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SOCIEDADE: ASPECTOS

CONCEITUAIS
MARIANA CIMINELLI MARANHO
MARIANA.MARANHO@IFPR.EDU.BR
“[...] a arte de pensar sociologicamente consiste em ampliar o
alcance e a efetividade prática da liberdade.”

(BAUMAN; MAY, 2010, P. 26)


Ciência

Tecnologia /

Sociedade
SOCIEDADE - Primeiras considerações
o Os conceitos de cultura e sociedade podem ser diferenciados, mas há conexões muito
próximas entre essas noções.
o Sociedade: é um sistema de inter-relações que conecta os indivíduos uns com os
outros.
o As variações culturais entre os indivíduos são ligadas a diferentes tipos de sociedades.
SOCIEDADE - Primeiras considerações
o Aristóteles: homem é um ser social.
o Sociedade está em constante movimento, modificações.
oÉmile Durkheim: sociedade é um conceito central em Sociologia.
o As sociedades não são um sistema estático, elas se transformam, ainda que esta mudança
não seja para seus membros.
o A sociedade é a única fonte da humanidade do homem; é através dela que se transcende a
pura vida orgânica que é a condição do homem tomado em sua individualidade. Apenas a
vida coletiva faz do indivíduo uma personalidade, dando forma à consciência moral e
pensamento lógico que têm origem e destinação social.

CONCEITO USADO PARA DESCREVER AS INSTITUIÇÕES E RELAÇÕES SOCIAIS ESTRUTURADAS


ENTRE UMA GRANDE COMUNIDADE DE PESSOAS QUE NÃO PODE SER REDUZIDA A UM MERO
ACÚMULO OU AGREGAÇÃO DE INDIVÍDUOS.
SOCIEDADE - Primeiras considerações
Globalização provocou insatisfação com o conceito de sociedade, que parecia não ser
capaz de captar a dinâmica da mudança social global (redes e fluxos globais mais
eficazes e fortes, atravessando barreiras nacionais).
X
“Sociedade” é ainda uma representação coletiva, e o conceito ainda repercute com a
percepção das pessoas da realidade social como é vivida.
SOCIEDADE COMO SISTEMA - LUHMAN
o Sociedade como mais um dos diferentes tipos de sistemas.
o Sistemas: máquinas, organismos, sistemas psíquicos e sociais.
o Dentro desses sistemas há interações, organizações e sociedades.
o Sociedade -> tipo de sistema social.
o Sistemas estabelecidos por meio da comunicação, da linguagem, entre as
pessoas.
SOCIEDADE COMO SISTEMA - LUHMAN

SISTEMA SOCIAL

Ações de várias pessoas


Comunicação entre as
se inter-relacionam
pessoas
significativamente
SOCIEDADE COMO SISTEMA - LUHMAN
SISTEMAS DE • Se produzem pela percepção mútua entre as
pessoas presentes, utilizando a linguagem
INTERAÇÃO enquanto mediação.

SISTEMAS DE • A fim de buscar um objetivo, se constituem


mediante um processo de seleção de seus
ORGANIZAÇÃO membros.

• Sistema social mais amplo de todas as ações


SOCIEDADE possíveis de mútua comunicação.
SOCIEDADE COMO SISTEMA - LUHMAN

Único sistema de
sociedade, em
Desenvolvimento da Existência da
contraposição às
tecnociência. sociedade atual.
sociedades do
passado.
SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO
TECNOCIENTÍFICO
o Diferentes momentos da evolução da sociedade utilizam marcos para sua definição:
o “Era da Pedra”
o “Era do Bronze”
o “Era do Ferro”
o “Revolução Industrial”
o “Era do Computador”

o Associação das transformações na sociedade ao progresso técnico e científico.

É A SOCIEDADE QUE DÁ FORMA À TECNOLOGIA CONFORME SUAS


NECESSIDADES.
TIPOLOGIAS DE SOCIEDADE E
DESENVOLVIMENTO TECNOCIENTÍFICO
o Periodização antropológica da técnica – José Ortega y Gasset

o O desenvolvimento da máquina e a sociedade – Lewis Mumford


PERIODIZAÇÃO ANTROPOLÓGICA DA
TÉCNICA – JOSÉ ORTEGA Y GASSET
Tipologia das sociedades a partir da ideia de evolução técnica.
Relação que os seres humanos mantêm com as técnicas em cada momento evolutivo.
Três tipos diferentes de sociedade conforme sua relação com a técnica: técnica do
acaso, técnica como artesanato, técnica do técnico.

