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PROVA ORAL

Tabelionato de Notas
PROVA ORAL | 2020
Tabelionato de Notas
05-05-2020

TABELIONATO DE NOTAS

EDITAL UNIFICADO: Função Notarial. Atribuições. Livros e sua Escrituração.


Classificadores em geral e específicos do serviço notarial. Ordem do serviço.
Responsabilidade civil e tributaria. Prepostos. Substitutos. Incompatibilidades e
impedimentos. Publicidade. Certidões. Comunicações. Conservação.
Atos notariais em geral e em espécie. Os documentos necessários para pratica de atos
notariais. Escrituração dos atos. As certidões negativas. Arquivamento e Dispensa de
Arquivamento.

Este material foi construído com base nas obras / aulas dos seguintes autores:
Kümpel, Vitor Frederico Tratado Notarial e Registrai vol. III ia ed. São Paulo : YK
Editora, 2017
Loureiro, Luiz Guilherme. Manual de direito notarial: da atividade e dos documentos
notariais - Salvador: JusPODIVM, 2016.
DEBS Martha Elias El. Legislação Notarial E De Registros Públicos Comentada
Doutrina, Jurisprudência E Questões De Concursos 2º - Ed -Salvador: JusPODIVUM,
2016

FUNÇÃO NOTARIAL.

1. Em que consiste a função notarial?

➔ Brandelli: é a função típica exercida pelo notário na consecução dos atos notariais
de forma exclusiva. É função típica, porque prevista em lei, já que o notário não pode
praticar os atos que bem entenda.
➔ Rufino Larraud: a função notarial é aquela atividade jurídica cautelar cometida ao
notário, que consiste em dirigir imparcialmente aos particulares na individuação regular
dos seus direitos subjetivos, para dotá-los de certeza jurídica conforme às necessidades
do tráfico e da sua prova eventual.
➔ Afirma Brandelli que este conceito encerra um conteúdo definido (direção jurídica
dos particulares no plano da realização espontânea do direito), um objeto (os direitos
subjetivos dos particulares em sua etapa de individualização), e um fim (a certeza
jurídica dos direitos subjetivos, amoldando-se às necessidades do negócio e de sua
prova documental).

2. Cite, pelo menos, duas características da função notarial em países com


notariado latino

➔ Inúmeras são as características da função notarial no notariado latino, dentre as


quais destacam-se:
o Intervenção notarial

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o Assessoramento ou conselho
o Controle de legalidade
o Imparcialidade
o Imediação
o Conservação de documentos

3. Em que consiste a característica da intervenção notarial? Explique.

➔ Pela intervenção notarial, o notário intervém para dar forma jurídica à vontade das
partes, seja redigindo ou autorizando a redação de documento público, e se torna,
portanto, responsável pelo documento, respondendo civil e penalmente por erro ou dolo
nos atos de ofício.

➔ Esse é um ponto que diferencia o notariado latino do notariado livre: enquanto,


naquele, há uma qualificação da manifestação de vontade das partes; neste, esta
qualificação inexiste.

4. Em que consiste a característica do assessoramento ou conselho? Explique.

➔ Pelo assessoramento ou conselho, o notário, na qualidade de profissional


especializado do direito, tem o dever de aconselhar e assessorar os interessados, seja
qual for o ramo do direito e independente de vir a ser ou não lavrada a escritura.
➔ Este assessoramento é um serviço prestado independente de remuneração, já que a
parte pode inclusive não lavrar o ato junto ao tabelião que a assessorou.

5. Em que consiste a característica do controle de legalidade? Explique.

➔ A característica do controle de legalidade significa que a função notarial tem por


base o princípio da legalidade, no seu duplo aspecto: 1) de cumprimento das
solenidades para que o documento seja reputado um instrumento público e 2) de
determinação dos meios jurídicos mais adequados para a consecução dos fins desejados
pelas partes.

6. Em que consiste a característica da imparcialidade? Explique.

➔ A característica do controle de imparcialidade significa que o notário é um


profissional imparcial e independente, que tem o dever de defender igualmente os
interesses de ambas as partes, sem privilegiar qualquer delas, independentemente de
pressões ou influências de qualquer natureza.

➔ Significa uma equidistância do notário em relação as partes, que irá assessorar da


mesma forma, ambas, independente de quem efetuou o pagamento dos emolumentos.

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7. Em que consiste a característica da imediação? Explique.

➔ Pela imediação, significa que deve haver uma presença efetiva e pessoal do
notário na outorga dos atos e contratos.

➔ Na atualidade, esta presença não precisa ser física nem pessoal do notário: pode se
dar por meios tecnológicos ou pelos prepostos do notário.

8. Em que consiste a característica da conservação de documentos? Explique.

➔ Pela conservação de documentos, significa que a função do notário não se resume,


tampouco se esgota com a lavratura ou expedição do traslado da escritura pública ou
outra espécie de documento notarial. É preciso conservar em suporte perene os
documentos notariais propriamente ditos e aqueles que foram apresentados e são
essenciais para a lavratura destes atos.
➔ Ceneviva: uma das funções atribuídas pela lei [...] é a de arquivo, repositório de
documentos de interesse público, informadores dos assentamentos nela realizados. O
arquivo não consiste em depósito inerme e desordenado de papéis, mas em organismo
vivo, acionável a todo tempo, apto a assegurar a publicidade fácil, rápida e segura do
que nele se contém.

9. Quais são os princípios da função notarial, segundo a doutrina de Leonardo


Brandelli?

➔ Os princípios da função notarial, segundo Leonardo Brandelli, são:


o Juridicidade
o Cautelaridade
o Imparcialidade
o Publicidade
o Rogatório
o Tecnicidade

10. Explique o princípio da juridicidade.

➔ Pelo princípio da juridicidade, o tabelião exerce uma função de polícia judiciária,


uma vez que efetua a qualificação notarial do ato e a análise da sua conformidade com o
direito.
➔ Sendo assim, ele zela pela correta manifestação de vontade das partes ao dar
informações e esclarecimentos objetivos, ao indicar o melhor meio de alcançar os fins
desejados, ao informar sobre as consequências jurídicas dos atos, fatos e negócios
jurídicos.
➔ Ao exercer a tutela da autonomia privada, o tabelião deve buscar garantir o
equilíbrio substancial da relação jurídica, minimizar as desigualdades materiais e de
garantir a proteção dos hipossuficientes e vulneráveis.

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11. Explique o princípio da cautelaridade.

➔ O princípio da cautelaridade significa que, tendo em vista que uma das funções do
notário é a prevenção de litígios, deve ele nortear o seu trabalho pela prudência, pelo
acautelamento, e, portanto, negar a lavratura de atos que sejam considerados inválidos.
➔ Celeuma surge quanto aos negócios anuláveis. Conquanto o negócio seja existente
e válido, poderá vir a ser invalidado no futuro ou convalidado. Diante deste cenário, há
quem defenda (como faz Brandelli) que não deve o ato ser praticado, já que isso
contrariaria a função de prevenção de litígios, ínsita ao tabelião. Outros, porém,
entendem que o tabelião pode praticar o ato anulável desde que advirta as partes sobre
os riscos inerentes. Recomenda-se, inclusive, fazer constar da escritura a ciência das
partes quanto ao risco de anulação do negócio jurídico.

12. Explique o princípio da imparcialidade.

➔ O princípio da imparcialidade significa que o tabelião é um profissional imparcial,


que trata as partes com igualdade e mantém uma equidistância em relação a elas.
➔ O tabelião seria, assim, um “advogado do ato jurídico”: trabalha para que o
negócio seja válido, garanta a certeza e segurança jurídica que dele se espera e não seja
objeto de futuro litígio.

