior do Vale do Paraíba atingiram suas
maiores proporções. O povo Puri, a partir principalmente da ocupação de suas
terras tradicionais pelo latifúndio cafeeiro, sofreu grande diáspora [10] De um lado
estava colocado a guerra justa[11] imposta aos índios bravos, –aqueles que não
queriam ser recolhidos aos aldeamentos criados, de outro, havia a própria
prática do aldeamento, que além de modificar o modo de vida desses povos
(impactando hábitos, organização social e língua) ainda permitia que a mão-de-
obra indígena fosse requisitada para a realização de trabalhos que o governo
entendesse necessários –à exemplo da participação indígena decisiva na
abertura de estradas, na construção de grandes obras, como o Aqueduto da
Carioca, a Casa de Fundição e o Senado, no aterro de áreas para  a abertura
de novas ruas e em engenhos de particulares.[12] Documentos primários e
relatos de viajantes no século XIX, citam fracassos das tentativas de
aldeamento dos Puri –por motivo de sucessivas fugas, ou morte da maioria
deles em poucos anos; descrevem os Puris como “nômades por excelência”,
sendo assim, antagônicos à vida sedentária no padrão dos aldeamentos [13] Os
aldeamentos criados objetivavam a “civilização” dos indígenas e sobretudo no
século XIX, sua posterior reclassificação como caboclos e aculturados; o que
justificaria a dispensação de garantias por lei de seus direitos sobre terras [14] A
invisibilidade da identidade indígena, identificando-o como mestiço, pardo,
fazendo essas presenças inexistentes nos documentos oficiais, propiciava a
recusa de direito à terra, associada à identidade.
A política pombalina fomentou a mestiçagem com a introdução da presença de
brancos nos aldeamentos[15]. A política administrativa e educacional, visando a
nova configuração social dos indígenas foi orientada pelo "Diretório dos Índios".
  Casamentos entre indígenas e africanos escravizados também foram
[16] [17]

induzidos e até mesmo forçados por donos de escravizados [18] [1], buscando


assim, o aumento de mão de obra disponível, alegando direito de propriedade
sobre as crianças geradas.
“O casamento entre escravos africanos e índios no século XVII parece ter sido
bem menos freqüente. [..] No século XVIII, entretanto, este quadro começou a
mudar, em decorrência tanto do aumento sensível da população de origem
africana em São Paulo quanto do acirramento na competição pela mão-de-obra
disponível. É nesse contexto que surgem as primeiras evidências de
casamentos forçados. Quando interpelado pelas autoridades sobre sua
participação numa série de crimes, o escravo-alfaiate Pedro Mulato Papudo
afirmou que havia sido seqüestrado por Bartolomeu Fernandes de Faria e
forçado a casar-se com a índia Teresa. Consta ainda, nos autos desse mesmo

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processo, que a bastarda livre Isabel havia sido obrigada a casar-se com o
escravo Luciano.”
Contudo, as uniões entre indígenas e brancos, indígenas e negros também
poderiam ocorrer fora do alcance de influência do Governo e fazendeiros. Um
destacado exemplo de relação interétnica amistosa, espontânea, entre os Puris
e os negros, aparece na história de Vuitir, o líder Puri que fez parte da
formação do aldeamento de São João de Queluz, na província de São Paulo
em 1800. Inconformado com os maus tratos dispensados aos africanos
escravizados presente no aldeamento e trazidos pelo diretor de índios Januário
Nunes da Silva; Vuitir reivindica que cessem os maus tratos dispensando aos
negros. Percebendo sua impotência diante daquela situação e não aceitando
conviver com aquela realidade, Vuitir vai embora do aldeamento, volta para as
matas. Não se tem mais notícia de Vuitir, que acaba se tornando devido a sua
atitude, um personagem mítico para os negros escravizados, que passam a
chamá-lo de Mongo que em Banto significaria Protetor que passam a invocá-lo
em seus cantos amaldiçoando o feitor.
“Das festas religiosas, de Santa Cruz, de Santo Antônio, com ofícios
celebrados, diante do oratório, ou na capela da fazenda, pelo padre,
especialmente, vindo da cidade, os escravos participavam de seus lances ao ar
livre, do foguetório, e cantavam em torno da fogueira, dansavam jongo, até
tarde da noite, com bom suprimento de cachaça:
Passei corgo, passei rio, subi morro e passei mato,
Vi a cruz de Passa Quatro, vi cabôco frechadô;
Andei perdido no sertão do Embaú, Fui mordido de urutu...
Mongo Veio não vortô
Em coro triste de vozes todos repetiam: "Mongo Veio não vortô [19]
A figura de Mongo véio resistiu ao tempo e em meados de 1940 o escritor J.N,
Mello de Souza, numa festa do 13 de maio em Jataí, ouviu em um jongo esse
canto que recordava o “véio” Puri[20]
De qualquer forma, a miscigenação -voluntária ou não –se configurou
argumento no sentido de negar a condição de indígena.
A documentação a partir da década de 30 do século XIX demonstra o
desaparecimento dos Puris dos documentos oficiais, aparentando um processo
de extinção. O trabalho de João Maia demonstra que na década de 30 os Puris
viviam em Campo Alegre, alguns na Vila Resende [21] O autor analisou livros de
batismos da matriz de São Vicente Ferrer, e identificou que as crianças
indígenas passaram a ser batizadas como pardos. Segundo as fontes de época
tratadas por Maia, o último Puri que teve sua identidade étnica reconhecida se
chamou Victoriano Bori Santará. Entretanto, na microrregião de Muriaé, o
professor/historiador Sérgio Antônio de Paula Almeida encontrou, em suas
pesquisas, registros de indígenas Puri nos livros de batismos da Igreja Matriz
de Santo Antônio Antônio, em Mirai.[16] Os registros (1866-1901), analisados
pelo professor Sérgio Almeida demostram a permanência dos indígenas da
etnia Puri/Croato[22] na região, em meio ao processo de urbanização, até o
último quarto do século XIX. Para o professor a última evidência da presença
indígena e do processo de miscigenação ocorrido na região estudada está no

