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O livro do pastor Fernando Angelim chegou em um momento importante.

Por décadas, se espalhou erroneamente a informação de que os batistas nada


tinham com a doutrina calvinista da salvação. Depois que esse frágil muro
ruiu, com o surgimento de incontáveis livros e documentos confessionais que
provavam exatamente o contrário, um novo muro foi erguido e uma nova
afirmação rapidamente surgiu. Agora, o calvinismo dos batistas era
reconhecido, mas negava-se que eles fizessem parte da tradição reformada.
“Os batistas não são reformados” passou a ser ouvido em muitas partes. Essa
também era uma falácia, e mais uma vez os fatos provaram o contrário. Os
batistas são parte da grande tradição de igrejas reformadas surgidas no século
XVII, e a harmonia doutrinária das Confissões de Fé de 1689, de
Westminster e Savoy são apenas uma parte do conjunto de evidências que
testemunha a favor disso.
Em tempos mais recentes, a teologia pactual batista foi contestada. A
negação do pactualismo batista veio, principalmente, dos arraiais
pedobatistas, e para muitos batistas esse não era um assunto importante que
merecesse uma resposta; outros, inclusive, concordaram com os pedobatistas
e juntaram suas vozes às deles. Mas, afinal, os batistas são pactualistas ou
não? Em Teologia Bíblica Batista Reformada, o pastor Fernando Angelim
ajuda a esclarecer esse assunto e a desfazer mais essa falácia. Os leitores de
língua portuguesa ganharam um livro valioso e simples, que pode ajudar
muito os batistas brasileiros, especialmente os batistas reformados.
Recomendo que essa obra seja não somente lida, mas utilizada nas igrejas
como recurso para o ensino.
Marcus Paixão
Pastor da Igreja Batista Bom Samaritano – Teresina, Piauí
Fundador do Curso de História e Teologia Batista (CHTB)
Diretor acadêmico do Seminário Batista Confessional do Brasil (SBCB)
É difícil descrever brevemente o quanto o livro Teologia Bíblica Batista
Reformada, do meu amigo, pastor Fernando Angelim, é imprescindível à
igreja batista brasileira, especialmente às igrejas batistas reformadas, cuja
identidade foi perdida. Em meio ao mar de confusão eclesiástica e teológica
em que vivemos, a confessionalidade é o antídoto germinado desde a
Reforma Protestante. Aprendemos, nesta obra, que ser uma igreja batista
reformada vai muito além dos Cinco Solas da Reforma ou dos Cinco Pontos
do calvinismo, e que ser pactualista não significa necessariamente ser
pedobatista. Portanto, assumir a confessionalidade consolidada pelos batistas
puritanos do século XVII fornecerá a identidade, solidez e segurança
histórico-teológica de que nossas igrejas carecem urgentemente. Aproveite
cada página e consolide sua identidade eclesiástica!
Elivando Mesquita
Pastor da Igreja Batista Reformada em Russas – Ceará

Foi com grande alegria que recebi a notícia de que meu amigo, pastor
Fernando Angelim, teria sua obra sobre o valiosíssimo tema do federalismo
batista reformado publicada pela respeitável editora O Estandarte de Cristo.
Angelim tem se mostrado um fiel ministro do Evangelho, tanto na pregação
quanto em seus livros, sempre apontando para Cristo como meio de
chegarmos a Deus e vivermos para Sua honra. Uma de suas características é
escrever de forma simples, didática e direta sobre assuntos essenciais e
difíceis, o que os torna acessíveis a um grande número de pessoas.
Ora, o assunto da presente obra é fundamental, ainda mais para nossos
tempos de grande confusão nessa área. De fato, a doutrina das alianças é
básica para a correta interpretação das Escrituras, tocando em todo o corpo
teológico e áreas da vida da igreja. Estou convencido de que a linha seguida
por Angelim é bíblica, e é exatamente a mais negligenciada, mesmo entre
batistas, trazendo grande prejuízo para as igrejas. Resgatar essas verdades é
fomentar a restauração da boa doutrina em cada aspecto. O livro do pastor
Angelim cumpre esse papel. E aqui, o talento para a simplicidade do nobre
escritor se evidencia mais uma vez. Ele desenvolve o assunto com base nas
Escrituras de forma lógica, tornando-o claro na medida em que se lê, mesmo
para aqueles que estão lidando pela primeira vez com o tema. Portanto, é com
grande prazer que indico esta obra, acreditando que esta publicação se tornará
uma importante introdução para os que queiram conhecer o federalismo
bíblico batista reformado. Oro que seja assim, para a glória de nosso amado
Redentor e o bem de Sua Igreja, que resgatou com Seu sangue.
Manoel Coelho Jr.
Pastor da Congregação Batista Reformada de Belém – Pará

Como um caudaloso cometa em meio a densas trevas, este tomo traz de volta
parte importante de nossa tradição batista reformada: o aliancismo como
fundamento hermenêutico de nossa teologia! A Confissão de Londres de
1689 (originalmente 1677) adotava este viés hermenêutico, irmanada à
Westminster e Savoy. O Rev. Fernando Angelim nos ilumina com um estudo
sério e profundo de nosso aliancismo batista com suas similaridades e
distintivos. Aos que pouco conhecem nossa história, este trabalho será um
facho de luz. Que Cristo Jesus continue a iluminar nossos dias com obras
deste calibre!
Prof. Dr. D. B. Riker, Ph.D.
Pastor Presidente, Primeira Igreja Batista do Pará
Título Original

Teologia Bíblica Batista Reformada:


Uma Introdução Baseada na Confissão de Fé de 1689
Por Fernando Angelim

Copyright © 2020 Fernando Angelim.
Todos os direitos reservados.

Copyright © 2012 Editora O Estandarte de Cristo
Francisco Morato, SP, Brasil

1ª edição em português: 2020

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora O Estandarte de Cristo. Proibida a
reprodução por quaisquer meios, salvo em breves citações, com indicação da fonte.

Salvo indicação em contrário e leves modificações, as citações bíblicas usadas nesta tradução são da
versão Almeida Corrigida Fiel | ACF • Copyright © 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica
Trinitariana do Brasil.

Edição: William Teixeira
Revisão: Pedro Issa, Silvia Hudaba Issa, Talita do Vale
Capa: Fernando Angelim e William Teixeira

Visite: OEstandarteDeCristo.com
Fernando Angelim

Uma Introdução Baseada na


Confissão de Fé de 1689

1ª Edição

Francisco Morato, SP
O Estandarte de Cristo
2020
Agradecimentos

O conteúdo deste livro é baseado em uma série de aulas que gravei para o
canal da Escola Teológica Charles Spurgeon, em um módulo de Introdução à
Teologia Bíblica Batista Reformada. Seu conteúdo foi revisado e adaptado
para o formato de livro. Portanto, agradeço à Escola, especialmente ao pastor
Cleyton Gadelha, que me convidou para gravar sobre esse assunto tão
importante. Além disso, sou muito grato à editora O Estandarte de Cristo,
que decidiu lançar o livro ao lado da seleta e excelente lista de obras
publicadas por essa editora.
Alguns grandes amigos foram muito importantes no processo de
revisão do material. São eles: William Teixeira, Pedro Issa, Elivando
Mesquita, D.B. Riker, Janyson Ferreira, Marcus Paixão, Talita do Vale e meu
pai, Antônio Caxinauá, entre outros que assistiram e leram o conteúdo antes
da publicação. Sou grato a todos os irmãos da Igreja Batista Reformada de
Belém, onde tenho o privilégio de servir ao Senhor ao lado de irmãos tão
queridos que sempre me ajudam em oração.
Sou grato por minha amada esposa, Alana, minha mãe, Cléa, e toda a
família que sempre me dá suporte. Além disso, dou graças a Deus pelos
escritos de homens como Nehemiah Coxe, John Owen, Charles Spurgeon,
A.W. Pink, Paul Washer, Jeffrey Johnson, Pascal Denault, Samuel Renihan,
James Renihan, Richard Barcellos, dentre vários outros que muito me
ajudaram na compreensão do conteúdo aqui apresentado.
Acima de tudo, dou graças ao meu Senhor e Deus, Pai, Filho e Espírito
Santo.
Soli Deo Gloria!
Sumário
Prefácio
Introdução
1 • O que é Teologia Bíblica?
2 • Quem são os Batistas?
3 • Um Resumo do Enredo das Sagradas Escrituras
4 • O Pacto de Obras
5 • O Pacto da Graça
6 • O Pacto da Redenção
7 • A Antiga e a Nova Aliança
8 • A Lei de Deus
9 • O Dia do Senhor
10 • Teologia Credobatista x Teologia Pedobatista
Conclusão
Referências
Sites Importantes
Prefácio

As Escrituras Sagradas e a nossa Confissão revelam que “a distância entre


Deus e a criatura é tão grande, que, embora as criaturas racionais Lhe devam
obediência como seu Criador, nunca poderiam ter alcançado a recompensa da
vida, senão por alguma condescendência voluntária da parte de Deus, que Ele
Se agradou em expressar por meio de aliança” (CFB1689 7.1).[1] Sendo assim,
uma compreensão correta dessas alianças e de como, através delas, Deus
condescende em se relacionar com os homens, é da mais alta importância
para todos aqueles que, com um coração pronto e sincero, desejam interpretar
e aplicar corretamente as Escrituras para a glória de Deus e para edificação de
Seu povo pactual, a igreja.
Portanto, quando falamos de aliancismo, estamos falando de um
método de interpretar a Bíblia, ou, para usar uma linguagem mais moderna,
estamos falando de um método de fazer teologia bíblica, mas que, ao mesmo
tempo leva em conta a sistematização de todo o conselho de Deus declarado
na “palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).
Sobre a importância vital desse tema, bem como a abrangência de sua
influência e relação com as demais doutrinas bíblicas, o amado pastor Jeffrey
Johnson disse com propriedade:
Quando se trata de uma visão sistemática e holística da Escritura,
nada é mais vital do que uma compreensão adequada do
relacionamento entre os pactos de Deus — principalmente o
relacionamento entre a Antiga e a Nova Alianças. A teologia pactual
molda o entendimento da soteriologia, da eclesiologia e da
escatologia, e, em particular, a visão da natureza e do futuro de Israel,
do reino de Deus, da igreja, das ordenanças e da natureza do retorno
de Cristo. Além disso, observar como a Bíblia é dividida em dois
Testamentos (o Antigo e o Novo) e compreender a continuidade e a
descontinuidade entre eles é primordial para o teólogo sistemático.[2]
Particularmente, estou convencido da extrema necessidade e urgência
da igreja brasileira, especialmente os batistas, recuperar um entendimento
bíblico profundo e piedoso sobre os pactos de Deus. E estou igualmente
convencido de que este excelente livro, do querido pastor Fernando Angelim,
tem muito a contribuir para esse fim.
Escrito de maneira clara e didática, e sobretudo bíblica, este livro se
mostrará útil tanto para o pai de família que deseja conhecer melhor sua
Bíblia e guiar a sua família piedosamente quanto para aquele que foi
chamado a se “apresentar a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que
se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).
O autor inicia definindo o que é teologia bíblica e, mais
especificamente, o que é teologia bíblica reformada, bem como seu método e
suas características. Então, nos toma pela mão e nos conduz a um passeio
pela história da igreja, mostrando como os batistas surgiram no contexto da
Inglaterra do século XVII, a partir do separatismo. Esses batistas ingleses
confessavam uma teologia bíblica que era distintivamente reformada e
pactual.
Em seguida, somos levados a perceber como Deus estruturou a grande
história da Bíblia através de alianças, desde a revelação do Pacto da Graça, na
promessa do Salvador em Gênesis 3:15, até o seu cumprimento na Nova
Aliança, em Cristo Jesus. O livro, então, passa a tratar dos três grandes pactos
de Deus: em primeiro lugar, do Pacto de Obras, que diz respeito à aliança
feita por Deus com Adão no Éden, antes da queda. Adão era o representante
de toda a humanidade, portanto, a queda de Adão em pecado afetou todos
nós. Mas Cristo é o Segundo Adão, o que cumpre perfeitamente as exigências
divinas no lugar do Seu povo crente, que nos liberta da maldição e nos
concede vida eterna. Em segundo lugar, o Pacto da Graça, que surge do
eterno Pacto da Redenção, é revelado progressivamente na Antiga Aliança e
formalmente estabelecido na cruz do Calvário, no derramamento do sangue
do Mediador Prometido. Em terceiro lugar, o Pacto da Redenção, que foi
feito na eternidade e consiste em um acordo entre as pessoas da Trindade
para a redenção dos eleitos no tempo.
Após um tratamento bíblico desses três grandes pactos, surge então a
oportunidade para lidar com o assunto fundamental da natureza da Antiga e
da Nova Aliança, e da distinção entre elas. A Antiga Aliança diz respeito,
particularmente, à aliança legal feita por Deus com Israel, mediada por
Moisés, mas também pode se referir, grosso modo, a todo o período anterior
à morte e ressureição de Cristo. E a Nova Aliança, que, segundo as
Escrituras, equivale ao Evangelho e ao Pacto da Graça, é a maneira pela qual
Deus salva pecadores da caída posteridade de Adão através da obra redentora
do Filho.
Os capítulos 8 e 9 são dedicados a mostrar o relacionamento do cristão
com a lei de Deus, especialmente com o Quarto Mandamento do Decálogo. O
entendimento reformado, puritano e confessional da lei é explicado à luz das
Escrituras e somos exortados a obedecer à lei moral de Deus em amor e
gratidão, seguindo o exemplo do Senhor Jesus, e evitando tanto o
antinomismo quanto o legalismo.
O último capítulo traz uma comparação na qual são traçados as
semelhanças e os contrastes entre a teologia pactual credobatista e a
pedobatista. O livro é concluído com breves reflexões sobre os temas bíblicos
estudados, nas quais o escritor expressa a esperança de que sua obra seja útil
para promover nos leitores o aumento de seu amor a Deus e ao próximo, e de
que todo o conhecimento adquirido nestas páginas resulte em uma vida
piedosa para a glória de Deus.
William Teixeira
Introdução

Em nossos estudos bíblicos, perguntas importantes podem surgir, tais quais:


Como compreender o enredo das Sagradas Escrituras? Qual é o tema
principal do Antigo e do Novo Testamento? O que é uma aliança? O que
significam as alianças mencionadas na Bíblia? Qual é a relação entre a Antiga
e a Nova Aliança? As cerimônias e leis que regiam Israel no Antigo
Testamento são válidas para nós, hoje? Por quê? Como um cristão se
relaciona com os Dez Mandamentos?
Essas são apenas algumas perguntas que um cristão que começa a
estudar a Bíblia pode se fazer, e a teologia bíblica deverá lidar com elas. O
objetivo deste livro é ajudar você a compreender melhor o enredo das
Escrituras, a ter uma noção adequada do plano da redenção revelado na
Bíblia e a entender onde você se encontra nessa grande história. Faremos um
breve panorama das Escrituras e consideraremos como, ao longo dos séculos,
esse maravilhoso roteiro divino tem se desenvolvido. Além disso,
buscaremos extrair do texto bíblico, com o auxílio de grandes teólogos
antigos e contemporâneos, o entendimento correto sobre as preciosas
verdades ali contidas. Estes estudos devem levá-lo à adoração a Deus e ao
cultivo de uma vida piedosa, em gratidão e obediência a Ele.
Outro elemento que estudaremos é a teologia bíblica “reformada”, em
suas diversas manifestações — um sistema teológico bíblico que tem raízes
na Reforma Protestante. Atualmente, está em curso um notável
redescobrimento da teologia reformada e um renovado interesse, por parte de
muitos, pela pregação expositiva, pelas doutrinas da graça e pelos Solas da
Reforma, e isso é excelente. Entretanto, a teologia reformada vai além desses
pontos. Existem ainda outras áreas importantes a serem redescobertas e
recuperadas. A herança reformada, representada pelo que chamamos, hoje, de
teologia bíblica, também tem muito a contribuir, e esse será um tema
explorado neste livro.
Além disso, o objetivo deste livro é apresentar, especificamente, a
teologia bíblica “batista” reformada, uma vez que visamos resgatar
preciosidades da herança teológica dos batistas particulares do século XVII e
demonstrar a robustez de sua teologia. Isso é importante, haja vista que,
infelizmente, muitos batistas desconhecem, atualmente, sua própria história e
teologia. Há uma perda de identidade doutrinária em meio à muitas igrejas
que se autodenominam “batistas”. Hoje, é possível entrar em uma igreja local
cuja placa destaca a denominação “batista” e, tratar-se, no entanto, de uma
igreja com tendências neopentecostais ou caracterizada por outras doutrinas
que não correspondem às raízes da teologia batista. A este respeito, Phillip
D.R. Griffiths acerta ao afirmar que “os batistas reformados precisam
redescobrir a sua rica herança, a qual lhes proporcionará uma compreensão
mais profunda da Palavra de Deus e, esperamos, os levará a caminharem
mais próximos de Deus”.[3]
Assim, com o propósito de resgatar a preciosa herança teológica e
histórica dos batistas, muitos argumentos apresentados neste livro são
baseados na Confissão de Fé Batista de Londres, de 1689. Apresentaremos
alguns aspectos da teologia bíblica dessa Confissão, sempre à luz das
Sagradas Escrituras, que devem ser a norma que rege qualquer documento
confessional. Quando os credos e as confissões estão de acordo com a Bíblia
e expõem corretamente seus preceitos, eles não se tornam obsoletos, mesmo
com o passar dos anos. Esse é o motivo de uma Confissão tão antiga ainda ter
tanto a nos ensinar.
Portanto, há muito a ser trabalhado neste pequeno livro. Ele deve servir
como um aperitivo, uma introdução ao assunto, um pontapé inicial para seus
estudos. Sendo assim, tenha em mente que não seremos exaustivos. Porém,
há outros livros que serão mencionados e referenciados para você mergulhar
no assunto que será introduzido aqui.
1
O que é Teologia Bíblica?

Quando começamos a estudar a Bíblia, é possível que tenhamos dificuldade


de compreender como se dá o desenrolar das histórias em sua grande
narrativa. Muitas pessoas enfrentam problemas para entender qual é o ponto
unificador do enredo bíblico e quais são os principais eventos que trazem
mudanças significativas nessa história. Surgem algumas perguntas, como:
Quais são os pontos de continuidade e descontinuidade entre o Antigo e o
Novo Testamento? Como cada aliança que Deus fez interfere no todo da
história? O que a vinda de Cristo trouxe para nós? Qual é a mensagem central
das Escrituras?
É disso que a teologia bíblica trata, daí a sua importância. Ela é a
disciplina que nos ajuda a resolvermos esses problemas. Estudá-la nos
auxiliará a compreendermos a sequência dos acontecimentos em seu devido
contexto e a entendermos em que momento nos encontramos hoje, diante do
quadro total da Bíblia. Esse quadro pode ser resumido em: Criação, Queda,
Redenção e Consumação. A teologia bíblica nos ajudará a obtermos uma
melhor noção de como cada peça se encaixa no registro divino, ou seja, como
cada livro da Bíblia contribui para sua história de forma mais ampla e para o
plano de Deus que nos foi revelado, de maneira sublime, de Gênesis a
Apocalipse.
Quando estudamos os acontecimentos em seu devido contexto,
percebemos como cada detalhe glorifica a Deus e isso traz alegria aos nossos
corações e um maior desejo de conhecer o Senhor, de estar com Ele e de
viver para Sua glória.
Estudaremos a teologia bíblica reformada, a qual, como explicaremos
mais a frente, segue um modelo pactual. Sobre a importância desse modelo,
William Teixeira afirmou que “a teologia pactual está para o corpo da teologia
bíblica assim como a coluna vertebral está para o corpo humano”.[4] Ainda a
esse respeito, o teólogo batista A.W. Pink destacou que as alianças divinas
possuem proeminência nas Sagradas Escrituras:
Os pactos ocupam um lugar de destaque nas páginas da revelação
divina, mesmo se fizermos apenas uma leitura superficial da
Escritura. A palavra aliança é encontrada ao menos vinte e cinco
vezes no primeiro livro da Bíblia e ocorre muitas outras vezes no
Pentateuco, nos Salmos e nos Profetas. Tampouco é uma palavra
incomum no Novo Testamento. Ao instituir o grande memorial de
Sua morte, o Salvador disse: “Este cálice é o novo testamento no
meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20). Ao enumerar
as bênçãos especiais que Deus havia dado a Israel, Paulo disse que a
eles pertenciam “as alianças” (Romanos 9:4). Aos Gálatas, Paulo
expôs duas alianças (4:24-31). Aos santos de Éfeso, lembrou-lhes de
quando andaram em seus dias como não regenerados, “estranhos às
alianças da promessa”. Toda a epístolas aos Hebreus é uma
exposição acerca da melhor aliança da qual Cristo é o Mediador
(8:6).[5]
Nehemiah Coxe, um renomado batista do século XVII, ao falar sobre as
transações pactuais de Deus, disse:
Se alguém não entende as transações pactuais de Deus para com Adão
de maneira correta, certamente ficará desnorteado em todas as suas
buscas posteriores da verdade que procura conhecer.[6]
Sendo assim, uma vez que a teologia pactual se encontra no cerne da
verdade das Escrituras, torna-se difícil exagerarmos sua importância para uma
compreensão saudável das doutrinas bíblicas. O príncipe dos pregadores,
Charles Haddon Spurgeon, afirmou:
A doutrina do pacto divino está na raiz de toda a verdadeira teologia.
Já foi dito que aquele que entende bem a distinção entre o Pacto de
Obras e o Pacto da Graça é um mestre em teologia. Estou convencido
de que a maioria dos erros cometidos pelos homens acerca da doutrina
da Escritura se deriva de erros fundamentais no que diz respeito aos
Pactos da Lei e da Graça.[7]
Portanto, trata-se de um assunto central que, se não for entendido
adequadamente, pode afetar negativamente a compreensão de todas as outras
doutrinas. Logo, o estudo aprofundado da teologia bíblica reformada nos agrega
uma série de benefícios, pois ela:
1) Oferece-nos uma melhor compreensão do enredo completo da Bíblia
e de nosso papel nesse grande quadro;
2) É essencial para a hermenêutica, ou seja, para a interpretação correta
da Palavra de Deus;
3) Ensina como o Antigo Testamento se relaciona com a pessoa de
Cristo;
4) Ajuda-nos a compreendermos os aspectos de continuidade e
descontinuidade entre as alianças divinas, prevenindo-nos de muitos
equívocos e suas consequências danosas;
5) Auxilia-nos a entender como cada parte das Escrituras contribui para
o plano de Deus;
6) Ensina sobre a herança teológica encontrada em importantes
confissões de fé históricas;
7) Apresenta uma noção elevada a respeito do nosso Senhor Jesus
Cristo, o Mediador;
8) Leva-nos a glorificar a Deus na contemplação de Sua obra redentora.

1. O QUE É TEOLOGIA BÍBLICA?


A teologia é o estudo da revelação de Deus. O professor Heber Carlos
de Campos explica que “o homem estuda Deus mediante aquilo que Deus
revela de Si mesmo. Portanto, a teologia deve ser entendida como a ‘ciência
da revelação’ ou a ‘ciência da Escritura”.[8] Existem algumas modalidades de
estudo da teologia, tais quais:
Teologia sistemática. Ocupa-se da sistematização das doutrinas sob
determinados títulos, e também é chamada de dogmática. Preocupa-se em
arranjar, em um sistema completo de doutrinas, o que os cristãos creem sobre
vários tópicos, como Deus, salvação, pecado, igreja, batismo, ceia etc.
Teologia histórica. Busca estudar, historicamente, como a igreja cristã
tem feito teologia ao longo dos séculos e lida com os conflitos, os grandes
debates e os concílios ocorridos ao longo da história da igreja, bem como
com os credos firmados pelo pensamento cristão.
Teologia exegética. Estuda o processo de extração da mensagem de um
texto a partir de seu contexto original. A teologia bíblica, por vezes, é
considerada uma parte dessa disciplina mais ampla chamada teologia
exegética.

Teologia pastoral. Interessa-se pelo estudo da aplicação prática da Palavra


de Deus na vida dos cristãos. Sua ênfase está no ministério e no cuidado
pastoral da igreja local.[9]
Teologia bíblica. A teologia bíblica busca compreender o enredo das
Escrituras enquanto um só livro. Geerhardus Vos a define como “aquele
ramo da teologia exegética que lida com o processo da autorrevelação de
Deus registrada na Bíblia”.[10] Para Vos, o nome “história da revelação
especial” seria preferível, pois essa nomenclatura expressa, com melhor
precisão e de uma maneira totalmente aceitável, o que essa ciência se propõe
a ser. Contudo, é difícil mudar um nome que já se consagrou pelo uso.[11]
James M. Hamilton Jr., em seu livro “O que é Teologia Bíblica?”, explica:
Em suma, com a frase teologia bíblica quero dizer a perspectiva
interpretativa refletida no modo como os autores bíblicos
apresentaram sua compreensão de Escrituras anteriores, da história
redentiva e dos eventos que eles descrevem, relatam, celebram ou
tratam nas narrativas, poemas, provérbios, cartas e apocalipses.[12]

Uma outra definição dessa área pode ser encontrada no livro “Teologia
Bíblica”, de Nick Roark e Robert Cline, que a define da seguinte maneira:
Teologia bíblica é um modo de ler a Bíblia como uma única história
de um único autor divino, que culmina em quem Jesus Cristo é e o
que Ele fez; então, cada parte da Escritura é entendida em relação a
Ele. A teologia bíblica nos ajuda a entender a Bíblia como um grande
livro constituído de vários livros menores que contam uma única
grande história. O herói e o ponto central dessa história, de capa a
capa, é Jesus Cristo.[13]
Portanto, a teologia bíblica é a maneira de observarmos a revelação de
Deus, a sequência dos eventos na grande narrativa bíblica. Trata-se de uma
forma de ler as Escrituras como um único grande livro composto por diversos
livros menores em uma história que culmina em Cristo. Ele é o ponto central
da história e cada parte deve ser entendida em relação a Ele. Graeme
Goldsworthy explica que:
A teologia bíblica é um meio de entender a Bíblia no seu todo, a fim
de podermos perceber o desenrolar do plano da salvação estágio por
estágio. A teologia bíblica se ocupa da mensagem de Deus para nós
na forma em que ela realmente assume nas Escrituras.[14]
Portanto, podemos perguntar: Qual é o tema central desse enredo
bíblico? Qual é o elemento unificador encontrado nessa grande narrativa?
Como compreender a história revelada ao longo do Antigo e Novo
Testamento?
O tema central e unificador do enredo bíblico pode ser encontrado na
pessoa de Jesus Cristo. Toda a Escritura fala a Seu respeito. A Bíblia revela
como o Deus Todo-Poderoso resgatou um povo, por meio do sacrifício do
Seu filho unigênito, pelo poder do Espírito Santo, a fim de viver para a Sua
glória. Durante o Antigo Testamento, o Messias é anunciado e prefigurado de
várias formas, e, no Novo Testamento, Ele vem ao mundo para salvar Seu
povo dos seus pecados. Após cumprir Sua missão, Ele é apresentado como
Aquele a Quem toda autoridade foi dada e já reina à destra de Deus, como o
cabeça de Sua igreja que voltará no tempo determinado por Deus para a
consumação de todas as coisas. O príncipe dos puritanos, John Owen,
complementa:
Esse princípio sempre deve ser retido em nossas mentes ao lermos a
Escritura, a saber, que a revelação e a doutrina da pessoa de Cristo e
Seu ofício são o fundamento sobre o qual todas as outras instruções
dos profetas e dos apóstolos, para a edificação da igreja, são
construídas, e pelo qual elas são esclarecidas… Portanto, o próprio
Senhor Jesus Cristo manifestou isso de forma geral em Lucas 24:26-
27, 45-46. Deixe de lado essa consideração e as Escrituras deixam de
ser o que pretendem, ou seja, uma revelação da glória de Deus na
salvação da igreja…[15]
Owen destaca a revelação e doutrina de Cristo, expressa pelo próprio
Senhor Jesus Cristo no caminho de Emaús, que pode ser observada no
seguinte relato: “Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas
e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas,
explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24:26-
27). William Hendriksen comenta o que ocorreu ali:
É razoável presumir que nosso Senhor, ao interpretar em todas as
Escrituras as coisas referentes a Ele, mostrou como o Antigo
Testamento completo, de diversas maneiras, aponta para Ele.[16]
Goldsworthy complementa:
Uma vez que Cristo é a síntese de toda a revelação bíblica, o que é
revelado dEle rege nosso modo de fazer teologia bíblica. Jesus de
Nazaré é a mais plena autorrevelação de Deus à humanidade. Ele traz
plena luz ao que, desde o início, foi apresentado no Antigo
Testamento como sombra.[17]
Portanto, a teologia bíblica busca compreender como se desenvolve a
grande história bíblica, a qual Roark e Cline assim resumem: “Deus, o Pai,
enviou seu Filho por meio do Espírito para conquistar um povo para a Sua
própria glória”.[18]

2. QUAL É O MODELO DE TEOLOGIA BÍBLICA


REFORMADA?
Ao estudarmos teologia bíblica, notaremos a existência de diferentes
correntes de interpretação acerca da história da Redenção. Matt Perman, ao
falar sobre a teologia de John Piper, explica que há três campos teológicos
principais que tratam dos temas da Lei, do Evangelho e da estruturação do
relacionamento redentor de Deus para com a humanidade. São eles:
• O Dispensacionalismo;
• A Teologia Pactual;
• A Teologia da Nova Aliança.[19]
Nosso objetivo, neste livro, é estudarmos a teologia bíblica
reformada, a qual segue o modelo pactual. A doutrina pactual foi a espinha
dorsal que caracterizou a teologia reformada. Ela esteve na essência do
pensamento reformado acerca do trato de Deus com os homens.[20]
Podemos identificar as primeiras formulações e sistematização da teologia
pactual a partir do século XVI nos teólogos-reformadores de Heidelberg:
Zacharius Ursinus (1534-1583), Caspar Olevianus (1536-1587),
Franciscus Junius (1591-1677), como também nos puritanos ingleses
Thomas Cartwright (1634-1689) e Dudley Fenner (1558-1587).[21] Nessa
mesma época, os teólogos suíços Heinrich Bullinger (1504-75) e Ulrico
Zwínglio (1484-1531) também estudavam esse conceito teológico pactual.
Conforme afirmou Bullinger, “a relação entre Deus e a humanidade é uma
relação de pacto”.[22]
Posteriormente, a teologia pactual pode ser expressamente observada
nas principais confissões de fé que moldaram a teologia de denominações
históricas, como a dos presbiterianos, dos congregacionais e dos batistas, a
saber, a Confissão de Fé de Westminster, a Declaração de Fé de Savoy e a
Confissão de Fé Batista de 1689, respectivamente.
Embora as confissões de fé, diferentemente das Escrituras, não sejam
infalíveis, elas têm o objetivo de declarar publicamente aquilo que um certo
grupo de cristãos, em uma determinada época, creem, pregam e ensinam. As
confissões buscam orientar e definir princípios claramente delineados a partir
das Escrituras a fim de prevenir o povo de Deus contra erros e heresias. É
importante ressaltar que todas essas confissões mencionadas seguem o
modelo pactual, que era um consenso entre elas. Todas compreendiam a
estrutura pactual na revelação e no relacionamento de Deus com Seu povo,
embora houvesse alguns distintivos que serão mencionados mais à frente.
2.1. Características da Teologia Bíblica Reformada

2.1.1. Segue uma Hermenêutica Clássica


A hermenêutica reformada, de acordo com Richard Barcellos,[23] segue
quatro princípios fundamentais:
2.1.1.1. O primeiro princípio pode ser resumido na seguinte
expressão: “O Espírito Santo é o único intérprete infalível da Sagrada
Escritura”, ou seja, quando a Escritura interpreta a si mesma, ela o faz de
maneira infalível. Portanto, textos posteriores que fazem uso de textos
anteriores lançam luz interpretativa sobre eles. Agostinho de Hipona
demonstra esse importante princípio hermenêutico ao afirmar: “O Novo
está no Antigo velado; o Antigo está no Novo revelado”[24] e Nehemiah
Coxe resume esse ponto com maestria: “…o melhor intérprete do Antigo
Testamento é o Espírito Santo falando conosco através do Novo
Testamento”.[25]
2.1.1.2. O segundo princípio é a “Analogia da Escritura (Analogia
Scripturae)”. Trata-se do entendimento de que passagens mais obscuras
devem ser interpretadas à luz de passagens mais claras sobre o mesmo
assunto. Esse princípio foi claramente adotado pela a Confissão de Fé Batista
de 1689:
A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura; e,
portanto, quando houver uma questão sobre o verdadeiro e pleno
sentido de qualquer Escritura (que não é múltiplo, mas único), esse
pode ser investigado por meio de outros textos que o expressem mais
claramente.[26]
Essa citação da Confissão de Londres também apresenta o terceiro
princípio:
2.1.1.3. “a Analogia da Fé (Analogia Fidei)”. Barcellos explica, sobre
esse ponto, que “a regra de fé inspirada e infalível é toda a Escritura, cujas
partes textuais devem ser entendidas à luz de seu todo textual-teológico”. Ele
exemplifica:
Um exemplo de entendimento apropriado do uso da analogia da fé
seria a identificação da serpente de Gênesis 3. Podemos dizer com
absoluta certeza que a serpente é o diabo, e Satanás. Sabemos isso
porque Deus nos diz através da Escritura subsequente em Apocalipse
12:9.[27]
2.1.1.4. Por fim, “o Escopo das Escrituras (Scopus Scripturae)” diz
respeito a uma interpretação das Escrituras à luz de seu escopo geral, o alvo
que toda a Escritura tem. Neste particular, Barcellos explica:
Para os teólogos federalistas ou pactuais do século XVII, o escopo da
Escritura foi a glória de Deus na obra redentora do Filho de Deus
encarnado. Sua visão do escopo da Escritura foi, em si mesma, uma
conclusão feita a partir da Escritura, não uma pressuposição trazida
de fora, e isso condicionou toda a interpretação subsequente.[28]
A Segunda Confissão de Londres menciona, no que tange às Escrituras,
a “harmonia de todas as partes, o propósito do todo (que é dar toda glória a
Deus)”.[29] Sendo assim, a hermenêutica reformada se preocupa com a
interpretação de cada parte das Escrituras à luz do seu enredo completo e
considera cada texto à luz do grande escopo das Escrituras.

2.1.2. Ela é Pactual


Esse modelo chama-se “pactual” pois entende que o desdobramento
dos acontecimentos bíblicos se dá através das alianças que Deus fez. A
Confissão de Fé Batista de Londres atesta:
A distância entre Deus e a criatura é tão grande que, embora as
criaturas racionais Lhe devam obediência como seu criador,
nunca poderiam ter alcançado a recompensa da vida, senão por
alguma condescendência voluntária da parte de Deus, que Ele Se
agradou em expressar por meio de aliança.[30]
É por meio de alianças que Deus revela Seu plano progressivamente na
história. John Owen, define aliança como um pacto ou um acordo em
certos termos, mutuamente estipulados por duas ou mais partes.
Entretanto, ele faz ressalva que a Nova Aliança é uma aliança
incondicional por não haver menção de qualquer condição da parte do
homem, consistindo apenas na gratuidade da promessa divina:
Uma aliança, propriamente dita, é um pacto ou um acordo, em certos
termos mutuamente estipulados por duas ou mais partes. Como as
promessas são o fundamento e a origem dê-la, como o é entre Deus e
o homem, assim compreende também preceitos, ou leis de
obediência, as quais são prescritas ao homem para que as observe.
Mas na descrição da aliança aqui mencionada [a Nova Aliança], não
há menção de qualquer condição da parte do homem, de nenhum
termo de obediência prescrito, mas o todo consiste na livre e gratuita
promessa, como se verá em sua explicação.[31]
Uma outra definição possível de pacto, expressa por Meredith G. Kline,
seria, “um compromisso com sanções divinas entre um senhor e um servo”.
[32]

2.1.3. Ela Crê na Existência de Dois Representantes Pactuais

Deus trata com os homens por meio de dois representantes (cabeças federais):
[33]
Adão e Cristo. Charles Spurgeon afirmou:
A justiça de Adão seria nossa desde que ele a mantivesse, e o pecado
dele tornou-se nosso no momento que ele pecou. Da mesma forma,
tudo o que o Segundo Adão é, ou tudo o que Ele faz, nos pertence,
visto que Ele é nosso representante.[34]
A Confissão de Fé Batista de 1689 corrobora essa ideia:
Ademais, tendo o homem trazido sobre si mesmo a maldição da lei,
por sua queda, aprouve ao Senhor fazer um Pacto de Graça, no qual
Ele oferece livremente aos pecadores a vida e a salvação por meio de
Jesus Cristo, exigindo deles a fé nEle, para que eles sejam salvos; e
prometendo dar a todos os que são ordenados para a vida eterna, o
Seu Espírito Santo, para torná-los dispostos e capazes de crer.[35]
Portanto, nessa perspectiva, ou alguém está em Adão, tentando salvar-
se inutilmente pelas suas obras, ou está em Cristo, sendo salvo por um Pacto
de Graça. “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se
tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos
se tornarão justos” (Romanos 5:19).

2.1.4. Culmina em Cristo


O clímax dessas alianças acontece na Nova Aliança, quando Deus, em
Cristo, realiza a promessa que tinha feito aos pais de enviar o Salvador. Jesus
Cristo é o Messias prometido que cumpriu toda a justiça divina em lugar do
Seu povo, morreu sacrificialmente na cruz do Calvário, foi sepultado e ao
terceiro dia ressuscitou. A Confissão de Londres prossegue:
Essa Aliança é revelada no Evangelho; primeiramente a Adão na
promessa de salvação pela descendência da mulher, e depois por
etapas sucessivas, até que a sua plena revelação foi completada no
Novo Testamento; e é fundada naquela transação pactual eterna que
houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos; e é somente
pela graça dessa Aliança que todos da posteridade do caído Adão, que
já foram salvos, obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade. O
homem é agora totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles
termos em que Adão permanecia, em seu estado de inocência.[36]
A Confissão demonstra que a promessa revelada em Gênesis 3:15 está
fundada no eterno Pacto de Redenção e foi revelada em etapas sucessivas até
sua completude no Novo Testamento. Essa afirmativa corrobora a afirmação
do próprio Senhor Jesus, no Evangelho de Lucas, de que todo o Antigo
Testamento falava a Seu respeito:
E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda
convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava
escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-
lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes:
Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao
terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse
o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações,
começando por Jerusalém (Lucas 24:44-47).
Charles Spurgeon afirma que, “se somássemos todas as bênçãos
espirituais, deveríamos dizer: ‘Cristo é tudo’. Ele é o Tema, Ele é a
Substância da mesma. E, apesar de que muito pode ser dito sobre as glórias
do Pacto, ainda assim, nada poderia ser dito que não fosse encontrado em
uma palavra: ‘Cristo’”.[37]

2.1.5. A Salvação é Concedida com Base na Nova Aliança


Todos os que foram salvos em todas as épocas foram salvos por Cristo
e Seu sangue derramado. Os crentes do Antigo Testamento criam na
promessa de um Messias que viria, os crentes do Novo Testamento creem no
Cristo que veio, estabeleceu a Nova Aliança e que voltará. Como afirmou
John Owen:
Tomarei como certo o fato de que nenhum homem nunca foi salvo
senão em virtude da Nova Aliança, e da mediação de Cristo para
tanto… Todo o conhecimento de Deus em Cristo é claramente
revelado e salvificamente comunicado em virtude da Nova Aliança
para aqueles que creem.[38]
A Confissão Batista explica:
Aprouve a Deus, em Seu eterno propósito, e de acordo com o Pacto
estabelecido entre ambos, escolher e ordenar o Senhor Jesus, Seu
Filho unigênito, para ser o mediador entre Deus e os homens, o
profeta, sacerdote e rei; o cabeça e salvador da Igreja, o herdeiro de
todas as coisas, e juiz do mundo; a quem, desde toda a eternidade,
deu um povo para ser Sua posteridade e para ser por Ele, no tempo,
remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.[39]
Sobre o assunto, o apóstolo Paulo resumiu: Porquanto há um só Deus e
um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (1 Timóteo
2:5).

CONCLUSÃO
Nesta introdução, alguns pontos importantes foram trabalhados, a
saber:
1) O estudo da teologia bíblica influencia nossa compreensão de toda a
Escritura e das demais doutrinas bíblicas.
2) A teologia bíblica tem como objetivo estudar a história da revelação
especial de Deus, a história da redenção, a maneira de observarmos toda a
Bíblia como um livro só.
3) A doutrina pactual foi a espinha dorsal que caracterizou a teologia
reformada.
4) A teologia bíblica reformada segue uma hermenêutica clássica, é
pactual, crê na existência de dois representantes federais (Adão e Cristo),
culmina em Cristo e entende que a salvação é concedida com base na Nova
Aliança.
Nos próximos capítulos, daremos maior atenção à teologia bíblica
batista pactual que encontramos na Confissão de Fé Batista de Londres, de
1689. Consideraremos, ademais, os distintivos batistas da teologia pactual, a
qual, por ser uma posição robusta e profundamente bíblica, deve ser
considerada com atenção.
2
Quem são os Batistas?

Para adentramos no tema mais específico da teologia bíblica batista


reformada devemos responder algumas perguntas importantes, dentre elas:
quem são os batistas? Como surgiu esse grupo? Quais são suas raízes
teológicas? O que podemos aprender com sua história? Qual era a teologia
bíblica que defendiam?
Depois de obtermos essas respostas, teremos condições de examinar
sua teologia à luz das Escrituras, como os bereanos em Atos 17:11, para
verificarmos sua veracidade, uma vez que nosso objetivo não deve ser o de
defender correntes teológicas como torcedores de times de futebol, mas
conhecermos, de fato, a verdade bíblica.

1. A ORIGEM DOS BATISTAS[40]


A denominação batista tem suas origens na Reforma, especialmente
nos separatistas da Inglaterra. O livro The Baptist Story afirma:
[…] a melhor explicação para o desenvolvimento das convicções e
ideias batistas se encontra no movimento dos separatistas ingleses,
que saíram do movimento puritano do final do século XVI […] Como
o historiador batista inglês Barrie R. White afirmou, visto que a
explicação para o surgimento das convicções batistas é nítida no
contexto do movimento puritano-separatista inglês, o ônus da prova
recai sobre aqueles que defendem que o anabatismo continental teve
um papel decisivo no surgimento dos batistas. Os batistas são filhos
dos puritanos, um movimento com raízes que remontam à Reforma
Europeia no século XVI.[41]
Portanto, para compreendermos a origem dos batistas, precisamos
conhecer um pouco sobre seu contexto mais amplo, a saber, a Reforma
Inglesa.

1.1. A Reforma na Inglaterra


Embora homens piedosos, como William Tyndale, possam ter
preparado algum terreno para a Reforma Inglesa,[42] a ruptura com a Igreja
Católica Romana ocorreu principalmente por meio de uma reconfiguração
política introduzida pelo rei Henrique VIII (1509-1547) e confirmada por sua
filha Elizabete I (1558-1603). G.R. Elton em seu clássico capítulo sobre a
Reforma Inglesa, em The New Cambridge Modern History, afirma:
A Inglaterra, como é notório, consumou sua Reforma com uma
diferença. Enquanto em outros lugares uma revolta religiosa
conduziu, em seu despertar, a uma reconstrução política e
constitucional, a marcha da Inglaterra para longe de Roma foi dirigida
pelo governo por razões que pouco tinham a ver com religião ou fé.
Mas há fatores — circunstâncias, sentimentos e paixões, bem como
indiferenças — que explicam a Reforma Inglesa.[43]
G.R. Elton explica que a verdadeira fonte dessa reforma foi política e
que todas as objeções em relação à interferência de um papa estrangeiro na
Inglaterra não teriam levado à uma ruptura com a igreja de Roma se a Coroa
não tivesse achado necessário lidar com o controle papal da igreja.[44]
Portanto, apesar dos grandes problemas envolvendo a Igreja Católica
Romana de seu tempo, o ponto que motivou o rei Henrique VIII à ruptura
com Roma era bem peculiar. A Inglaterra havia saído de uma longa e
devastadora guerra civil, a Guerra das Duas Rosas (1455-85), e estava em
uma situação financeira muito complicada. A ruptura com Roma significaria
deixar de repassar os dízimos para a Igreja Católica, bem como o confisco de
inúmeras riquezas e terras que a Igreja possuía na Inglaterra. Henrique VIII
faz parte do processo de constituição das monarquias absolutistas na Europa,
um processo que começou, na Inglaterra, com seu pai. A ruptura com Roma
foi, a rigor, a proclamação da supremacia real (daí o nome Ato de
Supremacia) sobre a igreja da Inglaterra. Mais do que uma cisão com Roma,
foi uma afirmação do poder de Henrique VIII sobre a igreja. Henrique VIII
pediu anulação de seu casamento com Catarina de Aragão casamento,
alegando que ela havia consumado sexualmente seu casamento anterior com
o irmão de Henrique VIII e, por isso, aquele casamento era ilegítimo aos
olhos de Deus — e por isso, também, Deus não lhes concedia um filho
homem. O papa negou a anulação por ter uma enorme proximidade com os
pais de Catarina, Fernando e Isabel da Espanha, os chamados “Reis
Católicos”.[45]
Sendo assim, Henrique VIII rompeu com o papado e fundou a Igreja
Anglicana. Inicialmente tratava-se de uma igreja nacional inglesa de
orientação claramente semelhante à Romana.[46] Elton explica que “Henrique
VIII parece ter pensado que a ruptura com Roma poderia ser realizada sem
uma alteração da doutrina e do culto da Igreja Inglesa”.[47]
O rei, então, teve o apoio do arcebispo da Cantuária, Thomas Cranmer,
que o auxiliou no processo do distanciamento teológico de Roma. Entretanto,
Elton explica ainda que a reforma política estava começando a provocar certa
turbulência religiosa. O pequeno, porém, notável, grupo de teólogos que
adotou as doutrinas de Lutero e Tyndale achava que havia chegado a hora
deles, e Cranmer sentiu-se inclinado a apoiá-los. A sequência dos
acontecimentos mostraria que, posto que a Inglaterra havia rompido com
Roma, o início puramente político da Reforma rapidamente ganharia a
companhia de uma força verdadeiramente religiosa e até espiritual.[48]
Após a morte de Henrique VIII, seu filho Eduardo VI o sucedeu. Nessa
época, os partidários de uma reforma mais profunda da Igreja Inglesa tiveram
maior influência sobre o rei e isso possibilitou que a Igreja Anglicana se
tornasse protestante. G.R. Elton explica que “Cranmer logo produziu uma
revisão do Livro de Oração (1552), que descartou o que havia restado da
doutrina católica em sua versão anterior e assumiu uma posição
completamente alinhada ao protestantismo”.[49]
Entretanto, esse período foi breve, uma vez que Eduardo VI governou
apenas por seis anos (1547-1553) e foi sucedido por sua irmã, Maria Tudor
(1553-1558), filha de Catarina de Aragão. A rainha ficou conhecida como
“Maria, a sanguinária” devido à sua crueldade na perseguição aos
protestantes. Elton esclarece:
Ao longo do ano de 1553 ficou claro que Eduardo VI tinha pouco
tempo de vida. A menos que algo fosse feito, ele seria sucedido por
sua irmã Maria, filha de Catarina de Aragão e uma seguidora
inabalável da Igreja de Roma. Para os contemporâneos, essa sucessão
significou uma reversão completa da política religiosa [adotada por
Eduardo VI] [...].[50]
Em seus dias de reinado, Maria tentou restaurar a Igreja Católica
Romana na Inglaterra e perseguiu ferozmente os líderes protestantes, a ponto
de executar mais de 270 mártires, dentre eles Thomas Cranmer (†1556).
Outros fugiram para o continente (Genebra, Zurique, Frankfurt), dentre eles
John Knox e William Whittingham (o principal responsável pela Bíblia de
Genebra). Nesse período, surgiram em Londres as primeiras congregações
autônomas.[51] O relato do martírio de muitos cristãos protestantes desse
período foi registrado no Livro dos Mártires, escrito por John Foxe.
Após o — também breve — reinado de Maria I, um longo reinado
ocorreu sob o governo de Elizabete I (1558-1603). A princípio, os puritanos
se animaram com sua ascensão, mas logo se decepcionaram, pois a rainha
possuía preocupações primordialmente políticas. Com vistas a manter o
controle sobre as igrejas e assegurar certa estabilidade política, procurou
garantir um sistema de governo episcopal, ou seja, a rainha insistiu em
controlar a igreja, reservou para si a nomeação dos bispos.
Então, os protestantes que reivindicavam uma reforma mais profunda
da Igreja Anglicana ficaram conhecidos como “puritanos”, tratava-se de um
nome pejorativo, atribuído pelo alto clero anglicano. O nome se consagrou
especialmente no contexto da “Controvérsia das Vestimentas” (1563-1567),
um protesto que foi feito contra o uso de vestimentas clericais. Os puritanos
afirmavam que a igreja não era plenamente reformada, pois preservava
muitos resquícios do Catolicismo Romano, por isso ela precisava ser
purificada. Essa luta se tornou mais intensa ao longo dos reinados de Jaime I
(1603-1625) e Carlos I (1625-1649). O puritanismo é uma mentalidade ou
atitude religiosa que começou cedo na história da Reforma Inglesa. A
princípio, era identificado com a Igreja Anglicana, contudo, muitos puritanos
separaram-se dela posteriormente, dando origem a diversos grupos como:
batistas, congregacionais e presbiterianos.
Em seu livro Os Puritanos: Suas Origens e Seus Sucessores, D.M.
Loyd-Jones explica que “a mentalidade puritana busca colocar a verdade
antes das questões de tradição e autoridade, e é caracterizada por uma
insistência na liberdade de servir a Deus de maneira como cada qual julga
certa”.[52]

1.2. Os Separatistas Ingleses


Dentre os puritanos que não se conformavam com a situação da igreja,
uma parte deles ficou conhecida como os “Separatistas Ingleses”. Esses
foram os que deixaram a Igreja Anglicana e fundaram congregações
autônomas. B.R. White, em seu livro The English Separatist Tradition,
afirma que:
Sob o reinado de Maria, os anglicanos eduardianos se tornaram
separatistas porque consideravam a Igreja Romana e seus caminhos
como falsos e sua adoração como idólatra. Posteriormente, o
separatismo na Inglaterra desenvolveria o mesmo repúdio pela igreja
estabelecida considerando-a como anticristã, isso porque seus
caminhos eram contrários às Escrituras e porque eles se organizaram
como um grupo de congregações cujas práticas estavam mais
alinhadas com os ensinamentos das Escrituras.[53]
B.R. White afirma que o fator culminante para os separatistas deixarem
a Igreja Anglicana e passarem a se reunir fora da igreja estatal foi sua busca
por um alinhamento às Sagradas Escrituras. White atestou que o
entendimento sobre a natureza da Igreja de Cristo dado pelo separatismo
inglês não era uma novidade da Reforma, mas um ensino extraído
diretamente da Bíblia, principalmente, do Novo Testamento.[54] Sobre os
Separatistas Ingleses, Chris Traffanstedt afirma:
Essa demanda das forças políticas e religiosas da Inglaterra por
conformidade originou um grupo conhecido como “Separatistas”. Os
princípios por detrás desse movimento eram a separação entre Igreja
e Estado; doutrina pura, livre de interesses políticos; e reforma geral
da Igreja. Os Separatistas levavam a Bíblia a sério e estavam
determinados a entregarem suas vidas por causa dos seus ensinos.
Eles afirmavam que a Igreja era formada pelos redimidos, e não por
pessoas politizadas.
[...] Além disso, eles prezavam por uma liturgia simples que
enfatizasse o Deus Santo. Eles achavam que as formas de culto
impostas pelo Estado e os escritos auxiliares da Igreja da Inglaterra
levavam o povo a enfatizar a forma e não a Soberania de Deus
[substância]; assim, esse tipo de “auxílio” foi desprezado.
Foi a partir desse chamado à pureza na igreja, tanto no culto quanto na
prática diária, que se originaram os “batistas”.

