Você está na página 1de 3

A competência 3 da Redação do Enem avalia a seleção, organização e

interpretação de informações, fatos e opiniões sobre o tema em defesa de


um ponto de vista.

Mais do que saber redigir um bom texto, os participantes da prova de redação


do Enem precisam estar atentos às cinco competências de avaliação dispostas na
Matriz de Referência considerada pela banca avaliadora.

Embora cada um dos cinco critérios de avaliação tenha o valor de 200 pontos,
muitos professores e alunos consideram a terceira competência como sendo complexa e
determinante para a pontuação nas demais competências. A competência 3 avalia a
seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos e opiniões em
defesa de um ponto de vista. Isso significa que essa competência avalia a qualidade, a
consistência argumentativa e a capacidade de persuasão do autor do texto. Além
disso, é na terceira competência que o avaliador verifica se o texto é apenas uma
dissertação ou se, além de informar sobre um determinado tema, o autor manifesta
seu posicionamento e faz críticas com relação às informações selecionadas para
persuadir o leitor.

Muitos participantes têm dúvidas com relação à manifestação do ponto de vista


em primeira pessoa do singular (eu acho, na minha opinião, concordo com, discordo
de...) na redação do Enem. Um dos motivos é por acreditarem que a dissertação deve
ser imparcial. Acontece que o texto dissertativo-argumentativo, como o Artigo de
Opinião, o Editorial, a Crônica e a Carta argumentativa, carrega em sua essência não
somente a discussão sobre o tema, conforme sugere uma dissertação, mas, sim, o
posicionamento do autor.

1) A Competência 3 é avaliada com bastante cautela e atenção pelos


avaliadores, já que ela traz informações preciosas sobre o sujeito autor, o que ele pensa
a respeito do tema, de que maneira problematiza questões sociais, enxerga o mundo a
sua volta e se coloca no mundo discursivamente, seja em âmbito formal, como em um
texto de natureza argumentativa, seja em uma conversa informal, com aqueles de seu
convívio. Nessa competência é possível avaliar se os sujeitos estão amadurecidos, de
que maneira convencem os outros sobre determinados assuntos a partir da palavra, já
que isso fazemos o tempo todo, na escola, em uma roda de amigos, no trabalho, nas
redes sociais: sempre temos alguma coisa a dizer sobre determinado assunto.

2) O autor deve atentar ao fato de que os leitores buscam em seu texto


informações novas sobre o tema, pois o senso comum ele já sabe por meio das mídias
de massa, como TV, rádio e internet. Isso significa que o autor jamais deve reproduzir
informações óbvias, ele deve trazer para a discussão argumentos consistentes que façam
o leitor questionar-se: “Como não pensei nisso antes?”.

3) O autor deve desenvolver sua tese a respeito do tema e selecionar argumentos com o
objetivo de sustentá-la até o final do texto e de convencer os leitores de todas as idades,
gêneros ou classes sociais a acatarem seus pontos de vista. Isso não é tarefa fácil, já que
há todo tipo de leitores, como aqueles que acreditam na primeira notícia que leem e
outros que são bastante desconfiados. Afinal, quem é você, autor, para que eu acredite
em você?

4) Uma argumentação consistente envolve a seleção, organização e interpretação de


dados, fatos e informações que possam ser comprovados a partir de pesquisas, números
e notícias, bem como a mobilização de outras vozes de autoridade para concordar ou
refutar. Em suma, os argumentos consistentes são aqueles que não partem do “achismo”
do autor.

5) Um grande problema que encontramos a respeito da competência 3 é a reprodução de


informações que a maioria já está cansada de saber, pois, de tão divulgadas nas mídias,
são comuns e não despertam a reflexão. O leitor sai da leitura do texto do mesmo jeito
que entrou. Nesses casos, podemos considerar que o texto não tenha cumprido seu
objetivo, apenas “ludibriou” o leitor. O autor deve problematizar o tema, não reproduzir
constatações.

6) Para convencer/persuadir os leitores, são necessárias algumas estratégias. O autor


pode apresentar-se no texto como sendo uma voz de autoridade, como um profissional
de conhecimentos notórios autorizado a debater sobre o tema ou como um profissional
da área que, diariamente, lida com o assunto.

7) Evite fazer afirmações ou generalizações que não possam ser comprovadas. Sem
comprovação, fica difícil convencer alguém. A generalização deve sempre ser evitada,
já que as pessoas são e pensam diferentemente e porque existem outras realidades,
culturas e sociedades que lidam com naturalidade sobre aquilo que repudiamos e vice-
versa. Lembre-se: o mundo é grande e somos seres heterogêneos. Evite, por exemplo,
expressões como: “as pessoas ficam mais conectadas a seus aparelhos celulares do que a
suas famílias...”. TODAS as pessoas são assim? Outra forma de generalizar é quando o
autor aborda o tema apenas a partir de um viés, positivo ou negativo, ou seja, ou as
coisas vão muito bem, ou vão muito mal. Normalmente, os estudantes posicionam-se
politicamente corretos e afirmam que as coisas vão mal, muito mal. É sempre bom
pensarmos: será que não há nada de positivo sendo feito ao longo dos séculos?

8) O ponto de vista do autor a respeito do tema deve estar relacionado à tese apresentada
ainda na introdução. Na introdução, o autor do texto apresenta uma tese geral, o que ele
considera como relação de causa e consequência sobre o tema. No desenvolvimento, o
autor apresenta fatos, dados, notícias, vozes e argumentos que possam comprovar a tese
inicial. A partir de cada argumento, o autor faz sua crítica: concorda ou não, felizmente
ou não, que é preciso tomar atitude, etc.

9) O autor deve selecionar apenas as informações e dados mais relevantes, já que possui
um espaço de apenas 30 linhas para desenvolver todo o texto.

10) Os argumentos selecionados pelo autor devem ser retirados tanto dos textos
motivadores quanto dos conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação. Isso está
claro nos comandos da proposta e significa que será avaliada sua leitura de mundo, seus
conhecimentos nas mais diversas áreas do saber, como filosofia, artes, biologia,
geografia etc., e sua capacidade de relacionar os saberes aos fatos sociais.

Fonte: mundoeducacao.uol.com.br/redacao/competencia-3-redacao-enem.htm

Você também pode gostar