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ELETROSTÁTICA ‐ 214EE                                  
                          

 
                T E O R I A        

1. CARGA ELÉTRICA 
 
A carga elétrica é uma propriedade física inerente aos prótons e elétrons (os nêutrons não possuem esta 
propriedade) que confere a eles a capacidade de interação mútua. Isto faz com que prótons e elétrons 
apresentem a capacidade de exercer uma força entre si. No SI (Sistema Internacional de Unidades), a 
unidade de carga elétrica é o coulomb (C). 
 

Por convenção, a carga elétrica do próton é positiva e a do elétron é negativa, cujo módulo é chamado de 
carga elementar e vale: e=1,6.10‐19C  

 
2.  CORPOS ELETRIZADOS 

Corpo neutro é aquele que tem uma quantidade igual de elétrons e prótons. Um corpo que possua uma 
quantidade diferente de prótons e elétrons é denominado eletrizado. Essa diferença só pode ser obtida 
acrescentando‐se ou retirando‐se elétrons do corpo, visto que os prótons estão presos ao núcleo do átomo 
e, portanto, apresentam uma quantidade fixa para cada átomo(figura1) 

                                                                                     Figura 1 

 
3. PRINCÍPIO DA QUANTIZAÇÃO DA CARGA ELÉTRICA 

A evidência experimental tem mostrado que não é possível inserir ou remover frações de um elétron num 
corpo, ou seja, somente podem‐se utilizar quantidades inteiras de elétrons. Assim, um corpo sempre ganha 
ou perde uma quantidade de elétrons que é expressa por um numero inteiro. Portanto, conhecendo‐se essa 
quantidade de elétrons, pode‐se determinar a carga de qualquer corpo. 

Podemos concluir então que a carga elétrica (Q) de um corpo eletrizado é quantizada, isto é, seu valor é 
sempre um múltiplo inteiro da carga elementar (e). O módulo da quantidade de carga elétrica adquirida 
pelo corpo é calculado como: 
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Q=n. e onde n é o número de elétrons retirados ou acrescentados ao corpo. 

Note que se forem retirados elétrons, a quantidade de prótons no corpo será maior que a quantidade de 
elétrons e o valor de Q será positivo. Já se o corpo receber elétrons, a quantidade no corpo será maior do 
que a quantidade de prótons e o valor de Q será negativo. 

 
4. PRINCÍPIO DA ATRAÇÃO E REPULSÃO 

O princípio da atração e da repulsão afirma que partículas com cargas elétricas do mesmo sinal se repelem e 
partículas com cargas elétricas de sinais opostos se atraem (figura 2). 

Um exemplo para se verificar esse princípio consiste em atritar dois canudinhos de plástico com um pano de 
lã. Os canudinhos terminarão com uma carga de sinal oposto ao do pano de lã. Dessa forma, um canudinho 
será atraído pelo pano de lã e será repelido pelo outro canudinho. 

Figura 2 Princípio da atração e repulsão                                         
  Fonte: www2.fc.unesp.br 
Acessado em 09/06/2010

 
Se uma partícula que possui carga elétrica for colocada próxima a um nêutron, como o mesmo não possui 
carga elétrica, nenhum efeito será observado. Entretanto, se um corpo eletrizado for aproximado de um 
corpo neutro, será observada uma atração entre esses corpos (como será mostrado se ao estudar os 
eletroscópios). 

 
5. PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DA CARGA ELÉTRICA 

Num sistema eletricamente isolado (que não pode trocar cargas elétricas com outros corpos), a soma 
algébrica das quantidades de cargas elétricas permanece constante. Isto não impede que se o sistema 
possui vários corpos os elétrons possam se transferir de um corpo para outro, apenas prova que a 
quantidade de elétrons e prótons existentes dentro do sistema no início e no final do processo é a mesma. 
Analisando‐se este fato de outra maneira, pode‐se concluir que elétrons, prótons e nêutrons não podem ser 
criados nem destruídos. Portanto, a partir do momento em que existe um conjunto de corpos dentro do 
sistema físico, a quantidade dessas partículas é inalterável.  
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Figura 3 Princípio da conservação da carga


Fonte: educação.uol.com.br 
Acessado em 09/06/2010 
 
6.  CONDUTORES E ISOLANTES ELÉTRICOS  

Os fenômenos elétricos dependem dos portadores de carga elétrica, ou seja, das partículas eletricamente 
carregas que podem se mover dentro do material. Os portadores de carga elétrica, mais comuns são:  

• os elétrons livres ‐ elétrons das últimas camadas eletrônicas que deixam os átomos nos quais 
orbitam e movem‐se pelos espaços interatômicos. Este fenômeno ocorre predominantemente nos 
metais. 
 
• os íons positivos e negativos ‐ provenientes de uma dissociação iônica ou de uma ionização. 
Ocorrem predominantemente nas soluções eletrolíticas e nos gases ionizados.  
 
