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Saúde em Debate

ISSN: 0103-1104
revista@saudeemdebate.org.br
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
Brasil

de Holanda Cunha Barreto, Ivana Cristina; Monteiro de Andrade, Luiz Odorico; Melo
Moreira, Ana Ester Maria; Dias Costa, Érico; de Lima Gonçalves, Fabíola; Andrade Maia,
Lizaldo; Lima Nogueira, Maria Sônia; de Alencar Irineu, Roxane
Reforma Sanitária no Ceará: lutas e conquistas em um cenário adverso
Saúde em Debate, vol. 35, núm. 90, julio-septiembre, 2011, pp. 387-395
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
Rio de Janeiro, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=406341766006

Como citar este artigo


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ARTIGO ORIGI NAL • ORIGINAL ARTlCLE

Reforma Sanitária no Ceará: lutas e conquistas em um


cenário adverso
Health Reform in Ceará: struggles and achievements in an adverse scenario

Ivana Cristina de Holanda Cunha Barreto', Luiz Odorico Monteiro de Andrade 2,


Ana Ester Maria Melo Moreira 3, trico Dias Costa 4, Fabíola de Lima Gonçalves 5,
Lizaldo Andrade Maia 6 , Maria Sônia Lima Nogueira?, Roxane de Alencar Irineu8

1 Doutora em Medicina pela


Universidade de São Paulo
(USP); Professora Adjunta da RESUMO Com este ensaio, objetivou-se descrever e analisar aevolução do sistema público
Universidade Federal do Ceará (UFe); de saúde no Ceará, nas décadas de 1980 e 1990, organizando fatos históricos, conforme
Superintendente da Escola de Saúde
Pública do Ceará
tipologia proposta por Andrade, em 2007, em eixos politico, discursivo e paradigmático.
ivana_barreto@ufc.br Foram revisadas publicações de autores centrais na discussão da Reforma Sanitária e nos
documentos oficiais O Ceará é referência na implantação do Sistema Único de Saúde,
2 Doutor em Saúde Coletiva pela
Universidade Estadual de Campinas com destaque para descentralização dos serviços e Atenção Primária. Concluiu-se que a
(Unicamp); Professor Adjunto da UFC; via institucional foi uma experiência que gerou transformações positivas nos saberes e nas
Secretário de Gestão Estratégica e
Participativa do Ministério da Saúde.
práticas de saúde, contrastando com o cenário natural e politico-administrativo adverso.
odoricO@saude.gov.br
PALAVRAS-CHAVE: Reforma dos serviços de saúde; Movimento; Sistemas de saúde.
3 Mestre em Saúde Pública pela UFC;
Professora da UFC.
estermelo~ahoo.com.br ABSTRACT This essoy oimed ot describing ond onolyzing the evolution of the public heolth
4 Graduado em Letras pela UFC.
system in Ceará in the 79805 ond 79905, orgonizing historicol focts in politicai, discursive ond
ericodc@gmail.com poradigmotic oxes how it wos proposed by Andrade, in 2007 We reviewed publicotions of the
moin outhors thot discussed heolth reform ond offjciol documents. Ceará is o reference in the
" Especialista em Saúde da Família
pela Universidade Estadual Vale do implementotion ofthe Notionol Heolth System, especiol/y by its heolth services decentralizotion
Acarajú (UVA), Professora da Escola de ond primory heolth core. We conclude thot the institutionol poth wos on experience thot led
Saúde Pública do Ceará.
fabioladelimagoncalves@gmail,com
to positive chongesin knowledge ond heolth praetices, in contrast to the natural ond politicol-
administrative odversities.
5 Especialista em Gestâo em Serviços
de saúde pela Unicamp; Coordenador KEYWORDS: Heolth Core Reform; Movement; Heolth systems.
de Saúde Bucal da Secretaria Executiva
Regional V/Fortaleza,
lizaldo@gmaiLcom

7 Mestre em Políticas Públicas e


Sociedade pela Universidade Estadual
do Ceará (UECE); Professora da UECE.
politicaspublicasuece@hotmail.com

8 Mestre em Saúde Pública pela


UECE; Professora da Escola de Saúde
Pública do Ceará.
roxanealencar@hotmail,com

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BARRETO, I.C.H.C; ANDRADE, L.OM~ MOREIRA. A.EMM.; COSTA, E.D~ GONÇALVES, F.L~ MAIA, l.A~ NOGUEIRA, M5.l~ IRINEU, RA . Reforma Sanitária no Ceará:
lutas e conquistas em um cenário adverso

