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Anexo A: O Modelo para o Mercado Atacado de

Energia
1 Neste anexo apresentamos os procedimentos detalhados para operação do Mercado
Atacado de Energia (MAE), como complementação às recomendações feitas na Seção 2 do
Relatório principal.

2 O anexo está estruturado da seguinte forma:

• Parte 1: Questões-chave no modelo do MAE;

• Parte 2: procedimentos relativos à programação e despacho necessários


para
suporte ao MAE; e

• Parte 3: as regras do MAE.

Parte 1: Questões-chave no modelo do MAE


3 Nesta seção do anexo discutiremos algumas questões levantadas no modelo detalhado do
MAE. Lembramos que além das questões enumeradas a seguir, há muitas outras que terão que
ser tratadas em detalhe para a implementação completa dos procedimentos. Algumas delas estão
mencionadas na Parte 3.

4 As questões que discutiremos aqui são as seguintes:

(a) Questão 1: como tratar as perdas de transmissão de energia e sua relevância para
os Contratos Iniciais;

(b) Questão 2: como tratar os fluxos entre os Submercados e suas implicações para
os Contratos Iniciais;

(c) Questão 3: procedimentos para os intercâmbios internacionais;

(d) Questão 4: como tratar as restrições de transmissão no âmbito dos Submercados;

(e) Questão 5: definição da geração que participará do MAE e do Mecanismo de


Realocação de Energia (MRE) e exclusão de uma parte da geração e da carga do
MAE;

(f) Questão 6: participação de pequenos distribuidores/varejistas no MAE;

(g) Questão 7: participação de consumidores de grande porte no MAE e


procedimentos para processos de licitação para gerenciamento da demanda;

(h) Questão 8: cálculo da energia garantida para as unidades existentes, para nova
geração e interconexões;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 1 SEN/Eletrobrás


(i) Questão 9: como tratar os termogeradores e a substituição da Conta de Consumo
de Combustível (CCC); e

(j) Questão 10: cálculo dos custos da provisão para o serviço do sistema e sua
recuperação.

Nossas recomendações principais estão resumidas no início da discussão de cada uma das
questões.

Questão 1: As perdas de transmissão nos fluxos reais de energia e nos contratos. Nossas
recomendações-chave nesta área são as seguintes:

• fatores de perdas de transmissão (FPT) aplicar-se-ão a toda a geração e


demanda em cada Submercado; toda a energia será expressa à medida
que for entregue ou retirada de um “centro de gravidade” definido em cada
Submercado; e

• os FPT serão baseados nas perdas previstas. A diferença entre as perdas


reais e as previstas no sistema de transmissão em cada Submercado serão
conciliadas por um ajuste equitativo para toda a demanda dos varejistas.

5 Há duas áreas nas quais as perdas de transmissão terão que ser consideradas no modelo
detalhado do MAE:

• para o ajuste da demanda medida e/ou geração no MAE; e

• na liqüidação de contratos bilaterais, especialmente os Contratos Iniciais.

Ajustes para perdas reais

6 Os ajustes que reflitam as perdas reais de transmissão podem ser feitos seguindo qualquer
uma das abordagens a seguir:

• abordagem 1: aplicar os FPT com variações de acordo com a localização


tanto para geração quanto para demanda;

• abordagem 2: aplicar os FPT apenas para demanda;

• abordagem 3: aplicar um fator único de perda para toda a demanda,


desvinculando-se todas as diferenças de localização nas perdas de
transmissão.

7 A primeira abordagem pressupõe a noção de um “Centro de Gravidade” (CdG), ao qual


se supõe que toda a geração será fornecida e do qual se supõe toda a demanda será retirada para
os objetivos do MAE. Portanto, os fatores de perda de transmissão locais seriam aplicados tanto
para geração quanto para demanda.

8 O CdG pode ser definido em termos do sistema interligado ou de cada Submercado.


Dada a diversidade do sistema interligado, seria mais apropriado definir o CdG para o
Submercado.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 2 SEN/Eletrobrás
9 A segunda abordagem simplifica o lado da geração. Toda a geração fica efetivamente registrada
no barramento do gerador. A demanda é então escalonada pelos FPT que se apliquem a cada varejista.
Os FPT compreenderiam as perdas do varejista no CdG e as perdas médias do gerador.
10 A abordagem 3 é a mais simples de todas. As perdas de transmissão são simplesmente
agregadas e calculadas como uma média para toda a demanda no Submercado aplicando-se um
único fator de perda global.

11 Um fator-chave para a seleção da metodologia mais apropriada são nossas


propostas para o MRE. Sob o MRE, em condições operacionais normais do sistema, a
alocação de energia para os geradores hidrelétricos é totalmente independente de onde é
produzida. O MRE operará em todo o sistema interligado. Conseqüentemente, a energia alocada
a um gerador não só terá sido produzida por outro com diferente fator de perda, como muito
provavelmente poderá ter vindo de outro Submercado. Na verdade, a natureza multilateral do
MRE significa que é irrelevante considerar de qual gerador provém a energia realocada.

12 No entanto, a alocação de energia garantida a hidrogeradores sob o MRE baseia-se na


modelagem dos fluxos do sistema (vide Questão 8 a seguir). Portanto, os FPT poderiam ser
aplicados a geradores com base em sua energia garantida. Além disso, seria apropriado aplicar
os FPT a termogeradores inflexíveis, os quais, conforme explicado na Seção 2, seriam
contratados diretamente com os distribuidores/varejistas. Lembramos que a posição dos
termogeradores flexíveis seria muito semelhante à dos hidrogeradores, tendo em vista que sua
geração seria creditada a um hidrogerador em qualquer outra área do sistema interligado através
de contratos.

13 Do ponto de vista do varejista, existe uma razão mais forte para um sinalizador de
localização. Não há acordos que correspondem ao MRE para os varejistas e o padrão de carga
poderá variar muito de um varejista para outro.

14 Nossa preferência é pela abordagem 1, onde os FPT para os hidrogeradores se


baseiam na energia garantida dos hidrogeradores, alocada sob o MRE. Ela permitirá,
também, que os FPT sejam aplicados de forma consistente aos termo e hidrogeradores e refletirá
seus fatores de perdas previstos. No entanto, a abordagem 2, na qual a média das perdas de
transmissão é aplicada somente aos varejistas, seria mais simples e também mais aceitável no
contexto do MRE.

15 Finalmente, lembramos que os FPT deverão se basear em perdas previstas, e que estas serão
diferentes das perdas reais, com a necessidade de um ajuste para equacionar geração e demanda totais.
Recomendamos que um ajuste simples, pelo qual toda a demanda dos varejistas, no âmbito de um
Submercado, seja ajustada de forma equitativa de acordo com a diferença entre as perdas reais e as
perdas previstas.

As perdas nos contratos

16 A principal questão considerada aqui é se os volumes nos contratos devem ser escalonados em
vista dos efeitos das perdas de transmissão no processo do Sistema de Contabilidade de Liqüidação de
Energia (SCLE). Esta questão poderá ser tratada definindo-se o ponto do sistema em que se supõe que o
contrato seja aplicado (“o contrato-padrão”), relativo à localização dos geradores e de seus varejistas
contratados. Enfatizamos que o contrato-padrão não inclui a “entrega física” em sí. É apenas uma
convenção pela qual o Sistema de Contabilidade da Energia para os Contratos Iniciais e o MAE possam
se tornar consistentes.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 3 SEN/Eletrobrás


17 Existem três opções principais para se estabelecer o contrato-padrão:
(a) no barramento do gerador, onde ocorre a maior parte das perdas de transmissão. Isto
significa que a carga contratada dos varejistas deverá ser ajustada para compensar as
perdas de transmissão, de forma que os volumes nos contratos mantenham equilíbrio
para geradores e varejistas;
(b) em um ponto específico do sistema interligado (ou Submercado). Este processo
exigirá que tanto a geração quanto a demanda sejam dimensionadas de forma
consistente com seu valor no CdG do Submercado; ou

(c) no ponto de fornecimento do varejista. Neste caso, o volume do contrato não


incluiria as perdas de transmissão.

18 Se a abordagem preferida para as perdas reais de transmissão for a utilização dos FPT
tanto para geração como para demanda (como recomendamos), então a opção (b) do parágrafo
anterior será a abordagem correspondente para os contratos. Esta questão será discutida mais
detalhadamente no Anexo B.

Questão 2: Os fluxos entre os Submercados e suas implicações para os Contratos Iniciais

19 Nossa recomendações são:

• os excedentes de fluxos não contratados entre os submercados serão


compartilhados entre seus geradores e seus distribuidores/
varejistas. As regras precisas de alocação serão definidas durante a
implementação;

• são permitidos Contratos Iniciais entre os geradores e os


distribuidores/ varejistas em diferentes Submercados. O ASCLE
deverá considerar este aspecto e incluir regras que definam a
exposição dos geradores e dos varejistas a Submercados específicos;

• de acordo com o MRE, a energia alocada a um gerador pode ter


sido produzida por outro gerador, em qualquer outro setor do
sistema interligado. Isto implica que a hidrogeração pode estar
mais intimamente relacionada ao local onde ela foi consumida do
que à localização do gerador a quem está alocada:

• no caso de fluxos entre Submercados, com preços diferentes, o


ASCLE deverá pressupor que o contrato se baseia no CdG do
Submercado onde a carga foi consumida; um conjunto de regras
será necessário para alocar a geração real e o excedente financeiro
que surgir no âmbito dos Submercados. Isso funcionará da seguinte
forma:

- partimos do pressuposto que os geradores terão produzido


no Submercado do distribuidor/varejista com o qual
celebrou seu Contrato Inicial (via transferência pela
interconexão pertinente) até o volume de energia fixado,
desde que não exceda a transferência real de energia entre os
Submercados. Os FPT se aplicariam se a geração ou a

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 4 SEN/Eletrobrás


demanda tiverem ocorrido na área limítrofe entre os dois
submercados. Nestes casos, os geradores apenas teriam uma
exposição ao MAE no seu próprio Submercado;

- os distribuidores/varejistas estariam expostos apenas em seu


próprio Submercado;

- caso os fluxos reais excedam os volumes contratados entre os


Submercados, o excedente financeiro será alocado entre os
geradores no Submercado de importação e varejistas no
Submercado de exportação;

- se os fluxos reais forem inferiores aos volumes dos Contratos


Iniciais entre as partes em diferentes Submercados, os
geradores estarão expostos em seu próprio Submercado e no
Submercado do distribuidor/varejista com quem celebraram
o contrato;

• Com estas regras, os fluxos dos contratos podem ser conciliados aos
fluxos reais, e o preço correspondente ao Submercado pode ser
fixado para compra e venda para varejistas e geradores no
Submercado.

20 Algumas questões críticas para o MAE e para o escopo do Contrato Inicial são levantadas
com a introdução dos Submercados e das conseqüências dos intercâmbios entre eles. Tais
questões abrangem:

(a) a definição de um Submercado;

(b) o significado dos fluxos entre os Submercados no contexto do MRE;

(c) como registrar os fluxos não contratados entre os Submercados e como


alocar o “excedente” financeiro a eles associado;

(d) como os contratos entre geradores e varejistas em diferentes


Submercados devem constar no processo contábil e de liqüidação e as
implicações para os riscos do gerador e do varejista; e

(e) como tratar os elementos de interconexão entre os sistemas principais.

Definição de um Submercado

21 Na Seção 2 definimos a divisão entre Submercados como um reflexo das principais


restrições de transmissão no sistema interligado. O número de Submercados provavelmente seja
pequeno - talvez 3 ou 4 no sistema S/SE e 2 ou 3 no N/NE.

22 Os critérios para definição dos Submercados podem se basear, por exemplo, no número
de horas no ano em que a restrição foi efetiva e o custo que impôs ao sistema. Seria necessário
elaborar normas durante a implementação.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 5 SEN/Eletrobrás


23 Não se espera que os Submercados se modifiquem com freqüência. Suas áreas limítrofes
serão revistas à medida que o sistema interligado evolui, para refletir as principais mudanças nas
restrições de transmissão. O EXMAE - Comitê Executivo do Mercado Atacado de Energia - (ver
Seção 2 e Anexo I), deverá rever as restrições anualmente e determinar se as áreas limítrofes
entre os Submercados deverão ser alteradas. Critérios técnicos transparentes deverão ser
estabelecidos para determinar quando os Submercados deverão ser modificados.

Os fluxos de energia entre os Submercados e o MRE

24 Há uma aparente descontinuidade entre o MRE e os Submercados do MAE. O MRE


realoca a energia de todos os hidrogeradores para cada sistema interligado. Como mencionamos
anteriormente, este procedimento torna independentes a geração e as energias atribuídas a cada
gerador, não só dentro de um Submercado, mas também entre os Submercados. Portanto, não há
nenhuma ligação entre a localização da geração e o Submercado no qual ela é creditada a um
gerador.

25 Conseqüentemente, a alocação de energia conforme o MRE, e os fluxos existentes entre


os Submercados, deverão ser analisados independentemente. Na verdade, isto implica que
exista, talvez, uma ligação maior entre o Submercado no qual a energia foi produzida e
consumida.

26 Estes pontos terão reflexos importantes nos procedimentos dos contratos, como agora
passamos a explicar.

Fluxos não contratados entre os submercados

27 Os procedimentos contábeis e de liqüidação para os fluxos entre os Submercados


suscitam alguns problemas complexos, especialmente no contexto dos contratos entre geradores
e distribuidores/varejistas em diferentes Submercados. Com o objetivo de simplificar a
explicação, descreveremos primeiramente como considerar os fluxos não contratados entre os
Submercados, e, então, na subseção seguinte, quais os procedimentos adicionais necessários
quando os contratos são introduzidos.

28 A Figura A.1 demonstra como considerar os fluxos não contratados utilizando um caso
simples. Há um fluxo de 200 entre o Submercado 1 e o Submercado 2. Os procedimentos
contábeis para este fluxo seriam os seguintes:

(a) no Submercado 1, G1 tem uma geração real de 275, enquanto que a demanda de
D1 é de apenas 75. A diferença, que é direcionada para o Submercado 2, é
registrada como demanda “limítrofe” do Submercado 1 em uma conta de Trânsito,
T1;

(b) da mesma forma, no Submercado 2, a geração necessária para atender a demanda


de D2 é retirada do Submercado 1 e registrada como “geração limítrofe” na conta
de trânsito T2.

29 Haverá um excedente da diferença de preços do MAE entre os dois Submercados, onde


geração e demanda são creditados a diferentes Submercados. A “demanda” na conta T1 tem o
valor PL enquanto que a “geração” na contaT2 tem o valor PH.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 6 SEN/Eletrobrás


Figura A.1 : Fluxos não contratados entre Submercados

Submercado 1 Submercado 2

G1 200 MWh
D2
D1 G2
PL PH
G1 D2
275g 350a

D1 G2
75d
150g

T1 Leg. c = volume contratado, MWh


g = geração real ou alocada, d = demanda real, MWh
T2
200g
200d Perdas de transmissão calculadas em zero para simplificar
PL = Preço do MAE no Submercado 1
PH = Preço do MAE no Submercado 2
Apenas G1 e D2 contratados ; G2 e D1 não são contratados
BR4_A1.pre ref: para 30
30 Com o objetivo de determinar a alocação adequada deste excedente, devemos considerar
o seguinte:

(a) no Submercado exportador, se houver um relaxamento da restrição de


transmissão, provavelmente a geração utilizada terá sido mais cara para atender a
demanda geral (isto é, substituindo a geração no Submercado de preço baixo).
Isso significa que como resultado da restrição no fluxo entre os Submercados, no
Submercado de exportação os consumidores enfrentam preço inferior do que
enfrentariam. Os geradores, por sua vez, poderão ter gerado mais e
conseqüentemente aumentado sua receita se a restrição não tivesse ocorrido; e

(b) no mercado de importação, os consumidores terão que enfrentar preço mais alto
do que com a eliminação da restrição. Os geradores, no entanto, obtêm receita
maior do que receberiam se a restrição fosse relaxada, pois o preço do MAE no
seu Submercado seria maior.

31 Uma questão importante em relação à alocação do excedente diz respeito aos direitos de
acesso à transmissão. Como explicaremos a seguir, os geradores teriam direitos ao acesso
garantido em seus próprios Submercados, e conseqüentemente seriam compensados pelos efeitos
das restrições de transmissão. No entanto, as restrições entre os Submercados são, por definição,
importantes, e um obstáculo à operação do sistema a custo mínimo. Portanto, estritamente
falando, os direitos de acesso à transmissão garantida não seriam apropriados para tais fluxos.

32 Conseqüentemente, haveria duas opções para a alocação do excedente desta transação:

• alocar os benefícios ao OIS, que então o depositaria em um fundo de fideicomisso


para futuros investimentos em transmissão; e

• alocar os benefícios aos varejistas e geradores de acordo com as regras pré-


acordadas.

33 A primeira abordagem é vista por todos com quem conversamos como impraticável pela
volatilidade dos preços do MAE no decorrer do tempo. Se tiver ocorrido racionamento em um
Submercado e não no seu vizinho, os fluxos ao OIS poderão ser muito volumosos. A segunda
abordagem permitiria a alocação do excedente aos varejistas e possivelmente aos geradores nos
dois Submercados, o que permitiria aplicar uma regra para o procedimento geral sugerido na
Seção 2. A forma precisa de alocação seria uma questão a ser decidida durante a implementação.

Contratos Iniciais entre geradores e varejistas em diferentes Submercados

34 Esta é uma questão primordial para os procedimentos contábeis e de liqüidação dos


fluxos energéticos entre os Submercados.

35 Lembramos que os Contratos Iniciais entre partes, em diferentes Submercados são


inevitáveis, tendo em vista a alocação de contratos com usinas termoelétricas e nucleares, a
exigência de manter os custos dos distribuidores/varejistas nos níveis atuais, a necessidade
de concorrência para contratos entre geradores e a probabilidade de mudança nas áreas
limítrofes dos Submercados no futuro. Assim, as regras são necessárias para incorporar
estes contratos ao Sistema de Contabilidade e Liqüidação de Energia (SCLE).

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 7 SEN/Eletrobrás


36 Existem dois elementos nos procedimentos dos Contratos Inicias celebrados entre as
partes em diferentes Submercados:

(a) o Submercado no qual o SCLE considera que a geração e a demanda tenham


realmente ocorrido, e

(b) as bases contratuais, ou seja, se o contrato é considerado efetivo no Submercado


do gerador (“ponto de geração”) ou do varejista (“ponto de fornecimento”). Como
mencionamos anteriormente, em qualquer caso, este contrato deverá estar no CdG
do Submercado correspondente.

Os procedimentos para determinar e ajustar os fluxos entre os Submercados deverão,


naturalmente, garantir que estes elementos sejam consistentes.

37 A Figura A.2 resume os casos possíveis:

(a) no caso 1, considera-se que geração e demanda tenham ocorrido em seus


respectivos Submercados. As bases do contrato são estabelecidas no CdG do
Submercado do varejista. Isto quer dizer que o gerador terá uma conta
adicional no Submercado do varejista, na qual as diferenças entre os volumes
reais e os volumes contratados serão liqüidadas;

(b) no caso 2, as bases contratuais são transferidas para o CdG do


Submercado do gerador. Isto quer dizer que o varejista deverá ter agora uma
conta adicional de liqüidação no Submercado do gerador; e

(c) no caso 3, considera-se que tanto a demanda quanto a geração contratada


tenham ocorrido no Submercado do varejista. O princípio geral é que a geração
é considerada como tendo sido produzida no mercado em que foi consumida;
no caso da geração contratada, será o Submercado do distribuidor/varejista ao
qual ela foi contratada; no caso de geração não contratada (e outras exposições
no mercado “spot”), será o Submercado residual onde foi consumida e não
onde foi produzida. Embora à primeira vista possa parecer ser contra-intuitivo,
este princípio é, como mencionamos anteriormente, consistente com o MRE,
onde a alocação da geração fica desvinculada da produção. O padrão contratual
é estabelecido no CdG do Submercado do varejista.

38 Lembramos que há outro caso, onde se supõe que tanto demanda quanto geração tenham
ocorrido no Submercado do gerador. Este caso não merece maiores comentários porque
implicaria a existência de um acordo correspondente ao MRE para a demanda.

39 A escolha do SCLE e das bases contratuais guarda implicações importantes para a


alocação dos riscos entre geradores e varejistas. As Figuras A.3 a A.5 demonstram exemplos
muito simples de um gerador e um distribuidor/varejista contratados bilateralmente em diferentes
Submercados; a transferência entre Submercados está limitada em todos os casos. Os quadros
mostram as conseqüências da Contabilidade da Energia em cada caso.

40 No caso 1:

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 8 SEN/Eletrobrás


Figura A.2 : Opções para Contabilidade de Energia e contratos padrão entre os Submercados

Contabilidade Padrão de
Bases contratuais
Energia

Caso 1 Geração e demanda nos próprios CdG do Submercado do Distr/Varej.


Submercados

Caso 2 Geração e demanda nos próprios CdG do Submercado do gerador


Submercados

Caso 3 Demanda e geração contratada no CdG do Submercado do Distr/Varej


Submercado do distribuidor/varejista;
vendas não contratadas
correspondentes ao consumo
residualnos Submercados.

ref. para 39
BR4_A1.pre
Figura A.3 : Caso 1 Geração e demanda nos próprios Submercados, contrato no ponto de fornecimento

Submercado 1 Submercado 2

G1 50 MWh
D2
D1 sob restrição
G2
PL PH
G1 D2
125g 50d 100c 200d
75 100

D1 G1
75d 50g 100c
50

Leg. c = volume contratado, MWh


g = geração real ou alocada, d =demanda atual , MWh G2
Perdas de transmissão calculadas em zero para simplificar
PL = Preço do MAE no Submercado 1 150g
PH = Preço do MAE no Submercado 2
Apenas G1 e D2 são contratados; G2 and D1 não são contratados

BR4_A1.pre ref. para. 41


Figura A.4 - Caso 2 : Geração e demanda nos próprios Submercados, contrato no ponto de fornecimento

Submercado 1 Submercado 2

G1 50 MWh
D2
Sob restrição
D1 G2
PL PH
G1 D2
125g 100c 50g 200d
25 150

D1 G2
75d 150g

D2 Leg. c = volume contratado, MWh


g = geração real ou alocada d = demanda real , MWh
Perdas de transmissão calculadas em zero para simplificar
100c 50d
PL = Preço do MAE no Submercado 1
50
PH = Preco do MAE no Submercado 2
Apenas G1 e D2 contratados; G2 e D1 não são contratados

BR4_A1.pre ref. para. 41


Figura A.5 - Caso 3 : Demanda e geração no Submercado do Distr/Varej., contrato no ponto do fornec.

Submercado 1 Submercado 2

G1 50 MWh
D2
Sob restrição
D1 G2
PL PH
D1 D2
100c 200d
75d 100

G2 G2
50g 100g

Leg. c = volume contratado, MWh


g = geração real ou alocada, d = demanda real, MWh
G1 Perdas de transmissão calculadas em zero para simplificar G1
PL = Preço MAE no Submercado 1
25g PH = Preço MAE no Submercado 2 100g 100c
Apenas G1 e D2 contratados; G2 e D1 não são contratados

BR4_A1.pre ref.para. 41
(a) G1 tem geração real de 125 MWh. Seu contrato de 100 MWh com D2 está
registrado para fins do SCLE no Submercado 2 e não consta de sua conta no
Submercado 1. No entanto, G1 teria uma demanda de 50 MWh registrada em sua
conta no Submercado 1, refletindo sua exportação limitada ao Submercado 21 (se
este limite não tivesse sido obrigatório, teria apresentado uma demanda de
100MWh registrada no Submercado 1). Portanto, G1 seria um vendedor líqüido
de 75 MWh ao preço PL;

(b) o volume contratado de 100 MWh para G1 está registrado em sua conta no
Submercado 2. A “exportação” de 50 MWh de G1 do Submercado 1 (isto é,
geração “na área limítrofe”) também está registrada. Portanto, ele é um comprador
líqüido de 50 MWh ao PH no Submercado 2; e

(c) o compromisso de D2 é sua demanda real de 200 MWh, menos sua demanda
contratada de 100 MWh, resultando uma compra líqüida de 100 MWh ao preço
PL.

41 A exposição total de G1 é, portanto, de uma venda líqüida de 75MWh no Submercado 1,


e uma compra líquida de 50MWh no Submercado 2. Para melhor compreender esta exposição,
vamos comparar com uma situação em que a restrição da transmissão não tenha sido efetiva (isto
é, PL igual PH). Neste caso, G1 seria um vendedor líqüido de 25MWh , com o mesmo resultado
se o G1 e o D2 estivessem no mesmo Submercado. A existência de preços diferenciados do
MAE nos dois Submercados, e a restrição entre eles, significa que G1 se expõe a maior risco
pela diferença entre o PL e o PH para 50MWh.

42 No caso 2:

(a) no Submercado 1, G1 tem geração real de 125 MWh e contratos de 100 MWh
com D2, portanto ele é um vendedor de 25 MWh ao preço PL;

(b) D2 tem um contrato de 100 MWh registrado no Submercado 1, estabelecendo a


demanda real máxima que pode registrar na área limítrofe do Submercado 1. No
entanto, a potência do interconector é de apenas 50 MWh, portanto, sua demanda
prevista no Submercado está limitada a 50 MWh. Em conseqüência, D2 torna-se
um vendedor líqüido de 50 MWh ao preço PL no Submercado 2 porque seu
volume contratado excedeu sua demanda real; e

(c) D2 também está exposto no Submercado 2. Sua demanda real é de 200 MWh. No
entanto, as importações reais de 50 MWh estão registradas como “geração” em
sua conta. Logo, ele é um comprador líqüido de 150 MWh no Submercado 2.

43 Se PH e PL fossem os mesmos, a exposição de D2 teria sido uma compra líqüida de


100 MWh ao preço do MAE. Neste exemplo, ele tem uma exposição adicional de 50 MWh
devido à diferença entre PH e PL, o que o expõe a um risco adicional.

44 No caso 3:

1
Por convenção, as exportações deverão ser registradas como demanda na área limítrofe do Submercado exportador
e como geração na área limítrofe do Submercado importador. Os FPT seriam aqui aplicados, conforme apropriado.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 9 SEN/Eletrobrás
(a) a geração de G1 está registrada no Submercado 2, até o limite do seu volume
contratado. Sua geração real é de 125 MWh, dos quais 100 MWh estão
registrados no Submercado 2; sua geração remanescente é necessária no
Submercado 1 e está registrada neste Submercado, tornando-o um vendedor
líquido de 25 MWh no Submercado 1;

(b) a exposição líqüida de D2 no Submercado é de uma compra de 100 MW ao preço


PL. (se D2 tivesse sido contratado com volume acima, todas suas compras lhe
seriam creditadas no Submercado 2; porém, D2 acabaria vendendo seu superávit
de energia em outros Submercados com preços potencialmente mais baixos); e

(c) a geração de G2 é solicitada no Submercado 1 (para compensar o fluxo estimado


na conexão de circuito entre os Submercados resultante dos volumes contratados);
portanto, a geração de 50 MWh de G2 será vendida no Submercado 2, ao preço
PL.

45 De acordo com esta abordagem, G2 corre o risco de que uma parte de sua energia possa
ser vendida ao preço PL e não a PH. Isto porque a geração não contratada pode ocorrer onde se
fizer necessária como residual (após considerar os fluxos contratados). Isto é aceitável, em
princípio, porém recomendamos que geradores cuja produção tem localização específica (por
exemplo, termogeradores) e que claramente fornecem a um Submercado específico, possam
optar pelo crédito de sua exposição residual no mercado “spot” ao seu próprio Submercado.

46 O caso 1, em nossa opinião, apresenta a solução mais adequada, pelas seguintes


razões:

(a) o CdG do Submercado do distribuidor/varejista oferece bases contratuais


melhores que o CdG do Submercado do gerador; isto acontece porque, de acordo
com o MRE, a geração do CdG poderá ser irrelevante quanto ao local onde a
energia foi produzida ou consumida: o CdG do distribuidor/varejista, ao contrário,
sempre reflete onde a energia foi consumida; conseqüentemente, os casos 1 e 3
são os de escolha quando comparados ao caso 2;

(b) a opção, se resume, então, em considerar se a geração estará melhor atribuída no


ponto do gerador ou ao local de consumo; considerando-se a predominância da
hidrogeração e a filosofia do MRE (segundo a qual cada hidrogerador participa da
energia garantida do MRE), acreditamos que ao se atribuir a geração de acordo
com o padrão de consumo obtém-se uma melhor solução operacional. Isto
implicaria, uma vez mais, que tanto a abordagem 1 quanto a 3 seriam apropriadas;

(c) no entanto, no caso 3, todos os benefícios dos fluxos entre os Submercados são
acumulados pelos geradores. Isso ocorre porque se pressupõe que toda a geração
tenha ocorrido no Submercado onde é consumida e os geradores, então, receberão
o Preço Marginal do Sistema (PMS) predominante. Não haveria conta separada
para fluxos entre os Submercados em que o benefício do fluxo pode ser alocado
de maneira mais geral. Discutiremos este ponto mais detalhadamente logo a
seguir; e

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 10 SEN/Eletrobrás


(d) no caso 3, um gerador não contratado não tem controle sobre o Submercado para
o qual venderá sua produção, e, portanto, sobre o preço que receberá por ela.
Dadas as divergências potenciais entre os PMS nos Submercados vizinhos, isso
exporia o gerador a um risco adicional desnecessário.

47 Existem várias questões muito mais detalhadas e mais práticas que devem ser tratadas na
implementação dos procedimentos, que incluem:

(a) decidir se alguma restrição deve ser feita quanto ao volume dos contratos entre os
Submercados e como as exportações seriam reduzidas se vários geradores, em
conjunto, celebrarem contratos que excedam a potência da conexão;

(b) regras detalhadas para alocação da geração, por exemplo, quando um gerador
celebra contratos com vários Submercados:

(c) como determinar preços para contratos entre as partes em diferentes


Submercados. Lembramos que esta questão está relacionada à alocação do
excedente entre as partes contratantes; e

(d) para os casos em que foram celebrados vários Contratos Iniciais entre as partes em
Submercados vizinhos, como alocar os fluxos de energia real e os contratada entre
eles. Uma regra pro rata nos pareceria mais adequada; no entanto, os detalhes
teriam que ser acordados durante a implementação.

A alocação do excedente dos fluxos entre os Submercados quando há contratos

48 Nos exemplos demonstrados nas Figuras A.3 a A.5 há um fluxo de 50 MWh entre dois
Submercados. No entanto, os fluxos entre os Submercados foram contratados em sua íntegra.
Nas Figuras A.6a e b apresentamos exemplos de contabilidade de energia onde existem fluxos
não contratados. Nos dois exemplos, o fluxo total entre os Submercados excede os volumes
contratados.

49 Passaremos agora a explicar os procedimentos propostos para os fluxos não contratados,


examinando primeiramente o caso 1 e, depois o caso 3.

50 A Figura A.6a demonstra os procedimentos contábeis de energia no caso 1. A


demanda residual não contratada “na área limítrofe” do Submercado 1 está registrada na conta
T1 e com valores de PL, e a geração residual não contratada “na área limítrofe” do Submercado
2, na conta T2, com valores de PH. O excedente é, portanto, de 100* (PH-PL). Portanto, este
caso é simplesmente a extensão do demonstrado na Figura A.1.

51 A Figura A.6b demonstra a contabilidade de energia no caso 3. É importante


reconhecer que não haverá excedente pois a geração é creditada ao Submercado no qual a energia
é consumida. As regras para alocação da geração aos Submercados prevêem que a energia
contratada é creditada primeiro, e em seguida a energia é alocada pro rata de acordo com o local
de consumo. (Assim, 100MWh da energia de G1 é creditada ao Submercado 2; no entanto, D2
precisa comprar 250MWh ao preço “spot” do Submercado 2; esta compra de 250MWh é
alocada pro rata para toda a produção extra disponível de G1 e G2; como resultado G1 recebe o
crédito pela venda de 235 MWh para o Submercado 2 e o remanescente de suas vendas
(40MWh) é creditado ao Submercado 1; da geração total de 150MWh de G2, 115 MWh são
creditados ao Submercado 2 e 35MWh ao Submercado 1, de forma coerente com a proporção da
demanda não contratada para cada Submercado).

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 11 SEN/Eletrobrás


Figura A.6a : Caso 1 com fluxos não contratados

Submercado 1 Submercado 2

G1 200 MWh
D2
D1 G2
PL PH
G1 D2
275g 100d 100c 350a
175 250

D1 G1
75d 100g 100c
Leg c = volume contratado, MWh

T1 g = geração real ou alocada , d = demanda real,, MWh


Perdas de transmissão calculadas em zero para simplificar G2
PL = Preço do MAE no Submercado 1 150g
100d
PH = Preço do MAE no Submercado 2
Apenas G1 e D2 contratados; G2 e D1 não são contratados
T2
100g
BR4_A1.pre ref.para. 52
FiguraA.6b : Caso 3 com fluxos não contratados

Submercado 1 Submercado 2

G1 200 MWh
D2
D1 G2
PL PH
D1 D2
75d 100c 350d
250

G2 G2
35g 115g

Notes c = volum contratado, MWh


G1 g = geração real ou alocada, d = deman real, MWh
Perdas de transmissão calculadas em zero para simplificar
G1
40g PL = Preço MAE no Submercado 1 235g 100c
PH = Preço MAE no Submercado 2 135
Apenas G1 e D2 contratados; G2 e D1 não são contratdos

BR4_A1.pre ref.para. 52
Conexões entre os sistemas principais

52 Recomendamos que os fluxos de todos os interconectores entre os sistemas


principais sejam tratados igualmente como fluxos entre Submercados, conforme descrito.

53 Na seção 2 do Volume II deste relatório, explicamos que os interconectores entre


sistemas no Brasil não serão alocados pela energia garantida que acrescentam ao sistema, pois
para tanto tornariam sem efeito o princípio da separação vertical da geração e transmissão. O
incremento seria, no entanto, alocado aos geradores, refletindo o impacto que a conexão exerce
sobre eles. A interconexão seria tratada como qualquer outro circuito de transmissão, e teria um
Contrato de Prestação de Serviços de Transmissão (CPST) (vide Seção 4).

54 Quando tal interconector entrar em operação, formará uma conexão entre os dois
Submercados. Os fluxos entre eles e a alocação dos benefícios seriam determinados da mesma
forma, como descrito, com benefícios a outros Submercados alocados por intermédio das
mudanças no padrão geral dos fluxos do sistema.

Questão 3: Procedimentos para os intercâmbios internacionais

55 Nossas recomendações referentes aos procedimentos para intercâmbios


internacionais são:

• a responsabilidade pela otimização dos intercâmbios internacionais


deverá ser do OIS e seu agente de contrapartida no sistema adjacente
(por exemplo a CAMMESA);

• os benefícios comerciais seriam alocados para:

- uma das partes construindo um novo circuito para


interconexão;

- umas das partes comprando direitos de acesso a um


interconector existente; ou

- o OIS, caso nenhum direito tenha sido alocado a uma entidade


individual, que, então distribuiria aos membros do MAE
conforme previamente acordado (por exemplo, reduzindo
encargos pelos serviços do sistema). Esta porção do benefício
seria alocada igualmente entre os dois países interligados;

• a parte detentora do direito de acesso a um interconector estaria livre


para decidir se formalizaria um acordo com este fim ou se venderia
esta energia ao MAE. Se a escolha for a compra de energia, terá que
fazer um depósito em garantia.

56 Na Seção 2 afirmamos que a responsabilidade pela otimização dos fluxos internacionais


interligados caberia ao OIS e à sua contraparte nos sistemas adjacentes. Assim como nos
interconectores do Submercado, as questões giram em torno da alocação dos benefícios desta
comercialização. Nós propusemos, na Seção 2, que os direitos de comercialização do
interconector devem ser alocados para:

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 12 SEN/Eletrobrás


(a) as partes que tenham construído novos circuitos interligados quando tiver sido
previamente acordado entre as partes pertinentes de ambos sistemas, (isto é, o OIS
e sua contraparte) de que o construtor teria este direito; ou

(b) as partes comprando os direitos aos benefícios dos circuitos existentes por
intermédio de processo de licitação; ou

(c) na eventualidade de nenhuma das partes ter adquirido estes direitos, os benefícios
seriam divididos igualmente entre os dois sistemas interligados. A quota brasileira
dos benefícios deverá permanecer com o OIS para distribuição entre os membros
do MAE.

Lembramos que a parte detentora do direito da conexão não estará obrigada a manter um contrato
de volume fixo de energia associado. Esta seria uma decisão comercial para a parte envolvida, da
mesma forma como seria para um novo gerador ou varejista.

57 Propomos um mecanismo de contabilidade de energia e a liqüidação financeira no caso


de intercâmbios internacionais, semelhante ao descrito para os intercâmbios entre os
Submercados, como no caso 1. Haverá uma conta individual alocada a cada uma das partes
dentro do sistema interligado e ela será registrada como pertencente à parte detentora do direito.
O processo deverá operar da seguinte forma:

(a) se a parte detentora do direito possuir contratos por volume fixo de


energia, deve registrá-los da seguinte maneira:

- se o contrato por volume fixo de energia for para exportação, seria


registrado na conta do interconector internacional como demanda
garantida; ou

- se o contrato por volume fixo de energia for para importação,


seria registrado na conta do interconector internacional como
geração garantida;

(b) os fluxos reais para o interconector, resultantes da otimização do


sistema em tempo real, serão comparados com o volume contratado:

- se não houver um contrato de volume energia com volume fixado


para um circuito de interconectores internacionais e houver
exportação, o detentor do direito deverá pagar o preço do MAE em
vigor para a “demanda” do interconector e se houver importação,
ele receberá o preço do MAE pela sua “geração”;

- se houve exportação líqüida e um contrato de volume de energia


com volume fixo de energia registrado no MAE, e se o volume
contratado também for exportação, o compromisso residual
(geração ou demanda líqüida) terá os valores de preço do MAE.
Se o contrato for para importação líqüida, então a diferença será
também receberá os valores de preço do MAE;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 13 SEN/Eletrobrás


- se houver importação líqüida e um contrato de volume de energia
com volume fixo de energia registrado no MAE, então, o
procedimento será o mesmo do caso de exportação garantida;

(c) o grau de exposição nos sistemas adjacentes seria assunto para acordos
comerciais entre os países pertinentes.

Apresentamos exemplos ilustrativos deste mecanismo nas Figuras A.7a e A.7b. A Figura A.7
demonstra o exemplo de quando as exportações do Brasil são econômicas e a Figura A.7b o de
quando os preços de mercado são os mesmos em ambos sistemas. Nas Figuras, pressupõe-se que
o Governo Brasileiro (GB) tenha o direito de acesso ao interconector internacional para seu
volume contratado (500MWh).

58 Além do que acabamos de mencionar, as partes detentoras de direitos de comercialização


do interconector estarão sujeitas a pagar encargos pelo uso do interconector conforme a potência
para a qual compraram os direitos de acesso, que seriam diferentes dos encargos habituais pelo
uso da transmissão no sistema. As partes que tivessem construído um interconector estariam,
naturalmente, isentas de encargos pelo seu uso.2

59 Lembramos que o que acabamos de mencionar se aplicaria a situações em que o Brasil


tiver celebrado acordos bilaterais com seus vizinhos. No entanto, é inevitável que alguns
intercâmbios, ou todos, com os outros sistemas ocorram no âmbito de um mecanismo
internacional de pool. Nossa visão é a de que muitos dos princípios descritos anteriormente
seriam preservados em tal situação. O OIS seria responsável pela coordenação dos fluxos
internacionais. A alocação dos direitos do interconector regeria o fluxo dos benefícios. As
regras para alocação de benefícios quando o OIS detiver os direitos de interconexão serão
preservadas. A principal mudança será feita por intermédio de alterações aos procedimentos para
o processo de otimização.

60 Finalmente, a ligação entre os intercâmbios internacionais e os Submercados do MAE


deve ser considerada. Os fluxos físicos de interconexão estarão, obviamente, em um
Submercado específico, e serão lá considerados para a definição dos preços do MAE. No
entanto, lembramos anteriormente que qualquer parte do benefício do fluxo internacional
contabilizado ao OIS seria alocado aos membros do MAE. Isto significa que o benefício poderá
ter que ser alocado de maneira mais abrangente do que ao Submercado ao qual a energia foi
fornecida.

61 Preferimos alocar o benefício ao Submercado no qual o interconector estiver localizado.


Os benefícios serão melhor distribuídos com redução dos custos de geração de maneira mais
abrangente por todo o sistema. No entanto, esta é uma questão específica que será resolvida
durante a implementação.

Questão 4: A restrição de transmissão no âmbito de um Submercado

62 Nossas recomendações principais são que:

2
Lembramos que este não seria o caso para qualquer outra capacidade de transmissão. Se os ativos formarem parte
do sistema de transmissão, o construtor celebrará um CPST com o OIS. Se ele tiver qualquer atividade comercial,
esta terá que ser completamente separada do seu negócio de transmissão.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 14 SEN/Eletrobrás
Figura A.7a -Transações entre interconectores internacionais - Exemplo 1

Brasil Sistema Externo


pB pE
G 500 MWh
D

GB tem um contrato de energia fixa de 500MWh com DE, PB < PE

GB G(External)
400g 500c 500c 500
100

D(External) D
500c 450d
500c 500d
50

GB compra 100 no sistema DE vende 50MWh no sistema


brasileiro para cumprir o contrato - externo - teria melhor preço de
seria melhor contratar a preço > contrato < PE
PB

BR4_A1.pre
ref. para. 61
Figura A.7b -Transações entre interconectores internacionais - Exemplo 2

Brasil Sistema externo


pB pE
G 200 MWh
D

GB tem um contrato de energia fixa de 500MWh com DE, PB = PE> Preço do contrato

G G(Externo)
500g 500c 200g
500c
300

D(External) D
500c 200d 500c 500d
300

DB vende 300 no sistema brasileiro GE compra 300MWh no


para cumprir contrato - estaria melhor sistema externo- estaria melhor
com preço de contrato < PB com preço de contrato < PE

ref. para. 61
BR4_A1.pre
• as restrições de transmissão no âmbito de um Submercado sejam
identificadas pelo uso de uma programação a posteriori, baseada na
demanda real e na disponibilidade do gerador;

• os termogeradores serão compensados pelas restrições de


transmissão no âmbito do Submercado pelos seus custos de geração
se estiverem operando sob restrições e pela perda de lucratividade
(medida em comparação com os preços do MAE) se restritos e não
operando;

• não será apropriado compensar os hidrogeradores da mesma


forma, pois a decisão de usar ou não a água, hoje, afetará o preço
futuro do MAE. Não será possível medir com precisão este efeito, e,
portanto, recomendamos que se faça uma aproximação e que a
compensação seja feita via MRE (embora compartilhada entre os
geradores afetados no Submercado correspondente); e

• o pagamento da compensação pela restrição implica que os


geradores teriam direitos garantidos de acesso ao sistema de
transmissão correspondente ao seu Submercado.

63 Na Seção 2 propusemos que os custos das restrições de transmissão em um Submercado


deveriam ser distribuídos por toda a demanda daquele Submercado. As questões que devem ser
analisadas para se desenvolverem regras mais detalhadas com tal objetivo são:

• qual seria o impacto das restrições de transmissão para hidro e


termogeradores e como devem compensadas; e

• como os varejistas poderão ressarcir os custos das restrições de


transmissão.

O impacto das restrições da transmissão sobre um termogerador

64 Esta questão será compreendida mais facilmente se compararmos os efeitos das


restrições para um hidro e um termogerador.

65 Um termogerador poderá estar sujeito a uma limitação de transmissão que provoque uma
das seguintes situações:

• “operando, sob restrição”. Neste caso, seu custo de despacho o coloca fora
da ordem de mérito, porém ele precisa continuar operando devido à
restrição de transmissão3; ou

• “sem operar, sob restrição”. Quando poderia ter gerado com o melhor
aproveitamento de seu despacho, porém uma restrição da transmissão no
Submercado impediu.

66 As regras de compensação para um termogerador são muito claras:


3
O gerador também poderá estar “operando, sob restrição” para o fornecimendo de energia reativa. Discutiremos
este caso na Questão 10.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 15 SEN/Eletrobrás
• se ele esteve “operando, sob restrição”, terá usado combustível e incorrido
em custos operacionais variáveis que não teriam acontecido não fossem
estas as circunstâncias. Portanto, ele deverá ser ressarcido pelos custos
decorrentes de suas atividades de operação;

• se ele esteve “sem operar, sob restrição”, o gerador deverá ser ressarcido
pela remuneração líqüida que não pôde perceber no MAE - a diferença
entre seu combustível e o preço operacional variável e o preço (mais alto)
do MAE em seu Submercado. Este seria seu custo de oportunidade pelo
fato de ter estado “sem operar, sob restrição”.

67 Este método de compensação é apropriado para o termogerador pois cada dia de


comercialização no MAE pode ser considerado independentemente. Sua decisão de gerar
energia, hoje, independe de ter usado combustível ontem (a não ser que disponha de
fornecimento limitado). Desta forma, qualquer receita potencial que puder ter ganho hoje
representa uma oportunidade única e, se afetado pelas restrições, estará perdida.

O impacto das restrições de transmissão sobre o hidrogerador

68 A indicação de que um hidrogerador está “operando, sob restrição” ou “sem operar, sob
restrição” é muito parecida com a de um termogerador. Será determinada pelo valor da água no
reservatório pertinente (ou área de restrição, dependendo da especificação precisa do modelo de
otimização), referente ao preço do MAE em seu Submercado.

69 No entanto, existe uma diferença importante. Quando um hidrogerador estiver sem


operar, sob restrição, sua água permanece disponível para uso futuro (a não ser que a restrição o
tenha levado a um vertimento), o que conseqüentemente adia sua receita, que estará limitada pela
água disponível para uso em um momento específico. A não ser que ele esteja “sem operar, sob
restrição” a ponto de verter água, seu custo de oportunidade estará relacionado à diferença, ao
preço do MAE, entre o momento em que ele permaneceu sob restrição e o momento que sua
água será efetivamente despachada no futuro. Da mesma forma, quando um hidrogerador estiver
operando sob restrição, seu custo de oportunidade estará relacionado ao preço do MAE do
momento, comparado ao valor de quando vier a ser utilizado no futuro.

70 Existe ainda um outro efeito. A restrição de transmissão afetará o valor hídrico no sistema
e, portanto, o preço do MAE no futuro. A restrição levou a um aproveitamento inferior da água e,
desta forma, a um custo mais elevado no sistema, agora e no futuro. Este é o verdadeiro custo do
recurso hídrico na restrição da transmissão.

71 Passamos, agora, a uma abordagem para tratar a questão relacionada à melhor maneira de
ressarcir o hidrogerador. Em seguida, poderemos avaliar os custos econômicos das restrições no
sistema de transmissão.

72 Ao contrário do termogerador, o hidrogerador não incorre em custos de combustível. No


entanto, quando ele não opera em decorrência de uma restrição, seu ressarcimento deve ser
compensado pela sua renda subseqüente no MAE quando estiver operando, e, portanto, utilizar a
água.

73 Esta abordagem pressupõe as seguintes regras para este ressarcimento:

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 16 SEN/Eletrobrás


(a) quando o gerador estiver sem operar, sob restrição, deverá ser
ressarcido pelo volume de geração em período sem operar, por
restrição, com valores do preço vigente no Submercado do MAE;

(b) quando convocado a gerar energia e usar aquele volume de água, reporá
o volume do período sem operação, sob restrição, ao preço do MAE no
momento da geração. Desta forma, a restrição será calculada no
momento em que realmente acontecer (interessante notar que esta
conduta poderá levar o gerador a repor mais se o preço no MAE estiver
mais elevado no momento da geração do que na ocasião em que esteve
sem operar, sob restrição). Os efeitos do desconto do fluxo futuro do
gerador serão recuperados ao se permitir que ele retenha os juros em
seu pagamento pela restrição; e

(c) se ele estiver operando sob restrição receberá o preço vigente no MAE
para esta geração no momento em que teria usado água, e sem restrição
de transmissão.

74 Se o gerador verteu a água como resultado da restrição deverá receber o mesmo


tratamento de um termogerador - isto é, ser compensado com a mesma diferença entre o preço do
MAE e o valor de sua água, porque aquela geração foi perdida para sempre. O mecanismo de
compensação exigirá uma conversão acordada de fatores para transformar os volumes de água
vertidos em geração.

75 Enquanto esta é uma abordagem teórica aceitável, haverá enormes dificuldades para
aplicá-la na prática. Os procedimentos terão que levar em conta os padrões complexos de geração
e das restrições. O SCLE terá que determinar quando a água “sob restrição” foi usada para
geração. Tendo em vista o número de hidrelétricas envolvidas, esta abordagem dificilmente terá
aplicação prática.

76 Uma versão simplificada deste mecanismo seria mais prática. Os hidrogeradores


receberiam pagamento de juros baseados na sua expectativa de ganhos, quando surgisse uma
nova restrição. Este mecanismo funcionaria da seguinte forma:

(a) cada hidrogerador teria uma conta de restrição que seria zerada no início de um
“período de contabilidade da restrição” ( por exemplo, um mês), o que definiria o
período em que o pagamento pela restrição seria feito - esta é a duração prevista
para a restrição no âmbito do MAE4.

(b) se um gerador estivesse “sem operar, sob restrição” ele receberá o pagamento
referente:

(ao preço vigente no MAE para o volume “sem operar, sob restrição”*) *taxa
diária de juros *número de dias remanescentes do período de contabilidade da
restrição;

(c) se a restrição se prolongar durante o período contábil da restrição, receberia um


pagamento adicional incremental; e

4
Note-se que se a restrição se deu o tempo todo, o gerador receberá o pagamento dos juros correspondentes, pois a
reprogramação será feita no início de cada período contábil.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 17 SEN/Eletrobrás
(d) se a restrição for suspensa, não haverá pagamento. Os pagamentos para
compensação serão feitos supondo-se que a restrição seja efetiva para o período
contábil remanescente da restrição.

77 O raciocínio subjacente ao último ponto é que não haverá exigência de se identificar


quando a água limitada foi usada, simplificando as regras do MAE. O que está implícito nesta
abordagem é que se supõe que o preço do MAE tenha sido o mesmo no momento da implantação
da restrição e de sua suspensão. Cabe observar, ainda, que o risco de um pagamento maior do
que o devido pode ser resolvido pela redução do período contábil da restrição.

78 Este mecanismo exigirá que o MRE exclua a geração operando sob restrição e a geração
fora de operação, sob restrição. De outra forma, significa que os hidrogeradores serão
compensados em valores maiores que o devido pela restrição, pois sua geração será (pelo menos
parcialmente) restabelecida. Tal regra poderá ser incorporada ao MRE, e determinará os custos
das restrições de transmissão no âmbito de cada Submercado, assim como identificará toda a
geração em operação, sob restrição e fora de operação, sob restrição.

79 Para simplificar este mecanismo ainda mais, a compensação definida anteriormente pode
ser realocada via MRE a todos os geradores afetados dentro do Submercado. Esta abordagem
será também mais consistente como a filosofia do MRE no sentido de que desvinculará a geração
real da geração alocada.

80 Portanto, recomendamos que a versão simplificada da abordagem proposta seja


adotada, com a compensação pela geração sob restrição distribuída por intermédio do
MRE a todos o geradores atingidos em cada Submercado. Os custos da geração sob
restrição seriam recuperados por intermédio de encargos pelos serviços do sistema
aplicados a cada Submercado.

Como calcular os efeitos da restrição de transmissão no âmbito de um Submercado

81 A abordagem anterior fornece um meio de alocar os custos para restrição de transmissão.


No entanto há necessidade de um mecanismo para identificá-los.

82 A principal dificuldade para o cálculo dos custos da restrição de transmissão é o que se


denomina “memória” do hidrossistema. Uma restrição de transmissão, hoje, afetará os custos de
uma operação sem restrição no futuro.

83 Uma abordagem relativamente simples será calcular os custos da restrição por uma tabela
de liqüidação a posteriori, utilizando-se a demanda real, as afluências e os dados sobre a
disponibilidade do gerador (incluindo as transferências reais entre os Submercados). No entanto,
ela não incluirá os efeitos da restrição de transmissão no âmbito de cada Submercado. Esta
reotimização :

(a) identificará as usinas que tenham estado “operando, sob restrição”e as que
estiverem “sem operar, sob restrição”; e

(b) fornecerá uma estimativa dos custos adicionais do sistema resultantes do padrão
de subaproveitamento da água decorrente da restrição de transmissão.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 18 SEN/Eletrobrás


84 Recomendamos uma abordagem que adote o uso de uma tabela a posteriori para
identificar as restrições da transmissão e os custos correspondentes, muito embora
gostaríamos de lembrar que o detalhamento para o modelo e para os dados deva ser definido no
processo de implementação.

Questão 5: A participação dos geradores no MAE e no MRE

85 Na Seção 2 propusemos que os hidro e termogeradores com capacidade instalada


acima de 50 MWh seriam obrigados a vender toda a sua produção via MAE. Geradores de
menor porte, com capacidade instalada entre 10MW e 50MW, poderiam escolher entre vender
sua energia ao MAE ou ao seu distribuidor/varejista hospedeiro; (pressupõe-se que geradores
deste porte não estejam conectados ao sistema de transmissão)5 .

86 Explicaremos, na Questão 8, como os geradores que negociam com o MAE, e que são
embutidos (isto é, conectados a um sistema de distribuição), teriam sua produção ajustada
conforme as perdas na subtransmissão/distribuição, de tal forma que sua energia seja considerada
como venda na área limítrofe do sistema de transmissão.

87 A participação no MRE estará restrita aos hidrogeradores com despacho


centralizado. Hidrogeradores de pequeno porte com auto-expedição não serão incluídos no
MRE.

88 Todos os termogeradores também estarão excluídos do MRE. Os termogeradores


inflexíveis com carga básica celebrarão Contratos Iniciais com os distribuidores e varejistas. Os
termogeradores flexíveis celebrarão contratos bilaterais com hidrogeradores, conforme
explicamos na Seção 3.

89 Exclusões do Mercado Atacado de Energia serão possíveis apenas se a interação


física com outra geração do MAE for evitada. Isso seria possível somente nas seguintes
circunstâncias:

• um gerador e um consumidor isolaram-se fisicamente do sistema


interligado pela construção de um circuito dedicado; ou

• um gerador exerce o controle direto da demanda associada de seus


consumidores de tal forma que esta geração menos as perdas do sistema
de transmissão sempre equivale à demanda medida. Desta forma, o
sistema interligado será utilizado apenas para a transmissão da
eletricidade. Mesmo neste caso, o consumidor terá que pagar os
Encargos pelo Serviço do Sistema, pois terá utilizado a capacidade
reguladora e de estabilização do sistema interligado.

90 As partes que aderirem a estes procedimentos estarão se privando dos benefícios do


sistema interligado diversificado, o que provavelmente não será atraente na prática. Isto significa
que os acordos atuais para auto-geração, onde o local da demanda for distante da geração, estarão

5
Se um gerador de pequeno porte, sem despacho central, não estiver disposto a participar do MAE, então ele deverá
celebrar um contrato direto com um varejista, caso em que a demanda do varejista, para efeitos do ASCLE, será
registrada em valores líqüidos para esta geração contratada. Em princípio, tais contratos se basearão nos custos
evitados do varejista (isto é, o preço do MAE com ajuste para perdas).
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 19 SEN/Eletrobrás
incluídos nos procedimentos do SCLE5. Se não for este o caso, algumas das partes poderão
aproveitar os benefícios sem incorrer nos custos nos serviços e na energia fornecida por outras,
pois não haveria como exigir pagamento.

91 Portanto, recomendamos que:

• geradores embutidos, com despacho central (inclusive os auto-


geradores de grande porte) não devem receber tratamento diferente de
outros geradores, exceto no fato de que sua produção medida deve ser
escalonada para perdas no sistema de distribuição;

• uma unidade embutida e não centralizada deve receber o preço do


Mercado Atacado de Energia para toda sua produção, com ajuste para
as perdas se tiver optado por ser membro do MAE.

Questão 6: A participação dos distribuidores e varejistas de pequeno porte no MAE

92 Sabemos que há vários distribuidores/varejistas e outras cargas no atacado (por exemplo,


cooperativas rurais de eletricidade) que têm uma carga máxima muito pequena (isto é, abaixo de
100MW) e que não estão conectados diretamente ao sistema de transmissão, porém, estão
embutidos em um sistema de distribuição.

93 Recomendamos que estes distribuidores/varejistas sejam tratados da seguinte forma no


MAE:

(a) se um distribuidor/varejista embutido tiver uma demanda da ordem de 100GWh,


toda sua energia deve ser negociada via MAE, com ajustes apropriados para
perdas de transmissão. Como alternativa, ele poderá optar por ser representado
pelo seu distribuidor/varejista hospedeiro no MAE e negociar uma tarifa para sua
energia.;

(b) se um distribuidor/varejista embutido tiver uma demanda máxima entre 20GWh e


100GWh poderá optar entre obter sua demanda de seu distribuidor/varejista
hospedeiro (segundo uma tarifa acordada, que refletisse o custo de oportunidade
da energia, e não uma tarifa negociada como no caso (a) acima), ou adquiri-la
diretamente do MAE;

(c) se um distribuidor/varejista embutido tiver uma demanda máxima abaixo de


20GWh, ele não estará em condições de participar do MAE e deverá ser
abastecido pelo seu distribuidor/varejista hospedeiro.