13. Explique o princípio da publicidade.

➔ O princípio da publicidade, para Brandelli, relaciona-se a função pública exercida


pelo notário. Diz ele que a função do notário é pública, já que, embora exercida sobre
direitos privados, atende a um interesse da coletividade traduzido pela necessidade de
afirmar a soberania do direito, garantindo a legalidade e a prova dotada de fé sobre os
atos e fatos que são erigidos pelas relações privadas. Embora este mister seja do Estado,
ele o exerce por intermédio da instituição notarial.
➔ Embora pública a função, ela é exercida em caráter privado. Por ser pública, veda-
se a submissão de seu exercício a um regime totalmente privado. Em razão disso, por
exemplo, o notário não pode basear sua atividade nas regras de economia de mercado,
sendo vedado que ele faça publicidade mercadológica de seus serviços, permitindo tão
somente a publicidade meramente informativa, sem estabelecer uma concorrência digna
dos mercados privados.

14. Explique o princípio rogatório.

➔ Pelo princípio rogatório, não pode o tabelião agir de ofício, necessitando,


portanto, ser provocado pelo interessado.
➔ Este requerimento das partes pode ser expresso ou tácito, escrito ou verbal.
➔ Destaque-se que, se por um lado, o notário somente pode agir havendo
requerimento, por outro, uma vez havendo o requerimento, não pode ele se negar a agir,
salvo impedimento ou qualificação notarial negativa.

15. Explique o princípio da tecnicidade.

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➔ Pelo princípio da tecnicidade, a função exercida pelo tabelião possui um


acentuado caráter técnico, que não é uma técnica qualquer, mas sim uma técnica
jurídica, consequência da sua condição de profissional do direito e do caráter jurídico da
função notarial.

ATRIBUIÇÕES

16. Qual o conceito de serviço notarial previsto no artigo 1º da Lei


8.935/94?

➔ Art. 1º Serviços notariais e de registro são os de organização técnica e


administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia
dos atos jurídicos.

17. Qual o conceito de notário ou tabelião, segundo a Lei 8.935/94?

➔ Art. 3º Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são


profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício
da atividade notarial e de registro.

18. Quais são as competências que a Lei 8.935/94 atribui aos notários em geral?

➔ Art. 6º. Aos notários [em geral] compete: I - formalizar juridicamente a vontade
das partes; II - intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devam ou queiram
dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo os instrumentos
adequados, conservando os originais e expedindo cópias fidedignas de seu conteúdo; III
- autenticar fatos.

19. E quais competem ao Tabelião de Notas com exclusividade?

➔ Art. 7º. Aos tabeliães de notas compete com exclusividade: I - lavrar escrituras e
procurações, públicas; II - lavrar testamentos públicos e aprovar os cerrados; III - lavrar
atas notariais; IV - reconhecer firmas; V - autenticar cópias.

20. Segundo o artigo 5º, quantas são e quais são as espécies de notários?

➔ I - tabeliães de notas; II - tabeliães de contratos marítimos; III - tabeliães de


protesto de títulos;

21. Dentre essas chamadas competências exclusivas, quais os estados também


costumam as atribuir ao registro civil das pessoas naturais? Essas atribuições
encontram guarida na lei federal 8.935/94?

➔ Como regra, também competem aos RCPN: i – lavrar procurações públicas; ii –


reconhecer firmas; iii – autenticar cópias.
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➔ Sim, a Lei n° 8.935/94, em seu artigo 52, assim dispõe: “Nas unidades federativas
onde já existia lei estadual específica, em vigor na data de publicação desta lei, são
competentes para a lavratura de instrumentos translatícios de direitos reais, procurações,
reconhecimento de firmas e autenticação de cópia reprográfica os serviços de Registro
Civil das Pessoas Naturais.”

22. Pode o tabelião substituto lavrar testamentos públicos e aprovar testamentos


cerrados?

➔ O tema é controverso, dada a aparente contradição entre o disposto no Código


Civil de 2002 e a Lei n° 8.935/94. Esta, em seu artigo 20, §4°, permite que os tabeliães
substitutos, simultaneamente com o titular, pratiquem todos os atos que lhes são
próprios, com a exceção da lavratura de testamentos. Já aquele, em seu art. 1.864, I,
prevê como requisito do testamento público “ser escrito pelo tabelião ou por seu
substituto legal.”.

➔ É preciso verificar se há alguma peculiaridade no código de normas de cada


Estado.

23. Qual é a atribuição dos tabeliães de contratos marítimos?

➔ Lavrar os atos, contratos e instrumentos relativos a transações de embarcações a


que as partes devam ou queiram dar forma legal de escritura pública; reconhecer firmas
em documentos destinados a fins de direito marítimo; expedir traslados e certidões.

24. Como funciona o princípio da territorialidade no Tabelionato de Notas?

➔ O Tabelião de Notas, por força do art. 9° da Lei n° 8.935/94, está proibido de


exercer suas funções típicas fora do Município para o qual recebeu sua delegação.
➔ No entanto, o art. 8° desse mesmo diploma afirma que a escolha do profissional é
livre às partes, qualquer que seja seu domicílio ou o lugar de situação dos bens a que se
referirem o ato.
➔ O Provimento 65/2017 do CNJ trouxe uma ressalva a essa regra geral quando
determina em seu artigo 5º que a ata notarial para fins de usucapião apenas pode ser
lavrada pelo tabelião do município onde estiver localizado o imóvel usucapiendo ou a
maior parte dele – diminuindo, assim, a possibilidade de escolha das partes, que está
limitada aos tabeliães do município do imóvel.

25. Conceitue escritura pública?

➔ VFK: “É consubstanciada no instrumento notarial dotado de fé pública e força


probante plena, em que são acolhidas declarações sobre os atos jurídicos ou declarações
de vontade inerente aos negócios jurídicos para os quais os participantes devam ou
queiram dar essa forma legal”.

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➔ Loureiro: “Instrumento público redigido por um notário competente, que observa


as formalidades legais e que se destina a dar forma legal a declarações de vontades que
caracterizem um ato ou negócio jurídico. Em outras palavras, trata-se de um documento
dotado de fé pública, lavrado em notas de tabelião e que tem por finalidade formalizar
juridicamente a vontade das pessoas (art. 215 do CC e art. 6° da LNR)”

26. Conceitue procuração?

➔ VFK: “a procuração é um instrumento jurídico unilateral, pelo qual alguém,


pessoa física, jurídica ou até ente despersonalizado, nas hipóteses de previsão legal,
outorga a outrem poder ou poderes de representação. Não se confunde com o mandato,
pois enquanto este é um contrato, aquela é um negócio jurídico unilateral, caracterizado
simplesmente pela outorga de poderes”.

➔ Loureiro: “procuração é o escrito que contém os poderes outorgados pelo


mandante ao mandatário. Esse poder se estende não somente àquilo que é expresso no
contrato, mas ainda a tudo o que pode ser daí deduzido, e, no caso do mandatário
profissional, compreende os atos típicos daquela profissão ou da natureza das funções
do mandatário”.

27. A procuração é o instrumento do contrato de mandato?

➔ Loureiro: “O mandato não se confunde com a procuração: o primeiro termo se


refere ao contrato, enquanto o segundo, ao instrumento contratual. Tal distinção é clara
no Código Civil, como se percebe do disposto no art. 653: “Opera-se o mandato quando
alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar
interesses. A procuração é o instrumento do mandato”.

