Você está na página 1de 77

Laís Khoury

Laís Khoury

Psicóloga cognitiva comportamental

Educadora parental
Laís
Khoury

Laís Khoury

Psicóloga cognitiva comportamental

Educadora parental
Antes de começarmos, vamos conhecer um pouquinho mais sobre a autora desse ebook: Laís Pereira Khoury
– Quem sou eu?
q psicóloga formada em julho/2009 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie,
q especialista em desenvolvimento infantil pela University of Melbourne, Austrália,
q mestre em distúrbios do desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie,
q Formada em Family partnership training program ( trabalhos com famílias) pelo Royal Children’s hospital
Melbourne,
q especialista em psicologia cognitiva comportamental pelo ITC,
q cursos de aprimoramento e formação em terapia cognitivo comportamental focada na criança e no
adolescente,
q participação em diversas conferências internacionais sobre terapia cognitiva comportamental e família,
transtornos de ansiedade, depressão, entre outros,
q certificada no método friends para crianças, adolescentes e adultos (programa de inteligência emocional),
q educadora parental certificada pelo Pda-USA em disciplina positiva,
q certificada em terapia racional emotiva comportamental e terapia cognitiva comportamental- nível
avançado pelo The Albert Ellis Institute,
q formação em terapia comportamental para crianças e adolescentes pelo ITCR,
q certificada e capacitada em terapia da reciclagem infantil,
q Atualização em terapia de aceitação e compromisso pelo Hospital das Clínicas,
q diversos congressos e cursos nacionais e internacionais durante todos esses anos de formada,
q Formação em terapia famíliar,
q E esse ano inicio uma pós graduação em neuropsicopedagogia.
q Estudando sempre para melhor atender meus pacientes.

Laís Khoury
– Este livro é para você,
mãe/pai, que está
empenhado em oferecer
para seu filho uma educação
diferenciada e de qualidade .
Esse é apenas o primeiro
ebook de uma coletânea
chamada: eduque com afeto,
que estou lançando, com
teoria, prática, dicas,
orientações e exemplos
baseados em conhecimento
científico e na minha longa
experiência de trabalho, com
o objetivo de ajudar você, a
lidar com diversos
comportamentos do mundo
infantil.
– Você quer transformar a
relação com seu filho ?
Então vem comigo.
– Muitos pais, me relatam
que querem tanto fazer
diferente, mas não sabem
como. Eles também
relatam que já tentaram de
tudo e mesmo assim não
conseguem modificar a
relação com seus filhos. E
eu digo para vocês que
podemos SIM transformar
nossa relação e ajudar
nossos filhos a se
desenvolverem de forma
saudável e com qualidade.
Esse ebook é apenas o
começo dessa linda
jornada que faremos
juntos.
–Capítulo II : Sobre
comportamentos
agressivos

Laís Khoury
– O que é um comportamento agressivo para vocês? Quero
que pensem e respondam antes de passar para a próxima
página!!!!

Laís Khoury
– O primeiro ponto que eu quero considerar aqui é que
nossos sentimentos de raiva e nossos comportamentos
agressivos precisam ser observados e entendidos como
“elementos fisiológicos, cuja variação genética foi
selecionada ao longo de milhões de anos do processo
evolutivo. “ (Zortea, 2013). E porque a genética selecionou
essas variações? Porque elas contribuíram para a
sobrevivência e reprodução da nossa espécie.

Laís Khoury
– Vocês sabiam que em toda sociedade
humana existe a presença de
comportamentos agressivos? (Queiroz,
2009). O que mais Queiroz afirmou em
suas publicações, é que existem
sociedades que valorizam e consideram
os comportamentos agressivos como
virtude , ao mesmo tempo que outras
sociedades valorizam muito mais a
comunicação não violenta.
– Agora, vamos olhar para nossa
comunidade (família, escola, grupo de
amigos...) : o modo como nossas
crianças são socializadas e ensinadas
desempenha um papel fundamental à
e aqui vamos para o segundo e crucial
ponto: a ontogênese.

Laís Khoury
– Resumindo: de acordo com Zortea (2013) o
comportamento agressivo foi selecionado pela filogênese
com o objetivo de sobrevivência e reprodução das nossas
espécies. Entretanto, a ontogênese e a cultura ampliam as
funções do comportamento agressivo.

–Como assim?