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registro de batismo do inocente Agostinho, filho natural de Umbelina "cabocla”,
datado de 08/09/1900.[23] Atualmente, os descendentes, ainda que
apresentando características físicas e mantendo costumes incontestavelmente
indígenas, negam esta ascendência, temendo pelo preconceito. [24] Até hoje, é
possível perceber o receio da população, principalmente rural, em admitir esta
relação, quando perguntados sobre a origem familiar e parentes mais antigos.
Este fator se liga ao rápido desaparecimento da memória ancestral. Segundo o
professor Sérgio Almeida, atualmente, as gerações com idade abaixo dos 30
anos possuem pouco ou nenhuma memória sobre a sua ancestralidade
indígena, e por não verem importância, deixam de mencionar sobre a herança
étnica de seus ancestrais a seus descendentes. Ainda, apesar da perene
transmissão de cultura ancestral, notadamente no que diz respeito ao
conhecimento herbário, poucos ligam à suas raízes étnico familiares.
[16]
 Contudo, os netos e bisnetos de indígenas Puri ainda vivos, mantém
fragmentos de memória familiar e boa parte do conhecimento herbário, usado
no preparo de chás com raízes do mato. [25]
Um dos fatores responsáveis por esta invisibilidade da identidade indígena
também é operado pelo imaginário social, através da concepção de que o povo
brasileiro, enquanto resultado de uma “mistura” étnica, diluiu as etnias em uma
representação genérica.
A extinção dos Puri, no entanto, é contestada por diversos autores ao longo do
séc. XX: o professor Álvaro Astolfo da Silveira, no seu livro Geografia do
Estado de Minas Gerais de 1929, relata um aldeamento Puri na bacia do Rio
José Pedro, no município de Caparaó; o escritor Paulo Mercadante descreve
em seu livro Crônica de uma Comunidade Cafeeira, a presença de grupos
Puris pelas matas de São Francisco, Divino e Cachoeira do Boi, na década de
40.
Esses exemplos corroboram para a percepção de que o paradigma da extinção
da etnia Puri trata-se de um processo de invisibilidade de identidade conduzido
pelo posicionamento do Estado Imperial Brasileiro, através das novas leis
relacionadas à posse de terra num processo de cooptação de territórios Puris,
que para tanto necessitava se fundamentar na negação da existências dessas
identidades, portanto suprimidas dos documentos e reconhecimento oficia.
Atualmente a etnia Puri possui 2 comunidades em áreas rurais de Minas
Gerais, uma escola, reconhecimento oficial a níveis municipal e Estadual e 2
associações nos municípios de Araponga (Associação de Agricultores
Familiares de Araponga) e Barbacena (Associação de Remanescentes de
Índios Puri de Padre Brito).
A Associação de Agricultores Familiares de Araponga teve início na década de
80 do século XX, e foi responsável pelo assentamento de mais de 200 famílias
em pequenas propriedades rurais, através do que chamam Conquista de Terra
em Conjunto: a estratégia consiste na geração de um fundo coletivo para
compra de terra a partir de um pequeno grupo de famílias, que uma vez
assentadas e minimamente estabilizadas economicamente, reúnem fundos
para nova aquisição de terras, destinadas a novas famílias, que aderem ao
grupo e ao compromisso de colaborar na aquisição de mais terra para assentar
mais famílias. Mediante essa estratégia, as famílias permanecem naquela