28. Qual é a diferença entre a procuração e o contrato de mandato?

➔ VFK: “a procuração é um negócio jurídico unilateral, cujo instrumento é


redigindo independentemente da anuência do procurador. Portanto, em âmbito notarial,
são infundadas as exigências de comparecimento e concordância do procurador para a
lavratura da procuração, que demanda restritamente a aposição da vontade do
outorgante”.
É bom deixar assentado, desde já, que o Código Civil não prima por distinguir
procuração de mandato. Aliás, o Código é infeliz na redação da última parte do art. 653,
ao afirmar que "a procuração é o instrumento do mandato". Esta assertiva faz parecer
que a procuração é a materialização do mandato. Na realidade, procuração e mandato
são institutos totalmente distintos e que podem ter certa aproximação. É possível
afirmar que a procuração nunca deveria ser o instrumento do mandato. Mandato é
contrato, e deve regrar direitos e obrigações entre mandante e mandatário, inclusive com
muito sigilo, já que os terceiros, muitas vezes, não devem saber a confidencialidade que
envolve mandante e mandatário”.

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29. Diferencie procuração para contratar consigo mesmo e procuração em


causa própria.

➔ VFK: “Não há que confundir procuração em causa própria com o contrato consigo
mesmo. Este, com vetor no art. 117 do Código Civil, é a procuração na sua forma típica,
em que se confere apenas os poderes de representação, de modo que se aplicam todas as
disposições atinentes à procuração, contidas nos arts. 653 e ss. do Código Civil. Trata-se
de procuração em que se confere poderes limitados para agir em nome do representado,
sujeitando a prestação de contas do procurador, as causas de revogação e extinção do
mandato. Ao revés, na procuração em causa própria há num autêntico contrato
translativo, adotando, portanto, os mesmos requisitos do negócio jurídico a que se
reporta a procuração, mormente a escritura de compra e venda. Tem caráter irrevogável,
irretratável, não está sujeito à prestação de contas, servindo o instrumento de
transmissão de bens, inclusive hábil para o registro imobiliário”.

30. Conceitue ata notarial.

➔ VFK: “Constitui, assim, o instrumento dotado de fé pública e com força de prova


pré-constituída, natureza de documento público, por meio do qual o tabelião, seu
substituto ou escrevente, a pedido de pessoa interessada, constata de forma precisa e
segura os fatos, os objetos, os sujeitos de direitos e as situações, no intuito de fazer
prova e deixar materializada a situação jurídica (artigo 364/ CPC, artigo 7° do Código
Civil, inciso III, Lei 8.935/1994)”.
➔ LEONARDO BRANDELLI define a ata notarial como "o instrumento público
mediante qual o notário capta, por seus sentidos uma determinada situação, um
determinado fato, e o translada para seus livros de notas ou para outro documento. É a
apreensão de um ato ou fato, pelo notário, e a transcrição dessa percepção em
documento próprio". No mesmo sentido, P. G. FERREIRA e E. RODRIGUES
conceituam a ata notarial como o instrumento público pelo qual o tabelião, ou preposto
autorizado, a pedido de pessoa interessada, constata fielmente fatos, coisas, pessoas ou
situações para comprovar a sua existência ou o seu estado. ANTONIO ALBERGARIA
PEREIRA enfatiza que a ata notarial consiste na comprovação e afirmação pelo notário
de um fato jurídico, seja ele natural ou voluntário”.
➔ Loureiro: “ata notarial também pode ser definida por exclusão: é todo instrumento
público notarial emanado do tabelião competente e que não tem caráter de escritura
pública. Em outras palavras, a ata notarial é o documento redigido e autorizado pelo
notário em que se consignam fatos e circunstâncias que presencia ou que lhe constem de
próprio e pessoal conhecimento e que, por sua própria natureza, não configuram ato ou
negócio jurídico”.

31. Conceitue o reconhecimento de firmas.

➔ VFK: “Conceitualmente, reconhecimento de firma é o ato do tabelião, ou preposto


autorizado, de certificar a autoria de determinada assinatura aposta no documento
apresentado, ou seja, é a confirmação de que a assinatura foi lançada por determinada

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pessoa, ou que é, pelo menos, semelhante ao padrão de assinatura arquivado na


serventia e imputado àquela pessoa.
Tem-se, portanto, que o reconhecimento de firma é o ato pelo qual o tabelião certifica
que a assinatura aposta num determinado documento é da lavra da pessoa que declara
tê-lo firmado, garantindo a autenticidade do referido documento, e vinculando seu
conteúdo ao signatário, com o fito de constituir, de forma eficiente e segura, prova de
que o autor da firma foi quem efetivamente assinou o documento.
O escopo do reconhecimento, nessa linha, é garantir — e fazer presumir — que a
assinatura constante no documento não é falsa”.

32. Quais são as espécies de reconhecimento de firmas?

➔ VFK: “As espécies de reconhecimento de firmas são, basicamente, o


reconhecimento de firma por semelhança e o por autenticidade. O primeiro, embora
mais usual, confere menor segurança, já que é feito por mera confrontação entre a firma
aposta no documento a ser certificado e aquela constante no cartão de assinatura do
signatário, ou, ainda, em outros documentos já arquivados na serventia.
Além do reconhecimento de firma por autenticidade e por semelhança, muito embora
não reconhecido ou até proibido pela maioria das normas de serviço dos estados, existe
o reconhecimento de firma por abonação, tanto de forma direta quanto de forma
indireta”.

33. Conceitue autenticação de cópias.

➔ O termo "autenticação" designa o reconhecimento de algo como verdadeiro,


legalizado e de acordo com as leis e normatização. Preliminarmente, há que se
distinguir a autenticação, quanto referente às cópias, da autenticação em sentido amplo,
já que esta é pertinente a todos os atos notariais e alicerça a própria função notarial e
registral.
De outro modo, “a autenticação de cópias consiste em espécie de ato notarial que tem
por finalidade precípua declarar que a cópia de um determinado documento é fiel e,
portanto, corresponde com exatidão ao documento original”.

34. Conceitue atos protocolares e atos extraprotocolares do tabelião de


notas.

➔ Os atos principais ou protocolares são aqueles lavrados dentro do protocolo


notarial, constituindo um conjunto de documentos matrizes formadores do arquivo da
serventia, composto de livros e classificadores. Em outras palavras, são os atos notariais
juridicamente mais importantes, que formalizam um ato ou negócio jurídico e, portanto,
são lançados nos livros notariais pelo tabelião ou pelo preposto autorizado.
➔ Nos atos secundários ou extraprotocolares, a intervenção do tabelião e a prática
notarial ocorreem em documentos que não integram os livros notariais, Logo, são
lançados na própria documentação apresentada pela parte, que adquire eficácia por meio
do ato de certificação ou autenticação do tabelião.

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➔ A denominação "atos mistos" é utilizada para designar os atos notariais dotados


de características simultâneas dos atos protocolares e extraprotocolares.

35. Quais são os atos protocolares e quais são os atos extraprotocolares


do tabelião de notas?

➔ Protocolares: escrituras, atas notariais.


➔ Extraprotocolares: autenticações e reconhecimentos de firmas.
➔ Mistos: reconhecimentos de firma por autenticidade com escrituração de livro de
presença e ata de testamento cerrado.

36. O ato de reconhecimento de firmas pode em alguma hipótese ser considerado


um ato protocolar?

➔ O reconhecimento de firma por autenticidade com escrituração de livro de


presença pode ser considerado um ato protocolar ou misto, a depender da compreensão
do conceito de ato protocolar.

