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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE

MARTA CURADO CARVALHO FRANCO FINOTTI

Estudo da liberação in vitro de progestagênios em


diferentes formas farmacêuticas usados para suporte
da fase lútea no tratamento de infertilidade

Goiânia
2011

i
MARTA CURADO CARVALHO FRANCO FINOTTI

Estudo da liberação in vitro de progestagênios em


diferentes formas farmacêuticas usados para suporte
da fase lútea no tratamento de infertilidade

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em


Ciências da Saúde da Universidade Federal de Goiás
para obtenção do Título de Doutor em Ciências da Saúde.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Eliana Martins Lima


Co-orientador: Prof.º Dr.º Délio Marques Conde

Goiânia
2011

iii
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Finotti, Marta Curado Carvalho Franco.


F515e Estudo da liberação in vitro de progestagênios em diferentes
formas farmacêuticas usados para suporte de fase lútea no
tratamento da infertilidade [manuscrito] / Marta Curado Carvalho
Franco Finotti. - 2011.
145 f.: figs, tabs.

Orientadora: Profª. Drª. Eliana Martins Lima; Co-Orientador:


Prof. Dr. Délio Marques Conde.
Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Goiás, Programa
de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, 2011.
Bibliografia.

1. Infertilidade – Estudo – Tratamento. 2. Progestagênios. 3.


Dissolução – Estudo e Pesquisa. I. Título.

CDU: 612.663:615.03
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde
da Universidade Federal de Goiás

BANCA EXAMINADORA DA TESE DE DOUTORADO

Aluno(a): Marta Curado Carvalho Franco Finotti

Orientador(a): Prof.ª Dr.ª Eliana Martins Lima

Co-Orientador(a): Prof.º Dr.º Délio Marques Conde

Membros:
1. Prof.ª Dr.ª Eliana Martins Lima

2. Prof.º Dr.º José Miguel de Deus

3. Prof.º Dr.º Ruffo de Freitas Júnior

4. Prof.ª Dr.ª Kátia Karina Verolli de Oliveira Moura

5. Prof.º Dr.º Celmo Celeno Porto

OU

6. Prof.º Dr.º Mário Silva Approbato

7. Prof.º Dr.º Rodopiano de Souza Florêncio

Data: 30/05/2011

iii
Dedico este trabalho...

À memória da minha avó


Iná Silva Curado,
uma mulher de fibra e de fé.

iv
AGRADECIMENTOS

A Deus, pelo dom da vida e pelo privilégio que me foi concedido de ter uma

profissão de ajuda ao próximo;

Aos meus pais, Luiz Carlos e Terezinha, pelo apoio incondicional e presença

constante, a vocês, a minha eterna gratidão, meu amor e admiração;

Ao Hélio, pela parceria ao longo de uma vida. O seu amor é o meu porto seguro.

Com o seu apoio, posso voar, sonhar e realizar. Compartilho com você esta

conquista. A você, meu reconhecimento e amor sincero;

Aos meus filhos, Ana Carolina, Ana Paula e Tiago, razão maior da minha

existência, pelo constante incentivo, pelo carinho e por serem sempre tão

especiais. Vocês são o meu maior legado à humanidade;

Ao Bruno, Glauber e Anna Maria, por terem vindo somar a nossa família. Ao

Glauber por seus valiosos ensinamentos em informática, transmitidos

prontamente com competência e profissionalismo;

Á Prof. Dra. Eliana Martins Lima, pela confiança depositada em mim. Mesmo

sendo de uma área diferente, dispôs-se a me orientar e ensinar;

Ao Prof. Dr. Délio Marques Conde, por sua amizade, incentivo, acolhida nos

momentos de incerteza e por sua valiosa orientação;

Á Prof. Ms. Mariana de Oliveira Beretta, pela colaboração imprescindível para a

realização desta pesquisa. Sua ajuda, competência e ensinamentos serão

sempre lembrados. A você, o meu carinho e gratidão;

Agradecimentos v
Ao Prof. Dr. José Miguel de Deus, por ter a sabedoria de unir o profissionalismo e

a disciplina com a amizade e a simplicidade, sempre disposto a compartilhar

seu vasto conhecimento em áreas diversas;

Á Dra. Vânia Meira e Siqueira Campos, pelo incentivo e pela solidariedade no

momento certo. Suas instruções ampliaram meus horizontes;

Ao Dr. Ruiter Silva Ferreira, pela sua disponibilidade em ajudar, pelas valiosas

indicações e ensinamentos;

Ao Prof. Dr. Mario Silva Approbato, pelo convívio fraterno e pela oportunidade de

trabalharmos juntos no Serviço de Reprodução Humana do Hospital das

Clínicas;

Aos meus irmãos, cunhados e sobrinhos pela torcida e, em especial, a Margareth,

ao Mauricio e a Renata pelo apoio, essencial à concretização deste projeto;

Aos meus sogros, Hélio e Ana, pelo incentivo, atenção e carinho que sempre me

dispensaram;

Aos meus amigos de uma vida, Mariza e Rubens, Patrícia e Silvério, Lurdinha e

Joaquim, pelo ombro solidário nas horas difíceis e pela alegria

compartilhada nos momentos de celebração;

À Marilisa Gaeti, minha mais recente amiga, pelo auxilio prestados com eficiência

e cordialidade;

Às secretárias Kessia, Fernanda e Valdecina, pela atenção, apoio e dedicação.

Sempre incansáveis na tarefa de ajudar;

Á Karla Chaul, pelo seu empenho na diagramação deste trabalho superou o

aspecto profissional e só se explica pela amizade que nos une.

Agradecimentos vi
Aos casais inférteis, incansáveis na busca por um filho, por me motivarem a ir

sempre em frente, aprender mais, para poder ajudá-los como merecem.

A todos que direta ou indiretamente contribuíram com seus conhecimentos,

habilidades e companheirismo para a realização desta tese que, mais do que

um projeto acadêmico é um projeto de vida.

Agradecimentos vii
“O que importa na vida, não é o ponto de partida, mas a caminhada.
Caminhando e semeando, no fim terás o que colher!”

“Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

Cora Coralina

Epígrafe viii
SUMÁRIO

SUMÁRIO ............................................................................................... ix
Lista de Tabelas .................................................................................... xi
Lista de Figuras .................................................................................... xiii
Lista de Quadros................................................................................... xv
SÍMBOLOS, SIGLAS E ABREVIATURAS ............................................ xvi
RESUMO ................................................................................................ xviii
ABSTRACT ............................................................................................ xx
1 INTRODUÇÃO..................................................................................... 22
2 REVISÃO DA LITERATURA............................................................... 25
2.1 Progesterona / Progestagênios................................................................ 25
2.1.1 Propriedades físico-químicas ............................................................ 28
2.1.2 Propriedades farmacocinéticas.......................................................... 29
2.1.3 Indicações clínicas ............................................................................. 30
2.1.4 Vias de administração........................................................................ 30
2.2 Papel dos progestagênios em reprodução assistida.................. 33
2.3 Progestagênios disponíveis no mercado brasileiro para
suporte de fase lútea ............................................................................ 37
2.4 Fundamentos da dissolução in vitro de formas farmacêuticas.. 38
2.4.1 Formas farmacêuticas sólidas de uso oral .............................................. 40
2.4.2 Dissolução de outras formas farmacêuticas............................................. 42
2.4.3 Estratégias para otimizar o uso oral de fármacos.................................... 42
2.4.4 Fatores que influenciam o processo de dissolução e absorção de
fármacos .................................................................................................. 44
2.4.5 Sistema de classificação biofarmacêutica................................................ 49
2.4.6 Validação do método................................................................................ 51
3 OBJETIVOS ........................................................................................ 52
3.1 Objetivo geral .................................................................................. 52
3.2 Objetivos específicos ..................................................................... 52
4 ENSAIOS DE LIBERAÇÃO IN VITRO .............................................. 53
4.1 Experimento 1 - Didrogesterona.................................................... 53
4.1.1 Materiais e métodos................................................................. 53

Sumário ix
4.1.2 Resultados e discussão............................................................ 57
4.2 Experimento 2 - Progesterona micronizada veiculada a
cápsulas de gelatina mole - Produtos A e B....................................... 64
4.2.1 Materiais e métodos....................................................................... 64
4.2.2 Resultados e discussão.................................................................. 70
4.3 Experimento 3 - Progesterona micronizada veiculada em gel... 80
4.3.1 Materiais e métodos....................................................................... 80
4.3.2 Resultados e discussão.................................................................. 83
4.4 Experimento 4 - Óvulos e supositórios manipulados.................. 87
4.4.1 Materiais e métodos....................................................................... 87
4.4.2 Resultados e discussão.................................................................. 90
5 CONCLUSÕES................................................................................... 98
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................ 99
6 REFERÊNCIAS ...............................…...............………………………. 100
7 ANEXOS……………………………………………………………………. 110
Anexo 1 – Equipamentos................................................................................... 110
Anexo 2 - Fotos da dissolução do Produto A..................................................... 113
Anexo 3 - Fotos da dissolução do Produto B..................................................... 116
Anexo 4 - Fotos da dissolução do óvulo............................................................ 119
Anexo 5 - Fotos da dissolução do supositório................................................... 121
Anexo 6 - Parecer do Comitê de Ética............................................................... 122
Anexo 7 - Artigo científico.................................................................................. 123

Sumário x
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Peso médio dos comprimidos de didrogesterona .............. 59


Tabela 2 - Teor dos comprimidos........................................................ 59
Tabela 3 - Uniformidade de conteúdo dos comprimidos......................... 60
Tabela 4 - Perfil de dissolução dos comprimidos revestidos
contendo didrogesterona.................................................... 61
Tabela 5 - Perfil de dissolução dos Produtos A (lote 1172) e B (lote
83506)................................................................................. 71
Tabela 6 - Perfil de dissolução dos Produtos A (lote 1207) e B (lote
83614)...................................................................................... 72
Tabela 7 - Perfil de dissolução dos Produtos A (lote 1218) e B (lote
84115)................................................................................. 73
Tabela 8 - Índice de Diferença e de Similaridade da substância do
Produto B tendo o Produto A como valor de referência..... 76
Tabela 9 - Índice de Diferença e de Similaridade da substância do
Produto A tendo o Produto B como valor de referência..... 76
Tabela 10 - Eficiência de Dissolução dos Produtos A (lote 1172) e B
(lote 83506)......................................................................... 77
Tabela 11 - Eficiência de Dissolução dos Produtos A (lote 1207) e B
(lote 83614)......................................................................... 77
Tabela 12 - Eficiência de Dissolução (n=6) dos Produtos A (lote 1218)
e B (lote 84115).................................................................. 77
Tabela 13 - Coeficientes de correlação gerados a partir da avaliação
da cinética de dissolução apresentadas para os Produtos
A e B................................................................................... 78
Tabela 14 - Pefil de dissolução nos dois equipamentos........................ 83
Tabela 15 - Velocidade de Liberação da Progesterona em cada
equipamento....................................................................... 84

Lista de Tabelas xi
Tabela 16 - Perfil de dissolução de cada produto.................................. 91
Tabela 17 - Perfil de dissolução de supositórios em diferentes
farmácias............................................................................ 92
Tabela 18 - Perfil de dissolução dos lotes de óvulos da farmácia B...... 93
Tabela 19 - Perfil de dissolução de óvulos da Farmácia B lote 1 e da
farmácia C........................................................................... 94
Tabela 20 - Perfil de dissolução de óvulos da Farmácia B lote 2 e da
farmácia C........................................................................... 95

Lista de Tabelas xii


LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Biossíntese da progesterona.............................................. 26


Figura 2- Estrutura química da progesterona.................................... 28
Figura 3- Interação hormonal no ciclo menstrual............................... 34
Figura 4- Níveis hormonais no ciclo natural....................................... 34
Figura 5- Processos relacionados à liberação do fármaco da forma
farmacêutica....................................................................... 39
Figura 6- Representação esquemática dos processos relacionados
à liberação de fármacos das formas farmacêuticas
sólidas................................................................................. 41
Figura 7- Efeito potencial de lipídeos e expedientes lipídicos na
absorção de drogas............................................................ 43
Figura 8- Cromatograma obtido da leitura da amostra de
didrogesterona preparada em fase móvel.......................... 57
Figura 9- Curva padrão juntamente com a equação da reta e o
coeficiente de determinação............................................... 58
Figura 10- Perfil de dissolução dos comprimidos revestidos ............... 61
Figura 11- Perfil de dissolução comparativo entre o produto A (lote
1172) e o produto B (lote 83506)........................................ 71
Figura 12- Perfil de dissolução comparativo entre o produto A (lote
1207) e o produto B (lote 83614)........................................ 72
Figura 13- Perfil de dissolução comparativo entre o produto A (lote
1218) e o produto B (lote 84115)........................................ 73
Figura 14- Gráfico em dispersão do comparativo entre produto A e
produto B............................................................................ 75
Figura 15- Quantidade de progesterona liberada, ao longo do tempo
de ensaio, para cada equipamento testado........................ 84
Figura 16- Velocidade da liberação da progesterona nos dois

Lista de Figuras xiii


aparelhos............................................................................. 85
Figura 17- Perfil de dissolução comparativo de óvulos e supositórios... 91

Figura 18- Perfil de dissolução comparativo de supositório da


Farmácia A com o supositório da Farmácia B...................... 92
Figura 19- Perfil de dissolução comparativo de óvulos dos lotes 1 e 2
da farmácia B........................................................................ 93
Figura 20- Perfil de dissolução comparativo de óvulos da farmácia B
lote 1 com farmácia C........................................................... 94
Figura 21- Perfil de dissolução comparativo de óvulos da farmácia B
lote 2 com farmácia C.......................................................... 95

Lista de Figuras xiv


LISTA DE QUADROS

Quadro 1- Classificação dos Progestagênios........................................ 27


Quadro 2- Propriedades físico-químicas e farmacocinéticas da
progesterona.................................................................... 29
Quadro 3- Classificação de fármacos de acordo com o SCB e
principais características de cada classe......................... 49
Quadro 4- Relação dos equipamentos utilizados na realização do
experimento 1................................................................... 54
Quadro 5- Relação dos reagentes e produtos utilizados na
realização do experimento 1............................................. 54
Quadro 6- Limites de variação para comprimidos............................. 56
Quadro 7- Relação dos equipamentos utilizados na realização do
experimento 2................................................................... 65
Quadro 8- Relação dos reagentes e produtos utilizados na
realização do experimento 2............................................. 65
Quadro 9- Especificações para a determinação do perfil de
dissolução da progesterona.............................................. 66
Quadro 10- Relação dos equipamentos utilizados na realização do
experimento 3................................................................... 81
Quadro 11- Relação dos reagentes e produtos utilizados na
realização do experimento 3............................................. 81
Quadro 12- Relação dos equipamentos utilizados na realização do
experimento 4................................................................... 88
Quadro 13- Relação dos reagentes e produtos utilizados na
realização do experimento 4............................................. 88
Quadro 14- Parâmetros utilizados no ensaio de dissolução de
óvulos contendo progesterona micronizada..................... 89

Lista de Quadros xv
SÍMBOLOS, SIGLAS E ABREVIATURAS

ANOVA Análise de Variância


ASC Área sob a Curva
BP British Pharmacopeia
CDER Center for Drug Evaluation and Research
CIVIV Correlação in vitro- in vivo
CLAE Cromatografia Líquida de Alta Eficiência
Cmáx Concentração Plasmática Máxima
DEF Dicionário de Especialidades Farmacêuticas
DP Desvio Padrão
EMEA European Medicines Agency
DPR Desvio Padrão Relativo
Farm Bras Farmacopéia Brasileira
FDA Food and Drug Administration
FIP International Pharmaceutical Federation
FIV Fertilização In Vitro
GABA Ácido Gama Aminobutírico
GnRH Hormônio Liberador de Gonadotrofinas
aGnRH Análogos do Hormônio Liberador de Gonadotrofinas
GnRH-a Agonista do Hormônio Liberador de Gonadotrofinas
GnRH-an Antagonista do Hormônio Liberador de
hCG GonadotrofinasCoriônica Humana
Gonadotrofina
HOC Hiperestimulação Ovariana Controlada
HPLC High Performance / Pressure Liquid Chromatography
IR Intervalo de Confiança

Símbolos, siglas e abreviaturas xvi


ICMART Comitê Internacional para Monitorização da
Tecnologia Reprodutiva Assistida
ICSI Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides
L Litro
LH Hormônio Luteinizante
LSS Lauril Sulfato de Sódio
mL Mililitro
mm Milímetros
ng Nanograma
nmol Nanomol
OMS Organização Mundial de Saúde
OR Odds Ratio
PVDF Polyvinylidene Fluoride
Qt Porcentagem do fármaco dissolvida em determinado
tempo
r Coeficiente de Correlação
r2 Coeficiente de Determinação
RP Receptor de Progesterona
rpm Rotações por Minuto
SCB Sistema de Classificação Biofarmacêutica
SHO Síndrome de Hiperestimulação Ovariana
TAS Tampão Acetato de Sódio
TGI Trato Gastrointestinal
Tmáx Tempo para Alcançar a Concentração Plasmática
Máxima
TRA Tecnologia Reprodutiva Assistida
USP United States Pharmacopeia
UV Ultravioleta
g Micrograma
m Micrômetro

Símbolos, siglas e abreviaturas xvii


RESUMO

INTRODUÇÃO - O perfil de dissolução do fármaco representa uma importante


ferramenta para avaliar a qualidade biofarmacêutica do medicamento. É
necessário que se garanta que a forma farmacêutica libere o fármaco na
quantidade e na velocidade adequadas ao objetivo terapêutico do produto, o que
está diretamente relacionado à sua biodisponibilidade. Para que possa haver
intercambialidade entre medicamentos, é necessário que, primeiro, esteja
garantida a qualidade, segurança e eficácia. A inobservância de tal preceito pode
ser responsável pela falência terapêutica. OBJETIVOS: Avaliar o perfil de
dissolução das principais formas farmacêuticas de progestagênios disponíveis no
mercado brasileiro para suporte de fase lútea no tratamento de infertilidade.
MÉTODOS: Foi realizado estudo laboratorial, desenvolvido no Laboratório de
Tecnologia Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de
Goiás (UFG). Foram avaliados comprimidos revestidos de didrogesterona,
progesterona micronizada veiculada em cápsulas de gelatina mole, provenientes
de dois laboratórios diferentes, produto A e produto B, bem como a forma
veiculada em gel. O estudo abrangeu também supositórios e óvulos provenientes
de três farmácias magistrais. A avaliação foi realizada por meio de testes físicos,
físico-químicos e ensaios de liberação in vitro. Para as formas farmacêuticas em
cápsulas de gelatina mole, foi determinado, além do perfil, a cinética e a eficiência
de dissolução. Os produtos com a mesma forma farmacêutica foram comparados.
Equipamentos diferentes, o Dissolutor com acessório Enhancer Cells e Células de
Difusão tipo Franz, foram testados e também comparados na tentativa de se
determinar o melhor método de avaliação para as formas semissólidas. A análise
estatística foi realizada no programa SPSS, versão 16.0 for Windows. Os testes
aplicados foram Anova, Tukey e t de Student. RESULTADOS: A avaliação da
didrogesterona, sob a forma de comprimidos revestidos, demonstrou que o
produto se apresenta de acordo com as especificações farmacopeicas. Os