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região de ocupação tradicional Puri, através da prática da coletividade na
adesão de suas terras.
Entre os compromissos listados aos membros em relação à organização está o
de assumir a cultura Puri. Essa associação também foi responsável pela
criação da EFA Puris (Escola Família Agrícola Puris), uma instituição de Ensino
Médio Técnico, onde conhecimentos indígenas no trato com a terra e o meio-
ambiente dialogam com técnicas modernas de agroecologia e manejo
sustentável dos recursos naturais.
Na região da Zona da Mata mineira, a cobertura vegetal da Mata Atlântica em
maior parte está situada na área correspondente ao Parque Estadual Serra do
Brigadeiro, uma Unidade de Conservação criada em 1996, que abrange 9
municípios e em maior extensão, a região de Araponga.
Posta a criação da Unidade de conservação, o movimento sindical de
trabalhadores rurais regional –composto em grande parte por famílias Puris-
fazendo uso do lema Em defesa da vida e do meio ambiente reivindicam a
participação em todas as etapas da implantação da Unidade de conservação
nas Serras. A proibição de acesso à mata e a não desapropriação da
população tradicional habitante do local, foi a causa defendida, sendo apontada
a pertença ao território originário, já alvo de históricas ações do latifúndio e a
relação de conservação existente entre essa população e a área de mata das
Serras. A relação de conservação com a mata e a defesa ambiental, são
associadas por essas famílias de agricultores Puris como competências da
cultura Puri
Ainda sobre a cidade de Araponga, importa destacar a criação do CEPEC
- Centro de Estudos e Promoção Cultural, tendo desde a idealização e
fundação, a presença de Puris da região. O trabalho desenvolvido se destina
ao registro e valorização da cultura tradicional da região da Serra do Brigadeiro
–antes,  Serra dos Arrepiados, o que inclui aspectos da cultura Puri
preservados entre a população local –como a tradição ancestral Puri de banhar
as crianças pequenas em sangue de tatu.
Em Barbacena, a comunidade Puri de Padre Brito é reconhecida pelo Conselho
Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Barbacena – COMPHA como
Patrimônio cultural imaterial[26] Além do reconhecimento a nível municipal, a
prefeitura inseriu ao seu calendário oficial o Festival da Cultura Indígena. O
Festival anual promove a História e Cultura do povo Puri e está em sua 3º
edição[27] A comunidade de Puris fundou há 2 anos a Associação de
Remanescentes Índios Puri de Padre Brito. Apesar do reconhecimento oficial, a
Associação luta pela garantia de direitos básicos, como educação, saúde e
terra para a realização de cultivo de alimentos e ervas medicinais – o uso da
medicina tradicional constitui aspecto da tradição mais destacadamente
preservado nessa comunidade Puri, sendo conhecedores de tratamentos para
além dos conhecidos na cultura popular geral.
No meio urbano, na cidade do Rio de Janeiro, a etnia Puri está estruturada em
movimentos organizados: Resistência Puri[28] (que também atua em Mg),
Ressurgência Puri e Txemím Puri - Grupo de Pesquisa e revitalização da
língua Puri Resgate e Preservação da História e cultura Puri.

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. Esses movimentos atuantes na cidade do Rio se deram a partir do contato de
Puris com a Aldeia Maraká’nà.[carece  de fontes]

