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Ba Duan Jin em pé

Written by Anderson Rosa


.:BA DUAN JIN EM PÉ:. (As 8 peças do brocado)

Ba Duan Jin pode ser traduzido como as 'oito peças do brocado', e isto quer dizer
que a prática destes oito exercícios é capaz de fazer do corpo algo tão maravilhoso
como o bordado mais fino de ouro, também conhecido como as Oito Jóias do Tai
Chi,porque são muitos os benefícios que trazem aos praticantes de Tai Chi.

Há muitas variações dos oito exercícios, em especial a forma de pé que é a mais


popular. É importante entender a intenção dos mesmos: sua raiz. Se
compreendemos esta intenção entenderemos quaisquer de suas variantes e sua
execução será efetiva. A prática dos exercícios requer relaxamento, suavidade e
certa perfeição. A respiração deve ser leve e acompanhar os movimentos. As
variações praticadas devem estar de acordo com nossa capacidade para avançar
gradualmente (um, dois ou três anos).

Segundo nosso nível ou objetivos, acentuaremos uns ou outros aspectos na sua


prática: fisicamente, relaxamento, etc.

Duas mãos sustentam o céu para harmonizar o tríplice aquecedor;


Esticar uma mão em direção aos pés e depois a outra, para harmonizar o baço e o estômago;
Girar a cabeça e olhar para trás 'a vaca observando a lua';
Abrir o arco para a esquerda e à direita para acertar o pássaro;
Baixar o corpo e apertar o punho com o olhar de contrariedade;
Erguer-se na ponta dos pés e descer por oito vezes;
Girar o quadril e balançar a cabeça para liberar o fogo do coração;
Levar as mãos até o solo e agarrar os pés.

Duas mãos sustentam o Céu para harmonizar o Tríplice Aquecedor

Repousar um momento na posição de Wu Chi. Manter os pés separados na largura


do ombro e o quadril encaixado, mantendo uma leve flexão das pernas. Sorrimos
desde o coração (figurativamente) e tomamos consciência do nosso centro de
gravidade, quatro dedos abaixo do umbigo (Tan Tien).
Nos agachamos ligeiramente, com as costas retas, e sem mover os quadris. Cruzar
as mãos adiante do abdômen com as palmas voltadas para cima.

Elevar ao mesmo tempo as mãos e o corpo. A respiração desce até o abdômen. Os


pulmões se preenchem no tempo que erguemos aspirando. Ao chegar ao peito, as
palmas giram para fora, voltando-se para o céu.

Segue-se levantando as palmas ao mesmo tempo que erguemos o calcanhar.


Finalmente, sustentamos o céu, totalmente estendidos, enquanto afundamos a
ponta dos pés no solo.

Cuidando que, ao levantar as mãos estejam estas em ângulo reto em relação aos
braços e que os braços estejam retos. Relaxamos a musculatura dos ombros, braços
e o peito. A pélvis deve estar encaixada e as costas retas também.

Mantenha a intenção de empurrar para cima e abra os braços para os lados, como
se fosse um grande pássaro que desce suas asas, num amplo círculo, enquanto
expira suavemente esvaziando os pulmões de cima para baixo, no ritmo dos braços.

Repita os exercícios num número determinado de vezes: 8, 16, 32, segundo os


planos estabelecidos de antemão. Normalmente, as seqüências de Ba Duan Jin são
realizadas 8 vezes, aumentando-se depois com a prática, sempre em múltiplos de 8.

A respiração nunca deve ser forçada, pois a velocidade desse exercício dependerá
da respiração, e não o contrário.

Este exercício ativa a circulação do Tríplice Aquecedor (Sanjiao), um órgão definido


na MTC, sem correspondência física, cujo objetivo é sintetizar e distribuir a energia
(Qi) no corpo. O Tríplice Aquecedor tem três áreas ou caldeiras: o aquecedor
superior, situado acima do diafragma e relacionado com a respiração, o aquecedor
médio, situado na zona do estômago e com a digestão, e o aquecedor inferior
situado na zona pélvica, e relacionado com a eliminação.

A nível da respiração, desenvolve-se uma respiração completa, abdominal, torácica


e clavicular.