Resumo xviii
comprimidos foram aprovados em primeiro estágio no ensaio de dissolução, pois
todas as unidades apresentaram mais de 85% do fármaco dissolvido ao final de
60 minutos. O perfil de dissolução dos três lotes dos produtos avaliados (A e B)
de progesterona micronizada sob a forma de cápsulas de gelatina mole,
provenientes de diferentes laboratórios farmacêuticos, demonstrou que houve
dissolução de 80% do fármaco até a quarta hora de estudo, ou seja, todos
estavam dentro das especificações definidas no método de dissolução. . Os
produtos A e B de progesterona micronizada sob a forma de cápsulas de gelatina
mole, apresentaram perfis de dissolução semelhantes e cinética de primeira
ordem. O equipamento Dissolutor com acessório Enhancer Cells se mostrou mais
adequado para caracterizar a velocidade e extensão de liberação do fármaco
veiculado em gel, a partir da matriz. O ensaio de liberação in vitro da
progesterona micronizada, veiculada em gel, no Dissolutor, comprovou o
mecanismo de liberação prolongada do fármaco, que se manteve por um período
de 72 horas. Os óvulos e supositórios das farmácias magistrais não atenderam os
critérios estabelecidos pelas agências reguladoras e compêndios oficiais quanto
aos requisitos de qualidade para medicamentos. O perfil de dissolução mostrou-
se diferente entre os lotes analisados e entre as farmácias avaliadas. A média das
concentrações máximas de progesterona micronizada não ultrapassou 80% da
dose declarada no rótulo. Houve diferenças estatisticamente significativas com
relação à média das concentrações de progesterona entre lotes da mesma
farmácia e entre as farmácias pesquisadas. CONCLUSÕES: Não é possível
estabelecer intercambialidade dos produtos referência com os produtos
manipulados testados. É necessário que se dê continuidade por meio de estudos
de biodisponibilidade e ensaios clínicos randomizados, testando os diferentes
produtos, dentre os que mostraram melhor desempenho nos estudos de
dissolução realizados.

PALAVRAS-CHAVE: Progestagênios; dissolução; tratamento; infertilidade.

Resumo xix
ABSTRACT

INTRODUCTION: The dissolution profile of a drug is an important tool for


evaluating its biopharmaceutical quality. The pharmaceutical form must be
guaranteed to release the appropriate quantity of the drug at the appropriate rate
to assure that the therapeutic objective of the product, which is directly related to
its bioavailability, will be achieved. In order to permit interchangeability between
medications, quality, safety and efficacy must first be guaranteed. Failure to
comply with these conditions may result in therapeutic failure. OBJECTIVES: To
evaluate the dissolution profile of the principal pharmaceutical forms of
progestogens available on the market in Brazil for luteal phase support in infertility
treatment. METHODS: A laboratory study was developed and conducted in the
Pharmaceutical Technology Laboratory of the School of Pharmacy, Federal
University of Goiás (UFG). The following formulations were evaluated: coated
tablets of dydrogesterone, micronized progesterone in the form of soft gelatin
capsules produced by two different pharmaceutical companies (product A and
product B) and a gel form. The study also included suppositories and ovules from
three compounding pharmacies. Evaluation was made using physical and
physicochemical tests and in vitro release assays. In the case of the
pharmaceutical preparations in the form of soft gelatin capsules, dissolution
kinetics and dissolution efficacy were also determined in addition to the profile of
the preparation. The products with the same pharmaceutical form were
compared. Different equipment, a dissolution apparatus equipped with an
Enhancer Cell assembly and Franz diffusion cells, were tested and also compared
in an attempt to determine the best method of evaluating semisolid forms.
Statistical analysis was performed using the SPSS statistical software program for
Windows, version 16.0. ANOVA, the Tukey test and Student’s t-test were used in
the comparative analysis. RESULTS: Evaluation of dydrogesterone in the
pharmaceutical form of coated tablets showed the product to be in accordance

Abstract xx
with pharmacopeial specifications. The tablets were approved in the first stage of
the dissolution assay, drug dissolution being above 85% at 60 minutes for all the
units tested. With respect to the dissolution profile of the three batches of the
micronized progesterone products evaluated (products A and B), in the form of
soft gelatin capsules from different pharmaceutical companies, drug dissolution
within 4 hours was 80%, i.e. all the products met the established dissolution
specifications. The dissolution profiles and first-order kinetics of products A and B,
which consisted of micronized progesterone in the form of soft gelatin capsules,
were similar. The dissolution apparatus equipped with an Enhancer Cell assembly
was found to constitute the best means of characterizing the rate and extent of
release of the drug in gel form from its matrix. The in vitro release assay for
micronized progesterone in the form of soft gelatin capsules conducted in the
dissolution apparatus confirmed the prolonged release mechanism of the drug,
which lasted for up to 72 hours. None of the ovules or suppositories from any of
the compounding pharmacies evaluated met the criteria established by the
regulatory agencies and official compendia with respect to the quality
requirements for drugs. The dissolution profile differed between batches and
between the different pharmacies investigated. Mean maximum concentrations of
micronized progesterone failed to exceed 80% of the dose stated on the label.
Statistically significant differences were found between batches originating from
the same pharmacy and between the different pharmacies investigated.
CONCLUSIONS: It was impossible to establish the interchangeability of the
reference products with the compounded products tested. Further bioavailability
studies and randomized clinical trials should be conducted to test the different
products with the best performance in the dissolution studies conducted.

KEY WORDS: Progestogens; dissolution; treatment; infertility.

Abstract xxi
1 INTRODUÇÃO

A incapacidade de ter filhos é um drama para muitos casais, na medida


em que culmina na sensação de perda, falha e exclusão. A infertilidade afeta em
torno de 15% dos casais em idade reprodutiva em todo o mundo (RUTSTEIN,
2004).

Os termos infertilidade, esterilidade e infecundidade são amplamente


usados, por vezes como sinônimo, sem adequada precisão. Na tentativa de
padronizar as definições usadas em reprodução assistida, a Organização Mundial
de Saúde (OMS) reuniu, em 2008, um grupo de cientistas e epidemiologistas que
revisou e ampliou o glossário já existente do Comitê Internacional para
Monitorização da Tecnologia Reprodutiva Assistida (ICMART). O objetivo foi
desenvolver um conjunto de definições internacionalmente aceitas e
continuamente atualizadas com a finalidade de contribuir para a comunicação
entre profissionais responsáveis pela prática de tecnologia reprodutiva assistida
(TRA) e contribuir para a comparação dos procedimentos em diferentes países e
regiões (ZEGERS-HOCHSCHILD et al., 2009).

A definição para infertilidade, segundo o glossário revisto e ampliado, é a


incapacidade em obter uma gravidez clínica após doze ou mais meses de
relações sexuais regulares sem adequada proteção contraceptiva (ZEGERS-
HOCHSCHILD et al., 2009). Estudo realizado pela OMS mostrou que a taxa de
infertilidade entre mulheres brasileiras, de 25 a 49 anos, foi de 15% (RUTSTEIN,
2004). Dentre as inúmeras opções de tratamento preconizadas para infertilidade
conjugal, destacam-se as que utilizam TRA.

Após o advento das técnicas de reprodução assistida, empregadas no


tratamento de casais inférteis, constatou-se a necessidade de suplementação da

Introdução 22
segunda fase do ciclo, a fase lútea, com fármacos que estimulassem a produção
de progesterona, com a própria progesterona ou, ainda, com a associação de
ambos. Essa medida resultou em um aumento nas taxas de gravidez por
favorecer a implantação embrionária (PRITTS; ATWOOD, 2002).

Desde que se obteve a primeira gravidez mediante procedimento de


fertilização in vitro (STEPTOE; EDWARDS, 1978), foram feitos avanços
substanciais na compreensão da fase lútea, porém é necessário conhecer muito
mais para melhorar as taxas de implantação (NOSARKA et al., 2005).

No que diz respeito ao uso de progestagênios para suplementação da


fase lútea, diferentes tipos, apresentações, doses, duração do tratamento e vias
de administração têm sido empregados, embora o esquema ideal ainda
permaneça controverso (FATEMI, POPOVIC-TODOROVIC; et al., 2007;
HUBAYTER; MUASHER, 2008).

Cada ciclo de tratamento com técnicas de reprodução assistida expõe o


casal a estresse psicológico e a desordens emocionais provocadas por repetidas
falhas no tratamento. Advêm daí depressão, insatisfação e baixa autoestima. A
mulher, por sua vez, fica sujeita aos efeitos colaterais das medicações e, algumas
vezes, a um risco – apesar de raro – potencialmente letal (MORANTZ-SANCHEZ,
1997).

Aliados a essas ocorrências, problemas de caráter econômico devem ser


ressaltados. Como os custos financeiros dos procedimentos são consideráveis e,
na maioria das vezes, não são cobertos por convênios ou subsidiados por órgãos
governamentais, é necessário que os profissionais da área envidem todos os
seus esforços para obter sucesso com o menor número de ciclos possível.

A falta de padronização da suplementação progestínica mais eficaz faz


com que, muitas vezes, o tratamento se mostre inadequado ou, mesmo, inócuo,
acarretando consideráveis prejuízos para o casal e, principalmente,
impossibilitando a gravidez almejada.
Introdução 23
O mercado brasileiro dispõe de várias formulações usadas para suporte
de fase lútea por via oral e parenteral. O conhecimento a respeito da qualidade
biofarmacêutica destes produtos, obtido por ensaios in vitro, visa a possibilitar um
maior intercâmbio de informações úteis no momento da prescrição.

A dissolução do fármaco, a partir da forma farmacêutica, é etapa


determinante do processo de absorção de medicamentos e esta, por sua vez, tem
influência direta na eficácia deste. Partindo dessa premissa, é importante a
realização de testes in vitro que permitam visibilizar como a dissolução ocorre em
função do tempo. Esses testes são conhecidos como perfil de dissolução
(DOKOUMETZIDIS; MACHERAS, 2006). Para se obter o perfil de dissolução,
deve realizar-se várias coletas do meio de dissolução, em tempos adequados,
determinando-se a porcentagem de fármaco dissolvido a cada tempo.

É recomendado empregar, para quantificação do fármaco, metodologia in


vitro, devidamente desenvolvida e validada. A partir da curva resultante, pode
determinar-se a cinética do processo de dissolução, bem como a eficiência desta
(PORTA, 2002; STORPIRTIS, 2004).

Com os avanços da tecnologia e das pesquisas envolvendo liberação de


fármacos, modernização dos testes e mais ênfase na previsibilidade de efeitos
terapêuticos in vivo, por meio de ensaios in vitro, os testes de dissolução têm
obtido cada vez mais popularidade, sendo uma ferramenta no controle de
qualidade e na efetividade clínica da formulação (MANADAS, 2002).

Desse modo, este trabalho propôs-se a determinar o perfil de liberação in


vitro da progesterona, por meio de testes de dissolução de diferentes formas
farmacêuticas de progestagênios, disponíveis comercialmente no mercado
brasileiro, para suporte da fase lútea. A capacidade de predizer o desempenho in
vivo do fármaco por meio de dados obtidos em testes de liberação in vitro será
discutida e avaliada buscando sempre estabelecer correlação com possíveis
implicações terapêuticas.

Introdução 24
2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Progesterona / progestagênios

A progesterona é um hormônio formado por precursores esteroides nos


ovários, testículos, glândulas adrenais, placenta e em células da glia no sistema
nervoso central, estando presente em altas concentrações no corpo lúteo. Seus
receptores estão localizados no útero, na glândula mamária e no sistema nervoso
central (BAYARD et al., 1978).

Tem papel essencial na preparação do útero para a implantação


embrionária, na manutenção da gravidez e no desenvolvimento do tecido
mamário para amamentação. A progesterona é considerada o hormônio que dá
suporte à vida. Age por meio da modulação da resposta imune materna,
aumentando a circulação uteroplacentária, reduzindo a contratilidade uterina
(NORWITZ et al., 2001; SZEKERES-BARTHO et al., 2001; DRUCKMANN;
DRUCKMANN, 2005) e suprimindo a resposta inflamatória na interface materno
fetal (SCHWARTZ et al., 2009).

É encontrada em humanos, em certos animais e, raramente, em plantas


(PAULI et al., 2010). Pode ser sintetizada a partir da Dioscorea mexicana,
pertencente à família do inhame. A Dioscorea produz grandes quantidades de um
esteroide chamado diosgenina, que pode ser convertido em progesterona em
laboratório (APPLEZWEIG, 1969).

Nos mamíferos, é sintetizada a partir do colesterol, sendo precursora de


muitos hormônios esteroides, incluindo glicocorticoides, mineralocorticoides,
androgênios e estrogênios, conforme ilustrado na Figura 1.

Revisão da Literatura 25
Figura 1: Biossíntese da progesterona (Adaptada de BORON, 2003).

A progesterona pertence à classe de hormônios denominados


progestagênios. Outras denominações, como progestínico, gestagênio ou
gestogênio, têm sido utilizadas com significado semelhante.

Progestagênios é a denominação dada às substâncias com propriedades


biológicas semelhantes àquelas da progesterona natural, produzida pelo corpo
humano, com vasta aplicação clínica. Este termo inclui tanto as substâncias com
estrutura química idêntica, como aquelas com estrutura diferente da progesterona
natural (STANCZYK; HENZL, 2001).

Revisão da Literatura 26
Os progestagênios podem ser classificados em dois grandes grupos:
naturais e sintéticos (STANCZYK, 2003), conforme ilustrado no Quadro 1.

Quadro 1: Classificação dos progestagênios.

NATURAIS: Progesterona Natural


NÃO NATURAIS OU SINTÉTICOS:
Relacionados à estrutura da progesterona:
Derivados Diretos  Didrogesterona
 Medrogesterona
Derivados da 17OH Progesterona  Acetato de medroxiprogesterona
 Acetato de megestrol
 Acetato de ciproterona
 Acetato de clormadinona
Derivados da 19 Nor-progesterona Não acetilados Acetilados
 Demegestona
 Trimegestona  Ac. de nornegestrol
 Promegestona  Nestorona
Relacionados à estrutura da testosterona ou derivados da 19 nor-testosterona
(19 nor-derivados):
13 metil-derivados 13 etil-derivados Não etinilados
(estranos) (gonanos)
 Norestisterona / ac. Noretisterona  Levonorgestrel  Dienogeste
 Noretinodrel  Desogestrel
 Linestrenol  Gestodeno
 Diacetato de etinodiol  Norgestimato
 Tibolona
Relacionados à estrutura da Espironolactona
 Drosperinona
Fonte: Adaptado de Stanczyk, 2002.

Os progestagênios naturais, sintetizados em laboratório, são representados


pela progesterona natural em sua forma oleosa (não disponível comercialmente
no Brasil) e pela progesterona natural na sua forma micronizada, amplamente
utilizada. Os progestagênios sintéticos podem ser estruturalmente relacionados à
progesterona ou não. Os que se relacionam diretamente com a estrutura química
da progesterona são os mais próximos da progesterona natural (STANCZYK,
2002). A didrogesterona, também conhecida como retroprogesterona, é o único
representante da categoria disponível comercialmente no país. A progesterona
micronizada e a didrogesterona são fármacos indicados no tratamento de
Revisão da Literatura 27
mulheres inférteis, sendo, muitas vezes, referidas pelo nome genérico, no
singular, progesterona.

Os análogos sintéticos da progesterona têm sido desenvolvidos para


aumentar a biodisponibilidade por via oral e ter uma potência maior que a própria
progesterona. Dependendo da via de administração, os progestagênios
manifestam diferentes efeitos biológicos, causados por diferenças no metabolismo
e na afinidade de ligação com os receptores de progesterona (RP) e outros
receptores esteroides (STANCZYK, 2003).

2.1.1 Propriedades físico-químicas

Progesterona é um hormônio que tem como núcleo básico o


ciclopentanoperidrofenantreno, formado por três anéis de seis carbonos e um de
cinco carbonos. Representa um derivado do hidrocarboneto pregnano com 21
átomos de carbono e uma cadeia lateral de dois carbonos na posição 17.
Quimicamente, corresponde ao pregn-4-eno-3,20-diona, sendo também
conhecida como P4 (PUCCI et al., 2003), como ilustrado na Figura 2.

Figura 2: Estrutura química da progesterona.

Revisão da Literatura 28
2.1.2 Propriedades farmacocinéticas

As propriedades farmacocinéticas da progesterona administrada


oralmente são influenciadas pela ingestão de alimentos, bem como pelo veículo e
pelo tamanho da partícula (TAVANIOTOU et al., 2000). O processo de
micronização é responsável pela fragmentação da progesterona cristalina em
diminutas partículas, aumentando, assim, a área de superfície de contato,
favorecendo a absorção (STANCZYK, 2003). Os veículos lipídicos e lipofílicos
têm efeito benéfico na absorção quando usados em associação com fármacos
fracamente solúveis. A associação da progesterona a lipídios aumenta a
biodisponibilidade e favorece a absorção linfática (PORTER et al., 2007).

Os níveis sanguíneos de progesterona tendem a ser menores do que 3


nmol/L (0,9 ng/mL), na fase folicular, em torno de 60 nmol/L (18 ng/mL) na fase
lútea e continuam se elevando quando ocorre gestação, chegando a níveis de
1000 nmol/L (300 ng/mL) próximo ao termo. A progesterona necessária durante a
gestação é, inicialmente, fornecida pelo corpo lúteo durante as primeiras 6-8
semanas. Após este período, a placenta, progressivamente, assume a produção
de progesterona e, após 10 semanas, passa a ser a principal fonte. Em torno de
98% da progesterona circulante encontra-se ligada às proteínas do plasma,
principalmente a albumina, sendo rapidamente liberada para os tecidos. É
degradada pelo fígado em esteroides inativos, os quais são excretados por via
renal (JANAT-AMSBURY et al., 2009), conforme observado no Quadro 2
(SCHINDLER et al., 2003).

