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Adir Moysés Luiz


Sérgio Lins Gouveia
Adir M. Luiz
Sérgio L. Gouveia

Mecânica

1 \7 Editora

www.VestSeller.com.br
Impresso no Brasil
Printed in Brazil

CIP-Brasil. Catalogaçào-na-fonte
Sindicato Nacional do.s Editores de Livros, RJ.
Luís, Adir Moisés, 1942-
L978m Mecânica/ Adir M. Luiz, Sérgio L. Gouveia.
— Fortaleza: Editora VcstSclícr, 2006.
(Coleção Física)
Apêndice : exercícios e tabelas.
ISBN 85-265-0165-8 - 85-265-0164-X (cole-
çâo)
1. Mecânica. I. Gouveia, Sérgio Lins, 1944 - II.
Título. III. Série.
CDD —531
89-0050 CDU -531

Todos os direitos desta edição reservados à


Editora Vcstseller
www.vcslsellcr.coni.br
ÍNDICE
Capitulo 1 - CINEMÁTICA
1.1 Introdução 9
1.2 Noções de cálculo vetorial 22
1.3 Conceitos fundamentais da cinemática 36
1.4 Movimento relativo 55
1.5 Aplicações da cinemática 60
Leitura complementar 77
Questionário 78
Exercícios 80
Problemas 85
Capítulo 2 - DINÂMICA 90
2.1 Leis de Newton 90
2.2 Análise dimensional e sistemas de unidades 101
2.3 Classificação das forças que atuam num sistema 107
2.4 Aplicações das Leis de Newton 122
2.5 Forças de inércia 129
Leitura complementar 146
Questionário 147
Exercícios 148
Problemas 152
Capítulo 3 - TRABALHO E ENERGIA 164
3.1 Introdução 164
3.2 Trabalho realizado por uma força 164
3.3 Teorema da variação da energia cinética 171
3.4 Energia cinética, energia potencial e energia mecânica 175
3.5 Lei da conservação da energia 179
3.6 Potência 186
Leitura complementar 189
Questionário 190
Exercícios 191
Problemas 193
Capítulo 4 - DINÂMICA DE UM SISTEMA DE PARTÍCULAS 200
4.1 Quantidade de movimento 200
4.2 Impulso 203
4.3 Centro de massa 206
4.4 Movimento do centro de massa de um sistema 209
4.5 Lei da conservação do momento linear 213
4.6 Colisões 218
4.7 Referencial do centro de massa 227
Leitura complementar 236
Questionário 237
Exercícios 238
Problemas 241
Capítulo 5 - MECÂNICA DAS ROTAÇÕES 249
5.1 Cinemática das rotações 249
5.2 Momento de uma força (ou torque) 254
5.3 Quantidade de movimento angular (ou momento angular) 254
5.4 Relação entre o torque e o momento angular 255
5.5 Momento de inércia 256
5.6 Dinâmica da rotação de um corpo rígido 259
5.7 Movimento simultâneo de rotação e translaçâo 262
5.8 Movimento de precessão 270
5.9 Conservação do momento angular 272
5.10 Equilíbrio de corpos rígidos 274
Questionário 276
Exercícios 277
Problemas 278
Bibliografia 292
Apêndice A — Tópicos especiais 293
Apêndice B — Alguns dados astronômicos 301
Apêndice C — Algumas tabelas importantes 303
Apêndice D — Sistema Internacional (SI) 304
Apêndice E — Complementos de Matemática 307
Glossário 315
" A mente que se abre a uma nova idéia nunca
voltará ao seu tamanho original. "
Capítulo 1
CINEMÁTICA
1.1 Introdução
A Mecânica normalmente é dividida em três partes: Estática, Cinemática e Dinâ­
mica. A Estática estuda o equilíbrio de corpos rígidos e o equilíbrio áesistemasdepartí­
culas. A Cinemática descreve o movimento de um sistema sem se preocupar com as cau­
sas do movimento considerado. A Dinâmica estuda as equações do movimento levan­
do em conta as causas do movimento e descrevendo todas as interações existentes no
interior e no exterior de um sistema. No Capítulo 5 deste Livro estudaremos a Estática
de um corpo rígido como um caso particular das equações da Dinâmica de um corpo
rígido. N Estática será abordada também no Livro “Gravitação, Oscilações e Ondas”
de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia. A Cinemática é descrita no presente Capítulo.
A Dinâmica de uma partícula será abordada no Capítulo 2. A Dinâmica de um sistema
de partículas será estudada no Capítulo 4.
Antes de iniciar o estudo da Cinemática é conveniente fornecer algumas defini­
ções básicas e mostrar como alguns conceitos de Matemática são utilizados como fer­
ramenta para o estudo da Física. Portanto, nesta Introdução, fornecemos as definições
e os conceitos preliminares que serão úteis para os estudantes que ainda não estão fa­
miliarizados com as noções básicas da Física. Além da leitura dos conceitos de Mate­
mática aqui introduzidos, aconselhamos a leitura do Apêndice E deste Livro (Comple­
mentos de Matemática).
Lei Física
Uma Lei Física t uma afirmativa de que, sob certas condições, um determinado
fenômeno ocorrerá. Por exemplo, uma pedra largada de certa altura cai. Esta afirma­
tiva é uma Lei Física e foi estabelecida a partir da observação experimental de pedras
que foram largadas e caíram.
Os físicos acreditam que a Natureza se comporta de acordo com o seguinte prin­
cípio: ‘ ‘aquilo que a Natureza faz uma vez voltará a fazer sempre que as condições se
repetirem''. Com base neste princípio, conhecido como Princípio da Uniformidade da
Natureza, é que afirmamos que as pedras, que nunca foram largadas, cairão se as lar­
garmos.
Grandeza Física
Se largarmos do mesmo lugar e no mesmo momento uma pedra e uma folha de
papel, verificaremos que a pedra chegará ao chão muito antes da folha de papel. A fim
de melhor comparar os dois fenômenos, introduzimos certos elementos convencionais,

9
susceptíveis de medição, os quais denominamos grandezasfísicas. No caso da pedra e
da folha de papel, poderiamos comparar os dois fenômenos mediante a introdução da
grandeza velocidade média. A velocidade média de um móvel é o quociente entre a dis­
tância que ele percorre num certo intervalo de tempo e este intervalo de tempo,
ás
V = ------
At
onde As é a distância e Ar é o intervalo de tempo.
Poderiamos agora dizer que a velocidade média da pedra na queda é maior do que .
a velocidade média da folha de papel numa queda no mesmo local. A velocidade média .
exprime a rapidez com que a queda se processa.
Grandezas Escalares
São perfeitamente definidas por um número (quantidade') e por um significado
físico (unidade). A soma de grandezas escalares segue a regra da soma algébrica. Con­
fronte a soma algébrica com a soma vetoria! (ver mais adiante). Exemplos. Se no mo­
mento dissermos que temos apenas 20 segundos para completarmos a leitura desta pá­
gina, já sabemos que deverão passar 20 unidades (quantidade) do padrão tempo (se­
gundo) durante a nossa leitura.
Se, por outro lado, dissermos que a massa de um homem é 90 quilogramas, esta­
mos dizendo que a massa desse homem é 90 vezes (quantidade) o padrão (quilograma).
Observação: Consulte o Glossário no final deste Livro quando você desejar ob­
ter definições resumidas sobre os principais assuntos tratados neste Livro.
Grandezas Vetoriais
Toda grandeza vetoria! possui três características: (a) um módulo ou imensidade
(que fornece uma grandeza escalar), (b) uma direção no espaço e (c) um determinado
sentido. Neste Livro utilizaremos uma flecha sobre a letra para designar uma grandeza
vetorial. Por exemplo, o símbolo v~ indica o vetor velocidade.
Para saber se uma grandezafísica é escalar ou vetorial basta verificar se ela neces­
sita de uma direção e de um sentido. Por exemplo, quando afirmamos que um automó­
vel C possui uma velocidade de 80 km/h estamos apenas especificando o módulo do
vetor velocidade. Para definir completamente o vetor velocidade é necessário dizer a di­
reção da velocidade; além da direção, é necessário especificar o sentido do vetor. Cada
direção admite dois sentidos. N flecha associada ao vetor indica o sentido-, a direção é
dada pela reta suporte do vetor e o módulo do vetor é dado pelo comprimento do seg­
mento representativo do vetor. Na Seção 1.2 faremos um estudo mais detalhado sobre
vetores.
Unidades e Dimensões
Chama-se Sistema de unidades o conjunto de unidades usadas para medir todas
as grandezasfísicas. Na organização de um Sistema de Unidades, escolhem-sc, arbitra-
riamente, algumas grandezas cujas unidades são também arbitradas. As unidades das
demais grandezas são obtidas através de suas definições em função das grandezas arbi­
tradas. As grandezas arbitradas e suas unidades são denominadas FUNDA MENTA IS.
As demais grandezas e suas unidades são chamadas DERIVADAS.
As grandezas fundamentais são também chamadas de dimensões.

10
Em Mecânica, há três grandezas fundamentais, a saber:
— comprimento (L)
— massa (M)
— tempo (T)
As grandezas derivadas podem ser obtidas mediante combinações adequadas das
dimensões ou grandezasfundamentais. Por exemplo, como a velocidade média é um vetor
cujo módulo fornece a razão As/Ar, concluímos que a dimensão de velocidade é igual
à dimensão de espaço sobre tempo. Ou seja,
[v] = [espaço/tempo] = LT"'
onde L representa a dimensão de comprimento e T representa a dimensão de tempo. Uma
equação dimensional ou relação dimensional (ou simplesmente dimensional) é uma re­
lação que fornece as dimensões de uma dada grandeza física. A relação anterior forne­
ce a dimensão de velocidade. Denomina-se A nátise Dimensional o estudo das dimensões
das grandezasfísicas. No Capítulo 2 descreveremos os principais tópicos da Análise Di­
mensional.
Sistema Internacional de Unidades (SI)
Neste Livro vamos adotar somente as unidades do SI. As unidades fundamentais
da Mecânica no Sistema Internacional de Unidades são:
— comprimento (L) — metro — símbolo (m)
— massa (M) — quüograma — símbolo (kg)
— tempo (T) — segundo — símbolo (s)
A definição destas unidades será apresentada no Apêndice D. Os prefixos dos múl­
tiplos c submilltiplos das unidades do Sistema Internacional são apresentados no Apên­
dice C.
Todos os prefixos indicados no Apêndice C podem ser aplicados em todas as uni­
dadesfundamemaise em todas as unidadesderivadasào Sistema Internacional, com ex­
ceção da massa, cuja unidade fundamental é o quüograma (kg); neste caso, o prefixo
k (mil) antecede grama (g). Logo, I kg = 10*g.
Observações:
1 — Quando escritos por extenso, os nomes das unidades começam com letra mi­
núscula, mesmo quando estas unidades possuem nomes de cientistas (exemplos: new-
ton, joule, volt, ampère, etc.). Exceção:, grau Celsius e grau Kelvin.
2 — Na expressão do valor numérico de uma grandeza física, a respectiva unida­
de pode ser escrita por extenso ou representada por um símbolo. Por exemplo: 5 new-
tons (ou 5 N). Não são admitidas combinações de partes escritas por extenso e partes
escritas por meio de símbolos.
3 — Os prefixos do SI não devem ser justapostos a um símbolo. Por exem­
plo, useo prefixo pico (p) cm vez de v-/ para designar o fator 10“ Exceção: 1 m/x =
1 nm (1 nanometro = 10" v m).
Notação Científica
É um número expresso na forma N. 10", scndo:|7; —. inteiro ; 1 á N < 10 |
De acordo com a definição anterior, quando tivermos 37.000, devemos colocar
3,7 x !0J e nào 37 x 10'1 por que 1 < 3,7 < 10.

II
Regras:
|10a.10b= io(a+b)| ; 110a/10b = io(a~b)|
Exemplos.- 10J X 10a = 10ra*aa = 10’
0,004 + 0,0005 = 4 x 10’a - 5x 10'* = |x 10-J-''-<7= |x 10'
3,0 X 10ó X 1,5 X 10a7 = 4,5 x 10aa
Observação: Algumas vezes se uriliza um ponto (.) para designar produto. Note
que o ponto também pode ser usado para separar três algarismos (da direita para a es­
querda). Contudo, na notação científica não é necessário usar nem ponto nem a sepa­
ração entre os algarismos. Exemplo: 37 000 000 = 37.000.000 = 3,7 x 107
Ordem de Grandeza
É a potência de 10 que dá o valor aproximado de uma grandeza.
Exemplo: Qual a ordem de grandeza em kg da massa de um homem adulto?
A massa de um homem adulto oscila entre 70 kg e 100 kg; logo, a ordem de gran­
deza será 107 kg.
Potências de Dez
Já vimos que a notação cientifica i feita utilizando-se potências de dez. Quando
a grandeza é muito pequena ou muito grande (em relação ao padrão de medida), o nú­
mero de zeros pode se tornar muito grande.
Exemplos. Velocidade da luz no vácuo: 300 000 000 m/s.
Volume da Terra: 1 000 000 000 000 000 000 000 mJ.
Como esses números são difíceis de ler e escrever, convém escrevê-los de forma
mais simples, usando potência de dez.
1° caso: Expoente maior ou igual a zero. Exemplos:

360 = 3,6 x 100 = 3.6.107


3 600 = 3,6 x 1 000 = 3,6.10a
36 000 = 3.6 x 10 000 = 3,6.10'
REGRA:
— Quando a vírgula é deslocada para a esquerda, o expoente de 10 é positivo e igual ao
número de casas deslocadas.
2 386,5 = 2,3865 x 103 (3 casas deslocadas)
5 608 000 = 5,608 x 10a (6 casas deslocadas)
28 caso: Expoente menor do que zero. Exemplos:
0,1 = 10’’
0,001 = IO'3
0,036 = 36/1000 = 3,6 x IO-2

REGRA:
— Quanto a vírgula é deslocada para a direita, o expoente de 10 é negativo e igual ao
número de casas deslocadas.

12
0,000567 = 5,67 X 10 ~4 (4 casas deslocadas)
0,00000056 = 5,6 X 10"7 (7 casas deslocadas)
Algarismos Significativos
Os algarismos significativos resultantes da medida de uma grandezafísica são os
algarismos lidos. Por exemplo, quando dizemos que um lápis possui um comprimento
de 14,1 cm queremos dizer que a nossa medida forneceu um valor entre 14,05 eme 14,15
cm. Dizendo que o comprimento do lápis vale 0,141 m èstamos apenas mudando de
unidade mais nada acrescentamos à informação precedente. Contudo, se disséssemos
que o comprimento do lápis é de 14,13 cm estaríamos dando mais um algarismo signifi­
cativo', ou seja, isto só seria possível se usássemos um instrumento de precisão maior
do que o instrumento de medida usado para obter o valor 1-4.1 cm.
Observações:
1 - Os zeros à esquerda não são significativos, mas os zeros à direita são significati­
vos. Exemplo: quando dizemos que um lápis possui 15 cm de comprimento, usamos
somente dois algarismos significativos; quando afirmamos que um lápis possui 15,00
cm queremos dizer que medimos com precisão até décimo de centímetro e estimamos
centésimo do centímetro (portanto, neste caso, fornecemos 4 algarismos significativos).
2 - Nas transformações de unidades, usando múltiplos ou submúltiplos, utilizamos
a notação científica, mantendo o número de algarismos significativos.
3-/1 soma de grandezasfísicas homogêneas deve conter apenas um algarismo du­
vidoso (depois de realizar a soma). Isto é, o resultado contém o mesmo número de alga­
rismos significativos da parcela de menor precisão.
4 - O produto ou divisão de grandezasfísicas não pode ter mais algarismos signifi­
cativos do que qualquer dos fatores.
Erro Absoluto e Erro Relativo
Denomina-se erroabsoluto a diferença entreo valor real e o valor médio resultan­
te da medida de uma dada grandezafísica. O valor médio de uma medida é normalmen­
te obtido mediante o cálculo da média aritmética das medidas (ver mais adiante).
O erro relativo £, é a razão entre o erro absoluto £, e o valor real x de uma grande­
za física, ou seja, | f = £,/x~|
onde E, = x„ - x, sendo x„ o valor médio da medida da grandeza cujo valor verda­
deiro é igual a x. O erro relativo E, pode ser expresso sob forma de uma porcentagem.
Veja a noção de porcentagem e de proporção no Apêndice E.
Média Aritmética
Em laboratório, na maioria dos fenômenos a serem estudados, o verdadeiro va­
lor das grandezas envolvidas não é conhecido. Como se busca a máxima precisão pos­
sível, efetua-se sempre um mínimo de cinco medições de cada grandeza e, na maioria
das vezes, obtemos valores diferentes entre si. Consideramos, então, como valor mais
provável da grandeza, a média aritmética dos “n” valores obtidos.
Exemplo. Fazendo a medição de determinado comprimento AB, um estudante
encontrou com 3 algarismos significativos os seguintes valores:
1.* medição — 6,35 dm

13
2? medição — 6,36 dm
3? medição — 6,34 dm
4? medição — 6,37 dm
5.' medição — 6,32 dm
O valor mais provável do comprimento A B será a média aritmética:
6,35 + 6,36 + 6,34 + 6,37 + 6,32
M. = = .6,35 dm
5
Desvio
Chamamos desvio a diferença entre o valor mais provável (média) e a medição.
No exemplo considerado, temos:
D, = 6,35 - 6,35 = zero
D; = 6,35 - 6,36 = - 0,01 (por excesso)
D> — 6,35 — 6,34 = + 0,01 (por falia)
D, = 6,35 — 6,37 = - 0,02 (por excesso)
D, = 6,35 — 6,32 = +0,03 (por falta)
Desvio Médio
É a média aritmética entre os módulos dos desvios.
D, + D; + Dj + D, + D, 0,00 - 0,01 + 0,01 - 0,02 + 0,03
Dm -
n 5
Logo:
D„ = 0,012
Isto significa que o valor real da grandeza é situado no intervalo
(6,35 ± 0,012) dm
Desvio Relativo
É a relação entre o desvio médio e o valor mais provável (média aritmética).

D>, = 0,012

Ma 6,35

D. = 0,00188 ou 0,18%

Sucessão e série

Denomina-se sucessão um conjunto de valores que dependem do número inteiro


n. O número n assume valores desde n = 1 até n = N (no caso de uma sucessão infinita).
Uma série é a soma dos termos de uma sucessão. Normalmente, uma série começa no
termo para o qual n = 1; contudo, existem séries que começam desde n = 0 e se esten­
dem até n = N (no caso de séries finitas) ou até n = ~ (no caso de séries infinitas)

14
Progressão aritmética

Denomina-se progressão aritmética uma sucessão de valores tal que cada termo
se forma do anterior mediante a adição de uma razão constante., Seja da razão de uma
progressão aritmética. De acordo com a definição acima, temos:
o, = a ; a.. = a + d-, . . . ; a„ = a + (n - l)d (1.1)
A soma dos termos de uma progressão aritmética constitui uma série aritmética'.
S, = a, + a, + . . . + a, (1.2)
Das relações (1.1)e (1.2) decorre a seguinte expressão para a soma dos n primei­
ros termos de uma progressão aritmética'.
S. — n(2a + nd - d)/2 (1-3)
Progressão geométrica

Denomina-se progressão geométrica uma sucessão de valores tal que cada termo
se forma mediante a multiplicação do termo anterior por um fator r constante. Seja r
a razão entre dois termos consecutivos; pela definição acima, temos:
o, = a ; a: = ar ; . . . ; a. = o/"" " (1.4)
A soma dos termos de uma progressão geométrica constitui uma série geométri-
ca:
S. = o, + o, + . . . + a. (1.5)
Das relações (1.4) e (1.5) resulta a seguinte expressão para a soma doszi primeiros
termos de uma progressão geométrica:
S. = a - l)/(r - 1) (1.6)
Na relação (1.6), quando r for menor que um, o limite da soma S" quando n
tende a infmito é dado por:
limite S. = o/(l - r) (1.7)
n — -

Expressão Matemática de uma Lei Física


Toda Lei Física pode ser expressa matematicamente através de uma equação que
envolve as grandezas físicas que são descritas pela referida Lei. A seguir mostraremos
como é possível fazer a representação gráfica de uma Lei Física.
Sistema de Eixos Coordenados Ortogonais
A descrição de um fenômeno físico necessita de um sistema de referência. Na Se­
ção 1.3 mostraremos que o movimento de uma partícula só pode ficar determinado se
escolhermos um dado sistema de referência. O sistema de referência mais simples é um
sistema constituído por dois eixos perpendiculares entre si. Na Fig. 1.1 mostramos um
sislema de eixos ortogonais ou sistema cartesiano ortogonal. Este sistema é constituído
por duas retas ortogonais OX e OY que se cruzam num ponto O denominado origem
do sistema de coordenadas.
13
Yt
A
4 •
3 ..
2 ..
1
0
■>
-t------ h
-3 -2 -1 1 2 3 4 X
—2
-3

Fig. 1.1 Sislema de eixos coordenados oriogonais. O eixo OX


é o eixo das abscissas e o eixo OY é o das ordenadas.
Seja Pum ponto situado no plano OXY. As coordenadas do ponto Psioxlabs-
cissa) ey (ordenada). Por simplicidade, mostramos entre parênteses os valores das coor­
denadas de um ponto; por exemplo, a notação P (x,y) indica as coordenadas x e y do
ponto P entre parênteses.

Exemplo 1.1 Indique num sistema cartesiano ortogonal os seguintes pontos: A(2,3);
5(2, —3); C( —3,2); 0(0,5); £(4,0). Use uma unidade arbitrária.
Solução. Caso você disponha de uma folha de papel millmetrado marque as coor­
denadas de cada ponto usando a mesma unidade. Por exemplo, para o ponto A, temos x =
2 unidades; y = 3 unidades. Escolha, por exemplo, cada unidade igual a 1 cm. Caso você
não disponha de uma folha de papel milimetrado, trace retas paralelas aos eixos a partir
de cada ponto sobre o eixo OX e sobre o eixo OY, conforme indicado na Fig. 1.2.

Acréscimo de uma Yariável


Considere um ponto P(x) que se desloca sobre o eixo OX. Seja P>(xi) a posição ini­
cial do ponto P e Pfx.) a sua posição final. A diferença entre o valorfinal e o valor ini­
cial de uma grandezafornece o acréscimo ou variação da grandeza considerada. Por exem­
plo, na Fig. 1.3o acréscimo ou incremento da variável x no intervalo entre x, e x, i re­
presentado pelo segmento Ax. A letra A (delta maiusculo) usada antes de uma variável
indica o acréscimo ou a variação da variável considerada.
A variação de qualquer grandeza x é dada por:
[ Ax = x, - x, | (1.8)
Observação: De acordo com a definição (1.8) toda variação possui sinal positivo
quando x- for maior do que x, e sinal negativo quando Xi for menor do que x,.

16
A
Y
5<iD
4..
3------------- * A
c I
I
1 I
I 1 -• I
I I E
-l----- 1----- 1—b- -4---- + ----b ♦ 4-
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 X
-1 • -
-2..
-3------------ è B

-5..

Fig. 1.2 Solução gráfica do Exemplo 1.1.

Pi P2

Xi X1

Ax 4

Fig. 1.3 O acréscimo ou variação de uma grandeza é a


diferença entre o valorfinal (xj e o valorInicial (xj da
mesma grandeza..
Ângulo entre uma Linha Reta e o Eixo Ox
Considere uma reta (r) hum plano OXY, conforme indicado na Fig. 1.4. Seja 8
ângulo formado entre o segmento positivo do eixo OX e a reta (r). Os pontos Pt e P,
sobre a reta (r) determinam um triângulo retângulo cujos catetos são áy, Ax e cuja
hipotenusa t o segmento da reta (r) entre P, e
De acordo com a definição de tangentee levando em conta a Fig. 1.4, concluímos
que a tangente do ângulo 9 entre a linha reta (r) e o eixo OX é dada por:
tg 9 = Ay/Ax (1.9)
onde Ax é dado pela relação (1.8) e Aj> = y2 — _yt
Observação: O ângulo 9 entre uma linha reta e o eixo OX é o ângulo medido a

17
Y
A

y3

y>

o * x3 X

Fig. 1.4 Esquema para a determinação da tangente do ân­


gulo entre a rela (r) e o eixo OX..

partir do lado positivo do eixo OX para a reta (zj no sentido trigonométrico (isto é, no
sentido oposto ao do giro dos ponteiros do relógio). Na parte (a) da Fig. 1.5 mostramos
uma reta (r) que forma um ângulo agudo com o eixo OX. Na parte (6) da Fig. 1.5 mos­
tramos a situação na qual uma reta (r) forma um ângulo obtuso com o eixo OX. Quan­
do 9 é um ângulo agudo, de acordo com a Fig. 1.4 e pela relação (1.9), concluímos que
a tangente de 9 t positiva. Quando 9 é um ângulo obtuso, concluímos que a tangente
de 6 é negativa.
Y (r) (A
A

e
X X
o o
/ 6 agudo e obtuso
(a) (*)
Fig. 1.5 (a) Reta (r)formando um ângulo agudo com o eixo OX. (b) Reta (r)formando um ângu­
lo obtuso com o eixo OX..
Equação da Linha Reta
Consideremos uma reta (r), no plano OXY, interceptando o eixo OY no ponto
H (O, h). Seja P(x, y) um ponto pertencente a (r). Existirá alguma relação entre y e
x que caracterize o fato de P pertencer a (r)? Vamos mostrar que sim.

18
Na Fig. 1.6 ilustramos uma linha reta (r) cortando o eixo OY no ponto H. Seja
m o valor da tangente do ângulo 9 entre a reta (/•) e o eixo OX. Podemos escrever:
Y
A r
P(xy)
(O,y)

áy = y — h

H(O,h)
S Ax = x

N O (x.O)

Fig. 1.6 Esquema para a dedução da equação da linha re­


la num plano OXY.
tg ff = m

Ax x
y - h = mx —|,y = mx + Ã~| d • >0)
Um ponto qualquer P(x, y) pertence à reta (r) se, e somente quando, as coorde­
nadas x e y do ponto P satisfazem à equação do primeiro grau(\.10). Denomina-se equa­
ção linear ou dependência linear toda função y(x) que satisfaz a equação <1.10).
Observações:
1 - Quando a equação da linha reta é escrita na forma (1.10), o ponto H onde a
reta corta o eixo OYé obtido fazendo-se x = Ona relação (1.10). A abscissa x, do pon­
to A onde a reta (r) corta o eixo OX pode ser determinada fazendo-se y = 0 na relação
(1.10), ou seja, Xe = — h/m, onde h i a ordenada do ponto H.
2 - A equação de uma reta vertical (paralela ao eixo O Y) é dada por: x = c, onde
c é a distância constante entre a reta vertical considerada e o eixo O Y.
3 - Se m for menor do que zero, o ângulo 6 é obtuso. Se m for positivo, o ângulo
9 é aguda Quando m = 0, a reta é horizontal (paralela ao eixo OX). A equação de uma
reta horizontal é dada por: y - h, onde h é a distância constante entre a reta horizontal
considerada e o eixo OX.
4 - O número m da equação (1.10) denomina-se coeficiente angular da reta (r). Das
relações (1.9) e (1.10) concluímos que o coeficiente angular m é dado por:
m = tg 9.
5 - Se h = 0, a reta passa na origem O do sistema.de coordenadas.

19
Gráfico de uma Função
Na Fig. 1.2 mostramos como se localiza um ponto P(x,y) num sistema de coorde­
nados cartesianas. Na Fig. 1.6 mostramos o gráfico de uma linha reta no plano CWK Ou
seja, podemos dizer que a linha reta indicada na Fig. 1.6 é o gráfico de umafunção linear.
O gráfico de umafunção não i sempre Hnear, de um modo geral, qualquer curva no pla­
no OXY pode ter uma representação gráfica através de uma dada função y(x). Uma curva
Xx) ou uma/unpõo y (x) é representada graficamente no plano OXYfornecendo-se valo­
res para x e calculando-se os respectivos valores indicados na equação da curva conside­
rada. Por exemplo, atribuindo-se valores para x na equação (1.10) e calculando-se os res­
pectivos valores dey, podemos construir o gráfico da linha reta.
Representação Gráfica de um Fenômeno Físico
Todo fenômeno físico ou toda Lei Física pode admitir uma representação gráfi­
ca, desde que se escreva a equação da referida Lei Física (ou do fenômenofísico consi­
derado).

Exemplo 1.2 Um automóvel se desloca em linha reta com uma velocidade cons­
tante igual a 40 km/h. Escreva a distância s percorrida pelo automóvel em função do tem­
po e faça uma representação gráfica da funçãoscontrar. Utilize as seguintes unidades no
gráfico: s èm quilômetros (km) e t em horas (h).
Solução. Como o automóvel se desloca em linha reta com velocidade constante, con­
cluímos que o espaço percorrido s é proporcional ao tempo t (contado a partir de um ins­
tante inicial t = 0). Logo,
s = vt (1)
onde v = 40 km/h é a velocidade do automóvel. Dando valores para t na equação acima,
podemos escrever:

s(km)

160 ■

120-

80

40

0 10 20 10 /(h)

Fig. 1.7 Gráfico do deslocamento s em função de t no Exemplo 1.2.

20
r = 10 h; s - 40 km; f = 20 h; s = 20 km; t = 30 h; s = 12C km
Com estes valores de te des podemos construir o gráfico de s contra t indicado na
Fig. 1.7. Comparando a relação (l.lO)com a expressão (1) vemos queo gráfico descontra
t representa uma Unha reta passando pela origem; v i o coeficiente angular desta reta.
Derivada ou Taxa de Variação
Considere uma dada funçãoy(x). Suponha que a curva representativa desta função
não seja uma linha reta. A derivada da função y(x) (ou taxa de variação de y em relação
a x) i definida através da seguinte passagem ao limite:

= tim — (1.11)
dx 0
Qual é o significadofísico da derivada? Na Física utilizamos uma derivada toda vez
que uma grandeza é definida através da taxa de variação formada pela razão entre duas
outras grandezas contínuas-, a passagem ao limite indicado na definição (1.11) permite obtei
a derivada da grandeza física considerada. No estudo da Cinemática (que será feito mais
adiante) teremos oportunidade de exemplificar a aplicação do conceito de derivada na Fí­
sica.
Qual é o significado geométrico da derivada dy/dx num ponto x<í! Comparando a
relação (1.11) com a equação (1.9) você poderá notar que a derivada dy/dxfornece a tan­
gente do ângulo 0 entre o eixo OX e a reta que tangencia a curva no pontoxo. Na Fig. 1.8
ilustramos a interpretação geométrica da derivada.

Y
CURVA

reta tangente a curva no ponto xQ


I
I tg 0=dy/dx
I
I
e
O Xq
x
Fig. 1.8 A derivada (dy/dx) calculada no ponto x.fornece a tangente do ângulo 9-

Nota: No caso particular em que a curva XO i uma liha reta dada pela equação (l. 10),
de acordo com a interpretação geométrica da derivada ilustrada na Fig. 1.8, concluímos
que a derivada dy/dx fornece uma tangente constante para o ângulo 9 entre a linha rela
(1.10) e o eixo OX. Neste caso, a derivada dy/dx t dada pelo coeficiente angular in da li­
nha reta considerada.

21
1.2 Noções de cálculo vetorial
Já vimos que as grandezasfísicas podem ser escalares ou vetoriais. O cálculo en­
volvendo grandezas escalares é relativamente simples. Contudo, quando estudamos gran­
dezas vetoriais é necessário desenvolver cálculos especiais. Denomina-se Cálculo Veto­
rial a parte da Matemática que estuda as propriedades dos vetores e as operações entre
vetores. Nesta Seção vamos apresentar as noções básicas de Cálculo Vetorial. Estas no­
ções são imprescindíveis no estudo da Mecânica e das demais partes da Física.
Vetor
Tomemos sobre uma reta L um segmento AB e orientemos este segmento de A
para B como mostra a Fig. 1.9. O ponto A chama-se origem, e o ponto B, extremidade
do segmento orientado AB. Um segmento orientado, quando utilizado para represen­
tar uma grandeza vetorial, toma o nome de vetor. Um vetoràeve ter comprimento pro­
porcional ao valor numérico da grandeza vetorial que representa; deve também, como
é óbvio, ter a direção e o sentido da mesma.

v = AB

Fig. 1.9

As características fundamentais de um vetor são:


— módulo', é o valor numérico da grandeza que o vetor representa. Indica-sc o
módulo por |v"| ou . Não havendo possibilidade de confusão, também se pode
indicar o módulo por v.
— direção: é indicada pela reta em que o vetor se apóia.
— sentido: é a orientação tomada sobre a reta, indicada pela flecha.
Classificação dos vetores
a. Vetor Ligado
Consideremos um vetor v" aplicado a um ponto P e um segundo ponto P’. Ad­
mitamos que o efeito produzido por v* mude, se o aplicarmos em P’. Neste caso, dire­
mos que v" é um vetor ligado ao ponto P. Assim, um vetor se diz ligado quando a mu-

22
dança de posição de seu ponto de aplicação vier a produzir mudança no efeito do ve­
tor. Vamos a um exemplo, para que possamos compreender este conceito:
— suponhamos que um homem pretenda empurrar um caixote bastante alto, de forma
que este escorregue pelo assoalho. Ao empurrão que o homem aplica denominamos/or-
ça. A força,como veremos mais adiante, é uma grandeza vetorial. AFig.L 10 mostra o
vetorforça f. Pois bem, com o objetivo de fazer o caixote deslizar, esta força não po­
de ser aplicada em qualquer ponto. Se o homem aplicá-la no topo do caixote, há perigo
de fazê-lo girar em torno da aresta que passa por ,4. O efeito do vetorforça f" muda,
se mudarmos o seu ponto de aplicação-, f é, neste caso, um vetor ligado.

m//
A
Fig. 1. 10 A força f aplicada ao caixote i um vetor ligado..
b. Vetor Deslizante
É aquele que pode ser deslocado ao longo de uma linha de ação.
Exemplo-. O vetor força f que o operário aplica através da corda pode ser dese­
nhado em qualquer ponto desta. Ver a Fig. 1.11.

//,
£ Fig. 1.11 A força f é u/n vetor deslizante.

23
c. Vetor Livre
É aquele que pode ser deslocado para qualquer ponto de uma região do espaço.
Exemplo. A velocidade de escoamento das águas de um rio, cuja corrente é uni­
forme (todas as partículas de água têm a mesma velocidade), pode ser desenhada em
qualquer ponto do rio.
d. Vetores Equivalentes ou Equipolentes
Vetores equivalentes ou equipolentes são aqueles que pdssuem a mesma direção,
o mesmo sentido e o mesmo módulo. Por exemplo, um campo vetorial uniforme é uma
região do espaço na qual associamos a todos os pontos vetoresequipolentes. Exemplo:
o campo gravitacional da Terra pode ser considerado uniforme numa pequena região
próxima da superfície terrestre; o vetor g~ (aceleração da gravidade) é o mesmo em to­
dos os pontos; ou seja, podemos dizer que são equipolentes todos os vetores associados
a este campo uniforme.
e. Vetores Colineares
Dois vetores são collneares quando eles possuem a mesma reta suporte. Dois ve­
tores colineares podem possuir o mesmo sentido ou então sentidos contrários. Na Fig.
1.12 mostramos dois vetores colineares de mesmo sentido.

Ê
Fig. 1.13 Exemplo de vetores
Fig. 1.12 Os vetores u" e paralelos não equipolentes.
v são dois vetores coli­
neares de mesmo sentido.

ü>

v
---- ►

,r u Fig. 1.14 _Os


Fig. 1.15 Os vetores a e
vetores u, v* e
são simétricos.
w são concor­
rentes.

24
f. Vetores Paralelos
São os que têm a mesma direção. Ver as Figs. 1.13 e 1.15
g. Vetores Concorrentes
São aqueles que têm origem comum. Ver a Fig. 1.14.
h. Vetores Simétricos
Dizemos que dois vetores são simétricos quando eles possuem o mesmo módulo
e a mesma direção, mas possuem sentidos contrários. Na Fig. 1.15 mostramos dois ve­
tores simétricos.
I. Vetores Coplanares
Vetores coplanares são aqueles que pertencem a um mesmo plano. Na Fig. 1.16
indicamos três vetores coplanares.

Fig. \ A6 Os vetores a ec são co­


planares.
J. Vetor Unitário
É aquele que possui módulo igual a um. O vetor unitário é obtido dividindo-se o
vetor pelo seu respectivo módulo.
Soma Vetorial
Sejam dados três vetores ã~, 5* e c~. Para adicioná-los, façamos coincidir a ori­
gem do segundo com a extremidade do primeiro, a origem do terceiro com a extremi­
dade do segundo. Ligando-se a origem livre à extremidade livre, obtém-se um novo ve­
tor. Sua origem coincide com a origem livre. Este vetor é definido como o vetor soma
ou vetor resultante de õ", 5" e c*. Representá-lo-emos por r~ e indicaremos: r~ = ã"
+ 5" + c, que se lê: r" i a soma vetorial de ã~, 5" e c~.
NaFig. 1.17 mostramos o método gráfico para a obtenção da resultante r~ daso-
ma vetorial dos vetores õ", 5" e õ*, ou seja,
~ = õ* +5" + c*

Fig. 1.11 Ovetorr é o vetor resultante da soma vetorial do vetor a comovetorb" ecomovetor
c . Este método gráfico é conhecido pelo nome de .regra do polígono.

25
Observação: Fazendo uma construção semelhante à indicada na Fig._l.l7, mas
alterando a ordem das parcelas vetoriais, você notará que o vetor resultanter é sempre
o mesmo. Ou seja, na soma vetorialo vetor resultante não depende da ordem das par­
celas vetorlais.
Regra do Paralelograma
O método é exposto é conhecido como método do polígono. Um método equiva­
lente é o método do paralelograma. Vamos ilustrá-lo para o caso de dois vetores: Para
adicionar dois vetores, façamos coincidir suas origens. A seguir, pela extremidade do
primeiro, tracemos uma paralela ao segundo e, pela extremidade do segundo, uma pa­
ralela ao primeiro. O vetor resultante tem origem comum aos dois vetores, c extremi­
dade na interseção das retas auxiliares traçadas. A série de figuras ilustra o método,
etapa oor etapa.

~^F

F = a + b
Fig. !. 18 Esquenta paru ilustrar o método do paralelograma utilizado para obter a resultante da
soma de dois vetores ã" e b. Ver também a Fig. 1.19.
A sequência de desenhos indicados na Fig. 1.18 ilustra o método do paralelogra­
ma (ou regra do paralelograma}. Mais adiante mostraremos como se utiliza a regra do
paralelograma para a determinação do módulo da resultante r.
Observação: Q método do paralelograma (ou regra do paralelograma] deve ser
utilizado somente para a determinação do vetor resultante r~ da soma de dois vetores.
Quando você precisar determinar a soma vetorial de três ou de mais de três vetores não
é aconselhável a regra ou método do paralelograma-, neste caso, é mais conveniente uti­
lizar o método da decomposição num sistema cartesiano ortogonal, conforme mostra­
remos mais adiante. No caso de mais de dois vetores, o método do paralelograma é apli­
cado do seguinte modo. Aplique o método do paralelograma para achar a resultante
~ da soma vetorial dos dois primeiros vetores; a seguir, aplique o método do paralelo­
grama para determinar a resultante r? da soma de zf com o terceiro vetor, e assim por
diante, até o último vetor. Note que este método é mais trabalhoso do que a regra do
polígono (ou método do polígono) ilustrado na Fig. 1.17.
Determinaremos, analiticamente, o valor da resultante e sua direção. Tomemos
dois vetores ü~ e v" que formam entre si um ângulo a e apliquemos o método do parale­
lograma. Ver a Fig. 1.19.
Prolonguemos, agora, a direção de v*, e, da extremidade de ~, baixemos uma
perpendicularsobre essa direção. Fica formado o triângulo OBA, doqualréahipote-
nusa. Então, pelo Teorema de Pitágoras, tem-se: r2 = OB2 + BA2, onde OB = V +
CB.
Observemos que BCA = «, pois estes ângulos são correspondentes..
Como o triângulo CBA é retângulo, podemos escrever:

26
Fig. 1.19 Regra do paratetogramo para a determinação do módulo, da direção e do sentido do
vetor resultante r .
CB = CA . cos a

Como CA = u, CB = u cos a.
Por outro lado:

BA = CA . sen a

Como CA = u. BA = u sen a.
Levando estes valores na expressão de r, tem-se:
r2 = (v + u cos a)2 + (u sen a)2 .'.

.’. r2 = u2 + v2 + 2 uv cos a :. V u2 + v2 + 2 uv cos a (1.12)

A fórmula (1.12) fornece o módulo r da resultante r~. O ângulo a entre dois veto­
res u e v é o menor ângulo formado entre os dois segmentos de reta que representam
os vetores. Note que quanoo a for um ângulo agudo, cos a épositivo e a resultante pos­
sui módulo r maior do que (u2 + v2)'22. Contudo, de acordo com a relação (1.12), quando
a for um ângulo obtuso, o módulo ri menor do que (u2 + v2)122 porque cosa t negati­
vo quando a i maior do que 90°.
O ângulo <t> formado entre o vetor resultante ~ e o vetor v" pode ser determinado
mediante o triângulo OAB indicado na Fig. 1.19. Podemos escrever para a tangente
de <t> a seguinte expressão:
tgó = ^ tg0 = u sen a
OB v + u cos a

Exemplo 1.3 Um objeto é submetido à ação de duas forças. Uma de 20 N e outra


de30N, formando entre si um ângulo de 60°. Qual o módulo de resultante dessas forças?
Solução. Na Fig. 1.20 mostramos o esquema das forças e o uso do método do para-
lelogramo. Para achar o módulo da resultante basta aplicar a fórmula (1.12). Os cálculos
serão indicados a seguir:

r= + 2/,/: cos a
>/ 202 + 302 + 2.20.30 -cos 60°
r = VTÕÕÕ .-. r s 44 N

27
_____ __
r /
/
* /
/
Ã
Fig. 1.20
Exemplo 1.4 Um barco tenta atravessar uma corrente usando sua força máxima.
Sua velocidade em águas paradas.com força máxima, éde4m/s. A velocidade da corren­
teza é de 3 m/s. Sabendo-se que o barco aproa perpendicularmente à corrente, qual será,
na verdade, a velocidade com que atravessa o rio e em que direção o faz?
Solução. Na Fig. 1.21 mostramos o esquema das velocidades. A velocidadedo bar­
co é designada por b , a velocidade da correnteza i indicada por C . A velocidade resul­
tante do barco é indicada por v*.

c
Fig. 1.21
De acordo com a fórmula (1.12), o quadrado do módulo da velocidade resultante
é dado por:

v2 = b2 + c2 + 2bc cos 90u


v = 'Tb2 + c2 v = x/4J + 3J
v = >/25 /. v = 5 m/s
A direção de v* fica definida por
, b 4 4
tg 4> = —.. tg <t> = —.'. 4> = arc tg —
c 3 3

Exemplo 1.5 A que expressões ficam reduzidas a fórmula da_resukante re do ân­


gulo que faz com um dos vetores, em cada um dos casos abaixo? (u + v = r , sendo
a o ângulo entre u e v )

28
(a) ot = 0o ; (d) cr = 180° ; (c) a = 90°
Solução. Na Fig. 1.22 mostramos um esquema para a aplicação da regra do parale­
lograma (ou método do paralelograma}. Em qualquer um dos três casos, podemos escre­
ver:

Fig. 1.22

v u2 + V2 + 2 UV COS Ot

u sen a
tg 0 =
v + u cos a

A seguir aplicaremos as duas fórmulas anteriores nos três casos considerados:


(a) a = 0o __________________
du2 + y2 + u. v . cos ot .*. r = x/u2 + v2 + uv . cosO”
= xj u2 + v2 + 2 uv r = V (w + v)2 r = u + v
u . sen 0°
tg 0 = /. tg 0 = 0 0°
v + u cos 0°

(d) a - 180°
= xíü2 + v2 + 2uvcos 180° r = 4 u2 + v2 — 2uv
Logo: r = V (xz - v)‘ r= u - v
u sen 180° tg 0 = 0 = —~= 180° ou 0°)
tg 0 =
v + u cos 180° V— U —1

(c) a = 90°
r - v ir + v2 + 2 uv cos 90° r = u2 + r'
u sen 90°
<2 <t> = 0 = arc tg-íí
v + u cos 90° v

Multiplicação de um vetor por um número


A multiplicação de um vetor cF por um número positivo N fornece um outro ve­
tor com a mesma direção e omesmo sentido do vetor ã~. Ou seja, o vetor NêF é um vetor
que possui um módulo N vezes maior do que o vetor õ" e possui a mesma direção e o
mesmo sentido dc tF.

29
A multiplicação de um vetor v~ por um número negativo — N fornece um vetor
cujo módulo é Nvezes maior áo que o módulo do vetor v*, porém o vetor - Nv possui
sentido contrário ao do vetor v", apesar de possuir a mesma direção do vetor v .
Como exemplos, na Fig. 1.23 indicamos um vetor õ" e os vetores 2a , - 3a <
- ã”. Note que o vetor — õ" é o vetor simétrico do vetor íF.

- 3a

Fig. 1.23

Subtração de vetores
A subtração ou diferença de dois vetores consiste na obtenção da resultante da
soma vetorial do primeiro vetor com o vetor simétrico do segundo vetor. Na Fig. 1.24
indicamos os vetores v] e v? . Desejamos determinar a diferença vetorial entre estes
dois vetores.

Fig. 1.24

áv" = >7 - v?

Portanto, para obter Av" basta usar o método do paralelograma somando-se v,


com o vetor simétrico de v" .Na Fig. 1.25 ilustramos a operação para determinar o ve­
tor Av".

30
Av

Fig. 1.25
Aplicando o mesmo método de cálculo utilizado na dedução da regra do soma
vetoríal podemos mostrar que:
Av = Vvf + vé - 2v, v, cos «
- V, sen a
tg <t> =
V, - V, cos a

Método da decomposição para adição de vetores


a. Projeção de um Vetor sobre um Eixo
Seja v~ um vetor c L, um eixo. Projetando sobre L a origem e a extremidade de
v", obtêm-se a origem e a extremidade do vetor vj projeção de v* sobre L. Sendo a
o ângulo entre v* e L, o valor de vt será:
v, = v cos a
Na Fig. 1.26 ilustramos como se procede para se obter & projeção de um vetor v*
sobre um eixo L.

vL = v cos a

L
Fig. 1.26
b. Projeções Ortogonals de um Vetor
Seja v* = (JX um vetor; Oxe Oy são dois eixos perpendiculares entre si. Os veto­
res i\ e v" indicados na Fig. 1.27 são as projeções ortogonais ou componentes do ve­
tor v" segundo os eixos ortogonais Ox e Oy.
Da Fig. 1.27 é evidente que:
v, = v cos a
v, = v sen a

31
y

c ,k A
«"I
I
I
V I
I
v, I
I
I
I
a I

O x
Fig. 1.27 Os vetores v. e v", são as projeções ou componen­
tes ortogonais do vetor v .
c. Teorema
"A projeção da resultante de um sistema de vetores sobre um eixo é igual à resul­
tante das projeções dos diversos vetores sobre o mesmo eixo."
Na Fig. 1.28 ilustramos a aplicação do teorema anterior.

Fig. 1.28
d. Soma Setorial pelo Método da Decomposição
Desejamos obter a soma vetorial ã" + C + c* dos i rês vetores indicados na Fig.
1.29.

32
a

Fig. 1.29 Desejamos obter a resultante da soma vetorial a + 5" + c.

Na Fig. 1.30 ilustramos o procedimento para se obter uma soma vetorial median­
te o método da decomposição. O vetor ã~ deve ser desenhado de modo que sua origem
coincida com a origem O do sistema Oxy. A partir da extremidade de õ* desenhamos
o vetor 5", e assim sucessivamente. Utilizando o método do polígono para obter a re­
sultante r* e aplicando o teorema anterior, podemos obter facilmente o vetor resultan­
te ~ que possui componentes r\ erj , conforme ilustrado na Fig. 1.30.
y

- b, Õ a b
a> I,"

l <
i i
c,

1C
l
i
r. i
i
i
t

0 a. x
Fig.1.30

Observamos que: r, = a. + b, - c,
r, = a, + o - c„ pois b, = 0.
Podemos generalizar o método da decomposição para um número qualquer de
vetores. Neste caso, os componentes r, e r, do vetor resultante r são dados por:
r, = E v,
r, = E v,
onde o somatório se estende para o número total de componentes dos vetores. Na Fig.
1.31 representamos apenas a resultante ~ e os componentes desta resultante (r, e r,).
Da Fig. 1.31 concluímos facilmente que:

33
y n

i
6 i

0 ■*

O A x

Fig. 1.31

Obtidos r, e r„ determinamos r através de: r = V z? + rf

A direção deZ é dada por 0 através de: tg <t> = —


Observação: J
— O método da decomposição deve ser aplicado seguindo as etapas abaixo:
etapa — Escolha adequada de um par de eixos;
2. " etapa— Decomposição de todos os vetores segundo os eixos adotados e cálculos de
seus módulos pelas expressões:
v» = cos a
v, = v sen a, se a for o ângulo entre v* e Ox
3. ° etapa — Cálculo de r, e r, através de:
r, = E v, r, = E v,
4. ’ etapa — Cálculo de r e de 0 através de:
r = -J rl + rj ;

Produto escalar
Sejam iZ eZ dois vetores. O produto escalar ác ü~ com ~é um número c defini-
do por:
c = uv cos 6
onde u é o módulo do vetor ã, v é o módulo do vetor ~ e S é o ângulo entre iZ eZ.
Normalmente, o produto escalar entre dois vetores é designado por um ponto (.) entre
os vetores. Podemos, então, definir o produto escalar de dois vetores mediante a fór­
mula:
íZ .v = uv cos 6 (1.13)
Conhecendo-se o produto escalar u.v = c, podemos calcular o ângulo entre dois
vetores. Da relação (1.13) obtemos:

34
cos0 = (u .v )/uv
Da definição (1.13) concluímos que o quadrado do módulo de um vetor iT pode
scr obtido pelo produto escalar do vetor u* por ele mesmo, ou seja,
U.Ü-- U2
Observação: o quadrado do módulo de um vetor denomina-se norma do vetor.
Produto vetorial
O produto vetorial de dois vetores u ev é um terceiro vetor w simbolizado pela
notação:
w = ü Xv
onde o sinal de multiplicação (X) indica o produto vetorial. O vetor ív possui as seguin­
tes caracteristicas:
(a) O módulo do produto vetorial de dois vetores é dado por:
w = 17 X TI = uv sen 8 (1.14)
onde 6 i o menor ângulo entre os dois vetores. Existem dois ângulos entre dois vetores;
o menor dos dois ângulos vale 8 e o maior vale 360° — 8. Como sen (360° — 8) = —
sen 8 i conveniente escolher sempre o menor ângulo entre os dois vetores para que o
módulo w seja positivo. Observe que na definição do produto escalar (1.13) tanto faz
escolheromenorânguloflquantoomaior ângulo (360° — 8), uma vezquecosfl - cos
(360°- 8).
(b) A direção do vetor w é sempre ortogonal a ü" e a v*.
(c) O sentido do vetor w é dado peta regra do saca-rolhas. Fazendo-se girar um
saca-rolhas no sentido de u para v* o avanço da rosca direita do saca-rolhas ocorre
no sentido positivo de w . Um parafuso de rosca direita girando no sentido de i7 para
v* (através do menor ângulo 8), avança no sentido positivo de ív . Outra regra equiva­
lente para se obter o sentido do produto vetorial é a chamada regra da mão direita. Co­
loque os dedos da mâo direita (com exceção do polegar) envolvendo os vetores ü" e v",
de modo que os dedos indiquem uma rotação de ü" para v* (descrevendo o menor ân­
gulo entre estes dois vetores); neste caso, o dedo polegar indicará o sentido positivo do
vetor iv . Note que o sentido de >v decorre da convenção acima explicada.
Observação: O produto vetorialde dois vetores não é comutativo, ou seja, quan­
do trocamos a ordem dos fatores da multiplicação vetorial, o vetor >v muda dc sinal.
Logo,

Vetor Axial
É claro que o sentido do vetor w resulta de uma convenção de “rosca direita" ou
da regra da "mão direita". Justamente por esta razão, todo vetor w obtido pelo produto
vetorilde dois vetores è chamado de vetor axial ou pseudovctor. A palavra "pseudove-
tor" decorre do fato de que o vetor w tem um sentido convencional ao passo que um vetor
* * verdadeiro" (denominado vetor polar) possui um sentido único que não depende de ne­
nhuma convenção. No Capítulo 5 voltaremos a fazer comentários sobre os vetores pola­
res (vetores "verdadeiros") e sobre os vetores axiais (ou "pseudovetores").

35
Duplo produto vetorial
O duplo produto vetorial envolvendo três vetores , v* e u> ,éum vetor t definido
do seguinte modo:
= u X (v X w) = (u .w )v" — (u ,v )>v

1.3 Conceitos fundamentais da cinemática


A Cinemática é o estudo meramente descritivo do movimento. Este estudo se de­
senvolve a partir de alguns poucos conceitos: comprimento, tempo, sistema de referên­
cia, posição, velocidade e aceleração. Os conceitos de comprimento e tempo são primi­
tivos, isto i, não são definidos com apoio em outros conceitos anteriormente conheci­
dos. A noção de comprimento está ligada à idéia de tamanho de uma linha. Na Fig. 1.32
mostramos que a medida de um comprimento resulta sempre de uma comparação en­
tre dois tamanhos.
d

A linha cd é mais longa que ab, O comprimento de CD é três vezes


cd tem comprimento maior que ab. maior que o de/lfí
Fig. 1.32 (a) Comparação visual entre os comprimentos de duas curvas, (b) Podemos me­
dir o comprimento do arco CD tomando como unidade o comprimento do arco AB.

A noção de tempo está ligada à duração de um fenômeno, isto é, podemos com­


parar a duração de um fenômeno com a duração de outro fenômeno, conforme indica-
do na Fig. 1.33. (a) O pêndulo B demora mais
para ir e voltar que A,
isto é, leva mais tempo para OB
ir e voltar que A.
T O
h
g
Mh/m/

(b) A bola B leva “mais tempo” para


chegar ao solo que a bola A.
Fig. 1.33 Comparação do período da oscilação do pêndulo A com o período da oscilação
de um pêndulo B. (b) Comparação do tempo de queda de uma bola A com o tempo de queda
de uma bola B.
36
Medimos, isto é, comparamos comprimentos verificando quantas vezes um com­
primento cabe em outro. Na verdade escolhemos arbitrariamente um comprimento pa­
drão para servir de unidade e através da comparação com o padrão podemos medir um
dado comprimento. Na Fig. 1.34 mostramos como medimos ou comparamos dois com­
primentos.
h COMPRIMENTO PADRÃO — 1 unidade = 1 u

A> + HB AB = 2u AB 2 CD = — AB
CD 3 2
. Cl + 4D CD = 3 u
Fig.1.34 Medida de dois comprimentos ABe CD tomando-se como base um padrão de compri­
mento igual a 1 u.
Também podemos comparar tempos. Escolhemos um fenômeno, de preferência
repetitivo, como o oscilar de um pêndulo para servir de padrão de tempo. Por exem­
plo, suponha que na Fig. 1.33 desejamos comparar o tempo de queda da bola B com
o tempo de queda de A. Para tanto fazemos com que o início das oscilações de um pên­
dulo coincida com o momento em que a bola A foi largada e contamos quantas oscila­
ções o pêndulo executou até a bola A tocar o solo. Admitamos que tenham, sido duas.
Repitamos o mesmo procedimento para a bola B e suponhamos que o mesmo pêndulo
executou três oscilações durante a queda de n. Poderemos escrever:.
tA = tempo de queda de A = 2 oscilações^! {
t, tempo de queda de B = 3 oscilações ) ______ 2
É claro que estamos admitindo que todas as oscilações do pêndulo são iguais en­
tre si. No Capítulo 2 faremos uma discussão mais detalhada sobre medidas e sistemas
de unidades.
O conceito de sistema de referência está associado à situação de Um observador
que afirma que algo se move ou que está em repouso. Um sistema de referência é um
corpo ou um conjunto de corpos relativamente aos quais este observador é considera­
do fixo (ver Fig. 1.35) J~

777777/ ' 777777777777777)


O observador O está fixo
em relação às paredes do
ônibus. O ônibus é o
referencial associado a O.
Fig. 1.350 observador O está em repouso em rela­
ção ao ônibus, porém o ônibus se move em relação
ao solo; o ônibus é o referencial do observador 0.

37
O movimento de um corpo é visto de forma diferente por observadores ligados
a referenciais diferentes. Imagine que no ônibus da Fig. 1.36 há um passageiro brin­
cando com uma bola, quicandoabola no piso do ônibus. O observador ligado ao refe­
rencial ônibus vê a bola descrever uma linha reta para cima e para baixo. Um observa­
dor fixo na superfície da Terra vê a bola descrever uma linha como a indicada na Fig.
1.37. __________________ -—

o
O' ò
(o)

O obervador O' está fixo


na Terra, O está fixo no ônibus.
O ônibus move-se em relação
a O’. A bola é vista por O conforme
indicado em (a) e é vista por O’ (b)
conforme indicado em (b) (ver a Fig. 1.37). I Fig. 1.37
Fig. 1.36 Um passageiro está brincando com uma bola. Qual ê a tra­
jetória descrita pela bola para um observador 0 dentro do ônibus? Qual
é a trajetória para um observador 0‘fixo no solo? Ver Fig. 1.37.

Observação: Toda vez que afirmamos que um corpo está em movimento ou em


repouso, sem dizer explicitamente qual é o referencial, estaremos considerando um re­
ferencial fixo na superfície da Terra.
Axiomas fundamentais
Toda Ciência se apóia em um certo número de afirmações para as quais não se
tem uma prova, uma demonstração, mas que concordam com as observações experi­
mentais dentro de certos limites. Estas afirmações são chamadas axiomas ou postula­
dos.
Axioma n? 1
"As dimensões lineares de um corpo são as mesmas qualquer que seja o referen­
cial adotado."
Axioma n.° 2
"A duração de um evento é a mesma qualquer que seja o referencial adotado. ”
Nota: Os dois postulados anteriores são os axiomas fundamentais da Cinemática
Clássica. Na "Leitura Complementar' ’ deste Capítulo mostraremos que estes postula­
dos só valém quando a velocidade relativa do movimento considerado for muito me­
nor do que a velocidade da luz no vácuo.
Instante e intervalo de tempo
Suponha que tenhamos escolhido um certo pêndulo para medir tempo. Quando
o pêndulo está em movimento podemos associar um número a cada ponto da trajetó­
ria do pêndulo, conforme ilustrado na Fig. 1.38.

38
U/t/fW

1,25

Fig. 1.38 Podemos associar uma ''unidade de tempo*' a cada oscilação completa do pêndulo;
sendo assim, cada ponto da trajetória descrita pelo pêndulo corresponde a um ' 'instante de tem­
po”.

Este número que se associa a um evento ou acontecimento (no caso a passagem


do pêndulo em um certo ponto) é chamado instante c o representaremos de agora em
diante pela letra r. Admitiremos, axiomaticamente, que é sempre possível escolher um
tal número e que entre dois instantes há uma infinidade de instantes. Observe que nada
nos obriga a começar do número zero. Poderiamos ter começado por qualquer núme­
ro, mesmo um número negativo. Também poderíamos‘‘pular’’d«as, írês, otimeia uni­
dade, qualquer número, a cada oscilação do pêndulo. De fato, poderiamos até mesmo
ter feito “pulos” para baixo, isto é, poderiamos associar os número de modo a formar
uma sucessão decrescente a cada oscilação do pêndulo. No entanto, escolhemos uma
sucessão crescente e, vamos convencionar (combinar entre nós) que o faremos sempre.
Assim os instantes formarão sempre uma sucessão crescente de tal modo que a um evento
posterior a outro corresponda sempre um instante maior que o deste outro. Em símbo­
los, diremos:
tf^nenoi >

Chamamos intervalo de tempo entre dois eventos, um anteerior e outro posterior,


a diferença entre os instantes posterior e anterior que lhes correspondem. Simbolizare­
mos por Ar o intervalo de tempo considerado, ou seja,
At — tpo^0KB ~~ r,mnV*

Observação: Em vista da convenção que estabelecemos, Aí é um número sempre


positivo.

Unidade de intervalo de tempo


A unidade de intervalo de tempo é um intervalo de tempo decorrido entre dois even­
tos arbitrariamente escolhidos. A unidade universal utilizada é o segundo, símbolo “s”,
que corresponde aproximadamente a 1/86.400 de um dia. O segundo será definido no
Capítulo 2 (no qual estudaremos com detalhes asunidades e asdimensões das grande­
zas físicas). Ver também o Apêndice D.

39
Unidade de Comprimento
A unidade de comprimento é um comprimento arbitrariamente escolhido. A uni­
dade internacionalmente adotada é o melro, símbolo “m”, que corresponde aproxi­
madamente a 1 /40.000.000 do comprimento do equador terrestre. No Apêndice D apre­
sentaremos uma definição mais rigorosa do metro.
Posição
Consideremos um ponto M que observado de um certo sistema de referência des­
creve a trajetória C. Ao sistema de referência fixamos um par de eixos perpendiculares
entre si, Ox e Oy, como mostra a Fig. 1.39. Suponhamos que num certo instante t o
ponto encontra-se em M. A posição do móvel no instante t é dada pelo vetor de origem
O e extremidade M que designaremos por r , ou seja, r* = DAT?

y
Trajetória C

yj ,r Xl '
K\

I
I 7 - ÕM
I
I
r I
I
-çj------------------
o T xi

r é o vetor posição de M
no instante t. __
r = xi + yj
Fig. 1.390 vetor posição de um ponto M é o vetor que liga a origem
0 do sistema de coordenadas com o ponto M considerado.

O vetor r é denominado vetor posição de M no instante/.Pode-se exprimir 7 em


função das coordenadasxey do ponto M, como se vê na Fig. 1.39. Podemos escrever:
7 = xl~ + y7
Em algumas situações, quando a trajetória Ci bem conhecida, representamos a
posição por um número apenas. Para fazê-lo vamos primeiramente escolher um ponto
fixo na curva C, ao qual denominaremos origem O (ver Fig. 1.40). Arbitrariamente, es­
colhemos uma unidade, e, a partir da origem, repetimos esta unidade de modo a asso­
ciar a cada ponto da curva um número. O sentido de crescimento destes números é arbi­
trado e indicado por uma seta. Chama-se posição do móvel no instante / ao número s
que corresponde ao ponto M por ele ocupado neste instante.

40
c
M
Trajetória
s
3
2
/ 7
O

sé a posição escalar do
móvel no instante t.
Fig. 1.40 Podemos localizar um ponto M sobre uma curva C di­
zendo qual é a distância s entre o ponto M e um pontofixo 0 si­
tuado sobre a trajetória C.
Dissemos anteriormente que a Cinemática é a descrição do movimento. Pois bem,
descrever um movimento é dizer de que modo sua posição (yetorial ou escalar) varia à
medida que os instantes se sucedem, à medida que o tempo passa. Se pudermos dizer,
para cada instante, qual é a posição do móvel estaremos dando uma descrição do movi­
mento.

Exemplo 1.6 Um móvel desloca-se de tal forma que seu vetor posição tem módulo
constante e igual a 2 m e o ângulo 0 do vetor posição com o eixo Ox varia com o tempo de
acordo com a equação
0 = irt/2

onde 0 se exprime em radianos e t em segundos. Qual e a trajetória do móvel? Indique sua


posição no instante t = 3 s; 0 é medido no sentido positivo da TYigonometria.
Solução. Se |/| = constante, a trajetória é uma circunferência de raio igual a r*
= 2 m. Ver a Fig. 1.41. Em t = 3 s. temos: 0 = 3(r/2), ou: 0 = (3r/2) radianos.

6- 3x72
A

M
Fig. 1.41 Esquema do
Exemplo 1.6.
Exemplo Z.7Um móvel desloca-se de tal forma que seu vetor posição varia com o
tempo de acordo com r - 2t i , onde t se exprime em segundos e r* em metros. Qual
a trajetória do móvel? Indique a posição em t - 3 s.

41
Solução. Temos:
xF r yf
Pelo enunciado:
“ = 2tF
Comparando as duas relações anteriores, como v = O. vemos que a trajetória c o
eixo Ox. Ver a Fig. 1.42.
M

O 1 2 3 4 5 6

Fig. 1.42 Esquema do Eremp/o /. 7.

Comox- 2r,parat = 3s. concluímos que o móvel se encontra num ponto .W dado
por:
X = 6 metros.

Exemplo 1.8 Sobre a curva da Fig. 1.43. um móvel se desloca de acordo com a equação
s = 2/ + I. Indiquesuaposicãoemr = 2econstruaográficosX I. Considerescm melros
c t em segundos.

Fig. 1.43 Ilustração para o Exemplo 1.8.

Solução. Em t - 2, se tem: s - 2X2 + I, ou : s = 5 m. Ver a parte (a) da Fig. 1.44.


Na parte (A) da Fig. 1.44. construimos o gráfico s X r.

5(m)

s = 2l + 1
s (cm metros)

/ 1
Z0 (a)
i (b)
I
I Z(s)
Fig. 1.44 7

42
Velocidade
A velocidade é a grandeza que informa como o móvel muda de posição à medida
que o tempo passa, se o faz muito depressa ou se o faz devagar. A velocidade é a rapi­
dez com que a posição muda. Para conceituá-la de modo mais exato vamos estabelecer
algumas idéias auxiliares.
(a) Variação de posição (ou vetor deslocamento)
Considere um móvel que no instante t está em Mc num instante posterior t’ está
em M'(ver Fig. 1.45). Chama-se vetor variação de posição ou vetor deslocamento à di­
ferença entre o vetor posição r~< no instante t' e o vetor posição r no instante t. Ou
seja.
= r - (1.15)
onde Ar* c o vetor deslocamento entre M e M’.

y
M'
Ar
M
7
t f

75 x

Fig. 1.45 Ilustração para mostrar queo vetor deslo­


camento dr~ fornece a variação do vetor posição en­
tre dois pontos M e M' da trajetória considerada.

Quando a trajetória é bem conhecida pode-se usar a variação de posição escalar


que é a diferença entre as posições j’es ocupadas nos instantes t' e t.
Ou seja,
iss = s' — s
Observando a Fig. 1.45 e a Fig. 1.46, vemos que o módulo do vetor deslocamento
pode ser comparado com o módulo da variação escalar de posição do seguinte modo:
|aF| < |As|
A igualdade | Ari = | As| ocorre somente no caso de uma trajetória retilínea\ quando
a trajetória não é retilínea, o módulo do vetor deslocamento é sempre menor do que
Ar.
(b) Velocidade média
O vetor velocidade média de um móvel que no intervalo de tempo de t a t' sofre

43
M*
s*
M
As
r
s
t

O
' As = — í - arco MM’
(Variação de posição escalar no
intervalo de tempo de t a H
Fig. 1.46 Ilustração para mostrar a variação da posição es­
calar ao longo da trajetória entre dois pontos M e M\
um deslocamento Ar* é o vetor definido por Ar* /Ar (ver a Fig. 1.47). Ou seja, a veloci­
dade média é um vetor dado por:
= Ar /Ar (1.16)
onde Ar* é ò vetor deslocamento definido pela equação (1.15) e Ar é o intervalo de tem­
po, ou seja: Ar = t’— t.
Ár* M’

M
t

Fig. 1.47 O vetor velocidade


média v^„ tem a mesma dire­
ção e o mesmo sentido do vetor
deslocamento ísr .
Velocidade escalar média no intervalo de tempo de r a r 'é o quociente da variação
escalar de posição As pelo intervalo de tempo Ar = r’ - r, conforme ilustrado na Fig.
1.48. Ou seja,
As (1.17)
Vrn = ---------
âr

M
t As

v, = A*
AZ
Fig. 1.48 Esquema para ilustrar
a definição de velocidade escalar
média.
44
Observe que vm tem o mesmo sinal de Aí visto que Af é positivo. Quanto a uma
comparação entre os módulos de vZ e vm podemos verificar que:
| v*.| s |v. | (1.18)
É claro que no caso de um movimento retilíneo, vale a igualdade na relação (1.18),
porque |á~| = |Aj|. Contudo, se o movimento não for retilíneo |i£| é sempre me­
nor do que |v„|.
(c) Velocidade instantânea
Vetor velocidade instantânea em t é o vetor para o qual se aproxima o vetor velo­
cidade média entre t e t’ (t‘ > t) quando t’se aproxima de t, isto é, quando át tende a
zero. Ou seja, levando em conta a relação (1.16), temos:
— _ limite £sr~ (1.19)
tst-ü âr

Velocidade escalar instantânea no instante t é o valor para o qual se aproxima a


velocidade escalar média entre tet'(J’ > t) quando í'se aproxima de /, isto é, quando
AZ tende a zero. Logo, levando em conta a relação (1.17), resulta:
limite As (1.20)
v ” AZ-0 AZ

Exemplo 1.9 Um automóvel segue uma trajetória retilínea de A até B com uma ve­
locidade constante de 40 km/h e retorna de B até A com uma velocidade constante igual
a 60 km/h. Calcule a velocidade escalar média do automóvel ha viagem de ida e volta.
Solução. Quando um estudante resolve pela primeira vez um problema deste tipo,
normalmente ele confunde a velocidade média com a média das velocidades e fornece a
sguinte resposta errada: 50 km/h. Vamos mostrar que a velocidade média neste exemplo
não é 50 km/h. .
Seja d a distância entre A e B. Seja h o tempo que o automóvel leva para ir de A até
B com velocidade constante v( = 40 km/h e h o tempo que o automóvel leva para voltar
de B até A com uma velocidade constante v2 = 60 km/h. Pela definição de velocidade ins­
tantânea, no caso de um movimento retilíneo e uniforme, temos:
v = x/t
ondexé o espaço percorrido e/éo tempo do percurso. Logo, o intervalo de tempo total
para ir de A até B e voltar de B até A é dado por:
A/ = r, + 6 = (d/v.) + {d/v2) (D
onde d é a distância de A até B.

Portanto, a relação (I) acarreta:


AZ = d(vt + v:)/v(vj (2)
De acordo com a definição do vetor velocidade média (1.16) o vetor v„ é nulo, uma
vez que o deslocamento total ár é igual a zero. Contudo, de acordo com a definição de
velocidade escalar média (1.17), verificamos que o deslocamento escalar total vale:
.s = 2d (3)

45
Substituindo as relações (2) e (3) na definição de velocidade escalar média (1.17),
obtemos:
vm 2v,v;/(r, + v?) (4)
Substituindo os dados v, = 40 km/h e v2 = 60 km/h na relação (4) achamos o se­
guinte valor para a velocidade escalar média:
v,„ = 48 km/h
F.stc exemplo mostra claramente que o vetor velocidade média é uma grandeza com-
plciamemcf//7OT,i/eda velocidade escalar média. Além disto, a média aritmética das ve­
locidades não tem nenhuma relação com a velocidade média nem com o vetor velocidade
média.

Observações:
1 - A velocidade instantânea nos dá a cada instante a capacidade de um móvel pa­
ra varrer distâncias. Quando dizemos que um automóvel tem, num certo instante, uma
velocidade de 80 km/h estamos dizendo que ele poderia, na próxima hora, percorrer
80 km.
2 - Suponha que um corpo, apoiado sobre uma mesa horizontal, esteja preso a
um fio cujo outro extremo é ligado a um ponto fixo da mesa. O corpo movimenta-se
em trajetória circular. Se o fio se rompe o corpo tende a seguir uma trajetória retilínca,
tangente à circunferência no ponto em que o fio se rompeu. A velocidade tem, a cada
instante, a direção tangente à trajetória. Esta conclusão decorre da própria definição
de velocidade. Na Fig. 1,49 ilustramos esta importante propriedade característica do
vetor velocidade.

Fig. 1.49 Ilustração para mostrar que a velocidade é um vetor tangente à trajetória (em cada um
de seuspontos), (a) Uma partícula descreve uma trajetória circular, (b) Quando o fio que prende
a partícula se rompe, a partícula é projetada numa direção tangente à trajetória.

Exemplo 1.10 Os blocos A e B estão presos um ao outro por um fio inextensível.


A sc move com a velocidade s indicada na Fig. 1.50. Com que velocidade se move 5?
Solução. Tomemos um eixo Os com origem no eixo da roldana e orientado para baixo
e marquemos, para um instante t qualquer, as posições sA e dos móveis A e B. Observe
que a soma sA 4- sH é constante, visto que é igual ao comprimento total da corda menos

46
o pedacinho que encosta cm meia circunferência da roldana. Chamemos L a este compri­
mento dc corda pendente.
s, + Su - L ; no instante t (D
7////////
O

__
A-

A "• j
"te
B I- s

Fig. 1.50 Esquema do enunciado do Fig. 1.51 Esquema paru a sohi-


Exemplo 1J0. çüo do Exemplo 1.10.

Um pouco depois, num instante /terá mudado, sM também. Chamemos e $n


as novas posições. A soma s\ + s» não mudou, pois é igual ao comprimento de corda pen­
dente. Temos então:
+ s!i s L, no instante r* (2)
Subtraindo membro a membro as equações (2) e (1), vem:
(Sx — 5\) + (5|* — S») = L — L
Logo,
Asx 4 A.Si, - 0 (3)
on As\ e As» são as variações de posição que A c B experimentaram no intervalo de tem­
po Ar - r- t. Note que ás positivo fs{ > sx) e Mié negativo (sii < sH). Dividindo ago­
ra por Ar todos os termos de (3), vem:

ASh _
---- + — = 0 : ou < vx> H)
Ar Ar

onde < v.\> é a velocidade média de «4 e < yM> é a velocidade média de B.


A equação anterior é uma relação entre as velocidades médias de A e B no intervalo
Ar. Se agora imaginarmos que Ar se aproxima de zero, ou seja, se supusermos o instante
i ’ cada vez mais próximo de r, passaremos a ter uma relação entre as velocidades (a propó­
sito, quando nos referirmos simplesmente à velocidade, será sempre à velocidade instan­
tânea):

limite-^-' + limite = 0
Ar —0 A/-0 •*'

47
Logo,
Va + VB = 0 VA = — VB
Observe que os sinais diferentes vA e vB originam-se nos sinais diferentes de As\ e As»
e indicam movimentos de sentidos contrários. Como os dois movimentos são relilineos,
as duas velocidades possuem a mesma direção (da própria corda), mas possuem sentidos
contrários. Na Fig. 1.52, mostramos o resultado final.
Resumo da solução:
(a) Estabelecemos uma relação entre as posições, conforme indicado em (1).
(Z>) Obtivemos uma relação entre as variações de posição, conforme indicado na re­
lação (3).

7T
0 l ■■
0
Fig. 1.52 Esquema para o resu­
mo da solução do Exemplo 1.10.
(c) Em seguid,a, passamos para uma relação entre as velocidades médias, conforme
o resultado (4).
(d) Finalmente, imaginando que Aí-> 0, obtivemos a relação final entre as velocida­
des: _____________
VA = - VH

Exemplo 1.11 Direção da velocidade instantânea. Como sc justifica o fato de ser


o vetor velocidade instantânea tangente à trajetória do móvel a cada instante?
Solução. Suponha que uma partícula se mova sobre a curva Cindicada na Fig. 1.53.
Desejamos mostrar que ao passar em M, no instante /. sua velocidade tem a direção tan­
gente à trajetória em M. Para tanto, tomemos um instante posterior t’ em que o móvel es­
tá em M *. O vetor velocidade média entre t e í * tem a direção do segmento MM'. Se Aí =
C—t se aproxima de zero, o instante t ’se aproxima de t e M’ se aproxima de M. À medida
que M‘ se aproxima de M, a direção de v^ se aproxima da tangente à curva Cem M e, por­
tanto, o vetor velocidade instantânea tem a direção tangente à trajetória.
Exemplo 1.12 Equivalência entre o módulo do vetor velocidade instantânea e a ve­
locidade escalar instantânea. Mostre que o módulo do vetor velocidade instantânea é igual
ao módulo da velocidade escalar instantânea.
Solução. O módulo do vetor velocidade média é o quociente entre o comprimento
da cordaMM't o intervalo de tempo Aí. Quando o intervalo de tempo tende a zero, o ponto
M' se aproxima de Me corda e arco têm comprimentos cada vez mais próximos, isto é,
o comprimento da corda tende para o comprimento do arco.

48
M’ c M' c
v

Fig. 1.54 Quando t’ tende


M
t a t ,o ponto M’se aproxi­
ma de M, de modo que o
comprimento da corda
Fig. 1.53 Esquema para mostrar M t entre MeM' torn-se cada
que o vetor velocidade instantâ­ vez mais próximo do com­
nea é tangente à trajetória em ca­ primento de arco entre M
da instante t. eM\
Portanto, o valor da velocidade escalar instantânea tende ao mesmo valor do mó­
dulo do vetor velocidade instantânea.

Exemplo 1. 13 Na Fig. 1.55 mostramos um gráfico descontra / para o movimento


de um corpo. Determinar a velocidade escalar instantânea correspondente ao instante /
indicado no eixo Ot.

-/
O

Fig. 1.55 Esquema para o enunciado do Exemplo /. 13.

Solução. Considerando um instante / ‘posterior a t e determinando a variação esca­


lar de posição no intervalo de tempo de t a temos para
vw = Cxs/tsi ; As = QR, ãf = PR
Logo, v„, = tg 0, desde que as unidades métricas nos eixos Os e Ot sejam iguais. Ver
a Fig. 1.56.
Se £st tende a zero, o ponto Q se aproxima de Pe a secante PQaproxima-se da tan­
gente PT, o ângulo 0 aproxima-se de a .Então, pela relação (1.11), temos:
v = tg a = ds/dt

49
s

r *’

AS = s'- S ’

u 5

O
t
Át = t’~ t
Fig. 1.56 Esquema para a solução do Exemplo 1.13.