Técnica do acaso:
◦ Sociedades primitivas;
◦ Repertório escasso de técnicas;
◦ Os atos técnicos são realizados por todos;
◦ Não existe especialização.
PERIODIZAÇÃO ANTROPOLÓGICA DA
TÉCNICA – JOSÉ ORTEGA Y GASSET
Técnica como artesanato:
◦ Grécia antiga, Roma pré-imperial e Idade Média;
◦ Técnica ainda não é a única e absoluta base de sustentação da sociedade;
◦ Se sociedade de apoiam na natureza;
◦ Divisão técnica do trabalho – nova figura: artesão;
◦ Conhecimento do artesão fechado, controlado e hereditário.
Técnica do técnico:
◦ Sociedade atual;
◦ Impossível o desenvolvimento da sociedade sem a técnica;
◦ Já não é mais o utensílio que auxilia o homem, mas o contrário;
◦ Nova figura, separada do técnico e do operário: o engenheiro;
◦ Técnica como fonte de atividades humanas.
O DESENVOLVIMENTO DA MÁQUINA E A
SOCIEDADE – LEWIS MUMFORD
As máquinas provocaram mudanças na sociedade ocidental ao longo da história –
interação entre a máquina e a sociedade.
O desenvolvimento das máquinas ocorreram em três ondas sucessivas a partir do ano
1000: Fase Paleotécnica

1000 1700 1750 1832 1870 1900

Fase Eotécnica Fase Neotécnica


FASE EOTÉCNICA - LEWIS MUMFORD
o Técnicas que aproveitam a água e a madeira, entre os anos de 1000 a 1750.
o Criação de rodas e moinhos hidráulicos e de vento.
o Diminuiu a importância dos seres humanos como fonte de energia, e aumentou a
utilização da energia proveniente do cavalo, graças à criação da ferradura e da moderna
forma de arreios.
o Madeira material universal – criação de máquinas em madeira antes do metal.
o Utilização do vidro – alteração no cotidiano das casas (janelas e recipientes), lentes de
óculos, telescópios e microscópios.
FASE EOTÉCNICA - LEWIS MUMFORD
o Método experimental na ciência – maior realização.
o Relógio mecânico.
o Imprensa acompanhada pelo papel, cuja produção se aplicou à maquinaria movida
pela energia mecânica.
o “Invenções sociais” – universidade e fábrica.
o Ineficiência, carência e irregularidade de energia.
o Máquina – viés anti-social, exploração humana. Aumento do abismo entre senhores e
trabalhadores.
FASE PALEOTÉNICA - LEWIS MUMFORD
o Início por volta de 1870, teve seu auge entre 1870 e 1900, sendo que esta última data
coincide com sua decadência.
o Carvão como fonte de energia mecânica – máquina a vapor, novas formas de fundir e
trabalhar o ferro.
o Nova sociedade é um novo produto do carvão e do ferro.
o Carro a vapor, construção de estruturas de ferro, primeiros arranha-céus, Torre Eiffel.
o Ferro – material universal.
FASE PALEOTÉNICA - LEWIS MUMFORD
o Sociedade se dedica a uma sistemática destruição do meio ambiente.
o Sociedade da poluição do ar e da contaminação das águas.
o Degradação do meio ambiente e do ser humano.
o O modo de exploração das minas de carvão se tornou modelo de outras formas
subordinadas à indústria e à agricultura.
FASE NEOTÉCNICA - LEWIS MUMFORD
o Ruptura com o período paleotécnico e uma volta às características da sociedade
eotécnica.
o Ainda estamos imersos nesta fase.
o Marco inicial – momento em que os geradores de energia tornam-se mais eficientes,
por volta de 1832.
o Novas invenções: pilha elétrica, bateria, dínamo, motor, lâmpada elétrica, teoria da
conservação de energia, motor a gasolina, turbina a vapor e avião.
o Nova forma de energia: a elétrica.
FASE NEOTÉCNICA - LEWIS MUMFORD
o A utilização de energia permitiu a sobrevivência de pequenas oficinas frente às
grandes fábricas.
o Materiais: novas ligas, terras raras e metais mais leves (cobre e alumínio).
o Novos materiais sintéticos: celulose e resinas sintéticas.
o Transformação do sistema de comunicação. Contatos mais numerosos e instantâneos
e a longas distâncias. Telégrafo, telefone e televisão.
o Maior conservação do meio ambiente.
o Controle da reprodução humana.
FASE NEOTÉCNICA - LEWIS MUMFORD
“Cada uma das fases da civilização da máquina deixou seus frutos na sociedade.
Cada um mudou sua paisagem, alterou o plano físico das cidades, utilizou certos
discursos e desprezou outros, favoreceu certos tipos de comodidade e certos
atalhos de atividade, e modificou a herança técnica comum. [...] Chamar a essa
complicada herança da Idade da Energia ou Idade da Máquina oculta muito do
que se põe em relevo. Se a máquina parece dominar a vida de hoje, é só porque a
sociedade está mais desorganizada do que estava no século 17” (MUMFORD,
1934, p. 288)
PARA PENSAR...
o A partir dos temas trabalhados até o momento, como podemos relacionar o
Brasil dentro das transformações técnicas e científicas?
o De que forma essas mudanças interferiram na economia?
o Na vida social?
o Nas formas de produção?
o Na organização das cidades?
o E o município de Telêmaco Borba, como passou por essas transformações?
o A técnica pode ampliar o grau de desigualdade de uma sociedade?
CAPITAL E CTS – KARL MARX
o Se dedica à análise de como a introdução de novidades científicas e tecnológicas nos diversos
ramos de produção está relacionada, na sociedade capitalista, à exploração da força de trabalho
e à produção de capital.
o As relações humanas estão interligadas com as relações materiais, com as forças de produção e
com o processo de vida social, política, econômica e intelectual.