Quadro 2: Propriedades físico-químicas e farmacocinéticas da progesterona.

Características Descrições
Fórmula molecular C21H30O2
Peso molecular 314,5 g.mol-1
Ponto de fusão 127 - 131ºC () e 121ºC ()
Praticamente insolúvel em água; solúvel em
Solubilidade etanol, metanol, acetona, dioxano, ácido
sulfúrico concentrado, clorofórmio e éter;
levemente solúvel em óleos vegetais
Coeficiente de partição (log P) 3,87
Revisão da Literatura 29
Propriedades farmacocinéticas
Absorção prolongada, meia vida de,
Biodisponibilidade
aproximadamente, 25-50h
Ligação com as proteínas 96-99%
Metabolismo Hepático para pregnanediol e pregnanolona
Excreção Renal e biliar
Fonte: Adaptado de SCHINDLER et al, 2003.

2.1.3 Indicações clínicas

Os progestagênios apresentam vasta gama de indicações para uso na


prática clínica. Destacam-se no controle de sangramento anormal durante o
período reprodutivo; na amenorreia; no tratamento das hiperplasias endometriais
e da endometriose; na reposição hormonal pós-falência ovariana no climatério; na
anticoncepção hormonal e na puberdade precoce. São também indicados como
suplementação de fase lútea em mulheres submetidas à TRA ou com falência
ovariana que são receptoras de óvulos doados, na prevenção do abortamento
habitual e no tratamento profilático do trabalho de parto prematuro (ROMERO,
2007; O´BRIEN; LEWIS, 2009). Na literatura, porém, existe consenso quanto à
indicação no suporte de fase lútea em ciclos em que se preconiza
hiperestimulação ovariana controlada (HOC) no tratamento de infertilidade, com
técnicas de reprodução assistida (HUBAYTER; MUASHER, 2008), e em mulheres
com falência ovariana que se tornam receptoras de óvulos doados (NAVOT et al.,
1986).

2.1.4 Vias de administração

Quanto às vias de administração, várias foram desenvolvidas e têm sido


objeto de investigação: a intranasal (CICINELLI et al., 1994; CICINELLI et al.,
1995), a sublingual (STOVALL et al., 1996) e a retal (NILLIUS; JOHANSSON,
1971; CHAKMAKJIAN; ZACHARIAH, 1987). No entanto, as vias oral,
intramuscular e vaginal são mais frequentemente usadas, analisadas e
comparadas (TAVANIOTOU et al., 2000).

Revisão da Literatura 30
A progesterona natural tem uma baixa solubilidade em água, é
rapidamente inativada, quando usada por via oral, devido ao intenso metabolismo
de primeira passagem hepática. Na tentativa de melhorar sua absorção, foram
usadas associações com ácidos graxos. A redução do tamanho das partículas,
por micronização, também contribuiu para o aumento da biodisponibilidade
(MAXSON; HARGROVE, 1985).

A micronização da progesterona em partículas de tamanho inferior a 10


μm aumenta a área superficial da partícula do fármaco e, consequentemente, a
razão de dissolução aquosa e a absorção intestinal. A absorção intestinal pode
ser melhorada por meio da veiculação em óleo, comercialmente dispensada em
cápsulas de gelatina mole (HARGROVE et al., 1989).

A progesterona micronizada veiculada a policarbofil gel resulta em uma


formulação vaginal de liberação prolongada (FANCHIN et al., 1997; POLYZOS et
al., 2010).

A via de administração vaginal tem muitas vantagens quando comparada


com outras vias. A vagina fornece um sítio promissor de entrega sistêmica de
fármacos, pois apresenta uma grande área de superfície, é rica em suprimento
sanguíneo e evita o metabolismo de primeira passagem (HUSSAIN; AHSAN,
2005). Além disso, permite uma rápida absorção; não apresenta efeitos colaterais
indesejáveis, como o efeito hipnótico observado na via oral; tem alta
biodisponibilidade causada por um possível efeito de reservatório da droga pela
vagina e – o mais importante – o efeito endometrial local, conhecido como efeito
de primeira passagem uterina (SOLIMAN et al., 1994).

Um modelo de perfusão experimental foi desenvolvido usando úteros


removidos por histerectomia, com 1,5 a 2 cm de tecido vaginal. Ficou evidente
que a progesterona radioativa – aplicada no manguito vaginal –
progressivamente, migrava para o útero, obtendo-se altas concentrações em
ambos, útero e endométrio. A distribuição homogênea da progesterona, através

Revisão da Literatura 31
do endométrio, sugere um efeito endometrial local mais evidente (BULLETTI et
al., 1997).

Apesar das evidências a favor da via vaginal, por todas as vantagens


apontadas (HUSSAIN; AHSAN, 2005), não existe consenso na literatura. Estudos
realizados por Pouly (1996), assim como por Friedler (1999), comparando os
benefícios do uso da progesterona pelas vias oral e vaginal, não encontraram
diferenças significativas quanto aos resultados obtidos na fertilização in vitro
(FIV).

Recentes publicações de estudos randomizados prospectivos, o primeiro


(CHAKRAVARTY et al., 2005) comparando o uso de progesterona micronizada
em cápsulas por via vaginal com didrogesterona oral e outro incluindo a
progesterona micronizada na forma de gel na avaliação (GANESH et al., 2011),
também não encontraram diferenças nas taxas de gestação e abortamento.

A progesterona pode ser efetivamente utilizada pela via intramuscular,


sendo rapidamente absorvida. As concentrações séricas são elevadas e se
observa uma adequada transformação secretória endometrial (DEVROEY et al.,
1989). No entanto, é desconfortável e requer injeções diárias para manter
concentrações séricas apropriadas, bem como pode causar inflamação no sítio de
aplicação, dor e possibilitar a formação de abcessos (TAVANIOTOU et al., 2000).

No que tange aos efeitos colaterais observados com a progesterona


micronizada administrada por via oral, o mais importante é o de caráter sedativo e
hipnótico, causado pelos metabólitos plasmáticos da progesterona, 5-
pregnenolona e 5-pregnenolona, que afetam a afinidade do receptor do ácido
gama aminobutírico (GABA) no sistema nervoso central (ARAFAT et al., 1988).
Dentre outros efeitos da progesterona micronizada, destacam-se fadiga, tontura,
cefaleia e fraqueza (MAXSON; HARGROVE, 1985). Tais efeitos limitam, muitas
vezes, o uso dos progestagênios por essa via de administração.

Revisão da Literatura 32
Para a via vaginal, os efeitos colaterais mais relatados são prurido,
irritação perineal, fluxo vaginal aumentado e dispareumia (CHAKRAVARTY et al.,
2005). As cápsulas de progesterona natural são formuladas para uso oral e
vaginal.

Uso de óvulo ou supositório vaginal manipulado pode apresentar algumas


desvantagens, dentre elas destacamos a possível existência de variações nas
formulações, a provável solubilização baixa, causando acúmulo na cavidade
vaginal, irritação e desconforto. Também amolecem facilmente em temperatura
ambiente e requerem aplicações frequentes (JANAT- AMSBURY et al., 2009).

Vale salientar que a via transdérmica não é habitualmente indicada para a


progesterona, em suplementação de fase lútea, porque seu grau de absorção
pela derme é insatisfatório, requerendo, consequentemente, o emprego de altas
doses (SITRUK-WARE, 2007).

2.2 Papel dos progestagênios em reprodução assistida

Após a ovulação, a fase lútea de um ciclo natural se caracteriza pela


formação do corpo lúteo que secreta hormônios esteroides, dentre eles a
progesterona. À medida que são luteinizadas pelo estímulo do hormônio
luteinizante (LH), as células da granulosa e da teca modificam sua função, e o
corpo lúteo começa a funcionar. Ao final de sua atividade mitótica, as células da
granulosa luteinizadas iniciam a produção da progesterona, que é secretada por,
aproximadamente, dez dias. As células luteinizadas da teca, por sua vez,
continuam respondendo aos pulsos de LH e secretando estradiol e progesterona
conforme ilustrado nas Figuras 3 e 4.

Revisão da Literatura 33
Figura 3: Interação hormonal no ciclo Figura 4: Níveis hormonais no ciclo
menstrual (Adaptado de JANÁT- natural (Adaptado de JANÁT-
AMSBURY et al, 2009). AMSBURY et al, 2009).

A progesterona é essencial para a transformação secretória do


endométrio, aumenta a vascularização e influencia, positivamente, na
receptividade endometrial, favorecendo a implantação embrionária e a
manutenção da gestação inicial (DAYA, 2009).

Após a fertilização e a consequente implantação, o blastocisto em


desenvolvimento secreta gonadotrofina coriônica humana (hCG), cuja função é
manter tanto a atividade do corpo lúteo quanto suas secreções. As células
luteinizadas da teca respondem à estimulação do hCG, constituem o corpo lúteo
da gestação e asseguram uma produção adequada de progesterona capaz de
permitir a implantação embrionária e sua manutenção até que ocorra a
instauração completa do processo de esteroidogênese placentária entre a oitava
e a décima semanas de gestação (JANAT-AMSBURY et al., 2009).

A manutenção da gestação inicial depende, essencialmente, do


funcionamento do corpo lúteo. Convém salientar que a remoção do corpo lúteo,
Revisão da Literatura 34
em uma gestação incipiente resulta em abortamento (CSAPO et al., 1974). A
diminuição da quantidade e duração da secreção de progesterona pelo corpo
lúteo e uma resposta inadequada do endométrio resultam em uma fase lútea
deficiente (DAYA; GUNBY, 2008).

No contexto dos procedimentos de reprodução assistida, a expressão


“suporte ou suplementação de fase lútea” é usada para descrever a administração
de hormônios durante a segunda fase do ciclo estimulado (FATEMI et al., 2007).
Dentre as TRA, consideram-se como procedimentos de alta complexidade a FIV e
a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

Atualmente, em mais de 85% dos protocolos para FIV/ICSI, são


administrados os análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas (aGnRH),
agonistas (GnRH-a) ou antagonistas (GnRH-an), que são indicados para prevenir
o surgimento do pico prematuro de LH endógeno durante os ciclos com HOC,
permitindo que um maior número de oócitos chegue à maturidade antes de serem
aspirados.

Edwards et al (1980) foram os primeiros a sugerir a necessidade de um


suporte, em fase lútea, após um procedimento de FIV (EDWARDS et al., 1980).
Em 1992, uma meta-análise de todos os experimentos randomizados disponíveis
na literatura demonstraram que o uso de GnRH-a aumenta as taxas de gravidez
para ciclos de FIV entre 80 e 127% nas mulheres que haviam sido estimuladas
com gonadotrofinas exógenas (HUGHES et al., 1992).

Embora os GnRH-a confiram benefícios, seu uso é deletério para o corpo


lúteo em razão de causar-lhe inibição. Depois da sua introdução nos protocolos
de TRA, pôde-se demonstrar claramente que a fase lútea é defeituosa e, portanto,
deve ser suplementada (FRIEDLER et al., 1999). O mesmo fato é observado com
o uso do GnRH-an (KOLIBIANAKIS et al., 2003), que produzem um efeito inibidor
direto da secreção de gonadotrofinas e evitam, com eficácia, os picos prematuros
de LH durante a HOC (AL-INANY; ABOULGHAR, 2002).

Revisão da Literatura 35
O agonista, por si próprio ou em associação a concentrações
suprafisiológicas de estrogênios, induzidas pela estimulação ovariana com
gonadotrofinas, pode criar um defeito de fase lútea iatrogênico (MACKLON;
FAUSER, 2000; BASIR et al., 2001). O uso do GnRH-a causa, após a última
dose, supressão da secreção de LH pela hipófise por, aproximadamente, dez
dias. Sem esse sinal do LH, o corpo lúteo pode ser disfuncional;
consequentemente, a secreção de estrogênio e progesterona se apresenta
anormal. Sem a estimulação adequada de estrogênio e de progesterona, a
receptividade endometrial pode ser comprometida e causar um decréscimo nas
taxas de implantação e de gravidez (BOURGAIN et al., 1990).

Na tentativa de compensar essa alteração, os especialistas da área têm


usado suplementação ou suporte de fase lútea, que pode realizar-se por meio da
terapia de reposição com progesterona exógena ou da administração de hCG.
Ambas as formas podem ser usadas isoladamente ou associadas (LUDWIG et al.,
2001; GORKEMLI et al., 2004).

Nos protocolos de TRA, há controvérsias a respeito da superioridade de


cada um desses fármacos. Na literatura, inúmeros estudos comparam não só o
hCG com a progesterona, mas também as progesteronas entre si.

Daya & Gunby (2004) analisaram 59 experimentos de suporte luteal após


TRA e concluíram que: (1) o suporte da fase lútea com hCG promove um
benefício significativo, quando comparado com placebo ou sem tratamento, com
um odds ratio (OR) para um aumento, na taxa de gestação em andamento, de
2,38 (IC 95%: 1,32–4,29); (2) houve redução nas taxas de abortamento (OR =
0,12; IC 95%: 0,03–0,50). Entretanto, o risco de síndrome de hiperestimulação
ovariana (SHO) apresentou um aumento significativo, em torno de 20 vezes, nos
casos em que o hCG foi usado em ciclos com GnRH-a. Quando a suplementação
com hCG foi comparada à realizada com progesterona, o aumento no risco de
SHO foi superior a duas vezes. O suporte de fase lútea com progesterona
também resultou em um aumento significativo nas taxas de gravidez (OR = 1,34;
IC 95%: 1,01–1,79), mas não produziu efeito nas taxas de abortamento. Na meta-
Revisão da Literatura 36
análise, não se constatou diferença significante entre progesterona e hCG, ou
entre progesterona associada a hCG ou a estrogênio em termos de taxa de
gravidez ou de abortamento (DAYA; GUNBY, 2004).

Existe consenso no fato de a utilização de hCG não mostrar superioridade


quando comparada à progesterona, por estar associado a um risco aumentado de
desenvolvimento de SHO (LUDWIG et al., 2001; DAYA; GUNBY, 2004; DAYA;
GUNBY, 2008).

A progesterona é considerada a droga de escolha para suplementação de


fase lútea no tratamento da infertilidade com TRA; entretanto, diferentes tipos,
apresentações, doses, duração do tratamento e vias de administração têm sido
empregados, e o esquema ideal ainda permanece controverso (NOSARKA et al.,
2005; FATEMI, POPOVIC-TODOROVIC; et al., 2007; HUBAYTER; MUASHER,
2008).

Importa ressaltar que, apesar da alta biodisponibilidade, a grande maioria


dos progestagênios sintéticos, com exceção da didrogesterona, não é utilizada
para suplementação devido à possibilidade de efeitos teratogênicos, fato este
observado, principalmente, com os que apresentam atividade androgênica
(NORA; NORA, 1975; HENDRICKX et al., 1987).

2.3 Progestagênios disponíveis comercialmente, no mercado


brasileiro, para suporte de fase lútea

As apresentações, formas farmacêuticas e posologia dos progestagênios


disponíveis no mercado brasileiro, para suplementação de fase lútea, e seus
principais esquemas terapêuticos são abaixo descritos:

- Duphaston® (Laboratório Solvay), didrogesterona, potente


progestagênio oralmente ativo apresentado na forma de comprimidos revestidos

Revisão da Literatura 37
(10 mg). A dosagem recomendada é de 20 a 40 mg, em uma ou duas tomadas
diárias;
- Utrogestan® (Laboratório Besins), progesterona natural
micronizada, apresentada em forma de cápsula gelatinosa mole (100 e 200 mg),
podendo ser administrada por via oral ou vaginal. A dosagem recomendada é de
400 a 800 mg por dia, dividida em duas a três doses;
- Evocanil® (Laboratório Zodiac), progesterona natural micronizada,
apresentada em forma de cápsula (100 e 200 mg), podendo ser administrada por
via oral ou vaginal. A dosagem recomendada é de 400 a 800 mg por dia, dividida
em duas a três doses;
- Crinone® 8% (Laboratório Serono), progesterona apresentada em
forma de gel (90 mg), para uso intravaginal de efeito prolongado, em uma base de
policarbofil. A dosagem recomendada é de 90 a 180 mg, em uma ou duas
aplicações diárias;
- Progesterona micronizada manipulada, apresentada na forma de
óvulo ou supositório de 100 mg, podendo ser administrada por via vaginal ou
retal. A dosagem recomendada varia de 400 a 600 mg, dividida em duas ou três
aplicações diárias.

2.4 Fundamentos da dissolução in vitro de formas farmacêuticas

Dissolução pode ser definida, de forma simplificada, como um processo


pelo qual o fármaco é liberado da sua forma farmacêutica de administração e se
solubiliza. Estando na forma dissolvida, o fármaco se torna disponível para ser
absorvido pelo organismo, atingir seu sítio de ação, promover seu efeito
farmacológico e, finalmente, ser metabolizado e excretado. Portanto, a dissolução
é uma importante condição para a absorção sistêmica do fármaco, podendo afetar
a biodisponibilidade deste. O ensaio de dissolução in vitro mede a velocidade e a
extensão de liberação do ativo no meio avaliado (MANADAS, 2002).

A Figura 5 ilustra os processos relacionados com a liberação de fármacos


da sua forma farmacêutica.

Revisão da Literatura 38
Figura 5: Processos relacionados à
liberação do fármaco da forma
farmacêutica (adaptado de BROWN et
al, 2004).

O ensaio de dissolução representa uma importante ferramenta de controle


de qualidade em diferentes estágios do ciclo de vida de um medicamento, do
desenvolvimento farmacotécnico à previsão de como uma formulação agirá in
vivo.

O estudo de dissolução in vitro avalia o desempenho do produto, ou seja,


sua capacidade de liberar o fármaco da sua forma farmacêutica e disponibilizá-lo
para ser absorvido, bem como a forma como isso ocorre, que se traduz em
cinética de liberação (BERRETTA, 2010).

Os primeiros estudos de dissolução começaram a ser desenvolvidos há


cerca de 100 anos, porém, foi a partir de 1950, com o reconhecimento da sua
importância na biodisponibilidade de fármacos, que houve o crescimento no
interesse por estes estudos (DOKOUMETZIDIS; MACHERAS, 2006).