Ver também
 Línguas puris
 Língua puri

Referências
1. ↑ SENA, N. Toponymia Geographica de origem brasílico-indígena
em Minas Gerais. Revista do Archivo Público Mineiro. Anno XX,
1924. Belo Horizonte:Imprensa Official de Minas, 1926. P. 145-
176 In LOURES OLIVEIRA, A.P.P. A etnohistória como
arcabouço contextual para as pesquisas arqueológicas na Zona
da Mata Mineira. Canindé Revista do Museu de Arqueologia de
Xingó, Xingó, v. 3, p. 245-273, 2003. p 15.
2. ↑ KNIVET, Antonio. Narração da viagem que, nos annos de 1591
e seguintes, fez Antonio Knivet da Inglaterra ao mar do sul, em
companhia de Thomaz Candish. RIHGB, Tomo XLI parte 1ª. Typ.
De Pinheiro & C. Rio de Janeiro, 1878, p 211.
3. ↑ FREIRE e MALHEIROS. FREIRE, José Ribamar Bessa e
MALHEIROS, Márcia Fernanda. Aldeamentos Indígenas do Rio
de Janeiro, EDUERJ, Rio de Janeiro 2010, p. 13. e LAMAS,
Fernando. Os indígenas de Minas Gerais: Guerra, conquista da
terra, colonização e deslocamentos. 2012.p.233.
4. ↑ ESCHWEGE, Wilhelm Ludwig. In: Jornal do Brasil: ou relatos
diversos do Brasil coletados durante expedições científicas. Belo
Horizonte: Fundação João Pinheiro/ Centro de Estudos Históricos
e Culturais, 2002. (In: AGUIAR, José Otávio. “Quem eram os
índios Puri-Coroado da Mata Central de Minas Gerais no início
dos oitocentos? Contribuições dos relatos de Eschwege e
Freyreiss para uma polêmica (1813-1836)”. Revista Mosaico, v.
4, n. 2, p. 197-211, jul./dez. 2010).
5. ↑ AGUIAR, José Otávio. Revisitando o tema da guerra entre
índios puri-coroado da Mata Central de Minas Gerais nos
oitocentos: relações com o estado, subdifirenciações étnicas,
transculturações e relações tensivas no vale do Rio Pomba
(1813-1836). In: Mnemosine Revista. Volume1, Nº 2, jul/dez
2010. p.112.
6. ↑ LOURES OLIVEIRA, A.P.P. ; A etnohistória como arcabouço
contextual para as pesquisas arqueológicas na Zona da Mata
Mineira. Canindé Revista do Museu de Arqueologia de Xingó,
Xingó, v. 3, p. 245-273, 2003.pag 15
7. ↑ FERNANDES, Neusa, COELHO, Olínio Gomes P. História e
Geografia do Vale do Paraíba. Rio de Janeiro: Instituto Histórico

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e Geográfico de Vassouras, CREA-RJ, Prefeitura de Vassouras,
2013. p.312
8. ↑ KNIVET, Antonio. Narração da viagem que, nos annos de 1591
e seguintes, fez Antonio Knivet da Inglaterra ao mar do sul, em
companhia de Thomaz Candish. RIHGB, Tomo XLI parte 1ª. Typ.
De Pinheiro & C. Rio de Janeiro, 1878, p 211.
9. ↑ MALHEIROS, Márcia, “Homens da Fronteira” Índios e
Capuchinhos na Ocupação dos Sertões do Leste do Paraíba ou
Goytacazes, século XVIII e XIX,UFF, Niterói, 2008. p. 32.  
10. ↑ O termo diáspora se refere à dispersão de um povo em
consequência de preconceito ou perseguição política, religiosa
ou étnica. Tal definição serve para pensarmos a situação dos
povos indígenas brasileiro, que desde o início do processo de
colonização vivenciaram em constante movimento de fuga para
áreas interioranas procurando escapar do julgo lusitano. Essa
fuga, ou melhor, esse abandono de um determinado território,
não implicava, obrigatoriamente, no abandono de determinadas
tradições sócio-culturais que caracterizavam os indígenas. A
mudança do lócus não conduz a uma descaracterização total,
apenas parcial, já que adapta-se para sobreiver. Entretanto a
diáspora indígena foi mais do que uma mera troca de lugar, pois
foi forjada por lutas sangrentas que violentavam não somente o
próprio corpo indígena, como tambpem sua forma de produção
cultural.  HALL, Stuart. Da diáspora. Tradução: Liv Sovik. Belo
Horizonte: EDUFMG, 2003: p.44. In: LAMAS, Fernando. Os
indígenas de Minas Gerais: Guerra, conquista da terra,
colonização e deslocamentos. 2012.p.227.
11. ↑ A chamada “guerra justa” consistia no ataque armado aos
territórios indígenas pelas tropas, que realizavam capturas
incluindo mulheres e crianças. Os indígenas capturados se
tornavam propriedade dos seus captores e podia ser vendidos
como escravos aos colonos, à Coroa Portuguesa e aos próprios
missionários. Era ao mesmo tempo uma operação de
recrutamento de força de trabalho e retirada dos indígenas das
áreas de interesse. Em carta de 5 de julho de 1559 ao
governador Tomé de Souza, o padre Manoel da Nóbrega
reconhecia esse duplo objetivo, ao recomendar que a terra e os
indígenas fossem repartidos entre os colonos que ajudassem a
conquistar e senhorear. FREIRE e MALHEIROS. FREIRE, José
Ribamar Bessa e MALHEIROS, Márcia Fernanda. Aldeamentos
Indígenas do Rio de Janeiro, EDUERJ, Rio de Janeiro 2010, p.
52
12. ↑ FREIRE, José Ribamar Bessa e MALHEIROS, Márcia
Fernanda. Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro. Rio de
Janeiro: UERJ. 1997. p. 62
13. ↑ REIS, 1965, p. 152 = REIS, Paulo Pereira dos. Os Puri de
Guapacaré e algumas achegas à história de Queluz. Revista de
História, 1965. v. 61, p. 117-158.

