Você está na página 1de 4

WILSON ROBERTO DO NASCIMENTO

LARRY CRABB

E O ACONSELHAMENTO NOUTÉTICO

Trabalho apresentado em cumprimento às


exigências da matéria Aconselhamento I,
ministrada pelo Rev. Jonatas Abdias.

SEMINÁRIO TEOLÓGICO PRESBITERIANO


REV. JOSÉ MANOEL DA CONCEIÇÃO
2018
Segundo Jay Adams, para ser bíblico o aconselhamento deve ser noutético, palavra transliterada do
grego e que tem relação com confronto e exortação. Essa é a idéia básica do aconselhamento de Jay
Adams: confronto com o pecado pessoal na vida do aconselhado. Para o autor não existem os termos
“neurose e psicose”, isto é algo que a ciência rotula, sendo que, por trás de toda doença não orgânica
encontra-se um pecado pessoal que deve ser confrontado para que ocorra o arrependimento, ou seja,
a mudança de comportamento. John MacArthur Jr. desenvolve seu Aconselhamento Bíblico
estabelecendo forte separação entre a Psicologia e o Aconselhamento, postura esta, que deve ser
assumida por todos os cristãos compromissados com a Bíblia.

A partir da publicação do livro Conselheiro Capaz em 1970 nos Estados Unidos, idéias e opiniões
contrárias ao uso da Psicologia têm sido difundidas em larga escala, conduzindo inúmeros cristãos e
pastores, não somente a questionar a cientificidade da Psicologia, mas também sua validade e
utilidade dentro do contexto da fé cristã e do Aconselhamento Cristão.

Jay Adams afirma que, ao crer na veracidade e autoridade da Bíblia, o que lhe cabia era dizer que
especialistas em saúde mental erravam profundamente tentando transferir do pecador a sua
responsabilidade, colocando a fonte do seu problema alcoólico ou sexual em fatores estruturais ou
sociais completamente fora do seu controle. “Ao invés disso, a Palavra de Deus afirma que a fonte
desses problemas jaz na depravação da natureza humana decaída”. Essas são as pressuposições
básicas que vão permear todo o Aconselhamento Noutético de Adams: a Bíblia é inequívoca quando
enfatiza dois conselhos opostos, ‘divino’ e ‘demoníaco’, e quando destaca que a aflição humana,
exceto a de origem demoníaca, é ou física ou pecaminosa (às vezes ambas as coisas).

Em relação à Bíblia, para Adams ela é o compêndio de aconselhamento por excelência. Tudo o que é
necessário para formar valores, crenças, atitudes e estilos de comportamento, é encontrado na Bíblia.
Como para Adams nenhum outro livro é capaz de fazê-lo, todas as outras obras que tentam traçar um
quadro geral sobre as questões básicas do ser humano, para serem utilizadas no aconselhamento,
passam a rivalizar com a Bíblia. É por isso que o método de Adams conclama para si o rótulo de “O
Aconselhamento Bíblico”. Para Adams, a Bíblia é útil para os propósitos noutéticos de reprovar,
ensinar, corrigir e treinar os homens na justiça. “O que quer que seja a atividade noutética, é evidente
que o Novo Testamento presume que todos os cristãos – e não apenas os ministros do evangelho –
devem ocupar-se dela”, no entanto ele também afirma que, como vocação de vida, o aconselhamento
deve ser prerrogativa do pastor ordenado. O Aconselhamento Noutético, também é autorizado no
sentido de que intermedia a autoridade de Deus, pois, para Adams “se um paciente se recusa a
cumprir a vontade de Deus, a melhor coisa que o aconselhador tem por fazer é despedi-lo”.