1.3. Os Batistas Gerais


Os batistas surgiram em dois grupos distintos: os primeiros ficaram
conhecidos como “batistas gerais”, e receberam esse título por acreditarem na
expiação geral, em oposição aos “batistas particulares”, que surgiram três
décadas depois e se posicionavam firmemente a favor da expiação limitada
(definida), sendo influenciados pela teologia de homens como João Calvino.
[55]

Sobre os batistas gerais, o livro A History of the Bapstists, de Robert B.


Torbet, afirma que foi na Holanda que ocorreu o início da história dos
batistas ingleses. Afirma que o refugiado religioso John Smyth ficou
conhecido por alguns como “fundador das igrejas batistas modernas” por ter
adotado o credobatismo e composto um princípio batista em sua Confissão
histórica.[56]
Devido à perseguição aos não conformistas por parte do governo,
muitos refugiados religiosos encontraram resguardo na Holanda. Esse país,
desde 1595, acolheu os separatistas ingleses que haviam ficado desamparados
após a execução de seus líderes em 1594. O primeiro grupo a sair da
Inglaterra, aproximadamente no final de 1607, foi o de Gainsborough que
tinha como líderes Thomas Helwys e Smyth.[57] Entretanto, entre o final de
1608 e início de 1609, Torbet explica, Smyth tornou-se anabatista e batizou a
si mesmo e a sua congregação:
Smyth, sem dúvida sob a influência dos menonitas de Waterlander,
tornou-se um anabatista. Ele havia chegado à decisão “de que
crianças não deveriam ser batizadas, porque (1) não há preceito e nem
exemplo no Novo Testamento de crianças que foram batizadas pelos
discípulos de João e de Cristo, e (2) Cristo ordenou que fizessem
discípulos ensinando-os e depois batizando-os. No entanto, ainda que
teologicamente preparado para se voltar para os menonitas, ele se
batizou por efusão, depois batizou também Helwys e aqueles que o
desejaram dentre o restante de sua congregação, um total de quarenta
pessoas.[58]
Ainda sobre os batistas gerais, Torbet afirma que o testemunho desses
foi preservado por apenas um pequeno número de pessoas:
[...] a organização das igrejas batistas gerais (isto é, aquelas que
mantêm a visão arminiana de uma expiação geral ou ilimitada) em
solo inglês data de 1611 ou início de 1612, quando Thomas Helwys e
seu punhado de seguidores retornaram a Londres. Eles haviam
retornado ao país de onde haviam fugido da perseguição alguns anos
antes, com um objetivo em mente — propagar sua fé. Assim, o
testemunho batista foi preservado e perpetuado por não mais do que
dez pessoas corajosas.[59]
Torbet atesta que a congregação parece ter se encontrado
clandestinamente em Spitalfield, nos arredores dos muros de Londres. Essa
foi a primeira igreja batista em solo inglês cuja origem possui provas
históricas.[60]

1.4. Os Batistas Particulares


O outro grupo que provém dos puritanos separatistas ingleses são os
“batistas particulares”. Entretanto, eles são distintos dos batistas gerais.
Torbet explica que:
[...] os batistas particulares não tinham conexão com os anabatistas
continentais. Em vez disso, representaram um passo adicional ao
movimento do independentismo inglês (congregacionalismo) em
direção à sua conclusão lógica no batismo de crentes professos. A
origem das igrejas batistas particulares na Inglaterra pode ser datada
de cerca de 1638.[61]
Sobre o surgimento dos batistas particulares, A.C. Underwood, em seu
livro A History of the English Baptists, comenta:
Eles surgiram a partir de uma igreja independente e mantiveram uma
teologia calvinista. E, pelo fato de eles acreditarem em uma expiação
restrita e, portanto, particular, confinada apenas aos eleitos, foram
chamados de “particulares”.[62]
Essa igreja, da qual posteriormente surgiriam os batistas particulares, é
conhecida como JLJ e foi iniciada em 1616, por Henry Jacob, em seu retorno
à Inglaterra. É importante notarmos que os batistas particulares compuseram
duas Confissões de Fé seguindo uma linha teológica reformada. Sobre a
primeira confissão batista de Londres de 1644, Torbet explica:
Naquele ano, para esclarecer sua posição sobre o modo adequado de
batismo, quinze ministros batistas particulares, incluindo Spilsbery,
Kiffin e Knollys, incorporaram uma definição de batismo por imersão
em uma Confissão de cinquenta artigos de fé, aos quais afixaram suas
assinaturas. Sete igrejas batistas particulares adotaram essa Confissão
de Londres, como era chamada, que expressava a teologia calvinista,
estipulava o batismo por imersão e defendia a liberdade religiosa.
Com o consequente reavivamento da imersão, os batistas deram outro
passo para longe de seus antepassados anabatistas.[63]
Na mesma linha, acerca das duas confissões produzidas pelos batistas
particulares, Chris Traffanstedt complementa:
Em 1644, os batistas particulares publicaram a Primeira Confissão de
Fé Batista. Essa Confissão era calvinista e rejeitava todas as
insinuações de que eles eram “anabatistas”. Embora essa Confissão
não fosse muito clara, foi um importante documento que ajudou a
reunir todos os batistas particulares. Então em 1677, uma Segunda
Confissão foi elaborada, refletindo a Confissão de Westminster
(1647) e a Declaração de Savoy (1658). Em sua maior parte, esse
novo documento seguia a Confissão de Westminster, mas em sua
posição quanto ao governo da Igreja, a Confissão Batista seguia a
Declaração de Savoy. A Confissão de Fé Batista estabelecia as
questões sobre qual tipo de poder os representantes das associações
das igrejas tinham sobre as igrejas locais. Além disso, lidava com o
batismo afirmando sua posição a favor do batismo de crentes ao invés
do batismo infantil. Devemos ter em mente que as discussões sobre
esse assunto não se seguiram devido aos “anabatistas”, mas surgiram
de um desejo intenso de refletir a Escritura tal como ele foi entregue a
nós.[64]
A Segunda Confissão de Fé Batista de Londres foi emitida de forma
anônima em 1677, devido à perseguição que os batistas particulares estavam
sofrendo. Ela foi, então, republicada abertamente em 1688, mas só ganhou
maior circulação e reconhecimento geral em 1689. Em seu livro Quem Foram
os Puritanos?, Erroll Hulse afirma o seguinte:
Quando as condições melhoraram, em 1688, foi possível publicar a
Confissão que havia sido formulada anteriormente [i.e., em 1677],
mas a perseguição sofrida impediu-a de ter uma grande circulação. A
Confissão de 1677 tornou-se conhecida como A Confissão de Fé de
1689 somente pela maior divulgação que recebeu naquela época.[65]
Sobre a doutrina e distintivos importantes desses batistas, o professor
de teologia histórica, Tom Nettles, destacou:
Vimos que esses porta-vozes influentes da vida dos batistas
abraçaram a Bíblia como uma revelação divina infalível. Eles se
submeteram à sua autoridade à luz do entendimento puritano do
princípio regulador. As doutrinas históricas, mesmo as expressões de
fórmula, do trinitarianismo ortodoxo e da cristologia, estabeleceram
os batistas em um fundamento sólido. As perdas dessas doutrinas
foram consideradas trágicas e destrutivas para a fé cristã e para a
unidade batista. Além da autoridade bíblica e da ortodoxia histórica,
os batistas afirmaram o entendimento protestante do Evangelho. Eles
se afastaram do sacramentalismo Católico Romano mais do que
qualquer outro grupo Protestante, tanto em doutrina quanto em
eclesiologia. Fortes visões da iluminação, convicção e regeneração do
Espírito Santo deram forma forte e definitiva ao perfil batista.
Justificação pela fé, com um compromisso claro e fortemente
declarado com a imputação da justiça de Cristo, concretizou seu
testemunho evangélico. Essa teologia prevaleceu em toda a
comunidade batista. Essas doutrinas dão testemunho inatacável da
posição histórica evangélica desses batistas ingleses dos séculos XVII
e XVIII.[66]
Sobre esse assunto, é importante ressaltarmos que muitos desconhecem
as raízes reformadas da teologia batista e chegam a pensar equivocadamente
que não existem batistas reformados, como podemos ver no sincero relato do
presbiteriano Solano Portela sobre o assunto, em seu prefácio do livro As
Implicações Práticas do Calvinismo:
Alguns meses após, viajei duas horas com mais alguns colegas até
uma igreja onde o Pastor Martin pregaria. Na cidade de Ocean City,
New Jersey, conheci sua poderosa oratória e impressionei-me com a
sua doutrina e com a profundidade e sinceridade de suas palavras.
Conhecendo um pouco mais de sua pessoa, algumas surpresas: “Mas
batista?”; “E os batistas não são contra a teologia reformada?”. E
assim, minha falta de conhecimento ia sendo esclarecida; ia
aprendendo que os batistas históricos eram todos reformados; que o
abandono das Doutrinas da Graça era algo recente em sua história —
ocorria há menos de cem anos; que um dos maiores pregadores
reformados da história — Charles Spurgeon, era batista; que a
confissão de fé dos batistas antigos — a Confissão de Fé de Londres
(1689), era praticamente idêntica à Confissão de Fé de Westminster; e
assim por diante.[67]
Portanto, é inegável que, em suas raízes confessionais, os batistas são
reformados. E, como já vimos no capítulo anterior, as principais confissões
de fé reformadas eram todas pactuais em sua estrutura de teologia bíblica,
com muitas semelhanças em diversos aspectos, mas havia um distintivo
pontual que culminou em uma diferença em relação ao batismo, como explica
Pascal Denault:
Os puritanos do século XVII podiam ser separados em três grupos:
presbiterianos, congregacionais e batistas. Os dois primeiros grupos
eram pedobatistas, ao passo que o terceiro era credobatista. A divisão
quanto à teologia do pacto foi causada pela questão do batismo. Os
pedobatistas defendiam um entendimento da teologia do pacto e os
batistas defendiam outro.[68]
Veremos, mais à frente, que os batistas reformados acreditavam que
apenas os eleitos regenerados estavam no Pacto da Graça, no qual se pode
entrar unicamente pela fé. Os batistas consideraram que nenhuma outra
aliança, além da Nova Aliança, foi o Pacto da Graça. Eles reconheceram que
o Pacto da Graça foi revelado sob todas as alianças desde a queda, mas
fizeram distinção entre a verdadeira substância dessas alianças e o Pacto da
Graça em si.[69] Esses distintivos serão examinados detalhadamente em
capítulos posteriores.
O ponto que precisamos saber até aqui é que os batistas particulares
eram reformados e, em sua confissão, seguiam uma teologia bíblica pactual
que possuía alguns distintivos em relação à teologia pedobatista, as quais
estudaremos pormenorizadamente mais à frente.

2. BATISTAS PACTUAIS NOTÁVEIS[70]


Alguns nomes importantes do passado defenderam uma teologia
pactual idêntica ou muito semelhante àquela encontrada na Confissão de Fé
Batista de 1689. Nessa lista encontramos nomes como:
John Spilsbery (1598-1668). Pertenceu à primeira geração de batistas
calvinistas, foi um dos primeiros pastores dentre os batistas particulares e
pastoreou uma igreja batista calvinista, fundada em 1638. Ele é um dos
signatários da Primeira Confissão de Fé Londrina de 1644 e de sua versão
revisada, dois anos depois. Um ano antes da emissão desse documento,
publicou um tratado sobre o batismo intitulado “A Treatise Concerning the
Lawful Subject of Baptisme” [Um Tratado Acerca dos Candidatos Legítimos
ao Batismo]. Ele apresenta um entendimento da doutrina da aliança que é
diferente daquele dos seus contemporâneos pedobatistas. É de suma
importância que um dos mais antigos tratados dos Batistas Particulares em
defesa do credobatismo, o faça com base na teologia da aliança. Isso mostra
que a identidade batista manteve, desde o princípio, um federalismo diferente
daquele pedobatista e que o batismo de crentes é resultado de um
entendimento diferente das alianças bíblicas.
Henry Lawrence (1600-1664). Foi um puritano estadista associado à
Oliver Cromwell, publicou um tratado chamado “On Baptism” [Sobre o
Batismo], defendeu um federalismo de acordo com o credobatismo e criticou
o pedobatismo.
Thomas Patient (†1666). Um dos signatários da Primeira Confissão de
Fé Londrina, foi enviado como missionário à Irlanda pelo governo de
Cromwell e estabeleceu a primeira comunidade de convicção batista ali, a
Waterford Baptist Church [Igreja Batista de Waterford]. Escreveu o tratado
“The Doctrine of Baptism, And the Distinction of the Covenants” [A Doutrina
do Batismo, e a Distinção das Alianças] (1654).
John Bunyan (1628-1688). É certamente um dos, senão o mais
conhecido dos puritanos, autor do livro “O Peregrino”. Bunyan também
escreveu um tratado sobre a teologia da aliança que se encontra na coleção de
suas obras publicada em três volumes pela The Banner Of Truth, intitulada
“The Doctrine of the Law and Grace Unfolded” [A Doutrina da Lei e da
Graça Revelada].
Nehemiah Coxe (†1688). Possivelmente, o teólogo batista mais
significante no que diz respeito à teologia pactual. Era de filho Benjamin
Coxe, um dos signatários da Primeira Confissão de Fé Londrina. Seu tratado
“A Discourse of the Covenants that God made with men before the Law” [Um
Discurso sobre as Alianças que Deus fez com os Homens antes da Lei]
(1681) traça as diferenças fundamentais entre presbiterianos e batistas,
baseado em seus respectivos entendimentos da aliança abraâmica.
Benjamin Keach (1640-1704). Foi o principal teólogo batista da
segunda metade do século XVII. Os distintivos fundamentais dos batistas
estão presentes em seus tratados.
Charles Haddon Spurgeon (1834-1892). O príncipe dos pregadores
foi um herdeiro da herança dos Batistas Particulares, chegou a republicar a
Confissão de Fé Batista de 1689 e, na ocasião, afirmou:
Pensei ser correto reimprimir em uma forma econômica esta
excelente lista de doutrinas, que foram subscritas por ministros
batistas no ano de 1689. Nós precisamos de um estandarte pela causa
da verdade; pode ser que este pequeno volume ajude a causa do
glorioso Evangelho, testemunhando claramente quais são as suas
principais doutrinas […]”.[71]
Sobre a teologia pactual, Spurgeon fez a seguinte citação:
A doutrina do pacto divino está na raiz de toda a verdadeira teologia.
Já foi dito que aquele que entende bem a distinção entre o Pacto de
Obras e o Pacto da Graça é um mestre em teologia. Estou convencido
de que a maioria dos erros que os homens cometem sobre as
doutrinas da Escritura se derivam de erros fundamentais no que diz
respeito aos Pactos da Lei e da Graça.[72]
É notável que, para Spurgeon, a teologia pactual estava na raiz de toda
a verdadeira teologia, e que ele tenha destacado a importância da Confissão
de Fé de 1689, a ponto de prefaciar sua reimpressão.
Atualmente, nomes como Pascal Denault, Richard Barcellos, Samuel
Renihan, James Renihan, Samuel Waldron, Brandom Adams, Thomas
Nettles e Jeffrey Johnson são alguns dos diversos nomes que têm feito parte
do legado dos batistas pactuais e publicado vários livros sobre o assunto. Até
mesmo o renomado pregador Paul Washer apresenta uma posição bem
semelhante em seus livros.
Finalizamos este breve resumo sobre a identidade histórica dos batistas
com as palavras de Torbet sobre o legado deixado por aqueles primeiros
batistas:
Tais foram os primórdios dos batistas ingleses. Apesar da
perseguição, eles fizeram contribuições significativas para seus dias e
para as gerações futuras. Eles estavam entre os cristãos que
descobriram o indivíduo na religião. Eles levaram a igreja a sério,
construíram comunidades de fé reunidas mediante compromisso
pessoal simbolizado pelo batismo dos crentes. Eles, como seus
antepassados puritanos separatistas, procuraram realizar o ideal de
uma igreja pura sem abandonar seu envolvimento na ordem social.
Eles se mantiveram pacientes, mas valentes, com uma convicção
fundamental de que a verdadeira religião deve ser voluntária para ser
válida.[73]

CONCLUSÃO
Vimos brevemente a origem dos batistas e sua identidade pactual
histórica. Mencionamos verdades importantes, tais como:
1) Os batistas têm suas origens na Reforma, especialmente nos
Separatistas da Inglaterra.
2) Os batistas surgiram inicialmente como dois grupos distintos, os
“batistas gerais”, que criam na expiação geral, e os “batistas particulares”,
que tinham forte posição a favor da expiação particular e foram influenciados
pela teologia de homens como João Calvino.
3) Os batistas particulares compuseram as suas confissões de fé em
uma linha teológica reformada.
4) As principais confissões de fé reformadas eram todas pactuais em
sua estrutura de teologia bíblica, com muitas semelhanças em diversos
aspectos, mas havia um distintivo pontual que culminou em uma diferença
em relação ao batismo.
5) Nomes notáveis como John Spilsbery, Henry Lawrence, Thomas
Patient, John Bunyan, Nehemiah Coxe, Benjamin Keach, Charles Haddon
Spurgeon fazem parte dessa história dos batistas.
A seguir, trabalharemos um breve panorama do enredo das Sagradas
Escrituras, antes de examinarmos alguns dos principais termos teológicos
usados para expressar conceitos importantes da teologia pactual batista.
3
Um Resumo do
Enredo Das Sagradas Escrituras

Neste capítulo, faremos um sobrevoo panorâmico na Bíblia para obtermos


uma noção geral do seu enredo e observaremos como a Confissão de Fé
Batista de 1689 apresenta e compreende esse grande enredo. Examinaremos,
à luz das Sagradas Escrituras, um trecho crucial da Confissão de 1689, no
qual encontramos de maneira sintetizada uma parte importante de sua
teologia bíblica. Em seu capítulo Sobre a Aliança de Deus, a Confissão de Fé
Batista de Londres explica:
Essa Aliança é revelada no Evangelho; primeiramente a Adão, na
promessa de salvação pela descendência da mulher, e depois, por
etapas sucessivas, até que a sua plena revelação foi completada no
Novo Testamento; e é fundada naquela transação pactual eterna que
houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos; e é somente
pela graça dessa Aliança que todos da posteridade do caído Adão, que
já foram salvos, obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade. O
homem é agora totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles
termos em que Adão permanecia em seu estado de inocência.[74]
A Confissão Londrina fala a respeito de uma aliança que foi revelada
no protoevangelho, primeiramente a Adão, por meio de uma promessa de
salvação através de um descendente da mulher, e essa promessa desenvolve-
se ao longo de todo o Antigo Testamento. Além disso, foi revelada por meio
de etapas sucessivas, alcançando sua consumação somente no Novo
Testamento. A confissão também afirma que essa aliança é fundada em uma
transação feita entre as pessoas da Trindade, especificamente entre o Pai e o
Filho, na eternidade, para a salvação de um povo escolhido e que somente
através da graça dessa aliança é que os pecadores da caída posteridade de
Adão podem ser salvos, uma vez que encontram-se em um estado de
incapacidade de serem aceitos nos mesmos termos de Adão enquanto ainda
estava em seu estado de inocência.
Ao longo desse livro, vamos examinar as Escrituras para verificarmos
se encontramos tais afirmações no relato bíblico. Começaremos agora com
um breve panorama das Sagradas Escrituras.

1. ANTIGO TESTAMENTO
Deus criou todas as coisas (Gênesis 1:1). Fez o ser humano à Sua
imagem e semelhança (Gênesis 1:26). O Senhor fez uma aliança condicional
com Adão no Éden, segundo a qual, se ele obedecesse, poderia comer da
árvore da vida e viver eternamente, porém, se desobedecesse, morreria
(Gênesis 3:22, 3:3), com todas as implicações dessa morte (física, espiritual e
eterna). Adão e Eva, seduzidos pela serpente (o Diabo, Apocalipse 12:9),
pecaram contra Deus e quebraram essa aliança, sofrendo as consequências da
queda (Gênesis 3:17; Oséias 6:7). Por ser Adão o cabeça federal (um
indivíduo que representa um grupo) da humanidade, toda a sua descendência
foi afetada por seu pecado (Romanos 5:12). Porém, o Senhor prometeu que
um descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente e que ela lhe
feriria o calcanhar (Gênesis 3:15).
Nota-se que a promessa divina a respeito de um descendente da mulher
que daria o golpe fatal na cabeça da serpente é a primeira promessa do
Evangelho nas Escrituras (protoevangelho), apontando para o Messias,
aquele que viria para desfazer as obras do Diabo (1 João 3:8). Ao longo de
todo o Antigo Testamento, a promessa a respeito do descendente da mulher
se desenvolveu através de sombras, sinais e tipos que apontavam para Cristo
(Lucas 24:27; Colossenses 2:16-17; 2 Timóteo 3:14-15).
Após a queda, toda a criação foi afetada (Romanos 8:18). Os
descendentes do primeiro casal protagonizam uma história trágica: Caim
mata Abel. Em seguida, Lameque, filho de Caim, também se torna assassino
e a imoralidade se multiplica grandemente na terra (Gênesis 6). Diante da
perversidade do coração humano, o Senhor emite um juízo, envia um dilúvio,
porém preserva um remanescente, Noé e sua família são salvos da morte em
uma arca. Após o dilúvio, o Senhor faz uma aliança com Noé, cujo sinal seria
um arco no céu (Gênesis 9:12) e cuja promessa divina era de preservação da
humanidade, pela qual o Senhor garante que não destruiria mais a terra por
meio de um dilúvio. Essa garantia traz uma estabilidade física para o
desenvolvimento da promessa. Entretanto, após o dilúvio, a corrupção
humana permanece. Notamos, na sequência, que os homens em direta
rebelião contra Deus, em vez de honrá-lO e obedecê-lO, buscam unir-se para
engrandecerem a si mesmos, erigindo uma torre que chegasse até o céu para
tornarem, a si mesmos, célebres. O Senhor intervém mais uma vez, o que
culmina na dispersão deles pela terra após o Senhor confundir a língua que
falavam, a ponto de não entenderem uns aos outros (Gênesis 11:4-9).
No desenrolar da história, o Senhor chama Abrão de Ur dos Caldeus
(Gênesis 12), a quem faz promessas a respeito de uma terra, uma
descendência e de que, por meio de seu descendente, todas as nações da terra
seriam abençoadas. Essas promessas tinham aspectos físicos e espirituais,
aspectos terrenos e aspectos celestiais, aspectos condicionais e aspectos
incondicionais (Gênesis 12 e 17). Os aspectos físicos da aliança abraâmica se
cumpririam na nação de Israel, o sinal desta aliança era a circuncisão física, a
terra prometida era Canaã e o desenvolvimento dessa aliança se daria com
sua descendência física na nação de Israel sob a Antiga Aliança (Gálatas
4:24-31). Entretanto, os aspectos espirituais da aliança abraâmica referiam-se
a Cristo, o descendente de Abraão (Gálatas 3:16), e se cumpririam na Nova
Aliança. A circuncisão, na Nova Aliança, é do coração, os herdeiros dessas
promessas são aqueles que creem em Cristo, os que têm a fé de Abraão
(Gálatas 3:29).
Notamos, mais uma vez, a condução do Senhor na história. Lembrando
da aliança que fez com Abraão, Deus resgata o povo do Egito de maneira
milagrosa sob a liderança de Moisés. O Senhor endurece o coração de Faraó,
envia dez pragas, e após a última delas, o Senhor os tira com mão forte do
Egito, abrindo o mar vermelho para que o povo hebreu passe e fechando o
mar em juízo ao Faraó e seu exército.
Com Moisés, Deus também faz uma aliança no Sinai (Êxodo 20). A
Antiga Aliança (aliança feita no Sinai) tem aspectos condicionais, como o
pacto feito com Adão no Éden (obedeça e viva, desobedeça e morra). É uma
aliança nacional, condicional e temporal. A nação de Israel é constituída nas
leis cerimoniais, civis e morais da aliança sinaítica. Ela serve para preservar a
linhagem do Messias, aponta para Ele através de suas sombras, sacrifícios e
cerimônias, mostra a necessidade de obediência perfeita à Lei, de expiação de
pecados, da necessidade de um mediador e serve como aio para conduzir a
Cristo (Gálatas 3:24-25).
Depois da morte de Moisés, o Senhor levanta Josué para possuir a terra
que prometera, Canaã, e de maneira sobrenatural as muralhas de Jericó são
derrubadas e a terra é conquistada. Após a morte de Josué, o Senhor suscita
juízes para guiar a nação de Israel, que faz o que é mau perante o Senhor,
seguindo o costume de nações pagãs.
Em seguida, o povo de Israel, embora sabendo que o Senhor era o seu
Deus, deseja um rei, como os das outras nações, e escolhe Saul. Esse rei,
porém, torna-se um transgressor. Então, um rei segundo coração de Deus, da
linhagem de Judá, foi escolhido conforme a profecia de Jacó (Gênesis 49:9-
12). Deus faz uma aliança com Davi e lhe promete que um descendente seu
herdaria o trono para sempre. Essa promessa também se referia a Jesus Cristo
(Atos 2:25-35). Após a morte de Davi, seu Filho Salomão assume o reinado e
Israel tem um período de grande prosperidade. Salomão, porém, não era
ainda, em última instância, o descendente prometido. Após sua morte, seu
filho Roboão age de maneira insensata e o reino acaba divido em dois. Diante
de tantas transgressões e imoralidades os dois reinos que agora existem
acabam sendo levados para o cativeiro. O reino do Norte, para o cativeiro na
Assíria, e o reino do sul, para o cativeiro babilônico.
No período do cativeiro babilônico, o rei Nabucodonosor tem um sonho
que revela eventos futuros, nesse sonho ele vê uma grande estátua possuindo
uma cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e quadris de bronze e as
pernas e os pés em parte de ferro e em parte de barro. No sonho, uma pedra
foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de
barro e os esmiuçou (Daniel 2:31-34). Daniel, por meio de uma revelação
divina interpreta o sonho do rei afirmando que a cabeça representava o rei da
Babilônia, Nabucodonosor, e as outras partes, dinastias subsequentes, até
que, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será
jamais destruído, e esse reino não passará a outro povo, esmiuçará e
consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre (Daniel
2:44).
Muitos intérpretes entendem que os reinos mencionados por Daniel
correspondem à seguinte ordem: a cabeça de ouro representa o rei da
Babilônia Nabucodonosor; o peito e braços de prata, o império Medo-Persa;
o ventre e os quadris de bronze, o império grego sob o domínio de Alexandre,
o Grande; as pernas e os pés, o império Romano; e a pedra que derruba a
estátua representa Cristo e o avanço do Reino de Deus.[75]
Além disso, os profetas anunciam a vinda do Messias, explicam que
Ele seria a salvação divina até à extremidade da terra (Isaías 49:6), declaram
sua obra sacrificial e vitoriosa em resgate do seu povo (Isaías 53), falam de
uma aliança superior que está por vir, mas não conforme a aliança que foi
feita no Egito, uma vez que o povo a quebrou. Por meio dessa Nova
Aliança, o Senhor imprime Suas leis no coração do Seu povo particular e
todos os que fazem parte dela conhecem o Senhor que promete perdoar
Seus pecados e não lembrar de Suas iniquidades (Jeremias 31:31-34).

2. O NOVO TESTAMENTO
Por meio de Sua providência, o Senhor conduziu a história, levantou e
derrubou reinos, fez promessas e alianças, mas um propósito central não pode
ser perdido de vista: John Owen compreendeu bem que “Cristo é […] o fim
principal de toda a Escritura”.[76] William Ames acerta ao constatar que “o
Antigo e o Novo Testamento podem ser resumidos a estas duas coisas: ‘o
Antigo promete o Cristo que viria e o Novo testifica que Ele veio’”.[77]
Portanto, na plenitude dos tempos, Cristo Jesus vem, nascido sob a Lei
(Gálatas 4:4), da linhagem de Abraão e Davi, o Filho de Deus, o Verbo que
se fez carne (João 1:14), como cumprimento de todas as profecias, para
resgatar a Sua igreja, aqueles que foram eleitos antes da fundação do mundo
(Efésios 1:4), consumar a obra que o Pai Lhe deu para cumprir (João 17:4),
pagar o preço por todos os pecados do Seu povo (Mateus 1:21), de todos
aqueles que nEle creem (João 3:16). Cristo Jesus é a substância para Quem
todas as sombras apontavam, Ele é a revelação superior (Hebreus 1:1-2). O
sinal de Jonas apontava para a Sua ressurreição (Mateus 12:39-40), a serpente
no deserto, para o Seu sacrifício (João 3:15), o maná apontava para o pão da
vida (João 6), Melquisedeque, para o Seu sacerdócio real (Hebreus 7). Ele é o
sumo sacerdote superior, o Rei superior, o Profeta superior (Hebreus 1:1-4).
Ele é o descendente da mulher, o Segundo Adão (Romanos 5:19). Os
acontecimentos dos dias de Noé demonstram como será Sua segunda vinda
(Mateus 24.37-39), Ele é o descendente de Abraão, por meio de Quem todas
as nações seriam abençoadas (Gálatas 3:16), Ele é o cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo (João 1:29), Ele é o descendente de Davi que assenta no
trono (Atos 2:25-36). A Nova Aliança em Cristo Jesus é superior à Antiga. A
Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (João
1:17).
A Nova Aliança é incondicional, todos os que fazem parte dela
conhecem o Senhor e tem seus pecados perdoados, ou seja, essa aliança é um
Pacto de Graça e é feita com os salvos (Hebreus 8; Gálatas 4; Lucas 22:20).
O sangue de bodes e ovelhas não tinha poder para pagar pecados (Hebreus
9:12), somente o precioso sangue de Cristo Jesus é que nos redime de todo
pecado (1 Pedro 1:18-19). A Nova Aliança é estabelecida com todos aqueles
que foram regenerados, todos os que estão em Cristo, pois nEle não há judeu
nem grego, Ele é tudo em todos (Gálatas 3:28). Os gentios convertidos são
enxertados na oliveira (Romanos 11), fazem parte da aliança, como o
apóstolo Paulo afirma em Efésios 2:14-16:
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e,
derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne
desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em
ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem,
fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo,
matando com ela as inimizades.
Portanto, a Nova Aliança é firmada com os crentes, os eleitos, quer
judeus, quer gregos, com todos que se rendem a Cristo. A igreja de Deus é
composta de judeus e gentios convertidos a Cristo.
Entendemos que o reino de Deus já está entre nós (Lucas 17:21;
Mateus 3:2). Toda autoridade foi dada a Cristo (Mateus 28:18), Ele
assentou-se à destra da majestade nas alturas (Hebreus 1:3), mas ainda não
na sua plenitude, que se dará em Sua segunda vinda e na consumação de
todas as coisas (Apocalipse 21:1). É o período da proclamação do
Evangelho por toda a terra (Mateus 28:18-19), no qual chamamos os
rebeldes para renderem-se, enquanto há tempo, ao grande Rei que virá. O
Senhor Jesus Cristo voltará, descerá do céu com alarido e com voz de
arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo
ressuscitarão primeiro. Depois, aqueles que ficarem vivos, serão arrebatados
juntamente com eles nas nuvens, para encontrar o Senhor nos ares, e assim
estaremos sempre com o Senhor (1 Tessalonicenses 4:16-17). E então, virá o
fim, quando Ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo
principado, bem como toda potestade e poder (1 Coríntios 15:24). Na
consumação de todas as coisas, Satanás e seus demônios serão lançados no
lago de fogo junto com todos os ímpios, para sofrerem eternamente em justa
condenação (Apocalipse 20:10), e os justos viverão eternamente com Deus e
serão o Seu povo, e viverão em novos céus e nova terra, onde habita a justiça
(Apocalipse 21:1). Por fim, o Deus triuno reinará absoluto em majestade e
glória.
Assim, pudemos observar o enredo das Escrituras de modo bem
resumido, seguindo a linha: Criação, Queda, Redenção e Consumação. No
final das contas, ou alguém está em Adão, tentando se salvar por suas
próprias obras, ou está em Cristo, sendo salvo por meio dEle. Cristo é o
cabeça federal da igreja. Na consumação dos tempos, o Senhor reinará
plenamente junto ao Seu povo, que resgatou por Sua maravilhosa graça.
Diante disso podemos dizer junto com Paulo: Ó profundidade da riqueza da
sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos,
e inescrutáveis os Seus caminhos! “Quem conheceu a mente do Senhor? Ou
quem foi Seu conselheiro?”. “Quem primeiro lhe deu, para que Ele o
recompense?”. Pois dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a
glória para sempre! Amém.[78]

3. ALIANÇAS NAS ESCRITURAS


Nesse breve resumo também pudemos observar algumas alianças
mencionadas nas Escrituras, as quais iremos trabalhar com maior
profundidade posteriormente. Entretanto, já podemos identificá-las:

Aliança de Deus com: Passagens Bíblicas:

Gênesis 2:15-17; 3:22; 3:3; 3:17 /


Adão
Oséias 6:7 / Romanos 5:12
Noé Gênesis 6:18, 9-17; 9:12
Abraão Gênesis 12:1-3; 15:12-21; 17:1-14
Moisés Êxodo 19:6-8; 15:12-21; 17:1-14
2 Samuel 7:8-16; 23:5 / Salmo 89:3;
Davi
132:12 / 2 Crônicas 13:5
Hebreus 8:6-12; 9:15; 13:20 / 1
Jesus Cristo Coríntios 11:25 / Gálatas 4:24-26 / 2
Coríntios 3:6

CONCLUSÃO
Neste capítulo, tivemos a oportunidade de passear pelas Escrituras e
notar várias passagens importantes para compreendermos o desenvolvimento
de seu enredo. Alguns desses eventos marcantes foram destacados pela
Confissão de Fé de 1689, como por exemplo:
1) A queda de Adão afetou toda a sua descendência, pois ele era o
representante federal da humanidade.
A Confissão de Fé Batista de 1689 concorda: “Nossos primeiros pais,
por esse pecado, decaíram de sua retidão original e da comunhão com Deus, e
nós neles, e por isso a morte veio sobre todos: todos nos tornamos mortos em
pecado e totalmente corrompidos em todas as faculdades e partes da alma e
do corpo”.[79]
2) Um Salvador foi prometido desde Gênesis 3:15.
A Confissão de Fé Batista de 1689 afirma: “Essa Aliança é revelada no
Evangelho; primeiramente a Adão na promessa de salvação pela
descendência da mulher”.[80]
3) Essa promessa se desenvolveu ao longo de todo o Antigo
Testamento, por etapas sucessivas.
Micah e Samuel Renihan afirmam que a promessa de redenção informa
e une toda a história redentora.[81] A Confissão de Fé Batista de 1689 cita: “e
depois por etapas sucessivas”.[82] Notamos diversas sombras, tipos e figuras
que apontavam para Cristo e várias alianças que Deus fez que prepararam o
caminho para a vinda do Messias na plenitude dos tempos.
4) O cumprimento dessa promessa se deu somente na Nova Aliança
em Cristo.
A Confissão de Fé Batista de 1689 concorda: “Até que a sua plena
revelação foi completada no Novo Testamento”.[83]
5) A Nova Aliança é a realização completa, na história, da eterna
aliança da Redenção.
A Nova Aliança, o Pacto da Graça, ocorreu com base na eterna aliança
entre as pessoas da Trindade, antes da fundação do mundo. A Confissão de
Fé Batista de 1689 explica: “e é fundada naquela transação pactual eterna que
houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos”.[84]
6) Existem apenas duas posições em que os seres humanos podem
se encontrar, ou estão condenados em Adão ou salvos em Cristo.
A Confissão de Fé Batista de 1689 afirma: “e é somente pela graça
dessa Aliança que todos da posteridade do caído Adão, que já foram salvos,
obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade. O homem é agora
totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles termos em que Adão
permanecia em seu estado de inocência”.[85]
Observamos que o ensino da Confissão de Fé Batista de 1689 foi
fielmente extraído das Sagradas Escrituras e expõe de maneira condensada o
seu grande enredo.
No próximo capítulo, examinaremos os assuntos de maneira mais
específica e teológica. Trabalharemos o significado de alguns termos, como
“tipo” e “antítipo”, “cabeça federal”, “Pacto de Obras”, “Pacto da Graça”,
“Pacto da Redenção” etc., e descobriremos como eles correspondem às
verdades encontradas na Escritura.
4
O Pacto de Obras

Pacto de Obras, Pacto da Graça, Pacto da Redenção. O que significam esses


termos? Qual é a necessidade de utilizarmos termos que não são encontrados
nas Sagradas Escrituras? Isso é correto? Neste capítulo começaremos a lidar
com essas questões e conheceremos melhor a teologia bíblica batista pactual
em seus termos teológicos e confessionais, a começar do pelo Pacto de
Obras. Mas antes disso, vamos descobrir o significado de alguns termos
importantes.

1. DEFINIÇÃO DE TERMOS
Existem alguns termos que utilizamos para obtermos uma melhor
compreensão da teologia bíblica e resumir pontos importantes. Esses termos,
quando empregados, servem para exprimir realidades bíblicas. Embora alguns
deles não estejam expressos literalmente nas Escrituras, eles expõem conceitos
extraídos delas, como, por exemplo, o termo “Trindade”, que não é encontrado
literalmente na Escritura, mas expressa algo que é claramente encontrado na
Bíblia, ou seja, o Deus que é, ao mesmo tempo, único e tri-pessoal (Pai, Filho
e Espírito Santo). John Owen defende a utilização de tais termos ao afirmar:
[…] deverá ser feito o uso de algumas palavras e expressões que,
talvez, não estejam literal e formalmente contidas na Escritura; mas
essas palavras e expressões, para nossas concepções e apreensões,
servirão apenas para expor o que está contido nas Escrituras. E negar
a liberdade para isso, e até mesmo a necessidade disso, é negar toda a
interpretação da Escritura, todos os esforços para expressar o sentido
das palavras para o entendimento uns dos outros, o que é, em uma
palavra, tornar a própria Escrituras completamente inútil. Pois se for
ilegítimo falar ou escrever o que eu concebo ser o sentido das
palavras da Escritura, e a natureza do que é significado e expressado
por elas, também é ilegítimo para mim pensar ou conceber em minha
mente o sentido das palavras ou da natureza das coisas, e isso implica
em nos embrutecermos a nós mesmos, em frustrar todo o desígnio de
Deus ao nos dar o grande privilégio de Sua Palavra.[86]
Portanto, é importante definirmos alguns desses termos antes de
avançarmos, para evitarmos equívocos.

1.1. Pacto/Aliança
Sobre os pactos feitos por Deus para com os homens, Kline define uma
aliança como “um compromisso com sanções divinas entre um Senhor e um
servo”.[87] Entretanto, a Nova Aliança (Pacto da Graça), trate-se mais de uma
concessão unilateral do que um pacto bilateral, uma vez para os homens é
incondicional uma vez que Deus é quem toma a iniciativa e Cristo é cumpre
as condições no lugar de seu povo.[88]

1.2. Promessa
Além disso, é importante fazermos a distinção entre promessa e
aliança. John Spilsbery ressalta a diferença entre elas, mostrando que uma
promessa sem resposta não é uma aliança, esse entendimento será útil para
evitarmos certos equívocos no desenrolar do estudo. Segue a definição de
Spilsbery do que queremos dizer com “promessa”:
Sabemos que toda promessa não é uma aliança: há uma grande
diferença entre uma promessa e uma aliança. Que seja bem
considerado o que aqui se quer dizer por promessa, que é o Messias
enviado por Deus, ou a descendência em quem as nações devem ser
abençoadas; e, portanto, a promessa consiste no envio de um
Salvador ou Redentor para Israel.[89]

1.3. Federalismo de 1689


A palavra “federal” vem da palavra latina “foedus” e significa pacto ou
aliança. Por exemplo, “República Federativa do Brasil” significa uma
república de estados confederados, ou seja, estados que têm uma aliança entre
si, que estão aliançados. O número 1689 vem do ano de 1689 e diz respeito a
um tipo de aliancismo que é encontrado nessa confissão. Mais
especificamente, esse termo foi cunhado em distinção ao Federalismo de
Westminster e o Federalismo Batista do Século XX, o qual era um
federalismo parecido com o encontrado na Confissão de Westminster. O
principal distintivo do Federalismo Batista é que ele compreende que há uma
diferença substancial entre a Antiga e a Nova Aliança, ou seja, que a Antiga e
a Nova Aliança não são apenas administrações do Pacto da Graça, mas são
alianças substancialmente distintas. Essa é a distinção fundamental do
Federalismo de 1689 em relação ao modelo do Federalismo de Westminster e
de Savoy, que entendem o federalismo sob uma aliança com duas
administrações. O Federalismo do Século XX via também o federalismo
dessa maneira, mas seus propositores aderiam ao credobatismo não por conta
do modelo pactual em si, e sim por causa do princípio regulador do culto, ou
seja, porque na Escritura não havia mandamento para batizar crianças.
Portanto, a diferença do Federalismo de 1689 para os outros tipos de
federalismos credobatistas é que o credobatismo, no Federalismo de 1689,
ocorre por causa do seu entendimento pactual, já o federalismo nos outros
modelos acontece não por conta de seu modelo pactual, mas por conta do
princípio regulador do culto.
1.4. Cabeça Federal
Samuel Renihan define cabeça federal como “um indivíduo que
representa um grupo” e fundamenta:
Uma parte essencial de um pacto é o cabeça federal. Um cabeça
federal é um indivíduo que representa um grupo. O pai é o chefe da
família. Fala e age pela família. Da mesma forma que a cabeça fala
pelo corpo, o pai fala pela família etc. E estamos usando a palavra
“cabeça”, aqui, da mesma maneira. Deus sempre faz ou lida, em Seus
pactos, com um cabeça federal. Esse indivíduo representa um grupo e
Deus decide e determina a quem o indivíduo representa. É assim com
Adão, Noé, Abraão, Davi e Cristo. Todos eram representantes de um
grupo. Isso é importante porque, quando estamos analisando ou
investigando a associação de um pacto, a única coisa que temos que
fazer é perguntar quem o cabeça federal representa. Ou de outra
perspectiva, quem são aqueles que pertencem ao cabeça federal? A
adesão de um pacto depende do cabeça federal.[90]

1.5. Tipo/Antítipo
Richard Barcellos define tipo como “uma pessoa, um lugar, uma
instituição ou um evento histórico designado por Deus para apontar para
alguma pessoa, lugar, instituição ou evento históricos futuro”. E exemplifica:
Primeiro, um tipo é uma pessoa, um lugar, uma instituição ou um
evento histórico designado por Deus para apontar para alguma
pessoa, lugar, instituição ou evento históricos futuro. Um exemplo
disso seria o sistema sacrificial revelado a nós no Antigo Testamento.
Essa instituição foi designada por Deus para apontar para o sacrifício
definitivo de Cristo. Segundo, aquilo para o quê os tipos apontam são
sempre maiores que os tipos em si. Por exemplo: “o sangue de touros
e bodes” poderiam apontar para Cristo, mas não poderiam e nem
fizeram o que o sacrifício de Cristo fez — tirar os pecados (Hebreus
10:4, 11-14). Terceiro, tipos são ao mesmo tempo semelhantes e
diferentes de seus antítipos. O sangue de animais foi derramado; o
sangue de Cristo foi derramado. O sangue de animais não tirava o
pecado; o sangue de Cristo tira o pecado. Quarto, os antítipos nos
dizem mais acerca de como seus tipos antecedentes funcionavam
como tipos. O sangue de Cristo tira o pecado; o sangue de animais
apontava para isso.[91]
O antítipo é a substância daquilo que foi prefigurado pelo tipo, é a
realidade para a qual o tipo apontava. Por exemplo, o sangue e sacrifício de
animais no Antigo Testamento era o tipo que apontava para o antítipo, o
sacrifício de Cristo.

2. A TEOLOGIA PACTUAL NA CONFISSÃO DE FÉ DE


LONDRES DE 1689
Agora que já sabemos a definição de alguns termos importantes, vamos
avançar em nossos estudos sobre a teologia pactual encontrada na Segunda
Confissão de Fé Batista de Londres de 1689. Jeffrey Johnson resume o ensino
sobre o federalismo batista na Confissão:
Historicamente, os batistas reformados são pactuais. Embora eles
difiram de seus irmãos presbiterianos em algumas questões-chave, de
acordo com a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, os batistas
estavam igualmente comprometidos com uma robusta estrutura pactual
da história da redenção. De fato, cada capítulo da Confissão é
construído sobre uma matriz pactual. Embora o capítulo 7 seja
inteiramente dedicado às alianças, os capítulos sobre criação,
providência, queda do homem, Cristo, justificação, arrependimento,
Evangelho, boas obras e perseverança são explicados a partir de uma
perspectiva pactual.
Para nossos antepassados batistas, uma alteração da doutrina dos
pactos é uma alteração do Evangelho de Jesus Cristo. O Evangelho,
em seu contexto mais amplo, inclui o cumprimento do Pacto de Obras
pelo Segundo Adão, Jesus o Cristo, que foi quebrado pelo primeiro
Adão; o Segundo Adão suportou suas maldições e assegurou suas
bênçãos para todos aqueles que são escolhidos por Deus para serem
representados pelo Segundo Adão no Pacto da Graça. Com isso em
mente, o capítulo 7 da Confissão enfatiza três verdades essenciais
relacionadas ao seu arcabouço pactual. O parágrafo 1 confessa um
Pacto de Obras pré-lapsariano. O parágrafo 2 confessa um Pacto de
Graça pós-lapsariano.[92] O parágrafo 3 confessa um Pacto de
Redenção eterno.[93]

Observamos, então, que ao estudarmos a teologia pactual batista constatamos


a existência de três grandes pactos: O Pacto de Obras, o Pacto da Graça e o
Pacto de Redenção. Passaremos a considerar o Pacto de Obras.