Laís Khoury
– Vou começar explicando o que é ontogênese. É simplesmente a história de
vida da criança, que para nós é extremamente valiosa. É aqui que
encontramos as respostas do porque certos comportamentos acontecem e
se repetem.
– Por exemplo: Luca acabou de almoçar e quer brincar no tablet. Ele então
pede a seus pais e estes respondem que somente após a tarefa escolar.
Luca tenta negociar e diz que fará a tarefa depois , os pais dizem que esse
não é o combinado. Luca diz que ontem a mãe deixou e então implora , faz
promessas e até chantagens. Os pais , firmes, continuam a dizer não. Luca
diz, aos gritos, que eles são chatos, os piores pais do mundo, que odeia seus
pais. Ele faz isso por uma hora. Sua mãe cansada, depois de trabalhar horas
na frente do computador, diz: “pega logo esse tablet e para de gritar”.
Porque Luca age assim?
Laís Khoury
– Quando falamos em ontogênese, estamos falando que precisamos olhar
por trás do comportamento da criança. O que ela quer dizer com esse
comportamento? Quando ele ocorre? O que ele ganha com o
comportamento agressivo? Alguém reforça esse comportamento? Por
exemplo: nessa situação, ele conseguiu o tablet, pois mãe estava
estressada e exausta por conta do trabalho e não aguentando a birra de
Luca, cedeu para ter um minuto de descanso. Logo, o que Luca aprendeu se
comportando dessa maneira? 1. que as vezes, quando ele se comporta
agressivamente, ele consegue o que quer. Quais as chances então, do
comportamento se repetir? ALTÍSSIMAS.
A agressividade é um fenômeno sociobiológico e pode ser
encarada como a manifestação e expressão (inadequada) de
emoções.

Laís Khoury
– Pergunta:
- Quais são os três grandes fatores que influenciam nosso
comportamento?
Laís Khoury
– Resposta:

Herança genética (filogênese) ,

-Nossa história de vida – toda aprendizagem que temos desde o


Laís Khoury nosso nascimento, (É AQUI QUE FOCAMOS E TRABALHAMOS,
POIS ESTE, NÓS CONSEGUIMOS MODIFICAR).

Cultura.
– Herança genética é importante? Sim, com certeza. Ela nos diz
muito, especialmente, a respeito de probabilidades e aspectos
físicos. Entretanto, temos que ter muito cuidado, pois quando os
pais não conseguem entender, nem explicar os comportamentos
dos filhos, eles já os associam a fatores genéticos e nós não
mudamos os genes. O que mudamos? Comportamentos. Estes são
aprendidos e podem se modificar a depender de como nós, pais,
vamos interagir e nos relacionar com nossos filhos e com o
ambiente que nos cerca.
Laís Khoury
– Dizer que Luca grita, xinga, berra e se joga no chão porque puxou
ao gênio do seu bisavô, não diz como Luca aprendeu a se
comportar de maneira agressiva. Não diz nada e nem nos ajuda
em nada. Prestem bem atenção: não existe um gene específico de
gritar e falar palavrão. Luca APRENDEU a fazer isso.
Quero ,PRINCIPALMENTE, que
vocês tenham em mente que o
comportamento (seja ele de
agressividade ou outro qualquer) é
um produto da história daquela
criança e da sua relação com o
ambiente . Porque alguns
comportamentos se mantém e
outros não? Na sua história de vida,
a criança aprendeu que certos
comportamentos geram
consequências reforçadoras. Ou
seja, a probabilidade do
comportamento se repetir
depende da relação que ele tem
com o que acontece no ambiente.
Por exemplo: quando nosso filho
aprende a montar e encaixar
pecinhas, nós dizemos: “muito
bem”, beijamos , abraçamos e isso
faz com que ele faça de novo,
porque ele quer ver o sorriso do seu
pai, ganhar beijos e abraços , afeto
e atenção.

Laís Khoury
– Montar pecinhas
(Comportamento) à
beijos, abraços e atenção
dos pais (consequência
reforçadora)

– Quando um
comportamento (seja ele
adequado ou inadequado)
é seguido por
consequências
reforçadoras , ele
apresenta a probabilidade
de aumentar e se repetir.
– Os estudiosos da área explicam que as crianças
nascem com o neocórtex ainda em formação.
Essa área representa todas as áreas mais
desenvolvidas do córtex, o que quer dizer que ela
é responsável pelos pensamentos, solução de
problemas, auto controle, reflexão e
planejamento. Nos primeiros anos de vida das
nossas crianças, essa região não apresenta
conexões suficientes entre os neurônios, o que
significa que essas habilidades estão em
formação. Nós, adultos, precisamos saber disso,
pois muitas vezes cobramos das crianças o que
elas ainda não estão aptas para realizar. Muitas
vezes cobramos de cérebros imaturos, certos
comportamentos maduros demais.
– Uma curiosidade: vocês sabem quando o nosso
cérebro fica prontinho para funcionar?
– Com mais ou menos 24 anos de idade. Até lá,
nosso cérebro continua em formação. E mesmo
depois dessa idade ele continua aprendendo e se
modificando.