Observações:
1 - Quando empregamos a expressão “velocidade" estamos nos referindo ao ve­
tor velocidade instantânea.
2 - A velocidade instantânea não pode ser medida diretamente; contudo, o módu­
lo da velocidade instantânea pode ser determinado com boa aproximação medindo-se
a velocidade média num intervalo de tempo suficientemente pequeno.
Aceleração
A aceleração i a grandeza criada para informar como a velocidade de um móvel
varia (se lentamente ou se rapidamente). A aceleração é a rapidez com que a velocidade
muda, ou melhor,’ a aceleração é a taxa de variação da velocidade. Para conceituar a
aceleração é necessário definir algumas quantidades auxiliares.
(a) Variação de velocidade.
A variação do vetor velocidade no intervalo de tempo de t a t ’(f‘ > t) é a diferença
entre os vetores v’e v, velocidades instantâneas correspondentes aos instantes z'e t. Ou
seja,
] A~ = v’- v |
Na Fig. 1.57 ilustramos como se obtém a variação da velocidade.

Fig. 1.57 Esquema para determinar a va­


riação do vetor velocidade entre tet.

50
Denomina-se variação da velocidade escalar no intervalo de tempo de t a t ’ (t' >
/) a diferença entre a velocidade escalar v'correspondente ao instante l’e a velocidade
escalar v no instante t. Logo,
Av = V - v
Do triângulo indicado na Fig. 1.57 concluímos facilmente que:
lAv"l Z lAvI
Note que a igualdade indicada na relação anterior só ocorre no caso de trajetória
retilínea (sem inversão no sentido da velocidade). Compare o resultado anterior com
a equação (1.18).
(b) Aceleração média
Vetor aceleração média no intervalo de tempo de t a t' é o quociente da variação
do vetor velocidade ocorrida no intervalo de tempo At = t’ — t:
— Av"
(1.21)
~ bt

Na Fig. 1.58, ilustramos como se obtém o vetor aceleração média.

Fig. 1.58 Ilustração para mostrar co­


mo se determina o vetor aceleração
média.

A celeração escalar média no intervalo de tempo de t a t 'é o quociente da variação


de velocidade escalar ocorrida no intervalo de tempo At = t' — /:
Ãv
a. = — (1.22)
ãt
Observação: Estamos adotando neste Livro as seguintes notações para designar
valores médios- <a> e <r„, assim como: < v>, Ve v., etc.
Observe que: è |a«|
Verifica-se que a igualdade na relação anterior ocorre somente no caso de movi­
mento retilíneo (sem inversão de velocidade).

51
(c) Aceleração instantânea
Vetor aceleração instantânea no instante ré o vetor para o qual se aproxima o ve­
tor aceleração média entre os instantes t e t'(t’> f) quando t' se aproxima de t, isto é,
quando AZ tende a zero. Ou seja, levando em conta a relação (1.21), vem:
5" - limite Av~
AZ-0 AZ (1.23)
Aceleração escalar instantânea no instante Z é o valor para o qual se aproxima a
aceleração escalar média (1.22) entre os instantes t e Z* (Z'> Z), quando Z’ se aproxima
de Z, isto é, quando AZ = t‘ — Z tende a zero. Logo,
a = limite Ag (1.24)
A/-0 Aí

flt

an
Raio de curvatura
r

Centro de curvatura

C
O vetor a tem um componente tangencial e
um componente normal à trajetória
Fig. 1.59 O vetor aceleração instantânea
pode ser decomposto em dois componen­
tes ortogonais (ã' = õ“ + ).

Observações:
1 - O vetor a geralmente possui módulo maior que o módulo da aceleração esca­
lar. No caso de movimento retilíneo o vetor ã* possui módulo igual ao módulo da ace­
leração escalar. Logo,
|r|> |o |
2 - A direção do vetor <F depende do tipo de movimento do ponto. E conveniente
decompor o vetor ã" em duas posições previamente escolhidas e perpendiculares entre

52
si, a saber, a direção tangente à trajetória no instante t (direção de v")e a direção nor­
mal (perpendicular) à trajetória no mesmo instante. O vetor p denomina-se acelera­
ção tangencial e o vetor ã", é a aceleração norma! (ou aceleração centrípeta). Estes ve­
tores gozam das seguintes propriedades:
(a) O módulo de cT é sempre igual ao módulo da aceleração escalar instantânea.
Ou seja, õy = a
(b) O módulo de a, t sempre igual ao quociente entre o quadrado da velocida­
de instantânea e o raiode curvatura, r, no instante considerado.
|í| = S/r (1.25)
(c) O vetor a, sempre aponta para o centro de curvatura e está sempre sobre o
raio de curvatura', ele é frequentemente denominado aceleração centrípeta (que aponta
para o centro) ou aceleração radial (que tem a direção do raio). Ver a Fig. 1.59.
(d) O vetor õ" pode ser expresso pela soma vetorial de e ã~„ , ou seja,
ã = a, + í
(e) O módulo da aceleração total é dado por:
a = s/a,2+ ai (1.26)
f) O ângulo ó entre a aceleração <T e a velocidade V ê obtido mediante a relação:
tgó = í í (1.27)
(g) O vetor descreve como varia o módulo de v . Se p tem o sentido de v*, en­
tão o módulo de v é crescente Se p tem sentido oposto a jT, então v é decrescente.
(h) O vetor õ". descreve apenas as variações de direção do vetor v". No caso de
um movimento retUíneo ã~„ = 0.

Exemplo 1.14 No dispositivo da Fig. 1.60, o bloco A tem aceleração a x . Sendo


o fio inextensível, determine a aceleração de B.

u—

a.s

0
Fig. 1.60 Esquema do Exemplo
1.14.

53
Solução. No Exemplo 1.10 havíamos mostrado que num instante r qualquer:
£+ %=0 (1)
Num instante posterior
+V 0 (2)
Subtraindo (1) de (2), vem:
6? - \ ) + <*? - »í > = °
Ou então,
Ava + âvn = 0
Dividindo a relação anterior por Ar, obtemos:

= õ-
Ar Ar

Passando ao limite, quanto Ar tende a zero, obtemos:


£ + «L =o
Logo,
a* = “

Exemplo 1.15 Sobre uma reta OX um ponto se move de tal forma que sua veloci­
dade varia com o tempo deacordo com v = At + 1. Calcular sua aceleração, sabendo que
/ se mede em segundos e v em metros por segundo. Calcule o valor da aceleração do mó­
vel.
Solução. No instante t: v = At + 1 (1)
No instante v’ = At* + 1 (2)
Subraindo (2) — (1): v'- v = 4(z*— r) .'. Av = 4Ar
Logo,
-^=4
Ar

Se A/ sc aproxima de zero, vem: a - 4 m/s2 |

Exemplo 1.16 Sobre uma reta OX um ponto se move de tal Ibrma que sua veloci­
dade varia com o tempo de acordo com v = 2t* + 2, onde i se exprime em segundos e v
em m/s. Calcule a aceleração em t = 3 s.
Solução. No instante t ‘ v - 2P + 2 (D
No instante t* : v* = 2r’* + 2
Fazendo — t = Ar e t‘ = t + Ar, vem:
v* = 2(r + Ar)2 + 2 v’ = 2t2 + 4r Ar + 2(Ar)2 + 2 (2)
Subtraindo (2) — (1), vem:
v' — v = 4/Ar + 2AZ2 Av = 4/Ar + 2Ar’ :.
-⣠= At + 2AZ
Ar

54
Quando tst tende a zero, obtemos:
a = 4r
Para t ~ 3 s, vem:
a — 12 m/s'*

1.4 Movimento relativo


Já dissemos que para descrever um movimento é necessário utilizar um sistema
de referência. Contudo, exislemsistemas de referênciafixos esistemasde referência que
se movem juntamente com um corpo. Por exemplo, o passageiro de um trem caminha
no interior do trem. Podemos descrever o movimento do passageiro utilizando umsis-
tema de referência fixo no trem ou então um sistema de referência fixo na plataforma
(isto é,fxo na Terra). Um sistema de referênciafixo na Terra denomina-se "referencial
do laboratório”. O sistema de referência fixo no trem se move em relação ao sistema
dereferêciado laboratório com uma velocidade de transiação igual à velocidade do trem.
Nesta Seção vamos mostrar como é possível transformar as grandezas cinemáti-
cas de umsistema de referênciafixo na Terra para um sistema de referência que se move
com um dado sistema. Podemos também fazer a transformação inversa, isto é, saben­
do as grandezas cinemáticas de uma partícula em relação a um sistema móvel, pode­
mos determinar as referidas grandezas cinemáticas em relação a um sistemafixo na Terra
mediante as transformações que serão analisadas nesta Seção.
Para exemplificar, considere o seguinte problema:
Suponha que um menino esteja andando no interior de um ônibus em movimen­
to em relação a um observador fixo na Terra. Veja Fig. 1.61.

Fig. 1.61 Um ônibus se desloca com velocidade igual a 10 m/s em relação a um observadorOfixo
na Terra. O menino se desloca em relação ao ônibus com uma velocidade relativa igual a 2 m/s
(no mesmo sentido da velocidade).

O ônibus desloca-se em relação ao observador O (fixo no solo) com uma veloci­


dade de 10 m zs. O menino desloca-se em relação a uma observadora O’ (fixa no ôni­
bus) com uma velocidade de 2 m/s.
Pergunta-se: Com que velocidade o observador O vê o menino? Ora, dissemos,
é claro que a 12 m/s. Com efeito, pensamos em compor (adicionar vetorialmente) o
movimento do ônibus com o movimento do menino. O menino, pensamos, tem uma
"velocidade própria de 2 m/s e está afetado também pela velocidade de 10 m/s que o

55
ônibus tem. Assim sendo, como essas velocidades têm mesmo sentido, a “velocidade
verdadeira” (em relação a 0) do menino será 10 + 2 = 12 m/s, conforme mostra a Fig.
1.62.
12 m/s
///////////////'////// /7
10 m/s 2 m/s
////////7//A ////////7>
Fig. 1.62 Esquema para determinar a velocidade do meni­
no em relação ao observador 0, indicado na Fig. 1.61.
Vamos generalizar o raciocínio do exemplo anterior. Seja 5 um sistema de referê-
ciafixo na Terra (este sistema é também chamado na Mecânica Clássica de1 'sistema ab­
soluto”). Seja S’ um sistema de referência fixo num corpo que se desloca com veloci­
dade em relação ao sistema S. A velocidade do sistema S’ em relação a S deno­
mina-se velocidade de transporte ou velocidade de translação. O vetor posição de um
ponto em relação a S é igual a r* e em relação a S’ é igual a r> .O vetor posição do cen­
tro O’ do sistema S'em relação a Sé igual aí*. Logo, obsevando a Fig. 1.63, podemos
escrever:

r
O'
s

O S
Fig. 1.63 Um ponto Ppossui vetor posição T> em relaçõa a S' e
r* em relação a A- O vetor posição de 0’ em relação a S é igual
as~.

r~ = m + s*
Logo,
Ar* = Ar> + As* (1.28)
Dividindo ambos os membros da relação (1.28) por At, fazendo At tender a zero
e lembrando a definição de velocidade instantânea, obtemos a regra para transformar
a velocidade em relação a um sistema S’ para a velocidade em relação ao referndial ab­
soluto S: _____________
7 = v, + v, (L29)

56
onde v* é a velocidade do ponto P indicado na Fig. 1.64 em relação a S, v*« é a velo­
cidade do ponto P em relação a S’ e v", é a velocidade deiranslação de S’em relação
a S.
Na Fig. 1.65 ilustramos a soma vetorial indicada na relação (1.29).

v.

S’

S
Fig. 1.64 O ponto P se desloca com velocidade v", emrelação
a S'. A velocidade de S' em relação a Sé igual a C . Qual é
a velocidade de P em relação a S?.

Fig. 1.65 Regra para obter a velocidade v em relação a S.

Velocidade relativa
A equação (1.29) mostra que só tem sentido físico falar de uma velocidade quan­
do especificamos osistema de referência emrelação ao qual desejamos determinarare-
iocidade. A equação (1.29) é conhecida como “ transformação de Galileu para as velo-
cidades". A transformação de Galileu é baseada num dos postulados fundamentais da
Mecânica Clássica. Na Seção anterior dissemos que o tempo é absoluto, isto é, um in­
tervalo de tempo At no sistema S é igual ao intervalo de tempo At' no sistema S ’. Na Lei­
tura Complementar, no final deste Capítulo, mostraremos que este postulado não i aceito
na Física Moderna-, consequentemente, a relação (1.29) só vale na Mecânica Clássica.
Mostraremos, na Leitura Complementar, que a velocidade relativa na Física Moderna

57
não é calculada pela equação (1.29). Contudo, na esmagadora maioria das aplicações
práticas, como asvelocidades envolvidas são muito menoresdoque avelocidade da luz
no vácuo, verifica-se que a fórmula (1.29) fornece resultados que concordam com os
dados experimentais.
Vamos explicar a velocidade relativa vÇ dada pela equação (1.29):
| yj = 7 - vf [ (1.30)
Seja v* = = velocidade de P em relação aS. Seja {T = yT = velocidade do
referencial S’ em relação a S. Seja Ç = A - velocidade de B em relação a A. Po­
demos escrever a regra da velocidade relativa (1.30) do seguinte modo:
|r „.a = | (>-3i)
A equação (1.31) fornece a regra para se obter a velocidade relativa de B em rela-
çãoaA, sendo B e A dois corpos determinados. Por exemplo, no caso da relação (1.30),
Bi o ponto Pe A i o corpo no qual fixamos o referencial S’; i a velocidade ví
do ponto P em relação a A. A velocidade é a velocidade do corpo B em relação ao
referencia!fixo na Terra e é a velocidade de A (ou do sistema S0 em relação ao re­
ferencial fixo na Terra. A seguir, vamos exemplificar o uso da equação (1.31).

Exemplo 1.17 Um homem caminha pela rua com velocidade de 3 m/s. A chuva
cai verticalmente com velocidade de 4 m/s. Como o homem vê a chuva cair?
Solução. Na parte (o) da Fig. 1.66 mostramos as velocidades em relação a um ob­
servador fixo no solo.

3 m/s
3 m/s
( vc = 4 m/s
4 m/s

$ VR - VC,A

(a) (b)
Fig. 1.66 Esquema do Exemplo 1.17.
Na parte (ò) da Fig. 1.66 indicamos um referencial S'fixo no homem (corpo A) e
um referencial S fixo no solo. O índice C maiúsculo indica chuva c o índice A refere-se ao
homem. Portanto, vÇ A - velocidade da chuva em relação ao homem. De acordo com
a relação (1.31), temos:
= ''C.A = VC ~ _ C’
onde vt é a velocidade da chuva em relação ao referencial S fixo no solo ei; é a veloci­
dade do homem em relação ao referencial S. Na parte (c) da Fig. 1.66 mostramos a dife­
rença velorial indicada na equação (1). Como o triângulo indicado na parte (c) da Fig. 1.66
é um triângulo retângulo, temos:
vR = y/ vl + vi = V 47 + 37
vR = 5 m/s

58
tg 4
*A 3
O homem vê a gota cair a 5 m/s numa direção inclinada de um ângulo <t> em relação
à horizontal, sendo:

0 = arc tgA
3

Exemplo 1.18\lm bombardeiro viaja a 300 km/h na direção SO-NE, horizontal­


mente. Um caça viaja para interceptá-lo na direção Norte-Sul. Com que velocidade o pi­
loto do bombardeiro vê o caça se aproximando?
Solução. Na parte (o) da Fig. 1.67 indicamos as direções Norte-Sul c Leste-Oeste,
bem como as direções intermediárias. Na parte (Z?) mostramos as velocidades em relação
a um referencial fixo na Terra.

Fig. 1.67 Esquema do Exemplo 1.18.

Seja vc a velocidade do caça e v 8 a velocidade do bombardeiro. A velocidade re­


lativa do caça em relação ao bombardeiro, de acordo com a equação (1.29) vale:
“« = n, = v, -
Na Fig. 1.68 ilustramos a determinação da diferença vetorial indicada na relação
acima.

Fig.1.68

59
Levando em consideração o triângulo da Fig. 1.68, obtemos:
v„ — -Jvc + v(— 2vcvb cos 135°

vR = j 6007 3oo7 + z.soo.eoo.iVTj/z


v, = V 70,2 x 10‘
v, s 8,4 . 1(F
v, = 840 m/s (na direção indicada na Fig. 1.68)

Aceleração relativa
De acordo com a equação (1.31), temos:
Aik. = ~ ai;
Dividindo ambos os membros da equação anterior por AZ e fazendo Az tender a
zero, encontramos a seguinte expressão da aceleração relativa'.
Õ’>.^= ã~, -ã\ (1.32)
onde ÕJ.A é a aceleração relativa de B em relação a A, ã", ia aceleração de B em rela­
ção a um referencial fixo na Terra e ã~B é a aceleração de A em relação a um referen­
cial fixo na Terra.

1.5 Aplicações da Cinemática


Nas seções anteriores estudamos os conceitos fundamentais de Cinemática. Nes­
ta Seção vamos aplicar os conceitos da Cinemática para a descrição de alguns tipos de
movimentos importantes. Vamos descrever o movimento retilineo uniforme (MRU),
o movimento retilírieo uniforme acelerado, o movimento de um corpo em queda livre,
o movimento circular uniforme e o movimento circular uniformemente acelerado.
Movimento uniforme
Denomina-se movimento curvilíneo uniforme ou, simplesmente, movimento uni-
forme, todo movimento que possui aceleração escalar nula. Portanto, o movimento uni­
forme é aquele cuja velocidade é constante. Convém distinguir o movimento retilineo
uniforme (MRU) do movimento curvilíneo uniforme. No MR Ua velocidade é um vetar
constante, ao passo que no movimento curvilíneo uniforme a velocidade é um vetor va­
riável (em direção), mas possui módulo constante.
Um caso particular importante de movimento uniforme é o movimento retilineo
uniforme, que, como o nome indica, é o movimento uniforme de trajetória retilinea. O
que se vai exporá seguir é verdadeiro para qualquer movimento uniforme, independen­
temente de sua trajetória.
a. Gráfico da Aceleração no Movimento Uniforme
Num m. u., como vimos a = 0. O gráfico a x t é uma reta coincidente com o eixo
Ot. Ver Fig. 1.69.
b. Gráfico da Velocidade do Movimento Uniforme
Comoa = 0 no m.u., então, a velocidade é constante. O gráfico vxti uma reta
paralela ao eixo Ot. Ver Fig. 1.70.

60
a
v

v= k
a = 0

0 t
0 t

Fig. 1.69 O gráfico a X t num movimento retilí­


neo uniforme é uma reta que coincide com o ei­ Fig. \ -lOGráficov X t no m. u. (v k, onde
xo Oi (a = o). k é uma constante}.

c. Gráfico da Posição no M. U. Equação Horária


Como num m.u. vi constante, o gráficos x 11 uma reta.
A equação horária do m.u. t uma equação do 1? grau em t, da forma:
s = At + B
Para determinar o significado das constantes A eB da equação, observemos o grá­
fico da Fig. 1.71.
— B é o valor de s quando t = 0: i a posição inicial s».
— A t o coeficiente angular (tg a) que fornece a velocidade v do movimento.
Assim, a equação horária de um m.u. é:
Is = & + w|

0 t

Fig. 1.71 Gráfico s X t no m. u.

Movimento retilíneo uniformemente acelerado


a. Definição
Denomina-se movimento uniformemente variável (m.u.v.) todo movimento cuja
aceleração tangencial possuí módulo constante. Quando a aceleração tangencialpossui
o mesmo sentido da velocidade instantânea dizemos que o movimento é uniformemen­
te acelerado (a >0).Quando a aceleração possui sentido contrário ao sentido da veloci­
dade instantânea, dizemos que o movimento é uniformemente retardado (aceleração ne-

61
gativa). Vamos considerar, aseguir, um movimento retilíneo uniformemente acelerado
(a> 0). Para estudar um movimento retilíneo uniformemente retardado basta substituir
a por —a nas equações que serão deduzidas a partir de agora. Tudo que afirmamos a
sguir sobre o m.r.u.v. também vaie para o m.u.v. de um modo geral.
b. Equação da Aceleração e Gráfixo ax t
A equação da aceleração do m.u.v. é
fõ = Ar |
onde k é uma constante não nula. Assim sendo ojgráfico a x t terá a forma indicada na
Fig. 1.72.
J I 0

a = k

0 t
Fig. 1.72 Gráfico a X t no movimento uniformemente
acelerado.
Observação: O movimento uniformemente variável pode ser retilíneo ou curvilí-
neo. No caso do movimento retilíneo uniformemente variável, o vetor aceleração tf é
constante (isto é, possui módulo, direção e sentido constantes). No caso de uma trajetó­
ria curvilínea com movimento uniformemente variável somente o módulo da acelera­
ção a permanece constante, pois a direção do vetor õ* varia. Além disto, no caso do mo­
vimento curvilíneo uniformemente variável, além da aceleração tangencial existe uma
aceleração normal à trajetória. Contudo, no movimento retilíneo uniformemente variável
não existe aceleração normal à trajetória. O tratamento que será feito a seguir vale para
qualquer movimento retilíneo uniformemente variável ou então para a velocidade esca­
lar e para a aceleração escalar (isto é, ao longo da trajetória) num movimento curvilíneo
uniformemente variável. Como exemplo de um movimento curvilíneo uniformemente
variável estudaremos o movimento circular uniformemente variável (ver mais adiante).
c. Gráfico vxt e Equação da Velocidade do M. U. V.
No m.u.v. a aceleração é constante, logo o gráfico vxt é uma reta inclinada em
relação ao eixo dos tempos. Assim sendo, a equação da velocidade em função do tem­
po será da forma: v = At + B. Béo valor de v para t = 0, que denominaremos v„, A
é o coeficiente angular tg a. Mas como tg a = aceleração (a), vem:
|v = Vo + ar | (1.33)
Na Fig. í .73 mostramos o gráfico da velocidade v contra o tempo t no movimento
uniformemente acelerado. No caso de um movimento uniformemente retardado basta
trocar a por — a na equação (1.33)

62
v = v0 4- at

vo
a
*• t
0

Fig. 1.73 %rqfico de v contra i no movimento uniformemente acelerado.

Observação: Afirmaremos sem demonstrar que no m. u. v. a velocidade média num


intervalo de tempo (/«, t) é a média aritmética entre as velocidades v0 e v, corresponden­
tes aos extremos do intervalo.
d. Equação Horária e Gráfico S x t
Consideremos um móvel que, num certo instante r0, passa por um ponto de po­
sição * com velocidade v„ e que num instante posterior t passa em um ponto de posi­
ção s com velocidade v, executando umm.u.v. de aceleração a. No intervalo de tempo
(/□, /) sua velocidade média foi:
s — Sa
t - t„

Fazendo /„ = 0 na relação anterior, teremos:


v = (s-s„)/r (1.34)
Conforme dissemos na observação anterior, a velocidade média pode ser expres­
sa através da seguinte média aritmética:
v = (v0 - v)/2 (1.35)
Igualando as equações (1.34) e (1.35), encontramos:
(s - *)// = (v„ + v)/2 (1.36)
Substituindo a equação (1.33) na relação (1.36), achamos:

~ ■Sin V, + v„ + at . s - So 2v„ + at . s - s,
= Vc + [at:.
t 2 " t 2 " t

63
s — s, = v„z + -!■ ar
Donde se conclui que: 2
1 ,
s = s,, + v„z + —ar (1.37)
Vamos obter agora o gráfico s X z. Note que a equação horária (1.37) é uma equa­
ção do segundo grau da forma:
y = ax2 + bx + c
Portanto, como toda função dada por um polinômio do segundo grau representa
uma parábola, concluímos que é parabólica a forma da curva do espaço percorrido s
em função de Z. Supondo a maior do que zero {movimento uniformemente acelerado)
e v» maior do que zero (velocidade inicial no mesmo sentido de a), podemos construir
o gráfico indicado na Fig. 1.74. Faça como exercício a construção de gráficos de s con­
tra Z nos seguintes casos: (a)s, = 0, a>0, v„>0; (b)s„ = 0, a>0, v„<0; (c) s;,< 0, a>0,
v„<0; (d)s„ = 0, a<0, v„>0; (e)s„<0, a<0, v„<0.

a t

tg a = Vo

Fig. 1.74 Gráfico do espaço percorrido s em função do lempo l, no caso de um


movimento uniformemenle acelerado com uma velocidade inicial que possui o
mesmo sentido da aceleração a.

(e) Equação de Torricelli


A Equação de Torricelli é uma equação que fornece a velocidade y em função da
aceleração a e do espaço percorrido s. Para obter esta equação basta explicitar o tempo
Z da equação (1.33) e substtuir o resultado na equação (1.37). Faremos a seguir a dedu­
ção da Equação de Torricelli.
Se eliminarmos t no sistema formado pela equação horária e pela equação da ve­
locidade, poderemos relacionar a velocidade com a posição de um m.u.v.
v = v„ + at v — v0 = at

64
s = s„ + v„z + — at2 t = V - V.
2 a
,v +1o(ÍLe^2 ...
s = st, + v„ (—
a 2 a

2a (s - sa) = 2v„v — 2vi, + v2 + vi - 2v,v


2a (s - s„) = v2 — vi
Portanto,
v2 = vi + 2a (s — sí) (1.38)
A relação (1.38) é a famosa Equação de Torricelli. Graficamente, a Equação de
Torricelli é representada por uma parábola, conforme indicado na Fig. 1.75.

O s
vi
2a

Fig. 1.75 Gráfico de v contra s para a fórmula de Torricelli


(1.38),

Exemplo 1.19 Um automóvel viajava a 20 m/s e um motociclista o perseguia a 40


m/s. Quando a distância entrt os dois era de 20 m, a moto começa a freiar com aceleração
dc módulo constante dada por: (o) 10 m/s2, (6)7, m/s2. Quando sedará o encontro? Ilus­
tre cada caso com um gráfico sX í.
Solução, (a) Como o enunciado nada afirma sobre a trajetória, podemos admitir
uma trajetória retilinea ou então uma trajetória curvilinea. Supondo uma trajetória cur-

65
vilínea devemos considerar que a aceleração é a aceleração tungencial escalar ao longo da
trajetória. Vamos imaginar uma trajetória curvUínea, conforme ilustrado na Fig. 1.76.

A = M
A
M -
O SOM = 0 pOA = 0 fsA = SM
V0M = 40 m/í J VOA = 20 m/,
t
l0 = 0 L'o = 0
Fig. 1.76 Trajetória do Exemplo 1.19.
O movimento do automóvel é uniforme e o movimento da motocicleta é uniforme­
mente retardado. Utilizando c índice/I paraoou/ozndve/eoíndice M para a motocicleta,
podemos escrever as seguintes equações horárias:
Sa = 20 + 20 t
A, = 40 í -1. 10 r’
2
su = ÓM
20 + 20 t = 40 t - 5 t3
5 t3 - 20 t + 20 = 0
Obtivemos uma equação do segundo grau no tempo (. A solução desta equação for­
nece o instante no qual os veículos se encontram. Logo,

\/l 6 - 16
t1 - Al + 4 = 0 :. t = 1= 2s
2

A equação tem duas raízes iguais a 2. Há encontro em um único local. O local do


encontro é
Sa — 20 + 20.2 = 60 m.
Na Fig. 1.77 ilustramos as curvas s contra t para o automóvel e para a motocicleta.
Note que o ponto de tangência destas curvas fornece a solução do item (a).
, í (m)

60

20

t(s)

Fig. 1.77 Gráfico s X t para a parte (a) do Exemplo 1.19.

66
(b) Para resolver o caso (b) basta fazer um raciocínio semelhante ao feiro na solu­
ção do item (o).
Sa = 20 + 20 t

Sm 40 í - L 7,5 d

20 + 20 t = 40 t - —7,5 d
2
40 + 40 t = 80 t - 7,5 d
7,5 d - 80 t + 40 t + 40 - 0
40 ± V 1600 - 1200 40 ± 20
l = ------------ — t -------
15 15
h= 4s
h = 1,33 s
Os locais de encontro são:
Sa, = 100 m; íAj = 46,6 m.
Na Fig. 1.78 mostramos os diagramas das equações horárias dos respectivos veícu­
los. As interseções entre as duas curvas indicam as soluções possíveis.

100te__

X
\
\
46,6 \
20 U 1
I l
t(s)
O 1,33 15
Fig. 1.78 Gráfico s X t para a parte (b) do Exempto 1.19.

Movimento vertical num campo gravltacional uniforme


Newton e Galileu realizaram experiências sobre a queda livre de corpos na vizi­
nhanças da superfície terrestre. Eles verificaram que todos os corpos caem no vácuo com
a mesma aceleração, conforme ilustrado na Fig. 1.79. A experiência é simples. Colo­
ca-se num recipiente dois objetos de massas diferentes, por exemplo, uma pedra e uma
pena de uma ave. Depois de fazer o vácuo no interior do recipiente, deixamos os dois
corpos caírem da mesma altura, conforme ilustrado na Fig. 1.79. Verificamos que os
dois corpos atingem a base do recipiente no mesmo instante, indicando que a acelera­
ção g dos corpos é constante. Dizemos que o campo gravltacional da Terra é uniforme
(nas vizinhanças da superfície terrestre) porque g é constante.

67
VÁCUO

I h
I
l
I
I
í s„ = H
h ✓ v« * 0 e v <0
I I
I I | h = 0
I I
I I
I I
I I g<0
I I H
I s = h
I
I
I
I
I
I
I
I
I
l" v<0
t
h
l I
Fig. 1.79/4 experiência mostra que, no vá­
cuo, todos os corpos caem com a mesma Fig. 1.80 Movimento de um corpo lança­
aceleração g (aproximadamente igual a 9,8 do verticalmente de cima para baixo com
m/s1). uma velocidade v„.

Na verdade o valor de g não é o mesmo em todos os pontos da superfície da Ter­


ra, sendo maior nos pólos que no Equador. Tomaremos como valor aproximado de
g o valor médio:
| g = 9,8 m/s2 |
Em alguns problemas utilizaremos o seguinte valor aproximado-, g = 10 m/s2
Verifica-se experimentalmenle que todo corpo lançado verticalmente de cima pa­
ra baixo (ou de baixo para cima) descreve uma trajetória retilínea vertical. Portanto, a
queda livre de um corpo t um caso particular de um movimento retilíneo uniformemen­
te variável (já estudado anteriormente).
Queda de um Corpo
Suponhamos que lancemos um corpo para baixo, verticalmente, com uma velo­
cidade inicial v„. O corpo cairá com aceleração g e executará um m.r.u.v. Vamos de­
finir a posição do móvel pela sua altura em relação ao solo. Ver Fig. 1.80.
A aceleração da velocidade do movimento uniformemente variado é:
V = vn + at

68
No nosso caso o movimento será acelerado (velocidade e aceleração terão mes­
mo sinal) e como orientamos o eixo Oh para cima, consideraremos v0 e g negativos:
v = - Vo - gt |v = - (Vo + gf)|
onde o sinal negativo indica apenas que v tem sentido oposto a Oh.
A equação horária do m.u.v. é:

s = sí+ vor + — at2


2
e aqui se tornará:

h = H - vd -—gt2
2
A Equação de Torricelli no m.u.v. é:
v2 — vi + 2a (s — si)
Logo, a Equação de Torricelli assume a forma:
[7= vj+ 2g(H- ft)|

Lançamento Vertical de Baixo para Cima


Suponha que um corpo seja lançado do solo, verticalmente, de baixo para cima,
com uma velocidade inicial v0. Na Fig. 1.81 ilustramos este caso. Um procedimento
análogo ao adotado no estudo da queda /tjrímostra que as equações de v e de h são
dadas por:

| v = v» - gT] h = vd - j-gt2 |
___________ j
e a Equação de Torricelli fica:
| v? = vi - A|

v
s=h
t g<0

h Vo * 0 e 0
Jo = 0
Fig. 1.81 Movimento de um corpo lançado
O to ~ 0 verticalmente de baixo para cima com uma ve­
locidade inicial Va.

69
Observação importante: QUando um corpo é lançado cm qualquer direção dife­
rente da direção vertical, verifica-se que ele não descreve uma trajetória retilínea verti­
cal, Demonstra-se, neste caso, que a trajetória descrita é uma parábola. O movimento
de um corpo lançado numa direção qualquer nas vizinhanças da superfície terrestre de­
nomina-se “ movimento de um projétil". O movimento de um projétil num campo gra-
vitacional uniforme é estudado no Livro "Gravitação, Oscilações e Ondas" de Adir M.
Luiz e Sérgio L. Gouveia.

Exemplo 1.20 Determine o tempo de queda (rq) de um corpo lançado de uma al­
tura H.
Solução. Se o corpo é simplesmente largado, sua velocidade inicial é nula (v0 = 0).
Fazendo t0 = 0 no instante em que o corpo é largado, obtemos:
0 = H - gtl/2
Portanto,
/, = -JlH/g

Exemplo 1.21 Um corpo é lançado verticalmente de baixo para cima com veloci­
dade inicial v0. Determine a expressão da altura máxima //atingida pelo corpo, despre­
zando-se a resistência do ar.
Solução. Quando um corpo é lançado verticalmente de baixo para cima, de acordo
com a Equação de Torricelli, temos:
v3 = vi - 2gh
Para h - H (altura máxima), a velocidade final é nula (v = 0). Logo,
vi = 2gH | H = vj/2g |

Exemplo 1.22 Um corpo é lançado de baixo para cima com velocidade inicial vn.
Mostre que:
(a) o tempo que leva subindo é igual ao tempo que leva descendo;
(d) a velocidade com que chega ao solo tem o mesmo valor numérico que a velocida­
de com que foi lançado;
Solução, (a) Quando o corpo atinge a altura máximo H, sua velocidade é nula. Fa-
zendç v = 0 quando t = r, na equação v = v0 - gt, vem:

0 = v0 - gt.

Vo = -J 2gH\ logo:

A =

Ao descer, o corpo cai de uma altura Hc o tempo rQ da queda é, como já vimos:

fq = Í2H/S

70
Assim (r,_=

(6) O corpo vai cair de uma altura Hsem velocidade inicial para descer. Usando a
Equação de Torricelli:
v2 = v}+2g(H -hl
h - 0, vem:
v^ = 0 + 2gH :. v = f2gH

Mas como H i a altura máxima atingida por um corpo lançado com velocidade ini­
cial v«, vem:
v„ = -JlgH

Assim: | v = Kl
Movimento circular uniforme
a. Velocidade Angular
Consideremos uma partícula deslocando-se em movimento uniforme de trajetó­
ria circular. Ver Fig. 1.82.
Tomemos o ponto A como origem da trajetória. Suponhamos que, no instante 6,
a partícula se encontre num ponto R, tal que OP» faça com OA um ângulo 90, e que, no
no instanteZ.se encontre em um ponto P, tal queOPfaçacom OA um ângulo 9. Deno­
minemos o ângulo 9 ângulo de fase. Chama-se velocidade angular média o quociente
entre a variação de fase A9 = 9 - 90 e o intervalo de tempo em que tal variação ocor­
reu. Ver Fig. 1.82.
t

Po

9
9o
A
O

OA = R

Fig. 1.82 Variável angular (6) para estudar um mo­


vimento circular uniforme.

71
Definição do módulo da velocidade angular média:
ÁÕ~
w -------
Ál
Exprimimos a velocidade angular média em radiano por segundo:
[unidade de gj = rad/s |
Define-se a velocidade angular instantânea como limite para o qual tenda a velo­
cidade angular média, quando o intervalo de tempo em que é medida tende para zero.
lim A 6
u = ----
Át—0 Ál

No movimento circular uniforme w é constante.


Nota: — Noção de radiano (rad).
Definição: o radiano é o ângulo centra! 6 que determina na circunferência o arco
As de comprimento igual ao raio R (Ás = R).
|z"l rad — arco - R
As = A0
|V.A0 rad — arco As

O comprimento da circunferência é 2irR = Ás, fazendo Ás - 2-trR = ÁB . R


AO = 2tr rad
O ângulo central que determina a circunferência é, então, 2ir rad = 360°
Na parte (a) da Fig. 1.83 mostramos um ângulo 8 = 1 radiano. Na parte (b) da
Fig. 1.83 mostramos a proporcionalidade entre comprimento de arco e ângulo (em ra­
diano), ou seja, As = RáO. Para transformar ângulo em raiano para ângulo em grau,
use uma proporcionalidade (regra de três dirata), tomando como base a igualdade tr rad
= 180°. As

I As = /?! /
z

6 = 1 rad

(«)
<*)
Fig. 1.83 (a) Definição de ângulo em radiano. (b) Proporcionalidade entre As e A8

72
b. Período (T)
Período de um movimento circular uniforme é o tempo gasto pelo móvel para efe­
tuar uma rotação completa.
No movimento circular uniforme

=—
T

pois, em um tempo T, o móvel descreve um ângulo central de 2ir rad.


c. Frequência
Consideremos um móvel que, num intervalo de tempo ÁZ, efetue Nrotações em
movimento circular uniforme. Sua frequência f é definida por:

1/=^ Cst

Méde-se a freqüência em rotações por segundo ou Hertz.


1 r.p.s = 1 Hz
Observação: Como o número de rotações não é uma grandeza física, logo,a di­
mensional de freqüência é o inverso de intervalo de tempo. Assim:
1,0 Hz = 10.s-/
Relação entre freqüência e período:
N voltas o móvel dá em Ar segundos
1 volta o móvel dá em T segundos
Logo,
i.’.
T íst T T
A velocidade angular u pode ser expressa em função da freqüência por
[ üj — lirf |
d. Equação da Fase no M. C. U.
Consideremos uma partícula em M.C.U., com velocidade angular, que num ins­
tante r„ esteja com fase ft, e que num instante t, com fase 6. Como o> = constante no
M.C.U., podemos escrever:
A9
a> = ---- uAr = At)
AZ
• — õut óut .'. d = + oiíst
Fazendo t„ = 0, vem:
j0— |
que t a equação de fase no M.C. U.

73
A relação anterior denomina-se equação de fase de um movimento circular uni­
forme. Ela fornece o ângulo central (ou fase) em radianos em função do tempo t cm
segundos, sendo que a velocidade angular w deve ser expressa em radianos por segun­
do. Ver Fig. 1.84.
•» to
t

0
I 0o
I
I
O 1--------- 1a
l I

Fig. 1.84 Esquema para determinar a equação de


fase de um movimento circular uniforme.

Exemplo 1.23 Uma roda gigante gira com frequência de 2 r.p.m. Num certo ins­
tante a cadeira de Joãozinho está no ponto mais próximo do solo. Qual a sua posição an­
gular 10 s depois?
Solução. Na Fig. 1.85 mostramos o esquema do enunciado deste problema.

Fig. 1.85 Esquema do Exemplo 1.23.

74
O ângulo Afl que a cadeira girou é dado por:
A0- ~ o>Ar .'. A0 = 2*fM
Se trabalharmos com AZ em segundos, devemos exprimir/em r.p.s

f = 2 r.p.m. =— r.p.s.
60

A0 = 120°
Resposta: 120° a partir do ponto mais baixo.

e. Velocidade no M.C. U.
A velocidade no M.C.U t constante em módulo, mas é variável em direção. As­
sim,
kl = V Voltar

Vamos determinar o valor de v


s = s0 + vbt

Dividindo por R:
s 5° J. v A ,
— - — h—Ar
R R R
Comparando com a equação s= R9
v
6 = 0o + ãt
T
Logo:
0 = 0o + wAr

Das igualdades anteriores decorre:


v = u.R

Observação: Embora deduzida para um caso particular, essa expressão é geral-,


0 módulo do vetor velocidade é dado, em cada instante, pelo produto uR, onde uéa
velocidade angular instantânea, e R é o raio de curvatura.
f. Aceleração no M.C.U.
O movimento circular uniforme é um movimento acelerado, visto que a direção da
velocidade varia permanentemente .Como o módulo da velocidade não varia, a acele­
ração tangencial é nula. Assim, no AZ. C. U. só existe a aceleração normal (ou centrípeta)
e é dada por:
v3
aH = —
R

75
_ uR1 .1 7“
ou, como v = u R, aH = ----- .. R
R '------------

Movimento circular uniformemente variável


Anteriormente estudamos o movimento uniformemente variável. Denomina-se
movimento circular uniformemente variável o movimento de um corpo que descreve uma
trajetória circular com uma aceleração tangencia! a, constante.
Denomina-se aceleração angular média a seguinte razão:
j — Aoj/A/ ]
onde Au> é a variação da velocidade angular num intervano de tempo AZ. N aceleração
angular instantânea (ou, simplesmente, aceleração angular), é o limite da aceleração an­
gular média quando o intervalo de tempo Ar tende a zero, ou seja,
a = limite
AZ - 0 AZ

Podemos definir o movimento circular uniformemente variável como sendo aquele


para o qual a velocidade angular a é constante.
Como no m.c.u. v. a aceleração tangencia! o, também é constante, temos um ca­
so particular de um m.u.v. (já estudado anteriormente). Quando a aceleração tanen-
cia! ã~, possui o mesmo sentido da velocidade instantânea v~, dizemos que o movimen­
to circular é uniformemente acelerado. Quando ã~T possui sentido contrário ao senti­
do de v~, temos um. caso de movimento circular uniformemente retardado. As fórmu­
las (1.33), (1,37) e(l .38) podem também ser usadas num movimento circular uniforme­
mente variável.
No m. c. u. v. vale a equação geral: v = uR
A aceleração norma! (ou aceleração centrípetá) num m.c.u. v. é dada por:
k = w2R |
Observação: As duas relações anteriores valem tanto no m.c.u. quanto no m.c.u.v.
Como no m.c.u. a velocidade angular é constante, concluímos que v" e ã"N possuem
módulos constantes (no m.c.u.). Contudo, como no m.c.u.v. a velocidade angular é va­
riável, concluímos que v e õ"N possuem módulos variáveis. Potanto, no m.c.u. v. as
duas relações anteriores devem ser aplicadas tomando-se o valor de u a cada instante.
No m.c. u. v. existem duas acelerações: a aceleração tangencia! ü*T e a aceleração
norma! ã\. Ver Fig. 1.86.
É fácil perceber que;
0=0",+

r =v i5;r.+ |rN| 2

tg =
|r„|
Kl
76
V

ax
\a
d>
a = a N + a t

tg</> «= tfN/aT
an

Fig. 1.86 Esquema para mostrar co­


mo se determina a aceleração total
a .
No Capítulo 5 (Mecânica das Rotações) estudaremos com detalhes a Cinemática
do Movimento Circular.

Leitura Complementar
A MECÂNICA CLÁSSICA EA FÍSICA MODERNA

Os estudos da Mecânica influíram significativamente sobre o desenvolvimento da


Física desde o início do século XVI até os dias atuais. A Mecânica Clássica é também cha­
mada de MecânicaNewtoniana. Os conceitos fundamentais da Mecânica Clássica foram,
elaboradas principalmente por GALILEU (1564-1642) e por NEWTON (1642-1727). Neste
Livro pretendemos esclarecer os conceitos básicos da Mecânica Clássica. Nos demais Li­
vros da Coleção “FÍSICA para o Segundo Grau, para o Vestibular epara a Universida­
de”, o leitor poderá apreciar a importância da Mecânica Clássica no estudo da Física Clássica
e no desenvolvimento da Física Moderna. Convencionamos chamar de *'Mecânica Clás­
sica” o conjunto dos conhecimentos de Mecânica adquiridos desde os tempos de Galileu
até o final do século XIX. A Física Clássica abrange os conhecimentos de Física adquiri­
dos pela Humanidade até o final do século XIX. A partir do final do século XIX começa­
ram a surgir novos e importantes conceitos de Física que complementaram e que estende­
ram os conceitos da Física Clássica. A Física Moderna abrange estes novos conceitos ela­
borados desde o final do século XIX até os dias atuais.
Na Seção 1.2 mostramos que os dois postulados fundamentais da Cinemática afir­
mam que todo comprimento AL permanece invariante e que todo intervalo de tempo At
também nâo depende do sistema de referência adotadoJEstes postulados fundamentais con­
duzem a outras conclusões especificas da Mecânica Clássica como, por exemplo, o méto­
do de determinação da velocidade relativa (ver a Seção 1.4). No início do século XX, Eins-
tein estabeleceu os princípios da Teoria da Relatividade Restrita que é uma das bases da
Física Moderna. De acordo com a Teoria da Relatividade, a velocidade da luz no vácuo
é uma constante c que permanece invariante em relação a qualquer sistema de referência
móvel. Contudo, todo comprimento AL depende do sistema de coòrdenadas e todo inter-

77
valo de tempo Aí assume diferentes valores em relação a sistemas de coordenadas que se
movem comdiferentes velocidades. Denomina-se Mecânica Relativística a Mecânica Mo­
derna baseada na Teoria da Relatividade. As fórmulas da Mecânica Relativística concor­
dam com as fórmulas da Mecânica Clássica quando as velocidades envolvidas forem mui­
to menores do que a velocidade da luz no vácuo (dada por c = 300.000 km/s). Como todos
os corpos macroscópicos se deslocam com velocidades muito menores do que c, concluí­
mos que os dois postulados citados, bem como todas as conclusões da Mecânica Clássi­
ca, concordam muito bem com os resultados experimentais. Contudo, no estudo do mo­
vimento de partículas microscópicas (qvaxióo as velocidades envolvidas nâo forem muito
menores do que c), verifica-se que os dois postulados mencionados, bem como todas as
fórmulas da Mecânica Clássica, não concordam com os dados experimentais. O leitor in­
teressado em comparar a Mecânica Clássica com a Mecânica Relativística pode consultar
o Livro ''Ótica e Física Moderna1' de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
As fórmulas (1.3l)e (1.32) só podem ser usadas no limite dc validade da Mecânica
Clássica, isto é, quando as velocidades envolvidas forem muito menores do que r; caso con­
trário, a transformação de Galileu (1.31) deve ser substituída pela seguinte equação:

- vh ~ va

onde o ponto indica produto escalar ec é a velocidade da luz no vácuo. Quando as veloci­
dades envolvidas forem muito menores do que c, a expressão anterior se reduz ao caso da
fórmula da velocidade relativa indicada na expressão (1.31). Note que, de acordo com a
relação anterior, não pode existir nenhuma velocidade relativa maior do que c. Conside­
re, por exemplo, doisfótons (partículas de luz) se movendo em sentidos contrários. Neste
caso, substituindo vB = c e vA = -c na equação (1.31), obtemos: í^ A = 2c . A
experiência mostra que a transformação de Galileu não vale para a luz nem para o movi­
mento de partículas com velocidades próximas da velocidade da luz. Pela relação anterior,
podefnos concluir que:

v5-
Questionário

1.1 As grandezas da relação abaixo foram medidas sem erro até o penúltimo algarismo
significativo. Especifique o erro relativo máximo e o número de algarismos signifi­
cativos de cada uma destas grandezas:
(a) 0,0093 m; (b) 0,08275 m
1.2 O que é acréscimo ou variação de uma grandeza?
1.3 (a) O que é coeficiente angular de uma linha reta? (d) Como se determina o coefi­
ciente angular de uma linha reta?
1.4 Dê 5 exemplos de grandezas escalaras e 5 exemplos de grandezas vetoriais.
1.5 (o) A soma de dois vetores de módulos diferentes pode ser igual a zero? (b) A soma
de três vetores não-coplanares pode ser igual a zero? (c) Em que condições a soma
vetorial de um número N de vetores fornece um vetor nulo?
1.6 Um vetor unitário pode possuir unidade ou dimensão?

78
1.7 Escreva uma equação vetorial envolvendo dois vetores: (a) ortogonais, (ò) parale­
los.
1.8 Seja a equação vetorial ã" .b = a .c". Podemos concluir desta equação que b~ é
umv etor equipolente ac?
1.9 Uma Lei Física deve ser válida qualquer que seja o sistema de coordenadas utiliza­
do para descrever a referida Lei. Além disto, as equações que representam Leis Físi­
cas são dimensionalmente homogêneas. Seria possível dispensar os sistemas de re­
ferência e os sistemas de unidades para descrever os fenômenos físicos?
1.10 (a) O módulo do vetor deslocamento é sempre igual ao deslocamento escalar? (6)
O módulo do vetor velocidade média é sempre igual à velocidade escalar média? (c)
O módulo do vetor aceleração média é sempre igual ao módulo da aceleração ins­
tantânea? (d) O módulo do vetor velocidade instantânea é igual ao módulo da velei­
dade escalar instantânea?
1.11 O que indica o velocímetro ou tacômetro de um automóvel?
1.12 Diga quais das situações seguintes são possíveis e quais são impossíveis: (a) um cor­
po com um vetor velocidade orientado de Leste para Oeste e um vetor aceleração
orientado de Oeste para Leste, (d) um corpo com velocidade nula e aceleração dife­
rente de zero, (c) um corpo com um vetor aceleração constante e um vetor velocida­
de constante, {d) um corpo com um vetor aceleração de módulo constante e uma ve­
locidade escalar constante, (e) um corpo com um vetor aceleração constante e um
vetor velocidade variável. (J) um corpo com uma velocidade escalar constante e um
vetor aceleração tangencial diferente de zero, (g) um corpo com um vetor velocida­
de constante e um vetor aceleração variável, (Ti) uma partícula com vetor aceleração
variável e velocidade escalar constante, (z) uma partícula com vetor velocidade de
Leste para Oeste e vetor aceleração de Norte para Sul, (j) uma partícula com veloci­
dade escalar constante e vetor velocidade variável, (Ar) uma partícula com vetor ve­
locidade constante e velocidade escalar variável, (/) um corpo cuja velocidade esca­
lar instantânea está aumentando e cuja aceleração escalar instantânea está diminuin­
do, (m) um corpo cuja velocidade escalar está diminuindo e cuja aceleração escalar
está aumentando, (n) uma partícula com velocidade instantânea diferente de zero
mas com aceleração instantânea nula, (o) uma partícula com velocidade escalar média
diferente de zero, mas com vetor velocidade média igual a zero.
1.13 Um estudante está sentado num trem do metrô, numa posição semelhante à do ma­
quinista, isto é, olhando para a frente. O estudante arremessa uma bola verticalmente
para cima. Verifique se a bola cairá na frente do estudante, atrás do estudante ou
na mão do estudante, nos seguintes casos: (a) o trem se desloca com velocidade cons­
tante, (b) o trem está acelerando, (c) o trem está desacelerando.
1.14 Descreva a trajetória da bola mencionada naquestão anterior em relação a um ob­
servador fixo na Terra. Repita a descrição para um observador em repouso dentro
do trem.
1.15 Um menino deixa cair um livro no interior de um elevador. Diga qual é o módulo
da aceleração do livro em relação ao menino quando: (a) o elevador se move com
velocidade constante, (h) o elevador está subindo com aceleração constante, (c) o
elevador está descendo com aceleração constante.
1.16 Considere um observador fixo naTerra. Qual seria o módulo da aceleração do livro
nos três casos mencionados na questão anterior?

79
Exercícios

1.17 Dentre as grandezas abaixo, assinale a única vetorial.


(At Comprimento. (B) Tempo (C) Arco (D) Velocidade (E) Área
1.18 Dentre as grandezas abaixo, assinale a única escalar.
(A) Velocidade. (B) Força. (C) Aceleração (D) Massa. (E) Torque.
1.19 A grandeza área é obtida pelo produto de dois comprimentos; logo, a sua dimensio­
nal é:
(A) L. (B) L2. (C) I?. (D) L/T. (E) T
1.20 Sabemos que o Equador Terrestre mede 40.000 km. Qual a ordem de grandeza em
metros?
(A) 104. (B) 10’. (C) IO’. (D) 10’. (E) IO.
1.21 Qual a ordem de grandeza do número de segundos em um mês?
(A) Itt. (B) Itf. (C) 10*. (D) 102. (E) 10M.
1.22 Qual a ordem de grandeza do número de habitantes de São Paulo (capital)?
(A) 10*. (B) 10*. (C) 10'. (D) 107. (E) 10".
1.23 O ano-luz é a distância percorrida pela luz em um ano, supondo que se propague
no vácuo. Em um segundo a luz percorre 3,0 x 105 km. Qual a ordem de grandeza
em metros do ano luz?
(A) ÍO*. (B) 10“. (C) 10H. (D) 10°. (E) IO*’.
1.24 Estime a ordem de grandeza da espessura de uma folha deste livro.
(A) 10‘1 m. (B) 10'6 m. (Cl 10’2 m. (D) IO"4 m. (E) 10“7 m.
1.25 Expresse a ordem de grandeza da massa de um homem adulto normal, em gramas.
(A) 10. (B) 10J. (C) 10*. (D) itf. (E) 10’.
1.27 O mostrador de um amperimetro está graduado como mostra a Fig. 1.87
A marcação indicada é:
(A) 5A. (B) 5,0A. (C) 0,5A. (D) 5.00A. (E) 4.99A

P 4- 4- 4 4- 4- 4- 4- 4- -4- 4
1 2 3 5 < 7 a 9 10
1

Fig. 1.87

1.27 Um terreno tem lados de 25 m e 35,45 m. Sua área é melhor expressa por:
(A) 886,3 m. (B) 886 m\ (C) 886,25 m. (D) 890 m*. (E) 900m'.
1.28 Se um automóvel percorreu 78 km em 4,0 horas, a sua velocidade média é melhor
expressa por:
(A) 19,5 km/h. (B) 19,50 km/h (C) 19,00 km/h. (D) 19 km/h (E) 25 km/h
1.29 (CESCEM) A figura abaixo mostra três vetores-4 , B e 5. De acordo com esta fi­
gura, podemos afirmar qúe é verdadeira a seguinte relação:
(A) Ã + s * +• z?
” 0. (D) Â
(D) â- - Bs == ?.
?.
(B) X -c. (E) ? - ff = X.
(C) b - ã = ?.

80
Fig. 1.88

1.30 Dois vetores têm módulos iguais a ve formam entre si um ângulo de 120°. A resul­
tante entre eles tem módulo:
(A) v. (B) v/2. (C) vV3. (D) O. (E) 2 v.
1.31 Três vetores coplanares têm módulos iguais ave formam entre si ângulos iguais.
Sua resultante é:
(A) v. (B) v/2. (C) v VI (D) O. (E) 2 v.
1.32 O módulo da soma de dois vetores é igual ao módulo da diferença. Pode-se afirmar
com certeza que:
(A) os vetores são iguais;
(B) o ângulo entre os vetores é de 90° e eles têm o mesmo módulo;
(C) os vetores têm o mesmo módulo;
(D) o ângulo entre os vetores é de 90°;
(E) o ângulo entre os vetores é nulo.
1.33 A projeção de um vetor sobre um eixo que forma com ele um ângulo de 60° é 12.
O vetor mede:
(A) 12. (B) 6. (C) 24. (D) 3 (E) 36
1.34 (CESCEM) A velocidade vetorial média de um corpo que parte de um ponto P, per­
corre o segmento de reta PQ e volta, pelo mesmo caminho, à origem P no intervalo
de tempo At, é:

(A) o íb) (C) (D) ize


(D) (E) p_q_
Ar At Ar Ar
1.35 (FM POUSO ALEORE-RS) A soma vetorial de dois vetores de módulos 20 unida­
des e 30 unidades:
(A) nunca pode ser igual, em módulo, a 50 unidades;
(B) tem módulo certamente menor do que 50 unidades;
(C) tem módulo sempre dado por V 202 + 3O2 ;
(D) tem módulo nunca menor do que 10 unidades;
(E) pode ser nula.
1.36 (UNIV. MOGI DAS CRUZES - SP) Um móvel percorre durante 10 s uma trajetó­
ria retilínea, com uma velocidade que apresenta uma variação com o tempo, de acordo
com a Figura 1.89. A velocidade escalar média do móvel em m/s, relativamente
àquele trecho é:
(A) 2,0. (B) 3,0 (C) 5,0. (D) 7,0 (E) 9,0
1.37 O gráfico a X r {aceleração X tempo) para o movimento de uma partícula é apresen­
tado na Fig. 1.90. Sabendo-se que no instante r = 0,0 s a velocidade era de 20 m/s,
podemos dizer que a velocidade ao fim de 8,0 s era, em m/s:
(A) 80; (B) 10; (C) 70; (D) 52; (E) 60

81
v (m/s)


I
I
l
I
I
I
I
0 2,0 6,0 10
/(s)
Fig. 1.89
Atf(m/s“)

l
8,0 -I
l
I
I
2,0 I
I
I
I
4,0 8,0
Fig. 1.90
1.38 Um carro faz 1/3 de um certo percurso a 60 km/h e o restante a 40 km/h. A sua ve­
locidade média foi em km/h igual a:
(A) 50. (B) 35. (C) 0. (D) 45. (E) 20.
1.39 Um automóvel desenvolvendo velocidade constante de 60 km/h costuma fazer de­
terminado percurso em certo tempo. Um dia pára durante meia hora no ponto mé­
dio do percurso e, tendo completado o trajeto com velocidade dupla, chegou adian­
tado adiantando 10 minutos. Podemos dizer que o tempo em que completava o per­
curso anteriormente era de:
(A) (2/3) h. (B) (1/3) h. (C) (4/3) h. (D) (5/6) h. (E) (1/2) h.
1.40 (GAMA FILHO-RIO) Um ponto móvel está em x = 10 m, quanto/ = 0; em x =
— 14m,quando/ = 12s;eemx = 4,0m,quando/ = 20 s. Qual a velocidade média
do ponto no decurso dos primeiro 12 segundos e no percurso total?
(A) 2,0 m/s e 0,30 m/s. (B) 4,0 m/s e 8,0 m/s.
(C) 2,0 m/s e 3,0 m/s (D) 6,0 m/s e 8,0 m/s.
(E) 3,0 m/s e 0,30 m/s.
1.41 (UNI V. SÃO PAULO) Um certo tipo de foguete, partindo do repouso, atinge a ve­
locidade de 12 km/s após 36 s. Qual a aceleração média em km/s2 nesse intervalo
de tempo?
(A) zero. (B) 2.0. (C) 3.0. (D) 4,0. (E) 1/3.
1.42 (CESGRANRIO) Um corpo em queda vertical no vácuo, a partir do repouso, pos­
sui uma velocidade v após percorrer uma altura h. Para a velocidade ser 3 v, a dis-

82
tância percorrida será de:
(A) 2 h. (B) 3 h. (C) 4 h. (D) 7 h. (E) 9 h.
1.43 (NUNO LISBOA - RJ) Uma bala foi impelida verticalmente no vácuo de baixo pa­
ra cima com a velocidade de 250 m/s. A que altura ela se encontra ao completarem
os primeiros 30 segundos do movimento?
(A) 250 m. (B) 3000 m. (C) 30 000. (D) 300 km (E) 250 km
1.44 Um corpo é lançado para cima de um ponto situado a 25 metros acima do solo e atinge
o mesmo 10 s após o lançamento. Sua velocidade inicial foi de:
(A) 40 m/s. (B) 47,5 m/s.
(C) 51,5 m/s. (D) 38 m/s.
(E) NRA.
1.45 (FEI-SP) Sabendo-se que a aceleração total (resultante) de um móvel é nula, pode-se
afirmar que:
(A) sua velocidade é nula;
(B) seu movimento é circular e uniforme;
(C) seu movimento é uniforme, qualquer que seja sua trajetória;
(D) seu movimento só pode ser retilíneo e uniforme.
(E) Nenhuma das anteriores é correta.
1.46 (CESCEM) Um satélite está em órbita circular em torno da Terra. Desta situação,
afirma-se:
I — o vetor velocidade é constante;
II — o período é constante:
III — o vetor aceleração é constante.
Dessas afirmações está(estão) correta(s):
(A) apenas II. (B) apenas III.
(C) apenas I e II. (D) apenas I e III.
(E) I. ile III.
1.47 (USP) Em um movimento circular e uniforme:
(A) a aceleração total não é nula;
(B) a velocidade aumenta com o tempo;
(C) o período é inversamente proporcional à aceleraçãõ;
(D) a aceleração angular não é nula;
(E) a aceleração tangencial não é nula.
1.48 (CESCEM) Um relógio funciona durante um mês (30 dias). Nesse período, o pon­
teiro dos minutos terá dado um número de voltas igual a:
(A) 3.6 (B) 720. (C) 3600 (D) 7200 (E) 72
1.49 (CESGRANRIO) A Fig. 1.91 mostra 3.fotografia estrosbocópica do movimento de
uma partícula. A aceleração da mesma, no ponto P da sua trajetória, é melhor re­
presentada pelo vetor:
(A) 1; (B) II; (C) III; (D) IV; (E) V
I
P
V
II

IV III
Fig. 1.91

83
1.50 (FU VEST) Um móvel executa movimento uniforme numa circunferência de raio r
= I m, sobre um plano horizontal liso, no sentido indicado na figura, com veloci­
dade angular w = 2 rad/s e velocidade escalar v. Num determinado instante (no ponto
P), o fio sc rompe e o móvel passa a se mover livremente sobre o plano. Ver Fig. 1.92.

Fig. 1.92

A velocidade escalar v antes do rompimento é:_


(A)2m/t. (B)1m/s. (C)3m/t.’
(C)3m/t. (Dl 4 m/s. (E-|8m/i.
1.51 A trajetória do móvel após o rompimento do fio indicado na Fig. 1.92 é dada pela
curva:
(A) a; (B)d; (C) c; (D) d; (E) e
1.52 (FMUSP) Um barco segue de Norte para Sul com velocidade de 40 nós em relação
ao solo. Sofre o efeito do vento que sopra de Este para Oeste, com velocidade de
30 nós em relação ao solo. A velocidade do navio em relação ao vento é:
(A) 50 nós; (B) menor que 40 nós;
(C) maior que 50 nós; (D) 40 nós;
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
1.53 (FUVEST) Um vagão ferroviário, que se move com velocidade v0 = 3 m/s com re­
lação aos trilhos, estão dois meninos, A e B, que correm um em direção ao outro,
cada um com velocidade v = 3 m/s com relação ao vagão. Ver Fig. 1.93.

Fig. 1.93.

As velocidades dos meninos, vA e vB, com relação aos trilhos, serão respectivamente:
(A) 6 m/s e U m/s. (C) 0 m/s e 9 m/s. (E) 0 m/s e 6 m/s.
(B) 3 m/s e 3 m/s. (D) 9 m/s e 0 m/s.

84
Problemas

1.54 Um vetor u forma um ângulo de 30° com um vetor v . Sabendo que u = 5 c v =


8, calcule: (a) o módulo da resultante; (b) o ângulo formado entre a resultante e o
vetor m .
1.55 Um vetor u de módulo u = 3 forma um ângulo 0 com um vetor v* de módulo v =
4. Determine este ângulo sabendo que a soma vctorial destes dois vetores possui mó­
dulo igual a 5.
1.56 Seja a diferença vetorial 7=7 — v*. Determine o módulo do vetor 7* em função
dos módulos dos vetores w ev e em função do ângulo entre os dois vetores.
1.57 O módulo de um vetor R é igual a 6; o ângulo formado entre este vetor e o eixo Ox
é igual a 45°. O ângulo formado entre este vetor e o eixo Oy é igual a 45°. Calcule:
(a) o ângulo entre F e o eixo Oz; (b) os componentes deste vetor.
1.58 Os ângulos entre um vetor R e os eixos coordenados são dados por: a = 60°, 0 =
450e? = 60°. A projeção deste vetor sobre o eixo Ox vale 20. Calcule: (o) o módulo
deste vetor: (b) os valores das outras projeções.
1.59 Dois vetores possuem o mesmo módulo v, e fazem entre si um ângulo 6. Determine:
(a) o módulo da soma destes vetores: (b) o módulo da diferença destes vetores.
1.60 Uma forma 7 de módulo igual a 2N forma um ângulo de 30° com o eixo Ox. Uma
força 7 de módulo igual a 4 N forma um ângulo de 60° com o eixo Ox. Uma for­
ça 7 de módulo igual a 6 N forma um ângulo de 80° com o eixo Ox. Calcule: (a)
o módulo da força resultante F ; (b) o ângulo formado ente a resultante e o eixo Ox.
1.61 Determine o valor de a para que o1 vetor uT = a/-7 + io7 seja ortogonal ao vetor
7 = - 47 + 27.
1.62 Um trem percorre a distância de A até B com uma velocidade constante de 60 km/h,
e retorna de B para A com velocidade constante e igual a 80 km/h. Calcule: (a) a
média aritmética das velocidades; (d) a velocidade média deste percurso.
1.63 Lançamos uma partícula de uma altura h, coih velocidade v0, verticalmente de ci­
ma para baixo. Obtenha expressões para: (a) a velocidade v da partícula: (6) a altu­
ra y em relação ao solo: (c) o quadrado da velocidade em função deyt h, ge v0; (d)
a velocidade da particula quando ela atinge o solo.
1.64 De um ponto situado a uma altura lançamos verticlmente, de baixo para cima,
uma partícula com uma velocidade inicial v0. Determine: (a) v em função do tem­
po; (b)y em função de t; (c) uma relação entrey, v e g; (d) a altura máxima h atingi­
da.
1.65 Uma pedra cai, sem velocidade inicial, da janela de um edifício num ponto situado
a uma altura de 20 m. Calcule: (a) o tempo da queda; (6) a velocidade da pedra no
momento em que ela atinge o solo.
1.66 Calcule a velocidade inicial de uma pedra que atinge uma altura h = 30 m quando
ela é lançada verticalmente de baixo para cima.
1.67 Um corpo lançado verticalmente de baixo para cima retorna à superfície terrestre
em 3 segundos. Despreze a resistência do ar. (o) Calcule a velocidade inicial do cor­
po. (d) Qual é a altura atingida pelo corpo?
1.68 Um automóvel de 3 m de comprimento viaja com velocidade de 36 km/h. Calcule
o tempo de exposição para fotografar o automóvel numa película de 1,5 cm de com­
primento, sabendo que, para que a imagem permaneça razoavelmente nítida, ela não
deve se mover mais do que uma distância d - 0,1 mm sobre o negativo.
1.69 Um automóvel parte do repouso e atinge uma velocidade de 36 km/h em 10 segun-

85
dos. A partir deste instante, o motorista pisa no freio e o automóvel entra em movi­
mento retilíneo uniformemente retardado até parar, sendo a = 0,5 m/sí Supondo
que na primeira parte do movimento a aceleração seja constante, calcule o valor desta
aceleração. Determine o tempo que o automóvel leva até parar depois de o motoris­
ta frear.
1.70 De um ponto situado a uma altura h — 60 m lançamos verticalmente, de cima para
baixo, um corpo com uma velocidade inicial vu = 10 m/s. Calcule o tempo quc.o
corpo leva para atingir o solo.
1.71 Uma pessoa anda, em linha reta, 5 m de Leste para Oeste; a seguir, caminha 4 m dc
Sul para Norte e finalmente, sempre em linha reta, anda 2 m para Nordeste. Calcule
a distância entre a posição inicial e a posição final desta pessoa. Qual e o ângulo for­
mado entre a direção horizontal (Leste-Oeste) e o vetor posição do ponto final da
trajetória?
1.72 Numa noite de São João, um balão está a uma altura de 300 m. Neste momento,
ele pega fogo. Desprezando a resistência do ar, calcule o tempo que a bucha leva pa­
ra atingir o solo nos seguintes casos: (a) o balão está subindo com velocidade igual
a 5 m/s; (b) o balão está caindo com velocidade de 5 m/s; (c) o balão está parado.
1.73 Um corpo é largado, sem velocidade inicial, do alto de um edifício de uma altura.
H. No último segundo de sua queda, de percorre um terço da altura H. Calcule: {a)
a altura H\ (b) o tempo total da queda livre.
1.74 Um rio tem 1 km de largura. A velocidade da corrente é de 2 km/h. O barco tem
velocidade constante de 4 km/h em relação à água, (a) Determine o tempo que um
homem leva, num barco a remo, para ir c voltar diretamente de uma margem a ou­
tra (numa direção ortogonal à margem), (b) Calcule o tempo que o homem leva pa­
ra remar 1 km rio acima e voltar ao local de partida.
1.75 Um barco percorre um rio retilíneo no sentido contrário ao da corrente. Num dado
instante, uma bóia caido barco. Um minuto e meio depois da queda, o dono do barco
nota a ausência e volta para resgatá-la. A bóia é regatada a 900 m a jusante do ponto
onde caiu. Calcule a velocidade da corrente do rio.
1.76 Um barco leva um tempo / = 30 s para ir de um ponto A a um ponto B situado sobre
a mesma margem de um rio, em sentido contrário ao da corrente. Quando ele volta
do ponto B ao ponto A, o tempo gasto é a metade de /. A velocidade do barco em
relação à água é constante e igual a 10 m/s. Calcule a distância AB.
1.77 Um barco se move numa direção perpendicular às margens retilíneas e paralelas de
um rio. A velocidade do barco em relação à margem do rio vale 7,2 km/h. A largura
do rio é igual a 0,5 km. Devido à ação da corrente, o barco, em vez de atingir o pon­
to da margem oposta obtido pela interseção da normal traçada do ponto de parti­
da, atinge um ponto situado 150 m a jusante deste ponta (a) Calcule a velocidade da
corrente; (b) quanto tempo o barco leva para atravessar o rio?
1.78 Um barco se desloca com velocidade cm relação à corrente de um rio de largura
d. \ água se move com velocidade vr em relação à margerm. (a) Determine o tem­
po t necessário para que o barco, saindo de um dado ponto na margem do rio, atin­
ja a margem oposta num ponto situado na perpendicular à margem baixada do ponto
de partida, e depois retorneao mesmo ponto, (b) Calcule o tempo /'necessário para
que o barco percorra uma distância d no mesmo sentido da corrente e após retorne
ao mesmo ponto.
1.79 Um piloto mede o ângulo entre a direção do vento e a direção do movimento do
avião e encontra o valor 6 = 60°. O módulo da velocidade do vento medido por um

86
observador no solo é V| - 50 km/h. O módulo da velocidade do vento em relação
ao avião vale vu = 40 km/h. Calcule o módulo da velocidade do avião em relação
ao solo.
1.80 Num dia de chuva, um automóvel se desloca com velocidade v2 = 60 km/h. A chu­
va cai numa direção vertical em relação ao solo, com velocidade v, = 3 m/s. Cal­
cule: (a) o módulo da velocidade da chuva vt.2em relação ao automóvel; (ò) a dire­
ção da queda das gotas em relação a uma pessoa situada dentro do automóvel.

Respostas do Questionário

1.1 (a) 2 algarismos significativos, erro relativo: 5%; (6) 4 algarismos significativos, er­
ro relativo: 0,06%
1.2 Acréscimo ou variação de uma grandeza é a diferença entre o valor final e o valor
inicial da grandeza.
1.3 (o) É a tangente do ângulo entre a reta e o eixo Ox\ (b) se a reta está representada
graficamente, basta medir os catetos de um triângulo cuja hipotenusa coincide com
qualquer segmento da reta considerada; quando a reta está representada analitica-
mente na forma y = mx + h, o seu coeficiente angular é dado pelo número m.
1.4 Grandezas escalares: massa, comprimento, tempo, energia, temperatura. Grande­
zas vetoriais: deslocamento, velocidade, aceleração, força, torque.
1.5 (a) Não; (ó) não; (c) se N = 2, os vetores devem ser simétricos; se /V for maior do
que 2{ para que a soma vetorial forneça resultante nula, é necessário que os vetores
formem uma linha poligonal fechada.
1.6 Não, porque o vetor unitário é obtido dividindo-se um dado vetor pelo módulo do
próprio vetor.
1.7 (o) seu* e v* são vetores ortogonais, então: m*. v* =C;(ò)seü” e v* são vetores pa­
ralelos, èntão, u X v* = Õ*.
1.8 Não, podemos concluir apenas que ab cos 0 = ac cos <t>, onde 9 é o ângulo entre ã"
eb e 0 é o ângulo entre a ec . Ou seja, a relação mencionada implica apenas na
igualdade b cos 9 = c cos </>.
1.9 Para descrever a maior parte das grandezas físicas necesitamos de um sistema de re­
ferência', contudo, umaLe/ Física possui, necessariamente.uma./b/vHr/ invarianfe.
Medir uma grandeza física significa compará-la com outra (que serve de unidade);
portanto, para descrever as grandezas físicas é necessário utilizar sempre um siste­
ma de unidades e um sistema de referência.
1.10 (a) O módulo do deslocamento escalar é quase sempre maior do que o módulo do
vetor deslocamento; contudo, no caso de uma trajetória retilinea estes dois valores
são iguais, (d) A velocidade escalar média é geralmente maior do que o módulo do
vetor velocidade média; contudo, no caso do movimento num trecho retllíneo estes
dois valores são iguais, (c) Nâo. (d) Sim.
1.11 O tacômctro (ou taquímetro) indica o módulo da velocidade do automóvel. Na
realidade, trata-se da medida de uma velocidade média num intervalo de tempo muito
pequeno (igual ao tempo necessário para uma rotação do eixo do tacômetro).
1.12 São impossíveis: (c), (/), (g), (k); as demais situações são possíveis.
1.13 (a) A bola cairá na mão do estudante; (2?) a bola cairá atrás do estudante; (c) a bola
caira na frente do estudante.
1.14 Para um observador.fixo na plataforma, a bola descreve uma trajetória parabólica
nos três casos. Para um observador em repouso dentro do trem: (o) a bola descreve

87
uma trajetória retilínea; (b) a bola descreve uma trajetória parabólica atrás do estu­
dante; (c) a bola descreve uma trajetória parabólica na frente do estudante.
1.15 (a) a’ = g; (b) a’ = g + o; (c) a' = g - o.
1.16 Nos três casos, o módulo da aceleração em relação a um observador fixo na Terra
t igual a g.

Respostas dos Exercícios

1.17D 1.30 A 1.42 E


1.18 D 1.31 D 1.43 B
1.19B 1.32 D 1.44 B
1.20 D 1.33 C 1.45 D
1.21 A 1.34 A 1.46 A
1.22 D 1.35 D 1.47 A
1.23 A 1.36 D 1.48 B
1.24 D 1.37 D 1.49 B
1.25 E 1.38 D 1.50 A
1.26 B 1.39C 1.51 B
1.27 B 1.40 A 1.52A
1.28 D 1.41 E 1.53 A
1.29 D

Respostas dos Problemas

1.54(o) r = 12,58; (*) 18,52°


1.55 90°
1.56 s2 = u2 + v2, + 2uvcos8
1.57 (o) 90°; (*) R, = 3 <2? R. = 0
1.58 (o) R = 40; (í>) R, = 28,28; R, = 20
1.59 (o) 2v cos (8/2); (*) 2v sen (8/2)
1.60 (a) E = 11,41 N; (*) 65,3°
1.61 0 = 5
1.62 (a) 70 km/h; (b) 68,57 km/h
1.63 (o) v = v„ + gi; (*) h - y = vd + gP/2; (c) v2 = v? + 2g(h - y)\
(d) v = (rf + 2gh),/í
1.64 (a) v = v„ - gt; (b)y = y0 + vd - gr2/2; (c) v2 = 2g(y - y,); (d) h = r» + (vj/2g).
1.65 Valores aproximados: (a) 2 s; (b) 20 m/s
1.66 24,25 m/s
1.67(0) 14,7 m/s; (b) 11 m
1.68 0,002 s
1.69 20 s
1.70 2,6 s
1.71 r= 8,4 m; 8 = 40,1»
1.72 (o) 8,4 s; (b) 7,3 s;(c) 7,8 s
1.73 (o) H = 146 m; (b) t = 5,46 s
1.74 (o) 34,6 minutos; (b) 40 minutos
1.75 5 m/s
1.76 200 m

88
1.77 (a) vc = 0,6 m/s; (*) t = 250 s

2d/v* 2d/v*
1.78 (a) Z =
\Jl - (V./v*)2 - (y./^2

1.79 v, = 45,82 km/h


1.80 (a) V,., = 34,3 m/s; (ft) 61°

89
Capítulo 2
DINAMICA
2.1 Leis de Newton
Em nossa vida diária executamos ações descritas pelos seguintes verbos: puxar,
empurrar, sustentar, comprimir, esticar, etc. Quando pretendemos mover um objeto que
está parado, damos ao mesmo um puxão ou um empurrão. Também é através de pu­
xões ou empurrões que paramos um objeto que se move ou que desviamos a sua trajetó­
ria. Chamamosforças a estes puxões ou empurrões. Nossa vivência diária parece indi­
car uma íntima relação entre forças e movimentos. A Dinâmica é a ciência que estuda
as relações entre forças e movimentos.
A compreensão de que entre forças e movimentos deve existir uma relação do ti­
po causa-efeito parece remontar à Antigüidade Clássica com os trabalhos dos filóso­
fos gregos, em particular com o trabalho de Aristóteles. No entanto, a solução do pro­
blema do movimento só foi conseguida nos séculos XVII e XVIII com os trabalhos de
Kepler, Galileu e Newton, responsáveis pela formulação dos três axiomas fundamen­
tais da Mecânica, hoje conhecidos como Leis de Newton. O objetivo deste capítulo é
travar um primeiro contato com os axiomas fundamentais da Mecânica.
Princípio da Inércia — Primeira Lei de Newton
O Princípio da Inércia, também conhecido como Primeira Lei de Newton, afirma
que: “Uma partícula permanecerá em repouso ou em movimento retilíneo uniforme
se for nula a resultante das forças que agem sobre ela.”
Ç v* = constante = F — repouso
Se E F = F
< v" = constante * tf — MRU
onde MRUsignifica movimento retilíneo uniforme. A primeira afirmação indicada na
chave anterior, ou seja, o fato da somadas forçasser igual a zero implicar no repouso,
não nos surpreende, pois a nossa experiência diária nos diz que um corpo não entra por
si só em movimento. Para que um corpo passe do estado de repouso para o estado de
movimento é preciso que sobre ele se faça uma força. Sob esse aspecto não há discor­
dância entre as afirmações dos pensadores gregos e dos pensadores dos séculos XVII
eXVIIl.

