Você está na página 1de 2

REGISTRO NÃO AUTORIZADO DE INTIMIDADE

SEXUAL (ART. 216-B)


Art. 216-B - Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio,
conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter
íntimo e privado sem autorização dos participantes:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.
Parágrafo único.  Na mesma pena incorre quem realiza montagem
em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de
incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de
caráter íntimo.

I. OBJETO JURÍDICO
Dignidade sexual, no aspecto intimidade (art. 5º, inciso X da CF).

II. OBJETO MATERIAL


Pessoa que tem a intimidade sexual violada.

III. SUJEITO ATIVO


Pode ser qualquer pessoa.

IV. SUJEITO PASSIVO


Pode ser qualquer pessoa, mas se a vítima for criança ou adolescente é o
artigo 240 do ECA.

V. TIPO OBJETIVO
Produzir (criar ou originar); fotografar (retratar em imagem); filmar (gravar
algo com armazenamento de imagem, com ou sem som); registrar (guardar algo)
(registrar pode ser por qualquer meio, como computadores, nuvem, papel etc;
A conduta tem como alvo cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter
íntimo e privado, sem autorização dos participantes
 A nudez pode ser total ou parcial, mas a caracterização do crime deve
levar em conta os hábitos e tradições da pessoa e da localidade em que ela
vive. P.ex: filmar alguém nua no provador de roupas e filmar um indígena
nú na floresta;
 Ato sexual ou libidinoso: conjunção carnal ou outro ato libidinoso, como
sexo oral, anal, masturbação, etc.
 Caráter íntimo e privado: se a pessoa voluntariamente tornou público não
há crime, porque não há crime. P.e: filmar alguém passeando em via
pública sem roupas, como nos casos de manifestações públicas em
protesto por alguma coisa.
 Sem autorização dos participantes: se todos os envolvidos maiores de 18
anos concordar não há crime, mas se alguém deles discordar há o crime
contra ele. Se os envolvidos forem crianças ou adolescente caracteriza-se
o artigo 240 da Lei 8069/90.
Art. 240.  Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar,
por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica,
envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1 o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta,
coage, ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou
adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem
com esses contracena.
§ 2 o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o
crime:
I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-
la;
II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade; ou
III – prevalecendo-se de relações de parentesco consangüíneo ou
afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor,
empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha
autoridade sobre ela, ou com seu consentimento.

Trata-se de tipo misto alternativo ou de ação múltipla, ou de conteúdo variado.

VI. TIPO SUBJETIVO


Dolo, independente de finalidade.

VII. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA


Trata-se de crime formal, que se consuma no momento em que o agente
produz, a fotografa, filma ou registra, por qualquer meio, o conteúdo com cena de
nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado e sem autorização dos
participantes.
O crime pode ser instantâneo (uma foto) ou permanente (câmara filmando
permanentemente)
A tentativa é cabível, porque se trata de conduta que pode ser fracionada.

VIII. FIGURAS EQUIPARADAS: ARTIGO 216-B, PARÁGRAFO ÚNICO


Montagem de fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de
incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo.
Trata-se de falsificação de cena normalmente produzido por softwares, em
fotografias, filmagem, áudio ou qualquer outro tipo de registro.

IX. AÇÃO PENAL


Artigo 225 do CP: pública incondicionada.

Você também pode gostar