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IV - O CONHECIMENTO E A RACIONALIDADE CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA

2. Estatuto do conhecimento científico


2.1. Conhecimento vulgar e conhecimento científico
2.2 Ciência e construção - validade e verificabilidade das hipóteses

1. Classifique as afirmações que se seguem como verdadeiras ou falsas.


a) O conhecimento vulgar é espontâneo, na medida em que é construído de forma imediata.
b) O conhecimento científico é essencialmente prático, na medida em que é usado como
forma de ajudar na integração dos hábitos estabelecidos socialmente.
c) O conhecimento vulgar é mediato, pois é produzido a partir de provas e demonstrações
d) O conhecimento científico é aprofundado, na medida em que cada questão é tratada de
forma minuciosa.
e) O conhecimento vulgar é superficial e não dá lugar a um aprofundamento dos temas.
f) O conhecimento científico recorre a uma linguagem rigorosa de modo a produzir
ambiguidades.

2. Esclareça o sentido da frase: "Toda a ciência e toda a Filosofia são senso comum
esclarecido".

3. Explique por que razão Bachelard sustenta que a opinião é "o primeiro obstáculo a ser
superado."

4. Leia o excerto que se segue e responda às questões.


A indução e a dedução são dois tipos diferentes de argumentos. Um argumento indutivo
envolve uma generalização baseada num certo número de observações específicas. Se eu
observar um grande número de animais com pelo, concluindo a partir das minhas observações
que todos os animais com pelo são vivíparos (isto é, dão à luz crias em vez de porem ovos),
estaria a usar um argumento indutivo.
N. Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, Gradiva, 1998, p. 172.

4.1. Apresente as principais críticas apontadas à utilização do método indutivo na ciência.


4.2. Argumente a favor da utilização do método indutivo.
4.3. Apresente as principais críticas apontadas ao verificacionismo.
5. Leia o excerto que se segue e responda às questões.
O meu critério de demarcação deve, portanto, ser encarado como proposta para que se
consiga um acordo ou se estabeleça uma convenção. (…)
Ora, eu sustento que as teorias científicas nunca são inteiramente justificáveis ou verificáveis,
mas que, não obstante, são suscetíveis de se verem submetidas a prova. (…)
Direi, consequentemente, que a objetividade dos enunciados científicos reside na
circunstância de eles poderem ser intersubjetivamente submetidos a teste.
K. Popper, A Lógica da Pesquisa Centífica, Cultrix, 2008, pp. 36-46.

5.1. Apresente o método hipotético-dedutivo proposto por Karl Popper.


5.2. Identifique e caracterize o critério de demarcação a que Karl Popper se refere neste
excerto.
5.3. Explique o significado da última frase do texto.
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TÓPICOS DE RESPOSTAÓPICOS DE RESPOSTA
1. a) V; b) F; c) F; d) V; e) V; f) F

2. O senso comum é o ponto de partida para o conhecimento científico. É através da análise crítica e da
correção do senso comum que se dá origem ao conhecimento científico. Neste sentido, o conhecimento
científico não é construído diretamente a partir dos alicerces do senso comum, mas partir da crítica feita
com o objetivo de transcender o senso comum.

3. A opinião é o primeiro obstáculo a ser ultrapassado na medida em que aquilo que cremos saber
ofusca o que deveríamos saber, pois adquire a forma de preconceito. Por outras palavras, a opinião dá
ao ser humano uma ilusão de conhecimento que lhe retira vontade de ir mais além e de procurar novo
conhecimento. Por assentar numa forma radicalmente diferente de olhar a realidade, a opinião
representa o caminho a evitar pela comunidade científica, razão pela qual este autor defende que "o
espírito científico proíbe que tenhamos uma opinião sobre questões que não compreendemos."

4.
4.1. Uma das principais críticas apontadas ao método indutivo está relacionada com a sua falibilidade,
pois, da mesma forma que os argumentos indutivos não nos fornecem certezas absolutas relativamente
à forma como as premissas sustentam a conclusão, também o método indutivo na ciência apenas
permite a construção de verdades prováveis.
4.2. Uma vez que não é possível verificar todas as situações possíveis, temos que inferir, a partir de
observações particulares, leis aplicáveis a situações futuras. Atualmente, a ciência recorre ao método
indutivo. Por exemplo, quando um novo medicamento é desenvolvido, são realizados testes numa
amostra da população considerada significativa e verificados os seus efeitos em cada um dos indivíduos.
Posteriormente, são anotados todos os efeitos indesejáveis que o medicamento provocou na população
de teste e assume-se que o mesmo poderá suceder na restante população
4.3. Não é possível provar de forma definitiva que determinada teoria está correta. Para que
pudéssemos provar a veracidade de determinada teoria científica, teríamos de ter condições para
afirmar que no futuro não viriam a ser detetadas falhas nessa teoria, o que não é possível. Popper critica
o modelo verificacionista afirmando que cada teoria representa apenas uma tentativa de explicação,
uma conjetura.

5.
5.1. O método hipotético-dedutivo supõe a existência de várias etapas na evolução científica. O primeiro
momento é a constatação de um problema para o qual, de acordo com o conhecimento científico atual,
não existe explicação. Segue-se a elaboração da hipótese, altura em que a criatividade do cientista
adquire um papel importante no desenvolvimento de uma possível solução para o problema. O
momento seguinte é a dedução de consequências, altura em que o cientista infere quais as implicações
da sua teoria/hipótese para a seguir proceder à experimentação, pondo à prova a hipótese proposta.
5.2. Popper sustenta que as teorias científicas nunca podem ser verificadas de forma absoluta, pelo que
a ciência deveria abandonar o critério da verificação e assentar num critério falsificacionista. Deste
modo, seriam aceites como conjeturas as teorias capazes de resistir às sucessivas tentativas de
refutação por parte dos cientistas. Uma teoria que resiste a todas as tentativas de refutação não é
considerada uma verdade científica, mas apenas uma explicação provisória que pode ser melhorada a
qualquer momento através da sua análise crítica.
5.3. De acordo com Popper, a objetividade científica não deve ser entendida como a criação de
enunciados absolutamente verdadeiros e universais, mas como o resultado de acordos entre os
membros da comunidade científica após tentativa de refutação das teorias.