90
A segunda afirmação indicada na chave anterior, is-o é, EF = 0* implicar na
possibilidade de existência de um movimento retilíneo e unif.t-me não é tão fácil de acei­
tar, como no caso da primeira hipótese (v = 0 ou repouso). Neste caso existe uma dis­
cordância entre as opiniões dos gregos e dos pensadores modernos. Com efeito, nossa
experiência diária de empurrar cadeiras, mesas, etc, patece-nos indicar que para man­
ter um objeto em movimento é preciso manter sobre ele uma força resultante não nu­
la. Esta era a opinião de Aristóteles, que admitia ser a velocidade de um corpo umaíun-
ção da força resultante que nele estivesse agindo. Kepler e Galileu conceberam uma ar­
rojadíssima idéia: a manutenção de um movimento sem a presença de umaforça. Real­
mente, quando arremessamos sobre um plano horizontal áspero um bloquinho com
uma velocidade v0, após percorrer uma certa distância, ele parará. Se formos gradati­
vamente aumentando o grau de polimento do plano, verificaremos que a distância per­
corrida até parar irá gradativamente aumentando, ou seja, à medida que reduzimos o
atrito entre as duas superfícies, menor se toma a aceleração retardadora do bloquinho,
é lícito suporque num plano perfeitamente liso a velocidade do bloquinho não mais so­
freria variações. Ver Fig. 2.1 e Fig. 2.2.
vo .------- v = 0 Vo v = O
yàtrí'o

(O) («
Fig. 2.1 A força de atrito no caso (b) é menor do que o atrito no caso (a). Quanto menor for o
coeficiente de atrito entre o bloco e o plano, maior será a distância percorrida peto bloco até ele
parar.
Vo Vo

Fig. 2.2 Se não existisse atrito entre o bloco o plano horizon­


tal, o bloco se deslocaria sempre com um movimento retilí-
neo uniforme.
Assim sendo, um corpo não pode por si mesmo alterar o seu estado de repouso ou
de movimento retilíneo uniforme. Na ausência de uma força resultante elese mantém em
repouso ou em MR U. Chamamos inércia a esta propriedade e o primeiro axioma admi­
te que toda e qualquer espécie de matéria é inerte.
Observações:
1 - As forças são grandezas vetoriais. Um força se soma com outra força obede­
cendo à regra do paralelograma. Ver Fig. 2.3.
2 - O Princípio da Inércia nos fornece, ele próprio, o conceito de Força. Podemos
dizer que umaforça é o agente capaz de alterar o estado de repouso ou de MR U de um.
corpo. Ou melhor, podemos dizer que uma força é um agente capaz de alterar a veloci­
dade de um corpo.

91
////////ZZ-Z/////////////// / Z//////////ZZZ

pl

Al

Fig. 2.3 As forças são grandezas vetoriais que se somam de acordo com a
regra do paralelogramo.

Exemplo 2.1 Uma bolinha se encontra em repouso em relação a um ônibus que se


desloca com MRUlyer Fig. 2.4). De repente, o ônibus freia. Despreze o atrito entre a boli­
nha e o ônibus. O que sucede com a bolinha?

A A

<
(«) (*) (0
Fig. 2.4(oj Uma bolinha está inicialmente em repouso em relação ao ônibus que se des­
loca com MRU. (b) O ônibus estáfreiando. (c) o ônibuspára mas a bolinha continua com
MRU (desprezando o atrito entre a bolinha e o piso do ônibus).

Solução. Como nào cxisje atrito entre a bolinha e o piso do ônibus, verificamos que a boli­
nha e o ônibus s^.deslocam, inicialmente, com a mesma velocidade, ou seja, a bolinha e
O ônibus se deslocam para a direita em MRU (ver a parte (a) da Fig. 2.4). Em (b) o ônibus
está sendo freiado pelas forças indicadas; a bolinha, sobre a qual as forças que freiam o
ônibus não estão agindo, continua movendo-se em MRU. Em (c) o ônibus já parou, e a
bolinha continua em MRU, caminhando para a parede dianteira do ônibus.
Na Fig. 2.5 mostramos que depois do ônibus parar, a bolinha colide com a parede
direita do ônibus. A força exercida pela parede do ônibus sobre a bolinha freiará a boli­
nha.

92
A
rt-

Fig. 2.5 Depois que o ônibus pára,


a bolinha colide com a parede da di­
reita do ônibus; esta colisão freia a
bolinha.

Como se vê, a bolinha não pára por si mesma. Só pára quando alguém ou alguma coi­
sa (no caso a parede dianteira) exerce uma força sobre ela. É justamente esse comportamen­
to da bolinha que entendemos por inércia.
Exemplo 2.2 Suponha que o ônibus e a bolinha mencionada no Exemplo 2.1 este­
jam cm repouso. Quando o ônibus arranca, o que ocorre com a bolinha? Ver Fig. 2.6.
Solução. Vamos continuar supondo que não há atrito entre o piso e a bolinha. O
ônibus arranca devido à ação de forças exercidas pelo chão sobre ele (não estranhe, mais
tarde analisaremos com cuidado estas forças). A bolinha, sobre quem não agem estas for­
ças, fica em repouso e só se movimenta quando a parede traseira a alcança, empurrando-a
para a direita. Observe a posição da bolinha em relação ao poste enquanto o ônibus arran­
ca. Ver Fig. 2.6.

(C)

&

Fig. 2.6 Esquema do Exemplo 2.2.


L
Os exemplos anteriores ilustram o significado de Princípio da Inércia ou Primei­
ra Lei de Newton. Sendo nu/o a resultante das forças que atuam sobre a bolinha ela deve
permanecer em repouso ou com a mesma velocidade (descrevendo um MRU). A boli­
nha não pode alterar seu estado (de repouso ou de movimento) sem que uma força ex­
terna atue sobre a bolinha.

Definição:
Denomina-se referencial inercial todo sistema de referência em relação ao qual vale o
Princípio da Inércia (ou Primeira Lei de Newton).
Mas adiante, quando estudarmos as forças inerciais vamos aprofundar o concei­
to de referencial inercial. A Terra não é um referencialinercial. Contudo, como o movi-

93
mento de rotação da Terra afeta muito pouco os movimentos usuais, podemos consi­
derar a Terra como um referencial inercial. As experiências comuns mostram que o Prin­
cípio da Inércia é válido para um referencialfixo no solo, conforme vimos no Exemplo
2.1 e no Exemplo 2.2. Daqui por diante, utilizaremos qualquer referencial fixo na Ter­
ra como umreferencialinercial. Às vezes utilizamos aexpressão referencial do labora­
tório para designar um referencial fixo na Terra.
Princípio fundamental da dinâmica — Segunda Lei de Newton
O Princípio Fundamental da Dinâmica pode ser enunciado do seguinte modo: “A
aceleração que uma partícula adquire tem a direção e o sentido da força resultante que
age sobre ela e o seu módulo é proporcional ao módulo da resultante.”
O Principio Fundamental do Dinâmica é conhecido também como a Segunda Lei
de Newton. A Segunda Lei de Newton pode ser expressa matematicamente do seguinte
modo: , ,
EÃ = ma I
__________ (2.1)
onde Ft t aforça resultante do conjunto de forças que atuam sobre a partícula de mas­
sa m e í" é a aceleração da partícula (cm relação a um referencial inerciat). Na relação
(2.1), como F, é a força resultante, temos:
F, = SF
onde o símbolo E(sigma) indica soma. A relação (2.1) mostra que a aceleração a é pro­
porcional à força resultante F„ (ou a força F» é proporcional à aceleração ã~.

Fk = = ma

Fig. 2.7

Para compreender melhor o significado físico da massa inércia! m, considere duas


esferas de ferro de volumes muito diferentes, conforme indicado na Fig. 2.8.

A «>

Oa

Fig. 2.8 Umaforça F atua sobre uma esfera de ferro A; uma força F atua sobre outra esfera
B, sendo m, maior do que mA.

94
As esferas indicadas na Fig. 2.8 estão inicialmente em repouso em relação a um
referencialinercialS. No início não existe nenhuma força atuando sobre as esferas. Apli­
camos a mesma força F sobre cada uma das esferas. Qual das duas esferas de locomo­
verá com maior aceleração? A esfera menor, naturalmente. Realmente, a esfera menor
terá uma aceleração maior. Diremos que ela tem menor tendência a permanecer em seu
estado mecânico (no taso, o repouso), ou que tem “menor inércia”. Apliquemos ago­
ra a Segunda Lei às duas esferas, A (menor) e B (maior).
Vem:
esfera menor: F = mA aA
esfera maior: F = m, a,
Como aplicamos a mesma força às duas, temos:
. a* mi
mA x a, = m,x a» .’. — = ——
a, mA
Mas, como vimos, aA>as e — > 11 logo: m» > m*.

Assim, a esfera menor, que tem “menor inércia”, tem também a menor massa.
Por isso, dizemos que a massa de um corpo é a medida da sua inércia.

Observação:
Unidade SI de força.
A equação F - ma permite definir a unidade de força do Sistema Internacional
de Unidades.
A unidade de massa deste sistema é o quilograma, que se define como sendo a massa
igual à do quilograma internacional que é um bloco de platina mantido na Repartição
Internacional de Pesos e Medidas, em Sévres, próxima a Paris. Simboliza-se por kg.
A unidade de aceleração é a aceleração de um móvel que varia sua velocidade de
1 m/s a cada segundo. Simboliza-se por m/s3.
Pois bem, a unidade deforça é o newton que se define como sendo a força capaz
de acelerar um bloco de 1 kg com 1 m/s3. Simboliza-se por N. usando a equação F =
ma obtém-se a equação de definição do newton.
|F — mg|

1 N = 1 kg .—
s3
Na Seção 2.2 voltaremos ao assunto.

Exemplo 2.3 Uma partícula de massa m = 5 kg está em repouso. Subitamente, a


partícula fica submetida a uma força resultante F, = 20 N durante 2 segundos. Pede-se:
(a) a aceleração que a partícula adquire, (Z>) o gráfico de v contra l para o movimento da
partícula.
Solução, (a) De acordo com a Segunda Lei de Newton (2.1), obtemos:
a = F*/m = 4 m/s3

95
(h) O gráfico pedido pode ser feito facilmente; lembrando que depois de 2 segundos
nào existe nenhuma força aplicada, o movimento subsequente será um MRU. Na Fig. 2.9
mostramos o gráfico de v (em m/s) contra / (em segundos).

lv(m/s)

8 -----
I
I
4
I
I
£
1 2 t
Fig. 2.9 Esquema da solução do Exemplo 2.3.
Exemplo 2.4 Uma partícula executa um movimento circular uniforme de raio R
= 2 m e velocidade v = 2 m/s. Sendo m = 2 kg, determine a força resultante que atua
sobre ela.
Solução. De acordo com o Princípio Fundamental da Dinâmica podemos escrever:
Fr = EX = ma
Num movimento circular uniforme só existe a aceleração centrípeta cujo mó­
dulo vale:
aN = v^/R
Logo,
a n = (9/2) m/i2

Fu = maN — Fk = 9 N
A relação anterior fornece o módulo da força resuitante Fu. A força resultante Ff
possui a mesma direção e o mesmo sentido da aceleração centrípeta ou aceleração normal
ãs, conforme indicado na Fig. 2.10.

Fig. 2.10 Esquema do Exemplo 2.4.

96
Exemplo 2.5 Uma partícula de massa m = 2 kg desloca-se numa circunferência
com uma aceleração tangencialconstante a, = 2 m/s2. O raio da trajetória vale R = 2 m.
Num dado instante, a velocidade vale v - 2 m/s. Determine a força resultante.
Solução. A componente nonnal da aceleração é dada por:
u -
aN = —
R

= 2 m /s2

A componente tangencial da força resultante será:


Fi = mat ~ Fr = 4 N.
A componente normal da força resultante será:
FN = maH — Fn = 4 N.
A força resultante terá módulo:
+ F? .-. Fk = f 42 + 4;
Fn = 4>/r.\ Fk = 5,6 N
Na Fig. 2.11 mostramos o esquema para obtenção da força resultante FM através da
soma vetorial dos componentes F[ e FN.

Fíg. 2.11 Esquema da solução do


Exemplo 2.5.

A componente normal FN (força centrípeta) é responsável pela manutenção da par­


tícula na trajetória circular. A componente tangencial é responsável pela produção da
aceleração tangencial cujo módulo fornece a aceleração escalar aT.

97
Princípio da ação e reação — Terceira Lei de Newton
O Princípio da Ação e Reação, também conhecido como Terceira Lei de Newton,
afirma que: “Se uma partícula exerce força sobre outra, esta outra reage sobre a pri­
meira com uma força de mesmo módulo e direção, mas de sentido oposto.”
Na Fig. 2.12 mostramos um homem dando um soco na parede. O homem exerce
sobre a parede umaforma de módulo F. A parede reage sobre o homem com uma for­
ça — F . Ou seja, a força de “ação” atua sobre o outro corpo. A força que atua sobre
o homem só produz efeitos sobre o homem. A força que age sobre a parede só produz
efeitos sobre a parede. Não tem sentido físico somar vetorialmente a força de “ação ”
coma força de “reação". Por exemplo, se você somar a força — F que a parede exerce
sobre o homem com a força F, você chegaria ao resultado absurdo de que não existe
nenhuma força atuando sobre o homem. Como é óbvio, se você desse um soco na pa­
rede você sentiría a força — F que a parede exerce sobre você.

—F F

Fig. 2.\2Asforçasde "acão"ede "reação" agem em corpos di­


ferentes.

Outro ponto que precisa ser esclarecido é o seguinte. Como as forças atuam so­
bre corpos diferentes, os efeitos são diferentes. Porexemplo.se você der um soco numa
parede de papelão, a parede se quebra mas sua mão não sofre praticamente nada. Con­
tudo, se você der um soco na parede de uma casa, a parede permanece intacta, mas a
sua mão pode quebrar. Outro exemplo: se uma bola de borracha se choca com uma bo­
la de aço, a força que a bola de borracha exerce sobre a bola de aço é igual (em módulo)
à força que a bola de aço exerce sobre a bola de borracha. Contudo, os efeitos são dife­
rentes'. a bola de aço não se deforma, ao passo que a bola de borracha sofre uma grande
deformação (no momento da colisão).
Vamos agora esclarecer assuntos relacionados com os conceitos de sistema, for­
ça interna a um sistema e força externa a um sistema.
a. Definição de sistema.
A Fig. 2.13 mostra uma cadeira sobre a qual há uma bola e na qual há um homem
apoiado. Suponha que pretendamos analisar a cadeira, isto é, verificar, por aplicação
àãPrímeira e à&Segunda Leis, se ela permanecerá em repouso ou se será acelerada. Pa­
ra tanto, precisamos saber que forças agem sobre a cadeira. Diremos que a cadeira é
o sistema que pretendemos analisar.

98
y/////////////////)/7//7//, "/////////////////////
Fig. 2.13 Ilustração para definir “sistema”, “força interna” e “força externa”.

b. Força externa a um sistema


É toda força exercida sobre um sistema por alguma coisa que não faz parte do
mesmo.
Exemplo. O nosso sistema é a cadeira. A força que o homem exerce sobre a cadeira é
exlerna. A força que a bola exerce sobre a cadeira é externa.
c. Força interna a um sistema
É toda força exercida por uma parte do sistema sobre outra parte do mesmo.
Exemplo. O nosso sistema é a cadeira. A força que o pé da cadeira exerce sobre o assen­
to da mesma é interna.
d. Uma propriedade importante
"Forças internas não alteram o estado de repouso ou de movimento de um siste­
ma em relação a um referencial externo."

Exemplo 2.6 A Lei da Inércia afirma que um corpo não pode por si só alterar seu
estado de repouso ou de MRU. Um homem anda quando bem lhe apraz. Nào seria isto
uma negação à Lei da Inércia?
Solução. A expressão por si só significa ser capaz de exercer força sobre si mesmo
e mover-se por meio de tal força. Ora, nesse caso o homem é o sistema e qualquer força
que o homem pudesse exercer sobre si mesmo seria interna, não podería mover o homem.
Mas, então, como é que o homem se move?
A resposta é simples. Com o pé o homem empurra o chão com uma força f. O chão
reage sobre ele com uma força —f. Esta força, que éexterna ao sistema homem, é que
o movimenta. Assim sendo, ele não se move por si só, precisa do empurrão do chão para
fazé-lo. Ver Fig. 2.14.
Exemplo 2.7 Como se move um foguete?
SoluçãoAJm foguete é uma carcaça que contém no seu interior um gás. Faz-se o gás
explodir no interior da câmara C. Uma certa massa de gás sai pela abertura A. A massa de
gás que sai é empurrada para fora com uma força F pelo sistema carcaça + massa de gás

99
que fica. É a reação - F da massa de gás que sai sobre o sistema carcaça + massa de gás

/í\
que fica, que impulsiona o foguete. Ver Fig. 2.15.

-f

Fig. 2.14 Para correr o homem empurra o


chão. É a reação do solo sobre o homem
que o movimenta.

Fig. 2.15 Esquema pa­


ra explicar como um F
foguete se locomove. y

Exemplo 2.8 Um burro puxa uma carroça. Exerce sobre ela uma força F . Se é vá­
lida a Terceira-Lei, a carroça reage com uma força - F sobre o burro. Mas, então, como
é que o burro consegue mover a carroça?
Solução: Vamos considerar o sistema “ burro + carroça”. A força X que o burro
exerce sobre a carroça é interna ao sistema e é, portanto, anulada pela força - X da carro­
ça sobre o burro. Estas forças não são responsáveis pelo movimento do sistema {burro +
carroça).
Quem coloca o sistema em movimento é a força com que o chão reage ao empurrão
que o burro dá no chão. Ver Fig. 2.16.
tf
-7

JSL
11 ■ B

777777777777777. 7////////7
f
Fig. 2.16/4 força -f é a força motriz, ou seja, a força que
produz o movimento do sistema “burro-carroça". Para apli­
car a Segunda Lei de Newton utilize a componen te h orizontal
desta força (componente na direção do movimento).

100
Vamos agora analisar o sistema "burro". A força — F i a reação da força F exer­
cida pelo burro sobre a carroça. Ou seja, a força — F é a força que a carroça exerce sobre
o burro. Portanto, vemos que a força — Fé externa ao burro. Para mover-se ele precisa
empurrar o chão com uma força cuja projeção horizontal seja maior que — F , a fim
de que a reação do chão sobre ele tenha projeção horizontal maior que — F .Se /, =
— f cos a > —F , o burro entra em movimento. Ver Fig. 2.17.

-F <

f
Fig. 2.17 Diagrama dasforças que atuam sobre o sistema ' 'burro *\

Para o sistema “ carroça", F é externa. Não é anulada por — F, visto queesta não
age na carroça. É F que movimenta a carroça.
Repare que uma/orça pode ser externa para um sistema e interna para outro siste­
ma, dependendo do sistema considerado. Por exemplo, para osistema burro + carroça,
F é uma força Interna, ao passo que para o sistema carroça F é uma força externa.

2.2 Análise dimensional e sistemas de unidades


As dimensões de uma grandezafísica fornecem a descrição da grandeza conside­
rada em termos de um conjunto de grandezasfundamentais escolhidas arbitrariamen­
te. Por exemplo, normalmente escolhemos na Mecânica as seguintes grandezasfunda­
mentais'. o comprimento (L), a massa (M) e o tempo (T). Dizemos que M, L e T são as
dimensõesfundamentais. Contudo, seria possível também escolher as seguintes dimen­
sões ou grandezas fundamentais-, o comprimento (L), a. força (F) e o tempo (T). Qual­
quer que seja a escolha, verificamos que todas as grandezas físicas derivadas podem ser
expressas em termos das grandezasfundamentais escolhidas. Por exemplo, dizemos que
as dimensões de velocidade são dadas pela dimensão de espaço sobre a dimensão de tem­
po.
[v] = L/T (2.2)
onde utilizamos os colchetes para indicar que estamos considerando as dimensões da
grandeza entre os colchetes. Portanto, as dimensões físicas caracterizam as grandezas
físicas.
Afórmula dimensional, equação dimensional ou simplesmente dimensional de uma
grandeza física, fornece uma função da grandeza considerada em termos das dimen­
sõesfundamentais escolhidas. Por exemplo, a dimensional de velocidade ou dimensão
de velocidade é dada pela equação (2.2). Denomina-se Análise Dimensional o estudo

101
das dimensões e das unidades das grandezasfísicas. Uma das maneiras de verificar a va­
lidade de uma equação na Física é examinar as dimensões de cada um dos seus termos.
O princípio da homogeneidade dimensional afirma que cada um dos termos de uma
equação que descreve um fenômeno deve possuir a mesma dimensão física. Em outras
palavras, a dimensão do membro esquerdo de uma equação deve ser iguai à dimensão
do membro direito. Este princípio deve ser usado pelo aluno no estudo da teoria e na
resolução de problemas, não só para testar a validade dos resultados obtidos como tam­
bém para compreender melhor o conteúdo físico das relações utilizadas. Outra vanta­
gem da Análise Dimensional consiste na procura de uma relação envolvendo grande­
zas físicas. Se, por exemplo, uma grandeza G depende de duas outras PeQ, verifica-se
que G está relacionada com PeQ através de uma equação da forma:
G = kP’Q‘
onde k é uma constante dimensional e x e y são expoentes que devem ser determinados,
com a condição de que a dimensão do membro esquerdo da equação seja igual ã dimen­
são do membro direito.
Outra noção importante intimamente ligada com o estudo da Análise Dimensio­
nal é o conceito de similaridade. Em muitas situações físicas, principalmente nas apli­
cações práticas na Engenharia, se costuma fazer um modelo em miniatura do protóti­
po real. Usando-se escalas convenientes e o princípio da homogeneidade dimensional,
é possível obter resultados corretos para o protótipo em função de dados experimen­
tais obtidos com o modelo. A similaridade deve ser pesquisada em função das grande­
zas que devem ser modeladas. Por exemplo, quando reduzimos todas as dimensões de
um protótipo através de uma dada escala, dizemos que existe similaridade geométrica
entre o modelo e o protótipo. Quando existe uma escala constante entre o campo de
vcloeidads do modelo c o campo de velocidades do protótipo, dizemos qeu existe simi­
laridade cinemática entre o protótipo e o modelo. Ocorre similaridade dinâmica entre
o modelo e o protótipo quando as diversas forças que atuam sobre o protótipo forem
proporcionais á respectivas forças que atuam sobre o modelo.
O Sistema Internacional de Unidades e a Unidade de Força
Um sistema de unidades é um conjunto de convenções que nos permite estabelecer
as unidades de medidas de todas as grandezas físicas. Arbitrariamente, definem-se as
unidades de um certo número de grandezas e, mediante as fórmulas de definição das
outras grandezas, estabelecem-se suas unidades. As grandezas cujas unidades são de­
finidas arbitrariamente são ditas grandezas fundamentais, as restantes são ditas gran­
dezas derivadas. O sistema que estudaremos aqui é o Sistema Internacional de Unida­
des (Si) que, em Mecânica, utiliza três grandezasfundamentais: o comprimento, a mas­
sa e o tempo. Representaremos o comprimento por L, a massa por M eo tempo por T.
As unidades fundamentais do SI são:
L — é o metro, símbolo m.
M — é o quilograma, símbolo kg.
T — é o segundo, símbolo s.
O metro define-se como sendo o comprimento igual a 1.650.763,73 comprimen­
tos de onda da radiação eletromagnética emitida pelo isótopo SÓKr na sua transição en­
tre os estados 2p„, e 5d,.

102
O quilograma é a massa igual a do quilograma Internacional que é um bloco de
platina mantindo na Repartição Internacional de Pesos e Medidas.
O segundo é o intervalo de tempo equivalente a 1/31556925,975 da duração
do ano trópico de 1900.
Unidade SI de área:
A área é uma grandeza calculada através do produto de dois comprimentos. In­
dicamos tal fato escrevendo [A] = L2e definimos a unidade SI de área como se segue:
A unidade SI de área é o metro quadrado, símbolo m2, que é a área igual à de um
quadrado de 1 m dc lado.
Unidade SI de volume:
Para calcular o volume fazemos um produto de três comprimentos, o que é ex­
presso pela equação [V] = LJ (equação dimensional de volumei. Definimos a unidade
dc volume como se segue:
A unidade SI de volume é o metro cúbico, símbolo mJ, que é igual ao volume de
um cubo de 1 m de aresta.
Unidade SI de velocidade.
A dimensional de velocidade év = L/T; sua unidade é o metro por segundo, sím-
bo m/, que se define como sendo a velocidade média de um móvel que percorre um me­
tro no intervlo de tempo de um segundo.
Unidade Si de aceleração.
Vamos obter a dimensional de aceleração lembrando que aceleração média é o quo-
ciente entre a variação de velocidade que um móvel experimenta e o intervalo de tempo
em que ocorreu a variação.

Av
a =— ; [a] = LT-2
Ar

A unidade SI de aceleração é o metro por segundo ao quadrado símbolo m/s2, que


se define como sendo a aceleração média de um móvel que varia sua velocidade de 1
m/s em 1 segundo.
Unidade SI de força:
Vamos obter a dimensional de força a partir de sua fórmula de definição
F = ma - = M-L - [P] = MLT’2
T2
A unidade SI de força é o newton, que se define como sendo a força que aplicada à
massa de 1 kg acelera-a com 1 m/s2. O símbolo de newton é N.
1N = 1 kg.m.s-2
Observação: Freqüentemente trabalhamos com uma unidade prática de força. É
o quilograma-força, símbolo kg* ou kgf, que é definido como o peso da massa de um
quilograma num local onde a aceleração da gravidade é normal (9,8 m/s2).
É fácil obter a relação entre o kg* e o N. Vejamos:
1 kg* = 1 kg. 9,8 m/s2 1 kg* = 9,8 kg.m/s2 1 kg* = 9,8 N
103
Medida de força — o dinamômetro
Quando aplicamos uma força a uma mola, verificamos que a mola sofre uma de­
formação, quer aumentando seu comprimento quer diminuindo-o, conforme o senti­
do da força. Se a deformação não ultrapassar um certo valor limite, uma vez retirada
a força a mola volta ao seu comprimento original. Robert Hooke estudou experimen­
talmente a relação entre a força e a deformação produzida na mola e chegou ao seguin­
te resultado: para uma mola há uma razão constante entre a força aplicada e a defor­
mação linear produzida.
Para compreender o significado da Lei de Hooke, vamos ver como ele chegou a es­
ta conclusão.
Imaginemos uma mola pendurada ao lado de uma régua, de tal forma que ao ex­
tremo livre da mola corresponda o zero da régua. Ver Fig. 2.18.
A seguir, colocamos na ponta da mola um objeto de massa m, conhecida. A se­
guir penduramos um objeto de massa m. e anotamos a nova deformação x, produzi­
da. Repetimos esse procedimentos com várias outras massas, ms, m„ etc. Ver a parte
(Z>) da Fig. 2.18.
A cada massa pendurada corresponde uma força aplicada à mola, equivalente ao
peso desta massa.
Sejam F„ F;, F„ etc, as várias forças que por meio desse processo aplicamos à
mola. A experiência mostra que:
£ £=£ =
X, Xi X]

Esta razão é característica da própria mola e denomina-se constante elástica da


mola-, vamos representá-la por k. De uma maneira geral podemos escrever
y = á:-|f%x |

onde Fé a força aplicada à mola, k.é a constante elástica da mola, exé o comprimento
da deformação produzida por F.
Quando se conhece a constante elástica de uma mola pode-se usá-la para medir
umaforça. Para tanto, monta-se um dispositivo em tudo equivalente ao da figura e apli-
ca-se a força ao extremo da mola de modo a alongá-lo ou comprimi-la. Lê-se a defor­
mação produzida e calcula-se o valor da força utilizando a relação F - kx. Na prática
já se gradua a escala em unidades de força a fim de simplificar a operação de medida.
O instrumento assim construído recebe o nome de dinamômetro.
Observação: A dimensional de k pode ser facilmente obtida partindo-se da dimen­
sional de força-.
F LMT~* ; [*] = L°MT"2 = MT"’
* = x ~ M =
L
A unidade áeké, portanto:
1 kg.s-2
A constante elástica k é normalmente expressa em newton por metro (N/m), logo:
1 N/m = 1 kg.s-2.

104
yz/iz/zzz^/zz/z^
s

i i
I
I
0
1
2 I 0

I'
I
3 3

(o) (*)
Fig. 2.18 Esquema para ilustrar o funcionamento de um dlnamômetro. (a) Quando a mo­
la está em em equilíbrio sob a ação do seu próprio peso, definimos a posição do ZERO
de uma régua; (b) Se o bloco de massa m, ésustentado pela mola, a deformação x, da mola
indicará o módulo da força externa (peso do bloco de massa mt).

Exemplo 2.9 Na extremidade de uma certa mola pendura-se um bloco. O bloco pro­
duz na mola uma deformação x - 0,25 m, quando o sistema atinge o equilíbrio. A cons­
tante elástica da mola vale k = 1 kN/m. Qual é o peso do bloco?
Solução. No lado esquerdo da Fig. 2.19 mostramos o esquema do enunciado do pro­
blema. No lado direito desta ilustração mostramos as forças que atuam sobre o bloco. O
pesop* t a força gravitacional exercida pelaTerra, a forçai éa força exercida pela mola
sobre o bloco.

F = fcjr

— O = posição inicial

Fig. 2.19 Esquema do Exemplo 2.9.


t P

105
Como o bloco está em repouso, de acordo com a Primeira Lei de Newton, obtemos:
F-p
Porém, de acordo com a Lei de Hooke, o módulo da força exercida pela mola vale
F = kx. Logo,
p — kx
Substituindo os valores numéricos concluímos que o peso do bloco vale:
p = 250 N
Exemplo 2,10 Determine a dimensão do produto pgh.
Solução. A densidade, ou massa específica, é definida pela equação:
P = dm/dV (1)
e quando a densidade do material for consatnte (corpo homogêneo), a definição (1) se re­
duz à relação comum:
p « m/V
Para determinar a dimensão dep, podemos usar a relação (1); o símbolo de deriva­
da não tem dimensão, loço:
[P] = [m/V] = ML'3
A dimensão de g é a dimensão de aceleração, ou seja,
k) = LT-'
e a dimensão de h é a dimensão de comprimento (L). Logo:
[P«A] = ML"'T'3 (2)
Para saber o significado físico do produto pgh, basta lembrar que a dimensão de
força é dada por:
= MLT-2 (3)
A dimensão de uma área S é dada por:
(S) = L3 (4)
Dividindo as relações (2) e (3) obtemos:
(FZS) = [pressão} = ML-/T“2 (5)
Comparando a relação (5) com a dimensão de pgh dada pela equação (2), vemos
que este produto representa fisicamente uma pressão. Este produto fornece a diferença
de pressão barométrica entre dois pontos de um fluido separados por uma diferença de
altura h.
Exemplo 2.11 Um estudante esqueceu a fórmula do período Tde um pêndulo sim­
ples de comprimento L. Porém, ao fazer uma prova de múltipla escolha, ficou na dúvida
se o período do pêndulo simples é dado por 2t(L/^)í/7ou por 2t(^/£)‘/2. Qual é a opção
correta?
Solução. Basta aplicar o Princípio da Homogeneidade Dimensional. A dimensão
da aceleração da gravidade g é dada por:
te) = lt-’ (D
Como o fator 2x é adimensional, temos:
(2r(L/g)1/2l = LWtgP'* (2)
Das relações (1) e (2) decorre que a dimensão do membro esquerdo da equação (2)
é tempo (7). Como a dimensão de período também é tempo, concluímos que a fórmula

106
correta do período de um pêndulo é dada por:
T = 2rJ~L7g~
Exemplo 2.12 Suponha que a velocidade de propagação isotérmica de uma onda
sonora dependa somente da pressão Pe da densidade do meio p. Use a Análise Dimensio­
nal para determinar a expressão da velocidade do som, sabendo que não existe nenhuma
constante adimensional entre estas grandezas.
Solução. Como não existe nenhuma constante adimensional ligando as variáveis,
de acordo com o teorema fundamental da Análise Dimensional podemos escrever:
*= (D
ondexcy são expoentes a determinar, impond-se que a dimensão do membro esquerdo
da equação (1) deve ser igual à dimensão do membro direito. A dimensão da velocidade
é dada por:
[vj = LT“' (2)
De acordo com a definição de pressão, a dimensão de pressão é igual à dimensão
de força dividida pela dimensão de área:
[P] = [F\/L2 - (3)
Comop = m/Ve a dimensão de volume é[P] = LJ, a dimensão de densidade é da­
da por:
[P| = ML-’ (4)
Substituindo as relações (2), (3) e (4) na equação (1), encontramos:
LT"' = l/"*
Para que esta equação seja dimensionalmente homogênea, devemos ter:
- x — 3y = 1
— 2x = — 1
Da última relação obtemos: x = 1/2. Substituindo o valor x = 1/2 na outra equa­
ção, encontramos: y = 1/2. Portanto, a fórmula procurada é a seguinte:
v = -Jp/p
Esta é a fórmula procurada para o cálculo da velocidadede propagação isotérmica
do som, supondo Pep constantes.

2.3 Classificação das forças que atuam num corpo


Na ‘ 'Leitura Complementar’' deste Capítulo mostraremos que todas as forças exis­
tentes na Natureza sào oriundas direta ou indiretamente das quatro interações funda­
mentais da Física. Contudo, é didaticamente conveniente classificar as forças em dois
grandes grupos: (1) forças de interação e (2) forças inerciais. As forças inerciais serão
estudadas na Seção 2.5. As forças de interação, como o nome sugere, decorrem da ação
ou interação entre dois ou mais corpos.
As forças de interação são oriundas de dois tipos fundamentais de interação: (a)
a interação através de campos (estas forças também são chamadas de forças de ação à
distância) e (b) a interação provocada pelo contato (ou por qualquer tipo de vínculo).
Na "Leitura Complementar" deste Capítulo vamos fazer uma breve discussão sobre
o conceito de campo (que substitui modernamente o conceito de "ação à distância").

107
Das forças produzidas por uma ‘ 'ação à distância’ ’ estamos interessados apenas nas for­
ças gravitacionais. Outros exemplos deforça de ação à distância: a força elétrica e a for­
ça magnética. Asforças inerciais são forças de “ ação à distância” nem forças de conta­
to. As forças inerciais serão discutidas na Seção 2.5, na Leitura Complementar deste
Capítulo e no Apêndice A.
(a) Forças de ação à distância
A única que nos interessará por agora é a força gravitacional ou peso de um cor­
po. Como sabemos, a Terra atrai todo e qualquer objeto que esteja em suas proximi­
dades. A força com que a Terra atrai o objeto denomina-se peso do objeto. As caracte­
rísticas do peso são:
direção — vertical, ou seja, direção reta que une o corpo ao centro da Terra;
sentido — apontamento para o centro da Terra;
módulo — o módulo do peso é inversamente proporcional ao quadrado da distância
entre o corpo e o centro da Terra.
Na maioria dos problemas de Mecânica, trabalharemos com objetos que ao se mo­
verem o fazem nas proximidades da superfície da Terra. Nestas condições as variações
do módulo do peso são pequeníssimas e não serão levadas em conta. Sendo assim, na
maior parte dos casos consideraremos o peso como uma força de módulo constante,
vertical e atuando no sentido de atração entre o corpo e a Terra.
E a reação ao peso, existe? Sim, o peso é uma força exercida pela Terra sobre o
corpo que está próximo dela; o corpo reage exercendo sobre a Terra uma força de mes­
mo módulo e direção, porém de sentido oposto, que admitiremos aplicada no centro
da Terra (veja a Fig. 2.20).

TERRA reação ao peso


Fig. 2.20/1 reação ao peso é uma força -P exercidajrelo corpo
A sobre a Terra. O ponto de aplicação da reação -P é o centro
da Terra.

108
Observação: Uma unidade de força freqüentemente usada na prática é o quilo-
grama-força, símbolo kgf ou kg*. A relação entre o quilograma-força e o newton é
1 kgf = 1 kg* = 9,8 N.
Aceleração da gravidade
Consideremos dois objetos de pesos diferentes largados no mesmo instante de uma
mesma altura h, no vácuo (Fig. 2.21). A prática mostra que os dois objetos caem lado
a lado e chegam ao solo no mesmo instante. As variações de velocidade sofridas pelos
dois objetossão as mesmas em iguais intervalos de tempo, ou seja, eles caem com a mes­
ma aceleração. Esta aceleração se denomina aceleração da gravidade e se representa por
g.

T.I h
Pt

_<_______
T
c

7
////V ///////7///////
Fig. 2.21 Não existe ar no interior da campãnula
C. Verificamos que todos as objetos caem com
a mesma aceleração no vácuo.
Se a massa dos dois corpos da Fig. 2.21 são m, e m,, pode-se escrever:
Pi = m,g
Pi = mg
Dividindo membro a membro:
P_ m,
P>
ou seja, os pesos dos objetos são proporcionais às suas massas.
A aceleração da gravidade varia com a altitude h; no entanto, para pequenas va­
riações de h, consideraremos g como constante e com valor 9,8 m/s2, desde que h seja
pequeno em comparação com o raio da Terra.

Observações:
1 — Conforme ilustrado na Fig. 2.21, a experiência mostra que todos os corpos (in­
dependentemente das respectivas massas) caem com a mesma aceleração g no vácuo.
2 — NoQuestionário deste Capítulo vamos pedir para você explicar a diferença en­
tre peso e massa.

109
3 — No momento estamos considerando o peso como sendo a forçu gravitacional
exercida pela Terra sobre um corpo (ver Fig. 2.20). Contudo, e necessário fazer uma dis­
tinção entre o peso aparente e o peso. O peso aparente ia força resultante medida por um
dinamômetro ou por uma balança de mola. Conforme veremos na Seção 2.5, caso exis-
\am forças inerciaisptesenles, concluímos que aforça resultante mediàape\o dinamôme­
tro (ou por uma balança de mola) fornece o peso aparente. No Exemplo 2.28 mostrare­
mos que o peso aparente p ou peso efetivo pode ser definido do seguinte modo:
p = P +
onde E^i significa a soma dasforças inerciais eP é o peso (isto é, aforça gravitacional
exercida pela Terra sobre o corpo). Comoestamos desprezando esforças inerciais, temos:

P = ?
ou seja, o peso efetivo é igual ao peso definido anteriormente (isto é, P é aforça gravita­
cional exercida pela Terra). O leitor interessado em aprofundar seus estudos sobre a ques­
tão do peso efetivo e sobre as forças gravitacionais deve ler o Livro ^Gravitação, Oscila­
ções e Ondas" de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.

(b) Forças de contato ou forças de vínculo


Excluindo o peso, que já foi estudado no item (a), todas as demais forças que es­
tudaremos neste Livro de Mecânica podem ser classificadas como forças de contato (ou
forças de vínculo). A palavra “vínculo” i aqui usada quase no mesmo sentido de “con­
tato". As forças de contatamais importantes na Mecânica são as seguintes: (f) forças
de atrito, (2) forças de tração e de compressão, (3) reações de uma superfície de apoio,
(4) reações de articulações, (5) forças de deformação.
1 - Forças de atrito
Considere o bloco A indicado na Fig. 2.22. Seja T a força de tração exercida so­
bre o bloco A. Suponha que o bloco A esteja em repouso. Quais são as forças que agem
sobre ele? Na Fig. 2.23 fazemos um esquema das forças aplicada sobre o bloco A.

A T
\
*1
Jl
\
Fig. 2.22 Um bloco está em repouso submetido a uma tra­ I
ção 7* através da corda. P

Fig. 2.23 Como o bloco A está em


repouso a soma vetoria! de todas as
forças que atuam sobre o bloco de­
ve ser igual a zero.

110
A primeira força é o peso P. A segunda é a tração T sobre o bloco. A terceira
força é a reação de apoio do solo sobre o bloco. Para determinar a direção e o sentido
de P (reação de apoio) lembremo-nos de que o bloco está em repouso. Então a resul­
tante das três forças deve ser nula. Para que a resultante se anule, a reação de apoio P
deve ser capaz de anular a resultante de 7* e P, que aparece tracejada na Fig. 2.22. Lo­
go P deve ter a direção e o módulo de T + P e sentido oposto. Note que P não é nor­
mal ao plano de apoio.
Observação: Na prática não é costume trabalhar com a reação de apoio P ■ Cos­
tumamos, em geral, decompor P em duas direções previamente escolhidas, uma nor­
mal ao plano de apoio e outra paralela ao plano de apoio. À projeção de P no eixo de­
nominamos componente normal da reação P e à projeção no eixo paralelo denomina­
mos componente de atribo ou força de atrito. Procedendo assim para o exemplo prece­
dente teríamos o esquema de forças da Fig. 2.24. Na Fig. 2.24 a componente P é a
força de atrito. —
R N
"eixo
normal
. I
eixo1
paralelo)
> T
£
/ 777'/'/ 'À''77 77'/

p
Fig. 2.24

Em geral, quando fazemos um diagrama de forças da situação descrita na Fig.


2.22 já partimos da idéia de decompor P na componente normal f? e na força de atrito
p., conforme indicado na Fig. 2.24, de modo que nos diagramas costumamos repre­
sentar apenas as componentes N eP.
Observações: (a) A componenteP so existe quando o corpo é submetido a uma
força externa que tenta mover o corpo. (i>) A força de atritoP sempre se opõe à for­
ça de tração 7.

Exemplo 2.13 Faça o esquema das forças que atuam sobre um bloco apoiado num
plano horizontal.
Solução. A primeira força é o peso (orientado verticalmente de cima para baixo).
Trace agora um eixo ortogonal ao plano inclinado e um outro eixo paralelo ão plano incli­
nado. Coloque a força N sobre o eixo normal e a força 7^ sobre o eixo paralelo. Note
que/L deve se opor à componente do peso paralela ao plano. Ver a Fig. 2.25.

111
eixo N
normal

eixo
paralelo

P X.
'Z '/ 'Z;Z z7//-'/’
Fig. 2.25 Esquema para a solução do Exemplo 2.13.

Exemplo 2.14 A Fig. 2.26 mostra um trilho dobrado em forma de quadrante de


circunferência. O bloco A está em repouso. Desenhe as forças que atuam sobre o bloco A.
O

/'P? >/’/’/>/
Fig. 2.26 Desenho do enunciado do Exemplo 2.14.

Solução. A primeira força agindo é o peso (lembre-se: sempre vertical). Agora tra­
cemos um eixo normal à superfície (aqui será um eixo que passa pelo centro da circunfe­
rência e pelo centro do bloco); coloquemos sobre ele a componente normal. Trace agora
o eixo "paralelo” (aqui será um eixo paralelo à tangente à circunferência no ponto de con­
tato entre ela e o plano); coloque/; sobre ele. Ver a Fig. 2.27.
Exemplo 2.15 Na Fig. 2.28 mostramos uma viga A B apoiada sobre o canto de uma
parede. A viga está em repouso. Faça o esquema das forças que atuam sobre a viga.
Solução: O peso da viga é uma força aplicada no centro da viga. O centro da viga
é o centro de massa ou centro de gravidade da viga (no Capítulo 4 explicaremos estes con­
ceitos). Desenhe no ponto B uma força normal ao plano da parede e uma/orç? de atrito
tangente à parede (contrária à tendência do movimento). Analogamente, no ponto A existe
uma força /VA ortogonal ao solo e uma força de atrito f[ paralela ao solo c com sentido
contrário à tendência do movimento. Ou seja, se a viga escorregasse, a extremidade A se
deslocaria da direita para a esquerda; logo, a força de atrito é orientada da esquerda
para a direita. Ner a Fig. 2.29.

112
o
f. eixo
normal
N

\eixo TTWTTTV
paralelo
P
Fig. 2.27 Esquema da solução do Exemplo 2.14.

A A
Fig. 2.28 Desenho do enunciado do Exemplo Fig. 2.29 Esquema da solução do Exemplo
2.15. 2.15.

113
Origem da Força de Atrito
Considere a situação decrita na Fig. 2.22. Por que a força de reação R se inclina
em relação à horizontal quando tentamos arrastar um bloco? É o mesmo que pergun­
tar: qual é a origem da força de atrito f, indicada na Fig. 2.24? Imagine que olhásse­
mos para a região da extremidade do bloco através de uma lente de aumento, confor­
me mostramos na Fig. 2.30. As superfícies do bloco e do solo apareceríam cheias de
rugosidades, conforme indicado na Fig. 2.31. Em alguns pontos pode ocorrer até mes­
mo o encaixe entre uma saliência e uma reentrância das superfícies que estão em conta­
to: Fixemos nossa atenção no encaixe da região indicada pela letra a na Fig. 2.31.

R
2

////////////r///. 7////Z/Z

p
Fig. 2.30 A tentativa de arrastar o bloco é contra­ Fig. 2.31 Ampliação da extremida­
riadapor umaforça de atrito que se origina nos en­ de direita do contato entre o bloco
caixes entre as rugosidades das superfícies em con­ e o solo.
tato. Ver a ampliação indicada na Fig. 2.31.

Quando o bloco é tracionado para a direita, a saliência do bloco força o chão para
a direita e para baixo. O chão reage com uma força de mesma direção e sentido oposto
sobre a saliência do bloco. Se aumentarmos a tração para a direita, mais o bloco em­
purrará o chão pára adireita, ou seja, as forças indicadas na Fig. 2.31 mais se inclinam
para a direita. Suas reações, que agem sobre o bloco, mais se inclinam para a esquerda.
A força R i a resultante de todas as pequenas forças que agem sobre o bloco nos pon­
tos de contato; se estas se inclinam para a esquerda R também se inclina.
Se continuarmos a aumentar o módulo da tração T, as forças de encaixe entre
as rugosidades não serão suficientes para suportar a tração e o equilíbrio se rompe, de
modo que o bloco A se deslocará no sentido da tração. Portanto, durante a aceleração
do bloco, você deverá notar que a. força resultante Fí na direção horizontal possui mó­
dulo dado por:
Fi = T — f.
No equilíbrio, T = /A. Então, pelo Princípio da Inércia, ou o bloco A está em re­
pouso (se já estava antes da aplicação de T) ou então o bloco descreverá um movimen­
to retilíneo uniforme (caso o bloco possuísse uma velocidade v~ antes da aplicação da
força T).

114
Atrito Estático
Na parte (<z) da Fig. 2.32 mostramos um bloco em repouso apoiado sobre um pla­
no horizontal; neste caso, a reação do apoio 1? só tem componente normal, ou seja,
a força de atrito é nula. Na parte (b) da Fig. 2.32 indicamos uma tração T aplicada so­
bre o bloco; neste caso, a reação 77 se inclina e dá origem à componente horizontal de­
nominada força de atrito estático (porque corresponde ao equilíbrio estático, uma vez
que o bloco está em repouso).

N =R rJ
I
e
I
I
à ■> T

iiiiiiiiiiiiinnj/i/f//// 7//////////////////,//////////////////

V P P .r
R máx
(o)
I
'A 77 (6)
0 míx
I
I
I T

7777777777777777777777777777777777777
w y p
Fig. 2.32 (a) Quando não existe nenhuma força de tração aplicada ao bloco, não existeforça de
atrito estática (b) Aplicando-se uma tração horizontal T surge uma força de atrito f, . (c) De­
pois de aumentar suficientemente o valor da tração T, 0 bloco começará a deslizar sobre o pla­
no horizontal.
Aumentando-se o valor de T, o módulo f„ também aumenta, de modo a manter
o bloco em repouso. Entretanto, a força de atrito f„ não pode crescer indefinidamen­
te Existe um valor máximo para(que depende das rugostdades do corpo e do solo).
Quano o valor de T superar o valor máximo f„„u_, o bloco começará a deslizar sobre
o plano, conforme indicado na parte (c) da Fig. 2.32. Neste caso, a reação Tt também
atingiu seu valor máximo e o ângulo 6 também atingiu sua inclinação máxima (a partir
da vertical 6 = 0). O válor 6^,, denomina-se ângulo critico ou ângulo de atrito. A for­
ça máxima de atrito denomina-seforça máxima de atrito estático ou, simplesmente, atrito
máximo.
Há, para um mesmo par de superfícies, uma razão constante entre a força máxi­
ma de atrito estático e a normal.

115
A Fig. 2.33 mostra vários blocos de mesmo material e pesos diferentes apoiados
numa mesma superfície. Todos os blocos estão a ponto de se mover sob a ação das tra­
ções a eles aplicadas. Assim a força de atrito em cada um é a máxima.

♦ fih
f J.mix
/"l.mix ---- |r. ♦ 75
rrrrrrTTTn7 ///////7//////////// ///Z ////Z/ Z/////////////////////

▼3
Fig. 2.33 Os três blocos indicados nesta ilustração são de um mesmo material, apoiados
sobre a mesma superfície horizontal.
A experiência mostra que a razão entre o componente horizontal de J? (a força
de atrito máximo} e o componente normal é constante, para um mesmo par de superfí­
cies em contato, ou sjea, na Fig. 2.33, temos:

f.mí. A±.' _ /l.mi»


constante
M N>

A constante de proporcionalidade entre/, ^, e Ndenomina-se coeficiente de atri­


to estático e será designado pela letra tu (ou, simplesmente, pela letra grega /r). Pode­
mos, então, escrever a seguinte expressão para a. força máxima de atrito estático:

onde Né o módulo da componente norma! da reação do apoio R sobre o corpo.


É interessante notar que o coeficiente de atrito estático é dado por:
| Ak = tg | (2.4)
Para verificar a relação anterior basta examinar a Fig. 2.34. No triângulo retân­
gulo, hachureado, tomando-se a tangente do ângulo , obtemos imediatamente a re­
lação (2.4) fazendo uso da equação (2.3).
Atrito Cinético ou Atrito de Deslizamento
Quando um corpo desliza sobre uma superfície rugosa, ele fica submetido a uma
força que se opõe ao sentido do movimento. Esta força denomina-se força de atrito ci­
nético ou força de atrito de deslizamento. A experiência mostra que a força de atrito de
deslizamento é praticamente constante, desde que a velocidade do corpo não seja muito
elevada. Também experimentalmente se observa que entre a força de atrito de desliza­
mento e a componente normal da reação de apoio há, para um mesmo par de superfí­
cies, uma razão constante. Denominamos a esta razão constante de coeficiente de atrito
de deslizamento (/u):

116
N

I
I
I
I '^máx — Oc
I
I
7«.nulx T

! 111 / l/l l/l/////// >////!/ f//////////

Fig. 2.34 Esquema para mostrar que o coeficiente de atrito estático édado
pela relação (2.4).

f*. = /a/N
De um modo geral o coeficiente de atrito de deslizamento é menor que o coeficien­
te de atrito estático, o que explica porque é mais fácil manter um corpo deslizando do
que iniciar o seu movimento.

Exemplo 2.16 Coeficiente de atrito estático. Descreva uma experiência simples para
a determinação experimental do coeficiente de atrito estático fu- Escreva a expressão usada
para a determinação deste coeficiente.
Solução. Um método simples para a determinação do coeficiente de atrito estático
de um material é o seguinte. Coloca-se um bloco do material sobre um plano Indicado, ar­
ticulado de tal modo qu e sua inclinação em relação à horizontal possa aumentar continua­
mente e partir da posição horizontal. Eleva-se o plano até que ele atinja uma inclinação
critica e o corpo comece a deslizar sobre o plano. Considere a Fig. 2.35. Levando em conta
o esquema de forças indicado nesta figura, e de acordo com a definição da força de atrito
dada pela equação (2.3), encontramos:
F* = /a, N = mg cos ã, (1)
Quando o corpo está na iminência de se deslocar ou quando ele se desloca com velo­
cidade constante, podemos aplicar a primeira lei de Newton. Igualando a força de atrito
com a componente do peso ao longo do plano inclinado, temos:
= mg sen 8, (2)

117
N

p sen 0e

p cos Ôf t
ee
P
Fig. 2.35 Esquema de forças para a solução do
Exemplo 2.16 e do Exemplo 2.7 7.
e, usando as relações (1) e (2), resulta:
| /^ = tg 0. | (3)
A equação (3) pode, então, ser usada para a determinação do coeficiente de atrito
estático em função do ângulo limite 0, medido cxperimentalmente.

Exemplo 2.17 Coeficiente de atrito cinético. Descreva uma experiência para a de­
terminação do coeficiente de atrito cinético
Solução. No problema anterior, vimos que o ângulo limite abaixo do qual o corpo
permanece em repouso e acima do qual ele se desloca é dado por: 0c = arc tg Para de­
terminar o coeficiente de atrito cinético podemos fazer a seguinte experiência: coloca-sc
o corpo sobre um plano inclinado, de tal modo que o ângulo de inclinação do plano seja
maior do que 6r. De acordo com a seunda Lei de Newton, e levando em conta a figura do
problema anterior, podemos escrever:
mg sen 8 — ^mg cos 6 = ma
ou seja, explicitando o coeficiente de atrito cinético,
= tg 0 — (a/g cos 0).
Observações:
1 — As forças de atrito descritas anteriormente referem-se ao atrito entre duas su­
perfícies sólidas, sem levarem conta a possibilidade derolamento. No Capítulo 5 analisa­
remos o papel desempenhado pelo atrito no rolamento.
2 — Considere \im fluido {líquido ou gás) em contato com um sólido ou com outro
fluido). O movimento relativo entre o sólido e o fluido (ou entre doisfluidos) é impedido
pelo atrito viscoso. As leis que governam o atrito viscoso são completamente diferentes
das leis que governam o atrito entre superfícies sólidas. O leitor interessado em saber as
noções básicas sobre a Mecânica dos Fluidos deve ler o Livro “Elementos de Termodinâ­
mica' ’ de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.

2 - Força de Tração
A,força de tração num/zo (numa corda ou numa viga) produz uma solicitação que
tende a esticar ofio (a corda ou a viga). A força de compressão numa viga é uma força
que tende a encurtar a viga através de uma compressão. A seguir, vamos descrever so­
mente as forças de tração.

118
Considere um blocozl suspenso por um fio preso ao teto, conforme indicado na
parte (o) da Fig. 2.36. O fioé flexível e de peso desprezível. O fio exerce sobre o bloco
uma força de tração T. Na parte (b) da Fig. 2.36 isolamos o bloco para fazer o esque­
ma das forças que atuam sobre o bloco.
///////////////Z////Z A T

A
(a)

V?
Fig. 2.36 (a) Um bloco A ésuspenso por um fio inextensível de massa desprezível, (b) Esquema
das forças que atuam no bloco A.
Sobre o bloco atuam duas forças: o peso p' e a tração T. Conforme indicado na
Fig. 2.36, o sentido da tração T só pode ser oposio ao do pesop~, uma vez que o bloco
A está em repouso.
Observações: (a) Note que a tensão ou tração T não é a reação do peso p .A rea­
ção do peso j5* é uma força — p exercida sobre a Terra e aplicada no centro da Terra,
(b) Qual é a reação da tração T que o fio exerce sobre o bloco Al É uma força — T
exercida pelo bloco sobre o fio; esta reação faria o fio se romper ou esticar (caso esta
força de reação ultrapassasse certos limites). Note que o módulo de — T é igual ao mó­
dulo de p , mas não podemos dizer que — T é a reação do peso p’ (ver a observação
do item anterior).

Exemplo 2.18 Faça um esquema das forças que atuam sobre o bloco A Indicado
na Fig. 2.37.
z/z Z Z Z/Zz Z Z ZZZ/Z

Fig. 2.37 Desenho do Exemplo 2.18.

119
▼p
Fig. 2.38 Esquema da solução do Exemplo 2.18.
Solução. As três forças que atuam sobre o bloco A são esquematizadas na Fig. 2.38.

3 - Reação de Apoio
Já vimos que a força de atrito é o componente tangenciai da reação de apoio. As
forças de reação de apoio surgem toda vez que um corpo está em contato com outro corpo
ou com um&superficie qualquer (plana ou não-plana). Quando não existe nenhuma outra
força externa aplicada ao corpo, o módulo de reação do apoio R é numericamente igual
ao módulo do peso. Contudo, para que o corpo esteja em repouso é necessário que R
= — p~, confortpe ilustrado na Fig. 2.39.

♦ *

▼ ?
/ 7'/'/'/'/'/'/'/'/'/'/'/
Fig. 2.39 Quando não existe nenhuma outraforça externa (exceto o peso) a reação do apoio R tem
que ser igual contrária ao peso p (para que o corpo permaneça em repouso).

Conforme dissemos anteriormente, é sempre conveniente decompor a reação do


apoio em dois componentes; (o) a componente normalN da reação do apoio é octo­
gonal à superfície considerada no local onde se encontra o corpo; (b) a componente tan­
genciai da reação K é a força de atrito, conforme definimos anteriormente. Por exem-

120
pio, se o bloco indicado na Fig. 2.39 está em repouso, a componente normal R é orto-
gona ao plano inclinado (dirigida de baixo para cima) e a componente tangencial é aforça
de atrito fs orientada ao longo do plano e que equilibra a componente tangencial do
peso p sen 0, onde & é o ângulo entre o plano inclinado e o plano horizontal.
4 - Reação de uma articulação
Um tipo especial de reação de apoio é a reação que ocorre numa articulação ou-
numa junta (ou Junção) entre dois materiais. A seguir, estudaremos apenas o caso da
reação de uma articulação. Na Fig. 2.40 mostramos uma articulação A.
/////////////, // ////

(A)
haste

pino
(*)

Fig. 2.40 (a) Uma haste A B está presa ao teto por um fio
e articulada no ponto A. (b) Detalhe para mostrar a arti­
culação do ponto A.
Consideremos uma haste AB fixada a uma parede de forma que se segue. No ex­
tremo A existe um orifício na haste. Através desse orifício passa um pino que é fixado
à parede. Chama-se reação de articulação à força que o pino exerce na haste. Em geral
trabalha-se com esta força imaginando-a decomposta em duas componentes, uma ho­
rizontal e outra vertical. Às vezes imagina-se a reação 77 de articulação decomposta
de uma direção normal ã haste e em uma direção paralela à mesma.
Na Fig. 2.41 ilustramos as técnicas usuais para a decomposição da força de rea­
ção da articulação R. Na parte (c) decompomos a reação da articulação num compo­
nente normal à superfície de apoio e em outro componente tangencial à superfície de apoio.
Na parte (b) da Fig. 2.41 mostramos a decomposição de R num componente ortogonai
à haste AB e num componente paralelo à haste AB.

121
Fig. 2.41 ItuslruçSo para mostrar os principais tipos de decomposição da reação de uma articu­
lação.

5 - Força de deformação — Lei de Hooke


A Lei de Hooke define o sistema elástico ideal. A deformação produzida num sistema
elástico é tal que a força de reação do sistema é dada pela Lei de Hooke:
|f =-*r|
onde?' éa força de reação do sistema, k é a constante elástica do sistema c.v” é um vetor
que fornece a deformação linear do sistema, isto é, x é um vetor que caracteriza a dife­
rença entre o comprimento do sistema num dado instante e o comprimento do sistema
no equilíbrio (quando não existe nenhuma deformação do sistema). A Lei de Hooke
vale para qualquer deformação elástica linear. Neste Livro aplicaremos a Lei de Hooke
somente no caso da deformação de uma dada mola; neste caso, a deformaçãoxé a dife­
rença entre o comprimento da mola num dado instante e o comprimento da mola quando
ela não está nem esticada nem comprimida.
2.4 Aplicações das Leis de Newton
O objetivo da Dinâmica é estabelecer a relação entre o movimento e suas causas
(isto é, zs forças). Nesta Seção apresentaremos diversos problemas resolvidos para ilus­
trar algumas aplicações das Leis de Newton. Vamos considerar nesta Seção somente re­
ferenciais inerciais, isto é, referenciais para os quais podemos aplicar a Lei da Inércia
(Primeira Lei de Newton). Na próxima Seção faremos uma discussão sobre a descrição
da Mecânica no interior de um referencial não-inerciat.

Exemplo 2.19 A esfera da Fig. 2.42 pesa 100 kgf e está em equilíbrio. Não existe
atrito entre a esfera e as superfícies que estão em coniato com ela. Determine as reações
do apoio. A parede 1 é vertical.

122
Fig. 2.42 Desenho do Exemplo 2.19.

Soluçãa As forças que atuam sobre a esfera são: o peso p , a reação N, da parede
número 1 e a reação Ã?_, da parede 2. Como não há atrito, a reação N, é ortogonal à pa­
rede I e N 2 é ortogonal à parede 2. Todas as três forças que atuam sobre a esfera passam
pelo centro da esfera, conforme indicado na Fig. 2.43.

N,
7v, 2
60"

P ▼

60"

Fig. 2.43 Esquema das forças que


aluam sobre a esfera do Exemplo
2.19.

123
Podemos considerar um sistema cartesiano Oxy com origem O no centro da esfera,
sendo Ox um eixo horizontal e Oy um eixo vertical. As forças que atuam sobre a esfera
podem então ser decompostas conforme indicado na Fig. 2.44.

*2
.. Nj/3
I ' k ~2~
I
I
I
I

M/2 N1

Fig. 2.44 Decomposição dasforças indicadas na Fig. 2.43.

Como a esfera está em equilíbrio, de acordo com a Primeira Lei de Newton, con­
cluímos que são nulas as resultantes R, e R, (onde /?, é a soma vetorial das forças ao lon­
go do eixo Ox e R, i a resultante ao longo do eixo Oy). Donde se conclui que:
N, - N,/2 (1)
M = 2p3'Zi (2)
Substituindo os dados numéricos em (2) e (l), obtemos os resultados aproximados:
N, = 57 kgf; N, = 114 kgf

Exemplo 2.20 O coeficiente de atrito estático entre o bloco da Fig. 2.45 e o plano
inclinado vale 0,7. Determine o módulo da menor força (paralela ao plano) que deve ser
aplicada ao bloco a fim de que o bloco escorregue para a parte inferior do plano inclinado.
O peso do bloco í igual a 100 kgf.

Fig. 2.45 Ilustração do Exemplo 2.20.


30°
<y/z////////////////////////////
124
Solução Sabemos que tg 30° = 0,57. De acordo com a equação (2.4), temos 6^.
= arc tg 0,7 = 35°. Como o ângulo do plano inclinado da Fig. 2.45 é menor do que ç
concluímos que o bloco não pode escorregar para baixo. A força F necessária para
fazer o bloco escorregar para baixo deve, portanto, ser dirigida para baixo, conforme in-
diado na Fig. 2.46. Utilizando o sistema de coordenadas ortogonais, mostrado na Fig. 2.46,
encontramos o seguinte resultado para o equilíbrio:

y
A.mix.

P/2
F
P/T
2
X
\3o° \
✓//////////////////////////////////
Fig. 2.46 Esquema dasforças que atuam sobre o bloco do Exem­
plo 2.20.

N = <3 p/2 (D
F - fiMto. - p/2 (2)
onde:
A-u. - (3)
Substituindo os dados numéricos nas relações (1), (2) e (3), achamos o módulo da
força Fno equilíbrio:
F = 11 kgf
Portanto, qualquer força Fcom módulo maior do que II kgf é suficiente para fazer
o bloco escorregar para baixo.
Exemplo 2.21 Na Fig. 2.47 mostramos dois blocos A e B que se movem sobre um
plano horizontal sem atrito. A força externa F indicada na Fig. 2.47 possui módulo igual
a 16 N. A massa do bloco A vale = 3,0 kg e a massa do bloco B vale m9 = 1,0 kg. De­
termine: (tf) a aceleração do sistema, (n) a força FAB que o bloco A exerce sobre o bloco
B.
Solução, (tf) Considere como sistema o conjunto formado pelos blocos A e B. Neste
caso, os forças externas ao sistema são indicadas na Fig. 2.43.
De acordo com a Segunda Lei de Newton (2.1), podemos escrever:
FrcuIlaMr “ X tf úMrma (I)

125
F

A
B

Fig. 2.47 Ilustração do enunciado do Exemplo 2.21.

a N.

AÃ7, a

Pa Pb
Fig. 2.48 Esquema das forças externas que aluam sobre o sistema.

A força resultante é igual à força externa F , uma vez que o peso do bloco A (pA)
é anulado pela reação N^e o peso do bloco B (pH) é anulado pela reação 7?A massa do
sistema é dada por:
= znA + ma (2)
Designando pela letra a, de acordo com as relações (1) e (2), temos:
F » (wA + m^a
Logo,
a = F/(m* + m„) (3)
Substituindo osíiados numéricos na equação (3), encontramos a seguinte resposta
para o item (a):
a = 4,0 m/s}
(d) Para determinar a força FAB que o bloco A exerce sobre o bloco B é necessário
conhecer as forcas que atuam sobre o bloco B e fazemos um esquema das forças que atuam
sobre o bloco B.
Note que a força pH (peso do bloco B) é anulada pela reação A6. Sendo assim.a força
resultante que atua sobre o bloco B é a força FAB. Portanto, aplicando a Segunda Lei de
Newton ao bloco B, achamos a seguinte resposta para o item (Z>):
Fah = mua = 4,0 N

126
a

F.»

'////////////// '////////////
Y p&
Fig. 2.49 Esquema das forças que atuam sobre o bloco B.

Exemplo 2.22 Máquina de Atwood. Na Fig. 2.50 mostramos dois blocos de massa
m\ e nu, ligados por uma corda inextensível de massa desprezível. A polia também pos­
sui massa desprezível. Determine o módulo da aceleração de cada bloco, a tensão na cor­
da e a tensão no cabo de sustentação da polia. Supor mz maior do que m,.

//////////////////////////////////////
T'
i--------
i
12
ni\
J
jpl
I—

V
P m\ 15
T T
1712

J
Fig. 2.50 Esquema da máquina de Atwood (Exemplo 2.22). P-

Solução. O dispositivo indicado na Fig. 2.50 é conhecido como “máquina de At­


wood”. Como a corda é inextensível, a aceleração do bloco de massa mt possui o mesmo
módulo da aceleração do bloco de massa m2. As forças que atuam sobre o bloco de mas­
sa As forças que atuam sobre o bloco de massa m2 estào indicadas no canto inferior
do lado direito da Fig. 2.50. Aplicando a Segunda Lei de Newton ao bloco de massa /n;,
obtemos:
pz - T = m<a (D

127
As forças que atuam sobre o bloco de massa mt estão indicadas no canto direito su­
perior da Fig. 2.50. Aplicando a segunda lei dc Newton a este bloco resulta:
T - p> = irtia (2)
onde a tensão Tque atua sobre o bloco de massa nu é igual à tensão que atua sobre o bloco
dc massa m: porque a polia possui massa desprezível. Somando membro a membro as
equações (1) e (2) explicitando a aceleração, encontramos:
(W; - mt)g
a = (3)
IHi + Ifíi

A tensão Tna corda pode ser calculada tanto pela equação (l) quanto pela relação
(2). Usando as relações (2) e (3), encontramos:
2jntmig
T= (4)
nu + m-

As forças que atuam sobre a polia estão indicadas no lado esquerdo da Fig. 2.0. Apli­
cando a segunda lei de Newton, resulta:
V = 27 + p (5)
ondep = mgè o peso da polia e a tensão Tédada pelaequaçào (4). Este resultado mostra
que a tensão no cabo de sustentação não é igual a (p + p} + p;). A tensão só é igual à so­
ma dos pesos quando não houver movimento; o equilíbrio corresponde a m\ = m2, e subs-
tituindo m, = mz na equação (4), verificamos que, de acordo com a relação (5), a tensão
no cabo de sustentação é igual à soma dos pesos. Este exemplo ilustra como podemos tes­
tar um resultado dinâmico confrontando-o com o resultado da estática, pois a Estática pode
ser çncarada como um caso particular da Dinâmica quando a aceleração é igual a zero.
Desprezando o peso da polia, a relação (5) fornece:
7'= 4/ni/?j:g/(/ni + m2)
Exemplo 2.23 Os dois blocos indicados na Fig. 2.51 são ligados por uma corda de
massa desprezível. Despreze também a massa da polia e o atrito entre as superfícies que
estão em contato. Determine a aceleração de cada bloco e a tensão na corda. Supor m:
maior do que mt.

T T

mi

pi sen 01
0. 0> Pi sen d3

Fig. 2.51 Esquema do Exemplo 2.23.

128
Solução. Como a polia possui massa desprezível, a tensào Tnos dois lados da polia
é a mesma. Aplicando a segunda lei de Newton ao bloco de massa nu, obtemos:
Pi sen Oi — T = /nyz (1)
Aplicando a segunda Lei de Newton ao bloco de massa mit encontramos:
T — p\ sen = mta (2)
Somando as relações (1) e (2) e explicitando a, resulta:
(m* sen (L — mt sen 0t)g
a - --------------------------------- (3)
nh + nii

A tensào na corda, quando não há atrito, será dada por:

mtm: (sen 9, + sen 0;)


T= ni, + m- (4)

2.5 Forças de inércia


Nesta Seção vamos estudar as forças de inércia. As forças de interação foram ana­
lisadas na Seção 2.3. O leitor deve consultar o início da Seção 2.3, a Leitura Comple­
mentar no final deste Capitulo e o Apêndice A no final deste Livro.
Considere um vagão de um trem que se move em linha reta com uma aceleração
constante õ] relativamente a um referencialfixo na ferrovia (SA). No interior deste va­
gão existe um pêndulo simples cujo pingente está em repouso em relação a um referen­
cial fixo no vagão Logo, ã\ = lT,a.y = ã", . Nestas condições, o pêndulo se in­
clina em relação à horizontal. A posição de repouso do pêndulo é caracterizada por um
ângulo 6 constante, conforme indicado na Fig. 2.52,

<Z|
------ ►|»a - dr

S ■ .gr
Or = Oi

Fig. 2.52 Um vagão se desloca com aceleração constante 7, em relação a um referen­


cial fixo na ferrovia SA.

Suponhamos que se peça a um observadorfixo no vagão para aplicar a Segunda


Lei de Newton ao pingente. Pedimos também a um observador fixo na ferrovia para
aplicar a Segunda Lei de Newton.
O observador do SA dirá que a força resultante que atua sobre o pingente é igual
a de acordo com a Segunda Lei de Newton. Sendo assim, o observador do sis­
tema fixo na ferrovia(SA) fará a composição de forças indicada na Fig. 2.53.

129
Observador do S\
f
1
Ot

mg" + f

mgV ^F = mãt

Fig. 2.53 Um observador fixo na Terra (sistema S^Jfaz a análise das


forças indicadas nesta ilustração. Para o observador do SA a aplicação
da Segunda Lei de Newton conduz ao resultado coerente ZF = mÕr .

Suponha que o observador do sistema fixo no vagão (S«) faça a aplicação da Se­
gunda Lei de Newton utilizando as mesmas forças empregadas pelo observador do SA,
conforme indicado na Fig. 2.54.

Observador do Sg 1
0R = o
z. ~ mg +T

mg*

Fig. 2.54 Se um observador do sistemafixo no vagão (Si) fizer análise


dasforças igual à descrição indicada na Fig. 2.53 ele chegará à mesma
conclusão do observador do sistema S., ou seja, ele concluirá que a
força resultante é igual a mar . Contudo, em relação a um observador
fixo no vagão; í claro que: a, - O. Como eliminar esta contradição?.

Se o observador do utilizar o mesmo esquema de forças do observador do SA


ele chegará a uma contradição, uma vez que, em relação ao observador do S« a acele­
ração é nula (<ri = ÍT).
Diante da evidente contradição obtida pelo observador do S„ somos levados a
formular duas hipóteses:

130
Primeira hipótese: A Segunda Lei de Newton não pode ser aplicada no sistemafi­
xo no vagão, sendo correta a análise das forças feita pelo observador do &.
Segunda hipótese: As Leis de Newton valem do S« e não está correta a análise de
forças do observador do S«.
Analisemos a primeira hipótese: o que caracteriza o S« é o fato de estar acelera­
do com aceleração <7, (7. Assim, a primeira hipótese consiste em afirmar que as
Leis de Newton não são válidas em referenciais acelerados e portanto, são válidas ape­
nas em referenciais não-acelerados. Aqui surge uma grande dificuldade: onde encon­
trar um "referencial nào-acelerado’”! É evidente que o nosso SA fixado à margem da
ferrovia tem aceleração centrípeta devida à rotação da Terra, tem aceleração centrípeta
devida ao movimento orbital da Terra, tem acelerações devidas a movimentos do siste­
ma solar e de toda Galáxia, etc. Finalmente, o que é ser não-acelerado? Não acelerado
em relação a que? A resposta.de Newton oferece a estas questões é não acelerado em
relação ao espaço. O espaço é concebido por Newton como o grande palco onde todos
os movimentos do Universo sé processam, "palco” este considerado infinito, imóvel
e euclidiano (nele valem os axiomas da geometria euclidiana). Assim, o nosso SA (sis­
tema absoluto de referência) estaria em repouso ou em movimento retilíneo uniforme
em relação ao espaço. Há ainda uma dificuldade, e muitíssima séria, não há corpo al­
gum no Universo do qual possamos nos gabar de conhecer o movimento em relação ao
espaço! Como então fixar os eixos deste sistema absoluto de referência!. . . Quando
observamos o céu à noite, verificamos que muitos mudam de posição uns em relação
aos outros. Outros astros há, porém, cujas posições relativas permanecem invariáveis.
Estes astros, muito afastados da Terra, são chamados estrelas "fixas”. . . Newton pro­
pôs que se tomasse um sistema de referêcia em repouso relativamente às estrelas"fixas”
como o modelo de sistema onde as leis valeríam, o sistema absoluto (Sx)de referência,
e é óbvio que ao fazê-lo o faz de forma axiomática.
Você não deve se preocupar em ter de analisar situações descrevendo os movimen­
tos em relação às estrelas "fixas' ’; um referencial fixado na superfície da Terra conti­
nuará sendo um bom modelo de SA (sistema absoluto) para as aplicações da Mecânica
que vamos fazer. Para que você compreenda porque, voltemos à Fig. 2.52 e vamos cal­
cular o valor do ângulo 6 entre o fio do pêndulo e a vertical.
Para o observador do SA, conforme indicado na Fig. 2.55, temos:
EF = mõ"A = mã~ T
Portanto,
£ F, = ma, T sen S = ma,
£ F, = 0 T cos 9 - mg = 0
Logo,

T sen 9 = ma.
tg0= —
g
T cos 6 = mg

131
yM
T
T cos 0
0
T sen 9
x
a* = ar

mg

SA
Fig. 2.55 Esquema para determinar o
ângulo 0. Resultado: tg 0 = aT/g.
Observe que se aT < < g então 8 será muito pequeno, o fio estará quase na ver­
tical e o observador do S« chegará a resultados aproximadamente iguais aos do obser­
vador do SA, ambos dirão que EF' = (T e que mg’ = - T. Conclui-se:
Os resultados num S« tal que aT é muito pequeno são quase idênticos aos do S".
A aceleração norma! (ou aceleração centrípetd) de um ponto na superfície da Ter­
ra devida à rotação da Terra é de 0,034 m/s2 e as demais acelerações devidas e outros
movimentos de nosso planeta são ainda menores. Não cometeremos, na maioria dos
problemas, um erro muito grande ao tomar um sistema de referênciafixo (ou em m.r.u.)
em relação à superfície da Terra como um bom modelo de “sistema absoluto" onde
valem as leis de Newton e as análises de forças tais como as que estudamos até aqui.
Vamos examinar agora a segunda hipótese', voltemos à dificuldade encontrada pelo
observador do 5».

an =õ mg + T #= O

â
Sr
mg
- mau

Fig. 2.56 Se o observador do


Sn utilizar as mesmas forças
= õ

do observador do SA ele não


poderá aceitar a Segunda Lei
de Newton..
Observe a Fig. 2.56. Feita a análise das forças no pingente, o observador S„ cons­
tata que sua soma é diferente de zero. Por outro lado, ele vê o pingente em repouso e

132
neste caso a Primeira Lei de Newton afirma que a soma das forças é nula. O observa­
dor do SK (que não deseja alterar as técnicas que conhece para identificar as forças que
agem num sistema) não vê saída a não ser afirmar que existe mais uma força atuando
no pingente. Esta nova força deve ser tal que adicionada ao peso e à tração do fio anule
o valor da soma. Desginando por J7 a nova força, tem-se:
F + mg" + T = 0 :.f = - (mg" + T)
mas sabemos que mg" + T = logo:
T- = - mã,
A análise de forças no SK passa a ser feita do modo indicado na Fig. 2.57.

Tl — ma-r Fig. 2.57 Para aceitar a Segunda


Lei de Newton só tem uma saída:
o observador do S« introduz
uma força nova tat que -F =
O. Esta força que anula as de­
maisforças de interação do sis­
Sr tema é dada por f = ma,.

A análise das forças indicadas na Fig. 2.57 concorda com a Primeira Lei:
ZF - mg" + T + f - Õ*
Uma força como / é chamada uma força de inércia e difere das forças estuda­
das na Seção 2.3 pelo fato de não resultar de uma interação (ação mútua) entre dois cor­
pos. Não há um “autor” de f e, consequentemente, não há uma "reação” af.