Também efetuamos um estiramento do tecido conjuntivo que sustenta os órgãos


internos que recebem uma massagem suave, e dos tendões e notamos como se
liberam os bloqueios produzidos pela tensão acumulada, graças à ação integral dos
ossos, tendões, músculos e órgãos.

Nota

Este exercício deve ser realizado sentindo-se o Qi. Que é o Qi? Perguntei uma vez a
um mestre. - O Qi não se diz, o Qi se sente - foi sua resposta.

Podemos sentir o Qi como o formigamento produzido ao iniciar o estiramento. Esta


sensação não deve ser bloqueada forçando a postura. Primeiro as mãos ascendem
aos céus e o Qi que ascende é o que nos alonga e nos leva a nos elevarmos nas
pontas dos pés.

Os olhos seguem as mãos e a cabeça se inclina ligeiramente para trás. Ao girar a


cabeça para trás, o fazemos para evitar o bloqueio do Qi. Esta posição não deve ser
forçada, pois o efeito seria o contrário do desejado.

Estes alongamentos deveriam recordar-nos os que são produzidos de forma natural


quando desejamos nos espreguiçar ao despertar. É freqüente vermos esse tipo de
alongamento nos animais domésticos: gatos, cães. Quem teve a oportunidade de
observá-los deveria tentar imitar o mesmo espírito e comportamento.

As pessoas que tenham dificuldade em sustentar o equilíbrio não deveriam elevar-se


mais do que na medida em que possam manter esse equilíbrio. Isto ajudará a
desenvolvê-lo ao longo do tempo.

Separar a terra e o céu para harmonizar o baço e o estômago

Parte-se da posição inicial, Wu Chi.


(Inalando) As mãos iniciam o movimento paralelas, na altura do estômago, diante
do corpo. Subir ligeiramente as mãos até a altura do peito, e então...

(Exalando) Separamos as mãos: uma das mãos desce com a palma voltada para
baixo apontando para a frente, e a outra mão sobe, voltada para cima, apontando
para trás. Os homens erguem primeiro a mão esquerda e as mulheres erguem a
direita primeiro.

Voltamos o olhar para a mão que está acima da cabeça. Pessoas que sofrem de
pressão alta, devem manter o olhar em direção ao horizonte, pois elevar o olhar,
ajuda a aumentar a pressão sangüínea.

(Inalando) As mãos retornam à posição inicial na altura do estômago, mas


invertendo a postura do começo, para separá-las ao exalar mudando a postura
simétrica.

Teremos a sensação de que as mãos empurram algo que oferece uma certa
resistência, mas sem manter uma tensão excessiva.

Este exercício regula o Qi do estômago, pâncreas e baço. Diminui o Yang do


estômago, e aumenta o Yin do baço. Melhora a digestão, o trânsito dos alimentos e
a circulação sangüínea.

Girar a cabeça e olhar para trás - A vaca observando a Lua - (Variante do


exercício anterior)

Partindo da posição inicial, Wu Chi, à qual regressamos depois de cada exercício.

(Inalando) As mãos iniciam o movimento paralelas, na altura do estômago, diante


do corpo. Subir ligeiramente as mãos até a altura do peito (ver nota), voltar as
palmas para fora, com um espaço de um palmo entre elas, e então...

(Exalando) Sem girar a cintura nem o peito, volta-se a cabeça para a esquerda
(mulheres para a direita), tanto quanto nos seja possível, com a intenção do olhar
passando entre as mãos, como se focalizando à lua à distância (ver nota). Retornar
depois à postura inicial, inspirando. Quando as mãos chegarem à frente do peito,
baixá-las até a altura do Tan Tien, expirando.

Depois, repetir o mesmo movimento para o outro lado, lembrando-se sempre que
os movimentos laterais devem ser feitos na mesma quantidade estipulada. Se
optamos por 8, então serão 8 vezes para cada lado.

Na postura inicial e durante a inalação, a concentração deve estar fixada no Tan


Tien. Enquanto nos voltamos e exalamos o ar, a concentração passa do Tan
Tien aoHui Yin (VC1) e depois ao Yong Quan (R1 - Fonte Borbulhante). O espírito
dirige o Qi. Derivamos o Qi do Tan Tien para a terra, com o objetivo de eliminar
o Qi estagnado ou contaminado com as 5 debilidades (as enfermidades dos 5
órgãos: fígado, coração, baço, pulmões e rins prejudicados pelas energias
climáticas, como vento, o calor, a umidade, a secura e o frio, ou as dietéticas, dos
sabores: ácido, amargo, doce, picante ou salgado) e as sete emoções fundamentais:
cólera, alegria excessiva, pena, tristeza, desespero, temor e pânico).

