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SENSO COMUM, CIÊNCIA E CIÊNCIA SOCIAL

O que distingue o senso comum das ciências é que em primeiro lugar a ciência
possui a característica de universalidade. Isto que dizer que, ao contrário da explicação do
senso comum, que é variável de pessoas para pessoas, visto que baseia-se na opinião, a
ciência procura explicações mais generalistas e que tenham validade para todos os fenômenos
analisados. Assim, as explicações científicas são baseadas em rígidos parâmetros, em
descrições e análises que procuram deixar de lado a subjetividade, além de haver a
necessidade de vários testes, que comprovem os mesmos resultados para que uma explicação
ou fenômeno sejam considerados científicos.
Quando falamos em ciências humanas, os parâmetros ficam mais sujeitos as
oscilações e a subjetividade, pois o objeto de conhecimento é o próprio homem. E este, pode
se deixar influenciar pelas ideias que aprendeu, pelas crenças que professa, pelos valores que
aceita. No entanto, procuram se apoiar em teorias e conceitos já aclamados como científicos.
As ciências humanas se subdividem em inúmeras áreas, como psicologia, história, geografia,
filosofia, comunicação, ciências sociais e outros.
Referente às ciências sociais estudam a vida e o comportamento humano, avaliando
como as pessoas pensam e agem, formam grupos e se relacionam com outras pessoas ou
povos. É um campo de atuação científica que debruça o olhar para questões de cunho social
de modo sistemático, seguindo parâmetros específicos de análise e validação da observação.
Ela abrange três diferentes áreas de estudo: a antropologia, a sociologia e a ciência política.
Além disso, podemos nos referir que a ciência política preocupa-se com as questões
relativas ao poder, analisando as formas e tipologias de governo, relações entre Estado e
sociedade civil, as questões relativas à soberania e entre outros. Já na antropologia, preocupa-
se com o conhecimento do homem, sobretudo de suas regras culturais, da analise dos sistemas
de parentesco, da religião e da mitologia. Em relação, estuda o comportamento humano em
função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e
instituições.
Para Bauman, na introdução do seu livro, aborda sobre a dependência mútua e a
relação da sociologia ao senso comum. Que são dois tipos de apreensão e compreensão do
mundo, o senso comum, olha para um objeto e vê o mesmo, visando sua função, já o cientista
olha para o objeto e pensa o que pode fazer para melhorar tal objeto. A diferença entre essas
duas compreensões são discursivas, o ponto de vista de cada compreensão. E assim, Bauman
finaliza apontando diferença entre essas duas compreensões.
Em primeiro lugar, o discurso responsável, quando se afirma algo sobre a
sociedade de maneira pública existem métodos, técnicas e estudos para tais afirmações. Em
segundo lugar afirma que há tamanho do campo de estudo do qual o material do pensamento
sociológico foi extraído, ou seja, o material do pensamento sociológico deve abranger
uma multiplicidade de mundos, possibilitando a ligação entre biografia individual e amplos
processos sociais. E não apenas se resume aos nossos próprios mundos de vida.
No terceiro lugar a sociologia e o senso comum se diferenciam no sentido que
cada um atribui à vida humana em termos de como entendem e explicam os eventos e
circunstâncias que acontecem na vida das pessoas. Para o senso comum as pessoas tendem a
pensar que são “os autores” de suas próprias vidas e o que fazem são efeitos de suas
intenções, embora que os resultados não saíam ao que pretendiam, por exemplo, uma pessoa
que estudou numa escola pública consegue passar numa universidade federal devido à sua
dedicação e esforço. Além disso, acreditam que o que acontecesse no mundo em geral é
resultado que ação intencional de alguém, por exemplo, os governos diversas vezes não
comprem suas responsabilidades alegando que as coisas estão fora de seu controle. Já a
sociologia vai contra a visão particular que o individuo adotado de motivação e dedicação
será o caminho da compreensão do mundo humano, visto que não é o caminho adequado para
nos entendermos e as outras pessoas. É necessário que se faça uma análise das numerosas
teias de interdependência humana para explicar nossos motivos e os efeitos de suas ativações.
Já no quarto lugar, embora a sociologia repouse em constante e íntima conversação
com o senso comum, ela procura ultrapassar suas limitações abrindo possibilidades que
poderiam facilmente ser ignoradas pelo senso comum, uma vez que o senso comum costuma
nortear muitas ações do dia a dia sem sequer provocar no indivíduo questionamentos acerca
de sua veracidade e autenticidade, tornando o senso comum como algo inquestionável e
imutável. Já a sociologia coloca em questão aquilo que é considerado inquestionável gerando
um senso crítico no indivíduo que passa a pensar e refleti sobre as coisas que estão
acontecendo em sua volta.
Assim, para um melhor entendimento da “relação-diferença” entre o senso comum e
a sociologia, tomamos como exemplo um dos trabalhos de Durkheim. Quando este publicou
sua obra “O Suicídio” em que já existiam explicações dadas para essa ação. Além da visão
psicanalista, existia o entendimento do senso comum sobre a prática do suicídio. O senso
comum atestava que os indivíduos que se matavam, eram pessoas de “cabeça frágil” ou que
estavam possuídas por demônios, o que demonstra como esse conhecimento é insuficiente
para explicar os fatos sociais, os quais precisam de maior compreensão.
Diante do que foi analisado percebe-se que a ciência existe para esclarecer aspectos
problemáticos do senso comum, fornecer respaldo aos questionamentos e fundamentar cada
conhecimento produzido em resposta às demandas.

Referências Bibliográficas

BAUMAN, Z. e MAY, T. Aprendendo a Pensar com a Sociologia. Rio de Janeiro: Zahar,


2010. Introdução.

DURKHEIM, E. O Suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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