Introdução história fámiliar e libidinaL, de suas posições


passadas e atual nas relações de produção e de
Este ensaio objetiva làzer uma análise crítica da evol uçáo classes, e de seu projeto sociopolítico em ato, de
do sistema de saúde no Estado do Ceará nas décadas de tal sorte que o investimento, que é necessaria-
1980 e 1990, considerando a mobilizaçáo da sociedade mente a resultante disso, é parte integrante e
civil e a inserção no aparelho de Estado do Movimento da dindmica de toda a atividade de conhecimen-
Reforma Sanitária Brasileira (MRSB). Para e1aboraçáo des- to~ (BARBIER, 2002, p.l 00; 76).
te estudo, foram revisadas publicaçóes de autores centrais
na discussão da Reforma Sanitária, tais como Paim (2008), Considerando as questões indicadas, Cohn (2009)
Escorei (1999), Cohn (2009) e tantos outros pesquisado- ressalta a importância de ser resgatado o arcabouço dis-
res interessados em regisuar e compreender essa história no cursivo da MRSB considerando seus avanços históricos
Ceará, a exemplo de Abu-EI-Haj (1999), Tendler (1998), com a implantação do SUS e desafios. Assim, a autora
Andrade (1998) e Andrade (1992). Recorreu-se também à apresenta seu pensamento:
revisão de documentos oficiais das três esferas de Governo
na saúde e instituições de Ensino Superior. {. ..} minha tese é a de que, diante da esgotamen-
A justificativa deste trabalho se ancora na impor- to exatamente devida ao seu sucesso, mas tam-
tância do registro histórico e da sistematização teóri- bém pela sua insuficiência constatada nesses 20
ca, considerando uma produção escassa das questões anos, da Reforma Sanitária originaL, há que se
centrais tratadas, principalmente quando se remete à enfrentar com galhardia essas insuficiências hoje
experiência da Reforma Sanitária e da organização dos relegadas, na maior parte das casos, ao tabu de
serviços de saúde no Estado e na relevância da cons- um buraco negro. {...} Em decorrência, a tarefá,
trução de conhecimento, emergindo de atores politica- portanto, que se impõe para a nossa comunidade
mente implicados com a Reforma Sanitária Brasileira. é a de pelo menos apontar as insuficiências da
O Ceará é referência na implantaçáo do Sistema Único Reftrma Sanitária das anos 70, 80 e parte das
de Saúde (SUS), principalmente no que diz respeito à 90para, a partir desse quadro, retornar o quefti
descentralizaçáo dos serviços e à Atençáo Primária de urna de suas principais características: sua capa-
saúde (TENDLER, 1998). cidade propositiva, que surpreendeu os demais
Foi prioritário realizar a reAexão aqui apresentada setores quando da Assembleia Nacional Consti-
utilizando a perspectiva de sujeito implicado e aquele tuinte, com sua proposta organizacional para a
epistêmico, considerando que os pesquisadores pos- saúde: o SUS. (COHN, 2009, p. 1615).
suem intencionalidade política na produção de seus
objeros de pesquisa, e que a pesquisa científica tradicio- Paim (2008), outro autor que discute o MRSB, se
nal não oferece suporte às implicações subjetivas no de- apropria da matriz sociológica crítico-dialética no desen-
senvolvimento destes construtos teóricos. Os próximos volvimento de seu pensamento e refere que tal reforma
autores ajudam a compreender a importância de uma expressa uma visão claramente marxista, optando pelo
produção científica politicamente implicada: pensamento Gramsciano. Assim, ele a entende como um
fenómeno histórico e social. Trata-se de um objeto que tem
\-0cê é um sujeito militante quepretende ser epistê- historicidade na medida em que corresponde a construtos
mico e os desenhos de investigação que ternos corno sociais realizados por sujeitos em cada conjuntura.
consagrados no campo das ciências não CÚío conta De acordo com Feuerwerker (2005), as principais
deste tipo de processo. (MERHY, 1998. p. 2). ideias-força que orientaranl o MRSB foram: O modelo
de democracia, a proposta de reconceirualição da saúde
Eu definia, então, a implicação corno um en- e a crítica às práticas hegemónicas de saúde. A autora
gajamento pessoal e coletivo do pesquisador, em traz uma crírica de que não há mais um movimenro
e por suas práxis científica, em função de sua sanitário enquanto movimento social organizado, mas