Laís Khoury
– De acordo com Siegel e Bryson (2011) o nosso cérebro tem muitas
partes diferentes com diversas funções. O lado direito é responsável
por sentir as emoções; o lado esquerdo nos ajuda a pensar de
maneira lógica e a organizar pensamentos em frases; há o “cérebro
reptiliano” ou inferior, que tem uma função importantíssima – nos
permite agir de maneira instintiva e tomar decisões de
sobrevivência com rapidez. O bebê já nasce com essa parte do
cérebro plena (diferentemente das outras áreas). E por último, o
superior que é o responsável pelo planejamento, resolução de
problemas, pensamentos, autocontrole, etc...Ainda, de acordo com
esses autores , é necessário que todas essas partes do cérebro
possam trabalhar em conjunto , como um todo. E para isso
acontecer, as crianças precisam da ajuda dos pais.
– Quero que fique claro que mesmo a maturidade neurológica, não
garante uma maturidade emocional, pois esta precisa ser
APRENDIDA, e os pais tem um papel essencial e fundamental aqui.

Laís Khoury
– Exemplo: João tem um ano e meio e adora abrir
a porta que dá para a área externa de sua casa
para brincar com a mangueira. Ele já sabe abrir a
torneira e molha tudo: encharca a grama, molha
o chão e se molha também. (Adora!). As vezes, a
mãe permite que ele brinque e até brinca com
ele. Na sexta-feira, João quis brincar com a
mangueira e a mãe não deixou. João se jogou no
chão, gritou, chorou e esperneou , deixando o
coração da mãe apertadinho. Nessa situação não
adianta brigar. Lembra que o cérebro dele ainda
está em formação? Tão pouco, devemos fazer
todas as suas vontades. Ele precisa que o adulto
da casa o ajude e o ensine a se acalmar. A mãe de
João ofereceu seu colo e ele foi chorar abraçado
nela. Quando passou, voltou para a porta para
tentar sair novamente e a mãe o pegou no colo e
o levou para outra parte da casa com o objetivo
dele se distrair com outras coisas possíveis de
fazer naquele momento, que não brincar com
água.

Laís Khoury
– Papais e mamães, não
adianta esperar que nossos
filhos achem super legal
aceitar o não. É difícil para
nós, imagine para eles?
Eles precisam que os pais
consigam estar calmos
(para ser o modelo) e
também para ensiná-los
como se acalmar. (várias e
várias vezes. Crianças
aprendem por repetição).

Laís Khoury
– Já é difícil para nós, adultos,
utilizarmos nosso cérebro
como um todo; agora imagine
para uma criança, a qual o
cérebro está em formação?
Ela precisa muito de nossa
ajuda para integrar todos
esses aspectos. Focando no
assunto da agressividade:
quando nosso filho está sendo
agressivo, ele precisa de nossa
ajuda para entender o que
está sentindo e como mudar
de comportamento.
Entendem? Nossos filhos
precisam de nós, seus pais!
Nenhuma criança se cria
sozinha.

Laís Khoury
Todo pai e mãe consegue
perceber quando o
cérebro do filho não está
integrado. Eles ficam
totalmente imersos nas
emoções . Não
conseguem agir de
maneira racional e
tranquila. A agressividade
e a birra é o resultado da
perda dessa integração,
por exemplo.
Quero que prestem muita atenção: o
cérebro é plástico. Isso quer dizer que
ele se modifica, não apenas na infância
( porém, principalmente na infância),
mas durante toda a vida. E o que
molda nosso cérebro? Vocês sabem?
O que será?

Laís Khoury
As experiências
– Para aprendermos qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, temos que ser
expostos. Por exemplo: para que nosso filho aprenda a lidar com o não,
do que ele precisa? Ele precisa ser exposto ao não. Ele vai aprender pelas
consequências de suas ações e também pela modelagem. E o que é
modelagem, Laís? Pais como modelos e exemplos.
– Um casal de amigos me disse que o filho deles não aceita almoçar de
jeito nenhum, que faz um show aos gritos quando é hora de almoçar.
Perguntei a eles o que eles fazem quando o filho não quer almoçar e eles
me disseram que dão o leite que o filho adora. Olha que importante o
que está sendo ensinado para o filho deles: gritar – fazer um show
(comportamento) à gera consequência de fugir do almoço e ganhar Laís Khoury
leite. Logo, o que a criança está aprendendo com essa experiência? Que
gritar na hora do almoço gera consequências positivas. No próximo
almoço pode esperar que ela vai gritar e fazer um show novamente (e
conseguir seu leite).
– Outro exemplo: uma amiga, mãe do Kauã, me relatou sua
dificuldade em colocar casaco no filho de 3 anos. Ela me disse que
o filho foge toda vez que ela tentar colocar casaco nele.
Raramente ela consegue e quando isso acontece, ele se joga no
chão e fica aos berros. Perguntei o que ela faz quando ele age
dessa maneira e ela me disse que tira o casaco dele. Ela concluiu
que essa é a personalidade dele, que ele é assim e pronto. Não
tem o que eles possam fazer, vocês concordam?
– Eu não concordo. Temos o que fazer SIM....pois podemos
reprogramar nosso cérebro para vivermos de maneira mais
saudável e feliz. (Lembram que falamos sobre isso na
introdução?).
– Observação: essa minha amiga colocou em prática as estratégias
desse livro e sua relação com seu filho mudou muito (para melhor)
e hoje quando necessário, Kauã permite colocar o casaco.

