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FÍSICA MODERNA

Adir Moyses Luiz


Sérgio Lins Gouveia
Adir M. Luiz
Sérgio L. Gouveia

Ótica e Física
Moderna

‘■jv; Editora -.

www.VestSeller.com.br
© 1989 by Adir Moysés Luiz e Sérgio Lins Gouveia

Impresso no Brasil
Printed in Brazil

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
Luís, Adir Moisés, 1942-
L978o Òtica e física moderna /Adir M. Luiz, Sérgio L.
Gouveia. — Fortaleza : Editora VestScIlcr, 2006.
(Coleção Física)
Apêndice : exercícios e tabelas.
ISBN 85-265-0167-4— 85-265-0164-X (cole-
Ção)
1. Ótica. 2. Física. I. Gouveia. Sérgio Lins.
1944. II. Titulo. III. Série.

CDD — 535
89-0051 CDU — 535

Todos os direitos desta edição reservados à


Editora Vestscller
www.vestscller.coni.br
ÍNDICE
Capítulo 1 A LUZ E AS DEMAIS ONDAS ELETROMAGNÉTICAS 9
1.10 espectro eletromagnético 9
1.2 Natureza e propriedades da luz 22
1.3 Fontes de 1 uz 24
1.4 Efeitos produzidos pela luz 28
1.5 Velocidade da luz no vácuo 31
1.6 Pressão da luz 34
Questionário 41
Exercícios 42
Problemas 43
Capitulo 2 ÓTICA GEOMÉTRICA 48
2.1 Conceitos básicos da ótica geométrica 48
2.2 Leis da reflexão c da refração da luz 63
2.3 Prismas de reflexão total 77
2.4 A dispersão da luz num prisma e o arco-íris 78
2.5 Estudo geométrico dos espelhos 87
2.6 Análise dos dióptricos 108
2.7 Lentes delgadas 113
2.8 O olho humano e a máquina fotográfica 135
2.9 Instrumentos de ótica 150
2.10 Fotometria 161
Questionário 163
Exercícios 165
Problemas 179
Capítulo 3 ÓTICA ONDULATÓRIA 195
3.1 Principais fenômenos estudados na ótica ondulatória 195
3.2 Absorção e espalhamento da luz 196
3.3 Dispersão da luz 202
3.4 Difração e interferência da luz 204
3.5 Interferência por reflexão e por refração 220
3.6 Interferência por difração em fendas e orifícios 230
3.7 Interferência produzida por redes de difração 245
3.8 Polarização da luz 250
3.9 Outras propriedades óticas da matéria 269
Questionário 273
Problemas 275
Capítulo 4 FÍSICA MODERNA 285
4.1 Introdução 285
4.2 Teoria da relatividade 286
4.3 Física quântica 305
4.4 Estrutura da matéria 320
Problemas 338
BIBLIOGRAFIA 343
Apêndice A Aproveitamento da energia solar 344
Apêndice B Aproveitamento da energia nuclear 350
Apêndice C Algumas tabelas importantes 353
Apêndice D Sistema Internacional de Unidades (Sl) 354
Apêndice E Complementos de Matemática 357
GLOSSÁRIO 365
PREFÁCIO
Esta Obra se destina ao ensino da Física Básica em nível do Segundo Grau e Vesti­
bular. Os estudantes universitários também podem usar este Livro. Os tópicos mais avan­
çados abordados neste Livro são apresentados por meio de tipos menores. Além de sua
utilização em qualquer Colégio de Segundo Grau, esta Obra pode ser adotada nos se­
guintes Cursos Universitários: Ciências Biológicas, Química, Matemática, Geociências,
Farmácia, Ciências Agrícolas, Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal e demais
Cursos Universitários que necessitam dos conceitos da Física Básica sem um tratamen­
to matemático muito sofisticado.
A presente Obra se divide em 4 partes: No Capítulo 1 abordamos as questões cru­
ciais relacionadas com a natureza eletromagnética da luz e das demais ondas eletromag­
néticas que compõem o espectro eletromagnético. No Capítulo 2 estudamos a Ótica Geo­
métrica. No Capítulo 3 explicamos todos os efeitos físicos relacionados com o compor­
tamento da luz como onda eletromagnética. No Capítulo 4 fazemos um resumo dos prin­
cipais tópicos da Física Moderna. Achamos que o ensino da Física no Segundo Grau
e no Ciclo Básico das Universidades deve dar ênfase nos aspectos modernos da Física.
Ao longo deste Livro de “ Ótica e Física Moderna1 ’ o leitor encontrará a conexão entre
a Física Clássica e a Física Moderna.
A preocupação com os aspectos modernos da Física é uma preocupação que se re­
flete não só neste Livro como também em todos os outros volumes desta Coleção de
Física Básica que abrange os seguintes Livros:
Mecânica
G ravitação. Oscilações e Ondas
Elementos de Termodinâmica
Eletricidade, Magnetismo e Eletromagni-tismo
Ótica e Física Moderna
Neste Livro a exposição da matéria apresenta as seguintes características: (tf) as teo­
rias são desenvolvidas de forma objetiva; procuramos dar aos alunos o máximo de in­
formações, evitando-se divagações filosóficas e discussões puramente acadêmicas; (ò)
apresentamos diversos Exemplos minuciosamcntc resolvidos no estilo discursivo; (c)
no final de cada Capítulo propomos um Questionário, um conjunto de Exercícios de
múltipla escolha c uma coleção de Problemas; (d) todas as questões formuladas no Ques­
tionário, nos Exercícios e nos Problemas são respondidas no final de respectivo Capí­
tulo; neste Livro existe um total aproximado de 330 questões distribuídas nos Questio­
nários, nos Exercícios e nos Problemas.
Rio de Janeiro, agosto de 1987
Adir M. Luiz
Sérgio L. Gouveia
Capítulo 1
A LUZ E AS DEMAIS ONDAS
ELETROMAGNÉTICAS

1.1 O espectro eletromagnético


Faraday foi um dos primeiros pesquisadores a formular a hipótese da natureza ele­
tromagnética da luz. Faraday provou que uma onda luminosa transporta um campo
magnético oscilante, mediante a verificação de um fenômeno denominado efeito mag-
neto-ótico (ou efeito Faraday). Este efeito descoberto por Faraday, é responsável pela
rotação do plano de polarização da luz. No Capítulo 3 estudaremos a questão da pola­
rização da luz. Quando um feixe de luz polarizada passa no interior de uma substância
transparente apropriada, submetida a um campo magnético, verifica-se que ocorre uma
rotação do plano de polarização da luz. Posteriormente, muitos pesquisadores desco­
briram diversos efeitos que evidenciavam a natureza eletromagnética da luz. Todos es­
tes efeitos serão analisados na Seção cujo título é “efeitosproduzidos pela luz” (ver
Seção 1.4). Portanto, antes de Maxwell elaborar a Teoria Eletromagnética, Faraday
já havia suspeitado da natureza eletromagnética da luz. O efeito Kerr, o efeito Zeeman,
o efeito Stark e o efeito Faraday são efeitos que mostram a interação eletromagnética
entre a luz e a matéria na presença de um campo magnético externo e na presença de
um campo elétrico externo, conforme veremos no tópico “efeitos produzidos pela
luz” (ver a Seção 1.4).
Uma das conclusões mais importantes do Eletromagnetismo é a seguinte:
A luz e todas as demais ondas eletromagnéticas se propagam no vácuo com a mes­
ma velocidade c dada por:

c = 1/VtoMo (i.D

onde eo é a permissividade elétrica do vácuo e ^éa. permeabilidade magnética do vá­


cuo. Sabemos que:

eo = 8,85 X I0“'2 E/m; = 1,26 x IO"4 H/m

Substituindo estes dados na relação (1.1), encontramos o seguinte valor aproxima­


do:

c = 3 x 105 m/s (1.2)

9
De acordo com a definição de velocidade de uma onda, temos:

c= V (1.3)

ondeXé o comprimento dconda e/é a freqüênciada onda eletromagnética considera­


da. Note que, embora os valores de X e/ possam variar, o produto (X/) permanece sem­
pre constante no vácuo, de acordo com a relação (1.1). A constância da velocidade das
ondas eletromagnéticas no vácuo é uma das conclusões mais importantes substentadas
pela Física Moderna. Embora existam teorias que admitem uma eventual variação de
e uo com o tempo, acredita-se que e„ e m» sejam efetivamente constantes cm todas as
partes do Universo. De acordo com a relação (1.1) a constância dos valores de e
em todas as partes do Universo (e em qualquer instante de tempo) implica na seguinte
conclusão: a velocidade das ondas eletromagnéticas no vácuo é uma constante univer­
sal, isto é, acreditamos que não haja nenhuma alteração no valor de c (no tempo e em
qualquer loca! do Universo).
As ondas eletromagnéticas são geradas por cargas elétricas aceleradas, por um cor­
po incandescente (corpo negro), por reações químicas, por reações nucleares, por meio
de processos de ionização em gases e através de outros processos físicos. Conforme dis­
semos, todas as ondas eletromagnéticas se propagam no vácuo com a mesma velocida­
de c dado pela relação (1.2). No vácuo, uma onda eletromagnética se distingue de ou­
tra onda eletromagnética apenas pelo respectivo valor do comprimento da onda da ra­
diação considerada. Entretanto, quando uma onda eletromagnética interage com a ma­
téria condensada (isto é, qualquer tipo de matéria, com exceção do vácuo e dos cam­
pos), a velocidade de propagação da onda eletromagnética passa a ser uma função do
respectivo comprimento de onda de cada radiação considerada; este fenômeno deno­
mina-se dispersão das ondas eletromagnéticas. A dispersão da luz será examinada mais
adiante. O vácuo é o único meio no qual não existe dispersão de nenhum tipo de onda
eletromagnética.
Costuma-se utilizar a palavra "espectro" para designar a variação total de uma gran­
deza, desde um limite inferior até um limite superior. Denomina-se espectro eletromag­
nético o conjunto que abrange os diversos tipos de ondas eletromagnéticas, desde on­
das com frequências muito pequenas (da ordem de décimos de Hertz) até ondas com
frequências muito elevadas (da ordem de IO25 Hz). NaFig. 1.1 indicamos os principais
tipos de ondas eletromagnéticas que compõem o espectro eletromagnético. O Sol e as
demais estrelas emitem ondas eletromagnéticas com um espectro muito amplo. Pode­
mos verificar que uma estrela análoga ao Sol emite ondas eletromagnéticas dc tal
modo que a intensidade máxima destas ondas eletromagnéticas ocorre na região visí­
vel do espectro eletromagnético indicado na Fig. 1.1. Existem diversos astros que não
emitem luz própria mas emitem outros tipos de ondas eletromagnéticas. Por exemplo,
a Terra e a Lua não emitem luz própria-, a Terra e a Lua refletem a luz solar para o espa­
ço. Além desta luz refletida, a Terra e a Lua possuem uma emissão própria dc ondas

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eletromagnéticas. Conforme veremos no Capítulo 4, devido a um fenômeno denomi­
nado emissão de ondas eletromagnéticas de um corpo negro, veri f*ica-se que "todo corpo
que possui uma temperatura absoluta Temite ondas eletromagnéticas cujo espectro pos­
sui uma intensidade máxima correspondente a um comprimento de onda inversamen­
te proporcional à temperatura absoluta11 (ver a Lei de Wien no Capítulo 4). Por exem­
plo, a Terra c a Lua possuem uma emissão própria de ondas eletromagnéticas', verifica-sc
que a intensidade máxima destas ondas eletromagnéticas ocorre na região das ondas
infra- vermelhas.
Na Fig. 1.1 indicamos o comprimento de onda X c a frequência/da onda. É claro
que estes dois valores são relacionados pela equação (1.3). Entretanto, convém ressla-
tar que na interação de uma onda eletromagnética com a matéria, é mais conveniente
descrever a onda cm termos do comprimento de onda X, uma vez que o comprimento
de onda dá uma idéia direta do tamanho da onda. Por exemplo, sabemos que a difra­
ção de uma onda é tanto mais acentuada quanto menor for a largura da fenda em com­
paração com o comprimento de onda da onda que incide sobre a fenda considerada.
Na Fig. 1.1 indicamos o espectro eletromagnético abrangendo ondas eletromagné­
ticas extremamente pequenas e penetrantes {raiosgama) até ondas extremamente com­
pridas {ondas de potêcia). O eixo vertical do lado esquerdo da Fig. 1.1 indica a freqüência
da onda cm Hertz (Hz) e o eixo vertical do lado direito indica o comprimento de onda
X (cm metros). Os valores obtidos pela interseção destes eixos verticais com uma reta
horizontal são ligados pela relação (1.3). Por exemplo, uma microonda que possui com­
primento de onda igual a 1 cm vibra com uma freqüência
/ = c/X = 30 GHz.

Os nomes atribuídos aos diversos tipos de ondas eletromagnéticas está intimamente


ligado com a técnica de produção c recepção da onda eletromagnética considerada. Con­
forme podemos ver pela Fig. 1.1, o limite de freqüência entre os diversos tipos de on­
das não é muito acentuado; este limite decorre apenas de uma eventual definição ou
então do modo de geração da onda considerada. Por exemplo, uma onda eletromag­
nética com freqüência
/ = 3 x 10" Hz

(ou com um comprimento de onda dado por X = 1 mm), tanto pode ser gerada por téc­
nicas de microondas {mediante osciladores de microondas), como pode ser produzida
mediante técnicas de infra-vermelho (fontes incandescentes). O maior comprimento de
onda detectado cxperimcntalmentc é da ordem de 3 x 10/0 m (cerca de 5000 vezes maior
do que o raio terrestre); este comprimento de onda corresponde a uma freqüência/ =
0,01 Hz. O menor comprimento dc onda detectado cxpcrimentalmcnte corresponde aos
raios gama provenientes do espaço cósmico; algumas fontes extra-galácticas enviam
raios Xe raios y {com comprimentos de oneja extremamente pequenos). Em ordem cres­
cente de freqüência (ou em ordem decrescente de comprimento de onda), de acordo com
o espectro eletromagnético indicado na Fig. 1.1, podemos enumerar os seguintes tipos
de ondas eletromagnéticas: {a) ondas de potência, (ò) ondas longas, (c) ondas médias,

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Frequência
f (em Hz)

1025 - -IO"'7
IO27 - — 10"'"
-10-” c = V = 3 x >0" m/s
102J —
1022 - -10"'7
102' — .— Raios gama — -10 " '•*
IO2" — 1 — 10'22
10'’- — 10’"

10'" - lí__ Raios X -IO''" 1 À


i°'7— r -10'" I nm
10'" — J |___
IO'5 -_í___
IO'7 —
4 — IO”’

-10-7
-IO'6 l/x
J—Infravermelho —
10" - -IO'5
-10”'
IO'2 —
-10”*
10" — Microondas —
— IO'7 I cm
-
10'"
------ Ondas curtas ------- ■ -10“'
10’—
-1 I ITl
10"— }—Televisão e FM —{
-10'
IO2_
----- Ondas em AM —1 -102
(1 MHz) 10" —
-10* 1 km
10" —
— I07
107 — ------ Ondas longas----- < -IO5
(1 kHz) IO2 - -10"

f
102 - Ondas de -IO7
10 - potência -10"
1 Hz —
-10’
io-'- -10'"
io-2— -10"

Comprimento de onda
X(em metros)

Fig. 1.1 Espectro eletromagnético.

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(<y) ondas de TV e ondas de FM, (e) ondas curtas, (/) microondas, (g) ondas infra-ver­
melhas, (/i) ondas luminosas, (í) ondas ultra-violctas, (/) raios X. (Ar) raios gama. A se­
guir faremos um breve resumo das principais características dos diversos tipos de on­
das que compõem o espectro eletromagnético.
(a) Ondas de potência. A geração, transmissão e recepção da energia elétricaepse abas­
tece as cidades é normalmente feita através de uma tensão alternada (que produz cor­
rente alternada) cuja frcqüência típica é da ordem de 50 Hz ou 60 Hz. Dc acordo com
a teoria do Eletromagnctismo, toda corrente alternada produz ondas eletromagnéti­
cas. Caso o leitor ainda não esteja familiarizado com o Eletromagnctismo recomenda­
mos a leitura do Livro "Eletricidade, Magnetismo e Eletromagnctismo" de Autoria
dos Professores Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia. Uma corrente alternada com fre­
quência igual a 60 Hz produz uma onda eletromagnética com frcqüência f = 60 Hz.
Neste caso, dc acordo com a relação (1.3), temos:
X = 5 X 10ó m;
ou seja, este comprimento de onda é comparável com o raio da Terra (que vale aproxi­
madamente 6,37 X 106 m). Este tipo de onda eletromagnética sc propaga facilmente
no interior de um fio metálico. NaFig. 1.1 notamos que as chamadas ondas de potên­
cia possuem frequências da ordem de 1 Hz até cerca dc 103 Hz (ou comprimento de on­
da na faixa dc lOmaté lO^m). Estas ondas eletromagnéticas são utilizadas normalmente
para o transporte da potência elétrica (através de fios) desde a estação geradora até os
centros consumidores. Daí surgiu a expressão "ondas de potência" que é utilizada pa­
ra designar este tipo de onda eletromagnética. Não existe nenhum limite teórico para
a produção das ondas de potênia. Se operarmos um gerador de corrente alternada a
uma velocidade angular baixa, a frequência da onda eletromagnética gerada pode sc
tornar tão pequena quanto desejarmos, ou seja, o comprimento de onda pode ser tão
grande quanto desejarmos. Aumcntando-sc a velocidade angular ào gerador, a freqüên-
cia pode ser aumentada até cerc de 103 Hz, o que corresponde a um comprimento de
onda dc 3 km. É claro que esta técnica dc geração de ondas eletromagnéticas só é utili­
zada na prática para frequências compreendidas entre 1 Hz e 500 Hz. Ondas eletromag­
néticas com frequências superiores a 103 Hz podem ser facilmente produzidas por um
circuito ressonante RLC. Afrequência das ondas eletromagnéticas geradas por um cir­
cuito oscilante RLC é dada por:

(1-4)

onde L é a indutãncia c C c a capacitância do referido circuito. Mediante esta técnica


é possível gerar ondas de rádio (ondas longas, ondas médias e ondas curtas). Esta téc­
nica foi utilizada por Hertz para demonstrar a existência das ondas eletromagnéticas.
Contudo, para gerar microondas não é possível utilizar um circuito ressonante RLC

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com indutores e capacitores comuns; a geração dc microondasc feita mediante oscila-
dores eletrônicos constituídos por válvulas eletrônicas especiais.
(b) Ondas longas. Esta faixa abrange os comprimentos de ondas desde 1 km até cer­
ca de 107 km. Notamos que uma parte do espectro das ondas longas se superpõe com
o espectro das ondas de potência. As ondas de potência, conforme sabemos, são pro­
duzidas pelos geradores convencionais que giram com a mesma freqüência/da onda
produzida. As ondas longas abrangem as ondas de rádio longas com freqücncia da or­
dem de 1 kHz até 100 kHz. As ondas de rádio longas podem ser geradas por meio de
circuitos RLC ressonantes. As ondas de rádio longas podem ser detectadas por ante­
nas linearese por circuitos RLC que oscilam com uma freqüência de ressonância igual
à freqücncia da onda de rádio considerada.
(c) Ondas de rádio medias (A M). A sigla AM significa “ amplitude modulada'"; esta
sigla é utilizada para designar as ondas de rádio que possuem comprimentos de onda
de 50 m até 1 km, aproximadamente; estas ondas também são conhecidas como ondas
médias. As freqücncias destas ondas estão compreendidas entre 300 kHze 10 MHz, apro­
ximadamente. As ondas de rádio também são chamadas de ondas hertzianas. Os prin­
cipais tipos de ondas de rádio são os seguintes: ondas longas, ondas médias (AM), on­
das curtas e ondas de freqüência modulada (FM). As ondas de rádio podem ser gera­
das mediante circuitos RLC ressonantes e detectados por antenas metálicas lineares ou
por circuitos RLC ressonantes.

Na Fig. 1.2 indicamos um diagrama de blocos para ilustrar os dispositivos básicos uti­
lizados na geração e na recepção de ondas de rádio. Na parte (a) da Fig. 1.2 mostramos
o diagrama de blocos dc uma estação rádio-emissora (destinada a gerar c emitir ondas de
rádio). Um microfone transforma ondas sonoras de freqüência baixa cm impulsos elétri­
cos. A freqüência sonora baixa denomina-sc áudio-freqüência (AF). Os sinais elétricos que
saem do microfone também possuem a mesma freqücncia (AF) dos impulsos sonoros. Es­
tes sinais elétricos, depois dc amplificados, são misturados com ondas de rádio geradas
por um oscilüdor de rádio-freqüência (RF). Este oscilador normalmentc é constituído por
circuitos RLCressonantes. Ao sair do misturadoras impulsos elétricos possuem amplitu­
de modulada (AM)', estes impulsos são amplificados mediante um arqplificadorderádio-fre­
qüência (RF). O verbo "modular" significa literalmentc "fazer alterações de módulo".
Os termos "modulação", "modulada" c outros termos derivados do verbo modular se­
rão muito utilizados em várias partes deste Livro. Por exemplo, as ondas com amplitude
modulada (AM) que saem do misturador são ondas que possuem amplitudes que variam
(ou são moduladas) de acordo com uma outra amplitude convenientemente escolhida. A
técnica da modulação da amplitude consiste em combinar duas vibrações periódicas tais
que uma delas possui uma freqüência muito maior do que a outra. Uma vez que este con­
ceito é muito importante, vamos exemplificá-lo. Considere uma onda harmônica cuja am­
plitude seja dado por:

A = A o sen u)ot

ondeAoéa amplitude máxima da onda ewoéa freqücncia angular da onda. Sc esta onda
for modulada por uma outra onda cuja freqüência angular é <*>, obtemos uma onda com

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amplitude modulada (AM) dada por:
x = Ao sen wof sen w/
onde A 0 sen u( é a amplitude modulada da onda que sai do misturador. Em vez de modu­
lar & amplitude de uma onda também é possível modular 3 frequência de uma onda. A téc­
nica da frequência modulada (FM) é muito utilizada na emissão especial de ondas de rá­
dio e na emissão de ondas de televisão (TV), conforme veremos mais adiante.
As ondas de amplitude modulada (A M) que saem do amplificador de rádio-freqüência
(RF) são emitidas para o espaço através de uma antena emissora de rdio-freqtiência, con­
forme indicado na parte (a) da Fig. 1.2.

ANTENA EMISSORA

MICROFONE
□tz
| OSCILA DO r|

ANTENA RECEPTORA
AF = Audio-Freqücncia
RF = Rádio-Frcqiiência

>^|^H******>

(*) ALTO FALANTE


RF
Amplificador
¥ DF.TETOR
¥
AF
(Amplificador H#)))

Fig. 1.2 Esquema da emissão e recepção de ondas de rádio, (a)


Diagrama de blocos de uma rádio — emissora, (b) Diagrama de
blocos de um aparelho receptor de radio.

Na parle (ò) da Fig. 1.2 mostramos o diagrama de blocos de um aparelho receptor de


rádio. As ondas hertzianas provenientes de uma estação emissora são detectadas por uma
antena receptora metálica. Os impulsos elétricos, provenientes das oscilações do campo
elétrico das ondas eletromagnéticas que atingem a antena, são amplificados por um am­
plificador de rádio-freqüência (RF). Estes impulsos amplificados atingem um sistema de-

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tector especial que separa os impulsos de freqüência alta dos impulsos de freqüência bai­
xa. Sendo assim, os impulsos elétricos com freqüências audíveis (AF) são "filtrados” e
passam para um amplificador de áudio-freqüência (AF). Finalmente, estes sinais elétri­
cos AFatingem um alo-falante que reproduz o mesmo som proveniente da estação emis­
sora.

(d) Ondas de rádio de frequência modulada (FM) e ondas de televisão (TV). A sigla
FM é utilizada para designar as ondas de rádio com freqüência modulada. As ondas
da faixa FM fazem parte do espectro das ondas curtas. O espectro das ondas de rádio
FM abrange ondas com freqüências desde 30 MHz até cerca de 500 MHz, aproximada­
mente. As ondas de televisão (TV) correspondem a uma faixa situada aproximadamente
entre 50 MHz e 980 MHz. Um rádio-receptor que detecta uma faixa ampla defreqüên­
cia modulada (FM) pode ser usado também para detectar ondas de uma estação emis­
sora de televisão. Um aparelho receptor de televisão possui um diagrama de blocos se­
melhante ao de um receptor de rádio (no que se refere à recepção do som); contudo,
além da reprodução doso/n, o aparelho de televisão também converte as ondas eletro­
magnéticas em imagens, através da ação do cinescópio. O cinescópio do televisor con­
verte os impulsos elétricos em pontos luminosos que reproduzem as imagens mediante
técnicas especiais. Denomina-se ionosfera a camada superior da atmosfera que possui
grande quantidade de tons (partículas elementares carregadas ou átomos e moléculas
que perderam um ou mais elétrons). A ionosfera reflete as onda de rádio. Por esta ra­
zão, as ondas de rádio se propagam até grandes distâncias, podendo inclusive, atingir
pontos antípodas (isto é, pontos diametralmente opostos na superfície terrestre). En­
tretanto, as ondas de televisão não sofrem reflexão na ionosfera. Para a transmissão
de ondas de TV a grandes distâncias é necessário utilizar estações retransmissoras ou
satélites artificiais. É claro que para a transmissão de ondas de televisão para distân­
cias muito elevadas (por exemplo, de um Continente para outro), é mais conveniente
a utilização de satélites artificiais.
(e) Ondas curtas. Na Fig. 1.1 designamos por ondas curtas as ondas eletromagnéti­
cas na faixa de 10'4 até 10 m, aproximadamente. As ondas curtas abrangem os seguin­
tes tipos de ondas: ondas curtas de rádio (com amplitude modulada ou com freqüência
modulada), ondas de televisão e microondas. As microondas são as ondas mais cur­
tas desta região uma vez que possuem comprimentos de onda compreendidos entre 1
dm e 0,01 cm, aproximadamente. Existem muitos tipos de ondas curtas provenientes
do espaço sideral} os principais tipos de ondas curtas provenientes do espaço cósmico
são as ondas de rádio c as microondas.As ondas de rádio provenientes do espaço cósmi­
co são detectadas atualmente por gigantescos radiotelescópios. Existem radiotelescó­
pios com diâmetros superiores a 50 m. Muitas galáxias enviam para o espaço ondas de
rádio', os radiotelescópios já detectaram inúmeras rádio-galáxias e outros corpos ce­
lestes que emitem ondas de rádio.
(f) Microondas. As chamadas microondas são utilizadas principalmentc nas teleco­
municações e nos aparelhos de RADAR. A faixa comercial mais importante para a ge­
ração e a recepção de microondas corresponde a comprimentos de onda compreendi-

16
dos entre 20 cm e 0,1 mm, aproximadamente. As microondas não podem scr geradas
por um circuito oscilante envolvendo capacitorcs e indutores convencionais {circuitos
RLC). Para gerar microondas é necessário utilizar válvulas eletrônicas especiais. A trans­
missão das microondas pode ser feita através de guias de onda dimensionadas de acor­
do com o comprimento de onda da microonda considerada. A recepção e a emissão de
microondas erige a utilização de antenasparabólicas. Além de sua utilização nos siste­
mas de RADAR e nas telecomunicações as microondas também são usadas nos cha­
mados fornos de microonda.
Na Fig. 1.3 mostramos um sistema de RADAR usado para detectar aviões, auto­
móveis ou qualquer objeto metálico que se desloca na região varrida pelas microondas
geradas sitema de RADAR. Alépi delocalizar o avião, o sistema de RADAR pode
scr utilizado para determinar a velocidade do avião, conforme veremos quando estu­
darmos o efeito Dopplerno Capítulo 4.0 aparelho de RADAR emite uma microonda
que é refletida pela superfície metálica do avião e retorna para o sistema de RADAR
onde o sinal é analisado. Na parte {a) da Fig. 1.4 mostramos a antena direcional utili­
zada no sistema de RADAR. Na parte (d) da Fig. 1.4 indicamos os sinais detectados
no aparelho de recepção do sistema de RADAR.

Antena
parabólica
MICROONDA"
\ RADAR
REFLETIDA

Fig. 1.3 Sistema de emissão e recepção de ondas de radar. Um aparelho eletrônico não indicado
nesta ilustração analisa os sinais detectados na antena parabólica. Ver a Fig. 1.4.

17
0)
(«)
Fig. 1.4 Parte (a): antena direcional usada na recepção de ondas de radar. Parte (b): os
sinais captados pela antena parabólica são ampliados por uma aparelhagem eletrônica e
revelados no osciloscópio do aparelho; na ilustração mostramos apenas a tela do osci-
loscópio.

O termo RADAR derivadas iniciais das palavras inglesas “.Radio, Uetcctionzínd Ran-
ging”. que significam "rádio, detecção e raslreamento". Na Fig. 1.1 notamos que as on­
das de rádio muito curtas se superpõem com as microondas. Portanto, quando dissemos
que as microondas são utilizadas nos sistemas de radar, queremos nos referir ao espectro
principal das ondas utilizadas nos sistemas de radar. Conforme ilustrado na Fig. 1.3 o prin­
cipio básico de funcionamento do RADAR é o envio de um pulso de microonda ca recep­
ção do pulso refletido pelo objeto que está sendo rastrejado. O pulso refletido tem energia
muito menor do que o pulso emitido, de modo que os circuitos de amplificação e detecção
devem possuir sensibilidade suficiente para revelar o pulso que chega à antena parabólica
do RA DAR. Quando o objeto que está sendo rastrejado possui superfície metálica (como
um avião, um automível ou um asteróide metálico), a reflexão das microondas é mnais acen­
tuada. Contudo, existem sistemas de radar mais sensíveis que permitem rastrejar até obje­
tos não metálicos. Inúmeros objetos não identificados designados pela sigla O VNI(“ob­
jetos voadores não identificados”) são algumas vezes detectados nas telas dos sistemas de
radar de diversos países. As frequências utilizadas nos principais sistemas de radar situam-se
em torno das seguintes: banda Q (com uma freqüência central de 40 GHz, isto é, as mi­
croondas utilizadas nesta faixa possuem comprimentos de onda ligeiramente menores do
que 1 cm), banda K (centralizada em 20 GHz, isto é, ondas ligeiramente maiores do que
1 cm), banda X (centralizada em 10 GHz), banda C (centralizada em 5 GHz), banda S (3
GHz), banda L (0,9 GHz) e banda P (0,3 GHz ou 10 cm).
O sistema de radar normalmente possui uma única antena direcional (parabólica), con­
forme indicamos na parte (a) da Fig. 1.4. A antena é utilizada tanto na emissão quanto
na recepção dos sinais. Durante a emissão dos sinais, os circuitos receptores são bloquea­
dos; imediatamente depois, os circuitos receptores ficam em condições de detectar o pulso
refletido. Esta operação demora cerca de 1 microssegundo. O pulso refletido é amplifica­
do e revelado na tela de um tubo de raios catódicos, conforme indicado na parte (b) da Fig.
1.4. O tempo decorrido entre a emissão e a recepção do pulso permite avaliar a distância

18
entre o objeto eo RADAR. No Capítulo 4, quando estudarmos o efeito Doppter mostra­
remos como o aparelho detector do RADAR pode determinar a velocidade do objeto que
está sendo rastrejado. O aparelho denominado SONAR enütcsom e recebe as ondas so­
noras refletidas, sendo, portanto, o análogo mecânico do RADAR.

(g) Ondas infravermelhas. As ondas eletromagnéticas da região do infravermelho


possuem comprimentos de onda desde 10 “ 4 m até cerca de 0,7 x 10 " 6 m (ou 0,7 p.).
O chamado infravermelho próximo é a região mais próxima da luz vermelha (cujo li­
mite superior de comprimento de onda é da ordem de 0,7 pt). A emissão de ondas infra­
vermelhas está intimamente associada com a radiação térmica dos corpos que possuem
temperaturas da ordem de 0 °C até cerca de 300 °C. Por exemplo, a Terra emite ondas
infravermelhas para o espaço (emissão própria da Terra). O corpo humano também
emite ondas infravermelhas. O estudo do infravermelho próximo é feito median-
diante técnicas espectroscópicas zxxòXogas às técnicas usadas para o estudo da luz. Exis­
tem também técnicas fotográficas especiais para se obter fotografias com “luz infra­
vermelha que é emitida ou refletida por objetos. As ondas infravermelhas provenien­
tes do espaço sideral são fortemente absorvidas pela atmosfera terrestre; a pesquisa des­
tas ondas é feita modernamente mediante o uso de espectroscópios especiais em labo­
ratórios instalados em satélites artificiais da Terra.
(h) Ondas luminosas. As ondas eletromagnéticas que provocam sensações visuais
no olho humano possuem comprimentos de onda compreendidos entre 0,7 g {luz ver­
melha) e 0,4 n {luz violetç). Na próxima Seção indicaremos os diversos comprimentos
de onda das diferentes cores que compõem o espectro eletromagnético da luz. A Ótica
(ou Óptica) é a parte da Física dedicada ao estudo da luz. Os principais objetivos da
Ótica são os seguintes: o estudo da geração e da recepção da luz, a descrição das pro­
priedades da luz, a investigação dos efeitos produzidos pela luz e o estudo de todos os
fenômenos físicos relacionados com a propagação da luz no vácuo e em qualquer meio
material. O presente Livro é dedicado ao estudo da Ótica e da Física Moderna. É claro
que muitas propriedades da luz que serão analisadas neste Livro também são proprie­
dades de qualquer onda eletromagnética. O estudo da Ótica, além de ser fundamental
para a compreensão da Física Moderna, serve de modelo para o estudo de qualquer outro
tipo de onda eletromagnética.
(i) Ondas ultravioletas. A expressão “luz visível' ’ é algumas vezes usada para desig­
nar as ondas luminosas propriamente ditas, isto é, as radiações eletromagnéticas que
possuem comprimentos de onda compreendidos entre 0,7 g e 0,4 /z. Por extensão, às
vezes se usa a palavra “luz" como sinônimo de “onda eletromagnética". Por exem­
plo, a “luz" intravermelha compreende as ondas eletromagnéticas infravermelhas es­
tudadas no item {g). A “luz" ultravioleta abrange radiações eletromagnéticas cujos com­
primentos de onda estão compreendidos entre 0,4 p. (limite da luz violeta) até 10 “ 3 m
(ou 1 mm). Algumas técnicas utilizadas na espectroscopia ultravioleta são semelhantes
a técnicas usadas na espectroscopia ótica.
(j) Raios X. Os chamados raios Roentigen ou raios X foram descobertos por Roen-
tigen em 1895. Os raiosXpossuem comprimentos de onda compreendidos entre 10 ~8
m e 10"72 m. A distância média entre duas moléculas (ou entre dois átomos) consti-

19
luintes de um sólido é da ordem de 1 Â até 10 Â (podendo ser inferior a 1 Â ou superior
a 10 À em alguns casos). Note que 1 À também é a ordem de grandeza do comprimento
de onda de um raio X. Quanto mais densa for a matéria menor é a distância entre dois
átomos (ou moléculas) constituintes da matéria. Quanto mais densa for a matéria me­
nor será a profundidade de penetração para um dado material. Um raio X não difere
muito dos raios gama; conforme podemos ver na Fig. 1.1 não existe um limite nítido
entre a região dos raios Xe a região dos raios gama. A distinção entre estes dois tipos
de radiação é feita normalmente pela origem da radiação. Os raiosXsão gerados no
laboratório mediante uma ampola de raiosXou tubo de Crookes. Os raios y são nor­
malmente gerados por substancias radioativas. Na Fig. 1.5 indicamos uma ampola de
raios Aí No interior da ampola existe o vácuo; os elétrons são emitidos por um catodo
e colidem com grande velocidade com o anticatodo ou anodo que emitem um feixe de
raios X.

Anodo
Elétrons
____ _ Catodo

K] 8-12 Vpq

RAIOS X

Fig. 1.5 Ampola de Raios X (Tubo de


Crookes).

No interior do tubo de Crookes, a colisão dos elétrons com os átomos do metal do anti-
catodo produzem transições eletrônicas que envolvem as órbitas eletrônicas mais internas
dos átomos do metal (ver o Capitulo 4 para compreender a questão das órbitas eletrôni­
cas). Na Teoria Corpuscular (ver o Capítulo 4) as ondas eletromagnéticas são considera­
das como cospúsculos conhecidos com o nome de fótons. Os fótons emitidos nas transi­
ções eletrônicas acima mencionadas dão origem aos raios X característicos cujas frequên­
cias são típicas do metal emissor. O espectro dos raios X característicos c um espectro des­
contínuo constituído por raias conhecidas pelos nomes dc raias K, I., M, etc... A raia K
corresponde ao raio X emitido quando o elétron excitado no metal pula para um estado
final no orbital eletrônico da chamada camada K do átomo considerado (esta camada é
a camada mais interna do átomo). As demais raias (L, M, etc.) são geradas por um proces­
so análogo. Além da produção dos raios X característicos ocorre também a produção de
um espectro contínuo de raios X que é gerado pela chamada radiação defrenamento.
Existem muitas aplicações práticas para os raiosX na Medicina e na Engenharia. Por
exemplo, os raiosX podem ser usados para fins terapêuticos (no tratamento dc tumores).
Os raios X são principalmente utilizados na obtenção de radiografias de diversas partes
do corpo humano.

20
(k) Raios gama. Os chamados raios y são ondas eletromagnéticas de elevado poder
de penetração que possuem comprimentos de onda menores do que 10 " u m. Teorica­
mente, não existe limite inferior para os comprimentos de onda das ondas eletromag­
néticas. Os raios gama são as radiações de menor comprimento de onda detectada em
laboratório. Os raios gama utilizados nos laboratórios são produzidos na desintegra­
ção de algumas substâncias radioativas. No chamado processo de aniquilação (destrui­
ção da matéria pela anti-matéria), também se formam raios gama-, por exemplo, quan­
do um elétron colide com umpósitron, estas partículas se aniquilam e produzem um
raio gama. Reciprocamente, quando os raios gama possuem energias superiores a 1,02
MeV eles podem produzir o fenômeno da materialização ou condensação da matéria
mediante a transformação de raiosy em elétrons epósitrons (um pósitron é um elétron
com carga elétrica positiva). A sigla MeV significa “milhão de elétron-Volt’ ’. Um elé-
tron-Volt (eV) é uma unidade de energia igual a 1,6 X 10" 19 J.

Existem também raios y provenientes do espaço cósmico. O Sol emite uma pequena
proccntagein dc raios gama. Contudo, diversas estrelas emitem mil vezes mais raios gama
do que o Sol. Algumas fontes na Via Láctea emitem grandes quantidades de raios X e de
raios y. Existem também fontes de raiosXc de raiosy situadas fora da nossa galáxia (cha­
madas de fontes extragalácticas). Na década de 1960 foi descoberto em nossa galáxia (a
Via Láctea) um objeto cósmico denominado CygnusX-3. Esta fonte de raios %está situa­
da a uma distância da Terra aproximadamente igual a 37 mil anos-luz da Terra. Seu nome
deriva do fato dc ser a 3. “ fonte de raiox Xencontrada na Constelação de Cygnus. Esta
fonte emite também raios gama extremamente penetrantes; as energias destes raios gama
estão compreendidos entre 10a e 10/o MeV, o que corresponde a freqüência da ordem dc
l02a até IO30 Hz, ou seja, os comprimentos de onda destas radiações extremamente pene­
trantes estão compreendidos na faixa de 10 ~ 20 até cerca dc IO-22 m.

Exemplo 1.1. Uma rádio-cmissora gera ondas com freqüência/= 15 MHz. Num apa­
relho rádio-receptor existe um circuito oscilante RLC que possui um indutor com indu-
tânciaL = 5 X 10-aHenry. (a) Calcule o comprimento de onda da radiação gerada, (ò)
Calcule o valor da capacitância C necessária para que o circuito RLC mencionado possa
sintonizara frcqüência/considerada, isto é, calcule a capacitância necessária para que o
circuito RLC oscile com freqücncia igual à frcqüência da onda de rádio emitida.
Solução, (o) Para saber o comprimento de onda da radiação eletromagnética emitida
basta usar a relação (1.3), ou seja,

X = c/f = 20 m
(d) A frequência de ressonância de um circuito RLC é dada pela equação (1.4). Logo.

c = \/4-^fL = 1,25 X 10-9 Farad

21
1.2 Natureza e propriedades da luz
Uma das controvérsias mais famosas ocorridas na evolução dos conceitos da Física
foi suscitada pela seguinte pergunta: a luz possui uma natureza corpuscular ou ela é de
natureza ondulatórial Nas experiências de difração, interferência epolarização da luz
verificamos que a luz se comporta como uma onda transversal. Contudo, o efeito fo-
toelétrico (que será estudado no Capítulo 4) indica claramente que a luz é constituída
por corpúsculos denominados fótons. Modernamente, se admite que a luz pode ler simul­
taneamente os dois tipos de comportamento: podemos descrever a luz como onda eletro­
magnética e, em muitos fenômenos, a luz interage com a matéria através da ação dos fó­
tons. Neste Capítulo, bem como no Capítulo 3 (Ótica Ondulatória), vamos estudar o com­
portamento ondulatório da luz. Contudo, no Capítulo 4 (Física Moderna), analisaremos
a natureza corpuscular da luz.
Vejamos agora a questão da recepção da luz. Dentre as ondas eletromagnéticas per­
tencentes ao espectro eletromagnético a luz é o único tipo de radiação eletromagnética
que excita o sentido da visão nos animais superiores. Como a luz é facilmente detecta­
da pelo olho humano, podemos concluir que o estudo experimental da luzé mais sim­
ples do que o estudo das outras ondas eletromagnéticas (que exigem técnicas especiais
para serem detectadas). Deste fato decorre o grande papel desempenhado pelos estu­
dos de Ótica no desenvolvimento da Física Moderna.

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í
s
o 5 3
ê §
100
>

80
II 60

I
<z>
40

20

oL
400 450 500 550 600 650
Comprimento de onda, m/x
700

Fig. 1.6 Sensibilidade cromática relativa de


um olho humano normal.

22
O espectro das ondas luminosas que podem ser percebidas por um olho humano nor­
mal é indicado na Fig. 1.6. O eixo vertical do gráfico desta figura representa a sensibili­
dade relativa do o\ho humano de um observador padrão em repouso; o eixo horizontal
deste gráfico indicado os respectivos comprimentos de onda em m/z (19 “ 9 m). O inter­
valo de scnbilidade de um olho normal corresponde a uma região compreendida entre
4000 À(ou 400 m/z = 0,4 f) e 7000 Â (ou 700 m/z). Cada cor indicada na figura possui
um espectro com uma largura aproximadamente igual a 50 m/z. Um olho humano nor­
mal é capaz de detectar diferenças de tonalidades de uma dada cor, por exemplo, um
olho normal pode distinguir diferentes tonalidades da cor azul (o azul claro, o azul-anil,
etc.). Observe que o olho humano possui sensibilidade máxima para a cor verde e sen­
sibilidade mínima para o vermelho e para o violeta. Como curiosidade, informamos
que o espectro eletromagnético das radiações emitidas pelo Sol também possui uma in­
tensidade máxima próxima da cor verde (em torno de 550 m/z); isto nos leva a acreditar
que, durante a evolução da espécie humana, o olho humano tenha desenvolvido sua
sensibilidade máxima em decorrência das condições ambientais produzidas pela radiação
solar. Note que no ambiente atmosférico e no oceano as cores predominantes são o verde
e o azul-, além disto, conforme dissemos, a intensidade máxima da radiação solar dire­
ta (e também da radiação solar refletida) ocorre para a região verde.
A intensidade luminosa, bem como a intensidade de qualquer outra onda eletromag­
nética, é definida pelo módulo do vetor de Poynting. Sendo assim, a intensidade I de
uma onda luminosa progressiva é dada pela expressão:

I = EB/iio (1.5)
onde Fé o módulo do campo elétrico, B é o módulo da indução do campo magnético
e pio é a permeabilidade magnética do vácuo. A intensidade luminosa de um feixe de luz
colimada (luz paralela) é definida por:

I = P/A

onde P é a potência total transportada pelo feixe de luz ao longo da área A da seção
reta transversal do feixe colimado considerado.
Umafonte luminosa pontua! (ou puntiforme) é aquela que emite luz em todas as di­
reções. Sendo assim, é fácil concluir que a intensidade luminosa é constante ao longo
de uma superfície esférica de raio r0 concêntrica com a fonte pontual. Portanto, de
acordo com a definição de intensidade luminosa, a potência total Po de uma fonte pun-
tiforme é dada por:

Po = loÇ4vri)

onde Zo é a intensidade luminosa ao longo da superfície esférica de raio ro concêntrica


com a fonte. Daí, concluímos também que a intensidade luminosa Ia uma distância

23
r da fonte pontual é dada por:
[ I = Pp/fAir/5)] (1.6)

A relação (1.6) mostra que a intensidade luminosa de uma fonte puntiforme dimi­
nui com o inverso do quadrado da distância r entre a fonte e o ponto considerado.
A luz goza das propriedades comuns a todos os fenômenos ondulatórios. Por exem­
plo, a reflexão, a refração, a interferência e a difração são propriedades comuns a to­
dos os tipos de ondas e que também são válidas para as ondas luminosas. A polariza­
ção é um fenômeno característico das ondas transversais. Como a luz é uma onda trans­
versal, ela pode ser polarizada; o fenômeno da polarização da luz será abordado no Ca­
pítulo 3. Para compreender as características gerais de todos os fenômenos ondulató­
rios recomendamos aos alunos a leitura do Livro “Gravitação, Oscilações e Ondas"
de Autoria dos Professores Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia. No próximo Capítulo estu­
daremos a reflexão e a refração da luze no Capítulo 3 analisaremos a difração, a interferên­
cia c a polarização da luz. Na próxima Seção faremos alguns comentários sobre as fontes
de luz naturais e artificiais.
1.3 Fontes de luz
A luz pode se produzida através de diversos fenômenos físicos, químicos e até bio­
lógicos (como no caso do vaga-lume). Contudo, podemos dividir os mecanismos bási­
cos de produção de luz em dois grupos distintos: (1) radiação térmica e (2) luminescên-
cia.
(1) Radiação Térmica. Todo corpo aquecido até uma temperatura sufícientemente
elevada emite luz. Esta luz é proveniente da radiação térmica inerente a todos os cor­
pos que possuem uma temperatura absoluta elevada. A luz proveniente de um alto-forno
ou de uma lâmpada incandescente é uma luz produzida pelo mecanismo da radiação
térmica do corpo negro. No Capítulo 4 estudaremos mais detalhadamente a questão
da radiação térmica do corpo negro. O Sol e as demais estrelas do Universo emitem luz
em virtude das reações termonucleares que ocorrem no interior das estrelas. A emissão
de luz das estrelas é um processo que pode ser enquadrado no tipo denominado emis­
são de luz de um corpo negro, uma vez que a intensidade da luz emitida depende forte­
mente da temperatura absoluta existente na superfície da estrela (de onde emana a luz
considerada).
(2) Luminescência. Para que um corpo emita luz pelo processo da radiação térmica
ele deve possuir uma temperatura muito elevada (normalmente superior a 1000 °C).
Contudo, existem diversos tipos de sistemas que podem emitir luz na temperatura am­
biente. Toda emissão de luz que pode ser enquadrada como radiação térmica recebe
o nome genérico de radiação luminescente. O mecanismo básico dos fenômenos de lu­
minescência é o seguinte: o elétron de um ãtomo (ou de um íori) absorve uma quantida­
de de energia apropriada e se desloca para um estado excitado no qual ele permanece
durante um certo intervalo de tempo; dependendo da substância este intervalo de tem­
po varia desde 10-í>s até cerca de algumas horas. Quando o elétron se desloca deste
estado excitado (instável) para outro estado de equilíbrio estável ele emite radiação lu­
minescente.

24
Existem diversos tipos de luminescência, dependendo do mecanismo de excitação. A
energia luminosa obtida da radiação luminescenteé gerada às custas da energia da excita­
ção externa que interage com os elétrons do material considerado. A interação que dá ori­
gem à excitação pode ser de natureza mecânica, de natureza térmica, de origem eletromag­
nética, de origem química, etc... Os principais tipos de luminescência são os seguintes: (a)
eletroluminescência, (6) fotoluminescência, (c) cristaloluminescência, (d) tribolumines-
cência, (e) termoluminescência, (/) catadolumincscência, (g) luminescência que ocorre no
efeito Cherenkov.
(o) Eletroluminescência. No fenômeno da eletroluminescência a energia de excitação
é fornecida por um campo elétrico aplicado sobre o sistema. Considere, por exemplo, uma
lâmpada de descarga em'gâs; a passagem da descarga elétrica num gás rarefeito é realiza­
da mediante a ionização do gás. Neste processo, os elétrons passam para estados excita­
dos', quando estes elétrons retornam para o estado normal ocorre emissão de luz. A pri­
meira teoria quãntica destinada a explicar a emissão de luz na descarga elétrica através de
um gás rarefeito foi elaborada por Bohr em 1913; no Capítulo 4 apresentaremos esta teo­
ria para explicar a emissão de luz pelo hidrogênio gasoso num tubo de descarga em gás.
Na Fig. 1.7 indicamos um esquema do dispositivo utilizado para a produção de luz atra­
vés da eletroluminescência.

Catodo

GÁS RAREFEITO

J
para a bomda dc vácuo
FONTE DE TENSÃO

Fig. 1.7 Produção de luz por eletroluminescência. Uma fonte de alta tensão cria entre o
catodo e o anodo uma tensão suficiente para produzir uma descarga elétrica do gás no in­
terior do tubo (mediante um processo de ionização).

(6) Fotoluminescência. Quando determinadas substâncias são excitadas por ondas ele­
tromagnéticas elas emitem Zmz; este fernômeno denomina-sefotoluminescência. De acor­
do com uma regra conhecida pelo nome de regra de Stokes, na fotoluminescência o com-

25
primento de onda da luz emitida é maior do que o comprimento de onda da radiação ul­
travioleta usada para a excitação dos elétrons c a radiaçãofotoluminescente resultante ocorre
na região visível do espectro eletromagnético. O tempo durante o qual se observa a fotolu-
minescência da substância, depois dela absorver a radiação incidente, denomina-se tem­
po de relaxação ou tempo de luminosidade remanescente. Sc este tempo for muito peque­
no, isto é, se a fotoluminescência cessar logo após a radiação da energia incidente, dize­
mos que ocorre fluorescência. Denomina-sc fosforecência a fotoluminescência produzi­
da quando o tempo de luminosidade remanescente for grande. O tempo de relaxação no
fenômeno da fosforecência ê da ordem de 1 minuto, podendo atingir até a algumas horas
(ou alguns dias cm casos particulares). Entretanto, o tempo derelaxação no fenômeno da
fluorescênciaê normalmente menor do que 1 segundo, podendo chegar até 1 ns (10“ 9s).
(c) Cristaloluminescência. Achamada luminescênciacristalina (ou cristaloluminescência)
ocorre durante a formação de cristais na precipitação de cristais iônicos. Muitos critaisiô-
nicos (com ou sem impurezas) exibem a propriedade da fosforescência mencionada no item
(Z>). Entretanto, na cristaloluminescência a emissão de luz ocorre logo após a formação
do cristab, neste caso, a energia de excitação decorre de um caso particular de reação quí­
mica (reação de precipitação).
(d) Triboluminescência. O atrito pode produzir luminescência em certos materiais; este
efeito denomina-se triboluminescência. Na realidade o termo triboluminescência pode ser
aplicado para qualquer excitação mecânica.
(e) Termoluminescência. Mediante excitação térmica é possível obter luminescência em
certos cristais (puros ou com impurezas iônicas); este fenômeno denomina-se termolumi­
nescência.
(f) Catodoluminescência. Os chamados tubos de raios catódicos (ou simplesmente tu­
bos catódicos) possuem um anteparo recoberto com substâncias luminescentes. Quando
os elétrons colidem com este anteparo ocorre emissão de luz no local da colisão; este fenô­
meno denomina-se catodoluminescência. A técnica do recobrimcnto com materiais lumi­
nescentes é usada na fabricação dos cinescópios dos aparelhos de televisão e nas telas dos
osciloscópiosc de outros aparelhos utilizados em laboratório. No cinescópio de um televi­
sor a cores o anteparo é recoberto por grão de três substâncias luminescentes distintas que
emitem principalmentc as chamadas cores primárias', o vermelho, o verde e o anil. Sobre
a superfície interna do cinescópio ocorrem colisões simultâneas de três feixes eletrônicos
independentes. A luminescência obtida ponto a ponto reproduz estas três cores bem como
as demais cores intermediárias.
(g) Efeito Cherenkov. O chamado efeito Cherenkov ocorre quando um elétron se mo­
ve numa substância com uma velocidade maior do que a velocidade dc propagação da luz
no seio da referida substância. O movimento dos elétrons excita uma luminescência co­
nhecida como radiação Cherenkov. Este efeito luminescente pode ser observado quando
uma fonte radioativa que emite elétrons está rodeada de um meio transparente denso, co­
mo a água, por exemplo. Isto ocorre quando a velocidade do elétron na água for maior
do que a velocidade de propagação da luz na água. Este efeito pode ser observado, por
exemplo, na água de um reator nuclear.
Produção de luz
Os principais dispositivos utilizados modernamcnte para a produção de luz são os se­
guintes: (1) a lâmpada incandescente, (2) a lâmpada fluorescente, (3) o LED, (4) o LASER.
Além do uso destes 4 dispositivos, é possível também produzir luz mediante diversos pro­
cessos de combustão: combustão de um fósforo, combustão de uma vela, combustão do

26
papel, combustão da madeira, combustão de óleos ou de querosene cm lamparinas, com­
bustão dc gás num lampião e muitos outros processos de combustão.
(1) Lâmpada incandescente. A luz emitida por uma lâmpada incandescente é oriunda
da radiação térmica produzida pelofilamento incandescente da lâmpada. Em geral, se utiliza
um filamento dc tungstênio; a temperatura atingida no filamento de tungstênio c da or­
dem de 2200 K até 2600 K. A temperatura de fusão do tungstênio c da ordem dc 3600 K.
A duração média de uma lâmpada de incandescência é da ordem de 1000 horas. Com o
uso, o filamento sc gasta e finalmente se funde.
(2) Lâmpada fluorescente. A luz produzida por uma lâmpadafluorescente decorre do
efeito da eletroluminescência estudado anteriormente. O esquema básico para explicar o
funcionamento de uma lâmpada fluorescente se encontra ilustrado na Fig. 1.7. Apesar de
algumas dificuldades técnicas, existem certos tipos de lâmpadas fluorescentes dc mercú­
rio que são cerca dc 4 vezes mais econômicas do que as lâmpadas incandescentes. Além
disto, as lâmpadas fluorescentes podem ser dispostas linearmente e normalmcnte produ­
zem uma iluminação mais uniforme do que as lâmpadas incandescentes. No futuro, pro­
vavelmente, as lâmpadas incandescentes serão substituídas por lâmpadasfluorescentes.
(3) LED. O chamado diodo emissor de luz (LED) produz luz mediante um processo aná­
logo ao da eltroluminescência das lâmpadas fluorescentes. A diferença básica é que na lâm­
pada fluorescente o campo elétrico excita os elétrons de um gás, ao passo que num LED
o campo elétrico excita o elétron ou o buraco (ausência de um elétron) na rede cristalina
de um diodo sólido. O leitor interessado em aprofundar seus conhecimentos sobre a ques­
tão dos diosos deve ler o Livro * 'Eletricidade, Magnestismo eEletromagnestismo” de Au­
toria de Adir M. Luize Sérgio L. Gouveia. Voltaremos a discutir a questão dos diodossó­
lidos no Capítulo 4 deste Livro (Física Moderna). A palavra LED deriva das iniciais da
expressão “Light Emiting Diode" que significa “diodo emissor de luz”. Um LED nada
mais é do que uma junção p-n, ou seja, um diodo obtido pela junção de um semicondutor
do tipo p com um semicondutor do tipo n. Quando esta junção p-n é submetida a uma di­
ferença dc potencial ocorre uma intensa recombinação entre os elétrons de um lado da junção
com os buracos do outro lado da barreira de potencial da junção. Esta combinação pro­
duz luz. Este processo de luminescência produz a conversão da energia elétrica de umafonte
elétrica em energia luminosa. O processo inverso, isto é, a produção de energia elétrica a
partir da energia luminosa, pode ser obtido mediante umafotocélula ou uma célula solar.
A folocondutividadeé também um efeito importante produzido pela luz; afotoconduti-
vidade e a célula solarsão temas importantes que serão abordados na próxima Seção e tam­
bém no Capítulo 4.
(4) LA SER. Em 1955 foi inventado o MASER (iniciais de “ATicroware/lmplification
by Stimulatcd Emission of 7?adiation”, ou seja, “ampliicação de microndas pela emissão
estimulada da radiação”). Alguns meses depois do aparecimento do MASER foi inventa­
do o LASER (iniciais de “Light/lmplification by Stimulated Emission of Eadiation”, ou
seja, ‘ ‘amplificação da luz pela emissão estimulada da radiação”). A emissão de luz atra­
vés do LASER é um tipo especial de luminescência. Para que a emissão estimulada de luz
seja possível é necessário que quase todos os átomos permaneçam num estado excitado
durante algum tempo. Durante a ressonância do sistema a radiação éamplifleada. Por exem­
plo, numn LASER constituído por um cristal de rubi, ocorre a emissão estimulada da luz
vermelha-, o feixe produzido é altamente colimado (isto é, paralelo) e possui grande inten­
sidade (istoé, potência por unidade de área do feixe). As diferenças principais entre o fei­
xe colimado dc um holofoteeo feixe de um LASER são as seguintes: (a) o feixe de um ho-

27
lofote é ligeiramente divergente ao passo que o feixe de um LASER permanece paralelo
sem nenhuma divergência, (b) o feixe de um holofote não pode concentrar muita potência
por unidade de área, ao passo que um feixe de LASER pode possuir intensidade suficiente
para perfurar uma chapa de aço. Quando o LASER é fabricado mediante um cristal semi­
condutor ele pode ser considerado como uma espécie de LED com elevada densidade de
corrente.

1.4 Efeitos produzidos pela luz


Nesta Scçào vamos analisar diversos efeitos que são produzidos pela interação en­
tre a luz e a matéria. Excluiremos desta análise os casos em que a luz, ao ser absorvida
pelo material, transforma o material numa fonte de luz que retransmite a radiação in­
cidente sob forma de luz com frequência própria ou sob forma de luz com frequência
forçada. A emissão de luz com freqüência própria, estimulada pela incidência de um
dado feixe de luz, corresponde ao fenômeno da fluorescência ou ao processo àafosfo-
rescência-, estes efeitos já foram estudados na Seção anterior. A emissão de luz com fre­
quência forçada ocorre quando a luz incide sobre um meio homogêneo-, este fenômeno
denomina-se difusão ou espalharnento da luz', faremos um breve estudo sobre este fe­
nômeno no Capítulo 3. Os principais efeitos produzidos pela luz quando ela incide so­
bre um meio material são os seguintes: (à) o efeito térmico, (Z?) a dispersão e a absorção
da luz, (c) a atividade ótica, (d) o efeito magneto-ótico (ou efeito Faraday), (e) o efeito
Kerr, (/) o efeito Majorana, (g) o efeito Zeeman, (hfo efeito Stark, (/) o efeito fotoelé-
trico, (/) os efeitos fotoquímicos, (ár) os efeitos fotomecânicos.

(a) Efeito térmico. Quando a energia luminosa é absorvida num meio material ela nor­
malmente é convertida em energia térmica. É claro que a produção de calor acompanha
quase todos os processos de conversão de energia. Contudo, existem certos efeitos produ­
zidos pela luz que não são acompanhados por uma grande produção de calor. Nos demais
efeitos produzidos pela luz enumerados nesta Seção ocorre produção de energia térmica,
mas, simultaneamente, grande parte da energia luminosa incidente é convertida cm ou­
tras formas de energia.
(b) Dispersão e absorção da luz. Já vimos que todas as ondas eletromagnéticas se pro­
pagam com a mesma velocidade no vácuo. Denomina-se dispersão da luzavaúação da ve­
locidade da luz em função do comprimento de onda da luz. Observações astronômicas cui­
dadosas provam que no espaço sideral (ou no espaço interplanetário) não existe nenhuma
dispersão da luz. Mesmo num gás muito rarefeito não se observa nenhuma dispersão da
luz. Entretanto, num líquido, num vidro ou em qualquer outro material transparente obser-
va-se facilmente uma forte dispersão de luz. Com um prisma de vidro (ou de quartzo) é
possível decompor um feixe de luz solar nas setes cores do arco-íris (ver o Capítulo 2).
A existência da dispersão da luz é uma das dificuldades fundamentais da Teoria Ele­
tromagnética de Maxwell. De acordo com esta teoria, todas as ondas eletromagnéticas se
propagam no vácuo com uma velocidade c dada pela equação (1.1). Para um meio mate­
rial homogêneo, utilizando as equações de Maxwell, admitindo umapermissividade elé­
trica e constante e uma permeabilidade magnética p. também constante, obtém-se a seguinte
expressão para a velocidade de propagação da onda eletromagnética num meio homogê-
no:

v = l/(erf/2 (1.7)

28
O índice de refração n dc um meio material homogêneo c definido pela relação:
n = c/v (1.8)
onde vé a velocidade de propagação da onda eletromagnética dada pela equação (1.7).
Dividindo membro a membro as relações (1.1) e (1.7) c levando cm conta a definição (1.8),
encontramos:

n = Vep/co/xo (1.9)

Como /i é aproximadamente igual a para a maior parte das substâncias (excluindo


os materiais paramagncticos), a relação (1.9) fornece a seguinte expressão para o quadra­
do do índice de refração:

n2 = e/eo (1.10)

Como vemos, a Teoria Eletromagnética de Maxwell, supondo í e/i constantes conduz


ao seguinte resultado: a velocidade é a mesma para qualquer tipo de onda, independente­
mente do comprimento dc onda da radiação considerada. Em outras palavras, a suposi­
ção de e c n constantes leva ao seguinte resultado: o índice de refração de um material não
depende do comprimento de onda da radiação considerada.
Paramuitos gases c para alguns líquidos (como o tolueno), a expressão (1.10) é aproxi­
madamente válida. Contudo, para a água, lemos: n = 1,33, ao passo que a permissivida-
de elétrica da água vale e = 81 co, ou seja, aplicando a relação (1.10), obtemos: n = 9.Tra-
ta-sc dc uma disparidade de valores muito grande, mostrando claramente que o índice de
refração de um material depende do comprimento de onda da radiação. Este fenômeno
é conhecido pelo nome dc dispersão das ondas eletromagnéticas.
A dispersão da luzé um fenômeno conhecido desde os tempos de Dercartes que tentou
explicar as cores do arco-íris com uma hipótese sobre a variação do índice dc refração com
o comprimento dc onda de cada cor do arco-íris.
As primeiras investigações experimentais sobre a dispersão da luz foram feitas por New-
ton em 1672. Newton utilizou um prisma triangular c conseguiu decompor a luz branca
do Sol nas sete cores do arco-íris', estas cores possuem comprimentos de onda indicados
na Fig. 1.6. Hoje em dia sabemos que a dependência entre o índice de refração e o compri­
mento dc onda é uma função muito complicada. O estudo quantitativo da dispersão da
luz foge aos objetivos deste Livro. No Capítulo 2 voltaremos a falar sobre a dispersão da
luz quando estudarmos a refração da luz.
Na chamada dispersão normal o índice de refração aumenta à medida que o compri­
mento de onda diminui, Na dispersão anômala ocorre exatamente o contrário: o índice
de re fração diminui com a diminuição do comprimento de onda. A dispersão anômala foi
descoberta por Leroux em 1862.
As investigações de Kundt mostraram que a dispersão anômala está intinamente liga­
da com o enômeno àz absorção da luz. Já vimos que a emissão de luz no fenômeno da clc-
trolumincscência produz um espectro de emissão caracterislico do gás que sc encontra no
interior do tubo onde ocorre a descarga elétrica. Reciprocamente, se um feixe de luz com

29
um comprimento de onda apropriado incidir sobre o gás considerado ocorrerá absorção
da luz característica utilizada; o espectro de absorção do gás é idêntico ao espectro de emissão
do mesmo gás (nas mesmas condições físicas). A Teoria deBohr que é utilizada para expli­
car estes fenômenos será discutida no Capítulo 4.
Para sabermos a quantidade de luz que emerge de um dado meio material onde ocorre
absorção da luz é necessário usar a Lei de Lambert (ou Lei de Bouguer):

I = Io cxp (— ad) (l.H)

onde IQ é a intensidade da luz que incide sobre o material, Zé a intensidade da luz que emer­
ge do material, d é a espessura do material e a é o coeficiente de absorção. Como a absor­
ção depende do comprimento de onda, o coeficiente de absorção a é função do compri­
mento de onda. A absorção torna-se crítica quando a frcqüência da radiação incidente for
igual a uma freqüênciaprópria (ou frequência natural) dos elétrons no interior do sistre-
ma considerado. Neste caso ocorre um fenômeno de ressonância análogo à ressonância
mecânica de um sistema masa-mola (ou análogo a uma ressonância eletromangnética dc
um circuito RLC).
(c) Atividade ótica. No Capítulo 3 estudaremos a polarização da luz. Contudo, para
mostrar alguns efeitos produzidos pela luz quando ela interage com a matéria, precisamos
informar ao leitor, alguns resultados qualitativos acerca da polarização da luz. Considere
um feixe de luz polarizada incidindo sobre uma substância transparente (aquela que qua­
se não aboserve a luz). Quando q plano de polarização do feixe de luzquee/ner^eda subs­
tância não é paralelo ao plano de polarização da luz incidente, dizemos que a substância
é oticamenteativa. A atividade ótica dc uma substância é também denominada dc poder
rotatório da substância.
(d) Efeito magneto-ótico (ou efeito Faraday). Em 1846, Faraday observou rotação do
plano de polarização da luz em substâncias que não possuiam nenhuma atividade ótica
mas que eram submetidas a um campo magnético externo. (Ver o Capítulo 3).
(f) Efeito Majorana. É semelhante ao efeito Kerr, porém, neste caso, a birrefringência
é provocada por um campo magnético. Majorana observou que quando umso/de hidró­
xido de ferro é submetido a um campo magnético, ele se torna birrefringente em virtude
da orientação das partículas do sol. Um colóide pode ser um gel (gelatinoso) ou um sol (so­
lúvel). A birrefringência de alguns destes colóides que exibem o efeito Majorana pode se
tornar permanente se as partículas forem fixadas mediante uma gelatina. Confronte este
efeito com o efeito Cotton-Mouton (ver o Capítulo 3).
(g) Efeito Zeeman. Cerca dc 50 anos depois da descoberta do efeito Faraday, Zeeman
detectou uma variação da frcqüência das linhas espectrais durante a emissão de luz quan­
do a substância é submetida a um campo magnético externo. O efeito Zeeman é caracteri­
zado, portanto, pelo desdobramento das linhas espectrais quando a substância ésubmeti­
da a um campo magnético externo durante e missão de luz. (Ver o Capítulo 3).
(h) Efeito Stark. Depois da descoberta do efeito Zeeman surgiu a pergunta: será que
um campo elétrico externo também produz o desdobramento das linhas espectrais duran­
te a emissão dc luz deuma substância? Esta pergunta foi respondida positivamente numa
experiência realizada por Stark em 1913. O efeito Stark foi observado inicialmcnte no es-

30
pectro do hidrogênio. Este efeito mostra que existe um desdobramento das raias espec­
trais na emissão de luz dc um gás submetido a um forte campo elétrico externo. (Ver o Ca­
pítulo 3).
(i) Efeitofotoelétrico. De todos os efeitos descritos nesta Seção, aquele que possui maior
importância prática é o efeitofotoelétrico. Quando um feixe dc luz incide sobre certas subs­
tâncias pode ocorrer uma emissão de elétrons', este fenômeno chama-se efeito fotoelétri­
co. No Capitulo 4 estudaremos com detalhe o efeitofotoelétrico externo e o efeito fotoe­
létrico interno (ou efeito fotovoltaico).
(j) Efeitosfotoquimicos. Denomina-se Fotoquímica o estudo das reações químicas pro­
duzidas pela luz. Existem diversas transformações fotoquímicas, algumas das quais pos­
suem muitas aplicações práticas. As reações fotoquímicas mais importantes são a poli-
rnenzofõoproduzida pela luz, a composição c a decomposição dc certas moléculas, as rea­
ções fotobiológicas e as reações fotoquímicas usadas nas técnicas fotográficas. Das rea­
çõesfotobiológicas merece destaque a reação da fotossíntese (sem a qual não seria possí­
vel a vida em nosso planeta). Existem diversos tipos dc reações de fotossíntese, sendo que
no mais comum ocorre a formação de formaldeído (CH2O), dc água c de oxigênio, a par­
tir da ação da luz sobre a mistura de H2O e CO2. A posterior polimerizrição do formaldeído
produz hidrocarbonetos (com a fórmula geral CnH2nOn. Todas as técnicasfotográficas são
baseadas em reaçõesfotoquímicas. Destas reações, uma das mais importantes é a decom­
posição fotoquímica do brometo dc prata (AgBr) em bromo e prata.
(k) Efeitosfotomecânicos. As interações mecânicas produzidas por um feixe de luz po­
dem ser chamadas dc efeitosfotomecânicos. Tanto supondo uma natureza corpuscular
para a luz, quanto admitindo uma natureza ondulatória, é fácil concluir que um feixe de
luz transfere energia e quantidade de movimento para o material sobre o qual o feixe inci­
de. O impacto da luz produz uma força-, a força por unidade dc área é a pressão exercida
pelo feixe de luz. A questão da pressão da luz será examinada na Seção 1.6.
1.5 Velocidade da luz no vácuo
Conforme dissemos, dc acordo com o Eletromagnetismo, todas as ondas eletromag­
néticas se propagam no vácuo com a mesma velocidade cdada pela relação (1.1). Além
disto, conforme veremos no Capítulo 4, a velocidade da luz no vácuo não depende da
velocidade do referencial contrariamente ao caso de uma onda sonora que se propaga
no ar (cuja velocidade de propagação depende da velocidade do referenciai).
\ constância da velocidade da luz no vácuo, independentemente da velocidade do
sistema de referencia em relação ao qual medimos esta velocidade, é a base da Teoria
da Relatividade Restrita que será apresentada no Capítulo 4. Muitas teorias da Física
Moderna são baseadas na hipótese da constância da velocidade das ondas eletromag­
néticas no vácuo. Devido a esta extraordinária importância teórica, os Físicos do mun­
do inteiro vêm desenvolvendo, desde o Século 18 até os dias atuais, um grande esforço
dc pesquisa para a determinação da velocidade da luz no vácuo. O objetivo desta Se­
ção é tecer alguns comentários sobre este palpitante tema. Podemos dividir as técnicas
para a determinação da velocidade da luz no vácuo em dois grandes grupos: (a) méto­
dos astronômicos, (ò) técnicas de laboratório. Faremos, a seguir, breves comentários
sobre estas técnicas.
(a) Métodos astronômicos para a determinação da velocidade da luz. Os principais mé­
todos astronômicos para a determinação da velocidade da luzsãõ os seguintes: (l)adeter-

31
minação da velocidade da luz mediante observação dos eclipses dos satélites de Júpiter e
(2) a determinação da velocidade da luz através da medida da aberração da luz. Devido
à importância teórica das questões envolvidas no fenômeno da aberração da luz vamos
analisar apenas o segundo método mencionado acima.
Determinação da velocidade da luz no vácuo mediante a medida do ângulo de aberra­
ção da luz. Denomina-se paralaxe anual das estrelas o deslocamento aparente das estrelas
na abóbada celeste provocado pelo movimento de translação da Terra em torno do Sol.
No período de 1725 a 1728 Bradley desenvolveu pesquisas visando medir -à paralaxe anual
das estrelas. Sabemos que o ângulo deparalaxe (mesmo das estrelas mais próximas) é ex­
tremamente pequeno (menor do que 1 segundo de arco). Naquela época Bradley não dis­
punha de instrumentos óticos com precisão suficiente para medir aparalaxe das estrelas.
Contudo, Bradley conseguiu detectar um efeito que ele chamou dc aberração da luzcque
passaremos a descrever a seguir.
Na parle (a) da Fig. 1.8 a Terra Tpercorre uma órbita elíptica no chamado plano da
eclíplica (plano ABCDTformado pela reta que une a Terra ao Sol) durante o movimento
da Terra em torno do Sol. Por este desenho notamos que a estrela Fparece descrever uma
elipse A WCD' na abóbada celeste; as dimensões desta elipse dependem claramente da
distância entre a Terra e a estrela. Bradley notou que para observar uma dada estrela, de­
pois de um ano, era necessário girar o telescópio de um ângulo 2 a = 40”,9 em relação

Estrela
D’
E
A’< ftC’
EM = cl
B* %
et TM = ul
:| \
Estrela E

I V
\%

1
B I \%
\

C A
T T M
u
D Terra
(b)

Fig. 1.8 Parte (a): Pisquema para explicar a aberração da luz das estrelas. Parte
(b): Esquema para o cálculo da velocidade da luz no vácuo mediante determina­
ção do ângulo a oriundo do fenômeno da aberração da luz.

32
à direção original. Este efeito corresponde a um deslocamento semestral a = 20”,45. Bra­
dley notou este mesmo deslocamento para todas as estreias observadas, independentemente
da distância entre a Terra e a estrela considerada. Bradley conclui que este deslocamento
a constante não poderia ser produzido pela paralaxe anual da estrela (que depende da dis­
tância entre a Terra c a estrela c é muito menor do que o ângulo a encontrado). Bradley
denominou este efeito de aberração da luz e utilizou este fenômeno para determinar a ve­
locidade de propagação da luz no vácuo.
Para compreender o fenômeno da aberração da luz é suficiente examinar o diagrama
indicado na parte (6) da Fig. 1.8. Inicialmcntc um observador situado na Terra utiliza um
telescópio e percebe a estrela na direção ET. Se a Terra estivesse parada no espaço no pon­
to Ta luz emitida pela estrela Esempre atingiría a Terra segundo a trajetória ET. Contu­
do, como a Terra se move no espaço com uma velocidade de translação u, a fim de obser­
varmos a estrela, quando a Terra se encontra no ponto M, é necessário girar o telesópio
de um ângulo a desde a posição ET até a posição EM. Como a velocidade da Terra c igual
a u, o observador percorreu uma distância TM = ui. No mesmo intervalo de tempo t a luz
da estrela percorreu uma distância EM = cl, onde c é a velocidade da luz no vácuo. Do
triângulo retângulo ETM concluímos que:

sen a = u/c (1.12)

A relação (1.12) é aproximadamente válida para as estrelas situadas na direção do pólo


norte da eclíptica (direção normal do plano da eclíptica que passa pelo ponto E indicado
na parte (a) da Fig. 1.8). Sabemos que

u - 29,8 km/s

Usando este valor de u e determinando o ângulo a = 20” ,5, Bradley obteve o seguinte
valor para a velocidade da luz no vácuo: c = 308 000 km/s.
(b) Técnicas de laboratório para a determinação da velocidade da luz. Existem inúme­
ras técnicas experimentais sofisticadas para a determinação da velocidade de uma onda
eletromagnética no vácuo. Experiências cuidadosas feitas com ondas de rádio, com mi­
croondas ccon a luz demonstram com precisão o principal resultado do Eletromagnetis-
mo Clássico, ou seja: todas as ondas eletromagnéticas se propagam no vácuo com a mes­
ma velocidade c - 300.000 km/s. Vamos citar apenas os resultados experimentais que per­
mitiram obter o valor de c mediante técnicas de microondas e através do uso da luz com
a utilização de um LASER.
Determinação da velocidade das ondas eletromagnéticas no vácuo mediante técnicas
de microondas. Em 1950 F.sscn utilizou a técnica da ressonância eletromagnética (isto é.
produção de ondas eletromagnéticas estacionárias) e determinou a velocidade das microon­
das no interior de uma cavidade ressonante vazia. Obteve o seguinte resultado:

(299.792,5 + 3,0) km/s

Em 1952 Froome utilizou um interferômetro de microondas e obteve o seguinte resul­


tado:

c - (299.792,6 ± 0,7) km/s

33
Em 1967 Sinkin e colaboradores, na União Soviética, utilizaram um interferômetrode
microondas c chegaram ao seguinte resultado:

c = (299.792,56 ± 9.11) km/s

Determinação da velocidade da luz no vácuo mediante a utilização do LA SER. Um va­


lor experimental de c com elevada precisão foi obtido em 1973 por Evensone colaborado­
res nos Estados Unidos. Esta determinação foi feita utilizando-se a relação c = \f medin­
do-se a freqüência/da luz e o comprimento de onda X da luz utilizada. A fonte de luz utili­
zada foi um/eixe de LASER de hélio-neônio que estimula uma radiação com X = 3,39um.
Este comprimento de onda foi medido através de técnicas de interferometria mediante com­
paração com o padrão de comprimento de onda (que é o comprimento de onda da radia­
ção amarela do crípton). O padrão de tempo utilizado na medida foi baseado na definição
do segundo: “um segundo é a dureção dc 9192631110 períodos da radiação correspondente
à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do Césio-133”. Este mé­
todo desenvolvido por Evenson e colaboradores conduziu ao seguinte resultado:

c = (299792457,4 ± l,2)m/s

1.6 Pressão da luz


A pressão exercida por um feixe de luz que incide sobre uma superfície pode ser ex­
plicada tanto através da teoria corpuscular da luz quanto pela teria ondulatória da luz.
Suponha que a luz seja constituída por corpúsculos denominados/d/ozw; ora, toda par­
tícula transporta energia e quantidade de movimento (ou momento linear). Portan­
to, quando um conjunto de fótons incide sobre uma superfície, os impactos destes cor­
púsculos produzem uma força sobre a referida superfície. Esta/orpa (por unidade de
área) dá origem àpressão da luz sobre a superfície considerada. Entretanto, neste Ca­
pítulo estamos interessados apenas no comportamento da luz como onda eletromag­
nética. Sendo assim, mostraremos a seguir a explicação do efeito da pressão da luz uti­
lizando um modelo puramente ondulatórío.
Como a luz é uma onda eletromagnética, a intensidade luminosa é dada pelo módu­
lo do vetor de Poynting, dc acordo com a relação (1.5). Como a intensidade luminosa
fornece a potência por unidade de área transportada por um feixe de luz, podemos es­
crever:

I = U/tA (1.13)

onde Ué a energia total transportada durante o intervalo de tempo t, através da área


A da seção transversal do feixe considerado. A luz (c qualquer outra onda eletromag
nética) transporta energia c quantidade de movimento. A potência transporta pela luz
é a energia transportada por unidade de tempo. A força exercida pela luz sobre uma
superfície é igual à variação da quantidade de movimento que ocorre quando a luz in­
cide sobre a referida superfície. k pressão da luz é \gua\ a estaforça por unidade de área
da superfície considerada.

34
Seja q a quantidade de movimento linear do feixe de luz. Conforme mostraremos
no Capítulo 4, a quantidade de movimento linear de uma onda eletromagnética é rela­
cionada com a energia total U transportada pela onda através da equação:

q = U/c (1-14)

Suponha que um feixe de luz seja totalmente absorvido ao incidir sobre uma super­
fície. Como a força é igual à variação da quantidade de movimento linear, de acordo
com a relação (1.14), verificamos que a força /'exercida sobre a área A vale:
F = q/t = J/tc (1.15)
onde t é um intervalo de tempo infinitesimal durante a absorção da luz pela superfície
da área A. A força por unidade de área A fornece a pressão p da luz, ou seja:
p = F/A = U/tcA (1.16)

Comparando a expressão (1.16) com a relação (1.13) encontramos a seguinte expres­


são para a pressão da luz:

p = I/c (1.17)

A fórmula (1.17) se aplica para a determinação da pressão da luz sobre uma superfí­
cie que absorve totalmente a luz, como, por exemplo, no caso de uma superfície negra.
Quando a luz incide sobre um espelho (ou sobre uma superfície branca) podemos ad­
mitir que ocorre reflexão total da luz. Neste caso, a variação da quantidade de movi­
mento linear é igual a 2q, onde q é a quantidade de movimento linear do feixe inciden­
te. Logo, a pressão da luz será igual ao dobro da pressão indicada na relação (1.17).
Sendo assim, podemos dizer que a pressão exercida pela luz sobre uma superfície qual­
quer é dada por:

p = /(I + r)/c (1.18)

onderéa reflctividade da superfície considerada, isto é,r = ///, onde/ ’é a intensida­


de da. \uz refletida eIéaintensidadeda \\iz incidente. Quandor = 0(superfícienegra),
a fórmula (1.18) se reduz ao resultado (1.17). Quando r = 1 (espelho ideal ou superfí­
cie branca ideal), a pressão da luz é dada por:

p = 2I/c

35
Nos casos reais, a pressão da luz deve ser calculada pela reação (1.1S), levando-se
em conta a refletividaderdo superfície considerada. A refletividade das superfícies es­
curas é muito pequena, ao passo que as superfícies claras possuem refletividades gran­
des (próximas de um). Por esta razão, é conveniente usar roupas claras no verão e rou­
pas escuras no inverno.

Exemplo 1.2 Denomina-se constante solar o valor da intensidade luminosa dos raios
solares que atingem o topo da atmosfera terrestre. O valor da constante solar é, aproxi­
madamente, dado por In = 1400 W/m2. Calcule a pressão exercida por um feixe dc luz
solar sobre uma superfície plana colocada ortogonalmente à direção do feixe de luz solar.
Despreze a absorção da luzsolar pela atmosfera c suponha que a superfície mencionada
seja: (o) preta, (b) branca.
Soluçàa (a) Como a superfície sobre a qual incide os raios solares é negra, podemos utilizar
a relação (1.17). Logo.
p = /,,/c ■= 4,67 x 10-rtN/m2
Compare o valor da pressão armosférica normal com a pressão exercida pela luz solar
sobre um objeto negro situado na superfície terrestre. Sabemos que a pressão atmosférica
normal é dada por:
R= 1,01 x 105N/m2
Portanto, a relação entre a pressão exercida pela luzsolar e a pressão armosférica é da­
da por:
P - 4,6 X 10 Palm
(b) Se a superfície sobre a qual a luz incide for branca, basta multiplicar o resultado
do item (a) por 2 para obtermos a pressão da luz solar sobre uma superfície branca ideal.
Logo,
p' = 2p - 9,2 x IO' " Patm

De acordo com o resultado do Exemplo 1.2 verificamos que a pressão exercida pela
luz solar sobre um objeto na superfície terrestre é extremamente pequena. Sendo as­
sim, é natural esperar que uma experiência destinada a medir a pressão da luz seja de
difícil realização prática.
Diversas experiências realizadas no final do Século XIX destinadas a medir opres­
são da luz iludiram muitos pesquisadores. Crookes demonstou que algumas destas ex­
periências não evidenciavam a pressão da luz mas sim um outro fenômeno denomina­
do efetivo radiométrico. No famoso radiômetro de Crookesexiste um gás residual com
uma pressão muito baixa; este dispositivo é constituído por 4 pequenas alelasapoiadas
num pino que pode girar em torno do eixo vertical de apoio, como se fosse uma espécie
de "cata-vento”. Num cata-vento as aletas giram movimentadas pela pressão do ven­
to. Analogamente, no radiômetro de Crookes as aletas deveríam girar impulsionadas

36
pela pressão da luz. Contudo, Crookes demonstrou que não era a pressão da luz a for­
ça matriz da rotação do radiômetro. Crookes provou que a rotação das aletas do ra-
diômetro era provocada por um efeito térmico denominado efeito radiométrico Croo­
kes fabricou cada alcta dc tal forma que uma das faces da aleta era prateada (ou então
pintada de branco) c a face oposta da mesma alcta era negra. A luz refletida do lado
prateado dc cada aleta transfere o dobro da pressão da luz absorvida no lado negro.
Portanto, sc a pressão da luz for o efeito dominante, as aletas devem girar no sentido
da face branca para aface negra. Contudo, observa-se que o radiômetro gira no senti­
do contrário, isto c, do lado preto para o lado branco. Este efeito não é causado pela
pressão da luz mas sim pelo efeito radiométrico. O gás residual próximo da superfície
negra se aquece mais rapidamente do que o gás nas vizinhanças da superfície branca.
Portanto, como a pressão local do gás residual nas vizinhanças da superfície negra c
maior do que a pressão local nas vizinhanças da face branca, verifica-se que o “cata-vento”
de Crookes gira no sentido do lado preto para o lado branco. Se o gás residual fosse
completamcnte retirado do recipiente, o dispositivo deveria girar sob a ação da pres­
são da luz, isto é, no sentido do lado branco para o lado preto. Entretanto, até o final
do Século XIX as diversas máquinas de vácuo disponíveis não conseguiam fazer um
vácuo suficiente para detectar o efeito da pressão da luz. Na Fig. 1.9 indicamos um ra­
diômetro de Crookes utilizado para verificar o efeito radiométrico.
Fig. 1.9 O radiômetro de
Crookes indicado nesta foto­
grafia não serve para pro var o
efeito da pressão da luz. A luz
refletida do lado prateado de
cada aleta transfere o dobro
do monfento transferido para
a parle negra da pá. Sendo as­
sim, se o efeito da pressão da
íêÊ
luz fosse dominante, as aletas
deveríam girar no sentido do
lado branco para o lado ne­
gro. Contudo, se você aproxi­
mar este radiômetro de uma
lâmpada ou se você deixá-lo
exposto aos raios solares, vo­
cê notará que as pás giram do
lado preto para o lado bran­
co, provando que o efeito ra­
jiu
diométrico observado não é
produzido pela pressão da
luz._____________________
Em 1900 Lebedev conseguiu superar as dificuldades experimentais para a determina­
ção da pressão da luz. Nichols e Hull, cm 1903, também mediram opressão da /mzc verifi­
caram a validade da relação (1.17). O dispositivo empregado por Nichols c Hull era basea­
do numa balança de torção munida de dois espelhos.
Hoje cm dia as experiências para a determinação da pressão da luz são feitas com um
feixe de LA SER. O feixe de LASER possui uma intensidade Imuito elevada, de modo que,
pela relação (1.17), é possível obter uma pressão p muito maior do que a pressão da luz
solar e muito maior do que a pressão de um feixe de luz proveniente de lâmpadas comuns.
Nos últimos anos as pesquisas experimentais acerca da pressão da luz recrudesceram jus-

37
tamente por causa das facilidades oferecidas com a utilização dos feixes de LASER. Uma
variante espetacular das medidas da pressão da luz com a utilização do LASER é forneci­
da pela levitação de uma pequena partícula que flutua no interior de um recipiente vazio,
impulsionada por um feixe de LASER orientado verticalmente de baixo para cima.
A pressão da luz t responsável por alguns efeitos que ocorrem no Universo. Os dois efeitos
mais importantes relacionados com a pressão da luz são os seguintes: (a) o movimento da
cauda de um cometa nas vizinhanças do periélio, (b) a determinação da massa limite dc
uma estrela.
(a) Movimento da cauda de um cometa nas vizinhanças do periélio. Denomina-se pe­
riélio o ponto mais próximo do Sol na trajetória elíptica de um cometa ou de um planeta em
torno do Sol. A cauda dc um cometa que se move nas vizinhanças do periélio sempre se dispõe
num sentido oposto ao Sol, conforme indicado na Fig. 1.10.

Fig. 1.10 A cauda de um cometa nas vizinhanças do periélio se


orienta no sentido contrário ao do movimento da luz solar que
atinge o cometa. Este efeito é produzido pela pressão da luz
solar. Ver o Exemplo 1.3.
KcpJer já havia admitido que a cauda de um cometa mudava de direção em virtude da
pressão da luz solar. Hoje cm dia sabemos que existem dois efeitos principais que impul­
sionam as partículas da cauda de um cometa nas vizinhanças do periélio: o vento solar e
a pressão da luz. O vento solar é uma radiação constituída por elétrons e prótons que ema­
nam do Sol. Caso existam muitas partículas ionizadas constituindo o plasma de um come­
ta, ocorre interação entre o campo magnético do Sol e as partículas ionizadas', então, a ação
do vento solar faz com que a cauda do cometa se dirija cm linha reta radialmcntc para fora
do Sol. Quando na cauda do cometa não existe este plasma (partículas ionizadas), não ocorre
nenhum efeito do vento solar. Contudo, a pressão da luz é um efeito que ocorre sempre,
independentemente da cauda do cometa possuir ou não plasma. Quando a cauda do co­
meta não possui plasma o efeito da pressão da luz faz com que a cauda do cometa assuma
um aspecto semelhante ao indicado na Fig. 1.10. No Exemplo 1.13 vamos provar que, quan­
do o raio de uma partícula da cauda de um cometa for menor do que um certo valor ROt
a partícula deve ser “soprada” para fora do Sol cm virtude da ação da pressão da luz so­
lar.
(b) Determinação da massa limite de uma estrela. O estudo da pressão da radiação ele­
tromagnética desempenha um papel importante na pesquisa teórica da massa limite de uma
estrela. Eddington observou que o estudo da massa de uma estrela deve levar cm conta as
seguintes interações. Com o aumento da massa de uma estrela, aumenta a força gravita-

38
cional que tende a fazer com que as camadas externas da estrela comprimam as camadas
internas. Este aumento de pressão provoca também um aumento de temperatura, atin­
gindo-se temperaturas da ordem de milhões de graus. Em vista destas elevadas temperatu­
ras e pressões, surgem explosões termonucleares no núcleo da estrela. Estas explosões ge­
ram intensa radiação eletromagnética-, a pressão desta radiação é orientada dc dentro pa­
rafora, ao passo que a pressão gravitacional é orientada de fora para dentro. Quando existe
um equilíbrio entre estas duas pressões a estrela se encontra numa fase estável. Além do
Sol, cerca de 10/s estrelas no Universo, se encontram nesta fase. Contudo, estrelas que pos­
suem massas muito maiores ou então muito menores do que a massa do Sol não são está­
veis. Cálculos teóricos indicam que, quando a massa de uma estrela for superior a cerca
dc 60M, onde Héa massa do Sol, a estrela sc torna instável, uma vez que a pressão da
radiação de dentro para fora é maior do que a pressão gravitacional de fora para dentro.
A experiência mostra que ainda não foi detectada nenhuma estrela estável com massa su­
perior a 60AY,. Vejamos, de passagem, a origem do buraco negro. Suponha que a radia­
ção da estrela não exista mais (porque terminaram todas as possíveis reações termonuclea­
res). Então, a pressão gravitacional prevalece sobre a pressão da radiação e a estrela co­
meça a se contrair indefinidamente. Esta contração permanente da estrela denomina-se
colapso gravitacional c a estrela passa a constituir o chamado buraco negro. No interior
de um buraco negro o campo gravitacional é tão forte que nenhuma radiação consegue
escapar do seu interior, daí a origem do nome ''buraco negro" dado a este tipo de estrela
que sofreu o colapso gravitacional. (Ver o Livro "Gravitação, Oscilaçõese Ondas"de nossa
Autoria).

