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Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Escola de Ciências Sociais e da Saúde


Curso de Psicologia
Psicologia Geral Experimental I
Professora Ms. Luciana Novais de Oliveira Brito

Desenvolvimento cognitivo do idoso

Alunas: Ana Luiza Sebba Rady Lopes


Isabella de Souza Inaba Lima
Julia Gonçalves de Oliveira

Goiânia, 2019/1
Resumo

O presente trabalho teve como objetivo vivenciar e aprender na prática as teorias


estudadas sobre os 7 pecados da memória. Para isso, foram realizadas
entrevistas com uma participante da faixa etária pesquisada, abordando variados
temas das variadas áreas de sua vida para ter uma visão ampla de sua
experiência, de modo a abarcar desenvolvimento físico e cognitivo.
Palavras-chave: desenvolvimento; idoso; memória.
O desenvolvimento na vida adulta tardia

O envelhecimento é definido como um conjunto de transformações que


ocorrem com o avançar da idade. É um processo inverso no desenvolvimento
humano. O declínio das capacidades funcionais e das aptidões inicia-se na fase
adulta e se precipita no envelhecer. De acordo com Souza (1998) o
envelhecimento se caracteriza por algumas perdas das capacidades fisiológicas
dos órgãos, dos sistemas e de adaptação a certas situações de estresse. Tal
fenômeno é universal, progressivo, na maioria das vezes irreversível e resultará
num aumento exponencial da mortalidade com a idade, bem como mais
probabilidade de doenças. No entanto, muitos dos problemas que eram
considerados elementos inevitáveis da idade avançada, agora são vistos como
parte do processo de envelhecer, resultantes do estilo de vida ou de patologias. A
proporção de pessoas idosas entre populações de todo o mundo é maior do que
antes e espera-se que continue a crescer. Pessoas acima dos 80 são o grupo de
idade que cresce mais rápido.
De acordo com Papalia (2013) o envelhecimento primário é um processo
gradual e inevitável de deterioração física que começa cedo na vida e continua ao
longo dos anos, não importa o que as pessoas façam para evitá-lo. Ocorre de
forma semelhante nos indivíduos da mesma espécie, de forma gradual e
previsível. O sujeito está dependente da influência de vários fatores
determinantes para o envelhecimento, como estilo de vida, alimentação educação
e posição social, embora as suas causas sejam distintas. Já o envelhecimento
secundário é o envelhecimento resultante das interações das influências
externas, e é variável entre indivíduos em meios diferentes. É resultante de
doenças, abusos e maus hábitos de uma pessoa, fatores que em geral podem ser
controlados. Porém. embora os efeitos do envelhecimento primário talvez
escapem ao controle das pessoas, é possível evitar os efeitos do envelhecimento
secundário.
Em geral, a expectativa de vida é maior em países desenvolvidos do que
nos países em desenvolvimento, entre hispânicos e norte-americanos brancos do
que entre os afro-americanos, e entre as mulheres quando comparadas com os
homens. Ganhos recentes na expectativa de vida surgiram em grande parte para
reduzir as taxas de mortalidade por doenças que afetam as pessoas mais idosas.
Futuros grandes progressos na expectativa de vida talvez dependam dos
cientistas aprenderem a modificar os processos básicos do envelhecimento.
Mudanças nos órgãos e sistemas são altamente variáveis. A maioria dos
sistemas corporais continua a funcionar muito bem, mas o coração começa a ficar
mais suscetível a doenças. Embora o cérebro mude com a idade, as mudanças
em geral são modestas. Envolvem perda de volume e peso e uma diminuição na
velocidade das respostas. Entretanto, o cérebro pode gerar novos neurônios e
construir novas conexões na velhice. Problemas visuais e auditivos talvez
interfiram na vida diária, mas em geral podem ser corrigidos. Danos irreversíveis
podem resultar de glaucoma ou degeneração macular relacionados à idade.
Perdas de paladar e olfato podem levar à má nutrição. O treinamento pode
melhorar o tempo de reação, equilíbrio e força muscular. Adultos idosos tendem a
ser suscetíveis a acidentes e quedas.
Muitos idosos apresentam problemas crônicos, mas em geral não limitam
muito suas atividades ou interferem na vida diária, pois exercício e dieta têm
influência importante na saúde. A maior parte dos idosos apresenta boa saúde
mental, e a depressão, alcoolismo e muitos outros problemas podem ser
revertidos com tratamento; alguns poucos, como o mal de Alzheimer, são
irreversíveis, a redução da capacidade cognitiva pode ser um sinal precoce da
doença.
Um Estudo Longitudinal de Seattle descobriu que o funcionamento
cognitivo na vida adulta tardia é altamente variável. Poucas pessoas declinam em
todas ou na maior parte das áreas, e muitas melhoram em algumas. A hipótese
do envolvimento procura explicar as diferenças. Uma diminuição generalizada no
funcionamento do sistema nervoso central pode afetar a velocidade do
processamento de informação. Alterações neurológicas e problemas de
codificação, armazenamento e recuperação podem ser responsáveis por grande
parte do declínio da memória funcional em adultos idosos. Entretanto, o cérebro
pode compensar alguns declínios relacionados à idade.
Sobre a memória