37. Qual o vício do negócio jurídico celebrado sem instrumento público quando as
partes tenham estipulado esta forma para a validade do ato ou a lei assim
determinar?

O referido negócio jurídico será nulo (CC, 166, V).

LIVROS E SUA ESCRITURAÇÃO. CLASSIFICADORES EM GERAL E


ESPECÍFICOS DO SERVIÇO NOTARIAL.

38. Quais são os livros para a prática de atos típicos da função do tabelião de
notas?

➔ O livro para a prática de atos típicos é o livro de notas, que, a depender do Estado
pode ser divido em atos próprios, conforme as normas de cada ente estadual.

CLASSIFICADORES EM GERAL E ESPECÍFICOS DO SERVIÇO NOTARIAL

39. O que são classificadores?

➔ São livros ou pastas que servem para arquivar documentos relativos aos
atos notariais, de organização do cartório ou de outras obrigações do notário,
compondo o acervo do tabelião.

40. Enumere os classificadores que os tabeliães de notas devem manter.

➔ Cada unidade da federação estipula quais e quantos serão os


classificadores, exemplificativamente temos os seguintes: a) em relação aos

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imóveis rurais, Certificado de Cadastro do Imóvel Rural (CCIR) emitido pelo


Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, com a prova de quitação
do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural correspondente aos últimos
cinco anos; b) comprovante ou cópia autenticada do pagamento do Imposto
sobre Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis, de direitos reais sobre imóveis
e sobre cessão de direitos a sua aquisição (ITBI) e do Imposto sobre
Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), quando incidente sobre o ato,
ressalvadas as hipóteses em que a lei autorize a efetivação do pagamento
após a sua lavratura; c) certidões de ações reais e pessoais reipersecutórias,
relativas ao bem imóvel, e as de ônus reais, inclusive com situações positivas
ou negativas de indisponibilidade, expedidas pelo Registro de Imóveis, cujo
prazo de validade, para este fim, será de 30 dias; d) cópias dos atos
constitutivos de pessoas jurídicas e das eventuais alterações ou respectiva
consolidação societária e do comprovante de inscrição e de situação cadastral,
emitido pela Receita Federal do Brasil; e) traslados de procurações, de
substabelecimentos de procurações outorgados em notas públicas e de
instrumentos particulares de procurações, cujo prazo não poderá ser superior a
90 dias; f) alvarás; g) certidões expedidas pelos órgãos públicos federais ou a
sua cópia autêntica, quando exigidas por lei; h) comunicações à Receita
Federal do Brasil e às Fazendas Estaduais e Municipais; e i) cópias das
comunicações de substabelecimentos, revogações e renúncias de procurações
públicas lavradas por outras serventias.

41. Como são ordenados os classificadores?

➔ Em pastas, numeradas e ordenadas cronologicamente, que serão ou não,


encadernadas, após atingir o número máximo de folhas, conforme normas de
cada estado.

ORDEM DO SERVIÇO

42. A quem compete o gerenciamento administrativo e financeiro da serventia?

Nos termos do art. 28 da Lei n° 8.935/94, cabe ao titular gerenciar o serviço do


tabelionato, arcando com seus custos, organizando a serventia para a melhor execução,
inclusive contratando tantos prepostos quanto forem necessários. Isso se dá em razão do
regime privado de prestação do serviço instituído pelo art. 236 da Constituição Federal
de 1988.

RESPONSABILIDADE CIVIL E TRIBUTÁRIA

43. A Constituição dispôs expressamente sobre a responsabilidade civil


dos notários?

➔ Nos termos do art. 236 da Constituição, § 1º: Lei regulará as atividades,


disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de

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registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder


Judiciário. Desse modo a CF determinou que a responsabilidade será prevista
em lei própria.

44. Notários se submetem à disciplina jurídica idêntica a qual estão


submetidas pessoas jurídicas de direito privado prestadores de
serviço público?

➔ SFT, RE 842846: “Os serviços notariais e de registro, mercê de exercidos


em caráter privado, por delegação do Poder Público (art. 236, CF/88), não se
submetem à disciplina que rege as pessoas jurídicas de direito privado
prestadoras de serviços públicos. É que esta alternativa interpretativa, além de
inobservar a sistemática da aplicabilidade das normas constitucionais, contraria
a literalidade do texto da Carta da República, conforme a dicção do art. 37, §
6º, que se refere a ‘pessoas jurídicas’ prestadoras de serviços públicos, ao
passo que notários e tabeliães respondem civilmente enquanto pessoas
naturais delegatárias de serviço público, consoante disposto no art. 22 da Lei
nº 8.935/94.”

45. Qual é a natureza da responsabilidade civil de notários e registradores


por atos decorrentes de suas funções?

→ STF, RE 842846: “A Lei 8.935/94 regulamenta o art. 236 da Constituição


Federal e fixa o estatuto dos serviços notariais e de registro, predicando no seu
art. 22 que ‘os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por
todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente,
pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado
o direito de regresso. (Redação dada pela Lei nº 13.286, de 2016)’, o que
configura inequívoca responsabilidade civil subjetiva dos notários e oficiais de
registro, legalmente assentada”.
➔ O art. 28 da Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973) contém comando
expresso quanto à responsabilidade subjetiva de oficiais de registro, bem como
o art. 38 da Lei 9.492/97, que fixa a responsabilidade subjetiva dos Tabeliães
de Protesto de Títulos por seus próprios atos e os de seus prepostos.

46. O Estado possui responsabilidade civil por atos decorrentes das


funções típicas de notários?

➔ STF, RE 842846: Repercussão geral constitucional que assenta a tese


objetiva de que: “o Estado responde, objetivamente, pelos atos dos
tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções,
causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o
responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade
administrativa”.

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47. Qual é a natureza da responsabilidade civil do Estado pelos atos dos


notários?

➔ Objetiva, conforme decisão do STF no RE 842846-SC.

48. Existe possibilidade de ação regressiva do Estado contra o notário,


por responsabilidade civil?

➔ O Estado tem obrigação de ingressar com ação regressiva contra o


notário o registrador nos casos em que haja culpa ou dolo, sob pena de
incorrer em improbidade administrativa o agente que o deixa de fazer.

49. Existe possibilidade de ação regressiva do notário contra o seu


preposto, por decorrência de reponsabilidade civil?

➔ Lei 8.935/94, Art. 22. Os notários e oficiais de registro são civilmente


responsáveis por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou
dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que
autorizarem, assegurado o direito de regresso.

50. O notário possui responsabilidade tributária pelos fatos geradores de


tributos decorrentes do exercício de funções típicas da atividade
notarial?

➔ Sim, por ser atividade econômica, a atividade notarial implica, direta ou


indiretamente, na ocorrência de fatos geradores de tributos, cuja
responsabilidade é do notário.

51. Enumere tributos decorrentes da realização da atividade notarial.

➔ IRPF, ISS, contribuições sociais sobre folha de pagamento.

52. O notário possui responsabilidade tributária, decorrente de obrigação


tributária acessória, não derivada de obrigação tributária principal?

➔ Sim, a DOI configura uma obrigação tributária acessória, que não decorre
de um fato gerador de obrigação tributária principal.