Exemplo 1.3 Considere uma partícula na cauda de um cometa. Quando o cometa se


encontra próximo doperiélio, a força dc atração gravitacional entre a partícula e o Sol é
muito maior do que a força de atração entre a partícula e o núcleo do cometa. Despreze
a força de atração entre a partícula c o núcleo do cometa, (o) Determine a expressão do
raio crítico Ro abaixo do qual toda partícula da cauda do cometa é “soprada” pela pres­
são da luz c se dirige paru fora do Sol. (6) Calcule o valor de Ro sabendo que a densidade
da partícula é igual a 1 g/cmJ. A potência total da radiação solar é aproximadamente dada
por:
A = 4 x 10M W.

Solução, (á) A força dc atração gravitacional entre a partícula e o Sol é dada por
F, = GmM./x1 (1)

onde G é a constante da Gravitação Universal, m é a massa da partícula, AY, é a massa do


Sol exé a distância entre a partícula e o Sol. A massa dc uma partícula esférica é dada por:
m = p4ir/?J/3 (2)

onde p é a densidade da partícula esférica e R é o seu raio. A força de repulsão produzido


pela pressão da luz solar vale:
F, = P(tR*)

39
onde p é a pressão da luz solar. Podemos supor que haja absorção; então, pela relação (1.17),

P = 1/c (3)
Por outro lado, o módulo do vetor de Poynting a uma distância x de uma fonte pontual
é dado pela equação (1.6). Logo,
Z = Po/^irx2) (4)
ondePoé a potência total do Sol. Vamos supor agora que Fgseja igual a Fr. Isloé, vamos
supor que a partícula esteja em equilíbrio. Quando Ft for maior do que Ft a partícula c
atraída para o Sol; quando F9 for menor do que Fr, a partícula será "soprada" para fora
do Sol. Fazendo Ft = F, e utilizando as relações (1), (2), (3) e (4), obtemos o raio critico
Ro solicitado:
R„ = 3Po/(\Ó7rcGpMs)
(b) Utilize agora os dados do problema cos valores c = 3 X 105m/s, G = 6,67 x 10 ~u
N.m2/kg2, Ms =• 1,99 x 10^° kg. Substituindo os valores numéricos na resposta do item
(o) e fazendo os cálculos, encontramos o raio crítico solicitado:
Ro = 6,0 x 10" 7 m
Note que o valor de Ro não depende da distância x entre a partícula e o Sol, conforme
você pode constatar no resultado do item (a). Todas as partículas da cauda do cometa com
raios menores do que Ro serão "sopradas" para fora do Sol.
Exemplo 1.4 Reação da radiação. Quando um átomo ou qualquer outra fonte unidire-
cional emite uma onda eletromagnética, de acordo com a Lei da Conservação da Quanti­
dade de Movimento Linear, concluímos que deve ocorrer umaforça de reação que impul­
siona afonte em sentido contrário ao sentido da radiação unidirccional emitida. Uma lan­
terna de massa m emite um feixe dc luz unidirccional de intensidade l. Sendo A a área da
seção reta transversal do feixe de luz da lanterna, obtenha uma expressão para a velocida­
de de recuo da lanterna depois de um tempo r de emissão da luz. (6) Estime a ordem dc
grandeza desta velocidade inicial supondo: m = 200 g, / = 20 W/m2, A = 10 cm2, t =
100 s.
Solução (a) Dc acordo com a Lei da Conservação da Quantidade dc Movimento Linear,
devemos ter:
mv = qiuz
onde v é a velocidade de recuo da lanterna. A quantidade dc movimento da luz qiUz é da­
da pela equação (1.14). Logo,
v = U/mc (D
onde Ué a energia total emitida pela lanterna no intervalo de tempo l. Pela definição de
intensidade luminosa, temos:
Z = P/A
onde P é a potência do feixe. Então,
U = Pi = /At

40
Substituindo o valor de U na relação (I), obtemos a velocidade de recuo da lanterna:
v = lAt/mc
(d) Substituindo os valores numéricos no resultado anterior, encontramos:
V = 3,3 X 10’’ m/s

Este valor é tão pequeno que não poderia ser detectado experimentalmente.

QUESTIONÁRIO
l.l Se a freqücncia de uma onda eletromagnética no vácuo for igual a f, qual é o com­
primento de onda desta radiação eletromagnética?
1.2 (a) Pode uma antena transmissora de ondas de rádio transmitir também microon­
das? (ô) Pode uma antena receptora de ondas de televisão detectar raios X?
1.3 Além dos efeitos luminosos produzidos pelas radiações eletromagnéticas visíveis,
diga quais são os outros possíveis efeitos das radiações eletromagnéticas sobre o corpo
humano.
1.4 (ú) Descreva, em linhas gerais, como é possível selecionar a estação de rádio deseja­
da mediante um rádio-receptor. {b) Como funciona o seletor de um aparelho recep­
tor de televisão?
1.5 O sinal luminoso de 11 pare", bem como os demais sinais de perigo, são vermelhos.
O sinal luminoso que indica “siga” é verde. No entanto, de acordo com a Fig. 1.6,
verificamos que o olho possui sensibilidade relativa máxima para a cor verde e uma
sensibilidade relativa mínima para a cor vermelha. Como se explica esta escolha ado­
tada internacionalmente?
1.6 Conforme veremos na próxima Seção, o arco-íris é provocado pela refração da luz
solar nas gotículas de água de uma nuvem. As 7 cores do arco-íris correspondem ao
espectro da luz solar. O espectro da luz solar na região visível é semelhante ao gráfi­
co indicado na Fig. 1.6. Escreva as 7 cores do arco-íris em ordem crescente de fre­
qücncia.
1.7 Faça uma correspondência entre as sete cores do arco-íris em ordem crescente de fre­
quência e as sete notas musicais em ordem crescente defrequência. Lem bramos que
a nota musical mais grave c o dó e que a nota mais aguda é a nota si.
1.8 (a) Pode uma partícula se deslocar no vácuo com velocidade superior à velocidade
c dada pela relação (1.1)? (b) Pode uma partícula se deslocar num meio material ho­
mogêneo com velocidade superior à velocidade de propagação da luz no meio ma­
terial considerado?
1.9 A paralaxe anual de uma estrela c maior do que o ângulo de aberração da luz da mesma
estrela?
1.10 Para verificar o efeito da pressão da luz, Nichols e Hull utilizaram uma balança de
torção (ou balança de Cavendish). Este dispositivo experimental possui elevada sen­
sibilidade e consta de um fio de quartzo (ou de outro material sensível), preso verti­
calmente a um suporte fixo no teto (ou numa barra horizontal fixa). Este fio verti­
cal sustenta uma haste fina que possui dois braços horizontais iguais. Uma pequena
torção no fio é provocada pelo torque externo da força resultante da pressão da luz
sobre os espelhos. Esta torção é detectada por meio de técnicas especiais. Indique

41
como a balança de torção foi utilizada cm pelo menos uma outra experiência fun­
damental da Física.

EXERCÍCIOS
1.11 Uma onda eletromagnética se propaga no vácuo. Podemos afirmar que nesta região
do espaço existe:
(A) uma corrente elétrica constante;
(B) um campo elétrico constante e um campo magnético variável;
(C) um campo elétrico variável c um campo magnético constante;
(D) um campo elétrico variável e um campo magnético variável;
(E) uma corrente elétrica variável.
1.12 Toda onda eletromagnética que se propaga no vácuo deve possuir:
(A) o mesmo comprimento de onda;
(B) a mesma frequência;
(C) a mesma amplitude;
(D) a mesma velocidade de propagação;
(E) a mesma intensidade.
1.13 Considere as seguintes afirmações:
(1) A velocidade de uma onda eletromagnética no vácuo não depende da ampli­
tude da onda.
(2) A velocidade da luz no vácuo depende da cor da luz.
(3) A velocidade de uma onda de rádio no vácuo não depende da intensidade da
onda.
(4) A velocidade da luz no vácuo não depende da velocidade da fonte.
Tendo em vista as 4 sentenças acima, concluímos que:
(A) todas as 4 afirmações são falsas.
(B) Todas as 4 afirmações são corretas.
(C) As afirmações (1), (3) e (4) são verdadeiras mas a afirmação (2) é falsa.
(D) As afirmações (1) c (2) são verdadeiras e as sentenças (3) e (4) são falsas.
(E) As afirmações (2), (3) c (4) são falsas mas a sentença (1) é correta.
1.14 A luz cosom são doisfenômenos ondulatórios mas a luz pode ser polarizada ao passo
que o som não pode ser polarizado porque:
(A) apolarização éum fenômeno que caracteriza somente as ondas que se propa­
gam no vácuo;
(B) a polarização é um fenômeno que caracteriza todas as ondas longitudinaius’,
(C) a polarização c um fenômeno que caracteriza todas as ondas transversais’,
(D) o som se propaga no vácuo-,
(E) o som não se propaga no vácuo.
1.15 As ondas eletromagnéticas não podem:
(A) ser refletidas;
(B) ser refratadas;
(C) ser difratadas;
(D) ser polarizadas;
(E) se propagar com uma velocidade maior que 3 x 10* m/s.
I.I6 Não são ondas eletromagnéticas:
(A) os raios infravermelhos; (C) os raios X; (E) os raios (3
(B) os raios ultravioletas; (D) os raios y;

42
I 1.17 Uma estação de rádio emite ondas com freqüência f = 30 MHz (no vácuo). O com­
primento de onda das ondas emitidas vale:
* (A) 3 cm: (B) I cm; (C) Im: (D) 10 cm: (E) 10 m
I 1.18 Uma microonda possui comprimento dc onda dc 1 cm (no vácuo). Calcule o valor
i da freqüência desta microonda.
(A) 30 MHz: (B) 30GHz:(C) 300 MHz: (D) 300 GHz: (E) 3 GHz
i 1.19 As experiêcias de Bradley sobre a aberração da luz provaram que:
(A) o ângulo de aberração da luz é muito mair do que o ângulo da paralaxe anual
das estrelas-,
(B) a luz se propaga com velocidade infinita-,
(C) a luz se propaga com velocidade muito maior do que 300.000 km/s;
(D) a luz sofre um desvio muito grande provocado pelo índice dc refração do ar;
(E) a velocidade da luz no vácuo depende da cor da estrela que emite a luz.
1.20 Considere as seguintes ondas eletromagnéticas-, ondas de rádio, microondas, raios
X, raios gama, raios ultravioletas. Suponha que um material possua uma espessura
muito grande c que no interior do material não ocorra absorção ressonante para ne­
nhuma destas radiações. As ondas que penetram mais profundamente neste mate­
rial são:
(A) as microondas;
(B) os rarios ultravioletas;
(C) as ondas de rádio;
(D) os raios gama;
(E) os raios X.
1.21 A rotação das aletas de um radiômetro de brinquedo (ou de um radiômetro de Crookes)
é provocada:
(A) pela vibração mecânica do sub-solo;
(B) pela pressão da luz que é maior na facc prateada da aleta;
(C) pela variação dc temperatura ao longo do eixo vertical onde as aletas se apóiam;
(D) pelo fato de que a pressão nas vizinhanças da face prateada da aleta c menor
do que a pressão sobre a face negra da aleta;
(E) pelo fato de que todas as quatro aletas do radiômetro se esquentam sem for­
mar nenhuma diferença dc pressão entre as faces das aletas.

PROBLEMAS
1.22 Uma microonda possui comprimento de onda igual a 3 on. (a) Calcule a freqüência
desta microonda. (6) Qual deveria ser a velocidade angular de um gerador comum
a fim de produzir microondas?
1.23 A antena dc um sistema de RADAR é direcionada para a Lua. Sabemos que a dis­
tância entre a Terra e a Lua é aproximadamente igual a 380 000 km. Calcule o tem­
po decorrido desde o instante cm que o pulso de microondas é enviado do RADA R
até o momento em que o pulso refletido pela Lua é detectada peloa parelho de re­
cepção do RADAR. Suponha que a precisão da medida seja dc 10 s.
1.24 Calcule a freqüência de um raio Xcujo comprimento de onda no vácuo c igual a 0,1
nm.
1.25 Uma onda eletromagnética se propaga no vácuo e possui uma frcqücncia de 60 GHz.
(o) Calcule o comprimento de onda desta radiação. (Z?) Diga qual c o tipo desta onda
eletromagnética.

43
1.26 Considere a Fig. 1.6. Determine aproximadamente o comprimento de onda, a fre-
qüência e a cor da luz para a qual o olho humano possui sensibilidade máxima.
1.27 Quais são os valores dos comprimentos de onda das cores para as quais a sensibli-
dade do olho humano se reduz à metade do valor máximo da sensibilidade?
1.28 Denomina-se ano-luz (A.L.) a distância percorrida pela luz no espaço sideral du­
rante um ano solar médio (365 dias e 6 horas). A estrela mais próxima da Terra (de­
pois do Sol) é a estrela Próxima Centauri, situada a uma distância da Terra igual
a 4,27 A.L. (a) Qual c a relação entre um ano-luz c o metro! (â) Calcule a distância
r entre a Terra é a referida estrela em metros.
1.29 Denomina-separsec (pc) a distância entre a Terra e uma estrela cuja paralaxe anual
fosse igual a 1 segundo de arco. A estrela Sirius é uma estrela dupla situada a uma
distância da Terra aproximadamente igual a 8,2 X 10/5 m. (a) Calcule a distância
entre Sirius c a terra em anos luz e cm parsec. (d) Calcule o ângulo de paralaxe em
segundos de arco.
1.30 O raio médio da Terra é dado por: R — 6,4 x lO^m. A distância média entre a Tcr-
ra e o Sol vale r = 1,5 X 10a km. A constante solar é dada por: In = 1400 W/m2.
Obtenha uma expressão literal e calcule o valor aproximadamente para: (a) a po­
tência total dos raios solares que incidem sobre a Terra, (b) a energia solar média
que atinge a Terra em um dia, (c) a fração da potência total do Sol interceptada pela
Terra, (d) a potência total do Soí.
1.31 A que distância rdc uma lâmpada dc 1 kW a intensidade da luze igual à intensidade
média da luz solar (constante solar). Considere a lâmpada como uma fonte pontual.
1.32 Qual deve ser a potência P de uma lâmpada para que sua intensidade luminosa,
a uma distância r = 2 m, seja igual ao valor da constante solar.
1.33 Sabemos que a intensidade luminosa é dada pelo módulo do vetor de Poynting. Além
disto, para toda onda eletromagnética progressiva, sabemos que E = cB, onde E
c o módulodo campo elétrico e B é o módulo da indução magnética. Considerando
uma onda luminosaprogressiva, determine a expressão da intensidade luminosa em
função: (a) do módulo do campo elétrico, (d) do módulo da indução magnética B.
1.34 A densidade da energia elétrica dc uma onda eletromagnética pode scr determinada
pela expressão:cqE272. A densidade da energia magnética vale ua = B2/!^,.
Considere um feixe de ondas luminosas progressivas se propagando no vácuo, (a)
Determine a expressão dc Mc e de u b para estas ondas, (ô) Qual c a densidade de ener­
gia eletromagnética total u para este feixe dc ondas? (c) Qual é a relação entre a in­
tensidade luminosa I do feixe e a densidade de energia total u do feixe?
1.35 Um feixe de luz incide sobre a aleta refletora de um radiômetro de Crookes. Supo­
nha que a potência total incidente sobre a aleta refletora seja dada por: P = 100 W.
(o) Obtenha uma expressão para a força exercida pela luz sobre a aleta refletora. (b)
Calcule o valor desta força, (c) Escreva a expressão e o valor da força exercida pela
luz sobre a aleta negra. Ver a Fig. 1.9.
1.36 Um espelho plano de área A — 200 cm2 recebe cm toda sua extensão um feixe de
luz colimada (feixe paralelo) que incide ortogonalmente ao plano do espelho. A in­
tensidade do feixe incidente vale I - 800 W/m2. Calcule: (a) a pressão exercida so­
bre o espelho, (à) a potência do feixe, (c) a densidade de energia eletromagnética do
feixe, (d) a força total exercida sobre o espelho.
1.37 Um feixe de luz colimada incide sobre uma superfície plana branca formando um
ângulo 6 com a direção da normal à superfície no ponto de incidência. Determine

44
a pressão exercida pelo feixe sobre a superfície plana: (g) em função da intensidade
/do feixe, (Z?) em função da densidade de energia total do feixe incidente.
1.38 Seja Po a potência luminosa total do Sol e Af, a massa do Sol. Uma partícula esféri­
ca de massa m está situada a uma distância r do Sol. Seja A a área da seção reta da
partícula obtida pela interseção entre um plano ortogonal à direção de propagação
da luz. Suponha que o feixe de luz solar que atinge a partícula seja um feixe paralelo
(ou colimado). Determine a razão m/A para que a força de atração gravitacional
entre o Sol e a partícula seja igual à força resultante da pressão da radiação solar
que incide sobre a partícula. Considere a refletividade da partícula igual a zero.
1.39 Uma antena emissora de rádio emite ondas hetzianas com uma potência total igual
a 100 kW. Uma certa lâmpada fluorescente só se acende quando ela estiver subme­
tida a um campo elétrico mínimo iguala 100 V/m. Colocando-se esta lâmpada mui­
to próxima da referida antena ela pode se acender sem a necessidade de nenhum con­
tato elétrico. Esta experiêcia (feita pela primeira vez por Hertz), pode ser realizada
num laboratório usando-se um circuito RLCressonante. Considere a antena men­
cionada como uma fonte pontual. Acima de uma certa distância critica ro a lâmpa­
da se apaga. Calcule o valor aproximado desta distância critica.
1.40 Denomina-se "experiência de levitação" a experiência na qual um corpo pode ser
mantido em equilíbrio, “flutuando” no espaço, sem nenhuma suspensão com fios e
sem nenhum apoio mecânico. Nas experiências de "levitação magnética " utiliza-se
um forte campo magnético que cria no corpo uma força (de baixo para cima) sufi­
ciente para igualar o peso do corpo. Experiência recentes mostraram que ê possível
produzir "levitação" mediante a ação da pressão da luz sobre pequenas partículas.
Considere um pequeno disco de papel com massa m. Um potente/e/.ví’ de LASER
incide de baixo para cima ortogonalmente ao plano dos disco, de tal forma que a
força resultante dapressão da luz seja igual ao peso do disco. A intensidade dofeixe
de LASER c igual a 3 MW/mnT c a área da seção reta transversal do feixe vale I
mm’. Suponha que ocorra absorção total do feixe que incide sobre o disco. Calcule a
massa m do disco para que ocorra "levitação" deste objeto.
1.41 Considere um cristal de massa M. No interior deste cristal existe um núcleo de mas­
sa m q uc emite um raio gama cuja energia é igual a U. Usando a Lei da Conservação
da Quantidade de Movimento Linear, determine: (a) o módulo da velocidade dc re­
cuo do núcleo, supondo que ele possa se mover livremente no interior do cristal, (ó)
o módulo da velocidade de recuo do cristal como um todo, supondo que o núcleo
esteja rigidamente ligado dentro do cristal.
1.42 Suponha que o cristal mencionado no problema anterior emita regularmente N raios
y idênticos na mesma direção num intervalo t. Obtenha uma expressão para o mó­
dulo da força média exercida pela radiação sobre o cristal.

RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO
1.1 X = c/f.
1.2 (a) Não. (ô) Não.
1.3 Toda radiação eletromagnética produz efeitos térmicos sobre o corpo humano; em
particular, os raios ultravioletas, a luz c os raios infravermelhos, produzem efeitos
térmicos bastante sensíveis na pele humana. Além do efeito térmico, as radiações
eletromagnéticas mais penetrantes (os raios X c os raios y) produzem certos efeitos
peculiares (em geral nocivos). As radiações penetrantes causam lesões cm diversos
órgãos. A exposição prolongada a estas radiações pode produzir o câncer e outros

45
danos. Contudo, algumas radiações eletromagnéticas, em doses adequadas, podem
ser usadas no tratamento clinico (exemplos: os raios infravermelhos e os raios ul­
travioletas em Fisioterapia, os raios gama no tratamento do câncer, etc.).
1.4 (o) A seleção da estação é feita mediante a escolha da capacitância C de um capaci-
lor variável que produz ressonância no circuito /íLCutilizado, depois que as ondas
de rádio são convertidas cm impulsos elétricos, (b) O seletor de um aparelho recep­
tor de televisão é constituído por um conjunto de capacitores conectados cm para­
lelo; ao girarmos o seletor a estação de televisão é sintonizada mediante a seleção
do valor da capacitância C necessário para reproduzir a ressonância desejada.
1.5 A escolha do vermelho para indicar perigo (ou sinal de “parar”) foi feita por uma
questão de contraste. Como a cor verde c a cor predominante na Natureza, caso o
sinal de “parar*' fosse verde, o contraste seria pequeno. Por exemplo, suponha que
o sinal luminoso esteja próximo de uma árvore; você pode verificar que o verde do
sinal quase não é percebido, ao passo que a luz vermelha é facilmente percebida. Sendo
assim, é fádl concluir que o sinal de “parar” deve ser vermelho.
1.6 Vermelho, alaranjado (ou laranja), amarelo, verde, azul, anil (ou índigo) e violeta.
1.7 1) vcrmelho-dó, 2) alaranjado-ré, 3) amarelo-mi, 4) verde-fá, 5) azul-sol, 6) anil-lá,
7) violeta-si.
1.8 (£7) Não. (d) Sim.
1.9 A paralaxe anua! de uma estrela c muito menor do que o ângulo de aberração da
luz da mesma estrela.
1.10 Podemos citar duas experiências cruciais da Física que foram realizadas mediante
um dispositivo semelhante ao utilizado por Nichols e Hull: a famosa experiência de
Cavendish para a determinação do valor de G (Constante da Gravitaçào Universal)
e a experiência de Coulomb para a determinação do valor de eo (permissividade elé­
trica do vácuo).

RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS


1.11 (D) 1.12 (D)
1.13 (Q 1.14 (C)
1.15 (E) 1.16 (E)
1.17 (E) 1.18 (B)
1.19 (A) 1.20 (D)
1.21 (D)

RESPOSTAS DOS PROBLEMAS


1.22 (a) f = 10 GHz. (£>) = 2x x 10'° rad/s.
1.23 2,5333 s.
1.24 / = 3 x 10" Hz.
1.25 (a) X = 0,5 cm. (6) Trata-se de uma microonda.
1.26 X = 550 m/*; (f) = 5,5 x 10" Hz; cor verde.
1.27 Xf = 510 m/z e Xj = 610 m/4.
1.28 (a) 1 A.L. = 9,46 x 10'2 m; (6) r = 4,04 x 10/J m.
1.29 (a) r = 8,69 A.L. = 2,67 pc; (d) 0,375 segundos de arco.
1.30 (o)P = t«2/„= 1,8 X 10'7W;(*)£ = P(1 dia) = 1,56 X 10” J.
(c) fração = (R/2r? = 4,5 X 10“ (d) PQ = = 4 X 10" W.
1.31 r = 24 cm.

46
1.32 P = 70,34 W.
1.33 («) / = E2/^ (ti) ! = cB2/^
1.34 (a) ué = uB — t,-E2/2; (b) u — uv. + ua = e^E2; (c) I - cu.
1.35 (a)F = 2P/c-,(b)F = 6,67 x 10 7N;(c)r = P/c = 3,335 x IQ-’N.
1.36 (a) 5,33 X IO'4 N/m2; (*) 16 W; (c) 2,67 X 10‘‘ 3/mJ; (d) 1,067 X 10*7N.
1.37 (a) p = (2/ c)I cos 0; (b) p = 2u cos 0.
1.38 m/A = Po/(AiccGM).
1.39 r = 17,3 m.
1.40 m = 1,02 g.
1.41 (á) v = U/mc\ (d) v' = U/Mc.
1.42 F = NU/tc.

41
Capítulo 2
ÓTICA GEOMÉTRICA

2. / Conceitos básicos da Ótica Geométrica


A Ótica é a parte da Física que trata dc todos os fenômenos relacionados com a pro­
dução, a propagação e a percepção da luz. Os dispositivos usados na geração da luz e
os principais efeitos produzidos pela luz já foram estudados no Capítulo 1. Por razões
didáticas se costuma dividir a Ótica em duas partes: a Ótica Geométrica c a Ótica Físi­
ca ou Ótica Ondulatória. Na Ótica Geométrica analisamos os aspectos puramente geo­
métricos da trajetória da luz ao se propagar num dado meio, bem como a trajetória da
luz quando ela sofre reflexão e refração ao passar de um meio para outro meio. A in­
terferência, a difração e a polarização da luz são os principais fenômenos que revelam
a natureza ondulatória da !uz\ estes fenômenos são estudados na Ótica Ondulatória.
No Capítulo 3 estudaremos os principais fenômenos que revelam a natureza ondulató­
ria da luz; ou seja, no Capítulo 3 faremos um estudo da Ótica Ondulatória ou Ótica
Física. No presente Capítulos vamos descrever osprincipaisfenômenosfísicos estuda­
dos pela Ótica Geométrica. No final deste Capítulo descreveremos os principais ins­
trumentos e dispositivos que auxiliam os estudos da Ótica e que são utilizados em nu­
merosas aplicações práticas.
Nesta Seção apresentaremos alguns conceitos básicos da Ótica Geométrica. A dis­
cussão feita no Capítulo 1 acerca da natureza da luz não é relevante para os objetivos
da Ótica Geométrica. Por exemplo, as Leis da Reflexão e da Refração da Luz podem
ser deduzidas tanto supondo que a luz seja constituída por partículas quanto admitin­
do o comportamento ondulatório da luz. O que caracteriza essencialmente o tratamento
da Ótica Geométrica? O tratamento da Ótica Geométrica se distingue do tratamento
da Ótica Ondulatória essencialmcntc pela descrição da trajetória do chamado raio lu­
minoso. A aproximação inerente ao tratamento da Ótica Geométrica requer que o com­
primento (ou qualquer outra dimensão) de um receptor da luz seja maior maior do que
o comprimento de onda da luz (que éda ordem de 10~ 5 cm). Como esta condição é sa­
tisfeita pela maior parte dos objetos macroscópicos usuais, resulta que a Ótica Geomé­
trica é de extrema importância nas aplicações práticas em nossa vida diária. Somente
quando o comprimento de onda da luz é da mesma ordem de grandeza dc um orifício,
de um obstáculo ou de uma partícula é que os efeitos de difração, interferência c espa-
Ihamento da luz se tornam importantes; estes fenômenos ondulatórios serão aborda­
dos no Capítulo 3 (Ótica Ondulatória).
Cada raio de luz é representado na Ótica Geométrica mediante uma linha na qual
existe uma seta\ esta representação serve para indicar a trajetória seguida por um dado
raio luminoso. Um feixe de luz é um conjunto de raios de luz.

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Uma fonte luminosa é qualquer sistema que emite luz. As fontes de luz podem ser
pontuais ou puntiformesou então extensas. Uma fonte luminosa pode ser considerada
uma fonte pontual quando ela é observada de uma distância muiro maior do que o ta­
manho da fonte considerada. Por exemplo, uma. estrela pode ser considerada como uma
fonte pontual quando ela é observada da Terra. Uma lâmpada de incandescência co­
mum pode ser considerada como umafonte pontual quando ela é observada a uma dis­
tância de 30 m; contudo, quando ela é observada a uma distância menor do que 5 m
esta lâmpada não pode ser mais considerada como uma fontepontual', neste caso, di­
zemos que ela é uma fonte extensa.
Na Fig. 2.1 indicamos os principais tipos de feixes de luz. {a) Um feixe divergente
c aquele que emana de um ponto; em geral o feixe divergente emana de uma fonte pon­
tual. (b) Um feixe convergente é aquele cujos raios convergem para um mesmo ponto;
normalmenle o ponto de convergência define um foco luminoso, (c) Um feixe parale­
lo, também conhecido comofeixe colimado é aquele que não diverge de nenhuma fon­
te pontual nem converge para nenhum foco pontual; algumas vezes dizemos que o fei­
xe colimado fornece uma imagem imprópria porque o feixe considerado formaria uma
imagem no infinito.

(</) Divergente

(d) Convergente

(c) Paralelo

Fig. 2.1 Principais tipos de feixes luminosos: (a) feixe divergente, (b) feixe
convergente, (c) feixe paralelo ou feixe colimado.

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A interação entre a luz e a matéria permite a definição dos seguintes tipos de meios ma­
teriais: (a) meio homogêneo, (6) meio heterogêneo, (c) meio isotrópico, {d) meio anisolró-
pico, (e) meio transparente, (/) meio translúcido, (g) meio opaco.
(g) Meio homogêneo. O meio é hoogêneo quando possui densidade constante em to­
dos os seus pontos. Do ponto de vista ótico, normalmente quando a densidade do meio
é constante o índice de refração do meio também é constante. Sendo assim, dizemos que
um meio é olicamente homogêneo quando o índice de refração do meio é constante cm
todos os pontos do meio. Quando um raio luminoso se propaga num meio oticamente ho­
mogêneo ele não sofre nenhum desvio adicional depois que ele penetra no meio.
(b) Meio heterogêneo. O meio que não é oticamente homogêneo constitui um meio he­
terogêneo', este meio também pode ser chamado de meio não homogêneo. Exemplo de um
meio homogêneo: o vidro. Exemplo de um meio heterogêno: o ar atmosférico.
(c) Meio isotrópico. Dizemos que um meio é oticamente isotrópico quando a luz se pro­
paga com a mesma velocidade em todas as direções em torno de um ponto do meio consi­
derado. Se o meio, além de isotrópico, for também homogêneo, a luz se propaga em todos
os pontos do meio e em todas as direções com a mesma velocidade. Um ótimo exemplo
de meio homogêneo e isotrópico (do ponto de vista da Ótica) é o vácuo, uma vez que no
vácuo a luz se propaga sempre com a mesma velocidade cm todos os pontos e em todas
as direções consideradas. A atmosfera terrestre, embora seja um meio isotrópico, ela não
homogênea, uma vez que a densidade da atmosfera aumenta à medida que diminui a alti­
tude do local considerado. Como a densidade da atmosfera varia, o índice de refração da
atmosfera também aumenta com a diminuição da altitude. Entretanto, fazendo-se uma
experiência num mesmo ponto do ar atmosférico, verificamos que a velocidade de propa­
gação da luz c a mesma em todas as direções em torno do ponto considerado, o que garan­
te a isotropia do ar atmosférico. A atmosfera terrestre é, portanto, um exemplo de um meio
isotrópico que não é homogêneo. Você sabe dar algum exemplo de um meio homogêneo
e isotrópico'! O vidro é um exemplo. A água é outro exemplo de um meio homogêneo c
isotrópico. Dê outros exemplos.
(d) Meio anisotrópico. Um meio é oticamenteanisotrôpico quando o meio não for iso-
trõpico, isto é, quando o meio pode possuir mais de um índice de refração para as di reções
em torno de um dado ponto domeio. Os gases, os líquidos, os sólidos amorfos (por exem­
plo, o vidro, o quartzo fundido, etc.) e os sólidos cristalinos do sistema cúbico são mate­
riais isotrópicos. Note que estes materiais são simultaneamente homogêneos e isotrópicos.
Os demais sólidos cristalinos que não pertencem ao sistema cúbico são materiais olicamente
anisotrópicos. Os cristais anisotrópicos são birrefringentes, isto é, cada raio de luz prove­
niente do ar que penetra no cristal se subdivide em dois raios luminosos que se propagam
com velocidades diferentes no interior do cristal. Exemplo de cristal birrefringente aniso-
trópico: o cristal de quartzo hcxagonal. Estudaremos o fenômeno da birrefringência no
Capítulo 3 quando tratarmos dos fenômenos inerentes à Ótica Ondulatória.
(e) Meio transparente. Um meio é transparente quando ele pode ser atravessado pela
luz sem que ocorra quase nenhuma absorção no interior do meio. Através de um meio trans­
parente podemos identificar os objetos que se encontram fora do meio considerado. Exem­
plos de meios transparentes: a água destilada, o ar, o vidro, o quartzo fundido, o álcool,
etc..
(/) Melo translúcido. É um meio que deixa passar a luz com uma certa absorção; além
disto, a trajetória dos raios luminosos no interior do meio torna-se irregular. Em conseqüên-
cia desta irregularidade da trajetória c da absorção do meio, não podemos distinguir os

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objetos que se encontram fora do meio. A água destilada é um exemplo de um meio trans­
parente, ao passo que a água turva (com impurezas) constitui um exemplo de um meio trans­
lúcido.
(g) Meio opaco. É aquele que não permite a passagem da luz em seu interior. Uma ma­
terial pode ser opaco devido a uma reflexão total que ocorre na superfície do material ou
então devido à absorção total que ocorre no interior do mesmo (ou ainda devido a uma
superposição destes efeitos).

Princípios fundamentais da Ótica Geométrica


O estudo da Ótica Geométrica pode ser facilitado conhecendo-se alguns princípios
básicos. Todos os princípios da Ótica Geométrica derivam de um Princípio Fundamental
da Ótica Geométrica conhecido como Princípio deFermat. Este famoso Princípio po­
de ser enunciado do seguinte modo abreviado:
“A trajetória seguida por um raio luminoso para ir de um ponto a outro é aquela
que possui a menor duração. ”
O caminho ótico L da luz num meio homogêeo e isotrópico é definido pela relação:
L = nx (2.1)
onde n é o índice de refração do meio considerado exé o comprimento da trajetória
seguida pelo raio luminoso. A relação (2.1) indica que o caminho ótico L é sempre maior
do que o comprimento x da trajetória seguida pela luz num meio material. O caminho
ótico só é igual ao comprimento da trajetória quando o raio luminoso se desloca no vá­
cuo.
Considere um meio homogêneo e isotrópico. De acordo com o Princípio de Fermat,
a trajetória de menor duração entre dois pontos no interior deste meio é claramente da­
da pelo segmento de linha reta que une os dois pontos considerados. A velocidade da
luz num meio homogêneo e isotrópico é dada por:
v = c/n
onde c é a velocidade da luz no vácuo. Logo, pela definição de velocidade, vemos que
o tempo t que o raio de luz leva para percorrer uma distância x é dado por:
t = x/v = xn/c
Comparando a relação anterior com a equação (2.1), temos:
t = L/c
A relação anterior mostra que quando o tempo é mínimo o caminho ótico também
é mínimo. Sendo assim, o Princípio deFermat também pode ser enunciado do modo:
“A trajetória seguida por um raio luminoso para ir de um ponto a outro é aquela
que possui um caminho ótico mínimo entre os dois pontos considerados. ”

Observações: (a) O próprio Fermat reconheceu que o enunciado que fala do tempo "míni-
md' ou do caminho ótico "mínimo" pela palavra "extremo", uma vez que a condição necessá­
ria para a existecia de um mínimo coincice com a condição necessária da existência de um extre-

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mo qualquer (que pode ser um máximo, um mínimo ou então um ponto estacionário), (b) A
definição de caminho ótico dada pela equação (2.1) só vale para um me:o homogêneo c isotró-
pica Para meios heterogêneos, como o índice de refração varia à medida que o raio de luz se
propaga no meio, devemos substituir a relação (2.1) pelo limite:

(n í^é) = J n dx
Ax-0

ou seja, no caso geral, o caminho ótico c a integral expressa pelo limite da soma anterior.

Com base no Princípio de Fermat é possível verificar uma série de conscqüências im­
portantes. Estas consequências são algumas vezes chamadas de Princípios da Ótica Geo­
métrica. É interessante notar que alguns dos princípios básicos da Ótica Geométrica
não valem no âmbito de aplicação da Ótica Ondulatória (ver o Capítulo 3). Os Princí­
pios da Ótica Geométrica mais relevantes são os seguintes:
7. Princípio da Propagação Retilínea de um Raio Luminoso. De acordo com o Prin­
cípio de Fermat verificamos facilmente que um raio luminoso segue uma trajetória re-
tilinea ao atravessar qualquer meio homogêneo e isotrópico. A tal ponto este princípio
está arraigado em nossa mente que o cérebro sempre interpreta os impulsos luminosos
como se eles procedessem de um ponto correspondente à origem retilínea do raio lumi­
noso. Isto conduz à formação de imagens virtuais em pontos obtidos pelo prolonga­
mento dos raios luminosos que atingem o olho do observador. No local onde vemos
estas imagens virtuais não existe nenhum objeto; como exemplos de imagens virtuais
citamos a imagem obtida num espelho plano e o arco-íris. A imagem obtida num espe­
lho plano se situa atrás do espelho (onde não existe nenhum objeto) e a imagem do arco-
íris se projeta no céu (onde não existe nenhum arco colorido). Volaremos a falar sobre
imagens virtuais mais adiante.
2. Princípio da Independência dos Raios Luminosos. Quando dois raios luminosos
se propagam num meio homogêneo os raios podem se cruzar sem sofrer nenhum des­
vio em relação às direções originais. Note que este princípio não vale no âmbito da Óti­
ca Ondulatória, uma vez que as ondas luminosas podem produzir interferência e difra­
ção (ver o Capítulo 3).
3. Reflexão e Refração da Luz. Quando um feixe luminoso proveniente de um meio
1 incide sobre a superfície de separação entre o meio 1 e um outro meio 2, uma porcen­
tagem da luz é refletida para o meio 1 e a porcentagem restante normalmente é trans­
mitida para o meio 2. O raio transmitido sofre mudança de direção quando a incidên­
cia é oblíqua (ou seja, o raio transmitido sofre refração). Quando o raio incide ortogo-
nalmentc à superfície, o raio transmitido não sofre mudança de direção ao penetrar no
meio 2. As Leis da Reflexão e Refração da Luz podem ser deduzidas a partir do Princí­
pio de Fermat. Na próxima Seção apresentaremos as Leis da Reflexão e da Refração
da Luz.
4. Princípio da Inversão dos Raios Luminosos. A trajetória seguida por um raio lu­
minoso não se modifica quando trocamos as posições ocupadas pelafonte e pelo olho
do observador. Se um observador A vê um objeto B, trocando-sc as posições entre A

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e B, isto é, o observador A passa a ocupar o ponto onde se encontra o objeto B e este
objeto passa a ocupar o ponto onde se encontrava o observador A, a trajetória do raio
é a mesma, apenas haverá inversão no sentido do percurso. O Princípio da Inversão
dos Raios Luminosos decorre imediatamente do Princípio de Fermat, uma vez que o
caminho ótico de A até B é igual ao caminho ótico de B até A. Este Princípio c também
conhecido como Princípio do Retorno Inverso do Raio Luminoso.
5. Formação da Sombra e da Penumbra. Uma outra conseqüência da propagação
retilínea da luz num meio homogêneo e isotrópico é o fenômeno da sombra e da pe­
numbra. Por exemplo, se colocarmos na frente de vxna fonte pontualFumaesfera opa­
ca, notaremos que a esfera intercepta uma parte da luz emitida pela fonte. A região pos­
terior à esfera no interior daqual não existe luz proveniente da fonte pontual denomina-se
cone de sombra. A interseção entre o cone de sombra e o objeto opaco determina a som­
bra própria do objeto considerado. A interseção entre o cone de sombra e um anteparo
A colocado atrás da esfera opaca produz a chamada sombra projetada. É claro que a
sombra própria depende da forma do objeto considerado. A sombra projetada, além
de depender da forma do objeto opaco, também depende da inclinação do anteparo e
da distância entre o anteparo e o objeto opaco considerado. No caso analisado, como o
objeto é opaco é uma esfera, a sombra própria é um hemisfério e a sobra projetada é
um c/rcu/o.Na Fig. 2.2 indicamos a formação da sombra de uma esfera opaca que inter­
cepta a luz projetada por uma fonte pontual F. Quando, em vez de umafonte pontual,
a luz é emitida por uma fonte extensa, além da sombra forma-se também a penumbra.

Fig. 2.2 Formação da sombra quando uma esfera opaca é iluminada por uma fonte pontual.

Na Fig. 2.3 ilustramos este caso. A noite na Terra corresponde à sombra própria da Terra
que é iluminada pelos raios solares; a penumbra própria da Terra dá origem ao crepús­
culo', a penumbra que se forma na Terra antes do anoitecer completo é, em parte, devi­
da à penumbra própria e, em parte, devida a uma certa luminosidade difundida pela
própria atmosfera terrestre. Para entender a formação da sombra própria da Terra e
da penumbra própria da Terra basta substituir na Fig. 2.3 a chama da vela por uma es­
fera representando o Sol.

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CONE DE
PENUMBRA sombra PENUMBRA
PRÓPRIA prOpria
SOMBRA
PROJETADA
Lsi
JO
CONE DE PENUMBRS^^Í^'
REGIÃO —
PENUMBRA
PROJETADA
ILUMINADA

Fig. 2.3 Formação da sombra e da penumbra quando uma esfera é iluminada por umafonte ex­
tensa.
Principais fenômenos estudados na Ótica Geométrica
Os principais fenômenos analisados através de uma descrição geométrica são os se­
guintes: (o) a reflexão, (i) a difusão, (c) a refração, (tf) a dispersão, (e) a absorção.
(a) Reflexão. Ocorre reflexão quando um feixe luminoso incide sobre a superfície
dc separação entre dois meios e uma parte do feixe retorna para o primeiro meio. Os
dois tipos mais importantes de reflexão são: a reflexão especular e a reflexão difusa ou
difusão. A reflexão especular ocorre quando praticamente todos os raios incidentes re­
tornam para o meio original. Denomina-se refletividade ou poder refletor a razão en­
tre a quantidade de luz refletida e a quantidade de luz incidente sobre uma superfície.
Na reflexão especular a superfície refletora é muito regular e possui uma refletividade
quase igual a um. Exemplo: a superfície de um espelho apresenta uma refletividade apro­
ximadamente igual a um, dizemos que o "espelho’’ possui reflexão especular (ou re­
flexão total). Contudo, não é somente um espelho que pode produzir reflexão total;
mais adiante mostraremos que no fenômeno da "reflexão interna total" a reflctivida-
de é quase igual a um, embora esta reflexão não seja produzida por uma superfície es­
pecular. Na Fig. 2.4 indicamos um feixe colimado (ou paralelo) incidindo sobre um es­
pelho (que pode ser considerado como uma superfície muito polida)-, note que o feixe
refletido continua colimado.

Feixe incidente colimado Feixe refletido colimado

Superfície muito polida


Fig. 2.4 Quando um feixe colimado incide sobre uma superfície especular, o feixe refletido tam­
bém é colimado.

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2.5 Quando um feixe colimado incide sobre uma superfície muito irregular, ocorre reflexão di­
fusa ou difusão. Os raios refletidos são espalhados em diversas direções e não formam mais um
feixe colimado.

(b) Difusão. Vimos que, quando a superfície sobre a qual a luz incide é muito lisa,
ocorre reflexão total e a superfície se comprota como um espelho. Suponha agora que
um feixe colimado incide sobre uma superfície muito irregular, conforme indica­
do na Fig. 2.5. Neste caso, como existem muitas reentrâncias e saliências na su­
perfície, cada raio forma um ângulo de incidência diferente com as respectivas normais
nos pontos onde os raios incidem sobre a superfície. Portanto, estes raios são refleti­
dos aleatoriamente em todas as direções e o feixe refletido não será mais colimado. Tanto
na Fig. 2.4 quanto na Fig. 2.5 estamos admitindo que a superfície considerada seja pla­
na-, na Fig. 2.4, como a superfície éperfeitamente lisa a superfície é um plano ideal, ao
passo que na Fig. 2.5 a superfície considerada parece plana a olho nu, mas se fosse au­
mentada através de uma lente de aumento conveniente, observaríamos as reentrâncias
e saliências irregulares indicadas na Fig. 2.5. Ou seja, na Fig. 2.5 estamos indicando uma
superfície rugosa ampliada para podermos entender a diferença entre a reflexão numa
superfície muito lisa (um espelho) e a reflexão numa superfície não lisa. Por exemplo,
uma folha de papel parece lisa a olho nu; no entanto, se examinarmos a folha de papel
num microscópio verificaremos que ela apresenta irregularidades, como indicado na
Fig. 2.5; donde se conclui que uma folha de papel não é uma superfície especular. O
fenômeno da reflexão numa superfície não especular é conhecido pelo nome de refle­
xão difusa ou difusão. Muitas vezes utilizamos também a expressão espalhamento da
luz para designar a difusão da luz. No Capítulo 3 veremos que o espalhamento da luz
é um fenômeno mais geral do que a simples reflexão difusa-, entretanto, se costuma usar
a paXzvrzespalhamento como sinônimo de difusão (pelo menos no caso da reflexão di­
fusa).
É interessante observar que o espalhamento da luz pode ser explicado pela natureza
ondulatória da luz. Dizemos que uma superfície é lisa, do ponto de vista da reflexão
da luz, quando a ordem de grandeza da distância entre duas irregulaidades for menor
do que o comprimento de onda da luz. Para os estudos da Ótica Ondulatória, a expli­
cação da difusão da luz pode ser dada em termos das reflexões irregulares indicadas
na Fig. 2.5. Entretanto, quando estudarmos a Ótica Ondulatória no Capitulo 3 fare­
mos uma descrição mais detalhada do fenômeno do espalhamento da luz.

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As paredes de uma casa, uma folha de papel e quase todos os objetos que você vê
na vida diária produzem reflexão difusa daiuz solar ou da luz de uma lâmpada. Os ob­
jetos que não possuem luz própria tornam-se visíveis porque eles refletem a luz que in­
cide sobre os mesmos. Como os objetos usuais (com exceção dos espelhos) não são muito
lisos concluímos que eles produzem reflexão difusa da luz que incide sobre eles. A di­
fusão ou espelhamento da luz não ocorre somente em objetos macroscópicos. As par­
tículas pequenas também podem produzir difusão da luz. Para produzir reflexão difu­
sa o raio da partícula deve ser, necessariamente, maior do que o comprimento de onda
da luz. As partículas em suspensão no ar atmosférico (com a poeira, a fumação, etc.)
possuem raios maiores do que o comprimento de onda da luz; sendo assim, estas partí­
culas produzem espalhamento da luz por reflexão difusa. Você pode visualizar um/eí-
xe de luz solar entrando numa casa através de uma pequena abertura porque estas par­
tículas produzem o espalhamento da luz do feixe. Pela mesma razão, você pode ver o
feixe de um holofote ou o feixe luminoso proveniente do projetar no interior de um ci­
nema. Voltaremos a discutir estes e outros efeitos do espalhamento da luz no Capítulo
3.
(c) Refração. Considere dois meios transparentes: o meio 1 e o meio 2. Quando um
feixe de luz proveniente do meio 1 incide sobre a superfície quesepara o meio 1 do meio
2, uma parte do feixe se reflete e retorna para o meio 1 e a outra parte do feixe se refrata
e passa a se transmitir no meio 2. Na Fig. 2.6 indicamos a reflexão e refração de um
raio de luz que incide sobre a superfície que separa o meio 1 do meio 2. A expressão
“raio de luz' ’ é usada na Ótica Geométrica normalmente para designar um/eZxe de luz
muito estreito. É claro que, quando ocorre reflexão e refração simultâneas, alguns raios
são refletidos e outros raios são refratados. Cada raio representa simbolicamente a di­
reção de propagação de um eixe muito estreito de luz. É lógico que na propagação da
luz não podemos isolar um único raio, assim como não tem sentido físico falar de uma
única onda de luz. Entretanto, nos diagramas da Ótica Geométrica basta represenar
raios de luz; por exemplo, na Fig. 2.6 o “raio incidente" representa um estreito feixe
de luz; o “raio refletido" o “raio refratado" também representam feixes de luz muito
estreitos. Denomina-se ângulo de incidência o ângulo formado entre a direção do raio
incidente e a normal à superfície no ponto onde o raio atinge a superfície. O ângulo de

Meio 1 (ni)
Meio 2 (/7z)
Raio incidente
Direção da normal

Raio refletido Raio refratado

Fig. 2.6 Reflexão e refração de um estreito feixe de luz que incide num ponto
da superfície que separa dois meios transparentes.

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reflexão é o ângulo formado entre a direção do raio refletido e a direção da normal à
superfície no ponto de incidência. Denomina-se ângulo de refração o ângulo entre a
direção do raio refratado e a normal à superfície no ponto de incidência. Na Fig. 2.6
indicamos o ângulo de incidência pela letra i e, como o ângulo de reflexão é igual ao
ângulo de incidência, representamos o ângulo de reflexão também pela letra i. O ângu­
lo de refração é representado pela letra r. Na próxima seção estudaremos as Leis de Re­
flexão e da Refração da Luz.
(d) Dispersão. Já fizemos alguns comentários sobre o fenômeno da dispersão da luz
no Capítulo 1. Vimos que a dispersão da luz significa a variação do índice de refração
do meio onde a luz se propaga cm função do comprimento de onda da luz. Sendo as­
sim, quando um feixe de luz branca se reflete numa superfície, não ocorre nenhuma
dispersão porque a luz incidente e a luz refletida se propagam no mesmo material; lo­
go, como a luz incidente é branca (constituída pela mistura de todas as cores), a luz re­
fletida também c branca. Contudo, se este feixe de luz branca sofrer refração e passar
a se propagar em outro meio, ocorrerá o fenômeno da dispersão e cada cor formará
um ângulo de refração diferente. Na Seção 2.4 voltaremos a discutir a questão da dis­
persão da luz.
(e) Absorção. Á Lei da Conservação da Energia exige que a energia total do feixe
luminoso incidente seja conservada. Podemos, então, descrever
/o = Z, + h + Za (2.2)
onde Zo é a intensidade do feixe incidente, A é a intensidade do feixe refletido, Z2 é a in­
tensidade do feixe transmitido para o meio 2 e L é a intensidade absorvida pela super­
fície que separa o meio 1 do meio 2. No caso da relexõo especular ou na reflexão total
podemos desprezar a energia absorvida Za e a energia trasmitida Z2; neste caso, Zi = Zo.
Para dois meios transparentes separados por uma superfície muito regular e não ab­
sorvente, também podemos desprezar o termo Za da relação (2.2); neste caso, Zo = I\
+ Z2. No caso geral, é necessário levar em conta todos os termos da relação (2.2).
Existem dois tipos de absorção', uma absorção superficial c uma absorção volumé-
trica. Quando o meio é opaco a luz não se transmite no interior do meio; sendo assim,
a cor mais forlemente refletida pela superfície (ou seja, a cor que é menos absorvida
pela superfície) é a cor do objeto considerado. Por exemplo, uma parede azul absorve
todos os componentes da luz branca que incide sobre a superfície da parede e reflete
prcfcrcncialmentc a cor azul. Dizemos que um meio exibe absorção volumétrica gené­
rica quando ele reduz igualmcntc a intensidade do feixe transmitido, independentemente
do feixe ser branco ou monocromático. Se o feixe que se transmite neste meio for um
feixe de luz branca, como o meio absorve igualmente todas as cores, verifica-se que o
feixe luminoso continua branco. Contudo, como a absorção nunca é exatamente igual
para todas as cores, o feixe torna-se ligeiramente cinzento. Muitas substâncias apre­
sentam o fenômeno da absorção seletiva. Ocorre absorção seletiva tanto na superfície
dc um material quanto no seio do material. Existem tintas especiais que exibem abor-
ção seletiva. Todas as substâncias coloridas adquirem suas respectivas cores em virtu­
de da absorção seletiva na superfície e/ou no volume do material. Por exemplo, um
vidro verde pode funcionar como um filtro verde, uma vez que ele absorve seletivamente

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o vermelho, o azul c as demais cores com exceção da cor verde e das tonalidades muito
próximas do verde. Voltaremos a discutir o fenômeno da absorção da luz no Capítulo

Classificação dos raios


Suponha que um raio incidente AI sofra refração no sistema ótico SO indicado na
Fig. 2.7. Denomina-se sZs/ermz ótico qualquer dispositivo ótico utilizado para alterar
a direção original dc um raio luminoso. A parte real de um raio de luz (ou raio real) c
a parte do raio luminoso que transporta cfctivamcnic a energia da luz e que, portanto,
produz efeitos térmicos, efeitos óticos c os demais efeitos pertinentes à energia lumi­
nosa. A parte virtual ou raio virtual é um segmento dc reta obtido pelo prolongamento
do raio real que atinge o olho do observador. Como na maior parte das situações práti­
cas, os raios luminosos seguem trajetórias retilíncas até chegar ao nosso olho, o cére­
bro interpreta toda iagem como se ela fosse a fonte da luz que chega ao olho. Sendo
assim, é necessário distinguir dois tipos dc imagens; a imagem realéaqueXa. que dá ori­
gem a raios reais (ou que se forma na interseção de raios reais); a imagem virtual é aquela
obtida na interseção de raios virtuais. O segmento JP, bem como os segmentos AI c
IJ constituem raios reais. O segmento JK é o prolongamento do raio real JP que chega
ao olho do observador; logo, o segmento JK corresponde a um raio virtual. Ao longo
do segmento virtual JK não existe o transporte de energia luminosa, apenas o cérebro
interpreta uma imagem virtual no ponto K. Nas construções da Ótica Geométrica cos­
tumamos representar os raios reais mediante linhas cheias e os raios virtuais, através
de linhas pontilhadas. A seguir, mostraremos como classificar os diferentes tipos dc
objetos e de imagens nas construções da Ótica Geométrica.

so

Raios reais

Fig. 2.7 Ilustração para mostrar as partes reais e as partes virtuais dos raios luminosos.

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Classificação dos objetos
Um objeto pontual ou puntiforme é uma fonte pontual que possui luz própria ou
então que reflete a luz que sobre ele incide; o objeto pontual pode ser real, impróprio ou
virtual. O ponto objeto real (POR) c o vértice de um feixe divergente que chega a um
sistema ótico SO, conforme indicado na Fig. 2.8.

so

(POR)

Fig. 2.8 O POR (ponto objeto real) c o vértice de um feixe divergente que atinge
um dado sistema ótico (SO).

O ponto objeto impróprio (POI) é formado por um feixe de raios paralelos (oufeixe
colimado) que incide sobre o sistema ótico SO, conforme indicado na Fig. 2.9.

POI
SO

Feixe colimado

Fig. 2.9 O POI (pomo objeto impróprio) é formado por


um feixe colimado que incide sobre o sistema ótico (SO).

O ponto objeto virtual é um ponto virtual obtido pelo prolongamento dos raios lu­
minosos provenientes de um primeiro SO e que são interceptados por um segundo SO.
O ponto objeto virtual é o objeto que serve para cosntruir a imagem do segundo SO;
o objeto virtual considerado seria uma imagem real do primeiro SO, caso não existisse
o segundo SO. Por exemplo, na Fig. 2.10 indicamos um ponto objeto real A que pro-

59
duz um ponto objeto virtual (PO V) no ponto A i. Para concretizar, podemos supor que
o 1? SO seja uma lente convergente; se não existisse o 2? SO, a lente produziría uma
imagem real no ponto A j; no entanto, com o 2? SO intercepta os raios que emanam do
1 ? SO, o ponto A i é um ponto objeto virtual (PO V) para o segundo SO. O segundo SO
pode ser, por exemplo, um espelho; neste caso o objeto virtual A \ produziría uma ima­
gem real no ponto A Esta técnica para obtenção da imagem final de um conjunto en­
globando mais de um sistema ótico será explicada com bastante detalhes mais adiante.

Fig. 2.10 Os raios provenientes de um objeto real A chegam ao primeiro SO (uma lente conver-
gen te) e con vergem para o segundo SO(um espelho), formando uma imagem real em A o pon­
to Al é um ponto objeto virtual (POV) em relação ao segundo SO.

Classificação das Imagens


Existem três tipos de imagens: imagem real, imagem imprópria e imagem virtual.
Na Fig. 2.11 o ponto A’ representa um ponto imagem real (PIRj, este ponto é formado
pelos raios que emanam do sistema ótico SO e que convergem no ponto A’. Se você co­
locar um anteparo branco na vertical que passa pelo ponto A’, forma-se uma imagem
real que pode ser vista por qualquer observador Mesmo que você não coloque nenhum
anteparo em A\ se você colocar o olho num ponto M situado atrás do ponto A\ você
poderá ver a imgem real A’ sem a necessidade do anteparo.

so

Fig. 2.11 Formação de uma imagem real A ’ no ponto de interseção de raios convergentes que
emanam do SO.

60
Na Fig. 2.12 indicamos um ponto imagem imprópria (PJI). A imagem imprópria é
aquela que se forma no infinito porque o sistema ótico SO produz um feixe colimado
(ou feixe paralelo).

so

PU

Fig. 2.120 ponto imagem imprópria (PIÍ) corresponde a


uma imagem pontual que se forma no infinito.

Quando os raios reais que emanam de um sistema ótico formam um feixe divergen­
te forma-se uma imagem virtual no ponto de encontro dos prolongamentos dos raios
que atingem o olho do observador, conforme indicado na Fig. 2.13. A imagem virtual
não pode se formar sobre um anteparo, uma vez que ela é obtida apenas pelo prolon­
gamento geométrico dos raios que atingem o olho do observador. Na Fig. 2.14 ilustra­
mos a formação de uma imagem virtual de uma vela que se encontra diante de um espe­
lho plano.

>• PIV

Fig. 2.13 O ponto imagem virtual (PIV) é aquele que se forma


através do prolongamento dos raios luminosos que atingem o
olho do observador.

61
Espelho
plano Observador

Imagem
virtual Objeto real

A’ A

Fig. 2.14 Um objeto real A fornece uma imagem vir­


tual A ’ atrás do espelho; a imagem virtual épercebi­
da pelo olho do observador em decorrência do pro­
longamento dos raios refletidos no espelho.

Classificação dos Sistemas Óticos


Um feixe de luz proveniente de um objeto (real, virtual ou no infinito) interage com
um dado sistema ótico e produz v.ma imagem (real, virtual ou no infinito). Com base
na construção geométrica das imagens fornecidas pelos sistemas óticos mais importantes
na Ótica Geométrica, podemos classificar os sistemas óticos nos seguintes tipos: siste­
ma convergente, sistema divergente, sistema afocal, sistema estigmático, sistema as-
tigmático c sistema ótico com eixo de simetria axial.
Sistema ótico convergente. É aquele que produz convergência dos raios que dele ema­
nam. Normalmente, este tipo de sistema produz foco real. Exemplo: uma lente con­
vergente.
Sistema ótico divergente. É aquele que produz divergência dos raios que dele ema­
nam. Normalmente este tipo de sistema produzfoco virtual. Exemplo: um espelho es­
férico convexo.
Sistema ótico afocal. É aquele sistema que não produz nem convergência nem di­
vergência de um feixe colimado que sobre ele incide. Este sistema não produz nem foco
real nem foco virtual. Exemplo: um espelho plano.
Sistema ótico estigmático. Um sistema ótico é estigmático quando cada ponto do
objeto produz um único ponto da respectiva imagem fornecida pelo sistema ótico. Na
prática, isto equivale a dizer que a imagem não apresenta nenhuma deformação, ou
seja, nos sistemas estigmáticos as imagens são semelhantes aos objetos e reproduzem
fielmente todos os detalhes dos objetos considerados. Exemplo: um espelho plano.

62
Sistema astigmático. Dizemos que um sistema ótico c astigmático quando ele nãa
pode ser considerado estigmático. Ou seja, num sistema astigmático as imagens não
são reproduções fiéis dos respectivos objetos, uma vez que as imagens apresentam al­
gum tipo de deformação conhecida pelo nome genérico de aberração. Mais adiante es­
tudaremos os principais tipos de aberrações dos espelhos esféricos e das lentes delga­
das. A palavra astigmatismo tanto pode ser usado no seu sentido geral definido acima,
quanto pode ser usada no seu sentido restrito para definir um tipo particular de defor­
mação cilíndrica do globo ocular (ver a Seção 2.8). O único sistema rigorosamente es-
tigmático é o espelho plano: os demais sistemas óticos são astigmáticos. Embora so­
mente o espelho plano seja estigmático, muitos sistemas podem ser considerados, na
prática, como estigmáticos, desde que seja obedecida a chamada aproximação de Gauss
que será descrita logo a seguir. Neste Livro estudaremos apenas os sistemas que podem
ser considerados aproximadamente como sistemas estigmáticos.
Sistema ótico com simetria axial. É o sistema que possui um eixo de simetria de re­
volução. Este eixo de simetria denomina-se eixo ótico ou eixo principal do sistema óti­
co considerado. Se um sistema ótico é constituído por um conjunto de diversos sitemas
óticos que possuem um eixo ótico comum, dizemos que o conjunto considerado cons­
titui um sistema ótico centrado, ou sistema ótico centralizado. No laboratório, a ob­
tenção de um sistema centrado é conseguida mediante a utilização de um eixo horizon­
tal comum sobre o qual se apoiam todos os dispositivos óticos que compõem o sistema
ótico considerado.
Aproximação de Gauss
A chamada aproximação de Gauss é utilizada em todos os sistemas óticos que pos­
suem um eixo de simetria axial. De acordo com a aproximação de Gauss estes sistemas
podem ser considerados estigmáticos desde que: (a) os objetos analisados sejam muito
menores do que a altura do sistema ótico, (b) estes objetos estejam situados simetrica­
mente em relação ao eixo ótico ou então apoiados sobre o eixo ótico, (c) levamos cm
conta apenas os chamados raiosparaxiais, ou seja, os raios próximos ao eixo principal
do sistema ótico considerado. Voltaremos a falar sobre a aproximação de Gauss mais
adiante.
2.2 Leis da reflexão e da refração da luz
A reflexão c a refração da luz são os principais fenômenos óticos abordados na Óti­
ca Geométrica. As leis estudadas pela Ótica Geométrica podem ser deduzidas tanto su­
pondo um comportamento ondulatório para a luz quanto supondo que a luz seja cons­
tituída por partículas denominadas fótons. A discussão sobre a natureza da luz não é
relevante para a Ótica Geométrica. Para o limite da Ótica Geométrica, quando consi­
deramos a luz como onda, só interessam os casos em que o comprimento de onda da
luz seja muito menor do que o tamanho do objeto sobre o qual a luz incide. Como a
maior parte dos objetos encontrados em nossa vida diária são muito maiores do que
o comprimento de onda da luz, a aproximação da Ótica Geométrica c suficiente para
descrever quase todos os fenômenos óticos macroscópicos que ocorrem cm nossa vida
diária.
As leis que governam a reflexão e a refração da luz podem ser deduzidas mediante
aplicação do Princípio de Fermat mencionado na Seção 2.1 ou então mediante aplica-

63
ção do Princípio de Huygens. O leitor que ainda não está familiarizado com a constru­
ção de Huygens deve ler o Livro ‘‘Gravitação, Oscilações e Ondas** de nossa Autoria.
Como as leis que governam a reflexão e a refração de qualquer tipo dc onda já foram
deduzidas (mediante a construção de Huygens) em outro Livro desta coleção (ver o Li­
vro indicado acima), não faremos novamente a dedução destas leis. A Fig. 2.15 deve
ser usada para entender o enunciado das Leis da Reflexão e da Refração da Luz. Enfa­
tizamos que as leis que governam a reflexão e a refração da luz valem também para qual­
quer tipo de onda eletromagnética.
Leis da reflexão da luz
1. O raio incidente, a normal à superfície no ponto de incidência e o raio refletido
formam um plano denominado plano de incidência.
2. O ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão.

Normal LC Normal
i r
Meio 1 (índice de refração zzj) Meio 2 (índice de refração n2)

Fig. 2.15 Esquema para o enunciado das leis que governam a reflexão e a refração da luz.

Leis da refração da luz


1. O raio incidente, a normal à superfície no ponto de incidência e o raio refratado
formam um plano que coincide com o plano de incidêcia.
2. Oseno do ângulo de incidência está relacionado com o seno do ângulo de refra­
ção através da expressão:
n\ sen i = n2 sen r (2.3)
A relação (2.3) é conhecida pelo nome de Lei de Snell (ou Lei de Snellius). A equa­
ção (2.3) também pode ser escrita na forma:
sen z/sen r = n2.\ (2.4)
onde r?2.i é o índice de refração do meio 2 em relação ao meio 1. O índice de refração
relativo é definido pela razão:
n2.i = n2/ni

64
O índice de refração absoluto ou simplesmente índice de refração já foi definido pe­
la equação (1.8). Na prática, c mais conveniente utilizar o índice de refração absoluto.
Neste Livro, quando empregarmos a expressão índice de refração queremos nos refe­
rir ao índice de refração absoluto. Na Tabela 2.1 apresentamos o índice de refração das
substâncias mais encontradas na prática. Conforme sabemos, devido ao fenômeno da
dispersão da luz, o índice de refração de uma substância depende do comprimento de
onda da luz que se propaga no interior da substância. Sendo assim, quando fornece­
mos um dado valor do índice de refração de uma substância, em geral, se trata de um
valor médio do índice de refração. As tabelas dc índice de refração normalmente for­
necem o índice de refração absoluto (ou índice de refração em relação ao vácuo) refe­
rente à luz amarela do vapor de sódio que possui um comprimento dc onda igual a 5.890
Á Lembre que 1 Áequivae a 10“ 10 m. Na Tabela 2.1 o índice de refração refere-se a
esta cor.

Tabela 2.1
ÍNDICE DE REFRAÇÃO DE ALGUMAS SUBSTÂNCIAS

Substância n Substância n

Acetona 1,36 Cloreto de sódio 1,53


Açúcar 1,56 Diamante 2,42
Agua 1,33 Gelo 1,31
Álcool etílico 1,36 Glicerina 1,47
Álcool metílico 1,33 Quartzo fundido 1,46
Anilina 1,59 Tetracloreto de carbono 1,46
Ar (I atm c 20 °C) 1,00029 Vidro crown 1,52
Bissulfcto de carbono 1,63 Vidro ílint denso 1,53

As leis que governam a reflexão e a refração da iuz possuem muitas aplicações na


Ótica Geométrica. Nesta c nas demais Seções deste Capítulo discutiremos diversas si­
tuações práticas que decorrem da aplicação das Leis da Reflexão e da Refração da Luz.
Nos exemplos seguintes analisaremos alguns fenômenos óticos que podem ser explica­
dos de modo simples mediante aplicação destas leis.

Exemplo 2.1 Princípio da Inversão do Raio Luminoso. Na Seção 2.1 dissemos que um
dos princípios básicos da ótica Geométrica c o princípio do retorno inverso do raio lumi­
noso. Verifique a validade deste princípio: (a) na reflexão da luz, (â) na refração da luz.
Solução (cr) Considere a Fig. 2.15. Suponha que no lugar do raio refletido produzimos
a incidência de um raio na mesma direção (mas em sentido contrário). Como o ângulo de
incidência é igual ao ângulo de reflexão, é claro que o novo raio refletido sairá na direção
do primitivo raio incidente. Fica, portanto, verificado que na reflexão vale o princípio do
retorno inverso do raio luminoso.

65
(d) Suponha agora que na Fig. 2.15 o raio incidente seja proveniente do meio 2 c faça
com a normal um ângulo igual a r. Usando a Lei de Snell (2.3), verificamos que:
m sen r = n\ sen r* (2.5)
onder*é o novo ângulo derefração no meio I eré o ângulo de incidência no meio 2. Com­
parando a equação (2.5) com a relação (2.3), concluímos que r* = /, ou seja, o novo raio
refratado sai na direção do raio incidente indicado na Fig. 2.15. Fica, portanto, verifica­
do que na refração da luz também vale o princípio do retorno inverso do raio luminoso.
Exemplo 2.2 Faça uma construção geométrica para explicar porque uma piscina apa­
renta ter uma profundidade menor do que sua profundidade real. Considere dois casos:
(a) o observador está situado na beira da piscina olhando um objeto submerso no fundo
da piscina e próximo do local onde se encontra o observador (incidência quase ortogonal);
(d) o observador olha para um pequeno objeto no fundo da piscina e situado no centro
da piscina (incidência oblíqua).
Solução, (tf) Neste caso, a construção geométrica dos raios que atingem o olho do ob­
servador é indicada na parte (tf) da Fig. 2.16. Devido à refração da luz, como o índice de
refração da água é maior do que o índice de refração do ar, o ângulo do cone dos raios
que atingem o olho do observador é maior do que o ângulo do pincel cônico que atinge
quase ortogonalmente a super fície da água. Como a luz se propaga em linha reta em meios
homogêneos, o cérebro do observador interpreta uma imagem virtual K\ do ponto realqpe
está a uma profundidade h no fundo da piscina. O ponto real K produz, portanto, um ponto
virtualK\ situado a uma profundidade aparente h\ menor do que a profundidade real da
piscina h.

----- —hi------
~h —h -k.
------ Ki

-----K Kf----- ------------


(o) (Z>)
Fig. 2.16 Esquema para explicarporque um observadorsituado na beira de
uma piscina vê uma profundidade virtual menor do que a profundidade
real da piscina.

(/?) Na parte (b) da Fig. 2.16 mostramos a construção geométrica quando os raios atin­
gem obliquamente o olho do observador. Este caso é análogo ao caso (a), porém neste ca­
so a refração é maior do que no caso (a), sendo assim, profundidade aparente I12 é menor
do que a profundidade aparente h] do caso (tf). O ângulo do pincel cônico dos raios que
atingem o olho do observador é maior do que o ângulo do pincel cônico que atinge a su-

66
perfícicdaágua. Portanto, o observador verá uma imagem virtual situada num ponto Kz
a uma profundidade aparente hz menor do que a profundidade real h da piscina. Note que
a profundidade aparente diminui à medida que o ângulo de incidência aumenta. Na Seção
2.5 voltaremos a estudar este problema quando analisarmos a refração num dióptricoplano.

Exemplo 2.3 Mergulhe parcialmcnte uni lápis ou urna haste na água. Você notará que
qualquer objeto retilíneo mergulhado parcialmente num líquido transparente parecer es­
tar “quebrado”, isto é, a parte mergulhada no líquido não fica alinhada com a parte si­
tuada no ar. Explique a razão deste fenômeno.
Solução. Suponha que uma haste rctilínea esteja mergulhada na água de modo que a
extremidade Kda haste esteja apoiada no fundo do recipiente, conforme indicado na Fig.
2.17. Conforme explicamos na parte (b) do Exemplo 2.2 e de acordo com a parte (6) da
Fig. 2.16, um observador verá a extremidade inferior da haste num certo ponto Kz- Co­
mo o raio que sai do ponto A da haste que está cm contato com a água não sofre refração,
a parle submersa na haste possui uma direção virtual dada pela reta AKz, ao passo que a
parte da haste que está no ar possui direção Al. Conforme provamos na parte (à) do Exemplo
2.2, o ponto Kz c um ponto virtual situado a uma profundidade aparente menor do que
a profundidade real do ponto K, donde se conclui que a reta AKz não coincide com a reta
zl/, criando a ilusão de que a haste está "quebrada" no ponto A.

K
Fig. 2.17 Esquema para explicar porque um observador
situado num ponto O acima da superfície livre de um lí­
quido transparente tem a impressão de que a haste mergu­
lhada no liquido está ‘‘quebrada".

Reflexão interna total


Considere uma fonte pontual situada num ponto P no fundo de uma piscina cheia
dc água, conforme indicado na Fig. 2.18. Cada raio que emana da fonte luminosa P
e atinge a superfície da água sofre refração c passa a se propagar no ar. Pela Lei deSnell,
quando um raio luminoso sai dc um meio material dc índice dc refração zij, o raio se
afasta da normal quando n\ for maior do que nz. Como o índice dc refração da água
n\ é maior do que o índice de refração do ar nz, cada raio que sai da água c penetra no

67
ar se afasta da norma! à superfície da água no ponto de incidência. Observando a Fig.
2.18, notamos que os ângulos de refração se tornam cada vez maiores à medida que o
ângulo de incidência i aumenta. Logo, existirá um ângulo limite Ol para o qual o raio
proveniente da água se refrata tangenciando o plano que separa a água do ar. É claro
que os feixes estreitos caracterizados por raios luminosos no interior de um cone de luz
cujo vértice possui um ângulo central igual a 0L, sofrem reflexão e refração na super­
fície de separação entre a água e o ar. Contudo, quando o ângulo de incidência i é maior
do que 0\., ocorre somente reflexão, uma vez que a Lei de Snell (2.3) não c obedecida
quando i for maior do que 0L (porque não existe seno maior do que um). Dizemos que
na região correspondente a ângulos de incidência i maiores do que Oi ocorre reflexão
total. Para determinar o ângulo limite 0t. basta aplicar a Lei de Snell (2.3). Como r -
90°, temos:

Fig. 2.18 Ilustração para mostrar o fenômeno da reflexão lota! dos raios provenientes de
uma fonte pontual P no fundo de uma piscina.

n;iclIU sen 0j = /?!lr sen 90° (2.6)


Designado na equação (2.6) o índice de refração da água por n> e lembrando que o
índice de refração do ar c aproximadamente igual a um, obtemos:
sen Oi. = 1/n, (2.7)
Podemos generalizar o resultado (2.7) se na equação (2.6) usarmos a letra m para
designar o índice de refração da água e a lei ra n2 para designar o índice dc refração do
ar. Então,
sen Oi. = n2/ni (2.8)
A expressão (2.8) mostra que só existe reflexão interna total quando m for maior
do que n>. A situação oposta, isto é, n2 maior do que nit conduziría a um valor do seno

68
de Oi maior do t/uc um. o que é absurdo. Portanto, provamos, por absurdo, que a refle­
xão total no interior de um meio transparente só pode ocorrer quando o índice de re­
tração ti} do meio transparente for maior do que o índice de refraçâo m do exterior do
meio considerado. Note que o fenômeno da reflexão interna total pode ocorrer em qual­
quer superfície de separação entre dois meios, sem que seja necessário o * 'espelhamen-
to" da superfície, ou seja, sem que seja necessário fazer o polimento da superfície e reco­
bri-la com uma camada lisa metálica (processo usado no espelhamento de uma super­
fície). Em outras palavras, não é só um espelho que pode produzir reflexão total, con­
forme dissemos, qualquer superfície (nas condições mencionadas) pode funcionar co­
mo um espelho. A diferença essencial entre um espelho c as superfícies que produzem
reflexão interna total é que o espelho produz reflexão total para todos os ângulos de
incidência, ao passo que a superfície que substitui o espelho por relexão interna total
só pode funcionar como espelho quando o ângulo de incidência i for maior do que
ângulo 0\ calculado pela relação (2.8).

Observações. O fenômeno da reflexão interna total possui uma infinidade de aplica­


ções práticas. Vamos citar apenas dois dispositivos óticos funcionam com base na apli­
cação deste efeito: o prisma de reflexão total e a fibra ótica. A seguir faremos breves co­
mentários acerca destas importantes aplicações práticas.
(1) PRISMA DE REFLEXÃO TOTAL. Utilizando-sc ângulos adequados entre as fa­
ces de um prisma transparente é possível obter reflexão interna total muna das faces do
prisma. Sendo assim, é possível fazer um feixe de luz ser orientado cm direções convenien­
tes por meio de prismas, sem a utilização de espelhos. Faremos um estudo detalhado so­
bre os prismas de reflexão lota! na Seção 2.3.
(2) FIBRAS ÓTICAS. Um feixe de luz pode ser canalizado no interior de um fino tubo
de plástico transparente. Supondo que o índice de refraçâo m do material do tubo obe­
deça à equação (2.8) em todos os pontos ao longo do tubo, ocorrerá reflexão interna total
da luz no interior do tubo e a luz pode ser canalizada ou conduzida no interior do tubo de
fibra ótica, mesmo quando o tubo não for retilíneo. Como o tubo é flexível é possível con­
duzir continuamente a luz no interior do tubo, como se fosse a condução de água no inte­
rior de um tubo de plástico ou de borracha. Uma das aplicações técnicas mais importantes
das fibras óticas consiste na obtenção de guias de onda para a luz. Hoje em dia as fibras
óticas são utilizadas nas comunicações telefônicas. Um cabo telefônico feito cova fibras
óticas com cerca de 1 cm de diâmetro pode substituir a função de milhares defios telefôni­
cos metálicos.
Em vez de se usar um fio metálico para um número pequeno de sinais, c possível enviar
no cabo defibra ótica milhares de sinais de frequência menor que são modulados pela fre­
quência da luz (que é da ordem de 105 Hz). Cada pulso elétrico normal corresponde a uma
frequência compreendida entre 1 Hz e um máximo de 1000 Hz. A transmissão no interior
do cabo de fibra ótica c feita do seguinte modo. Um feixe de LASER modulado é introdu­
zido no interior do tubo defibra ótica. O sina! de entrada c transformado cm pulsos lumi­
nosos codificados que são enviados ao longo da fibra ótica de tal modo que eles represen­
tam uma réplica do sinal original; a seguir, mediante um conversor especial, os impulsos
luminosos são transformados em impulsos elétricos normais; finalmente, os impulsos elé­
tricos são convertidos cm impulsos sonoros através de um alto-falante normal. Esta apli­
cação tecnológica se tornou viável economicamente a partir de 1977 com a fabricação de

69
fibras óticas com perdas dc energia muito pequenas. A capacidade de um cabo de fibra I
ótica é da ordem de 10.000 conversações simultâneas (nos dois sentidos). Por causa da ele­
vada freqüência da luz é possível transmitir informações através de um feixe de LASER
que se reflete em satélites artificiais c envia informações para qualquer parte da Terra.

Exemplo 2.4 Uma fonte luminosa pontual está situada a uma profundidade h abaixo
da superfície de separaçãõ entre dois meios. Seja nz o índice de refração do meio transpa­
rente onde se encontra a fonte e m o índice de refração do meio externo, sendo n2 > n».
Determine a razão f entre a energia (por unidade de tempo) que passa para o meio 1 c a
energia (por unidade dc tempo) retida no meio 2 por reflexão interna total.
Solução. Todos os raios que atingem a superfície dc separação entre os dois meios se­
gundo ângulos menores do que o ângulo limite 0l passam para o outro meio. Os raios cu­
jos ângulos dc incidência são superiores a 0\_ sofrem reflexão total e não passam para o ou­
tro meio. Vamos desprezar as pequenas perdas dc energia que ocorrem por absorção na
água e nas reflexões (desprezíveis) na região para í > flL. A partir do ponto onde se en­
contra a fonte, a luz se propaga em todas as direções. A parcela dc luz que passa para o
outro meio está limitada pelo cone cujo semi-ângulo vale 0\_. A interseção deste cone com
a superfície determina um círculo na superfície horizontal. A quantidade de luz que passa
por este círculo é a mesma que passa pela calota esférica obtida pela interseção da esfera
dc raio h (com centro na fonte) com a superfície cônica cujo vértice possui um semi-ângulo
dado pelo ângulo limite #<_. Acompanhe o raciocínio examinando a Fig. 2.19.

Meio exterior (nx)

Líquido
transparente

Fig. 2.19

Dc acordo com a definição de ângulo limite, temos:


sen 0| = ni//i2 (1)

Como existe simetria esférica cm torno de uma fonte luminosa pontual, pela definição
de intensidade luminosa, de acordo com a relação (1.6), podemos escrever para apotência

70
total da fonte luminosa a seguinte expressão:
Po = = P.„,al (2)
onde I ca intensidade luminosa dada pelo módulo do vetor de Poynting a uma distância
h da fonte.
A energia por unidade de tempo que passa através da calota esférica mencionada é a
potência que passa nesta calota. Portanto, como a potência é o fluxo da intensidade lumi­
nosa através da superfície considerada, a potência que passa através da calota é dada por:
Pcxioco = Rárea da calota) (3)
A área da calota esférica indicada na Fig. 2.19 (obtida pela interseção do cone com a esfe­
ra de raio h) é dada por
área da calota = 2irh\{ - cos 0i_) (4)
Logo, pelas relações (3) e (4), temos:
Pcalota = 2x/»2Z(l - COS 0L) (5)
A fração/da energia que passa para o meio 1 é dada por
f — Pcalou/Ptotal

Ou seja, usando as relações (5) e (2), encontramos:


f- = (1/2)(I - cos 00 (6)
onde:
cos Ol = V I — sen20L (7)

Substituindo a relação (l) na equação (7), temos:


cos 0|. = (X/niyJni — n3 (8)
Substituindo o resultado (8) na equação (6), resulta:

f - ------ - 'fnl - ni
2 2n2
Observe que esla fração não depende da profundidade h da fonte.

Refração atmosférica
Posição aparente de um astro. Sabemos que a densidade do ar atmosférico varia desde
praticamente zero (nas altas camadas estratosféricas) até cerca de 1 g/m3 na superfície ter­
restre. Esta variação de densidade produz uma variação de índice de refração desde um
valor exatamente igual a um (no vácuo) até um valor aproximadamente igual a 1,0003 na
superfície terrestre. Tendo em vista esta variação de índice de refração através da atmos­
fera terrestre, ocorre continuamente um pequeno desvio do raio luminoso desde que o raio
penetra na atmosfera até atingir o olho de um observador. Este desvio é conhecido na Li­
teratura pelo nome de refração astronômica. Devido a este desvio, todo astro situado em
qualquer posição na abóbada celeste (com exceção do zênite), se acha numa posição vir­
tual, ou seja, o astro é visto numa posição aparente mais elevada do que a posição em que

71
de se encontra. Em outras palavras, a reta que une o olho do observador com a posiçào
reo/do astro não coincide com a reta que determina a posição aparente do astro. O ângulo
entre estas duas retas é conhecido como ângulo derejração astronômica ou simplesmente
refração astronômica.
O zênite éo ponto da esfera celeste que está situado no prolongamento da verticalâ su­
perfície terrestre que passa pelo olho do observador. Se um astro sc encontra no zênite,
a luz emitida pelo astro incide ortogonalmente a todas as camadas da atmosfera. De acor­
do com a Lei de Snell, para um ângulo de incidência i = 0o, temos r - 0o, ou seja, o raio
não sofre nenhuma mudança de direção quando ele incide na direção do zênite e, portan­
to, continua a se deslocar na direção vertical aiê atingir o olho do observador. Donde se
conclui que quando um astro é visto na direção do zênite, ele está realmente na direção
da vertical do local onde se encontra o observador.

ZÊNITE

> P‘

; (Posição aparente
do astro)

(Posição
real
do astro)

1
0 í-''' HORIZONTE

TERRA

Fig. 2.20 Esquema para mostrar que, devido à refraçõo atmosférica, um raio lu­
minoso proveniente de um astro no ponto P segue uma curva cuja concavidade ê
voltada para baixo. Um observador situado na superfície terrestre percebe o as­
tro numa posição P’ mais próxima do zênite do que a posição real do astro.

72
Para um astro que não se encontra no zênite, podemos fazer a construção geométrica
indicada na Fig. 2.20. De acordo com a Lei de Snell, concluímos que quando um raio de
luz provém de um meio dc menor índice de refração para outro meio de índice dc refração
maior, o raio se aproxima da normal. Logo, como o índice de refração do ar atmosférico
aumenta continuamente à medida que o raio se aproxima da superfície terrestre, concluí­
mos que o raio não segue uma trajetória retilínea, uma vez que a direção do raio muda con-
tinuamente. Como o raio deve se aproximar continuamente da normal cm cada ponto de
incidência, verificamos que a curva descrita pelo raio possui uma concavidade voltada pa­
ra baixo, conforme indicado na Fig. 2.20. Sendo assim, como o cérebro interpreta todo
raio de luz como se viesse de uma direção retilínea, o prolongamento da tangente do raio
que chega ao olho do observador no ponto O, forma uma imagem virtual do astro num
ponto P'da abóbada celeste. O ângulo Z entre a direção OP’da posição aparente do astro
e a direção OP da posição real do astro denomina-se ângulo de refração astronômica ou
simplesmente refração astronômica.
O desvio Z mencionado acima aumenta à medida que o ângulo zenita! aumenta, isto
é, à medida que o ângulo entre a direção de observação e o zênite aumenta. A refração as­
tronômica máxima é da ordem de meio grau (ou, mais precisamente, cerca dc 36’). A re­
fração astronômica é responsável por uma série defenômenos óticos, entre os quais pode­
mos destacar: (o) a altura aparente de um astro no horizonte, (ó) o alongamento dos dias,
(c) o achatamento do Sol e da Lua no horizonte, (d) a cintilação das estrelas. A seguir fare­
mos breves comentários sobre cada um destes fenômenos.
(a) Altura aparente de um astro no horizonte. Conforme dissemos, o desvio Z máximo é
da ordem d’e 36’.Denomina-se horizonte astronômico ou simplesmente horizonte a direção si­
tuada a 90° do zênite. Denomina-se horizonte visual a tangente ao globo terrestre traçada a partir
do olho do observador. É claro que, para um observador situado ao nível do mar e olhando
para o mar, seu horizonte visual é aproximadamente igual ao seu horizonte astronômica Con­
tudo, o horizonte visual de um observador no alto de uma colina forma com o zênite um ângu­
lo maior do que 90°. Denomina-se depressão do horizonte o aumento do horizonte visual pro­
vocado pela refração atmosférica. Além da depressão do horizonte existe outro fenômeno cu­
rioso provocado pelo desvio Z; trata-se do fato de que um astro que é visto no horizonte astro­
nômico está de fato numa posição real abaixo da Unha do horizonte. Qualquer astro que nasce
ou se esconde no horizonte está, na realidade, abaixo da linha do horizonte astronômico.
(b) Alongamento dos dias. Conforme vimos no item (a), quando vemos a borda supe­
rior do Sol no horiz.onle concluímos que ela se encontra a 36’ abaixo da linha do horizon­
te. Isto é verdade tanto no nascer quanto no por do Sol. Este efeito dá origem a um prolon­
gamento dos dias, que ocorre todo dia, sendo independente da estação do ano (sabemos
que no verão ocorre também um prolongamento dos dias, mas este efeito é causado pelo
movimento de precessão da Terra). O prolongamento dos dias provocado pela refração
astronômica depende da latitude e é da ordem de 3 a 8 minutos. O fenômeno do crepúscu­
lo corresponde ao período de transição que decorre entre o instante depois que o Sol se
esconde na linha do horizonte e o instante em que não há mais nenhuma luminosidade di­
fusa na atmosfera. O fenômeno do crepúsculo é em parte causado pelo efeito mencionado
acima e parcialmente provocado pelo espalhamento da luz solar na atmosfera (ver a Se­
ção 3.2 para entender a questão do espalhamento da luz).
(c) Achatamento do Sol e da Lua no horizonte Podemos descrever o disco do Sol (ou
da Lua) através dc dois diâmetros mutuamente ortogonais: O diâmetro horizontal (para­
lelo à linha do horizonte) e o diâmetro vertical (ortogonal ao diâmetro horizontal e conti­
do num plano vertical que é utilizado para a referência do ângulo zenital). As extremida-

73
des do diâmetro horizontal sofrem o mesmo desvio Z, uma vez que elas se encontram na
mesma altitude cm relação ao horizonte (ou possuemo mesmo ângulo zenital). Contudo,
a extremidade inferior do diâmetro vertical do Sol (ou da Lua) sofre um desvio Z maior
do que a extremidade superior do referido diâmetro, uma vez que a extremidade inferior
deste diâmetro está mais próxima do horizonte do que sua extremidade superior. Este efeito
é responsável pelo achatamento do Sol e da Lua quando estes astros estão nascendo ou
se escondendo no horizonte.
(d) Cintilação das estrelas. Certamente você já deve ter observado uma estrela' 'piscar”
ou "cintilar”. A cintilação das estrelas é provocada pela refração atmosférica. O desvio
Z entre a posição real e a posição virtual da estrela depende do índice de refração das ca­
madas da atmosfera atravessadas pela luz que provém da estrela. Por outro lado, este ín­
dice de refração normalmente varia com o tempo em virtude dos ventos e das flutuações
de temperatura entre estas camadas. Sendo assim, concluímos que o desvio Z também va­
ria continuamente; portanto, a posição aparente da estrela muda continuamente, dando
a impressão de que a estrela está "piscando”. Você poderá notar facilmente que as estre­
las que se encontram nas vizinhanças do zênite não cintilam.
Fenômeno da miragem
Num dia quente de vcrâo, numa estrada banhada pelos raios solares, você já deve ter
tipos de miragens, conforem veremos a seguir. O fenômeno da miragem ê produzido pe-
Trata-se de um fenômeno conhecido pelo nome genérico de miragem. Existem diversos
tipos de miragens, conforem veremos a seguir. O fenômeno da miragem é produzido pe­
lo fato de que existem dois ou mais caminhos óticos entre o olho do observador e a cena
que está sendo observada. Esta duplicação das imagens é causada por diferentes índices
de refração existentes entre camadas de ar próximas da superfície terrestre. Quando a su­
perfície terrestre é aquecida pelos raios solares, o ar quente sobre e o ar frio algumas vezes
permanece preso numa camada próxima do solo; sendo assim, é possível ocorrer uma in­
versão da concavidade da curva descrita por um raio luminoso que se aproxima da super­
fície terrestre. Na Seção anterior vimos que a concavidade da curva descrita por um raio
que se aproxima da superfície terrestre é voltada para baixo, uma vez que o índice de re­
fração aumenta à medida que o raio se aproxima da superfície terrestre (porque a densida­
de do ar aumenta à medida que o raio se aproxima da superfície terrestre). Contudo, quando
existe uma inversão de densidade, isto é, quando uma camada maispróxima da superfície
terrest re for menos densa do que a camada superior, verifica-se que a concavidade da cur­
va descrita pelo raio luminoso é voltada para cima. Na Fig. 2.21 apresentamos um esque­
ma para explicar a miragem mais comum (que ocorre numa estrada aquecida pelos raios
solares). Existem dois caminhos óticos diferentes entre o ponto P e o ponto O onde se en­
contra o olho do observador. A trajetória superior OP é quase retiltnea, uma vez que o
raio que sai do ponto P não sofre desvio apreciável até atingir o ponto O. Contudo, no
caminho ótico inferior o raio descreve uma curva cuja concavidade é voltada para cima,
conforme indicado na Fig. 2.21. Como as camadas muito próximas da superfície da estra­
da são muito quentes c como o raio chega nas vizinhanças do ponto Q quase paralelo ao
sol, ocorre reflexão tola! nas vizinhanças do ponto Q e o raio passa a se propagar dc baixo
para cima atingindo o olho do observador através da trajetória QO’, ao atingir o olho do
observador no ponto O, o cérebro interpreta uma imagem virtual situada no ponto P‘ ob­
tido pelo prolongamento da tangente à curva QO no ponto O. Sendo assim, o observador
percebe duas imagens: uma imagem real situada no ponto Pe. uma imagem virtual no pon­
to P’. Como estamos acostumados a ver reflexões na superfície da água para ângulos ra-

74
santes, temos a ilusão de que existe água na região onde ocorrem as reflexões totais men­
cionadas acima.