2.1. Pacto de Obras


O Pacto de Obras diz respeito à aliança feita por Deus com Adão no
Éden antes da queda. Embora o termo “pacto” ou “aliança” não esteja
literalmente expresso, um compromisso com sanções divinas entre um
Senhor e um servo é claramente notado.
Percebemos que o pacto com Adão exigia que ele não comesse da
árvore do conhecimento do bem e do mal. Se violasse esse preceito, morreria
(Gênesis 2:16-17). A quebra desses termos traria consequências, tais como
não poder comer da árvore da vida e obter vida eterna, ou seja, não teria as
bênçãos que receberia por sua obediência (Gênesis 3:22). O pecado de Adão
afetou a todos os seres humanos, pois ele era o cabeça pactual da raça
(Romanos 5:12). O texto de Romanos 5:13 fala que a morte reinou de Adão
até Moisés, e que Adão era a figura de um outro que viria. Romanos 5:19 fala
que pela desobediência de Adão muitos tornaram-se pecadores. Romanos
5:18 fala que a ofensa de Adão trouxe juízo sobre todos os homens para a
condenação. Isaías 24:5-6 afirma que a maldição que se estende à toda a terra
surgiu devido à transgressão das leis, mudança/violação dos estatutos; e
Oséias compara a quebra da aliança do povo com a transgressão de Adão
(Oséias 6:7). Portanto, notamos que esse conceito é bíblico e que foi extraído
das Escrituras. A Confissão de Londres relata:
Deus deu a Adão uma lei de obediência universal, escrita em seu
coração, e um preceito particular de não comer do fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal, à qual Ele o obrigou, e à toda sua
posteridade, para pessoal, inteira, exata e perpétua obediência;
prometeu vida com base em seu cumprimento, e ameaçou com a morte
a violação dela; e o dotou com o poder e a capacidade para guardá-la.
[94]

Nehemiah Coxe, explica:


Essa era uma lei eterna e uma regra invariável de justiça pela qual
todas as coisas que concordam com a santidade e retidão da natureza
divina eram requeridas, e tudo que lhe era contrário era proibido. Essa
lei era interna e subjetiva a Adão, sendo comunicada a ele pela sua
natureza racional, e escrita em seu coração, de maneira que ele não
precisasse de nenhuma revelação externa para aperfeiçoar seu
conhecimento dela. E, portanto, na história de sua criação não há
nenhum outro relato disso, senão o que foi dito (e repetido duas
vezes) que ele foi feito imagem de Deus. O apóstolo nos ensina que [a
imagem de Deus] consiste na retidão e na verdadeira santidade
(Efésios 4:24). O resumo dessa lei foi posteriormente dado em Dez
Palavras no Monte Sinai e ainda mais brevemente por Cristo, que as
reduziu a dois grandes mandamentos acerca do nosso dever tanto para
com Deus como para com nosso próximo (Mateus 22:37-40). E isso,
como lei e regra de justiça, é imutável e invariável em sua natureza,
bem como o é a natureza e vontade do próprio Deus, cuja santidade
nela está estampada e por ela é representada.
Agradou à soberana Majestade Celestial acrescentar a essa lei eterna um
preceito cerimonial no qual Ele ordenou que o homem não comesse do
fruto de uma árvore no meio do Jardim do Éden. Essa árvore é chamada
de árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:16-17, 3:3). O
comer desse fruto não era algo mau em si mesmo, mas assim se fez por
causa da proibição divina. Então era necessário que a vontade de Deus
no que diz respeito a isso fosse revelada e declarada explicitamente ao
homem.[95]
Os puritanos consideraram que a presença de uma promessa e de uma
ameaça coexistindo com um mandamento, era uma indicação de que esse
mandamento não era uma simples lei, mas um pacto.[96] Como vemos em
Gênesis 2:15, 17: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela
não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.
Samuel Renihan destaca:
A árvore do conhecimento do bem e do mal era um testemunho visual
para Adão de que a desobediência leva à morte. O salário do pecado é
a morte. É por isso que entendemos que o oposto é visto na outra
árvore, que leva o nome “a árvore da vida”. A árvore da vida era um
testemunho visual para Adão de que, se ele obedecesse, receberia a
vida eterna.[97]
Nehemiah Coxe corrobora a partir da alusão que Cristo faz a ela no
Novo Testamento em Apocalipse 2:7:
[...] ali, Ele promete uma recompensa eterna àquele que vencer: “dar-
lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de
Deus”. Isso é assim em razão de Deus haver designado essa árvore
para ser uma garantia de vida eterna para Adão nos termos e
condições de um Pacto de Obras, e pela analogia da recompensa que
Cristo dá a seus fiéis nos termos de outro pacto.[98]
Notamos esse ponto em Gênesis 3:22-23: “Então disse o Senhor Deus:
Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que
não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva
eternamente, o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para
lavrar a terra de que fora tomado”. Além disso, textos em livros posteriores
parecem tratar desse acontecimento como uma quebra de aliança, como é
possível notarmos em Isaías 24:5-6 e Oséias 6:7. Meredith G. Kline explica:
De fato, é possível que a própria Bíblia, em referências posteriores a
Gênesis 1–3, aplique o termo berith [i.e., aliança] à essa situação,
assim como 2 Samuel 23:5 e Salmos 89:3 se referem à revelação
pactual de Deus a Davi como uma berith, mesmo o termo não tendo
sido empregado no relato de 2 Samuel 7. Isaías 24:5 e Oséias 6:7 têm
sido sugeridos como exemplos desse fato. Apesar de o significado de
ambas as passagens ser contestado, a aliança eterna de Isaías 24:5
definitivamente parece referir-se aos acontecimentos da criação e
Oséias 6:7 provavelmente se refere a Adão como o quebrador da
aliança.[99]
Portanto, notemos o texto de Isaías 24:5-6 que explica que a maldição
que se estendia à toda a terra surgiu devido à transgressão das leis, à violação
dos estatutos e quebra da aliança:
Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores,
porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a
aliança eterna. Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam
nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da
terra, e poucos homens restarão.
John N. Oswalt explica, acerca desse texto, que sua referência mais
ampla é à aliança implícita entre o Criador e a criatura, na qual o Criador
promete vida abundante em troca da criatura viver em consonância com as
normas estabelecidas na criação.[100] O texto de Oséias compara a quebra da
aliança do povo com a transgressão de Adão. Barcellos explica que “embora
alguns intérpretes disputem o significado dessa passagem, a tradução “como
Adão” têm vasto amparo histórico, datando de, pelo menos, Jerônimo”.[101]
Benjamin Warfield comenta:

Nenhuma objeção exegética como tal [previamente discutida por


Warfield] se sustenta contra “como Adão”. Quaisquer dificuldades
que possam aparecer contra essa tradução, de fato, são trazidas de
fora da própria frase. A tradução é completamente natural. A
transgressão de Adão, como grande ato normativo da quebra do pacto,
tornou-se naturalmente o padrão contra o qual o atrevimento de Israel
ao violar a aliança pudesse ser comparado. E Oséias, que
particularmente ama alusões à história antiga de Israel (cf. 2:3, 9:10,
11:8, 12:4) foi o profeta a considerar aqui o pecado de nosso primeiro
pai.[102]
O texto de Oséias 6:7 afirma: “Mas eles transgrediram a aliança, como
Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim”. Barcellos afirma que
“isso prova que os teólogos pactuais do século XVII não inventaram o
conceito de um pacto com Adão, e que o uso de Oséias 6:7 como fundamento
bíblico para tal conceito não era algo novo”.[103] Foi dessa maneira que os
teólogos reformados entenderam o Pacto de Obras feito com o homem no
Éden, como Pascal Denault afirma:
Para compreender bem a queda do homem, é necessário explicar o
quadro teológico no qual ela aconteceu, ou seja, o Pacto das Obras.
Essa aliança, mesmo não sendo denominada, é claramente
subentendida no primeiro parágrafo do capítulo 6 e em vários outros
lugares da Confissão de Fé [1689]: (Parágrafo 1). Deus criou o
homem justo e perfeito, e lhe deu uma lei justa, que seria para a vida
se ele a tivesse guardado, ou para morte, se a desobedecesse. Porém o
homem não manteve por muito tempo a sua honra.[104]
Portanto, notamos que Deus estabeleceu um pacto (um compromisso
com sanções) com a humanidade, e ele era um Pacto de Obras, ou seja,
dependia da perfeita obediência de Adão. A vida eterna seria dada a Adão e,
nele, à sua posteridade, sob a condição de uma perfeita obediência pessoal.
Logo, se obedecesse aos termos dessa aliança, viveria eternamente, comeria
da árvore da vida e estaria perpetuamente em um estado de benção e glória
com Deus (Gênesis 3:22). Entretanto, se desobedecesse, comendo da árvore
do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:17), seria amaldiçoado,
morreria e sofreria todas as implicações dessa morte, pois o salário do pecado
é a morte. Richard Barcellos define Pacto de Obras como:
O comprometimento divinamente sancionado ou o relacionamento
imposto por Deus a Adão, que era um representante sem pecado da
raça humana (ou pessoa pública), um filho de Deus feito à Sua
imagem e semelhança, condicionado à obediência sob pena pela
desobediência, tudo isso para o aperfeiçoamento do estado do
homem.[105]
Outro fator importante é que uma parte essencial de um pacto é o
cabeça federal (um indivíduo que representa pactualmente um grupo). Neste
caso, Adão representava toda a humanidade. Sabemos, através das Escrituras,
que Adão quebrou a aliança feita com Deus ao comer da árvore do
conhecimento do bem e do mal (Oséias 6:7; Romanos 5:14; Gênesis 3:17) e,
por ser o representante pactual da humanidade, toda sua descendência foi
afetada por seu pecado. John Owen resumiu o conceito puritano do Pacto de
Obras, após a queda, da seguinte maneira: “O homem continuou sob a
obrigação de dependência de Deus e sujeição à Sua vontade em todas as
coisas. […] Mas o relacionamento especial de mútuo interesse em virtude do
primeiro pacto cessou entre eles”.[106] A Confissão Londrina explica:
Sendo eles os ancestrais e, pelo desígnio de Deus, os representantes
de toda humanidade, a culpa do pecado foi imputada à toda a sua
descendência, e a corrupção natural passou a todos os seus
descendentes que deles procedem por geração ordinária. Eles são
agora concebidos em pecado e, por natureza, filhos da ira, escravos do
pecado, sujeitos à morte e a todas as outras misérias espirituais,
temporais e eternas, a menos que o Senhor Jesus os liberte.[107]
Sendo assim, o pecado de Adão afetou a todos os seres humanos, pois
ele era o cabeça pactual da raça.

2.1.1. O Pacto de Obras e o Evangelho


Após a queda, o pecado original afetou todos os homens. Por ter Adão
como o seu representante, toda a humanidade foi maculada por seu pecado. O
texto de Romanos 5:12 testifica: “Portanto, como por um homem entrou o
pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a
todos os homens porque todos pecaram”.
Além disso, o texto de Romanos 5:14 fala que: “No entanto, a morte
reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à
semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de
vir”, Adão era um “tipo” de Cristo. Mais adiante, o texto de Romanos 5:18
afirma que a ofensa de um só homem (Adão) trouxe juízo sobre todos os
homens para a condenação, mas pela justiça de um só (Cristo) veio a graça
para justificação de vida dos homens: “Pois assim como por uma só ofensa
veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um
só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de
vida”.
Em seguida, Romanos 5:19 atesta que pela desobediência de Adão
muitos tornaram-se pecadores, e pela obediência de Cristo muitos serão feitos
justos: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram
feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos”.
Barcellos destaca o Pacto de Obras nesse texto:
É chamado “Pacto de Obras” devido ao fato de que era condicionado
à obediência de Adão, ou suas obras. O termo “Obras”, na expressão
“Pacto de Obras”, é um sinônimo de obediência. É um termo que
reflete uma interpretação bíblica subsequente e, portanto, infalível, da
vocação edênica de Adão (veja Romanos 5:12-21). Romanos 5:19
justifica o termo quando diz: Logo, assim como por meio da
desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim
também, por meio da obediência de um único homem muitos serão
feitos justos (ênfase adicionada).[108]
Nehemiah Coxe explica:
O pacto de Deus com Adão não deve ser considerado como se
dissesse respeito somente a esse indivíduo. Pelo contrário, Deus o
tratou como raiz e representante de toda a humanidade que nasceria
dele, de acordo com o curso ordinário da natureza, e seria contada
como que estando nele, sua raiz natural e federal. Desse modo, se
Adão permanecesse no pacto, toda a humanidade permaneceria, mas,
em sua queda, todos pecaram e caíram nele. “Porque, como pela
desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores”
(Romanos 5:19). E em relação a isso é dito que ele é o tipo (e Cristo é
o antítipo) ou figura daquele que estava por vir. Pois, como o pecado
de Adão foi imputado a todos quantos estavam em Adão, assim
também a obediência de Cristo é imputada a todos que estão em
Cristo.[109]
Portanto, entender corretamente o “Pacto de Obras” nos traz uma
compreensão bíblica da queda e seus efeitos para a humanidade, nos
apresenta o quadro legal no qual compreendemos o que é o pecado e suas
implicações para toda a criação. Esse entendimento será essencial para nossa
compreensão sobre o Evangelho. Jeffrey Johnson complementa:
A teologia da aliança batista, por outro lado, entende que a salvação e
a justificação sempre pertenceram à Aliança da Graça. No entanto,
também entende que o julgamento e a condenação sempre vieram
como resultado da Aliança das Obras. A Aliança de Obras não cessou
depois que foi quebrada pela queda de Adão; ao contrário, ela
permaneceu em operação e continua mantendo o homem caído em
cativeiro até que ele seja espiritualmente transferido, somente pela fé,
para dentre o número dos membros da Aliança da Graça. A lei de
Deus deve prevalecer sobre o homem até que ela seja satisfeita, tanto
em suas penalidades quanto em suas exigências.[110]
Sendo assim, notamos a necessidade de obediência perfeita, sem
nenhuma transgressão à Lei de Deus, a qual nenhum de nós, da caída
posteridade de Adão, conseguiria cumprir. Eis o grande dilema: como o Deus
todo poderoso, soberano e justo poderia salvar pecadores como nós sem
deixar de ser um justo juiz e condenar aqueles que transgrediram suas leis
santas, justas e boas? Um preço precisava ser pago por nós e as exigências
divinas precisavam ser atendidas. Esse é o motivo pelo qual o último Adão,
Jesus Cristo, se tornou “obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses
2:8).[111]
Cristo Jesus, o Filho de Deus, obedeceu perfeitamente a todas as
exigências divinas no lugar do Seu povo. É explícito, então, o contraste claro
entre a desobediência de Adão e a obediência de Cristo. A obediência de
Adão foi provada em seu encontro com a serpente (o Diabo) no jardim e, por
seu ato de desobediência, a condenação e a maldição veio sobre todos os
homens e afetou todo o seu ser. Agora, os seres humanos, caídos, encontram-
se mortos em seus delitos e pecados (Efésios 2:1), sem condição alguma de
se justificarem, embora as exigências de obediência perfeita continuem em
vigor. Portanto, todos necessitam escapar da ira vindoura e da condenação
que os espera, todos precisam de um salvador.
A boa notícia é que o prometido “descendente da mulher que esmagaria
a cabeça da serpente”, aquele que viria desfazer as obras do Diabo e resolver
o problema do pecado, Jesus Cristo, veio ao mundo, cumpriu toda a justiça,
foi tentado pelo Diabo no deserto, sem incorrer em pecado, entregou-Se
como um sacrifício a Deus, tomando sobre Si, no madeiro, o cálice da ira de
Deus no lugar de pecadores.
Sendo o Deus-homem, Jesus Cristo foi capaz de aplacar a ira divina e
salvar uma grande multidão de pessoas “de toda a tribo, língua, povo e
nação” (Apocalipse 5:9) e de colocar-Se como perfeito Mediador entre Deus
e os homens. Por meio do sacrifício de Cristo há reconciliação entre Deus e
todos aqueles que são conduzidos ao arrependimento e fé para a salvação.
Jesus Cristo foi morto, sepultado, mas ao terceiro dia ressuscitou para a
justificação dos crentes (1 Coríntios 15:1-5). Cristo é o Segundo Adão que
representa e resgata Seu povo, é o cabeça federal da igreja. Barcellos explica
que “a vida eterna foi obtida por Cristo, o antítipo de Adão, por nós e nos
dada pelo próprio Cristo. A qualidade de vida obtida por Cristo para nós e
que nos é dada não é a que Adão teve e perdeu, mas aquela que Adão falhou
em obter”.[112] O texto de Romanos 5:6-11, afirma:
Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos
ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser
que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para
conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
Logo, muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue,
seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos
reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo
sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente
isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus
Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.
Logo, existem duas posições possíveis onde todo e cada um dos seres
humanos pode estar. Ou você encontra-se em Adão, tentando inutilmente
salvar-se por suas próprias obras, ou em Cristo, em um Pacto de Graça, salvo
por Sua obra redentora. Você está em Adão ou em Cristo? Charles Spurgeon
afirma que:
Jesus é o cabeça de Seus eleitos. Em Adão, cada herdeiro de carne e
sangue tem um interesse pessoal, porque Ele é o cabeça da aliança e o
representante da raça considerada sob a lei das obras. Sob a lei da
graça, toda alma redimida está em união com o Senhor, visto que Ele
é o Segundo Adão, o Fiador e Substituto de todos os eleitos na Nova
Aliança de amor.[113]
Concordamos com a conclusão de Richard Barcellos:
Um pacto foi imposto a Adão no Jardim, e assim o foi para o seu
bem, objetivando um melhor estado de existência para o próprio
Adão e para todos aqueles a quem ele representava. Adão foi criado
moralmente justo, mas mutável. Ele não foi criado em um estado que
pudesse ser chamado de “glória”, como indicado acima. Porque Adão
pecou, não entrou em glória. Mas há esperança! Nosso Senhor é o
último Adão, que sofreu e entrou na glória por nós e para nossa
salvação. Entender o Pacto de Obras nos ajuda a entender melhor a
vocação de nosso Senhor e o Evangelho com mais claridade e
profundidade teológica.[114]

CONCLUSÃO
Observamos o significado de vários termos importantes para o estudo
da teologia bíblica e salientamos especificamente ao “Pacto de Obras” e
buscamos compreender suas implicações na história da salvação.
Observamos que:
1) O Pacto de Obras diz respeito à aliança feita por Deus com Adão no
Éden, antes da queda.
2) Adão foi criado moralmente justo, mas mutável.
3) Adão deveria obedecer perfeitamente à lei de Deus e não comer da
árvore do conhecimento do bem e do mal; se obedecesse, viveria e poderia
comer da árvore da vida, se desobedecesse, morreria, com todas as
implicações dessa morte.
4) Adão era o representante de toda a humanidade, por isso a queda de
Adão afetou toda a sua descendência.
6) Os descendentes de Adão continuam obrigados a obedecer
perfeitamente à lei de Deus, mesmo que agora estejam incapacitados para
tanto.
7) Cristo é o Segundo Adão que cumpre perfeitamente as exigências
divinas no lugar do Seu povo.
8) O pecado de Adão foi imputado a todos quantos estavam em Adão, e
assim também a obediência de Cristo é imputada a todos que estão em Cristo.
9) Os seres humanos só podem ser salvos pela graça, mediante a fé em
Cristo Jesus.
10) Entender o Pacto de Obras nos ajuda a entender melhor a vocação
de nosso Senhor e o Evangelho com mais claridade e profundidade teológica.
A seguir daremos sequência aos nossos estudos falando sobre um tema
importantíssimo, o Pacto da Graça.
5
O Pacto da Graça

Em nosso estudo da teologia batista reformada, destacamos três grandes


pactos, a saber:
1) Pacto de Obras: diz respeito à aliança condicional feita por Deus
com Adão no Éden, antes da queda.
2) Pacto da Graça: diz respeito ao desenvolvimento do plano redentor
na história. É um pacto revelado progressivamente na história redentiva e
formalmente concluído na Nova Aliança.
3) Pacto da Redenção: diz respeito ao eterno acordo feito entre as
pessoas da Trindade, antes da criação do mundo, para salvação do povo
eleito.
Neste capítulo, observaremos no que consiste o Pacto da Graça.

1. PACTO DA GRAÇA
O Pacto da Graça diz respeito à maneira pactual pela qual Deus escolheu
salvar pecadores da caída posteridade de Adão, a saber, pela graça, mediante a
fé em Cristo Jesus. Pascal Denault resume:
O Pacto de Graça é simplesmente a salvação em Jesus Cristo; a vida
eterna gratuita pelo Evangelho. Nós o chamamos de “Pacto da Graça”
porque a salvação é dada sob a forma de uma aliança que procede
exclusivamente da graça incondicional de Deus. Todos os homens estão
debaixo do Pacto de Obras em Adão, mas apenas os eleitos se tornam
participantes do Pacto de Graça.[115]
Há muitos textos das Escrituras que falam sobre esse precioso Evangelho
da salvação em Cristo que foi dado em forma de aliança divina. Após a queda
do primeiro Adão, o Senhor promete, em Gênesis 3:15, que o descendente da
mulher esmagaria a cabeça da serpente. É notável que, em 1 João 3:8, o
apóstolo afirme que o Filho de Deus Se manifestou para desfazer as obras do
Diabo. Observamos, em Lucas 24:27, 44 e João 5:39, que Jesus era o messias
prometido ao longo de todas as Escrituras, as quais dão testemunho dEle. Em
Colossenses 2:16, Paulo demonstra que todo o sistema cerimonial era como
sombra das coisas que haveriam de vir e apontava para Cristo. Em João 17,
notamos que o Filho veio cumprir a missão que Lhe fora dada pelo Pai antes
da fundação do mundo (João 17:4-6). Em 1 Coríntios 15:45 e ao longo do
capítulo 5 de Romanos, entendemos que Jesus Cristo é o último Adão, que
cumpre Sua missão e justifica Seu povo. Ele é o cabeça da igreja (Efésios
4:15). Jesus morreu na cruz do Calvário suportando a ira divina no lugar de
pecadores, tomou sobre Si a pena de muitos e por eles intercedeu (Isaías 53).
Ele venceu a morte e ressuscitou ao terceiro dia (1 Coríntios 15:4, 55-56)
para a justificação de todo aquele que nEle crê (João 3:16). 1 Timóteo 2:5
afirma que há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus
Cristo, homem. Hebreus 12:24 afirma que Jesus Cristo é o mediador de uma
Nova Aliança. Em Hebreus 8, vemos que a Nova Aliança em Cristo é
substancialmente superior à Antiga e baseada em superiores promessas, e 1
Coríntios 11:25 nos informa que, durante a Sua última ceia, o Senhor Jesus
explicou que o cálice representa a Nova Aliança no Seu sangue. Em Efésios
2:1-10 Paulo afirma que, em Cristo, os crentes são salvos pela graça mediante
a fé. Em 2 Coríntios 3:6, Paulo afirma que os cristãos são ministros de uma
Nova Aliança.
Esses são apenas alguns textos sobre o assunto. Notamos, portanto, que as
boas novas de salvação em Cristo podem ser claramente encontradas nas
Escrituras como um plano eterno de Deus revelado ao longo da Bíblia,
primeiramente como uma promessa no Antigo Testamento, mas que tem seu
estabelecimento na Nova Aliança. Jesus Cristo é o Segundo Adão, o Mediador
da Nova Aliança que foi confirmada em Seu próprio sangue, Cristo é o
representante de Seu povo. Portanto, aqueles que estão nesse pacto são salvos
não por seus próprios méritos, mas pela graça, mediante a fé em Cristo, seu
cabeça federal. Essa Nova Aliança, pela qual Deus salva o Seu povo por meio
de um Mediador, e que é claramente mencionada nas Escrituras, é o que
chamamos de Pacto da Graça. Passemos, então, a observar algumas
características desse pacto.

1.1. O Pacto da Graça surge do Pacto da Redenção


É importante mencionarmos que o Pacto da Graça irrompe a partir do
Pacto da Redenção, ou seja, do eterno acordo feito entre as pessoas da
Trindade antes da fundação do mundo para salvar o Seu povo eleito na
história. A Confissão Batista de 1689 fala do Pacto da Graça como uma
aliança que “é fundada naquela transação pactual [Pacto da Redenção] eterna
que houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos”.[116] Essas
verdades extraídas das Escrituras são claramente notadas em textos que falam
da salvação em Cristo antes dos tempos eternos, ou antes da fundação do
mundo. Por exemplo, 2 Timóteo 1:9 diz que Deus “nos salvou e nos chamou
com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria
determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos
eternos”, e Tito 1:2 fala sobre a “esperança da vida eterna que o Deus que não
pode mentir prometeu antes dos tempos eternos”. Citamos esses dois textos,
dentre diversos outros textos que poderiam ser mencionados, para
observarmos vislumbres do acordo divino que ocorreu na eternidade passada
para a salvação de Seu povo. Iremos nos ater mais nesse ponto quando
estudarmos especificamente o Pacto da Redenção. O que precisamos saber
aqui é que o Pacto da Graça é a manifestação, no tempo e espaço, do eterno
Pacto da Redenção que foi feito antes da fundação do mundo. Sendo assim,
entendemos que o Pacto da Graça tem sua base no Pacto da Redenção, que
foi firmado na eternidade entre as pessoas da Santíssima Trindade.
Mike Renihan complementa essa ideia, afirmando que a expressão
“Pacto da Graça” é “usada para explicar como o decreto eterno de Deus no
Pacto da Redenção foi estabelecido entre os homens no espaço e no tempo. O
Pacto da Graça deve, portanto, ser distinguido do Pacto da Redenção”.[117]

1.2. O Pacto da Graça foi Revelado Progressivamente na Antiga


Aliança e Formalmente Estabelecido na Nova Aliança
O Pacto da Graça foi revelado no Antigo Testamento como uma
promessa a respeito de um descendente da mulher que esmagaria a cabeça da
serpente. Essa promessa se desenvolveu ao longo de todo o Antigo
Testamento e se cumpriu na Nova Aliança em Cristo, ao consumar o plano
divino de redenção que fora estabelecido antes da fundação do mundo. Esse
ensino encontra-se expresso na Confissão de Fé Batista de Londres de 1689,
da seguinte maneira:
Essa Aliança [o Pacto da Graça] é revelada no Evangelho;
primeiramente a Adão, na promessa de salvação pela descendência da
mulher, e depois por etapas sucessivas, até que a sua plena revelação
foi completada no Novo Testamento.
Portanto, o Pacto da Graça diz respeito ao desenvolvimento do plano
redentor de Deus na história através de um Pacto que foi revelado
progressivamente no Antigo Testamento e formalmente concluído no Novo
Testamento. Como notamos, o Pacto da Graça foi revelado em Gênesis 3:15,
como uma promessa que se desenvolveu por meio de etapas sucessivas e de
diversas alianças que Deus fez no Antigo Testamento, as quais serviram
como sombras que apontavam para Cristo e prefiguravam, tipologicamente,
Sua vinda. Nenhuma delas, contudo, era ainda substancialmente o Pacto da
Graça concluído, pois a consumação desse Pacto na história ocorre somente
na Nova Aliança em Cristo (inclusive, John Bunyan intercala o termo Nova
Aliança e Pacto da Graça em um de seus tratados).[118]
Pascal Denault explica que os batistas “entendiam, portanto, o Pacto da
Graça da seguinte maneira: anunciado no AT / realizado no NT; parcialmente
revelado no tempo da Lei / plenamente revelado no tempo do Evangelho;
uma promessa futura / uma aliança consumada pelo sangue.[119] Jeffrey
Johnson corrobora:
O Pacto da Graça prometido em todo o Antigo Testamento não
poderia ter se concretizado na Nova Aliança até que o Pacto de Obras
fosse cumprido pela vida e morte de Cristo Jesus. Simplesmente, a
aliança abraâmica prometeu o Evangelho, a aliança mosaica explicou
o custo do Evangelho e a Nova Aliança estabeleceu o Evangelho.
Para entender a teologia pactual batista, é importante ver que o
Evangelho é revelado por todo o Antigo Testamento.[120]
Na mesma linha de raciocínio, John Owen explica acerca do Pacto da
Graça:

Faltava sua confirmação e estabelecimento solenes pelo sangue do


único sacrifício que era adequado para tal. Antes que isso fosse feito
na morte de Cristo, a aliança não tinha a natureza formal de um pacto
ou testamento, como nosso apóstolo prova (Hebreus 9:15-23). Pois,
como ele mostra naquela passagem, a lei dada no Sinai não teria sido
uma aliança, se não tivesse sido confirmada com o sangue dos
sacrifícios. Para esse fim, a promessa não existia antes de uma aliança
formal e solene. Portanto, o Pacto da Graça existia apenas como uma
promessa antes de tornar-se uma aliança formal e solene.[121]
Spurgeon, de modo muito poético e bíblico, falou do Pacto da Graça
como se fosse uma carta que, embora já existisse, recebeu seu selo ou
ratificação somente através do derramamento do sangue do Filho amado na
cruz do Calvário:
Muito da validade de uma carta depende da assinatura e do selo, e,
meu amado, quão firme é a Carta do Pacto da Graça! A assinatura é a
caligrafia do próprio Deus, e o selo é o sangue do Unigênito! O Pacto
está ratificado com sangue, o sangue do Seu próprio Filho amado.[122]
Entretanto, se o Pacto da Graça ainda não havia sido estabelecido como
uma aliança formalmente instituída, mas foi revelado apenas como uma
promessa em Gênesis 3:15, uma pergunta pertinente pode surgir: de que
maneira os crentes do Antigo Testamento foram salvos? A resposta é: pela
graça, mediante a fé na promessa do Cristo que viria. Pois, que diz a
Escritura? Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado por justiça (Romanos
4:3). A justiça lhes foi imputada, embora o pagamento pelos pecados de
todos os crentes tenha sido consumado somente na cruz do Calvário, como
podemos observar a partir do texto de Romanos 3:24-26:
Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção
que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como
propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus,
na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente
cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo
presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé
em Jesus.
O reformador João Calvino explica corretamente que:
Paulo ensina simplesmente que, até a morte de Cristo, não fora pago
nenhum preço para satisfazer a Deus, e que isso não fora realizado
nem consumado pelos tipos legais — por isso a verdade fora adiada
até que chegasse a plenitude dos tempos. Podemos dizer mais, que
aquelas coisas que nos envolvem em culpa têm de ser consideradas
pelo mesmo prisma, porquanto só há uma única propiciação para
todos.[123]
Os crentes do Antigo Testamento criam na promessa de um Cristo que
viria, os crentes do Novo Testamento creem na obra expiatória do Cristo que
já veio e voltará. Ambos são salvos da mesma maneira, pela graça, mediante
a fé em Cristo Jesus e, portanto, há apenas uma propiciação para todos. Cristo
morreu por Sua igreja, que é composta por todos os crentes de todos os
tempos. O sangue de bodes e ovelhas não tiravam pecados, apenas
apontavam para o sacrifício perfeito de Cristo. Somente o precioso sangue de
Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, pode salvar o
pecador. Portanto, a Nova Aliança possui um efeito retroativo que alcança até
mesmo os crentes do Antigo Testamento, como Micah Renihan e Samuel
Renihan explicam:
O fato de que vemos essa redenção prometida e tipificada a partir da
queda em diante tem levado teólogos reformados a entender que a
graça de Deus se estende através da história para antes da encarnação
e morte de Cristo. Onde a graça de Deus se estendia para o passado, e
isso por meio por meio de pacto, em que o sangue da Nova Aliança
de Cristo foi aplicado retroativamente para aqueles que acreditavam
na promessa, e essa retroatividade da Nova Aliança foi e continua
sendo distinta da Antiga Aliança. Assim, o povo de Cristo sempre foi
constituído por aquelas pessoas que foram prometidas a Ele pelo Pai,
isto é, daquelas pessoas por quem Ele derramou Seu sangue.[124]

Geerhardus Vos afirma que “a Nova Aliança, em seu pré-existente estado


celestial, retroage e estende suas asas sobre a Antiga”.[125] Herman Bavinck
explica:
Embora Cristo tenha completado Sua obra na terra no decorrer da
história, e embora o Espírito Santo não tenha sido derramado até o dia
da Pentecostes, Deus, no entanto, foi capaz, já nos dias do Antigo
Testamento, de distribuir integralmente os benefícios a serem
adquiridos e aplicados por meio do Filho e do Espírito. Os crentes do
Antigo Testamento não foram salvos de nenhuma outra forma do que
nós. Há uma só fé, um só mediador, um caminho de salvação e um
pacto de graça.[126]
Além disso, o renomado teólogo batista John Gill também explicou
como os que viveram antes da morte de Jesus se beneficiaram de seu legado:
Todas as promessas da aliança estavam na condição de Cristo fazer
sua alma como oferta pelo pecado e de derramar sua alma até a morte
[...] todas as bênçãos da graça concedidas aos santos do Antigo
Testamento, como legados neste testamento, foram dadas em virtude
do sangue da aliança, que tinha uma virtude que se estendia para trás.
[127]

A Confissão Batista de Londres expressa essa mesma verdade nos


seguintes termos:
Embora o preço da redenção não tenha sido realmente pago por
Cristo senão depois da Sua encarnação, a virtude, a eficácia e os
benefícios dela foram comunicados aos eleitos, em todas as épocas,
sucessivamente, desde o princípio do mundo nas e através das
promessas, tipos e sacrifícios em que Cristo foi revelado, e que O
apontavam como a descendência da mulher que esmagaria a cabeça
da serpente, e como o Cordeiro que foi morto desde a fundação do
mundo, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre.[128]
Sendo assim, entendemos que os crentes do Antigo Testamento foram
salvos pela graça, mediante a fé na promessa do Messias que viria. Os seus
pecados foram pagos por Ele na cruz do Calvário, assim como o de todos os
outros crentes de todas as épocas. Em seu livro Covenant Theology: A
Reformed Baptist Perspective, Phillip D.R. Griffiths explica:
Outrossim, eu não podia aceitar a ideia de que a Nova Aliança era
simplesmente mais uma administração do Pacto da Graça. Segundo o
meu entendimento de Jeremias, a Nova Aliança parecia muito radical
para ser apenas uma manifestação mais ampla e completa do que já
existia. E nem faz sentido sustentar a visão tão amplamente aceira de
que os santos do Antigo Testamento foram de alguma foram de algum
modo excluídos dessas bênçãos. Eu entendo que, por um lado, a Nova
Aliança consumada ou ratificada na morte de Cristo, as bênçãos
garantidas por Sua obra redentiva, foram comunicadas aos crentes
desde o princípio. Em outras palavras, todo o povo de Deus, desde a
primeira promessa (Gênesis 3:3) foi participante da Nova Aliança em
Cristo e recebeu as bênçãos dela.[129]
Nesse ponto, o federalismo batista concorda plenamente com a
afirmação de John Owen: “Tomarei como certo o fato de que nenhum
homem jamais foi salvo senão em virtude da Nova Aliança, e da mediação de
Cristo para tanto”.[130]
Prosseguiremos, agora, falando sobre as etapas sucessivas em que esse
Pacto da Graça foi revelado, notando principalmente as demais alianças que
Deus fez com o homem no Antigo Testamento, antes da vinda de Cristo. A
esse respeito, A.W. Pink afirmou:
Esses pactos subordinados eram o modo em que o Senhor manifestava,
de forma pública e especial, o grande Pacto [da Graça]: fazendo
conhecidas algumas coisas de seu glorioso conteúdo, confirmando sua
própria participação pessoal nela e assegurando que Cristo, o grande
Cabeça pactual da aliança eterna, deveria dar-Se a eles próprios e vir a
partir de sua linhagem.[131]
É notável que o apóstolo Paulo, quando menciona as várias alianças
encontradas no Antigo Testamento, as chame de “alianças da promessa”
(Efésios 2:12).

2. O PACTO DA GRAÇA REVELADO NAS ALIANÇAS QUE


DEUS FEZ COM OS HOMENS
A aliança que Deus fez com Adão já foi estudada de maneira detalhada
no último capítulo, portanto, partiremos das alianças subsequentes que
desenvolvem a promessa a respeito do descendente da mulher que esmagaria
a cabeça da serpente.

2.1. A Aliança de Deus com Noé


Quando estudamos o enredo das Escrituras, nos capítulos anteriores,
notamos que o pecado afetou a humanidade a tal ponto que, diante de tanta
imoralidade, o Senhor enviou um dilúvio sobre a terra. Entretanto, Deus
preservou um remanescente para que a promessa a respeito de um
descendente da mulher pudesse se cumprir. Preservou Noé e sua família, oito
pessoas (1 Pedro 3:20) em uma arca, e o mundo foi inundado pelo Dilúvio.
Após o Dilúvio, Deus fez uma aliança com Noé (Gênesis 9:8-13), essa
aliança resulta em uma preservação física para o desenvolvimento da
promessa: o Senhor não destruiria a terra novamente com um dilúvio, e o
sinal dessa aliança foi o arco no céu. Além disso, essa também foi a maneira
de preservar um remanescente fiel que faria parte da genealogia que
culminaria em Cristo. Douglas Van Dorn em seu livro Covenant Theology: a
Reformed Baptist Primer, comenta sobre a aliança que Deus fez com Noé:
Deus está restabelecendo com a humanidade que Ele ainda espera que
o homem cumpra as obrigações da aliança feita com Adão no Éden,
mesmo que o teste de uma árvore não esteja mais presente. Embora,
sob essa luz, seja extremamente curioso que Noé plante uma árvore
de vinhedo, encontra-se nu e cai em pecado imediatamente após sair
da arca. Houve muitos que viram mais de uma conexão entre essa
história e a queda de Adão. Noé não é Jesus Cristo. Ele é falho como
seu pai, Adão.[132]
Notamos, no Novo Testamento que esse acontecimento também
apontava, tipologicamente, para Cristo e o Evangelho. Nehemiah Coxe
explica:
Isso também foi útil ao servir como um tipo para instruí-los acerca da
redenção do homem do dilúvio da vingança divina que seria
derramado posteriormente em ira eterna sobre o mundo dos
incrédulos, pois, devemos observar o seguinte quanto ao estado da
igreja antes da vinda de Cristo em carne: o Evangelho era pregado
por meio de tipos e sombras, e instruções dessa natureza lhes eram
concedidas não apenas por determinadas ordenanças do culto
cerimonial, mas também por muitas obras extraordinárias da
providência de Deus. Essas obras foram assim ordenadas pela
sabedoria divina de modo que eles pudessem nutrir um
relacionamento tipológico com as coisas espirituais, e ser uma
representação adequada delas.[133]
O texto de 1 Pedro 3:20-21 apresenta o episódio do Dilúvio como uma
figura e relaciona-o ao batismo. Coxe comenta:
Quanto a isso, o apóstolo Pedro faz do batismo o antítipo da arca (1
Pedro 3:20-21). A arca foi um sacramento extraordinário, ou
prefiguração, da redenção da igreja e da salvação pela morte e
ressurreição de Cristo, e da união e comunhão dela com Ele, que
morreu, mas ressuscitou, para desfrutar de todos os benefícios de Sua
morte e ressureição.[134]
O Senhor Jesus Cristo também relacionou os dias do Dilúvio com os
dias de Sua segunda vinda em Mateus 24:37-39:
Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho
do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio
comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em
que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o
dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do
Homem.

2.2. A Aliança de Deus com Abraão


Posteriormente, a partir de Ur dos Caldeus, Deus chamou Abrão, com
quem também fez aliança. Deus prometeu uma terra, uma descendência
abençoada e, por meio da aliança com Abraão, Deus criou a nação de Israel e
lhe deu a terra de Canaã, o sinal dessa aliança era a circuncisão. O Senhor
também prometeu que todos os povos da terra seriam abençoados por meio
de sua descendência. Pascal Denault explica que a aliança feita com Abraão
envolveu “uma posteridade física, bem como uma posteridade espiritual
(Romanos 9:6-8; Gálatas 4:22-31); há uma circuncisão externa, da carne, e
uma interna, do coração (Romanos 2:28-29); há uma terra prometida aqui
neste mundo e há um reino celestial (Hebreus 11:8-10)”.[135] Nehemiah Coxe
chama atenção para esse ponto:
Abraão deve ser considerado de duas maneiras: ele é o pai de todos os
verdadeiros crentes; e o pai e a origem da nação dos israelitas. Deus
fez com Abraão um pacto que envolvia ambas as descendências, e
visto que elas são formalmente distintas uma da outra, sua participação
no pacto deve ser, necessariamente, diferente, e entendida de maneira
distinta. As bênçãos apropriadas a cada uma das descendências devem
ser transmitidas conforme sua participação respectiva e peculiar no
pacto. Essas coisas não podem ser confundidas sem que sejam
colocadas em perigo as mais importantes verdades da religião cristã.
[136]

Esse ponto sobre a dualidade na aliança abraâmica pode ser notado em


Gálatas 4, quando o apóstolo Paulo utiliza a alegoria de Sara e Agar, duas
mulheres ligadas a Abraão, e mostra, alegoricamente, que elas representavam
duas alianças. Nehemiah Coxe explica o significado do texto:
Agar era um tipo do Monte Sinai e da aliança da lei estabelecida ali.
Ismael era um tipo da descendência carnal de Abraão sob aquela
aliança. Sara era um tipo da nova Jerusalém, a igreja dos tempos do
Evangelho fundada no Pacto da Graça. Isaque era um tipo dos
verdadeiros membros daquela igreja que é nascida do Espírito,
convertida pelo poder do Espírito Santo para o cumprimento da
promessa do Pai a Jesus Cristo, o Mediador. A expulsão de Agar e
Ismael prefigurou a ab-rogação da aliança sinaítica e a dissolução da
igreja-estado judaica, de modo que a herança de bênçãos espirituais
pudesse ser dada claramente aos filhos de Deus pela fé em Jesus
Cristo.[137]
Sobre as duas descendências de Abraão, Paul Washer comenta:
Sob a Antiga Aliança, Deus fez com que Israel fosse Seu povo. No
entanto, não devemos pensar que todos que descendiam de Israel
fossem verdadeiramente Israel (Romanos 9:6). O Israel que saiu do
Egito era composto dos descendentes físicos de Abraão, mas nem por
isso eram todos crentes. Na verdade, o relato bíblico prova o oposto.
Embora houvesse um remanescente piedoso na nação, uma pequena
minoria que era verdadeiramente regenerada e justificada pela fé, a
maioria não era regenerada; antes, era incrédula e idólatra. O autor de
Hebreus nos diz que a vasta maioria dos que saíram do Egito
conduzidos por Moisés morreu no deserto devido à sua incredulidade
(Hebreus 3:16-19). Mesmo no tempo dos reis, o remanescente de
verdadeiros crentes em Israel era tão pequeno que Elias clamou:
“Mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-
me a vida” (Romanos 11:3; cf. 1 Reis 19:10, 14). A resposta de Deus
ao profeta desanimado não apenas provou que havia permanecido um
remanescente, como também que era bastante pequeno em
comparação com o número dos filhos de Israel. Declarou: “Conservei
em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal”.[138]
Por fim, as promessas da aliança com Abraão culminariam no
descendente de Abraão por meio de quem todas as nações da terra seriam
abençoadas, a saber, Jesus Cristo. E aqueles que creem em Cristo são
herdeiros das promessas espirituais feitas a Abraão: “Ora, as promessas
foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências,
como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é
Cristo” (Gálatas 3:16).

2.3. A Aliança de Deus com Moisés


Posteriormente, por meio dos descendentes físicos de Abraão, foi
criada a nação de Israel. O povo hebreu foi tirado por Deus com mão forte do
Egito, sob a liderança de Moisés, com quem Deus também fez aliança no
Sinai e lhes deu leis morais, cerimonias e civis, e todo o sistema levítico foi
desenvolvido. A Antiga Aliança era nacional, firmada com o Israel
teocrático, debaixo do qual encontravam-se crentes e descrentes; passava-se a
fazer parte dessa nação por meio da circuncisão física logo após o
nascimento, e essa aliança, por sua vez, era condicional, ou seja, se alguém
obedecesse, seria abençoado, e se desobedecesse, seria amaldiçoado. Charles
Spurgeon afirma, na mesma linha de raciocínio, que “a primeira aliança
dependia da condição da obediência dos homens. Se guardassem a lei, Deus
os abençoaria; mas fracassaram pela desobediência, e herdaram a maldição”.
[139]

Todo o sistema cerimonial e sacrificial apontava para Cristo, o cordeiro


de Deus, que nasceu sob a Lei, a cumpriu perfeitamente e entregou-Se como
sacrifício para pagar o preço pelo pecado do Seu povo de uma vez por todas,
e também para ser o seu perfeito sumo sacerdote. A aliança mosaica serviu
para preservar a linhagem do Messias, apontou para Ele através de suas
sombras, sacrifícios e cerimônias, mostrou a necessidade de obediência
perfeita à lei, de expiação de pecados, da necessidade de um mediador, e
serviu como um aio para conduzir a Cristo (Gálatas 3:24-25). Trabalharemos
com maior profundidade essa aliança posteriormente, quando tratarmos
especificamente da diferença entre a Antiga e a Nova Aliança.

2.4. A Aliança de Deus com Davi


Notamos que Deus também fez uma aliança com Davi, e prometeu a
ele que um descendente seu herdaria o trono para sempre. Essa promessa
também se referia a Jesus Cristo (Atos 2:25-35). O apóstolo Pedro afirmou:
Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do
patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até
hoje a sua sepultura. Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe
havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos,
segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu
trono, nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma
não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.
C.H. Spurgeon, citado por A.W. Pink, afirmou que “Davi foi o eleito
do Senhor, e com ele foi feito um pacto, que correu na linha de sua
descendência até que recebeu um cumprimento final e sem fim em ‘o Filho
de Davi’”, Jesus Cristo.[140]

2.5. A Nova Aliança


A Nova Aliança é o cumprimento da promessa, o estabelecimento do
Pacto da Graça que foi prometido desde Gênesis e cumprido em Cristo Jesus.
Todas as promessas e profecias messiânicas que se desenvolveram ao longo
do Antigo Testamento apontavam para Ele. Cristo Jesus é o Mediador da
Nova Aliança. A Nova Aliança para os crentes é incondicional, pois Cristo
agiu como um Mediador e Fiador e cumpriu todas as exigências em nosso
lugar, como Benjamin Keach afirma:
Cristo, como o Fiador desse Pacto, comprometeu-Se em renovar os
nossos corações, regenerar as nossas almas, ou criar a imagem de
Deus em nós novamente. E a partir de Sua plenitude, todos nós
devemos receber graça por graça, visto que nEle habita toda a
plenitude (João 1:16; Colossense 1:19)... assim como Cristo adquiriu
toda a graça para nós, assim também, como um ato de favor de Deus
e de compra e méritos de Cristo, Ele nos dá o Espírito e a fé, com o
propósito de que sejamos verdadeiramente participantes em todas as
bênçãos da Aliança. Assim, tudo isso é obtido por meio da justiça, no
que diz respeito a Cristo, mas, em relação a nós, tudo isso é obtido
segundo a misericórdia e a livre graça.[141]
Portanto, nos tornamos participantes da Nova Aliança pelo Espírito
Santo que nos concede a fé em Cristo. Micah Renihan e Samuel Renihan
afirmam que:
[...] a Escritura ensina que Cristo atrai os que Lhe pertencem para Si
mesmo através da obra do Espírito, e que Ele habita nos Seus
próprios pelo Espírito. Portanto, sem o Espírito, ninguém pertence a
Cristo. Se você pertence a Cristo, você está no Pacto da Graça. Se
você não pertence a Cristo, você está no Pacto de Obras. Você não
pode estar em ambos (Cf. Romanos 7:4-6).[142]
Na Nova Aliança, a entrada se dá pela circuncisão do coração, o novo
nascimento. Todos os que fazem parte dessa aliança conhecem o Senhor e
tem seus pecados perdoados, e o Senhor lhes promete vida eterna e um reino
celestial, essa não é uma aliança nacional apenas, mas com todos os
verdadeiros crentes de todas as nações. Charles Spurgeon destacou a
distinção entre a Antiga e a Nova Aliança:
Mas, nos dias presentes, o Senhor, em Cristo Jesus, tem feito com a
verdadeira descendência de Abraão, com todos os crentes
verdadeiros, uma nova aliança; não segundo o teor da Antiga, nem
passível de ser quebrada, como aquela. Irmãos, tomem o cuidado de
distinguirem entre a Velha Aliança e a Nova Aliança, porque nunca
deverá haver confusão entre elas.[143]
Paul Washer explica que na Antiga Aliança havia uma nação física
chamada por Deus da descendência de Abraão na qual apenas um
remanescente era regenerado, ao passo que, na Nova Aliança, a verdadeira
igreja é o remanescente, todos conhecem o Senhor:
[...] todo o ponto da Nova Aliança é que ela não seria igual à Antiga.
Na Velha Aliança, Deus chamou uma nação física, descendente de
Abraão, para ser Seu povo, mas dentro daquela grande multidão de
indivíduos, apenas alguns eram verdadeiramente regenerados e
crentes. O restante era não regenerado e carnal, e hoje sofre eterna
perdição. Na Nova Aliança, Deus chama uma nação espiritual,
composta de judeus e gentios, e são todos crentes regenerados. Não
existe um remanescente piedoso na igreja verdadeira: essa igreja
verdadeira é o remanescente piedoso.[144]
Portanto, o Pacto da Graça é estabelecido na história na Nova Aliança
em Cristo Jesus.

Gráfico 1. In DENAULT, Pascal. Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: Uma Comparação


entre o Federalismo dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. 1ª ed. São Paulo:
O Estandarte de Cristo, 2018. p. 114.

Pascal Denault explica que a distinção de um pacto revelado e


depois concluído, no entendimento dos batistas do Pacto da Graça,
demonstra tanto uma continuidade, porque o Pacto da Graça foi revelado a
partir de Gênesis 3:15 até sua completa revelação no Novo Testamento,
quanto uma descontinuidade, porque o Pacto da Graça não foi concluído
antes da morte e ressurreição de Cristo; as alianças formais que
precederam esse evento tiveram uma substância diferente e foram,
portanto, abolidas e substituídas pela Nova Aliança. [145] Este gráfico,
elaborado por Denault,[146] explica bem o que já foi visto até aqui:
Deus fez um Pacto de Obras com Adão, que pecou e trouxe maldição
sobre toda a sua descendência. Porém, em Gênesis 3:15 Deus fez uma
promessa, o Pacto da Graça foi revelado e, ao longo de todo o Antigo
Testamento, essa promessa foi tornando-se cada vez mais clara através das
alianças que Deus fez, por meio de sombras, tipos e sinais que apontavam
para Cristo. Entretanto, a Antiga Aliança em si ainda não era o Pacto da
Graça estabelecido, era uma aliança condicional, nacional e distinta. Na
plenitude dos tempos, Cristo veio em cumprimento da promessa e, em Sua
obra redentora, estabeleceu o Pacto da Graça em Seu sangue. A Nova Aliança
é o Pacto da Graça concluído, que traz salvação para o povo de Deus de todas
as épocas, para Sua igreja que Ele comprou por Seu sangue em consumação
da obra que foi planejada antes da fundação do mundo.
Portanto, Cristo é maior do que podemos imaginar, Ele é o Verbo
que estava no princípio com Deus, e era Deus (João 1:1). Por meio dEle, o
universo foi criado (Hebreus 1:2) Ele é o resplendor da glória de Deus e a
expressão exata do Seu ser, sustentando todas as coisas por Sua palavra
poderosa (Hebreus 1:3). Ele é o descendente da mulher que esmagaria a
cabeça da serpente (Gênesis 3:15). Todas as Escrituras testificam dEle
(Lucas 24:27, 24:44; João 5:39). Ele é o Segundo Adão que cumpre a
missão e justifica Seu povo (Romanos 5). Assim como aconteceu nos dias
de Noé, será na Sua segunda vinda (Mateus 24:37). Ele é o descendente
prometido de Abraão (Gálatas 3:16). Ele cumpre perfeitamente a lei
(Mateus 5:17). Ele é o nosso cordeiro pascal (1 Coríntios 5:17). As
cerimônias, sombras e sinais da Antiga Aliança apontavam para Ele
(Colossenses 2:16-17). O sinal de Jonas apontava para Cristo (Mateus
12:39-40). A serpente no deserto apontava para Cristo (João 3:14-15). O
maná apontava para Cristo (João 6:41). Ele é o nosso sumo sacerdote
(Hebreus 2:17) Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João
1:29). Ele é o descendente de Davi que assentaria no trono (Atos 2:30-31).
Ele morreu no lugar de pecadores em cumprimento a profecias específicas
(Isaías 53). Ele é o enviado de Deus, que cumpriu a missão dada pelo Pai
antes da fundação do mundo, morreu na cruz do Calvário para a
justificação de todo aquele que nEle crê (João 3:16). Ele venceu a morte
(1 Coríntios 15:55-56, 15:4). Os profetas, apóstolos e inúmeros mártires
cristãos ao longo da história testificam dEle (Efésios 2:20).
Essas são apenas algumas das grandes verdades sobre Jesus Cristo,
faltaria tempo e espaço para falar de Seus milagres, atributos, caráter e
ações. Como disse João: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus
fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo
todo poderia conter os livros que se escrevessem” (João 21:25). Portanto:
“Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de
graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Apocalipse 5:13).
Encerramos com o texto da Confissão Londrina:[147]
Ademais, tendo o homem trazido sobre si mesmo a maldição da lei,
por sua queda, aprouve ao Senhor fazer um Pacto de Graça, no qual
Ele oferece livremente aos pecadores a vida e a salvação por meio de
Jesus Cristo, exigindo deles a fé nEle para que sejam salvos; e
prometendo dar a todos os que são ordenados para a vida eterna, o
Seu Espírito Santo, para torná-los dispostos e capazes de crer.