A memória é entendida como a capacidade de adquirir, armazenar e


reproduzir conteúdos disponíveis através das experiências vividas. Segundo
Daniel Schacter, psicólogo estudioso sobre memória humana, o processo de
esquecimento é um função essencial para que a memória humana funcione bem.
Partes das memórias adquiridas precisam ser esquecidas para dar espaço para
novas e mais importantes memórias.
O que ocorre muitas vezes é a falha, alguma informação importante que
precisava ser retida, acaba sendo esquecida; e outra que precisava ser
esquecida, por ser pouco importante ou irrelevante, acaba se alojando na
memória. Outro processo que pode gerar confusão é o de recuperação de
informações.

Os 7 pecados da memória

Pensando nas falhas e nas informações que acabam por serem


esquecidas, Schacter listou sete falhas da memória, que chama de sete pecados.
Dessa forma, cada pecado conduz a um erro na recuperação de informações. O
autor admite que esses “pecados” são os preços que pagamos pelo fato de
termos um sistema tão complexo e que funcional muito bem na maior parte do
tempo. São eles:

1. Transitoriedade

O pecado da transitoriedade é descrito como a deterioração da memória


ao longo do tempo, sobretudo a memória que envolve eventos (episódica).
Segundo Schacter, isso ocorre por dois fatores: recordamos melhor eventos
recentes do que os que já estão em um passado distante; e, cada vez que
tentamos recuperar uma memória, esta é reprocessada e assim ligeiramente
alterada.
 Desaparecimento de informações com o tempo. Varia com o
interesse que se tem no tema. Varia com uso ou desuso do tema.
 Como lembramos: reconstruindo as lembranças, muitas vezes a
partir do conhecimento genérico sobre eventos semelhantes. Nesse
processo, ocorrem perdas (diminuição) e acréscimos o que pode
provocar a DISTORÇÃO.
 Métodos para reduzir o efeito (codificação elaborada das
informações usando)
 Técnicas Mnemônicas Visuais (Imagens + estórias): inventar
estórias com imagens sobre o que se quer memorizar.
 Associação: relacionar a informação nova com algo já conhecido
usando por ex., perguntas sobre características específicas do
tema, comparando-o com outro em semelhanças e diferenças.
 Experimentação ativa por atores: é uma variação do método da
Associação em que, para memorizar falas de um roteiro, atores
fazem perguntas sobre palavras específicas usadas pela
personagem, para ter a percepção da essência, motivação e dos
objetivos da personagem.
 Entraves a esses métodos: * Requer considerável esforço cognitivo

2. Distração

A distração é o pecado de esquecer o que precisava ser feito, não lembrar


onde ficaram as chaves de casa, não é considerado um erro de memória, mas
sim de seleção de armazenamento. Isso pode ocorrer pelo fato de que quando
efetuamos a ação, por exemplo, colocar a chave de casa em tal lugar, estávamos
distraídos pensando em outra coisa, o que leva a memória a interpretar a ação
como um fato pouco importante e não a armazenar da melhor forma para o
futuro.