CAPITALISMO = sistema gigantesco por meio do qual o tempo de trabalho empregado, primeiro é
transformado em lucro, e, de lucro, em capital.
CAPITAL = capital não é uma coisa, mas uma relação de produção social definida, relativa a uma
formação histórica da sociedade, e que se manifesta em uma coisa, conferindo-lhe um carácter
social específico.
CAPITAL E CTS – KARL MARX
MERCADORIA = “célula econômica da sociedade burguesa é a forma de mercadoria, que reveste
o produto do trabalho”. (MARX, 2010, p. 16)
o Todas as mercadorias são necessariamente bens úteis e permutáveis.
o Uma mercadoria “só possui valor porque nela está corporificado, materializado, trabalho
humano”.
o O valor de uma mercadoria mede-se pela quantidade média de trabalho necessário para
fabricar o bem (medido em dias, horas, minutos) em um dado contexto social e histórico.
o O emprego mais evidente dado ao dinheiro no mercado é o de meio de circulação de
mercadorias.
CAPITAL E CTS – KARL MARX
o Como a origem do valor das mercadorias é o trabalho, o valor excedente produzido na
circulação do capital só pode resultar de trabalho humano.
FORÇA DE TRABALHO = conjunto das faculdades físicas e mentais existentes no corpo e na
personalidade de um ser humano, as quais ele põe em ação toda vez que produz mercadorias de
qualquer espécie.
o Para ser vendida como mercadoria, a força de trabalho deve possuir valor.
o O valor da força de trabalho é determinado pelo valor das mercadorias que o trabalhador e sua
família precisam consumir para produzir e reproduzir a força de trabalho desse trabalhador.
CAPITAL E CTS – KARL MARX
MAIS VALIA = parte do valor da força de trabalho dispendida por um determinado trabalhador
na produção e que não é remunerado pelo patrão. Também pode ser classificada como o
excesso de receita em relação à despesas.