CONCLUSÃO
Aprendemos, neste capítulo, a respeito do Pacto da Graça, que na visão
batista equivale à Nova Aliança em Cristo Jesus. Sobre esse Pacto da Graça
aprendemos importantes verdades:
1) O Pacto da Graça deriva do Pacto da Redenção.
2) O Pacto da Graça foi revelado progressivamente na Antiga Aliança e
formalmente estabelecido na Nova Aliança em Cristo Jesus.
3) A Nova Aliança possui efeito retroativo que alcança até mesmo os
crentes do Antigo Testamento.
4) Os crentes do Antigo Testamento foram salvos pela graça, mediante
a fé na promessa do Messias que viria.
5) Os crentes do Novo Testamento são salvos pela graça, mediante a fé
no Cristo que já veio, estabeleceu a Nova Aliança e voltará.
6) Para os crentes, a Nova Aliança é incondicional, pois Cristo cumpriu
todas as exigências em nosso lugar. Portanto, participamos desse Pacto pela
Graça, mediante a fé em Cristo.
Diante de tudo o que foi exposto, convido você a refletir nas palavras
de C.H. Spurgeon: “A pergunta a ser feita para você, e para mim, e para cada
um, é: ‘Eu sou participante de Cristo? Será que Cristo Jesus é meu
Representante?’”.[148]
6
O Pacto da Redenção

Já estudamos o Pacto de Obras e o Pacto da Graça, e agora concluiremos essa


etapa falando sobre o Pacto da Redenção. No que consiste esse pacto? R.C.
Sproul, explica que:
O Pacto da Redenção é um corolário da doutrina da Trindade. Assim
como o termo Trindade, a Bíblia não o menciona explicitamente em
nenhum lugar. O termo trindade não aparece na Bíblia, mas o conceito
da Trindade é afirmado por toda Escritura. Da mesma forma, a
expressão Pacto da Redenção não ocorre explicitamente na Escritura,
mas o conceito é anunciado em toda parte.[149]
Muitos se opõem à teologia pactual, e especialmente ao Pacto da
Redenção, por não o encontrarem de maneira expressa e literal nas Sagradas
Escrituras. Entretanto, a esses, o teólogo batista A.W. Pink responde
categoricamente:
[...] permita-nos pontuar que, assim como não há nenhum versículo
na Bíblia que afirme expressamente que há três pessoas divinas na
Deidade, as quais são co-eternas, co-iguais, co-gloriosas, e,
entretanto, quando comparamos cuidadosamente Escritura com
Escritura, nós entendemos que esse é o caso; assim também, não há
um versículo na Bíblia que declare categoricamente que o Pai entrou
em um acordo formal com o Filho; que, ao executar uma certa obra,
Ele deveria receber uma certa recompensa; porém, um estudo
cuidadoso de diferentes passagens nos obriga a chegarmos a essa
conclusão. As Sagradas Escrituras não entregam seus tesouros aos
indolentes [...].[150]
Como Pink afirmou, embora o termo “Pacto da Redenção” não esteja
literalmente expresso na Bíblia, ao examinarmos as suas páginas e
compararmos seus textos, notamos claramente que houve um acordo entre as
pessoas da Trindade, antes da fundação do mundo, para a salvação de um povo
eleito. A seguir, consideraremos alguns textos que podem esclarecer nosso
entendimento sobre o assunto.
Em João 17:4-6, Jesus Cristo fala que consumou a obra que o Pai Lhe
deu a fazer e pede para ser glorificado com a glória que tinha antes que
houvesse mundo. Tito 1:2 fala da esperança da vida eterna que Deus prometeu
antes dos tempos e dos séculos. O texto de 1 Pedro 1:18-20 fala que fomos
resgatados pelo precioso sangue de Cristo, como cordeiro imaculado que foi
conhecido antes da fundação do mundo e manifestado nos últimos tempos. Em
Apocalipse 13:8, lemos a respeito do livro da vida do cordeiro que foi morto
desde a fundação do mundo. Hebreus 13:20 manifesta a existência de uma
eterna aliança. Efésios 3:11 menciona que há um eterno propósito. Isaías 46:10
afirma que Deus anuncia o fim desde o começo. Em Efésios 1:4, o apóstolo
Paulo fala que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo.
Efésios 1:11 revela a predestinação dos crentes conforme o plano de Deus.
Atos 4:28 fala sobre o sacrifício de Cristo como algo que o poder e a vontade
de Deus já haviam decidido de antemão que acontecesse. Lucas 22:22 registra
que o Filho do homem vai “segundo o que está determinado”. Em João 6:37,
Jesus fala que aqueles que “o Pai lhe deu” irão a Ele. E, em 2 Timóteo 1:9,
está escrito que Deus “nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não
segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que
nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”. Muitos outros
textos poderiam ser utilizados para trabalharmos aspectos desse plano
redentor.
Portanto, o Pacto da Redenção é descrito no texto da Confissão Batista
de 1689 como aquela transação pactual que houve entre o Pai e o Filho para a
redenção dos eleitos:
Essa Aliança é revelada no Evangelho; primeiramente a Adão, na
promessa de salvação pela descendência da mulher, e depois por
etapas sucessivas, até que a sua plena revelação foi completada no
Novo Testamento; e é fundada naquela transação pactual eterna que
houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos; e é somente
pela graça dessa Aliança que todos da posteridade do caído Adão, que
já foram salvos, obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade. O
homem é, agora, totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles
termos em que Adão permanecia em seu estado de inocência.
Esse eterno acordo é chamado por muitos teólogos de “Pacto da
Redenção” ou “Aliança de Redenção”. A Confissão afirma que é com base na
graça dessa aliança que os pecadores da caída posteridade de Adão podem ser
salvos. A.W. Pink afirma que “tudo que, na Escritura, é dito ser nosso por
meio de Cristo, significa que o é em virtude da aliança que Deus fez com
Cristo como cabeça de seu corpo místico”.[151] R.C. Sproul salienta a
importância desse pacto:
Atualmente, ouvimos muito pouco na igreja sobre o Pacto da
Redenção, mas eu o considero um dos aspectos mais importantes da
teologia sistemática. Deus não fez uma aliança de redenção com seres
humanos; em vez disso, Ele a fez consigo mesmo; ela é um acordo
pactual que foi feito na eternidade passada entre as três pessoas da
Divindade.[152]
Carl Trueman define o Pacto da Redenção e os papéis de cada membro
da Deidade nesse pacto da seguinte maneira:
Em uma breve definição, a Aliança da Redenção estabelece Cristo
como Mediador; define a natureza de sua mediação e assinala papéis
específicos a cada membro da Deidade. O Pai designa o Filho como
Mediador para os eleitos e põe os termos de Sua mediação. O Filho
voluntariamente aceita a função de Mediador e a execução da tarefa
na história. O Espírito concorda em ser o agente da concepção na
encarnação e sustentar Cristo na bem-sucedida execução de Sua
função de Mediador.[153]
Observemos, então, algumas características do Pacto da Redenção:

1. O PACTO DA REDENÇÃO SERVE DE FUNDAMENTO


PARA O PACTO DA GRAÇA
O Pacto da Redenção serviu de base para o Pacto da Graça, uma vez
que o Pacto da Graça é a manifestação no tempo e espaço do eterno Pacto da
Redenção.[154] Gary Marble informa que “o Pacto da Redenção vem
logicamente antes do Pacto da Graça, pois é o acordo prévio, mas ambos,
juntos, realizam a redenção dos eleitos”.[155] Shedd explica que “o Pacto da
Graça e da Redenção são dois modos ou fases de um Pacto evangélico da
misericórdia”.[156]
Samuel Waldron afirma que essa aliança entre Deus Pai e Cristo, o
Redentor, é totalmente revelada na Nova Aliança (Hebreus 7:18-22, 10:12-
18).[157] Podemos observar esse ponto no texto de 2 Timóteo 1:9-10 onde o
apóstolo Paulo fala sobre a:
graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos e
manifestada agora pelo aparecimento do nosso Salvador, que nos
salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas
obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada
em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos; e que é manifesta
agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a
morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho.
Charles Spurgeon comenta:
“A graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes do mundo começar”.
O amor de Deus ao seu povo não é coisa de ontem. Ele os amou antes
que o mundo fosse feito e os amará quando o mundo deixar de existir.
“Nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”.[158]
William Hendriksen comenta, sobre esses versículos, que a graça que
nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos significa literalmente
“antes dos tempos das eras”. O tempo, “como um fluxo de corrente
contínua”, que corre sem interrupção. Antes mesmo de começar, já
estávamos incluídos no propósito da graça divina.[159] Herman Bavinck
explica que “o pacto de graça não foi estabelecido pela primeira vez no
tempo, antes tem o seu fundamento na eternidade, é fundamentado no pacto
de salvação, e é em primeiro lugar um pacto entre as três pessoas do próprio
ser Divino”.[160]
Portanto, o Pacto da Redenção é a base a partir da qual o Pacto da
Graça ocorreria na história.

2. O PACTO DA REDENÇÃO FOI FEITO NA ETERNIDADE


Assim, notamos que desde a eternidade passada houve um acordo entre
as pessoas da Trindade para a realização do Pacto da Graça que garantiria
salvação e vida eterna para um povo eleito. Esse pacto é revelado nas
Escrituras pela doutrina da eleição e pela eterna missão que Cristo recebeu do
Pai.[161]
Observemos alguns textos bíblicos que abrem uma fresta para a
eternidade passada e revelam um pouco sobre esse eterno acordo redentor. O
texto de Efésios 1:3-5 afirma que o Deus e Pai nos elegeu em Cristo antes da
fundação do mundo e nos predestinou para adoção por meio de Jesus,
segundo o beneplácito de Sua vontade:
Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que
estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: A vós graça, e paz da parte de
Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo! Bendito o Deus e Pai de
nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos
espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu
nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de
adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua
vontade (Efésios 1:1-5).
O termo grego “proorisas” (predestinados) significa “marcados de
antemão”. É apenas uma outra palavra que expressa o fato de que o plano de
Deus para Seu povo vem desde a eternidade.[162] O teólogo batista John L.
Dagg fala sobre a eternidade do pacto redentor:
Que esse pacto seja eterno é algo que se pode sustentar pela
eternidade, imutabilidade e onisciência das partes, bem como pelas
declarações da Bíblia que, direta ou indiretamente, estão relacionadas
com ele: “pelo sangue da eterna aliança” (Hebreus 13:20); “segundo
o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor”
(Efésios 3:11); “na esperança da vida eterna que o Deus que não pode
mentir prometeu, antes dos tempos eternos” (Tito 1:2); “conforme a
sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus
antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 1:9).[163]
Além disso, em 1 Pedro 1:18-20, o apóstolo afirma que não fomos
resgatados mediante coisas corruptíveis, mas pelo sangue de Cristo
conhecido antes da fundação do mundo:
Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro,
que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição
recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo,
como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade,
em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo,
mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.
Acertadamente, Simon Kistemaker comenta sobre esse versículo:
Pedro faz referência ao tempo em termos compreensíveis para nós.
Escreve: “[Cristo] escolhido antes da criação do mundo”. A criação
está relacionada ao começo da história, mas Cristo foi escolhido antes
desse tempo. Deus não criou o mundo e então decidiu escolher Cristo
para assumir o papel de redentor. Deus o apontou na eternidade,
“antes da criação do mundo”.[164]
Concordamos com a afirmação de Simon Kistemaker de que “devemos
observar que Deus escolheu Cristo para a tarefa de redimir Seu povo antes
que o mundo fosse criado (1 Pedro 1:20). E essa tarefa implica que Ele
finalmente seria morto no tempo designado por Deus para Ele”.[165]
Além disso, o texto de Apocalipse 13:8 apresenta o Senhor Jesus Cristo
como cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo: “E adoraram-na
todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no
livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Pascal
Denault comenta que o apóstolo João nos permite compreender que a
redenção dos crentes pela morte de Jesus já era eternamente intencionada por
Deus. É o que nós chamamos de Pacto Eterno da Redenção.[166] E, sobre essa
passagem, A.W. Pink afirma:
Isso deixa claro que, antes da queda, Deus já havia provido a
redenção de Seu povo que se apostatou em Adão, e o meio pelo qual
levaria a cabo a redenção, que seria consistente com Sua santidade e
justiça. Todos os detalhes e resultados desse plano de misericórdia
foram acordados e estipulados desde o princípio, pela sabedoria
divina. Aquela provisão da graça que Deus fez para Seu povo desde a
fundação do mundo compreendia a eleição de seu Filho como
Mediador e a obra que devia realizar como tal. Ele, por sua vez,
tomaria a natureza humana e ofereceria a Si mesmo em expiação pelo
pecado, e seria exaltado dessa condição até a destra de Deus nos céus,
obteria a supremacia em Sua igreja e, sobretudo, em favor dela,
dispensaria as bênçãos, tornando efetiva Sua obra redentora para a
salvação das almas. Tudo foi parte de um assunto acordado e definido
entre o Pai e o Filho nos termos do Pacto Eterno.[167]
Sendo assim, notamos que esse eterno acordo redentor ocorreu na
eternidade passada, ou seja, antes da fundação do mundo.

3. O PACTO DA REDENÇÃO É UM ACORDO ENTRE AS


PESSOAS DA TRINDADE
O terceiro aspecto a tratarmos sobre o Pacto da Redenção é que ele é
feito entre as pessoas da Trindade. O Pai determinou a salvação de um povo
eleito em Cristo antes da fundação do mundo, o Filho executou o plano
redentor e o Espírito Santo aplicou e aplica a salvação ao coração daqueles
que são salvos.
Nessa mesma linha de raciocínio, John L. Dagg afirma que as três
pessoas da Trindade cooperam na salvação do homem, de acordo com uma
aliança eterna (Salmo 2:8, 40:6-8, 89:3; Isaías 49:3-12; João 17:6; Hebreus
13:20; Tito 1:2), e explica:
A salvação do homem é uma obra em que todas as pessoas divinas
participam. É realizada de acordo com um propósito eterno e, nesse
propósito, bem como na realização da obra, as pessoas divinas
cooperam entre si, sendo essa cooperação a sua eterna aliança.[168]
Berkhof define a transação desse pacto como “o acordo entre o Pai,
dando o Filho como Cabeça e Redentor dos eleitos, e o Filho,
voluntariamente tomando o lugar daqueles a quem o Pai lhe tinha dado”.[169]
Sobre os termos dessa transação, Pascal Denault explica:
O Filho deveria tomar uma natureza humana e vir ao mundo como
um verdadeiro homem nascido debaixo da Lei (Filipenses 2:7;
Gálatas 4:4). Ele deveria levar uma vida sem pecado, observando a
vontade de Deus expressa na lei moral e igualmente em tudo mais o
que o Pai exigisse dEle (Mateus 5:17, 26:42; João 8:29). Ele devia se
tornar o representante sacrificial de todos os crentes e sofrer a
maldição da lei (a morte) no lugar deles, morrendo na cruz (Gálatas
3:13; Filipenses 2:8; Hebreus 2:14-17). Em troca, o Pai deveria Lhe
dar a vida, ressuscitando-O dentre os mortos, elevá-lO à Sua destra e
submeter a Ele todas as coisas e Lhe dar um povo a Seu serviço,
herdeiro com Ele da vida eterna (Atos 2:24; Filipenses 2:9-11; Tito
2:14). Esse é o Pacto de Redenção entre o Pai e o Filho.[170]
Portanto, notemos o seguinte resumo das atribuições de cada pessoa da
Trindade na estrutura do Pacto da Redenção:

3.1. Da parte do Pai (planeja e elege):[171]


• Elaborar o plano de redenção e sua execução (Gênesis 3:15; Efésios
1:3-14; João 17:4, 7-8, 25-26);
• Enviar o Filho como Seu representante (João 3:16; Romanos 5:18-
19);
• Aceitar apenas o Filho como representante de Seu povo (Hebreus
9:24);
• Dar ao Filho toda autoridade (Mateus 28:18; Filipenses 2:9-11; Tito
2:14; Efésios 1:20-23), incluindo a autoridade de derramar Seu Espírito com
todo o poder para aplicar redenção ao Seu (Deus) povo (Atos 1:4, 2:33);
• Preparar um corpo para o Filho habitar como homem (Colossenses
2:9; Hebreus 10:5);
• Dar ao Filho um povo que Ele redimiria para ser Sua propriedade
(João 17:2, 6);
• Ressuscitar e glorificar o Filho ao cumprir Sua obra (Atos 2:24, 32;
3.15; João 17.5, 24);

3.2. Da parte do Filho (executa e redime):


Esse Pacto da Redenção incluiu um acordo de que o Filho:
• Viria ao mundo como um homem e viveria como homem sob a lei
mosaica (Gálatas 4:4; Filipenses 2:7; Hebreus 2:14-18);
• Entregaria sua vida como sacrifício (João 10:18; Mateus 26:53-26;
Tito 2:14);
• Seria perfeitamente obediente a todos os mandamentos do Pai.
Obediente até a morte, e morte de cruz (Hebreus 10:7-9; Filipenses 2:8;
Mateus 5:17; 26.42; João 8:29; Gálatas 3:13; Hebreus 2:14-17);
• Concordaria em reunir um povo para representar e guardar, de modo
que nenhum que o Pai Lhe deu viesse a se perder (João 17:12);

3.3. Da parte do Espírito Santo (guarda, santifica e aplica):


Nesse Pacto da Redenção, o papel do Espírito Santo, embora muitas
vezes subestimado nesse acordo, foi ímpar e essencial:
• O Espírito Santo concordou e executou a vontade do Pai em conceder
ao Filho, o Cristo, Sua (Espírito Santo) plenitude, dando ao Filho poder para
executar a Sua parte do Pacto na terra (Mateus 3:16; Lucas 4:1, 14, 18; João
3:34);
• O Espírito Santo concordou em aplicar os benefícios da obra
redentora do Filho ao Seu povo, após Ele ir ao céu (João 14:16-17, 26; Atos
1:8; 2:17-18, 33).
R.C. Sproul resume:
O Pai iniciou o plano de redenção; isso significa que o Pai está por
trás dos decretos eternos de eleição, e Ele enviou o Filho ao mundo
para realizar a nossa redenção. O Filho realizou a redenção por nós.
Finalmente, a redenção é aplicada à nossa vida pessoal por meio do
Espírito Santo. [172]
A.W. Pink ressalta três coisas que devemos considerar: “1. Cristo havia
recebido uma missão e tarefa específica do Pai; 2. Ele se comprometeu de
modo solene a executar Sua tarefa; 3. A finalidade contemplada nesse acordo
não era meramente o anúncio de bênçãos espirituais, mas o real
derramamento delas sobre todos aqueles que o Pai lhe deu”.[173]
Sendo assim, o eterno Pacto de Redenção diz respeito a um acordo feito
entre as pessoas da Trindade em que o Pai, o Filho e o Espírito Santo estavam
em completa concordância quanto à salvação do homem.[174]

4. O PACTO DA REDENÇÃO FOI FEITO PARA A SALVAÇÃO


DOS ELEITOS
Por fim, esse pacto foi feito para a redenção dos eleitos. Samuel
Waldron afirma que essa obra de Cristo é a única fonte, em todas as épocas,
da salvação, e está enraizada em um relacionamento de aliança entre Cristo e
Deus, o Pai. Existe uma aliança feita por Deus, o Pai, com Cristo, o Redentor.
[175]
Deus planejou resgatar um “remanescente” da humanidade decaída e
levá-lo a um reino e glória.[176] Samuel Renihan explica que “ninguém
poderia escapar da maldição do Pacto de Obras, a menos que Deus os
colocasse em uma Nova Aliança, e ninguém poderia reivindicar uma
participação na obra mediadora de Cristo, exceto aqueles que haviam sido
prometidos ao Filho no Pacto de Redenção e que tinham crido na promessa
de salvação contida no Pacto de Graça”.[177] Tom Hicks conclui que “os
benefícios salvíficos do Pacto da Redenção chegam aos eleitos em união com
Cristo no Pacto da Graça”[178].
É notável que o Evangelho de João apresenta Jesus Cristo como o
Verbo encarnado, o Verbo que estava com Deus no princípio, que era Deus
(João 1:1) e veio ao mundo para realizar a missão redentora dada pelo Pai.
Observemos o texto de João 6.38-39: “Porque eu desci do céu, não para fazer
a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a
vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me
deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. O reformador João
Calvino comenta, sobre esse texto, que “Cristo declara haver Se manifestado
ao mundo a fim de poder realmente ratificar o que o Pai decretou concernente
à nossa salvação”.[179] Além disso, podemos observar esse ponto na oração
sacerdotal do nosso Senhor Jesus Cristo:
Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, e disse: Pai, é
chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te
glorifique a ti; Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para
que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna é esta:
que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo,
a quem enviaste. Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra
que me deste a fazer. E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti
mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo
existisse. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste;
eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra (João 17:1-6).
O Senhor Jesus Cristo ora ao Pai em favor daqueles pelos quais
resgataria com Seu sangue. Ele afirma que consumou a missão que o Pai Lhe
dera para cumprir a fim de que Ele conceda a vida eterna a todos os que Lhe
deu, e pede para que seja glorificado com a glória que tinha antes que
houvesse mundo. O plano eterno de redenção que o Pai decretou, o filho
executou e o Espírito aplica, tem em vista a salvação de um povo eleito e
redimido para a glória de Deus. O Filho executou a obra que o Pai lhe
concedera em resgate de muitos, morreu na cruz do Calvário no lugar de um
povo que foi eleito antes da fundação do mundo. Tom Hicks explica os
aspectos temporais e lógicos a respeito do Pacto da Redenção:
Falando de modo temporal, o Pacto da Redenção foi feito na
eternidade passada, mas Cristo realmente obedeceu aos seus termos
em Sua vida encarnada (2 Timóteo 1:9-10). Mas, falando de modo
lógico, o Pacto da Redenção vem depois do Pacto das Obras porque
Cristo desfaz o que Adão fez na Queda. É por isso que Paulo fala
sobre Adão como o cabeça federal da raça humana e, depois, de
Cristo como cabeça federal de Seu povo. “Porque, como pela
desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores,
assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Romanos
5:19). Cristo responde ao problema que Adão criou no Pacto das
Obras. É por isso que Paulo chama a Cristo de “o último Adão” (1
Coríntios 15:45), referindo-se à Sua obra no Pacto da Redenção.[180]
Samuel Renihan conclui demonstrando que podemos ver a realização
do Pacto da Redenção dos eleitos na história na Nova Aliança:
Onde vemos a realização da redenção dos eleitos na história através
da encarnação e morte de Cristo? Na Nova Aliança, feita no sangue
de Cristo. O que Cristo afirma que Ele veio fazer? Ele afirma que
veio para resgatar aqueles que o Pai Lhe deu. Seu propósito é
consumar o Pactum Salutis no tempo e na história. A Nova Aliança
não vai mais longe do que o Pactum Salutis, não só porque Cristo
disse especificamente que Sua missão era redimir os eleitos, mas
também porque a Nova Aliança é feita no sangue de Cristo, o sangue
da remissão cujos benefícios salvíficos nunca foram e nunca serão
aplicados a qualquer outros senão somente aos eleitos. Isso significa
que os participantes da Nova Aliança não são outros senão Deus e
Cristo, e os eleitos nEle.[181]
Portanto, o Pacto da Redenção serviu de base para o Pacto da Graça, foi
feito na eternidade passada, em um acordo feito de maneira perfeitamente
agradável entre as pessoas da Trindade, pelo qual o Pai elegeu um povo, o
Filho executou a obra redentora e o Espírito Santo aplica a salvação aos
eleitos. John Owen destacou: “Todos os eleitos de Deus estavam, em Seu
eterno propósito e desígnio, na aliança eterna entre o Pai e o Filho, confiada a
Ele, para serem libertos do pecado, da lei e da morte, e serem trazido para o
gozo de Deus”.[182] Charles Spurgeon conclui:
Deixe-me agora assegurar-lhe solenemente de que não há tal coisa no
céu como misericórdia à parte do Pacto! Não existe tal coisa debaixo
do céu, ou acima dele, como graças para os homens à parte do Pacto!
Tudo o que você pode receber e tudo o que você deve esperar,
necessariamente deve vir através do Pacto da Livre Graça, do Pacto
Eterno, e dele somente!.[183]

Uma Breve Recapitulação


Este gráfico, produzido pelo pastor Elivando Mesquita, resume bem o
que já vimos até aqui.
Gráfico 2: Gráfico elaborado por Elivando Mesquita para aulas de EBD na Igreja Batista Reformada

em Russas-CE: O Estandarte de Cristo, 2020. Disponível em:


https://oestandartedecristo.com/2020/01/01/um-grafico-sobre-teologia-biblica-batista

Sendo assim, percebemos na teologia bíblica batista pactual a


existência de três grandes pactos. O Pacto da Redenção diz respeito a esse
eterno acordo entre as pessoas da Trindade para a salvação de um povo eleito
na história. O Pacto de Obras é a aliança condicional feita com Adão no
Éden, pela qual, se obedecesse, comeria da árvore da vida e viveria
eternamente, se transgredisse, morreria, com todas as implicações dessa
morte. Vimos que Adão e Eva foram enganados pela serpente (o Diabo) e
pecaram; mas, sendo Adão o cabeça federal da humanidade, toda sua
descendência foi afetada por sua queda. Entretanto, o Senhor promete em
Gênesis 3:15 que um descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente.
O Pacto da Graça é, então, revelado como uma promessa, e essa promessa se
desenvolve ao longo de todo o Antigo Testamento através de alianças que
Deus fez com Noé, Abraão, Moisés e Davi, e de diversos tipos, sinais e
sombras que apontavam para Cristo. Essas alianças ainda não eram a
consumação do Pacto da Graça, embora apontassem, tipologicamente, para
ele. O Pacto da Graça foi consumado somente na Nova Aliança em Jesus
Cristo. Portanto, a Nova Aliança em Cristo é superior à Antiga (Hebreus 8).
Cristo já reina à destra do Pai, mas ainda não na Sua plenitude, que
ocorrerá na consumação de todas as coisas. Neste momento, anunciamos aos
rebeldes as boas novas do Salvador, o chamado é feito para se renderem,
enquanto há tempo, ao grande Rei que virá. Você já é um cristão? Renda-se a
Cristo. A única maneira de ter paz com Deus, perdão de pecados e salvação é
através do sacrifício de Cristo e de Sua mediação. Suplique ao Senhor por
salvação, pois somente Ele tem as Palavras de vida eterna.
A Escritura afirma que virá o fim, quando Cristo entregar o reino a
Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, potestade e poder. Porque
é necessário que Ele reine até que absolutamente todos os Seus inimigos
sejam prostrados debaixo de Seus pés (1 Coríntios 15:24-25).

CONCLUSÃO
Neste capítulo, estudamos o “Pacto da Redenção”, e sobre ele
destacamos as seguintes verdades:
1) O Pacto da Redenção serve de fundamento para o Pacto da Graça;
2) O Pacto da Redenção foi feito na eternidade;
3) O Pacto da Redenção é um acordo entre as pessoas da Trindade;
4) O Pacto da Redenção foi feito para a salvação dos eleitos.
Concluímos, assim, a definição dos três grandes pactos. Nos próximos
capítulos, trabalharemos o tema da Lei de Deus e Seus mandamentos, em
uma perspectiva bíblica, batista e pactual, e alguns aspectos de continuidade e
descontinuidade entre a Antiga e a Nova Aliança.
7
A Antiga e a Nova Aliança

No que consistem a Antiga Aliança e a Nova Aliança? Quais são suas


características? Quais são suas diferenças? O que as Sagradas Escrituras
falam sobre o assunto? Esses termos, que ouvimos frequentemente, mas que,
por vezes, não compreendemos com clareza seu significado, é o que vamos
trabalhar neste capítulo.
A Antiga Aliança diz respeito, especificamente, à aliança feita por
Deus com Israel mediada por Moisés. Entretanto, a Antiga Aliança também
abrange todo o período posterior à queda no Antigo Testamento, até o
estabelecimento da Nova Aliança. A Nova Aliança equivale ao Pacto da
Graça, ao Evangelho, sendo a maneira pela qual Deus salva pecadores da caída
posteridade de Adão através da obra redentora de Cristo. Vimos que esse Pacto
da Graça foi planejado na eternidade passada, prometido ao longo do Antigo
Testamento e concluído somente na plenitude dos tempos, em Jesus Cristo.
Portanto, na perspectiva bíblica e batista reformada, o Pacto da Graça é a Nova
Aliança. Vamos agora aprofundar alguns desses aspectos.

1. A ANTIGA ALIANÇA

1.1. O que é a Antiga Aliança?


No livro Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, Pascal Denault
explica que as Escrituras usam a expressão “Antiga Aliança para designar a
aliança concluída entre Deus e Israel no êxodo do Egito, a aliança da qual
Moisés foi o mediador”. Entretanto, afirma que também se refere a algo mais
do que isso, pois, de acordo com a maioria dos aliancistas do século XVII a
Antiga Aliança também incluía todo o período do Antigo Testamento, ou
seja, desde a queda até o estabelecimento da Nova Aliança em Cristo. Sendo
assim, atesta que “a teologia pactual viu a Antiga Aliança como sendo
cumulativa”.[184] Denault fundamenta esse ponto nas Escrituras ao afirmar
que:
Jesus e Paulo uniram a circuncisão dada a Abraão à lei dada a Moisés
de forma indissociável (João 7:22-23; Gálatas 5:3). Estevão começou
seu relato da Antiga Aliança com Abraão e também nele incluiu os
pactos mosaico e davídico (Atos 7). Os apóstolos associaram a
circuncisão com o fardo da Lei de Moisés (Atos 15:5, 10-11). A
epístola aos Hebreus afirma que Cristo pagou pelos pecados
cometidos sob a primeira Aliança (Hebreus 9:15), a saber, todos os
pecados cometidos antes da morte de Cristo desde a queda. A
primeira Aliança, portanto, cobria todo o período indo desde a Queda
até ao estabelecimento da Nova Aliança.[185]
Portanto, o escritor elucida o motivo dos teólogos reformados
entenderem que as “alianças da promessa” mencionadas em Efésios 2:12
estabelecidas ao longo do Antigo Testamento, estavam interligadas, como
alianças cumulativas, se estendendo a todo o período desde a queda de Adão
e Eva até o estabelecimento da Nova Aliança em Cristo. Geerhardus Vos em
seu livro, Teologia Bíblica Antigo e Novo Testamentos, explica que embora a
Antiga Aliança trate-se do período de Moisés até Cristo, o período que a
antecede, ou seja, desde a queda de Adão até Moisés também pode ser
incorporado sob o título de Antiga Aliança:
[...] por “antiga” aliança se entende não o período inteiro que vai da
queda do homem a Cristo, mas o período desde Moisés até Cristo.
Entretanto, o que precede o período mosaico na descrição de Gênesis
pode ser apropriadamente incorporado sob a “Antiga Aliança”. No
pentateuco, ela tem a função do prefácio à narrativa das instituições
mosaicas e o prefácio pertence à capa do livro.[186]
Para compreendermos melhor a Antiga Aliança, vamos observar a
dualidade que há no pacto que Deus fez com Abraão.

1.2. As duas alianças feitas com Abraão (Cf. Gálatas 4:24)


No Antigo Testamento, o Pacto da Graça foi revelado como uma
promessa em Gênesis 3:15 e, depois, por etapas sucessivas, até sua revelação
completa no Novo Testamento. Deus fez uma aliança com Noé, pela qual
trouxe estabilidade física para o desenvolvimento da promessa e,
posteriormente, fez outra aliança com Abraão. A aliança abraâmica possuía
uma natureza dicotômica, contendo aspectos físicos e espirituais, aspectos
terrenos e aspectos celestiais, aspectos condicionais e aspectos incondicionais
(Gênesis 12 e Gênesis 17). Os aspectos físicos da aliança abraâmica se
cumpririam na nação de Israel, o sinal dessa aliança era a circuncisão física, a
terra prometida era Canaã e o seu desenvolvimento se deu com sua
descendência física na nação de Israel sob a Antiga Aliança (Gálatas 4:24-
31). Esta, por sua vez, serviu também para preservar a genealogia do
Messias, prefigurar tipologicamente Sua vinda e funcionar como aio para
conduzir a Cristo, ao demonstrar a pecaminosidade humana e a necessidade
de um salvador.
A Antiga Aliança desempenhava uma função tipológica, sobre a qual
Jonathan Edwards escreveu:
Essa nação [Israel] era uma nação típica. Havia literalmente uma
terra, que era um tipo de céu, a verdadeira morada de Deus; e uma
cidade externa, que era um tipo da cidade espiritual de Deus; um
templo externo de Deus, que era um tipo de Seu templo espiritual.
Portanto, havia um povo externo e uma família de Deus, por geração
carnal, que era um tipo de Sua descendência espiritual. E a Aliança
pela qual eles foram feitos povo de Deus, era um tipo de Aliança da
Graça; e, portanto, às vezes é representado como uma aliança de
casamento.[187]
A Antiga Aliança era um tipo que apontava para o antítipo em Cristo,
como Renihan elucida:
Cada elemento da economia mosaica tipologicamente revelou e
colocou diante dos olhos dos judeus o Pacto da Graça, em que a
verdadeira justiça, o verdadeiro perdão dos pecados e a verdadeira
santidade podem ser encontradas. Entretanto, as promessas espirituais
da aliança abraâmica referiam-se a Cristo, o descendente de Abraão
(Gálatas 3:16), e se cumpriram na Nova Aliança. A circuncisão na
Nova Aliança acontece no coração dos salvos, os herdeiros dessas
promessas são aqueles que creem em Cristo, são aqueles que têm a fé
de Abraão (Gálatas 3:29).[188]
John Spilsbery afirmou: “Havia em Abraão, ao mesmo tempo, uma
descendência espiritual e uma descendência carnal, entre as quais Deus
sempre fez distinção através de suas gerações”.[189] Nessa mesma linha de
raciocínio, Pascal Denault explica que:
Abraão possuiu uma posteridade física, bem como uma posteridade
espiritual (Romanos 9:6-8; Gálatas 4:22-31); há uma circuncisão
externa da carne e uma circuncisão interna do coração (Romanos
2:28-29); há uma terra prometida aqui no mundo e um reino celestial
(Hebreus 11:8-10).[190]
Para considerarmos melhor esse ponto, observemos o diagrama
encontrado no livro de Jeffrey Johnson:

Gráfico 3. In JOHNSON, Jeffrey. A Falha Fatal da Teologia por Trás do Batismo Infantil e o
Dicotomismo Pactual: Continuidade e Descontinuidade dos Pactos de Deus. 1ª ed. São Paulo: O
Estandarte de Cristo, 2018. p. 344.

Johnson demonstra que a Nova Aliança foi estabelecida com a


descendência espiritual de Abraão, ao passo que a Antiga Aliança foi
estabelecida com a descendência natural de Abraão. O Pacto da Graça é
revelado a Abraão como uma promessa, enquanto a aliança estabelecida com
seus descendentes físicos no Sinai era um pacto de obras, possuía condições e
prometia bênçãos e maldições conforme a obediência ou desobediência do
povo. Paulo afirma que “a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és,
porém, transgressor da lei, a tua circuncisão já se tornou incircuncisão”
(Romanos 2:25). Paul Washer explica que:
Essa é a grande diferença entre a nação física de Israel sob a Antiga
Aliança e a verdadeira igreja de Jesus Cristo debaixo da Nova. A nação
de Israel era composta de indivíduos que compartilhavam uma
genealogia física comum, como descendentes de Abraão. No entanto, a
maioria era de “meros homens”, ou homens “naturais”, desprovidos do
Espírito (1 Coríntios 2:14, 3:3). Permaneciam na imagem caída de seu
pai Adão. Eram escravizados pela depravação dos corações, e
impelidos pela cobiça de sua carne (Gênesis 5:3; João 8:33-34, Efésios
2:3). Em sua maioria, não tinham a fé de seu pai Abraão, mas eram não
regenerados, descrentes e desobedientes. O fundamento do ensino do
apóstolo Paulo para a igreja de Roma era que a maioria dos
descendentes de Israel não eram, de maneira nenhuma, israelitas
(Lucas 3:7-8; Romanos 9:6-8). Em contraste, a verdadeira igreja, sob a
Nova Aliança, é composta de homens e mulheres de todas as tribos,
línguas povos e nações, e não há mais distinção entre grego e judeu,
circunciso e incircunciso, bárbaro, cita, escravo e liberto (Colossenses
3:11; Apocalipse 5:9). Sua união não está em ter o mesmo sangue de
Abraão, mas em possuir a mesma fé. Eles creem no testemunho de
Deus a respeito de Seu Filho, e isso foi imputado a eles como justiça
(Gênesis 15:6; Romanos 4.3, 16; Gálatas 3:6; Tiago 2.23)”.[191]
É importante lembrarmos que o Pacto da Graça ainda não havia sido
formalmente estabelecido com Abraão, mas prometido a ele. O texto de Gálatas
4:22-31 expressa muito bem os pontos que já mencionamos até aqui:
Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e
outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne,
mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria;
porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando
filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte
da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é
escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a
qual é mãe de todos nós. Porque está escrito: Alegra-te, estéril, que
não dás à luz; esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque os
filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. Mas nós,
irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque. Mas, como então
aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo
o Espírito, assim é também agora. Mas que diz a Escritura? Lança
fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava
herdará com o filho da livre. De maneira que, irmãos, somos filhos,
não da escrava, mas da livre.
O apóstolo Paulo apresenta as duas mulheres ligadas a Abraão, a saber,
Agar e Sara, como representando duas alianças. Agar era escrava, mãe de
Ismael, e gerou filhos para a escravidão, correspondendo ao Monte Sinai, na
Arábia e à Jerusalém atual. A outra, Sara, é livre, mãe de Isaque, o filho da
promessa, e representa a Jerusalém que é do alto. A escrava é mandada embora
com seu filho e a livre permanece. Os teólogos batistas pactuais do século XVII
entendiam que esse texto demonstrava a dicotomia da aliança abraâmica e a
relação entre a Antiga e a Nova Aliança. Agar representa a Antiga Aliança, Sara, a
Nova Aliança, os filhos delas representam aqueles que estão debaixo dessas
alianças, e o fato da escrava ser lançada fora diz respeito à abolição da Antiga
Aliança e o estabelecimento da Nova. Na seguinte tabela notamos o contraste
apresentado por Paulo, conforme o entendimento de muitos batistas
reformados:
Gálatas Agar Sara
4:22 Escrava (Agar) Livre (Sara)
4:24 Antiga Aliança Nova Aliança
Corresponde ao Monte Sinai e a
4:25-27 Corresponde a Jerusalém celestial.
Jerusalém atual.
Filho da escrava Filho da livre
4:22, 28
(Ismael). (Isaque).
Nasceu segundo o Espírito, mediante
Nasceu segundo a carne a promessa
4:23
(Posteridade física de Abraão). (Posteridade espiritual de Abraão).

4:29 Persegue. É perseguido.


Permanece e herda as promessas com
4:30 É mandada embora com seu filho.
seu filho.
4:31 Escravidão Liberdade em Cristo

Pascal Denault explica:


À luz de Gálatas 4:22-31, os teólogos de 1689 consideraram que as
duas alianças que vieram de Abraão (Agar e Sara) eram a Antiga e a
Nova Aliança. A aliança da circuncisão, Agar, correspondia à Antiga
Aliança, um pacto de obras estabelecido com a posteridade física de
Abraão. A aliança da promessa, Sara, correspondia à Nova Aliança, o
Pacto da Graça revelado a Abraão e concluído com Cristo e a
posteridade espiritual de Abraão (Gálatas 3:29).[192]
Esse entendimento pactual deles a respeito da posteridade física e
espiritual de Abraão também se baseou em textos como:
Romanos 9:6-8: Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem
todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de
Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.
Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da
promessa são contados como descendência.
Romanos 2:28-29: Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é
circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no
interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo
louvor não provém dos homens, mas de Deus.
Mateus 3:9: E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai
a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar
filhos a Abraão.
Gálatas 3:29: E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão,
e herdeiros conforme a promessa.
Sendo assim, vemos que os batistas pactuais compreenderam uma
dicotomia no pacto que Deus fez com Abraão, e que seus aspectos físicos e
condicionais se desenvolveram na Antiga Aliança (aliança sinaítica).
Portanto, a aliança no Sinai é uma progressão da aliança abraâmica e surge
por meio dessa aliança, enquanto as promessas espirituais e incondicionais
feitas a Abraão se cumprem apenas na Nova Aliança.

1.3. Qual é o Propósito da Antiga Aliança?


A Antiga Aliança, apesar de abranger todo o período do Antigo
Testamento, corresponde, mais especificamente, ao pacto fei-to com Moisés
no Sinai. Notamos que essa aliança foi feita com os descendentes físicos de
Abraão que herdariam a terra prometida e, trata-se de uma aliança nacional,
tipológica, temporária e que não concedia vida eterna.
Deus tirou o povo hebreu do Egito com mão forte, conduziu-o pelo
deserto, entrou em aliança com esse povo, formou a nação de Israel, liderada
por Moisés, e a organizou sob uma teocracia, dando-lhes leis civis,
cerimoniais e morais. Deus também ordenou a construção do tabernáculo e
todo o sistema levítico foi instituído, com diversas cerimônias e rituais e
profecias, e assim conduziu o povo de Israel. Essa aliança possuía bênçãos,
caso fos-se obedecida, e maldições, em caso de desobediência do povo. Para
fazer parte da nação e da aliança, era necessária a circuncisão física de todos
os homens dessa nação, os quais, por sua vez, eram obrigados a circuncidar
seus filhos do sexo masculino ao oitavo dia. Sob essa aliança nacional havia
crentes e descrentes, mas os descrentes demonstraram ser maioria. Sobre o
propósito da Antiga Aliança, Pascal Denault pontua:
O propósito da aliança com a posteridade física de Abraão (i.e., a
Antiga Aliança ou a Lei) não era fútil, visto que ela levava a Cristo.
Esse objetivo foi alcançado pelo menos de três maneiras:
(1.) Ao preservar tanto a linhagem messiânica como o Pacto da
Graça;
(2.) Ao apontar tipologicamente para Cristo;
(3.) Ao aprisionar todas as coisas sob o pecado para que o único meio
de se obter a herança prometida fosse através da fé em Cristo.[193]

1.3.1. Preservar a Linhagem Messiânica e o Pacto da Graça


Notamos que o Pacto da Graça é revelado a Abraão e concluído na
Nova Aliança em Cristo. Deus prometeu a Abraão e seus descendentes que
seu herdeiro seria o Messias prometido. O privilégio da nação de Israel foi
trazer esse Messias prometido. As leis dadas a Israel, além de servirem para a
organização daquele povo, também ajudaram a distinguir essa nação de
outros grupos étnicos e a preservar a descendência messiânica prometida a
Abraão, bem como conservar sua genealogia. Muitos povos, ao se
misturarem com outras nações, perderam totalmente sua identidade e
dificilmente preservaram a genealogia de seu povo. Jeffrey Johnson elucida
que “sem documentação cuidadosa dos registros familiares, seria impossível
provar que o Senhor Jesus era da família de Davi. De modo providencial,
Deus fez uma provisão para isso no pacto mosaico”.[194] John Owen explica
que essa aliança tinha um objetivo temporal e que cessaria após seu
cumprimento:
Que essa separação e privilégio [a saber, a separação de Israel e sua
preservação por meio da aliança] deveriam cessar quando seu
objetivo fosse cumprido e o Messias fosse revelado, a própria
natureza da coisa o declara; pois, para qual propósito deveriam
continuar, uma vez que foi totalmente eficaz para o que foram
designados?[195]
Portanto, um dos motivos da existência da Antiga Aliança era a
preservação da linhagem messiânica, do descendente de Abraão por meio de
quem todas as nações da terra seriam abençoadas, Jesus Cristo (Gálatas 3:16).
É notável que o Evangelho de Mateus começa com a genealogia de Jesus e o
apresenta como filho de Davi e Filho de Abraão (Mateus 1:1). Além disso, a
Antiga Aliança preservou a promessa a respeito desse Pacto da Graça que
seria estabelecido na história como a Nova Aliança; como Paulo afirma, em
Romanos 3:2, a respeito dos benefícios dos judeus em relação aos demais
povos, “as Palavras de Deus lhes foram confiadas”.

1.3.2. A Antiga Aliança Aponta Tipologicamente para Cristo


O segundo propósito destacado é que a Antiga Aliança aponta
tipologicamente para Cristo. Jeffrey Johnson explica que:
“o pacto mosaico apontou uma luz brilhante em Cristo: Primeiro,
mostrando a necessidade universal do homem de um salvador.
Segundo, como já explicamos em detalhes, figurando Cristo por meio
de várias sombras e tipos”.[196]
Todo o sistema sacrificial, o ofício do sumo sacerdote e o tabernáculo
demonstravam que o Senhor é Santo, que Sua presença era restrita, que a
transgressão da lei demandava derramamento de sangue. Os diversos tipos,
sinais e figuras prefiguravam aquele que é maior do que eles mesmos, a
saber, Jesus Cristo, nosso cordeiro pascal (1 Coríntios 5:7). Você pode
examinar as Escrituras e encontrar inúmeros tipos, no Antigo Testamento,
que apontavam para Jesus. Cristo é o Segundo Adão (Romanos 5:12-21), o
cordeiro de Deus (João 1:29), o pão da vida (João 6:31-35) e assim por
diante.

