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Agonia e ambivalência no “Local da Cultura”

02 e 09 de março de 2021
16h às 19h
GELPOC / IFBA / PPGER / UFSB

BHABHA, Homi. “O bazar global e o clube dos cavalheiros ingleses”. Rio de Janeiro: Rocco. 2011
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
BHABHA, Homi K. A questão do “outro”. Diferença, discriminação e o discurso do colonialismo. In:
Pós-modernismo e política / organização de Heloisa Buarque de Hollanda. - Rio de Janeiro: Rocco
1991.
SCHIMIDT, Rita Terezinha. O pensamento-compromisso de Homi Bhabha: notas para uma introdução.
In: BHABHA, Homi. O bazar global e o clube dos cavalheiros ingleses. Rio de Janeiro: Rocco. 2011.

"De que modo se formam sujeitos nos 'entre-lugares', nos


excedentes da soma das "partes da diferença (geralmente
expressas como raça/ classe/gênero, etc)? De que modo chegam
a ser formuladas estratégias de representação ou aquisição de
poder no interior de pretensões concorrentes de comunidades em
que, apesar de histórias comuns de privação e discriminação, o
intercâmbio de valores, significados e prioridades pode nem
sempre ser colaborativo e dialógico, podendo ser profundamente
antagônico, conflituoso e até incomensurável?" (1998, p. 20).

1. Deslocamentos em Bhabha: Pressupostos: Teoria pós-estruturalista e


psicanalítica (feminista); diversidade cultural para diferença cultural; espaço
cultural híbrido; sujeitos culturais híbridos; mundo pós-colonial é híbrido;
cultura: inscrição e articulação do hibridismo e não no exotismo do
multiculturalismo ou na diversidade de culturas; identidade: paira de forma
incerta, tenebrosa, entre sombra e substância; integridade da identidade repousa
sobre agonia e anomia; imagens (nem negativas nem positivas): processos de
subjetivação possibilitados através do discurso do estereótipo / questionar: modo
de representação da alteridade;
2. Representação da alteridade: vontade de poder / saber; não especifica seus
limites de produção / enunciação e eficácia; individualiza a alteridade como
descoberta de suas pressuposições;
3. Pós-estruturalismo: prioridade (e o jogo) do significante revela o espaço da
duplicação (não da profundidade), discurso é articulado por meio desse jogo;
espaço da enunciação “condensa” problemas do sentido e do ser / problemática
da sujeição e da identificação (como algo se torna aquilo que é?); não revela
verdade suprimida; convite à um mundo de inscrições duplas (jogo / différance)
– espaço da escrita;
4. Convite: não considerar práticas e discursos da luta revolucionária como um
lado outro/sob (d)o “discurso colonial”; historicamente correpresentados /
interagem mutuamente; nunca podem ser apenas “lidos” tendo como base sua
oposição às estratégias do colonizador; atentar para identificações construídas
sob a marca de olhar voyerista: ambivalência de desejo pelo outro;
complexidade e contradições do desejo de ver e de fixar a diferença cultural em
um objeto abrangível; identificação emerge no intervalo entre a recusa e a
designação; identificação é encenada na luta agônica entre a demanda
epistemológica/visual por um conhecimento do Outro e sua representação no ato
da articulação e da enunciação;
5. Discurso colonial: cria um espaço para “povos sujeitos”; produz saber sobre
eles; exerce vigilância e controle; estimula prazer/desprazer; conhecimento
construído através do olhar do colonizado e do colonizador (antítese /
hierarquia); apresenta o colonizado como degenerado (racial / sexual); justifica
sistemas de instrução e administração; produz um “outro” [paradoxo] ao mesmo
tempo outro e totalmente apreensível;
6. Discurso colonial e do poder: inventa a historicidade; dominação; mimese;
fantasia e defesa psíquica; textualidade “aberta” [ambivalente]; “Reconhecer a
différance da presença colonial é perceber que o texto colonial ocupa aquele
espaço de inscrição dupla, sagrado – não, sangrado” (BHABHA, 2013, p. 179);
7. Perceber lugares contraditórios e diversos dentro do sistema textual; da
identificação de imagens como positivas ou negativas para uma compreensão de
processos de subjetividade tornados possíveis (e plausíveis) por meio de
discurso estereotípico; atentar para economia semiótico discursiva;