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14. ↑ [1] MALHEIROS, Márcia, “Homens da Fronteira” Índios e
Capuchinhos na Ocupação dos Sertões do Leste do Paraíba ou
Goytacazes, século XVIII e XIX,UFF, Niterói, 2008. p. 39.
15. ↑ SOUZA FERREIRA, Ana Cláudia de. Caminhos, mudanças,
alianças e resistências indígenas: identidade e territorialidade dos
Índios da Aldeia de Itaguaí – Século XIX.  2016 p.29.
16. ↑ Ir para:a b c Almeida, Sérgio Antônio de Paula. «No Livro a Raiz, na
lembrança o passado». Universidade Federal de Viçosa. 2016».
Universidade Federal de
Viçosa. LOCUS: https://www.locus.ufv.br/handle/123456789/100
11
17. ↑ Almeida, Sérgio Antônio de Paula. «O BRASIL ILUSTRADO
[1758/1798] DIRETÓRIO DOS ÍNDIOS». FASM - Muriaé. Revista
DUC in
Altum: https://santamarcelina.org.br/admin/__ef__arquivos_carre
gamento_dinamico/unidade/DucInAltum_15_2016.pdf
18. ↑ MONTEIRO, John. 1994. Negros da Terra. Índios e
Bandeirantes na Formação de São Paulo. São Paulo: Companhia
das Letras. p 170.
19. ↑ PRÈZIA, Benedito. Vuitir, o mongo véio Puri. Revista Porantim.
nº357. Brasília-DF.2013. p 16
20. ↑ ARRUTI, José Maurício Andion. A emergência dos
“remanescentes”: notas para o diálogo entre indígenas e
quilombolas. 1997. p 16-17.
21. ↑ Livro de Batismo da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima –
Antiga São Vicente Ferrer. Livro de Batismo. 1884. Livro I,
Página 2. MAIA João Azevedo Carneiro. Do Descobrimento de
Campo Alegre até a Criação da Vila de Resende, CCMM,
Resende, 1998, 2º edição.Op. Cit. p. 21. In. OLIVEIRA, Enio
Sebastião Cardoso de. O paradigma da extinção:
Desaparecimento dos índios Puris em Campo Alegre no Sul do
Vale do Paraíba. Anais do XV encontro regional de história da
ANPUH-Rio.
22. ↑ No primeiro livro, datado de 1866 o sacerdote fez o assento de
um indígena da etnia Croato. O mesmo assento, sendo
posteriormente copiado apresenta modificação na descrição do
termo. O sacerdote anotou "Pury" para identificação étnica da
mãe e da criança batizada.
23. ↑ Almeida, Sérgio Antônio de Paula (2019). Memória Histórica e
Social - Paróquia Santo Antônio. 1859/2019. Muriaé/Miraí:
JavéRafa. p. 59
24. ↑ LOURES OLIVEIRA, A.P.P. ; A etnohistória como arcabouço
contextual para as pesquisas arqueológicas na Zona da Mata
Mineira. Canindé Revista do Museu de Arqueologia de Xingó,
Xingó, v. 3, p. 245-273, 2003. p. 12.
25. ↑ Almeida, Sérgio Antônio de Paula (2014). «De Pury a
Caboclo»  (PDF). UFJF/ANPUH Regional 2014. Consultado em 20
de março de 2021

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26. ↑ Decreto nº 7.937/2016 
https://barbacenamais.com.br/index.php/magazine-mais/57-
artes/5888-etnia-puri-funda-a-primeira-associacao-indigena-de-
barbacena.
27. ↑ Decreto nº8.286 de
2018.http://barbacena.mg.gov.br/2/m/notícia.php?id=6256.
Acesso: fev de 2018.
28. ↑ https://pt.scribd.com/document/408586568/Txemim-Puri-O-
povo-Puri-História-lingua-cultura-e-Rexistencia

Ligações externas
 Quem eram os índios Puri-Coroado da Mata Central de Minas Gerais
no início dos oiticentos? Contribuição dos relatos de Eschwege e
Freyreuss para uma polêmica (1813-1836). Por José Otávio Aguiar.
 Herança indígena. Artigo sobre os índios Puri, por Fulvia
D'Alessandri.
 Os aldeamentos indígenas do Rio de Janeiro, por José Ribamar
Bessa Freire e Márcia Fernanda Malheiros.

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Coroados
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Se procura por por outras acepções, veja Coroado.

Retrato de índios coroados e coropós


por Rugendas no século XIX
O termo coroados é a denominação atribuída no passado
pelos portugueses aos indígenas de grupos de filiações linguísticas e
regiões geográficas diversas, por usarem o que se entendia como
sendo coroas de plumas na cabeça. Foram assim chamados
os caingangues de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul[1]; os caiapós do norte de Mato Grosso; bem como os bororos,
os coropós, os puris e os xerentes.