Referencial inercial e referencial não-inercial


Um sistema inercial de referência é um sistema no qual só se admite a existência
deforças de interação. É, portanto, o sistema absoluto concebido por Newton ou qual­
quer outro que se desloque em movimento retUíneo uniforme relativamente às estrelas
"fixas". Como já vimos em muitos problemas tomaremos um sistema de referência fi­
xo na superfície do solo (sistema do laboratório} como uma boa aproximação de um sis­
tema inercial.
Sistema não-inercial de referência é qualquer sistema acelerado relativamente a
um sistema inercial.
Nos sistemas inerciais de referência não existem forças de inércia .somente forças
de interação. Só existe força de inércia num sistema não-inercial de referência.
Que tipo de experiência podemos fazer para distinguir um referencial inercialde
um referencial não-inerciaP. Ou seja, como podemos saber se um referencial é inercial
ou não-inerciaP Podemos proceder do seguinte modo: Imaginamos uma partícula li­
vre no interior do referencial; istoé, supomos que não exista nenhuma força de intera­
ção atuando sobre a partícula. Caso a partícula permaneça em repouso ou em movi­
mento retUíneo e uniforme, concluímos que ó referencial considerado é um referencial

133
inercial. Se a partícula adquirir uma aceleração, concluímos que se trata de um referen­
cial não-inercial.
Considere um ônibus se movendo com velocidade constante. Suponha que não
exista atrito com o piso do ônibus. Se deixarmos uma bola livre sobre o piso do ônibus
ela ficará em repouso, donde se conclui que, neste caso, o ônibus constitui um referen­
cial inercial. Contudo, quando o ônibus se desloca com aceleração a , a bola se deslo­
cará com uma aceleração - ã~ em relação ao piso do ônibus, indicando que, neste ca­
so, o ônibus constitui um referencial não-inercial.
As forças de inércia
Todas as forças de inércia podem ser grupadas em apenas quatro tipos: (a) força
de Einstein, (b) força centrífuga, (c)foça de Euler, (d) força de Coriolis.
Força de Einstein (E)
A força de Einstein é a força de inércia que surge num em movimento acelera­
do de translação em relação ao S*. A força de inércia que utilizamos nas figuras ante­
riores é umaforça de Einstein. Na Fig. 2.58, mostramos um resumo das conclusões an­
teriores.

W/7//» ///////// ; --------


Fig. 2.58 Esquema para ilustrar a força de Einstein

A força de Einstein é dada por:


= ma, |
(b) Força Centrífuga (Jj
A força centrífuga é a força de inércia que surge num S, em movimento de rota­
ção (a * 0) em relação ao SA.
Coloquemos agora o nosso vagão em uma curva circular, de raio R, contida num
plano horizontal, e com uma velocidade angular u = constante. Constata-se que o pên­
dulo afasta-se da vertical para o lado de fora da curva. A Fig. 2.59 mostra o vagão e
o pêndulo vistos de frente e a Fig. 2.60 mostra uma vista de topo.
Façamos a análise de forças do pingente de ponto de vista do observador do S>
e do ponto de vista do observador do S». O observador do SA vê a situação descrita na
Fig. 2.61.
Ele vê o pingente com aceleração cã, Ele faz a composição das forças do seguin­
te modo:
LF = ma.

134
v

CO
S\
Fig. 2.59 O pêndulo em repouso se inclina para fora da curva,
indicando que existe umaforça inércia!atuando nestesentido;
esta força denomina-se força centrifuga.

Fig. 2.60 Vista de topo do movimento circu­


larão vagão. Para um observadorfixo na Ter­
ra não existe aceleração centrifuga, mas exis­
te a aceleração centrípeta.

Sa


mg
Fig. 2.61 Análisedasforçasfeito por
um observadorfixo na Terra (sistema
SJ.
Por outro lado,
£ F = T + mg
Logo,
T + mf = mí,

135
Portanto, o módulo da resultante é dado por:
T + mg' = maR
O observador do S» vê o pingente em repouso, conforme ilustrado na Fig. 2.62.

SR

Fig. 2.62 Composição


das forças que atuam
sobre o pingente do
pêndulo para um ob­
servador fixo dentro
do vagão.

O observador do S, adiciona mais uma força, oposta a T + mg". É a força de


inércia denominada/orça centrífuga. Ele faz a composição de forças do seguinte mo­
do:
=r
Por outro lado,
E E = mg" + T +
Donde se conclui que:
JF - - (mg + T); logo: = - mãl
Portanto, o módulo da força centrífuga é dado pelo produto da massa vezes a ace­
leração centrífuga.
/, = mu2R
(c) Força de Euler (E *)
A força de Euler é a força de inércia que surge num S« animado de rotação ace­
lerada (a * 0) em relação ao 5*.
Voltemos ao pêndulo no interior do vagão, que continua na mesma curva, só que
agora com uma aceleração, que vamos supor constante e tal que w seja crescente. Ao
pingente serão então conferidas duas acelerações, uma normal, a„, e outra tangente,
o,. O pingente afasta-se do centro da curva ao mesmo tempo que se aproxima da pa­
rede traseira do vagão, como mostram a Fig. 2.63 e a Fig. 2.64.
Façamos a análise de forças do observador do S«. O observador do SA vê o pin­
gente com uma aceleração ã" = õ"r + ã" N. Ver a Fig. 2.65.
Na Fig. 2.66 mostramos a análise das forcas feita pelo observador do S« usa duas
forças de inércia. A primeira é a força centrífuga, JF , que já conhecemos. A segunda
é a força de Euler:
E*= - EF - F» = — mã",
como <7, = a R, vem:
|F*| = maR

136
V

c’t R

Sa
C

Fig. 2.63 Vista de frente (seção transversa! do vagão).

an
R
a.
C O
v

Fig. 2.64 Vista de topo do vagão.

■ plano vertical que


contém o pêndulo

f = mg~ + T = ma

c’r plano vertical que


contem CO
c

ma i

= ma

Fig. 2.65 Análise das forças feita pelo observador do sistema inercial S,„

137
Â

Fig. 2.66 Análise dasforças feita pelo observador do sistema não-


inercial S„.

(d) Força de Coriolis


A força de Coriolis é a.força de inércia que surge num S, animado de rotação (a
* 0) em relação do SA atuando sobre uma partícula em movimento em relação ao S«.
Vamos estudar a força de Coriolis, primeiramente de forma qualitativa e, logo
após, de forma quantitativa.
Considere um disco que gira com velocidade angular o> constante em relação ao
solo. Fixemos no disco, contudo num plano horizontal, o nosso S, e, no solo, o nos­
so SA. Do centro do disco uma bolinha é lançada com velocidade constante em re­
lação ao S*. Vamos procurar estabelecer sua trajetória vista do S,.
Quando a bolinha está em 0, o raio 0A está na posição 0. Quando a bolinha está
em 1, o raio está em 1 e assim por diante (ver Fig. 2.67).
4
3
2

O v A1 O
2 3 A41

Fig. 2.67 Descrição do movimento feita pelo


observador do sistema inercial SA.

138
Este é c ponto de vista de um observador no SA. A Fig. 2.ÕS mostra o que um ob­
servador no Sn percebería. Para o observador do S» o movimento foi curvilúieo e, por­
tanto, acelerado. A força responsável por esta aceleração, dirigida para o interior da
curva, é a força de inércia que se denomina força de Coriolis (ver a Fig. 2.69)

o 1 A
2

3
Sr
Fig. 2.69 A força de Coriolis é di­
Fig. 2.68 Descrição do movimentofeitape­ rigida para o lado côncavo da tra­
lo observador do sistema-não-inercial Sn. jetória descrita.

Vamos agora calcular o valor da aceleração produzida por esta força no caso par­
ticular descrito acima. Calcularemos o desvio sofrido na trajetória entre os pontos 0
e 1 (ver Fig. 2.68). A Fig. 2.70 mostra o detalhe que nos interessa. Se a.força de Coriolis
não atuasse, a partícula teria alcançado o ponto 1’. O desvio é, portanto, o arco 1’1.
Sendo At o intervalo de tempo gasto pela partícula para ir de 0 a 1, o observador do
S« calculará o desvio como:

AS, = la(Ar)í (2.5)


2

Mas, no S*, este mesmo arco se exprime:


AS,-, — ü)ro,AZ (2.6)

1'
O
7
1

Fig. 2.70 Esquema para


mostrar o desvio provoca­
do pelaforça de Coriolis.

139
Igualmente (2.5) com (2.6), vem:
— adt1 = urOiát
2
Logo,
—a&t = «foi
2
Mas, para o observador do S» o valor de rOi é:
r„i = v,Ar
onde v. vA no ponto 0. Sendo assim,
J.aAr = wvRAr .’. a = 2uVi<
2
Fazendo uso da Segunda Lei de Newton, vem:
= ma Z« = 2muv, (2.7)
A expressão acima dá o módulo da força de Coriolis notada pelo observador do
S«. N força de Coriolçis é perpendicular ao vetor ÍÇ e seu sentido é tal que girando o
vetor7S no sentido de oj de 90°, ele vem a coincidir em sentido com (ver a Fig.
2.71).

Fig. 2.71

Zo,
Usando notação vetorial, podemos escrever & força de Coriolis do seguinte mo-
do:
r = - 2m« X £ (2.8)
onde o sinal de multiplicar indica produto vetorial. Quando é ortogonal a o>,
o módulo do produto vetorial indicado na relação (2.8) fornece o módulo da força de
Coriolis (2.7). Para obter o sentido da força de Coriolis use a regra do produto vetorial
(regra do saca-rolhas). Um saca-rolhas girando no sentido de ví para u avança no
sentido de(ver a Fig. 2.71).
Resumo
No Apêndice A faremos uma dedução rigorosa para as forças de inércia. As qua­
tro forças de inércia podem ser escritas sob forma vetorial do seguinte modo:
1 — Força de Einstein: E = - mõ?
2 — Força centrífuga: ]7 = — mü X (ü X F)
3 — Força de Euler: E*= - ma X r*
4 — Força de Coriolis: JZ = - 2mu X v«
Aplicações envolvendo forças de inércia
140
Exemplo 2.24 No interior dc um vagão que se move com aceleração a um passa­
geiro coloca no piso uma bola de gude e constata que ela não permanece em repouso mas
que é acelerada para o fundo do vagão. Como o passageiro explica o fato? Como um ob­
servador fixo à beira da estrada explica o mesmo fato? Ver a Fig. 2.72.

V
SR ’

y
a
St

'/wi

Fig. 2.72 Esquema do Exemplo 2.24.


Solução. Para o observador do Sr (não-inercial) a bolinha ao ser abandonada no
piso fica sob a ação das seguintes forças: seu peso^o componente normal da reação de apoio
do piso e a força de inércia de Einstein. Comop eP anulam-se mutuamente, a força E
é a resultante sobre a bolinha que será então acelerada para o fundo do vagão. Ver a Fig.
2.73.

Sr
N
E

P
Fig. 2.73 Esquema deforçasdo Exemplo 2.24.
Para o observador do Sa (inercial). a bolinha ao ser abandonada no piso do vagão
fica sob a ação de seu peso e da componente norma da reação de apoio. Comop e À? anu-
lam-se.mutuamente, a bolinha permanece com a velocidade v* que o vagão tinha quando
ela foi abandonada no piso. Como o vagão está acelerado (e a bolinha não), a parede do
fundo do vagão aproxima-se gradualmentc da bolinha. Ver a Fig. 2.74.
Observe as várias “fotografias " tomadas de tempos em tempos iguais pelo observa­
dor do SA. A bolinha, em movimento uniforme percorre distâncias iguais em tempos
iguais e o vagão, em movimento acelerado, percorre, à medida que o tempo passa, distân­
cias cada vez maiores. Assim, a parede do fundo do vagão vai alcançando a bolinha.
Ex&npio 2.25 De que modo um motorista de um carro que derrapa e um observa­
dor à beira da estrada explicam porque o carro derrapou?
Solução. O motorista diz que a força centrífuga cresceu demais e superou a força
máxima de atrito entre os pneus e o solo e devido a isto o carro foi puxado para longe do
centro da curva. Ver a Fig. 2.75.
O observador à beira da estrada diz que o carro tinha uma velocidade tangencial e
tende a permanecer com ela. O atrito, insuficiente, não alterou a velocidade tanto quanto
deveria para manter o carro na curva e por este motivo o carro derrapou. Para este obser­
vador a força de atrito indicada na Fig. 2.75 c a força centrífuga.

141
I

f
i
i
4. f—
T i
i i
Tj\
I I I \
I I I ' I
ii 1 I T I
>

bolinha vagão
Fig. 2.74 O observador do SA vê o vagão aumentar de velocidade ao passo que
a bolinha permanece com velocidade constante. Nestas circunstâncias, ele vê a pa­
rede do fundo do vagão se aproximar da bolinha.

trajetória
seguida

•F/ — atrito necessário para manter acurva

Fa — atrito existente

Fig. 2.75 Esquema do Exemplo 2.25.

Exemplo 2.26 Um pedreiro, no Rio de Janeiro (latitude s 22°Suleg = 9,78 m/s2),


usa o fio de prumo para determinar a vertical no local. O prumo fica, de fato, na vertical?
Solução. Não, o fio afasta-se da vertical de um ângulo 6 devido à presença da força
centrífuga causada pela rotação da Terra. Ver a Fig. 2.76.

142
Equador

X = 22
r = Kt cos X
Fig. 2.76 Esquema de forças do Exemplo 2.26.
iiini/niP

y
fl

T
X

mg

Fig. 2.77 Detalhe do esquema deforças


indicado na Fig. 2.76

143
Cálculo de fe. Da Fig. 2.77, concluímos que:
F, = 0 T sen 0 = f sen X
T =0
Fr = 0 T cos 6 = mg - /c cos X
Logo,
ig 0 -ft sen X /(mg - f cos X)
Porém:
/c = /nw|/?T cos X, logo:

sen X cos X
tg Q -
g — <^7?tCOS2X
Substituindo os valores Rr = 6,37 X 10* m e o>t = 2x786 400 na relação anterior,
obtemos:
tg e = 0,00120 e = 0,069° ou 0 = 4,13’
Ou seja, apenas 4,13 minutos de grau ! Um ângulo bastante pequeno.
Exemplo 2.27 Qual o motivo da água escoar em uma pia fazendo um movimento
espiralado? Esta espiral é horária ou anti-horária?

k
Fig. 2.78 Esquema do Exemplo 2.27.
Solução. Uma partícula de água ganha uma velocidade vj em direção ao “ralo”
R- A seguir, a força de Coriolis começa a atuar na direção e sentido mostrados. A
partícula desvia-se da trajetória radial no sentido mostrado e começa a se aproximar gra­
dativamente de R ao mesmo tempo em que é desviada. Tal desvio é a causa da espiral, de
sentido horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte. Ver a Fig. 2.78.
Observação: Você é capaz de explicar por que o fenômeno não é notado numa pe­
quena pia, mas é facilmente notado numa pia grande ou numa banheira? Resposta: A ace­
leração provocada pe\z força de Coriolis é muito pequena e, sendo assim, precisa de um in­
tervalo de tempo longo para que seu efeito seja sensível. Um volume de água maior leva
muito mais tempo para escoar que um volume de água menor. As grandes massas fluidas
que se movem, sofrem a ação da força de Coriolis. Exemplos: o movimento de grandes
massas de ar (ventosalísios e contra-alísiosf, o movimento das águas de um rio muito cau-
daloso, etc.

144
Exemplo 2.28 Definição de peso efetivo. Suponha que um elevador esteja descen­
do verticalmente com uma aceleração de módulo a. Um observador está em equilíbrio sobre
uma balança de mola situada no piso do elevador. Utilize o conceito deforça de inércia para
mostrar que o peso aparente (ou peso efetivo) indicado pela balança de mola é menor do que
o peso do observador. Qual é o valor do peso efetivo indicado pela balança?
Solução. Como o elevador está descendo com uma aceleração a (orientada vertical­
mente de cimapara baixo), existe umaforça de inércia atuando sobre o observador dentro
do elevador. Como só existe translação, esta força de inércia é a força de Einstein dada
por:
E = — ma" (1)
onde m é a massa do observador e õ" é aceleração do elevador em relação a um observador
fixo na Terra. Como existe também o peso atuando sobre o observador, a soma vetorial
das forças que atuam sobre a mola da balança é dada por:
r. = e? = p + r (2>
A força resultante Fn que atua sobre a mola de uma balança de molas denomina-se
peso efetivo (oupeso aparente) do corpo que está apoiado sobre a balança. Logo, de acor­
do com as relações (1) e (2), temos:
Ãmh, = - ã") (3)
Como g tem o mesmo sentido de ã" (pois o elevador está descendo), o módulo do
peso efetivo indicado pela balança de mola é dado por:
Am™ “ P - ma = m(g - a) (4)
A relação (4) mostra que o peso efetivo indicado pela balança de mola é menor do
que o peso do observador (quando o elevador está descendo).
Observações:
I —A definição de peso efetivo ou peso aparente pode ser genevaVizado do seguinte
modo:
_ p << = P +
Onde p é a força gravitacional (ou peso) c EFi„ é a soma de todas as forças iner~
ciais que atuam sobre o corpo no referencial da balança de mola considerada. Quando a
balança de mola se encontra num referencial inércia!, não existem forças inerciais', neste
caso, o peso aparente é igual ao peso p'.
2 — Se o elevador estivesse subindo com uma aceleração a, de acordo com a relação
(2), obteriamos o seguinte resultado para o módulo do peso aparente indicado pela balan­
ça:
Am™ = P + ma = m(g + a)
3 — Seo elevador estivesse descendo com aceleração a = g, isto é, se o elevador esti­
vesse em queda livre, de acordo com a relação (3), tínhamos:
Amk» = zero
4 — A expressão "força de Einstein” é usada para caracterizar a força de inércia
que atua sobre um corpo num referencial que possui uma aceleração de translaçào a . Es­
te nome foi dado em homenagem a Einstein que foi um dos primeiros pesquisadores a for­
mular coerentemente o chamado Princípio da Equivalência. O Princípio da Equivalência
afirma que "todo referencial acelerado é localmente equivalente a um campo gravitacio­
nal”. Deste princípio resulta também a equivalência entre a massa inércia! (definida pela
Segunda Lei de Newton) e a massa gravitacional (definida pela Lei da Gravitação Univer-

145
sal). O leitor interessado numa discussão sobre a "equivalência entre a massa gravitacio­
nal e a massa inércia!' deve ler o Livro "Gravitação, Oscilações e Ondas" de Adir M. Luiz
e Sérgio L. Gouveia.
Leitura Complementar
O conceito de campo e as interações fundamentais da Física
Na Seção 2.3 fizemos um estudo sobre os diferentes tipos de forças existentes na
Natureza. Classificamos as forças em dois grandes grupos: Wforças de inércia e (b)forças
de interação. Na Seção 2.5 estudamos as forças de inércia’, no Apêndice A faremos uma
dedução rigorosa das quatro forças de inércia. Na Seção 2.3, dividimos as forças de inér­
cia em dois grupos: forças de ação à distância (ou forças de campo) e forças de contato.
Existem diversos tipos deforças de contato (ver a Seção 2.3). Contudo, é possível demonstrar
que todas as forças de contato podem ser explicadas em termos das forças de campo (ou
forças de ação à distância). Sendo assim, é possível descrever todas asfor ç as de interação
em termos das quatro forças de interação produzidaspor campos. Estas forças de intera­
ção constituem as quatro interaçõesfundamentais da Física. Antes de descrever as quatro
interações fundamentis da Física convém fazer uma breve definição de campo.
A Física Moderna não aceita a noção de "força de ação à distância" introduzida
na Física Clássica. Para explicar uma interação física entre partículas que não estão em
contato, é necessário introduzir o conceito de campo. Considere uma região do espaço muito
afastada de qualquer partícula. Dizemos que nesta região não existe nenhum campo. Se
uma partícula é colocada nesta região ela não sofre a ação de nenhum campo. Contudo,
a partícula considerada produz em torno dela uma modificação das propriedades do espa­
ça Ou seja, o espaço em tomo da partícula se transforma num campo (que antes não exis­
tia). Podemos dizer que o campo de uma grandezafísica Z é uma região do espaço à qual
podemos associar um valor desta grandeza física Z a cada um dos pontos da região consi­
derada. Por exemplo, podemos dizer que em torno da Terra existe um campo gravitacional
porque associamos um vetor g* (aceleração local da gravidade) a cada ponto do espaço em
torno da Terra.
Quando introduzimos uma dada partícula num campo, ocorre uma interação local
entre o campo e & partícula, de modo que sobre a partícula surge uma,força. Por exemplo,
se colocarmos um corpo de massa m próximo da Terra, surge entre c corpo e a Terra uma
força de interação gravitacional’. a Terra atrai o corpo de massa m (e o corpo de massa m
atrai a Terra). O conceito de campo serve, portanto, para dar uma explicação da intera­
ção local evitando-se a utilização do conceito errado de "ação à distância". O conceito
de "ação à distância" é errado porque conduz ao resultado absurdo de uma velocidade
de interação infinita. A Física Moderna demonstra que nenhuma interação pode ocorrer
com uma velocidade maior do que a velocidade da luz no vácuo. O leitor interessado nu­
ma discussão mais aprofundada deste assunto deve ler o Livro “ótica e Física Moderna"
de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia. A seguir faremos um resumo das quatro forças de
campo fundamentais da Física.
(a) Interação gravitacional
A interação gravitacional é conhecida desde a mais remota Antiguidade, doís a for­
ça da gravidade terrestre produz um efeito que pode ser facilmente aado; es.v efeito
é o peso de um corpo. A mais antiga teoria conhecida sobre a interação gravitacional é a
Teoria Clássica da Gravitação desenvolvida por Newton. De acordo com a Lei da Gravi-
tação Universal, uma partícula de massa mt atrai outra partícula de massa m2 com uma
forçagravitacionalcuja direção coincide com a reta que une as duas partículas e cujo mó­
dulo vale:

146
Ft = Gmtm3/r*
onde G é a Constante da Gravitação Universal (cujo valor é fornecido no Apêndice C) e
ré a distância entre a partícula de massa mt e a partícula de massa m3. A interação gravi­
tacional produz sempre uma atração entre as massas. O leitor interessado em aprofundar
seus estudos sobre o campo gravitacional deve ler o Livro “Gravitação, Oscilações e On­
das" de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
(b) Interação eletromagnética
Existem duas forças oriundas da interação eletromagnética: a força elétrica e a for­
ça magnética. As interações eletromagnéticas tanto podem produzir atração quanto re­
pulsão, dependendo do sinal das cargas elétricas que participam da interação. A força elé­
trica entre uma carga elétrica qx e uma carga elétrica q3 possui um módulo dado pela Lei
de Coulomb:
Ft = kqtq3/r*
onde k = 1/4x6, sendo e a permissividade elétrica (cujo valor depende do meio onde as
cargas se encontram). O leitor interessado em estudar as interações eletromagnéticas deve
ler o livro “Eletricidade, Magnetismo e Eletromagnetismo"de Adir M. Luiz e Sérgio L.
Gouveia.
(c) Interação forte
A interaçãoforte é responsável pela ação das forças nucleares (isto é, as forças que
existem entre as partículas elementares que constituem o núcleo atômico). O núcleo de um
átomo é constituído por prótons (que possuem carga positiva) e por nêutrons (partículas
neutras). A distância entre dois prótons é da ordem de 10 “75 m. De acordo com a relação
anterior, a força elétrica produz uma repulsão muito grande entre os prótons. Para expli­
car a estabilidade do núcleo só existe uma saída: introduzir o conceito de campo de intera­
ção forte cujo alcance é muito pequeno (da ordem de 10 ' ‘5 m). Este campo é responsável
pela interação forte entre as partículas elementares do núcleo (conhecidas pelo nome ge­
nérico dehádrons). Cadahádron possui uma espécie de “carga hadrônica " que produz
uma interação forte semelhante à interação eletromagnética entre duas cargas elétricas.
O leitor interessado em saber a respeito dos conceitos básicos de Física Nuclear deve ler
o Livro “Ótica e Física Moderna" de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
(d) Interação fraca
As duas interações de curto alcance (que só são importantes em dimensões nuclea­
res) são a interaçãoforte e a interaçãofraca. O alcance da interação fraca é menor do que
o alcance da interação forte. Confronte o alcance da interação forte e da interação fraca
(menores do que 10 “ ,s m) com o alcance da interação eletromagnética e o alcance da inte­
ração gravitacional, que atingem distâncias ilimitadas e tendem a zero (com 1/t*), quan­
do r tende a infinito. As interaçõesfracas são responsáveis pelo processo de desintegração
beta. Numa desintegração beta ocorre emissão de elétrons de certos núcleos radioativos
(ver o Livro “Ótica e Física Moderna" de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia).

Questionário

2.1 Usando força (F). comprimento (L) e tempo (T) como dimensões fundamentais,
quais são as dimensões de massa?
2.2 O coeficiente de atrito estático pode ser maior do que um?
2.3 (o) Explique a diferença ente massa e peso, (d) O que é peso efetivo ou peso aparen­
tei (c) A balança de mola mede o peso efetivo ou a massa inerciaC!

147
2.4 Os planos das curvas das rodovias e das ferrovias devem ser inclinados ou horizon­
tais?
2.5 A massa de uma carroça é dez vezes maior do que a massa de um cavalo. O cavalo
exerce sobre a carroça uma força F e a carroça exerce sobre o cavalo uma força —
F. Como pode o cavalo e a carroça se deslocarem com a mesma aceleração, uma
vez que a carroça possui massa dez vezes maior do que a massa do cavalo?
2.6 Analise as seguines afirmações e veri fique se elas são falsas ou verdadeiras: (a) Con­
siderando um corpo apoiado sobre uma mesa, "aforça norma! exercida pela mesa
sobre o corpo é a força de reação ao peso do corpo" (b) Considerando um corpo
que se move com velocidade constante ao longo de uma circunferência, "aforça
ceiilrijutia é a reação da força ventripeta".
2.7 Considere um barco com a vela aberta. Um grande ventilador, preso no interior do
barco, produz vento sobre a vela do barco. O barco se deslocará sob a ação deste
vento?
2.8 Um elevador está subindo com uma aceleração de módulo o, e outro elevador está
descendo com uma aceleração de módulo a2. Um corpo de massa m está em repouso
sobre uma balança de mola situada no piso do elevador que sobe, (c) qual é o peso
aparente indicado pela balança situada no elevador que sobe? (b) Qual deve ser a
massa M de um bloco situado no elevador que desce para que ele tenha o mesmo
peso efetivo do corpo de massa m situado no elevador que sobe?
2.9 Alguns Hvros utilizam a expressão "Força fictícia" para designar urna,força de inér­
cia. Afinal, a força de inércia existe ou t fictícia!
2.10- Frequentemente os jomais fomecem notícias sobre a "ausência de peso" no inte­
rior de umsatéliie artificial. Qual é o significado físico das ex pressões "ausência de
peso" e “estado de imponderabilidade"?
2.11 Larga-se um corpo de uma altura h no Rio de Janeiro. Ele segue uma trajetória ver­
tical?
2.12 Qual é o sentido de um ciclone no Hemisfério Sul? O sentido de um ciclone no He­
misfério Norte é igual ao sentido de rotação de um ciclone no Hemisfério Sul?

Exercícios

A velocidade de uma certa partícula, num dado instante, é nula. Então, a soma das
2.13
forças que, no instante considerado, estejam agindo sobre a partícula:
ÍA) será obrigatoriamente nula;
(B) pode ser nula;
(C) será obrigatoriamente diferente de zero;
(D) pode ser diferente de zero;
(E) Bc D são correias.
2.14 A aceleração de uma certa partícula, num dado instante, c nula. Então, a soma das
forças que, no instante considerado, estejam agindo sobre a partícula:
(A) será obrigatoriamente nula;
(B) pode ser nula;
(C) será obrigatoriamente diferente de zero;
(D) pode ser diferente de zero;
(E) Nenhuma das afirmativas acima é satisfatória.

148
2.15 De acordo com a Primeira Lei de Newton-Galileu (Lei da Inércia), podemos afir­
mar que se for nula a soma das forças que, num certo instante, atuam sobre uma
partícula qualquer, será obrigatoriamente:
(A) nula a velocidade da partícula no instante considerado;
(B) nula a aceleração da partícula no instante considerado;
(C) diferente de zero a velocidade da partícula no instante considerado;
(D) diferente de zero a aceleração da partícula no instante considerado:
(E) Nenhuma das afirmativas acima é satisfatória.
2.16 (CESGRANRIO) Seu carro tem aceleração máxima=4,0 m/s2. Você reboca um carro
enguiçado, idêntico ao seu. A aceleração máxima que você poderá conseguir nessa
circunstância (supondo sempre a estrada horizontal):
‘(A)
‘ ‘ será igual a 4,0 m/s';
(B) poderá ser maior que 4,0 m/s2;
(C) não poderá ser maior que 2,0 m/s2;
(D) será compreendida entre 2,0 e 4,0 m/s2;
(E) será com certeza maior que 4,0 m/s2;
2.17 (CESGRANRIO) Um bloco está em repouso sobre a superfície de uma mesa. De
acordo com o princípio da ação e da reação de Newton, a reação ao peso do bloco é:
(A) a força que o bloco exerce sobre a mesa;
(B) a força que a mesa exerce sobre o bloco;
(C) a força que o bloco exerce sobre a Terra;
(D) a força que a, Terra exerce sobre o bloco;
(E) uma outra força aplicada ao bloco.
2.18 (UNI V. CAT.SALVADOR) Umcabode aço utilizado para mover umelevadorsu-
porta um peso máximo igual ao peso de um corpo de massa igual a 1.200 kg. Se elé
está sustentando um elevado de massa igual a 1.000 kg. qual pode ser a máxima ace­
leração do elevador, na subida? (Admita que o valor da aceleração da gravidade é
10 m/s2.)
(Al 0,5 m/s:. (B) 1 m/s:. (C) 2 m/s'. (D) 3 mis. (E) 4 m/s.:
2.19 (FATEC) O bloco da Fig. 2.79 tem massa = 80 kg e o bloco B tem massa =
20 kg. O módulo da força F vale 600 N. Os atritos e as inércias do fio e da polia são
desprezíveis. A aceleração do bloco B é:

C
F
A
= 10

I B

Fig. 2.79

149
(A) nula; (B) 4,0 m/s2 para baixo;
(C) 4,0 m/s2 para cima; (D) 2,0 m/s2 para baixo;
(E) 2,0 m/s2 para cima.
2.20 No exercício anterior, o módulo da força que traciona o fio é:
(A) nula; (B) 200 N;
(C) 400 N; (D) 600 N;
(E) Nenhuma resposta anterior.
2.21 (SANTO AMARO-SP) Um corpo A de 100 kg é colocado num plano horizontal li­
so. Uma corda sem peso liga o corpo A a outro B de 40 kg, passando por uma polia
também sem atrito, conforme mostra a figura 2.80. A tensão T, na corda, é:
(A) 140 N: (B) 50 N; (C) 100 N; (D) 70 N; (E) 280 N

A1
............. I A |—>
/////////////////,

Fig. 2.80

2.22 (ISE/STA. CECÍLIA-SP) Dois sólidos de massas m, - 2,0 kg e m2 = 1,0 kg são


colocados sobre uma superfície plana horizontal sem atrito. Uma força horizontal
Fs= 3,0 Né aplicada a um dos sólidos, conforme indicado na Fig. 2.81. Sabendo-se
que o conjunto executa movimento retiiíneo uniformemente variado, podemos con­
cluir que a aceleração do conjunto é:

1
2

Fig. 2.81

(A) 1,5 m/s:. (B) 6,0 m/s!. (C) 9,0 m/s'. (D) 5,0 m/s:. (E) l,0m/s;.
2.23 No exercício anterior, o módulo da força de contato entre os solidos é:
(A) 1,0 N; (B) 1,5 N;
(C) 3,0 N; (D) Nula;
(E) Nenhuma resposta anterior
2.24 (IME) No plano inclinado da figura abaixo os corpos A e B, cujos pesos são 200 N
c 400 N, respectivamente, estão ligados por um fio que passa por uma polia lisa. O
coeficiente de atrito entre os corpos e os planos é 0,25. Para que o movimento se torne
iminente, deve ser aplicada, ao corpo A, uma força F de:
(A) 25 72 N. (B) 25 VÕ N. (C) 25 N. (D) 50 N. (E) 2,5 N.

—150
B

A
F

30°
Fig. 2.82
2.25 (MACK) A figura 2.83 representa dois corpos de massa mA = 2 kg e mB = 4 kg li­
gados por um fio flexível, inextensível, de massa desprezível. A polia que guia o fio
tem massa desprezível, e o coeficiente de atrito entre o corpo de massa mAeo pla­
no horizontal de apoio é g = 0,2. Sendo g = 10 m/s3, a aceleração do sistema e a
tração no fio"sào, respectivamente:
(A) 6 m/s3; 16 N (D) 10 m/s3; 100 N
(B) 8 m/s3; 16 N (E) 5 m/s3; 10 N
(C) 2 m/s3; 8 N

mA

/7Ja

Fig. 2.83 ™
l.lfi (ESCOLA NAVAL) O sistema indicado na Fig. 2.84 está em repouso. São despre­
zíveis todos os atritose as massas dos fios e roldanas. Os fios sào flexíveis einexten-
síveis. A relação entre as massas dos corpos é:
(A) Mx = Mi = Mú
(B> M\ sen y = M\ sen 0 = Mj
(C) Mt sen y = Mi cos 0 = My/2
(D) M\ sen y = Mi cos 0 = 2M3
(E) Mx cos y = Mi sen 0 = M\

s A

M,
X? -----
Fig. 2.84

151
I Problemas

2.27 Um bloco de massa igual a 6 kg está apoiado sobre um plano inclinado de 30° em
relação à horizontal, e permanece em repouso sobre o plano. Qual é a força de atri­
to que impede o corpo de se deslocar?
2.28 Um bloco de massa igual a 2 kg se encontra em repouso sobre um plano inclinado.
Aumentando-se lentamente a inclinação do plano, verifica-se que o corpo começa
a deslizar quando o ângulo do plano inclinado for igual a 40°. Calcule: (a) o coefi­
ciente de atrito estático; (ô) a força de atrito.
2.2? Um corpo escorrega sobre uma superfície horizontal com velocidade v = 2 m/s, pa­
rando depois de percorrer uma distância igual a 20,4 m. Calcule o coeficiente de atrito
entre o corpo e a superfície.
2.30 Um trem se move com aceleração a - 49 cm/s?. Calcule o coeficiente de atrito sa­
bendo que 50 por cento da potência do motor são gastos para superar a força de atrito
e a outra metade é gasta para acelerar o trem.
2.31 Um bloco pesa 10 kgf e, num dado instante, sua velocidade é de 4 m/s. O bloco está
escorregando sobre uma pista de gelo horizontal, e a partir do instante mencionado
ele leva 10 s até parar. Determine a força de atrito FA entre o bloco e a superfície su­
pondo que a mesma permaneça constante.
2.32 Um carro de massa 10? kg move-se com uma velocidade de 28 m/s por uma estrada
horizontal e retilínea quando o motorista subitamente vê uma árvore caída bloquean­
do a estrada a uma distância de 100 m. O motorista freia tão rapidamente quanto
permite o seu tempo de reação (0,75s) e consegue parar a 9 m da árvore. Considere
g = 9,8 m/s2. (a) Supondo uma desaceleração constante causada pelos freios, qual
é a força desaccleradora? (b) Qual é a razão entre esta força c o peso do carro?
2.33 Uma caixa de 150 N deve ser arrastada por um assoalho plano. O coeficientede atri­
to estático entre a caixa e o assoalho é 0,6. (a) Calcule a força necessária para em­
purrar a caixa com uma força que faz um ângulo 0 com a horizontal. (6) Calcule a
força necessária para puxar a caixa, fazendo também um ângulo 0 com a horizon­
tal. (c) Compare os dois resultados anteriores e diga qual é o modo mais convenien­
te de arrastar a caixa, (<f) Calcule a força necessária para mover a caixa utilizando
cada um dos métodos, no caso de 0 = 30°, e compare os resultados com 0 = 0°.
2.34 Dois blocos A e B de massa mÁ e mt (com estão ligados por um fio, co­
mo mostra a Fig. 2.85. A polia e o fio têm massas desprezíveis e não há atrito entre
A e a superfície do plano horizontal. Calcule a aceleração çlo sistema e a força Fque
atua sobre A.

ma

Mb
Fig. 2.85

152
2.35 A roldana móvel da Fig. 2.86 sustenta um corpo de massa m. Despreze as massas
das roldanas e a massa da corda. Determine: (a) o módulo da aceleração do bloco
de massa m. (b) o módulo da força F necessária para manter o sistema em equilí­
brio.

rt
m

Fig. 2.86
2.36 Um bloco de massa está ligado a um bloco de massa m3 por meio de uma corda
de massa desprezível (ver Fig. 2.87). O coeficiente de atrito cinético entre o bloco
de massa m, e o plano inclinado é/ibeo coeficiente de atrito cinético entre o bloco
de massa m2 e o plano inclinado Determine a aceleraçãõ do sistema e a tensão
na corda que liga os dois blocos.

Fig. 2.87
2.37 Na Fig. 2.88 mostramos dois blocos de massas mt e/n? presos um ao outro por uma
corda de massa desprezível. Os blocos deslizam para baixo com velocidade constante,
em um plano inclinado de a graus com a horizontal. Os coeficientes de atrito de ca­
da bloco com o plano sàov respectivamente, e m. Determine: (o) a tensão Tna cor­
da que une os dois^locos; (b) a tangente de a em função de glt gi, mt e m2.

^2.

a
Fig. 2.88

153
2.38 Um satélite com massa m é colocado em órbita da Terra no Equador. Sabendo-se
que o raio e o período de rotação da Terra em torno do seu eixo são, respectivamen­
te, iguais a 6400 km e 24 horas, calcule: (a) a velocidade que deve ter o satélite para
que a sua órbita tenha um raio igual ao raio da Terra, (b) a velocidade que deve ter
o satélite para que o raio da sua órbita seja igual a duas vezes o raio da Terra, (c) o
raio da órbita do satélite para que um observador fixo na Terra, no Equador, veja
o satélite parado. Considere a aceleração da gravidade igual a 9,8 m/s2 para o caso
em que a distância ao centro da Terra é igual ao raio da Terra.
2.39 Considere a Fig. 2.89. Não existe atrito entre o bloco de massa m2 e o plano hori­
zontal. A polia está rigidamente ligada ao suporte, de modo que não possa girar.
Não existe atrito entre o fio e polia. O coeficiente de atrito estático entre o bloco e
massa mt e o bloco de massa m2 é igual a n,. Determine a aceleração dos blocos su­
pondo que m\ não deslize sobre m2. Qual deve ser o valor máximo de m> para que
m\ se mova juntamente con. m2 sem que haja deslizamento de m, sobre /n2? Deter­
mine a tensão máxima no fio para este valor limite.

m\

m2

nh

Fig. 2.89
2.40 Despreze o atrito, a massa da polia e as massas das cordas da Fig. 2.90. Considere
os dados: m\ = 1 kg, m2 - 2 kg e m2 = 3 kg. Determine: (a) a aceleração comum
dos blocos; (b) a tensão na corda entre e m2‘, (c) a tensão na corda entre m2 e mj.

m2

Fig. 2.90

154 .
2.41 Não existe atrito entre as partes que estão em contato rio sistema indicado na Fig.
2.91. As polias possuem massas desprezíveis e as massas dos bloco» são dadas por:
mi = 1,0 kg; m2 = l ,5 kg e - 2,5 kg. Calcule: (a) o módulo da aceleração co­
mum dos blocos: (ô) a tensão na corda que liga o bloco de massa m, ao bloco de
massa (c) a tensão na corda que une o bloco de massa m2 ao bloco de massa mj.

m2

m\
m3

Fig. 2.91

2.42 As roldanas da Fig. 2.92 possuem massas desprezíveis. Suponha que m2 > mt. (a)
Calcule as acelerações; (d) determina as tensões nas cordas.

Fig. 2B2
Fig. 2.93
2.43 Um bloco de massa m repousa sobre um apoio preso a uma corda inextensível que
passa pela polia móvel B. sendo que a outra extremidade da corda está amarra­
da ao mesmo apoio horizontal. Uma corda é amarrada ao centro da polia B e, de­
pois desta corda passar pela polia A, ela é ligada ao mesmo apoio horizontal, con­
forme indicado na Fig. 2.93. Despreze as massas dos fios, do apoio e das polias. De­
termine as tensões nas cordas para que o sistema fique em equilíbrio.
2.44 Despreze as massas das polias e os atritos no sistema indicado na Fig. 2.94. (a) De­
termine as acelerações dos blocos, (ò) Qual deveria ser o valor de m: para que o sis­
tema permaneça em equilíbrio?
2.45 (IME) Um astronauta de massa m move-se no espaço interplanetário com velocida­
de uniforme v*. Ele segura um pequeno objeto de massa A/n. Num dando momen­
to, o referido astronauta atira o objeto com velocidade v„ , em relação ao seu mo-

155
Ml

m2

Fig. 2.94
vimento inicial. Determinar a distância da posição real do astronauta àquela que este
ocuparia se não tivesse lançado o objeto, decorrido um tempo / após o lançamento.
2.46 No topo de um plano inclinado de altura h existem dois blocos. A inclinação do pla­
no em relação à horizontal valefl = 45°. Um dos blocos é largado no ar, sem veloci­
dade inicial, e o tempo da queda livre deste bloco é igual a l. O outro bloco é largado
sobre o plano, sem velocidade inicial, e leva um tempo iguala 2t para deslizar até
a base do plano. Calcule: (o) a aceleração do bloco que deslizou sobre o plano; (b)
o coeficiente de atrito cinético entre o plano e o bloco.
2.41 Um corpo de massa m = 10 kg é lançado de baixo para cima ao longo de um plano
inclinado de30° em relação à horizontal. A velocidade inicial é v, = 30 m/s. O cor­
po retorna à base do plano com velocidade v2 * 20 m/s. Calcule: (a) o módulo da
aceleração na subida; (b) o módulo da aceleração na descida.
2.48 (IME) Determinar a massa necessária ao bloco A para que o bloco B, partindo do
repouso, suba O,75m ao longo do plano inclinado liso, em um tempo t = 2,Os. Des­
prezar as massas das polias e dos tirántes e as resistências passivas ao movimento.
A massado bloco B vale 5,0 kg e a aceleração da gravidade deve ser considerada igual
a 10 m/s2. Ver a Fig. 2.95.
2.49 Sobre o piso de um ônibus se encontra um corpo de massa m em repouso. Qual é
a maior aceleração do ônibus para que a caixa escorregue?
2.50 Considere uma estrada com uma curva plana horizontal de raio igual a R. Seja n o
coeficiente de atrito entre o pneu e a estrada. Obtenha uma expressão para a veloci­
dade máxima de um veiculo nesta curva sem que o veículo derrape e saia da curva.
2.51 Uma particuia se encontra em repouso sobre uma mesa, que pode girar livremente
em torno de um eixo vertical que passa pelo centro de massa da mesa. A distância
da partícula ao centro da mesa é dada por r = 0,3 m. O coeficiente de atrito estático
entre a mesa e o corpo é dado por n = 0,6. Calcule a menor velocidade angular de
rotação da mesa acima da qual a partícula será centrifugada.
2.52 Normalmente, acurvade umaestrada éconstruída de tal maneiraque o plano daes-
trada na curva forme um ângulo flcom o plano horizontal. Para um dado limite de
velocidade, qual deve ser o melhor ângulo de inclinação do plano da estrada para
que um veículo possa completar uma curva de raio R com mais segurança?

156
B

60°
A
/////////^

Fig. 2.95
2.53 Calcule o peso aparente de uma pessoa de massa m no interior de um elevador que
desce com aceleração a = g/3.
2.54 Qual é o peso aparente de uma pessoa de massa m no interior de um elevador que
sobe com aceleração a = g/4?
2.55 Uma corda, presa ao teto de um elevador, possui um corpo de massa m = 2 kg pre­
so em sua extremidade. O elevador está descendo com aceleração a = 0,1 g. Calcule
a tensão na corda que sustenta o corpo.
2.56 Um elevador possui massa igual a 2 toneladas. Calcule a tensão Tno cabo do elevador
(«) quando ele sobe com aceleração n = 2,2 m/s:; (b) quando ele desce com acelera­
ção a = 2,2 m/s:.
2.57 Num elevador existe um plano inclinado de um ângulo de 30° em relação ao piso
do elevador. Coloca-se um bloco sobre o plano inclinado. Desprezando o atrito, de­
termine o módulo da aceleração a do bloco nos seguintes casos:(a) o elevador sobe
com velocidade constante; (d) o elevador sobe com aceleração a = 2,2 m/s2; (c) o
elevador desce com aceleração a = 2,2 m/s2.
2.58 No interior de um elevador, uma pessoa faz a seguinte experiência: larga um corpo,
sem velocidade inicial, de uma altura h = 2 m em relação ao piso do elevador. A
pessoa verifica que o tempo que o objeto leva para atingir o piso do elevado é igual
a 1 segundo. Qual é a aceleração do elevador?
2.59 Um garoto está num elevador que sobe com aceleração a. Ele gira um balde conten­
do água num círculo vertical de raio R. Qual é o menor módulo da velocidade do
balde para que a água não caia no balde na parte superior da circunferência?
2.60 Um passageiro no interior de um trem deseja medir a aceleração do trem. Para isto,
ele utiliza um acelerômetro simples constituído por um fio inextensível preso ao te­
to do trem e que sustenta um pingente. Quando o trem está se deslocando numa fer­
rovia num plano horizontal, o passageiro mede um ângulo de 30° entre a vertical
e o fio do pêndulo. Calcule a aceleração do trem.
2.61 Um trem se desloca em linha reta ao longo de um plano horizontal. Num dado ins­
tante, o velocímetro do trem acusa uma velocidade v0 = 60 km/h, e um fio de pru-

157
mo preso ao teto do trem forma um ângulo 6 = 30° com a vertical. A massa de chum­
bo presa à extremidade do fio está a uma altura de 2 m em relação ao piso do trem.
No momento cm que foi feita esta medida de v0 e de 9,um passageiro corta o fio com
uma tesoura, (a) Calcule o tempo que a massa leva para atingir o piso do trem, (b)
Determine a distância horizontal percorrida pela massa em relação a um observa­
dor dentro do trem, (c) Determine o espaço horizontal percorrido pela massa em re­
lação a um observador situado num sistema fixo na plataforma.
2.62 Um trem se desloca num plano horizontal ao longo de uma circunferêcia de raio R
= 0,3 km. A aceleração tangencial do trem possui módulo o, = 4 m/s2. Calcule o
módulo da força de inércia que atua sobre uma partícula em repouso no interior do
trem no momento em que o módulo da velocidade do trem vale v = 30 m/s. Despre­
ze as forças incrciais oriundas do movimento de rotação da Terra. A partícula pos­
sui massa m = I kg.
2.63 Uma roldana de massa desprezível se encontra presa ao teto dc um elevador. Um
fio passa pela roldana e sustenta duas massas m, e m2 (sendo m2 > m}). Este dispo­
sitivo é conhecido pelo nome de máquina de Atwood. Considere três hipóteses: (a)
o elevador se desloca com velocidade constante, (b) o elevador sobe com aceleração
constante a em relação a um observador fixo na Terra, (c) o elevador desce com uma
aceleração constante o. Determine para cada uma destas três hipóteses o módulo da
aceleração de cada bloco em relação a um observador fixo no interior do elevador.
2.64 No Problema 2.60 você verificou que um pêndulo simples pode ser usado como ace-
lerômetro. Agora você vai verificar que um recipiente contendo um líquido pode ser
usado como acelerômetro. A Fig. 2.96 mostra um caminhão freiando com uma ace­
leração a contrária ao vetor velocidade v . O líquido no recipiente se inclina. Dc-
termineo ângulo 6 entre a direção da superfície livre do líquido e a direção horizon­
tal.

/////7//W/////////
Fig. 2.96
2.65 Denomina-se pêndulo cônico um pêndulo que gira com velocidade angular constante
em torno de um eixo vertical, conforme indicado na Fig. 2.97. Seja a o ângulo entre
o fio do pêndulo e a vertical do ponto de suspensão do pêndulo, (a) Diga qual é a
força resultante sobre o corpo de massa m em relação a um observador fixo na Ter­
ra; (b) determine o módulo da tensão no fio em função de m, g e a.
2.66 Foucault (1819-1868), mostrou que a Terra não é um referencial inercial. Na Feira
de Amostras de Paris, em 1851, Foucault fez uma demonstração pública de que a Têrra
tem movimento áespin (rotação própria). Foucault instalou um pêndulo simples
de 67 m na cúpula de uma igreja e mostrou que o pêndulo traçava um segmento de
reta que mudava constantemente de direção. Explique como Foucault provou que
a Terra gira em torno do próprio eixo e diga qual é o sentido do desvio do pêndulo
de Foucault.

158
I
Fig. 2.97
2.67 Na Fig. 2.98 mostramos uma cunha de massa Mapoiada sobre um plano horizontal
sem atrito. Um bloco de massa tn está apoiado sobre a cunha. Não existe atrito en­
tre o bloco e a cunha. Seja õ? a aceleração relativa do bloco em relação à cunha,
quando a cunha se desloca com uma aceleração a em relação a um referencial iner-
cial Oxy, conforme indicado na Fig. 2.98. (a) Qual é a aceleração ã] do bloco em
relação a um observador fixo no sistema Oxyl (b) Como um observador fixo no sis­
tema Oxy aplica a Segunda Lei de Newton para a cunha? (c) Existe alguma força
de inércia atuando sobre o bloco em relação a um observador fixo no sistema Oxyl
Caso exista, decreva esta força, (d) Existe alguma força de inércia atuando sobre
o bloco para um observador fixo na cunha? Caso exista, descreva esta força.

Fig. 2.98
2.68 Considere a Fig. 2.99. Despreze o atrito entre o bloco de massa mx e o carrinho de
massa M. Despreze também os demais atritos. Aplica-se uma força horizontal de
módulo Fe verifica-se que não existe movimento relativo entre o bloco de massa

159
e o carrinho. Nestas circunstâncias, pedimos para você determinar: (a) a relação en­
tre mlt m> e 6; (b) a expressão da aceleração do sistema; (c) a expressão da tensão
T; (d) a expressão da força F; (e) o valor da força F, considerando os seguintes da­
dos: m, = 5 kg, m2 = 4 kg e M = 21 kg.

ffll
T

F
M
ei
Q zzn
Fig. 2.99
mi

Respostas do Questionário

2.1 (massa) = FL-/T2


2.2 Pode. Ver a fórmula 2.4; para que este coeficiente seja maior do que um, o ângulo
deve ser maior do que 45°.
2.3 (a) O peso de um corpo é a força gravitacional exercida sobre o corpo; o módulo
do peso é dado por p - mg, onde g é a aceleração local da gravidade,ou seja.g é
o módulo do campo gravitacional no local onde se encontra a massa m. A massa
inercialm de uma partícula pode ser definida como a "constante de proporcionali­
dade entre aforçaresultante {dada pela Segunda Lei de Newton) e a aceleração re­
sultante". K mássa gravitacional dc uma partícula pode ser definida como a "cons­
tante de proporcionalidade entre o peso e a aceleração da gravidade' *. O Princípio
da Equivalência afirma que a massa inércia! é igual à massa gravitcional; {b) e (c)
— O peso aparente ou peso efetivo é a força resultante indicada por uma balança
de mola (ver o Exemplo 2;28).
2.4 Os planos das rodovias devem ser inclinados com uma inclinação voltada para den­
tro da curva. O trilho da parte externa da curva de uma ferrovia deve estar num pla­
no mais elevado do que o trilho interno. Isto é necessário para dificultar a derrapa­
gem motivada pela ação da força centrífuga (ver a definição deforça centrífuga na
Seção 2.5).
2.5 Você só pode aplicar a Segunda Lei de Newton sobre um corpo (ou sobre um siste­
ma) identificando as forças externas que atuem no corpo (ou no sistema). A força
F não é a única força externa aplicada sobre a carroça, assim como a força - F
não é a única força externa aplicada sobre o cavalo. Ver o Exemplo 2.8.
2.6 {a) A afirmativa é falsa. A reação ao peso do corpo é uma força igual e contrária
exercida pelo corpo sobre a Terra, (d) A afirmativa éfalsa. A força centrífuga êuvna
força de inércia e, portanto, não possui reação', só tem sentido falar de "reação"
de uma "força de interação". Como o nome indica, uma força de interação é uma
força entre dois corpos A e B\ se A exerce uma força F sobre B, então B exerce uma
força de reação - F sobre A.

160
2.7 Nâo> trata-se de uma força interna ao sistema. Nenhumaforça interna pode produ­
zir aceleração externa. O vento do ventilador sobre a vela cria uma força; contudo,
esta força é anulada pela força oposta criada pela variação da quantidade de movi­
mento transferida pelo ar que sai do ventilador (ver a Lei da Conservação da Quan­
tidade de Movimento — Cap. 4).
2.8 (o) p = m(g + tfi); (b) M = m(g + aí)/(g — a2)
2.9 Aforça de inércia é tão real como aforça da gravidade ou qualquer outra força. Você
já deve ter seatido a ação da força de Einstein quando você está no interior de um
ônibus que acelera ou que freia, Você também já deve ter sentido a ação força
centrífuga quando você está no interior de um veículo que faz uma curva. A expres­
são “força fictícia" é imprópria e, portanto, não foi adotada neste Livro. A força
de inércia é uma realidade objetiva para todo observador que se encontra no inte­
rior de um referencial não-inerclal. Contudo, força de inércia não existe para um
observador situado num referencial inercial.
2.10 Quando usamos a expressão “ausência de peso' ’ ou ‘ * estado de imponderabilida­
de" queremos dizer que o peso efetivo é igual a zero. Ou mais precisamente, quere­
mos dizer que o peso aparente indicado por uma balança de mola é igual a zero. No
interior de um satélite artificial existe o pesop ; contudo, este peso é igual e contrá­
rio ò.força centrífuga (porque o satélite artificial decreve uma órbita circular). Por­
tanto, todo corpo situado sobre uma balança no interior de um satélite artificialpossui
peso aparente iguala zero. Ver o Exemplo 2.28.
2.11 Não, a força de Coriolis faz com que o corpo se afaste ligeiramente da vertical; o
desvio é para Leste, ou seja, para o lado direito do observador (em ambos hemisfé­
rios).
2.12 O sentido de rotação de um ciclone é anti-horário no Hemisfério Norte e horário
no Hemisfério Sul. Ver o Exemplo 2.27.

Respostas dos Exercícios

2.13 E 2.20 E
2.14 A 2.21 E
2.15 B 2.22 E
2.16 C 2.23 A
2.17 C 2.24 B
2.18 C 2.25 A
2.19 C 2.26 C

Respostas dos Problemas

2.27 FA = 29,4 N
2.28 (a) - 0,84; (d) FA = 12,6 N
2.29 g = 0,01
2.30 g = 0,05
2.3) FA = - 4 N
2.32 (a) F = 5.600 N: (b) F/p = 0,57
2.33 (a) Ft = gp/(cos 0 — p. sen 6) fb) f = gp/(cos 6 + g sen 0); (c) Como Fr è menor
do que concluímos que é mais conveniente puxar a carga, porque o esforço pa­
ra puxar é menor do que o esforço para empurrar a caixa.

161
(d) F< = 159 N, FP = 77 N, para 9 = 30°; para 9 = 0o, temos: Ft » Fp = 90 N.
2.34 a - + mt); F = mAmig/(mA + rn,)
2.35 (o) a = (2F- mg)/m; (b) F = mg/2
2.36 T = mja + Fa — a sen 9, onde a é dado por:
(Pi + pò sen g — F| — F2
a
ni\ + m3

sendo: Fi = cos d; F, = n,mig cos 6


2.37 (a) T - rrug(sen a — /i cos <x);
(*) tg a = Gnm, +
2.38 (a) v «= 8.000 m/s; (b) v = 5.657 m/s; (c) r é aproximadamente igual a 4,3 x l<?m.
2.39 a - mg/Çm, + m, + m>);
m, = Mm, + ">0/(1 - A);
Fu,tol = (m, + mj^g
2.40 (a) a = m>g/(m, + m, + m,) - 4,9 m/s2; (Z>) T, = m,a = 4,9 N; (c) T, = a(m, +
m,) - 14,7 N.
2.41 (o) a — g{m, — + m, + m,) = 2,9 m/s2;
(W T = m,(a - g) = 12,7 N;
(c) T; = + T, = 17 N
2.42 (a) a, = (2m, - m,)g/(m, + 4m,), a, = 2a,; (*) T = + a,). T, = 7'1/2 =
3m,m^/(mi + 4m,)
2.43 T, = mg/4, T, ■= 2T, = mg/2, T, = mg
2.44 (a) g(m,~. 2m, sen 0)/(m, + 4m,), a, = 2a,; (6) m, = 2m, sen
2.45 d = |a71 .’. d = (bm/m)vd
2.46 a = g/(4 sen «) - 3,46 m/s2; (6) g. - 0,5
2.47 (o) a = g(sen 6 + p. cos 9) = 6,77 m/s2
(6) a’ = g(sen d — cos 9) = 3,03 m/s2
2.48 m* - 14 kg
2.49 a = gmg
2.50 v = <*gR'>’'1
2.51 o> = 4fig/r = 4,43 rad/s
2.52 O plano deve ser inclinado para dentro da curva, ou seja, o componente horizontal
do peso do veículo deve ter o mesmo sentido da força centrípeta e o ângulo de incli­
nação deve ser tal que tgO = v^/gR
2.53 p =■ 2mg/3>
2.54 p = 5mg/4
2.55 T= 17,6 N
2.56 (o) T = 24 kN; (6) T = 15,2 kN
2.57 (a) s= g sen 0 = 4,9 m/s2; (6) - (g + a) sen 9 = 6 m/s2; (c) a3 = (g — a) sen
9 = 3,8 m/s2
2.58 O elevador está descendo com aceleração iguala 5,8 m/s2
2.59 v « VTg + a)R
2.60 a = g tg 9 = 5,66 m/s2
2.61 (a) í = 0,64s;(6)x* - l,16m;(c)x= 10,7 m
2.62 Fta - 5 N
2.63 Em qualquer uma das hipóteses, o bloco de massa m3 desce com uma acelerarão a i
e o bloco de massa mt sobe com uma aceleração a i. É claro que: a 2 = - a i. Pa-

162
ra um observador que está em repouso dentro do elevador, o módulo da aceleração
de cada bloco é dado por:
(a) at « a2 = (zn2 — mi)g/(mt + m2);
(b) a, = a2 = (m2 — /n,)(g + a)/(m, + m2);
(c) a< = a2 = (/n2 - m,)(g - a)/(m, + m2)
2.64 tgfl = a/g
2.65 (o) Para um observador fixo num referencial inercial só existe a força centrípeta,
visto que o corpo descreve um movimento circular uniforme; portanto, o módulo
da força resultante é igual ao módulo da força centrípeta, ou seja:
Ft = muJL sena;
(d) T = mg/cos a.
2.66 Devido à força de Coriolis, o pingente do pêndulo se desvia constantemente da sua
direção de movimento. O desvio de um pêndulo de Foucault ocorre para a direita
no Hemisfério Norte e para a esquerda no Hemisfério Sul. Ou melhor, o plano de
oscilação de um pêndulo de Foucault no Pólo Norte (e no Hemisfério Norte, com
exceção de jíontos próximos do Equador), gira no sentido anti-horário (para um ob­
servador olhando o pêndulo de cima para baixo). No Pólo Sul, o pêndulo de Foul-
cault gira no sentido horário.
2.67 (a) a 2 = õ* + a os componentes de a 2 em relação ao sistema inercial
Oxyvalem: au = a — at cos B; a2r = a\ sen 0; o módulo de a 2 vale: a2 -
(a3 + o? - 2aa, cos d)i/3: (b) F - (m + (c) não; (d) Sim, sobre o bloco atua a
força de Einstein: ÊT = - ma .
2.68 (a) m2 - mt sen 0; (b) a = g tg 0; (c) T = nha/sen 6\(d)F = (mt + m2 + M)a; (e)
F = 400 N

163
Capítulo 3
TRABALHO E ENERGIA
3.1 Introdução
A energia de um sistema é normalmente definida como ‘ 'a capacidade de um sis­
tema produzir trabalho" .O conceito de trabalho será fornecido na próxima Seção. 0
conceito de energia é um dos conceitos fundamentais da Física. Assim como o conceito
de força (que é intuitivo e decorre da nossa experiência diária) não é necessário forne­
cer uma definição rigorosa do conceito de energia. Neste Capítulo estudaremos os con­
ceitos de trabalho e de energia, mostraremos como calcular o trabalho realizado por uma
força, assim como indicaremos os métodos apropriados para o cálculo das diversas for­
mas de energia. As transformações de umaforma de energia em out reforma de energia
obedecem a uma das leis mais importantes da Física: a Lei da Conservação da Energia.
Neste Capítulo mostraremos que a variação da energia cinética de uma partícula é nu­
mericamente igual ao trabalho total realizado pelas forças externas durante o desloca­
mento dapartícula.-Em resultado denomina-se ‘ ‘ Teorema da Variação da Energia Ci­
nética’ ’ e constitui uma das Leis mais importantes da Mecânica. Os dois objetivos mais
importantes deste Capítulo são: (u) esclarecer o Teorema da Variação da Energia Ciné-
ticar(b) mostrar como a Lei da Conservação da Energia pode ser aplicada para a solu­
ção de problemas de Mecânica.
3.2 Trabalho realizado por uma força
Consideremos uma partícula Pque, sob ação de um sistema de forças, é desloca­
da de A até B. Seja F uma das forças do sistema e cT o vetor deslocamento de A até
B. Define-se o trabalho da força F pelo produto do módulo de F, pelo módulo de 3
e pelo cosseno do ângulo formado entre F tf. Ver a Fig. 3.1.

e
p ►
A d B
Fig. 3.1 O trabalho realizado por uma força constante que forma um ângulo 9 com o
vetor 3" pode ser calculado pela relação 3.1 ou pela relação 3.2.

164
O trabalho realizado por uma força constante F que desloca uma partícula P ao
longo de uma linha reta é definido pela relação:
\w = Fd cosT] (3.1)
onde d é a distância percorrida pela partícula Pao longo da linha reta considerada e
6 é o ângulo entre o vetor P e o vetor d” (ver a Fig. 3.1).
Como Fcos fl é o módulo do vetor obtido pela projeção do vetor P sobre a reta
ao longo da qual o corpo se desloca, podemos concluir da definição (3.1) que o traba­
lho realizado pela força F é numericamente igual ao produto do deslocamento d pelo
módulo do componente da força na direção do deslocamento. Na Fig. 3.2 mostramos
a projeção da força p na direção do deslocamento.
F

I
I
i
1
I
I
I
l
9 l
l d
P
>*-
F. cos 0 B
Fig. 3.2 Projeção da força P sobre a reta suporte do vetor deslocamento d .
Observações:
1 —Da definição (3.1) concluímos que énulo o trabalho de uma força F ortogo-
nal ao deslocamento da partícula.
2 — O trabalho é uma grandeza escalar.
3 — De acordo com a definição de produto escalar dada pela relação (1.13), veri­
ficamos que a definição do trabalho de umaforça constante F durante um deslocamento
linear cT pode ser expresso pela relação (3.1) ou então pela seguinte equação:
| pk = F ,<7~ | (3.2)
ondeo ponto (.) indica o produto escalar entre a força F e o vetor õr. A relação (3.2)
indica claramente que é válida a observação (1) mencionada anteriormente, uma vez
que o produto escalar é sempre nulo quando os vetores forem orlogonais.
Qual é a dimensão de trabalho? Pela relação (3.1), concluímos que:
[1F] = [Fd] = MLT"JL
Logo, a dimensão de trabalho t dada por:
= ML2T-? (3.3)
No S/ a unidade de trabalho denomina-se “joule” (símbolo: J). De acordo com
a relação (3.3), temos:
1 J = 1 kg.m2/s2 (3.4)
165
Da relação (3.4) e da definição de trabalho de uma força constante, podemos de­
finir ojoule do seguinte modo: “Um Joule é o trabalho realizado por umaforça cons­
tante de l N que desloca uma partícula de 1 m na mesma direção e no mesmo sentido
da referida força". Ou seja,
1 J = 1 N.m

Exemplo 3.1 Na Fig. 3.3 o homem empurra o carrinho de peso p com uma força
constante horizontal X, desde A até B. Determine: (u) o trabalho da força?, (b) o traba­
lho do peso p , sabendo que a distância entre A e B é igual a L.

F

................................íf

A -3<r B

Fig. 3.3 Esquema do Exemplo 3.1.


Solução, (o) De ^çordo com a definição (3.1) ou usando a relação (3.2), como a for­
ça F é paralela ao deslocamento (6 = 0o), temos:
WF = EL
(ò) Como o peso p* é ortogonal ao deslocamento AB, de acordo com a relação (3.1),
concluímos que o trabalho do peso é igual a zero, ou seja,
= 0

Exemplo 3.2 Trabalho motor e trabalho passivo. Na Fig. 3.4, o homem da direita
puxa o carro com uma força F, constante de módulo igual a 200 N. O homem da esquerda
procura impedir o movimento realizando uma força contrária a F, e cujo módulo vale F.
= 100N. A distância de A até Bé igual a 6 metros. Determine o trabalho realizado por
F itF ■ durante o deslocamento de A até B.

Fig. 3.4 Esquema do Exemplo 3.2.

166
Solução. De acordo com a relação (3.2), o trabalho realizado pela força exer­
cida pelo homem que puxa o carro é dado por:
FF, = 200 X 6 X cos 0o
Logo,
= 1,2 kJ
Analogamente, o trabalho realizado pela força (exercida pelo homem que ten­
ta impedir o movimento), é dado por:
FF2 = 100 X 6 X cos (180°)
Como cos 180° = - 1, obtemos:
WS = - 600 J
Observação: O trabalho realizado pelo homem da direita é positivo, ao passo que
o trabalho realizado pelo homem da esquerda é negativo. Quando o trabalho realizado
por uma força kpositivo, concluímos que o componente da força na direção do movimen­
to possui o mesmo sentido do vetor deslocamento. Quando o trabalho realizado por uma
força é negativo, concluímos que o componente da força na direção do movimento possui
sentido contrário ao sentido do vetordeslocamento. Quando o trabalho realizado por uma
força épositivo, dizemos que a força realiza um trabalho motor. Quando o trabalho reali­
zado por uma força é negativo, dizemos que a força realiza um trabalho resistivo ou tra­
balho passivo.

Exemplo 3.3 Uma força constante de módulo F = 100 N atua sobre uma partícula
produzindo um deslocamento retilíneo com módulo d = 1 m. O ângulo entre X ed é igual
a 60°. (a) Calcule o trabalho realizado pela força F em joules. (b) Sabendo que a unidade
de trabalho do Sistema CGS é o erg, calcule o trabalho realizado pela força F em ergs.
Solução, (a) De acordo com a definição (3.1), obtemos:
W= 100 X 1 X cos 60°
Logo,
W = 50 J (D
(b) A unidade de trablho do S/ é o joule:
1J = 1 N.m (2)
A unidade de trabalho do Sistema CGS é dada por:
1 erg = 1 d X 1 cm (3)
Porém,
1 d = I g X 1 cm/s2 (4)
1 N » 1 kg X 1 m/s2 (5)
As relações (4) e (5) acarretam o resultado:
1 N = 105 d (6)
Das relações (2), (3) e (6), obtemos:
1 J = 107ergs
Portanto, o resultado (1), expresso em ergs, é dado por:
IV = 5 X 10a ergs

167
Princípio da Superposição para o cálculo do trabalho total
O chamado Princípio da Superposição i um princípio muito útil na Tísica.
O Princípio da Superposição pode ser enunciado de forma resumida do seguinle
modo: o efeito total de uma grandezafísica em geral é obtido pela superposição de efei­
tos componentes que contribuem para o efeito total considerado. Este principio pode
ser aplicado para umagrandeza escalar ou paragrandezas vetoriais. No caso degran-
dezas escalares devemos realizar uma soma algébrica para calcular a grandeza total
(ou resultante). No caso de grandezas vetoriais devemos realizar umasoma vetoríal
para determinar a grandeza total (ou resultante da soma vetoríal).
Como o trabalho é uma grandeza escalar, para determinar o trabalho total de um
sistema de forças num dado deslocamento, devemos realizar uma soma algébrica dos
trabalhos das forças consideradas. Ou seja, o Princípio da Superposição para o cálculo
do trabalho total conduz ao seguinte resultado:
(3.5)
ondeo sinal de somatório (simbolizado pela letra grega sigma) indica que a soma algé­
brica deve ser realizada para todas as parcelas, desde I = 1 até i = N. Cada parcela W
refere-se a uma força F do sitema das N forças consideradas.
Considere um sistema de N forças que atuam sobre uma partícula. De acordo com
o Princípio da Superposição, a força resultante é dada por:
F — F + F + ... + F„ — EF (3.6)
Comparando as relações (3.5) e (3.6) e, levando em conta a definição de traba­
lho, concluímos que:
O trabalho total realizado por um sistema deforças que atuam sobre uma partícu­
la num deslocamento de A até B é igual ao trabalho realizado pela força resultante F
no mesmo deslocamento de A até B.
O Princípio da Superposição pode ser usado também para o cálculo do trabalho
total de uma única força ao longo de um deslocamento total. Ou seja, podemos dizer
que:
O trabalho total realizado por umaforçaF num deslocamento total L é dado pela
soma dos trabalhos infinitesimais realizadospelaforça F durante os deslocamentos infi-
nitesimais Át\ ■ Logo, o Princípio da Superposição (3.5), neste caso, indica que:
W = F .Ar? + ... + F .tsr~n
ou:
lfP = F.r I
onde o ponto indica produto escalar, conforme a definição (3.2). O veior deslocamen­
to F é o deslocamento resultante da soma dos deslocamentos, ou seja,
Z7 = Ar", + Ar",+ ... + Ar" N

Trabalho realizado por uma força variável num deslocamento rettltneo

Considere umaforçaF paralelaaoeixoOxproduzindoumdeslocamentoZ. aolongo


do eixo Ox (no mesmo sentido da força). Podemos dividir o deslocamento L em N partes, I

168
dc modo que o deslocamento total L pode .ser expresso pela soma:
L - Ax, + Ax? + ... + Axn
Suponha que o módulo da força Fseja variável. Neste caso, no intervalo ísx, po­
demos considerar um módulo Fi igual ao valor médio da força F neste intervalo. De
acordo com a definição (3.1), o trabalho realizado pela força F ao longo do deslocamen­
to Axi é dado por:
= F:Ax* (3.7)
onde F,é um valor médio do módulo da forçai no intervalo referente ao deslocamen­
to Ax;. Utilizando a relação (3.7) e o Princípio da Superposição (3.5), podemos dizer que
o trabalho total realizado pelaforça variável F ao longo do deslocamento total L é dado
por:

W = E F, Ajr, (3.8)

onde L = .v? - .v, e a soma se estende a todos os deslocamentos Axi desde x = xt até
x = x: = x, + L.
Para melhorar o cálculo do trabalho podemos dividir o intervalo (x? — xt) num
número muito grande de intervalos iguais a Ax. Neste caso, passando ao limite, quando
o número de intervalos tende a infinito, ou quando Ax tende a zero, podemos escrever:

limite E FAx ' = F dx (3.9)


Ax-0

A relação (3.9) decorre da definição de integral. Utilizando um gráfico de F contra


x verificamos que a integral indicada na relação (3.9) fornece a área compreendida entre
a curva F(x) e o eixo Ox. Portanto, pelas relações (3.8) e (3.9), concluímos que o trabalho
realizado por uma força F (x) paralela ao eixo Ox é dado por:

W
c*
= JF(x) dx (3.10)
X|
onde Xj — Xi é o deslocamento total considerado. Da definição de integral, concluímos da
relação (3.10) que:
*'O trabalho total realizado por uma força F (x) num deslocamento dex, até x:é da­
do pela área compreendida entre a curva F(x) e o eixo Ox no intervalo de X\ até x?”.

Exemplo 3.4 Trabalho de umaforça variável num deslocamento retilíneo. A rhola


indicada na Fig. 3.5 possui constante elástica k e se encontra comprimida. Na posição de
equilíbrio (antes de ser comprimida), a mola possui um comprimento que se estende até
o ponto O. Um pino P mantém o carrinho preso: o carrinho comprime a mola até o ponto
A, conforme indicado na Fig. 3.5. Solta-se o pino Pe a mola se distende. Ao passar pelo
ponto O, o carrinho se desprende da mola. Sendo AO = d, determine o trabalho realiza­
do pela força da mola.

169
'WíiiW

Ç/ZZZZZ.
zzzzzzzzz/*zz’/^zzzzzzzzS/'zzzzzPzzz,z/,zzzzzzz
A O
Fig. 3.5 Opino P mantém o carrinho comprimindo a mola.
Solução. De acordo com a Lei de Hooke, sabemos que a força exercida pela mola
sobre um corpo que a comprime até uma distância x é dada por:
P = - kx (1)
one k é a constante elástica da mola e x é a deformação sofrida pela mola. Considere um
eixo Oxcom origem no ponto O e orientado conforme indicado na Fig. 3.6.

-+■
x A o
Fig. 3.6 Eixo Ox destinado a indicar a deformação x da mola.
Na Fig. 3.7 mostramos o gráfico do módulo F\x) contra x no intervalo de Xi = 0 até
Xj = d. De acordo com a fórmula (3.10), sabemos que o trabalho realizado pela força F*
é dado pela área compreendida entre a curva F(x) = kxc o eixo Ox. Note que na Fig. 3.7
invertemos o sentido do eixo Ox da Fig. 3.6 para maior clareza. É claro que o trabalho rea­
lizado pela mola épositivo pois, neste caso, a força está orientada da esquerda para a di­
reita (na Fig. 3.5) e o deslocamento também é da esquerda para a direita.
O trabalho realizado pela força considerada é dado pela área hachureada indicada
na Fig. 3.7. Ou seja, lembrando a fórmula da área de um triângulo, temos:
W = kd.d/1 = kd2/2

Trabalho realizado por uma força variável num deslocamento arbitrário

A relação (3.10) só pode ser usada quando a força P é paralela ao deslocamento


infinitesimaldx . Suponha agora que a força P, além de possuir módulo variável, possua
uma direção variável. Neste caso, a direção da força não é paralela ao eixo Oxe a fórmula
(3.10) não pode ser aplicada para o cálculo do trabalho. A seguir indicaremos a fórmula
geral que deve ser usada para o cálculo do trabalho total ao longo de qualquer trajetória.
Levando em conta as relações (3.2) e (3.10) podemos escrever a seguinte expressão
apropriada para a determinação do trabalho realizado por uma força P:

170
, F

F = kx F kd

O
x = d A
Fig. 3.7 Gráfico do módulo da forçada mota F(x) contra a deformaçàox sofri­
da pela mola. A área hachureadafornece o trabalho realizado pelaforça da moia,
conforme indicado na fórmula (3. 10).
W^^F.ár' (3.11)
onde o ponto indica produto escalar e o vetor dr" é o vetor deslocamento inflnitesima!,
ou seja:
dr - dxT + dy j (3.12)
A relação (3.11) mostra que o trabalho é uma integral de linha que deve ser calcula­
da ao longo da trajetória considerada. Seja A um ponto de coordenada Xi pon­
to de coordenadas Xi eyz. Suponha uma força F dada por:
F = + Fj~ (3.13)
Das relações (3.11), (3.12) e (3.13) decorre:
W =^F,dx +^F,dy (3.14)
As relações (3.11) e (3.14) sào as expressões gerais que devem ser utilizadas para a
determinação do trabalho realizado por uma força F num deslocamento arbitrário ao lon­
go de qualquer trajetória. Note que a relação (3.14) se transforma na relação (3.10) quan­
do Fy = 0, ou seja, quando a força F está contida no eixo Ox.

3.3 Teorema da variação da energia cinética


O conceito de energia é bastante familiar e não precisa de uma definição muito
sofisticada. A energia de um sistema é evidenciada pela sua capacidade de realizar um
certo trabalha Dizemos que a energia de um sistema pode se manifestar fisicamente sob
diversasformas, produzindo diversos efeitosfísicos. Por exemplo, dizemos que uma bola
cm movimento possui “energia cinética" ou “energia de movimento", uma vez que ela
pode realizar um trabalho, ou transferir energia (quando ela colide com outra bola ou
com um objeto qualquer). Dizemos que uma certa mola comprimida possui “energia
potencial elástica" porque ela pode realizar um trabalho ao se distender. Um gás com

171
temperatura elevada possui “energia térmica" porque o gás pode fazer girar o rotor de
uma turbina agás. Um par de partículas eletrizarias possui “energiapotencial eletrostá-
tica" porque elas podem realizar trabalho se elas estiverem soltas. O sistema constituí­
do pela Terra e um corpo situado a uma certa altitude possui energia potencial gravita-
cioiutl porque o corpo pode realizar um trabalho se ele estiver livre.
Dizemos que cada um dos sistemas acima mencionados “possui energia" A ener­
gia de cada sistema se manifesta de uma dada forma e produz uma determinada/orma
de trabalho. Portanto, os conceitos de trabalho e energia são intimamente ligados entre
si. É claro, portanto, que a dimensão de energia é igual à dimensão de trabalho. No Sl
a unidade de energia é o joule (J); ver a relação (3.3) e a equação (3.4).
Dizemos que existe conversão de energia quando ocorre uma transformação de
umaforma de energia em outraforma de energia. Por exemplo, na parte (a) da Fig. 3.8
mostramos um carrinho preso a um pino P\ o carrinho comprime a mola. Dizemos que
amoiapossuienergiapotencialelástica. Estaforma de energia setransformaemenergár
cinética (ou energia do movimento) quando retiramos o pino Pe a mola se estica, trans­
ferindo energia para o carrinho, conforme indicado na parte (b) da Fig. 3.8.
A w

z-Tnwnr-
"////////
Q
A

(W
V

//////>
ZQ
......................................
A
Fig. 3.8 (a) O pino Fimpede o movimento do carrinho que comprime a mola, (b) Retirando-se
0 pino P o carrinho adquire uma energia cinética quando a mola se estica.