53. Qual a pena a qual o notário está submetido por não enviar a DOI?

➔ A falta de apresentação ou apresentação da declaração após o prazo


fixado sujeitará o declarante à multa de 0,1% (um décimo por cento) ao mês-
calendário ou fração sobre o valor da operação, limitada a 1% (um por cento).
➔ A multa será:
➔ I- Reduzida à metade, caso a declaração seja apresentada antes de
qualquer procedimento de ofício;
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➔ II- Reduzida a 75% (setenta e cinco por cento), caso a declaração seja
apresentada no prazo fixado em intimação;
➔ III- De no mínimo R$ 20,00 (vinte reais).
➔ O declarante que apresentar DOI com incorreções ou omissões será
intimado a apresentar declaração retificadora, no prazo estabelecido pela RFB,
e sujeitar-se-á à multa de R$ 50,00 (cinquenta reais) por informação inexata,
incompleta ou omitida, que será reduzida em 50% (cinquenta por cento) caso a
retificadora seja apresentada no prazo fixado.

54. O notário, para efeitos de recolhimento de ISS, o fará em valor fixo, tal
qual os profissionais liberais ou por meio de aplicação de percentual
sobre os valores de emolumentos?

➔ O recolhimento ocorrerá conforme legislação municipal, podendo ser em


valor fixo ou por percentual dos emolumentos.

55. Qual foi o posicionamento do STJ sobre o recolhimento do ISS por


notários, especificamente quanto à forma de cálculo do tributo?

➔ O STJ tem entendimentos reiterados, segundo o qual os notários e


registradores não podem ser tributados em valor fixo para o recolhimento do
ISS, por considerar que falta pessoalidade na prática da função pública
delegada, fazendo analogia entre a atividade notarial e a empresarial. O
julgado abaixo elucida o posicionamento do STJ:
➔ TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. ISS. SERVIÇOS NOTARIAIS. INCIDÊNCIA. ALÍQUOTAS FIXAS.
IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA PESSOAL DAS ATIVIDADES.
JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA NO ÂMBITO DO STJ. DIVERGÊNCIA NÃO
CARACTERIZADA. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. As Turmas
que integram a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmaram
compreensão no sentido de que os serviços notariais não ostentam natureza
pessoal, aspecto este que interdita a cobrança do ISS sob a forma de alíquotas
fixas.

56. Qual é a espécie de responsabilidade do notário sobre os tributos cujo


fato gerador não deu causa, mas deve fiscalizar o recolhimento?

➔ O CTN, art. 134, VI, atribui responsabilidade solidária aos tabeliães, no


entanto, parece ser o caso de responsabilidade subsidiária, devendo o notário
ser demandado apenas no caso de inadimplemento da cobrança do devedor
principal.

PREPOSTOS. SUBSTITUTOS

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57. Quais são as espécies de prepostos que podem ser contratados por
notários?

➔ São os escreventes e auxiliares. Dentre os primeiros o notário escolherá


seus substitutos e dentre os substitutos o substituto do § 5º do art. 20 da Lei
8.935/94, que responderá pela atividade nos impedimentos e
incompatibilidades do notário.

58. Qual é o regime jurídico de contratação ao qual estão submetidos os


prepostos dos notários?

➔ O regime da Consolidação das Leis do Trabalho, sendo empregados, na


forma do caput, do artigo 20 da Lei 8.935/94.

59. Quais atos podem ser praticados pelos escreventes?

➔ Todos os atos expressamente autorizados pelo notário.

60. Quais atos podem ser praticados pelos auxiliares?

➔ Os auxiliares praticam atividades acessórias, não podendo praticar atos


típicos da atividade do notário.

61. Quais são as atribuições dos substitutos?

➔ Os substitutos, em conjunto com o notário, praticam todos os atos típicos


da atividade e auxiliam na gestão da equipe e das obrigações administrativas.
Discute-se se o testamento é ato exclusivo do notário, por assim ter
determinado o art. 20, § 4º da Lei 8.935/94. No entanto o art. 1864, I, do
Código Civil, atribui a lavratura do testamento público ao notário ou seu
substituto. A questão varia nas diferentes unidades da federação, havendo as
que mantem a vedação ao substituto e as que atribuem ao notário e ao seu
substituto a lavratura de testamentos.

62. Qual é a função do preposto descrito no art. 20, § 5º da Lei 8.935/94?

➔ Além das atribuições ordinárias dos substitutos, ele responderá pela


atividade nas ausências e impedimentos do titular (art. 20, § 5ºda Lei 8.935/94).

63. Se aplica a súmula vinculante 13 nas substituições do art. 20, § 5ºda


Lei 8.935/94?

➔ O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, que


escreventes substitutos que tenham vínculo familiar com o titular do cartório
não podem responder pelo serviço em caso de vacância. De acordo com o voto
da relatora, conselheira Maria Iracema do Vale, a impossibilidade está baseada
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nos princípios de moralidade e impessoalidade, presentes no artigo 37 da


Constituição Federal, bem como o enunciado da Súmula Vinculante n. 13, e
da Resolução CNJ n. 7/2005, que impedem o nepotismo no âmbito da
administração pública. (fonte: CNJ)

64. Qual a natureza do vínculo do interino com a atividade e o ente


delegante?

➔ O interino é nomeado de modo precário e entre ele e o órgão delegante


fica estabelecida relação de confiança, podendo o ato ser revogado a qualquer
tempo.
➔ Segue passagem das Normas da CGJSP: O interino tem, salvo
disposição legal ou normativa em contrário e, no que couber, os mesmos
direitos e deveres do titular da delegação, e exerce função legitimada na
confiança que, abalada, resultará, mediante decisão fundamentada, na
designação de outro. (item 12, do Capítulo XXI, das Normas Extrajudiciais da
Corregedoria Geral da Justiça)

65. Qual a forma de remuneração do interino?

➔ Segundo decisões reiteradas do STF e CNJ, o interino atua por confiança


e em nome do ente delegante, estando sujeito ao teto remuneratório do serviço
público.

INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS

66. Diferencie incompatibilidade e impedimento, para efeitos da Lei


8.935/94.

➔ Martha El Debs: Incompatibilidade significa a impossibilidade de o servidor


conciliar o exercício de direitos e deveres atribuídos por lei, ao passo que impedimento
consiste na proibição da prática de ato jurídico determinado. De fato, no serviço de que
é titular, o notário e o registrador não poderão praticar, pessoalmente, qualquer ato de
seu interesse, ou de interesse de seu cônjuge ou de parentes, na linha reta, ou na
colateral, consanguíneos ou afins, até o terceiro grau.
➔ A lei não impõe que qualquer ato de interesse do oficial seja praticado em
outra serventia. Apenas lhe veda a atuação pessoal no serviço da qual é
delegado, posto que inexiste fé pública no ato que o notário ou registrador
pratique em seu próprio benefício. Logo, essa limitação diz respeito,
exclusivamente ao oficial, não alcançando o seu substituto nem escreventes e
auxiliares.

67. Qual é a previsão de incompatibilidade do art. 25 da Lei 8.935/94?

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➔ A atividade do notário é incompatível com o da advocacia, o da


intermediação de seus serviços ou o de qualquer cargo, emprego ou função
públicos, ainda que em comissão.

68. Qual é o impedimento previsto no art. 27 da Lei 8.935/94?

➔ O notário não poderão praticar, pessoalmente, qualquer ato de seu


interesse, ou de interesse de seu cônjuge ou de parentes, na linha reta, ou na
colateral, consanguíneos ou afins, até o terceiro grau.

69. Qual é o momento no qual o notário deve se afastar da atividade para


exercício de cargo público?

➔ A diplomação, na hipótese de mandato eletivo, e a posse, nos demais


casos, implicará no afastamento da atividade (art. 25, § 2º da Lei 8.935/94).

PUBLICIDADE. CERTIDÕES. COMUNICAÇÕES. CONSERVAÇÃO

70. Qual é o meio ordinário pelo qual se dá a publicidade dos atos


notariais?