O modelo de Lawrence CRABB declara a autoridade das Escrituras estimulando a crença na


suficiência de Cristo, possui uma habilidade peculiar e cautelosa, numa abordagem integracionista
com a psicologia e a bíblica, cuidadosamente passando os conceitos seculares da psicologia pelo
crivo da Escritura inerrante. A visão sobre aconselhamento pode se resumir da seguinte forma:
Aconselhar é conduzir a maturidade, é ensinar a pensar de forma a produzir a mente transformada,
que atua sobre o comportamento da pessoa e resulta em sentimentos construtivos. Todo homem
necessita de significado e segurança por causa da transgressão da lei de Deus e da ofensa pessoal a
Sua Pessoa. O corpo de Cristo é o ambiente ideal para o aconselhamento. A “koinonia” prática da
verdadeira comunidade, a comunhão abre um campo para o encorajamento, para a exortação e para o
esclarecimento de vidas vazias, sem propósitos verdadeiros e sujeitas a grande número de desordens
psicológicas. (CRABB, 1984).

Crabb “desenvolveu” um modelo de aconselhamento, que é principalmente um sistema psicológico


sobre as necessidades inconscientes motivadoras do comportamento humano, o qual contém tanto a
psicologia freudiana como a humanista. O principal bloco de apoio do modelo de Crabb é a
pressuposição de que o homem possui essas “necessidades” básicas no âmago do seu ser, as quais
motivam todo o seu comportamento. Crabb até ensina que um cristão só pode ser realmente
produtivo quando descobre que as suas próprias necessidades são importantes. Por isso Crabb
desenvolveu o que ele chama de “teologia da necessidade”, naqueles cristãos que já não precisam
indagar o que é certo ou errado, mas simplesmente se isso vai ao encontro de suas assim chamadas
necessidades e do que contribui para o seu autoconceito, desviando-os, assim, da verdade objetiva e
diminuindo neles a conscientização de pecado.

Larry Crabb afirma acreditar na suficiência das Escrituras, mas aparentemente apenas no sentido que
elas são suficientes como “sistema básico”.  Por isso ele suplementa esse “sistema básico” com
insights psicológicos, reduzindo o papel da Bíblia ao de mera fonte de “dados”. Ele acredita que os
problemas do homem têm suas raízes na necessidade de “segurança” (definida como uma
necessidade de amor, tanto incondicional como consistentemente expresso, e na aceitação
permanente) e na “significação” (definida como propósito, importância, adequação a uma ocupação,
significação e impacto), enquanto a Bíblia ensina que as necessidades mais importantes do homem
são a “salvação” e a “santificação”.
Crabb não enxerga o papel essencial do Espírito Santo para dar poder e graça à vida do crente. O seu
sistema é essencialmente psicológico, tratando das necessidades do inconsciente, as quais,
supostamente, motivam o comportamento humano, sistema esse que provém da psicologia freudiana
e do psicólogo humanista Maslow (A PIRÂMIDE DE MASLOW). Com a sua hierarquia das
necessidades com maior ênfase nas chamadas necessidades emocionais, cuja satisfação resulta em
um senso de dignidade pessoal e na saúde psicológica. Quando tais necessidades não são satisfeitas,
segundo Crabb, elas produzem intensa dor e tristeza, até mesmo sem a pessoas perceberem.

O aconselhamento bíblico deve ser centrado em Deus, e deve procurar acima de tudo fazer com que
a pessoa cresça em maturidade espiritual e seja obediente a Deus e não apenas, satisfazer as suas
necessidades pessoais. Crabb não nega que o conselheiro deve usar as Escrituras, no entanto, quando
parte para a solução dos problemas a sua base é humanista, pois está centrada nas necessidades
humanas, e quando o foco do aconselhamento está voltado para suprir as necessidades de uma pessoa
ele acaba por perder um dos seus principais aspectos; a teo-referência, ou seja, a busca de uma
hermenêutica bíblica a respeito das necessidades humanas, ficando assim comprometida a sua grande
finalidade, que é transformar o caráter e uma pessoa visando a glória de Deus.

Bibliografia consultada:

BABLER, John&Nicolas Ellen. Fundamentos Teológicos do Aconselhamento Bíblico e suas


aplicações práticas. Nutra Publicações. São Paulo. 2017.
MACARTHUR, John F. Introdução ao Aconselhamento Bíblico. Editora Hagnos. São Paulo. 2004
MARINHO, Ruy. Disponível em: https://sites.google.com/site/mackenzietextos/aconselhamento-
noutetico

Você também pode gostar