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Apostila de Apologé tica Cristã

FAZER CAPA

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Introdução....................................................................................................................................3
O que é apologética e porque precisamos dela?...........................................................................3
Capítulo 1 – Deus Existe?.............................................................................................................6
O argumento cosmológico ou da causa primeira.....................................................................6
O argumento do ajuste-fino...................................................................................................10
O argumento moral................................................................................................................14
Capítulo 2 - De todos os deuses, porque só o Deus cristão é o certo?........................................17
Capítulo 3 – A Bíblia é confiável?.............................................................................................29
Começando pelo teste bibliográfico.......................................................................................31
O teste das evidências internas..............................................................................................36
Teste das evidências externas................................................................................................40
A arqueologia.........................................................................................................................42
Capítulo 4 – Quem é Jesus?.......................................................................................................55
Capítulo 5 – A ressurreição. Fato ou Lenda?..............................................................................63
A crucificação de Jesus...........................................................................................................64
Os discípulos de Jesus realmente acreditaram que Jesus ressuscitou dos mortos.................65
O túmulo vazio.......................................................................................................................69
Se Jesus não ressuscitou, muita coisa precisa ser explicada:.....................................................72
Respondendo teorias comuns que tentam explicar a ressurreição:...........................................76
Teoria do desmaio..................................................................................................................76
Teoria do roubo do corpo......................................................................................................78
Teoria do plágio......................................................................................................................81
Teoria da alucinação..............................................................................................................85
O que isso significa na sua vida?............................................................................................87
Capítulo 6 – Como o cristianismo criou a alma da civilização...................................................89
Os Hospitais............................................................................................................................90
Dignidade feminina................................................................................................................93
A criação das universidades...................................................................................................95
A luta contra escravidão.........................................................................................................98
Capítulo 7 – Ciência e Fé. Amigas ou inimigas?......................................................................103
Capítulo 8 - As incoerências das ideologias modernas.............................................................109
Capítulo 10 – Quem precisa de Deus?......................................................................................112
Capítulo 11 – As seitas e suas heresias.....................................................................................116
Espiritismo............................................................................................................................116

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Testemunhas de Jeová.........................................................................................................124

Introdução

O que é apologética e porque precisamos dela?

Segundo o dicionário Strong, apologia, do grego 'απολογια', significa:

1- Defesa verbal, discurso em defesa. 2- Uma afirmação ou argumento raciocinado.

É a disciplina teológica própria de certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da


própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Em resumo, é apresentar uma argumentação
racional e lógica para defender as doutrinas da religião, no nosso caso, o cristianismo.

O termo 'ἀπολογία' (apologia) aparece por 8 vezes no Novo Testamento, como em Atos 22:1.

"Homens, irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa (apologia) perante vós". Atos 22:1

E também em Atos 25:15, 1 Coríntios 9:3, 2 Coríntios 7:11. Filipenses 1:7, Filipenses 1:16, 2
Timóteo 4:16 e 1 Pedro 3:15.

Percebemos que é um conceito importante, usado pelos próprios apóstolos para defender e
pregar as verdades ensinadas por Cristo.

Assim como os apóstolos, somos convocados por Deus para a apresentarmos uma defesa
racional da nossa fé diante daqueles que dela não compartilham. Como afirmou o apóstolo
Paulo: ”Cri, por isso falei”.1 Nós cremos, e por isso também falamos.

O mundo de hoje está mergulhado no secularismo, as pessoas cada vez mais se afastam da
verdade divina e eterna, chegando ao ponto de negar a existência da própria verdade, hoje, o
relativismo tomou conta. Se a verdade nos dias de hoje não existe mais, e tudo se tornou apenas
questão de opinião e preferências, o que se dirá das doutrinas ligadas a religião, principalmente
a cristã? Infelizmente, ela vem se tornando objeto de escárnio e sendo reputada apenas como
mitologias, fanatismos, e como coisa de gente ultrapassada.
1
2 Coríntios 4:13

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E o que nós cristãos podemos fazer sobre isso?

A apologética pode ser uma ferramenta bastante útil para nos ajudar.

Vejo duas aplicações importantes, fortalecer a própria fé, e fortalecer a fé dos outros e/ou,
ajuda-los a ter a fé certa.

Com certeza vocês já ouviram diversas críticas ao cristianismo, seja a na mídia ou de um


vizinho. “Coisas como “religião é coisa de gente bitolada”, “ a Bíblia foi adulterada”, “Jesus era
só um mestre da moral, não era Deus”, “Deus nem existe”...dentre tantas outras coisas. Como
você se sente quando se depara com esse tipo de coisa? Com raiva? Desafiado? Frustrado por
não saber responder? Até mesmo confuso, pois os argumentos pareceram ser convincentes?

Muitos cristãos são confrontados diariamente por causa das suas crenças, e se não soubermos o
mínimo sobre aquilo que dizemos crer, qual credibilidade teremos? Se para o cristão, Deus é a
coisa mais importante da sua vida, tudo aquilo que fortaleça essa crença deveria ser de seu
interesse. Muitos carregam desnecessariamente dúvidas e questionamentos mal resolvidos.
Essas dificuldades podem atrapalhar seu viver cristão, seu relacionamento com Deus e até
mesmo destruir sua fé.

Na grande maioria das vezes, os questionamentos e as dúvidas são apenas preconceitos


infundados, más interpretações, estereótipos ou falta de informação correta. Coisas simples, mas
que podem causar um enfraquecimento na fé do cristão se não for resolvido. A apologética não
substitui a oração nem a ação do Espírito Santo. Quem opera a salvação é Deus - os argumentos
apenas fazem parte do processo de evangelização, uma ferramenta para o fortalecimento da fé.

A fé é à base do cristão, pois sabemos que “sem fé é impossível agradar a Deus”2, mas nossa fé
não deve ser uma fé cega, sem bases nem fundamentos. Pois se nossa fé é cega, qual a diferença
dela para qualquer outra? E se não há diferenças, porque defende-la? Qualquer uma estaria boa.
Se não somos capazes de defender nossa fé, é sinal que talvez nossa fé não seja boa o suficiente
para ser defendida ou nós precisamos aprender melhor a fazê-lo.

Desde o início do cristianismo, muitos se levantaram em defesa dos constantes ataques que a fé
cristã vinha sofrendo. Podemos citar desde o apóstolo Paulo e seus constantes debates nas
sinagogas, praças e tribunais por onde passou. Os chamados “Pais da Igreja”, a geração de
homens dos primeiros séculos que se tornaram lideres nas igrejas cristãs que estavam se
espalhando pelo mundo, tendo um importante papel na defesa contra as heresias. Os famosos
escolásticos medievais, com grandes contribuições filosóficas que ajudaram na compreensão e
defesa dos ataques filosóficos de sua época. E até os dias de hoje, onde a apologética tem
buscado responder aos questionamentos modernos, os anseios e as dúvidas de nosso tempo.

As dúvidas e questionamentos sempre estiveram presentes, faz parte do ser humano. Maria
questionou o anjo3, João Batista teve dúvidas sobre Jesus 4,, Tomé duvidou da ressurreição 5, só
para citar alguns casos. A dúvida não é ruim, mas é algo que deve nos impulsionar em busca da
verdade, “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”6.

2
Hebreus 11:6
3
Lucas 1:34
4
Lucas 7:19
5
João 20:24
6
João 8:32

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A missão da apologética é demonstrar que a fé cristã pode ser aceita por uma pessoa sem que a
mesma cometa um “suicídio intelectual”. O cristianismo além de espiritualmente enriquecedor,
é intelectualmente brilhante. As bases do cristianismo vêm sobrevivendo por séculos aos
ataques, investigações e análises de toda e qualquer natureza, isso é um sinal que o que
acreditamos possui um fundamento forte e que estamos falando de fato a verdade.

A intenção dessa presente apostila é apresentar de modo básico as ferramentas para que as
pessoas possam aprender a como apresentar uma melhor defesa da sua fé, e as estimular a seguir
buscando entendimento e conhecimento de Deus, para que quando o momento apropriado se
apresentar, ela seja capaz de glorificar a Deus respondendo com temor e amor as dúvidas
apresentadas. Para que também ela possa ter sua fé fortificada, sabendo que tudo aquilo que ela
acredita não é baseado num mero “ouvi dizer que”, mas em coisas reais e verdadeiras.

João Calvino dizia que "O cão late quando seu dono é atacado. E eu seria um covarde se visse
a verdade divina ser atacada e continuasse em silêncio." E a verdade está sob ataque, Deus não
nos deu espírito de covardia, mas de ousadia, coragem e intrepidez. Não para que vivêssemos
como cristãos secretos, mas para que anunciássemos as verdades de Deus sem medo de nos
posicionar, pois “por amor de Cristo vos foi concedida a graça de não somente crer em Cristo,
mas também de sofrer por Ele”7.

A história cristã é prova da grande coragem de homens e mulheres de Deus, que sempre foram
firmes em suas ações e palavras, que nunca tiveram medo de se posicionar para defender a
verdade. O mundo moderno nega a verdade, mas a verdade existe e ela pode ser conhecida. A
verdade é Cristo, e tudo que fazemos é para mostrar ao mundo o que ela de fato é.

Pois como já dizia São Atanásio de Alexandria: “Se o mundo for contra a verdade, então eu
serei contra o mundo.”

7
Filipenses 1:29

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Capítulo 1 – Deus Existe?

Iremos começar por uns dos principais questionamentos de todos, a existência de Deus.

A existência de Deus é objeto de questionamento há séculos, por milhares de anos o homem se


pergunta se existe um Deus, ou deuses, e se de fato existem, qual o papel deles na vida humana.
Esse é um questionamento fundamental a todo ser humano, pois a existência de Deus é a chave
de como enxergamos e vivemos toda nossa vida.

Pretendo utilizar 3 argumentos conhecidos para abordar a questão, o argumento cosmológico ou


da causa primeira, o argumento do ajuste-fino e o argumento moral. Irei explicar o que é cada
um deles e como podemos a partir dessa argumentação demonstrar a existência de Deus.

O argumento cosmológico ou da causa primeira

O Argumento Cosmológico ou Argumento da Primeira Causa é um argumento filosófico para a


existência de Deus que visa a buscar uma causa primeira para o Universo. Esse argumento tem
suas raízes nos filósofos gregos Platão e Aristóteles e foi desenvolvido por pensadores
muçulmanos, judeus e cristãos da idade média.

Dentro do cristianismo, este argumento foi mais bem elaborado por Tomás de Aquino na Suma
Teológica.

Filosoficamente falando, é errado dizer que Deus existe. A etimologia da palavra existir,
significa "provir de". Pois tudo que existe procede de algo que não a si mesmo. O objeto não
pode ser sua própria causa. Então nesse sentido, Deus não existe, pois tudo aquilo que existe,
veio a ser, é temporal, finito, causado por alguma coisa. Ou seja, nada disso descreve a um
Deus eterno do qual cremos.

Deus não existe, Deus É! Pois Ele é a própria essência do ser e de toda existência. O próprio
Deus disse a Moisés na sarça quando Moisés o perguntou quem Ele era, e Deus respondeu:
"EU SOU." Pois tudo aquilo que É, não possui causa, é eterno, assim como nosso Criador. Deus
é o motor imóvel, a causa primeira, como dizia São Tomás de Aquino. Então existir, é parte da
essência de Deus, pois Ele é o ser. Nós meros humanos, não somos o Ser, mas o recebemos

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como dádiva do Criador e o deixamos de ser quando morremos. Somos finitos, mortais, meras
criaturas.

Por isso a pergunta frequente dos ateus "quem criou Deus?" não possui lógica alguma. É como
dizer 1+1= sapato. Não faz sentido. Pois algo eterno não pode ser criado.

Então temos o argumento:

Tudo que veio a existência teve uma causa.

O próprio universo veio à existência, portanto, teve uma causa.

Se o objeto não pode ser sua própria causa, 'algo' externo ao universo o causou.

Para ser externo ao universo, é necessário ser eterno e imaterial.

Então a lógica nos conduz a concluir que Deus é o criador universo.

Essa é uma referência a chamada primeira via de São Tomás de Aquino para demonstrar a
existência de Deus.

Mas vamos falar mais sobre a versão do argumento chamado "kalam", essa palavra deriva da
língua árabe e quer dizer discurso. Seu objetivo é demonstrar que o universo teve um princípio
num momento determinado no passado, com uma causa transcendente e com todas as
características que apontam para Deus. Ele segue princípios filosóficos de Tomás de Aquino,
com a diferença de que ele é também confirmado pela ciência moderna.

A Bíblia nos diz, desde o primeiro versículo, que Deus criou o universo; “No princípio, criou
Deus os céus e a terra...”8 E por causa disso, desde sempre, judeus e posteriormente cristãos
sempre creram que o universo não era eterno, mas teve um início, ao contrário da grande
maioria das tradições religiosas que sempre afirmaram que o universo era eterno. Sendo eterno,
não haveria a necessidade de um Criador, então é de suma importância essa diferença.

A partir dessa contradição entre a tradição judaico-cristã e as outras religiões, veremos como o
argumento cosmológico nos mostra que de fato o universo teve um começo e que Deus foi
necessariamente sua causa.

O argumento é o seguinte:

1- Tudo que veio a existir, teve uma causa.

2 - O universo veio a existir.

Conclusão: O universo teve uma causa.

As linhas 1 e 2 são chamadas premissas, e se as premissa estiverem certas, a conclusão também


estará. Vamos analisa-las.

1- Tudo que veio a existir teve uma causa.

8
Gênesis 1:1

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Essa parece meio óbvia, tudo que veio a existir é finito e possui um causa da sua
existência. As coisas não aparecem simplesmente do nada sem nenhuma causa e sem
nenhuma explicação. A própria etimologia da palavra existir significa “provir de”. Achar
que as coisas aparecem do nada, é acreditar em mágica. As evidências científicas e nossa
própria experiência nos garantem que isso é falso. Se assim fosse, veríamos a todo tempo
coisas aparecendo e desaparecendo diante de nós.
Então, uma vez que reconhecemos que nosso universo é constituído de matéria e energia,
temos que encarar a realidade de que elas devem ter vindo de algum lugar, elas não são
eternas e não vieram do nada. Então fica claro que as coisas possuem uma causa da sua
existência.

2 – O universo veio a existir


Como expliquei acima, na crença judaico-cristã, há mais de 2000 anos se acredita que o
universo foi criado por Deus, que ele não era eterno como se acreditavam em muitas
outras religiões. A eternidade do universo é impossível, pois se o passado é infinito, o
presente nunca chegaria, pois só existe o dia de hoje, porque o de ontem terminou. Se
houvesse uma regressão infinita, o dia de hoje nunca chegaria.
A moderna Teoria do Big Bang tenta explicar o início do universo, ela é apoiada por uma
séria de descobertas científicas que demonstram isso, o universo teve um início
determinado no passado.

Segunda lei da Termodinâmica – Afirma que o universo está ficando sem energia
utilizável, caso o universo fosse eterno e estivesse aqui desde sempre, esse tempo já teria
chegado. Ou seja, a segunda lei da termodinâmica nos diz que o universo não pode ser
eterno, mas que teve um início.

O Universo em expansão - Em 1929, o telescópio espacial Hubble fez uma descoberta


fantástica. Um desvio para o vermelho na luz de galáxias distantes mostrou que o Universo
está expandindo-se. Mas de que maneira isso prova que o Universo teve um início? Se ele
está se expandindo hoje, é porque ele não é eterno, ele não existe desde sempre – se
assim fosse, ele seria estático – mas teve um começo.

Radiação do Big Bang - Em 1965, Arno Penzias e Robert Wilson detectaram uma estranha
radiação na antena do Laboratório Bell, em Holmdel, nos Estados Unidos. Por mais que
eles mudassem a direção da antena, aquela radiação permanecia. Primeiramente eles
acharam que aquilo era resultado de dejetos de pombos, mas aquilo permanecia mesmo
após a antena ser limpa, e vinha de todas as direções. Depois de muito trabalho, eles
descobriram aquilo que seria uma das maiores descobertas científicas do século XX, que
chegou a ganhar o Prêmio Nobel: eles tinham descoberto o brilho vermelho da explosão
da bola de fogo do Big Bang.

Geisler e Frank Turek discorreram sobre essa descoberta nas seguintes palavras:

“Tecnicamente conhecida como radiação cósmica de fundo, esse brilho é realmente luz e calor
emanados da explosão inicial. A luz não é mais visível porque o seu comprimento de onda foi
esticado pela expansão do Universo para um tamanho pouco menor do que aquele que é
produzido por um forno de micro-ondas. Mas o calor ainda pode ser detectado. Voltando a

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1948, três cientistas predisseram que, se o Big Bang realmente tivesse acontecido, essa
radiação estaria em algum lugar. Mas, por alguma razão, ninguém havia tentado detectá-la
antes de Penzias e Wilson terem tropeçado nela por acaso há cerca de 30 anos. Ao ser
confirmado, essa descoberta lançou por terra qualquer sugestão de que o Universo esteja num
estado eterno de passividade.”9
Como o cientista Robert Jastrow declara: “ Qual é a última conclusão a respeito da origem do
Universo? As respostas oferecidas pelos astrônomos são desconcertantes e notáveis. E o mais
notável de tudo é o fato de que na ciência, como na Bíblia, o mundo começa como um ato de
criação.” 10

A teoria da relatividade de Einstein - A teoria da relatividade de Einstein implica em um


início absoluto do tempo, espaço e matéria, que são correlacionados, o que significa que
você nunca pode ter um sem os outros. Isso significa apenas duas coisas: ou o nada criou a
matéria e tudo aquilo que existe hoje, ou alguém a criou. Como o nada não é nada e nem
pode criar nada, é evidente que o Universo teve um Criador.

Até agora demostramos que o universo de fato teve um início, que foi criado, que é
impossível que o universo tenha sido sua própria causa, pois como ele seria sua própria
causa antes de existir? Então algo o causou, mas o que poderia ter causado o universo?

Sabemos que essa causa do universo deve ser:

Atemporal e Eterna - Não está limitada ao tempo e ao espaço do nosso universo, pois como a
teoria do Big Bang e a teoria da relatividade de Einstein afirmam, a própria dimensão do
tempo passou a existir após o Big Bang, então antes do Big Bang, o que quer que tenha
existido, não poderia estar preso ao tempo, precisaria ser eterno para que pudesse o causar,
pois, somente algo eterno pode ser “a causa das causas não causada”, isto é, a Causa primeira,
a causa de si mesmo.

Auto-existente - Uma implicação lógica do fato de ser a causa de si mesmo.

Imaterial - Por ser externa ao Universo físico, não poderia ser matéria, já que a matéria
não é eterna e também está condicionada com o espaço-tempo.

Onipotente - Para criar todo o Universo a partir do nada é preciso imenso poder.

Pessoal - a personalidade da causa do universo é implicada por sua eternidade e


imaterialidade, pois as únicas entidades conhecidas possuidoras dessas propriedades são
mentes ou coisas abstratas, e coisas abstratas não existem em relações causais. Portanto,
a causa transcendente da origem do universo deve ser da ordem da mente.

O que é eterno, atemporal, pessoal, imaterial e onipotente? Isso mesmo, Deus.

Todas as evidências da causa do universo apontam para Deus, o Deus que nós conhecemos
como o Criador dos céus e da terra.

9
TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu.
10
Citado por Wiester em The Genesis Connection p.24

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Então resumindo:
“ a causa do universo deve ser uma causa transcendente que esteja além do universo. Essa
causa tem de ser ela mesma não causada, pois já vimos que uma cadeia de causas infinitas
é algo impossível. Ela é, portanto, a causa primeira não causada. Deve transcender o
tempo e o espaço, uma vez que foi ela quem criou a ambos. Logo, deve ser imaterial e não
física. E deve ser inimaginavelmente poderosa, uma vez que criou toda matéria e
energia.”11

Mas o ateu pode dizer “Se o universo tem um causa, então o que causou Deus, quem criou
Deus”? Isso demonstra a completa falta de entendimento do que Deus é e de tudo que
falamos até aqui. Foi logicamente demonstrado que Deus é eterno, ou seja, não-causado,
perguntar a causa de algo não-causado é como pedir o nome de casado de uma pessoa
solteira. O universo teve uma causa, e a causa do universo é necessariamente não-
causada. Falar sobre “deuses criados” é falar sobre o que no cristianismo chamamos de
ídolos, que são os deuses feitos à imagem e semelhança do homem.

Esse é o argumento cosmológico, que busca mostrar que Deus é a causa do universo
através de argumentação lógica de utilizando algumas evidências científicas.

O argumento do ajuste-fino

“Pois os seus atributos invisíveis, seu eterno poder e divindade, são vistos claramente desde a
criação do mundo e percebidos mediante as coisas criadas.” Rm 1:20

O argumento do ajuste-fino é um argumento que se baseia na criação do universo e seu


propósito. O argumento procura mostrar que o universo foi finamente ajustado para suportar
a vida na Terra, e que são tantas as “coincidências”, que levou ate mesmo o ateu Richard
Dawkins admitir que o universo “tem aparência de ter sido projetado”. 12

A vida na Terra é um verdadeiro milagre, pois foram necessárias uma cadeia enorme de
eventos altamente improváveis, e alguns até mesmo matematicamente impossíveis, tivessem
acontecido para que a vida pudesse prosperar aqui na Terra. E não foram eventos isolados, a
maioria era interdependente, como um castelo de cartas, se houvesse uma única falha, tudo
iria por água abaixo.

Desde a antiguidade os filósofos sempre se impressionaram com a ordem do universo, eles


dedicavam boa parte de seu tempo à observação e contemplação dos cosmos. Platão usou
esse entendimento para concluir que deveria haver uma “alma superior” que transformou
todo o caos em ordem. Aristóteles levando o argumento adiante, concluiu que deveria haver a
“causa primeira” de tudo aquilo, como vimos no argumento cosmológico.

“Essa ordem impressionou o famoso cientista Isaac Newton, que disse: "Este belíssimo sistema
no qual estão o Sol, os planetas e os cometas somente poderia proceder do desígnio e do poder
absoluto de um Ser inteligente e poderoso".13
11
Em Guarda – William Lance Craig, p. 108.
12
Richard Dawkins, The Blind Watchmaker.
13
General Scholium", in: Mathematical Principles of Natural Philosophy (1687).

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Mas o que quer dizer ajuste fino? As leis físicas da natureza, ao receber expressão matemática,
contêm várias constantes ou quantidades — como a constante gravitacional ou a densidade do
universo — , cujos valores não são determinados pelas leis em si; o universo governado por
tais leis deve ser caracterizado por qualquer valor de uma ampla variedade possível dessas
variáveis. O que se quer dizer ao usar a expressão “ajuste fino” é que os valores reais
presumidos pelas constantes e quantidades em questão são tais que pequenos desvios neles
tornariam o universo inapto para a vida. Vários exemplos de ajuste fino cósmico podem ser
citados. Veremos alguns deles, no livro: “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman
Geisler e Frank Turek expõem algumas dessas constantes.

Constante antrópica 1 - Nível de oxigênio. Aqui na Terra, o oxigênio responde por 21 % da


atmosfera. Esse número preciso é uma constante antrópica que torna possível a vida no
planeta. Se o oxigênio estivesse numa concentração de 25%, poderia haver incêndios
espontâneos; se fosse de 15%, os seres humanos ficariam sufocados.

Constante antrópica 2 - O grau de transparência da atmosfera é uma constante antrópica. Se a


atmosfera fosse menos transparente, não haveria radiação solar suficiente sobre a superfície
da Terra. Se fosse mais transparente, seríamos bombardeados com muito mais radiação solar
aqui embaixo (além da transparência atmosférica, a composição da atmosfera, com níveis
precisos de nitrogênio, oxigênio, dióxido de carbono e ozônio, é, por si só, uma constante
antrópica).

Constante antrópica 3 - Interação gravitacional entre a Terra e a Lua. Essa constante está
relacionada à interação gravitacional que a Terra tem com a Lua. Se essa interação fosse maior
do que é atualmente, os efeitos sobre as marés dos oceanos, sobre a atmosfera e sobre o
tempo de rotação seriam bastante severos. Se fosse menor, as mudanças orbitais provocariam
instabilidades no clima. Em qualquer das situações, a vida na Terra seria impossível.

Constante antrópica 4 - Nível de dióxido de carbono. Se o nível de CO2 fosse mais alto do que
é agora, teríamos o desenvolvimento de um enorme efeito estufa (todos nós seríamos
queimados). Se o nível fosse menor, as plantas não seriam capazes de manter uma
fotossíntese eficiente (todos nós ficaríamos sufocados.

Constante antrópica 5 - Gravidade. Se a força gravitacional fosse alterada em


0,00000000000000000000000000000000000001 por cento, nosso Sol não existiria e,
portanto, nós também não.62 Isso é que é precisão.

Constante antrópica 6 - Se a força centrífuga do movimento planetário não equilibrasse


precisamente as forças gravitacionais, nada poderia ser mantido numa órbita ao redor do Sol.

Constante Antrópica 7 - A Terra é imensa – seu diâmetro equatorial é cerca de 12.700


quilômetros, e sua massa é de 6,6 x10 21 toneladas. Se a Terra se movimentasse com maior
velocidade ao redor do Sol, em sua órbita de cerca de 952 milhões de quilômetros de
comprimento, a inércia a impeliria para longe do Sol, e se ela se deslocasse para muito longe,
toda a vida cessaria de existir. Se a Terra se movimentasse com uma velocidade pouco menor,

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ela se aproximaria do Sol em sua trajetória, e se chegasse muito perto, de igual maneira toda a
vida pereceria.

Constante Antrópica 8 - Equilíbrio do ciclos Geoquímicos. O equilíbrio é necessário não só para


os ganhos e perdas de energia, mas também para os numerosos ciclos geoquímicos. São bem
conhecidos os ciclos do Carbono e da água, e mais pelo menos 50 outros ciclos minerais são
igualmente importantes para toda a vida sobre a Terra. Se não fosse o intemperismo
constante atuando sobre as rochas, muito Fósforo (que é um elemento mineral crítico tanto
para plantas como para animais, como parte do sistema ATP de transferência de energia)
ficaria incorporado às rochas química ou fisicamente, sendo assim removido do ciclo
respectivo. Esse ciclos são primordiais para a vida na Terra.

Constante Antrópica 9 - A chamada força fraca, uma das quatro forças fundamentais da
natureza, que opera dentro do núcleo de um átomo, é algo tão precisamente ajustado que
uma alteração em seu valor que fosse de uma parte em 10 100 teria impedido a existência de
vida no universo! De modo semelhante, uma alteração na chamada constante cosmológica,
que dirige a aceleração da expansão do universo, que fosse de uma parte em 10 120 teria
resultado em um universo onde a vida não seria possível.