➔ Por meio de certidão, consubstanciando meio indireto de publicidade.

71. Você pode discorrer sobre publicidade dos atos notariais e dever de
sigilo do notário?

➔ Loureiro: O sigilo profissional é um dever fundamental do notário e tem um duplo


fundamento. Em primeiro lugar, é indispensável que as pessoas que procuram os
serviços profissionais daquele que ordinariamente pode ser denominado um confidente
necessário, sejam asseguradas de que seus segredos serão guardados, para que o
confidente - que deve ser completamente informado - possa cumprir convenientemente
sua função, mas com a condição de que aquilo que lhe foi confidenciado pelo cliente
não será usado contra este. Em segundo lugar, além do interesse privado, o segredo ou
sigilo profissional é fundado sobre um interesse geral. É necessário que todos os
cidadãos sejam persuadidos de que os profissionais considerados como confidentes
necessários não trairão jamais os segredos ou confidências a eles confiados. Qualquer
violação injustificada desse dever implica o descrédito público do instituto do notariado
e, consequentemente, no prejuízo da atividade que se baseia justamente na fé pública e
na recepção das vontades das partes. (...)
➔ O tema ora em análise pode trazer algumas dificuldades quando analisado em
conjunto com o dever de conselho e com a publicidade dos documentos notariais. A
jurisprudência francesa considera que o notário não pode violar o segredo para
satisfazer seu dever de conselho face a outros clientes, salvo quando se tratar de
documentos que deve diligenciar, como certidões do registro de imóveis e existência de
ações de cobrança que coloquem em risco o negócio jurídico entabulado.

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➔ Nos países europeus, o notário somente pode dar cópias ou certidões dos atos que
realiza a quem demonstre legítimo interesse em obtê-las, de forma que a revelação da
existência de testamento ou da condição de herdeiro a pessoa estranha constitui quebra
do dever de sigilo. No Brasil, a Lei 6.015/1973 assegura a qualquer pessoa o direito a
ter acesso às certidões de atos notariais e registrais, independentemente de justificação,
salvo as exceções previstas em lei (art. 17). Algumas codificações de normas notariais
estabelecem, sem que a lei o faça, que apenas o testador pode requerer certidão do
testamento e, após a sua morte, apenas os seus herdeiros ou mediante ordem judicial.
→ Não obstante, o dever de sigilo deve ceder em alguns casos previstos na legislação.
Por força de lei ou mesmo de atos normativos infralegais, o notário é obrigado a
informar a alguns órgãos públicos sobre a realização de operações imobiliárias e outros
negócios jurídicos sobre os quais incidem tributos, tais como a Receita Federal
(Declaração de Operações Imobiliárias), a Fazenda Estadual (doações e partilhas) e até
mesmo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), sempre que
vislumbrar, nas escrituras públicas visando a transferência de imóveis e outros bens e
direitos relevantes, indícios de delito de lavagem de dinheiro (Resolução COAF
24/2013).

ATOS NOTARIAIS EM GERAL E EM ESPÉCIE

72. A escritura de separação e divórcio está submetida a algum sigilo?

➔ Segundo o art. 42 da Resolução 35 do CNJ, não há sigilo sobre as


escrituras de separação e divórcio. Não há sigilo nas escrituras públicas de
separação e divórcio consensuais.

73. Diferencie traslado e certidão.

➔ VFK: A palavra traslado vem do latim traslatus, que significa transferido,


transportado, copiado, transcrito. Em sentido jurídico, é a cópia fiel e imediata
de uma escritura, ou de um documento, constante de livros públicos, arquivos
de repartições e serventias, fornecida pelo próprio tabelião ou escrivão que
formulou, em ato contínuo aos interessados, como instrumentos da mesma
escritura. (...)
➔ Embora o Código Civil não os diferencie (arts. 217 e 218), pode-se dizer
que enquanto o traslado é documento de eficácia, a certidão tem como escopo
principal servir meramente de documento de prova. Porém, considerando que a
lei não contém palavras inúteis e o legislador não possui obrigação de definir
institutos, compete à doutrina fazê-lo, surgindo três correntes acerca das
distinções entre os institutos "traslado" e "certidão".
➔ A primeira atribui ao traslado e à certidão a qualificação de sinônimos. A
segunda, por sua vez, define traslado como a primeira via da escritura pública
lavrada enquanto, a certidão corresponde a todas as demais vias, sempre
emitidas respeitado o viés histórico e econômico.
➔ A terceira e última posição define traslado o documento de eficácia e a
certidão como documento de prova. Logo, o traslado tem por objetivo ser

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extraído do livro de notas para ingressar em outra serventia como, por


exemplo, no ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais para fins de averbar
nova informação à margem do registro de casamento. Já a certidão é extraída
para fazer prova, tal como a certidão da escritura de divórcio que é juntada aos
autos para provar ao juiz a partilha de bens do casal.
➔ (...) a certidão é a declaração ou afirmação do oficial público do que ele
enuncia, transcreve, ou seja, que consta em suas notas e autos. Logo, seu
conteúdo é o fato certificado pelo tabelião, podendo ser lavrada em inteiro teor,
em resumo ou em relatório (art. 19 LRP)

74. É possível a expedição de certidão de um ato notarial não protocolar?

➔ É impossível expedir certidão de um ato não protocolar, pois nestes casos


não é criado livro ou classificador com o ato praticado, não existindo o que
certificar junto ao acervo do cartório.

75. Enumere os destinatários para os quais os tabeliães de notas estão


obrigados a fazer comunicações.

➔ RFB (DOI e declarações de quitação do ITR, para propriedades rurais


com menos de 200ha, na alienação), COAF/UIF (Provimento 88), IBGE, dados
de escrituras de separações e divórcios, CENSEC, Junta Comercial
(procurações com poderes de gestão sobre PJ’s), outros notários, sobre atos
que alterem o conteúdo de outro lavrado originalmente por notário diverso.

76. No que consiste a DOI?

➔ Obrigação tributária acessória, por meio da qual o tabelião de notas e os


oficiais de registro de imóveis e de títulos e documentos enviam para a Receita
Federal do Brasil, até o último dia do mês consequente à prática de atos
inerentes as suas funções, informações sobre operações imobiliárias
consubstanciadas nos referidos atos.

77. Quais são as hipóteses obrigatórias de emissão da DOI?

➔ Publicações INR: São hipóteses de obrigatoriedade de emissão e envio da DOI a


transmissão de imóveis e a transmissão de direitos sobre imóveis e de promessa dessas
operações, desde que o documento que formalizar a respectiva operação tenha sido
lavrado por tabelião de notas.
➔ O preenchimento da DOI deverá ser feito pelo titular ou designado para
tabelionato de notas, quando da lavratura do instrumento que tenha por objeto a
alienação de imóveis, fazendo constar do respectivo instrumento a expressão "Emitida a
DOI”.

78. Para fins do Provimento 88 do CNJ (comunicações ao COAF/UIF),


quem é o beneficiário final do ato notarial?

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➔ Nos termos no art. 4º, V do mencionado Provimento, beneficiário final é a


pessoa natural em nome da qual uma transação é conduzida ou que, em última
instância, de forma direta ou indireta, possui, controla ou influencia
significativamente uma pessoa jurídica, conforme definição da Receita Federal
do Brasil (RFB).

79. Quais atos ilícitos visou coibir o Provimento 88 do CNJ (comunicação


ao COAF/UIF)?

➔ Lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

80. A suspeita de lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo


podem implicar em negativa do notário da prática do ato?