Laís Khoury
Atenção aqui :
– “Acima da nossa arquitetura
cerebral básica e de nosso
temperamento inato, os pais
tem muito a fazer para
oferecer os tipos de
experiência que ajudarão a
desenvolver um cérebro
resiliente e bem integrado. “
(SIEGEL e BRYSON, 2011)

Laís Khoury
– Lembrem-se com muito carinho, papais
e mamães: quanto menor a criança,
mais nossos MODELOS de
comportamentos e atitudes as
influenciam. Muitas vezes , em nome de
ensinar, educar e disciplinar, nós somos
agressivos e punitivos. Dessa maneira, o
que estou ensinando para essa criança?
– Lembram, que nós, como pais, somos
os modelos? Quando gritamos,
xingamos ou batemos que imagem
estou oferecendo para meu filho?
Laís Khoury
– E mais: se a punição resolvesse os problemas, provavelmente você
não estaria aqui lendo esse livro. Punição gera medo ,
distanciamento e uma relação frágil entre você e seu filho. Fora
que, mesmo que a punição funcione a curto prazo, a longo prazo o
que você está ensinando para seu filho? A ter medo de você e
resolver os problemas de maneira disfuncional.
– Vocês sabiam que para ocorrer a aprendizagem é necessário
AFETO? E que afeto sem disciplina também não ensina? E agora,
Laís Khoury como ensinar ?
Capitulo IV: 10 estratégias
para lidar com o
comportamento agressivo
Estratégia I:
envolvimento
– Você tem tempo de qualidade com seu filho? Precisamos antes de
responder essa pergunta saber o que realmente significa tempo
de qualidade. Estar em um mesmo ambiente fazendo atividades
diferentes é estar junto? NÃO. Infelizmente, é isso que vem
acontecendo atualmente. Filho no tablet, pai na televisão e mãe
no celular. Tempo de qualidade e estar junto significa estar
realizando a mesma atividade, é demonstrar interesse pelo que
seu filho faz e diz. É um tempo para conversar sobre os assuntos
do interesse dele e seu também, um momento para rir, se
descontrair, se ENVOLVER. Estudos na área mostram que um
preditor de um desenvolvimento psicológico saudável , é o nível
de envolvimento dos pais com seus filhos.
– É preciso dedicar tempo e energia para educar. Nesse sentido, seu
filho precisa se sentir amado. Eu sei que você ama seu filho, mas
ele sabe e percebe isso? Você demonstra esse amor ? Você sabia
que quanto mais amada uma criança se sente , mais colaborativa
ela se torna?

Laís Khoury
– Amor não estraga filhos! Ame seu filho incondicionalmente e
demonstre para ele de diversas maneiras. O que pode atrapalhar o
desenvolvimento do seu filho, é mimá-los. Amar e mimar são coisas
completamente diferentes. Mimar é fazer tudo o que o filho quer;
amor é dar tudo que o filho PRECISA, é estar presente, é propiciar
experiências e momentos juntos, ser gentil e firme ao mesmo
tempo.
– Vou explicar tudo isso com um exemplo:
– Maria, 3 anos, queria comer um pedaço de bolo de chocolate, sua
mãe avisou que este havia acabado. Oque vocês acham que Maria
fez? Chorou . É claro que a mãe quis comprar outro bolo para filha,
mas respirou fundo e se controlou. Se ela fosse realmente comprar,
ela não estaria ensinando Maria a lidar com a frustração. A mãe
perguntou se ela queria um abraço e Maria correu para seu colo e ali
chorou um pouco mais. A mãe disse entender a tristeza de Maria e
fez carinho em seu cabelo. Quando Maria se acalmou, a mãe
perguntou se havia algo que elas poderiam fazer e Maria perguntou
se poderia comer um biscoito. Olha que interessante: Maria se
sentiu amada e criou sua própria solução com ajuda da mãe (que foi
firme e gentil ao mesmo tempo).
–

Laís Khoury
– Quando se é firme e gentil
ao mesmo tempo, você
respeita a criança e coloca
limites, ensinando
habilidades sociais e de vida,
como no exemplo de Maria.
A criança
provavelmente se sentirá
triste, com raiva e frustrada
por não conseguir o que
queria (e tudo bem, estamos
aqui para ensiná-las) e, ao
mesmo tempo, se sentirá
compreendida, respeitada e
amada. Crescerá sabendo
lidar com as frustrações,
respeitando a si mesmo e ao
próximo.