Visando a prever ou simular o comportamento in vivo de fármacos, foram


desenvolvidos os gráficos de fração de fármaco dissolvido em função do tempo,
também chamados de perfis de dissolução.
Revisão da Literatura 39
Para melhor simular in vitro as condições in vivo, é importante conhecer
os fatores que podem retardar ou diminuir a dissolução e a permeação de
fármacos, dentre os quais, é possível citar: retenção do fármaco na forma
farmacêutica; desintegração deste no meio líquido utilizado ou formação de
complexos não absorvíveis; ineficácia do transporte do fármaco através das
membranas biológicas e metabolismo ou eliminação deste antes de atingir a
corrente sanguínea. Os dois primeiros fatores citados podem ser facilmente
previstos por testes in vitro (DRESSMAN et al., 1998; GALIA et al., 1998; DAHAN;
HOFFMAN, 2008)

As propriedades da formulação desempenham papel-chave no primeiro


passo da dissolução. Para formas farmacêuticas sólidas, essas propriedades
incluem a desintegração e erosão. No caso de formulações semissólidas ou
líquidas, a dispersão de lipídeos ou a divisão do fármaco na fase lipídica se torna
relevante (BROWN, 2004).

2.4.1 Formas farmacêuticas sólidas de uso oral

Nas últimas décadas, têm-se estudado outras vias de administração de


fármacos, mas a via oral ainda continua sendo preferencial. Isto ocorre devido à
sua conveniência, menor custo, culminando em maior aderência ao tratamento
(MANADAS, 2002).

A absorção de fármacos a partir de formas farmacêuticas sólidas


administradas por via oral depende da sua liberação, ou seja, dos processos de
dissolução ou solubilização do fármaco, e da sua permeabilidade através das
membranas biológicas presentes no trato gastrointestinal (CUSTODIO et al.,
2008).

O fármaco deve estar disponível em quantidades adequadas para ser


absorvido e alcançar a corrente sanguínea. Sendo assim, para as formas

Revisão da Literatura 40
farmacêuticas sólidas, a dissolução é considerada um dos parâmetros críticos na
determinação da estabilidade do produto (SERRA; STORPIRTIS, 2007).

Qualquer alteração em relação ao perfil de liberação do fármaco pode


resultar em impacto na proporção e na quantidade do fármaco disponível para
absorção. A liberação do fármaco de uma forma farmacêutica sólida pode
envolver três etapas: desintegração, desagregação e dissolução, podendo esses
processos ocorrer simultaneamente. A velocidade pela qual ocorre o processo de
dissolução determinará a liberação do fármaco e, consequentemente, sua
absorção, podendo comprometer a eficiência do produto conforme pode ser
observado na Figura 6.

Figura 6: Representação esquemática dos processos relacionados à


liberação de fármacos das formas farmacêuticas sólidas.
Fonte: Adaptado de SERRA et al, 2007; CUSTODIO et al, 2008.

Com base nestas considerações, os ensaios de dissolução in vitro


representam uma importante ferramenta para orientar no monitoramento da
qualidade do medicamento, pois, considerando que os medicamentos sólidos
orais são aqueles que podem apresentar maiores problemas em relação à
biodisponibilidade, torna-se essencial conhecer o perfil de dissolução do fármaco
Revisão da Literatura 41
a partir da forma farmacêutica por permitir visibilizar como a dissolução ocorre em
função do tempo (DOKOUMETZIDIS; MACHERAS, 2006).

2.4.2 Dissolução de outras formas farmacêuticas

Embora o teste de dissolução tenha sido inicialmente desenvolvido e seja


reconhecidamente importante para as formas farmacêuticas sólidas, ultimamente,
a aplicação destes atinge grande variedade de formas farmacêuticas. Para formas
não orais, como supositórios, óvulos vaginais e adesivos transdérmicos é comum
nos referirmos ao ensaio como teste de liberação do fármaco ou teste de
liberação in vitro. Os princípios gerais que regem os testes são os mesmos
aplicados às formas farmacêuticas sólidas. O objetivo principal é de utilizá-lo para
caracterização biofarmacêutica do produto como forma de assegurar a qualidade
lote a lote dentro das especificações estabelecidas (MARCOLONGO, 2003;
SIEWERT et al., 2003).

As formas farmacêuticas semissólidas são representadas, principalmente,


por cremes, géis e pomadas. Os testes de dissolução para estas formas
farmacêuticas demonstram o perfil de liberação do fármaco a partir do veículo.
Não existe consenso na literatura quanto ao método ideal para realização de
testes de dissolução em formas semissólidas, devendo ainda ser estabelecido por
compêndios oficiais (MARCOLONGO, 2003).

2.4.3 Estratégias para otimização do uso oral de fármacos

As características hidrofóbicas de certos fármacos dificultam a preparação


de formas farmacêuticas destinadas à administração oral devido à menor
solubilidade de tais moléculas em sistemas aquosos, proporcionando, assim, uma
liberação incompleta e, consequentemente, menor absorção. Os princípios
termodinâmicos que governam a solubilização de fármacos demonstram que a

Revisão da Literatura 42
redução das forças intermoleculares aumenta a solubilidade e a interação soluto-
solvente na solução (SOUZA; STORPIRTIS, 2007).

Kossena e colaboradores (2007) avaliaram o efeito de fórmulas


farmacêuticas com adição de lipídios no esvaziamento gástrico e na secreção
biliar. Concluiram que a adição de lipídeos externos à formulação estimula a
secreção de sais biliares, lecitina e fosfolípides, que ajudam no processo de
solubilização e absorção do fármaco (KOSSENA et al., 2007).

Os lipídeos e excipientes lipofílicos podem alterar a absorção de fármacos


de três maneiras: aumentando a solubilização do fármaco no meio intestinal;
interagindo com o transporte por enterócitos ou alterando o circuito padrão de
absorção sistêmica (PORTER et al., 2007). O fármaco além de passar
diretamente da veia porta para o fígado inclui um circuito alternativo por via
linfática como ilustrado na Figura 7.

Figura 7: Efeito potencial de lipídeos e excipientes lipídicos na


absorção de drogas (Adaptado de PORTER et al, 2007).

O transporte linfático é interessante para fármacos que sofrem intensa


metabolização, pois são diretamente transportados para a circulação sistêmica,
sem passar primeiramente pelo fígado. Por conseguinte, ocorre redução de
metabolismo de primeira passagem hepática e consequente aumento da

Revisão da Literatura 43
biodisponibilidade. Tal mecanismo pode ser aplicado à progesterona (DAHAN;
HOFFMAN, 2008).

Diante da fraca solubilidade e do intenso metabolismo de primeira


passagem hepática sofrido pela progesterona, estão disponíveis comercialmente
formulações à base de lipídeos para a administração oral e/ou vaginal com o
intuito de melhorar a biodisponibilidade do fármaco devido à promoção do
transporte linfático. Estudos clínicos demonstraram o aumento da absorção oral
de progesterona micronizada, quando administrada em forma de suspensão
veiculada em ácidos graxos de cadeia longa e associada a alimentos
(HARGROVE et al., 1989; SIMON et al., 1993).

2.4.4 Fatores que influenciam o processo de dissolução e absorção de


fármacos

Os ensaios de dissolução podem ser afetados por inúmeras variáveis e


estas devem ser criteriosamente avaliadas e monitoradas para que não interfiram
na confiabilidade dos resultados (MARCOLONGO, 2003).

a) Fatores relacionados ao fármaco e à formulação

 Solubilidade: é definida como a extensão na qual uma molécula de um


sólido é removida a partir da sua superfície por um solvente (BUENO;
RECH, 2009), sendo considerada como o fator que mais afeta a
velocidade de dissolução. A velocidade de dissolução pode ser um fator
limitador da absorção dos fármacos administrados em formas
farmacêuticas sólidas, pois a solubilização no meio de absorção é
condição essencial para a ocorrência do processo (ABDOU, 2004).
Independente do local de administração, em solução aquosa, os
fármacos são absorvidos mais rapidamente do que aqueles
administrados em solução oleosa, suspensão ou forma sólida, porque se
misturam prontamente à fase aquosa no local da absorção;
Revisão da Literatura 44
 Tamanho das partículas: com a redução do tamanho das partículas do
fármaco, obtém-se maior área superficial do sólido em contato com o
meio de dissolução, resultando em maior velocidade de dissolução
(STORPIRTIS, 2004). Fármacos administrados na forma de partículas
de tamanho reduzido, em geral, dispersam-se mais rapidamente por
toda a superfície de contato para absorção, o que aumenta a velocidade
de dissolução e, consequentemente, o processo de absorção do
fármaco, especialmente se este é limitado pela dissolução. Por essa
razão, muitos fármacos encontram-se micronizados de forma a facilitar a
sua dissolução e sua absorção (MELIA; DAVIS, 1989; ABDOU, 2004).
No entanto, deve considerar-se que existem alguns casos, como de
fármacos que se degradam nos líquidos gástricos, em que a redução da
partícula não representa um processo vantajoso para a absorção por
favorecer a degradação química (ASHFORD, 2005);

 Natureza química: O caráter amorfo ou cristalino e a existência de


polimorfismos causam diferenças na solubilidade e na velocidade de
dissolução. A forma cristalina pode existir em diferentes estados, graus
de hidratação e solvatação. Dessa forma, estes caracteres podem
influenciar o processo de manipulação industrial, estabilidade química e,
mesmo, sua atividade biológica. A falta de coesão das moléculas de um
composto em seu estado amorfo, normalmente, proporciona-lhe maior
solubilidade que a estrutura cristalina, pois se necessita de menor
energia para separá-las. Geralmente, substâncias amorfas são mais
solúveis que as cristalinas, assim como substâncias anidras são mais
solúveis que as hidratadas (ANSEL et al., 2007);

 Tipo de forma farmacêutica: O tipo de forma farmacêutica administrada


por via oral influi no número de possíveis etapas até que ocorra o
processo completo de absorção. Observa-se diferença entre as sólidas
(comprimidos) e as líquidas no que se refere à etapa de desintegração.
Os comprimidos passam pelas etapas de desintegração, dissolução e
Revisão da Literatura 45
absorção, enquanto as soluções só passam pelas etapas de dissolução
no meio e absorção. Quanto maior o número de etapas que interferem
no processo da absorção, maior será o número de potenciais obstáculos
e a probabilidade de reduzir a biodisponilidade apresentada pelo
fármaco (ASHFORD, 2005);

 Excipientes: Embora os excipientes sejam considerados inertes, já que


não exercem uma ação biológica, podem influenciar de forma positiva
ou negativa a velocidade e/ou extensão da absorção do fármaco,
conforme suas próprias características físico-químicas (BERRETTA,
2010). Os excipientes são classificados de acordo com a função que
exercem na formulação, contudo, alguns podem exercer múltiplas
funções, de acordo com as concentrações em que foram empregados.
Diluentes, desintegrantes, aglutinantes, estabilizantes e lubrificantes são
exemplos destes adjuvantes. Praticamente todos os excipientes
envolvidos na formulação podem contribuir para diferenças na liberação
do princípio ativo, no processo de absorção e biodisponibilidade do
fármaco (JACKSON et al., 2000). Como exemplo, há lubrificantes
insolúveis que podem retardar o processo de dissolução por diminuir a
molhabilidade do fármaco e tensoativos que podem favorecer o
processo de dissolução por aumentar a solubilização de fármacos
fracamente solúveis em água (ASHFORD, 2005);

 Tecnologia de fabricação: Alguns fatores, tais como o método de


granulação, a força de compressão e a composição da formulação
podem contribuir para as características da taxa de dissolução do
produto final, pois podem promover alterações na densidade aparente,
na dureza, no tamanho médio das partículas, na viscosidade, entre
outros (ABDOU, 2004).

Revisão da Literatura 46
b) Fatores relacionados ao meio de dissolução

O desenvolvimento de uma metodologia de dissolução envolve a seleção


de parâmetros, como característica e volume do meio de dissolução, pH,
velocidade de agitação e utilização de equipamento específico, além de um
ensaio adequado e validado.

 Volume: O volume do meio de dissolução empregado depende,


principalmente, da solubilidade do fármaco, e deve ser capaz de manter
a condição sink. Esta pode ser definida como um volume de, no mínimo,
três vezes o volume de solvente necessário para se obter uma solução
saturada de fármaco (ROSA, 2005). Tal condição é importante para
garantir que a dissolução não seja limitada pela saturação do meio
utilizado durante a realização do ensaio e, também, para proporcionar
condições semelhantes ao fisiológico. No trato gastrintestinal, o fármaco
é absorvido no momento em que ele se dissolve, não existindo, portanto,
um aumento de concentração e um efeito retardador do gradiente de
concentração sobre a taxa de dissolução (MARCOLONGO, 2003);

 Temperatura: A temperatura do meio deve ser controlada, pois um


aumento da temperatura gera uma maior taxa de dissolução por
aumentar a solubilidade da maioria dos solutos. A maior parte dos testes
de dissolução é conduzida a 37°C ± 0,5°C. Este parâmetro é mantido
com o intuito de otimizar a correlação in vitro - in vivo (CIVIV). Por isso,
seu controle deve ser cuidadoso durante todo o processo de dissolução,
não permitindo variações acima de 0,5°C (SIEWERT et al., 2003);

 Tensoativos: Os tensoativos são moléculas anfifílicas frequentemente


utilizadas com o objetivo de alterar o meio reacional e permitir a
solubilização de espécies de baixa solubilidade (RANGEL-YAGUI et al.,
2005). A opção pelo uso de tensoativos é feita quando se deseja
aproximar o teste in vitro da situação in vivo. Os tensoativos diminuem a

Revisão da Literatura 47
tensão superficial entre o sólido e o meio, favorecendo a dissolução
(MANADAS et al, 2002);

 Presença de ar / gases: A presença de ar ou gases dissolvidos no


meio de dissolução, a tensão superficial, a evaporação do meio, a
vibração externa e a calibração do equipamento são outros fatores que
interferem no ensaio de dissolução, sendo passíveis de observação
criteriosa. Atuam diminuindo ou aumentando a razão de dissolução
(BROWN, 2004);

 Valor do pH: O pH no trato gastrointestinal varia entre 1,0 e 7,8. Desta


forma, a escolha do pH do meio deve considerar, principalmente, o tipo
de liberação do fármaco a partir da forma farmacêutica e do sítio de
absorção deste. A utilização de água como meio de dissolução se
justifica porque ela não exerce nenhuma ação corrosiva no equipamento
e apresenta, frequentemente, resultados comparáveis àqueles obtidos
quando se utiliza um meio ácido (MANADAS et al, 2002).

c) Fatores fisiológicos

A variabilidade biológica é um fator que interfere na absorção e,


consequentemente, no efeito terapêutico dos fármacos. Formas farmacêuticas
sólidas e sólidos dispersos/suspensos em líquidos devem passar por um
processo de dissolução nos líquidos biológicos, notadamente no trato
gastrointestinal, para que o fármaco possa ser absorvido e passe para a
circulação sistêmica (SOUZA, 2007).

 Esvaziamento gástrico e trânsito intestinal: O aumento da motilidade


intestinal diminui o tempo disponível para absorção do fármaco. A
maioria dos fármacos é absorvida no intestino devido ao maior tempo de
permanência do fármaco neste órgão, em comparação ao estômago, e,
principalmente, devido à ampla superfície de absorção deste órgão que
é, aproximadamente, 200 vezes maior que a do estômago. Ácidos

Revisão da Literatura 48
fracos são absorvidos na primeira porção do intestino onde o pH é de,
aproximadamente, 4,5 a 5,0. O ritmo de esvaziamento gástrico pode ser
alterado por nervosismo, hiperacidez, tipo de alimento presente e
presença de outros fármacos (ANSEL, 2007). Alimentos podem formar
complexos insolúveis com a substância ativa, o que diminuiria sua
absorção. Normalmente, a presença de alimento dificulta a
desintegração de formas farmacêuticas sólidas, diminuindo a velocidade
de dissolução e influenciando o processo de absorção, diminuindo a
velocidade (DIEBOLD, 2005).

2.4.5 Sistema de classificação biofarmacêutica

O sistema de classificação biofarmacêutica (SCB) foi proposto por Amidon


et al. (1995) e tornou-se uma ferramenta empregada em diferentes segmentos da
área farmacêutica. Este sistema é fundamentado no princípio de que o controle
da extensão e da velocidade de absorção de um fármaco, administrado por via
oral, depende, basicamente, de dois aspectos: da solubilidade do próprio fármaco
e da sua permeabilidade em membranas biológicas (AMIDON et al., 1995).
Fundamentado nessas propriedades, o SCB divide os fármacos em quatro
classes, de acordo com suas características de solubilidade e permeabilidade,
conforme demostrado no Quadro 3.

Quadro 3: Classificação de fármacos de acordo com o Sistema de Classificação


Biofarmacêutica e principais características de cada classe
CLASSE SOLUBILIDADE PERMEABILIDADE CARACTERÍSTICAS
Absorção rápida e completa, extensão
I ALTA ALTA de absorção maior que 90% (FDA) e
85% (EMEA).
Variabilidade devido a diferenças na
II BAIXA ALTA
formulação e variáveis fisiológicas.
Variabilidade devido a diferenças no
III ALTA BAIXA trânsito gastrintestinal, conteúdo luminal
e permeabilidade da membrana.
Possuem alta variabilidade na
IV BAIXA BAIXA
velocidade e extensão de absorção.
Fonte: Adaptado de AMIDON et al ,1995; DEZANI et al, 2010.

Revisão da Literatura 49
O SCB pode auxiliar na previsão da absorção in vivo e identificar se a
biodisponibilidade de determinado produto farmacêutico é sensível a alterações
do processo produtivo, dos constituintes da formulação ou da concentração do
fármaco (AMIDON et al., 1995; KASIM et al., 2004).

A solubilidade de um fármaco é determinada pela dissolução da dosagem


mais alta do medicamento em 250 mL de uma solução tampão de pH entre 1,0 e
8,0. Um fármaco é considerado altamente solúvel quando o resultado em volume
da relação dose/solubilidade for menor ou igual a 250 mL. A avaliação da
permeabilidade é feita com base na biodisponibilidade absoluta do fármaco. Um
fármaco altamente permeável é aquele que apresenta biodisponibilidade absoluta
superior a 90% na ausência de instabilidade do trato gastrointestinal (BRASIL,
2003).