Nota

A este exercício se atribui um efeito de massagem do intestino grosso e por uma


razão: o movimento nasce do cóccix e se transmite pelo cinturão abdominal a toda
coluna até ser liberado pela cabeça. Talvez seja um dos exercícios de maior
dificuldade por envolver um movimento interno. A cabeça deveria girar por um
movimento apenas interno, e em nenhum caso deveria se forçar as cervicais. Os
iniciantes deveriam ter precaução com a cabeça ao girá-la para trás. Este
movimento pode limitar-se a baixar a vista sem mover o pescoço.

Preparar o arco mirando o pássaro

(Inalando) Dobrar os braços em direção ao peito; assumir a postura de cavalo (Ma


bu);

(Expirando) Esticar o braço esquerdo (homens; direito as mulheres), como se


estivesse retesando um arco. A outra mão permanece, com a boca do tigre para
cima, como se estivesse segurando a corda do arco.

Concentrar o olhar, entre a boca do tigre da mão estendida, com a intenção voltada
para o longe, mirando o pássaro. Repetir o mesmo movimento para o outro lado.

Estendemos os dedos indicador e polegar, fechando os outros dedos. Na variante,


os dedos podem permanecer estendidos.

Os movimentos devem ser perfeitamente coordenados e possuir uma certa simetria.


O pulso da mão que segura a corda deve estar alinhado com o braço, devendo ficar
numa linha reta, sem qualquer inclinação para dentro ou para fora.

Os cotovelos não devem estar nem para frente, nem para trás do tronco, estando
perfeitamente alinhados, ou poderiam bloquear o Qi no peito.

Os benefícios deste exercício se relacionam com o pulmão, e, depois de realizar os


exercícios, sentiremos uma sensação de abertura e liberação no peito.

Este exercício melhora a respiração e as funções circulatórias. Pelo movimento dos


braços e a extensão dos dedos indicadores, o exercício tonifica os meridianos dos
pulmões e do intestino grosso. Tonifica o Qi dos rins e o meridiano
extraordinário Dai Mai (Vaso Governador), que passa pelo Ming Men (VG4).

Socar com os punhos, com olhar de contrariedade

Fazer a postura de cavalo (Ma Bu), mantendo a coluna reta e a cabeça suspensa por
um fio. O olhar deve estar com a intenção adiante, perdida no horizonte, captando
tudo à sua frente, mantendo um ar de contrariedade, mas não de ira. Os joelhos
não devem passar a ponta dos pés, ou poderão ser lesionados.

Os braços são recolhidos na altura da cintura, mantendo uma relação também com
oTan Tien. O torso da mão voltado para baixo, punhos cerrados, porém relaxados. O
olhar deve estar fixo no horizonte, com a intenção voltada para diante. Os ombros
devem estar relaxados.

(Expirando) O braço esquerdo (homem) move-se para a frente, girando o punho


para dentro, fazendo uma espiral com o mesmo. Os músculos da face, ombros, e
braço devem estar relaxados.

(Inspirando) A mão que estava a frente retorna no movimento de inspiração para a


posição original.

Repete-se o movimento com o punho direito.

Aqui o fígado "expande o Yang e revela o Yin". Regula-se a energia gerada com os
exercícios precedentes transmitindo-a aos músculos.

Estirar o corpo, distribuindo a energia

Parte-se da posição inicial, mantendo-se bem alinhados o corpo e a cabeça.

(Inalando) Elevar-se sobre as pontas dos pés empurrando o crânio em direção ao


céu. O queixo mantêm-se recolhido no peito.

(Exalando) Descer o corpo sem chegar a tocar o solo com os pés. Erguer-se depois,
novamente, repetindo o ciclo de acordo com o número previsto de vezes.

Este exercício distribui a energia por todo o corpo.