O astrofísico Hugh Ross calculou a probabilidade de que essas e outras constantes — 122 ao
todo — pudessem existir hoje em qualquer outro planeta no Universo por acaso (i.e., sem um
projeto divino). Partindo da ideia de que existem 10 22 planetas no Universo (um número
bastante grande, ou seja, o número 1 seguido de 22 zeros), sua resposta é chocante: uma
chance em 10138 — isto é, uma chance em 1 seguido de 138 zeros! 14 Existem apenas 1070
átomos em todo o Universo. Com efeito, existe uma chance zero de que qualquer planeta no
Universo possa ter condições favoráveis à vida que temos, a não ser que exista um Projetista
inteligente por trás de tudo.

O ganhador do Prêmio Nobel Arno Penzias, um dos descobridores da radiação posterior ao Big
Bang, expõe as coisas da seguinte maneira:

“A astronomia nos leva a um acontecimento único, um Universo que foi criado do nada e
cuidadosamente equilibrado para prover com exatidão as condições requeridas para a
existência da vida. Na ausência de um acidente absurdamente improvável, as observações da
ciência moderna parecem sugerir um plano por trás de tudo ou, como alguém poderia dizer,
algo sobrenatural.”15

O professor e físico Paul Davies escreveu na revista New Scientist uma matéria sobre outra
constante antrópica, sobre a força dos núcleos:

14
Hugh Ross, Why I Believe in Divine Creation", 138-41.
15
Apud Walter BRADLEY, ''The 'Just-so' Universe: The Fine-Tuning of Constants and Conditions in the
Cosmos

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“Poucos são os cientistas que não se impressionam com a quase inconcebível simplicidade e
elegância dessas leis... Até mesmo mínimas variações nos valores de algumas delas alterariam
drasticamente a aparência do Universo. Por exemplo, Freeman Dyson enfatizou que, se a força
entre os núcleos (prótons e nêutrons) fosse apenas alguns por cento mais forte, o Universo
ficaria sem hidrogênio. Estrelas, como o sol – para não mencionar a água – talvez não
existissem. A vida, como a conhecemos, seria impossível. Brandon Carter mostrou que
mudanças muitíssimo menores na constante ‘G’ transformariam todas as estrelas em gigantes
azuis ou anãs vermelhas, com consequências igualmente funestas sobre a vida”.

Diante desses e de outros milhares exemplos espetaculares semelhantes de sintonia fina, Paul
Davies conclui: “Tem-se a impressão de que alguém sintonizou muito bem os números da
natureza para criar o Universo [...]. A impressão de um projeto é avassaladora.” 16

“Dentre todos os lugares possíveis no Universo, a Terra desfruta de condições que não só a
tornam habitável, mas ao mesmo tempo são extremamente adequadas para produzir uma
assombrosa diversidade de medidas, desde a cosmologia e astronomia galáctica até a
geofísica e a astrofísica estelar.”. Essa é a opinião dos cientistas Gonzales e Richards exposta
na obra “O planeta privilegiado“.

O astrônomo Allan Sandage comenta: “Acho muito improvável que essa ordem seja
proveniente do caos. Deve haver algum princípio organizador. Para mim Deus é um mistério,
mas é a explicação para o milagre da existência – por que existe alguma coisa em vez do
nada“.

Em seu livro ''Um ateu garante: Deus existe'' Antony Flew, que foi um dos maiores ateus do
século XX diz: ''Se aceitamos o fato de que há leis que governam o Universo, então temos de
aceitar que existe alguma coisa que impõe essa regularidade no universo''.

Assim, a questão que enfrentamos é esta: Qual é a melhor explicação para o ajuste preciso do
universo? Muitos acreditam que o motivo de o universo ser precisamente ajustado para a vida
está no fato de ele ter sido desenhado ou projetado por um designer inteligente de modo a
permitir a existência de vida, outros preferem acreditar que tudo não passa de mero acaso,
mesmo com as estatísticas sendo extremamente cruéis. Muitos ateus postulam explicações
para se esquivar da conclusão óbvia, mas são apenas especulações infundadas.

Para reforçar ainda mais o argumento, vamos supor um cenário. Você vai para uma ilha
deserta, foi falado que nunca nenhum ser humano pisou lá antes, durante uma volta pela ilha,
você encontra uma placa escrita “Cuidado, propriedade particular.” Você nunca iria pensar que
aquele placa simplesmente apareceu ali, sem nenhuma explicação ou causa. Obviamente a
primeira coisa que lhe passaria pela cabeça seria, “Alguém já esteve aqui e escreveu a placa.”
Nenhuma mente racional acharia que o acaso produziu aquilo ou que isso não possui nenhuma
explicação.

O universo foi intencionalmente projetado, e todo projeto requer um projetista, e o projetista


e criador do universo é Deus.

16
The Cosmic Blueprint, p.203

[Digite texto] Pá gina 13


O argumento moral

Vamos analisar agora o argumento moral.

As raízes do argumento moral a favor da existência de Deus são encontradas em Romanos


2:12-15, onde o Apóstolo Paulo fala que a humanidade é indesculpável porque tem a “lei
escrita no coração”.

O argumento moral em minha opinião é um dos melhores sobre a existência de Deus, pois ele
nos mostra que se Deus não existir, não temos como possuir valores morais absolutos, caindo
então no relativismo. O relativismo tem se espalhado como um câncer na sociedade, quem
nunca ouviu a famosa frase “Isso é verdade para você, não para mim”, ou “não existe um
padrão moral, cada um faz o que traz felicidade.” O relativismo prega que não existe nada
moralmente errado ou certo, no fundo, tudo acaba sendo uma questão de preferências.

Para os relativistas, a moralidade varia de acordo com a cultura, tempos e influências sociais, a
moralidade não transcende a sociedade, mas muda constantemente com ela.

Um erro comum dos relativistas é confundir comportamento e valor, ou seja, eles confundem
aquilo que é com aquilo que deveria ser. O que as pessoas fazem está sujeito a mudanças, mas
aquilo que deveriam fazer, não. Essa é a diferença entre sociologia e moralidade. A sociologia é
descritiva; a moralidade é prescritiva.

Vamos mostrar que o relativismo é um tremendo absurdo, e que na verdade nem mesmo o
relativista acredita de fato naquilo que diz.
Citando C.S Lewis, que nos seus tempos de ateísmo, foi desafiado pelo argumento moral.
“ os homens são assombrados pela ideia de um padrão de comportamento que se sentem
obrigados a pôr em prática, o qual se poderia chamar de conduta leal, decência, moralidade ou
Lei Natural.”17

Em outras palavras, todo mundo sabe que existem obrigações morais absolutas. Uma
obrigação moral absoluta é alguma coisa que é ordenada a todas as pessoas, em todos os
momentos, em todos os lugares. Uma lei moral absoluta implica o Criador de uma lei moral
absoluta.

Toda vez que argumentamos sobre o certo e o errado, apelamos para uma lei superior da qual,
assim supõe-se, todos estão conscientes, à qual aderem e não são livres para mudar
arbitrariamente. O certo e o errado implicam um padrão ou lei mais elevado, e a lei exige um
legislador. Porque a lei moral transcende a humanidade, essa lei universal exige um legislador
universal. Isto é, Deus.

Nós fazemos muitos julgamentos de maneira inconsciente, e nem percebemos que


necessitamos de um padrão para fazer julgamentos. Por exemplo, quando dizemos que o João
é alto, seria alto em relação a alguma coisa, nós o comparamos com outra coisa ou pessoa,
temos um padrão de altura pelo qual dizemos que João é superior.

Ninguém poderia dizer o que seria uma linha torta se não soubesse o que é uma linha reta.
17
Cristianismo Puro e Simples, C.S Lewis. P.21.

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Todos nós nos sentimos indignados quando ouvimos que uma criança foi abusada, logo temos
certeza que o ato é errado e clamamos por justiça. E porque isso ocorre? Porque sabemos que
isso é errado, ninguém precisa nos dizer. Não interessa a sociedade que você vive, abuso
infantil sempre foi e sempre será errado, não importa se digam ao contrário. Mesmo se todo
mundo disser que 2+2=5, isso não muda o fato real que 2+2=4.

Existe um padrão de valores morais universal, que são valores que todas as sociedades da
história perceberam ao longo dos séculos. Por isso não se trata de crer em Deus para ser bom
ou não, não é sobre crer em Deus, mas sobre sua existência. Deus é o padrão, sua natureza é a
perfeição de bondade, amor e justiça. Então mesmo sem crer em Deus, pode-se ser uma boa
pessoa, mas se Deus não existir, quem define o que é bom?

Como disse o autor russo Dostoievski: “Se Deus não existe, tudo é permitido.” 18

Para ilustrar veja essa história:

O professor, que estava lecionando um curso de ética, pediu um trabalho de final de semestre
a seus alunos. Ele disse que os alunos deveriam escrever sobre qualquer aspecto ético de sua
escolha, pedindo apenas que cada qual respaldasse adequadamente sua tese com justificativas
e provas autênticas.

Um dos alunos, ateu, escreveu de maneira eloquente sobre a questão do relativismo moral. Ele
argumentou da seguinte maneira: "Toda moralidade é relativa; não existe um padrão absoluto
de justiça ou retidão; tudo é uma questão de opinião: você gosta de chocolate, eu gosto de
baunilha' e assim por diante. Seu trabalho apresentou tanto suas justificativas quanto as
provas comprobatórias exigidas. Tinha o tamanho certo, foi concluído na data e entregue
numa elegante capa azul.

Depois de ler todo o trabalho, o professor escreveu bem na capa: "Nota F; não gosto de capas
azuis!". Quando recebeu seu trabalho de volta, o aluno ficou enraivecido. Foi correndo até a
sala do professor e protestou:

— "Nota F; não gosto de capas azuis!". Isso não é justo! Isso não é certo! Você não avaliou o
trabalho pelos seus méritos!

Levantando a mão para acalmar o irado aluno, o professor calmamente respondeu:

— Espere um minuto. Fique calmo. Eu leio muitos trabalhos. Deixe-me ver ... seu trabalho não
foi aquele que dizia que não existe essa coisa de justiça, retidão, correção?

— Sim — respondeu o aluno.

— Então que história é essa de você vir até aqui e dizer que isso não é justo,

que não é certo? — perguntou o professor. — Seu trabalho não argumentou que tudo é uma
questão de gosto? Você gosta de chocolate, eu gosto de baunilha? — Sim, essa é a minha
ideia.

18
Fiodor Dostoiévski, Os Irmãos Karamazov.

[Digite texto] Pá gina 15


— Então, está tudo certo — respondeu o professor. Eu não gosto de azul.

Sua nota é F!

De repente, surgiu a lâmpada acima da cabeça do aluno. Ele percebeu que, na realidade,
acreditava nos absolutos morais. Acreditava pelo menos na justiça. Além do mais, estava
acusando seu professor de injustiça por dar-lhe uma nota F baseando-se apenas na cor da
capa. Esse fato simples destruiu toda a sua defesa do relativismo. 19

A moral da história é que existem absolutos morais. Se você realmente quer que os relativistas
admitam isso, tudo o que precisa fazer é tratá-los de maneira injusta. Suas reações vão revelar
a lei moral escrita no coração e na mente deles. Na história, o aluno percebeu a existência de
um padrão absoluto de retidão por meio da maneira pela qual ele reagiu ao tratamento do
professor. Da mesma maneira, posso não considerar que roubar é errado quando roubo de
você. Mas veja quão moralmente ultrajado me sinto quando você me roubar.

A moralidade só pode existir se Deus existir, sem Deus não existe padrão de certo ou errado.

Se Deus não existisse, porque seria errado matar? Torturar? No reino animal não existe
moralidade. Um leão não é imoral quando ataca e mata uma zebra, mas porque se nós
atacarmos e matarmos uma pessoa inocente é errado?

Até mesmo quando o ateu diz que Deus é mal, ele inconscientemente admite uma padrão
moral pelo qual faz seu julgamento.

Em sua época de ateísmo C.S Lewis se questionou:


“ meu argumento contra Deus era que o Universo parecia cruel e injusto demais. Mas de que
modo eu tinha esta ideia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha está torta até
que tenha alguma ideia do que seja uma linha reta. Com o que eu estava comparando este
Universo quando o chamei de injusto? ”20

Como já afirmei, sem um padrão pelo qual medir as coisas, os valores como justo, injusto,
certo e errado se tornam questão de opinião pessoal, e nenhuma opinião vale mais do que a
outra.

Se a lei moral não existe, então não existe diferença moral entre o comportamento de Madre
Teresa de Calcutá e o de Hitler. Do mesmo modo, afirmações como ''Assassinar é um mal", "O
racismo é errado" ou "Você não deve abusar de crianças" não possuem significado objetivo.
São simplesmente as opiniões de alguém, expostas ao lado de declarações como "O gosto do
chocolate é melhor que o da baunilha". De fato, sem a lei moral, termos simples carregados de
valor como "bom", "mau", "melhor" e "pior" não teriam significado objetivo quando fossem
usados no sentido moral. Mas nós sabemos que possuem significado. Quando dizemos, por
exemplo, "A sociedade está melhorando" ou ''A sociedade está piorando", estamos
comparando a sociedade a algum padrão moral que está além de nós mesmos. Esse padrão é a
lei moral que está escrita em nosso coração.

19
Norman Geisler & Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu p.131
20
C.S Lewis, Cristianismo Puro e Simples. p.21.

[Digite texto] Pá gina 16


Em resumo, acreditar no relativismo moral é argumentar que não existem diferenças morais
verdadeiras entre liberdade e escravidão, igualdade e racismo, cuidado e abuso, amor e ódio,
ou vida e homicídio. Todos nós sabemos que tais conclusões são absurdas. Desse modo, o
relativismo moral deve ser falso. Se o relativismo moral é falso, então existe uma lei moral
objetiva, existe o criador dessa lei, que é o padrão, esse padrão é Deus.

Os ateus não conseguem explicar a lei moral, pois para eles “existe apenas o material, mas o
material não possui moralidade. Quanto pesa o ódio? Existe um átomo para o amor? Qual é a
composição química da molécula do homicídio? Essas perguntas não fazem sentido porque
partículas físicas não são responsáveis pela moralidade. Se os elementos materiais fossem os
únicos responsáveis pela moralidade, então Hitler não teve verdadeira responsabilidade moral
por aquilo que fez — ele tinha apenas moléculas. Isso não faz sentido algum, e todo mundo
sabe disso. Os pensamentos humanos e as leis morais transcendentes não são coisas materiais,
assim como as leis da lógica e da matemática também não o são. Eles são entidades imateriais
que não podem ser pesadas ou fisicamente mensuradas. Como resultado, não podem ser
explicadas em termos materiais, por meio da seleção natural ou por qualquer outro meio
ateísta.”21

No final de tudo, o ateísmo não pode justificar por que algo é moralmente certo ou errado. Ele
não pode garantir os direitos humanos ou a justiça final do Universo. Para ser ateu — um ateu
coerente -, você tem de acreditar que não existe realmente nada de errado com homicídio,
estupro, genocídio, tortura ou qualquer outro ato hediondo. Pois se a vida humana não passa
de um insignificante aglomerado de moléculas que acidentalmente se formaram, pouco
importa que fim leve.

Capítulo 2 - De todos os deuses, porque só o Deus cristão é o certo?

Acabamos de ver como a existência de Deus pode ser demonstrada através de argumentos
lógicos. Passamos agora a uma segunda questão importante que muitas vezes é levantada
pelos incrédulos: “ Ok, deus existe, mas quem garante qual deus seja esse, pode ser qualquer
outro deus.” “Não são todas as religiões iguais, sendo apenas caminhos diferentes para Deus?”

Algumas pessoas acham que é impossível saber qual religião a certa, e que seria até mesmo
intolerante apontar erros em outros sistemas religiosos, e acabam caindo no erro
politicamente correto de colocar o certo e o errado no mesmo patamar, achando que todas
são no fundo a mesma coisa.

Como afirma Frank Turek em seu livro:


“Pessoas despreocupadas tendem a acreditar que nenhuma religião é a verdadeira. Esse
sentimento é frequentemente ilustrado pela parábola favorita de muitos professores
universitários: a parábola dos seis homens cegos e o elefante. Ela fala sobre a maneira pela

21
Norman Geisler & Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu p.140.

[Digite texto] Pá gina 17


qual cada cego sente uma parte diferente do elefante e que, portanto, chega a uma conclusão
diferente sobre o objeto que está diante dele. Um deles toca nas presas e diz: "É uma lança!".
Outro segura a tromba e diz: "É uma cobra!". Aquele que está tocando as pernas diz: "É uma
árvore!". O cego que está segurando a cauda pensa: "Estou segurando uma corda!". Aquele
que segura as orelhas conclui: "É uma ventarola!". Por fim, aquele que está ao lado do elefante
afirma: "É uma parede!". Diz-se que esses homens cegos representam as várias religiões
mundiais, porque cada um apresenta uma diferente conclusão sobre aquilo que está sentindo.
As pessoas dizem que, tal como cada um dos cegos, nenhuma religião detém a verdade”.22

Mas se seguirmos com nossa investigação, veremos que isso não se sustenta por um simples
motivo, o princípio da não contradição. Esse principio nos diz que algo não pode ser e não-ser
ao mesmo tempo. Por exemplo, se digo que uma pessoa está grávida, só existe duas
alternativas, ou ela está grávida de fato, ou não. É impossível que ela esteja grávida e não
esteja grávida ao mesmo tempo. Algo não pode ser falso e verdadeiro ao mesmo tempo.

Então, com base nos argumentos que vimos no capítulo 1 sabemos que:

Com base no Argumento Cosmológico, sabemos que Deus é:

Auto-existente, atemporal, imaterial, eterno (uma vez que ele criou o tempo, o espaço e a
matéria, então deve estar fora do tempo, do espaço e da matéria). Em outras palavras, ele é
infinito. Inimaginavelmente poderoso, uma vez que ele criou todo o Universo do nada.
Pessoal, uma vez que ele optou por converter um estado de nulidade (nada) em um Universo
tempo-espaço-material (uma força impessoal não tem capacidade de tomar decisões).

Com base no Argumento Moral, sabemos que Deus é:

O princípio fundamental da moralidade absoluta. O padrão pelo qual podemos ter uma
balança para perceber o que é justo e bom. E sabemos que por Deus ser imutável, essa padrão
não muda.

Com base no argumento do ajuste-fino, sabemos que Deus é:

Um super-intelecto, que criou toda a complexidade do universo e da vida na Terra.


Determinando toda a ordenação de maneira sublime e muitas vezes incompreensível ao
homem.

Então a partir desses princípios que previamente concluímos, podemos juntamente com a lei
da não contradição, eliminar todos os “deuses” das religiões politeístas e as religiões
panteístas. Pois as afirmações dessas religiões se contradizem de maneira irreconciliável com
essas premissas. Vou exemplificar.

Os teístas, por exemplo, (cristãos, muçulmanos e judeus), dizem que o Universo teve um início,
enquanto muitos ateus e panteístas ( seguidores da Nova Era e do hinduísmo) dizem que não
(o Universo é eterno). Essas são afirmações mutuamente excludentes. É impossível que as
duas estejam certas. Ou o Universo teve um começo ou não teve.

22
Norman Geisler & Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu p.13

[Digite texto] Pá gina 18


Existem mitologias, como a nórdica, que nem sequer cogitam a existência de alguma divindade
eterna - tudo começa com o Caos, compreendido em três reinos.

Assim como outras religiões orientais, como Budismo e Confucionismo, que são “religiões sem
deus”, que se baseiam apenas na filosofia de seus fundadores. Sem crenças no sobrenatural,
milagres ou criação divina.

Dentre essas outras religiões, também temos o problema da divinização da natureza, animais,
rios e etc. Fato muito comum na antiguidade, talvez resultado de uma tentativa falha de se
explicar um fenômeno natural desconhecido. Mas na qual o apóstolo Paulo já estava
familiarizado e já lhes mostrava o erro.
“mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e
de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.”23
Além do mais, essas religiões não dão conta de responder sobre muitos aspectos da vida
humana, sobre conceitos morais, sobre a morte, o sentido da vida...não formam uma visão de
mundo coerente com a realidade.
O monoteísmo é a única perspectiva religiosa que faz sentido com a ideia de uma Divindade
Suprema, eterna, perfeita e moral.

Isso é só uma mostra que as religiões não são iguais, pois elas fazem afirmações contraditórias
entre si, não podendo ser todas elas verdadeiras ao mesmo tempo.

Não digo que outras religiões estejam 100% erradas em suas afirmações, pois algumas
parecem ter tido uma percepção correta de um Deus eterno, único e criador. A visão mais
coerente é que muitos povos pré-cristãos tinham uma visão monoteísta, mas por achar que o
Criador do universo era inalcançável, estando distante demais da realidade deles, essa visão foi
se corrompendo até se descambar num politeísmo, onde cada aspecto do Deus verdadeiro foi
transformado em um próprio deus, que aos poucos foi ganhando características
antropomórficas (que são atribuições humanas a divindade). A Bíblia nos da uma evidência
disso, na epístola de Paulo aos Romanos lemos: “ Porque as suas coisas invisíveis, desde a
criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente
se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” 24

Portanto, através da criação podemos perceber a obra do criador. Temos outro exemplo na
narrativa em Atos 17, quando o apóstolo Paulo chega a Atenas. Mesmo em meio a toda
idolatria grega, uma coisa o chama a atenção, o altar ao "deus desconhecido" que os gregos
“louvavam, embora não o conhecessem”. E a partir disso, Paulo faz toda uma pregação
baseada nesse fato, dizendo que aquele deus que eles não conheciam, era o Deus criador “dos
céus e da terra.”

A história do "deus desconhecido" remonta ao século VI a.C, onde trata da história de


Epimênides e a praga que assolava a Grécia naquele tempo. Epimênides era um dos poucos de
sua época que criam em apenas um únicos Deus, apesar de não conhece-lo. Assim como o
filósofo Platão, que possuía uma crença num Deus único: "Ressaltemos, portanto, a razão pela
qual o grande modelador desde universo dinâmico realmente o modelou. Ele era bom, e o que

23
Romanos 1:23
24
Romanos 1:20

[Digite texto] Pá gina 19


é bom não possui em si qualquer partícula de cobiça; sendo, portanto, isento de cobiça, ele
desejada que todas as coisas fossem tão semelhantes a ele quanto possível. É este um princípio
válido para a origem de um mundo dinâmico tanto quanto podemos descobrir a partir da
sabedoria humana..."25

Ou como o chinês Lao-Tzé, que disse no século VI a.C.: "Antes do tempo, e durante o tempo,
tem existido um Ser com existência própria, eterno, infinito, completo e onipresente... Para
além deste Ser, antes do início, não havia nada." 26

A própria Bíblia traz outro relato dessa percepção, o encontro entre Abraão e Melquisedeque,
rei de Salém, narrado em Gênesis 14.

Abrão tinha sido escolhido por Deus, e sobre tinha pousava uma grande promessa: "De ti farei
uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção: abençoarei
os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem" (Gn 12.2-3).

Para resumir a história, certo dia, Abrão e sua caravana passavam por Canaã, próximo a uma
cidade chamada Salém, que significa “paz” na língua dos cananeus, essa cidade tinha por rei
Melquisedeque, que saiu ao seu encontro. O seu nome é uma combinação de duas outras
palavras dos cananeus: melchi - “rei” , e zadok - “ justiça” .

Um “rei de justiça” entre os cananeus, notórios pela sua idolatria, sacrifício de crianças e
homossexualismo? Este “rei de justiça” cananeu, segundo o autor de Gênesis, atuava também
como “sacerdote do (El Elyon)” - “ Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Quem era El Elyon? Tanto El
como Elyon eram nomes cananeus para o próprio Javé. El ocorre frequentemente nos textos
ugaríticos da antiguidade. O termo cananeu El insinuou-se até mesmo na língua hebraica dos
descendentes de Abrão em palavras tais como Betel - “ a casa de Deus” , El Shaddai - "Deus
Todo-poderoso ou Altíssimo” , e Elohim, “ Deus” (forma plural de El que não obstante retém
um significado singular misterioso).

Pergunta: Abrão, o caldeu, que aparentemente chamava o Todo poderoso de Yahweh (Javé),
ressentiu-se do uso feito por Melquisedeque desse termo cananeu El Elyon como um nome
válido para Deus? Não temos de aguardar uma resposta! Melquisedeque agiu de forma a
testar imediatamente a atitude de Abrão: “ Abençoou ele (Melquisedeque) a Abrão, e disse: “
Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo (El Elyon); que possui os céus e a terra; e bendito seja o
Deus Altíssimo (El Elyon), que entregou os teus adversários nas tuas mãos" (Gn 14.19-20).

Será que Abrão ficou ressentido com Melquisedeque por ele não se referir a Deus como
Yahweh (Javé)? Nada disso! A resposta de Abrão foi simplesmente dar a Melquisedeque “ o
dízimo” de tudo que ele havia conquistado. 27

Existe muitos outros exemplos que poderíamos dar sobre o assunto, no livro O Fator
Melquisedeque, o autor relata diversas histórias fascinantes que mostram a semente do
Evangelho deixada por Deus em cada cultura do mundo. Essa é a chamada revelação geral ou
natural de Deus a sua criação, a epístola aos Romanos nos capítulos 1 e 2 nos mostra bem isso.

25
Platão. Timaeus and Criteas. tr. Desmond Lee. 1965. Penguin Classics. Harmondsworth. p. 42
26
Lao-Tzé. Teo-te-ching, tr. Léon Weiger. 1991. Llanerch Publishers. Lampeter. p. 13.
27
Don Richardson, O Fator Melquisedeque p.25

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Tudo leva a crer que o Universo brotou de uma divindade que não faz parte dele, que pertence
à outra instância, que é ela mesma. A própria existência das religiões pode sugerir que essa
Divindade Suprema é um ser relacional, que revelou-Se ao homem e que pode ser
interceptada parcialmente em diversas perspectivas religiosas, mas que cuidou para ser
encontrada especificamente num determinado segmento religioso, proveniente não de uma
descoberta humana, mas de uma revelação que veio a combinar com os anseios mais
primordiais da humanidade - ou seja, uma religião que realmente faz sentido para os nossos
clamores mais profundos, de um Deus que nos conhece. Então mesmo algumas religiões não-
cristãs chegaram a mesma conclusão sobre Deus que chegamos no capítulo 1.