Laís Khoury
Estratégia II:
falar/conversar/ensinar
seus filhos sobre as
emoções.

Laís Khoury
– Essa estratégia é FUNDAMENTAL.
– Vocês tem esse hábito de conversar sobre as emoções em sua
casa? Se sim, que maravilha; continuem ! Se não , não tem
problema, vamos começar? Falar sobre as emoções ajuda seus
filhos a entenderem e compreenderem melhor os próprios
sentimentos e os das outras pessoas. Quando conhecemos e
entendemos melhor o que estamos sentindo, podemos agir de
uma maneira diferente, não é? Pergunte para seus filhos: “o que
deixou vocês tristes/alegres/ com medo/ chateados hoje?“ ,
compartilhem com eles exemplos do seu dia a dia e aproveitem
para falar como vocês lidam com essas emoções. Contem
exemplos de comportamentos funcionais e disfuncionais também,
contem o que aconteceu quando vocês se comportaram dessa
maneira e aproveitem para perguntar para seus filhos que ideia
eles dariam para vocês agirem diferente ?

Laís Khoury
– Vocês sabiam que
muitas vezes a criança
que age agressivamente
tem pouco repertório
verbal? Falar sobre o
que ela está sentindo,
pensando e sobre seus
comportamentos;
(assim como ser
modelo) vai ajudar as
crianças a aprenderem
novos repertórios mais
adequados e funcionais.
;)

Laís Khoury
– Essas conversas sobre
emoções podem também
acontecer de maneira
lúdica: além de conversar,
podemos brincar, ver
filmes , utilizar emojis do
celular, ouvir músicas e
falar sobre elas, ler livros,
desenhar junto com a
criança, etc... USEM SUA
IMAGINAÇÃO!!!!!
– Identificar e conhecer suas
emoções leva ao auto
controle. E é isso que
queremos para nossos
filhos, certo?

Laís Khoury
Estratégia III: antecipe-se
ao comportamento
agressivo

Laís Khoury
– Você sabe o que faz seu filho se comportar de maneira
agressiva? Se não, vamos observar? O que acontece antes
dele ser agressivo? Por exemplo: quando você dá uma
ordem? Quando você o chama para estudar/comer/tomar
banho? Quando está brincando com o irmão de carrinho?
– Pergunte-se: o que acontece antes do meu filho manifestar
comportamentos agressivos?

Laís Khoury
– Anote nessa tabela quais são os comportamentos agressivos do
seu filho, o que acontece antes e o que acontece depois:

ANTECEDENTES (o que COMPORTAMENTO CONSEQUÊNCIA (o que


acontece antes do acontece depois do
comportamento comportamento
Atenção: agressivo) agressivo)
Exemplo: pedi para ele Se jogar no chão, assistiu mais 20 minutos
desligar a tv e escovar os gritando. de tv.
dentes.

É importante que você anote alguns exemplos por uns dias


para conseguir ter uma noção do que está desencadeando o
comportamento agressivo do seu filho, o objetivo deste e o
que está acontecendo para mantê-lo.
Laís Khoury
Dica valiosíssima:

– Sabendo quando seu filho age de maneira agressiva, você pode se anteceder.
Como?
– Por exemplo: você sabe que quando seu filho mais velho, Juquinha, brinca de
carrinho com o irmão mais novo, Artur, eles brigam. O que você pode fazer? FAÇA
UM COMBINADO logo no começo da brincadeira. Exemplo: “Juquinha, sei que
muitas vezes quando você e seu irmão brincam de carrinho você fica com raiva e
incomodado, certo? Então, vamos fazer um combinado? Antes de você bater no
seu irmão, porque é PROIBIDO, você vai chamar a mamãe, pode ser?
Combinado?” à e quando ele te chamar, não brigue; mas sim ajude-os a resolver
o problema encontrando uma solução mais efetiva que brigar. (Faça isso várias
vezes).

Laís Khoury
Estratégias IV:
seja um
exemplo

Laís Khoury
– Você está ensinando comportamentos funcionais ou disfuncionais para seu filho? Você sabia que a
criança aprende o que ela VIVENCIA? E o que vocês estão vivenciando em casa, juntos? Não adianta
você dizer para Juquinha comer tomate e alface no almoço, enquanto você come batata frita.
– Vocês já repararam em uma coisa que fazemos muito em casa? Vou contar o que: muitas vezes, para
que as crianças parem de gritar, nós fazemos o que? Gritamos. Para elas pararem de brigar, o que
fazemos? Brigamos!
– Pergunta: O que estamos ensinando?