 Ocorre por FALTA DE ATENÇÃO, quando a atenção é atrapalhada ou


dividida por outro assunto frente a um novo tema.
 Memória retrospectiva (passado): quando falhamos em relembrar uma
data ou algo no passado a memória é dita como pouco confiável.
 Memória prospectiva (futuro): quando falhamos em lembrar algum
compromisso a pessoa é dita como pouco confiável.
 Baseada no TEMPO e por EVENTO: Lembrar de algo no tempo
(agendamento) é mais difícil do que por EVENTO.
 Soluções ou Recomendações
 A REPETIÇÃO da informação em períodos mais longos. O maior
ESPAÇAMENTO de tempo entre as repetições é melhor. Não deixar
para memorizar ou aprender um novo assunto em um curto espaço de
tempo. Não concentrar tudo de uma vez só.
 Minimizando a dificuldade de memorizar um agendamento (TEMPO):
associar o compromisso a um EVENTO que acontecerá naquele
TEMPO. * O EVENTO dispara a lembrança de algo que está associado
a ele. * Assim que lembrar é melhor agir logo para evitar que a
distração por outro assunto o roube da sua mente. * A associação com
o evento tem que atender a 3 princípios: ser INFORMATIVA,
apresentar-se DISPONÍVEL quando. necessitar-se dela e DIFERENTE
justo para causar impacto na lembrança. Ex.: Tomar remédio antes de
dormir: deixar o remédio em cima da cama.

3. Bloqueio

O bloqueio acontece quando uma memória não consegue ser recuperada,


geralmente ocorre quando outra memória está bloqueando o processo. Um
exemplo clássico é quando passamos pela situação de estar com uma palavra
“na ponta da língua”, mas não conseguimos lembrar de jeito nenhum, algo nesse
momento está atrapalhando o processo. Talvez, se tentarmos lembrar esta
palavra depois de um tempo, passada a necessidade real de lembrança
conseguiremos.

 Esquecer nome de pessoas, por ex. * Sensação da informação estar na


"ponta da língua" * Isso geralmente acontece quando. a informação não
tem contexto que possa ser associado a algo conhecido.
 Esquecimento dirigido: Dirigir as lembranças de um evento a apenas
parte dele, tende a esquecer as outras partes. Alguém pode dirigir
essas lembranças fazendo perguntas seletivas sobre apenas parte do
evento aos demais participantes. Mostrar fotos de apenas uma pare do
evento, reforça só essa parte, provocando o esquecimento das outras
partes.
 Soluções ou Recomendações
 Para FORMAR CONTEXTO (caso de nomes e temas sem contexto
próprio, pode-se criar associações com representações: * Visuais (focar
em nuances da pessoa tipo olhos, cabelos, nariz, sobrancelha, voz,
etc.) * Conceituais (buscar conhecimento sobre a pessoa, profissão, o
que faz, do que gosta) * Fonológicas ou fonéticas (nomes que lembrem
nomes de animais, objetos ou que contenham sílabas que sugiram
isso. Ex. Dr. Leão, Sr. Lobo).
 Evitando o bloqueio causado pelo Esquecimento Dirigido: * Focar nos
aspectos totais do evento e não apenas no que te atraiu * Procurar
lembrar do máximo de detalhes * Reforçando esses aspectos da
memória tendem a ser completos.

4. Atribuição Equivocada

A atribuição equivocada se dá quando a informação é lembrada corretamente,


mas há um equívoco na fonte desta informação. Por exemplo, quando contamos
sobre uma reportagem que lemos em sites/portais, descrevemos a reportagem
perfeitamente, mas na hora de dizer onde lemos a matéria citamos outro portal,
ou seja, damos a fonte incorreta.

 Falsas lembranças (Déjà Vu) Atribuição errada ao passado de


sensações e experiências do presente.
 Previsibilidade entre eventos: geração de enganos por uma coisa levar
à outra, mas a outra pode não ter acontecido de fato.
 Mistura de detalhes de eventos parecidos ocorridos em épocas
distintas.
 Mistura de contextos ocasionando transferência inconsciente ligando
um fato a outro que na verdade não estão ligados. Isso ocorre devido a
memória não ter sido "cimentada".
 Problemas de "cimentação da memória" sobre alguns fatos podem
provocar até fantasias, por inclusão de coisas imaginadas e não de fato
acontecidas por confusão e mistura entre os fatos.
 Como evitar/atenuar?
 Adotar uma heurística de distinção (norma prática para exigir detalhes
distintos sobre uma experiência): recordar-se de detalhes específicos e
não genéricos ou gerais que possam trazer familiaridade com outro
evento.
 Atribuir de forma errada a sensação de novidade a algo que deveria ser
familiar. A pessoa esquece a fonte de suas ideias e atribui a si próprio
como uma ideia original.

5. Sugestionabilidade

O efeito da sugestionabilidade ocorre quando as lembranças são influenciadas


pelo modo como são lembradas. Por exemplo, quando recebemos uma pergunta
sugestiva, a resposta tende a trilhar o caminho da pergunta, seguindo a
“sugestão” que é dada pela pergunta, às vezes, podendo não condizer com a
resposta real.