Aquele alinhamento familiar de sujeitos coloniais – Negro/


Branco, eu-outro – é perturbado por meio de uma breve pausa e
as bases tradicionais da identidade racial são dispersadas sempre
que se descobrem serem elas fundadas nos mitos narcisistas da
negritude ou da supremacia cultural branca (BHABHA, 2013, p.
77)

8. Estereótipo: modo ambivalente de conhecimento e poder; articulações


contraditórias do desejo e da realidade; piadas, mitos racistas, declarações
sexistas; estereótipo / poder colonial produz o colonizado com uma realidade
fixa; inteiramente conhecível e visível; Estereótipo: fobia/fetiche; (Fanon)
estereótipo ameaça o fechamento do esquema racial/epidérmico do sujeito
colonial e abre a estrada real à fantasia colonial; proceder à leitura do estereótipo
em termos fetichistas; Lacan: em termos de bloqueio do gozo pelo capital;
estereótipo nega diferenças do Outro;
9. fantasia colonial: não é uma atribuição de identidades prévias, mas sua produção
na sintaxe do cenário do discurso racista; não é em si o objeto de desejo, mas
sim seu cenário; exerce função crucial nas cenas cotidianas de subjetivação;

Já não estamos diante de um problema ontológico do ser, mas de


uma estratégia discursiva do momento da interrogação, um
momento em que a demanda pela identificação torna-se,
primariamente, uma reação outras questões de significação e
desejo, cultura e política (BHABHA, 2013, p. 92)