1.3.3. A Antiga Aliança Manifesta o Pecado dos Homens e os


Conduz a Cristo
O terceiro propósito da Antiga Aliança é que ela manifesta a culpa e
aprisiona todas as coisas sob o pecado. Romanos 3:19-20 afirma: “Ora,
sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale
toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém
será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o
pleno conhecimento do pecado”.
A Lei explicita aquela norma que já existia na consciência, que já havia
sido colocada dentro do homem desde o princípio, ela simplesmente expõe e
manifesta claramente o pecado do homem. Por exemplo, antes mesmo de
Moisés ter recebido as tábuas da Lei no Sinai, os homens já matavam,
adulteravam e transgrediam a consciência que Deus havia colocado dentro
deles. A norma da lei gravada dentro dos homens sempre existiu, mas no
Sinai ela é expressa claramente e expõe seu pecado, como explica John
Bunyan:
A própria substância dos Dez Mandamentos foi dada no Jardim antes
de serem recebidos no Sinai; porém, eles estavam tão obscurecidos no
coração do homem que os seus pecados não foram mostrados de
modo tão claro quanto posteriormente. “A lei foi acrescentada (ou
mais claramente dada no Sinai, em tábuas de pedra) para que a ofensa
abundasse”, ou seja, pudesse ser manifestada e aparecer mais
claramente.
A aliança mosaica manifestou a condenação do homem. Ela serve
como um raio x que mostra o problema, mas não o resolve, apenas manifesta
a condição em que a pessoa se encontra e conduz o paciente ao médico, que é
quem pode realmente tratar o problema identificado. Neste caso, o médico é
Jesus Cristo. Pascal Denault elucida que:
[...] os sacrifícios da Antiga Aliança não podiam cumprir a justiça da
lei efetivamente; é por isso que eles tiveram um valor tipológico e
temporário. Enquanto fossem oferecidos, esses sacrifícios lembravam
que os requerimentos da lei não eram satisfeitos, uma vez que o
pecado ainda subsistia e que essa lei pesava sobre os membros da
Antiga Aliança como uma maldição (cf. Hebreus 10:1-14). Assim,
Cristo nasceu (Gálatas 4:4) sob a lei para cumpri-la em sua perfeita
obediência (Mateus 5:17; Romanos 5:19-20; Gálatas 3:13). Cristo,
portanto, cumpriu a lei perfeitamente como ela foi revelada na Antiga
Aliança; os termos que Ele cumpriu foram aqueles do Seu Pacto de
Obras, que é o Pacto de Redenção entre o Pai e o Filho para a
redenção dos eleitos.[197]
Dessa maneira, a Antiga Aliança era condicional, possuía bênçãos e
maldições e dependida da obediência do povo. Por exemplo, em Êxodo 19:5
observamos uma das condições:
Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a
minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre
todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de
sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos
de Israel.
Neste caso, a condição seria guardar a aliança. Sabemos, pela história,
que a nação desobedeceu continuamente a Deus e quebrou a aliança diversas
vezes (Hebreus 8:9). Além disso, como vimos, era uma aliança nacional, feita
com Israel sob uma teocracia, a entrada na aliança se dava pela circuncisão
física, ela prometia recompensas terrenas e, nesse pacto, encontravam-se
tanto crentes como descrentes. Portanto, apesar de estar relacionada ao Pacto
da Graça e apontar tipologicamente para ele, a Antiga Aliança permanece
distinta substancialmente dele, como veremos no próximo tópico. Portanto,
segundo o entendimento de muitos batistas reformados, a Antiga Aliança,
embora revelasse tipologicamente a obra redentora de Cristo, ela, em si
mesma, ainda era um Pacto de Obras, apesar de preservar alguma distinção
em relação ao primeiro que havia sido feito com Adão, como Benjamin
Keach explica:
É verdade, houve outra edição ou administração dele [o Pacto de
Obras] dada a Israel, o qual, embora fosse um pacto de obras, isto é,
faça isto e viva, ainda assim não foi dado pelo Senhor para o mesmo
fim e objetivo do Pacto dado aos nossos primeiros pais, a saber: Não
foi dado para justificá-los, ou para dar-lhes vida eterna.[198]
Pascal Denault elucida que: “essa especificação constituiu-se uma
característica essencial do federalismo batista, especialmente que o Pacto de
Obras, depois da queda, nunca mais foi usado, para os descendentes de Adão,
como ‘uma lei que pudesse vivificar’ (Gálatas 3:21)”.[199] Além disso,
Denault conclui que “a Antiga Aliança foi, para o povo de Israel, uma aliança
figurativa, terrena e condicional, que tinha de levá-los a Cristo relembrando-
os do Pacto de Obras”. Portanto, a Antiga Aliança era substancialmente
diferente da Nova, ela nunca concedeu vida a seus participantes, como John
Owen expõe:
Essa aliança assim feita [a Antiga Aliança], com tais objetivos e
promessas, nunca salvou ou condenou qualquer homem eternamente.
Todos os que viveram sob sua administração alcançaram a vida
eterna, ou pereceram para sempre, mas não em virtude dessa aliança
formalmente como tal. De fato, ela reviveu a autoridade e a sanção do
primeiro Pacto de Obras; e nesse sentido, como o apóstolo Paulo fala,
foi “o ministério da condenação” (2 Coríntios 3:9); pois “ninguém
será justificado por obras da lei” [Romanos 3:20; Gálatas 2:16]. E,
por outro lado, ela também direcionava para a promessa, que era o
instrumento de vida e salvação para todos os que creram.[200]
Nesse ponto, a teologia de John Owen se assemelha muito à teologia
dos batistas pactuais de 1689, como Samuel Renihan observa:
Owen argumentou que a Antiga Aliança não era da mesma substância
que a Nova Aliança; as duas alianças diferiam em substância. A
Antiga Aliança era uma aliança de obras para a vida na terra de
Canaã, revivendo a aliança original de obras e direcionando os
pecadores para a Aliança da Graça”.[201]

2. A NOVA ALIANÇA
Já notamos que na perspectiva batista reformada, o termo Pacto da
Graça é equivalente à Nova Aliança e diz respeito à manifestação do eterno
plano redentor na história, à promessa salvadora revelada no Antigo
Testamento e estabelecida na plenitude dos tempos em Cristo Jesus. Este é
um dos pontos em que a teologia bíblica batista pactual se distingue da
teologia pactual pedobatista. O Pacto da Graça foi revelado como uma
promessa em Gênesis 3:15 e estabelecido na história somente na Nova
Aliança em Cristo, portanto, a Nova Aliança equivale ao Pacto da Graça
estabelecido e ratificado no sangue de Cristo. Na Antiga Aliança, apesar de o
Pacto da Graça ser prometido, ele ainda não fora estabelecido. Assim, os
batistas entendem que existe uma diferença substancial entre a Antiga e a
Nova Aliança, ao passo que os pedobatistas entendem de maneira diferente.
Para os pedobatistas, o Pacto da Graça foi estabelecido já em Gênesis
3:15 e administrado de diversas formas ao longo do Antigo Testamento. Ou
seja, todas as alianças feitas no Antigo Testamento são administrações do
Pacto da Graça, e a Nova Aliança seria somente mais uma administração
desse pacto. Logo, eles não creem que a Nova Aliança é substancialmente
diferente da Antiga. Trabalharemos esse ponto adiante.
Os batistas, por sua vez, compreenderam que o texto de Hebreus 8:6-13
apresenta claramente a distinção entre a Antiga e a Nova Aliança:
Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é
mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores
promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se
teria buscado lugar para a segunda. Porque, repreendendo-os, lhes
diz:
Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel
e com a casa de Judá estabelecerei uma nova aliança, não
segundo a aliança que fiz com seus pais no dia em que os
tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não
permaneceram naquela minha aliança, eu para eles não
atentei, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que depois
daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as
minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as
escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo;
e não ensinará cada um a seu próximo, nem cada um ao seu
irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me
conhecerão, desde o menor deles até ao maior. Porque serei
misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados
e de suas prevaricações não me lembrarei mais. Dizendo
Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado
velho, e se envelhece, perto está de acabar.
O texto apresenta Jesus Cristo como Mediador de uma melhor aliança,
baseada em melhores promessas. Explica também que, se a aliança anterior (a
Antiga Aliança) fosse sem defeito, não se procuraria lugar para outra. Mas o
autor aos Hebreus prossegue citando o texto de Jeremias 31, mostrando que,
desde o Antigo Testamento, havia a promessa de uma superior e Nova
Aliança.
A função da Antiga Aliança foi demonstrar que todos estavam debaixo
do pecado e os conduzir, através de tipos, sombras e promessas, a Cristo. Em
sua exegese de Hebreus 8, John Owen destaca a superioridade da Nova
Aliança em relação à Antiga:
Aquilo que antes estava oculto em promessas e em muitas coisas
obscuras — e quando os principais mistérios eram um segredo
escondido no próprio Deus — foi agora trazido à luz; e aquela aliança
que, invisivelmente, em forma de promessa, mostrou sua eficácia sob
tipos e sombras, foi agora solenemente selada, ratificada e confirmada
na morte e ressurreição de Cristo. Antes, ela [a Aliança da Graça ou
Nova Aliança] havia sido confirmada em forma de uma promessa,
que é um juramento; agora, foi confirmada como uma aliança, que é
o sangue. Aquilo que antes não tinha adoração visível, exterior,
própria e peculiar a ela, agora é feita a única regra e instrumento de
adoração para toda a igreja, nada passa a ser admitido, senão o que
lhe pertence e é designado por ela. É isso que o apóstolo intenciona
ao usar o termo νενομοθέτηται, a saber, o “estabelecimento legal” da
Nova Aliança, com todas as ordenanças de sua adoração. E, nisso, a
outra aliança é anulada e abolida; e não apenas a aliança em si, mas
todo aquele sistema de culto sagrado segundo o qual ela foi
administrada. […] Quando a Nova Aliança foi dada apenas em forma
de uma promessa, ela não introduziu adoração e nem privilégios
pertencentes a ela. Por isso, ela foi consistente com uma forma de
adoração, ritos e cerimônias e todas aquelas outras instituições da
Antiga Aliança que, juntas, constituíam um jugo de escravidão, pois
tudo isso não pertencia à Nova Aliança. E assim também essas, se
forem adicionadas após o estabelecimento da Nova Aliança, embora
não anulem sua natureza como uma promessa, contudo são
inconsistentes com ela, enquanto já concluída como uma aliança;
pois, então, todo a adoração da igreja deveria proceder e ser
conformada a ela. Então ela estava estabelecida.[202]
Portanto, Owen compreendia que na Antiga Aliança o Pacto da Graça
havia sido revelado, e na Nova Aliança ele foi estabelecido legalmente com
suas ordenanças de culto e selado com sangue. Portanto, as cerimônias e
sombras da Antiga Aliança seriam abolidas uma vez que encontrassem sua
consumação em Cristo. Por exemplo, digamos que você tenha um ticket de
um grande prêmio. Uma vez que você já recebeu o prêmio, você não precisa
mais do ticket, ele já cumpriu a sua função. Uma vez que Cristo estabeleceu a
Nova Aliança, não precisamos mais nos apegar às cerimônias que O
anunciavam, elas cumpriram a sua função. Uma vez que temos o Sumo
Sacerdote superior da ordem de Melquisedeque, o sacerdócio levítico já
cumpriu a sua função, não há mais necessidade de sacrifícios de animais,
tampouco de um outro sacerdote, pois Cristo é o Mediador de uma aliança
superior.
Além disso, a Nova Aliança não seria como a aliança mosaica, a qual
era condicional e cujos participantes não cumpriram suas condições — pelo
contrário, quebraram a aliança. Diferente da Antiga Aliança, na qual
encontramos condições do tipo “se” vocês fizerem isso, “então eu” farei
aquilo, a Nova Aliança é incondicional para todos os seus participantes,
aqueles que são verdadeiramente salvos pela fé em Cristo. Stuart Ollyot
comenta:
Na Antiga Aliança, Deus disse, com efeito: “Se vocês… então eu…”.
As bênçãos pactuais estavam condicionadas à obediência humana. Na
Nova Aliança, Deus fala: “Eu quero fazer…”. É interessante observar
quantas vezes isso ocorre nos versículos de Hebreus 8:7-12. Embora
não esteja claro, mas apenas implícito, a partir desses versículos, o
fato é que tais bênçãos são condicionadas à obediência de Cristo. Ele
é o Mediador da Nova Aliança.[203]
Charles Spurgeon afirma que a promessa da Nova Aliança, anunciada
em Jeremias 31:31, destaca a distinção substancial entre a Antiga e a Nova
Aliança, salientando que esta possui caráter incondicional, inquebrantável e
que sua membresia é composta somente de verdadeiros descendentes de
Abraão, ou seja, de crentes verdadeiros. Ele diz:
No capítulo 31 de Jeremias, versículo 31, essa aliança é chamada
“nova aliança”. Isso contrasta com a aliança anterior que o Senhor fez
com Israel quando o trouxe para fora do Egito. É nova no que diz
respeito ao princípio em que se baseia. O Senhor havia dito aos Seus
que, se guardassem as Suas leis e andassem nos Seus estatutos, Ele os
abençoaria. Ele colocou diante deles uma longa lista de bênçãos, ricas
e plenas; todas elas seriam a sua porção se escutassem o Senhor e
obedecessem à Sua lei. Mas nos dias presentes, o Senhor, em Cristo
Jesus, tem feito com a verdadeira descendência de Abraão, com todos
os crentes verdadeiros, uma Nova Aliança; não segundo o teor da
Antiga, nem passível de ser quebrada, como aquela. Irmãos, tomem o
cuidado de distinguirem entre a Velha Aliança e a Nova Aliança,
porque nunca deverá haver confusão entre elas. Muitos nunca
percebem a verdadeira natureza da Aliança da Graça; eles não
entendem um pacto de pura promessa. Falam a respeito da graça, mas
consideram que ela depende do mérito. Falam da misericórdia de
Deus, porém a misturam com condições que fazem com que seja mais
justiça do que graça. Irmãos, façam distinção entre coisas diferentes.
Se a salvação é por graça, não é por obras, senão, a graça já não seria
graça; e se é por obras, não é por graça, senão as obras já não seriam
obras (conforme Romanos 11:6). A Nova Aliança é toda pela graça,
desde a primeira letra até à sua palavra final.[204]
A Nova Aliança é incondicional para os seus participantes. Uma vez
que Cristo cumpriu todas as condições em nosso lugar, todos os participantes
dessa aliança são salvos, todos conhecem o Senhor. Aqueles que estão na
Nova Aliança são aqueles que estão em Cristo, são os herdeiros das
promessas espirituais feitas a Abraão (Gálatas 3:29). Paul Washer afirma
corretamente que:
Ela [a Nova Aliança] assegura a nós crentes que, apesar de nossa
incapacidade, fomos levados a uma aliança eterna e incondicional
com Deus. Tudo é obra dEle, e, portanto, temos uma palavra segura
sobre a qual nos firmar, não somente nesta vida como também em
todas as eras por vir. É por essa razão que reconhecemos livremente,
de comum acordo, que é pela graça que somos salvos, não por nós,
não por obras para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9). As
promessas do Antigo Testamento quanto à natureza eterna e
incondicional da Nova Aliança não se limitam ao profeta Jeremias,
mas são igualmente reveladas nas palavras do profeta Isaías. Por ele,
Deus declara a Seu povo: “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e
a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que
consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi (55:3)”.[205]
Outro fator a ser considerado é que na Antiga Aliança a lei foi gravada
em tábuas de pedra, já na Nova Aliança, a lei é gravada na mente e no
coração do povo de Deus (Hebreus 8:10). A Antiga Aliança mostra o pecado,
a Nova aliança resolve o problema do pecado através da obra do Mediador,
Jesus Cristo, que derramou o Seu sangue que nos lava de todo pecado. Em
Hebreus 8:12 o Senhor diz: “Porque serei misericordioso para com suas
iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei
mais”. Jeffrey Johnson explica muito bem esses pontos:
A principal diferença entre as duas alianças foi que, enquanto a
Antiga Aliança foi quebrada, a Nova Aliança seria inquebrantável.
Por exemplo, a Antiga Aliança apresentava a lei escrita em pedra,
mas não podia mudar um coração de pedra. Em contraste, a Nova
Aliança escreve a lei sobre o coração (Jeremias 31:33). A Antiga
Aliança exigia um coração circuncidado, mas a Nova Aliança fornece
um coração circuncidado. Alguns membros da Antiga Aliança foram
afastados de Deus, mas todos os membros da Nova Aliança são
preservados em um relacionamento amoroso e pessoal com Deus
(Jeremias 31:34). A lei condenou os membros da Antiga Aliança,
enquanto os membros da Nova Aliança são justificados em Cristo.[206]
Portanto, vimos que a entrada na Antiga Aliança se dava pela
circuncisão, logo após o nascimento, mas a entrada na Nova Aliança é pela
circuncisão do coração, pelo novo nascimento. A Antiga Aliança era como
uma sombra, a Nova Aliança, a substância; com o estabelecimento da Nova,
a Antiga torna-se antiquada. Micah e Samuel Renihan acertam ao afirmar
que:
No Antigo Testamento, a Antiga Aliança era um tipo e sombra da
plenitude que estava por vir. Essa plenitude foi envolta em mistério e
tipos que esperavam por serem revelados em Cristo. Com a vinda de
Cristo, agora temos essa plenitude. Os elementos externos,
tipológicos da Antiga Aliança são abolidos. O mistério e as sombras
se foram.[207]
Paul Washer afirma corretamente que:
É impossível que o sangue de touros e bodes tire os pecados ou
aperfeiçoe a consciência do adorador (Hebreus 9:9, 10:4). É
impossível à lei, devido à fraqueza da carne humana, mudar os afetos
da pessoa, transformando-a em pensamento e ação (Romanos 8:3).
Por essa razão Deus declara, por intermédio de Jeremias, a feliz
notícia de uma nova e superior aliança, estabelecida sobre promessas
melhores (Hebreus 8:6). Ela possuiria e demonstraria uma plenitude
da qual a Antiga Aliança era apenas tipo ou sombra. Faria demandas
sobre o povo de Deus que excederiam em muito o que Moisés lhes
entregara, contudo, proveria uma transformação e um poder que os
capacitaria a obedecer.[208]
Micah e Samuel Renihan complementam que:
Com a Nova Aliança, vem o irromper do tempo escatológico em sua
forma “já-ainda não”. O povo da Antiga Aliança foi gerado
naturalmente e marcado pela circuncisão da carne. O povo da Nova
Aliança é gerado espiritualmente e, do mesmo modo, circuncidados
no coração — é o antítipo da circuncisão. Portanto, o batismo deve
ser administrado apenas para aqueles que nasceram espiritualmente
na aliança, que entraram na Nova Aliança através da fé em Cristo ao
nascerem de novo. A única forma prescrita nas Escrituras para avaliar
se alguém está na aliança é uma profissão de fé. Após a profissão de
fé, o batismo é administrado. Este é precisamente o padrão que vemos
no Novo Testamento: o batismo acontece após uma profissão de fé.
[209]

Nesse trecho, os irmãos Renihan demonstram o motivo dos batistas,


conforme esse entendimento da Nova Aliança, batizarem somente aqueles
que fazem profissão de fé em Cristo. Uma vez que na Nova Aliança todos
conhecem o Senhor e tem seus pecados perdoados, e a entrada nesse concerto
não se dá por nascimento físico, mas pelo novo nascimento. A única maneira
prescrita na Escritura para avaliar esse ponto é a profissão de fé. Portanto, os
batistas entendem que somente devem batizar aqueles que demonstram
arrependimento e fé em Cristo, pois esse é o sinal de que fazem parte do
Pacto da Graça. Fred Malone, complementa:
Quem é a “descendência” de Cristo, a quem pertencem as promessas
da Aliança com Abraão? São aqueles que pertencem a Cristo (Gálatas
3:29) e estes somente são revelados
por sua fé. Os únicos que têm uma reivindicação à herança de Deus
são os filhos de Deus pela regeneração do Espírito (Romanos 8:9, 14-
17; João 1:12-14). Portanto, ninguém é considerado um herdeiro das
promessas abraâmicas até que, pela fé, ele dê evidência de ser um
“descendente” de Abraão por meio de Cristo, que é o cumprimento
literal da descendência de Abraão. E nós “pertencemos a Cristo”
somente através da fé que evidencia a regeneração (Gálatas 3:22, 29).
[210]

Antiga Aliança Nova Aliança


Entrada por nascimento físico Entrada pelo novo nascimento
Circuncisão era física e um ato exterior na
Circuncisão do Espírito no coração
carne
Lei foi escrita sobre a pedra Lei escrita sobre o coração
Adoração cerimonial exterior Adoração em espírito e em verdade
Um reino físico Um reino espiritual
Herança terrena Cidade celestial (Hebreus 11.10)
Temporal Eterna

Jeffrey Johnson também destaca as diferenças substanciais entre a


Antiga e a Nova Aliança na seguinte tabela:[211]
Portanto, aquilo que foi prometido no Antigo Testamento é cumprido
em Cristo, na Nova Aliança. Cristo foi assunto aos céus e está à destra do Pai,
o Seu reino já está entre nós, mas aguardamos a Sua segunda vinda e a
consumação de todas as coisas, quando o Senhor fará novos céus e nova
terra, onde habita a justiça, e desfrutaremos plenamente, tanto espiritualmente
como fisicamente, das bençãos prometidas por Deus. Johnson conclui:
Então, depois que Cristo voltar, céu e terra serão unidos nos novos
céus e da nova terra vindouros, onde só habita a justiça. Naquele
tempo, o povo de Deus receberá corpos novos e glorificados, e
encontrará o descanso escatológico onde se cumprirá a plenitude dos
aspectos naturais e espirituais da aliança de Deus com Abraão, na
consumação do reino de Deus na eternidade porvir. O reino
prometido a Abraão era tanto espiritual quanto físico por natureza,
mas consiste apenas naqueles que foram unidos a Cristo pela fé.[212]
Sendo assim, a plenitude das promessas divinas será herdada tanto
fisicamente quanto espiritualmente na consumação de todas as coisas por
todos aqueles que foram unidos a Cristo pela fé. Como afirmou o apóstolo
Paulo: “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros
conforme a promessa” (Gálatas 3:29).

CONCLUSÃO
Aprendemos aqui algumas verdades importantes sobre a definição da
Antiga e a Nova Aliança, e da relação entre elas:
1) Há uma dicotomia na aliança abraâmica: seus aspectos físicos e
condicionais desenvolvem-se na Antiga Aliança e suas promessas espirituais
e incondicionais se cumprem na Nova Aliança.
2) A Antiga Aliança é uma aliança temporal, condicional e nacional,
cuja entrada é por meio da circuncisão física, sob a qual estão crentes e
descrentes.
3) A Antiga Aliança aponta tipologicamente para Cristo, preserva a
linhagem do messias, mostra que todos estão debaixo do pecado e aponta
para um salvador.
4) Embora esteja relacionada, dessa maneira, com a Nova Aliança, a
Antiga Aliança é distinta, substancialmente, da Nova.
5) A Nova Aliança é o Pacto da Graça que foi prometido no Antigo
Testamento e estabelecido na plenitude dos tempos em Cristo.
6) A Nova Aliança para os crentes é incondicional, pois Cristo, o
Mediador, cumpriu todas as condições exigidas por ela em nosso lugar.
7) A Nova Aliança é eterna e inquebrantável, todos que estão sob essa
aliança são salvos e conhecem o Senhor. Ela promete bençãos espirituais e
sua entrada é por meio do novo nascimento.
Reflita sobre essas boas novas e tão preciosas promessas. Jamais
confunda o significado da Antiga e da Nova Aliança, esse é um assunto de
supremo valor. Esperamos que este capítulo o tenha ajudado a entender
melhor esse tema.
No próximo capítulo, trabalharemos o tema da lei de Deus. Você sabe
como os cristãos na Nova Aliança se relacionam com a lei de Deus?
8
A Lei de Deus
No presente capítulo trataremos especificamente da lei de Deus: no que ela
consiste, como é apresentada ao longo da história bíblica, quais os seus usos e
como os cristãos na Nova Aliança relacionam-se com ela. Esse é um tema
muito importante em nossos dias, em que há uma grande confusão no que diz
respeito aos assuntos relacionados à moral, ao que é certo e errado. Por
exemplo: qual é a relação dos cristãos com os Dez Mandamentos? O cristão
ainda deve observá-los? As respostas a essas e outras perguntas serão tratadas
a seguir.

1. A LEI DE DEUS
Como, neste livro, o objetivo é apresentar a teologia bíblica batista
reformada e demonstrar seus distintivos, também é importante mencionarmos
que os pontos de unidade entre as confissões reformadas são muito maiores
do que suas diferenças. E, nesse caso, no que concerne à lei de Deus, as
confissões reformadas são muito semelhantes. Samuel Waldron destaca:
A unidade evidente entre a Confissão de Westminster, a Declaração
de Savoy e a Confissão de 1689 nesse capítulo [sobre a Lei de Deus]
manifestam claramente que não havia diferença consciente entre os
presbiterianos, os congregacionais e os batistas particulares sobre essa
questão. Todos eles sustentaram, com a mesma firmeza, a doutrina
puritana da lei de Deus.[213]
Portanto, entendemos que tanto batistas reformados como
presbiterianos e congregacionais sustentaram em suas confissões a doutrina
puritana da Lei de Deus, ou seja, o sistema de regras que reflete o caráter de
Deus, que se fundamenta na ordem criada e que se revela nas Escrituras.[214]
Os reformados normalmente compreendem que a lei mosaica se divide em
três dimensões:
• Lei moral: Corresponde às regras que refletem o caráter de Deus e
são expressas mais claramente no Decálogo (Dez Mandamentos).
• Leis cerimoniais: Dizem respeito às cerimônias e sacrifícios instituídos
no sistema levítico e apontavam para Cristo.
• Leis civis/judiciais: Trata-se das leis que regiam Israel sob uma
teocracia.
Alguns teólogos objetam a tripartição da lei por não a encontrarem
explicitamente expressa nas Escrituras. Entretanto, verificamos que a Bíblia
não é um livro de Teologia Sistemática em que as doutrinas já estão
separadas por tópicos, a dogmática é que tem essa tarefa. A Escritura Sagrada
é como uma mina de ouro a ser escavada. Como Herman Bavinck acerta ao
afirmar:
“A Escritura não é dogmática. Ela contém todo o conhecimento de
Deus de que precisamos, mas não na forma de formulações
dogmáticas [...] A Escritura é uma mina de ouro: é a igreja que extrai
o ouro, põe sua estampa sobre ele e o converte em dinheiro
circulante”[215].
Essa compreensão bíblica a respeito dos mandamentos de Deus em
seus diferentes aspectos remonta ao Antigo Testamento, assim como também
estava presente a noção da superioridade do aspecto interior e moral em
relação ao aspecto exterior e cerimonial. Observe o texto de Jeremias 7:22-
23, em que o Senhor afirma:
Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do
Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou
sacrifícios. Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz,
e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andai em todo o
caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem.
É notável que a questão não estava simplesmente em praticar
sacrifícios, mas em servirem a Deus de coração, obedecerem à voz dEle. O
ponto não era simplesmente oferecer holocaustos ou praticar algo mecânico e
religioso, mas amar a Deus sobre todas as coisas e demonstrar esse amor a
Deus amando ao próximo. Em diversos outros textos do Antigo Testamento,
tal distinção também pode ser notada, como, por exemplo, em Isaías 15:11-
15, que demonstra que o Senhor estava farto de sacrifícios, holocaustos e
cerimônias, uma vez que o povo continuava a quebrar os preceitos morais.
Na mesma linha, o texto de Oséias 6.6 afirma que o Senhor quer a
misericórdia, e não o sacrifício, e o conhecimento de Deus mais do que os
holocaustos. E o texto de Miquéias 6:6-8 o complementa, mostrando a
superioridade dos preceitos morais e internos em relação aos cerimoniais. O
Senhor exigia não apenas presentes externos, mas o coração do povo.
Contudo, a lei moral, que foi colocada no interior de todo ser humano
(Romanos 2:15) e codificada, posteriormente, em tábuas de pedra pelo
próprio dedo de Deus em dez mandamentos (Êxodo 31.18) — as quais,
depois de serem quebradas, foram reescrita e depositada na arca da aliança
(Deuteronômio 10.1-4) — é claramente apresentada nas Escrituras como
tendo proeminência em relação aos demais aspectos (cerimoniais e
civis/judiciais) do conjunto de códigos legais que regiam Israel e serviam
como leis positivas ao longo da Antiga Aliança. A.W. Pink afirma que
nenhum dos preceitos cerimoniais ou civis recebeu tal proeminência e
distinção.[216] Uma das principais promessas da Nova Aliança é que a lei
moral seria gravada na mente e escrita no coração dos seus praticantes,
aqueles que têm fé em Cristo (Hebreus 8:10).
Em Marcos 12:28-34, encontramos registrada uma conversa de Cristo
com um escriba sobre a lei que pode lançar luz sobre o assunto que estamos
tratando:
Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e
sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o
primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O
primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso
Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o
teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de
todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo,
semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há
outro mandamento maior do que estes. E o escriba lhe disse: Muito
bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há
outro além dele; E que amá-lo de todo o coração, e de todo o
entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o
próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e
sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-
lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava
perguntar-lhe mais nada.
A resposta do escriba demonstra que as preocupações morais tinham
proeminência em relação aos aspectos cerimoniais, e Cristo aprovou essa
resposta. Os dois mandamentos que resumem a lei foram mencionados por
Cristo e enaltecidos pelo escriba acima das cerimônias e holocaustos.
Além disso, Jeffrey Johnson também explica que a lei de Moisés pode e
deve ser dividida entre mandamentos morais, cerimoniais e judiciais. Ele
menciona que Samuel dividiu a lei cerimonial da lei moral quando disse a
Saul: “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios,
como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor
do que o sacrificar” (1 Samuel 15:22). Algo muito importante a ser levado
em conta é que o próprio Senhor Jesus Cristo também fez distinção entre os
aspectos da lei quando disse: “Como acima diz: Sacrifício e oferta, e
holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaste (os quais
se oferecem segundo a lei). Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a
tua vontade” (Hebreus 10:8-10).
Johnson entende que, nessas declarações, a lei moral é exaltada acima da
lei cerimonial, o que significa, portanto, significa que a lei moral não foi
revogada só porque os aspectos cerimoniais e judiciais da lei foram revogados.
[217]
Samuel Waldron afirma que, quando o Novo Testamento contempla a lei da
Antiga Aliança como uma revelação permanente do princípio moral, certamente
são os Dez Mandamentos que se tornam proeminentes (Romanos 2:14-23; 3:19-
20, 31; 7:12; 13:8-10; Efésios 6:1-3; 1 Timóteo 1:8-10). Essa observação
justifica a insistência, nas confissões reformadas, de uma tripartição da lei da
Antiga Aliança em suas dimensões morais, civis e cerimoniais.[218] Richard
Barcellos, na mesma linha de raciocínio, explica a tripla divisão da lei:
A tripla divisão da lei compreende a lei moral enquanto baseada na
criação e, portanto, inexorável a todos os homens (mesmo que em
formas diferentes); e as cerimônias e leis jurídicas do Antigo Pacto
como suplementares ao Decálogo sob o pacto mosaico (cf. CFB 19.1-
4 e o esboço de 19.1-7 supracitado). As leis cerimoniais e judiciais do
pacto mosaico são leis positivas, leis adicionadas à lei moral para
propósitos histórico-redentivos.[219]
Assim, Barcellos também compreende a tripla divisão da lei mosaica e
distingue a lei moral das leis cerimoniais e judiciais. Ele explica que a lei
moral é perene, baseada na criação, ao passo que as leis civis e cerimoniais
são leis positivas, ou seja, não são necessariamente universais ou perpétuas,
mas são condicionadas a um propósito divino e foram suplementares à
aliança mosaica — portanto, podiam e deveriam cessar quando atingissem
seus propósitos histórico-redentivos.
A Confissão de Fé Batista de 1689 resume de forma magistral o
pensamento reformado clássico sobre a lei que temos discutido até aqui.
Observemos o texto do capítulo 19, Sobre a Lei de Deus, e notemos como
esses três aspectos da lei são apresentados e quais são os usos da lei nas
Escrituras, tanto para crentes como para ímpios.

1.1. A Lei de Deus em Adão


Deus deu a Adão uma lei de obediência universal, escrita em seu
coração, e um preceito particular de não comer do fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal, a qual Ele obrigou-o e a toda sua
posteridade, para pessoal, inteira, exata e perpétua obediência;
prometeu vida com base em seu cumprimento, e ameaçou com a
morte a violação dela; e o dotou com o poder e a capacidade para
guardá-la (CFB 19.1).
O Senhor Deus, desde a criação do homem, demonstrou que ele é o
regulador da vida e o instruiu para dominar sobre a criação (Gênesis 1:26-
27). Embora nem todos os mandamentos ainda fossem expressamente
manifestos, o Senhor dotou os seres humanos com consciência de “uma lei de
obediência universal escrita em seu coração”, também chamada de “lei
natural”. João Calvino explica:
Ora, tudo quanto se deve aprender das duas Tábuas, de certo modo
no-los dita e ensina aquela lei interior que anteriormente se disse estar
inscrita e como que gravada no coração de todos. Pois nossa
consciência não nos deixa dormir um sono perpétuo, destituído de
sensibilidade, sem que nos seja testemunha e monitora interior
daquilo que devemos a Deus, sem que nos anteponha a diferença do
bem e do mal, e assim nos acuse quando nos afastamos de nosso
dever.[220]
Calvino afirma que tudo o que as duas tábuas da lei ensinam já
encontra-se de alguma maneira na lei interior colocada em todos os homens.
O texto de Romanos 2:14-15 clarifica esse ponto, demonstrando que até
mesmo aqueles que não tiveram acesso à lei escrita, têm uma lei dentro de si
demonstrada pela consciência que foi dada por Deus a todos:
Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as
coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os
quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando
juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-
os, quer defendendo-os.
Além disso, o Senhor também deu a Adão expressamente um
mandamento de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal e
prometeu bênçãos e maldições, a depender da obediência ou desobediência
de Adão. Já aprendemos que a aliança condicional feita com Adão como
cabeça federal da humanidade é chamada de Pacto de Obras. É importante
notarmos que Adão, antes da queda, foi dotado com poder e capacidade para
guardá-la, ou seja, Adão poderia não pecar, mas já sabemos qual foi a sua
escolha.

1.2. A Lei moral


A mesma lei que primeiramente foi escrita no coração do homem,
continuou a ser uma regra perfeita de justiça após a queda, e foi
entregue por Deus no monte Sinai em Dez Mandamentos, e escrita
em duas tábuas; os quatro primeiros Mandamentos contêm o nosso
dever para com Deus, e os outros seis, nosso dever para com o
homem (CFB 19:2).
A Confissão Batista explica que essa lei gravada no coração do homem
continua em vigor, mesmo após a queda. O ser humano caído encontra-se em
uma situação diferente: ele agora “não pode não pecar”, mas as exigências da
lei continuam a ser para ele uma regra perfeita. Assim como prescrições de
saúde não são anuladas pela doença, a norma de Deus para o bom
comportamento não foi anulada pelo pecado.[221]
Os descendentes de Adão também possuíam os preceitos gravados
dentro de si. Caim, por exemplo, sabia que não deveria matar Abel e cometeu
pecado mesmo sem possuir os mandamentos explicitamente expressos em
tábuas de pedra. Ao assassinarem, mentirem, adorarem ídolos, os homens já
estavam pecando contra Deus, pois violavam a lei interior, a consciência
colocada pelo Senhor dentro deles. Entretanto, no Sinai essa lei foi expressa
mais claramente: “Então escreveu nas tábuas, conforme à primeira escritura,
os dez mandamentos, que o Senhor vos falara no dia da assembleia, no
monte, do meio do fogo; e o Senhor mas deu a mim” (Deuteronômio 10:4).
O Senhor codificou e expressou claramente Sua lei em duas tábuas de
pedra, onde gravou os Dez Mandamentos. Os quatro primeiros Mandamentos
contêm o nosso dever para com Deus, e os outros seis, nosso dever para com
os homens. Sobre os deveres para com Deus e para com os homens, fica clara
sua semelhança, na resposta do nosso Senhor Jesus Cristo, a um intérprete da
lei que o interpelou sobre qual é o grande mandamento da lei:
Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua
alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande
mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu
próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem
toda a lei e os profetas (Mateus 22:36-40).
A totalidade dos mandamentos de Deus é resumida, por Cristo, nesses
dois mandamentos. Seguindo a mesma linha, o Catecismo Puritano,
compilado por Charles Spurgeon, apresenta a seguinte questão:
Pergunta 41: Qual é a soma dos Dez Mandamentos?
Resposta: A soma dos Dez Mandamentos é amar ao Senhor nosso
Deus com todo nosso coração, com toda a alma, com todas as nossas
forças e com toda a nossa mente; e ao nosso próximo como a nós
mesmos.[222]
Se alguém ama o Senhor Deus dessa maneira, não adorará,
consequentemente, outros deuses além dEle, não falará Seu nome em vão, e
assim por diante, pois se alguém O ama, obedecerá aos Seus mandamentos.
Igualmente, se alguém ama o próximo como a si mesmo, por consequência
não o matará, não roubará seus bens, não cobiçará a sua mulher etc. Charles
Spurgeon comenta sobre a relação dos dois grandes mandamentos com os
dez:
Os Dez Mandamentos significam tudo que os Dois Grandes
Mandamentos exprimem. Porém, se ignorarmos esse fato e só prestarmos
atenção nas palavras usadas, então é mais difícil para o homem amar a Deus
com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente e com
toda a sua força e seu próximo como a si mesmo do que simplesmente não
matar, roubar e dar falso testemunho. Cristo, portanto, não anulou nem
facilitou a lei para satisfazer nossa impotência. Deixou nela toda a esplêndida
perfeição, como sempre deve ser; e realçou o quão profundos são seus
fundamentos, quão elevados são seus cumes, quão incomensuráveis são seus
comprimentos e larguras![223]
O apóstolo Paulo também demonstra esse ponto em Romanos 13:8-10:
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis
uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com
efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso
testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo
nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O
amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o
amor.
Portanto, os Dez Mandamentos também são chamados de “lei moral”, e
a essência da lei moral se cumpre no amor a Deus e ao próximo.

1.3. A Lei Cerimonial


Além dessa lei, comumente chamada de moral, Deus Se agradou em
dar ao povo de Israel leis cerimoniais, contendo diversas ordenanças
típicas, em parte, de adoração, prefigurando Cristo, Suas graças,
ações, sofrimentos e benefícios; e, em parte, mantendo várias
instruções de deveres morais. Todas as leis cerimoniais, sendo
impostas apenas até o tempo da reformação, são por Jesus Cristo, o
verdadeiro Messias e único legislador, que foi dotado com o poder da
parte do Pai para esse fim, cumpridas e revogadas (CFB 19.3).
Observamos aqui outro aspecto da lei declarado na Confissão. Além da
lei moral, as leis cerimoniais também foram dadas com o intuito de prefigurar
a Cristo, como já consideramos anteriormente. Todo o sistema levítico, seus
sacrifícios e cerimônias eram como sombras que apontavam para Cristo.
Entretanto, foram impostas somente até o “tempo da reformação” (Cf.
Hebreus 9:10), ou seja, a Nova Aliança. As leis cerimoniais foram cumpridas
em Cristo e seu uso foi revogado. Como o Apóstolo Paulo explica, em
Colossenses 2:17, “tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir;
porém o corpo é de Cristo”. E o autor de Hebreus complementa:
Porque sendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata
das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se
oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam
(Hebreus 10:1).
Sendo assim, notamos claramente que os aspectos cerimoniais da lei
cumpriram seu papel e seu uso não está mais em vigor na Nova Aliança.

1.4. Leis Civis / Judiciais


Para eles, Ele também deu várias leis civis que expiraram com a
nação daquele povo, não obrigando a ninguém em virtude daquela
instituição, somente sua equidade geral possui um valor moral (CFB
19.4).
Além das leis cerimoniais, Deus também deu a Israel leis civis/judiciais
para reger a nação de Israel. Embora toda a Escri-tura seja útil e sempre tenha
algo a nos ensinar hoje (Romanos 15:4), e tanto as leis cerimoniais quanto as
leis civis ensinem diversos princípios fundamentais, contendo um valor
histórico inestimável, é importante notarmos o desenvolvimento do enredo
bíblico e o papel de cada uma delas nesse grande quadro.
Nesse ponto a Confissão afirma que as leis civis “expiraram com a
nação daquele povo”. Van Dixhoorn explica que, assim como as leis
cerimoniais, essas leis civis já não estão em vigor para o povo de Deus hoje,
nem para ninguém do povo de Deus desde o tempo de Cristo e da destruição
da antiga nação judaica nos dias dos apóstolos.[224]
Portanto, podemos aprender princípios morais importantes com as leis
civis, mas elas também não estão mais normativamente em vigor na Nova
Aliança, pois expiraram com a nação dos israelitas.

1.5. A Perpetuidade da Lei Moral


A lei moral obriga para sempre a todos, tanto pessoas justificadas
como as demais, à obediência a ela; e isso não apenas no que
concerne à matéria nela contida, mas também no que diz respeito à
autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Nem Cristo, no Evangelho,
de forma alguma a ab-roga, mas antes reforça muito essa obrigação
(CFB 19.5).
Já vimos até aqui que tanto as leis civis quanto as cerimoniais
cumpriram seu papel como leis positivas. As leis cerimoniais, como sombras,
apontavam para Cristo e seu uso cessou com a chegada da substância para
quem apontavam, o Mediador da Nova Aliança, Jesus Cristo. E as leis civis
que regiam Israel como uma nação sob a Antiga Aliança também expiraram
com aquela nação. Entretanto, a lei moral permanece, pois é perene. A lei
natural, gravada na consciência dos homens e expressa mais claramente no
Decálogo, não é cancelada. Benjamin Keach comenta, acerca da perpetuidade
da lei moral:
Não devemos ter uma preocupação em guardar toda a lei, pois para
esse fim Cristo a observou; ou seja, não somos justificados por ela,
pois nesse sentido ela está abolida; mas, quanto à lei moral, como
uma regra perfeita de justiça, ela ainda nos obriga obediência
perpétua, sendo, portanto, uma lei imutável.[225]
A Confissão afirma que Cristo não ab-roga a lei, mas a confirma. O
Senhor Jesus afirma em Mateus 5:17-19:
Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar,
mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra
passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo
seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos,
por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o
menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar
será chamado grande no reino dos céus (Mateus 5:17-19).
William Hendriksen comenta sobre esses versículos: “Não obstante, ele
insiste em que todo mandamento do que é verdadeiramente a lei moral de
Deus — a mesma lei que Ele discutirá com maior detalhe em 5:21ss — deve
ser guardado. Nada deve ser anulado ou cancelado”.[226] Charles Spurgeon
comenta, sobre a perpetuidade da lei de Deus:
Primeiro, a lei de Deus deve ser eterna. Não existe nem anulação nem
emenda. Não deve ser abrandada ou ajustada à nossa condição
decaída, mas cada um dos justos juízos do Senhor permanece para
sempre. Ressaltarei três razões que irão alicerçar esse ensino. Em
primeiro lugar, nosso Senhor Jesus declara que não veio para abolir a
lei. Suas palavras são totalmente pontuais — “Não cuideis que vim
destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir”. E Paulo
nos afirma a respeito do Evangelho: “Anulamos, pois, a lei pela fé?
De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31). O
Evangelho é o meio para o firme estabelecimento e vindicação da lei
de Deus. Jesus não veio para mudar a lei, mas para explicá-la, e esse
mero fato mostra que ela permanece, porque não é necessário explicar
algo que está anulado.[227]
Os crentes, incapazes de cumprir as exigências da lei, não estão mais
sob a sua maldição, uma vez que Cristo a cumpriu em seu lugar e tomou a
pena deles sobre Si, mas isso não significa que, para os salvos, a lei não tenha
mais valor. Longe disso. Na Nova Aliança a lei moral não é anulada, mas
escrita no coração dos crentes, conforme a profecia de Jeremias destacada em
Hebreus 8:10: “Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a
casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em
seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por
povo”. Charles Spurgeon explica o que significa essa promessa comentando
Jeremias 31:33:
A próxima bênção é: “e a escreverei no seu coração”. Isso é mais do
que conhecer a lei, infinitamente mais. “Porei a minha lei no seu
interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles
serão o meu povo”. Irmãos e irmãs, o Espírito Santo faz com que os
homens amem a vontade de Deus, leva-os a deleitarem-se em tudo
que Deus Se deleita e a abominarem o que o Senhor abomina! É bem-
dito no texto que Deus fará isso, pois, certamente, ninguém pode
fazer isso por si mesmo.[228]
Sobre essa mesma profecia encontrada em Jeremias 31, Samuel
Waldron afirma:
Em Jeremias 31:33, diz-se que a lei escrita em pedra foi reescrita no
coração do povo de Deus da Nova Aliança. É preciso observar
claramente que não é uma lei nova que está em vista, mas a mesma
lei escrita em um lugar diferente. Por essa alusão a Jeremias 31:33,
Paulo sugere uma conexão entre a lei escrita no coração dos homens
pela criação, a lei escrita em pedra na Antiga Aliança, e a lei reescrita
no coração dos homens pela graça e poder da Nova Aliança.[229]
Paul Washer complementa:
A lei não seria mais escrita em tábuas de pedra, imposta sobre
corações de pedra, resultando na condenação e morte. Na Nova
Aliança, Deus tiraria a iniquidade de Seu povo por meio de alguém
maior que Moisés; transformaria seus corações em carne viva, capaz
de responder; e escreveria neles a Sua lei (Hebreus 3:1-3).
[…] Todo verdadeiro membro do corpo de Cristo é uma recriação
sobrenatural feita pelo Espírito de Deus. Cada um sofreu uma
transformação radical no cerne de seu ser, e tem a lei de Deus escrita
em seu coração. Aos que são novos na aliança, a lei não é mais um
código externo e contrário às suas naturezas, opostos por eles. Em vez
disso, essa lei se tornou parte deles. Não é mais um fardo, mas um
deleite. Não é mais um catalisador de condenação e morte, mas um
guia efetivo para maior piedade.[230]
Portanto, a diferença é que, na Antiga Aliança, as leis foram escritas
pelo dedo de Deus em tábuas de pedra e foram colocadas na arca da aliança.
Elas mostravam o pecado do povo, os condenava e apresentava a necessidade
de um salvador. Cristo é o Salvador, o Mediador da Nova Aliança, que
cumpre a lei no lugar dos Seus e, assim, os salva, libertando-os da maldição
da lei. Portanto, na Nova Aliança as leis são gravadas na mente e no coração
dos crentes, daqueles que têm fé em Cristo e que foram regenerados. Eles não
estão mais debaixo do jugo da lei para sua condenação, mas pela graça
observam a lei para a sua santificação. Observaremos mais de perto essas
verdades no próximo tópico, que apresenta os usos da lei tanto para crentes
como para ímpios.

1.6. Os Usos da Lei


Embora os verdadeiros crentes não estejam sob a lei como um pacto
de obras, para serem por ela justificados ou condenados; contudo esta
é de grande utilidade para eles, assim como para os outros; em que,
como uma regra de vida, informando-os sobre a vontade de Deus e de
seu dever, ela dirige e os obriga a andar em conformidade;
descobrindo também as contaminações pecaminosas de sua natureza,
corações e vidas; assim como, examinando-se desta maneira, eles
podem chegar a mais convicção, humilhação por e ódio contra o
pecado; juntamente com uma visão mais clara da necessidade que
têm de Cristo e da perfeição da Sua obediência. Ela é,
semelhantemente útil para os regenerados, para conter as suas
corrupções, pois proíbe o pecado, e as suas ameaças servem para
mostrar até mesmo o que os seus pecados merecem, e que aflições
nesta vida podem esperar por eles, embora libertados da maldição e
do rigor intransigente da lei. Igualmente, as promessas da lei
demonstram a aprovação de Deus à obediência e quais bênçãos os
homens podem esperar receber se cumprirem a lei; embora não lhes
sejam devidas pela lei como um pacto de obras. Assim como um
homem faz o bem e evita o mal, porque a lei anima a um, e
desencoraja o outro, não é evidência de que ele esteja debaixo da Lei,
e não debaixo da Graça (CFB 19.6).
Neste ponto, a Confissão demonstra que os crentes não estão mais sob a
lei como um Pacto de Obras, ou seja, sob uma aliança condicional para
tentarem inutilmente alcançar a salvação por sua própria obediência, ou seja,
alcançar salvação com base em nossa própria obediência à lei, pois isso é
impossível. As Escrituras deixam claro que todos os homens pecaram,
transgrediram a lei e que só podemos ser salvos por meio do sacrifício de
Cristo, aquele que cumpre todas as exigências divinas de maneira perfeita e
que nos resgatou da maldição da lei (Gálatas 3:13). A.W. Pink afirma que “é
verdade, o cristão não está debaixo da Lei como uma Aliança de Obras, nem
como uma ministração de condenação, mas ele está debaixo dela como uma
regra de vida e um meio de santificação”.[231]
Portanto, a lei continua possuindo grande valor para os salvos.
Benjamin Keach explicou corretamente que, embora a lei, como um Pacto de
Obras (“faça isso e viva”) tenha sido removida; contudo como uma lei ou
regra de obediência perfeita, permanece para sempre”.[232]
Alguém afirmou corretamente que a lei nos leva a Cristo para a
justificação e Cristo nos leva à lei para a santificação. A lei expõe nosso
pecado e, assim, notamos a necessidade de um salvador e vamos até Cristo,
sendo justificados. Agora, nenhuma condenação há para aqueles que estão
em Cristo. Entretanto, não vamos continuar vivendo no pecado — pelo
contrário, o Senhor nos salvou com sangue para vivermos para Sua glória, e
agora vamos buscar seguir Seus mandamentos tais como os vimos no resumo
de Cristo sobre a lei: amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a
nós mesmos.
O crente agora está em uma condição diferente, ele é regenerado e
“pode não pecar”, e, mesmo que ainda não alcance a perfeição nesta vida, ele
agora luta contra o pecado e cresce em um processo de santificação. Charles
Spurgeon afirmou:
A lei deve ser cumprida em nós, pessoalmente, através de uma
percepção espiritual e evangélica. “Bem”, você pode dizer:
“Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma
pela carne”, Cristo fez e está fazendo através do Espírito Santo “para
que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a
carne, mas segundo o Espírito” [Romanos 8:3-4]. A regeneração é
uma obra através da qual a lei é cumprida, pois quando um homem
nasce de novo, é colocado nele uma nova natureza que ama a lei de
Deus e está completamente conformada a ela.[233]
Os cristãos, agora, em gratidão a Deus por tão grande salvação, buscam
seguir os preceitos do Senhor por amor. Nós amamos aquele que nos amou
primeiro, e a maneira pela qual demonstramos nossa gratidão e amor é
obedecendo Seus mandamentos. Cristo afirmou em João 14:21: “Aquele que
tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que
me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”.
Por fim, Richard Barcellos explica que nesse parágrafo da confissão há
seis usos da lei, três comuns a crentes e descrentes, e três somente para
crentes:

Usos Comuns aos Crentes e Descrentes

À medida que, como uma regra de vida, “os informa sobre a


vontade de Deus e de seu dever, dirige e os obriga a andar em
conformidade com ela (Romanos 3:20, 7:7 etc.)”.
Descobre o pecado interior: “descobrindo também as
contaminações pecaminosas de sua natureza, corações e vidas; assim
como, examinando-se dessa maneira, eles podem chegar a mais
convicção, humilhação pelo — e ódio contra — o pecado”.
Aponta para um remédio exterior: “juntamente com uma visão
mais clara da necessidade que têm de Cristo e da perfeição da Sua
obediência”.