A produção de mais-valia (relativa) é o lugar em que inovações científicas e tecnológicas se


encontram com as relações sociais da exploração capitalista em uma via de mão dupla.
CAPITAL E CTS – KARL MARX
o O valor excedente (mais-valia), que faz brilhar os olhos do capitalista, tem origem no
prolongamento da jornada de trabalho além do mínimo necessário à manutenção da força de
trabalho.
o Algumas inovações tecnológicas e científicas contribuem para a redução do valor da força de
trabalho (e, em consequência disso, para a produção de mais-valia relativa) na medida em que
implicam a redução do trabalho médio necessário para produzir as mercadorias consumidas
pela classe trabalhadora.
o A elevação da produtividade geral – sobretudo em setores que produzem artigos que serão
consumidos pela classe trabalhadora – implica a redução do valor da força de trabalho,
contribuindo para a produção de mais-valia
CAPITAL E CTS – KARL MARX
o Inovações científicas e tecnológicas tendem a ser empregadas em larga escala na medida em
que representam alternativas economicamente mais rentáveis para o capitalista.
o Certas tecnologias são mais prontamente empregadas na produção de mais-valia do que outras
influencia decisivamente nas direções em que avançam a ciência e a tecnologia.
CAPITAL E CTS – KARL MARX
o A sociedade, como Marx a entende, não pode ser separada do processo histórico objetivo de
transformação da natureza e da própria vida social em vista de certas condições materiais; e, por
essa razão, a tecnologia tem um papel fundamental na análise marxiana da sociedade.
o Na perspectiva de Marx, é fundamental a ideia de que a ação humana transforma o mundo
(natural e social) por meio de ferramentas que são dadas ao homem ou construídas por ele ao
longo do processo histórico.
o Por mais determinantes que sejam a ciência e a tecnologia para o desenvolvimento da
sociedade, o desenvolvimento (político, cultural, ideológico, econômico) das relações sociais ao
longo da história não pode ser determinado unívoca, completa e precisamente por inovações
tecnológicas.
TEORIA DA AÇÃO COMUNICATIVA -
HABERMAS
Habermas compreende a sociedade como sendo simultaneamente um sistema e um mundo da
vida, no qual o mundo da vida é o horizonte, em que a ação comunicativa está sempre em
movimento, porém limitado e modificado pela transformação estrutural da sociedade como um
todo.
Com o desenvolvimento do modo de produção capitalista, houve uma cientificização da técnica
e, nesse processo, o desenvolvimento tecnológico passou a depender de um sistema
institucional no qual conhecimento técnico e científico são interdependentes.
“ [...] com a investigação industrial de grande escala, ciência, técnica e valorização foram
inseridas no mesmo sistema”
Ciência e a técnica cumprem a função de legitimação da dominação.
TEORIA DA AÇÃO COMUNICATIVA -
HABERMAS
A análise da produção da ciência, a partir da imbricação entre ciência e tecnologia, permite
integrar os dois "mundos" habermasianos, pois a ciência constitui e determina a racionalidade
instrumental e, ao mesmo tempo, por meio do desenvolvimento tecnológico, modifica
profundamente o mundo da vida.
Para Habermas, as decisões sobre as interações entre a ciência e tecnologia e a sociedade podem
ser tomadas de acordo com os modelos tecnocráticos, decisionistas e pragmático-políticos.
o Modelo tecnocrático: a decisão política é tomada exclusivamente em função do referencial dos
especialistas em ciências e em tecnologia;
o Modelo decisionista: os cidadãos determinam os fins, os meios e os técnicos que vão participar
da decisão, mas essa é tomada pelo especialista, segundo os critérios estabelecidos;
o Modelo pragmático-político: há uma interação e negociação entre os especialistas e os
cidadãos.
SOCIEDADE EM REDE - MANUEL
CASTELLS
o As tecnologias de comunicação e informação são sensíveis aos efeitos dos usos sociais da
própria tecnologia.
o A tecnologia é condição necessária, mas não suficiente, para a emergência de uma nova forma
de organização social baseada em redes.
o Critica a terminologia da sociedade atual como sociedade do conhecimento. Conhecimento e
informação são essenciais em todas as sociedades, não só na atual.
o Sociedade em rede: resultado da intersecção entre o paradigma da nova tecnologia
(microeletrônica) e a organização social em um plano geral.
o As redes de tecnologia digitais permitem a existência de redes que ultrapassem seus limites
históricos.
SOCIEDADE EM REDE - MANUEL
CASTELLS
o As redes de comunicação digital são a coluna vertebral da sociedade em rede.
o A sociedade em rede transcende fronteiras, é global, baseada em redes globais – globalização
(nova nomenclatura).
o Difunde-se por todo o mundo, mas não inclui todas as pessoas. Exclui a maior parte da
humanidade, apesar de toda a humanidade ser afetada pela sua lógica e pelas relações de poder
que interagem nas redes globais da organização social.
o A virtualidade é refundação da realidade através de novas formas de comunicação socializável.
o As opiniões políticas e o comportamento político são formados no espaço da comunicação.
o O Estado da sociedade em rede não funciona única ou primeiramente no contexto nacional.
Rede de instituições políticas que partilham a soberania em vários graus (Banco Mundial, G-8,
União Europeia).
MODERNIDADE LÍQUIDA
o Estruturas políticas, sociais, econômicas e relações sociais da sociedade “tradicional” são
dissolvidas.
o Globalização – uma “grande transformação” que afetou as estruturas estatais, as condições de
trabalho, as relações entre os Estados, a subjetividade coletiva, a produção cultural, a vida
cotidiana e as relações entre o eu e o outro.
GLOBALIZAÇÃO = MODERNIDADE LÍQUIDA
o Modernidade líquida deve ser compreendida e analisada como um processo.
o Sociedade tornou incertas e transitórias as identidades sociais, culturais e sexuais.
o “A vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante...”
MODERNIDADE LÍQUIDA
o A antiga ideia romântica de amor como uma parceria exclusiva, “até que a morte nos separe”,
foi substituída pelo “amor confluente”, uma relação que só dura enquanto permanece a
satisfação que traz a ambos os parceiros.

