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22/11/2019 Motivação e desmotivação no aprendizado de línguas

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Motivação e desmotivação no
aprendizado de línguas
Ricardo E. Schütz (sk-inst.html)
Atualizado em junho de 2014

It is neither the teacher who teaches, nor the method that works; it is the
student who learns.

Motivação
A motivação pode ser definida como o conjunto de
fatores circunstanciais e dinâmicos que determina a
conduta de um indivíduo.

A motivação é uma força interior propulsora, de


importância decisiva no desenvolvimento do ser
humano. Assim como na aprendizagem em geral, o ato
de se aprender línguas é ativo e não passivo. Não se
trata de se submeter a um tratamento, mas sim de
construir uma habilidade. Não é o método que funciona; é o ambiente que induz.
Não é o professor que ensina e o aluno aprende; é o instrutor ou interlocutor
que transmite e o aprendiz assimila. Por isso, a motivação do aprendiz no
aprendizado de línguas é um elemento chave.

A motivação pode ser ativada tanto por fatores internos como externos.

MOTIVAÇÃO INTERNA

A origem da motivação é sempre o desejo de se satisfazer necessidades. O ser


humano é um animal social por natureza e, como tal, tem uma necessidade
absoluta de se relacionar com os outros de seu ambiente. Essa tendência
integrativa da pessoa é o principal fator interno ativador da motivação para
muitos de seus atos. Por exemplo, se estivermos em um ambiente caracterizado

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pela presença de uma língua estrangeira, naturalmente teremos uma forte e


imediata motivação para assimilarmos essa ferramenta que nos permite interagir
no ambiente, dele participar e nele atuar. Aprender uma língua fora do ambiente
de sua cultura seria como aprender a nadar fora d'água.

MOTIVAÇÃO EXTERNA

As características dos ambientes que frequentamos representam fatores


externos. Por exemplo, se o ambiente em que o aprendizado da língua deve
ocorrer for autêntico e proporcionar atividades voltadas aos interesses do
aprendiz, o grau de motivação será alto. Entretanto, se o ambiente carecer de
autenticidade, de elementos da cultura estrangeira, como por exemplo uma sala
de aula com um número excessivo de alunos e um professor de proficiência
limitada, onde a L2 dificilmente se impõe sobre a L1, e se as atividades nesse
ambiente forem ditadas por um plano didático predeterminado em vez de
centradas na pessoa e nos interesses do aprendiz, o grau de motivação será
baixo.

Outra necessidade que buscamos satisfazer (principalmente crianças,


adolescentes e jovens adultos) é a necessidade de se explorar o desconhecido.
Esta característica do ser humano também demonstra a importância do
ambiente de aprendizado da língua estar autenticado pela marca e presença da
cultura estrangeira.

Na criação de ambientes especificamente para o ensino e o aprendizado de


uma língua, mapas, fotografias, filmes e música podem ajudar, mas nada
substitui a pessoa estrangeira. O falante nativo é a personificação da língua e
da cultura estrangeira, e por isso forte fator estimulador da motivação. O contato
intercultural mostra ao aprendiz a funcionalidade da língua e leva-o a se
identificar com a cultura estrangeira e a desejar integrar-se a ela, produzindo,
como consequência, o desejo de imitar, de pensar e falar igual.

Além de poder ser ativada por fatores internos e externos, a motivação pode ser
classificada em direta e indireta.

MOTIVAÇÃO DIRETA

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Motivação direta seria aquela que nos impulsiona diretamente ao objeto que
satisfaz uma necessidade nossa. Por exemplo: você admira e se identifica com
uma cultura estrangeira, quer a ela se integrar, e por isso investe todos seus
esforços no aprendizado da respectiva língua.

MOTIVAÇÃO INDIRETA

Motivação indireta ou instrumental é


aquela que nos impulsiona em direção a
um objetivo intermediário, por exemplo,
aprender inglês, que, por sua vez,
possibilitará a satisfação de uma
necessidade maior. Esta é provavelmente
a forma mais frequente de motivação no
aprendizado de línguas. Veja os exemplos
abaixo:

Exemplo 1: Você tem um forte desejo de


conhecer a técnica da fotografia e dispõe
de excelente literatura sobre o assunto,
em inglês. Embora você não entenda
textos em inglês, vai aplicar todo seu esforço para decifrar a língua e assim
obter as informações ali contidas.
Exemplo 2: Se um jovem norte-americano se apaixona por uma jovem de
origem hispânica, que vive numa das muitas comunidades hispânicas nos
EUA, ele poderá investir esforços no aprendizado do espanhol para
conquistar a simpatia da jovem e de sua família.
Exemplo 3: Uma pessoa ambiciosa, extremamente motivada em direção
ao sucesso em sua carreira profissional, embora sem talento nem
motivação para línguas, poderá investir exaustivos esforços em seu
aprendizado, o qual indiretamente, possibilitará a realização de um objetivo
(satisfação de uma necessidade) maior.
Exemplo 4: Você busca o aprendizado da língua estrangeira porque
reconhece nela uma ferramenta indispensável tanto em sua carreira
acadêmica como profissional, ou simplesmente porque quer ser ouvido e
reconhece no inglês um poderoso meio de expressão neste mundo
globalizado.