----- k
I
----- r
I
I
I
I
I
I
I
I
I

P’
Fig. 2.21 O observador vê duas imagens do ponto P. A imagem real do ponto P é
obtida diretamente pela trajetória OP. Um outro raio segue a trajetória PQO; o
prolongamento da tangente a esta trajetória no ponto o produz uma imagem vir­
tual no ponto P‘. Se existisse água na região em torno do ponto Q> o observador
também veria uma imagem refletida P’ e uma imagem real P.

Na Fig. 2.22 mostramos um esquema para explicar o caso da miragem no deserto. O


observador vê dois raios provenientes de cada ponto da pirâmide indicada na Fig. 2.22.
A explicação da concavidade voltada para cima é análoga à explicação dada no caso da
Fig. 2.21. O observador vê uma pirâmide na posição realevè uma imagem virtual inverti­
da da mesma pirâmide. Ele conclui automaticamente que existe água nas vizinhanças da
pirâmide.
A miragem indicada naFig. 2.22 não é o único tipo de miragem que se forma em virtu­
de da variação do índice de refração entre camadas da atmosfera. Na Fig. 2.23 indicamos
um outro tipo de miragem que pode ocorrer sobre o mar; este tipo de miragem é algumas
vezes chamado de espelhismo, uma vez que surge no céu uma imagem análoga à que se
obteria por meio de um espelho. A água do mar se aquece e se resfria mais lentamente do
que a areia e a terra, de modo que é possível a formação de uma camada próxima da água
com uma densidade maior do que as camadas vizinhas; isto é exatamente o oposto do que
ocorre nas vizinhanças do asfalto de uma estrada ou sobre a areia de um deserto. Neste
caso, a concavidade das curvas dos raios luminosos é voltada para baixo, conforme indi-

75
Fig. 2.22 O viajante sedento vê segunda imgem da pirâmide e crê que entre
ele e a pirâmide existe um lago. Trata-se de um fenômeno físico e não de
uma alucinação.

cado na Fig. 2.23. Um observador situado em O vê uma imagem real do barco e uma vir­
tual do barco, conforme indicado na Fig. 2.23. Existem ainda outros fenômenos de mira­
gem mais complicados. Por exemplo, a "Fala Morgana" é um tipo de miragem no qual
existem três caminhos óticos diferentes para cada ponto de um objeto: uma trajetória reti-
linea, uma trajetória com a concavidade voltada para baixo e uma outra trajetória com
a concavidade voltada para cima.

Fig. 2.23 O espelhismo é um tipo de miragem que normalmente seforma so­


bre o mar.

76
2.3 Prismas de reflexão total
Denomina-se prisma ótico qualquer prisma transparente que possa ser usado cm apa­
relhos óticos ou em dispositivos óticos de um modo geral. Existem diversos tipos dcpris­
mas óticos', entretanto, os prismas óticos mais utilizados na prática são aqueles que pos­
suem uma seção reta transversal triangular.
As principais aplicações práticas dos prismas óticos são as seguintes: {a) produzir
mudanças de direção dos raios incidentes mediante o fenômeno da reflexão total, (b)
produzir a dispersão da luz branca para o estudo do espectro da luz branca considera­
da, mediante o fenômeno da dispersão da luz. Nesta Seção vamos analisar as aplica­
ções referentes ao item (o) e na Seção 2.4 estudaremos a questão da decomposição da
luz branca por meio de prismas óticos.
O fenômeno da reflexão interna total da luz já foi estudado na Seção 2.2. É possível
utilizar prismas pura mudar a direção de propagação de um raio luminoso utilizando-se
a propriedade da reflexão total numa das faces do prisma. Vamos apenas estudar os
seguintes casos: (o)prisma de Amici, (b) prisma de Porro e (c) prisma de visão direta.
(a) Prisma de Amici. Na Fig. 2.24 (parte a) indicamos um esquema para explicar a
reflexão total no interior de um prisma de Amici (também conhecido pelo nome de pris­
ma de reflexão total simples). Considere um prisma de vidro cuja seção reta transver­
sal é um triângulo retângulo isósceles. Suponha que este prisma esteja imerso no ar.
Como- o índice de refração do ar é menor do que o índice de refração do vidro, pode
ocorrer reflexão interna total para os raios que se propagam no interior do vidro. Co­
mo o ângulo limite de reflexão total do vidro (em relação ao ar) é igual a 42°, concluí­
mos que todo raio proveniente do interior do prisma sofrerá reflexão total para ângu­
los de incidência maiores do que 42°. Observe a parte (o) a Fig. 2.24. Os raios que inci­
dem ortogonalmente sobre a face esquerda do prisma não sofrem nenhum desvio c atin­
gem a face oposta formando um ângulo de 45° com a normal. Estes raios sofrem refle­
xão interna total e se dirigem dc cima para baixo e atingem a face inferior formando um
ângulo de 0o com a nomal a esta face; logo, estes raios emergirão para o ar nesta mes­
ma direção.
O mesmo efeito obtido pelo prisma indicado na parte {a) da Fig. 2.24 poderia ter si­
do obtido por um espelho plano situado a uma direção de 45° com o feixe incidente.
Qual c a razão para se usar um prisma de Amici no lugar de um espelho nos instrumen­
tos de Ótica? Entre outras razões, sabemos que uma superfície espelhada com uma su­
perfície metálica sofre corrosão com o tempo e o espelho deixa de produzir reflexão
total, ao passo que a reflexão total na superfície interna de um prisma perdura quase
eternamente (uma vez que a superfície do vidro quase não sofre corrosão).
(b) Prisma de Porro. O prisma ótico cuja seção reta é um triângulo retângulo isósce­
les pode ser utilizado na posição (o) ou na posição (d) indicada na Fig. 2.24. Quando
este prisma é usado na posição (a) ele é conhecido como prisma de Amici; se ele for usa­
do na posição (b) ele passa a se chamar prisma de Porro. O prisma de A miei é utilizado
para fazer o raio luminoso sofrer uma mudança de direção de 90°, ao passo queopr/s-
ma de Porro c empregado para fazer os raios incidentes retornarem na mesma direção ori­
ginal, mas deslocados dc uma certa distância. Note que no caso (b) existem duas refle­
xões totais no interior do espelho.

77
1 45" 1 45"

2
2 2
2 r; i

(«) W
1
2
r~
2
ZJ
1
f>42"
(O

Fig. 2.24 Principais tipos de prismas de reflexão lotai:


(a) prisma de A miei, (b) prisma de Porro, (c) prisma de
visão direta.

(c) Prisma de visão direta. Existem diversos modos de se obter visão direta. Uma das
maneiras mais simples é indicada na parle (c) da Fig. 2.24. Note que o prisma de visão
direta é utilizado para se obter uma imagem invertida da imagem que incidcsobrc o pris­
ma, embora a direção de propagação dos raios emergentes seja paralela à direção dos
raios incidentes. Em muitos sistemas óticos a objetiva produz uma imagem invertida',
então, para re-inverter a imagem de modo que a imagem observada na ocular seja di­
reita, basta usar um prisma de visão direta, conforme o prisma indicado na parte (c)
da Fig. 2.24. Este mesmo objetivo podería ser conseguido com a utilização de outros
conjuntos de prismas ou de espelhos, ou, ainda, com a utilização de uma lente diver­
gente (ver a Seção 2.9). Por exemplo, num binóculo utiliza-se um prisma de visão dire­
ta para que a imagem observada seja direita.
2.4 A dispersão da luz num prisma e o arco-íris
Na Seção 1.4 explicamos o fenômeno da dispersão da luz. Vimos que a dispersão
da luz num meio homogêneo produz uma variação da velocidade da luz em função do
comprimento de onda da luz que se propaga no interior do meio considerado. A rela­
ção (1.8) define o índice de refração de um meio homogêneo. Então, devido ao fenô­
meno da dispersão da luz verificamos que o índice de rcfraçãodeum meio homogêneo
depende do comprimento de onda da luz que se propaga no interior deste meio. Nesta
Seção só nos interessa saber esta informação qualitativa. Ou seja, no momento, só in­
teressa saber que índice de refração das substâncias transparentes diminui à medida que
o comprimento de onda da luz aumenta', por exemplo, o índice de refração de um ma­
terial transparente para uma cor vermelha é menor do que o índice de refração do mes­
mo material para uma luz violeta, porque o comprimento de onda do violeta é menor
do que o comprimento de onda do vermelho c o índice de refração varia de maneira

78
inversa ao comprimento de onda da luz que atravessa o material. Para que você tenha
uma informação quantitativa sobre a dispersão da luz seria necessário você ler a Seção
3.3 deste Livro.
Denomina-se luz monocromática o feixe de luz constituído por ondas que possuem
o mesmo comprimento de onda (portanto, todos os raios do feixe possuem a mesma
cor). A luz proveniente de um LASER é um exemplo de luz monocromática. A luz branca
é uma mistura de todas as cores superpostas. Conforme veremos mais adiante, pode­
mos utilizar um prisma ótico para produzir decomposição da luz branca.
Vamos agora analisar a refração de um raio de luz monocromática que incide sobre
um prisma de vidro imerso no ar (ou no vácuo). Considere um prisma ótico cuja seção
reta seja um triângulo isósceles cujo ângulo do vértice vale A, conforme indicado na
Fig. 2.25. Neste caso, quando A = 60°, a seção transversal éum triângulo equilátero.
Na Fig. 2.25, i\ é o ângulo de incidência na face esquerda, i2 c o ângulo formado entre
o raio emergente e a normal na face direita; o desvio do raio incidente é indicado por
Ai e o desvio do raio que incide na face direita do prisma é indicado por A2. O desvio
entre a direção do raio emergente da face direita é designado pela letra A; este é o des­
vio total sofrido pelo raio incidente. Toda vez que falarmos do desvio de um prisma
estaremos implicitamente falando do desvio total A.

Meio 1 (ar)

Ar (ni = 1) A

/ t>^
1/
**—'r: Í2

Vidro(n)
c 'Meio 2
Raio
emergente

Fig. 2.25 Refração de um raio de luz monocromática que incide sobre uni
prisma ótico. A letra A representa o desvio angular do raio incidente.

Do triângulo JVC indicado na Fig. 2.21, temos:


A = n + r2 (2.9)
Observando o triângulo II'E concluímos que:
A = A| + Az
porém, Ai = i\ — rt ; A2 = h — r2

79
Logo,
A = i, - ii - (r, + (r;) (2.10)
Substituindo a relação (2.9) na equação (2.10), vem:
A ti + i2 - A (2.H)
Aplicando a Lei de Sueli para o raio que incide sobre a face esquerda do prisma c
para o raio que incide sobre a outra face no interior do prisma, obtemos:
n, sen íi = ztiseuri (2.12)
n, sen r2 = nt sen i2 (2.13)
As relações (2.9), (2.11), (2.12) e (2.13) são as equações apropriadas para oc studo
da refração de um raio monocromático que incide sobre um prisma ótico.
Quando o raio que se refratano interior do prisma é paralelo & base do prisma, veri­
fica-se que /, é igual a i2. Neste caso, de acordo com as relações (2.12) e (2.13) c fazen­
do ih = I e n. = n, temos:
sen A = n sen tv, sen /s = n sen i2 (2.14)
Dividindo membro a membro as duas relações anteriores, temos:
sen íi/scn r2 = sen n/sen i2
Como 7i i2, da relação anterior decorre que
n = r2 (2.15)

S D -2i - A

Fig. 2.26 Posição para obter o desvio mínimo de um prisma para um raio mono­
cromático. Neste caso, i, = i2 = i, r, = r2 = r, A = 2r, D = 2i - A.

80
Na Fig. 2.26 indicamos o caso em que f, = /2. Das relações (2.5) e (2.9) resulta:
A = 2rt
Verifica-se facilmente que quando it = iz o desvio A torna-se mínimo. Quando o
desvio é mínimo, de acordo com a relação (2.11), temos:
D = 2i - A (2.16)
onde D representa o desvio A mínimo. Por comodidade de notação estamos conside­
rando:
h = /*2 = / ; <i = rz = r (2.17)
Levando em conta as relações (2.14) e (2.17), encontramos:
n = sen f/sen r (2.18)
Da equação (2.16) resulta:
i = (A 4- £>)/2 (2.19)
Combinando as relações (2.18) e (2.19) e lembrando que r = A/2, achamos:
sen [(A 4 D)/2]
n = (2.20)
sen (>4/2)

A relação (2.20) fornece o índice de refração n do material do prisma em relação à


luz monocromática considerada. Medindo-se o desvio angular D podemos, portanto,
determinar experimentalmente o índice de refração n em relação à luz monocromática
utilizada na experiência. Reciprocamente, para cada valor de n existe um dado desvio
D. Fazendo uma experiência separada para cada cor componente da luz branca, veri-
fica-se que existe um desvio diferente para cada cor considerada. Deste modo, pode­
mos obter uma curva de dispersão para o material do prisma, isto é, obtemos uma cur­
va que dá a variação do índice de refração do material do prisma em função do compri­
mento de onda de cada luz monocromática utilizada. Para separar um feixe monocro­
mático de um feixe branco é suficiente utilizar um filtro da cor desejada. A ação de um
filtro é ilustrada na Fig. 2.28.

Exemplo 2.5 Desvio produzido por um prisma supondo que o ângulo A seja pequeno.
Um raio monocromático incide sobre um prisma ótico cujo material possui índice de re-
fração n (em relação a esta luz monocromática), (a) Supondo que o ângulo A do prisma
seja pequeno (menor do que 10°), obtenha uma expressão aproximada para a determina­
ção do desvio angular produzido por este prisma, (ô) Supondo que um feixe de luz branca
incida sobre este prisma e sabando que o índice de refração de um material transparente
aumenta à medida que o comprimento de onda diminui, responsa as seguintes perguntas:
(1) Qual é a cor que sofre o desvio máximo? (2) Qual é a cor que sofre o desvio mínimo?
(3) Qual é a seqüência das cores que compõem a luz branca, começando da cor que produz
o desvio mínimo até a cor que produz o desvio máximo? (Utilize o gráfico indicado na Fig.
1.6).

81
Solução. (a) Considerando ângulos pequenos podemos substituir o seno do ângulo pe­
lo próprio ângulo (em radianos). Sendo assim, a relação (2.20) se reduz a:
n = {A + D)/A (2.21)
Da relação (2.21) resulta:
D = (n - l)A (2.22)
(õ) Da relação aproximada (2.22) ou então da relação geral (2.20), concluímos que o
desvio D é tanto maior quanto maior for o índice de refração da luz considerada. De acor­
do com o enunciado, sabemos que o índice de refração aumenta com a diminuição do com­
primento de onda. Donde se conclui que o desvio aumenta com a diminuição do compri­
mento de onda da luz considerada. Sendo assim, podemos responder facilmente as per­
fumas formuladas:
(1) A cor que sofre o desvio máximo é aquela que possui o menor comprimento de on­
da do espectro visível. Consultando a Fig. 1.6 vemos que a cor que possui menor compri­
mento de onda é a cor violeta; esta é, portanto, a cor que sofre o desvio máximo.
(2) /Xnalogamente, concluímos facilmente que a cor que sofre o desvio mínimo é a cor
vermelha.
(3) A sequência das cores do arco-íris em ordem crescente de desvios é a seguinte: ver­
melho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta.

Decomposição e composição da luz branca


Newton foi um dos primeiros pesquisadores a provar que a luz branca pode ser de­
composta nas setes cores mencionadas no Exemplo 2.5. Você pode repetir a experiên­
cia de Newton fazendo um feixe de luz branca incidir sobre um prisma, conforme indi­
cado na Fig. 2.27. Newton também demonstrou que a luz branca pode ser composta
pela superposição das setes cores mencionadas acima; esta prova pode ser feita com dois
prismas em paralelo (o primeiro decompõe a luz branca e o segundo prisma recompõe
a luz branca); outra maneira de compor a luz branca pela superposição das setes cores
do arco-íris consiste em usar um disco deNewton, conforme veremos mais adiante (ver
a Fig. 2.31).
Na Fig. 2.28 mostramos que um filtro colorido pode ser usado para separar uma luz
monocromática da mesma cor do filtro considerado. Por exemplo, na Fig. 2.28 indi­
camos a ação de um filtro vermelho. Note que somente as tonalidades muito próximas
do vermelho conseguem atravessar um filtro vermelho', as demais cores sofrem absor­
ção seletiva no interior do volume do filtro.

Adição de cores
Superpondo um feixe de luz vermelha com um feixe de luz verde, obtém-se um feixe
de luz amarela. Superpondo-se um feixe de luz verde com um feixe de luz anil, obtém-
se um feixe azul. A superposição de um feixe de luz vermelha com um feixe de luz anil
produz um feixe de luz/nagenzo. Alguns livros denominam de corpúrpura a cor obtida
pela superposição do vermelho com o azul. A interseção simultânea de um feixe ver­
melho, com um feixe verde juntamente com um feixe anil, produz luz branca, confor-

82
me ilustrado na Fig. 2.29. As chamadas cores primárias são o vermelho, o verde e o anil.
A cor azul, a cor amarela e a cor magenta são as chamadas cores complementares obti­
das pela superposição mencionada. As cores complementares são indicadas pelas in­
terseções de duas cores primárias (ver a Fig. 2.29). Por exemplo, a cor amarela é com­
plementar da cor anil', oara identificar uma cor complementar de outra cor na Fig. 2.29
basta considerar a interseção oposta à cor considerada. Numa cópia fotográfica colo­
rida, cada cor do negativo é a cor complementar da cor que será revelada no positivo.
O princípio da edição de cores é bastante simples: a superposição de um feixe de luz
com uma dada cor com outro feixe de luz produz uma luz cujo comprimento de onda
é intermediário entre os dois comprimentos de onda das luzes superpostas. O disco de
Newton indicado na Fig. 2.31 também prova que a superposição de todas as cores pro­
duzidas por feixes luminosos dá origem à luz branca. Contudo, o leitor deve tomar cui­
dado com esta afirmação; somente a superposição de três ou mais feixes luminosos (con­
tendo as três cores primárias indicadas acima) pode produzir luz branca ou luz cinza-,
conforme veremos no próximo parágrafo, a superposição simultânea de tintas ou de
pigmentos coloridos contendo pelo menos as três cores complementares produz cor preta
(ausência final das cores eliminadas por absorção).

Fig. 2.27 Espectro de um feixe colimado de luz branca.

Subtração de cores
Misturar tintas num recipiente ou superpor pigmentos sobreuma folha de papel pro­
duz um efeito denominado subtração de cores. A subtração de cores é provocada pela
absorção seletiva', uma descrição detalhada dofenômeno da absorção pode ser encon­
trada na Seção 3.2 deste Livro. A ação de um filtro colorido já foi ilustrada na Fig. 2.28.
A ação de uma tinta ou de um pigmento é semelhante à ação de um filtro-, o pigmento
reflete a cor que não sofreu absorção e o filtro transmite a cor que não sofreu absor­
ção. Se você cruzar \m filtro amarelo com um filtro azul, a luz transmitida será verde-,
analogamente, a combinação de uma tinta (ou pigmento) de cor amarela com uma tin­
ta (ou pigmento) de cor azul produz uma tinta (ou pigmento) de cor verde, conforme

83
Fig. 2.28 Obtenção de um feixe de luz vermelha mediante um filtro verme­
lho.

Fig. 2.29 Adição de cores mediante feixes luminosos colori­


dos.
indicado na Fig. 2.30. A superposição simultânea de três tintas (ou de três pigmentos)
com a cores complementares produz cor preta por absorção seletiva. O mesmo efeito
você poderá observar utilizando três filtros (um amarelo, um anil e outro magenta ou
púrpura); você notará que a interseção simultânea entre estes três filtros produz absor­
ção total das cores, de modo que na região da interseção comum entre estes filtros ne­
nhuma luz é transmitida c você verá esta região preta (ou suficientemente escura, de­
pendendo das espessuras dos filtros).

84
Fig. 2.30 Subtração de cores mediante o uso de tintas ou de pigmentos
coloridos.
Formação do arco-íris
As 7 cores obtidas pela dispersão da luz branca no interior de um prisma transparente
também pode ser obtida pela dispersão em outros sistemas transparentes. O arco-íris que
se forma quando um observador está situado entre o Sol e uma nuvem, decorre da refra-
ção e da reflexão que ocorre no interior das gotículas de água da nuvem. Em geral, for­
ma-se um único aro-íris', neste caso, a borda inferior (interna) do arco-íris é violeta e a bor­
da exterior (superior) é vermelha-, as demais cores mencionadas no Exemplo 2.5 se situam
entre estes dois extremos. Quando as condições são favoráveis, formam-se dois arcos co­
loridos; o arco-íris interno é mais brilhante c dcnomina-sc arco-íris secundário. Neste ca­
so, o arco-írisprimário possui a borda interna de cor violeta e a parte superior de cor ver­
melha', no arco-íris secundário as cores se distribuem em ordem inversa à ordem das cores
no arco-íris primário, conforme ilustrado na Fig. 2.32 e na Fig. 2.33. Na Fig. 2.32 a letra
Kindica um raio violeta e a letra R indica um raio vermelho. Note que no arco-íris primá­
rio as cores extremas (vermelho e violeta) estão em posições invertidas em relação às cores
extremas observadas no arco-íris secundário. Isto se deve ao fato de que no arco-íris pri­
mário só existe uma relexão no interior da goticula, ao passo que no arco-íris secundário
são necessárias duas reflexões internas para a formação deste segundo arco, conforme ilus­
trado na Fig. 2.33.
Para a formação do arco-írisprimário é necessário que os raios coloridos que emergem
das gotículas atinjam o olho do observador formando um ângulo de 40° (para a cor viole­
ta) e um ângulo dc 42° (para a cor vermelha). O prolongamento destes raios extremos for-

85
Fig. 2.31 Girando o disco de Newton observamos um disco branco.

ma uma imagerm virtual produzida pela interseção do pincel cônico que atinge o olho do
observador com a abóboda celeste.
Na Fig. 2.33 mostramos uma gotícula ampliada para explicar a formação do arco-íris
primário e do arco-íris secundário. A letra V indica um raio violeta, a letra R indica um
raio vermelho e a letra G indica um raio verde. Para a formação do arco-íris secundário
é necessário que ocorram duas reflexões no interior da gotícula; por esta razão ocorre maior
absorção de luz e o arco-íris secundário c menos luminoso do que o arco-íris primário. O
raio vermelho do arco-íris secundário forma um ângulo de 51 ° com a horizontal e o raio
violeta forma um ângulo de 54° com a horizontal.
Observações. Além áo fenômeno do arco-íris existem outros efeitos óticos na atmos­
fera que produzem a decomposição da luz branca proveniente do Sol diretamente (ou in­
diretamente através da luz refletida pela Lua). Os principais fenômenos (mais raros do que
o arco-íris), são a corona e o halo que se formam cm torno do Sol e da Lua em condições
especiais. O halo é um aro-íris completo que pode se formar em torno do Sol; o halo pos­
sui um raio que forma um ângulo visual da ordem de 22°; existe também um halo maior
que possui um raio que forma um ângulo visual de 46°. A formação do haloê semelhante
à formação do arco-íris; contudo, o halo é formado por reflexões no interior de pequenos
cristais de gelo existentes em nuvens muito elevadas. Um fenômeno ótico muito raro, tam-

86
bém provocado por reflexões internas em cristais de gelo, é o oarélio. No parélio formam-se
(rês imagens do Sol: uma delas é a imagem direta do próprio Sol que aparece no centro
entre duas outras imagens virtuais do Sol situadas simetricamente em relação à imagem
central. Outro fenômeno curioso é a corona (que alguns livros chamam impropriamente
de halo). O raio do anel da corona é pequeno (em comparação com os raios dos halos)',
o ângulo visual da corona é da ordmc dc 5°. Outra distinção entre o halo e a corona é que
o halo é provocado por reflexões internas em critais de gelo, ao passo que a corona é pro­
duzida pela difração em goticulas de água e outras partículas em suspensão nas imedia­
ções da direção em que observamos o Sol ou a Lua. No Capítulo 3 estudaremos a questão
da difração da luz.

Y / X^
/

R 0 \\
V Arco-íris
\ \_
40“
\ \ \ \ Secundário
1 \, l \
I'
X
\p Arco-íris
Y
Olho do observador primário
Z

Fig. 2.32 Esquema para ilustrara formação do arco-íris.

2.5 Estudo geométrico dos espelhos


Existem diversos tipos de espelhos que se utilizam na prática. Quanto à forma geo­
métrica da superfície especular, podemos classificar os espelhos nos seguintes tipos; (a)
espelhos planos, (ò) espelhos esféricos, (c) espelhos esferóides, (d) espelhos parabóli­
cos, (e) espelhos cilíndricos, (/) espelhos hiperbólicos. A seguir analisaremos somente
os espelhos planos e os espelhos esféricos.
(a) Espelhos planos
Quando a superfície espelhada é um plano, a construção geométrica das imagens é
bastante simples. É fácil verificar que, para todo objeto real o espelho plano fornece
uma imagem virtual. Reciprocamente, para todo objeto virtual, formado peloprolon-

87
Fig. 2.33 Detalhe das refrações e reflexões que ocorrem numa gotícula
de água para explicar aformação do arco-iris primário e do arco-íris se­
cundário.

gamento de raios reais interceptados por uni espelho plano, verifica-se que o espelho
plano considerado fornece uma imagem real do objeto virtual. Na Fig. 2.34 mostra­
mos a construção geométrica da imagem virtual de um objeto pontual real A situado
a uma distância p de um espelho plano.
Para formar a imagem Afizemos partir do ponto A dois raios luminosos Ale AP,
sendo Al normal ao espelho E. O pincel emergente do espelho é divergente; logo, A ‘ .
é imagem virtual. Como os triângulos Air e A 'IP são iguais, temos que: AI = A 7.
Portanto, A e A ’ são simétricos em relação ao espelho:
lpl = l/’’l
Podemos concluir que o espelho plano forma sempre uma imagem simétrica do ob­
jeto em relação ao plano do espelho.
Logo, para obtermos uma imagem de um objeto extenso num espelho plano, basta
tomarmos os pontos simétricos de objeto em relação ao espelho.

88
Espelho plano
p P’
Objeto real
aC 1
90“
--3 a-
i , Imagem virtual
Observado

Fig. 2.34 Um objeto rea! puntiforme A produz


uma imagem virtual A ’ situada simetricamente
atrás do espelho plano E.
Na Fig. 2.35 mostramos como se obtém a imagem de um objeto real A B situado num
plano ortogonal ao plano do espelho plano.
Para representar a posição de um ponto objeto c sua imagem, emprega-se o Refe­
rencial de Gauss, que é constituído por um eixo de abscissas perpendiculares ao plano
do espelho e orientado em sentido oposto ao da luz incidente.

E I Espelho plano
__________ A’

Objeto real Imagem virtual

B B’

Fig. 2.35 Construção geométrica da


imagem virtual A ’B’ formada pela
reflexão de um objeto real AB num
espelho plano.
Na Fig. 2.36 indicamos o Referencial de Gauss utilizado na construção geométrica
das imagens fornecidas por espelhos planos. Note que se p > O, concluímos que o ob­
jeto é real; sep'<O, concluímos que a imagem é virtual. No caso contrário, isto é, se
p < O, o objeto c virtual e se p'> O, a imagem é real.
Sc |p| = |p'|. temos p = - p’ ou [p + p* = O | , que é a equação dos pontos
conjugados, para o espelho plano.
Vejamos agora como se obtem a imagem virtual de um objeto real tridimensional.
Na Fig. 2.37 representamos simbolicamente um objeto real tridimensional pelos veto­
res A , B e C . Os vetores A \B ’ e C ’ representam simbolicamente a imagem virtual
do objeto tridimensional considerado. Os vetores que indicam o comprimento, a lar­
gura e a altura da imagem possuem módulos iguais aos dos respectivos vetores que ca-

89
racterizam o comprimento a largura e a akura da imagem. Note que os vetores B ’ e
C ’ possuem, respectivamente, os mesmos sentidos dos vetores B e C . Contudo, o ve­
tor A ’ possui sentido contrário ao sentido do vetor A . Esta observação é importante
para o entendimento da chamada simetria especular de uma rede cristalina formado
pelos átomos (ou moléculas) de um cristal regular.

luz incidcme
I§ E
objeto imagem
P -P’ A’

o semi-eixo
semi-eixo
positivo negativo
(lugar dos (lugar dos
pontos reais) pontos virtuais)

Fig. 2.36 Referencial de Gausspara um espe­


lho plano E.

Espelho

C
B’

'I *<o’
A’

li

k,
Fig. 2.37 Um objeto real tridimensional
, simbolizado pelos vetores A, B e C,
produz uma imagem virtual tridimen­
sional simbolizada pelos vetores A’> B’
e C\ A imagem ésimétrica ao objeto em
relação ao plano do espelho.

Campo visual de um espelho plano. Denomina-se campo visual de um espelho pla­


no (em relação ao olho O de um dado observador) o lugar geométrico formado pelo
conjunto dos pontos do espaço que podem ser vistos por reflexão no espelho conside-

90
rado. Na Fig. 2.38 ilustramos o campo visual de um espelho plano. Conforme é fácil
perceber pela construção geométrica indicada na Fig. 2.38, o campo visual depende do
lamanho do espelho e da posição O do olho do observador em relação ao espelho.

, Campo Visual

Espelho

I O‘
Fig. 2.38 Campo visual de um espelho plano.

Exemplo 2.6 Uma criança de altura Hse encontra em frente a um espelho plano retan­
gular situado num plano vertical. Seja h a distância entre o olho da criança c o solo. Deter­
mine: (a) a menor alturay que este espelho deve ter para que a criança possa ver a imagem
completa do seu próprio corpo refletida no espelho, (ó) a distância z entre a borda inferior
do espelho c o solo nas condições do item anterior.
Solução, (a) De acordo com os dados do problema, podemos fazer o diagrama indica­
do na Fig. 2.39. A extremidade superior da cabeça da criança se encontra no ponto A. A
altura AB da criança é igual a H. Para que o olho da criança situado no ponto O possa
ver a reflexão dos pontos extremos A e B do seu próprio corpo, é necessário que os raios-
provenientes de A e de B sigam os percursos indicados na Fig. 2.39. Para que isto ocorra
é suficiente que o espelho possua uma altura mínima CD - y. Seja x a distância entre a
criança e o espelho. Como a imagem deve ser simétrica em relação ao plano do espelho,
a imagem A ’B‘ se forma a uma distância x atrás do espelho. Como os triângulos OCD e
OA ’B’ são semelhantes, temos:
y/H = x/2x
Logo, a altura mínima do espelho y é dada por:
y = H/2

91
espelho
A"

H
h
O

k
D "*•-
Z______
O’

x F x ■B1

2.39 Esquema para a solução do exemplo 2.6.

(/?) Como os triângulos B’DFe B’OB são semelhantes, obtemos:


z/h = x/2x
Portanto, a distância z entre a extremidade inferior do espelho e o solo vale
z = h/2
Observação: Note que a altura y do espelho e a altura z da extremidade do espelho em
relação ao solo, não dependem da distância x entre a criança e o espelho.
Exemplo 2.7 Transtação de um espelho plano. Mostre que, quando um espelho plano
sofre uma íranslação de uma distância rfortogonalmentc ao plano do espelho, a imagem
de um objeto pontual se desloca de uma distância igual a 2d.
Solução. Observe a Fig. 2.40. Seja D a distância entre a posição inicial da imagem e sua
posição final. Podemos escrever:
A i = imagem de A com o espelho na posição E\
Ai = imagem de A com o espelho na posição Ez
AA\ = Al\ + l\Ai - 2AI\
AAz = Ah + hAi = 2 Ah
D = /U2 - /Mi = 2 Ah - 2 >4 7, = 2 (Ah - Ah)

E,
I 5

D
/, +
A
Ai /4j

I d I
+-
Fig. 2.40 Esquema para a solução do exemplo 2.7.

92
Da relação anterior verificamos que
D = 2d

Exemplo 2.8 Rotação de um espelho plano. Mostre que, quando um espelho plano so­
fre uma rotação de um ângulo a (cm torno de um eixo contido no plano do espelho), a ima­
gem de um objeto pontual sofre uma rotação de um ângulo P tal que P = 2a.
Solução. Quando o espelho está na posição Fj, o raio refletido é (1) e, quando está
em £2, o raio refletido é (2). Mantendo-se o raio incidente cm posição fixa e girando-se
o espelho de um ângulo a, o raio refletido irá girar de P.
Da Fig. 2.41 vemos que:
p (i> +/■*)- (í + r) = 2z’ - 2/ = 2(/" - /)

Fig. 2.41 Rotação de um espelho de um ângulo a em torno de um eixo contido no plano do


espelho.

Da relação anterior provamos que:


P = 2a

Associação de espelhos planos


A construção geométrica das imagens no caso da associação de dois ou mais espelhos
planos pode ser feita do seguinte modo: constrói-se uma primeira imagem sobre um dos
espelhos do conjunto. A seguir, a primeira imagem pode produzir uma segunda imagem
em cada um dos epelhos do conjunto, e assim sucessivamente, até que as imagens saiam
do campo visual do obervador ou até que elas ocupem uma posição que não possam mais
sofrer novas reflexões {campo morto).
A associação de espelhos planos mais utilizada na prática é a associação de dois espe­
lhos que formam entre si um ângulo 0. Na Fig. 2.42 exemplificamos a formação da ima­
gem no caso de uma fonte pontual real situada num ponto P entre os dois espelhos. A re­
gião indicada entre os prolongamentos dos dois espelhos denomina-sc campo morto. É

93
fácil provar que, quando uma imagem se forma no campo morto, não pode mais ocorrer
nenhuma ouira reflexão subseqüente, uma vez que o campo morto se encontra atrás do
prolongamento dos espelhos.

Espelho 1

Observador

Espelho 2
///////#

Fig. 2.42 Construção geométrica das imagens de um objeto pontual P quando o ângulo
e\2Q°)°5 esPeNlos & lal ^ue a razã° (360° / u) fornece em número ímpar (neste caso, q =

Na Fig. 2.42 o ponto P forma uma imagem A i no espelho Ei e uma imagem B\ no es­
pelho Ej. A imagem A i se reflete no espelho Ei dando origem a uma imagem Aj. A ima­
gem /Ij se forma no campo morto e, portanto, não pode mais produzir nenhuma outra .
imagem. Analogamente, a imagem B\ forma-se no campo morto entre os prolongamcn- |
tos dos dois espelhos e, portanto, não pode produzir nenhuma outra imagem. O ângulo i
entre os dois espelhos indicados na Fig. 2.42 vale 0 = 120°. NotequeopontoP/zÀoscen- I
contra na mediatriz do ângulo entre os dois espelhos. O número de imagens formadas na
Fig. 2.42 é dado por: N = 3. Confronte este resultado com a fórmula que será apresenta- .
da a seguir.
Da construção geométrica indicada na Fig. 2.42, podemos tirar as seguintes conclusões
gerais: (cz) o conjunto de imagens se forma sobre uma circunferência cujo centro Oco vér­
tice da seção reta ortogonal dos dois espelhos, (Z?) o raio desta circunferência é a distância

94
OPentre o ponto Pe o centro O, (c) a seqüência da formação das imagens termina quando
as imagens se formam no campo morto entre os prolongamentos dos espelhos.
Com base nas conclusões acima, podemos obter pelo método da indução uma expres­
são geral para o número N de imagens obtidas na associação de dois espelhos que formam
entre si um ângulo 0. Esta relação geral é dada por:
a, 360°
TV = ----- 1 (2.23)
6

onde 0 é dado em graus. A relação (2.23) vale somente nas seguintes situações.
Primeiro caso: quando a razão (36O°/0) fornece um número par, qualquer que seja a
posição do P entre os dois espelhos.
Segundo caso: quando (36O°/0) for um número ímpar, a relação (2.23) vale somente
quando o ponto P está situado exatamente sobre o plano bisseior entre os dois espelhos.
Por exemplo, na Fig. 2.42 o ângulo 0 vale 120°. Logo, (36O°/0) = 3. Pela fórmula (2.23),
o número de imagens deveria ser igual a 2; entretanto, vemos na Fig. 2.42 que existem N
= 3 imagens.

Exemplo 2.9 Caleidoscópio. O brinquedo denominado caleidoscópio consiste na jun­


ção dc três longas placas de vidro no interior de um tubo fechado contendo um pequeno
orifício numa das extremidades (que serve de ocular), sendo que a outra extremidade é trans­
parente. As placas de vidro formam um prisma cuja base é um triângulo equilátero. No
fundo do tubo, cm contato com a extremidade transparente, existem pequenos fragmen­
tos coloridos (de vidro ou de plástico). O olho do observador, na outra extremidade do
tubo, percebe diversas imagens coloridas de cada fragmento. Determine o número de ima­
gens formadas por duas faces laterais deste prisma.
Solução. O ângulo entre as duas superfícies refletoras formadas por duas faces laterais
do prisma vale 0 = 0°. De acordo com a relação (2.23) verificamos que cada par de faces
laterais produz /V = 5 imagens de cada fragmento colorido. Como (36O°/0) = 6 (um nú­
mero par), concluímos que o observador vê sempre 5 imagens, independentemente da po­
sição ocupada pelo fragmento colorido no espaço entre as faces do prisma (no fundo do
tubo). Forma-se, portanto, um desenho com simetria hexagona! para cada fragmento co­
lorido, pois o olho percebe um total de 6 imagens para cada par de espelhos (a imagem real
do fragmento mais 5 imagens para cada par de espelhos).

(b) Espelhos esféricos


A interseção entre um plano e uma superfície esférica de raio R forma uma calota
esférica cujo ângulo de abertura é a, conforme indicado na Fig. 2.43). Note que esta
abertura a é igual ao dobro do ângulo 6 da superfície cônica centralizada no centro O
da esfera considerada; esta superfície cônica intercepta a esfera formando a calota es­
férica mencionada. Denomina-se espelho esférico a superfície polida ou espelhada de
uma calota esférica. A parte interna da calota esférica espelhada constitui um espelho
esférico côncavo. O espelho esférico convexo é aquele obtido quando espelhamos a su­
perfície externa de uma calota esférica.

95
Eixo de
simetria

Sup.convexa

Fig. 2.43 Elementos geométricos de um espelho esférico.

Estudaremos somente espelhos esféricos que possuem uma abertura a pequena (me­
nor do que cerca de 5o). Denomina-se eixo ótico ou eixo principal de um espelho esféri­
co o eixo central da superfície cônica indicada na Fig. 2.43; note que este eixo é um eixo
de simetria da calota esférica considerada. O ponto O é o centro do espelho e o ponto
V denomina-se vértice do espelho esférico de raio R.
Para que um espelho esférico forneça imagens nítidas é necessário quesejam obede­
cidas as condições de Gaussmencionadas anteriormente. Estas condições são tam­
bém chamadas de aproximação de Gauss c, em resumo, para espelhos esféricos, as con­
dições de Gauss são as seguintes:
(a) Os espelhos esféricos devem possuir aberturas pequenas', (d) os raios incidentes
devem ser paraxiais (isto é, pouco afastados do eixo de simetria do espelho); (c) os raios
devem incidir sobre o espelho com pequena inclinação em relação ao eixo principal (esta
condição implica que os objetos devem ser pequenos em comparação com o tamanho
da superfície do espelho e devem estar localizados próximos do eixo de simetria do es­
pelho).
Quando as condições de Gauss não são obedecidas as imagens fornecidas pelos es­
pelhos esféricos se apresentam deformadas. Estas deformações ou distorções são co­
nhecidas pelo nome genérico de aberrações dos espelhos esféricos. No estudo das len­
tes delgadas esféricas faremos diversos comentários acerca das aberrações das lentes
e dos espelhos esféricos. Na parte restante desta Seção consideraremos somente espe­
lhos esféricos que obedecem às condições de Gauss.

96
Foco e distância focal de um espelho esférico
O foco ou ponto focal dc um espelho esférico pode ser determinado do seguinte modo.
Fazemos um feixe colimado incidir numa direção paralela ao eixo de simetria do espelho.
No caso de um espelho côncavo notamos que este feixe converge para um ponto Fdenomi-
nado foco principal ou simplesmente foco do espelho esférico côncavo. O foco de um es­
pelho esférico côncavo é real, conforme indicado na parte (#) da Fig. 2.44. No caso de um
espelho convexo, aplicando-se as Leis da Reflexão da Luz, verificamos que os raios refleti­
dos divergem. Mediante o prolongamento destes raios divergentes, encontramos o foco vir­
tual Fatrás do espelho, conforme indicado na parte (/;) da Fig. 2.44. Denomina-sefoco se­
cundário o ponto focal obtido quando um feixe colimado incide numa direção que não é
paralela ao eixo principal do espelho. É claro que existem vários focos secundários", contu­
do, a localização destes pontos não nos interessa, uma vez que pretendemos estudar ape­
nas a construção geométrica das imagens dc pequenos objetos situados sobre o eixo prin­
cipal do espelho. Daqui por diante, quando usarmos a palavra foco sem nenhuma outra
especificação, queremos nos referir ao foco principal do espelho considerado.

Fig. 2.44 (a) Foco real de um espelho esférico côncavo, (b) Foco virtual de um espelho esférico
con vexo.

97
Denomina-sc distância focal a distância entre o foco Fc o vértice Zdo espelho. No
caso («) indicado na Fig. 2.44, como o foco Fé real, consideramos a distância focal FV
como positiva. No caso (d) indicado na Fig. 2.44, como o foco é virtual, consideramos
a distância focal FKcomo negativa. Denomina-se plano focal de um espelho esférico
(côncavo ou convexo) o plano onogonal ao eixo ótico do espelho que passa pelo foco do
respectivo espelho.

Principais propriedades dos raios que incidem em espelhos esféricos


As principais propriedades dos raios que incidem sobre espelhos esféricos decorrem
da aplicação das Leis da Reflexão da Luz e podem ser enumeradas do seguinte modo:
(1) Todo raio que incide numa direção que passa pelo centro C do espelho se reflete
e retorna na mesma direção, passando novamente pelo centro Cdo espelho considera­
do, conforme indicado na Fig. 2.45.

c f

(«) W
&
Fig. 2.45 Ilustração para a propriedade (1) no caso de um espelho côncavo (a) e de um
espelho convexo (b).

(2) Todo raio que incide paralelamente ao eixo principal do espelho é refletido nu­
ma direção que passa pelo foco F do espelho, conforme indicado na Fig. 2.46.

V F c
(a) (b)
Fig. 2.46 Esquema para ilustrar a propriedade (2) no caso de um espelho côn­
cavo (a) e de um espelho convexo (b).

98
(3) Todo raio que incide numa direção que passa pelo foco F do espelho é refletido
numa direção paralela ao eixo principal do espelho considerado, conforme indicado
na Fig. 2.47.

-4—
c F V V F C

(«) (A)
Fig. 2.47 Esquema para ilustrar a propriedade (3) no caso de um espelho côncavo (a) e de um
espelho convexo (b).

(4) Todo raio luminoso incidente sobre o vértice V do espelho se reflete de modo que
o ângulo deste raio com o eixo ótico (ângulo de incidência) seja igual ao ânguloforma­
do pelo raio refletido com o eixo ótico (ângulo de reflexão), conforme indicado na Fig.
2.48.

c F V F c

(<z) (*)
Fig. 2.48 Esquema para ilustrar a propriedade (4) no caso de um espelho côncavo (a) e
de um espelho convexo (b).

Imagens formadas por espelhos esféricos


Para a construção geométrica das imagens situadas nas vizinhanças do eixo princi­
pal de um eselho esférico é suficiente aplicar as propriedades mencionadas nos pará­
grafos anteriores. Podemos considerar os seguintes casos referentes a objetos reais e
espelhos côncavos:
I? caso: O objeto PQ se encontra entre o centro de curvatura do espelho e o infinito.
Neste caso, a imagem P’Q‘ fornecida pelo espelho côncavo é uma imagem realinverti-

99
da que sc forma entre o foco Fe o centro O do espelho, conforme indicado na Fig. 2.49.

V
Fig. 2.49 Construção geométrica da imagem /
quando um objeto real PQ se encontra entre / Q
o centro o de um espelho côncavo e o infini- / /.
to.

2.° caso: O objeto está situado sobre o centro de curvatura do espelho. Neste caso,
a imagem é real, invertida e possui um tamanho igual ao tamanho do objeto, conforme
indicado na Fig. 2.50.

C V
F
<■

P*

Fig. 2.50 Construção de imagem quando o


objeto se encontra sobre o centro de curva­
tura de um espelho côncavo.

P' C F
P V
4
Q'

Fig. 2.51 Obtenção da imagem quando o objeto


real está situado entre o centro de curvatura e o
foco de um espelho côncavo.

100
3.° caso: O objeto está localizado entre o centro de curvatura e o foco do espelho.
A imagem éreal, invertida, maior do que o objeto e se forma entre o centro de curvatu­
ra do espelho côncavo e o infinito, conforme indicado na Fig. 2.51. Note que este caso
c semelhante ao primeiro caso, uma vez que aplicando o Princípio da Inversão dos Raios
Luminosos, podemos trocar a posição do objeto (no 1? caso) pela posição da imagem
(no 1 ? caso) e obter o 3.° caso sem precisar fazer outra construção geométrica. Compa­
re a Fig. 2.51 com a Fig. 2.49 para você entender esta troca baseada no princípio men­
cionado.
4“ caso: O objeto se encontra sobre o plano focal do espelho. Neste caso, verifica­
mos que se forma uma imagem imprópria, uma vez que os raios refletidos são parale­
los e, portanto, a imagem se forma no infinito, conforme indicado na Fig. 2.52.

c
F V

Fig. 2.52 Quando o objeto se encontra sobre o plano focal de


um espelho côncavo a imagem obtida é imprópria.

5.° caso: O objeto se encontra sobre o foco e o vértice do espelho côncavo. Na Fig.
2.53 mostramos que a imagem obtida c virtual, direita e maior do que o objeto.

Q’
Q
I
1
I

c p

Fig. 2.53 Quando o objeto se encontra entre o foco e o vértice de


um espelho côncavo, a imagem produzida é virtual, direita e
maior do que o objeto.

101
Os cinco casos analisados acima referem-se a espelhos esféricos côncavos. Vejamos
agora como se constrói a imagem no caso de um objeto real apoiado sobre o eixo prin­
cipal dc um espelho esférico convexo. Neste caso, a formação da imagem é indicada
na Fig. 2.54. A imagem obtida num espelho convexo ésempre virtual, direita e menor
do que o objeto, qualquer que seja a distância entre o objeto e o vértice do espelho.

P’
F c

Fig. 2.54 Um objeto real se encontra sobre o eixo de simetria de um


espelho esférico convexo. A imagem obtida ésempre virtual, direi­
ta e menor do que o objeto, qualquer que seja a distância entre o
objeto e o vértice do espelho.

Estudo analítico das imagens


Os quatro elementos característicos para o estudo analítico da construção das ima­
gens produzidas por espelhos esféricos são: a distância p entre o objeto c o vértice V do
espelho, a distância/?"entre a imagem e o vértice Vdo espelho, o tamanhoy do objeto
e o tamanhoy’da imagem. Quando a imagem obtida èreal, a distância/?'entre a ima­
gem e o vértice do espelho épositiva. Por exemplo, a distância entre os pontos P‘ e V
indicados nas Figuras 2,49, 2.50, 2.51 e 2.52 definem uma distância p’positiva nestes
casos. Quando a imagem formada é virtual, a distância p' entre a imagem e o verticc
do espelho é negativa-, por exemplo, a distância PVindicada na Fig. 2.53 é negativa.
Resumindo: uma imagem fica completamente caracterizada quando conhecemos a
distância do vértice à imagem, a sua natureza (real ou virtual), o seu tamanho (compri­
mento) e sua orientação (direta ou invertida).
O problema consiste em determinar os quatro elementos característicos de uma ima­
gem , a partir da posição do objeto, do seu tamanho e da distância focal do espelho (ele­
mento característico do espelho).
O emprego das equações que solucionam o problema exige uma convenção dc sinais
para a medida de p, p’ c dos comprimentos y do objeto e y’ da imagem.
Emprega-sc o Referencial de Gauss que é constituído por um eixo de abscissas coin­
cidente com o eixo principal do espelho, tendo a origem no vértice do espelho e orien-

102
tação em sentido oposto ao da luz incidente. Para caracterizar a orientação da imagem,
emprega-se um eixo de coordenadas perpendiculares ao eixo das abscissas de tal modo
que objeto e imagem, acima do eixo principal, possuem ordenadaspositivas, e, abaixo
do eixo principal, possuem ordenadas negativas. Para exemplificar, na Fig. 2.55 ilus­
tramos o Referencial de Gauss no caso de um espelho côncavo (f> O). No caso de um
espelho convexo, as convenções são as mesmas; contudo, o leitor deve lembrar que,
para um espelho convexo, a distância focal f é negativa (f<O).

r-
' y-
- p’ —

4--
Fig. 2.55 Referencial de Gauss no caso de um espelho côncavo (f > 0); quando p
> 0 o objeto c real, quando p’ > 0 a imagem é real; quandoy> 0 o objeto é direi­
to; quando y‘ < 0 a imagem è invertida.

Ampliação linear transversal e equação dos pontos conjugados


Vamos agora deduzir a expressão do aumento linear ou ampliação linear transver­
sal c a famosa equação dos pontos conjugados para espelhos esféricos (côncavos ou
convexos).
A ampliação linear transversal é definida pela razão _y'/y, onde y’é a altura da ima­
gem ey é a altura do objeto, levando-se em conta a convenção de sinais indicada na
Fig. 2.55. A equação dos pontos conjugados é a relação fundamental para a determi­
nação da dependência entre as grandezas p,p‘ef. Vamos deduzir a formula do aumento
linear bem como a equação dos pontos conjugados utilizando a construção geométri­
ca da imagem fornecida por um espelho côncavo, conforme indicado na Fig. 2.56.

103
Q
>
í"
I
Y
i
v
<
p 0
P’

F 7\ i-I
r*

Q’

Fig. 2.56 Esquema para deduzir a fórmula da ampliação linear transversal e a


equação dos pontos conjugados.

Conforme podemos ver na Fig. 2.56, o raio incidente QKdá origem ao raio refleti­
do VQ Como o ângulo do raio incidente i é igual ao ângulo de reflexão r, concluímos
que os triângulos PQV e P*Q'V são semelhantes, logo,
p>q' = _ (D
PQ VP

Razão do sinal menos: P’2’éum número negativo, e PQ c um número positivo’, o


quociente é negativo. P’Q’ é a altura da imagem J; logo:
P'Q' = / — y*
PQ é a altura do objeto o, logo:
PQ = o ~ y
Substituindo-se na igualdade (1), vem:

y’ n'
Aumento = — = - — (Fórmula da ampliação)
y P

104
Por outro lado, nos triângulos OPQ c OP’Q\
P’O = — P’Q’ . P’O = . — p'
y* ----------
, porem
OP PQ ’ OP y y p
P’O ■ p’° P’
OP \ P ’ OP ~ p

P’O R - p’
Veremos ainda que:
PO p - R
Substituindo, vem:
R_
—— = — ou pR — pp’ = pp’ — p’R
p - R P

Dividindo ambos os membros desta igualdade por ppR, vem.

± + -L = 2 (II)
P P' R

Suponha que um objeto luminoso real se encontre no infinito. Neste caso, p °° e


p* — f. Logo, pela relação (II), concluímos que:

f = R/2 (III)

Das relações (11) e (III) obtemos a equação dospontos conjugados para os espelhos
esféricos:

1
1+1 = (2-24)
p p’ f

A relação (2.24) é também conhecida como equação de Gausspara os espelhos esfé­


ricos. A expressão (2.24) foi deduzida para o caso de um espeho côncavo. Contudo,
ela também pode ser usada para o caso dc um espelho convexo, desde que você lembre
que todo espelho convexo possui foco virtual, isto é, o valor defé negativo. No próxi­
mo exercício resolvido ilustraremos este caso.

105
Exemplo 2.10 Um espelho esférico convexo tem distância focal igual a 30 cm. Uma se­
ta luminosa de 10 cm de altura é colocada a 30 cm do vértice do espelho. Determinar as
características da imagem. Ver a Fig. 2.57.
Temos: (espelho convexo) O > / = — 30 cm; O = y = 10 cm;
I J___ 1__ JL _ _ _1____ L
p p’~ f p’" 30 30

_1_ _1_ 1 2 — p - - 15 cm
------
30 P’ 30 p" 30

A imagem dista 15 cm do vértice e é virtual (p’ < O).

\2'

<
P o

Fig. 2.57 Esquenta para a construção geométrica da imagem no exemplo 2.10.

Empregando a equação do aumento linear transversal:


y' __ p’
y p

106
(- 15) 15
10 30 30

A imagem mede 5 cm e é direita (y e >»’são do mesmo sinal).

Outros tipos de espelhos


Além dos espelhos planos e dos espelhos esféricos (côncavos e convexos) existem tam­
bém espelhos esferóides, espelhos cilíndricos, espelhos parabólicos, etc. Um esferóide
é uma superfície obtida pela rotação de uma elipse em torno de um dos seus eixos. Quan­
do a elipse gira em torno do seu eixo menor, a superfície de revolução gerada denomina-se
esferóide oblato. Quando a elipse gira em torno do seu eixo maior, resulta um esferói­
de prolato. Sc espelharmos a superfície interna de um esferóide, obtemos um espelho
esferóide côncavo. Se o polimento for realizado na sua superfície externa, resulta um
espelho esferóide convexo. Uma colher de prata (ou de qualquer outro metal suficien­
temente polido) é aproximadamente um espelho esferóide côncavo (na sua face inter­
na) e, ao mesmo tempo, um espelho esferóide convexo (na sua face externa).
Os espelhos cilíndricos são aqueles obtidos quando espelhamos ou a face interna ou
a face externa de superfícies cilíndricas. Por exemplo, se você recobrir a superfície la­
teral externa de uma garrafa com uma folha fina de alumínio polido, você poderá ob­
ter um espelho cilíndrico convexo.

(a) (b)

Fig. 2.3K (a) Todo raio que incide paralelamcnte ao eixo de simetria de um
espelho parabólico converge para o foco do espelho, (b) Os raios prove­
nientes de uma pequena lâmpada situada nofoco de um espelho parabólico
emergem do espelhoformando umfeixe colimado paralelo ao eixo de sime­
tria do espelho.

O espelho parabólico é obtido quando espelhamos a superfície interna ou a superfí­


cie externa de um parabolóide de revolução (superfície obtidà pela rotação de uma pa­
ra bóia em torno do seu eixo de simetria). Na prática, se utilizam somente espelhos pa­
rabólicos côncavos, embora você possa construir também um espelho parabólico con­
vexo, espelhando a superfície externa de um parabolóide de revolução. Devido à sua
geometria peculiar, os raios luminosos que incidem paralelamcnte ao eixo de simetria
de um espelho parabólico côncavo convergem para ofoco da parábola. Reciprocamente,

107
sc você colocar uma fonte pontual no foco de um espelho parabólico côncavo, emergi­
rá do espelho um feixe colimado paralelo ao eixo de simetria do parabolóide. Esta pro­
priedade é muito importante para corrigir as aberrações de esfericidade que todos es­
pelhos esféricos possuem (principalmente para os raios nãoparaxiais). Esta importan­
te propriedade dos espelhos parabólicos é ilustrada na Fig. 2.58. Na parte (a) da Fig.
2.58 mostramos que todo raio que incide paralelamente ao eixo de simetria do espelho
parabólico converge para o foco do espelho. Na parte (d) da Fig. 2.58 mostramos uma
pequena lâmpada situada no foco do espelho parabólico; os raios refleticos pelo espe­
lho formam um feixe colimado paralelo ao eixo ótico do espelho. Os espelhos parabó­
licos côncavos são usados nas lanternas comuns, nos faróis dos veículos, nos holofotes
e em muitas outras aplicações práticas.
2.6 A nálise dos dióptricos
Denomina-se dióptrico ou dioptro um sistema ótico constituído por dois meios trans­
parentes homogêneos. Por exemplo, o ar atmosférico e a água de um lago constituem
um dióptricoplano, uma vez que a superfície que separa o ar da água é uma superfície
plana. O nome atribuído ao dióptrico depende, portanto, da superfície de separação
entre os dois meios transparentes considerados. Nesta Seção vamos analisar apenas os
dióptricos planos e os dióptricos esféricos.
Dióptrico plano
Considere um dióptrico plano constituído pelo sistema ar-água, como, por exem­
plo, no caso de uma piscina com águas tranqüilas. Estudaremos a seguir o problema
da formação da imagem de um objeto real situado no interior da água, quando o olho
do observador se encontra no ar. Na Seção de Problemas no final deste Capítulo, o lei­
tor será convidado a resolver o problema oposto, isto é, a formação da imagem quan­
do o olho do observador se encontra no interior da água e o objeto se encontra no ar.

meio 1

P'
meio 2
(a) rh
P
Fig. 2.59 Formação da imagem virtual P* de um objeto real Psituado no interior dc uma piscina.
(a) O observador se encontra verticalmente acima do ponto P. (b) Ampliação de olho do obser­
vador paru explicar a formação da imagem virtual P‘.

108
Na Fig. 2.59 indicamos o olho de um observador O que focaliza uma fome pontual
P no interior da água. O olho do observador se encontra verticalmcntc acima do ponto
P, conforme indicado na parte (a) da Fig. 2.59. A imagem percebida pelo olho do ob­
servador se encontra no ponto P* e não no ponto P. Trata-se de uma imagem virtual,
uma vez que ela é obtida pelo prolongamento dos raios luminosos que atingem o olho
do observador, conforme ilustrado na parte (d) da Fig. 2.59. A parte (ô) a Fig. 2.59 re­
presenta a mesma situação física indicada na parte (<?); contudo, na parte (6), amplia­
mos o olho do observador O para que você note que o olho não épuntiformec, embora
o objeto pontual, forma-se um pincel cônico que se refrata ao passar para o ar ate
atingir o olho do observador, conforme indicado na parte (d) da Fig. 2.59.
Mostramos como determinar a posição da imagem de P. Na Fig. 2.60, p é a distân­
cia do objeto ao dióptrico, e p’ a distância da imagem ao dióptrico. Considerando /cr ân­
gulos muito pequenos, temos:
x
tg / = t = —
P
(g r ~ r = —
P’
Mas
sen j i _ n,
sen r r n2

n\
P
n2
- £
p
= n2
p‘

n\
Fig. 2.60 Esquema para y*— x
deduzir a equação do
dióptrico plano (para
raios ortogonais ao plano p’ nz
de separação entre os
dois meios transparen­
tes). Estamos supondo
n2 maior do que nr

109
É costume considerar as seguintes convenções de sinal:
p ou p’ > O ; para objeto ou imagem real.
p ou p’ < O ; para objeto ou imagem virtual.
Assim sendo:
-£l
P n2

— n?p’ = n\p — nip + n-ip* = O (2.25)

Esta última equação é conhecida como a equação do dióptrico plano. Note que esta
relação só vale para os raios paraxiais (incidência ortogonal).

Exemplo 2.11 Uma pequena lâmpada está acesa a uma profundidade h abaixo da su­
perfície de uma piscina. Determine a expressão da profundidade aparente h' em função
do ângulo th formado entre o raio emergente (que chega ao olho do observador) e a nor­
mal à superfície da piscina.
Solução. Vamos resolver este problema de modo geral. Considere um ponto luminoso
P emitindo luz; o raio atinge a superfície de separação entre o meio de índice de refração
n\co meio de índice de refração n2. Suponha n2>ni; então, o raio luminoso se afasta da
normal e atinge o olho do observador formando um ângulo 0j com a normal. O prolon­
gamento do raio luminoso fornece a imagem virtual no ponto P'. O ponto P está situado
a uma distância h da superfície e o ponto P’está situado a uma distância h’ da superfície
(ver a Fig. 2.61).

Observador

7
I I "> Ar
h*— n\
r __ L
I ^1 nz
i I
h’ Água
02 I
h I
P' L *2 I
I
lz
P
Fig. 2.61 Esquema para a solução do Exemplo 2.11.

110
Aplicando a lei de Sncll, temos:
«i sen 0i = ni sen 02 (!)
Pela Fig. 2.61, vemos que
tg Oi =a/h’\ tg Oi —a/h

Portanto,
h’ = h tg 02/tg 0\ (2)

Porém,
sen 02 . sen 02
tg Oi - ; tg 0. = .------- - n
ç/i — sen2 02 — sen2 0i

Logo, substituindo estas relações na equação (2) resulta:


/1"— sen2 0|
A'=A-^
sen 0i V 1 — sen2 02

Substituindo a relação (1) na equação (3), encontramos:


1 /1 ~ sen7TT~
•|/ 1 — sen202

Como sen 0i = (ni/(ni) sen 02, podemos escrever o resultado naterior em função do ân­
gulo 0i formado entre o raio emergente e a normal ao plano, do seguinte modo:

(4)
1 - scn20i
h’ — hn\
/tf — n* sen20i

Observações: (a) Na situação mencionada no Exemplo 2.11, temos: = 1 (ar), ni =


n (água). Neste caso a expressão (4) pode ser escrita na forma:
,, . COS0I
h = h • (5)
//j2 - sen2 0(

(ô) Note que a equação (2.25) é um caso particular da relação (5). Para verificar esta
afirmação basta substituir na relação (5) os seguintes valore: 0i = 0°,/i=pe/i’= — p
(pela convenção de sinais). Neste caso, tanto pela relação (5) quanto pela equação (2.25),
concluímos que, para uma obervaçào ortogonal à superfície da água, a profundidade apa­
rente do ponto P é dada por:

h' = h/n

111
Dióptrico esférico
Seja o índice de refração de um meio transparente c n2 o índice de refração de ou­
tro meio transparente. Suponha n2 maior do que n\. Quando estes meios são separa­
dos por uma superfície esférica, dizemos que este sistema constitui um dióptrico esfé­
rico. Por extensão, se costuma também chamar de dióptrico ou dióptro a própria su­
perfície esférica que separa os dois meios considerados.
Na Fig. 2.62 mostramos como se obtém a imagem P* de um objeto pontual real P
situado a uma distânciap do vértice Kda superfície esférica do dioptro. Note que o ponto
P' corresponde a uma imagem real, uma vez que ela é obtida pela interseção dos raios
reais AP* cPP*. O ponto Cé o centro da superfície esférica de raio r. A distânciap é
dada pelo segmento PV e a distância p* é dada pelo segmento P*V.

Fig. 2.62 Formação da imagem real P’ de um objeio real P cujo raio AP se refrata num dioptro
esférico.

De acordo com a Lei de Snell, o raio refratado no ponto A sofre um desvio tal que
ni sen 0\ = n2 sen 02
Como Oi c um ângulo pequeno e 02 também é um ângulo pequeno, podemos utili­
zar a seguinte aproximação da relação anterior:
n(0i = n202 (2.26)
Como 0i é o ângulo externo do triâgulo PAC, temos:
0! = a + 0 (2.27)
Por outro lado, do triângulo A CP* concluímos que
fi = 02 + 7 (2.28)
Das relações (2.26) e (2.28), obtemos:
0 = 7 + (ni0i/n2) (2.29)
Da relações (2.27) e (2.29) resulta:
otni + yn2 = (n2 — /h)0 (2.30)

112
Sejas o comprimento de arco de circunferência com raios p, rep 'centralizadas, res-
pectivamentc, nos pontos P, Ce P’. Como os ângulos a, e y são ângulos pequenos,
podemos escrever as seguintes expressões para estes ângulos, em radianos:
a = s/p ; /3 = s/r; 7 = s/p’ (2.31)
Substituindo (2.31) na relação (2.30), encontramos:

n2 - n>
(232)
P P’

A equação (2.32) é parecida com a equação dos pontos conjugados dos espelhos es­
féricos. Esta relação vale apenas para objetos muito pequenos situados sobre o eixo de
simetria do dióptrico esférico considerado. Esta é a equação apropriada para os dióp-
lricos esféricos nas condições de validade da aproximação de Gauss mencionada ante­
riormente. O leitor deve tomar cuidado quando aplicar a equação (2.32) em outras si­
tuações diferentes das acima especificadas; vocc poderá utilizar as convenções de si­
nais adotadas no estudo dos espelhos esféricos. Observe que a relação (2.32), com os
sinais positivos dep ep\ só vale quando n2 for maior do que c quando os raios do
objeto real Psão provenientes do meio 1. Note que a equação do dióptricoplano (2.25)
pode ser encarada como um caso particular da equação (2.32), uma vez que um plano
pode ser considerado como uma superfície esférica de raio r infinito.

2.7 Lentes delgadas


Denomina-se (ente qualquer dispositivo formado por um material transparente por
duas ou mais superfícies que separam este material de um outro meio transparente. Nu­
ma lente grossa o material da lente possui grande espessura em comparação com a lar­
gura e a altura da lente. Quando esta espessura for pequena em comparação com as ou­
tras dimensões da lente, dizemos que se trata de uma lente delgada. Os principais tipos
de lentes delgadas são as lentes esféricas e as lentes cilíndricas. A seguir analisaremos
somente as lentes esféricas.
Os principais elementos geométricos de uma lente esférica são indicados na Fig. 2.63.
As duas faces são superfícies esféricas (calotas esféricas); o centro C\ da superfície es­
férica de raio R\ se encontra do lado direito da lente (lado direito da Fig. 2.63); o cen­
tro Ci da superfície esférica de raio R2 se encontra do lado esquerdo da Fig. 2.63. O ei­
xo ótico da lente, também chamado eixo principal da lente, é dado pelo eixo de sime­
tria que liga o centro C| com o centro C2. Os vértices V\ e K2 da lente são os pontos de
interseção entre as faces da lente e o eixo de simetria da lente. A espessura da lente é
a distância entre V\ e k2. O material da lente possui índice de refração n2 e a lente está
imersa num meio transparente de índice de refração n\. Em geral, n2 = 1,5 (vidro) e
fii = 1 (ar atmosférico).

113
Fig. 2.63 Elementos geométricos de uma lente delgada esférica.

Suponha que um feixe colimado incida paralelamente ao eixo ótico de uma lente es­
férica. Depois que o feixe atravessa a lente, duas coisas podem ocorrer; ou ele torna-se
convergente ou ele se torna divergente. As lentes que produzem a convergência de um
feixe colimado denomina-se lentes convergentes. Uma lente divergente é aquela que pro­
duz a divergência de um feixe colimado que incide na direção do eixo ótico da lente.
A chamada lente de bordas delgadas c aquela cuja periferia é mais fina do que sua par­
te central. No caso de uma lente de bordas grossas ocorre o contrário: a periferia da
lente c mais grossa do que a parte central da lente (situada entre os vértices da lente).
Toda lente de bordas delgadas c convergente quando zz2 é maior do que nt; contu­
do, quando n2 for menor do que nt, esta mesma lente torna-se divergente. Toda lente
de bordas grossas é divergente quando n2 é maior do que z?i; contudo, quando n2 for
menor do que /i(, esta mesma lente torna-se convergente. Na Fig. 2.64 fornecemos um
exemplo de lente de bordas delgadas (a) e um exemplo de lente de bordas grossas 0).
Na Fig. 2.64 estamos supondo que as lentes (a) e (/?) estejam imersas no ar atmosférico.

n\ ni>n\
ri\

Eixo ótico

n2>ni rii
n2
(a) (l>)
Fig. 2.64 (a) Exemplo de lente de bordas delgadas, (b) Exemplo de lente de bordas grossas. Tan­
to no caso (a) como no caso (b) estamos supondo n2 maior do que nf, isto é, as lentes estão imer­
sas no ar.

114
Sc estas mesmas lentes estivessem imersas num meio cujo índice de refração n\ fosse
maior do que o índice de refração do material das lentes, a lente (a) seria divergente
e a lente (d) seria convergente.
Por simplicidade, costuma-se fazer uma representação esquemática de uma lente del­
gada por meio de segmentos de retas verticais. Para representar simbolicamente uma
lente convergente usamos um segmento dc reta vertical com duas setas apontando pa­
ra fora do centro O da lente, conforme indicado na parte (cr) da Fig. 2.65. Uma lente
divergente é representada simbolicamente por um segmento vertical com duas setas
apontando para dentro do centro O da lente, conforme indicado na parte (6) da Fig.
2.65. O centro ótico O de uma lente é o ponto central tal que não produz desvio do raio
luminoso que passa pelo referido centro.

(+) (-)

o o

CONVERGENTE DIVERGENTE
Fig. 2.65 Representação simbólica das lentes.

Tipos de lentes delgadas


Na Fig. 2.66 indicamos os principais tipos dc lentes delgadas esféricas. As lentes (1),
(2) e (3) são lentes de bordas delgadas e funcionam como lentes convergentes (quando
estão imersas no ar). As lentes (4), (5) e (6) são lentes de bordas grossas e funcionam
normalmcnte como lentes divergentes (quando estão imersas no ar). Estas lentes são
conhecidas pelos seguintes nomes: (1) biconvexa, (2)plano-convexa, (3) côncava-con-
vexa, (4) bicôncava, (5)plano-cõncava, (fi) convexo-côncava. A lente (3) também é co­
nhecida como menisco convergente e a lente (6) é algumas chamada de menisco diver­
gente.
Foco real e foco virtual
Nas lentes convergentes os focos são reais, conforme indicado na Fig. 2.67. Na par­
te (fl) da Fig. 2.67 indicamos a localização dos dois focos reais de uma. lente convergen­
te. Na parte (b) da Fig. 2.67 mostramos que os focos virtuais F e F* são formados pelos
prolongamentos dos raios luminosos indicados. A distânciafocalfde uma lente é a dis­
tância entre o centro O e o foco A’(ou F*) da lente considerada. A distânciafocal de uma
lente convergente c positiva, ao passo que, para uma lente divergente, pela convenção
dc sinais,/possui valor negativo.

115
(1)

LENTES CONVERGENTES LENTES DIVERGENTES


Fig. 2.66. Principais tipos de lentes delgadas.

7/////Z 7/////;/
Foco virtual
Foco real F
F 0 F’ F’ 0
Foco real Foco virtual
rmTTTi wrrrn
w
Fig. 2.67 Focos principais de uma lente delgada: (a) focos reais de uma lente con vergen-
le, (b) focos virtuais de uma lente divergente.

Plano focal
Os focos principais FeF’ são osfocos obtidos quando um feixe colimado incide pa-
ralelamenteaoeixoprác/prr/da lente considerada. Na Fig. 2.67 FeF’ representam fo­
cos principais reais (no caso de uma lente convergente) e focos principais virtuais (no
caso dc uma lente divergente). Quando um feixe colimado incide obliquamente em re­
lação ao eixo principal, ou melhor, quando o feixe colimado incide paralclamente a um

116
eixo secundário (ES), forma-se um foco secundário, conforme indicado na Fig. 2.68.
O foco secundário F, indicado na Fig. 2.68 c um foco secundário real porque a lente
considerada nesta ilustração é uma lente convergente. O foco secundário virtual se forma
quando o feixe colimado incide obliquamente em relação ao eixo ótico de uma lente
divergente. Denomina-se plano focalQpXano formado pelo foco principal F’ (ou o fo­
co principal F) e todos os focos secundários do mesmo lado considerado, conforme in­
dicado na Fig. 2.68. O plano focal (PF) indicado na Fig. 2.68 é um plano focal real.

I PF (Plano focal)

O 4j Eixo principal

Foco secundário
, Eixo secundário

F'i ES

Fig. 2.68. Ilustração para definir o foco secundário e o plano focal de uma lente con­
vergente.

Sistema afocal
Denomina-se sistema afocal um conjunto dc lentes utilizado para reduzir ou para au­
mentar o diâmetro de um feixe colimado que incide sobre o sistema ótico considerado. Um
sistema é con vergente quando um feixe colimado se transforma num feixe divergente, de­
pois de atravessar o sistema. O sistema ótico é divergente quando ele produz divergência
numfeixe colimado que incide sobre o sistema. O sistema afocal não produz con vergência
nem divergência-, quando um feixe colimado incide sobre um sistema afocal, ele emerge
do sistema na mesma direção do feixe incidente.
Para obter um sistema afocal é necessário associar duas lentes convergentes ou, ainda
uma lente convergente com uma lente divergente. Na Fig. 2.69 mostramos um sistema afocal
constituído por duas lentes convergentes; na Fig. 2.70 indicamos um sistema afocal obti­
do associando-sc uma lente convergente com uma lente divergente.
No sistema afocal indicado na Fig. 2.69 o foco imagem da primeira lente (1) coincide
com o foco principal da segunda lente (2). A distância d entre as duas lentes é dada por:
d = f\ + f2
ondc/i c a distância focal da primeira lente c/j é a distância focal da segunda lente. Seja
n o raio de um feixe cilíndrico colimado que incide paralelamente ao eixo principal da pri-

117
(I) d (2)

r>
d-f, -if
Í2
A

Fig. 2.69 Sistema afocal constituído pela associação de duas lentes convergentes.

ft
r<

fi

(D (2)
■4-

Fig. 2.70 Sistema afocal constituído peta associação de uma lente convergente
com uma lente divergente.

meira lente (I). Seja r. o raio do feixe cilíndrico que emerge paralclamcnlc ao feixe inci­
dente. Observando os triângulos retângulos semelhantes adjacentes às lentes (1) c (2) veri­
ficamos que:
r\/ri = f\/ft
Na Fig. 2.70 ilustramos um sistemaafocalconstituído pela associação de unia lente con­
vergente com uma lente divergente. A distância d entre as duas lentes é dada por:
d - /, - /e

118
onde/ é a distância focal da lente convergente (1) c/? c o módulo da distância focal da
lente divergente.
Examinando a Fig. 2.70 c fácil verificar que a razão entre o raio n do feixe colimado
incidente e o raio o do feixe colimado emergente é dada por:
ri/r2 = f/f2

Vergência ou potência
A vergência, convergência ou potência de uma lente é o inverso da distância focal
da lente considerada. Quando a distância focal /da lente é medida em metro (m), a ver­
gência da lente é dada em dioplriu (di). A vergência ou potência de um sistema ótico
cuja distância focal é f c dada por:

v = 1//

A vergênia v de uma lente convergente c positiva, ao passo que a vergência v de uma


lente divergente é negativa. Podemos dizer que a vergência de um sistemafocal é igual
a zero. A vergência ou potência da lente, quando c dada cm dioptrias, define o chama­
do grau da lente. A palavra ‘'grau' ’ é um termo mais popular, ao passo que a palavra
“vergência" c mais científica. Quando vocc ouvir falar, por exemplo, que o grau de
um óculos é igual a + 2 di, significa dizer que a vergência é dada por v = + 2 di, ou
seja, a distância focal da lente considerada vale / = 0,5 m = 50 cm.
Construção geométrica das imagens
Para obter as imagens f ornecidas por tentes delgadas adotamos um procedimento
análogo ao procedimento utilizado no estudo da construção das imagens em espelhos
esféricos. A seguir estudaremos as situações mais encontradas nas aplicações práticas
das lentes delgadas.
Na Fig. 2.71 ilustramos o procedimento adotado para se obter a imagem de um ob­
jeto real AB situado a uma distânciap maior do que a distância focal/da lente. O pro­
cedimento geral, neste caso e nos demais casos que serão analisados, é o seguinte. Tra­
çamos, a partir da extremidade superior A do objeto dois raios. O primeiro raio épara­
lelo ao eixo ótico da lente; conforme sabemos, todo raio que incide paralelamente ao
eixo ótico de uma lente, deve convergir (ou divergir) para o foco da lente considerada.
Na Fig. 2.71 mostramos que se deve traçar a reta CF’ a partir do ponto C onde o raio
paralelo ao eixo ótico atinge a lente. O segundo raio deve ser traçado a partir do ponto
A c passar pelo centro O da lente. A interseção entre a reta AO e a reta CF* determina
o ponto A ' da imagem. O ponto B ’ da imagem A’B’é, obviamente, obtido traçando-se
uma vertical a partir do ponto A * até atingir o eixo ótico. A ’B’ é imagem real.
Na Fig. 2.72 mostramos o procedimento adotado para se obter a imagem virtual A’B*
formado por uma lente divergente quando um objeto real AB se encontra a uma dis­
tância BO maior do que o módulo f da distância focal virtual FO da lente divergente.

119
A C

F 0 F' 8’

FO — distância focal/
AB — Objeto Real
A’B’— Imagem Real invertida

Fig. 2.71 Construção geométrica da imagem A’B’ de um objeto real AB situado a


uma distância p maior do que a distância focalf da lente convergente.

A’

0 F
4—
B B'

AB — Objeto Real
A'B‘ — Imagem Virtual direita
BO = p
F’O =f
Fig. 2.72 Construção geométrica da imagem quando um objeto real ABse en­
contra a urna distancia p do centro O de uma lente divergente. A distânciap é
maior do que o módulo f da distância focal da lente divergente.

Note que, neste caso, a imagem virtual A ’B’é obtida pelo prolongamento dos raios lu­
minosos que emergem da lente.

120
Vejamos agora um outro caso importante nas aplicações práticas. Considere um ob­
jeto real AB situado entre o f oco Fe o centro O de uma lente convergente, conforme
indicado na Fig. 2.73. Note que, neste caso, o raio CF’ não produz nenhuma interse­
ção com o raio A O do lado direito da lente, conforme o caso indicado na Fig. 2.71. Por­
tanto, neste caso, é necessário que você prolongue os raios AO e F'C para o lado es­
querdo da lente até obter a interseção A 'indicada na Fig. 2.73. Observe que a imagem
obtida A ’B’ é virtual, direita e maior do que o objeto AB.

-+-
li’ F

Fig. 2.73 Formação da imagem quando um objeto real AB se encontra entre o foco Fe o
centro O de uma tente convergente.

Fórmula dos fabricantes de lentes (equação de Halley)


Afórmula dos fabricantes de lentes, conhecida também como fórmula de Halley é
a equação apropriada para a determinação da distância focal f de uma lente delgada
em função do índice de refração do material da lente e em função dos raios de curvatu­
ra e R2 das faces esféricas das lentes. Na Fig. 2.74 indicamos os elementos geomé­
tricos necessários para deduzir a fórmula dos fabricantes de lentes. O material da lente
biconvcxa indicada na Fig. 2.74 possui índice de refração igual an.ea lente está imersa
num meio transparente cujo índice de retração vale n,; ou seja, o índice de refração do
material em relação ao meio vale zi2.i.
Um raio luminoso proveniente do ponto P atinge o ponto A, da lente convergente
indicada na Fig. 2.74 e emerge do ponto A2. O raio que emerge do ponto A2 fornece
uma imagem real P'. Seja TV um ponto virtual obtido pelo prolongamento do raio
AtA2. A imagem PI seria obtida caso a lente considerada fosse suficientemente grossa
de modo que o ponto Pt estaria no interior da lente grossa imaginada. Contudo, co­
mo a lente é delgada, o raio /h/lj sofre refração na superfície da direita da lente e con­
verge para o ponto real P'. Sendo assim, podemos considerar o ponto Pi como sendo

121
Eig. 2.74 Elementos geométricos para a dedução dafórmula dosfabricantes de tentes.

um ponto virtual que produz o ponto imagem real P’. De acordo com a fórmula dos
dióptricos esféricos (2.32), podemos escrever para o dióplrico Si queseparaa face es­
querda da lente do meio considerado:
rti + »2 n< - n,
(2.33)
P p; R.

Analogamcnle, para o dióplrico que separa a face direita da lente do meio con­
siderado, podemos escrever:

Ü2 + JZL . n2 - ”l
(234)
Pí P\ fl2

Somando membro a membro as relações (2.33) e (2.34) resulta:

= («2 - ">)
_1_
p P Pf P. R-.

Como estamos considerando uma lente delgada, os pontos K, O e PS estão muito


próximos entre si; de modo que, vale a seguinte igualdade aproximada:
p! = - P,”

O sinal negativo na igualdade anterior decorre do fato de que Pfé uma imagem real
em relação ao dióptricoSí, porém é um objeto virtual em relação aSz. Das duas equa-

122
ções anteriores, encontramos:

— = («2
P’
- «,)
R1 iJ
A relação anterior pode ser escrita na forma:

_1_ + = ^2.’ "


1 (2-35)
P «•

onde /h.i = ni/n\. O resultado (2.35) é a famosa equação dos fabricantes de lentes,
também conhecida como equação de Halley. Em geral, o meio 1 é o ar atmosférico,
ous eja /ti = 1. Sendo n o índice de refração do material, o índice de refração do ma­
terial cm relação ao meio é dado por:
«2.1 = «a/«l = «

Substituindo zz2.i na relação (2.35), chegamos a uma expressão equivalente para


equação de Halley que pode ser aplicada na maior parte das situações práticas:
1
1 1 1
(r> 1) (236)
P R:

Para um ponto objeto situado no infinito, sabemos que


P = - ;p' =f
Substituindo os valores indicados acima na equação (2.36), obtemos a forma mais
usual da equação dos fabricantes de lentes:

1 I I (237)
- - (» 1 )

123
A equação (2.37) serve para determinar a distância focalfde uma lentedelgada em
função do índice de refração do material da lente e em função dos raios de curvatura
das faces esféricas das lentes. Os fabricantes de lentes delgadas devem utilizar a equa­
ção (2.37) para determinar a distânciafocal ou a vergência de uma lente, conhecendo
os valores de n, de R\ c de R2. Reciprocamente, para fabricar uma lente delgada com
uma dada vergência v ou com uma dada distânciafocalf, c necessário (depois de saber
o valor de n do material escolhido) fazer as faces das lentes assumirem curvaturas Rt
e R2 que satisfaçam a equação (2.37).

Equação de Gauss para as lentes delgadas


Considere a construção geométrica da imagem de um objeto real A B produzida por
uma lente convergente, conforme indicado na Fig. 2.75. Sejap a distância entre o ob­
jeto ABe a lente /'indicada na Fig. 2.75. Seja P’ a distância entre a imagem 4’fi’ea
lente T. Comparando as relações (2.36) e (2.37), obtemos:
i 1
— 4- --- = -
T (2.38)
P P‘ f

A relação (2.38) é conhecida como equação de Gausspara as lentes delgadas. Note


a semelhança entre a relação (2.38) c a equação (2.24) deduzida para o estudo dos espe­
lhos esféricos. A equação 2.38 é também conhecida pelo nome de equação dos pontos
conjugados.

LUZ
P T P’
A

y \

B'
B F o

Fig. 2.75 Esquema para deduzir a equação de Gauss e a fórmula da ampliação


transversal.

Para aplicar « equação dos pontos conjugados (2.38) é necessário adotar uma con­
venção de sinais, a fim de que se possa aplicar esta equação tanto para lentes conver-

124
gentes quanto para lentes divergentes. Na parte superior da Fig. 2.75 aproveitamos o
eixo vertical que simboliza a lente convergente indicada nesta ilustração para explicar
a convenção de sinais. A partir de um ponto O do eixo da lente traçamos dois eixos ho­
rizontais Op e Op\ orientados conforme indicado na parte superior da Fig. 2.75. As
principais convenções de sinais são as seguintes:
— Se a lente é convergente, / > O.
— Se a lente é divergente, / < O.
— O sentido positivo do eixo dosp’éo sentido de incidência de luz. p 'será positivo,
se a imagem for real, e negativo, se for virtual.

Ampliação linear transversal


Considere um objeto linear AB situado numa posição ortogonal ao eixo ótico, con­
forme ilustrado na Fig. 2.75. A ampliação linear transversal a é definida por:
a = y7y (2.39)
ondey ’é a altura da imagem ey é a altura do objeto. É conveniente utilizar na defini­
ção (2.39) uma convenção de sinais. Orientando um eixo vertical de baixo para cima,
vemos que yè positivo cy’é negativo, \im&NC7.c[\iea\raage.mA,B,éinvertida, confor­
me podemos notar na Fig. 2.75. Examinando a Fig. 2.75, vemos que o triângulo ABO
é semelhante ao triângulo A Logo,
P'P’ y/y' (2.40)

Aplicando a convenção de sinais mencionada anteriormente e levando em conta as


relações (2.39) c (2.40), podemos escrever a seguinte equação geral para definir a am­
pliação linear transversal das lentes delgadas:
a = — p7p (2.41)
A fórmula (2.41) e a equação (2.39) podem ser usadas para o cálculo da ampliação
transversal de uma lente delgada. Tanto na forma (2.39) quanto na forma (2.41) é ne­
cessário levar em conta a convenção de sinais mencionada anteriormente. A amplia­
ção transversal pode ser positiva ou negativa. Quando a ampliação é negativa, a ima­
gem ocupa uma posição invertida em relação ao objeto', como exemplo, considere a for­
mação da imagem indicada na Fig. 2.75. Um exemplo dc ampliação positiva é dado na
Fig. 2.73. Quando a imagem não éinvertida em relação ao objeto, dizemos que a am­
pliação é positiva. Quando a ampliação a possui módulo maior do que um, dizemos
que ocorre uma “ampliação” ou “aumento” da imagem em relação ao objeto; isto é,
a > I, implica numa imagem maior do que o objeto. Quando o módulo de a for me­
nor do que um, concluímos que a imagem é menor do que o objeto.

Exemplo 2.12 A fortna gaussiana da equação dos pontos conjugados é expressa atra­
vés da equação (2.38). Em vez de escrever as distâncias pep'é possível também represen­
tar a equação (2.38) em função de x e de x‘, onde x é a distância entre o objeto c o foco

125
mais próximo do objeto c x‘ c a distância entre a imagem e o foco mais próximo da ima­
gem. A fórmula resultante é conhecida como equação de Newton. Partindo da equação
de Gauss deduza a equação de Newton.
Solução. Da Fig. 2.76 verificamos que:

P = f + x; p’ = f l x*

Fig. 2.76 Esquema para a dedução da Equação de Newton.

Substit uindopep' na equação (2.38) c transformando algcbricamcnte o resultado, en­


contramos a equação de Newton:

XX' = f I

Exemplo 2. 13 Um objeto de 2 cm de altura é colocado a 5 cm dc uma lente convergente


de 10 cm dc distância focal. Determinaremos a posição c o tamanho da imagem e ainda
esboçaremos a sua construção.
Solução. Dados do exercício:

p = 5 cm
f = 10 cm
y = 2 cm

Desejam-se: p* ey’
A Equação de Gauss fornece:
1 1
10 5 P'

p' - - 10 cm j
O sinal negativo indica imagem virtual.

X _
2
-10 n
- 10
— —-------- j» =4 cm ã
O sinal positivo indica imagem direita cm relação ao objeto.
A construção geométrica da imagem é esboçada na Fig. 2.77

126
I

-Ò-
F c

Fig. 2.77 Esboço para a solução do Exemplo 2.13.

Exemplo 2.14 Determine a condição para que a distância objetop seja igual à distância
imagem p‘. Faça um esboço da construção geométrica da imagem.
Solução. Fazendo p = p’ na Equação de Gauss (2.38), vem:
11112
f P P f P

Donde se conclui que


\p = A
Porém, como p — p\ resulta: p’ = 2/. A lente só pode ser convergente, uma vez que
a distância focal é positiva-, sendo assim, o esboço da construção geométrica da imagem
pode ser feito facilmente, conforme ilustrado na Fig. 2.78.

y
A’
A F C F\ T/7
f—P = V-^-p’ = 2/

Fig. 2.78 Esboço da situação descrita na solu­


ção do Exemplo 2.14.