o Somos cada vez mais moldados e treinados como consumidores, todo o resto vem depois.

o Num ambiente fluido, em constante mudança, a ideia de eternidade, imune ao fluxo do tempo,
não tem fundamento na experiência humana.

o A mudança obsessiva e compulsiva (“modernização”, “progresso”, “desenvolvimento”) é a


essência do mundo moderno.
MODERNIDADE LÍQUIDA
“Já que a diversidade cultural é, cada vez mais, o destino do mundo moderno, e o absolutismo
étnico, uma característica regressiva da modernidade tardia, o maior perigo agora se origina das
formas de identidade nacional e cultural – novas e antigas – que tentam assegurar a sua
identidade adotando versões fechadas da cultura e da comunidade e recusando o engajamento...
nos difíceis problemas que surgem quando se tenta viver com a diferença.”

(STUART HALL)
SOCIEDADE ATUAL
o Grande importância do complexo científico-tecnológico na sociedade atual.
o Os principais fluxos já não são de energia, mas de informação.
o Desafio atual: como manejar e utilizar essa grande quantidade de informações, às
vezes contraditória e sempre complexa.
o Sociedade mundializada.
o Novas tecnologias de comunicação corroboram para uma desterritorialização, perda
da importância das barreiras geográficas. E com a COVID-19?
o Tudo deve se encontrar em estado de mudança permanente.
PARA PENSAR...
o A partir dos temas trabalhados até o momento, como podemos relacionar o Brasil dentro das
transformações técnicas e científicas?
o De que forma essas mudanças interferem na economia?
o Na vida social?
o Nas formas de produção?
o Na organização das cidades?
o E o município de Telêmaco Borba, como está por essas transformações?
Efeito da tecnologia sobre a sociedade:
• A tecnologia disponível a um grupo humano influencia o estilo de vida desse grupo.

Efeito da sociedade sobre a ciência:


• Por meio de investimentos e outras pressões, a sociedade influencia a direção da
pesquisa científica.
Efeito da ciência sobre a sociedade:
• O desenvolvimento de teorias científicas podem influenciar a maneira como as
pessoas pensam sobre si e sobre problemas e soluções.
Efeito da sociedade sobre a tecnologia
• Pressões públicas e privadas podem influenciar a direção que os problemas são
resolvidos, e em consequência, promover mudanças tecnológicas.
CULTURA
“[...] a história da evolução de um indivíduo é, antes de mais nada, o relato de
sua acomodação aos padrões e tradições vigentes em sua comunidade. Desde o
momento em que ele nasce, os costumes do grupo a que pertence moldam as
suas experiências e seu comportamento. As primeiras palavras de uma criança
são necessariamente pronunciadas em uma língua determinada. Por isso mesmo,
essa criança já é um produto da cultura em que vive. Ao tornar-se adulta, já está
suficientemente treinada para tomar parte nas atividades da comunidade, com
seus hábitos e suas crenças.”
Ruth Benedict
CULTURA
o É uma expressão utilizada para representar desde um conjunto de valores,
tradições e capacidades inerentes à condição humana, até a afirmação de
identidades nacionais, grupos e subgrupos.