A Fig. 3.9 ilustra outro exemplo de conversão de energia. Na parte (a) da Fig. 3.9
mostramos uma chama aquecendo a água no interior de uma chaleira. A parte (d) da

172
Fig. 3.9 mostra que o calor ou energia térmica se transforma em energia mecânica e a
expansão do vapor realiza um trabalho sobre a tampa da chaleira.

z •

(d) (M
Fig. 3.9 (a) A chama produz aquecimento da água no interior da chaleira, (b) A energia térmica
se transforma em energia mecânica quando o vapor se expande e realiza um trabalho sobre a tampa
da chaleira.
Conversão de trabalho em energia cinética
Considere uma força constante F atuando sobre uma partícula de massa m. Co­
mo não existe nenhuma outra força atuando sobre a partícula, a força F produzirá uma
aceleração constante ã~. Escolhendo um eixo Oxorientado na mesma direção e no mes­
mo sentido dos vetores F e ã~, podemos escrever:
v - va = at (3.15)
onde v0 é a velocidade da partícula para pontox= Oe/ = O Evé a velocidade da partí­
cula no instante t e no ponto x. Como o movimento é retilíneo uniformemente acelera­
do, temos:
x = vd + atf/l (3.16)
Das relações (3.15) e (3.16) resulta:
x(v + v„)i/2 (3.17)
De acordo com a relação (3.1), o trabalho realizado pela força F para deslocar
a partícula de O até x é dado por:
W = Fx = max (3.18)
As relaçãoes (3.15), (3.17) e (3.18) acarretam o seguinte resultado:

173
W =~.ttv2 - —.'“v; (3.19)
2 2
O termo mv‘/2 define a energia cinética ou energia do movimento de uma partí­
cula que possui massa m e velocidade v*. Ou seja, a energia cinética de uma partícula
é definida pela seguinte expressão:
|,g< = mví/2~] (3.20)
Comparando as relações (3.19) e (3.20) verificamos que o trabalho Wé igual à
variação da energia cinética, ou seja:
\W = £xE< = g( final) - £,(inicial)| (3.21)
O resultado (3.21) denomina-se teorema da variação da energia cinética ou teore­
ma do trabalho-energia. Em palavras, podemos enunciar o teorema da variação da ener­
gia cinética do seguinte modo:
“O trabalho total realizado pela força resultante F para deslocar uma partícula
de A até B é igual à variação da energia cinética da partícula de A até B.”
Observações:
1 — Note que na dedução da equação (3.21) consideramos apenas uma força F
atuando sobre a partícula de massa m. No caso geral, quando a partícula é submetida
a um sistema de forças, devemos considerar a resultante F do sistema para aplicar o
teorema da variação da energia cinética.
2 — Na dedução da relação (3.21) consideramos uma força F paralela ao deslo­
camento. Contudo, o teorema da variação da energia cinética pode ser aplicado mesmo
no caso geral de um movimento não-retilíneo. O leitor poderá fazer a demonstração da
validade geral da equação (3.21) utilizando a equação (3.11) e lembrando que:
d~ = v" dt ; F = m dv7dt

Exemplo 3.5 Um trem se move com velocidade constante u em relação a uma pla­
taforma. Uma partícula de massa m está inicialmente em repouso em relação ao trem. Num
dado instante, ela começa a ser acelerada por uma força constante com aceleração a em
relação ao trem. A força atua somente durante um intervalo de tempo l. Suponha que a
velocidade do trem e a velocidade final da partícula sejam muito menores do que a veloci­
dade da luz. Verifique a validade do teorema da energia cinética para um observador si­
tuado no trem e para um observador situado na plataforma. Escreva a expressão da ener­
gia cinéticae do trabalho em função da distância para cada um destes dois sitemas de refe­
rência.
Solução. Como a força é constante e a partícula inicialmente estava em repouso, o
trabalho e dado por:
W - Fx deslocamento (D
Em relação ao trem o deslocamento será:
L' = 0^/2 (2)
Em relação à plataforma, o deslocamento será dado por:
L = ut + (0^/2) (3)
Como F = ma, de acordo com a relação (1), o trabalho realizado pela força em re­
lação ao trem será dado por:

174
W’ = ma2!2/! (4)
Como o trem se move com velocidade constante u em relação à plataforma, o ob­
servador na plataforma mede a mesma aceleração a, a mesma massa m e a mesma força
Fque o observador do trem. Deste modo, o trabalho realizado pela força em relação ao
observador situado na plataforma será dado por:
W = maut + (ma2!2/!) (5)
Como v' = at, a variação da energia medida por um observador no trem será:
AE? = ma2!2/! (6)
A velocidade em relação ao observador situado na plataforma é dada por:
v = u + at (7)
A energia cinética inicial (E^) da partícula em -elação ao observador situado na pla­
taforma é dada por:
E,.i = mu2/! (8)
A energia cinética final em relação a um observador situado na plataforma é dada
por: Ec = mv2/!. Usando a equação (7) obtemos, para a energia cinética final em relação
a este observador, a seguinte expressão:
= m(u2 + a2!2 + !aut)/! (9)
A variação da energia cinética pode ser obtida fazendo-se a diferença entre a rela­
ção (9) e a equação (8). Encontramos:
âEt~ maut + (ma2!2/!) (10)
Comparando a equação (4) com a relação (6), vemos que para o sistema de referen­
ciado trem: W’ = âE^e, comparando as relações (5)e (10), vemos que para o sistema de
referênciafixo na plataforma, temos: W = /SE<. Ou seja, o trabalho e a energia cinética
dependem do referencial, mas o teorema da energia cinética é válido tanto para um obser­
vador fixo na plataforma quanto para um observador que está dentro do trem. Esta é uma
característica fundamental de uma leifísica: para que a lei descreva uma realidade objeti­
va, ela deve ser válida para qualquer referencial.

3.4 Energia cinética, energia potencial e energia mecânica


A energia cinética já foi definida mediante a equação (3.20). Denomina-se ener­
gia potencial de uma partícula a parcela de energia que depende da posição da partícula.
Em que condições uma forma de energia pode ser considerada como uma energia po­
tencial? A palavra “potência?' é usada aqui como sinônimo de “latente", isto é, a “ener­
gia potência?* de uma partícula (ou de um sistema) corresponde à possibilidade “la­
tente" te. partícula (ou do sistema) realizar um certo trabalho mecânico (ou um traba­
lho elétrico, ou um trabalho magnético, etc.).
O teorema da variação da energia cinética (3.21) pode ser aplicado para a deter­
minação da energia potencial, desde que seja usada a seguinte definição geral de dife­
rença de energia potencial:
àU = - FFam (3.22)
onde é o trabalho relaizado pelas forças naturais para deslocar a partícula do pon­
to A até o ponto B. Estamos chamando de forças naturais as forças existentes na ISatu-,

175
reza que atuam sobre a partícula. Por exemplo, o peso de uma partícula é uma força
natural oriunda do campo gravitacional da Terra.
A energia mecânica de uma partícula é dada pela soma da energia cinética mais
a energia potencial da partícula. No cálculo da energia potencial levamos em conta so­
mente as interações mecânicas (exemplo: energia potencial gravitacional e energia po­
tencial elástica}. Excluímos as interações não-mecânicas (como, por exemplo, as forças
elétricas, as forças magnéticas, etc.). Portanto, a energia mecânica total de um sistema
é dada por:

| g.„., = U,+ U. + Ee[ (3.23)

Energia potencial gravitacional

A energia potencial gravitacional pode ser deduzida através da definição (3.22)


ou então mediante aplicação do Teorema da Variação da Energia Cinética (ver o Exem­
plo 3.10). Vamos obter uma expressão para a determinação da energia potencial gravi­
tacional de um corpo de massa m situado nas vizinhanças da superfície terrestre. Para
isto, podemos utilizar a definição geral (3.22). Vamos calcular inicialmente o trabalho
realizado pelo peso do corpo no deslocamento de um ponto A (situado a uma altura
h) até um ponto B situado no solo; ver a Fig. 3.10.
A A A

H'l
O
y
y mg*
B B
'///////// >// / /// / ,
TERRA TERRA V mg
Fig. 3.10 Uma partícula de massa m cai de um ponto A situado a uma altura h. O trabalho reali­
zado pelo peso no deslocamento de A atéB é dado por: WA, = mgh.
O peso mg" possui o mesmo sentido do deslocamento de A até B. Utilize um siste-
maXy com origem no ponto A, orientado vertical mente de cima para baixo, conforme
indicado na Fig. 3.10. De acordo com a definição.de trabalho (3.1), obtemos:
| = mgh | (3.24)
Utilizando a definição geral (3.22) e a relação (3,24), vem:
isU = Ui — U„ = - mgh

176
ou:
UA - U. = mgh (3.25)
Note que na relação (3.25) a diferença de energia potencial U„ — U,é sempre
igual a mgh qualquer que seja o valor de U„. Sendo assim, é conveniente usar para U,
um valor nulo (para simplificar os cálculos). A partir de agora vamos adotar a seguinte
convenção:
A energia potencial gravitacional no nível mais baixo de uma configuração é igual
a zero. A energia potencial gravitacional U, de um corpo de massa m situado a uma al­
tura h em relação a este nível, de acordo com a relação (3.25) é dada por:
IU, = mgh\ (3.26)
O leitor que desejar obter mais informações sobre o conceito de energia poten­
cial gravitacional deve ler o Livro “Gravitação, Oscilações e Ondas” de Adir M. Luiz
e Sérgio L. Gouveia.

Energia Potencial Elástica

A energia potencial elástica de uma moia é definida como a capacidade da mola


realizar um certo trabalho. No Exemplo 3.4 demonstramos que o trabalho realizado
pela mola num deslocamento igual a dé dado por kd2/!, onde/r é a constante elástica
da mola. Seja/t um ponto inicial, quando a mola está comprimida pelo carrinho indi­
cado na parte (a) da Fig. 3.11. Na parte (í>) da Fig. 3.11, a mola atinge a sua deforma­
ção máxima, transferindo ao carrinho a energia potencial elástica armazenada no esta­
do inicial. De acordo com a definição geral de energia potencial (3.22), podemos escre­
ver:

(a) -)■ 'WlWfflT


-r-^-rrf.o
Fig. 3.11

üo- Í/A =-»% (3.27)


De acordo com o resultado do Exemplo 3.3, para um deslocamento genérico d
= x, temos:
FFA0 = fc?/2 (3.28)
Das relações (3.27) e (3.28), obtemos:
- Uo = fc^/2 (3.29)
No ponto O indicado na Fig. 3.11a mola não está mais comprimida pelo bloco.
Utilizando um eixo Ox com origem neste ponto O podemos escrever:
Uo = O (3.30)

177
Das relações (3.29) e (3.30), concluímos que a energia potencial elástica U, de
qualquer mola é dada por:
|cz„ = À^/21 (3.31)
onde k i a constante elástica da mola e x é a deformação da mola, isto é,x t a diferença
entre o comprimento normal da mola (quando ela não está comprimida nem esticada)
e o comprimento da mola deformada (quando ela está esticada ou comprimida). Como
na relação (3.31) o valor de x está elevado ao quadrado, verificamos que a energia po­
tencial elástica da mola comprimida de uma distância x é numericamente igual à ener­
gia potencial elástica da mola quando ela é esticada de um mesmo valor (- x), porque
x2 = (~x)2.
Energia Mecânica

A equação (3.23) define a energia mecânica lotai de um sistema. Considere um


corpo de massa m preso à extremidade de uma certa mola cuja constante elástica vale
k. Se este sistema estiver oscilando no campo gravitacional uniforme da superfície ter­
restre, de acordo com as relações (3.23), (3.26) e (3.31), podemos escrever a seguinte
expressão para a energia mecânica totaiàa. massa m num dado instante t da sua trajetó­
ria'.
celnica mgh + (Z:x2/2) + (mw2/2)| (3.32)
onde h é a altura em relação ao solo e x é a deformação da mola no instante em que a
altura do corpo é igual a h. No caso particular de sistemas que não estão ligados a mo­
las, a energia mecânica total é dada por:
= mgh + mv2/! | (3.33)

Exemplo 3.6 Na Fig. 3.12? mola possui constante elástica iguala 50 N/me a mas­
sa do bloco vale m - 2 kg. Quando o centro do bloco passa pelo ponto A indicado na Fig.
3.12, o bloco possui velocidade de r=4m/se a mola está distendida de.r= 0.2m. No pomo
A, temos h = 2 m. Calcule a energia mecânica Eu do sistema no ponto A.
///////////////////////
| *

r
o

r
Fig. 3.12 Esquema do Exemplo 3.6. L A III

T
178
Solução. De acordo com a equação (3.32), temos:
Em = mgh + (Jcx2/!) + (mv?/2)
Fazendo g - 10 m/s2 e substituindo os dados numéricos do exercício na relação an­
terior, obtemos a seguinte resposta:
Em = (40 + 1 + 16) J = 57 J

Exemplo 3.7 Um corpo de 2 kg é largado sem velocidade inicial de uma altura H


= 20 m no vácuo. Sendo g = 10 m/s2, calcule a energia mecânica do corpo: (a) no ponto
inicial, (à) ao passar pelo ponto situado a uma altura de 10 m, (c) ao tocar o solo.
Solução: Para resolver este exercício basta usar a expressão (3.33). Ou seja, a ener­
gia mecânica do corpo em cada ponto de sua trajetória é dada por:
Em «= mgh + mv2/! (1)
Como o movimento de queda livre é um moimento retilíneo uniformemente acele­
rado, temos:
V2 = 2gy (2)
onde y é a distância percorrida a partir do instante inicial. Ou seja,
y = H-h (3)
onde h é a altura a cada instantealtura inicial. Logo, as relações (1), (2) e (3) acarre­
tam o seguinte resultado:
Em = mgh + mg(H — h} (4)
(a) Basta substituir os seguintes valores numéricos na equação (4): m 2kg,g =
10 m/s2, H = 20 m e h ~ 20 m. Logo,
Em, — 400 J
(d) Neste caso, temos: H = 20meh - 10m. Substituindo os dados numéricos na
equação (4), ericontramos:
EM.b = 400 J
(c) Neste caso, H - 20 m e h = 0. Substituindo os dados numéricos na relação (4),
achamos:
£.m.c = 400 J
Note que:
Em.> = E*.b “
Este resultado decorre diretamente da equação (4) que se reduz a:
Em = mgh - constante
Portanto, a energia mecânica de um corpo que se desloca no vácuo permanece sem­
pre constante. Dizemos que a força gravitacional é conservativa porque a energia mecâni­
ca total permanece constante. Na próxima Seção vamos analisar uma das leis mais impor­
tantes da Física: a Lei da Conservação da Energia.

3.5 Lei da conservação da energia

No Exemplo 3.7 mostramos que durante um movimento no vácuo (nas vizinhan­


ças da superfície terrestre), a energia mecânica do corpo permanece constante. Umaforça
conservativaêaque\& que nào produz variação da energia mecânica do corpo. Força não

179
conservativa (ou força degenerativa ou força dissipativa) é aquela que produz dissipa-
ção ou variação da energia mecânica do sistema.
Exemplos de forças conservativas: o peso do corpo, as forças gravitacionais de
um modo geral, a força elástica da moia, a força elétrica, etc. O melhor exemplo defor­
ça dissipativa i a força de atrito de deslizamento.
Quando a cada ponto do espaço associamos uma dada grandeza física, dizemos
que nesta região existe um campo da grandeza física considerada. Os campos mais im­
portantes são aqueles que dão origem a forças naturais. Por exemplo, o campo gravita-
cional dá origem à força gravitacional (ou peso). No momento estamos considerando
o peso como sendo a força gravitacional exercida pela Terra. A distinção entre peso e
força gravitacional pode ser encontrada no Capítulo 2 deste Livro ou então no Livro
"Gravitação, Oscilações e Ondas” de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
Denomina-se campo conservativo todo campo que dá origem a uma força con-
servativa. Exemplo: o campo gravitacional i um campo conservativo porque dá origem
ao peso, que é uma força conservativo, conforme mostramos no Exemplo 3.7.
Caracterizamos uma força conservativo como sendo aquela que não produz va­
riação da energia mecânica do sistema. A seguir explicaremos como é possível caracte­
rizar uma força conservativa mediante o cálculo do trabalho desta força.
O trabalho realizado por uma força conservativa para deslocar uma partícula de
a até b não depende da trajetória entre estes dois pontos. Quando o trabalho realizado
por uma força depende do percurso dizemos que esta força não é conservativa, ou seja,
trata-se de uma força dissipativa. Como exemplo de força dissipativa podemos citar a
força de atrito-, para ir de um ponto o a um ponto b a energia dissipada pelo atrito é tan-
. to maior quanto maior for o comprimento da trajetória entre a e b.
Outro modo de caracterizar uma força conservativa é o seguinte. Quando o tra­
balho realizado por umaforça que desloca uma partícula num percurso fechado for igual
a zero, aforça aplicada sobre a partícula é umaforça conservativa. Quando o trabalho
de uma força ao longo de um percurso fechado for diferente de zero, concluímos que
aforça é dissipativa. Um exemplo simples de força conservativa é fornecido pela força
gravitacional. O trabalho realizado pela força gravitacional que atua sobre um corpo
numa trajetória fechada é igual a zero.

Lei da Conservação da Energia Mecânica

Podemos enunciar a Lei da Conservação da Energia Mecânica do seguinte modo:


"A energia mecânica de um sistema que se move num campo conservativo perma­
nece invariante”. A expressão matemática desta afirmação é dada por:
| = constante | (3.34)
onde a energia mecânica é dada pela expressão geral (3.32) ou pela relação particular
(3.33), no caso da inexistência de energias elásticas.

Lei da Conservação da Energia

A Lei da Conservação da Energia Mecânica só pode ser aplicada no caso deforças

180
conservativas. A Lei da Conservação da Energia Total ou simplesmente Lei da Conser­
vação da Energia é uma lei geral da Física e pode ser aplicada em qualquer circunstân­
cia, mesmo nos casos em que existam forças dissipativas e parcelas de energia que se
transformam em calor de forma irreversível. A famosa ‘ 'Primeira Lei da Termodinâ­
mica" é uma das maneiras de se enunciar a Lei da Conservação da Energia. O leitor in­
teressado em estudar a Primeira Lei da Termodinâmica deve ler o Livro "Elementos de
Termodinâmica”de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
Podemos enunciar a Lei da Conservação da Energia do seguinte modo:
“Permanece sempre invariável a energia total de um sistema isolado".
O sistema isolado é aquele que não pode trocar nem massa nem energia com as suas
vizinhanças. A expressão matemática da Lei da Conservação da Energia para um siste­
ma isolado é dada por:
1 Em„ = constante] (3.35)
Quando um sistema não está isolado, as trocas energéticas devem também obe­
decer à Lei da Conservação da Energia que, neste caso, é conhecida como “Primeira
Lei da Termodinâmica" .A Lei da Conservação da Energia afirma que “a energia não
pode ser criada nem destruída, mas pode ser convertida de uma forma em outra ou ser
transferida de um sistema para outro". Quando um sistema transfere uma energia U
para outro sistema, dizemos que o sistema perdeu uma quantidade Ude energia e o ou­
tro sistema ganhou a mesma quantidade U de energia.
A seguir resolveremos diversos exercícios para mostrar como a Lei da Conserva­
ção da Energia pode ser usada para resolver problemas de Mecânica.

Exemplo 3.8 Considere um corpo de massa m situado no topo de um plano incli­


nado que forma um ângulo d com o plano horizontal. Despreze o atrito. O bloco é largado
de uma altura h em relação à base do plano; a velocidade inicial do bloco (ao longo do pla­
no) é igual a v,. O comprimento total do plano inclinado é igual a L. Determine a veloci­
dade v, do bloco no momento em que ele atinge a base do piano.
Solução. Utilize o índice 1 para as grandezas no topo do plano inclinado e o índice
2 para as grandezas na base do plano. A aplicação da Lei da Conservação da Energia Me­
cânica (3.33) conduz ao resultado:
E,., + U, = E,.t + U, (1)
onde a energia cinética no ponto 1 vale:
= mv?/2
A energia potencial no ponto 1 é dada por:
U, = mgh = mgL sen d
e a energia potencial no ponto 2 é dada por: U, - 0 (nível de referência para a energia po­
tencial, pois para este nível h = 0). Observação: quando você for resolver problemas apli­
cando a Lei da Conservação da Energia no campo gravitacional, tome como nível de refe­
rência para a energia potencial da partícula o nível inferior do problema. A partir deste
nível inferior, a energia potencial da partícula será positiva e dada pela expressão: U —
mgh, onde h t a altura acima do plano Inferior tomado como referência. A energia cinéti­
ca no ponto 2 será dada por:
E,j = mvi/2

181
j Substituindo os valores de Ult Uz,E e na equação (1) encontramos:

V: - V2g£ sen 5 + vf (2)


A velocidade da partícula na base do plano é a mesma velocidade atingida por uma
partícula lançada em queda livre da mesma altura e com a mesma velocidade inicial. Dei­
xamos ao leitor a tarefa de verificar esta afirmação. Esta afirmação é correta no caso em
que o atrito pode ser inteiramente desprezado; quando existe atrito, obvianaente, a veloci­
dade atingida pela partícula é menor do que a encontrada acima.

Exemplo 3.9\)xn bloco de massa m desliza ao longo de um plano inclinado de um


ângulo 9 em relação à horizontal. O comprimento do plano é igual a £ e o coeficiente de
atrito entre o bloco e o plano inclinado é igual a jp. Supondo que a velocidade do bloco
no topo do plano seja igual a calcule a velocidade do bloco na base do plano.
Solução. No problema anterior aplicamos a Lei da Conservação da Energia num
problema relativo a um campo conservativo. Neste problema, como existe atrito, não há
conservação da energia mecânica, uma vez que uma parte da energia mecânica se trans­
forma em calor por causa do atrito. Porém, a Lei da Conservação da Energia pode ser apli­
cada na solução de qualquer problema de Física, desde que se leve em consideração todas
as parcelas de energia que entram em jogo no problema. Por exemplo, quando num pro­
blema de mecânica existe atrito, devemos aplicar a Lei da Conservação da Energia do se­
guinte modo: escrevemos a energia mecânica total no início do movimento; como no iní­
cio do movimento ainda não houve dissipação de energia, a energia no início do movimento
é dada pela soma da energia cinética mais a energia potencial (energia mecânica total). A
seguir, igualamos esta energia total çom a energia total no ponto onde desejamos calcular
a velocidade, acrescida do calor dissipado pelo atrito desde o início do movimento até o
ponto considerado. No presente problema devemos escrever:
£e_, + «= EtJ + U2 + Q (1)
onde o índice 1 refere-se ao topo do plano inclinado e o índice 2 refere-se à base do plano.
O termo Q é o calor dissipado pelo atrito desde o início do movimento no topo do plano
ajé a base do plano. As quantidades E^, E^i, Ui e CA já foram calculadas no problema an­
terior. A quantidade Qé determinada pelo trabalho realizado pela força de atrito (em mó­
dulo) para deslocar o corpo ao longo do plano; esta energia gasta pelo atrito será, portan­
to, dada por:
Q “ vdngL cos 0
Substituindo estes valores na equação (1) encontramos:
Vj - V2g£(sen 0 - /^cos 0) + v? (2)
Nota: Observe que se você fizer = 0 na relação (2) deste problema, você encon­
trai a o resultado (2) obtido no Exemplo (3.8).

Exemplo 3.10 Mostre que para todo movimento na atmosfera terrestre, temos:
Aí/ = - A£c
Solução. Considere um corpo qualquer se movendo livremente na atmosfera terrestre;
desprezendo o atrito e a resistência do ar, podemos dizer que a energia mecânica do corpo
se conserva. Logo, pela Lei da Conservação da Energia Mecânica (3.33), temos:

Et + U = E„ (D

182
onde Em é constante. Da relação (1) concluímos que:
àEt + A.U = A£„ (2)
Porém, como EM é constante, AEM = 0. Logo,
AEe + AL/ = 0
Donde:
AL/ = - AE, (3)
Poderiamos também demonstrar o resultado (3) utilizando o Teorema da Variação
da Energia Cinética (3.21). Logo,
W= Et (4)
Por outro lado, pela definição de energia potencial (3.22), temos:
ü= - W (5)
Combinando as relações (4) e (5) obtemos novamente o resultado (3).

Exemplo 3. J1 Mostre que a força elástica de qualquer mola é conservativa quan­


do desprezamos o atrito externo e o atrito interno da mola.
Solução. Na Fig. 3.13 mostramos um carrinho de massa m preso à extremidade de
uma mola. Seja O o ponto de equilíbrio da mola, isto é, a posição na qual a mola não está
nem comprimida nem esticada.

m
WOOfíWW

'///ZZZZZZZz

Fig. 3.13 Esquema do Exemplo 3.11.

Para provar que uma força é conservativa basta mostrar que o trabalho total num
percurso fechado é igual a zero. Percurso fechado é aquele no qual o corpo parte de uma
dada posição e retorna à mesma posição inicial. Suponhamos que o carrinho indicado na
Fig. 3.13 seja levado de O até A e trazido de volta de A para o ponto inicial O. Quando
o carrinho é levado do ponto O ao ponto A a mola está sendo esticada, logo, o sentido da
força da mola, de acordo com a Lei de Hooke, é orientado da direita para a esquerda. O
deslocamento de Q até A é da esquerda para a direita. Portanto, o trabalho realizado pela
força da mola no trecho de O até A é negativo. De acordo com o resultado do Exemplo
3.4, podemos escrever:
WOA = - kd2/! (1)
onde k é a constante elástica da mola e d é a distância de O até A.
O trabalho realizado pela força da mola no deslocamento de A até O épositivo uma
vez que este deslocamento possui o mesmo sentido da força da mola (da direita para a es­
querda). Logo, o trabalho de A até O vale:
WAO = kd3/! (2)

183
O trabalho total no percurso fechado é dado por:
FFl0Ul - Woa + WAO (3)
Das relações (1), (2) e (3) resulta:
^«<.1 = o (4)
O resultado (4), de acordo com a definição deforça conservativa, indica que aforça
elástica de qualquer mola é conservativa. Quando considerarmos a ação do atrito (interno
ou externo), a relação (4) deixa de ser válida (ver o Exemplo 3.13).

Exemplo 3.12 Uma bolinha de borracha élargada de 20m de altura; choca-se com
o chào e sobe outra vez até 18 m. Calcular a energia mecânica dissipada e explicar como
se dissipou. A massa da bolinha é 0,10 kg.
Solução. Quando estava a 20 m de altura, no instante e que foi largada, a energia
mecânica da bolinha era:
Emi = mght
Ew = 0,10 x 10x20
Emi = 20 J
Ao atingir os 18 m de altura, a energia mecânica era:
Emi = mghi
Emi = 0,10x 10 x 18
Em: = 18 J
A energia mecânica dissipada foir
Emi - Emí = 20 - 18 = 2 J.
A maior parte desses 2 J são dissipados sob a forma de calor (energia térmica) e o
restante na formação da onda sonora (som) produzida no choque. A energia dissipada sob
a forma de calor se deve ao atrito com o ar e também ao atrito interno na própria bola quando
ela se deforma durante o choque Logo,
CALOR + ENERGIA DA ONDA DE SOM 2 J.

Exemplo 3.13 Pendura-se uma mola no teto, conforme indicado na parte (A) da
Fig. 3.14. A seguir um homem estica a mola até uma certa distância, conforme indicado
em (5). O homem larga a mola. Depois de oscilar diversas vezes, a mola retorna para a
posição (F) indicada na Fig. 3.14. A posição (F) é idêntica à posição (A), isto é, a mola re­
toma para a posição de equilíbrio inicial. Explique como a mola recebeu a energia elástica
que produz suas oscilações. Como foi dissipada esta energia?

TTTT (E) <F>

Fig. 3.14 Esquema do Exemplo 3.13.

184
Solução, t mola recebeu esta energia através do trabalho que o homem que a puxou
executou sobre ela A energia bioquímica foi retirada do homem e transferida para a mola
que a acumula na forma potencial elástica.
Enquanto a mola oscila, forças de atrito interno (entre as diferentes partes da mola)
trabalham. Este trabalho vai convertendo em calor a energia elástica da mola. O trabalho
realizado pela resistência do ar, embora exista, é pequeno em comparação com aquele rea­
lizado pelas forças de atrito interno.
Observação: Note que, neste caso, não podemos aplicar a relação (4) do Exemplo
3.11 para-o trabalho total num percurso fechado. Como existe atrito, o trabalho total no
percurso fechado não é nulo. Neste caso, as forças de atrito fornecem um trabalho negati­
vo qualquer que seja o sentido da oscilação. Logo, o trabalho total será igual a - Q, onde
Q é o calor dissipado pelo atrito.
Exemplo 3.14 Um corpo é largado, sem velocidade inicial, de um ponto P, situa­
do a uma altura h, conforme indicado na Fig. 3.15. A partícula desliza ao longo de um tri­
lho inclinado. A parte inferior do trilho inclinado continua num trecho circular de raio R
contido num plano vertical, conforme mostra a Fig. 3.15. Despreze o atrito, (o) Determi­
ne o módulo da velocidade do corpo nos pontos A, B e C. (d)Determine a menor altura
h para que o corpo possa fazer o “looping”, isto é, para o corpo fazer a volta completa
na pista circular. (c)Determine a altura h ’ tal que quando o corpo atingir o ponto C ele es­
teja exercendo sobre a pista uma compressão igual ao seu próprio peso.
P

c
h

'k.
A
Fig. 3.15 Esquema do Exemplo 3.14.

Solução, (o) Como não há atrito, tomando-se como nível de referência para a ener­
gia potencial o nível inferior da pista, de acordo com a Lei da Conservação da Energia,
temos:
mgh = mvx/2
e, portanto, a velocidade no ponto A será dada por:
vA = "J2gh
Aplicando a Lei da Conservação da Energia entre os pontos Pc B resulta:
mgh = mgR +

185
donde se conclui que a velocidade no ponto B será dada por:
Vm « x/2g(/j - R)
Analogamente, entre os pontos Pc C, temos:
mgh = mg(2R) + m(Vc/2)
donde resulta que a velocidade no ponto Cserá:
v< = V2g(A- 2R) (1)
Para solucionar o item (d), devemos notar que no ponto Ca força centrípeta possui
o mesmo sentido do peso. A força exercida pela pista sobre a partícula tem também o mes­
mo sentido do peso. Deste modo, a reação da pista sobre a partícula pode ser escrita na
forma:
N = F< - p (2)
Se Ft for maior do que p, existe uma reação sobre a partícula; de acordo com a ter­
ceira Lei de Newton, a partícula estará exercendo uma força de compressão sobre a pista,
ou seja, ela permanece ligada à pista. Se Fc for menor do quep, a partícula não pode atin­
gir o ponto C (ela cai antes de atingir o ponto C). Logo, a condição para que a partícula
atinja o ponto C é que ela tenha uma velocidade mínima tal que F< - p, ou seja:
mg = mvf/R (3)
Portanto, a velocidade mínima necessária para que a partícula atinja o ponto Cé
dada pela equação (3). Para você encontrar a altura mínima necessária para que isto acon­
teça, basta combinar a fórmula (1) com a relação (3). Você encontrará:
Anw., = 5R/2
No item (d) encontramos a altura mínima necessária para que a partícula possa ul­
trapassar o ponto Ce, assim, conseguir fazer a volta completa na circunferência. No item
(c) desejamos saber qual deve ser a altura necessária para que a partícula atinja o ponto
C com velocidade tal que a força de compressão exercida pela partícula sobre a pista seja
igual ao peso da partícula. No item (b) vimos que quando esta compressão é nula, elacon-
segue passar para o outro lado (N - 0). Agora estamos supondo que a compressão seja
igual ao peso da partícula (N = p). Substituindo N = p na equação (2), e usando a relação
(1), você encontrará a seguinte altura:
h* = 3R

3.6 Potência
Até o momento consideramos apenas a energia, sem levar em conta o tempo de­
corrido desde o início até o final de uma transformação na qual ocorre uma certa varia­
ção de energia. Suponha que num dado processo ocorra uma variação de energia àU.
Esta variação de energia pode ocorrer lentamente ou rapidamente. Portanto, é necessá­
rio definir uma grandeza física capaz de nos informar sobre a velocidade de variação
da energia (ou taxa de variação da energia}. A grandeza que fornece esta taxa de varia­
ção de energia denomina-se potência. A potência média Pm de qualquer fenômeno no
qual ocorre uma variação de energia àU num intervalo de tempo àt é definida por:
| P„~= ãÜ/át | (3.36)
A potência média de qualquer máquina que realiza um trabalho W num intervalo
de tempo át é dada por:

186
|P„ = W/át] (3.37)
Note que as definições (3.36) e (3.37) são análogas. Contudo, na relação (3.36)
consideramos uma variação de energia IsU, ao passo que na relação (3.37) designamos
o trabalho pela letra fK(e não utilizamos o símbolo ÁfV). Não tem sentido físico falar
de uma variação A W, porque o trabalho é uma energia desenvolvida durante um dado
processo. Não tem sentido físico falar de "diferença de trabalho" (d WQ, assim como
não faz sentido falar de "diferença de calor" (AQ). Quando a taxa de variação da ener­
gia ocorre de modo constante ou uniforme, as relações (3.36) e (3.37) fornecem uma
potência constante dada por:
| P = U/t-, ou: P = W/t\ (3.38)
As definições (3.36), (3.37) e (3.38) mostram que a potência possui dimensão de
energia dividida pela dimensão de tempo, ou seja,
[P] = [energia/tempo] = (3.39)
A unidade de potência no Sistema Internacional denomina-se watt (W). De acor­
do com a relação (3.39), temos:
1 watt = I kg.m2.s~J
Quando dizemos que uma determinada máquina desenvolve uma potência de 1
watt queremosdizer que ela pode produzir um trabalho de 1 joule por segundo. Ou se­
ja,
1 watt = 1 joule/segundo; ou: 1 W = 1 J/s
Uma unidade prática de potência que não faz parte do SI é o cavalo-vapor (cv)
ou “horse-power’ ’ (hp). Um cavalo-vapor vale aproximadamente 746 W (cerca de 3/4
do quilowatt).
Algumas vezes se utiliza uma unidade de energia (ou de trabalho) denominada
quilowatt-hora (1 Wh). Considere uma dada máquina que desenvolve uma potência cons­
tante P. De acordo com a relação (3.38), a energia total 1/produzida pela máquina no
intervalo de lempo t é dada por:
|(7 = P/| (3.40)
De acordo com a relação (3.40) concluímos que 1 kWh é a energia produzida du­
rante 1 hora quando a potência da máquina permanecê constante e igual a 1 kW.

Potência e Velocidade

Considere uma forçai' com a mesma direção e o mesmo sentido de v. Suponha


que a velocidade v* seja constante e que a força F também seja constante. Aplicando
a definição de trabalho (3.1), como a força F é constante e paralela ao deslocamento
I", temos:
(3.41)
Seja t o intervalo de tempo necessário para o deslocamentoL; neste caso, de acordo
com as relações (3.38) e (3.41), podemos escrever para a potência a seguinte expressão:
P = FL/t (3.42)

187
Comoestamos supondo uma velocidade constante, temos: v = L/f, sendo assim,
a equação (3.42) fornece a seguinte relação entre potência e velocidade:
[P^F^] (3.43)

Observações:
1 — A relação (3.36) define a potência média. Para obter a potência instantânea
basta passar ao limite quando Ar—0. Neste caso, de acordo com a definição de deriva­
do ou taxa de variação, podemos escrever:
|P = d(7/d7~| (3.44)
2 — Para uma potência constante, as relações (3.44) e (3.36), fornecem o mesmo
resultado, ou seja, a potência média é igual à potência instantânea.
3 — A equação (3.43) foi deduzida para o caso dc um deslocamento com veloci­
dade constante v e com uma força motriz constante F; neste caso, a relação (3.43) indi­
ca uma potência constante. No caso geral, em vez da equação (3.43) devemos usar a se­
guinte relação para a potência instantânea P:
P = F ,v~ = FvcosS (3.45)
onde Fé a força num instante Z, v é o vetor velocidade no instante t e 6 é o ângulo entre
F e v" no mesmo instante t. Note que, no caso particular quando F e v* são vetores
paralelos e constantes, a relação (3.45) se transforma na expressão (3.43).

Exemplo 3.75 Um automóvel se desloca em linha reta com uma velocidade constan­
te •= 80 km/h. A potência desenvolvida pelo automóvel vale P = 80 kW. Calcule: (a) o mó­
dulo da força motriz do automóvel, (b) o módulo da torça de atrito, (c) o trabalho realizado
pela força motriz do automóvel num percurso de A atéB, sendo L - 10 km a distância entre
A e B, (d) o trabalho realizado pela força de atrito no percurso de A até B, (e) verifique se
o fato da variação da energia cinética de A até B ser nula implica em trablho nulo da força
motriz.
Solução (a) De acordo com a relação (3.43), obtemos:
F = P/v = 3,6 kN (1)
(Z>) Como o movimento é retilíneo e uniforme, de cordo com a Primeira Lei de New-
ton, considerando apenas a existência dc duas forças <F eF a), temos: F + X, = 0 .
Portanto, de acordo com o resultado (1), o módulo da força de atrito F. vale:
F„ = 3,6 kN

(c) O trabalho da forca motriz vale:


>F, = FL = 3,6 X 107 J (2)

(d) Como a força de atrito é contrária ao movimento, o trabalho da força de atrito é


dada por:
W2 = -F*L = -3.6X IO7 3 (3)

388
(e) Como a velocidade é constante, a variação da energia cinética de A até B é nula.
O trabalho total de A até B é dado por:
(4)
Das relações (2), (3) e (4), resulta:
= 0
O Teorema da Variação da Energia Cinética (3.21) afirma que:
JF1OU1 = A£r
Portanto, como JFf0U1 e AEC são nulos, não existe nenhuma contradição com oTeo-
rema da Variação da Energia Cinética. Note que este Teorema não serve para calcular o
trabalho da força motriz, Teorema da Variação da Energia Cinética (3.21) só serve para
determinar o trabalho total ou o trabalho da força resultante que atua no sistema.

Leitura Complementar
Massa e Energia

Na "Leitura Complementar” do Capítulo 1 dissemos que a Mecânica Clássica só


vale quando as velocidades envolvidas forem muito menores do que a velocidade da luz
no vácuo c. Quando a velocidade relativa nâo for muito menor do que c é necessário utili­
zar os resultados de Mecânica Reiativística. Mostraremos agora as modificações dos con­
ceitos de massa c de energia introduzidas na Física Moderna pela Teoria da Relatividade.
De acordo com a Mecânica Clássica a massa é uma constante universal que nào de­
pende do sistema de referêcia. De acordo com a Mecânica Reiativística, a massa depende
da velocidade relativa entre dois sistemas. A Teoria da Relatividade Restrita mostra que
a expressão da massa de um corpo é dada por:
mn
m = , =T
V1 - (v/cY
onde m0 é a chamada massa de repouso, isto é, moé a massa medida por um observador
que está em repouso em relação ao corpo considerado. Na fórmula (1) v é a velocidade re­
lativa entre o sistema no qual a massa está em repouso e um outro sistema que se desloca
em relação ao corpo considerado. Ou seja, um observador fixo em relação ao corpo mede
a massa m9, ao passo que outro observador, que possui uma velocidade v em relação ao
corpo considerado, mede a massa m indicada na fórmula (1). Note que, quajido a veloci­
dade v for muito menor do que c, podemos desprezar a fração (v/c/ no denominador da
expressão (1), de modo que, neste caso, vale a aproximação da Mecânica Clássica, ou se­
ja, m s= m0. Note que m é maior do que m^, onde m é a massa medida por um observa­
dor que está fixo num sistema que se move com velocidade v emTelação ao corpo conside­
rado. Observe que m toma-se cada vez maior do que mo à medida que v se aproxima de
c. Inúmeras experiências realizadas com partículas elementares confirmam a validade da
equação (1).
A Física Clássica, além de admitir o postulado da constância da massa de uma par­
tícula, admite também a chamada ‘ ‘Lei da Conservação da Massa' ’ ou '‘Princípio da Con­
servação da Massa”. A Lei da Conservaçãp da Massa, também conhecida como “Lei de
Lavoisier'', afirma que a massa total de um sistema deve permanecer constante qualquer
que seja a transformação química (ou física) ocorrida no interior do sistema.

189
Albert Einstein (1879-1955) foi um dos primeiros pesquisadores a questionar a vali­
dade geral da ‘ 'Leida Conservação daMassa". Einstein provou não só a validade da equa­
ção (1) como também mostrou que a massa total não se conserva em reações nucleares e
reações entre partículas elementares. Experiências realizadas a partir do início do século
XX mostraram que não existe conservação da massa em reações nucleares. As dramáticas
explosões atômicas áe Hirochima e Nagasaki confirmaram que em determinadas reações
nucleares uma parte da massa se transforma em energia mediante a seguinte equação:
|£ = Am.?~] (2)
onde ám é a variação da massa ou perda de massa da reação considerada.
Das observações anteriores, concluímos que a Lei da Conservação da Massa não é
aceita pela Física Moderna. Contudo, a “Lei da Conservação da Energia" é válida tanto
na Física Clássica quanto na Física Moderna, desde que no balanço da energia total seja
incluída a equivalência entre massa c energia indicada na relação (2).
A equivalência entre massa e energia é recíproca, isto é, uma quantidade de massa
ísm pode produzir uma energia E dada pela relação (2) e, reciprocamente, uma quantida­
de de energia E pode produzir uma variação de massaãm dada por:
Am = E/c2 (3)
onde Eé a energia fornecida ao sistema. Exemplos de produção de energia variação
da massa: uma explosão atômica, as explosões nucleares que ocorrem no Sol e nas estre­
las, etc. Um exemplo de con versão de energia em massa é oferecido pelo fenômeno da pro­
dução depares. A energia da radiação gama pode desaparecer dando origem a um parelé-
tron-pósitron. Opósitron é uma partícula que possui massa de repouso igual à do elétron
mas possui carga positiva + e. O processo inverso ao da formação de pares é o processo
de aniquüaçào no qual um elétron colide com um pósitron e dá origem a u ma radiação ga­
ma. As experiências.de aniquilação e deformação de pares mostram a validade das equa­
ções (2) e (3). O aprofundamento das idéias básicas sobre a Mecânica Relativfstica é apre­
sentado no Livro "ótica e Física Moderna" de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.

Questionário

3.1 O trabalho realizado pela força de atrito é positivo ou negativo? Explique sua res­
posta.
3.2 Diga quais são as situações possíveis e quais são as situações impossíveis: (a) uma
força realizando um trabalho sem nenhum deslocamento, (d) uma força centrípeta
realizando um trabalho num movimento circular uniforme, (c) uma força tangen-
cial realizando um trabalho num movimento circular variável, (d) uma força variá­
vel com direção paralela ao deslocamento realizando trabalho num deslocamento
retilínêo, (e) um trabalho total diferente de zero num deslocamento retilíneo com
velocidade uniforme, (/) o trabalho de uma força vertical num deslocamento hori­
zontal é sempre diferente de zero, (g) um trabalho positivo realizado por uma força
de atrito.
3.3 (a) A energia cinética de um corpo depende da direção da velocidade? (b) A energia
cinética pode ser negativa? (c) A energia cinética fornece um valor instantâneo ou
um valor médio?
3.4 Um automóvel se desloca com velocidade constante ao longo de uma distância xde
uma estrada retilínea. (a) Qual é a variação da energia cinética do automóvel? (ô)
Qual é o trabalho realizado pela força motrizFduranteo deslocamento*do auto-

190
móvel? (c) Qual é o trabalho realizado pela força de atrito FA no mesmo desloca­
mento x? (d) O Teorema da Energia Cinéíica é violado?
3.5 Lançamos uma bola de pingue-pongue de uma altura h. A bola retorna ao solo e
atinge uma altura H maior do que h. Verifique em que condições isto é possível.
3.6 A energia potencial gravitacional pode ser negativa? Explique sua resposta.
3.7 A potência de um automóvel é dada: (o) pelo produto da força motriz pela veloci­
dade, (b) pelo produto da força motriz pela aceleração, (c) pelo produto do peso pe­
la velocidade.
3.8 Um automóvel desce uma ladeira com uma velocidade constante v. O mesmo auto­
móvel sobre a mesma ladeira com velocidade v. Utilize o conceito de potência
para explicar porque na subida o automóvel consome mais combustível do que na
descida.

Exercícios

3.9 (UN1V. SÃO PAULO) O gráfico da Fig. 3.16 representa o módulo da força, que
atua num corpo em função do módulo do deslocamento x. P atua na mesma dire­
ção e no mesmo sentido em que ocorre o deslocamento.
Qual o trabalho realizado pela força para deslocar o corpo nos dois primeiros me­
tros?
(A) Nulo. (B) 5 J. (C) 10 J. (D) 20 J. (E) 40 J.
ÍTN)

Fig. 3.16 10

I____________ ‘
I.o
r
2,0 X (m)
3.10 O carrinho da Fig. 3.17 foi puxado pela força horizontal F , desde a origem até o
ponto de abcissa x = 4,0 m. A força variou com a posição de acordo com o gráfico
anexo. O trabalho realizado pela força P foi, em joules:
(A) 10. (B) 20. (C) 40. (D) 50. (E) 60.

F(N)
20
F

x(.m)
0
2.0 4.0
Fig. 3.17

191
3.11 Lança-se um bloco de baixo para cima, verticalmente, e ele atinge uma altgura h e
retorna ao solo. Sendo m a massa do bloco, o trabalho realizado pelo peso na ida
e na volta é:
(A) 0; (B) mgh; (C) 2mgh; (D) — mgh; (E) 2mgh.
3.12 Um bloco é empurrado de/1 até B e de volta a A. A força de atrito é invariável e seu
valor tf. Sendo AB = d, o trabalho de atrito na ida e na volta é: (Ver a Fig. 3.18).
(A) nulo. (B) f.d.
(C) - f.d. (D) 2 f.d.
<E) - 2 f.d.
v

------ s
A

Fig. 3.18
3.13 (SANTA CASA - SP) Uma força Fatua paralelamente ao deslocamento r produzi-
do, variando sua Intensidade de acordo com o gráfico indicado na Fig. 3.19.0 tra­
balho realizado no deslocamento de 10 até 20 m é dado em joules por:
(A) 500; (B) 150; (C) 200; (D) 100; (E) 400

h FfN)

20

10 --

-+-
Fig. 3.19 10 20 r(m)

3.14 (CESGRANRIO) Um corpo de massa 10 kg está em movimento retilíneo. Durante


um certo intervalo de tempo, a sua velocidade passa de 10 m/s para 40 m/s. O tra­
balho, em joules, realizado neste intervalo dc tempo é igual a:
(A) 3.0X102. (B) l.OxlO2.
(C) 7,5 x IO2. (D) 8,5 x 102.
(E) NRA.
3.15 (CESGRANRIO) O gráfico da Fig. 3.20 representa a força de interação que age so­
bre uma partícula em um referencial inercial. Entre as posições s = 1,0 m e 3,0
m, a energia cinética da partícula:

192
A WD
2,0- —

1,0---

S(m)
-4- -4-
1,0 3,0
Fig. 3.20

(A) aumentou de 2,0 joules;


(B) diminuiu de 3,0 joules;
(C) aumentou de 3,0 joules;
(D) aumentou de 1,0 joule,
(E) variou de um valor que só pode ser determinado conhecendo-se a massa da
partícula.

Problemas

3.16 Uma pedra cai de uma altura h sobre um leito de lama, nele penetrando até uma pro­
fundidade s. Calcule a força média exercida pela pedra sobre a lama.
3.17 Uma pedra de 0,8 kg cai de uma altura h = 20 m sobre um solo arenoso. Ela penetra
15 cm na areia. Desprezando a energia dissipada, calcule a força média exercida pe­
la pedra sobre a areia.
3.18 A unidade de força do sistema CGS é a dina (símbolo d), e a unidade de energia no
sistema CGS é o erg. (a) Qual é o fator de conversão de newton para dina? (ó) Qual
é o fator de conversão de joule para erg?
3.19 Um corpo de massa m = 4 kg está apoiado sobre uma superfície horizontal. Uma
força extema produz no corpo um deslocamento L = 2 m. O coeficiente de atrito
estático entre o corpo e a superfície y* = 0,25. Calcule o trabalho realizado pela for­
ça extema para deslocar o corpo com velocidade constante.
3.20 No problema anterior, o corpo se desloca com aceleração constante a = 3 m/s3. Con­
siderando os mesmos dados daquele problema calcule: (a) o trabalho W realizado
pela força externa; (ó) ó trabalho W* realizado pelo atrito.
3.21 Uma caixa é empurrada por uma força horizontal, constante de módulo igual a F
- 10 N. A caixa se move com velocidade constante. O coeficiente de atrito vale: y*
= 0,4. Calcule: (a) a variação da energia cinética; (b) o trabalho realizado pela for­
ça resultante; (c) o trabalho da força Fpara deslocar a caixa através de uma distân­
cia/ * 15 m; (d) o trabalho realizado pela força de atrito para este mesmo desloca­
mento; (e) a massa da caixa.
322 Um bloco de massa m = 5 kg é puxado com velocidade constante para cima de um
plano inclinado de um ângulo 6 = 30° em relação à horizontal. Calcule o trabalho
realizado sobre o bloco quando ele se desloca de uma distância L = 10 m ao longo
do plano.

193
3.23 Uma caixa de massa m = 3 kg escorrega sobre um plano inclinado de 30° em rela­
ção à horizontal. O corpo parte do repouso a uma altura h = 10 m. O coeficiente
de atrito cinético entre a caixa e o plano inclinado vale = 0,2. Determine o tra­
balho realizado pela força de atrito quando o corpo se desloca desde o ponto de al­
tura h até a base do plano.
3.24 Um automóvel se desloca em linha reta com velocidade constante v = 60 km/h. A
força motriz vale F = 5 kN. Calcule: (o) a variação da energia cinética; (ó) o tra­
balho da força resultante; (c) a potência desenvolvida pelo motor; (d) a potência dis­
sipada pelo atrito.
3.25 Um automóvel se desloca com velocidade constante v = 60 km/h. Sabendo que a
potência do automóvel é igual a 90 c.v., calcule a força motriz Fdesenvolvida pelo
motor do automóvel.
3-26 Um veiculo de massa m = 3 toneladas está se deslocando em linha reta com uma
velocidade v = 40 m/s. Neste instante, o motorista pisa no freio e o veículo pára,
numa distância igual a 60 m. Supondo que a ação dos freios produza uma força de
atrito constante, calcule: (a) o trabalho realizado pela força de atrito; (d) o coefi­
ciente de atrito.
3 27 Uma força é dada em newtons pela expressão:
7=4/” + 67
onde todas as unidades são dadas no sistema MKS. Esta força atua sobre uma par­
tícula de massa m = 2 kg. O corpo se desloca do ponto A (0,0) até o ponto 5(9,0);
calcule: (a) o trabalho realizado pela força para deslocar o corpo de A até 5; (d) a
variação da energia cinética entre os pontos A e B; (c) a velocidade do corpo no pon­
to 5, sabendo que a velocidade do corpo no ponto A era igual a zero.
3.28 Uma partícula descreve uma trajetória circular de raio R. Calcule o trabalho reali­
zado pela força centrípeta: (a) considerando movimento circular uniforme; (b) con­
siderando movimento circular variável.
3.29 Um objeto move-se ao longo do eixo ximpulsionado por duas forçasFi efí , con­
forme indicado na Fig. 3.21. A força F} com xe Ft é consatnte e igual a 20 N. (a)
Determine o trabalho realizado por 7 quando o corpo se move de x = 0 até x «
3 m. (ó) Qual o trabalho correspondente realizado por 7 ?; (c) Qual a velocidade
do corpo em x = 3 m, se ele parte do repouso em X = 0 e seu peso é 80 N? Não existe
atrito entre o corpo e a superfície.
F,

1 60°

x
Fig. 3.21

3.30 (a) Usando o teorema do trabalho-energia, ache a menor distância na qual um au­
tomóvel cuja velocidade inicial é v pode ser parado numa superfície horizontal on­
de o coeficiente de atrito entre os pneus e a estrada é conhecido, (ó) Calcule esta dis­
tância mínima supondo v « 26,82 m/s (96,56 km/h) e n = 0,8.
3.31 Considere o sistema constituído por um corpo de massa m ligado a um fio dc com-

194

$
primento L e massa desprezível, preso a um ponto A (ver a Fig, 3.22). Sabe-se que
a tensão máxima suportada pelo fio é igual a 2mg. Se a massa é solta de um ponto
B situado na mesma horizontal de A, a que distância vertical Habaixo desta hori­
zontal a corda se rompe?

Fig. 3.22
3.32 Um avião está voando a uma altura de 5 500 m e possui velocidade em relação ao
solo igual a 200 km/h. Neste momento, o piloto deixa cair para fora do avião uma
esfera de massa igual a lOkg. Despreze a velocidade relativa da esfera em relação
ao avião no movimento em que ela é arremessada para fora. Sabendo que a resis­
tência do ar produz uma dissipação de energia igual a 1 400 J. Calcule a energia ci-
nética da esfera quando ela atinge o solo.
3.33 Numa montanha-russa, o carro parte sem velocidade inicial de uma altura h = 30
m. Quando ele está a uma altura de 10 m, sua velocidade é igual a 15 m/s. Calcule
a energia dissipada pelo atrito desde o início do movimento até este ponto, sabendo
que a massa total do carro é igual a 7 toneladas.
3.34 Um bloco desliza sem atrito ao longo de uma curva do repouso a uma altura h =■
3 m acima de um plano horizontal. A seguir, o corpo sobe uma rampa com inclina­
ção igual a 30°. Quando o corpo atinge uma altura h ’ = 1 m, a rampa termina e ele
passa a se mover somente sob a ação da gravidade. Determine a distância horizon­
tal x entre a projeção deste ponto sobre o solo e o pontoonde o bloco atingirá o so­
lo.
3.35 .Na Fig. 3.23 a massaMé colocada sobre Uma mesa sem atrito e presa a um fio que
passa por um orifício no centro da mesa. Na outra extremidade do fio encontra-se
um corpo de massa m. A partícula gira em torno do orifício e não é centrifugada,
porque o peso (mg) fornece a força centrípeta necessária para mantê-la em movi­
mento circular uniforme. Para um dado valor de m, a partícula de massa Mgira com
velocidade v0 o raio da trajetória é r. (a) Qual é a relação entre mcM para que a par­
tícula gire com velocidade v0? (b) Qual é o trabalho necessário para encurtar o raio
da trajetória de r para (r/2)?

Fig.3.23

195
3.36 Use a Lei da Conservação da Energia para calcular a altura máxima hn atingida
por um corpo lançado verticalmente de baixo para cima com velocidade v0. Despre­
ze a resistência do ar.
3.37 Aplique a Lei da Conservação da Energia Mecânica para determinar a altura máxi­
ma atingida por um projétil lançado de uma altura h — 0 formando um ângulo 0
com a direção horizontal. Despreze a resistência do ar. O módulo da velocidade ini­
cial do projétil é igual a Vo.
3.38 Considere um trilho formado por dois trechos inclinados, conforme ilustrado na Fig.
3.24. Uma bola de massa m = 1 kg é largada de uma altura de 50 cm em relação ao
plano horizontal de referência, (a) Desprezando o atrito, determine a altura máxi­
ma que a bola atingirá no trecho inclinado de 30°. (b) Determine a altura máxima
atingida no trecho inclinado de 30°, supondo que haja uma dissipação de calor (de­
vido ao atrito) igual a 1 J. Considere g - 10 m/s<

50 cm
45°/ 30° Plano horizontal

Fig. 3.24
3.39 A Fig. 3.25 representa a seção longitudinal de uma calha cilíndrica com raio R =
0,50 m. Umj partícula de massa m = 0,20 kg é largada sem velocidade inicial do ponto
A. Ao longo do arco AB a calha exerce uma força de atrito tangencial que possui
módulo constante e igual a 0,40 N. No trecho de B até Cnão existe atrito. Considere
g = 10 m/s*. Determine: (o) o calor dissipado pelo atrito, (d) a altura máxima atin­
gida pela bola no trecho CB em relação ao nível do ponto B.

Io
I
I
I
I
f
I
B
Fig. 3.25
3.40 Uma massa pontual m parte do repouso e desliza sobre a superfície de uma esfera
lisa de raio R, como mostra a Fig. 3.26. (a) Escreva a expressão da energia potencial
da massa em função do ângulo. S uponha que em A a energia potencial seja nula,
(d) Escreva a expressão da energia cinética da massa como função do ângulo 3. (c)
Calcule a expressão da normal de contato entre o corpo e a superfície em função do
ângulo 0. {d) Para que ângulo o corpo se separa da esfera?

196
A

Fig. 3.26
3.41 O elétron é uma partícula com carga elétrica negativa, esua massa de repouso é da­
da por: m0 = 9,1 x 10 " 31 kg. Um pósitron é uma partícula que possui massa de re­
pouso igual à do elétron, porém sua carga elétrica é positiva, (a) Calcule a energia
de repouso de um elétron, (b) Quando um elétron se choca com um pósitron, estas
partículas se aniquilam e se transformam em energia. Suponha que a velocidade do
elétron em relação ao pósitron não era muito elevada antes do choque, ou seja, des­
preze o aumento da massa provocado pelo movimento. Calcule a energia libertada.
3.42 Numa reação nuclear, a massa total dos reagentes era igual a 873 g. Depois da rea­
ção, a massa total dos produtos da reação passou para 870 g. Calcule a energia li­
bertada nesta reação.
3.43 Qual é a massa aniquilada numa explosão atômica que liberta 10M J de energia?

Respostas do Questionário

3.1 No caso de um deslizamento (sem rolamento), a força de atrito é oposta ao movi­


mento, de modo que a força de atrito geralmente produz um trabalho negativo. Con­
tudo, existem casos em que uma força de atrito pode funcionar como/orça motriz,
isto é, como uma força orientada no mesmo sentido do movimento. Logo, para es­
tes casos, o trabalho da força épositivo. Podemos definir de forma geral uma força
de atrito como sendo o componente tangencial da força que o solo exerce sobre o
corpo que comprime o solo. Por exemplo, quando você caminha, o solo exerce uma
força de reação sobre você. Esta força é que produz o deslocamento quando você
caminha; logo, neste caso, a força de atrito funciona como força motriz. No Capí­
tulo 5, quando você estudar o rolamento sem deslizamento, você terá oportunidade
de encontrar outros exemplos nos quais o trabalho da força de atrito épositivo quando
a força de atrito funcionar como força motriz.
3.2 Possíveis: (c), (d), (g). Impossíveis: (o), (à), (e), (/).
3.3 (a) Não; (d) não; (c) Et é um valor instantâneo.
3.4 (a) Zero; (ò) Fx; (c) - Fx; (d) não, porque o trabalho total é nulo.
3.5 A situação só é possível quando a bola for lançada de cima para baixo com uma ve­
locidade inicial suficiente para compensar a perda de energia que ocorre na colisão
e no trajeto de ida e volta.
3.6 Pode. A relação (3.22) define uma diferença de energia potencial entre dois pontos
A e B. A energia potencial num dado ponto P só tem sentido quando estabelecemos
um dado nível de referência para o qual a energia potencial é nula. Normalmente
adotamos a seguinte convenção: escolhemos como nível de referência para energia

197
potencial igual a zero o nível do solo. Contudo, podemos escolher também para ní­
vel de referência um plano paralelo ao solo situado a uma altura H. Por exemplo,
podemos atribuir ao nível de uma mesa uma energia potencial nula. Neste caso, to­
do ponto situado acima da mesa terá uma energia potencial positiva, ao passo que
todo ponto abaixo da mesa possuirá energia potencial negativa.
3.7 («)
3.8 A potência consumida na subida é dada por: P, = F,vea potência consumida na des­
cida é dada por: Fi = Fjv. Vamos considerar apenas o peso do automóvel p, a for­
ça motriz Fe a força de atrito FÁ. Como a velocidade do automóvel é constante, a
soma vetorlal destas forças deve ser nula a cada instante. Na subida, temos:
Fr=F* + psenê (1)
onde 0 é a inclinação da ladeira. Na descida, obtemos:
Fi = F„- p sen 6 (2)
Comparando (l)e (2), vemos que/7, é maior do que/7:. Logo, P, é maior do
que P,. A energia gasta na subida vale W, =■ P,t e a energia gasta na descida vale
W, = P,t. Como o intervalo de tempo é o mesmo, concluímos que W, émaior do
que X7:. Como o consumo de combustível é proporcional ao gasto de energia, con­
cluímos que o automóvel quando sobe a ladeira consome mais combustível do que
na descida da mesma ladeira (nas condições especificadas).

Respostas dos Exercícios

3.9 D 3.10 E 3.11 A


3.12 E 3.13 B 3.14 C
3.15 C
Respostas dos Problemas

3.16 <F> - mgh/s


3.17 <F> = 10,45 N
3.18 (a) 1 N = IO5 d; (*) 1 J = 107 ergs
3.19 W - njngL = 19,6 J
3.20 (o) W = 43,6 J; (*) W = 19.6 J
3.21 (a) 0; (*) 0; (c) 150 J; (d) - 150 I; (e) 2,55 kg
3.22 W - 245 J
3.23 W = - 102 J
3.24 (a) O;(é)O;(c) 83,333 kW;(d)- 83,333 kW
3.25 4kN
3.26 (e) W = 2,4 x 105 I; (Z>) p. = 1,36
3.27 (a) 36 J; (*) 36 J; (c) 6 m/s
3.28 (a) 0; (b) 0
3.29 (a) 0; (*) 30 J; (c) 2,7 m/s
3.30 (a) v2/2tig-, (b) 45,8 m
3.31 H = 2L/3
3.32 553 kJ
3.33 584,5 kJ
3.34 d = 4,73 m
3.35 (a) m/M = vi/gr, (ft) mgr/2

198
3.36 />. = vS/2g
3.37 h„ = (Vosen29)/2g
3.38 (a) 50 cm: Cb) 40 cm
3.39 (a) Q = 0,314 J; (b) h = 0,34 m
3.40 (o) U(fi) = - mgR(l - cos 0); (d) E(fi) = mgr(l — cos 0);
(c) N(fl) = mg(3 cos 0 - 2); (d) 0 = arc cos (2/3) = 48°
3.41 (a) 8,2 x lffu J; (6) 1,64 x l(F" J
3.42 E = (ám)e' = 2,7 x 10" J
3.43 Am = 1,1 g

199
Capítulo 4
DINÂMICA DE UM SISTEMA DE
PARTÍCULAS
4.1 Quantidade de movimento
A relação (2.1) é a expressão matemática da Segunda LeideNewton no caso par­
ticular do movimento de uma partícula de massa m constante. Contudo, a equação (2.1)
não corresponde ao caso geral considerado originalmente porNewton. A dedução fei­
ta por Newton partiu da definição de "quantidade de movimento”. A definição desta
grandeza é dada pela expressão:
I (7 = mv | (4.1)
onde 5 í a quantidade de movimento de uma partícula de massa m que se desloca com
velocidade v*.
Alguns livroschamam a quantidade de movimento de "momento”; outros livros
utilizam a palavra latina ‘ 'momentum' ’ para designar o vetor (7 • Para distinguir a ro­
tação da translação é necessário definir duas grandezas: a quantidade de movimento li­
near (associado à translação de uma partícula que possui velocidade v*) e a quantidade
de movimento angular (associada ao movimento de rotação de uma partícula que gira
em torno de um eixo com velocidade angular a ). Quando utilizamos a palavra “ velo­
cidade" fica implícito que queremos dizer "velocidade linear”. Analogamente, quan­
do utilizamos a expressão “quantidade de movimento” (ou "momento”) fica suben­
tendido que desejamos falar do “momento linear" (ou “quantidade de movimento
linear"). Entretanto, quando desejamos especificar quantidades angulares é necessá­
rio usar a palavra "angular1' ao lado da grandeza; exemplos de grandezas angulares:
velocidade angular u , aceleração angular a , quantidade de movimento angular T,
etc.
A quantidade de movimento angular F é definida como “o momento da quan­
tidade de movimento linear". O "momento" de uma grandeza vetorial normalmente
é definida como o produto vetorial do vetorposição r~ pela, grandeza considerada. Sendo
assim, o momento de uma força (ou torque) é dado por:
~ =r~ X F (4.2)
onde r~ é o torque ou momento da força F em relação a um dado ponto O. O vetor
posição F liga o ponto O com o ponto de aplicação da força 7^. Analogamente, o mo-

200
mento angular C (ou quantidade de movimento angular), é definido como o momento
da quantidade de movimento linear, ou seja,
í = f X 5 (4.3)
onde r~ to vetorposição que liga um ponto Ode referência ao vetor quantidade de mo­
vimento linear Q. As definições (4.2) e (4.3) só serão utilizadas quando estudarmos a
“Mecânica das Rotações” (ver o Capítulo 5).
Neste Livro vamos adotar indistintamente as expressões “momento Hnear" ou
“quantidadede movimento linear” para designar o vetor Q definido pela equação (4.1).
Neste Capítulo, algumas vezes omitiremos a palavra “linear”. Contudo, não existe ne­
nhuma possibilidade de confusão, uma vez que neste Capítulo não consideraremos ne­
nhuma grandeza angular. A quantidade de movimento angultirC só será estudada no
Capítulo 5.
A quantidade de movimento 5 ê uma grandeza vetorial que tem a direção e o sen­
tido do vetor velocidade v~, conforme indicado na Fig. 4.1.0 módulo do vetor 5 vale
Q = mv . Portanto, no S/a unidade de quantidade de movimento i quilograma vezes
metro/segundo (kg.m/s).

Q
m
v Q = mv

Fig. 4.1

Momento linear total de um sistema de partículas


A quantidade de movimento total de um sistema de Npartículas é dada pela se­
guinte soma vetoriaí.
Q = = Emy 1 = miV*, + m,v~ a + ... + mKv~ N (4.4)
Na Fig. 4.2 ilustramos a aplicação da equação (4.4) no caso de um sistema consti­
tuído por duas partículas (N = 2).

Q — Q t + Qt + . . . + Q„

Qt
' Q1

Fig. 4.2 A quantidade de movimento total de um sistema de partículas é a soma vetorial dos
momentos das partículas.

201
Relação entre força e quantidade de movimento
Newton mostrou que toda vezque umaforça atua sobre uma partícula ocorre uma
variação da quantidade de movimento da partícula. Reciprocamente, toda vez que ocorre
uma variação de quantidade de movimento surge umaforça externa. Portanto, a Segunda
Lei de Newton pode ser expressa em termos de uma taxa de variação da quantidade de
movimento linear. A força média exercida sobre uma partícula num intervalo de tem­
po Az é dada por:
F = A (7/AZ (4.5)
onde A^ é a variação da quantidade de movimento ocorrida no intervalo de tempo Aí.
A força instantânea exercida sobre uma partícula é dada por:

j? limite (4.6)
AZ —0 AZ

Observações:
1 — De acordo com a definição de derivada (ou taxa de variação), podemos enun­
ciar a Segunda fei de Newton afirmando que aforça éa taxa de variação temporal da quan­
tidade de movimento linear, ou seja,
|F = dQ/dt\ (4.7)
2 — Utilizando a definição de quantidade de movimento (4.1) e lembrando que uma
partícula estável possui massa constante, podemos escrever:
F = d^/dt = mdv/dt = ma" (4.8)
As equações (4.7) e (4.8) mostram que a Segunda Lei de Newton aplicada a uma par­
tícula pode, efetivamente, ser expressa pela relação (2.1) empregada em todas as aplica­
ções da Dinâmica estudadas no Capítulo 2.

Exemplo 4.1 Uma bola de pingue-pongue colide ortogonalmente contra uma pa­
rede. Desprezando a pequena perda de energia cinética que ocorre durante a colisão, de­
termine a força média exercida sobre a bola supondo que a bola fique em contato com
a parede durante um intervalo de tempo A/.
Solução. Mais adiante provaremos que a bola é rebatida ortogonalmente. Como a
energia cinética antes da colisão é igual à energia cinética depois da colisão, concluímos
que o mídulo da velocidade antes da colisão é igual ao módulo da velocidade depois da
colisão. A variação da quantidade de movimento durante a colisão é dada por:
— — Q Min ~ Qdtooh (D
onde
Qinie, - mv"; Qdfpoll = - mv* (2)
sendo m a massa da bola e v a velocidade da bola antes da colisão. De (1) e (2), obtemos:
- AQ = 2mv (3)
Aplicando a Segunda Lei de Newton (4.5) na relação (3), encontramos o resultado:
Fm = - 2mv"/tst (4)
A equação (4) mostra que r força média exercida pela parede sobre a bola de pin­
gue-pongue possui sentido contrário à velocidade inicial v* da bola.

202
4.2 Impulso
Chamamos impulso de uma força F que age sobre uma partícula durante um
intervalo Ar de tempo o produto F ,íd.
| F = r.Arl (4.9)
O impulso (ou impulsão) é uma grandeza vetorial que tem a mesma direção e o
mesmo sentido da força que o produz.
O impulso (ou impulsão) é um vetor paralelo e de mesmo sentido da força F, con­
forme indicado na Fig. 4.3.

F
e t F
to
Fig.4.3
De acordo com a definição (4.9), a dimensão de impulso é dada por:
[/] = MLT“'
A unidade de impulso no SI é newton. segundo (N.s).
Conhecendo-se o valor da força média F num intervalo de tempo ãt, podemos
determinar o impulso mediante a seguinte equação:
r = £ Ar (4.10)
A definição (4.9) só pode ser usada no caso de uma força constante. No caso de
ume.força variável podemos calcular o impulso através da área sob a curva num gráfi­
co do módulo da força F contra tempo l, conforme indicado na Fig. 4.4
U F

Fig. 4.4 A drea hachureada é numericamente igual ao impulso no intervalo de


tempo dt.

203
Nota: Observe a Fig. 4.4. Utilizando a definição de integral, o impulso pode ser de­
terminado analiticamente pela expressão:

I = pFdt (4.11)
»o
onde: AZ = Z — z0.
Da definição de impulso decorre a seguinte conclusão:
O impulso de um sistema deforças sobre uma partícula é a soma vetoria! dos impul­
sos produzidos por cada uma dasforças do sistema e é igual ao impulso daforça resultan­
te.
r = /? +/; +... + /? = r
Note que o impulso da força resultante só é igual à soma dos impulsos quando con­
sideramos o mesmo intervalo AZ.

Exemplo 4.2 Determine a expressão da impulsão que atua sobre a bola de pin­
gue-pongue do Exemplo 4.1.
Solução. De acordo com a definição (4.10) e levando em conta o resultado (4) do
Exemplo 4.1, encontramos a seguinte expressão do impulso sobre a bola de pingue-pon­
gue:
I = - 2zz?v*
Compare este resultado com a relação (3) do Exemplo 4.1. Note que o impulso éa
variação da quantidade de movimento. Ver o Princípio da Impuklsão que será enunciado
mais adiante.

Exempla 4.3 O carrinho indicado na parte (o) da Fig. 4.5 é impulsionado por uma
força horizontal F cujo módulo varia com o tempo conforme indicado na parte (ô) da Fig.
4.5. Determine o impulso transmitido ao carrinho no intervalo de tempo entre t0 = 2,0 s
e t = 4,0 s.

F (N)

(a) (b)

1
400

300

F 200

100

'////// ////// 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 t(»)

Fig. 4.5 (a) Umaforça de módulo variável atua sobre o carrinho, (b) Gráfico do módulo F(t)
em função do tempo.

Solução. O impulso será dado pela área compreendida entre a curva F(z) e o eixo
Ot. Portanto,
I = 400 N.s

204
Exemplo 4.4 Calcule o valor médio do módulo da força Fque atua sobre o carri­
nho do Exemplo 4.3 no intervalo de tempo considerado.
Solução. Chama-se valor médio da força variável, num certo intervalo de tempo,
o valor constante de força que produziría o mesmo impulso no mesmo intervalo de tempo.
Assim sendo, designando por F o valor médio de F, temos:
F. 2,0 s = 4,0 x 10? N.s
r= 2,0 x 10? N.s

Princípio da Impulsão
No Exemplo 4.2 verificamos que o impulso sobre um corpo éigualà variação da
quantidade de movimento do corpo. Podemos generalizar este resultado através do Prin­
cipio da Impulsão, que pode ser enunciado do seguinte modo:
* lA impulsão resultante sobre um sistema é igual a variação de quantidade de mo­
vimento do sistema, no mesmo intervalo de tempo."
T = (4.12)

Exemplo 4.5 Uma partícula de massa m = 1,0 kg está se movendo com uma velo­
cidade de 2,0 m/s quando ela sofre a açào de uma força resultante F * na mesma direção
esentido da sua velocidade. O módulo da força resultante é constante e igual a 100 N. Cal­
cule a velocidade da partícula 5 s após a aplicação da força.
Solução. Na Fig. 4.6 mostramos o esquema do enunciado deste Exemplo.
m F

/o Vo v

At
Fig. 4.6 Esquema do Exemplo 4.5.
O Princípio da Impulsão nos informa que:
-_?ê
onde /R é o impulso 6^ força resultante F* . Logo, de acordo com as definições de
impulso e de quantidade de movimento, obtemos:
If át =mv — mif
Substituindo os dados na relação anterior, encontramos:
v = + 10X5,0
Logo, a velocidade final será:
v = 52 m/s

Exemplo 4.60 carrinho indicado na parte (o) da Fig. 4.7 sofre a ação de uma for­
ça horizontal cujo módulo varia com o tempo. A variação de Fem função do tempo t é

205
indicada na parte (6) da Fig. 4.7. Calcule a velocidade do carrinho para / = 5 s, sabendo
que para t = 0, v» = 0.
F(N)
20---------

2,0 kg

_ O ( )........... t(s)
0 1 2 3 4 5
!a) (b)
Fig. 4.7
Solução. Sabemos que o impulso é a área compreendida entre a curva F(r) e o eixo
Ol. Sendo assim, a área do triângulo indicado na parte (b) da Fig. 4.7 fornece o impulso.
Ou seja,
/ = (5 X 20J/2; logo: / = 50 N.s
Por outro lado, de acordo com o Princípio da Impulsão. temos:
7* = SQ; ou seja, 50 = mv — mv0
Logo,
v = 25 m/s

Observações:
1 — A relação (4.10) pode ser obtida da equação (4.11) mediante aplicação do
conceito de valor médio de uma função num dado intervalo.
2 — O Princípio da Impulsão (4.12) mostra que o impulso é a variação total da
quantidade de movimento num intervalo de tempo íst, ao passo que a relação (4.7) mos­
tra que a força é a variação instantânea (ou taxa de variação instantânea) da quantidade
de movimento.
3 — O Princípio da Impulsão (4.12) pode ser encarado como uma conseqüência
da Segunda Lei de Newton escrita na forma (4.7) ou escrita na forma mais geral englo­
bando um sistema de partículas (ver a Seção 4.4).

4.3 Centro de massa


Considere um sistema de n partículas, conforme indicado na Fig. 4.8. Vamos uti­
lizar um índice i para designar um número que varia desde i = 1 até i = n. Cada partí­
cula de massa m. ocupa uma posição caracterizada pelas coordenadas x. e y.
Chama-se centro de massa do sistema o ponto de coordenadas (a; definidas co­
mo se segue:

206
y

m2

m. (x2ly2)

(*i, yd

(■4„,y„)

Fig. 4.8 Sistema constituído por n partículas. Cada partícula possui massa m,
(i = 1, 2, 3, n) e ocupa um ponto de coordenadas xteyt.

mtxt + nhx, 4- ... 4- mjc,


(4.13;
mt + m2 + ... + m„

my, + m^j + ... + m„yn


7= (4.14)
mt + m2 + ... + ma

Em 3 dimensões basta acrescentar mais a coordenada z, obtida de modo análogo


axejt Contudo, vamos considerar somente problemas em uma e em duas dimensões.
Utilizando notação vetorial, podemos dizer que o centro de massa de um sistema
de partículas é um ponto cujo vetor posição, num sistema de coordenadas Oxy, é dado
por:
P = tT + yp (4.15)
onde a abreviatura “cvn” significa “centro de massa". As coordenadas do vetorposi­
ção do centro de massa são dadas pelas relações (4.13) e (4.14).

Exemplo 4.7 Na Fig. 4.9 mostramos duas partículas cujas massas valem =
m2 = 1 kg. A distância entre as partículas é igual a 2 m. Determine a posição do centro
dc massa deste sistema.

mt 2m -/ m2
o
1 kg 1 kg
Fig. 4.9 Esquema do Exemplo 4.7.

207
Solução. A escolha do sistema de coordenadas deve ser sempre feita de modo a sim­
plificar a solução do problema. Neste exemplo, a melhor escolha é indicada na Fig. 4.10.
n
y

1 kg 1 kg

oT (0-0) (2.°) x
Fig. 4.10 Sistema de coordenadas Oxy para a solução do
Exemplo 4.7.
As coordenadas das partículas em relação ao sistema indicado na Fig. 4.10 são:
X, = 0 xi = 2 m
yi = o y, = 0
- (1 X 0) + (l x 2) ,
x = i------ - x = 1 m
1 + 1

(1 x 0) + (1 X 0) - 0
7=
1 + 1

Como vemos o c.m. está no ponto médio do segmento que une as partículas.

Centro de massa de corpos simétricos


As equações (4.13) e (4.14) só valem para a determinação do centro de massa de
um sistema departículas, isto é, de um sistema constituído por corpos de dimensões muito
pequenas (em comparação com as distâncias entre os corpos). Em outras palavras, es­
tas relações só valem para massas puntiformes (ou massas pontuais). O resultado do
Exemplo 4.7 mostrou que o centro de massa de duas partículas de massas iguais se en­
contra exatamente no ponto médio do segmento de reta que une aspartículas. Com base
num raciocínio de simetria, podemos concluir que o centro de massa de qualquer siste­
ma deve ser um ponto médio do sistema. Se o sistema for um corpo com forma geomé­
trica definida, podemos identificar o centro de simetria geométrica do corpo.
Densidade (ou massa específica) de um corpo homogêneo é a razão entre a massa
e o volume do corpo. Dizemos que um corpo é homogêneo quando sua massa está uni­
formemente distribuída ao longo do corpo, isto é, o corpo homogêneo apresenta densi­
dade constante. No Apêndice A vamos considerar um corpo com densidade variável.