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BARRETO, I.CH.C; ANDRADE, l.O.M.; MOREIRA, AEMM,; COSTA, E.D., GONÇALVES, F.l.; MAIA, LA; NOGUEIRA, M.5.l., IRINEU, R.A. • Reforma Sanitária no Ceará:
lutas e conquistas em um cenário adverso

atores inreressados em construir um SUS inspirado nos ciclo económico no estado, o que garantiu a fixação de
pressupostos do MRSB. colonizadores na capitania com o objetivo de garantir a
Esta leitura apresenta a importância de conside- ptopagação de núcleos urbanos e o início de um mer-
rar o processo de organização do SUS inspirado em cado interno. Apenas no século 20 é que outro ciclo
elementos de reflexão crítica sobre os saberes, as prá- económico importante foi implantado, o da cultura do
ticas de saúde e a organização social. Articulando com algodão (GlRAO, 1995).
os pressupostos apontados por Paim (2008), é neces- O Estado sempre foi periférico na dinâmica econó-
sário resgatar de forma permanente a centralidade das mica e política do Brasil. Com seus solos pouco férteis,
ideias-força na medida em que este processo está em poucas chuvas, ausência de grandes ciclos económicos,
construção permanente, com capacidade produtiva de além do persistente domínio por parte de uma forte aris-
transformação cotidiana (COHN, 2009). tocracia local, que sempre atuou a reboque da condução
A reforma do sistema de saúde brasileiro foi im- política e económica do nível central de Governo.
pulsionada pela sociedade civil e não por partidos po- Tal processo de centralização político-adminis-
líticos, governo ou organizações internacionais, confor- trativa passou por transformações ao longo do tempo,
me atesta Paim eta/o (2011). com a mudança dos grupos políticos, mas carregou em
Para a análise em foco, utilizou-se a tipologia adora- si as marcas e os elementos de uma sociedade conserva-
da por Andrade (2007), que refletiu sobre a ptodução de dora, tradicional, voltada aos interesses das oligarquias
saber e de práxis no campo da saúde pública brasileira nas e grupos específicos, as quais estavam tanto na arena de
décadas de 1970, 1980 e 1990, lançando mão de uma fi- poder quanto também, mais tarde, serviram aos interes-
, • A • •
gura geomemca composta por tres eIXos que se movimen- ses económicos de desenvolvimento do capitalismo.
tam na linha do tempo conforme a predominância de um As elites cearenses acumularam riqueza geralmente
de seus vetores. Os três eixos desra figura são: político, oriunda da agropecuária, do comércio e do exercício de
discursivo e paradigmático. O autor registra que a ideia arividades liberais ou de funções na máquina pública.
de compor os eixos está referenciada em Japiassu (1992), A concentração de renda do Estado era extremamen-
Arouca (1975) e Teixeira apudDâmaso (1989). te forte e, historicamente, o poder local foi constituído
Para Andrade (2007), o eixo discursivo trabalha a por alianças e acordos entre grupos oligárquicos, mi-
coerência da produção discursiva em torno do MRSB; nimizando a ascensão de grupos políticos comprome-
o político trata da articulação da produção discursiva tidos com a promoção do bem-estar e equidade social
com a práxis que produz construções políticas na busca (FARIAS, 2009).
da afirmação de seu discurso no interior do Estado bra- Apesar desse cenário histórico pouco convidativo
sileiro; e o paradigmático discute o diálogo estabelecido à mobilização social, o Estado foi um espaço de im-
entre a práxis e os saberes discursivos, com o paradigma portante avanço dos movimentos sociais, os quais, com
científico de saúde hegemónico no período. a implantação da Ditadura Militar, foram sistematica-
mente perseguidos e tiveram suas lideranças, tanto ope-
rárias quanto sindicais e camponesas, submeridas "...
Compreendendo o estado do Ceará a uma vida clandestina para escapar dos arbítrios dos
golpistas" (FARIAS, 2009, p. 332).
O Estado do Ceará foi criado em julho de 1903 e seu No período autoritário, emergem-se as lideran-
nome emerge da antiga denominação de parte da capi- ças políticas surgidas do movimento estudantil, das
tania de Pernambuco durante o período colonial: 'Siará greves de professores da rede pública e de castanheiras
Grande'. Sua área geográfica é de 148.825,602 km'. da Brasil Oiticica, do movimento contra a carestia, do
As tertas de Siará Grande não provocaram o in- movimento feminista pela anistia, dentre outros grupos
teresse imediato da colónia portuguesa no início da políticos, os quais buscaram transformar as relações de
ocupação colonial. Somente com o processo de char- opressão social, política e económica operadas por seto-
queadas, carnes salgadas por tropeiros, iniciou-se um res conservadores. Ao tratar-se de movimentos sociais