Referências
1. ↑ In Ti Fym Sym. BALLIVIÁN, J. M. P. et al.. Revista Agriculturas,
vol. 4, núm. 3. Outubro de 2007. Disponível
em https://docs.google.com/viewer?
a=v&q=cache:krllPBwUJMcJ:www.agriculturesnetwork.org/magaz
ines/brazil/3-sementes-da-biodiversidade/in-ti-fy-si-casa-das-
sementes-antigas-
uma/at_download/article_pdf+caingangues+campinas&hl=pt-
BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEEShTiNJT5KdMAP5yW_qeswU4q
-goUlJ0akBMUir0hsGH-
GG9CLLin9oupa98ZoRZJsoONt6whsCSHY5r_uSPCsM6vVfRaY
ufgHgDioJzos-
jXWMTi9bijUDGGKL3NLfN8tspewAM&sig=AHIEtbTNm2gisoccN
V80R0KZO5sf4h8iQA. Acesso em 19 de setembro de 2012.

Página 11 de 22
Do cauim a
aguardente - A vida
cotidiana dos índios
coroados e puris
QUINTA-FEIRA, 21 DE MAIO DE 2020

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https://avozd

Habitavam a província fluminense nas regiões serrana e noroeste os índios


das tribos Coroado e Puri. Vamos conhecer neste artigo algumas práticas
culturais e a vida cotidiana dessas tribos sob o olhar de viajantes que
tiveram contato com eles no século 19. São eles o mineralogista John Mawe,
o botânico francês Auguste de Saint-Hilarie, o pintor francês Jean Baptiste
Debret, o paleontólogo, médico, geólogo e zoólogo alemão Hermann
Burmeister e o barão suíço Johann Von Tschudi.

Na tribo, enquanto os homens se dedicam tão somente à caça e a pesca, as


mulheres e filhos executam trabalhos domésticos como cuidar da pequena
roça, da alimentação e da fabricação de vasilhas em cerâmica. Parece que
herdamos do indígena o churrasco. Quando as mulheres da tribo recebiam
a caça a limpavam, sapecavam e a cortavam em pedaços enfiados na ponta
de pequenos espetos. Acendiam o fogo e colocavam os espetos por cima
de um braseiro.

Em outra ocasião pegaram um boi a laço, cavaram a terra, fizeram um


buraco enchendo-o de galhos e em seguida acenderam o fogo. Quando a
madeira se transformava em carvão colocavam sobre o braseiro ardente o
pedaço de carne envolvido na pele. Adicionavam mais galhos sobre a carne
e ateavam fogo novamente. A carne cozida entre duas brasas conservava
todo o sabor de seu suco. Notem que não faziam uso do sal e da pimenta.
Existia uma operação que competia exclusivamente às mulheres. Tratava-
se da mastigação de substâncias vegetais necessárias à composição das

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bebidas espirituosas, o cauim, licor com o qual se embebedavam nos seus
divertimentos.

As mulheres reunidas dedicavam várias horas consecutivas à mastigação


dos grãos de milho. Depois de triturados eram cuspidos dentro de um
vasilhame. Esta pasta fermentava na água quente durante 12 a 16 horas.
Após essa primeira fase de preparação era despejada em um grande
recipiente para novamente fermentar, sendo misturada a uma maior
quantidade de água igualmente quente. Durante essas duas operações
agitava-se esse líquido com uma vareta. Esse licor espirituoso manipulado
sem cessar sobre o fogo devia ser consumido ainda quente. A batata-doce
e a mandioca podiam produzir o mesmo resultado. Porém, as mulheres
preferiam o grão de milho por ser mais agradável para mastigação. Frutos
como a ananás, o caju, entre outros, produziam pela maceração licores
extremamente capitosos que os indígenas bebiam com paixão.

Todos os viajantes mencionavam o problema do alcoolismo entre os


indígenas produzido pela aguardente, que tem teor alcoólico muito maior
do que o cauim.  Os moços não bebiam, os de mais idade faziam-no com
moderação e os mais velhos em excesso. Cada um comprava um copo de
aguardente e fazia-o rodar de boca em boca até esvaziá-lo. Depois era a vez
do outro.

Para se obter o favor de um índio ou mesmo remunerá-lo por um serviço


prestado bastava presenteá-lo com algumas garrafas de aguardente.
Normalmente quando se presenteava apenas um deles originava-se uma
briga geral e o homem ou a mulher que pegava primeiro a garrafa bebia
todo o seu conteúdo para não compartilhar com os demais. Dando-se
preferência a um deles, os outros do grupo se tornavam insolentes e
desenfreados até que obtivessem o mesmo favor. Quando embriagados
ficavam agressivos “tornando-se repugnantes e animalescos”, sendo
necessário prendê-los.