Note quey = — y’, ou seja, a ampliação a possui módulo igual a um (a imagem possui
o mesmo tamanho do objeto). Contudo, como a - - 1, concluímos que a imagem é inveni-
da. Quando ocorre a igualdade mencionada neste exercício, isto é, quando p = p\ dizemos
que a imagem e o objeto ocupam pontos antiprincipais.
Exemplo 2.15 Convenção de sinais para afórmula dosfabricantes de lentes. A fórmu­
la dos fabricantes de lentes ou fórmula de Halleysõ pode ser usada na forma (2.37) se você
obedecer a convenção de sinais embutida na dedução da relação (2.37). Como Rt co raio
da/hee esquerda da lente e R? é o raio da face direita da lente, para você aplicar a relação
(2.37) é necessário adotar a seguinte convenção de sinais', se a superfície da face considcra-

127
da for convexa, em relação ao sentido de incidência do raio luminoso, você deve usar um
sinal negativo para o respectivo raio dc curvatura. Se a superfície da face considerada for
côncava, você deve adotar um sina!positivo. Para você gravar esta convenção de sinais
resolva os seguintes exemplos, dizendo se a lente é convergente ou divergente e escrevendo
explicitamente a fórmula de Halley para cada caso: (a) uma lente biconvexa, (d) uma lente
do tipo menisco com a face convexa do lado da incidência da luz, (c) uma lente plano-con-
vexa com a face plana do lado da incidência da luz.
Solução, (a) Na Fig. 2.79 esboçamos as posições dos raios de curvatura das lentes men­
cionadas neste exercício. No caso de uma lente biconvexa, a face da esquerda será sempre
convexa (em relação à direção de incidência do raio luminoso), logo, o sinal adotado para
R\ na fórmula (2.37) é negativo. A face da direita da lente biconvexa será sempre cônca­
va (em relação ao sentido do raio incidente), logo, pela convenção de sinais, o sinal de R2
épositivo. Portanto, no caso particular dc uma lente biconvexa, a equação (2.37) assume
a forma:

y = (n - 1) 2
7?2 Ri

ou seja, pela fórmula anterior concluímos que a lente biconvexa é sempre convergente (dis­
tância focal/sempre positi va).

z?,<o «,<o /?l a= iafíniio

LUZ tf,

c2 c2
^"^2

r2< o /?2>O

M (*) (O
Fig. 2.79 Esquema para a aplicação da convenção de sinais dafórmula dosfabricantes de
lentes.
(b) Na parte (b) da Fig. 2.79 vemos facilmente que, pela convenção de sinais, R\ é ne­
gativo e R2 também é negativo, para o menisco considerado. Logo, a fórmula (2.37) as­
sume a forma:

_1_ _1_
y = (« - 1) (1)
Ri Rz

128
Neste caso, se Rz for maior do que R\,fè positivo e o menisco é convergente. Supo­
nha que vocc troque a lente de lado, em relação ao raio incidente, neste caso, pela conven­
ção de sinais, leriamos Ri positivo e Rz positivo-, logo, a relação (2.37) se escreve na for­
ma:

7-'"- ■>&-á (II)

Embora o sinal de/dado pela relação (H) seja aparentemente contrário ao sinal de/
dado pela equação (I), verificamos que, para o mesmo menisco não ocorre troca de sinal,
uma vez que, quando trocamos os lados da lente, R\ passa a ser Rz e Rz passa a ser Ri, em
módulo, respeitando a convenção de sinais. De modo que o menisco da parte (ò) da Fig.
2.79 é sempre convergente, quer ele esteja na posição descrita pela fórmula (I), quer ele
esteja na posição descrita pela fórmula (II). O leitor deve consultar novamente a Fig. 2.66
na qual mostramos dois tipos diferentes de meniscos. Na Fig. 2.66 classificamos as lentes
côncavo-con vexas como lentes convergentes e as lentes convexo-côncavas como divergentes.
Utilize, como exercício, a convenção de sinais e a fórmula (2.37) para provar que a lente
(3) da Fig. 2.66 é realmentc convergente (na posição indicada na Fig. 2.66); verifique tam­
bém que a lente (6) da Fig. 2.66 é uma lente divergente (na posição indicada na Fig. 2.66,
quando a luz incide da esquerda para a direita). Sugestão: utilize a relação (II) deste exer­
cício para fazer a demonstração pedida. Verifique na Fig. 2.66 que R\ possui módulo
maior do que Rz para o caso da lente (3) e que, no caso da lente (6), ocorre o contrário (/?i
possui módulo menor do que Rz)- Daí resulta que: (a) todo menisco de bordas delgadas
éconvergente e(b) todo menisco de bordas grossas édivergente. É claro que estamos con­
siderando o meio exterior com n = 1.
(c) Para a lente da parte (c) da Fig. 2.79 vemos que:
R\ = infinito e Rz = R (positivo)
Portanto, a relação (2.37) assume a forma:

— = (n - V)/R
f
Como n é maior do que 1, concluímos que a distância focal é positiva, ou seja, a lente
plano-convexaé uma lente convergente. Se vocc trocar a lente de lado (cm relação ao feixe
incidente), a face da esquerda (voltada para a luz) passa a ser convexa (em vez de côncava
como na parte (c) da Fig. 2.79), de modo que, nesta nova posição, temos: Ri = — R e Rz
= infinito: substituindo estes valores na equação (2.37) obtemos o mesmo resultado indi­
cado na fórmula anterior, ou seja, toda lenteplano-convexa ésempre convergente, na hi­
pótese do meio exterior possuir índice de refração menor do que o índice de refração do
material da lente.
Exemplo 2.16 Associação de lentes (caso geral). Mostre como se obtem a distância fo­
cal de uma lente equivalente a uma associação de duas lentes com distâncias focais f\ e fz.

129
Denomina-se/ente et/u/va/e/íte uma lente cuja distância focal /seja tal que a imagem pro­
duzida pela lente equivalente seja exatamente igual à imagem produzida pelo conjunto das
lentes do sistema. Cohsiderc dois casos: (a) a distância l entre as duas lentes não c menor
do que a menor distância focal das duas lentes, (6) a distância t entre as duas lentes c me­
nor ào que a menor distância focal das lentes do conjunto (neste caso t é, simultaneamen­
te, menor do que f\ e menor do que/?).
Solução, (tf) Neste caso, não existe nenhuma fórmula gera! para resolver todas as si­
tuações. A regra geral para resolver qualquer problema de associação de duas lentes c a
seguinte. Você deve construir a primeira imagem do objeto considerado, levando em con­
ta somente a primeira lentedo conjunto (ignorando as demais lentes). Caso a segunda len­
te do conjunto esteja situada num ponto que não intercepta os raios que formam a ima­
gem da primeira lente, dizemos que esta imagem constitui um objeto real da segunda len­
te. Neste caso, para completar a construção geométrica, basta construir a imagem deste
objeto real levando em conta somente a segunda lente para obter a imagem final resultan­
te. Portanto, para que a imagem fornecida pela primeira lente seja real é necessário que
a distância t entre as lentes seja maior do que a distância focal da primeira lente. Como
este caso não possui solução geral não podemos apresentar casos especiais aqui; acredita­
mos que o leitor já tenha compreendido o método geral e que será capaz de resolver pro­
blemas específicos relativos ao caso (o). Contudo, quando a distância t entre as lentes for
menor do que a menor distância focal das duas lentes, fica garantido que os raios que de­
veríam formar a primeira imagem da primeira lente são interceptados pela segunda lente,
donde se conclui que esta primeira imagem funciona como um objeto virtual para a se­
gunda lente. Este caso possui uma solução gera! que será apresentada no item (d).

!h
P

l P’ l
l
I
l
l I
I
1 I
I
I
I
I I
i l
i I
f i
I I
t f - t ■X
k*-
I l
H*-

Fig. 2.80 Ilustração para a determinação da distância focal da lente equivalente a


uma associação de duas lentes convergentes.

130
(A) Quando a distância t entre as lentes é menor do que a menor distância focal das duas
lentes, a primeira imagem do objeto considerado se forma depois da segunda lente (lem­
bre que estamos considerando lentes convergentes, uma vez que/i e/z são positivos). Neste
caso, os raios que dão origem à primeira imagem da primeira lente sâo interceptados pela
segunda lente, conforme indicado na Fig. 2.80. Vamos considerar somente casos em que
o objeto esteja situado entre o foco e o infinito (para a primeira lente).
Suponha que um objeto esteja no infinito e considere um meio incidindo paralelamen­
te ao eixo ótico do sistema, conforme indicado na Fig. 2.80. A primeira lente produz uma
imagem virtual no ponto P. A imagem final obtida pelo sistema se encontra no ponto P*.
Podemos, portanto, supor que a imagem real P* seja produzida por um objeto virtual P
que, através da ação da segunda lente produz uma imagem real P Examinando os triân­
gulos retângulos semelhantes na Fig. 2.80, podemos escrever:

h< = /■
(1)
Az f\ — l

Seja / a distância entre a imagem P’c a segunda lente. Utilizando as propriedades dos
triângulos semelhantes, temos:

(2)
/>2 <

Das relações (l)e (2), resulta:

(3)
i f, -I

O pomo P é um objeto virtual para a segunda lente e P’ é a imagem formada pela se­
gunda lente. Logo, pela relação (2.38), vem:
1 1 1
-(/i - /) h
Portanto:
1 1
(4)
h f- t
Dividindo membro a membro a relação (4) pela relação (3), obtemos:

_1_ + -L_
h -1
f /i

/■ -i

131
Multiplicando o numerador e o denominador da relação anterior por f — t, obtemos:

2 - t j
f
ou seja.
2 2. _1_
(5)
/ /i fi fji

A equação (5) serve para calcular a distância focal da lente equivalente em função de
/1./2 e t.

Exemplo 2.17 Associação de lentesjustapostas. Obtenha uma fórmula apropriada pa­


ra a determinação da vergência ou da distânciafocal de uma lente equivalente a um con­
junto de lentes justapostas.
Solução. Para obter a fórmula da distância focal da lente equivalente no caso da asso­
ciação de lentes em contato, basta fazer t = O na equação (5) que fornece afórmula gera!
para associação de lentes nas condições do Exemplo 2.17. Logo,
1 1
— = — 4- —
1
(D
f /1 fi

A relação (1) fornece a distânciafoca!/da lente equivalente. É claro que a lente equiva­
lente, neste caso, deve ocupar o local ocupado pelas duas lentes em contato. Contudo, a
localização da lente equivalente mencionada na parle (d) do Exemplo 2.16 pode ser deter­
minada seguindo o esquema indicado na Fig. 2.80. Em termos da vergência da lente equi­
valente, a questão (1) pode ser escrita na seguinte forma:
I V = Vl + V2 I (2)
onde vj c a vergência da lente cuja distância focal é f\ (vj = 1//|) e v> é a vergência da len­
te cuja distância focal é/z (vz = I//2).

Observações: (a) As fórmulas (1) e (2) foram deduzidas na parte (d) do Exemplo 2.16
\iú\Í7^ndo-sc lentesconvergentes, conforme a ilustração da Fig. 2.80. Contudo, é fácil provar
que estas fórmulas também valem para qualquer conjunto de lentes delgadas justapostas.
Entretanto, ao aplicar a relação (1) ou a relação (2), você deve adotar a convenção de si­
nais, lembrando que para uma lente divergente você deve adotar um sinal negativo para
a distância foca! e para a vergência da respectiva lente divergente, (d) As fórmulas (1) e
(2) podem ser generalizadas para um número N qualquer de lentes delgadas em contato.
Por indução, concluímos que:

v- E v.
f A
onde a soma indicada acima deve ser estendida desde z = 1 até z = N.

132
Aberrações das lentes
Quando os raios provenientes de um dado ponto de um objeto não produzem um úni­
co ponto na imagem, dizemos que a imagem apresenta deformações’, neste caso, o sistema
ótico considerado exibe aberrações. Os espelhos esféricos e as tentes esféricas são os prin­
cipais dispositivos que apresentam aberrações. Já afirmamos anteriormente que os espe­
lhos esféricos exibem aberrações de esfericidade para os raios que não são paraxiais. Nes­
ta Seção estudaremos as principais aberrações das lentes esféricas.
Podemos classificar as aberrações das lentes em dois grupos: as aberrações geométri­
cas e as aberrações cromáticas. Conforme veremos mais adiante, as aberrações cromáti­
cas das lentes são causadas pelo fenômeno da dispersão da luz que se refrata no interior
da lente. Como num espelho não ocorre refração e, como no fenômeno da reflexão não
existe dispersão da luz, concluímos que espelhos não apresentam aberrações cromáticas.
Contudo, os espelhos esféricos e as lentes esféricas apresentam aberrações geométricas muito
semelhantes.
Os principais tipos de aberrações geométricas das lentes são os seguintes: (o) a aberra­
ção de esfericidade, (Z?) a coma, (c) o astigmatismo, {d) a distorção.
(fl) Aberração de esfericidade. Ocorre aberração de esfericidade ou aberração esférica
para os raios abaxiais. Na Fig. 2.81 mostramos que os raiosparaxiais (p) que incidem pa­
ralelamente ao eixo ótico de uma lente convergente são focalizados para o foco principal
Fda lente. Note que os raios abaxiais (a) convergem para outro foco F'situado atrás do
foco principal F.

Fig. 2.81/4 aberração esférica de uma lente é causada pelo fato dos raios paraxiais conver­
girem para um foco F diferente do foco F‘ produzido pelos raios abaxiais.

(ô) Coma. Um pequeno objeto colocado fora do eixo principal de uma lente, produz
um tipo de aberração geométrica conhecido pelo nome de coma. A coma se deve ao fato
de que a lente produz ampliações diferentes ao longo das três dimensões principais do ob­
jeto (comprimento, largura c altura). Neste caso, a imagem se torna alongada como se fosse
um cometa. Por esta razão, esta aberração é denominada de "coma" (que significa "ca­
beleira").
(c) Astigmatismo. O astigmatismo não deve ser confundido com o defeito da visão de
mesmo nome (ver a Seção 2.8). A palavra astigmatismo já foi empregada anteriormente
neste Livro para designar a propriedade de um sistema ótico que não é estigmático. No
sentido geral, portanto, todo sistema ótico que apresenta qualquer tipo de deformação da
imagem pode ser chamado de sistema astigmático. Aqui, no entanto, estamos chamando

133
de astigmatismo um tipo de aberração geométrica que será descrito a seguir. Do mesmo
modo que a coma, o astigmatismo deforma os pontos situados fora do eixo ótico da lente.
A diferença essencial entre o astigmatismo e a coma c que o astigmatismo produz um es-
palhamento da imagem ao longo do eixo principal, ao passo que a coma produz um espa-
Ihamento da imagem ao longo de um plano ortogonal ao eixo ótico.
(d) Distorção. O astigmatismo, a coma e a aberração de esfericidade são aberrações geo-
métricas caracterizadas pela impossibilidade da lente formar imagenspontuais de objetos
pontuais. Ou seja, as imagens ficam deformadas porque surgem diversos pontos na ima­
gem para cada respectivo ponto do objeto. Contudo, na distorção a deformação da ima­
gem não é produzida pela multiplicação dos pontos da imagem. A distorção não resulta
da falta de nitidez da imagem; a distorção é causada pela diferença de ampliação entre a
região central da lente e sua região periférica.
Aberrações cromáticas. A.fórmula dosfabricantes de tentes (2.37) indica claramente
que a distância focal f de uma lente delgada depende do índice de refração n do material
da lente. Ora, já sabemos que, devido ao fenômeno da dispersão da luz, ocorre sempre
variação do índice de refração de um material cm função do comprimento de onda da luz
que peneira no material. Dai, concluímos que toda vez que um feixe de luz branca incidir
sobre uma lente ocorrerá um espalhamento dos pontosfocais era torno do foco principal
da lente, de modo semelhante ao desdobramento mostrado na Fig. 2.81 (que foi usada pa­
ra explicar a aberração da esfericidade). A diferença essencial entre a aberração de esferi-
cidade e a aberração cromática é que a aberração de esfericidade não ocorre para os raios
paraxiais, ao passo que as aberrações cromáticas ocorrem parafeixes policromáticos que
incidem em qualquer região da lente, inclusive para um feixe estreito paraxial. As aberra­
ções cromáticas podem ser corrigidas mediante um dispositivo denominado lente acrotná-
lica. A lente acromática mais simples é constituída pela justaposição de uma lente conver­
gente com uma lente divergente.
Outros tipos de lentes
Consideramos até agora somente lentes esféricas delgadas. Entretanto, cm alguns ca­
sos especiais utilizam-se outros tipos de lentes cujas faces não são esféricas. As lentes que
não são esféricas recebem o nome genérico de lentes anesféricas. A seguir veremos algu­
mas características das principais lentes anesféricas usadas cm aplicações especiais.
Lentes cilíndricas. Conforme veremos na Seção 2.8, para corrigir o astigmatismo (de­
feito do olho que impede a visão nítida de um conjunto de retas paralelas), é necessário
utilizar lentes cilíndricas. O foco real de uma lente cilíndrica convergente é um segmento
de reta paralela ao eixo de simetria do cilindro, istoé, um objeto luminoso situado no infi­
nito produz uma imagem retilínea (em vez dc uma imagem focal pontual, como no caso
de uma lente esférica). Em vista da produção dc um foco linear, as lentes cilíndricas po­
dem ser utilizadas para o aproveitamento da energia solar (ver o Apêndice A).
Lentes de Fresnel. O esquema básico de uma lente de Fresnel é ilustrado na Fig. 2.82.
Normalmente as lentes de Fresnel possuem a parte central esférica ou cilíndrica. Contu­
do, para o aproveitamento da energia solar é mais conveniente uma simetria cilíndrica,
conforme dissemos no parágrafo anterior.
O princípio de funcionamento de uma lente de Fresnel é indicado na Fig. 2.82. O lado
inferior de uma lente de Fresnel é um plano contínuo; contudo, a face superior não é uma
superfície cilíndrica nem uma superfície esférica contínua; somente a parte central da len­
te é cilíndrica e as partes laterais são planos cm forma de “dente dc serra”. No esquema
da Fig. 2.82 indicamos dois raios refratados que se dirigem para o foco da lente; os ângu­
los entre dois dentes sucessivos dependem das dimensões da lente c podem ser calculados

134
mediante aplicação da lei de Snell nas diversas partes da lente. Normalmente, as lentes de
Fresnel são cilíndricas. Ou seja, para visualizar a lente basta fazer uma translação da Fig.
2.82 pcrpcndicularmcnte ao plano da página. Nesta gravura indicamos apenas a metade
da lente; como existe simetria em relação ao eixo central da lente, o lado esquerdo da lente
é idêntico ao lado direito (indicado no esquema da Fig. 2.82).
Radiação solar

Eixo de simetria
Fig. 2.82 Lente de Fresnel com simetria cilíndrica utilizada para a concentra­
ção Unear dos raios solares (para o aproveitamento térmico da energia solar).

Lente em forma de placa. Um dos desenvolvimentos modernos cm matéria dc fabrica­


ção de lentes, consiste numa lente achatada que é obtida mediante a utilização de uma lâ­
mina de plástico. Este tipo dc lente é baseado no fenômeno da interferência que produz
zonas circulares claras e escuras denominadas zonas de Fresnel. Por esta razão, este tipo
de lente c conhecido na Literatura como “placa zonal de Fresnel". No Capítulo 3, quan­
do analisarmos a interferência da luz, mostraremos como se forma a difração de Fresnel.

2.8 O olho humano e a máquina fotográfica


Em toda observação ótica, com ou sem instrumentos óticos, o papel fundamental é de­
sempenhado pelo olho humano, um dos órgãos mais extraordinários aperfeiçoados pela
Natureza nestes 3 bilhões de anos (contados a partir do aparecimento das primeiras for­
mas dc vida na Terra). A máquina fotográfica pode ser considerada como um aparelho
dc ótica destinado a reproduzir graficamente imagens percebidas pelo olho. Em virtude
de certas analogias existentes entre o olho e a máquinafotográfica, faremos nesta Seção
um est udo sobre estes dois sistemas óticos. Na próxima Seção descreveremos os principais
instrumentos de ótica mais utilizados na prática.

O olho e a visão
O olho humano é um sistema constituído por um conjunto de meios transparentes deli­
mitados por superfícies praticamente esféricas, centralizadas sobre um mesmo eixo de si­
metria ou eixo ótico. O homem possui dois olhos centralizados em duas cavidades esféri­
cas simétricas situadas na cabeça. O diâmetero médio da cavidade ocular é da ordem de
24 mm. As dimensões aproximadas de um olho humano normal são indicadas na Fig. 2.83.
A lente delgada representada na Fig. 2.83 é o cristalino, cujo centro se encontra a cerca

135
17 mm
F’

iI 6 mm
\p
Fig. 2.83 Dimensões aproximadas de um olho hu­
mano médio.

de 6 mm da parte mais externa do olho (lado frontal). A parte mais interna do olho se en­
contra no lado temporal do crâneo. Um pouco abaixo do eixo ótico do olho c próximo do
lado temporal se encontra o nervo ótico que transmite ao cérebro os impulsos elétricos oriun­
dos da imagem real que se forma sobre a retina.
Na Fig. 2.84 indicamos o mesmo corte transversal do olho mostrado na Fig. 2.83. Na
Fig. 2.83 mostramos apenas algumas dimensões do olho, ao passo que a Fig. 2.84 indica­
mos os principais componentes do olho humano. A parte frontal do olho é ligeiramente
proeminente, sendo coberta por uma membrana dura e transparente denominada córnea.
A região posterior à córnea contém um líquido transparente denominado humoraquoso.
A seguir, encontra-se o cristalino, que c uma lente delgada esférica biconvexa. O cristali­
no é preso por filamentos dos músculos ciliares. A contração dos músculos ciliares con­
trola os raios de curvatura do cristalino, produzindo uma variação da distância focal do
cristalino para podermos focalizar melhor os objetos. Atrás do cristalino encontra-se o
humor vítreo, uma substância gelatinosa transparente composta quase cxclusivamentc de
água. Em frente ao cristalino acha-se a íris, no centro da qual existe uma abertura deno­
minada pupila, pupila permite ao olho sua adaptação ao ambiente. Quando o ambiente
é fortemenle iluminado, a pupila se contrai até atingir um diâmetro mínimo da ordem de
2 mm. Num ambiente escuro, a pupila se dilata, podendo atingir um diâmetro máximo da
ordem de 8 mm.
Na parte posterior do olho, próximo do nervo ótico, existe uma grande região coberta
por uma delicada rede de nervos denominada retina. A retina é constituída por uma com­
plicada ramificação de nervos cujas extremidades livres denominam-sc cones e bastone­
tes. As outras extremidades desta rede são ligadas ao nervo ótico. Os bastonetes e os cones
são os dois tipos principais de células sensíveis existentes na retina. Estas células são extre­
mamente pequenas; o comprimento máximo das células mais compridas (os bastonetes)
é da ordem de 0,06 mm. Os cones-possuem larguras maiores do que as larguras dos basto­
netes', contudo, a largura máxima de um cone é da ordem de 0,005 mm. Na Fig. 2.85 indi­
camos o aspecto de um cone e de um bastonete. Os bastonetese os cones, juntamente com
um líquido azulado denominado púrpura visual (ou rodopsina), recebem a imagem real
produzida pelo cristalino e a transmitem para o cérebro através do nervo ótico.
Nas vizinhanças do eixo ótico do olho, na parte central da retina, existe uma ligeira de­
pressão chamada mancha amarela. No centro da mancha amarela existe uma diminuta re-

136
gião com um diâmetro da ordem de 0,25 mm denominadafóvea central, constituída prin-
cipalmenle por cones. A visão excitada na fóvea é mais nítida do que nas outras regiões
da retina. Os músculos do globo ocular movimentam continuamente o olho de modo que
a imagem do objeto focalizado seja formada na fóvea. A região denominada ponto cego
é o local onde o nervo ótico penetra na retina. No ponto cego não existem cones nem bas-
lonetcs, de modo que a imagem que se forma no ponto cego não é percebida. Devido à mo­
bilidade do olho, e por outras razões, quase nunca notamos a existência do ponto cego.
Contudo, ocasionalmente, quando olhamos para o céu, notamos uma diminuta mancha ne­
gra que se move rapidamente; esta mancha nada mais é do que uma parte da imagem do
céu que se forma sobre o ponto cego.

Fig. 2.84 Seção rela vertical do olho humano.

BASTONETE

Fig. 2.85 O cone e o bastonete são os dois tipos prin­


cipais de células sensíveis existentes na retina.

137
A percepção das cores é atribuída à sensibilidade inerente aos cones. Os animais que
não possuem cones (como o morcego, por exemplo), não percebem as cores, isto é, estes
animais percebem as cenas como se fosse um filme em preto-e-branco.
Propriedades do olho
Já mencionamos algumas propriedades do olho humano. Vamos agora estudar outras
propriedades importantes do olho humano, bem como explicar outros aspectos do meca­
nismo da visão.
Con forme dissemos no Capítulo 1 deste Livro (ver a Fig. 1.6), o olho humano percebe
toda as ondas eletromagnéticas que possuem comprimentos de onda situados entre 380 m/t
ate aproximadamente 770 m/t. Note que o comprimento de onda mais longo da cor perce­
bida pelo olho humano (cor vermelha) é aproximadamente o dobro do comprimento de
onda da cor violeta (que está no limite inferior indicado acima). A sensibilidade máxima
do olho humano corresponde a um comprimento de onda da ordem de 555 m/t (cor verde).
O máximo de intensidade da radiação solar também corresponde a este comprimento de
onda, indicando claramente a influência da luz solar sobre & sensibilidade dos cones. Du­
rante a noite, logo após o crepúsculo, os cones tornam-se menos sensíveis, deslocando o
máximo da sensibilidade do olho para um comprimento de onda aproximadamente igual
a 500 m^ (que corresponde a uma cor azul-verdé).
O olho humano é extremamente sensível à luz. A razão entre a intensidade luminosa
máxima detectada pelo olho (sem causar cegueira) e a intensidade luminosa mínima per­
cebida pelo olho é da ordem de 10/2. É curioso observar que a razão entre a sensibilidade
auditiva máxima e a sensibilidade auditiva mínima do ouvido humano também é da or­
dem de 1012. Além desta extraordinária sensibilidade, o olho humano pode se adaptar fa­
cilmente para diferentes níveis de iluminação. A adaptação é feita mediante a ação da íris
cda pupila, conforme já descrevemos anteriormente.
Outra propriedade importante do olho é sua acuidade visual. Denomina-se acuidade
visual a capacidade do olho humano distinguir dois objetos separados por uma certa dis­
tância. A acuidade visual é também chamada de poder de resolução do olho humano. Pa­
ra um olho humano normal, a acuidade visual corresponde a um ângulo visual da ordem
de 1 minuto de arco (l’).Ou seja, para um ângulo visual menor do que 1’,o olho não pode
mais distinguir dois pontos luminosos provenientes das extremidades de um objeto que
produz este ângulo visual-, cm outras palavras, o objeto neste caso torna-se um objeto pon­
tual.
Para entender melhor a definição de ângulo visualede acuidade visualé suficiente exa­
minar a Fig. 2.86. Denomina-se ângulo visual o ângulo a sob o qual um objeto A Bc perce­
bido pelo olho, conforme ilustrado na Fig. 2.86. Este ângulo a pode ser obtido pela rela­
ção:
[ tg q = h/d [
onde h é a altura do objeto AB e d é a distância entre o objeto e o olho do observador.
Quando h é muito menor do que d, a relação anterior pode ser escrita na forma aproxima­
da:
| a = h/d |
Quando o ângulo visual for maior do que 1 ’ (ou então igual a 1 ’), o objeto AB pode
ser percebido por um olho normal. Contudo, quando q for menor do que 1 ’ o objeto n/l B
não será mais percebido pelo olho humano. Neste caso, podemos dizer que a imagem A ’B ‘

138
indicada na Fig. 2.86 c tão pequena que ela se toma menor do que uma célula sensível do
olho, dc modo que a imagem A ’B' não produz nenhum estímulo do nervo ótico e, portan­
to, ela não é percebida.
Denomina-se campo de visão ou campo visual o espaço total no interior do qual os ob­
jetos podem ser discriminados pelo olho. Cada olho tem, separadamente, um determina­
do campo visual; o campo visual abrangido com os dois olhos abertos é maior do que o
campo visual de apenas um olho. O campo visual total (com os dois olhos abertos) corres­
ponde a cerca de 120° na direção vertical e a 150° na direção horizontal.
A importância da visão binocularnão está ligada somente com a questão do campo vi­
sual. Ela auxilia a estimativa das distâncias e produz a sensação da profundidade dos ob­
jetos. O chamado "cinema em terceira dimensão" cria na tela a sensação de profundida­
de através da seguinte técnica: utilizam-se dois projetores que produzem dois feixes pola­
rizados cujos planos de polarização estão cruzados, isto é, os planos são ortogonais’, estas
duas imagens são superpostas na retina mediante a utilização dc óculos polaróides.
O mecanismo da visão é um fenômeno extraordinário que ocorre no cérebro humano.
As duas imagens reais que se formam nas retinas dos olhos são invertidas e curvas, con­
forme indicado na Fig. 2.86. O cérebro funde as duas imagens numa só, invertendo e li-
ncarizando a imagem zl ’B‘ indicada na Fig. 2.86.

Fig. 2.86 Esquema para explicar a definição de ângulo visual e de acuidade visual.

É conveniente esclarecer as chamadas propriedades de inércia do olho humano. A sen­


sação da mudança de cena durante um movimento só ocorre depois de um intervalo de tempo
de 0,25 s até cerca de 0,2 s. Em média, podemos considerar de 0,1 s o tempo inercial para
que o olho possa distinguir duas imagens sucessivas. É interessante observar que esta limi­
tação inercial do olho humano c utilizada para criar a ilusão do movimento contínuo, tal
como no cinema ou na televisão. Denomina-se estroboscópio um instrumento utilizado
para investigar o movimento de um sistema mediante sua observação em intervalos de tempo
periódicos. O estroboscópio pode ser feito utilizando-se uma iluminação intermitente. Con­
tudo, o tipo mais comum de estroboscópio é aquele em que um diafragma oculta periodi­
camente uma fonte luminosa que permanece acesa continuamente. Nos modelos mais sim­
ples, este diafragma é um disco preto que gira na frente da fonte; este disco é munido de
uma ou mais fendas que deixam passar a luz em intervalos de tempo periódicos.
A acomodação é uma das propriedades mais extraordinárias do olho humano. Para
um olho normal, em repouso, a imagem de um objeto situado no infinito se forma sobre

139
a retina. Para um objeto situado a uma distância finita, se o cristalino possuísse uma dis­
tância focal constante, a imagem se formaria depois da retina. Sendo assim, para poder
focalizar a imagem deste objeto sobre a retina, a vergência do cristalino deve variar cm
função da distância entre o objeto e o olho. Denomina-se acomodação esta variação de
vergência do cristalino para que Seja possível focalizar objetos sobre a retina. Vamos su­
por que o cristalino seja uma lente delgada biconvexa com raios de curvatura numerica­
mente iguais (7?i = — Rz). Sendo assim, de acordo com a relação (2.37), a vergência do
cristalino é dada por:
V = 2(n — l)//?2
onde néo índice de refração do cristalino (n = 1,4). Para aumentar a vergência v do cris­
talino é necessário diminuir o valor do raio de curvatura Rz- O mecanismo de alteração
de R2 é proporcionado pela ação dos músculos ciliares.
A acomodação é uma das propriedades fundamentais do olho humano; esta proprie­
dade ainda não foi reproduzida por nenhuma máquinafotográfica inventada pelo homem.
A focalização numa máquinafotográfica é feita normalmente alterando-se a distância entre
uma lente (com distância focal fixa) e o anteparo onde se encontra o filme. Entretanto,
no olho humano, a distância entre o cristalino e a retina permanece fixa; a focalização é fei­
ta pelo processo de acomodação mencionado.
A acomodação do olho não é ilimitada. A menor distância entre o objeto e o olho para
a qual o olho pode se acomodar denomina-se distância mínima de visão distinta. O ponto
do eixo de simetria do olho cuja distância ao olho é igual à distância mínima de visão dis­
tinta define o chamado ponto máximo. O chamado ponto remoto define um ponto situa­
do a uma distância máxima de visão distinta", neste caso, os músculos ciliares estão com­
pletamente relaxados e o raio de curvatura Rz do cristalino assume seu valor máximo. No
ponto próximo o raio de curvatura Rz assume seu valor mínimo c os músculos ciliares pro­
duzem sua máxima contração. O ponto remoto de um olho normal se encontra no infini­
to-, contudo, para um olho míope o ponto remoto se encontra a uma distância finita do olho
(ver os defeitos da visão mais adiante). O ponto próximo varia com a idade, mesmo no
caso de um olho normal. Por exemplo, aos 10 anos de idade o ponto próximo se encontra
cerca de 10 cm do olho; aos 60 anos o ponto próximo se desloca para cerca de 100 cm. Dcno-
mina-scpresbiopiaou vista cansada o afastamento do ponto próximo à medida que a pes­
soa envelhece. A presbiopia, em geral, começa depois dos 40 anos; contudo este limite de
idade varia de pessoa para pessoa. Para um olho normal o ponto próximo está situado a
uma distânciap = 25 cm.
Defeitos da visão
Denomina-se tf/ne/ro/w qualquer defeito da conformação do olho. A miopia, a hiper-
metropia e o astigmatismo são exemplos de ametropias. A presbiopia não é uma anietro-
pia, uma vez que a vista cansada não é um defeito do globo ocular. A presbiopia ou vista
cansada decorre da diminuição da capacidade de contração dos músculos ciliares. Exis­
tem outros tipos de defeitos da visão, não relacionados com a geometria do globo ocular
nem relacionados com o cristalino. Por exemplo, o daltonismo é a incapacidade das célu­
las sensíveis do olho para detectar certas cores. Além disto, existem alguns defeitos asso­
ciados com atrofias musculares e/ou atrofias do nervo ótico; por exemplo, no estrabismo
os dois olhos não ficam centralizados simetricamente nas cavidades oculares. Estes defei­
tos, bem como as doenças do aparelho ocular, não serão discutidos nesta Seção. A seguir,
faremos breves comentários sobre a miopia, a hipermetropia e sobre o astigmatismo.

140
A miopia pode ser causada por uma convergência excessiva do cristalino ou então por
causa de uma deformação do globo ocular. O caso mais comum de miopia é aquele provo­
cado pelo fato do globo ocular ser mais longo do que o globo ocular de um olho normal.
Ou seja, o globo ocular em vez de ser esférico, apresenta uma forma semelhante a um esfe-
róide oblato (esfera achatada ao longo de um eixo horizontal). Sendo assim, um objeto
situado no infinito c focalizado pelo olho míope num ponto no interior do olho, antes da
retina. Deste modo, quem possui miopia tem dificuldade de focalizar objetos muito afas­
tados do olha Na Fig. 2.87 mostramos como o cristalino L de um olho míope forma uma
imagem no interior do olho, supondo um objeto no infinito. Portanto, a imagem não é
nítida porque não se forma sobre a retina.

objeto
no
infinito

Fig. 2.87 Olho míope. O cristalino L focaliza a imagem num ponto F’ no interior do olho.
A imagem i não é nítida porque não se forma sobre a retina.

Para que a imagem se forme sobre a retina de um olho míope, é necessário aproximar
o objeto do infinito até uma cerca distância pt que fornece o ponto remoto do olho consi­
derado. Portanto, para corrigir a miopia é suficiente colocar na frente do olho uma tente
divergente. Na Fig. 2.88 indicamos uma lente divergente colocada na frente de um olho
míope\ o foco ^"da lente divergente deve coincidir com o ponto remoto P.R.. Logo, a
distância focal da lente divergente corretora da miopia deve possuir um módulo igual à
distância pr (distância do ponto remoto até o olho considerado).

Leme
divergente

P.R.

Fig. 2.88 Para corrigir a miopia basta usar uma lente divergente cujo foco F"
coincide com o ponto remoto P.R. do olho míope considerado.

141
Vimos que o globo ocular do míope é ligeiramente achatado na direção horizontal. A
hiperrnetropia c normalmenie causada por uin defeito do globo ocular oposto ao da mio­
pia. Ou seja, em vez dc possuir o globo achatado na direção horizontal, o olho hipermé-
trope c curto, ou melhor, ele c achatado na direção vertical. Portanto, quem possui hiper-
metropia normalmente tem um globo ocular semelhante a um esferóide prolato (esfera alon­
gada na direção vertical).
Como um olho hipermétrope è alongado na direção vertical, um objeto situado no in­
finito é focalizado fora do olho, afrás da retina. Na parte (o) da Fig. 2.89 mostramos um
olho hipermétrope cujo cristalino focaliza (sem esforço de acomodação) um objeto situa­
do no infinito; neste caso, a imagem não é nítida porque ela se forma atrás da retina, con­
forme indicado na parte (o) da Fig. 2.89. Portanto, c necessário usar uma lente conver­
gente para fazer com que a imagem se forme sobre a retina, conforme indicado na parle
(ò) da Fig. 2.89.
Como o olho hipermétrope deve realizar um esforço de acomodação para poder ver
um objeto situado no infinito, ele esgota rapidamente sua capacidade de acomodação quan­
do o objeto se aproxima do olho do observador. Sendo assim, o ponto próximo àe uva olho
hipermétrope está mais afastado do que o ponto próximo de um olho normal. Ou seja,
tanto para focalizar um objeto distante, quanto para ler um livro, ohipermétropenecessi­
ta usar lentes convergentes. Note que a presbiopia ou vista cansada também é corrigida
com lentes convergentes. Sendo assim, depois dos 40 anos, aproximadamente, quem pos­
sui hiperrnetropia deve usar lentes convergentes bifocais’, a parte superior da lente é usada
para focalizar objetos muito afastados do olho e a parte inferior da lente é usada quando
o hipermétrope deseja ler ou escrever. O grau (ou vergênciá) da parte superior da lente é
menor do que o grau da parte inferior da lente.

Fig. 2.89 (/»

142
A hipermetropia e a miopia são defeitos associados com pequenas deformações de es-
fericidade do olho. Contudo, existem certos defeitos que fazem com que o globo ocular
adquira deformações cilíndricas. Este tipo de defeito produz o astigmatismo (que pode ser
uma deformação com eixo na horizontal, na vertical ou ainda inclinado em relação à dire­
ção horizontal). A correção do astigmatismo è feita mediante o uso de tentes cilíndricas.
Para verificar se você possui astigmatismo olhe para um conjunto de retas concorrentes;
caso você não consiga focalizar, simultaneamente, a interseção comum destas retas, tal­
vez você possua algum astigmatismo. Outro teste para o astigmatismo é o seguinte: fixe,
separadamente, cada olho para um conjunto de retas paralelas igualmente espaçadas; ca­
so você não consiga ver com nitidez o paralelismo das retas você deve procuar um Oculista
porque, provavelmente, você possui astigmatismo.
O leitor não deve confundir o defeito da vista chamado de astigmatismo com a aberra­
ção geométrica denominada astigmatismo (ver o final da Seção 2.7).

Ilusões de ótica

As chamadas ilusões de ótica são erros de avaliação que cometemos ao interpretar as


imagens que chegam na retina. Os tipos mais comums de ilusões de óticas serão exemplifi­
cados a seguir.
Na Fig. 2.90 mostramos dois segmentos de reta. Observando esta ilustração você terá
a impressão de que o segmento superior é ligeiramente maior do que o segmento inferior.
Se você medir o comprimento de cada segmento, você verificará que os dois segmentos pos­
suem exatamente o mesmo comprimento. O segmento inferior parece ser menor do que
o segmento superior porque o olho localiza as extremidades destes segmentos erroneamente.

Fig. 2.90 Observando esta figura você terá a ilusão de que o segmento de reta da
parle superior do desenho é maior do que a inferior.

143
Outra importante ilusão de ótica c associada com a noção de ângulo visual e de ponto
defuga. O tamanho e a distância de um objeto é relacionado com o ângulo visual, confor­
me já vimos anleriormenlc (ver a Fig. 2.86). Quanto maior for a distância entre o objeto
e o olho, menor será o ângulo visualc menor será o tamanho da imagem que se forma na
retina. Denomina-se ponto defuga de um desenho o ponto dc encontro entre retas parale­
las que sc encontram no infinito. Os desenhistas e os pintores, quando desejam represen­
tar uma paisagem real tridimensional sobre uma tela plana, eles escolhem convenientemente
o ponto defuga e representam as figuras dc modo que o tamanho de cada objeto seja com­
patível com as respectivas distâncias relativas. A avaliação do tamanho de um objeto está
ligada com o ângulo visual, de modo que um desenhista pode produzir ilusões de ótica com
relação ao tamanho dc um objeto. Por exemplo, observando a Fig. 2.91 vocc terá a im­
pressão de que o cone B parece ser maior do que o cone A, embora eles possuam a mesma
altura.

Fig. 2.91 Embora o cone A possua a mesma altura do cone B, você lerá a ilusão de que o
cone B é maior do que o cone A.

Outra ilusão bastante conhecida c relacionada com as propriedades de inércia do olho


mencionadas anteriormente. Já sabemos que ocorre uma persistência da imagem na reti­
na da ordem de 0,1 s. Esta propriedade inercial é utilizada vantajosamente para criar a ilu­
são do movimento contínuo que ocorre no cinema c na televisão. O efeito estroboscópio
mencionado anterionnente também produz curiosas ilusões de movimento. Muitos efei­
tos de ilusionismo apresentados por mágicos e prestidigitadores estão associados com o
tempo de persistência da imagem na retina e com outras limitações do nosso sitema ótico
de percepção.

144
A máquina fotográfica
A máquinafotográfica ou a câmarafotográfica, bem com o a cântara defilmagem, po­
dem ser consideradas como instrumentos de ótica. Na próxima Seção lãivmos uma descri­
ção dos principais instrumentos de ótica. Contudo, como alguns dispositivos da máquina
fotográfica são semelhantes a alguns componentes do olho humano, preferimos estudar
a máquina fotográfica nesta Seção, juntamente com o olho humano. A câmara de filma­
gem c análoga a uma máquina fotográfica', contudo, além dos dispositivos existentes nas
máqumas fotográficas, as máquinas defilmar possuem um dispositivo que permite tirar
/o/ogríz/zas^z/cess/vas (em intervalos da ordem de 0,1 segundo). Sendo assim, não tratare­
mos aqui das máquinas defilmar. A seguir, descreveremos as características principais das
máquinas fotográficas.
A máquina fotográfica é basicamente uma câmara fechada à prova de luz; coloca-sc
na parte posterior desta câmara escura umsensível à luz. Existem também filmes sen­
síveis ao infravermelho-, neste caso, é possível obter a chamada fotografia infravermelha.
Esia câmara escura possui um diafragma que se abre no momento oportuno. Na Fig. 2.92
mostramos uma câmara fotográfica simples denominada câmara "pin-hole ’ ’ (ou câmara
"buraco de alfinete"). Esta câmara pode produzir uma imagem nítida quando o orifício
for pequeno (da ordem de grandeza de um furo provocado pela ponta de um alfinete). En­
tretanto, este orifício não pode ser muito pequeno, a fim de evitar os efeitos de difração
da luz (ver o Capítulo 3).

Fig. 292 Uma câmara fotográfica do tipo "pin-hole" ("buraco


de alfinete").

A câmara "pin-hole"não possui lentes', as imagens se formam sobre o anteparo fixo


simplesmente em virtude da propagação rctilínea dos raios luminosos. Este tipo de má­
quina não é mais usado atualmente, mas serviu de base para a confecção da câmara "cai­
xão" que possui apenas uma lente convergente, conforme indicado na Fig. 2.93. A câma­
ra "caixão" foi o primeirotipodasatuaiscô/narflsrfeod/erzvíz/zxzj. A Fig. 2.93 serve para
a explicação do esquema básico das modernas câmaras de objetivafixa-, como o nome in­
dica, etas câmaras não possuem mecanismos para ajuste do foco\ entretanto, estas câma­
ras são mais baratas e muito práticas, sendo recomendadas para os amadores iniciantes
da arte fotográfica.
Embora seja possível tirar fotografias com uma câmara cuja abertura tenha diâmetro
de um alfinete, c preciso considerar o longo tempo de exposição (tempo durante o qual
o filme fica exposto à luz), pois um orifício pequeno permite a passagem de pouca luz.

145
?

leme
(objetiva)
obturador A
6
Fig. 2.93. Esboço de uma câmara "caixão". Esta ilus­
tração serve para explicar o esquema básico das "câ­
maras de objetiva fixa’ ’.

A câmara "caixão” é o tipo mais simples de câmara encontrado, e as de uso prático


têm uma abertura que permite a passagem de mais luz, reduzindo desta maneira o tempo
de exposição. Consistem apenas numa caixa com uma lente, um obturador (que se abre
e fecha expondo o filme), um visor c um mecanismo para enrolar o filme; mas, apesar dis­
to, quando a lente c de boa qualidade, é possível obter boas fotografias. Ver a Fig. 2.93.
Um mecanismo de ajuste, que permitiu utilizar a câmara nas mais variadas circunstân­
cias, é o dafocalizaçõo. Nas câmaras defole, isto é conseguido aproximando ou afastan­
do a lente. Porém este método não é mais usado hoje cm dia e foi substituído por um siste­
ma de rosca, no qual a lente está montada, podendo avançar ou retroceder, tornando pos­
sível focalizar nitidamente sobre o filme objetos situados a distâncias diversas.
A lente dc uma câmara manual é simplesmente uma peça de vidro ou de plástico que
focaliza sobre o filme a luz procedente do objeto. Entretanto, todas as lentes simples apre­
sentam certos defeitos que tendem a distorcer a imagem. Nos modelos mais modernos, as
máquinas utilizam associação de lentes por justaposição, formadas por dois ou mais ele­
mentos, escolhidos de maneira a corrigirem mutuamenle seus defeitos. A lente dc uma boa
câmara pode conter seis ou mais elementos. É dc sc notar, porém, que a associação atua
da mesma maneira que a lente simples, pelo fato de que ambas têm a distânciafocal per-
feitamente definida.
É interessante comparar o olho humano com a máquina fotográfica no aspecto da fo­
calizaçõo das imagens. Conforme vimos no início desta Seção, para que o olho possa fo­
calizar um objeto sobre a retina é necessário que os músculos ciliares produzam a necessá­
ria acomodação do cristalino. Ou seja, estes músculos produzem uma variação da distân­
cia focal do cristalino, uma vez que a distância entre o cristalino e a retina permanece cons­
tante. Contudo, na máquina fotográfica a localização é inleiramcntc diferente. Como a
lente da máquina fotográfica em geral possui distância focal constante, a focalização só
pode ser feita aproximando-se ou afastando-se a lente objetiva do filme.
Ao focalizar um objeto muito distante, a lente deve ocupar uma posição tal que a dis­
tância entre ela c o filme seja exatamente igual à distância focal/da lente, conforme indi­
cado na Fig. 2.94. Nesta posição, a distância entre a lente e o filme é mínima.
Quando o objeto está situadoprd.rr/Ho da máquina fotográfica, conforme indicado na
Fig. 2.95, para focalizara, imagem sobre o filme c necessário deslocar a lente para afrente

146
Lente
objetiva
objeto no infinito
Anteparo

filme

f
Fig. 2.94 Parafotografar um objeto no infinito, a
distância entre u lente e o filme é a menor distân­
cia possível. Esta distância é exatamenie igual u
distância focalfda lente.

objeto
f
próximo
A filme

lente para frente

Fig. 2.95 Parafocalizar um objeto A sobre ofil­


me, é necessário deslocara leme para afrente da
máquina.

da máquina, afastando a Icntcdo anteparo onde se encontra o filme. Este afastamento é


normalmentc feito mediante a utilização de um parafuso niicroniétrico acoplado a um ci­
lindro cm cuja superfície estão indicadas as distâncias entre a lente e o objeto que deseja­
mos fotografar. Observando a Fig. 2.95 notamos que, quanto mais próximo o objeto A
está da lente objetiva, maior deve ser a distância entre a lente c o filme.
Algumas câmaras podem ser ajustadas com lentes de várias distâncias focais que pro­
porcionam diversos enquadramentos, porém o negativo tem que ter sempre o mesmo ta­
manho. Por meio de uma lente de curta distância focal c possível focalizar uma imagem
muito grande, enquanto que com uma lente de grande distância focal só é possível enqua­
drar aspectos parciais, embora, evidentemente, o objeto apareça muito maior na foto. As
tetefotossào obtidas utilizando lentes de grande distânciafocal com as quais se consegue
fixar imagens aumentadas de objetos distantes.
Na Fig. 2.96 indicamos uma côniarafotográfica dotada de três intervalos de distâncias
focais. A teleobjetiva c uma lente de grande distânciafocal\ conforme podemos notar na
Fig. 2.96 uma pequena parte do objeto ocupa todo o negativo. Portanto, a teleobjetiva
deve ser usada para fotografar detalhes de um objeio distante.

147
§ =

-§ S
S-2
'H
s. §

3) lente dc grande
distância local

2) lente de distância
focal médica
fy
1) lente de pequena
f:
distância focal
.h
filme (negativo sempre
do mesmo tamanho)

Fig. 2.96 Cântaras fotográficas especiais podem ser


dotadas com conjuntos de lentes com 3 níveis defoca-
Hzaçâo. A distância focal da lente de pequena distân­
ciafoca! ef, f2éa distânciafocal intermediária efj é a
distância focal da teleobjefiva.

Denomina-se objetiva “zoom' ’ aquela que possui uma escala variável de distâncias fo­
cais. ou seja, este tipo de objetiva possui um foco variável (dentro de certos limites); neste
caso, a focalização nos tipos de máquinas fotográficas que possuem objetivas zoom é fei­
ta pelo deslocamento da lente e também pela escolha do intervalo de distâncias focais (tal
como na situação da Fig. 2.95).
A câmara do tipoSLT? (iniciais da expressão “Single Lens Refle.x”, ou seja, “reflexão
numa única lente’’) é aquela que possui um sistema de visor através da própria objetiva:
isto é possível graças a um espelho acoplado a um pentaprisma que fornece visão direta
(ou seja, a imagem não é invertida). Algumas máquinas fotográficas modernas do tipo SLR
possuem diafragma automático. Outras máquinas possuem também foco automático que
c acionado por um dispositivo ótico-eletrônico.
Na Fig. 2.97 mostramos o esquema das máquinasfotográficas com objetiva móvel. O
obturador da máquina fotográfica se abre automaticamente durante a exposição do filme
num intervalo de tempo selecionado {velocidadedo obturador). O obturador de uma má-

148
quina lotográficaé semelhante h pálpebra áo olho humano. O diafragma da máquina fo­
tográfica regula a entrada de luz na câmara escura onde se encontra o filme. O diafragma
desempenha um papel semelhante ao da íris e da pupila de um olho humano.
! Distância variável
Distância variável I
F
> 1
to
<u
5 í
___ L_ dialragma obturador
(abertura
variável)
Fig. 2.97 Esquema para mostrar as panes princi­
pais de uma câmara fotográfica.

A velocidade do obturador controla o intervalo de tempo durante o qual a luz incide


sobre o filme. As velocidades são indicadas na câmara por números (1,2,4, 8. 15, 30, 60,
125, 250, 500, 1 (XX)). No entanto, algumas câmaras tèm indicada apenas parte desta esca­
la. Estes números correspondem a frações de segundo e correspondem, na realidade, a 1
segundo, 1/2segundo, 1/4 de segundo etc., sempre frações do segundo. Por razões práti­
cas, as velocidades do obturador que estão muito próximas, como por exemplo 1 /25 e 1 /30,
podem ser considradas iguais.
A mudança de um número de velocidade do obturador para o próximo número supe­
rior (de 60 para 125, por exemplo) permite a entrada de metade da quantidade de luz ante­
rior. Da mesma forma, mudando para o próximo número inferior (de 60 para 30), permi­
te a entrada do dobro da quantidade de luz.
Para a maior parte das fotos feitas à luz do dia, podemos ajustar a velocidade do obtu­
rador cm 125 ou 250, porque ajudam a reduzir o efeito do movimento da câmara, princi­
pal responsável por fotografias mal feitas (tremidas).
As aberturas do diafragma que determinam a quantidade de luz que atinge o filme sâo
denominadas "aberturas do diafragma”. A grandeza dessas aberturas c indicada pelo nú­
mero f/. A maioria das câmaras ajustáveis tem a seguinte escala de números f/.
1 — 1,4 — 2 — 2,8—4—5,6 — 8—11 — 16 — 22
O menor número sc refere à maior abertura do diafragma, enquanto, o maior indica
a menor abertura. Quando passamos de qualquer número f/ para seu vizinho superior ou
inferior, abrimos ou fechamos o diafragma de um ponto ou stop.
A passagem de um ponto para cima permite o dobro da entrada de luz. Modificando
qualquer abertura do diafragma para a próxima menor, corta-se a entrada da luz pela me­
tade •
Usando combinações, abertura c velocidade, a quantidade de luz que incide sobre o filme
dentro da câmara depende da combinação do tamanho da abertura com o tempo de expo­
sição {velocidade). Assim, existem muitas combinações de abertura do diafragma e velo-

149
cidade do obturador que produzem exposições equivalentes. Sc o fotõmelro acusar como
exposição corretaf/\ 1 com velocidade dc 125, para aumentar a abertura do diafragma em
1 ponto (dc f/\ 1 para_/78), precisaremos ajustar também o obturador para a velocidade
maior mais próxima (dc 1/125 para 1/250), istoc, para manter a exposição equivalente,
quando aumentamos 1 ponto na abenura, aumentamos, também, a velocidade do obtu­
rador cm 1 ponto.
A profundidade de campo c a distância entre o ponto maispróximo c o ponto mais afas­
tado da cena entre os quais o dispositivo empregado permite a obtenção dc uma imagem
com nitidez aceitável. Ao regular o númerof você altera a profundidade de campo. Utili­
zando uma pequena abertura do diafragma podemos obter uma grande profundidade de
campo, uma vez que as imagens dos pontos próximos e afastados se formam com mais ni­
tidez.

2.9 Instrumentos de ótica

Podemos dividir os instrumentos de ótica cm dois grandes grupos. O primeiro grupo


inclui os sistemas projetores de um modo geral; os instrumentos óticos deste grupo forne­
cem uma imagem real que é projetada sobre uma tela ou então sobre uma placa fotográfi­
ca. Como exemplo deste primeiro grupo citamos: o projetor de cinema, a máquina foto­
gráfica, o projetar dc “slides”, o retroprojetor, etc. O segundo grupo abrange todos aqueles
instrumentos óticos que formam imagens virtuais dc um objeto real. Evidcntcmentc, pa­
ra este grupo dc instrumentos, é necessário que o olho seja uma parte integrante da obser­
vação. Como exemplo deste segundo grupo de instrumentos citamos:, a lupa, a luncta, o
microscópio, o telescópio, etc. Sendo assim, podemos classificar os instrumentos de ótica
em dois grandes grupos: os instrumentos de projeção (1 ? grupo) c os instrumentos de ob­
servação (2? grupo). A seguir faremos um breve estudo sobre os principais instrumentos
óticos dc cada um destes dois grupos. No finai desta Seção apresentaremos alguns comen­
tários sobre os instrumentos c aparelhos óticos que possuem componentes eletrônicos, tais
como a televisão, as fotocélulas, etc.
Instrumentos de projeção
Os principais instrumentos de projeção são: a máquina fotográfica, a máquina filma-
dora (de cinema), a televisão, a máquina dc filmar “video-tape” (para televisão) e todos
os instrumentos de projeção de um modogcral (projetores dc filme do cinema, diascópios,
episcópios, etc.). A máquinafotográfica já foi analisada na Seção anterior. As máquinas
defilmar (películas para o cinema) são análogas às máquinas fotográficas (acrescidas de
dispositivos que permitem tirar fotos em intervalos dc tempo constantes). A máquina dc
filmar “video-tape”, o aparelho receptor dc TV, c outros aparelhos usados na transmis­
são e recepção dc ondas de TV, necessitam (lecomponentes eletrônicos especiais. No final
desta Seção faremos breves comentários accrca destes tipos dc aparelhos. A seguir apre­
sentaremos uma descrição gerai dos principais instrumentos de projeção que não possuem
componentes eletrônicos.

Diascópios e episcâpios
Os instrumentos de projeção ou lanternas de projeção destinam-sc a fornecer imagens
reais ampliadas dc objetos reais. O objeto real mencionado, em gerai, é um filme, um “sli­
de”, etc. Todo instrumento de projeção cconsúluida, basicamente, pelos seguintes com-

150
punentes: (l)uma fonte de luz que serve para iluminar intensamente o objeto que será pro­
jetado na tela, (2) um conjunto de lentes que concentra a luz sobre a objetiva (este conjun­
to dc lentes c chamado de eondensador), (3) um local apropriado para se colocar o objeto
que será projetado, (4) uma lente convergente (a objetiva) que conjuga ao objeto conside­
rado a imagem real projetada sobre um anteparo, (5) uma tela ou qualquer anteparo branco
sobre o qual se forma a imagem real ampliada do objeto considerado.
Os diascópiossão instrumentos de projeção destinados a projetar objetos transparen­
tes. Os principaisrfÀKcdp/ossâo os seguintes: o projetor de “slides” (ou “diapositivos”),
o rctroprojetor (ou projetor dc transparências) e o projetor do cinema. Na Fig. 2.98 ilus­
tramos o esquema básico dc um projetor de diapositivos. Este esquema também serve pa­
ra ilustrar um projetor de cinema c os demais tipos de projetores de objetos transparentes
(diascópios). Na Fig. 2.98 a letra /•’indica uma fonte luminosa, a letra E indica um espe­
lho. Aproximando ou afastando a lente objetiva, podemos focalizar a imagem sobre uma
tela (não indicada na figura).

porta-objetos
E F

______ n
S^Xx\XX\XX\\\X\\\\\\\S
conjunto dc lentes objetiva

Fig. 2.98 Esquema de um projetor de "slides” (ou projetor de


diapositivos). Esta ilustração serve para explicar o funciona­
mento de qualquer modelo de diascõpio.

O episcópio c um instrumento de projeção destinado a projetar objetos opacos, tais co­


mo. uma gravura, um manuscrito escrito numa folha não transparente, etc. A diferença
essencial entre o episcópio c odiuxcópio c que nodiascópio a luz atravessa o objeto trans­
parente (vera Fig. 2.98): contudo, no episcópio. o objeto a ser projetado co/wro. dc modo
que c necessário usar um espelho adicional /•? para conduzir a imagem ate a lente objetiva.
conforme indicado na Fig. 2.99. Note que o episcópio é semelhante aodiuscópio nas de­
mais parles do instrumento, com exceção do espelho E' mencionado.
Instrumentos de observação
Conforme dissemos ao estudar o olho humano, o tamanho aparente de um objeto c pro­
porcional ao ângulo visual sob o qual o objeto c visto. Vimos também que. para um olho
normal, quando o ângulo visual se torna menor do que 1 minuto (ou 0,0003 rad), o objeto
não pode ser percebido a olho nu. Suponha que o objeto A B indicado na Fig. 2.86 deter­
mine um ângulo visual menor do que I minuto. Para poder perceber este objeto o olho
humano normal deve observá-lo através de um instrumento ótico, de tal modo que, o sis­
tema ótico constituído pelo olho humano juntatncnic com o instrumento ótico considera-

151
rosca para regulagcm
E’
7\
SS.
Figura
E Objetiva

wwxxsw^xXwxwwwxxxwxxwwXxxxwxwwxxxxxxxxxwxWW

Fig. 2.99 Esquema básico de um episcópio.

do possua um poder de resolução maior do que o poder de separação do olho humano.


O poder de resolução de um instrumento ótico c definido dc modo análogo ao poder de
resolução do olho humano. No Capítulo 3, quando estudarmos a difração num orifício
circular ou nas bordas de uma lente mostraremos que o poder de resolução máximo de qual­
quer instrumento ótico (inclusive do olho humano) é limitado pelo efeito da difração da
luz nas bordas da lente objetiva do referido instrumento. Dc acordo com a definição dc
ângulo visuale levando em conta a Fig. 2.86, podemos escrever para o ângulo visual dc
um observador munido dc um instrumento ótico:
Iga = a = h '/d'

onde h’ é a altura aparente do objeto AB c d’c a distância entre o objeto c o olho.


O aumento angular ou aumento visual fornecido por um instrumento ótico é definido
pela relação:
A = a/an (2.42)

onde a c o ângulo visual sob o qual o objeto AB c observado com auxílio do instrumento
Ótico considerado c ao é o ângulo visual sob o qual o objeto é observado a olho nu. Em
geral estes ângulos são pequenos, dc rnodo que a relação (2.42) também pode scr escrita
na forma:

A = tg a/tg a„ (2.43)

É necessário distinguir o aumento angular definido pela relação (2.42) da ampliação li­
near transversal definida pela equação (2.41). Para o estudo de um instrumento de obser­
vação a grandeza mais importante é o aumento angular e não a ampliação linear transver­
sal.
Outro conceito importante relativo aos instrumentos de observação c a profundidade
de campo do instrumento considerado. A região na qual o objeto deve estar posicionado
a fim dc produzir uma imagem dentro do intervalo dc visão nítida do observador deno-
mina-sc profundidade de campo do instrumento ótico considerado. A seguir analisaremos
resumidamente os seguintes instrumentos de observação: a lupa, o microscópio e a Iune-
la.

152
A lupa
A lupa ou lente de aumento é um instrumento de observação bastante simples. Ela ser­
ve para aumentar o ângulo visual, ou seja, a lupa é usada para obter uma ampliação do
objeto examinado. A construção geométrica da imagem ampliada produzida com auxílio
de uma lupa é análoga à construção geométrica de qualquer sistema constituído por uma
lente convergente e o olho humano. Na Fig. 2.100 ilustramos a construção geométrica da
imagem quando um objeto real AB é colocado entre o foco da lupa e o olho do observa­
dor. Trata-se de um sistema ótico constituído por duas lentes convergentes justapostas (a
lupa e o cristalino). A lupa possui uma distância focal F fixa e o cristalino possui uma dis­
tância focal/variável. Geralmente, Fé maior do que/. A construção geométrica da ima­
gem é feita pelo método geral. Das extremidades do objeto A B trace raios paralelos ao ei­
xo ótico que atingem os pontos G e H. Os raios convergentes GD e 11D convergem para
o foco D da lupa. Prolongue os raios GDeHD. A partir dos pontos A e B trace os segmen­
tos BO\ e AOi até o centro ótico Oi da lupa. O prolongamento do raio BO\ intercepta o
prolongamento do raio GD no ponto Bt. O prolongamento do raio AO\ intercepta o pro­
longamento do raio HD no ponto A t. A imagem virtual A\B\ passa agora a ser um obje­
to virtual que produz, através da ação do cristalino, uma imagem real sobre a retina
do olho. Portanto, o olho percebe uma imagem ampliada maior do que a imagem que se­
ria percebida caso nàoexistisse a lupa. A seguir mostraremos como se determina o aumento
angular de uma hipa.

B,

Fig. 2.100 Construção geométrica da imagem quando um objeto real


.4 B é observado com auxílio de uma leme de aumento GH.

153
Seja d a distância entre a lupa c o objeto AB indicado na Fig. 2.100. Seja h a altura do
objeto A B. Seja ao o ângulo visual quando o objeto está situado no ponto próximo de um
olho normal, ou seja, neste caso, d - L - 25 cm. Podemos escrever para este ponto:
tg a„ = h/L (2.44)
onde h deve ser expresso em cm. Por outro lado, de acordo com a definição de ângulo vi­
sual, quando a lupa está sendo usada, temos:
tg <r = h/d (2.45)
Das relações (2.43), (2 44) e (2.45) resulta a seguinte expressão para o aumento angular
de uma lupa:
.4 - /./<•/ (2.46)
Observando a construção da imagem virtual A iBi indicada na Fig. 2.100 notamos que
a imagem se torna cada vez maior ã medida que o objeto ABse aproxima do foco da lupa.
Quando d = F, istoc, quando o objeto está sobre o foco da lupa, os raios BOi eGD indi­
cados na Fig. 2.100 se tornam paralelos, de modo que a imagem se forma no infinito. A
relação (2.46) fornece a seguinte expressão para o aumento angular neste caso:
A = L/F = 25/F (2.47)
ondea distância focal Fdcve ser expressa em cm. Note que a relação (2.47) é um caso par­
ticular da (2.46). Vamos supor agora que a imagem virtual A iB\ indicada na Fig. 2.100
se forme sobre o ponto próximo do olho do observador, ou seja, a distância de A\B\ até
a lupa vale L - - 25 cm. O sinal negativo resulta do fato de que A iBi c uni objeto vir­
tual para o cristalino. Aplicando a equação de Gauss (2.38) para a lupa, obtemos:
1 1 _ 1
d L F

Logo.
d = FLHL + /•■) (2.48)
Substituindo a relação (2.48) na equação (2.46) encontramos a seguinte expressão pa­
ra o aumento angular da lupa:

/i = (z. 4 f)/f (2.49)

onde /, - 25 cm para um olho normal. Comparando a relação (2.49) com a equação (2.47)
notamos que o aumento angular máximo ocorre quando a imagem virtual se forma sobre
o pomo próximo. Contudo, a ampliação linear transversal máxima ocorre quando d =
F, isto c, quando a imagem virtual se forma no infinito. Como Fé menor do que 25 cm,
a relação (2.49) mostra que a lupa produz aumento angular maior do que um (dai o nome
de lente de aumento). O estudo que fizemos para a lupa vale para qualquer tipo de lente
con vergenfe.

Observações: («) De acordo com as fórmulas (2.47) e (2.49), uma lupa com dada dis­
tância focal Fpode fornecer diversos aumentos angulares, uma vez que a distância L varia

154
de acordo com o olho de cada observador, (b) Aparentemente, o aumento angular de uma
lupa pode aumentar indefinidamente à medida que a distância focal Ffor diminuindo. Con­
tudo, as aberrações de qualquer lente limitam o aumento angular das lupas; para uma lu­
pa constituída por uma lente biconvcxa simples o aumento máximo é da ordem de 2 a 5
vezes; entretanto, as lupas mais elaboradas eliminam algumas aberrações e produzem au­
mentos angulares que podem chegar até 20 vezes.
O microscópio
Quando uma lupaé montada num suporte semelhante ao de um microscópio, ela rece­
be o nome de microscópio simples. Como o aumento máximo de uma lupa é da ordem de
20 vezes, o microscópio simples não serve para a observação de microorganismos. Para
o estudo e observação de microorganismosé necessário usar o chamado microscópio com­
posto. A ocular de um microscópio composto é normalmcnlc constituída por uma lente
de aumento ou lupa. A ocularpóde ser constituída por uma única lente (em geral con ver-
gente) ou então por um conjunto de lentes. Num microscópio composto (e também numa
luneta), uma lente, denominada objetiva, fornece uma imagem real de um objeto que está
sendo examinado; a ocular é empregada para observar esta imagem virtual. A ocular é a
lente que está próxima do olho observador. A lente objetiva é uma lente orientada na dire-

O,
S

Fig. 2.101 Microscópio composto.

155
çâodo objeto que desejamos observar (daí o nome de "objetiva"). Na Fig. 2.101 mostra­
mos um microscópio composto. Em geral, para evitar as aberrações, tanto a objetiva (Oi)
quanto a ocular (Oj) sãó constituídas por um conjunto dc lentes montadas no interior dc
tubos separados que são inseridos no interior dc um tubo metálico (7). O objeto a ser exa­
minado é colocado na mesa de apoio (S) e intensamente iluminado de baixo para cima me­
diante a utilização de um espelho (M) c um sistema dc lentes (L). Os parafusos de ajuste
(A i e Az) servem para obter uma imagem nítida.
Na Fig. 2.102 indicamos a construção geométrica da imagem num microscópio com­
posto. A distância focal da objetivafoê menor do que a distância focal da ocular F. Uma
vez que a objetiva forma uma imagem real na retina, que observamos através da ocular,
o aumento angular dc um microscópio composto é dado pelo produto da ampliação linear
a da objetiva multiplicada pelo aumento angular A da cuar. Ou seja, o aumento total M
de um microscópio composto é definido pelo produto:

M = aA (2.50)

De acordo com a relação (2.41), a ampliação Hnear a da objetiva é dada por:


rr = -p’/p (2.51)

Objetiva

1
Ocular

O F. F?
p
P'-

F
i:
i

Fig. 2.102 Construção geométrica da imagem num microscópio composto.

Por outro lado, pela relação (2.38), temos:


\/p = (p-_ /o)/p'/o (2.52)
Da Fig. 2.102 vemos que:
P’ =/« + * (2.53)

a = -x/fn (2.54)

156
De acordo com as relações (2.47), (2.50) e (2.54), verificamos que o aumento total de
um microscópio composto é dado por:
, x L
M =-------- (2.55)
/o F

Na relação (2.55), a distância L corresponde ao ponto próximo do olho do observador.


O aumento angular máximo de um microscópio composto é da ordem de 1000 a 1500 ve­
zes.
Observação: O chamado ultramicroscópio nada mais é do que um microscópio com­
posto que utiliza uma técnica de iluminação especial. O ultramicroscópio c utilizado para
a observação de part\c\i\as sub-microscópicas, ou seja, partículas que possuem dimensões
ligeiramente menores do que o comprimento de onda médio da luz visível (cerca de 0,5 /*).
A ihiminaçãoespecial utilizada num ultramicroscópio denomina-se iluminação de campo
escuro; neste método dc iluminação só penetra no microscópio a \\izdifratada pelas partí­
culas sub-microscópicas. O ultramicroscópio torna possível apenas a determinação da po­
sição àa partícula considerada, mas nada pode informar acerca da forma desta partícula.
Somente através do uso dc um microscópio eletrônico é possível determinar a forma e o
tamanho de partículas menores do que o comprimento de onda médio da luz. Voltaremos
a fazer comentários sobre o microscópio eletrônico no Capítulo 4.
A luneta
A luneta ou telescópio derefração é um sistema semelhante ao microscópio composto,
no sentido de que uma ocular é utilizada para observar a imagem produzida pela objetiva.
Numa luneta, normalmente, tanto a ocular quando a objetiva são constituídas por uma
ou mais lentes convergentes-, uma exceção a este caso geral, é fornecida pela famosa lune­
ta de Galileu na qual a objetiva é uma lente convergente mas a ocularè uma lente divergen­
te. Não consideraremos aqui nem a luneta de Galileu nem outros tipos mais sofisticados
de lunetas. Analisaremos apenas a luneta comum constituída por uma objetiva conver­
gente c por uma ocular também convergente.

objeto
no
infinito

te

Fig. 2.103 Construção geométrica da imagem numa luneta astronômica.

157
Na l-ig. 2.103 indicamos a construção geométrica da imagem numa luneta astronômi­
ca simples. Seja/o a distância focal da objetiva c A a distância focal da ocular. Note que,
cont rariamente ao caso do microscópio composto (onde_/ç é menor do que F), no caso da
luneta, fnê maior do que F. O comprimento total da luneta vale/o 4 F. Na l-ig. 2.103 os
raios paralelos que atingem a luneta são provenientes de um objeto muito distante nào re­
presentado na ilustração. Caso não existisse a luneta, o objeto seria percebido através de
um ângulo visual0a. Utilizando-se a luneta, o ângulo visualindicado na Fig. 2.103 é igual
a 0. Note que o ângulo visual d é o mesmo ângulo subtendido pela imagem real invertida
que se forma sobre o foco da objetiva. De acordo com a definição de aumento angular (2.42),
podemos afirmar que o aumento angular M\ de uma luneta é dado pela expressão:
= o/e„ (2.56)
Vcrifica-sc que o aumento angular de uma luneta é dado por:

M\ = - fo/F (2.57)
O sinal negativo na fórmula (2.57) indica que a imagem final é invertida. Como/0 é
maior do que/7, notamos que o módulo do aumento angular é maior do que um, indican­
do uma ampliação da imagem. Note que o aumento de uma luneta torna-se cada vez maior
à medida que a razão (f.JF) aumenta; contudo, devido a problemas de aberrações das len­
tes, existe um limite superior para o aumento produzido por uma luneta. Os efeitos de di-
fração nas bordas as lentes de uma luneta produzem outra limitação para o aumento má­
ximo (ou poder de resolução máximo de uma luneta). A limitação do poder de resolução
provocada pela difração da luz nas bordas das lentes c uma limitação comum a todos os
instrumentos de ótica’, esta limitação será analisada com detalhes no Capítulo 3.0 aumento
angular máximo de uma luneta astronômica está compreendido entre 700 e 1000 vezes.

Outros instrumentos óticos


Existem ainda outos instrumentos de observação tais como a luneta terrestre, o oinó-
cit/o, o telescópio, o telêmetro, o teodolilo, etc. Alcm dos instrumentos óticos menciona­
dos nesta Seção, também existem instrumentos óticos utilizados em pesquisas no labora­
tório. Estes instrumentos óticos utilizados cm laboratório normalmcntc são instrumentos
destinados ao estudo da análise espectral da luz (como no caso de um espectrômetro) ou
então são instrumentos destinados a realizar medidas com extrema precisão, como no caso
dos inier/eròmctros baseados na interferência da luz (ver o Capitulo 3). Utilizamos ainda
no labora/ório(evm muitas aplicações práticas na vida diária) certos aparelhos eletro-óti-
cos que conbinam dispositivos eletrônicos com dispositivos óticos. Os principais apare­
lhos ótico-eletrônicos serão mencionados no final desta Seção. A seguir faremos breves
comentários sobre alguns instrumentos óticos mencionados acima.
A luneta astronômica esquemaúzadz na Fig. 2.103 é também conhecida pelo nome de
luneta de Kepler. A designação de “luneta astronômica" c feita para distingui-la da "lu­
neta terrestre”. Conformesabemos, a imagem final percebida pelo olho numa luneta as­
tronômica é invertida. Para observações terrestres é conveniente que esta imagem seja di­
reita. Galilcu foi um dos primeiros pesquisadores a construir uma luneta com imagem di­
reita. Na luneta de Galileu utiliza-se uma lente divergente para reinverter a imagem da ob­
jetiva. Além das lentes divergentes, outro dispositivo muito usado para se obter visão di­
reta é um prsma ou um conjunto de prismas. O dispositivo utilizado para reinverter uma
imagem invertida denomina-se veículo inversor. No binóculo, o veículo inversort um con­
junto de prismas, conforme indicado na Fig. 2.104.

158
Fig. 2.104 Exemplo de binóculo. Os dois prismas indicados no lado
direito do binóculo constituem o veiculo inversor destinado a obter
visão direta.

O telescópio de reflexão, ou simplesmente telescópio, utiliza um espelho parabólico no


lugar da lente objetiva de uma luneta astronômica (também chamada de telescópio de re-
fração). A ocular de um telescópio de reflexão é constituída por uma lente convergente.
Utiliza-se um espelho parabólico (ou qualquer outro espelho) na objetiva de um telescó­
pio porque os espelhos apresentam aberrações mais reduzidas do que as aberrações das
lentes; em particular, conforme sabemos, os espelhos não exibem aberrações cromáticas.
Os telescópios que possuem espelhos denominam-se telescópios de reflexão, para que cies
possam scr distinguidos dos telescópios de refração (ou lunetas astronômicas).
O telêmetro c um instrumento ótico empregado para medir a distância que separa o ob­
servador de um ponto inacessível (como, por exemplo, o topo dc uma árvore ou o cume
dc um morro). O princípio usado para determinar esta distância é baseado na Trigonome-
tria. Como a luz se propaga em linha reta, com o uso do telêmetro podemos medir dois
ângulos de um triângulo e a determinação da distância procurada pode ser feita por seme­
lhança de triângulos ou então por meio de identidades trigonométricas. Algumas máqui­
nasfotográficas possuem um tipo especial de telêmetro que ajusta automaticamente o fo­
co necessário mediante a superposição dc duas imagens no centro do visor da máquina.
O teodolito c um instrumento ótico de observação usado em Astronomia e Geodesia.
Este instrumento pode scr usado para a confecção de mapas e de plantas. Os ângulos zeni-
taiseazimutais dc um astro ou de qualquer objeto também podem ser determinados me­
diante auxilio deste instrumento. O teodolito é constituído basicamente pelos seguintes com­
ponentes: uma mesa horizontal, um apoio vertical onde se encontra montada uma luneta
e um eixo vertical que serve de suporte.
O espectroscópio de prisma (ou espectrômetro de prisma) é um instrumento utilizado
para estudar a composição espectral de um feixe de luz. Na Fig. 2.105 indicamos um es-
pectrômelro de prisma. O espectrômetro de prisma é constituído por dois tubos entre os

159
quais existe um prisma P apoiado no centro de uma mesa horizontal. O tubo A indicado
na Fig. 2.105 denomina-se colimadore possui uma abertura estreita cuja largura pode ser
ajustada por meio de um parafuso. Umafonte de luz, cuja composição desejamos anali­
sar, é colocada na frente da abertura do colimador A. Uma lente existente na extremidade
do tubo A faz com que o feixe se torne cotimado. Este feixe paralelo ao eixo do tubo A
atinge o prisma P, sofrendo dispersão ao ser refratado no interior do prisma. A luz colori­
da que emerge do prisma passa para o tubo 8 e pode ser analisada através da ocular exis­
tente na extremidade do tubo B. a mesa horizontal possui \irr\n graduação angular que per­
mite a determinação do ângulo de dispersão de cada uma das cores componentes do feixe
da luz analisada.

Fig. 2.105 Espectrômelro de prisma. No espectro­


meiro de rede o prisma P é substituído por uma re­
de de difração (ver o capitulo 3).

No espectrômelro de rede, o prisma P indicado na Fig. 2.105 c substituído por urna re­
de de difração (veja o Capítulo 3 para uma descrição da rede de difração).
Os dispositivos eletro-óticos são sistemas constituídos por dispositivos óticos que inte­
ragem com sistemas eletrônicos. Um exemplo muito popular deste tipo dc sistema é o apa­
relho de televisão (receptor de TV). Num receptor de TV, dispositivos eletrônicos espe­
ciais convertem os impulsos elétricos em imagens reais na tela do cinescópio. O uso do
LASER e da FIBRA ÓTICA (ver a Seção 2.2) faz ampliar consideravelmente o número
de dispositivos eletro-óticos existentes modernamente.
Na Seção 2.8 estudamos o mecanismo da visão humana. Pois bem, o sistema ocular
do homem e dos demais mamíferos pode ser considerado como um sistema ótico-eletrô-
nico aperfeiçoado durante os três bilhões de anos de vida em nosso planeta. O nervo ótico
recebe e transmite ao cérebro os impulsos elétricos oriundos das imagens reais que se for­
mam sobre a retina; o cérebro funciona como um minúsculo computador que analisa c in­
terpreta os impulsos elétricos e os converte nas imagens naturais que percebemos.
O efeito fotoelétrico é a base para a explicação dc diversos fenômenos ólico-eletrônicos.
ü efeito fotoelétrico será discutido no Capítulo 4.

160
2.10 Fotometria
A Fotometria é a parte da Ótica que trata do estudo das grandezas físicas relacionadas
com a emissão e a recepção da luz.
O fluxo luminoso Fdc uma fonte é a razão entre a quantidade de energia radiante visí­
vel (WQ emitida pela fonte, constantemente, durante um intervalo dc tempo t e este inter­
valo de tempo t. Logo, o fluxo luminoso constante é definido pela equação:
F= W/t (2.58)
A dimensão de fluxo luminoso é a mesma dimensão de potência (energia por unidade
de tempo). No Sistema Internacional (SI) a unidade defluxo luminoso é o lúmen (Im), de­
finido do seguinte modo:
O lúmen (Im) é o fluxo luminoso emitido no interior de um ângulo sólido dc um
esfero-radiano por uma fonte puntiforme de intensidade constante igual a uma candeia
(igual em todas as direções). A candeia será definida mais adiante.
Note que a energia W que aparece na definição defluxo luminoso (2.58) é apenas a par­
cela visível da energia total da fonte. O estudo da radiação do corpo negro será feito no
Capítulo 4 (Física Moderna).
Quando a fonte produz uma energia W variável no tempo, o fluxo luminoso c obtido
pela derivada dW/dt, ou seja, o fluxo luminoso passa a ser definido pela seguinte equa­
ção:
lim AÍF
F=
Ar-O Al

onde A Wé a quantidade de energia luminosa irradiada pela fonte no intervalo dc tempo


Ar.
A intensidade luminosa I de uma ofnte numa determinada direção é a razão entre oflu­
xo luminoso Fe o ângulo sólido íl cujo eixo é a direção considerada, ou seja,
Z = F/Q (2.59)
O ângulo sólido Q cm esfero-radiano (sr) é definido pela seguinte equação:
□ = S/R2 (2.60)

onde Sé a área da calota esférica dc raio R. O centro desta esfera coincide com a fontepontual
considerada. Como a área total de uma superfície esférica vale 4%7?2, o ângulo sólido má­
ximo em torno de uma fonte pontual, dc acordo com a relação (2.60), vale:
fimáx. = 4xsr

Daí resulta que um esfero-radiano é o ângulo subtendido por uma calota esférica cuja
área é igual a 1/4% da área total da superfície esférica de mesmo raio da calota. Pela rela­
ção (2.60) vemos que o esfero-radiano não possui dimensão (é adimensionaf).
Dc acordo com a relação (2.59) vemos que a intensidade luminosa possui dimensão de
potência. A unidade dc intensidade luminosa no Si é a candeia (cd) definida do seguinte
modo:
Uma candeia (cd) é a intensidade luminosa igual à fração de (1/60) da intensidade lu­
minosa dc 1 cm2 da superfície de um radiador integral (ou corpo negro) na temperatura
de solidificação da platina. O corpo negro será estudado no Capítulo 4.

161
O Uuminamento i dc uma superfície c definido pela razào entre o fluxo luminoso Fe
a área S da superfície sobre a qual a luz incide. Logo, o Uuminamento é definido por:

i = F/S (2.6!)

A dimensão de Uuminamento é igual à dimensão de potência por unidade de área. No


SI a unidade dc Uuminamento é o lux (Ix). O lux é definido do seguinte modo:
Um lux é o Uuminamento de uma superfície plana de área igual a 1 m2 que recebe na
direção ortogonal um fluxo luminoso de um lúmen distribuído uniformemente ao longo
desta área.
A luminância L de uma fonte extensa numa determinada direção é a razão entre a inten­
sidade luminosa / da fonte na direção considerada c a área So obtida pela projeção da fonte
considerada sobre um plano ortogonal à direção mencionada.
A unidade de luminância no SI é dada pela própria definição da luminância. Como I.
= //So, a unidade de luminância no SI cdada pela unidade de intensidade luminosa divi­
dida pela unidade de área, ou seja, a unidade dc lumininânciaé candeia por m2 (cd/m2).
A emitância luminosa E dc uma fonte c a razão entre o fluxo luminoso Fe a área S da
superfície da fonte. Ou seja,

E = F/S (2.62)
De acordo com a relação (2.62) notamos que a dimensão dc emirância luminosa é a mes­
ma dimensão de potência por unidade de área. Comparando a relação (2.61) com a rela­
ção (2.62) vemos que a dimensão de emitância luminosa é a mesma dimensão de ilumina-
mento. Alguns livros chamam a emitância luminosa de Uuminância. No SI a unidade de
emitância luminosa é o lúmen por metro quadrado. Já sabemos que
1 lúmen/m2 = 1 lux

Observe a diferença entre a emitânciaenergética total de uma fonte (expressa em W/m2)


c a emitâncialuminosa da mesma fonte (expressa em lux). A emissão de ondas eletromag­
néticas de um corpo negro ou radiador integral será estudada no Capítulo 4 (Física Mo­
derna).
A eficiência luminosa de uma dada fonte de ondas eletromagnéticas ê definida pela re­
lação:

Fluxo luminoso F
Eficiência luminosa =
Fluxo total irradiado

A eficiência luminosa é em geral medida em lúmens/Watt. A eficiência máxima dc uma


fonte de ondas eletromagnéticas ocorre para um corpo negro com uma temperatura dc 6.500
°K. Esta eficiência luminosa máxima corresponde aproximadamente a 93 lúmens/Watt.
Note que a temperatura da superfície do Sol é desta ordem de grandeza, de modo que a
radiação solar possui uma eficiência luminosa próxima da efciência máxima teórica.
Medindo-se a intensidade luminosa dc uma fonte de luz podemos determinar todas as
grandezasfotométricas da referida fonte. A intensidade luminosa pode ser medida com
um instrumento chamado fotômetro.

162
Questionário
2.1 Diga qual é a diferença entre o tratamento feito pela Ótica Geométrica c a aborda­
gem feita pela chamada Ótica Física ou Ótica Ondulatória.
2.2 Todo meio transparente é homogêneo? Todo meio homogêneo é transparente?
2.3 Todo meio transparente é isoirópico? Todo meio isotrópico é transparente?
2.4 (tf) Todo meio homogêneo é isotrópico? (b) Todo meio isotrópico é homogêneo?
(c) Todo meio homogêneo e isotrópico é transparente?
2.5 Qual é a diferença entre um sistema estigmático e um sistema ótico astigmático?
2.6 (</) Que você entende por raios paraxiais? (/;) Quais sào a.s principais exigências da
aproximação de Gauss?
2.7 O que é uma fonte pontual ou fonte puntiforme?
2.8 Você seencontra ao nivel do mar. Você vê o Sol. a Lua ou qualquer outro astro “nas­
cer” na linha do horizonte. Oastroque você vê nascer está abaixo ou acima da linha
do horizonte astronômico?
2.9 O que c caminho ótico?
2.10 Qual c o dispositivo ótico apropriado para produzir um desvio na direção de um feixe
luminoso monocromático?
2.11 O que c necessário fazer para produzir um deslocamento lateral num feixe lumino­
so colimado sem, no entanto, alterar a direção de propagação, isto é, sem alterar
a direção c o sentido do vetor que caracteriza a velocidade de propagação da luz do
feixe considerado?
2.12 (tf) É possível utilizar uma lâmina de faces paralelas para separar as cores de um fei­
xe colimado de luz branca? sabemos que a placa c transparente a todas as cores e
cia se encontra imersa no ar. (ô) Sc a placa referida no item anterior estiver imersa
na água, qual é a cor do feixe emergente? (c) E se a placa mencionada no item (tf)
for composta por diversas placas paralelas transparentes, será possível separar as
cores do feixe colimado incidente?
2.13 Defina a rejletância ou poder refletor de uma superfície.
2.14 Qual é a diferença entre a reflexão total c a reflexão especular?
2.15 Esclareça a diferença entre a reflexão especularei reflexão difusa (também conhe­
cida como difusão ou espalhamento).
2.16 Você deseja fazer uma tela de cinema. Você usaria como tela um espelho plano grande
ou usaria um pano branco para servir de tela? Justifique resumidamente sua resposta,
2.17 (tf O que é um sistema ótico convergente? (ô) O que é um sistema ótico divergente?
(c) O que é um sistema ótico afocaP.
2.18 Supondo válida a aproximação dc Gauss, qual c a relação entre o raio de curvatura
r de um espelho esférico (côncavo ou convexo) e a distância focal/do respectivo es­
pelho?
2.19 O espelho retrovisor de um automóvel pode ser plano? Pode ser convexo? Pode ser
côncavo?
2.20 A superfície refletora de um holofote deve ser um espelho plano, esférico côncavo
ou um espelho parabólico?
2.21 Quando você está sentado na cadeira do Dentista ele aproxima um pequeno espelho
do dente que ele quer examinar. Este espelho deve ser plano, esférico convexo ou
esférico côncavo?
2.22 Uma imagem virtual pode ser projetada sobre a tela?
2.23 Qual é a diferença entre um foco real e um foco virtual?
2.24 Uma imagem virtual pode ser fotografada?

163
2.25 Uni feixe dc luz solar incide sobre um espelho convexo ou sobre uma lente divergen­
te. Sc você colocar um cigarro no foco do espelho convexo ou da lente divergente
exposta aos raios solares, o cigarro sc acenderá?
2.26 (ff) Vocc pode fotografar miragens? (ô) Você pode fotografar o arco-íris? (c) Vocc
sc encontra diante dc um espelho plano; você pode fotografar sua própria imagem
no espelho juntamente com a máquina fotográfica?
2.27 Sc uma lente divergente forma cm geral imagens virtuais, como pode uma pessoa
ver uma paisagem real utilizando uma lente divergente?
2.28 O que cfoco principal dc uma lente? O que c foco secundário? O que vem a ser o
plano foca! de uma lente?
2.29 O que c convergência, vergência, potência ou grau de uma lente? Qual é a unidade
de vergência no Sistema Internacional?
2.30 Escreva a fórmula da ampliação linear transversal dc uma lente delgada.
2.31 Em que condições uma lente delgada biconvexa pode se tornar divergente?
2.32 (a) Uma lente delgada bicôncava de vidro (m = 1,5) está imersa no ar. Esta lente é
convergente ou divergente? (ô) Suponha que esta lente esteja imersa num líquido
transparente de índice de refração igual a 1,8; neste caso, esta lente é convergente
ou divergente?
2.33 Diga se é direita ou invertida a imagem formada por uma lente delgada nos seguin­
tes casos: (a) imagem virtual de um objeto virtual, (d) imagem real de um objeto real,
(c) imagem virtual de um objeto real, (d) imagem real dc um objeto virtual.
2.34 Quais são os principais tipos de aberrações das lentes?
2.35 O que é aberração cromática?
2.36 Um diafragma pode restringir as aberrações das lentes?
2.37 Diga quais são as principais características dc adaptação c de acomodação do olho
humano normal.
2.38 (a) O que é ângulo visual? (b) Qual é a relação aproximada para sc calcular o ângulo
visual cm radianos?
2.39 O que você entende por acuidade visual ou poder de resolução máximo do olho hu­
mano?
2.40 Diga o que é, e como é possível corrigir, cada um dos seguintes defeitos do olho hu­
mano: (a) miopia, (b) hipermetropia, (c) presbiopia, (d) astigmatismo.
2.41 Esclareça a diferença entre um instrumento ótico de observação e um instrumento
de projeção.
2.42 Qual é a ordem dc grandeza do aumento máximo fornecido por um microscópio com­
posto?
2.43 Você já deve ter notado que a Lua no horizonte possui um diâmetro aparente maior
do queo diâmetro aparente da Lua no zênite. Qual é a explicação deste fenômeno?
2.44 O chamado "númerof" da máquina fotográfica fornece a distância focal da obje­
tiva dividida pela abertura da objetiva permitida pelo diafragma. Qual é a relação
entre o número f c o tempo de exposição?
2.45 Explique porque qualquer lente simples apresenta aberração cromática, ao
que nenhum espelho exibe aberração cromática.
2.46 (a) Qual é a diferença entre a luncta astronômica e o telescópio? (b) Qual é a dife­
rença entre a luneta astronômica e a luncta dc Galilcu? (c) Qual é a diferença entre
a luncta astronômica e a luneta terrestre?
2.47 (a) Defina fluxo luminoso, (ô) Qual c a unidade de fluxo luminoso no Sistema In­
ternacional?