Questão 7: Os acordos com os consumidores de grande porte no MAE

94 Os consumidores de grande porte podem participar ativamente do MAE de duas formas:

5
O benefício fiscal atual oferecido pela co-geração terá que ser considerado durante a implementação. Em nosso
ponto de vista, tais questões devem ser tratadas pela via fiscal e não via MAE, pois podem introduzir mais
distorções no mercado.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 20 SEN/Eletrobrás
(a) comprando diretamente do MAE, por conta própria. Isto irá exigir que
estejam legalmente comprometidos com todos os dispositivos e condições do
Contrato do Mercado Atacado de Energia (CMAE), inclusive a exigência de
efetuar um depósito de segurança. É pouco provável que muitos consumidores
estejam dispostos a se submeter a isto, pois em termos operacionais será, para
eles, muito mais fácil negociar e celebrar contratos com outro varejista
concorrente, evitando assim a administração e os depósitos de segurança
associados à filiação direta ao MAE.

No entanto, a fim de evitar que um grande número de consumidores


participe do MAE, recomendamos que condições relativamente semelhantes
sejam aplicadas às regras para filiação e aos geradores (isto é, consumidores
de grande porte, com demanda acima de 10 MW, poderão participar do MAE,
muito embora o pequeno número de consumidores acima de 50MW não esteja
obrigado); e

(b) licitando reduções de demanda e das restrições junto ao MAE. O mecanismo


pelo qual isto poderá ser feito está descrito mais detalhadamente a seguir.
Lembramos que as obrigações dos membros do MAE no contexto do controle da
demanda não incluirão compras do MAE, que poderão ser feitas por intermédio
de qualquer varejista. Na verdade, acreditamos que muitas licitações referentes à
demanda serão feitas por varejistas em nome dos consumidores de grande porte.

95 O resultado é que o relacionamento entre um consumidor de grande porte e o mercado


não será diferente de qualquer outro varejista concorrente. No entanto, os aspectos econômicos
do mercado são tais que é muito pouco provável que haja muitos consumidores (ainda assim
somente os consumidores de muito grande porte, provavelmente com processos intensivos de
produção de eletricidade) interessados em participar do MAE diretamente.

96 Se um consumidor de grande porte decidir comprar diretamente do MAE, não


enfrentará apenas o requisito do depósito de segurança junto ao ASCLE, como também
estará obrigado a contratar uma proporção compulsória de sua produção com um gerador
para proteção contra práticas injustas de compra de energia a baixo custo no MAE
durante os anos de chuva. As regras, neste caso, serão as descritas na Seção 2 do Volume
II.

Licitação para demanda

97 O mecanismo que recomendamos para participação explícita da demanda no MAE é a


seguinte: consumidores de grande porte que possam gerenciar sua carga farão o lance ao preço
que se disponham a pagar se desligarem ou a reduzirem sua carga em um volume específico
acordado;

• consumidores habilitados a entrar no esquema terão que ter conexões de


tal forma que possam ser desconectadas enquanto outros (de pequeno
porte) em sua região possam se manter conectados, ou que tenham
acordos em vigor que reduzam sua carga de maneira segura quando
instruídos a isso;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 21 SEN/Eletrobrás


• os preços das propostas serão incluídos no processo de otimização. Ao
atingir o grau máximo de otimização, na margem, um desligamento
anterior à programação de geração adicional, o preço do MAE seria
fixado ao preço da oferta daquela redução de carga; e
• mecanismos de monitoramento serão introduzidos para determinar se a
redução de carga instruída foi fornecida7.

98 Esta abordagem proporcionará um escopo considerável para uma demanda ativa no


Mercado Atacado de Energia, especialmente considerando-se o volume relativamente grande de
carga industrial e comercial no Brasil. Permitirá, também, que os consumidores reduzam sua
carga durante os períodos de racionamento, de maneira que possam evitar a exposição aos preços
altos do MAE8. Isto reduzirá a necessidade de um racionamento de maior amplitude para os
consumidores de pequeno porte. No geral, o gerenciamento da demanda desta forma auxiliará a
limitar o volume de nova geração necessária para atender a demanda.

99 Esta abordagem permitirá apenas um limite moderado da participação da demanda


explícita no mercado. Assim, o preço do Mercado Atacado de Energia não refletirá,
necessariamente, todo o gerenciamento da demanda do sistema. No entanto, pode ocorrer que o
gerenciamento da demanda que se torne disponível por este processo evite o aumento do preço
no MAE ao valor do racionamento acima do nível considerado ótimo. Esta é, na verdade, uma
questão empírica. Pode ainda ser difícil confirmar se a redução instruída da demanda foi
efetuada. O esquema exigiria, portanto, monitoramento e controle cuidadosos.

100 Esta abordagem pode também ser estendida a consumidores de grande porte em licitação
direta ao MAE, aos varejistas agindo em seu nome. Sempre que os varejistas tenham meios
físicos e contratuais para desconectar consumidores de grande porte, poderão ocupar melhor
posição conduzindo os elementos operacionais e comerciais da redução de carga. Da mesma
forma, seus custos de compra de geração serão reduzidos se puderem repassar este benefício a
consumidores interrompíveis. Acreditamos que esta seja a forma mais viável pela qual a
licitação da demanda pode ser desenvolvida a médio prazo.

Questão 8: O cálculo da energia garantida

101 Nossa recomendação principal a respeito desta questão é a seguinte:

• a responsabilidade pelo cálculo da energia garantida será do OIS.


Será necessário estabelecer uma ligação com o PI neste processo.
Inicialmente, todos os valores deverão ser submetidos à aprovação
da ANEEL, embora esta exigência possa ser suspensa no futuro se
for considerada muito onerosa;

7
A redução real de carga alcançada por um consumidor nunca pode ser calculada com precisão, pois não se pode
saber qual teria sido a demanda na ausência da redução. As metodologias que envolvem o uso das curvas de carga
típicas podem ser utilizadas para determinar se o comportamento de um consumidor é consistente com a redução da
carga. Se provar que não, poderá haver a aplicação de uma multa.
8
Este fato seria particularmente importante durante os períodos de escassez de capacidade, quando os altos preços
do MAE poderão não ser necessariamente conhecidos com antecedência. Se o consumidor confiar no Preço MAE a
priori pode estar arriscando alta exposição caso um período de escassez ocorra inesperadamente.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 22 SEN/Eletrobrás
• deve-se alocar à nova geração o acréscimo de energia garantida que
cria ao sistema; não haverá restrições sobre as possíveis
negociações desta energia garantida com outros geradores; e

• os valores para a energia garantida relativos ao MRE devem ser


reavaliados periodicamente para assegurar que possam continuar a
ser um reflexo razoável das operações reais do sistema. Esta
reavaliação não deverá acontecer a intervalos menores de 10 anos
(15 anos para as novas usinas) para que se possa garantir razoável
segurança aos hidrogeradores.

102 A definição da quota de energia garantida no sistema alocada a cada usina é importante
por duas razões relacionadas:

• a definição dos volumes no Contrato Inicial; e

• os valores a serem utilizados para a alocação de energia no MRE.

A mesma abordagem deve ser aplicada nos dois casos para que não se dêem distorções
potenciais.

103 Na Seção 2 sugerimos que o OIS terá a responsabilidade de alocar a energia garantida,
com aprovação da ANEEL. No entanto, propomos que o PI exerça um papel importante no
desenvolvimento de novos projetos, especificamente na definição da energia firme antes da
licitação para a concessão. Por outro lado, o OIS é responsável pelas operações do sistema e pelo
funcionamento do MAE e do MRE; portanto, é o mais indicado para calcular as alocações que
serão revisadas no futuro.

104 Este aparente conflito será melhor resolvido atribuindo-se a responsabilidade total
da alocação da energia garantida ao OIS, seguindo uma metodologia acordada. O OIS definirá
os valores juntamente com o PI para as novas usinas.

105 A metodologia exata para se determinar os valores da energia garantida deverá ser
definida durante a implementação do MAE; assim, não tentaremos defini-la aqui. No entanto,
existem questões específicas que devem ser examinadas:

(a) decidir se os futuros interconectores entre os principais sistemas devem receber


uma quota alocada de energia garantida no sistema;

(b) decidir se uma nova usina deve receber a alocação de toda a energia garantida que
incorpora ao sistema; e

(c) decidir se, e, se for o caso, com que freqüência a alocação da energia garantida
deve ser modificada.

As primeiras duas questões são tratadas na Seção 2 do relatório principal. Aqui, trataremos da
última questão.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 23 SEN/Eletrobrás


106 Modificações constantes na alocação da energia garantida não são desejáveis, pois
agravariam as incertezas enfrentadas pelos geradores no Brasil. De um ponto de vista mais
crítico, tornariam menos atraentes os novos projetos de hidrogeração aos olhos dos investidores
privados9.

107 No entanto, existe a necessidade de reajustes periódicos nos níveis da energia garantida a
fim de refletir as mudanças fundamentais nas características do sistema e de assegurar que os
resultados do MRE também reflitam de maneira razoável as expectativas genuínas de energia
garantida dos hidrogeradores. Uma forma de se atingir este objetivo seria uma reformulação dos
valores da energia garantida a intervalos pré-especificados. Para se obter um razoável grau de
segurança, recomendamos um intervalo não inferior a 10 anos. Da mesma forma, para encorajar
investimentos, novas usinas devem estar protegidas contra qualquer revisão em sua energia
garantida, pelo menos durante 15 anos.

Questão 9: Os procedimentos com os termogeradores

108 Na Seção 2 propusemos que os termogeradores flexíveis celebrem contratos com os


hidrogeradores; porém, que não participassem do MRE. Os contratos bilaterais transfeririam o
volume fixo da geração correspondente à energia garantida oferecida por tal usina aos
hidrogeradores. Isto se justifica porque os hidrogeradores, pelo seu tamanho, seriam os mais
indicados para arcar com os riscos e as implicações de fluxo de caixa da termogeração flexível
do que os distribuidores/varejistas, e, além disso, teriam um incentivo maior para investir em
novas termelétricas ou celebrar contratos para que outros façam os investimentos.

109 Lembramos que a flexibilidade provavelmente será definida em termos da variação no


fator anual da capacidade de carga do termogerador. Por exemplo, uma regra poderá ser a que
apenas os geradores que possam variar seus fatores de carga em, digamos, 25%, possam ser
considerados flexíveis.

110 Conforme explicamos na Seção 2, estes contratos serão parte integrante do pacote dos
Contratos Iniciais. Assim, não haverá a questão de hidrogeradores reterem a venda de energia
garantida aos distribuidores/varejistas. No futuro, à medida que se construírem novas gerações
térmicas flexíveis, a forma de contratos e a identidade de seus parceiros no contrato teriam cunho
comercial para eles.

111 O significado de energia firme nestes contratos se refere não à capacidade instalada da
usina termelétrica, mas à contribuição de energia garantida desta usina ao sistema. Portanto, a
alocação inicial destes contratos e a energia contratada entre os hidrogeradores e os
distribuidores/varejistas deverão ser consistentes. Os custos dos encargos da usina termelétrica
serão recuperados por intermédio dos Contratos Iniciais entre os hidrogeradores e os
distribuidores/varejistas, e não pela CCC.

112 Como explicamos na Seção 3 (e mais detalhadamente no Anexo B), os termogeradores


não flexíveis celebrarão Contratos Iniciais com os distribuidores/varejistas para recuperação de
seus custos fixos e variáveis. Estes contratos substituirão a CCC atualmente em vigor.

9
Lembramos que a energia garantida é muito importante para as alocações do MRE e para as expectativas quanto ao
nível adequado de contratação com geradores. Não afeta a otimização ou a operação de outras áreas do MAE.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 24 SEN/Eletrobrás
113 O impacto destas mudanças na distribuição dos custos para os consumidores terá que ser
examinado. Recomendamos que os Contratos Iniciais com os distribuidores/varejistas sejam
alocados de tal forma a distribuir os custos das usinas termelétricas entre os consumidores em
proporção semelhante aos atuais na CCC. Se as alocações nos Contratos Iniciais não permitirem
uma distribuição regular de custos, então, talvez a CCC deva ser mantida por um período de
transição. Esta questão terá que ser analisada na implementação, com base no escopo detalhado
dos contratos.

Questão 10: Os serviços no sistema

114 Nossas propostas básicas para provisão dos serviços do sistema e os mecanismos para a
recuperação de seus custos foram apresentados na Seção 2. Aqui, descreveremos com maiores
detalhes algumas questões referentes à sua aplicação, particularmente no que se refere à potência
reativa.

115 A abordagem proposta é:

(a) determinar o modelo de carga do sistema que se aplicaria a cada nó e os padrões


correspondentes para potência reativa, que poderiam variar conforme a hora do
dia; e

(b) se o distribuidores não cumprirem estes padrões, terão que comprar potência
reativa do sistema de transmissão ou, a longo prazo, investir em equipamento
próprio quando for mais econômico.

116 O objetivo desta abordagem é, portanto, o de criar os incentivos econômicos corretos para
que a empresa de distribuição possa decidir se deve comprar potência reativa do sistema de
transmissão ou instalar seu próprio equipamento de compensação.

117 Descreveremos em maior detalhe, a seguir, alguns elementos de nossas propostas:

(a) como os custos e, conseqüentemente, as tarifas para as provisões de potência


reativa serão calculados;

(b) como recuperar os custos da energia reativa dos distribuidores; e

(c) os acordos com consumidores de grande porte conectados diretamente ao sistema


de transmissão e os localizados no âmbito de sistemas de distribuição que
exerçam efeito considerável sobre as necessidades de potência reativa.

Os custos da potência reativa

118 Os custos da provisão para potência reativa terão os seguintes componentes:

(a) os termogeradores que estiveram operando sob restrição para produzir MVArs
receberão os custos de combustível e os custos operacionais conforme o volume
da operação sob restrição. Isto significa que o modelo de otimização do sistema
deve poder fazer a distinção entre geração sob restrição para restrição de
transmissão e as razões para dar suporte do sistema;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 25 SEN/Eletrobrás


(b) os hidrogeradores que estiveram operando sob restrição para produzir MVArs
receberão os custos adicionais de oportunidade (muito embora isto seja pouco
provável, pois a maioria dos hidrogeradores está distante da carga e, portanto, não
poderá oferecer suporte de tensão). Isto seria calculado com a mesma fórmula
usada para as restrições de transmissão, como já descrevemos na questão 4.
Enfatizamos que a geração sob restrição para este tipo de suporte ao sistema terá
que ser diferenciada de outras formas de geração sob restrição;

(c) a instalação dos equipamentos de compensação nos sistemas de transmissão e


distribuição (quando o de distribuição tiver sido instalado às expensas do OIS); e

(d) os hidro e termogeradores que incorrerem em custos a fim de manter sua


capacidade de produzir MVArs deverão ser reembolsados. Os encargos desta
capacidade serão negociados entre o gerador e o OIS e estariam sujeitos à
aprovação reguladora.

As regras detalhadas do MAE devem incluir um mecanismo pelo qual estes custos possam ser
avaliados.
A recuperação dos custos de potência reativa
119 Os custos de potência reativa poderão ser recuperados por uma maneiras seguintes:
(a) distribuição dos custos por toda a demanda em cada Submercado; e/ou
(b) centralizando o pagamento nas partes que causaram a necessidade de serviço,
quando a definição for possível.

120 Da mesma forma, há necessidade de fazer uma distinção entre


(a) a energia reativa necessária para a operação do sistema. Os benefícios serão
compartilhados por todos que estejam conectados ao sistema e serão recuperados
por intermédio dos encargos de serviços do sistema; e
(b) a energia reativa que reflete as operações dos sistemas de distribuição e o suporte
de tensão que exigem. Os custos associados serão alocados diretamente às
empresas distribuidoras correspondentes.
121 Em parte, esta é uma questão de modelo do sistema. Para que esta separação possa ser
aplicada, seriam necessários meios deterministas para separação dos dois efeitos. Se esta
abordagem não for possível, então uma alocação arbitrária de consenso se fará necessária. Esta
questão deverá ser analisada durante a implementação.
122 Para a energia reativa atribuída a um sistema de distribuição (ou um consumidor de
grande porte conectado ao sistema de transmissão - vide a seguir), existem duas abordagens
abrangentes que poderiam ser utilizadas para a recuperação dos custos da energia reativa:
(a) a recuperação dos custos reais das provisões à medida que surjam. Isto significa
que não haverá uma tarifa fixa para as empresas distribuidoras que não cumpram
os padrões exigidos em qualquer nodo específico. Ao contrário, elas pagarão uma
porcentagem sobre os custos incorridos10. Esta conduta será muito eficiente
apenas para geração sob restrição;

10
Muito embora alguns elementos dos custos seriam fixados - especificamente os encargos de capacidade.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 26 SEN/Eletrobrás
(b) a definição de uma tarifa fixada antecipadamente, com base na previsão de custos
da provisão para energia reativa. Isto poderá ser definido, digamos, anualmente, e
todas as vendas e aquisições de energia reativa serão realizadas com base nesta
tarifa. Isto quer dizer que os custos reais incorridos serão diferentes da tarifa, o
que provocará déficit ou superávit

123 O elemento-chave na escolha da abordagem apropriada para os encargos da energia


reativa é criar os incentivos corretos para as empresas de distribuição. Elas devem poder decidir
se é mais econômico adquirir serviços do sistema ou instalar seus próprios equipamentos de
compensação.

124 A adoção da abordagem da tarifa fixa poderá levar a distorções se a tarifa não refletir os
custos reais da provisão para energia reativa em cada momento. Enquanto a abordagem que
envolve o cálculo em “tempo real” para os custos da energia reativa é mais complexa, é a que foi
usada com sucesso em outros países (como por exemplo a Colômbia e a Argentina).

125 Recomendamos a seguinte abordagem:

(a) conduzir a análise do sistema de forma a fixar os custos totais da provisão da


energia reativa e (talvez em caráter indicativo) as regras deterministas derivadas
para alocação dos custos entre os elementos abrangentes e específicos no sistema;

(b) os custos da energia reativa na parte ampla do sistema serão recuperados por meio
dos encargos de serviços do sistema aplicados a toda a demanda do MAE,
variáveis diariamente de acordo com os custos reais incorridos; e

(c) os elementos específicos dos encargos serão alocados aos distribuidores que
consumirem maior energia reativa do que especificado em seu limite nodal ou
pagos aos distribuidores que consumirem menos ou produzirem mais. O
pagamento total corresponderá às provisões dos custos da energia reativa real
para o suporte de tensão local.

126 Lembramos que os acordos sugeridos representam uma abordagem consistente, pela qual
os custos da energia reativa podem ser fixados e recuperados. Há outras abordagens possíveis,
como as técnicas probabilisticas, que deverão ser consideradas em detalhe como parte do
programa de implementação.

Consumidores de grande porte

127 Um consumidor de grande porte conectado ao sistema de transmissão diretamente


deverá ser considerado exatamente como um distribuidor, recebendo um limite de energia reativa
e sendo cobrado pela tarifa correspondente à energia reativa consumida.

128 Um consumidor de grande porte conectado a um sistema de distribuição, mesmo


sendo um membro do MAE, não terá responsabilidades pelos encargos da energia reativa
específica, pois estes serão de responsabilidade do distribuidor em cujo sistema o consumidor
está localizado. No entanto, o escopo dos encargos de distribuição poderá considerar esta questão
no futuro.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 27 SEN/Eletrobrás


Parte 2: A otimização do sistema sob as regras do MAE

133 Os procedimentos operacionais atuais refletem anos de experiência acumulada e


investimentos consideráveis em simulações no computador e técnicas de otimização. Enquanto a
expectativa, a longo prazo, é de que a reestruturação do setor de eletricidade e a mudança no
relacionamento econômico resultem aumento significativo no volume de potência térmica
instalada, o mix hidrotérmico básico e outras características do sistema não sofrerão alterações
significativas nos próximos 10 a 15 anos. Da mesma forma, é provável, e desejável, que os
futuros requisitos sejam atendidos pela aplicação de metodologias existentes e desenvolvimentos
lógicos decorrentes, e não pela adoção de métodos radicalmente diferentes.

134 Da mesma forma, revisamos os procedimentos de planejamento das operações e das


técnicas atualmente em vigor para avaliar seus pontos fortes, fracos, assim como sua adequação
para aplicação futura. Além disso, foi-nos essencial considerar as metodologias e os programas
de computador sendo desenvolvidos no momento, a fim de avaliarmos seu potencial em termos
do enriquecimento dos procedimentos existentes e da capacidade de oferecerem o tipo de
informação necessária para a garantia de operação eficiente em um sistema privatizado e baseado
nas leis de mercado.

135 Esta parte do anexo está dividida em três outras partes:

• Parte 1: descrição das metodologias e dos programas relacionados sendo


desenvolvidos atualmente e que serão adequados para uso no contexto do MAE;

• Parte 2: identificação dos requisitos para otimização operacional do sistema no


âmbito do Mercado Atacado de Energia, o que poderá ser feito com metodologias
utilizadas atualmente ou sendo desenvolvidas, e a necessidade de aquisição ou
desenvolvimento de ferramentas adicionais para otimização; e

• Parte 3: ações de curto prazo, recomendadas para, no momento certo,


viabilizarem as ferramentas e os procedimentos analíticos necessários à operação
no MAE.

Parte 1: Metodologias e programas sendo desenvolvidos

136 Nesta parte consideraremos o potencial de novos programas que já estejam em fase
avançada de desenvolvimento e prestes a substituir ou complementar os programas utilizados no
momento. Lembramos que o desenvolvimento de tais programas foi provocado pelas
necessidades de melhoras detectadas nas metodologias atuais, e ainda que eles se baseiam em
técnicas de otimização distintas.

137 Nas descrições que se seguem dos programas NEWAVE, SUISHI e DECOMP, estaremos
nos concentrando nos aspectos que entendemos como de particular relevância ao gerenciamento
futuro dos sistemas interligados e do MAE, e na Seção 3 faremos recomendações específicas
referentes à sua validação e teste de aceitação.

Programa NEWAVE (Otimização de longo prazo)

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 28 SEN/Eletrobrás


138 O programa NEWAVE foi desenvolvido para planos de Operações de Longo Prazo, e é
estruturado de forma a realizar as mesmas funções básicas do programa BACUS, porém, gera
funções do valor hídrico e não tabelas. As descrições matemáticas da complexa metodologia
utilizada estão contidas nas Referências 1, 2 e 3. No entanto, estes trabalhos técnicos se referem
a diferentes estágios do desenvolvimento metodológico e, portanto, encontramos uma certa
dificuldade para uma compreensão mais clara dos procedimentos computacionais da versão atual
do programa.

139 Como o BACUS, o NEWAVE utiliza um escalonamento mensal, um horizonte de


otimização de 5 anos, em que os fluxos de energia e não as afluências hídricas são os algoritmos
aleatórios (estocásticos) dinâmicos na programação, juntamente com o conceito do reservatório
equivalente. As diferenças principais são:

(a) em cada estágio mensal, os custos da geração térmica e da energia não servida são
modelados de maneira explícita;

(b) os sistemas integrados (isto é, S + SE e N + NE) podem ser considerados com


transferências mensais de energia tratadas como variáveis de decisão e, portanto,
otimizadas;

(c) no algoritmo dinâmico da programação, uma série de fluxos energéticos gerados


aleatoriamente são utilizados para a construção de uma representação polinomial
da função de custo esperada, enquanto que no BACUS um número finito de
fluxos igualmente prováveis é utilizado em cada estágio; e

(d) o procedimento geral de otimização é iterativo por sua própria natureza, e como o
utilizado no programa DECOMP, se baseia na aplicação do Princípio de
Decomposição de Bender.

140 O programa NEWAVE está em estágio avançado de testes e avaliações no momento, e


pode-se prever que será utilizado no plano para as Operações de Médio Prazo para 1998.

141 Em termos de estratégias de médio prazo para a operação do sistema após a definição do
MAE, o papel principal a ser desempenhado pelo NEWAVE será disponibilizar as funções para
o valor hídrico para cada sistema integrado. Espera-se que o tratamento mais detalhado das
restrições de transmissão reduzam a volatilidade demonstrada atualmente pelos valores
individuais de água nos subsistemas produzidos pelo programa BACUS, e forneçam dados mais
precisos sobre as ‘condições finais’ para o DECOMP.

Programa SUISHI (Simulação de longo prazo)

142 O programa SUISHI é um modelo de simulação mensal, desenvolvido para substituir o


OPUS atual, para uso em planejamento de operações a longo prazo.

143 Os benefícios principais da aplicação deste novo programa são derivados de opções que
permitem:

(a) operação simulada dos sistemas interligados (S + SE e N + NE), incluindo as


restrições de transmissão entre os subsistemas;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 29 SEN/Eletrobrás


(b) operação simulada do sistema com base nas seqüências dos fluxos hídricos e não
em séries de energia; e
(c) interpretação das funções do valor ‘projetado’ da água para as decisões mensais
referentes à geração térmica (no programa OPUS a programação da geração
térmica e as transferências de energia do subsistema são tomadas como
seqüenciais no tempo).

Programa DECOMP

144 O programa DECOMP foi desenvolvido para complementar, e potencialmente substituir,


o programa SUSI para a implantação do Plano Mensal de Operações (PMO) e
conseqüentemente otimizar as programações operacionais semanais.

145 A diferença principal entre o DECOMP e o SUSI é que enquanto o SUSI é um programa
de simulação semanal interativo que incorpora os procedimentos heurísticos de vazão dos
reservatórios, o DECOMP utiliza uma algoritmo formal (com base em Programação Linear - PL)
para otimização das produções dos reservatórios em um horizonte de planejamento
multissemanal.

146 O DECOMP tem uma história de desenvolvimento longa, com um trabalho da CEPEL
que descreve a metodologia básica publicada originalmente em 1985 [1]. O conceito se baseia
no Princípio de Decomposição de Bender, no qual grandes problemas de programação linear
podem ser resolvidos pela redução de uma série de problemas PL relativamente pequenos com
fatores de multa ajustados de maneira iterativa.

147 Conforme formulado no DECOMP, o horizonte de otimização é dividido em estágios ou


períodos semanais ou mensais denominados ‘T’. Em cada estágio, um modelo de PL do sistema
de geração é criado em termos de:

(a) reservatórios individuais, hidrelétricas e dependências hidráulicas, com as


características físicas associadas e as restrições operacionais;

(b) usinas térmicas, com custos operacionais e restrições correspondentes (por


exemplo, produção mínima e máxima);

(c) uma fonte de energia de alto custo para representar os custos da energia não
servida;

(d) restrições de transmissão expressas em termos de produção máxima a partir de


combinações da usina geradora;

(e) capacidade inicial do reservatório (correspondente à capacidade final associada ao


estágio anterior ou aos valores no Estágio 1);

(f) influxos específicos em pontos do sistema hidráulico.

148 No procedimento de otimização, cada problema de PL é ‘resolvido’ otimizando a


produção do reservatório e o volume de geração térmica necessário para atender a energia
definida e as demandas de carga.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 30 SEN/Eletrobrás


149 A incerteza hidrológica é modelada considerando-se, em cada estágio ‘t’ (t = 2,T), uma
série de situações alternativas de influxos ‘I’, e assim criando uma estrutura em forma de árvore
(‘t’ de ‘tree’). Por exemplo, se I = 2 e T = 12, então o número de combinações possíveis a serem
consideradas em cada estágio (‘s’) será:

Estágio ‘s’ 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
12
Combina- 1 2 4 8 16 32 64 128 256 512 1024
ções
2056

150 A função objetivo minimizada pelo procedimento de otimização global é o somatório


descontado dos custos operacionais (geração térmica e energia não servida) associados a cada
estágio. Quando forem utilizadas situações hidrológicas, estes custos são considerados valores
médios associados a cada combinação. Considera-se, também, o ‘valor’ da água armazenada em
cada reservatório ao final do estágio T, estabelecendo, assim, um elo com as políticas das
Operações de Longo Prazo que levam em conta os aspectos de regulamentação pluri-anuais.

151 Um aspecto importante da fórmula é que a demanda a ser atendida em cada estágio
(semanal) pode ser dividida em períodos de demanda múltipla, conseqüentemente verificando
tanto a cobertura para carga quanto para potência, o que pode ser especialmente crítico durante os
períodos com reservatórios baixos e perdas significativamente altas nas hidrelétricas
correspondentes. Os cronogramas específicos programados para manutenção podem também ser
considerados.

152 O DECOMP foi codificado de forma a oferecer ao usuário considerável flexibilidade em


termos de formulação de problemas. A seguir, podemos ver exemplos de dados que podem
servir de insumos:

(a) o número total de estágios ‘T’ a ser considerado e conseqüentemente o horizonte


de otimização;

(b) o período associado a cada estágio (1 semana ou 1 mês);

(c) o número de situações hidrológicas a serem consideradas em cada estágio


individualmente; e

(d) o número de períodos de duração da carga a ser utilizado em cada estágio.

153 Lembramos, anteriormente, o tempo mais longo para desenvolvimento do DECOMP, e


entendemos que sua adoção para a otimização de planos de operações semanais e mensais foi
postergada em função do seguinte:

(a) dificuldades na modelagem precisa de perdas significativas como função dos


níveis dos reservatórios individuais em virtude da fórmula de PL utilizada;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 31 SEN/Eletrobrás


(b) quando comparado aos resultados obtidos com o SUSI, padrões de produção do
reservatório muito diferentes, e em alguns casos, inclusive, índices não realistas
de consumo. Entendemos que esta problema já está resolvido; e

(c) ausência de um modelo provado para gerar fluxos hídricos específicos associados
a situações alternativas.

154 De uma maneira mais geral, entendemos que tem havido resistência por parte de
membros individuais do GCOI à introdução de métodos cujos resultados possam implicar
mudanças nos atuais padrões operacionais. Por exemplo, qualquer redistribuição de “energia
otimizada” a longo prazo poderá ter repercussões comerciais significativas para geradores
individuais.

155 Em termos operacionais do futuro MAE, acreditamos que o DECOMP contenha


uma série de atributos potenciais importantes que favorecem seu uso em detrimento à
aplicação continuada do SUSI.

156 A primeira vantagem se refere ao uso de um algoritmo formal para otimização da vazão
dos reservatórios dentro dos sistemas interligados, e conseqüentemente o escopo para uma
redução significativa do nível de interação e interpretação por parte do usuário relativas aos
procedimentos atuais. Em outras palavras, para que ofereça os níveis de transparência que terão
que estar presentes na operação do MAE futuro. Ao mesmo tempo, esperamos que os valores
hídricos no sistema (interligado), obtidos do programa, sejam menos voláteis do que os
resultantes da interpretação das tabelas dos mesmos valores no subsistema atual.

157 Benefícios secundários significativos deverão surgir com todas as melhorias gerais na
eficiência operacional, decorrente da consideração explícita e modelagem das

• incertezas hidrológicas a médio prazo;

• restrições de transmissão no âmbito dos subsistemas interligados;

• características da curva de duração da carga;

• importações de Itaipu e das tarifas associadas; e

• variações de demanda a curto e médio prazo devido ao crescimento orgânico,


manutenção ou interrupção de suprimentos interrompíveis, e maior escopo para
importações e exportações internacionais de energia elétrica.

158 No entanto, reconhecemos que a concretização de tais benefícios dependerá de testes


satisfatórios e da validação do DECOMP. Na Parte 3 faremos recomendações específicas a este
respeito.

159 Lembramos, também, que muito embora o DECOMP tenha sido desenvolvido para rodar
em computadores do tipo PC, sua estrutura atual tem mais afinidade com um programa “batch”
para mainframe. Por exemplo, todos os dados estão contidos em um único arquivo, que é apenas
tabulado, e não há produções gráficas.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 32 SEN/Eletrobrás


160 Conforme discutimos na Parte 2, nossa previsão é a de que o DECOMP tenha potencial
para preencher um papel fundamental na otimização futura dos sistemas integrados, inclusive seu
uso para respostas rápidas ao tipo de pergunta ‘what if?’ relativas à cobertura de oferta e análise
de risco de déficit.

Parte 2: Requisitos futuros

161 Esta seção considera até que ponto os requisitos para a otimização operacional do
sistema, no âmbito do MAE, podem ser atendidos com as metodologias atuais ou as que estejam
em desenvolvimento. Uma consideração detalhada dos atuais procedimentos para planejamento
de operações, de metodologias e de programas de computador confirmam nosso ponto de vista
sobre a necessidade de se manter uma abordagem de programação hierárquica como a adotada
atualmente pelo GCOI.

162 Enquanto seria claramente preferível que a operação do futuro MAE se baseie em
desenvolvimentos lógicos das metodologias e dos programas existentes, ao selecionar a adoção
de ferramentas adequadas não podemos deixar de considerar:

• a necessidade de formalizar os procedimentos e proporcionar maior transparência;

• a auditoria dos requisitos;

• o aumento esperado do número de usinas de geração térmica, e conseqüentemente


de situações em que tal geração seja solicitada com mais freqüência do que
atualmente sob condições operacionais normais;

• a introdução de demandas interrompíveis; e

• maior integração do sistema, resultante de conexões com a Argentina e o Uruguai,


e possivelmente Bolívia e a interconexão Norte-Sul.

163 Acreditamos que enquanto os requisitos futuros para operações de planejamento de


longo e médio prazo podem ser atendidos basicamente pela aplicação dos modelos
existentes ou em desenvolvimento, será necessário implementar uma otimização mais
centralizada e mais rigorosa para as programações diárias de despacho de carga que possa
suportar as complexidades da programação da usina termelétrica assim como a operação
coordenada de armazenagem das hidrelétricas ‘a fio d’água’.

164 A Figura 8.A ilustra os principais programas de computador, insumos e produtos que
sugerimos como necessários para a futura operação do MAE. Três horizontes hierárquicos são
identificados, especialmente o de Longo Prazo (até 5 anos à frente), Médio Prazo (até 12 meses à
frente) e Curto Prazo (até 1 semana à frente). Os procedimentos associados serão discutidos
mais detalhadamente a seguir.

Planejamento operacional de longo prazo

165 O papel do planejamento operacional de longo prazo será de:

(a) definir políticas operacionais hidrotérmicas que minimizem os custos


operacionais de longo prazo ao mesmo tempo que garantam um nível definido de
confiabilidade de suprimento para o caso de seqüências de baixo fluxo pluri-
anuais;
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 33 SEN/Eletrobrás
(b) produzir valores hídricos de longo prazo para os sistemas interligados e portanto
fornecer valores adequados da ‘condição final’ para o Planejamento Operacional
de Médio Prazo; e

(c) servir de base para a alocação de ‘energia garantida’ a hidrelétricas individuais ou


reservatórios.

166 Propomos que, sujeito à aceitação satisfatória e aos testes de validade, conforme
explicitado na Seção 3 a seguir, este planejamento de longo prazo deve ser realizado com os
programas NEWAVE e SUISHI. No entanto, deve-se atentar para a modelagem dos custos
de energia não servida e racionamento preventivo, para o grau de precisão que refletirá as
perdas significativas resultantes dos períodos sustentados de baixa vazão, e para a
sensibilidade das funções dos valores hídricos produzidos pelo programa NEWAVE para a
previsão dos níveis de vazão.

167 Conforme desmonstrado na Figura A.8, vislumbramos um horizonte de otimização para o


Planejamento Operacional de Longo Prazo, como a duração do período mais crítico das máximas
históricas de vazão. No entanto, lembramos que, assim como com os procedimentos atuais, tal
procedimento pressupõe um conhecimento da futura configuração do sistema para este mesmo
período, e que com um planejamento ‘indicativo’ tal pressuposição pode estar sujeita à maior
incerteza. Por exemplo, enquanto a introdução de hidrelétricas importantes pode ser considerada
garantida, muito provavelmente haverá maior incerteza com relação à introdução de nova usina
térmica como resposta aos sinalizadores dos custos operacionais marginais (preço do MAE).

Planejamento operacional de médio prazo

168 Enquanto o planejamento operacional de curto prazo tem atualmente um horizonte entre
1 e 5 semanas, sugerimos que o planejamento futuro de médio prazo tenha um horizonte de
otimização máximo de 12 meses.

169 O papel do planejamento operacional de médio prazo será otimizar a operação semanal
do sistema interligado, levando em conta:

(a) afluências previstas em pontos-chave na rede hidráulica;

(b) os custos operacionais da usina térmica disponível;

(c) custos e disponibilidade da energia importada;

(d) demandas previstas, inclusive as associadas aos contratos e exportações de


fornecimento interrompível;

(e) interrupção de manutenção e das restrições elétricas programadas.

170 Na Seção 2 propusemos que os operadores das usinas térmicas submetessem a


disponibilidade técnica e os dados acordados para o custo do combustível e não os preços
diários ou semanais das propostas da licitação. No entanto, à medida que cresce o espaço
para considerável gerenciamento da demanda, é possível que seja interessante submeter os
preços da licitação da termelétrica, especialmente se tiverem sido garantidos para períodos
longos de tempo, por exemplo, semanas, ou mesmo meses. Como resultado das obrigações

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 34 SEN/Eletrobrás


Proposta para procedimento de otimização do sistema Figura A.8

Plano de Expansão Decenal

L Projeção de Configuração do Função de Penalidade Seqüencias


O Discretização demanda de sistema para energia não históricas das
N temporal: longo prazo interconectado servida e política de vazões
G mensal (5 anos) (próximos 5 anos) racionamento
O

P Horizonte de
R otimização: Programa
Séries ajustes Programa
NEWWAVE
A 5 anos históricas de SUISHI
Z vazões
O

Avaliação de
Valores de água longo prazo da
mensais no confiabilidade
Projeções longo prazo do suprimento
M Discretização semanais/
É temporal: mensais de
D semanal e afluências
I mensal
O Níveis de
Programa reservatório Programa
DECOMP "Alvo" ao final da SUSI
P
semana
R
A Horizonte de
Projeções de demanda
Z otimização: Plano e
semanais/mensais Níveis do sistema
O relatório de
12 meses Valores de água Preços do
Disponibilidade operações de
semanais MAE médio prazo
das unidades
térmicas, custos Valores de água
operacionais, por reservatório
preços ofertados Custos
marginais de
C Discretização Projeções operação de
diárias de médio prazo
U temporal:
horas/ afluências
R
Despacho de carga Software de análise
O meia hora
otimização/software de de Load Flow
T alocação de unidades p.ex.. ANNAREDE
O
Projeções
P diárias de
R Horizonte de demanda Programa de
Plano
otimização: despacho de
A aleatório de
7 dias corridos carga horário,
Z operações de
0 a 30 min. curto prazo
O

D Discretização
E temporal:
S tempo real
P
A Centro de
Centros de Análise
C Horizonte de co-ordenação despacho
despacho regionais pós-operação
H otimização: principal (ISO)
O 1 dia

BR4_A2.pre
do contrato de combustível ou por razões operacionais, os geradores térmicos poderão
desejar submeter propostas de curta duração e preço baixo, por exemplo, cobrindo horas,
dias ou até mesmo semanas específicas.

171 Após aceitação satisfatória e testes de validação como os descritos na Seção 3 a seguir,
propomos que a operação semanal dos sistemas interligados seja otimizada pela utilização
do programa DECOMP, possivelmente em conjunto com SUSI. Os resultados chaves
incluirão, para a semana seguinte:
(a) meta para produção do reservatório e capacidade de ‘final de semana’;
(b) objetivos da geração térmica; e
(c) valores hídricos globais para os sistemas interligados.

172 Lembramos, ainda, que a formulação de PL utilizada no DECOMP permitirá computar os


valores hídricos associados aos reservatórios individuais, as hidrelétricas de armazenamento e ‘a
fio d’água’; tais valores poderão ser utilizados como uma alternativa para a meta de ‘final de
semana’ para a capacidade do reservatório no modelo de planejamento operacional de curto
prazo descrito a seguir.

173 Prevemos que no futuro muito provavelmente haverá um escopo melhor delineado para
gerenciamento da demanda a curto e médio prazo, e que o programa DECOMP poderá
representar uma ferramenta chave para o modelo na investigação dos efeitos de curto e médio
prazos das demandas alternativas, dos cenários hidrológicos e das restrições de transmissão. Por
exemplo, o aumento do custo de geração, que estaria associado à manutenção do fornecimento
interrompível ou de exportação em um dado período, avaliando o risco de ter que impor um
racionamento a médio prazo, e os benefícios potenciais associados ao reforço do sistema de
transmissão.

174 No entanto, conforme lembramos na Parte 1, o DECOMP pode, atualmente, ser descrito
como operando em “batches” , não sendo particularmente adequado para responder as questões
do tipo “ what if?” Assim, sujeito à aceitação satisfatória e à validação dos testes, sugerimos
que se considere, logo de início, desenvolver um ambiente favorável de funcionamento e
relacionamento com o usuário para o programa DECOMP, incorporando, por exemplo, a
edição de tela/formatação dos dados, execução e monitoramento de programa, tela gráfica e
impressão de resultados, e interfaces com banco de dados. Sabemos que estes aspectos estão
sendo trabalhados atualmente.

175 Entendemos que recursos para geração de relatórios adicionais estão sendo acrescentados
ao DECOMP, de maneira a fornecer informação semelhante à obtida com o SUSI, que
efetivamente fazem parte do PMO. À medida que forem completados, estes recursos eliminarão
a necessidade de aplicação do SUSI além do DECOMP.

Planejamento operacional de curto prazo/programação diária

176 Programações de geração por hora estão sendo atualmente implantadas por
geradores individuais e analisadas pela equipe do GCOI/Eletrobrás quanto à consistência e
conformidade com o PMO. No entanto, com o objetivo de promover maior eficiência e de
garantir transparência acreditamos que a realização do planejamento operacional de curto
prazo e da programação diária deverão ser realizados pelo OIS.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 35 SEN/Eletrobrás


177 Com isso, reconhecemos que poderá ser preferível que algumas informações essenciais,
especialmente no que se refere à capacidade atual do reservatório, vazões e previsão de demanda,
devam continuar a ser coletadas e processadas nos escritórios regionais do OIS, que também
deverá realizar e monitorar o despacho em tempo real.

178 Propomos que o planejamento operacional de curto prazo tenha um horizonte (móvel) de
7 dias, conseqüentemente criando uma interface contínua com os objetivos semanais produzidos
pelo DECOMP.

179 Acreditamos que no momento nenhum programa de computador sofisticado esteja


sendo utilizado para otimização das programações de despacho de 1 hora e meia hora pelo
GCOI ou pelos seus membros individualmente. Assim, apresentaremos a seguir as
principais características que acreditamos serão necessárias para tal programa no futuro.

180 Esforços consideráveis têm sido feitos no mundo todo para se desenvolver programas de
computador que otimizem as programações de despacho de carga de 1 hora e meia hora para os
sistemas de geração térmica e hidrotérmica. Grande parte das complicações surge das restrições
e dos custos associados à operação de unidades térmicas, e, conseqüentemente, da solução do
problema que se denominou ‘comprometimento da unidade’.

181 No entanto, no caso dos sistemas interligados brasileiros atuais, o requisito principal para
tal programa será a modelagem precisa da rede hidráulica e, em especial, a representação das
características da turbina/do gerador e os efeitos cascata. Neste contexto, sugerimos que o nível
de detalhe necessário seja pelo menos o que se encontra incorporado ao SUSI no momento.

182 Assim, recomendamos que o programa deve poder realizar o seguinte:

(a) curvas cronológicas de carga, com dados separados para demandas normais,
interrompíveis e de exportação;

(b) cálculo de custos operacionais marginais de curto prazo, para uso no ambiente dos
preços ‘spot’ do MAE de acordo com ‘as horas do dia’;

(c) modelagem de restrições de transmissão, possivelmente como resultado de


iterações decorrentes do programa existente para análise do fluxo de carga;

(d) despacho probabilistico para avaliar os efeitos de interrupções forçadas;

(e) horizontes de otimização variáveis, de 1 a 7 dias;

(f) escalonamentos variáveis, permitindo programação de meia hora em períodos de


mudança rápida de carga, porém intervalos mais longos durante períodos de
demanda uniforme;

(g) importação de energia e tarifas correspondentes, por exemplo, compras de Itaipu e


via interconexões internacionais;

(h) requisitos para reserva girante e alocação no sistema;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 36 SEN/Eletrobrás


(i) programação otimizada da geração hidrelétrica, com base na capacidade-meta do
reservatório de ‘fim de período’ ou nos valores hídricos, e levando em conta:

- a disponibilidade hídrica e da usina;

- a eficiência na geração como função da altura e descarga da turbina;

- a prescrição de fluxos mínimos e máximos, inclusive vazão para


armazenamento;

- os momentos de transporte (hídrico) e efeitos cascata.

(j) programação otimizada das unidades térmicas, com base na operação da ordem de
mérito sob restrição (pedido comprometido), e levando em conta:

- a disponibilidade da unidade;

- os custos operacionais e de manutenção variáveis;

- custos iniciais;

- as taxas de interrupções forçadas;

- as taxas crescentes e períodos mínimos de ociosidade;

- a usina que “devem” operar;

- combinações de usina de gás/turbina

(k) dados gráficos e tabulares para cada intervalo de tempo, detalhes das alocações de
energia, horas de funcionamento, números de usinas iniciando operação, consumo
e custos de combustível, demandas não cobertas, fluxos hídricos, capacidade e
níveis do reservatório, etc.

183 Os resultados principais do processo de Planejamento de Curto Prazo serão:

(a) programações otimizadas de despacho por hora e por meia hora para todas as
usinas em cada sistema interligado, juntamente com transferências internacionais;

(b) custos marginais de curto prazo para serem utilizados na definição do preço
vigente do MAE, calculado por hora e por meia hora ou possivelmente por grupos
de horas para se chegar aos valores ‘de pico’ e ‘fora de pico’;

(c) um relatório detalhado sobre o plano operacional otimizado.

184 Ao prevermos que a otimização das programações de despacho ocorram diariamente e em


um horizonte móvel de 7 dias, o programa deverá ter capacidade de execução com a rapidez
necessária para repetir os ciclos durante o dia caso ocorram alterações significativas na
disponibilidade da unidade ou nas restrições de transmissão.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 37 SEN/Eletrobrás


Despacho em tempo real

185 Após a separação de Geração e Transmissão como parte do processo de privatização,


prevemos que os centros de despacho de carga atualmente de propriedade e sob a operação de
geradores se tornarão centros regionais de despacho do OIS. Como acontece agora, estes centros
serão responsáveis pelas programações de despacho para todas as usinas sob seu controle, e pela
aplicação do Controle Automático de Geração (CAG) da carga para todas as unidades
designadas.

186 A coordenação e supervisão geral serão da responsabilidade do Centro Nacional de


Operação do Sistema (CNOS), muito embora entendamos que os centros regionais devam
continuar com certo grau de autonomia ao responderem por ‘situações’ de curto prazo, tais como
controle de cheias em sua própria área de controle.

187 Os escritórios regionais do OIS desempenharão uma função crucial e contínua a no fluxo
diário e semanal e nas previsões de demanda, pois a exatidão destes dados será altamente
responsável pelo grau de eficiência da otimização das operações de curto prazo.

Fixação dos preços do MAE

188 Conforme demonstrado pela Figura A.8, prevemos que o preço do MAE será fixado com
base nos valores de água e/ou custos operacionais marginais determinados pelos modelos
utilizados pelos procedimentos no planejamento operacional de Médio e Curto Prazo.

189 Serão causa de preocupação a volatilidade histórica dos valores de água mensais no
subsistema, sua vulnerabilidade às previsões de afluências e as discrepâncias quando comparados
aos custos operacionais marginais (de médio prazo). Na Parte 1 lembramos que os programas
NEWAVE e DECOMP fornecerão os valores de água para os sistemas interligados diretamente,
e espera-se que sejam menos voláteis do que os utilizados para os subsistemas individualmente.
Isso terá que ser confirmado pelo estudo dos valores de água realmente produzidos por estes
programas para se verificar até que ponto tais valores refletem a volatilidade “natural” do sistema
hidrológico e até que ponto a volatilidade observada anteriormente terá sido uma função dos
modelos utilizados.

190 Especial atenção deverá ser dedicada à duração de um determinado preço no MAE e a
freqüência com que é ajustado, especialmente à luz de resultados de testes, conforme
recomendado na Parte 3.

191 Conforme indicado na Figura A.8, prevemos que os valores de água serão obtidos com o
programa DECOMP, tanto para os sistemas interligados ‘globais’ como para os reservatórios
individuais e as hidrelétricas. O valor de água do sistema para a semana seguinte poderia, assim,
ser o preço do MAE, e, no caso de três ou mais conjuntos de curvas de carga serem utilizados, os
valores hídricos correspondentes serão obtidos para um conjunto de condições de carga
(semanal).

192 No entanto, será mais recomendável ter como base para os preços do MAE a informação
de custo marginal fornecida pelo programa de otimização proposto para o despacho de carga,
para ser coerente com o cumprimento do objetivo de armazenamento de ‘fim de semana’ ou com
o valor de água disponível em cada hidrelétrica, conforme dados do DECOMP. Os custos
operacionais marginais serão calculados para cada período definido no horizonte de otimização

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 38 SEN/Eletrobrás


de 7 dias e em seguida calculado em média para se chegar aos preços do MAE para um intervalo
desejado. O intervalo apropriado, ou resolução, da fixação de preço do MAE terá que ser
definido empiricamente durante o estágio de implementação.

Critérios para confiabilidade do fornecimento

193 Na estrutura do modelo, conforme delineada, o OIS será responsável pela operação dos
sistemas interligados de maneira a minimizar os custos de longo prazo previstos, isto é,
custos diretos acrescentados dos custos de energia não servida. Como resultado, será
essencial que a função de penalidades pelo deficit e os custos unitários de energia não servida
utilizados sejam consistentes com os critérios para planejamento de expansão (vide Parte 3,
Anexo D).

194 Além disso, recomendamos que se considere a quantificação da segurança do


fornecimento em termos da freqüência esperada, com a qual o gerenciamento da demanda
imporá as medidas de magnitude e duração.

195 Enquanto tais freqüências podem ser avaliadas com base nas seqüências de fluxo gerado
históricas e/ou ‘igualmente prováveis’, sugerimos que apenas as seqüências históricas sejam
utilizadas para o Planejamento Operacional. Nossas razões para a sugestão são as seguintes:

(a) a duração dos recordes históricos disponíveis no momento, cerca de 64 anos, é


praticamente adequada em termos de representar tanto as condições ‘médias’
como as extremas, inclusive os períodos de seca;

(b) o uso do fluxo hídrico e não das seqüências energéticas eliminaria as


preocupações de que estas seqüências poderão não refletir adequadamente a perda
de eficiência de geração em períodos de armazenamento baixo do reservatório;

(c) a necessidade de desenvolver modelos complexos para geração hídrica com vários
locais será evitada (pressupondo-se que os dados sobre previsões mensais para o
DECOMP sejam baseados em transformações relativamente simples dos valores
históricos);

(d) o uso de seqüências históricas relativas a uma política definida de racionamento


permitirá quantificar critérios de confiabilidade do fornecimento de maneira
transparente; por exemplo, se o pior período de seca histórica foi registrado,
haveria imposição de ‘n’ meses de ‘x %’ de restrições sobre o fornecimento.

Aprovação e documentação do modelo

196 A ANEEL deverá aprovar os modelos de otimização utilizados pelo OIS e as


metodologias a eles incorporadas antes da introdução do MAE, assim como as modificações
subseqüentes. No caso de novos modelos e os atualmente em desenvolvimento, a prioridade
será, portanto, para seleção, aquisição e validação. As recomendações correspondentes estarão
na Parte 3, a seguir.

197 Para se obter e se manter tal aprovação serão necessárias a documentação completa
dos programas utilizados e as metodologias implícitas. Apesar de termos disponíveis muitos
trabalhos técnicos e relatórios que descrevem os procedimentos, notamos uma falta de manuais

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 39 SEN/Eletrobrás


de programas de computador que tratem de aspectos relevantes, como por exemplo metodologia,
dimensões máximas, dados e formatos dos modelos de memória para o usuário, exemplos de
produtos, etc. Sugerimos que tal documentação seja solicitada para todos os programas a serem
utilizados na operação do MAE.

Documentação dos Procedimentos da Rede

198 Além da documentação completa dos programas de computador utilizados, os


procedimentos a serem seguidos para o planejamento da operação futura dos sistemas
interligados terão que ser documentados de maneira completa nos Procedimentos da Rede.

199 Neste contexto, lembramos a existência de um manual bastante abrangente, contendo o


planejamento operacional e procedimentos contábeis atuais do GCOI, que sugerimos seja uma
base útil para a documentação necessária1.

200 Aspectos específicos a serem tratados pelos Procedimentos da Rede incluem:

(a) definição dos prazos;

(b) informação, pelos Hidrogeradores, sobre programações de manutenção planejadas


e disponibilidade da unidade a curto prazo, custos operacionais fixos e variáveis,
condições operacionais especiais (por exemplo, requisitos para controle de cheias,
vazões minimas), mudanças das características operacionais (por exemplo,
eficiência de turbina/gerador);

(c) informação, pelos Termogeradores, das programações de manutenção planejadas


e disponibilidade da unidade a curto prazo, custos fixos e variáveis e,
possivelmente, preços da licitação;

(d) política de racionamento e métodos de implementação;

(e) provisão de previsões de demanda e de fluxo;

(f) metodologia de otimização, custos e multas pela energia não servida;

(g) cálculo e aplicação dos preços do MAE;

(h) procedimentos para medição e cobrança;

(i) implementação das programações de despacho;

(j) provisão da reserva girante;

(k) procedimentos para resolução de litígios.


Parte 3: Propostas para ações de curto prazo

1
Manual de Programação, Contabilização e Faturamento dos Intercâmbios de Energia Elétrica. SCEN (Subcomitê
de Estudos Energéticos) & CPCE (Comissão de Critérios para Programação e Contabilização de Energia): Minuta
02, 15 de setembro de 1994.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 40 SEN/Eletrobrás
201 No Volume IV apresentamos uma visão geral do Plano de Implementação. A seguir,
forneceremos algumas questões mais detalhadas a serem tratadas na implementação dos novos
modelos e procedimentos para o planejamento operacional. Na Parte 2, anterior a esta,
indicamos os modelos de programas para computador que acreditamos sejam necessários para a
operação do MAE conforme descrito na Seção 2 do relatório principal. Aqui, identificaremos a
validação de programas individualmente, assim como os requisitos para seu desenvolvimento,
que acreditamos devem ter prioridade se a expectativa é de que o MAE seja implantado em um
espaço de, digamos, dois anos. Ao advogar ações de tão curto prazo, entendemos haver a
necessidade de se estabelecerem a metodologia e os procedimentos a serem utilizados o mais
rapidamente possível para se obter o consenso no setor.

202 Conforme discutimos na Parte 2, o programa DECOMP e, em menor escala, o


NEWAVE, apresentam potencial para aperfeiçoar a otimização do planejamento operacional
atual a curto e médio prazo para os sistemas interligados das regiões S/SE e N/NE, assim como
para fornecer os tipos de informação que serão necessárias para operação e monitoramento do
MAE.

203 Tais vantagens provavelmente serão enriquecidas com:

(a) o modelo explícito das restrições elétricas limitando transferências energéticas


entre os respectivos subsistemas, conseqüentemente eliminando a necessidade
atual de se utilizar valores hídricos do subsistema para determinar as
transferências inter-sistemas e os requisitos para geração térmica [DECOMP &
NEWAVE];

(b) modelo explícito para incerteza hidrológica para um período de planejamento de,
digamos, 12 meses, proporcionando melhor tomada de decisão a curto prazo com
relação à geração térmica programada, transferências energéticas inter-sistemas e
alocação de vazão de reservatório, e ainda cálculo dos valores hídricos
‘probabilisticos’ [DECOMP];

(c) modelo explícito de variações de demanda semanal e mensal, especialmente com


relação a fornecimento interrompível, exportação, importação e restrições ao
fornecimento (racionamento) [DECOMP];

(d) cálculo explícito dos valores de água globais correspondentes aos sistemas
interligados, para a definição do preço ‘spot’ de energia no MAE, com a
expectativa de menor volatilidade quando comparado aos valores históricos do
sub-sistema [DECOMP];

(e) ‘valores hídricos’ disponíveis referentes a cada reservatório e instalação a fio


d’água individualmente para possível uso no despacho de carga de curto prazo
[DECOMP].

204 No entanto, o grau de realização destas vantagens potenciais dependerá da validade da


metodologia utilizada, do funcionamento correto dos programas de computador envolvidos e da
adequação dos dados fornecidos.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 41 SEN/Eletrobrás


205 Tendo em mente o tempo necessário para desenvolver programas de computador e a
necessidade de comparações profundas com os procedimentos existentes, acreditamos que a
validação dos programas DECOMP e NEWAVE terão que ter prioridade se se pretende
que estejam prontos para uso na operação do MAE quando este for implantado.

206 Da mesma forma, aqui sugerimos séries de testes que acreditamos devam ser conduzidos
com os programas DECOMP e NEWAVE, cientes de que alguns já tenham sido considerados ou
estejam disponíveis. Além disso, fazemos sugestões referentes aos passos que devem ser
tomados para se adquirir ou desenvolver programas adequados à otimização do despacho de hora
ou de meia hora da usina geradora, e fazemos recomendações gerais que se dê atenção, o mais
rapidamente possível, à provisão de um banco de dados comum para tais programas, o que
também facilitaria o processo de auditoria das operações do MAE.

