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Importância do Envolvimento Parental/Familiar no

DESENVOLVIMENTO
MUSICAL DA CRIANÇA

Ana Miriam Rosado,


Ângela Topa,
Fátima Serro,
Sofia Vaz Silva

UNIDADE CURRICULAR
Desenvolvimento Curricular

DOCENTE
Graça Boal Palheiros

Escola Superior de Educação – Mestrado em Ensino da Música


Ano letivo 2019/2020
ÍNDICE

Introdução 1
PARTE I

PARTE II

Conclusão
Bibliografia
Introdução
Muitos estudos investigam a importância e o impacto da atividade musical e
artística no desenvolvimento intelectual, pessoal e social das crianças na infância
provando os seus benefícios. O desenvolvimento musical precoce atende à necessidade
natural de as crianças expressarem as suas emoções, sendo as atividades musicais da
primeira infância uma das ferramentas mais naturais e acessíveis para as crianças
expressarem os seus pensamentos e sentimentos, estabelecendo inter-relações com os
outros e com o Mundo. Portanto, o desenvolvimento musical precoce é tão importante
quanto o desenvolvimento de outras habilidades básicas, podendo mesmo contribuir
para o aprimoramento de uma pluralidade de habilidades não musicais [ CITATION
Sus10 \l 2070 ].
Segundo ramos da psicologia e da neurociência, os primeiros anos da infância
são críticos para perceber como as crianças aprendem, processam e organizam
conteúdos musicais e como o ambiente envolvente pode apoiar essa aprendizagem. A
manifestação do comportamento musical em qualquer idade depende de uma série de
fatores, abrangendo o potencial biológico, as suas experiências, o interesse, a
oportunidade, a família, os ‘pares’, a educação, o contexto sociocultural, entre outros.
Através da relação inicial com a sua cultura predominante, a criança é exposta a
vários géneros musicais diferentes, determinando quais grupos específicos de sons
assimilados devem ser considerados como 'música' dentro da sua cultura, sendo algo
aprendido e não inerente. Este processo inicia a partir do momento em que o
desenvolvimento do cérebro começa a ser influenciado pela estimulação do sistema
auditivo – 3 a 4 meses antes do nascimento. Após o nascimento, a inteligência musical e
as habilidades necessárias para entender e analisar música continuam a ser moldadas e
estimuladas pela exposição e interação com o seu ambiente sonoro, dando especial
ênfase à vocalização dos pais. À medida que a criança cresce e se desenvolve, os
comportamentos e as capacidades musicais que emergem são o produto de uma
interação complexa entre, por um lado, a predisposição e o potencial intelectual geral,
isto é, a capacidade própria do ser humano para ter comportamentos musicais e, por
outro, experiências específicas que, em maior ou menor grau, se interligam e permitem
que esse potencial aconteça [CITATION Gra02 \l 2070 ].
Os pais desempenham um papel significativo na educação musical dos seus
filhos principalmente quando se trata de expandir o seu horizonte musical, promovendo
a sua cultura. Desempenhando um modelo dinâmico e interativo, podem influenciar o
desenvolvimento musical das crianças e ter um grande impacto na motivação e no seu
desejo de continuarem a aprender música. Entre os principais comportamentos da
natureza do desenvolvimento musical das crianças estão o tocar e compor, no sentido de
produzir e brincar com o som e de “criar” estruturas e formas sonoras com
características musicais, a notação de experiências musicais e, ocorrendo praticamente
em toda a parte desde a mais tenra idade através das várias culturas, cantar. Estas
práticas acrescem a compreensão da criança da natureza da organização sonora e da
música como essência da cultura.
Uma pesquisa realizada por Kelley e Sutton-Smith – “A Study of Infant Musical
Productivity” cit. [ CITATION Sus06 \l 2070 ] – demonstrou que crianças cujas famílias têm
uma inclinação musical maior são consideravelmente mais desenvolvidas no seu
comportamento musical do que crianças cujas famílias tenham pouco ou nenhum
interesse musical – os autores seguiram os primeiros anos da infância de três crianças
cujas famílias tinham diferentes antecedentes musicais. Enquanto os pais da primeira
criança eram músicos profissionais, os pais da segunda praticavam música de uma
forma não profissional. Por último, os pais da terceira criança fizeram escolhas
musicalmente menos orientadas devido ao seu próprio histórico não musical. As
descobertas dos pesquisadores sugerem que houve uma grande diferença entre as duas
famílias que envolveram as suas filhas a um grau variável de música e a família que não
se envolveu na integração da educação musical.
Embora qualquer adulto possa ajudar uma criança a adquirir habilidades e
conhecimentos, somente aqueles com quem a criança tem um vínculo emocional mais
próximo, seja musicalmente competente ou não, é que poderão afetar significativamente
a disposição da criança para fazer música sozinha. Embora a exposição à música seja
diferente para cada criança, geralmente todas desenvolvem uma variedade de esquemas
internos em relação à música. Chegou-se a pensar, por exemplo, que a capacidade de
afinação ou ouvido absoluto estivesse relacionada a habilidades percetivas naturais, no
entanto, algumas investigações sugerem que não há um fator que sirva de preditor da
afinação absoluta, mas revelam que uma combinação de predisposição genética
juntamente com uma aprendizagem precoce num ambiente musical que requer um
controlo de afinação consistente poderá explicar mais satisfatoriamente essa aptidão.
Sucintamente, as observações do comportamento musical em crianças revelam
um padrão rico e diversificado de desenvolvimento e competências musicais,
assegurando que todas as crianças são musicais e que podem adquirir competências
musicais básicas, bem como que a participação e a modelagem de pais e caregivers,
independentemente da sua capacidade ou conhecimento musical, são essenciais para o
crescimento musical de uma criança e que esse crescimento é melhor alcançado num
ambiente de aprendizagem lúdico e não orientado especificamente para uma
performance, sendo consequentemente um ambiente musicalmente rico e acessível à
participação tanto da criança como do adulto. Embora o acesso a uma educação artística
não esteja universalmente disponível, impedindo que as crianças construam o seu Eu
artístico, a poderosa influência dos pais determina até que ponto a Arte, nas suas
diversas formas, se desenvolverá e determina as oportunidades básicas das crianças para
conhecerem a Música e envolvê-la como área de significado.
Em jeito de conclusão, o impacto do ambiente doméstico é de profunda
importância no desenvolvimento do potencial musical das crianças, assim como o
ambiente geral do ambiente ao qual a criança está exposta. As oportunidades que os pais
e outras pessoas importantes oferecem estão entre os fatores mais críticos para a
realização do potencial musical das crianças.
Conclusão
Referências
Hallam, S. (2010). International Journal of Music Education. The power of music: Its
impact on the intellectual, social and personal development of children and
young people, pp. 28(3) 269–289.
Hoffman, S. (2006). Music Together as a Research-based Program. Music Together -
The Joy of Family Music. Retrieved from
https://www.musictogether.com/content/media-files/MTasaResearch-
basedProgram.pdf
Welch, G. F. (2002). In L. Bresler & C. Thompson (Eds.), The Arts In Children’s Lives:
Context, Culture and Curriculum. Early Childhood Musical Development, pp.
(113-128).

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