164
2.48 Defina intensidade luminosa e diga a unidade de intensidade luminosa no Sl.
2.49 Defina iluminamento e escreva a unidade de iluminamento no Sl.
2.50 Defina a emitância e diga as unidades de cmitância no SI.
2.51 O que c um fotômetro?
EXERCÍCIOS
2.52 (USP) A altura de uma árvore, num dia de sol, pode ser conhecida, a partir dos se­
guintes dados:
I — comprimento da sombra da árvore, projetada no solo;
II — altura de um observador;
III — comprimento da sombra do observador, projetada no solo.
A altura é obtida com base em triângulos semelhantes. Pode-se, então, afirmar que:
(A) a altura não depende da hora do dia em que a media é feita;
(B) a altura obtida depende da hora do dia em que a medida é feita;
(C) a altura obtida depende da posição (lat. c long.) onde é feita;
(D) a altura depende da estação do ano;
(E) este método só pode ser usado no Hemisfério Norte.
2.53 (CESCEM) Um método para medir o diâmetro do Sol consisteem determinar o diâ­
metro de sua imagem nítida, produzida por um orifício pequeno feito em um car­
tão, conforme a figura:

orifício.
imagem X Sol
nítida

Fig. 2.106

São dados:
— diâmetro da imagem: 9,0 x 10“1 cm.
— distância do orifício até a imagem do Sol: 1,00 x 102 cm.
— distância do Sol até a Terra: 1,50 x 10" cm.
Qual é o diâmetro do Sol obtido por este método?
(A) 1.5 X 10'° cm.
(B) 1,4 X 10" cm.
(C) 2,8 X 10" cm.
(D) 1,4 x 10" cm.
(E) 2.6 X 10" cm.
2.54 (CESCEM) Uma fonte luminosa projeta luz sobre as paredes de umasala; um pilar
intercepta parte desta luz. A penumbra que se observa é devida:
(A) ao fato de não ser pontual a fonte luminosa;
(B) ao fato de não se propagar a luz rigorosamente em linha reta;
(C) aos fenômenos de interferência da luz, depois de tangenciar os bordos do pi­
lar;
(D) ao fenômeno de difração;
(E) à incapacidade do globo ocular em concorrer para uma diferenciação eficiente
da linha divisória entre luz e penumbra.

165
2.55 (UE. LONDRINA) Na figura abaixo esquematizamos um eclipse solar. Um obser­
vador,

Sol^
Terra
Lua

Fig. 2.107
(A) no cone de sombra, vê um eclipse parcial;
(B) na região da penumbra, vê um eclipse total;
(C) na região plenamente iluminada, vê a Lua eclipsada;
(D) na região da sombra própria da Terra, vê somente a Lua;
(E) na região plenamcnte iluminada, não vê o eclipse solar.
2.56 Uma pequena lâmpada Femitc luz que incide numa lente L, refrata-se e, em segui­
da, incide num espelho E como mostra a figura abaixo.

L
E

F F,

F'

Fig. 2.108
Podemos afirmar que F\ é:
(A) a imagem virtual da lente;
(B) a imagem virtual do espelho;
(C) a imagem real do espelho;
(D) a imagem real da lente;
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
2.57 (UFMG) Um menino de 1,50 m de altura observa, num dia de sol, as sombras de
uma torre de rádio emissora e a sua própria. Nãodispondo de fita métrica ou de tre-
na, ele toma um cordão, mede sua sombra c compara com a da torre, verificando
ser esta dez vezes maior. Assim, o menino conclui que a altura da torre:
(A) éde 15 m;
(B) é superior a 15 m;
(C) é inferior a 15 m;
(D) depende da inclinação dos raios solares;
(E) só poderia ser calculada se ele dispusesse de uma escala para medir sua som­
bra.

166
2.58 Observe a figura abaixo. Utilize a seguinte nomenclatura. POV = ponto objeteo
virtual; PIR = ponto imagem real; POR = ponto objeto real; PIV = ponto ima­
gem virtual.
s,

Fig. 2.109
O ponto Pé:
(A) POV de S;.
(B) PIR de S2.
(O POR de S>.
(D) POR de S2.
(E) PIV de Si.
2.59 (CESGRANRIO) Você olha um periscópio constituído pela associação de dois es­
pelhos planos paralelos, conforme indicado na figura abaixo. Vocc está observan­
do um painel onde se encontra pintada uma letra R. De que maneira você verá a le­
tra R'!

(A> H

<B) R
R
<o H
<D) B

<b> td

Fig. 2.110
2.60 Uma letra Fse encontra paralelamente à superfície de um espelho plano. Você verá
a imagem desta letra no espelho com a seguinte forma:
(A) F (D) H
(B) ü. (E) n
(C) J

167
2.61 (USP) Um homem se aproxima de um espelho plano c depois se afasta. Qual dos
gráficos abaixo c o que representa o tamanho real h de sua imagem cm função do
tempo?
.h
(A) (B) (C)

h
(D) (E)

Fig. 2.111
2.62 (CESGRANRIO) Um espelho plano fornece de um objeto virtual uma imagem:
(A) virtual e direita;
(B) real e direita;
(C) virtual c invertida;
(D) real e invertida;
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
2.63 (MACKENZIE) Um observador dc 1,70 m de altura c cujos olhos se encontram a
1,60 m dc altura do solo está diante de um espelho plano vertical e dc forma retan­
gular. Para que o observador veja toda sua imagem, por reflexão, no espelho, de­
termine:
1) a altura mínima do espelho;
II) a distância do bordo inferior do espelho ao solo.
(A) 1) 0,85 m e II) 0,80 m.
(B) I) 0,80 me II) 0,85 m.
(C) I) 1,70 m e II) no solo.
(D) I) e II) dependem da distância do observador ao espelho.
(E) Nenhuma das respotas anteriores.
2.64 (ITA) Quando um homem sc aproxima diretamente de um espelho plano com velo­
cidade de 1,2 m/s, ele:
(A) se afasta de sua imagem com velocidade dc 1,2 m/s;
(B) se aproxima dc sua imagem com velocidade de 1,2 m/s;
(C) se aproxima dc sua imagem com velocidade de 2,4 m/s;
(D) mantém uma distância constante de sua imagem.
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
2.65 (PUC-SP) Um raio luminoso incide sobre um espelho plano, segundo um ângulo
0 com a normal no ponto de incidência. O raio refletido incide sobre um segundo
espelho que forma um ângulo de 90° com o primeito. O ângulo formado entre o raio
incidente no primeiro espelho e o refletido no segundo espelho, supondo o raio inci­
dente em um plano perpendicular aos dois espelhos, vale:

168
(A) 90“ + 0.
(B) 90" - e.
(C) 2 0.
(D) 180".
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
2.66 (1TA) As figuras abaixo representam as interseções de dois espelhos pelanos perpen­
diculares ao papel e formando os ângulos indicados. Em qual das situações um raio
luminoso r, contido no plano do papel, que incide sobre o espelho /, formando ân­
gulo 0 entre 0 e rr/2 emergirá de II paralelo ao raio incidente?

(A) 1
(C)
0
i—r
90°
30"
II II II

I
I
(D) (E)
120° 150°

II II

Fig. 2.112

2.67 (1TA) A respeito de um espelho convexo, sendo o objeto real, pode-se afirmar que:
(A) forma imagens direitas e diminuídas;
(B) não forma imagens diminuídas;
(C) suas imagens podem ser projetadas sobre anteparos;
(D) forma imagens reais;
(E) suas imagens são mais nítidas que as dadas pelo espelho plano.
2.68 Um espelho côncavo produz, de um objeto real colocado entre o foco c o vértice do
espelho, uma imagem:
(A) virtual e maior;
(B) real c maior;
(C) virtual c menor;
(D) real e menor;
(E Nenhuma das respostas anteriores.

169
2.69 (CESGRANRIO) Uni espelho esférico côncavo tem raio de curvatura 50 cm. Um
feixe de luz paralelo ao eixo principal incide sobre espelho muito próximo do vérti­
ce, sendo refletido para um ponto luminoso no eixo. A distância deste ponto ao vér­
tice do espelho é:
(A) lOcm. (B) 20cm. (C) 15cm. (D) 25cm. (E) 50cm
2.70 (FE1) Um objeto rctilínco, de altura h, cncontra-se em frentede um espelho cônca­
vo, dc raio de curvatura R, a uma distância d do mesmo. Para que a sua imagem
real tenha altura h/2, a distância d deve valer:

(A) — R. (C) 2r. (E) 3 R.


3 4

(B) Ir. (D) Ir.


3 2
2.71 (CESCEA) Um espelho esférico associa uma imagem virtual e direita a um objeto
real. A dimensão transversal da imagem é metade da do objeto, e a distânciq ue os
separa é d. Dc que tipo de espelho se trata, qual sua distância focal e qual, em mó­
dulo, a distância x do seu vértice ao objeto?
(A) Convexo, f = -2d/se x - 2 d/3.
(B) Convexo, f = - d/3 c x = d/3.
(C) Côncavo, f = 2 d/3 e x = 2 d/3.
(D) Côncavo, f = d/3 c x = d/3.
(E) Nenhuma das responstas anteriores.
2.72 (NUNO LISBOA) Um objeto, situado entre o foco e o centro de curvatura dc um
espelho côncavo, tem a sua imagem:
(A) real, invertida e menor do que o objeto;
(B) virtual, direita e maior do que o objeto;
(C) real, invertida c maior do que o objeto;
(D) virtual, direita c menor do que o objeto;
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
2.73 Para coletar a imagem de um astro distante, c preferível usar na objetiva de um te­
lescópio
(A) Uma lente divergente,
(B) Uma lente convergente,
(C) um espelho plano,
(D) um espelho côncavo (esférico),
(E) um espelho parabólico.
2.74 (CESGRANRIO -1987) Sobre o eixo ótico de um espelho esférico côncavo que possui
20 cm de distância focal c colocada uma pequena lâmpda, a 30,0 cm do vértice do
espelho. A uma certa distância d do vértice do espelho côncavo, e perpendicular­
mente ao eixo ótido do mesmo, é colocado um espelho plano. Após múltiplas refle­
xões da luz em ambos os espelhos, várias imagens da lâmpada vão se formar. Quan­
to deve valer a distância dentre os dois espelhos para que todas as imagens da lâm­
pada se formem em um número mínimo de posições distintas?
(A) 40,0 cm (C) 50,0 cm (E) 60,0 cm
(B) 45,0 cm (D) 55,0 cm

170
2.75 (AM AN) A velocidade da luz cm um certo óleo mede 2/3 da velocidade no vácuo.
O índice de refração do óleo é:
(A) 1,50. (B) 0,67.
(C) 1,67. (D) 2,50.
(E) 1,75.
2.76 Um raio dc luz passa do vácuo para outro meio homogêneo transparente, forman­
do os ângulos a e 3 com a supcrfícic dc separação (ver figura a seguir). Consideran­
do a vclocidadedaluzno vácuo conhecida e representada por v„. podemos dizer que
a velocidade da luz no meio b é dada por:

vácuo
A
meio b

Q
Fig. 2.113
(A) vo sen 0 / sen a.
(8) v„ cos á / cos a.
(C) vo cos a / sen a.
(D) Vo sen a / sen 6.
(E) v0 cos (a - 0)

2.77 (USP) Dois recipientes de vidro transparente contêm, rcspcclivarnente, água e te-
traclorctilcno, ambos coinplctarnente transparentes. Duas barras de vidro transpa­
rente sào mergulhadas nos recipientes. A parte imersa na água continua quase tflo
visível como Tora. A parte imersa no tetracloretileno fica compietamente invisível.
O vidro fica invisível, porque:

__

s
Fig. 2.114

(A) o índice dc refração do vidro ó maior do que o do ar;


(B) o índice de refração do vidro é maior do que o da água;
(C) o índice de refração do tetracloreliicno é muito menor do que o do vidro;
(D) o indídice de refração do tetracloretileno c igual ao do vidro;
(E) o índice de refração do letraclorctilcno é muito maior que o do vidro.

171
2.78 (CESCEM) Um raio luminoso passa de um meio (1) a um meio (2), dc índices dc re-
fruçâo absolutos, respectivamente, meni (ver figura).

IN

meio (1)
T7 meio (2)

i
Fig. 2.115
É válida a seguinte relação:
PT r>2 IH = (JU-)*
(A) (Q -------- = B| . 112 (E)
HR Bi IT PT n2
PT B| HI 02
(B) (D)
HR Bj HR B|

2.79 (AMAN) Um raio luminoso amarelo incide com um ângulo de 30° e refrata-sc, for­
mando um ângulo de 60° com a normal. O índice de rcfraçào do meio que contém
o raio retratado cm relação ao meio que contém o raio incidente é:

(A) 1. (B) —. (C) —. (D) —. (E) —.


2 3 2 3

2.80 (CESGRANRIO-1986) Um raio luminoso, propagando-se no ar, incide sobre a su­


perfície lateral de um cilindro dc vidro, no plano de uma seção reta do cilindro.
Dentre as trajetórias do raio luminoso propostas nas figuras a seguir são fisicamen­
te possíveis:

Fig. 2.116

172
(A) I e III somente;
(B) I e IV somente;
(C) II c III somente;
(D) 1 e II somente;
(E) I, II c III somente.
2.81 Determinar o ângulo dc um prisma cujo índice de refração em relação ao meio am-
bienteéVT, sabendo-se que um raio luminoso, ao atravessar sob um ângulo dc inci­
dência de 45°, sofre um desvio angular de 60°.
(A) 10°, (B) 20°, (C) 75°, (D) 35°, (E) 25°
2.82 Um raio luminoso, atravessando um prisma de ângulo 60° e índice de refração relativo
ao meio ambiente igual a emerge perpendicularmentc à face dc incidên­
cia. Qual o ângulo de incidência?
(A) 10°, (B) 30°, (C)60°, (D) 80°, (E) 90°
2.83 Calcular o índice de refração de um prisma de âgulo igual a 90°, sabendo-se que o
desvio mínimo por ele produzido é 30°.
(A) 1,0; (B) 1,1; (C) 1,2; (D) 1,3; (E) 1,4.
2.84 Um prisma tem índice de refração VT. Para uma dada incidência o prisma provoca
um desvio angular mínimo. Calcule o ângulo do prisma sabendo-o igual ao desvio
angular mínimo.
(A) 50°, (B) 70°, (C)90°, (D) 110°, (E) 120°
2.85 O desvio angular que um raio luminoso monocromático sofre ao atravessar um pris­
ma:
(A) varia com A, i e n;
(B) varia com A e i, mas não com n;
(C) varia com A e n, mas não com i;
(D) varia com i e n, mas não com A;
(E) é constante.
OBSERVAÇÃO:
— A é o ângulo de refringência do prisma, i é o ângulo de incidência do raio, e n é o novo
índice de refração do material do prisma em relação ao meio exterior.
2.86 Um prisma de ângulo de refringência de 110° é confeccionado com um vidro de ín­
dice de refração Vz Podemos afirmar que:
(A) os raios de ângulo de incidência superior a 45° refletem-se na 2? face do pris­
ma;
(B) os raios de ângulo de incidência superior a 30° refletem-se na 2.“ face do pris­
ma;
(C) o prisma é de refração total;
(D) o prisma é de emergência total.
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
2.87 Um raio luminoso monocromático incide normalmente numa das faces de um pris­
ma cujo ângulo é de 45°. O raio emergente é rasante. O índice de refração do prisma
é:
(A) 1,2. (B) 1,3.
(C) 1,4. (D) 1,5.
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
2.88 Um raio luminoso incide normalmente em uma das faces de um prisma de ângulo
de refringência igual a 30°. O desvio também c 30°. Qual o índice de refração?
(A) 1,0; (B) Ví (C) Ví (D) 2,0; (E) 1,5.

173
2.89 Quando um raio luminoso incide normalmente em uma das faces dc um prisma, o
desvio é 45°. O índice de refração ê x/2. Quais os ângulos dc emergência e refringên-
cia?
(A) 90°. 45°; (B) 90°, 30a; (C) 60°, 10°; (D) 0u, 10°; (E) 0°, 30”.
2.90 Um raio luminoso incide rasante em um prisma c sai rasante. O desvio é 90°. Qual
o ângulo de refringência? Qual o índice de refração?
(A) 90", 72; (8)90°, 2; (C) 90". 1,5; (D) 0". 2; (E) 0", 1.5.
2.91 Para aplicar A = (n — 1) A, ao desvio dc um prisma de ângulo de refringência A
e índice de refração n, é necessário que:
(A) o prisma seja reto;
(B) A seja grande, c a incidêcia quase normal;
(C) n seja pequeno, e A seja grande;
(D) A seja maior do que o dobro do ângulo limite;
(E) A seja pequeno, e a incidência seja quase normal.
2.92 Um prisma oco é formado por 3 lâminas de vidro iguais de faces paralelas como mos­
tra a figura a seguir. Um raio luminoso incide na posição indicada, o raio emergen­
te é:
(A) I ; (B) II ; (C) III : (D) IV ; (E) V

I
- II
ar z60°
' ar \ III
60°/' VL IV
,60° 60°?
■V

Fig. 2.117
2.93 A Fig. 2.118 representa um prisma dc vidro sobre o qual incide um raio luminoso.
São mostrados o trajeto do raio incidente, assim como vários raios produzidos por
reflexões sobre as faces do prisma.Qual dos raios assinalados é o raio incidente9

\ 07
Fig. 2.118
(A) í : (B) II ; (C) 111 ; (D) IV ; (E) II ou [V.
2.94 (USP) Quando um raio de luz branca, que se propaga no ar, penetra cm um prisma,
sofrendo dispersão:
(A) a componente violeta sofre menor desvio do que a vermelha;
(B) quanto menor o comprimento de onda no vácuo, menor é o desvio sofrido
pela componente correspondente;
(O) a componente amarela sofre maior desvio que a violeta;

174
(D) a frcqüência da componente vermelha aumenta e a da componente violeta di­
minui;
(E) Nada do que foi dito acima ocorre.
2.95 A figura a seguir representa um prisma de vidro de ângulo pequeno, do qual conhe­
cemos a curva de dispersão, e sobre o qual incide um pincel policromático. A respeito
da distância .vobtida no anteparo, formada pelas raias limites do espectro visível, pode­
mos afirmar que:

; ^d
n

À
x

Fig. 2.119
(A) é dirctamente proporcional a d;
(B) é diretamente proporcional a d2;
(C) é inversamente proporcional a d;
(D) é inversamente proporcional a d2;
(E) Nenhuma das respostas é verdadeira.
2.96 Um feixe dc luz branca incide sobre um prisma feito de certo material cujo índice
de refração n varia com o comprimento dc onda X, de acordo com o gráfico abaixo.
Em uma tela branca, mostrada na figura, formam-se três regiões iluminadas com
cores distintas, I, II e 111. Quais são as cores mais prováveis dcl, II c 111, respectiva­
mente?

42(1 53(1 <VU (.50 (nic1

Fig. 2.120
(A) Azul, amarelo e vermelho.
(B) Vermelho, amarelo e z.ul.
(C) Azul, vermelho e amarelo.
(D) Vermelho, azul e amarelo.
(E) Amarelo, azul e vermelho.

175
2.97 Utiliza-se frcqüent emente o sistema óptico representado na Fig. 2.121 para aumen­
tar a abertura de um feixe paralelo (de laser, por exemplo). Sabendo-se que o feixe
paralelo emergente da lente convergente tem um diâmetro quatro vezes maior que
o do feixe paralelo incidente na lente divergente, e que a distância entre as lentes c
3,0 cm, podemos afirmar que as distâncias focais da lente divergentee da lente con­
vergente são, rcspcctivamentc:

777777
Fig. 2.121
(A) - 1,09 e + 3,0 cm.
(B) - 1,0 e + 4,0 cm.
(C) - 3.0 e + 4,0 cm.
(D) - 4,0 c + 3,0 cm.
(E) - 4,0 e + 1,0 cm.
2.98 Duas lentes convergentes de convergências iguais a 5 e 10 dioptrias são dispostas coa-
xialmcntc como mostra a figura a seguir. Um raio incide e emerge como mostra a
figura. A distância d entre as duas lentes é:

(A) 15 cm. L, L:
(B) 30 cm.
(C) 10 cm.
(D) 60 cm.
(E) 40 cm.
L__ d-_
Fig. 2.122
2.99 A lente da Fig. 2.123 tem + lOdic está colocada diante de um espelho esférico-côn-
cavo distante 30 cm. Os raios luminosos, que chegam paralelos ao eixo principal da
lente, retornam sobre si mesmo. Qual a distância focal do espelho?
(A) 1 cm; (B) 2 cm; (C) 5 cm; (D) 10 cm; (E) 8 cm

1 V

Fig. 2.123

176
2.100 (CESGRANR1O) Um objeto pontua! O está situado sobre o eixo óptico de uma lente
convergente c dista 20 cm da lente; ver a Fig. 2.124.

0
+
4- 20 cm
I
Fig. 2.124
Um espelho plano, perpendicular ao eixo óptico, está situado atrás da lente, como
indica a figura. Observa-se que, qualquer que seja a distância lente-espelho, a ima­
gem final fornecida por esse sistema óptico, coincide com o objeto. Concluímos que
a distância focal da lente é:
(A) 5,0 cm. (B) 10 cm. (C) 20 cm. (D) 40 cm. (E) 60 cm.
2.101 (USP) Uma lente esférica delgada c convergente fornecerá de um objeto real uma
imagem virtual, direita e ampliada, quando esse objeto estiver situado:
(A) no foco objeto da lente;
(B) no fogo imagem da lente;
(C) no infinito;
(D) entre o foco objeto e a lente;
(E) entre a lente e o foco imagem.
2.102 (FMU-MG) Quando a distância de um objeto a uma lente convergente é pouco maior
que a distância focal desta lente, a imagem é:
(A) real, invertida c aumentada;
(B) real e diminuída;
(C) real e igual ao objeto;
(D) virtual c aumentada.
(E) virtual c diminuída.
2.103 (USP) Seguro uma lente a cerca de 40 cm de meus olhos, voltada para uma lâmpada
acesa no teto de uma sala. Vejo uma só imagem situada entre a lente e meus olhos.
Concluo que a lente é:
(A) convergente, de distância focal menor que 1 metro;
(B) convergente, de distância focal maior que 1 metro;
(C) divergente, de distância focal menor que 1 metro;
(D) divergente, de distância focal maior que 1 metro.
(E) divergente; nada podemos afirmar sobre sua distância focal.
2.104 (FEI-SP) Um objeto real encontra-se a 20 cm de uma lente biconvexa convergente
de 10 dioptrias. Sua imagem c:
(A) real e invertida;
(B) real e direita;
(C) virtual e invertida;
(D) virtual e direita;
(E) Nenhuma das respostas anteriores.

177
2.105 (CESCEA-SP) Um feixe de raios paralelos, proveniente da esquerda, incide sobre
uma lente, sendo focalizado a uma distância d da mesma. Sc uma fonte luminosa
puntiforme for colocada à esquerda da lente, a uma distância igual a 5d, podemos
afirmar que sua imagem sc formará a uma distância:
(A) menor que d c à direita da lente;
(B) maior que d e à direita da lente;
(C) menor que d e à esquerda da lente;
(D) maior que d e à esquerda da lente;
(E) Nenhuma resposta anterior.
2.106 O esquema representa uma lente delgada convergente que fornece de um objeto real
deabscissaxuma imagem, cujaabscissa tem módulo 2x. A distância focal da lente
é:
(A) X.
(B) a/2

(C) 2x. fo
(D) Um valor diferente desses. k
(E) Não pode ser calculada. 2x
Fig. 2.125
2.107 (CESGRANRIO) Um objeto de pequenas dimensões é colocado paralelamente
ao eixo principal de uma lente plano-convcxa de distância focal y. Verifica-se que
a imagem obtida é real e do mesmo tamanho do objeto. A distância entre o objeto
e a imagem será de:
(A) 4y. (C) 2y.
(B) y. (D) 3y. (E) y/2.
2.108 (UERJ) Uma lente delgada biconvcxa, de distância focal igual a4 cm, fornece uma
imagem real de um objeto a uma distância de 6 cm de seu centro. A altura da ima­
gem é 2 cm. A distância do objeto à lente c sua altura serão, respectivamente:
(A) 12 eme 4 cm. (C) 6 cm c 3 cm. (E) 2 eme 4 cm.
(B) 18 eme 2 cm. (D) 12 eme 3 cm.
2.109 (CESGRANRIO - 1987) Dispondo de três lentes; Aj, Ajc Aj, um estudante deseja
construir um microscópio composto com apenas duas lentes (uma objetiva c a ou­
tra ocular).
As características das três lentes disponíveis são:
DISTÂNCIA
LENTE TIPO FOCAL
Li convergente + 2,0 cm
Lí convergente + 10,0 cm
£3 divergente - 5,0 cm
Escolha, dentre as opções abaixo, a objetiva e a ocular que devem ser utilizadas.
OBJETIVA OCULAR
(A) Aí Li
(B) Ai Aj
(C) Aa Ai
(D) Aa Aj
(E) Aj A,

178
PROBLEMAS
2.110 Um poste de 4 in de altura lunita no .solo uma sombra dc 8 m de comprimento. No
mesmo instante, uma árvore projeta no solo uina sobra dc 44 ni. Calcule a altura
h da árvore.
2.111 Um feixe dc luz monocromática verde se propaga no vácuo. O comprimento de on­
da desta luz verde vale 500 m/t. O feixe sai do vácuo c penetra num bloco dc vidro
(n - 1,5). Calcule: (a) a frcqúcncia desta luz nu vácuo, (b) a frequência desta luz
no vidro, (c) o comprimento dc onda da luz verde no interior do vidro, (d} a veloci­
dade dc propagação da luz verde no interior do bloco de vidro.
2.112 A luz leva 10“ 6 s para se propagar num meio de índice dc rcfraçào n = 2. Calcule:
(g) a distância entre o ponto inicial e o ponto final da trajetória, (Z>) o caminho ótico
entre estes dois pontos, (c) a distância que a luz percorrería no vácuo no mesmo in­
tervalo dc tempo.
2.113 Num meio homogêneo e isotrópico, o caminho ótico de um raio luminoso que vai
dc um ponto A ate um ponto R é igual a 900 m. Sabendo-se que a distância entre
A c B vale 600 m, calcule o índice dc rcfraçào do meio considerado.
2.114 Um feixe luminoso monocromático possui no vácuo um comprimento dc onda X<,.
Escreva relações para: (a) a frcqüência desta onda no vácuo, (b) a frcqüência desta
onda quando cia sc propaga num meio de índice de refração n, (c) o seu comprimen­
to dc onda quando o feixe dc propaga no meio citado no item anterior, (d) a veloci­
dade de propagação da onda neste meio.
2.115 Uma câmara escura c constituída por uma caixa fechada contendo somente um pe­
queno orifício na sua face dianteira. A distância entre o plano onde se encontra o
orifício c o plano onde se projetam as imagens no fundo da caixa é igual a 30 cm.
Um objeto se encontra a uma distância de 4,8 m do orifício. A imagem do objeto
forrnada sobre o anteparo interno no fundo da caixa possui altura h' = 25 cm. Cal­
cule a altura h do objeto.
2.116 Na figura seguinte o segmento A B representa um diâmetro resultante do corte de
uma fonte luminosa circular de raio R\ = 1 cm. Paralelamente ao plano da fonte
circular existe um anteparo opaco de raio R2 = 5 cm situado a 20 cm da fonte. Colo­
ca-se a 1,0 m da fonte uma grande tela situada num plano paralelo ao plano da fon­
te e ao plano do anteparo opaco. Calcule: (a) o diâmetro D\ da sombra projetada
na tela, (6) a área da penumbra projetada na tela.

H
G
D
fí 1 J
O^.
P Q
A
C

Fig. 2.126

179
2.117 Um garoto aprendeu no colégio que conhecendo-se o valor da distância entre a Ter­
ra e a Lua é possível determinar o diâmetro da Lua produzindo-se o eclipse total
da Lua em relação a um observador que utiliza uma moeda para tapar complcta-
mentca imagem da Lua. O garoto faz a experiência com uma moeda de 1 cmdcdiâ-
metro e verifica que para eclipsar a Lua é necessário qeu a distância entre a moeda
e o olho do observador seja igual a 110 cm. Calcule o valor aproximado do diâme­
tro da Lua sabendo que a distância entre a Terra e a Lua c aproximadamente igual
a 3,8 x 10s m.
2.118 De um certo ponto avista-se o topo de uma torre sob um ângulo de 22,5°. (Ângulo
medido cm relação à horizontal). Avançando-se 40 m, cm direção à torre, o topo
passa a ser visto sob um ângulo de 60°. Sabendo-se que o terreno é plano e que o
olho do observador fica a 1,50 m do solo, calcular: (o) a altura da torre, (b) a distân­
cia inicial do observador à torre.
2.119 Uma garota deseja medir a altura de um edifício de 24 andares. Para isto ela estica
o braço segurando uma régua milimetrada. A distância entre o centro da régua e o
olho da garota é aproximadamente igual a 60 cm. Ela verifica que a altura equiva­
lente a oito andares corresponde a 10 cm na escala da régua. A distância entre a ga­
rota c o edifício é igual a 144 m. Calcule a altura H do edifício.
2.120 Dois espelhos são ligados formando entre si um ângulo de 90°. Um raio luminoso
incide sobre um dos espelhos formando um ângulo de incidência igual a 10°. Sc o
plano de incidência for ortogonal aos dois espelhos, determineo ângulo entre o raio
que emerge do segundo espelho e o raio que incide sobre o primeiro espelho. Qual
é o ângulo de incidência sobre o segundo espelho?
2.121 Uma pessoaAB, de 1,70 m de altura, coloca-se na frente de um espelho plano verti­
cal. Qual deverá ser o tamanho mínimo desse espelho, e a que altura acima do chão
deverá ficar a extremidade inferior dele a fim de que a pessoa possa se ver completa­
mente no espelho, admitindo-se que os olhos ficam 10 cm abaixo do topo da cabe-
ça?
2.122 (MACKENZIE) Um homem de 1,65 m de altura vê sua imagem cabendo exatamen­
te num espelho plano vertical situado a 2,70 m de distância. Seus olhos (mantidos
fixos) estão a 1,5 m do piso. Pode-se determinar a altura do espelho e sua distância
do piso.
2.123 Um objeto situado entre dois espelhos planos verticais produz 4 imagens nos dois
espelhos, (a) Qual é o ângulo entre os dois espelhos? (d) O objeto deve estar em al­
guma posição privilegiada entre os dois espelhos?
2.124 Um objeto situado entre dois espelhos verticais produz 5 imagens nos dois espelhos
planos, (a) Qual é o ângulo entre os dois espelhos? (d) O objeto deve estar situado
em algum ponto particular entre os dois espelhos?
2.125 Dois espelhos planos verticais formam entre si um ângulo de 90°. Um casal é foto­
grafado entre os dois espelhos por um fotógrafo situado entre os espelhos c atrás
do casl. O fotógrafo nota o número máximo de imagens que se formam nos dois es­
pelhos. Quantas pessoas aparcccrão na fotografia?
2.126 Um automóvel se desloca numa estrada retilínea horizontal com velocidade v = 60
km/h. Olhando através do espelho retrovisor plano, o motorista vê uma garota para­
da ao lado de um poste, (a) Com que velocidade o motorista vê, através do espelho,
a garota de afastar dele? (d) Com que velocidade a garota vê, através do espelho,
o motorista se afastar dela? (c) Com que velocidade a garota vê, através do espelho,
sua imagem se afastar dela própria?

180
2.127 Uma estrada retilínea possui duaspistas. Um automóvelA se desloca com velocida­
de de 60 km/h. Outro automóvel 8 deseja ultrapassar o automóvel A e se desloca
com velocidade de 80 km/h no mesmo sentido do automóvel A. (a) Com que veloci­
dade o motorista do automóvel A vê o automóvel B se aproximar dele? (õ) Qual c
a velocidade relativa entre o automóvel B e a imagem do automóvel B refletida no
espelho do automóvel A'!
2.128 O chamado refletor de canto ou espelho de canto c um conjunto de três espelhos pla­
nos que formam um sistema tri-ortogonal Oxyz. O vetor velocidade pode ser expresso
por:

c = cKi + cvi + ctk


onde r* = Cy4-Cy + cféo quadrado da velocidade da luz; o vetor co indica a dire­
ção do raio incidente sobre um dos espelhos do triedro Oxyz. Prove que todo raio
incidente sobre o refletor de canto retorna na mesma direção mas em sentido con­
trário ao do raio incidente Determine o vetor c3 que caracteriza a velocidade do
raio emergente, isto é, o raio que retorna depois de se refletir nos três espelhos orto-
gonais.
2.129 O raio de um espelho côncavo de pequena abertura é igual a 50 cm. Um feixe de luz
incide paralclamente ao eixo de simetria do espelho. Determine a distância entre o
ponto luminoso para onde os raios convergem e o vértice do espelho.
2.130 Um objeto é colocado na frente de um espelho esférico convexo. Descreva a ima­
gem obtida qualquer que seja a posição do objeto sobre o eixo ótico do espelho.
2.131 Um objeto de 3 cm de altura está situado a 4 cm à esquerda de um espelho côncavo
cujo raio de curvatura vale 12 cm. (o) Diga se a imagem é real ou virtual e se ela é
direita ou invertida, (ò) Calcule a altura da imagem.
2.132 Desejamos projetar a imagem do filamento de uma lâmpada sobre um anteparo.
Para isto usamos um espelho côncavo cujo raio de curvatura é igual a 20 cm c que
está colocado a 1 m do anteparo. Determine a distância entre a lâmpada e o antepa­
ro para que a imagem da lâmpada seja focalizada pelo espelho sobre o anteparo.
2.133 (UERJ) Um objeto está entre o centro e o vértice de um espelho esférico côncavo,
de 40 cm de raio, e a 10 cm do vértice. Qual a posição e a natureza de sua imagem?
2.134 Uma garota deseja fazer a maquilagem. Eia utiliza um espelho que fornece uma ima­
gem virtual e direita do seu rosto. A imagem do nariz é 1,5 vezes maior do que o com­
primento do nariz da garota, quando a distância entre o nariz e o espelho é igual a
30 cm. Verifique qual é o tipo de espelho que a garota está usando c diga qual é o
raio de curvatura do espelho.
2.135 Conforme sabemos, a ampliação transversal ou aumento lateral de um espelho es­
férico (ou de uma lente delgada) é dado por: m = — i/o, onde i é a distância ente
a imagem e o vértice do espelho (ou lente) c o é a distância entre o objeto e o espelho
(ou lente). A ampliação longitudinal m\_ de um espelho (ou lente) é relacionada com
m pela equação m\. = - m2. (a) Analise o sinal da ampliação transversal, (d) Diga
qual é o significado físico do falo de nti possuir sempre um sinal negativo (para o
caso de um espelho esférico).
2.136 Considere um espelho esférico com distância focal f = 30 cm. Um objeto real está
numa posição tal que sua imagem é invertida e possui altura três vezes maior do que
a altura do objeto, (a) Trata-se de um espelho convexo ou côncavo? (ò) Qual é a dis­
tância p entre o objeto e o vértice do espelho?

181
2.137 (EERGS) A que distância dc um espelho esférico côncavo de 0.6 m de raio devemos
colocar um objeto real para que sua imagem (também real) esteja situada a 0,8 in
do espelho?
2.138 (E.F.Eng.) Um objeto de 40cm de altura está situado ortogonalmente ao eixo prin­
cipal c a 10 cm de um espelho convexo dc 15 cm de distância focal. Determine a posi­
ção, o tamanho, a natureza, o sentido da imagem c o valor da ampliação transver­
sal.
2.139 Um espelho convexo, cujo raio de curvatura é igual a 20 cm, está situado a 20 cm
de um espelho côncavo de distância focal igual a 20 cm. Os espelhos são montados
coaxialmcnle (isto c, eles possuem o mesmo eixo ótico). As duas superfícies rcfleto-
ras se defrontam. Um pequeno objeto é colocado no ponto médio do segmento do
eixo que une os vértices dos dois espelhos. Localize e identifique a imagem produzi­
da pelo espelho convexo ao receber os raios luminos oriundos da reflexão no espe­
lho côncavo.
2.140 Uma fonte de luz projeta uma imagem nítida sobre um anteparo. Intcrpõc-se entre
a fonte e o anteparo uma lâmina de faces paralelas de 10 cm de espessura. Verifica-se
que é preciso deslocar o anteparo de 3 cm para que a imagem volte a ficar nítida.
Calcule o índice de refração do material da lâmina.
2.141 A Fig. 2.127 representa a seção transversal de um muro vertical AB, iluminado pe­
los raios solares, paralelos ao plano da seção. A Crepresenta, nessa seção, a largura
da sombra projetada pelo muro sobre o plano horizontal t. Coloca-se, então, hori­
zontalmente, uma lâmina de faces paralelas e espessura t em contato com o muro
por uma das suas extremidades, e em um nível qualquer entre A e B. Constata-se,
então, que a sombra passou dc/4Cpara AC*. Calcular AC', sabendo-se que o índi­
ce de refração da lâmina é 1,34; AC = 3,00 m; AB = 4,00 m c t = 2,00 cm.

T
n I*

7T
A ///////////// ////////////////////&///?/ //
C’ C
Fig. 2.127
2.142 A seção reta dc um prisma é um triângulo retângulo isósceles. Um raio luminoso pro­
veniente do ar incide ortogonalmente sobre um dos catetos do triângulo e sofre re­
flexão interna total ao atingir a hipotenusa do triângulo. Determine o menor índice
de refração para que isto ocorra.

182
2.143 A seção reta dc um prisma c um triângulo retângulo isósceles. Este prisma está imerso
na água. Determine o índice dc refração do prisma para que um raio luminoso inci­
dindo ortogonalmente sobre um dos catctos do prisma sofra reflexão interna total
ao incidir sobre a hipotenusa.
2.144 Considere um prisma cujo vértice possui um ângulo pequeno. Determine expressões
aproximadas para os desvios dc três cores bem separadas do espectro da luz branca.
Use a letra D para o desvio angular e a letra A para o ângulo do vértice do prisma
(em radianos); seja, por exemplo n\o índice de refração da luz azul, zij o índice de
refração da luz amarela c r/j o índice dc refração da luz vermelha.
2.145 A Fig. 2.128 representa esquematicamente o olho de um obervador situado no pon­
to O que está no mesmo nível de um ponto P onde se encontra um pequeno peixe.
Considere o índice de refração da água igual a 1,3. (a) Qual é o menor valor dc 9 pa­
ra que o observador possa ver uma imagem virtual P' do peixe acima da superfície
livre da água. (Z?) Obtenha uma expressão algébrica para a distância d entre o ponto
O e o ponto P. (c) Calcule o valor dc d supondo h = 2 m, 0 = 60°.

,4 P’
I
l
i Ar
i
1

/ L__
A. i
6 x I Água
1
_1.
O P
Cl
Fig. 2.128
2.146 Um prisma possui uma seção reta dada por um triângulo retângulo. Um raio lumi­
noso incide sobre uma das faces do prisma formando um ângulo 0 com a normal
desta face. (Ver a Fig. 2.129). O raio luminoso emerge tangenciando a face oposta.
Obtenha uma relação entre Oco ângulo limite

90°

I
&

Fig. 2.129

183
2.147 Unia fonte luminosa está imersa num lago a uma profundidade h. Sendo n o índice
de refração da água, determine a expressão da fração/da energia (por unidade de
tempo) que passa para o ar. Fazendo n = 1,33 calcule a razão/entre a potência lu­
minosa que passa para o ar e a potência total da fonte.
2.148 Uma fonte se encontra a uma distância b abaixo da superfície de um lago. Determi­
ne o raio de um círculo opaco que, colocado sobre a superfície do lago, impede a
passagem da luz da água para o ar.
2.149 Um observador olha para uma piscina verticalmente de cima para baixo. A piscina
possui água até uma profundidade h. Obtenha uma expressão para o cálculo da pro­
fundidade aparente do fundo da piscina em função de h e do índice de refração n
da água.
2.150 Suponha que um observador esteja dentro de uma piscina a uma profundidade qual­
quer. O observador está fixo e olha para um ponto P situado acima da superfície
libre da água. Seja h a distância vertical entre o ponto Pe a superfície livre da água
e h ’ a distância entre a imagem virtual P* e a superfície livre da água. Deduza uma
expressão para h 'cm função do ângulo de observação da imagem virtual, do índice
de refração da água e da altura h.
2.151 Um observador se encontra no fundo de uma piscina cheia de água. Verticalmente
acima do olho do observador existe um ponto luminoso no ar situado a uma distân­
cia h da superfície da água. Calcule a distância aparente h' entre o ponto luminoso
visto pelo observador e a superfície da piscina.
2.152 Na parede lateral de uma piscina cheia de água existe um orifício de raio R. Para
um observador fora da água o circulo terá a aparência de uma elipse. Determine os
valores dos semi-eixos desta elipse.
2.153 Derramamos água (n\ = 1,3) num reservatório até formar uma camada de espes­
sura A|. A seguir derramamos óleo (ni = 1,2) até formar outra camada com espes­
sura Aj. (a) Determine a profundidade aparente A‘do fundo do recipiente em fun­
ção de /ji, I12, «i e ztj. (b) Calcule o valor de h’ supondo /n = hz = 40cm.
2.154 Um feixe estreito de raios paralelos incide numa esfera sólida de vidro de raio 3,0
cm e índice de refração 1,5 em direção radial. Determinar o ponto, no exterior da
esfera, onde esses raios convergem.
2.155 Calcular o índice de refração que deverá ter uma esfera transparente para que os raios
paraxiais procedentes de um objeto situado no infinito se encontrem no vértice
oposto da semiesfera.
2.156 Um objeto está situado a 10 cm à esquerda do foco da esquerda de uma lente con­
vergente. A imagem se forma a 2,5 m atrás do outro foco. Determina a potência ou
vergência da lente.
2.157 A distância focal de uma lente convergente vale/ = 1 m. A distânciaxentre o obje­
to e o foco da lente é igual a 40 cm. Calcule a distância x' entre o outro foco e a ima­
gem.
2.158 Um objeto linear possui uma altura de 15 cm e está localizado ortogonalmentc ao
eixo ótico de uma lente convergente de 2 dioptrias. Inicialmentc o objeto se encontra
a uma distância de 125 cm da lente. O objeto é deslocado até uma posição final na
qual a sua distância até a lente passa a ser igual a 75 cm. Calcule: (n) a distância entre
a imagem e a lente na posição inicial do objeto, (d) a distância entre a imagem c a
lente na posição final do objeto, (c) o aumento (ou diminuição) da altura da ima­
gem quando o objeto se aproxima da lente desde sua posição inicial até sua posição
final.

184
2.159 (IME - 1967) A convergência de uma lente esférica delgada é igual a + 5 dioptrias.
Esta lente possui raios de curvatura iguais e é feita de vidro (n = 1,5). Calcule o raio
de curvatura comum das duas faces da lente.
2.160 Determine o índice de refração de um menisco convergente em relação ao ar ambiente,
sabendo-se que os raios das suas faces valem 80 cm e 25 cm e que sua vergência c
igual a 2,2 di.
2.161 (IME-1967) Uma lente convergente é feita de vidro (n = 1,5}. A distância focal desta
lente no ar é igual a 0,2 m. Esta lente é mergulhada num líquido cujo índice de refra­
ção vale 1,4. Calcule sua nova distância focal.
2.162 Sabemos que um menisco é uma lente delgada concavo-convexa (ou convcxo-côn-
cava). A superfície côncava do lado esquerdo de um certo menisco possui um raio de
curvatura dc 100 cm. A superfície convexa do lado direito da lente possui raio de curva­
tura igual a 200 cm. Calcule a distância focal desta lente e diga se ela é uma lente diver­
gente ou convergente.
2.163 Seja a o módulo da ampliação transversal fornecida por uma lente convergente. De-
duza uma expressão para a distância p entre o objeto e a lente em função dc a e da
distância focal/da lente.
2.164 Uma lente delgtada biconvexa é feita de vidro (n = 1,5) e seus raios de curvatura
valem: r\ = 30 cm e = 60 cm. Coloca-se um objeto de 4 cm de altura ortogonal-
mente ao eixo da lente a uma distância de 50 cm do seu centro. Calcule: (a) a distân­
cia focal da lente; (ô) a distância entre a imagem e o centro da lente, (c) a altura da
imagem.
2.165 Um objeto retilíneo é colocado transversalmente ao eixo de uma lente convergente.
A distância entre o objeto e o centro da lente vale 20 cm. A distância focal da lente
vale 12 cm. Calcule: (a) a ampliação, (b) o tamanho da imagem.
2.166 Um objeto é colocado no eixo de uma lente delgada convergente a uma distância de
10 cm do vértice. Sabemos que o índice de refração da lente é igual a 1,5 c os seus
raios, respectivamente r’ = 30 cm e r" = - 30 cm. (a) Calcule a posição da imagem.
(d) Calcule a ampliação transversa) linear, (c) Qual a natureza da imagem (real ou
virtual, direita ou invertida, maior ou menor que o objeto)?
2.167 Um objeto de 5 cm de altura é colocado perpendicularmente ao eixo de uma lente
convergente cuja distância focal é de 2 m. A imagem desse objeto, que se forma so­
bre um anteparo colocado perpendicularmente ao eixo da lente, tem 15 cm de altu­
ra. Calcule a distância o entre o objeto e a lente e a distância i entre a imagem e a
lente. Classifique a imagem (real/virtual, direita/invertida).
2.168 Suponha que uma lente biconvexa simétrica (raios de curvatura iguais) seja feita dc
um vidro que possui índice de refração exatamente igual a 1,5. Qual é a distância
focal desta lente?
2.169 Coloca-se um objeto a uma distância igual a 2/dc um lente convergente. Sabemos
que a imagem possui o mesmo tamanho do objeto; trata-se de uma imagem real si­
tuada a uma distância igual a 2/do outro lado da lente. Esta imagem, porém, é in­
vertida. Desejamos obter uma outra imagem direita e do mesmo tamanho do obje­
to situado a uma distância 2/da lente. Que devemos fazer?
2.170 Considere duas lentes convergentes de mesma distância/e separadas entre si por
uma distância/. Um objeto c colocado a uma distância 2/do vértice de uma das len­
tes, ou seja, o = 2/, onde o é a distância entre o objeto e a lente mais próxima. Cal­
cule a distância / 'entre a imagem e o centro da lente tomada como referência. De­
termine a ampliação transversal m.

185
2.171 (FE1 - SP) Uma lente produz sobre um anteparo fixo uma imagem de tamanho A
de um objeto cuja altura vale O. A mesma lente, numa outra posição, produz sobre
o mesmo anteparo fixo uma outra imagem de altura B. Obtenha uma relação entre
A, B c C.
2.172 (MAPOFEI -SP) Uma lente delgada convergente cuja distância focal c igual 30 cm
deve ser colocada entre uma fonte pontual c uma tela, de modo que a imagem da
fonte se forme sobre a tela. A distância entre a fonte c a tela é igual a 1,5 m. Calcule
a distância entre a lente e a fonte.
2.173 Duas lentes delgadas convergentes possuem a mesma distância focal (f = 27 cm).
As lentes estão colocadas coaxialmentc separadas por uma distância de 27 cm. Um
objeto de 6 cm de altura é colocado ortogonalmente a uma distância igual a 54 cm
de uma das lentes, (a) Calcule a distância focal da lente equivalente, isto é, da lente
convergente capaz de substituir as duas lentes mencionadas, produzindo a mesma
imagem /. (Z?) Onde você deverá localizar a lente convergente? (c) Calcule a altura
da iinagcm /.
2.174 A distância focal de uma lente delgada convergente é igual a/. A distância focal de
outra lente convergente é igual a f/2. A distância entre as duas lentes c igual a //4.
Determine a distância focal/' da lente equivalente.
2.175 As duas lentes do problema anterior são colocadas em contato. Qual é a distância
focal da lente equivalente?
2.176 Dispomos de duas lentes convergentes exatamente iguais. A distância focal de cada
uma delas vale 50 cm. Que devemos fazer para focalizar os raios solares a 25 cm (apro­
ximadamente) de uma das lentes?
2.177 Duas lentes delgadas são colocadas em contato. Uma das lentes c convergente e possui
distância focal f\. A outra lente c divergente. A distância focal da lente equivalente
é positiva e igual a/(lente convergente), (a) Obtenha uma expressão para a distân­
cia focal fz da lente divergente, (d) Considere/ = 80 cm c/i = 40 cm; determine
a vcrgência v da lente divergente em dioptrias.
2.178 Um sistema centrado é constituído por duas lentes convergentes de mesma distân­
cia focal (f = 5,0 cm) separadas 12,5 cm uma da outra. Sc um objeto for colocado
a 10 cm de uma das lentes, descreva a imagem obtida.
2.179 Determine a que distância se encontra o ponto próximo de uma vista que deve ser cor­
rigida mediante o uso de lentes com um grau de + 2 dioptrias.
2.180 Um observador se encontra em repouso à beira de uma estrada retilínca horizontal.
A altura aparente dos postes vai diminuindo à medida que a distância entre o poste
c o olho do observador aumenta. A acuidade visual do observador corresponde a
um ângulo aproximadamente igual a um minuto de arco. A altura de cada poste é
constante e igual a 5,4 m. (tf) Calcule o ângulo visual para um poste situado a 20 cm
de distância do olho do observador. (Zj) Repita o cálculo para uma distância de 1 km.
(c) A que distância do observador um poste será percebido como se fosse um ponto
(próximo do ponto de fuga no horizonte)?
2.181 Suponha que a vcrgência de um olho varie entre um limite mínimo de 58,6 di ate um
limite máximo de 70,6 di. Calcule a variação da distância focal deste olho entre es­
tes dois limites.
2.182 Um certo tipo de máquina fotográfica de 35 mm possui uma lente objetiva com dis­
tância focal igual a 60 mm. Calcule a distância entre a máquina e uma pessoa de mo­
do que a imagem da pessoa ocupe complctamentc os 35 mm do filme. Suponha que
a altura da pessoa seja igual a 1,6 m.

186
2.183 Determinar a que distância xde um plano deve situar-se um foco luminoso punti-
íorme de intensidade 270 cd, para que seja máxima a superfície do plano que tenha
iluminamento de, pelo menos, 10 7x.
2.184 A distância entre a Terra e a Lua é aproximadamente igual a 384 000 km c o diâme­
tro da Lua c aproximadamente igual a 3480 km. O espelho esférico côncavo de um
telescópio possui distância focal f = 3,6 m. Calcule o módulo do diâmetroy 'da ima­
gem da Lua formada no foco deste espelho côncavo.

RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO
2.1 A chamada aproximação da ótica Geométrica corresponde aos estudos de Ótica
quando o comprimento de onda da luz for muito menor do que o tamanho dos ob­
jetos ou do que os diâmetros dos orifícios considerados; neste caso, podemos consi­
derar a propagação da luz através de raios luminosos e o caráter ondulatório não
é revelado. Quando o tamanho de um objeto sobre o quala luz incide se torna da
ordem de grandeza do comprimento de onda da própria luz (ou quando a luz passa
por um orifíciocujo diâmetro c da ordem de grandeza do comprimento de onda da
luz), ocorre o fenômeno da difração da luzque revela claramente o comportamento
ondulatório da luz. Portanto, a Ótica Ondulatório ou Ótica Física è a parte da Óti­
ca que estuda a interação entre as ondas eletromagnéticas da luz e a matéria quando
os efeitos ondulatórios se tornam fundamentais.
2.2 Nem todo meio transparente é homogêneo; por exemplo, o ar atmosférico é um meio
transparente mas não é homogêneo. Nem todo meio homogêneo é transparente; por
exemplo, o mercúrio líquido é um meio homogêneo mas não é transparente.
2.3 Nem todo meio transparente é isotrópico; por exemplo, um cristal de quartzo hexa-
gonal é transparente mas não é isotrópico; veremos no Capítulo 3 que o cristal de
quartzo é bi-refringente porque ele c um cristal anisotrópico. Nem todo cristal iso­
trópico é transparente. Por exemplo, o mercúrio é um líquido isotrópico que não
é transparente.;
2.4 (a) Nem todo meio homogêneo é isotrópico; por exemplo, um cristal de quartzo é
um meio homogêneo que não é isotrópico. (ô) Nem todo meio isotrópico é homogê­
neo; por exemplo, a atmosfera terrestre é um meio isotrópico que não é homogê­
neo. (c) Nem todo meio simultaneamente homogêneo e isotrópico é transparente;
por exemplo, o mercúrio é um líquido homogêneo e isotrópico que não é transpa­
rente.
2.5 Dizemos que um sistema ótico é estigmálico em relação a um ponto P, quando o sis­
tema fornece uma imagem pontual de P. Quando um sistema ótico não é estigmáti-
co, dizemos que ele é astigmático. Ou melhor, na prática, podemos dizer que um
sistema é estigmálico quando ele não produz nenhuma distorção ou aberração das
imagens; cm caso contrário, dizemos que o sistema é astigmático. Exemplo de um
sistema rigorosamente estigmálico: um espelho plano. Exemplo de um sistema apro­
ximadamente estigmálico (quando for válida a aproximação de Gauss): um espe­
lho côncavo esférico. Exemplo de um sistema astigmático: uma lente qualquer para
pontos afastados do eixo de simetria da lente. Para uma discussão sobre aberrações
veja a questão 2.34.
2.6 (a) Os raios paraxiais são aqueles que se encontram muito próximos ao eixo ótico
de um espelho esférico ou de uma lente delgada, (ô) A aproximação de Gausssò va­
le quando forem satisfeitas as seguintes exigências: os espelhos esféricos (ou lentes
delgadas) devem possuir aberturas muito pequenas (menores do que 5o); os raios

187
incidentes devem ser paraxiais; os raios devem incidir paralclamente ao eixo ótico
ou então com uma pequena inclinação em relação ao eixo ótico.
2.7 A aproximação de fonte pontual vale para qualquer fonte de luz que é obervada dc
uma distância muito maior do que a maior dimensão linear da fonte.
2.8 O astro se encontra abaixo da linha do horizonte. Conforme sabemos, quando um
raio luminoso proveniente de um astro atravessa a atmosfera ocorre um desvio do
raio, conhecido pelo nome de refração astronômica (ver a questão da refração as­
tronômica na Seção 2.2). O desvio máximo entre a posição real do astro c sua posi­
ção virtual é da ordem de 35 minutos de arco ou aproximadamente meio grau. Este
desvio máximo ocorre quando o astro se encontra no horizonte. Sendo assim, quando
notamos um astro “nascer” no horizonte ele se encontra, na realidade, cerca de meio
grau abaixo da linha do horizonte.
2.9 O caminho ótico L dc um raio luminoso no interior de um meio homogêneo e iso-
trópico é definido por: L = nx, onde n é o índice dc refração do meio e xé a distân­
cia percorrida pelo raio luminoso quando ele se desloca entre os dois pontos das ex­
tremidades do caminho ótico considerado.
2.10 O prisma ótico 6 o dispositivo ótico mais simples destinado a produzir desvios nos
raios luminosos.
2.11 Basta interceptar o feixe por uma lâmina de faces paralelas fabricada com um ma­
terial transparente. Um conjunto de lâminas paralelas (todas transparentes) tam­
bém serve para a mesma finalidade.
2.12 (a) Não. (b) O feixe emergente é branco, (c) Não.
2.13 O poder refletor ou refletividade de uma superfície é a razão r definida por: r —
Pf/P, onde Préa potência total dos raios refletidos na superfície c P é a potência to­
tal dos raios incidentes sobre a superfície considerada.
2.14 Ocorre reflexão total quando a refletividade da superfície é praticamente igual a um.
Para uma superfície que exibe reflexão especular (ou seja, para um espelho), ocorre
sempre reflexão total em qualquer ponto da superfície c qualquer que seja o ângulo
de incidência do raio luminoso que atinge o espelho. Entretanto, algumas superfí­
cies que não são espelhos também podem produzir reflexão total sob determinados
ângulos de incidência; por exemplo, quando ocorre o fenômeno da reflexão interna
total, a superfície do material funciona como se fosse um espelho (ver a Seção 2.3).
2.15 A reflexão especular dc um feixe de luz colimada é tal que o feixe refletido pela su­
perfície também é colimado. Quando um feixe colimado atinge uma superfície on­
de ocorre reflexão difusa, o feixe emergente se subdivide numa porção de feixes se­
cundários; neste caso, cada raio refletido, embora obedecendo à Lei da Reflexão,
segue uma direção que depende da direção da irregularidade local da superfície con­
siderada, ao passo que na reflexão especular a superfície refletora é lisa e o ângulo
de incidência é sempre o mesmo para todos os raios do feixe colimado que incide
sobre a superfície. Em resumo, na reflexão especular os raios refletidos possuem a
mesma direção (que forma com a normal um ângulo igual ao ângulo de incidência
do feixe colimado incidente); na reflexão difusa, depois da reflexão do feixe coli­
mado incidente, os raios são difundidos ou espalhados em direções aleatórias.
2.16 Como um pano branco produz reflexão difusa, os raios projetados sobre a tela são
refletidos em todas as direções e são percebidos por todos os observadores que se
encontram no cinema; além disto, estes raios refletidos não retornam para a tela pois
possuem pequena intensidade e são fracamente difundidos novamente pelas pare­
des do cinema. Como um espelho produz reflexão total para qualquer ângulo de in-

188
cidência, se você utilizasse um espelho grande como tela, não só os raios provenien­
tes do projetor seriam refletidos pelo espelho, como também o espelho causaria re­
flexões das pessoas sentadas e das paredes laterais; é claro que, neste caso, as ima­
gens não ficariam nítidas por causa da superposição de diversas reflexões.
2.17 (a) É aquele que produz um foco real, (b) É aquele que produz um foco virtual, (c)
É aquele que não produz nenhum ponto focal (nem real nem virtual).
2.J8 r =2/.
2.19 O espelho retrovisor dc um automóvel normalmentc cplano ou então convexo (com
um raio de curvatura muito grande). Não é conveniente usar um espelho côncavo
como retrovisor porque ele produziría imagens invertidas dos automóveis e objetos
situados atrás do veículo que possuísse este tipo de espelho.
2.20 É conveniente usar espelhos parabólicos em holofotes, lanternas e faróis, uma vez
que se uma lâmpada estiver situada no foco da parábola, a maior parte da luz refle­
tida pelo espelho parabólico dever emergir formando um feixe colimado paralelo
ao eixo de simetria do parabolóide de revolução que constitui a superfície do espe­
lho.
2.2! O espelho que o dentista usa para examinar os dentes é um espelho côncavo. O den­
te fica situado entre o vértice e o foco do espelho esférico côncavo considerado; co­
mo sabemos, neste caso, a imagem do dente é direita e maior do que o objeto.
2.22 Não, a não ser que ela seja, previamente, transformada numa imagem real.
2.23 O foco real é o ponto de encontro de raios reais. O foco virtual é o ponto de encon­
tro de raios virtuais (raios obtidos pelo prolongamento geométrico dc raios reais).
No/oco real existe uma energia concentrada ao passo que nofoco virtual não existe
nenhuma energia luminosa.
2,24 Pode. Em geral, tudo que nosso olho vê pode serfotografado. Na Seção 2.8 você
poderá estudar as analogias e diferenças entre o olho humano e a máquinafotográ­
fica. Nós vemos imagens virtuais porque o cristalino do nosso olho transforma a
imagem virtual numa imagem real projetada sobre a retina do olho. Sendo assim,
como a máquina fotográfica é um dispositivo análogo ao olho, a lente objetiva da
máquina projeta sobre o filme uma imagem real da imagem virtual que está sendo
observada.
2.25 Se você colocar a ponta de um cigarro nofoco dc uma lente convergente ele se acen­
derá porque num foco real existe energia luminosa concentrada a partir dos raios
solares que atingem a superfície da lente. Sc você colocar a ponta dc um cigarro num
foco virtual de uma lente divergente e\e não se acenderá porque nofoco virtual não
existe nenhuma energia luminosa. Ver a questão 2.23.
2.26 (o) Sim. (6) Sim. (c) Sim. Ver a questão 2.24.
2.27 A imagem virtual formada pela lente divergente é transformada numa imagem real
que é projetada sobre a retina mediante a ação do cristalino que é uma lente conver­
gente.
2.28 O foco principal é aquele que é obtido quando um feixe colimado incide paralela­
mente ao eixo ótico de uma lente. Ofoco secundário é aquele obtido quando um fei­
xe colimado incide numa direção que não é paralela ao eixo ótico da lente. O plano
focal de uma lente é o lugar geométrico formado pelo conjunto dos pontos consti­
tuídos pelos focos secundários juntamente com o foco principal da lente.
2.29 A vergcncia, convergência, potência ou grau dc uma lente é o inverso da distância
focal (expressa em metros). A unidade de vcrgência no Sistema Internacional é a diop-
tria (di).

189
2.30 a = - i/o, onde Zé a distância entre a imagem c a lente coca distância entre o objeto
e a lente.
2.31 Quando ela estiver imersa num meio que possui índice de rcfraçào maior do que o
índice de refração do material constituinte da lente.
2.32 (o) Divergente, (b) Convergente.
2.33 (a) Direita, (/>) direita, (c) invertida, {d) invertida.
2.34 Os principais tipos de aberrações das lentes sào as aberrações cromáticas c as aber­
rações geométricas. As principais aberrações geométricas são: as aberrações dc cs-
fericidadc, a coma, o astigmatismo, a curvatura dc campo e a distorção.
2.35 A fórmula dos fabricantes de lentes mostra que a distância focal de uma lente del­
gada depende do índice dc refração n do material da lente. Contudo, cm virtude do
fenômeno da dispersão, sabemos que o índice de refração n do material da lente de­
pende do comprimento de onda da luz no interior da lente. Para um feixe monocro­
mático colimado uma lente delgada fornece apenas um ponto focal. Entretanto, se
um feixe colimado de luz branca incide paralclamcntc ao eixo ótico de uma lente,
cada uma das cores constituintes do feixe branco produz um foco diferente. Esta
multiplicidade de pontosfocais constitui a chamada aberração cromática da lente.
2.36 Um diafragma centralizado no eixo ótico de uma lente (ou dc um sistema dc lentes)
pode restringir a maior parte das aberrações geométricas da lente. Contudo, as aber­
rações cromáticas das lentes não sào eliminadas com a utilização de diafragmas.
2.37 A adaptação é a propriedade do olho humano que permite a adaptação da visão aos
diferentes níveis dc luminosidade existentes cm cada ambiente. A acomodação é a
capacidade de focalização do cristalino que possui distância focal em função da dis­
tância entre o objeto e o olho. Veja a Seção 2.8 para uma descrição mais detalhada
dos fenômenos da adaptação e da acomodação.
2.38 (g) É o ângulo 6 sob o qual um objeto dc altura y é observado, (b) 0 = y/d, onde
d é a distância entre o objeto e o olho do observador.
2.39 É a maior distância para o qual o olho podedistinguir as partes de um objeto. A acui­
dade visual de um olho humano normal corresponde a um ângulo visual mínimo dc
cerca de 1 minuto de arco.
2 40 (g) A miopia ocorre quando o globo ocular é ligeiramente oblato, dc modo que a ima­
gem se forma antes da retina-, para corrigir a miopia c necessário usar lentes diver­
gentes. (b) A hipermetropia corresponde a um defeito no qual o globo ocular é ligei­
ramente prolato, de modo que a imagem é focalizada atrás da retina-, as lentes cor­
retoras apropriadas para a hipermetropia são lentes convergentes, (c) A presbiopia,
popularmente conhecida como '’ vista cansada' ’ ocorre depois dos 40 anos; ela c cau­
sada pelo fato dos músculos ciliares perderem um pouco da capacidade de contra­
ção total do cristalino, de modo que o ponto máximo se torna cada vez mais distan­
te do olho à medida que o observador envelhece; para corrigir apresbiopia c neces­
sário usar tentes convergentes, (d) O astigmatismo é provocado por uma deforma­
ção cilíndrica do globo ocular; para corrigir o astigmatismo é preciso usar lentes ci­
líndricas.
2.41 Os instrumentos de projeção são normalmente usados para projetar imagens reais
sobre uma tela ou anteparo. Os instrumentos de observação são empregados para
aumentar o tamanho de objetos para que eles possam ser examinados.
2.42 O aumento angular máximo é aproximadamente igual a 1500.
2.43 Trata-se de uma curiosa ilusão de ótica. É claro que a Lua não pode "encolher" quan­
do ela se move ao redor da Terra. A distância entre o observador e a Lua no hori-

190
zonfe é ligeiramente maior do que a distância entre o observador e a Lua quando
ela se encontra no zênite. Esta diferença de distância é aproximadamente (no máxi­
mo) igual ao raio da Terra (6400 km). Como a distância entre a Terra e a Lua é apro­
ximadamente igual a 380.000 km, a variação de ângulo visual entre estas duas posi­
ções é tão pequena que o olho nâo tem poder de resolução para perceber esta peque­
na diferença. Como, então, explicar a grande diferença de diâmetros que obser­
vamos? Antes de examinar esta questão o leitor deve reler a discussão sobre ilusões
de ótica apresentada na Seção 2.8. A chamada ‘'ilusão da Lua" pode ser explicada
resumidamente do seguinte modo. Nós estamos acostumados a comparar o tama­
nho de objetos sobre a Terra (e também na linha do horizonte) através da compara­
ção entre os ângulos visuais de cada objeto. Quanto menor o ângulo visual maior
é a distância entre o objeto considerado e o olho do observador. Quando observa­
mos um avião (ou um pássaro) se afastar cm direção ao horizonte vemos que o ta­
manho do avião (ou do pássaro) diminui & medida que ele se aproxima do horizonte
até se tornar um ponto no horizonte. Entretanto, a Lua no horizonte subtende o mes­
mo ângulo visual que a Lua no zênite; isto confunde os padrões de comparação que
o cérebro está habituado a usar. Quando vemos a Lua no horizonte ela parece maior
do que uma casa, um poste ou um pequeno morro no horizonte; isto cria uma forte
ilusão em relação ao próprio tamanho da Lua. Mesmo quando não existe nenhuma
árvore nem nenhum objeto na mesma direção do horizonte próxima da direção on­
de se encontra a Lua, a ilusão persiste; neste caso, porém, a explicação c um pouco
mais sofisticada. A própria acomodação do olho quando observamos a Lua no ho­
rizonte é ligeiramente diferente da acomodação quando observamos a Lua no zêni­
te. Quando a Lua se encontra no zênite não existe nenhum objeto próximo da dire­
ção em que ela se encontra; neste momento o céu está escuro c a Lua Cheia é apenas
uma esfera branca num fundo preto. Quando a Lua Cheia se. encontra no horizon­
te, ela adquire uma coloração avermelhada e forma um belo contraste com os obje­
tos, com o mar ou com o terreno no horizonte (este contraste é facilitado pela luz
do crepúsculo). Portanto, quando vemos Lua no horizonte, a acomodação c feita
mais para perto, uma vez que estamos, simultaneamente, focalizando a Lua junta­
mente com o terreno ou o mar ou os objetos que se encontram na mesma direção
da Lua no horizonte. Contudo, quando observamos a Lua no zênite, a acomoda­
ção é feita mais para longe, uma vez que só existe a Lua no fundo preto do céu (a
acomodação^ feita para o infinito). Todos estes efeitos combinados produzem esta
famosa ilusão de ótica, conhecida desde os tempos de Ptolomeu (século II antes de
Cristo).
2.44 O tempo de exposição é inversamente proporcional à velocidade do obturador. Se­
ja f/No número A/que aparece na escala impressa na máquina fotográfica. Quanto
maior for o número ZVque está impresso na escala menor é a abertura do diafragma
e, portanto, maior deve ser o tempo de exposição para uma boa foto. Por exemplo,
para tirar uma fotografia num dia de sol, você pode usar uma velocidade correspon­
dente a (1 /250) do segundo e um número/dado por://8,//5,6 ou//4, dependendo
do nivcl de iluminação da cena c da sensibilidade do filme usado.
2.45 Para entender a aberração cromática das lentes leia a resposta da questão 2.35. Quan­
do um feixe cotimado de luz branca incide sobre um espelho, cada cor componente
da luz branca se reflete formando o mesmo ângulo de reflexão (que é igual ao ângu­
lo de incidência). Por isto, na reflexão não ocorre dispersão e, portanto, os espe­
lhos não apresentam nenhuma aberração cromática.

191
2.46 (a) A objetiva de uma luneta astronômica é uma lente convergente ao passo que a
objetiva de um telescópio normalmente é um espelho parabólico, (b) A ocular de
uma luneta astronômica é uma lente convergente ao passo que a ocular de uma lu­
neta de Galileu é uma lente divergente, (c) A imagem fornecida por uma luneta as­
tronômica é invertida ao passo que a imagem fornecida por uma luneta terrestre é
direita.
2.47 (a) O fluxo luminoso é a potência luminosa emitida pôr uma fonte de intensidade
constante e igual a uma candeia (cd) através de um ângulo sólido de um esfero-radia-
no. (ò) A unidade de fluxo luminoso no Sistema Internacional é o lúmen (Im).
2.48 A intensidade luminosa de uma fonte no Sistema Internacional é dada pela potên­
cia emitida pela fração de 1 /60 da intensidade luminosa por centímetro quadrado
da superfície de um radiador integral na temperatura de solidificação da platina. A
unidade de intensidade luminosa no SI é a candeia (cd).
2.49 O iluminamento no Sistema Internacional é dado em lux (ix). Um lux é definido co.-
mo o iluminamento de uma superfície plana de área igual a 1 m2 que recebe na dire­
ção normal à superfície um fluxo luminoso de um lúmen distribuído uniformemen­
te sobre o plano considerado.
2.50 No Sistema Internacional a unidade de emitância luminosa é o lúmen por metro qua­
drado (lm/m2), definida como a emitância luminosa de uma fonte superficial que
emite uniformemente um fluxo luminoso de 1 lm/mí
2.51 É um dispositivo ótido destinado a medir o nível de iluminação de um objeto ilumi­
nado.

RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS


2.52 (A) 2.72 (C) 2.92 (C)
2.53 (B) 2.73 (E) 2.93 (B)
2.54 (A) 2.74 (B) 2.94 (E)
2.55 (E) 2.75 (A) 2.95 (A)
2.56 (D) 2.76 (B) 2.96 (B)
2.57 (A) 2.77 (D) 2.97 (B)
2.58 (A) 2.78 (A) 2.98 (B)
2.59 (B) 2.79 (E) 2.99 (D)
2.60 (D) 2.80 (A) 2.100 (C)
2.61 (D) 2.81 (C) 2.101 (D)
2.62 (B) 2.82 (C) 2.102 (A)
2.63 (A) 2.83 (C) 2.103 (A)
2.64 (C) 2.84 (C) 2.104 (A)
2.65 (D) 2.85 (A) 2.105 (B)
2.66 (C) 2.86 (E) 2.106 (C)
2.67 (A) 2.87 (C) 2.107 (A)
2.68 (A) 2.88 (C) 2.108 (A)
2.69 (D) 2.89 (A) 2.109 (A)
2.70 (D) 2.90 (A)
2.71 (A) 2.91 (E)

RESPOSTAS DOS PROBLEMAS


2.110 h = 22 m

192
2.111 (a)/» = 6 x IO" Hz; (/>)/ = /„ = 6 x !O"Hz;(c)X = 333,3 mg; (d) v = 2 x 10*
m/s
2.112 (a) x = 150 m; (d) L = 300 m; (c)d = 300 m
2.113 n = 1,5
2.114 (a)f0 = cAo; (b)f = fo = cAo; (c) X = Xo/n; (d) v = c/n
2.115 h = 4 m
2.116 (o) D\ = 42 cm; (d) área da penumbra = 1,26 x 10J cm2
2.117 3454 km
2.118 (o) 23 m; (d) 53 m
2.119/Y = 72m
2.120 Ângulo entre o raio emergente e o raio incidente: í 80°. Ângulo entre o raio inciden­
te sobre o segundo espelho c a normnal, isto é, ângulo de incidência sobre o segundo
espelho: 80°
2.121 85 cm; 80 cm
2.122 82,5 cm; 75 cm
2.123 (a) 72°; (b) as 4 imagens se formam somente quando o objeto estiver situado no pla­
no bissetor dos dois espelhos
2.124 (o) 60°; (ô) o objeto pode estar situado em qualquer ponto entre os dois espelhos
2.125 N? total de pessoas: 11
2.126 (a) 60 km/h; (b) 60 km/h; (c) 120 km/h
2.127 (o) 20 km/h£jò) 40 km/h
2.128 o = - c, i - cyj — czk
2.129 25 cm
2.130 Imagem virtual, direita e menor do que o objeto
2.131 (cr) A imagem é virtual e direita; (d) 9 cm
2.132 88,9 cm
2.133 Imagem virtual, direita c maior do que o objeto, situada a uma distância de 20 cm
atrás do espelho
2.134 Espelho côncavo cujo raio dc curvatura é igual a 180 cm
2.135 (o) Quando a ampliação c negativo, a imagem é invertida’, quando a ampliação épo­
sitiva, a imagem é direita, (b) Quando um objeto real se aproxima de um espelho,
a imagem se move sempre em sentido contrário, de modo que a velocidade relativa
entre o objeto e a imagem é uma velocidade de aproximação cujo módulo é igual
à soma do módulo da velocidade do objeto vo mais a velocidade da imagem v,
2.136 (o) Côncavo; (b) p = 40 cm
2.137 p = 48 cm
2.138 Posição: entre o foco e o vértice do espelho, a uma distância de 6 cm do vértice. Ta­
manho: 24 cm. Natureza: imagem virtual. Sentido: imagem direita. Ampliação: +
0.6
2.139 A imagem final é virtual, direita e menor do que o objeto; esta imagem está localiza­
da a 8 cm atrás do vértice do espelho convexo.
2.140 n = 1,429
2.141 299,5 cm
2.142 1,41
2.143 O índice de refração do material do prisma deve ser maior do que 1,875
2.144 Dt = (n>- 1)A; D2 = (n2 - 1 )A; D3 = (n3 - 1)/1
2.145 (a) 50°; (£>) d =■■ 2h tg 6 ; (c) d = 6,93 m
2.146 sen 0 = cotg Oi.

193
2.147 f = 0.17 = 17%
2.148 R — b tg 0l, onde 0l é o ângulo limite
2.149/»* = h/n
2.150 h ’ = nh cos 0/V1 — n2 sen2 0
2.151 h’ = nh
2.152 Setni-eixo horizontal = R; semi-cixo vertical = R/n
2.153 (a) /»' = (nihi l- nM/nina (d) h‘ = 64,1 cm
2.154 1,5 cm
2.155 n = 2
2.156 v = 2 di
2.157 x' = 2,5 m
2.158 (o) 1,5 m; (d) 0,83 m; (c) a altura da imagem aumenta de 20 cm
2.159 20 cm
2.160 n = 1,8
2.161 1,4 m
2.162 / = 400 cm (lente convergente)
2.163 p = (a + Vtf/a
2.164 (o) f = 40 cm; (/>) / = 200 cm; (c) 16 cm
2.165 (a) m = - 1,5; (b) 6 cm
2.166 (a)p'= - 15 cm; (b)tn= 1,5; (c) a imagem é virtual, direita c maior do que o obje­
to (fator de ampliação = 1,5)
2.167 o = 2/73; i = — 2/; a imagem é virtual, direita e maior do que o objeto
2.168/= r
2.169 Basta colocar atrás da lente um espelho côncavo (de distância focal/O situado a uma
distância igual a 2(/ + /Q
2.170 /’ = 3f/2;m = 1/2
2.171 Cr = AB
2.172 A distância entre a lente e a fonte pode ser igual a 108,5 cm ou então 41,5 cm
2.173 (a)f‘ - 27 cm; (d) no local onde se encontra a segunda lente, isto é, a 27 cm da pri­
meira lente; (c) / = 3 cm
2.174/’ = 2//5
2.175 /' = //3
2.176 Basta colocar as duas lentes em contacto
2.177 (a)/2 = //,/(/■, - /); (d) v2 = l//2 = - 1,25 di
2.178 Imagem virtual, situada a 5 cm da outra lente; imagem invertida e maior do que o
objeto (ampliação = — 2)
2.179 A 50 cm do olho
2.180 (o) 15,38° = 15° 22’37” = 0,268 rad; (d) 0,3° = 0° 18’34” = 0,0054rad; (c) 18,56
km
2.181 2,9 mm
2.182 p = 2,8 m
2.183 2,3 m
2.184 j»' = 3,3 cm

194
Capítulo 3
ÓTICA ONDULATÓRIA

3.1 Principais fenomenos estudados na Ótica Ondulatória


Denomina-se Ótica Ondulatória a parte da Física destinada ao estudo dos fenôme­
nos óticos levando-se em conta a natureza ondulatória da luz. Algumas vezes a Ótica
Ondulatória é também chamada de Ótica Física. Entretanto, preferimos denominar esta
parte da Física de Ótica Ondulatória, porque a expressão Ótica “Física” é um pouco
redundante, uma vez que qualquer parte da Ótica é “física”.
Na Ótica Ondulatória a luz é encarada como onda eletromagnética. Por ser uma-ondtr
eletromagnética transversal, concluímos que ela possui as mesmas propriedades carac­
terísticas gerais de todas as ondas eletromagnéticas. Sendo assim, recomendamos que
o leitor estude o Capítulo 1 deste Livro para comparar as características específicas da
luz com as características das demais ondas eletromagnéticas. Recomendamos também
a leitura do Capítulo sobre Ondas Eletromagnéticas do livro ‘ ‘Eletricidade, Magnetis­
mo e Eletromagnetismo” dos Autores Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia.
Como a luz é uma onda eletromagnética transversal ela goza também das proprieda­
des comuns a todos os tipos de ondas transversais. As propriedades gerais dosfenôme-
nosondulatóriossão minuciosamente descritas no Livro “Gravitação, Oscilações e On­
das" dos Autores Adir M. Luiz e Sérgio L. Gouveia; no referido livro estudamos os
seguintes fenômenos inerentes a todos os tipos de ondas transversais: a reflexão, a re-
jração, a superposição de ondas, a interferência, a difração e a polarização de ondas
transversais. Vamos agora estudar estes mesmos fenômenos para o caso específico das
ondas luminosas. A reflexão e a refração da luz já foram exaustivamente estudadas no
Capítulo 2 deste Livro. NoCapítulo4do Livro “Gravitação, Oscilações e Ondas” uti­
lizamos o famoso Princípio de Huygens para estudar a reflexão e a refração de ondas.
Convém lembrar que a construção de Huygens vale para qualquer fenômeno ondula-
tório e, em particular, ela pode ser usada para a propagação da luz. Como já apresen­
tamos a construção de Huygens no Livro “Gravitação, Oscilações e Ondas” não ire­
mos repetir aqui as deduções baseadas na construção de Huygens para a ótica Ondu­
latória (a não ser em casos especiais). Contudo, é necessário enfatizar que, assim como
o Princípio de Fermat é o Princípio Fundamental da Ótica Geométrica, podemos afir­
mar que o Princípio de Huygens é o Princípio Fundamental da Ótica Ondulatória.
Como a reflexão e a refração da luz podem ser facilmente estudadas pela constru­
ção de Huygens, não estudaremos aqui a reflexão e a refração da luz mediante aplica­
ção dos métodos da Ótica Ondulatória. Neste Capítulo estudaremos os principais fe­
nômenos associados com o comportamento ondulatório da luz e que não podemos ser
explicados somente com a construção geométrica de raios descrita no Capítulo 2 {Óti­
ca Geométrica). Além das discussões apresentadas nesta Seção, os tópicos que serão

195
abordados neste Capítulo versarão sobre os seguintes assuntos: absorção e espalhamento
da luz (Seção 2.3), dispersão da luz (Seção 3.3), difração e interferência da luz (Seção
3.4), interferência por reflexão e refração (Seção 3.5), interferência por difração em
fendas e orifícios (Seção 3.6), redes de difração (Seção 3.7), polarização da luz (Seção
3.8) e um breve estudo sobre diversas propriedades óticas especiais da matéria.

3.2 Absorção e espalhamento da luz


Quando um feixe de luz atravessa um meio material sua propagação é modificada
de três modos diferentes. Estas alterações são produzidas pelos seguintes fenômenos:
(a) absorção da luz, (b) espalhamento da luz, (c) dispersão da luz. Em primeiro lugar,
ocorre uma permanente diminuição da intensidade luminosa à medida que o feixe se
propaga no meio considerado; este fenômeno denomina-se absorção da luz. Entretan­
to, em alguns casos, o espalhamento da luz também produz uma diminuição da inten­
sidade do feixe. O terceiro fenômeno ondulatório que produz alterações no feixe inci­
dente é a dispersão da luz. O processo de dispersão da luz produz uma alteração na ve­
locidade de propagação do feixe de luz; esta velocidade depende fortemente do com­
primento de onda de cada onda que compõe o feixe considerado. Nesta Seção vamos
fazer uma descrição das características mais relevantes da absorção e do espalhamento
da luz. Na Seção 3.3 vamos estudar o terceiro fenômeno mencionado, isto é, a disper­
são da luz.
Inicialmente, vamos mostrar a diferença essencial entre o fenômeno da absorção da
luz e o fenômeno do espalhamento da luz. Seja Io a intensidade de um feixe luminoso
monocromático colimado que penetra no interior de uma caixa transparente que con­
tém um meio homogêneo constituído por um gás com fumaça ou, de um modo geral,
com qualquer tipo de aerossol. A experiência mostra que a intesidade luminosa I do
feixe luminoso no interior do gás diminui exponencialmente de acordo com a Lei de
Bouger:
I Zoexp(-/lx) (3.1)
onde A c o coeficiente de absorção exé a distância percorrida pelo feixe no interior
do meio considerado. Contudo a experiência mostra que, no caso mencionado, gran­
de parte da diminuição da intensidade Ido feixe não é produzida pela absorção do fei­
xe pelo gás, mas sim pelo espalhamento lateral da luz causada pelas partículas de fu­
maça e que removem muitas ondas luminosas do feixe original. Note que esta remoção
de ondas oriundas do espalhamento da luz é independente da absorção da luz que ocorre
simultaneamente como o espalhamento. Contudo, quando medimos a intensidade lu­
minosa / estes dois efeitos se superpõem c produzem um coeficiente de absorção efeti­
vo A. Para saber qual é a parcela creditada ao espalhamento da luz seria necessário medir
a absorção do gás sem afumaça. Voltaremos a estudar a questão do espalhamento da
luz mais adiante.

Absorção seletiva e reflexão seletiva


Uma substância apresenta absorção genérica quando ela reduz igualmente a intensida­
de luminosa de todas as cores componentes da luz branca. Isto significa dizer que, quando

196
um feixe de luz branco atravessa este tipo de substância, o feixe continua branco até se ex-
tinguir completamcntc. Contudo, como na prática a absorção não c exatamente igual pa­
ra todas as cores, o feixe branco torna-se ligeiramente cinzento no interior do material.
Dizemos que uma substância exibe absorção seletiva quando ela absorve mais forte­
mente uma determinada cor da luz branca que se propaga no interior do material. Quase
todas as substâncias coloridas (com cores naturais ou artificiais) possuem suas cores ca­
racterísticas em virtude de uma absorção seletiva. Existem duas formas de absorção sele­
tiva: a absorção seletiva volumétrica e a absorção seletiva superficial.
Dizemos que uma substância apresenta reflexão seletiva quando uma dada cor é refle­
tida mais fortemente do que as demais cores. A cor que é mais fortemente refletida é uma
cor completamentar da cor que sofre absorção seletiva na superfície (ou no volume) do
material considerado.
Os corpos que apresentam absorção seletiva volumétrica possuem a mesma cor quan­
do são observados através da luz refletida ou quando observados através da luz transmiti­
da. A cor predominante de um meta! decorrente de uma reflexão seletiva que ocorre na
superfície do metal. Como os metais são condutores suas características de reflexão e ab­
sorção são muito diferentes dos dielétricos (que não são condutores). Para um material
dielétrico existe uma relação direta entre os fenômenos da absorção seletiva, da reflexão
seletiva e da emissão ressonante do respectivo material. Para qualquer metal a cor mais
fortemente refletida decorre da sua refletividade superficial', esta cor é uma cor comple­
mentaria cor do mesmo meta! quando observamos a luz transmitida por este metal. Por
exemplo, uma fina lâmina de ouro possui cor amarela (quando observada por reflexão}
e uma cor verde-azul (quando observada por transmissão}. No entanto, um vidro verde
(que é um dielétrico) apresenta a mesma cor verde por reflexão e por transmissão.
Absorção em sólidos e líquidos. Quando um feixe de luz monocromática passa através
de um sólido ou de um líquido no interior de um recipiente transparente, a intensidade lu­
minosa /diminui de acordo com a Lei de Bouger (3.1). Quando alteramos acorda luz in­
cidente, a absorção do material varia em função do comprimento de onda da radiação in­
cidente. Se o feixe incidente for um feixe de luz branca, através da análise espectral da luz
incidente e da luz transmitida podemos obter informações sobre a dispersão c sobre a ab­
sorção da luz no interior do material considerado. Os líquidos e os sólidos apresentam es­
pectros de absorção contínuos, em geral, contendo uma banda de absorção na região on­
de ocorre absorção seletiva. Quando um líquido ou um sólido apresenta uma banda de ab­
sorção, verifica-se que ela é de caráter contínuo, em contrapartida ao espectro de linhas
(ou espectro descontínuo} exibido pelos gases. Mesmo no caso de uma substância trans­
parente ocorrem bandas de absorção, quando as ondas incidentes se estendem para a re­
gião infravermelha e para a região ultravioleta.
Absorção em gases. O espectro dc absorção de todos os gases em pressões não muito
elevadas apresenta Unhas de absorção estreitas e negras. Em alguns casos especiais, é pos­
sível encontrar regiões em que o espectro se torna contínuo. Contudo, a característica do­
minante de todos os espectros de absorção dos gases é a presença destas Unhas pretas es­
treitas que caracterizam as absorções ressonantes que ocorrem nos gases. Outra caracte­
rística importante de um gás é que o seu espectro de absorção é semelhante ao seu espectro
de emissão, conforme veremos no Capítulo 4 quando estudarmos a Física Moderna.