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lutas e conquistas em um cenário adverso

emergentes, Farias (2009) relata a importância da or- em 1903. Este fato é único no contexto do Brasil à épo-
ganização política comunitária que emergiu a partir da ca (BARBOSA, 1994).
tradição da Teologia da Libertação. Outro fenômeno relevante foi a implantação do
O autor atribui ao 'Grupo de Jovens Empresários', Instituto de Medicina Preventiva (IMEP), em 1963, pela
organizados no Centro Industrial do Ceará (CIC) na Universidade Federal do Ceará (UFC), antes da Reforma
década de 1980, o protagonismo no processo de transi- Universitária de 1968, que obrigou todas as universida-
ção que pôs fim ao coronelismo que dominava a políti- des de Medicina a implantarem os Departamentos de
ca e a economia do Estado até então. Medicina Preventiva. O IMEP adotava como referência
O ápice da transição do comando de grupos o ideário preventivista que preconizava a medicina inte-
e oligarquias políticas para o do 'Grupo de Jovens gral como prática e considerava os fatores sociais en tre
Empresários', de cunho liberal, ocorreu no processo de as causas das doenças (MONTEIRO, 1997).
eleição de Tasso Jereissati ao Governo do Estado, o qual
derrotou o pacto dos coronéis. "Jàl processo de transição
rompeu com as oligarquias políticas rurais anteriores e Década de 1980: transformações nas práticas
instituiu interesses estarais focados no desenvolvimento de saúde no Ceará pela via institucional
econômico-i ndustrial.
Como contraponto ao conservadorismo dos gru- O Quadro 1 aptesenta a classificaçáo de fatos históricos no
pos políticos dominantes no Estado, podem ser citadas Ceará, segundo a tipologia proposta por Andrade (2007).
algumas conquistas no campo da saúde, realizadas no A crise econâmica e a da Previdência Social bra-
Ceará, que expressam o pioneirismo de alguns atores sileira, no início dos anos 1980, colocaram entraves
históricos, a exemplo da lura de Rodolfo Teófilo contra sérios para a continuidade do modelo médico-assis-
a varíola, conseguindo produzir a vacina e imunizar a tencial privatista (LUZ, 1991), uma vez que limitou a
população, o que levou à extinção da doença no Estado ação da rede de interesses formada pelos fornecedores

Quadro 1. Fatos históricos na Saúde Pública do Ceará, segundo a tipologia de Andrade (2007) - década de 1980
Eixo político Eixo discursivo Eixo paradigmático
1980 - Experiência precursora - auxiliar de saúde - Arenção I

Primãria em Saúde - Jucás


1986 - Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde 1985 - Congresso de Saúde no 1986 - Movimento Pró-
Ceará mudanças/ Comitê de Saúde
1987 - Estadualizaçãoda saúde pública/unificação
1987 -Racionalizaçã%rdenamento dos gastos públicos
1987 - O movimento sanitário assume a direção da politica 1984/1985 - Criação da 1983/1987 - Grande seca/Ceará
de saúde do Ceará e se engaja para transformar o padrão de Associação de Saúde Pública do se desraca como o Estado do
intervenção institucional - via institucional Ceará (ASPUC) Nordeste mais atingido
1987 - Fusão da Secretaria Estadual de Saúde (SESA). Fundação
de Saúde do Estado do Ceará (FUSEC) e Instiruto Nacional de
Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS)/unificação
1987 - Programa Agentes de Saúde 1989 - Criação do Conselho
Estadual de Secretários
Municipais de Saúde (COSEMS)
1987-1990 - Redução da morralidade infantil/ Aumento da
cobertura vacinai
1988 - Implementação do Plano estadual de saúde de forma
participativa
1988 - I Comissão Interinstirucional de Saúde (CIS)
1989 - Consolidação do Conselho Estadual de Saúde
Fonte: Elaboração Própria