Os homens e as mulheres lançavam gritos agudos e os espectadores riam


como se assistissem a um espetáculo engraçado. Os “negros” gostavam de
incitar os índios a beberem ainda mais para divertirem-se com as cenas “de
brutalidade animalesca”. Em seu estado inconsciente jaziam embriagados e
sem sentido no chão. Ninguém se incomodava com essas cenas. Esse
comportamento dos índios dava grande satisfação aos “pretos”, pois se
sentiam superiores, assim como os brancos se acham superiores em
relação à eles, observou Burmeister.

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Para satisfazerem a paixão que tinham pela aguardente trabalhavam nas
habitações portuguesas; porém, mal possuíam com que embebedar-se,
entregavam-se a indolência. Cenas de decadência dos indígenas como
essas descritas pelos viajantes, não contextualizam que a degradação
desses povos tinham origem na usurpação de suas terras coletivas por
posseiros fazendo uso da violência e pela política de miscigenação
incentivada pelo governo.

No próximo mês, vamos conhecer os traços físicos dos índios coroados e


puris, sobre suas choças, a moral e o matrimônio nessas tribos. 

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Homens brancos chegam a tribo dos Puri, presenteando-os com


aguardente

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Você sabe quais povos indígenas
povoaram Nova Friburgo e região?
No Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas,
conheça um pouco sobre os povos originários que
habitaram a região
Por Sara Schuabb
07/02/19 - 10:49
     Quadro do pintor francês Jean-Baptiste Debret que
retrata a cerimônia de dança de uma tribo de índios Puri | Foto:
Reprodução/Internet
Muito se sabe sobre o estabelecimento de colonos vindos da
Europa na fundação dos municípios da Região Serrana, mas
pouco se sabe e é divulgado sobre os povos originários que
viveram na serra fluminense e sobre os que resistiram desde a
chegada dos europeus, em 1500. E nesta quinta-feira, 7 de
fevereiro, Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas, nos
perguntamos: que povos viveram ou passaram por esta região?
Qual a importância dessa população ancestral em nossa
história? Por que ainda continuam invisíveis e, em muitos
casos, sendo expulsos de suas terras?

As informações sobre os povoamentos indígenas no interior do


Rio de Janeiro remontam antes do século XVIII. E, como Nova
Friburgo pertenceu a Cantagalo até 1818, a história da
presença indígena na região se envereda com a do respectivo
município. Segundo o historiador Carlos Bezerra, que fez um
estudo sobre os povos originários de Cantagalo, por estas
bandas há registros que existiram as aldeias dos Puris,
Coroados e dos Coropós, enquanto os Goitacá e os Botocudos
tinham a presença predominante no litoral do estado do Rio de
Janeiro.

“Os Goitacá eram considerados entre os indígenas como mais


bravos, e mais aptos à guerra e teriam então expulsado os
Coroados, Puris e Coropós do litoral para o interior, o que nos
leva a crer que podem ter vindo para a região serrana
também.”, diz.

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De acordo com o historiador, há notícias de estabelecimento
missionário jesuíta a cerca de 15km da região do atual
município de Cantagalo, no século XVIII, às margens do rio
Bossarahi. E sobre o aldeamento, há poucos registros, mas
certamente foi estabelecido antes de 1759, atraindo grupos
indígenas que viviam na região chamados de Coroados.

Origem dos nomes Puri, Coroado e Coropó

Carlos Bezerra diz que o nome Puri é, na verdade, uma


designação pejorativa dada a esse povo pelos seus vizinhos,
os índios Coroados, com quem viviam em guerra. E o apelido
acabou ficando como a identidade definitiva. Já o nome
Coroado, também foi um apelido criado pelos portugueses por
causa do corte de cabelo, com destaque circular na parte mais
alta e posterior da cabeça, semelhante aos frades franciscanos.

Quanto à origem da palavra Coropó, não há registro mas


existem descrições sobre eles datadas de 1818, por dois
cientistas alemães, Spix e Martius, que diziam que eles tinham
estatura mediana, de ombros e de queixos largos, muito
magros, enquanto os Puris, vistos pelos mesmos viajantes,
tinham o porte baixo, a pele de um vermelho-pardo, o cabelo
negro de carvão, a cara larga e angulosa e os olhos pequenos.
Já os Coroados foram descritos como robustos e com ombros
largos, pescoço curto e grosso e os dentes muito alvos, com os
incisivos bem alinhados e os caninos salientes.

Como era a vida desses povos indígenas?