DECOMP

207 Conforme indicado anteriormente, um atributo potencial do DECOMP é a capacidade de


fixar, para cada estágio (de tempo) analisado, os valores de água para o sistema global e valores
correspondentes a qualquer reservatório ou instalação a fio d’água. Os dados relevantes são
fornecidos pelos valores das variáveis ‘duais’ referentes à solução da programação linear obtida
para aquele estágio. No entanto, acreditamos que os valores individuais não sejam
fornecidos pelo DECOMP atualmente, e, portanto, sugerimos que o código seja modificado
para fornecer esta informação, se especificada.

208 Fomos informados que o valor de água do sistema é fornecido em unidades por
R$/MWh, enquanto que os valores duais associados a reservatórios ou usinas individualmente
serão expressos em custo por volume d’água por unidade, por exemplo, R$Mm3. Assim, se tais
números forem usados diretamente para despachos de carga, será necessário considerar a melhor
maneira de se converter a R$/MWh, provavelmente com base na ‘produtividade’ incremental de
tal turbinamento levando-se em conta as usinas a jusante (a fio d’água) no mesmo efeito-cascata.

209 Foi-nos sugerido, também, que preços “sombra” elevados associados à restrição de
capacidade aplicados às instalações ‘a fio d’água’ poderiam indicar que o aumento da capacidade
de geração instalada poderá ser economicamente atraente.

210 Sugerimos três tipos de testes a serem realizados para validação do DECOMP, em
especial:

(a) comparação dos resultados semanais obtidos com o DECOMP aos que utilizaram
os procedimentos para planejamento de curto prazo atuais (SUSI);

(b) rodar programas para testar a vulnerabilidade dos resultados frente a uma gama de
parâmetros de entrada, valores de dados e níveis de detalhe do modelo; e

(c) comparação dos resultados obtidos com o DECOMP aos procedimentos de


planejamento atuais para curto prazo (SUSI) durante um período de tempo longo.

211 A primeira série de testes deverá ser planejada para determinar até que ponto a
modelagem dos sistemas integrados S/SE e N/NE é compatível com o uso do SUSI,
especialmente em termos da representação adequada de variações na produção de energia como
função de descarga de caudal e de turbina (isto é, levando em conta a capacidade do reservatório
e as variações do nível do rio), e da definição da causa e da significância de quaisquer
discrepâncias.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 42 SEN/Eletrobrás
212 A segunda série de testes deverá ser planejada para confirmar a força da metodologia
empregada e a sensibilidade das soluções obtidas como função do nível de detalhe da formulação
do problema. Ao mesmo tempo, o efeito do maior detalhamento sobre os períodos de execução
deve ser estudado. Especificamente, sugerimos que as análises de sensibilidade sejam
conduzidas pela variação de cada um dos aspectos que seguem, individualmente ou em
combinação:

(a) o número de estágios, isto é, o número de semanas e meses que formam cada
período de planejamento;

(b) o número de cenários hidrológicos considerados em cada estágio;

(c) a inclusão/exclusão de restrições elétricas (especialmente no primeiro estágio ou


na primeira semana, de maneira a avaliar o possível uso de resultados para preço
de transmissão);

(d) o número de blocos utilizados para representar a Curva de Duração da Carga e as


divisões (por hora) utilizadas (entendemos que são utilizados 3 blocos no
momento para os estágios semanais e um único bloco para os estágios mensais);

(e) imposição dos valores de água de ‘condição final’;

(f) a taxa de desconto utilizada entre os estágios (que deve ser consistente com a taxa
utilizada em outras áreas tanto de planejamento operacional como de longo
prazo); e

(g) variações de demanda para refletir as exportações de energia, os fornecimentos


interrompíveis, importações de energia e a imposição do racionamento.

213 Ao mesmo tempo em que se deve dar atenção ao efeito das mudanças mencionadas sobre
a operação otimizada no primeiro estágio (semana), deve-se também verificar a
viabilidade/aceitabilidade dos ciclos de baixa e de reposição implícitos nos reservatórios
individualmente. Além disso, sugerimos que seria interessante registrar e analisar a maneira
como os valores hídricos tanto do sistema quanto da hidrelétrica, individualmente, variam de um
estágio para outro no horizonte do planejamento.

214 A terceira série de testes deverá ser planejada parra quantificar os benefícios prováveis da
aplicação do DECOMP em lugar do SUSI. Conforme lembramos anteriormente, espera-se que
as vantagens potenciais do novo programa aumentem ao se considerarem explicitamente, no
processo de otimização da incerteza hidrológica, as restrições elétricas e as variações de
demanda em um horizonte de planejamento de 12 meses. Da mesma forma, tais vantagens só
poderão ser avaliadas corretamente se rodarmos os dois programas paralelamente durante um
longo período de tempo. Com o objetivo de minimizar os resultado enganosos, sugerimos que
esta terceira série de testes seja conduzida durante um período de 6 meses contínuos, com
relatórios esporádicos sendo redigidos depois de, digamos, 1 a 3 meses.

215 Reconhecemos que alguns elementos dos testes que acabamos de mencionar já foram
considerados, e que, em alguns casos, realizados para versões anteriores do DECOMP. Da
mesma forma, fica aparente que os resultados da terceira série de testes serão consideravelmente
influenciados pela adequação do fluxo e das previsões de demanda de eletricidade disponíveis.
Trataremos destes assuntos mais à frente.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 43 SEN/Eletrobrás


216 No entanto, será vital que um conjunto de programas analíticos e de procedimentos
testados esteja disponível para operação do MAE quando de sua implementação, e, portanto,
recomendamos que se dê prioridade máxima à conclusão destes testes conforme explicitado en
parágrafos anteriores.

Programa NEWAVE

217 Entendemos que o desenvolvimento do programa NEWAVE pela Cepel é considerado


completo, e que o desempenho do programa está sendo avaliado atualmente por companhias-
membro em nome do GCOI.

218 A comparação dos resultados de testes específicos e dos obtidos com o programa BACUS
começou em janeiro de 1997. A aprovação para uso do NEWAVE para derivação de planos
operacionais futuros de longo prazo deverá ser obtida nos próximos meses.

219 Não há expectativa que o processo de validação mencionado indique as vantagens


potenciais que se seguiriam pela substituição da combinação atual dos programas BACUS/OPUS
para otimização/simulação pela combinação NEWAVE/SUISHI. Em termos da estrutura
metodológica prevista para operação no MAE, os efeitos terão reflexo sobre:

(a) mudanças na maneira pela qual é alocada a energia garantida do sistema entre as
usinas geradoras; e

(b) o comportamento dos valores hídricos (de longo prazo) do sistema, para ser
utilizado como ‘condições finais’ no DECOMP.

220 A questão da energia garantida e de como é tratada no MAE é discutida na Seção 2 e


mais detalhadamente na Parte 1. Gostaríamos de lembrar, aqui, que dependendo da natureza da
decisão final dos contratos comerciais, poderá haver necessidade de modelar programas que
operacionalizem o conceito de energia garantida.

Programa para otimização do despacho de carga

221 Conforme acabamos de discutir na Parte 2, a operação do MAE exigirá a introdução


de procedimentos formais de otimização para o despacho por hora e por meia hora nas
unidades geradoras hidrelétricas e térmicas em horizontes diários, e, de preferência,
semanais.

222 Acreditamos que poderá haver escopo significativo para aperfeiçoar a eficiência
operacional atual com a introdução rápida dos programas se as restrições institucionais atuais
sobre a otimização do despacho centralizado puderem ser superadas.

223 Da mesma forma, sugerimos que se tomem ações imediatas para iniciar uma
pesquisa de mercado abrangente dos programas disponíveis para otimização de despacho
de carga que possam, ou que venham a poder após pequenas modificações, atender os
requisitos enumerados na Parte 2. Enquanto a pesquisa deve se concentrar na identificação
comercial de produtos disponíveis, os programas desenvolvidos por instituições de pesquisa,
como a CEPEL, e por departamentos de universidades, devem também ser incluídos se houver
garantia de procedimentos adequados para transferência de código e futura manutenção.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 44 SEN/Eletrobrás


224 Neste contexto, chamamos a atenção para as atividades da Força-tarefa CIGRE 38.04.01
que tem se empenhado em coletar detalhes de métodos alternativos atualmente utilizados para
resolver a questão do comprometimento na unidade (Referências 4 e 5).

225 Sugerimos que esta pesquisa de mercado seja conduzida em âmbito mundial e que
os resultados sejam analisados com cuidado antes de se iniciar o desenvolvimento de
qualquer programa especial.

Previsão do fluxo hídrico

226 A escala de vantagens obtidas pela introdução de métodos de otimização mais


sofisticados para planejamento operacional dependerá muito da precisão das previsões de fluxo
de informações. Tais previsões deverão ser solicitadas semanalmente e mensalmente, para
entrada no DECOMP, e diariamente para entrada no programa de otimização de despacho de
carga proposto, para uma hora e meia hora.

227 Conforme indicado na Parte 2, entendemos que as dificuldades em gerar fluxos semanais
e mensais em todos os pontos necessários para o modelo da rede hidráulica e em cenários
hidrológicos alternativos têm agido como uma restrição significativa em termos de validação do
DECOMP. Da mesma forma, sugerimos que a devida prioridade seja dada para concluir o
desenvolvimento e validação dos modelos hidrológicos que possam fornecer a previsão para
os cenários múltiplos. Sugerimos que estes se baseiem em transformações matemáticas
relativamente simples de dados históricos.

228 Entendemos que algumas companhias geradoras individuais já utilizam modelos


sofisticados para represamento de chuva/vazão para previsões de fluxos de curto prazo,
especialmente para controle de enchentes durante os períodos de alta afluência. Por exemplo,
FURNAS utiliza o modelo SSARR (Streamflow Synthesis and Reservoir Regulation),
desenvolvido pelo Departamento de Engenharia do Exército norte-americano.

229 Muito embora o tempo nos tenha impedido de obter detalhes dos modelos utilizados em
cada companhia, quer-nos parecer que já existe uma grande parte da capacidade necessária para
calcular a previsão diária de fluxo para alimentar o programa proposto de otimização do
despacho de carga. Sugerimos seja construído um inventário, com detalhes dos modelos em
vigor e sua cobertura geográfica, de maneira que as deficiências possam ser identificadas.
Lembramos que de acordo com nossas propostas para a Estrutura do Setor, as previsões de fluxo
e, conseqüentemente, a operação de tais modelos, será de responsabilidade dos escritórios
regionais do OIS.

Previsão da demanda de eletricidade

230 Enquanto as variações sazonais das demandas de eletricidade forem relativamente


pequenas nos sistemas interligados, as variações de curto prazo terão que ser previstas com
exatidão se a expectativa é de aproveitar todas as vantagens do programa para otimização do
despacho de carga para períodos de uma hora e de meia hora.

231 Entendemos que o GCOI tem, atualmente, uma série de projetos para previsão de carga
sendo realizados pela Eletrobrás e pela CEPEL, cobrindo os seguintes períodos:

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 45 SEN/Eletrobrás


(a) previsões mensais: uma série de métodos alternativos estatísticos e analíticos
estão sendo investigados; chegou-se à conclusão de que as combinações de tais
métodos produzem melhores resultados do que quando aplicados separadamente;
(b) previsões semanais: desagregação das previsões mensais baseadas em curvas de
carga diárias típicas, levando-se em conta feriados fixos e móveis;
(c) previsões diárias: para 1 ou 2 dias de antecedência, seguindo a abordagem da
Rede Neural, acesso on-line do banco de dados da CNOS e a intervalos de 10
minutos.

232 Tais desenvolvimentos devem, sem dúvida, aperfeiçoar a precisão de futuras previsões e
portanto da operação do MAE quando for introduzido. No entanto, tendo-se em vista o
horizonte de tempo semanal que previmos para o programa de otimização para o despacho
de carga, poderá ser aconselhável estender o escopo dos módulos de previsão diária sendo
desenvolvidos atualmente.

Banco de dados, hardware e comunicações

233 Como mencionado na Parte 2, o programa de planejamento operacional e otimização do


MAE deverá fornecer recursos amplos para decisões de auditoria operacional e, portanto,
assegurar transparência operacional.

234 Tendo-se em vista que os novos programas, como o DECOMP e o NEWAVE são
compatíveis com PC, pressupomos que os programas no MAE e os bancos de dados
correspondentes serão desenvolvidos para rodar em uma estação de trabalho/sistema de servidor
da rede com base em PC, com servidores múltiplos a fim de proporcionar os níveis necessários
de segurança para standby e back-up, e capacidade de execução em um sistema operacional com
a força adequada como o Windows NT.

235 O programa DECOMP exigirá trabalho significativo para ser convertido em um


programa mais próximo do usuário, com a capacidade de resolver as perguntas ‘what if?’
que sugerimos serão necessárias. No momento, os dados para o DECOMP podem ser lidos a
partir de um único arquivo ASCII, enquanto que idealmente terá acesso direto a um sistema de
banco de dados tanto para os dados de entrada quanto para o armazenamento e a apresentação de
resultados.

236 Dependendo do escopo do DECOMP no que se refere a recursos para gerar relatórios, há
que se considerar se o programa SUSI deve ser convertido para rodar em PC. Lembramos,
especificamente, que relatórios operacionais semanais semelhantes aos gerados pelo SUSI
continuarão a ser necessários, e, conforme demonstrado pela Figura A.8, o SUSI pode ser rodado
no módulo ‘totalmente sob restrição’ utilizando os níveis de armazenamento ‘fim de semana’
otimizados, produzidos pelo DECOMP.

237 Para que o desenvolvimento destes programas possam ser controlados adequadamente,
sugerimos que se constitua um grupo de trabalho para considerar as funções necessárias e
a estrutura do banco de dados do MAE. Entendemos que tal grupo já está constituído.

238 Neste sentido, deverão ainda ser consideradas as maneiras pelas quais a informação
deverá ser transferida (eletronicamente) no âmbito do OIS e entre os membros do MAE, por
exemplo, por modem e linhas telefônicas dedicadas.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 46 SEN/Eletrobrás


Parte 3: As Regras do Mercado Atacado de Energia

Introdução

239 Descreveremos, agora, as regras propostas para o Mercado Atacado de Energia e os


procedimentos necessários para implementar os acordos comerciais para a eletricidade.
Apresentaremos os principais passos para a instalação do processo, desde o momento em que os
dados são submetidos até o cálculo dos pagamentos no MAE. Não incluiremos regras detalhadas
de álgebra aqui, pois estas serão desenvolvidas como parte do programa de implementação.

240 Não temos a intenção de cobrir todas as complexidades ou nuances que os acordos
exigirão para serem totalmente operacionais; o que também deverá ocorrer durante o processo de
implementação. Nossa intenção será, isto sim, a de fornecer uma visão panorâmica da estrutura
do MAE e dos procedimentos para seu funcionamento.

241 Lembramos, ainda, que os acordos aqui descritos referem-se exclusivamente ao MAE.
Portanto, não discutiremos:

(a) a operação de contratos bilaterais, tanto entre geradores e distribuidores/varejistas


como contratos entre geradores; e nem

(b) a aplicação de encargos pelo uso do sistema de transmissão ou de distribuição, e


nem tarifas de fornecimento.

242 Esta parte do anexo está estruturada para cobrir as seguintes áreas:

(a) panorama da definição de preços e do processo de liqüidação no MAE;

(b) definições dos termos-chave a serem utilizados;

(c) descrição de cada um dos passos principais para o cálculo do preço do MAE,
incluindo:

(i) submeter os dados;

(ii) agregar e ajustar os dados medidos;

(iii) determinar as programações utilizadas; e

(iv) calcular o preço do MAE em cada Submercado.

(d) operação do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE); e

(e) cálculo dos pagamentos do MAE, incluindo a fixação de volumes no contrato e


conseqüentemente da exposição ao preço do MAE.

Panorama da fixação de preços, da Contabilidade de Energia e dos Processos de


Liqüidação

243 Em forma de esboço, os processos do MAE compreendem os seguintes elementos:


Report IV-1: Anexo A, Parte 1 47 SEN/Eletrobrás
(a) A proposta é submetida à licitação:

(i) O gerador faz a proposta: os hidrogeradores submeterão a


disponibilidade técnica de sua usina diariamente, como também certos
dados hidrológicos se necessários. Diariamente, os termogeradores
submeterão a disponibilidade prevista em sua usina e quaisquer restrições
técnicas à operação da usina. Os termogeradores com obrigações de
combustível ‘take or pay’ poderão declarar uma inflexibilidade
correspondente em sua operação. Os custos da geração térmica terão
administração centralizada pelo Administrador de Liqüidação de Energia
(ALE) e revisados a cada 3 (três) meses, com aprovação anual;

(ii) propostas de redução de carga ou de desligamento: os consumidores de


grande porte (ou varejistas agindo em seu nome) poderão submeter uma
proposta diariamente, identificando os preços a que estariam dispostos a
desligar cargas especificadas;

(iii) propostas internacionais para interconexão: a parte responsável pela


operação internacional de interconexão da perspectiva de um sistema
adjacente deverá submeter uma proposta diariamente apresentando a
disponibilidade para conexão tanto para importação quanto para
exportação e os valores das propostas correspondentes. Abordagens
alternativas à proposta na Seção 2 também poderão ser incluídas, tais
como sistema a sistema em tempo real ou comercialização multilateral, se
houver acordo entre o OIS e o operador do sistema estrangeiro e se os
sistemas estiverem disponíveis para tanto;

(b) previsão de demanda no sistema: considerando os dados dos distribuidores


sobre características de cargas específicas, o OIS fará uma previsão da demanda
no sistema para o período de programação seguinte (vide a seguir), que poderá,
também, incluir a produção esperada dos geradores conectados à distribuição,
com auto-despacho, cogeradores e autoprodutores;

(c) programação a priori: a previsão de demanda no sistema, a disponibilidade


declarada pelo gerador, as propostas para interconexão e as propostas para
redução de carga serão utilizadas para determinar a programação
aprioristicamente. Esta programação será utilizada como base para determinar os
valores de água e os Preços Marginais do Submercado (PMS), e não incluirá os
efeitos das restrições mínimas à transmissão, mas considerará as restrições
significativas à transmissão entre os Submercados. O processo de otimização
determinará, ainda, os valores de água para cada reservatório (ou para os
reservatórios dentro de uma área sob restrição, dependendo da capacidade do
modelo de otimização, vide Parte 2 deste anexo). Caso ocorra racionamento
decorrente de volume insuficiente de água para atender a demanda (provocando
desligamentos involuntários), o custo marginal do sistema será definido ao valor
de racionamento apropriado.

A programação não será utilizada para despachar o sistema - isso será feito pelo
OIS em um processo paralelo, utilizando uma versão mais detalhada do programa
de computador. Este processo também está descrito na Parte 2 deste anexo;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 48 SEN/Eletrobrás


(d) redeclaração de dados sobre disponibilidade: todas as partes poderão
redeclarar sua disponibilidade até um período especificado antes do despacho
vigente. Apesar de o preço do MAE não ser recalculado, as redeclarações serão
utilizadas para ajustar os pagamentos do gerador de forma a refletirem a
disponibilidade real da usina;

(e) despacho: o OIS divulgará instruções aos geradores em tempo real, baseadas no
processo de otimização utilizado para este objetivo e nos requisitos de previsão do
sistema. Tais instruções serão registradas no processo do Sistema de
Contabilidade e Liqüidação de Energia (SCLE), e utilizadas para determinar as
multas para geradores que não as tenham cumprido;

(f) agregação dos dados medidos: após o despacho real, a geração medida e os
dados de demanda serão coletados de forma que a geração e o consumo de cada
membro do MAE (com ajustes para perdas de transmissão no sistema para
geradores e consumidores conectados a tensões de subtransmissão e distribuição)
para cada período de liqüidação possam ser determinados e agregados de forma a
definir a demanda e a geração total do sistema (vide Seção 2 para perdas na
transmissão);

(g) programação a posteriori: esta programação será utilizada para determinar a


presença e os custos das restrições na transmissão. A demanda real do sistema
(medida como geração bruta para perdas no sistema, ou seja, com base na geração
fornecida ao sistema de transmissão), afluências reais, disponibilidade real do
gerador, propostas para interconexão e propostas para redução de carga seriam
então utilizadas para determinar a programação otimizada a posteriori. Assim
como na programação a priori, esta programação servirá de modelo apenas para
restrições importantes à transmissão entre os Submercados;

(h) cálculo do preço do MAE: o preço do MAE em cada Submercado será


determinado de uma das duas maneiras:

(i) na ausência de desligamentos involuntários o preço da energia em cada


Submercado será fixado pelo Preço Marginal do Submercado (PMS),
calculado como a geração mais cara programada na programação
antecipada para cada período de liqüidação, ou se houve instrução para
redução de carga involuntária no Submercado, pelo valor de racionamento
apropriado; ou

(ii) se desligamentos involuntários tiverem ocorrido por capacidade


insuficiente de geração, então o PMS será fixado ao valor apropriado de
racionamento para todos os Submercados.

(i) Mecanismo de Realocação de Energia (MRE): este mecanismo aplicar-se-á


apenas aos hidrogeradores com despacho central. Servirá para realocar a energia
de geradores que tiverem recebido instrução para produzir mais do que sua
energia garantida para aqueles que receberam instruções para produzir menos.
Os geradores produzindo mais que sua energia firme receberão metade da receita
diretamente, enquanto que metade será dividida entre todos os hidrogeradores. Se

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 49 SEN/Eletrobrás


um gerador tiver produzido abaixo do que foi instruído a produzir, ou se não tinha
disponibilidade técnica quando declarou que a teria (ou então a disponibilidade
era menor), ele terá sua alocação de energia reduzida proporcionalmente. A
energia alocada de hidrogeradores será utilizada como base para definir sua
exposição no MAE;

(j) erros do gerador: serão determinados pela comparação das instruções de


despacho do OIS e a geração real. Um mecanismo de multa será aplicado para a
geração fora de uma margem de erro especificada sobre níveis constantes das
instruções;

(k) perdas no sistema de transmissão: os Fatores de Perda na Transmissão (FPT)


em locais específicos serão calculados e aplicados à produção de geradores e à
demanda medida de varejistas, e serão baseados nas perdas médias previstas,
referentes a um sistema de Centro de Gravidade (CdG) definido. Os FPT serão
considerados para a derivação das programações que acabamos de discutir.
Qualquer índice de queda ou de aumento nas perdas reais e esperadas resultarão
um ajuste pro rata à demanda de todos os varejistas;

(l) volumes contratados: o SCLE determinará os volumes contratuais que se


aplicar-se-ão para cada período de liqüidação. Identificará onde estes contratos
foram celebrados entre as partes em diferentes Submercados. Para contratos de
intergeração (isto é, entre hidrogeradores e termogeradores flexíveis), a geração
térmica será atribuída ao hidrogerador contratado. Em caso de racionamento ou
períodos de preços muito altos no MAE, haverá um reajuste pro rata para retornar
aos volumes do contrato;

(m) Encargo pelo Serviço do Sistema: além disso, haverá um Encargo pelo Serviço
do Sistema (ESS), pago pelos varejistas com relação à toda a sua demanda (isto é,
tanto a contratada quanto a não contratada). Haverá diferença de encargos entre
os Submercados. Eles deverão recuperar:

(i) os custos das restrições na transmissão em cada Submercado;

(ii) a alocação das vantagens comerciais entre os Submercados onde estas


forem atribuídas a varejistas;

(iii) os custos da prestação de serviços ao sistema onde não forem diretamente


atribuídos a varejistas individuais ou consumidores de grande porte;

(iv) as vantagens do comércio internacional onde o OIS tenha retido o direito


de acesso;

(v) ajustes relativos à resolução de litígios com pagamentos de liqüidações


anteriores;

(vi) custos de operação no MAE (se não forem recuperados pelas taxas dos
membros - vide Seção 2);

(vii) menos qualquer compensação decorrente de multas ao gerador

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 50 SEN/Eletrobrás


(n) pagamentos e faturamento no MAE:

(i) pagamentos efetuados pelo gerador: seriam calculados da seguinte


forma:

- os hidrogeradores receberão: pagamento pelas transações


comerciais líqüidas no MAE (volumes de energia alocados menos
volumes contrados previstos) ao preço do MAE, pagamento (a
receber ou a pagar) pelas transferências de energia sob o MRE
(com base na operação acordada e nos custos de royalties),
proporção dos pagamentos pelas restrições e sua alocação de
quaisquer benefícios decorrentes de transações comerciais entre os
Submercados.

- termogeradores inflexíveis ou flexíveis sem um contrato de


intergeração receberão pagamento pelas transações líqüidas no
MAE a preço do MAE, pagamentos pelas restrições e sua alocação
de quaisquer benefícios decorrentes de transações comerciais entre
os Submercados;

- geradores embutidos comercializando no MAE, porém sem


despacho central, receberão o preço do MAE para toda a geração
não contratada.;

(ii) pagamentos do varejista: os varejistas pagarão o preço do MAE para


todas as suas transações líqüidas no MAE (demanda medida ajustada para
os fatores de perda quando apropriado, menos contratos de volume fixo de
energia) mais o Encargo pelo Uso do Sistema para toda a demanda
medida, mais quaisquer pagamentos referentes ao consumo de energia
reativa, menos o capital dos benefícios pela interconexão internacional e
os fluxos entre os Submercados; e

(iii) pagamentos pela interconexão internacional: as partes com alocação de


direitos de acesso a interconexão internacional pagarão o preço do MAE
(mais o Encargo pelo Uso do Sistema) para toda a carga exportada do
Brasil, e receberão o preço mais alto do MAE e o preço da licitação para
toda a energia fornecida ao MAE via interconexão.

244 O processo está resumido na Figura A.9.

Definição dos termos-chaves

245 Utilizaremos as seguintes definições:

(a) contabilização de energia significa o processo de cálculo de quantidades físicas


utilizadas na liqüidação, ou seja, agregação e ajuste dos dados medidos;

(b) liqüidação significa a execução das regras do MAE e a fixação dos pagamentos
relevantes a pagar ou a receber pelos participantes do MAE;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 51 SEN/Eletrobrás


O Processo de Liquidação Figure A.9
Geradores Operação do Sistema
hidro programação ótima Programa de geração
Declaração
cálculo de custo do sistema abstraindo de restrições
de dados
instruções de despacho em intra-regionais à
Geradores técnicos tempo real transmissão
térmicos transferências
internacionais
Cálculo do
preço do MAE

Coleta de Agregação e Ajustes do Exposições


ajuste para liquidas ao Volumes
dados de MRE
perdas MAE contratados
midição

Reconciliação Cálculo do encargo de


restrições serviço do sistema
reserva regional/nacional
desvios
transferências
inter-regionais
transferências Multilateral Liquidação de
internacionais WEM contratos
settlement bilaterais

Report IV-1 SEN/Eletrobrás


br4_2L.pre
(c) transferência de fundos é o processo para se apurar o resultado da liqüidação e
providenciar a transferência entre as contas bancárias dos membros do MAE e o
gerenciamento de depósitos de segurança, etc., referentes aos volumes não
contratados. Não trataremos desta parte do processo neste anexo pois é
essencialmente um exercício de contabilidade e natureza bancária, e não parte
intrínseca da operação do MAE;

(d) Mercado Atacado de Energia é o mercado “virtual” dentro do qual o sistema de


Liqüidação opera, e é definido pelo Contrato do Mercado Atacado de Energia e,
em particular, pelas Regras do MAE;

(e) o Administrador do Sistema de Contabilidade e Liqüidação de Energia


(ASCLE) é a entidade que opera o sistema de liqüidação e realiza a otimização do
sistema, necessária para a operação da liqüidação. Esta função será realizada pelo
OIS;

(f) membros do MAE são os geradores, varejistas e os consumidores de grande


porte que participam do mercado;

(g) período de liqüidação é o período para o qual cada preço distinto do MAE é
calculado;

(h) duração da programação é o período em que se aplica a programação para


calcular os preços do MAE; e

(i) duração da liqüidação é o período de tempo em que os períodos de liqüidação


são agregados e pagamentos totais devidos a cada membro do MAE ou de cada
membro do MAE são calculados.

Dados de mercado e de liqüidação são submetidos

246 A operação das regras do MAE exige que os seguintes tipos de dados sejam submetidos:

(a) dados permanentes solicitados pelo ASCLE;

(b) dados declarados pelos geradores;

(c) preços da licitação e volumes para redução de carga ou racionamento; e

(d) recursos para importação e exportação do interconector internacional e preços


correspondentes na licitação.

Dados permanentes são submetidos

247 Esta seção das regras do MAE descreverá todos os dados necessários para a operação de
liqüidação2. Os dados permanentes são uma descrição detalhada das características tanto do
sistema de eletricidade quanto de liqüidação, e conterão seis elementos principais:

2
Dados mais completos serão necessários para a programação e o despacho no sistema, e serão descritos nos
códigos técnicos para operação do sistema.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 52 SEN/Eletrobrás
(a) dados de todo o sistema, definindo os parâmetros gerais dentro dos quais ocorre
a liqüidação, e incluem:

(i) duração da liqüidação - é o período em que os pagamentos da liqüidação


serão calculados e as faturas emitidas. Isso terá que ser determinado como
parte do procedimento de implementação e pode compreender de um dia a
um mês;

(ii) duração da programação - é o período em que a programação da geração


poderá ser realizada com o objetivo de determinar o preço do MAE. Este
período também terá que ser determinado na implementação, e poderá ser
de um dia a uma semana, muito embora um dia seja recomendado, de
forma que o preço seja fixado de maneira mais precisa;

(iii) duração do período de liqüidação - é o período em que cada preço do


MAE é definido. Este elemento também será uma questão do momento da
implementação, e poderá ser expresso como um valor de períodos de
pico/fora de pico, com variação de preço por meia hora;

(iv) áreas limítrofes de cada submercado;

(v) Fatores de Perda de Transmissão a serem aplicados com relação a cada


modo do sistema;

(vi) todas as informações relevantes sobre o sistema de transmissão e as


interconexões necessárias para otimização do sistema.

(b) dados físicos a serem submetidos pelos geradores para suas unidades e estações
geradoras, compreendendo:

(i) o nó ou ponto de medição, ao qual o gerador está conectado ao sistema de


transmissão, e que será utilizado para determinar os FPT adequados para
aplicação;

(ii) com relação a cada unidade geradora com despacho central (isto é,
geradores com capacidade instalada acima de 30MW) sua capacidade
registrada medida em MW;

(iii) quaisquer outras características físicas de uma usina ou outras restrições


que poderão influenciar sua programação e sua operação;

(iv) para os termogeradores, taxas carregamento e descarregamento, geração


estável mínima, notificação solicitando que se sincronize ao sistema e
outros parâmetros técnicos necessários para despacho de carga eficiente;

(c) dados comerciais do gerador3, compreendendo:

3
Estes dados de preço estarão sujeitos à aprovação regulatória.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 53 SEN/Eletrobrás
(i) operação acordada, manutenção e custos de royalties (em R$/MWh) para
hidrelétricas, referentes às transferências energéticas entre hidrogeradores,
para uso no MRE;

(ii) energia garantida acordada em MWh para cada hidrogeradora com


despacho central, a ser utilizada para os cálculos do MRE no processo de
contabilidade e liqüidação de energia;

(iii) para termogeradores, custos variáveis acordados de combustível, de


manutenção e de operação (em R$ MWh) e eficiência térmica em suas
unidades. Dependendo da natureza do sistema de despacho de carga
utilizado, este poderia ser um preço único ou uma série de preços para
varios níveis de produção; e

(iv) para termogeradores com obrigações ‘take or pay’ para combustíveis, o


volume de energia ‘inflexível’. Esta geração terá um preço de licitação
zero no processo de otimização, para garantir que será programada para
atender suas obrigações finais.

(d) dados físicos a serem submetidos pelos varejistas em nome de consumidores de


grande porte em seus pontos de conexão e locais de medição, a serem utilizados
para se determinar os FPT aplicáveis;

(e) dados físicos a serem fornecidos pelos consumidores de grande porte e


varejistas oferecendo redução de carga e racionamento de acordo com as
características de sua capacidade (por exemplo, capacidade para redução máxima
e necessidade de notificação) e suas conexões;

(f) dados contratuais a serem fornecidos por geradores e varejistas, compreendendo:

(i) as identidades das partes contratantes e os Submercados aos quais os


contratos dizem respeito;

(ii) o Volume de Contrato a ser aplicado para cada Período de Liqüidação (em
MWh); e

(iii) decisão sobre serem os contratos transferíveis ou não (o que será relevante
apenas para o sistema N/NE e se aplicará apenas a um subconjunto de
contratos. Neste caso, o preço do contrato também será solicitado pelo
ASCLE).

(g) outros dados permanentes sobre medidores, inclusive o tipo de medição, fatores
de perda que se aplicarão à leitura para refletir as conexões a tensões mais baixas.
Os fatores de perda definirão a escala para geração ou demanda até o nível onde
estariam se estivessem conectados diretamente ao sistema de transmissão; e

(h) para Itaipu, volumes de contrato relevantes.

248 Os geradores poderão revisar os “dados permanentes” em suas unidades de geração


quando a especificação ou operação técnica da usina for alterada. Da mesma forma, os dados
sobre o varejista e os medidores dos consumidores serão alterados à medida que a necessidade
surgir.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 54 SEN/Eletrobrás


Dados declarados pelo gerador

249 Todos os geradores com despacho central (isto é, com capacidade instalada acima de
50MW4) terão que submeter dados sobre suas unidades de geração conforme previsto nos
códigos técnicos de operação do sistema. Cada gerador deverá submeter dados sobre a
disponibilidade de cada unidade geradora (ou estação, dependendo da natureza de sua conexão).

250 Os geradores deverão declarar ao OIS os seguintes dados referentes à disponibilidade de


suas usinas de acordo com o cronograma a seguir.

[uma semana] antes do despacho/da comercialização

251 O gerador submeterá os seguintes dados (na prática, estes dados seriam obtidos de dados
técnicos submetidos e utilizados na otimização e no despacho do sistema, muito embora os
requisitos de dados serão, também, definidos nas regras do MAE para dirimir quaisquer
dúvidas):

(a) a disponibilidade técnica prevista de cada uma das unidades geradoras para o
período de liqüidação seguinte, expressos em MW por hora, sujeita a quaisquer
restrições em suas operações. Estes dados estarão relacionados à disponibilidade
técnica das turbinas, e não à disponibilidade hídrica;

(b) para os hidrogeradores com capacidade de armazenamento, dados técnicos


adicionais referentes aos níveis do reservatório e os fluxos a jusante e a montante
onde não estejam diretamente disponíveis ao ASCLE e à divisão de operações do
sistema do OIS, porém necessários para o processo de otimização. Poderão
incluir:

(i) capacidade inicial e final dos reservatórios e represas;

(ii) quaisquer alterações nas restrições para capacidade mínima e máxima dos
reservatórios e represas, etc., com base nos dados permanentes;

(iii) quaisquer alterações nas restrições para vazão mínima e máxima dos
reservatórios e represas, com base nos dados permanentes;

(iv) restrições às capacidades de túnel; e

(v) restrições à capacidade de bombeamento.

(c) quaisquer inflexibilidades em operações de curto prazo em cada unidade geradora.


Isto se aplicará às unidades térmicas e refletirá a incapacidade da usina operar em
dois turnos, etc. e às hidrelétricas, no que se refere às restrições compulsórias às
suas operações;

4
Esta definição inclui usinas a fio d’água. Muito embora do ponto de vista técnico não terão despacho pelo OIS, sua
capacidade instalada - e sua conexão à tensão de transmissão - indicam que serão incluídas na liqüidação contábil de
energia do MAE.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 55 SEN/Eletrobrás
(d) geradores sem despacho central deverão notificar o OIS (possivelmente via seu
distribuidor/varejista hospedeiro) sobre a geração pretendida para o Dia de
Liqüidação seguinte sob os termos dos Procedimentos da Rede.

252 Um consumidor de grande porte ou um varejista oferecendo redução ou racionamento


de carga deverá submeter os seguintes dados:

(a) uma série de preços para licitação aos quais se dispõe a desconectar diferentes
quantidades de carga (em R$/MWh). Inicialmente, haverá limite a (por exemplo)
dois preços, porém dependerá das capacidades dos modelos;

(b) disponibilidades correspondentes para redução ou racionamento da carga para


cada preço da proposta de licitação (em MW/h); e

(c) outros dados permanentes relevantes, incluindo taxas de aumento e redução de


carga apropriadas à sua capacidade de gerenciamento de carga.

253 Acreditamos que as interconexões internacionais serão regidas pela aproximação das
transações sistema a sistema discutidas na Parte 1 deste anexo. O operador estrangeiro da
interconexão5 deverá submeter, no estágio do dia posterior:

(a) um ou mais preços para licitação ao(s) qual(quais) esteja disposto a comprar e
vender geração (em R$/MWh). O número adequado de estágios na curva de carga
implícita no sistema terá que ser definido durante a implementação, e dependerá
da natureza do sistema adjacente;

(b) disponibilidades correspondentes para importação e exportação para cada preço


da licitação (em MWh). Muito provavelmente terão que ser revisadas mais
freqüentemente como resposta às restrições na transmissão ou a outros fatores
operacionais que estejam afetando a capacidade de cada interconector; e

(c) todos os outros dados permanentes relevantes, incluindo os parâmetros que


refletem a operação do interconector. Estes dados incluem: taxas aumento e
redução de carga, potência registrada do interconector, etc.

254 Para a geração de Itaipu, o Agente de Produção de Itaipu (AP) fornecerá a geração
prevista à divisão do operador do sistema do OIS referente à duração do período de liqüidação.
Esta informação será repassada ao ASCLE.

Redeclarações na duração da programação

255 A qualquer momento, antes do despacho real, um gerador, gerente de carga ou operador
da interconexão poderá submeter ao OIS - em sua função como operador do sistema (conforme
descrito nos procedimentos técnicos para operações do sistema) - uma redeclaração que
substitua qualquer declaração ou redeclaração de disponibilidade anterior.

256 No caso de um gerador, tal redeclaração deverá refletir os seguintes eventos:

5
O operador da interconexão será responsável por toda a capacidade do interconector no que se refere às regras do
MAE. Quaisquer contratos que possam ser celebrados pelo operador da interconexão para uso da capacidade de
interconexão com outras partes não deverá fazer parte do MAE.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 56 SEN/Eletrobrás
(a) uma unidade geradora passou a ter uma disponibilidade diferente da declarada
anteriormente;

(b) uma unidade geradora com declaração anterior de disponibilidade foi declarada
não disponível, ou uma unidade geradora declarada não disponível tornou-se
disponível em seguida;

(c) alguma restrição à operação da usina passa a ser aplicável, ou uma declaração
anterior de restrição foi removida; e

(d) uma inflexibilidade na operação da usina tornou-se aparente em seguida, ou a


declaração de uma inflexibilidade anterior foi removida (o que provavelmente
ocorrerá com as usinas térmicas).

257 Redeclarações semelhantes poderão se aplicar a interconexões internacionais e a


propostas de licitação para redução ou racionamento de carga.

258 A redeclaração especificará o período em que a disponibilidade, a restrição ou a


inflexibilidade declarada estará ativa, e, no caso de disponibilidade, o nível a ser aplicado nestes
períodos. A atualização das disponibilidades e inflexibilidades tomarão a forma de valores
revisados para as variáveis de liqüidação relevantes.

259 Lembramos que todas as redeclarações serão restritas a quantidades ou parâmetros.


Geradores, administradores de demanda e operadores de interconexões não poderão redeclarar
dados sobre preços.

Dados sobre a disponibilidade final após despacho

260 Ao final da liqüidação, o ASCLE receberá todos os dados finais sobre disponibilidade da
divisão de operação do sistema do OIS, conforme acabamos de descrever, para uso na liqüidação.

Verificação da consistência dos dados

261 O ASCLE deverá realizar uma série de verificações para garantir que os dados
submetidos pelos geradores, administradores de demanda e operadores da interconexão estejam
consistentes e válidos para uso na liqüidação. Tais verificações podem incluir situações em que:

(a) a disponibilidade declarada/redeclarada não exceda a potência máxima registrada


de geração da unidade e nem esteja aquém dos níveis mínimos de geração (no
caso de termogeradora); e

(b) as inflexibilidades estejam definidas adequadamente e que as cargas para a


geração correspondente estejam entre os níveis máximos e mínimos de geração.

Medição e agregação dos dados medidos

262 Esta seção das regras do MAE identificará os valores medidos para todos os geradores,
varejistas, consumidores de grande porte, geradores embutidos e interconectores para determinar
como deverão ser ajustados de forma a fornecerem os dados para o processo de liqüidação.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 57 SEN/Eletrobrás


263 As leituras de medição poderão ter que ser ajustadas para determinar como teriam sido se
tivessem ocorrido nas áreas limítrofes do MAE (ou seja, em um ponto de fornecimento a grosso),
ou para cumprimento de outros características de conexão. Portanto, as regras seriam necessárias
para as seguintes situações:

(a) as leituras dos medidores dos varejistas terão que ser ajustadas se eles não
estiverem situados em um ponto de fornecimento a grosso no sistema de
transmissão;

(b) as leituras dos medidores que monitoram mais de uma saída para o
distribuidor/varejista terão que ser alocadas entre estes varejistas. Isso pode ser
feito por uma regra simples acordada, e poderá permitir a variações na alocação
conforme a hora do dia, se isto refletir o padrão da demanda;

(c) a demanda de leitura dos medidores de consumidores de grande porte conectados


a tensões de subtransmissão ou distribuição de tensão terá que ser ajustada para
perdas menores de tensão. Isso se aplicará para consumidores com fornecimento
por varejistas autorizados do mercado livre ou para aqueles comprando
diretamente do MAE. Seriam deduzidos da demanda do distribuidor/varejista
hospedeiro para determinar a demanda líqüida do distribuidor/varejista;

(d) ajustes específicos poderão ser necessários para a consideração de configurações


especiais dos medidores de um gerador em determinada planta; e

(e) a produção medida em geradores embutidos comercializando no MAE será


adicionada à demanda correspondente do distribuidor/varejista no PSE (Ponto de
Suprimento de Energia) correspondente6.

264 Um outro elemento para o cálculo de perdas são os FPT nodais, que se aplicarão a fatores
de perda para toda a demanda e geração no sistema. Serão definidos por referência a um nó
central definido no sistema. Cada medidor do varejista em um PSE , ou cada medidor de um
consumidor de grande porte associado a um PSE em especial terá, conseqüentemente, a
designação de um FPT. Este fator de perda será utilizado para calcular a leitura para uso do
SCLE.

265 Um ajuste semelhante será aplicado às leituras do medidor do gerador7. Toda a produção
de um gerador embutido com despacho central será ajustada para os efeitos de perdas de
distribuição conforme descrito anteriormente, na seção sobre medição.

6
Uma questão detalhada no escopo das regras do MAE neste contexto é se o ajuste para as perdas deve se basear em
fatores padrão determinados pela tensão ou se fatores específicos devem ser calculados para cada gerador ou
consumidor conectado a tensões mais baixas. No nosso ponto de vista, a primeira abordagem é a preferida, pois será
muito mais simples de aplicar e reduzirá a margem para disputas. Os fatores de perda padronizados serão aprovados
pelo EXMAE (vide Anexo I) e revisados conforme calendário acordado.
7
Para geradores cujas unidades geradoras estiverem diretamente conectadas ao sistema de alta tensão, a carga da
usina será medida separadamente, registrada como demanda do consumidor, e o pagamento calculado conforme
descrito em seguida. Procedimentos análogos se aplicarão para geração com demanda local, e, além disso, com
ajuste apropriado para as perdas de distribuição. Para geradores conectados por um transformador único na usina,
não haverá separação de carga na usina.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 58 SEN/Eletrobrás


266 A fim de garantir um equilíbrio para as perdas de transmissão totais no MAE, a demanda
total medida (depois do ajuste para as perdas) será comparada à geração total para cada
Submercado. As discrepâncias serão eliminadas pela aplicação de um fator de cálculo a toda a
demanda, independente de sua localização.

Definição das programações e do preço no MAE

Visão geral

267 A programação produz um despacho a custo mínimo no sistema, que desconsidera os


efeitos da maioria das restrições operacionais. Leva em conta apenas as restrições mais
importantes na transmissão, que são as que ocorrem entre os Submercados8. Portanto, difere da
programação utilizada para o despacho real do sistema, pois esta incluiria todas as restrições
operacionais importantes. No entanto, as programações utilizadas no SCLE e nos despachos se
basearão em uma metodologia comum. Explicaremos estas últimas na parte 2 deste Anexo.

268 O MAE proposto sugere duas programações distintas no SCLE:

(a) a programação a priori, calculada antes da transação comercial, utilizando a


demanda prevista e a disponibilidade declarada do gerador para a base de cálculo
do Preço Marginal do Submercado (PMS); e

(b) a programação a posteriori, calculada após a transação comercial, utilizando a


demanda e as disponibilidades reais para calcular os custos das restrições na
transmissão nos Submercados.

269 O preço do MAE para cada Submercado será calculado com base na programação a
priori. Apenas se ocorrer escassez de potência os PMS seriam baseados em dados reais.

Programação a priori

270 A programação a priori prevê dados de previsão para a duração da liqüidação. Isto inclui
previsão da demanda no sistema, da hidrologia, das disponibilidades declaradas dos geradores,
dos gerentes de carga e dos interconectores, e preços. Também deverá registrar se algum
racionamento preventivo está programado.

271 O cálculo de uma Programação a priori é, basicamente, um processo em dois estágios:

• Estágio 1: previsão da demanda total em cada Submercado e das restrições ativas


de transmissão entre os Submercados e os requisitos para reserva; e

• Estágio 2: rodar a programação.

272 O produto da programação a priori consiste de:

(a) geração programada para cada unidade geradora com despacho central, em cada
período de liqüidação, tanto para termogeradores quanto para hidrogeradores;

8
Propusemos que a otimização do sistema e os valores hídricos correspondentes sejam calculados por um modelo
baseado na metodologia do DECOMP - vide parte III deste Anexo.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 59 SEN/Eletrobrás
(b) programação de redução ou racionamento de carga;

(c) disponibilidade de geração da unidade em cada período de liqüidação;

(d) fluxos programados entre os Submercados;

(e) fluxos programados para todas as interconexões internacionais;

(f) valor de água para cada reservatório no sistema (em R$/MWh) ou para cada parte
principal do Submercado, dependendo da forma precisa do modelo de otimização.
Estes serão calculados ao valor adequado de racionamento se ocorreu diminuição
involuntária de carga. Descreveremos este mecanismo a seguir.

273 Conforme lembrado anteriormente, a programação a priori é a base de cálculo para os


PMS.

Programação a posteriori

274 O cálculo da Programação a posteriori é um processo de cinco estágios:

• Estágio 1: determinar a demanda total em cada Submercado e, conseqüentemente,


para todo o sistema interligado como um todo, o que será definido como geração
total, que é a medida bruta das perdas de transmissão e os requisitos para reserva;

• Estágio 2: determinar a disponibilidade real de todas as unidades geradoras


utilizando a disponibilidade declarada e redeclarada dos geradores e quaisquer
parâmetros operacionais relevantes (por exemplo, taxas de aumento e redução de
geração dos termogeradores);

• Estágio 3: considerar as falhas e os erros do gerador nas disponibilidades


produzidas a partir do Estágio 2;

• Estágio 4: identificar os limites de restrição ativa no sistema de transmissão entre


os Submercados; e

• Estágio 5: rodar o programa de otimização do sistema para determinar a


programação a posteriori.

275 Será necessário um ajuste referente à operação das interconexões internacionais.


Exportações reais nas interconexões entrariam na programação exatamente como gerenciamento
de carga (ou seja, uma carga potencial para desligamento em MW/hora e o preço incremental da
licitação correspondente). Se for mais econômico programar tal “gerenciamento de carga da
interconexão”, então a demanda na programação será reduzida na mesma proporção. Da mesma
forma, se forem programadas importações para o Brasil, qualquer redução na geração será vista
como uma redução na carga. Lembramos que isso não afetará o formato dos acordos comerciais
para as interconexões internacionais. Ao contrário, é um processo que as incorpora à
programação.

276 Além destes ajustes, deve-se permitir geração conectada à distribuição com auto-
despacho.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 60 SEN/Eletrobrás
(a) se o gerador conectado à distribuição não estiver comercializando no MAE, ele
não participará das programações a priori e a posteriori, pois sua produção estará
implicitamente registrada como redução na demanda do sistema (ou seja, reduzirá
a demanda medida no PSE correspondente); e

(b) se o gerador de distribuição estiver comercializando no MAE, sua geração medida


(ajustada para perdas de distribuição, conforme apropriado), será acrescentada à
demanda do sistema utilizada nas Programações.

277 A demanda e a geração medidas e as instruções para níveis de despacho para cada
unidade geradora, conforme publicação do OIS, deverão ser obtidas nos registros de despacho.

278 A produção da programação a posteriori consiste de:

(a) geração programada para cada unidade geradora com despacho central em cada
período de liqüidação;

(b) fluxos programados para todas as interconexões internacionais;

(c) fluxos programados entre os Submercados;

(d) redução de carga programada; e

(e) disponibilidade real de geração da unidade em cada período de liqüidação.

Cálculo do preço no MAE

Visão geral

279 Os Preços Marginais dos Submercados (PMS) são calculados a partir da produção
programada a priori e compreendem um preço único para cada um dos Submercados. Expressos
em R$/MWh, são o preço mais alto para geração ou racionamento de carga programado para
cada período de liqüidação em cada Submercado. Se em qualquer período de liqüidação houver
desligamentos causados por uma escassez genuína da energia disponível, o preço do MAE será
calculado ao preço apropriado de racionamento. Isto será provocado pela determinação do OIS
de que o racionamento é necessário, com aprovação da ANEEL, se possível. No caso de ter
havido uma real escassez de capacidade no sistema (a potência de geração disponível não
conseguiu atender a demanda de pico), o preço do MAE (ou seja, os PMS em todos os
Submercados) aumentará até o valor de racionamento no período de liqüidação em que a
escassez ocorreu.

280 Sob condições operacionais normais do sistema (isto é, quando não há racionamento), o
preço do MAE em cada Submercado (PMS) será determinado como:

(a) o custo térmico ou a geração hidrelétrica de maior valor para atender a demanda
na programação a priori;

(b) o PMS de um Submercado adjacente quando as “importações” daquele


Submercado forem a geração programada mais cara; ou

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 61 SEN/Eletrobrás


(c) a parte correspondente da proposta de licitação do interconector internacional para
o volume importado quando este for a geração programada de maior valor, ou
onde a redução das exportações for a geração de demanda mais cara na
programação; e

(d) a proposta para gerenciamento incremental de carga programada para equilibrar


geração e demanda.

281 Se o racionamento de energia for aprovado pela ANEEL, o valor apropriado de


racionamento será determinado pelo estágio com base na função racionamento correspondente ao
volume de carga desligado. A função racionamento conterá uma série de estágios, com preços
correspondendo ao volume da carga desconectada. Quando for programada uma redução de
carga involuntária apenas em um Submercado, o PMS em outros Submercados não será afetado.

282 Se houver desligamento de demanda em decorrência de queda da potência disponível em


relação à demanda do sistema, então o preço do MAE será calculado ao valor correspondente ao
racionamento. Situações de escassez de potência serão determinadas da seguinte forma:

• Estágio 1: determinar a porcentagem de carga desligada em decorrência tanto de


redução de carga como por desligamentos involuntários. A duração do
desligamento também será registrada;

• Estágio 2: ajustar o valor do Estágio 1 para perdas conforme apropriado, e


adicionar à demanda total do sistema;

• Estágio 3: comparar a demanda do sistema (ou seja, em todos os Submercados no


sistema principal afetado) com a soma da disponibilidade do gerador, toda a
proposta da licitação para gerenciamento de carga com consumidores e com a
potência disponível da interconexão, e então:

- se a disponibilidade total do gerador, do interconector e do gerenciador da


carga for superior à demanda do sistema no estágio 2, então o
desligamento deve ser resultado de restrições operacionais (por exemplo,
uma restrição na transmissão) ou a um erro de despacho. O preço do
MAE é, então, calculado sobre a geração marginal ou redução de carga
programada em cada Submercado e o desligamento involuntário é
desconsiderado; e

- se a disponibilidade total for inferior à demanda do sistema no estágio 2, o


preço do MAE é calculado ao valor de racionamento correspondente para
todos os Submercados.

Cálculo para os pagamentos no MAE - processo de liqüidação

283 O processo para se determinar os pagamentos no MAE consiste dos seguintes passos:

• Estágio 1: para cada Submercado, calcular:

- o custo das restrições na transmissão em cada Submercado;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 62 SEN/Eletrobrás


- os fluxos entre os Submercados;

- os efeitos dos mercados sobre todas as interconexões internacionais;

- multas aos geradores;

- custos da provisão para serviços no sistema e sua demanda;

e, conseqüentemente, determinar os Encargos pela Prestação de Serviços no


Sistema para cada Submercado;

• Estágio 2: calcular a geração real para a liqüidação, que consistirá de:

- ajuste da geração real para quaisquer multas aplicadas;

- realocação da hidrogeração via MRE; e

- ajuste dos níveis de geração revisados para considerar os contratos dos


geradores;

• Estágio 3: calcular as transações comerciais líqüidas no MAE definindo-se os


contratos pelos níveis de geração ajustados e consumo medido, e ajustando os
volumes dos Contratos Iniciais conforme previsto durante o racionamento ou os
períodos de extrema seca;

• Estágio 4: calcular os pagamentos do Gerador;

• Estágio 5: calcular os pagamentos do Varejista;

• Estágio 6: calcular os pagamentos do operador da Interconexão.

Descreveremos, a seguir, cada um destes estágios em detalhe.

Estágio 1: Conciliação e Encargos pela Prestação de Serviço no Sistema

284 Há necessidade de se conciliar uma série de elementos no processo do SCLE, referentes


aos efeitos das restrições na transmissão, aos intercâmbios internacionais, etc. Muitos destes
fatores se refletem nos Encargos pela Prestação de Serviço no Sistema, e, portanto,
descreveremos a abordagem conjunta adotada para estes itens no SCLE.

285 O valor dos Encargos pela Prestação de Serviço no Sistema a ser recuperado em cada
Submercado será calculado somando-se os custos de cada um de seus componentes para cada
Submercado e em seguida dividindo pela demanda total medida para aquele Submercado, para
determinar o Encargo pela Prestação de Serviços no Sistema (em R$/MWh).

286 Descreveremos a metodologia proposta para cada elemento, individualmente, neste


processo.

Restrições na transmissão
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 63 SEN/Eletrobrás
287 A programação a posteriori será utilizada para determinar o volume de restrições na
transmissão em cada Submercado. A programação a posteriori calcula a geração otimizada
programada para cada unidade geradora de acordo com a demanda real e as disponibilidades
reais do gerador. Para a liqüidação, pressupõe-se que qualquer diferença entre os níveis reais de
geração e os níveis programados na programação a posteriori serão o resultado de uma restrição
na transmissão quando estes não forem decorrentes de erro do gerador. Explicaremos, a seguir,
como os custos decorrentes de erros dos geradores podem ser determinados e deduzidos do
Encargo pela Prestação de Serviço no Sistema a serem pagos pelos varejistas e consumidores de
grande porte que comprem do MAE diretamente.

288 Os geradores serão pagos pelos efeitos das restrições na transmissão dependendo se o
gerador for considerado “operando, com restrição” (a geração real excede a geração programada),
ou “não operando, com restrição” (geração real é inferior à geração programada). A seguir,
apresentamos um esboço de como os pagamentos são calculados:

(a) para os termogeradores:

- quando operando com restrição, as unidades térmicas receberão o preço


mais alto do MAE e seus custos acordados de geração para toda a geração
que exceda sua geração programada a posteriori; e

- quando não operando, com restrição, as unidades térmicas receberão a


diferença entre o preço do MAE e seus custos de geração acordados para a
diferença entre sua geração real e a programada a posteriori.

(b) para os hidrogeradores:

- cada hidrogerador terá uma conta de restrição que será calculada a zero no
início de um “período contábil de restrição” (por exemplo, um mês);

- se um hidrogerador não estiver operando, com restrição, receberá o


pagamento de:

(preço vigente do MAE* volume deficiente sob restrição*) taxa de juro


diária*número de dias no período contábil de restrição;

- haverá um pagamento correspondente para restrição na geração;

- se a restrição se tornar maior durante o período contábil de restrição, o


hidrogerador receberá um pagamento incremental adicional; e

- se a restrição for removida, não haverá pagamento. Os pagamentos


compensatórios serão feitos considerando-se que a restrição será efetiva
para o remanescente do período contábil de restrição.

289 Os custos adicionais incorridos como resultado dos pagamentos que acabamos de
mencionar serão recuperados pelos Encargos de Prestação de Serviços no Sistema. A
compensação será alocada por todos os hidrogeradores afetados pela restrição proporcionalmente
à sua energia garantida, via MRE.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 64 SEN/Eletrobrás


Intercâmbios entre Submercados

290 Lembramos, na Parte 1 deste Anexo, que há alternativas para a condução do processo no
âmbito do SCLE. A seguir, discutiremos o Caso 1 da Parte 1.