Laís Khoury
– Se Juquinha grita e a mãe grita mais alto, ele até para
SE LIGA NO naquele momento com seus gritos; mas olha que
perigo: ele aprendeu que quando ele gritar mais alto,
EXEMPLOà ele consegue o que quer.

Laís Khoury
Estratégia V:
conheça o que
está por trás do
comportamento
do seu filho
– O que seu filho está comunicando com esse comportamento agressivo? Ele está
fazendo isso para conseguir alguma coisa? Ele está tentando demonstrar algum
sentimento e não sabe como se colocar?
– Você consegue perceber quando acontece esse comportamento agressivo?
Somente quando a mãe está presente? Ou acontece em todos os ambientes e com
qualquer pessoa? Acontece quando você está dando atenção para ele? Ou quando
você está na correria sem tempo para seu filho?

Laís Khoury
– O que a agressividade está
escondendo? Você sabia que
muitas vezes, a
agressividade é a ponta do
iceberg? Ela pode estar
escondendo muitas
emoções: tristeza, ciúmes,
medo, frustrações.

Laís Khoury
Estratégia VI: Dê
atenção a
comportamentos
adequados do
seu filho
– Muitas vezes, infelizmente, acabamos dando
muito mais atenção aos comportamentos
inadequados dos nossos filhos. Quando ele
está brincando de maneira saudável e
funcional com o irmão, nós nem olhamos,
nem falamos nada, não damos atenção
nenhuma. Mas quando eles estão gritando e
brigando nós aparecemos. O que a criança
aprende? Se eu gritar e brigar, minha mãe
aparece? Hum, legal! Vou fazer de novo!

Laís Khoury
Você dá atenção ao seu filho em outros momentos ? Você conversa,
abraça e dá atenção quando ele está se comportando? Se sim,
continue. Se não, comece HOJE! Essa dica é fundamental para que
vocês possam ter sucesso em eliminar os comportamentos
agressivos.

Laís Khoury
Estratégia VII:
Ofereça um
ambiente
tranquilo e
acolhedor.
(Conexão antes
da correção)
– Muitos me perguntam: quando a criança está sendo agressiva,
podemos abraçar? Podemos acolher? Sim, podemos e devemos
(se a criança quiser, claro- não force)! É importantíssimo que a
criança se sinta segura e acolhida!

Laís Khoury
– Como posso ser acolhedora, nesse momento Laís?
– Vou te explicar com um exemplo: Juquinha quer comer biscoito antes do almoço e a mãe explica que nesse
momento não é possível, que ele pode ter o biscoito depois do almoço. Juquinha fica bravo e começa a
gritar: “eu quero, eu quero AGORA”. A mãe pode acolher seu filho dizendo algo como: “filho, eu também
fico chateada quando quero algo e não consigo. É muito chato, não é? Mamãe entende que você está
sentindo muita muita raiva.” (ajude seu filho a entender e expressar o que está sentindo e ACOLHA). “você
quer ajuda para se acalmar? Quer ficar aqui com a mamãe? Quer um abraço?”
– Observação: quando ele se acalmar, vocês podem conversar sobre o que aconteceu. “Juquinha, você ficou
muito chateado hoje quando eu não deixei você comer o biscoito né? Você sentiu o que? E o que você achou
do que você fez? É algo legal? É algo que pode fazer? Da próxima vez, em vez de gritar, você pode fazer o
que? (ajude ele com a resolução desse problema) mas preste bem atenção: SÓ QUANDO ele estiver
calmo e você também.

Laís Khoury
– Percebe que acolher é muito diferente de dar a
Juquinha o que ele quer? Eu acolhi e ajudei ele a se
acalmar. Em momento nenhum ele ganhou o
biscoito.(Mantenha sua regra- se você falou que
biscoito é só depois do almoço; então só dê o biscoito
depois do almoço).
– Dar a criança o que ele necessita, é muito diferente de
dar a ela o que ela quer!!!!!! Lembra que falamos no
capítulo III que o cérebro da criança está ainda se
desenvolvendo? Ela precisa muito do adulto para se
acalmar, para se auto regular; ela precisa muito dessa
conexão com seus pais.