Usos Comuns aos Crentes


Restringe a corrupção nos crentes por proibir o pecado: “Ela é
semelhantemente útil para os regenerados, para conter as suas
corrupções, pois proíbe o pecado”.
Mostra o que o pecado dos crentes merece e quais aflições devem
ser esperados nesta vida pelas suas ameaças: “as suas ameaças
servem para mostrar até mesmo o que os seus pecados merecem, e
que aflições nesta vida podem esperar por eles, embora libertados da
maldição e do rigor intransigente da lei”.
Mostra aos crentes a aprovação de Deus e as bênçãos que
podemos esperar mediante a obediência das suas promessas: “as
promessas da lei demonstram a aprovação de Deus à obediência e
quais bênçãos os homens podem esperar receber se cumprirem a lei;
embora não lhes sejam devidas pela lei como um pacto de obras
(Romanos 6:12-14; 1Pedro 3:8-13)”.[234]

1.7. A Lei e o Evangelho


Os supracitados usos da lei não são contrários à graça do Evangelho,
mas harmoniosamente condizem com ele. O Espírito de Cristo
submete e habilita a vontade do homem a fazer voluntária e
alegremente o que a vontade de Deus, revelada na lei, requer que seja
feito (CFB 19.7).
Nesta parte, a Confissão demonstra que os usos da lei supracitados não
contradizem o Evangelho, mas que, pelo contrário, o Espírito Santo habilita o
crente a obedecer à lei alegremente. Vimos que, na Nova Aliança, a lei é
gravada na mente e no coração do povo de Deus, e que a observância da lei,
nos termos descritos no ponto anterior, não são contrários a graça.
Existem pessoas que acreditam que os cristãos não deveriam mais
pensar acerca da lei ou obedecer a Deus motivados por bênçãos, em razão de
obediência, e punição, em razão de desobediência. Pensam dessa maneira
pois entendem que isso seria contrário à graça e ao Evangelho. Entretanto, é
importante notarmos, sobre tais usos da lei para crentes, que elas não dizem
respeito à condição de um criminoso no banco dos réus contra um juiz
implacável a cada vez que peca. Pelo contrário, o cristão que foi unido com
Cristo, regenerado e justificado, está debaixo do cuidado paternal de Deus.
Está diante de um Pai que disciplina e corrige o filho que ama. O filho busca
por amor obedecer ao seu Pai, pois o ama e não deseja desapontá-lO, sabe
que seguir Suas instruções é caminhar em segurança e que desfrutará das
bênçãos do Pai, e sabe também que não será agradável ser disciplinado por
conta da desobediência. Tais usos são bíblicos e plenamente de acordo com o
ensino das Escrituras.
A respeito desses temas, existem dois extremos perigosos e igualmente
equivocados. Por um lado, o antinomianismo, que entende que a lei moral
não tem mais valor algum atualmente. Aos esses, Charles Spurgeon
responde:
Grandes erros têm sido cometidos com respeito à lei. Não muito
tempo atrás, houve aqueles perto de nós afirmando que a lei está
totalmente anulada e abolida. Ensinaram abertamente que os crentes
não tinham o compromisso de tomar a lei moral como regra de suas
vidas. O que teria sido pecado em outros homens, não foi considerado
pecado neles. Que Deus nos livre de tal antinomianismo! Não
estamos sob a lei como o meio de salvação, mas nos deleitamos em
vê-la na mão de Cristo e desejamos obedecer ao Senhor em todas as
coisas.[235]
Por outro lado, igualmente equivocados estão os legalistas, que são
aqueles que pensam que se tornarão aceitáveis a Deus por sua própria
observância da lei, como em um pacto de obras. Geralmente, acrescentam leis
e mandamentos humanos como se fossem divinos e procuram sua própria
salvação nesses termos. A esses, Spurgeon exorta: “Sem o Evangelho de
Jesus Cristo, a lei não é outra coisa senão a voz condenatória de Deus, que
trovoa contra a humanidade”.[236] E o apóstolo Paulo conclui: “Mas a
Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em
Jesus Cristo fosse dada aos crentes” (Gálatas 3:21-22).
Para ilustrar esse ponto, vou adaptar uma história que li certa vez, e que
é mais ou menos assim: havia um professor de uma matéria bem difícil, na
qual ninguém conseguia ser aprovado. Um dia, ele decidiu que iria aprovar
seus alunos. Diante disso, alguns alunos rejeitaram tal presente. Pensaram:
“Não quero isso, não vou aceitar; eu quero conquistar minha própria nota,
vou conseguir vencer por meus méritos”. Esses são os legalistas, os que
procuram aprovação, inutilmente, por seus próprios esforços.
Outros alunos pensaram: “Já que ele vai dar a nota dez, não voltemos
mais para a sala de aula, então; já estamos aprovados, vamos fazer outra
coisa”. Esses seriam os antinomistas, que não atentariam para o que o
professor tinha a ensinar, uma vez que já estariam “aprovados”. Ambos não
entenderam ou não valorizaram o presente do professor.
Por fim, outros alunos disseram: “Que maravilha! Muito obrigado,
professor. Agora vamos poder desfrutar de sua aula e da disciplina sem o
peso da nota”. Esses compreenderam a lição do professor. Nessa ilustração,
esses últimos seriam os cristãos que compreenderam como se relacionar
corretamente com a lei do Senhor: não como uma tentativa de se salvar por
meio dela, nem como algo a ser descartado, mas como um deleite, um guia
para uma vida em gratidão àquele que lhes salvou da grande reprovação.
Turretini resume com clareza esse ponto:
Uma coisa é estar sob a lei como um pacto para a aquisição da vida
por meio dela (como Adão estava), como um pedagogo e uma prisão
a guardar os homens até o advento de Cristo; outra é estar sob a lei
como uma regra de vida para regular nossa vida moral piedosa e
santamente. Uma coisa é estar sob a lei porque ela se opõe ao
evangelho quanto à exação rígida e perfeita da obediência e à terrível
maldição com que ela ameaça os pecadores; outra é estar sob a lei
porque ela está subordinada ao evangelho quanto à sua suave direção.
No primeiro sentido, Paulo diz “Não estamos debaixo da lei, e sim da
graça” (Romanos 6:14) quanto à relação federal e quanto à maldição
e rigor, porque Cristo, por seu mérito, nos livrou daquela e por seu
Espírito nos afastou desta. No segundo sentido, porém,
permanecemos sempre sujeitos a ela, embora para um fim diferente.
No primeiro pacto, o homem era obrigado a fazê-lo para que pudesse
viver (merecer a vida); neste, porém, ele é igualmente obrigado a
faze-lo (não para viver, mas porque vive) para a posse da vida
adquirida por Cristo e o testemunho de uma mente agradecida (como
o apóstolo, no mesmo lugar, exorta os crentes à obediência).[237]
No Novo Testamento a lei sempre é apresentada de modo subserviente
ao Evangelho. Se você anula a lei, então você anula a condenação, pois,
como vimos, a lei permanece válida até para os incrédulos. Qual é a razão de
um incrédulo ir para o inferno? A razão é que ele quebrou a lei de Deus. Se
não houvesse lei, não haveria pecado, uma vez que o pecado é a transgressão
a lei (Cf. 1 João 3:4-9). Portanto, esvaziar a lei é esvaziar a pregação do
Evangelho. A lei mostra que somos pecadores, mas que Cristo veio e
suportou a maldição da lei em nosso lugar, e, crendo nEle, temos salvação. Se
confiarmos na lei para a salvação, e não em Cristo, então estamos perdidos.
Por outro lado, a lei também é de suma importância para o crente. Se
Deus salvasse o crente para ele viver sem lei, ele viveria na ilegalidade.
Como o apóstolo Paulo afirma: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira
nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31).
Cristo nos salva, não para vivermos sem lei; Ele nos salva da maldição
da lei, para que em gratidão obedeçamos à Sua vontade, que é expressa na lei,
que é boa, justa e perfeita. Em Cristo você está completamente liberto da
maldição da lei e do poder do pecado, então você pode agora obedecer aos
Seus mandamentos. Você não obedece para tentar ser salvo por seus méritos,
mas em amor ao Senhor, como disse o Senhor Jesus: “Se me amais, guardai
os meus mandamentos” (João 14:15).

2. A LEI DE MOISÉS E A LEI DE CRISTO


Algumas vertentes de pensamento atuais entendem que a lei de Cristo
mencionada por Paulo em Gálatas 6:2 é algo totalmente distinto da lei moral.
Dentre esses grupos, encontramos aqueles que sustentam a TNA (Teologia da
Nova Aliança), a qual, nesse ponto, se distancia da teologia bíblica batista
pactual. Jeffrey Johnson explica qual é, então, a correta relação entre a “Lei
de Moisés” e a “Lei de Cristo”:
A diferença é que Moisés quebrou a lei, enquanto Cristo a cumpriu
(Mateus 5:17-18). A razão pela qual Paulo se refere à lei como a “lei
de Cristo” é porque a lei está incorporada na pessoa e na vida de
Cristo. Cristo viveu perfeitamente todas as exigências da lei.
Portanto, não somente somos obrigados por Deus a seguir a lei moral
em sua forma proposicional ou escrita, mas também somos obrigados
a seguir o exemplo de Cristo. Sua vida exemplar é uma lei para nós.
Sua vida nos instrui, repreende e nos encoraja a viver em retidão. A
diferença é que a lei de Moisés pode ser lida, enquanto a lei de Cristo
pode ser vista. “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns
aos outros”. Como isso é um novo mandamento, quando Moisés
ordenou a mesma coisa (Levítico 19:18, 34)? Cristo explica: “Como
eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”
(João 13:34-35). A diferença é que os membros da Nova Aliança têm
o exemplo de Cristo a seguir. Algo que Moisés foi incapaz de
demonstrar. Novamente, Ele diz: “O meu mandamento é este: Que
vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12-13).
“Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também
lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que,
como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:14-15). O apóstolo
João explica isso com mais detalhes quando ele diz: “Irmãos, não vos
escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o
princípio tivestes”. Isto é, nada há de novo exigido de nós do que
aquilo que foi expresso por Moisés, pois João prossegue dizendo:
“Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes”.
No entanto, no versículo seguinte ele escreve: “Outra vez vos escrevo
um mandamento novo”. João está confuso? Não, pois ele prossegue
explicando que a novidade não está naquilo que é ordenado, mas na
realidade desses mandamentos sendo exemplificados ou cumpridos
em Cristo. É por isso que João diz: “Outra vez vos escrevo um
mandamento novo, que é verdadeiro nele” (1 João 2:7-8). Em
resumo, a lei de Cristo é nada menos do que a lei de Moisés cumprida
na vida de Cristo. Vamos, portanto, obedecer à lei moral de Moisés,
seguindo o exemplo de Cristo.[238]
Na mesma linha, A.W. Pink atenta para o fato de que “o próprio Cristo
prestou à lei uma obediência perfeita, deixando-nos, desse modo, um
exemplo, cujos passos devemos seguir”.[239] Charles Spurgeon afirma que:
[…] com vistas a mostrar que nunca quis revogar a lei, nosso Senhor
Jesus personificou todos esses Mandamentos em Sua própria vida.
Existia, em Sua própria pessoa, uma natureza que se conformava às
leis de modo perfeito e se igualava à Sua vida. Ele pode perguntar:
“Quem, dentre vós, me convence de pecado?”. E novamente: “Eu
tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no Seu amor
permaneço”.[240]
O discipulado da Sociedade Missionária HeartCry, em uma de suas
lições, afirma que em Mateus 5:17 Jesus declarou que veio para cumprir a lei
e, através desse texto, podemos notar que, como homem, Jesus vivia
conforme a lei. Por meio do estudo da lei podemos ver algo do caráter de
Jesus que devemos imitar:
1) Jesus adorava e servia a um só Deus. Nenhuma coisa ou pessoa
usurpou lugar de Deus em sua vida.
2) Jesus não tinha imagens ou ídolos, mas adorava a Deus em espírito e
verdade.
3) Jesus tinha o mais alto respeito por Deus e seu Nome, prestando
reverência a Ele e nunca tomando o seu Nome em vão.
4) Jesus separou tempo para descansar e honrar a Deus.
5) Jesus obedecia a seus pais terrenos, dando-lhes respeito e honra.
6) Jesus nunca matou ninguém ou guardou raiva, em seu coração, de
outra pessoa.
7) Jesus nunca cometeu adultério ou olhou para uma pessoa do sexo
oposto com cobiça.
8) Jesus nunca furtou a propriedade de ninguém.
9) Jesus nunca mentiu por nenhuma razão.
10) Jesus nunca cobiçou a propriedade de outro ou teve inveja.[241]

CONCLUSÃO
No presente capítulo, estudamos sobre a lei de Deus em diversos
aspectos e como ela é apresentada na Segunda Confissão Londrina. Alguns
pontos foram destacados:
1) As confissões reformadas são muito semelhantes em relação à lei de
Deus.
2) Na Antiga Aliança, as leis foram gravadas em tábuas de pedra, na
Nova Aliança as leis são gravadas na mente e no coração do povo de Deus.
3) Os teólogos reformados entendiam a tripartição da lei como: moral,
cerimonial e civil.
4) As leis civis foram dadas para a nação de Israel e cessaram e
expiraram com a nação daquele povo.
5) As leis cerimoniais apontavam para Cristo e seu uso também foi
consumado em Cristo.
6) Desde Adão, o Senhor criou o ser humano com a norma da lei
gravada dentro de si.
7) Esses mandamentos tornaram-se expressos claramente nas duas
tábuas da lei dadas a Moisés no Sinai.
8) A lei expõe o caráter ético de Deus, demonstra Sua vontade, expõe o
pecado do homem e mostra a necessidade de um salvador.
9) Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se, Ele próprio,
maldição em nosso lugar (Gálatas 3:13).
10) Existem dois extremos errados aos quais devemos evitar:
antinomianismo e legalismo.
11) O cristão, em gratidão a Deus, observará a lei de Deus em amor por
Aquele que o amou primeiro.
12) A lei de Cristo é nada menos do que a lei de Moisés cumprida na
vida de Cristo. Vamos, portanto, obedecer à lei moral seguindo o exemplo de
Cristo.
No próximo capítulo estudaremos o Quarto Mandamento conforme ele
é apresentado na Confissão de Fé Batista de 1689.
9
O Dia do Senhor
Consideraremos agora, especificamente, o Quarto Mandamento do Decálogo,
ou seja, o dia de sabbath, o dia de descanso para adoração a Deus. Notaremos
quais as implicações desse mandamento apresentadas nas Escrituras e como
os batistas reformados, em consonância com seus irmãos presbiterianos e
congregacionais, eram unânimes sobre esse assunto, o que se prova pelas
suas confissões de fé. Antes de prosseguirmos, no entanto, vejamos quais são
os Dez Mandamentos, expressos em Êxodo 20:

1 Não terás outros deuses diante de mim.


Não farás para ti imagem de escultura, nem
alguma semelhança do que há em cima nos céus,
nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da
terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás;
porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso,
2
que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a
terceira e quarta geração daqueles que me
odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que
me amam e aos que guardam os meus
mandamentos.
Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão;
3 porque o Senhor não terá por inocente o que
tomar o seu nome em vão.
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas
o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não
farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem
4 tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o
teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro
das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor
os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao
sétimo dia descansou; portanto abençoou o
Senhor o dia do sábado, e o santificou.
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se
5 prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu
Deus te dá.
6 Não matarás.
7 Não adulterarás.
8 Não furtarás.
9 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
Não cobiçarás a casa do teu próximo, não
cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu
10
servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu
jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

Entendemos que Cristo não veio revogar a lei e que o cristão não está
debaixo da lei como um pacto de obras, ele não se encontra mais debaixo da
condenação ou maldição da lei. Portanto, Cristo não aboliu a lei moral, antes
a cumpriu e a confirmou. Mas não somente isso, Ele também corrigiu a
interpretação errônea dos fariseus acerca dela, sua hipocrisia e seu legalismo,
e mostrou o real significado da lei. O problema não são os mandamentos em
si, mas a deturpação deles, como os legalistas fizeram ao acrescentar regras e
colocar um peso maior do que era exigido do povo nas Escrituras.
Outrossim, Cristo também explicou, no sermão do monte, que a raiz
dos mandamentos é mais profunda do que se imaginava, Cristo expõe o
verdadeiro significado da lei. Por exemplo, Ele demonstra que o “não
matarás” não trata somente de não assassinar literalmente, mas que, desde o
ódio no coração e o insulto com os lábios, o mandamento já está sendo
quebrado e o transgressor se torna réu do juízo divino. Da mesma maneira, o
mandamento “não adulterarás” não se limita à consumação do adultério, mas
o mandamento já está sendo quebrado desde a cobiça com os olhos e o desejo
do coração, e assim por diante. Cristo expõe a correta interpretação da lei.
Além disso, o cristão deve compreender que os mandamentos de Deus
são para o seu próprio bem, e protegem aquilo que é mais valioso: a vida, o
casamento, a glória de Deus entre outras coisas. Por exemplo, o mandamento
“não matarás” protege a vida. Se alguém mata uma pessoa, está destruindo
outro ser humano criado à imagem e semelhança de Deus e trará
consequências para
ruins para sua própria vida. O mandamento “não adulterarás” protege o
casamento, pois se alguém adultera, poderá destruir a própria família e não
demonstrará corretamente o relacionamento de Cristo com a igreja, o qual o
matrimônio deve expressar. Além disso, se alguém trabalhar de domingo a
domingo, sem tirar um dia para descansar, para adorar e ter maior e mais
profunda comunhão com Deus, trará, como consequência, malefícios para
sua própria vida, tanto fisicamente quanto espiritualmente, e assim, é
prejudicado em seu fim principal, viver para a glória de Deus. Obedecer aos
mandamentos, no final das contas, produzirá benefícios para os próprios
crentes e os privará de muito sofrimento. Consequentemente, a lei não exige
nada além do que é bom para nós. Charles Spurgeon destacou esse ponto:
Não existe nenhum Mandamento da Lei de Deus que não signifique
um sinal de perigo, como aquele colocado sobre o gelo fino. Cada
um, por assim dizer, afirma com segurança: “Perigo!”. Fazer o que
Deus proíbe nunca resulta em bem para o homem! Deixar uma ordem
de Deus incompleta nunca resulta na sua felicidade última e
verdadeira. As orientações mais sábias para a saúde espiritual e para
se evitar o mal são aquelas providas pela Lei de Deus sobre o certo e
o errado![242]

1. FUNDAMENTOS SOBRE O DIA DO SENHOR


Sendo assim, observemos o Quarto Mandamento, que diz respeito ao
sabbath. O termo traduzido por “sábado”, no decálogo, é “sabbath”, e
significa o dia de descanso para adorar a Deus, ou seja, o homem deveria
trabalhar seis dias na semana e santificar um dia, assim como o Senhor fez
após a criação dos céus e da terra (Gênesis 2.2).
Entretanto, o sabbath vai além do benefício religioso da observação do
dia, ele possui um aspecto escatológico que aponta para Cristo e para o
descanso eterno prometido aos crentes conquistado por Ele, como
Geerhardus Vos explica:
A Lei universal do Sabbath recebeu uma importância modificada sob
o pacto da graça. A obra que leva ao descanso não pode mais ser o
trabalho do próprio homem. Ela se torna a obra de Cristo. Isso o
Antigo e o Novo Testamentos têm em comum. Mas eles diferem
quanto à perspectiva na qual cada um vê o emergir do trabalho e do
descanso. Visto que o antigo pacto ainda estava olhando para a frente
para a realização da obra messiânica, naturalmente os dias de trabalho
vêm primeiro, o dia de descanso fica no final da semana. Nós, sob o
novo pacto, olhamos para trás, para a obra realizada de Cristo. Nós,
portanto, celebramos primeiro o descanso em princípio obtido por
Cristo, apesar de que o Sabbath também ainda permanece como um
sinal que aponta para o descanso escatológico final.[243]
Vos enfatiza que os cristãos já celebram o descanso obtido por Cristo
embora o sabbath ainda possua um aspecto que aponta para o descanso
escatológico final, sobre o qual, o autor aos Hebreus atentou: “Portanto, resta
ainda um repouso para o povo de Deus” (Hebreus 4:9). Observemos o texto
da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 sobre o Quarto Mandamento:
Pelo desígnio de Deus, há uma lei da natureza que, em geral, uma
proporção do tempo seja destinada ao culto a Deus; dessa forma, em
Sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, válido a
todos os homens em todas as eras, Deus particularmente nomeou um
dia em sete para um descanso, para ser-Lhe santificado, que desde o
início do mundo até a ressurreição de Cristo, foi o último dia da
semana; e a partir da ressurreição de Cristo foi mudado para o
primeiro dia da semana, o que é chamado de dia do Senhor, e deve
continuar até o fim do mundo como o sabbath cristão; sendo abolida a
observação do último dia da semana (22.7).
A Segunda Confissão Londrina apresenta o dia de descanso para adorar
a Deus (sabbath) não apenas como uma instituição judaica, mas como algo
instituído por Deus na criação (Gênesis 2:1-3). Trata-se de um dom de Deus
para a humanidade (Marcos 2:27). Portanto, destaca que devemos separar
uma parte do nosso tempo para adorá-lo.
O dia de descanso para adorar a Deus se encontra na ética da criação,
na lei moral, que é perpétua e transcende as culturas, por isso é válido para
todos os homens em todas as eras. A Confissão explica que Deus nomeou um
dia em sete para ser um dia de descanso, para ser santificado a Ele, e que,
desde o início do mundo até a ressurreição de Cristo, esse foi o último dia da
semana, mas, a partir da ressurreição de Cristo, o dia foi mudado para o
primeiro dia da semana. Assim, os cristãos entenderam que, a partir do
estabelecimento da Nova Aliança, o mandamento moral continua, embora
trazendo uma mudança no dia. C.H. Spurgeon afirmou, sobre isso:
Congregamo-nos no primeiro dia da semana em lugar do sétimo dia,
porque a redenção é até mesmo uma obra maior que a criação, e mais
digna de comemoração, e porque o descanso que seguiu à criação é
superado pelo repouso que segue à consumação da redenção.
Reunimo-nos no primeiro dia da semana, como os apóstolos,
esperando que Jesus esteja em nosso meio, e diga: ― Paz seja
convosco! (Lucas 24:36). Nosso Senhor arrebatou o dia de descanso
de suas velhas e enferrujadas dobradiças em que fora anteriormente
colocado pela lei, desde os tempos antigos, e o colocou sobre as
novas dobradiças de ouro que seu amor tinha arquitetado. Ele colocou
nosso dia de descanso, não ao fim de uma semana de trabalho, mas
sim no começo do repouso que resta para o povo de Deus. Em cada
primeiro dia da semana devemos meditar sobre a ressurreição de
nosso Senhor, e devemos buscar entrar em comunhão com Ele em
Sua vida ressurreta.[244]
Spurgeon relata que a partir da ressurreição de Cristo houve uma
mudança do dia de descanso para adorar a Deus, do sétimo dia para o
primeiro dia da semana, o dia em que Jesus Cristo, o Senhor do sábado,
ressuscitou dentre os mortos (Marcos 2:23-28). Geerhardus Vos
complementa:
Nós não percebemos, suficientemente, o senso profundo que a igreja
primitiva teve da importância extraordinária da aparição e,
especialmente, da ressurreição do Messias. A última era para eles
nada menos do que o trazer de outra, a segunda, criação. E eles
sentiram que isso deveria ter expressão na colocação do Sabbath com
referência aos outros dias da semana. Os crentes se viam em certa
medida como participantes do cumprimento do Sabbath. Se a criação
de um requeria uma sequência, então a criação do outro requeria
outra sucessão.[245]
Vos, explica que a obra redentora de Cristo que fora tipificada no
Antigo Testamento e realizada no Novo, especialmente Sua ressurreição, foi
compreendida pela igreja primitiva de maneira marcante, como uma nova
criação, um evento histórico a celebrar, a saber, a entrada de Cristo e seu
povo em um estado de descanso sem fim. Essa compreensão os levou a
celebrar o sabbath no primeiro dia da semana, o dia da ressurreição do
Messias. François Turretini afirma que “o dia do Senhor (kyriakē hēmera), no
uso cristão, aplica-se ao primeiro dia da semana, designado para o culto
público de Deus em memória da ressurreição de Cristo”[246]. Chad Van
Dixhoorn explica que os puritanos entendiam que havia, no Quarto
Mandamento, um aspecto cerimonial que, como uma lei positiva, estaria
sujeita à mudança, e um aspecto moral que permaneceria até o fim do mundo:
Os puritanos distinguiam o que era cerimonial daquilo que era moral
no Quarto Mandamento. O dia a ser guardado era considerado
aspecto “cerimonial” e, assim, sujeito à mudança. O ritmo de
descanso (um dia em sete) era uma ordenança moral, que deveria ser
cumprida por todos até o fim do mundo. Em outras palavras, o
mandamento não contém a observância do sétimo dia (em ordem),
mas de um sétimo dia (em frequência).[247]
Além disso, Dixhoorn também comenta que:
[...] os cristãos há muito perceberam que não foi por acaso que
Aquele que “habitou entre nós” (João 1:14), Aquele que era as
primícias de uma grande colheita (1 Coríntios 15:23), Aquele que
chamou a Si mesmo de o pão da vida (João 6:35), Aquele que irá
retornar ao mundo ao som de trombeta do céu, Aquele que foi o
cumprimento de toda celebração e todos os sábados do Antigo
Testamento, foi ressuscitado dentre os mortos no primeiro dia da
semana. Esse é o motivo pelo qual os cristãos começaram a cultuar
especialmente no primeiro dia da semana.[248]
Passaremos, então, a observar alguns fatos importantes para
compreendermos como o primeiro dia da semana passou a ser observado
como “o dia do Senhor”. O Senhor Jesus Cristo afirmou que era Senhor sobre
o sábado/sabbath (Marcos 2:27-28), Cristo ressuscitou no primeiro dia da
semana (Mateus 28:1; Marcos 16:2; João 20:1), O Senhor ressurreto
encontrou com Seus discípulos no primeiro dia da semana (João 20:19), Jesus
reaparece no domingo seguinte (João 20:26), Pentecostes ocorreu no primeiro
dia da semana (Levítico 23:15-16; Atos 2:14), os primeiros cristãos
cultuavam a Deus no primeiro dia da semana (Atos 20:7), Paulo pede para
que a coleta seja feita no “primeiro dia da semana” (1 Coríntios 16:2), o
apóstolo João, no livro de Apocalipse, fala sobre o “dia do Senhor”
(Apocalipse 1:10). Documentos históricos demonstram que essa foi a prática
dos primeiros cristãos. Observemos mais de perto cada um desses pontos.

1.1. O Senhor Jesus Cristo afirmou que era Senhor sobre o Sábado
Em Marcos 2:27-28, o Senhor Jesus afirmou que o sábado foi
estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de
sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado (Marcos 2:27-28).
Augustus Nicodemus, em sua exposição dessa passagem, afirmou:
Aqui você tem uma das justificativas que foram usadas pelos
primeiros cristãos para não guardarem mais o sábado (sétimo dia). Já
no primeiro século os cristãos passaram a considerar o primeiro dia
da semana, o domingo, como sendo cumprimento do Quarto
Mandamento. Por quê? Primeiro, porque Jesus disse que Ele é maior
do que o sábado e que Ele está acima do sábado, e segundo porque
Ele ressuscitou no primeiro dia. Ora, qual é o dia do Senhor? É o dia
da Sua ressurreição. Logo, o domingo substitui o sábado na nova
dispensação, porque Cristo é Senhor do sábado e o dia de Cristo é o
dia da Sua ressurreição. Já no primeiro século, os cristãos
observavam o dia de domingo como sendo a observância correta do
sábado [sabbath]. Nós não entendemos que estamos quebrando o
Quarto Mandamento quando descansamos e observamos o domingo,
entendemos que estamos dando o real cumprimento do sábado. O
sábado apontava para a ressurreição de Jesus. É no descanso do
Senhor Jesus que nós encontramos descanso eterno também.[249]
Sendo assim, Nicodemus destaca que Cristo é maior que o sábado e que
o sábado apontava para a ressurreição de Cristo. Portanto, após o
cumprimento desse evento na Nova Aliança, o dia da ressurreição de Cristo
torna-se o dia de descanso e adoração do Seu povo. Nicodemus também
destaca que, desde o primeiro século, os cristãos observaram o domingo
como a correta observância do sabbath.

1.2. Cristo Ressuscitou no Primeiro dia da Semana


Os textos de Mateus 28:1, Marcos 16:2 e João 20:1 relatam que, no
primeiro dia da semana (domingo), Maria Madalena foi ao sepulcro de
madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida. Marcos
16:9 registra que, havendo Ele ressuscitado de manhã cedo, no primeiro dia
da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete
demônios. Portanto, não há dúvida de que a ressurreição de Cristo ocorreu no
primeiro dia da semana. William Hendriksen comenta que “não há dúvida em
relação a qual dia o Senhor Jesus ressuscitou — foi definitivamente o
primeiro dia da semana”. E fundamenta:[250]
Faz pouca diferença se alguém concebe o plural grego de sabbath
como se referindo ao dia ou a uma semana inteira (o tempo de um
repouso a outro). Se o primeiro for tencionado, então a ideia é que
esse era o primeiro dia contando a partir do sábado; daí, o primeiro
dia depois do sábado. Se o segundo for tencionado, o resultado
continua sendo o mesmo; o dia indicado é, então, não o último da
semana, mas o primeiro. Em ambos os casos, a intenção é o domingo.
[251]

1.3. O Senhor Ressurreto Encontra com Seus Discípulos no


Primeiro Dia da Semana
O texto de João 20:19 afirma que, ao cair da tarde daquele dia, o
primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos
com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja
convosco! Hendriksen observa a ênfase que o apóstolo dá ao “primeiro dia da
semana” destacando claramente esse dia:
Note a ênfase que é dada ao dia específico em que Jesus apareceu aos
discípulos, com a exceção de Tomé. João podia ter escrito: “Ao cair
da noite do primeiro dia”. Mas ele é muito mais específico. Está claro
que ele quer enfatizar que esse não era outro dia senão o primeiro da
semana. Então, ele começa dizendo: “Quando estava anoitecendo,
naquele dia”. Isso já marca o dia como sendo o primeiro dia, à luz do
contexto (20:1). Mas ele não está satisfeito com isso. Então,
prossegue: “naquele dia, o primeiro da semana”. O Novo
Testamento, em toda parte, ressalta o dia da ressurreição de Cristo
como sendo o principal entre os dias da semana (Veja Mateus 28:1;
Marcos 16:2; Lucas 24:1; João 20:1, 19, 26; Atos 20:7; 1 Coríntios
16:2; Apocalipse 1:10).[252]

1.4. Jesus Reaparece no Domingo Seguinte


Em João 20:26, lemos: “Passados oito dias, estavam outra vez ali
reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas,
veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!”. Hendriksen
comenta:
Para a expressão “oito dias mais tarde”, veja também sobre 12:1.
Empregando o método inclusivo de computação de tempo — o
método segundo o qual, por exemplo, a terça-feira seria três dias após
domingo — João afirma que passados oito dias, o acontecimento da
noite do domingo anterior se repetiu. O tempo e o lugar eram, com
toda a probabilidade, os mesmos. Teria o Senhor esperado até a noite
de domingo a fim de encorajar seus discípulos a observarem esse dia
— e não outro — como o dia de descanso e adoração? Isso parece ser
provável.[253]
John Bunyan estava convencido que a frase “após oito dias” (João
20:26) confirma que esse dia é o novo sabbath escolhido e estabelecido pelo
Espírito Santo.[254]

1.5. O Pentecostes Ocorreu no Primeiro Dia da Semana


Solano Portela, em seu livro “A Lei de Deus Hoje”, também chama
atenção para o dia do Pentecostes, que foi quando o Espírito Santo desceu,
explica que esse dia também era um domingo (Levítico 23:15-16 — o dia
imediato ao sábado), e, nesse mesmo domingo, o primeiro sermão sobre a
morte e ressurreição de Cristo foi pregado por Pedro (Atos 2:14), com 3.000
novos convertidos.[255]
1.6. Os Primeiros Cristãos Cultuaram no Primeiro Dia da Semana
O texto de Atos 20:7 afirma que “no primeiro dia da semana, estando
nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no
dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite”. Simon
Kistemaker comenta:
“No primeiro dia da semana” (ou seja, no domingo; essa é a primeira
referência ao culto de domingo no Novo Testamento), os cristãos se
reuniram para celebração da Santa Ceia, que foi seguida pela refeição
comunitária, “festa do amor” ou “ágape”. Em Atos, a expressão partir
o pão significa celebrar a comunhão (2:42; e veja 2:46). O culto
começou com a pregação da Palavra e Lucas relata que Paulo pregou
até à meia-noite.[256]
Na mesma linha de raciocínio Wern de Boor afirma:
Ele é realizado “no primeiro dia da semana”, ou seja, no domingo. Ao
lado da observação de 1 Coríntios 16:2 encontramos aqui, pela
primeira vez, um indício de que, nas igrejas gentias cristãs, o primeiro
dia da semana era celebrado de modo especial, por ser o dia da
ressurreição do Senhor Jesus.[257]
François Turretini conclui:
Por que nos é dito que os apóstolos se reuniam para a proclamação da
Palavra e a administração da eucaristia, nesse dia mais que nos outros
(ou no conhecido sábado dos judeus), a menos que naquele tempo o
costume de manter reuniões restituídas já prevalecera, desvanecendo-
se gradativamente a cerimônia do sábado judaico? Tampouco se deve
dizer que mian sabbaton aqui não designa o primeiro dia dos sete,
mas apenas um (i.e., algum dos sete), porque a expressão não é usada
em nenhum outro sentido (Lucas 24:1; Marcos 16:2). O que se deduz
de Lucas 5:17 (cf. 8:22) não se aplica aqui, porque uma coisa é dizer
en mia ton hēmerōn que denota um tempo indeterminado); outra é
dizer en te mia, com o artigo que determina o dia.[258]

1.7. Paulo Pede para que a Coleta Seja Feita no “Primeiro Dia da
Semana”
Em 1 Coríntios 16:2, Paulo conclama: “No primeiro dia da semana,
cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá
juntando, para que se não façam coletas quando eu for”. François Turretini
expõe o contexto do versículo demonstrando que os cristãos passaram a fazer
no primeiro dia da semana suas assembleias públicas e contribuições, os
quais, os judeus tinham costume de fazer no sábado:
O apóstolo deseja que as coletas sejam feitas pelos crentes em cada
primeiro dia da semana (ou seja, no dia em que deviam ter suas
assembleias públicas), o que ele extrai do costume dos judeus que,
segundo Filo (cf. The Special Laws I. 14.76–78 [Loeb, 7:145]) e
Josefo (AJ 18.312 [Loeb, 9:180-181]), em cada sábado em que
costumavam reunir-se tinham o hábito de fazer coletas nas sinagogas,
dos dízimos e de outras ofertas voluntárias, e em seguida os enviavam
a Jerusalém para uso do templo e dos levitas. Em virtude da
perseguição dos judeus, o advento de muitos estrangeiros e seu zelo
contínuo em propagar o Evangelho, a igreja de Jerusalém se viu
grandemente premida por carência, e o apóstolo deseja que os crentes
promovam coletas em benefício deles. Como, pois, ele ordena coletas
em cada primeiro dia da semana, assim também se considera, por
paridade de razão, ter ordenado assembleias nas quais se costumava
fazer tais coletas (ou as haver aprovado por seu voto como já
ordenado).[259]
John Gill comenta essa mesma passagem, enfatizando a adequação da
coleta ter sido fixada, pois esse era o dia em que os cristãos se reuniam para
outros atos de adoração, como ouvir a palavra e observar as ordenanças de
Cristo. Ele diz:
A razão de sua fixação no primeiro dia da semana foi porque, nesse
dia, os discípulos de Cristo e as igrejas primitivas se reuniram para
adoração divina, para ouvir a palavra e observar as ordenanças de
Cristo (João 20:19, 26; Atos 20:7).[260]
Kistemaker corrobora:
“No primeiro dia da semana”. Este é o fraseado judaico costumeiro
para o que nós hoje chamamos de domingo (Mateus 28:1 e paralelos;
Atos 20:7; ver também Apocalipse 1:10). Na noite do primeiro dia da
semana, os cristãos se reuniam para o partir do pão, isto é, a Ceia do
Senhor (Atos 20:7). Os cristãos primitivos comemoravam o primeiro
dia da semana como o dia da ressurreição de Jesus. E tinham
escolhido esse dia para culto e comunhão.[261]

1.8. O Apocalipse Fala sobre o “Dia do Senhor”


Em Apocalipse 1:10 o apóstolo João afirma: “Achei-me em espírito, no
dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta”.
Vários teólogos, de diferentes vertentes doutrinárias em outros aspectos,
concordam que, neste texto, “dia do Senhor” diz respeito ao primeiro dia da
semana, o dia em que Cristo ressuscitou. Por exemplo, Simon Kistemaker
afirma que:
João escreve que estava no Espírito no dia do Senhor. Essa é a única
passagem no Novo Testamento em que esse dia é descrito dessa
maneira, pois em outros lugares ele é chamado de primeiro dia da
semana. É o dia da ressurreição do Senhor, e no fim do século I os
cristãos haviam começado a se referir a ele não como primeiro dia da
semana, mas como dia do Senhor (compare com a expressão a ceia
do Senhor, em 1 Coríntios 11:20). É o dia dedicado ao Senhor. A
passagem não se refere à futura vinda do Senhor e ao dia do juízo,
mas ao fato de Jesus ter aparecido a João no primeiro dia da semana
— um dia consagrado a Cristo.[262]
Este é o comentário que John Gill faz a respeito da expressão “dia do
Senhor”, que aparece no texto de Apocalipse 1.10:
[A expressão “dia do Senhor”], aqui, não se refere ao sábado judaico,
pois que estava agora abolido; além disso, ele nun-ca foi chamado o
dia do Senhor, e se João quisesse dizer isso, ele teria dito no dia do
sábado… [mas] o primeiro dia da semana é que é designado… e é
chamado [pelo nome do Senhor], assim como a ordenança da ceia é
chamada de ceia do Senhor, sendo instituída pelo Senhor e pela mesa
do Senhor (1 Coríntios 10:21, 11:20); e isso porque foi o dia em que
nosso Senhor ressuscitou dos mortos (Marcos 16:9) e no qual Ele
apareceu em momentos diferentes para Seus discípulos (João 20:19,
26).[263]
Turretini, também corrobora:
[...] por certo não no sábado judaico, porque indubitavelmente o
teria mencionado; não em algum outro dia dentre os sete, porque
nesse caso o título seria ambíguo, prestando-se mais para confundir
do que para esclarecer; mas naquele dia em que Cristo havia
ressuscitado, no qual os apóstolos costumavam reunir-se para a
realização do culto sacro e em que Paulo tinha ordenado se
fizessem coletas, como era costume na igreja primitiva. Uma vez
que ele fala daquele dia como conhecido e observado na igreja, não
há dúvida de que ele foi distinguido por esse nome com base no uso
aceito na igreja. De outro modo, quem entre os cristãos teria
entendido o que João tinha em mente com esta designação, se
porventura pretendesse designar algum outro dia?[264]
John MacArthur compreende da mesma maneira:
Essa expressão aparece em muitos escritos cristãos primitivos e se
refere ao domingo, o dia da ressurreição do Senhor. Alguns têm
sugerido que essa expressão se refere ao “Dia do SENHOR”, mas o
contexto não apoia essa interpretação, e a forma gramatical da
expressão “dia do Senhor” é adjetiva, portanto “o dia do Senhor”.[265]
George Eldon Ladd interpreta da mesma forma:
É muito mais provável que tenhamos aqui a maneira com que os
cristãos começaram a distinguir o dia do Senhor como dia separado
para o culto e a devoção. De outras referências, sabemos que o
primeiro dia da semana era muito importante para os cristãos. Eles se
reuniam para partir o pão no primeiro dia da semana (Atos 20:7) e
preparavam dádivas de amor no primeiro dia (1 Coríntios 16:2). Essas
são as primeiras evidências de que esse dia era tido como
especialmente consagrado ao Senhor, porque era o dia da Sua
ressurreição. A preferência pela observância do domingo em lugar do
sábado judeu foi o resultado de um processo histórico gradual, e aqui
nós temos o início desse processo.[266]
Richard Barcellos comenta:
Em ambos os seus usos no Novo Testamento, κυριακός (kyriakos
[“Senhor”]) refere-se a algo pertencente ao Senhor Jesus. Aqui em
Apocalipse 1:10, portanto, João está se referindo a um dia que
pertence ao Senhor como ressuscitado e ascendido. O dia do Senhor é
um dia que pertence particularmente a Cristo como o Senhor
ressuscitado que agora está no céu (isto é, o Filho do Homem, que
também é o Senhor do sábado). Esse uso da frase e seu significado
pretendido não parecem novos para João, como foi observado em
Paulo e na frase “Ceia do Senhor”, no capítulo 12. Em outras
palavras, João não cunhou a frase enquanto escrevia. Se não fosse
esse o caso, seus leitores talvez não soubessem o que ele queria dizer.
Em vez disso, parece ser usado porque era conhecido e estava em uso
antes de ser escrito por João.[267]
Sendo assim, notamos que, embora assuntos relacionados ao Quarto
Mandamento e ao dia do Senhor sejam temas que têm envolvido debates e
polêmicas, em certos pontos, as evidências bíblicas são tão patentes que não
passam despercebidas nem mesmo por teólogos de diferentes linhas, como
vimos em relação ao entendimento de muitos estudiosos acerca do
significado do “dia do Senhor”, mencionado em Apocalipse 1:10.
Outro fator é que dentre aqueles que compreendem o sabbath da
maneira que é exposta nas confissões reformadas, ou seja, que o Quarto
Mandamento passou a ser observado, na Nova Aliança, no primeiro dia da
semana, o domingo, existem alguns eruditos que compreendem que essa
mudança ocorreu por instituição direta do próprio Senhor Jesus Cristo, ao
passo que outros chegam à conclusão de que o dia do Senhor foi uma
instituição apostólica. Por exemplo, Jonathan Edwards chegou à seguinte
conclusão:
É evidente que Cristo, de propósito, honrou peculiarmente o primeiro
dia da semana, o dia em que ressuscitou dos mortos, ao aparecer nele,
de tempos em tempos, aos apóstolos. E escolheu esse dia para
derramar o Espírito Santo sobre eles, como lemos no segundo
capítulo de Atos. Pois isso ocorreu no Pentecostes, que se dava no
primeiro dia da semana, como vemos em Levítico 23:15-16. E honrou
esse dia ao derramar Seu Espírito sobre o apóstolo João, ao lhe
conceder visões, como lemos em Apocalipse 1:10: “Achei-me em
espírito, no dia do Senhor” etc. Ora, sem dúvidas, com isso, Cristo
queria distintamente honrar esse dia.[268]
Por outro lado, François Turretini vê o dia do Senhor como uma
instituição apostólica:
Ainda que se possa dizer que o dia do Senhor é de instituição
apostólica, não obstante a autoridade sobre a qual ele repousa é
divina, porque [os apóstolos] foram influenciados pelo Espírito Santo
não menos nas instituições sagradas do que no estabelecimento das
doutrinas do Evangelho, quer oralmente quer por escrito. Portanto, a
ordenação divina é corretamente reivindicada aqui; não deveras
formal e imediatamente pela instituição de Cristo, mas mediatamente
pela sanção e prática dos apóstolos inspirados (theopneustōn).[269]
É possível que as duas visões não sejam mutuamente excludentes, mas
complementares, uma vez que aquilo que foi instituído pelos apóstolos foi
direcionado pelo Senhor, como Turretini admite. De modo que uma
ordenança apostólica possui autoridade divina, como Paulo afirma: “Se
alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos
escrevo são mandamentos do Senhor” (1 Coríntios 14:37). Como Gallasius,
colega de Calvino e de Beza, afirmou:
“Recebemos isto como estabelecido: que o dia do Senhor teria
substituído o sábado, não pelos homens, mas direto dos apóstolos,
isto é, do Espírito de Deus, que os dirigia”.[270]

1.9. Documentos Históricos Demonstram que Essa Foi a Prática


dos Primeiros Cristãos
Por fim, alguns documentos históricos demonstram que essa foi a prática dos
primeiros cristãos. Kistemaker explica que os primeiros cristãos, nos fins do
século I, chamaram o primeiro dia da semana de “dia do Senhor” para
comemorar o dia em que Jesus se levantou do túmulo (Apocalipse 1:10; o
documento do século I Didache 14.1). Kistemaker atenta para o fato de que,
atualmente, o calendário grego enumera os dias da semana como: Dia do
Senhor, segundo, terceiro, quarto, quinto, dia da preparação e sábado.[271] O
Didaquê, citado por Kistemaker é um documento histórico do primeiro século
da era cristã, no qual também notamos a referência ao domingo no capítulo
14.1: “Reunindo-se todos os domingos do Senhor, quebre o pão e dê graças,
confessando suas falhas de antemão, para que seu sacrifício seja puro”.
Em seu comentário ao Didaquê, Niederwimmer explica que “o dia do
Senhor” já era um termo familiar, com o qual os cristãos já estavam
habituados:
cf. Inácio Magn. 9.1: μηκέτι σαββατίζοντες, ἀλλὰ κατὰ κυριακὴν
ζῶντες (“Não celebre mais o sábado, mas viva o dia do Senhor”)
Κυριακή aqui, como nessa passagem do Didaquê, já é um termo
familiar para o dia da semana que é consagrado pela ressurreição do
Senhor. A comunidade está acostumada a se reunir naquele dia.[272]
Solano Portela também esclarece que:
os escritos da igreja primitiva, desde a Epístola de Barnabé (ano 100
d.C.) até as obras do historiador Eusébio (ano 324 d.C.), confirmam
que a igreja cristã, inicialmente formada por judeus e gentios,
guardavam conjuntamente o sábado e o domingo. Essa prática foi
gradativamente mudando para a guarda específica do domingo, na
medida em que se entendia que o domingo era propriamente o dia de
descanso, em substituição ao sábado. De forma semelhante, a
circuncisão e o batismo foram conjuntamente observados, a princípio,
existindo, depois, a preservação somente do batismo na igreja cristã.
Portanto, o domingo não foi estabelecido pelo imperador Constantino
no século IV, como afirmam os adventistas. Constantino apenas
formalizou aquilo que já era a prática da igreja.[273]
O Dicionário da Bíblia de Almeida segue a mesma linha sobre o “dia
do Senhor”:
Primeiro dia da semana, em que se comemora a ressurreição de Jesus
(João 20:1-25). Após a ascensão de Jesus, os cristãos se reuniam tanto
no sétimo dia da semana (sábado) como no primeiro (domingo), mas
aos poucos o domingo se tornou o dia de guarda (Atos 20:7; 1
Coríntios 16:2; Apocalipse 1:10).[274]
Com o mesmo entendimento, Vos assevera:
Indubitavelmente, cristãos judeus começaram por observar ambos os
dias, e somente, gradualmente, a percepção instintiva da sacralidade
do dia da ressurreição do Senhor começou a se fazer sentir.[275]
Turretini também apresenta o testemunho dos primeiros pais da igreja
sobre o assunto, demonstrando que o dia do Senhor:

[...] é favorecido pela autoridade dos pais que estavam mais próximos
da época e dos tempos dos apóstolos. Entre os quais está Inácio
(Pseudo-Ignatius, “Ad Magnesianos”, 9.4 em Patres Apostolici [org.
F.X. Funk, 1913], 2:125; “Ad Trallianos”, 9.5, ibid., 2:104–107);
Justino Mártir, (First Apology 67 [ANF 1:185,186]); Dionísio de
Corinto, Segundo Eusébio (Ecclesiastical History 4.23 [FC 19:259]);
Melito, segundo o mesmo (Eusébio, ibid., 4.26, p. 262); Irineu
(Against Heresies 5.23 [ANF 1:551,552]); Tertuliano (Chaplet [FC
40:237]); Orígenes (cf. In Exodum Homilia 7.5–6 [PG 12.345–347]) e
não poucos outros.[276]
A guarda do dia do Senhor tornou-se, de fato, uma das marcas do
discipulado cristão no tempo dos mártires, como Stuart Olyott destaca:
Durante toda a história da igreja, o domingo tem sido observado
como o “sabbath” dos cristãos. A evidência documental é unânime e
retrocede a 74 d.C. Durante as piores perseguições, perguntava-se aos
suspeitos de serem cristãos: “Dominicum Servasti?” (Você guarda o
dia do Senhor?). Os verdadeiros crentes respondiam: “Eu sou um
cristão, não posso deixar de fazer isso!”.[277]