Assim respondemos o problema dos cegos e do elefante com ajuda mais uma vez da Bíblia,
onde em Atos 17: 27 diz: ” Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o
pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;”.

Outras religiões apesar de terem conseguido perceber parte da revelação de Deus de modo
verdadeiro, não o fizeram por completo, assim como os cegos que tocavam parte do elefante.
Mas isso não quer dizer que todas as religiões são iguais ou levem ao mesmo lugar, como já foi
demonstrado falso. O problema do elefante se responde pelo seguinte, alguém que não é cego
sabe no que todos os outros estão tocando, somente alguém que tem a compreensão
completa daquilo pode contar a história.

A partir disso, podemos filtrar a nossa busca para as três religiões monoteístas, judaísmo,
cristianismo e islamismo.

Vamos começar pelo judaísmo:

Sabemos que Jesus era um judeu, assim como seus apóstolos. O cristianismo não é uma
negação completa do judaísmo, mas apenas seu cumprimento. A figura de Jesus Cristo é
central para alcançarmos a verdadeira religião, pois praticamente essas três religiões se
dividem sobre o papel e a natureza de quem foi Jesus Cristo.

“Perscrutai as Escrituras, já que nelas esperais ter a vida eterna; elas dão testemunho de
mim”28

A antiga esperança de Israel pela vinda do Messias ou do Ungido enviado por Deus havia
ganhado nova força durante o século que antecedeu o nascimento de Jesus. O conceito
messiânico mais importante era a ideia de um descendente do rei Davi que iria reinar sobre
Israel e as nações. Mais do que apenas um rei guerreiro, o Messias também seria um pastor
espiritual para Israel.

A palavra grega para Messias é Christos que ele se tornou praticamente um nome próprio:
“Jesus Cristo”. O próprio termo utilizado para descrever seus seguidores, “os cristãos”,
demonstra o quanto era central sua crença de que Jesus era o Messias prometido.

Existem cerca de 300 profecias messiânicas no Antigo Testamento que se cumpriram em Jesus
Cristo. São profecias que anunciam o Cristo centenas de anos antes do seu nascimento e que,

28
(João 5: 39)

[Digite texto] Pá gina 21


até do ponto de vista estatístico, exigiriam intervenção divina para tamanho índice de acerto.
Para citar somente algumas delas.

Profecia: Isaías 7,14: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e
dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco”.

Cumprimento: Mateus 1,18: “Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada
com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo”

Profecia: Oseias 11,1: “Israel era ainda criança, e já eu o amava, e do Egito chamei meu filho”.

Cumprimento: Mateus 2,14: “José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e
partiu para o Egito”

Profecia: Isaías 53,3: “Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores,
experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era
amaldiçoado e não fazíamos caso dele”.

Cumprimento: João 1,11: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”.

Profecia: Salmo 68,22: “Puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para
beber”.

Cumprimento: João 19,29: “Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de
vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca”.

Profecia: Isaías 53:7: "Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca..."

Cumprimento: Mateus 27:12: "E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos,
nada respondeu."

Profecia: Isaías 53:12 : "...contudo levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores
intercedeu."

Cumprimento: Lucas 23:34: "...Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...”

Há um corpo substancial de evidências de que quaisquer profecias no Antigo Testamento


sobre a vinda de um Messias e outros eventos futuros foram registradas de forma confiável.
Elas foram claramente escritas antes do fato, antes de Jesus de Nazaré nascer. Os estudiosos
podem ver, tocar e estudar esses documentos. A credibilidade do registro profético está
firmemente estabelecida. Os manuscritos do mar-morto, as descobertas arqueológicas tem
demonstrado que a cultura, as pessoas e os eventos do Antigo Testamento são confiáveis
possuem evidências sólidas. Abordaremos um pouco mais sobre isso no próximo capítulo.

A probabilidade cumulativa de algumas dessas profecias aleatoriamente se realizarem em uma


única pessoa seria cie 1 chance em 10140. Mesmo que um cético reduzisse de modo substancial
algumas dessas estimativas, o resultado ainda seria julgado impossível. 29

29
Ralph O. Muncaster, Examine as Evidências p.309

[Digite texto] Pá gina 22


O próprio Jesus apelou diversas vezes a esse fato, Ele era o cumprimento das profecias. Ele era
o Messias prometido.

"Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas: não vim para revogar, vim para cumprir" 30

"Então verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória" 31

Veremos como essas afirmações são importantes. Pois a figura de Jesus é o divisor de águas
entre essas três religiões.

Outra história que ilustra a consciência que Jesus tinha de si mesmo como o Messias é a
história da resposta de Jesus a João Batista na prisão (Mt 11.1-6; Lc 7.19-23). Muitos
estudiosos acreditam que essa história provém de uma fonte muito antiga, compartilhada por
Mateus e Lucas. João manda perguntar a Jesus: “Tu és aquele que deveria vir, ou devemos
esperar outro?”. O critério do constrangimento sustenta a historicidade desse episódio, uma
vez que João Batista parece estar duvidando de Jesus. A expressão “aquele que deveria vir”
remete à profecia de João sobre “aquele que vem depois de mim” (Jo 1.27; Mc 1.7). A resposta
de Jesus é uma combinação de profecias extraídas de Isaías 35.5-6; 26.19; 61.1, sendo que a
última delas explicitamente menciona ser o Ungido de Deus: “Jesus lhes respondeu: Ide e
contai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os paralíticos andam; os leprosos
são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o
evangelho. E bem-aventurado aquele que não se escandalizar por minha causa” (Mt 11.4-6).32

No entanto, até mais convincente do que as palavras de Jesus são as suas ações, que revelam
seu senso de ser o Messias. Sua entrada triunfal em Jerusalém foi uma afirmação dramática e
provocativa do seu status messiânico. A história é contada de forma independente por Marcos
e João (Mc 11.1-11; Jo 12.12-19). Eles, no entanto estão de acordo quanto ao coração da
história: uma semana antes da sua morte, Jesus entrou em Jerusalém montado em um
jumentinho e foi saudado pela multidão que ali se reunira para a festa da Páscoa, que
exclamava: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor antecipando a vinda do reino de
Davi.”

Para confirmar seu status messiânico, Jesus realizou milagres no meio do povo, que são
relatados de modo abundante por todo o Novo Testamento. É interessante notar que mesmo
algumas fontes não-cristãs conhecidas como inimigas de Jesus também fizeram alusão aos
milagres. Por exemplo, escritos no Talmude judaico chamaram Jesus de "feiticeiro" [numa
clara alusão aos seus feitos miraculosos], e também Celso, que foi um filósofo grego do século
II, que tendo escrito um livro contestando a vida de Jesus, foi refutado por Orígenes: “ Jesus,
um filho ilegítimo, que fora empregado como serviçal no Egito em função de sua pobreza, e
tendo aí adquirido alguns poderes mágicos, nos quais os egípcios tanto se orgulham, e [então]
retornou ao seu país, sendo exaltado por conta deles, e por meio deles se proclamou como um
deus”. 33

30
Mateus 5:7
31
Marcos 13:26 - referência a Daniel 7:13, 14)
32
Willian Lance Craig, Em Guarda p.221
33
Origenes, Contra Celsum, 1.28;

[Digite texto] Pá gina 23


Para corroborar essa visão de que Jesus era reconhecido por fazer milagres, veja a opinião de
alguns estudiosos. O professor Craig S. Keener, Ph.D em estudos do Novo Testamento diz: " A
maioria dos estudiosos do Jesus histórico, independente da sua orientação teológica pessoal,
concordam que Jesus arrastou multidões que acreditavam que ele curava e expulsava
demônios."34

O professor de Teologia Eric Eve afirma: “Isso deixa Jesus como o único sobrevivente da
literatura judaica de seu tempo a ser retratado a ter realizado várias curas e exorcismos." 35

E o professor de estudo no Novo Testamento David Aune confirmar que: " Existem pouca
dúvidas que de fato o Jesus histórico era um exorcista e curava as pessoas" 36

Até mesmo o Alcorão, livro sagrado na religião islâmica, reconhece os milagres de Jesus.
No Alcorão é atribuída a Jesus a seguinte frase: “Eu também curo o cego e o leproso.” 37

Podemos atestar então que o ministério de curas e milagres de Jesus é amplamente


confirmado por diversas fontes. Elevando-o de fato ao status messiânico pelo qual foi
reconhecido pelos seus seguidores.

Muitos judeus desde a época de Jesus o reconheceram com Messias, como o próprio apóstolo
Paulo, que de perseguidor da Igreja virou uma dos maiores evangelistas de todos os tempos.

Mas no geral, os judeus rejeitaram a Jesus porque naqueles dias eles acreditavam que o
Messias viria, que os libertaria do opressivo jugo romano e restauraria o reino terrestre de
Israel. Antes de Jesus iniciar seu ministério, surgiram vários líderes carismáticos que
promoviam a oposição violenta contra o domínio político existente. As ações desses homens
provavelmente influenciaram as expectativas das pessoas em relação ao Messias. Os judeus
esperavam um líder politico/guerreiro, e não alguém que falasse do reino dos céus e
condenasse sua hipocrisia religiosa.

Outro fator importante, são as afirmações divinas que Jesus faz sobre si mesmo, fato que
chocou os judeus de seu tempo. E no islamismo, mesmo apesar das atribuições miraculosas a
Jesus e sua vida sem pecado, eles não enxergam Jesus como Deus encarnado, mas apenas
como mero profeta usado por Deus. Esse é outro fator determinante para diferenciar a
verdade dentre essas religiões.

O próprio Jesus alegou ser eterno, ao falar aos judeus sobre Abraão, Jesus disse: “Antes que
Abraão fosse, eu sou” (João 8:58). Isto levaria os judeus de volta ao tempo quando Yahweh
falou a Moisés no arbusto ardente, declarando ser “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3:14). Por
causa desta declaração os judeus pegaram pedras para atirar em Jesus, pois eles sabiam as
suas implicações. Nesta afirmação, Jesus estava declarando existência eterna e
autossuficiência. Se ele não fosse Deus, então isto realmente seria blasfêmia.

34
Craig S. Keener, Will the real historical Jesus please Stand up?
35
Eric Eve, The jewish context of Jesus miracles
36
David Aune, The New Testament in Its Literary Environment

37
Alcorão 3:49

[Digite texto] Pá gina 24


Ele declarava ter autoridade para perdoar pecados. Marcos 2 registra quando Jesus,
confrontado com um homem paralítico, simplesmente disse: “Filho, teus pecados são
perdoados”. Os judeus pensaram que isto era errado, pois ninguém “pode perdoar pecados a
não ser Deus somente”. De modo a provar que ele tinha autoridade para perdoar, Jesus curou
o homem. O direito a perdoar pecados é um direito divino.

Em João 17, Jesus declarou durante sua oração compartilhar a glória do Deus criador antes
mesmo da criação do universo. “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela
glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”

Jesus também declarou ser o único caminho para a salvação. Ele disse: “Eu sou o caminho, a
verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6). Não se pode ficar neutro
diante de uma declaração como esta. Ela é estreita e exclusiva. Mais tarde, os apóstolos
testemunharam que não há outro nome dado pelo qual podemos ser salvos (Atos 4:12).

Além de ter declarado que “Ele e o Pai eram um” (João 10:30). Ele não se referiu a si mesmo
como um filho de Deus, mas O Filho de Deus, que tinha autoridade para perdoar pecados, e
iria julgar as nações no dia do juízo.

Então Jesus foi o Messias esperado pelos judeus, mesmo apesar de oficialmente não o terem
reconhecido como tal. E ele foi muito mais que um profeta como afirma o islã. Irei demonstrar
como o conceito que a religião islâmica tem sobre Jesus é falho, e principalmente, no chamado
“calcanhar de Aquiles” do islã, que é a crucificação de Jesus.

Uma brevíssima introdução da história do islã.

Até o século VI, a região da Península Arábica era habitada predominantemente por tribos
nômades, existiam ali muitos judeus e cristãos. Aos 25 anos, Maomé casa-se com Cadija, cuja
visão religiosa provavelmente exerceu forte influência sobre ele. Cadija era ebionita; fazia
parte de uma seita que aceitava a Torá e reconhecia Jesus como um profeta, mas não como
Deus. Uma heresia cristã antiga que o apóstolo Paulo muito combateu nas suas epístolas, os
judaizantes.

No ano de 610 d.C, durante um de seus retiros espirituais, Maomé alega ter recebido supostas
revelações do Arcanjo Gabriel, as quais ele anota no Alcorão, que se tornaria o livro sagrado do
islã.

A partir dessas revelações, ele tenta convencer sua tribo que era pagã e adorava vários ídolos,
de que existia somente um único Deus. E para convencer os judeus e cristãos que a mensagem
dele era a revelação final, ele misturou aspectos do judaísmo e cristianismo. Por isso no
Alcorão se fala sobre Abraão, Moisés e Jesus.

Maomé foi um líder político e um guerreiro habilidoso, para resumir a história, seus exércitos
conquistaram toda península Arábica em pouco tempo e espalharam a força a religião
islâmica, invadiram a Europa e pouco tempo depois conquistaram Jerusalém.

Mas a questão central aqui é o que o Alcorão fala sobre Jesus.

[Digite texto] Pá gina 25


Maomé nasceu mais de 600 anos após Jesus, e naquele tempo, o cristianismo já possuía seus
escritos sagrados, igrejas espalhadas pelo mundo, e uma teologia bem firme es estruturada.

Então tudo que Maomé poderia saber sobre Jesus, já havia sido revelado pelo próprio Jesus
aos seus seguidores e posteriormente, colocado nos evangelhos. Se quisermos saber a verdade
dos fatos, precisamos ir direto a fonte. Em quem acreditaríamos quando o assunto é Jesus?
Nas pessoas que o conheceram e viveram com ele por alguns anos e testemunharam tudo que
aconteceu, ou uma pessoa desconhecida, 600 anos depois, num lugar distante, que nunca nem
chegou perto de ninguém que tenha visto a Cristo?

O Alcorão diz algumas verdades sobre Jesus, pois como já vimos o cristianismo já era
amplamente conhecido naquela região, e provavelmente Maomé aprendeu sobre Jesus
também da perspectiva da sua esposa ebionita.

O Alcorão reconhece que Jesus nasceu de uma mulher virgem, que Jesus não pecou, e são
afirmados vários milagres que Jesus fez, enquanto no próprio Alcorão, não é atribuído nenhum
milagre a Maomé. Jesus no Alcorão é ascendido ao céu com seu corpo; como afirmavam
centenas de anos antes os evangelhos. Os muçulmanos não duvidam que o corpo de Maomé
está enterrado em Meca, onde peregrinam todos os anos. Também peregrinam nos túmulos
de muitos outros profetas. Mas sabem que não há um tumulo de Jesus, e que o corpo de Jesus
não esta enterrado, e que o Santo Sepulcro não tem nenhum de seus restos mortais, como
sabem também os cristãos. O Alcorão mesmo diz que Deus elevou a Jesus acima no céu. E
acrescenta assim que “não o mataram nem o crucificaram, embora isso lhe pareça para eles”
(Sura 4:157-158).

Muitos estudiosos muçulmanos tem se convertido ao cristianismo após começarem estudos


sobre a Bíblia e a história do cristianismo. Mas muitos se convertem somente pela leitura do
Alcorão. Como o ex-clérigo muçulmano Mario Joseph, que após ler o Alcorão diversas vezes,
percebeu na figura de Jesus algo peculiar e questionou seu professor.

"Eu não chamava Jesus de Deus. Minha ideia era de que ele era um profeta, porém maior do
que Maomé. Então, um dia, eu fui a um professor, que tinha me ensinado por 10 anos no
colégio árabe, e perguntei-lhe: 'Professor, como Deus criou o universo?' Ele disse: 'Deus criou o
universo por meio da palavra, através da Palavra'. E eu perguntei, então: 'A Palavra é criadora
ou criatura?' Se ele dissesse que a Palavra de Deus era criadora, isso significaria que Jesus é
criador e, portanto, os muçulmanos deviam fazer-se cristãos. Se ele dissesse que a Palavra é
criação, ele cairia em contradição porque, se tudo foi criado pela Palavra, como Deus, então,
teria criado a Palavra? Não podendo dizer que a Palavra é criadora nem criatura, ele, furioso,
empurrou-me da sua sala e disse: 'A Palavra não é criadora, nem criatura, saia já daqui'." 38

Mas o maior erro do islã é sobre a morte de Jesus. Como é afirmado pela Sura 4:157-158, “não
o mataram nem o crucificaram, embora isso lhe pareça para eles”, eles negam a morte por
crucificação de Jesus, e isso é a pedra no sapato da teologia islâmica, pois a crucificação de
Cristo é um dos fatos históricos mais bem atestados.

38
padrepauloricardo.org/blog/ex-clerigo-muculmano-foi-o-corao-que-me-converteu-ao-cristianismo

[Digite texto] Pá gina 26


A morte na cruz de Jesus é muito bem atestada pelos 4 evangelhos e por todo o Novo
Testamento. Foi um evento real ocorrido no primeiro século, atestado também por
historiadores seculares. Vejamos os fatos:

O historiador judeu do primeiro século Flavio Josefo relata:


"Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o
crucificassem."39

O historiador romano Tácito, considerado um dos maiores historiadores romanos, viveu no


final do primeiro século e escreveu:
"Consequentemente, para livrar-se da delação, Nero colocou a culpa e infligiu as mais terríveis
torturas sobre uma classe odiada por suas abominações, chamada pelo populacho de cristãos.
Christus, do qual o nome é originado, sofreu a pena capital durante o reinado de Pôncio
Pilatos... Além de sua morte, houve zombarias de todo o tipo. Cobertos por peles de animais,
eles foram rasgados por cães e pereceram, ou pregados a cruzes, ou condenados pelo fogo e
queimados, para servir de iluminação noturna quando a luz do dia havia expirado. Nero
ofereceu seus jardins para o espetáculo." 40

Temos também Luciano de Samosata, que foi um escritor do século II, nascido em Samosata
na Síria, relata em seus escritos o seguinte: “...o homem que foi crucificado na Palestina
porque introduziu uma nova seita no mundo." 41

Sem mencionar os chamados Pais da Igreja primitiva, alguns inclusive tiveram contato direto
com os apóstolos, e foram ensinado por eles sobre Jesus, eles escreveram cartas e livros nos
primeiros séculos, que também afirmam a morte na cruz por Jesus. Entre eles, Clemente,
Policarpo, Tertuliano, Justino, Irineu entre outros.

Mesmo os judeus, inimigos de Cristo, séculos mais tarde escreveram que Jesus foi crucificado
na véspera da Páscoa, por práticas de feitiçarias e conduzir Israel a apostasia. 42

Se isso já não fosse evidência o suficiente, ainda tem o chamado “Alexamenos graffiti”43 que é
um grafite gravado em gesso, retratando um desenho satírico ao cristianismo, encontrado
próximo ao Circus Maximus em Roma, datado aproximadamente do ano 200 d.C Nele é
exibido Alexamenos, um romano, provavelmente um soldado, adorando a um homem
crucificado com cabeça de um animal como a um Deus. No grafite está escrito: "ALE XAMENOS
SEBETE THEON", que significa, " Alexamenos adora o seu Deus". O desenho obviamente feito
por pessoas que desejavam zombar da fé dos cristãos romanos. O grafite, apesar de blasfemo,
é uma das mais antigas alusões visuais de Jesus crucificado. Mostrando a incapacidade dos
romanos de entender a adoração a um homem considerado Deus que tinha sido morto de tal
forma.

Isso está de acordo com o que Paulo escreve na cartas aos Coríntios:” "Pois a mensagem da
cruz é loucura para os que estão sendo destruídos, porém para nós, que estamos sendo salvos,

39
Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 18.4
40
Tático, Anais 15.44
41
Luciano de Samosata, O Peregrino Passageiro
42
Sanhedrin 43a
43
biblicalarchaeology.org/daily/biblical-topics/crucifixion/jesus-and-the-cross/

[Digite texto] Pá gina 27


é o poder de Deus." Pois de fato deveria ser difícil entender como um ser como Jesus poderia
sofre uma morte terrível como a crucificação.

Sendo que foi o próprio Jesus que profetizou a sua própria morte por crucificação e posterior
ressurreição, como pode ser visto por todo evangelho.

“ Então começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muitas
coisas, que fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, que fosse
morto e que depois de três dias ressuscitasse.” (Marcos 8:31-33)

“ Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e
aos escribas; eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios para ser escarnecido,
açoitado e crucificado, e ao terceiro dia ressuscitará.” (Mateus 20:17-19)

Historicamente Jesus realmente morreu por crucificação, algo que o Alcorão tenta negar por
razões teológicas, não históricas.

Os Islã agora fica numa péssima situação, se Jesus realmente profetizou sua morte e
ressurreição, como é abundantemente atestado por diversas fontes, e de fato aconteceu como
nos dizem todas as evidências analisadas, e sendo que próprio Alcorão nos diz que Jesus era
um Verdadeiro Profeta, como pode ser visto nas Suras 2:87, 2:136, 2:253; 3:45; Como então
eles vão contra toda a historia antiga, todas as evidências e contra o próprio Jesus ao afirmar
que Cristo não foi crucificado? Se Cristo não foi crucificado, ele errou em suas profecias,
portando não foi um verdadeiro profeta como afirma o Alcorão. E se Jesus foi de fato
crucificado, como afirma toda a história, isso contradiz o Alcorão que afirma que esse fato não
ocorreu. Então seja como for, isso mostra como a visão do Alcorão sobre Jesus é errônea nesse
sentido.

Então vimos que entender a figura de Jesus Cristo é essencial para se determinar a diferença
entre essas religiões, vimos que as evidências apontam na direção do cristianismo. Se
quisermos compreender quem foi Jesus, a melhor fonte histórica é o Novo Testamento, pois é
um conjunto de documentos históricos confiáveis para análise da vida, obra, morte e
ressurreição de Cristo. E nem mencionei os fatos sobre a ressurreição, que seria a “chave de
ouro” do cristianismo sobre as outras religiões e confirmaria sem sombra de dúvidas sua
veracidade. Abordaremos aos fatos sobre a ressurreição nos próximos capítulos em detalhes. E
vamos ao próximo capítulo, sobre a confiabilidade histórica da Bíblia.

[Digite texto] Pá gina 28


Capítulo 3 – A Bíblia é confiável?

Após passar por dois capítulos que onde conseguimos demonstrar a existência de Deus e como
a visão cristã de Deus é a mais coerente, vamos adentrar em mais uma parte muito
importante, a confiabilidade do relato bíblico.

Porque podemos confiar no relato bíblico? Será que a Bíblia foi adulterada para enganar as
pessoas? Seriam os relatos bíblicos fruto de um mito?

Será demonstrado através de argumentos baseados em evidências históricas, arqueologia e


estudos comparativos com outros documentos históricos, como a Bíblia, principalmente o
Novo Testamento, é muito superior a qualquer outro documento antigo em matéria de
confiabilidade histórica. Estamos provando aqui não a inspiração, mas a credibilidade histórica
das Escrituras. Deve-se testar a credibilidade histórica das Escrituras pelos mesmos critérios
usados para testar todos os documentos históricos.

Mas antes de analisarmos a Bíblia, o que é a Bíblia?

A Bíblia não pode ser considerada exatamente um livro e sim uma coleção deles reunidos ao
longo de aproximadamente 1500 anos com cerca de 40 autores humanos diferentes. Os
autores foram reis, pescadores, sacerdotes, oficiais do governo, fazendeiros, pastores e
médicos. Escrita em três idiomas e em três continentes diferentes. Ela foi escrita no deserto,
em tempos de exílio, em tempos de guerra, na prisão, durante viagens, em tempos de paz, sob
forte perseguição e até numa ilha prisional grega.
De toda essa diversidade surge uma unidade incrível, com temas em comum por todo o seu
percurso. E uma única verdade que vai se revelando, redenção do homem por parte de Deus.

A Bíblia pode confundir um leitor inexperiente ao não entender que, em geral, ela não
obedece a uma ordem cronológica. O Antigo Testamento foi agrupado de acordo com os
seguintes tópicos: 1) Torá, 2) os outros livros históricos, 3) literatura e 4) Profecias, e
distribuída em subgrupos em ordem cronológica dentro destas categorias, e segundo a ordem
da canonização feita pelos judeus.

O Novo Testamento começa com os três Evangelhos sinóticos (similares), seguidos pelo livro
de João. Em seguida, vem o livro histórico dos Atos dos apóstolos, que se acredita ser uma
continuação do livro de Lucas. As cartas de Paulo vêm em seguida no Novo Testamento, e
depois as cartas dos outros apóstolos. E o Novo Testamento termina com o livro do
Apocalipse.44

A Vulgata (versão da Bíblia em latim) foi o primeiro livro a ser impresso. Além disso, a Bíblia é o
livro mais impresso até os dias de hoje e com maior circulação do mundo. 45
44
Ralfh O. Muncaster - Examine as Evidências p. 143
45
Stanley Lawrence, ed. Cambridge History of the Bible

[Digite texto] Pá gina 29


A visão que a Bíblia apresenta de Deus, do universo e da humanidade estava presente em
todas as principais línguas ocidentais e, portanto, no processo intelectual do homem ocidental
(...). Desde a invenção da imprensa, a Bíblia se tornou mais que a tradução de um livro antigo
de literatura oriental. Ela não se parece com um livro estrangeiro, e tem sido a fonte mais
confiável, disponível e familiar e árbitro dos ideais intelectuais, morais e espirituais do
ocidente."46

Apesar de no início ter sido escrita em material perecível, tendo que ser copiada e recopiada
durante centenas de anos, antes da invenção da imprensa, não prejudicou seu estilo, exatidão
ou existência. Comparada com outros escritos antigos, a Bíblia possui mais provas em termos
de manuscritos do que, juntos, possuem os dez textos de literatura clássica com maior número
de manuscritos.

O filósofo indiano Vishal Mangalwadi, após um extenso estudo demonstra a grande influência
das Escrituras Sagradas em praticamente cada faceta da civilização ocidental. Da política à
ciência, à academia e à tecnologia, das artes à música, a Bíblia tornou-se a chave que abriu a
mente do Ocidente. A influência dos ensinamentos bíblicos e a pessoa de Jesus construíram as
bases da civilização ocidental. 47 Analisaremos essas contribuições do cristianismo para o
mundo com mais detalhes nos capítulos futuros.

