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ter-o-professor-da-educacao-40

Publicado em NOVA ESCOLA 26 de Abril | 2018

Tecnologia

Que habilidades deve ter o


professor da Educação 4.0
Disponibilizar recursos e tecnologias não é garantia de que o
aluno vai aprender; para isso, o professor deve ser mediador e
colaborador
Débora Garofalo

Tecnologia em sala de aula: ferramenta para ampliar engajamento dos


alunos Foto: Getty Images

Estamos vivendo um momento de grandes mudanças com o avanço da Inteligência


Artificial (AI), Internet das Coisas (IoT), robótica e programação que têm aberto novos
caminhos e perspectivas para o desenvolvimento de uma aprendizagem dinâmica. Da
mesma forma, com a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), fica
determinado que as tecnologias são competência de ensino. E os professores, como
ficam nessa história?

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A formação dos professores é essencial para acompanhar tamanha maré de


desenvolvimento. As políticas públicas deverão dar suporte para que isso ocorra,
repensando o processo educacional e permitindo que criatividade e inventividade
invadam as salas de aula. Com a inclusão de ferramentas digitais, o poder público
precisa entender a prática docente como uma atividade transformadora cujo papel é
mediar o conhecimento.

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Por outro lado, é preciso que os docentes renovem suas práticas pedagógicas. Como?
O professor deve ter o olhar para essa revolução, estimulando múltiplas redes de
aprendizagem, permitindo uma gama de associações e de significações entre a escola e
a comunidade do entorno.

Ainda que as transformações não ocorram na mesma velocidade na Educação, já é


possível perceber avanços como no learning by doing, em que o aprendizado segue na
mesma linha dos espaços makers – priorizando uma educação através da vivência e
experimentação, resgatando o conceito de jardim da infância.

A participação efetiva de todos os atores, a fim de que a prática educativa seja


revitalizada, permitindo interação e ampliação desse ambiente de aprendizagem vai
contribuir para o desenvolvimento intelectual do aluno. O professor deverá ter um
olhar mais profundo sobre as diferentes práticas adotadas, para garantir que o aluno
seja o eixo central do processo de aprendizagem.

Tá dominado
Para Marta Relvas, doutora em Psicanálise e membro efetiva da Sociedade Brasileira
de Neurociência e Comportamento, “a sala de aula passa a ser considerada o ambiente
para aquisição dessas novas possibilidades tecnológicas, por meio das metodologias
ativas e híbridas”. “O professor deixa de ser o detentor do saber e torna-se um
colaborador da aprendizagem discente, necessitando o conhecimento de
aplicativos básicos eletrônicos para ser capaz de exercer sua função”, afirma. Marta
ressalta ainda que o professor também tem que dominar e usar computadores,
projetores de multimídias, quadros interativos, tablets, smartphones e outros
equipamentos tecnológicos tanto no seu dia a dia para estudar, quanto no processo de
interação dos conteúdos das aulas.

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aprendizagem? Veja o nosso curso sobre metodologias ativas!

Nessa interação, o contato com o outro será a porta de entrada para que os alunos
possam construir, descontruir e reconstruir a aprendizagem, numa espiral de
conhecimento, seja com o objeto de estudo ou como o exercício da docência. A
mediação pedagógica assume novo enfoque, no qual o professor exerce o papel de
orientador e incentivador – tornando-se parceiro do aluno e instigando-o a
compartilhar e refletir. Os desafios são grandes nessa troca e o uso de metodologias
ativas se torna essencial na resolução de problemas.

É importante deixar claro que disponibilizar altos recursos tecnológicos e ambientes


virtuais de aprendizagem não garantem aos alunos uma aprendizagem efetiva. Para
que tenhamos apropriação de conhecimento no processo de aprendizagem, devemos
olhar para a educação integral, mediada pelo professor e pautada por uma
aprendizagem rica em experimentação, envolvente e significativa. Nesse contexto, as
relações socioemocionais e interpessoais possibilitarão a elaboração e reelaboração
por parte de professores e alunos. Ao redefinir o papel do professor, o sucesso dos
processos educacionais repousa no trabalho colaborativo e com direito à
experimentação.

Para Marta Relvas, ao utilizar ferramentas tecnológicas, o professor consegue ativar o


cérebro do estudante por meio de “rotas alternativas” para produção de novas
conexões neuronais e aquisição do aprendizado. O ato de fazer estabelece e fortalece
as interligações neurais, formando o que a neurobiologia denomina de “teia neuronal”.
Em seus estudos, Marta diz que as células neuroglias são as responsáveis por esse
“mosaico e citoarquitetura” do potencial de ação entre as sinapses elétricas e químicas
dos neurônios da atenção e da memória, conhecidas como funções executivas e
cognitivas do aprendizado. Evidências revelam por meio das neuroimagens que as
metodologias ativas estimulam a base da ativação do sistema de recompensa, do
interesse e prazer. Com as evidências científicas em relação aos processos da aquisição
do aprendizado, educar torna-se uma tarefa complexa e que requer de seus
educadores a competência e a dedicação nas práxis pedagógicas. “O maior desafio, no
entanto, é planejar uma educação capaz de preparar o docente, o educando e a família
para essas transformações, onde o estudante assume o protagonismo do aprendizado
escolar”, afirma a professora Marta.

O professor 4.0 deve ter percepção e flexibilidade para assumir diferentes papeis:
aprendiz, mediador, orientador e pesquisador na busca de novas práticas. Ele deverá
criar circunstâncias propícias às exigências desse novo ambiente de aprendizagem,
assim como propor e mediar ações que levem à aprendizagem do aluno. Para isso, é
preciso ter metas e objetivos bem definidos, entendendo o contexto histórico social
dos alunos e as dificuldades do processo.

Citando novamente Marta Relvas, “a neurociência pode contribuir para a ação


pedagógica por compreender as estruturas e o funcionamento do sistema nervoso
central”. “A didática é a ciência que reconhece as metodologias e as abordagens da
sistematização dos conteúdos acadêmicos escolares, e a tecnologia vem como
ferramenta que permeia e ativa as curiosidades no sistema de recompensa cerebral.
Portanto, pode-se considerar, que uma ciência complementa a outra e devem ser
utilizadas como proposta para delinear a escola mais humanizadora que queremos
para o futuro que já chegou”.

É preciso explorar os novos recursos e ferramentas, mediando o espaço entre o aluno


e a informação, de forma participativa e interativa, próxima da realidade no processo
de construção e reconstrução do seu conhecimento ao trabalhar com as diversas
facetas do processo de aprendizagem. Porque, sim, o futuro já chegou.

E você, querido professor, como tem percebido estas mudanças na sua sala de aula?
Conte aqui nos comentários.

Um abraço,

Débora Garofalo é professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada


em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUCSP, colunista de
Tecnologias para o site da Nova Escola.

Marta Relvas é bióloga, Dra e Ms em Psicanálise, neuroanatomista,


neurofisiologista, psicopedagoga e especialista em Bioética. Tem certificado de
Reggio Emília Study Abroad Program na Itália e Title in Education Neurosciences
and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe –
Portugal. É Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e
Comportamento, e da Associação Brasileira de Psicopedagogia RJ. Autora de
livros e DVDs sobre Neurociência e Educação pela Editora WAK e Editora
Qualconsoante de Portugal. Professora Universitária da AVM Educacional/UCAM,
UNESA – RJ, Universidade de João Pessoa – UNIPE, e Professora Pesquisadora
convidada no curso de Pós-graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ.
Coordenadora do Programa de Pós-graduação de Neurociência Pedagógica na
UCAM/AVM Educacional.

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