Para fármacos pertencentes à classe I, com alta solubilidade e alta


permeabilidade, é assegurada a bioequivalência entre o produto e seu respectivo
medicamento referência, que se apresenta na forma farmacêutica sólida de
liberação imediata. Assim, a relação entre permeabilidade/solubilidade do fármaco
e absorção através do trato gastrointestinal (TGI) sugere que fármacos da classe I
são altamente absorvidos. A biodisponibilidade oral de fármacos da classe III,
geralmente, está entre 40 e 80%, enquanto que fármacos da classe IV
demonstram absorção incompleta ou ruim (BONASSI, 2009).

Para fármacos de classe II, a taxa de dissolução do fármaco é,


certamente, o principal fator limitante da sua absorção oral. Para tais fármacos
deve ser possível, portanto, estabelecer forte correlação entre os resultados dos
ensaios de dissolução e a taxa de absorção in vivo. Conforme relatos na
literatura, fármacos pertencentes às classes II e IV do SCB apresentam
problemas de biodisponibilidade (KFURI, 2008).

A adequada comparação das formulações contendo fármacos


pertencentes à classe II requer ensaios de dissolução com múltiplas amostragens
Revisão da Literatura 50
de modo a caracterizar o perfil de liberação, podendo ser necessária a utilização
de diferentes meios de dissolução (DRESSMAN et al., 1998).
Alguns fármacos têm sua classificação biofarmacêutica bem estabelecida,
enquanto outros ainda não, como é o caso da progesterona. No entanto, apesar
de a progesterona não possuir sua classificação claramente definida na literatura,
sabe-se que ela é praticamente insolúvel em meio aquoso. Por conseguinte,
pode-se inferir que a progesterona enquadra-se na classe II do SCB,
apresentando baixa solubilidade e alta permeabilidade (BERRETTA, 2010).

2.4.6 Validação do método

Os compêndios oficiais descrevem os ensaios de dissolução para alguns


fármacos. Porém, aqueles que não são descritos devem ter seus métodos de
dissolução desenvolvidos e validados.

Para garantir que um novo método analítico (quantificação e dissolução)


gere informações confiáveis e interpretáveis sobre a amostra, ele deve ser
submetido ao processo de validação, pois dados analíticos não confiáveis podem
conduzir a decisões desastrosas e a prejuízos financeiros, além de sérias
consequências relacionadas aos desvios da qualidade dos produtos
farmacêuticos.

Segundo a Resolução RE n° 899 da Agência Nacional de Vigilância


Sanitária (BRASIL, 2003) e a USP 31ª ed. (2008b), a validação deve garantir, por
meio de estudos experimentais, que o método atenda às exigências das
aplicações analíticas, assegurando a confiabilidade dos resultados. Para tanto,
deve atender alguns parâmetros adequados a cada tipo de análise, tais como:
seletividade, linearidade, precisão e exatidão. A avaliação dos perfis de
dissolução com metodologia validada serve de base para estudos clínicos futuros,
visando sempre uma correlação com a aplicação terapêutica.

Revisão da Literatura 51
3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral

Avaliar o perfil de dissolução das principais formas farmacêuticas de


progestagênios disponíveis no mercado brasileiro, para suporte de fase lútea, no
tratamento de infertilidade.

3.2 Objetivos específicos

 Avaliar o perfil de dissolução da didrogesterona sob a forma farmacêutica


de comprimidos revestidos;

 Comparar o perfil e a cinética de dissolução da progesterona micronizada


sob a forma de cápsulas de gelatina mole, proveniente de diferentes
laboratórios farmacêuticos;

 Realizar ensaio de liberação in vitro da progesterona micronizada,


veiculada em gel, nos equipamentos – Dissolutor com acessório Enhancer
Cells e Células de Difusão tipo Franz e comparar os resultados;

 Comparar os testes de liberação in vitro da progesterona micronizada sob a


forma de óvulos e supositórios manipulados, provenientes de diferentes
farmácias magistrais.

Objetivos 52
4 ENSAIOS DE LIBERAÇÃO IN VITRO

4.1 Experimento 1

Fármaco estudado:

Comprimido revestido de didrogesterona

Apresentação:

Duphaston® 10mg

Descrição do fármaco proposto para este estudo:

Didrogesterona é um progestagênio que tem uma estrutura molecular


semelhante à progesterona e grande afinidade pelos Receptores de
Progesterona (RP). É um isômero óptico da progesterona natural. Sua estrutura
conformacional a torna um fármaco metabolicamente estável e efetivo por via
oral.

4.1.1 MATERIAIS E MÉTODOS

Materiais

Os equipamentos, produtos e reagentes utilizados no experimento estão


descritos nos Quadros 4 e 5.

Ensaios de Liberação In Vitro 53


Quadro 4: Relação dos equipamentos utilizados na realização do experimento 1.
Descrição Fabricante
Balança Analítica Gehaka (modelo AG 200)
Balança Semianalítica Tecnal (modelo B TEC 1300)
Cromatógrafo líquido de alta eficiência Varian (injeção automática)
Amostrador Modelo Pro Star 410
Detector Modelo Pro Star 325
Bomba Modelo Pro Star 210
Sistema de aquisição Galaxie versão 1,9 work station
Centrífuga Sigma (modelo 3-18K)
Coluna ChromSep SS Chromspher C18
Varian
(250mm x 4,6mm, 5m)
Deionizador Quimis
Dissolutor Varian (modelo Vankel 7000)
Desintegrador Nova Ética (modelo 301/AC
Espectrofotômetro UV/Vis Varian (modelo Cary 50)
Lavadora Ultrassônica Unique (modelo USC 1400)
Milli Q Gradiente Millipore®
Mini incubadora com agitação orbital Marconi (modelo MA 410)
Paquímetro Fisher Sientific
Software Microsoft® Excel (Office 2007)
Forno para coluna cromatográfica Varian (modelo Metathum)

Quadro 5: Relação dos reagentes e produtos utilizados na realização do experimento 1.


Descrição Fabricante
Lauril sulfato de sódio Vetec (lote 048783)
Álcool isopropílico (grau HPLC) JT. Baker (lote AZ3B21)
Metanol (grau HPLC) JT. Baker (lote 627E17)
Acetonitrila (grau HPLC) JT. Baker (lote HLI7812)
Comprimidos contendo didrogesterona Data de fabricação: 01/2009 e data
(10mg), lactose monohidratada, de validade: 12/2013.
mehidroxipropilcelulose, amido de (lote:513300)
milho, sílica coloidal anidra, estearato
de magnésio, polietilenoglicol 400 e
dióxido de silício.

Ensaios de Liberação In Vitro 54


Métodos

Método de quantificação

Segundo a USP 30ªEd. (2007), a didrogesterona é quantificada por


cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), seguindo os seguintes
parâmetros: fase móvel composta por água, álcool isopropílico e acetonitrila na
proporção de 56:23:21; fase estacionária utilizando coluna C 18 (150 mm x 4,6
mm, 3 μm – VARIAN); fluxo de 1,0 mL/min; comprimento de onda de 280 nm e
forno externo a 40°C. Algumas alterações, no entanto, foram propostas. Foi
utilizada uma coluna C18 (250 mm x 4,6 mm, 5 μm – VARIAN) e o comprimento
de onda de 285 nm, haja vista que esse foi o comprimento de onda de
absorbância máxima encontrado no scan realizado em espectrofotômetro.

Conhecido o método e definidos os parâmetros para a quantificação do


fármaco, preparou-se uma curva padrão ou de calibração para poder gerar a
equação da reta e, posteriormente, quantificar o fármaco presente nas amostras
obtidas.

Curva padrão ou curva de calibração

A curva de calibração foi elaborada por meio de diluições volumétricas


feitas a partir da solução-estoque, preparada com uma concentração de 0,1
mg/mL, utilizando-se a fase móvel como diluente. As soluções de trabalho foram
preparadas utilizando-se concentrações de 1 g/mL a 24 g/mL.

Testes Físicos

Peso médio de comprimidos revestidos

O peso médio foi realizado segundo critérios estabelecidos pela Farm.


Bras. 4ªEd. (1988). Vinte comprimidos foram pesados individualmente e seus
valores foram avaliados segundo os limites de variação especificados no Quadro
6:
Ensaios de Liberação In Vitro 55
Quadro 6: Limites de variação para comprimidos (n = 20).
Limites de
Formas Farmacêuticas Peso Médio
Variação
Comprimidos não-revestidos ou revestidos, Até 80 mg 10,0%
comprimidos efervescentes, comprimidos Acima de 80mg e até 250mg 7,5%
sublinguais, comprimidos vaginais e pastilhas Acima de 250mg 5,0%

Teor

De acordo com a USP 30ªEd. (2007), o teor da didrogesterona deve


estar entre 90 e 110%, e o solvente utilizado durante a análise deve ser a fase
móvel utilizada no método de quantificação. Sendo assim, para determinar o teor
dos comprimidos, as 20 unidades utilizadas na realização do peso médio foram
triturados e uma quantidade correspondente ao valor do peso médio encontrado
foi pesada e transferida para um balão volumétrico de 500 mL, obtendo-se uma
concentração final de 20 µg/mL.

Uniformidade de conteúdo

A avaliação foi realizada segundo a USP 30ªEd. (2007). Assim, foram


utilizadas 10 unidades dos comprimidos, que foram individualmente pesados,
transferidos para balões volumétricos e dissolvidos em fase móvel. Em seguida,
foram feitas diluições com o objetivo de alcançar a mesma concentração final
teórica obtida no ensaio do teor.

Desintegração

De acordo com a Farm. Bras. 4ªEd. (1988), comprimidos revestidos


possuem 60 minutos para se desintegrar por completo, utilizando-se água como
meio e seis unidades da forma farmacêutica. Sendo assim, o teste foi realizado
em desintegrador, obedecendo-se aos parâmetros especificados.

Ensaios de Liberação In Vitro 56


Dissolução

Os parâmetros utilizados nos ensaios de dissolução estão especificados


na USP 30ªEd. (2007). Ela traz um meio de dissolução composto por água
adicionada de 0,3% de lauril sulfato de sódio, um volume de 500 mL, o
dispositivo pá, velocidade de rotação de 100 rpm e porcentagem do fármaco
dissolvida (Qt) de 75% em até 60 minutos.

O teste foi realizado com seis unidades do produto, coletando-se 2,0mL


da amostra nos tempos de 5, 15, 30, 45 e 60 minutos, sem reposição de meio
fresco, sendo as amostras quantificadas, sem diluição, pelo método CLAE com
as especificações anteriormente descritas.

4.1.2 RESULTADOS/ DISCUSSÃO

Método de quantificação

O método de quantificação mostrou-se adequado, pois apresentou


tempo de retenção relativamente curto, simetria adequada e número de pratos
teóricos acima de 2000, como demonstrado no cromatograma exposto na Figura
8.

Figura 8: Cromatograma obtido da leitura da amostra de


didrogesterona preparada em fase móvel.

Ensaios de Liberação In Vitro 57


Curva padrão ou curva de calibração

A curva padrão gerada apresentou resultados satisfatórios, pois forneceu


um coeficiente de correlação acima de 0,99, como especificado pela Resolução
n° 899/2003 (BRASIL, 2003a). O coeficiente de correlação corresponde à raiz
quadrada do coeficiente de determinação. A reta foi traçada e a equação da reta
foi gerada, como demonstrado na Figura 9.

Figura 9: Curva padrão juntamente com a equação da reta e o


coeficiente de determinação.

Testes Físicos

Peso médio de comprimidos revestidos

O peso médio dos comprimidos revestidos contendo didrogesterona foi


obtido das unidades avaliadas. Nenhuma apresentou resultado fora dos limites
de variação de peso, como ilustrado na Tabela 1.

Ensaios de Liberação In Vitro 58


Tabela 1: Peso médio dos comprimidos de didrogesterona (n=20)

Peso Médio, Tamanho e Forma - Duphaston®10mg


Pesos Diâmetro Altura
Amostras individuais(g) (mm) (mm)
1 0,1432 7,09 3,34
2 0,1442 7,1 3,37
3 0,1442 7,12 3,36
4 0,1460 7,13 3,37
5 0,1476 7,14 3,42
6 0,1433 7,1 3,35
7 0,1475 7,14 3,41
8 0,1416 7,11 3,34
9 0,1445 7,11 3,38
10 0,1453 7,13 3,4
11 0,1473 7,14 3,39
12 0,1448 7,13 3,42
13 0,1476 7,13 3,42
14 0,146 7,13 3,41
15 0,1443 7,13 3,37
16 0,1412 7,13 3,33
17 0,148 7,14 3,45
18 0,1441 7,13 3,4
19 0,1433 7,14 3,38
20 0,1468 7,11 3,43
Média 0,1450 7,12 3,39
DP 0,0020 0,015 0,033
DPR 1,3902 0,216 0,987
Limite
0,1305 7,10 3,33
inferior
Limite
0,1595 7,14 3,45
Superior

Teor

O teor encontrado foi condizente com os dados especificados na


literatura, como ilustrado na Tabela 2.

Tabela 2: Teor dos comprimidos (n = 20)


Peso médio (g) Variação Teor (%)

0,145 90 - 110% 95,803

Ensaios de Liberação In Vitro 59


Uniformidade de conteúdo

Os comprimidos mostraram-se uniformes, pois apresentaram um teor


entre 90- 110%, e um desvio padrão relativo abaixo de 2%, como demonstrado
na Tabela 3.

Tabela 3: Uniformidade de conteúdo dos comprimidos (n = 10)


Pesos
Amostras individuais(g) Concentração (%)
1 0,1436 98,8
2 0,1457 100,2
3 0,1458 100,3
4 0,1443 99,2
5 0,1447 99,5
6 0,1460 100,4
7 0,1467 100,9
8 0,1422 97,8
9 0,1482 101,9
10 0,1467 100,9
Média 0,145 100,0
DP 0,002 1,187
DPR 1,192 1,188

Desintegração

Os comprimidos foram aprovados no teste de desintegração, pois todas


as seis unidades utilizadas se desintegraram em menos de 12 minutos.

Dissolução

Os comprimidos foram aprovados em primeiro estágio no ensaio de


dissolução, pois todas as unidades apresentaram mais de 85% de fármaco
dissolvido ao final dos 60 minutos, como mostrado na Tabela 4 e na Figura 10.

Ensaios de Liberação In Vitro 60


Tabela 4: Perfil de dissolução dos comprimidos revestidos contendo didrogesterona
Porcentagem dissolvida
Tempo (min)
Comprimidos (média  DP)
5 31,813  16,697
15 76,494  13,309
30 89,133  3,061
45 91,408  1,336
60 91,642 1,937

Figura 10: Perfil de dissolução dos comprimidos revestidos.

Portanto, o produto em estudo é classificado como pertencendo à


categoria de formas farmacêuticas de liberação imediata: o sistema farmacêutico
serve apenas de suporte da substância ativa, pouco interferindo nas
características da liberação. Embora haja divergência entre alguns documentos
oficiais, a Food and Drug Administration (FDA) estabelece que, de acordo com
as características biofarmacêuticas do fármaco, estas formas farmacêuticas
deverão liberar 85% do fármaco entre 15 e 60 minutos (FDA-CDER., 1997;
COSTA, 1999).

Ensaios de Liberação In Vitro 61


A progesterona induz a transformação secretória do endométrio. Em um
endométrio previamente estimulado pelo estrogênio, a progesterona favorece a
receptividade endometrial (WHITEHEAD et al., 1980). O conceito de janela de
implantação se refere a um curto período no qual o epitélio endometrial adquire
uma condição funcional que permite a adesão do blastocisto e a sua posterior
implantação (MARTIN et al., 2002). A diminuição da receptividade endometrial é
considerada a principal responsável por baixas taxas de implantação em
fertilização in vitro (PAULSON et al., 1990).

A progesterona também promove vasodilatação e relaxamento da


musculatura uterina por induzir a síntese de óxido nítrico (BULLETTI; DE
ZIEGLER, 2005). A importância do relaxamento no dia da transferência
embrionária foi estudada por Franchin et al. O estudo avaliou as consequências
das contrações uterinas, visualizadas por ultrassonografia, durante a
transferência embrionária. Os resultados indicam que, uma alta frequência de
contrações no dia da transferência é prejudicial, provavelmente, por possibilitar a
expulsão dos embriões da cavidade uterina. Uma correlação negativa entre a
frequência de contrações e as concentrações de progesterona foi detectada
reforçando os benefícios da progesterona na FIV (FANCHIN et al., 1998).

Fica evidente nos estudos citados, que níveis séricos adequados de


progesterona, tem impacto favorável na receptividade endometrial e nas taxas
de gravidez. A didrogesterona na apresentação de comprimidos revestidos se
apresenta como uma forma farmacêutica de liberação imediata. Como o
principal fator limitante da absorção nos fármacos pertencentes à classe II do
SCB é a taxa de dissolução, é possível inferir que uma forma farmacêutica com
as características demonstradas pelo produto estudado terá uma absorção
otimizada e boa biodisponibilidade.

Na literatura, são encontradas divergências quanto à equivalência com


as formas farmacêuticas de administração vaginal. Chakravarty e colaboradores
(CHAKRAVARTY et al., 2005) conduziram um estudo prospectivo, randomizado
(n=430), no qual se comparou a eficácia, segurança e tolerabilidade da
Ensaios de Liberação In Vitro 62
didrogesterona com a progesterona micronizada por via vaginal, como suporte
de fase lútea, após FIV. Os resultados demonstraram taxas de gravidez
similares (24.1 vs. 22.8%, respectivamente).

Contrário a estes resultados, tem sido demonstrado que a progesterona


micronizada administrada por via vaginal é mais efetiva que a didrogesterona em
promover modificações endometriais que favoreçam a receptividade (PELLICER
et al., 1989; FATEMI, BOURGAIN; et al., 2007). Assim, mais estudos
randomizados, controlados, são necessários antes que se chegue a conclusões
definitivas.

Ensaios de Liberação In Vitro 63


4.2 Experimento 2

Fármaco estudado: Cápsulas de gelatina mole

Apresentações:

Utrogestan® (Produto A) – Progesterona natural micronizada -200mg.


Excipiente:lecitina de soja e óleo de amendoim.
Evocanil® (Produto B) – Progesterona natural micronizada-200mg.
Excipiente: Lecitina de soja, óleo de milho e
óleo vegetal hidrogenado.