291 As regras do MAE para a alocação de vantagens decorrentes dos fluxos entre os
Submercados serão as seguintes:

(a) o MAE terá que registrar os Submercados onde as duas partes contratantes
estiverem localizadas, para os registros:

(i) do volume de energia garantida do gerador contratado com o


distribuidor/varejista no Submercado deste;

(ii) da demanda de energia garantida contratada pelo distribuidor/varejista em


seu próprio Submercado;

(b) fluxos reais serão registrados da seguinte forma (vide Figura A.2):

(i) a produção total transferida entre os Submercados será limitada aos fluxos
reais medidos;

(ii) se os fluxos totais medidos forem os mesmos dos volumes totais


contratados, a conta do gerador no Submercado do distribuidor/varejista
receberá crédito de energia igual ao volume contratado. A transferência
será, também, registrada como demanda no próprio Submercado do
gerador e subtraida de sua geração real;

(iii) se os fluxos totais medidos forem superiores aos volumes totais


contratados, a conta do gerador no Submercado do distribuidor/varejista
receberá crédito de energia igual ao volume contratado. O excedente será
alocado a uma “conta de transferência” e os benefícios alocados conforme
descrito a seguir. A transferência seria também registrada como demanda
no próprio Submercado do gerador e subtraida de sua geração real

(iv) se os fluxos totais medidos forem inferiores aos volumes totais


contratados, a conta do gerador no Submercado será creditada com energia
a menos em proporção ao fluxo real entre os Submercados. A
transferência também receberá crédito como demanda no próprio
Submercado do gerador e subtraida de sua geração atual

(v) para o varejista, sua demanda será comparada ao volume fixo de energia
contratada em seu Submercado e a diferença liqüidada ao preço vigente
no MAE;

(vi) além disso, haverá um ajuste para os efeitos das perdas de transmissão na
interconexão entre os Submercados (se tal valor for apropriado no
contexto da conexão afetada). As perdas serão alocadas de acordo com a
direção do fluxo em cada período de liqüidação e serão pagas pelo
Submercado importador;

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 65 SEN/Eletrobrás


(c) a diferença do saldo da conta da interconexão entre os Submercados (ou seja, os
benefícios do fluxo entre os Submercados) será alocada a todos os geradores no
Submercado de exportação e metade a todos os distribuidores/varejistas no
Submercado de importação. A primeira será feita pelo ajuste aos pagamentos ao
gerador, e a segunda pelos Encargos de Prestação de Serviços ao Sistema no
Submercado de importação.

Interconexões internacionais

292 O processo de liqüidação para os fluxos de interconexões internacionais será necessário


no Submercado ao qual se dá o fluxo da interconexão internacional e seguirá os procedimentos
operacionais seguintes:

(a) a parte detentora do direito de acesso, se sob contratos de volumes fixos de


energia, os registrará conforme segue:

(i) se o contrato de volume fixo de energia for para exportação, será


registrado na conta do interconector internacional como se fosse um
contrato para demanda no Submercado; ou

(ii) se o contrato de volume fixo de energia for para importação, será


registrado na conta do interconector internacional como se fosse um
contrato de geração no Submercado;

(b) fluxos reais em toda a interconexão, resultando de otimização do sistema em


tempo real, serão comparados ao volume contratado:

(i) se não houve contrato para volume fixo de energia, se houve exportação
para toda a interconexão internacional, o dono do direito pagará ao preço
vigente no MAE (no Submercado onde q importação foi registrada) para a
“demanda” do interconector, e se houve importação, receberá o preço do
MAE para sua “geração”;

(ii) se houve uma exportação líqüida e um contrato de volume fixo de energia


registrado no MAE, e se volume contratado também for uma exportação, a
exposição residual (de geração ou de demanda líqüida) será calculada ao
preço do AE. Se o contrato for de importação líqüida, então a diferença
será também calculada a preço do MAE;

(iii) se houve uma importação e um contrato de volume fixo de energia


registrado no MAE, então o tratamento será análogo ao do caso de
exportação garantida;

(c) exposições não contratadas nos sistemas adjacentes serão uma questão para
contratos comerciais nos países envolvidos.

Multas aplicadas ao gerador

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 66 SEN/Eletrobrás


293 Todos os geradores deverão seguir as instruções de despacho até (por exemplo) 2% do
nível a que foi instruído em cada Período de Liqüidação. O não cumprimento às instruções de
despacho nesta proporção resultará aplicação de multa ao gerador.

294 A multa aplicada aos geradores que não cumprirem as instruções de despacho dependerão
da condição de geração deficiente ou excedente do gerador:

• Multas por geração excedente:

- O gerador receberá crédito por excesso de geração. O gerador não


receberá qualquer pagamento pelo excesso de energia, que será excluída
da liqüidação contratual do gerador. O valor pela energia excedente9 será
utilizado para reduzir o Encargo pela Prestação de Serviço ao Sistema.

• Multas por geração deficiente:

- Se um hidrogerador tiver geração deficiente, sua alocação de energia sob o


MRE será reduzida na proporção de seu deficit de geração. Assim, por
exemplo, se um gerador somente gerar 80% da geração contida nas
instruções, sua energia garantida será reduzida a 80% de seu nível
acordado no MRE.

- Se um termogerador tiver geração deficiente, esta será considerada apenas


como a proporção da geração real para efeito de liqüidação. O valor da
energia excedente será utilizado para reduzir o Encargo pela Prestação de
Serviço no Sistema.

- Em ambos os casos, a redução na geração (ou na energia garantida)


continuará até que o gerador comprove sua capacidade de gerar no nível
das instruções no momento da falha.

Provisão para Prestação de Serviços no Sistema

295 Explicamos, na Seção 2, que para os hidrogeradores, os custos de reserva serão tratados
como parte do MRE. Quaisquer custos adicionais incorridos por um gerador para manter sua
capacidade de prestar serviços ao sistema (por exemplo, resposta de frequência), serão acordados
entre o gerador e o OIS, que será responsável pelo reembolso destes custos ao gerador, e
recuperados pelo Encargo de Prestação de Serviço ao Sistema. Litígios referentes ao nível de
capacidade poderão ser encaminhados à ANEEL para recurso.

296 Os termogeradores instruídos a fornecer reserva serão pagos pela diferença entre seus
custos registrados e o PMS vigente, o que permitirá ao gerador a recuperação de suas perdas no
MAE.

297 Os pagamentos aos fornecedores de energia reativa deverão operar da seguinte forma:

(a) quando um termogerador estiver sob restrição para fornecer energia reativa,
receberá pelo seu combustível registrado e por outros custos operacionais
variáveis. Este caso será tratado da mesma forma como qualquer outra geração
sob restrição (muito embora seja identificado separadamente);

9
Calculado pelo valor correspondente ao PMS.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 67 SEN/Eletrobrás
(b) quando um hidrogerador estiver sob restrição para fornecer energia reativa,
receberá compensação com base no mecanismo descrito anteriormente para
restrições de transmissão; e

(c) haverá, ainda, a necessidade de um pagamento pela capacidade reativa, cobrada e


recuperada à mesma base do encargo pela capacidade de reserva.

298 Com relação à recuperação dos custos pelos serviços prestados ao sistema, pode-se
aplicar as seguintes regras:

(a) para a reserva, quaisquer custos adicionais serão recuperados pelos Encargos pela
Prestação de Serviços ao Sistema;

(b) para energia reativa, os custos da energia fornecida para fins de transmissão serão
determinados e os custos recuperados pelos encargos de prestação de serviços ao
sistema. Enquanto a energia reativa for produzida para atender as necessidades de
suporte à tensão, as regras a seguir se aplicam:

(i) quando um distribuidor, ou um consumidor de grande porte, diretamente


conectado ao sistema de transmissão tiver utilizado energia reativa em
excesso no limite nodal, terá que pagar proporcionalmente pelos encargos
de energia reativa (geração sob restrição) pela sua utilização em excesso;

(ii) quaisquer encargos adicionais pela energia reativa serão recuperados pelos
Encargos de Prestação de Serviços ao Sistema.

299 Os custos referentes à geração adicional incorridos como resultado da provisão da


prestação de serviços ao sistema serão recuperados pelos Encargos de Prestação de Serviços ao
Sistema.

Solução de litígios

300 Refere-se à liqüidação de litígios relativos a pagamentos surgidos em processos de


liqüidação anteriores, que tenham exercido impacto sobre todos os membros do MAE. Tais
ajustes são inevitáveis. Os litígios podem estar relacionados à operação dos medidores, quando
então a solução levará algum tempo. A experiência em outros sistemas de liqüidação nos sugere
que uma abordagem envolvendo um ajuste retrospectivo é o mais viável.

Encargos totais pela prestação de serviços ao sistema

301 Serão determinados como os custos totais identificados nos elementos isolados dos
Encargos pela Prestação de Serviços ao Sistema alocados a usuários específicos, e serão
expressos em R$/MWh.

Passo 2: Cálculo da geração para fins de liqüidação

Ajuste para erros dos geradores

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 68 SEN/Eletrobrás


302 A geração real ajustada para cada hidrogerador será calculada comparando-se a geração
medida e a geração instruída. Se um gerador apresentar geração deficiente (ou seja, sua geração
apresentou um desvio das instruções superior à faixa de erro), sua geração garantida será
reduzida proporcionalmente e denominada energia garantia ajustada. Não haverá ajuste de
energia garantida se ocorrer geração excedente. Desta forma, os hidrogeradores terão um
incentivo forte para obedecer às instruções de despacho. Os termogeradores terão um incentivo
para seguir instruções pelas multas associadas a erros de geração.

Ajuste para alteração de disponibilidade

303 Se um hidrogerador tiver declarado disponibilidade mecânica inferior ao nível de sua


energia garantida para os fins do MRE, o fato resultará uma redução temporária de seu direito à
energia garantida.

304 Nesta abordagem, os hidrogeradores não terão incentivo para se declararem disponíveis
quando não estiverem. Um gerador que agir desta forma descobrirá que sua energia garantida foi
reduzida à disponibilidade observada e estará sujeito a multa por geração deficiente10.

Mecanismo de Realocação de Energia para hidrogeradores

305 Para efeito de liqüidação, os hidrogeradores receberão energia baseada em sua energia
garantida acordada e sua geração real. O mecanismo de realocação de energia consiste de três
estágios, e é apresentado a seguir:

• Estágio 1: determinar se, em sua totalidade, a hidrogeração com despacho


centralizado está deficitária (isto é, hidrogeração real é inferior à energia garantida
total ajustada11) ou em excesso (hidrogeração total real é superior à energia
garantida ajustada);

• Estágio 2: se o hidrossistema estiver deficitário, a hidrogeração real total é


alocada a cada usina proporcionalmente à energia garantida ajustada de cada
usina. Assim, se o hidrossistema como um todo tiver gerado 95% da energia
garantida do sistema, cada hidrogeradora terá alocação de 95% de sua própria
energia garantida ajustada. O mecanismo de pagamento pela energia alocada pelo
MRE está descrito na seção sobre pagamentos, a seguir;

• Estágio 3: se o hidrossistema estiver com excedente, o primeiro passo será alocar


a energia garantida ajustada a cada hidrogeradora. O excedente é em seguida
alocado da seguinte forma:

- metade do excedente será dividido entre todos os hidrogeradores


proporcionalmente à sua energia garantida12; e

10
Cria-se um problema quando um gerador faz uma declaração falsa e não é solicitado a gerar. A situação somente
será resolvida com testes regulares da disponibilidade deste gerador. Todos aqueles que fizerem declarações falsas
estarão sujeitos a multas.
11
Energia garantida oficial, ajustada para toda e qualquer multa ao gerador.
12
Conforme lembrado anteriormente, todos os custos alocados a hidrogeradores, decorrentes de restrições na
transmissão ou restrições pela provisão de potência reativa, serão alocados proporcionalmente à sua energia
garantida. O MRE será um meio pelo qual isso será feito.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 69 SEN/Eletrobrás
- metade do excedente será distribuída a hidrogeradores cuja geração foi
superior à sua energia garantida. Cada um destes hidrogeradores receberá
uma parte deste excedente, proporcionalmente à magnitude de seu
excedente individual de energia garantida.

• Estágio 4: após a realocação da energia, os pagamentos deverão cobrir os


custos operacionais e royalties, que serão pagos com base na diferença
entre a geração real e a energia realocada para cada gerador.

306 A explicação para esta abordagem é apresentada na Seção 2. O quadro 2.1 contém um
exemplo.

Estágio 3: Contabilidade em contratos bilaterais na liqüidação

Registro para o Contrato Social

307 Haverá um registro para os Contratos Iniciais, onde cada contrato receberá um número
com todos os detalhes deste contrato.

308 Os Contratos Iniciais entre geradores e varejistas conterão os seguintes detalhes:

(a) identidade do gerador e do Submercado onde o contrato será registrado;

(b) identidade do varejista e do Submercado onde o contrato será registrado;

(c) o volume de energia do contrato, em MWh, que se aplica a cada Período de


Liqüidação.

309 Dois importantes princípios dos Contratos Iniciais na liqüidação devem ser lembrados:

(a) para contratos bilaterais entre geradores e distribuidores/varejistas, os dados sobre


preços não são registrados (exceto para contratos de distribuidores/varejistas de
pequeno porte no N/NE, vide a seguir). Isto porque todos os Contratos Iniciais
são garantidos, e, portanto, vigentes, independentemente do preço do MAE,
exceto casos de racionamento ou períodos muito secos; e
(b) a liqüidação financeira de contratos bilaterais é uma questão referente às partes
contratantes, e, portanto, não coberta no CMAE.

Contratos entre geradores

310 A liqüidação determinará contratos de Gerador para Gerador “considerados” vigentes.


Os passos a seguir devem ser realizados:

• determinar todas as usinas térmicas, identificadas como partes nos contratos de


Gerador para Gerador, que realmente geraram durante o período de liqüidação; e

• quando o preço de exercício de opção for menor do que o do MAE, o contrato é


considerado vigente (vide Seção 4, sobre preços). A termogeração
correspondente será creditada na conta do hidrogerador.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 70 SEN/Eletrobrás


Contratos Iniciais Bilaterais entre hidrogeradores e distribuidores/varejistas

311 O registro do contrato deverá conter os volumes vigentes para cada período de liqüidação
para cada contrato.

312 Quando houver racionamento e o preço do MAE não for “muito alto” (vide a seguir), a
conduta para os contratos será a seguinte:

(a) para os hidrogeradores participando do MRE:

(i) determinar o volume dos Contratos Iniciais aplicáveis a cada hidrogerador


em cada período de liqüidação;

(ii) comparar (i) à geração total ajustada para o gerador (ou seja, depois do
MRE, os termogeradores deverão fazer ajustes para os FPT e para a
realocação da geração) e determinar o volume líqüido;

(b) para os hidrogeradores que não estejam participando do MRE, comparar a geração
ajustada para as perdas de transmissão e erros ao volume contratual para volume
de energia fixo aplicável;
(c) para os termogeradores que não celebraram contratos com hidrogeradores,
comparar a geração ajustada para as perdas de transmissão e os erros ao volume
fixo contratado de energia aplicável;
(d) para os varejistas, o processo será comparar a demanda total de cada varejista
(ajustada para perdas de transmissão) ao volume contratual fixo de energia
aplicável em cada período de liqüidação. A diferença será exposta a liqüidação ao
preço do MAE.

313 Em caso de período muito seco, ou seja, em que o PMS (Preço Marginal do Submercado)
tenha aumentado acima do nível pré-acordado, todos os volumes dos Contratos Iniciais serão
reajustados para retornar às proporções acordadas. Estas proporções deverão variar de acordo
com o PMS vigente. Todos os Contratos Iniciais sofrerão um reajuste pro rata. O maior preço
será o imediatamente abaixo do índice mais baixo da função do valor de racionamento.

314 Quando houver racionamento, as regras seguintes serão aplicáveis:

(a) o SCLE registrará o volume de gerenciamento de carga instruído para cada


distribuidor/varejista;

(b) sempre que o volume total contratado registrado junto ao Administrador do


Sistema de Contabilidade de Energia (ASCE) exceder a geração real (e, portanto,
a demanda), o volume necessário para equilibrar a energia real e os volumes
contratados serão deduzidos do volume do Contrato Inicial vigente em cada
período de liqüidação. Quando o distribuidor/varejista celebrar contratos com
mais de um gerador, a dedução será proporcional ao volume do Contrato Inicial
com aquele distribuidor/varejista específico;

(c) o volume de racionamento involuntário instruído determinará o PMS a ser


aplicado para cada período de liqüidação afetado.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 71 SEN/Eletrobrás


Todos estes ajustes serão feitos pelo ASCLE em conformidade com as regras acordadas e
constantes do CMAE.

315 O volume contratual resultante será, então, comparado:

(a) à geração ajustada de cada gerador (após ajuste para o MRE, para os erros do
gerador, para os FPT, etc.), à diferença determinada. Esta diferença será liqüidada
ao preço vigente do PMS;
(b) à demanda ajustada de cada distribuidor/varejista (considerando-se os FPT, a
demanda dos consumidores livres com fornecimento por outro varejista) para
determinar as transações líqüidas no MAE;
(c) à demanda ajustada de cada varejista quando este fornecer a consumidores livres.

316 Para o caso de contratos entre geradores e varejistas em diferentes Submercados, os


procedimentos do SCLE serão descritos na subseção que trata dos fluxos entre os Submercados.

317 No sistema N/NE, estes procedimentos serão complementados. Para os


distribuidores/varejistas de pequeno porte e financeiramente vulneráveis, será introduzido um
mecanismo de realocação contratual, com o seguinte formato:

(a) o sistema financeiro e de contabilidade de energia deverá registrar, além dos


dados contratuais padrão, os seguintes:

(i) o fato de que o contrato era transferível a outro distribuidor/varejista;


(ii) o preço do contrato.

(b) as regras deverão identificar todos os distribuidores/varejistas no esquema, para os


quais o volume contratado excedeu sua demanda real; o que seria agregado a
estes distribuidores/varejistas;
(c) todos os distribuidores/varejistas para os quais a demanda real excedeu os
volumes contratados serão identificados e para que seja agregada a todos os
distribuidores/varejistas;
(d) alocação do excedente a todos os distribuidores/varejistas com déficit. As regras
detalhadas para este procedimento serão determinadas como parte do estágio de
implementação, porém, deverão conter garantias de que:
(i) os contratos de valor mais elevado serão realocados em primeiro lugar
(quando o preço do contrato não for superior ao vigente no PMS vigente);
(ii) os distribuidores/varejistas não tiveram realocação de contratos em
excesso comparado à sua demanda;
(iii) a realocação foi justa (ou seja, proporcional) para todos os
distribuidores/varejistas.

Report IV-1: Anexo A, Parte 1 72 SEN/Eletrobrás


Pagamentos ao gerador
318 Os pagamentos do MAE aos geradores consistirão de:
(a) pagamentos pelas transferências de energia sob as regras do MRE13. O volume de
energia transferida multiplicado pelos custos de operação e manutenção e pelos
encargos dos royalties;
(b) pagamentos para as transações no MAE: o volume de energia comercializado no
MAE multiplicado pelo preço do MAE no Submercado correspondente. Estes
pagamentos serão positivos ou negativos, dependendo da natureza da exposição;
(c) pagamentos pela provisão de energia reativa, quando apropriado;
(d) quaisquer pagamentos pelas restrições de transmissão em um Submercado;
(e) quaisquer encargos de capacidade referentes a reserva ou energia reativa;
(f) quaisquer pagamentos pela produção de energia reativa; e
(g) pagamentos pelo compartilhamento de benefícios decorrentes de comercializações
entre Submercados.

Pagamentos ao varejista

319 Os pagamentos do MAE devidos aos varejistas consistirão de (lembramos que estes
pagamentos serão aplicados a qualquer consumidor de grande porte comercializando no MAE
por si mesmo):
(a) pagamentos para transações líqüidas no MAE: o volume de energia
comercializada no MAE é multiplicado pelo preço do MAE no Submercado
correspondente. Lembramos que o resultado poderá ser negativo se o varejista for
um vendedor líqüido no MAE;
(b) pagamentos para Encargos pela Prestação de Serviços ao Sistema: a Demanda
Medida do Varejista em cada Submercado é ajustada pelos FPT correspondentes,
multiplicada pelo Encargo pela Prestação de Serviços ao Sistema em cada
Submercado; e
(c) no caso de distribuidores/varejistas, quaisquer pagamentos referentes a encargos
de energia reativa.
Pagamentos pelas interconexões internacionais
320 A determinação dos pagamentos do MAE a operadores de interconexões internacionais
dependerá de ser a energia importada ou exportada:
(a) pagamento pela energia importada: fluxo do interconector multiplicado pelo
preço do MAE naquele Submercado;
(b) pagamento (devido) por exportações: fluxo do interconector multiplicado pelo
preço do MAE mais o Encargo pela Prestação de Serviço ao Sistema naquele
Submercado.

13
Para hidrogeradores que receberam energia sob as regras do MRE, este seria um pagamento ao MAE.
Report IV-1: Anexo A, Parte 1 73 SEN/Eletrobrás
Anexo B: Contratos Iniciais
Parte 1: Introdução

1 Este Anexo abrange dois aspectos detalhados dos Contratos Iniciais:

• Parte 2 : a estrutura dos Contratos Iniciais; e

• Parte 3: a metodologia para compor a carteira dos Contratos Iniciais.

Parte 2: Estrutura dos Contratos Iniciais

2 Nesta parte do Anexo B, apresentamos a estrutura proposta e os “Termos”


gerais para os Contratos Iniciais “padrão”. Ao final, comentaremos uma série de
características especiais que se aplicarão aos Contratos Iniciais “não padrão”,
abrangendo a energia de Itaipu, a Nuclen e as geradoras térmicas flexíveis.

3 A estrutura proposta para os Contratos Iniciais refere-se a contratos que


atendem tanto o mercado cativo quanto o mercado livre. No caso de contratos
bilaterais celebrados em períodos subseqüentes, os geradores e varejistas terão
liberdade para negociar os “Termos” e as condições do contrato bilateralmente. No
entanto, nossa previsão é que a estrutura básica de tais contratos será semelhante à dos
Contratos Iniciais.

4 Todos os Contratos Iniciais serão alocados com o Administrador do Sistema


de Contabilidade e Liqüidação de Energia (ASCLE) de forma que possam ser
considerados ao se determinar a o nível de exposição líqüida das partes aos preços do
MAE. Para contratos bilaterais subseqüentes, as partes podem optar se desejam estar
alocadas sob o ASCLE e serem consideradas para liqüidação. No entanto, se
referidos contratos forem alocados sob o ASCLE, deverão satisfazer as condições
mínimas que permitam sua inclusão nos cálculos para liqüidação.

5 Os Contratos Iniciais terão três componentes básicos:

(a) Cláusulas e condições legais. Contêm a estrutura básica do contrato,


definindo os “Termos” e as condições chaves de âmbito legal.

(b) Documento 1: “Termos”. Este documento, apensado às cláusulas e


condições legais do contrato, definirá os elementos numéricos no
contrato (por exemplo, quantidades, preços, duração). O Documento
“Termos” será diferente para cada contrato, porém seguindo o mesmo
formato, e próprio para fazer parte do processo de liqüidação no MAE.

(c) Documento 2: Indexação. Este documento definirá o método de


indexação dos preços-base no contrato.

6 Descreveremos cada um destes componentes.

Report IV-1: Anexo B 1 SEN/Eletrobrás


Cláusulas e condições legais

Cláusula 1: Preâmbulo

7 Esta cláusula identifica as partes do contrato e define a intenção geral do


contrato, ou seja, que o varejista declara sua intenção de proteger-se da exposição ao
preço do MAE celebrando um contrato para comprar energia do gerador a preço fixo,
e o gerador declara sua intenção de vender energia ao varejista a preço fixo, e ainda
que ambos, gerador e varejista, têm a intenção de concretizar tal intenção por
intermédio de um contrato do MAE. Lembramos que o contrato é estruturado como
um instrumento financeiro, ou seja, não cria obrigação física de fornecimento de
energia, mas fixa o preço da energia comprada. As obrigações físicas estarão contidas
nos Procedimentos de Transmissão e nos Contratos do MAE.

Cláusula 2: Definições e interpretação

8 Esta cláusula apresenta as definições de quaisquer “Termos” a serem


utilizados posteriormente no contrato, e estabelece que o contrato deve ser
interpretado juntamente com o Contrato do MAE.

Cláusula 3: Condições precedentes

9 Esta cláusula apresenta as condições que devem ser cumpridas antes da


implementação do contrato. Estas condições incluem:

(a) o gerador deve preencher os requisitos de toda e qualquer legislação


pertinente e ser detentor dos contratos e permissões de concessão
exigidas para geração no Brasil; e

(b) o varejista deve preencher os requisitos de toda e qualquer legislação


pertinente na área de eletricidade e ser detentor de contratos e
permissões de concessão exigidos para o varejo da eletricidade a
usuários finais no Brasil.

Cláusula 4: Direitos e obrigações gerais do gerador e do varejista

10 Esta cláusula especifica que:

(a) o varejista tem o direito de comprar energia do gerador de acordo com


o volume e o preço especificados em “Termos” (conforme emenda
para indexação), independentemente de estarem as plantas do gerador
disponíveis, programadas ou com despacho para gerar aquela
quantidade de energia no Período de Liqüidação;

(b) o gerador tem o direito de receber do varejista o pagamento para cada


kWh especificado no contrato ao preço especificado em “Termos”
(conforme cláusula de indexação), independentemente dos requisitos
atuais de carga do varejista no Período de Liqüidação;

Report IV-1: Anexo B 2 SEN/Eletrobrás


(c) gerador e varejista ficam obrigados a fazer parte do Contrato do MAE,
assim que este for instituído1; serão obrigados a permanecer como
partes integrantes do Acordo e cumprir com seus “Termos” durante a
vigência do contrato; e

(d) gerador e varejista ficam obrigados a serem detentores de quaisquer


permissões exigidas para tais atividades no Brasil, e a cumprir
referidas permissões assim como quaisquer Decretos, Resoluções,
Códigos ou Contratos pertinentes às atividades de geração e varejo
durante a vigência do contrato.

Cláusula 5: Preço e quantidade

11 Esta cláusula trata da determinação de preço e da quantidade de energia


fornecida sob os “Termos” do contrato em qualquer Período de Liqüidação.

12 Especifica que a quantidade de energia fornecida será determinada em


condições específicas nos “Termos”, conforme constante em uma fórmula
determinando como os volumes contratados diminuem durante a vigência do contrato.
A fórmula será apresentada nessa cláusula, que deverá, ainda, especificar que o preço
da energia também será determinado de acordo com o especificado nos “Termos”,
conforme cláusula de indexação.

13 A cláusula deverá especificar que o contrato-padrão será o “Centro de


Gravidade” do Sub-Mercado dos varejistas. (Isto afeta a maneira pela qual o ASCLE
irá determinar as perdas de transmissão aplicáveis aos volumes contratados. As
Regras do MAE deverão definir procedimentos detalhados. Maiores detalhes podem
ser encontrados no Anexo A).

14 A cláusula deverá especificar que no caso de Períodos de Racionamento,


(que serão determinados oficialmente pelo OIS e de acordo com as regras contidas no
Procedimento de Transmissão), e durante sua vigência, as quantidades especificadas
nos “Termos” podem ser reduzidas. Durante os Períodos de Racionamento, a energia
agregada fornecida sob os Contratos Iniciais a um distribuidor/varejista sujeito à
redução de carga será reduzida em volume igual ao da quantidade de energia liberada.
O OIS deverá determinar o índice de racionamento e, conseqüentemente, o índice de
redução de volume aplicável aos Contratos Iniciais. Todos os volumes dos Contratos
Iniciais com distribuidores/varejistas (incluindo tanto os cativos quanto os livres)
serão reduzidos em índice pro rata.

1
Esta cláusula pressupõe que os Contratos Iniciais serão redigidos e assinados antes da conclusão do
MAE para facilitar a privatização. Para contratos posteriores celebrados entre geradores e varejistas,
ser membro do MAE e uma das partes no MAE deverão constar como especificações nas questões
precedentes do contrato.

Report IV-1: Anexo B 3 SEN/Eletrobrás


15 A cláusula deverá especificar, ainda, que durante os períodos de seca
excepcional, as quantidades especificadas nos “Termos” podem ser reduzidas. A
cláusula especificará a formula relacionando o índice de redução de volume do
Contrato Inicial nos períodos de seca ao preço do MAE (conforme cláusula de
indexação).

16 A quantia devida pelo varejista ao gerador (em Reais) referente ao Período de


Liqüidação será resultado da multiplicação do índice vigente do Preço Indexado de
Energia pela quantidade fornecida ao varejista naquele Período de Liqüidação.

Cláusula 6: Faturamento e pagamento

17 Esta cláusula deverá especificar os “Termos” e as condições para o


faturamento e o pagamento de quaisquer quantias devidas sob os “Termos” do
contrato. A longo prazo, esta será uma questão a ser tratada bilateralmente entre
gerador e varejista, e diferentes “Termos” para pagamento e faturamento surgirão.
Quando for relevante, o ASCLE fornecerá ao gerador e ao varejista as informações
que solicitarem para que celebrem o acordo bilateral. (Tal informação incluirá a
escala de redução dos volumes contratados no caso de racionamento e períodos de
seca, e ainda a definição de volumes contratados onde haja interferência de
procedimentos de pool no N/NE.)

18 Esta cláusula deverá prever que:

(a) o gerador envie mensalmente ao varejista (por transferência eletrônica)


um demonstrativo das quantias devidas sob o contrato, dentro dos 30
(trinta) dias daquele referido mês, em formato conforme Documento
no contrato. (A data exata dependerá do cronograma de Liqüidação).

(b) o varejista efetue o pagamento da quantia devida no prazo de 30


(trinta) dias a partir da data do demonstrativo via transferência
eletrônica a uma conta bancária específica;

(c) o varejista pague ao gerador juros fixados a um certo índice [como


penalidade] por qualquer quantia em aberto após data de vencimento,
excetuados os saldos em litígio;

(d) se houver litígio referente a um aspecto de uma conta, o varejista não


poderá reter o pagamento da parte isenta de litígio;

Report IV-1: Anexo B 4 SEN/Eletrobrás


(e) o varejista ofereça garantias financeiras ou carta de crédito em favor do
gerador no início do contrato, referente às obrigações sob referido
contrato em reais [**]. O gerador terá o direito de exigir pagamento
através de garantias financeiras ou de carta de crédito caso quantias se
mantenham sem pagamento após [**] dias (exceto quando tais
quantias estejam em litígio).2

19 O gerador poderá enviar um demonstrativo provisório ao varejista para obter


um pagamento parcial. Eventuais diferenças entre as quantias parciais e finais
poderão ser saldadas com juros calculados em data posterior. Isso se fará necessário
para o caso de haver litígio referente à indexação do preço de energia ( vide
Documento 2).

Cláusula 7: Vigência e rescisão

20 Esta cláusula deverá definir a vigência do contrato conforme especificado no


“Termos”. Especificará, ainda, as condições e os procedimentos para previsão
antecipada do contrato em caso de descumprimento por uma das partes. As condições
que caracterizam o descumprimento para rescisão incluem:

(a) não pagamento, por parte do varejista, de quaisquer quantias devidas


sob os “Termos” do contrato após [90] dias;

(b) falha de uma das partes em manter um título ou carta de crédito com
validade;

(c) liqüidação ou falência de uma das partes; e

(d) perda, por uma das partes, de permissões ou de qualquer outro


instrumento legal permitindo geração ou o varejo de eletricidade no
Brasil, ou então não ser mais membro do MAE.

21 A cláusula deverá especificar que o contrato não pode ser rescindido


prematuramente por qualquer outra razão.

22 A cláusula deve definir os procedimentos legais para a rescisão, ou seja,


tempo, notificação, recursos, etc., e ainda que a parte rescindindo o contrato deve
notificar o ASCLE sobre data da referida rescisão, por escrito, com [**] dias de
antecedência.

2
Este requisito é incorporado ao requisito imposto aos varejista no MAE para que ofereçam garantias
financeiras para suas compras no MAE. Como as compras no MAE são determinadas em valores
líqüidos nos contratos, esta cláusula dos Contratos Iniciais diz respeito a obrigações diferentes das
constantes nos requisitos de segurança do MAE.

Report IV-1: Anexo B 5 SEN/Eletrobrás


Cláusula 8: Cessão ou transferência

23 A cláusula deverá especificar que os direitos e obrigações do contrato não


podem ser cedidos ou transferidos por uma das partes sem permissão por escrito (que
não deverá ser negada injustamente) da outra parte, exceto se sob as circunstâncias
especificadas a seguir. Sob hipótese alguma as partes poderão ceder ou transferir
obrigações constantes no contrato a qualquer parte que não seja membro do MAE.

24 A cláusula deverá especificar três circunstâncias sob a quais uma nova cessão
será permitida:

(a) contratos para o mercado livre podem ter transferência de cessão de


um varejista para outro como resultado de procedimentos oficiais e
autorizados de “redução de níveis” (que levarão em conta perdas e
danos do varejista em sua fatia do mercado livre);

(b) transferência de cessão de contratos do setor cativo para o mercado


livre como resultado de aumento de clientes do mercado livre; e

(c) contratos no N/NE interferindo com varejistas que participam dos


procedimentos para um pool de riscos pela sua exposição aos preços
do MAE.

25 Nestas circunstâncias, haverá uma cláusula para que o volume contratado seja
automaticamente transferido em parte para outro varejista ou a um setor diferente
(sem o consentimento do gerador). A mecânica para se determinar o índice de
transferência de cessão em qualquer Período de Liqüidação será prevista no Contrato
do MAE.

Cláusula 9: Dispositivos legais

26 As cláusulas remanescentes no contrato estabelecerão certos dispositivos


legais tais como força maior, solução de litígio, confidencialidade e notificações.

27 Força maior. Propomos que o escopo da cláusula sobre força maior seja o
mais simples possível, pois o contrato é um instrumento financeiro e não um contrato
para fornecimento físico de energia, ou seja, o cumprimento das obrigações
contratuais do gerador não dependem da capacidade de operação de sua usina. A
cláusula 5 trata das condições excepcionais de racionamento e de seca. A cláusula de
força maior deve cobrir apenas situações de emergência nacional ou setorial.
Obviamente este será um assunto para negociação bilateral entre geradores e
varejistas para decidir se a cláusula de força maior deve estar incluída em contratos de
negociação livre.

Report IV-1: Anexo B 6 SEN/Eletrobrás


28 Solução de litígio. O contrato deverá especificar que é regido pelas leis
brasileiras. Quando não houver autoridade nomeada para resolução de litígio sob a lei
brasileira, os litígios serão encaminhados a uma comissão de especialistas por
nomeação conjunta para uma solução obrigatória. Se as partes não conseguirem
concordar sobre a composição da comissão em um período de [21] dias a contar do
início do litígio, deverão solicitar à ANEEL que faça a nomeação de seus membros.

29 Confidencialidade. O contrato deverá prever que nenhuma das partes


divulgará quaisquer informações sobre o contrato ou as negociações em relação ao
contrato a terceiros, exceto para as seguintes situações:

(a) seguindo o disposto no Contrato do MAE;

(b) em atendimento à solicitação de informação pela ANEEL;

(c) em atendimento a solicitações de especialistas nomeados para resolver


disputas entre as partes;

(d) em atendimento à solicitação de informação pública, no contexto de


privatização de qualquer uma das partes; e

(e) para consultores, bancos, financeiras ou outros assessores a uma das


partes.

30 (É importante considerar a possibilidade de que, ao contrário dos “Termos” de


confidencialidade propostos, os Contratos Iniciais devem ser elaborados como
informação pública, a fim de garantir confiabilidade geral quanto à honestidade e
transparência. A cláusula de confidencialidade seria apropriada para contratos
bilaterais subseqüentes.)

31 O contrato deverá fornecer informações detalhadas sobre contatos para


comunicações referentes ao contrato. Deverá, ainda, prever que todas as
alterações ao contrato devem ser acordadas por escrito pelas partes e notificadas
ao ASCLE.

Documento 1: “Termos”

32 Este documento elabora, em formato comum para todos os contratos a serem


incluídos no sistema de Liqüidação, os “Termos” e condições específicos. Uma
sugestão para seu modelo está ilustrada na Figura 1. Os “Termos” devem abranger:

(a) as partes contratantes (gerador e varejista);

(b) a data de início e um identificador específico (a ser utilizado no


processo de liqüidação do MAE);

Report IV-1: Anexo B 7 SEN/Eletrobrás


Matrizes para Alocação de Contrato
FormulárioPro-forma Figura B.1

No. de ref. do contrato [ ] Gerador [ ] Varejista [ ] Datas do contrato [ ]

Mercado: Cativo/livre Year:

Hora Períodos diários contratados


Dia
1 2 3 4
Preço-base de Preço-base de Preço-base de Preço-base de
Quantidade Quantidade energia Quantidade Quantidade
energia energia energia
Período úmido (R$/kWh) (kWh)Q (R$/kWh) (kWh) (R$/kWh) (kWh)
(R$/kWh)
(kWh)
(datas)
Segunda a Sexta a aa g gg m mm s ss
Sábado b bb h hh n nn t tt
Domingo c cc i ii o oo u uu

Período seco
(datas)
d dd j jj p pp v vv
Segunda a Sexta e ee k kk q qq w ww
Sábado f ff l ll r rr x xx
Domingo

Concordamos com os termos e condições acima e com os cronogramas anexos que fazem parte deste contrato.
Assinatura_______________ Data__________ Assinatura_______________ Data_________________
(pelo gerador) (pelo varejista)

ref B.32
(c) a quantidade (em kWh) a ser fornecida em qualquer Período de
Liqüidação. Haverá uma matriz na qual a quantidade poderá variar de
acordo com ano, mês/estação, dias da semana, horas do dia;

(d) o Preço Base de Energia (em R$/kWh) antes da indexação. Haverá


uma matriz na qual o preço pode variar de acordo com ano,
mês/estação, dias da semana e horas do dia.

Documento 2: Indexação

33 Este documento elaborará as fórmulas e procedimentos para a indexação do


Preço Base de Energia no contrato. O documento deverá especificar que:

(a) a freqüência da indexação é [mensal]. (Em contratos subseqüentes,


esta é uma questão para negociação entre as partes);

(b) a fórmula para indexação do Preço Base de Energia será a variação


mensal de uma média ponderada dos Índices de Preços ao Produtor e
ao Consumidor. A fórmula para a indexação será:

IEPim = BEPi ( r.IPCm-2 + (1-r) IPPm-2 )


r.IPCbase + (1-r) IPPbase
em que:

IEPim = preço base de energia para o período de liqüidação i no mês m

BEPi = preço base de energia para período de liqüidação i

r = fator de ponderação (O < r < 1) (a ser determinado durante a


implementação)

IPCm-2 = valor do Índice de Preços ao Consumidor referente ao mês m-2

IPCbase = valor do Índice de Preços ao Consumidor referente ao mês-base

IPPm-2 = valor do Índice de Preços ao Produtor referente ao mês m-2

IPPbase = valor do Índice de Preços ao Produtor referente ao mês-base.

34 Outros pontos importantes na indexação são os seguintes:

Report IV-1: Anexo B 8 SEN/Eletrobrás


(a) a fórmula de indexação pressupõe que a defasagem na divulgação dos
Índices ao Consumidor e ao Produtor seja de aproximadamente 2
meses, de maneira que os preços de energia aplicáveis ao mês m
podem ter como base o valor destes índices para o mês m-2. Se as
defasagens na divulgação dos Índices for maior do que as previstas, a
fórmula de indexação deve ser ajustada adequadamente.

(b) Será apropriado incluir um item referente à indexação de preço do


combustível na fórmula de indexação dos Contratos Iniciais, referindo-
se, no todo ou em parte, à geração térmica (não flexível), contratada
diretamente com os distribuidores/varejistas. A fórmula de indexação
será ajustada de forma que uma fração de r seja aplicada a um índice
de custo do combustível correspondente. A fração apropriada
dependerá de quanto a geração térmica (não flexível) representa para a
energia do gerador, e de quanto dos custos de geração térmica depende
dos custos de combustível. A fórmula deve utilizar um índice de custos
de combustível e não os custos reais do combustível, a fim de garantir
incentivos para compra eficiente de combustível pelo gerador.

(c) O gerador deverá calcular o valor do índice e, portanto, do Preço Base


de Energia para cada período, e notificar o varejista e o ASCLE em
prazo não inferior a [5] dias antes da vigência de qualquer ajuste, com
um demonstrativo da informação na qual se baseia tal ajuste.

(d) Caso um dos índices não seja publicado, seja retirado ou sofra
alterações substanciais, as partes utilizarão um índice alternativo ou a
informação alternativa que mais se aproxime dos efeitos pretendidos
ou do índice original.

(e) No caso de um litígio referente à indexação, o gerador utilizará o valor


do índice que considerar apropriado até que o litígio seja solucionado.
Nesta oportunidade, as partes efetuarão os pagamentos ou
repagamentos juntamente com os juros necessários para dar
cumprimento à determinação a partir de uma data estipulada pelo
Especialista.

Contratos Iniciais Especiais

35 Os contratos Iniciais Especiais cobrirão a energia de Itaipu, a Nuclen e os


geradores térmicos flexíveis contratados para a geração hidrelétrica. As
características-chave destes Contratos Iniciais são as seguintes:

(a) sob os Contratos Iniciais de Itaipu e do Nuclen, o varejista será


contratado para uma certa percentagem da potência do gerador.
Variações na produção do gerador levarão a variações na energia
alocada pelo ASCLE ao varejista contratado em cada período de
liqüidação;

Report IV-1: Anexo B 9 SEN/Eletrobrás


(b) os Contratos Iniciais de Itaipu entre o Agente de Produção de Itaipu
(AP) e os distribuidores e varejistas terão “Termos” de indexação
distintos sob os quais o preço do contrato está atrelado ao valor do
dólar norte-americano. Entendemos que a indexação atrelada ao dólar
não seria possível para outros contratos; e

(c) os Contratos Iniciais inter-geradores para geradores térmicos


flexíveis terão termos distintos dos descritos na Seção 2 do Relatório
Principal. Termos-chave incluem uma taxa opcional para um
pagamento regular ao gerador térmico e um preço de exercício da
opção que determinará quando ocorrer a “chamada” do contrato; o
preço de exercício da opção será determinado ao preço do combustível
padrão do gerador térmico mais o custo operacional variável por
MWh. Os contratos deverão ter “Termos” de indexação distintos sob
os quais o preço de exercício da opção é indexado parcialmente
seguindo as flutuações nos custos de combustível previstos para o
gerador térmico.

Parte 3: Metodologia para a composição da carteira do Contrato


Inicial

Introdução

36 Nesta seção do Anexo B apresentamos, a nível macro, os passos principais


necessários para o cálculo do volume e de preço a constarem dos Contratos Iniciais
propostos.

37 A metodologia pode ser desmembrada em uma série de passos distintos,


discutidos individualmente:

(a) determinar a energia garantida disponível a geradores;

(b) determinar as necessidades de energia de cada distribuidor/varejista;

(c) determinar os preços contratuais; e

(d) alocar geração variável aos distribuidores e varejistas.

38 A responsabilidade para levar adiante o processo deve ser do OIS (ou do


GCOI até que o OIS esteja estabelecido). Eventuais litígios devem ser encaminhados
à ANEEL para arbitragem.

Determinar a energia garantida disponível para cada gerador

39 A primeira tarefa é determinar a energia garantida disponível para geradores


contratarem a longo prazo sob os Contratos Iniciais. O resultado desta tarefa será
uma matriz de energia disponível para que cada gerador contrate em cada subperíodo
do primeiro ano do Contrato Inicial.
Report IV-1: Anexo B 10 SEN/Eletrobrás
40 Os passos-chave para o cumprimento desta tarefa são os seguintes:

(a) Calcular a energia garantida de cada usina de geração do sistema


(acima de um tamanho mínimo). A metodologia para este cálculo será
a mesma utilizada pelo OIS para determinar os direitos de energia
garantida dos geradores sob as regras do Mecanismo de Realocação de
Energia - MRE - (pois qualquer divergência entre as duas
metodologias provocaria maior exposição de risco para os geradores).

(b) Calcular o total de energia garantida disponível para cada gerador por
meio de uma das seguintes fórmulas:

− acrescentar a energia garantida disponível ao gerador de


cada usina de geração de sua propriedade no momento
do início dos Contratos Iniciais3;

− acrescentar toda energia garantida disponível adicional


ao gerador de Contratos Iniciais de inter-geração; e

− deduzir a energia que já foi contratada por geradores


como garantida diretamente com consumidores
industriais de grande porte sob contratos bilaterais de
longo prazo (por exemplo, os produtores de alumínio
servidos por Tucuruí).

(c) Traçar um perfil da energia garantida anual disponível de cada gerador


nas diferentes horas do dia, dias e períodos de tempo sazonais
especificados nos Contratos Iniciais. (Os números de energia garantida
resultantes da metodologia do CGOI serão mensais; é necessário
dividir estes volume mensalmente em volumes para cada período
distinto do contrato. Em sua fórmula mais simples, isto poderia ser
feito calculando a porcentagem da carga mensal total registrada para a
carga solicitada em cada período do contrato - que será resultado da
Tarefa B; e aplicar a mesma porcentagem para a energia garantida do
gerador para se chegar à distribuição de energia garantida para cada
período contratual).

3
Para a maior simplicidade possível, propomos que os volumes do Contrato Inicial permaneçam os
mesmos durante o período inicial (e portanto não incluam energia nova chegando ao sistema). No
entanto, o volume do Contrato Inicial poderia incluir energia disponível de uma usina em construção no
momento e cujo cronograma prevê, com segurança suficiente, o início de operações antes da vigência
dos Contratos Iniciais.

Report IV-1: Anexo B 11 SEN/Eletrobrás


Determinar as necessidades de energia de cada distribuidor/varejista

41 A segunda tarefa é determinar as necessidades de energia (garantida) de cada


distribuidor/varejista. O resultado desta tarefa será uma matriz de volumes de
contratos propostos para cada distribuidor/varejista para cada período no primeiro ano
dos Contrato Inicial. Sugere-se que os volumes de contrato sejam desmembrados
conforme a Tabela B.1:

Tabela B.1: Distribuidor/Varejista - número 1, ano 1

Horas Períodos de tempo/dia segundo


contrato
Dias 1 2 3 4
Estação das chuvas
(datas)
Matriz de volumes contratados
Segunda a Sexta
Sábado
Domingo

Período de seca (datas)

Segunda a Sexta Matriz de volumes contratados


Sábado
Domingo

42 Esta subdivisão em períodos de tempo diários tem por objetivo um


compromisso entre a simplicidade e as variações-chave estruturais no perfil de carga
do distribuidor/varejista. Divisões de tempo alternativas são possíveis, mas é
importante utilizar uma estrutura comum para todos os Contratos Iniciais. Na fase de
implementação do projeto, um modelo detalhado será necessário para determinar a
melhor divisão de períodos de tempo para os Contratos Iniciais.

43 Os passos-chave para o cumprimento desta tarefa são os seguintes:

(a) Previsão da carga anual agregada de cada distribuidor/varejista no


primeiro ano do Contrato Inicial. A carga será dividida entre os setores
do mercado cativo e do mercado livre. A proposta é que os volumes
do Contrato Inicial permaneçam estáveis depois do primeiro ano e
sejam reduzidos após o sexto ano, e portanto a previsão de crescimento
de carga após o primeiro ano não será necessária aqui.

(b) Ajuste de carga “embutida” dentro da área do distribuidor/varejista e


que pretenda entrar para o MAE (isto é, criar duas ou mais partes
contratantes separadas, cada uma com suas próprias necessidades de
carga).

Report IV-1: Anexo B 12 SEN/Eletrobrás


(c) Traçar o perfil de carga pelos períodos de tempo contidos na Tabela
5.1. A subdivisão de carga pelos períodos de tempo considerados
individualmente deve se basear na distribuição de carga de um ano ou
de anos mais recentes [1996], ajustada para eventos não recorrentes se
for o caso.

(d) Estimar as necessidades de carga dos segmentos de mercado que estão


prestes a mudar do setor cativo para o livre, de acordo com o
cronograma estabelecido para a liberalização do mercado e para nossas
propostas de mudança no ano de 2003. Cada segmento terá suas
necessidades de energia e seus perfis de carga associados identificados
separadamente, de forma a fornecerem os dados básicos para a
transferência de cessão subseqüente de volume contratado do setor
cativo para o mercado livre nos Contratos Iniciais.

Determinar os preços dos contratos

44 A terceira tarefa é determinar os preços no contrato. O resultado desta tarefa


será preços aplicados aos volumes de energia a serem contratados pelos geradores
individualmente nos Contratos Iniciais. Conforme discutido na Seção 2 deste
Relatório, propõe-se que os Contratos Iniciais tenham um preço médio para toda a
energia disponível a um gerador (no período de liqüidação).

45 Os passos-chave para a implementação desta proposta são os seguintes:

(a) Calcular o preço médio a ser aplicado no primeiro ano:

− Começar com os preços constantes do contrato para


fornecimento a grosso para cada gerador (ou a
companhia que o precedeu), sujeitos a ajustes às tarifas
vigentes;

− Deduzir a receita permitida para os encargos de


transmissão para cada companhia de transmissão;
adicionar de novo aquela parte dos encargos de
transmissão assumidos pelo gerador e que deverá ser
recuperada por intermédio do preço da energia nos
Contratos Iniciais4.

− Incluir a receita estimada para suporte à geração térmica


flexível e inflexível (se esta for contratada pelo gerador
com companhias de distribuição/varejo e não mais com
o suporte da CCC).

4
Os geradores terão que recuperar os encargos pagos pela transmissão por intermédio do preço
cobrado pela sua energia.

Report IV-1: Anexo B 13 SEN/Eletrobrás


− Adicionar eventuais valores necessários para aumentar o fluxo de caixa
e oferecer um valor de venda estimado aceitável na privatização.

(b) A ANEEL deve ser responsável pela aprovação única do preço médio
aplicado a cada um dos Contratos Iniciais com o gerador antes da
assinatura; sem dúvida, as bases para qualquer aumento de preço
concedido aos envolvidos na privatização terão que ser totalmente
justificados pelos custos e serem considerados com vistas a manter os
preços reduzidos para o consumidor.

(c) A tarifa agregada de energia terá que ter um perfil traçado para
determinar que o preço de energia conste no contrato para cada período
de tempo. Recomendamos que o OIS desenvolva alguns modelos-
padrão para tarifas contratuais que flexibilizem a tarifa agregada de
forma que os incentivos sazonais/diários/para diferentes horas do dia
sejam incluídos nos preços do contrato. A tarifa ponderada de
demanda deve se equacionar à tarifa de energia agregada.

(d) Aplicar as tarifas derivadas em cada período do Contrato Inicial.

Alocação da geração disponível para distribuidores/varejistas

46 A quarta tarefa é alocar a energia garantida disponível dos geradores (derivada


da Tarefa A) de maneira a atender às necessidades de carga de cada
distribuidor/varejista (derivada da Tarefa B). O resultado desta tarefa será uma matriz
de volumes de contrato que descreve os geradores contratados para cada
distribuidor/varejista; e para cada gerador, os distribuidores/varejistas contratados.
Exemplos de matrizes para alocações contratuais podem ser encontrados na Figura 2.

47 Os passos-chave para o cumprimento desta tarefa são os seguintes:

(a) Calcular o quanto das necessidades de energia do distribuidor/varejista


se situam além ou aquém da energia garantida do gerador. Este
cálculo pode ser feito pela proporção (R) das necessidades de energia
dos distribuidores/varejistas à energia garantida disponível do gerador
para cada período de tempo. Ajustar a energia disponível do gerador
para adequar às necessidades do distribuidor/varejista no caso de
superávit de energia garantida disponível, e vice-versa em caso de
déficit.

− Para R < 1, há um superávit de energia garantida


disponível. Nestes períodos, os volumes dos Contratos
Iniciais estarão a 100% das necessidades do
distribuidor/varejista; a proporção R será aplicada à
energia garantida disponível de todos os geradores, de
forma que cada um seja contratado para a mesma
proporção de sua energia total disponível.

Report IV-1: Anexo B 14 SEN/Eletrobrás


Matrizes para Alocação de Contrato
Matrizes para Alocação de Controtos Figura B.2

Gerador 1, Ano 1 Distribuidor/varejista 1, Ano 1

Horas Horários contratados no dia Horas Horários contratados no dia


Dias 1 2 3 4 Dias 1 2 3 4
Período úmido Período úmido
(datas) (datas)
Segunda a Sexta R1 contrata MWh a Segunda a Sexta G1 contrata MWh a
R2 contrata MWh b G2 contrata MWh b
R3 contrata MWh c G3 contrata MWh c
R4 contrata MWh d G4 contrata MWh d

Sábado Sábado
Domingo Domingo

Período Seco Período Seco


(datas) (datas)
Segunda a Sexta Segunda a Sexta
Sábado Sábado
Domingo Domingo

G i = gerador i
R i = varejista i

ref B.46
− Para R > 1, há um déficit de energia garantida
disponível em relação às necessidades do
distribuidor/varejista. Nestes períodos, os volumes dos
Contratos Iniciais estarão a 100% da energia garantida
disponível pelo gerador; o inverso de R será aplicado
como fator de ajuste para as necessidades de todos os
distribuidores/varejistas de maneira que cada um seja
contratado para a mesma proporção de suas
necessidades de energia.

(b) Alocar a mesma geração esperada de pequenos geradores embutidos ao


distribuidor/varejista em cujo território estejam localizados; e deduzir
os MWh correspondentes das necessidades de carga dos
distribuidores/varejistas afetados.

(c) A metodologia para alocação é concebida para realizar uma


distribuição justa de custos e um primeiro passo em direção à limitação
de 30% para auto-fornecimento. Os passos-chave são:

− alocar para cada distribuidor/varejista a energia de sua


própria geração (se houver geração), até um máximo de
50% de suas necessidades de energia como um primeiro
passo em direção ao limite de auto-fornecimento de
30%;

− distribuir a energia dos contratos de Itaipu com base na


alocação atual;

− alocar os contratos do Nuclen para todos os


distribuidores/varejistas proporcionalmente à sua carga
cativa;

− alocar contratos de geração que possam refletir os


custos de suporte à geração térmica inflexível para
todos os distribuidores/varejistas de acordo com sua
distribuição atual na CCC (ou seja, de acordo com a
receita total);

− alocar geração de maneira justa para todos os


distribuidores/varejistas; a alocação inicial dever ser
um índice pro rata de toda a geração disponível a todas
as necessidades de energia remanescentes;

− a energia proveniente da geração térmica inflexível e da


geração hidrelétrica deve ser vendida sob contrato
único;

Report IV-1: Anexo B 15 SEN/Eletrobrás


− algum ajuste à alocação básica poderá ser necessário
para que se tenha uma distribuição justa de custos à luz
dos preços dos Contratos Iniciais; o nível de aumentos
enfrentado por distribuidores/varejistas individualmente
em seus custos de compra de energia poderá ser
equacionado pela transferência de cessão de contratos
de geração a preços mais altos ou mais baixos.

(d) Cada contrato cedido a um distribuidor/varejista deve ter uma alocação


pro rata em todos os diferentes segmentos de clientes servidos por
aquele distribuidor/varejista.

Report IV-1: Anexo B 16 SEN/Eletrobrás


Anexo C: Regência do OIS
Parte 1: Introdução

1 Neste anexo, fornecemos informações complementares à Seção 3: Implicações


Estruturais do Modelo Mercantil, e à Seção 8: Revisão das Funções da Eletrobrás.
Consideramos o sistema de controle do OIS de especial importância pois esta é uma
área que tem causado dificuldades em outros países. Fornecemos algum material
informativo a respeito da experiência internacional e às melhores práticas; em
seguida, apresentamos nossas propostas detalhadas com relação ao sistema de controle
do OIS.

2 Seguindo o exposto no parágrafo anterior, estruturamos este anexo da seguinte


forma:

• descreveremos três exemplos de experiências internacionais nesta área -


Argentina, Califórnia e Reino Unido (Anexo C2: Regência dos agentes
integrantes do setor - experiência internacional);

• apresentaremos os aspectos das melhores práticas do sistema de controle


corporativos (Anexo C3: Princípios e características-chave da regência
corporativa); e

• faremos propostas específicas para o OIS brasileiro que está resumido na


Seção 8 (Anexo C4: Recomendações detalhadas para o OIS).

Parte 2: Regência dos agentes integrantes do setor - experiência


internacional

3 Os parágrafos seguintes resumem três exemplos internacionais de regência


para os OIS, o MAE, ou combinações de OIS/MAE.

Argentina - OIS/MAE Combinados

4 Na Argentina o sistema interligado e o MAE são geridos por uma empresa


denominada Compañia Administradora del Mercado Elétrico Mayorista Sociedad
Anónima (CAMMESA), uma sociedade de responsabilidade limitada constituída nos
termos da Lei 19.550 (regulamentação geral de empresas privadas). Seu patrimônio
acionário consiste de 12.000 ações, divididas igualmente entre cinco classes:

Report IV-1: Annex C 1 SEN/Eletrobrás


Tipos Proprietários:
de
ações
A Governo, atualmente representado pela Secretaria de Energia e Portos
B geradores ou produtores de eletricidade
C distribuidores de eletricidade
D transportadores de eletricidade
E consumidores de grande porte

5 A CAMMESA tem um Conselho de Administração com 10 membros. Cada


classe de acionista indica dois Diretores e pode selecionar o mesmo número de
diretores suplentes. O mandato de cada diretor é de um ano.