Após essa breve introdução sobre a Bíblia, vamos analisar os fatos. Como podemos afirmar
que um documento histórico é confiável?

Ninguém duvida da existência de Alexandre, O grande e suas conquistas, ou o grande


imperador romano Júlio César . Vários eventos na história são amplamente aceitos sem muitos
questionamentos, mas quando se trata de Bíblia, sempre existe um ceticismo exagerado, o
padrão se eleva, e nenhuma evidência em favor dela parece ser boa o suficiente.

Para avaliar a confiabilidade histórica de um documento, geralmente se utilizam os seguintes


métodos:
- Teste bibliográfico

- Teste das evidências internas

- Teste das evidências externas

- A arqueologia

Por se tratar de eventos antigos, quanto mais próximos pudermos chegar ao fato histórico que
estamos analisando melhor. E quanto mais evidências internas e externas que corroborem as
informações, mais confiável o documento é.

Vamos aos fatos!

46
Grady Davis, History of the world.
47
Vishal Mangalwadi , O livro que fez o seu mundo.

[Digite texto] Pá gina 30


Começando pelo teste bibliográfico.

O teste bibliográfico é um exame da transmissão textual pela qual os documentos chegam até
nós. Em outras palavras, uma vez que não dispomos dos documentos originais, qual a
credibilidade das cópias que temos em relação ao número de manuscritos e ao intervalo de
tempo transcorrido entre o original e a cópia existente?

Avaliar a qualidade das cópias torna-se um aspecto fundamental para se verificar a qualidade
do documento, e quanto mais cópias disponíveis para estudo melhor, pois comparando as
cópias entre si ao longo da histórica, pode-se facilmente detectar os erros e possíveis
alterações. E quanto menor o intervalo entre elas significa menos tempos para que
adulterações dos textos surjam, e quando mais próximos do evento histórico as cópias são,
melhor.

Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento.


Acrescente-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos,
9.300 de outras antigas versões, e teremos hoje mais de 24.000 cópias de porções do Novo
Testamento. Nenhum outro documento da história antiga chega perto desses números e dessa
confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643
manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero
data do século treze.48 Nenhum outro documento da antiguidade tem um intervalo tão
pequeno entre as cópias e os originais.

Por exemplo, embora as Gathas, livros sagrados da religião persa de Zoroastro, que datam de
1000 a.C, sejam consideradas autênticas, a maior parte das escrituras do zoroastrismo só
foram postas por escrito no século III d.C. A biografia pársi mais popular de Zoroastro foi
escrita em 1278 d.C. Os escritos de Buda, que viveu no século VI a.C, só foram registrados
depois da era cristã. A primeira biografia de Buda foi escrita no século I d.C. Embora as
palavras de Maomé (570-632) estejam registradas no Alcorão, sua biografia só foi escrita em
767 d..C, mais de um século depois de sua morte. Portanto, o caso do Novo Testamento não
tem paralelo. 49

O mais antigo dos manuscritos do Novo Testamento é uma tira de papiro designada (p52) que
contém partes do evangelho de João e data da primeira terça parte do século II d.C., menos de
quarenta anos depois que o Evangelho de João foi escrito nos anos 90. Mais de trinta papiros
datam do período entre o fim do século II até o início do século III. Alguns destes papiros
contêm grandes trechos de livros inteiros do Novo Testamento. Um deles abrange grande
parte dos Evangelhos e do livro de Atos (p4S); outro, grande parte das epístolas de Paulo (p46).
Quatro Novos Testamentos muito confiáveis e quase completos datam do século IV. 50

E estudos recentes demonstram uma descoberta fascinante, o Dr. Gary Habermas, afirmou
que o um recente manuscrito encontrado no Egito, que continha parte do evangelho de
Marcos, foi analisado por um especialista em paleologia (especialista em antiguidades) que

48
Josh McDowell, Evidência que Exige um Veredito. p.44
49
Edwin Yamauchi, citado por Lee Strobel, Em defesa de Cristo p.49.
50
Craig Blomberg, Questões cruciais do Novo Testamento. p. 16

[Digite texto] Pá gina 31


datou o fragmento como tendo sido escrito entre 80-110 DC. Se a data se mantiver,
demonstraria que o Evangelho de Marcos circulou no século I, encurtando o tempo entre a
morte de Jesus e a evidência escrita. Em suma, seria uma evidência histórica fornecendo
testemunhas oculares antigas sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus.

Para visualizar melhor a questão de quantidade de cópias, intervalos entre elas, veja o quadro
comparativo.

Perceba que comparando as principais obras da antiguidade, o Novo Testamento leva a


melhor em todos os critérios de avaliação.

Se os céticos aplicassem à Bíblia os mesmos padrões que os historiadores e estudiosos de


textos aplicam à literatura secular da antiguidade, os registros bíblicos seriam aceitos como os
mais dignos de confiança e de credibilidade entre todos os documentos antigos.

Mas como foi bem observado por Richard Purtill, em seu livro Thinking About Religion
[Pensando em religião]: “Às vezes se afirma que os historiadores simplesmente encaram a
história do Antigo e do Novo Testamento como não confiáveis, com base em algum argumento
histórico independente. Mas [...] muitos eventos considerados verídicos do ponto de vista
histórico estão bem mais longe da evidência documental do que muitos eventos bíblicos, e os
documentos nos quais os historiadores se apoiam para a maioria da história secular foram
escritos muito tempo depois da ocorrência do evento do que inúmeros relatos de eventos
bíblicos. Além disso, temos bem mais cópias de narrativas bíblicas do que de histórias
seculares, e as cópias existentes são mais antigas do que aquelas sobre as quais se baseia a
nossa evidência da história secular. Então, por que os modernistas duvidam dos relatos
bíblicos?

[Digite texto] Pá gina 32


Se as narrativas bíblicas não contivessem relatos de eventos miraculosos ou não fizessem
referência a Deus, aos anjos e assim por diante, a história bíblica provavelmente seria
encarada como muito mais verídica do que a maioria da história da Grécia clássica ou de
Roma.”51

O teólogo John Warwick Montgomery afirma que "ter uma atitude cética quanto ao texto
disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antiguidade clássica se torne
desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado
bibliograficamente como o Novo Testamento." 52

O eminente estudioso e uma das maiores autoridades acadêmicas em Novo testamento F. F.


Bruce declara: "No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do
Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual". 53

Mostramos como é importante no processo de determinação da confiabilidade histórica, a


quantidade de cópias, o intervalo entre o original e as cópias e a proximidade entre as cópias e
o evento que elas narram. E em todos os quesitos o Novo Testamento é incrivelmente
superior.

Vamos avaliar ainda outra questão importante, as chamadas variantes textuais dessas cópias.

Mas o que são variantes textuais?

É qualquer variação nas palavras dentro dos manuscritos, podendo ser na ordem, omissão de
palavras, adição e até mesmo erros ortográficos. Mesmo o menor erro, por mais irrelevante
que seja, conta como uma variante. Os estudiosos afirmam que no Novo Testamento em
grego, existem por volta de 200.000 variantes textuais. Parece muito, mas não se trata de
quantidade, mas sim da qualidade delas. Se um manuscrito contém um erro, e suas cópias
preservarem esse erro, todas às vezes ele será contabilizado.

A razão por haver tantas variantes textuais, se dá pelo fato de existirem milhares de
manuscritos disponíveis para estudo, o que é excelente. Quanto maior o número de
manuscritos, maior o número de variantes textuais, consequentemente, maior a probabilidade
de se chegar aos fatos originais. A quantidade de manuscritos é de suma importância para
atribuir confiabilidade histórica a um texto, como já pudemos demonstrar. Então, ao contrário
das críticas de alguns céticos, o número de variantes textuais por si só não indica corrupção de
um texto.

Mas quais são os tipos de variantes textuais que temos no Novo testamento?

Após estudo criterioso, os especialistas chegaram a seguinte conclusão:

99% delas são irrelevantes para a compreensão do texto. São erros ortográficos irrelevantes,
diferenças de estilo de escrita ou uso de sinônimos. Por exemplo, é está escrito: João, Pedro e
Tiago foram à casa de Maria. E foram à casa de Maria, João, Pedro e Tiago. Essa diferença já é
contada como variante textual, apesar o significado da frase ser o mesmo.
51
Richard Purttill, Thinking about religion.
52
John W. Montgomery, History and Christianity.
53
F.F Bruce, The Books and the Parchments .

[Digite texto] Pá gina 33


Somente menos de 1% do total de variantes são significativas ou afetam o significado da
palavra no texto. Mas em nenhuma delas, nenhuma doutrina cristã está envolvida. Nenhum
ponto da fé cristã é afetado por essas variantes. Utilizar o número de variantes textuais contra
a confiabilidade dos textos é um grande erro que não resiste à investigação e ao estudo
criterioso dos fatos.54

Sir Frederic Kenyon (grande autoridade no campo da crítica textual do Novo Testamento)
declara enfaticamente que as variações textuais não representam ameaça à doutrina:
"Finalmente, deve-se enfatizar uma palavra de advertência já pronunciada anteriormente.
Nenhuma doutrina fundamental da fé cristã depende de algum texto controvertido..." "Nunca
é demais lembrar que, em sua maior parte, o texto da Bíblia é fidedigno, especialmente no
caso do Novo Testamento. O número de manuscritos do Novo Testamento, de antigas
traduções do Novo Testamento e de citações pelos mais antigos escritores da Igreja, é tão
grande que é praticamente certo que o texto autêntico de cada passagem duvidosa encontra-
se preservado em uma ou outra dessas antigas autoridades. De nenhum outro livro antigo em
todo o mundo se pode dizer o mesmo. "

"Os estudiosos se dão por satisfeitos por possuírem substancialmente o texto autêntico dos
principais escritores gregos e romanos, cujas obras chegam até nós, de Sófocles, Tucídedes,
Cícero, Virgílio; no entanto, nosso conhecimento das obras desses escritores depende de um
pequeno punhado de manuscritos, enquanto que os manuscritos do Novo Testamento se
contam às centenas e até aos milhares."55

Creio que, racionalmente e a partir do ponto de vista das evidências literárias, é possível
chegar-se à conclusão de que a credibilidade do Novo Testamento é bem maior do que a de
qualquer outro documento da antiguidade.

O Antigo Testamento não dispõe de uma vastidão de manuscritos como o Novo, mas foram
muito bem preservados, se comparados com outros documentos antigos.

Com a recente descoberta dos Rolos do Mar Morto em 1947, vários manuscritos do Antigo
Testamento foram encontrados, aos quais os estudiosos atribuem datas anteriores à época de
Cristo. Antes das descobertas do Mar Morto, o mais completo e antigo manuscrito hebraico do
Antigo Testamento datava de 900 d.C – intervalo de mais de 1.300 anos do original.

Em 1947, com a descoberta arqueológica dos rolos do Mar Morto, da comunidade de


Qumram, encontraram-se manuscritos anteriores à época de Cristo – diminuindo o hiato para
menos de 400 anos. Para avaliarmos a qualidade do texto do Antigo Testamento devemos
avaliar os seus copistas. O principal deles eram os talmudistas, que eram extremamente
rigorosos no processo de cópia de um texto sagrado. Os talmudistas tinham tanta certeza de
que, ao terminarem de transcrever um manuscrito, eles teriam uma cópia exata, que
atribuíam à nova cópia uma autoridade igual à do original.

A idade de uma cópia talmudista não era uma vantagem para ela – ao contrário, poderia se
tornar ilegível em alguns pontos com o tempo, e era então considerada imprópria, e guardada

54
Extraído e adaptado da palestra do Dr Daniel B. Wallace, New Testment Reliability.
55
Frederic G.Kenyon, Our Bible and the Ancient Manuscripts.

[Digite texto] Pá gina 34


em um armário, existente em cada sinagoga, chamado Gheniza. Quando a Gheniza se enchia,
as cópias defeituosas eram queimadas.

Isso explica a ausência de volumes de cópias do Antigo Testamento.

Um manuscrito talmudista mais antigo do livro de Isaías era de 980 DC. Quando esse foi
comparado com os manuscritos do Mar Morto (quase 1000 anos entre as cópias) verificou-se
95% de exatidão absoluta, e os outros 5% eram pequenos erros de ortografia. Nesses 1000
anos a mensagem não havia se corrompido! Isso mostra que a cópia de textos sagrados era
uma prática onde eles empenhavam o máximo de esforço para manter os elevados padrões
entre as cópias.

Além disso, a arqueologia tem demonstrado que a cultura, os eventos narrados, as pessoas, os
lugares descritos no Antigo Testamento são relatos confiáveis. Nomes até pouco tempo atrás
conhecidos apenas no texto bíblico, encontraram respaldo na arqueologia, como Sargão, Jeú,
Davi, Uzias, Acabe,Senaqueribe, Ezequias, Xerxes, Ciro, Manaém, Balaão e tantos outros.
Também já foram descobertos povos bíblicos como os heteus ou horeus, assim como diversos
lugares.

O teste das evidências internas

As evidências internas nos fornecem muitas evidências em favor da confiabilidade do relato


bíblico. Esse critério também averigua se há fraudes, erros ou mentiras deliberadas por parte
dos escritores em relação a fatos conhecidos. Notar que dificuldades e problemas não
solucionados não significam necessariamente erros. Um erro é uma discrepância que se
verifica sem sombra de dúvidas.

Um fator muito importante são os testemunhos oculares. Em qualquer investigação criminal, o


testemunho ocular do crime é determinante para investigação do fato. E na nossa investigação
não é diferente. Qualquer evento histórico com testemunhas oculares se torna muito mais
historicamente confiável, pois geram relatos independentes que podem ser confrontados.

Os escritores do Novo Testamento escreveram como testemunhas oculares ou a partir de


informações de primeira mão:

Lucas 1:1-3 - "Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos
que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles
testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de
acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma
exposição em ordem."

2 Pedro 1:16 — "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus
Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas
oculares da sua majestade."

[Digite texto] Pá gina 35


1 João 1:3 — "... o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós
igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu
Filho Jesus Cristo."

Atos 2:22 - "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por
Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por
intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis...."

João 19:35 - "Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que
diz a verdade, para que também vós creiais."

Lucas 3:1 — "No décimo-quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos
governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da
Ituréia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene..."

F. F. Bruce, professor e uma das maiores autoridades em exegese Bíblica, diz o seguinte a
respeito do valor das fontes primárias dos registros do Novo Testamento: "Os primeiros
pregadores do evangelho reconheciam o valor do testemunho de primeira mão, e repetida»
vezes fizeram uso dele. 'Somos testemunhas destas coisas' era a afirmação constante e
confiante que faziam. E, ao contrário do que parecem pensar alguns escritores, não teria sido
absolutamente fácil inventar palavras e obras de Jesus naqueles primeiros dias, quando tantos
discípulos estavam por ali espalhados, os quais poderiam lembrar-se do que tinha e do que não
tinha acontecido." "E os primeiros pregadores tiveram que levar em conta não apenas as
testemunhas oculares simpáticas ao cristianismo; havia outros bem menos dispostos que
também eram conhecedores dos principais fatos sobre o ministério e a morte de Jesus. Os
discípulos não podiam se dar ao luxo de correr o risco de apresentar fatos inexatos (para não
mencionar uma manipulação internacional dos fatos), os quais seriam imediatamente
denunciados por aqueles que teriam imenso prazer em fazê-lo. Pelo contrário, um dos pontos
fortes da pregação apostólica original é o apelo confiante ao conhecimento dos ouvintes; eles
não apenas diziam 'somos testemunhas destas coisas', mas também 'como vós mesmos sabeis'
(Atos 2:22).56

Dos 12 apóstolos, excetuando-se Judas, 10 foram assassinados por causa da mensagem que
pregavam, e 1 (João) foi barbaramente torturado e preso por ela. É plausível crer que 11
pessoas estivessem dispostas a sacrificar suas próprias vidas para sustentar uma mentira
inventada por eles mesmos?

Além do testemunho ocular, Colin Hemer, um estudioso clássico que se dedicou aos estudos
do Novo Testamento, em sua obra The Book of Acts in the Setting of Hellenistic History [O livro
de Atos no contexto da história helenística ], ele analisa todo o livro de Atos com um pente
fino, extraindo dele uma enorme riqueza de detalhes históricos que vão desde coisas que
teriam sido senso comum até detalhes que somente uma pessoa local teria sabido.

Com esmerado detalhamento, Hemer identifica 84 fatos nos últimos 16 capítulos de Atos que
foram confirmados por pesquisas históricas e arqueológicas. Repetidamente a precisão de

56
F.F Bruce, Merece Confiança o Novo Testamento?

[Digite texto] Pá gina 36


Lucas fica demonstrada: das navegações da esquadra alexandrina ao território costeiro das
ilhas mediterrâneas e aos títulos peculiares de oficiais locais, Lucas é sempre preciso. 57

Não por coincidência, Sir William Ramsey, um arqueólogo mundialmente renomado e uma das
maiores autoridades em arqueologia bíblica afirma: “Lucas é um historiador de primeira classe
[...] Esse autor deveria ser colocado entre os maiores historiadores”. 58

Outra evidência é o chamado suporte não-intencional das testemunhas, que são relatos
independentes que constam no Novo Testamento que se completam não-intencionalmente.
Por exemplo, em Mateus 8:16 temos a seguinte passagem: “E, chegada a noite, trouxeram-lhe
muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os
que estavam enfermos;”

Surge a pergunta, porque espera até a noite para trazer os que precisavam de cura?

A resposta se encontra em Marcos 1:21; Lucas 4:31. “Porque era sábado.”

Em Mateus 26:67-68, vemos os judeus batendo em Jesus no julgamento e dizendo: "Se és o


Cristo, Profetiza quem te bateu" .

Isso pode parecer estranho, visto que Jesus estava em pé na frente deles e facilmente poderia
dizer quem foi. Mas em Lucas 22:63-65, vemos que Jesus estava vendado quando foi levado
para lá.

E dentre diversos outros casos. Esse tipo de harmonização é comum em depoimentos de


testemunhas oculares diferentes, cada uma conta sua visão sobre o mesmo fato, mas dá mais
importância para detalhe A ou B. Isso atesta e da confiabilidade ao testemunho, tornando-o
mais verídico, como peças de um quebra-cabeça, que quando se juntam formam a história
toda. É exatamente o mesmo critério que um detetive esperaria encontrar em um grupo de
testemunhas oculares de um crime. Pois se contassem exatamente do mesmo jeito, ficaria
claro que teriam combinado entre si, e se os relatos fossem discrepantes demais, estariam
mentindo. Como afirma Simon Greenleaf, da Faculdade de Direito de Harvard: " Existe um
volume significativo de discrepância, o que aponta para o fato de os autores não poderem ter
estabelecido nenhum tipo de acordo entre si; por outro lado, há também uma harmonia de tal
magnitude que demonstra sua condição de narradores independentes de uma transação de
grande importância."59

Os autores do Novo Testamento também incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos. A


tendência da maioria dos autores nesse tipo de narrativa histórica é deixar de fora qualquer
coisa que prejudique a sua aparência e manche a sua moral. É o chamado “critério do
embaraço”. Agora pense: Se você e seus amigos estivessem forjando uma história e que vocês
quisessem que ela fosse aceita e vista como verdadeira por todos, vocês se mostrariam como
covardes, tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro que não.
Mas é exatamente isso que encontramos no Novo Testamento. Se você fosse o autor do Novo

57
Willian L. Craig Em Guarda p.215
58
William M. Ramsay, The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the
New Testament.
59
Simon Greenleaf, The testimony of the evangelists p. 8.

[Digite texto] Pá gina 37


Testamento, escreveria que um dos seus principais líderes foi chamado de “Satanás” por Jesus,
o negou três vezes, escondeu-se durante a crucifixão e, mais tarde, foi repreendido numa
questão teológica? Muito improvável!
O que você acha que os autores do Novo Testamento teriam feito se estivessem inventando
uma história? Teriam deixado de lado a sua inaptidão, sua covardia, a repreensão que
receberam, as negações e seus problemas teológicos, mostrando-se como cristãos ousados
que se colocaram a favor de Jesus diante de tudo e que, de maneira confiante, marcharam até
a tumba na manhã de domingo, bem diante dos guardas romanos, para encontrarem o Jesus
ressurreto que os esperava para salvá-los por sua grande fé! Os homens que escreveram o
Novo Testamento também diriam que eles é que contaram às mulheres sobre o Jesus
ressurreto, e não ao contrário, e que eram elas as únicas que estavam escondendo-se por
medo dos judeus. E, naturalmente, se a história fosse uma invenção, nenhum discípulo, em
momento algum, teria sido retratado como alguém que duvida (especialmente depois de Jesus
ter ressuscitado). Mas Tomé duvidou até o último momento.

E não apenas detalhes embaraçosos sobre si, mas também sobre Jesus constam por todo o
Novo Testamento. Jesus foi considerado “fora de Si” por sua família, foi visto como enganador
e herético; foi abandonado por seus seguidores e quase apedrejado em algumas ocasiões, foi
chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “louco”. Finalmente, foi crucificado
como malfeitor junto com dois bandidos. Se os autores do Novo Testamento queriam mostrar
a todos que Jesus era Deus, o rei de Israel, o Messias ungido, então por que não eliminaram
dizeres e situações complicados que parecem argumentar contra isso?

Mas mesmo após essa avalanche de evidencias o crítico ainda pode argumentar: “ Mas
existem contradições nos relatos, no evangelho de Mateus diz que tinha um anjo no túmulo
após a ressurreição, e no de João diz que que eram dois.”

Os críticos são rápidos em citar os relatos aparentemente contraditórios dos evangelhos como
evidência de que não são dignos de confiança em informação precisa. Detalhes divergentes, na
verdade, fortalecem a questão de que esses são relatos feitos por testemunhas oculares.
Como? Primeiro, é preciso destacar que o relato dos anjos não é contraditório. Mateus não diz
que havia apenas um anjo na sepultura. Os críticos precisam acrescentar uma palavra ao relato
de Mateus para torná-lo contraditório ao de João. Mas por que Mateus mencionou apenas um
anjo, se realmente havia dois ali? Pela mesma razão que dois repórteres de diferentes jornais
cobrindo um mesmo fato optam por incluir detalhes diferentes em suas histórias. Duas
testemunhas oculares independentes raramente veem todos os mesmos detalhes e
descrevem um fato exatamente com as mesmas palavras. Elas vão registrar o mesmo fato
principal (Jesus ressuscitou dos mortos), mas podem diferir nos detalhes (quantos anjos havia
no túmulo). Não há na Bíblia nenhum relato que em sua aparente contradição não foi
explicado e respondido a exaustão nesses 2000 anos. Há séculos tentam fazer isso, mas sem
sucesso.

À luz dos diversos detalhes divergentes do NT, está claro que os autores não se reuniram para
harmonizar seus testemunhos. Isso significa que certamente não estavam tentando fazer uma
mentira passar por verdade. Se estavam inventando a história do Novo Testamento, teriam se
reunido para certificar-se de que eram coerentes em todos os detalhes. Simon Greenleaf,

[Digite texto] Pá gina 38


professor de Direito da Universidade de Harvard creditou sua conversão ao cristianismo ao seu
cuidadoso exame das testemunhas oculares dos evangelhos. Se alguém conhecia as
características do depoimento genuíno de testemunhas oculares, essa pessoa era Greenleaf.
Ele concluiu que os quatro evangelhos “seriam aceitos como provas em qualquer tribunal de
justiça, sem a menor hesitação”.60

Teste das evidências externas

Esse teste se propõe a averiguar se existem fontes externas aos documentos bíblicos que
confirmam sua exatidão. Em outras palavras, que outras fontes existem, além da literatura que
está sendo examinada, que confirmam sua exatidão, credibilidade e autenticidade?

Eusébio de Cesareia, que pode ser considerado o pai da história da Igreja, em sua obra História
Eclesiástica, escrita por volta de 325 d.C, preserva os escritos de Papias, bispo de Hierápolis
(130 A.D.), os quais Papias recebeu do Ancião (apóstolo João): "O Ancião também costumava
dizer o seguinte: 'Marcos, tendo sido o intérprete de Pedro, escreveu fielmente tudo o que ele
(Pedro) mencionava, fossem palavras ou obras de Cristo; todavia, não o fez em ordem
cronológica. Pois não esteve ouvindo pessoalmente o Senhor nem o esteve acompanhando;
mas mais tarde, conforme eu já disse, ele acompanhou Pedro, o qual adaptou os seus ensinos
conforme as necessidades, não como se estivesse elaborando uma compilação das palavras do
Senhor. Dessa forma, então, Marcos não cometeu qualquer erro, tendo assim escrito algumas
coisas à medida que ele (Pedro) as mencionava; pois ele prestava toda atenção a isso, a fim de
não omitir qualquer coisa que ouvisse, nem incluir qualquer afirmação falsa no que
registrava.'"61

Irineu, bispo de Lion (180 d.C.), foi aluno de Policarpo, bispo de Esmirna, o qual foi martirizado
em 156 d.C., tendo sido cristão por 86 anos e discípulo do apóstolo João. Irineu escreveu: "Tão
firme é a base sobre a qual esses Evangelhos repousam que os próprios hereges dão
testemunho a favor desses livros, e, tomando-os por base, cada um deles se esforça por
estabelecer sua própria doutrina particular" 62

Irineu, na mesma obra, já desde aquela época refutava a ideia de "outros evangelhos
perdidos", afirmando como conhecemos hoje que existem somente 4 evangelhos aceitos.
"Pois assim como existem os quatro cantos do mundo onde vivemos, e quatro ventos
universais, e assim como a Igreja se encontra dispersa por toda a terra, e o evangelho é a
coluna e o alicerce da Igreja e o sopro de vida, de igual maneira é natural que o evangelho
tenha quatro colunas [...] [Deus] deu-nos o evangelho em forma quádrupla, forma que se
mantém coesa por meio de um só Espírito."

60
Simon Greenleaf, The testimony of the evangelists p.10

61
Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica p.74
62
Irineu de Lyon, Contra as Heresias.

[Digite texto] Pá gina 39


Clemente de Roma, em aproximadamente 95 d.C, escreve um carta a igreja em Corinto para
apaziguar constantes controvérsias. Quem está familiarizado com as epístolas de Paulo ao
Coríntios, sabe que a igreja daquele local sempre foi considerada “problemática”. Há hipóteses
de que esse mesmo Clemente seja o citado na epístola aos Filipenses 4:3. Nessa carta
Clemente faz muitas referências a várias passagens bíblicas tanto do Antigo quanto do Novo
Testamento, confirmando os recentes ensinamentos de Jesus.