10. Estereótipo: simplificação que forma representação fixa e interrompida; nega o


jogo da diferença; cria um problema para a representação do sujeito em acepções
de relações psíquicas, sociais e complexas; “Onde quer que vá, o negro
permanece um negro”; signo “raça negra” (fixado pelo estereótipo) só permite
conexão com o racismo – negros licenciosos, preguiçosos...
11. Corpo / Estereótipo: esquema corporal complexo desmorona; esquema racial
epidérmico ganha destaque;
12. Representação: articula o histórico e a fantasia (cena do desejo) na produção dos
efeitos “políticos” do discurso / Bhabha rasura Said lendo Barthes:
“representações são formações, ou como Roland Barthes disse de todas as
operações da linguagem, elas são deformações”;
13. Analisar processos de representação: processos através dos quais conteúdos são
fixados como “efeito de verdade” apontam para o “olhar estruturado do poder
cujo objetivo e a autoridade, cujos ‘sujeitos’ são históricos” (BHABHA, 2013, p.
181; “verdade” algo em torno do que se luta, papel político e econômico que a
“verdade” representa;
14. Estereótipo: impede a circulação e a articulação do significante como qualquer
outra coisa a não ser a permanência estratégica para a qual fora criado; sujeito
gira em torno do pivô do “estereótipo” para regressar a um ponto de
identificação total;
15. Estereótipo racista: por meio do ato de negação e fixação, o sujeito colonial
branco regressa ao narcisismo do Imaginário e à sua identificação de um ego
ideal branco e inteiro; Estereótipo machista; homofóbico...;
16. Lacan / Fanon: Imaginário: transformação do sujeito que ocorre durante a fase
especular formativa, quando ele assume uma imagem separada que lhe permite
postular uma série de equivalências, igualdades, identidades, entre os objetos do
mundo ao seu redor; posicionamento problemático; o sujeito se reconhece por
meio de uma imagem alienante e confrontante;
17. Duas formas de identificação – Imaginário: narcisismo e agressividade (agências
do poder colonial/estereótipo – conhecimento da diferença e sua negação ou
encobrimento); [gramática] posições metafórica/narcisista e
metonímica/agressiva;
18. Estereótipo: modo de representação incompleto e fetichista; requer uma cadeia
contínua e repetitiva de outros estereótipos;
19. Fetiche/estereótipo/identidade: possibilita o acesso a uma “identidade” (distinta);
identidade ocorre por meio de uma imagem alienante e potencialmente fonte de
confrontação; [daí que] identidade tem a ver com narcisismo e agressividade;
[daí que] estereótipo é uma forma de convicção múltipla e contraditória,
domínio e prazer, ansiedade e defesa; reconhece e recusa a diferença;
20. Cena do fetichismo: reativa fantasia primária: desejo do sujeito por origem pura
ameaçada por sua divisão; “Como a fase do espelho, “a completude” do
estereótupo – sua imagem enquanto identidade – está sempre ameaçada pela
“falta”;
21. Estereotipar não é criar uma imagem falsa: é um texto muito mais ambivalente
de projeção e introjeção de estratégias metafóricas e metonímicas,
deslocamentos, causas múltiplas, culpa e agressividade; significa o
encerramento, ruptura de conhecimentos “oficiais” e fantasmáticos para
construir as posições e oposições do discurso racista;
22. Discriminação: reiterativa; deve trazer constantemente à consciência suas
representações;
23. Imagem: não deve ser lida mimeticamente como aparência de uma realidade;
realidade liminar (entre – deslocamento e repetição; ausência/presença;
representação/repetição); metáfora; ilusão de presença; metonímia (ausência,
perda, recorte, representação, encenação); imagem instaura um princípio de
indecidibilidade na significação (parte e todo / passado e presente / eu e Outro);
não pode – nenhuma imagem – identificar ou interpelar a identidade como
presença / (Fanon): O que quer um homem negro?
24. Imagem: deslocamento do olhar (nem boa nem má): eficácia; posições de poder
e resistência, dominação e dependência: emergência do sujeito da identificação
colonial (colonizador e colonizado / nunca totalmente do lado de fora ou em
oposição implacável); construir o regime de verdade de imagens coloniais
(Foucault);