6 Um dos diretores indicados pelos acionistas da classe “A” é o Secretário de


Energia e Portos e preside o Conselho. O Vice-Presidente é o outro membro indicado
pelos acionistas da Classe “A”.

7 As decisões do Conselho são tomadas por maioria de votos dos diretores


presentes à assembléia, desde que esta maioria inclua o voto do Presidente (ou do
Vice-Presidente na falta daquele). Em caso de empate, o Presidente ou o Vice-
Presidente terá o voto de desempate.

8 Certas funções técnicas são delegadas à Transener, proprietária privada do


principal sistema de transmissão.

9 O sistema de Controle da CAMMESA é um bom exemplo de um órgão


híbrido, com um sistema bem construído como representativo do setor. No entanto,
sofre forte controle por parte da Secretaria de Energia e conseqüente escopo para
intervenção política por parte do Governo Federal. Isto, sem dúvida, confere ao
Governo controle sobre o despacho e o MAE. A CAMMESA não está sob controle
regulador da ENRE, que cumpre as funções de Órgão Regulador .

Califórnia - Operador Independente do Sistema (OIS)

10 Na Califórnia o Órgão Regulador está neste momento avaliando a


possibilidade de implementação de um OIS, que será responsável pela programação,
pelo despacho e controle do sistema, mas não pelo MAE. O Conselho de
Administração do OIS equivale ao Conselho de Administração de uma companhia e
se compõe de Diretores eleitos e também indicados.

Report IV-1: Annex C 2 SEN/Eletrobrás


11 O Conselho de Administração é o principal órgão de definição de políticas e
de tomada de decisões do OIS e é responsável por questões como a aplicação de
procedimentos e contratos do OIS, alterações importantes nos procedimentos do OIS,
julgamento e solução de questões de segurança ligadas à operação do sistema de
transmissão.

12 Os estatutos do OIS estabelecem cinco “classes” para a seleção de diretores,


sendo quatro de “participantes do mercado” e uma de classe de “não
acionista/público”. As classes asseguram representação ampla e equilibrada dos
interesses do mercado. Os cargos de diretoria de “não acionista/público” são
preenchidos por profissionais indicados, com experiência relevante.

13 De acordo com a estrutura atual as cinco classes escolhem entre 15 e 18


diretores. A variação do número de diretores é especificada porque certas classes
podem ser expandidas se o mercado se desenvolver de maneira imprevista, como por
exemplo se outros proprietários da transmissão que não os Peticionários originais
concordarem em ceder o controle operacional de suas instalações de transmissão ao
OIS.

14 As classes de Diretores estão descritas na tabela abaixo:

Classe Representa: Nº de Diretores

Inicial Máx
1 Proprietários de transmissão - o investidor era proprietário 3 4
de concessionárias que transferem o controle de transmissão
para o OIS.
2 Companhias governamentais/municipais - companhias 3 4
municipais, órgãos federais de venda de energia, órgãos
públicos de energia e distritos de irrigação que atendem à
carga de varejo interligada à área de controle operada pelo
OIS.
3 Vendedores - entidades que vendem energia através da rede 3 3
do OIS, por exemplo: vendedores não ligados ao serviço
público, tais como os Produtores Independentes de Energia.
4 Usuários finais - organizações representantes dos interesses 4 4
de usuários finais nos processos estaduais de fixação de
preços ou nos processos realizados por empresas municipais.
5 Não acionistas/público - indivíduos que não têm interesse 2 3
comercial na operação do OIS, mas com experiência técnica
ou profissional na área.

Report IV-1: Annex C 3 SEN/Eletrobrás


15 Os estatutos do OIS exigem que a cada cinco anos o Conselho de
Administração apresente à Comissão Federal Reguladora do Setor de Eletricidade
(FERC) uma recomendação a respeito da conveniência de alterar a estrutura de classes
para a seleção de diretores a fim de melhor refletir os interesses do mercado.

16 Qualquer entidade que deseje participar de uma determinada classe deve


demonstrar que preenche os critérios previstos aplicáveis à classe em questão. Além
disso, cada entidade (inclusive afiliadas e subsidiárias) pode participar somente de
uma classe.

17 O objetivo da composição do Conselho de Administração é garantir que os


interesses de mercado representados tenham a possibilidade de participar do sistema
de controle do OIS através de seus representantes, sem nenhum interesse
predominante.

18 O Conselho de Administração não participa das operações da rotina diária e


nem das decisões em tempo real do OIS. O OIS tem um Presidente (CEO),
responsável junto ao Conselho pela supervisão de todas as funções operacionais do
sistema do OIS.

19 O OIS tem uma Comissão de Auditoria e uma Comissão de Arbitragem. A


Comissão de Auditoria orienta e revisa auditorias e relatórios, oferece aconselhamento
e faz análises para o Conselho de Administração. O Conselho de Arbitragem
desempenha as funções de responsabilidade do Conselho de Administração no
processo de solução de litígios, especificamente no caso de litígios entre os quadros
do OIS e um participante do mercado.

20 O Conselho de Administração também pode, a seu critério, delegar certas


funções a comissões do Conselho de Administração que não as descritas acima.

Reino Unido - National Grid Company e o Pool

21 A National Grid Company - NGC (Empresa de Transmissão Nacional) é uma


sociedade de responsabilidade limitada que detém e opera o sistema de transmissão de
eletricidade e os centros nacionais de controle na Inglaterra e no País de Gales. A
NGC é uma sociedade mercantil comum, que visa lucros, mas opera sob condições de
licença especial.

22 O Pool é um órgão separado, formado por um contrato e regido por um


Conselho Executivo constituído a partir de seus membros. Este Conselho indica a
NGC (ou qualquer outro órgão qualificado) para administrar o sistema de liqüidações.

Report IV-1: Annex C 4 SEN/Eletrobrás


23 A atividade central da NGC é a prestação de serviços elétricos e correlatos a
usuários da rede, inclusive geradores de eletricidade, Empresas Regionais de
Distribuição e Fornecimento, usuários industriais de grande porte e empresas
interligadas na Escócia e na França. A NGC também presta serviços de liquidação e
administração de fundos ao Pool da Inglaterra e País de Gales (Pool), um mecanismo
de negociação através do qual a maior parte da eletricidade em grosso é comprada e
vendida na Inglaterra e no País de Gales.

24 A NGC é regida por um Conselho de Administração que consiste de um


Presidente, cinco Diretores Executivos e quatro Diretores não Executivos. Novos
membros do Conselho são indicados por um processo de identificação, seleção e
proposta ao Conselho da NGC para aprovação por uma Comissão de Indicações, que
também leva em consideração a reindicação de diretores em exercício.

25 Outras atividades do Conselho da NGC são delegadas a comissões, cujos


membros são total ou primordialmente Diretores não Executivos. A Comissão de
Auditoria é responsável pela avaliação dos balanços anuais e dos balancetes
periódicos do Grupo e discute com os auditores questões suscitadas pela auditoria
externa. A Comissão de Remuneração determina todos os aspectos da remuneração e
os termos e condições de trabalho dos Diretores Executivos da NGC, seguindo as
melhores práticas.

26 A NGC é uma empresa aberta, com diversos acionistas das Cooperativas de


Eletrificação Rural (CER), e o Governo tem uma “ação preferencial” especial na
NGC.

27 Por outro lado, os procedimentos para o sistema de controle e os direitos de


voto do Pool são definidos principalmente pelo Contrato para o Pool e para
Liquidações (Pooling and Settlement Agreement - PSA). A implementação do PSA
resultou na criação de três organizações que não são nem empresas nem órgãos
governamentais, mas entidades que existem em decorrência de um contrato
multilateral entre os participantes do Pool:

• Comissão Executiva do Pool (Pool Executive Committee - PEC);

• Subcomissões da PEC; e

• Presidência (Chief Executive”s Office - CEO).

28 O PEC elege dez “representantes do mercado”, cinco representando varejistas


de energia e cinco representando geradores. Cada representante é escolhido por um
entre dez grupos:

pelos varejistas (conhecidos no Reino Unido como fornecedores):

Report IV-1: Annex C 5 SEN/Eletrobrás


• Grupo A - SEEBOARD plc, Southern Electric plc, London Electricity
plc;

• Grupo B - Midlands Electricity plc, South Wales Electricity plc,


Eastern Group plc;

• Grupo C - Yorkshire Electricity Group plc, Northern Electric plc,


NORWEB plc;

• Grupo D - South Western Electricity plc, East Midlands Electricity plc,


MANWEB plc; e

• Varejistas Competitivos - representando os interesses dos


“fornecedores de segunda linha”.

pelos geradores:

• PowerGen;

• National Power;

• Nuclear Electric;

• Grupo representante de outros geradores; e

• Pequenos geradores: representando geradores com capacidade instalada


não superior a 100 MW.

29 O PSA especifica o procedimento para seleção de representantes dos grupos


geradores. As eleições ocorrem a cada ano e os membros do Pool só podem dar seu
voto a um indicado de acordo com a quantidade de eletricidade comprada ou vendida.
Historicamente, cada um dos cinco grupos tem indicado um candidato e o indicado
dos pequenos geradores tem sido escolhido pela Associação de Produtores de
Eletricidade (Association of Electricity Producers - AEP). Há três escrutínios para a
seleção dos membros geradores do PEC:

• primeiro escrutínio: todos podem votar em qualquer candidato


indicado. Os três candidatos com maior número de votos são eleitos
como membros da comissão.

• segundo escrutínio: os membros do pool que votaram no primeiro


escrutínio mas não a favor de um dos três candidatos mais votados
votam novamente. O candidato com maior número de votos é eleito
membro da comissão.

Report IV-1: Annex C 6 SEN/Eletrobrás


• terceiro escrutínio: pequenos geradores que ainda não tenham votado
o fazem agora. O candidato com maior número de votos é eleito
membro da comissão.

30 O resultado deste procedimento é que os geradores de grande porte, que votam


no primeiro e no segundo escrutínio, garantem que seus representantes sejam eleitos
para o PEC, enquanto que os geradores de pequeno porte votam no último escrutínio
para garantir a eleição de seu candidato.

31 No que se refere aos fornecedores, os grupos das CERs fazem um rodízio dos
direitos de representação no PEC entre as empresas membros de cada grupo
representado. Os fornecedores independentes têm eleição própria para seu
representante.

32 O Presidente do PEC é indicado para um mandato anual pelos representantes


dos fornecedores e geradores alternadamente, e tem assento sem direito a voto no
PEC.

33 Os representantes do mercado no PEC têm uma hierarquia de


responsabilidades:

• primeiramente agir de maneira a resultar em operação eficiente dos


sistemas do Pool, e garantir que ocorra a liquidação financeira; e

• desde que não seja inconsistente com sua responsabilidade precípua, os


membros do PEC podem representar outros interesses definidos.
Representantes do PES devem agir em nome dos interesses de todos os
membros do PES.

34 O processo de tomada de decisões no PEC é regido principalmente pelos


procedimentos de votação descritos no PSA. O procedimento de votação adotado em
reuniões do PEC para qualquer resolução a ser tomada tem diversos estágios
possíveis, variando de decisão pela maioria simples (em que os representantes
levantam as mãos para determinar a decisão da maioria) a um votação com pesos
ponderados ou recurso ao Diretor Geral de Fornecimento de Eletricidade. Pode-se,
também, apelar para o Diretor Geral de Fornecimento de Eletricidade (o órgão
regulador). Muito embora a votação com pesos ponderados seja descrita como votação
ponderada do PEC, trata-se, de fato, de uma votação abrangendo todos os membros do
Pool. Os votos são alocados com base no número de GWh vendidos ou comprados no
último trimestre findo. Uma proposta será aceita se 65% dos votos forem a seu favor.

35 O PEC pode delegar os direitos, poderes, deveres e responsabilidades a ele


conferidos pelo PSA a qualquer pessoa que julgar competente. Na prática, o PEC
delega seus deveres:

Report IV-1: Annex C 7 SEN/Eletrobrás


• às subcomissões do PEC - como por exemplo o Grupo de Operações, o
Grupo de Desenvolvimento, a Comissão de Auditoria, a Subcomissão
de Litígios, Subcomissão de Medidas e Coleta de Dados e o Conselho
de Projetos.

• ao gabinete da Presidência - cuja principal responsabilidade é


administrar o PSA, dar suporte ao PEC, monitorar as operações do
Pool e representar os interesses do Pool no OFFER.

36 Muito embora tenhamos descrito como o sistema deve funcionar no Reino


Unido, na prática há algumas pontos fracos no sistema que podem nos servir de lição:

• a formação do PEC como uma comissão e não uma companhia


significa que os diretores do Conselho de Administração são
representantes exclusivos dos interesses daqueles que os indicaram, e
não consideram o que é melhor para o segmento;

• a presença de apenas geradores e varejistas como diretores no Conselho


do PEC tem suscitado acusações de que o PEC forma um cartel. As
comissões de consumidores afirmam que o preço da eletricidade no
atacado continua a aumentar apesar da intervenção reguladora e da
queda dos preços de combustível;

• há a necessidade de se poder alterar a estrutura de representação do


Conselho à medida em que muda a composição dos interesses do
mercado. O PSA não permite essa alteração; e

• recentemente houve críticas à maneira como o Pool é administrado no


Reino Unido, por parte dos presidentes das comissões de consumidores
de eletricidade (equivalentes aos Conselhos de Consumidores
existentes no Brasil). Eles descreveram o PEC como um cartel de
geradores e fornecedores de eletricidade que controla o mercado e
pediram sua extinção. Os grupos de consumidores querem que o PEC
seja recriado como entidade sem fins lucrativos, com representantes
dos consumidores e do órgão regulador de eletricidade no Conselho.

Report IV-1: Annex C 8 SEN/Eletrobrás


Parte 3: Princípios e características-chave da
regência corporativa
37 Todas as organizações formais têm uma Diretoria, um Conselho, ou outro
grupo como órgão de regência. A maneira como este órgão opera é o controle que
exerce, e que definimos como a constituição, as competências, os procedimentos e a
participação dos órgãos que dirigem e controlam as atividades da organização e agem
como última instância para a tomada de decisões.

38 Nesta parte do trabalho, descrevemos em termos genéricos os princípios de


regência corporativa, o papel da Diretoria, das Comissões Diretoras e da Presidência.
Estes fatores são aspectos comuns de um sistema de controle de todas as entidades
integrantes e de suporte ao setor descritas na Seção 8.

Princípios

39 Os princípios que, segundo recomendamos, devem servir de base ao sistema


de controle corporativo de todas as organizações identificadas neste Documento de
Trabalho são:

• abertura para garantir que todos os acionistas (aqueles que têm


interesse na operação da organização) possam confiar no processo de
tomada de decisões e nas ações da organização, na gestão de suas
atividades e em seus empregados. Pode-se obter abertura através de
consultas aos acionistas e comunicação de informações de maneira
completa, precisa e clara;

• integridade, significando comportamento claro e íntegro. Baseia-se


em honestidade, altruísmo e objetividade, bem como altos padrões de
propriedade e probidade na gestão dos negócios da organização. Se
reflete tanto nos procedimentos de tomada de decisões do Conselho
Administrativo quanto na qualidade de seus relatórios financeiros e de
desempenho;

• responsabilidade é o processo pelo qual o Conselho de Administração


e os Diretores individuais assumem responsabilidade por suas decisões
e atitudes, inclusive todos os aspectos de seu desempenho, e pelo qual
se submetem à avaliação externa adequada. Pode ser obtida se todas as
partes tiverem claro entendimento de suas responsabilidades;

• representatividade: de todos os acionistas, grande ou pequenos, para


garantir que o processo de tomada de decisões seja justo e imparcial
para todos os grupos;

Relatório IV-1: Anexo C 9 SEN/Eletrobrás


• espírito democrático: para garantir que os pontos de vista de todos os
acionistas sejam representados de maneira justa. No caso do OIS isto
significará que os Diretores estarão presentes como indivíduos, ao
invés de representantes dos grupos de interesses específicos que os
propuseram; e

• flexibilidade a alterações estruturais do setor e desenvolvimentos


tecnológicos e receptividade ao tomar decisões oportunas.

40 Os três primeiros princípios - abertura, integridade e responsabilidade - se


baseiam na estrutura de controle corporativo projetada especificamente para órgãos de
serviço público no Reino Unido, pelo Instituto de Contadores Gerenciais.

O papel do Conselho de Administração

41 O Conselho de Administração é o principal órgão de definições de políticas e


de tomada de decisões de uma organização. É responsável por questões como:

• aplicação de procedimentos e contratos e aprovação de recomendações


de alterações importantes;

• interpretação de padrões relevantes;

• aprovação de planos operacionais e estratégicos;

• análise e aprovação de orçamentos, relatórios anuais e outros


documentos financeiros;

• recrutamento, supervisão e, se necessário, demissão de Diretores


Executivos;

• atuação como agente (não obrigatório) na solução de litígios;

• criação de comissões e grupos de trabalho (descritos abaixo) na medida


do necessário para cumprir com seus deveres;

• definição de uma Comissão de Auditoria para avaliar questões de


auditoria, aplicar padrões para conflitos de interesse entre os
funcionários para garantir independência e monitorar o atendimento às
regras estabelecidas; e

• definição de medidas de desempenho e incentivos à organização


interna.

Relatório IV-1: Anexo C 10 SEN/Eletrobrás


42 O Conselho de Administração não participará das operações da rotina diária e
tampouco das tomadas de decisão em tempo real da organização. No entanto, terá a
responsabilidade de revisar e definir políticas que garantam a independência das
operações da organização e o atendimento a todos os requisitos para operações
confiáveis e econômicas.

43 O Conselho de Administração também deve prever procedimentos para


solução de litígios, com sistema definido de recursos, para encaminhar queixas e
preocupações dos acionistas em relação a decisões feitas em nome da organização ou
que a afetem.

44 O Conselho de Administração também será responsável pela definição da


combinação de quadros fixos e de terceiros necessários para cumprir as funções da
organização.

Comissões do Conselho de Administração

45 Os Conselho de Administração geralmente têm pelo menos duas comissões:


uma Comissão de Auditoria (semelhante ao Conselho Fiscal no Brasil) e uma
Comissão de Arbitragem. Ambas se enquadram na categoria de comissões de
“regência” e devem, portanto, ser integralmente compostas de diretores sem funções
ou responsabilidades administrativas de qualquer ordem.

46 O Conselho Fiscal tem quatro objetivos-chave:

• garantir que as demonstrações financeiras publicadas pela organização


sejam claras e sigam as melhores práticas;

• garantir que os controles internos sejam adequados;

• investigar alegações de irregularidades materiais, financeiras, éticas e


jurídicas; e

• recomendar a seleção do auditor externo.

47 Assim, as atividades precípuas da Comissão de Auditoria serão as de dirigir e


revisar auditorias e relatórios e oferecer ao Conselho Administrativo análise e
aconselhamento. Terá, ainda, a responsabilidade de trabalhar em conjunto com a
Presidência e com os Gerentes Gerais na preparação do orçamento anual do OIS e de
quaisquer outros documentos financeiros necessários e de supervisionar os padrões de
conflitos de interesses constantes dos estatutos do OIS.

48 O objetivo da Comissão de Arbitragem é definir e gerir procedimentos para a


solução de litígios entre a organização e os acionistas.

Relatório IV-1: Anexo C 11 SEN/Eletrobrás


O papel do Presidente e dos Gerentes Gerais

O Presidente terá uma pequena equipe para lhe dar apoio em seus deveres de
coordenação e para atender ao Conselho Administrativo. Ele também terá assento no
Conselho de Administração. Os Gerentes Gerais se reportarão ao Presidente e serão
responsáveis pela gestão e administração diária da organização, incluindo a elaboração
dos documentos financeiros necessários, o encaminhamento de questões contratuais e
de pessoal, além de quaisquer outras responsabilidades a eles delegadas pelo Conselho
de Administração.

50 Os Gerente Gerais e o Presidente poderão recrutar pessoal e contratar terceiros


para cumprir as responsabilidades da organização, como autorizado pelo Conselho de
Administração.

Relatório IV-1: Anexo C 12 SEN/Eletrobrás


Parte 4: Recomendações detalhadas em relação ao
OIS
51 Nas seções 2 e 3 propusemos que a operação coordenada dos sistemas
interligados e a gestão e o desenvolvimento do sistema de transmissão fossem
confiados a um novo órgão do setor, o Operador Independente do Sistema.

Objetivo

52 O OIS garantirá que, após a criação de um mercado competitivo em que as


empresas atuem em defesa de seus próprios interesses comerciais, as funções-chave
centrais sejam executadas de maneira imparcial e justa em relação a todos os
acionistas. O OIS não terá interesses comerciais que possam influenciar suas decisões.
O OIS também incentivará novos investimentos em geração pelo setor privado dando
aos investidores a confiança de que a operação do sistema será eqüitativa.

53 O planejamento de transmissão pelo OIS será uma atividade separada do plano


indicativo de expansão do sistema, e identificará, ao longo de um horizonte de tempo
de cinco anos, projetos de transmissão desejáveis ou necessários à luz dos fluxos
efetivos, do desenvolvimento previsto do sistema e de aplicações para conexões do
sistema para projetos integrantes ou não do Plano Indicativo.

54 O OIS preparará, a cada ano, um plano de investimento em transmissão e este


será aprovado pela ANEEL como base para o desenvolvimento do sistema. Os
projetos de transmissão existentes serão autorizados pelo Conselho de Administração
do OIS, realizados pelas concessionárias de transmisssão e remunerados com base nos
CPSTs entre a concessionária e o OIS.

55 A existência de órgãos separados responsáveis pelo planejamento a longo


prazo da expansão e transmissão do sistema implica boa cooperação entre o OIS e o
Planejador Indicativo, com intercâmbio de dados, reuniões periódicas e no uso de
metodologias comuns sempre que adequado.

Funções e Responsabilidades

56 As funções e responsabilidades do OIS serão determinadas por Lei ou


regulamentação e devem ser divididas em responsabilidades ligadas a serviços de
transmissão e responsabilidade na área de operação do sistema:

• Serviços de transmissão: garantia de acesso ao sistema básico,


encargos de transmissão e alocação de receitas, planejamento da
expansão de transmissão, comissionamento de novos investimentos,
realização de licitações competitivas para novos investimentos de
maior porte em transmissão sempre que necessário; e

Relatório IV-1: Anexo C 13 SEN/Eletrobrás


• Operação do sistema: planejamento operacional, programação e
despacho, coordenação de desligamentos programados de geração e
transmissão e operações de dados de medição, e ainda cálculos de
liquidação em nome do MAE.

57 As responsabilidades específicas do OIS são:

• obter o menor custo de operação do sistema hidrotérmico, sujeito a


padrões técnicos e critérios de confiabilidade aceitáveis;

• assegurar que todos o usuários existentes e potenciais tenham acesso à


rede de transmissão com base em encargos comuns e eqüitativos;

• estimular expansão do sistema a custo mínimo com indicadores


eficientes do preço de transmissão para geração e carga;

• garantir a expansão do sistema de transmissão a custo mínimo de


acordo com as decisões de investimento dos geradores; e

• garantir a continuidade do suprimento às tensões de transmissão.

Forma e organização

58 O OIS será um órgão setorial constituído como entidade sem fins lucrativos,e
não um órgão governamental ou comissão sem personalidade jurídica formal. Terá
seus próprios quadros permanentes e será financiado através de um componente dos
encargos de Uso do Sistema de Transmissão -UST. O OIS estabelecerá anualmente a
alíquota deste componente, com aprovação da ANEEL, de maneira a atingir o
equilíbrio econômico-financeiro de um ano para o outro.

59 Atualmente, as funções sob a responsabilidade do OIS são executadas pelo


GCOI e pelas empresas federais e estaduais, ou não são executadas. Portanto, o OIS
assumirá algumas atividades da Eletrobrás e das empresas estaduais. Prevemos,
portanto, que o OIS incorporará, total ou parcialmente, os seguintes:

• GCOI e CCON;

• CNOS;

• aspectos do SIESE referentes a questões operacionais; e

• centros de controle de empresas federais de geração.

Relatório IV-1: Anexo C 14 SEN/Eletrobrás


60 Prevemos que o OIS terá um centro nacional de coordenação com duas
divisões operacionais principais - OISS e OISN - , com responsabilidade sobre
planejamento e operações nos dois sistemas interligados regionais. Haverá um grau de
liberdade considerável para que as duas divisões do OIS operem de maneira
independente. Cada divisão será presidida por um Gerente Geral que se reportará ao
Presidente do OIS nacional.

61 Os centros de despacho de carga que têm atualmente responsabilidade sobre o


despacho e controle do sistema dentro de determinadas áreas continuarão a ter um
grau de autonomia adequado em suas respectivas áreas de controle.

62 Enquanto o planejamento operacional em horizontes de tempo de até cinco


anos será centralizado, a curto prazo a programação e o despacho poderão ser
delegados, em grande escala, aos centros de despacho de carga regionais. Estes são
centros de controle atualmente responsáveis por suas “áreas de controle local”, tais
como as controladas pela Cemig, Cesp, Eletrosul ou por Furnas. Por exemplo, seria
apropriado definir uma meta para cada área de controle no que se refere a importação
e exportação de energia na programação diária. Cada área de controle trataria da
questão à sua própria maneira, ao invés de buscar interação direta entre o OIS e os
geradores individuais.

63 O Presidente será responsável por todas as atividades do OIS. Terá um


escritório central responsável pela estratégia e pelas políticas do OIS, por
procedimentos e regras operacionais, planejamento da coordenação entre as duas
regiões, auditoria e finanças centralizadas, inclusive a coordenação da administração e
das liquidações financeiras do MAE.

64 Os OISs regionais desempenharão atividades semelhantes e deverão


desenvolver nova capacitação em:

• encargos de transmissão e alocação de receitas; e

• operação e liquidação financeira do MAE.

65 Prevemos que os centros de controle de propriedade das empresas federais


sejam transferidos para o OIS. Em relação àqueles de propriedade de empresas
estaduais, a relação poderá ser coberta pelo CPST ou, em alguns casos, as empresas
estaduais podem decidir transferir o controle para o OIS coincidindo com a
transferência dos ativos de transmissão a uma das companhias de transmissão. Isto,
em parte, depende de como tais centros administram o controle do sistema de
distribuição.

66 Os ativos de transmissão serão de propriedade das concessionárias de


transmissão, que continuarão responsáveis pela manutenção e operação da rede, sob
instruções do OIS. Este firmará Contratos de Prestação de Serviços de Transmissão
(CPSTs) com as Concessionárias de Transmissão que concordem em colocar seus
ativos sob o controle do OIS em troca de uma taxa anual.

Relatório IV-1: Anexo C 15 SEN/Eletrobrás


67 O OIS estará sujeito à supervisão regulamentar por parte da ANEEL, que
aprovará:
• o plano qüinqüenal de desenvolvimento do sistema, através do qual o
Conselho de Administração do OIS poderá contratar ou outorgar
projetos específicos;
• seleção de projetos para licitação como novas concessões;
• alterações estatutárias;
• Procedimentos de Rede para controle de muitas das atividades do OIS;
e
• metodologias de encargos de transmissão e fórmulas de controle de
receitas de transmissão.
68 O OIS será objeto de auditoria por empresa independente credenciada para este
fim pela ANEEL.

Sistema de controle
69 Prevemos que um único Conselho de Administração seja responsável por
todas as operações do OIS no Brasil. O MAE terá seu próprio Conselho de
Administração.

70 Na Seção 8 descrevemos os diferentes papéis a serem desempenhados pelo


Conselho de Administração e pela Diretoria Executiva. O Conselho de Administração
pode ser um trabalho de tempo parcial e não estará diretamente envolvido na gestão
diária da organização, equacionando suas atividades conforme descritas
anteriormente. A Diretoria Executiva é indicada pelo Conselho de Administração e
constituída por executivos em tempo integral, responsáveis pela gestão diária da
organização.

71 As recomendações que se seguem dizem respeito ao Conselho de


Administração como o principal órgão de controle. Recomendamos, também, que a
Diretoria Executiva seja indicada pelo Conselho de Administração, e que sejam os
indivíduos a comandar o suporte à Diretoria Executiva como um todo, assim como
com o papel de representantes conforme será descrito mais adiante. Ou seja, devem
administrar o OIS de tal maneira a beneficiar o sistema como um todo, e não
representar qualquer grupo interessado específico.

72 Experiências em outros países demonstram que há benefícios na inclusão de


forte representação das empresas no controle do OIS, pois isto facilita o processo de
consenso para definição e adaptação dos processos de suporte necessários à nova
estrutura do setor. Contudo, há também uma desvantagem potencial no fato de que os
acionistas podem procurar impedir decisões que não representem vantagens
comerciais para si próprios. Os procedimentos de controle devem atingir um
equilíbrio adequado entre estas duas funções.

Relatório IV-1: Anexo C 16 SEN/Eletrobrás


73 Dada a importância dos Estados no Brasil e o fato de que o setor será
privatizado, é improvável a aceitação de um OIS liderado pelo setor federal.
Recomendamos, assim, que o controle seja feito por representação mista, incluindo o
setor, o governo e pessoas independentes que representem os interesses públicos.

74 Não será prático que todos os acionistas (usuários da rede,


compradores/vendedores de energia e prestadores de serviços de transmissão)
participem diretamente do controle do OIS. Assim, deve ser criado um método de
representação que mantenha o número de componentes do Conselho de
Administração em níveis razoáveis, com um máximo aproximado de 18 membros.

75 Recomendamos que existam seis classes de acionistas que elegerão, ou


indicarão, Diretores que terão assento no Conselho de Administração, agrupados da
seguinte maneira:

• geradores;

• companhias de transmissão;

• empresas de distribuição/varejo;

• grandes consumidores ligados à rede de alta tensão;

• interesse público;

• MME. A ANEEL também teria direito de participar, porém, sem


direito a voto.

76 Cada classe de acionistas, exceto o de interesse público, elegerá representantes


que atuarão como Diretores. Será particularmente importante definir um sistema que
não permita domínio e garanta representação equilibrada. Por exemplo, novos
participantes versus antigos, e ainda para garantir representação regional. Os
procedimentos atuais em vigor no Reino Unido, por exemplo, para a eleição de
representantes de geração junto ao PEC, conforme descrito no Anexo C2, garantem
que os geradores de pequeno porte possam eleger um Diretor específico.

77 Regras específicas serão necessárias para determinar a participação em cada


uma das classes a fim de assegurar que os acionistas não possam participar da seleção
de Diretores de mais de uma classe. Uma empresa que desejar ser incluída em uma
classe deverá demonstrar que pode atender aos critérios de qualificação respectivos.
As empresas (inclusive todas as suas afiliadas e subsidiárias) só poderão participar de
uma classe.

78 Dois Diretores da classe de “interesse público” serão indicados pelos


Conselhos de Consumidores e não serão representantes diretos de nenhum grupo,
porém terão a responsabilidade específica de cuidar do interesse público.

Relatório IV-1: Anexo C 17 SEN/Eletrobrás


79 Além de contribuir para as atividades normais do Conselho de Administração,
o MME deve desempenhar um papel especial no que se refere a questões de políticas
específicas sob circunstâncias excepcionais, como por exemplo quando:

• houver necessidade de chegar a um consenso sobre Procedimentos de


Rede;

• houver necessidade de programar racionamento preventivo;

• estiverem sendo considerados grandes investimentos acima de


determinados limites; e

• houver necessidade de consenso para outras decisões.

80 Propomos, portanto, que o MME detenha um direito especial de voto que lhe
permita vetar qualquer proposta em qualquer uma das categorias enumeradas.

81 Consideramos que a ANEEL deva estar representada no Conselho de


Administração do OIS com direito de presença e voz, mas sem direito a voto. Isto
garantirá que a ANEEL se mantenha informado das questões ao mesmo tempo em que
deixará claro seu papel de Órgão Regulador.

Relatório IV-1: Anexo C 18 SEN/Eletrobrás


82 O objetivo de definir a composição dos Diretores do Conselho de
Administração do OIS é assegurar que os diferentes interesses na operação e no
desenvolvimento do sistema tenham oportunidade plena de participação no controle
do OIS através de seus representantes, sem domínio de nenhum interesse específico.

83 Há três princípios preponderantes na definição do número de classes votantes


e do número de diretores a ser indicado por classe:

• nenhuma classe poderá vetar uma ação - o que só pode ocorrer com um
terço dos votos;
• duas classes não poderão se unir para formar maioria suficiente na
tomada de decisões - o que pode ser feito pela necessidade de dois
terços para acordo sobre ações a serem tomadas; e
• deve haver representação de grupos minoritários tais como os novos
participantes (Produtores Independentes) e previsão de representantes
regionais.
84 Recomendamos, portanto, que a alocação de cargos de Diretoria seja como
segue:

Classe Nº de diretores
Empresas de geração 5
Empresas de distribuição/varejo 5
Empresas de transmissão 2
Consumidores de grande porte ligados ao sistema 2
Interesse público 2
ANEEL (sem direito a voto) 1
MME (sem direito a voto) 1
Número total de votos 18
Votos necessários para aprovar a maioria das 12
medidas1
Votos necessários para vetar a maioria das 6
medidas2

1
Prevê maioria de dois terços dos votos para a maioria das atividades do Conselho de Administração.
2
Prevê maioria de um terço dos membros do Conselho de Administração para vetar a maioria das
medidas.

Relatório IV-1: Anexo C 19 SEN/Eletrobrás


Para garantir justa representação regional e de novos participantes, esta alocação
poderá ser dividida da seguinte maneira:

• S/SE - 3 concessionárias de geração, 1 concessionária de transmissão,


3 concessionárias de distribuição, 1 consumidor de grande porte e 1
não acionista. Um assento destinado à concessionária de geração estará
reservado para um Produtor Independente/ Autoprodutor e 1 assento
destinado à concessionária de distribuição para uma concessionária de
menor porte.

• N/NE - 2 concessionárias de geração, 1 concessionária de transmissão,


2 concessionárias de distribuição, 1 consumidor de grande porte e 1
não acionista. Inicialmente poderá não ser necessário reservar assentos
para Produtores Independentes ou concessionárias de pequeno porte do
N/NE, mas isto poderá ser incluído em data posterior.

86 Prevemos que a maioria das decisões venha a ser tomada por discussão e
consenso. Contudo, se for necessário que decisões sejam submetidas a voto, para
todas as questões - exceto as de natureza genuinamente nacional (como por exemplo
as referentes à interligação entre os dois sistemas regionais)- , só terão direito de voto
os diretores representantes da região envolvida.

87 Os diretores do Conselho de Administração elegerão um Presidente para um


mandato de um ano: com rodízio do mandato entre as empresas de geração,
transmissão e distribuição/varejo.

88 Recomendamos que os mandatos dos diretores sejam de três anos. Os diretores


representantes do setor público estarão limitados a exercer dois mandatos e estes serão
intercalados. Não haverá limite de mandatos para os participantes do mercado.

89 O Conselho de Administração também poderá, de acordo com os estatutos do


OIS, delegar certas funções a comissões do Conselho de Administração e criar
comissões consultivas ou grupos de trabalho para obter informações sobre assuntos
específicos. Dois exemplos são o Grupo de Coordenação do Planejamento de
Transmissão e o Grupo de Revisão de Procedimentos da Rede. Haverá, ainda, grupos
de trabalho com duração específica e termos de referência, constituído por pessoas do
setor e do governo, conforme se mostre adequado.

Atividades-chave

90 As principais atividades do OIS serão:

• Planejamento operacional: operação do software adequado para


otimizar o uso do sistema hidrotérmico ao longo de horizontes de
planejamento de até 5 anos;

Relatório IV-1: Anexo C 20 SEN/Eletrobrás


• Programação e despacho de usinas de geração: programação e
emissão de instruções de despacho para todas as usinas geradoras de
grande porte sujeitas a controle centralizado. O OIS terá poderes
efetivos de controle sobre ativos que não sejam de sua propriedade nos
termos das regras a serem definidas pelos Procedimentos de Rede;

• Transmissão - novas conexões: avaliação de pedidos de conexão à


rede, outorga de Contratos de Conexão à Transmissão (CCTs);

• Transmissão - controle da rede de transmissão: consenso sobre


Contratos de Prestação de Serviços de Transmissão (CPSTs) com os
proprietários dos ativos de transmissão, por meio dos quais o controle
(mas não a propriedade) dos ativos seja transferida para o OIS;

• Transmissão - cobrança dos usuários e alocação de receitas aos


proprietários: cobrança aos usuários da rede pelos encargos de Uso do
Sistema de Transmissão (UST); e remuneração aos proprietários dos
ativos nos termos especificados nos CPSTs;

• Transmissão - planejamento de investimentos: planejamento de


investimentos em transmissão e exigência de que as concessionárias de
transmissão executem o investimento em troca de remuneração
incremental adequada, ou realização de licitações para novas
concessões de transmissão;

• Administração dos Procedimentos do Sistema: os Procedimentos de


Rede documentarão os modelos, padrões e procedimentos técnicos que
regem a operação da rede; e

• Operação do Mercado Atacado de Energia (MAE): gestão do MAE,


sob a direção e na qualidade de agente da Diretoria Executiva do MAE.
Este papel incluirá a administração dos procedimentos estabelecidos
para a liquidação financeira.

91 Atualmente o GCPS prepara planos de investimentos para pequenos sistemas


isolados e o GCOI prepara planos operacionais. O OIS não deverá ter a
responsabilidade do planejamento e não tratará do despacho operacional para os
sistemas isolados. Estas atividades teriam que estar sob a responsabilidade das
empresas concessionárias. Quando um sistema isolado é conectado à rede interligada,
passará, então, ao controle do OIS.

Relatório IV-1: Anexo C 21 SEN/Eletrobrás


Anexo D: A função do Planejador Indicativo
1 Neste anexo, apresentamos:

• a função do Planejador Indicativo; e

• a natureza do processo do Planejador Indicativo

A função do Planejador Indicativo


2 Na Seção 8 recomendamos que as principais funções do Planejador Indicativo
devem ser:

• elaborar planos indicativos integrados de longo prazo para geração e


transmissão, incluindo a análise de opções para políticas energéticas
alternativas;

• manter inventários hídricos, estudos de pré-viabilidade, rede de dados


hídricos (via CPRM e outros) e coleta de dados hídricos em nome da
ANEEL;

• dar suporte ao poder concedente/ANEEL em processos de licitação


para concessões, incluindo comissionamento de estudos de viabilidade
quando solicitado;

• trabalhar em coordenação com o COMASE ao considerar os aspectos


ambientais dos novos projetos;

• manter um banco central de dados com informações a serem utilizadas


pelo setor e por outros, com base no SIESE; e

• dar suporte ao sistema “COMUM” na preparação de projeções de carga


para longo prazo.

3 A seguir, apresentamos as funções do Planejador com relação à estrutura para


o planejamento do setor. O Anexo E resume as medidas que propusemos como
suporte para a implementação de novos projetos hidrelétricos.

A natureza do Planejador Indicativo


4 Na Seção 2, afirmamos que o Planejador Indicativo deve:

Report IV-1: Anexo D 1 SEN/Eletrobrás


• identificar os investimentos em geração hidrelétrica e térmica a
custo mínimo para o sistema interligado. No entanto, não haveria
qualquer exigência no sentido de que os investidores potenciais
desenvolvessem projetos específicos, ou exclusivamente, constantes do
Plano Indicativo;

• integrar transmissão e geração para os objetivos de planejamento


de longo prazo. Os principais sistemas interligados seriam planejados
separadamente, muito embora suas ligações hidrológicas e as futuras
ligações elétricas estejam reconhecidas explicitamente no processo de
planejamento;

• considerar os aspectos regionais no planejamento. Os aspectos


regionais de um planejamento devem ser levados em conta após
profunda consulta junto às empresas de distribuição e varejo durante o
processo de planejamento e pela formação de comissões regionais de
coordenação, sob a presidência do OIS, reunindo as companhias de
transmissão e as de distribuição e varejo com ativos de subtransmissão,
para proporcionar uma visão coordenada das necessidades de
investimento da rede a serem consideradas;

• basear-se em critérios econômicos para o planejamento de geração


(por exemplo, “valor da energia não servida”) e não na
probabilidade de déficit. Conseqüentemente, a probabilidade de
escassez seria resultado do processo de planejamento. O critério para o
planejamento de transmissão seria probabilística;

• demonstrar os efeitos das diferentes taxas de desconto; e

• identificar os projetos específicos para um horizonte de 10 a 15


anos. Um cenário projetado para refletir as diferentes expectativas e
que possa ser imune a uma gama de incertezas.

5 Dissemos, também, que o OIS seria responsável pelo planejamento


determinístico da transmissão de curto prazo (isto é, até 5 anos à frente), com base nos
novos projetos de geração em andamento, em inscrições garantidas para conexões e
liberação das limitações para transmissão, muito embora esteja inserido no contexto
de planejamento de mais longo prazo no sistema interligado.

6 Esta parte do Anexo apresenta a justificativa para cada uma destas


recomendações. Em seguida, faremos uma breve descrição do processo de
planejamento indicativo.

Report IV-1: Anexo D 2 SEN/Eletrobrás


Assuntos-chave no planejamento indicativo
7 Os assuntos-chave que devem ser tratados ao se desenvolver o Plano
Indicativo são os seguintes:

• Questão 1: necessidade de planejamento integrado para geração e


transmissão nos sistemas interligados;

• Questão 2: critérios de planejamento adequados;

• Questão 3: o nível adequado de detalhamento dos planos;

• Questão 4: riscos a serem identificados no processo de planejamento;

• Questão 5: a função dos projetos de geração térmica; e

• Questão 6: interface com o OIS para o planejamento de transmissão.

Questão 1: necessidade de planejamento integrado para geração e


transmissão
8 Na nossa opinião, o planejamento indicativo deve integrar geração e
transmissão, pois:

(a) as enormes distâncias de transmissão no Brasil significam que para a


geração hidrelétrica, pelo menos, a transmissão exerce forte influência
sobre o melhor aproveitamento da geração;

(b) a integração do planejamento de geração e transmissão poderia


sinalizar mais claramente as vantagens entre a nova geração térmica e a
hidrelétrica; e

(c) é possível que exista uma “substitutibilidade” entre projetos de


transmissão e de geração; portanto, um planejamento integrado seria
preferível.

9 No entanto, deve-se fazer uma distinção entre planejamento de curto e de


longo prazo:

(a) a mais longo prazo, digamos em um horizonte de 10 anos e além


disso, há uma função a ser desempenhada pelo planejamento de
um sistema integrado, o que permitiria compensações efetivas entre
geração hidrelétrica/térmica e uma avaliação mais completa e efetiva
do investimento em transmissão;

Report IV-1: Anexo D 3 SEN/Eletrobrás


(b) a prazo mais curto, o planejamento de transmissão pelo OIS deve
servir de suporte aos projetos existentes de geração, além de
reforçar o sistema de transmissão. Recomendamos que o
planejamento a curto prazo seja realizado pelo OIS, tendo-se em vista
sua maior familiaridade com as necessidades de investimentos do
sistema de transmissão. Isso significa que o trabalho de planejamento
do OIS deve se restringir à transmissão, considerando-se apenas os
projetos de geração reais, com início de operação dentro de um
cronograma planejado.

10 Uma questão pertinente é decidir se o planejamento indicativo deve estar


integrado aos dois sistemas interligados.

11 A escolha fica bastante indiferente entre um plano único integrado para os dois
sistemas principais ou planos separados, intimamente ligados. No entanto, após
considerar todos os aspectos, somos favoráveis a planejamentos separados porém
intimamente coordenados para os dois principais sistemas interligados, para que
haja maior flexibilidade no processo de planejamento.

12 A responsabilidade pelo planejamento indicativo seria do Planejador


Indicativo. Não recomendamos uma abordagem na qual o processo de planejamento
seja conduzido principalmente pelas companhias de distribuição e varejo (e
coordenado pelo Planejador Indicativo), pois tal conduta levaria a dificuldades de
coordenação dos vários elementos dos planos, criaria complexidades, por exemplo, no
desenvolvimento de interligações internacionais e reduziria a transparência do
processo de planejamento.

13 No entanto, seria importante garantir que os fatores locais estejam refletidos


no Plano Indicativo, o que poderia ser feito após ampla consulta às companhias de
distribuição e varejo no processo de planejamento (em seu nível mais formal, junto à
Comissão de Planejamento proposta na Seção 7) e pela formação de comissões
regionais de coordenação, presididas pelo OIS, reunindo as companhias de
transmissão e as de distribuição e varejo com ativos de subtransmissão para permitir
uma visão coordenada para as necessidades de investimento da rede a serem
identificadas.

Questão 2: critérios de planejamento adequados


14 Discutiremos agora as questões referentes aos critérios-chave para o
planejamento, um a um, especificamente:

• a taxa de desconto a ser aplicada;

• a abordagem para o padrão no planejamento de geração; e

Report IV-1: Anexo D 4 SEN/Eletrobrás


• o padrão para o planejamento de transmissão.

Taxa de desconto

15 Para o planejamento de médio e longo prazo, o GCPS tem utilizado uma taxa
real de desconto de 10%. Recentemente, como resultado da tendência real em
direção ao investimento privado no setor, estudos têm sido conduzidos à base de 12%,
considerado o máximo permitido pelo governo. No entanto, é possível que o setor
privado tente usar taxas mais altas, especialmente para os projetos de geração com
maiores riscos (conforme será discutido na Seção 10).

16 Muito embora sob limitações para a taxa de desconto que utiliza para o
planejamento de expansão, a Eletrobrás tem realizado estudos de sensibilidade
utilizando descontos reais de 10% e 18%. Na taxa de 10%, o programa de expansão
de geração é dominado pelos projetos hidrelétricos. Na de 18%, no entanto, dominam
os projetos de geração térmica. A diferença é claramente explicada pelos períodos
maiores necessários para a realização dos projetos hidrelétricos em comparação aos
térmicos, e sua relativa intensidade de capital.

17 Como reflexo desta gama de taxas de desconto possíveis e de seu principal


impacto sobre a escolha da usina, recomendamos que o Plano Indicativo inclua
sensibilidades com base em uma gama variada de taxas de desconto. A fim de se
refletir a diversidade genuína das visões sobre a taxa de desconto adequada, não se
deverá considerar um caso central ou referencial. Uma variação de caráter
informativo seria 10%, 12%, 15% e 18%.

Planejamento para o padrão de geração

18 O principal critério para o planejamento de geração adotado atualmente pelo


GCPS e pelo GCOI para planejamento e operação do sistema é o de “risco de
déficit”, cuja meta no momento é 5%. No entanto, do ponto de vista mercadológico, o
critério de risco de déficit não é um fator causal na expansão do sistema - na verdade,
este é resultado do custo de energia não servida. A usina deve ser incorporada ao
sistema apenas se for economicamente interessante. A probabilidade de escassez
terá origem, portanto, no Plano Indicativo.

19 Os custos da energia não servida devem aplicar-se igualmente à escassez de


energia e de potência. Deve ser como uma função que varia de acordo com a duração
e com a extensão da escassez. Desta forma, refletiria o cálculo do valor de
racionamento no MAE de forma que o planejamento indicativo e o MAE tenham
como base os mesmos princípios econômicos. Além disso, os custos da energia não
servida devem ser consistentes tanto para o planejamento operacional quanto para o
de longo prazo (vide Anexo A, Parte 2).

Report IV-1: Anexo D 5 SEN/Eletrobrás


20 Recomendamos, portanto, que o valor da energia não servida seja
utilizado como uma mola propulsora para o planejamento da expansão do
sistema. Este valor deve ser avaliado cuidadosamente e deve, de preferência, refletir
o a opinião dos consumidores quanto ao valor para um certo nível de fornecimento.
Lembramos que o valor atual está bem abaixo do praticado em outros países, como a
Argentina, por exemplo. Este aspecto deve começar a ser trabalhado o mais
rapidamente possível.

Padrão para o planejamento de transmissão

21 Até agora, o sistema de transmissão tem sido em geral planejado com base no
critério de segurança determinístico N-1, ou seja, a interrupção no funcionamento de
apenas um componente não deveria causar redução de fornecimento no pico de carga
no sistema.

22 Internacionalmente, a melhor prática atual é adotar uma abordagem


probabilística da relação custo/benefício para o planejamento de transmissão, o que
poderia proporcionar economia significativa sobre os custos de implementação da
abordagem N-1 em certas partes da rede.

Questão 3: nível adequado de detalhamento dos planos

23 Os planos de 25, 15 e 10 anos sendo realizados pelo GCPS têm níveis de


detalhamento diferentes:

• Os planos de longo prazo - de 25 anos - tratam de questões amplas,


tais como a taxa de expansão da hidreletricidade, as opções para
projetos térmicos, o escopo para tecnologias renováveis e as
interligações entre os sistemas nacional e regional. Estes planos são
preparados a cada 5 anos.

• Os planos de curto prazo - de 10 anos - tratam de projetos específicos e


incluem detalhes tais como capacidade instalada e a data para
comissionamento do projeto. Os planos de curto prazo são preparados
anualmente.

• Os planos de médio prazo - de 15 anos - foram introduzidos


recentemente como uma ponte entre os planos de longo e curto prazo.
Apresentam um nível intermediário de detalhamento, e estão mais
próximos do plano de curto prazo no que se refere à elaboração dos
cronogramas. Os planos de médio prazo são preparados a intervalos de
2 anos.

Report IV-1: Anexo D 7 SEN/Eletrobrás


24 Há vantagens claras associadas aos planos indicativos que identificam
projetos específicos. Se o objetivo é estimular a expansão a custo mínimo e fornecer
suficiente detalhamento para que projetos potenciais atinjam o estágio do Estudo de
Viabilidade e a licitação para a Concessão (pressupondo-se que esta seja o caminho
escolhido), a indicação do planejamento deve, na medida do possível, ser específica
para um projeto. Deve-se enfatizar que isso não afetará a liberdade do setor privado
em construir qualquer projeto fora do Plano Indicativo.

25 Se o plano pretende identificar projetos potenciais para construção deve-se ter


um horizonte de planejamento de no mínimo 12 anos. Neste caso, há uma boa
justificativa para que os responsáveis pelo planejamento tenham a perspectiva de mais
longo prazo, preparando planos de 25 anos a intervalos de 5 anos. O planejamento
por um período mais longo auxiliaria na definição das condições limitantes do plano
indicativo.

26 Muito embora um horizonte de 12 anos pareça adequado para o


planejamento indicativo anual, o período de gestação de projetos hidrelétricos de
grande porte pode dificultar a especificação de um projeto para geração térmica
ou não hidrelétrica com mais de 6 anos de antecedência. Sempre que o Planejador
Indicativo identificar a necessidade de geração térmica em um determinado ano para
otimizar o desenvolvimento a custo mínimo, tal fato pode ser declarado sem que se
especifique o projeto.

27 Finalmente, lembramos que em Planos Indicativos sucessivos, o Planejador


Indicativo deve considerar não apenas o progresso de projetos constantes do plano,
mas também projetos não constantes, com construção já iniciada ou prestes a iniciar.

Questão 4: riscos a serem identificados no processo de planejamento


28 Os projetos de investimento do setor de eletricidade, e particularmente os
hidrelétricos, estão sujeitos a riscos consideráveis, conforme apresentado na Seção 10.
A questão discutida aqui é que riscos podem e devem ser identificados no processo de
planejamento.

29 Planos de expansão devem ser imunes a uma gama de incertezas. Um


plano indicativo com um horizonte de 12 anos estará sujeito a incertezas em termos de
crescimento de demanda, projetos disponíveis, custos de combustível e taxa de
desconto. Portanto, recomendamos que se adote uma abordagem de cenários1.

30 Recomendamos, especificamente, que o Plano Indicativo detecte os seguintes


riscos:

1
O tempo para a realização de projetos hidrelétricos é longo. Não é fácil acelerá-los, e muito caro
interrompê-los depois de iniciada a construção. Com a abordagem do cenário, os projetos hidrelétricos
podem ser utilizados para cenários de baixo crescimento, com projetos térmicos introduzidos para
cenários de maior crescimento. Os projetos térmicos podem, portanto, ser acelerados ou atrasados
dentro do plano, dependendo das projeções de demanda mais recentes.

Report IV-1: Anexo D 8 SEN/Eletrobrás


(a) data de término de projetos para Concessão já outorgada. Para
usinas hidrelétricas de grande porte, o comissionamento pode ser de 6 a
10 anos após a outorga da concessão. Para se garantir que o Plano
Indicativo realmente reflita a condição real o Planejador Indicativo
deve ter acesso ao responsável pelo desenvolvimento do projeto e ao
local da obra, para avaliar sobre uma data de término realista. De
qualquer forma, o planejamento do cenário deve fornecer alguma
indicação da data de término. Se necessário, o órgão Regulador deve
forçar as concessionárias a cooperar com o Planejador Indicativo;

(b) risco ambiental - é uma grande preocupação para os responsáveis pelo


desenvolvimento de projetos, pois os elementos que compõem este
risco podem estar fora de seu controle. Seria adequado adotar a
abordagem que considera o cenário para o plano indicativo principal,
de forma que os riscos ambientais e as implicações para que as
companhias responsáveis pelos projetos e seus cronogramas possam
dar a devida atenção para os projetos onde esta seja uma questão
relevante;

(c) incapacidade de terminar novos projetos, o que pode ocorrer por


uma série de razões. Assim como para o atraso nos projetos,
recomendamos que se mantenha o fluxo informação de maneira que o
plano seja atualizado e que os possíveis efeitos sejam incluídos ao se
considerar o cenário para planejamento; e

(d) outros riscos que devam ser detectados nos cenários incluem os
diferentes níveis de crescimento de carga, custos de capital e projeções
alternativas dos preços de combustível.

Questão 5: a função dos projetos de geração térmica no sistema

31 Dada a importância da geração térmica no suporte ao sistema hidrelétrico e


como opção para que as necessidades de energia a curto prazo possam ser atendidas
mais rapidamente do que com a construção de nova usina hidrelétrica, as vantagens
entre geração hidrelétrica e térmica devem estar explícitas no Plano Indicativo.

32 Além do mais, muito embora se calcule que o Brasil tenha fontes hidrelétricas
totais que atingem 213.000 MW, as projeções indicam que as usinas mais econômicas
estarão totalmente desenvolvidas dentro de 20 anos. Se as tentativas de desenvolver
fontes hidrelétricas na bacia da Amazônia forem interrompidas por motivos
ambientais, a energia hidrelétrica estará esgotada antes do prazo previsto. Em
qualquer um dos casos, a transição da energia hidrelétrica para a térmica é inevitável
nas próximas duas décadas. Portanto, a geração térmica, operando tanto a carga
básica quanto complementar, muito provavelmente se tornará uma característica dos
planos indicativos a médio prazo.

Report IV-1: Anexo D 9 SEN/Eletrobrás


Questão 6: interface com o OIS no planejamento de transmissão

33 Uma questão importante no setor elétrico reestruturado será a interface e os


relacionamentos entre o Planejador Indicativo e o OIS no planejamento do sistema de
transmissão. Em resumo, entendemos este relacionamento fundamentado nos
seguintes princípios:

(a) o Planejador Indicativo deve ter total responsabilidade pela preparação


do Plano Indicativo integrado de longo prazo e a custo mínimo para
geração e transmissão, conforme descrito anteriormente;

(b) o OIS será responsável pelo planejamento de transmissão de curto


prazo, com base na usina de geração sendo construída e os pedidos
garantidos para conexão (quer estes estejam incluídos no Plano
Indicativo ou não); seu trabalho nesta área será muito dependente do
número, do tamanho e do cronograma dos projetos de geração
oferecidos e construídos pelos responsáveis. O OIS teria que oferecer
conexão a todas as novas usinas de geração, e não apenas às usinas
incluídas no Plano Indicativo. No entanto, deve haver uma ligação
explícita entre o planejamento de transmissão de curto e médio prazo,
de maneira que os projetos de curto prazo sejam consistentes com o
plano de mais longo prazo do sistema de transmissão;

(c) o OIS terá a responsabilidade de informar sobre o andamento da


implementação do projeto de transmissão anualmente para constar do
processo de planejamento indicativo;

(d) o relatório do OIS deve conter tanto a identificação das limitações de


transmissão a médio prazo quanto as propostas para amenizá-las
sempre que seja economicamente viável; e

(e) troca de informação eficiente e efetiva entre o Planejador Indicativo e o


OIS.

Estrutura recomendada para planejamento futuro da expansão de


geração e transmissão

34 Resumimos, a seguir, nossas recomendações-chave para o processo de


planejamento futuro da geração e da transmissão conforme apresentadas
anteriormente. O processo de planejamento está resumido na Tabela 1 e de maneira
mais simples, na Figura 1.

Report IV-1: Anexo D 10 SEN/Eletrobrás


Procedimentos de transição

35 Não prevemos limitações para o período de transição entre o sistema atual e o


aqui proposto. Até que os planos indicativos estejam disponíveis com as
metodologias descritas anteriormente, os Estudos de Viabilidade e as licitações para
concessão devem ser organizados com base nos últimos planos de 10 e 15 anos
recentemente elaborados pelo GCPS.

Financiamento

Conforme descrito na Seção 8, a função de planejamento indicativo será financiada


parcialmente pela ANEEL, por intermédio de contrato para as atividades de suporte
também descritas anteriormente, e parcialmente por uma taxa compulsória a ser
cobrada das companhias de distribuição e varejo.

