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PROBLEMAS CONJUGAIS (primeira parte)

1 – Introdução

O conflito no lar é quase universal. Na sociedade moderna os


problemas se agravam pelo conceito predominante do casamento
descartável.
Numa época em que o divórcio era raro e no geral condenado pela
sociedade, é provável que os casais tivessem mais inclinação para resolver
essas diferenças. Hoje, porém, em contraste, a separação dos cônjuges é
coisa comum.
O casamento vem sendo tratado cada vez menos seriamente e cada vez
mais como um arranjo temporário. Disseminou-se bastante a idéia de que
o divórcio pode ser sempre utilizado como um meio de fuga, caso os
conflitos conjugais se agravem demasiadamente. No entanto para o próprio
bem do ser humano, o casamento foi criado por Deus para ser uma união
permanente.
Toda família tem desacordos. Não existe um casal que nunca tem tido
conflitos. Infelizmente, conflitos podem levar a brigas sérias. Uma briga séria
desune esposo e esposa, mas não resolve a causa do problema. Como
resultado, casais acumulam amargura, rixas, raiva descontrolada, ódio e,
freqüentemente, divórcio.
Antes do casamento, as pessoas que se amam tendem a enfatizar
suas semelhanças e negligenciar suas diferenças. Existe quase sempre a
crença de que “o nosso amor será diferente”, mas as tensões crescem e
aparecem quando duas pessoas vindas de ambientes diversos e com
personalidades diferentes, começam a viver juntas na mais íntima de todas
as relações humanas. Os esforços mútuos para ajustar-se, disposição para
transigir e a experiência de aprender como solucionar conflitos, tudo isso
ajuda os casais a conviverem e moldarem um casamento cheio de amor e
funcionando relativamente bem. Mas isto é geralmente difícil. Os atritos e
tensões no geral acabam explodindo; o que, por sua vez, cria mais tensão.
O que falta a muitos casais é a habilidade para discutir os
desacordos e resolvê-los. Na verdade, falta-lhes a capacidade para discutir
problemas sérios, chegar a um plano para resolvê-los e, então, pôr em ação
esse plano. Esta é uma habilidade que muitas pessoas simplesmente nunca
aprenderam, mas que pode ser aprendida.
Deve ser lembrado que o conflito conjugal é quase sempre um sintoma
de algo mais profundo, tal como egoísmo, falta de amor, falta de perdão, ira,
amargura, problemas de comunicação, ansiedade, dependência de bebidas
alcoólicas, sentimentos de inferioridade, dentre outros.
A Bíblia apresenta esperança para os casos mais difíceis de desajustes
conjugais.

Vejamos o que a bíblia tem a dizer sobre estes vários problemas que podem
gerar conflitos.
1 - Tenha fé
Muitos casais têm brigado, discutido e debatido tanto tempo que
perderam a esperança de que as coisas jamais melhorem. Eles se resignam a
continuar discutindo e se odiando o resto de suas vidas, ou terminam o
casamento pelo divórcio.
Os casais precisam crer que, pelo poder de Deus, eles podem resolver
seus problemas de casamento se ambas as partes quiserem realmente
trabalhar nisso.
“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4:13)
Se confiarmos em nós mesmos, podemos falhar. Mas precisamos
acreditar que Jesus nos proverá a força de que precisamos para agradar a
Deus.
Pensamento cuidadoso nos convencerá que conflito sério no
casamento não é vontade de Deus para nós. Deus criou o casamento para o
bem do homem e da mulher. Ele nunca pretendeu que o casamento fosse
uma fonte de ódio e de amargos ressentimentos. Ódio, debates amargos e
desunião em nossos lares significam que alguém está desobedecendo a
Deus.
O problema começou porque alguém desobedeceu a Deus ou o
problema original levou alguém a cometer outros atos pecaminosos. Em
ambos os casos, problemas matrimoniais sérios quase sempre envolvem
pecado.
Se é assim, então podemos superar os problemas pelos mesmos
métodos que a Bíblia descreve para superar outros pecados! Reconhecer que
o pecado é a raiz do problema dá esperança, porque o cristão sabe que Deus
tem a solução para o pecado.
Contudo, o casamento envolve duas pessoas. O problema entre duas
pessoas pode ser completamente removido somente se ambas as partes
estiverem realmente querendo trabalhar nele. Se somente uma das pessoas
obedece a Deus, a outra pessoa pode manter o problema vivo.
Porém, se seu cônjuge não trabalhar para melhorar o casamento, isto não
remove sua responsabilidade por fazer o que você puder.
Se somos nascidos de Deus, nós superamos o mundo por meio da fé. Isto
inclui superar relações familiares inadequadas, mas temos que crer que isso
pode ser feito pelo poder de Deus.
“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que
vence o mundo, a nossa fé” (1 João 5:4).
Se ambas as partes se incumbem de praticar o plano de Deus, qualquer
casal pode eliminar o pecado de seu casamento. E não importa se seu
cônjuge obedece a Deus ou não, você ainda pode agradar a Deus, mas você
deve seguir alguns passos:
2 - Ore pela força que Deus dá
Não fique ansioso, mas apresente suas necessidades a Deus por meio da
oração.