208
O centro de massa de um corpo homogêneo é o centro geométrico do corpo. Na
Fig. 4.11 ilustramos como se pode localizar o centro de massa de corpos que possuem
simetria. No Apêndice A vamos mostrar como se determina o centro de massa de qual­
quer corpo (com simetria ou sem simetria).
L 4

L H— L ■I
2 c.m. 2 X
c.m.
(o) haste

(i) placa quadrada

(c) paralelepípedo (d) esfera


Fig. 4.11 O centro de massa de um corpo simétrico é localizado no centro de simetria do corpo.
Exemplos: (a) haste ou barra, (b) placa quadrada, (c) paralelepípedo, (d) esfera ou placa circu­
lar.

Centro de massa e centro de gravidade


O centro de gravidade de um corpo é o ponto de aplicação da resultante dasforças
gravitacionais que atuam sobre cada elemento de massa do corpo.
Demonstra-se que num campo gravitacional uniforme, o centro de gravidade de
qualquer corpo (ou de qualquer sistema) coincide com o centro de massa do corpo (ou
do sistema). Contudo, se o campo gravitacional não for uniforme, o centro de massa
do sistema, em geral, não coincide com o centro de gravidade do sistema. O leitor inte­
ressado em detalhes acerca da determinação do centro de massa e do centro de gravida­
de, deve consultar o Livro “Gravitação, Oscilações e Ondas" de Adir M. Luiz e Sérgio
L. Gouveia. Recomendamos também a leitura do Apêndice A no final do presente Li­
vro.
4.4 Movimento do centro de massa de um sistema
Das equações (4.13), (4.14) e (4.15), resulta a seguinte expressão:
Mrfm = + mfí + ... + m„n (4.16)

209
onde M i a massa total do sistema, ou seja:
M = m, + m, + ... + m.
Num dado intervalo de tempo AZ, cada um dos vetores indicados na relação (4.16)
sofre um acréscimo. Logo, podemos escrever:
MísrZ = m,lst\ + nhCsr? + ... + m„ArT
Dividindo a equação anterior por AZ, obtemos:
Az£ _ m Ar? Ar? Ar?
M------ = ni\------ + m: — + ... + ——
àt àt M àt

Passando ao limite, quanto Az tende a zero, a expressão anterior conduz ao resul­


tado:
Afv.„ = m,v, + miü] + ... + m.v„ = Q (4.17)
onde vL é a velocidade do centro de massa vf é a velocidade da partícula 1, m,v, é
a velocidade da partícula 2 e assim por diante.
Utilizando a definição de quantidade de movimento, o resultado (4.17) pode ser
escrito do seguinte modo:
3,+ 5. + - + 5» (4.18)

O membro direito da relação (4.18) é a quantidade de movimento total do siste­


ma. Portanto, as relações (4.18) e (4.19) mostram que a quantidade de movimento total
do sistema é Iguabà quantidade de movimento da massa total M que se desloca com a
velocidade do centro de massa.
O movimento de um sistema de partículas é mecanicamente equivalente ao movi­
mento de uma única partícula hipotética de massa M localizada no centro de massa do
sistema.
Da relação (4.17) podemos determinar a velocidade do centro de massa de um sis­
tema mediante a equação:
= Q_/M (4.19)

onde Ml a massa total do sistema.

Exemplo 4.8 Determine a velocidade do oentro de massa do sistema indicado na


Fig. 4.12.
Solução. Podemos utilizar o resultado (4.19). Para isto é necessário calcular inicial­
mente a quantidade de movimento total do sistema. Ou seja,
Q = (5,0 X 2,0) + (2,0 x 30) - Q = 16 kg. m/s.
Calculemos agora a velocidade do cm

l'cm= Q/Aí ~ 16 k«-m/s/(7 kg)

210
2,0 m/s 3,0 m/s

5,0 kg 2,0 kg

.(),().......... Q
////////////////////////
Fig. 4.12 Esquema do Exemplo 4.8.
Logo:
^cm = 2,3 m/s

Aceleração do centro de massa de um sistema


Supondo que cada partícula do sistema sofra uma variação de velocidade num certo
intervalo de tempo Ar, podemos escrever:
AfAvZ» = m,AvT + m;Av7 + _ + m.Ai\
Dividindo a expressão anterior por Ar, temos:
AvL, _ Av? Av? Avj
M ■■ = /n, ■ ■■ + mi ■ + .. . + ------ (4.20)
Ar Ar Ar AZ

Faça Ar tender a zero na relação 4.20 e utilize a definição de aceleração instantâ­


nea. Você encontrará o resultado:
Mã~ m = m,ã\ + miã'i + ... + (4.21)
De acordo com a Segunda Lei de Newton, temos:
JÃ = 1 F = miã'1 ; = mfT.
Portanto, a equação (4.21) indica que:
Mã<. = FI + % + ... + F (4.22)
A soma total das forças que atuam no sistema é a força externa resultante F™. Lo­
go, pela relação (4.22), vemos que a Segunda Lei de Newton pode ser generalizada para
um sistema de partículas do seguinte modo:
7^, = (4.23)
onde F,„ é a força externa resultante, M i a massa total do sistema e õ*„ é a acelera­
ção de uma partícula hipotética de massa M localizada no centro de massa do sistema,
ou seja, por simplicidade, dizemos que ÕL, é a aceleração do centro de massa do siste­
ma.

211
A equação (4.23) most ra que é possível estudar o movimento de um sistema de par­
tículas analisando o movimento de uma partícula de massa M concentrada no centro de
massa do sistema. Existem, portanto, dois métodos adequados para descrever o movi­
mento de um sistema de partículas. No Capítulo 2 resolvemos diversos problemas en­
volvendo dois ou mais blocos; nos problemas do Capítulo 2 aplicamos a Segunda Lei
de Newton para cada bloco isoladamente. A equação (4.23) fornece um segundo méto­
do para resolver problemas envolvendo mais de um corpo; neste caso, estudamos o mo­
vimento de uma partícula de massa M localizada no centro de massa do sistema. No Exem­
plo 4.9 mostramos como se aplica o resultado (4.23).

Exemplo 4.9 Considere o enunciado do Exemplo 2.22 (máquina de Atwood). Apli­


que a generalização da Segunda Lei de Newton para um sistema de partículas a fim de de­
terminar a tensão no cabo de sustentação da polia do problema da Máquina deAtwood.
Solução. No Exemplo 2.22 obtivemos a tensão no çabo que sustenta a polia mediante
a aplicação da Segunda Lei de Newton para cada parte do sistema, isoladamente. Vamos
agora aplicar a Segunda lei de Newton ao centro de massa do sistema.
Sabemos que para estudar o movimento de qualquer sistema podemos fazer o se­
guinte raciocínio: imaginamos que no centro de massa do sistema exista uma partícula de
massa igual à massa total M do sistema. A seguir, determinamos a resultante Fde todas
as forças externas que atuam sobre o sistema. A aceleração do centro de massa pode ser
calculada pela aplicação da Segunda Lei de Newton.
am = F/M = F/(/n> + m2) (1)
onde Fé o módqlo da resultante de todas as forças que atuam sobre o sistema.
No problema da máquina de Atwood existem somente três forças externas: o peso
do bloco de massa mlt o peso do bloco de massa mt e a tensão do cabo de sustentação que
prende a polia ao teto (desprezando a massa da polia). Portanto, a força externa resultan­
te terá módulo dado por:
F = Pt + Pi - T (2)
De acordo com as relações (1) e (2), a aceleração do centro de massa do sistema será:
atm = (pt + Pi- T)/M (3)
onde M = mt + m2.
Para calcular a aceleração do centro de massa deste sistema, devemos calcular a po­
sição do centro de massa. Suponha que, inicialmente, as duas massas estavam num mes­
mo nível; então, de acordo com a definição de centro de massa, a posição do centro de massa
das duas massas será dada por:
= (m2 - mt)R/M (4)
onde R é o raio da polia e o centro do eixo Ox está situado no meio da distância entre as
duas massas; o eixo Ox está orientado da massa w, para massa mit na horizontal, e o ei­
xo Oy está orientado de cima para baixo, na vertical.
Quando o bloco m2 desce de uma distância /, o centro de massa das duas massas des­
ce para um ponto situado a uma distância^ do ponto original. Ligando-se as novas posi­
ções de mt e de m2 por uma linha reta, notamos que formam-se dois triângulos semelhan­
tes que se cruzam em O. Portanto, podemos escrever:
xtm/R = y/l

212
donde se conclui que:
y = lxm/R (5)
Comox», e R são constantes, derivando a equação (5) em relação ao tempo, obte­
mos:
Vem = (xz„/R)v
onde v é a velocidade do bloco de massa /nz. Derivando esta equação em relação ao tem­
po, resulta:
a^tn ~ (.Xcm/R)a (6)
onde a é a aceleração do bloco de massa m2. De acordo com as relações (4) e (6), obtemos:
(zrh — mt)a/M (7)
A aceleração do bloco de massa m2, conforme vimos no Exemplo 2.22, é dada por:
a = (zn2- m^g/M (8)

De acordo com as relações (7) e (8), a aceleração do centro de massa será dada por:
atm - - mt)2g/M2 (9)
Levando em conta as relações (3) e (9), podemos obter a seguinte expressão para a
tensão no cabo de sustentação da polia:
T = 4mxmxg/M
Esta relação concorda com a obtida no Exemplo 2.22 aplicando-se a Segunda Lei
de Newton à polia. O método usado na solução do Exemplo 2.22 é mais prático do que
o método que foi aqui discutido. Contudo, este exemplo serve para o leitor aprender a aplicar
a Segunda Lei de Newton ao centro de massa de um sistema; observe que a Segunda Lei
de Newton aplicada à massa total do sistema tem validae geral, podendo ser usada inclusi­
ve em alguns problemas envolvendo sistemas vinculados, como no presente caso.

4.5 Lei da conservação do momento linear


Das relações (4.5) e (4.23) podemos escrever:

(4.24)
A/

onde < F «„> é a força resultante média que atua sobre um sistema de partículas du­
rante um intervalo de tempo AL Suponha que a força externa resultante seja nula. En­
tão, pela relação (4.24), obtemos:
= 0* (4.25)
A expressão (4.25) é a expressão matemática da Lei da Conservação da Quanti­
dade de Movimento Linear ou Princípio da Conservação do Momento Linear. Este prin­
cipio afirma que o momento linear associado ao centro de massa de um sistema perma­
nece sempre constante quando a força externa resultante é igual a zero. Quando men­
cionamos a expressão "quantidade de movimento de um sistema” queremos dizer im-

213
plicitamente “quantidade de movimento linear do centro de massa do sistema’ É evi­
dente, pela equação (4.18), que a quantidade de movimento do sistema é obtida pela so­
ma vetorial de todos os momentos lineares das partículas que constituem o sistema con­
siderado. Podemos enunciar o Princípio da Conservação do Momento Linear do seguinte
modo:
“A quantidade de movimento de um sistema isolado é invariável."
Sistema isolado é aquele que não interage com o mundo exterior.
Podemos ainda enunciar o princípio de conservação da quantidade de movimen­
to nas formas que se seguem, todas equivalentes:
“Forças internas não alteram a quantidade de movimento de um sistema."
“A quantidade de movimento de um sistema permanece invariável se for nula a
resultante das forças externas que agem no sistema."
“O centro de massa de um sistema isolado ou está em repouso ou em movimenta,
retilíneo uniforme."

Exemplo 4.10 A. Fig. 4.13 mostra um astronauta que tem nas mãos uma cai­
xa de chumbo. Thnto o astronauta como a caixa estão em repouso em relação a
um referencial inercial S.Num dado instante o astronauta joga a caixa para a direi­
ta com velocidade de 10 m/s. Sendo 100 kg a massa do astronauta e 10 kg a massa
da caixa, explicar o que ocorre com o astronauta após ter lançado a caixa. Supor
o sistema no vácuo e muito afastado de qualquer planeta.

s
Fig. 4.13 Um astronauta segura uma cai­
xa.

Solução. Nas condições do nosso exemplo, o sistema astronauta + caixa pode


ser considerado isolado, visto que não há força externa agindo sobre ele.
Anes do astronauta lançar a caixa, a quantidade de movimento do sistema
era nula. Após ter lançado a caixa, a quantidade de movimento do sistema deve
continuar nula. Mas a quantidade de movimento após o lançamento é a soma ve­
torial das quantidades de movimento da caixa e do astronauta, logo:
Q ames = O
'in.il — Qjepois _#
Q Hepoli = Q caixa + O astronauta

214
O — Q*caixx + Qastronauta
Q astronauta — — Q caixa

O astronauta deve ganhar uma quantidade de movimento de mesmo módulo e de


sentido oposto ao da caixa. Ver a Fig. 4.14.

II
-Q
caixa

Q
astronauta

S
Fig. 4.14 Quando o astronauta joga a caixa para a direita ele recua para a esquerda.
Podemos determinar facilmente a velocidade com que o astronauta recua.
Qcaixa — m caixa X V caixa
Q astronauta = miítf X V

mutr X V astr = HlcaJxa X V caixa


100 X V astr = 10 X 10 — V aslr = 1 m/s

Portanto, o astronauta recuará a 1 m/s.


A propósito, e o c.m. do sistema?
O c.m. do sistema estava em repouso, e em repouso permaneceu.

Exemplo 4.11 Um canhão está rigidamente ligado a um carro, inicialmente em re­


pouso. A massa total do carro mais a massa do canhão é igual a M. Num dado instante
o canhão atira uma bala de massa m com velocidade w* em relação ao solo. Calcule a velo­
cidade do carro em relação ao solo quando a bala abandona o canhão.
Solução. As forças produzidas pela explosão da pólvora são forças internas. Como
nào há nenhuma força externa aplicada ao sistema, concluímos que o momento linear to­
tal deve ser conservado. O momento linear do carro antes do choque era nulo. Portanto,
quando a bala sai do canhão o momento linear deve permanecer igual a zero. Logo,
(Af — /n)v* + mu = Õ*
Como a massa do carro mais a massa do canhão é muito maior do que a massa da
bala, M > > m, em geral despreza-se a massa m na diferença indicada no primeiro termo
da relação anterior. Sendo assim, a velocidade do carro será:
v* = — mu /M
Esta relação mostra que a velocidade do carro (ou a velocidade do canhão) possui
a mesma direção da velocidade da bala, porém sentido contrário ao da velocidade da ba­
la. Este resultado é geral. Toda bala que sai de uma arma produz uma velocidade de recuo
dada aproximadamente pela relação anterior. Porém, quando a massa do corpo que aban­
dona o sistema não for desprezível em relação à massa do sistema, a velocidade de recuo
do sistema será dada por:
v" = - mu /(M- m)

215
Exemplo 4.12 Um sapo de massa ni está parado na extremidade de uma tábua ae
massa M e comprimento L. K tábua está flutuando sobre a superfície de um lago. O sapo
dá um pulo em direção à extremidade oposta da tábua, com uma velocidade que forma
um ângulo Q com a direção horizontal. Qual deve ser o módulo da velocidade inicial do
sapo para que ele atinja a extremidade oposta da tábua?
Solução. Quando o sapo pula, ele está aplicando sobre a tábua uma força interna.
Deste modo, como não há nenhuma força externa aplicada ao sistema, podemos usar o
principio da conservação do momento linear. O momento total antes do pulo do sapo é
igual a zero; conseqüentemente, o momento total depois do pulo também deve ser igual
a zero. Logo, o momento linear do sapo na direção horizontal deve ser igual e contrário
ao momento linear da tábua. Assim sendo, podemos escrever:
mv cos 0 = Mu (1)
onde u é o módulo da velocidade da tábua. Enquanto o sapo se desloca num sentido atra­
vés de uma distância (v0 cos , a tábua se desloca em sentido oposto através de uma dis­
tância ut. Porém para que o sapo atinja a outra extremidade da tábua c necessário que a
soma destas duas quantidades seja igual a L, ou seja,
L = ut + (v cos 6)t (2)
Por outro lado, como na vertical o movimento é uniformemente retardado, o sapo
permanece no ar um tempo dado por:
t = 2v(sen 9)/g (3)
Usando as equações (1), (2) e (3), obtemos a expressão da velocidade inicial pedida
no problema:

_______ gE________
(sen 2 0) [/ + (m/M)]

Exemplo 4.13 Na Fig. 4.15 mostramos um menino que está inicialmente em repouso
sobre uma prancha apoiada em dois eixos que possuem rodas. Se o menino correr da es­
querda para a direita com uma velocidade 10 m/s, com que velocidade a prancha recua
para a esquerda?

XLzzzzzzzzz^^z
777/7/7777777777777777/7777
Fig. 4.15 Esquemq do Exemplo 4.13.

216
Solução. Inicialmente devemos verincàr se as forças externas que atuam sobre o sis­
tema (prancha 4- menino) produzem ou não uma resultante nula. Na Fig. 4.16 mostra­
mos que a soma vetorial das forças externas é igual a zero. Portanto, pela relação (4.25),
concluímos que não existe variação da quantidade de movimento do sistema “prancha +
menino”.

M
n
N2

77777777777777777777
I s
Fig .4.16/1 soma vetorial dasforças externas que atuam sobre
o sistema é igual a zero.
Como a quantidade de movimento total era nula antes do menino começar a correr,
ela deve permanecer nula depois do início do movimento. Portanto,
Q antn “ Q depoú =

Logo,
Q prancha ” ' Q menino

Portanto, os módulos destes valores valem:


Q prancha = Q menino

Substituindo os dados numéricos na relação anterior, obtemos:


Vprancha = 3 m/S

Dondese conclui que a prancha recua da direita para a esquerda com uma velocida­
de de 3 m/s.

Observação importante:
É interessante notar que o princípio da quantidade de movimento é uma generali­
zação da Primeira Lei de Newton-Galileu.
Consideramos uma partícula de massa invariável que, num dado instante, tem
velocidade v . Suponhamos nula a resultante das forças que agem sobre ela. Sua quanti­
dade de movimento será constante Como a massa m é constante, concluímos que:
v* = vetor constante
A conclusão anterior corresponde ao enunciado da Primeira Lei de Nev/ton.

217
4.6 Colisões
Quando ocorre um choque ou colisão entre dois ou mais corpos, de acordo com
a Terceira Lei de Newton, existe uma interação mútua entre os corpos. Portanto, as forças
que atuam sobre os corpos são forças internas que não podem alterar a quantidade de
movimento total do sistema. Donde se conclui que o Princípio da Conservação do Mo­
mento Linear vale sempre em qualquer tipo de colisão. Vamos considerar apenas coli­
sões em uma dimensão e choques em duas dimensões.
Colisões em uma dimensão
Dizemos que ocorre uma colisão unidimensional quando as direções das veloci­
dades dos corpos que colidem permanecem contidas numa linha reta antes e depois da
colisão. O exemplo mais importante de colisão em uma dimensão é fornecido pelo cho­
quefrontal ou colisão central. Entendemos por choque central aquele em que, em qual­
quer instante, o vetor quantidade de movimento de cada corpo que colide está sobre a
linha reta que une os centros de massa dos corpos. Na Fig. 4.17 fornecemos um exem­
plo de colisão central.

(O)

q: Ql
(c)

Fig. 4.17 Colisão central (ou frontal), (a) Antes da colisão, as direções dos vetores Q>eQt coin­
cidem com a linha rela que une os centros das esferas, (b) Instante em que ocorre o choque (c)
Depois da colisão os vetores Q, e Q 2 continuam pertencendo à reta que une os centros das es­
feras.
Vamos agora resolver um caso geral de colisão frontal, considerando um choque
com conservação de energia cinética (choque elástico). Na parte (a) da Fig. 4.18 mostra­
mos dois carrinhos que se aproximam. O carrinho A possui uma mola ideal (sem atrito
interno) presa em sua parte dianteira. A parte (b) da Fig. 4.18 mostra os mesmos carri­
nhos depois da colisão.
Se tomarmos como sistema o par de carrinhos deveremos ter:
>Í><1 Oo cSoqu. — dcpoUdo choque*

E nas condições do nosso problema teremos:


ISc.inin — Ec.dmb

Assim sendo, virá:

£ca + Ect = fcA + E'

218
*B

m* ma
(o) A /JJW B

m* ma
(« A ;W B

// // z z z

Fig. 4.18 Colisão frontal entre dois carrinhos, (a) Os carrinhos possuem velocidade v x e an­
tes do choque, (b) Depois da colisão, as respectivas velocidades são vA evi .

Como os vetores 2 a, 5 b, 5á , 5b estão todos sobre a mesma linha reta, pode­


mos escrever:

Qa - e. = Gl - G’a (4.26)

EA + E"B — £a + ^B (4-27)

Este par de equações permite que se determine a situação após o choque, quando
se conhece a situação antes do choque.

Coeficiente de Restituição

Desenvolvendo o sistema de equações (4.26) e (4.27):


znAvA + mAv’A = m„vB + m,v’B
mAvi + mAv A = miv*i + m,vi
(vA + v'A) = m, (v'B + v.)
mA (vi - v‘i) = m, (vi - vi)
Dividindo-se membro a membro, vem:

m*(vj- vi) mB(vÍ- vi)


m^(v. + vA) m, (v’B + vB)

Va - v'A = V B- V,
V* + V, = v'A + V',

219
1 =
ví + v'.
Va + Vb
Observamos que v\ + v‘, é a velocidade relativa de afastamento entre os dois
carros após o choque e vA + vB é a velocidade relativa de aproximação antes do choque.
Assim:
Vafauameolo

v-------------- ‘ ~
raproximçto

A razão entre a velocidade relativa de afastamento e a velocidade relativa de apro­


ximação denomina-se coeficiente de restituição, que representaremos por e.

V aproximação

Para determinar a situação após o choque é mais cômodo trabalhar com o par
de equações abaixo:
5 — depoii

Vsfartamenio
' aproximação

O valordeepode variar entre Oe 1. Quandoe =■ 0 os corpos permanecem juntos


um do outro após o choque e chamamos a este tipo de choque ‘ ‘perfeitamente anelásti-
co.” Quando e = 1 temos o choque “perfeitamente elástico", situação ideal em que
a energia cinética se conserva no choque. Logo,
0 S eS 1
e a energia cinética não se conserva no choque, quando e for menor do que 1.
Das relações (4.26) e (4.27)podemos obter v\’ e vj' em função das massas m, e
mt e em função das velocidades antes do choque, vi e í . Deixamos como exercício
para o leitorfazer as passagens intermediárias para explicitar v7’ e ví’. O resultado fi­
nal é o seguinte:
= (CTa- Mi,)Va + 2m,v,
(4.28)
m» + m. + m.

2mAVA (m, - m,)v, (4.29)


ví =
mK + m. m, + m.

Casos Particulares
1 — Massas iguais. Quando mK = mt, as equações (4.28) e (4.29) fornecem:
vl = v„;v; = v*
Donde se conclui que as partículas trocam entre si as velocidades. Logo, elas tam­
bém trocam seus respectivos momentos lineares.

220
2 — Alvo em repouso. Quando uma das partículas está em repouso, por exem­
plo, quando vB = 0, obtemos:
vá = (m* - m,)vA/(mA + m,) (4.30)
vB' = 2mAvA(mA + m.) (4.31)
Vejamos o que ocorre em duas situações extremas: (a) mA< <mB e (b)
m„> >m„
(a) mA< <mB. Neste caso, as relações (4.30) e (4.31) permitem escrever:
vi = - vA (4.32)
vi = 2mAvA = 0 (4.33)
As relações (4.32) e (4.33) mostram que quando uma partícula leve colide com uma
partícula muito pesada ela é normalmente refletida para trás com velocidade igual e
contrária à velocidade incidente. Por exemplo, quando uma bola de pingue-pongue
se choca contra a Terra (ou colide contra uma parede) ela é refletida com a mesma ve­
locidade (em módulo).
(b) mA> >mB. Neste caso, de acordo com as relações (4.30) e (4.31), obtemos:
vi = vA; vB = 2va
Este resultado mostra que o corpo muito pesado não é freiado pelo corpo leve,
inicialmente parado. O corpo de massa mA prossegue praticamente com a mesma ve­
locidade inicial e o corpo de massa mB (que estava em repouso) é lançado para frente
com o dobro da velocidade inicial do corpo de massa mA.

Exemplo 4.14 No processo de fissão nuclear, um nêutron lento produz/Zssõo quan­


do colide com núcleos de urânio ou plutônio. Este processo é acompanhado por uma liber­
tação de energia muito elevada e, na colisão, produzem-se novos nêutrons, iniciando-se
uma reação em cadeia. Uma das aplicações pacificas mais importantes da energia nuclear
consiste na produção de energia elétrica mediante o uso de um reator nuclear. Para que
a reação em cadeia não produza danos, é necessário usar um moderador que controle esta
reação. Essa redução de energia da reação é realizada durante a colisão dos nêutrons com
os núcleos do material que é usado como moderador. Um nêutron de massa m e velocida­
de v colide frontalmente com um núcleo moderador de massa M, que estava inicialmente
em repouso. Determine a velocidade u do nêutron depois da colisão. Comente como se deve
escolher um bom moderador.
Solução. Usando o resultado (4.30), verificamos que a velocidade do nêutron de­
pois da colisão será dada por:
(M - m)v
u = (1)
M+ m

De acordo com a relação (1), concluímos que a energia cinética do nêutron depois
da colisão será:

E= — (2)
2

221
Examinando a relação (2), vemos que para produzir a diminuição de energia cinéti-
ca dos nêutrons, o melhor material moderador deveria ser tal que m = M. Logo, o melhor
moderador, deste ponto de vista, deveria ser o hidrogênio, e o material mais comum que
contém atómos de hidrogênio é a água. Em muitos reatores a água é usada como modera­
dor; porém, além de alguns inconvenientes técnicos, o hidrogênio pode capturar um nêu­
tron formando um deutério. A captura é um choque completamente plástico; isto, eviden­
temente, produz considerável redução da energia cinética dos nêutrons incidentes. Con­
tudo, este processo inibe a própria reação. Por isto é preferível usar outros núcleos leves
(berílio, carbono, etc.).
Observação: A variação da energia cinética do nêutron é dada por:
ÒJ£ = Et - Ex (3)
onde Ef é a energia cinética final (depois da colisão) e E\ é a energia cinética inicial (antes
da colisão). Logo, Et é dada pela expressão (2). Como Ex = mv2/!, das relações (3) e (2),
resulta:
AE - 2m2Mv2/{m + M)2

Exemplo 4,15 Paradoxo de Zenão. Denominá-separadoxo uma situação contra­


ditória provocada por um sofisma (isto é, por um raciocínio falso). O filósofo grego Ze­
não de Eléia, por volta do ano 450 antes de Cristo, formulou uma série de paradoxos de
Mecânica, conhecidos como paradoxos de Zenão. Estes paradoxos são basicamente oriun­
dos da extensão errada do conceito de infinito para um intervalo finito. Por exemplo, usan­
do-se o conceito de continuidade, podemos dizer que um intervalo finito de 1 cm possui
um número infinito de divisões. A explicação completa para eliminar o paradoxo de Ze­
não só foi possível no século 19 com a teoria de Cauchy sobre o conceito de limite e conti­
nuidade. Para ilustrar um paradoxo de Zenão típico vamos resolver o seguinte problema:
Uma bola de pingue-pongue é largada, sem velocidade inicial, de uma altura H aci­
ma de um plano horizontal. Após cada colisão com o plano horizontal a bola é projetada
para cima atingindo uma alturay = h/b, onde h é a altura antes da colisão e b é um núme­
ro maior do que um. (a) Qual é o número de colisões entre a bola e o plano desde o instante
inicial até o momento em que a bola fica em repouso sobre o plano? (b) Determine o com­
primento total do caminho percorrido pela bola desde o instante inicial até o momento em
que a bola fica em equilíbrio sobre o plano, (c) Obtenha uma expressão para o intervalo
de tempo total para a bola fazer o percurso total mencionado no item anterior, (d) Utilize
os valores numéricos g = 10 m/s2, H = 20 m, b = 4 para calcular as grandezas mencio­
nadas nos itens (ó) e (c).
Solução, (a) De acordo com o enunciado do problema, após a primeira colisão, a
bola atinge uma altura ht dada por:
h, = H/b (D
Após a segunda colisão, a bola atinge uma altura - hx/b. Logo,
h, = H/b2 (2)
Analogamente, verificamos que após a terceira colisão, a altura atingida pela bola
é dada por:
h> = H/b3 (3)
As relações (1), (2) e (3) sugerem que após n colisões sucessivas, a bola atinge uma
altura hn dada por:
h„ = H/bn (4)

222
A bola de pingue-pongue só fica em repouso quando h, = 0. Como b é maior do
que um, a relação (4) indica que a bola se choca com o plano um número infinito de vezes
desde o instante inicial até o momento cm que ela fica em repouso sobre o plano.
(ó) Seja d o comprimentototal da trajetória seguida pela bola. Seja dn a soma das
distâncias verticais percorridas pela bola até o topo da trajetória após n colisões com a bo­
la. É claro que:
dn = H + 2(d, + d2 + dy + ... + d.) (5)
onde dit d2, dt e d. são dados, respectivamente, pelas relações (1), (2), (3) e (4). Como existe
um número infinito de colisões, a distância total percorrida é dada pela seguinte passagem
ao limite:
d = limite da
n— - (6)

As relações (1), (2), (3) e (4) mostram que as alturas h„ formam uma progressão geo­
métrica cuja razão vale r = \/b. Portanto, os termos da relação (5) entre parênteses for­
mam uma série geométrica decrescente. A relação (5) pode ser escrita na forma:

.... ±i (7)
»L t
Para calcular a distância total d, de acordo com a relação (6), é necessário calcular
0 limite de uma série geométrica de razão menor do que um. Utilizando o resultado (1.7)
e as equações (6) e (7) encontramos a seguinte expressão:

2H
d= H+ —
b
1 - (1/*)]
ou seja,
d = H(b + l)/(ó - 1) (8)
Note que, embora o número d. de intervalos da trajetória seja infinito, verificamos
que o comprimento total dé finito, de acordo com o resultado (8).
(c) O tempo total Tdo percurso é a soma dos intervalos de tempo tn de cada segmen­
to da trajetória. Logo,
T = limite tn
(9)
n— •
onde
t, — t0 + 2h + ... + lí, (10)
O intervalo de tempo t0 é o tempo que a bola leva para cair livremente da altura ini­
cial H. Logo,
ío = (2H/g)'i (U)
Analogamente,
h = ^2hi/g\ ti ■- \/2h2/g; ... ; /. = >J2hn/g
Combinandoas relações anteriores com as equações (1), (2) e (4), encontramos:
í, = h = r</(Vd)2;...; t. = (12)
As relações (10) e (12) permitem escrever a seguinte série:

223
t. = t„ + 2r,/(l + r + ? + ...+ r") (13)
onde r = 1/b'^
Os termos entre parênteses na equação (13) constituem uma série geométrica cuja
razão vale r = \/b,/2. Utilizando as relações (9) e (13) e aplicando a fórmula (1.7), obte­
mos o seguinte resultado:
t - taíb^2 + 1)/(Z/2 - D (14)
onde t0 c dado pela equação (11).
(d) Aplicação numérica: substituindo g = 10m/s2, H= 10meó = 4 nas equações
(8) e (14), obtemos:
d = 33,33 m; 7 = 6s

Exemplo 4.16 Calcule o coeficiente de restituição das colisões do Exemplo 4.15.


Solução. De acordo com a definição de coeficiente de restituição, temos:
e = Vi/vt (1)
onde vf é a velocidade final (depois do choque) e v, é a velocidade inicial (antes do choque).
De acordo com o enunciado do Exemplo anterior, temos:
hf — h./b (2)
onde hfé a altura atingida depois do choque e ht é a altura antes do choque. Sabemos que:

v? = 2gh(\ vf = 2gA| (3)


Das equações (1), (2) e (3) decorre o resultado:
e = (l/*)‘/2
Aplicação numérica: b = 4. Logo,
e = 1/2

Exemplo 4.17Uma partícula de massa m e velocidade v (em relação ao sistema do


laboratório) colide com outra partícula de massa M que estava inicialmente em repouso
(em relação ao sistema do laboratório). Supondo colisão pérfeitamente elástica, determi­
ne as velocidades das partículas depois da colisão.
Solução Como a colisão é totalmente elástica e uma das partículas está em repouso,
podemos utilizar os resultadôs (4.30) e (4.31). Vamos designar por u o módulo da veloci­
dade da partícula de massa m depois do choque e seja Va velocidade da partícula de massa
Aí depois do choque. De acordo com a relação (4.31), a velocidade Kda partícula de mas­
sa M que estava inicialmente em repouso (v2 = 0) será dada por:
V=2mv/(mM) (1)
Considere mt = m; m2 — M; Vi = v e v2 = 0. De acordo com a fórmula (4.28), a
partícula de massa m que possuía inicialmente velocidade v, depois do choque, passa a se
deslocar com a velocidade:
__ (M — m)v
(2)
m + M

A relação (2) mostra que quando M > m,a partícula de massa m recua depois do
choque (u tem sentido contrário ao de v). No caso contrário (Af < m), a partícula de mas­
sa m se deslocará no mesmo sentido da partícula de massa M. A relação (1) mostra que

224
a velocidade V possui sempre o mesmo sentido da velocidade v. No Exemplo 4.14 consi­
deramos um caso particular deste exercício (quando o alvo está em repouso). Ver o Exem­
plo 4.14.

Colisões em duas dimensões


Quando a colisão não é central, os dois corpos que se chocam podem se deslocar,
depois do choque, em direções diferentes das direções das velocidades iniciais. Consi­
dere, por exemplo, duas bolas de bilhar sobre uma mesa. Para facilitar, suponha que
uma das bolas de bilhar esteja em repouso. Você notará que quando a outra bola de
bilhar colide com a bola que estava em repouso, as duas bolas se deslocam em direções
diferentes (supondo colisão não central), vamos resolver agora um problema de coli­
são perfeitamente elástica em duas dimensões (e = 1).
Uma esfera de massa m, possui velocidade v, e colide elasticamente com outra
esfera de massa m> que estava inicialmente em repouso. Na Fig. 4.19 ilustramos esta
situação. Denomina-se parâmetro de impacto b numa colisão a distância entre as retas
suportes das velocidades das partículas antes do choque. Como a partícula de massa
m, está em repouso, o parâmetro de impacto bé& distância entre a reta suporte da ve­
locidade vi (que passa no centro de massa da primeira esfera) e o centro de massa da
esfera de massa mt, conforme indicado na Fig. 4.19. Quando b = 0, o choque é cen­
tral. Vamos considerar b diferente de zero.
y

V.

mi

Fig. 4.19 Uma esfera de massa m, possui velocidade v^ e colide com outra esfera de massa
m> que estava inicialmente em repouso. A colisão não é central (o parâmetro de impacto
b é diferente de zero).
Suponha que não haja rolamento das esferas. Isto é, estamos supondo que as es­
feras se comportam como "partículas’'. Desejamos determinar as velocidades das es­
feras depois da colisão.

225
Seja v? ’ a velocidade da partícula de massa mx depois do choque c v*/ a veloci­
dade da partícula de massa m2 depois da colisão (ver a Fig. 4.19). Aplicando a Lei da
Conservação do Momento Linear, obtemos:
m,v = /«ivrcos 6> + zn2v2*cos 02 (4.34)
0 = m.v/sen 6i - m2v2'sen02 (4.35)
Por outro lado, a Lei da Conservação da Energia permite escrever para um cho­
que elástico:
m,v? = mt(ví)2 + m2(vl)2 (4.36)
As relações (4.34), (4.35) e (4.36) constituem um sistema de três equações com qua­
tro incógnitas (vf, v2, e 6i). Para poder resolver este sistema é necessário fornecer mais
alguma informação sobre o problema. No laboratório, podemos, por exemplo, deter­
minar (ou 62), de modo que o problema consiste em resolver o sistema constituído
pelas equações (4.34), (4.35) e (4.36). A seguir resolveremos dois problemas de colisões
em duas dimensões.

Exemplo 4.18 Uma partícula dc massa mt colide com uma partícula de massa m2.
A velocidade da primeira é v? e a velocidade v2 é ortogonal a (antes do choque). As
duas partículas permanecem unidas após o choque (colisão perfeitamenteplástica). De­
termine o quadrado do módulo da velocidade v da partícula resultante após a colisão.
'Solução. Como as partículas permanecem unidas em decorrência do choque (cho­
que completamente plástico), não há conservação da energia cinética. Porém, conforme
já acentuamos, a Lei da Conservação do Momento Linear vale para qualquer tipo de cho­
que. Construa um sistema de coordenadas Oxy com o eixo Ox orientado no sentido do ve­
tor Vj e com o eixo Oyy orientado no sentido do vetor v2. Seja 6 o ângulo formado entre
v e o eixo Ox. Decompondo estes vetores segundo os eixos Ox e Oy, e aplicando a Lei da
Conservação do Momento Linear, resulta:
mxvx = (m, + mdv cos 6 (D
zn2v2 = (mx + mjv sen 0 (2)
Dividindo a relação (2) pela relação (1), obtemos:
tg 0 = m2v2/miV| (3)
A equação (3) serve para determinar o ângulo entre a direção da velocidade v e o
eixo Ox (que coincide com a direção da velocidade V|). Para calcular o módulo da veloci­
dade, eleve ao quadrado as relações (1) e (2) e depois some os dois resultados, membro a
membro. Você encontrará:
m2v2 4- m2v2
v2 =
(m> + m2)2

Portanto, o módulo da velocidade v imediatamente após a colisão pode ser calcula­


do por esta equação.
Exemplo 4.19 Duas esferas idênticas colidem elasticamente. Uma das esferas está
em repouso e a colisão não é central. Determine o ângulo formado entre as velocidades
das duas esferas depois do choque.

226
Solução. Seja v a velocidade da esfera antes da colisão. Sejam vj e as veloci­
dades das esferas depois da colisão (ver a Fig. 4.19). Como as massas são iguais, a Lei da
Conservação do Momento Linear fornece:
(7 = + vj (1)
Como o choque é elástico, existe conservação da energia cinética. Portanto,
v3 = vj + vf ~ _ (2)
De acordo com a relação (l),Vé a soma vetorial de v( com v2 ; portanto, usando a
regrado paralelogramo para a determinação do módulo da resultante dc uma soma veto­
rial, temos:
v2 = v2 + v2 + 2 v/v, cos a (3)
onde a t o ângulo formado entre os dois vetores. Comparando a relação (2) com a relação
(3), conclui-se que : cos a = 0, donde se conclui que o ângulo a é dado por: a = 9, + 6,
- 90°; portanto, quando dois corpos de mesma massa sofrem uma colisão elástica (sendo
que um deles estava inicialmente em repouso), a direção da velocidade de um dos corpos
é orlogonal à direção do outro corpo, depois do choque.

4.7 Referencial do centro de massa


Para solucionar os problemas envolvendo colisões podemos utilizar o referencial
do laboratório (isto é, um referencialfixo na Terra) ou então um referencialfixo no cen­
tro de massa do sistema. Na Seção anterior resolvemos diversos problemas de colisões
utilizando o referencial do laboratório. Nesta Seção vamos estudar as colisões utilizan­
do um referencial fixo no centro de massa do sistema. Vamos chamar este sistema de
referência de "referencial do centro de massa".
Considere um sistema com duas partículas. Os problemas que envolvem conser­
vação do momento linear assumem as seguintes características, quando forem analisa­
dos em relação a um referencial fixo no centro de massa do sistemai
De acordo com a definição de centro de massa, e lembrando que a origem do sis­
tema está sobre o centro de massa, concluímos que: zçL, = 5". Logo,

mf + mf = If (4.37)
onde r\ é o vetor posição da partícula de massa m, em relação ao referencial do cen­
tro de massa ef to vetor posição da partícula de massa m, em relação ao referencial
do centro de massa. Da equação (4.37), resulta:
+ m2v\ = ÍT (4.38)
A equação (4.38) indica que, quando não existem/orças externas, a quantidade
de movimento total de um sistema é sempre igual a zero em relação ao referencial do centro
de massa.
Suponha que as velocidades das partículas antes da colisão sejam v, ev, (em re­
lação ao referencial do centro de massa). Sejam u, eu, as respectivas velocidades de­
pois do choque (em relação ao referencial do centro de massa). Então, de acordo com
o resultado geral (4.38), podemos escrever:

227
m,~, = - mff (4.39)
ffliiZ = - mff (4.40)
A relação (4.39) informa que as duas velocidades antes do choque estão na mes­
ma direção (e em sentidos opostos); ou seja, as partículas se aproximam do centro de
massa e colidem exatamente sobre o centro de massa. Analogamente, a equação (4.40)
informa que as duas velocidades depois do choque estão na mesma direção (e em senti­
dos opostos).
No caso particular de um choque elástico podemos usar a equação da conserva­
ção da energia cinética em relação ao referencial do centro de massa. Logo,
m,vf + m;Vi - m,uj + m,u? (4.41)
Das equações (4.39), (4.40) e (4.41) decorre o seguinte resultado, no caso parti­
cular de uma colisão elástica'.
U, = V|» ui — Vi

ou sej a, o módulo da velocidadefinal de uma partícula (em relação ao referencial do centro


de massa) é igual ao módulo da velocidade da respectiva partícula antes da colisão (em
relação ao referencial do centro de massa).
Quando o leitor desejar converter uma velocidade u, em relação ao referencial do
centro de massa para uma velocidade v,'em relação ao referencial do laboratório, bas­
ta aplicar a definição de velocidade relativa. Logo,
ü? = V - v™ (4.42)
Na equação (4.42) é a velocidade do centro de massa do sistema em relação
ao referencial do laboratório e v?1 é a velocidade da partícula considerada em relação
ao referencial do laboratório. Portanto, quando você resolver um problema utilizando
o referencial do laboratório, você poderá obter a solução no referencial do centro de massa
através da transformação (4.42). Reciprocamente, se você partir de umasolução no re­
ferencial do centro de massa e desejar obter a solução no referencial do laboratório, vo­
cê deverá usar a transformação (4.42).

Exemplo 4.20 A Fig. 4.20 indica um garoto inicialmente em repouso (em relação
ao carro). O carro se desloca, da esquerda para a direita com uma velocidade constante
de módulo v, = 2 m/s. Num dado instante, o garoto começa ase deslocar da esquerda pa­
ra a direita, com uma velocidade v, = 4 m/s (em relação ao solo). Com que velocidade
Vi o carro passará a se mover em relação ao solo? Massa do carro: m, — 100 kg. Massa
do garoto: m, = 50 kg.
Solução. Vamos inicialmente escrever todas as velocidades em relação ao centro de
massa. Na Fig. 4.21 mostramos a posição ido centro de massa do sistema, antes do garoto
começar a andar. Os módulos das velocidades em relação ao centr de massa são:
v, = 0; vc = 0; vm = 0
onde v, é a velocidade do garoto em relação ao centro de massa, v, é a velocidade do car­
ro em relação ao centro de massa e vOTéa velocidade do centro de massa em relação a um
sistema fixo no centro de massa. É claro que v^m = 0 sempre (uma vez que não existem
forças externas). Logo, = 0.

228
V|

Fig. 4.20 Esta ilustração mostra um carro que se move, em relação ao chão, com uma
velocidade v, — 2 m/s.

v<

Vc

Fig. 4.21 Posição inicial da coordenada x do cen­ c.m.


tro de massa do sistema.
Vejamos agora o que ocorre quando o garoto começa a andar com uma velocidaae
v, = 4 m/s em relação ao carro. Neste caso, como vtm = Õ*, temos:
mí^i + = Õ*; mtVt = - m{ve
Portanto, em relação ao centro de massa, as velocidades iÇ e ve possuem sentidos
contrários, conforme indicado na Fig. 4.22.
Da relação anterior, levando em conta apenas os módulos dos vetores, temos:
mtvt = mcvt (1)
Por outro lado, como a velocidade do garoto em relação ao solo vale vi = 4 m/s,
usando o conceito de velocidade relativa, temos:
3vc - 4 vc = 4/3 (m/s)
Para obter a velocidade v2 do carro em relação ao solo é suficiente fazer a mudan­
ça de referencial. Ver a Fig. 4.23. Para fazer a mudança de referencial, você deve usar a
equação (4.42). Designando por v, a velocidade de translação do centro de massa em re­
lação ao solo, temos:

229
c.m.
Fig. 4.22 Em relação ao centro de massa, temos: mtv^ = -m^.

I
Referencial do centro de massa

v, = 2 m/s
«ScM
vc = 4/3 m/s

Vc

S
Referencial do laboratório

Fig. 4.23 Esquema para a mudança de referenciais.

K = v? - K
Ou seja,
7Í = + 7, (3)
Pela Fig. 4.23, vemos que Vt possui sentido contrário ao do vetor vc Logo, pela re­
lação (3), concluímos que:
Vj = v, - ,vc
Substituindo os valores v1 = 2 m/s e vt - (4/3) m/s, obtemos o módulo v2 da ve­
locidade do carro em relação ao solo:
v2 = (2/3) m/s
O sentido da velocidade vi do carro em relação ao solo é igual ao sentido da velo­
cidade v? do centro de massa (em relação ao solo).

230
Exemplo 4.21 Os carros indicados na Fig. 4.24 efetuam uma colisão perfeitamen-
te elástica. Determine suas velocidades após a colisão, em relação ao referencial do labo­
ratório e em relação ao referencial do centro de massa. Faça o diagrama da velocidade dos
carros (antes e depois da colisão) no referencial do centro de massa.

Vi = 4 m/s
v2 = 3 m/s

Fig. 4.24 Situação antes do choque, em relação ao referencial do laboratório.

Solução. Primeiramente, determinemos a velocidade do centro de massa do siste­


ma:
(mt + m2) = (m, X vj + (ma x v2)
3,0 = 8,0 + 3,0
11, , n ,
Vem = —m/s = 3,7 m/s
3,0

Vamos designar por uj e ü*2 as velocidades do carro antes da colisão (em relação
ao referencialdo centro de massa). Depoisda colisão dos carros possuem, respectivamen­
te, velocidades u, ’ e ü] ’ (em relação ao referencial do centro de massa). Suponha que de­
pois da colisão', a situação seja descrita pela Fig. 4.25.

=i “2

O
+ c.m. ©
CT ,, ,
/////////////7~7'/////////
Fig. 4.25 Situação depois do choque, em relação ao referencial do centro de massa.

Como o momento linear em relação ao centro de massa é sempre igual a zero (antes
e depois da colisão), podemos escrever:
mõr i + m2u í = 0
m2ul — mxU\ - 0
mxU\ = m2u2 (D
Como o choque é perfeitamente elástico:
. Ml’ + Mj
1 - ------------- (2)
4-3

231
O sistema formado pelas equações (1) e (2) permite calcular u’e uí:
2uí — uí
uí + uí = 1 — u{ = 1 - uí
2(1 - 1Z) = U:
2 — 2tZ = ú’ — 2 — 3u’
i 2 /
uj =—m/s
3
MÍ - 1 - y-

u? =— m/s
3
Paradeterminar as velocidades finais em relação a um referencial fixo na Terra,b as-
ta você fazer a mudança de referencial através da equação (4.42). Utilize um método se­
melhante ao usado no Exemplo anterior. Você encontrará:
v? ’ = 17, ’ + vf •; logo:
, n i ,
10 m/s
Vi -- -------------- =—
3 3 3
vj ’ = «I’ + X*; logo:
2 , 11 13 .
ví - 4---- = — m/s
3 3 3

Os valores de v,’e ví poderíam ser obtidos diretamente das fórmulas (4.28) e (4.29).
Confira estes resultados usando as fórmulas (4.28) e (4.29). A situação final, depois do
choque, em relação ao referencial do laboratório, t descrita na Fig. 4.26.

10/3 m/s 13/3 m/s


v> VZ

///////// 77/////7 ///7 7/ /


Fig. 4.26 Situação depois do choque, em relação ao referencial do laboratório.
Para traçar o diagrama u X t no referencial do centro de massa, precisamos obter
as velocidades ut e antes do choque. As velocidades w? e ü? depois da colisão já fo­
ram determinadas. Utilizando a equação (4.42), obtemos:
í = v? -
Como Vj e£, estão no mesmo sentido, encontramos:
u, = 4 - (11/3) = (1/3) m/s (5)
Analogamente, achamos o seguinte módulo para u2:
u2 = (2/3) m/s (6)

232
Note que u} está orientado da esquerda para direita, ao passo que u2 está orienta­
do da direita para a esquerda. Utilizando um eixo vertical orientado no sentido do vetor
u i, podemos representar as velocidades, antes e depois da colisão, conforme ilustrado na
Fig. 4.27.

u (m/s)
i i>

2/3
Ml
1/3

t
-1/3
M2
-2/3

74/ifey Depois
Fig. 4.27. Diagrama das velocidades dos carros antes e depois da colisão
para o referencial do centro de massa.

Exemplo 4.22 Obtenha uma expressão envolvendo a energia cinética de um con­


junto de partículas em relação ao referencial do laboratório e a energia cinética em relação
ao referencial do centro de massa.
Solução. Considere duas partículas se movendo ao longo de uma linha reta com ve­
locidades V| e v2 em relação a um eixo de referência situado sobre a reta e com origem fixa
(sistema fixo no laboratório). Considere outro sistema, com origem no centro de massa das
partículas, com a mesma direção e sentido que o sistema de laboratório. O referencial do
centro de massa se move em relação ao referencial do laboratório com a velocidade do cen­
tro de massa vcm, Sejam Ut e u2 as velocidades das partículas em relação ao referencial do
centro de massa. As velocidades v, e v2 são dadas por:
V| = U| + Ven,; V2 = Ui + VOT (1)
A energia cinética das partículas em relação ao sistema fixo no laboratório é dada
por:

E = - mxV\ + - /n2vf (2)


2 2

A energia cinética das partículas em relação ao referencial do centro do massa é da­


da por:

£■«„ = - mrf + - m2uf (3)


2 2

Elevando ao quadrado v, e v2 dados pela relação (1), substituindo na equação (2),


resulta:
E = (‘/âXmjtt? + + /njv7™

233
O primeiro termo (entre parênteses) da equação anterior é & energia cinética Em, da­
da pela equação (3). Conforme demonstramos no problema anterior, pela definição de centro
de massa, temos: mtW| 4- m2u2 ~ 0. Logo, a relação anterior se reduza:
E = E,. + (4)
De acordo com a relação (4), vemos que a energia cinética medida por um observa­
dor fixo no sistema dolaboratório é diferente da energia cinética medida por um observa­
dor fixo no referencial do centro de massa. A relação (4) pode ser generalizada para o caso
de duas partículas que se movem em direções arbitrárias. Por indução, podemos generali­
zar a relação (4) para um número qualquer de partículas. Encontraremos:
F = Em + (5)
onde M é a massa total do conjunto de partículas e Fcm é a energia cinética total do con­
junto de partículas em relação ao referencial do centro de massa.
Nota: A equação (5) possui validade geral na Mecânica. A energia cinética total de
um sistema em relação a um referencial inercial é igual à energia cinética em relação ao re­
ferencial do centro de massa mais a energia cinética de uma partícula (cuja massa é igual
à massa total M do sistema) que se desloca com a velocidade de translação do centro de
massa do sistema. No Capítulo 5 mostraremos que a expressão (5) também vale para a de­
terminação da energia cinética total de um corpo rígido. Quando um corpo rígido possui,
simultaneamente, translação e rotação, podemos demonstrar que sua energia cinética to­
tal pode ser calculada por uma expressão análoga à relação (5); neste caso E^ é a energia
cinética da rotação em tomo do centro de massa.

Exemplo 4.23 Mostre que numa colisão entre duas partículas, a diferença entre a
energia cinética F medida no referencial do laboratório e a energia cinética Em medida do
referencial do centro de massa deve permanecer constante antes e depois das colisões. Ge­
neralize o resultado.
Solução. De acordo com a relação (4) do problema anterior, a diferença entre a ener­
gia cinética F, antes do choque, e a energia cinética FOT antes do choque vale:

E-EM = -(/n( + (1)


2

Depois da colisão, a equação (4) do problema anterior permite escrever:

F' - F« = - (mt + (2)


2

Vamos supor que não existam forças externas aplicadas (ou que a soma das forças
extern» seja igual a zero); como a colisão produz apenas forças internas ao sistema, a ve­
locidade do centro de massa depois do choque (ía™) é igual à velocidade do centro de massa
antes do choque (v„J. Logo, comparando as equações (1) e (2), resulta: &E = AF, onde
AF - E — E^ (antes do choque) e AF' é a diferença F* - F'OT (depois do choque).
A generalização do resultado anterior pode ser feita de modo análogo, mediante a
equação (5). Obtemos:

AF &E’ = ~ Mvln

234
onde M é. a massa total do conjunto de partículas. Portanto, na colisão entre partículas,
na ausência de forças externas, a diferença entre a energia cinética em relação ao referen­
cial do laboratório e a energia cinética em relação ao referencial do centro de massa perma­
nece constante.

Exemplo 4.24 Considere o movimento de duas partículas. Mostre que a energia ci­
nética em relação ao referencial do centro de massa é dada por: Em = M,v?/2, onde é
a massa reduzida e. v, é a velocidade relativa.
Solução. De acordo com a relação (4) do problema 4.22 podemos escrever:

Ecm = E- + rni)vfm (1)

A energia cinética em relação ao sistema fixo no laboratório é dada por:

E = -mrf + - znjvf (2)


2 2

A velocidade do centro de massa é dada pela expressão:


/?7iVi + m2v2
Vjm ' (3)
mi + m2

Substituindo as relações (2) e (3) na equação (1) resulta:


/Hi/na(va- Vi/
Etm = (4)
2(/H| + rrh)
A massa reduzida é definida pela seguinte equação:
Mt = mt m2/(m\ + znj)

Portanto, em função de Mt, a equação (4) pode ser escrita na forma:


E™ = (H)tó
onde vf = vj - V| é a velocidade relativa da partícula de masa m2 em relação à partícula de
massa zn,.

Exemplo 4.25 Considere uma colisão entre duas partículas. Sabemos que o coefi­
ciente de restituição é igual à razão entre o módulo da velocidade relativa entre as partícu­
las depois do choque e o módu lo da velocidade relativa antes do choque. Mostre que o qua­
drado do coeficiente de restituição (e7) é igual à razão ente a energia cinética do sistema
(em relação ao centro de massa) depois do choque e a energia cinética do sistema (em rela­
ção ao centro de massa) antes do choque.
Solução. Seja (v* j - v* i) a velocidade da partícula 2 em relação à partícula 1 antes
do choque, e seja (ü“ 2 - ü" i) a velocidade da partícula 2 em relação à partícula 1 depois
do choque. O coeficiente de restituição e é definido pela equação:
|(i7i- 7i)l
e = = Ut/vt (D
1(77,)|

235
No problema anterior, vimos quea energia cinética de um conjunto de duas partícu­
las em relação ao referencial do centro de massa é dada por:
£„ = (2)
Onde v, é o módulo da velocidade relativa. Este resultado é geral e vale também para a con­
figuração depoisjo choque. Entretanto, a velocidade relativa depois do choque é igual a
u„ sendo u, - (ü*s- m*i) . Logo, usando o resultado do problema anterior para as duas
partículas depois do choque, encontramos:
= WM.rf (3)
Dividindo as relações (2) e (3) obtemos:
E^/E„ = uW (4)
Elevando ao quadrado a equação (1) encontramos:
e3 = uí/vi (5)
Comparando as equações (4) e (5) resulta:
Eí./E„ = e2 (6)
Num choque perfeitamente elástico, existe conservação da energia cinética. Ora, co­
mo a energia cinética se conserva em relação ao referencial do laboratório, e como o refe­
rencial do centro de massa se desloca com velocidade constante em relação ao referencial
do laboratório^concluímos que a energia cinética também se conserva em relação ao refe­
rendai do centro de massa. Portanto, de acordo com a equação acima, verificamos que num
choque elástico o coeficiente de restituição é igual a um. Você concluirá sozinho que o mó­
dulo da velocidade relativa antes da colisão é igual ao módulo da velocidade relativa de­
pois da colisão (explique por quê) quando o choque é perfeitamente elástico.
No choque plástico não há conservação da energia cinética. No choque completa­
menteplástico, por definição, as duas partículas permanecem unidas depois da colisão, ou
seja, a velocidade relativa depois do choque é igual a zero. Fazendo u, = 0 na relação (5),
você concluirá que e = 0 para um choque completamente plástico.

Leitura Complementar
A descoberta do nêutron e do neutrino

A Lei da Conservação do Momento Linear é muito empregada nas pesquisas de Fí­


sica Nuclear. Quando ocorre uma colisão entre duas ou mais partículas microscópicas (ou
partículas elementares), podemos utilizar o Princípio da Conservação da Energia e o Prin­
cípio da Conservação do Momento Linear para obter informações sobre as partículas que
participam da colisão. Analogamente, quando ocorre uma reação nuclear ou uma desin­
tegração nuclear podemos-usar estes dois princípios para obter informações a respeito das
partículas que participam da reação ou da desintegração. Se você desejar compreender os
conceitos básicos da Física Nuclear e da Física das Partículas Elementares, recomenda­
mos o Livro “Ótica e Física Moderna” de Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
A aplicação do Princípio da Conservação do Momento Linear desempenhou um pa­
pel importante nos cálculos teóricos que permitiram a descobena do nêutron e do neutri­
no. O nêutron não possui carga elétrica e sua massa é aproximadamente igual à massa do
próton. O neutrino também é eletricamente neutro, contudo, sua massa é extremamente
pequena. Algumas teorias afirmam que o neutrino possui massa de repouso nula.
O nêutron foi descoberto por James Chadwuck, em 1932. Como o nêutron não possui

236
carga elétrica, sua observação direta é mais difícil do que a observação do elétron e áo próton
(que possuem carga elétrica). Um feixe de partículas emitidas pelos átomos radioativos do
berílio colidiam com átomos de hidrogênio e com átomos de nitrogênio. Como estas coli­
sões são elásticas, Chadwick aplicou a Lei da Conservação do Momento Linear e conse­
guiu determinar a massa do nêutron (que é aproximadamente igual a 1,67 X 10 ~27 kg).
A descoberta do neutrino foi ainda mais difícil do que a descoberta do nêutron, uma
vez que o neutrino não possui carga elétrica nem massa de repouso. O neutrino é tão pene­
trante que um neutrino de origem cósmica pode atravessar a própria Terra sem ser absor­
vido. O neutrino foi previsto teoricamente graças às pesquisas de Enrico Fermi sobre o de­
caimento beta (emissão de raios beta de um núcleo radioativo). Quando um átomo emite
um elétron (ou seja, uma partícula beta) ele recua do mesmo modo que ocorre o recuo de
um revólver que dispara uma bala. Pois bem, a aplicação da Lei da Conservação da Ener­
gia e da Lei da Conservação do Momento Linear permitiu a previsão teórica da existência
do neutrino. Os cálculos indicavam que esta partícula deveria ter carga nula, massa de re­
pouso nula (ou quase nula) e uma velocidade quase Igual à velocidade da luz no vácuo.
Com base nestas duas Leis de Conservação todos os Físicos aceitavam a existência do neu­
trino muito antes da sua comprovação experimental (que ocorreu somente por volta de
1950).

Questionário

4.1 Separe as afirmações verdadeiras das afirmações falsas do conjunto das seguintes
afirmações: (a) o centro de massa de um corpo homogêneo está sempre situado no
interior da parte maciça do corpo, (b) no centro de massa de um sistema existe sem­
pre uma das massas do conjunto, (c) o centro de massa de um sistema não depende
do sistema de coordenadas utilizado para a sua determinação, (d) o centro de massa
de um sistema coincide sempre com o centro de gravidade do mesmo sistema.
4.2' Uma granada está caindo verticalmente de uma altura h. Antes de atingir o solo ela
explode, (o) Qual é a aceleração do centro de massa dos fragmentos da granada de­
pois da explosão? (b) Qual é a velocidade deste centro de massa no instante em que
os fragmentos da granada atingem o solo?
4.3 Explique como se aplica o Princípio da Conservação do Momento Linear quando
uma bola de pingue-pongue colide eslasticamente contra uma parede ou contra o
solo.
4.4 (o) Um barco pequeno sem velas pode ser impelido por um ventilador situado no
interior do barco? (b) Um barco à vela pode ser impelido pelo vento soprado sobre
as velas por um ventilador instalado no próprio barco?
4.5 Uma ampulheta está sendo pesada por uma balança extremamente sensível quando
a areia está em repouso no recipiente inferior. Posteriormente, a mesma ampulheta
está sendo pesada pela mesma balança quando ocorre um fluxo uniforme da areia
do recipiente superior para o recipiente inferior. Explique porque o peso da ampu­
lheta é o mesmo nos dois casos.
4.6 (a) O que é coeficiente de restituição? (6) Qual é a informação fornecida pelo coefi­
ciente de restituição?
4.7 Considere um choque perfeitamente elástico entre duas partículas. Pode ocorrer va­
riação de energia cinética de uma das partículas? Explique sua resposta.
4.8 Considere uma colisão perfeitamente elástica entre duas partículas, sendo que uma
delas está inicialmente em repouso. Sabendo-se que o ângulo entre as velocidades

237
das partículas (depois da colisão) é igual a 90°, qual deve ser a relação entre m, c míl
A colisão é central?

Exercícios

4.9 Considere o gráfico na Fig. 4.28. Qual é 0 impulso produzido pela força resultante
Fsobre uma massa de 2,0 kg, no intervalo de tempo de 3,0 a 5,0 segundos?
(A) 10 N.s. (B) 20 N.s. (C) 40 N.s. (D) 80 N.s. (E) 160 N.s.

F(newtons)

30

20

10

0 1 2 3 4 5 t (segundos)

Fig. 4.28

4.10 Qual o valor' médio da força dada no gráfico do exercício anterior no intervalo de
tempo de 0 a 5,0 segundos?
(AJ 15 N. (B) 19 N. (C) 24 N. (D) 30 N. (E) 40 N.
4.11 Uma bolinha de aço deO, 1 kg é largada de 20 m de altura no vácuo. Qual o impulso
recebido na queda, desde o instante em que é largada até tocar o solo?
(A) 1 N.s. (B) 2 N.s. (C) 0,1 N.s. (D) 20 N.s. (E) 5 N.s.
4.12 (CESCEA) Um carro de massa igual a 500 kg, carregado com 1.000 kg de areia, es­
correga sobre uma superfície horizontal, sem atrito, com velocidade 10 m/s. Um
furo é aberto no assoalho, e a areia começa a escoar-se verticalmente em relação ao
carro. Quando metade da areia se tinha escoado, a velocidade do carro era:
(A) 5 m/s. (B) 10 m/s. (C) 8 m/s. (D) 8 m/s. (E) 9m/s.
4.13 (MACK-SP) Um corpo se movimenta sobre uma reta segundo o diagrama indicado
na Fig. 4.29.
Representando por Q a quantidade de movimento do corpo e por t, o tempo, pode­
mos afirmar que a tangente de 0 representa:
(A) a variação da quantidade de movimento em um intervalo de tempo Ar;
(B) a força aplicada ao corpo;
(C) o impulso aplicado ao corpo durante o intervalo de tempo Ar;
(D) a variação da velocidade sofrida pelo corpo no intervalo Ar;
(E) Nenhuma das respostas anteriores.

238
o t

Fig. 4.29
4.14 (ITA-SP) Um corpo de massa igual a 2,0 kg acha-se em movimento retilíneo. Num
certo trecho de sua trajetória faz-se agir sobre ele uma força que tem a mesma dire­
ção do movimento e que varia com o tempo, conforme a figura abaixo. Neste tre­
cho e nestas condições, pode-se afirmar que a variação da velocidade ‘ ‘ Av’ ’ do cor­
po será dada por:
(A) Av = 2,5 m/s. (D) Av = 2,0 m/s.
(B) Av = 5,0 m/s. (E) Av = 4,0 m/s.
(C) Av = 8,0 m/s.

^N) Jk
40 ’

20
I

Z(s)
0
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5

-20
Fig. 4.30

4.15 (STA. CASA) Ográfico indicado na Fig. 4.31 mostra como variou o módulo da força
resultante atuante em um corpo em função do tempo. Nos primeiros dez minutos,
a variação da quantidade de movimento, em kg x m/s, do móvel é igual a:
(A) 1.5X103 (B) 2,5 x1o5
(C) 3 X 10J (D) 5 X 105
(E) 6X105

239
F(N)
500
I
I
1
I
I
I
I
I
I
I
O I

O 10 /(minutos)

Fig. 4.31

4.16 (GAMA FILHO-RJ) Um vagão ferroviário, pesando 30t, rola ao longo de trilhos
horizontais à velocidade de 36 km/h, quando colide com um segundo vagão dc 10
t que se encontrava em repouso. Na colisão eles ficaram engatados. Qual a veloci­
dade, após o choque, dos vagões, desprezando-se a influência do atrito?
(A) 12,5 m/s. (B) 5,5 m/s. (C) 7,5 m/s. (D) 10 m/s. (E) 6 m/s.
4.17 O carrinho da Fig. 4.32 viajava a 3 m/s quando um rapaz que o perseguiu, a 5 rn/s,
alcançou-o e saltou sobre ele. O rapaz sentou-se sobre o carrinho. Sendo 70 kg a massa
do rapaz e 130 kg a massa do carrinho, com que velocidade ficou o sistema?
(A) 3 m/s (B) 3,7 m/s.
(C) 4,5 m/s (D) 5 m/s.
(E) 8 m/s.
5 m/s

3 m/s

77777^7777777777777^7777
Fig. 4.32

4.18 Os dois carrinhos da Fig. 4.33 são empurrados um contra o outro até comprimir com­
pletamente a mola e, a seguir, fixados pelo cordãoAB. Num certo instante corta-se
a corda. Assinale as afirmativas corretas.
1 — Uma vez cortada a corda, os dois carros oscilarão, mas o centro de massa do
sistema permanecerá em repouso.
2 — Em qualquer instante a quantidade de movimento do sistema será nula.
3 — Uma vez cortada a corda, o centro de massa do sistema move-se para o lado
oposto àquele em que está o carro de maior massa.
(A) 1. (B) 2. (C) 3. (D) 1 e 2. (E) 2 e 3.

240
A B
í

<ÍIW

7^7^)777777777)7777)77
Fig. 4.33

4.19 (UF-GO) Quatro esferas rígidas idênticas de massa m estão dispostas como mostra
a figura abaixo. Suspendendo a primeira das esferas e largando-a em seguida ela atinge
asegunda esfera com velocidade igual a v. Sabendo-se que a energia cinética se con­
serva, verifica-se que depois da colisão:

//////////////////////////////////

Fig. 4.34

(A) a última esfera move-se com velocidade v/4;


(B) a última esfera move-se com velocidade v;
(C) as três últimas esferas movem-se com velocidade v/3;
(D) todas as esferas movem-se com velocidade v/4;
(E) todas as esferam movem-se com velocidade v.

Problemas

4.20 Uma partícula de massa m está situada no ponto de coordenadas (xt, ejj). Outra
partícula de njesma massa m está situada no ponto (Xj, yà- Determine a posição do
centro de massa deste sistema.
4.21 Uma partícula possui massa m. Outra partícula possui massa M = pm, ondep> 1.
A distância entre as duas partículas é r. Calcule a distânciaxentre o centro de massa
destas duas partículas e a partícula de massa M.
4.22 Três partículas de massas iguais se encontram nos vértices de um triângulo equiláte-

241
ro de lado / = 60 cm. Use um sistema de coordenadas em que o eixo Oxseja coinci­
dente com um dos lados do triângulo, e em que uma das partículas ocupe a origem
deste sistema. Determine as coordenadas do vetor posição do centro de massa deste
conjunto de partículas.
4.23 Uma partícula dc massa mi - 2 g está situada no ponto (1,2). Outra partícula de
massa mi - 5 g está situada no ponto (2,3)- Outra partícula de massa = 10 g está
situada no ponto (0,5). E outra partícula de massa = 5 g está situada no ponto
(6,0). Todas as coordenadas são dadas em centímetros. Determine a posição do centro
de massa.
4.24 Uma força de módulo constante atua sobre uma partícula de massa m = 600 g. A
velocidade da partícula passa de 10 m/s para 35 m/s em 4 segundos. Calcule o mó­
dulo da força.
4.25 Uma bola de 20 g de massa se choca contra uma parede formando um ângulo de 60°
com a normal à parede. O módulo de sua velocidade é igual a 5 m/s. Supondo cho­
que per feitamente elástico, calcule a força média que a bola exerce contra a parede,
sabendo que a colisão durou 0,01 s.
4.26 Um taco acerta uma bola de bilhar e a comprime com uma força média <F> = 20
N durante um tempo át = 0,001 s. A bola de bilhar possui massa m = 150 g. (a)
Calcule o impulso recebido pela bola. (6) Calcule a velocidade da bola depois do im­
pacto.
4.27 Um bloco de madeira está apoiado sobre uma superfície horizontal. A massa do bloco
vale M = 2 kg, e o coeficiente de atrito cinético entre o bloco e a superfície é igual
a 0,4. Uma bala de massa m - 50 g colide horizontalmente com o bloco e permane­
ce retida dentro dele. A velocidade da bala antes do choque era v - 400 m/s. Calcu­
le: (a) a velocidade do bloco imediatamente após a colisão; (b) a energia cinética per­
dida pela bala; (c) o calor dissipado pelo atrito do bloco com o plano horizontal,
até o momento em que termina o escorregamento do bloco; (d) a distância percorri­
da pelo bloco até o momento em que ele pára.
4.28 Uma bola de massa m = 400 g cai, sem velocidade inicial, de uma altura h = 20 m.
Suponha que durante o impacto com o solo haj a uma perda de energia tal que a energai
cinéticada bola depois do choque é igual a 0,9 da energia cinética da bola imediata­
mente antes do choque, (a) Calcule a velocidade da bola imediatamente depois do
impacto, (b) Calcule a força média exercida pela bola sobre o solo quando esta o
atinge.
4.29 Uma bola de borracha é largada, sem velocidade inicial, de uma altura H - 4,9 m
acima de um plano horizontal. Após cada colisão com o plano a bola é projetada
para cima, atingindo uma alturay = 3b/4, onde h é a altura antes de uma dada coli­
são ey é a altura atingida depois da colisão considerada. Determine: (a) o compri­
mento total d do caminho percorrido pela bola desde o instante inicial até o momento
em que ela fica em repouso sobre o plano horizontal, (b) o tempo total Tdo percur­
so mencionado no item (a). Referência-. Capítulo 4 do Livro “Cálculo I” do Prof.
L.P.M.Maia, Departamento de Física Matemática, Instituto de Física, UFRJ. 1978
4.30 Calcule o quadrado do coeficiente de restituição das colisões do Problema anterior.
4.31 Um núcleo do átomo de rádio em repouso emite uma partícula a. Denomina-se uni­
dade atômica de massa (u) a massa aproximada de um nêutron ou de um próton (1
u = 1,66 X 10"27 kg). A massa do núcleo do átomo de rádio vale 226 u. A massa
da partícula é igual a 4 u. Calcule a velocidade de recuo do núcleo imediatamente

242
após u desintegração, supondo que a partícula a seja emitida com uma velocidade
igual a 1,5 X IO7 m/s.
4.32 Um automóvel viajando na contra-mão colide frontalmente com um caminhão. A
massa do caminhão vale 5m, onde m é a massa do automóvel. O módulo da veloci­
dade inicial do caminhão é igual a 20 m/s. O módulo da velocidade inicial do auto­
móvel é igual a 30 m/s. Suponha que o automóvel permaneça grudado no caminhão
depois da colisão. Determine o módulo e o sentido da velocidade final do conjunto
imediatamente após a colisão.
4.33 Na Fig. 4.35, observa-se um bloco de madeira de massa M = 0,49 kg em repouso
num plano horizontal. Seja y. = 0,25 o coeficiente de atrito entre o bloco e o plano.
Uma bala de massa m = 0,01 kg é atirada contra o bloco, atingindo-o com a veloci­
dade de 500 m/s, horizontalmente, e ficando nele encravada. Calcule: (a) a veloci­
dade do conjunto imediatamente após o impacto; (£) a distância qiíe o conjunto per­
corre até parar.

m
M

4.34 Na Fig. 4.36 mostramos um bloco de madeira de massa m2 repousando sobre uma
superfície horizontal. O coeficiente de atrito é fi. Uma das extremidades da mola,
cuja constante é k, é ligada ao bloco e a outra extremidade permanece fixa numa
parede. Inicialmente a mola não é distendida. Uma bala de massa atinge o blo­
co e permanece nele grudada. Se a deflexão máxima da mola for x, encontre a velo­
cidade da bala em função de mit mlt kt y,gc x.

/
m\
im- m2
; v
. 'zVz/z/ z z ///>z/z/?z/zz/
Fif. 4.36
4.35 O arranjo da Fig. 4.37 é chamado dc pêndulo balístico. Ele é usado para determi­
nar a velocidade de um projétil, através da medida da altura h que o bloco sobe após
ser atingido pelo projétil, (a) Obtenha uma expressão para o módulo da velocidade
u do projétil, (d) Calcule a energia gasta pelo projétil para penetrar no bloco.
ZZ/Z^Z;/^Z.4/Z
X
X

Figura 4.37

M
u
m -.1*
243
4.36 As duas massas indicadas na Fig. 4.38 colidem e permanecem juntas após o choque,
(a) Calcule a velocidade após o choque e a variação na energia cinética total, (d) Cal­
cule as velocidades iniciais e finais num sistema de referência ligado ao centro de
massa, (<•) Calcule a variação da energia cinética no sistema de referência do cen­
tro de massa.

Vi = 5 m/s Vi = 2 m/s
Figura 4.38
m, = 4 kg m2 = 2 kg

4.37 Considere dois blocos A e B de massa iguais a 1 kg e 2 kg, respectivamente, coloca­


dos sobre uma mesa sem atrito. A mola indicada na Fig. 4.39 possui constante k =
3 N/cm de massa desprezível está presa ao bloco B Prende-se o bloco A ao
B por meio de um fio e neste processo comprime-se a mola de 10 cm. Num dado mo­
mento o fio se rompe. Determine a velocidade de cada bloco após a separação.

Antes

A B
HMW
Figura4.39
Depois

A k^nwr- B

4.38 Uma bala de massa igual a 2 g atinge com velocidade de 500 m/s um pêndulo balístico
tituído por uma caixa de areia de massa m2 = 2 kg. O centro de massa da caixa se
eleva até uma altura h = 10 cm. Calcule: (a) a velocidade v2 da caixa imediatamente
após a penetração da bala; (ò) a velocidade V! da bala antes do choque.
4.39 Uma bala de massa igual a 2 g atinge com velocidade de 500 m/s um pêndulo balís­
tico de massa igual a 1 kg. O comprimento do pêndulo é Igual a 1 m. A bala penetra
no pêndulo c o atravessa, emergindo com velocidade de 100 m/s. (a) De quanto se
eleva o centro de massa do pêndulo? (6) Que ângulo forma com a vertical quando o
pêndulo atinge sua elevação máxima? (c) Qual é a perda de energia cinética nesta
colisão plástica?
4.40 Um balão de massa Af está momentaneamente em repouso em relação ao solo. Nes­
te instante, uma pessoa lança, sem velocidade inicial, um saco de areia de massa m.
(a) Calcule o módulo da força de empuxo sobre o balão imediatamente após o lan­
çamento do saco de areia, (b) Calcule a aceleração do balão neste instante.

244
4.41 Considere o choque frontal de duas esferas. Sejam v, e v2 as velocidades das esfe­
ras antes do choque, e ut e u2, respectivamente, as velocidades das esferas depois do
choque. Em termos do coeficiente de restituição, a relação entre os módulos das ve­
locidades relativas antes e depois do choque é dada por:
Ui - u2 = e(vi - v,)
onde e é o coeficiente de restituição, (a) Determine u, e m2 em função de v,, de v2 e
de e. (ò) Como se simplificam as expressões obtidas no caso do choque perfeitamente
elástico? (c) Como se simplificam as expressões no caso do choque completamente
plástico?
4.42 Uma partícula de massa move-se em linha reta, da esquerda para a direita, com
velocidade v,. Ela colide com outra partícula de massa m2 que estava inicialmente
em repouso. Depois do choque, elas se movem com velocidades iguais e contrárias.
Calcule a razão m2/m\. O choque é perfeitamente elástico.
4.43 Obtenha a razão entre a variação da energia cinética AE^ em relação ao centro de
massa e a energia cinética Em em relação ao centro de massa em função do coefi­
ciente de restituição para um choque entre duas partículas.
4.44 Um bloco de massa = 10 kg se desloca em linha reta da esquerda para a direi­
ta com velocidade Vi = 5 m/s. Outro bloco de massa m2 — 6 kg se desloca ao lon­
go da mesma linha reta com velocidade v2 = — 3 m/s (da direita para a esquerda).
Estas velocidades referem-se ao sistema fixo no laboratório. A colisão entre os blo­
cos é frontal e elástica. Despreze o atrito. Calcule: (o) a velocidade do centro de massa
antes da colisão, em relação ao referencial do laboratório; (6) a velocidade do cen­
tro de massa depois da colisão; (c) as velocidades iniciais dos blocos no referencial
do centro de massa; (d) as velocidades dos blocos depois da colisão, em relação ao
referencial do laboratório; (e) as velocidades dos blocos depois do choque, em rela­
ção ao referencial do centro de massa.
4.45 (IME) Calcule o ângulo 9 em relação ao plano horizontal que deve formar uma pla­
ca rígida lisa e fixa na posição mostrada na Fig. 4/40 para que uma esfera ao cair
verticalmente sobre ela seja rebatida horizontalmente. O coeficiente de restituição
entre a placa e a esfera vale e.
I
I

I
I V*

'27/////// //// //2 /////// uTTwln 27 227,


Figura 4.40
4.46 Quando o carrinho indicado na parte (a) da Fig. 4.41 passa debaixo do tijolo sus­
penso (que possui massa ní), corta-se o fio de suspensão. Quando o tijolo atinge o
carrinho, ele fica preso no carrinho, que passa a apresentar uma massa total m +
M, conforme indicado na parte (6) da Fig. 4.41. Determine: (a) a variação da quan-

245
tidade de movimento, (b) a velocidade final u do carrinho depois que ele recebe o
tijolo, (c) a variação da energia cinética.
zZZZZZZz '////Z/z

O
(a) («
Figura 4.41

4.47 Seja I, o módulo do impulso de restituição, ou seja, o impulso recebido no intervalo


de tempo imediatamente após a compressão. Seja7c o módulo do impulso de com­
pressão, ou seja, o impulso recebido no intervalo de tempo da compressão. Deduza
uma expressão para o coeficiente de restituição e em função de I, e de /e. Sugestão:
Tome a variação da quantidade de movimento dos dois corpos que colidem, tanto
na fase de compressão quanto na fase de restituição (durante a relaxação).