Características da forma farmacêutica estudada:

Cápsulas de gelatina mole são formadas por uma matriz líquida ou


semissólida incorporada em um invólucro de gelatina externo monolítico,
constituído por gelatina, água e plastificantes, estando o fármaco em solução ou
suspensão na matriz de enchimento da cápsula. Tal matriz tem características
lipofílicas (triglicerídeos de óleos vegetais) e contém diversos adjuvantes como,
por exemplo, um ou mais tensoativos com a função de auxiliar na estabilidade,
molhabilidade ou, ainda, permeabilidade do fármaco (HITCHISON, 2005).

Cápsulas moles preenchidas com veículos capazes de se


autoemulsionar. Devido a sua habilidade de formar fina emulsão óleo em água,
oferecem melhor potencial para liberação de fármacos hidrofóbicos e fracamente
absorvíveis após administração oral (PILLAY ;FASSIHI, 1999).

4.2.1 MATERIAIS E MÉTODOS

Materiais
Os equipamentos, produtos e reagentes utilizados no experimento estão
descritos nos Quadros 7 e 8.
Ensaios de Liberação In Vitro 64
Quadro 7: Relação dos equipamentos utilizados na realização do experimento 2.
Descrição Fabricante
Agitador magnético com aquecimento Nova Ética (modelo 114N)
Balança Analítica Gehaka (modelo AG 200)
Balança Semianalítica Tecnal (modelo B TEC 1300)
Banho-Maria Fisatom (modelo 552)
Cromatógrafo líquido de alta eficiência Varian (injeção automática)
Amostrador Modelo Pro Star 410
Detector Modelo Pro Star 325
Bomba Modelo Pro Star 210
Sistema de aquisição Galaxie versão 1,9 work station
Centrífuga Sigma (modelo 3-18K)
Coluna ChromSep SS Chromspher C18 Varian
(250mm x 4,6mm, 5m)
Deionizador Quimis
Dissolutor Varian (modelo Vankel 7000)
Espectrofotômetro UV/Vis Varian (modelo Cary 50)
Lavadora Ultrassônica Unique (modelo USC 1400)
Milli Q Gradiente Millipore®
Mini incubadora com agitação orbital Marconi (modelo MA 410)
Paquímetro Fisher Sientific
Software Microsoft® Excel (Office 2007)

Quadro 8: Relação dos reagentes e produtos utilizados na realização do experimento 2.


Descrição Fabricante
Ácido Acético Glacial Quimex (lote 26968)
Acetato de sódio monohidratado Quimex (lote 25476)
Lauril sulfato de sódio Vetec (lote 048783)
Lecitina de soja Caramuru (Lécet 150M,
LF1170309T03)
Metanol (grau HPLC) JT. Baker (lote 627E17)
Óleo de amendoim Midelt (AME089/08)
Óleo de milho Liza (L08C)
Óleo vegetal hidrogenado
Produto A: cápsula de gelatina mole Lotes: 1172,1207,1218
(progesterona micronizada 200mg
suspensa em óleo de amendoim e
lecitina de soja) de uso oral e vaginal
Produto B: cápsula de gelatina mole Lotes: 83506,83614,84115
(progesterona micronizada 200mg
suspensa em óleo de milho, óleo
vegetal hidrogenado e lecitina de soja)
de uso oral e vaginal
Progesterona (substância de referência) Sigma-Aldrich Teor 99% (lote:
096K1209)
Progesterona micronizada DEG (lote: 08124#2)

Ensaios de Liberação In Vitro 65


Métodos

Método de quantificação

O fármaco foi quantificado por CLAE, utilizando-se metodologia proposta


por Valenta et al. (2001), adaptada e validada por Berretta (2010). Seguiu os
seguintes parâmetros: coluna C18 (250 mm x 4,6 mm, 5 µm – Varian) como fase
estacionária, metanol e água (90:10) como fase móvel, fluxo de 1,0 mL/min,
comprimento de onda de 240 nm, volume de injeção de 20 µL e forno para coluna
na temperatura de 30ºC.

Perfil de dissolução (Produtos A e B)

O perfil de dissolução foi realizado com seis unidades de cada produto.


Foram utilizados três lotes de cada (Produto A – lotes 1172, 1207, 1218 e Produto
B – lotes 83506, 83614, 84115), sendo adquiridos aleatoriamente no mercado
brasileiro. Para a realização do perfil de dissolução dos produtos, utilizou-se o
dissolutor VK 7000 (Varian) e o método de dissolução desenvolvido e validado
com as condições especificadas no Quadro 9.

Quadro 9: Especificações para a determinação do perfil de dissolução da progesterona.


Parâmetros Condições
Meio de dissolução TAS pH 4,5 + 3,0% LSS
Volume de meio 1000 mL
Dispositivo II USP (Pá)
Velocidade de rotação/agitação 150 rpm
Temperatura 37ºC  0,5ºC
Volume de coleta 3,0 mL
Tempos de coleta 0,5, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 horas

Cada cápsula dos produtos avaliados foi adicionada às respectivas cubas


contendo 1000 mL do meio de dissolução aquecido a 37°C e agitada numa
velocidade de 150 rpm com auxílio do dispositivo pá. Nos tempos de 0,5, 1, 2, 3,
4, 5, 6, 7 e 8 horas foram coletados, manualmente, 3,0 mL de cada cuba, sem
reposição de meio, com auxílio de cânula de metal, seringa de plástico de 3,0 mL

Ensaios de Liberação In Vitro 66


e filtro tipo porcelana. Em seguida, as amostras foram filtradas em membranas de
Polyvinylidene Fluoride (PVDF), com porosidade de 0,45 μm, diluídas em metanol
(1:1), homogeneizadas, e, novamente, filtradas (PVDF) com porosidade de 0,45
μm) e quantificadas por CLAE.

As quantidades dissolvidas em cada alíquota coletada foram obtidas


utilizando-se a equação da reta resultante da média de três curvas-padrão feitas
com a mistura de metanol e tampão acetato de sódio pH 4,5 adicionado de 3,0%
de lauril sulfato de sódio (1:1), observando-se as devidas correções (diluição e
volume retirado). O resultado foi expresso em porcentagem de fármaco dissolvido
em função do tempo. Os resultados obtidos nos perfis de dissolução foram
avaliados estatisticamente por meio de análise de variância (ANOVA) em
esquema fatorial e Tukey.

A comparação dos perfis obtidos no presente estudo foi também realizada


por meio da determinação dos fatores f1 e f2.

O fator de diferença (f1) indica a porcentagem de diferença entre os dois


perfis de dissolução e pode ser calculado através da seguinte equação:

FATOR DE DIFERENÇA (f1)

Equação 1 n
 Rt  Tt
t 1
f1  n
 100
 Tt
t0

Onde:
 n é a quantidade de tempos utilizados;
 Rt é o valor de dissolução do produto referência do grupo do tempo t;

Ensaios de Liberação In Vitro 67


 Tt é o valor de teste da dissolução do grupo no tempo t.

O fator de similaridade (f2) indica a média da similaridade da porcentagem


de dissolução entre os dois perfis. É calculado de acordo com a equação abaixo:

FATOR DE SIMILARIDADE (f2)

Equação 2  
 
 1 
f 2  50  log x100
 n

  1  1/ n    Rt  Tt  2 
 t 1 

Onde:

 n é a quantidade de tempos utilizados;


 Rt é o valor de dissolução do produto referência do grupo do tempo t;
 Tt é o valor de teste da dissolução do grupo no tempo t.

Cinética de dissolução e estudo dos perfis obtidos

Os perfis de dissolução (produtos A e B) foram comparados por meio da


eficiência de dissolução, método modelo independente, na qual se define a área
sob a curva de dissolução até um determinado tempo t, exprimindo-se como uma
porcentagem da área do retângulo correspondente a 100% de dissolução do
mesmo período de tempo e expresso de acordo com a Equação 3 (MANADAS et
al., 2002).

Ensaios de Liberação In Vitro 68


Equação 3 ED(%) = ASC x 100
Aret

Onde:
 ED(%) = eficiência de dissolução;
 ASC = corresponde à área sob a curva de dissolução em função do
tempo;
 Aret = corresponde à área total do retângulo definido por 100% de
dissolução e pelo tempo limite do ensaio.

A comparação entre os lotes dos dois produtos avaliados foi feita por
ordem de aquisição dos produtos. Os valores de eficiência de dissolução obtidos
foram estatisticamente verificados por meio de análise de variância (ANOVA).

Os resultados dos perfis de dissolução (produtos A e B) também foram


submetidos a cálculos matemáticos utilizando o programa Curve Expert 1.4,
seguindo-se os modelos dependentes de ordem zero, Higuchi (pseudo primeira
ordem) e primeira ordem. Os cálculos foram feitos baseados nas Equações 4, 5 e
6 para cada modelo, respectivamente. Os coeficientes de correlação foram
determinados por meio das porcentagens de fármaco dissolvido em função do
tempo.

Equação 4 Q1=Q0+K0t

Equação 5 InQ1=InQ0 + K1t

Onde:
 Q1 = representa a quantidade de fármaco liberada no tempo t;

Ensaios de Liberação In Vitro 69


 Q0 = representa a quantidade inicial de fármaco na solução, sendo zero na
maior parte das vezes;
 K0 = representa a constante de liberação de ordem zero;
 K1 = representa a constante de liberação de primeira ordem;
 ln = função logarítmica neperiana.

Equação 6 ft = KH t1/2

Onde:
 ft = representa a quantidade de fármaco dissolvido no tempo t;
 KH = representa a constante de dissolução de Higuchi;
 t1/2 = corresponde à raiz quadrada do tempo.

Validação do método de dissolução

O método de dissolução foi validado segundo os critérios estabelecidos pela


USP 31ª ed. (2008b). Foram avaliados os parâmetros de especificidade, linearidade,
exatidão (recuperação) e precisão, além da estabilidade da progesterona em meio de
dissolução. A validação foi aplicada para as duas especialidades farmacêuticas (produto
A e B) em estudo prévio (BERRETTA, 2010).

4.2.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O perfil de dissolução dos produtos A e B, dos três lotes de cada


especialidade farmacêutica, foi obtido por meio de coletas seriadas com intervalos
de tempo pré-definidos no Quadro 9. Os valores médios com os respectivos
desvios-padrão para cada um dos produtos avaliados encontram-se nas Tabelas
5, 6 e 7. As Figuras 11, 12 e 13 ilustram o perfil de dissolução dos três lotes dos
produtos avaliados (A e B) e demonstram que, em todos os lotes avaliados, houve
Ensaios de Liberação In Vitro 70
a dissolução de 80% do fármaco até a quarta hora de estudo, ou seja, todos estão
dentro das especificações definidas no método de dissolução desenvolvido e
validado.

Tabela 5: Perfil de dissolução (n=6) dos produtos A (lote 1172) e B (lote 83506)

Porcentagem dissolvida
Tempo (horas)
Produto A (média  DP) Produto B (média  DP)
0,5 13,3a  1,74 21,6b  19,3
1 24,8a  3,43 40,1b  7,07
2 48,7a  8,80 64,5b  12,27
3 71,2 a
 13,46 83,6b  11,71
4 85,4a  11,06 91,3a  5,69
5 92,6a  5,86 94,6a  1,64
6 96,3a  1,34 94,4a  1,25
7 97,5a  0,70 95,7a  1,43
8 98,7a  0,56 96,7a  1,34
ae b: Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados
e, seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 11: Comparação do perfil de dissolução (p<0,05 em 0,5h, 1h, 2h e 3h).

Ensaios de Liberação In Vitro 71


Tabela 6: Perfil de dissolução (n=6) dos produtos A (lote 1207) e B (lote 83614).
Porcentagem dissolvida
Tempo (horas)
Produto A (média  DP) Produto B (média  DP)
0,5 13,6 a
 1,37 23,3b  1,06
1 25,4a  2,29 40,9b  6,13
2 43,5a  5,95 63,8b  10,28
3 65,7a  11,55 82,0b  8,03
4 83,1a  10,38 93,8a  1,85
5 94,3a  6,10 97,0a  1,08
6 98,2 a
 2,25 97,8a  1,21
7 100,4a  0,24 97,0a  1,36
8 101,0a  0,56 98,7a  1,12
ae b: Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 12: Comparação do perfil de dissolução (p< 0,05 em 0,5h,1h, 2h, 3h e 4h).

Ensaios de Liberação In Vitro 72


Tabela 7: Perfil de dissolução (n=6) dos produtos A (lote 1218) e B (lote 84115)
Porcentagem dissolvida
Tempo (horas)
Produto A (média  DP) Produto B (média  DP)
0,5 8,5 a
 0,94 18,6b  1,90
1 19,2a  1,04 35,2b  4,92
2 38,2a  2,78 61,6b  9,45
3 59,4a  6,71 84,7b  9,49
4 80,5a  9,38 96,6a  2,79
5 92,1a  7,29 100,2a  0,39
6 95,7 a
 3,82 100,6a  0,24
7 97,8a  1,29 101,2a  1,04
8 99,3a  0,92 102,4a  2,00
ae b: Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 13: Comparação do perfil de dissolução entre o produto A e B (p<0,05 em 0,5h,


1h, 2h, 3h e 4h).

Os resultados foram estatisticamente avaliados por meio de análise


fatorial 2x9, utilizando ANOVA e Tukey, comprovando que houve diferença
significativa em relação à condição do teste, ao tempo e à interação dos perfis de
Ensaios de Liberação In Vitro 73
dissolução comparativos entre os produtos A e B. Em relação aos tempos
avaliados, houve diferença significativa entre os quatro, cinco e seis primeiros
tempos, respectivamente (Tabelas 5, 6 e 7), levando-se em consideração um
intervalo de confiança de 95% (p< 0,05). Os lotes dos produtos foram comparados
aleatoriamente em função da data de aquisição, considerando-se a proximidade
da data de fabricação.

Após a análise dos resultados apresentados nas Tabelas 5, 6 e 7 e


Figuras 11, 12 e 13 observa-se que o produto B proporcionou a dissolução do
fármaco uma hora a menos do que o produto A, em todos os três lotes avaliados.
Acredita-se que tal resultado possa ter sido em função de uma maior quantidade
de lecitina de soja presente na formulação do produto B, que promoveu melhor
dispersão das gotículas (menor tamanho) por meio da redução da tensão
interfacial e, consequentemente, acelerou a solubilização do fármaco. Acredita-se,
também, que a dissolução do produto B em um menor tempo possa ter sido em
função da sua menor viscosidade, visto que tal fato facilita a dispersão das
gotículas e a passagem do fármaco pela camada de difusão. A formulação A é
descrita como uma suspensão de progesterona micronizada no veículo oleoso, o
que também pode ser aplicado à formulação B. Porém, em razão da solubilidade
da progesterona no óleo vegetal, é possível que proporções diferentes do fármaco
estejam dissolvidas no veículo de cada uma das formulações (BERRETTA, 2010).
Os ensaios de dissolução dos produtos A e B estão ilustrados, por fotos
sequenciais (1-8) nos anexos 2 e 3, respectivamente.

O tipo de lipídeo presente nas formulações A e B (óleo de amendoim e


óleo de milho, respectivamente), não foi, provavelmente, a razão para a
modificação do processo de dissolução da progesterona, haja vista que os dois
tipos de óleos são semelhantes em termos de comprimento da cadeia, ou seja, os
dois são do tipo cadeia longa. Estudo avaliando a influência do tamanho da
cadeia do óleo por meio de lipólise e biodisponibilidade verificou que formulações
contendo progesterona em lipídeos de cadeia média possuíram um melhor
desempenho quando comparadas com os outros tipos (PORTER et al., 2007).

Ensaios de Liberação In Vitro 74


Foi avaliado o teor das duas especialidades farmacêuticas, sendo que o
produto A apresentou maior teor que o produto B, 101,1% e 96,4%,
respectivamente. Por isso, o produto A apresentou maior percentual dissolvido ao
final do ensaio, conforme ilustrado na Figura 14.

Figura 14: Gráfico em dispersão do comparativo do teor entre


produto A e produto B.

A comparação dos perfis de dissolução obtidos a partir dos produtos


avaliados no presente estudo, foi também estabelecida por meio de fatores f1 e
f2, do estudo de cinética e da eficiência de dissolução.

Apesar da aplicação do modelo independente f1 e f2 ser mais utilizado


para comparar um produto referência com o produto teste, e, no presente estudo,
estas denominações não serem aplicadas aos produtos avaliados, optamos por
associar mais um método de comparação, o que certamente fornecerá
informações mais precisas sobre o comportamento de dissolução dos produtos.

Os fatores f1 e f2 foram calculados segundo os critérios estabelecidos


pela literatura. A semelhança ou equivalência de dois perfis é observada quando
os valores de f1 se apresentarem entre 0 e 15, e os de f2, entre 50 e 100 (FDA
Guidance, 1997).

Ensaios de Liberação In Vitro 75


Os resultados obtidos indicaram não haver diferença entre os produtos A
e B quando se considera o produto A como referência e o compara com o produto
B (f1 – 10,06; f2 –53,73), conforme demonstrado na Tabela 8.

Tabela 8: Índice de diferença e de similaridade do produto B, tendo o produto A como


valor de referência.
Tipo Índice (%)
Diferença (f1) 10,06
Similaridade (f2) 53,73

O fato se repete quando se considera o produto B como referência (f1 – 9,26; f2


–53,73) e o compara com o produto A conforme demonstrado na Tabela 9.

Tabela 9: Índice de diferença e de similaridade do produto A tendo o produto B como


valor de referência.
Tipo Índice (%)
Diferença (f1) 9,26
Similaridade (f2) 53,73

Cinética de dissolução e estudo dos perfis obtidos (produtos A e B)

Método modelo independente

Os resultados apresentados nas Tabelas 10, 11 e 12 demonstram que o


produto B apresentou maior eficiência de dissolução do que o produto A, em
todos os três lotes avaliados. Os lotes dos produtos foram comparados
aleatoriamente, em função da data de aquisição, considerando-se a proximidade
da data de fabricação.

Ensaios de Liberação In Vitro 76


Tabela 10: Eficiência de dissolução (n=6) dos produtos A (lote 1172) e B (lote 83506).

Cubas Produto A (%) Produto B (%)


1 68,72 76,45
2 69,84 81,69
3 76,43 85,36
4 73,84 81,07
5 77,44 81,47
6 63,78 72,18
Média 71,68a 79,70b
DP 5,195 4,650
DPR 7,249 5,834
ae b: Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05)

Tabela 11: Eficiência de dissolução (n=6) dos produtos A (lote 1207) e B (lote 83614).