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BARRETO, I.CH.C; ANDRADE, l.O.M.; MOREIRA, AEMM,; COSTA, E.D., GONÇALVES, F.l.; MAIA, LA; NOGUEIRA, M.5.l., IRINEU, R.A. • Reforma Sanitária no Ceará:
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privados, políticos e segmentos burocráticos. No mes- De acordo com Abu-EI-Haj (1999), sob a orien-
mo momento, observa-se que os críticos do modelo tação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde
de saúde dos anos 1970, mais à vontade dado o clima (SLJDS), o secretário estadual de saúde automaticamente
de democratização, passavam à ofensiva, ocupando ocuparia a superintendência do INAMPS, a presidência
cargos públicos e promovendo intensos debates sobre do conselho deliberativo da Fundação de Saúde do Esrado
saúde pública. do Ceará (FLJSEC) e a direção da Secretaria Estadual da
A partir de 1985, deu-se o nascimento de um Saúde (SESA). O SUDS se constituiu em uma estratégia
considerável movimento de múltiplos atores do cam- de gestão que objetivava racionalizar gastos da máquina
po ideológico socialista chamado de Movimento pela previdenciária estabelecendo um comando único.
Reforma Sanitária no Ceará (ABLJ-EL-HA], 1999). Neste caso, um comando único seria assegurado
Analisando o Quadro 1, pode-se observar, quan- dando uma coordenação central, fato importante na
to ao eixo paradigmático, o surgimento do Movimento década de 1980 no Estado do Ceará, que aconteceu por
Pró-mudanças que aglutinou intelectuais, funcionários meio da unificação das instituições de saúde pública so-
públ icos e partidos de oposição, articulando um pro- bre um comando único e a delegação de atribuições ad-
jeto de reformas políticas e sociais, o qual apresentou ministrativas para as Comissões Interinstitucionais de
opções democráticas após três décadas de clientelis- Saúde (CIS). Esses grupos de trabalhos eram compostos
mo coronelista. Dentro deste movimento, criou-se o por servidores e técnicos das instituições públicas, en-
Comitê de Saúde, reunindo os nomes mais expressivos carregados da implantação do modelo administrativo
na defesa da Reforma Sanitária no Ceará e de onde hierárquico de serviços e gestão dos distritos sanitários
saíram os secretários de saúde e técnicos responsáveis (ABLJ-EL-HA], 1999).
pelas mudanças (SILVA, 1999). O autot destaca que a unificação era vista como
Considerando o eixo político no tocante à ra- contrária aos interesses do complexo médico-hospitalar
cionalização e ao ordenamento dos gastos públicos, o privatista, na medida em que livraria o setor público
Estado encontrava-se em uma situação financeira ca- da pressão política dos governadores, permitindo uma
lamitosa, causada especialmente pelo agravamento do otimização da intervenção do Estado na saúde.
empreguismo, ou seja, a troca de empregos públicos Fazendo uma discussão do eixo político, destaca-se
por lealdade política. Entre 1983 e 1987, os dados da que, na primeira metade dos anos 1980, foi realizada em
Secretaria da Administração do Governo do Ceará re- ]ucás uma experiência precutsota ao Progtama Agentes
velaram uma expansão da ordem de 43% do número de Saúde, denominado auxiliar de saúde (SILVA, 1999).
total de funcionários públicos estaduais. O Governo, Seguindo essa ideia, em 1987, o Programa Agentes de
então, realizou um ajuste fiscal com diminuição dos Saúde (PAS) se configurou como parte de um progra-
gastos com pessoal e melhoramento de arrecadação, ma emergencial de geração de empregos para socorrer
o que resultou num salto de investimentos públicos a população cearense da seca daquele ano, o que resul-
entre 1989 e 1990, aumentando a eficiência do Estado tou em melhorias na saúde das crianças, reduzindo a
e, consequentemente, melhorando os indicadores de mortalidade infantil de 107/1.000 (o dobro da média
saúde (ABU-EL-HA], 1999). brasileira) para 65/1.000 entre 1987 e 1990, elevando a
No que diz respeito ao eixo discursivo, destaca- cobertura vacinaI contra sarampo e pólio a um percen-
se o Congresso de Saúde realizado no Ceará em 1985. tual de 90%. Tal programa rendeu ao Ceatá, em 1993,
Este foi um evento que fomentou a participação de de- o prêmio Maurice Pate, do Fundo das Nações Unidas
legados do Estado na Oitava Conferência Nacional de para a Infância (UNICEF), concedido a progtamas de
Saúde, contando com a participação efetiva de vários assistência à infância, sendo o único governo latino-
segmentos da sociedade, tais como movimentos sociais, americano a ganhar este prêmio desde a sua instituição.
profissionais de saúde, professores e estudantes e consti- Tal foi o sucesso do PAS que o Governo Estadual resol-
tuindo uma das maiores delegações. veu oficializá-lo em 1988 com financiamento perma-
nente (TENDLER, 1998).