Se tivermos fé adequada no poder de Deus, e orarmos diligentemente pelos
nossos problemas matrimoniais, veremos que Deus pode nos ajudar nas
situações extremas pelas quais passamos. Os cristãos deveriam fazer isto
para todos os seus problemas, mas especialmente para seus problemas
matrimoniais.
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em
tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E
a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações
e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6,7).
“E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo
a sua vontade, ele nos ouve” (1 João 5:14).
Quando temos problemas matrimoniais, especialmente os que são sérios,
precisamos crer que Deus responderá à nossa oração. Se tanto esposo como
esposa são cristãos fiéis, então eles deverão passar mais tempo juntos,
orando pela ajuda de Deus nos seus problemas.
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”
(1 Pedro 5:7).
Lembre-se, entretanto, que a vontade humana é sempre respeitada por
Deus. Se um dos cônjuges não é cristão ou não é fiel, Deus não o forçará a
proceder corretamente. Alguns problemas que poderiam ser solucionados
não o são porque um dos dois cônjuges fechou o coração para os convites
divinos. Deus trabalhará, contudo, para que o cônjuge omisso mais tarde
possa compreender e aceitar a guia divina.
3 - Respeite a autoridade da Bíblia
Siga a Bíblia, em vez de sentimentos, sabedoria humana, etc.
Confie no Senhor e deixe que Ele guie seus passos. Não se apóie em seu
próprio conhecimento humano. Muito freqüentemente, casais em crise
buscam fontes de orientação fora da Bíblia, mas as melhores orientações
encontram-se na palavra de Deus.
“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio
entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as
tuas veredas” (Provérbios 3:5,6).
As Escrituras apóiam a prática de toda boa obra. Se resolver um conflito
matrimonial é uma boa obra, então a Bíblia nos dirá como fazer isso.
Outras pessoas podem ajudar, psicólogos, conselheiros matrimoniais, etc.,
mas precisamos rejeitar quaisquer idéias que não concordem com a Bíblia.
A maioria de nós aceita este ponto de vista da autoridade da Bíblia no que
diz respeito à salvação, adoração, organização da igreja, etc. Por que seria
diferente a respeito de nossos lares?
“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para
redargüir, para corrigir, para instruir em justiça. Para que o homem de Deus
seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo
3:16,17).
“Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e
piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e
virtude” (2 Pedro 1:3).
“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os
caminhos da morte” (Provérbios 14:12).
Pessoas que se divorciam, com freqüência dizem, "Não sinto mais nada por
ela (ou ele)." Mas nenhuma quantidade de sentimentos pode mudar o que a
palavra de Deus diz. Então amigo, estude o que a Bíblia diz sobre o
problema:
Salmos 1:2 — O homem justo se deleita com a lei de Deus e medita nela dia
e noite. Se realmente acreditamos que a Bíblia tem as respostas, temos que
estudar o que ela diz. Isto é o que faríamos sobre qualquer outro problema
espiritual. Por que fazer de outro modo com respeito a problemas de família?
Atos 17:11 — Os crentes de Beréia aprenderam a verdade examinando as
Escrituras dia e noite. Precisamos fazer o mesmo quanto a nossos problemas
familiares.
Esteja disposto a obedecer a Bíblia
Mateus 7:24-27 — O homem prudente não somente ouve o que a palavra de
Deus diz, mas também faz. O tolo ouve, mas não obedece.
Se crermos que a palavra de Deus contém as respostas para nossos
problemas conjugais, precisamos estar determinados a fazer o que ela diz, e
não apenas a aprender o que ela diz.
4 – Decida respeitar
A mulher é por ordenação divina, o par natural do homem, mas nas relações
da vida familiar Deus estabeleceu uma certa ordem, pela qual a mulher deve
estar sujeita ao marido. Esta subordinação não implica inferioridade.
“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o
marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo
ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita
a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos”
(Efésios 5:22-24).
“Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que... sejam mestras do bem,
a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus
filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas
ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.” (Tito 2:3-5 RA)
A esposa precisa obedecer ao seu esposo mesmo que ele não seja um fiel
seguidor Deus. Esta orientação é válida sempre que as orientações do
marido não vão contra as leis de Deus.
“Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos;
para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas
mulheres sejam ganhos sem palavra” (1 Pedro 3:1).
O esposo também tem indicações dadas por Deus para seguir quando ele
toma decisões. Freqüentemente o conflito começa ou continua sem solução
porque o esposo desobedece aos ensinamentos da Bíblia sobre como tomar
decisões ou porque a esposa desobedece aos ensinamentos da Bíblia sobre
submissão.
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a
si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25).
O esposo tem a palavra final, mas não deverá fazer só o que ele quer. Ele
tem que pôr de lado seus próprios desejos e fazer o que é melhor para o
grupo. A esposa também não deverá insistir no que ela quer, mas deverá
consentir e submeter-se às decisões do esposo.