Cubas Produto A (%) Produto B (%)


1 66,65 76,45
2 68,21 82,16
3 76,17 83,77
4 69,22 79,65
5 74,20 72,21
6 62,05 76,33
Média 69,42a 78,93b
DP 5,136 3,496
DPR 7,399 4,430
ae b: Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05)

Tabela 12: Eficiência de dissolução (n=6) dos produtos A (lote 1218) e B (lote 84115).

Cubas Produto A (%) Produto B (%)


1 67,21 72,31
2 67,47 76,83
3 69,35 84,51
4 69,29 77,69
5 69,03 79,69
6 59,44 72,66
Média 66,97a 77,28b
DP 3,803 4,572
DPR 5,678 5,915
ae b: Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05)

Ensaios de Liberação In Vitro 77


Os resultados foram avaliados por meio de análise de variância (ANOVA),
comprovando que houve diferença significativa em relação à eficiência de
dissolução, dos produtos analisados, levando-se em consideração um intervalo de
confiança de 95% (p < 0,05). Através do cálculo da eficiência de dissolução
avalia-se não apenas a quantidade de fármaco que foi liberada da forma
farmacêutica ao final de um tempo determinado, mas também a cinética de
liberação ao longo de todo o período em questão (MANADAS et al., 2002).

Método modelos dependente

A determinação do modelo que rege a cinética de dissolução das


especialidades farmacêuticas foi avaliada por meio dos coeficientes de correlação
gerados a partir da construção da curva para cada modelo estudado, sendo o
modelo de escolha representado por aquele que apresentou maior coeficiente de
correlação. Por isso, foi verificado que as duas especialidades farmacêuticas
apresentaram a cinética de liberação de primeira ordem, como ilustrado na Tabela
13.

Tabela 13: Coeficientes de correlação gerados a partir da avaliação da cinética de


dissolução apresentadas para os produtos A e B.
Coeficiente de correlação
Modelos
Produto A Produto B
Lotes 1172 1207 1218 83506 83614 84115
Ordem Zero 0,9248 0,9481 0,9453 0,8671 0,8788 0,8816
Primeira Ordem 0,9999 0,9999 0,9999 0,9999 0,9999 0,9999
Higuchi 0,9718 0,9811 0,9810 0,9366 0,9443 0,9456

A cinética de primeira ordem parte do pressuposto de que a velocidade de


dissolução depende da relação quantidade dissolvida de fármaco e quantidade
remanescente deste na matriz, ou seja, a liberação do fármaco é proporcional à
quantidade de fármaco que permanece na forma farmacêutica, sendo sua
liberação diminuída por unidade de tempo. Os métodos modelo dependente e

Ensaios de Liberação In Vitro 78


independente permitem verificar a semelhança do comportamento da dissolução
dos diferentes produtos avaliados (PORTA et al., 2002). A cinética e a eficiência
de dissolução apresentam-se como parâmetros sensíveis à diferenciação entre os
produtos, sendo a eficiência de dissolução um parâmetro mais discriminatório.

O estudo de dissolução in vitro avalia o desempenho do produto, ou seja,


sua capacidade de liberar o fármaco da forma farmacêutica e disponibilizá-lo para
ser absorvido, bem como a forma com que isso ocorre (cinética). A capacidade de
predizer o desempenho do fármaco por meio de dados obtidos em testes de
liberação in vitro, de produtos administrados em forma de solução lipofílica é
discutida. O maior fator limitante no mecanismo de liberação da droga é a
capacidade de se liberar do veículo oleoso e se dispersar nos meios de
dissolução (WENG LARSEN; LARSEN, 2009). Assim, dependendo das
características do fármaco e da formulação, há como fazer uma previsão de como
será seu comportamento in vivo. No entanto, não há como comparar produtos in
vitro e afirmar qual produto terá melhor desempenho in vivo ou se terão o mesmo
desempenho. Isso só é possível após a realização da CIVIV feita por meio de
ensaios de dissolução in vitro e de estudos de biodisponibilidade in vivo com as
especialidades farmacêuticas em estudo (BERRETTA, 2010).

Ensaios de Liberação In Vitro 79


4.3 Experimento 3

Produto estudado:

Progesterona micronizada veiculada em gel

Apresentação:

Crinone ®

Crinone 8% é um gel de uso vaginal bioaderente, que contém 90 mg de


progesterona micronizada em sistema de emulsão. O veículo de transporte é
composto por uma emulsão de óleo e água, contendo policarbofilo, um polímero
que se expande com água, sendo, contudo, insolúvel. A progesterona é
parcialmente solúvel, tanto nas fases oleosa como aquosa do veículo.

Cada 1,125g do gel contém 90 mg (gel a 8%) de progesterona base


associado a glicerina, óleo mineral, policárbofilo carbômero, glicerídio de óleo
vegetal hidrogenado, ácido sórbico, hidróxido de sódio e água destilada. É
dispensado em um aplicador descartável, composto por peça única de polietileno.

4.3.1 MATERIAIS E MÉTODOS

Materiais

Os equipamentos, produtos e reagentes utilizados no experimento estão


descritos nos Quadros 10 e 11.

Ensaios de Liberação In Vitro 80


Quadro 10: Relação dos equipamentos utilizados na realização do experimento 3.

Descrição Fabricante
Balança Analítica Gehaka (modelo AG 200)
Balança Semianalítica Tecnal (modelo B TEC 1300)
Cromatógrafo líquido de alta eficiência Varian (injeção automática)
Amostrador Modelo Pro Star 410
Detector Modelo Pro Star 325
Bomba Modelo Pro Star 210
Sistema de aquisição Galaxie versão 1,9 work station
Centrífuga Sigma (modelo 3-18K)
Coluna ChromSep SS Chromspher C18 Varian
(250mm x 4,6mm, 5m)
Deionizador Quimis
Dissolutor com acessório Enhancer Varian (modelo Vankel 7000)
Cells
Células de difusão vertical tipo Franz Microetti Plus – Hanson Research
Lavadora Ultrassônica Unique (modelo USC 1400)
Membrana de PVDF (0,45M) Millipore®
Milli Q Gradiente Millipore®
Software Microsoft® Excel (Office 2007)

Quadro 11: Relação dos reagentes e produtos utilizados na realização do experimento 3.


Descrição Fabricante
Ácido Acético Glacial Quimex (lote 26968)
Acetato de sódio monohidratado Quimex (lote 25476)
Lauril sulfato de sódio Vetec (lote 048783)
Metanol (grau HPLC) JT. Baker (lote 627E17)
Gel vaginal que contém 90mg (gel a (lote: C06116)
8%) de progesterona base associado à
glicerina, óleo mineral, policarbofilo
carbômero, glicerídeo de óleo vegetal
hidrogenado, ácido sórbico, hidróxido
de sódio e água purificada

Métodos

Método de quantificação

O fármaco foi quantificado por CLAE, utilizando-se metodologia proposta


por Valenta, 2001 e adaptada e validada por Berretta, 2010, seguindo-se,

Ensaios de Liberação In Vitro 81


portanto, os seguintes parâmetros: coluna C18 (250 mm x 4,6 mm, 5 µm – Varian)
como fase estacionária, metanol e água (90:10) como fase móvel, fluxo de 1,0
mL/min, comprimento de onda de 240 nm, volume de injeção de 20 µL e forno
para coluna na temperatura de 30ºC.

Ensaio de liberação

O ensaio de liberação in vitro de progesterona micronizada (90mg),


veiculada em gel, foi realizado em dois tipos de equipamentos – Dissolutor com
acessório Enhancer cells e Células de Difusão tipo Franz -, ditos equiparáveis
pela literatura, não havendo consenso sobre qual dos dois seria mais adequado
(MARCOLONGO, 2003).

Enhancer Cells

O ensaio de liberação in vitro foi feito em Enhancer Cells (Anexo 1 - fotos


1 e 2), cujo compartimento doador possui uma área de difusão de 1,986 cm2 e um
volume do compartimento receptor de, no máximo, 200 mL. O compartimento
doador é fechado e fica imerso no compartimento receptor durante todo o período
analisado. Para a realização do ensaio, foram utilizados os seguintes parâmetros:
fase receptora constituída por uma mistura de tampão acetato de sódio pH 4,5
adicionado de 3,0% de lauril sulfato de sódio, volume de 200 mL, temperatura de
37ºC ± 0,5ºC, velocidade de rotação de 150 rpm, dispositivo mini pá e membrana
de PVDF (0,45 µm) - previamente embebida na fase receptora. Foram utilizadas
4 cubas e, em cada compartimento doador, foi adicionada a quantidade de 200
mg do gel. Nos tempos de 1h, 4h, 8h, 24h, 48h e 72h, foram coletados,
manualmente, 3,0 mL do componente receptor com posterior reposição de meio
fresco. As amostras foram quantificadas por cromatografia líquida de alta
eficiência, conforme parâmetros previamente descritos.

Células de Difusão tipo Franz

O ensaio de liberação in vitro foi realizado em células de difusão tipo


Franz (Anexo 1 - foto 3), as quais possuem uma área de difusão de 1,777 cm2 e

Ensaios de Liberação In Vitro 82


um volume do compartimento receptor de, aproximadamente, 6,66 mL. O
compartimento doador é fechado e fica em contato com o compartimento receptor
durante todo o período analisado. Para a realização do ensaio, foram utilizados os
seguintes parâmetros: fase receptora constituída por uma mistura de tampão
acetato de sódio pH 4,5 adicionado de 3,0% de lauril sulfato de sódio,
temperatura de 37ºC ± 0,5ºC, velocidade de rotação de 150 rpm e membrana de
PVDF (0,45 µm), previamente embebida na fase receptora. Foram utilizadas 6
células e, em cada uma delas, foi adicionada a quantidade de 70 mg do gel. Nos
tempos de 1h, 4h, 8h, 24h, 48h e 72h, foram coletados, automaticamente, 1,0 mL
da solução receptora com posterior reposição de meio fresco. As amostras foram
quantificadas por CLAE, conforme parâmetros especificados no método de
quantificação, acima citado.

4.3.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tabela 14 mostra o perfil de dissolução da progesterona nos


equipamentos avaliados e demonstra que, no início e no final do ensaio, a
quantidade liberada apresentou diferença estatisticamente significativa.

Tabela 14: Perfil de dissolução nos dois equipamentos.


Quantidade liberada (µg/cm2 )
Tempo (h)
Franz (Hanson) Enhancer Cells

1 121,6a  22,2 226,7b ± 51,5

4 434,1a  51,9 604,4b ± 123,3

8 898,7a  123,8 904,6a ± 202,8

24 1464,6a  247,5 1826,1a ± 456,4

48 2050,9a ± 363,7 3103,7b ± 806,8

72 2446,2a ± 363,7 4145,7b ± 972,8


a b
e : Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05)

Ensaios de Liberação In Vitro 83


A Figura 15 representa a quantidade de progesterona liberada, ao longo
do tempo de ensaio, para cada equipamento testado.

Células de Franz
Enhacer cells

Figura 15: Comparação do perfil de dissolução nos equipamentos testados


(p<0,05 em 1h, 4h, 48h, 72h).

A Tabela 15 e a Figura 16 ilustram as velocidades de difusão da


progesterona, observadas por meio dos dois equipamentos testados, após
representação da quantidade de progesterona liberada em função da raiz
quadrada do tempo de ensaio.

Tabela 15: Velocidade de Liberação da Progesterona em cada equipamento.

Velocidade de Liberação
Tempo (h)
Tempo ( h ) Franz Enhancer Cells
1 1,00 121,6a ± 22,2 226,7b ± 51,5

4 2,00 217,0a ± 26,0 302,2b ± 61,7

8 2,83 317,7a ± 43,8 319,8a ± 71,7

24 4,90 299,0a ± 50,5 372,7a ± 93,2

48 6,93 296,0a ± 52,5 448,0b ± 116,5

Ensaios de Liberação In Vitro 84


72 8,49 288,3a ± 42,9 488,6b ± 114,6
a b
e : Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05)

Figura 16: Comparação da velocidade de liberação da progesterona nos


equipamentos testados (p<0.05 em 1h, 4h, 48h, 72h).

Não existe consenso sobre qual dos métodos descritos na literatura seria
mais adequado para a realização de testes de dissolução em formas
semissólidas. As células de Franz têm sido as mais empregadas nos testes para
avaliar as formas semissólidas (MARCOLONGO, 2003).

O ensaio de liberação in vitro de progesterona micronizada, veiculada em


gel, em dois tipos de equipamentos, mostrou que, no equipamento Dissolutor com
Acessório Enhancer Cells, a liberação do fármaco se manteve por um período de
72h, enquanto nas células de Franz a liberação do fármaco estabilizou em 24
horas.

Ensaios de Liberação In Vitro 85


Uma liberação satisfatória do fármaco da forma farmacêutica é pré-
requisito para a eficácia terapêutica. Os dados obtidos nos testes de dissolução
realizados no Enhancer cells são mais compatíveis com o perfil de liberação
prolongada da forma farmacêutica do produto estudado. O veículo de transporte
do fármaco é composto por uma emulsão de óleo e água, contendo um polímero
insolúvel, mas que se expande com água, o policarbófilo. Este tem a capacidade
de absorver 100 a 800 vezes o seu peso em água (PARK, 1985). A progesterona
armazena-se na fração lipofílica, suspensa em gel, criando, desta maneira, um
reservatório de liberação prolongada.

Apesar dos dois ensaios terem sido realizados em condição sink, o menor
volume do compartimento doador das células de Franz, comparado com o do
Enhancer cells, aliado ao fato da expansão do veículo de transporte,
provavelmente, foi responsável pela dificuldade em manter uma liberação
controlada e constante do fármaco para o compartimento receptor.

Ensaios de Liberação In Vitro 86


4.4 Experimento 4

Produto estudado:

Óvulos e supositórios manipulados

Descrição do fármaco proposto para este estudo:

Óvulos e supositórios contendo progesterona micronizada veiculada à


base denominada de massa para supositório ou óvulos nas farmácias A e C, e de
SUPOBASE®, na farmácia B. Apesar da base para óvulos e supositórios da
farmácia B ter o nome comercial de SUPOBASE®, e do fornecedor não ser o
mesmo das farmácias A e C, os ácidos graxos e triglicérides são os principais
componentes da base em todos os produtos avaliados.

Para fabricação da SUPOBASE®, são utilizados ácidos graxos obtidos


pela destilação fracionada, hidrogenação e cisão de óleos vegetais como coco,
babaçu, palma e soja, esterificados com glicerina. Possui baixo índice de iodo, o
que confere a essa, estabilidade quanto à oxidação, mantendo estável a sua
coloração durante a estocagem. Esta é uma base lipossolúvel, composta por 60%
de substâncias apolares e 40% de substâncias polares.
Os óvulos e supositórios necessitam ser estocados em área seca e
coberta, na temperatura ambiente e protegidos da luz.

4.4.1 MATERIAIS E MÉTODOS

Materiais

Os equipamentos, produtos e reagentes utilizados no experimento estão


descritos nos Quadros 12 e 13.

Ensaios de Liberação In Vitro 87


Quadro 12: Relação dos equipamentos utilizados na realização do experimento 4.
Descrição Fabricante
Balança Analítica Gehaka (modelo AG 200)
Balança Semianalítica Tecnal (modelo B TEC 1300)
Cromatógrafo líquido de alta eficiência Varian (injeção automática)
Amostrador Modelo Pro Star 410
Detector Modelo Pro Star 325
Bomba Modelo Pro Star 210
Sistema de aquisição Galaxie versão 1,9 work station
Centrífuga Sigma (modelo 3-18K)
Coluna ChromSep SS Chromspher C18 Varian
(250mm x 4,6mm, 5m)
Deionizador Quimis
Dissolutor Varian (modelo Vankel 7000)
Desintegrador Nova Ética (modelo 301/AC
Lavadora Ultrassônica Unique (modelo USC 1400)
Milli Q Gradiente Millipore®
Software Microsoft® Excel (Office 2007)

Quadro 13: Relação dos reagentes e produtos utilizados na realização do experimento 4.


Descrição Fabricante
Ácido Acético Glacial Quimex (lote 26968)
Acetato de sódio monohidratado Quimex (lote 25476)
Lauril sulfato de sódio Vetec (lote 048783)
Metanol (grau HPLC) JT. Baker (lote 627E17)
Supositórios manipulados Farmácia A
comercialmente, contendo 100mg de
progesterona micronizada em base de
C12-C18 Triglicerid acid.

Óvulos e supositórios, manipulados Farmácia B – lotes 1 e 2


comercialmente, contendo 100mg de
progesterona micronizada em base
SUPOBASE®
Óvulos manipulados comercialmente, Farmácia C
contendo 100mg de progesterona
micronizada em base de C12-C18
Triglicerid acid.

A farmácia A comercializa a progesterona micronizada veiculada em base


para supositórios, já a farmácia C comercializa apenas na forma farmacêutica de
óvulos, enquanto a farmácia B produz as duas apresentações, óvulos e
supositórios.

Ensaios de Liberação In Vitro 88


Métodos

Método de quantificação

O fármaco foi quantificado por CLAE, utilizando-se metodologia proposta


por Valenta et al. (2001), adaptada e validada por Berretta (2010). Seguiu os
seguintes parâmetros: coluna C18 (250 mm x 4,6 mm, 5 µm – Varian) como fase
estacionária, metanol e água (90:10) como fase móvel, fluxo de 1,0 mL/min,
comprimento de onda de 240 nm, volume de injeção de 20 µL e forno para coluna
na temperatura de 30ºC.

Ensaio de dissolução

O ensaio de dissolução para óvulos e supositórios de progesterona


micronizada (100 mg) teve como ponto de partida o método desenvolvido e
validado para cápsulas moles de gelatina, contendo o mesmo fármaco.
Inicialmente, foram utilizados os parâmetros descritos no Quadro14.

Quadro 14: Parâmetros utilizados, inicialmente, no ensaio de dissolução de óvulos


contendo 100mg de progesterona micronizada.
Parâmetros Especificações
Equipamento Dissolutor VK 7000 (Varian)
Dispositivo II USP (Pá) + Afundador (Fio USP)
Velocidade de rotação 150 rpm
Meio de dissolução TAS pH 4,5 + 3,0% LSS
Volume de meio 1000mL
Tempos de coleta 5, 15, 30, 60, 120, 180, 240 e 300 minutos

Após o primeiro ensaio (Anexo 4), verificou-se a necessidade da


diminuição da velocidade de rotação, passando-se a utilizar uma velocidade de
100 rpm e uma velocidade de agitação forçada ao final do teste (200 rpm por 15
minutos). A velocidade de agitação forçada, ao final, está de acordo com a USP
(31 Ed. 2008c).

