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2020/930101338496-93499-JEF

PODER JUDICIÁRIO
JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO
Turmas Recursais dos Juizados Especiais Federais de São Paulo
Alameda Jau, 389 - Jardim Paulista - CEP 01420-001
São Paulo/SP Fone: (11) 2766-8911

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TERMO Nr: 9301191720/2020
PROCESSO Nr: 0004072-53.2019.4.03.6302 AUTUADO EM 03/05/2019
ASSUNTO: 040105 - AUXÍLIO-DOENÇA (ART. 59/64) - BENEF. EM ESPÉCIE/CONCESSÃO/CONVERSÃO/
RESTABELECIMENTO/COMPLEMENTAÇÃO
CLASSE: 16 - RECURSO INOMINADO
RECTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - I.N.S.S. (PREVID)
ADVOGADO(A)/DEFENSOR(A) PÚBLICO(A): SP999999 - SEM ADVOGADO
RECDO: CARLOS JOSE DE BARROS
ADVOGADO(A): SP334459 - ANTONIO EDUARDO DE OLIVEIRA GONCALVES
DISTRIBUIÇÃO POR SORTEIO EM 06/04/2020 14:57:31

JUIZ(A) FEDERAL: JULIANA MONTENEGRO CALADO

[# I - RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto pela parte ré em face de sentença que julgou procedente o
pedido inicial, condenando o réu a conceder o auxílio-doença desde 25/08/2017 (DER) até 16/07/2020.

Insurge-se o INSS quanto ao reconhecimento do período de 02/01/1998 a 15/09/2015, como


atividade urbana, com base em sentença trabalhista. Sustenta que a sentença trabalhista não serve de
início de prova material para fins previdenciários de comprovar tempo de serviço, porque não se baseia
em provas do efetivo labor. Subsidiariamente, requer que a DIB seja fixada na data da citação, uma vez
que o trânsito em julgado da sentença trabalhista em que houve o recebimento do vínculo empregatício
se deu em 07/08/2018, sendo posterior ao requerimento administrativo que ocorreu em 25/08/2017.

II – VOTO

O requisito de incapacidade do autor é incontroverso. A discussão recursal gira em torno do


reconhecimento do período de labor de 02/01/1998 a 15/09/2015, no qual a parte autora trabalhou para
os empregadores José Donizetti Alves EPP e Intercement Brasil S.A.

No ponto impugnado, constou da sentença:

“Do reconhecimento do vínculo.


A controvérsia se resume ao período de labor de 02/01/1998 a 15/09/2015, no qual a parte autora
teria trabalhado para os empregadores José Donizetti Alves EPP e Intercement Brasil S.A.
Referido período foi objeto de ação trabalhista movida pelo autor que tramitou perante a 64ª Vara do
Trabalho de São Paulo/SP – autos n. 1000316-60.5.02.0064.
A cópia da sentença anexada à inicial demonstra o vínculo empregatício no período de 02/01/1998 a

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15/09/2015. Referido vínculo foi devidamente reconhecido por meio de processo trabalhista onde
houve julgamento com pretensão resistida (sentença anexada às fls. 13-23 - pet. inicial), e
confirmadas pelo acórdão de fls. 24-33. Os reclamados foram condenados a proceder à devida
anotação na carteira de trabalho do autor.
Com relação à eficácia da sentença trabalhista ora apresentada nestes autos para fins de contagem de
tempo de serviço, adoto o entendimento que a sentença trabalhista, quando não homologatória de
acordo e tendo sido produzido, nos autos do processo trabalhista, prova documental e
testemunhal, tem eficácia de prova documental plena, não havendo que se falar nem em início
de prova material dada à robustez dessa prova.
Frise-se, ainda, que é do INSS o ônus de cobrar as contribuições devidas pelo ex-empregador,
responsável pela retenção e repasse das contribuições previdenciárias respectivas.
Assim, o empregado não pode ser prejudicado pelo não recolhimento das contribuições por parte do seu
empregador.
No caso dos autos, de todo o exposto, tenho que o autor comprovou, suficientemente o vínculo
de trabalho empregatício com José Donizetti Alves EPP e Intercement Brasil S.A.
Assim, reconheço o período de 02/01/1998 a 15/09/2015 para todos os efeitos
previdenciários, inclusive carência, uma vez que a responsabilidade pelo recolhimento das
contribuições era do empregador.
Assim sendo, o autor faz jus à prorrogação de seu período de graça, uma vez que restou
demonstrado mais de 120 (cento e vinte) contribuições mensais sem interrupção que acarrete
a perda da qualidade de segurado. Do mesmo modo, noto que o autor possui neoplasia maligna (
resposta ao quesito 19 do laudo), razão pela qual ao benefício disposto no artigo 26, II e 151 da Lei
8213/91.
Portanto, a parte autora faz jus à concessão de benefício de auxílio-doença, haja vista que o
perito concluiu que a autora está incapacitada total e permanentemente para suas atividades
habituais, podendo realizar atividades que não exijam esforços físicos.” (grifos não originais)

A despeito das alegações recursais, observo que a matéria ventilada em sede recursal foi
devidamente analisada pelo juízo de primeiro grau e não merece reparo, restando confirmada pelos
próprios fundamentos.

É certo que a Súmula 31 da TNU estabelece que até mesmo a sentença homologatória de
acordo na Justiça do Trabalho produz início de prova para fins previdenciários: “A anotação na CTPS
decorrente de sentença trabalhista homologatória constitui início de prova material para fins
previdenciários”.

No caso dos autos, como bem destacou a sentença impugnada, no processo trabalhista
houve pretensão resistida, produção de prova oral, com oitiva de testemunha, do autor e dos prepostos
das reclamadas, interposição de recursos (fls. 13/37 – evento 02). Ademais, observo que a ação foi
ajuizada em 02/03/2016, a sentença prolatada em 12/08/2016, o acórdão proferido em 05/2017.

Assim, considerando a DII fixada pelo perito em 24/07/2017, correta a sentença que fixou a
DIB na DER (25/08/2017).

A esse respeito, ressalte-se que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou

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entendimento no sentido de que a adoção dos fundamentos contidos na sentença pela Turma Recursal
não contraria o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal. Essa posição foi sedimentada na seguinte tese
de repercussão geral:

“Não afronta a exigência constitucional de motivação dos atos decisórios a decisão de Turma Recursal de
Juizados Especiais que, em consonância com a Lei 9.099/1995, adota como razões de decidir os
fundamentos contidos na sentença recorrida” (STF, Plenário Virtual, RE 635.729 RG/SP, rel. min. Dias
Toffoli, j. 30/6/2011, DJe 23/8/2011, Tema 451).

<#Ante o exposto, com fulcro no art. 46, da Lei n.º 9.099/95, combinado com o art. 1º, da Lei
n. 10.259/01, nego provimento ao recurso da parte ré, mantendo a sentença recorrida por seus
próprios fundamentos.

Condeno a parte ré, recorrente vencido, ao pagamento de honorários advocatícios, que fixo em
10% do valor da condenação.

É o voto.

III - ACÓRDÃO

Visto, relatado e discutido este processo, em que são partes as acima indicadas, decide a 14ª
Turma Recursal do Juizado Especial Federal da 3ª Região – Seção Judiciária do Estado de São Paulo, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Juíza Federal Relatora.

Participaram do julgamento a Juízas Federais, Juliana Montenegro Calado e Tais Vargas


Ferracini de Campos Gurgel, bem como o Juiz Federal João Carlos Cabrelon de Oliveira.

São Paulo, 22 de outubro de 2020. (data da sessão de julgamento) #>#}#]

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