   
 
 
Os materiais podem ser classificados eletricamente como:  
• condutores ‐ todo material no qual os portadores de carga elétrica apresentem grande mobilidade 
(como os metais)  
 
• isolantes ou dielétricos ‐ todo material que dificulte ou impeça a movimentação dos portadores de 
carga elétrica (como o plástico e a borracha).  
 
Fora do âmbito clássico da Eletrostática, existem alguns materiais que apresentam um comportamento 
intermediário ao condutor e isolante: os chamados semicondutores. O exemplo mais importante é o silício, 
amplamente utilizado na fabricação de processadores de computadores e outros dispositivos como 
transistores, diodos.  
 
E, ainda com caráter experimental, existem algumas cerâmicas capazes de conduzir a eletricidade sem 
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nenhuma perda. Essas cerâmicas são denominadas materiais supercondutores. 

 
7.  ELETRIZAÇÃO 
 
A eletrização é o fenômeno através o qual um corpo neutro torna‐se eletrizado devido ao acréscimo ou 
decréscimo de elétrons do corpo. 

Nos condutores eletrizados as cargas elétricas se deslocam na superfície do corpo, pois nestes materiais as 
cargas elétricas apresentam grande mobilidade e devido às forças de repulsão elas tendem a afastar‐se ao 
máximo, uma das outras. Por isso, muitas vezes as cargas acabam escoando para o ambiente, sendo difícil 
retê‐las no corpo condutor.Nos corpos isolantes não ocorre este fato e, portanto é mais fácil mantê‐los 
eletrizados. Entretanto, como as cargas apresentam pouca mobilidade acabam se concentrando na região 
onde ocorre a eletrização. 
 
 
7. 1 ELETRIZAÇÃO POR ATRITO  
 
Um dos processos pelos quais podemos eletrizar um corpo é o atrito. Quando se atritam dois corpos, 
inicialmente neutros, ocorre uma troca de elétrons livres entre eles, de modo que um dos corpos fica 
eletrizado positivamente (perde elétrons) e o outro fica eletrizado negativamente (ganha elétrons).  

Ao final do processo de eletrização por atrito, eles adquirem cargas elétricas de mesmo módulo e de sinais 
opostos. A eletrização por atrito só acontece se os corpos atritados forem de materiais diferentes. 

Se atritarmos um bastão de vidro num pedaço de lã, como ilustra a Figura, a experiência mostra que existe 
passagem de elétrons do vidro para a lã de modo que o vidro fica eletrizado positivamente e a lã fica 
eletrizada negativamente. 

                                                            Figura 4 Eletrização por atrito 
 
 

7.2  SÉRIE TRIBOELÉTRICA 
Quando se atritam dois corpos quaisquer, para se determinar se um deles ficará eletrizado positiva ou 
negativamente deve‐se consultar uma tabela obtida experimentalmente, chamada de série Triboelétrica (o 
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termo 'tribo' deriva de uma palavra grega que significa esfregar, atritar). Na Figura abaixo se apresenta uma 
série Triboelétrica. 

                                                                   Figura 4 Série triboelétrica 
 
Nos materiais condutores, os elétrons podem se mover com facilidade enquanto nos isolantes há muita 
dificuldade para essa movimentação. Por isso, quando se atritam dois corpos feitos de materiais isolantes, a 
eletrização se limita às regiões atritadas.  

No entanto, no caso de corpos feitos de materiais condutores, as cargas em excesso se distribuem por toda 
a superfície do corpo, por efeito do princípio da repulsão de cargas do mesmo sinal. Do mesmo modo, no 
corpo que fica positivo, a falta de elétrons ocorre por toda a superfície do corpo.  

 
O corpo humano é um bom condutor de eletricidade. Assim, ao fazer um experimento de eletrização em 
que um dos corpos (ou ambos) é condutor, a tendência é que a carga em excesso do corpo condutor se 
escoe por nosso corpo, indo para a Terra. Assim, para que o corpo não se descarregue, devemos usar luvas 
de material isolante.  

 
7.3  ELETRIZAÇÃO POR CONTATO  

Quando um corpo eletrizado é colocado em contato com outro, inicialmente neutro, um fluxo de elétrons 
(movimento temporário de elétrons livres) se estabelece de corpo para o outro, até que ambos atinjam o 
equilíbrio elétrico. Assim, se produz una redistribuição de cargas entre os corpos e os dois ficam eletrizados 
com cargas de mesmo sinal. 

                                                    Figura 5     Eletrização por contato                   
                                                    Fonte: educacional.com.br 
                                                     Acessado em 09/06/2010 
Se os corpos em contato forem idênticos, eles terminarão o processo de eletrização com cargas iguais e de 
mesmo módulo. Se os corpos não forem idênticos, a quantidade de carga que terá cada um no final do 
processo de eletrização dependerá das características geométricas de cada corpo (tamanho e forma). 
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7.4  ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO 

Quando um corpo eletrizado (indutor) aproxima‐se de outro corpo (induzido), inicialmente neutro e 
condutor, provoca‐se o fenômeno de indução eletrostática. Durante a aproximação ocorre una 
redistribuição de cargas no induzido, os elétrons se deslocam à região próxima do indutor, se o indutor é 
carregado positivo (atração) ou se afastam se o indutor é carregado negativo (repulsão). Apesar da 
concentração das cargas elétricas em regiões distintas, a soma das cargas positivas e negativas do corpo é 
nula. Se o indutor afastar‐se, o induzido volta ao estado inicial. 