➔ Não, segundo o art. 7º, § 2º do Provimento 88 do CNJ, os notários


cumprirão suas funções determinadas no respectivo Provimento por meio dos
dados e informações constantes do título ou documento de dívida apresentado,
ou de sua indicação, bem como dos dados fornecidos pelo apresentante, não
podendo obstar a realização do ato ou exigir elementos não previstos nas leis
que regulam a emissão e circulação dos títulos ou documentos em questão.

81. Na forma do Provimento 88, no que consiste o cadastro único de


beneficiários finais?

➔ Banco de dados formado pelos notários e administrado pelo CNB, para a


centralização dos dados de beneficiários finais de atos notariais.
Conforme consta do art. 31 do Provimento 88:
➔ Art. 31: O CNB/CF criará e manterá o Cadastro União de Beneficiários Finais -
CBF, que conterá o índice único das pessoas naturais que, em última instância, de forma
direta ou indireta, possuem controle ou influência significativa nas entidades que
pratiquem ou possam praticar atos ou negócios jurídicos em que intervenham os
notários.

82. No que consiste o índice único de atos notariais, tal qual consta do
Provimento 88?

➔ Banco de dados criado pelos notários e administrado pelo CNB, para a


centralização de dados sobre todos os atos notariais protocolares realizados no país.
➔ Nos termos do art. 33 do Provimento 88:
➔ Art. 33: Além do definido em regulamentos especiais, os notários devem manter o
registro eletrônico de todos os atos notariais protocolares que lavrarem,
independentemente da sua natureza ou objeto, e remeter seus dados essenciais ao
CNB/CF por meio eletrônico, de forma sincronizada ou com periodicidade, no máximo
quinzenal.

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83. O que é a CENSEC e quais são os seus módulos?

➔ A CENSEC é a Central Nacional de Serviços Compartilhados, desenvolvida


operada e mantida pelo CNB/CF, para o envio de atos dos tabeliães de notas, tendo por
objetivo: I. interligar as serventias extrajudiciais brasileiras que praticam atos notariais,
permitindo o intercâmbio de documentos eletrônicos e o tráfego de informações e
dados; II. aprimorar tecnologias com a finalidade de viabilizar os serviços notariais em
meio eletrônico; III. implantar em âmbito nacional um sistema de gerenciamento de
banco de dados, para pesquisa; IV. incentivar o desenvolvimento tecnológico do sistema
notarial brasileiro, facilitando o acesso às informações, ressalvadas as hipóteses de
acesso restrito nos caso de sigilo. V. possibilitar o acesso direto de órgãos do Poder
Público a informações e dados correspondentes ao serviço notarial.
➔ Nos termos do art. 2º do Provimento 18 do CNJ, são módulos da CENSEC:
RCTO, CESDI, CEP e CNSIP.
➔ Art. 2º. A CENSEC funcionará por meio de portal na rede mundial de
computadores e será composta dos seguintes módulos operacionais:
➔ I. Registro Central de Testamentos On-Line - RCTO: destinado à pesquisa de
testamentos públicos e de instrumentos de aprovação de testamentos cerrados, lavrados
no país;
➔ II. Central de Escrituras de Separações, Divórcios e Inventários - CESDI:
destinada à pesquisa de escrituras a que alude a Lei n° 11.441, de 4 de janeiro de 2007;
➔ III. Central de Escrituras e Procurações - CEP: destinada à pesquisa de
procurações e atos notariais diversos.
➔ IV. Central Nacional de Sinal Público - CNSIP: destinada ao arquivamento digital
de sinal público de notários e registradores e respectiva pesquisa.

84. Nos termos do Provimento 42 do CNJ, o que deve ser comunicado


pelos notários às Juntas Comerciais?

➔ Art. 1º Os Tabelionatos de Notas deverão, no prazo máximo de três dias


contados da data da expedição do documento, encaminhar à respectiva Junta
Comercial, para averbação junto aos atos constitutivos da empresa, cópia do
instrumento de procuração outorgando poderes de administração, de gerência
dos negócios, ou de movimentação de conta corrente vinculada de empresário
individual, sociedade empresária ou cooperativa.

85. Quais a hipóteses nas quais os tabeliães de notas devem fazer


comunicação da prática de ato a outros tabeliães?

➔ Nos casos em que a lavratura de uma escritura implique em alteração do


conteúdo de outra escritura pública originalmente lavrada por outro notário.
Exemplo são os substabelecimentos, revogações e renúncias de procurações e
os aditamentos de escrituras públicas.

86. ATOS NOTARIAIS EM GERAL E EM ESPÉCIE

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87. Quais são os pressupostos genéricos para a lavratura de uma


escritura pública?

➔ VFK e CMS: Lavratura exclusivamente por notário ou seus substitutos;


legais; data; local; identificação das Partes, intervenientes e comparecentes;
reconhecimento da capacidade; controle do cumprimento de exigências legais
e fiscais; declaração de ter sido lida na presença das partes ou demais
comparecentes; ressalva das rasuras, riscaduras ou incidentes; assinatura das
partes e demais comparecentes; subscrição do tabelião de notas ou do seu
substituto legal, encerrando o ato.

88. Quais são os pressupostos para lavratura de uma escritura pública de


divórcio?

➔ VFK: vigência de casamento válido (art. 1.574 do Código Civil); expressa


manifestação de vontade; concordância quanto às cláusulas do ato notarial;
ausência de cláusulas prejudiciais; assistência do advogado ou defensor
público; inexistência de filho menor ou incapaz; inexistência de nascituro.

89. Ainda é possível lavrar escritura pública de separação?

➔ Existe divergência na doutrina: primeira corrente defende que com a


Emenda Constitucional 66/2010 o ordenamento jurídico não mais albergaria a
separação; segunda corrente, que possui ao seu lado o enunciado 514 da V
Jornada de Direito Civil, entende ser perfeitamente possível a separação
judicial ou extrajudicial, mesmo após a EC 66/2010.

90. Quais são os pressupostos para a lavratura de uma escritura pública


de inventário?

➔ VFK: capacidade das partes (dentre eles: cônjuge do herdeiro;


companheiro do de cujus); concordância das partes; inexistência de
testamento válido e eficaz; assistência de advogado.

91. Qual a diferença entre uma escritura pública de inventário e partilha e


uma escritura pública de inventário e adjudicação?

➔ Na primeira, após a identificação do monte mor se procede à partilha


entre os herdeiros; na segunda, a totalidade dos bens é adjudicada a um único
herdeiro ou cessionário.

92. Quem serão os anuentes na escritura pública de doação de bem


imóvel de ascendente pra descendente?

➔ Na escritura pública de doação de bem imóvel de descendente para


ascendente, ao contrário da compra e venda, não se exige anuência dos

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demais descendentes ou cônjuge, pelo fato da doação em si. Nada impede que
ocorra a anuência do cônjuge, por se tratar de alienação de bem imóvel, se for
o caso.

93. É da essência do negócio jurídico a escritura pública para a


constituição de uma alienação fiduciária sobre imóvel com valor
superior a 30 salários mínimos?

➔ Há divergência sobre o tema, havendo no âmbito de cada TJ um


entendimento. Há tribunais que entendem que por ter a Lei 9.514/97 permitido
a celebração de alienação fiduciária por instrumento particular, tal hipótese
alcançaria qualquer negócio jurídico de alienação fiduciária. Do outro lado,
existe corrente que defende que somente alienações fiduciárias celebradas por
instituições financeiras para o financiamento do imóvel poderiam ser
contratadas por instrumento particular.

94. Qual o procedimento de reconhecimento de direito real no qual a ata


notarial é requisito ?