25. Metonímia: contiguidade; substitui parte pelo todo; articulação parte e todo,
identidade e diferença [parte/identidade; todo/diferença]; Derrida: suplemento:
relação diferencial e estratégica ao invés de originária; ambivalência, em vez de
acumulativa; duplicadora, em vez de dialética;
26. Poder: funciona produtivamente ao mesmo tempo como estímulo e interdição;
27. exercício do poder colonial: obscurece suas inter-relações; produção em forma
de fetiche; produtos de uma preeminência racial naturalizada;
28. poder colonial / mímica: estratégia de poder e saber colonial; mímica como um
acordo “irônico” – porque se pretende passar por “autêntico”, através de um
processo de escrita, repetição, apropriação, violência, vigilância; como
castração: desejo do Outro é reformado; mímica produz um Outro reconhecível,
“sujeito da diferença que é quase a mesma, mas não exatamente”; repetição de
uma “presença parcial”; “Quase o mesmo, mas não são brancos” – mímica e
interdição; objetivos estratégicos da metonímia – metonímia da presença;
29. Da mímica à ameaça: história se torna farsa; presença se torna “parte”;
narcisismo e paranoia se repetem furiosamente;
30. (Bhabha): político é deslocado / inscrito no espaço da textualidade, do discurso
como prática de significação;
31. Lacan: real não é acessível à consciência; conceito é um campo de operações
discursivas; [Daí que] povo, a comunidade, a luta de classes, o antirracismo, a
diferença de gênero, a afirmação anti-imperialista (etc.): não se apresentam
como realidades constituídas sob uma forma primordial; não são mero reflexo de
um objeto político unitário ou homogêneo; fazem sentido tão somente quando
vêm a ser construídos no e pelo discurso (p.28);
32. Bhabha / Derrida: centralidade do performativo; ato de linguagem ressignifica
enunciados cristalizados (olhar para o contexto); escrita e diferença: repetir,
repetir com/na diferença (não há retorno a um imanente);
33. Metafísica / Logocentrismo: origem histórica, pureza racial (demais mitos)
acionados para “normalizar” as crenças múltiplas e os sujeitos divididos que
constituem o discurso colonial como consequência do seu processo de negação;
34. [Daí que] Qualquer posição específica será problemática: local da permanência e
da fantasia; [Não há O local da cultura];
35. Iterabilidade (Derrida / Bhabha): condição de sentido: alguma coisa só faz
sentido se enunciada dentro de determinadas condições de repetição;
36. agência histórica e social do sujeito sempre se dá de forma performativa;
recuperável na estrutura do presente enunciativo; lugar de posicionalidade e de
referência (p.32-33);
37. narrativa: discurso de autodesvelamento; produção de sujeitos; posicionamento
de espectadores; narrativa é intercessiva: noção de singularidade ou de soberania
(posição humana do “falar entre”) (p.108);
38. demanda pela narrativa: “caso de polícia”: [Derrida] insistência inquisitorial,
uma ordem, uma petição. Demandar a narrativa do outro, extorqui-la dele como
um segredo sem segredo, algo que eles denominam a verdade sobre o que
ocorreu – “Conte-nos exatamente o que se passou”; interpelação e esvaziamento;
39. interpretação: ato de intervenção; representação: prática metafórica e mimética;
questões institucionais mais amplas da regulação social da cultura (p.105-106);
ação e o discurso: algo que “inter-essa”; relaciona e interliga; discurso e a ação
se referem a essa mediação; quem interpreta é o sujeito – ator ou seu sofredor,
mas não autor (p.106-107); coloca em movimento o sistema de diferenças /
différance; está implicada no double bind: a (im)possibilidade do sentido ou da
experiência; tradução; montagem; fragmentação;
40. desvelamento do agenciamento: (tanto de atores quanto de sofredores) produz-se
uma narrativa da sociedade humana, de autoria de ninguém; teia de relações
humanas estabelecida por meio da linguagem e da ação;
41. assombros / fantasmas: espectros da memória, fantasmas do futuro e do
presente; Espaço/tempo assombrado: formas diacrônicas da história e da
narrativa, signos da instabilidade;
42. futuro: intersticial – emerge no entrelugar situado em meio às reivindicações do
passado e às necessidades do presente;