Espalhamento da luz
Considereum feixe de ondas eletromagnéticas (ou um feixe colimado de partículas ele­
mentares} se propagando no vácuo. Quando este feixe penetra num meio material qual-

197
quer, cm geral ocorre um desvio da direção inicial dc feixe e as ondas (ou partículas) po­
dem ser espalhadas em todas as direções. Sc o feixe não sofre nenhum outro desvio (além
do desvio da refração), dizemos que não ocorreu espalhamento do feixe considerado. Na
realidade, a própria rejração pode ser considerada como um tipo especial de espalhamen­
to', no tratamento que faremos a seguir não consideramos a refração como um tipo espe­
cial dc espalhamento. Os principais tipos de espalhamento da luz são os seguintes: (a) es­
palhamento por reflexão, (b) espalhamento por difração, (c) espalhamento molecular.
O modelo microscópio para explicar o espalhamento da luz c feito com base no estudo
da interação entre as ondas eletromagnéticas da luz e a matéria. Sob a ação de uma onda
eletromagnética cada molécula se transforma num centro secundário da radiação.
A descrição macroscópica do espalhamento da Zuzem geral pode ser feita mediante apli­
cação do Principio de Huygens. Como sabemos, de acordo com a famosa construção de
Huygens, para se determinar a nova posição de uma frente de onda basta traçar a envoltó­
rio das ondas secundárias originadas cm cada ponto da frente de onda antiga. Note a ana­
logia entre o modelo microscópio mencionado no parágrafo anterior c a descrição rnacros-
cópia feita mediante a construção de Huygens. Observe qu cada “ponto* ’ que serve como
centro para a onda secundária corresponde a uma “molécula" queé um centro de irradia­
ção de ondas eletromagnéticas.
(a) Espalhamento por reflexão. O espalhamento por reflexão ou reflexão difusa já foi
mencionado no Capítulo 2. Na Fig. 2.5 mostramos que um feixe colimado sofre reflexão
difusa ou espalhamento em muitas direções diferentes do feixe colimado incidente; isto
ocorre quando o feixe colimado incide sobre uma superfície áspera.
A reflexão difusa ou espalhamento também pode ocorrer pela reflexão aleatória num
conjunto de partículas, conforme veremos a seguir. Contudo, para uma partícula poder
refletir a luz ela deve possuir um diâmetro muito maior do que o comprimento de onda
da luz (que é da ordem de 5,5 X 10 "5 cm).
Espalhamento por partículas pequenas. O espalhamento por reflexão em partículas pe­
quenas é análogo á reflexão difusa numa superfície áspera (vera Fig. 2.5). No caso ilustra­
do na Fig. 2.5 o espalhamento ocorre pelas reflexões nas reentrâncias e saliências micros­
cópicas da superfície áspera considerada. O espalhamento produzido pelas reflexões em
partículas pequenas ocorre porque as partículas estão distribuídas aleatoriamente no seio
de um gás ou de um outro meio transparente (exemplo: o espalhamento produzido pela
fumaça ou por uma nuvem de poeira no ar atmosférico).
O espalhamento produzido por partículas pequenas pode ser de dois tipos essenciais:
(1) espalhamento por reflexão c (2) espalhamento por difração. Ocorre espalhamento por
reflexão quando o diâmetro dc cada partícula é muito maior do que o comprimento de on­
da da Juz. O espalhamentopordifração acontece quando o diâmetro da partícula é da mesma
ordem de grandeza do comprimento dc onda da luz ou quando este diâmetro for menor
do que o comprimento de onda da luz. Quando dizemos que o diâmetro possui a “mesma
ordem de grandeza” do comprimento de onda X da luz queremos dizer que cie pode ser
igual a X, ligeiramente maior do que X ou então ligeiramente menor do que X. Estamos ana­
lisando a questão do espalhamento por reflexão. O problema do espalhamento por difra­
ção será examinada logo a seguir.
Quando um feixe de luz atravessa uma sala, sua trajetória se torna visível porque exis­
tem partículas dc poeira e outros tipos de partículas pequenas em suspensão no ar. Estas
partículas dão origem do espalhamento lateral normalmente produzido pela reflexão di­
fusa que ocorre nestas partículas. Caso não existissem estas partículas, o feixe de luz não

198
poderia ser visto pelo observador. Para provar esta conclusão, basta fazer a seguinte ex­
periência. Suponha que uin feixe colimado entre e saia de uma caixa através de pequenas
janelas de vidro, conforme indicado na Fig. 3.1. A caixa possui paredes negras e podemos
olhar para o interior dela através da face central da caixa que é transparente. As demais
faces internas da caixa são negras. Antes de retirar as partículas da caixa você poderá ver
a trajetória do feixe de luz que atravessa a caixa. Entretanto, depois de retirar completa­
mente as partículas em suspensão no ar do interior da caixa, você não verá mais a trajetó­
ria do feixe de luz no interior da caixa. Contudo, TynclaU mostrou que mesmo no caso de
um gás puro ocorre o chamado espalhamento molecular, conforme veremos mais adian­
te.

IIIIIIIIIIIIIIIHIIIIIIT

Fig. 3.1 Um feixe colimado de luz branca atravessa uma caixa passando
por duas janelas de vidro. O ar no interior da caixa não possui nenhuma
partícula em suspensão; neste caso, o feixe de luz no interior da caixa
não pode ser visto através da facefrontal da caixa (que é transparente).

(b) Espalhamentopor difração. Considere uma partícula que possui um diâmetro me­
nor do que o comprimento de onda da luz. Suponha que um feixe de ondas planas mono­
cromáticas incida sobre a partícula. As ondas elétricas da luz incidente fazem oscilar os
elétrons d^ moléculas da partícula consderada. Cada molécula passa a ser uma fonte se­
cundária de luz; contudo, como as moléculas estão muito próximas c a partícula possui
diâmetro menor do que o comprimento de onda da luz emitida, tudo se passa como se a
partícula fosse uma fonte pontual que emite ondas esféricas. Neste caso, dizemos que a
luz incidente sofre espalhamento por difração. O fenômeno da difração consiste na alte­
ração da direção de um feixe de ondas originais que interagem com a partícula, corc\ fen­
das, com orifícios, com as bordas de um anteparo, etc. Na Seção 3.4 e na Seção 3.6 estu­
daremos cuidadosamente a questão da difração da luz em fedas e orifícios. Como exem­
plo de espalhamento por difração em partículas muito pequenas citamos o pequeno halo
que se forma em torno do Sol ou da Lua. Este halo é produzido pelas ondas luminosas que
são difratadas pelas partículas e gotículas extremamente pequenas que compõem nuvens
semitransparentes situadas entre o observador c a Lua (ou o Sol).
(c) Espalhamento molecular. Os primeiros estudos quantitativos sobre o espalhamen­
to da luz por partículas muito pequenas foram realizados por Rayleigh em 1871. A inves­
tigação deste problema deu origem a uma teoria hoje conhecida pelo nome de "teoria do
espalhamento de Rayleigh". Esta teoria pode ser aplicada para qualquer conjunto de par­
tículas, desde que o índice de refração destas partículas seja diferente do índice de refra-
ção do meio homogêneo onde elas se encontram e desde que o diâmetro de cada partícula
seja muito menor do que o comprimento de onda da luz. O espalhamento produzido pelas
moléculas de \im gás se enquadra neste tipo de estudo, uma vez que o diâmetro destas mo­
léculas é da ordem de 1 a 10 At enquanto que o comprimento de onda da luz está com­
preendido entre 4 000 e 7 000 A.

199
Sob a ação dc uma onda eletromagnética, cada molécula se torna um centro de irradia­
ção de ondas eletromagnéticas secundárias. Em virtude da força elétrica oriunda da ação
do campo elétrico da onda incidente sobre os elétrons da molécula, a nuvem eletrônica se
desloca em relação ao núcleo de cada átomo c a molécula adquire um momento de dipolo
que varia com o tempo com a mesma frequência da onda incidente. Raylcigh demonstrou
que a intensidade /da onda eletromagnética emitida por este dipolo elementaré dada por:

/ - (BJ4 sen2 S)/? (3.2)


onde B é uma constante q ue depende das características do dipolo elementar considerado,
r é a distância entre o dipolo c o local onde a onda c detectada, fé a freqüência da onda
c 0 é o ângulo entre a direção de propagação da onda e a direção referente ao eixo de sime­
tria do dipolo considerado. Uma vez que c = \f, a equação (3.2) também pode ser escrita
do seguinte modo:
/ - D sen2 «/(A2) (3.3)
onde D = Bc4. As relações (3.2) e (3.3) mostram claramente que:
(a) As ondas secundárias espalhadas possuem uma intensidade que varia com o inver­
so do quadrado da distância entre a fonte secundária e o ponto considerado. Este resu Ita-
do é comum a todas as ondas esféricas c justifica teoricamente a famosa construção de Huy-
gens.
(b) As ondas secundárias espalhadas possuem uma intensidade que varia diretamente
com a quarta potência da frequência f da radiação incidente. Ou, de forma alternativa,
podemos dizer que a intensidade das ondas espalhadas é in versamente proporcional à quarta
potência do comprimento de onda X da radiação incidente.
Note, dc passagem, que o espalhamento de uma luz monocromática produz ondaspo­
larizadas nas direções indicadas pelo ângulo 0 da relação (3.2) ou da relação (3.3). Na Se­
ção 3.8 faremos algumas observações sobre o fenômeno da polarização da luz por espa­
lhamento.
Conforme dissemos, o comprimento de onda da luzé cerca de 1.000 vezes maior do que
o diâmetro de uma molécula normal. Sendo assim, concluímos que cada molécula funcio­
na como um dipolo elétrico elementar e se torna um centro microscópico de espalhamento
das ondas secundárias. Entretanto, quando o diâmetro da partícula sobre a qual a luz in­
cide for igual a X ou quando este diâmetro for ligeiramente maior do que X, é necessário
levar em conta a interferência produzida pela emissão simultânea das diversas moléculas
da partícula. Neste caso, as ondas incidentes são anuladas pelas ondas secundárias que re­
tornam em sentido contrário ao da radiação incidente. Por outro lado, as ondas espalha­
dasparafrente, se reforçam dando origem a umafigura de interferência por difração (ver
a Seção 3.6).
Suponha que um feixe de luz solar atravesse um líquido transparente puro. Observan­
do este feixe, você notará uma pequena luminosidade azul produzida pelo espalhamento
lateral oriundo do espalhamento molecular das moléculas do líquido. Isto também ocorre
para um gás. O espalhamento molecular é responsável pela cor azul do céu num dia sem
nuvens. A relação (3.3) indica que o espalhamento produzido pelas moléculas do ar atmos­
férico é tanto mais intenso quanto menor for o comprimento de onda da radiação. Ora,
o comprimento de onda dacorazu!é menor do que o comprimento de onda da cor verme­
lha. Portanto, a intensidade da cor azul espalhada é muito maior do que a intensidade da
cor vermelha espalhada. O leitor atento poderá perguntar: a intensidade da cor violeta es-

200
palhada não é maior do que a da cor azuP. Pela relação (3.3) a resposta ê afirmativa, uma
vez que a cor violeta possui um comprimento de onda X menor do que o comprimento de
onda da cor azul. Logo, pela relação (3.3), para um mesmo ângulo 9, a intensidade das
ondas violetas espalhadas é maior do que a intensidade das ondas azuis espalhadas. Con­
tudo, sabemos que o espectro da luz solar, assim como a curva de sensibilidade do olho
humano possuem um pico de intensidade máxima nas vizinhanças do verde. Por outro la­
do, a sensibilidade do olho humano normal conforme indicado na Fig. 1.6, tende a zero
quando X tende a 4.000 A (região violeta). Além disto, a própria luz solar incidente pos­
sui intensidade maior para as ondas azuis do que para as ondas violetas. Todos estes efei­
tos somados produzem uma predominância da cor azul sobre a cor violeta nas ondas es­
palhadas que atingem o olho de um observador no interior da atmosfera terrestre. Por es­
ta razão, um observador situado na Terra verá o céu azul. Um observador situado na Lua
verá o céu preto, uma vez que a Lua não possui atsmofera. Um astronauta na Lua (ou em
qualquer lugar fora da atmosfera terrestre) verá a Terra azul, uma vez que a luz espalhada
pela atmosfera e refletida pela Terra é predominantemente azul.
O espalhamento da luz pelas moléculas da atmosfera terrestre também é responsável
pela coloração avermelhada adquirida pelo Sol ou pela Lua quando estes astros se encon­
tram no horizonte. Pela fórmula (3.2) vemos que, quando 0 tende a zero, a intensidade
da luz espalhada tende a zero. A intensidade da luz espalhada cresce com 9 e torna-se má­
xima quando 9 - 90°. Portanto, quando olhamos para a Lua ou para o Sol no horizonte,
estamos olhando diretamente para a fonte. Se não houvesse a atmosfera terrestre a Lua
e o Sol seriam sempre brancos. Quando o Sol (ou a Lua) estão no zênite ocorre espa/Ao-
mento lateral da luz; entretanto, a quantidade dc luz azul espalhada lateralmente não é su­
ficiente para alterar a coloração branca destes astros. Contudo, quando o Sol (ou a Lua)
se encontram no horizonte, a luz atravessa uma camada de ar muito mais espessa do que
a camada de ar atravessada quando estes astros se encontram no zênite. Como sabemos,
o espalhamento lateral dos raios solares retira predominantemente os raios azuis; portan­
to, na direção de propagação horizontal, sobram os raios vermelhos e os raios próximos
do vermelho. Por esta razão, a luz solar transmitida diretamenle quando o Sol etá no hori­
zonte possui predominância da cor vermelha.

Efeito Tyndall
O efeito Tyndall c produzido pelo espalhamento da luz num colóide. Dcnomina-se co­
lóide uvn sistemaaparentemenlehomogâneo, mas constituído por duasfases, uma das quais
(denominada/ose dispersa) está reduzida a partículas extremamente pequenas c mistura­
das homogeneamente na outra fase (denominada fase dispersora). As partículas da/ose
dispersa denomina-se partículas coloidais e possuem diâmetros que variam de 5.000 Â.
Abaixo deste limite, o sistema constitui uma solução homogênea e, acima deste limite, o
sistema denomina-se suspensão. Quando um feixe luminoso passa através de um colóide
e é observado numa direção ortogonal à direção de propagação do feixe, conforme indi­
cado no dispositivo esquematizado na Fig. 3.1, verifica-se que o feixe torna-se visível e que
sua coloração é diferente da coloração do feixe incidente. Quando as partículas do colói­
de são muito pequenas e o feixe incidente é branco, notamos que o feixe se toma azulado,
quando observado num dispositivo semelhante ao da Fig. 3.1 (como, por exemplo, no ca­
so da fumaça de um cigarro). Tyndallprovou que este efeito persiste mesmo quando eli­
minamos completamente a fase dispersa (neste caso, o efeito é produzido pelo espalha­
mento molecular).

201
3.3 Dispersão da luz
Nas Seções 1.4 c 2.4 já fizemos alguns comentários qualitativos sobre a dispersão da
luz. Vamos agora analisar alguns aspectos quantitativos deste fenômeno. Vimos que o ín­
dice de refração n de uma substância depende do comprimento de onda X da radiação inci­
dente. Uma das primeiras fórmulas empíricas para se obter o índice de refração em fun­
ção do comprimento de onda X é a fórmula de Cauchy:
n = A + (B/X2) 4- (C/>f) + . . . (3.4)
onde X é comprimento de onda da radiação no vácuo, n c o índice de refração do material,
A, B e Csão constantes que devem ser determinadas experimentalmente para cada mate­
rial.
Dizemos que uma substância exibe uma dispersão normal quando o índice de refração
n segue a equação de Cauchy (3.4). As principais características da dispersão normal são
as seguintes:
1. O índice de refração aumenta à medida que o comprimento de onda diminui (para
a mesma substância).
2. A taxa de aumento do índice de refração torna-se maior para comprimentos de on­
das pequenos (para a mesma substância).
3. Entre as curvas de n contra X para diversas substâncias, aquelas que possuem maior
inclinação correspondem às substâncias que possuem maior índice de refração (para um
mesmo comprimento de onda).

Comprimento de onda (X), em gm


Fig. 3.2 Curvas da dispersão normal de algumas substâncias transparentes.

202
Na Fig. 3.2 indicamos as curvas da dispersão norma!de algumas substâncias transpa­
rentes usadas na confecção de prismas e dc lentes. Quando a medida do índice de refração
dc diversas substâncias transparentes se estende ate o infravermelho, as respectivas cur­
vas de dispersão começam a se desviar fonemente da previsão feita pela fórmula de Cauchy
(3.4). Este comportamento é conhecido como "dispersão anômala". Entretanto, com a
moderna teoria eletrônica da dispersão. verifica-se que a "dispersão norma!" ea "disper­
são anômala" nada mais são do que trechos da mesma curva de dispersão dc uma dada
substância.
A "dispersão anômala" foi observada pela primeira vez por Leroux quando ele fazia
experiências dc transmissão da luz através do vapor dc iodo. Ele notou que, em vez do ín­
dice dc refração diminuir com o aumento do comprimento de onda, ocorria exatamente
contrário, isto é, o índice de refração aumentava com o aumento do comprimento de on­
da. As observações experimentais mostraram que a "anomalia” ocorre justamente na re­
gião do espectro onde existe forte absorção seletiva. Na Fig. 3.3 most ramos uma curva de
dispersão completa para o quartzo. Note que a dispersão normal corresponde ao trecho
entre os pontos Pe R. O trecho entre os pontos P e Q é a parte da dispersão normal refe­
rente à luz. A partir do ponto R, à medida que aumenta o comprimento de onda X, a curva
de dispersão começa a se afastar do seu comportamento “normal” descrito pela equação
de Cauchy (3.4). A fórmula de Cauchy (3.4) concorda com a curva experimental entre os
pontos M e R c tende assintoticamente para a direção A A' indicada na Fig. 3.3. A "disper­
são anômala" ocorre nas vizinhanças da banda de absorção indicada na Fig. 3.3. Entre
os pontos S c / o índice dc refração volta a variar seguindo novamente uma dependência
do tipo (3.4) e tende assintoticamente, de novo, para a direção AA’ indicada na Fig. 3.3.

I
Q
R
A
; -pí
I u .5 I
I “ * I
o X
Banda dc
absorção

Fig. 3.3 Curva de dispersão completa para o quartzo. A dispersão normal


corresponde ao trecho entre os pontos Pe R. A dispersão anômala ocorre
nas vizinhanças da banda de absorção.

203
A moderna teoria eletrônica da dispersão estabelece a seguinte expressão para o índice
de refração em função da frequência:
n> = I +------- (3.5)
(/í - /) +
onde A c B são constantes características de cada substância, e é a carga do elétron, m é
a massa do elct ron, fé a frequência da radiação excitante efo é a frequência de ressonân­
cia em torno da qual ocorre absorção seletiva no seio da substância considerada. O índice
de refraçào torna-se máximo quando/ = /o; a região em torno desta freqüência corres­
ponde à região da banda de absorção apontada na Fig. 3.3. As equações do tipo (3.5) po­
dem explicar o comportamento experimental indicado na Fig. 3.3.

3.4 Difração e interferência da luz


A difração c a interferência são dois fenômenos que caracterizam essencial mente a
diferença entre a natureza ondulatória e a natureza corpuscularde um feixe que intera­
ge com a matéria. Caso ocorra difração (e posterior interferência ente os feixes difra-
tados), concluímos que o feixe considerado c um feixe de ondas. Em caso contrário,
isto é, quando não ocorre difração, concluímos que se trata de um feixe de partículas.Q
estudo geral da difração e da interferência para qualquer tipo de onda pode ser encon­
trado no Livro "Gravitação, Oscilaçõese Ondas" dc Autoria dos Professores Adir M.
Luiz e Sérgio L. Gouveia. Na presente Seção vamos estudar especificamente a difra­
ção e a interferência das ondas luminosas.
Inicialmcnte, vamos fazer a distinção entre os fenômenos da interferência e da di­
fração. É preciso não confundir os termos interferência e difração. Estes termos não
são sinônimos. Pode ocorrer difração sem que haja interferêcia', pode também ocorrer
interferência sem que ocorra difração, conforme mostraremos mais adiante. A seguir,
definiremos a difração e a interferência para que o leitor saiba o significado exato des­
tes dois fenômenos (para o caso da luz).
Podemos dizer que a difração da luz corresponde a um desvio da trajetória original
dos raios luminosos que atingem um objeto, uma partícula macroscópica, uma partí­
cula microscópica ou então um pequeno orifício (ou fenda) existente num anteparo opa­
co. Portanto, ocorre difração: (a) quando a luz passa pelas bordas de um objeto qual­
quer ou de uma partícula macroscópica, (b) quando a luz incide sobre partículas mi­
croscópicas, (c) quando a luz passa através de pequenos orifícios (ou fendas) existentes
num anteparo opaco.
Vejamos agora o fenômeno da interferência da luz. A interferência ocorre quando
duas ou mais ondas luminosas atingem simultaneamente a mesma região do espaço.
No sentido mais amplo, a interferência significa a superposição de ondas. Contudo,
na prática, quando analisamos a interferência da luz, só é conveniente estudar situa­
ções em que possa ocorrer interferência destrutiva e interferência construtiva. Portanto, pa­
ra caracterizar o fenômeno da interferêcia da luz c suficiente explicitar quais são as condi­
ções para que dois feixes de luz possam produzir uma figura de interferência que pode ser
vista pelo olho ou então projetada sobre um anteparo (ou sobre a película da máquina fo­
tográfica colocada no lugar do anteparo). Denomina-se figura de interferência uma figura
construída por uma série alternada de regiões clarase escuras. As regiões daras correspon-

204
dem aos pontos do anteparo onde ocorre interferência construtiva (nestas regiões ocorrem
máximos àe luminosidade). As regiões escuras correspondem aos pontos do anteparo nos
quais as ondas se destroem, ou seja, nestes pontos ocorre interferência destrutiva (pontos
dc mínimo nos quais a intensidade luminoso é igual a zero).
Para analisar a possibilidade de formação de uma figura de interferência basta veri­
ficar se é possível ou não ocorrer interferência destrutiva da luz. Caso não ocorra ne­
nhuma interferência destrutiva da luz, todas as regiões são iluminadas e não se forma
nenhumafigura de interferência. Portanto, para saber se é possível ou não a formação
de uma figura de interferência estávelc suficiente estudar as condições para a ocorrên­
cia da interferência destrutiva.
Condições necessárias e suficientes para a interferência destrutiva. Para que duas
ondas luminosas possam sofrer interferência destrutiva é necessário e suficiente que:
(ff) elas possuam a mesma freqüência (ou o mesmo comprimento de onda), (d) elas pos­
suam a mesma amplitude, (c) elas possuam o mesmo plano de polarização, (d) elas se­
jam coerentes e possuam uma diferença de fase constante dada pela condição geral:

A<í> = (2m + 1)tt (3.6)

onde à<t>é a diferença defase entre as ondas emé um número inteiro (m = 0,1,2,3,...).
Condições necessárias e suficientes para a interferência construtiva. Para que duas
ondas luminosas possam sofrer interferência construtiva é necessário e suficiente que:
(o) elas possuam a mesmafreqüência, (b) elas possuam a mesma amplitude, (c) elas pos­
suam o mesmo plano de polarização, (d) elas sejam coerentes e possuam uma diferen­
ça de fase constante dada pela condição geral:

A0 = 2mir (3.7)

onde m = 0,1,2,3, ...


As condições de interferência especificadas nos parágrafos anteriores são fáceis de
compreender. Contudo, a polarização e a coerência são duas condições importantes
para a ocorrência de uma figura de interferência estável. Usamos a palavra “ estável' '
para enfatizar o caso em que a figura de interferência permanece constante no tempo.
Quando as ondas luminosas que interferem são coerentes, afigura de interferência per­
manece constante no tempo-, ou seja, se deixamos uma placa fotográfica exposta no
local da interferência, obteremos sempre a mesma figura de interferência (qualquer que
seja o tempo de exposição da placa fotográfica). Voltaremos a discutir a questão da
coerência mais adiante. Dizemos que duas ondas luminosas estão polarizadas no mes­
mo plano quando o campo elétrico dc uma das ondas é paralelo ao campo elétrico da
outra onda. O fenômeno da polarização da luz será examinado mais adiante (ver a Se-

205
ção 3.8). No momento desejamos apenas enfatizar que quando duas ondas eletromag­
néticas não estão polarizadas no mesmo plano elas nunca podem produzir interferên­
cia destrutiva completa. Neste caso, o campo elétrico resultante é a soma vetoria! dos
campos elétricos componentes; ora, a soma vetorial de dois vetores não coli neares não
pode nunca ser igual a zero, o que prova a afirmação acima enfatizada. Quando numa
região do espaço chegam três ondas luminosas c possível a produção de uma interfe­
rência destrutiva desde queasoma vetorialdos campos elétricos das três ondas seja igual
a zero\ isto só é viável quando os três campos elétricos componentes estiverem conti­
dos no mesmo plano. A superposição de mais de três ondas pode produzir interferêcia
destrutiva, desde que a soma vetorial dos campos elétricos componentes seja igual a
zero\ neste caso, verificamos facilmente que a interferência destrutiva ocorre quando
os campos elétricos das ondas que se superpõem formam uma linha poligonalfechada
(num plano ou em três dimensões).

Coerência
Dizemos que duas fontes de luz (ou duas ondas) são coerentes quando a diferença de
fase das ondas emitidas pelas fontes permanece constante no tempo. Note que a dife­
rença defase L<t> entre duas ondas num dado local do espaço depende do caminho óti­
co percorrido pelas ondas desde um ponto de referencia (no qual Aó = 0) até o local
considerado. As ondas são coerentes quando esta diferença defase permanece cons­
tante no tempo para o ponto considerado. Portanto, conforem dissemos, para que se
produza uma figura de interferência estável é necessário que esta diferença de fase A0
permaneça constante no tempo.
Como exemplo de fontes incoerentes citamos as fontes obtidas por lâmpadas defi­
lamentos incandescentes. Neste caso, as diferenças de fase variam com o tempo e não
se pode obter nenhuma figura de interferência estável.
No Capítulo 2 mostramos que uma das leis básicas da Ótica Geométrica é a Lei da
Independência dos Raios Luminoso. De acordo com esta lei, quando dois feixes de luz
se cruam não existe nenhuma interação entre os feixes. Contudo, quando considera­
mos a luz como um fenômeno ondulatório, devemos aplicar o Principio da Superposi­
ção na região onde duas ou mais ondas luminosas se cruzam. De acordo com o Princí­
pio da Superposição, o vetor campo elétrico da onda resultante é dadao pela soma ve- ‘
(orialdos campos elétricos das ondas que se cruzam. Considere duas ondas luminosas
plano polarizadas num mesmo plano, ou seja, o vetor campo elétrico de uma das on­
das éparalelo ao vetor campo elétrico da outra onda. Quando estas duas ondas se cru­
zam, a amplitude do campo elétrico da onda resultante é obtida pela soma algébrica
dos campos elétricos das ondas componentes (levando em conta o sentido de cada ve­
tor). Como sabemos do Eletromagnetismo, a intensidade de uma onda luminosa é pro­
porcional ao quadrado do módulo do campo elétrico da onda. Donde se conclui que,
normalmente, a intensidade da onda resultante é diferente da soma das intensidades
das ondas componentes, uma vez que o quadrado de uma soma não é igual à soma dos
quadrados das parcelas da soma. Entretanto, a experiência cotidiana nos mostra que
a intensidade da luz obtida por dois feixes de luzque incidem sobre um anteparo é igual
à soma das intensidades dos feixes componentes. Como conciliar, neste caso, as con-

206
clusões da Ótica Geométrica com a Teoria Ondulatória da Luz! Você encontrará a se­
guir uma explicação para esta aparente contradição.
Suponha duas ondas elétricas harmônicas descritas pelas relações:
Et — Ai sen (wt + 0>) (3.8)
E2 = sen (ut + 02) (3.9)
onde 4, e42 são as amplitudes das ondas e 0, e 02 são as/asesdas ondas E, eE2. As
duas ondas possuem a mesma frequência angular u. Supondo que as duas ondas se pro­
pagam na mesma direção, a onda resultante E possui equação obtida pela soma das on­
das (3.8) e (3.9), ou seja:
E = Et + E2 = £m sen (oV + 9) (3.10)
No Apêndice E (“Complementos de Malemáticd') o leitor encontrará as identida­
des trigonométricas necessárias para obter a relação (3.10) e verificará que, neste caso,
E^, — A2 + A2 + 24|42 cos (02 — 0t) (3.11)
_ Tli sen 0, + /I;sen 02 (3.12)
tg 9
4, COS 0i + Ai COS 02

A equação (3.11) mostra claramente que o quadrado da amplitude da onda resul­


tante não éigualàsoma dos quadrados das ondas componentes. Donde se conclui que
a intensidade luminosa da onda resultante não é igual à somadas imensidades lumino­
sas das ondas componentes. Vemos que a intensidade luminosa da onda resultante de­
pende da diferença de fase (<í>2 - 0,) entre as ondas. O valor máximo da intensidade
luminosa ocorre quando as ondas estão em fase (0, = 02); neste caso, de acordo com
a relação (3.11), temos: E2 = (E, + E2)2. Entretanto, quando 02 - 0, = ir, a intensi­
dade luminosa da onda resultante assume um valor mínimo dado por E2 = (E, - E2)2.

Geralmente, as fontes luminosas não possuem fases constantes como no caso das
fases 0i e 02 das relações (3.8) e (3.9). Neste caso, a intensidade luminosa resultante I
(que c proporcional a E2) também varia com o tempo. O olho percebe apenas a intensi­
dade! , do mesmo modo que o olho não percebe as pequenas flutuações de intensidade
de uma lâmpada incandescente no filamento da qual passa uma corrente alternada. Su­
ponha que a diferença de fase 02 — 0i permaneça constante no tempço. Neste caso, a
intensidade média Ié proporcional ao valor médio de E2. Como 02 — 0> não depende
do tempo, verificamos facilmente que o valor médio de Ef é dado por:
Ê2 = E? + E? + 2E,Ej cos (02 - 0.)

Da relação anterior concluímos facilmente que a intensidade luminosa da onda re­


sultante não é igual àsoma das imensidades das ondas componentes. Neste caso, dize­
mos que as ondas componentes são coerentes c elas produzem uma figura de interfe­
rência. Contudo, quando as ondas componentes não são coerentes, isto é, quando a
diferença de fase 02 — 0> varia aleatoriamente com o tempo, ao calcularmos o valor

207
médio da relação (3.11) devemos considerar que o valor médio de cos (çí>2 — ó*.) é da­
do por:
cos(^>2 - 0i) = 0
O resultado acima é geral, ou seja, o valor médio de uma função seno ou cosseno
que varia com o tempo é igual a zero. Sendo assim, o valor médio da relação (3.11) é
dado por:
E2 = Ei + El
Da relação precedente concluímos que a intensidade luminosa da onda resultante
da superposição de duas ondas luminosas incoerentes é igual à soma das intensidades
das ondas componentes. Os dois resultados anteriores eliminam a dificuldade de inter­
pretação mencionada anteriormente. Ou seja, não vemos a interferência entre dois fei­
xes de luz que se cruzam porque os feixes normalmente são incoerentes. Contudo, quan­
do duas ondas coerentes se superpõem é possível a obtenção de uma figura de interfe­
rência estável, desde que sejam satisfeitas as demais condições de interferência destru­
tiva mencionadas anteriormente.
O estudo da interferência produzida pela superposição de ondas emitidas por fon­
tes pontuais coerentes será feito nesta Seção. Na Seção 3.5 analisaremos a interferên­
cia produzida por reflexão e por refração. Na Seção 3.6 estudaremos a interferência
produzida por difração em fendas e orifícios. Na Seção 3.7 examinaremos a interfe­
rência produzida por redes de difração.

Interferência e caminho ótico


O caminho ótico L de um raio luminoso já foi definido no Capítulo 2. A definição
desta grandeza, dada pela reação (2.1) também vale na Ótica Ondulatória, desde que
se entenda que a trajetória considerada para o cálculo do caminho ótico seja dada pelo
percurso do centro de simetria da onda entre os pontos extremos da trajetória conside­
rada. Para estudar a interferência de ondas é conveniente explicitar a proporcionalida­
de existente entre a diferença defase e o caminho ótico. A diferença defase entre duas
ondas é proporcional à fração do comprimento de onda X que separa as duas ondas.
É óbvio que o caminho ótico L é proporcional ao comprimento de onda X da luz no­
meio considerado, uma vez que entre os dois pontos extremos da trajetória existem N
ondas (onde Npode ser um número inteiro ou um número fracionário). Sendo assim,
c conveniente utilizar nos exercícios a seguinte proporcionalidde:
A0 = AL
(3.13)
2tt X

onde A<£ é a diferença defase entre as ondas e DL é a diferença de caminho ótico entre
os percursos das duas ondas. Levando em conta as relações (3.6) e (3.13) verificamos
que uma das condições básicas para a interferência destrutiva entre duas ondas é que
a diferença entre seus caminhos óticos seja um número ímpar de metade do compri­
mento de onda, ou seja,

208
c AZ = (2m + I )X/2

Analogamente, pelas relações (3.7) c (3.13) concluímos que só pode ocorrer interfe­
rência construtiva entre duas ondas quando a diferença de caminho ótico AL for uni
(3.14)

numero inteiro de comprimentos de onda.

SL - mX (3.15)

ondcm - 0,1,2,3, ...

Interferência produzida por duas fontes pontuais


Considere duas fontes pontuais coerentes S\ e Sz emitindo ondas luminosas no ar e
suponha um anteparo Oy centralizado num ponto O muito distante das fontes, con­
forme esquematizado na Fig. 3.4.

i \

W
Fig. 3.4 Esquema para estudar a interferência entre duasfontes pontuais S/ e S2. (a) O anteparo
OY está muito afastado das fontes; o ângulo 0 éo ângulo entre r2e o eixo de simetria paralelo ao
eixo S2O. (b) Detalhe ampliado mostrando a distância d entre asfontes; note que o ângulo 0 indi­
cado é aproximadamente igual ao ângulo 0 mostrado na parte (a).
Como estamos supondo um anteparo muito afastado das fontes, as ondas que che­
gam a um ponto P sobre o anteparo sào ondas planas. De acordo com a definição (2.1),
como o índice de refração do ar é quase igual a um, verificamos que a diferença de ca­
minho ótico dos percursos S2P e S|P é dada por:
AL = r2 — ri (3.16)
Conforme indicado na parte (L) da Fig. 3.4, os segmentos S2P e S(P sào quase pa-
raleos, de modo que o ângulo 0 indicado na parte (a) da Fig. 3.4 é o mesmo ângulo 0
mostrado na parte (L). Donde se conclui que a diferença de caminho ótico AL vale, apro­
ximadamente,
AZ = í/sen 8 (3.17)

209
Como as fontes S, e S:são coerentes concluímos que se forma sobre o anteparo Oy
uma figura de interferência cujos máximos de intensidade, de acordo com as relações
(3.15) e (3.17), são obtidos pela seguinte condição:

d sen 0 = m\ (3.18)

De acordo com as relações (3.14) e (3.17), as franjas escuras (regiões onde a interfe­
rência c destrutiva), são determinadas pela seguinte expressão:

d sen 0 = (2m + 1 )X/2 (3.19)

Método dos fasores


Considere inicialmcntc duas ondas eletromagnéticas não polarizadas num mesmo
plano; neste caso, o vetor campo elétrico de uma das ondas não é paralelo ao vetor campo
elétrico da outra onda, para obter as características da onda resultante da superposi­
ção destas duas ondas, de acordo com o Principio da Superposição, é suficiente somar
vetorialmente o campo elétrico da primeira onda com o campo elétrico da 2? onda; o
campo elétrico resultante fornecerá as características principais da onda elcl romagné-
tica resultante.
Considere agora a superposição de duas ondas luminosas polarizadas num mesmo
plano. Neste caso, como os vetores dos campos elétricos das ondas componentes são
paralelos, c suficiente somar algebricamente as expressões de cada uma das duas on­
das. Já empregamos este método algébrico para deduzir as equações (3.11) c (3.12) a
partir das relações (3.8) e (3.9). Podemos também resolver o problema da superposi­
ção de ondasplano-polarizadasul\\\zz.ando o “método dos fasores" que será descrito
nos parágrafos seguintes.
Considere duas ondas eletromagnéticas planas polarizadas em planos paralelose des­
critas através das seguintes ondas elétricas progressivas:
E\ = z1,sen(/rz- ut) ' (3.20)
Ei = Aisenlkz- ut + é>) (3.21)
onde A, c A; são as amplitudes das ondas, k c o número de onda, z c a direção de pro­
pagação das ondas, a> éa freqücncia angular das ondas, r é o tempo e <t> é a diferença
de fase entre as ondas.
Observe a Fig. 3.5. Podemos encarar a onda E\ como a projeção sobre o eixo Oy io
vetor A i indicado na Fig. 3.5. Este vetor forma com o eixo Ox um ângulo ç, dado por:

0, - kz - wt (3.22)

210
Usando a relação (3.22) nas equações (3.20) c (3.21), encontramos:
E, = 4i sen 0i (3.23)
E2 = Ai (0i + 0) (3.24)
O ângulo (0i + 0) corresponde ao ângulo 0: indicado na Fig. 3.5. Note que E; é a pro­
jeção sobre o eixo Oy do vetor A 2cujo módulo valc/U c que faz um âgulo 0; com o eixo
Ox. Faç^a soma vetorial de vetor A > com o vetor A s; a resultante desta soma vetorial é
o vetor E „, indicado na Fig. 3.5. Como as ondas elétricas consideradas são as projeções dos
vetores A , e A > sobre o eixo Oy, concluímos que a onda elétrica resultante é dada pela pro­
jeção E da soma vetorial resultante A Logo, podemos escrever para a onda resultante da
superposição das ondas E. e E? a seguinte expressão;

Y
P
E„,
/ \
4-.\
£;• \
E
é>
A-
A, — M
0' /
E, rí? <b'.

Fig. 3.5 Esquema para explicar a aplicação do método dosfasores
ittilizadõ para obter a onda resultante da superposição de duas ou
mais ondas polarizadas num mesmo plano.

E = Em sen (0, + 0’) (3.25)

onde Em é o módulo do vetor resultante E,ne<t>' é a diferença de fase ent re a onda re­
sultante e a primeira onda Ei. Usando a regra da soma de dois vetores (regra do para-
lelogramo) ou enlão examinando diretamente a Fig. 3.5, concluímos facilmente que a am­
plitude £,„ da onda resultante é dada pela expressão:

Eln = A\ + A:- + 24 iA2 Cos 0 (3.26)

onde 0 = 02 — 0, c a diferença de fase entre as ondas. Vemos claramentc claramente

211
que a amplitude da onda resultante depende da diferença de fase entre as ondas com­
ponentes. Compare o resultante (3.26) com a equação (3.11) obtida pelo método analí­
tico da soma algébrica das ondas E\ e E2. O tipo de cálculo que conduziu ao resultado
(3.25) denomina-se método dosfasores. O termo “fasor" énormalmcnte utilizado pa­
ra indicar uma grandeza que é caracterizada pelafase’, todos os tipos de ondas possuem
fases, de modo que o método dos fasores é um método conveniente paru estudar a su­
perposição de qualquer tipo de onda.
Para estudar a superposição de apenas duas ondas podemos usar o método dosfa­
sores mencionado acima ou o método algébrico utilizado na dedução da equação (3.11).
Contudo, quando desejamos encontrar a onda resultante da superposição de mais de
duas ondas é mais conveniente adotar o método dosfasores, confome veremos no Exem­
plo 3.1.
Para determinar a diferença de fase </>’ entre a onda resultante c a onda E\, basta
examinar o triâgulo retângulo OPMindicado na Fig. 3.5. obtemos facilmente o seguinte
resultado:

E2 sen <{>
tg</>’ = (3.27)
Ei + E2 cos <t>

As equações (3.25), (3.26) e (3.27) fornecem todas as informações necessárias sobre


as características essenciais da onda resultante da superposição de duas ondas lumino­
sas planas cujos vetores E} e E2 são paralelos.
Observações: (a) Quando as ondas componentes são escritas na forma de uma cos-
senóide (cm vez de uma senóide), para aplicar o método dosfasores é suficiente proje­
tar os vetores representativos das ondas sobre o eixo Ox, em vez do eixo Oy (como no
caso indicado na Fig. 3.5). (ô) Como a soma vetorialde dois (ou mais) vetores é um ve­
tor objetivo, ou seja, c um vetor que não depende do sistema de referência, podemos
fazer o vetor/li coincidir com o eixo Ox, conforme indicado na Fig. 3.6. Neste caso,

/ i
l
I
E
I
I
<t>
O ai x
Fig. 3.6 Os mesmos vetores mostrados na Fig. 3.5 são representa­
dos de novo nesta ilustração. Contudo, o eixo Ox coincide com
A) (que indica simbolicamente a primeira onda). Note que as
principais características da onda resultante Esão invariantes, ou
seja, os valores da amplitude Ent e da diferença da fase </>' não de­
pendem do sistema de coordenadas usado.

212
o ângulo formado entre a direção de cada vetor considerado e o eixo Ox representa a
diferença de fase entre a onda considerada e a onda representada pelo vetor A No
Exemplo 3.1 mostraremos que, adotando-se para o eixo Oxa direção do vetor repre­
sentativo da primeira onda, obtemos uma considerável simplificação nos cálculos ine­
rentes ao método dos fasores.

Exemplo 3.1 Considere 4 ondas eletromagnéticas polarizadas num mesmo plano e des­
critas mediante as seguintes ondas elétricas:
E\ = Eo sen (kz — wt + 0)
Ei = Eq sen (kz — wt + 0 + <t>)
. E3 = Eq sen (kz — wt + 0 + 2<t>)
E4 = Eo sen (kz — <*>/ + 0 + 30)
Utilize o método dosfasores para determinar a amplitude E\n da onda resultante E. De­
termine também a diferença de fase 0 entre a onda resultante E c a primeira onda £t. Par-
ticularizc a solução geral deste problema substituindo os seguintes dados numéricos; 0 =
40°, 0 = 15°e£o = 100 V/m.
Solução. Use papel milimetrado ou então trace sobre uma folha de papel um sistema
de coordenadas Oxy. Trace a partir da origem O um vetor de módulo Eq orientado ao lon­
go do eixo Ox. A partir da extremidade deste primeiro vetor trace um segundo vetor de
módulo Eq, formando com o eixo Oxum ângulo 0. A partir da extremidade deste vetor
trace um terceiro vetor de módulo Eq, formando com o eixo Ox um ângulo igual a 20. A
partir da extremidade deste terceiro vetor trace o último vetor com módulo Eq, forman­
do com o eixo Ox um ângulo igual a 30. O vetor representativo da onda resultante é o ve­
tor E m que liga a origem O com a extremidade do último vetor. Na Fíg. 3.7 apresentamos
o esquema para a aplicação do método dos fasores nesteproblema. A equação da onda
resultante E é obtida pela projeção do vetor resultante E m sobre o eixo Oy, ou seja,

t1" £" zS.


E
Ê''
2<f>

O £,
Fig. 3.7 Aplicação do método dosfasorespara determinar a amplitude
&tn e a fase 0 da onda resultante da superposição das quatro ondas dis­
criminadas no Exemplo 3.1.

213
E = Em sen (kz - wt + 0 + 0) (1)
onde Em é a amplitude da onda resultante e/3 é a diferença defase entre a onda resultante
e a primeira onda.
Para determinar a amplitude Em da onda resultante E basta usar as regras da adição
vetorial. Seja X o componente do vetor Em ao longo do eixo Ox e seja Y o componente
do vetor Em ao longo do eixo Oy. Neste caso, a decomposição vetorial do vetor En im­
plica no resultado:
Em = Vx2 + Y2 (2)
Para obter os módulos dos componentes Xe Y basta somar algcbricamente as proje­
ções dos vetores componentes Ei ,E2,E3 cEt. Observando a Fig. 3.7 concluímos que:
X = £b(l + cos <t> + cos 20 + cos 30) (3)
Y = £o(scn 0 + sen 20 + sen 30) (4)
A diferença defase & entre a onda resultante Ec a primeira onda componente E\ é ob­
tida mediante a expressão:
tg 3 = Y/X (5)
As relações (I), (2), (3), (4) e (5) fornecem a solução geral do problema proposto. Note
que, de acordo com o método dosfasores, é fácil concluir que, quando duas ondas pia-
no-polarizadassc superpõem, as características principais das ondas componentes e da onda
resultante são dadas apenas pela amplitude de cada aonda e pela diferença de fase entre
cada onda c a primeira onda tomada como referência (e que é representada por um vetor
ao longo do eixo Ox). Neste exemplo, o ângulo 0 aparece em todas as ondas (inclusive na
resultante), de modo que a diferença defase entre as ondas não depende do âgulo d. O da­
do 0 = 40° não altera nem a amplitude da onda resultante nem a diferença de fase 0 entre
a onda resultantee a primeira onda (Zji). Substituindo os valorcs0 = 15°,e£b= 100 V/m
nas relações (2), (3), (4) e (5), encontramos:
X = 353,9 V/m
Y = 146,6 V/m
Em = 383,1 V/m
0 - 22,5W = 0,393 radianos
Sendo assim, de acordo com a relação (1), a expressão da onda resultante (em V/m)
é dada por:
E = 383,1 sen {kz - mt + 62,5°)

Intensidade na interferência produzida por duas fontes pontuais


As relações (3.18) e (3.19) fornecem, respectivamente, os máximos e os mínimos da
figura de interferência produzida por duasfontes pontuais. Vejamos agora como se de­
termina a intensidade luminosa ao longo de um anteparo situado a uma distância sufi­
cientemente afastada das fontes (para que seja válida a aproximação (3.17) feita com
esta hipótese).

214
Considere duas ondas eletromagnéticas plano-polarizadas ao longo do mesmo pla­
no incidindo sobre um ponto P do anteparo, conforme indicado na Fig. 3.4. Para ob­
ter a onda resultante da superposição das ondas componentes provenientes das fontes
coerentes S\ e S2, podemos usar o método dosfasores. Para isto, acompanhe o esque­
ma indicado na Fig. 3.8. Suponha que as ondas componentes E\ e Ez sejam dadas pelas
equações:
E\ - Eo sen (kz - ut) (3.28)
Ez = Eo sen (kz - w( + <t>) (3.29)

>■

fi.

E, x
Fig. 3.8 Aplicação do método dosfasorespara deter­
minar a amplitude Em e a fase (3 da onda resultante
da superposição de duas ondas polarizadas no mes­
mo plano. As duas ondas componentes possuem a
mesma amplitude Eoea diferença defase entre elas é
igual a <t>.

Utilizando o método dosfasores com auxílio do diagrama indicado na Fig. 3.8, con­
cluímos que a onda resultante E possui a seguinte equação:

E = Em sen (kz - wi 4-/3) (3.30)


onde ft é a diferença de fase entre a onda resultante e a primeira onda E\. O valor da
amplitude Em pode ser determinado diretamente da Fig. 3.8. Obtemos facilmente

Em = 2E0COS/3 (3.31)
Como o triângulo indicado na Fig. 3.8 é isóscelcs, verificamos facilmente que:

3 = 0/2 (3.32)
Sabemos que a intensidade de qualquer onda eletromagnética é dada pelo módulo
do vetor de Poynling, logo, a intensidade luminosa resultante sobre o anteparo é dada
por:

I = E!/m,c (3.33)

215
A imensidade luminosa h de cada uma das ondas componentes vale:

6, = E*/iue (3.34)

Dividindo membro a membro as relações (3.33) e (3.34) e utilizando o resultado (3.31),


achamos a seguinte expressão para a intensidade luminosa sobre o anteparo conside­
rado: __________
| 1 = 4/0cos2g (3.35)

Note que a intensidade máxima I ocorre na interferência construtiva e o valor má­


ximo da intensidade luminosa é 4 vezes o valor da intensidade luminosa década onda.
A relação (3.31) mostra que o módulo máximo do campo elétrico da onda resultante
é igual ao dobro do módulo Eo do campo elétrico de cada componente. Os máximos
de intensidade são dados pela seguinte condição:
0 = mx (3.36)
onde m é um número inteiro (m = 0,1,2,3,...).
Nos pontos onde a intensidade é mínima, ou seja, / = 0, ocorrem as chamadas franjas
escuras. Da relação (3.35) concluímos que a localização das franjas escuras c dada pela
condição:
(i = (2m + l)zr/2 (3.37)
onde m = 0,1,2,3,...
Utilizando as relações (3.13), (3.17), (3.32) c (3.36), concluímos que as franjas cla­
ras são localizadas sobre os pontos do anteparo que satisfazem a seguinte condição:
d sen 6 = mX
A equação anterior confirma o resultado (3.18) obtido por outro método. Analoga­
mente, as franjas escuras, de acordo com as relações (3.13), (3.17), (3.32) e (3.37) são
localizadas sobre os pontos do anteparo que satisfazem a seguinte condição:
d sen 9 = (2m + 1 )X/2
Note que a equação anterior confirma o resultado (3.19) que foi obtido por outro
método.

Interferência de Fresnel e interferência de Fraunhofer


Ao analisar a interferência de duas ondas provenientes de duas fontes pontuais coe­
rentes consideramos o anteparo (ou o observador) situado a uma distância suficiente­
mente grande das fontes, de tal modo que seja válida a aproximação usada na equação
(3.17). Esta aproximação define a chamada interferência de Fraunhofer, ou seja, nu­
ma interferência do tipo de Fraunhofer, consideramos as ondas como se fossem ondas
planas, uma vez que o observador (ou o anteparo) se encontra a uma distância muito
grande da origem das ondas esféricas. As ondas provenientes de uma fonte pontual ou
provenientes dos centros de espathamento na difração em uma fenda (ou orifício) são
ondas esféricas. Sabemos que uma onda esférica pode ser considerada como uma on­
da plana quando a distância entre o observador c a fonte for suficientemente grande.

216
Esta aproximação define basicamente a interferência de Fraunhofer Quando este tipo
de interferência ocorre em virtude do efeito da difração em fendas e orifícios, dizemos
que se trata de uma difração de Fraunhofer. Denomina-se interferência de Fresnel o
estudo da superposição de ondas luminosas nas proximidades dos centros que produ­
zem as ondas que interferem. Na interferência de Fresnel não podemos utilizar a apro­
ximação de ondasplanas-, neste caso, devemos determinar a superposição de ondas es­
féricas. O tratamento matemático para a determinação dos máximos e mínimos numa
figura de interferência de Fresnel é consideravelmente mais complicado do que o trata­
mento analítico da interferência de Fraunhofer, uma vez que na interferência de Fres­
nel ocorre a superposição de ondas esféricas, ao passo que na interferência de Frau­
nhofer ocorre superposição de ondas planas. Quando a interferência de Fresnel é pro­
duzida por ondasdifratadas (em orifícios, em fendas ou em qualquer objeto), dizemos
que se trata de uma difração de Fresnel.
0 tratamento matemático da interferência de Fraunhofer (ou da difração de Frau­
nhofer) é relativamente simples e já foi ilustrado na dedução das relações (3.18) e (3.19).
Devemos enfatizar que o método dosfasores é um método especialmente recomenda­
do para o estudo da interferência de Fraunhofer, uma vez que o método dos fasores
se aplica para ondas polarizadas num mesmo plano. Os cálculos para a determinação
de máximos e mínimos das figuras de interferência analisadas neste Capítulo se apli­
cam ao caso da interferência deFraunhofer. O tratamento matemático para o estudo
da interferência de Fresnel não será apresentado neste Livro.

Difração numa fenda ou num orifício


Considere um feixe colimado monocromático incidindo sobre um anteparo opaco
no qual existe um orifício de diâmetro a ou então uma fenda de largura a. Uma tela bran­
ca c colocada atrás do anteparo e recebe a luz que passa pelo orifício (ou pela fenda).
Para concretizar, vamos considerar um orifício de diâmetro a. Note que as principais
conclusões qualitativas acerca da difração num orifício de diâmetro a também são vá­
lidas para umafenda de largura a. A passagem da luz através de um orifício de diâme­
tro a conduz a três situações distintas esquematizadas na Fig. 3.9. Na parte (a) da Fig.
3.9 ilustramos o caso em que o comprimento de onda X da luz incidente é muito menor
do que o diâmetro a do orifício; neste caso, podemos utilizar a aproximação da Ótica
Geométrica e adotar uma construção geométrica imaginando a propagação retilínea
da luz. Neste caso, não ocorre difração e a tela fica iluminada somente na região cen­
tral indicada na parte (a) da Fig. 3.9; convem notar, no entanto, que existe difração so­
mente nas bordas internas do orifício, mas estas ondas difratadas lateralmente só po­
dem ser observadas em condições especiais, conforme descrito na Seção 3.2 (espalha-
mento da luz).
Na parte (b) da Fig. 3.9 indicamos uma situação na qual o comprimento de onda X
é da mesma ordem de grandeza de a. Ou seja, ou o valor de a c igual a X, ou t? ligeira­
mente maior do que X ou então a é ligeiramente menor do que X. Neste caso, as ondas
sofrem difração no orifício e a difração é tanto mais acentuada quanto menor for o va­
lor de a. Note que o fenômeno da difração pode ser explicado com a construção de Huy-
gens. De cada ponto do orifício traçamos ondas secundárias-, a nova frente de onda di-

217
fratada c obtida traçando-se a envoltório das ondas secundárias emitidas em cadacen-
itv de espaihamento por difmção. Na tela observamos uma figura de interferência que
se estende até a região da sombra que seria obtida se a luz não fosse um fenômeno on-
dulatório. Quando a teia se encontra nas proximidades do anteparo que possui o orifí­
cio, obtemos uma interferência de Fresnei (ou difração de Fresnei). fv. chamada difra­
ção de Fraunhoferipu interferência de Fraunhofer) ocorre quando a tela está extrema-
inente afastada do orifício. Entretanto, no laboratório, para se observar a interferên­
cia de Fraunhofer não é necessário colocar a tela a uma distância muito grande do ori­
fício, basta utilizar uma lente convergente atrás do orifício e colocar a tela sobre apla­
no focal da lente convergente.

TELA
Anteparo

LUZ INCIDENTE
m|L a
SOMBRA

Região iluminada

SOMBRA
(Supondo \ < <a)

ondas difratadas

direção iniiial
de propagação

t \
ondas secundárias
de Huygens
envolvente das ondas
secundárias
Região iluminada

ondas difratadas

A tela fica iluminada


(c) coniinuamenie

(a< <A)
Fig. 3.9 Esquema mostrando as três situações distintas que ocorrem quando
um Jeixe colunado monocromático passa através de um orifício (de diâmetro
a) existente num anteparo opaco: (a) o comprimento de onda X da luz inci­
dente é muito menor do que a, (b) o comprimento de onda X é da mesma or­
dem de grandeza do diâmetro a, (c) o comprimento de onda X é muito maior
do que a.

218
Na parte (c) da Fig. 3.9 ilustramos a situação na qual a é muito menor do que X. Nes-
tecaso, os centros de espalhamento por difração estão extremamente próximos, de modo
que, pela construção de Huygens, tudo se passa como se o orifício fosse uvna fonte pon­
tual queevaxte ondas esféricas. A difração no orifício é muito acentuada e a iluminação
da tela se estende continuamente até a região onde existiría sombra caso a luz não ti ves-
se um comportamento ondulatório. Note que, neste caso, como só existe uma frente
de onda esférica não ocorre interferência sobre a tela (trata-se de um exemplo difração
sem interferência).

Exemplo 3.2 Câmarafotográfica do tipo ' 'buraco de alfinete N a Seção 2.8 d issemos
que é possível construir uma câmara fotográfica sem lentes fazendo-se um pequeno orifí­
cio dc diâmetro a numa câmara escura, conforme indicado na Fig. 3.10. Veri fique em que
condições a difração e a interferência influem na obtenção de uma imagem nítida forma­
da sobre o filme deste tipo de máquina fotográfica.

Fig. 3.10 Câmarafotográfica do tipo "buraco de alfnete“. O diâmetro a do orifício de­


ve ser dimensionado de acordo com o tamanho da câmara escura afim de que o objeto
AR produza uma imagem A ’B‘ nítida.

Solução. A construção geométrica da imagem A ‘B* indicada na Fig. 3.10 não é sufi­
ciente para explicar a formação de uma imagem nítida sobre ofilme, conforme mostrare­
mos neste exemplo c no Problema 3.57. Do ponto de vista da Ótica Geométrica, como o
valor úe a êfinito, cada ponto A doobjeio produz uma infinidade de pontos A 'em torno
do ponto médio A 'indicado na Fig. 3.10. É claro que, quando o diâmetro a for maior do
que 2 mm o filme todo é iluminado uniformemente, uma vez que as ondas luminosas de
cada ponto doobjeio A B atingem simultaneamente todos os pontos do filme. Logo, neste
caso, não sc forma nenhuma imagem do objeto AB. À medida que o diâmetro a diminui,
a dispersão angular dos raios que atingem o ponto A ’ também diminuiu. Contudo, con­
forme sabemos, à medida que o diâmetro a diminui, adi/ração no orifício aumenta. Por­
tanto, a explicação em termos de raios luminosos que atravessam o orifício deve ser com-
plelamentada pela análise da ótica Ondulatório. Podemos dizer que as ondas provenien­
tes do ponto luminoso A sofrem interferência e produzem o ponto luminoso A ’. Mostra-

219
remos no Problema 3.57 que só é possível obter uma imagem nítida quando o diâmetro
a do orifício estiver compreendido entre 0,1 mm e 0.5 mm.
Conforme será explicitado no Problema 3.57, o valor ótimo do diâmetro a deve ser di­
mensionado cm função da distância entre o plano do orifício c o anteparo onde se encon­
tra o filme, considerando-se a difração. Conforme dissemos, nas máquinas fotográficas
este diâmetro c da ordem de 0, i mm ate cerca de 0,5 mm.
Quando o diâmetro do orifício ê menor do que 0,05 mm o fenômeno da difração no
orifício produz ondas que se superpõem em diversos pontos do filme e a nitidez da ima­
gem A ’B’ fica comprometida. A imagem torna-se cada vez menos nítida à medida que o
diâmetro a diminui. Quando o diâmetro ase torna menor do que cerca dc 0,5 /tm verifica-se
que o filme fica uniformemente iluminado e, portanto, não se forma nenhuma imagem.

3.5 Interferência por reflexão e por refração


Na Seção 3.4 dissemos que para a obtenção de uma figura de interferência é neces­
sário que haja superposição de pelo menos duasfrentes de ondas. Estudamos na Seção
anterior o caso da interferência de Fraunhofer entre duas ondas produzidas por duas
fontes pontuais coerentes. Na presente Seção vamos analisar diversas situações nas quais
ocorre interferência por reflexão e por refração.

Espelho de Lloyd
No chamado espelho de Lloyd ocorre interferência entre as ondas incidentes e as ondas
que são refletidas sobre o espelho. A figura de interferência é mais nítida quando os raios
incidentes c os raios refletidos formam ângulos da ordem de 90°. Na Fig. 3.11 ilustramos
a formação de uma figura de interferência sobre um anteparo E situado num plano orto-
gonal ao plano do espelho de Lloyd.

Fig. 3.11 Espelho de Lloyd. O ângulo de interferência para o ponto M é menor do


que o ângulo de interferência para o ponto M’. Tudo se passa como se a interfe­
rência fosse produzida por ondas que emanam das duas fontes pontuais S e Sr

220
No caso da interferência num espelho de Lloyd tudo se passa corno se a interferência
fosse produzida pelas ondas coerentes que emanam da fonte pontual virtual (que c a
imagem virtualda fonte 5 formada pelo espelho). Seja d a distância entre a fonte real S c
a fonte virtual Si. Neste caso, para determinar os máximos e os mínimos de interferência
sobre o anteparo E, você pode usar os resultados da Seção 3.4 sobre a interferência produ­
zida por duas fontes pontuais. Entretanto, quando as distâncias consideradas não forem
suficientemcnte grandes para que sc possa aplicar a aproximação de Fraunhnfer, devemos
resolver o problema da interferência de Fresnei. No caso da interferência de Fresnei você
deve calcular a diferença de caminho ótico áE entre o raio incidente c o raio refletido des­
de a fonte 5 até o ponto M sobre o anteparo F; conhcccndo-se o valor AL os máximos e
os mínimos de interferência podem ser obtidos mediante aplicação das relações (3.14) e
(3.15). Observando a Fig. 3.11 você notará que o ângulo 2w formado pelos raios das on­
das que produzem interferência no ponto M é menor do que o ângulo 2w’ referente à inter­
ferência no ponto M’.
Biprisma de Fresnei
Na Fig. 3.12 indicamos a seção reta transversal de um biprismade Fresnei. Uma fonte
pontual S emite ondas que se refratam na base do biprisma c emergem nas faces laterais;
as ondas que atravessam o biprisma depois da refração sofrem desvios dc modo que o fei­
xe original se torna divergente. O prolongamento destes feixes divergentes dà origem a duas
fontes pontuais virtuais S\ c Sj. O biprisma de Fresnei fornece um exemplo de interferên­
cia por refração. Tudo se passa como sc afigura de interferência formada sobre o antepa­
ro E fosse produzida pelas ondas que emanam das fontes pontuais virtuais Si e Sj.

Fig. 3.12 Biprisma de Fresnei. Forma-se sobre o anteparo E umafigura de interferên­


cia produzida pela interferência dasfrentes de onda refratadas na parte superior e na
parle inferior do biprisma de Fresnei.

Na aproximação da interferência de Fraunhofer o anteparo Findicado na Fig. 3.12 es­


tá tão afastado do biprisma de Fresnei que o raio é paralelo ao raio é para­
lelo ao raio SiBiQz. Os dois raios SP formam um ângulo central 2w; estas ondas se refra-
tam e atingem o centro M do anteparo E. Quando maior for a distância entre o anteparo

221
Eco bipnsma, menor é o ângulo de interfcrênia u indicado na Fig. 3.12, para uma dada I
abertura 2a> dos raios que se refratain no biprisma deFresnel.

Interferência em películas delgadas


A interferência mais facilmente observada em nossa vida diária é a interferência em
películas finas. Você já deve ter notado as cores brilhantes refletidas por uma fina ca­
mada de óleo sobre o asfalto, ou então as regiões coloridas na superfície de uma bolha
de sabão, ou ainda as cores no pescoço de um pombo (ou nas penas de diversos tipos
de aves). Todos estes efeit os são produzidos pela interferência da luz em películas del­
gadas. O fenômeno da interferência em películas ocorre em virtude da reflexão e/ou
da refração da luz em películas suficientemente finas.

As ondas refletidas focalizadas por uma


lente
/ ou pelo olho
/ do observador
produzem uma
figura de interferência

C|
n.x 90° /
I
I
H

As ondas transmitidas também produzem


uma figura de interferêcia
Fig. 3.13 Esquema para estudar a interferência em películas delgadas. As on­
das refletidas que retornam para o meio de índice de refração n , produzem
uma figura de interferência. As ondas transmitidas para o meio de indice de
refração n3 também podem produzir uma figura de interferência.

222
Para compreender o fenômeno da interferência em películas delgadas basta exami­
nar a Fig. 3.13. Uma frente de ondas planas representada pelo raio A B incide sobre a
película; uma parte destas ondas planas segue a trajetória BCe a outra parte é refletida
seguindo a direção BD. Uma parte das ondas transmitidas na direção BC se reflete na
direção CE, e a outra parte se transmite na direção CH, passando para o meio de índice
de refração rn. Parte das ondas que seguem a mesma direção do raio CE se transmite
na direção EF, retornando para o meio de índice de refração nt, e a outra parte sc re­
flete na direção EJ. Existem, portanto, reflexões múltiplas, no interior da película cu­
jo índice de refração é nj.
As duas ondas BD e EFsão coerentes, uma vez que elas se originam da mesma fren­
te de onda. Sendo assim, as ondas BE) e ET7podem produzir ama figura de interferên­
cia num anteparo colocado no meio de índice de refração n,. Analogamente, as duas
ondas transmitidas CH e JK também podem produzir uma figura de interferência ao
longo de um anteparo colocado no meio de índice de refração nj. Contudo, como o fe­
nômeno da interferência entre os raios transmitidos CH c JK é análogo ao fenômeno
da interferênia entre os raios refletidos BD e EF, vamos analisar somente a interferên­
cia entre os raios refletidos na película delgada.
Para calcular a diferença de fase entre ondas que interferem por transmissão ou por
reflexão devemos levar em conta os seguintes resultados (que podem ser demonstrados
rigorosamente pela teoria das ondas eletromagnéticas ou então fazendo analogias en­
tre estas ondas e as ondas transversais produzidas em cordas vibrantes). Quando um
feixe de ondas é parcialmente refletido e parcialmente refratado por uma superfície,
a onda transmitida nunca muda de fase, porém a onda refletida pode ou não sofrer uma
mudança defase de 180°em relação à onda incidente. Ocorre mudança defase (de 180°)
na reflexão quando a luz provém de um meio de índice de refração menor para um meio
de índice de refração maior. No caso contrário (quando a luz vai do meio de índice de
refração maior para um meio de índice de refração menor), não ocorre nenhuma mu­
dança de fase.
Colocando-se uma lente plano-convexa sobre um plano horizontalfeom a parte con
vexa voltada para o plano), forma-se uma "película” de arem volta da região de con­
tato entre a lente e a superfície. Iluminando esta região verificamos que os raios refleti­
dos nas duas interfaces desta camada de ar produzem uma figura de interferência com
uma sucessão de anéis claros e escuros; são os chamados anéis de Newton. As ondas
transmitidas diretamente e as ondas transmitidas depois de uma reflexão interna tam­
bém podem produzir interferência (anéis de Newton), a qual pode ser obervada por baixo
do plano de apoio da lente (caso ele seja transparente).
O interferômetro é um aparelho ótico utilizado para medidas de alta precisão. Por
exemplo, a determinação da espessura de películas muito finas (principalmente de pe­
lículas líquidas) pode ser feita medindo-se a largura e a ordem das franjas de interfe­
rência da luz refletida através destas películas.
No exemplo 3.3 e no Exemplo 3.4 mostraremos como se obtém algumas expressões
para a determinação dos máximos e mínimos na interferência em películas finas. No
Exemplo 3.5 determinaremos os raios dos anéis de Newton. No final desta Seção apre­
sentaremos algumas aplicações práticas do fenômeno da interferência.

223
Exemplo 3.3 Considere uma película dc espessura t, conforme indicado na Fig. 3.13.
Deduza as condições para a formação dos máximose dos mínimos produzidos na interfe­
rência entre os raios refletidos pela película e observados acima da película, istoé, consi­
dere o anteparo ou o olho do observador situado no meio cujo indice de refração vale n\.
Particularize a solução para incidência octogonal.
Solução. Vamos inicialmcntc determinar as condições de interferência para os raios re­
fletidos. Em primeiro lugar, a condição necessária para que haja interferência é que a es­
pessura t seja /na/orou da ordem de grandeza do comprimento de onda da luz que incide
sobre a película. Para concretizar vamos supor /»> < /?2 < n$. Os raios que produzem in­
terferência são aqueles quesc refletem na interface superior e na interface inferior da pelí­
cula. O olho de um observador focaliza os raios BD e EF. Em que condições ele verá re­
giões claras e escuras? Vamos raciocinar apenas com os raios BDc EF\ c claro que ao olho
do observador chegam outros raios, e ele verá regiões claras c escuras produzidas por in­
terferências construtivas e destrutivas destes raios.
A diferença de caminho ólico dos raios A BD c ABCE é dada por:

AL = 2 BC ni - BE sen Oi nt (1)
Examinando a Fig. 3.13 vemos que:
BC = t/cos Oi (2)
BE = 2/ tg 02 (3)
Por outro lado, de acordo com a lei de Sncll, temos:
//i sen 0i = ni sen Oi (4)
Substituindo as relações (2), (3) e (4) na equação (1), resulta:
AL = -2ZZ?2 [1 - sen2 02]
ou seja. cos 02
AL = 2tn2 cos 02
(5)

A equação (5) fornece a diferença de caminho ótico seguida pelos raios BD e EFque
produzem interferências. Veremos agora se as reflexões produzem ou não uma diferença
de caminho ólico adicional.
Quando estudamos a interferência produzida por raios que sofrem reflexões, devemos
levar em conta a seguinte regra: Quando o raio se dirige de um meio de índice de refração
menor para um meio de índice de refração maior, ele muda de fase de 180° ao se refletir
sobre a superfície que separa estes dois meios: no caso contrário (quando ele vai do meio
de indice dc refração maior para um meio de índice de refração menor), não há nenhuma
mudança de fase. Os raios transmitidos nunca sofrem mudança dc fase.
O raio AB sofre mudança de fase de 180° ao se refletir na direção BD (por que ni >
rti). O raio transmitido BC não sofre mudança de fase mas, ao se refletir na direção CE,
comonj > nz, sofre mudança de fase de 180°, e o raio transmitido EFpossui a mesma fase
do raio CE. Deste modo, vemos que o raio BD está defasado dc 180° em relação ao raio
AB c o raio EF também está defasado de 180° em relação ao raio A B, donde sc conclui
que não há diferença de fase entre os raios BD e EF. Portanto, para determinar os máxi­
mos podemos usar a condição necessária (3 .15) ; como a diferença de fase é dada pela

224
relação (5), obteremos a seguinte condição para máximos:
2tn cos 0; — mX (6)
para/n = 0, 1,2, 3,... Observe que a fórmula (6) é dada em função do ângulo de refraçâo
02. Se o problema fornece o ângulo dc incidência Bi, para obter 02 basta usar a lei de Snell
(4). Os mínimos são dados por:
2tn cos O2 = (2m + I) (X/2) (7)
para m = 0, I, 2, 3,...
Podernos particularizar as soluções gerais (6) e (7) para o caso da incidência ortogonal
ao plano da película. Neste caso, como 0t = 02 - 0, a relação (6) fornece a seguinte con­
dição para os pontos onde ocorre um máximo de interferência:
2tn = mX (8)
Analogamente, para um ponto onde ocorre destruição das ondas, ou seja, para um ponto
de mínimo, de acordo com a relação (7), temos:
2tn - {2m + l)(X/2) (9)
As condições (8) e (9) são muito utilizadas na prática, uma vez que a figura de interfe­
rência torna-se mais nítida quando observamos os raios próximos da direção ortogonal
ao plano da película.

Exemplo 3.4 Considere no exemplo anterior n» - ny, ou seja, suponha que o meio I
seja igual ao meio 3. Como exemplo desta situação podemos considerar uma bolha desa-
dão no ar atmosférico. Neste caso, o meio 1 é o ar, o meio 2 é a película de água com sabão
eo meio 3 éo</rno interior da bolha. Embora, neste caso, a superfície da película seja es­
férica, a aproximação indicada na Fig. 3.13 pode ser usada, uma vez que o raio da bolha
é muito menor do que o comprimento de onda de luz; sendo assim, a superfície esférica
pode ser considerada como uma superfície plana. Deduza as condições geraispara a inter­
ferência construtiva e para a interferência destrutiva quando ni = ny. Faça a deducação
para os seguintes casos: (a) para os raios refletidos que retornam para o meio 1 (obervados
pelo lado da incidência dos raios), (b) para os raios transmitidos que atravessam a película
c passam para o meio 1 (observados do lado oposto ao lado da incidência.
Solução, (a) Quando o meio 3 é igual ao meio 1, como estamos supondo > ny, con­
cluímos que não ocorre defasagem na reflexão do raio BC para o raio CE e, portanto, o
raio possui a mesma fase do raio/4ô. Concluímos então que existe uma defasagem ex­
tra dc 180° entre os raios BD e EF\ portanto devemos acrescentar uma diferença de cami­
nho ótico dc X/2 à expressão (5) do problema anterior; donde se conclui que a obtenção
dos máximos é dada por:

2tn cos B2 -
t * í} (D

e a condição para a determinação dos mínimos será:


2tn cos 62 » tnX (2)
(b) Pode ocorrer interferência entre os raios transmitidos CH e JK. O cálculo da dife­
rença de caminho ótico é análogo ao feito no problema anterior. Podemos então usar o
resultado (5) do problema anterior, acrescentando, ou não, uma diferença de caminho ótico

225
produzida (eventualmente) na reflexão interna. Quando os raios RCe CE se refletem in-
ternamente pode ocorrer (ou não) mudança de fase (dependendo dos valores dc m e m).
Como estamos supondo m '/* fit, nem a relexào do raio ZíC(na parte inferior da película)
nem a reflexão do raio CE (na parte superior da película) produz mudança dc fase; donde
se conclui que entre os raios transmitidos CHeJK não há diferença de caminho otico adi­
cional. Podemos usar a diferença de caminho ótico dada pela relação (5) do problema an­
terior. Portanto os máximos são dados por:
2tn cos 02 ~ mk
E os mínimos são dados por:

2tn cos O2 =
E” - f]x
Observe que estes dois resultados são contrários aos respectivos resultados obl idos nas
relações (I) e (2). Isto é sempre verdade para interferência numa película porque, na inter­
ferência entre os raios refletidos, um dos raios sofre uma reflexão externa ã película e 0
outro sofre reflexão interna, ao passo que na interferência entre os raios transmitidos am­
bos os raios sofrem reflexões internas na película.
Exemplo 3.5 Determinação dos raios dos anéis de Newton. Suponha que uma lente del­
gada plano-convexa com raio de curvatura igual a R esteja apoiada sobre uma lâmina dc
um material transparente, conforme indicado na Fig. 3.14. Obtenha uma expressão para
o cálculo dos anéis de Newton.

Posição do
olho do
observador
h J

\'7
gy c /
i»t
’\ I
W,

21
n; C

Lâmina dc apoio da lente

Fig. 3.14 Esquema para a determinação dos raios dos anéis de Newton.

226
Pode ocorrer interferência entre os raios EFe !J. O raio EFse origina de reflexão na
parte interna da lente (ponto D) e o raio IJ se origina da reflexão na superfície da lâmina
de apoio da lente. Pode ocorrer interferência porque a condição essencial (relativa à or­
dem de grandeza da espessura da película) fica garantida, pois a espessura da camada de
ar entre a lente e a lâmina varia desde zero até um valor máximo nas bordas da lente. É
claro que perto das bordas da lente não pode ocorrer intcrferêcia. A figura de interferên­
cia se torna mais nítida nas vizinhanças do centro da lente.
Vamos considerar apenas raios centrais (paraxiais). Neste caso, a diferença de cami­
nho ótico dos raios EFcIJê. aproximadamente igual a 2ndc, como n — 1 (para o ar), te­
mos:
•= 2d (I)
Na reflexão que ocorre no ponto D não surge mudança de fase de 180° (porquê?). Co­
mo os demais raios são transmitidos e não ocorre mudança dc fase na retração, concluí­
mos que entre os raios EFc //existe uma diferença de caminho ótico adicional de X/2; por­
tanto a diferença de caminho ótico total será:
A£ = AZ., - X/2
Nesta relação podemos usar um sinal de mais ou um sinal de menos. Aplicando a condição
para obtenção dos pontos dc máximo, temos:
AL| — X/2 = m\
ou seja, pela relação (1),
2d =■ (m 4- •/: )X (2)
para m = 0, 1, 2...
Quando a lente está imersa no aro resultado (2) é válido qualquer que seja o material
da lente e o material da lâmina de apoio da lente, pois ni e ni são sempre maiores do que
o índice dc refração do ar (que é aproximadamente igual a um). Vamos agora obter uma
expressão aproximada para o cálculo dos raios dos anéis luminosos da figura de interfe­
rência (anéis de Newton). De acordo com a Fig. 30, temos:
d = R - h (3)
onde
h - v' R' - r1
Portanto, podemos escrever a relação (3) do seguinte modo:
d = R |1 - v'l - (r/R/l (4)
Considere o seguinte desenvolvimento cm série de Taylor:
(1 - X),/2 = 1 - x/2 + ... (5)
válido para x < l.Comor< < R, fazendo x = (r/R)', podemos desenvolver a raiz qua­
drada que aparece na relação (4) mediante a série indicada na equação (5). Portanto:
vl - (/■//?)•’ = I ■
Substituindo a equação (6) na relação (4), resulta:
d = r/2R (7)
Substituindo a equação (7) na relação (2), obtemos os valores aproximados dos raios
dos anéis dc Newton (referentes aos máximos dc interferência).
r = >J~(m +
para m - 0, I, 2,...

227
Fig. 3.15 Fotografia dos anéis
de Newton observados nas vi­
zinhanças do ponto O indica­
do na Fig. 3.14.

Se colocarmos uma placa fotográfica nas vizinhanças do ponto O indicado na Fig. 3.14,
obteremos uma fotografia dos anéis de Newton-, esta fotografia terá o aspecto indicado
na Fig. 3.15. A fotografia dos anéis de Newton nas vizinhanças do centro da lente ê utili­
zada pelos fabricantes de lentes para aperfeiçoar a esfericidade da lente. A superfície será
perfeitamente esférica quando os anéis de Newton forem concêntricos-, além disto, é ne­
cessário que a espessura de cada anel seja uniforme ao longo do respectivo anel, conforme
indicado na Fig. 3.15. Casoa fotografia seja tirada por baixo da lâmina transparente indi­
cada na fig. 3.14, a fotografia seria o “negativo" dos anéis de Newton ilustrados na Fig.
3.15, ou seja, as regiões escuras da Fig. 3.15 ficariam claras e as regiões claras ficariam
escuras.

Aplicações da interferência da luz


Existem muitas aplicações práticas para os fenômenos da interferência da luz. A maior
parte destas aplicações dizem respeito à interferência em películas delgadas. Por exemplo,
utilizando as fórmulas do Exemplo 3.3 podemos medir com precisão a espessura t de uma
película de um material cujo índice de refração n conhecemos. Reciprocamente, saben­
do-se o valor de t c possível medir com precisão o índice de refração n de uma dada pelícu­
la. No Exemplo 3.5 mencionamos a utilização prática dos anéis de Newton. Além destas
aplicações, podemos citar outras aplicações práticas da interferência da luz nos seguintes
dispositivos: o interferômetro deFabry-Perot, o interferômetro de Jamin, o interferôme­
tro de Michelson, as películas não-refletoras c o espectrômetro de rede (que é análogo ao
espectrômetro deprisma indicado na Fig. 2.105). O espectrômetro deredeserÁ menciona­
do na Seção 3.7. A seguir, descreveremos sucintamente os demais dispositivos acima men­
cionados.
Interferômetro de Fabry-Perot
Um interferômetro é qualquer instrumento de Ótica que utiliza a interferência da luz
com o objetivo de efetuar uma certa medida de precisão.
O esquema de um interferômetro de Fabry-Perot é indicado na Fig. 3.16. No interferô-
metro de Fabry-Perot uma frente de onda c subdividida em várias outras, mediante a re­
flexão sucessiva entre duas placas semilransparentes paralelas. A luz que emerge das pla­
cas é concentrada por uma lente convergente sobre um anteparo onde ocorre a interferên-

228
cia das ondas coletadas pela lente. A figura de interferência é constituída por anéis circu­
lares concêntricos. Quando se utiliza luz monocromática, os anéis claros possuem a mes­
ma cor áz luz utilizada. Quando o dispositivo é iluminado com luz branca, afigura de in­
terferência écolorida, sendo que as cores obtidas dependem do espectro da luz branca uti­
lizada. O interferômetro de Fabry-Perot permite realizar medidas de distâncias com ele­
vada precisão (da ordem de uma parte em um milhão). Este instrumento também serve para
medir o índice de refração. O princípio de funcionamento do interferômetro de Fabry-Perot
pode ser aplicado também para outras ondas e(etromagnêticasa\terando-sc,abviamenie,
as dimensões e os tipos de componentes utilizados. Por exemplo, existe também o interfe­
rômetro de Fabry-Perot para microondas.

Fig. 3.16 Interferômetro de Fabry-Perot.


Interferômetro de Jamin
O interferômetro de Jamin é esquematizado na Fig. 3.17. Este interferômetro pode ser
usado para a medida do índice de refração de gases. Uma fonte S produz uma frente de
onda que c colimada por uma lente. Esta frente de onda atinge uma placa que subdivide
a frente dc onda em duas outras frentes (1 e 2). Estas duas frentes sào novamente subdivi­
didas por uma outra placa transparente colocada paralelamentc à primeira placa. Os raios
1,2,3 e 4 produzem uma figura de interferência sobre um anteparo nâo mostrado na Fig.
3.17.

Fig. 3.17 interferômetro de Jamin.

229
Interferômetro de Michelson
Na Fig. 3.18 indicamos o esquema básico de um interferômetro de Michelson. O feixe
dc uma fonte de luz L, incide sobre uma lâmina transparente Pc. esta placa é seini-espe-
Ihada mediante uma fina camada dc prata e alumínio. O raio A R atinge o espelho Si e, de­
pois de ser refletida pelo espelho Si, atravessa de novo a placa P\ e sc subdivide nas dire­
ções A Ce A O. O raio/ICse reflete no espelho Sjc, ao ser refletido, volta para a placa P\
e passa parcialmentc para a direção A O. Os dois raios da direção A O produzem uma/ígw-
rade interferência que pode ser observada (ou fotografada) mediante o sistema dc lentes
indicado na Fig. 3.18.

Si (Espelho)

Espelho
Lentes

h
s-
2

P,
(E>>
/.
Fig. 3.18 Interferômetro de Michelson.

O interferômetro deMichelson foi usado por Michelson numa experiência famosa que
comprovou a validade da hipótese de que a velocidade da luz no vácuo não depende nem
do movimento dafonte nem do movimento do observador (ver o Capítulo 4). O interfero-
metro de Michelson também serve para determinar com precisão o índice de refração de
gases.
Películas não-refletoras
Existem diversos tipos de vidros óticos (c até óculos) que recebem a designação geral
de lâminasnão-refletoras. Faça uma escolha adequada do índice de refração n de uma pe­
lícula delgada, de tal modo que ocorra uma mudança de fase de 180° entre os dois raios
que sc refletem na película c produzem interferência, conforme indicado na Fig. 3.13. De
acordo com o resultado (9) do Exemplo 3.3, quando a espessura da película for dada por
l = \/4n, verificamos que para m = 0 ocorre interferência destrutiva completa. Quando
esta película é iluminada por luz branca somente uma determinada cor do espectro sofre
destruição completa na reflexão. O emprego de películas não-refletoras permite reduzir
a reflexão até cerca dcO,5°7o, ao passo que, sem o emprego destas películas, a luz refletida
c cerca de 5% da luz incidente. Este tipo de aplicação da interferência é importante para
o aproveitamento da energia solar {ver o Apêndice A no final deste Livro).

3.6 Interferêcia por difração em fendas e orifícios


Na Seção 3.5 estudamos a interferência por reflexão e/ou por refração em pelícu­
las, em espelhos, em prismas, etc. Nesta Seção estudaremos a interferência produzida

230
pelas ondas difratadus em fendas e orifícios. A descrição qualitativa da difração da luz
em fendas e orifícios já foi feita na Seção 3.4 (ver a Fig. 3.9). A seguir, analisaremos
a famosa experiência de Young da fenda dupla que foi, historicamente, a mais impor­
tante comprovação experimental da natureza ondulatória da luz. Estudaremos tam­
bém nesta Seção os seguintes tópicos: difração numa fenda única, difração em duas
fendas, difração num orifício circular c o critério para determinar o poder de resolu­
ção máximo de um instrumento de Ótica.

Experiência de Young
Young, em 1801, fez uma experiência famosa utilizando um dispositivo defenda du­
pla semelhante ao arranjo indicado na Fig. 3.19. Young direcionou um feixe de luz so­
lar sobre um orifício Faberto no anteparo /(ver a Fig. 3.19). De acordo com o resulta­
do ilustrado na parte (c) da Fig. 3.9, como o diâmetro do orifício Fé muito menor do
que o comprimento de onda X da luz colimada incidente, emerge uma frente de onda
esférica difratada no orifício F. Na experiência original, Young utilizou orifícios", con­
tudo, usando-se fendas nota-se que a experiência torna-se mais fácil de ser realizada
(uma vez que a largura da fenda é regulada por um parafuso micrométrico). Além dis­
to, a figura de interferência obtida pela difração nas fendas A e Sindicadas na Fig. 3.1-9
é mais nítida c mais fácil de ser estudada quantitativamente do que no caso da difração
nos orifícios A cB. Contudo, do ponto de vista qualitativo, tanto faz considerar orifí­
cios quanto supor fendas nos anteparos I e IIindicados na Fig. 3.19. A única exigência
na experiência de Young é que os orifícios F,AcB possuam diâmetros muito menores
do que o comprimento de onda da luz incidente. Supondo que F, A e 5 sejam fendas,
é necessário impor a condição de que as larguras destas fendas sejam muito menores
do que o comprimento de onda X da luz incidente. A partir de agora, para concretizar,
vamos supor que F, A e B sejam orifícios, como na experiência original de Young. Con­
tudo, todas as conclusões que mencionarmos para a experiência de Young com orifí­
cios também valem para fendas. Tudo se passa como se os orifícios F, A e B fossem
fontes pontuais produzindo ondas esféricas A e B do anteparo II se superpõem em ca­
da ponto P do anteparo III e formam sobre este anteparo uma figura de interferência.
O anteparo III indicado na Fig. 3.19 está muito afastado do anteparo II, de modo
que podemos utilizar a aproximação da interferência de Fraunhofer (ou difração de
Fraunhofer) mencionada no final da Seção 3.4. Em vez de se colocar o anteparo III a
uma distância muito grande do anteparo II, podemos obter o mesmo resultado utili­
zando-se uma lente convergente logo após o anteparo II e colocando-se o anteparo III
no plano focal da lente considerada.
Qual é a finalidade do orifício Fdo anteparo da experiência de Young! Este orifício
funciona como umafonte pontual obtida pela difração da luz no próprio ori fício. Sen­
do uma fonte pontual, as ondas esféricas que emanam do orifício F atingem em fase
os orifícios A e B, uma vez que estes orifícios estão situados à mesma distância da fonte
pontual F. Portanto, o orifício Fé utilizado para garantir a coerêcia das ondas esféri­
cas que emanam das “fontes pontuais" Ae B. As fontes de luz normalmente não são
coerentes; umafonte de luz é um dispositivo extenso e, portanto, não pode ser conside­
rado como' fonte pontual". Daí, surge a necessidade de se utilizar o orifício F que fun-

231
ciona como uma fonte pontual, evitando-se assim a incoerência das fontes de luz. De­
pois de 1960, com o advento do LASER (que é umafonte de luzeoerente, monocromá­
tica e colimada), tornou-se possível a realização da experiência de Young sem a utiliza­
ção do orifício Fdo anteparo 1.

- p

Feixe Colimado
de luz monocromática

llll
A
O

Anteparc I Anteparo II
Anteparo III
Fig. 3.19 Dispositivo de fenda dupla utilizado por Young para estudar a interferência produzida
pelas ondas difratadas nus fendas A e B.

Seja d a distância entre os orifícios (ou fendas) A eB indicados na Fig. 3.19. Os ori­
fícios A e B funcionam como se fossem fontes pontuais. Sendo assim, para estudar a
interferência num ponto Pdo anteparo III, podemos utilizar os resultados obtidos na
Seção 3.4 acerca da interferência produzida por duas fontes pontuais. Logo, os máxi­
mos de luminosidade sobre o anteparo III podem ser determinados pela fórmula (3.18).
Os pontos onde ocorre interferência destrutiva podem ser determinados pela equação
(3.19). A seguir apresentaremos um exemplo numérico para você entender estas fór­
mulas.

Exemplo 3.6 O dispositivo de Young de fenda dupla, indicado na Fig. 3.19, foi usado
com o objeto de medir o comprimento de onda da luz amarela emitida por uma lâmpada
de sódio. A distância Dentre o anteparo II c o anteparo III vale D = 20,0 cm e a distância
d entre as fontes Ft cF2 valer/ = 0,1 mm. Determine o valor do comprimento de onda de
luzamarela dosódio, sabendo que a distância entre o máximo central e o 1 ? máximo adja­
cente é igual a 1,18 mm.

232
= 1

"*■ m - O

d sen 0

Fig. 3.20 Esquema para a solução do


Exemplo 3.5.

Solução. Na Fig. 3.20 indicamos os elementos geométricos necessários para resolver


este problema. Desta figura, vemos que:
d sen 0 = FiP\ — F\P\
Mas:
FiP\ — F\P\ = fflX; m — 1
F2Px - FiPi = X
Logo:
d sen 0 = X
Na prática, verifica-se que o ângulo 0 é muito pequeno, e a aproximação sen 0 = tg 9
pode ser feita. Assim sendo:
d tg 9 = X
Mas:
tg 0
E, portanto:

^^x
D

Calculando, temos:
0,100 X 1,18
X =
200

X = 0,00059 mm
X = 5,9 x 10“"* mm
Usualmente exprimimos comprimentos muito pequenos em Angstrom (símbolo A).
I A= 10“7 mm = 10_yom
X = 5,9 x I0’-1 x I07Á

Resposta: X 5.9 x i o* Á

233
Interferência produzida por difração numa fenda
Na Seção 3.4 já estudamos o fenômeno da difração numa fenda ou num orifício.
As fendas normalmcnte usadas no laboratório são fendas retangulares muito estreitas.
Isto é, a largura a da fenda normalmente c da mesma ordem dc grandeza do compri­
mento de onda X da luze o comprimento b da fenda c muito maior do que X. Como or­
dem de grandeza, podemos dizer que a largura a das fendas normalmente usadas c me­
nor do que 300X, ou seja a é menor do que 0,01 mm. O comprimento b da fenda dcvc
ser maior do que 5 mm.
Na experiência de Young analisamos a interferência produzida pelas ondas difrata­
das em duas fendas que possuíam uma largura a muito menor do que X. Neste caso,
vimos que as fendas {ou orifícios), funcionam como se fossem fontes pontuais de on­
das esféricas (no caso de orifícios) ou fontes pontuais de ondas circulares (no caso de
fendas). Vamos estudar o caso da difração produzida por uma única fenda, supondo
que a seja da mesma ordem de grandeza de /. Neste caso, conforme ilustrado na parte
{b) da Fig. 3.9, de acordo com a construção de Huygens, verificamos que cada ponto '
da frente de onda que atinge a fenda dá origem a uma onda secundária. Estas ondas
secundárias obtidas pela difração na fenda produzem uma figura de interferência so­
bre um anteparo distante {difração de Fraunhofer).
Para analisar qualitativamente a figura de interferência produzida pela difração numa
fenda de largura a, nas condições de Fraunhofer, devemos utilizar a construção de Huy­
gens. De acordo com o Princípio de Huygens, podemos subdividir os pontos da frente
de onda que atinge a fenda de largura a num certo número de fontes pontuais Si,
Si, ... Sn, conforme indicado na Fig. 3.21. As ondas secundárias provenientes da di-
fração se superpõem e produzem uma/fewrtf de interferência sobre um anteparo dis­
tante. Em vez de colocar o anteparo muito longe da fenda, é mais conveniente no labo­
ratório, utilizar uma lente convergente e colocar o anteparo no plano focal da lente,
conforme indicado na Fig. 3.21. Note que, quando a largura a é suficientemente pe­
quena (menor do que 0,1 /zm), as fontes Si, Sj, ... Sn estão tão próximas entre si que
podemos considerar a fenda como se fosse uma fonte pontual (conforme vimos naex-
periêcia de Young); neste caso, como só existe uma fenda seria impossível obter uma
figura de interferência sobre o anteparo, porque, para que haja interferêcia c necessá­
rio a superposição de pelo menos duas ondas, ao passo que no caso considerado só existe
uma onda produzida pc\a fonte pontual. Portanto, se a largura ada fenda indicada na
Fig. 3.21 fosse muito menor do que\, o anteparo ficaria uniformemente iluminado e
não se formaria nenhuma figura de interferência sobre o anteparo. Neste caso, para
formar uma figura de interferência seria necessário usar duasfendas (como no caso da
experiência de Young) ou então diversas fendas formando uma rede de difração (ver
a Seção 3.7).
Para estudar quantitativamente a interferência produzida pela difração numa fen­
da de largura a, é conveniente utilizar o método dosfasares, conforme ilustrado na Fig.
3.22. Suponha que as Nfontes indicadas na Fig. 3.21 emitem ondas plano-polarizadas
que atingem o anteparo de tal forma que a diferença de fase entre uma onda c a onda
seguinte seja a mesma para todas as ondas. Suponha também que a amplitude de cada
onda secundária se]a a mesma para todas as ondas. Sendo assim, aplicando o método

234
Fig. 3.21 Interferência produzida pelas ondas secundárias difratadas por uma fenda de largura
a. Cada ponto dafrente de onda plana que atinge afenda se transforma numafonte pontua! (S.,
Sj, .... SJ. Para maior clareza do desenho representamos somente três ondas secundárias (a),
(o)e (c). As ondas difratadas incidem sobre uma lente con vergente e produzem umafigura de in­
terferência num anteparo colocado no plano focal da lente.

dosfasores, podemos construir o diagrama indicado na Fig. 3.22. Seja 2: a amplitude


da onda resultante e seja Eo a amplitude de cada onda secundária. Quando existem N
ondas secundárias, a amplitude máxima resultante ocorre quando elas estão em fase
e, neste caso, designando por Em esta amplitude máxima, temos:
Em = NEo

R
(X

R

&
(X

Fig. 3.22 Aplicação de método dos


fasores para obter a onda resultante
da interferência no anteparo indica­
do na Fig. 3.21.