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A valorização do PAS pode ser observada também, se constitui como ideia-força e diretriz na organização
segundo Silva (1999), quando enfatiza o mérito da ex- da política de saúde brasileira. A participação popular
periência do agente de saúde, por ter despertado nas foi regulamentada por meio da Lei Orgânica da Saúde
comunidades pobres do interior do Ceará o sentimento (Leis 8.080/90 e 8.142/90).
de que, por seus próprios líderes e sua organização in- De acordo com Escorel e Moreira (2008, p. 1000):
terna, poderiam mudar o paradigma da saúde dos filhos
e das famílias. o movimento sanitário desenvolveu um proces-
so de intensa articulação social política eparti-
dária, comeguindo que a Comtituição Federal
Década de 1990: sistema de saúde com foco de 1388. { ..] A regulamentação do SUSficou a
na atençao primaria
- • 1'.

cargo de uma lei ordinária, de número 8.080,


promulgada em setembro de 1330. Contudo, os
Para continuar com a discussão dos eixos, reporta-se artigos que tratavam da participação da comu-
agora ao Quadto 2, que trata da década de 1990. nidade e do financiamento firam vetados pelo
Na década de 1990 tem-se, como um dos desta- presidente Collor, exigindo um novo processo de
ques no eixo paradigmático, a efetivação da participa- enftentamento e articulação, que redundou na
ção da comunidade com O fortalecimento dos conselhos lei 8.142, de dezembro de 1330. A lei 8.142,
de saúde. Feuerwerker (2005) menciona que um dos além de praticamente reeditar o artigo sobre
pressupostos do MRSB é a participação popular, que a participação da comunidade vetada na lei

Quadro 2. Fatos históricos na Saúde Pública do Ceará, segundo a tipologia de Andrade (2007) - década de 1990
Eixo político Eixo discursivo Eixo paradigmático
1990 - Primeiras ecuipes multiprofissionais no município de 1990 - Controle social -
Forraleza Forralecimenro dos conselhos
- parricipação social
1991 - Criação do Programa de Agenres Comunirários de Saúde 1991 - Unificação das
(PACS) residências médicas
1991 - Criação do Fundo Municipal de Saúde - lcapuí
1993/1994 - Melhoria dos indicadores de saúde 1993 - Secretário de Saúde
de Quixadá apresentou ao
1993 -Implantação das primeiras Equipes de Saúde em Família Ministério da Saúde o projeto
em Quixadá 'Saúde da Família'
1993 - Criação da Escola de
Saúde Pública do Ceará
1994 - Expansão do PACS 1994 - Pós-graduação em 1994 - Reorientação do modelo
Saúde Pública (Universidade de atenção - promoção da
Federal do Ceará e Universidade saúde
Estadual do Ceará)
1995 - informatização da
Secretaria de Saúde do Ceará
1994 - Implantação do Programa de Saúde da Família (PSF) em
Beberibe e Iguaru
1996 - Extensão da rede hospitalar para o interior/aumento do
número de leiros

1996 - Fortalecimento das Diretorias Regionais de Saúde


1998 - Criação do Piso da Atenção Básica 1999 - Residéncia
multi profissional em saúde da
família, em Sobral
Fonte: Elaboração Própria

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lutas e conquistas em um cenário adverso

