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III - RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

3 – Argumentação e Filosofia
3.1. Filosofia retórica e democracia
Leia atentamente o texto que se segue e responde às questões propostas.
O relativismo sofístico (…) não é mais do que uma reação contra as precedentes atitudes pré-
-socráticas, centradas na realidade da physis e que nela procuravam encontrar princípios
universais, se bem que impercetíveis.
Isto quanto à justificação teórica, porque no que diz respeito à razão histórica para o
desenvolvimento da retórica em Atenas, W. C. Guthrie diz-nos que ela foi favorecida pelo
desenvolvimento histórico da democracia ateniense.
Tanto Platão como Aristóteles acreditam que existe uma realidade para além e independente
do nosso conhecimento e crenças. Em contraste, Protágoras pensa que "nada existe a não ser
aquilo que cada um de nós perceciona e conhece".
T. C. Cunha, Razão Provisória, UBI: LusoSofia:Press, 2004, p. 16.

1. Descreva o contexto político apresentado no texto que esteve na origem da projeção


histórica da retórica.
2. Apresente a posição de Platão quanto à retórica praticada pelos sofistas do seu tempo.
3. Contextualize e explique a afirmação de Protágoras destacada no texto.
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TÓPICOS DE RESPOSTADE RESPOSTA
1. O texto apresenta a democracia como o fenómeno político que esteve na origem da afirmação da
retórica. A democracia ateniense exigia aos seus cidadãos uma participação ativa na vida pública. A
afirmação política do jovem ateniense passou a depender do uso da palavra, pelo que a retórica,
ensinada pelos sofistas, assumiu um papel de destaque na Grécia antiga.
2. Platão assume uma posição de recusa quanto à retórica ensinada pelos sofistas. Como afirma o texto,
Platão defende que a verdade e o conhecimento não podem ser transitórios, dependendo do momento
ou da vontade do orador. Neste sentido, a retórica é um engano e prejudica a educação dos atenienses.
Platão reclama para a Filosofia um papel de relevo na educação e construção de uma democracia
fundada no conhecimento, na justiça e na verdade.
3. Os sofistas eram professores itinerantes que haviam conhecido outras culturas e lugares, o que em
certo sentido terá influenciado a sua visão relativista da realidade. Defendiam com frequência que a
verdade é relativa e que "o homem é a medida de todas as coisas", frase atribuída a Protágoras (um dos
mais reconhecidos sofistas da antiguidade). Neste sentido, a afirmação destacada no texto revela-nos a
posição relativista dos sofistas, assumida neste excerto por Protágoras.

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