Respostas do Questionário

4.1 Somente a afirmação (c) é verdadeira, as demais são falsas.


4.2 (o) g ; (d) Ve» = (2gh)¥i
4.3 Quando uma bola de pingue-pongue colide com uma parede ou com o solo, ela está
colidindo com a Terra. O choque é quase totalmente elástico; portanto, podemos
aplicar as relações (4.30) e (4.31). Como a massa da bola de pingue-pongue é des­
prezível em relação à massa da Tèrra, valem os resultados (4.32) e (4.33); donde se con­
clui que a bola de pingue-pongue é refletida com uma quantidade de movimento igual
e contrária à quantidade de movimento antes do choque.
4.4 (o) Sim; (b) Não
4.5 A variação da quantidade de movimento da areia colidindo no prato da balança com­
pensa o peso da coluna de areia que está caindo.
4.6 (a) É a razão entre o módulo da velocidade relativa depois do choque e a velocidade
relativa antes do choque, (b) O coeficiente de restituição informa a parcela de ener­
gia cinética perdida durante a colisão; numa colisão perfeitamente elástica não ocorre
perda de energia cinética.
4.7 Sim. No choque perfeitamente elástico existe conservação da energia cinética total
do sistema. Portanto, uma das partículas pode perder energia cinética. Ver os Exem­
plos (4.14) e (4.17).
4.8 mi = mú a colisão não pode ser central

246
Respostas dos Exercícios

4.9 C 4.13 B 4.17 B


4.10 B 4.14 D 4.18 D
4.11 B 4.15 A 4.19 B
4.12 C 4.16 C
4.20 jr„ = (x, + x2)/2,7_ = (y, + ji)/2
4.21 x = r/(l + p)
4.22 x™ — 30cm,y™ — 17,32 cm
4.23 = 1,91 cm,)'. - 3,14 cm
4.24 F = 3,75 N
4.25 <F> = 10N
4.26 (o) I = 0,02 N.s, (*) v - I/m = 0,13 m/s
4.27 (a) u = 9,76 m/s; (*) AE, = 4,097 kJ; (c) Q = 97,6 J; (d) d = 12,14 m
4.28 (a) u = 18,78 m/s, (*) <F> = 1,93 kN
4.29 (a) d = 34,3 m; (*) T = 13,9 s
4.30 e3 = 3/4 = 0,75
4.31 v = - 2,7 X 103 m/s
4.32 A velocidade final do conjunto tem a mesma direção e o mesmo sentido da veloci­
dade inicial do caminhão; o módulo da velocidade final é igual a 11,7 m/s.
4.33 (a) 10 m/s; (6) 20 m

4.34 m 1 + m2 i / 2jjbx + . k“2


V= —
2 p«x +
m y m + m2
‘ (m + M)/m; (ò) o projétil perde uma energia cinétíca dada por:
4.35 (o) u = (2gh)|//2
AE = - M(M + 2rri)gh/m
4.36 (o) v = 4 m/s; AEC = - 6 J; (d) antes da colisão: v( = 1 m/s, v2 - - 2 m/s; depois
da colisão: ví = v{ = zero; (c) AEe = — 6 J.
4.37 Os blocos se deslocarão com velocidades na mesma direção, mas em sentidos con­
trários, sendo v> = V2/2m/s, vA = VTm/s
4.38 (o) v2 = 1,4 m/s; (d) 1,4 km/s
4.39 (a) h = 3,3 cm (d) 6 = 88,1°; (c)Ec = 249,5 J
4.40 (a) F = (m + M)g-, (à) a = mg/M
Vi(mi - ema) + miVjtl 4- e)
4.41 (a) u, =
+ m2
miVi(l + e) + V;(zni - em,)
u, =
m, + m,

(6) Basta fazer e = 1 nas relações obtidas no item (o), (c) Basta fazer e = 0; você en­
contrará:
Ui = U).
4.42 m,/m, = 3
4.43 AE„/E™ = 1 - e2

247
4.44 (a) Vo, = 2 m/s; (b) 2 m/s; (c) w, = 3 m/s; = - 5 m/s; (d) ví = Im/s; ví = 7
m/s; (e) uí = — 3 m/s; uí = 5 m/s.
4.45 6 = are tg el/i
4.46 (a) Zero; (ô) u = Mv/{m + Af); (c) A£*c = — + Af)
4.47 e = /,/Je

248
Capítulo 5
MECÂNICA DAS ROTAÇÕES
5.1 Cinemática das rotações
Nos capítulos anteriores estudamos apenas o movimento de translação de partí­
culas e de corpos rígidos. Uma partícula é um corpo pontual', sendo assim, não tem sen­
tido falar da rotação de um ponto. Contudo, um corpo rígido não é um ponto e pode
girar no espaço. A principal distinção entre um corpo rígido e um corpo não-rígido t
que no corpo rígido a distância entre dois pontos permanece sempre constante. Na prá­
tica, podemos dizer que um corpo rígido é um sistema indeformávei. Neste Capítulo va­
mos estudar somente a Mecânica das rotações de corpos rígidos. A rotação de um cor­
po deformávelnão será discutida neste Capítulo. Um exemplo importante de um cor­
po deformável éum fluido. A Mecânica dos Fluidos não será abordada neste Livro. O
leitor que desejar aprender Mecânica dos Fluidos deve consultar o Livro "Elementos
de Termodinâmica" d 9 Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
A translação de um corpo rígido, é caracterizada do seguinte modo. Desenhamos
um vetor ligado duas partículas do corpo rígido; se, durante o movimento do sistema,
este vetor permanecer sempre paralelo a si próprio, dizemos que existe translação do
corpo rígido. Se a direção característica do vetor variar durante o movimento, dizemos
que existe rotação do corpo rígido. Por exemplo, numa roda-gigante o passageiro per­
manece sempre na direção vertical; portanto, podemos dizer que o sistema da cadeiri-
nha da roda-glgante executa um movimento de translação em torno do centro da roda.
Por mais complicado que seja o movimento de um corpo rígido, podemos analisá-lo
do seguinte modo; consideremos a translação do centro de massa do sistema conbinada
com uma rotação instantânea em tomo do centro de massa do sistema. O movimento
pode ser somente de translação, sem rotação em torno do centro de massa (exemplos:
cadeirinha da roda-gigante, movimento de um veículo, vôo de um pássaro etc.); ou de
rotação em torno do centro de massa sem translação (por exemplo: fixamos um eixo no
centro de uma roda e fazemos a roda girar em tomo deste eixo fixo). Neste exemplo
da roda, se, ao invés do eixo permanecer fixo, ele se mover, dizemos que existe um mo­
vimento combinado de translação e de rotação em torno do centro de massa (exemplos:
a roda de um veículo que se desloca numa estrada, o movimento daTerra, o movimen­
to da Lua, etc.).

249
Velocidade angular

Na Fig. 5.1 mostramos a seção reta de um corpo rígido (de forma oval). Suponha
que este corpo rígido esteja girando com velocidade angular w em tomo do eixo Oz no
sentido dos ponteiros do relógio. A posição de um ponto P da seção do corpo rígido
fica completamente determinada se especificarmos a distância r entre o ponto O e o ponto
P e o ângulo 9 entre reta OP e o eixo Ox. O ângulo 6, de acordo com a definição de ra-
diano, é dado por:
9 = s/r (5.1)
onde sé o comprimento do arco de circunferência entre os pontos Pe Q.

Seção reta
do corpo rígido

Fig. 5.1 Esquemapara estudar a cinemítica da rotação de um cor­


po rígido..
Quando o corpo rígido gira em torno do eixo Oz o ponto P indicado na Fig. 5.1
descreve uma circunferência de raio r. Seja 9, a posição angular do ponto P no instan­
te Z, e 9, a posição angular do ponto P no instante h. O deslocamento angular do pon­
to P possui módulo dado por:
A9 = 9, (5.2)
Seja át o intervalo de tempo (Z2 — Z,). A velocidade angular média é definida por:
<<v> = A9/AZ (5.3)
onde A9é dado pela relação (5.2) e AZ = Z2 — Z,. A velocidade angular instantânea é de­
finida pelo limite para o qual tende a equação (5.3) quando fazemos Z2 tender a Z„ isto
é, quando o intervalo Aí tende a zero. Ous eja, pela definição de derivada, temos:
« = limite A9 = dg/(jt (5.4)
AZ — 0 AZ

250
Aceleração angular

A relação (5.4) fornece a velocidade angular do ponto P indicado na Fig. 5.1. Con­
tudo, como se trata de um corpo rígido, concluímos que todos os pontos do corpo rígi­
do giram em tomo do eixo Oz com a mesma velocidade angular em cada instante. A ve­
locidade angular pode ser constante ou variável. Suponha que o copo rígido indicada
na Fig. 5.1 gire com velocidade angular variável. Seja ah a velocidade angular no ins­
tante r, e o>, a velocidade angular no instante r,. A aceleração angular média i definida
pela seguinte equação:
— Oh — Wi Au
a=--------- (5.5)
h - r, Ar

A aceleração angular instantânea ou simplesmente aceleração angular é definida


pelo limite da expressão (5.5) quando o intervalo de tempo Ar tende a zero, ou seja,

limite Aw . ,. (5.6)
a = — = aoi/dt
át-o Ar
Relação entre o módulo da velocidade linear e o módulo da velocidade angular

As equações anteriores indicam somente as relações existentes entre os módulos


dos vetores que caracterizam as respectivas grandezas. Como sabemos, o deslocamen­
to linear, a velocidade linear e a aceleração linear são grandezas vetoriais. Quando usa­
mos as palavras deslocamento, velocidade e aceleração normalmente queremos dizer
"vetor deslocamento linear”, "vetor velocidade linear" e "vetoraceleração linear". Con­
tudo, quando houver possibilidade de confusão, é conveniente utilizar a palavrea "li­
near’ ’ ao lado da grandeza (no caso de um movimento combinado de rotação e transla-
ção existe uma velocidade linear e uma velocidade angular).
O deslocamento angular, a velocidade angular e a aceleração angular são grande­
zas vetoriaiscujos módulos foram definidos nas relações anteriores. Vamos agora ob­
ter uma relação entre o módulo da velocidade linear de um ponto P e o módulo da velo­
cidade angular do mesmo ponto quando o corpo rígido gira em tomo de um eixojlxo.
De acordo com a relação (5.1), podemos escrever:
As = r AS (5.7)
Dividindo ambos os membros da equação (5.7) por Ar e passando ao limite quando
Ar tende a zero, encontramos:
V = ra (5.8)
onde v é o módulo da velocidade linear instantânea e ué o módulo da velocidade angu­
lar instantânea. Demonstra-se que o vetor v* é relacionado com o vetor velocidade an­
gular u através da seguinte equação vetorial:
v" = ü" X r~ (5.9)

251
onde v e o vetor velocidade linear do ponto P, u ê a velocidade angular instantânea
cr co vetor posição do ponto P. Note que todos os pontos do corpo rígido possuem
o mesmo vetor velocidade angular u . Contudo, o vetor velocidade linear v~ é diferente
para cada ponto do corpo, uma vez que o vetor posição r~ varia ao longo do corpo.
O produto vetorial indicado na relação (5.9) mostra que o vetor velocidade angular ã
c orientado no sentido negativo do eixo Oz, uma vez que o corpo está girando no senti­
do contrário ao sentido trigonométrico; conforme indicado na Fig. 5.1, o corpo está gi­
rando no sentido dos ponteiros do relógio. Donde se conclui que o vetor velocidade an-
gularu está entrando ortogonalmente no plano do papel (plano xy). Portanto, parasa-
ber o sentido do vetor velocidade angular basta usar a regra do produto vetorial. Uma
regra prática é a regra do saca-rolhas-, o sentido do vetor õT é dado pelo sentido do avanço
da hélice quando fazemos o giro do saca-rolhas no mesmo sentido da rotação do corpo
rígido.
Assim como o vetor velocidade linear é paralelo ao vetor deslocamento linear, ve­
rificamos que o vetor velocidade angular é paralelo ao vetor deslocamento angular. Po­
demos mostrar também que o vetor aceleração angular ã éparalelo ao vetor velocida­
de angular ã> . Na Fig. 5.1, a velocidade angular õT e a aceleração angular a são vetores
ortogonais ao plano xy e estão entrando no plano da página.
Nesta Seção estudaremos apenas o movimento de rotação de um corpo rígido em
torno de um eixo fixo (em repouso). Na Seção 5.5 vamos mostrar que o movimento si­
multâneo de translação e de rotação de um corpo rígido pode ser descrito em termos da
translação do centro de massa do corpo e de uma rotação (com velocidade angular u )
em torno de um eixo passando pelo centro de massa do corpo.

Aceleração centrípeta

Já vimos que no movimento circular uniforme, embora o módulo da velocidade


tangencialseja constante, a direção do vetor velocidade linear está variando. Note que,
embora o vetor velocidade linear v~ seja variável, o vetor velocidade angular ã é cons­
tante (no movimento circular uniforme). Pela relação (5.9) vemos claramente que o ve­
tor velocidade v~ varia porque o vetor ~ está variando ao longo da circunferência (em­
bora o raio r permaneça constante). Já sabemos que a aceleração centrípeta a, no mo­
vimento circular uniforme é um vetor radial orientado para o centro da circunferência.
O módulo do vetor aceleração centrípeta é dado por:
a, - u2r (5.10)
Combinando a relação (5.8) com a equação (5.10) vemos que p módulo da acele­
ração centrípeta também pode ser expresso pela relação:
a, = v^/r
A seguir vamos fazer uma dedução rigorosa da relação (5.10), embora a relação
(5.10) tenha sido deduzida anteriormente por outro método. Os alunos do Segundo Grau
não precisam saber fazer a dedução que será apresentada a seguir. Contudo, os estu­
dantes universitários necessitam saber o método geral para a dedução da fórmula da
aceleração centrípeta. Recomendamos também aos alunos do Terceiro Grau a leitura
do Apêndice A deste Livro.

252
Dedução da fórmula da aceleração centrípeta e da aceleração tangencial

O vetor aceleração linear c definido por:


õ* = dv' /dt
Portanto, para determinar o vetor aceleração basta derivar a equação (5.9) em rela­
ção ao tempo, logo,
dv' — dr dcü -
--- - X----- +------- X r
dt dt dt

Porém, dv"/dt - Õ' t dr'/dt = v" e, usando a relação (5.9), obtemos:


õ* = wx(uxr") + ct x r (5.11)
Na relação (5.11), o primeiro termo fornece a aceleração centrípeta ai , ou seja:
a — w x (w x r ) (5.12)
Podemos escrever a relação (5.11) na forma:
Õ' = ãl + (5.13)
onde ae é a aceleração centrípeta e õf é a aceleração tangencial. A aceleração tangencial
é tangente à circunferência, sendo dada por:
at = a X r (5.14)
Utilizando a equação (5.9) na relação (5.12) encontramos:
ac = ai xv (5.15)
Como é ortogonal a v concluímc: jue o módulo da aceleração centrípeta vale:
| ÕÍ | = wv (5.16)
Quando o raio vetorr' é ortogonal a <7, de acordo com a equação (5.9), temos: v
= ur, de modo que a equação (5.16) se tranforma na relação (5.10). Da equação (5.14)
concluímos que num movimento circular uniforme ou na rotação uniforme de um corpo
rigido, a aceleração tangencial é nula. Donde se conclui que a aceleração total do movi­
mento indicada na relação (5.13) se reduz a uma aceleração centrípeta dada pela expres­
são (5.12) ou pela relação (5.15). No Apêndice A deste Livro discutiremos o caso geral de
um corpo rígido se movendo com uma velocidade angular variável.

Exemplo 5.1 Movimento circular com aceleração angular constante. Deduza as


equações apropriadas para o estudo da cinemática de um corpo rígid que gira em tomo
de um eixo fixo com uma aceleração angular constante.
Solução. O tratamento que será feito a seguir vale para qualquer ponto do corpo
rígido. Pela equação (5.6), o módulo da velocidade angular infinitesimal é dado por:
dü) = a dt (1)
Integrando a equação (6) entre os limites cjq (para t = 0) e w (para t = 0, resulta:
conta que a é constante, obtemos:
w = u at (2)
Pela definição de velocidade angular, d() = udt. Integrando esta equação entre os
limites 0o (para t) e 0 (para t = r), resulta:
0 — 0o — J (u# + aí) dt (3)

253
Fazendo a integral acima indicada, obtemos:
8 = 80 + U30Í + (at2/!) (4)
Para obter a relação entre w, a e 6, devemos usar a regra da derivação em cadeia,
ou seja:
dcj dü) dd da)
a - ----- = w----- (5)
dt dd dl dd

Da relação (5), temos:


üidü) — a dt (6)
Integrando a equação (6) entre os limites w0 (para t = 0) e w (para t = /), resulta:
<jf = a}2 + 2at (7)
O módulo da velocidade tangencial de cada ponto é dado por:
v = ur
onde rt a distância do ponto ao eixo de rotação e w é dado pela equação (7) ou pela relação
(2). A aceleração tangencial é dada por:
at = ar
onde ré a distância ao eixo da rotação eaéa aceleração angular comum a todos os pontos
do corpo (a; neste caso, é constante). A aceleração centrípeta é dada por:
at = u>2r
onde r é a distância entre o ponto e o eixo de rotação. O módulo da aceleração resultante
é dado por:
a = 'Ja2z + af = r^Jui* + a2
Observação: Note que as fórmulas (2), (4) e (7) são análogas às obtidas no caso do
movimento retilíneo uniformemente acelerado. Esta analogia pode, inclusive, ser usada
para obtenção de fórmulas; para isto é necessário trocar x por 6, w por v e a por a.

5.2 Momento de uma força (ou torque)


Denomina-se torque ou momento de uma força em relação a um ponto O a gran­
deza vetorial definida do seguinte modo:
F = F x F (5.17)
onde F é o vetor que liga o ponto O com o ponto de aplicação da força F, ou seja,
o vetor F éo vetor posição da partícula que está submetida à ação da força F. Para
determinar a direção e o sentido do torque é necessário efetuar o produto vetorial indi­
cado na relação (5.17). O módulo do vetor torque vale:
r = rF sen 8
onde 6 é o ângulo entre o vetor F e o vetor F.

5.3 Quantidade de movimento angular (ou momento angular)

A palavra "momento" é normalmente usada na Física para designar o produto


de uma distância por uma dada grandeza Por exempo, a relação (5.17) define o mo-

254
mento de umaforça em relação a um ponto O. Vamos agora definir outro momento im­
portante. A quantidade de movimento angular é definida como ‘ ‘o momento da quan­
tidade de movimento linear”. Lembramos que a quantidade de movimento linear (ou
momento linear') vaie:
F = mF (5.18)
onde m é a massaáa partícula e v* é a velocidade linear da partícula. Definindo a quan­
tidade de movimento angular como o “momento” da quantidade de movimento linear
em relação a um ponto O, podemos escrever:
F - F Xp (5.19)
onde Fio vetor que liga o ponto O ao ponto de aplicação do vetor p. O módulo do
vetor quantidade de movimento angular F é dado por:
L = rp sen 8
onde 8 é o ângulo entre o vetor F e o vetor p . O vetor F t também chamado de "mo­
mento angular”. Neste Livro adotaremos, indistintamente, a expressão “quantidade
de movimento angular” ou “momento angular” para designar o vetor F definido pela
equação (5.19).

5.4 Relação entre o torque e o momento angular

Na translação de uma partícula ou na translação de um corpo rígido (sem rotação)


podemos usar a Segunda Lei de Newton na forma:
F = Lp /Lt
ou seja, a força que atua sobre uma partícula (ou sobre o centro de massa de um corpo
rígido) é numericamente igual à taxa de variação do momento linear da partícula. Ana­
logamente, no caso de uma rotação pura (sem translação), mostraremos que:
F — lF /'tst
ou seja, a taxa de variação temporal do momento angular de uma partícula é numerica­
mente igual ao torque que nela atua. A seguir demonstraremos esta conclusão.

Considere uma partícula de massa m se movendo com velocidade v num dado ins­
tante. De acordo com a Segunda Lei de Newton, podemos escrever:
F = dp /dt (5.20)
onde dF /dt é a taxa de variação da quantidade de movimento linear. De acordo com a
definição de torque (SAI), e levando em conta a equação (5.20), temos:
F - F x (dp /dt) (5.21)
Calculando a taxa de variação da relação (5.19), encontramos:
dL /dt = F x (dp /dt) + (dF /dt) x p (5.22)
Lembrando a definição da velocidade v , temos:
v* = dF /dt
Substituindo esta expressão na equação (5.22), achamos:
dL /dt = F x (dp /dt) + F x (mF)

255
Como sabemos, o produto vetorial de dois vetores paralelos é sempre igual a zero.
Logo, a expressão anterior se reduz a:
dL /dt = r~ X (dp /dt) (5.23)
Comparando a relação (5.21) com a equação (5.23), concluímos que:
r = dE/dt (5.24)
Portanto, demonstramos de forma rigorosa a afirmação do inicio desta Seção, ou
seja, o taxa de variação temporal do momento angular de uma partícula é igual ao Iorque
que nela alua.

5.5 Momento de inércia

Considere uma partícula de massa m descrevendo um movimento circular de raio


r. A energia cinética desta partícula é dada por:
E, = mv2/2
Como no movimento circular v = ur, podemos escrever a relação anterior na for­
ma:
£. = muV/2 = A?/2 (5.25)
A grandeza I que surge na equação (5.25) é dada por:
I = mr> (5.26)
A grandeza /definida pela relação (5.25) denomina-se momento de inércia da par­
tícula considerada em relação ao centro da circunferência descrita pela partícula. Co­
mo o momento de inércia está relacionado com a rotação, alguns livros denominam es­
ta grandeza de "inércia rotacional". Note que amassam fornece uma medida da inér­
cia translacional de uma partícula (ou de um corpo rígido). Analogamente, o momento
de inércia I fornece um parâmetro que dá uma idéia da inércia rotacional de uma partí­
cula (ou de um corpo rígido). Portanto, podemos chamar de inércia rotacionala gran­
deza I definida pela equação (5.26). Contudo, como a expressão "momento de inér­
cia’ ’ j á foi consagrada pelo uso, adotaremos neste Livro a expressão * ‘momento de inér­
cia” para designar a grandeza / definida pela relação (5.26).
O momento de inércia de um conjunto de Npartículas, em relação a um eixo Oz
é dado por:
I = Emrf (5.27)
onde mt é a massa de uma partícula cuja distância ao eixo Oz vale r. A soma indicada
na relação (5.27) deve ser estendida desde J = 1 até j - N.
Considere agora um corpo rígido. Podemos supor que todo corpo rígido seja cons­
tituído por um conjunto deum número ZVinfinito de partículas. Observando a Fig. 5.1,
podemos dizer que o momento de inércia de uma partícula P do corpo rígido em rela­
ção ao ponto O é dado pela expressão (5.26). Designando por dm a massa da partícula
infinitesimal situada no ponto P, concluímos que o momento de inércia infinitesimal
dl desta massa dm é dado por:
dl = Pdm (5.28)

256
Para calcular o momento de inércia total de um corpo rígido em relação a um eixo
Oz é necessário fazer a soma total sobre todos os elementos de massa que constituem
o corpo rígido. Portanto, de acordo com as relações (5.27) e (5.28), concluímos que o
momento de inércia de um corpo rígido em relação ao eixo Oz é dado por:
/. = frdm (5.29)
onde a integral deve ser estendida a todo o volume do corpo rígido considerado. Neste
caso, r é a distância entre o elemento de massa dm e o eixo Oz ou seja, r1 vale:
i2 = x? + y1
No Apêndice A deste Livro mostraremos como se utiliza a expressão (5.29) para
a determinação do momento de inércia de corpos rígidos em relação a eios de simetria
dos referidos corpos. Na Tabela 5.1 indicamos os principais momentos de inércia dos
corpos rígidos de maior interesse nas aplicações práticas. A dedução das fórmulas in­
dicadas na Tabela 5.1 será feita no Apêndice A deste Livro.

TABELA 5.1
Momento de inércia em relação a um eixo de simetria passando pelo centro do corpo.

Forma do corpo Momento de


Descrição do eixo
Inércia

Esfera maciça de raio R Im = 2MR3/S Eixo passando pelo centro de


massa da esfera.

Casca esférica de raio R Im = 2MR3/3 Eixo passando pelo centro da


casca esférica.

Cilindro maciço de raio R Im = MR3/2 Eixo de simetria central do


cilindro.

Aro ou anel ou casca cilíndrica de ftm = MR3 Eixo de simetria central do aro,
raio R do anel ou da casca cilíndrica.

Barra ou haste de comprimento L A™ = ML3/12 Eixo octogonal à barra e passado


pelo centro de massa da barra.

Vamos designar pelo símbolo o momento de inércia de um sistema de relação


a um eixo passando pelo centro de massa do sistema. Para cada sólido mencionado na
Tabela 5.1, o valor de cada Z.m se refere a um eixo de simetria do respectivo sólido; o
eixo de simetria considerado é descrito na terceira coluna da Tabela 5.1.
A seguir apresentaremos dois teoremas importantes para o cálculo do momento
de inércia de corpos rígidos. A demonstração destes dois teoremas é apresentada no
Apêndice A deste Livro. Estes teoremas são expressos matematicamente pelas seguin­
tes relações:

257
I = + Md2 (5.30)
/, = /, + /, (5.31)
A equação (5.30) é a expressão matemática do teorema dos eixos paralelos. Em
palavras, podemos enunciar o teorema dos eixos paralelos do seguinte modo:
O momento de inércia I de um corpo rigido em relação a um eixo paralelo a um
dado eixo Oz que passa pelo centro de massa do corpo é igual a mais MD1', onde
é o momento de inércia em relação ao eixo Oz que passa pelo centro de massa, Méa massa
total do corpo e d é a distância entre os dois eixos considerados.
A equação (5.31) é a expressão matemática do teorema dos eixos perpendicula­
res. Este teorema é útil para calcular o momento de inércia de uma placa ou de um cor­
po com simetria cilíndrica em relação a um eixo ortogonal a outros dois eixos para os
quais conhecemos os respectivos momentos de inércia. Na relação (5.31) Z, é o momen­
to de inércia em relação ao eixo Oz e Z, é o momento de inércia em relação ao eixo Ox
e Z, é o momento de inércia em relação ao eixo Oy. ts seguir resolveremos dois exercícios
para mostrar como se aplica o teorema dos eixos paralelos e o teorema dos eixos perpendi­
culares.
Observação. Denomina-se raio de giro ou raio de giração, a grandeza k definida |
por:
I = Mk2
onde 1 i o momento de inércia áo corpo em relação a um dado eixo, A/éa massa do corpo
rígido e ké o raio de giro do corpo em relação ao eixo considerado. Note que, pela defini­
ção de momento de inércia, o raio de giro k tem dimensão de distância. O raio de giro é
uma distância ao.eixo de rotação tal que o produto da massa do corpo por k2 fornece o
momento de inércia em relação a um determinado eixo. Por exemplo, considere uma esfe­
ra de raio R. Pela Tabela 5.1, temos:
/„ = 2MR?/5
onde /.„ é o momento de inércia cm relação a um eixo passando pelo centro de massa da
esfera. Pela definição de raio de giro, concluímos que o raio de giro desta esfera vale:
k = r-Jz/s
Exemplo 5.2 De acordo com a Tabela 5.1, vemos que o momento de inércia de uma
barra de massa Mem relação a um eixo ortogonal à barra e que passa no centro da barra,
é dado por Z,„ = ML2/\1, onde L t o comprimento da barra. Utilize o teorema dos eixos
paralelos para determinar o momento de inércia desta barra em relação a um eixo ortogo­
nal à barra e passando pela extremidade da barra.
Solução. Escolhendo um eixo O’z'paralelo a um eixo Oz que passa pelo centro de
massa da barra, de acordo com a relação (5.30), temos:
Z = L„ + Md2 (1)
onde Z,-. - ML2/12 é o momento.de inércia da barra em relação a um eixo Oz ortogonal
à barra e que passa no centro de massa da barra. Neste caso, a distância entre os eixos pa­
ralelos O'z' e Oz vale d = L/2. Logo, pela relação (1),
I = (A7Z?/12) + ML2/*
Portanto, o momento de inércia procurado é dado por:
/ = ML2/!

258
Exemplo 5.3 Seja Z(m o momento de inércia de um aro de raio R em relação ao ei­
xo de simetria central passando pelo centro de massa do aro. Utilize 0 teorema dos eixos
perpendiculares para determinar o momento de inércia de um aro em relação a um eixo
situado no plano do aro e passando pelo centro do aro, ou seja, o eixo considerado coinci­
de com um diâmetro do aro.
Solução. De acordo com a Tabela 5.1,0 momento de inércia de um aro de raio R
em rçlação a um eixo Oz passando pelo centro do aro (ortogonalmente ao plano do aro)
é dado por:
Z, = MR2 (1)
O teorema do eixos ortogonais (5.31) afirma que:
/, = /. + I, (2)
Como o eixo Oz é ortogonal ao plano do aro, concluímos que os eixos Oxe Oy estão
contidos no plano do aro. Tanto o eixo Ox quanto o eixo Oy coincidem com dois diâme­
tros do aro (ortogonais entre si). Devido à simetria circular do aro, concluímos facilmente
que:
Z. = I, (3)
Das relações (2) e (3) resulta:
Z. = 2Z, (4)
Comparando as equações (I) e (4) concluímos que o momento de inércia de um aro
em relação a qualquer diâmetro do aro é dado por:
Z„ = MR2/1

5.6 Dinâmica da rotação de um corpo rígido

Você já deve ter notado que muitas fórmulas no movimento de rotação são seme­
lhantes às respectivas fórmulas usadas no movimento de translação. As principais ana­
logias são as seguintes:
Z. O deslocamento linear xé análogo ao deslocamento angular 9.
2. A velocidade linear v é análoga à velocidade angular a. A relação entre v eui
no movimento circular de uma partícula ou na rotação de cada ponto de um corpo rígi­
do é dada pela equação (5.9).
3. A aceleração linear tangencial a = dv/dt é análoga à aceleração angular a =
du/dt.
4. A massa m é análoga ao momento de inércia I.
Vejamos agora outras analogias mecânicas entre o movimento de translação e o
movimento de rotação. A energia cinética na translação pura é dada por:
E, = mv2/! (532)
Suponha que uma partícula de massa m esteja descrevendo um movimento circu­
lar de raio r. Neste caso, fazendo v = urna relação (5.32), obtemos:
E, = rmJrí/l (5,33)
Utilizando a definição de momento de inércia I na equação (5.33), temos:
E' = Iu2/2 (5.34)

259
A expressão (5.34) fornece a energia cinética da rotação de uma partícula. Como
um corpo rígido t constituído por um conjunto de partículas e como a energia cinética
é aditiva, podemos utilizar o Princípio da Superposição para provar que a energia ciné­
tica de um corpo rígido é dada por:
£ = EF (5.35)
onde E, i a energia cinética de cada partícula do corpo. Das relações (5.33) e (5.35), re­
sulta:

E, = — £ mrí (5.36)
2

Levando em conta as equações (5.27) e (5.36), obtemos para o corpo rígido a ex­
pressão (5.34). Ou seja, a energia cinética de um corpo rígido que gira com uma veloci­
dade angular instantânea u vale:
£. = Ia2/2
A relação (5.34) pode ser usada para a rotação de uma partícula ou para a rota­
ção de um corpo rígido. Quando você usar a equação (5.34) para uma partícula faça
I = mrí. Contudo, quando você usar a relação (5.34) para um corpo rígido, você
terpretar o valor Icomo sendo o momento de inércia em relação ao eixo de rotação con­
siderado. Se o eixo de rotação passa pelo centro de massa, você deve usar o valor de
São indicados na Tabela 5.1 os principais valores de I.„. Se o eixo de rotação não pas­
sa pelo centro de massa, você deve aplicar o teorema dos eixos paralelos (5.30) para de­
terminar o valor de /.
O trabalho infinitesimal no movimento de translação é dado por:
dW = F ds (5.37)
Suponha que ds seja o comprimento de arco de uma circunferência. Substituin­
do ds = r d8 na relação anterior, obtemos a expressão:
dW = Fr d8
Como Fré o torque r, podemos escrever o trabalho infinitesimal na rotação me­
diante a seguinte expressão:
rfWz=r<# (5.38)
As relações (5.37) e (5.38) mostram que é possível obter a fórmula do trabalho
na rotação substituindo-se a força Fpelo torque re o deslocamento linearspelo deslo­
camento angular 8. A potência no movimento de translação t dada pela expressão:
| P = Fv | (5.39)
onde estamos considerando a força F paralela a ~.
De acordo com as analogias acima mencionadas, fazendo a analogia entre Fe r
e entre v e u, na relação (5.39), obtemos:
P = ru (5.40)
A expressão (5.40) fornece a potência num movimento de rotação, no caso em que
o torque ~ t paralelo a u . No caso geral, estes dois vetores não são paralelos, assim

260
como o vetor F não é necessariamente paralelo ao vetor v . No caso geral, as relações
(5.39) e (5.40) podem ser escritas na forma:
P = F.v*; P = F .ã
onde o ponto entre os vetores indica produto escalar.
Das definições (5.18) e (5.19), vem:
E = F x (znv") = mF x v*
Usando a relação (5.9) na equação anterior, obtemos:
77 = mF X (77 x F) (5.41)
O duplo produto vetorial é caracterizado pela seguinte identidade:
ã x (5* x F) = (õ*.c‘)5‘ - (ã .F fã
De acordo com a identidade anterior, podemos escrever:
F x.(u x F) = (F.F)ã — (F ,ã)F
Como estamos considerando o movimento de rotação de uma partícula no plano
xy, o vetor F é ortogonal ao vetor u , logo:
r .w — 0 (5.42)
Portanto,
F X (ã X ") = Fã (5.43)
Substituindo a equação (5.43) na relação (5.41), obtemos:
77 = mFã
Utilizando a definição de momento de inércia, vemos que:
I 77 = 7ã~ | (5-44)
Comparando a equação (5.18) com a equação (5.44), verificamos que o momen­
to angularV é análogo ao movimento linearp . O resultado (5.44) podería ter sido ob-
tido partindo-se da equação (5.18), substituindo-se m por 7e v* por ã. Embora a equa­
ção (5.44) tenha sido deduzida para uma partícula, usando-se o Princípio da Superpo­
sição, podemos demonstrar que o resultado (5.44) vale para o componenteL, de qual­
quer corpo rígido. Ver uma observação importante no final desta Seção.
A Segunda Lei de Newton aplicada à translação de um corpo rígido fornece:
F = Ap"/Lt = mã. (5.45)
Qual é a fórmula análoga à relação (5.45) no caso do movimento de rotação de
um corpo rígido! Para responder a esta pergunta basta fazer a analogia entre a. força
Fe o torque r, entre a massa m e momento de inércia I e entre a aceleração linear a e
aceleração angular a . Ou seja, a expressão apropriada para o estudo da dinâmica das
rotações é dada por: F = Ia . Podemos também obter esta relação derivando a equa­
ção (5.44) em relação ao tempo:
dE/dt ^Idã/dt = lã (5.46)
Comparando a equação (5.46) com a relação (5.24), concluímos que:
F = lã (5.47)
A equação (5.47) é a equação fundamental para o estudo da dinâmica das rota­
ções de um corpo rígido. Note que na relação (5.47), o torque F se refere ao momento

261
da força F em relação a um dado ponto O e o momento de inércia I se refere ao mo­
mento de inércia do corpo rígido em relação ao eixo Oz que passa pelo ponto O. Quan­
do o ponto O é o centro de massa do corpo rígido, a relação (5.47) pode ser escrita na
forma:
(5.48)
onde /„éo momento de inércia do corpo em relação a um eixo passando pelo centro
de massa do corpo e E, é o torque da força F em relação ao centro de massa do cor­
po rígido considerado.
Observação. A relação (5.9) mostra que v" é sempre ortogonal a õT e a F. Contu­
do, para um corpo rígido, o vetorposição F não é necessariamente ortogonal a õT. Sendo
assim, vemos que a fórmula (5.42) não é válida no caso de qualquer corpo rígido. Por­
tanto, a relação (5.44) não vale para qualquer corpo rígido. Denomina-se eixo princi­
pal de um corpo rígido o eixo de rotação em relação ao qual a fórmula (5.44) é válida.
Caso o eixo de rotação não seja um eixo principal, verificamos que o vetor L não é pa­
ralelo ao vetor u . Contudo, decompondo-se o vetor E em componentes L ., E, e E„
podemos sempre escolher E, paralelo ao vetor u , de modo que a relação (5.44) deve
ser aplicada com cuidado. Neste Capítulo estudaremos movimentos nos quais E é pa­
ralelo a ü". Entretanto, no caso do movimento deprecessão, mostraremos que o vetor
E não é paralelo a E.

5.7Movimento simultâneo de rotação e translação

Nas Seçõesanteriores deste Capítulo, estudamos o movimento de rotação de um


corpo rígido em torno de um eixo em repouso no espaço (em relação aumsistemade
coordenadasybro no laboratório). Nesta Seção vamos estudar o movimento de rotação
de um corpo rígido em torno de um eixo que se move em relação a um sistema de coorde­
nadas fixo no laboratório. Ou seja, vamos estudar agora o movimento simultâneo de
translação e de rotação de um corpo rígido. Como exemplo de um movimento combi­
nado de rotação e translação podemos citar o rolamento da roda de um automóvel. Ou­
tro exemplo: o movimento de translação da Terra em torno do Sol, que ocorre simulta­
neamente com o movimento de rotação da Terra em torno do eixo polar. O movimento
de rotação de uma partícula ou de um corpo rígido em torno de um eixo passando pelo
centro de massa do corpo denomina-se movimento de spin.

Eixo instantâneo de rotação

Considere um cilindro de raio R rolando, sem deslizar, sobre um plano horizon­


tal (ver a Fig. 5.2). Seja O o ponto de contato do cilindro com o plano horizontal. Em
qualquer instante o ponto O está em repouso, uma vez que o cilindro não escorrega ao
longo do plano. O eixo ortogonal ao plano da Fig. 5.2 e que passa pelo ponto de conta­
to O denomina-se eixo instantâneo de rotação. Verificamos a existência do eixo instan­
tâneo de rotação para o caso particular do rolamento sem deslizamento. Contudo, é fá­
cil verificar que qualquer movimento combinado de rotação e de translação pode pos­
suir um eixo instantâneo de rotação.

262
__________
Fk O
Fi^. 5.2 Cilindro de massa Me raio R rolando sem deslizar ao lon­
go de um plano horizontal. O eixo instantâneo de rotação passa
pelo ponto O. A força de atrito FÁ possui sentido contrário ao
sentido do deslocamento do centro de massa C do cilindro.
Note que o eixo instantâneo de rotação é um eixo que passa pelo ponto O do cor­
po, mas este eixo não é fixo no espaço, uma vez que a cada instante um novo ponto
O do corpo entra em contato com o plano. Num dado instante, o cilindro está girando
com velocidade angular em torno do eixo instantâneo de rotação. Logo, num dad<
instante, o movimento do corpo é uma rotação pura em torno do eixo instantâneo rf
rotação. Sendo assim, a energia cinética do corpo rígido, de acordo com a relação (5.34)
é dada por:
| E„ = 1^/2 | (5.49)
Na relação (5.49), A é o momento de inércia do corpo rígido em relação ao eixo
ortogonal que passa pelo ponto O (eixo instantâneo de rotação). De acordo com o teo­
rema dos eixos paralelos (5.30), temos:
A = Z™ + MR2 (5.50)
onde Z,m é o momento de inércia em relação a um eixo paralelo ao eixo Instantâneo de
rotação passando pelo centro de massa do cilindro, Mi a massa do cilindro e R é o raio
do cilindro. Subsituindo a relação (5.50) na equação (5.49), resulta:
£■< = (Z„<?/2) + MR2u>2/2 (5.51)
Da Fig. 5.2 vemos que cada ponto P da seção reta circular descreve uma circunfe­
rência de raio r em torno do centro instantâneo de rotação O. Logo, o módulo da velo­
cidade v de qualquer ponto P da periferia do cilindro pode ser determinado pela equa­
ção:
v = wr — 2uiR cos d
A Fig. 5.2 mostra também que o módulo da velocidade do centro de massa é dado
por:
|~77 (5.52)

263
Substituindo a relação (5.52) na equação (5.51), achamos:
E, +-^Mvfm (5.53)

A equação (5.53) mostra que a energia cinética do cilindro é composta de duas par­
celas. A parcela A/v„/2 corresponde à energia cinética de translação do corpo rígido,
como se toda massa do corpo estivesse concentrada no centro de massa e esta massa
se deslocasse com uma velocidade v„. A parcela 4„a2/2 fornece a energia cinética da
rotação do corpo em torno do centro de massa.
A relação (5.52) mostra que o centro de massa se desloca em relação ao ponto fi­
xo O com uma velocidade v.„. Usando o conceito de velocidade relativa, verificamos
que um observador situado no centro de massa C conclui que o ponto O se desloca (em
relação a Ç) com uma velocidade cujo módulo vm é dado pela relação (5.52). Donde
se conclui que a velocidade angular w do movimento de rotação em torno do centro de
massa é igual à velocidade angular a da rotação em torno do eixo instantâneo de rota­
ção.
Os resultados (5.49) e (5.53) foram deduzidos para o caso de um cilindro rolando
sem deslizar sobre um plano horizontal. Contudo, estes dois resultados valem para o
movimento simultâneo de rotação e de translação de qualquer corpo rígido. Existem,
portanto, duas maneiras equivalentes apropriadas para a determinação da energia ci­
nética total de um corpo rígido que se desloca com um movimento simultâneo de rota­
ção e de translação. Podemos resumir estas duas possibilidades do seguinte modo:
1. Conhecendo-se o eixo instantâneo de rotação e a velocidade angular a, pode­
mos determinar a energia cinética total do corpo rígido utilizando-se a equação (5.49),
calculando-se convenientemente o valor do momento de inércia L em relação ao eixo
instantâneo de rotação.
2, Mesmo quando não conhecemos a posição do eixo instantâneo de rotação po­
demos determinar a energia cinética total do corpo mediante a equação (5.53). Neste ca­
so, a energia cinética total possui duas parcelas. O termo MVf/2 fornece a energia ci­
nética da translação do centro de massa (supondo a massa total Mconcentrada no cen­
tro de massa). A parcela ím1/2 fornece a energia cinética da rotação do corpo rígido
em torno do seu centro de massa.

Rolamento sem deslizamento

No rolamento sem deslizamento o ponto O indicado na Fig. 5.2 não escorrega so­
bre a superfície horizontal. Em todos os problemas envolvendo o rolamento sem desli­
zamento podemos aplicar a relação (5.52). Da relação (5.52) resulta que a aceleração
do centro de massa é dada por:
= aR (5.54)
onde a i a aceleração angular do movimento de rotação definida pela relação (5.6).
Suponha que umaforça externa P atue sobre o centro de massa C conforme indi­
cado na Fig. 5.2. Seja Fo módulo da força externa e FA o módulo da força de atrito.
Aplicando a Segunda Lei de Newton para translação do centro de massa, obtemos:

264
F- = Ma„ (5.55)
onde Mé a massa total do cilindro e am é o módulo da aceleração do centro de massa.
A equação análogaà Segunda Lei de Newton para o caso da rotação em torno do centro
de massa é dada por:
= /<„õ* (5.56)
onde os torques das forças devem ser tomados em relação ao centro de massa. Como
a força externa F passa pelo centro de massa, o torque desta força é nulo. Logo, da
relação (5.56), resulta:
F„R = Ima (5.57)
De acordo com a Tabela 5.1, o momento de inércia de um cilindro em relação ao
eixo central que passa no centro de massa do cilindro c dado por:
/cm = MR2/2 (5.58)
Levando em conta as equações (5.54), (5.57) e (5.58), achamos:
Fa = Ma^/2 (5-59)
Substituindo a relação (5.59) na equação (5.55), encontramos:
am = 2F/3M (5.60)
Vejamos agora qual é o papel desempenhado pela força de atrito no rolamento
sem deslizamento. Já sabemos que a força de atrito no caso de um deslizamento puro
(sem nenhum rolamento) produz dissipação de energia (sob forma de calor). Por exem­
plo, quando uma caixa é arrastada sobre um plano podemos calcular o calor dissipado
mediante a determinação do trabalho de translação realizado pelaforça de atrito. Con­
tudo, no caso do rolamento sem deslizamento, o atrito não realiza trabalho de transla­
ção, uma vez que o ponto O indicado na Fig. 5.2 não é arrastado ao longo do plano.
Portanto, no caso ideal do rolamento sem deslizamento (com apenas um ponto O de
contato entre o corpo que rola e a superfície de apoio), concluímos que não existe dissi­
pação de calor, uma vez que o trabalho da força de atrito na translação c igual a zero.
Contudo, c errado dizer que “a força de atrito não realiza nenhum trabalho durante
a rotação de um corpo rígido (sem deslizamento)”. A seguir, mostraremos que no ro­
lamento sem deslizamento, a força de atrito realiza um trabalho de rolamento. Contu­
do, o trabalho da força de atrito no rolamento não é convertido em calor; este trabalho
se transforma em energia cinética.
Como exercício, vamos verificar que a variação da energia cinética da rotação do
corpo rígido indicado na Fig. 5.2 é numericamente igual ao trabalho produzido pelo tor­
que da força de atrito.
Como o torque ré constante, de acordo com a definição (5.38), obtemos a seguinte
expressão para o trabalho realizado durante a rotação do corpo considerado:
= 70 = FM (5.61)
Um vez que a velocidade angular inicial é nula, temos:
J = 2afl (5.62)
Das relações (5.54) e (5.62) resulta:
Ô = o>2R/2a^ (5.63)

265
As equações (5.59), (5.61) e (5.63) permitem escrever o resultado:
FKo. = MR2u2/4 (5.64)
Como o corpo rígido estava inicialmente em repouso, a variação da energia ciné-
tica da rotação em torno do centro de massa é dada por:
ZLfc‘,0, = /cmü?/2
Substituindo Im = MR2/2 na expressão anterior, obtemos:
LE„ = MR2 u2/4 (5.65)
Comparando o resultado (5.64) com a relação (5.65) comprovamos que o traba­
lho realizado pelo torque da força de atrito durante a rotação é igual à variação da ener­
gia cinética da rotação em torno do centro de massa.

Exemplo 5.4 Corpo rolando sem deslizar ao longo de um plano inclinado. A seção
reta de um corpo, feita por um plano perpendicular que passa por seu centro de massa,
é um círculo de raio R. Este corpo pode ser uma esfera, um cilindro, um arco, um disco,
tc. O raio de giro do corpo é k. O centro de massa do corpo está a uma altura h + R em
relação ao solo, e começa a girar sem deslizar sobre um plano com inclinação igual a 6 em
relação à horizontal. Calcule a velocidade e a aceleração do centro de massa quando o cor­
po atinge o solo.
Solução. Em geral, podemos resolver os problemas de dinâmica das rotações de duas
forças: ou usando o método da conservação da energia, ou aplicando a Segunda Lei de
Newton. Neste problema vamos ilustrar os dois métodos.
Vamos usar primeiro aLeida Conservação da Energia. A força de atrito não reali­
za trabalho no rolamento sem deslizamento; isto decorre da definição de trabalho: para
que uma força realize trabalho é necessário que ela desloque a partícula. Ora, a força de
atrito no rolamento é aplicada à partícula que está em contato com o solo, mas no instan­
te seguinte esta partícula já se deslocou para outra posição; deste modo, concluímos que
o trabalho do atrito é nulo. Mais adiante mostraremos que existe uma pequena dissipação
de energia provocada pelo chamado “atrito de rolamento”; contudo, em geral esta dissi­
pação de energia é pequena, e será desprezada em quase todos os problemas deste capítu­
lo.
Na Fig. 5.3, mostramos a seção reta circular do corpo considerado que rola sem des­
lizar ao longo do plano inclinado. O corpo começa a rolar (sem velocidade inicial) a partir
do topo do plano inclinado. No topo do plano inclinado, o centro de massa do corpo está
situado a uma altura (h + R) em relação à base do plano. Aplicando a Lei da Conservação
da Energia entre o topo e a base do plano inclinado, ou seja, entre o ponto de altura (h
+ R) e o ponto de altura R, obtemos:
p cos 9

Fx p sen 6
h
Fig. 5.3 Esquema do Exemplo 5.4.
e

266
mgh = + Z(w2/2) (1)
O raio de giro k de um corpo em relação a um eixo é definido pela equação:
I = mk3 (2)
onde Zé o momento de inércia em relação ao eixo considerado.
Quando um corpo de seção reta circular rola sem deslizar, temos: s RQ-, derivando-se
esta equação em relação ao tempo, o resultado é:
v = F« (3)
A condição de rolamento sem deslizamento é, portanto, dada pela equação (3). Quan­
do além do rolamento existe também deslizamento, esta relação não é válida.
Usando a relação (2) e substituindo w dado pela relação (3) na equação (1), obte­
mos:
2gh = v3 + (kV/R3)
ou seja,
2gh
v3 = (4)
1 + (tf/R3)

A equação (4) serve para determinar a velocidade do centro de massa do corpo na


base do plano. A aceleração do centro de massa pode ser obtida mediante a equação v3
= 2zze; como sen 6 = h/e, isto resulta em:
g sen B
a = (5)
1 + (Á^/F2)

Aplicando-se a Segunda Lei de Newton para a translação do centro de massa, vem:


p sen 6 — Fa = ma (6)
onde FA é a força de atrito.
Aplicando a Segunda Lei de Newton para a rotação em tomo do centro de massa,
temos como resultado:
FAF = Ia = mk3a (7)
Da relação (3), concluímos que:
a = Ra (8)
Levando em conta a equação (8) e utilizando as relações (7) e (6), encontramos:
g sen d = a (9)
Da equação anterior, confirmamos o resultado (5) obtido pelo método da conser­
vação da energia. Sabemos que:
v3 = 2ae — 2ah/sen 6
Substituindo na relação (9) a expressão da aceleração a obtida pela equação (8), con­
firmamos também o resultado (4) que foi deduzido pelo método da conservação da ener­
gia.

Exemplo 5.5 Determine a aceleração do bloco de massa m indicado na Fig. 5.4.


A polia é um disco de raio R e massa M. Calcule também a tensão Tna corda que sustenta
o bloco.

267
//////////////

Fig. 5.4 Esquema do Exemplo 5.5.

Solução. Aplicando-se a Segunda Lei de Newton ao bloco de massa m, resulta:


p - T = ma (1)
A tensão Testá aplicada na periferia da polia. Como o peso da polia passa pelo seu
centro de massa, a única força que possui conjugado em relação ao centro de massa da
polia é a tensão T. Conseqüentemente, aplicando-se a Segunda Lei de Newton na rotação
da polia, resulta.TR = Ia. Como o fio se desenrola da polia, temos a = a/R. Logo, T =
la/R2. Como se trata de um disco, sabemos que I — MR3/2. Portanto,
T = Ma/2 (2)
Substituindo-se a relação (2) na equação (1), resulta:
mg — (Ma/2) = ma
donde se conclui que a aceleração do bloco será dada por:
a = mg (3)
m + (Af/2)
De acordo com as relações (2) e (3) a tensão na corda será dada por:
mM(g/2)
7=
m + (M/2)

A aceleração a também pode ser calculada pela Lei da Conservação da Energia. Fa­
ça os cálculos, como exercício.

Exemplo 5.6 Atrito de rolamento. Esclareça a diferença entre o papel desempe­


nhado pela força de atrito no deslizamento puro e o desempenhado pelo atrito no rolamento.
Defina coeficiente de atrito de rolamento.

268
Solução. Considere urna roda rolando, sem deslizar, ao longo de um plano horizontal.
Suponha que exista uma força externa aplicada ao centro de massa da roda. Aplicando-se
a Segunda Lei de Newton para a translação do centro de massa resulta:
F - FA - ma (1)
Aplicando-se a Segunda Lei de Newton para a rotação em tomo do centro de massa
da roda, resulta:
FÁR = Ia = la/R (2)
Dc cordo com as relações (1) e (2), quando aplicamos uma força extemaFsobre uma
roda que rola sem deslizar, obtemos:

F = ma + (3)
R3

A mesma força, quando é aplicada a uma roda que desliza sem rolar, é dada por:
| F = ma + nmg | (4)
Agora você pode compreender melhor por que você consegue empurrar um auto­
móvel quando ele não está freiado nem engrenado e não consegue empurrar o mesmo au­
tomóvel quando ele está freiado ou com alguma marcha engrenada. Para isto, basta você
comparar as relações (3) e (4): neste caso m vale um quarto de massa do automóvel, ao passo
que Zé o momento de inércia da roda; daí você nota, facilmente, que I/R3 é muito menor
do que um.
Vejamos agora a definição do chamado coeficiente de atrito de rolamento. Consi­
dere uma roda sobre um plano inclinado. Tome os momentos das forças aplicadas sobre
a roda em relação ao ponto de apoio da roda. Como o peso não passa pelo ponto de apoio,
em princípio a roda deve rolar para qualquer valor da inclinação 6 do plano. Contudo,
a experiência mòstra que para ângulos muito pequenos não ocorre rolamento. Daí se con­
clui que, em vez de um ponto de contato, a roda dve possuir um segmento de arco em con­
tato com o solo. É fácil observar este efeito numa roda de automóvel: vemos que a roda
do automóvel possui uma pequena seção em contato com o solo, e esta seção será tanto
maior quanto menor for a pressão do pneu do automóvel. A reação do solo é exercida ao
longo dos diversos pontos de contato do pneu com o solo. Suponha que a resultante desta
força de reação tenha módulo S e que a direção desta resultante forme um ângulo 9 com
a direção vertical. Como a força externa aplicada na horizontal é Fe a reação do solo é
N(igual ao peso da roda, quando ela está sozinha, ou um quarto do peso do automóvel,
quando se trata da roda de um automóvel), podemos escrever:
S sen d = F; S cos 6 = N
Dividindo membro a membro estas relações, obtemos:
tg 9 = F/N
Como d é muito pequeno, podemos escrever: tg 8 = b/R, onde b é a metade do arco
da deformação sofrida pela roda. Logo, F = bN/R. A distância b t conhecida pelo nome
de coeficiente de atrito de rolamento. Vamos fazer b = na relação anterior. Podemos
escrever:
[ = FR/N ] 0)
Esta expressão define o coeficiente de atrito de rolamento. Para calculá-lo basta,
portanto, saber o módulo de F, o módulo da reação normal Ne o raio do círculo de conta­
to que produz o rolamento. Note que a dimensão deste coeficiente de atrito é a dimensão

269
de distância, ao passo que o coeficiente de atrito de deslizamento nào possui dimensão.
Podemos determinar o coeficiente de atrito de rolamento fazendo a experiência do plano
inclinado: elevando-se lentamente o plano, a partir de uma posição horizontal para um
dado ângulo 6 (em geral muito pequeno), a roda começa a rolar: este ângulo é o ângulo
limite para o atrito de rolamento. De acordo com a definição (5), teremos neste caso:
F = p sen B, N = p cos 6
logo.
^ol. = R tg B
Como o ângulo limite B é muito menor do que o ângulo limite para o deslizamento,
vemos que o coeficiente de atrito de rolamento é muito menor do que o coeficiente de atri­
to de deslizamento; por isso, na maior parte dos problemas práticos, costuma-se despre­
zar a contribuição do atrito de rolamento.

5.8 Movimento de precessão

De acordo com a relação (5.24), podemos escrever para um corpo rígido:


r0 = dL /dt (5.66)
onde t Oéo torque externo em relação a um ponto OeL — ijâ, sendo70o momento de
inércia em relação a um eixo instantâneo de rotação que passa pelo ponto O. Na Seção an-
terior,_o eixo instantâneo de rotação se deslocava no espaço de modo que a velocidade an­
gular u permanecia sempreparalela ao eixo de rotação, ou seja, a direção do eixo de rota­
ção permanecia sempre paralela à direção inicial. Nesta Seção vamos mostrar que existem
casos em que o vetor momento angular L é o vetor velocidade angular w não permane­
cem sempre paralelos.
Suponha um corpo girando com uma velocidade angular inicial em torno de um ei­
xo paralelo ao eixo Ox. Neste caso, o momento angular inicial, de acordo com a relação
(5.44), é dado por:
Ls
onde 4 é o momento de mércia em relação ao eixo Ox, L , também é um vetor pa­
ralelo ao eixo Ox, ou seja, L, é paralelo a w . Se aplicarmos ao corpo considerado um tor­
que externo paralelo ao eixò Oy, de acordo com a relação (5.66), temos:
f = dL /dt (5.67)
A relação (5.67) mostra que a aplicação do torque externo produz uma variação do
momento angular. Donde se conclui que o momento angular inicial sofre uma variação
do valor inicial Lx para um valor compatível com a equação (5.67). Esta variação dá ori­
gem a uma nova velocidade angular denominada velocidade angular deprecessão. A rela­
ção (5.67) mostra que todo torque externo produz variação do momento angular L . Para
ilustrar o movimento de precessão vamos discutir o movimento de precessão de um pião
cuja ponteira permanece fixa num ponto O.

Movimento de um pião

Na Fig. 5.5 mostramos o movimento de um pião cuja ponteira permanece fixa no


ponto O. O pião possui dois movimentos de rotação: um movimento de rotação em tomo
do eixo Oz’ com uma velocidade angular ci> e um movimento de rotação em torno do eixo
Oz com uma velocidade angular deprecessão Q. Seja B o ângulo entre Oz e Oz’. Quando

270
0 = 0 (na posição vertical), o torque externo énulo, logo, dL /dt - 0. Portanto, £ é um í
vetor constante (em módulo, direção e sentido), de modo que não existe movimento depre-
cessão. Quando 0é diferente de zero, surge um torque produzido pelopeso do pião. Neste
caso, em virtude da equação (5.66) surge uma variação do momento angular, esta varia­
ção é que produz o movimento deprecessâo, conforme veremos a seguir.

z
e
z

mg

y
O

*
Fig. 5.5 Movimento de precessâo de um pião. A ponteira do pião perma­
necefixa no ponto O. Opião gira em torno do eixo Oz com velocidade an­
gular de precessâo 0.

O torque do peso do pião em relação ao ponto O é dado por:


r* 0 = r x mg~ (5.68)
Da relação (5.66), obtemos:
dL = T dt (5.69)
O torque r* é perpendicular ao plano formado entre L e a direção vertical. Em vir­
tude do aparecimento do torque do peso, o sistema deve sofrer uma variação de momento
angular. Esta variação fará com que o eixo de rotação do pião mude de direção no espaço.
Este movimento provocado pelo torque externo denomina-se movimento deprecessâo.
Portanto, o torque do peso produz uma variação infinitesimal do momento angular dL
perpendicular a £ . Como o ponto de apoio do pião permanece fixo, o único movimento
compatível com estas condições é o movimento de rotação do pião em tomo do eixo verti-

271
cal. Desta forma, o pião deve girar em torno da vertical com uma velocidade angular de
precessão que designaremos por Q.
No movimento do pião, o vetor L permanece constante apenas em módulo; ele
percorre a periferia de um cone de ângulo 0 e sua extremidade descreve uma circunferên­
cia com uma velocidade angular deprecessão Q. Podemos fazer uma analogia entre esta
situação e o movimento circular uniforme. No movimento circular uniforme existe uma for­
ça (força centrípeta) sempre perpendicular ao deslocamento infínitesimal dr~. No movimento
deprecessão uniforme existe um torque r sempre perpendicular a L produzindo a variação
dL do eixo de rotação perpendicular a L .
A extremidade do vetor L descreverá um círculo de raio R dado por:
R = L sen 0 (5.70)
Num intervalo de tempo dt, o vetor L sofre um acréscimo dL , perpendicular a L,
dado pela relação (5.69). Deste modo, a extremidade do vetor L descreve um ângulo d<t>.
Portanto, a velocidade de precessão será dada por:
O = dtfr/dt (5.71)
O módulo do vetor dL é dado por:
dL = Rdi>
e, de acordo com as relações anteriores, obtemos:
dL = (Lsenfl)ÍMz (5.72)
Porém, de acordo com a relação (5.69), o módulo do vetor dL é dado por:
dL = rdt (5.73)
De acordo com a relação (5.68), temos:
t = mgr sen 0 (5.74)
onde m é a massa do pião e r é a distância entre o centro de massa do pião e o ponto de
apoio da ponta do pião. Além disto.
L — 1<ú (5.75)
Levando-se em conta as relações (5.71), (5.72), (5.73), (5.74) e (5.75), obtemos:
□ = mgr/Iu (5.76)
A equação (5.76) fomeceo módulo da velocidade angular de precessão de um pião.
O vetor 0 é paralelo ao eixo Oz e aponta no sentido positivo do eixo Ozt isto é, a rotação
de precessão ocorre no sentido do eixo Oxpara o eixo Oy, conforme indicado na-Fig. 5.5.
Note que no caso do rolamento sem deslizamento o eixo instantâneo de rotação permane­
ce sempre ortogonal ao plano da Fig. 5.2, ou seja, o eixo se desloca paralelamente ao vet-
yor o> . Contudo, no movimento deprecessão o eixo instantâneo de rotação não se move
paralelamente ao vetor w. No movimento deprecessão o eixo Oz*(fixo no corpo) descre­
ve um cone que possui um ângulo de abertura igual a 0 (ângulo entre o eixo de rotação Oz
e o eixo de precessão Oz). O eixo instantâneo de rotação não é nem o eixo Oz nem o eixo
Oz contudo, podemos concluir que o eixo instantâneo de rotação também descreve uma
superfície cônica no espaço (com vértice no ponto O).

5.9 Conservação do momento angular


Na Seção anterior mostramos que no movimento deprecessão não existe conser­
vação do momento angular porque o torque externo não é nulo. Suponha agora que a

272
soma vetorial dos torques que atuam sobre um corpo rígido seja igual a zero. Neste ca­
so, pela relação (5.66), temos:
dTj /dt = 0
Da equação anterior concluímos que:
27 = 27O = vetor constante (5.77)
A equação (5.77) é a expressão matemática da Lei da Conservação do Momento
Angular. É conveniente assinalar que 27 só é um vetor constante quando a soma veto­
rial dos torques externosfor igual a zero. Note que o vetor constante é aquele vetor que
possui todas as características constantes (módulo constante, direção constante e sen­
tido constante). Observe que no movimento deprecessão estudado na Seção 5.8 o vetor
27 é constante em módulo mas não é constante em direção, portanto, no movimento de
precessão o momento angular 27 não é um vetor constante; neste caso a variação de 27
permite calcular o torque externo.
Levando em conta a equação (5.44), podemos escrever para a equação (5.77) a
seguinte expressão alternativa:
I(j3 — IoíA) = constante (5.78)

Vetores polares e vetores axiais

Denomina-se vetorpolar todo vetor v* tal que se transforma num vetor — v*, quan­
do trocamos as coordenadas x por - x, y por - y e z por — z. Esta operação denomina-se
in versão do sistema de coordenadas. O sistema ortogonal normal Oxyz pode ser chamado
de dextrógiro, irocando-se os sentidos dos três eixos obtemos um sistema levógiro. Por
exemplo, o vetor posição r é um vetor polar, porque quando trocamos as coordenadas
x por — x, y por - y e z por - z, o vetor V se transforma num vetor - r*.
Denomina-se vetor axialou pseudovetor todo vetor w que não muda de sentido quan­
do realizados uma inversão do sistema de coordenadas. Mostraremos que todo produto
vetorial de dois vetores polares é um vetor axial. Sejam <7 c5" dois vetores polares. Seja
w o produto vetorial:
w = a X K
Invertendo-se o sistema de coordenadas, o vetor polar <T se transforma no vetor - õ*,
o vetor polar b” se transforma no vetor - B'.De acordo coma regra do produto vetorial,
temos:
ã~ x2T = (— õ*)x(— ò)
Portanto, o vetor w* é um vetor axial, uma vez que ele não muda de sentido quando
invertemos os sentidos dos eixos do sistema de referência. Por esta razão o vetor axial é
também chamado de pseudovetor porque ele não segue a regra de transformação de um
vetor comum quando invertemos o sistema de coordenadas.
Sabemos que o momento angular (ou quantidade de movimento angular) é defini­
do pelo momento da quantidade de movimento linear, ou seja, o momento angular L de
uma partícula é dado por:
27 = r x mv
Como r é um vetorpolar e v* é um vetorpolar, concluímos que o momento angu-

273
lar L é um vetor axiai. O vetor velocidade angular w também é um vetor axiai, porque
ele pode ser definido pelo seguinte produto vetorial:
ÕT = r* x v*'
Como 7 éum vetor polar e v' é um vetorpolar, concluímos que a velocidade angu­
lar w é um vetor axiai.

Giroscópio

Todo giroscópio possui um ou mais discos (ou anéis) montados mediante suspen­
sões apropriadas para permitir que o eixo dos discos (ou anéis) se movam livremente. Su­
ponha que o momento angular inidal do disco de um giroscópio seja dado por:
L o= o-
O momento angular Eo permanece constante porque os torques externos se anulam
e, pelo princípio da conservação do momento angular, o eixo do giroscópio deve apontar
sempre para a mesma direção do espaço. Esta propriedade é aplicada num dispositivo de
navegação conhecido pelo nome de bússola giroscópica. Como bússola, o giroscópio po­
de ser usado para a determinação do Norte verdadeiro. Os giroscópios também são usa­
dos em dispositivos com controle automático de direção, como por exemplo, no “piloto
automático” de um avião (ou foguete) ou ainda no sistema de direção de torpedos. O gi­
roscópio também pode ser usado para a estabilização de um movimento. Vimos que um
torque externo produz variação do momento angular. Reciprocamente, a variação do mo­
mento angular produz torque externo. Por exemplo, imagine que um navio sofra a ação
das ondas do mar e comece a balançar transversalmente; fazendo-se um sistema de giros­
cópios girar com uma velocidade angular apropriada, é possível produzir uma estabiliza­
ção do navio. Um sistema girando em tomo do eixo do movimento, produz maior estabi­
lidade na sua própria trajetória porque o torque produzido pelo peso do corpo, que tende
a fazer o corpo girar em tomo do centro de massa, é diminuído pela ação do momento an­
gular da rotação. Por exemplo, você consegue manter o equilíbrio quando você-põc uma
bicicleta em movimento, ao passo que você não consegue manter o equilíbrio quando a
bicicleta está parada. Outro exemplo: para estabilizar o movimento de um helicóptero existe
uma pequena hélice girando na sua extremidade traseira.

5.10 Equilíbrio de corpos rígidos

Para que um corpo rígido esteja em equilíbrio é necessário que:


E/L = F (5.79)
EÜ. = õ~ (5.80)
onde a flecha sobre o zero indica que são nulos todos os componentes da força resul­
tante e do torque resultante. A equação (5.79) é a condição necessária e suficiente para
o equilíbrio de translação. O centro de massa pode estar em equilíbrio de translação mas
o corpo rígido pode girar em torno do centro de massa com uma certa aceleração angu­
lara', neste caso, dizemos que não existe equilíbrio de rotação (embora exista equilíbrio
de translação). Portanto, o equilíbrio completo de um corpo rígido exige que as rela­
ções acima sejam satisfeitas simultaneamente. Quando utilizamos a palavra equilíbrio
queremos nos referir ao equilíbrio completo (que só existe quando estas duas equações

274
forem obedecidas simultaneamente).
Exemplo 5.7Considere uma plataforma circular homogênea e de espessura cons­
tante possui um raio R = 3 m e massa M = 200 kg. Um homem de massa m = 80 kg está
em repouso sobre a periferia da plataforma que também está em repouso. A plataforma
pode girar no seu plano horizontal em relação a um eixo perpendicular ao plano da plata­
forma passando por seu centro de massa; o homem começa a correr com velocidade de
12 m/s na periferia da plataforma. Calcule a velocidade angular da plataforma.
Solução. Como não existe nenhum conjugado externo aplicado, podemos usar o prin­
cípio da conservação do momento angular. Como o momento angular total antes do ho­
mem começar a correr era igual a zero, o momento angular total deve permanecer nulo
depois que o homem começa a correr. Logo,
L\ = (1)
onde L\ é o momento angular do homem em relação ao eixo de rotação, I2 é o momento de
inércia da plataforma e cüj éa velocidade angular da plataforma. O momento angular do ho­
mem é dado por: Lt = mvR
Substituindo os valores do problema, encontramos:
L\ = 2.880 kg m2/s (2)
O momento de inércia da plataforma é dado por:
Z = MR2 = 200 X 33/2 (kg m2) = 900 kg m2 (3)
Substituindo as relações (2) e (3) na equação (1), encontramos a velocidade angular
da plataforma requerida no problema, ou seja, w2 = 3,2 rad/s.

Exemplo 5.8 Uma barra de comprimento L está apoiada no solo e contra um apoio
A em ângulo roto, conforme indicado na Fig. 5.6. Não existeatritoentreoapoio/1 ca bar-
ra, mas entre a barra e o solo o coeficiente de atrito é igual a g. Calcule o coeficiente de
atrito entre a barra e o solo em função do ângulo 9 para que a barra não escorregue sobre
o plano. /

Fig. 5.6

F B
Solução. Um problema de Estática pode ser considerado como um caso particular
de um problema de Dinâmica quando fazemos a aceleração a e a aceleração a iguais a ze­
ro, isto é, quando aplicamos as equações (5.79) e (5.80).
No ponto A, como não existe atrito, a reação ZVA é ortogonal à barra. No ponto B
existem duas forças atuando sobre a barra: a reação normal e a força de atrito F. Su-
ponha que 6 seja o ângulo limite. Quando a barra está na iminência de deslizar, a força
F atinge seu máximo valor, dado por:

275
F= (D
Como a barra está em equilíbrio, a Segunda Lei de Newton indica que a soma das
forças deve ser igual a zero; logo,
+ Nn sen 0 = p (2)
N \ cos 0 = F (3)
Como o corpo nâo está girando, de acordo com a equação (5.80), é necessário que
a soma dos torquesem relação a qualquerpomo seja iguala zero. Tomando-se a soma dos
torques em relação ao ponto S, resulta:
/V.x(A - d) = p(L/2) sen 0 (4)
Usando as relações (1), (2), (3) e (4), obtemos o seguinte resultado:
L sen 0 cos 0
M =
2L- 2d — Lsen’0

Para um dado valor do ângulo 0, se o coeficiente de atrito for maior do que o valor limite
indicado acima, o corpo permanecerá em equilíbrio. Se o valor do coeficiente de atrito for
menor do que /<, a barra deslizará.

Questionário

5.1 Considere ã relação v = ur. A velocidade angular u> nesta i elação pode ser expressa
em graus/segundo?
5.2 (a) A velocidade angular média é igual a média das velocidades angulares? (b) Em
que caso a velocidade angular instantânea é igual à velocidade angular média?
5.3 A fórmula — o/r sugere que a aceleração centrípeta é diretamente proporcional
à distância r ao eixo de rotação. Contudo, a fórmula ãv = v^/r sugere que at é In­
versamente proporcional a r. Como eliminar esta aparente contradição?
5.4 Dois discos possuem o mesmo raio R e a mesma espessura. Um disco é de madeira
e o outro é de chumbo, Qual dos dois discos possui maior momento de inércia em
relação ao eixo de simetria central do disco?
5.5 Considere um anel de raio R c massa Mt um disco de massa Me raio R. Diga qual
dos dois corpos possui maior momento de inércia: (o) em relação a um eixo central
passando pelo c.m. do respectivo corpo, (6) em relação a um eixo paralelo ao eixo
mencionado no item (a) e passando pela periferia do disco e do anel.
5.6 Um lenhador corta o tronco dc uma árvore da direita para a esquerda (cm relação
ao lenhador). A árvore tombará para o lado direito ou para o lado esquerdo?
5.7 Denomina-se conjugado ou binário o sistema constituído por duas forças parale­
las, de mesmo módulo e de sentidos contrários. Seja d a distância entre as duas for­
ças eFo módulo de cada força, (a) Escreva a expressão do módulo do torque resul­
tante de um binário, (d) Este resultado depende do ponto em relação ao qual calcu­
lamos o torque?
5.8 Considere duas partículas de mesma massa ni se deslocando em sentidos contrários
ao longo de duas retas paralelas separadas por uma distância d. Sendo v o módulo
da velocidade de cada partícula, escreva a expressão do módulo do momento angu­
lar resultante do sistema em relação a qualquer ponto do espaço.
5.9 Dê quatro exemplos de vetores polares e quatro exemplos de vetores axiais.
5.10 (a) O produto vetorial de dois vetores polares fornece um vetor polar ou um vetor

276
axiii? (£) O produto vetorial de dois vetores axiais fomeoe um vetor polar ou um ’
vetor axial? (c) O produto vetorial de um vetór axial por um vetor polar fornece um
vetor polar ou um vetor axial? (d) Dê um exemplo do caso indicado no item (c).
5.11 Um halteres está em repouso sobre uma superfície horizontal sem atrito. Uma bola
de bilhar se choca contra a haste do halteres num ponto afastado do centro de mas­
sa do halteres. Descreva o movimento do halteres.
5.12 Um homem está no centro de uma plataforma que gira com velocidade angular cons­
tante ú>o. Ele está com os dois braços na posição normal, isto é, os braços estão pró­
ximos do tronco. Num dado instante o homem estica os braços (que ficam numa po­
sição horizontal), (a) Existe conservação do momento angular? (d) O momento de
inércia em relação a um eixo vertical passando pelo centro da plataforma aumenta
ou diminui? (c) A velocidade angular da plataforma aumenta ou diminui?
5.13 Forneça um exemplo simples de um sistema de forças cuja resultante seja nula sem
que o corpo esteja em equilíbrio.
5.14 As condições de equilíbrio exigem que as relações (5.79) e (5.80) sejam obedecidas
simultaneamente. Suponha que a soma das forças externas seja igual a zero. Neste
caso, para aplicar a relação (5.80) devemos tomar os torques em relação ao centro
de massa do sistema ou podemos tomar os torques em relação a qualquer ponto do
espaço?

Exercícios

5.15 Uma hélice gira com velocidade angular w = 2 rad/s. Um ponto situado a uma dis­
tância r = 20 cm do eixo de rotação possui uma velocidade tangencial:
(A) 2 m/s; (B) 0,2 m/s; (C) 0,4 m/s; (D) 40 m/s; (E) 1 m/s.
5.16 Uma hélice gira com velocidade angular w = 2 rad/s. Um ponto situado a uma dis­
tância r. = 20 cm do eixo de rotação possui uma aceleração centrípeta dada por:
(A) 2 m/s'; (B) 8 m/s'; (C) 0,8 m/s'; (D) 80 m/s'; (E) 4 m/s'.
5.17 A velocidade angular num dado movimento circular de raio R = 0,5 m vale wi =
2 rad/s, para o instante A = 2 s. No instante t2 - 4 s, a velocidade angular vale
= 3 rad/s. A aceleração angular vale:
(A) 0,5 rad/s'; ;(B) 0,25 rad /s'; (C)0,l rad /s'; (D) 5 rad /s'; (E)2,5 rad/s';
5.18 Um cilindro maciço possui raio R e massa M. Uma casca cilíndrica possui raio R
e massa M. Seja 7o momento de inércia do cilindro maciço em relação ao seu eixo
de simetria central. Seja 7o o momento de inércia da casca cilíndrica em relação ao
seu eixo de simetria centrai. A relação 7/70 vale:
(A) 1; (B) 4; (C) 1/4; (D) 2; (E) ~
5.19 Uma esfera maciça de massa Mpossui um raio R. Uma casca esférica possui raio
exterpo igual a R. A esfera ocã possui massa Mo. Para que o momento de inércia
da casca esférica seja igual ao momento de inércia da esfera maciça (em relação a
qualquer diâmetro das esferas), é necessário que a razão entre MeM0 seja dada por:

(A) M/Mo = I (B) M/Mo = 1/2;


(C) M/Mo = 2 (D) M/M9 = 3/5;
(E) M/M. = 5/3.
5.20 Um cilindro maciço possui massa Me raio R. Uma casca cilíndrica possui massa 2Af
e raio R Para ue estes dois cilindros possuam o mesmo mento de inércia em rela­
ção ao eixo de simetria central é necessário que:

277
(A) RVR — \ (B) RVR = 1/2;
(C) RVR = 2 (D) RVR = 4;
(E) RVR = 1/4
5.21 Considere: uma esfera maciça de raio R e massa M, uma casca esférica de massa M
e raio R, um cilindro maciço de massa M e raio R, uma casca cilíndrica de massa
M e raio R e um disco maciço de massa M e raio R. Libertamos simultaneamente
estes corpos do topo de um plano inclinado com atrito. O primeiro corpo que atin­
girá a base do plano será:
(A) a esfera maciça; (B) a casca esférica;
(Q o cilindro maciço; (D) a casca cilíndrica;
(E) o disco maciço.