6. Distorção

A distorção ocorre quando as opiniões e os sentimentos do indivíduo


influenciam diretamente na forma com que ele recordar as situações vividas.
Quando você passa por um término de relacionamento, por exemplo, e procura
sair com algum amigo (a) para contar o que aconteceu, com certeza haverá
algum tipo de distorção na forma com que você descreve os acontecimentos, pelo
fato disso envolver seus sentimentos, suas emoções.

7. Persistência

Segundo Schacter, a persistência ocorre na memória que funciona bem


demais. Assim, informações que muitas vezes tentamos esquecer, embaraçosas
ou não, ficam sendo lembradas, diversas vezes, em diferentes momentos. Vindo
sempre à tona de maneira intrusiva e persistente.

 
Dados do relatório

Participante
Maria, idosa de 78 anos. Cidadã Goiana, viúva. 3 filhos

Materiais
Neste estudo foram utilizados os seguintes materiais: Papel e caneta para
fazer a redação (anexo A), roteiros das entrevistas, e um gravador. O pré e pós-
teste incluíram avaliações de memória episódica, uso de estratégias de memória,
velocidade de processamento das informações, metamemória (queixas de
memória e auto-eficácia para memória) e humor. Estas variáveis foram
estudadas, pois poderiam explicar os benefícios do treino de memória.

Procedimento
A participante foi selecionada com base na idade dentro da definição de
idoso e na facilidade geográfica de contato, pois a mesma é avó de uma das
integrantes do grupo. O contato foi estabelecido diretamente com ela, que
autorizou a entrevista que aconteceu em sua residência.
Durante a entrevista, foram levantados os dados pessoais do participante,
ela escreveu uma redação respondendo à pergunta “quem sou eu?” (anexo B) e
foi entrevistada quanto aos temas: memória (infância, família, escolaridade,
adolescência, namoro).
Resultados e Discussão

Após a conclusão do treino, foram calculados os escores para as variáveis


no pré e no pós-teste. Os protocolos da memorização de texto foram conferidos
por dois pesquisadores diferentes, que se familiarizaram com a estrutura dos
textos e posteriormente contaram quantas idéias estavam contidas em cada
protocolo. 30% dos protocolos foi aferido por ambos pesquisadores, e o grau de
concordância entre os dois foi calculado, estando acima de 95% . O restante dos
protocolos foi aferido por somente um dos pesquisadores devido ao alto grau de
concordância. Durante a fase de aferição e digitação dos dados os pesquisadores
não sabiam a que grupo os participantes pertenciam, pois os protocolos foram
identificados através de códigos numéricos. Os dados foram analisados através
do programa estatístico SAS System for Windows, versão 6.12., e o nível de
significância adotado para os testes estatísticos foi de 5%.
Foram realizadas análises de variância (ANOVA) para medidas repetidas
que examinaram a interação entre os fatores Grupo (GE x GC) e Tempo (pré-
teste x pós-teste). Interações que atingiram significância estatística ou se
aproximaram dela foram analisadas em seguida através das comparações entre
os pares de médias com o teste de Tukey. Foram realizados: teste de
homogeneidade de variância, estimativa da magnitude do efeito e estimativa do
poder estatístico.
Também foram calculadas diferenças percentuais delta (escore do pós-
teste menos o escore do pré-teste) para todas as variáveis dependentes. Este
delta representa o ganho associado ao treino documentado entre o pré e o pós-
teste. Posteriormente, os deltas dos grupos GE e GC foram comparados através
do teste de Mann-Whitney, devido à ausência de distribuição normal.
A análise dos deltas foi realizada porque existe discordância na literatura a
respeito da melhor maneira de medir os efeitos do treino. Alguns autores afirmam
que a comparação entre médias grupais (GE x GC) pode mascarar a melhora de
alguns participantes, que seria captada através do cálculo dos deltas (para uma
discussão mais detalhada sobre este tema ver Willis, 1987).
Referências Bibliográficas

Papalia, D. E. & Feldman, R. D. (2013). Desenvolvimento Humano. Porto Alegre:


AMGH.

Schacter, Daniel L. ‘Os Sete Pecados da Memória’, Editora Rocco, 2003.

Willis, S. L. (1987). Cognitive interventions in the elderly. In K. W. Schaie (Ed.),


Annual review of gerontology and geriatrics (Vol. 7, pp. 159-188). New York:
Springer.

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