Laís Khoury
Estratégia VIII: se
conheça
– Além de conhecer e saber o que acontece com
a criança, precisamos entender o que
acontece com a gente também.
– Reflita : O que tira você da sua calma? O que te
deixa nervosa? Como o comportamento do
seu filho te afeta? Precisamos perceber como
nós reagimos quando nosso filho explode.
Você se conhecer, pode te ajudar a ter maior
auto controle da situação. Lembra que somos
exemplos?
– Quando você estiver nervosa, não converse,
não tente ensinar nada para seu filho; pegue
um tempo para você (mesmo que sejam
minutos), respire, beba água, conte até 20 de
trás para frente, etc...e só converse com seu
filho quando estiver mais calma. Lembre-se
Laís Khoury
que você é o exemplo! Você se acalmando é
um passo fundamental para ajudar seu filho a
se acalmar também.
Estratégia IX: não
foque no
comportamento
problema, foque no
que a criança deve
aprender!
– Muitas vezes, a criança não tem outros repertórios e precisamos
ensinar. Em vez de gritar e /ou bater, o que ela pode fazer?
Vamos focar no que ela pode aprender, em vez de focar no que
ela fez de errado! Só falar: não pode gritar à não tem dado bons
frutos, certo? E também, não tem ensinado o que a criança pode
e deve fazer.
– Junto com seu filho, foque em soluções de novos
comportamentos para que ele possa fazer melhor escolhas no
futuro.
– Por exemplo: Matias ficou com muita raiva do irmão mais novo
porque este pegou a bola que estava em sua mão. Matias
empurrou Juquinha e puxou seu cabelo. Em vez de repetir mil
vezes que não pode, o que a mãe/pai podem fazer? (primeiro: se
conectar e ajudar a criança a se acalmar) , segundo: conversar
sobre o que ele pode fazer da próxima vez que sentir raiva. O
que ele pode fazer quando esse problema ocorrer de novo?
– O foco é ensinar as crianças o que fazer. Nesse caso, elas são
participantes ativas do processo.

Laís Khoury
– Em vez de dizer: “ Maria
não bata no
cachorro.”(foco no
comportamento problema)
– Diga: “ Filha, vamos fazer
carinho no cachorro? Olha
que legal, muito bem”
(demonstre para ela como
é fazer carinho).
– Depois que você ensinou o
que ela deve fazer com o
cachorro, no caso, carinho;
certifique-se que ela
aprendeu. Pergunte:
“Maria, como faz carinho
no cachorro?”
MUITA ATENÇÃO A
PRÓXIMA PÁGINA:
– Seu filho precisa aprender que toda ação tem uma consequência.
ATENÇÃO: consequência não é castigoà o objetivo não é PUNIR,
mas sim ensinar o que esperamos dele. Por exemplo: minha filha,
Alice, está brincando com a vassourinha que ganhou, mas de repente
ela começa a bater no cachorro. Você até diz que não pode e pronto.
Alice continua a bater no cachorro e nada acontece. O que ela
aprendeu? Somente a não te ouvir. Certo? Porque ela não teve
consequência nenhuma para seu comportamento inadequado. Em
vez de somente falar não pode e não fazer nada ou brigar, você pode
MUITO chegar perto e mostrar para sua filha que vassourinha é para varrer.
Mostre para ela, brinque com ela de varrer o chão e quando ela te
IMPORTANTE: imitar, reforce. Faça um combinado: “filha, vassoura não é para bater,
é para varrer o chão, tudo bem? Como vamos brincar a partir de agora
com a vassoura? Varrendo o chão né? Muito bem. E se bater em
algum bichinho ou em alguém da casa? Pode? Não né? Então, se isso
acontecer de novo, mamãe vai ter que guardar a vassoura, porque isso
machuca. Tá bom? “. E se Alice bater novamente em quem quer que
seja, cumpra a instrução e tire a vassoura dela. E se ela chorar? Não
tem problema. Não devemos ter medo dos sentimentos dos nossos
filhos. Alice chorou? Acolha! Quando estiverem todos calmos,
conversem e façam combinados!

Laís Khoury
Estratégia X:
corrija suas
expectativas
sobre seu filho
– Observe se você não está cobrando/esperando demais do seu filho, algo
que ele não está pronto para te dar ou que não treinou o suficiente para
conseguir realizar.
– As crianças estão sempre se desenvolvendo e mudando. Devemos
conhecer o que é natural e esperado daquela fase/idade da criança, ao
mesmo tempo entender o desenvolvimento individual de cada filho.
Acredite, isso pode solucionar brigas e discussões intermináveis entre
você e seu filho.
– Exemplo: Maria é mãe de Fernando, 10 anos – diagnosticado com
transtorno e déficit de atenção. Ela fica extremamente irritada e
frustrada com seu filho porque nos momentos de fazer as tarefas ele
sempre atrasa, perde os materiais, demora muito nas questões, faz as
tarefas pela metade. Ela cobra de Fernando mais organização, atenção,
concentração e foco. Entretanto, ele não está conseguindo suprir as
expectativas dessa mãe. Não é porque ele não quer, simplesmente ele
não está conseguindo. Isso quer dizer que devo deixar meu filho sem
fazer tarefas ou fazê-las de qualquer jeito? Com certeza não! Mas se essa
estratégia não está dando certo, temos que fazer umas mudanças.
Vamos procurar outras soluções – mãe e filho-juntos?

