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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


DEPARTAMENTO DE TERAPIA OCUPACIONAL
TERAPIA OCUPACIONAL NA ADOLESCÊNCIA

Bruna de Sousa Barbosa

Tema: Desempenho ocupacional e barreiras na vida de uma jovem com deficiência.


Data: 17 de fevereiro de 2021
Professora: Keise Bastos Gomes da Nóbrega

Filme: Gaby: A True Story“ - “Gaby, uma história verdadeira” dirigido por Luis
Mandoki, baseado em livro de Michael Love e Martín Salinas.

Referência: AMERICAN OCCUPATIONAL THERAPY ASSOCIATION, A. Estrutura


da prática da Terapia Ocupacional: domínio & processo - 3ª ed. traduzida. Revista
de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, [S. l.], v. 26, n. esp, p.
1-49, 2015. DOI: 10.11606/issn.2238-6149.v26iespp1-49. Disponível em:
https://www.revistas.usp.br/rto/article/view/97496.

Gaby, 1947, teve paralisia cerebral ao seu nascimento, o que não


comprometeu suas habilidades cognitivas, em contrapartida, suas habilidade
motoras foram severamente acometidas, exceto o movimento voluntário de seu pé
esquerdo que foi essencial para sua comunicação e aprendizado. Como todas as
outras garotas de sua idade, na adolescência Gaby enfrentava conflitos pessoais
acerca de sua identidade, sexualidade, seu papel na sociedade e família.
Devido ao grave comprometimento motor, a mobilidade de Gaby era mínima,
o uso da cadeira de rodas era indispensável, e ela conseguia deslocar pequenas
distâncias sem barreiras com o auxílio do pé esquerdo, o que não era suficiente para
garantir seu acesso pleno aos espaços que frequentava. Devido a esses fatores, ela
contava com a ajuda de uma cuidadora desde sua primeira infância, Florencia, com
a qual possuía um vínculo muito forte. Cabia a cuidadora alimentar, vestir/despir,
realizar a higiene pessoal, conduzir, acompanhar e interpretar as falas e desejos de
Gaby.
Na perspectiva motora, Gaby era totalmente dependente, precisava de
auxílios em todas as suas Atividades de Vida Diárias (AVDs), mas ainda conseguia
expressar desejos e sentimentos por meio de um mecanismo adaptado para sua
comunicação, uma tábua com o alfabeto em que ela apontava com o pé letra por
letra ou usava a máquina de escrever e o interlocutor lia sua fala. Devido a sua
forma de comunicação, o tempo que levava para digitar/apontar suas ideias e por
precisar da ajuda de Florencia para trazê-las ao grupo, Gaby convivia com o bullying
tanto na escola especial quanto na pública.
Para a época e o contexto social em que se passa o filme, a inclusão de uma
adolescente com deficiência em uma escola pública dita para pessoas típicas era
considerada impossível. As visões capacitistas e preconceituosas dominavam, e os
espaços que deveriam promover a inclusão e dar oportunidades faziam exatamente
o oposto, sem excluir as barreiras arquitetônicas, urbanísticas e atitudinais, mas
Gaby mostrou que sua deficiência não a impediria de estudar, trabalhar e
experienciar as especificidades de cada fase de sua vida.
As condições sociais e financeiras da família certamente foram pontos
facilitadores para que Gaby recebesse todo o estímulo necessário e desenvolvesse
todas as suas potencialidades. Considerando também que eram bem instruídos
acerca da deficiência da filha, respeitavam seus interesses, escolhas e as
especificidades de cada fase do seu desenvolvimento, como quando ela demonstrou
estar apaixonada, demonstrou interesse em relacionar-se afetivamente com
Fernando e assim o fez.
Como qualquer adolescente, Gaby enfrentou questões típicas de sua fase,
como indecisões, conflitos internos, frustrações e desilusões amorosas, mudanças
físicas e biológicas, e ainda teve que lidar com as consequências de suas escolhas.
Viveu situações de sofrimento psíquico com o luto de seu pai, a ausência da mãe e a
rejeição das pessoas.
Pensando sobre a hipótese, e se Gaby tivesse contato com a Terapia
Ocupacional durante a vida, o que poderia ser feito? Por meio de um plano
terapêutico singular baseado nas principais demandas de Gaby, o que ela deseja
realizar, que espaços ela quer interagir, em que espaços possui maior dificuldade de
comunicação entre outros. Trazer a família para participar desse processo seria uma
questão a ser intensificada, com o intuito de fortalecer essa rede de apoio e
contribuir com o sentimento de pertencimento.
Ademais, em outras condições, em uma intervenção mais precoce, poderia
ser estimulado o uso mais funcional de seu pé esquerdo para suas AVDs, como
alimentar-se, pegar objetos, deslocar-se na cadeira de rodas por distâncias maiores
e desviando de obstáculos possibilitando uma participação mais ativa em seus
contextos e uma maior independência. Tais questões também repercutem
positivamente para a cuidadora, aliviando a sobrecarga de trabalho e lhe dando mais
espaço para ter sua individualidade.

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