Inácio (70-110 A.D.) foi bispo de Antioquia, tendo sido martirizado por causa de sua fé em
Cristo. Conheceu todos os apóstolos e foi discípulo de Policarpo, que foi discípulo direto do
apóstolo João. Inácio, quando a caminho do martírio, escreveu sete cartas às igrejas da sua
região, nessas cartas ele faz inúmeras citações de vários livros do Novo Testamento.

Policarpo (70-156 A.D.), martirizado aos 86 anos de idade, foi bispo de Esmirna e discípulo do
apóstolo João, também fez inúmeras citações bíblicas em seus escritos.

Existem diversos autores do período conhecido como Patrística que também citaram o Novo
Testamento, dentre eles se encontram-se a epístola de Barnabé (cerca de 70 d.C), O Pastor, de
Hermas (cerca de 95 d.C.), Diatasserão, de Taciano (cerca de 170 d.C.), Clemente de Alexandria
(150-212 d.C), Tertuliano (160-220 A.D.) que foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado
mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos. Hipólito
(170-235 d.C.) que fez mais de 1.300 referências ao Novo Testamento. Justino Mártir (133 d.C.)
que combateu o herege Marcião citando o Novo Testamento. Orígenes (185 - 254 dC.), que foi
um grande escritor e teólogo, fez uma compilação a partir de mais de 6.000 obras. Ele
apresenta mais de 18.000 citações do Novo Testamento.

A todos esses ainda se podem acrescentar os nomes de Agostinho de Hipona, Amábio,


Latâncio, Crisóstomo, Jerônimo, Gaio Romano, Atanásio, Ambrósio de Milão, Cirilo de
Alexandria, Efraim o Sírio, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, e etc.

Some-se a isso um documento conhecido como Didaquê, escrito entre os anos 60 - 70 d.C, na
região da Síria ou Egito, ele demonstra que vários ensinos cristãos pautados no Novo
Testamento, já eram praticados pelas comunidades cristãs desde o primeiro século.
Demonstrando assim, que poucos anos após a morte de Jesus, os ensinos contidos nos
evangelhos e das cartas de Paulo já circulavam pelas comunidades, instruindo os primeiros
cristãos nas práticas corretas concernentes ao que foi ensinado por Jesus.

Nos escritos do Didaquê são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, a
volta de Jesus, sua divindade, a oração do Pai Nosso, a eucaristia e algumas outras instruções
morais sobre a ética cristã.

Para exemplificar as citações do período Patrístico, observe o quadro a seguir.

[Digite texto] Pá gina 40


O estudioso J.Harold Greenlee diz que as citações da Escritura nas obras dos primeiros
escritores cristãos "são em número tão grande que é virtualmente possível reconstituir o Novo
Testamento a partir dessas citações, sem fazer uso dos manuscritos do Novo Testamento". 63

Sobre esse mesmo assunto, o eminente Bruce Metzger afirma: "De fato, essas citações são
tão vastas que, se todas as demais fontes de conhecimento sobre o texto do Novo Testamento
fossem destruídas, sozinhas essas citações seriam suficientes para a reconstituição de
praticamente todo o Novo Testamento". 64

E porque tudo isso é importante? As evidências demonstram de modo categórico que as


informações contidas no Novo Testamento foram preservadas do mesmo jeito por séculos e
séculos, pois foram sendo citadas, copiadas e espalhadas por todo o mundo. Caso a Igreja
tivesse adulterado a Bíblia como dizem, ele teria que modificar centenas de milhares dessas
citações também. Como praticamente todo o Novo Testamento é citado pelos pais da igreja
ainda nos primeiro séculos da história cristã, através de livros e cartas, tudo isso antes do
Concílio de Nicéia (325 d.C), também acaba derrubando a falácia de que a bíblia foi criada
nessa época, ou que a divindade de Jesus foi inventada bem posteriormente.

Nenhuma obra literária da antiguidade chega perto dos números históricos do Novo
Testamento, uma análise criteriosa das evidências aponta com precisão a confiabilidade do
texto bíblico.

A arqueologia

Para corroborar tudo que falamos até aqui, iremos agora analisar o que a arqueologia diz
sobre o relato bíblico. A arqueologia é um ramo da ciência que procura recuperar o ambiente

63
J. Harold Greenlee, Introduction to New Testament Textual.
64
Bruce Metzger, The Text of the New Testament.

[Digite texto] Pá gina 41


histórico e a cultura dos povos antigos, através de escavações e do estudo de documentos por
eles deixados. Essa ciência tem ajudado na identificação dos lugares e no estabelecimento de
datas, identificando a existência de personagens históricos que antes só se conhecia através da
Bíblia, tem contribuído para o melhor conhecimento de antigos costumes e idiomas, aspectos
culturais e sociais de povos antigos, e tem trazido luz sobre o significado de numerosas
palavras bíblicas, aumentado nosso entendimento sobre certos pontos doutrinários do Novo
Testamento, e silenciado progressivamente certos críticos que sempre colocaram em dúvida a
credibilidade dos relatos bíblicos.

Começamos citando uma das maiores autoridades em arqueologia bíblica, o renomado


arqueólogo judeu Nelson Glueck: "Pode-se afirmar categoricamente que até hoje nenhuma
descoberta arqueológica contradisse qualquer informação dada pela Bíblia". E prossegue
comentando a "incrível fidelidade da memória histórica da Bíblia, especialmente quando
corroborada pelas descobertas arqueológicas". 65

William F. Albright, também conhecido por sua grande reputação como um dos grandes
arqueólogos, afirma: "Não pode haver dúvida alguma de que a arqueologia tem confirmado a
historicidade substancial da tradição do Antigo Testamento". 66

Albright ainda acrescenta: "Progressivamente o exagerado ceticismo para com a Bíblia foi
sendo desacreditado, por parte de importantes sistemas históricos, sendo que alguns aspectos
de tais sistemas ainda se manifestam periodicamente. Uma descoberta após a outra tem
confirmado a exatidão de incontáveis detalhes e tem feito com que a Bíblia receba um
reconhecimento cada vez maior como fonte histórica". 67

Millar Burrows, da Universidade de Yale, comenta: "Em muitos casos a arqueologia tem
refutado as opiniões de críticos modernos. Ela tem demonstrado em vários casos que essas
opiniões repousam sobre pressuposições falsas e esquemas irreais e artificiais. 68

F.F Bruce acrescenta que, "em sua maior parte, o serviço que a arqueologia tem prestado ao
estudo do Novo Testamento é completar as lacunas no conhecimento do contexto histórico,
social e cultural, com o que poderemos ler o Novo Testamento com uma compreensão e uma
apreciação maiores. Esse contexto é um contexto do primeiro século. A narrativa do Novo
Testamento simplesmente não se encaixa num contexto do segundo século". 69

O famoso arqueólogo e teólogo Merrill Unger faz um resumo: "A arqueologia do Antigo
Testamento tem redescoberto nações inteiras, tem ressurgido povos importantes e, de um
modo bem surpreendente, tem preenchido vazios históricos, aumentando imensuravelmente o
conhecimento do contexto histórico, social e cultural da Bíblia". 70

65
Nelson Glueck. Rivers in the Desert; History of Negev. P.31
66
ALBRIGHT, William F. Archaeology and the Religions of Israel.p.176
67
ALBRIGHT, William F. The Archaeology of Palestine. p.127
68
BURROWS, Millar. What Mean These Stones? p. 291
69
BRUCE, F. F. "Archaeological Confirmation of the New Testament" p.331
70
UNGER, Merrill F. Archaeology and the New Testament p.15

[Digite texto] Pá gina 42


Vamos analisar algumas descobertas da arqueologia que confirmam a confiabilidade da Bíblia
sob diversos aspectos. Mostrando que não faltam evidências em favor da Bíblia.

Antigo Testamento

Foi divulgado em 2017 pela Biblical Archaeology Society, um artigo do professor Lawrence
Mykytiuk, onde são atestados pelo menos 53 personagens bíblicos do Antigo Testamento que
foram confirmados por descobertas arqueológicas. 71 Dentre eles vários antigos reis de Israel
como Davi, Uzias e Ezequias, os sumos sacerdotes Azarias e Hilquias, dentre faraós egípcios,
reis persas, assírios e babilônicos.
Mykytiuk escreve que essas figuras “mencionadas na Bíblia foram identificadas no registro
arqueológico. Seus nomes aparecem em inscrições escritas durante o período descrito pela
Bíblia e na maioria dos casos durante ou muito perto da vida da pessoa identificada ”.
As descobertas foram datadas e confirmaram a época em que os fatos bíblicos foram narrados.
No estudo são mencionados todos os achados e suas referências bíblicas.

Os tabletes de Ebla

Um achado arqueológico interessante que diz respeito à crítica bíblica são os tabletes de Ebla,
recentemente descobertos. A descoberta foi feita no norte da Síria por dois professores da
Universidade de Roma, os doutores Paolo Matthiae, arqueólogo, e Giovanni Petinato,
especialista em epigrafia. Desde 1974, têm sido escavados e encontrados 17.000 tabletes do
período do reino de Ebla. Levará algum tempo até que se faça uma pesquisa significativa para
estabelecer a relação entre Ebla e o mundo bíblico. No entanto, algumas contribuições valiosas
já foram feitas à crítica bíblica.

Um exemplo adicional da contribuição da descoberta de Ebla diz respeito a Gênesis 14, texto
que durante anos tem sido considerado pouco confiável do ponto-de-vista histórico. A vitória
de Abraão sobre Quedor-laomer e os reis mesopotâmicos tem sido descrita como fictícia e as
cinco cidades da planície (Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar) como lendárias. No
entanto, os arquivos de Ebla se referem a todas as cinco cidades da planície, e um tablete
relaciona as cidades numa sequência idêntica a de Gênesis 14. O ambiente descrito nos
tabletes reflete a cultura do período patriarcal e descreve que, antes da catástrofe registrada
em Gênesis 14, a área era uma região florescente, que experimentava prosperidade e
progresso, o que também está registrado em Gênesis. As tábuas de Ebla também confirmaram
o culto aos deuses pagãos, como Baal, Dagom e Asera, que antes só eram conhecidos pela
narrativa da Bíblia.

Os Amuletos de Ketef Hinnom

Ketef Hinnom é composto por uma série de câmaras funerárias, localizadas a sudoeste da
Cidade velha de Jerusalém, na estrada para Belém. Em 1979, os arqueólogos fizeram uma
descoberta importante: duas placas de prata enroladas com textos escritos em hebraico
antigo. Acredita-se que esses itens tenham sido usados como amuletos e tenham sido datados
71
biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-the-bible/50-people-in-
the-bible-confirmed-archaeologically/

[Digite texto] Pá gina 43


do século VII a.C, sendo considerados uns dos textos bíblicos mais antigos. Em um dos
amuletos havia o tetragrama (YHVH), o nome sagrado de Deus na Bíblia Hebraica. E também a
benção sacerdotal contida na Bíblia em Números 6: ” O Senhor te abençoe e te guarde; O
Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti
levante o seu rosto e te dê a paz.”

Essa descoberta é importante para colocar fim a algumas acusações de que o Antigo
Testamento foi escrito posteriormente, é uma prova concreta de referência a um texto bíblico
extremamente antigo.

O obelisco negro de Salmanaser III

É um artefato que o arqueólogo Henry Layard encontrou na antiga cidade de Nínive, o assim
chamado um dos mais antigos artefatos arqueológicos a se referir a um personagem bíblico: o
rei hebreu Jeú (2Reis 9 e 10). Data de 841 a.C. e se encontra atualmente no Museu Britânico
de Londres. Este artefato mostra um desenho do rei Jeú prostrado diante de Salmaneser III,
oferecendo tributo, sendo um relato condizente com as passagens bíblicas de 2 Reis 10.

Os textos de Balaão

Fragmentos de escrita aramaica foram encontrados em Tell Deir Allá (provavelmente a cidade
bíblica de Sucote). Juntos eles trazem um episódio na vida de “Balaão filho de Beor” –
provavelmente o mesmo Balaão que a Bíblia narra em Números 22. Os textos ainda
descreviam uma de suas visões, indicando que os cananitas mantiveram lembrança desse
profeta.

Selo do profeta Isaías

De acordo com a arqueóloga da Universidade Hebraica Dra. Eilat Mazar, sua equipe descobriu
a minúscula bula, ou impressão de selo, no Ophel, localizado no sopé da encosta sul do Monte
do Templo. Na pequena peça, com menos de um centímetro, a observa-se a figura do que
parece ser um cordeiro e a frase “motivo de bênção e proteção encontrado em Judá,
particularmente em Jerusalém”. Contudo, por estar quebrada, precisa ser melhor estudada
antes de um “veredito” final. A esperança é encontrarem o pedaço restante ou outra igual.

Na sua porção legível, há uma inscrição com as letras hebraicas usadas no período do Primeiro
Templo, que parecem soletrar l’Yesha’yah [Pertence a Isaias]. Na linha abaixo, há a palavra
parcial nvy, que significaria “profeta”. Como a bula está ligeiramente danificada no final da
palavra nvy, não se sabe com certeza se originalmente terminava com a letra hebraica aleph,
escrevendo a palavra hebraica para ‘profeta’ e não restaria dúvida que aquele era o selo usado
como a assinatura do profeta Isaías”, esclarece Mazar. 72

Estela de Merneptah
72
biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-the-bible/prophet-isaiah-
signature-jerusalem/

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Coluna comemorativa, datada de cerca de 1207 a.C., que descreve as conquistas militares do
faraó Merneptah. Israel é mencionado como um dos inimigos do Egito no período bíblico dos
juízes, provando que Israel já existia como nação neste tempo, o que até então era negado
pela maioria dos estudiosos. É a menção mais antiga do nome "Israel" fora da Bíblia.

Os Hititas

Os hititas representaram um papel proeminente na história do Antigo Testamento. Eles


interagiram com personagens bíblicos desde Abraão até Salomão. São mencionados em
Gênesis 15:20 como um povo que habitava a terra de Canaã. 1 Reis 10:29 registra que eles
compravam carruagens e cavalos do rei Salomão. Os hititas foram uma força considerável no
Oriente Médio desde 1750 a.C. até 1200 a.C. Até o fim do século 19, nada se sabia a respeito
dos hititas fora da Bíblia, e muitos críticos alegavam que eles eram uma invenção dos autores
bíblicos.

Em 1876 uma descoberta dramática mudou esta percepção. Um estudioso britânico chamado
A. H. Sayce encontrou inscrições gravadas em rochas na Turquia. Ele suspeitou que pudessem
ser evidência da nação hitita. Dez anos depois, mais tábuas de argila foram encontradas na
Turquia, em um lugar chamado Boghaz-koy. O especialista alemão em escrita cuneiforme,
Hugo Winckler, investigou as tábuas e começou a sua própria expedição no sítio em 1906. As
escavações de Winckler revelaram cinco templos, uma cidadela fortificada e diversas
esculturas maciças. Em uma despensa, ele encontrou mais de dez mil tábuas de pedra. Um dos
documentos provou ser um registro de um acordo entre Ramessés II e o rei hitita. Outras
tábuas mostravam que Boghaz-koy era a capital do reino hitita. Seu nome original era Hattusha
e a cidade abrangia uma área de 300 acres. A nação hitita havia sido descoberta!

O Império Hitita fazia tratados com civilizações que conquistava. Duas dúzias desses tratados já
foram traduzidos e fornecem um melhor entendimento dos tratados do Antigo Testamento. A
descoberta do Império Hitita em Boghaz-koy tem melhorado significativamente o nosso
entendimento acerca do período patriarcal. Dr. Fred Wright resume a importância deste
achado com respeito à historicidade bíblica: “ Ora, a imagem bíblica acerca deste povo se
encaixa perfeitamente com o que sabemos a respeito da nação hitita a partir dos
monumentos. Como um império, eles nunca conquistaram a terra de Canaã propriamente,
embora as tribos hititas locais se estabelecessem ali uma data antiga. Nada do que foi
descoberto pelos escavadores em qualquer aspecto tem desacreditado o relato bíblico. A
exatidão da Escritura uma vez mais tem sido comprovada pelo arqueólogo.” 73

Sodoma e Gomorra

A história de Sodoma e Gomorra tem sido considerada uma lenda. Os críticos assumem que
ela foi criada para comunicar princípios morais. Contudo, por toda a Bíblia esta história é
tratada como um evento histórico. Os profetas do Antigo Testamento se referem à destruição
de Sodoma em diversas ocasiões (Dt 29:23; Is 13:19; Jr 49:18), e essas cidades representam um
papel fundamental nos ensinos de Jesus e dos Apóstolos (Mt 10:15; 2 Pe 2:6 e Judas 7). O que
a arqueologia tem descoberto para estabelecer a existência dessas cidades?

73
Fred Wright, Highlights of Archaeology in the Bible Lands

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Os arqueólogos têm pesquisado a região do Mar Morto durante muitos anos em busca de
Sodoma e Gomorra. Gênesis 14:3 dá a sua localização como sendo no Vale de Sidim, conhecido
como Mar Salgado, outro nome para o Mar Morto. Em 1924, o famoso arqueólogo Dr. William
Albright escavou este sítio, procurando Sodoma e Gomorra. Ele descobriu que se tratava de
uma cidade fortemente guarnecida. Embora relacionasse esta cidade com a das “Cidades das
Planícies” bíblicas, ele não pode encontrar evidências conclusivas para justificar esta
suposição.

Mais escavações foram feitas em 1965, 1967 e 1973. Os arqueólogos descobriram uma
muralha de 23 polegadas de espessura em torno da cidade, juntamente com inúmeras casas e
um grande templo. Do lado de fora da cidade havia imensos sítios tumulares onde milhares de
esqueletos foram desenterrados. Isto revelou que a cidade era bem populosa durante o
começo da Era do Bronze, em torno do tempo em que Abraão teria vivido. Mais intrigante era
a evidência de que um imenso incêndio havia destruído a cidade. Esta jazia soterrada sob uma
camada de cinzas com vários pés de espessura. Um cemitério de um quilômetro do lado de
fora da cidade continha restos carbonizados de telhas, pilares e tijolos avermelhados pelo
fogo.

Dr. Bryant Wood, ao descrever esses cemitérios, disse que um fogo começou nos telhados
dessas construções. Eventualmente, o teto em chamas desmoronou para o interior e
espalhou-se pela construção. Este era o caso em todas as casas que eles escavaram. Uma
destruição pelo fogo tão imensa se igualaria ao relato bíblico de que a cidade fora destruída
por fogo que choveu desde o céu. Wood declara: “A evidência sugeriria que este sítio de Bab
edh-Drha é a cidade bíblica de Sodoma”.

Cinco cidades da planície são mencionadas em Gênesis 14: Sodoma, Gomorra, Admá, Zoar e
Zeboim. Vestígios destas outras quatro cidades também são encontrados junto ao Mar Morto.
Seguindo um caminho em direção ao sul desde Bab edh-Drha, há uma cidade chamada
Numeria. Continuando para o sul, está a cidade chamada es-Safi. Mais para o sul estão as
antigas cidades de Feifa e Khanazir. Estudos nestas cidades revelaram que elas haviam sido
abandonadas ao mesmo tempo, por volta de 2450-2350 a.C. Muitos arqueólogos acreditam
que, se Bab edh-Drha é Sodoma, Numeria é Gomorra, e es-Safi é Zoar.

O que fascinou os arqueólogos é que estas cidades estavam cobertas pela mesma cinza que
Bab edh-Drha. Numeria, que se acredita ser Gomorra, tinha sete pés de cinza em alguns
lugares. Em cada uma das cidades destruídas, depósitos de cinza transformaram o solo em um
carvão vegetal esponjoso, tornando impossível a reconstrução. De acordo com a Bíblia, quatro
das cinco cidades foram destruídas, permitindo que Ló fugisse para Zoar. Zoar não foi
destruída pelo fogo, mas foi abandonada durante este período. 74

Os Tabletes de Nuzi

74
Randal Price, Arqueologia bíblica.p.88

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Gênesis 16 nos diz que a esposa de Abraão, Sarai, não podia ter filhos. Ela concordou que
Abraão poderia ter uma segunda esposa para gerar um filho: sua serva egípcia chamada Hagar.
Esta prática é atestada em muitos textos encontrados por arqueólogos. Os textos de Alalakh e
até mesmo o Código de Hamurabi concordam que a aquisição de um filho dessa maneira era
um costume aceito. Os tabletes de Nuzi são um grupo de textos particularmente relevantes
para este episódio. Datadas da segunda metade do século XV a.C, foram recuperadas de um
antigo sítio hurúrico no atual Iraque. Esses textos mencionam que uma esposa estéril poderia
fornecer uma escrava ao marido para gerar um filho. 75 Fato que corrobora perfeitamente com
a narrativa bíblica.

O Papiro de Ipuwer

O Papiro Ipuwer é um antigo papiro Egípcio. É atualmente mantido na Rijksmuseum van


Oudheden de Leyden, na Holanda. O manuscrito data de aproximadamente 1300 a.C como
provável uma transcrição de um texto anterior do século XIX e XVII a.C; Este descreve motins
violentos no Egito, fome, seca, fuga de escravos com as riquezas dos egípcios e morte ao longo
da sua terra. Pela descrição, narra do ponto de vista egípcio de quem foi testemunha das
pragas como as do Êxodo.

Existem muitas descobertas arqueológicas que ainda poderiam ser citadas que corroboram a
existências de vários aspectos culturais, cidades, personagens, tradições e etc. Mas já podemos
ter uma boa noção que o Antigo Testamento é uma narrativa histórica que se sustenta sobre
uma grande camada de evidências em seu favor. A arqueologia é uma grande aliada ao relato
bíblico, por séculos a Bíblia sempre foi posta a prova e desacreditada, mas sempre que uma
nova descoberta surgia, ela dava provas que sempre esteve falando a verdade e que não há
motivos para essa ceticismo exagerado.

O Novo Testamento

É inquestionável a credibilidade de Lucas como historiador. Quem está familiarizado com o


evangelho de Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos, ambos escritos por ele, percebe que a
narrativa envolve vários lugares, viagens, detalhes culturais e até mesmo conhecimento
marítimo. Merril Unger nos informa que a arqueologia tem confirmado os relatos dos
Evangelhos, especialmente a narrativa de Lucas. Nas palavras de Unger, "Hoje é geralmente
aceito nos círculos eruditos que Atos dos Apóstolos é uma obra de Lucas, que pertence ao
primeiro século e que exigiu a dedicação de um historiador cuidadoso, o qual foi
substancialmente fiel no uso de suas fontes". 76

Sir William Ramsey é considerado um dos maiores arqueólogos que já existiu. Foi instruído de
acordo com os princípios da escola histórica alemã (extremamente crítica) de meados do
século dezenove. Em consequência dessa formação, ele cria que o Livro de Atos fora composto
em meados do século segundo depois de Cristo.

75
Randal Price, Arqueologia bíblica.p.80
76
UNGER, Merrill F. Archaeology and the New Testament p.24

[Digite texto] Pá gina 47


Cria nisso com grande convicção. Numa pesquisa para fazer um estudo topográfico da Ásia
Menor teve que considerar os escritos de Lucas. Como consequência, devido às provas
surpreendentes que sua pesquisa revelou, viu-se forçado à alteração radical de suas
convicções. Sobre isso ele comentou: "Posso afirmar com absoluta certeza que comecei esta
investigação sem uma ideia preconcebida em favor da conclusão que procurarei demonstrar
ao leitor. Na ocasião não era meu propósito estudar o assunto minuciosamente; mas mais
recentemente eu me vi em contato com o Livro de Atos, tendo-o como uma autoridade sobre a
Ásia Menor em questões de topografia, e de usos e costumes da antiguidade. Para mim foi
ficando cada vez mais claro que, em inúmeros detalhes, a narrativa revelava ser
maravilhosamente verdadeira. Aliás, principiando com uma ideia fixa de que a obra era
essencialmente uma composição do segundo século e jamais aceitando que seus dados
refletissem as condições do primeiro século, pouco a pouco vim a descobrir nesse livro um útil
aliado na investigação de alguns pontos obscuros e difíceis". 77

Ramsey ainda acrescenta: "O relato de Lucas, em termos de fidedignidade, não tem rival". 78

Em certa época cria-se que Lucas havia errado completamente nos acontecimentos que ele
apresentou como ocorridos à mesma época do nascimento de Jesus (Lucas 2:1-3). Os críticos
afirmavam que não houve censo algum, que Quirino não era governador da Síria àquela época
e que ninguém teve que voltar à terra natal de sua família para se recensear.

Primeiro, as descobertas arqueológicas revelaram que os romanos regularmente promoviam


cadastramento de contribuintes de impostos e também realizavam censos a cada 14 anos. Na
verdade essa prática começou sob o reinado de Augusto e ocorreu pela primeira vez em 23-22
a.C. e/ou em 9-8 a.C. Esta última data é provavelmente aquela a que Lucas se refere.

Segundo, temos indícios de que Quirino foi governador da Síria por volta de 7 a.C. Esta
pressuposição baseia-se numa inscrição encontrada em Antioquia, que identifica Quirino com
esse posto. Em consequência desse achado, atualmente se supõe que ele foi governador duas
vezes — a primeira vez em 7 a.C. e a outra em 6 A.D. (a data atribuída por Josefo). 79

Inicialmente os arqueólogos acreditavam que Lucas estava errado ao afirmar que Listra e
Derbe ficavam na Licaônia, enquanto Icônio não ficava. (Atos 14:6). Baseavam sua crença em
escritos de romanos, tais como os de Cícero, que indicavam que Icônio ficava também na
Licaônia. Por isso, os arqueólogos diziam que o Livro de Atos não era confiável. Em 1910,
contudo, Sir William Ramsey encontrou um monumento que mostrava que Icônio era uma
cidade da Frígia. Descobertas posteriores confirmaram essa informação. 80

Entre outras referências históricas feitas por Lucas, encontra-se a menção a Lisânias, tetrarca
de Abilene (Lucas 3:1), menção que é identificada com o início do ministério de João Batista,
em 27 d.C. O único Lisânias conhecido dos historiadores da antiguidade era um que foi morto
em 36 a.C. Contudo, uma inscrição encontrada perto de Damasco registra um "liberto de
Lisânias, o Tetrarca", a qual é datada do período entre 14 e 29 d.C. 81
77
W. Ramsey , St. Paul the Traveller and the Roman Citizen.
78
W. RAMSEY, The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the New Testament p.81
79
ELDER, John. Prophets, Idols and Diggers p.160
80
FREE, Joseph. Archaeology and Bible History p.317
81
BRUCE, F. F. Archaeological Confirmation of the New Testament p.321

[Digite texto] Pá gina 48


Lucas escreve sobre o tumulto em Éfeso e descreve a realização de uma assembleia (ecclesia)
civil num teatro (Atos 19:23). Os fatos são que a assembleia realmente se reunia naquele local,
conforme se vê numa inscrição sobre estátuas de prata de Artemis (Diana), as quais deviam ser
colocadas no "teatro durante uma reunião formal da Ecclesia". Feitas as escavações,
comprovou-se que o teatro tinha espaço para comportar 25.000 pessoas.