Ensaios de Liberação In Vitro 89


O ensaio de dissolução foi realizado sob condição sink, definida como um
volume de três vezes a mais da quantidade necessária para se obter uma solução
saturada de fármaco (USP, 2008b).

O procedimento foi feito utilizando-se seis unidades de cada produto


avaliado (óvulos e supositórios – farmácias A, B e C). Assim, para a realização do
ensaio de dissolução, cada unidade do produto, envolvida pelo afundador, foi
adicionada nas respectivas cubas contendo 1000 mL do meio de dissolução
aquecido a 37°C ± 0.5 °C. Nos tempos de 5, 15, 30, 60, 120, 180, 240, 300 e 315
minutos (200 rpm por 15 min), foram coletados, manualmente, 3,0 mL de cada
cuba, sem reposição de meio, com auxílio de cânula de metal, seringa de plástico
de 3,0 mL e filtro tipo porcelana. Em seguida, as amostras foram filtradas (PVDF
com porosidade de 0,45 µm), diluídas em metanol (1:1), homogeneizadas e
quantificadas por CLAE.

4.4.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos no presente estudo referentes aos valores médios e


os respectivos desvios padrão para cada um dos produtos avaliados encontram-
se apresentados nas Tabelas 16, 17,18, 19 e 20 e nas Figuras 17, 18, 19, 20 e
21.

As análises estatísticas foram realizadas por ANOVA.

Na Tabela 16, foram observadas diferenças estatisticamente significativas


com relação à média da concentração nos tempos de 5 a 60 min. Após, não foi
detectado diferença significativa, como pode ser verificado na Figura 17.

Ensaios de Liberação In Vitro 90


Tabela 16: Perfil de dissolução de cada produto.

Porcentagem Dissolvida
Tempo Supositório Óvulos
(min) Média ± DP Média ± DP
a b
5 16,81 ± 10,32 52,10 ± 25,70

15 45,69a ± 11,38 67,67b ± 20,65

30 62,25a ± 9,37 76,49b ± 11,85

60 68,48a ± 8,73 78,43b ± 8,36

120 72,84a ± 8,00 78,47a ± 9,29

180 76,18a ± 7,04 79,75a ± 8,50

240 77,90a ± 6,71 80,83a ± 8,25

300 79,62a ± 5,79 80,68a ± 7,53


a b
e : Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 17: Comparação do perfil de dissolução entre supositórios e óvulos (p<0,05 em


5, 15, 30 e 60 min).

Ensaios de Liberação In Vitro 91


Tabela 17: Perfil de dissolução de supositórios em diferentes farmácias.

Porcentagem Dissolvida
Farmácia A Farmácia B
Tempo
(min) Média ± DP Média ± DP
5 7,81a ± 0,59 54,11b ± 23,31

15 35,56a ± 3,67 72,80b ± 14,16

30 55,36a ± 8,40 79,23b ± 8,23

60 60,72a ± 4,33 81,12b ± 5,27

120 65,60a ± 3,71 82,80b ± 4,26

180 69,89a ± 3,62 84,07b ± 4,08

240 71,94a ± 3,70 85,09b ± 4,31

300 74,52a ± 2,86 85,13b ± 3,41


a b
e : Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 18: Comparação do perfil de dissolução entre supositórios da farmácia A e B


(p<0,05 em 5, 15, 30, 60, 120, 180, 240 e 300 min).

Ensaios de Liberação In Vitro 92


Tabela 18: Perfil de dissolução dos lotes de óvulos da farmácia B.

Porcentagem Dissolvida
Lote 1 Lote 2
Tempo
(min) Média ± DP Média ± DP
5 74,17a ± 1,35 62,33a ± 16,77

15 80,15a ± 0,30 84,86b ± 3,59

30 80,38a ± 0,85 88,17b ± 1,24

60 79,19a ± 0,47 87,93b ± 1,16

120 79,80a ± 0,43 88,53b ± 0,99

180 80,30a ± 0,42 89,44b ± 0,90

240 80,76a ± 0,26 90,65b ± 1,21

300 81,63a ± 0,53 89,05b ± 1,68


a b
e : Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 19: Comparação do perfil de dissolução entre óvulos da farmácia B Lotes 1 e 2


(p<0,05 em 15, 30, 60, 120, 180, 240 e 300 min)

Ensaios de Liberação In Vitro 93


Tabela 19: Perfil de dissolução de óvulos da Farmácia B lote 1 e da farmácia C.

Porcentagem Dissolvida
Tempo Farmácia B Lote 1 Farmácia C
(min) Média ± DP Média ± DP
a b
5 74,17 ± 1,35 19,80 ± 0,84

15 80,15a ± 0,30 42,16b ± 2,44

30 80,38a ± 0,85 60,93b ± 1,76

60 79,19a ± 0,47 68,16b ± 0,65

120 79,80a ± 0,43 67,09b ± 3,65

180 80,76a ± 0,26 71,09b ± 0,67

240 80,76a ± 0,26 71,09b ± 0,67

300 81,63a ± 0,53 71,36b ± 0,68


a b
e : Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 20: Comparação do perfil de dissolução entre óvulos da farmácia B Lote 1 e da


farmácia C (p<0,05 em 5, 15, 30, 60, 120, 180, 240 e 300 min).

Ensaios de Liberação In Vitro 94


Tabela 20: Perfil de dissolução de óvulos da Farmácia B lote 2 e da farmácia C.

Porcentagem Dissolvida
Farmácia B Lote 2 Farmácia C
Tempo (min) Média ± DP Média ± DP
a b
5 62,33 ± 16,77 19,80 ± 0,84

15 84,86a ± 3,59 42,16b ± 2,44

30 88,17a ± 1,24 60,93b ± 1,76

60 87,93a ± 1,16 68,16b ± 0,65

120 88,53a ± 0,99 67,09b ± 3,65

180 89,44a ± 0,90 69,51b ± 2,37

240 90,65a ± 1,21 71,09b ± 0,67

300 89,05a ± 1,68 71,36b ± 0,68


a b
e : Média seguida por letras iguais na mesma linha indica que não houve diferença significativa entre os resultados e,
seguida por letras diferentes na mesma linha indica que houve diferença significativa entre os resultados (p<0,05).

Figura 21: Comparação do perfil de dissolução entre óvulos da farmácia B Lote 2 e da


farmácia C (p<0,05 em 5, 15, 30, 60, 120, 180, 240 e 300 min).

Ensaios de Liberação In Vitro 95


Os supositórios e óvulos manipulados apresentaram variações de lote a
lote quando da mesma farmácia, sendo o mesmo fato observado quando
comparadas diferentes farmácias, independente do tipo de base.

É indicado que o teste seja conduzido em condição sink, de forma a


simular as condições in vivo, em que a absorção pela mucosa retal ou vaginal
reduz, continuamente, a concentração nas secreções retais e vaginais. No
experimento, esta condição foi respeitada.

Apesar de ser constatado que todas as bases empregadas na


manipulação dos óvulos e supositórios têm a mesma composição, triglicérides de
ácidos graxos, o perfil de dissolução se mostrou diferente entre os lotes avaliados
e também entre as farmácias magistrais. A média das concentrações máximas
atingidas não ultrapassou 80% da dose de progesterona declarada no rótulo.

A mesma base é usada para supositórios e óvulos vaginais, apesar da


forma e da consistência diferirem. Mesmo após o término do teste de dissolução
com os supositórios, ficou evidenciada a presença de fragmentos íntegros destes
conforme ilustra o Anexo 5. Tal fato, certamente, compromete a solubilização e as
taxas de dissolução do fármaco no meio utilizado e possivelmente também
poderá refletir em uma baixa dissolução in vivo. A baixa dissolução in vivo pode
ser esperada também pelo fato de que no teste in vitro as condições
experimentais incluem um volume definido do meio receptor (1000 mL) e uma
velocidade de agitação do meio de 100 rpm. Estas condições visaram promover a
análise do comportamento de dissolução destas formas farmacêuticas no ensaio
de bancada, porém são marcadamente diferentes das condições in vivo, onde o
volume de meio dissolutor é muito menor e não existe agitação comparável.

Os cuidados necessários para a adequada conservação do produto


podem não ser seguidos pela usuária. Deve levar-se em consideração que o
número de óvulos ou supositórios indicados para uso intravaginal ou retal,
diariamente, é considerável, sendo recomendada uma posologia de duas

Ensaios de Liberação In Vitro 96


unidades a cada oito horas, por um período de, aproximadamente, dez a doze
semanas, para suplementação de fase lútea em tratamentos de infertilidade.

Variações na formulação ou na técnica de fabricação podem gerar


diferenças substanciais na absorção e, consequentemente, na resposta
terapêutica dos fármacos.

Os níveis séricos de progesterona, após a administração de supositórios


são influenciados pelo veículo no qual o esteroide é veiculado. Tipos diferentes de
base podem ter influência na biodisponibilidade da progesterona (PRICE et al.,
1983; MOES, 1989).

No presente trabalho, embora tenham sido analisadas formulações


preparadas com a mesma base, foram encontradas diferenças significativas no
comportamento de dissolução entre todos os produtos e entre as farmácias
responsáveis pela sua preparação. A partir dessas evidências, pode-se esperar
variações importantes na biodisponibilidade do fármaco, com possíveis
repercussões clínicas.

A avaliação in vitro de diferentes lotes de um mesmo produto visa a


avaliar o comportamento de dissolução do produto testado, estando diretamente
associado à qualidade da formulação. Espera-se que os resultados sejam
idênticos ou muito próximos, dentro de uma margem de variação aceitável,
previamente estabelecida, fato este que não foi observado no presente estudo.

Alheios aos trabalhos publicados na literatura há várias décadas (PRICE et


al., 1983; MOES, 1989; IWATA et al., 1997), questionando a confiabilidade deste
tipo de forma farmacêutica para administração de progestagênios, as farmácias
magistrais continuam comercializando e especialistas persistem prescrevendo,
apesar das evidências desfavoráveis e do desconforto das usuárias. Faz-se
necessária, portanto, a revisão de tal conduta.

Ensaios de Liberação In Vitro 97


CONCLUSÕES

 O teste de dissolução da didrogesterona, sob a forma de comprimidos


revestidos, demonstrou que o produto se apresenta de acordo com as
especificações farmacopeicas. Baseado em suas características
biofarmacêuticas, enquadra-se como uma forma farmacêutica de liberação
imediata;

 Os produtos A e B de progesterona micronizada sob a forma de cápsulas


de gelatina mole, provenientes de diferentes laboratórios farmacêuticos,
apresentaram perfis de dissolução semelhantes. Em todos os lotes
avaliados, houve dissolução de 80% do fármaco até a quarta hora do
estudo, o que atende às especificações do método previamente validado.
Os dois produtos apresentaram cinética de dissolução de primeira ordem;

 O aparelho dissolutor com o acessório Enhancer Cells se mostrou o mais


adequado para caracterizar a velocidade e extensão de liberação da
progesterona a partir da matriz semissólida;

 Os testes de liberação in vitro da progesterona na forma farmacêutica de


óvulos e supositórios manipulados provenientes de farmácias magistrais
mostrou heterogeneidade nos resultados, entre as farmácias avaliadas e
entre lotes de uma mesma farmácia.

Conclusões 98
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cientes da necessidade de padronizar o protocolo mais adequado de


suporte de fase lútea para o tratamento de casais inférteis, esta pesquisa
representa o primeiro passo em direção à seleção do(s) produto(s) mais
adequado(s) a tal finalidade. Essa padronização, sem dúvida, favorecerá as
pacientes a obter êxito no tratamento e dará segurança aos médicos
responsáveis pela prescrição dos produtos analisados.
O estudo da liberação in vitro da progesterona em diferentes produtos
aporta promissoras perspectivas para futuros ensaios clínicos envolvendo
também, pacientes climatéricas, uma vez que os progestagênios fazem parte dos
esquemas de terapia hormonal, utilizados nesta fase da vida.
Um ensaio laboratorial tem limitações, mas deve ser analisado como parte
de um processo continuo de aquisição de dados, que possa contribuir para
pesquisas futuras. Existem evidências concretas, abordadas no presente estudo e
referendadas na literatura, da influencia da dissolução na biodisponibilidade e na
equivalência de medicamentos.
Embasados nos resultados obtidos através da analise do perfil de liberação
da progesterona veiculada a óvulos e supositórios, provenientes de farmácias
magistrais, recomendamos que os mesmos não façam parte do arsenal
terapêutico para suporte de fase lútea, por não demostrarem uniformidade nas
formulações analisadas e, portanto a intercambialidade com o medicamento de
referência deve ser evitada.

Considerações Finais 99
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Referências 109
ANEXO 1

EQUIPAMENTOS
FOTO 1 – DISSOLUTOR ENHANCER CELLS

FOTO 2 – DISSOLUTOR ENHANCER CELL – RECIPIENTE DOADOR

Anexos 110
Legenda do Anexo 1:

Foto 1: Dissolutor Vankel 7000 – Demonstração do sistema Enhancer cells


contendo quatro cubas de 200mL, as mini pás e o dispositivo de liberação de
produtos semi-sólidos na parte anterior do equipamento (vista frontal).
Foto 2 Visão do recipiente doador (local onde são colocados o gel e a
membrana).

Anexos 111
Foto 3 - Células de difusão de Franz (Hanson Research)

Anexos 112
ANEXO 2

Fotos – Cápsulas de gelatina mole – Produto A

Foto 1 Foto 2

Foto 3 Foto 4

Foto 5 Foto 6

Anexo 113
Foto 7 Foto 8

Legenda do Anexo 2:

Foto 1: Visão superior da cuba demostrando a ausência de espuma no início do


teste de dissolução.

Foto 2: Visão frontal da cuba demostrando a maior densidade da forma


farmacêutica (cápsula) em relação ao meio de dissolução e, por isso, mantendo-
se no fundo da cuba. Tal comportamento evitou o uso de âncoras.

Foto 3: Visão frontal da cuba demostrando a desintegração (rompimento do


invólucro e dispersão do conteúdo oleoso) da cápsula com aproximadamente 15 –
20 minutos do teste.

Foto 4: Visão superior da cuba demonstrando a flutuação do conteúdo da cápsula


(oleoso) ao redor do eixo do dispositivo pá após o rompimento do invólucro.

Foto 5: Visão superior da cuba demonstrando a alteração do conteúdo da


cápsula após 2 horas de teste.

Foto 6: Visão superior da cuba demonstrando a alteração do conteúdo da


cápsula após 3 horas de teste. O conteúdo esbranquiçado vai se tornando
translúcido.

Anexo 114
Foto 7: Visão superior da cuba demonstrando a alteração do conteúdo da
cápsula após 4 horas de teste. O conteúdo esbranquiçado torna-se translúcido
indicando que 80% do fármaco encontra-se em solução (dissolvido). Dado
comprovado pelo método de quantificação.

Foto 8: Visão superior da cuba demonstrando a dispersão das gotículas de óleo


presentes na formulação avaliada. O fármaco encontra-se, praticamente, 100%
dissolvido.

Anexo 115
ANEXO 3

Fotos – Cápsulas de gelatina mole – Produto B

Foto 1 Foto 2

Foto 3 Foto 4

Foto 5 Foto 6

Anexo 116
Foto 7 Foto 8

Legenda do Anexo 3:

Foto 1: Visão superior da cuba demostrando a ausência de espuma no início do


teste de dissolução.

Foto 2: Visão frontal da cuba demostrando a maior densidade da forma


farmacêutica (cápsula) em relação ao meio de dissolução e, por isso, mantendo-
se no fundo da cuba. Tal comportamento evitou o uso de âncoras.

Foto 3: Visão frontal da cuba demostrando a desintegração (rompimento do


invólucro e dispersão do conteúdo oleoso) da cápsula com menos de 15 minutos
do teste.

Foto 4: Visão frontal da cuba demonstrando que após a desintegração da cápsula


ocorre a separação do conteúdo em pequenas partículas e, que posteriormente,
permanecem boiando na superfície da cuba.

Foto 5: Visão superior da cuba demonstrando a alteração do conteúdo da


cápsula após 1 horas de teste.

Anexo 117
Foto 6: Visão superior da cuba demonstrando a alteração do conteúdo da
cápsula após 2 horas de teste. O conteúdo esbranquiçado vai se tornando
translúcido.

Foto 7: Visão superior da cuba demonstrando a alteração do conteúdo da


cápsula após 3 horas de teste. O conteúdo esbranquiçado torna-se translúcido
indicando que 80% do fármaco encontra-se em solução (dissolvido). Dado
comprovado pelo método de quantificação.

Foto 8: Visão superior da cuba demonstrando a dispersão das gotículas de óleo


presentes na formulação avaliada. O fármaco encontra-se, praticamente, 100%
dissolvido.

Anexo 118
ANEXO 4

Fotos – Óvulos

1min 30seg 5min

10min 15min

Anexo 119
20min 25min

Após 25min Após agitação

Legenda do Anexo 4:

Foto 1: Visão do óvulo na cuba depois de 1min e 30seg.


Foto 2: Visão do óvulo na cuba depois de 5 minutos.
Foto 3: Visão do óvulo na cuba depois de 10 minutos.
Foto 4: Visão do óvulo na cuba depois de 15 minutos.
Foto 5: Visão do óvulo na cuba depois de 20 minutos.
Foto 6: Visão do óvulo na cuba depois de 25 minutos.
Foto 7: Visão do óvulo dissolvido na cuba após 25 minutos.
Foto 8: Visão do óvulo dissolvido na cuba após agitação.

Anexo 120
ANEXO 5

Análise visual da dissolução dos supositórios

Foto 1 Foto 2

Foto 3 Foto 4

Legenda do Anexo 5:

Foto 1: Visão do supositório e afundador.


Foto 2: Visão do supositório na cuba no início da dissolução.
Foto 3: Visão do supositório se dissolvendo.
Foto 4: Visão do supositório ao final do processo (parte não dissolvida)

Anexo 121
ANEXO 6

Parecer do Comitê de Ética

Anexo 122
ANEXO 7

Artigo Científico

Anexo 123
Anexo 124
Anexo 125
Anexo 126
Anexo 127
Anexo 128
Anexo 129
Anexo 130
Anexo 131
Anexo 132
Anexo 133
Anexo 134
Anexo 135
Anexo 136
Anexo 137
Anexo 138
Anexo 139
Anexo 140
Anexo 141
Anexo 142
Anexo 143
Anexo 144
Anexo 145
Anexo 146
Anexo 147
Anexo 148
Anexo 149

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