Pode-se alterar as velocidades na execução: se fazemos lentamente, aumentamos a


força das pernas e a circulação, e portanto, a limpeza do sangue, além de favorecer
o desenvolvimento do equilíbrio. Realizado de forma rápida e solta, ajuda a
distribuir o Qi por todo o corpo, neste caso, com respiração livre.

Sacudir a cauda e balançar a cabeça para liberar o Fogo do Coração

Ficar em pé na posição de cavalo (Ma Bu), apoiar as mãos sobre os joelhos, e


flexionar o tronco adiante levando-o na horizontal. As costas permanecem retas.

(Inalando) O tronco descreve um arco para a esquerda, ao mesmo tempo que


aumenta o peso sobre a perna esquerda (perna cheia), que permanece flexionada,
enquanto a direita se estica levemente (perna vazia), o ombro direito vai para trás,
a fim de esticar as costas do lado direito; o braço esquerdo permanece dobrado e o
direito também se estica levemente enquanto a mão direita se eleva um pouco.

A cabeça, o tronco e a perna permanecem alinhados; o olho volta-se para o peito


direito, mas não inclina a cabeça. Manter a postura por um momento.

(Exalando) Retornando ao centro para repetir o mesmo exercício para o lado direito.

Ao inalar, o pulmão do lado que corresponde à perna flexionada, absorve o "fogo do


coração". Ao exalar, esse fogo, já resfriado pelo pulmão, é expulso ao exterior. Esse
exercício "diminui o Yang e nutre o Yin", acalmando o corpo e o espírito. Adequado
para estados de estresse.

Alcançar os pés com as mãos e segurá-los

Partindo da posição inicial nos agachamos ligeiramente, com as costas retas e sem
erguer o quadril para fora.

(Inalando) Elevar os braços, lateralmente, acima da cabeça, até que as palmas das
mãos se encontrem. Voltar as palmas das mãos para diante. A mente se dirige para
(Hui Yin - Períneo). As costas permanecem retas e o quadril encaixado.

(Exalando pela boca) As mãos descem com os braços estendidos, adiante do corpo,
até alcançar os dedos dos pés. Se necessário, pode-se dobrar ligeiramente os
joelhos. As costas permanecem retas, na mesma linha dos braços e mãos. Soltar
ligeiramente os pés se concentrando em Chang Qiang (ponta extrema do cóccix),
com as costas retas para permitirem a circulação da energia até Bai Hui (topo da
cabeça, seu extremo superior, situado numa linha imaginária que une as orelhas).

(Inalando) Erguer o corpo com a ajuda dos braços que se estendem para diante e,
fazendo um círculo, deixamos repousar as mãos nos rins, nos concentrando
em Ming Men (VG4) - nas costas, entre os rins.

(Exalando) Esticar as costas ligeiramente para trás enquanto volta-se o olhar para o
céu, exalando com a boca aberta.

A energia vital Jing se armazena na região dos rins, ponto Ming Men (VG4). Dirigir a
concentração sucessivamente a Ming Men, Hui Yin e Chang Qiang, o qual é descrito
como "invocá-la no seu local de residência e fazer que descenda".
Os oito movimentos do Baduanjin em pé

 两手托天理三焦 - Liangshou tuo tian li sanjiao


Sustentar o céu com as mãos para regular o Triplo aquecedor
 左右开弓似射雕 - Zuoyou kai gong si she diao
Estirar o arco e lançar a flecha para fortalecer os pulmões
 调理脾胃须单举 - Tiaoli piwei xu dan ju
Elevar um braço para recuperar o apetite ou Separar Céu e Terra
 五劳七伤向后瞧 - Wulaoqishang xianghou qiao
Olhar os calcanhares para evitar o enfraquecimento do organismo
 摇头摆尾去心火 - Yao tou bai wei qu xinhuo
Balançar a cabeça e o cóccix para acalmar o fogo do coração
 两手攀足固肾腰 - Liangshou pan zu gu shen yao
Segurar a ponta dos pés para fortalecer os rins
 攒拳怒目增气力 - Zan quan numu zeng qili
Estirar as mãos em punho com um olhar firme para fortalecer a força física
 背后七颠百病消 - Beihou cidian baibing xiao
Suspender os calcanhares sete vezes para se recuperar da doença

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