Lucas também relata um tumulto ocorrido em Jerusalém pelo fato de Paulo levar um gentio ao
templo (Atos 21:28). Encontraram-se inscrições em latim e em grego com os seguintes dizeres:
"Nenhum estrangeiro tem permissão para atravessar o muro que cerca o templo e a área
adjacente. Quem quer que for surpreendido nessa falta será pessoalmente responsável pela
morte que lhe advirá". Mais uma vez comprovou-se que Lucas estava certo. 82

Muitos estudiosos haviam criticado a escolha que Lucas fez da palavra 'procônsul' como título
para Gálio (Atos 18:12), mas mais uma vez ele estava correto, como comprova a inscrição de
Delfos, que num trecho diz: "Lúcio Júnio Gálio, meu amigo e procônsul da Acaia...".

Junius Gálio, foi procônsul da Acaia no ano de 52 d.C, sua historicidade é confirmada pela
arqueologia e pelas cartas trocadas com seu irmão, o grande filósofo romano Sêneca. Em uma
tese na Universidade de Paris, de 1905, Emile Bourget publicou quatro fragmentos de uma
inscrição de Delfos.

A inscrição menciona claramente Gálio como procônsul (anthupatos) da Acaia e a 26º


aclamação do César. Isso levanta a interessante possibilidade de datar o evento que Atos
descreve. A 26ª aclamação do Cesar deveria ter ocorrido no primeiro semestre do ano 52. O
procônsul normalmente servia apenas um ano e iniciava-se seu mandato na primavera.

Portanto, esse fato coloca Atos 18 como uma fonte histórica sólida no ano de 52. 83

Lucas trata Públio, o principal líder em Malta, pelo título de "homem principal da ilha" (Atos
28:7). Através de escavações descobriram-se inscrições que lhe conferem o título de "homem
principal".84

Uma vez que a palavra 'politarxes' não é encontrada na literatura clássica, mais uma vez
pressupôs-se que Lucas estivesse errado. No entanto, foram encontradas cerca de dezenove
inscrições que empregam o título. Curiosamente, cinco dessas inscrições referem-se às
autoridades de Tessalônica.85

Não é de admirar que E. M. Blaiklock, professor de Literatura Clássica na Universidade de


Auckland, chegue à conclusão de que "Lucas é um historiador da mais alta capacidade, com
todo o direito de ser colocado entre os grandes escritores gregos". 86

Vimos que Lucas era um historiador fantástico. Nos seus escritos são mencionados dezenas de
figuras políticas, que foram sendo confirmadas por dezenas de descobertas arqueológicas e
referências históricas extra bíblicas.
82
Ibidem p.326
83
C.R Heines - Heathen contact with christianity its first century and half
84
Ibidem p. 325
85
Ibidem p.326
86
ALAIKLOCK, Edward Musgrave. The A ets of the Apostles p.98

[Digite texto] Pá gina 49


Erasto, administrador de Corinto.

Erasto é mencionado em três ocasiões, na Bíblia, Atos 16.21,Timóteo 4.20 e Romanos 16:23.
Na passagem em Romanos, é relatado “Erasto, procurador da cidade”. Paulo estava na cidade
de Corinto quando escreveu a cartas aos Romanos. Em 1929, entre as ruínas escavadas da
Corinto antiga foi descoberta uma inscrição em um bloco de mármore usado para calçamento
de uma praça, contendo uma inscrição em latim que declara ser ele [Erasto] o encarregado de
obra pública. Está escrito “ERASTVS. PRO. AED. SP STRAVIT”, uma abreviatura de “Erasto PRO
AEDILITATE SUA pecunia STRAVIT”. Traduzido: “Erasto, comissário de obras públicas, custeou
as despesas dessa pavimentação”. Erasto teria doado fundos para projetos como a construção
de prédios e ruas públicas.

O termo grego usado por Paulo para administrador (oikonomos),é o termo apropriado para
descrever o “aedile”, ou magistrado supervisor de obras públicas, fato feito corretamente por
Paulo.87

Também se encontrou em Corinto um fragmento de inscrição que, acredita-se, continha na


íntegra as palavras "Sinagoga dos Hebreus". Pode-se imaginar que essa inscrição ficasse sobre
a porta da sinagoga em que Paulo debateu sobre o evangelho (Atos 18:4-7). Uma outra
inscrição de Corinto menciona o "mercado de carne" da cidade, ao qual Paulo se refere em 1
Coríntios 10:25.

Assim, graças às inúmeras descobertas arqueológicas, a maioria das antigas cidades


mencionadas no livro de Atos tem sido identificada. Como resultado dessas descobertas, hoje
é possível identificar com precisão o trajeto percorrido por Paulo em suas viagens. 88

O poço de Betesda

Outro local sem qualquer registro a não ser no Novo Testamento, pode agora ser localizado
com uma boa dose de certeza, na zona nordeste da cidade velha. Em João 5: 1-15 descreve
uma piscina em Jerusalém, perto do Portão das Ovelhas, chamada Betesda, cercada por cinco
colunatas cobertas. Até o século 19, não havia evidência fora do evangelho de João para a sua
existência e a descrição incomum de João fez com que os estudiosos da Bíblia duvidassem da
confiabilidade do relato, mas a piscina foi devidamente descoberta na década de 1930 - com
quatro colunatas em torno de suas bordas e uma em seu meio.

Ian Wilson relata:“ Escavações exaustivas feitas pelo arqueólogo israelense Professor Joachim
Jeremias trouxeram à luz precisamente tal edifício, incluindo ainda duas enormes cisternas
fundas, nos arredores da Igreja de Santa Ana.” 89

O túmulo do apóstolo Filipe

Em um comunicado de imprensa a Sociedade Bíblica Arqueológica no dia 29 de julho de 2011


anunciou que: “Durante a escavação de uma igreja da era bizantina na antiga cidade grega de

87
John McRay, ‘Archaeological Evidence for the New Testament’ in John Ashton & Michael Westacott.
88
COLLIER, Donald. "New Radiocarbon Method for Dating the Past p.95
89
Ian Wilson, The Bible is History p. 170

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Hierápolis (no sudoeste moderno da Turquia), o Professor Francesco D'Andria e sua equipe
arqueológica descobriram a tumba de São Filipe, um dos doze apóstolos.” 90

João Batista, profeta

Citado pelo Novo Testamento como o profeta que anunciaria de vinda de Jesus, João Batista
também é citado pelo historiador judeu do primeiro século Flávio Josefo como sendo homem
justo, e que batizava além do Jordão e que foi morto a mando de Herodes, exatamente como a
Bíblia o descreve.91 Em 2010, o arqueólogo Kazimir Popkonstantinov, em entrevista a CNN,
afirmou tem encontrado o ossuário de João Batista, com inscrições em grego antigo que
mencionavam seu nome.92 Segundo Dr Georges Kazan [do Instituto de Arqueologia de Oxford],
essas relíquias foram preservadas por monges do século IV e levadas a Constantinopla.

Dr Lachezar Savov, utilizando de scaners modernos, estudou o ossuário e afirma que os ossos
pertenciam a um homem entre 30-40 anos e com práticas alimentares vegetarianas.
Acadêmicos concordam que as evidências acumulativas mostram que o ossuário é de grande
probabilidade de pertencer a João Batista.

Alexandre de Cirene

Quando Jesus estava no caminho para ser crucificado, os soldados romanos forçaram um
homem chamado Simão de Cirene a carregar sua cruz (Mateus 27:32; Lucas 23:26). Simão teve
filhos chamados Alexandre e Rufo (Marcos 15:21; Romanos 16:13).

Em 1941, arqueóloga israelense Eleazar Sukenik, descobriu um túmulo a oeste de Jerusalém,


com cerâmicas do século I, contendo vários nomes. Alguns nomes eram particularmente
comuns em Cirenaica. As inscrições em um desses ossuários dizem: “Alexandre (filho de)
Simão”. Na tampa do ossuário, há uma inscrição com o nome Alexandre em grego e, em
seguida, o QRNYT em hebraico. O significado disso não está claro, mas uma possibilidade é que
a pessoa que fez a inscrição tenha escrito QRNYH - o hebraico para "Cyrenian". Tom Powers
comenta: "Quando consideramos quão incomum o nome Alexander era, e note que a inscrição
do ossuário o relaciona na mesma relação com Simão do Novo Testamento, e lembra que a
caverna funerária contém os restos mortais de pessoas de Cirenaica, a chance de Simão a que
o ossuário se refere ser ao Simão de Cirene mencionado nos Evangelhos parece altamente
provável.”93

A família Barsabás

José, chamado Barsabás, era um dos seguidores de Jesus, ele disputou com Matias a vaga
deixada por Judas Iscariotes para fazer parte do círculo dos doze apóstolos, mas Matias acabou
sendo escolhido. Também há referência a Judas Barsabás em Atos 15:22, um outro membro da
família.

90
Francesco D’Andria, “Conversion, Crucifixion and Celebration,” Biblical Archaeology Review,
July/August 2011.
91
Flávio Josefo, Antiguidades judaicas 7.p.489.
92
Kazimir Popkonstantinov quoted by Simon Hooper, ‘Are these the bones of John the Baptist?’
93
Tom Powers, in the July / August 2003 issue of Biblical Archaeology Review

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Achados arqueológicos modernos feitos por peritos israelenses em 2010 encontraram no Vale
de Kidron, ossuários do século I com inscrições contendo nomes dos familiares e com símbolos
de cruz. Professor Mazar diz: ” Essas descobertas são fascinantes, há evidências que o túmulo
foi hermeticamente fechado menos de uma década após a crucificação de Jesus, quando o
Novo Testamento ainda nem tinha sido escrito, provando que a Bíblia é muito consistente com
as evidências arqueológicas.” 94

Alexamenos graffiti

É um desenho satírico ao cristianismo primitivo, encontrado próximo ao Circus Maximus em


Roma, datado aproximadamente do ano 200 d.C. O desenho exibe Alexamenos, um romano,
provavelmente um soldado, adorando a um homem crucificado com cabeça de um animal
como a um Deus. No grafite está escrito: "ALE XAMENOS SEBETE THEON", que significa,
"Alexamenos adora o seu Deus".95

Segundo historiadores, a cabeça do animal provém das críticas dos romanos aos judeus, e
como o cristianismo primitivo era visto como ramo do judaísmo, daí a associação. O grafite,
apesar de blasfemo, é uma das mais antigas alusões visuais de Jesus crucificado. Mostrando a
incapacidade dos romanos de entender a adoração a um homem considerado Deus que tinha
sido morto de tal forma.

Esse grafite é interessante pois reforça algumas coisas, Jesus foi crucificado, era adorado como
Deus e já havia forte presença cristã em Roma desde muito cedo.

Igreja Cristã em Megido, c. 220 d.C.

John Dickson relata que “Megido é o sítio do primeiro prédio de igreja já encontrado. Essa
cidade comercial estratégica contém os restos de uma sala de orações Cristã datada do
terceiro século. Ela contém três inscrições em mosaicos que apontam para seu uso Cristão.”
Uma inscrição Grega, que se refere à mesa no centro da sala, que provavelmente era usada
para a comunhão, afirma “Akeptous, que ama a Deus, ofereceu a mesa ao Deus Jesus Cristo”.
O peixe que adorna o centro de um de quatro mosaicos na sala é um símbolo Cristão – a
palavra ichthys (peixe em Grego): “é um anagrama das palavras Iesous Christos Theou Yios
Soter: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. 96

Perceba que a casa já era usada como 'domus ecclesiae', casas que os arqueólogos acreditam
ter áreas dedicadas à oração e a reunião. O mais interessante é a dedicatória contida na mesa,
"ao Deus Jesus Cristo", mostrando que a crença na divindade de Jesus é historicamente
comprovada como sendo extremamente antiga e sendo atestada por fontes extra-bíblicas.

Graças a arqueologia já foram identificados vários personagens do Novo Testamento, desde os


famosos imperadores romanos como Otávio Augusto, Tibério, Cláudio e Nero, passando por
vários membros da família do rei Herodes, como sua mulher e seus filhos, por governadores de
províncias como Pôncio Pilatos e Festus, até figuras políticas independentes, como Aretas e

94
Jerusalem Christian Review (December 2000 online edition)
95
Alan Millard, ‘The First Christians – Archaeologically Invisible?’, Faith & Thought, October 2008, No.45,
p.9.
96
John Dickson & Greg Clarke, Life of Jesus Guidebook p.120.

[Digite texto] Pá gina 52


Judas Galileu. 97 Vemos então que a arqueologia cada vez mais comprova a autenticidade do
relato, mostrando que as histórias narradas são um fato histórico, e não há o menor sentido
nessa crítica cética exagerada.

Conclusão

Creio que as evidências levantadas até aqui são mais do que suficientes para respondermos a
questão levantada no início do capítulo, A Bíblia é confiável?

Comparado com qualquer documento histórico da antiguidade, o Novo Testamento apresenta


as melhores evidências. Maior quantidade e qualidade de cópias, as cópias mais antigas,
relatos de testemunhas oculares e menor intervalo entre o evento original e as primeiras
cópias.

As evidências internas e externas também fornecem uma grande amostra da confiabilidade do


relato bíblico. Pois nos coloca numa posição privilegiada de análise, onde podemos comparar
dados de épocas diferentes sobre o mesmo assunto, ver como a mesma história permanece
fiel com o passar do tempo ao seu propósito original e como inclusive pessoa inimigas da fé
cristã, acabaram corroborando com críticas a veracidade do testemunho narrado. Além dos
inúmeros relatos independentes, inclusive de fontes não-cristãs, que acabam por trazer mais
confirmação ao texto. E a arqueologia, que nos abastece com uma enormidade de evidências
empíricas que comprovam dezenas de personagens citados nos textos bíblicos, locais, aspectos
culturais e tradições.

Se alguém rejeitar a Bíblia alegando não poder confiar nela, terá então que rejeitar quase toda
a literatura da antiguidade. Pois nenhum outro livro religioso ou secular da antiguidade possui
essa quantidade de evidências em seu favor. A exagerada crítica e rejeição da Bíblia não possui
fundamento sério, é baseado em puras pressuposições, falácias e distorções.
O principal argumento usado é que a Bíblia contém milagres, mas se como demonstramos no
capítulo 1, se Deus existir, os milagres são plenamente possíveis. O crítico precisa apresentar
melhores evidências para rejeitar a Bíblia do que simplesmente um argumento baseado numa
opinião pessoal que de milagres não podem ocorrer.

Capítulo 4 – Quem é Jesus?

Após demonstrarmos incontáveis evidências em favor da confiabilidade da Bíblia, iremos


entrar em um assunto fundamental. Quem é Jesus Cristo?

O capítulo sobre quem é Jesus está logo após o capítulo sobre a confiabilidade da Bíblia não
por acaso. Após concluirmos que a Bíblia nos conta a verdade, logo, o que nos é dito sobre a
pessoa de Jesus também é verdadeiro. Suas palavras, ações, atitudes e autoafirmações podem
nos dizer muito sobre ele.

97
biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-the-bible/new-testament-
political-figures-the-evidence/

[Digite texto] Pá gina 53


Jesus é uma figura mundialmente conhecida, há 2000 anos músicas, livros, hinos são escritos
em sua homenagem, sua vida já inspirou filmes, peças de teatros, e os mais belos quadros e
esculturas. Os maiores artistas da história do mundo já utilizaram seus dons para honrar esse
misterioso homem da Galileia. Constituições foram juradas sobre o livro que conta a história
da sua vida, seus ensinamentos moldaram uma civilização inteira, inspiram homens e
mulheres em todo o mundo mesmo dois milênios após sua morte. Sua influência é
incomparável, nenhum outro líder religioso da história do mundo chega perto da autoridade
de Cristo em todo o mundo.

Cristo certamente é o personagem mais emblemático que o mundo ouviu falar. Não é a toa
que tudo se divide antes e depois dele. Mas afinal, quem era ele?

Há muitas correntes de pensamento sobre isso, para os marxistas liberais, ele foi um
revolucionário, o primeiro socialista, para os muçulmanos, um grande profeta, para algumas
outras pessoas, apenas um sábio mestre, e para outras, um personagem criado para manipular
as massas, e para os cristãos, o Deus encarnado.

Vimos no capítulo 2 que Jesus é o divisor de águas entre as religiões, principalmente entre as
grandes religiões monoteístas. De todas essas visões antagônicas sobre Jesus, qual é a real?

Vamos usar a lógica.

Vimos que o Novo Testamento possui os documentos mais antigos sobre Jesus Cristo, possui
testemunho ocular, relatos de fontes primárias, maior número de cópias e é corroborado por
várias evidências internas, externas e pela arqueologia. Então qual o documento mais confiável
poderíamos nos basear para saber sobre a vida de Jesus?

O Alcorão, que foi escrito 700 anos depois? O evangelho segundo Allan Kardec, que foi escrito
1800 anos depois? Interpretações modernas, que devido ao seu ceticismo exagerado inventou
um Jesus próprio? Ou tradições cristãs que remontam diretamente a Cristo e tudo que nos
conta o Novo Testamento? A resposta é clara. A melhor fonte de informação sobre Jesus é o
próprio Novo Testamento.

Jesus considerou de fundamental importância quem as pessoas acreditavam que Ele era. No
evangelho de Marcos, ele pergunta aos discípulos “Quem dizem os homens que eu sou?”, após
ouvir a resposta, pergunta diretamente a eles, “E vós, quem dizeis que eu sou?".

É de fundamental importância entender quem Jesus é, para não criarmos uma ilusão adaptada
as nossas visões ideológicas e aos nossos preconceitos. Ou aceitamos quem Jesus é de fato, ou
o abandonamos, não há meio termo.

Como explica C.S Lewis que foi professor na Universidade de Cambridge e, outrora, um ateu,
escreveu: "Estou aqui tentando evitar que alguém diga aquela grande tolice que
frequentemente se diz a respeito de d'Ele: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande
mestre de ensinos éticos, mas não aceito a afirmação que fez de que era Deus'. Isso é o que
não devemos dizer. Um homem que fosse um simples homem e dissesse o tipo de coisas que
Jesus disse não seria um grande mestre de ensinos éticos. Seria um lunático — estando em pé
de igualdade com o homem que diz o mesmo de Napoleão ou, então, seria o Diabo vindo do

[Digite texto] Pá gina 54


inferno. Você precisa tomar uma decisão. Ou esse homem era e é o Filho de Deus, ou, então,
era um louco ou algo pior".

C. S. Lewis acrescenta: "Você pode fazê-lo se calar, se toma-lo por um tolo; você pode cuspir
nEle e matá-lo, tendo-o por um demônio; ou você pode cair a Seus pés e chamá-lo de Senhor e
Deus. Mas que ninguém apareça com algum tipo de insensatez paternalista, afirmando que Ele
foi um grande mestre humano. Ele não deixou conosco a responsabilidade de decidir a
respeito. Não pretendeu fazê-lo".98

Nada melhor que analisar as próprias palavras de Jesus sobre Ele para começarmos nosso
estudo. O que Jesus disse sobre si mesmo?

Jesus afirma sua unidade com o Pai.

"Eu e o Pai somos um. Novamente os judeus pegaram as pedras para lhe atirar. Disse-lhes
Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais?
Responderam- lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e, sim, por causa da
blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo". 99

Fica, portanto, bem claro que, na mente daqueles que ouviram essa afirmação, não havia
qualquer dúvida de que Jesus tivesse dito perante eles que Ele era Deus. Por isso: "Os judeus
poderiam considerar as palavras de Jesus como blasfêmia, e tomaram a iniciativa de fazer
justiça com as próprias mãos. Estava escrito na Lei que a blasfêmia devia ser punida com o
apedrejamento (Levítico 24:16).

Em João 5 temos: "Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por
isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado,
mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus."

Um estudo feito por A. T. Robertson em Word Pictures of the New Testament (Descrições de
Palavras do Novo Testamento) oferece algumas ideias interessantes: "Jesus foi categórico
quando disse: meu Pai' (ho pater mou), e não 'nosso Pai', fazendo assim uma afirmação de sua
relação especial com o Pai. 'Trabalha até agora (Theos arti ergazetai) ...Jesus se coloca em pé
de igualdade com a atividade de Deus e, assim, justifica o fato de curar no dia de sábado." 100

Em sua própria oração registrada em João 17, Jesus afirma compartilhar da mesma glória que
Deus antes da existência do mundo. “ E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com
aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”

“Eu Sou”

João 8:58: "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: Antes que Abraão
existisse, eu sou."

98
C.S Lewis, Cristianismo Puro e Simples. P.43
99
João 10 30-33
100
Robertson, Archibald Thomas. Word Pictures in the New Testament p.82

[Digite texto] Pá gina 55


"Ele lhes disse: 'Em verdade, em verdade eu vos digo...' Principiando com um duplo Amém — a
fórmula mais incisiva de juramento — o nosso Senhor reivindica o nome incomunicável do Ser
Divino. Os judeus reconhecem o que Jesus quis dizer e, horrorizados, buscam apedrejá-lo." 101

Como os judeus receberam essa afirmação? Como Henry Alford nos informa, "... toda exegese
dessas palavras, que seja feita sem preconceito, deve reconhecer nas próprias palavras uma
declaração da preexistência intrínseca de Cristo." 102

Reportando-nos a passagens do Antigo Testamento, podemos descobrir o significado de "EU


SOU", A. G. Campbell apresenta-nos a seguinte conclusão: "A partir de referências do Antigo
Testamento, tais como Êxodo 3:14, Deuteronômio 32:29 e Isaías 43:10, fica claro que essa não
é alguma ideia nova que Jesus esteja apresentando. Os judeus estavam bem familiarizados
com a ideia de que o Jeová do Antigo Testamento é Aquele que é eternamente existente. O que
há de novo para os judeus é a identificação dessa expressão com a pessoa de Jesus".

Pelas reações dos judeus que o cercavam, temos uma prova de que eles compreenderam Sua
afirmação como uma reivindicação de uma natureza absolutamente divina. A compreensão
que tiveram da situação levou-os a tomar a iniciativa de cumprir a lei mosaica sobre blasfêmia,
apedrejando Jesus (Levítico 24:13-16).

Sobre esse assunto Campbell fala para o não-judeu: "Que nós também devemos compreender
a expressão 'Eu sou' (eimi) como tendo sido pronunciada com a intenção de declarar a plena
divindade de Jesus é algo que fica claro a partir do fato de que Jesus não tentou se explicar.
Não tentou convencer os judeus de que haviam entendido errado. Pelo contrário, diversas
vezes e em diversas ocasiões, Ele repetiu essa declaração.” 103

Ao contrário de outros líderes religiosos que diziam apontar o caminho a seguir, Jesus foi
enfático ao dizer: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por
mim". 104 E também “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não andará em trevas, mas
terá a luz da vida.”

Jesus por diversas vezes ensina sob a autoridade de seu próprio nome. Fazendo-o assim, Ele
elevou diretamente aos céus a autoridade de Suas palavras. Em vez de repetir a expressão
usada pelos profetas, "assim diz o Senhor", Jesus repetia "em verdade, em verdade, eu vos
digo", colocando acima deles.

Jesus aceitou adoração

Prostrar-se em atitude de reverência é o maior ato de adoração e culto que se pode prestar a
Deus. A adoração sempre foi um ato exclusivo a Deus, e adorar um ser humano era
considerado idolatria. Vemos a diferença em duas cenas.

101
Frederick C. Jesus is God p.54
102
ALFORD, Henry. The Greek Testament p.801
103
CAMPBELL, A. Glen. A Terminologia Grega para a Divindade de Cristo.
104
João 8 14:6

[Digite texto] Pá gina 56


O centurião Cornélio, ao adorar Pedro foi repreendido por este: "centurião Cornélio cai aos
pés de Pedro e o adora. Pedro reprova-o, dizendo: "Ergue-te, que eu também sou homem"
(Atos 10:25, 26).

Mas quando o mesmo ato ocorre com Jesus, este o aceita.

O homem que nascera cego, depois de ser curado, "prostra-se aos Seus pés e O adora" (João
9:35-39).

Jesus perdoava pecados

De acordo com a lei judaica essa era uma atribuição exclusiva a Deus, pois só Deus poderia
perdoar pecados.

Isso se vê em Marcos 2:7. Após realizar a cura de um paralítico, Jesus disse a ele que os seus
pecados haviam sido perdoados. O que levou os escribas judeus a expressar sua indignação:
"Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é
Deus?"

Ele perdoou não apenas os pecados cometidos contra a Sua pessoa, mas também os
cometidos por um indivíduo contra outro, o que, até aquela época, era uma ideia que ninguém
havia ouvido. John Stott nos relembra que "podemos perdoar os males que os outros nos
fazem; mas os pecados que cometemos contra Deus só o próprio Deus pode perdoar". 105

E Jesus faz exatamente isso. Assim, vemos que o poder de Jesus de perdoar os pecados é o
clímax da demonstração de um poder que pertence exclusivamente a Deus.

Durante seu ministério Jesus realizou inúmeras curas milagrosas, e ainda disse que “Se
pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará”. Nenhum judeu em sã consciência
jamais ousou falar algo assim. Vários profetas no Antigo Testamento realizaram milagres, mas
somente Jesus disse que essas ações sobrenaturais seriam pedidas em Seu próprio nome.

Filho do homem

O Novo Testamento se refere a Jesus como o “Filho do Homem” 88 vezes. O primeiro


significado para o termo "Filho do Homem" é usado em referência à profecia de Daniel 7:13-
14: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um
como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe
dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o
servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será
destruído." O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi
105
John Stott. Cristianismo Básico p.29

[Digite texto] Pá gina 57


dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele
estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Os judeus daquela época com
certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia. Ele estava proclamando
ser o Messias.