Laís Khoury
– Outra coisa que quero ressaltar nesse livro: não
espere que seu filho ache super legal desligar a
televisão ou guardar seus brinquedos para fazer a
tarefa, por exemplo. Quando você disser: “filho,
vamos estudar agora?” não ache que ele vai te
responder: “é claro, mamãe”. (Pode até ser que
algumas crianças respondam dessa maneira), mas
tudo bem se elas disserem: “ah que chato”, “poxa,
quero continuar vendo meu desenho”, “posso fazer
depois?”! Por isso eu digo: corrijam suas
expectativas. Se seu filho aceitar de primeira, que
maravilha! Caso ele fique chateado, acolha e
também ajude-o a cumprir a regra. Aposto que tem
momentos em sua vida que você tem que desligar
aquela série que você adora para dormir, pois tem
que trabalhar cedo pela manhã e você pensa: “ah
que saco”, “bem que eu poderia ficar acordada até
mais tarde hoje, né?” ( E as vezes até fica, certo?).

Laís Khoury
Para descontrair e
aprender ao mesmo
tempo: E como eu li na
internet esses dias: “
expectativa é que nem
paçoca, do nada se
esfarela toda”
Capítulo V:
informações extras
– Vou repetir um alerta que já dei na introdução: o que eu percebo que
acontece muitas vezes com algumas famílias, é que elas atribuem o
problema de comportamento da criança a fatores aleatórios e
incontroláveis. Exemplo: “Marcos é tão irritadiço e agitado demais.
Tudo grita, tudo corre, tudo joga. Puxou ao tio avô do meu pai que
era assim”. As pessoas tendem a justificar os problemas e atribuir a
fatores que não podemos mudar ou controlar; e aí? O que fazemos?
Nada. Vivemos justificando: “Ele é assim mesmo, porque vou fazer
alguma coisa? Temos que esperar ele melhorar com o tempo, é coisa
da personalidade dele mesmo.” Como vimos no capítulo anterior:
tem muita coisa que podemos fazer para ajudar nosso filho e nos
ajudar também. Não caiam nessa cilada, ok?

Laís Khoury
– Quero que fique claro aqui
nesse e-book, que os pais
podem ser mantenedores dos
comportamentos problemas
dos filhos.
– Logo para ajudarmos nossos
filhos a mudarem o
comportamento, precisamos
mudar os nossos
comportamentos e nosso jeito
de se relacionar e interagir
com eles e com o ambiente.
– É fácil? NÃO. Educar não é
fácil mesmo. Cansa e posso
dizer que vale muito a pena.
Afinal, o que mais queremos?
Que nossos filhos cresçam
saudáveis, emocionalmente
inteligentes e que o vínculo
com nosso filho seja positivo.

Laís Khoury
– Lembre-se também que sua autoridade não deve ser alimentada pelo medo. Muitas pessoas confundem autoridade com
autoritarismo. Como posso exercer minha autoridade (sem autoritarismo)? PELO VÍNCULO! Todas as estratégias desse
livro se baseiam nessa premissa: conexão, vinculo, respeito!
– Quero que fique muito claro que autoridade / educação pelo medo é extremamente nociva.
– Vou listar apenas algumas consequências do que seu filho pode desenvolver quando te obedece pelo medo:
- baixa auto estima: “só vão me amar quando faço algo do agrado deles.”
- Ansiedade exagerada: “preciso estar atento, a qualquer momento algo ruim pode acontecer”.
- Baixa autonomia : afinal a criança não pode pensar por ela mesma né? Tem que sempre e somente obedecer aos pais.
- Tendência a depressão: afinal, a criança acredita que seus pensamentos não são valorizados. Elas podem se sentir muito
sozinhas.

Laís Khoury
Capítulo VI: dicas de filmes e livros que
você pode assistir e ler com seu filho
para aprender a lidar com a raiva e
agressividade
– Divertidamente,
– Angry birds: o filme,
– Frozen- uma aventura
congelante,
– Detona ralph.
– O livro dos sentimentos- Todd
Parr
– Quando me sinto irritado- Trace
Moroney
– O monstro das cores- Anna Llenas
– Aproveitem esses recursos e utilizem da
sua imaginação e da conversa para
trabalhar sobre as emoções e
comportamentos com seu filho!
Invistam tempo e energia na educação e
no vínculo entre vocês. Esse é o melhor
presente que vocês podem dar a eles.
– Coloquem em prática essas dicas, treinem muito juntos e vivam vínculos com mais qualidade de
vida. É super possível criar filhos de maneira afetiva e efetiva.
– Me escrevam para contar sua experiência com esse e-book, compartilhem e dividam comigo suas
dúvidas, sugestões ou comentários. Vou amar conversar com vocês. Minha missão é ajudar famílias
a viver melhor.
– Lembre-se que você pode contar comigo!
– Email: laiskhoury@gmail.com
– Ah, para quem quiser ter acesso a conteúdo de qualidade acesse meu instagram: @laiskhoury