Report IV-1: Anexo D 11 SEN/Eletrobrás


Tabela 1: Estágios do processo para o planejamento de expansão
Estágio Descrição Responsabilidade Comentários
Previsão de carga local Previsão de carga de área Varejista/distribuidor Previsões de curto prazo apenas como informação ao processo de
geográfica específica planejamento
Previsão de carga do sistema Previsão de carga para cada Planejador Indicativo Planejador Indicativo deve preparar uma previsão de carga com
interligado sistema interligado base nas previsões dos distribuidores e varejistas e nas projeções
macroeconômicas
Realizar plano de longo prazo Plano de 25 anos abrangendo a Planejador Indicativo A ser preparado a intervalos de 5 anos
expansão da geração e da
transmissão
Realizar Planejamento Plano de 12 anos abrangendo Planejador Indicativo O Planejador Indicativo deverá considerar o cenário e o programa
Indicativo expansão da geração e da MODPIN. Os sistemas do N/NE e S/SE devem ser considerados
transmissão separadamente, reconhecendo as interligações. O planejamento
indicativo deve ser feito anualmente. O Planejador Indicativo e o
OIS devem trabalhar ligados e em cooperação, a fim de garantir que
os planos sejam coincidentes do 1o. ao 5o. ano nos dois sistemas. A
atualização do plano deve refletir as mudanças na construção da
nova usina e as Concessões outorgadas a projetos não incluídos nos
Planos Indicativos anteriores.
Informação sobre o programa Informações relativas à Concessionária O órgão regulador terá poderes para solicitar todas as informações
construção e ao relevantes em nome do Planejador Indicativo.
comissionamento devem ser
fornecidas ao Planejador
Indicativo por todas as
concessões ainda não
comissionadas, incluindo
projetos não constantes do
Plano Indicativo.
Plano de 5 anos para expansão Plano de 5 anos para expansão OIS O plano do OIS deve refletir a construção real da usina durante o
da transmissão da transmissão período de planejamento. O Planejador Indicativo e o OIS devem
trabalhar ligados e em cooperação, a fim de garantir que os planos
sejam coincidentes do 1o. ao 5o anos.

Report IV-1: Anexo DSEN/Eletrobrás


Planejamento de longo prazo para o sistema Figura 1

Desenvolver
Projeção para
programa para
carga local
incentivo de
(D/V)
estudos

Elaborar Informações
Previsão para Elaborar plano
planejamento para plano de
o sistema de longo prazo
indicativo transissão de
integrado (PI) (25 anos) 1
(12 anos) 2 curto prazo

Análise dos Estudos atualização


recursos Térmicos
hídricos

1 A cada 5 anos Ligações


2
Internacionais
Anualmente

para 34 SEN / Eletrobrás


Report IV-1: Anexo D

br4_d.pre
Anexo E: Suporte para o desenvolvimento de novas hidrelétricas

1 Nosso relatório foi estruturado de forma a apresentar um quadro abrangente


das alterações propostas para vários aspectos do setor elétrico. A divisão de tópicos
em diferentes seções significa que as recomendações que visam ao estímulo do
desenvolvimento futuro de novas usinas de geração hidrelétrica podem ser
encontradas em diferentes momentos do relatório. Para maior conveniência,
reunimos, neste anexo, uma lista completa das recomendações que terão impacto
positivo sobre a perspectiva para novas hidrelétricas.

Planejamento (vide Seção 2 e Anexo D)

2 Recomendamos que:

(a) o Planejador Indicativo tenha a responsabilidade pelo desenvolvimento


de planos de expansão do sistema a longo prazo e a custos mínimos,
incluindo hidrelétricas potenciais;

(b) o Planejador Indicativo seja responsável pelos estudos do inventário de


bacias hidrográficas e pela assessoria à ANEEL para parâmetros de
melhor aproveitamento. Tais parâmetros devem considerar os
requisitos de custos de capital para o setor privado, a limitação dos
riscos ambientais e o fluxo de caixa inicial;

(c) o Planejador Indicativo assessore o OIS no que se refere à alocação de


energia garantida para as hidrelétricas. Novos projetos influenciados
por fatores externos significativos terão direitos à energia garantida que
possam obter de outras fontes a fim de estimular tais projetos;

(d) o Planejador Indicativo seja também responsável pelo


comissionamento de estudos de viabilidade a nível macro e de
declarações de impacto ambiental onde estes sejam pré-requisitos à
concorrência para concessão, a serem realizados por empreiteiros que
sejam engenheiros qualificados;

(e) o Planejador Indicativo também identificasse o volume de físico dos


novos reassentamentos e instalações (por exemplo, novas habitações)
que o licitante vencedor terá que cumprir, deixando o risco das
variações deste volume com o setor público; e

(f) o Planejador Indicativo também identificasse os elementos de interesse


público de novas hidrelétricas, por exemplo controle de cheias ou
irrigação, que seriam custeados pelo setor público.

Concessões e licitações (Seções 2 e 5)

3 Recomendamos que:

Report IV-1: Anexo E 1 SEN/Eletrobrás


(a) apenas as concessões com capacidade instalada acima de 30 MW
estejam sujeitas a licitações competitivas. Todos os outros projetos
devem estar sujeitos à autorização pelo Poder Concedente;

(b) as concessões hidrelétricas devem, como padrão, seguir a ordem que


consta do Plano Indicativo. Porém, os licitantes potenciais teriam o
direito de solicitar uma ordem diferente ou então que outras concessões
sejam realizadas se assim desejarem. O plano de expansão não terá
caráter determinístico;

(c) todas as concessões de geração sejam do tipo “produtores


independentes”, isentando seus responsáveis das obrigações do serviço
público e dando-lhes a máxima liberdade para negociar o preço da
energia e outros termos contratuais;

(d) um dos dois procedimentos alternativos para a licitação que


recomendamos permita considerar uma “demanda complementar” nos
novos projetos hidrelétricos. O Poder Concedente faria licitação
pública para companhias de distribuição e varejo e outros varejistas ou
clientes de grande porte para prestação de serviços relativos à
realização de um projeto hidrelétrico; e

(e) sob certas circunstâncias, o governo ou seu agente possam


desempenhar o papel de Comprador de Última Instância e contratar
serviços, para que possam obter os resultados de um projeto
hidrelétrico em bases semelhantes a outros adquirentes.

Permissões ambientais (Seção 7)

4 A fim de reduzir os riscos de regulamentação e portanto facilitar o


financiamento, recomendamos que todas as licenças ambientais, inclusive a licença de
operação, sejam concedidas antes do início da construção. A autorização ambiental
poderá confirmar, mesmo antes da construção da barragem, que todas as condições da
licença foram cumpridas.

Estrutura do Setor (Seção 3)

5 Recomendamos a divisão de cada uma das maiores companhias geradoras -


Furnas e CHESF - em duas companhias separadas. A divisão tem por objetivo
proporcionar um mercado competitivo, e ao mesmo tempo permitir um número de
geradoras brasileiras de tamanho tal que possam financiar novos projetos hidrelétricos
isoladamente ou em cooperação com outras.

Financiamento (Seção 7)

6 Recomendamos a formalização da função do Agente Financeiro Setorial


(AFS) com o objetivo específico de facilitar o financiamento ao setor privado, e não
de obstruí-lo. Tendo-se em vista nossa opinião que as companhias de distribuição e
de projetos termoelétricos do setor privado necessitam de suporte relativamente
Report IV-1: Anexo E 2 SEN/Eletrobrás
pequeno para atrair financiamento privado, a função mais importante do AFS será
atrair capital privado para novos projetos hidrelétricos.

7 O AFS desempenhará as seguintes funções na assessoria a projetos


hidrelétricos:

(a) prover empréstimos com prazos mais longos para melhor conciliação
entre fluxo de caixa e obrigações de serviço da dívida;

(b) oferecer garantias e mecanismos como assessoria em financiamentos,


e, quando for o caso, em refinanciamento de projetos após seu término
e/ou para aumentar o prazo das fontes comerciais de financiamento.
Por exemplo, o AFS ofereceria empréstimos “de segunda rodada” para
permitir o serviço da dívida original depois que o projeto foi concluído,
exceto se for possível obter o refinanciamento para extensão de prazos
do serviço da dívida;

(c) assumir conjuntamente alguns dos riscos comerciais a fim de garantir


que a exposição ao risco pelo setor privado seja aceitável. As
principais áreas em que o AFS poderia ajudar são:

(i) financiamento de alto risco como suporte a estudos de


viabilidade e impacto ambiental de boa qualidade, com o
objetivo de reduzir o custo de construção e o risco de término;

(ii) providenciar mecanismos de financiamento de “dívida


subordinada” como suporte a custos excedentes potenciais na
construção;

(iii) em circunstâncias excepcionais, indenizações para as


implicações nos custos de riscos geotécnicos;

(iv) caso seja impossível encontrar procedimentos satisfatórios para


administrar o risco da taxa de câmbio via indexação, oferecer
mecanismos de proteção à exposição das taxas de câmbio entre
dólares e reais;

(v) caso ocorra um impasse prolongado em um projeto como


resultado de questões ambientais ou ações legais fora do
alcance da companhia responsável, providenciar uma saída
mediante procedimentos de recompra;

(vi) medidas, inclusive garantias, para intensificar o crédito de


companhias de distribuição e varejo do setor público tentando
entrar em contratos para compra da produção de hidrelétricas.

(d) providenciar indenizações contra mudanças na lei e nos regulamentos


que causem impacto em um projeto específico. Tais mudanças
incluem as que incidirem nas condições de uma licença ambiental.

Report IV-1: Anexo E 3 SEN/Eletrobrás


8 Recomendamos, ainda, que a energia de Itaipu seja vendida por intermédio de
um agente federal que possibilitasse, após um certo período, utilizar o excedente das
vendas e reciclar estes fundos para financiar novo investimento no setor.

Mercado Atacado de Energia - MAE - (Seções 2 e 4)

9 Os procedimentos que recomendamos para garantir o acesso às redes de


transmissão e distribuição igualmente por todos darão aos novos geradores
hidrelétricos acesso ao mercado.

10 Dentro do próprio MAE, as propostas para um Mecanismo de Realocação de


Energia (MRE) para um pool de risco hidrelétrico no sistema entre todos os
geradores hidrelétricos com despacho central reduzirá um dos riscos que mais
preocupam os responsáveis pelos novos projetos hidrelétricos. Da mesma
forma, novos geradores hidrelétricos terão o direito de fazer parte do MRE nas
mesmas bases dos geradores existentes.

11 Na área de contratos de compra, as propostas relevantes são:

(a) exigência de que as companhias de distribuição e varejo contratem um


mínimo de sua carga com pelo menos 5 anos de antecedência;

(b) o uso do “alívio para o ano seco” e a redução de volume em caso de


racionamento decorrente de condições hidrológicas, medidas que
recomendamos para os Contratos Iniciais, podem ser estendidas aos
novos projetos hidrelétricos, reduzindo ainda mais os riscos
hidrológicos enfrentados pelos geradores.

Report IV-1: Anexo E 4 SEN/Eletrobrás


Anexo F: Encargos de Transmissão
Introdução

1 Neste anexo, apresentamos propostas detalhadas para os encargos de transmissão,


completando a discussão da Seção 4.

2 Começamos por definir os ativos de transmissão. Em seguida, discutiremos:

• os encargos de conexão, a fim de recuperar os custos operacionais e dos


investimentos com ativos utilizados exclusivamente para conexão de um
usuário específico ao sistema , “ativos de conexão”; e

• encargos de uso do sistema, a fim de recuperar os custos operacionais e de


investimento associados a todos os outros ativos, “ativos do sistema
principal”.

3 Em seguida, discutiremos como tratar os geradores embutidos conectados ao


sistema de transmissão por intermédio de sistemas de distribuição. Segue-se uma breve
descrição dos acordos comerciais chaves necessários para a implementação do regime de
encargos e garantia do livre acesso, e ainda os procedimentos para conexão a serem seguidos
pelas companhias de transmissão e o OIS que permita o livre acesso à rede de transmissão.
Finalmente, faremos recomendações para as necessidades de receita das companhias de
transmissão, a ser percebida por intermédio dos encargos de transmissão.

4 Há cinco apêndices a este anexo:

(a) Apêndice F.1 no qual apresentamos uma demonstração formal de nossa


metodologia de cálculo para os encargos pelo uso do sistema de transmissão;

(b) Apêndice F.2 no qual discutimos algumas questões técnicas relativas ao


cálculo dos encargos pelo uso do sistema de transmissão;

(c) Apêndice F.3 no qual fornecemos uma avaliação do trabalho já realizado pela
Eletrobrás/DNAEE para encargos de transmissão;

(d) Apêndice F.4 no qual apresentaremos e comentaremos alguns resultados


iniciais da análise da Eletrobrás/DNAEE; e

(e) Apêndice F.5 no qual fornecemos formulários-modelo para acordos de


transmissão (e distribuição).

Definição de transmissão

5 Recomendamos a seguinte definição para transmissão:

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 1 SEN/Eletrobrás


(a) a área limítrofe comum do sistema de transmissão deve ser utilizada para
todos os fins;

(b) os ativos de transmissão devem ser definidos pela tensão, e não pela
função; e

(c) os ativos de transmissão devem compreender as redes de tensão a 230kV e


acima e interconexões internacionais a tensões de 138kV e acima.

6 Recomendamos que esta definição substitua a da Portaria 244, que é uma simples lista
de ativos.

7 Será considerada área limítrofe o lado da tensão superior nos transformadores de


230kV. A seguir discutiremos as razões da opção pela tensão e não pela função para a
definição, e em a escolha da tensão a 230kV.

8 Qualquer definição de um sistema de transmissão deve:

(a) incluir todos os ativos principais que prestam serviços de transmissão;

(b) ser objetiva; e

(c) ser de fácil implementação.

9 Há duas opções para se definir o sistema de transmissão: pela tensão ou por função.
Recomendamos enfaticamente que o sistema de transmissão seja definido com base na
tensão, pois a conduta é objetiva e fácil de implementar. Nossa experiência tem
demonstrado, no entanto, que as definições funcionais são objetivas e de difícil
implementação considerando-se que a função de um ativo:

• em geral é complexa;

• é sempre polêmica. Por exemplo, se o sistema de transmissão fosse definido


como os ativos que desempenham um papel na otimização do sistema,
praticamente todo ativo classificado a 69kV e acima poderia ser incluído em
alguma circunstância específica e rara de acontecer; e

• pode mudar com o tempo, à medida que o sistema é desenvolvido.

10 Propomos que o sistema de transmissão compreenda os ativos a 230kV e acima (e as


interconexões internacionais) como uma troca razoável entre o desejo de incluir todos os
ativos de grande porte que exercem influência importante nos sinalizadores econômicos e o
de minimizar a complexidade do sistema (visto que um sistema de transmissão com muitos
nodos poderia comprometer o desenvolvimento de encargos de transmissão que reflitam os
custos). Incluímos as interconexões internacionais, pois acreditamos que o OIS deve ser
responsável pelo acesso a estes ativos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 2 SEN/Eletrobrás


11 Da mesma forma, ativos a 138kV (que não interconectores) e a tensões inferiores
seriam tratados como “distribuição” para fins de encargos. Estes ativos seriam:

• transferidos para as companhias de distribuição/varejo e remunerados sob


encargos de distribuição; ou

• continuariam de propriedade e sob operação de uma companhia de


transmissão, porém remunerados de acordo com a metodologia proposta para
os encargos de distribuição. Portanto, as companhias de distribuição atuais
pagariam os encargos de distribuição relativos a estas linhas de 138kV (o que é
semelhante ao conceito do “Distribuidor de Tronco”, na Argentina).

12 Reconhecemos que o maior sistema de 138kV, que serve o Mato Grosso, pode
precisar de medidas especiais que permitam sinalizadores locais dentro da rede de 138kV.

13 Enfatizamos que geradores com despacho central e clientes de grande porte


conectados a 138kV e abaixo não poderão se isentar dos encargos de transmissão. Deverão
pagar os encargos pelo uso do sistema de transmissão do nodo mais próximo como
signatários do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão. Mais adiante, neste anexo,
apresentaremos discussão detalhada de como tratar os geradores conectados à distribuição.

14 Dentro do sistema de transmissão, os ativos são definidos como ativos de conexão ou


ativos do sistema principal. Passaremos a discutir os limites apropriados entre estas duas
definições, e em seguida apresentaremos nossas recomendações para encargos para as duas
categorias de ativos de transmissão.

Encargos de conexão e propriedade de ativos de conexão

15 Recomendamos a utilização da conexão rasa - na qual um usuário específico é


cobrado diretamente pelos custos de sua conexão ao sistema principal apenas, com quaisquer
custos adicionais de reforço ao sistema principal cobertos pelos usuários em geral e por
intermédio dos encargos pelo uso do sistema de transmissão.

16 Para este fim, recomendamos que os ativos de conexão sejam definidos como
apenas os utilizados exclusivamente por um usuário e, da mesma forma, que todos os
outros ativos de transmissão sejam definidos como pertencentes ao sistema principal.

17 Recomendamos, ainda, que:

(a) os princípios da conexão rasa sejam aplicados de maneira rigorosa;

(b) os usuários possam:

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 3 SEN/Eletrobrás


(i) assumir a responsabilidade pela própria conexão1; ou

(ii) solicitar a conexão por uma companhia de transmissão que tenha


franquia geográfica não exclusiva (a “companhia de transmissão
local”) para um pagamento sob a regulamentação, e

(c) usuários assinem Contratos de Conexão à Distribuição com a companhia


de transmissão a que estejam conectados. Estes CCD exigirão:

(i) compatibilidade técnica com o sistema;

(ii) pagamentos a serem feitos se a companhia de transmissão efetuar a


conexão;

(iii) que ativos de conexão sejam transferidos ao detentor da concessão de


transmissão se deixarem de ser utilizados apenas por um usuário;

(iv) que o OIS seja incluído como parte superveniente.

18 Passamos agora a discutir os encargos para conexão ao sistema de transmissão,


considerando:

• a definição de conexão rasa;

• abordagens para cobrança da conexão; e

• aplicação dos encargos de conexão.

Encargos de conexão rasa

19 Há duas abordagens amplas para cobrança da conexão:

(a) a “conexão rasa”, na qual o usuário paga apenas pelos ativos de conexão
direta que o conectam (e nenhum outro usuário) ao sistema principal de
transmissão; e

(b) a “conexão profunda”, na qual o usuário paga tanto pelos ativos diretos de
conexão como por qualquer reforço ao sistema principal que resulte de sua
conexão ao sistema.

1
Lembramos que nesta parte do trabalho estamos preocupados apenas com conexão ao sistema de transmissão.
O “usuários” aqui referidos são, portanto, geradores, clientes de grande porte conectados diretamente ao sistema
de transmissão e companhias de distribuição, e não clientes de menor porte conectados aos sistemas de
distribuição.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 4 SEN/Eletrobrás


20 Recomendamos a conexão rasa, especialmente porque:

• evita a necessidade de julgamentos subjetivos a respeito do grau de


responsabilidade de um novo usuário pelo reforço ao sistema principal;

• não faz discriminação entre usuários novos e já existentes; e

• evita problemas com “caroneiros”.

21 Propomos que os ativos de conexão sejam definidos como aqueles diretamente


necessários para conexão ao sistema, e que todos os outros ativos necessários quando um
novo usuário é conectado sejam considerados ativos do sistema principal.

22 Há duas situações que podem causar dificuldades ao se aplicar o princípio acima:

• ativos que beneficiam um grupo de usuários bem definido; e

• ativos que podem beneficiar o sistema principal.

Figura 1: Ativos que claramente beneficiam um grupo de usuários

G1 ∼ ∼ G2

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 5 SEN/Eletrobrás


23 Na Figura 1 temos dois geradores , G1 e G2, com conexões curtas a um nodo A que
por sua vez é conectado à rede por uma nova linha A-B. Neste caso, pode parecer razoável
que o custo da Linha A-B seja coberto por encargos de conexão divididos pelos dois usuários,
muito embora nenhum deles seja usuário exclusivo do ativo. No entanto, tais casos não são
sempre tão claros, e haverá ainda outros quando um grande número de usuários compartilham
os mesmos ativos. Se os custos de tais ativos fossem divididos entre os usuários conectados,
então haveria argumento para se aplicar o princípio por toda a rede, provocando os problemas
que acabamos de mencionar. Portanto, em termos gerais, propomos que apenas os ativos
de conexão imediata dos usuários ao ativo compartilhado (linhas G1-A e G2-A neste
exemplo) sejam considerados ativos de conexão.

Figura 2: Ativos que podem beneficiar o sistema principal

G3 ∼

C D

24 Na figura 2, demonstramos um gerador conectado ao sistema principal por uma linha


de circuito duplo e uma de circuito simples. Pressupomos que a linha G3-C atenda o critério
correspondente de segurança para conexão à geração e que, portanto, a linha G3-D não seja
necessária para conexão, e poderá não ser necessária para o sistema principal. Se esta linha
traz benefícios ao sistema principal (por exemplo, se melhorar a estabilidade ou a segurança),
então poderá ser considerada um ativo do sistema principal coberto por intermédio dos
encargos pelo uso do sistema. Se não trouxer benefícios ao sistema principal, então deveria
ser considerada um ativo de conexão, coberta pelos encargos de conexão. Sem dúvida haverá
necessidade de um critério de julgamento. Da mesma forma, recomendamos que caiba à
ANEEL decidir se os ativos, nestes casos, são definidos como do sistema principal ou de
conexão.

Como pagar pela conexão

25 Recomendamos que os usuários:

• assumam a responsabilidade por suas próprias conexões, como faz a


maioria dos geradores atualmente; ou

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 6 SEN/Eletrobrás


• exerçam seu direito de ter a conexão pela companhia local de transmissão
por intermédio de pagamento regulado.

26 Preferimos a primeira opção, quando o usuário poderia construir e ser proprietário de


sua própria conexão ou poderia contratar a construção (e possivelmente a propriedade). O
papel da companhia de transmissão será confirmar que todos os padrões técnicos foram
atendidos antes da energização final. As vantagens seriam:

• não há necessidade de regulamentação do pagamento e nem de outros termos


contratuais;

• a concorrência para construção e operação das conexões promoverá a


eficiência; e

• é uma abordagem semelhante ao sistema atual de conexão para muitos


usuários no Brasil.

27 Apresentamos a alternativa porque alguns usuários poderão preferir não assumir a


responsabilidade por suas conexões, e, neste caso, haverá a necessidade de um fornecedor de
última instância. Este provavelmente será o caso para algumas companhias internacionais de
geração. A fim de evitar ambigüidade, algumas companhias de transmissão terão que
receber concessões geográficas não exclusivas como provedoras de transmissão de última
instância. Estas “companhias de transmissão regionais” estarão obrigadas a efetuar as
conexões a pedido, segundo os termos da regulamentação. Enfatizamos que esta concessão
impõe obrigações a estas companhias de transmissão regionais, mas não prevê nenhum
tratamento preferencial.

28 Os encargos terão que ser regulados, pois a alternativa de responsabilidade do usuário


pode não exercer pressão competitiva efetiva, especialmente se os ativos de conexão forem
relativamente pequenos. Em princípio, há duas opções para tais encargos regulados, quando
o usuário poderá pagar:

• encargos específicos relativos aos ativos, que recuperem o investimento real


e os custos operacionais dos ativos de conexão (inclusive uma taxa razoável de
retorno sobre o capital empregado) por intermédio de pagamentos relativos ao
valor do ativo; ou

• encargos de conexão baseados em valores-padrão dos ativos, que


recuperam o investimento padrão e os custos operacionais dos ativos de
conexão (inclusive uma taxa razoável de retorno sobre o cálculo do capital
empregado). Os custos para as configurações típicas com base nos valores-
padrão serão definidos pela ANEEL e publicados.

29 Recomendamos o uso dos encargos de conexão baseados em valores-padrão dos


ativos, muito embora reconheçamos que, para alguns casos, a natureza tão variada do sistema
brasileiro talvez dificulte a aplicação de tais encargos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 7 SEN/Eletrobrás


Aplicação destes princípios no Brasil

30 Discutiremos agora a aplicação dos princípios descritos para geradores conectados à


transmissão, distribuidores e clientes de grande porte tendo-se em vista o regime atual de
cobrança pela conexão. Atualmente:

(a) os geradores assumem a responsabilidade pelas suas próprias conexões rasas


Tal conduta pode continuar sujeita aos Contratos de Conexão à Transmissão -
CCT - que exigem livre acesso a estas conexões caso seja esta a intenção de
terceiros;

(b) as companhias de distribuição são proprietárias de suas conexões (e, em


alguns casos, são companhias integradas verticalmente, também proprietárias
de ativos de transmissão além dos exigidos para conexão). Esta conduta
poderá ser mantida, embora as companhias tenham que definir (por questões
de contabilidade e de cobrança) o sistema principal de transmissão e os ativos
de conexão à transmissão e de distribuição (e conexão) no sistema principal. E,
da mesma forma, CCTs terão que ser celebrados para garantir o livre acesso, o
que implica que os ativos de transmissão deverão estar em uma subsidiária
separada dos ativos de distribuição no caso de companhias de integração
vertical.

(c) clientes de grande porte podem construir, possuir e manter suas próprias
conexões, porém, a prática normal é pagar à companhia de transmissão (ou
distribuição) correspondente por estes serviços. Entendemos, no entanto, que
atualmente os clientes às vezes contribuem para o reforço do sistema principal
e conseqüentemente pagam pelos encargos de conexão profunda. Nossa
opinião é a de que esta conduta deve ser modificada para a de conexão rasa. E
da mesma forma, CCTs deverão ser celebrados para garantir o livre acesso.

Prazos para pagamento pelas conexões de acordo com a regulamentação

31 Quando a companhia de transmissão local faz a conexão, propomos que o usuário


tenha direito a um encargo básico de conexão definido em pagamentos mensais durante a
expectativa de vida dos ativos (por exemplo, 25 anos) com desconto de uma taxa de retorno
razoável (de acordo com a regulamentação). No entanto, não há razão para que os encargos de
conexão sigam um valor único constante de encargos mensais. Outras condições de
pagamento podem ser acordadas com o usuário, tais como:

• uma entrada, paga pelo usuário, com isenção ou redução dos encargos
mensais;

• encargos decrescentes com base na depreciação do ativo; ou

• períodos de pagamentos mais longos ou mais curtos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 8 SEN/Eletrobrás


32 O CCT concederá à companhia de transmissão local o direito de recuperar os custos
de quaisquer ativos de conexão do usuário não amortizados no caso de desconexão
prematura ou retirada da carga.

Transferência de ativos de conexão

33 Se um usuário ou outra entidade não detentor(a) de concessão de transmissão for


proprietário(a) de ativos de conexão, será necessário um mecanismo para garantir que outros
possam utilizar estes ativos à medida que o sistema se desenvolve. Nessas circunstâncias,
recomendamos que os ativos de conexão (ou parte deles) sejam adquiridos pelo detentor
de uma concessão para transmissão. Esta situação é ilustrada na Figura 3.

Figura 3: Usuário novo conectado por intermédio de ativos existentes

G1 ∼ G1 ∼
G2
B

A A

34 No primeiro diagrama, o gerador G1 conecta ao sistema principal no nodo A e é


proprietário dos ativos de conexão (linha G1-A e equipamento associado). No segundo
diagrama, um novo gerador, G2, pretende conectar-se ao sistema B construindo a linha G2-B
e compartilhando a linha A-B. Sem dúvida, se o encargo para uso da linha G1-A não estiver
sujeito à regulamentação, o gerador G1 poderá exercer uma exploração potencial de seu poder
de monopólio sobre G2.

35 Nas circunstâncias ilustradas anteriormente, a linha A-B e o equipamento de conexão


associado deverão tornar-se parte do sistema principal e serem pagos por intermédio de
encargos do sistema. Portanto, a linha A-B deve estar sujeita aos encargos pelo uso do
sistema. Em princípio, o proprietário deverá:

• tornar-se detentor de uma concessão de transmissão e ingressar em um


contrato de prestação de serviço de transmissão (CPST) para transferir a
responsabilidade operacional para a linha do OIS; ou

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 9 SEN/Eletrobrás


• transferir a propriedade do ativo a um detentor de concessão para transmissão
existente em troca de um pagamento compensatório. Tal transferência de
propriedade pressupõe que a ANEEL defina o preço à base do qual a
transferência ocorrerá, para evitar que, novamente, o proprietário possa
explorar o poder de monopólio. Propomos que a companhia de transmissão
local seja obrigada a aceitar tais transferência de ativos.

36 Preferimos que os geradores não sejam proprietários de partes do sistema principal


(pois entendemos que isso poderia provocar oportunidades para uma certa especulação).
Portanto, sob tais circunstâncias, recomendamos que:

• os geradores sejam solicitados a transferir os ativos correspondentes a um


detentor de concessão de transmissão;

• as companhias de distribuição, clientes de grande porte e outros proprietários


de ativos de transmissão se tornem detentores de concessão de transmissão ou
transfiram a propriedade dos ativos correspondentes a um detentor de
concessão.

37 Regras de regulamentação serão necessárias para determinar o preço adequado de


transferência ou o pagamento do CPST. Sugerimos que a base para estes preços seja a
recuperação da parte não vencida de um pagamento que reflita o custo de um ativo moderno
equivalente.

Conexões existentes

38 Conforme mencionado anteriormente, as companhias de distribuição atuais são, via


de regra, conectadas ao sistema de transmissão pelos seus próprios ativos, enquanto que os
clientes de grande porte conectados à transmissão são, via de regra, conectados por ativos de
propriedade das companhias de distribuição, porém pagos em grande parte pelo cliente para
conexão profunda. Com o objetivo de manter a eqüidade entre clientes atuais e novos
clientes, será necessário identificar os ativos de conexão rasa para clientes existentes e
determinar os encargos de conexão revisados levando-se em consideração as contribuições
que já tiverem efetuado, inclusive as relativas ao sistema principal (entendemos que os
usuários atuais terão pago uma contribuição inicial pelo custo total da conexão e qualquer
reforço subseqüente ao sistema principal).

39 Ao desverticalizar as companhias existentes, quer seja em companhias separadas ou


subsidiárias, propomos que:
• os ativos de conexão à transmissão integrem a companhia de transmissão (isto é, não
integrem uma companhia de geração ou de distribuição), pois isso evitará
transferências subseqüentes se um novo usuário desejar se conectar por intermédio
destes ativos; e

• a companhia (conectada) de geração ou distribuição ou o cliente de grande porte


pague os encargos de conexão à transmissão à companhia de transmissão
correspondente referentes à operação e manutenção, à depreciação sobre os ativos
amortizados, e uma taxa de retorno razoável sobre o valor contábil dos ativos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 10 SEN/Eletrobrás


Encargos pelo uso do sistema

40 Discutiremos agora os encargos pelo uso dos ativos do sistema principal: encargos
pelo uso do sistema (UST). Tais ativos são compartilhados por todos os usuários. A própria
existência da rede de transmissão proporciona a prestação de serviços (tais como segurança
do sistema e a ordem de mérito do despacho), que devem ser fornecidos em conjunto.
Portanto, qualquer abordagem à cobrança pela transmissão terá que alocar os custos
referentes a estes ativos compartilhados por todos os usuários do sistema.

41 Apresentaremos, agora, os detalhes da política de preços relacionada aos custos do


investimento (PPRCI) recomendada para encargos de Custo Marginal de Longo Prazo
(CMLP) pelo uso do sistema para a rede de transmissão principal. Descreveremos:

(a) a metodologia principal para a PPRCI, incluindo a discussão do que segue:

(i) escolha do nodo de referência para a análise da PPRCI;

(ii) o modelo da rede;

(iii) planejamento e segurança do sistema;

(iv) tratamento da variação hidrológica e de demanda;

(v) custos unitários de potência;

(vi) medição do uso do sistema;

(vii) alterações para atingir a receita necessária; e

(viii) agregação dos encargos nodais por zonas.

(b) a necessidade de transparência no processo de definição de preços;

(c) cronograma para introdução dos novos encargos; e

(d) procedimentos para revisão, análise e atualização dos encargos.

42 Trataremos dos encargos de transmissão com mais detalhes nos apêndices F.1 a F.4.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 11 SEN/Eletrobrás


Metodologia geral

43 Recomendamos que os encargos pelo uso do sistema se baseiem na política de


preço relacionada aos custos do investimento (PPRCI) para uma metodologia de custo
marginal de longo prazo - CMLP.

44 As principais metodologias alternativas para determinação e alocação dos custos


compartilhados dos ativos do sistema principal deverão realizar a tarefa com base em:

(a) custos marginais de curto prazo (CMCP): a potência da rede é fixada a


curto prazo. O usuário é cobrado à base do custo incremental das perdas de
transmissão, do congestionamento na transmissão e da segurança reduzida,
ocasionados pelo uso incremental da rede de transmissão;

(b) custos marginais de longo prazo (CMLP): a longo prazo, a rede pode ser
expandida para atender o uso incremental. O usuário é cobrado à base do
investimento incremental e dos custos operacionais ocasionados pelo uso
incremental da rede de transmissão; e

(c) custos contáveis: o usuário é cobrado à base de alguma medida de seu uso da
rede de transmissão (carga freqüente em períodos de pico).

45 Rejeitamos as principais metodologias alternativas em favor da metodologia pelo


CMLP, porque:

(a) as metodologias de custos marginais de curto prazo não são ideais para o
Brasil porque:

(b) são complexas, e, portanto, não transparentes, e potencialmente de


implementação cara;

(i) produzem encargos relativamente instáveis, provocando incerteza, o


que pode desencorajar o investimento em geração; e

(ii) se a responsabilidade pelo investimento de transmissão também for


descentralizada, pode desencorajar o investimento em capacidade de
transmissão (um problema particularmente visível na Argentina); e

(c) metodologias de custo contábil (variações muito comumente utilizadas nos


Estados Unidos) não oferecem incentivos locais e em geral dependem da
identificação de um caminho nocional para fluxos de energia de terceiros.

46 A metodologia do CMLP pode ser vista como um compromisso útil que preserva os
incentivos de eficiência ao mesmo tempo em que é significativamente mais simples do que a
de CMCP. No entanto, a de CMLP apresenta vantagens inerentes, especialmente:

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 12 SEN/Eletrobrás


• encargos intuitivamente “certos” - cargas em áreas de alta demanda ou em
extremidades do sistema em geral arcam com altos encargos de transmissão
enquanto que a carga em áreas de exportação de energia arcam com encargos
baixos (ou negativos). As cargas a geradores revertem esta relação -
sinalizando a localização da geração em áreas onde a nova geração reduziria a
sobrecarga da transmissão; e

• uma relação até certo ponto direta com o custo principal subjacente - os custos
do investimento na capacidade de transmissão.

47 No âmbito geral da metodologia de CMLP há duas condutas amplas para se


determinar encargos. Recomendamos a PPRCI para o cálculo dos encargos baseados em
CMLP e não a conjuntural. A PPRCI atua como um modelo para os custos de futuros
investimentos, como uma função da configuração e uso da rede existente, enquanto que a
conjuntural se baseia em custos específicos das expectativas futuras de investimento.

48 Recomendamos a PPRCI principalmente porque acreditamos que a incerteza e a


subjetividade de uma abordagem que considere a conjuntura atual não sejam convenientes
para o Brasil, onde o sistema está se expandindo rapidamente. Lembramos que a National
Grid Company, no Reino Unido, rejeitou considerar a conjuntura atual pelas preocupações
com a estabilidade e aceitabilidade dos encargos em um sistema muito menos sujeito a
mudanças e incertezas sobre o futuro.

49 Por outro lado, se considerarmos o CMLP para a política de preços, o operador da


rede projeta planos específicos para expansão do sistema de transmissão (com base nas
previsões de demanda, planos de expansão de geração e padrões de segurança na
transmissão). Os custos projetados para investimentos e incrementos associados projetados
para demanda compõem a base para as estimativas com diferenciação geográfica dos CMLP
de transmissão.

50 A PPRCI, no entanto, não se baseia explicitamente nas projeções de planos


específicos de expansão da transmissão. Ao contrário, o custo da potência crescente na rede
existente, ou uma rede nocional (baseada na rede existente) é calculada com hipóteses
simplificadoras.

Descrição da metodologia por PPRCI

51 A análise principal diz respeito à elaboração dos preços nodais que refletem os custos
incrementais do investimento em potência adicional e até que ponto cada usuário contribui
para a necessidade de investimento naquele nodo. Os preços nodais dependem, portanto, dos:

• fluxos incrementais em cada linha e transformador, ocasionados pelo uso


incremental do sistema de transmissão sob condições que causam sobrecarga
no sistema de transmissão (estas condições podem variar de linha para linha);
e

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 13 SEN/Eletrobrás


• custos unitários de cada linha e transformador.

52 Modelamos os fluxos incrementais resultantes da geração líqüida adicional em cada


nodo. Partimos do pressuposto que não há potência ociosa no sistema, de modo que um
aumento marginal na geração líqüida em cada nodo provocará, via de regra, fluxos
incrementais que exigem novo investimento em uma ou mais linhas. Em seguida,
determinamos o custo marginal deste investimento.

53 Baseamos o encargo pelo uso do sistema para o uso daquele nodo nos custos
marginais, e assim sinalizamos aos usuários os benefícios/custos resultantes da
redução/aumento do seu uso do sistema naquele nodo.

54 Os encargos podem ser definidos para geração e carga. Antes de efetuar modificações
com vistas à recuperação da receita ou por quaisquer outras considerações, os encargos para
carga serão simplesmente os encargos negativos sobre geração. Por exemplo, em um nodo de
importação, a geração reduz a necessidade de potência para importar energia do resto do
sistema, enquanto a carga aumenta a necessidade de importar energia.

Escolha do nodo de referência

55 Como a escolha para o nodo de referência é arbitrária, recomendamos seja escolhido


para análise apenas um nodo de referência para cada sistema de transmissão. Para
fazermos um modelo do aumento de geração líqüida em um nodo, temos que especificar o
ponto no sistema onde este aumento é absorvido: o nodo de referência. Tendo-se em vista
que esta escolha vai afetar os fluxos de linha, pode-se supor que a escolha do nodo de
referência é de importância crucial. No entanto, não é bem assim. A mudança do nodo de
referência:

• afeta o nível absoluto dos encargos em cada nodo mas não a diferença de
encargos entre os diferentes nodos; e

• altera o equilíbrio dos encargos entre geração e demanda. No entanto, como


os encargos sobre os geradores serão, em última instância, repassados aos seus
consumidores, o aumento dos encargos para todos os geradores igualmente,
como poderia acontecer quando o nodo de referência muda, não afetará a
posição competitiva (e portanto a situação financeira) de um gerador
isoladamente; e

• não exerce impacto sobre a receita da companhia de distribuição, que é


definida externamente.

56 Apresentamos uma prova destas afirmações no Apêndice F.1 e discutiremos a questão


mais detalhadamente no Apêndice F.2.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 14 SEN/Eletrobrás


57 Recomendamos que os encargos sejam fixados de forma que 50% da receita esperada
sejam provenientes de geração e 50% de carga. Qualquer divisão em que as duas categorias
de usuários paguem encargos permite a realização total dos incentivos de eficiência, pois os
diferenciais de encargos não são afetados por este equilíbrio. Uma divisão meio a meio
reduzirá a incidência de encargos negativos (que os usuários sempre vêem com surpresa e
acham difícil de aceitar) se comparada a uma divisão que resulte receita muito baixa de um
lado ou de outro.

58 Apresentaremos uma fórmula no Apêndice F.2 para alterar os encargos a fim de


chegar a uma divisão desejada de receita, independentemente da escolha do nodo de
referência.

Modelo de rede

59 No modelo de rede por PPRCI, recomendamos uma das opções:

• uma rede nocional seja utilizada com base na rede existente, porém com
capacidade de linha ajustada para atender com exatidão as necessidades do
fluxo, sem restrições; ou

• que a rede existente seja utilizada com linhas classificadas por sua potência
efetiva.

60 Os encargos de CMLP são em geral baseados em “redes nocionais”, quando uma


nova rede é modelada usando a mesma configuração da rede existente, porém com potência
de linha com ajuste preciso para atender os requisitos de fluxo. Na maioria dos nodos, um
aumento de uso requer aumento da potência da rede nocional e a diferença de custo (em tese)
entre a rede nova e maior e a rede original é a necessidade de investimento devido a este
incremento nodal. A metodologia da “rede nocional” tem duas vantagens em sua
apresentação:

• os custos marginais ocasionados pelo aumento de uso do sistema são claros,


pois calcula-se não haver potência ociosa; e

• evita-se a questão complexa das restrições.

61 Os CMLP podem também basear-se na rede existente. Neste caso, poderá ser mais
difícil explicar as suposições, especialmente as relacionadas à potência e às limitações da
linha. No entanto, os encargos derivados devem ser semelhantes aos derivados da abordagem
de rede nocional. Discutiremos esta questão mais detalhadamente no Apêndice F.2. No
entanto, uma rede nocional terá que ter um modelo para segurança do sistema, como
passaremos a discutir.

Planejamento e segurança do sistema

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 15 SEN/Eletrobrás


62 Recomendamos, para maior facilidade, que a análise dos encargos para o Uso do
Sistema de Transmissão - UST - se baseie em premissas de planejamento deterministas.

63 O requisito de um sistema de transmissão seguro, mesmo na eventualidade de falha de


equipamento, cria a necessidade de se construir uma rede a custo mais alto por MW pelo uso
do sistema do que o mínimo descrito para a rede nocional. Com base na experiência
internacional, acreditamos que este múltiplo de custo, que denominamos “fator de segurança”
deve ser modelado diretamente na análise de encargos de transmissão.

64 Os custos de uma rede com nível de segurança em relativa equivalência aos


resultantes da aplicação detalhada dos critérios de planejamento seriam comparados aos
custos de uma rede nocional que presta serviços de transmissão sem segurança. Os fatores de
segurança serão diferentes em áreas diferentes do país e para algumas categorias específicas
de ativos, a fim de refletirem:

• diferentes níveis de segurança de acordo com os padrões de planejamento; ou

• custos relativos diferentes para se atingir um padrão específico de segurança


em diferentes partes da rede.

65 A experiência do planejador do sistema, com base em simulações, deverá ser um guia


adequado para determinar áreas e categorias de equipamentos que podem ser considerados
como oferecendo os mesmos fatores de segurança.

66 O fator adequado de segurança é, então, aplicado ao custo de expansão em um nodo


para determinar o custo marginal de longo prazo que acomode um aumento incremental ao
uso do sistema naquele nodo.

67 Propomos esta abordagem, e não o modelo explícito de padrões de planejamento


probabilista que a Eletrobrás está propondo para o planejamento do sistema, pois:

(a) a utilização da abordagem probabilista resultaria aumento significativo nos


custos e no tempo necessário para se chegar aos encargos de transmissão;

(b) os encargos de transmissão não seriam transparentes aos usuários, causando


atrasos potenciais e possíveis dificuldades até para se conseguir introduzir os
encargos; e

(c) acreditamos que estes problemas seriam particularmente críticos para este
período de cinco anos dos encargos, tendo-se em vista que:

(i) os encargos de transmissão são novos, e, portanto, transparência e


simplicidade na análise são fundamentais; e

(ii) a abordagem do planejamento determinista nunca foi tentada no Brasil,


e os usuários não estão familiarizados com ela; e

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 16 SEN/Eletrobrás


(d) temos dúvidas se haverá muita diferença na qualidade de sinalizadores locais.

68 A abordagem para o modelo dos critérios de segurança do sistema poderá ser revisada
depois do primeiro período de cinco anos, conforme discutiremos a seguir na revisão dos
encargos.

69 Forneceremos maiores detalhes de nossa recomendação para o modelo de segurança


do sistema e as alternativas no Apêndice F.2 deste anexo.

Tratamento da variação hidrológica e de demanda

70 Variações hidrológicas e de demanda provocarão mudanças no padrão de geração e de


carga em todo o sistema, e, portanto, no padrão de despacho. O sistema de transmissão é
planejado para acomodar quaisquer condições hidrológicas ou de demanda e, assim, o sistema
dispõe de capacidade adicional para acomodar diferentes padrões de despacho. Isto implica
que nem todos os ativos de transmissão sofrerão sobrecarga, mesmo em horário de pico, em
determinado ano. A capacidade de um ativo de transmissão será determinada pelo seu uso
máximo sob condições hidrológicas e de demanda razoáveis.

71 A abordagem de CMLP para a política de preços pelo uso do sistema de transmissão


deverá, portanto, considerar alguns critérios de planejamento. Ao elaborar a rede nocional
mínima discutida anteriormente e ao determinar os fluxos incrementais resultantes de
potência ou demanda de geração, serão utilizadas as condições hidrológicas e de demanda
extremas - e não médias - para definição dos investimentos no sistema. Por exemplo, uma
nova carga poderá criar fluxos incrementais em diferentes ativos sob condições hidrológicas
diversas. Será planejado o reforço ao sistema a fim de atender todos os fluxos incrementais
que poderiam ocorrer sob circunstâncias plausíveis e os encargos devem ter como base o
custo incremental do reforço de todos os ativos envolvidos.

72 Referimo-nos a um conjunto de condições hidrológicas e de demanda como “casos” e


discutimos uma série de casos, apresentando resultados de uma análise inicial no apêndice
F.2. Em geral, os casos devem ser selecionados com o objetivo de se determinarem os
encargos da PPRCI para o uso do sistema à mesma base que são considerados para fins de
planejamento. Assim, os casos considerados tão improváveis que nem sequer conseguem
alavancar investimentos serão excluídos da análise de encargos.

73 Pode haver necessidade de encargos diferenciais para geração hidrelétrica e térmica,


pois a geração, para os dois tipos de estação, será feita sob condições hidrológicas diferentes.
Poderá ser o caso, por exemplo, de apenas uma estação hidrelétrica, em um nodo específico,
estar gerando quando as linhas conectadas a este nodo estejam com sobrecarga e que a carga
para uma estação térmica no mesmo nodo seja, portanto, inferior. Recomendamos que a
questão seja investigada na análise de encargos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 17 SEN/Eletrobrás


Custos unitários de potência

74 Em princípio, a metodologia baseia-se nos custos unitários da capacidade de


transmissão para cada linha específica. Na prática, podem-se utilizar premissas
simplificadoras para reduzir a complexidade do cálculo de custo. A utilização dos custos
padrão também podem promover incentivos de eficiência para que as companhias de
transmissão minimizem os custos operacionais e de construção.

75 Recomendamos que os custos unitários padrão sejam utilizados na análise com


base nos níveis de tensão e extensão (para linhas), com um multiplicador apropriado
para os circuitos duplos. Sugerimos sejam feitos testes para examinar o efeito dos encargos
utilizando custos médios para todas as linhas e não custos individuais para cada linha. O grau
adequado de desagregação representa uma troca entre a complexidade do modelo e os
sinalizadores locais.

Medição do uso do sistema

76 Recomendamos que:

• os geradores sejam cobrados à base de sua capacidade instalada (MW); e

• a carga seja cobrada à base do uso máximo do sistema (MW) durante os


períodos de sobrecarga nos picos no sistema.

77 Para os geradores, a capacidade para o uso do sistema está bem definida - a conexão e
outros ativos estão construídos com base na capacidade instalada (sem contar a carga da
estação) do gerador, e propomos que os encargos pelo uso do sistema se baseiem na mesma
medida. Autoprodutores e outros geradores que não precisam de toda a capacidade de
despacho para a capacidade de geração total devem ser cobrados à base da capacidade
disponível declarada para exportar. Procedimentos diferentes são necessários para geradores
conectados à distribuição (embutidos), que discutiremos mais tarde nesta seção.

78 A situação não é tão simples para distribuidores e clientes de grande porte, pois eles
não têm uma capacidade bem definida. Na metodologia pela PPRCI os encargos refletem os
critérios de planejamento do sistema. Portanto, tanto quanto possível, a medição do uso do
sistema por distribuidores e clientes de grande porte deve ser realizada sob condições em que
imponham maior sobrecarga sobre o sistema e portanto criem a necessidade de capacidade
adicional. No entanto, algumas das condições hidrológicas e de demanda que são
consideradas no planejamento do sistema ocorrem apenas raramente e algumas, menos
prováveis, poderão nunca ocorrer na prática. Portanto, não podemos, como regra geral, medir
a máxima contribuição dos distribuidores e clientes de grande porte à sobrecarga sobre o
sistema.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 18 SEN/Eletrobrás


79 Propomos que o uso do sistema pelos consumidores seja medido pelo seu uso de pico
do sistema durante um período amplo de sobrecarga em horários de pico no sistema - tais
como seu uso médio do sistema (em MW) durante as horas de pico, nos períodos de pico do
sistema, durante o ano. Esta conduta oferece aos usuários os incentivos adequados para
minimizar seu uso do sistema na hora mais provável de sobrecarga no horário de pico no
sistema.

80 Em um sistema com a complexidade e a proporção apresentadas pelo Brasil,


diferentes partes do sistema de transmissão poderão estar sujeitas a sobrecargas de pico em
horários diferentes. Quando este for, claramente, o caso, recomendamos que esta diversidade
seja refletida medindo-se o uso do sistema no momento do pico local na parte do sistema
utilizado. Com base nas discussões com usuários e planejadores do sistema, acreditamos seja
possível identificar regiões amplas das duas redes de transmissão com horários de pico
substancialmente diferentes, e tomar como base estes picos regionais para medir o uso do
sistema pelos usuários.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 19 SEN/Eletrobrás


Receita necessária

81 Recomendamos que os encargos nodais por MW sejam ajustados adicionando-se


um montante constante a cada um para recuperar a receita necessária para o OIS (que
será igual à soma dos pagamentos pelo CPST). Tal conduta preserva os sinalizadores locais
no sistema de encargos nodais pela PPRCI, pois as diferenças entre os preços nodais não são
afetadas pelo acréscimo de uma quantia constante a cada um deles. Discutiremos esta opção
comparada à metodologia por encargos escalonados para atender as necessidades de receita
no Apêndice F.2.

Agrupamento por zona

82 De acordo com nossa definição, haverá aproximadamente 200 encargos nodais


separados no sistema de transmissão S/SE. Acreditamos que seja um número muito alto em
termos de encargos utilizando tarifa publicada, e, portanto, recomendamos encargos por
zona. Propomos sejam utilizados os seguintes princípios para determinar as zonas:

(a) devem ser compostas de nodos conectados;

(b) devem conter nodos com encargos nodais com semelhança razoável;

(c) as mudanças futuras nas zonas limítrofes devem ser levadas em conta. Por
exemplo, se o desenvolvimento do sistema for exigir que a zona seja dividida
em duas em pouco tempo, já se deve definir duas zonas desde o início; e

(d) o número de zonas dever ser o mínimo possível para manter a consistência
com os princípios descritos.

83 Enfatizamos não ser necessário aplicar estes princípios mecanicamente, muito embora
se possa usar uma diferença percentual nos encargos nodais para definir as zonas. Muito
freqüentemente, zonas com encargos nodais semelhantes surgem de divisões geográficas e
elétricas no sistema. Acreditamos que o número de zonas no sistema S/SE deva ser entre 15 e
20, mais ou menos (acreditamos que um número muito menor de zonas, digamos, cinco, não
conseguiriam registrar a variação de custos, enquanto que um número muito mais alto,
digamos 25, apresentariam uma complexidade indevida). Sugerimos algumas zonas
limítrofes baseadas em análises ilustrativas preliminares no Apêndice F.4.

Transparência

84 Tanto os próprios encargos quanto a metodologia e as premissas sobre as quais se


fazem os cálculos devem ter acesso o mais amplo possível. Os usuários devem poder
examinar os efeitos dos encargos de premissas alternativas sobre o desenvolvimento do
sistema, inclusive, sem dúvida, as variações em seus próprios planos de investimento. A
publicação das previsões de encargos é especialmente importante.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 20 SEN/Eletrobrás


Cronograma para a introdução dos encargos

85 Os encargos aqui descritos representam uma mudança significativa à metodologia


atual de encargos de transmissão, na qual os geradores não pagam encargos pelo uso do
sistema e as cargas pagam encargos pelo uso do sistema como parte de suas tarifas
verticalizadas.

86 No entanto, os novos procedimentos para fornecimento no setor elétrico como um


todo criam oportunidades de se levarem em conta tais mudanças nos contratos comerciais.
Em especial, o efeito líqüido da introdução de encargos de transmissão por zona para
qualquer gerador pode ser refletido em seus Contratos Iniciais. Tal procedimento eliminaria
quaisquer conseqüências financeiras adversas aos geradores pela mudança no regime de
encargos do sistema de transmissão. Esta opção não pode ser aplicada às cargas existentes.
Assim, recomendamos que:

(a) os geradores paguem pelos novos encargos de transmissão com tarifa cheia a
partir da data de sua introdução; enquanto

(b) a carga tenha uma introdução escalonada durante quatro anos para os novos
encargos, pagando uma média ponderada dos:

(i) novos encargos (que serão recalculados a cada ano no período de


transição); e

(ii) encargos antigos, com base nos encargos de desverticalização


existentes e ajustados pela inflação.

87 Por exemplo, no primeiro ano de transição, os encargos para carga seriam calculados a
20% do novo preço e 80% do preço antigo; no segundo ano, 40% e 60%, e assim por diante
até que o quinto ano tome como base apenas os novos encargos.

88 Recomendamos uma conduta muito simples para um derivativo do encargo de


transmissão desverticalizado a partir da tarifa existente. Os encargos de transmissão do
período de transição devem ser calculados utilizando os custos alocados a “transmissão” nas
contas das companhias, conforme submetidas ao regulador. O encargo de transmissão
desverticalizado (que deverá desaparecer) será igual aos valores de ativos pagos (mais os
custos operacionais e de manutenção) alocados nas contas de transmissão. Tal encargo
obviamente não ofereceria os sinalizadores econômicos corretos - o objetivo deste
componente do encargo de transição é simplesmente promover a continuidade dos montantes
a pagar pela carga e ao mesmo tempo introduzir uma estrutura de encargos desverticalizada o
mais rapidamente possível.

89 Neste período de transição, as modificações nos encargos pelo uso do sistema com o
objetivo de atender as necessidades de receita do OIS deverão levar em conta o fato que uma
parte desta receita terá que ser levantada dos encargos antigos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 21 SEN/Eletrobrás


90 Finalmente, há a questão dos encargos para a conexão de novas cargas durante o
período de transição. Usuários novos podem elaborar premissas atualizadas sobre os preços
da eletricidade ao planejar seus negócios e, portanto, recomendamos que os usuários do
novo sistema paguem seus encargos somente pelas regras do novo regime.

Revisão dos encargos

91 Recomendamos que os encargos pelo uso do sistema de transmissão sejam


recalculados todos os anos e que o processo de cálculo seja revisado com intervalo não
inferiores de cinco anos, pois os encargos dependem de muitos fatores sujeitos a mudança.
Se o recálculo não ocorrer com relativa freqüência, estarão gradualmente desalinhados dos
custos marginais, e no momento que a revisão ocorrer, será radical.

92 Recomendamos que os encargos sejam recalculados anualmente, levando em conta


mudanças:

• na configuração do sistema;

• na operação do sistema; e

• nos custos unitários de investimento, operação e manutenção.

93 Recomendamos que as revisões do processo de cálculo a fim de se considerarem


as alterações nos procedimentos de planejamento não ocorram a intervalos inferiores a
cinco anos. Tal revisão deverá considerar alterações:

• nos critérios de segurança do sistema, se houver; e

• nas condições hidrológicas e de demanda utilizadas no planejamento do


sistema.

94 Reconhecemos que esta metodologia pode ser vista como uma certa dose de incerteza
para os usuários do sistema. No entanto, acreditamos que alterações anuais menores sejam
mais aceitáveis do que revisões amplas em um período mais longo. Além disso, enfatizamos,
novamente, nossa sugestão para que o OIS elabore previsões para encargos futuros e coloque
toda a informação relativa ao cálculo - premissas, dados, procedimentos de cálculo - à
disposição das partes interessadas. Isso permitirá que os usuários potenciais elaborem suas
previsões se suas expectativas forem diferentes das do OIS.

95 Finalmente, recomendamos que as áreas limítrofes das zonas sejam revisadas a


intervalos não inferiores a cinco anos. Uma revisão mínima em uma área limítrofe das
zonas poderá ter efeitos significativos para um usuário mudando de zona, o que não é
compatível com a mudança em direção à nova conduta de áreas limítrofes. As áreas
limítrofes realmente devem ser revisadas para que se considerem tais alterações, porém,
recomendamos que isso aconteça apenas infreqüentemente.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 22 SEN/Eletrobrás


Os geradores embutidos

96 Temos que nos assegurar que todos os geradores com despacho central paguem o
encargo de transmissão adequado, que reflita seu uso pelo sistema de transmissão, para que
possamos oferecer-lhes os sinalizadores econômicos corretos. É muito importante que os
geradores “de grande porte” (definidos como aqueles sujeitos a despacho central2) recebam os
sinalizadores em sua íntegra e não se deparem com incentivos artificiais para conexão a
tensões de distribuição que tentem evitar os encargos de transmissão. Portanto, apresentamos
nossas propostas para a aplicação dos encargos de transmissão e distribuição para os
geradores conectados à distribuição (“embutidos”).