8.080, relativo à obrigatoriedade da existên- Em dezembro de 1993, ocorreu uma reunião em


cia de comelhos municipais { ..}. Essa lei regu- Brasília da qual participaram o Ministro da Saúde, se-
lamentou a participação social no sistema de cretários estaduais de saúde, representantes da Unicef e
saúde por meio de duas imtâncias colegiadas: o secretário municipal de saúde de Quixadá, no Ceará,
as confirências e os comelhos [..}. para apresentação do novo modelo de atenção à saúde
(NEGRI; VIANA, 2002).
No Ceará, o Conselho Estadual de Saúde Na mesma perspectiva, Abu-EI-Haj (1999, p. 63)
(Cesau) I, uma das instâncias de participação popular, afirma que:
foi consolidado por meio da Resolução 07/89 da CIS,
no dia 1 de março de 1989, com o objetivo de efeti- { ..} a reunião foi realizada a portas fichadas
var os mecanismos de participação e controle social do nos dias 21, 28 e 29 de dezembro de 1993,
SUS no Estado. no auditório Emílio Ribas, do Ministério da
De acordo com Abu-EI-Haj, a Secretaria Estadual Saúde. O ministro apoiou a organização dos
de Saúde deu apoio ao controle social, estimulando a serviços e, em abril de 1994, lançou o progra-
criação dos Conselhos Municipais de Saúde (CMS) em ma, primeiro no país a ser beneficiado por re-
parceria com o Cesau. O autor afirma que: "o Cesau, cursos do PSF. O município de Quixadá { ..}
enquanto em outros estados, é visto como um adver- foi o primeiro no país a ser beneficiado por re-
sário pelas secretarias de saúde, no Ceará se transfor- cursos do PSF. Logo em seguida, os municípios
mou num aliado na identificação das demandas sociais" de Beberibe (PEL) e19uatu (PSDB) receberam
(1999, p. 44). recursos para instalar equipes.
Pode-se assinalar que muitos destes conselhos
municipais, sobretudo em pequenos municípios, foram No entanto, o autor afirma que a primeira ex-
implantados para atender as exigéncias da Lei 8.142/90 periência de trabalho em equipes mui ri profissionais
e do processo de municipalização com repasse 'fundo no Ceará ocorreu no início da gestão municipal de
a fundo', que só seria permitido a partir da existéncia Fortaleza, em 1990. Nesse sentido, foram implantadas
legalizada dos mesmos. A criação dos conselhos muni- equipes na periferia da cidade, sendo compostas por
cipais de saúde no Estado OCOrteu entre 1990 e 1997 um agente de saúde para cada 200 famílias, lilll enfer-
(MOREIRA, 2010). meiro para cada 1.000 e um médico para cada 2.000
Tendo em vista o histórico de clientelismo ar- (ABU-EL-HAJ, 1999).
raigado no Estado, percebeu-se a existência de con- A expansão da cobertura do PSF foi rápida: em
selhos municipais manipulados pela gestão à base da apenas dois anos, o número de municípios do Estado
oferta de emprego a conselheiros, principalmente dos com equipes funcionando aumentou de três, no início
representantes de usuários, segmento mais fragilizado de 1994, para 32, chegando a 150 equipes cadastradas

econornLcarnente. em 1996. As equipes assistianl a 143.570 fanlílias, be-
No que concerne ao eixo político, pode-se citar a neficiando 617.351 habitantes, correspondendo a uma
implantação do Programa Saúde da Família (PSF) no cobertura de 64% da população das 32 cidades onde
município de Quixadá durante um governo municipal havia o programa. No final desta década, 96% dos mu-
de orientação socialista, em 1993. Essa experiência, con- nicípios cearenses aderiram ao PSF, totalizando 785
siderada bem-sucedida, teve como fruto a elaboração equipes cadastradas em 177 cidades (CEARÁ, 2002).
de uma nova proposta de (re)organização da atenção No município de Icapuí, em 1991, criou-se um
primária à saúde, sugerida pelo Unicef e apresen tada ao dos primeiros Fundos Municipais de Saúde (FMS) do
Ministério da Saúde pelo secretário municipal de saúde país, tendo grande repercussão política interna e ex-
(NEGRI; VIANA, 2002). terna ao município em função da destinação de um

1A origem do Conselho Estadual de Saúde no Ceará remonta a 1961 regulamentado pelo art. 3°, inciso VII, da lei 5.427 de 27 de junho do mesmo ano.