Problemas

5.22 A velocidade de um ponto na periferia de um disco que gira com 33 r.p.m. é dada
por: v = 0,7 m/s. Calcule o raio do disco.
5.23 O raio da Terra vale R = 6.400 km. (a) Estime a velocidade angular da Terra em
rad/h. (ò) Calcule a velocidade de um ponto do Equador em relação ao eixo da Ter­
ra.
5.24 Uma partícula executa um movimento circular uniforme com período de 5 s. (a) Qual
é a velocidade angular? (d) Qual é a freqüência?
5.25 Um disco de 20 cm de diâmetro gira a 33 r.p.m. (a) Calcule a freqüência em Hertz
(1 Hz = 1 e.p.s).(b) Calcule a velocidade angular em radianos por segundo. (c)Cal-
cule o módulo da velocidade e da aceleração de um ponto situado na periferida do
disco.
5.26 Uma roda de raio R gira com aceleração angular uniforme, de tal maneira que o nú­
mero de revoluções aumenta de/0 = (1/2) volta por segundo. Calcule em função do
tempo: (a) a velocidade angular da roda; (d) a velocidade tangencial na periferia;
(c) a aceleração normal, a aceleração tangencial e a aceleração total de um ponto
na periferia.
5.27 Um diaso/nré o intervalo de tempo ente duas passagens consecutivas do Sol por um
dado meridiano, ou seja, é o período de rotação da Terra em torno do eixo, toman­
do-se o Sol como referência da medida. O dia solar médio possui 24 horas ou 86.400
segundos. O dia sideral é o tempo decorrido entre duas passagens consecutivas de
uma estrela “fixa’ ’ por um dado meridiano, ou seja, é o período de rotação da Ter­
ra em torno do eixo tomando-se uma estrela longínqua como referência, (n) A Ter­
ra, ao mesmo tempo em que gira em tomo do seu próprio eixo também executa uma
translação ao redor do Sol, em 365,25 dias solares. Calcule o ângulo descrito pela
Terra em um dia solar médio. (6) Quantos segundos possui o dia sideral médio? (c)
Suponha um relógio que marque o tempo baseado no dia sideral. Em um dia solar,
de quanto este relógio atrasa em relação a um relógio que marca o tempo de acordo
com o dia solar médio? (d) De quanto é este atraso em um ano? (e) Qual é a veloci­
dade angular da Terra, tomando-se como período o dia solar médio? (/) A veloci­
dade angualr da Terra calculada usando-seo período igual ao dia sideral, é mais pre­
cisa do que a calculada no item anterior. Qual é o erro que cometemos quando re­
solvemos um problema tomando-se o período de rotação da Terra igual a 24 horas?
5.28 Para uma partícula situada sobre a superfície terrestre, calcule: (a) a velocidade an-

278
guiar; (d) a velocidade em função da latitude; (c) a aceleração centrífuga era função
da latitude.
5 29 Uma correia liga uma roda de raio R, = 0,4 m com outra de raio R2 = 2m.Sendo
a freqüência da primeira roda/ = 20c.p.s., calcule: (a) velocidade comum de to­
dos os pontos da periferia deste conjunto; (ô) a velocidade angular da segunda ro­
da.
5.30 Numa engrenagem para transmissão de rotações, um eixo de raio R, = 10 cm se une
através de dentes à periferia de um disco de 0,5 m de raio. A velocidade angular do
eixo vale = 4 rad/s. Calcule: (o) a velocidade do ponto de contato entre o eixo
e o disco; (b) a velocidade angular do disco.
5.31 Quando um motor elétrico está girando com uma freqüência/= 500 Hz, a corrente
elétrica que alimenta o motor é interrompida, e o motor pára depois de executar n
= 20 voltas completas. Sabendo que esta desaceleração é uniforme, calcule o mó­
dulo desta aceleração angular.
5.32 A velocidade angular do motor de um barco passa de 200 rad/s para 2.000 rad/s em
9 s. Suponha que o movimento seja uniformemente acelerado; calcule: (a) a acele­
ração angular do motor; (ô) o número de voltas (ou revoluções) por segundo para
t = 20 s.
5.33 Um aro de raio R parte do repouso e começa a rolar, sem deslizar, ao longo de um
plano horizontal com uma aceleração angular constante a. Determine: (a) a acele­
ração do centro de massa do aro; (d) a velocidade do centro de massa do aro; (c) o
ângulo descrito por uma partícula do aro que estava na posição 6 = 0O para t = 0.
5.34 A hélice de um avião gira com velocidade angular u = 500 rad/s. A velocidade do
avião em relação solo é dada por: v = 300 km/h. (a) Obtenha a expressão da veloci­
dade v' de um ponto da hélice situado a uma distância r = 20 cm do eixo da hélice.
(Z?) Calcule o valor numérico desta velocidade.
5.35 Definimòs o raio de giro de um sistema que gira em relação a um dado eixo através
da equação: k - Jí/M. O raio de giro pode ser considerado como a distância entre
o eixo e uma massa pontual Mnecessária para produzir o mesmo momento de inér­
cia /do corpo: / ■ Mk2. Podemos ainda interpretar o raio de giro como sendo o
raio de um aro de massa Mque produz o mesmo momento J do corpo considerado.
Determine o raio de giro: (a) de um anel de raio R, girando em tomo do eixo de si­
metria central; (b) de um cilindro de raio R, girando em torno do eixo de simetria
central.
5.36 Determine o quadrado do raio de giro: (a) de uma esfera de raio R, girando em tor­
no de um eixo que passa no centro de massa da esfera; (ó) de uma barra e passando
pelo centro de massa da barra.
5.37 Calcule o momento de inércia de uma casca esférica (o) em relação ao centro de massa
da esfera; (ò) em relação a um diâmetro de casca esférica.
5.38 Um cilindro possui R = 10 cm e massa M = kg. Calcule o momento de inércia do
cilindro; (a) em relação ao eixo de simetria central; (ò) em relação a um eixo parale­
lo ao eixo de simetria e tangenciando a superfície externa do cilindro; (c) em relação
a um eixo paralelo ao eixo de simetria e situado a uma distância d = 2 km do eixo
de simetria.
5.39 Considere um aro (ou anel) de massa Me raio R. (q) Calcule o momento de inércia
do aro em relação a um eixo perpendicular ao plano do aro e passando pelo seu cen­
tro de massa, (ò) Calcule o momento de inércia em relação a um eixo situado no pla­
no do aro e passando pelo seu centro de massa, (c) Calcule o momento de inércia

279
do aro em relação a um eixo que lhe é tangente e que está contido no plano do aro.
Sugestão: Use o teorema dos eixos perpendiculares para calcular o item (d).
5.40 Existem três massas pontuais de mesmo valor dispostas nos vértices de um triângu­
lo equilátero. Cada massa vale m = 0,1 kg, e o lado do triângulo vale l = 4 m. (a)
Calcule o momento de inércia do sistema em relação ao centro de massa do conjun­
to. (ò) Calcule o momento de inércia em relação a um dos vértices do triângulo.
5.41 Calcule o momento de inércia de uma barra delgada de massa Me comprimento L
em relaçlão a um eixo perpendicular à barra e passando pela extremidade da barra.
5.42 Uma roda de masa M = 3 kg gira em torno de um eixo fixo de tal modo que seu raio
de giro seja k = 20 kg.m2. A velocidade angular vale w = 6 rad/s. Calcule a energia
cinética desta roda.
5.43 Um anel de raio R — 40 cm gira com velocidade angular constante ? = 10 rad/s em
torno de um eixo fixo passando pelo centro de massa do anel e perpendicular ao pla­
no do anel. Calcule a energia cinética do anel, sabendo que a massa do anel vale M
- 0,4 kg.
5.44 No problema anterior, suponha que o anel esteja rolando sem deslizar ao longo de
um plano. Calcule a energia cinética do anel.
5.45 Um aro de raio R e massa M = 0,2 kg rola, sem deslizar, ao longo de um plano incli­
nado de 30° em relação a um plano horizontal. Calcule o trabalho necessário para
fazer este aro parar. A velocidade do centro de massa do aro vale vím = 10 m/s.
5.46 Um corpo rígido possui massa M = 2 kg e a velocidade do centro de massa vale Vcn,
= 10 m/s. A energia cinética do corpo vale 400 J e ele está girando em torno do cen­
tro de massa com velocidade angular igual a 10 rad/s. Calcule o momento de inér­
cia do corpo em relação ao eixo de rotação em tomo do centro de massa.
5.47 Um motor desenvolve um torque de 200 N.m e consome uma potência de 10 kW.
Qual é a sua velocidade angular?
5.48 Um cilindro maciço está girando em torno do seu eixo central com aceleração angu­
lar a = 2 rad/s2. A massa do cilindro vale m = 10 kg e o raio do cilindro vale R =
0,8 m. Calcule o módulo do torque que está atuando sobre o cilindro em relação ao
centro de massa do cilindro.
5.49 Um aro de massa m = 0,5 kg e raio R = 0,4 m é submetido a um torque de 10 N.m
em relação ao centro de massa do aro. Calcule a aceleração angular do aro.
5.50 O fio de um pêndulo cônico possui comprimento igual a 1 m. A velocidade angular
é igual a 6 rad/s. (a) Calcule o ângulo formado entre o fio e a vertical, (ò) Sendo m
= 2 kg, qual é a tensão no fio? (c) Qual é o raio da circunferência descrita?
5.51 Num brinquedo de um parque de diversões, uma criança está sentada numa cadeiri-
nha que gira com velocidade angular igual a 5 rad/s em torno de um eixo vertical.
Despreze a massa da corrente que prende a cadeirinha ao ponto de suspensão. O com­
primento total deste pêndulo cônico é igual a 3 m. A massa total (da cadeirinha mais
a da criança) é igual a 55 kg. Calcule: (a) o ângulo entre a direção da corrente que
sustenta a cadeirinha e a direção vertical#) a tensão na corrente,(c) a velocidade
angular máxima do giro para que a corrente não arrebente, supondo que ela possa
suportar uma tensão máxima de 30 kN, (d) o ângulo limite para o valor calculado
no item (c).
5.52 Um cilindro de raio R possui massa M. Na periferia deste cilindro exí»ie um fio en­
rolado de massa desprezível. Puxamos o fio verticalmente para cima de tal forma
que o centro de massa do cilindro permanece em repouso. Calcule a tração no fio
necessária para que não haja movimento de translação do centro de massa.

280
5.53 Um cilindro rola sem deslizar ao longo de um plano inclinado de um ângulo 6 em
relação à horizontal. Calcule a aceleração do centro de massa do cilindro.
5.54 Uma esfera de raio 7? gira sem deslizar ao longo de um plano inclinado. A esfera parte,
sem velocidade inicial, de uma altura (h + R). Determine sua velocidade na base
do plano.
5.55 Um corpo rola sem deslizar ao longo de um plano inclinado de um ângulo 6 em rela­
ção à horizontal. A seção reta produzida por um plano vertical passando pelo cen­
tro de massa do corpo é um círculo de raio R. O momento de inércia do corpo em
relação ao centro de massa é igual a I. A massa do corpo é igual a m. O corpo rola
sem velocidade inicial a partir de uma altura (h + R). Calcule: (a) o quadrado do
módulo da velocidade do corpo na base do plano, (d) a aceleração do corpo em qual­
quer instante do movimento.
5.56 Considere o Exercício número 5.21. Escreva a ordem de chegada na base do plano
dos corpos mencionados no Exercício 5.21.
5.57 Você dispõe de duas esferas sólidas de mesma massa Me mesmo raio R. Contudo,
uma das esferas é maciça e a outra é oca. Descreva uma experiência simples para iden­
tificar as esferas.
5.58 Um cilindro está apoiado sobre um plano inclinado de um ângulo 6 em relação à ho­
rizontal . Calcule o menor valor do coeficiente de atrito estático abaixo do qual o ci­
lindro pode deslizar sobre o plano e acima do qual o cilindro rola sem deslizar.
5.59 Na Fig. 5.7 indicamos a seção longitudinal de um disco ircular de raio R e massa m.
Uma das extremidades do fio que passa por baixo da roldana está presa ao teto e
a outra extremidade é solicitada por uma força externa vertical, conforme indicado
na Fig. 5.7. Determine a tensão T no fio eo módulo da forçai necessária para fa­
zer o centro de massa do disco subir verticalmente com uma aceleração a.
////////// ////

ta F
Fig. 5.7

m
R

P
V

5.60 Sobre a periferia de um cilindro homogêneo de raio existe um fio enrolado. O


cilindro está apoiado sobre um plano inclinado de um ângulo & » 30® em relação
à horizontal. Aplicamos uma força F, conforme indicado na Fig. 5.8 (a) Obtenha

281
uma expressão para a aceleração com a qual o centro de massa do cilindro sobe o
plano, (d) Calcule o valor desta aceleração para F = p, sendop o peso do cilindro.
(c) Repita o cálculo para F = p/2.

Fig. 5.8

5.61 Um ioiô é constituído por dois discos uniformes, cada um deles de massa m e raio
R, ligados por um eixo de raio re massa desprezível. A extremidade do fio enrolado
no eixo está presa ao teto. No instante inicial a distância entre a extremidade do fio
e o ponto de tangência com o eixo do ioiô é igual a d. A partir deste instante, o ioiô
é largado sem velocidade inicial. Supondo que não haja movimento pendular, de­
termine a aceleração do centro de massa do ioiô. Ver Fig. 5.9.

Fig. 5.9

5.62 Um ioiô possui massa m, raio interno r e raio externo R. O momento de inércia do
ioiô em relação ao centro de massa é igual a /. O ioiô está apoiado sobre um plano
horizontal com atrito; ele possui um fio amarrado ao eixo. Aplica-se uma força ?
ao longo do fio formando um ângulo 0 com a direção horizontal. Encontre o módu­
lo da aceleração do ioiô.
5.63 Uma corda passa por uma polia A de massa desprezível. Numa das extremidades
da corda existe um bloco de massa e na outra extremidade existe uma polia B,

282
de massa desprezível, que serve de apoio a uma corda em cujas extremidades se en­
contram os corpos de massas mj e my. Este conjnunto é sustentado por uma mola
que liga A ao teto, conforme indicado na Fig. 5.10. Calcule a aceleração do bloco
de massa mlt supondo * m, e Calcule, também, a força de dis-
tenção da mola. Despreze o atrito.
/////////////////////

Fig. 5.10

B
"h

m2
my

5.64 Um ioiô de massa M, raio maior R e momento de inércia 1 está sobre uma mesa ho­
rizontal e pode rolar sem deslizar. Uma forçai é aplicada no raio interior ratravés
do rio, que forma um ângulo a com a horizontal, (a) Para quais valores de cr o ioiô
irá rolar para frente? E para trás? (d) Calcule a aceleração do ioiô e a força de atrito
entre o ioiô e a mesa supondo que ele não se eleve da mesa, (c) Qual é o valor mínimo
de F, para um dado ângulo cr, de forma que o ioiô se levante da mesa? Ver a Fig.
5.11.

Fig. 5.11

283
5.65 Um carretei possui massa M, raio externo 2? e raio interno r. O momento de inércia
do carretei em relação ao eixo central (perpendicular à figura) que passa pelo centro
de massa vale I -MR2/^. O carretei está inicialmente em repouso sobre uma super­
fície horizontal e aplicados uma força F conforme indicado na Fig. 5.12. Suponha
que Fseja menor do que o peso do carretei e que o carretei role sem deslizar, (a) De­
termine a aceleração do centro de massa do carretei, (d) Determine a força de atrito
entre o carretei e a superfície horizontal.
F

Fig. 5.12 M
r 90°'

5.66 Uma bobina possui massa Àf, raio interno r, raio externo R e momento de inércia
em relação ao centro de massa igual a I. O fio que sai da pane interna da bobina pas­
sa por uma roldana e sustenta um corpo de massa m, conforme indicado na Fig. 5.13.
Calcule a aceleração do centro de massa da bobina em função da aceleração a do
corpo de massa m.

R
Q. r
m m

Fig. 5.13 Fig. 5.14

5.61 Na periferia de um cilindro maciço de massa Àf e raio R existe um fio enrolado que
passa por uma polia de massa desprezível em cuja extremidade há um bloco de mas­
sa m. Existe atrito entre o cilindro e o plano horizontal. Veja a Fig. 5.14. Calcule:
(a) a aceleração do centro de massa do cilindro em função da aceleração a do bloco
de massa m. (b) a aceleração do bloco de massa m.
5.68 Sobre um plano inclinado encontra-se um carretei de raio externo R, conforme in­
dicado na Fig. 5.15. Um fio está enrolado de tal forma que ele emerge a uma distân­
cia r do centro do carretei; na extremi dade deste fio existe um corpo de massa tn.

284
Não há atrito entre o plano inclinado e o carretei. A massa do carretei vale Me seu
raio de giro é igual a k. Determine: (a) o valor do ângulo 6 para o qual o centro de
massa do carretei permanece em repouso, (b) a aceleração do bloco de massa m pa­
ra o ângulo calculado no item anterior.

M
m

e
Fig. 5.15
5.69 Um carrossel está inicialmente em repouso, mas pode girar, sem atrito, em tomo
de um eixo vertical passando pelo centro de massa do carrossel. Uma garota de massa
m corre com velocidade v numa direção tangente ao carrossel e, quando atinge o ponto
de tangência, segura um apoio do carrossel e pula para o seu interior. Sendo Zo mo­
mento de inércia em relação ao eixo de rotação, determine a velocidade angular w
adquirida pelo carrossel.
5.70 Quando a Terra está no afélio (posição em que está mais afastada do Sol), dia 21
de junho, a sua distância ao Sol é de 1,52 x lO^m e sua velocidade orbital é 2,93
x 10*m/s. Determine sua velocidade orbital no periélio (posição mais próxima do
Sol), cerca de 5 meses após o afélio, quando sua distância ao Sol é 1,47 x 107/m.
Determine também em cada caso a velocidade angular da Terra em tomo do Sol.
5.71 A Lua gira em torno da Terra de tal forma que um observador da Terra vê sempre
a mesma face da Lua. (a) Qual é a razão ente a velocidade angular orbital da Lua
em redor da Terra e a velocidade angular de rotação da Lua em torno do seu pró­
prio eixo? (b) Determine a razão entre o momento orbital e o momento angular de
rotação para a Lua, chamando r a distância do centro da Terra ao centro da Lua
e RL o raio da Lua.;
5.72 Um pequeno bloco de massa m está preso a um fio de comprimento R. A outra ex­
tremidade do fio está amarrada a um ponto fixo O sobre uma superfície horzontal
sem atrito. O bloco de massa m gira com velocidade angular «o. mantendo o fio es­
ticado, conforme indicado na Fig. 5.16. Quando este bloco passa pelo ponto A, en­
contra outro bloco de massa m movendo-se com velocidade v ortogonalmente ao
raio OA. Os dois blocos ficam grudados girando em torno do ponto O. (a) O mo­
mento linear do sistema se conserva? (b) O momento angular se conserva? (c) A ener­
gia cinética se conserva? (d) Determine a velocidade angular final.

Fig. 5.16

285
r 5.73 Considere um sistema de duas massas e m2 que sofrem somente a ação de for-
i ças internas. Mostre que a velocidade angular do sistema permanece constante. Su­
gestão: use um sistema de referência no centro de massa. Determine: (a) o momento
angular do sistema em função da massa reduzida M, (6) a energia cinética do siste­
ma cm função da massa reduzida M. Observação: a massa reduzida de um sistema
de duas massas é definida por: M = m\m2/(mi +
5.74 Uma partícula de massa m = 0,5 kg possui velocidade v = vi, onde v = 2 m/s. A
partícula se desloca ao longo da linha y ■= b = 2 m. No instante t = 0 a partícula
está passando pelo ponto (0, b). Calcule o módulo do momento angular da partícu­
la em relação à origem: (a)para/=0, (ò) para qualquer valor de/, (c) para t= 1 se­
gundo.
5.75 Uma partícula de massa m = 0,1 kg se desloca ao longo da reta.y = 2x + 3, onde
xejsão dados em metros. A velocidade da partícula possui módulo constante v =
4 m/s. Calcule o momento angular da partícula em relação à origem quando ela es­
tá passando no ponto de ordenada y = 13 m.
5.76 Üma partícula de massa m — 10 g gira com velocidade angular w = lOrad/s. O raio
da sua trajetória é igual a 10 cm. Calcule a velocidade angular quando o raio for re­
duzido para 2 cm, sabendo que a redução do raio ocorre sem aplicação de forças
externas.
5.77 Dois discos idênticos giram com velocidade angular u = 10 rad/s em torno de um
eixo com momento de inércia desprezível. Repentinamente, um dos discos sai do ei­
xo. Sendo m = 200 g e R = 0,4 m, calcule: (o) a velocidade angular do disco que
continua preso ao eixo, (à) a variação da energia cinética do sistema preso ao eixo.
5.78 Um trenzinho elétrico de brinquedo de massa 400 g gira com velocidade angular
w = 10 rad/s na periferia de uma mesa circular de raio R = 0,5 m. A mesa gira em
torno do centro com velocidade angular o>’ = 2 rad/s. Suponha que a mesa seja um
disco de massa M. Calcule o valor de M sabendo que neste movimento não existem
torques externos aplicados ao sistema.
5.79 Um trenzinho elétrico de brinquedo de massa m = 400 g gira com velocidade angular
12 rad/s na periferia de uma mesa circular de raio R = 0,5 m. A energia cinética to­
tal deste sistema (mesa + trenzinho) é igual a 10 J. Não existem forças externas apli­
cadas ao sistema. A mesa pode ser considerada cilíndrica, isto é, o momento de inércia
é igual a MR2/!. Calcule: (o) a velocidade angular da mesa, (ô) a massa da mesa.
5.80 Quando o momento angular de um sistema contendo n partículas em relação a um
ponto O qualquer é igual ao momento angular deste sistema em relação ao centro
de massa do conjunto de partículas, qual é a conclusão que podemos tirar acerca
do centro de massa deste conjunto de partículas?
5.81 Uma plataforma circular em forma de disco com massa igual a 140 kg gira com ve­
locidade angular constante wi = 2 rad/s. Na periferia da plataforma existe um ho­
mem com massa m = 70 kg que se encontra em repouso em relação à plataforma.
Num dado instante, o homem pula para o centro da plataforma. Calcule a nova ve­
locidade angular da plataforma.
5.82 Um halteres de comprimento 2a, tendo uma massa 2m em sua extremidade B e uma
massa m em sua extremidade A, repousa sobre uma mesa horizontal lisa. A barra
rígida que une A e B tem massa desprezível. Um objeto de massa m apoxima-se de
A com velocidade v 0 perpendicular à barra, como mostra a Fig. 5.17, grudando-se
à massa m após o choque, (a) Verifique se há conservação do momento linear e do

286
momento angular do sistema; justifique, (b) Qual é a velocidade do centro de massa
do sistema após a colisão? (c) Qual é a velocidade angular do sistema após a coli­
são? (d) Qual é a variação da energia cinética após a colisão?
2m Q B

V o
m
A
Fig. 5.17
5.83 Num plano horizontal sem atrito, uma pequena esfera de massa 2m se desloca com
velocidade v ortogonal a uma haste rígida AB de massa desprezível. A haste A B es­
tá inicialmente em repouso sobre o plano. A haste possui uma pequena esfera rígida
de massa m presa na extremidade A e outra esfera de massa m presa noc entro da
haste, conforme indicado na Fig. 5.18. A haste AB possui comprimento 2d. Depois
da colisão, a massa 2m permanece grudada na extremidade B da haste, (a) Verifi­
que quais são as grandezas conservadas, (ò) Determine o vetor velocidade do centro
de massa da haste depois da colisão, (c) Determine a distância entre o centro de massa
e a extremidade B após a colisão, (d) Determine o módulo da velocidade angular do
sistema após a colisão.
A m

0m
d
2m

v B X
Fig. 5.18
5.84 Um pião possui massa m = 0,3 kg e gira com velocidade angular w = 200 rad/s
em tomo do eixo que está inclinado de um ângulo 0 = 30° em relação à vertical. O
momento de inércia do pião em relação ao seu próprio eixo de rotação vale/= 6,0X
10 “ 3 kg.m*. O centro de massa do pião está situado a uma distância r = 5 cm do
ponto de apoio. Calcule a velocidade do movimento de precessão do pião.
5.85 Um giroscópio consiste em um disco de raio R e massa m situado num plano vertical
e preso à extremidade de um eixo horizontal que permanece apoiado (ou suspenso)
num ponto situado a uma distância ddo disco. O disco gira com velocidade angular
w em torno do seu eixo de simetria central, (o) Determine a velocidade angular de

287
precessão em torno do eixo vertical, (d) Considere os seguintes dados: R = 6 cm,
d = 10 cm e w = 100 rad/s. Calcule a velocidade angular da precessão do giroscópio.
pio.
5.86 Num movimento circular uniforme a força centrípeta é dada por F - a x p. Use
a analogia entre o movimento circular uniforme e o movimento de precessão uni­
forme para obter a expressão que liga a velocidade angular de precessão com o Ior­
que externo.
5.Ç7 Determine o torque médio que atua sbore a Terra necessário para produzir o movi­
mento de precessão dos equinócios. A velocidade angular de precessão da Terra é
aproximadamente dada por fi = 7,19 x 10" “ rad/s. O ângulo de inclinação em
relação ao eixo de precessão vale 0 = 23°27’.
5.88 Na Fig. 5.19 considere os seguintes dados: mt = 10 kg, m2 = 20 kg. Calcule o ân­
gulo 6 e todas as tensões nas cordas supondo que o sistema esteja em equilíbrio. Des­
preze a massa da roldana.

//////////

0 r6
T4 Ty
«—
r3
/1
T, Ti

m2

P? Pi

Fig. 5.19

Respostas do Questionário

5.1 Nào, na relação v = ar a velocidade angular deve se expressa em radianos/(unida-


de de tempo). A unidade de tempo pode ser arbitrária mas todas as grandezas angu­
lares na Cinemática das Rotações devem ser expressas em radianos, uma vez que a
relação v = wr (e as demais relações da Cinemática das Rotações) são oriundas da
relação básica: s = rí); logo, pela definição de radiano o ângulo 6 s6 pode ser expres­
so em radianos. Se você encontrar uma grandeza angular expressa em graus, você
deverá fazer a transformação de graus para radianos para poder aplicar as fórmu­
las acima mencionadas.

288
5.2 (a) Não. (6) Somente quando a aceleração angular for um vetor constante.
5.3 Considere um corpo rígido girando com uma velocidade angular u em cada instan­
te t. Para o instante t a aceleração centrípeta possui módulo at = wVpara cada pon­
to do corpo rígido situado a uma distância r do eixo de rotação. A fórmula ac =
v^/r se reduz a ae = quando fazemos v = or. Portanto, para um corpo rígido
que gira com velocidade angular cj, a aceleração centrípeta a<é diretamente propor­
cional à distância r e diretamenteproporciona! ao quadrado da velocidade angular.
A afirmação de que a< é * ‘diretamente proporcional a r” é destituída de sentido se
não for acompanhada de nenhuma outra informação, uma vez que ae depende si­
multaneamente de w e de r. A afirmação de que a< t “ inversamente proporcional a
r” também não tem sentido pelas razões já expostas.
5.4 O momento de inércia do disco de chumbo é maior do que o momento de inércia
do disco de madeira, porque a densidade do chumbo é maior do que a densidade
da madeira.
5.5 {a) o anel; (d) o anel.
5.6 A árvore tombará para o lado direito do lenhador.
5.7 (a) r = Fd\ (b) não.
5.8 L = mvd
5.9 Vetores polares: vetor posição, velocidade linear, aceleração linear, força. Vetores
axiais: velocidade angular, aceleração angular, momento angular, torque.
5.10 (a) Vetor axial; (6) vetor axial; (c) vetor polar; (d) v = w x r*.
5.11 O centro de massa do halteres se deslocará com uma velocidade de translação
e, simultaneamente, o halteres começará a girar com velocidade angular w em tomo
do centro de massa.
5.12 Como o torque externo é igual a zero (porque o movimento do braço gera apenas
uma força interna), concluímos que existe conservação do momento angular, (ò) O
momento de inércia em relação ao eixo central aumenta porque uma parte da massa
do sistema se afastou do eixo de rotação, (c) Uma vez que o produto Zw permanece
constante, a velocidade angular w diminui porque I aumenta.
5.13 Num binário ou conjugado, a soma vetorial das duas forças é igual a zero, mas o
torque é diferente de zero, donde se conclui que o corpo não está em equilíbrio.
5.14 Suponha que a soma das forças externas seja igual a zero; neste caso, o corpo estará
em equilíbrio se a soma dos torques for igual a zero em relação a qualquer ponto
do espaço.

Respostas dos Exercícios

5.15 C 5.19 E
5.16 C 5.20 B
5.17 A 5.21 A
5.18 E

Respostas dos Problemas

5.22 R = 0,2 m
5.23 (a) r/12 rad/h; (d) v 1.670 km/h
5.24 (a) w = 1,257 rad/s; (b)f 0,2 r.p.s.
5.25 (fl)/ = 0,55 Hz; (ò) w = 3,456 rad/s; (c) v 0,69 m/s; a - 2,39 mZs3

289
5.26 (o)u lir/oí = 3,14/; (b) v = oJ? = 2.irR,f>t = 3,14 Rt m/s;
(cj a, = u2R = 9,87 R r2 (m/s2), g, = a R = 2x/„R (m/s2)
g = V g? + a2= R v 9,87 + 97,4? (m/s2)
5.27 (g) 0,986° ou 0,0172 rad; (6) 86.176 s; (c) 240 s ou 4 minutos;
(d) um dia; (e) w = 7,272 X 10“ 2 rad/s; (/) ãa = 2 X 10'2rad/s
5.28 (ou = 7,3 x 10"1 rad/s; (6) v = uR cos <t> = 467 cos d m/s;
(c) a, « u2R cos d = 0,034 cos d m/s2
5.29 (o) v = 2r/,R, = 50,26 m/s; (b) w2 = v/R, = 25,13 rad/s
5.30 (g) v ■> wiR, ■= 0,4 m/s; (b) u>, = v/Rt - 0,8 rad/s
5.31 a = *f/n = 78,5 rad/s2
5.32 (o) o = 200 rad/s2; (b)/ = 668,45 r.p.s
5.33 (g) g„ = Ra; (b) v„ = Rat; (c) « = 9» + at2/!.
5.34 (g) V- = (v2 +r2u2)'/1; (b) v’ ■= 130,17 m/s
5.35 (o) k = R; (b) k = R/l'*
5.36 (ajk2 = 2R2/5; (b) k1 = L2/\2
5.37 (o) I„ = MR2-, (b) I„ = 2MR2/3
5.38 (g)Z„ = MR2/2 = 0,01 kg.m2;(b)Z 3MR2/2 = 0,03 kg.m2; (c) I = Md2 =
8 x 106 kg.m2
5.39 (g) r„ = MR2-, (b) MR2/!-, (c) Z’ = 3MR2/!
5.40 (g)Z„ ^Izn/2^ 1,6 kg.m2; (b) I = 2ml2 = 3,2 kg.m2
5.41 I = ML2/3
5.42 E, = Mk2^/! = 43,2 kj
5.43 E, =• A/RV/2 = 3,2 3
5.44 £ = MR2 = 6,4 3
5.45 W = £i. = 20 J
5.46 I.. = 3 kg.m2
5.47 u = 50 rad/s
5.48 = 6,4 N.m
5.49 a = 125 rad/s2
5.50 (o) 74,2°; (b) T = 72 N; (c) R = 0,96 m
5.51 (o) 82,5°; (b) 4,125 kN; (c) 13,48 rad/s; (d) 88,97°
5.52 T - Mg
5.53 = 2g (sen 3)/3
5.54 v - V lOgh/7

5.55 (o) u* - --2gh-------■:; (b)


(b) a -■
a = ssen. ° -
1 + UlmR*) 1 + (UmR')
5.56 Ordem de chegada: 1 —a esfera maciça, 2 — o cilindro maciço e o disco maciço che­
gam juntos em segundo lugar, 3 — a casca esférica chega em terceiro lugar, 4 — a
casca cilíndrica.
5.57 Largando simultaneamente as duas esferas do alto de um plano inclinado com atri­
to, concluímos que a esfera maciça é aquela que atingir primeiro a base do plano.
5.58 = (tg d)/3
5.59 T = (p/2) + ma/4; F = (p/2) + 3ma/4
5.60 (o) a {4F - 2p sen 0)/3 m; (d) a = g; (c) a = g/3
5.61 a = g/(l +
5.62 a = FR (R cos 6 - r)/(/ + mR2)

290
5.63 „ - (»ii»ia + »ii»i3 --foiynJx :
j~ = 2T —____________________
»i,»i3 +/H,m3 +/nyiij + mlmj + m^m?

5.64 (a) o ioiô rola para a direita (para frente) quando cos a>r/R; ele rola para a esquer­
da (para iras) quando cos a<r/R
F (cos a - r/R)
(/>)« - ; = Ffcosa + MrR/!)/(1+ MR2/!)
M + l/R2
(c) A/g/sen a
5.65 (a) a<m = 4rF/5RM‘, (b) O carretei rola da direita para a esquerda, a força de atrito
está orientada da direita para a esquerda e possui módulo FA = ArF/SR
5.66 am = aR/(R — r)
5.67 (a) aM « a/2\ (ô) a = mg/[m + (3A//8)]

5.68 (a) sen 0 =---------- ----------- ; (b) a = mg


(Mm) + (r2/R^ m + M UW)
5.69 u - mvR/(J + mR*)
5.70 No afélio: wi = 2,06 x 10’7 rad/s. No periélio: v3 = 3,03 X 10*m/s; «i 1.93
x 10“ 7 rad/s
5.71 (o) <*/<* = 1; (6) £</£, = S^/lRl
5.72 (d) Não; (d) Sim; (c) Não; (d) <j = (v + mqR)/R
5.73 (a) L = Mr2^ (d) Et = Mr2^/!
5.74 (o) = mvb = 2 kg.m7/s; (d) L = mvb; (c) £, = 2 kg.mVs
5.75 L = 5,57 kg.m7/s
5.76 250 rad/s
5.77 (a) w’ = 20 rad/s; (d) 1,6 J
5.78 M = 4 kg
5.79 (a) w = 1,33 rad/s; (d) M = 9 kg
5.80 O centro de massa está fixo em relação ao ponto O considerado.
5.81 4 rad/s
5.82 (a) A quantidade de movimento linear se conserva porque a soma das forças exter­
nas é igual a zero; a quantidade de movimento angular se conserva porque a soma
dos torques externos é igual a zero; (ô) = Vc/4; (c) w = v</4a; (d) = -
mvo/4
5.83 (o) O momento linear se conserva porque não existe nenhuma força externa atuan­
do sobre o sistema; o momento angular se conserva proque o torque externo é igual
a zero. (6) v = (v/2)/ , onde i é o vetor unitário do eixo Bx, ou seja, F é um
vetor unitário paralelo à velocidade inicial v . (e A distância entre o centro de mas­
sa e o ponto B após a colisão é igual a 3d/4. (d) w =■ 6v/l\d
5.84 0,12 rad/s
5.85 0 = Igd/R2^ (ò) 5,44 rad/s
5.86 t = 0 x L
5.87 2,76 X 10”N.m
5.88 tg 9 = my/mr = 0,5; 0 = 45°; Tt = T2 = T> = T< = = 98 N
= p2 = 196 N; r6 = 219,2 N

291
BIBLIOGRAFIA
I- Livros para o segundo grau e o vestibular
GONÇALVES, D.: Física. Obra em quatro volumes. Ao Livro Técnico, Rio de Janeiro,
1967.
2. ALVARENGA, B., MÁXIMO, A.R.L.:Físfca:Obraem3 volumes. Editora Bernardo Al-
bares, S.A., Belo Horizonte, 1971.
3. WOLKENSTEIN, V.S.: Problemas de Física Geral. Editada em inglês pela Editora Mir,
Moscou, 1975.
4. RAMALHO, F.J., IVAN, J.C.S., NICOLAU, G.F., TOLEDO, P.A.: Os Fundamentos
da Física. Obra em três volumes. Editora Moderna, São Paulo, 1976.
5. UENO, P.T., UAMAMOTO, LI.: Estudos de Física. Obra em três volumes. Editora Mo­
derna, São Paulo, 1977.
6. WILLIAMS, J.E.: METCALFE, H.C.: TR1NKLEIN, F.E.; LEFLER, R.W.; SILVA MEL­
LO, L.J. (Tradutor): Física Moderna, Curso Programado. Editora Renes, Rio de Janeiro,
1970.
7. ZHDÁNOV, L.: Manual de Física para los Centros de Enzenanza Media Especial. Editado
em espanhol pela Editora Mir, Moscou, 1977.
8. SCHAUM, D.: Física Geral. McGraw-HilI, São Paulo, 1978.
9. ALVES, A.A.; OLIVEIRA, E.O.; ROBORTELLA, J.L.C.: Física. Obra em 3 volumes.
Editora Ática, 1984.
fl - Livros de nível universitário
10. ALONSO, M., FINN, E.J.: Física. Addison-Wesley Co., 1970.
11. KIKOIN, I., KIKOIN, A.: Física Molecular. Editora Mir, Moscou, 1971.
12. SEARS, F.W., ZEMANSKY, M. W„ YOUNG. H.D.: Física. Obra em três volumes. Edi­
tora LTC, Rio de Janeiro, 1980.
13. LUIZ, Adir M.: Problemas de Física. Obra em quatro volumes. Editora Guanabara Dois,
Rio de Janeiro, 1980.
14. QREML, J.'. Fundamentos de Física. Obra em três volumes. Editora LTC, Rio de Janeiro.
1982.
15. RESNICK, R., HALLIDAY, D.: Física. Obra em quatro volumes. Editora LTC, Rio de
Janeiro, 1984. 4.* Edição.
16. TIPLER, P.A.: Física. Obra em dois volumes. Editora Guanabara Dois, Rio de Janeiro.
1980.

292
Apêndice A
TÓPICOS ESPECIAIS
A. 1 Centro de massa e centróide
O conceito de centro de massa foi introduzido no Capítulo 4. Vimos que o vetor posição
do centro de massa de um conjunto de N partículas é dado por:
J (A.I)
onde Mé a soma das massas das Npartículas, r\ é o vetor posição da partícula de massa mt e
a soma indicada na equação (4.1) deve ser estendida desde / = 1 até i = N.
Sabemos também que o centro de gravidade de um sistema coincide com o centro de mas­
sa do mesmo sistema numa região do espaço onde existe um campo gravitacional uniforme. Em
locais onde o campo gravitadonal não é uniforme, o centro de gravidade não coincide com o centr
de massa do mesmo sistema. Além da leitura do Capítulo 4 deste Livre, recomendamos aos est
dantes a leitura da Obra “Gravitação, Oscilações e Ondas" de Adir M. Luiz e Sérgio L. G(
veia.
A determinação do centro de massa mediante a equação (A. 1) só pode ser feita no ca
dc um sistema de partículas, ou seja, no caso de um conjunto de massas puntiformes. Para d<
terminar a posição do centro de massa de um corpo rígido ou de qualquer sistema não puntifor
me, devemos usar a seguinte expressão: f
MFm = J F dm (A.2)
onde M é a massa total do corpo e F é o vetor posição de cada elemento de massa dm do corpo.
O elemento de massa dm deve ser relacionado com o elemento de volume dVáo corpo mediante
a equação:
dm - p dV (A.3)
onde p é a densidade em cada ponto do corpo.
Para integrar a relação (A.2) é necessário utilizar a equação (A.3) e estender a integral pa­
ra todos os pontos do espaço onde existe massa. Utilizando-se um sistema cartesiano ortogonal,
de acordo com a relação (A.2), obtemos as seguintes expressões para a determinação das coor­
denadas do centro de massa de um corpo:
Mxtn “ j x dm\ Myn = J y dm', Mz^ - J z dm
Denomina-se centrõide o centro de massa de uma drea plana ou de uma placafina. O cen­
tróide de uma figura plana ou de uma placafina situada no plano Oxy pode ser determinado me­
diante as seguintes relações:
i4Ae»a xdA-, Ay„ ydA

293
onde A é a área da placa e dA é um elemento de área da figura plana ou da placa considerada.
Em coordenadas cartesianas, temos:
dA = dxdy

A.2 Momento de inércia


O conceito de momento de inércia foi introduzido no Capítulo 5. Na Tabela 5.1 indica­
mos os momentos de inércia de alguns corpos simétricos em relação a determinados eixos de si­
metria dos respectivos corpos. Vamos agora mostrar como se determina os momentos de inércia
dos corpos mencionados na Tabela 5.1.0 momento de inércia de qualquer corpo em relação a
um dado eixo pode ser determinado através da seguinte equação:
/ = J r2 dm (A.4)
onde ré a distância de cada elemento de massa dm ao eixo considerado. A seguir resolveremos
diversos problemas para que o leitor aprenda a utilizar a relação (A.4).

Exemplo A. 1 Deduza o teorema dos eixos paralelos.


Soluçãa Considere um elemento de massa dm. Seja r a distância de dm a um eixo passan­
do pelo centro de massa e s a distância de dm a um eixo paralelo ao eixo que passa pelo centro
de massa. Podemos escrever:
s=r+ d (D
onde d é a distância entre os dois eixos paralelos mencionados.
O momento de inércia em relação ao eixo que passa pelo centro de massa é dado por:
Zcm = \r2 dm (2)
O momento de inércia em relação ao eixo paralelo que passa pelo centro de massa é dado
por:
Z = j s2 dm (3)
O quadrado de distância s, de acordo com a relação (1) é dado por:
s2 = r2 + d2 + 2rd (4)
Substituindo a relação (4) na equação (3), e levando em conta a relação (2), obtemos:
I = Zcm + d^dm + 2d\rdm (5)
onde colocamos as constantes para fora das integrais. Pela definição de centro de massa, temos:
]rdm — 0
Conseqüentemente, da relação (5) resulta o teorema dos eixos paralelos (teorema de Stei-
ner):
I = Im + Md2
sendo Ma massa total. Portanto, o momento de inércia em relação a um eixo paralelo a um certo
eixo que passa pelo centro de massa é igual ao momento de inércia em relação ao eixo que passa
peloe entro de massa, mais a massa total Mdo corpo multiplicada pelo quadrado da distância
entre os dois eixos.

Exemplo A, 2 Deduza o teorema dos eixos perpendiculares.


Solução. O teorema dos eixos perpendiculares afirma que o momento de inércia de uma
placa fina em relação a um eixo perpendicular à placa é igual à soma dos momentos de inércia
em relação a dois eixos, perpendiculares entre si, situados sobre o plano da placa, que se cruzam
no mesmo ponto onde b eixo perpendicular fura o plano. Estes três eixos formam um sistema
tri-ortogonal. Seja r a distância de um elemento de massa dm ao eixo Oz que fura o plano da pla­
ca. Então, o momento de inércia em relação a este eixo será dado por:

294
h - \P dm (1)
O momento de inércia em relação ao eixo Oy é dado por:
- fx2 dm (2)
O momento de inércia em relação ao eixo Oy será:
A = \y2 dm (3)
As distâncias r, x e y formam um triângulo retângulo no plano xy; logo:
r2 = x2 + y2 (4)
Substituindo a relação (4) na equação (1), e somando as relações (2) e (3), provamos o teo­
rema dos eixos perpendiculares, ou seja:
A = A + /z
Exemplo A.3 Determine o momento de inércia de uma esfera em relação ao centro da
esfera.
Solução Na prática só é importante o cálculo de momentos de inércia em relação a eixos
(em geral, eixos passando pelo centro de massa). Contudo, podemos também definir o momen­
to de inércia em relação a um ponto. Basta, para isto, tomar a distância r como sendo a distância
de cada ponto do corpo à origem do sistema. Para exemplificar, vamos calcular o momento de
inércia de uma esfera em relação ao centro de massa da esfera. De acordo com a relação (A.4)
o momento de inércia da esfera cm relação ao centro de massa será dado por:
/o = dm (1)
onde ré a distância de cada ponto da esfera ao centro de massa da esfera. Como existe simetria
esférica, o elemento de massa dmpode ser escrito na seguinte forma:
dm = p dV = p 4-jrr2 dr (2
Substituindo a relação (2) na equação (1), obtemos:

/0 = J r* dr
Integrando esta relação, resulta:
/«= 4rp(/?75) (3)
A densidade da esfera é dada por:
p = M/V = 3Af/4r/?J (4)
Substituindo a relação (4) na equação (3), obtemos o momento de inércia da esfera em re­
lação ao centro de massa da esfera:
/o = 3MR2/5 (5)

Exemplo A. 4 Determine o momento de inércia de uma esfera em relação a um eixo pas­


sando pelo centro da esfera.
Solução. Considere um sistema de coordenadas Oxyzcom origem no centro de massa da
esfera^ O momento de inércia em relação a um eixo deve ser calculado pela definição (A.4). O
quadrado da distância ao eixo Oxé igual a (y2 + z2); logo, o momento de inércia da esfera em
relação ao eixo Oxserá:
A = J (/ + z2) dm (1)
O quadrado da distância ao eixo Oy é dado por: x2 + z2. Logo, o momento de inércia em
relação ao eixo Oy é dado por:
4 « |(x? + z*)dm (2)

295
Analogamente, o momento de inércia em relação ao eixo Oz será dado por:
Z. = \{x‘ + y*)dm (3)
Somando membro a membro as relações (1), (2) e (3), obtemos:
4 + /, + /. = ^x3 + / + e-fdm (4)
Devido à simetria da esfera, um diâmetro da esfera não se distingue de nenhum outro diâ­
metro, donde se conclui que: /» = Ir = /t = Vamos designar por /ín» o momento de inércia
em relação a qualquer eixo que passa pelo centro de massa da esfera. Além disto, sabemos que:
r2 - x2 + y* + z2
logo, a relação (4) pode ser escrita na forma:
3/«, = 2jr2dm (5)
Levando em conta a relação (1) do problema anterior, vemos que a integral do segundo
rpembro da relação (5) é o momento de inércia 70 em relação ao centro de massa da esfera. Lo­
go, substituindo na equação (5) o valor encontrado na relação (5) do problema anterior, temos:
Itm = IMR2/* (6)
Este é o momento de inércia de uma esfera em relação a um eixo passando pelo centro de massa
da esfera. Para calcular o momento de inércia da esfera em relação a qualquer outro eixo do es­
paço, basta aplicar o teorema dos eixos paralelos.

Exemplo A,5 Calcule o momento de inércia de uma barra delgada de comprimento L e


seção reta uniforme em relação a um eixo perpendicular à barra e passando pelo centro de massa
da barra.
Solução. O resultado deste problema será igualmente válido para uma vara, para um fio,
para um cabo, para um lápis, etc. Ou seja, o resultado será válido para todos os objetos que pos­
suem o diâmetro de sqção reta muito menor do que o comprimento L do objeto.
Para concretizar, vamos considerar uma barra delgada de seção reta retangular. Construa
um sistema de referência com origem no centro de massa da barra. Como a barra é delgada, bas­
ta considerar a coordenadax ao longo do comprimento da barra. O momento de inércia será da­
do por:
L/l
/«. = 2 x2 dm (D
'o
O elemento de massa é dado por: dm = pdV = pA dx, onde A é a área da seção reta da
barra. Substituindo dm na relação (1), obtemos:
Ul
= 2p/4 j x2 dx (2)
Integrando a relação (2), vem: 0
= pALf/Yl (3)
Porém, a densidade é dada por: p = M/AL. Substituindo este valor na relação (3), encon­
tramos:
= ML3/\2
Conforme já dissemos, este resultado vale aproximadamente quando a barra for muito
fina (em relação ao comprimento L); em caso contrário, a integração passa a ser feita em função
das variáveis x, y e z.
Exemplo A. 6 Determine o momento de inércia de um cilindro maciço de raio R em rela­
ção ao eixo de simetria central do cilindro. Determine também o momento de inércia de um cilin-

296
dro oco com raio externo b e ralo interno a, sendo a parte oca concêntrica com a parte maciça.
Dê as respostas em função da massa total A/do cilindro maciço, tanto no primeiro caso quanto
no segundo.
Solução. Vamos considerar, inícialjnente, um cilindro maciço de massa Mc raio R. O ele­
mento de massa do cilindro é dado por: dm = pdV. O volume de um cilindro de raio variável
rc comprimento / é dado por: V = xr2!; logo:
dV = Ixlrdr
O momento de inércia em relação ao eixo central do cilindro será dado por:

Am = J* r2 dm = r3 dr (1)
Fazendo a integral acima, obtemos:
A- = xlpR4/! (2)
Pela definição de densidade, p = M/V. O volume total do cilindro é V = xR2l. Logo:p = M/xR2!.
Substituindo este valor na equação (2), resulta:
/OT = MR2/2 (3)
Esta relação fornece o momento de inércia de um cilindro circular maciço ou de um disco
maciço de raio R. Vamos agora calcular o momento de inércia de um cilindro oco no qual o bu­
raco cilíndrico é concêntrico; seja b o raio da superfície externa e ao raio da superfície interna.
Para resolver o problema pela integração direta, basta fazer a integral da relação (2) entre os li­
mites a e b; deixaremos ao leitor a tarefa de fazer este cálculo, como exercício. Vamos determi­
nar o momento de inércia do cilindro oco por uma técnica já usada anteriormente na determina­
ção do centro de massa de figuras com buracos.
O momento de inércia é aditivo, isto é, o momento de inércia total é a soma dos momenr
de inércia das partes. Logo, se retirarmos uma das partes, devemos também retirar do momenio
de inércia total o correspondente momento de inércia que foi retirado do conjunta Consequen­
temente, para calcular o momento de inércia de figuras com buracos, devemos proceder do seguin­
te modo: calculamos o momento de inércia da configuração completa (sem levar em conta os bura­
cos). A seguir, calculamos o momento de inércia das partes que completavam os burados antes de
serem retiradas, A diferença entre o momento de inércia total e o momento de inércia das parte*
que foram retiradas fornece o momento de inércia da configuração com os buracos.
No presente problema só existe um buraca O momento de inérda da parte que completa o
buraco, de acordo com a relação (3), será:
V = mir2/! (4)
onde m‘ é a massa do cilindro de raio a que foi retirado do cilindro maciça O momento de inércia
do cilindro maciço de raio b é dado por:
I = Mb2/2 (5)
O momento de inércia do cilindro oco será, portanto:
A. = / - r (6)
Porém: z?i’= pxa2lcM = pxb2!. Logo,
m’ = MA2/b2 (7)
Levando em conta as equações (4), (5) e (7), obtemos:
/«, = M(tf - a^/lb2 (8)
onde M é a massa total do cilindro maciço de raio b.

297
A,3 Aceleração de uma partícula que se move em relação a um corpo rígido que gira
com velocidade angular variável

A Terra não é um referencial inércia!, uma vez que ela gira em torno do eixo Norte-Sul com
uma velocidade angular w aproximadamente constante. Nesta Seção vamos deduzir a expressão
geral da aceleração de uma partícula que se move em relação a um corpo rígido que gira com uma
velocidade angular variável w (/). Todos os problemas envolvendo o movimento de partículas
em relação à Terra podem ser resolvidos fazendo-se = constante nas equações que escrevere­
mos a seguir.
Na cinemática das rotações dos corpos rígidos, é importante calcular a derivada de um ve­
tor qualquer B em relação a um sistema que possui velocidade angular w. Já vimosque um siste­
ma que possui velocidade angular nào é um referencial inercial. Suponha um corpo rígido giran­
do com uma velocidade angular w em relação a um referencial inercial. As grandezas vetoriais
medidas em relação ao referencial fixo neste corpo diferem das respectivas grandezas medidas
em relação a um referencial inercial. Vamos deduzir uma expressão apropriada para relacionar
a derivada de um vetor do sistema que gira com a respectiva derivada do vetor medido em rela­
ção a um referencial inercial.
Seja B um vetor de uma grandeza física medida em relação a um referencial inercial Scom
origem no pontos O. Em relação ao referencial não inercial ' num instante t, a grandeza B (/)
vista do sistemaS’ possui o valor instantâneo B (/). Num instante/ + dt, em relação ao referen­
cial inercial, a grandeza B sofreu um acréscimo AB ; contudo, em relação ao referencial S^que
está girando com velocidade angular gj, o vetor assumirá um acréscimo dado por AB + (<o X
B )àt porque no instante A/ o vetor B girou em relação a S'. Logo, podemos escrever:
(AB )s = (AB )j* + (o> X B )At
Dividindo ambos os membros por Ar e passando ao limite quando Ar tende a zero, resulta:
dE dB - (A.5)
------ = ------ + U) x ff
dt3 dts-
ondea notação dB /dts é usada para designar a derivada em relação ao tempo no sistema S,
e dB /dts- para designar a derivada no sistema S’. O observador no sistema inercial S mede a
grandeza dB /dts, e o observador no sistema 5'mede a grandeza dB /dtT . A relação entre es­
tas duas grandezas é dada pela equação (A.5).
Vamos agora estudar o movimento de uma partícula em relação a um referencial S' que
gira com velocidade angular variável em relação a um referencial inercialS. No parágrafo ante­
rior obtivemos a equação (A.5) que serve para relacionar a derivada dB /dt num sistema inercial
S com a derivada (dE /dt} em relação a um sistema não-inercial S’. Suponha que o vetor B (/)
seja o vetor posição r* (/). De acordo com a relação (A.5), temos:
tZr* dr ~ —
— — ------ + u X r (A.6)
dts dty

onde: dr/dts - v (velocidade da partícula em relação ao sistema S), dr * /dt = v» (veloci­


dade da partícula em relação ao sistema S A relação (A.6) pode ser escrita na seguinte forma:
"v = v* + u X f (A.7)
Fazendo B = v na equação (A.5), podemos calcular a aceleração da partícula:
dv dv — (A.8)
------- = + GJ x v
dts----- dly

298
A derivada (dv7dr)s fornece a aceleração õ* em relação ào sistema inercial\ substituin­
do v dado pela relação (A.7) na equação (A.8), resulta:
dv' _ -
a - ------- + W XV’ + u x (w x r ) (A.9)
dt

A derivada dv /dtK pode ser calculada mediante a equação (A.7). Derivando-se esta
equação ame relação ao tempo para o sistema S*, temos:
dv dv» — dr du
---- = —— ++ uu xx X r (A. 10)
dty dty dty ~di^
Na relação (A. 10), temos dv /dty = o» (aceleração da partícula em relação ao referen-
ciai S*), dr /dts. = v’. Para obter a derivada dã> /dtr , podemos usar novamente a relação
(A.5). Logo,
dw da —
= ------ + a) x <j (A. 11)
dts dty

como w* x a = Õ", concluímos que:


dw /dl* = dw 7drr = a
ou seja, a aceleração angular a da partícula é a mesma, tanto para o observador situado no siste­
ma S quanto para o observador situado no sistema S’. Levando em consideração as relações (A. 10)
e (A. 11), temos:
dv' —, — —, — - (A.12)
■------ - = a + cj X v + a X r
dty

Substituindo a relação (A.12) na equação (A.9), resulta:


õ* = a* + 2w X v» + a X r + w X (w (A. 13)
Por outro lado,
w x (« x r") = (w .r*)w - wV* (A. 14)
As equações (A. 13) e (A. 14) servem para relacionar todas as acelerações (e, portanto, to­
das as forças) medidas por um observador situado no sistema Se por outro observador situado
no sistema S*. Reagrupando os termos, podemos escrever:
õ* = õ» + ã\ + ã*t (A.15)
onde J*’ é a aceleração da partícula em relação ao observador fixo no sistema S’, é a acele­
ração dada por:
= a X r + (J.r)w - (A. 16)
e é a aceleração de Coriolis dada por:
Í 2 u X v"

Considere agora uma partícula em repouso em relação a S\ Como S’gira com velocidade
angular w(/) em relação a S, para determinar o movimento da partícula em relação a S basta fa­
zer v' = 0 e a’ = 0 nas relações anteriores. A aceleração indicada na relação (A. 16) deno­
mina-se aceleração de transporte. Portanto, para um corpo em repouso em relação a S\ a acele­
ração total dada pela equação (A. 15) se reduz à aceleração de transporte (A. 16), uma vez que

299
a aceleração~ de Coriolis a< e a aceleração tangencial a> se anulam. Note que a aceleração de
iranspote ã~ é sempre diferente de zero, mesmo no caso particular dc um sistema S’ que gira com
velocidade angular constante. Por exemplo, no caso da Terra, como w é constante, verificamos
que a aceleração de transporte fornece a aceleração centrípeta que atua sobre um corpo em re­
pouso sobre a Terra.
Quando v’ é diferente de zero, para estudar o movimento da partícula na superfície terres­
tre,-c necessário levar em conta a aceleração centrípeta, a aceleração tangencial e a aceleração
de Coriolis. Se o corpo se move com uma velocidade v* constante, embora não haja aceleração
tangencial, haverá sempre aceleração de Coriolis c aceleração centrípeta.
Lembrando o conceito de força inercial, concluímos que, para um observador que está sobre
a Terra, todo corpo quese move com velocidade constante na superfície terrestre fica submetido
a duas forças inerciais'. a força centrífuga e a. força de Coriolis. Quando a velocidade do corpo
for variável, além destas/orças inerciais, surge uma terceira força inercialoriunda da aceleração
tangencial. No estudo do movimento dosfluidos existentes na Terra (o ar, os rios, os mares, etc),
é necessário levar cm conta os efeitos produzidos por estasforças inerciais. Por exemplo, os ven­
tos alísios e os ventos contra-alísios são fortemente influenciados pelas forças de Coriolis.

A.4 Forças de inércia


Vamos generalizar agora o estudo feito na Seção 2.5 sobre forças de inércia. Considere
o referencial girante mencionado na Seção A.3. Ou seja, imagine um referencial S‘ que gira com
uma velocidade angular variável em relação a um referencial inercial S. Um observador fixo no
referencial inercial S aplica a Segunda Lei de Newton na forma:
EE — ma (A. 17)
onde mé a massa de uma partícula que se desloca com aceleração F» cm relação aSecom veloci­
dade v> em relação a S’. O observador solidário com o referencialnão-inercialS' aplica a Se­
gunda Lei de Newton do seguinte modo:
EE + EE \n = ma' (A.18)
onde Fin é uma força inercial.
O movimento mais geral de um sistema de referência não-inercial consiste numa transla-
ção com uma aceleração a0 em relação a um referencia! inercial S mais uma rotação com uma
aceleração angular. Logo, no caso geral, a aceleração de uma partícula em relação a 5, dc acor­
do com o resultado (A. 13), pode ser escrita na forma:
a - Eo + Õ» + u x (u x r*) + ct x E + 2u x v> (A. 19)
Das relações (A. 17), (A.18) e (A. 19) encontramos a seguinte expressão para a força iner­
cial resultante:
EE= -.mõT0 - mu X (u x r) - ma X E - 2mu X v» (A.20)
onde a0 é a aceleração de trahslação do sistema S’cm relação a S, E é o vetor posição da par­
tícula em relação aS',a = du /dt e v* é a velocidade da partícula de massa m cm relação a
S‘. Utilizando a mesma notação empregada na Seção 2.5, podemos escrever a relação (A.20) na
forma:
=? +< +£-+£,
Concluímos que, qualquer que seja o movimento, existem apenas quatro forças inerciais
dadas por:
1 — Força de Einstein: E = - ma^, 3 — Força de Euler: E* = - ma _x r _
2 — Força centrifuga: = - mu x (u X r*) 4 — Força de Coriolis: F, - • 2mu X v •

300
Apêndice B
ALGUNS DADOS ASTRONÔMICOS
TABELA I. DADOS SOBRE A TERRA

Massa: 5,98 x 1024 kg.


Raio equatorial: 6,378 x 10* m.
Raio polar: 6,357 x 10* m.
Rádio médio(a): 6,370 X 10* m.
Densidade média: 5522 kg/m2 = 5,522 g/cm2.
Aceleração da gravidade(ô): 9,80665 m/s2.
Velocidade orbital média em torno do Sol: 29.770 m/s.
Velocidade angular (ou velocidade de spin): 7,29 X 10' rad/s.
Constante solar(c): 1340 W/m2.
Campo elétrico(d): 150 V/m.
Campo magnético(e): 0,5 Gauss = 5 X 10" 2 T.
Momento de dipolo aproximado: 8,1 X 1022 A.m2.
Atmosfera padrão: 1,013 x 102 Pa = 760 mm de Hg.
Densidade do ar seco em CNTP(/): 1,29 x 10 “ 3 g/cm2 = 1,29 kg/m2.
Velocidade do som no ar seco (CNTP): 331 m/s.
Temperatura média da superfície terrestre: 22°C = 295 K.

Observações sobre a Tabela 1: {a) Raio da esfera que possui o mesmo volume da Terra.
(b) Aceleração da gravidade aproximada, a uma Latitude de 45° e ao nível do mar. (c) Intensida­
de luminosa média dos raios solares no topo da atmosfera da Terra, (d) Campo elétrico médio
na superfície terrestre sem perturbações atmosféricas, (e) Valor médio aproximado do compo­
nente horizontal do campo magnético nas vizinhanças da superfície terrestre. (/) CNTP = con­
dições normais de temperatura e pressão, ou seja T = 0°C = 273 K; p = 1 atm.

TABELA 2. DADOS SOBRE O SOL

Massa: 1,99 x IO20 kg.


Raio: 6,96 x 105 km.
Densidade média: 1410 kg/m2.
Gravidade na superfície: 274 m/s2.
Temperatura na superfície do Sol: 6000 K.
Taxa da radiação total emitida pelo Sol: 3,92 x 102* W.

301
TABELA 3. DADOS SOBRE A LUA

Massa: 7,36 X 10JJ kg.


Raio: 1738 km.
Densidade média: 3340 kg/mJ = 3,34 g/cm3.
Aceleração da gravidade na superfície da Lua: 1,67 m/sí
Distância média entre a Terra e a Lua: 3,8 X 103 km.

TABELA 4. DADOS SOBRE OS PLANETAS DO SISTEMA SOLAR


Merc. Vênus Terra Marte Júp. Sat. Urano Nct. Plutão

Afélio (10’km) 69,7 109 152 249 816 1507 3004 4537 7375
Pcriélio 45,9 107 147 207 741 1347 2735 4456 4425
Distância média do Sol
(10’ km) 57,9 108 149,6 228 778 1427 2870 4497 5900
Distância média do Sol
(UA) 0,39 0,72 1,00 1,52 5,20 9,54 19,2 30,1 39,4
Período de revolução
cm torno do Sol 88 d 225d 1a 1,9a 12a 29 a 84 a 164a 250 a
Velocidade orbital
(km/s) 48 35 30 24 13 9,6 6,8 5,4 4,7
Diâmetro equatorial
(1000 km) 4,88 12,1 12,76 6,79 143 120 51,8 49,5
Massa (Terra = 1) 0,05 0,81 1,00 0,11 318 95,2 14,6 17,2
Volume (volume da
Terra - 1) 0,06 0,88 1,00 0,15 1316 755 67 57
Densidade (g/cm3) 5,4 5,2 5,5 4,0 1.3 0,7 1,2 1,7
Gravidade na
superfície (supondo a
da Terra = I) 0,37 0,88 1,00 0,38 2,64 1,15 1,17 1.18

Observações sobre a Tabela 4: Todos os dados desta Tabela sâo aproximados. A sigla UA significa
' ‘unidade astronômica’ ’ (distância média entre a Terra e o Sol). Os espaços contendo tracinhos
(—) não foram preenchidos por falta de dados confiáveis.

302
Apêndice C
ALGUMAS TABELAS IMPORTANTES
TABELA 1
Prefixos do Sistema Internacional

Expoente Prefixo Símbolo

12 tera T
9 giga G
6 mega M
3 quilo k
2 hecto h
1 deca da
deci d
-2 centi c
-3 milí m
-6 micro A*
-9 nano n
-12 pico P
-15 fento f
— 18 ato a

TABELA 2
Constantes físicas de uso mais comum
Grandeza e Símbolo palor aproximado

Carga do elétron(e) l,60x IO-'*


Constante de Avogadro (ZVA) 6,0 x 10" moléculas/mol
Constante de Boltzmann (A) 1,38 x 10“2J joule/K
Constante de Faraday (F) 9,65 x lO^C/mol
Constante gravitacional (G) 6.67 x 10“ " N.m^/kg'
Constante de Planck (A) 6,63 x 10’* J.s
Constante de Stefan-Boltzmann (/) 5.67 x 10“ * watt/mÍK4
Constante universal dos gases (R) 8,31 J/mol.K
Massa do elétron em repouso (m«) 9,11 x IO’3' kg
Massa do nêutron em repouso (mj 1.67 x 10“27 kg
Massa do próton cm repouso (m,) 1,67 x 10“” kg
Momento magnético do próton Qxp) 1,4 x 10“" J/tesla
Permissividade elétrica (e0) 8,85 x 10“12 farad/m
Permeabilidade magnética 0*o) 4t x 10“ 7henry/m
Raio de Bohr (r<j) 5,29 x 10“"m
Razão carga/massa do elétron (e/m) 1,76 x 10" C/kg
Velocidade da luz no vácuo (c) 3x10* m/s
Velocidade do som no ar 331 m/s

303
Apêndice D
SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDA­
DES (SI)
GRANDEZA UNIDADES DO SISTEMA INTERNACIONAL (SI)

NOME SÍMBOLO DIMENSÕES


Comprimento metro_________ m__ L
Área■ metro quadradc m2 I?_________
Volume metro cúbico m3 L3__________
Ângulo plano radiano rad adimensional
Ângulo sólido esferorradlano sr adimens ional
Massa quilograma kg M
Massa quilograma por
especifica kg/m3 ML-3
metro cúbico
Tempo_____ segundo s T__
Freqüência hertz Hz T-1
Velocidade metro por
segundo m/s LT“1
Velocidade
tadiano por
angular segundo rad/s T
Aceleração metro por
segundo quadrado m/s2 LT“ 2
Aceleração radiano por
rad/s2 t-2
angular____ segundo quadrado
Vazão metro cúbico por
volumétrica segundo m3/s L3T-1

Vazão quilograma por


mássica____ segundo kg/a MT-1
Momento de quilograma vezes 2
inércia metro quadrado kg.m‘ ML2
Momento linear quilograma vezes
metro por segundo kg.m/a MLT~1

304
GRANDEZA UNIDADES DO SISTEMA INTERNACIONAL (SI}
NOME SÍMBOLO DIMENSÕES
Momento angular quilograma vezes kg.m2/s ML2T~1
metro quadrado
por segundo
Força newton N MLT~Z
Torque newton vezes N.m ML2T-2
metro
Impulso newton vezes N.s MLT 1
segundo
Pressão newton por N/m2 ML-1T“2
metrç quadrado
Tensão newton por N/m MT
superficial metro
Viscosidade newton vezes se­ N.s/m2 ML^T-1
dinâmica gundo por metro
quadrado
Viscosidade metro quadrado m2/s
cinemãtica por segundo_____
Energia joule J MT.V2 '
Potência watt W___ ml2t~3
Intensidade de watt por W/m2 MT"3
uma onda______ metro quadrado
Carga elétrica coulomb C Q___
Corrente ampère A QT-1
elétrica
Diferença de volt V ml2t“2q“1
potencial
Campo elétrico volt por metro V/m MLT~2Q~1
Capacitância farad F m~^l~2t2q2~
Indutãncia henry H ml2q~2 ~~
Resistência ohm ml2t-1q~2
elétrica
Resistividade ohra vezes Q .m ml3t-1q-2
metro____
Condutância Siemens S M-1L-2,’ TQ 2
elétrica_____
Condutividade Siemens por S/m M-1 L 'tq2
elétrica_____ metro
Indução tesla T MT Q
magnética

305
GRANDEZA UNIDADES DO SISTEMA INTERNACIONAL (SI)
NOME SÍMBOLO DIMENSÕES
Fluxo weber Wb ml2t-1q-1
magnético______
Força ampère-espira Ae QT”1
magnetomotriz
Campo magnético ampère-espira Ae /m L"1QT“1
por metro____
Relutância ampère-espira Ae/Wb
por weber
Temperatura grau Kelvin K K
absoluta
Gradiente de grau Kelvin K/m
temperatura_____ por metro______
Calor especifico joule por J/kg.K l2t-2k~1
quilograma por
grau Kelvin
Condutividade watt por metro W/m.K mlt-3k'1
térmica por grau Kelvin
Intensidade candeia cd MI.2?-3
luminosa
Fluxo . lúmen Im ML2T“3
luminoso
Iluminamento Lux____________ Ix MT
Quantidade de lúmen vezes Im. s ml2t-2
luz___________ segundo
Luminância candeia por cd/m2 -3
MT 3
metro quadrado
2
Emitância lúmen por lm/mz MT
luminosa metro quadrado
Convergência dioptria di 1
ótica
Exposição lux vezes Ix. s MT'
luminosa____ segundo________
Eficiência lúmen por watt Im/watt adimens.
luminosa
Intensidade watt por W/sr ml2t 3
energética esferorradiano
Emitância watt por metro W/m2 MT
energética quadrado______
Dose absorvida joule por J/kg lV2
quilograma

306
Apêndice E
COMPLEMENTOS DE MATEMÁTICA
l. Aritmética e Álgebra
/. / Porcentagem
Para transformar uma fração num número decimal basta dividir o numerador pelo deno­
minador da fração. Para converter um número decimal em fração basta escrever a parte inteira
multiplicada pela respectiva/r<7f(?ocorrespondenteàparre</ec//na/donúmerodecimalconside-
rado. Exemplo 2,5 - 2(5/10) - 25/10.
Para calcular uma dadaporcentagem (x°7o) de uma grandeza G devemos multiplicar o vs»
lor da grandeza por xe dividir por 100 o resultado. Exemplo:
5^0 de 12 kg = 0,6 kg
Cálculo inverso. Para sabermos a que porcentagem de uma dada grandeza G corresponde
um resultado numérico y procedemos do seguinte modo. Dividimos o valor de y por G e trans­
formamos a fração resultante num número decimal, a seguir, andando duas casas decimais para
a direita, o resulado será expresso numa porcentagem. Exemplo:
A que porcentagem de G = 20 kg correspondente a massa y = 50 g?
Solução: 50 g = 0,05 kg. Logo,
y/G = 0,05/20 = 0,0025 = O,25Vo
1.2 Proporções
Uma proporção é a igualdade entre duas frações (ou razões). Considere a seguinte pro-
porção:
x a
7=b
As principais propriedades das proporções são expressas pelas seguintes igualdades:
bx = ay
x/a = y/b
x+y a + b a — b
y b y b
x+ a a x—a a
y + b b y -b b

307
1.3 Expoentes e raízes
Principais regras:
xux,> ^xílt + b)
S/x* = Vo ’ b)
(x°)h = xTb
x°/h= W?
x~°'b = 1/VF
{X ~ a/by? = x ~ ac^t>
1.4 Equação do segundo grau
ax2 + bx + c = 0

—b + D -b - D
Soluções ou raíses: Xi = ; xí =
2a 2a
onde D - (b2 — Aac)1'2

1.5 Logaritmos
log. x =» y ; a* = x
Todo logaritmo de um número x (em qualquer base a) se compõe de duas partes: a parte
inteira ou característica e a parte decimal ou mantissa. Para deduzir as propriedades dos logarit­
mos é necessário usar as propriedades dos expoentes e raízes (ver o item 1.3). Apresentamos a
seguir as principais propriedades dos logaritmos:
logfxz.) - log. x + log. z
log,(x/z) = log^x - log.z
log, = c log*x; onde c é um número qualquer (inteiro, fracionário, decimal, irracional ou
complexo)
log.\/x = log. (xY/2 = 0,5 log. x
log^/j? - log. (x)b/c = (b/c) log. x
Mudanças de base. Suponha que
log, x = N
Para calcular o logaritmo de Arem qualquer outra base, conhecendo-se o logaritmo dex
numa certa base a, devemos usar a seguinte regra de mudança de base'.
logb x - log. x logb a = N logb a
É fácil verificar a seguinte propriedade:
log„b = 1/(logb a)
As bases mais usadas na prática são: a base e (que fornece o chamado logaritmo neperia-
no) e a base 10 (que fornece o logaritmo decimal). Para mudar da base e para a base 10 (ou vi­
ce-versa), use os valores:
log< 10 =•- l/log)0e = 2,3026
logioe = l/logt 10 = 0,4343
1.6 Principais séries
A chamada série aritmética é obtida pela soma dos termos de uma progressão aritmética.
Seja a o primeiro termo da progressão e n o número de termos; neste caso, temos:
a + (a + d) + (a + 2d) + ... = 0,5n(2a + nd - d)

308
Seja uma progressão geométrica de razão r com n termos, sendo a o primeiro termo da
progressão. A série geométrica obtida pela soma dos termos desta progressão é dada por:
5 = a + ar + ar2 + ... = a(/* — l)/(r - 1)
É fácil verificar que para valores der menores do que um, o limite da soma S da série geo­
métrica quando n tende ao infinito é dado por:
lim S = a/(I — r)
n— «
A maior parte das séries utilizadas na Física são obtidas mediante o chamado desenvolvi­
mento em série de Taylor. A série de Taylor e alguns desenvolvimentos ou expansões em série
das funções mais comuns são apresentadas a seguir:

fW =f(a) + xfW + ... + —


2! n!
fM /(O) + x/’(0) + UW' (0) + ...

/ x3 _u
-— + ...
a +x a a2 a3

vTTZ= 1 +-í- _ xg +
8 J6

+ ...
2 8 16

In (/ + x) = x + — - (|x| s /; x + - /)
2 3

Cx - /)’ +
In x = (x - 1) (|x - /| s /; x •é 0)
2

x2
sen x — x — — + ^- =c < X < “)
3! 5!

COS X = 1 - — + —
21 4\

309
Igx x+^. + 2íl+ .... (-JL
3 15 \ 2

2. Geometria
2.1 Perímetros e áreas

Figura geométrica Lados Perímetro Área

Quadrado L 4L L2

Retângulo a.b 2{a 4- d) ab

Triângulo L 3L L2J1
eqüilátero 4

Hexágono L 6£

Círculo de raio raio 2tR *R2


igual a R R

2.2. Área externa e volume de algum sólidos


Cubo de aresta L. Área da superfície externa = 6Z.2. Volume - L2
Cilindro de altura He base circular de raio R. Área da base = *R2. Área da superfície la­
teral » 2xRfí. Volume ~ xRfH
Esfera de raio R. Área externa « 4icR2. Volume = 4t/?j/3
3. Trigonometria
Teorema de Pitágoras
x2 + y2 = r2
onde x e y são os catetos de um triângulo retângulo cuja hipotenusa é igual a r.
Identidades trigonométricos
Sendox =» rcos 0 ey <= rsen 0, aplicando o teorema de Pitágoras, encontramos a identi­
dade trigonométrico fundamental:
cos2 0 + sen2 0 = 1
Além da identidade anterior, são muito valiosas na prática as seguintes identidades trigo­
nométricos:
scc2 0 tg2 0 = i

cossec2 6 — cotg2 0 = 1

310
tg 0 cotg e
sen 6 = ; cos 6 =
•J] + tg7? ■J1 +• cotg2 0

tg a ± tg
tg (» ± P) = 1 T tgatg/í

cos x = cos (-x); sen x = -sen (-x): ig x = -tg (-x)


sen (x + y) — sen x cos y + sen y cos x

cos (x + y) = cos x cos y — sen x sen y


tg x + tg y
ig (* + y)
1 - tg x tg y

sen 2x — 2 sen x cos x


cos 2x “ cos1 x — sen1 x

<g ir = 2 tg x/(l - tg' x)


sen (x - y) - sen x cos y - sen y cos x

cos (x - y) = COS x cos y + sen x sen y

se~n x ± sen y * 2 sen fí—cos

cos x + cos y 2 cos fí-t cos í--- —


L 2 J L 2
cos x — cos y = 2 sen ^5 ■ t j sen

= sen (x ± y)
tg x ± tg y
cos x cos y
cos (-L) = / I + COS X
2
(x \ ll- cos x
sen
V2/ V }

sen x
1 +• cos x

etx « cos x + i sen x \ e' = cos x — i sen x


cos x « (e'x + e“")/2
sen x « (e'x - e“,x)/2/

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4. Cálculo Vetorla!
4.1 Soma de dois vetores
Sejam F e F dois vetores e G o menor ângulo entre estes vetores. A soma vetorial C ou
resultante destes dois vetores é dada pela relação:
c =a + F
O módulo c da soma vetorial acima é dado por:
c « -VF + b3 + 2ab cos 6
4.2 Diferença de dois vetores
Seja F o vetor obtido pela diferença vetorial entre a e F, ou seja:
F = F - F
O módulo d da diferença vetorial é dado por:
d = Ja3 + b2 — 2a b cos 6
4.3 Produtos entre vetores
Os dois principais produtos entre vetores são o produto escalar, indicado por
um ponto (.) e o produto vetorial, indicado pelo sinal de multiplicação (x)
Principais propriedades do produto escalar e ao produto vetorial:
Sejam F, J* c F vetores unitários nas direções x, y, z. Então
r.r =ft = f-f = i, rr
r x r = r ^F = f x f = o,
FxF = F, FxF«F, FxF-r
Qualquer vetor, F, de componentes a,, ay, axl ao longo dos eixos Ox, Oy, Oz, pode ser
escrito como segue:
a = tf.F + af + axF
Sejam F, F, F vetores arbitrários de módulos a, b, c, respectivamente. Então
F x(F + F) = F xF+F x F
(sF) x F = F x (sF) «= s (F x F) (s escalar).

Seja 6 o menor dos dois ângulos entre F e F. Então


F -F =« F F = atbt + a^ + atbt — ab cos Ô

ã* xfr = — 5" xô* «= («A — ò/zjF + (a,b. — b»aàF+ (aj), —


| F x 5" | = ab sen 6
cT-(F x F) = F-(F x F) = F*(F x F)
F x (F x F) = (F-F)F - (a F)F
5. Cálculo diferencial e integral
Observação: Embora os problemas deste livro possam ser resolvidos sem utilizar o Cálcu­
lo Diferencial e Integral, é conveniente fornecer as principais regras de derivação e de integra­
ção.

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