Observando a Fig. 3.22 vemos que:


E = 2R sen a (3.38)
onde
a — ó/2 (3.39)

235
Note que os N vetores indicados na Fig. 3.22 estão praticamente distribuídos ao longo
de uma circunferência de raio R indicado nesta ilustração. Sendo assim, podemos di­
zer, com pequena margem de erro, que o comprimento do arco sublendido pelo ângu­
lo central d c, aproximadamente, dado por:
<j> = Em/R (3.40)
Combinando as relações (3.38), (3.39) c (3.40), encontramos:

- r sen a
E= -------- (3.41)
a

A intensidade da onda resultante sobre o anteparo c dada pelo módulo do vetor de


Poynting, ou seja:
I = E2/(2^e) (3.42)
A intensidade da onda incidente sobre a fenda é obviamente, dada por:
4 = (3.43)
Elevando ao quadrado a amplitude resultante E dada pela equação (3.41), substi­
tuindo na relação (3.42) e levando em conta a expressão (3.43), concluímos que:
sen2 a
(3.44)

A relação (3.44) fornece a intensidade luminosa em qualquer ponto P do anteparo-


indicado na Fig. 3.21. Os pontos onde a intensidade émínima, ou seja, os pontos escu­
ros da figura de interferência são dados pela condição:
a = mv (3.45)
onde m = 1, 2, 3, ... Note que, neste caso, diferentemente da situação da experiência .
de Young (na qual a sequência começa de m = 0), a seqüência da relação (3.45) come­
ça em m = 1.0 valor m = 0, isto é, a = 0, conduz ao seguinte resultado:
.. sen2 a
nm----- — 1 (3.46)
a—0 ct

Logo, comparando o resultado (3.46) com a equação (3.44) concluímos que o pon­
to a = 0 corresponde a um ponto de máximo e não a um ponto dc mínimo. Por esta
razão, aseqüência indicada nas condições de mínimos (3.45) começa emm = 1 eNÃO
em m = 0. O ponto a = 0 corresponde ao centro do anteparo, ou seja, no centro do
anteparo existe uma franja dara, confome você poderia concluir diretamente exami­
nando a Fig. 3.21, uma vez que no centro do anteparo (obtido peio eixo de simetria que
passa pelo centro da fenda), as ondas secundárias chegam sem nenhuma diferença de

236
fase, porque para este ponto a diferença de caminho ótico entre duas ondas secundá­
rias simétricas é igual a zero.
Vamos calcular a diferença de caminho ótico entre uma onda secundária que emana
do ponto superior dafenda S\ e uma onda que emana dc S» (o ponto inferior da fenda
indicada na Fig. 3.21). Como os raios indicados na Fig. 3.21 são paralelos, concluímos
que a diferença de caminho ótico entre a onda que emana da borda superior da fenda
e a onda que emana da borda inferior da fenda vale:
= a sen 0 (3.41)
Para relacionar o ângulo 0 indicado na Fig. 3.21 com o ângulo a « 0/2 indicado
na equação (3.44) basta utilizar a proporcionalidade entre diferença de caminho ótico
A.Lea diferença defase A0. Esta proporcionalidade c dada pela equação (3.13). Note
que o ângulo 0 indicado na Fig. 322 é a diferença defase entre a onda que emana
da borda superior da fenda e a onda que emana da borda inferior da fenda. Sendo as­
sim, usando as relações (3.13), (3.45) c (3.47), concluímos que os pontos onde ocorre
interferência destrutiva são obtidos pela seguinte condição:

a sen 0 = mX (3-48)

onde m = 1,2,3,... Observe que os pontos onde a intensidade é máxima teriam de ser
calculados pela equação (3.44); contudo, como este cálculo é complicado, é preferível
determinar estes pontos pelo conhecimento dos pontos de mínimo, dados pela relação
(3.48) ou pela relação (3.45). Um ponto de máximo está situado aproximadamente no
meio de dois pontos de mínimo adjacentes ao máximo considerado.
Interferêcia produzida pela difração em duas fendas
Suponha que a distância entre duas fendas seja igual ade que cada fenda possua
a mesma largura a. A interferência produzida pelas ondas difratadas nestas duas fen­
das quando a é muito menor do que X já foi estudado anteriormente (veja a experiência
de Young). Vamos examinar agora o que ocorre quando as duas fendas indicadas na
Fig. 3.8 possuem uma largura a da mesma ordem de grandeza do comprimento X. Nes­
te caso, conforme vimos nos parágrafos anteriores, cada fenda produz uma infinidade
de ondas secundárias difratadas que produzem uma figura de interferência, de acordo
com o esquema ilustrado na Fig. 3.21. Existindo um únicafenda, forma-se sobre o an­
teparo mostrado na Fig. 3.21 uma figura de interferência do tipo indicado na Fig. 3.23.
Considere duas fendas separadas por uma distância d, sendo d maior do que a. Es­
tamos supondo que a seja da mesma ordem de grandeza do que X. Como exemplo, po­
demos considerar a = 10 X e d — 100 X. Conforme veremos mais adiante a razão d/a
é uma das características mais importantes de um dispositivo de fenda dupla. Quando
utilizamos duas fendas, as ondas provenientes da difração nas duas fendas se super-
pòemc formam umafigura de interferência do tipo indicado na Fig. 3.24. Para descre­
ver qualitativamente a figura de interferência obtida no caso de uma fenda dupla, va­
mos fazer o seguinte raciocínio. Suponha que a largura a das fendas comece a diminuir

237
□II □Illliio
Fig. 3.23 Figura de interferência obtida no an­
teparo indicado na Fig. 3.21. Esta interferên­
Fig. 3.24 Considere duasfendas de mesma lar­
gura a (nas mesmas condições da fenda men­
cia é causada pela difração numa fenda cuja cionada na Fig. 3.23). Neste caso, forma-se
largura a é ligeiramente maior do que X uma figura de interferência obtida pela super­
(a~10X). posição das ondas que dão origem ao espectro
da Fig. 3.23 com outras ondas provenientes da
outra fenda. No espectro resultante surgem
no vasfranjas de interferência, conforme indi­
cado nesta figura. Veja t.ambém a Fig. 3.28.

(mantendo-se constante a distância d entre das fendas). Quando a largura a for sufi­
cientemente pequena, obteremos uma figura de interferência do tipo descrito na expe­
riência de Young. Concluímos que os máximos na experiêcia de Young não mudam de
lugar quando a largura a da fenda aumenta (sem alterar o valor de d). Sendo assim, a
frente de onda que emena de uma das fendas interfere com a f rente de onda que emana
da outra fenda e produz máximos no mesmos locais dos máximos da experiência de
Young. Portanto, podemos dizer que, independentemente da largura a ser muito me­
nor do que X ou não, os máximos da interferência das frentes de ondas que emanam
do centro de cada fenda são dadas por:

d sen 6 = mX (3.49)

onde m = 0, 1,2, 3, ... Uma figura de interferência obtida com um dispositivo defen­
da dupla no qual a largura a é da mesma ordem de grandeza de X é indicada na Fig. 3.24.
As fendas usadas para obter asfranjas de interferência mostradas na Fig. 3.24 são duas
fendas de mesma largura a, sendo a a largura da fenda única que produziu afigura de
interferência mostrada na Fig. 3.23. Tapando-se uma das fendas do dispositivo dc/en-
da dupla que produziu a Fig. 3.24, obtém-se a figura de interferência indicada na Fig.
3.23. Comparando a Fig. 3.23 com a Fig. 3.24 notamos que o dispositivo defenda du­
pla produz um número maior de franjas de interferência do que o dispositivo que con­
tém uma fenda única. Comparando a Fig. 3.23 com a Fig. 3.24 você notará que os pri­
meiros mínimos de cada lado do máximo central da Fig. 3.23 coincidem com dois mí­
nimos acentuados de cada lado das franjas centrais indicadas na Fig. 3.24. Como a in-

238
terfsrêacia na fenda dupla é urna superposição das ondas difraladas nafenda única com
as ondas que emanam simultaneamente das duas fendas, concluímos que os mínimos
da figura de difração da fenda única sào também mínimos da figura de interferência
obtida com as duas fendas. Dizemos que as franjas são moduladas, em intensidade,
pelo espectro da difração na fenda única. Logo, a curva modulante é a envoltório (ou
envolvente) da curva modulada (que é a curva de intensidade na experiência de Young).
Sendo assim, os mínimos da envolvente (que é a curva da intensidade na difração em
fenda única), são dados pela relação (3.48)._____________________________________
O estudo quantitativo da interferência produzida pela difração simultânea em duas fen­
das pode scr feita aplicando-se o princípio da superposição. É claro que existe interferên­
cia tanto no caso da difração nafenda única quanto no caso da difração em duas fendas.
Contudo, para facilitar a nomenclatura, vamos chamar de “ difração na fenda única” a
figura de interferência obtida quando ocorre difração na fenda considerada. Vamos cha­
mar de "figura de interferência” asfranjas de interferência obtidas na experiência de Young.
Sabemos que a intensidade na difração num dispositivo de fenda única é dada por:
~sen 6T|2
I - Id (3.50)
. a
onde Za é a intensidade máxima obtida na difração quando existe uma única fenda. Se con­
siderarmos a superposição das ondas provenientes de duas fendas, concluímos que Zd é
uma amplitude de intensidade variável. Imagine que a largura a das duas fendas comece
a diminuir até o momento em que as duas fendas possam ser consideradas como fontes
pontuais. Neste caso, a intensidade sobre o anteparo é dada pela expressão (3.35). Logo,
a intensidade na figura de interferência é dada por:
Zi„,. = Zm cos20 (3.51)
Como a intensidade sobre o anteparo no dispositivode fenda dupla é dada pela relação
(3.50) concluímos que a intensidade Zd deve ser variável de acordo com a relação (3.51),
ou seja:
Zd — Zjni. — Zm COS^/3
Substituindo a relação anterior na equação (3.50), obtemos:

I = Zm COS?0 (3.52)

Pela relação (3.52) vemos que a intensidade Zsobre os pontos do anteparo é obtida multi­
plicando-se a intensidade na experiência de Young vezes a intensidade da difração na fen­
da única. Como dissemos no início da Seção 3.4 (ao analisar a coerência), no fenômeno
da interferência as intensidades se multiplicam, ao paso que na Ótica Geométrica (quan­
do não há interferência), as imensidades se somam.
Na Fig. 3.25 ilustramos a questão da modulação dasintensidadesmencionadaantenor-
mente. Na parte (a) da Fig. 3.25 indicamos o fator da interferência (Z,nl.) indicado na re­
lação (3.51); neste gráfico lançamos a intensidade relativa </iM./Zm) contra 9 (em graus).
A relação entre 6 e 0 é obtida combinando-se as equações (3.13), (3.17) e (3.32), ou seja,
0 = (irdfK)senO (3.53)
A parte (a) da Fig. 3.25 representa, portanto, a intensidade relativa (em função de 0)
na experiência de Young', esta intensidade é o "fator de intensidade” da fórmula (3.52).
Na parte (d) da Fig. 3.25 indicamos a intensidade relativa na experiência da difração nu-

239
Fig- 3.25 (a) A intensidade relativa da experiência cie Youngfor­
nece o "fator de interferência" no produto indicado na relação
(3.52). (b) A intensidade relativa na experiência da difração em
fenda única fornece o ‘ fator de difração " na relação (3.52). (c)
A intensidade relativa das franjas de interferência é modulada
peta intensidade relativa (b), obtendo-se o produto indicado na
relação (3.52) e representado nesta parte da figura.
tnafenda única em função de 0. A relação entre 0e a pode ser determinada combinando-se
as equações (3.13), (3.39) e (3.47). Portanto,
a = (ira/X)sen0 (3.54)
Na parte (b) da Fig. 3.25 representamos a intensidade relativa na experiência da fenda
única (em função de 0). Na parte (c) da Fig. 3.25 representamos a intensidade relativa (/Im)
dada pela equação (3.52) em função de 0; para transformar (3 e a em função de 6 basta usar
as relações (3.53) e (3.54). Note que a curva (c) é obtida pelo produto da curva (o) pela cur­
va (b). O fato marcante deste produto é que os mínimos da curva (a) c/ou da curva (b) são
também mínimos da curva (c). Dizemos que as franjas de interferêcia são moduladas (em
intensidade) pela curva da difração (ô). Denomina-se envoltório da curva (c) a curva que
tangcncia todas as franjas indicadas na curva (c). Notamos que a envoltório (ou envolven­
te), embora não traçada nma parte (c) da Fig. 3.25, possui forma semelhante à forma da
curva (b).

240
Exemplo 3.7Considere a figura de interferência obtida por difração num dispositivo
dc fenda dupla nas conduções de Fraunhofer. Qual deve ser a relação entre cf c a para que
a envolvente central contenha exatamente um número inteiro Nde franjas? Obtenha tam­
bém a razão entre 0 c a para que isto ocorra.
Solução. Os pontos de mínimo das franjas de interferência entre um raio proveniente
dc uma das fendas e um raio proveniente da outra fenda são determinados pela relação;
rfsen 0 = (m + I/2)X (1)
O primeiro mínimo da difração cm uma das fendas é dado por:
a sen 0 — X (2)
Para saber quantas franjas completas de interferência existem dentro da envollória de­
vemos levar cm conta que o último mínimo da interferência (dentro da franja central) coin­
cide com o primeiro mínimo da difração. Neste caso, basta dividir membro a membro as
relações (1) e (2), ou seja, comoo ângulo 0 considerado é o mesmo, temos:
d/a = m + 1/2 (3)
O ângulo /3 da interferência é dado por:
0 = (jrfifA) sen 0 (4)
O ângulo a da difração é dado por:
a — (ira/X) sen 0 (5)

Dividindo membro a membro as relações (4) c (5) e lembrando que há coincidência en­
tre o último máximo e o primeiro mínimo, obtemos:
|g/q = d/a | (6)

ou seja, a relação entre (3 e a é a mesma entre d e a para o mesmo ângulo 0.


Na contagem dos máximos de interferência começamos do número m = 0. Na fórmu­
la (3) desejamos saber a condição para que exista um número inteiro de franjas comple­
tas. É preciso que haja coincidência total entre o mínimo da interferência com o mínimo
da difração. Quando não houver esta coincidência completa, ocorrerá um certo esmaeci-
mento da franja próxima do mínimo da difração e esta franja não aparecerá completa (neste
caso a sucessão regular das franjas é interrompida e a última franja torna-se mais estreita
e mais fraca). Portanto, para que haja um número inteiro dc franjas completas é necessá­
rio que a relação entre d e a seja tal que:
d/a = (2m + l)/2

ou seja, a razão d/a deve ser igual a um número ímpar dividido por dois, ou seja, d/a deve
serigualaum número semi-inleiro. Sc a razão d/a não for igualaum número semi-inteiro,
o número m da relação (3) não será um número inteiro, indicando que o mínimo da última
franja não coincide com o primeiro mínimo da difração de uma das fendas.
A razão entre (3 e a é dada pela equação (6). Como para o primeiro mínimo a = v, te­
mos:
(3 = -xd/a = ir (2m 4- l)/2

241
Difração num orifício circular
Pode ocorrer difração nas bordas de um disco ou de uma lente esférica. Verifíca-sc
que esta difração é semelhante à difração num orifício circular (ver o final da Seção 3.4).
O estudo qualitativo da difração num orifício circular é um pouco mais complicado do
que o estudo feito anteriormente para a difração numa fenda única. Considere um ori­
fício de diâmetro a ou uma lente, um disco, um espelho ou qualquer objeto com seção
reta circular cujo diâmetro seja a. Demonstra-se ique o primeiro mínimo da figura dc
difração de Fraunhofer é dado pela seguinte expressão:

a sen 6 = 1,22X (3.55)

Compare a posição do primeiro mínimo da difração num orifício circular (ou num
anteparo circular) com a posição do primeiro mínimo no caso da difração numafenda
de largura a dada por:
a sen 0 = X
Note que o primeiro mínimo da difração de Fraunhofer dc um orifício circular está
1,22 vezes mais afastado do centro do que o primeiro mínimo da difração de Fraunho­
fer da fenda única (de mesma largura a e iluminada pela mesma luz dc comprimento
de onda X). O fator 1,22 foi obtido fazendo-se uma integração sobre os elementos dc
área que produzem a difração num orifício circular ou num anteparo circular. Embo­
ra a dedução da fórmula (3.55) esteja um pouco acima do nível de um Curso Básico
de Física, achamos conveniente incluir aqui este resultado em virtude da sua importância
nas aplicações práticas, conforme veremos mais adiante.

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Fig. 3.26 Figura de interferência obtida num anteparo (nas condições


de Fraunhofer) quando um feixe de luz monocromática proveniente
de um LASER sofre difração num orifício circular.

242
Na Fig. 3.26 indicamos os anéis de interferência obtidos na difração de Fraunhofer
quando a luz proveniente de um LASER sofre difração num orifício circular cujo diâ­
metro aé da mesma ordem de grandeza do comprimento dc onda X da luz proveniente
do LASER. Lembramos que a luz proveniente de um LASER é monocromática e coli-
mada (constituindo um feixe de luz quase totalmenteplano-polarizada num mesmo pla­
no). Devido a estas propriedades da luz de um LASER as experiências de difração (e
interferência) em fendas eorfícios passaram a ser realizadas (a partir de 1960) utilizan­
do-se em feixe de luz proveniente de um LASER para iluminar o dispositivo onde dese­
jamos obter a difração.

Poder de resolução de um instrumento de Ótica


Quase todos os instrumentos de Ótica (incluindo até o olho humano como um dis­
positivo ótico feito pela Natureza) possuem uma lente, um espelho com seção reta cir­
cular ou então uma abertura circular. Sendo assim, nas bordas destes componentes cir­
culares ocorre a difração mencionada nos parágrafos anteriores. Donde se conclui que
o limite máximo do poder de resolução de um instrumento de Ótica é condicionado por
estes efeitos de difração. O cálculo do poder de resolução máximo de um instrumento
de Ótica pode ser feito através da aplicação do critério de Rayleigh, conforme mostra­
remos a seguir.

Critério de Rayleigh
Considere duas fontes pontuais distantes. Uma das fontes produz difração na bor­
da inferior de um orifício circular ou na borda exterior de uma lente. A figura de difra­
ção projetada sobre um anteparo distante pode ser superposta ou não com a figura de
difração produzida pela outra fonte. Quando as duas fontes estão suficientemente afas­
tadas da lente, tudo se passa como se os raios fossem paralelos e as duas imagens se su­
perpõem produzindo uma única figura de difração. Isto ocorre, por exemplo, com uma
estrela dupla, quando examinada a olho nu ou com um telescópio com uma objetiva
dc diâmetro pequeno; contudo, quando o diâmetro da lente do telescópio for suficien­
temente grande, podemos ver as imagens separadas das duas estrelas, Rayleigh estabe­
leceu o seguinte critério para saber se uma lente pode separar ou não as duas fontes:
o máximo da figura de difração de uma das fontes coincide com o mínimo da figura
dc difração da outra fonte (no limiar de resolução).
Para determinar a separação angular entre o máximo central c o primeiro mínimo,
quando as duas fontes estão no limite de resolução, devemos proceder da maneira des­
crita a seguir.
Dc acordo com o critério de Rayleigh o limite de resolução é dado quando, no ante­
paro, o máximo da figura dc difração de uma das fontes coincide com o mínimo da fi­
gura de difração da outra c vice-versa, logo, basta usar esta condição para obter o pri­
meiro mínimo da difração num orifício circular, ou seja.

sen 0r = l,22X/a (3.56)


onde 0R é o ângulo limite, acima do qual ocorre a separação entre as figuras dc difra­
ção e abaixo do qual as duas figuras de difração se fundem numa única figura. O com-

243
primento de onda da luz emitida pela fonte c X, c dé o diâmetro do orifício (ou da len­
te). Normalmentc o ângulo 0« é muito pequeno, de modo que a expressão acima for­
nece:
0R = 1.22X/O (3.57)

\
\

X
5. H
v
I Lente ou Orifício
I
I
I 0« 0»
X
I
l 1
I i
I •I
s_.r r l
4

Anteparo

Fig. 3.27 Esquema para explicar o critério de Rayleigh aplicado na de­


terminação do poder de resolução dos instrumentos dotados de lentes
ou outros dispositivos que possuem uma seção reta circular.

Observe o diagrama indicado na Fig. 3.27. A difração na lente situada no ponto O


produz duas imagens das fontes Si eSz sobre um anteparo distante. Pelo critério de
Rayleigh verificamos que, no limite de resolução da lente do instrumento considerado
o primeiro mínimo da difração de uma das fontes coincide com o máximo central da
figura de difração da outrafonte, conforme indicado na Fig. 3.27. Logo, podemos es­
crever:
tg (0R/2) = x/2r (3.58)
onde x é a distância entre as fontes e r é a distância entre o centro das fontes e o ponto
O. Porém, como 0R é um âgulo muito pequeno, podemos escrever:
tg (0r/2) = 0r/2 (3.59)
Portanto, pelas relações (3.58) e (3.59), temos:
0r - x/r (3.60)

244
Por outro lado, o ângulo 0R é dado pela condição de Rayleigh. Para obtermos a dis­
tância xenlte as fontes no limite de resolução, basta combinar as relações (3.57) e (3.60),
ou seja,

x = l,22Xr/a (3.61)

A relação (3.61) fornece a distância critica para a separação. Se a distância entre as


fontes for menor do quex, o poder de resolução do dispositivo usado não é suficiente
para separar as imagens.

3.7 Interferência produzida por redes de difração


Denomina-se rede de difração um dispositivo constituído por um grande número N
de fendas de largura a igualmente espaçadas ao longo de uma lâmina plana dc compri­
mento x. Ou seja, a distância d entre duas fendas consecutivas é dada por: d — x/N.
As redes de difração são normalmente fabricadas por meio de máquinas gravadoras
dc elevada precisão que produzem ranhuras paralelas numa lâmina de vidro, de metal
ou dc plástico. Na prática, se costuma utilizar a chamada réplica da rede original. As
réplicas são cópias das redes originais obtidas com uma técnicadc reprodução especial.
Quando a largura a de cada ranhura (ou fenda) for muito menor do que X, a rede
de difração pode scr encarada como um conjunto de Nfontes igualmente espaçadas
Nas condições de hraunhofer, os máximos de intensidade se localizam nos pontos dc
anteparo que satisfazem a condição:

d sen 0 = mX (3.62)

Lembramos que a equação (3.62) é a mesma relação utilizada para a obtenção dos
máximos de interferência na experiência de Young da fenda dupla. Para um mesmo
d, vemos que os máximos de intensidade se localizam sempre nos mesmos pontos do
anteparo, independentemente do valor de N, desde N = 2 em diante. Qual é o efeito
do número de fendas sobre a figura de interferência? Para responder esta pergunta é
conveniente examinar duas situações: 1) a largura a de cada fenda é da mesma ordem
de grandeza de X e (2) a largura a de cada Tenda é muito menor do que X. Vamos exami­
nar o primeiro caso e, logo a seguir, consideraremos o segundo caso. Já mostramos que,
quando se passa de uma fenda (ver a Fig. 3.23) para duasfendas (vera Fig. 3.24), surge
um grande número de franjas de interferência dentro do máximo central correspon­
dente à difração dafenda única. O efeito do aumento do número TVde fendas (para um
valor dc a fixo) pode ser estudado examinando-se a Fig. 3.28. Nesta ilustração vemos
claramente que o aumento do número defendas produz um aumento do número defran­
jas na região central do anteparo.

245
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Fig. 3.28 Nesta ilustração vemos daramente que o aumento do número deJendaspro­
duz um aumento do número defranjas de interferência na região central do anteparo
(correspondente ao máximo central da difração na fenda única). O lado direito da fo­
tografia mostra afigura de interferência obtida nas condições de Fraunhofer para: (a)
uma fenda, (b) duas fendas, (c) três fendas, (d) quatro fendas, (e) cinco fendas.

246
A relação (3.62) vale tanto para o caso (1) quanto para o caso (2). No entanto, no
caso (2), isto é, quando a largura a de cada fenda é muito menor do que X, o tratamento
matemático da rede de difração fica mais simples, uma vez que podemos considerar
a rede de difração como se fosse um conjunto de Nfontespon/ums igualmentc espaça­
das. No caso (1), além dc sc usar a relação (3.62) é necessário considerar, simultanea­
mente, a difraçâo produzida em cada fenda de largura a (veja o estudo áa fenda dupla
na Seção anterior).
Mostraremos a seguir que quando o número Naumenta, a largura de linha de cada
franja de interferência diminui. Isto implica no aumento do poder de resolução da re­
de dc difraçâo, conforme veremos mais adiante.
De acordo com o método dosfasores, para que ocorra uma destruição completa das
ondas, c necessário que os vetores representativos das N ondas provenientes das N fontes
formem uma linha poligonal fechada-, neste caso, a resultante é nula. Por exemplo, pa­
ra N = 3, os três fasores devem possuir uma diferença de fase consecutiva de 360°/3
= 120°, para que haja interferência destrutiva. Para TV = 4, a diferença de fase conse­
cutiva deve ser igual a 360°/4 = 90°, na interferência destrutiva. Generalizando esta
condição de interferência destrutiva, concluímos que a diferença de fase consecutiva
dc dois fasores representativos de N ondas produz interferêcia destrutiva quando
A</> = 2ir/N (3.63)
onde A0 representa a diferença defase entre duas ondas adjacentes produzidas, conse-
cutivamcntc, pelas N fendas. Sabemos que a proporcionalidade entre a diferença de
fase e a diferença de caminho ótico à.L é dada por:
A<£/2tt = ALA (3.64)
Das relações (3.63) e (3.64), resulta:
AL = X//V (3.65)

Por outro lado, a diferença de caminho ótico entre o máximo central (m = 0) e o


primeiro mínimo adjacente a este máximo é dado por:
L = d sen A0O (3.66)
onde Á0n é a largura angular entre o centro do anteparo e o primeiro mínimo. Esta lar­
gura é conhecida pelo nome de “largura de linha" da franja central ou ainda “semilar-
gura"áa franja central. Das relações (3.65) c (3.66) resulta:
sen A0O = \/Nd
Normalmente a largura de linha A0o é muito pequena, de modo que podemos escre­
ver a relação anterior na forma:
A0O = \/Nd (3.67)
A relação (3.67) mostra que a largura de linha da franja central diminui à medida
que Naumenta (para um mesmo valor da distância í/entre as fendas). Deste modo, com­
provamos a afirmação feita anteriormente, ou seja, à medida que aumenta o número
N defendas diminui a largura dafranjas de interferência, donde se conclui que aumen­
ta o poder de resolução da rede de difração.

247
Poder de resolução de um espectroscópio de rede
Na Fig. 2.105 ilustramos um espectrômetro de prisma (ou espectroscópio de pris­
ma). O espectroscópio de rede é um dispositivo usado para se estudar o espectro da luz
emitida por uma determinada fonte. Para entender o esquema de um espectroscópio
de rede basta examinar a Fig. 2.105, substituindo-se o prisma Ppela rede de difração.
O poder de resolução ou poder de separação de um espectroscópio ou de qualquer
dispositivo ótico que utilize dois ou mais comprimentos de onda diferentes, é definido
pela seguinte relação:
R = X/AX = V(Xi - X2) (3.68)
onde Xj e X> são dois comprimentos dc onda componentes da radiação que incide so­
bre o dispositivo ótico considerado e o valor de X indicado no numerador da relação
(3.68) normalmentc é dado pelo valor médio entre Xi e Xi- A relação (3.68) fornece, por­
tanto, o chamado poder de resolução relativo a estes dois comprimentos de onda. Con­
sidere uma rede de difração iluminada por uma luz composta por dois comprimentos
de onda Xi e Xj. De acordo com a relação (3.62) os máximos de ordem m destas duas
radiações são dados por:
d sen 0j = m\\ ; d sen 02 = m\2
Usando a aproximação para ângulos pequenos, podemos escrever as relações ante­
riores na forma:
6i - m\\/d; 02 = m\2/d
Logo,
A<Ê = 0i - 02 = /n(Xt — X2)/d (3.69)
O critério para a resolução dos dois comprimentos de onda Xj e X2 é o mesmo crité­
rio de Rayleigh utilizado na difração em orifícios e objetos circulares (ver a Seção 3.6),
ou seja, asfranjas estão no limiar de separação quando o máximo de umafranja coin­
cide com o mínimo da franja adjacente. Neste caso, podemos escrever
A-0 = A0O (3.70)
Comparando as relações (3.67), (3.68), (3.69) e (3.70), concluímos que o poder de
resolução de uma rede é dado por
R = mN (3.71)

Dispersão de uma rede de difração


Na Seçào 3.3 estudamos o fenômeno da dispersão da luz. Vimos que, devido à varia­
ção do indice de refração em função do comprimento de onda da luz que incide sobre um
prisma, ocorre dispersão da luz branca no interior do prisma. Portanto, um prisma de­
compõe a luz branca nas diferentes cores do espectro constituinte da luz considerada. Quan­
do um feixe dc luz branca incide sobre uma rede de difração ocorre também uma decom­
posição da luz branca. Contudo, a decomposição da luz branca mediante uma rede dedi-
fração não ocorre por causa do fenômeno da dispersão da luz (como no caso de um pris­
ma). Para entender como a interferência produzida pelas ondas difratadas na rede de di­
fração pode decompor a luz branca, é suficiente examinar a equação (3.62). Para m - 0

248
(máximo central), todas as cores chegam ao centro do anteparo sem nenhuma diferença
de fase; logo, no centro de simetria da figura de interferência forma-se uma franja bran­
ca. Para o valor m = 1 forma-se o chamado espectro de primeira ordem-, como cada cor
possui um dado valor de X, concluímos que, para m = I, cada cor se formará num dado
ângulo 0 sobre o anteparo. A primeira cor adjacente ao máximo central é a cor violeta (X
= 4.000 Ã). A seguir, surgem franjas coloridas, em ordem crescente de comprimento da
onda da respectiva cor, a última franja colorida, no espectro de primeira ordem, possui
cor vermelha(X = 7.000 A). No chamado espectrodesegunda ordem (m = 2), ocorre um
novo desdobramento das cores do espectro da luz analisada, na mesma sequência mencio­
nada acima, isto é, desde o violeta até o vermelho. Estes espectros se repetem nas ordens
subsequentes (m = 2,3,4,...) até o limite teórico observável (0 = 90°).
Das considerações anteriores, notamos claramente a diferença entre um espectroscó-
pio de prisma e um espectroscópio de rede. Outra característica que distinge estes instru­
mentos é a dispersão angular que será definida a seguir.
A dispersão angular (ou, simplesmente, dispersão) de uma rede de difração é definida
pela equação:
òe
D = limite (3.72)
AX —0 AX

Esta relação é geral e vale para qualquer dispositivo ótico. Como distinguir a dispersão
definida pela equação (3.72) do fenômeno da dispersão estudado na Seção 3.3? Podemos
dizer que a dispersão D definida pela relação (3.72) é uma dispersão angular, obtida sobre
um anteparo, da luz que emerge do dispositivo considerado. Ou seja, a dispersão angular
dá uma idéia da variação A0 entre dois comprimentos dc onda Xi e Xj muito próximos um
do outro sobre o anteparo. Portanto, a dispersão angular definida pela relação (3.72) é
diferente da e/Ãçpersõo/no/erÍG/da luz que ocorre no interior dc uma substância em virtude
da variação do índice de refração com o comprimento de onda da luz incidente (ver a Se­
ção 3.3).;
Para obter uma fórmula geral para a dispersão D de uma rede de difração c necessário
calcular a derivada dO/dk indicada na definição (3.72). Contudo, para deduzir uma fór­
mula aproximada para o cálculo da dispersão D basta considerar as diferenças AO e AX,
sem efetuar a passagem ao limite indicada na relação (3.72); neste caso, é suficiente utili­
zar a relação (3.69). Para m = 0, obviamente, a dispersão angular é nula. Para m = 1 a
dispersão angular é dada por:
D = \/d (3.73)
Derivando a equação (3.62) e usando a definição (3.72), encontramos a seguinte rela­
ção geral para a dispersão angular de uma rede de difração:

D = m/(d cos 6) (3.74)

Observe que a relação (3.73) é um caso particular da relação (3.74). A relação (3.73)
vale para m = 1, uma vez que, neste caso, o ângulo 0 é muito pequeno e cos 0 é pratica­
mente igual a 1. A dispersão angular D nas duas primeiras ordens difere muito pouco do
valor indicado na relação (3.73). Contudo, para as ordens superiores a m = 2, a dispersão

249
angular aumenta consideravelmente, uma vez que, à medida que o valor de 0 tende para
90°, o valor de cos 6 tende a zero e a dispersão angular tende a infinito.
Difração numa rede cristalina
A interferência produzida por redes de difração é o principal fenômeno que permite
o estudo da chamada Espectroscopia Ótica. Contudo, a interferência e a difração são fe­
nômenos inerentes a qualquer tipo de onda. Portanto, para o estudo da Espectroscopia
de outras ondas eletromagnéticas (além da luz), é possível utilizar também ‘ 'redes de di­
fração" apropriadas para cada região especifica do espectro elelromaghético. Por exem­
plo, a difração de microondas pode ocorrer nas bordas de objetos (ou em fendas), desde
que a ordem de grandeza do diâmetro d do objeto (ou do orifício) seja da mesma ordem
de grandeza do comprimento de onda X de uma microonda (cerca de 1 cm). Sendo assim,
t possível obter "redes de difração" que sirvam para estudar a Espectroscopia na região
de microondas, na região do infravermelho, na região ultravioleta, na região dos raios X,
na região dos raios gama, etc.
Denomina-se rede cristalina a distribuição regular dos átomos ou das moléculas no inte­
rior de um sólido cristalino. A distância entre duas moléculas de uma rede cristalina c da or­
dem de 1 A. Deste modo, a luz, que possui comprimento de onda da ordem de 5000 Anão
produz difração numa rede cristalina, uma vez que o comprimento de onda da luz é muito
maior do que I A. Contudo, como o comprimento de onda de um raio Xé da ordem de 1
A, c de se esperar uma forte difração de um feixe de raios X no interior dc uma rede crista­
lina. O estudo detalhado da difração de raios X em cristais foge aos objetivos da presente
Obra. Contudo, é conveniente escrever a famosa Lei de Bragg para o estudo da difração de
raios X em cristais", de acordo com esta Lei, os máximos são dados por:

[ 2d sen 0 = niX ]
A Lei de Bragg, expressa pela relação anterior, é utilizada para a determinação da es­
trutura de materiais que possuem rede cristalina. Nesta relação, d representa a chamada
distância interplanar.

3.8 Polarização da luz


Todas as ondas transversais podem ser polarizadas em determinados planos de po­
larização. O plano de polarização da onda é formado pelo plano que contém a direção
de propagação da onda e a direção de vibração da onda. Por exemplo, no caso de uma
onda eletromagnética existem duas ondas plano-polarizadas que se propagam simul­
taneamente com a mesma velocidade: a onda elétrica e a onda magnética; conforme
sabemos, o plano de polarização da onda elétrica é ortogonal ao plano de polarização
da onda magnética. Portanto, para representar a luz (ou qualquer outra onda eletro­
magnética) é suficiente representar o campo elétrico da onda eletromagnética polari­
zada considerada.
Existem diversos processos físicos que podem ser empregados para se obter um fei­
xe de luz plano-polarizada a partir de um feixe de luz não-polarizada. Um feixe pla-
no-polarizado também pode ser chamado de feixe Hnearmente polarizado. Denomina-se
polarizador ou placa polarizadora qualquer dispositivo ótico capaz de produzir pola­
rização da luz. Os principais fenômenos físicos que podem ser usados para a obtenção
de um polarizador são os seguintes: (a) reflexão, (ô) absorção seletiva, (c) dupla refra-
ção, (d) espalhamento da luz. A seguir, estudaremos cada um destes fenômenos.

250
(a) Polarização por reflexão
Quando um feixe de luz não-polarizada incide sobre uma superfície não-metálica,
uma parte do feixe se reflete e outra parte se refrata; verifica-se que o feixe refletido
(co feixe transmitido) é composto por uma porcentagem de luz polarizada num plano
paralelo e uma porcentagem de luz polarizada num plano ortogonal ao plano de inci­
dência da luz. Suponha que o plano de incidência seja o plano da página deste Livro,
conforme indicado na Fig. 3.29. Verifica-se experimentalmente que a porcentagem da
luz polarizada no plano de incidência depende do ângulo de incidência 0„. Contudo,
existe um certo ângulo (chamado ângulo de Brewster) para o qual a luz refletida é to-
tahnente polarizada num plano ortogona! ao plano da página, conforme indicado na
Fig. 3.29. Nas figuras desta Seção estamos adotando a seguinte convenção: a luz
não-polarizada é representada por um conjunto de setas orientadas cm diversas dire­
ções, a luz plano-potarizada num plano paralelo ao plano do papel é representada por
vetores paralelos contidos no plano do papel, a luzptano-polarizada num plano orto-
gonal ao plano do papel é representada por meio de pontos. A mistura de luz polariza­
da no plano do papel com luz polarizada no plano ortogonal ao plano de incidência é
representadapor setas paralelas alternadas com pontos.

Fig. 3.29 Ocorre polarização tola!por reflexão


quando o ângulo entre o raio refratado e o raio
refletido for igual a 90°. O ângulo de polariza­
ção total 0P denomina-se ângulo de Brewster.

Leis de Brewster
Brewster verificou que existe um certo ângulo de incidência particular (0O = 0p pa­
ra o qual o feixe refletido é totalmente polarizado num plano ortogonal ao plano de
incidência (ver a Fig. 3.29). Brewster provou que o ângulo de polarização por reflexão
obedece a seguinte equação:

0P + 0; = 90° (3.75)

251
Pela Fig. 3.29 vemos que 02 é o ângulo de refração. Aplicando a Lei de Snell, obte­
mos:
n\ sen 0\ = n2 sen 02 (3-76)
Das relações (3.75) e (3.76), encontramos a seguinte expressão para a determinação
do ângulo de Brewster da superfície considerada:
tg = n2/n> (3.77)
Suponha que o meio 1 seja o ar e que o meio 2 possua índice de refração n. Neste
caso, ?ii — 1 e n2 = n. Logo, a relação (3.77) sc reduz a:
tg0P = n (3.78)
A equação (3.78) é a expressão apropriada para a determinação do ângulo de Brewster
quando o raio incidente se propaga no ar. Note que, neste caso, o ângulo dc polariza­
ção 0P é maior do que 45°. Contudo, no caso geral, 6P pode ser maior ou menor do que
45°, dependendo dos valores de nt e de n2, conforme indicado na relação (3.77). No
Exemplo 3.8 mostraremos como é possível deduzir teoricamente a relação (3.77).

Exemplo 3.8 Dcduza a fórmula do coeficiente de reflexão (razão entre a intensidade


luminosa refletida ca intensidade luminosa incidente). Obtenha lambem o coeficiente de
transmissão (razão entre a intensidade luminosa transmitida e a intensidade luminosa in­
cidente). Mostre que para um certo ângulo de incidência, a luz refletida pode ser totalmente
polarizada (lei de Brewster).
Solução. A condição de contorno mais importante para o estudo da reflexão e refra-
çâo das ondas eletromagnéticas é a seguinte: ku = k2i, ou seja, o componente tangencial
do vetor de onda permanece continuo através da superfície de separação entre os meios.
Vamos estudar a reflexão c refração de ondas monocromáticas incidentes sobre a superfí­
cie de separação plana de dois meios transparentes. As quantidades relativas à onda inci­
dente serão designadas pelo índice 0, as quantidades relativas à onda refletida serão desig­
nadas pelo índice 1 e as grandezas relativas à onda refratada serão designadas pelo índice
2.
Vamos inicialmente considerar a reflexão e refração de ondas plano-polarizadas com
0 vetor campo elétrico perpendicular ao plano de incidência. Depois analisaremos a refle­
xão c refração de ondas plano-polarizadas com o vetor campo elétrico paralelo ao plano
de incidência. O caso geral da incidência dc uma onda plano-polarizada com o vetor elé­
trico em qualquer direção poderá ser deduzido dos outros dois problemas, mediante de­
composição do vetor em uma direção paralela e outra direção ortogonal ao plano de inci­
dência.
Para obter as amplitudes das ondas refletidas e refratadas devemos escrever as solu­
ções das equações de onda c usar as condições de contorno na superfície de separação. Não
faremos os detalhes desta solução (veja qualquer um livro dc Eletromagnetismo; por exem­
plo, veja o livro de Eletrodinâmica dc Landau e Lifshitz). O componente refletido (Ei) c
o componente transmitido (E2) valem:
sen (02 - Oo)
E\ — Eq
sen (02 + 0o)

252
2 cos Oü sen 0Z
Ei = £o
sen (02 + 0o)

Quando a onda incidente tem o campo elétrico paralelo ao plano de incidência, então
o campo magnético é normal ao plano de incidência. Neste caso a solução para /-/será aná­
loga à solução anterior e chega-se ao seguinte resultado:
lg(0o- 02)
IIi = Hq------------------------
sen (0o + 02)

H1 _ H' —-
sen (0o + 02) cos (0O - 02)

O chamado coeficiente de reflexão (razão entre a intensidade luminosa refletida e in­


tensidade luminosa incidente) será:
sen3 (02 - 0o)
(D
£0 sen3 (02 + 0o)

onde /?) é o coeficiente de reflexão das ondas que incidem com o campo elétrico perpen­
dicular ao plano dc incidência. Quando o vetor elétrico for paralelo ao plano de incidên­
cia, teremos:
o //? (Co - ft)
(2)
ig2 (0o + 0’)

As respectivas frações transmitidas serão dadas por:


4 cos3 0p sen3 0Z
T, = (3)
sen3 (02 + 0o)
sen3 2 0U________
r,i (4)
sen3 (0u + 0i)cos3 (0o — Oi)

A onda refratada não muda nunca de fase. Na reflexão, se o índice de refração do meio
2 for maior do que o índice de refração do meio 1 ocorrerá mudança de fase: a onda refle­
tida estará defasada da incidente dc metade do comprimento de onda; no caso contrário»
entretanto, não ocorrerá mudança dc fase.
Na reflexão e refração de urn feixe plano-polarizado, produzem-se ondas plano-
polarizadas, mas as direções de polarização, em geral, não são as mesmas das ondas inci­
dentes.
Considere um feixe de luz não-polarizada (a luz solar, por exemplo) incidindo sobre
uma superfície plana. Como o vetor campo elétrico está orientado em qualquer direção,
podemos fazer uma média na direção perpendicular e outra na direção paralela. A luz re­
fletida será parcialmente polarizada; neste caso as porcentagens de luz polarizada parale­
la e perpendieularmente ao plano de incidência serão fornecidas pelas equações (1) e (2).
A luz transmitida também será a mistura dos dois tipos de polarização: uma parcela
terá o vetor E paralelo ao plano dc incidência e outra terá o vetor E ortogonal ao plano
dc incidência. Examinando-se as relações (3) e (4), verifica-se a impossibilidade da ocor-

253
rência de polarização total por rcfração numa única placa. No entanto, existe a possibili­
dade da ocorrência da polarização tola! numa única reflexão, desde que a soma do ângulo
de incidência com o ângulo de refração seja de 90 Neste caso, de acordo com as relações
(1) c (2), teremos:
R\ i = 0 ; R\ = sen2 (0t - 0O) (5)
ou seja, o feixe refletido será totalmente plano-polarizado com o vetor E perpendicular
ao plano de incidência. O ângulo de incidência para o qual isto ocorre denomina-se ângu­
lo de Brewster. Suponhamos aogra que o meio 1 seja o ar. Combinando-se a condição de
a reflexão ser totalmente polarizada com a lei dc Sncll, encontra se facilmente o ângulo
de Brewster para este caso particular:
tg 0P = n (6)
ondeflpéo ângulo de polarização (ângulo de Brewster)e n é o índice de rcfração do meio
2. Usando a leide Brewster na equação (5) e combinando com a (6), encontra-se a porcen­
tagem da luz polarizada:
7?i = (I -nV/(l + n2)2 (7)
Para exemplificar, suponha que o meio 2 seja o vidro, cujo índice de refração c aproxi­
madamente igual a 1,5. Substituindo este valor na (7) encontra-se o seguinte rendimento
para uma única placa dc vidro funcionando como polarizador:
Rendimento = (Ri/2) = 7,4% (8)
Vemos assim que, numa única reflexão, a máxima porcentagem de luz plano-polarizada
obtida é pequena. Mostraremos agora que é possível aumentar este rendimento pelo uso
de diversas placas paralelas do mesmo material. Fazendo-se a luz incidir numa placa, com
ângulo de incidência igual ao ângulo de Brewster, a luz refletida será totalmente polariza­
da, enquanto que a parte transmitida será uma mistura. Fazendo-se esta parte transmitida
incidir sobre uma placa paralela à primeira, a porcentagem refletida será totalmentc pola­
rizada, enquanto que a parte transmitida continua sendo uma mistura de luz polarizada
com Eparalelo e E perpendicular ao plano dc incidência. Repetindo-se o processo um nú­
mero suficiente dc vezes, resulta que a luz refletida com E perpendicular ao piano de inci­
dência, em vez de possuir rendimento dado pela relação (8) terá um rendimento dc 50%
(se desprezarmos a absorção). Vemos que, com este método, transformamos luz não-pola-
rizada em dois feixes polarizados Unearmente: o refletido (com E ortogonal ao plano de
incidência) e o refratado (com E paralelo ao plano de incidência).
Observando a relação (6) vemos que o ângulo de polarização da luz solar refletida cm
qualquer superfície é sempre maior que 45°. A eliminação da luz nào-polarizada, numa
mistura de luz nào-polarizada com luz polarizada, faz a imagem ficar mais nítida (não só
para uma placa fotográfica como também para o olho humano). Examinando as relações
da seção anterior, vemos que para o ângulo de incidência de 90° obtém-se Et = 0, E\ =
Et, ou seja, a luz seria totalmente refletida. Daí sc conclui que para incidência rasante a
luz é quase totalmente refletida, e, pela observação anterior, o percentual desta luz refleti­
da encontra-se próximo do percentual de máxima polarização por reflexão. Isto explica
porque um lago funciona como espelho para os objetos que sc encontram na sua periferia:
a imagem é mais nítida quando a observação c feita sob ângulo rasante, neste caso a super­
fície se comporta como um espelho quase ideal.

254
(b) Polarização por absorção
Existem certos tipos de moléculas que possuem a propriedade de absorver seletiva­
mente todos os componentes do campo elétrico da luz que não são paralelos à uma cer­
ta direção característica da molécula. Em outras palavras, quando um feixe de luz
não-polarizada incide sobre estas moléculas, elas só deixam passar as ondas que pos­
suem componentes do campo elétrico na direção paralela a uma certa direção caracte­
rística destas moléculas. Alguns tipos de moléculas orgânicas (como os polímeros) e di­
versos tipos de plásticos podem possuira propriedade acima mencionada. Existem certos
cristais que também possuem uma propriedade semelhante chamada dedicroismo (ver
mais adiante a descrição de um crstal dicróico). Existe um material especial, denomi­
nado polaróide, que possui a propriedade mencionada, mesrno quando a espessura for
muito pequena (da ordem de 1 mm). Uma fina lâmina de polaróide é suficiente para
produzir luzplano-polarizada a partir de um feixe não-polarizado. As placaspolariza-
doras mais utilizadas na prática são constituídas por lâminas finas depolaróide. As prin­
cipais propriedades de um polaróide são:
1. A luz que emerge de um polaróide é sempre plano-polarizada, independentemen­
te da natureza da luz incidente.
2. A luz plano-polarizada que emerge do polaróide possui campo elétrico vibrande
sempre numa direção paralela à direção característica do polaróide.
3. A intensidade da luz emergente do polaróide é igual à metade da intensidade di
luz não-polarizada que incide sobre o polaróide.
A última propriedade não vale quando o feixe incidente sobre o polaróide é pla­
no-polarizado. Neste caso, cm vez de se calcular a intensidade do feixe emergente pela
propriedade número 3, devemos calcular esta intensidade aplicando a famosa Lei de
Malus, conforme veremos a seguir:
Lei de Malus
Interpondo-se uma segunda lâmina depolaróide na direção de propagação do feixe
que emerge dc uma primeira placa polarizada, verifica-se que a intensidade da luz emer­
gente do segundo polaróide é dada por:
I / = /o cos~ g~| (3.79)
onde /(1é a intensidade do feixe que incide sobre o segundo polaróide (que neste caso
funciona como analisador) c / é a intensidade do feixe que emerge deste analisador. O
analisador possui neste caso uma direção característica, formando um ângulo /3 com
a direção característica do polarizador. Esta equação é conhecida com o nome de Lei
de Malus.

Exemplo 3.9 Deduza a Lei de Malus.


Solução. Considere um feixe de luz plano-polarizado (obtida por meio deum polariza-
dor). Suponha que este feixe incida sobre uma placa de polaróide (que funcionará, neste
caso, como analisador). O campo elétrico da onda linearmente polarizada (ou plano-pola-
rizada) que incide sobre o analisador forma um ângulo 0 com a direção característica do
polaróide. Podemos decompor o campo elétrico incidente em dois componentes: um pa-

255
ralelo (£h) e outro perpendicular (Ei) ao eixo característico do polaróide. O componente
ortogonal ao eixo característico do analisador será totalmente absorvido pelo polaróide
e o componente paralelo será transmitido. O módulo deste componente c dado por:
Eh = Eo cos 0 (D
onde Eo é o módulo do campo elétrico da luz plano-polarizada que incide sobre o anali­
sador. A intensidade da luz transmitida /é proporcional ao quadrado do componente pa­
ralelo do campo elétrico (Eh)» c a intensidade da luz incidente Zo é propocional ao quadrado
dc Eo- Logo, temos:

///o = Eh2/Eq (2)


Elevando ao quadrado a relação (l) e substituindo o resultado da equação (2), obte­
mos a lei de Malus:
1 = /o cos2 (3

Na Fig. 3.30 mostramos que a luz proveniente de uma fonte comum (como, por exem­
plo, uma lâmpada incandescente) emite ondas luminosas nào-polarizadas. Ao atravessar
um polaróide, o feixe de luz se torna plano-polarizado com o vetor do campo elétrico
vibrando numa direção paralela à direção do eixo característico do polaróide. A dire­
ção característica de um polaróide é indicada por dois traços diametralmente opostos
existentes na periferia do disco do polaróide. A luz que emerge do primeiro polaróide
incide sobre um segundopolaróide (que funciona como um analisador). Girando o ana­
lisador em torno do eixo central paralelo ao feixe de luz, você pode comprovar facil­
mente a Lei de Malus (3.79). Note que, para /3 = 90°, de acordo com a relação (3.79),
temos: 1 = 0. Neste caso, dizemos que qs dois polaróides estão cruzados. Portanto,
girando-se umpolaróide no plano ortogonal à direção do feixe de luz, podemos deter­
minar a natureza da luz que incide sobre o polaróide. Analisando-se a luz deste modo,
podemos identificar facilmente três casos:
1. Girando-se o analisador de um ângulo de 180° notamos uma situação em que a
intensidade luminosa transmitida é praticamente igual a zero. Neste caso, concluímos
que a luz analisada é plano-polarizada.
2. Se, ao girarmos o analisador, notarmos que a intensidade luminosa varia desde
um valor máximo até um valor mínimo (diferente de zero), concluímos que a luzanali-
sada é composta pela mistura de luz plano-polarizada com luz não-polarizada.
3. Se, ao girarmos o analisador, notarmos que a intensidade luminosa permanece
constante, concluímos que a luz analisada não possui nenhuma porcentagem de luzpla­
no-polarizada. Neste caso, dizen.os que se trata de um feixe não-polarizada.
Observação. O leitor não deve confundir o polaróide (que é o tipo mais comum de
placa polarizada) com a máquina fotográfica do tipo "polaróide" (usada para se obter
uma fotografia que é revelada logo após a foto, sem a necessidade da revelação de um
negativo e posterior reprodução do positivo).

256
Fonte Direção caracte­
Luz não-polarizada
rística do pola-
l róide

Direção
característica Polaróidc â t
1
Analisador
Intensidade
.____quase nula
Observador-^*

Fig. 3.30 Um feixe de luz nQo polarizada proveniente de uma lâmpada de filamento incandes­
cente incide sobre um primeiro polaróide. A luz emergente deste primeiro polaróide é plano-
polarizada. U(Hizando-se um segundo polaróide como analisador, verifica-se que a intensidade
transmitida peto segundo polaróide é igual a zero quando os polaróides estão ‘ ‘cruzados ’ isto
é, quando o ângulo entre os eixos característicos dos dois polaróides for igual a 90°.

(c) Polarização por dupla refração


Devido a certas simetrias da rede cristalina, alguns cristais produzem a polarização
de um feixe de luz (não-polarizada) que incide sobre o cristal. Quando a direção do fei­
xe incidente forma um ângulo diferente de zero com o eixo ótico do cristal, cm geral,
o feixe se bifurca, e, do outro lado do cristal, emergem dois feixes plano-polarizados
(em planos ortogonais entre si). Este fenômeno denomina-se dupla refração ou birre-
fringência c é uma característica dos cristais anisotrópicos. Quando a luz incide numa
direção ortogonal ao eixo ótico (situado sobre o plano de incidência da luz), os dois fei­
xes refratados no interior do cristal seguem a mesma direção, possibilitando a produ­
ção da luz circularmente polarizada, da luz eliticamente polarizada ou ainda da luz li­
nearmente polarizada (ou plano-polarizada).
Na Fig. 3.31 mostramos um feixe de luz não-polarizada incidindo sobre a superfície
de um cristal de calcita (que c um cristal uniaxial, isto é, um cristal com apenas um eixo
ótico). Nesta ilustração, a direção do eixo ótico do cristal coincide com a direção da
norma! àsuperfície do cristal no ponto de incidência da luz. Portanto, o raio incidente
forma um ângulo diferente de 90" com o eixo ótico do cristal. Observando a Fig. 3.31,
notamos que ocorre polarização dos dois raios refratados no interior do cristal. Por­
tanto, os dois feixes emergem do cristal polarizados cm planos ortogonais entre si. O
raio ordinário i aquele que emerge plano-polarizado com o vetor campo elétrico vibran­
do num plano ortogonalao eixo ótico (na Fig. 3.31 estamos indicando este plano atra­
vés de pontos). O raio extraordinário é aquele que emerge do cristal plano-polarizado
num plano paralelo ao plano de incidência (o campo elétrico vibra ao longo de direções
contidas no plano do papel, conforme indicado pelas setas da Fig. 3.31).
Existem diversos dispositivos práticos que utilizam o fenômeno da birrefringência
para obter apenas um feixeplno-polarizado ou então dois feixes plano-polarizadosem
planos ortogonais entre si.

257
Fig. 3.31 Um feixe de luz não-poiarizada inci­
de sobre um crista! birrefringente formando
um ângulo diferente de 90u com o eixo ético
do crista! de calcita usado na experiência. De­
vido ao efeito da duplu refração, surgem dois
feixesplano-polarizados no interior do cristal;
um destes feixes está polarizado no plano do
pape! e o outro está polarizado num plano oc­
togonal ao plano destafolha de papel.

Conforme dissemos, uma placapotarizadorac um dispositivo capaz de produzir luz


plano-polarizada a partir de um feixe não-polarizado. Uma das placas polarizadas mais
usadas na prática c aquela obtida mediante um crista! dicróico. Dizemos que um cris­
tal exibe dicroismo quando ele absorve com facilidade um dos dois componentes pla-
no-polarizados no interior do cristal. Deste modo, o crista! dicróico deixa passar so­
mente um feixe plano-polarizado. Na Fig. 3.32 mostramos o efeito produzido por um
crista!dicróico. No cristal indicado na Fig. 3.32 vemos que o raio extraordinário é ab­
sorvido no interior do cristal e que o raio ordinário emerge do cristal polarizado num .
plano ortogonal ao plano dc incidência. Em 1935 Land desenvolveu uma placapolari­
zadora constituída por um cristal dicróico embebido numa película de celulóide. Já vi­
mos que os polaróidessào placas polarizadoras especiais que podem ser fabricadas com
materiais não cristalinos. Nos polaróide modernos se utilizam moléculas polarizadas
especiais em vez de se utilizar um cristal dicróico birrefringente.

Para compreender o fenômeno da birrefringência é preciso fazer um tratamento geral,


cons idera ndo o índice de refração com o um tensor dc seg u n d a ordem. Co n i ud o, co mo es­
te tratamento matemático está acima do nível de um curso básico de Física, procuraremos
apenas ressaltar os resultados práticos deste tipo de análise geral. Vejamos inicialmcntc
a diferença básica entre um material oiicamcnte isotrópicoe um material oticamentea/u-

258
CRISTAL DICRÓICO

LUZ
LUZ NÃO POLARIZADA
POLARIZADA ABSORÇÃO
SELETIVA

Fig. 3.32 Esquema para explicar o dicroismo. O crista! dicróico indicado ab­
sorve seletivamente os componentes do campo elétrico paralelos ao plano da
página e deixa passar os componentes ortogonc.is ao plano da página, zl luz
emergente é pluno-polarizuda.

sotrópico. Dizemos que um meio é (oticamcnte) isotrópico quando o índice de refração


for igual em iodas as direções. Neste caso, a luz se propaga com a mesma velocidade cm
qualquer direção deste meio; por oufo lado, a luz que atravessa este meio não muda ja- .
mais seu estado de polarização, isto c, se entra luz não-polarizada num meio isotrópico
ela emerge não-polarizada. Quando a luz polarizada entra num meio isotrópico ela emer­
ge com o mesmo tipo de polarização que possuía quando ela penetrou nomeio. Os meios
isotrópicos mais comuns são: os gases, os líquidos e os cristais do sistema cúbico. Contu­
do, quando o índice de refração possui diferentes valores para diversas direções, dizemos
que o meio é oticamentc anisotrópico. Neste caso, o índice de refração é representado por
um tensor de segunda ordem. São anisotrópicos todos os cristais que não pertencem ao
sistema cúbico. Todo cristal anisotrópico é birrefringente, ou seja, ele produz dupla re­
fração de um feixe de luz que nele peneira numa direção nào-paralela ao seu eixo ótico.
Considere inicialmente os cristais isotrópicos. Os três índices principais são iguais (/ti
= na = rtj). O material é oticamcnte isotrópico. O único sistema cristalino oticamente iso-
trópico é o sistema cúbico. Todos os demais sistemas são oticamcnte anisotrópicos e exi­
bem o fenômeno da birrefringência. Dcfinc-sc eixo ótico de um cristal (ou eixo de isotro-
pia ótica) como sendo a direção perpendicular às seções circulares do elipsóide dos índi­
ces. Como neste caso o elipsóide é uma esfera, todas as seções são circulares, ou seja, qual­
quer direção do cristal é um eixo ótico, em outras palavras, existe simetria ótica em todas
as direções.
Consideremos agora os chamados cristais uniaxiais. Apenas dois índices de refração
principais são iguais (n> = n> * nj). O cristal não é mais isotrópico, porém possui a cha­
mada simetria transversal. O elipsóide dos índices ê um elipsóide de revolução, podendo
ser um esferóide oblato ou um esferóide prolato. As seções circulares são perpendiculares
ao eixo de revolução do elipsóide, donde se conclui que há somente um eixo ótico (cristais

259
uniaxiais). São UNIAXIAIS os cristais pertencentes aos seguintes sistemas: trigonal, te-
tragonal e hexagonal.
Paraespeci ficar as propriedades óticas dos cristais uniaxiais precisamos somente de dois
índices: o índice principal na direção do eixo ótico (no) c o índice principal na direção per­
pendicular ao eixo ótico. O eixo ótico coincide com o eixo de simetria do cristal.
Só existem dois graus de liberdade para os cristais uniaxiais. O tensor índice de refra-
ção fica completamentc determinado em qualquer sistema de coordenadas pelo conheci­
mento de no (.índice de refração ordinário — na direção do eixo ótico) e (índice de re-
fração extraordinário — determinado pelo raio da maior seção circular do elipsóide dos
índices). Em qualquer direção o índice de refração pode ser calculado pela equação:
n = (no cos2 0 + n2 sen2 0),/2
onde 0 é o ângulo entre o eixo ótico e a direção para a qual desejamos saber o valor de n
(o ângulo polar, em coordendas esféricas, sendo o eixo ótico o eixo polar). Em particular,
para 0 = 0o, n = no. E para 0 = x/2, n = ne. Conforme os valores de no c nc o elipsóide
de revolução será um esferóide oblato (se ne for maior que no) ou um esferóideprolato (se
no for maior que ne). Conforme veremos mais adiante, esta diferença determina o tipo de
polarização circular da luz—que pode ser dextrógira ou levógira. Os cristais uniaxiaissão
birrefringentes.
Vejamos agora as propriedades dos cristais biaxiais. A terceira c última possibilidade
corresponde ao caso em que os três índices de refração principais são diferentes entre si.
O elipsóide dos índices não é um elipsóide de revolução. Demonstra-se facilmente que só
existem duas seções circulares em planos diferentes — ou seja, o cristal é biaxial. Os dois
eixos óticos são perpendiculares às duas seções circulares. No caso do elipsóide ser de re­
volução, as duas seções circulares se superpõem, o que corresponde ao caso do cristal unia­
xiai. Do mesmo modo que os uniaxiais, os cristais biaxiais também podem ser positivos
ou negativos (dextrógiros ou levógiros), dependendo da forma do elipsóide ser mais pró­
xima de um esferóide oblato ou de um esferóide prolato. Os cristais biaxiais também são
birrefringentes. São biaxiais todos os cristais pertencentes aos seguintes sistemas: rômbi-
co, monoclínico e triclínico.
Resumindo as conclusões sobre o eixo ótico dos cristais podemos afirmar que só exis­
tem três possibilidades: ou o cristal é biaxial, ou uniaxiai ou é isolrópico. Quando o elip­
sóide dos índices se transforma num elipsóide de revolução, os dois eixos dão origem a um
único eixo ótico; por sua vez, quando o elipsóide se degenera numa esfera, há uma infini­
dade de eixos óticos (o cristal é isotrópico). O eixo ótico do cristal uniaxiai é paralelo ao
eixo de simetria do cristal (de ordem maior que 2); no entanto, no cristal biaxial, os dois
eixos óticos não são paralelos aos eixos cristalográficos.
Num cristal birrefringente uniaxiai (como a calcita e o quartzo) existe somente um eixo
ótico que coincide com o eixo de simetria cristalográfico (eixo de simetria de rotação). Ao
longo de planos ortogonais ao eixo ótico existe simetria transversal. Vamos examinar ra­
pidamente os casos principais que podem ocorrer.
Suponha que o cristal seja cortado de tal maneira que a face maior da placa seja por
pendicular ao eixo ótico (que, no entanto, é paralelo às outras faces do cristal). Fazendo-
se incidir sobre a placa um feixe de luz paralelamente ao eixo ótico do cristal verifica-se
que a luz emergente possui o mesmo estado de polarização da luz incidente; ao longo do
eixo ótico não ocorre dupla refração e existe uma simetria ótica completa. Quando incide
luz polarizada ao longo do eixo ótico, o plano de polarização não gira, pois estamos su­
pondo que o cristal não possua atividade ótica (ver mais adiante este conceito), logo, a luz

260
emerge com seu plano de polarização paralelo ao plano de polarização da luz incidente.
Quando o feixe incidente não for polarizado, a luz emergente não c polarizada.
Suponha agora que o cristal seja cortado de tal modo que o eixo ótico seja paralelo à
face da placa. Quando o raio incidente for plano-polarizado, as duas ondas no interior do
cristal se propagam numa mesma direção, porém com velocidades diferentes e, em geral,
emergem eliticamcntc polarizadas. A luz circularmente polarizada só pude ser obtida nas
seguintes condições: a onda incidente tem que ser plano-polarizada, o ângulo entre este
plano c o eixo ótico tem que ser igual a 45°; além disso a espessura do cristal tem que ser
tal que a diferença entre o úmero de ondas ordinárias e extraordinárias que atravessa o cristal
(ou a diferença dc caminho ótico) tem que ser igual a um quarto de onda. Neste caso, o
cristal c uma “lâmina de um quarto de onda''. A luz será circularmcntepolarizada à direi­
ta sc o cristal for positivo, ou à esquerda, no caso contrário; se o cristal for oticamente ati­
vo, esses dois efeitos serão superpostos e devem ser levados em conta para saber sc a luz
emergente é circularmente polarizada ou não. A luz será plano-polarizada sc a diferença
de caminho ótico for igual a meio comprimento de onda (ou um número inteiro de meios
comprimentos dc onda). O cristal cortado na espessura adequada para produzir luz !i-
ncarmcntc polarizada denomina-se “placa de meia onda". Quando a luz não-polarizada
incide sobre o cristal na direção perpendicular ao eixo ótico, a luz emergente não é polari­
zada (quando o eixo ótico será sobre o plano ortogonal ao raio incidente, ou seja, o eixo
ótico está sobre a placa do cristal). Quando a luz circularmente polarizada incide sobre uma
lâmina dc um quarto de onda, a luz emergente c lincarmentc polarizada.
Vamos examinar agora o caso em que o feixe incidente não é paralelo nem ortogonal
ao eixo ótico.
Suponhamos que o eixo ótico esteja contido no plano de incidência. Neste caso se pro­
pagam dois feixes plano-polarizados no interior do cristal. O raio ordinário segue a Lei
dc Snell c o plano de polarização é perpendicular ao eixo ótico. O raio extraordinário não
segue a Lei dc Senil, mas está contido no plano de incidência e seu plano de polarização
c paralelo ao plano dc incidência.
Suponhamos agora que o eixo ótico não esteja contido no plano de incidência. O raio
ordinário segue a Lei de Senil, sendo seu plano de polarização ortogonal ao eixo ótico. O
raio extraordinário não está contido no plano dc incidência, sendo seu plano dc polariza­
ção formado pela direção do raio extraordinário e o eixo ótico.
Observação: O estudo da birrcfringência nos cristais biaxiais é mais complicado do que
o anterior. Neste caso, não existe nenhum raio ordinário, ou seja, nenhum dos raios que
segue a Lei dc Snell c, além disto, os raios não estão contidos no plano de incidência. Fare­
mos apenas alguns comentários sobre a dupla refração nestes cristais.
Quando o feixe luminoso incide numa direção qualquer cm relação ao eixo ótico, sur­
gem dois raios luminosos plano-polarizados. Fazendo-sc a luz incidir paralelamente a um
dos eixos óticos do cristal ocorre o fenômeno conhecido como refração cônica interna^ que
consiste no seguinte. A partir da região de incidência surgem duas frentes de ondas que
se propagam ao longo dc dois cones, cujos vértices coincidem com o ponto onde o raio
luminoso atinge perpendicularmente o cristal. Colocando-se um anteparo na frente dos
feixes emergentes serão observados dois anéis concêntricos.
A refração cônica externa é observada quando se taz incidir luz convergente com o ei­
xo de convergência paralelo ao eixo ótico. A luz emergente consiste de dois feixes cônicos
que partem de um vértice comum no ponto dc emergência do cristal.
Antes dc finalizar, vale a pena fazer o seguinte comentário. O chamado “principio da
inversão do raio luminoso* ’ é estritamente válido cm meios homogêneos e isotrópicos. Quan- I

261
do o raio luminoso incide num crista! anisotrópico este princípio sofre certas restrições.
Vejamos. Um feixe não-polarizado ao incidir sobre um cristal uniaxial dá origem a dois
feixes plano-polarizados; fazendo-sc o processo inverso, os dois raios irão sesuperpor, po­
rém a luz resultante é, em geral, eliticamente polarizada, ao passo que o feixe original não
era polarizado. No caso dos cristais biaxiais, devido ao fenômeno da refração cônica, além
do feixe mudar de qualidade, os dois feixes emergentes não podem ser mais superpostos
por inversão do processo. Este é um dos mais interessantes exemplos de que os fenômenos
microscópicos são, em geral, irreversíveis.

Luz eliticamente polarizada, luz circularmente polarizada e luz linearmente


polarizada
Nos parágrafos anteriores já mencionamos a polarização elítica, a polarização cir­
cular e a polarização linear. Vamos agora fazer uma descrição quantitativa destes fe­
nômenos.
Considere um feixe colimado de luzplano-polarizada incidindo orlogonalmentcM
eixo ótico de um cristal birrefringenie uniaxial. No interior do cristal sc propagam duas
ondas plano-polarizadas em planos ortogonais entre si. Estas ondas sc propagam su­
perpostas na mesma direção. Ao sair do cristal, a luz pode scr de três tipos: {a) luz eliti­
camente polarizada, (/>) luz circularmente polarizada, (c) luz linearmente polarizada
(ouplano-polarizada). Na Fig. 3.33 indicamos um esquema para ilustrar estes casos.
A seguir, nos Exemplos 3.10 e 3.11 mostraremos as condições matemáticas para a ob­
tenção de cada um destes três tipos dc luz polarizada.

EIXO
ÓTICO A luz emer­
I gente pode
ser de três
I tipos:

-H-H4 H-H (tz) eliticamente


A LUZ IN­ polarizada
CIDENTE (/?) circularmente
É PLANO- polarizada
POLAR1ZADA (c) plano-polarizada
CRISTAL
Fig. 3.33 Quando um feixe plano-polarizado incide ortogonalmente
ao eixo ótico do cristal, os doisfeixes polarizados no interior do cris­
tal se propagam superpostos na mesma direção. Neste caso, depen­
dendo do ângulo que o vetor campo elétrico incidente forma com o
eixo ótico e, dependendo da espessura do cristal, a luz polarizada que
emerge do cristal pode ser dos tipos (a), (b) c (c) mencionados na ilus­
tração.

262
Exemplo 3.10 Descreva a luz eliticamcnte polarizada. Em que casos a luz eliticamcntc
polarizada sc transforma em luz circularmente polarizada e em luz linearmente polariza­
da?
Solução. Suponha que um cristal birrefringente uniaxial seja cortado de tal modo que
o eixo ótico seja paralelo à face da placa. Um feixe de luz plano-polarizada incide ortogo-
nalmente sobre uma placa de espessura t, conforme indicado na Fig. 3.34. No ponto de
incidência sobre a placa, o campo elétrico da onda pode ser decomposto cm dois compo­
nentes:
Ex - E cos 0 • Ey = E sen 0
onde 6 = kz - cot, E^co módulo do componente do campo elétrico paralelo ao eixo óti­
co e E> c o módulo do componente ortogonal ao eixo ótico.
Devido ao fenômeno da birrefringcncia a onda elétrica excitada pelo componente Ex
se propagará no interior do cristal com uma velocidade diferente da velocidade da onda
excitada pelo componente Ey. Dentro da placa se propagam, portanto, duas ondas pla-
no-polarizadas em planos ortogonais, porém a direção de propagação é uma só. Podemos
achar o vetor elétrico resultante que se propaga no interior da placa e, conforme veremos
no próximo problema, duas ondas plano-polarizadas que se propagam numa mesma di­
reção podem produz luz eliticamente polarizada, luz circularmente polarizada ou luz li­
nearmente polarizada (ou pluno-polarizada).

Exemplo 3.11 Duas ondas harmônicas transversais se propagam com a mesma freqüên-
cia, mas com fases diferentes. As vibrações dos movimentos ondulatõrios ocorrem em pla­
nos ortogonais. Mostre que, em geral, o vetor característico da vibração resultante des­
creve uma elipse no plano ortogonal à direção de propagação comum das duas ondas. Es­
tude os diversos casos possíveis.
Solução. O estudo que faremos neste exercício vale para qualquer oscilação transver­
sal (harmônica). Contudo, estamos interessados, no momento, na composição das osci­
lações elétricas da luz. Suponha que no eixo Oxo módulo do campo elétrico seja dado por:

x = Ek sen (kz - wt) (1)


onde Ek co módulo da amplitude (valor máximo) do vetor campo elétrico da onda que sc
propaga na direção do eixo Oz.
Suponha que no eixo Oy o módulo do campo elétrico seja dado por:
y = Ey sen (kz — wt + <t>) (2)
Faça a substituição:
u — kz — vit (3)
Substituindo a relação (3) na equação (2) e desenvolvendo o seno da soma (pela conhe­
cida identidade trigonomctrica), encontramos:
y/Ey = sen u cos <f> + cos u sen <f> (4)
Pelas relações (1) e (3), temos:
sen u = x/Ek (5)
Sustituindo a relação (5) na equação (4), encontramos:
(y/Ey} — (x/Ex) cos ó - cos u sen <t> (6)

263
Elevando ao quadrado a relação (6) e usando as relações anteriores, resulta:

2af ■>
-------------cos 0 = sen* 0 (7)
Ei Ei
Esta é a equação de uma elipse cujos semi-eixos Ex c Ey não coincide com os eixos Ox
e Oy. Vemos, portanto, que um observador situado no eixo Oz, olhando a onda se aproxi­
mar, vê a extremidade do campo elétrico descrever uma elipse {áaáa pela relação anterior);
o observador vê o campo elétrico da elipse girar no sentido de Ex para Ey. {Luz eliticainente
polarizada').
No caso particular dc a diferença de fase ser igual a t/2, 3t/2». (2m + 1)tt/2, onde
m c um número inteiro, a relação (7) se reduz a:

(8)
£ E2y

que corresponde à equação de uma elipse cujos semi-eixos coincidem com os eixos Oxe
Oy, rcspectivamente. Quando das oscilações elétricas possuem amplitudes iguais (E* =
Ev), a elipse se transforma numa circunferência', neste caso dizemos que a luz é circular-
mente polarizada.
Quando a diferença de fase for igual a 7r, 3tt, , (2m + 1 )tt, a relação (7) se reduz a:
r— ~l 2
= 0 (9)
E. Ey

Esta relação corresponde à equação de duas retas superpostas numa única direção, cu­
jo coeficiente angular é dado por:
tg 0 = — Ey/E\
Quando a diferença de fase for igual a 0, 2x,..., 2mir, a relação (7) se reduz a:

=■- 0 (10)
Ex

Esta equação corresponde a duas retas superpostas numa mesma direção, cujo coefi­
ciente angular c dado por:
lg 0 - Ey/E*
As equações (9) c (10) indicam que, nas condições especificadas, a luz emergente deve
ser linearmentepolarizada ou plano-polarizada. A designação dc luz linearmentepolari­
zada surge justamente porque, para um observador que vê a onda se aproximar, o campo
elétrico descreve uma Unha rela-, contudo, a designação equivalente de luzplano-polarizada
é, cm geral, mais usada, porque ela indicada claramentc que o campo elétrico está sempre
contido no plano de polarização da luz que emerge.
Vejamos agora as condições necessárias e suficientes para a produção dc luz circular-
mente polarizada.
Nos parágrafos anteriores vimos que no interior do cristal se propagam rfuasondas pla-
no-polarizadas com velocidades diferentes ao longo da mesma direção. Sendo assim, con­
cluímos que elas deverão chegar à extremidade do cristal considerado formando entre si

264
uma certa diferença de fase (que depende da espessura do cristal); de um modo geral, a
onda resultante que emerge no ar é eliticamentepolarizada', o estado de polarização da onda
emergente é determinado pelo estado de polarização no momento cm que o feixe abando­
na o cristal, pois, no ar, a velocidade de propagação das duas ondas é a mesma.
Vimos que a condição necessária para que a luz seja circularmentepolarizada é que as
amplitudes das ondas plano-polarizadas que constituem a onda resultante sejam iguais (Ex
« Ey). Isto só é possível quando o ângulo 0 indicado na Fig. 3.34 for igual a 45°. Portan­
to, a condição necessária para a obtenção da luz circularmente polarizada é que a luz li­
nearmente polarizada, que incide sobre a placa, possua um plano de polarização, formando
um ângulo de 45° com o eixo ótico. Contudo, esta condição necessária não é suficiente
para obtenção de uni feixe circularmente polarizado. Além desta condição, c preciso que
a diferença defaseeMtc as duas ondas (no momento em que elas atingem o outro lado da
placa) seja igual a 90° (ou 270°). Dizer que a diferença defase c igual a 90° é equivalente
a afirmar que a diferença de caminho ótico é igual a um quarto de onda. No problema se­
guinte mostraremos como se calcula a espessura de uma placa para que a diferença de ca­
minho ótico seja igual a um quarto de onda.

Fig. 3.34 Esquema para explicar a produção da luz eliticamente polarizada,


da luz circularmente polarizada e da luz Hnearmente polarizada (ou ptano-
pokirizada).
Exemplo 3.12 Considere o problema anterior. Determine a expressão da diferença de
fase entre os raios emergentes de ume ristal birrefringente uniaxial cm função da espessu­
ra / do cristal. Em que condições sc obtem luz circularmentepolarizada c luz Hnearmente
polarizada!
Solução. O caminho ótico da onda ordinária é dado por:
Lg — tno (1)
onde ?j0 = vo/c é o índice de rc fração do raio ordinário. Analogamente, o caminho ótico
seguido pelo raio extraordinário é dado por:
= lnK (2)

265
Pclas relações (1) c (2) a diferença de caminho ótico entre os dois raios é dada por:
tsL = r(/»o - ne) (3)
A relação entre a diferença de caminho ótico c a diferença de fase entre estas duas on­
das é dada por:

= — A0 (4)
2ir

Substituindo a relação (3) na equação (4), obtemos a expressão da diferença de fase en­
tre as duas ondas no momento em que elas emergem da placa:
2r/
Aó =----- (n0 - ne) (5)
X

Quando a diferença defase for igual a tt/2 (ou 3ir/2, 5tt/2 etc.), a diferença de cami­
nho ótico será de X/4 (ou 3X/4, 5X/4 etc.). Fazendo a soma vetorial dos dois campos, ve­
mos que o módulo do campo permanece constante, mas a direção do vetor Egira à emdi-
da que a onda avança. Neste caso, dizemos que a onda está circularmente polarizada. A
placa que produz luz circularmente polarizada denomina-se lâmina de um quarto de on­
da. Portanto, substituindo Aó - *72 na expressão (5) ou dL - X/4 na relação (4), obte­
mos a espessura de uma lâmina de um quarto de onda:
t = (X/4)(n0 - ne) (6)
Quando AÇ> = 0, tt, 2x mir (onde m é um número inteiro), ou quando L = 0, X/2,
X, 3X/2,..., m(\/2), concluímos que a luz é plano-polarizada.
Quando Aó assume qualquer outro valor diferente dos dois conjuntos mencionados an­
teriormente, a luz emergente é cliticamente polarizada.
Observações: A relação (6) fornece a espessura mínima de um cristal birrefringente pa­
ra que se consiga obter luz circularmente polarizada. Evidentemente, podemos obter ou­
tras espessuras maiores que satisfazem também a condição desejada (obtenção de luz cir­
cularmente polarizada). Para isto basta aumentar os valores de de acordo com a sc-
qüência mencionada [ou seja, A<£> deve pertencer à sequência: (2m + l)7r/2j.
Note bem que, tanto na relação (5) quanto na relação (6) só interessa o módulo da dife­
rença de fase e o módulo da diferença de índice de refração (na — nv). Os sinais destas di­
ferenças influenciam apenas no sentido de rotação do campo elétrico de uma luz circular­
mente polarizada.

(d) Polarização por espalhamento


O espalhamento da luz]à foi estudado na Seção 3.2. Vimos que, quando a luzsolar atin­
ge a atmosfera terrestre ela sofre um espalhamento molecular. Conforme vimos na Seção
3.2, cada molécula funciona como um dipolo elementar que gera uma onda eletromagnéti­
ca luminosa polarizada segundo a direção do eixo do dipolo. Esta polarização da luz espa­
lhada depende, portanto.do ângulo d formado entre a direção do raio incidente c a direção
do eixo do dipolo. Verifica-se que a luz espalhada observada numa direção ortogonal à di­
reção do raio incidente é fortemente plano-poiarizada, conforme indicado na Fig. 3.35.
A explicação da cor azul do céu foi dada na Seção 3.2. Examine a luzsolar olhando
para o céu através de um polaróide. Girando o polaróide, você notará que a intensida-

266
de luminosa passa de um valor máximo para um valor mínimo (diferente dc zero), in­
dicando que a luz espalhada pela atmosfera é uma mistura de \\izpolarizada (por espa-
Ihamento) e de luz não-polarizada (oriunda dos raios diretos e dos raios refletidos). O
grau de polarização da luz analisada se torna máximo quando você faz a observação
numa direção ortogonalà direção dos raios solares diretos, conforme indicado na Fig.
3.35.

Luz não-polarizada
Luz solar

L.uz espalhada
plano-polarizada

Observador
Fig. 3.35 Examinando-se a luz azul do céu com um polaróide você notará que ela é parcialmente
polarizada. A porcentagem de polarização é máxima quando você coloca o polaróide na direção
Oy indicada na ilustração.

Aplicações da luz polarizada


Com exceção do LASER, que emite luz quase totalmente polarizada, na maior parte
das fontes dc luz naturais (ou fabricadas pelo homem), a luz produzida nãa é polarizada.
Entretanto, existem inúmeras aplicações práticas para a luz polarizada, além dzs pesqui­
sas àc Ótica modernamente realizadas em todas as partes do mundo. Para obter luz pola­
rizada basta usar um LASER ou então colocar wm polaróide na trajetória dc qualquer fei­
xe de luz.
Uma das aplicações práticas mais modernas da luz polarizada é a excitação de um cris­
tal líquido por meio dc luz polarizada. Um cristal líquido é uma substância que possui al­
gumas propriedades parecidas com as de um líquido c de um cristal, simultaneamente. Sabe-
se que uma das propriedades mais características de um cristal líquido e a seguinte. O ma­
terial pode se polarizar quando ele é excitado por um campo elétrico que é paralelo a uma
certa direção do “cristal” considerado. Uma das aplicações práticas mais notáveis do cristal
líquido consiste em sua utilização em visores de máquinas de calcular, relógios digitais e
em outros sistemas. Na entrada dc um visor de cristal líquido existe um polaróide-, sendo
assim, a luz que atinge o cristal épolarizada numa direção paralela ao eixo característico

267
do polaróide. Quando o cristal líquido é excitado por uma corrente elétrica proveniente
da pilha da máquina de calcular, ele absorve a luz polarizada que sobre ele incide. Sendo
assim, os números digitados ficam pretos no visor, indicando que a luz incidente sobre o
cristal foi totalmentc absorvida em determinadas direções. Esta técnica é superior à técni­
ca alternativa do visor feito com o LED (“Light Emiting Diode” ou “diodo emissor de
luz”).
Existem muitas aplicações da luz polarizada em dispositivos eletro-óticos. Inúmeras
pesquisasfísicas no ramo da Eletro-ólica e da Magneto-Ótica podem ser feitas com auxí­
lio da luz polarizada. A seguir, mostraremos duas outras aplicações da luz polarizada: a
Análise Ótica das Tensões e a Holografia.

Análise Ótica das Tensões


Uma das aplicações práticas mais importantes da luz polarizada na Engenharia consis­
te nas aplicações da Elasto-Ótica (ou Análise ótica das Tensões Mecânicas).
Colocando um objeto de plástico transparente entre dois polaróides você notará figu­
ras de interferência coloridas. Por exemplo, coloque uma régua de plástico transparente
entre dois polaróides fixos. Ao girar um dos polaróides (mantendo o outro fixo), você no­
tará que ocorre uma modificação nas cores das figuras de interferência iniciais. Apertan­
do com um dedo ou um alicate a régua num ponto próximo do local onde se encontram
ospolaróide, você notará que a figura de interferência se modifica c surge uma densidade
dc linhas de interferência nas proximidades do local pressionado (onde não existiam tais
linhas antes de exercer a pressão). Os plásticos (contrariamente aos vidros) são materiais
que apresentam atividade ótica (ver a Seção 3.9). Usando-se um modelo plástico, em mi­
niatura, de uma ponte, uma represa ou qualquer obra de Engenharia, é possível usar luz
polarizada para se fazer uma previsão do comportamento mecânico do modelo através da
Análise Ótica das Tensões.
Holografia
Uma aplicação curiosa da luzpolarizada consiste no cinema em terceira dimensão. Dois
projetores emitem feixes luminosos que passam através de doispolaróides', portanto, es­
tes feixes são refletidos pela tela e continuam plano-polarizados. Cada observador no ci­
nema usa óculos covc\ polaróides. As duas imagens se superpõem no cérebro dando a im­
pressão de que as imagens da tela possuem profundidade.
A Holografia é uma técnica fotográfica especial destinada a reproduzir objetos cm três
dimensões. A di ferença básica entre a holografia e o cinema em três dimensões é que nesta
última técnica é necessário utilizar os dois olhos e os óculos polaróides, ao passo que na
Holografia você pode ler a impressão da terceira dimensão até mesmo com um único olho.
Outra diferença fundamental entre um Holograma c a imagem cm terceira dimensão do
cinema c que no cinema cm terceira dimensão todos os observadores têm aproximadamente
a mesma avaliação da profundidade dos objetos, ao passo que, para um Holograma, ca­
da observador percebe uma profundidade diferente do objeto (dependendo do ângulo de
observação).
A Holografia é uma das muitas aplicações do LASER. Quando um Holograma é ob­
servado com uin feixe de luz polarizada (ou com um feixe de LASER) ou ainda com um
feixe monocromático colimado, temos a impressão de que o objeto está flutuando no es­
paço.
Para explicar a formação c a observação de um Holograma é necessário apelar para
os conceitos de coerência e de interferência de ondas plano-polarizpdas. Estes conceitos já

268
foram examinados com detalhes neste Capitulo. Um holograma negativo de um objeto
é obndo utilizando-se um feixe de luz coerente e plano-polai i/.ada proveniente de um
/ ASER. Este feixe incide sobre o objeto, de modo que a luz refletida impressiona o filme.
Pariedo feixe original também impressiona simultaneamente o filme, mediante a utiliza­
ção de um espelho, conforme indicado na Fig. 3.36. Sendo assim, forma-se no negativo
uma ftgura de interferência. Se a luz incidente for incoerente, o filme se torna uniforme­
mente iluminado c a revelação do filme não mostra nenhuma imagem.

Fig. 3.3 6 Esquema para explicar a obtenção de


um holograma.

O esquema ilustrado na Fig. 3.36 serve apenas para mostrar os elementos essenciais ne­
cessários para a obtenção de um holograma. Modernamente se utilizam arranjos mais so­
fisticados. Para observar melhor um holograma é conveniente utilizar um feixe de LASER
que é transmitido através do Filme, reconstruindo a frente de onda original que atingiu o
filme e produzindo a impressão de que a luz provém de um objeto real tridimensional. Ca­
da parle do holograma é uma figura de interferência obtida mediante o método descrito
no parágrafo anterior.

3.9 Outras propriedades Óticas da matéria


Neste Capítulo estudamos diversas propriedades óticas da matéria que são reveladas
cm virtude da luz ser uma onda eletromagnética. Para finalizar nossos estudos da Ótica
Ondulatória vamos fazer alguns comentários sobre outraspropriedades óticas da matéria
ainda não mencionadas nas Seções anteriores. Descreveremos nesta Seção os seguintes fe­
nômenos: o momento angular da luz, a atividade ótica, os efeitos eletro-óticos e os efeitos
magneto-ólicos.
Momento angular da luz
.lá sabemos que um feixe de luz transporta energia e momento linear. Veremos agora
que um feixe de luz também pode transportar momento angular, desde que a luz seja cir­
cularmenle polarizada. O momento linear transportado por um feixe de luz (qualquer que
seja seu estado de polarização) é dado por: p = U/c. O momento angular transportado
por um feixe de luz circularmenle polarizado é dado por:

L = U/w

onde Ué a energia transportada ewéa freqüência angular da luz. Quando um átomo emi­
te (ou absorve) luz circularmenle polarizada, pelo princípio da conservação do momento

269
angular clc dcvc girar. Estes efeitos já foram observados experimentalmente. A luz eliti-
camente polarizada também possui momento angular.