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BARRETO, I.CH.C; ANDRADE, l.OM.; MOREIRA, AEMM,; COSTA, E.D., GONÇALVES, F.L.; MAIA, l.A, NOGUEIRA, M5.L., IRINEU, R.A • Reforma Sanitária no Ceará:
lutas e conquistas em um cenário adverso

percentual dos recursos mUIllClpais especificamente apontava, em suas diretrizes, a formação de profissionais
para a saúde. A secretaria de saúde do município, que em Sistemas Locais de Saúde (SILOS) e o aprimoramen-
desde sua criaçáo foi dirigida por sanitaristas, pas- to da administraçáo do SLJS no Ceará (CEARÁ, 2002).
sou a ser gerida com mais autonomia da área técnica,
que buscava cumprir os princípios constitucionais.
O FMS era constituído principalmente por recursos Considerações finais
provenientes do Governo Federal e Municipal, tendo
como coordenador O secretário municipal de saúde A tipologia proposta por Andrade (2007) ajudou a
(ANDRADE, 1992). compreender fatos históricos que marcaram a implan-
A partir de entáo, vários outros Fundos Municipais taçáo do SUS no Ceará.
foram implantados no Estado representando um aumen- Na década de 1980, o discurso que foi produzido
to na transparência da aplicação dos recursos públicos. pelo Movimento da Reforma Sanitária ganhou reper-
No eixo discursivo, é importante assinalar alguns cussóes no campo das políticas públicas, possibilitando
acontecimentos na área do ensino no início da déca- arranjos institucionais que desembocaram na unifica-
da de 1990, como a criação do programa de pós-gra- çáo dos serviços públicos de saúde, por meio do SLJDS
duaçáo do Departamento de Saúde Comunitária da e na incorpotaçáo do Programa Agentes de Saúde como
Universidade Federal do Ceará (UFC), que, em 1994, política estadual. No início da década, houve predomi-
iniciou o Mestrado em Saúde Pública, com área de nância do eixo discursivo e, a partir de 1987, fortaleci-
concentração em epidemiologia. Em 1999, a área de mento do político.
concentraçáo passou a ser a saúde coletiva, tendo como Na década de 1990, houve a extensáo de cobertu-
linhas de pesquisa: epidemiologia das doenças trans- ra pOt meio do PACS e PSF, configurando uma amplia-
missíveis e não-transmissíveis; produçáo, ambiente, ção das açóes estatais, que reAetiram em melhoria dos
cultura e saúde; e políticas, gestáo e avaliaçáo em saúde. indicadores de saúde da criança. Destaca-se também o
O Mestrado contava com aproximadamente 20 profes- fortalecimento dos Conselhos de Saúde e as iniciativas
sores, mestres e doutores. no campo da educaçáo para profissionais de saúde, ten-
O Mestrado Acadêmico em Saúde Pública do como fato principal a criaçáo da Escola de Saúde
do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Pública do Ceará.
Estadual do Ceará (UECE), foi aprovado em 1993 e Neste momento, compreende-se que a via institu-
iniciou a primeira turma em 1994 com a área de con- cional foi, no Ceatá, uma experiência válida na medida
centraçáo em Políticas e Serviços de Saúde. Esse pro- em que gerou transformaçáo nos saberes e nas práti-
grama objetivava desde o seu princípio formar mestres cas de saúde, tais como: a extensáo da cobertura dos
aptos a desenvolver ensino, pesquisa e prestaçáo de serviços de atençáo primária e secundária de saúde e a
serviços no campo de referência, por meio da forma- patticipaçáo popular. A implantaçáo do SUS no Estado
çáo de consciência crítica do processo saúde-doença contrastou com O cenário de pobreza, as adversidades
(UECE,2011). climáticas e geográficas, além de um governo historica-
Ainda em relaçáo ao ensino na década de 1990, mente centralizador e autoritário.
é importante salientar a criaçáo da Escola de Saúde As mudanças perpassam os eixos político e discur-
Pública do Ceará (ESP), em 1993, no intuito de aten- sivo, provocando uma 'tensáo parad igmática' no mode-
der à demanda da lei 8.080/90, na qual o SUS é respon- lo biomédico, ainda hoje hegemónico, principalmente
sável pela formaçáo de recursos humanos. A ESP teve pelo esfotço dos sanitatistas de ocuparem Oapatelho de
como foco desde o seu princípio na pós-graduaçáo lato Estado e, a partir dele, implantarem políticas públicas
sensu educaçáo continuada de profissionais já inseridos de saúde. Outro fato r connibuinte foi o alinhamento
no sistema de saúde. estratégico entre o grupo político empresarial liberal e o
Em sintonia com O processo de municipaliza- movimento sanitário cearense, apesar de suas distintas
çáo que ocorria no Estado na década de 1990, a Escola correntes ideológicas. _

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