2. COMO OBSERVAR O DIA DO SENHOR?


Devemos observar o exemplo do Senhor Jesus Cristo sobre o dia do
sabbath. O Senhor reprovou o legalismo dos fariseus, demonstrando que é
lícito fazer o bem no sabbath (Mateus 12:12). Cristo explicou que o sabbath
foi feito para o homem e não o homem para o sabbath, ou seja, nossa
observância não deve ser legalista, mas um regozijo, um deleite. Stuart Olyott
explica:
O dia de descanso tem sua origem na Criação. Por um tempo, usou as
vestes do Antigo Testamento. No entanto, agora está com uma
roupagem do Novo Testamento. Isso significa que não podemos
impor ao dia de descanso as regras mosaicas que já passaram, tais
como as que encontramos em Êxodo 35:2-3 ou Números 15:32-36.
Não devemos ter em mente uma lista de faça e não faça, tal como se
lê em Mateus 12:1-2. À legislação de Moisés, os fariseus
acrescentaram todo tipo de regras próprias. Para os fariseus, esfregar
o grão na mão era o mesmo que debulhá-lo. Eles também tinham
regras a respeito de quanto peso se devia carregar e quão distante se
podia caminhar no dia de descanso. Por trás de todas as regras dos
fariseus, havia uma mentalidade que não tem qualquer lugar na vida
de um crente do Novo Testamento.
Na mesma linha, Charles Spurgeon complementa:
A respeito de uma particularidade sobre a qual havia um pouco de
cerimonialismo envolvido — em outras palavras, guardar o sabbath
— nosso Senhor a ampliou e mostrou que o pensamento judeu não
era verdadeiro. Os fariseus proibiam até mesmo as obras de
necessidade e misericórdia, como debulhar espigas de milho para
matar a fome e curar os enfermos. Nosso Senhor Jesus mostrou que
proibir essas atitudes não estava, de modo algum, em conformidade
com a mente de Deus. Ao distorcer a Palavra e levar uma observância
externa ao extremo, perderam o sentido da lei sabática, a qual sugeria
obras de misericórdia como o verdadeiro santificar do dia. Mostrou
que o descanso sabático não era mera inatividade: “Meu Pai trabalha
até agora, e eu trabalho também”.[278]
Portanto, é importante notarmos que existem obras de necessidade que
precisam ser realizadas nesse dia, existem certos ofícios que vão precisar
ocorrer, necessariamente, e isso não é uma quebra ao mandamento — pelo
contrário. Por exemplo, no Antigo Testamento, os sacerdotes “quebravam o
sábado” e ficavam sem culpa pois trabalhavam no serviço de adoração. É
necessário bom senso para evitarmos o legalismo quanto à nossa observância
do dia do Senhor e para não cairmos no mesmo erro dos fariseus, sendo
meticulosos por demasia e criando regras minuciosas e impondo-as aos
outros. Mais do que “não faça isso”, o importante é o que se deve fazer:
dedicar-se a atividades de adoração, necessidade e misericórdia. Por outro
lado, também devemos evitar o antinomismo que despreza o mandamento.
Turretini evita cair em um desses extremos quando atesta:
Concernente à observância do dia do Senhor também não há pouca
controvérsia. Alguns (com excesso) se inclinam a extremo rigor e
severidade e assim se aproximam do judaísmo. Outros, ao contrário
(com insuficiência), usam relaxamento excessivo, ao que abre a porta
para a profanidade e para a licença. Não obstante, o meio-termo nos
parece mais seguro.[279]
Sobre o tema, Albert Mohler afirma que:
A melhor abordagem a ser adotada pelos crentes em relação ao
Quarto Mandamento é conhecida como observância do Dia do Senhor
[…]. Essa posição enfatiza que a questão central da igreja é reunir e
adorar no Dia do Senhor […] essa posição se concentra no conteúdo
positivo da observância do Dia do Senhor, em vez de atividades
proibidas.[280]
Cremos que a maneira correta de lidarmos com o assunto é
observarmos as orientações e o exemplo do Senhor do sabbath, Jesus Cristo e
dos apóstolos sobre o assunto. Para eles, o dia de descanso não é um
descanso de total inatividade, é um descanso em Deus, um descanso
espiritual, um descansar no Senhor, e, portanto, servi-lo sendo ativos na
adoração, na piedade e na misericórdia. Quando olhamos para o exemplo de
como o Senhor guardava o sabbath, o vemos muito ativo, curando, ensinando
Seus discípulos realizando atos de misericórdia e adoração a Deus, ao passo
que, quem ficava meticulosamente proibindo diversas coisas eram os fariseus
e as leis rabínicas.
Sendo assim, trata-se mais do que deve ser feito nesse dia do que criar
uma lista de proibições. A adoração religiosa no dia do Senhor deve ser para
o cristão um deleite, e não um peso, uma antessala do descanso eterno que se
dará na consumação de todas as coisas (Hebreus 4:9). A Confissão de Fé
Batista de 1689 nos mostra como aproveitar esse dia:
O sabbath é, assim, santificado ao Senhor quando os homens, tendo
devidamente preparado os seus corações e ordenado os seus assuntos
comuns de antemão, não apenas observam um santo descanso durante
todo o dia, a partir de suas próprias obras, palavras e pensamentos
sobre suas ocupações e recreações mundanas, mas também dedicam
todo o tempo em exercícios públicos e privados de Seu culto e nos
deveres de necessidade e misericórdia.[281]
Os puritanos entendiam que, no dia do Senhor, deveríamos nos dedicar
em atividades de:
• Adoração: Devoção e culto a Deus,
• Necessidade: Atividades que são indispensáveis de serem realizadas.
• Misericórdia: Ações deliberadas de piedade para com o próximo e
socorro aos necessitados.
A.W. Pink resume as três classes de trabalho que se encaixam no
“santo sabbath”:
Trabalhos de necessidade, que são aqueles que não poderiam ter sido
feitos no dia anterior e que não podem ser relegados para o dia
seguinte — como cuidar do gado. Trabalhos de misericórdia, que são
aqueles que a compaixão requer que desempenhemos para com outras
criaturas — como ministrar aos doentes. Trabalhos de piedade, que
são o culto a Deus em público e em privado.[282]
Trata-se um dia inteiro de adoração a Deus de uma maneira singular, a
qual não temos como realizar da mesma maneira nos outros dias em que
estamos trabalhando. [283]
A Confissão nos conclama a preparar nossos corações para a adoração
a Deus nesse dia, organizando outros assuntos e tomando cuidado para que
assuntos comuns não venham a minar a utilidade espiritual desse dia. O dia
do Senhor é um santo descanso que deve ser aproveitado para fazermos o
bem, seguindo o exemplo do nosso Senhor, tanto nas atividades públicas
quanto privadas de culto, deveres de necessidade e misericórdia.
John Owen dá conselhos muito úteis para nos ajudar a prepararmos os
nossos corações para aproveitarmos bem esse dia:
Medite na majestade, santidade e grandeza de Deus. Lembre-se dEle
como o Autor do nosso descanso sabático. Lembre-se de Sua obra
que nos leva a celebrar as Suas ordenanças, especialmente a redenção
por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. Pondere a importância, razões
e propósitos do Dia do Senhor que está chegando. Reflita sobre seus
santos privilégios, benefícios e deveres. Uma compreensão completa
dessas coisas nos ajuda a valorizá-las mais do que aqueles que
simplesmente sabem que o domingo é um tempo sagrado. Uma
meditação voluntária sobre Deus e Seu amor, como essa, nos liberta
para adorarmos em nosso melhor e sem distração.[284]
Sobre esportes e recreações, John Owen corretamente apela ao bom
senso:
Tenha cuidado com esportes e recreações: O bom senso sobre isso no
domingo é encontrado na legislação antiga dos imperadores e nações.
Podemos resumir os melhores sentimentos ao lembrá-lo de que o dia
do Senhor deve ser cheio de alegria nEle para que Ele possa ser
louvado e glorificado.[285]
Van Dixhoorn conclui:
“Se nos lembrarmos do dia do Senhor, adorando a Ele e buscando
fazer o bem, se esse é o anseio de nossos corações, com a ajuda de
Deus, não podemos estar muito errados. Mas, se ainda errarmos,
podemos nos voltar para o Senhor do sábado, que ressuscitou na
manhã de um domingo para que os pecadores achassem vida e
olhassem em direção a um descanso eterno com Ele e com todo o Seu
povo”.[286]

3. OBJEÇÕES COMUNS AO DIA DO SENHOR


Alguns teólogos objetam a observância ao dia do Senhor fazendo uso
de textos como Colossenses 2:16-17 e Romanos 14:5-6, afirmando que não
há mais dia algum a ser observado na Nova Aliança, portanto, não devem
observar o “dia do Senhor”. Entretanto, precisamos considerar mais de perto
esses textos e ver do que tratam em seus devidos contextos. Em Colossenses
2.16-17, o apóstolo afirma:
“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por
causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são
sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”.
Paulo atesta que, assim como as demais cerimônias, os sábados
judaicos também eram como uma sombra que apontavam para Cristo. O
teólogo batista reformado James M. Renihan, citando o comentário de
Lightfoot sobre esse capítulo, explica o significado de “dias de festa, ou de
lua nova, ou dos sábados” nesse contexto:
Sete vezes na Bíblia, esses mesmos três termos são usados juntos e,
em todos os casos, referem-se ao número total dos dias religiosos de
obrigação para Israel. Os textos são 1 Crônicas 23:31 (27-31),
Neemias 10:33, 2 Crônicas 2:4 e 31:3, Isaías 1:13-14, Ezequiel 45:17
e Oséias 2:11. Em todos esses casos, as palavras se referem à
plenitude das observâncias relacionadas ao tempo, comandadas a
Israel. À luz de Levítico 23, sabemos que havia outros sábados além
do sétimo dia — os dias associados às festas eram designados como
sábados, independentemente de em qual dia da semana eles caíam. É
por isso que a palavra “sábados” [sabbaths], refere-se a todos os dias,
ao sétimo dia e a todo o resto dos sábados, que deveriam ser
observados por Israel.[287]
Diante disso, James M. Renihan esclarece que ao ler Colossenses 2:16-
17, e ver essas palavras juntas, lembra-se que o apóstolo Paulo foi
completamente treinado por estudiosos de primeira linha na teologia do
Antigo Testamento, e, portanto, estava familiarizado com todos os seus
meandros e detalhes técnicos. Assim, quando esses termos exatos são
encontrados nesse lugar, devemos entender que Paulo os emprega exatamente
da mesma maneira que são usados em qualquer outro lugar nas Escrituras
inspiradas. Como esses termos aparecem juntos em todos esses lugares, todas
as regras de exegese apoiam a visão de que eles também formam um
conjunto aqui. Sendo assim, James M. Renihan conclui:
E assim podemos dizer com Paulo, nos termos mais fortes: “Todo dia
associado à Antiga Aliança se foi. Não devemos celebrar festivais,
luas novas ou sábados — o sétimo dia, a páscoa, os tabernáculos etc.
Eles se foram. A substância corporal é Cristo. Ele veio e entramos na
plenitude de Sua vinda. Quando olhamos para Colossenses 2:16-17 à
luz da analogia das Escrituras, e vemos que a linguagem técnica exata
é usada em outro lugar para descrever um conjunto dos dias do
Antigo Testamento, nosso problema está resolvido. O apóstolo não
está falando sobre o fim absoluto de guardar qualquer dia; ao
contrário, ele fala da revogação de todos os dias judaicos. Os gentios
e até cristãos judeus não tinham absolutamente nenhuma obrigação de
observar esses dias da Antiga Aliança.[288]
Joseph Pipa resume: “Em outras palavras, Paulo anula a observância do
sétimo dia, mas não o princípio envolvido na lei do sábado”.[289] Portanto, o
que Paulo objeta aqui não é o descanso semanal de um dia por semana; o que
ele procura resolver é o problema da imposição de rituais e cultos judaicos
sobre outros crentes, especialmente os gentios. De maneira semelhante deve
ser interpretado o texto de Romanos 14:5-6, que afirma:
Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os
dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.
Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz
caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor
come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor
não come, e dá graças a Deus.
John Murray elucida que nesse contexto Paulo refere-se aos
regulamentos cerimoniais judaicos uma vez que ainda havia escrúpulo de
alguns convertidos dentre os judeus em relação a certos costumes:
Os dias de festas cerimoniais se enquadram na categoria a respeito
da qual o apóstolo disse: “Um faz diferença entre dia e dia; outro
julga iguais todos os dias”. Muitos judeus ainda não haviam
compreendido todas as implicações do Evangelho e ainda possuíam
escrúpulos no tocante a essas ordenanças mosaicas. Sabemos que
Paulo se mostrou completamente tolerante para com tais
escrúpulos; e esses se adaptam aos termos exatos do texto em
questão.[290]
Sobre esses assuntos, Vos clarifica:
Não se deve esquecer de que o Sabbath era, sob o Antigo
Testamento, uma parte integral de um ciclo de festas que não mais
estão em vigor. O tipo expresso nele era aprofundado pelo Ano
Sabático e o Ano do Jubileu. No Sabbath, homem e animal
descansam; no Ano Sabático, o próprio solo descansa; no Ano do
Jubileu, a ideia de descanso é exibida na sua significação positiva
plena por meio da restauração de tudo que estava conturbado e
perdido por meio do pecado. Fomos liberados de tudo isso por meio
da obra de Cristo, mas não fomos liberados do Sabbath como
instituído na criação. É sob essa luz que devemos interpretar certas
declarações do Novo Testamento tais como Romanos 14.5,6;
Gálatas 4:10,11; Colossenses 2:16-17.[291]
Examinando a citação de Vos, Richard Barcellos comenta a maneira
pela qual devemos interpretar tais textos:
Vos reconhece enfaticamente que fomos libertados de quaisquer
elementos típicos ligados ao sábado no Antigo Testamento, “mas não
do sábado como instituído na Criação. E é à luz disso, devemos
interpretar certas declarações do Novo Testamento, como Romanos
14:5-6; Gálatas 4:10-11; Colossenses 2:16-17”.[292]
Sendo assim, concordamos com a conclusão de James M. Renihan:
Podemos dizer, à luz da analogia das Escrituras, que temos um dia
diferente, um dia que expressa a plenitude de nossa redenção em
Cristo. Temos o primeiro dia da semana, um dia que traz à memória a
Nova Criação em Cristo através de Sua ressurreição dentre os mortos.
Vamos observá-lo para a glória de Deus.[293]

CONCLUSÃO
Estudamos sobre o Quarto Mandamento da lei e sua relação com o “dia
do Senhor” mencionado em Apocalipse 1:10. Alguns pontos merecem ser
destacados:
1) Observamos a lei moral na Nova Aliança, não como uma tentativa
de salvarmos a nós mesmos, mas por amor a Deus que nos amou primeiro.
2) O dia de descanso para adorar a Deus (sabbath) foi algo instituído
por Deus na criação (Gênesis 2:1-3), e o sabbath não foi feito apenas para o
judeu, mas para o homem (Marcos 2:27).
3) O Quarto Mandamento também possuía um aspecto cerimonial que
foi cumprido. Entretanto, o aspecto moral da lei, que é guardar um dia em
sete, permanece.
4) A guarda do primeiro dia da semana (domingo) como dia do Senhor
reside em dois assuntos principais: O Senhor é maior do que o sábado
(Marcos 2:28), e o Senhor ressuscitou nesse dia, como as Escrituras afirmam
(Lucas 24:1-6).
5) Os apóstolos reuniram-se nesse dia. Em Apocalipse, o termo “dia do
Senhor” é mencionado, os documentos dos primeiros cristãos mencionam
esse dia, os mártires cristãos observaram esse dia e as grandes confissões de
fé reformadas mencionam “o dia do Senhor” como o primeiro dia da semana
(domingo).
6) O descanso do dia do Senhor não é total inatividade, mas é descansar
em Deus enquanto você O serve adorando, ajudando ao próximo e fazendo o
que Jesus fez. Temos no Senhor Jesus, e não nos fariseus, o modelo de como
guardar o Quarto Mandamento.
7) Assim como há uma prescrição de que se descanse um dia, há uma
diretriz implícita de que se trabalhe seis.
8) O dia do Senhor deve ser para o crente um deleite, um antegozo do
descanso eterno, e não um peso.
Cabe ressaltar que, nesse ponto, os batistas confessionais possuem uma
concordância substancial com outros reformados, tais como presbiterianos e
congregacionais confessionais — grupos estes que surgiram a partir do
movimento reformado puritano inglês do século XVII.
No próximo capítulo, estudaremos quais são os distintivos da teologia
pactual batista em relação aos pedobatistas e quais os pontos de unidade e
diversidade entre duas importantes confissões de fé, a saber, a Confissão
Batista de Londres de 1689 e a de Westminster.

10
Teologia Credobatista
x
Teologia Pedobatista

Já estamos caminhando para o fim deste livro, e já aprendemos muitas coisas


até aqui sobre a teologia bíblica batista pactual. No capítulo anterior, falamos
sobre o dia do Senhor, um assunto unânime entre as confissões reformadas.
Agora, iremos trabalhar tanto as semelhanças quanto as diferenças entre a
teologia bíblica batista e a pedobatista.
Muitos pensam que a teologia pactual batista é idêntica à pedobatista e,
portanto, os batistas seguem inconsistentemente o credobatismo. Até mesmo
pastores batistas, frequentemente, só tiveram contato com a teologia pactual
pedobatista e acabam seguindo exatamente a mesma estrutura dela,
modificando apenas a parte do batismo — o que, de fato, poderia ser
considerado uma inconsistência. Entretanto, já temos notado os distintivos da
teologia batista pactual e como sua estrutura redunda, lógica e
inescapavelmente, no credobatismo.
Passaremos, então, a considerar como as diferenças entre batistas
pactuais e seus irmãos pedobatistas, no que diz respeito ao batismo, surgiram
devido ao seu entendimento pactual. Para os batistas reformados, antes de
perguntar “Quem pode ser batizado”, há uma questão mais fundamental:
“Quem está no pacto?”,[294] ou seja, quem compõe o povo de Deus.
Notaremos a diferença nas duas confissões de fé, a Confissão de Fé
Batista de Londres de 1689 e a de Westminster, e quais são os pontos de
semelhança e diferença entre elas, no que tange às alianças divinas. Logo,
percebemos que o debate acerca do batismo, no século XVII, envolvia mais do
que a ordenança em si — envolvia, principalmente, o modo como cada grupo
entendia o relacionamento de Deus com Seu povo pactual.
Como já temos notado ao longo do livro, as semelhanças entre as duas
confissões são enormes e bem maiores do que suas diferenças. Na realidade,
os batistas se esforçaram muito para manter uma unidade e harmonia com
seus irmãos na fé, inclusive ao estruturar sua confissão tomando como base
outras confissões reformadas, principalmente a de Westminster. A maioria
dos batistas reformados era irênica e buscava manter uma forte comunhão
com seus irmãos pedobatistas.
Portanto, ao estudarmos os distintivos da teologia pactual credobatista,
nosso objetivo não é, de modo algum, nos separarmos de nossos irmãos na fé
que têm um pensamento diferente nesse aspecto, mas apenas esclarecer um
ponto que pode ser obscuro para muitos e demonstrar qual é a razão dos
batistas pactuais entenderem que a maneira bíblica correta da observação da
ordenança é o credobatismo. Eles chegaram a essa conclusão através da sua
compreensão dos aspectos de continuidade e descontinuidade entre as
alianças bíblicas.
Além disso, atualmente, muitos batistas têm redescoberto a teologia
reformada e, consequentemente, sua estrutura pactual, e pensam que
necessariamente terão que se tornar pedobatistas ou sair de suas igrejas,
chegando a essas conclusões por desconhecerem a confessionalidade
histórica dos batistas e sua preciosa herança pactual. Logo, faz-se necessário
apresentá-la.
Por outro lado, existem aqueles que são contra o pedobatismo e
afastam-se da teologia batista pactual por pensarem que “teologia pactual ou
aliancismo é sinônimo de batismo infantil”, e então, por vezes, criticam os
batistas confessionais por entendimentos que, na realidade, dizem respeito à
teologia pedobatista. Eles também fazem isso por desconhecerem os
distintivos da teologia pactual dos batistas confessionais.
Portanto, para elucidarmos essas questões, examinaremos o assunto um
pouco mais de perto, comparando as confissões de fé e destacando as
semelhanças e diferenças entre elas. Começaremos observando os pontos em
comum entre elas.

1. SEMELHANÇAS ENTRE A TEOLOGIA PACTU-AL DOS


BATISTAS E DOS PEDOBATISTAS[295]
Existem várias semelhanças entre ambas as confissões nesse aspecto.
Por exemplo, as duas concordam com a existência de um Pacto de Obras
feito com Adão antes da queda. Micah Renihan afirma que “não há nenhuma
discussão sobre o Pacto de Obras, plenamente afirmado pelas confissões
Batista de Londres e Westminster, e não há nenhuma discussão sobre a
definição de um pacto, que de acordo com a definição básica formulada por
Meredith G. Kline é “um compromisso com sanções divinas entre um senhor
e um servo”.[296] Além disso, ambas vislumbram um único povo eleito nos
dois testamentos, como Pascal Denault afirma:
Assim, não existe dualidade entre Israel e a Igreja, como há no
dispensacionalismo, nem há uma substituição de Israel pela Igreja. A
Igreja existiu desde o começo do Pacto da Graça; a diferença entre o
Antigo Testamento e as igrejas do Novo Testamento consistia na
extensão das nações às quais o Pacto da Graça foi anunciado, e não
na identidade da Igreja sendo diferente de um Testamento para outro.
[297]

Pascal explica que os reformados entendiam que Deus possui um único


povo e que não há dualidade entre Israel e a Igreja, tampouco uma substituição
de um pelo outro, mas uma substituição de uma aliança pela outra. Ou seja, na
Nova Aliança os gentios são enxertados na oliveira, o Senhor derruba as paredes
de separação que havia entre judeus e gentios, e o Evangelho é propagado para
todas as nações. Observemos seu comentário:
Os dispensacionalistas acusaram os reformados de criarem uma
teologia da substituição ao dar à Igreja o lugar que deveria pertencer a
Israel permanentemente. De fato, historicamente, os reformados não
ensinaram que a Igreja substituiu Israel, mas que os pagãos se
juntaram a Israel no Pacto da Graça no momento em que a Nova
Aliança substituiu a Antiga Aliança. Assim, as promessas de uma
aliança perpétua entre Israel e Deus não apenas se mantiveram, mas
foram cumpridas e estendidas aos pagãos. Portanto, não se trata de um
povo substituindo outro povo, mas sim de uma aliança substituindo
outra aliança, uma vez que as promessas reveladas pelo Pacto da Graça
em Gênesis 3:15 foram cumpridas quando a Antiga Aliança se findou e
um grande grupo de judeus e não judeus entraram na Nova Aliança.
Deve-se rejeitar a oposição entre Israel e a Igreja e enfatizar o escopo
do Pacto da Graça no Antigo Testamento (Israel) e o escopo do Pacto
da Graça no Novo Testamento (todas as nações). Os gentios não
substituem Israel, mas são acrescentados como herdeiros das bênçãos
de Israel. A oposição encontrada no Novo Testamento é entre a Antiga
e a Nova Alianças, não entre Israel e a Igreja, que é, na verdade, uma
oposição artificial originada do dispensacionalismo.[298]
A relação de Israel no Antigo Testamento com a Igreja no Novo pode
ser ilustrada com a metáfora de um andaime que é utilizado na construção de
um prédio. O andaime é utilizado para a construção e tem seu valor e
utilidade, mas, a partir do momento que o prédio é construído, o andaime é
desmontado e guardado. Samuel Renihan explica:
O reino de Israel e o reino de Cristo (a igreja), embora distinguidos
por seus pactos, estão tão relacionados quanto um andaime está com
um prédio. Os descendentes naturais de Abraão eram trabalhadores
arrendatários, construtores, receberam uma promessa do nascimento
do Messias e foram encarregados de preparar o caminho para o Seu
advento (Mateus 20:1-16, 21:33-46). No entanto, embora o Messias
pertencesse à Israel, Israel não pertencia automaticamente ao
Messias. O reino de Israel terminou no reino de Cristo e foi desfeito,
como um andaime. Jesus não era a principal pedra angular do reino
de Israel, nem os apóstolos eram sua fundação (Salmo 118:22; Isaías
28:16; Mateus 21:42; Atos 4:11; Efésios 2:20; 1 Pedro 2:6-7). Jesus
estabeleceu o reino de Deus com base na regeneração, no
arrependimento e na fé. Ele pregou para Seu próprio povo, Israel, mas
Seu povo verdadeiro e permanente era de um reino que não é deste
mundo. Jesus acolhe como Seu todo aquele que nEle crê, e os demais
são condenados por sua incredulidade pecaminosa. A fé em Cristo,
dada somente por Deus, define o povo de Cristo.[299]
Outra similaridade entre ambas as confissões é o entendimento da
revelação progressiva do Pacto da Graça a partir de Gênesis 3:15, pois ambas
compreendem e unificam a salvação através da promessa do Evangelho em
toda a história. Além disso, as duas compreendem que na Antiga Aliança
havia tanto regenerados quanto não regenerados. Os regenerados estavam
tanto sob o Pacto da Graça quanto sob a Antiga Aliança, e os não regenerados
estava somente sob a Antiga Aliança (Romanos 9:6-8). Em resumo:

Crenças em Comum entre as Confissões


Credobatistas e Pedobatistas
As duas concordam com o Pacto de Obras antes da
Queda.
As duas concordam com a definição de aliança.
As duas entendem que há um único povo de Deus em
ambos os Testamentos.
As duas compreendem uma revelação progressiva do
Pacto da Graça.
As duas unem a salvação através da promessa do
Evangelho em toda a história.
As duas entendem que na Antiga Aliança havia tanto
regenerados quanto não regenerados.

2. AS DIFERENÇAS ENTRE A TEOLOGIA PACTUAL DOS


BATISTAS E DOS PEDOBATISTAS
2.1. Observemos o Quadro Pedobatista:

Gráfico 4. In DENAULT, Pascal: Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: uma comparação entre o
federalismo dos batistas particulares e dos pedobatistas do século XVII. São Paulo: O Estandarte de Cristo,
2018, p. 114.

Em relação às diferenças entre os dois modelos, elas estão primeiramente


relacionadas ao Pacto da Graça. Para os pedobatistas, o Pacto da Graça diz
respeito a tudo o que veio após a queda. Eles entendem que o Pacto foi
estabelecido em Gênesis 3:15 e que as duas alianças, a Antiga e a Nova, são
como duas administrações do mesmo Pacto da Graça, e não duas alianças
substancialmente diferentes. Ou seja, não entendem que há uma diferença
substancial entre a Antiga e a Nova Alianças, apenas duas administrações
diferentes do mesmo Pacto. Logo, nessa perspectiva, há uma estreita
continuidade entre essas administrações.
Portanto, os pedobatistas adotam uma teologia pactual cujo modelo
pode ser descrito na seguinte maneira: uma única aliança, o Pacto da Graça,
administrado através de outras alianças, especialmente a Antiga e a Nova.
Seguindo essa linha, John Murray, em seu livro “O Pacto da Graça”, expressa
seu entendimento de que as características da Antiga e da Nova Aliança são
substancialmente as mesmas:
A evidência mais conclusiva, entretanto, deriva de um estudo do
Novo Testamento com respeito à natureza da Nova Aliança. Veremos
que as características dessa aliança são as mesmas que estão ligadas à
Aliança no Velho Testamento.[300]
Turretini também explica a visão pedobatista de seu tempo, acerca do Pacto
da Graça, de maneira clara:
Os ortodoxos mantêm que a diferença entre o Antigo e o Novo
Testamento (amplamente considerada) é apenas acidental, não
essencial (como a circunstância, e maneira, e grau da coisa); não
como sendo a coisa em si, a qual era a mesma em ambas.[301]
Notemos, então, o texto da Confissão de Fé de Westminster sobre o assunto:
Esse pacto no tempo da Lei não foi administrado como no tempo do
Evangelho. Sob a Lei, foi administrado por promessas, profecias,
sacrifícios, pela circuncisão, pelo cordeiro pascoal e outros tipos e
ordenanças dadas ao povo judeu, prefigurando, tudo, Cristo que havia
de vir; por aquele tempo essas coisas, pela operação do Espírito
Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos
na fé do Messias prometido, por quem tinham plena remissão dos
pecados e a vida eterna: essa dispensação chama-se o Velho
Testamento.
Sob o Evangelho, quando foi manifestado Cristo, a substância, […] é
chamado o Novo Testamento. Não há, pois, dois pactos de graça
diferentes em substância, mas um e o mesmo sob várias dispensações.
2.2. Observemos o quadro Credobatista:

Gráfico 5. In DENAULT, Pascal: Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: uma comparação entre o
federalismo dos batistas particulares e dos pedobatistas do século XVII. São Paulo: O Estandarte de Cristo,
2018, p. 114.

Em relação ao modelo credobatista, os batistas reformados entenderam


que a Antiga Aliança não era o Pacto da Graça, tampouco uma administração
desse pacto. Embora o Pacto da Graça tenha sido revelado em Gênesis 3:15,
como uma promessa, somente na Nova Aliança o Pacto da Graça foi
completamente estabelecido e selado com o sangue de Cristo. No entanto, é
importante observar que, embora a Antiga Aliança não seja, ela mesma, uma
administração do Pacto da Graça, o Pacto da Graça foi eficazmente
administrado sob ela aos eleitos, embora não por meio dela. É o que
chamamos de efeito retroativo do Pacto da Graça, consumado e estabelecido
apenas na morte e ressureição de Cristo; ou seja, embora a Nova Aliança, ou
Pacto da Graça, tenha sido estabelecida apenas no Calvário e na tumba vazia,
seus efeitos foram administrados retroativa e soberanamente aos crentes de
épocas passados, os quais olhavam para o Messias que viria e o
contemplavam pela fé. Sobre isso, a Confissão de 1689 afirma:
Embora o preço da redenção não tenha sido realmente pago por
Cristo senão depois da Sua encarnação, contudo a virtude, a eficácia e
os benefícios dela foram comunicados aos eleitos, em todas as épocas
sucessivamente desde o princípio do mundo nas e através das
promessas, tipos e sacrifícios em que Cristo foi revelado, e que O
apontavam como a descendência da mulher que esmagaria a cabeça
da serpente (1Coríntios 10:4; Hebreus 4:2; 1Pedro 1:10-11), e como o
Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse
13:8), sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8).
Este é um ponto fundamental do entendimento pactual dos batistas:
para eles, o Pacto da Graça corresponde à Nova Aliança, e somente a ela.
Logo, os batistas compreenderam que há uma diferença substancial entre a
Antiga e a Nova Aliança. Os batistas possuíam um entendimento bem
semelhante ao que John Owen esboçou em sua exegese de Hebreus 8 sobre
esse ponto. É notável o fato de que um dos mais influentes batistas do século
XVII, Nehemiah Coxe, deixou de publicar um tratado sobre a aliança
sinaítica devido ao lançamento do comentário de Hebreus de John Owen, o
qual indicou seus leitores — especialmente o capítulo 8:
A noção (que muitas vezes é alegada neste discurso) de que a Antiga
e a Nova Alianças diferem em substância e não apenas no modo de
sua administração, certamente requer uma abordagem maior e mais
particular para livrá-la daqueles preconceitos e objeções lançados
contra ela por muitas pessoas dignas, mas que pensam de maneira
diferente. Assim, planejei dar um relato adicional sobre esse assunto
no tratado sobre o pacto feito com Israel no deserto e sobre o estado
da igreja sob a lei. Mas quando eu terminei este tratado e providenciei
alguns materiais para o que também escreveria a seguir, percebi que
meu trabalho que deveria tratar desse tema foi felizmente evitado pela
publicação do terceiro volume do comentário do Dr. Owen sobre a
epístola aos Hebreus. Ali, o assunto é discutido longamente e as
objeções que parecem militar contra ele são totalmente respondidas,
especialmente na exposição capítulo 8. Eu agora encaminho o meu
leitor para essa obra onde poderá aprender satisfatoriamente sobre a
diferença substancial entre a Antiga e Nova Alianças, tal obra atende
completamente as expectativas que se poderia ter acerca de uma
pessoa tão eminente e erudita.[302]
Em seu comentário, Owen destacou claramente que a Nova Aliança era
substancialmente distinta da Antiga:
Se a reconciliação e a salvação por Cristo fossem obtidas, não apenas
sob a Antiga Aliança, mas em virtude dela, então ela deveria ser a
mesma que a Nova, no que diz respeito à sua substância. Mas isso
não é assim; pois nenhuma reconciliação com Deus nem salvação
poderia ser obtida em virtude da Antiga Aliança, ou da administração
dela, segundo o que nosso apóstolo contesta de forma geral […]
Assim, mostrei em que sentido o Pacto da Graça é chamado de “a
nova aliança”, nessa distinção e oposição com a antiga ou primeira
aliança. Então eu proporei várias coisas que se relacionam com a
natureza da primeira aliança, as quais manifestam que ela é uma
aliança distinta, e não uma mera administração do Pacto da Graça.[303]
Portanto, Owen ensinou a diferença essencial entre a Nova Aliança e
todas as outras alianças feitas no Antigo Testamento. Uma vez que a Nova
Aliança é selada no sangue de Cristo e produz salvação e reconciliação para
com Deus. Assim como Owen, os batistas entenderam que essa aliança é
diferente e superior a todas as alianças do Antigo Testamento, pois trata-se do
Pacto da Graça concluído, e não apenas de mais uma administração dele.
Pascal Denault demonstra como esse entendimento foi extraído das
Escrituras:
Já vimos que a leitura batista do Pacto da Graça (um pacto revelado
progressivamente e formalmente concluído sob a Nova Aliança) foi
explicada pela exegese de Hebreus 8:6: antes da Nova Aliança, o
Pacto da Graça foi somente revelado; quando a Nova Aliança foi
introduzida, o pacto foi νενομοθετηται. Esse verbo é usado apenas
duas vezes nas Sagradas Escrituras; uma para falar da promulgação
da Antiga Aliança (Hebreus 7:11) e outra para relatar a promulgação
da Nova Aliança (Hebreus 8:6). Essas duas alianças foram
estabelecidas (νενομοθετηται) sobre dois fundamentos
completamente diferentes. A primeira foi estabelecida
(νενομοθετηται) no sacerdócio Levítico com o sangue de bezerros e
bodes (Hebreus 8:18-19), ao passo que a segunda foi estabelecida
(νενομοθετηται) no sacerdócio eterno, de acordo com a ordem de
Melquisedeque e com o próprio sangue de Cristo (Hebreus 9:12).
Como poderiam duas alianças com tão diferentes fundamentos ter a
mesma essência? Não é objetivo do autor da Epístola aos Hebreus
demonstrar que a Antiga Aliança não era nada além de uma sombra
do que viria, uma aliança tipológica, temporária e terrena, enquanto
que a realidade deve ser encontrada na Nova Aliança em Jesus
Cristo?[304]
Vejamos o texto da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689:
Essa Aliança é revelada no Evangelho; primeiramente a Adão na
promessa de salvação pela descendência da mulher, e depois por
etapas sucessivas, até que a sua plena revelação foi completada no
Novo Testamento; e é fundada naquela transação pactual eterna que
houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos; e é somente
pela graça dessa Aliança que todos da posteridade do caído Adão, que
já foram salvos, obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade. O
homem é agora totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles
termos em que Adão permanecia em seu estado de inocência.

3. A COMPARAÇÃO ENTRE OS DOIS MODELOS


Este gráfico, elaborado por Brandon Adams, demonstra uma
comparação entre a teologia pactual batista (Federalismo de 1689) e a de
Westminster (Federalismo CFW). No centro, encontramos os pontos em que
ambas concordam:

Gráfico 6. Elaborado por Brandon Adams e postado no site 1689Federalism.com. Traduzido por:
RupertTeixeira.com. Estandarte de Cristo, 2016.

3.1. Ambas concordam com o Pacto de Obras e que os santos do


Antigo Testamento e do Novo Testamento são salvos através do Pacto da
Graça.
Tanto batistas quanto pedobatistas concordam que houve um Pacto de
Obras feito com Adão antes da queda (pré-lapsariano). Além disso, ambos
concordam que os crentes do Antigo e do Novo Testamento são salvos
através do Pacto da Graça. Não há outra maneira de salvação para o pecador
a não ser pela graça mediante a fé em Cristo. Os crentes do Antigo
Testamento criam na promessa a respeito do Messias que viria, os crentes do
Novo Testamento creem no Cristo que já veio e vai voltar, e ambos são
salvos pela fé em Cristo pelos benefícios do Pacto da Graça.

3.2. Para os credobatistas o Pacto da Graça foi revelado em Gênesis


3:15 e concluído na Nova Aliança, para os pedobatistas o Pacto da Graça
foi estabelecido em Gênesis 3:15 e administrado nas alianças
subsequentes.
Entretanto, notamos que há uma diferença em relação ao entendimento
do Pacto da Graça. Os batistas afirmaram a unidade da substância do Pacto
da Graça de Gênesis a Apocalipse. Porém, eles notaram a descontinuidade da
substância entre a Antiga e a Nova Aliança. Eles entenderam que o Pacto da
Graça foi revelado em Gênesis 3:15 como uma promessa e concluído
somente na Nova Aliança em Cristo, e uma vez que a entrada na Nova
Aliança se dá pelo novo nascimento, então somente os eleitos estão no Pacto
da Graça. Já os pedobatistas entenderam que o Pacto fora estabelecido em
Gênesis 3:15 e que as demais alianças feitas foram administrações desse
mesmo pacto; portanto, para eles, não há diferença substancial entre Antiga e
Nova Aliança, apenas diferentes administrações.

3.3. Os credobatistas entendem que os membros do Pacto da Graça


são apenas os regenerados, os pedobatista entendem que a membresia do
Pacto da Graça é mista, composta por regenerados e não regenerados.
Portanto, nesse ponto, a membresia do Pacto da Graça é diferente nas
duas confissões. Westminster fala de Cristo, os crentes e seus filhos.[305] Os
pedobatistas separaram a substância interna da administração externa desse
pacto, ou seja, a administração interna diz respeito àqueles que estão
espiritualmente no pacto, e a administração externa consistia em todos que,
externamente participaram do sacramento, mas não necessariamente eram
regenerados, uma vez que isso incluiu seus bebês. Eles viam uma natureza
mista no povo do pacto.
Por outro lado, na Confissão Batista de 1689 o Pacto da Redenção se
torna o padrão para o Pacto da Graça, o que quer dizer que os membros do
Pacto da Graça são aqueles a quem Cristo traz a Si mesmo, são aqueles que o
Pai Lhe prometeu e comissionou para ir e conquistar através de Sua vida e
morte, e atrair para Si através do Espírito Santo — ou seja, os eleitos. E a
manifestação prescrita nas Escrituras para identificarmos quem está na
aliança é a resposta que esses dão ao Evangelho. Cristo ordenou Seus
discípulos a fazerem discípulos de todas as nações e batizá-los em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, e os candidatos ao batismo são aqueles que
respondem ao Evangelho com arrependimento e fé. Esse ponto está de acordo
com a natureza da Nova Aliança e o exemplo dos apóstolos por todo o Novo
Testamento (Mateus 28:18-10; Atos 2:41).[306] Paul Washer afirma
corretamente que “a verdadeira igreja é composta somente daqueles que
foram regenerados, se arrependem e creem, que estão sendo conformados à
imagem de Cristo. Essa é a principal diferença entre a Antiga e a Nova
Aliança, e devemos manter e proclamá-la”.[307]
Portanto, os batistas entenderam que somente aqueles que demonstram
arrependimento e fé em Cristo devem ser batizados conforme as instruções do
Novo Testamento. Como já vimos, os batistas entenderam que a entrada na
Antiga Aliança também se dava por meio de geração natural e da circuncisão
da carne ao oitavo dia, ao passo que a entrada na Nova Aliança ocorre pelo
novo nascimento e por meio de geração espiritual, ou seja, a circuncisão do
coração, a regeneração. Sendo assim, o batismo deve ser aplicado somente
àquele que fizer uma profissão de fé crível no Evangelho. Renihan conclui:
A única forma prescrita nas Escrituras para avaliar se alguém está na
aliança é uma profissão de fé. Após a profissão de fé, o batismo é
administrado. Esse é precisamente o padrão que vemos no Novo
Testamento: o batismo acontece após uma profissão de fé.[308]
A Confissão de 1689 entende que os membros do Pacto da Graça são
os eleitos, ou seja, os regenerados. Logo esses são o povo do reino, os que
têm direito de participar das ordenanças do reino, a saber, o batismo e a ceia.
A Nova Aliança é feita entre Cristo e os eleitos, então apenas aqueles que
demonstram arrependimento e fé, os frutos da regeneração que todos os
eleitos terão, são as pessoas que devem ser batizadas. Alguém poderia
questionar sobre as falsas conversões, os falsos crentes que acabam entrando
na membresia das igrejas. Samuel Renihan responde:
Não, eu não estou dizendo que os batistas reformados podem saber
quem são os eleitos, porque nós devemos lidar com os homens
através de profissões, através dos frutos que eles produzem e de
nossas perspectivas falíveis. Faremos o possível para batizar aqueles
que professam a fé e o arrependimento. E se alguém o faz falsamente,
com um coração descrente e sem arrependimento, o castigo recairá
sobre sua cabeça por ter feito uma profissão falsa. Por exemplo, se eu
vou para um país e obtenho ilegalmente a cidadania daquele país,
quando for descoberto que eu sou um cidadão ilegal, eu serei tratado
como um cidadão ilegal. Alguém me dirá: “Você nunca foi cidadão
do nosso país” e então eu serei considerado culpado disso. Eles não
vão apenas me mandar embora. Eu serei punido naquele país por ter
violado suas leis. Da mesma forma quando alguém vem à igreja,
professa falsamente uma fé e um arrependimento que não possui e é
batizado, um julgamento recai sobre ele. Existe um real julgamento
para isso. Entretanto, nós, como ministros, como detentores das
chaves do reino, devemos lidar com os homens através das confissões
que eles fazem.[309]
Portanto, não é porque há cidadãos ilegais nos países que se deve
incentivar tal prática, pelo contrário, ela deve ser evitada.

3.4. O modelo pedobatistas utiliza o Antigo Testamento para


compreender o Novo. O modelo credobatista utiliza o Novo Testamento
para compreender o Antigo.
Outro ponto de divergência é que o modelo pedobatista acaba, de certo
modo, usando o Antigo Testamento para interpretar o Novo em relação à
questão do batismo. Notemos o que o renomado pedobatista B.B. Warfield
argumentou em favor do batismo infantil:
É verdade que não existe nenhum comando expresso para batizar
bebês no Novo Testamento, não há registro expresso do batismo de
bebês, e não há quaisquer passagens que impliquem rigorosamente
que devemos inferir a partir delas que bebês foram batizados. Se tal
fundamento for necessário para justificar a prática, nós deveríamos
deixá-la completamente injustificada. Mas a falta desse comando
expresso está muito longe que proibir o rito; e se a continuidade da
igreja através de todas as eras passadas for considerada e consultada,
será visto que o mandamento para o batismo infantil não deve ser
procurado no Novo Testamento, mas no Antigo Testamento, quando
a igreja foi instituída, e nada menos do que uma real proibição dele
no Novo Testamento implicaria em um comando para abandonarmos
o batismo de bebês agora.[310]
Warfield admite que não há prescrição para o batismo infantil no Novo
Testamento e defende que é necessário encontrá-la no Antigo Testamento.[311]
Os batistas discordariam da conclusão de Warfield, pois entenderiam que
precisamos olhar para o Novo Testamento para entender a prática correta
dessa ordenança. O batista do século XVII, Nehemiah Coxe, explicou que “o
melhor intérprete do Antigo Testamento é o Espírito Santo falando por meio
do Novo Testamento”,[312] e os batistas reformados defenderam o princípio
interpretativo da prioridade do Novo Testamento, como Tom Hicks explica:
O princípio interpretativo da prioridade do Novo Testamento é
derivado de um exame das próprias Escrituras. Ao lermos a Bíblia,
percebemos que textos anteriores nunca interpretam explicitamente
textos posteriores. Os textos anteriores fornecem o contexto
interpretativo para textos posteriores, mas textos anteriores nunca
citam textos posteriores e os explicam diretamente. Em vez disso, o
que encontramos é que textos posteriores fazem referência explícita a
textos anteriores e fornecem explicações sobre eles. Além disso, a
parte posterior de qualquer livro sempre deixa clara a parte anterior.
Quando você começa a ler um romance, por exemplo, você ainda está
conhecendo as personagens, a configuração, o contexto etc., mas,
mais tarde, à medida que a história avança, as coisas que aconteceram
no início do livro fazem mais sentido e tomam um novo significado.
Mistérios são resolvidos. As conversas anteriores entre personagens
ganham novo significado à medida que o romance se desenrola.
Partes posteriores da estória têm o principal poder explicativo sobre
as partes anteriores.[313]
Micah Renihan e Samuel Renihan explicam que: “se seguirmos
Warfield e olharmos para o Antigo Testamento como a base para o modo
como devemos administrar o batismo, nós violaremos este princípio
fundamental da hermenêutica”.[314] Tom Hicks comenta que, com essa
compreensão, os pedobatistas entendem que o texto de Gênesis 17:7 diz
respeito ao Pacto da Graça feito com Abraão e todos aqueles que são seus
filhos físicos. Essa percepção os leva ao batismo de infantes no Novo
Testamento e a igrejas com uma membresia intencionalmente mista composta
por crentes e incrédulos.[315] Hicks prossegue:
Se, no entanto, permitirmos que o Novo Testamento interprete
Gênesis 17:7, então evitaremos o erro cometido pelo
dispensacionalismo e pelo pedobatismo. Gálatas 3:16 diz: “Ora, as
promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às
descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua
descendência, que é Cristo”. Note que Gálatas 3:16 nega
explicitamente uma descendência plural. A promessa é apenas para
um filho e não para muitos. “Não diz: E às descendências” (Gálatas
3:16). Portanto, à luz do ensinamento claro do Novo Testamento,
devemos concluir que tanto dispensacionalistas como pedobatistas
interpretam mal o Antigo Testamento porque não conseguem permitir
que o Novo Testamento tenha prioridade de interpretação. Ambos os
sistemas concluem que a promessa à semente de Abraão é uma
promessa aos descendentes físicos, e não a Cristo. Esse erro leva os
pedobatistas a enfatizarem excessivamente uma igreja visível
propagada por uma geração natural com sua leitura das Escrituras e
leva os dispensacionalistas a enfatizarem excessivamente Israel,
quando o Novo Testamento claramente nos ensina a enfatizarmos
Cristo. A promessa da “descendência” é uma promessa a Cristo, não
aos homens. Essa não é uma negação de qualquer aspecto coletivo em
relação à descendência; em vez disso, reconhece que a descendência é
Cristo e que, pela união salvífica com Ele, os eleitos também são
descendência nEle (Gálatas 3:7, 14, 29). Assim, todas as promessas
feitas a Abraão em Gênesis 17:7 foram feitas a Cristo e a todos os que
estão unidos salvificamente a Ele, judeus e gentios. A promessa é,
portanto, centrada em Cristo, não centrada no homem, como os
batistas históricos sempre ensinaram.[316]
Hicks explica que, se observarmos o que o texto do Novo Testamento
explica sobre a profecia do Antigo, e não vice-versa, encontramos a maneira
adequada de entender o texto — neste caso, que o descendente de Abraão por
meio de quem todas as nações da terra seriam abençoadas é Cristo, e aqueles
que estão em Cristo são os que herdam as promessas feitas a Abraão (Gálatas
3:29).
Uma vez que os pedobatistas não viam diferença substancial entre a
Antiga e a Nova Aliança, apenas diferentes administrações, eles entenderam
que os seus descendentes naturais estavam incluídos no pacto da mesma
maneira que ocorria na Antiga Aliança. Sendo assim, Denault reitera que eles
compreenderam que “a igreja normal inclui, como parte da instituição,
professos que podem ser regenerados e não regenerados, bem como os
descendentes naturais dessas pessoas”.[317]
Samuel Renihan explica que os batistas entenderam que existe uma
dificuldade ao incluir os filhos dos crentes nessa aliança. Eles levantaram
questões como: Qual é a natureza dessa união pactual, entre os não
regenerados e Jesus Cristo? Qual é a natureza da união federal deles com
Jesus Cristo? Uma vez que ou alguém está ligado a Cristo ou a Adão como
cabeça federal, não há como misturar as membresias. Os batistas entenderam
que não há possibilidade de se estar em ambos os cabeças federais ao mesmo
tempo, ou seja, alguém que não é regenerado e faz parte da “administração do
Pacto da Graça” está sobre a representatividade de Adão, porque ele está
carregando a maldição do pecado. Como, porém, ele pode estar nessa
condição e, ao mesmo tempo, sob o Pacto da Graça, sob a representatividade
de Cristo? Os batistas entenderam que, nesse ponto, há uma inconsistência na
teologia pactual pedobatista e que não há uma clareza obre à união pactual
com Jesus Cristo de alguém que não tenha sido regenerado, uma vez que a
Bíblia diz, em Romanos 9:8b: “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo,
esse tal não é dele”.[318]

3.5. Os pedobatistas sustentaram o modelo de um pacto da graça


sob duas administrações, os credobatistas entenderam a diferença
substancial entre Antiga e Nova Aliança.
Fundamentados em passagens bíblicas como Gálatas 4:24-31, Hebreus
8, Jeremias 31 etc., os batistas discordaram do entendimento pedobatista de
um pacto sob duas administrações, por entenderem que ela contradiz a
terminologia bíblica que fala claramente de duas alianças. Como notamos na
alegoria mencionada por Paulo sobre as duas mulheres relacionadas a Abraão
e as alianças que elas representavam, a primeira aliança representada por
Agar, e a outra, representada por Sara. A aliança representada por Agar diz
respeito à aliança do Sinai, da qual Moisés é o mediador, e a aliança
representada por Sara, que gera os filhos da promessa como Isaque, diz
respeito à Nova Aliança, estabelecida no sangue de Cristo Jesus, o supremo
Mediador.
Portanto, os batistas entendem que a Escritura as trata como duas
alianças diferentes, não simplesmente como administrações da mesma
aliança, e por isso tiveram problemas com a terminologia pedobatista. Os
pedobatistas tentam conciliar as alianças históricas da Bíblia e as entendem
como co-substanciais, administrações do mesmo Pacto da Graça, enquanto os
batistas reconheceram que existem diferenças significativas e substanciais
entre essas alianças e que existe uma progressão histórica de uma à outra.
Pascal Denault resume:
Ter Deus de acordo com os termos definidos pela Antiga Aliança era
condicionado à obediência de Israel. Sob a Nova Aliança, Deus
também prometeu ser o Deus de seu povo, e que esse será: “[...]
geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa” (1 Pedro 2:9), mas,
ao contrário da Antiga Aliança, sob a Nova Aliança essa promessa é
incondicional: “eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. [...]
porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos
seus pecados” (Jeremias 31:33-34). Ser povo de Deus, sob a Nova
Aliança, é ter garantido o perdão de pecados obtido pelo mediador
dessa aliança; é por isso que Cristo é apresentado como o único fiador
(Hebreus 7:22). Ser o povo de Deus, sob a Antiga Aliança, estava
condicionado à obediência desse povo. Além disso, ter o Senhor
como Deus na Antiga Aliança não garantia as mesmas bênçãos da
Nova Aliança: a primeira garantia bênçãos terrenas, a segunda,
bênçãos celestiais: a vida eterna.[319]
Os batistas, como já consideramos, abordam a teologia pactual
compreendendo que o Pacto da Graça foi prometido no Antigo Testamento,
mas não formalmente consumado até a Nova Aliança em Cristo, logo eles
igualaram o Pacto da Graça com a Nova Aliança. A Nova Aliança é o Pacto
que foi progressivamente revelado através de etapas sucessivas desde Gênesis
3:15 até sua consumação na Nova Aliança em Cristo. O Pacto da Graça não
foi concluído antes da morte e ressurreição de Cristo; as alianças formais que
precederam esse evento tiveram uma essência diferente e foram, portanto,
abolidas e substituídas pela Nova Aliança. Johnson afirma:
A teologia pactual pedobatista conduz ao batismo infantil porque
falha em manter a Antiga e a Nova Aliança separadas. Por causa
disso, eles [pedobatistas] combinam os aspectos físicos e exteriores
da nação de Israel com o reino espiritual de Deus — a igreja. Ao
mesclar essas duas alianças, eles misturam a circuncisão infantil — o
sinal de ter nascido em uma nação física, com o batismo nas águas: o
sinal de ter nascido em uma nação espiritual. Considerar o pacto
mosaico como uma manifestação do Pacto da Graça é uma peça
importante do quebra-cabeças da teologia pactual pedobatista, mas é
também a sua falha fatal.[320]
Pascal Denault afirma que no modelo batista, há tanto continuidade
quanto descontinuidade na distinção revelado/concluído do Pacto da Graça:
Existe uma continuidade, porque o Pacto da Graça foi revelado a
partir de Gênesis 3: 15 até sua completa revelação no Novo
Testamento, mas há também descontinuidade, porque o Pacto da
Graça não foi concluído antes da morte e ressurreição de Cristo; as
alianças formais que precederam esse evento tiveram uma substância
diferente e foram, portanto, abolidas e substituídas pela Nova
Aliança.[321]
Concordamos com a conclusão de Samuel Renihan:
Concluindo, tudo começa e termina com Jesus Cristo. Devemos ser
fiéis ao Seu Pacto e às Suas ordenanças. Os batistas creem que as
Escrituras ensinam que o Pacto de Cristo perdoa os pecados de todos
os seus membros, que as falsas ovelhas são simplesmente falsas
ovelhas e que o batismo é um símbolo das realidades objetivas da
Nova Aliança e da participação dos crentes nela. Sabendo que todos
aqueles que invocam o nome do Senhor serão salvos, esforcemo-nos
juntamente com nossos irmãos pedobatistas, quaisquer que sejam
nossas diferenças nesse ponto, para proclamar esse precioso nome ao
mundo.[322]
Sendo assim, notamos as semelhanças e diferenças entre credobatistas e
pedobatistas em relação à teologia pactual. Vimos que seu entendimento
difere principalmente em relação ao Pacto da Graça e a compreensão da
diferença substancial entre a Antiga e a Nova Aliança. Isso redundou em um
entendimento diferente sobre a membresia no Pacto da Graça e
consequentemente, a quem o batismo deve ser administrado. Para os
pedobatistas, os crentes e seus bebês devem ser batizados, e para os
credobatistas somente aqueles que professam fé em Cristo devem participar
dessa ordenança. Entretanto, apesar de suas diferenças, ambos são irmãos e
devem cooperar em prol da propagação do Evangelho de Jesus Cristo.