Ainda segundo Carlos Bezerra, esses três povos, além de criar


galinhas e possuir cachorros, praticavam agricultura. No século
XIX, os Coropós, já em contato com a população regional do
norte fluminense, cultivavam milho, abóbora, banana, cará,
feijão e algumas árvores frutíferas.

Já os Coroados se destacavam com as tarefas agrícolas,


dominavam a culinária e eram considerados bons oleiros e
ceramistas. Fabricavam potes, vasos, jarros e utensílios, como
peneiras de vime, cestas de palha de várias formas e
tamanhos, semelhantes às fabricadas pelos Tupis, e cuias.

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Nas descrições sobre o modo de vida desses povos, os Puris e
os Coroados são apresentados sempre como excelentes
caçadores, que utilizavam os mais variados métodos de caça,
com o uso de alçapão, arapucas, laços, armadilhas e arcos. Os
Puris moravam em cabanas cobertas de palha e os Coroados,
em malocas coletivas com construção bem elaboradas, que
abrigavam cerca de 40 pessoas.

Veja também:

 Nova Friburgo pode ganhar Centro de Referência


Indígena em São Pedro da Serra

Indígenas da região eram vistos como inferiores e


primitivos

Em relação aos primeiros habitantes da Região Norte


Fluminense, a historiadora Janaína Botelho, diz ter encontrado
informações relevantes na tese “Ouro, posseiros e fazendas de
café”, de Mauro Leão Gomes. Janaína diz que Leão Gomes
registrou a impressão dos viajantes sobre os indígenas no
Centro-norte fluminense com a observação feita pelo
naturalista Von Tschudi, que percorreu as províncias do Rio de
Janeiro e de São Paulo no período de 1857 a 1859.

"Tschudi encontrou no caminho alguns ranchos miseráveis de


índios. Relata que em nenhum deles havia plantação e que nas
habitações encontrou os indígenas numa inércia, sempre
prontos a pedir esmola. Ele se referia aos índios Coroados da
Aldeia da Pedra, onde hoje é Itaocara, fundada em 1808, pelo
missionário capuchinho Tomás Civitta Castella. O aldeamento
ficava próximo à vila de São Fidélis, na região de Cantagalo."

Conforme a tese de Leão Gomes, a historiadora reforça que a


impressão de Tschudi revela a visão que predominava na
sociedade brasileira do século XIX sobre os indígenas, com
base em princípios ideológicos que os consideravam inferiores

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e primitivos, e por essa razão mantinha os índios restritos em
suas aldeias, submetendo-os aos valores civilizatórios
ocidentais.

Nessa tese, ainda há relatos de que o conde Adalberto da


Prússia, que percorreu a província do Rio de Janeiro em 1842,
teve contato com a aldeia dos Puris, próxima a Cantagalo, e
registrou, com seu olhar eurocêntrico, que os índios eram
indolentes e não faziam outra coisa senão dormir, comer, caçar
e pescar.

"De acordo com Leão Gomes, o príncipe prussiano não


percebia que as lavouras dos índios se encontravam na
floresta, em meio às clareiras. Na realidade, viviam não apenas
da coleta, mas também cultivavam parte dos alimentos que
consumiam. Diversas espécies de plantas alimentícias e
medicinais, bem como árvores frutíferas foram cultivadas nas
florestas pelos indígenas."

Para Leão Gomes, as culturas ameríndias desenvolveram


técnicas sofisticadas de adaptação ecológica, que utilizavam
de forma sustentável recursos dos diversos ecossistemas da
floresta. No entanto, o que prevaleceu foi a forma de cultivo do
campesinato europeu. Em sua tese ele diz: "esta mudança na
maneira de viver e produzir representava a extinção do modo
de vida do saber ecológico destes habitantes da floresta. Os
Puris realizavam trabalhos para alguns fazendeiros da região
de extração de madeira e transporte das toras. Nos locais onde
se abatiam as árvores formavam-se roças e pastagens. Na
medida em que a cultura de alimentos foi penetrando pela
floresta, os indígenas eram forçados a se retirar. Impunha-se
ao índio a assimilação ou a rendição. Dessa forma,
paulatinamente, os índios foram sendo expulsos da província
do Rio de Janeiro."

Indígenas no Brasil

De acordo com o Censo de 2010 do IBGE, o país tem 896,9 mil


indígenas em todo o território nacional.

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Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), existem 225
povos indígenas além de 70 tribos vivendo em locais isolados e
que ainda não foram contatadas.

Em relação às línguas, foram identificas 274 línguas, sendo a


Tikúna a mais falada - 34,1 mil pessoas. Dos 786,7 mil
indígenas de 5 anos ou mais, 37,4% falam uma língua indígena
e 76,9% falam português.

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