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Depois de tanto tempo na Umbanda.

Depois de tanto estudo e formações, conduzido pela "equipa" espiritual que me


acompanha, voltei novamente os meus olhos para as minhas raízes na
Umbanda.

Nada foi em vão nessa caminhada, mas hoje sou capaz de olhar para trás e
compreender o que antes não tinha condições de entender.

E minha origem, minha ancestralidade na Umbanda não está fundamentada na

história do caboclo das Sete Encruzilhadas*, não está fundamentad a na


mesa branca (espiritismo), assim como não está fundamentada no catolicismo,
mas sim numa mulher sabia e analfabeta, mas de uma mediunidade e de uma
sabedoria natural e ancestral chamada D. Francisca.

Em 1985 fui levado por minha avó, por necessidades pessoais, à Umbanda. Por
isso respeito e reverencio o seu movimento, mesmo que ela não tivesse a
mínima consciência do impacto que aquele singelo ato teria na minha vida. D.
Francisca nunca aceitou ser chamada de mãe, apesar de tratar a todos como
filhos, puxando-nos as orelhas muitas vezes quando era preciso.

Ela se colocava apenas como orientadora, auxiliadora dos caminhos espirituais


daqueles que chegavam até ela. Sempre cobrando de nós a responsabilidade por
nossas ações e a consciência de que deveríamos ser seres humanos cada vez
melhores. Enquanto me desenvolvia "em sua Umbanda", nunca escutei falar do
caboclo das Sete Encruzilhadas, de Zélio de Moraes, e outros tantos ilustres
nomes que hoje compõem as histórias das Umbandas. Ou mesmo de qualquer
código "moral" que ditava o que era ou não Umbanda como vemos nos dias de
hoje.

D. Francisca, assim como seus Guias (nêgo Gerson e mãe Maria, mas
especialmente) sempre nos falaram da espontaneidade de que a umbanda
surgiu em todo território brasileiro e que em cada região ela assumia
particularidades de acordo com as raízes e costumes de cada região e dirigente.
Assim como, que não existia a forma certa ou errada de se praticar /fazer
Umbanda: deste de que a mesma servisse para o amadurecimento
(desenvolvimento da responsabilidade e da consciência do ser humano) e para
sua melhoria de vida (interior e exterior). Por isso nunca devíamos julgar a
forma de trabalho de outra casa.

D. Francisca vivia da Umbanda e para Umbanda e suas sessões e trabalhos


espirituais sempre foram pagos. E isso era visto com naturalidade por todos. E
foi através do seu sacerdócio de Umbanda que ela sustentou a sua família e deu
(pagou) a educação (escolaridade) a seus filhos.

Sendo uma mulher "batalhadora e guerreira", era respeitada por todos, tanto no
meio umbandista à qual pertencia, assim como em sua comunidade.

Hoje vejo com certa tristeza a massificação da Umbanda virtual, levando as


"suas verdades" (visto que praticamente há apenas uma corrente de Umbanda a
ser disseminada na Internet) aos quatro ventos em detrimento de todas as
outras fontes, raízes e costumes das umbandas existentes em todo território
brasileiro e também no exterior

Heldney Cals

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