CONCLUSÃO
Após essa breve comparação entre o modelo credobatista e pedobatista
de teologia pactual, destacamos os seguintes pontos:
1) Existem muito mais semelhanças do que diferenças entre
Westminster e Londres, e isso deve ser levado em conta para a promoção de
nossa unidade como irmãos em Cristo.
2) Os pedobatistas entendem que o Pacto da Graça existe sob várias
administrações e que a Nova Aliança é mais uma administração do Pacto da
Graça; logo, eles entendem que não há diferença substancial entre a Antiga e
a Nova Aliança.
3) Os credobatista entendem que o Pacto da Graça foi revelado em
Gênesis 3:15 como uma promessa, mas estabelecido somente na Nova
Aliança.
4) Os batistas compreendem a diferença substancial entre a Antiga e a
Nova Aliança.
5) Os pedobatistas assemelham a entrada no Pacto da Graça à
circuncisão física no nascimento e, portanto, entendem que seus filhos recém-
nascidos devem ser batizados e que fazem parte do Pacto da Graça.
6) Os batistas entendem que a entrada na Nova Aliança se dá pela
circuncisão do coração. A regeneração é o correto antítipo da circuncisão,
portanto, somente os regenerados estão no Pacto da Graça e somente eles
podem participar das ordenanças desse pacto.
7) A diferença entre credobatismo e pedobatismo emerge de uma
compreensão diferente dos pactos divinos.
8) Independente de nossas diferenças, credobatistas e pedobatistas são
irmãos em Cristo e devem trabalhar juntos pela propagação do Evangelho de
Cristo.
Conclusão

Chegamos ao final deste livro. Tivemos aqui um pontapé inicial para os seus
estudos sobre o assunto da teologia pactual batista. Se algo não ficou tão
claro ou se ainda restam muitas dúvidas a esse respeito, incentivamos você a
ler os outros materiais indicados e procurar se aprofundar no assunto. Busque
sempre examinar tudo o que foi apresentado à luz das Escrituras, e sempre
retenha o que for bom e bíblico. Destacamos aqui algumas reflexões sobre
nossos estudos:
1) Estudar a teologia bíblica batista pactual nos ajuda a compreender
melhor o enredo das Sagradas Escrituras. Notamos que a Bíblia não é um
emaranhado de histórias desconexas, mas que os sessenta e seis livros da
Bíblia apresentam o plano redentor de Deus para resgatar um povo para a Sua
glória. O Antigo Testamento promete a vinda do Messias, o Novo
Testamento testifica que Ele veio.
2) Conhecer melhor a teologia bíblica nos ajuda a compreender a
relação entre os testamentos e os aspectos de continuidade e descontinuidade.
Entendemos o motivo pelo qual não observamos mais as cerimônias e os
rituais que serviam de sombras e apontavam para Cristo, e podemos
compreender corretamente a relação entre os tipos e os antítipos.
3) Aprendemos um pouco sobre a história dos batistas, que surgem
durante o período da pós-Reforma, mais especificamente dos puritanos
separatistas ingleses, e que os batistas particulares defendiam uma teologia
pactual em suas confissões de fé.
4) O estudo da teologia bíblica nos apresenta uma visão exaltada a
respeito de Cristo como o cordeiro que foi morto desde a fundação do
mundo, que foi prometido desde Gênesis, prefigurado por toda a história,
vindo na plenitude dos tempos em resgate do Seu povo, que cumpriu as
exigências divinas, sacrificou-Se por Sua igreja, ressuscitou, foi exaltado e
reina até que todos os Seus inimigos sejam colocados debaixo de Seus pés.
Ele voltará para a consumação de todas as coisas.
5) Aprendemos que não estamos mais debaixo da maldição da lei, mas,
por amor a Deus buscamos obedecer a Sua lei. Na Nova Aliança, as leis são
gravadas na mente e no coração do povo de Deus, e nós amamos aquele que
nos amou primeiro. O Senhor remove nosso coração de pedra e nos dá um de
carne, sensível a Ele. O Espírito Santo nos regenera, mudando nossas
disposições e nos capacitando a servir a Deus. Portanto, o cristão tem prazer
na lei do Senhor. A lei nos leva até Cristo para a justificação e Cristo nos leva
até a lei para a santificação.
6) Entendemos que o Quarto Mandamento, que versa sobre os seis dias
de trabalho e a santificação de um dia em sete, para descansar de nossos
labores e adorar a Deus, passou, na Nova Aliança, a ocorrer no primeiro dia
da semana, o dia em que Cristo ressuscitou. Guardar o dia do Senhor não
deve ser um peso para o crente, mas um santo repouso, não um dia de total
inatividade, mas de dedicação em obras de adoração, necessidade e
misericórdia. Aproveite para deleitar-se no Senhor, tanto individualmente
quanto junto à igreja do Senhor no culto público, como uma antessala do
descanso eterno (Hebreus 4:9).
7) Compreendemos que ninguém, em toda a história, foi salvo se não
pela graça mediante a fé em Cristo. Reflita sobre a sua condição e, se
perceber que ainda não é um cristão, arrependa-se e creia em Cristo hoje, ore
ao Senhor e clame por salvação. E se você já é um cristão, encontre
encorajamento nessas preciosas verdades e compartilhe esse precioso
Evangelho com os outros.
8) Vimos que os batistas reformados compreenderam a diferença
substancial entre a Antiga e a Nova Aliança, por isso entendem que, na Nova
Aliança, a entrada se dá pelo novo nascimento. Logo, são os participantes
dessa aliança que devem desfrutar de suas ordenanças, o que significa que
somente crentes devem ser batizados.
9) Por fim, aprendemos que existem muito mais semelhanças do que
diferenças entre as confissões reformadas e, que acima das diferenças,
devemos focar em nossa unidade e lutar juntos pela causa do Evangelho.
Assim como Paulo, ao escrever os 11 primeiros capítulos de Romanos,
com muito conteúdo doutrinário, finalizou exaltando a Deus por suas grandes
maravilhas,[323] assim também espero que toda essa exposição doutrinária que
tivemos ao longo deste livro nos leve a adorarmos a Deus diante de Seus
maravilhosos feitos. E assim como Paulo prosseguiu no restante da carta
falando sobre as aplicações práticas à luz dessa preciosa doutrina, do capítulo
12 em diante, também espero que essas preciosas verdades aprendidas aqui
nos levem a uma vida cada vez mais dedicada ao Senhor. Portanto, espero
que esse livro, de alguma forma, aumente seu amor pelo Senhor e pelo
próximo, e que todo o conhecimento venha resultar em piedade. Deus o
abençoe grandemente. Meu desejo para você é o mesmo pelo qual orou o
apóstolo Paulo, em favor dos Filipenses:
E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em
todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que
sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; Cheios
dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de
Deus (Filipenses 1:9-11).

Graça e Paz,
Fernando Angelim
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WHITE, Barrington R. The English Separatist Tradition: From the Marian Martyrs to the Pilgrim
Fathers. Oxford University Press. 1971.

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começou a ser idealizado por volta do início de 2013, por
William e Camila Rebeca, com o propósito principal de publicar
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publicações no dia 2 de dezembro de 2013 (publicação de 4
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[1]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon. 9ª ed. Francisco Morato: O Estandarte de Cristo, 2019. p. 46-47.
[2]JOHNSON, Jeffrey D. A Falha Fatal da Teologia por Trás do Batismo Infantil e o Dicotomismo
Pactual: Continuidade e Descontinuidade dos Pactos de Deus. São Paulo: 1ª ed. O Estandarte de Cristo,
2018. p. 303.
[3]
GRIFFITHS, Phillip D.R. Covenant Theology: A Reformed Baptist Perspective. Eugene, Oregon:
Wipf and Stock, 2016. Edição Kindle. (Tradução própria.)
[4]TEIXEIRA, William. Prefácio. In: DENAULT, Pascal. Os Distintivos da Teologia Pactual Batista:
Uma Comparação entre o Federalismo dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. 1ª
ed. São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2018. p. 29.
[5] PINK, A.W. Divine Covenants, Reformed Church Publications, 2009. Edição do Kindle.
[6]COXE, Nehemiah; OWEN, John. Covenant Theology: from Adam to Christ. ed. Ronald D. Miller,
James M. Renihan, and Francisco Orozco. Palmdale: Reformed Baptist Academic Press, 2005. p. 42.
(Tradução própria.)
[7] SPURGEON, C.H. O Maravilhoso Pacto. O Estandarte de Cristo. Disponível em:
<https://oestandartedecristo.com/2019/03/21/o-maravilhoso-pacto-por-c-h-spurgeon/>. Acesso em: 15
de jan. de 2020.
[8]CAMPOS, Heber C. A Teologia é uma ciência? Voltemos ao Evangelho. São José dos Campos,
2019. Disponível em: <https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/04/a-teologia-e-uma-ciencia/>.
Acesso em: 24 de set. de 2019.
[9]Essa seção foi baseada em: GOLDSWORTHY, Graeme. Introdução à Teologia Bíblica. O
Desenvolvimento do Evangelho em Toda a Escritura. São Paulo: Vida Nova, 2018. p. 32-35.
[10]VOS, Geerhardus. Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos. 1ª ed. São Paulo: Editora Cultura
Cristã. 2010. p. 16.
[11] Ibidem, p. 27.
[12]
HAMILTON JR., James M. O que é Teologia Bíblica?: Um guia para a história, o simbolismo e os
modelos da Bíblia. São José dos Campos: Editora Fiel. 2016. Edição Kindle.
[13]
ROARK, Nick. Teologia Bíblica: como a igreja ensina o evangelho com fidelidade. São Paulo:
Vida Nova, 2018. p. 30.
[14]GOLDSWORTHY, Introdução à Teologia Bíblica. O Desenvolvimento do Evangelho em Toda a
Escritura, p. 33.
[15]OWEN, John. The Works of John Owen. ed. William H. Goold. v. 23. Edinburgh: The Banner of
Truth, 1987. p. 314-315. Apud BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e
Bíblicas. 1ª ed. São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2019. Edição Kindle.
[16]HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – Lucas. 2. ed., v. 2. São Paulo:
Editora Cultura Cristã, 2014. p. 653.
[17]GOLDSWORTHY, Introdução à Teologia Bíblica. O Desenvolvimento do Evangelho em Toda a
Escritura., p. 78.
[18] ROARK, Teologia Bíblica: como a igreja ensina o evangelho com fidelidade, p. 33.
[19]PERMAN, Matt. What Does John Piper Believe About Dispensationalism, Covenant Theology,
and New Covenant Theology? Desiring God, 2006. Disponível em:
<https://www.desiringgod.org/articles/what-does-john-piper-believe-about-dispensationalism-
covenant-theology-and-new-covenant-theology?lang=pt>. Acesso em: 24 de set. de 2019. (Tradução
própria.)
[20]Há divergências entre batistas e pedobatistas no que concerne ao desenvolvimento dessa doutrina.
As diferenças não dizem respeito à essência da teologia pactual, mas à forma como ela está configurada
nas Sagradas Escrituras. Tais divergências serão abordadas mais adiante neste estudo.
[21]WALLACE, D.D., Jr. Federal Theology. In: Encyclopedia of the Reformed faith. Louisville, KY;
Edinburgh: Westminster/John Knox Press; Saint Andrew Press, 1992. p. 136.
[22] GONZÁLEZ, Justo. Breve Dicionário de Teologia. São Paulo: Hagnos, 2009. p. 137.
[23]Esta seção é baseada em: BARCELLOS, Richard. Quatro Princípios da Hermenêutica Clássica. O
Estandarte de Cristo, 2019. Disponível em: <https:
//oestandartedecristo.com/2019/03/22/quatro-principios-da-hermeneutica-classica-richard-barcellos/>.
Acesso em: 26 de set. de 2019.
[24] HICKS, Tom. Hermenêutica: A Prioridade do Novo Testamento. O Estandarte de Cristo, 2017.
Disponível em: <https://oestandartedecristo.com/2017 /07/08/hermeneutica-a-prioridade-do-novo-
testamento-por-tom-hicks/>. Acesso em: 24 de set. de 2019.
[25] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 33. (Tradução própria.)
[26]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 32.
[27] BARCELLOS, Richard. Quatro Princípios da Hermenêutica Clássica.
[28] Ibidem.
[29]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 30.
[30] Ibidem, p. 46.
[31] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 259. (Tradução própria.)
[32]RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual. São Paulo: O Estandarte de
Cristo, 2016. Disponível em: <https://oestandartedecristo.com/https:/oestandartede-cristo/loja/teologia-
biblica-batista-reformada-pactual-por-micah-renihan-e-samuel-renihan/>. Acesso em: 03. de jan. de
2020.
[33] Um indivíduo que representa um grupo. Veja o tópico 1.4. Cabeça Federal, no cap. 4.
[34]SPURGEON, C.H. Devocional – 1 Coríntios 15:45. 1ª Igreja Batista da Lapa, 2017. Disponível em:
<https://1ibl.org.br/palavra-do-dia/devocional-1-corintios-1545/>. Acesso em: 06 de jan. de 2020.
[35]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 47.
[36] Ibidem, p. 47-48.
[37]
SPURGEON, C.H. Cristo no Pacto Eterno, por C. H. Spurgeon. O Estandarte de Cristo. Edição
Kindle.
[38] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 180, 297. (Tradução própria.)
[39]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 48.
[40]Sou grato ao presbítero Pedro Issa pela contribuição na revisão deste capítulo e pelas preciosas
sugestões e indicações de fontes de pesquisa.
[41]CHUTE; Anthony.L.; FINN, Nathan A.; HAYKIN, Michael A.G. The Baptist Story: From English
Sect to Global Movement. Nashville: B&H Academic, 2015, p. 13-14. (Tradução própria.)
[42] Em 1524 Tyndale fugiu do país para publicar uma tradução da Bíblia em inglês e liderar as
atividades do protestantismo inglês do exterior, em 1536 ele foi pego e queimado pelas autoridades
imperiais. (ELTON, G.R. The New Cambridge Modern History. Vol. II. 1520-1559. Cambridge At The
University Press, 1958. p. 227. [Tradução própria.]).
[43]ELTON, G.R. The New Cambridge Modern History. Vol. II. 1520-1559. Cambridge At The
University Press, 1958. p. 226. (Tradução própria.)
[44] Ibidem, p. 228.
[45]Devo partes desta seção ao diálogo e revisão de Pedro Issa. Para informações complementares
sobre história e teologia batista do século XVII, visite seu site: www.rastrodeagua.com.
[46]Em 1539, Henrique VIII impôs os Seis Artigos, com severas punições para os transgressores (“o
açoite sangrento de seis cordas”). Os artigos incluíam a transubstanciação, a comunhão em uma só
espécie, o celibato clerical, votos de castidade para leigos, missas particulares, confissão auricular etc.
[47] ELTON, G.R. The New Cambridge Modern History, p. 238. (Tradução própria.)
[48] Ibidem, p. 241.
[49] Ibidem, p. 245.
[50] Ibidem, p. 246.
[51]
MATOS, Alderi. Confissão de Fé de Westminster. Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew
Jumper, São Paulo-SP, 2019. (Anotações pessoais.)
[52]
LLOYD-JONES, David Martyn. 1ª ed. Os Puritanos: Suas Origens e Seus Sucessores. São Paulo:
PES, 1993. p. 250.
[53]WHITE, Barrington R. The English Separatist Tradition: From the Marian Martyrs to the Pilgrim
Fathers. Oxford University Press. 1971. p. 6. (Tradu-ção própria.)
[54] Ibidem, p. 2.
[55]TRAFFANSTEDT, Chris. Uma Introdução à História dos Batistas. O Estandarte de Cristo, 2019.
Disponível em: <https://oestandartedecristo.com /2019/03/21/uma-introducao-a-historia-dos-batistas-
por-chris-traffanstedt/>. Acesso em: 02 de jan. de 2020.
[56]TORBET, Robert B. A History of the Baptists. Chicago, Los Angeles: Valley Forge the Judson
Press. 1982. p. 33. (Tradução própria.)
[57] Ibidem, p. 34.
[58] Ibidem, p. 35.
[59] Ibidem, p. 37.
[60] Ibidem.
[61] TORBET, Robert B. A History of the Baptists, p. 40. (Tradução própria.)
[62]
UNDERWOOD, A.C. A History of The English Baptists. London: The Baptist Union Publication
Dept. (Kingsgate Press), 1947. (Tradução própria.)
[63] TORBET, A History of the Baptists, p. 43. (Tradução própria.)
[64] Ibidem.
[65]HULSE, Erroll. Como os Batistas se Relacionam com os Puritanos? (Anexo II). In Quem Foram os
Puritanos?… e o que eles ensinaram? 1ª ed. São Paulo: Editora PES, 2004. p. 233.
[66]NETTLES, Thomas J. The Baptists: Key People Involved In Forming A Baptist Identity. Fearn:
Christian Focus Publications, 2005. p. 317. (Tradução própria.)
[67] MARTIN, Albert N. As Implicações Práticas do Calvinismo. Recife: Os Puritanos, 2001.
[68]DENAULT, Pascal. Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: Uma Comparação entre o
Federalismo dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. 1ª ed. São Paulo: O
Estandarte de Cristo, 2018. p. 17.
[69]
Ibidem.
[70]Esta seção foi baseada em: DENAULT, Pascal. Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: Uma
Comparação entre o Federalismo dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. 1ª ed.
São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2018.
[71]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 15.
[72] SPURGEON, C.H. O Maravilhoso Pacto.
[73] TORBET, A History of the Baptists, p. 57. (Tradução própria.)
[74]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 47-48.
[75] Cf. Comentário Bíblico: Vida Nova / D.A.Carson… [et al.] – São Paulo: Vida Nova 2009. p. 1129.
[76]
OWEN, John. The Works of John Owen. v. 23. Edinburgh: The Banner of Truth, 1987. p. 74. Apud
BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[77]
AMES, William. The Marrow of Theology. Durham: The Labyrinth Press, 1983. p. 202. Apud
BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[78] Romanos 11:33-36.
[79]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 45.
[80] Ibidem, p. 47.
[81] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[82] Ibidem.
[83] Ibidem.
[84] Ibidem.
[85] Ibidem.
[86]
OWEN, John. A Doutrina da Trindade: Provada pela Bíblia. São Paulo: O Estandarte de Cristo,
2019. p. 9.
[87]

[88] Conferir definição de pacto/alianças nas páginas 32 e 33.


[89]SPILSBERY, John. A Treatise Concerning the Lawful Subsect of Baptism. 2ª ed. Londres: Henry
Hills, 2015. p. 26 apud DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 170.
[90]
RENIHAN, Samuel. Reinos y Pactos. Curso de la teología del pacto. Seminario William Carey:
Córdoba, Argentina, 2014. p. 7. (Tradução própria.)
[91] BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[92]Do latim lapsus: queda, refere-se à queda do homem em pecado. Pré-lapsariano = antes da queda,
pós-lapsariano = após a queda.
[93] JOHNSON, Jeffrey D. A Confissão de 1689 e a Teologia Pactual. O Estandarte de Cristo, 2019.
Disponível em: <https://oestandartedecristo.com/2019 /03/22/a-confissao-de-1689-e-a-teologia-pactual-
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[94]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 75.
[95] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 43-44. (Tradução própria.)
[96] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 62.
[97] RENIHAN, Samuel. Reinos y Pactos, p. 16. (Tradução própria.)
[98] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 45. (Tradução própria.)
[99] KLINE, Meredith, G. Kingdom Prologue: Genesis Foundations for a Covenantal Worldview.
Overland Park: Two Age Press, 2000, p. 14. Apud RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica
Reformada Batista Pactual.
[100] OSWALT, John. Isaías. Vol. 1. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011. p. 541.
[101] BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[102]
WARFIELD, B.B. Hosea VI.7: Adam or Man. In: MACHEN, J. G. Selected Shorter Writings:
Benjamin B. Warfield. Editor: John E. Meeter. Phillipsburg: P&R Publishing, 2001. p. 128. Apud
RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[103] BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[104]DENAULT, Os Três Pactos de Deus, São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2017. p. 6. Disponível
em: <https://oestandartedecristo.com/https:/oestandartedecristo /loja/os-tres-pactos-de-deus-pacto-de-
obras-pacto-da-graca-e-pacto-da-redencao-por-pascal-denault/>. Acesso em: 13 de out. de 2019.
[105] BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[106] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 281. (Tradução própria.)
[107]
A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 45.
[108] BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[109]COXE & OWEN. Covenant Theology: from Adam to Christ, from Adam to Christ, p. 47-48.
(Tradução própria.)
[110]
JOHNSON, Jeffrey D. The Kingdom of God: A Baptist Expression of Covenant Theology.
Conway: Free Grace Press, 2016. Edição Kindle.
[111] DENAULT, Os Três Pactos de Deus, p. 6.
[112] BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[113] SPURGEON, C.H. Devocional Diário de 26 de dezembro. Voltemos ao Evangelho, 2016.
Disponível em: <https://voltemosaoevangelho.com/blog /2016/12/26-de-dezembro-devocional-diario-
charles-spurgeon/>. Acesso em: 09 de out. de 2019.
[114] BARCELLOS, Richard. O Pacto de Obras: Suas Bases Confessionais e Bíblicas.
[115] DENAULT, Os Três Pactos de Deus, p. 8.
[116]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 47.
[117]RENIHAN, Mike. O Pacto da Graça. São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2014. Disponível em:
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Acesso em: 15 de out. de 2019.
[118]The Doctrine of the Law and Grace Unfolded, The Works of John Bunyan, Carlisle, Banner of
Truth Trust, 1991, Vol. 1. p. 540s. In DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 102.
(Nota de rodapé.)
[119] DENAULT, Os Três Pactos de Deus, p. 62.
[120]JOHNSON, Jeffrey D. The Kingdom of God: A Baptist Expression of Covenant Theology.
(Tradução própria.)
[121] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 185. (Tradução própria.)
[122] SPURGEON, C.H. O Trono da Graça. Disponível em:
<https://oestandartedecristo.com/https:/oestandartedecristo/loja/sermao-no-1024-o-trono-da-graca-por-
c-h-spurgeon/>. Acesso em 07 de jan. de 2020.
[123] CALVINO, João. Romanos. São José dos Campos: Editora Fiel, 2013. p. 155.
[124] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[125]VOS, Geerhardus. Redemptive History and Biblical Interpretation. Phillipsburg, NJ: P&R, 2001.
p. 199. Apud RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[126]
BAVINCK, Herman, Reformed Dogmatics. Vol. III (Grand Rapids: Baker, 2006). p. 215-16. Apud
RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[127]
GILL, John. Body of Divinity, 1769. p. 348. Apud GRIFFITHS, Phillip D.R. Covenant Theology:
A Reformed Baptist Perspective. (Tradução própria.)
[128]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 51.
[129] GRIFFITHS, Covenant Theology: A Reformed Baptist Perspective. (Tradução própria.)
[130] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 180. (Tradução própria.)
[131] PINK, A.W. As Alianças Divinas: De Redenção e de Obras. Edição Kindle.
[132]DORN, Douglas Van. Covenant Theology a Reformed Baptist Primer. Colorado: Waters of
Creation Publishing, 2014. p. 48. (Tradução própria.)
[133] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 182-183. (Tradução própria.)
[134] Ibidem.
[135]
DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 164.
[136] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 72-73. (Tradução própria.)
[137] Ibidem.
[138]WASHER, Paul. O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão. São José dos Campos:
Editora Fiel, 2014. p. 142.
[139] SPURGEON, C.H. Aliança. Disponível em: <http://www.monergismo.
com/textos/chspurgeon/alianca_spurgeon.htm>. Acesso em 07 de jan. de 2020.
[140] PINK, A.W. O Pacto com Davi: Uma resposta à literalidade dos milenaristas. Edição do Kindle.
[141] KEACH, Benjamin. Cristo: O Nosso Fiador no Pacto da Graça. Disponível em:
<https://oestandartedecristo.com/2020/01/15/cristo-o-nosso-fiador-no-pacto-da-graca-poor-benjamin-
keach/>. Acesso em 07 de fev. de 2020.
[142] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[143] SPURGEON, C.H. Aliança.
[144]
WASHER, O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão, p. 142.
[145] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 123.
[146] Ibidem.
[147]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 47.
[148] SPURGEON, C.H. O Maravilhoso Pacto.
[149]SPROUL, R.C. What Is the Covenant of Redemption? Ligonier Ministries, 2018. Disponível em:
<https://www.ligonier.org/blog/what-covenant-redemption/>. Acesso em: 05 de mar. de 2019.
(Tradução própria.)
[150] PINK, A.W. Divine Covenants, Reformed Church Publications.
[151] PINK, A.W. As Alianças Divinas: De Redenção e de Obras.
[152]
SPROUL, R.C. Somos Todos Teólogos: Uma Introdução à Teologia Sistemática. São José dos
Campos: Editora Fiel, 2017. p. 183.
[153]GIBSON, David.; GIBSON, Jonathan. Do Céu Cristo Veio Buscá-la. A Expiação Definida na
Perspectiva Histórica, Bíblica, Teológica e Pastoral. São José dos Campos: Editora Fiel, 2018. p. 256.
[154] DENAULT, Os Três Pactos de Deus, p. 13.
[155]MARBLE, Gary. Um Comentário da Confissão de Fé Batista de 1689 – Capítulo 7, A Aliança de
Deus. São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2015. Disponível em:
https://oestandartedecristo.com/2019/03/21/um-comentario-da-confissao-de-fe-batista-de-1689-por-
gary-marble-capitulo-7-sobre-a-alianca-de-deus/>. Acesso em: 02 mar. 2020.
[156]
SHEDD, William G.T. Dogmatic Theology II. Nova York: Windham Press, 2013. p. 360 apud
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 4ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 265.
[157]WALDRON, Samuel. A Modern Exposition of the 1689 Baptist Confession of Faith. 5 ed.
Darlington: EP Books, 2016. p. 131.
[158] SPURGEON, C.H. Spurgeon’s Verse Expositions of the Bible – 2 Timothy 1. Study Light, 2011.
Disponível em: <https://www.studylight.org/commentaries/spe/2-timothy-1.html>. Acesso em: 14 de
jan. de 2020.
[159]
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – 1 e 2 Timóteo e Tito. C. A. B.
Marra (Org.). 2ª ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011. p. 287.
[160]
BAVINCK, Herman. Reformed Dogmatics. v. 3. Grand Rapids: Baker, 2006. p. 405. Apud
RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[161] DENAULT, Os Três Pactos de Deus, p. 14.
[162] FOULKES, Francis. Efésios – Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida
Nova, 2011. p. 41.
[163]
Dagg utiliza uma nomenclatura diferente para referir-se ao mesmo assunto. Ele chama de “Pacto
da Graça” o que chamamos de “Pacto da Redenção” e o que chamamos de “Pacto da Graça”, Dagg
chama de "Nova Aliança". Portanto, diz a mesma coisa com outros termos. Conforme: DAGG, John L.
Manual de Teologia. 3ª ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2003. p. 214.
[164]KISTEMAKER, S. J. Comentário do Novo Testamento – Epístolas de Pedro e Judas. São Paulo:
Editora Cultura Cristã, 2006. p. 93.
[165]KISTEMAKER, S.J. Comentário do Novo Testamento – Apocalipse. 2ª ed. São Paulo: Editora
Cultura Cristã, 2014. p. 499.
[166] DENAULT, Os Três Pactos de Deus, p. 14.
[167]
PINK, A.W. As Alianças Divinas: De Redenção e de Obras.
[168]
DAGG, John L. Manual de Teologia. 3ª ed. São José dos Campos: Editora Fiel. São José dos
Campos, 2003. p. 204.
[169]Louis Berkhof complementa, afirmando que “a Escritura indica claramente o fato de que o plano
da redenção estava incluído no decreto ou conselho eterno de Deus, Efésios 1:4ss, 3.11; 2
Tessalonicenses 2:13; 2 Timóteo 1:9; Tiago 2:5; 1 Pedro 1:2 etc. Pois bem, vemos que, na economia da
redenção, em certo sentido, há uma divisão de trabalho: o Pai é originador; o Filho, o executor, e o
Espírito Santo, o aplicador. Isto só pode ser resultado de um acordo voluntário entre as pessoas da
Trindade, de sorte que as suas relações internas assumem a forma de uma vida pactual”: In BERKHOF,
Louis. Teologia Sistemática. 4ª ed. (Revisada). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 247-248.
[170] DENAULT, Os Três Pactos de Deus, p. 14.
[171]Esta seção, destacando a obra de cada pessoa da Trindade na estrutura do Pacto da Redenção, foi
baseada na Teologia Sistemática de Wayne Grudem (GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São
Paulo: Vida Nova, 1999. p. 248.) e no artigo Os Três Pactos de Deus, por Pascal Denault (DENAULT,
Os Três Pactos de Deus)
[172] SPROUL, Somos Todos Teólogos, p. 184.
[173] PINK, A.W. As Alianças Divinas: De Redenção e de Obras.
[174] SPROUL, Somos Todos Teólogos, p. 184-185.
[175] WALDRON, A Modern Exposition of the 1689 Baptist Confession of Faith, p. 131.
[176]RENIHAN, Samuel. From Shadow to Substance: The Federal Theology of the English Particular
Baptists (1642-1704). Macon: Centre for Baptist History and Heritage, 2018. p. 236.
[177] Ibidem, p. 238.
[178] HICKS, Tom. Teologia Pactual: A Lei, a Justificação e a Santificação. Dis-ponível em: <
https://oestandartedecristo.com/2020/01/04/teologia-pactual-a-lei-a-justificacao-e-a-santificacao-
%E2%94%82-por-tom-hicks/>. Acesso em 07 de jan. de 2020.
[179] CALVINO, João. Evangelho Segundo João. Vol. 1. São José dos Campos: Editora Fiel, 2015. p.
273.
[180] HICKS, Tom. Teologia Pactual: A Lei, a Justificação e a Santificação.
[181] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[182]
GRIFFITHS, Phillip D.R. Covenant Theology: A Reformed Baptist Perspective. (Tradução
própria.)
[183]SPURGEON, C.H. Cristo no Pacto Eterno. São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2016. Edição
Kindle.
[184] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 143.
[185] Ibidem, p. 144.
[186]
VOS, Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, p. 41-42.
[187]
EDWARDS, Jonathan. Works of President Edwards. University of Michigan Library, 1965. Apud
GRIFFITHS, Phillip D.R. Covenant Theology: A Reformed Baptist Perspective (Tradução própria.)
[188] RENIHAN, Samuel. Reformed Baptist Covenant Theology. Disponível em:
<https://founders.org/2017/04/13/particular-baptist-covenant-theology />. Acesso em: 07 de jan. de
2020.
[189]SPILSBERY, John. A Treatise Concerning the Lawful Subsect of Baptism. 2ª ed. Londres: Henry
Hills, 2015. p. 6. Apud DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 168.
[190] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 164.
[191] WASHER, Paul. O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão, p. 152-153.
[192] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 171.
[193] Ibidem, p. 180.
[194] JOHNSON, A Falha Fatal da Teologia por Trás do Batismo Infantil e o Dicotomismo Pactual, p.
219.
[195]OWEN, John. An Exposition of the Epistle to the Hebrews, v. 1. Sydney: Wentworth Press, 2019.
p. 122. Apud DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 181.
[196] JOHNSON, A Falha Fatal da Teologia por Trás do Batismo Infantil e o Dicotomismo Pactual, p.
215.
[197] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 189-190.

[198]Benjamin Keach, The Display of Glorious Grace. p. 15. Apud DENAULT, Os Distintivos da
Teologia Pactual Batista, p. 187.
[199] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 188.
[200]John Owen, An Exposition of Hebrews 8:6-13, p. 197-8. Apud DENAULT, Os Distintivos da
Teologia Pactual Batista, p. 190.
[201]
RENIHAN, From Shadow to Substance: The Federal Theology of the English Particular Baptists
(1642-1704). p. 195-196. (Tradução própria.)
[202] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 173-174. (Tradução própria.)
[203]OLYOTT, Stuart. A Carta aos Hebreus Bem Explicadinha. São Paulo: Editora Cultura Cristã,
2012. p. 74.
[204]SPURGEON, C.H. Aliança.
[205] WASHER, O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão, p. 198-199.
[206]JOHNSON, The Kingdom of God: A Baptist Expression of Covenant Theology. (Tradução
própria.)
[207] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[208] WASHER, O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão, p. 145.
[209] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[210]MALONE, Fred. Um Cordão de Pérolas Soltas. Uma Jornada Teológica no Batismo de Crentes.
Disponível em: <https://oestandartedecristo.com /2015/08/06/um-cordao-de-perolas-soltas-uma-
jornada-teologica-no-batis-mo-de-crentes-por-fred-a-malone/>. Acesso em 07 de jan. de 2020.
[211] JOHNSON, Falha Fatal da Teologia por Trás do Batismo Infantil e o Dicotomismo Pactual, p.
235.
[212]JOHNSON, The Kingdom of God: A Baptist Expression of Covenant Theology. (Tradução
própria.)
[213]WALDRON, A Modern Exposition of the 1689 Baptist Confession of Faith, p. 279. (Tradução
própria.)
[214]
COLLINS, B. Lei de Deus. In: ELLIS, B.; WARD, M. & PARKS, J. (Orgs.). Sumário de Teologia
Lexham. Bellingham: Lexham Press, 2018. (Tradução própria.)
[215]BAVINCK, Herman. Dogmática Reformada: Prolegômenos. Vol. 1. São Paulo: 1ª ed. Cultura
Cristã, 2012. p. 116.
[216] PINK, A.W. Os Dez Mandamentos. Edições Calcedônia, 2015. Edição do Kindle
[217] JOHNSON, A Falha Fatal da Teologia por Trás do Batismo Infantil e o Dicotomismo Pactual, p.
362.
[218]
WALDRON, Samuel. The Lord’s Day: Its Presuppositions, Proofs, Precedents, and Practice.
Chapel Library. Edição Kindle. (Tradução própria.)
[219]BARCELLOS, Richard. Como Os ‘usos da lei… harmoniosamente condizem com… a graça do
Evangelho’ (CFB1689 19.7). Disponível em: <https://oestandartedecristo.com/2019/03/21/como-os-
usos-da-lei-harmoniosamente-condizem-com-a-graca-do-evangelho-cfb1689-19-7-por-richard-
barcellos/>. Acesso em 16 de jan. de 2020.
[220]
CALVINO, João. As Institutas. Edição Clássica. Vol. 2. 2ª ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã,
2006. p. 129.
[221]Baseado em DIXHOORN, Chad Van. Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster. São
Paulo: Editora Cultura Cristã, 2017. p. 253.
[222]
A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 154-155.
[223]SPURGEON, C.H. A Perpetuidade da Lei de Deus. Projeto Spurgeon (Sermão pregado no
Domingo, 21 de maio de 1882 - Nº 1660), [s. d.]. Disponível em:
<http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2013/06/
ebook_perpetuidade_lei_deus_spurgeon.pdf>. Acesso em 07 de fev. de 2020.
[224] DIXHOORN, Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster, p. 256.
[225] KEACH, Benjamin. Cristo: O Nosso Fiador no Pacto da Graça.
[226]HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – Mateus. 2ª ed. Vol. 1. São Paulo:
Editora Cultura Cristã, 2010. p. 361.
[227] SPURGEON, C.H. A Perpetuidade da Lei de Deus.
[228] SPURGEON, C.H. O Maravilhoso Pacto.
[229]WALDRON, The Lord’s Day: Its Presuppositions, Proofs, Precedents, and Practice. (Tradução
própria.)
[230] WASHER, O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão, p. 146.
[231] PINK, A.W. Os Dez Mandamentos.
[232] KEACH, Benjamin. Cristo: O Nosso Fiador no Pacto da Graça.
[233] SPURGEON, C.H. A Perpetuidade da Lei de Deus.
[234]
BARCELLOS, Richard. Como Os ‘usos da lei… harmoniosamente condizem com… a graça do
Evangelho’ (CFB1689 19.7).
[235] SPURGEON, C.H. A Perpetuidade da Lei de Deus.
[236] Ibidem.
[237]TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2. São Paulo: 1ª ed. Editora Cultura
Cristã, 2010. p. 185.
[238]
JOHNSON, A Falha Fatal da Teologia por Trás do Batismo Infantil e o Dicotomismo Pactual, p.
363-364.
[239] PINK, A.W. Os Dez Mandamentos.
[240] SPURGEON, C.H. A Perpetuidade da Lei de Deus.
[241] DISCIPULADO HEARTY CRY. A Vida Cristã. Lição 14, s.d.
[242] SPURGEON, C.H. A Perpetuidade da Lei de Deus.
[243] VOS, Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, p. 176.
[244]SPURGEON, C.H. Seguindo ao Cristo Ressurreto. Escola Charles Spurgeon. Disponível em:
<http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/files/pdf/ Seguindo_Ao_Cristo_Ressurreto-
Sermao_de_Spurgeon.pdf>. Acesso em: 05 de nov. de 2019.
[245] VOS, G. Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, p. 176-177.
[246] TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2, p. 124.
[247] DIXHOORN, Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster, p. 301.
[248] Ibidem, p. 301.
[249]
NICODEMUS, Augustus. O Senhor do Sábado, 2017. Vídeo (37 min). Publicado pelo canal:
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?
v=HVho123arr0&fbclid=IwAR0JJJ xiCrdRW8vpJ4BKLtY2v2DFWxbUAO_n_SvgwjZGwLDbfdip7-
piPC0>. Acesso em: 06 de nov. de 2019.
[250] HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – Mateus, p. 585.
[251] Ibidem.
[252]HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – João. 2ª ed. São Paulo: Editora
Cultura Cristã, 2014. p. 788.
[253] Ibidem, p. 796.
[254]BUNYAN, John. The Works of John Bunyan, 2 ed. Edinburg: Banner of Truth, 1991. p. 374.
Apud MCNAUGHTON, Ian. Shabbath: O Dia do Senhor Disponível em:
<http://www.monergismo.com/textos/dez_mandamentos /shabbath-dia-Senhor_McNaughton.pdf>
Acesso em 29 de fev. de 2020.
[255] PORTELA, Solano. A Lei de Deus hoje. Recife: Os Puritanos, 2004. p. 88.
[256]KISTEMAKER, S.J. Comentário do Novo Testamento – Atos. 2ª ed. São Paulo: Editora Cultura
Cristã, 2016. p. 285.
[257]BOOR, Werner de. Comentário Esperança. Atos dos Apóstolos. Curitiba: Editora Evangélica
Esperança, 2002. p. 291.
[258] TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2, p. 125.
[259] TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2, p. 126.
[260] GILL, John. Exposição da Bíblia. Disponível em:
<https://www.biblestudytools.com/commentaries/gills-exposition-of-the-bible/1-corinthians-16-
2.html>. Acesso em 30 de jan. de 2020.
[261] KISTEMAKER, S.J. Comentário do Novo Testamento – Atos, p. 729.
[262] KISTEMAKER, S.J. Comentário do Novo Testamento – Apocalipse, p. 128.
[263] GILL, John. Exposição da Bíblia.
[264] TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2, p. 126.
[265] BÍBLIA, Bíblia de Estudo Macarthur, Almeida Revista e Atualizada. Barueri: SBB, 2010. p. 1780.
[266] LADD, George. Apocalipse. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2006. p. 26.
[267] BARCELLOS, Richard C. The Translation of the Phrase “the Lord’s Day”. RBAP, 2016.
Disponível em: <https://www.rbap.net/the-translation-of-the-phrase-the-lords-day/>. Acesso em: 05 de
nov. de 2019. (Tradução própria.)
[268] EDWARDS, Jonathan. A Mudança a Perpetuidade do Sabath. O Estandarte de Cristo, 2015.
Disponível em: <https://oestandartedecristo.com /https:/oestandartedecristo/loja/a-mudanca-a-
perpetuidade-do-sabath-por-jonathan-edwards/>. Acesso em: 14 de nov. de 2019.
[269] TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2., p. 128.
[270] GALLASIUS. In Exodum Commentaria [1560]. p. 195 sobre Êxodo 31). Apud TURRETINI,
Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2., p. 127.
[271] KISTEMAKER, Comentário do Novo Testamento – Atos, p. 288.
[272]NIEDERWIMMER, K; ATTRIDGE, H.W. (ed.). The Didache. A Commentary. Minneapolis:
Fortress Press, 1998. p. 195.
[273] PORTELA, A Lei de Deus Hoje, p. 88.
[274]KASCHEL, W.; ZIMMER, R. In: Dicionário da Bíblia de Almeida. 2 ed. Barueri: Sociedade
Bíblica do Brasil, 1999.
[275] VOS, Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, p. 177.
[276] TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2., p. 127.
[277]OLYOTT, Stuart. O Uso Correto do Dia do Senhor. Ministério Fiel, 2006. Disponível em:
<https://ministeriofiel.com.br/artigos/o-uso-correto-do-dia-do-senhor/>. Acesso em: 05 de nov. de
2019.
[278] SPURGEON, C.H. A Perpetuidade da Lei de Deus.
[279] TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2., p. 129.
[280]ROACH, David; ROBINSON, Jeff. The Lord’s Day must be devoted to worship, Mohler says in
Ten Commandments series. Disponível em: <https://news.sbts.edu/2006/10/05/the-lords-day-must-be-
devoted-to-worship-mohler-says-in-ten-commandments-series/>. Acesso em 07 de fev. de 2020.
(Tradução própria.)
[281]A CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 & Um Catecismo Puritano Compilado por C.H.
Spurgeon, p. 86-87.
[282] PINK, A.W. Os Dez Mandamentos.
[283]
Embora o trabalho também deva ser realizado de maneira que glorifique a Deus (1 Coríntios
10:31).
[284]OWEN, John. Como Observar o Dia do Senhor. O Estandarte de Cristo, 2016. Disponível em:
<https://oestandartedecristo.com/https:/oestandartedecristo/loja/como-observar-o-dia-do-senhor-por-
john-owen/>. Acesso em: 05 de nov. de 2019.
[285] Ibidem.
[286] DIXHOORN, Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster, p. 304.
[287]
RENIHAN, James M. Resolving Problems in Colossians 2:16-17. IBRS Theological Seminary,
Disponível em: https://irbsseminary.org/resolving-problems-colossians-216-17-2/. Acesso em: 19 dez.
2020. (Tradução própria.)
[288] Ibidem.
[289]
PIPA, Joseph A. O Dia Mudado; A Obrigação Não Mudada (Colossenses 2:16,17). Monergismo,
Disponível em: http://www.monergismo.com/tex-tos/dez_mandamentos/dia_mudado.htm. Acesso em:
05 nov. 2019.
[290]MURRAY, J. Romanos: Comentário Bíblico. São José dos Campos, SP: 1ª ed. Editora Fiel, 2016.
p. 749-752.
[291] VOS, Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, p. 177-178.
[292]BARCELLOS, Richard C. Response to Schreiner on the Sabbath: #3. Covenant Baptist
Theological Seminary, Disponível em: https://cbtseminary.org/response-to-schreiner-on-the-sabbath-3/.
Acesso em: 19 dez. 2020. (Tradução própria)
[293] RENIHAN, James M. Resolving Problems in Colossians 2:16-17. (Tradução própria)
[294] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 34.
[295] Não teremos como esgotar o assunto, nem seremos exaustivos em relação a esse debate.
Entretanto, indicaremos alguns livros que podem ajudar o leitor a se aprofundar nessa questão. São
eles: “Os Distintivos da Teologia Batista Pactual”, escrito por Pascal Denault, para um entendimento
mais aprofundado do assunto, recomendo enfaticamente a leitura desse livro. Outro livro chama-se “A
Falha Fatal”, por Jeffrey Johnson, que também traz uma importante contribuição sobre o assunto.
Finalmente, o livro “Teologia Pactual: De Adão a Cristo”, por Nehemiah Coxe e John Owen. Esses
materiais terão muito a contribuir para um bom entendimento sobre o debate do ponto de vista da
teologia batista pactual. A exposição desse capítulo foi baseada em alguns argumentos desses livros e
em alguns artigos e publicações do Dr. Samuel Renihan, entre outros conteúdos que serão
mencionados.
[296] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[297] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 114-115.
[298] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 115.
[299]RENIHAN, Samuel. O Argumento em Favor do Credobatismo. O Estandarte de Cristo, 2019.
Disponível em: <https://oestandartedecristo.com /2019/03/21/o-argumento-em-favor-do-credobatismo-
%E2%94%82-por-samuel-renihan/>. Acesso em: 22 de nov. de 2019.
[300] RENIHAN, Mike. O Pacto da Graça.
[301]
TURRETINI, Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 2., p. 293.
[302] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 30. (Tradução própria.)
[303] Ibidem, p. 187-188.
[304] DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista, p. 56.
[305] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER 25.2 e 28.4. Monergismo. Disponível em:
<http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm>. Acesso em: 02 de mar. de 2020.
[306] RENIHAN, Samuel. O Argumento em Favor do Credobatismo.
[307] WASHER, O Chamado ao Evangelho e a Verdadeira Conversão, p. 143.
[308] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[309]Baseado em: RENIHAN, James; RENIHAN, Samuel; BARCELLOS, Richard. Federalismo Batista
– Federalismo Batista x Federalismo Westminster (Parte 3). Vídeo (13 min). Publicado pelo canal: Batista
1689. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=fkzUXsvo3GM>. Acesso em: 22. de nov. de
2019.
[310]
WARFIELD, Benjamim B. Studies in Theology. Grand Rapids: Baker, 2003. p. 399-400. Apud
RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[311] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[312] COXE & OWEN, Covenant Theology: from Adam to Christ, p. 36. (Tradução própria.)
[313] HICKS, Tom. Hermenêutica: A Prioridade do Novo Testamento.
[314] RENIHAN & RENIHAN, Teologia Bíblica Reformada Batista Pactual.
[315] HICKS, Tom. Hermenêutica: A Prioridade do Novo Testamento.
[316] Ibidem.
[317]DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: Uma Comparação entre o Federalismo
dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. p. 78.
[318]Baseado em: RENIHAN, James; RENIHAN, Samuel; BARCELLOS, Richard. Federalismo Batista
– Federalismo Batista x Federalismo Westminster (Parte 3). Vídeo (13 min). Publicado pelo canal: Batista
1689.
[319]DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: Uma Comparação entre o Federalismo
dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. p. 154.
[320] Ibidem.
[321]DENAULT, Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: Uma Comparação entre o Federalismo
dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. p. 123.
[322] RENIHAN, Samuel. O Argumento em Favor do Credobatismo.
[323]“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são
os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor?
ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque
dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Romanos 11:33-
36).