Resolver conflitos requer que sejam tomadas decisões. Deus proveu um
modo de tomar essas decisões. Esposos precisam de prudência para tomar
decisões de acordo com as direções de Deus, e precisam de coragem para
tomar até as decisões duras. Então precisam de força para ver que essas
decisões sejam efetivadas. E as esposas precisam de força e de humildade
para aceitar essas decisões.
5 – Decida Amar
Assim como Cristo iniciou o amor pela igreja quando éramos pecadores que
não agiam amorosamente para com ele, assim é a responsabilidade primeira
do esposo iniciar o amor. O mandamento é ressaltado para o homem. Ele
tem que amar a esposa primeiro e pôr amor na relação, como Cristo primeiro
amou a igreja.
Veja o que a Bíblia diz à respeito da supremacia do amor:
Os maridos deverão amar suas esposas como Cristo amou a igreja.
“Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus
próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca
ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como
também o Senhor à igreja” (Efésios 5:28,29).
As esposas deverão amar seus maridos.
“Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus
maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de
casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja
blasfemada” (Tito 2:4,5).
O amor é preocupação com o bem estar de outros.
“Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus
próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca
ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como
também o Senhor à igreja” (Efésios 5:28,29).
O amor de Jesus pela igreja ilustra o amor que os esposos deverão ter por
suas esposas. Ele nos amou tanto que deu sua vida para que pudéssemos
ser salvos. Assim o esposo deverá preocupar-se com o bem estar da esposa.
Ele deverá alimentá-la e tratá-la com carinho. Ele não deverá usar sua
autoridade só para agradar a si mesmo, mas para fazer o que é melhor para
ela e a família.
O amor pode ser governado, porque é matéria de vontade. Podemos decidir
amar ou não, assim como podemos decidir obedecer ou não a qualquer outro
mandamento.
Alguns pensam que o amor apenas acontece, e não pode ser dominado: você
"se apaixona" ou deixa de amar. Assim, se um casal "simplesmente não ama
mais um ao outro," nada pode ser feito exceto obter um divórcio. Mas
quando percebemos que podemos decidir amar, percebemos também que
podemos pôr amor num casamento. E se fracassamos em pô-lo, pecamos.
A declaração "Eu simplesmente não o/a amo mais" é uma confissão de
pecado! É preciso arrepender-se dela e corrigi-la como um ato da vontade!
Quando discordâncias sérias se acumulam no casamento e não são
resolvidas, é porque um ou ambos os cônjuges não está decidindo mostrar
amor.
Estamos falando sobre o amor por decisão da vontade. Não é necessário
haver sempre aquele "sentimento" avassaladoramente romântico, que jorra e
não pode deixar de ser expresso.
Não devemos amar só por palavras, mas por atos e em verdade. Isto é um
princípio vital em cada lar. Devemos dizer coisas amáveis, mas só isso não é
o bastante. O amor precisa ser expresso por palavras e ações.
“Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em
verdade” (1 João 3:18).
Uma exigência básica para resolver desacordos familiares é a vontade de
darmos a nós mesmos pelo bem do outro. Podemos e devemos afirmar, pela
decisão da nossa vontade: "Quero que você saiba que ainda a amo. Estou
interessado em seu bem-estar. Estou empenhado em prol do nosso
casamento".
Muitos se recusam a mudar por causa de algum hábito ou característica que
não gostam em seu cônjuge. É típico. O cônjuge está contrariado por causa
de alguma coisa que o outro fez. Se fôssemos ver a situação honesta e
objetivamente admitiríamos que seria melhor agir de modo diferente.
A lição fundamental do amor de Cristo é que devemos desistir de nossos
próprios desejos pelo bem de outros, mesmo quando eles não estão agindo
da maneira que pensamos que eles deveriam. Não diga, "Eu mudarei
somente se ele (ou ela) também mudar". Caso tenhamos estado em êrro,
admitamo-lo, não importa se o outro reconheça ou não os seus erros. Se
uma ação é boa para o outro, faça-a, não importa o que o outro esteja
fazendo ou deixando de fazer.
Mesmo se estivermos convencidos de que não somos a raiz de um problema,
devemos perguntar-nos honestamente o que podemos fazer para melhorar o
relacionamento. Isto não significa ignorar o pecado. Jesus não causou nosso
problema de pecado e não transigiu com o pecado, mas ele sacrificou-se
para prover uma solução para o problema do pecado. Ele não foi enviado
apenas para criticar-nos pelo nosso pecado, mas tornou-se envolvido para
prover uma solução.
Um cônjuge freqüentemente criticará: "A culpa é dele (ou dela), então que ele
(ou ela) resolva". Mesmo se isso for verdade, pensar assim resolve alguma
coisa? Em vez disso, pense, "O que posso fazer para ajudar a resolver este
problema? Como posso ser parte da solução?" Em vez de dizer, "Por que você
não faz isto?" diga "Por que nós não trabalhamos juntos nisto?"
Enquanto nenhum dos cônjuges der o primeiro passo, fruto do amor, em
direção da compreensão e do sacrifício em prol do outro, a desavença
continuará. Quando um dos dois ceder, um passo importante será dado
para a solução do problema. Quando ambos cederem uma solução
definitivamente será mais rapidamente encontrada.