97 Recomendamos a seguinte conduta para a geração conectada à distribuição:

(a) geração com despacho central:

(i) paga encargos pelo uso do sistema de transmissão para a zona à qual
seu sistema de distribuição associado está conectado. Sugerimos que
caiba à ANEEL determinar qual a zona “mais próxima” se houver
qualquer dúvida;

(ii) paga uma proporção do encargo pela conexão à transmissão de seu


sistema de distribuição associado (se a conexão tiver um volume
adequado para exportar);

(iii) não paga encargos pelo uso do sistema de distribuição; porém

(iv) paga pelos encargos de conexão à distribuição; enquanto que

(b) a geração sem despacho centralizado (isto é, capacidade instalada inferior a


50MW):

(i) não paga encargos pelo uso do sistema de transmissão ou de conexão à


transmissão; e

(ii) não paga encargos pelo uso do sistema de distribuição; e

(iii) paga encargos pela conexão à distribuição.

2
i.e. geradores com capacidade instalada acima de 50MW.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 23 SEN/Eletrobrás


98 Em tese, nenhum dos dois tipos de geradores pagariam encargos pela conexão à
transmissão, pois as conexões a uma rede de distribuição geralmente são calculadas para
atender à demanda naquele sistema de distribuição e a presença de um gerador não representa
contribuição à necessidade de capacidade. No entanto, sempre que a conexão à transmissão
de um sistema de distribuição tiver sido especificamente ajustada para acomodar exportação à
rede de transmissão, recomendamos que os geradores com despacho central utilizando aquela
conexão paguem uma parte dos encargos pela conexão à transmissão (e celebrem um
Contrato de Conexão à Transmissão, conforme discutiremos a seguir).

99 Reconhecemos que geradores de pequeno porte (sem despacho central) poderão criar
alguma demanda para capacidade de transmissão, porém, acreditamos que não apresentariam
a complexidade necessária para exigir que estes geradores assumissem encargos de
transmissão. Assim, propomos que a capacidade de tais geradores seja tratada como demanda
negativa para a companhia de distribuição/varejo à qual estão conectados. Geradores sem
despacho central terão, portanto, uma redução de pagamentos pela transmissão total às
companhias de distribuição e varejo ao reduzir sua demanda.

100 Nenhum dos dois tipos de geradores paga encargos pelo Uso do Sistema de
Distribuição (UST), pois os geradores em geral não incorrem em altos custos de longo prazo
pelo uso das redes de distribuição. As redes de distribuição são normalmente caracterizadas
por fluxos de energia unidirecionais e a geração não exigirá aumento de capacidade, pois
reduzirá os fluxos durante a geração.

101 Apresentamos, agora, um exemplo de tais procedimentos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 24 SEN/Eletrobrás


Figura 4: Exemplo de geração embutida

A
230kV
N

M1

B 138kV


M2

G1( 80MW) M3


C
69kVe
abaixo G2 ( 5MW)

Rede de baixa tensão/tensão média

102 Os ativos na área A acima da linha pontilhada são os de 230kV e definidos como
ativos de transmissão (incluindo o Nodo N). A linha 138kV na área B tem um gerador de
despacho central de 80MW (Gerador G1) anexado. Os ativos de baixa tensão e tensão média
na área C têm um gerador pequeno sem despacho central de 5MW (Gerador G2). Os valores
métricos M1, M2 e M3 são tomados em vários pontos para definição de períodos. As perdas
são ignoradas neste exemplo, para maior facilidade.

Encargos de transmissão

103 O gerador G1 é cobrado pelos encargos pelo Uso do Sistema de Transmissão(UST) à


taxa correspondente por kW (calculada como custo de fluxos incrementais resultantes do
aumento de geração) para Nodo N sobre a capacidade instalada. O gerador G2 está abaixo do
limite para encargos pelo UST. Nenhum gerador paga encargos de conexão à transmissão.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 25 SEN/Eletrobrás


104 A companhia de distribuição/varejo deve assumir os encargos pelo UST sobre o valor
medido de M1 + M2 à taxa correspondente por kW para o Node N (isto é, o importe de G1 é
medido como proveniente do sistema de transmissão). Portanto, este pagamento cobre a
capacidade necessária mesmo se G1 não estiver gerando. A produção do gerador G2 é
considerada demanda negativa e reduz o limite para os encargos pelo UST.

Encargos de distribuição

105 Pode ser que os ativos de 138kV sejam de propriedade de outra companhia, como a de
transmissão, ou uma companhia regional ou outra de distribuição, e que os ativos de baixa
tensão na área C sejam de propriedade de uma companhia de distribuição de pequeno porte
(um distribuidor municipal, por exemplo). Neste caso, o proprietário dos ativos na área B
cobrarão da companhia menor da área C pela leitura M3 medida para o USD.

106 O varejista na área C também será cobrado internamente pelo uso da rede de tensão
média e baixa tensão de acordo com a carga de cada uma.

107 Nenhum dos geradores paga pelo UST. Os geradores G1 e G2 também poderão pagar
encargos pela conexão ao proprietário da rede de distribuição correspondente se não
quiserem ser proprietários de seus ativos de conexão. Ambos terão que celebrar contratos de
conexão à distribuição (CCD) (vide a seguir), independentemente de optarem por serem
proprietários de seus ativos de conexão ou não.

Contratos comerciais

108 Os procedimentos propostos nesta seção pressupõem três conjuntos principais de


contratos comerciais:

(a) Contrato de Prestação de Serviços de Transmissão (CPST) entre o OIS e as


companhias de transmissão (proprietários dos ativos do sistema de transmissão
principal);

(b) Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) entre

(i) geradores conectados à transmissão e o OIS;

(ii) geradores com despacho central conectados à distribuição e o OIS; e

(iii) companhias distribuidoras/varejistas e outros varejistas e o OIS; e

(c) Contratos de Conexão à Transmissão (CCT) entre:

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 26 SEN/Eletrobrás


(i) geradores conectados à transmissão, proprietários de rede de
distribuição e consumidores de grande porte por um lado, e a
companhia de transmissão à qual estão conectados por outro; e

(ii) a companhia de transmissão com despacho central à qual estão


conectados por intermédio da rede de distribuição (se a conexão tiver o
volume adequado para exportar).

109 Os CPSTs serão a base para que o OIS tenha controle sobre os ativos do sistema
principal e possa pagar ao detentor da concessão pelos ativos do sistema principal. Propomos
um pagamento básico com ajustes de acordo com a disponibilidade.

110 Os CUSTs representam um mecanismo de pagamento pelos usuários do sistema


principal ao OIS.

111 Os CCTs são um mecanismo para garantir a compatibilidade técnica, o livre acesso, e
o pagamento referente aos ativos de conexão - quando for o caso - feito pelos usuários ao
detentor da concessão da transmissão. Os CCTs serão assinados por todos os usuários
diretos de conexões ao sistema de transmissão, independentemente de eles próprios ou um
terceiro serem proprietários da conexão em si.

112 Os geradores conectados a tensões de distribuição não precisam assinar CCTs (pois
eles não pagam encargos de conexão à transmissão), exceto no caso excepcional mencionado
anteriormente de geradores conectados à distribuição utilizando uma conexão que foi ajustada
especificamente para acomodar exportações ao sistema de transmissão.

113 Anexamos formulários para um modelo indicativo de contratos de conexão à


transmissão (e distribuição) no Apêndice F.5.

Procedimentos para conexão

114 Apresentamos recomendações para encargos de transmissão em um regime de livre


acesso à rede de transmissão e os procedimentos-chave para garantir o livre acesso. Como
um terceiro componente desta possibilidade de livre acesso, sugerimos, agora, procedimentos
a serem seguidos quando os usuários se conectarem à rede ou desejarem modificar sua
conexão. É necessário que o procedimento seja bastante específico, a fim de garantir que:

• as aplicações da conexão sejam coordenadas no setor reestruturado;

• os usuários tenham a garantia de uma conexão em tempo hábil e a custo


razoável; e

• as companhias de transmissão não se utilizem dos atrasos no processo de


conexão (ou encargos excessivos para realizar estudos sobre conexão) como
discriminação contra os usuários.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 27 SEN/Eletrobrás


115 Nossas propostas baseiam-se em permitir que os usuários tenham livre escolha para
conexão ao sistema, e ao mesmo tempo coordenar a informação referente a conexões por
intermédio do OIS e viabilizar a garantia de conexão de acordo com os termos da
regulamentação. Esta garantia é fornecida pela existência de concessões geográficas não
exclusivas, de maneira que cada usuário potencial pode solicitar o acesso à “companhia de
transmissão regional” de acordo com os termos da regulamentação. Assim como em nossas
propostas para encargos de conexão, tais concessões conferem obrigações a seus detentores
para que atuem como provedores de última instância - idealmente, os usuários devem ser
livres para negociar com uma série de proponentes competindo para a construção e operação
de suas conexões, porém a companhia de transmissão local terá uma vantagem competitiva
considerável e, portanto, deverá oferecer livre acesso nos termos da regulamentação e
seguindo os procedimentos da regulamentação.

Recomendação para procedimento de inscrição à conexão

116 Recomendamos que a inscrição para uma nova conexão ou a modificação de uma
conexão existente consista dos seguintes passos:

• discussões entre o usuário, o OIS e as companhias de transmissão;

• aprovação do OIS para o(s) pedido(s) formal(is) de conexão pelo usuário às


companhias de transmissão pertinentes;

• inscrição junto às companhias;

• período de formulação da oferta de conexão pelas companhias de transmissão;

• oferta formal de conexão pelas companhias de transmissão;

• aprovação da oferta pelo OIS;

• período para que o usuário considere a oferta. A oferta poderá ser aceita
provisoriamente, para que os trabalhos de conexão se iniciem nesta fase se as
garantias financeiras adequadas forem fornecidas;

• assinatura dos Contratos de Conexão à Transmissão (CCTs) (incluindo todos


os cronogramas específicos dos usuários); e

• início dos trabalhos de conexão pela companhia de transmissão e de eventuais


reforços necessários ao sistema principal (organizados pelo OIS).

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 28 SEN/Eletrobrás


Detalhes das diferentes fases

117 A Fase (a), envolvendo discussões entre as partes interessadas, é essencialmente


informal e fora do escopo da regulamentação. O usuário pode procurar propostas indicativas
para a construção da conexão nesta fase e poderá, por exemplo, comissionar estudos de
viabilidade com detentores de concessão de transmissão ou outros, a fim de coletar
informação detalhada sobre os prováveis custos da proposta. Recomendamos que a
companhia de transmissão local seja solicitada a publicar os encargos unitários padrão
(tais como taxas diárias para a equipe-chave) para a realização de tais estudos em sua
área.

118 A Fase (b) é o início formal do processo. As fichas de inscrição serão enviadas pelos
usuários ao OIS para aprovação. O usuário poderá fornecer informação adicional à contida no
Formulário de Inscrição fornecida no Apêndice F.5. No entanto, recomendamos que os
formulários contenham pelo menos a informação desta ficha.

119 O OIS deve aprovar ou rejeitar a inscrição e informar o candidato de sua decisão
dentro de 45 dias do recebimento da inscrição. A aprovação pode ser negada se:

• a inscrição não contiver toda a informação solicitada na ficha-modelo de


inscrição;

• a inscrição solicitar uma conexão que se contraponha aos padrões técnicos do


Procedimento da Rede; ou

• na opinião do OIS, o reforço necessário ao sistema não puder ser realizado em


tempo de acomodar o cronograma de conexão planejado na inscrição.

120 No caso de uma rejeição por necessidade de reforço ao sistema, o OIS deve:

• demonstrar a incapacidade do sistema atual e do sistema comprometido de


acomodar a conexão; e

• indicar uma data alternativa para a conclusão do trabalho de conexão.

121 Na Fase (c), o usuário se inscreve à conexão junto às companhias de transmissão.


Essa inscrição pressupõe que a companhia de transmissão local construa a conexão ou que o
usuário ou um terceiro construa (e provavelmente opere, em seguida) a conexão, conforme
discutido neste anexo anteriormente.

122 A Fase (d) é o período em que as companhias de transmissão formulam suas ofertas
ao usuário. No caso de uma companhia de transmissão local formular uma oferta seguindo a
regulamentação, deverá haver um limite máximo, segundo a regulamentação, para que a
oferta seja feita, como, por exemplo, 45 dias a contar da aprovação pelo OIS. Os cronogramas
para as ofertas de conexão por parte de outros fornecedores potenciais para este serviço não
seguirão a regulamentação.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 29 SEN/Eletrobrás


123 Os custos incorridos à companhia de transmissão local para a formulação de sua
oferta deverá ser recuperado por intermédio do usuário. No entanto, quando os usuários
assumem a responsabilidade de suas próprias conexões, esta é uma questão comercial a ser
acordada entre o usuário e a companhia de transmissão.

124 Quando as companhias de transmissão fazem uma oferta formal, na Fase (e), devem
enviar uma cópia da oferta ao OIS. Esta cópia pode excluir detalhes de muitos procedimentos
comerciais entre a companhia de transmissão e o usuário, para preservar o sigilo comercial.
Conforme também especificado anteriormente, as ofertas deverão conter pelo menos a
informação contida na ficha-modelo fornecida pelo Apêndice F.5.

125 Na Fase (f), o OIS tem 21 dias para rejeitar o oferta se assim desejar. Tal rejeição
pode ser feita apenas se:

(a) a oferta não incluir toda a informação necessária solicitada na ficha-modelo do


formulário;

(b) a oferta descrever uma conexão que se contraponha aos padrões técnicos do
Procedimento da Rede: ou

(c) se, na opinião do OIS, a oferta for inconsistente com a inscrição original no
que diz respeito à necessidade e ao cronograma de reforço ao sistema para
acomodar a conexão,

126 O usuário considera a oferta da Fase (g). Recomendamos que a companhia de


transmissão local seja solicitada a sugerir prazos durante os quais a proposta pode ser aceita
provisoriamente, a fim de que os trabalhos de conexão se iniciem. Normalmente, estes
prazos devem incluir a indenização adequada à companhia de transmissão por quaisquer
custos incorridos pelo trabalho caso a conexão não tenha continuidade.

127 O usuário e a companhia de transmissão à qual será conectado celebram, então, o


Contrato de Conexão à Transmissão na Fase (h). Este contrato deverá incorporar as
propostas técnicas contidas na oferta final da companhia de transmissão, quaisquer encargos
de conexão a pagar se o usuário tiver solicitado o procedimento de acordo com a
regulamentação e ainda os direitos e obrigações do usuário e do detentor da concessão de
transmissão.

128 Sob os termos do CCT, o usuário se torna responsável pelos encargos de conexão, se
houver, incluindo o pagamento de eventuais encargos residuais se o usuário deixar de usar a
conexão. A data da celebração do CCT é, portanto, o momento em que o usuário sela seu
compromisso com a conexão.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 30 SEN/Eletrobrás


129 Os procedimentos contratuais na oferta da companhia de transmissão em geral
especificam (e para uma oferta da companhia de transmissão local, devem especificar) que os
trabalhos iniciarão no momento de assinatura do CCT, Fase (i). Assim que o CCT é
celebrado, o OIS tomará as providências para o reforço necessário de forma a acomodar a
conexão.

Necessidades de receita para transmissão

130 Nossa recomendação para determinar a receita permitida à transmissão na Seção 6 faz
uma distinção entre a receita para ativos existentes, incluindo pequenos trabalhos para sua
manutenção, e a receita para novos investimentos feitos a pedido do OIS. Na primeira etapa
de encargos de transmissão, estamos preocupados apenas em determinar a receita para os
ativos existentes.

131 Propomos que a receita permitida relativa aos ativos existentes (antes dos ajustes pelo
desempenho de disponibilidade) sejam determinados da seguinte forma:

(a) cada companhia com ativos de transmissão deve fornecer os valores contábeis
brutos e líqüidos de cada ativo, acompanhados de uma breve descrição física;

(b) a base acordada para o ativo deve ser fixada pela comparação destes ativos
com os valores atualizados dos ativos. Para tal, quaisquer ativos com valor
contábil bruto acima de 110% do valor atualizado devem ser considerado
como valendo 110% do valor atualizado (é um assunto interno da companhia
decidir se os ativos serão reavaliados em sua contabilidade financeira);

(c) dados sobre os custos operacionais para cada companhia devem ser coletados
e comparados a fim de:

(i) garantir alocação consistente de custos para todas as atividades


principais (geração, transmissão, distribuição e varejo); e

(ii) identificar níveis de operação da transmissão e gastos com


manutenção;

(d) de acordo com (c), um montante anual permitido para operação e manutenção,
incluindo um elemento para pequenos gastos de capital na manutenção de
ativos existentes, seria determinado para cada companhia de transmissão; e

(e) a receita de transmissão permitida seria definida como a soma permitida para
O&M em (d), juntamente com uma contribuição que reflita a depreciação
sobre o valor contábil e uma taxa razoável de retorno sobre o valor contábil
líqüido do valor do ativo acordado em (b).

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 31 SEN/Eletrobrás


132 Fazemos esta proposta na falta de um modelo financeiro adequado para o setor. Se a
receita do setor se provar insuficiente para a remuneração de todos os ativos existentes, as
receitas permitidas para transmissão poderão ser reduzidas para os ativos existentes, pois não
exercerão impacto sobre novos investimentos.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 32 SEN/Eletrobrás


Apêndice F.1: Demonstração formal da metodologia para
o uso do sistema de transmissão
133 Faremos, agora, uma demonstração da metodologia básica empregada para o cálculo
das tarifas com base na versão PPRCI para a política de preços com custos marginais de
longo prazo:

Objetivo

134 O objetivo geral da análise é elaborar encargos que:

(a) reflitam os custos extras da expansão de capacidade para cada nodo no


sistema;

(b) levem em consideração os padrões de segurança da transmissão e o quadro atual


hidrológico e de demanda utilizado no planejamento do sistema para decidir
sobre novos investimentos; e

(c) atinjam a receita necessária para as companhias de transmissão, desde que os


encargos para conexão (e quaisquer outras receitas seguindo os limites da
regulamentação) tenham sido considerados.

135 O elemento principal da análise, portanto, deverá produzir:

(Eq. F.1.1) ()
πj = ∂T g / ∂gj

em queπj= encargo básico por MW em cada nodo j

g = vetor de geração líqüida em cada nodo expresso em MW

T = custo total da capacidade de transmissão

136 Estes encargos deverão, em seguida, ser modificados para recuperação da receita.

Metodologia principal

137 A equação F.1.1 indica que o encargo básico (antes das modificações para
recuperação da receita) em um nodo j é igual ao aumento do custo total na rede de
transmissão (custos de investimento mais custos operacionais e de manutenção) em
decorrência de um aumento unitário na geração líqüida naquele nodo. A demanda é tratada
como geração negativa e os encargos sobre a carga têm, conseqüentemente, um sinal
contrário.

138 Para o cálculo da Equação F.1.1, temos que calcular:

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 33 SEN/Eletrobrás


(Eq. F.1.2) ∂ f i / ∂gj ∀ i, ∀j

onde

f = potência da linha i (MW)

onde a Expressão F.1.2 é a necessidade de aumento de potência em todas as linhas i (e


equipamento associado) no sistema, como resultado de um aumento unitário no uso do
sistema em cada nodo j.

(Eq. F.1.3) ∂ci / ∂ f i ∀i

onde ci é o custo da linha i e a Expressão F.1.3 é, portanto, o aumento no custo da linha i


resultante de um aumento na potência da linha i (o custo marginal da linha i) para todas as
linhas i. Para maior facilidade de cálculo, presume-se que este custo marginal seja constante
para cada linha, de maneira que os custos aumentam na proporção da potência. Os custos
podem, então, ser representados como:

(Eq. F.1.4) ci / f i ,o custo unitário de potência para linha i.

139 Em uma outra hipótese simplificadora, pressupomos que a susceptância de um


circuito não construído seja igual a zero e que as susceptâncias não mudam à medida que a
potência das linhas muda e que novas linhas são construídas. Isso implica que uma pequena
alteração na potência não exerce efeito sobre o padrão dos fluxos de linha. Portanto,
podemos usar o padrão de fluxos na rede existente para determinar os fluxos resultantes de
um aumento no uso de um nodo.

140 Definimos a matriz β como uma matriz (n x m) dos fatores de distribuição da matriz
de energia que determina a alteração de fluxos em cada linha i para alterações da energia
injetada em cada nodo j. A linha j da matriz β mede, portanto, o efeito de um aumento
unitário no nodo j em todas as linhas i da rede. A matriz β é também comumente chamada de
matriz sensitiva..

141 Utilizando a matriz β e a Expressão F.1.4, podemos construir uma versão simplificada
da Equação F.1.1, que pode ser calculada diretamente a partir de dados operacionais e
financeiros sobre a rede. Em primeiro lugar, fluxos multiplicados pelo custo da linha e
divididos pela capacidade devem ser iguais ao custo total da rede, quando não ocorrerem
interrupções na potência ou limitações:

n
ci  m 
(Eq. F.1.5) T ( g) = ∑ ×  ∑ βij ( gj − dj ) , onde dj é a demanda no nodo j.
i =1 f i  j =1 

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 34 SEN/Eletrobrás


142 Sem dúvida, se houver um aumento unitário na geração líqüida em alguma parte do
sistema, deverá haver um aumento unitário de demanda em outra parte do sistema.
Escolhemos um nodo único para atuar como o ponto de saída teórico para cada um dos
aumentos teóricos no uso do sistema que criamos como modelo. Chamamos este nodo de
“ocioso ” ou “de referência”.

143 A escolha de um nodo de referência nos permite determinar T(gj) sem considerar os
fluxos de energia no sistema todo, como fizemos para o segundo termo da soma em F.1.5. A
geração líqüida no nodo de referência será o oposto à geração líqüida no nodo j, enquanto que
a geração líqüida em todos os outros nodos será zero. Portanto, podemos dar os três passos
que seguem:

m
∑ βij( gj − dj ) = βij ( gj − dj ) + βir ( gr − dr ) = βij ( gj − dj ) - βir ( gj − dj ) = ( βij - βir )( gj − dj )
j=1

144 Incluindo a última expressão na Equação F.1.5 e fazendo a diferenciação com relação
a g temos uma equação mais simples, para substituir a Equação F.1.1:

n
ci
(Eq. F.1.6) πj = ∂T ( g ) / ∂gj = ∑ ( βij − βir ) que é o encargo básico por MW para cada
i =1 f i
nodo j.

A escolha do nodo de referência

145 Apresentamos agora uma prova das demonstrações no texto principal deste anexo
com referência à escolha do nodo de referência:

(a) de que a alteração do nodo de referência não altera as diferenças absolutas entre
os preços nodais; e

(b) de que a receita do OIS é constante em relação `a escolha do nodo de


referência.

146 Consideremos dois nodos j1 e j2. Os encargos para j1 e j2 quando r é usado como nodo
de referência são, respectivamente:

n
ci
(Eq. F.1.7) πj1 = ∂T ( g ) / ∂gj1 = ∑ ( βij1 − βir )
i =1 f i

n
ci
(Eq. F.1.8) πj 2 = ∂T ( g ) / ∂gj 2 = ∑ ( βij 2 − βir )
i =1 f i

assim, a diferença entre os dois encargos

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 35 SEN/Eletrobrás


n n
ci c
πj1 - πj 2 = ∑ (βij1 − βir ) ∑ (β − βir )
i
(Eq. F.1.9) - ij 2
i =1 f i i =1 f i

∑ [(β − βir ) - ( βij 2 − βir )]


n
c i
(Eq. F.1.10) = ij 1
i =1 f i

n
c
∑ (β − βij 2)
i
(Eq. F.1.11) = ij 1
i =1 f i

onde os termos referentes à matriz β já não estão relacionados à escolha do nodo de


referência. Agora, demonstraremos que os termos remanescentes na equação são também
constantes em relação à escolha do nodo de referência.. Se

 g1 
 
g2
g ≡   , o vetor da geração líqüida em cada nodo (sendo a demanda considerada geração
 .. 
 
 gm
negativa)

e bis é a linha i da matriz βs derivada usando o nodo s como o nodo de referência, então

(Eq. F.1.12) bis .g = fi para qualquer s onde fi é o fluxo na linha i.

147 A demonstração acima deve ser verdadeira para qualquer nodo de referência, pois os
fluxos reais em qualquer linha i não são afetados pela escolha do nodo de referência, que
apenas determina os fluxos resultantes de um aumento marginal no uso do sistema.
Finalmente, para quaisquer nodos de referência s e t:

(Eq. F.1.13) (bis − bit ). g = α.1

onde α é qualquer constante (e 1 é o vetor unitário m-dimensional): esta é uma confirmação


da demonstração do resultado de que a alteração do nodo de referência não altera as
diferenças entre preços nodais. Sem considerar as perdas, as injeções de energia líqüida ao
sistema deve ser igual a zero, de maneira que:

g.1 = 0 e portanto g. α.1 = 0, e portanto

(Eq. F.1.14) (bis − bit ). g = 0 para qualquer s e qualquer t e portanto fluxos bis . g e bit . g
são iguais.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 36 SEN/Eletrobrás


148 Como os fluxos no sistema são constantes em relação às alterações no nodo de
referência, então a equação F.1.11 não contém termos relacionados ao nodo de referência (ci
é um termo de custo unitário que se refere apenas ao custo por MW da linha i). A diferença
entre os preços nodais (o lado esquerdo da Equação F.1.11) é, portanto, constante à escolha
do nodo de referência. Finalmente, a receita total é igual às injeções líqüidas em cada nodo
multiplicadas pelos preços nodais:

∑ π . g , ou
j j
j =1

g.π

149 A alteração do nodo de referência preserva as diferenças entre os elementos j=1..m de


π e portanto é equivalente à adição de α1 a π. Portanto, quando o nodo de referência muda, a
receita é igual a:

g. π + g. α1

= g. π, conforme acima.

150 Portanto, a receita fica inalterada com as alterações ao nodo de referência.

Questões hidrológicas e de demanda

151 A incerteza relativa à demanda e às condições hidrológicas cria incerteza com relação
ao despacho do sistema. O sistema é construído para prestar serviços de transmissão a todos
os usuários segundo uma gama de casos hidrológicos e de demanda. Os componentes do
sistema de transmissão são, portanto, construídos de acordo com a capacidade que deverão
suprir em picos extremos de demanda ou para acomodar configurações de despacho extremas
resultantes de circunstâncias hidrológicas.

152 A implicação do modelo PPRCI é que deveremos ter o modelo para cada componente
sob o despacho resultante da demanda e das circunstâncias hidrológicas (que chamamos de
“casos”) que provocariam a sobrecarga máxima ao componente. Dos despachos possíveis
(modelados segundo g) resultantes da demanda e dos casos hidrológicos cobertos pelas
limitações de planejamento do sistema, portanto, escolhemos g para cada linha de maneira
que o fluxo naquela linha seja o maior possível.

Apêndice F.2: Questões técnicas da metodologia de uso do


sistema
153 Neste apêndice apresentamos uma análise de algumas questões técnicas referentes à
metodologia que recomendamos para os encargos pelo uso do sistema de transmissão.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 37 SEN/Eletrobrás


154 Discutiremos:

• a escolha do nodo de referência;

• o uso de redes nocionais;

• classificação dos equipamentos;

• segurança do sistema;

• demanda e hidrologia;

• custos de equipamentos; e

• modificações dos encargos para atender às necessidades de receita.

Escolha do nodo de referência

155 Conforme mencionado anteriormente:

(a) a escolha do nodo de referência afeta o nível absoluto dos encargos, mas não a
diferença de encargos entre os diferentes nodos;

(b) a receita da companhia de transmissão não é afetada pelo nível absoluto dos
encargos nodais, apenas pelas diferenças, e, portanto, não é afetada por uma
alteração no nodo de referência; e

(c) a alteração do nodo de referência altera apenas o equilíbrio dos encargos entre
geração e demanda.

156 O exemplo que segue pode ajudar a fornecer uma explicação intuitiva dos efeitos da
escolha do nodo de referência. Considere os três nodos A, B e C, ilustrados na Figura 5, a
seguir. Quando C é o nodo de referência, o encargo para geração em C é zero por definição,
enquanto neste exemplo pressupõe-se que o encargo em B seja R$5/MW. Em outras
palavras, um aumento na geração líqüida em B, para ser equiparada a um aumento de
demanda no nodo de referência C, aumenta a capacidade necessária da linha B-C, em R$5 por
MW de geração em B. A diferença relativa entre os encargos em B e C é R$5 por MW.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 38 SEN/Eletrobrás


Figura 5: Diferenças constantes de encargos nodais de acordo com a escolha do nodo de
referência

A B C

Nodo de referência Encargo no nodo A Encargo no nodo B Encargo no nodo C

C = nodo de refer. 8 5 0

B = nodo de refer. 3 0 -5

A = nodo de refer. 0 -3 -8

157 Consideremos agora o efeito de ser B o nodo de referência. O encargo para geração
em B é agora zero. É fácil ver que o encargo em C deve ser -R$5. Se os aumentos na
geração em B para consumo em C exigirem maior investimento na linha B-C, então um
aumento na geração líqüida em C para consumo em B (equivalente a um decréscimo em
demanda em C e aumento de geração em B), deve reduzir as necessidades de investimento
para a linha B-C na mesma proporção. Assim, o encargo em C deve ser -R$5 e a diferença
em encargos entre os nodos B e C é a mesma de antes.

158 Finalmente, consideremos o nodo A. Quando C era o nodo de referência, o encargo


nodal para geração em A era R$8/MW, o que representava um custo incremental da energia
transportada de A para B para C. Sabemos que o custo incremental de B-C era R$5/MW, de
maneira que o custo incremental de A para B deve ser R$3/MW. O encargo no nodo A é,
portanto, R$3/MW quando B é o nodo de referência e presume-se que a energia tenha seu
fluxo apenas de A para B.

159 Portanto, como demonstra o exemplo, a alteração do nodo de referência não afeta as
diferenças entre os preços nodais.

160 Os pagamentos totais ao OIS não serão afetados pelas alterações no nodo de
referência. No exemplo anterior, todos os geradores pagaram menos R$5 por MW após a
mudança do nodo de referência de C para B. Portanto, de maneira inversa, os encargos
nodais para demanda aumentaram R$5/MW naquele exemplo - encargos positivos para a
geração líqüida são equivalentes a encargos negativos para demanda. Todas as cargas
pagam, portanto, R$5 a mais por MW e a receita total não é afetada3.

3
Se tanto a geração quanto a carga forem cobradas à mesma base. Na verdade, a geração é em geral cobrada
com base na potência, enquanto que a carga com base em alguma medida de demanda. A receita total pode,
portanto, apresentar pequenas diferenças à medida que o equilíbrio entre os encargos de geração e de cargas
Report IV-1: Anexo F - Apêndices 39 SEN/Eletrobrás
161 No entanto, mesmo a alteração em pagamentos relativos para geração e carga tem
pouco efeito. Em primeiro lugar, a viabilidade financeira dos geradores não será
afetada. Se os encargos de geração sofrerem um aumento de R$5/MW para todos os
geradores, então os preços da eletricidade no atacado aumentarão à mesma proporção - a
concorrência entre os geradores apenas será afetada pelos movimentos de preço relativos.
Em segundo lugar, os incentivos não são afetados pela escolha do nodo de referência - se
era R$ 3 mais barato por MW para operar no nodo B do que no nodo A antes a alteração do
nodo de referência, então ainda será R$3 mais barato operar no nodo B, mesmo que o encargo
por MW em cada nodo tenha sido alterado.

162 Esta discussão tem o intuito de demonstrar que a escolha do nodo de referência é
essencialmente arbitrária. As mesmas considerações se aplicam para comparar a análise
usando um único nodo de referência e vários nodos, ou uma média ponderada de nodos. Tal
metodologia não afetará os resultados mais do que afetaria a alteração de um único nodo de
referência. Assim, para maior facilidade, deve-se utilizar um único nodo de referência.

O modelo da rede - redes nocionais e potência ociosa

163 A análise pressupõe que o aumento nos fluxos resultante de uma alteração na geração
líqüida em um nodo (um aumento na geração em um nodo com exportação líqüida ou um
aumento de demanda em um nodo com importação líqüida) seria atendido com investimentos
na capacidade de transmissão. Tal suposição não é nada realista para redes existentes, pois:

(a) poderá haver potência ociosa de transmissão, de maneira que os aumentos no


uso podem ser acomodados com o sistema existente; e

(b) quando a transmissão enfrenta limitações não térmicas, não será necessário nem
eficiente investir em nova capacidade para aumentar a transmissão - porém, via
de regra, haverá um aumento de suporte de tensão.

164 Além do mais, como os encargos podem ser negativos (o usuário é pago) de acordo
com a metodologia aqui apresentada, por exemplo, quando a geração ocorre em áreas de alta
demanda e portanto cria fluxos incrementais negativos (amenizando as limitações) pode-se
efetivamente supor que a capacidade da rede pode ser reduzida com conseqüente economia
de custos para a companhia de transmissão.

muda, e refletir perdas e potência ociosa de geração. O efeito é em geral insignificante, e pode ser eliminado
pelo aumento do uso calculado da carga no sistema de forma que o total seja igual à capacidade total de geração.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 40 SEN/Eletrobrás


165 Naturalmente, estas suposições não devem ser vistas como retrato da realidade, e sim
apenas recursos matemáticos para facilitar o cálculo de encargos. A política de preços por
custo marginal tem o objetivo de fornecer aos usuários incentivos que minimizem os custos
da rede ao apresentá-los com encargos baseados no efeito de uma pequena alteração em suas
ações. Tal conduta incentiva os usuários não só a tomarem as decisões corretas sobre sua
atividade como um todo mas também a considerarem os efeitos exatos de cada pequena
alteração em sua atividade projetada. Isto resultará decisões eficientes, pois os usuários
somente adotarão ações para as quais os benefícios esperados superem o custo esperado para
o sistema.

166 No entanto, a apresentação dos resultados desta análise com base em custos
marginais e na rede existente pode levar a litígios sobre os encargos. Um gerador com
capacidade muito pequena, por exemplo, pode argumentar que não requer potência extra,
pois usará apenas a capacidade existente na rede, e portanto, seu encargo seria zero. Da
mesma forma, os geradores poderão objetar a outro gerador sujeito a encargos negativos em
uma região de alta demanda, pois não haverá desmonte de capacidade de transmissão como
resultado de sua geração e não haverá nenhuma economia de custos.

167 Estes argumentos são extemporâneos, pois os encargos estão relacionados aos custos
de oportunidade do uso do sistema, e não aos custos reais. Um gerador gerando fluxos de
apenas 100MW em uma linha de 300MW ainda cria necessidades para 100MW de potência -
se um novo gerador criando um fluxo de 350MW se conectasse naquele nodo, então a
capacidade teria que ser aumentada para 450MW, com um aumento líqüido de 150MW. Se o
primeiro gerador não estivesse ali, então haveria uma necessidade líqüida de apenas 50MW.
O custo extra resultante da presença do primeiro gerador é, portanto, o total dos 100MW de
seu próprio uso. Da mesma forma, um gerador que reduza sua necessidade para capacidade
de transmissão por estar em uma área de demanda líqüida terá custos de investimento
menores do que seriam.

Classificação dos equipamentos

168 A questão da classificação dos equipamentos surge no contexto da discussão anterior


sobre o modelo da rede, pois a metodologia para a política de preços de transmissão exige o
cálculo do custo por MW de potência fornecida em cada conexão de circuito de transmissão.
Isto vai depender do custo de capital dos ativos de transmissão associados à rota, e a
classificação atribuída à rota; a divisão de um número pelo outro dará o custo por MW a ser
cobrado para os fluxos na linha. Cada rota existente tem, potencialmente, duas classificações,
uma sob o critério de planejamento e a outra adotada operacionalmente. Em geral, a
classificação operacional será maior do que a de planejamento.

169 O uso de limites de planejamento tem como vantagem o fato de que sua proximidade
a estes limites é o que move a necessidade de investimento no sistema. É importante
assegurar, no entanto, que os limites fixados para cada linha e transformador levem em conta
as características inerentes do sistema de transmissão. A metodologia deve considerar
claramente se, por exemplo, as linhas são limitadas por:

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 41 SEN/Eletrobrás


(a) classificações térmicas, a classificação mais alta, baseada no tipo de condutor,
temperaturas máximas permitidas para o condutor, projeto da torre e roteamento.

(b) regulagem de tensão, na própria linha ou dentro dos sistemas aos quais a linha
está conectada - para a linha, a sobrecarga da regulagem de tensão pode ser
melhorada pela aplicação de um equipamento de compensação. Se isso já foi
feito em determinada rota, os custos de capital e a classificação da linha deverão
ser ajustados adequadamente; ou

(c) limitações de estabilidade, nas quais as características da própria linha podem


resultar uma classificação relativamente alta, porém a interação de fontes de
geração remotas ligadas à linha podem resultar a necessidade de uma
classificação reduzida, para evitar instabilidade nos sistemas em qualquer uma
das pontas da linha. É importante lembrar que as limitações de estabilidade
tendem a ser definidas em bases inter-regionais; é, portanto, necessário reavaliar
as linhas interligadas por um processo intermediário a fim de refletir desta
sobrecarga sobre cada circuito.

170 Temos convicção de que é importante que a classificação dos equipamentos não
deixe de dar a devida consideração às limitações inerentes às redes de transmissão,
especialmente no Brasil. Isto se explica pela localização remota de muitas das fontes de
geração hidrelétrica, distantes dos centros de carga, resultando longas distâncias de transporte
e conseqüente reclassificação das linhas de transmissão em decorrência da regulagem de
tensão e da instabilidade potencial. As limitações do sistema “real” poderiam, no entanto, ser
também representadas por classificações operacionais e de planejamento.

Segurança do sistema e modelos de demanda e casos hidrológicos

171 A rede de transmissão não é construída sob a premissa de que será necessário
aumentar 1 MW na potência de transmissão para acomodar 1 MW de aumento no uso. Há
duas razões para se construir uma rede com capacidade maior que o mínimo:

(a) por razões de segurança do sistema, as redes de transmissão são projetadas


com redundância (potência ociosa). A rede de transmissão atual no Brasil, por
exemplo, foi originalmente projetada para o padrão de segurança N-1 - planeja-se
capacidade suficiente de forma a que todas as demandas de uso possam ser
atendidas mesmo se um componente falhar (muito embora este padrão não seja
sempre atingido, na prática, ou economicamente justificado em algumas partes da
rede);

(b) a rede deve levar em conta a incerteza da demanda e, em especial no Brasil, as


condições hidrológicas. Para o fornecimento confiável de 1 MW a um ponto de
demanda, o sistema deve poder transportar 1 MW das estações hidrelétricas em
época de chuva e de estações térmicas em local diferente em época de seca. Um
destes dois quadros dominará o planejamento de investimentos em algumas
partes específicas da rede.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 42 SEN/Eletrobrás


172 Estas necessidades de potência extra impõem custos extras às companhias de
transmissão e devem, portanto, ser cobertas pelos encargos pelo uso do sistema4. A
metodologia de CMLP é bastante adequada para traduzir tais necessidades em encargos, pois
baseia-se explicitamente em necessidades de investimento. Passaremos, agora, a discutir
estas duas questões.

Contingências e Segurança

173 É importante assegurar que os encargos baseados na PPRCI levem em conta não
apenas o investimento necessário para a interconexão de geração e carga sob condições
normais, mas também os custos associados à garantia de segurança da rede.

Recomendação de metodologia e alternativas

174 Recomendamos que, para maior facilidade, a análise dos encargos pelo UST se
baseie em premissas deterministas de planejamento.

175 Conforme discutido anteriormente, os encargos de transmissão pela metodologia de


CMLP baseiam-se em custos de longo prazo para reforço da rede. Estes custos dependerão
da capacidade necessária para atender um pedido de uso no sistema. Tal capacidade será
acima da capacidade mínima necessária para acomodar o uso de pico do sistema em virtude
dos critérios de planejamento referentes à segurança do sistema - o sistema de transmissão é
projetado para continuar a fornecer os serviços de transmissão aos usuários mesmo no caso de
falha de alguns componentes do sistema. Esta necessidade de planejamento para potência
adicional que garanta a segurança do sistema deverá se refletir nos encargos de transmissão.

176 Recomendamos que a segurança do sistema siga o modelo da análise da PPRCI com
um multiplicador de custos que chamamos de “fator de segurança”, refletindo o custo
adicional do fator de segurança nos padrões de segurança do sistema, comparado ao custo de
se fornecer a rede nocional mínima sem segurança. Apresentamos agora nossas razões para
tal recomendação e em seguida fornecemos maiores detalhes de como o fator segurança é
determinado.

177 Se for prático, os encargos pela PPRCI devem ser formulados utilizando os mesmos
critérios utilizados pelo planejamento do sistema. Entendemos que a Eletrobrás está agora
em processo de mudança de seu critério de planejamento do padrão N-1, no qual o
planejamento baseava-se no atendimento das necessidades de todos os usuários, mesmo em
caso de falha de qualquer item do equipamento (muito embora este padrão não fosse
cumprido em todas as partes da rede), para uma abordagem probabilista. O trabalho dos
encargos de transmissão sendo realizados pela Eletrobrás (que serão discutidos em detalhe no
Apêndice F.3 deste anexo) baseou-se diretamente neste padrão de segurança N-1.

4
Os requisitos de segurança para ativos de conexão serão tratados nos requisitos técnicos no Procedimento da
Rede.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 43 SEN/Eletrobrás


178 Endossamos o uso do critério N-1 para a formulação dos encargos de transmissão
com algumas reservas sobre a complexidade do processo, que poderia apresentar um risco de
atraso na introdução dos novos encargos de transmissão e talvez resultasse encargos que os
usuários considerassem não transparentes. A elaboração direta do critério N-1 aumentou
muito a tarefa de criação do modelo, pois há contingências de N-1 que devem ser
classificadas para cada encargo nodal para todos os casos hidrológicos e de demanda. O
tempo total para computação parecia aceitável no trabalho inicial da Eletrobrás, muito embora
a metodologia tenha aumentado muito o trabalho necessário para incorporar as alterações
mínimas ao programa de cálculo. Alguns usuários tiveram a oportunidade de avaliar encargos
indicativos e tem havido perguntas sobre alguns dos múltiplos dos encargos resultantes da
abordagem N-1, por exemplo no sistema N/NE.

179 Acreditamos que o trabalho realizado até agora representa uma troca aceitável entre a
maior precisão dos encargos e a maior complexidade da análise resultante do modelo
explícito do critério N-1. Endossamos a alteração proposta no padrão geral de planejamento
em direção à metodologia probabilista, porém, não acreditamos que a incorporação explícita
deste padrão à análise de encargos represente uma troca aceitável entre precisão e
complexidade, pois:

(a) a metodologia probabilista é inerentemente mais complexa do que o padrão N-


1;

(b) um aumento significativo da complexidade da análise nesta fase (quando os


usuários já estão sendo consultados sobre encargos indicativos) coloca em risco a
introdução dos encargos; e

(c) a mudança nos encargos por zonas, resultante da adoção desta metodologia à
análise de encargos, provavelmente seria pequena.

180 O modelo para um padrão de segurança probabilista envolve a consideração de todas


as causas possíveis de falha em cada linha e o levantamento das probabilidades para estas
causas antes de considerar as configurações da rede que atenderiam a probabilidade padrão de
manutenção da segurança e a seleção da configuração que produza a melhor relação entre
benefícios (em termos de maior segurança) e custos. A complexidade da análise é, portanto,
muito maior, aumentando o custo e o tempo calculados para o cálculo dos encargos.

181 Mesmo se os preparativos da Eletrobrás para a introdução desta metodologia estejam


suficientemente adiantados para permitir que façam isso para cada nodo e para cada caso
hidrológico e de demanda, seriam motivo de preocupação os efeitos de uma análise tão
complexa sobre a transparência dos encargos. Os usuários devem aceitar a base de cálculo
dos encargos, o que significa que devem entender o princípio e serem capazes de perceber as
causas básicas das diferenças entre os encargos. Uma situação ideal seria a que eles próprios
pudessem reproduzir a análise. Se os encargos não forem transparentes, então haverá, ao
menos, atrasos potenciais na introdução dos novos encargos e a metodologia pode até
enfrentar resistência total dos usuários, uma vez que calculados os encargos indicativos os
usuários podem avaliar as conseqüências financeiras do processo.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 44 SEN/Eletrobrás


182 Portanto, recomendamos a metodologia mais simples do fator segurança para
determinar os encargos para o UST, que havíamos recomendado anteriormente como uma
alternativa se a análise N-1 se provasse excessivamente complexa. A metodologia baseia-se
na rede nocional descrita anteriormente - a rede que seria necessária se os serviços de
transmissão não oferecessem nenhum tipo de segurança. O planejador da transmissão poderá
determinar a capacidade necessária para que se possa oferecer o mesmo nível de segurança
pela aplicação probabilista explícita (sob condições hidrológicas e de demanda esperadas e
planejadas) e os custos para tanto. Como um todo, a relação entre o custo de se oferecer uma
rede com o nível de segurança necessário e o custo de uma rede nocional mínima representa
o fator de segurança pelo qual os custos de transmissão segura se relacionam aos serviços
mínimos de transmissão.

183 Este fator de segurança não será o mesmo para toda a rede, especialmente em um
sistema te tamanha diversidade como o brasileiro, pois:

(a) os níveis planejados de segurança podem ser mais baixos para algums
componentes do sistema ou áreas do país, tais como:

(i) linhas de transmissão construídas precipuamente para transferir energia entre


regiões hidrológicas; ou

(ii) áreas nas extremidades do sistema, onde a segurança pode ser garantida
apenas pela duplicação total dos ativos (por nenhuma outra razão exceto
segurança); e

(b) as alternativas possíveis em caso de falha de um componente serão diferentes


em diferentes partes do sistema - em algumas áreas haverá necessidade de
equipamento de reserva, enquanto que em outras a transmissão pode estar
assegurada por intermédio de despacho.

184 Estas questões têm causado dificuldades à análise N-1 já sendo conduzida - o uso de
um fator de segurança pode representar uma maneira simples, porém eficiente, de resolvê-las.
O Planejador do sistema deve estar em uma posição de poder definir as categorias de
equipamento e as áreas do sistema adequadas que terão fatores de segurança relativamente
semelhantes, com base na experiência de planejamento do sistema e simulações específicas
em casos que não estão claros. Nossa experiência demonstra que tal abordagem pode resultar
fatores de segurança que reflitam os custos de se oferecer segurança de tal forma a resultar
encargos que:

(a) apresentem pouca diferença daqueles calculados após análise complexa5; e

5
Vale lembrar neste momento que os encargos serão agregados em zonas. Não é necessário, e nem desejável,
ter alta sensibilidade de encargos para as circunstâncias específicas dos usuários.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 45 SEN/Eletrobrás


(b) se adequem às expectativas dos usuários, com base no bom senso, sobre os
pontos onde o uso do sistema é mais caro.

185 Estes fatores de segurança devem ser aplicados aos custos do equipamento individual,
a fim de servir de modelo para os custos extras de transmissão segura de 1MW para uso
adicional do sistema de acordo com a análise PPRCI.

Casos de despacho e carga - a demanda e a hidrologia

186 Conforme lembrado anteriormente, o sistema é planejado para fornecer energia sob
uma variedade de condições ( a que nos referiremos como “casos”), para os quais a
localização e o cronograma de demanda, assim como a localização da geração disponível
poderão variar. Estas considerações deverão ser modeladas pelo recálculo dos fluxos de
linha.

187 Para todos os casos que terão que ser modelados (discutiremos a seleção dos casos a
seguir) os fluxos para cada linha serão aqueles em que as linhas tenham a maior sobrecarga
(fluxos totais de energia mais elevados), calculados pelo redespacho do sistema segundo as
condições hidrológicas e de demanda relevantes.

188 Por exemplo, consideremos uma linha que transporte 100MW na estação das chuvas e
20MW na estação da seca. A necessidade de potência para esta linha é considerada na sob
condições das chuvas. Isto é, o aumento de demanda em um nodo particular, que aumenta o
uso da linha (isto é, para 101MW) na estação das chuvas exige capacidade incremental da
linha, enquanto que o aumento de demanda em um nodo particular que aumenta o uso da
linha durante o período de seca (isto é, a 21 MW), não necessita de capacidade incremental.

189 Uma conseqüência desta abordagem é que poderá haver encargos diferentes para
capacidade de geração hidrelétrica e térmica em um mesmo nodo, visto que as sobrecargas
na linha podem ser diferentes para os dois tipos quando estão gerando. Por exemplo, se a
maioria das linhas conectadas a um nodo particular estiverem sobrecarregadas durante a
estação das chuvas, a geração térmica pode impor menor necessidade de capacidade
incremental do que a geração hidrelétrica. A importância deste fato depende inteiramente das
circunstâncias do sistema, e recomendamos que sejam realizados estudos sobre o efeito
diferencial entre a geração hidrelétrica e térmica durante o processo do projeto.

190 O ponto chave é que os custos da linha não são calculados como média para todos os
casos - os custos são calculados à base de qual caso causa maior sobrecarga sobre cada linha,
o que refletirá os critérios para o planejamento do sistema. Se um caso é considerado
apresenta justificativa suficiente para construção de capacidade, os custos totais desta
capacidade devem ser recuperados por intermédio de encargos, mesmo se o caso refletir
condições que raramente ocorrem (e talvez não ocorram nunca).

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 46 SEN/Eletrobrás


191 Tendo-se em vista que os encargos dependerão da escolha do caso modelado durante
o processo de definição de tarifas, é importante estabelecer critérios para a seleção dos casos.
O número de casos deve ser limitado, a fim de minimizar a complexidade computacional (e
conseqüentemente a transparência) do processo de definição de tarifa.

192 Não é necessário elaborar o modelo para todas as condições hidrológicas e de


demanda possíveis. Como os fatores de sensibilidade para cada linha baseiam-se em um
conjunto de condições sob as quais aquela linha sofre maior sobrecarga, as condições que
não causam sobrecarga máximo em uma linha não contribuirão para a análise. Em geral não
é possível excluir condições automaticamente por esta razão sem realizar cálculos detalhados,
porém, planejadores experientes do sistema devem estar na posição de poder julgar se um
determinado conjunto de condições produzirá os resultados que ainda não tenham sido
cobertos pelas condições já testadas.

193 Por exemplo, se o Caso A representar um conjunto de condições, enquanto o Caso B


apresenta as mesmas condições porém com índice pluviométrico 20% superior ao Caso A em
uma região específica; então, é pouco provável que um Caso C, para o qual o índice
pluviométrico é 10% superior ao A naquela região possa contribuir para a análise.

194 A probabilidade deve também ser considerada ao se decidir quantos casos considerar.
Para os casos que parecem tão improváveis a ponto de os planejadores do sistema não
considerá-los quando do projeto do sistema devem ser excluídos. O objetivo da análise é
cobrir uma série de condições que determinem a capacidade do sistema. Se houver condições
que são possíveis porém tão improváveis que as decisões do projeto sequer as levem em
conta, então os encargos não deverão tê-las como base. Os mesmos critérios de probabilidade
devem ser utilizados ao selecionar os casos para definição de tarifas como as utilizadas no
planejamento de longo prazo do sistema.

195 Temos trabalhado com a Eletrobrás na identificação de uma gama de condições de


geração e carga que resultem fluxos de energia extremos na rede. Este trabalho tem sido
realizado para o sistema S/SE/CW, e será seguido quando trabalharmos com o sistema N/NE.

196 Em princípio, claro, cada uma das linhas do sistema S/SE/CW poderia atingir seu pico
de carga em um caso diferente. Na prática, um número razoável de casos terá que ser
identificado, apresentando cargas que se aproximem dos valores de pico.

197 Nosso trabalho sobre as características do sistema brasileiro indicaram que os fluxos
de carga nos circuitos de transmissão são influenciados principalmente por:

• padrões hidrológicos que afetam o despacho da geração hidrelétrica


regionalmente, por exemplo, o equilíbrio da geração entre o sul e sudeste e
entre o norte e o nordeste; e

• níveis de carga do sistema, que sugerem que as trocas de pico entre os nodos
do sistema de transmissão tendem a ocorrer em momentos que não os da
demanda de pico, devido ao fato de que em altos níveis de demanda sempre há
a necessidade de se disponibilizar o maior volume de geração possível em todo
Report IV-1: Anexo F - Apêndices 47 SEN/Eletrobrás
o sistema, conseqüentemente reduzindo a defasagem regional entre
geração/carga.

198 Uma gama de despachos de geração foi examinada no sistema S/SE/CW,


considerando extremos de geração entre as bacias hídricas que poderiam servir de parâmetro.
Estes despachos são por nós denominados “Casos Indicativos”, pois são considerados, pelas
conversas que tivemos com a Eletrobrás, como apresentando pouca probabilidade de
ocorrência, e, portanto, de não representar um parâmetro realista para a base dos encargos
finais. Os engenheiros de despacho de geração da Eletrobrás estão realizando um trabalho
para identificar um conjunto de casos extremos, porém razoavelmente plausíveis (“Casos
Realistas”) para uso na análise.

199 Os Casos Indicativos são, por outro lado, úteis para ilustrar os princípios deste aspecto
da metodologia proposta para encargos, e foram utilizados para calcular um conjunto de
tarifas nodais indicativas para geração que apresentaremos no Apêndice F.4.

200 As tabelas seguintes resumem as condições que compõem os Casos Indicativos. Os


casos-base representam despachos típicos no sistema para as condições de demanda sendo
examinadas; os casos sob cada demanda representam extremos diferentes de despacho.

Tabela 1: Geração (MW) - demanda máxima do sistema - Julho, 1997

Rio/Usina Caso 1 Caso 2 Caso-base


GRANDE 5980 6708 6496
PARANAÍBA 4866 6296 6036
PARANÁ 4562 4576 4215
PARANAPANEMA 1884 1947 1884
TIETÊ 2118 2318 2118
ITAIPU 60HZ 5000 5600 5300
ITAIPU 50HZ 6052 6152 6052
IGUAÇU+CAPIV. 5766 3238 4943
JACUÍ 820 660 720
PARAÍBA+R.LAJES 792 792 792
ANGRA 300 600 300
SANTA CRUZ 0 45 45
J.LACERDA 800 296 296
P.MEDICI 360 130 130
TOTAL 39300 39358 39327

201 As demandas máximas, intermediárias e mínimas do sistema correspondem aos


períodos de tempo aproximados para cada dia:

• Demanda máxima: entre 17h00 e 22h00;

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 48 SEN/Eletrobrás


• Demanda intermediária: entre 6h00 e 17h00, e entre 22h00 e 0h00; e

• Demanda mínima: entre 0h00 e 6h00.

Tabela 2: Geração (MW) - demanda intermediária do sistema - fevereiro, 1997

Rio/Usina Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4 Caso 5 Caso 6 Caso-base


GRANDE 4564 6594 6554 6734 5884 3164 5544
PARANAÍBA 4430 2030 2172 3530 2680 6030 5430
PARANÁ 4258 2651 3432 4561 3810 3961 3413
PARANAPANEMA 1036 1965 1555 1962 963 1163 1121
TIETÊ 1208 1557 1411 1710 1208 1208 1208
ITAIPU 60HZ 5500 5700 5500 5600 4900 4700 5300
ITAIPU 50HZ 5461 6022 5862 5942 5862 5862 5461
IGUAÇU+CAPIV 5410 5390 5330 2010 5718 5498 4333
JACUÍ 680 680 680 680 820 730 680
PARAÍBA+RLAJ 785 785 785 805 785 675 785
ANGRA 300 300 300 300 300 300 300
SANTA CRUZ 45 45 45 45 45 45 45
J.LACERDA 296 296 296 296 640 463 296
P.MEDICI 130 130 130 130 446 286 130
TOTAL 34103 34145 34052 34305 34061 34085 34046

202 Durante o período de demanda mínima as transferências de energia no sistema de


transmissão tendem a ser dominadas por despachos que devem ajustar o equilíbrio geral de
energia entre os reservatórios a fim de atingir os índices mensais gerais de energia.

203 Notamos, pelas tabelas anteriores, que sem dúvida há mais diversidade nos casos
possíveis de despacho associados a demandas intermediárias e mínimas do que de demanda
máxima. Isso reflete o que mencionamos anteriormente sobre a necessidade de geração em
todo o sistema na demanda máxima. A principal diferença entre os casos de demanda máxima
está associada ao despacho das usinas hidrelétricas no sul (na bacia do Iguaçu), juntamente
com as usinas térmicas.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 49 SEN/Eletrobrás


Tabela 3: Geração (MW) - demanda mínima no sistema - julho,1997.

Rio/Usina Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4 Caso 5 Caso 6 Caso-


base
GRANDE 1580 5070 5470 2080 2080 1610 3660
PARANAÍBA 2396 1246 698 4294 3094 5646 3762
PARANÁ 4156 1310 4126 1383 2032 3801 2366
PARANAPANEMA 946 1483 954 613 613 996 793
TIETÊ 698 448 848 548 548 528 528
ITAIPU 60HZ 5500 5500 3200 3200 3200 5600 5300
ITAIPU 50HZ 3657 4458 4258 4258 4258 3657 3657
IGUAÇU+CAPIV 3080 1645 1525 5320 5420 280 1690
JACUÍ 90 660 660 60 610 25 90
PARAÍBA+RLAJ 585 685 685 685 685 585 585
ANGRA 300 300 300 300 300 300 300
SANTA CRUZ 25 25 25 25 25 25 25
J.LACERDA 296 296 296 296 296 296 296
P.MEDICI 130 130 130 130 130 130 130
TOTAL 23439 23256 23175 23192 23291 23479 23182

204 Em uma situação de demanda intermediária, há maior flexibilidade no despacho ao


sistema, e os fluxos de energia podem mudar de direção e de magnitude de maneira
significativa nas áreas da rede entre os sistemas do sul e do sudeste. Há ainda maior
flexibilidade nos casos de demanda mínima, facilitando grandes fluxos para transferência de
energia entre as bacias hídricas.