Os autores do Antigo Testamento relutavam em referir-se a Deus diretamente, porque, sem


dúvida nenhuma, consideravam tal tratamento comprometedor para a transcendência divina.
Às vezes, quando havia necessidade de referir-se a Deus, procuravam usar um "criptograma"
de quatro letras, transliterado como YHWH. Esse grupo de quatro letras, que na tradução
inglesa da Bíblia conhecida como "Versão do Rei James" atribui a Deus o nome de "Jeová", e
que a Bíblia de Jerusalém traduz por "Yahweh", era usado para representar o nome sagrado de
Deus.

YHWH

O tetragrama só é empregado para designar o nome do Deus específico que Israel conhecia e
adorava e que foi revelado através da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Talvez a
tradução mais apropriada desse grupo de letras (YHWH) em nossos idiomas ocidentais seja
"Senhor" ou o próprio termo hebraico "Yahweh".

Quando o Antigo Testamento foi traduzido do hebraico para o grego, a palavra kyrios começou
a ser usada de modo geral para traduzir o sagrado nome de Deus. Das 6.823 vezes que o nome
aparece em hebraico, o grego o traduz por kyrios ("senhor") 6.156 vezes.

O historiador Flávio Josefo conta que os judeus se recusavam a chamar o imperador romano
de kyrios porque consideravam este nome reservado unicamente a Deus.

Já os autores do Novo Testamento nunca hesitaram em usar esse nome sagrado ao se


referirem a Jesus, no pleno sentido dessa palavra. O nome usado exclusivamente para se
referir a Deus era atribuído da mesma forma a Jesus. Não se trata aqui de um erro eventual
que pudesse ser cometido por autores mal informados, que talvez ignorassem o sentido
judaico próprio daquele nome, visto que os primeiros discípulos eram judeus. Os autores do
Novo Testamento — como Paulo, que empregou mais abundantemente o termo "Senhor" ao
se referir a Jesus — tinham plena consciência das implicações desse nome e consideravam que
os fatos a respeito de Jesus, especialmente a ressurreição dentre os mortos, os obrigavam a
afirmar com esse nome a identidade de Jesus. 106

Jesus ainda afirmou ser o Alfa e ômega, o Salvador, A porta, o pão do céu, a ressurreição, o
bom pastor, a vida eterna...Por todo o Novo Testamento podemos perceber que Ele afirma ser
muito mais que um mero sábio ou profeta. Seus amigos reconheceram e perceberam o que ele
queria dizer com aquelas ações e palavras. Como afirma o apóstolo Paulo :” De sorte que haja
em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de
Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma
de servo, fazendo-se semelhante aos homens;” 107

106
Alister McGrath, Teologia,Os fundamentos p. 100
107
Filipenses 2:5-7

[Digite texto] Pá gina 58


Jesus assumiu a forma de servo, o servo sofredor anunciado centenas de anos antes na
profecia de Isaías, capítulo 53: “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem
de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto,
era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas
enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus,
e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das
nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos
sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu
caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.”

Qualquer um que sem preconceito que leia essas afirmações percebe o que elas significam.

Antes de depois de Cristo existiram candidatos a Messias, a profetas iluminados, mas as


afirmações de Jesus o colocam num patamar único. Jesus afirmou ser Deus, os apóstolos
reconheceram isso, e a Igreja primitiva ecoou sua divindade por toda a história. Referências
dos pais da Igreja a sua divindade remontam ao fim do primeiro século, derrubando qualquer
teoria conspiratória de invenção posterior.

Numa sociedade monoteísta extremamente rigorosa, um mero humano se dizer divino era
algo absurdo. Mas Jesus não deixou quaisquer outras opções. Sua afirmação de que é Deus ou
é verdadeira ou é falsa, e deve-se considerar seriamente tal afirmação. Não há outras opções,
ou Jesus estava falando a verdade, ou simplesmente era um blasfemo mentiroso, e, portanto,
não poderia ser nenhum profeta nem sábio. Então se Jesus estava falando a verdade, o
cristianismo está certo em reconhecê-lo como Deus, se Jesus está mentindo, ele não pode ser
um grande profeta como afirma o islamismo, muito menos um mestre da moral como afirmam
as outras religiões.

Mas diante da pureza e dignidade moral de Jesus, reveladas em todas as suas palavras e obras,
e reconhecidas universalmente. A possibilidade de Jesus estar mentindo está fora de questão.
Em nome da lógica, do senso comum e da experiência, como é que um impostor — isto é, um
homem enganador, egoísta e depravado — conseguiu inventar e sustentar coerentemente, do
início até o fim, o mais puro e nobre caráter que a história conheceu, com a mais perfeita
aparência de autenticidade e realidade? Como ele conseguiu conceber e, com sucesso,
executar um plano sem igual de beneficência, magnitude moral e sublimidade, e sacrificar sua
própria vida por isso, quando confrontado pelos mais fortes preconceitos por parte de seu
povo e de sua geração? Alguém que viveu como Jesus viveu, ensinou como Jesus ensinou e
morreu como Jesus morreu não poderia ter sido um mentiroso. Simplesmente as evidências
não encaixam.

Se Jesus então é Deus, o que isso quer dizer?

Segundo a teologia cristã, Jesus é inteiramente humano e inteiramente divino, possuindo as


duas naturezas. Isso é definido pelo termo teológico de União hipostática, que é a expressão
que descreve a existência de duas naturezas, humana e divina, juntas e sem se misturar, na
pessoa única de Cristo, de modo que a divindade não violou sua humanidade e nem a
humanidade detratou sua divindade.

[Digite texto] Pá gina 59


Como a Bíblia afirma, “o salário do pecado é a morte”, e desde os tempos do Antigo
Testamento, para haver perdão, era necessário o sacrifício. No sistema sacrificial do Antigo
Testamento os animais eram sacrificados para perdão dos pecados dos homens. O pecador
merece o justo castigo por ter ofendido a Deus com o pecado, mas Deus havia preparado algo
diferente.

O sistema de sacrifícios de animais do Antigo Testamento era uma prefiguração do sacrifício


final. Somente a pessoa de Jesus poderia ser esse sacrifício. Ao ser Deus, somente ele poderia
perdoar os pecados, e ao ser homem, somente ele poderia redimir nossa natureza humana.

Em Jesus, o Verbo, a Palavra de Deus Se fez carne, isto é, se fez humanidade concreta: Ele
entrou na história, num povo, num país, numa cultura, numa família, num contexto social,
político, econômico, religioso. Pela Encarnação, Jesus Cristo, Perfeito Homem, fez-Se
semelhante àquelas pessoas com as quais queria Se comunicar e salvar. Fez-Se em tudo
semelhante a nós, com exceção do pecado. Deus entra na humanidade, a humanidade penetra
em Deus. A humanidade é assumida de uma vez para sempre.

E para entendermos melhor a pessoa de Cristo, precisamos entender a cruz. O que para
muitos é considerado objeto de tortura, para os cristãos é de salvação.

Já foi publicado em uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo - o JAMA, The
Journal of the American Medical Association, um artigo é intitulado "On the Physical Death of
Jesus Christ" (Sobre a morte física de Jesus Cristo). 108

Nele os autores demonstram como processo de açoitamento romano era terrivelmente cruel.
São descritos detalhes técnicos, que juntamente com a narrativa bíblica, fornecem um
panorama completo de todo esse processo, desde o julgamento até a morte na cruz. Somente
analisando o sofrimento físico de Jesus, percebemos o quão terrível deve ter sido suportar
tudo isso. Stress intenso, noite sem dormir, um julgamento injusto, açoitamento desumano,
zombaria e ainda ter que carregar seu próprio instrumento de morte.
Mas por trás de tudo isso existia o plano do próprio Deus em resgate da humanidade.

O que de fato "pesou" sobre seus ombros não foi a cruz nem a dor física, mas os nossos
pecados. Isaias há muito tempo profetizara: "Mas ele foi ferido por causa das nossas
transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava
sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”. Ele era o verdadeiro sacrifício para perdão
dos pecados. O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Somente o Deus que se fez homem poderia reconciliar os homens com Deus.

Por isso dizemos que o sacrifício foi por amor, pois Ele não tinha pecado, nós sim. Se o pecado
gera a morte, quem deveria morrer seríamos nós, e não Ele. Toda podridão humana gerada
pelo pecado estava sobre os ombros Cristo. Nós somos salvos unicamente pela graça, o favor
imerecido do Deus misericordioso com suas criaturas pecadoras.

Por isso entender a cruz é fundamental, pois foi nela o maior ato de amor praticado na história
do mundo. Ela revela a profundidade do amor de Deus por nós.
108
godandscience.org/apologetics/deathjesus.pdf

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Como o grande teólogo John Stott resume bem: " Eu nunca poderia acreditar em Deus, se não
fosse pela cruz...No mundo de dor e sofrimento, como poderia alguém adorar um deus que
fosse imune a ela?

Eu já entrei em muitos templos budistas em vários países asiáticos, e fiquei parado


respeitosamente em frente à estátua de Buda o admirando, suas pernas cruzadas, braços
dobrados, olhos fechados, um leve sorriso em sua boca, um olhar remoto em sua face, longe
das agonias do mundo. Mas em cada vez, eu tive que dar as costas. E em imaginação, me virei
para aquela solitária, torcida, e torturada figura na cruz. Pregos atravessando suas mãos e
pés, costas dilaceradas, membros torcidos, cabeça sangrando por uma coroa de espinhos, boca
seca e sedenta, mergulhado numa escuridão, abandonado por Deus. Este é o Deus para mim!

Ele deixou de lado sua imunidade a dor. Ele entrou em nosso mundo em carne, osso, lágrimas e
morte. Ele sofreu por nós. Nossos sofrimentos se tornaram mais manejáveis a luz Dele. Ainda
existe um ponto de interrogação contra o sofrimento humano, mas além disso, corajosamente
estampamos outra marca, a cruz que simboliza o divino sofrimento. A cruz de Cristo é a única
auto justificação de Deus em um mundo como nosso."

Nenhuma outra religião oferece salvação, na maioria das vezes se ganha pelos próprios
méritos. Ao cumprir determinado ritual, Deus passa a ser seu devedor. O homem ganha o
favor de Deus por esforço próprio. No cristianismo não, a salvação vem pelo sacrifício de
Cristo, Ele fez tudo, nós somos salvos pelos méritos Dele.

O cristianismo é único nesse sentido. Ele se baseia no que "foi feito". Jesus fez por nós na cruz
o que não podemos fazer por nós mesmos: ele pagou a pena de morte que nós merecemos
por nossa rebelião e vida errada, para podermos ser reconciliados com Deus.

Por isso no cristianismo Jesus é o único caminho para a salvação. Nas outras religiões vemos o
homem tentando abrir caminho até Deus, no cristianismo Deus dirige-se aos homens através
de Cristo oferecendo perdão, salvação e um relacionamento consigo mesmo.

No próximo capítulo falaremos sobre a ressurreição de Jesus, o fato que atesta tudo que
falamos até aqui.

Capítulo 5 – A ressurreição. Fato ou Lenda?

" se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé." 109

A ressurreição é o pilar central da fé cristã, é o fundamento sobre qual toda a doutrina se


assenta. O apóstolo Paulo estava tão certo disso que afirmou ser vã toda a pregação e esforço
que ele fazia caso Cristo não tivesse ressuscitado.

Jesus nos ensinou que a vida não termina depois da morte de nossos corpos. Ele fez esta
declaração impressionante: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que
109
1 Coríntios 15:14

[Digite texto] Pá gina 61


esteja morto, viverá;.” Jesus não apenas predisse Sua ressurreição como também enfatizou
que esse acontecimento seria o "sinal" que confirmaria suas afirmações de que era o Messias.
Segundo as testemunhas oculares mais próximas a Jesus, Ele demonstrou seu poder sobre a
morte levantando-Se dos mortos depois de ter sido crucificado e ficar sepultado por três dias.
Os apóstolos e outras testemunhas viram a Cristo vivo após terem presenciado sua morte. Essa
é a crença que tem dado esperança aos cristãos nestes quase 2.000 anos, é essa crença que
moldou o mundo e transformou 12 homens medrosos em missionários ousados. É sobre o fato
histórico da ressurreição que toda a história cristã é construída. Tanto que numa das primeiras
pregações públicas após a morte de Jesus Pedro afirma: “Deus ressuscitou a este Jesus, do que
todos nós somos testemunhas.”110

Com exceção de quatro, todas as principais religiões do mundo baseiam-se em meras


afirmações filosóficas. Das quatro que se baseiam mais na vida de pessoas do que num sistema
filosófico, somente o cristianismo postula um túmulo vazio para seu fundador.

Como afirma o teólogo R.C Sproul: “A veracidade da ressurreição é vital para o Cristianismo. Se
Cristo foi erguido dos mortos por Deus, então Ele detém as credenciais e a certificação que
nenhum outro líder religioso possui. Buda está morto. Maomé está morto. Moisés está morto.
Confúcio está morto. Mas, de acordo com o Cristianismo, Cristo vive.” 111

"Todos os dados apresentados pelo Novo Testamento mostram que o tema principal das boas
novas, ou evangelho, não era: 'Segue este Mestre e Faze o melhor', mas: 'Jesus e a
Ressurreição'. É impossível excluir isso do cristianismo sem alterar radicalmente o seu caráter e
destruir sua própria identidade."112

Como afirma o historiador N.T Wright: " É por isso, como um historiador, eu não posso explicar
o surgimento do cristianismo primitivo, a não ser que Jesus tenha ressuscitado." 113

Até mesmo Adolf Hamack, que rejeita a crença da igreja na ressurreição, admite: "A firme
confiança dos discípulos em Jesus tinha suas raízes na crença de que Ele não permanecera
morto, mas fora ressuscitado por Deus. Em virtude do que haviam experimentado nEle e
certamente só depois de terem o visto, é que o fato de que Cristo havia ressuscitado era algo
tão certo como o fato de Sua morte; sendo que a Sua ressurreição se tornou o principal tema
da pregação dos discípulos acerca dEle.”114

Existem duas hipóteses para o evento da ressurreição. Ou aconteceu de fato ou foi uma
invenção, pura mentira. E é exatamente isso que iremos discutir aqui.

O consenso acadêmico afirma alguns fatos sobre Jesus que precisamos saber. O exegeta Gary
Habermas analisou mais de 3000 artigos acadêmicos e, assim, encontrou vários fatos que “são
tão fortemente atestados historicamente que são concedidos por quase todos os estudiosos…
mesmo os mais céticos”. 115

110
Atos 2:32
111
R. C. Sproul, Reason to Believe p.44
112
Wilbur Smith, Therefore Stand: Christian Apologetics p.370
113
N.T Wright, The new unimproved Jesus
114
Adolf Harnack,History of Dogma p.3
115
Habermas & Licona, 2004: p.44

[Digite texto] Pá gina 62


Estes fatos são conhecidos como os Fatos Mínimos. Irei abordar três deles:

• A crucificação de Jesus.

• Os discípulos realmente acreditaram que ele ressuscitou dos mortos

• O Tumulo vazio

Vamos analisa-los um a um, fornecendo diversas evidências sobre as várias nuances que
envolvem a crucificação de Cristo. E no final, ainda abordarei as principais teorias que tentam
explicar a ressurreição e tentarei demonstrar o porquê elas são explicação pobres e
insuficientes que não condizem com os fatos.

A crucificação de Jesus

Mesmo teólogos liberais como Dominic Crossan afirmam: “ Que ele [Jesus] foi crucificado é tão
certo quanto qualquer coisa histórica pode ser."116 O estudioso cético James Tabor diz:" Acho
que não podemos ter dúvidas dada a crucificação de Jesus pelos romanos, que ele [Jesus],
estava verdadeiramente morto."117

Ambos Gerd Ludermann, professor e crítico ateu do Novo Testamento e Bart Ehrman,
especialista em Novo Testamento e agnóstico, dizem que a crucificação é um fato indisputável.
E por quê? Está escrito em todos os 4 evangelhos. Segundo Ehrman, quando os historiadores
desejam aprender sobre Jesus, eles recorrem ao Novo Testamento, “não é por razões
religiosas ou teológicas...É por razões históricas, pura e simples”.118

E além dos quatro evangelhos, temos um número de fontes não cristãs que corroboram a
crucificação. Por exemplo, o historiador romano antigo Tácito, diz que Jesus sofreu pena
extrema durante o reinado de Tibério. 119 O historiador judeu do primeiro século Flávio Josefo,
reporta que Pilatos “o condenou para ser crucificado." 120

É comprovado em ao menos de 11 fontes históricas independentes. Quanto mais fontes nós


temos sobre um evento histórico, mais confiáveis são as afirmações. Os historiadores
geralmente ficam bastante felizes em ter duas fontes independentes para tais eventos,
imagina diversas delas? Isso mostra o poder das evidências históricas do Novo Testamento.

Se juntarmos tudo isso com as referências dadas pelos pais da igreja dos séculos I, II e III, como
Inácio de Antioquia, Clemente romano, Policarpo, Irineu de Lyon e os apologistas gregos, as
evidências são ainda mais esmagadoras.

Então, pela simples análise das evidências que temos conhecimento, possuímos completa
segurança afirmar a morte por crucificação de Jesus, inclusive contrariando a visão islâmica
que afirma o contrário.

116
John Dominic Crossan, Jesus: A Revolutionary Biography p.145
117
James D. Tabor, The Jesus Dynasty p.230
118
Bart Ehrman, The New Testament.p.229
119
Tacitus, Annals 15.44
120
Josephus, Antiquities 18.64

[Digite texto] Pá gina 63


Os discípulos de Jesus realmente acreditaram que Jesus ressuscitou
dos mortos

Os discípulos de fato acreditaram que Jesus ressuscitou e apareceu a eles. Existem três pontos
de evidência para isso: O testemunho de Paulo sobre os apóstolos, tradições orais passadas
pela igreja primitiva e as obras escritas pelos pais da igreja.

Paulo é importante porque ele diz conhecer os apóstolos pessoalmente, incluindo Pedro, Tiago
e João. Paulo conhecia os apóstolos e a afirmação que eles faziam de que Jesus havia
ressuscitado dos mortos.

Nós sabemos de múltiplas fontes que Paulo – antes conhecido como Saulo de Tarso - era um
inimigo da igreja e perseguia os fiéis. Mas o próprio Paulo diz que ele se converteu de
perseguidor a um seguidor de Jesus porque ele encontrou com o próprio Cristo ressuscitado
na estrada de Damasco. Esse fato que é bem significante e um critério importante segundo
historiadores na determinação da veracidade de fatos históricos, pois temos um inimigo que
nada tinha a ganhar para mudar de lado. Paulo não apenas disse que Jesus apareceu a ele, mas
ele de fato viveu demonstrando que acreditava com toda sua alma nesse fato. Paulo seria a
pessoa mais improvável para a conversão, ele era totalmente oposto ao movimento cristão,
ele era um judeu ortodoxo, estudioso e muito fiel as suas próprias convicções judaicas, sua
transformação de perseguidor a missionário cristão exige uma explicação racional, e a melhor
explicação é a que o próprio Paulo nos diz, que Jesus apareceu a ele na estrada de Damasco.

Ainda temos mais seis fontes históricas antigas em adição a Paulo, como Lucas, Clemente de
Roma, Policarpo, Tertuliano, Dionísio de Corinto e Orígenes, que reportam que Paulo estava
disposto a sofrer e até mesmo morrer pela sua crença. E como os historiadores sabem,
mentirosos não servem para mártires. Paulo morreu decapitado em Roma após rodar boa
parte da Ásia sendo perseguido e preso simplesmente para levar a mensagem da ressurreição.

O mesmo exemplo de um incrédulo que após ver Jesus ressurreto virou um seguidor é Tiago.
Temos muitas evidências que Tiago não foi um seguidor de Jesus durante seu ministério.
Marcos e João relatam que nenhum dos 'irmãos' de Jesus acreditavam nele. De fato, a
passagem em João é interessante, pois sugere que os irmãos de Jesus tinham ouvido falar
sobre os supostos milagres, mas não acreditaram, e estavam até mesmo duvidando que seu
irmão pudesse realizar tais atos. É tão notório que a família de Jesus não cria nele, que no
evangelho de Marcos é relatado que seus parentes diziam que Jesus estava "fora de si".

No entanto, algo crucial acontece, em 1 Coríntios 15:7, diz que Jesus ressurreto apareceu a
Tiago. Outra vez, esse é um relato muito antigo, que tem todos os traços de confiabilidade
histórica segundo os estudos sobre a epístola aos Coríntios. E como resultado desse encontro,
Tiago não apenas passa ser um cristão, mas o líder da igreja de Jerusalém. Os relatos dos livros

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de Atos e Gálatas nos confirmam isso, e na verdade Tiago estava tão convencido que Jesus era
o Messias, que ele morreu como um mártir, como as fontes cristãs e não-cristãs afirmam. 121

Mesmo o professor ateu Gerd Ludermann conclui: “Pode ser tomado como historicamente
certo que Pedro e os outros discípulos tiveram experiências depois da morte de Jesus, em que o
Cristo apareceu a eles ressuscitado.” 122

Então temos a tradição oral. Naquela época obviamente não havia gravadores e poucos
sabiam ler, então a fonte de transmissão mais confiável de informação era verbal. Estudiosos
identificaram vários lugares em que a tradição oral foi copiada para o Novo Testamento em
forma de hinos, credos e sermões, isso é extremamente significante, porque a tradição oral já
existia antes dos escritos do Novo Testamento, então possibilitou os autores a incluírem nos
escritos. Por exemplo, temos credos que remontam as doutrinas básicas do cristianismo e são
facilmente memorizadas. Um dos mais antigos e mais importantes credos, está na carta aos
Coríntios, escritos por volta de 55 d.C, que diz: ” Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o
que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e
ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze.
Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda
vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os
apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo.” 123

No Novo Testamento temos vários exemplos de credos antigos e hinos (Fp 2, 6-11, Cl 1, 15:18,
1Tm 3:16, 1Co 11:23 e tantos outros). Assim como 1 Coríntios 15, três coisas podem ser ditas
sobre eles. Eles remontam a antes de Paulo, são facilmente traduzíveis de volta ao aramaico e
mostram características de poesia hebraica. O que isso significa? A maioria desses credos e
hinos tratam sobre a morte, ressurreição e a divindade de Cristo, e os estudiosos classificam
esse material dentro da primeira década da morte de Jesus, quando a Igreja ainda era
fortemente judaica. Ou seja, a visão de Jesus como divino salvador ressurreto remonta aos
primórdios do cristianismo, refutando a ideia dos críticos que a divindade de Cristo se
desenvolveu através da história da Igreja.

Não há que duvidar que Paulo fizesse oposições a alguém, a algum grupo ou a alguns grupos,
em Corinto, que ensinavam conceitos errados sobre a ressurreição, ou, mais particularmente
ainda, que negavam completamente a realidade da ressurreição. Segundo os estudiosos, essa
narrativa faz parte de uma antiga tradição cristã que ele recebeu dos primeiros discípulos. Essa
tradição provavelmente foi transmitida a ele o mais tardar na época de sua visita a Jerusalém,
em 36 d.C. (conforme narrado em Gálatas 1:18), se não antes, em Damasco. Portanto, ela
remonta aos primeiros cinco anos posteriores à morte de Jesus, por volta de 30 d.C. A tradição
é uma síntese da pregação cristã primitiva e pode ter sido usada para o ensino cristão. 124

Ainda existem os escritos da geração pós-apostólica, pessoas que conheceram os apóstolos ou


eram muito próximas de quem conheceu. Seus escritos refletem a doutrina ensinada pelos

121
Josephus (Antiquities 20:200); Hegesippus (quoted by Eusebius in EH 2:23); Clement
of Alexandria (quoted by Eusebius in EH 2:1, 23)
122
Gerd Lüdemann, What Really Happened to Jesus? p.80
123
1 Coríntios 15 1:8
124
Willian Lane Craig, Em Guarda p. 246

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apóstolos e eram ensinadas as comunidades cristãs. Eles claramente afirmam que os apóstolos
foram dramaticamente impactados pela ressurreição de Jesus. Consideremos Policarpo por
exemplo. Os escritos de Irineu relatam que Policarpo “ era instruído e versado com muitos que
haviam visto a Cristo, incluindo João, e ele sempre ensinava o que tinha aprendido com os
apóstolos.” 125

Por volta de 110 d.C, Policarpo escreveu um carta aos Filipenses na qual ele menciona a
ressurreição de Jesus não menos de cinco vezes. Ele estava se referindo a Paulo e outros
apóstolos quando disse: ”Eles não amaram a presente era, mas ele que morreu em nosso
benefício e pelo nosso bem, foi ressuscitado por Deus.” 126

O professor Bernard Ramm comenta: "Tanto na história da Igreja como na história da


Doutrina, a ressurreição é declarada desde os primeiros momentos. É mencionada por
Clemente de Roma na Epístola aos Coríntios (95 d.C), um dos mais antigos documentos da
história da igreja, e daí por diante é mencionada continuamente, durante todo o período
patrístico. Aparece em todas as formulações do Credo Apostólico e nunca é refutada". 127

Sparrow-Simpson diz: "A mensagem básica do evangelho pregada por Inácio de Antioquia (50-
ca. 115 d.C.) é Jesus Cristo, e a religião cristã consiste de 'fé nEle e amor para com Ele, Sua
Paixão e Ressurreição'. Ele insta os cristãos a estarem 'plenamente convictos acerca do
nascimento, paixão e ressurreição' de Jesus." "Jesus Cristo é descrito como 'nossa esperança
mediante a Ressurreição'. A Ressurreição de Jesus é a promessa de que também
ressurgiremos". "Além do mais, Inácio declara que a Igreja, 'sem qualquer hesitação, rejubila-
se na Paixão de nosso Senhor e em Sua Ressurreição'. Os fatos principais sobre os quais ele se
detém são a Cruz, a Morte e a Ressurreição de Cristo. Estas ele reúne numa mesma categoria.
Falando sobre certos hereges, ele afirma: 'Eles se mantêm afastados da Eucaristia e da oração,
porque não confessam que a Eucaristia seja a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual
sofreu por nossos pecados e o qual Deus ressuscitou por sua terna bondade'. Repetindo o
pensamento, ele afirma que a Ressurreição 'foi tanto da carne como do espírito'." 128

Em suma, temos bastantes evidências até agora, a conversão dos incrédulos Tiago e Paulo, a
tradição oral primitiva e os escritos antigos dos pais da Igreja. Ao todo, temos diversas fontes
históricas independentes que atestam o mesmo evento histórico, a ressurreição era algo que
eles acreditavam de verdade e que mudou suas vidas.

No seu Evangelho, Mateus nos mostra a covardia dos discípulos (26: 56). Jesus havia sido preso
no jardim do Getsêmani e "então os discípulos todos, deixando-o, fugiram".