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É interessante observar que frequentemente uma motivação indireta acaba


dando origem à motivação direta. Ou seja, a pessoa inicialmente impulsionada
em seu ato por um objetivo indireto maior, acaba "tomando gosto", descobrindo
valores antes desconhecidos, destruindo imagens estereotipadas, encontrando
no "sacrifício" intermediário um objeto de motivação direta. Isto ocorre na
medida em que a experiência de aprendizado da língua é complementada com
o aprendizado da respectiva cultura, passando ambos a fazer parte da coleção
de experiências de vida da pessoa.

Desmotivação
Se a motivação se origina no desejo de
se satisfazer uma necessidade, não
havendo necessidade, não haverá
motivação. Pelo contrário, a reação
normal da pessoa, quando compelida a
uma atividade não resultante de um
desejo de satisfazer uma necessidade,
é a desmotivação.

Um ambiente de sala de aula voltada ao ensino formal de uma língua


estrangeira, sem a presença de representantes autênticos dessa língua e de
sua cultura, é um exemplo de ambiente que não evidencia necessidade, não
produz motivação e não estimula o aprendizado. O que se encontra atualmente
no ensino de inglês, são inúmeros fatores desmotivadores: salas de aula com
muitos alunos, professores com proficiência limitada, cobrança através de
exames de avaliação com questões truculentas que nada avaliam, repetição
oral mecânica, etc. Esses fatores desmotivadores podem ser observados tanto
na rede de escolas de ensino médio, onde o ensino de inglês ficou encalhado
no método de tradução e gramática do início do século, como nos cursos
particulares de línguas, que ficaram encalhados no método audiolinguístico dos
anos 60. Nem um nem outro mostra resultados imediatos motivadores nem
permite que o aluno alcance a proficiência desejada, gerando inevitavelmente
uma certa frustração que, em maior ou menor grau, destrói a motivação.

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Também aquele aprendiz que não se identifica com a cultura estrangeira, - ou


que às vezes até a despreza, - normalmente por falta de maior informação a
respeito da mesma ou por informações estereotipadas que o professor não
soube corrigir, estará desmotivado a aprender sua língua.

O problema da desmotivação é frequentemente observado em salas de aula


que enfatizam language learning (sk-laxll.html). Por outro lado, em programas
que enfatizam language acquisition (sk-laxll.html), observa-se facilmente a
ocorrência natural de motivação para o aprendizado de línguas, independente
de idade. A pessoa que tiver oportunidade de ter contato com a língua
estrangeira em situações reais de comunicação, em ambientes autênticos dessa
língua e de sua cultura, onde a língua está presente como meio de interação e
não ausente, ministrada em doses pequenas e amargada pela repetição
mecânica descontextualizada, ou pela dissecação gramatical, vai certamente
alcançar fluência.

O caso de Jonas, narrado em nosso Fórum de Discussões em 24 de abril de


2003, é bastante ilustrativo:

Fiz vários cursos no Brasil, inclusive todos os níveis (12 books). Mas quando
vim para cá (EUA) pra morar e trabalhar, percebi como não era fluente em
inglês, principalmente na parte oral. A minha motivação meio que baixou um
pouco; eu me sentia frustrado. Como trabalho com informática, praticamente
não conversava com meus co-workers. Mas com o tempo fui fazendo
amizades e hoje acho que desenvolvi bastante.

Depois de 12 livros, cumprindo diligentemente a receita prescrita pelo curso,


reprimindo a desmotivação com força de vontade, o aluno descobre ao chegar
no ambiente de língua e cultura inglesa que não havia alcançado o objetivo
principal. A desmotivação que ele sentiu foi uma espécie de efeito retardado,
que outros, com menos força de vontade, não conseguem reprimir por tanto
tempo e desistem antes do Livro 12. Só a partir do momento em que ele
constrói um círculo de convívio humano, num ambiente autêntico, com situações
reais de comunicação, é que reencontra motivação e finalmente alcança seu
objetivo.

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Isto nos leva à conclusão de que, em vez de nos preocuparmos em motivar


nossos alunos, talvez devêssemos nos esforçar mais para não desmotivá-los.
Se não pudermos despertar neles a motivação natural para o aprendizado de
línguas, subjacente em todos, pelo menos cuidemos para não destruí-la e sim
preservá-la para quando encontrarem a oportunidade certa.

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