O presente não pode mais ser encarado simplesmente como uma


ruptura ou um vínculo com o passado e o futuro, não mais uma
presença sincrônica [recorte]: nossa autopresença mais imediata,
nossa imagem pública, vem ser a revelada por suas
descontinuidades, suas desigualdades, suas minorias (2013,
p.24).

43. epifania / “autoridade”: dupla dobra do sujeito: criador ou espectador que não
pode transcender; se localiza na mediação, no meio da sua própria produção
como agente, nos interstícios primeiros da intenção e da interpretação (p.109);
44. palavras híbridas, unidas por hifens: elementos incomensuráveis; natureza
performática da produção da identidade e do sentido; regulação e negociação
desses espaços que são contínua e contingentemente “abertos”; fronteiras –
limites de qualquer reivindicação por um sinal de identidade ou por um valor
transcendente singular e autônomo (verdade, beleza, classe social, sexo, raça;
origem);
45. Edward Said: questiona os mitos do poder e do conhecimento ocidentais que
confinam o colonizado e despossuído a uma semivida de semi representação e
migração; memória perturbadora dos seus textos coloniais; propõe uma
semiótica do poder “orientalista”: levantar o problema do poder enquanto
questão narrativa – introduz um novo tópico no território do discurso colonial;
orientalismo é “uma forma de realismo radical”; tempo que empregam é o
eternamente atemporal; carregam uma impressão de repetição e força; examina
discursos que constituem o “Oriente” como uma zona do mundo unificada
(racial, geográfica, política, cultural); território “fixo” continuamente ameaçado
por formas diacrônicas de história e narrativa, signos de instabilidade;
46. desejo da presença: episteme ocidental e seus regimes de representação;
47. alteridade cultural: momento da presença na teoria da différence; lugar da
alteridade apresenta-se no Ocidente como uma subversão à metafísica ocidental;
apropriada pelo Ocidente (texto limite, antiocidental);
48. Etnocentrismo (Derrida): exercício do poder colonial em relação à hierarquia
violenta estabelecida entre as culturas escrita e oral;
49. Estratégias de normalização: diferença entre linguagem normativa “oficial”
(administração e instrução coloniais) e forma não-marcada, marginalizada,
crioula; vernáculo: lugar da dependência e resistência culturais do sujeito nativo,
signo de vigilância e controle;
50. Visão anti-etnocêntrica: reconhecer o espetáculo da alteridade; perdas, fissuras,
borraduras (contraria a metafísica da presença);
51. objetivo do discurso colonial: construir o colonizado como população de tipo
degenerado, tendo como base uma origem racial para justificar a conquista e
estabelecer sistemas administrativos e culturais;
52. Filmes como “entretenimento”: receptáculo do sujeito numa economia narrativa
de voyeurismo e fetichismo, medo e desejo; ex: discursos do colonialismo
cultural americano e a dependência mexicana; “Encontrar” pontos sinalizadores
de identificação e alienação, cenas de medo e desejo nos textos coloniais;
53. medo/desejo de miscigenação: fronteira americana como significante cultural do
espírito “americano” machista e pioneiro sempre sob a ameaça (portanto
dependente do discurso) das raças e culturas além da fronteira; subjetivação do
sujeito dominado não pode ser pensada sem o ser dominante colocado
estrategicamente dentro desse mesmo espaço; discurso e poder colonial não são
de propriedade exclusiva do colonizador;
54. discurso colonial fetichista: conflito entre prazer/falta de prazer, domínio/defesa,
conhecimento/negação, ausência/presença é de importância fundamental para o
discurso colonial; cenário do fetichismo: reativação e repetição da fantasia
primitiva / desejo do sujeito de uma origem pura sempre ameaçada pela própria
divisão;
55. poder disciplinar por vias indiretas: produção de conhecimento do sujeito-raças
como “anormal”: “anormalidade da intervenção imperialista para acelerar o
processo de seleção natural”; normalização pode implicar absorção ou
incorporação do sujeito-raças; cooptação das elites tradicionais (administração
colonial): modo de domesticar o instinto ambicioso dos nativos; sujeito nativo
como lugar de poder produtivo – subserviente e indisciplinado; sujeito como
objeto de vigilância, tabulação, enumeração, paranoia fantasia;
56. Discurso colonial: articulação complexa dos tropos do fetichismo – metáfora e
metonímia; formas de identificação narcisista e agressiva disponíveis para o
Imaginário;
57. Discurso estereotipado racista: forma de governo – divisão produtiva da sua
organização do conhecimento e do exercício do poder; diferenças de raça,
cultura e história elaboradas pelos conhecimentos estereotípicos, teorias racistas
e experiência administrativa colonial; institucionalizam uma série de ideologias
políticas e culturais; a população colonizada como causa e consequência do
sistema, aprisionada no círculo interpretativo;
58. identidade colonial: atua como todas as fantasias de originalidade e procedência
frente ao espaço da desordem e da ameaça da heterogeneidade de outras
posições; sujeito é construído dentro de um aparato de poder que contém, em
ambos os sentidos da palavra, um "outro" conhecimento, que
incompleto/fetichista, circula dentro do discurso colonial como a forma limitada
da alteridade, como forma fixa da diferença: o estereótipo;
59. o outro é um estereótipo; o estereótipo é um objeto impossível; [Daí que]
problema da representação ou construção da diferença perturba seu
reconhecimento e sua negação;
60. fetiche do discurso colonial: esquema epidérmico (Fanon) não é, ao contrário do
fetiche sexual, um segredo; pele é significante chave da diferença cultural e
racial do estereótipo; fetiche mais visível; significante que atua publicamente no
drama racial cotidiano das sociedades coloniais;
61. Mas, e se toda origem for sempre tradução? Vida após a morte (do Texto) /
sempre no pretérito imperfeito do subjuntivo: dúvidas, desejos, incertezas,
probablilidades, sentimentos – oração subordinada condicional. / morte para que
possa haver Vida;
62. E se tudo implicar uma Ética da Tradução?

Nossos referentes em prioridades políticas – o povo, a


comunidade, a luta de classes, o antirracismo, a diferença de
gêneros, a afirmação de uma perspectiva anti-imperialista, negra
ou terceira – não existem com sentido primordial, naturalista.
Tampouco refletem o objeto político unitário ou homogêneo.
Eles só fazem sentido quando vêm a ser construídos nos
discursos do feminismo, do marxismo, no terceiro cinema, ou do
que quer que seja, cujos objetos de prioridade – classe,
sexualidade ou “a nova etnicidade” – estão sempre em tensão
histórica e filosófica ou em referência cruzada com outros
objetivos (Bhabha, 2013, p. 57).

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