o Centralidade do conceito para pensar o mundo, perpassando todas as


instâncias sociais, por tudo o que acontece nas nossas vidas e todas as
representações que fazemos desses acontecimentos.
CULTURA
Globalização?

Cultura ou culturas?

American way of life?

Cultura popular?

Cultura erudita?
CULTURA - MARILENA CHAUÍ
“Chorar é próprio da natureza humana”

“Homem não chora”

“As mulheres são naturalmente frágeis e sensíveis porque nasceram para a


maternidade”

“Fulana é uma desnaturada, pois não tem o menor amor aos filhos”
CULTURA - MARILENA CHAUÍ
o A partir do século XVIII, cultura passa a significar os resultados e as
consequências daquela formação ou educação dos seres humanos, resultados
expressos em obras, feitos, ações e instituições.

o Torna-se sinônimo de civilização porque os pensadores julgavam que os


resultados da formação-educação se manifestam com maior clareza e nitidez
nas formas de organização da vida social e política, ou na vida civil.
CULTURA - MARILENA CHAUÍ
o Diferença essencial entre homem e natureza:
o Natureza: opera por casualidade necessária;
o Homem: dotado de liberdade e razão.

o Cultura passou a significar, além de civilização, a relação que os seres humanos


socialmente organizados estabelecem com o tempo e com o espaço, com os
seres humanos e com a natureza, relações que se transformam no tempo e
variam conforme as condições do meio ambiente.
CULTURA - MARILENA CHAUÍ
o A cultura como ordem simbólica.

o A cultura é instituída no momento em que os seres humanos determinam para


si mesmos regras e normas de conduta que asseguram a existência e
conservação da comunidade, por isso devem ser obedecidas sob pena de
punição.
CULTURA - MARILENA CHAUÍ
Criação da ordem simbólica da lei – sistemas de interdições e obrigações
estabelecidos a partir da atribuição de valores às coisas, aos humanos e suas
relações, e aos acontecimentos.
Criação de uma ordem simbólica da sexualidade, da linguagem, do trabalho, do
espaço, do tempo, do sagrado, do profano, do visível e do invisível. Surgem para
representar e interpretar a realidade.
Conjunto de práticas, comportamentos, ações e instituições pelos quais os
humanos se relacionam entre si e com a natureza, e dela se distinguem.
CULTURA - MARILENA CHAUÍ
Não existe a cultura no singular, mas culturas no plural, pois os sistemas de
proibição e permissão, as instituições sociais, religiosas, políticas, os valores, as
crenças, os comportamentos variam de formação social para formação social, e
podem variar numa mesma sociedade no decorrer do tempo.
CULTURA - CLIFFORD GEERTZ
o O homem é amarrado a teias de significado que ele mesmo teceu.

o A cultura é pública.

o Composta por estruturas psicológicas por meio das quais os indivíduos , ou


grupos de indivíduos, guiam seu comportamento.

o Estruturas de significado socialmente estabelecidas.


CULTURA - CLIFFORD GEERTZ
o Cultura como um sistema de símbolos.

o Conjunto de mecanismos simbólicos de controle para governar o


comportamento.

o Condição para existência humana.

o As formas da sociedade são a substância da cultura.


CULTURA - CLIFFORD GEERTZ
o Nossas ideias, nossos valores, nossos atos, até mesmo nossas emoções são,
como nosso próprio sistema nervoso, produtos culturais.

o Tornar-se humano é tornar-se individual, e nós nos tornamos individuais sob a


direção dos padrões culturais, sistemas de significados criados historicamente
em termos dos quais damos forma, ordem, objetivo e direção às nossas vidas.