205 Os fluxos inter-regionais principais entre o sul e o sudeste são influenciados


principalmente pelos níveis de geração dos rios Grande, Paranaíba, Paraná, Tietê e
Paranapanema no sudeste, e Iguaçu mais os despachos térmicos no sul. Os perfis de despacho
de geração examinados nos casos anteriores incluem uma série de condições extremas, tais
como:

• Demanda máxima: despacho relativamente alto na bacia do Iguaçu (Caso 1)


provocando uma transferência pequena S→SE, e um despacho menor no Caso
2 e no Caso-base, representando a condição mais comum do sistema de
transferências grandes SE→S;

• Demanda intermediária: um grande desequilíbrio entre a geração do S e do


SE (Caso 4) provocando um alto nível de transferência SE→S, e níveis
menores de despacho no sistema SE (Casos 5 e 6), com transferência reversa
de energia S→SE; e

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 50 SEN/Eletrobrás


• Demanda baixa: os níveis mais altos de fluxo de energia no sentido S→SE e
SE→S (Casos 5 e 6 respectivamente) resultantes de extremos de despacho
para facilitar o equilíbrio de energia no sistema hidrelétrico.

206 Os outros casos desenvolvidos foram projetados para identificar as condições de carga
de pico localizadas em circuitos específicos, e representam variações de despacho nos
sistemas regionais.

207 A análise dos resultados do estudo sobre o fluxo de carga elaborado pela Eletrobrás
para os diferentes Casos Indicativos demonstra os números de linhas de transmissão e
transformadores a 230 kV e acima que atingem os picos de carga em cada uma das situações
estudadas. A tabela a seguir resume os dados a que chegamos:

Tabela 4: Resumo dos casos de sobrecarga de transmissão

Casos de No. de linhas % de linhas


demanda
Alta
Casos-base 39 8%
Caso 1 65 14%
Caso 2 99 21%
Total 203 43%
Intermediária
Casos-base 42 9%
Caso 1 8 2%
Caso 2 32 7%
Caso 3 5 1%
Caso 4 39 8%
Caso 5 34 7%
Caso 6 24 5%
Total 184 39%
Baixa
Casos-base 5 1%
Caso 1 22 5%
Caso 2 6 1%
Caso 3 10 2%
Caso 4 9 2%
Caso 5 15 3%
Caso 6 16 3%
Total 83 18%

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 51 SEN/Eletrobrás


208 Destes resultados, fica claro que a maior parte dos circuitos de transmissão atingem o
nível de pico de carga sob condições de demanda máxima no sistema, porém que um número
semelhante de circuitos recebe maior sobrecarga sob condições de demanda intermediária.
Menos de um quinto do total de linhas recebe a maior sobrecarga sob condições mínimas.
Dentre os casos de demanda fica claro que alguns despachos do sistema resultam números
significativos de sobrecarga, com outros despachos sobrecarregando poucas linhas. Casos em
que pelo menos 5% ou mais das linhas no sistemas atingem as cargas máximas podem
contribuir para a análise (9 casos dos 17 examinados).

209 Um único caso sob condições de demanda máxima em julho de 1997 serviu de
modelo para as tarifas nodais básicas que discutiremos no Apêndice F.4.; um trabalho mais
detalhado foi também realizado para identificar casos de despacho mais realista para a análise
final. Foram desenvolvidos pela Eletrobrás e estão resumidos na Tabela 5 para referência: de
maneira ampla representam extremos no sistema de transmissão se comparados aos Casos
Indicativos. Sugerimos uma análise mais profunda para examinar os números de linhas
atingindo sua carga máxima em cada um dos novos casos, com vistas a uma possível redução
no número de casos-modelo propostos (onze).

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 52 SEN/Eletrobrás


Tabela 5: Casos: Geração/Carga

Demanda máxima Demanda intermediária Demanda mínima

Geração

Base Caso 1 Caso 2 Caso 3 Base Caso 1 Caso 2 Caso 3 Base Caso 1 Caso 2

Rio Grande 6496 5757 6690 6465 5544 4994 5710 5954 3660 1915 4026

Paranaíba 6161 4691 6171 6081 5430 2990 4895 5715 3887 2141 2761

Paraná 4211 4454 4555 4286 3415 3451 3517 3486 2364 2242 2542

Paranapanema 1769 1829 1809 1829 1004 1550 1610 1250 710 935 1070

Tietê 1321 1351 1397 1351 711 1217 1013 1063 486 449 753

Itaipu 60Hz 5300 5400 5200 5100 5300 5350 5550 4800 5300 4150 4200

Itaipu 50Hz 6052 5951 6051 5550 5460 5460 4658 5260 3657 4458 3857

Iguaçu 4843 5318 3973 5528 4207 5082 3731 4330 1634 4248 1157

Jacuí 720 755 660 750 680 580 380 640 90 370 160

Paraíba + RlaJ 894 1055 904 1055 833 833 857 933 627 650 859

Angra 300 600 300 0 300 600 300 0 300 600 300

Santa Cruz 45 300 200 200 45 80 200 0 25 60 200

J Lacerda 296 710 750 216 296 654 760 216 296 562 558

P Medici 130 360 130 220 130 300 180 130 130 250 130

TOTAL 38538 38531 38790 38631 33355 33141 33361 33777 23166 23030 22573

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 53 SEN/Eletrobrás


210 Uma questão levantada em nossas discussões com a Eletrobrás diz respeito ao nível
de consideração que devem merecer os encargos para as linhas no sistema de transmissão
predominantemente associadas a transferências de energia. Foi sugerido, por exemplo, que
não é essencial que se ofereçam níveis normais de segurança para transferência de energia
nestas linhas, e que enquanto o processo de otimização hidrelétrica como um todo depende
destas transferências, a capacidade de atender a demanda de energia no sistema não é afetada
pelo desempenho ou pela capacidade destes circuitos. Há dois pontos que acreditamos sejam
importantes nesta questão:

(a) o sistema de transmissão foi claramente planejado com vistas a facilitar a


otimização dos recursos hídricos - portanto, será adequado que os encargos
estejam associados às linhas que viabilizem esta otimização; e

(b) a existência destas linhas contribui para a segurança geral do sistema de


transmissão - acreditamos que um ponto forte da proposta para avaliar a
segurança do sistema seja a alocação correta destes benefícios aos nodos
apropriados da rede.

211 A questão chave é, portanto, decidir se será apropriado que os custos associados às
linhas com o objetivo de uma otimização hidrelétrica geral sejam recuperados por intermédio
dos usuários nos nodos utilizando estes ativos. Um preceito fundamental subjacente aos
encargos para a rede de transmissão é que os usuários devem pagar pela facilitação do
despacho econômico otimizado que é fornecido pela rede interligada. Considerando-se este
fato, e ainda o fato que os geradores devem aceitar o conceito de despacho econômico
otimizado que define sua operação, nosso entendimento é de que será razoável que os custos
das linhas com objetivos de otimização geral sejam recuperados às mesmas bases de outras
linhas na rede.

212 Como alternativa, seria possível calcular os encargos pelo uso de tais linhas da mesma
forma como para todos os outros circuitos, porém dividir os custos calculados com base na
utilização de pico entre todos os usuários do sistema. Tal procedimento implicaria a retirada
destas linhas do cálculo dos encargos normais, e o tratamento das transferências de energia
entre as bacias hídricas como casos separados para tarifação. Nossa preocupação é que tal
conduta poderia deixar de reconhecer as vantagens à segurança local que estas linhas
inevitavelmente proporcionariam ao sistema. Portanto, sugerimos que não se justifica,
realmente, um tratamento separado destas linhas em termos de responsabilidades do usuários
com relação a encargos.

213 Pode ser interessante utilizar um fator de segurança inferior para estas linhas em
comparação ao sistema como um todo, a fim de refletir o nível inferior de segurança
necessário. Em princípio, isso não é diferente da necessidade de refletir as variações nos
custos de segurança em todo o sistema brasileiro, o que discutimos no texto principal deste
anexo.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 54 SEN/Eletrobrás


Custos

Custos unitários

214 Consideramos que os encargos finais devem ser desenvolvidos com base nos preços
de ativos atualizados equivalentes (como na metodologia da Eletrobrás/DNAEE , e conforme
discutiremos no Apêndice F.3.), e que devem ser derivados tanto quanto possível de dados
orçamentários internacionais. Entendemos, no entanto, que haverá limitações quanto à
disponibilidade e precisão de tais informações sobre os custos no momento. Sem dúvida,
qualquer informação disponível por companhias estaduais e federais referente a contratos de
transmissão recentes ou atuais provavelmente será o melhor parâmetro para o nível de custos
a serem recuperados para os projetos executados no Brasil. Mais tarde, quando o Operador
Independente do Sistema for responsável pela fixação dos encargos de transmissão, será
possível, com cláusulas constantes dos Procedimentos da Rede, assegurar que os dados
estejam disponíveis, em caráter sigiloso, a partir dos quais encargos médios poderão ser
elaborados. Enquanto isso, no entanto, se a expectativa for de um conjunto inicial preciso
para os encargos de transmissão, muito provavelmente será necessário que o DNAEE solicite
as informações necessárias sobre custos aos participantes do setor.

215 Examinamos os dados do custo unitário atualmente utilizados pela Eletrobrás para as
linhas de transmissão à luz de nossa experiência sobre preços em licitações internacionais
recentes. Deve-se ter muito cuidado ao tentar comparar tarifas médias internacionais às que
sejam relevantes a qualquer país em particular, pois empreiteiros e fabricantes tendem a
definir preços para os projetos de acordo com sua concepção do mercado futuro, da
concorrência doméstica e internacional e do aquecimento geral de sua carteira interna de
pedidos. Conseqüentemente, encontramos extrema dificuldade em elaborar qualquer
sugestão além de parâmetros muito gerais sobre os níveis de custos sendo desenvolvidos pela
Eletrobrás.

216 Ao considerarmos os custos de linhas típicas de 230kV e 500kV no banco de dados da


Eletrobrás (indexados aproximadamente a valores de 1996) aos de nossa própria experiência
temos a seguinte comparação indicativa para linhas de circuito simples:

230kV 500kV
US$/km US$/km

Eletrobrás 145.000 320.000

Internacional 150.000 400.000

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 55 SEN/Eletrobrás


217 Os dados sugerem que as cifras da Eletrobrás mantêm uma aproximação razoável das
tarifas orçamentárias internacionais para 230kV, mas para 500kV as cifras indicam que a
Eletrobrás situa-se um tanto abaixo. Lembramos, no entanto, manterem um grau razoável de
proximidade com os custos na Colômbia. Ao examinar as estimativas detalhadas para o
desdobramento dos custos da Eletrobrás, no entanto, percebemos que a destinação a
fundações e levantamento de estruturas é bastante baixa se comparada a projetos
internacionais em geral.

218 Recomendamos que uma análise mais detalhada seja realizada de contratos
disponíveis de companhias brasileiras que se utilizaram de empreiteiros internacionais para o
projeto e a engenharia das linhas de transmissão a fim de um maior burilamento das
estimativas de custos para a base da metodologia de preços. Enquanto qualquer recuperação
financeira inferior à esperada como conseqüência de custos unitários baixos pode ser
recuperada por intermédio de provisões residuais, é sem dúvida desejável que os custos
unitários sejam adotados o mais realisticamente possível.

Os custos na metodologia para os encargos

219 Nossa principal preocupação para a aplicação de custos unitários no equipamento de


transmissão na metodologia de encargos para transmissão é atingir o equilíbrio adequado
entre a elaboração detalhada de custos por MW para cada circuito no sistema e o risco de
simplificar demais e provocar recuperação de custos abaixo ou acima do real. Causa-nos
muita satisfação o fato de os trabalhos realizados até o momento pelo DNAEE e pela
Eletrobrás contemplarem uma série de aproximações para que a metodologia possa progredir
no sentido de elaborar preços nodais indicativos para transmissão. Na metodologia final, no
entanto, sugerimos que o detalhamento seja o maior possível. Tal conduta será especialmente
importante no Brasil, pois para muitas rotas as extensões da transmissão são de tamanha
proporção que um erro relativamente pequeno em custos unitários pode rapidamente tornar-se
uma discrepância de encargos significativa.

220 Propomos uma série de modificações à abordagem atual para discussão e possível
incorporação à metodologia final de encargos. Na maioria dos casos, elas representam níveis
mais altos de processamentto de dados para o banco de dados inicial de custos entre nodos;
uma vez completada esta fase, no entanto, o banco de dados permanecerá praticamente o
mesmo para os cálculos futuros. Além disso, gostaríamos de lembbrar que o cálculo para os
encargos de transmissão baseados em parâmetros mais detalhados serão mais objetivos se,
conforme nossa proposta, a definição do sistema de transmissão for alterada e incluir as linhas
e subestações a 230 kV e acima.

221 As alterações específicas que acreditamos devam ser incluídas são as seguintes:

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 56 SEN/Eletrobrás


(a) considerar uma gama mais ampla de necessidades de custos para linhas e
subestações - ao mesmo tempo em que nos agrada a idéia de uma exposição de
motivos para um único conjunto de custos médios, preocupa-nos o fato que esta
abordagem possa não refletir de maneira adequada os custos incorridos na
construção da transmissão em diferentes partes do sistema. Foi sugerido, por
exemplo, que as linhas construídas fora das regiões sul, sudeste e nordeste
poderão custar entre 30 e 35% acima das cifras que constam do orçamento, o que
sem dúvida refletirá nos dados de custo utilizados para definição dos encargos;

(b) as configurações de linhas nas rotas existentes devem ser consideradas, de


maneira que os os diferentes custos para uma linha de circuito duplo, duas linhas
de circuito simples e uma linha de circuito simples sejam aplicados corretamente;

(c) deve-se fazer uma revisão dos fatores de potência de operação das linhas e dos
transformadores para verificar se um fator típico pode ser adotado para conversão
de custos por MVA de potência a custos por MW de fluxo de linha;

(d) sugerimos que os custos de instalações de compensação reativa e capacitiva


sejam fatorados de maneira mais apropriada no custo por km das linhas de
transmissão específicas correspondentes e não diluidos nos elementos comuns do
equipamento da subestacão a ser dividido por vários painéis de disjuntores. Isso
tenderia a aumentar os custos por MWkm de linhas com maior necessidade de
compensação, e conseqüentemente enviando aos usuários os sinalizadores
adequados para estas linhas. No entanto, lembramos que será importante
distinguir entre a compensação de linhas específicas e a o suporte de energia
reativa para uma região do sistema por intermédio, digamos, de compensação
síncrona fornecida pelas usinas. Esta última será melhor administrada por
intermédio de serviços auxiliares do que como parte do regime de transmissão; e

(e) de todas as alternativas disponíveis para recuperar os custos operacionais e de


manutenção do sistema principal , optamos pela inclusão de um componente de
O&M nos encargos pelo Uso do Sistema de Transmissão. Isso garantiria que os
sinalizadores locais fossem preservados, como por exemplo os custos mais
elevados de manutenção associados a linhas de grande distância, equipamento
para compensação, dificuldades de acesso etc. A opção de incluir um elemento
de O&M do sistema principal nos encargos de conexão implica que será
necessário considerar algum tipo de “conexão profunda” das implicações mais
amplas de O&M no sistema pela presença de um dado usuário, o que dificultaria
a identificação de maneira transparente e eqüitativa. Custos específicos de O&M
na conexão devem, sem dúvida, ser incluídos nos encargos de conexão, onde
estes forem pagos. As estimativas de custo de O&M para o sistema principal
com base em uma percentagem anual do custo de capital deve ser considerada
para inclusão nos custos da linha e do transformador.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 57 SEN/Eletrobrás


Alterações para atender as necessidades de receita

222 A receita regulamentada de um OIS com relação à transmissão será obtida por
intermédio de encargos de conexão e de uso do sistema. É desejável alterar os encargos de
conexão para atender este requisito, pois:

(a) os encargos de conexão conterão um elemento de usuário específico, assim, a


alteração poderia levar à discriminação entre usuários (ou pelo menos a dúvidas
sobre a discriminação); e

(b) a alteração dos encargos de conexão poderá distorcer as operações de conexão


no mercado, conforme descrito no texto principal deste anexo.

223 Portanto, os encargos pelo uso do sistema terão que ser alterados para atender a
necessidade de receita. Em tese, isso pode ser feito considerando-se usuários específicos, ou
classes de usuários, com cada classe recebendo tratamento diferente. A teoria econômica
sugere que a maneira mais eficiente para taxar os usuários do sistema para esta necessidade
de “uma tarifa única e grande ” é aplicar a teoria de preços de Ramsey - ou seja, os maiores
aumentos para os usuários com a menor possibilidade de evitá-los pela administração de
demanda ou mudança de local. No entanto, tal técnica entraria em conflito com os objetivos
de não discriminação para o setor (prejudicando a abordagem de eqüidade para geração), seria
de implementação complicada e muito provavelmente não teria aceitação por parte dos
usuários. Portanto, propomos que todos os encargos nodais sejam aumentados para cobrir a
necessidade de receita - independentemente da identidade dos usuários do sistema em cada
nodo.

224 Há duas principais maneiras de modificar os encargos - por multiplicação e por


adição. No primeiro método, os encargos são reajustados para atender a necessidade de
receita; no segundo, uma constante, em reais, é acrescentada a cada encargo por MW.

225 Em princípio, recomendamos o segundo método, que acrescenta uma quantia


constante a cada encargo, pois:

(a) os encargos reajustados de certa forma reduzem os incentivos locais, visto que
os diferenciais entre os encargos em diferentes nodos será alterado. Muito
embora a localização mais barata ainda será a mais barata depois do
escalonamento, a comparação dos custos de transmissão de eletricidade com
custos de transporte de combustível, por exemplo, já não será válida; e

(b) os encargos reajustados para cima reduzem os encargos negativos ainda mais,
representando um resultado perverso para um processo que se propõe a aumentar
a receita, enquanto que a abordagem alternativa de reajustar apenas encargos
positivos para cima distorce os diferenciais entre encargos negativos e positivos
ainda mais.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 58 SEN/Eletrobrás


226 Portanto, recomendamos que uma quantia constante seja adicionada a todos os
encargos nodais pelo uso do sistema. Esta é uma alteração aceitável dos encargos – visto
não ser mais arbitrária que a alteração dos nodos de referência. Se a necessidade de receita
total for R e a receita de encargos de conexão e outros encargos que não os do uso do sistema
forem C, então a constante:

(Eq. F.2.1) α = (R-C)/(G + D)

(onde G é a capacidade geral de geração e D é o total de demandas de pico individuais) deve


ser acrescentada a cada encargo nodal.

227 Estamos pressupondo que os pagamentos pelos serviços auxiliares estejam fora do
escopo das necessidades de receita, estando diretamente relacionados a custos.

Apêndice F.3: a metodologia proposta pela


Eletrobrás/DNAEE para a política de preços de
transmissão
228 A Eletrobrás e o DNAEE elaboraram uma metodologia de cálculo para os encargos
pelo uso do sistema e atualmente estão na fase de obter resultados dos testes da análise. A
metodologia foi apresentada no trabalho Cálculo dos Encargos Nodais de Transmissão no
Sistema Brasileiro, em novembro de 1996. Neste apêndice, apresentaremos uma
classificação da metodologia, à luz de nossas opções de preferência apresentadas neste
relatório. Nossa classificação baseia-se no trabalho de novembro de 1996 e em discussões
subseqüentes com a Eletrobrás e o DNAEE.

229 Em alguns aspectos, a análise da Eletrobrás já foi alterada, após conversas com
consultores de nosso consórcio; assim, a classificação, aqui, será baseada no que entendemos
ser o raciocínio subjacente à análise. Discutiremos algumas questões que ainda não foram
tratadas, ou que sentimos necessitam maior consideração, para que sejam alcançados os
objetivos necessários dos encargos pelo uso do sistema. No Apêndice F.4 apresentaremos
alguns resultados preliminares, elaborados pela Eletrobrás em resposta às nossas sugestões
iniciais de alterações à análise.

Metodologia principal

230 A metodologia básica é a abordagem de PPRCI para os encargos nodais de CMLP, e


neste sentido, é semelhante à nossa recomendação apresentada aqui.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 59 SEN/Eletrobrás


231 Uma grande incerteza nesta fase é como tratar as contingências. Na análise existente
até agora, a Eletrobrás tem elaborado o modelo de contingências utilizando a abordagem
explícita de planejamento N-1. Em nossos “Working Papers” endossamos esta conduta com
algumas reservas. Entendemos que a intenção agora é adotar os critérios probabilistas de
planejamento de maneira semelhante. Não acreditamos na possibilidade de que esta
abordagem produza os encargos transparentes que os usuários aceitarão dentro do cronograma
planejado para a introdução dos encargos (especialmente porque requer uma alteração
significativa da análise, que já está em estágio avançado), e, portanto, recomendamos se adote
a abordagem de um fator de segurança mais simples apresentada anteriormente neste
trabalho. Até o momento, não vimos os resultados da abordagem de planejamento
probabilista, e, portanto, não faremos comentários detalhados sobre este aspecto da análise.

232 As características da abordagem atual que enumeramos a seguir permanecem como


pontos de preocupação, e acreditamos que a Eletrobrás e o DNAEE devam considerá-las mais
detalhadamente:

(a) nodos de referência múltipla (vide discussão nos Apêndices F.1 e F.2);

(b) custos unitários simplificados para equipamento (vide discussão no Apêndice


F.2 e a seguir);

(c) um algoritmo para alocação de nodos com preços semelhantes em zonas.

233 Passamos a discutir estas questões.

Opção pelos nodos de referência

234 Conforme discutimos anteriormente neste relatório, a metodologia PPRCI pressupõe


o uso de um nodo “ocioso” ou “de referência” para levar injeções incrementais ao sistema.
Conforme provamos no Apêndice F.1, a escolha do nodo de referência exerce muito pouco
efeito - os incentivos de eficiência dependem principalmente das diferenças entre os preços
nodais, que se mantêm inalterados quando o nodo de referência muda e a receita total
proveniente dos encargos não é alterada com a alteração do nodo de referência. O único
efeito de se escolher o nodo de referência e não outro é o de afetar o equilíbrio dos encargos
entre geração e carga.

235 Mesmo este efeito é mínimo. A redução da proporção de encargos pagos, por
exemplo, pela geração, não afeta os incentivos, pois as diferenças entre os encargos
permanece. Se, em média, os encargos dos geradores fosse zero, não seria o mesmo que dizer
que todos os encargos seriam iguais a zero - as diferenças entre os encargos nodais
permaneceriam, porém algumas seriam positivas e outras negativas. Tampouco a
viabilidade financeira dos geradores é afetada - a redução de todos os preços nodais dos
geradores em proporção igual por MW não resulta maior lucratividade pois em um mercado
competitivo os preços ao consumidor registrarão queda exatamente na mesma proporção - a
mesma proporção de queda para todos os geradores não criará vantagem competitiva para
ninguém.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 60 SEN/Eletrobrás


236 A Eetrobrás e o DNAEE têm dado bastante atenção à escolha do nodo de referência;
à luz do que foi discutido anteriormente, mais até que o assunto merece. Os testes realizados
utilizaram em geral um nodo de referência múltiplo - uma média ponderada de nodos com
geração ou carga acima de 10 MW (ponderada pela geração ou carga). Esta abordagem foi a
escolhida, acreditamos, porque o modelo de retirada de injeções líqüidas ao sistema é
percebido como refletindo a realidade.

237 A escolha de um nodo de referência múltiplo, ao contrário do nodo de referência


simples, tem efeitos idênticos ao de mudar o nodo de referência simples. Esta abordagem,
portanto, não contribui em nada para alterar incentivos ou receita, e ainda aumenta a
complexidade de maneira significativa.

238 Recomendamos que uma decisão final seja tomada quanto ao equilíbrio de receita
proveniente de geração e carga, respectivamente, e que os encargos nodais sejam alterados
para atingir este equilíbrio6. Isto equivale a encontrar um nodo de referência que por acaso
atinja um equilíbrio de encargos considerado desejável. Entendemos que a metodologia
adotada pela Eletrobrás/DNAEE tem por objetivo refletir uma escolha “natural” do(s) nodo(s)
de referência, o que implica que a intenção é que o equilíbrio dos encargos entre geração e
carga sejam considerados resultado da análise, e não decisão. Não acreditamos que tal
abordagem seja apropriada - não se pode permitir que o uso de nodos múltiplos de referência
defina o equilíbrio de encargos entre geração e carga, o que deve ser feito por intermédio de
critérios como credibilidade dos geradores e distribuidores no que diz respeito a pagamento.

239 Assim, recomendamos que:

(a) para maior facilidade, se opte por um nodo de referência único; e

(b) que o equilíbrio dos encargos entre geração e carga seja tratado como uma
variável da decisão, e não como um resultado da análise.

A abordagem da Eletrobrás para os custos de transmissão

Custos unitários do equipamento

240 Aqui, examinaremos a abordagem adotada na metodologia de encargos pelo


DNAEE/Eletrobrás para definição dos custos de transmissão a serem recuperados. Em
seguida, comentaremos sobre as áreas nas quais acreditamos ser adequado realizar revisões.

6
Apresentamos uma fórmula para a alteração dos encargos desta forma no Apêndice F.2.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 61 SEN/Eletrobrás


241 O ponto inicial para o cálculo de custo para cada conexão de circuito na rede de
transmissão é o conjunto de dados orçamentários coletados pela Eletrobrás para a construção
das novas obras de transmissão. A metodologia é, portanto baseada na reposição de ativos e
não em qualquer tipo de classificação histórica de ativos. Esta abordagem é amplamente
utilizada na aplicação da PPRCI para os encargos pelo UST. A base dos dados de custo
utilizados é um conjunto de estimativas orçamentárias obtido da análise de contratos recentes
assinados pelas 28 companhias responsáveis pelos sistemas de transmissão a 69kV e acima,
que foram reunidos em um documento denominado “Referências de Custos LT’s e SE’s de
AT e EAT” (Reference Costs for Transmission Lines and Substations at High Voltage and
Extra High Voltage). A data de referência para os dados é dezembro de 1994; a Eletrobrás
indexou os custos até dezembro de 1995, com base nos índices publicados para custos
indexados de materiais, mão-de-obra, transporte, etc. Sem dúvida o processo terá que ser
atualizado para dispor de estimativas válidas para 1997.

242 Desde 1994 a Eletrobrás tem encontrado dificuldades em obter informações precisas
sobre custos de outras companhias por razões de confidencialidade. Entendemos que essa
situação está sendo tratada pelo DNAEE, com vistas à obtenção de dados mais precisos. A
Eletrobrás também tentou uma alternativa para a informações sobre custos entrando em
contato com empreiteiros e fabricantes; no entanto, estes também se mostraram relutantes em
fornecer informações sobre orçamento. Tal fato pode ser conseqüência, em parte, do
histórico do mercado de transmissão no Brasil, dominado por fornecedores nacionais e
requisitos de contratação também nacional e não internacional nos últimos anos. Há uma
necessidade clara de se obter dados sobre preços internacionais para se ter uma base de custos
na metodologia final, devido ao fato de que a maioria dos projetos de transmissão
provavelmente serão concedidos com base nas licitações competitivas internacionais.

243 A Tabela 6 demonstra a variação típica dos custos de linha incluídos nos dados da
Eletrobrás - as linhas selecionadas na tabela representam os extremos do tamanho do
condutor no nível de tensão. A relação entre os preços de circuitos simples e duplos
apresentam uma variação aproximada entre 1.5 e 1.8, uma aproximação bastante razoável das
expectativas internacionais. A Tabela 7 demonstra a discriminação de alguns dos dados
típicos de linha, que parecem abrangentes. Em seguida, comentaremos sobre os aspectos
específicos dos custos apresentados.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 62 SEN/Eletrobrás


Tabela 6: Resumo dos dados de custos da linha

Tensão Condutor CIRCUITO CIRCUITO Relação


SIMPLES DUPLO simples/duplo

(kV) Tipo Tamanho Nome No./fa Custo/km Custo/km


se (US$) (US$)

69 ACSR 266.8 Partridge 1 62,732 98,331 1.57

69 ACSR 636 Grosbeak 1 84,023 133,521 1.59

138 ACSR 266.8 Partridge 1 79,657 115,968 1.46

138 ACSR 636 Grosbeak 1 104,145 153,172 1.47

138 ACSR 1113 Bluejay 1 130,069 190,346 1.46

138 ACSR 1113 Bluejay 2 175,451 290,348 1.65

230 ACSR 636 Grosbeak 1 120,877 194,983 1.61

230 ACSR 1113 Bluejay 1 142,755 233,996 1.64

230 ACSR 636 Grosbeak 2 159,647 267,661 1.68

345 ACSR 795 Drake 2 190,657 317,356 1.66

345 ACSR 795 Drake 3 252,304 429,976 1.70

345 ACSR 1113 Bluejay 3 N/A 477,847

440 ACSR 636 Grosbeak 4 277,657 487,133 1.75

440 ACSR 795 Drake 4 305,080 535,959 1.76

500 ACSR 636 Grosbeak 4 298,893 N/A

500 ACSR 1113 Bluejay 4 347,051 623,589 1.80

750 ACSR 1113 Bluejay 4 409,834 N/A

750 ACSR 1510.5 Nuthatch 4 464,467 N/A

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 63 SEN/Eletrobrás


Tabela 7: Custos típicos das linhas da Eletrobrás

Tensão 500kV 230kV


Número de circuitos 1 1
Estrutura Aço convencional Auto-suporte de aço
Fundação Rede Rede
Condutor de fase Grosbeak 636MCM Grosbeak 636MCM
Condutores por fase 4 1
Condutor de terra 9.15 Aço 3/8 9.15 Aço 3/8
No. de condutores de terra 2 2
Data do custo referência Dez/94 Dez/94
CUSTOS DIRETOS R$ US$ R$ US$ R$ US$ R$ US$
Materiais
Aço para estrutura 35,640 41,929 26,400 31,059
Material de suporte 3,693 4,344 0 0
Condutores de fase- ACSR 49,200 57,882 12,300 14,471
Condutores de terra - Aço 1,548 1,821 1,548 1,821
Isolantes 7,387 8,691 2,509 2,952
Acessórios 15,565 18,312 2,498 2,939
Materiais para aterramento 300 353 300 353
Construção
Estruturas 10,430 12,271 5,400 6,353
Fiação de condutores de fase 16,485 19,394 3,897 4,585
Fiação de condutores de terra 2,169 2,552 1,771 2,084
Instalação de aterramento 1,364 1,605 1,364 1,605
Fundações 4,007 4,714 7,075 8,323
Preparação do campo de obra 7,700 9,059 4,950 5,824
Acesso 1,776 2,089 1,066 1,254
Diversos
Terreno + mão-de-obra 4,900 5,765 3,150 3,706
Transporte + segurança 4,533 5,333 1,822 2,144
Inspeção 3,400 4,000 1,367 1,608
Armazéns 4,533 5,333 1,822 2,144
Total de Custos Diretos 174,630 205,448 79,238 93,222
CUSTOS INDIRETOS
Levantamento topográfico 3,265 3,841 1,983 2,333
Engenharia 8,895 10,464 4,061 4,778
Administração 17,789 20,929 8,122 9,555
Total Custos Indiretos 29,949 35,234 14,167 16,667
CONTINGÊNCIA (10%) 20,458 24,068 9,340 10,989
CUSTO TOTAL POR KM 225.037 264,750 102.745 120,877

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 64 SEN/Eletrobrás


244 Dados semelhantes foram preparados pela Eletrobrás para subestações e
transformadores - os preços de compartimento das subestações está demonstrado na Tabela 8.

Tabela 8: Custos típicos de uma subestação

Nível de Barra Condutora Subestação Custo adicional típico por


Tensão Tipo/Custo compartimento
(kV)

Pequena Média Grande Pequeno Médio Grande

69 Simples/Principal + 531,892 744,136 911,028


Transferência 132,973 99,218 91,103

138 Simples 983,062 1,347,731


245,766 224,622

138 Principal + 1,748,802 2,571,122 4,149,210


Transferência/Dupla 291,467 257,112 230,512

230 Principal + 5,777,409 7,264,221


Transferência/Dupla 641,934 518,873

345 Anel/ Duplo 10,612,195 12,207,374


interruptor de 1½ 1,447,183 1,017,281

500 Anel/Interruptor 1 ½ 13,055,182 16,731,578


2,175,864 1,394,298

750 Interruptor 1½ 24,535,593 31,966,094


4,089,266 2,283,292

245 Trabalhando com os dados de custos atualizados de 1994 e detalhes de projetos


recentes submetidos por várias companhias, a Eletrobrás conseguiu identificar os custos para
linhas e instalações de subestações em cada nível de tensão do sistema. Estes dados estão
demonstrados na Tabela 9. Estes custos são utilizados na metodologia de encargos de
transmissão como a base para os custos por MW da capacidade de transmissão em cada rota
de linha, e o custo por MW da capacidade do transformador.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 65 SEN/Eletrobrás


Tabela 9: Custos “típicos” de equipamento da Eletrobrás para encargos de transmissão

Linhas de transmissão Transformador ou Compartimento do mecanismo de


autotransformador distribuição

Tensão Custo Enrolamento Custo Tensão Compartim Compartim.


Alta Tensão unitário da linha do transf.
(kV) R$/km (kV) R$/MVA (kV) R$ x 1000 R$ x 1000

750 420.o45 750 10.216 750 19.816 15.147


500 306.747 500 18.756 500 7.451 5.943
440 285.912 440 18.756 440 7.451 5.943
345 197.658 345 26.744 345 3.445 2.649
230 125.026 230 12.193 230 2.373 2.056
138 86.388 138 23.805 138 1.069 829
88 78.097 88 23.805 88 1.069 829

246 Ressaltamos alguns pontos referentes à elaboração e uso destas cifras.

(a) os custos da linha representam os custos de circuito simples; que são então
multiplicados por dois para os custos do circuito duplo. Esta simplificação foi
necessária para resolver o problema da incerteza se algumas linhas específicas na
rede são de configuração de circuito duplo ou se compreendem dois circuitos
simples.

(b) os custos de equipamento de compensação têm sido incluídos nos custos dos
compartimentos do mecanismo de distribuição, supondo-se que o equipamento
tenha uma localização típica em subestações e faça parte da configuração global
da subestação. Da mesma forma, os custos do equipamento comum nas
subestações, tais como interruptores de circuito de barra e acopladores, proteções,
edificações, cercas, iluminação, etc., foram incluídos no compartimento dos
mecanismos de distribuição. Há uma distinção entre os preços unitários de
compartimentos de linha e de transformadores.

(c) os custos dos transformadores são derivados dos custos por capacidade MVA,
classificados pelo nível de tensão associado ao enrolamento da alta tensão. A
Eletrobrás está preocupada com o fato que cifras gerais fornecidas desta forma
podem distorcer os custos em certos níveis, por exemplo, 345kV e 230kV.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 66 SEN/Eletrobrás


(d) todos os custos de equipamentos de subestação se aplicam a mecanismos de
distribuição de terminal aberto; há alguns mecanismos de distribuição internos
SF6 no sistema, porém os dados sobre custos não levam este fato em consideração
no momento. A intenção é, no entanto, que sejam elaborados custos específicos
para as subestações correspondentes.

(e) tanto os custos contidos no documento “Referências de Custos LT’s e SE’s de


AT e EAT” e os elaborados para instalações típicas baseiam-se em condições as
mais comuns de instalações - portanto, não incluem custos adicionais que podem
estar associados à construção de linha e subestação na região amazônica, em
áreas remotas, etc. Há um consenso, na Eletrobrás, de que as estimativas de
custo apresentam razoável precisão para as regiões sul, sudeste e nordeste, mas
são menos eficientes para o centro-oeste e o noroeste.

Os custos na metodologia de encargos

247 As estimativas componentes de custos descritos anteriormente são processadas de


diferentes maneiras para sua incorporação à metodologia de encargos. O custo da linha por
km é multiplicado pelas extensões estimadas da linha para cada rota no sistema, e um
montante adicional é provisionado para um compartimento de distribuição em cada
extremidade de cada circuito. (Os próprios custos do compartimento do mecanismo de
distribuição incluem uma provisão para compensação derivada e custos comuns da
subestação). Estes são, então, divididos pela classificação operacional de cada rota (expressa
em MVA) para se obter o custo por MW de potência de linha, pressupondo-se o fator de
energia unitário para todos os fluxos de energia. Nem sempre a Eletrobrás tem
conhecimento, com precisão, das extensões das rotas das linhas de transmissão, e, a
estimativa é feita, portanto, a partir dos parâmetros elétricos de cada circuito.

248 Um processo semelhante é utilizado para os transformadores, com os preços para os


compartimentos dos mecanismos de transmissão acrescentados aos custos unitários baseados
na multiplicação do custo por MVA para a potência do transformador ao nível de tensão
apropriado pela classificação de cada unidade. A soma é então convertida novamente ao
custo por MW para cada transformador, sempre com base no fator unitário de energia.

249 Os custos referentes a Operação e Manutenção (O&M) não estão, atualmente,


incluídos no processo de cálculo de encargos. Tem havido muitas discussões sobre a melhor
maneira de tratar estes custos de O&M, incluindo:

(a) fatoração nos encargos pelo uso nodal do sistema;

(b) incorporação aos encargos de conexão; ou

(c) recuperação por intermédio de um encargo de selo postal.

250 Os custos são fixados com base em uma vida econômica de trinta anos para o
equipamento de transmissão, com um desconto de 6% ao ano.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 67 SEN/Eletrobrás


Zonas

251 A Eletrobrás pretende agregar os encargos nodais em zonas, com base em nodos com
encargos semelhantes, conforme recomendamos. Até o momento em que este relatório
estava sendo elaborado, no entanto, o plano era fazer isto automaticamente, por intermédio de
um algoritmo que fará uma busca pelos encargos nodais e indicará os nodos contíguos com
preços semelhantes para formar zonas. A intenção é evitar qualquer diferenciação na
alocação de zonas, o que poderá afetar os encargos que os usuários devem pagar.

252 Entendemos que a abordagem será a de:

(a) fixar uma diferença máxima entre preços em dois nodos adjacentes;

(b) fixar uma diferença máxima entre o preço nodal mais alto e mais baixo na zona;
e

(c) pesquisar a rede, alocando nodos que atendem a condição de (a) em uma zona
única até que a condição (b) seja atingida, quando então uma nova zona se inicia.

253 Acreditamos que o objetivo desta abordagem seja boa, porém temos dúvidas se a
aplicação do algoritmo, ou de algum processo semelhante, possa evitar decisões arbitrárias
quanto à alocação de nodos em zonas. O exemplo a seguir deve tornar esta questão mais
clara.

Figura 6: exemplo de encargos nodais

D:4

B:2 C:-1

A:0

254 O exemplo acima mostra quatro nodos: A, B, C e D. Os preços nodais são


demonstrados ao lado das letras dos nodos. Devemos pressupor que a diferença máxima
entre os nodos adjacentes na mesma zona seja 3 e que a diferença máxima entre os preços
dentro de uma zona seja 4.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 68 SEN/Eletrobrás


255 Há uma série de alocações zonais que são consistentes com o limites pressupostos.
Três alocações têm o número mínimo possível de zonas: 2. ABC formam uma zona, com D
como uma zona de nodo único. Como alternativa, AC poderiam ser uma zona e BD, outra.
Finalmente, ABD podem ser uma zona e C uma zona separada. Não há nenhuma razão óbvia
para preferência de uma alocação ou outra.

256 Além disso, não há um método especial para o agrupamento em zonas. Uma
abordagem sensata (porém arbitrária) seria a de aplicar a regra de busca: mudar para o nodo
com a menor diferença do nodo atual. Se o nodo A é escolhido como o inicial, então a busca
irá para o C, e em seguida ao B, e o resultado será a alocação ABC/D. Se o D for escolhido
como o ponto inicial, então a busca irá para B e A e a alocação ABD/C será o resultado. O
início em B daria um dos dois resultados.

257 O uso do algoritmo resulta, portanto, uma estrutura de zona que depende da escolha
arbitrária das regras de busca e da escolha arbitrária do ponto inicial. Assim, acreditamos que
a inspeção visual dos encargos nodais provavelmente levará a um resultado pelo menos tão
aceitável quanto a da aplicação de um algoritmo. Fizemos uma alocação inicial em zonas com
base nos encargos nodais iniciais e apresentamos os resultados no Apêndice F.4. Nossa
proposta não é final quanto às zonas, mas meramente pretendem demonstrar os resultados de
uma alocação simples em zonas por inspeção.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 69 SEN/Eletrobrás


Apêndice F.4: Resultados da análise preliminar
258 Este apêndice apresenta os resultados obtidos pelo cálculo experimental dos encargos
de transmissão nodal utilizando a metodologia do DNAEE/Eletrobrás em seu formato de
fevereiro de 1997. Ao mesmo tempo em que notamos haver uma série de diferenças entre a
abordagem que recomendamos para os encargos finais e o método atual, percebemos que há
aspectos comuns suficientes para que sirvam como elementos de demonstração úteis.

259 Há uma série de simplificações e imprecisões inerentes ao cálculo das cifras


apresentadas. Estes problemas não estão, necessariamente, ainda presentes no trabalho sendo
realizado, porém entendemos ser importante chamar a atenção a eles apenas para explicar os
números indicativos que apresentamos. As principais falhas inerentes aos cálculos são as
seguintes:

(a) foi considerado apenas um caso de carga e despacho (Julho de 1997, demanda
máxima). Do descrito anteriormente sobre os casos de sobrecarga de
transmissão, é muito provável que este único estudo tenha captado apenas as
condições de pico de carga em cerca de 8% dos circuitos na rede;

(b) apenas a rede S/SE/CO foi modelada para cálculo de encargo;

(c) as extensões das linhas, e portanto dos custos, foram baseadas em classificação
aproximada a partir de parâmetros elétricos;

(d) encargos de geração nodal foram calculados com base na capacidade instalada
em cada nodo, e não no despacho nodal necessário para o máximo de carga em
julho de 1997, no caso considerado. A conseqüência deste fato é que o encargo
por nodo de MW foi subestimado em proporção equivalente à proporção do
despacho real da capacidade instalada;

(e) os encargos não foram escalonados para recuperação total da receita (isto é, o
componente residual é omitido destas cifras);

(f) custos operacionais e de manutenção não estão incluídos; e

(g) os fatores de energia do sistema são ignorados.

260 Nossa preocupação com relação ao banco de dados a partir do qual os custos unitários
de transmissão foram elaborados, conforme discutido em F.3., deve ser lembrada.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 70 SEN/Eletrobrás


261 Apesar das reservas mencionadas, acreditamos que os Preços Indicativos que
calculamos para este exemplo possam servir como uma indicação útil sobre o valor da
metodologia proposta em relação à sua função de atuar como sinalizador local aos usuários
do sistema de transmissão. As questões enumeradas anteriormente afetam os valores
absolutos dos encargos nodais; a tendência geral para os preços regionais, no entanto, estão
razoavelmente representadas.

262 Na Figura 7 demonstramos alguns valores nodais típicos para geração em pontos-
chave da rede S/SE/CW, expressos em UFIR/MW/mês - enfatizamos, no entanto, que neste
estágio os valores absolutos dos números demonstrados são de pequena relevância. O que
interessa, neste estágio de desenvolvimento, são os níveis relativos de encargos em diferentes
partes do sistema. Estes foram calculados com base nos nodos de referência múltiplos: todos
os pontos com geração ou demanda com excesso de 10MW.

263 Os preços nodais calculados neste caso variam entre 4.8, associados à geração do
nodo de 500kV em Itaipu, e -6.7, na extremidade remota de 230kV do sistema de transmissão
em Mato Grosso. Portanto, isso indica que o ponto mais caro para geração no sistema de
transmissão é o de Itaipu, refletindo o custo do sistema de 750kV para saída da energia. O
ponto mais favorável para geração na rede atual está no sistema de Mato Grosso, conforme
indicado pelo encargo negativo de boa proporção (isto é, pagamento para geradores) nesta
área. Conforme lembramos anteriormente, o equilíbrio preciso dos encargos positivos e
negativos no sistema como um todo depende da escolha dos nodos de referência.

264 Ambos os resultados baseiam-se em intuição, no sentido que as áreas de Itaipu e


Mato Grosso representam predominantemente partes radiais do sistema que são usadas
exclusivamente para transferências de energia unidirecionais - injeção de energia, no caso de
Itaipu e retirada de energia em Mato Grosso. A carga de pico, ou sobrecarga, nos circuitos de
transmissão nestas áreas será dominada pelas contribuições de geração e demanda
respectivamente. Conseqüentemente, o acréscimo da geração em Itaipu tenderá a aumentar
os requisitos de capacidade de transmissão, enquanto que a geração em Mato Grosso
provocará, ou reduzirá, a necessidade de capacidade de transmissão a partir do sistema
interligado.

265 Efeitos semelhantes são demonstrados nos resultados para outras partes da rede. Pelo
nosso conhecimento do sistema S/SE/CO, os sinalizadores locais de maior importância estão
sinalizados corretamente, e incluem:

(a) a capacidade limitada para nova geração no sistema de 500kV ligando os


sistemas do sul e do sudeste, indicados por encargos positivos na região norte do
Paraná/Santa Catarina/Rio Grande do Sul (notem que isso se aplica ao caso das
transferências de energia SE→S - a consideração de uma gama de casos
identificará os efeitos da transferência de energia reversa);

(b) a necessidade de geração na extremidade sul do sistema, demonstrado pelos


encargos bastante negativos nas regiões sudoeste e sudeste do Rio Grande do Sul;

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 71 SEN/Eletrobrás


Preço Indicativos da Transmição Nodal (UFIR/kW/Mês) Figura 7

Report IV-1: Anexo F SEN/Eletrobrás

ref.para 270
br4_f.pre
(c) as condições favoráveis para conexão à geração nos centros de carga de São
Paulo, Rio de Janeiro e Espirito Santo provocaram encargos negativos crescentes
em cada área - o fato de o Espirito Santo apresentar o encargo negativo mais alto
se deve à sobrecarga da conexão radial de 345kV proveniente do Rio de Janeiro;

(d) encargos negativos para geração associados às extremidades dos centros de


carga dos estados de Minas Gerais e Tocantins/Goiás/Brasília;

(e) encargos neutros de maneira ampla no centro da rede interligada;

(f) encargos positivos por todos os centros de geração existentes nos rios Paranaíba
e Rio Grande.

266 Discutimos as abordagens que podem ser consideradas para combinar os preços
nodais em valores por zonas para uma implementação mais direta. Sem dúvida este é um
processo que deve ser realizado com cuidado, a fim de se garantir que as distorções não sejam
introduzidas por um processo de valores médios. Este aspecto terá que ser explorado mais
detalhadamente no momento em que um conjunto abrangente de encargos, com base em uma
ampla gama de casos, tenha sido elaborado. Na Figura 7 demonstramos uma distribuição por
zonas bastante aproximada, com base na combinação de nodos onde os preços diferem menos
de 3 UFIR/MW/mês.

267 Isto sugere que um conjunto de preços razoável pode ser obtido ao se dividir a rede
SE/CW em 16 zonas aproximadamente, preservando uma gama adequada de diferenciais de
preços locais em um esquema de encargos flexível. A seleção final de zonas deverá, no
entanto, ser realizada de maneira mais rigorosa e será influenciada pela gama de preços finais
da metodologia. Uma parte importante da validade da seleção por zona será verificar a
continuidade de preços nas zonas - o que não foi feito em detalhe para o conjunto de dados
provisonais representados na Figura 7, muito embora uma série de verificações pontuais
sugeriu que em geral a continuidade é boa.

268 Em resumo, concluímos que os Preços Indicativos elaborados até o momento


demonstram sinalizadores locais bons, em geral, e muito provavelmente resultarão encargos
economicamente eficientes, desde que o processo de cálculo seja estendido conforme
discutido neste trabalho. Os passos-chave necessários para desenvolver a abordagem
completa de transmissão pela PPRCI, independentemente da necessidade de eliminar
quaisquer problemas remanescentes do processo para o modelo como descrito no início deste
apêndice incluem:

(a) modelo para a gama completa de carga realista e situações de despacho de


geração acordados;

(b) teste da necessidade de encargos térmicos e hidrelétricos separadamente devido


a diferenças nos efeitos dos casos hidrológicos;

(c) extensão do modelo para incluir o sistema N/NE;

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 72 SEN/Eletrobrás


(d) incorporação de dados mais precisos de companhias estaduais e federais sobre
extensão das linhas e configurações das subestações;

(e) revisão do banco de dados para custos de capital utilizado no processo de


encargos, com possível inclusão de diferentes custos para linhas em diferentes
tipos de solo ou regiões geográficas e incorporação de custos de compensação
reativa/capacitiva com custos de construção da linha;

(f) inclusão de custos operacionais e de manutenção com cronogramas de custos


para as linhas e as subestações;

(g) decisão referente à medição do uso do sistema pela carga;

(h) escalonamento dos preços nodais para recuperação da receita;

(i) conversão dos encargos nodais para geração em valores baseados na capacidade
nominal da usina; e

(j) conversão dos encargos nodais em valores por zonas.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 73 SEN/Eletrobrás


Apêndice F.5: Modelos de formulários para solicitação e
oferta de condições para conexão ao sistema de
transmissão ou distribuição
269 Neste Apêndice, apresentamos os modelos de formulários para conexão aos sistemas
de transmissão e distribuição.

Conexão ou Modificação

Introdução

270 Quando um usuário desejar se conectar a uma rede de transmissão ou distribuição, ou


então modificar uma conexão existente, será obrigado a seguir o procedimento padrão. O
procedimento padrão envolve:

• submeter formulários de solicitação, que se constituem de:

− um requerimento a uma Companhia da Rede para conexão ou


modificação submetida à Companhia da Rede7, relacionada a um
Contrato de Conexão à Transmissão ou Distribuição; e

− uma ficha de inscrição para o OIS/empresa de distribuição para uso do


sistema de transmissão/distribuição no caso de novas conexões,
relacionada a um Contrato para Uso do Sistema de Transmissão ou
Distribuição;

Os signatários dos contratos de conexão e uso do sistema não serão


necessariamente os mesmos do lado do usuário. Por exemplo, um consumidor
de transmissão de grande porte conectado assinará um Contrato de Conexão à
Transmissão (CCT) e um varejista assinará um Contrato de Uso do Sistema de
Transmissão (CUST) em nome do consumidor. Assim, as fichas de
solicitação para uma nova conexão neste exemplo seriam submetidas pelo
consumidor à Companhia da Rede e pelo varejista (se este já não for um
signatário do CUST) ao OIS; e

• uma oferta de modificação ou conexão. Há dois tipos de formulários que


correspondem aos dois formulários de solicitação:

7
Neste contexto, utilizamos o termo “Companhia da Rede” para nos referirmos a qualquer companhia de
transmissão signatária de um CCT e qualquer companhia de distribuição signatária de um CCD. Os termos
“OIS” e “empresa de distribuição” são utilizados para os provedores do sistema sob CUST e CUSD,
respectivamente

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 74 SEN/Eletrobrás


− um formulário de oferta para conexão ou modificação pela Companhia
da Rede; e

− uma ficha de oferta de uso do sistema de transmissão/distribuição pelo


OIS/empresa de distribuição.

Exemplos dos quatro formulários são apresentados a seguir.

Report IV-1: Anexo F - Apêndices 75 SEN/Eletrobrás


Requerimentos
Requerimento para uma Companhia da Rede para conexão ou
modificação

1. Este requerimento será submetido à Companhia da Rede correspondente se


um Usuário solicitar uma nova conexão ou, sob os termos do de um CCT/CCD, uma
modificação a uma conexão existente. A Companhia da Rede será solicitada a enviar
o requerimento ao OIS para informação e para a eventualidade de não haver
capacidade adequada no sistema para acomodar a conexão. O OIS poderá objetar que
a Companhia da Rede faça uma oferta imediata e propor adiamento.

2. O formulário exigirá que o requerente concorde com o seguinte:

(a) pagamento dos custos incorridos à Companhia da Rede para o


processamento da inscrição;

(b) informação, à Companhia da Rede, de quaisquer alterações dos planos o


mais rapidamente possível.

2.

3. A ficha deverá conter as seguintes informações sobre o requerente:

(a) Informações sobre o requerente:

− nome;

− endereço;

− sede da empresa; e

− nomes e cargos correspondentes para contato;

(b) Detalhes sobre a conexão:

− localização identificada no mapa com detalhes sobre acesso


rodoviário;

− planos para o local da conexão;

− denominação legal do local da conexão (i.e. arrendatário/não


arrendatário);

− ocupante atual do local de conexão;

Report IV-1: Anexo F 76 SEN/Eletrobrás


− localização da subestação, se necessário;

− se a Companhia da Rede precisar comprar terreno para a


subestação, juros propostos da Companhia da Rede e custo
provável;

− a natureza física da conexão e da subestação;

− o andamento das autorizações de planejamento;

− restrições de acesso ao local;

− proprietários e ocupantes das terras adjacentes ao local; e

− valores e métodos de cálculo para eventuais danos a pagar pela


Companhia da Rede caso os trabalhos propostos sofram atraso
ou sejam abandonados por culpa da Companhia da Rede;

(c) Informação técnica:

− dados técnicos; e

− normas de segurança do solicitante;

(d) Programa:

− programa de construção planejados para os trabalhos do


solicitante deve ser demonstrado em um esboço; e

(e) Para novas conexões, o signatário de qualquer uso referente aos


contratos do sistema:

− para uma geradora conectada à transmissão, o gerador deverá


celebrar um CUST;

− para uma geradora conectada à distribuição com capacidade


instalada acima de 50MW, o gerador deverá celebrar um
CUST;

− para uma empresa de distribuição ou consumidor de grande


porte conectada(a) à rede de transmissão, o varejista deverá
celebrar um CUST; e

− para um consumidor livre conectado à rede de distribuição, um


varejista autorizado no mercado livre deverá celebrar um
CUSD.

Report IV-1: Anexo F 77 SEN/Eletrobrás


Ficha de inscrição para o (a) OIS/companhia da distribuição para uso do
sistema de transmissão/distribuição

Para novas conexões, se a parte identificada na seção 2(e) do formulário à Companhia


da Rede solicitando uma conexão ou modificação não for signatária do contrato de
uso do sistema correspondente no momento, será necessário inscrever-se para a
celebração de um CUST ou CUSD, conforme o caso.

1. O formulário exigirá que o solicitante concorde em:


3.

(a) pagar pelos custos incorridos ao(à) OIS/Empresa de distribuição para o


processamento da inscrição; e

(b) informar o(a) OIS/empresa de distribuição sobre eventuais alterações aos


planos o mais rapidamente possível.

4.

2. A ficha de inscrição deverá conter as seguintes informações sobre o


solicitante:

(a) Detalhes do solicitante:

− nome;

− endereço;

− sede da empresa; e

− nomes e cargos para contato;

(b) Detalhes da conexão:

− localização; e

− capacidade máxima para importação e exportação; e

(c) o signatário de qualquer contrato conexão:

− para uma geradora conectada à transmissão, o gerador deverá


celebrar um CCT;

− para uma geradora conectada à distribuição com capacidade


instalada acima de 50MW, o gerador deverá celebrar um CCD;

Report IV-1: Anexo F 78 SEN/Eletrobrás


− para um varejista, uma das duas possibilidades: um CCT
celebrado por uma empresa de distribuição ou um consumidor
de grande porte conectado à rede de transmissão; ou um CCD a
ser celebrado por um consumidor de grande porte conectado à
rede de distribuição.

Ofertas para conexão ou modificação

Formulário para oferta de conexão ou modificação pela Companhia da Rede

A oferta da Companhia da Rede deverá incluir:

• minuta de um contrato de conexão, incluindo detalhes dos ativos de


conexão e encargos de conexão. A Companhia da Rede executará o
contrato assim que a oferta for aceita;

• demonstração de todas as solicitações interdependentes para conexão


ou modificação recebidos pela Companhia da Rede. Se tais
solicitações realmente ocorrerem, a Companhia da Rede poderá fazer a
oferta dependendo da outras ofertas interdependentes não aceitas;

• uma declaração de que a conexão será construída de acordo com as


especificações, os procedimentos técnicos e o cronograma acordado.

• uma declaração de que cada uma das partes construirá o operará o


equipamento que será de sua propriedade, pressupondo a propriedade
legal para o terreno especificado na inscrição (a menos que a
Companhia da Rede e o Usuário declarem explicitamente o contrário);
e

• a Companhia da Rede poderá solicitar, se assim desejar, que o


requerente apresente informações sobre sua idoneidade de crédito a fim
de obter garantias de crédito aceitáveis.

Ficha para oferta de uso dos sistema de transmissão/distribuição pelo(a)


OIS/empresa de distribuição

A oferta incluirá:

• uma minuta do contrato de uso do sistema detalhando os encargos pelo


uso do sistema e condições de pagamento. Assim que a oferta for
aceita, o OIS/a empresa de distribuição executarão o contrato; e

• a Companhia da Rede poderá solicitar, se assim desejar, que o


requerente apresente informações sobre sua idoneidade de crédito a fim
de obter garantias de crédito aceitáveis.

Report IV-1: Anexo F 79 SEN/Eletrobrás