Atividade Ótica ou poder rotatório


Dizemos que um material possui atividade ótica ou poder rotatório quando o material
c capaz de produzir uma rotação do plano de polarização dc um feixe dc luz plano-pola-
rízada que incide sobre o material considerado. A atividade ótica produz uma rotação con­
tínua do plano de polarização da luz polarizada que se propaga no interior do material.
Não devemos confundir o poder rotatório de uma substância com a capacidade de um
crista! birrefringente produzir luz circulurmentepolarizada nas condições especificadas.
Para entender bem o fenômeno do poder rotatório (algumas vezes também chamado de
birrefringêcia circular) é necessário fazer alguns comentários iniciais sobre as simetrias cris-
talográficas.
As propriedades físicas dos sólidos dependem fortemente das simetrias cristalográfi-
cas. No estudo das simetrias dos materiais devemos distinguir duas categorias: as sime­
trias locais, caracterizadas pelos grupos pontuais e as simetrias da rede cristalina caracte­
rizadas pelos grupos espaciais. As operações de simetria que deixam pelo menos um pon­
to do cristal invariante denominam-se grupos pontuais.
Os grupos pontuais são constituídos basicamente por tensores ortogonais que descre­
vem rotaçõese reflexões ou combinações dessas duas operações básicas. Quando a opera­
ção de simetria não deixa invariante nenhum ponto da célula, ela pertence ao grupo dc si­
metria espacial. Os grupos espaciais envolvem translações, além de rotações e reflexões.
Existem 32 grupos pontuais correspondentes a 32 classes cristalinas. Os grupos espaciais
podem ser gerados pela combinação dos 14 tipos de redes de Bravais com os 32 grupos pon­
tuais; obtendo-se um total de 230 grupos espaciais.
Os grupos pontuais de simetria influenciam as simetrias físicas que dependem somente
do sítio. Por exemplo, as propreidades elétricas c as propriedades óticas dos cristais, em
geral, dependem somente dos grupos pontuais. Já as propriedades magnéticas dos cris­
tais, em geral, dependem dos grupos pontuais e dos grupos espaciais, porque, além do sí­
tio, as diversas regiões da rede podem participar dos processos magnéticos.
Dentre as operações de simetria, a inversão central merece um comentário especial. É
preciso entender claramente a distinção entre uma operação de simetria e a operação da
mudança dc referencial. Uma equação representativa de uma lei física pode ser escrita em
qualquer sistema de referência. A forma da equação de uma lei física não deve mudar quando
se passa de um sistema de referência para outro. O critério heurístico empregado para sa­
ber se uma equação representa um fenômeno físico é justamente fazer uma mudança de
referencial arbitrária. Se a forma da equação não mudar, trata-se realmente de uma lei fí­
sica; cm caso contrário, aquilo que aparentava ser uma lei física, não passava dc ilusória
combinação de variáveis, dimensionalmente homogênea.
Em particular, a mudança do sentido de orientação dos eixos cartesianos, não pode al­
terar a equação representativa de uma lei física. A operação de simetria da inversão cen­
tral nada tem a ver com a invariância acima referida. No estudo dos grupos de simetria
pontuais de um cristal, verificar se a inversão central pertence ou não ao grupo dc sime­
tria, significa examinar se a célula do cristal possui ou não um centro de inversão; esta pes­
quisa é geométrica — não podemos realizar uma inversão central no laboratório. A exis­
tência ou não de um centro de inversão na célula cristalina condiciona uma série dc pro­
priedades físicas do meio. A existência de um centro de inversão inibe o poder rotatório
(atividade ótica) e algunsfenômenos elétricos (piroeletricidade, por exemplo)',se um cris-

270
tal possui centro de inversão ele não pode ter atividade ótica. Examinando-se uma tabela
que contenha os grupos de simetria verifica-se que, das 32 classes cristalinas, somente 11
possuem um centro de inversão.
No estudo das simetrias cristalográficas devemos destacar dois tipos importantes: os
cristais enantiomorfos e os cristais com simetria bilateral. Vale a pena chamar a atenção
sobre isto, dado que na literatura de Física do Estado Sólido alguns livros não distinguem
bem estas duas espécies de simetria. Diz-se que um cristal apresenta simetria bilateral quando
existe um plano central que divide o cristal em duas partes, tais que uma seja a imagem
especular da outra. Estas imagens podem ser de dois tipos diferentes: ou as duas partes
são exatamente iguais e podem ser superpostas, ou as duas partes são apenas imagens es­
peculares que não podem ser superpostas (como a mão esquerda e a mão direita, por exem­
plo). Neste último caso diremos que o cristal ficou dividido em duas metades enantiomór-
ficas entre si, ao passo que no primeiro caso de simetria bilateral o cristal ficou dividido
cm duas metades, que podem ser superpostas. Diz-se que um crista!éenantiomorfo quan­
do, além de não possuir centro de inversão, o cristal não apresenta simetria bilateral, ou
melhor, não existe nenhum plano que possa dividir a célula em duas metades iguais nem
em duas metades enantiomórficas entre si. Como exemplo de um cristal enantiomorfo po­
demos citar o quartzo (classe hexagonal trapezoédrica).
O poder rotatório ótico ou atividade ótica natural consiste na rotação do plano de po­
larização de um feixe plano-polarizado, produzida por um material na ausência de um cam­
po externo. A atividade ótica natural não deve ser confundida com a birrefringência de
cristais oticarnente inativos. Todo crista! anisotrópico é birrefringente-, quando um feixe
plano polarizado incide sob determinadas condições num cristal anisotrópico, o feixe emer­
gente pode ser circuiarmente polarizado, independentemente do cristal ser ot icamcnle ativo
ou não. Por outro lado, um cristal isotrópico não pode exibir birrefringência, mas pode
ser oticarnente ativo. Quando o cristal for birrefringente e, simultaneamente, oticarnente
ativo, os dois efeitos se superpõem.
Uma onda plano-polarizada pode ser encarada como a superposição de duas ondas cir-
cularmentepolarizadas, cujos vetores elétricos giram em sentidos contrários. Quando uma
onda plano-polarizada penetra num material oticarnente ativo ela é decomposta em duas
ondas circuiarmente polarizadas em sentidos contrários. Como estas duas componentes
possuem velocidades diferentes, ao emergir do cristal, elas estarão plano-polarizadas, po-
lém, o plano de polarização da onda que emerge do material não é paralelo ao plano de
polarização da onda incidente. Esta é, portanto, a característica principal de um material
que possui atividade ótica (algumas vezes este fenômeno é chamado de birrefringência cir­
cular por causa desta decomposição em dois feixes circuiarmente polarizados).
Uma placa de um quarto de onda produz uma diferença de fase de 90° entre as ondas
que se propagam no interior do material. Uma lâmina de meia onda produz uma diferen­
ça defase de 180° entre as ondas que se propagam no interior do material. Podemos dizer,
então, que estas placas retardam ou alteram a diferença de fase de duas ondas. Vimos que
a substância que apresenta atividade ótica também produz um efeito semelhante, mas exis­
tem diferenças marcantes entre os dois fenômenos: (g) uma substância que possui poder
rotatório faz o plano dc polarização dc uma onda girar de determinado ângulo, ao passo
que as lâminas mencionadas só produzem diferença defase entre as ondas plano-polariza­
das que se propagam no interior do cristal; (ó) o ângulo entre o plano da luz que emerge
de uma substância oticarnente ativa e o plano da luz plano-polarizada incidente é sempre
o mesmno, independentemente da posição relativa entre o feixe e a substância; quando
um feixe plano-polarizado incide sobre uma lâmina de um quarto de onda, a luz que emer-

271
ge da lâmina pode ser circularmentepolarizada, plano-polarizada ou eUticamentepolari­
zada, dependendo do ângulo entre o campo elétrico da luz incidente c o eixo ótico do cris­
tal; (c) a rotação do plano de polarização produzida por uma substância oticamcntc ativa
aumenta linearmente com a espessura da amostra, ao passo que isto não ocorre com um
cristal birrefringente.
O poder rotatório é produzido pela simetria espacial das moléculas da substância que
são dispostas em forma de hélice. Se a hélice for um parafuso que produz um avanço no
sentido dos ponteiros do relógio (para um observador que vê a luz se aproximar), dizemos
que a substância èdextrógira, istoé, fazo plano de polarização da luz polarizada girar pa­
ra a direita (daí o nome). Em caso contrário, dizemos que a substância é tevógira. Como
exemplo de substância oticamente ativa podemos citar o açúcar de cana (que c dextrógi-
ro). Tanto substâncias isotrópicas quanto cristais anisotrópicos podem exibir atividade ótica.
Existem cristais de quartzo dextrógiros e levógiros.
A análise de uma substância pode ser feita por meio da luz polarizada. Um aparelho
que é normalmenle usado para estudar o poder rotatório de uma substância denomina-se
polarimetro. O polarímetro mais simples consiste em duas placas polarizadas montadas
nas extremidades da célula, onde colocamos a amostra para ser analisada. O primeiro po-
larizador permanece fixo, girando-se o outro polarizador existirá um ângulo tal que a luz
transmitida se extingue; dizemos neste caso que os polarizadores estão cruzados. Coloca­
mos, a seguir, a substância a ser analisada na célula; caso a substância não possua ativida­
de ótica, não veremos nenhuma luz atrás do analisador cruzado; caso a substância possua
poder rotatório, passará luz pelo analisador. Para saber o sentido e o ângulo da rotação
produzida no plano de polarização basta girar o analisador até que a luz seja novamente
extinta.
Efeitos magneto-óticos
Chamamos de efeitos magneto-óticos os efeitos que revelam certas propriedades da ma­
téria quando ela é atravessada por um/e/xe de luz, e, simultaneamente, submetida a um
campo magnético externo. Os principais efeitos magneto-óticos são os seguintes: o efeito
Zeeman, o efeito Zeeman inverso, o efeito Faraday, o efeito Voigt» o efeito Cotton-Mouton
e o efeito Kerr magneto-ótico.
Efeito Zeeman. Em 1896 Zeeman descobriu que, quando uma chama de sódio é sub­
metida a um forte campo magnético de um poderoso eletro-ímà, as duas Unhas amarelas
do espectro do sódio se tornam mais largas. Todo efeito decorrente de alterações do es­
pectro de emissão de um gás ou vapor em virtude da aplicação de um forte campo magné­
tico externo passou a ser designado pelo nomede "efeito Zeeman". O efeito Zeeman lon­
gitudinal é aquele que é obervado paralelamente ao campo magnético aplicado. O efeito
Zeeman transversal ê aquele queé observado numa direção ortogona! b direção do campo
magnético aplicado. No efeito Zeeman normal a raia se subdivide em três (no caso trans­
versal) ou cm duas (no caso longitudinal). Apesar do nome, o efeito Zeeman "normal"
c mais raro do que o efeito Zeeman "anômalo ". No efeito Zeeman anômalo cada raia se
subdivide em diversas outras rais que dependem da multiplicidade dos estados atômicos.
O efeito Zeeman anômalo sc transforma cm normal quando o campo magnético externo
for extremamente elevado.
Efeito Zeeman inverso. O efeito Zeeman descrito no parágrafo anterior é observado
na emissão da luz. Durante a absorção da luz ocorre um efeito inteiramente análogo de­
nominado efeito Zeeman inverso.
Efeito Faraday. Em 1845 Faraday descobriu que, quando um bloco de vidro é subme­
tido a um forte campo magnético, ele passa a exibir atividade ótica. Conforme vimos, a

272
atividade ótica cu poder rotatório, é um fenômeno natural que ocorre em algumas subs­
tâncias. Contudo, o efeito Faradayc observado em substâncias que não possuem ativida­
de ótica’, quando estas substâncias são submetidas a um forte campo magnético elas ad­
quirem poder rotatório.
Efeito Voigt. Em 1902 Voigt aplicou um forte campo magnético num tubo contendo
um vapor através do qual passava um feixe de luz cuja direção de propagação era ortogo-
natao campo magnético aplicado. Ele notou que o vapor se tornava birrefringente nas vi­
zinhanças de uma banda de absorção do vapor. Portanto, o efeito Voigt consiste na bir­
refringência induzida por um campo magnético, nas vizinhanças de uma banda de absor­
ção do gás ou vapor.
Efeito Cotton-Mouton. Este efeito consiste na birrefringência induzida num líquido
pela aplicação de um campo magnético externo. Trata-se do análogo magnético do efeito
clctro-ótico conhecido pelo nome de efeito Kerr eletro-ótico (ver mais adiante).
Efeito Kerr Magneto-ótico. Em 1888 Kerr observou que, quando um feixe de luz
plano-polarizada incide ortogonalmcntc ao plano do pólo de um ímã, a luz refletida pelo
referido pólo se torna eliticamentepolarizada. Este efeito passou a.ser conhecido pelo no­
me de efeito Kerr magneto-ótico para que ele seja distinguido do efeito Kerr eletro-ótico
que será definido mais adiante.
Efeitos eletro-óticos
Dcnomina-se efeito eletro-ótico um efeito resultante da interação simultânea entre a
matéria, um feixe de luz e um campo elétrico externo. Os principais efeitos eletro-óticos
são os seguintes: O efeito Stark, o efeito Stark inverso, oefeito Voigt eletro-ótico e o efei­
to Kerr eletro-ótico.
EfeitoStark. É o análogo eletro-ótico do efeito Zeeman. Portanto, o efeito Stark con­
siste na alteração das linhas de emissão de uma substância submetida a um forte campo
elétrico externo.
Efeito Stark inverso. Consiste na alteração do espectro de absorção de uma substância
submetida a um forte campo elétrico.
Dupla refração induzida por um campo elétrico. Trata-se de um efeito análogo ao efei­
to Voigt (magneto-ótico). Ou seja, quando aplicamos um campo elétrico externo a um va­
por ou gás, nas vizinhanças de uma banda de absorção, o material se torna birrefringente.
Efeito Kerr eletro-ótico. Consiste na birrefringência induzida pela ação de um campo
elétrico externo sobre um líquido. Este efeito também se oberva em gases e em sistemas
amorfos (vidros). Quando um líquido é colocado num campo elétrico suficientemenle forte,
cie se comporta como se fosse um cristal birrefringente uniaxial, adquirindo um eixo ótico
paralelo ao campo elétrico externo.

Questionário
3.1 (a) O fenômeno da interferência pode ocorrer com ondas sonoras? (b) Qual é a ca­
racterística principal que distingue a interferência entre duas ondas longitudinais da
interferência entre duas ondas transversais!
3.2 (a) O fenômeno da difração pode ocorrer com ondas sonoras? (b) é mais fácil detec­
tar na vida diária a difração de ondas sonoras ou a difração de ondas luminosas?
3.3 (a) Pode ocorrer interferência da luz sem difração? (b) Pode ocorrer difração da luz
sem que ocorra interferência?
3.4 O “fantasma” (desdobramento das imagens) que você às vezes nota num receptor
de televisão é um fenômeno produzido por interferência ou por difração?

273
3.5 Você já deve ter notado que o som do rádio dc um automóvel fica perturbado quan­
do o automóvel passa sob uma linha de transmissão de alta tensão. Este efeito é pro­
duzido por interferência ou por difração?
3.6 Um aluno se encontra num corredor e consegue ouvir a voz de uma pessoa que se
encontra no interior de uma sala próxima. Este efeito é possível porque ocorre: (o)
interferência do som, (b) difração do som.
3.7 (o) Indique a principal diferença entre a interferência de Fresnel (ou difração de Fres-
net) e a interferência de Fraunhofer (também conhecida como difração de Fraunhofer).
(d) A difração de Fresnelé um fenômeno físico diferente da difração de Fraunho-
feri
3.8 Considere o fenômeno da interferência em películas finas. A figura de interferência
obtida pelos raios transmitidos para o outro meio é igual ou diferente da figura de
interferência observada por reflexão e que se forma no meio de onda provém a luz?
Para facilitar o raciocínio, considere os raios incidentes quase ortogonais à superfí­
cie da película.
3.9 Considere a experiência dos anéis de Newton. A lente é iluminada de cima para bai­
xo numa sala escura. Diga se é clara ou escura a região central da figura de interfe­
rência quando observamos os anéis de Newton: (a) de cima para baixo, (/>)dc baixo
para cima (admitindo que o apoio seja transparente).
3.10 As penas das aves podem apresentar algumas cores produzidas por intérferência lu­
minosa. Como você pode distinguir as cores naturais das cores produzidas por in­
terferência nas penas?
3.11 Na experiêcia de Young ocorre: (o) somente interferência da luz, (d) somente difra­
ção da luz, (c) interferência e difração da luz.
3.12 Se você colocar o dispositivo da experiência de Young embaixo d’água, a distância
entre as franjas diminuirá ou aumentará?
3.13 Suponha que na experiência de Young esquematizada na Fig. 3.19 vocc utilize um
feixe de luz solar que incide sobre o anteparo I. (o) A figura de interferência sobre
oanteáro III será constituída por uma sucessãode franjas coloridas ou não surgem
cores? (ò) Quantas franjas brancas se formam? (c) Qual c a cor da franja adjacente
à franja central (acima ou abaixo do centro)?
3.14 Cobrimos uma das fendas do anteparo II da Fig. 3.19comuma placa opaca, (a) Ocor­
rerá ou não difração na outra fenda? (ô) Ocorrerá ou não interferência sobre o an­
teparo III?
3.15 Cobrimos as duas fendas da experiência de Young (Fig. 3.19) com duas placas de
mesma espessura de um material transparente cujo índice de refração c igual a n.
A seguir, iluminamos ortogonalmente o anteparo I com um feixe de luz monocro­
mática coerente, (a) Diga se a posição das franjas de interferência muda ou perma­
nece constante (cm relação à mesma experiência feita no ar), (d) Diga o que ocorre­
ría se somente uma das fendas fosse tapada com o referido material, mantendo a
outra fenda aberta.
3.16 Considere a difração de Fraunhofer na cxperiêcia dafenda única. Diga o que ocor­
re com a figura de interferência quando: (a) aumentamos o comprimento dc onda
da luz monocromática incidente, (Z>) aumentamos a largura a da fenda, (c) mergu­
lhamos o dispositivo da fenda única na água, (d) tapamos a fenda com uma placa
de vidro e deixamos o dispositivo no ar.
3.17 Iluminamos um dispositivo de fenda única com a luz solar, (a) O centro do antepa-

274
ro c escuro, colorido ou branco? (d) Qual é a cor da primeira franja clara adjacente
ao máximo central?
3.18 Considere a difração e a interferência produzida por um dispositivo de fenda du­
pla, supondo a largura a das fendas da mesma ordem de grandeza da luz incidente
sobre o dispositivo. Suponha que a razão d/a passe de um valor igual a 3 para um
valor igual a 13.0 número da franjas de interferência dentro do máximo central da
difração da fenda única (quec a envoltório franjas centrais) aumentará ou dimi­
nuirá?
3.19 Considere a fórmula R = mN (que permite calcular o poder de resolução de uma
rede). Suponha: (a) uma rede formada com 1000 riscos ao longo de uma tira de 10
m de comprimento, (ó) uma rede formada com 1000 riscos ao longo de 1 cm. Na pri­
meira ordem (m = 1), temos para as duas redes: R = 1000. Verifique se a fórmula
acima é válida ou não para estes dois casos.
3.20 A relação R = /n/Vindica que é possível aumentar indefinidamente o poder de reso­
lução de uma rede aumentando-se o valor de m. Discuta as limitações desta possi bi-
lidade.
3.21 As ondas sonoras podem ser polarizadas?
3.22 Explique porque os óculos fabricados com materiais polarizadores são mais conve­
nientes para proteger os olhos da claridade solar do que os óculos com lentes escu­
ras (que não possuem polarizadores).
3.23 Você sabe que só ocorre o fenômeno da reflexão interna total quando o raio inci­
dente é proveniente do interior de um meio cujo índice de refração c maior do que
o índice de refração do meio externo. Verifique se existe esta limitação para o fenô­
meno da polarização total por reflexão.
3.24 Suponha que um feixe de luzplano-polarizada possua um campo elétrico vibrando
num plano paralelo ao plano de incidência. Supondo que o ângulo de incidência deste
feixe seja exatamente igual ao ângulo de Brester 0P, verifique o que ocorre: (o) com
o feixe refletido, (ô) com o feixe refratado.
3.25 Suponha que um feixe de luz plano-polanzada possua um campo elétrico vibrando
num plano ortogonal ao plano de incidência. Supondo que o ângulo de incidência
deste feixe seja exatamente igual ao ângulo de Brewster 0P, diga o que ocorre: (a)
com o feixe refletido, (ó) com o feixe refratado.
3.26 Quais são as condições necessárias e suficientes para a obtenção de luz circularmen-
te polarizada?
3.27 O que c um polarizador circular? Como você construiría um polarizador circular
simples?

Problemas
3.28 Duas ondas planas de luz monocromática atingem simultaneamente um ponto P so­
bre um anteparo branco. A diferença de caminho ótico entre as ondas vale AL =
2,0um. Determine a natureza da interferência, supondo que o comprimento de on­
da das ondas vale: (a) 760 nm, (A>) 400 nm.
3.29 Aplique o método dos fasores para determinar a equação da onda resultante das se­
guintes ondas elétricas plano-polarizadas:
Er,i = Eosen(Âr.v— u?r)
Ey.2 = Eo sen (kx — ut + 90°)
Ey,j = Eosen(kx- mt + 180°)

275
3.30 Use o método dos fasores para determinar a onda resultante da superposição das
seguintes ondas:
E\ — 4 sen {kx — u>/)
= 3 sen {kx — ut t- 90°)
3.31 Considere urna película de óleo sobre o asfalto. O índice de refração deste óleo vale
n = 1,3. Ao ser iluminada pela luzsolar, a película reflete intensamente luz de com­
primento de onda igual a 5.000 A, para m = 1 (considerando uma observação ao
longo da normal). Determine a espessura da película.
3.32 O espectro da luzsolar (cores do arco-íris) abrange as seguintes cores: vermelho (dc
700 ate 610 m/t), alaranjado (dc 610 até 590 m/x), amarelo (dc 590 até 570 m/x), verde (de
570 até 500 m/x), azul (dc 500até 450 m/x), cas cores anil-violcta (dc 450 até 400 m/x)
Um certo óleo possui índice dc refração 1,30; uma película deste óleo está sobre
o asfalto, distribuída uniformemente, possuindo uma espessura dc 10.000 A. Um
feixe dc luz branca incide ortogonalmcntc a esta superfície. Determine as cores que
são produzidas pela interferência construtiva das ondas refletidas pela película.
3.33 Uma placa dc vidro (n = 1,50) está recoberta com uma película de MgFz (//’ =
1,38). Uma camada fina dc uma substância transparente pode servir para eliminar
reflexões indesejáveis em lentes (ou outras superfícies, como prismas, placas, etc.).
Dizemos que o vidro recoberto com esta película torna-sc um vidro não refletor. Es­
creva a condição para que ocorra interferência destrutiva (que é usada para elimi­
nar uma ou mais cores da luz branca).
3.34 (a) Obtenha a expressão para o cálculo das raios dos anéis de Newton, aplicando
a condição de interferência construtiva para os raios paraxiaisobservaddos por trans­
missão, supondo que o observador c o dispositivo estejam imersos no ar. (Z>) Dc a
resposta do item (a) supondo que o dispositivo esteja imerso num líquido dc índice
de refração n.
3.35 Na l*1g. 3.37 mostramos uma cunha formada por duas lâminas homogêneas e trans­
parentes que se tocam numa das suas extremidades; na outra extremidade existe um
arame cujo diâmetro é igual a 0,043 mm. Um feixe colimado monocromático (X =
6.000 A) incide orlogonalmente sobre a cunha. Determine o número de franjas bri­
lhantes que aparecem ao longo dos 12 cm dc extensão da cunha.

||| Luz incidente


Cunha transparente
Arame

Fig. 3.37
3.36 (1TA) Uma fonte luminosa, colocada no foco principal objeto 7'’dc uma lente con­
vergente, emite uma radiação monocromática. Após atravessar a lente, a luz pro­
veniente da fonte incide numa tela opaca T, perpendicular ao eixo óptico da lente.
Nesta tela existem duas fendas paralelas muito estreitas, separadas por uma distân­
cia d - I mm, ambas à mesma distância do ponto Mde interseção da tela Tcom
o eixo óptico da lente. Sobre o anteparo A (paralelo a Tc à distância L = 10 m des­
ta), observa-se a distribuição da intensidade luminosa/, conforme ilustrado na l’ig.

276
3.38. A distância vertical yé contada a partir do ponto O. Calcule a frequência da
radiação incidente, sabendo que a velocidade da luz no ar (onde é feita a experiên­
cia) c aproximadamente igual a 3 X 10*’ m/s.

Y /
Lente
M
■"B o
T A
o Pi

3 mm
Fig. 3.38
3.37 (a) Considere a experiência de Young da fenda dupla. Obtenha uma fórmula apro­
ximada para a determinação do desvio angular do primeiro máximo depois do má­
ximo central. Use a aproximação para ângulos pequenos, (b) Generalize o cálculo
anterior para os m primeiros máximos (desde que m seja pequeno).
3.38 Seja d a distância entre as fendas na experiência de Young; Seja D a distância entre
o anteparo c o plano das fendas. Designando pory a distância vertical indicada na
Fig. 3.38, deduza uma expressão para o cálculo da distância aproximada Ay entre
duas franjas claras na experiência de Young.
3.39 Um feixe de luz vermelha dc comprimento de onda igual a 6.440 Áincide sobre um
plano opaco no qual existem duas fendas muito estreitas. Calcule a distância entre
a franja central clara e a terceira franja escura, medida sobre um anteparo paralelo
ao plano das fendas c situado a uma distância dc 1 m deste plano.
3.40 A distância entre duas fendas vale 0,1 mm. Uma lente convergente colocada atrás
das fendas focaliza os raios sobre um anteparo paralelo ao plano das fendas. Um
feixe dc luz violeta (X = 4.000 A) incide perpendieularmente ao plano das fendas.
A distância focal da lente é igual a 0,5 m. Calcule a distância sobre o anteparo, entre
o máximo central e o primeiro máximo adjacente.
3.41 A largura de linha de uma curva de intensidade c definida como a largura da curva
nos pontos onde ela assume um valor igual à metade do valor da intensidade máxi­
ma. Calcule a largura dc linha para uma das curvas de intensidade luminosa na ex­
periência de Young.
3.42 Considere a figura dc interferência produzida pelos raios difratados num dispositi­
vo dc fenda dupla. Iluminamos as fendas com feixe colimado numa direção que forma
um ângulo a com a direção da normal ao plano dâs fendas. Obtenha a condição pa­
ra os máximos da figura de interferência produzida num anteparo paralelo ao pla­
no das fendas.
3.43 Duas fontes luminosas puntiformes c coerentes, F\ c Fz, estão separadas por uma
distância a pequena. Considere um ponto Pao longo de um plano ortogonal/lPsi­
tuado a uma distância D da fonte Fz, conforme indicamos na Fig. 3.39. O ângulo
0 c muito pequeno, de modo que ele pode ser considerado como o ângulo que qual­
quer uma das retas, FiPou FzP, faz com a normal, pois a distância entre o antepa­
ro c as fontes é muito grande. O comprimento de onda da onda emitida por ambas
as fontes é X nesse meio, c a intensidade media da luz que chega a P, devido a cada
fonte separadamente, é /0Em função dos dados fornecidos, calcule: a equação que

277
exprime a condição de interferência máxima e a condição para obter uma interfe­
rência destrutiva.

Fig. 3.39
3.44 As duas fontes puntiTormes de radiação, Si e Sj, vistas na Fig. 3.40emitem ondas
coerentes e em fase entre si. Colocadas a 4,80 m de distância uma da outra, emitem
potências idênticas sob a forma de ondas eletromagnéticas de comprimento de on­
da de 1,00 m. O meio é o ar atmosférico. Determine as posições do primeiro (isto
é, do mais próximo) c do segundo máximo do sinal recebido, assinalados pelo dete­
tor à medida que este se afasta ao longo de Ox a partir do ponto O.

Cl

S> _ X
O P
Fig. 3.40
3.45 (SANTA CASA) — Uma fonte ilumina uma fenda com luz monocromática que tem
comprimento de onda de 6 X 10"7 m. Conforme esquema abaixo, à distância de

SANTEPARO
Fenda Linha central
0’^0 cm
Fonte

PRIMEIRAS
Fig. 3.41 NODAIS

278
2,0 m da fenda, coloca-se um anteparo onde se nota uma figura de difração cujas
primeiras linhas nodais mais próximas da linha central, estão afastadas dc 0,50 cm
uma da outra. Determine a largura da fenda.
3.46 Considere a figura de difração de Fraunhofer obtida quando um feixe de luz con­
tendo dois comprimentos de onda Xi e X? incide ortogonalmente sobre uma fenda
única dc largura igual a 0,6 mm. A lente focaliza a imagem sobre um anteparo situa­
do a 1 m da fenda. O quarto mínimo correspondente a Xi coincide num ponto P com
o quinto mínimo da luz de comprimento de onda Xj. A distância entre o ponto P e
o eixo de simetria da figura é igual a 4 mm. Calcule os valores de Xi e de Xj.
3.47 Considere uma fenda de largura a. Obtenha a razão entre a intensidade luminosa
dc um ponto do anteparo Ze a intensidade luminosa Io dc um feixe de luz monocro­
mática que incide ortogonalmente ao plano da fenda, para: (a) m = 0; (d) m = 1;
(c) m = 2.
3.48 Desejamos projetar um dispositivo de fenda dupla tal que, o espectro formado nas
condições de Fraunhofer, estejam ausentes a franja de ordem /Ve todas as franjas
que sejam múltiplos inteiros do número N. O número inteiro Ncomeça de /V - 1
c as franjas são contadas sem levar cm conta a franja central (m = 0). Determine
a relação d/a para que isto seja possível.
3.49 A luz de um LASER de hélio-neônico possui comprimento de onda igual a 633 nm.
Esta luz incide ortogonalmente sobre um plano opaco que contém duas fendas. Veri­
fica-se que o primeiro máximo dc interferência forma-se a uma distância y = 82 cm
do máximo central sobre um anteparo colocado a uma distância D = 12 m do plano
das fendas, (g) Calcule a distância d entre as fendas, (d) Qual é o valor máximo teó­
rico do número dc franjas brilhantes que poderiam ser observadas sobre este ante­
paro? (c) A largura a das fendas pode alterar as respostas dos itens (a) e (d)?
3.50 (g) Num dispositivo de fenda dupja existem exatamente 9 franjas no interior da en­
voltório central. Sendo a = 20.000 A, qual é o valor da distância entre as fendas? (d)
Considerando os dados do item (a), calcule o número dc franjas completas no inte­
rior da envoltória adjacente à envoltória central.
3.51 Num anteparo com duas fendas, a distância entre os centros das fendas é o quíntu-
plo da largura de cada fenda (d = 5a). Considerando a difração de Fraunhofer através
desta fenda dupla, pedem-se: (a) o número de fendas completas de interferência den­
tro da envolvente central de difração; (d) o número de franjas completas dc interfe­
rência que existirão entre o primeiro e o segundo mínimos de envolvente; (c) as or­
dens dos máximos de interferência que não aparecerão no espectro.
3.52 Desejamos projetar um dispositivo de fenda dupla tal que num anteparo distante
estjam ausentes as franjas com um número de ordem múltiplo inteiro de 6. (a) Qual
deve ser a razão entre d cal (ò) Se a for igual a 20.000 A, qual será a ordem da últi­
ma franja visível no anteparo? Supor X = 5.000 Â.
3.53 Explique resumidamente a origem da corona ou halo (pequenos círculos coloridos
que sc formam em torno do Sol ou da Lua quando existe uma novem não muito es­
pessa entre o observador c o Sol ou a Lua).
3.54 Seja xa menor distância observável por meio dc um microscópio, (g) Obtenha uma
expressão para o cálculo do valor aproximado de x, tendo em vista os efeitos de di­
fração nas bordas da lente do microscópio. Dê a resposta em função do diâmetro
d da lente objetiva e a distância focal/. (b) Diga a ordem dc grandeza do tamanho
do menor micróbio que pode ser observado com este microscópio.

279
3.55 Um astrônomo está observando a Lua com um telescópio cuja objetiva possui um
diâmetro de 4 m. Calcule a menor distância entre dois pontos sobre a Lua que pode
ser observada com este telescópio. A distância entre a Terra c a Lua c igual a 380.000
km. Use o comprimento de onda medio da luz.
3.56 A largura de linha do máximo central na difração num orifício de diâmetro ac apro­
ximadamente igual à distância angular entre o centro do anteparo e o primeiro mí­
nimo. Obtenha uma expressão aproximada para a largura angular deste máximo cen­
tral cm função de X c da distância D entre o anteparo e o orifício.
3.57 No Exemplo 3.2 mostramos os efeitos da di fração num orifício de diâmetro o sobre
a qualidade da imagem formada sobre o filme da máquina fotográfica do tipo "bu­
raco de alfinete". Pela resposta do Problema 3.56 você notou que a largura do má­
ximo central aumenta a medida que o valor de a diminui. Por outro lado, à medida
que o diâmetro diminui, a dispersão angular dos raio provenientes de cada ponto
do objeto também diminui. O tamanho ótimo do diâmetro do orificioéaquele para
o qual o valor de a torna-se igual à largura de linha do máximo central. Seja D a dis­
tância entre o orifício e o anteparo, (o) Deduza uma expressão aproximada para a
determinação do diâmetro do orifício neste tipo de máquina fotográfica, a fim de
se obter a imagem mais nítida possível, (b) Calcule o valor de a para que se obtenha
uma imagem nítida numa máquina fotográfica para a qual D = 15 cm. Considere
X = 0,55 fim.
3.58 Considere uma rede com 2.000 fendas por centímetro. Nocspcctrodomercúriocxis-
tem duas raias cujos comprimentos de onda valem Xi = 577nmcXz = 579 nm. Cal­
cule a largura do feixe luminoso que atinge a rede para que estas duas raias possam
ser resolvidas na segunda ordem (m = 2).
3.59 Desejamos fabricar uma rede de difração para a qual o máximo de terceira ordem
ocorra para X j= 30°, quando iluminamos a rede com luz de comprimento de onda
igual a 6.000 A. O poder de resolução da rede deve ser suficiente para separar com­
primentos de onda com uma diferença de apenas 0,5 A. Calcule: (o) a distância d
entre as fendas, (Z>) o poder de resolução mínimo da rede, (c) o número mínimo de
fendas necessárias na terceira ordem, (d) a largura mínima da rede que deve ser ilu­
minada para as condições dos itens anteriores.
3.60 Numa rede de difração existem 5000 ranhuras/cm. Calcule: (a) a dispersão angular
(em minutos/Angstrom) na segunda ordem do espectro, supondo X = 5000 A. (b)
a separação angular entre os máximos de segunda ordem para os comprimentos dc
onda X| = 5000 Â e Xz = 5010 Â.
3.61 Um feixe de luz incide sobre duas placas polarizadas superpostas. Qual deve ser o
ângulo entre as direções características dos dois polarizadorcs para que a intensida­
de da luz transmitida seja igual a I /3 da intensidade da luz incidente sobre a primei­
ra etapa?
3.62 O ângulo entre as direções características de dois discos de polaróidc é igual a 0. Se­
ja /o a intensidade da luz não polarizada incidente sobre o primeiro polaróide. De­
termine a intensidade / do feixe transmitido pelo segundo polaróide nos seguintes
casos: (a) & = 0; (b) 0 = 90°; (c) 0 = 60°.
3.63 Um feixe de luz não-polarizada dc intensidade 1Qincide sobre uma placa de pilha dc
três polarizadores orientados, dc tal modo que a direção característica de cada po-
larizador forme um ângulo (i com a direção característica do polarizador preceden­
te. Determine a intensidade da luz emergente deste conjunto.

280
3.64 Duas placas de polaróide estão "cruzadas”, isto é, com as respectivas direções ca­
racterísticas formando entre si um ângulo de 90°. Seja I\ a intensidade do feixe
plano-polarizado que emerge do primeiro e incide sobre o segundo polarizador. Inse-
rc-se uma terceira lâmina de polaróide entre as duas outras. Se o ângulo entre cada
direção característica dos dois polarizadorcs iniciais e a direção característica do ter­
ceiro polarizador for igual a 45°, qual será a intensidade / do feixe transmitido?
3.65 Um feixe de luz é uma mistura de luz plano-poíarizada com luz não-polarizada. Quan­
do esse feixe atravessa uma lâmina do polaróide, incidindo perpendicularmente à
lâmina, verifica-se que a intensidade do feixe transmitido varia, desde um valor mí­
nimo Im até um valor máximo /m = 5/m, à medida que giramos o polaróide em tor­
no da direção do feixe transmitido. Determinar a intensidade relativa /P//„ dessas
duas componentes do feixe incidente sendo Zp a intensidade da componente
plano-polarizada c /„ a intensidade da componente não-polarizada.
3.66 A luz emitida por um certo LASER é uma mistura de luz plano-polarizada com luz
nào-polarizada. Um estudante deseja saber a porcentagem de luz polarizada exis­
tente neste feixe e faz a seguinte experiência. Faz a luz do LASER incidir sobre a lâ­
mina de um polaróide e, ao girar o polaróide, ele nota que a intensidade da luz trans­
mitida varia desde um mínimo /m ate um valor máximo /m = 49/m. Determine a por­
centagem da luz polarizada existente neste feixe de LASER.
3.67 Um feixe de luz plano-polarizada incide sobre a placa de um cristal uninxial de tal mo­
do que a direção do raio incidente é ortogonal ao eixo ótico do cristal. A diferença de
fase entre as ondas emergentes c igual a 7tt/2. (r/1 Diga qual c a natureza da luz emergen­
te, sabendo que o campo elétrico da luz incidente fazia um ângulo de 45° com o eixo
ótico do cristal no momento cm que a onda atingiu o cristal. (Z>) Qual é a espessura da
placa?
3.68 (a) Calcule a espessura mínima de um cristal de calcita para se fazer uma lâmina de
um quarto de onda. O índice de refração do raio ordinário para a calcita vale 1,658
e o índice de refração do raio extraordinário vale 1,486. (b) Calcule a espessura mí­
nima de uma lâmina de meia onda de calcita.

Respostas do Questionário
3.1 (a) Sim. (b) Duas ondas transversais só podem produzir interferência destrutiva quan­
do cias estiverem plano-polarizadas no mesmo plano. Contudo, esta condição não
c necessária para a intcrfcrêcia de duas ondas longitudinais.
3.2 (a) Sim. (b) É mais fácil detectar a difração de ondas sonoras, uma vez que o com­
primento de onda de uma onda sonora audível está compreendido entre 17 m e 1,7
cm, ao passo que o comprimento de onda da luz está compreendido entre 0,4 c 0,7
gm.
3.3 (а) Sim; por exemplo, na interferência da luz em películas delgadas ocorre interfe­
rência sem difração. (ò)Sim; por exemplo, na difração da luz através de um orifício
cujo diâmetro é muito menor do que X, ocorre difração, mas a luz difratada não pro­
duz interferência (ver a parte (c) a Fig. 3.9).
3.4 Trata-se de um efeito de interferência.
3.5 Trata-se de um efeito de interferência.
3.6 (б) .
3.7 (o) As chamadas “ condições de Fresnel" se referem à interferência das ondas difra-
tadas, quando a observação da figura de interferência c feita nas vizinhanças do lo­
cal onde ocorre a difração. As ‘'condiçõesde Fraunhofer" correspondem a obser-

281
vações feitas numa região muito afastada do local onde ocorre a difração. Em ou­
tras palavras, na aproximação de Fraunhofer, consideramos ondas planas, ao pas­
so que nas condições de Fresnel é necessário considerar ondas esféricas, (õ) A difra­
ção de Fresnelnão é nenhum fenômeno diferente da difração de Fraunhofer, uma
vez que estes dois casos envolvem os mesmos fenômenos de interferência por difra­
ção. Trata-se apenas de duas maneiras diferentes de observar a figura de interferên­
cia, envolvendo cálculos diferentes.
3.8 A figura de interferência por reflexão numa película delgada c análoga à figura de
interferência obtida pelos raios transmitidos. Contudo, existe uma inversão dos es­
pectros, isto c, um ponto de máximo de um dos êspectros corresponde ao respectivo
ponto de minimo do outro espectro.
3.9 (a) Escura, (b) Clara.
3.10 Basta se aproximar da ave. Se as cores mudarem de tonalidade e de posição, você
concluirá que as cores observadas decorrem do fenômeno da interferência. Em ca­
so contrário, isto é, se as cores permanecerem com a mesma tonalidade e não muda­
rem de posição, você concluirá que essas cores são naturais. Os dois casos podem
ocorrer simultaneamente.
3.11 (c).
3.12 Diminuirá.
3.13 (a) De cada lado do máximo central (queé branco) forma-se uma sucessão de fran­
jas coloridas intercaladas com franjas escuras, (d) A única franja branca é a franja
central, (c) Violeta.
3.14 (a) Sim. (b) Não.
3.15 (a) A posição da franja permanece a mesma, (ô) Ocorre uma alteração na distância
entre as franjas.
3.16 A distância entreas franjas: (tf) aumenta, (d)diminui, (c)diminui, {d} nãosealtcra.
3.17 (tf) Branco, (d) Violeta.
3.18 Aumentará.
3.19 Nesta fórmula, o número inteiro /V não pode ser qualquer número; para aplicar es­
ta fórmula, é necessário que haja condição de interferência, isto é, a distância (/en­
tre as fendas deve ser suficientcmcnte pequena. Logo, a fórmula R = /nNsó se apli­
ca para o caso (ô).
3.20 De acordo com a relação (3.74), à medida que m aumenta, a dispersão D tende a
infinito e, além disto, a intensidade das franjas diminui. Por outro lado, o valor de
m é limitado teoricamente até 6 = 90°. Por estas razões não podemos utilizar um
número elevado para aumentar o poder de resolução de uma rede; na prática, o va­
lor máximo está compreendido entre m = 2 e m = 6.
3.21 Não tem sentido físico falar de “polarização" de uma onda longitudinal, uma vez
que a direção de vibração é paralela à direção de propagação da onda.
3.22 Os óculos escuros (sem polaróidcs) reduzem a intensidade total da luz incidente, mas
não polarizam a luz solar. Os óculos com polaróides, além de reduzir a intensidade
da luz solar, eles produzem a polarização completa da luz solar (o que torna as ima­
gens mais nítidas).
3.23 O ângulo de Brewstcr é dado por: tg 0P = m/n\. Como a tangente de um ângulo po­
de ser maior ou menor do que um, vemos que não existe o limite mencionado nesta
questão.
3.24 (tf) Não existe feixe refletido, (b) O feixe transmitido estará totalinentc polarizado
no plano paralelo ao plano de incidência.

282
3.25 (a) O feixe refletido estará totalmente polarizado num plano ortogonal ao plano de
incidência, (ft) Não existirá nenhuma luz transmitida.
3.26 Condição necessária: o campo elétrico no ponto de incidência sobre o cristal forma
um ângulo de 45° com o eixo ótico c a direção do raio incidente é ortogonal à dire­
ção do eixo ótico do cristal. Além disto, a condição suficiente é que a espessura do
cristal seja tal que produza uma diferença de fase de 90° entre as ondas que emer­
gem do cristal (ou que a diferença de caminho ótico seja igual a um quarto de com­
primento de onda).
3.27 Um polarizadorcircular é um dispositivo que transforma a luz nâo-polarizada em
luz circularmente polarizada. A luz transmitida por um polarizador circular é cir-
cularmentc polarizada com um determinado sentido de rotação; alguns polariza-
dores circulares produzem luz circularmente polarizada em que o campo elétrico gira
da esquerda para a direita, isto é, no sentido horário (em relação a um observador
que vê a onda se aproximar). Neste caso, podemos dizer que a rotação do campo
é dextrógira; outros polarizadores circulares produzem o giro do campo elétrico no
sentido contrário ao dos ponteiros do relógio (sentido levógiro). Um polarizadorcir­
cular prático pode ser feito do seguinte modo: cola-se um disco de polaróide com
uma placa de um quarto de onda, de tal modo que a direção característica do pola-
róide forme 45° (ou menos 45°) com o eixo ótico da lâmina de um quarto de onda.
Fazendo-se incidir luznão-polarizada sobre a face do polaróide, ele transmite para
a placa de um quarto de onda luz plano-polarizada, com o campo elétrico paralelo
à sua direção característica. Como a direção característica está fixa a 45“ (ou — 45”)
em relação ao eixo ótico da placa, conclui-se que a luz emergente da placa c circular-
mente polarizada à esquerda (ou à direita, dependendo da orientação do eixo ótico
em relação ã direção característica do polarizador). Evidentemente, quando este ti­
po de polarizador circular é usado para polarizar circularmente a luz não-polariza-
da, o feixe deve incidir sobre a face do polaróide.
Respostas dos Problemas
3.28 (a) interferência parcialmcnte destrutiva (AL/X = 2,6). (6) Interferência totalmen­
te construtiva (AL/X = 5).
3.29 ít = Fu sen (kx - a>t + 90°)
3.30 E - 5 sen (kx— wt + 37°)
3.31 1 = 1,92 x 10"3 cm
3.32 Vermelho, verde e anil-violeta (6 500 Â, 5 200 Ã, 4 330 Â).
3.33 2tn = (2m 4 I )(X/2)
3.34 (a) r -- (m\R)l/3. (b) r = (m\R/n),/2
3.35 142
3.36 5 X 10M Hz.
3.37 (a) Q - \/d. (b) 0IS1 = m\/d
3.38 ísy = \D/d
3.39 1,6 mm
3.40 y = 2 mm
3.41 A0 = X/2<y, supondo-se dispersão muito pequena
3.42 d sen 0 4- d sen a — trik
3.43 Máximos: a cos 0 = m\. Mínimos: a cos 0 - (tn +
3.44 Os dois máximos mais próximos da origem se formam nos pontos: Xi - 0,88 m;xj
= 2,34 m.

283
3.45 0,048 cm
3.46 (a) Xi = 6.000 Ã (*) X; = 4.800 Ã
3.47 (o) l;(6) 0.045; (c) 0,016
3.48 d/a = N
3.49 (a) d = 9,26/xm;(ò) 14; (c) não, desde que o valor de a não seja muito maior do que
X.
3.50 (a) d = 90.000 A; (/?) quatro.
3.51 (ff) Aparecerá o máximo central e mais 4 franjas completas de cada lado do máximo
central, num total de 9 franjas completas; (b) 4; (c) não aparecerão as franjas de in­
terferência de ordem m = 5, m = 10, m = 15, etc.
3.52 {a)d/a\(b)m = 23.
3.53 A luz proveniente da Lua (ou do Sol) sofre difração ao contornar as gotículas esfé­
ricas existentes cm “nuvens” transparentes. Forma-se então no nosso olho uma fi­
gura de difração análoga à de um orifício circular.
3.54 (a) x = 1,22 \f/d. (b) a ordem de grandeza do tamanho mínimo do microbio é de
cerca de 4.000 A; pela resposta do item anterior, para diminuir xé preciso aumen­
tar d, porém isto não pode ser feito indefinidamente sem que aumente lambem o
valor dc/, portanto, concluímos que o menor valor dcxé da ordem dc grandeza do
comprimento dc onda mínimo da luz (ccrca dc 4.000 além disto, para ,v< 4.000
A o micróbio não rejiete mais a luz
3.55 63,7 m
3.56 ày = l,22XZ>/a
3.57 (u) u = (1,22 XD)'\,/2 ; (Õ) a = 0,3 mm
3.5 8 0,725 mm
3.59 (í?)</=3,6x 10“4 cm; (d) R = 12 000; (c) N = 4000; (d) 1,4 cm.
3.60 (a) D = 0,4 min/Á; (6) 4,2 minutos.
3.61 35°
3.62 (a) Zo/2; (6) 0; (c) 0,25Z0; (d) 0,125/0
3.63 Z - (Zo/2) cos40.
3.64 / = Z|/4
3.65 Zp/Zn = 2
3.66 96%
3.67 (a) Emerge luz circularmente polarizada; (b) i = 7X/(4A/z)
3.68 (a) t = 8 x 10 ~5 cm; {b)t = 1,6 X 10"4 cm

284
Capítulo 4
FÍSICA MODERNA

4.1 Introdução
A Física Moderna abrange o conjunto dos conhecimentos de Física adquiridos des­
de o final do Século XIX até os dias atuais, em 1945, durante a Segunda Guerra Mun­
dial, a dramática explosão de duas bombas atômicas sobre o Japão mostrou a poten­
cialidade c a validade das teorias da Física Moderna. Por outro lado, as aplicações pa­
cificas dos conceitos da Física Moderna trouxeram um extraordinário avanço tecnoló­
gico na vida contemporânea. No Apêndice A deste Livro faremos breves comentários
sobre aplicações da Ótica e da Física Moderna no aproveitamento da energia solar. No
Apêndice B mostraremos algumas aplicações pacíficas da energia nuclear.
Um estudo quantitativo aprofundado da Física Moderna exige um tratamento ma­
temático muito sofisticado e, portanto, este aprofundamento foge aos objetivos do pre­
sente Livro. Contudo, como muitos conceitos da Física Moderna estão presentes em
quase todas as partes da Física Básica, nào podemos deixar de apresentar os resultados
qualitativos fundamentais da Física Moderna. Dividimos o estudo da Física Moderna
em três partes. Na primeira parte discutiremos a chamada Física Relativística ou Teo­
ria da Relatividade (Seção 4.2). Na segunda parte analisaremos os principais temas da
Física Quântica (Seção 4.3). A terceira parte é dedicada ao estudo dos fenômenos físi­
cos associados com a Estrutura da Matéria (Seção 4.4).
O tratamento da Física Moderna que apresentaremos neste Capítulo é destinado a sa­
tisfazer a curiosidade do leitor sobre os temas mais importantes da Física. Contudo, caso
o leitor se sinta motivado para aprofundar seus estudos de Física Moderna, recomenda­
mos a leitura dos seguintes livros:
1 — Arya, A.P. Elementary Modem Physics.
2 — Eisbf.ro, R. Fundamentos da íí.vcu Moderna.
3 — Eisberg, R. & RESNICK, R. Física Quântica.
4 — Feynman, R.P.; Leighton, R.B.: Sands, M. Lectureson Physics. (Coleção com
3 volumes).
5 — Landau, L.D. & LlFSHITZ. E.M. Curso de Física Teórica. (Coleção com 9 volu­
mes).
6 — Ougarov, V. Special Theory of Relativity.
7 — Resnick, R.-Introdução à Relatividade Especial.
8 — Sommerfeld, A. Lectures on Theoretica! Physics. (Coleção com fi volumes)
Observação: Os livros indicados acima sào dc Nível Superior. Os alunos do Segundo
Grau que desejarem ler outros Livros dc Física Moderna, antes de consultar qualquer um
dos Livros indicados nesta lista, deverào, previaineme. consultar os Livros de Física Bási­
ca indicados na Bibliografia no final deste Capítulo.

285
4.2 Teoria da Relatividade _
Considere um sistema de referência que se move com uma velocidade v em relação
a outro sistema de referência. Denomina-se grandeza relativa a grandeza física que as­
sume um valor diferente para cada sistema de referência considerado. A grandeza ab­
soluta é aquela que assume sempre o mesmo valor para qualquer sistema de referencia.
Denomina-se Relatividade o estudo das grandezas absolutas e das grandezas relativas.
Galileu e Newton elaboraram a primeira teoria da relatividade da Física. Em 1905
Einstein elaborou a Teoria da Relatividade Restrita ou Teoria da Relatividade Espe­
cial.
A Teoria da Relatividade Restrita é baseada no Princípio da Relatividade de Eins­
tein. O Princípio da Relatividade de Galileu será apresentado mais adiante. O Princí­
pio da Relatividade de Einstein afirma que:
(a) Todas as Leis Físicas são idênticas em sistemas de referência inerciais. (b) Toda
ação à distância se processa com uma velocidade c finita e constante.
Nesta Seção analisarcmosprincipalmentea Teoria da Relatividade Restrita e, no fi­
nal desta Seção, faremos breves comentários sobre a Teoria da Relatividade Geral.
Transformações de Galileu
Podemos dizer que um sistema de referência inercial é aquele para o qual vale a Lei
da Inércia (ou Primeira Lei de Newton). Todo sistema de referência que se move com
velocidade constante em relação a um sistema inercial também é um sistema inercial.
O Principal da Relatividade de Galileu afirma que:
As Leis da Mecânica são idênticas em qualquer sistema de referência inercial.
Na Fig. 4.1 mostramos dois sistemas de referência inerciais. O sistema inercial S é
caracterizado pelo sistema cartesiano OXYZ e o sistema inercial S’é caracterizado pe­
lo sistema cartesiano A origem O ’do sistema S’se desloca com uma veloci­
dade i» em relação ao ponto O do sistema .S. () eixo OY é paralelo ao eixo O’F e o eixo
OZ e paralelo ao eixoO*Z’. O eixo OX coincide coin o eixo O’X’. O sistema S’ se des­
loca ao longo do eixo OX com uma velocidade constante u cujo sentido coincide com
o sentido do eixo OX (c do eixo O 'X'). As origens O c O ‘ coincidem no instante inicial
t = t’ = 0.

Fig. 4.1 O referencial S' caracterizado pelo sistema de


coordenadas O’X‘Y’Z' se desloca com velocidade cons­
tante v em relação ao referencial caracterizado pelo siste­
ma OXYZ. Um ponto P (em relação a S’) possui coorde­
nadas (x\ y‘, z’, t‘); em relação a S as coordenadas do
ponto P são (x, y, z, t).

286
Considere um ponto Pcaracterizado no sistema 5 pelas coordenadas (x, y, z, t) c no
sistema S' pelas coordenadas (x’, y', z\ t*). Note que estamos considerando o tempo
t e / 'como coordenadas temporais. (Jm dos postulados básicos da Mecânica Clássica
estipula que o tempo é uma grandeza absoluta, ou seja, t = t*.
Observando a Fig. 4.1 vemos que as coordenadas do ponto P em relação ao sistema
inercial S' estão relacionadas com as coordenadas deste mesmo ponto em relação ao
sistema S através das equações:

x’ = x vt X = x' + Vt
y’ = y ou: y = y (4.1)
V=z z = z'
t’ = t t=r

As relações (4.1) são denominadas de transformações de Galileu. Para ver como se


transformam as velocidades ao passar do sistema inercial S para o sistema inercial S*,
basta aplicar a definição de velocidade instantânea nas equações (4.1). A velocidade
u ’ do ponto P é relacionada com a velocidade u do seguinte modo:

ul — U^- V ; UÒ = Wy ; M/’ = M» (4.2)

Aplicando a definição de aceleração instantânea nas equações (4.2) obtemos as re­


lações entre os componentes da aceleração a ’ (em relação a S’) e os componentes da
aceleração a (em relação a S). Ou seja,

Q>. — O* ; Í7y — Oy , Ui — Qz (4.3)

Podemos escrever as equações (4.3) sob forma vetorial:

ã' = ã (4.4)

A equação (4.4) mostra que a aceleração de uma partícula é invariante em qualquer


sistema de referência inercial. Aplicando a Segunda Lei de Newton a uma partícula de
massa constante no sistema S, obtemos:
F = ma (4.5)
Analogamente, no sistema S’ a Segunda Lei de Newton fornece:
F' = m'ã> (4.6)

287
De acordo com o Princípio da Relatividade de Galileu, como as Les da Mecânica
são invariantes em qualquer sistema inercial, devemos ter:

F = F‘ (4.7)

Das equações (4.4), (4.5), (4.6) e (4.7) resulta:

m = m' (4.8)

A equação (4.8) mostra que se a massa de uma partícula é constante em relação a


um sistema inercial ela é invarianie em relação a qualquer outro sistema inercial. Por­
tanto, na Mecânica Clássica a massa i uma grandeza absoluta. Mais adiante, mostra­
remos que a massa é uma grandeza relativa (de acordo com a Teoria da Relatividade
de Einstein).

Relatividade do Tempo
O Principio da Relatividade de Galileu fornece resultados corretos no estudo dos fe­
nômenos mecânicos. Contudo, as transformações de Galileu (4.1) fornecem resulta­
dos erradosno estudo dos efeitos elétricos, dos fenômenos magnéticose das ondas ele­
tromagnéticas. Em particular, utilizando as relações (4.1) verificamos que as equações
básicas do Eletromagnelismo (equações de Maxwell) mudam de forma. Donde se con­
clui que ou as equações de Maxwell estão erradas ou as transformações de Galileu não
são corretas. Aceitando-se a idéia básica de que uma Lei Física para ser correta cia de­
ve possuir umaforma invarianie em qualquer sistema de referência inercial, somos obri­
gados a concluir q ue as transformações de Galileu só valem no âmbito da Mecânica (mes­
mo assim, conforme provaremos mais adiante, somente quando as velocidades envol­
vidas forem muito menores do que a velocidade da luz no vácuo).
Para que o leitor possa entender com clareza as limitações das transformações de
Galileu, vamos analisar agora a questão da propagação da luz no vácuo. Suponha que
dois sistemas de referência incrciais possuam uma origem comum no instante inicial
t = t‘ = O, conforme indicado na parte (a) da Fig. 4.2. No instante inicial, uma fome ■
luminosa pontual se encontra no ponto O' (que coincide com o ponto Ono instante ini­
cial). A origem O’ do sistema S' se desloca com velocidade uniforme t> em relação
a O, conforme indicado na parte (b) da Fig. 4.2. Como a fonte luminosa está fixa no
ponto O', ela se desloca com velocidade constante em relação ao ponto O. Ao atingir
o ponto P indicado na Fig. 4.2, a luz percorre uma distância O'P (em relação ao siste­
ma S") e uma distância OPem relação ao sistema S, ou seja, as distâncias percorridas
pela luz valem:

O’P = r’ ; OP = r

288
Designando por c’ a velocidade da luz em relação ao sistema S', vemos facilmente
que o tempo V que a luz leva para percorrer a distância r ’ é dado por:
P = r7c' (4.9)
onde
+ y +T7 (4.10)

y' ÍT
P(x,y,z,t)
" r l
FONTE LUMINOSA

0,0' O
/ FONTE z,z’
z — Z’ = 0
LUMINOSA
z z’
(«) W

Fig. 4.2 (a) No instante inicial (t = t‘=0), uma fonte luminosa pontual se encontra no ponto
O' (que coincide com o pomo O), (b) A fonte luminosa está fixa no pomo O’ que se desloca
com velocidade constante u em relação ao pomo O; r‘ é a distância entre os pomos O‘e Pe R
é a distância entre os pomos O e P.

Analogamente, em relação ao referencial S, temos:


l - r/c (4.11)
onde c é a velocidade da luz no sistema Sc a distância r vale:
r + J2 + ? (4.12)
De acordo com as transformações de Galileu, como o tempo c uma grandeza abso­
luta, devemos ter:
t = f (4.13)
Como r’t menor do quer, verifica-se que as equações (4.9), (4.11) e (4.13) só pode­
ríam ser satisfeitas se a velocidade da luz. c’ fosse menor do que c. Portanto, as trans­
formações de Galileu conduzem ao seguinte resultado: a velocidade da luz no vácuo
éuma grandeza relali va, isto é, o valor de cá diferente para cada sistema de referência
inércia! considerado. Contudo, conforme afirmamos no inicio da Seção l.l.avcloci-
dadc da luz no vácuo c dada pela expressão:
c = \/(e^C)''AA (4.14)
Como as constantes e„e /a., não dependem do movimento relativo de eventuais re­
ferenciais existentes no vácuo, concluímos que a velocidade da luz no vácuo, dada pela
relação (4.14), não depende do movimento relativo entre a fonte e o observador. O Ele-

289
tromangetismo afirma que a velocidade da luz no vácuo não depende do referencial,
ao passo que as transformações de Galileu conduzem à conclusão de que a velocidade
da luz no vácuo depende do referencial. Somente a experiência pode decidir qual das
duas teorias está certa. Desde o final do Século XIX ate hoje os Físicos realizaram cen­
tenas de milhares de experiências para determinar: (a) a velocidade da luz no vácuo com
precisão suficiente e (b) a velocidade da luz em sistemas incrciais que possuem uma ve­
locidade relativa entre a fonte luminosa e o observador. Tanto as experiências do tipo
(o) quanto as experiências do tiopo (b) conduziram, de forma insofismável, ao seguin­
te resultado: a velocidade da luz no vácuo é uma constante universal absoluta. Na Se­
ção 1.5 mencionamos algumas experiências do tipo (a). Entretanto, foge aos objetivos
do presente Livro apresentar as principais experiências que comprovaram a constân­
cia da velocidade da luz. Contudo, para que o leitor possa apreciar a evolução históri­
ca destas experiências, vamos citar apenas a experiência mais famosa que serviu de ba­
se para a formulação da Teoria da Relatividade Restrita', trata-se da experiência de
Michelson-Morley que será descrita brcvcmcntc a seguir.

Experiência de Michelson-Morley. O interfcrõinctro dc Michclson foi descrito no Ca­


pítulo 3 (ver a Fig. 3.18). A velocidade de rotação da Terra produz na superfície terrestre
uma velocidade linear da ordem de 460 rn/s. Esta velocidade é muito menor do que a velo­
cidade orbitai da Terra cm redor do Sol (que c da ordem de 30 km/s). Portanto, despre­
zando a velocidade dc rotação dc umafonte luminosafixa na superfície terrestre, verifica-
mos que esta fonte se desloca no espaço sideral com uma velocidade dc 30 km/s (cm rela­
ção ao Sol). Poderia este movimento de translaçào da Terra ser detectado por uma expe­
riência realizada na superfície terrestre? As transformações de Galileu mostram que a ve­
locidade da luz varia com o movimento relativo entre uma fonte luminosa c um observa­
dor. Sendo assim, de acordo com esta teoria seria possível, usando a própria Terra como
um referencial incrcial, detectar o movimento de translaçào da Terra através do espaço
cósmico. A idéia é simples: assim como podemos calcular a velocidade dc um automóvel
que se desloca com velocidade constante medindo a velocidade do “ve?7/o”que se forma
devido ao deslocamento do ar produzido pela passagem do automóvel na atmosfera (em
repouso), seria também possível medir a velocidade dc translaçào da T erra mediante o efeito
produzido pelo deslocamento da Terra través do espaço. No Séculço XIX os Físicos acei­
tavam a existência do "éter”. O éter seria uma “substância” homogênea eisotrópica que
preenchería todos os vazios do Universo. Esta “substância” não oferecia resistência ao
deslocamento dos astros; contudo, a existência do "éter” era aceita como forma de expli­
car o deslocamento da luz e das demais ondas eletromagnéticas através do espaço cósmico
(nessa ocasião ainda não era aceita a noção da propagação dos campos na ausência total
da matéria). Pois bem, se esta “substância” realmcntc existisse seria possível medir a ve­
locidade dc translaçào da Terra usando-se um feixe de luz de uma fonte fixa na Terra. Sendo
assim, o“e7er” poderia ser considerado como um "sistema dereferêcia absoluto” imagi­
nado por Newton. Quando a Terra se desloca através do "éter”, a luz seria arrastada por
um veto invisível, de modo análogo ao vento invisível que se forma nas partes laterais de
um automóvel que se desloca através do arem repouso. De acordo com as transformações
de Galileu, as velocidades relativas da luz através do éter seriam dadas por:
V| = v 4- c; v» = c — v ; vet = x/v2 + <■’ (4.15)

290
onde v é o módulo da velocidade orbital da Terra; Vi é o módulo da velocidade relativa
da luz, em relação ao "éter", quando a luzse propaga na mesma direção e no mesmo sen­
tido de v ; vz é o módulo da velocidade relativa da luz quando a luz se desloca no sentido
contrário ao sentido do vetor v ; Vj é omódulo da velocidade relativa da luz quando a luz
se propaga numa direção ortogonal a v . Levando em conta as relações (4.15), Michelson
eMorley utilizaram o interferômetrodeMichelson (indicado na Fig. 3.18) para tentar me­
dir as variações da velocidade da luz indicadas na equação (4.15). As experiências realiza­
das por Michelson e Morley em 1887 indicaram claramentequea velocidade da luz no vá­
cuo é constante.

O interferômetro de Michelson pode detectar possíveis variações da velocidade da


luz da ordem de 150 mm/s. Experiências posteriores mostraram que a velocidade da
luz no vácuo é constante com uma precisão de até 15 mm/s. As experiências mais re­
centes realizadas com feixes de LASER, mostraram que a velocidade da luz no vácuo
é constante (com margem de erro de apenas 0,03 mm/s). Diante de tantas evidêcias ex­
perimentais, podemos aceitar como verdade que a velocidade da luz no vácuo é uma
constante absoluta.
A experiência mostra que as transformações de Galileu não valem para os fenôme­
nos eletromagnéticos. Lorentz foi um dos primeiros pesquisadores a escrever transfor­
mações de coordenadas que satisfaziam à condição da constância da velocidade da luz
no vácuo. Antes de deduzir as transformações de Lorentz, é conveniente fazer alguns
comentários acerca do conceito de tempo. Na Mecânica Clássica, o tempo é absoluto
e a velocidade da luz é relativa. As considerações anteriores, mostraram que, como a
velocidade da luz é absoluta, o tempo é, necessariamente, uma grandeza relativa.
Para descrever o movimento de uma partícula, é necessário estipular, não só as coor­
denadas espaciais, como também uma coordenada temporal (uma vez que o tempo é
relativo). Denomina-se evento todo deslocamento que pode ser especificado mediante
quatro coordenadas (três coordenadas espaciais e uma coordenada temporal). Dize-
. mos que lodo evento ocorre num espaço-tempo contínuo de quatro dimensões. Este
•espaço contínuo é algumas vezes chamado de espaço de MinkowskL

Transformações de Lorentz
Para deduzir as transformações de Lorentz c conveniente supor que o ponto P indica­
do na fig. 4.2 esteja situado sobre o eixo OX’\ neste caso, temos:
000 y = y’ = z = Z> = O (4.16)
Como a velocidade da luz no vácuo é absoluta, concluímos que:
x = ct; x' = ct*
Das relações anteriores, é fácil verificar que:
x2- c212 = 0-,x'2- c2t‘2 = 0 (4.17)
Ou seja,
.v2 - c2? = x* - c2T2 (4.18)
Admitindo que as transformações que relacionam as coordenadas sejam lineares, po­
demos escrever:

291
x' = au + anl,
t’ = a2lx + a22t, (4.19)
onde (7||, «12, «21 c a>z são constantes a determinar, impondo-se a condição da constância da
velocidade da luz no vácuo consubstanciada na equação (4.17). Quando x' tende a zero, de­
vemos ter: x = vt. Sendo assim, a primeira relação do conjunto (4.19) fornece:
«|2 = - V«||

Levando em conta o resultado anterior, as relações (4.19) podem ser escritas na forma:
x' = «h(x- ví), (4.20)
í’ = a2\x + a22l.
Substituindo as relações (4.20) na condição (4.18), vem:
f«n - c?«2i - l)*2— 2(v«?i + C(i2\a”)xt — — (f)t2 = 0.
Para que a expressão anterior seja identicamente nula é necessário que:
«?i — (/«2I = 1
v«fi + e^«2lí722 - 0 (4.2!)
c2a22 - v?«n = c2

Resolvendo as equações (4.21), obtemos:

I _ I
ffjl = «2! = ~ 7 (4.22)
vi - (v'/r)i vi - 02
-.✓r Ji/C 0y
a:i -
vi - (i'?/r?) vi - 02

onde:
0 = v/c;y = 1/ v I - /3y
Não existe nenhuma perda de generalidade na suposição feita anteriormente (acerca
da localização do ponto P sobre o eixo OX"). Supondo agora que o ponto Pscja o ponto
genérico indicado na parte (b) da Fig. 4.2 c levando cm contas as relações (4.20) c (4.22),
deduzimos as famosas transformações de Lorenlz:

onde:
0 _ v/c ; y = 1/vT - 0-
X’ = -X-V - Vl)
.»'* = y (4.23)

292
As equações (4.23) relacionam as coordenadas do sistema S’ em fu nçâo das coordena­
das do sistema S. As transformações inversas, isto c, as relações que ligam as coordenadas
do sistema S em função das coordenadas do sistema S’ são facilmente obtidas explicitan­
do as coordenadas x, y, z c t cm função de x’, y\ z’ e t’ nas equações (4.23). Como este
cálculo é muito simples, não escreveremos explicitamente estas transformações inversas.
Agora fica bastante claro porque escolhemos uma transformação linear para satisfazer a
condição da constância da velocidade da luz (4.17). Se, em vez das transformações linea­
res (4.20) tivéssemos escolhido transformações quadráticas, ao procurar as transforma­
ções inversas, obteríamos dois valores década coordenada x, y, z e t para apenas um valor
de cada coordenada x\ y‘, z ’ e t
As transformações de Lorentz constituem as equações básicas para o desenvolvimento
da Teoria da Relatividade Restrita. Destas equações resultam imediatamente três obser­
vações extremamente importantes:
(1) 0 tempo T é uma grandeza relativa que se transforma de um sistema inércia! S’ para
outro sistema inerciaí S levando-se em conta o espaço e o tempo em relação ao referencial
inércia! S.
(2) As transformações (4.23) se reduzem às transformações (4.1) quando a velocidade
t> da partícula c muito menor do que a velocidade da luz c. Como em nossa vida diária os
corpos macroscópicos possuem velocidades muito menores do quer, concluímos quenõo
c necessário usar as relações (4.23) para resolver problemas práticas da nossa vida cotidia­
na; neste caso basta utilizar as relações (4.1). Contudo, no estudo do movimento e das in­
terações de partículas microscópicas as relações (4.1) fornecem resultados errados', neste
caso, torna-se imprescindível o uso das relações (4.23).
(3) Nenhuma partícula pode possuir uma velocidade relativa v superior à velocidade
da luz no vácuo c. Se você supõe u>c nas equações (4.23), você obtém valores imaginários
para x' e t\ o que c absurdo (do ponto dc vista da Física Clássica).
Velocidade relativa
Quando uma partícula Pse desloca com velocidade u muito menor do que cem rela­
ção ao sistema S indicado na Fig. 4.1 e o sistema 5'se desloca em relação a S com uma ve­
locidade u muito menor do que r, a velocidade relativa do ponto P em relação a S’ pode
ser obtida pelas transformações de Galileu para as velocidades, con forme ind içado na re­
lação (4.2). Contudo, quando pelo menos um dos dois módulos envolvidos (w ou v) não
for muito menor do que c, as relações (4.2) não podem ser usadas para calcular a velocida­
de t> ’ cm relação ao sistema S! Neste caso, é necessário usar as transformações de Lo­
rentz (4.23) e aplicar nestas equações a definição de velocidade instantânea. Derivando as
equações (4.23), obtemos as relações de Lorentz para a determinação da velocidade relati­
va:

u; = ---------------- T *» “>
; w/ =
____ u±____ (4.24)
=
1 — (yuy/c2) 7[1 - (VK./íÔl •y[l - (VU./C^I

Exemplo 4.1 Considere dois foguetes A e B. O foguete A se aproxima de um observa­


dor fixo na Terra com uma velocidade u,.\ — 0,8c O foguete B se afasta do mesmo obser­
vador com velocidade i»« = 0,4c. Os dois foguetes se deslocam (cm relação ao observa-

293
dor mencionado) ao longo de uma linha reta e se afastam entre si. Calcule o módulo da
velocidade relativa (de afastamento) entre os dois foguetes.
Solução. Considere um eixo OzVA"ao longo da direção do movimento. Utilizando, as
transformações de Galileu (4.2), verificamos facilmente que a velocidade relativa v entre
A e B possui módulo dado por:
v = vA 4■ Vr = 1,2c
Contudo, como os valores de e de u» não são maiores do que o valor da velocidade
da luze, o resultado anterior está errado. Para obter o valor correto da velocidade relativa
v é necessário empregar as relações (4.24). Utilizando um sistema OXYZ outro sistema
0’A"K’Z'com 0 eixo comum OO’XX‘ coincidindo com a direção do movimento e apli­
cando as relações (4.24), obtemos para os componentes da velocidade relativa u os seguintes
valores:
Vy = V, = 0

va + vb
v, =
I + (vaVq/c2)

Substituindo os valores numéricos na equação anterior, obtemos para o módulo da ve­


locidade relativa entre os foguetes:
v = vx = 0,91c = 2,73 x 10a m/s
Observação: De acordo com as transformações de Lorentz, a velocidade relativa entre
dois corpos não pode nunca superar o valor da velocidade da luz no vácuo c

Contração do comprimento
Suponha que uma régua esteja fixa no referencial S' ao longo do eixo indicado
na parte (b) da Fig. 4.2. Seja Lo o comprimento da régua medido por um observador fixo
no sistema S’. Entãõ,
Lo = x2 — x( (4.25)
ondexjéa extremidadedireita da régua cx/é a extremidade esquerda da régua. De acor­
do com as equações (4.23), resulta:
x{ = y(Xt - v/i) ;xi = 7U2 - vl2) (4.26)
Das relações (4.25) e (4.26), encontramos:
Lo = y(x2 - X|) - yv(t2 - /t) (4.27)
Um observador situado no sistema S verifica que a régua possui um comprimento L
= x2 — X|. Para realizar esta medida de comprimento ele deve usar dois relógios sincro-
nizadosc, medir os valores de X| e de x2r\o mesmo instante, ou t\ = t2. Sendo assim,
a relação (4.27) se reduz a:
Z.o = yL
ou seja,

£ = -^ =
Z.ov'1 - u' (4.28)
V

294
A equação (4.28) fornece a chamada contração de Lorenlz A quantidade (I — p2)1'2
é sempre menor do que um. Assim sendo, o observador no sistema 5 mede um compri­
mento L menor do que Lq. Dizemos que o observador que está se movendo junto com a
régua no sistema S’ mede o comprimento próprio da régua Lq. Este termo deriva do fato
de que este observador está fixo no próprio sistema da régua, ao passo que o observador
no sistema S está olhando a régua se deslocar com uma velocidade relativa u. Da equação
(4.28) resulta que o comrimcnto próprio Lq é o maior comprimento mensurável da régua.
Em qualquer outro sistema dc referencia S para o qual a régua se desloca com velocidade
relativa u, o comprimento L da régua é sempre menor do que Lq.

Dilatação do tempo
Designando por 7b um intervalo de tempo no sistema S’ temos:
To = ti - ti. (4-29)
Designando por T um intervalo de tempo no sistema S, temos:
T = I2 - h (430)

Dc acordo com as transformações de Lorcntz (4.23), vem:


tj + (v/c^xf . ti + (v/cVr
6 = Vl- 0* ’ 2 =
í'z -J)

Logo,

t2- Z1 W - li) + - xi) (4-31)


■ji - e2

Para concretizar, suponha que uma partícula esteja em repouso no sistema S’. Como
esta partícula está cm repouso no sistema SJ concluímos que
xi = XÍ (432)
Sustituindo a equação (4.32) na relação (4.31), achamos:

ti ~ tí (433)
t2 ~ h =

Levando em conta as relações (4.29) e (4.30), podemos escrever a equação(433) na for­


ma:
To
= 7Tb (4.44)
■Jl - p2

A relação (4.44) mostra claramente que o intervalo de tempo Tmedido no sistema do


laboratório ésempre maior do que o intervalo de tempo To medindo no próprio sistema
que se move junto com a partícula. O intervalo de tempo próprio c o intervalo de tempo
mínimo mensurável para qualquer acontecimento que se desenrola dentro do próprio sis­
tema. Um observador que se move com velocidade v em relação ao sistems S ’ da partícula
(sistema próprio) mede sempre um intervalo de tempo Tmaior do que 7b. Este eeito c co­
nhecido pelo nome de dilatação do tempo.

295
Exemplo 4.2 Conceito desimultaneidade. Verifique a relatividade da simultaneidade.
Solução. Para verificar que a simultaneidade é relativa, é suficiente utilizar a relação
(4.31) . Por exemplo, considere dois eventos simultâneos no referencial S; neste caso, pela
própria definição de simultaneidade, temos: t\ = ti. Substituindo t\ = h na equação
(4.31) , vemos logo que tíé diferente de ti. Donde se conclui que dois eventos simultâneos
num referencial Snão são simultâneos em outro referencial S’que se move com velocida­
de v cm relação ao sistema .51

Relatividade da Massa e do Momento Linear


De acordo com a Mecânica Clássica, o momento linear (ou quantidade de movimento
linear) de uma partícula de massa inercial mo é dado por:
p* — ni»v (4.45)

onde u c a velocidade relativa da partícula cm relação a um referencial ,S fixo no laborató­


rio. Na Mecânica Clássica a massa mo é considerada como uma grandeza absoluta. Mos­
traremos que na Mecânica Relativística a massa inercial é uma grandeza relativa. Para ve­
rificar a relatividade da massa c necessário aplicar a Lei da Conservação do Momento Li­
near. Contudo, não faremos as transformações oriundas da aplicação desta Lei em dois
sistemas de referência SeS' que possuem uma velocidade relativa u constante. O leitor in­
teressado poderá fazer esta dedução; caso o leitor não consiga fazer esta demonstração,
basta ver a solução em qualquer um dos Livros de Relatividade Especial indicados no fi­
nal da Seção 4.1. Verifica-se o seguinte resultado:

m0 mo
m = . (4.46)
\Z 1 - ■J \ - (3}

Denomina-se massa própria ou massa de repouso m» a massa inercial medida no pró­


prio sistema da partícula, isto é, a massa medida por um observador que se desloca jun­
to com a massa no mesmo sistema S ’ que está solidário com a partícula considerada. Para
cada sistema inercial (diferente do sistema próprio S*), a massa medida por um observa­
dor (que possui velocidade relativa y em relação à partícula considerada) aumenta com
o módulo da velocidade u, de acordo com a relação (4.46). Portanto, o momento Hnear
de uma partícula elementar não pode ser calculado pela equação (4.45); a expressão corre­
ta do momento linear é dada por:
mpv____
p = mv (4.47)
s»l - (777j
Relatividade da Energia
Na Mecânica Clássica, a energia cinética de uma partícula de massa mo é dada por:
K = mov2/! (4.48)

296
A energia cinética K na Mecânica Relativística é dada por:

K = mc2 — moc2 = ymoc2 — mac2 = (7 - V^moC2 (4.49)

Quando a velocidade v for muito menor do que c, a expressão (4.49) se reduz à relação
(4.48), conforme mostraremos no Exemplo 4.4.

Exemplo 4.3 Mostre que a energia cinética relativística (4.49) pode ser expressa pela re­
lação (4.48) quando u for muito menor do que a velocidade da luz c.
Solução. A chamada série binominal é dada por:
(l - x)a = 1 - ax + (a- Dx2/! - ...
Quando o valor dcx for muito menor do que um, podemos utilizar apenas os dois pri­
meiros termos da série anterior, ou seja,
(1 — x)" - 1 - ax
Escrevendo a - — 1/2 e x - v2/<? e aplicando a aproximação anterior na equação (4.49)
você encontrará a relação (4.48).

Energia total
A relação (4.49) mostra que a energia cinética na Mecânica Relativísticase compõe de
duas partes: a primeira parcela (7/Mnr2) aumenta com a velocidade u, ao passo que a se­
gunda parcela (woc2) não depende da velocidade. O termo mtf? deomina-se energia de re-
pouco ou energia própria. Sendo assim, c razoável supor que a energia total Ede uma par­
tícula (na ausência de um campo externo) seja dada pela soma da energia cinética K com
a energia de repouso mac2. Logo, podemos escrever para a energia a expressão

E - mc2 = K + £b= 7W0C2 = 7E0, (4.50)

A equação E = mc? é a famosa equação que relaciona a massa com a energia. Combi­
nando as equações (4.47) e (4.50), podemos escrever:

É2 = p2<? + n&4 (4.51)

Observações: (1) Algumas partículas elementares (como, por exemplo, os neutrinos)


não possuem massa de repouso, isto é, para estas partículas mQ = 0. De acordo com a
equação anterior a relação entre a energia e o momento linear de uma partícula cuja massa
de repouso é nula c dada por:
E = pc

297
A relação E = pese aplica também para o campo eletromagnético. Conforme veremos
na próxima Seção, um dos conceitos básicos da Física Quântica moderna mosl r a q ue exis­
tem partículas elementares associadas aos campos que se propagam com a velocidade da
luz. Por exemplo, o fóton é um "quantum" de luz (ou dé qualquer onda eletromagnéti­
ca). Evidentemcnte, como o fóton não possui massa de repouso, vaie a relação: E = pc.
(2) Alguns Físicos formularam a hipótese de que as partículas mencionadas na obser­
vação (1) possuem massa de repouso modiferenteàe zero. Esta hipótese não entre em con­
tradição com a Teoria da Relatividade Restrita. Contudo, em vez de usar a relação E =
pc para estas partículas, seria necessário aplicar a equação (4.51).
(3) Alguns Físicos formularam a hipótese da existência dos táquions (partículas que se
deslocam com velocidades superiores à velocidade da luz no vácuo). Esta teoria entra cm
aparente contradição com algumas idéias da Relatividade Restrita.
(4) Em toda reação química ocorre uma pequena conversão de massa cm energia. Con­
tudo, nas reações químicas normais (reações moleculares), esta variação de massa é com­
pletamente desprezível, valendo, portanto, a Lei de Lavoisierda Conservação da Massa.
Entretanto, nas reações nucleares a variação de massa é significativa, de modo que não
vale a Lei da Conservação da Massa. Para estas reações vale apenas a Lei da Conservação
da Energia. No Exemplo 4.4 ilustraremos o conceito de perda de massa, isto é, a transfor­
mação de massa em energia. A transformação inversa, isto é, a transformação de energia
em massa ocorre nas chamadas reações de materialização.

Exemplo 4.4 Energia de ligação e perda de massa. Considere um corpo de massa Mo


cm repouso num dado referencial. A massa Mo se desintegra c um observador situado no
mesmo referencial de Mo mede as massas de repouso M\ e Mi das partes desintegradas dc
Mo. Mostre que Mo é maior do que (Mt + M2).
Solução Como v = 0, ou seja, a partícula dc massa Mo está inicialmcnte cm repouso,
a energia_E da partícula é dada por: E = Mtf?. Seja vj a velocidade da partícula de mas­
sa M\ c u2 a velocidade da partícula de massa Mj, depois da desintegração. Pelo Princí­
pio da Conservação do Momento Linear, concluímos que a direção destas velocidades é
a mesma e elas possuem sentidos contrários. Aplicando a Lei da Conservação da Energia
no referencial cm que a partícula de massa Mq estava inicialmentc em repouso c usando
a equação (4.50), obtemos:

MqC2 — yiMiC* + yiMzC2


onde: 7, = 1/(1 - vf/c2)"2; 72 = 1/(1 - vi/c2)"2
Da equação anterior resulta: Mo = 7iM\ 4- yiMi- Como 7> e 72 são números maiores
do que um, concluímos que
M0>(Mj + Mí)
conforme desejávamos demonstrar. Denomina-se perda de massa a diferença AM dada
por:
AM = Mo — M\ — Mi
A variação de energia dada por E\. = (AM)<? denomina-se energia de ligação. Um cor­
po estável não pode se desintegrar espontaneamente; neste caso, a perda de massa (AM)
é negativa, isto c, é necessário fornecer para o corpo uma energia El para que c^e P°ssa
se desintegrar. Na desintegração espontânea estudada neste exemplo, o corpo de massa

298
Aíoé instávele a perda de massa épositiva, ou seja, na desintegbração espontânea o cor­
po Uberta uma quantidade de energia igual à energia de ligação E\_.

Efeito Doppler da luz


É conveniente fazer um estudo comparativo entre o efeito Doppler do som e o efeito
Doppler da luz. Vamos considerar somente o movimento relativo de afastamento radia!
entre a fonte e o observador. Para o leitor obter as expressões matemáticas do efeito Dop­
pler no caso da aproximação radia! entre a fonte e o observador basta trocar o sinal de v
para — u nas fórmulas que escreveremos para o efeito Doppler no caso do afastamento ra­
dial.
Considere uma fonte sonora emitindo ondas sonoras que se propagam com velocidade
u num meio homogêneo em repouso. O observador (ouvinte) está fixo em relação ao meio
e a fonte se afasta do observador com velocidade v. A frequência /medida pelo receptor
fixo no laboratório é relacionada com a freqüência/o medida por um receptor fixo no sis­
tema que se move junto com a fonte mediante a equação:

fo (4.52)
/= 1 + (v/u)

Considere agora uma fonte sonora em repouso num sistema fixo no laboratório e um
receptor se afastando com velocidade v. Seja fa a freqüência da fonte medida por um re­
ceptor também em repouso no mesmo laboratório onde se encontra a fonte. Suponha que
outro receptor se afaste da fonte com uma velocidade u. Seja/a freqüência da fonte sonora
medida pelo receptor que se afasta com velocidade u da fonte. Neste caso, em vez da rela­
ção (4.52), devemos usar a seguinte equação:
/ = //!- v/u) (4.53)
Note que tanto a fórmula (4.52) quanto a fórmula (4.53) referem-scà mesma velocida­
de relativa v entre afonte e o receptor. Contudo, o resultado (4.52)éclaramcntediferente
do resultado (4.53).
Considere agora uma fonte luminosa se afastando de um observadorfixo no laborató­
rio (no vácuo); seja v o módulo da velocidade de afastamento A freqüência/medida pelo
observador fixo no laboratório é dada por/ = cfK. Como a fonte se afasta do observador,
a frente de onda avança no sentido do observador percorrendo uma distância igual a cT,
onde 7éo intervalo de tempo medido pelo observador fixo no laboratório. No mesmo in­
tervalo de tempo, a fonte se afastou do observador fixo até uma distância vT da posição
original. Logo, o comprimento de onda X medido pelo observador fixo vale:

x = (c + vyr/N
onde Né o número de ondas emitidas no intervalo de tempo T. Sendo /o a frequência me­
dida no referencial que se move solidário com a fonte, temos:

N = /0T0

onde To c o intervalo de tempo próprio, isto é, o intervalo de tempo medido no referen-

299
ciai que sc move junto com a fonte. Das duas relações anteriores, chega-se a:
/o(7b/7)
f ~ c/X = (4.54)
1 + (v/c)

Substituindo o resultado (4.44) na relação (4.54), encontramos a fórmula do efeito Dop-


plcr da luz quando a fonte sc ({fasta com velocidade v em relação a um observador fixo
no laboratório:

/o(l/y) v2/cf
/- 1 + (v/c) 1 + v/c
(4.55)

Quando a fonte luminosa está fixa no laboratório e o observador se afasta da fonte com
velocidade v, obtemos o seguinte resultado:
f= (I - v/cXr/ToVo (4.56)
Das relações (4.44) c (4.56) decorre:

jôu - v/c)
7i - vy/?

Exemplo 4.5 Mostre que o resultado (4.57) é idêntico ao resultado (4.55).


Solução. Usando a identidade cr — b‘ — (a + b)(a — b), podemos escrever a relação
(4.55) na forma:
\Z1 + v/c vi - v/c
/ = /o
\Z1 + v/c vl + v/c
Portanto,
/ 1 - v/c
/ = /oi /---------------------- (1)
v 1 + v/c

Analogamente, a equação (4.57) pode ser escrita na forma:

(2) / = /u

Os resultados (1) e (2) fornecem a prova desejada.

300
Observações: (!) O Exemplo 4.5 mostra que o efeito Doppler da luz depende apenas da
velocidade relativa entre a fonte e o obervador.
(2) O efeito Doppler da luz é utilizado pelos Astrônomos para determinar a velocidade
relativa radial entre uma fonte luminosa (ou qualquer outrafonte eletromagnética) e a Terra.
Quando afreqüência observada aumenta concluímos que a fonte se aproxima da Terra;
quando efreqüência diminui, concluímos que a fontese afasta da Terra. Existem galáxias
que se aproximam da Terra. Contudo, quase todas as galáxias observadas se afastam da
Terra; este afastamento produz o chamado deslocamento para o vermelho dos espectros
das galáxias. O deslocamento para o vermelho c um dadoa favor da "Teoria da Expansão
do Universo". A velocidade relativa de afastamento de uma galáxia é diretamente pro­
porcional à distância entre a Terra e a referida galáxia (Lei de Hubble).

Teoria da Relatividade Geral ou Teoria do Campo Gravitacional


Denomina-se Física Relativíslicao estudo dos fenômenos físicos mediante as fórmulas
deduzidas nesta Seção. A Física Clássica se aplica somente ao estudo dos fenômenos físi­
cos quando as velocidades relativas envolvidas forem muito menores do que a velocidade
da luz c. No período de 1907 a 1916 Einstein desenvolveu uma nova teoria física que ele
chamou de Teoria da Relatividade Geral. O termo Relatividade "Gera!" surgiu porque
uma parte desta Teoria se refere a sistemas acelerados (movimento "geral"), ao passo que
a Relatividade "Restrita"se aplica somente para os sistemas que se movem com uma ve­
locidade relativa constante.
O Princípio da Equivalência formulado por Einstein_afirma que:
Um referencial que possui unia aceleração constante a é localmcnte equivalente a um
campo gravitacional cujo valorg é igual ao valor da aceleração do referencial considera­
do, ou seja, g = a .
Já vimos que o Princípio da Relatividade Restrita assegura que, não havendo nenhu­
ma interação entre o interior de um sistema e o seu exterior, não é possívelfazer uma expe­
riência dentro do sistema para detectar seu estado de repouso ou de movimento uniforme.
Analogamente, o Princípio da Equivalência estipula que, não havendo nenhum contato
entre o interior de um sistema e seu exterior, não épossívelfazer uma experiência no inte­
rior do sistema para decidir se o sistema está sendo acelerado (com aceleração constante)
ou se ele está em repouso submetido a um campo gravitacional uniforme. É conveniente
ressaltar que o Princípio da Equivalência só vale em pequenas regiões do espaço que per­
mitam a suposição de um campo gravitacional constante (como, por exemplo, em peque­
nas regiões nas vizinhanças da superfície terrestre).