➔ O usucapião extrajudicial tem por um de seus documentos obrigatórios a


ata notarial, atestando o tempo de posse do requerente e seus antecessores,
conforme o caso e suas circunstâncias.

95. Quais são as espécies de atas notariais?

➔ VFK e CMS: ata de presença; ata de referência; ata de notariedade; ata


de protocolização; ata de depósito; ata de protesto; ata de notificação; ata de
subsanação.

96. O que é o cartão de firmas e qual o seu objetivo?

→ VFK: O cartão de assinatura pode ser definido como o documento em que é


lançada a firma, ou o padrão gráfico da assinatura da pessoa natural
depositante, e que servirá de base para os reconhecimentos de firmas
futuramente realizados na serventia em relação ao titular da assinatura.
➔ Constitui, assim, um ato formal antecedente e necessário ao
reconhecimento de firma do signatário, bem como para lavratura de outros atos
notariais cuja assinatura dos envolvidos será aposta nos livros notariais.

97. O analfabeto pode firmar documento particular e, consequentemente,


ter sua firma reconhecida?

→ VFK: “Em tese, o reconhecimento de firma se restringe a pessoas


alfabetizadas e semialfabetizadas, referindo-se estas últimas às pessoas que,
embora desprovida de conhecimento de leitura e escrita, conseguem desenhar

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o próprio nome. A assertiva é óbvia, já que não há reconhecimento se não há


assinatura”.
➔ Contudo, “ante a omissão legislativa sobre a matéria, recomenda-se a
observância das normas de serviço do Estado quanto à possibilidade de
reconhecimento de firma das pessoas tidas por semialfabetizadas ou
analfabetas. Enquanto que no Estado de São Paulo, por exemplo, é permitido o
reconhecimento de firma e abertura de ficha-padrão de pessoas
semianalfabetas, no Estado do Rio de Janeiro exige-se, para aqueles que
somente sabem assinar o nome, a utilização de procuração por instrumento
público para a consecução de seu fim”.

OS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA PRATICA DE ATOS NOTARIAIS

98. Quais são os documentos indispensáveis à lavratura de uma escritura


de venda e compra de imóvel urbano?

➔ Os documentos de identidade e identificação do estado das partes (RG,


CPF e certidão de casamento, se for o caso), a certidão da matrícula do imóvel,
o comprovante de quitação do imposto de transmissão de bens imóveis e a
certidão negativa de débitos municipais.

99. Quando o alienante se faz representar por procurador, quais são as


especificidades de uma procuração para a alienação de bem imóvel?

➔ Nos termos do art. 661, § do Código Civil, a procuração para alienação ou


praticar quaisquer atos que exorbitem da administração ordinária sobre bens
imóveis, deve contar a descrição do imóvel e poderes especiais e específicos
para tal ato.

100. Exemplifique documentos que auxiliam na lavratura de uma ata


notarial de usucapião.

➔ Quaisquer documentos que auxiliem na comprovação do exercício da


posse com a intenção de ser dono e do tempo do exercício da posse, tal qual:
fotos, contas e correspondências, cadastro imobiliário em nome do
usucapiente, declarações dos confrontantes, dentre outros.

➔ Enumere documentos necessários à lavratura de uma escritura


pública de inventário e partilha, na forma da Resolução 35 do CNJ.

➔ Artigo 22 da Resolução 35 CNJ:


➔ Art. 22. Na lavratura da escritura deverão ser apresentados os seguintes
documentos: a) certidão de óbito do autor da herança; b) documento de
identidade oficial e CPF das partes e do autor da herança; c) certidão
comprobatória do vínculo de parentesco dos herdeiros; d) certidão de
casamento do cônjuge sobrevivente e dos herdeiros casados e pacto

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antenupcial, se houver; e) certidão de propriedade de bens imóveis e direitos a


eles relativos; f) documentos necessários à comprovação da titularidade dos
bens móveis e direitos, se houver; g) certidão negativa de tributos; e h)
Certificado de Cadastro de Imóvel Rural - CCIR, se houver imóvel rural a ser
partilhado.

101. Enumere documentos necessários à lavratura de uma escritura


pública de divórcio ou separação, nos termos da Resolução 35 do
CNJ.

➔ Segundo o artigo 33 da Resolução 35, são eles:


➔ Art. 33. Para a lavratura da escritura pública de separação e de divórcio
consensuais, deverão ser apresentados: a) certidão de casamento; b)
documento de identidade oficial e CPF/MF; c) pacto antenupcial, se houver; d)
certidão de nascimento ou outro documento de identidade oficial dos filhos
absolutamente capazes, se houver; e) certidão de propriedade de bens imóveis
e direitos a eles relativos; e f) documentos necessários à comprovação da
titularidade dos bens móveis e direitos, se houver.

102. Quais são os documentos necessários para a lavratura de uma


escritura pública de constituição de união estável?

➔ Em regra, são exigidos os documentos de identidade e CPF das partes e


documento que ateste o estado civil, certidão de casamento ou nascimento.

ESCRITURAÇÃO DOS ATOS

103. Quais são as cláusulas especiais do contrato de compra e venda,


que podem constar de uma escritura pública?

➔ Retrovenda; venda a contento e sujeita à prova; preempção; pacto de


melhor comprador; pacto comissário (de direito obrigacional); reserva de
domínio.

104. Quando do reconhecimento de uma assinatura, quais são os


procedimentos adotados e praticados pelo oficial?

➔ O notário, ao ser instado a praticar o ato de reconhecimento, de posse do


documento no qual se reconhecerá a firma, fará a comparação entre a
assinatura do documento e aquela que está no cartão de firmas e havendo
semelhança, reconhecerá a assinatura. Caso o reconhecimento seja por
autenticidade, a assinatura será aposta no documento na presença do notário
ou seu escrevente, que certificará a autenticidade.

105. Pode o tabelião autenticar a cópia de documento com traços de


adulteração?

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➔ Como regra, os indícios de adulteração do documento original ou da


cópia, implicam em negativa da autenticação do documento. Existem, em
alguns estados da federação, normas que autorizam a autenticação de
documentos com indícios de adulteração não substanciais, devendo o tabelião
fazer a devida ressalva junto ao ato.

AS CERTIDÕES NEGATIVAS. ARQUIVAMENTO E DISPENSA DE


ARQUIVAMENTO

106. Como está atualmente a questão da exigibilidade de certidões negativas da


RFB/PGFN, para a lavratura de atos notariais?

➔ Já faz algum tempo que tribunais vinham flexibilizando sua exigência ou até
mesmo dispensando sua apresentação, com o fundamento de ser uma norma
inconstitucional, com base em julgado do STF que assim reconheceu, no caso concreto.
Recentemente, o CNJ, após provocação da AGU, reconheceu a desnecessidade da
apresentação, por considerar sua exigência, sanção política contra o recolhimento de
impostos.

107. No que toca à exigência de certidões de distribuidores cíveis e criminais, das


diversas justiças existentes na circunscrição do imóvel e dos tabelionatos de
protesto, qual é o entendimento contemporâneo?

➔ Com a entrada em vigor da Lei 13.097/2015, veio ao expressamente ao


ordenamento jurídico o princípio da concentração dos atos imobiliários na matrícula e a
maioria dos estados passou a não mais exigir a apresentação das referidas certidões para
a elaboração da escritura de alienação de bens imóveis. No entanto, no papel de
aconselhamento das partes, válido é que o tabelião oriente as partes quanto à
possibilidade da consecução de tais documentos, para dar mais segurança ao negócio
celebrado. Ficando, a partir daí, a cargo das partes optar ou não, pelo acesso às referidas
certidões.

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