Para que o corpo induzido fique carregado, liga‐se o corpo induzido a Terra antes de afastar o indutor. A 
ligação pode ser feita a qualquer ponto do corpo e possibilita um fluxo de elétrons para o corpo (se o 
indutor é positivo) o desde o corpo (se o indutor é negativo). Se ainda na presença do indutor, desliga‐se o 
induzido da Terra, então o corpo induzido ficará carregado, embora as cargas fiquem concentradas em 
regiões diferentes. Afasta‐se o indutor e as cargas distribuem‐se pela superfície externa do corpo, formando 
um condutor eletrizado (figura 6). 

Fff 

 
  Figura 6
 
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8.  ELETROSCÓPIOS 

Eletroscópio é o aparelho que têm por finalidade verificar se um corpo está ou não eletrizado. Os 
eletroscópios neutros não permitem a determinação do sinal da carga do corpo que se aproxima dele; 
permitem apenas saber se o corpo está ou não eletrizado. Para se conhecer o sinal da carga do corpo que se 
aproxima do eletroscópio, este já deve estar previamente eletrizado com carga de sinal conhecido. Os tipos 
de eletroscópios mais utilizados são: 

8.1  PÊNDULO ELETROSTÁTICO 

Pêndulo eletrostático é constituído por um suporte com uma haste, um fio isolante e uma pequena esfera 
recoberta por uma fina camada metálica. Ao aproximar‐se um bastão do pêndulo, nota‐se que se o bastão 
não estiver eletrizado não haverá atração entre ele e a esfera do pêndulo. Se o bastão estiver eletrizado,  
com carga de qualquer sinal, haverá atração (figura 7). 

 
                                                                                             Figura 7  Pêndulo elétrico                           
                                                                                             Fonte: servlab.fis.unb.br 
                                                                                            Acessado em 09/06/2010 
8.2 ELETROSCÓPIO DE FOLHAS 

 Ao aproximar‐se um bastão da esfera metálica, nota‐se que se o bastão não estiver eletrizado as lâminas do 
eletroscópio não abrem. Se o bastão estiver carregado eletricamente, então as lâminas do eletroscópio se 
afastam provocado pela repulsão entre cargas do mesmo sinal. 
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Figura 8 Eletroscópio de folhas


Fonte: portaldoprofessor.mec.gov.br 
Acessado em 09/06/2010

REFERÊNCIAS 

• VESTIBULAR é vestibulandoweb. Disponível em: http://www.vestibulandoweb.com.br. 
Acesso em: 19 jan. 2009.  
 
• TABARES, R. H. et al. Eletrostática: software educacional. Rio de Janeiro: Passo a Passo 
Tecnologia em Educação e Treinamento, 2005.  
 
• TABARES, R. H. et al. Eletrodinâmica: software educacional. Rio de Janeiro: Passo a Passo 
Tecnologia em Educação e Treinamento, 2005.  
 
• TABARES, R. H. et al. Eletromagnetismo: software educacional. Rio de Janeiro: Passo a 
Passo Tecnologia em Educação e Treinamento, 2005.  
 

 
• TABARES, R. H.et al. Laboratório interativo de eletromagnetismo: software educacional. Rio de 
Janeiro: Passo a Passo Tecnologia em Educação e Treinamento, 1999.  
 
Autores 
Raul Hernandez Tabares. Autoria Especializada em Física. Formação em Engenharia Física Nuclear e 
Mestrado em Física Eletrônica na Universidade Técnica de Praga. Doutorado em Física na Pontifícia 
Universidade Católica do Rio de Janeiro. Especialista no desenvolvimento de simuladores computacionais de 
apoio ao ensino e ao treinamento operacional. Responsável pelo desenvolvimento de mais de 15 softwares 
educacionais e 4 portais educacionais para o ensino médio e superior. 
 
Noriyasu Omote. Autoria Especializada em Física (conteúdos: Laboratório Virtual, Teoria, Mapa Interativo, 
Avaliação e Guia do Professor). Especialização em Tecnologia de Ensino de Física (IFUSP). Especialização em 
Análise de Sistemas (630 h).Graduado em Ciências Exatas pelo Instituto de Física da USP. Autor de: Física – 
série Sinopse, Editora Moderna. Curso Básico de Física (3 volumes) Editora Moderna. Física Vivencial (12 
volumes)‐ Editora Laborciência. Construindo a Física – Editora Laborciência. Diretor Executivo do Instituto 
Galileo Galilei para a Educação (IGGE).  

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