Marcos, por sua vez, diz (14:50): "Então, deixando-o todos fugiram".

O professor George Hanson comenta: "É natural que eles não estivessem muito corajosos nem
com a mente muito aberta. Da maneira mais covarde possível, quando seu Mestre foi preso,
eles O abandonaram e fugiram, deixando-o a enfrentar sozinho o Seu destino". 129

125
Irenaeus, Against Heresies, 3.3.4.
126
Polycarp’s letter to the Philippians 9:2.
127
Bernard Ramm. Protestant Christian Evidences p.52
128
SPARROW-SIMPSON, W. J. The Resurrection and the Christian Faith p. 339
129
George Hanson, The Resurrection and the Life p.24

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O professor Albert Roper menciona o fato de Simão Pedro "se encolher de medo diante da
provocação de uma criada no pátio dos sumos sacerdotes e negar, com impropérios, que ele
conhecesse 'esse homem de quem falais'". 130

O que eles teriam visto que mudou essa realidade? Qual a explicação mais racional que tem
maior suporte das evidências? Somente algo extraordinário poderia ter mudado a realidade de
homens e mulheres acovardados em pregadores e missionários ousados.

O teólogo John Stott diz: "Talvez a transformação dos discípulos de Jesus seja a maior de todas
as provas da ressurreição..." 131

O dr. Simon Greenleaf advogado de Harvard, diz acerca dos discípulos: "De modo que era
impossível que eles tivessem continuado a afirmar as verdades que contavam, caso Jesus não
tivesse realmente ressuscitado dos mortos e caso eles não tivessem tanta certeza desse fato
como tinham de qualquer outro".132

A seguinte descrição da transformação que ocorreu, após a ressurreição, na vida dos apóstolos
é um interessante enfoque poético sobre o assunto: No dia da crucificação estavam cheios de
melancolia; no primeiro dia da semana, repletos de alegria. "No momento da crucificação
estavam desesperançosos; no primeiro dia da semana seus corações estavam tomados de
certeza e esperança. Quando pela primeira vez ouviram a mensagem da ressurreição, ficaram
incrédulos, sendo difícil convencê-los, mas assim que tiveram certeza nunca mais duvidaram.
O que poderia explicar a surpreendente mudança ocorrida nesses homens em tão curto
espaço de tempo? A simples remoção do corpo do túmulo jamais poderia ter transformado
seus espíritos e personalidades. Três dias não são suficientes para se desenvolver uma lenda
que tanto iria afetá-los. Requer-se tempo para o processo de formação de uma lenda. Esse é
um fato psicológico que exige uma explicação mais convincente". "Pense no caráter das
testemunhas — homens e mulheres que deram ao mundo o mais sublime ensino ético já
proclamado e que, mesmo diante das declarações de seus inimigos, puseram esses ensinos em
prática em suas próprias vidas. Pense no absurdo psicológico que é descrever um pequeno
bando de covardes derrotados escondendo-se certo dia num cenáculo, e alguns dias depois
transformados num grupo que perseguição alguma era capaz de silenciar — e então tente
atribuir essa impressionante transformação a nada mais convincente do que uma invencionice
miserável que estavam tentando impor ao mundo. Isso simplesmente não faria sentido". 133

Os evangelhos foram escritos com proximidade temporal e geográfica tamanha aos eventos
neles registrados que teria sido praticamente impossível fabricá-los [...] O fato de que os
discípulos foram capazes de proclamar a ressurreição em Jerusalém diante de seus inimigos,
algumas semanas depois da crucificação demonstram que o que diziam era verdade, porque
nunca poderiam ter falado a favor da ressurreição (e ter feito com que as pessoas
acreditassem nisso), diante de tais circunstâncias, se de fato não fosse verdade. Se houvesse
uma conspiração, certamente teria sido desmascarada pelos adversários dos discípulos, que

130
Albert Roper, Did Jesus Rise from the Dead? p.50
131
John Stott Cristianismo Básico p.59
132
Simon Greenleaf, O Testemunho dos Evangelistas, Examinado de Acordo com as
Regras Utilizadas nos Tribunais para o Exame das Provas p.29
133
A Ressurreição de Jesus Cristo, Revista Christianity Today 29 mar. 1968.

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tinham tanto o interesse como a capacidade para expor qualquer fraude vinda deles.
Experiências comuns demonstram que tais intrigas são inevitavelmente expostas. 134

O incrédulo ao rejeitar essas evidências, primeiro precisa fornecer explicações credíveis e


embasadas para tal, segundo, precisa apresentar evidências que expliquem a mudança de vida
dos apóstolos, o surgimento da Igreja primitiva em Jerusalém e porque a ressurreição é uma
doutrina tão antiga quanto o cristianismo, sendo que ela não era aceita pelos gregos, romanos
e judeus (os judeus não criam em ressurreição de um indivíduo somente e os saduceus,
rejeitavam a ressurreição dos mortos), somente para citar algumas implicações históricas.

Por isso o ensinamento cristão apostólico sempre foi: “Por seu poder, Deus ressuscitou o
Senhor e também nos ressuscitará.”135

O túmulo vazio

A Bíblia narra o seguinte acontecimento.

Em Lucas 24 1:3 “E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro,
levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. E acharam a pedra
revolvida do sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus.”

Basicamente, existem três partes de evidências para afirmar que o túmulo estava vazio:

O fator Jerusalém, a atestação do inimigo e o testemunho das mulheres.

O fator Jerusalém se refere que Jesus foi publicamente executado e enterrado em Jerusalém, e
sua ressurreição começou a ser proclamada nessa mesma cidade. De fato, muitas semanas
após a crucificação, Pedro declara a uma multidão ainda em Jerusalém que “Deus ressuscitou
Jesus, e todos nós fomos testemunhas desse fato.” 136

Francamente, teria sido impossível para o cristianismo crescer nas terras de Jerusalém se o
corpo de Jesus ainda estivesse no túmulo. As autoridades romanas e judaicas teriam
simplesmente ido ao túmulo e visto o corpo e todo esse fervor teria acabado na hora. Na
verdade, qualquer um poderia ter feito isso. A história da ressurreição logicamente não teria
se mantido em pé um único dia, nem uma única hora, em Jerusalém, caso, para todas as
pessoas interessadas no assunto, o fato de o túmulo estar vazio não se confirmasse. Tudo
dependia disso.

O professor E. H.Day comenta: "Se alguém afirmar que na verdade ninguém encontrou o
túmulo vazio, a crítica se defrontará com algumas dificuldades. Ela terá de explicar, por
exemplo, o problema da rápida propagação de uma tradição bem específica, que nunca foi
questionada seriamente, o problema da natureza circunstancial das narrativas em que a
tradição chega até nós, o problema do fracasso dos judeus em provar que a Ressurreição não

134
Willian Lane Craig, Knowing the Truth About the Ressurection
135
1 Coríntios 6:14
136
Atos 2:24

[Digite texto] Pá gina 68


havia ocorrido, o que poderia ser feito apresentando o cadáver de Jesus ou fazendo um exame
oficial no sepulcro, uma prova em que eles tinham o maior interesse em apresentar". 137

Não houve uma discussão sobre a identificação do corpo de Jesus ou não, ninguém apareceu
com um cadáver. A discussão girou sobre outros aspectos, o túmulo vazio era aceito por todos.

Existe uma inscrição interessante, uma fonte secular de origem bem antiga, a qual pode nos
dar um testemunho do túmulo vazio de Jesus. Essa prova é denominada Inscrição de Nazaré,
por causa da cidade onde foi encontrada.

É um edito imperial, proclamado ou no reinado de Tibério (14-37 A.D.) ou no de Cláudio (41-54


A. D.).É uma invectiva, acompanhada da ameaça de duras sanções, contra violação de túmulos
e sepulturas! Tem-se a forte impressão de que a notícia do túmulo vazio havia chegado a Roma
numa versão distorcida (Pilatos provavelmente teve de enviar um relatório, e obviamente
deve ter dito que o túmulo fora saqueado). Ao que parece, esse edito é a reação imperial a
história do tumulo vazio. 138

Os judeus acusaram os cristãos de terem roubado o corpo do sepulcro. Isso não é somente
reportado nos evangelhos, mas os escritores cristãos antigos dos primeiros séculos, como
Tertuliano e Justino Mártir também relatam que essa era a crença judaica.

Aqui está a questão: Porque eles diriam que alguém roubou o corpo se o corpo ainda estivesse
lá? Isso é uma confissão explícita de que o túmulo estava vazio. Essa admissão por parte dos
judeus de que o túmulo estava vazio é repetida em todos os comentários subsequentes feitos
pelos judeus sobre o assunto. O fato de o túmulo estar vazio é algo reconhecido pelos
adversários da mesma forma como é proclamado pelos discípulos, o que precisava era uma
explicação para o acontecido, pois o túmulo vazio já era dado como certo.

Além do mais, a ideia de que os discípulos roubaram o corpo é uma explicação pobre. É sério
que temos que acreditar que eles enfrentaram a guarda romana, removeram uma pedra
pesada, roubaram o corpo e o esconderam, e estavam dispostos a sofrer e morrer
voluntariamente por algo que eles sabiam que era mentira? Tendo sido criados como judeus,
eles proclamariam a ressurreição de uma pessoa que estava em estágio de decomposição?
Não faz o menor sentido. Iremos abordar todas as objeções para o túmulo vazio mais a frente
em detalhes.

E surge uma pergunta interessante, por que o sepulcro de Jesus não se tornou um objeto de
veneração?

O professor J. N. D. Anderson comenta que "também é significativo que não tenhamos


qualquer indício de que o túmulo se tornou um local de adoração ou de peregrinação nos dias
da igreja primitiva. Mesmo que aqueles que eram cristãos convictos tenham evitado ficar
visitando o sepulcro devido à convicção de que o seu Mestre ressuscitara, que dizer de todos
aqueles que tinham ouvido Seus ensinos e até mesmo visto o milagre do Seu toque de cura e

137
Hermitage Day E. On the Evidence for the Resurrection p.26
138
Michael Green, Man Alive p.36

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não se uniram à comunidade cristã? Eles também, ao que parece, sabiam que Seu corpo não
estava lá e devem ter concluído que uma ida ao túmulo seria algo sem sentido".139

Outro fato que ajuda a corroborar a tese são os testemunhos das mulheres de que o túmulo
estava vazio.

Não somente as mulheres foram as primeiras a descobrir o túmulo vazio, mas elas são
mencionadas nos quatro evangelhos, e as testemunhas masculinas só aparecem depois e
somente dois deles.

E porque isso é importante? Porque no mundo da Palestina do primeiro século, as mulheres


não eram estimadas na sociedade, e seus testemunhos não era muito bem aceito. Eram
considerados menos credíveis do que os dos homens. Por exemplo, o Talmud judaico diz:
"Antes, deixe que as palavras da Lei seja queimada do que entregue por mulheres.” 140 "E
qualquer evidência que uma mulher der não é válida a oferecer.” 141 O historiador judeu Flávio
Josefo ainda diz: “Não deixe o testemunho de mulheres ser aceito.” 142

A questão então é, se os apóstolos fossem inventar uma história para enganar os outros, eles
nunca colocariam mulheres para relatar o fato mais importante da história. É extremamente
improvável que eles inventassem um testemunho desses. Porque não Pedro, o mais velho,
pescador e homem de confiança de Jesus foi relatado como sendo o primeiro a ver o fato mais
importante? A melhor hipótese do por que os apóstolos incluiriam testemunhos embaraçosos
desse tipo, é porque realmente é verdadeiro.

Segundo Jacob Kremer, um crítico do Novo Testamento que se especializou no estudo da


ressurreição: “Decididamente a maioria dos estudiosos sustenta firmemente a confiabilidade
dos registros bíblicos sobre o sepulcro vazio”. 143 De fato, em uma pesquisa feita com mais de
2.200 publicações acadêmicas em inglês, francês e alemão sobre a ressurreição, desde 1975,
Gary Habermas descobriu que 75 por cento dos estudiosos aceitava a historicidade da
descoberta do sepulcro vazio.144 A evidência é tão convincente que uma série de estudiosos
judeus, como Pinchas Lapide e Geza Vermes, declaram-se convencidos que o sepulcro foi
encontrado vazio com base nas evidências.

E para finalizar, podemos destacar a simplicidade do relato sobre a ressurreição. Como o relato
do sepultamento, o relato dos evangelhos sobre o sepulcro vazio é incrivelmente simples,
despido de temas teológicos capazes de caracterizar alguma lenda que tivesse surgido
posteriormente. Não há relatado Jesus saindo do sepulcro em triunfo magistral, vencendo a
morte e reinando soberano.

Para fazer uma ideia de quão comedida é a narrativa dos evangelhos, você tem apenas que ler
o relato no evangelho apócrifo de Pedro, que descreve a triunfante saída de Jesus do sepulcro
como uma figura de proporções gigantescas, cuja cabeça alcança as nuvens, sustentado por

139
J. N. D Anderson, Christianity: The Witness of History p.97
140
Talmud, Sotah 19a.
141
Talmud, Rosh Hashannah 1.8
142
Josephus, Antiquities 4.8.15
143
Jacob Kremer, Die Osterevangelien p. 49
144
Gary Habermas, “Experience of the Risen Jesus p. 292

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anjos gigantescos, seguida por uma cruz que fala, anunciado por uma voz vinda do céu e
testemunhada pelos guardas romanos e líderes judeus e uma multidão de espectadores! Isso
demonstra quão real as lendas se parecem: elas são coloridas por acréscimos teológicos e
apologéticos. Enquanto os fatos são os fatos, simples e crus, retratando apenas a verdade.

Se Jesus não ressuscitou, muita coisa precisa ser explicada:

A Igreja

Todos sabemos que o cristianismo passou a existir em algum momento da metade do primeiro
século depois de Cristo. Por que veio a existir? O que fez esse movimento começar? Mesmo
estudiosos mais céticos do Novo Testamento reconhecem que a fé cristã deve suas origens à
crença dos primeiros discípulos no fato de que Deus havia ressuscitado Jesus de Nazaré dos
mortos. De fato, eles amarraram praticamente tudo a essa crença.

Durante todo o seu período inicial de existência, essa instituição sofreu muita perseguição
pelos judeus e romanos. Indivíduos sofreram tortura e morte por amor ao Senhor somente
porque sabiam que Ele havia ressuscitado dentre os mortos.

H. D. A. Major, diretor do Ripon Hall, em Oxford, diz o seguinte, conforme citado por Smith:
"Caso a crucificação de Jesus tivesse sido o fim da experiência dos discípulos com Ele, seria
difícil de entender como surgiu a igreja cristã. Aquela igreja foi fundada sobre o caráter
messiânico de Jesus. Um messias crucificado não era messias algum. Seria alguém rejeitado
pelo judaísmo e amaldiçoado por Deus. Foi a ressurreição de Jesus, conforme São Paulo
declara em Romanos 1:4, que proclamou com poder que Ele era Filho de Deus". 145

Citado por Straton, o historiador Kenneth Scott Latourette diz: "Foi a convicção da ressurreição
de Jesus que tirou Seus seguidores do desespero em que Sua morte os havia atirado e que os
levou a perpetuarem o movimento iniciado por Ele. Mas devido à profunda crença que tinham
de que o crucificado havia ressurgido dos mortos e de que O tinham visto e conversado com
Ele, provavelmente qualquer coisa poderia ter acontecido à morte de Jesus e até mesmo a Ele
próprio, menos serem esquecidos".146

Se Jesus não ressuscitou, como explicar o surgimento do cristianismo e consequentemente da


Igreja primitiva cristã em Jerusalém e ter se espalhado por todo mundo?

O Domingo

O dia que, desde o início, os judeus guardavam para descanso era o sábado, pois diziam que
Deus, ao concluir a criação, descansou no sétimo dia. Isso estava escrito nas sagradas leis dos
judeus, inclusive nos 10 mandamentos. Um dos aspectos de maior reverência na vida de um
judeu era a guarda do sábado. Os cristãos se reuniam para adorar no primeiro dia da semana

145
William Smith, Therefore Stand: Christian Apologetics p. 368
146
Straton, Hillyer H. I Believe: Our Lord's Resurrection p.3

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judaica em sinal de reconhecimento da ressurreição de Jesus. Esses cristãos realmente
conseguiram mudar para o domingo esse antiquíssimo dia de descanso e oração, que era
guardado por razões teológicas. Lembre-se de que ELES MESMOS ERAM JUDEUS! Lembrando-
nos daquilo que pensaram que aconteceria se estivessem errados, devemos admitir que essa
foi provavelmente uma das maiores decisões que um grupo de seguidores de uma religião
jamais tomou! Sem a ressurreição como iríamos explicar a mudança do dia de adoração de
sábado para domingo? 147

J. N. D. Anderson observa que a maioria dos primeiros cristãos era de formação judaica e
estava fanaticamente apegada à guarda do sábado. Portanto, foi preciso algo extremamente
significativo para mudar esse hábito; a ressurreição foi necessária para que isso acontecesse! 148

Fontes antigas comprovam mudança. Lá pelo início do segundo século de nossa era, Inácio,
bispo de Antioquia, em sua epístola aos Magnésios, mostra o costume de se reunirem os
cristãos regularmente para adorarem em dia de domingo, esse fato estava firmemente
estabelecido em toda a parte nas igrejas. “Aqueles que viviam segundo a ordem antiga das
coisas voltaram-se para a nova esperança, não mais observando o sábado, mas sim o Dia do
Senhor, no qual a nossa vida foi abençoada, por Ele e por sua morte.” 149

Justino Mártir, escritor cristão (140 D.C.) em sua Apologia, escreveu como segue: ” Aos
domingos efetuamos nossa reunião conjunta, pois o primeiro dia é,aquele em que Deus, tendo
removido as trevas, fez o mundo, e Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos.
“No dia anterior ao sábado, crucificaram-no; no dia depois do sábado, o domingo, tendo
aparecido para os seus apóstolos, ele ensinou.” 150

Se a Igreja era formada por judeus, em Jerusalém, onde o costume milenar de guardar o
sábado sempre vigorou, como explicar os motivos dessa repentina mudança?

A ceia

A Ceia do Senhor é uma recordação da Sua morte, mas lemos em Atos 2:46 que esse era um
momento de alegria. Bem, se não houve uma ressurreição, como poderia haver alegria? A
lembrança da refeição tomada por Jesus logo antes de ser traído e crucificado teria provocado
uma tristeza insuportável. O que transformou a angústia da última ceia numa comunhão de
alegria por todo o mundo?

Eles se encontravam com Ele neste sacramento. Ele não estava morto, mas ressurreto e vivo.
Eles iriam celebrar a morte de Jesus, conscientes de que Ele estava presente ressurreto, até
que ocorresse Sua ansiada volta, no fim da história. Sabemos da existência, no meio da mais
antiga comunidade cristã, de uma breve oração eucarística, oriunda da antiga igreja de fala
aramaica. Ei-la: Maranata! que significa: 'vem, nosso Senhor! ' É totalmente inexplicável como

147
Michael Green, Man Alive p. 51
148
J.N.D. Anderson, The Resurrection of Jesus Christ p. 9
149
Carta de Inácio aos Magnésios 9,1.
150
Justino Mártir, II Apologia

[Digite texto] Pá gina 72


essa pudesse ter sido a atitude dos primeiros cristãos ao se reunirem para celebrar a Ceia do
Senhor entre si, a não ser que Ele realmente ressuscitou dos mortos ao terceiro dia.

Inclusive no Didaquê, que é um documento cristão dos mais antigos, um compêndio de


instruções morais e eclesiásticas baseada nos ensino de Jesus, escrito ainda no século I, que já
mencionava a prática eucarística como instrução a ser seguida pelas Igrejas.

De onde teria surgido e perdurado por milênios essa prática tão antiga quanto a Igreja para
celebrar a morte e ressurreição de Jesus, caso a ressurreição não tivesse ocorrido?

O batismo

Os cristãos possuíam uma cerimônia de iniciação — o batismo. É aí onde, mais uma vez,
ousaram divergir do judaísmo. Os judeus continuaram circuncidando e os cristãos seguiram o
mandamento de seu Senhor a respeito do batismo. Uma pessoa tinha de se arrepender de
seus pecados, crer no Senhor ressuscitado e ser batizada. E o que é que o batismo
simbolizava? Quase não há dúvida a respeito! Paulo explica que, no batismo, a pessoa se une a
Cristo mediante Sua morte e ressurreição. Quando ele entra na água, ele está morrendo para a
velha natureza pecaminosa, e sai da água para compartilhar a nova vida ressurreta de Cristo.
Nada no cristianismo é mais antigo do que os sacramentos, e, no entanto, estão diretamente
ligados à morte e ressurreição de Cristo. Como explicar o significado do batismo cristão se a
ressurreição nunca aconteceu?

Porque uma ressurreição corpórea individual?

Caso os discípulos estivessem interessados em inventar uma história para ser contada e
quisessem que as pessoas cressem nela, com certeza não seria a ressurreição corpórea de um
indivíduo. Por alguns motivos bem básicos, ninguém naquela época acreditava nisso.

Na visão greco-romana, a alma era boa, e o mundo físico mal. A morte era uma libertação.
Portanto, uma ressureição corpórea na visão deles, além de impossível, era totalmente
indesejável. Podemos ver um exemplo claro disso durante a pregação de Paulo em Atenas.

Durante a pregação de Paulo, todos prestavam a atenção, Paulo falou sobre Deus, a criação,
mas bastou falar sobre ressurreição, logo zombaram dele. “E, como ouviram falar da
ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra
vez”.151

Os judeus, ao contrário dos gregos, encaravam o mundo físico e material como algo bom. A
morte não era vista como libertação do mundo material e, sim, como tragédia. Na época de
Jesus, muitos judeus já nutriam a esperança de que algum dia, no futuro, haveria uma
ressurreição corpórea de todos os justos, quando Deus renovasse o mundo inteiro e retirasse
dele todo sofrimento e morte. A ressurreição, contudo, não passava de uma parte da
restauração completa do mundo, segundo os ensinamentos judaicos. A ideia de um único ser
ressuscitar, no meio da história, enquanto o restante continuasse sendo afligido por todos os

151
Atos 17:32

[Digite texto] Pá gina 73


males era impensável. E a corrente judaica que controlava o templo, os saduceus, nem cria em
ressurreição. “E, chegando-se alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição,” 152

A pergunta que fica é, se a grande maioria das pessoas da época não cria na ressurreição,
porque eles inventariam uma história que seria muito mais difícil de convencer todo mundo?

Martírio

Todos os discípulos foram torturados e mortos por causa da sua fé, com exceção de João, ele
foi torturado e preso, mas foi liberto e morreu de velhice. Todos eles viraram missionários,
foram em várias cidades, enfrentando perseguições, prisões e péssimas condições de vida,
apenas para comunicar os ensinamentos de Jesus, e anunciar sua ressurreição. Não ganharam
dinheiro, posses, terras, fama, apenas encontraram a morte. Como explicar o martírio dos
apóstolos sem a ressurreição? Faz sentido morrer por uma mentira que você mesmo inventou
e não trazer trazer nenhum benefício a você? Como explicar essa mudança repentina de vida,
que tirou esses homens que tinham uma família, emprego, vida estabelecida em seu país, para
comunicar uma história em várias cidades se essa história fosse uma mentira inventada por
eles mesmo? Mentirosos não fazem bons mártires!
Se a ressurreição é uma mentira inventada pelos apóstolos, porque eles morreram por ela?

Respondendo teorias comuns que tentam explicar a ressurreição:

Teoria do desmaio
A ideia de que Jesus na verdade não morreu na cruz pode ser encontrada no Alcorão, de fato,
os muçulmanos ahmadis afirmam que Jesus na verdade fugiu para a índia. Até hoje há um
santuário que supostamente marca seu verdadeiro túmulo, em Srinagar, na Caxemira.

Entre os séculos XVIII e XIX, Karl Bahrdt, Karl Venturini e outros tentaram demonstrar que a
ressurreição era falsa dizendo que Jesus apenas desmaiou de exaustão na cruz, ou que apenas
lhe deram um remédio que fez parecer que ele tinha morrido, e que o ar fresco e úmido do
túmulo o fez reviver mais tarde. Essa teoria ganhou força durante muito tempo com
publicações de livros, filmes e explicações na televisão. Mas o professor Luke Timothy Johnson,
da Universidade Emory, classifica essa teoria como "a mais pura conversa fiada, produto de
imaginação febril, e não de estudo cuidadoso". 153

Então vamos aos fatos!

Um artigo científico sobre a morte de Jesus foi publicado em 1986 em uma das revistas
científicas mais prestigiadas do mundo – o JAMA, The Journal of the American Medical

152
Lucas 20:27
153
Luke JOHNSON, The real Jesus, p. 30

[Digite texto] Pá gina 74


Association, intitulado “On the Physical Death of Jesus Christ” (Sobre a morte física de Jesus
Cristo).

Nele os autores demonstram como processo de açoitamento romano era terrivelmente cruel.
São descritos detalhes técnicos, que juntamente com a narrativa bíblica, fornecem um
panorama completo de todo esse processo, desde o julgamento até a morte na cruz.

Antes do julgamento, é narrado em Lucas 22 que Jesus estava em profunda angústia e suava
sangue. Embora seja um fenômeno raro, médicos reconhecem essa característica como
hematidrose, que pode ocorrer devido a altos níveis de stress. Após ser julgado, Jesus foi
açoitado violentamente com um chicote de couro, com pequenas bolas de ferro nas pontas e
ossos pontiagudos. As bolas de ferro causavam ferimentos internos e os ossos dilaceravam a
carne, expondo a musculatura esquelética e causando grande perda de sangue, o que
provavelmente o deixou em um estado de pré-choque.

Após severa flagelação, Jesus foi zombado, cuspido e obrigado a carregar a própria cruz até o
Gólgota. Durante a crucificação, o acusado era jogado sobre a cruz no chão, e pregado com
pregos de até 18 cm de comprimento nos pulsos e nos pés.

A crucificação era um processo que produzia intensa dor e causava uma morte lenta e
sufocante. Respirar era algo extremamente doloroso. A cada respiração, Jesus tinha que elevar
as costas em carne-viva, arrastando-a na madeira e apoiando todo o peso nos pés, que
estavam pregados. Fato que aumentava a perda de sangue e causava dores terríveis.

As causas da morte por crucificação poderiam ser várias, mas as duas mais comuns eram
choque hipovolêmico e asfixia por exaustão. Quando o evangelho de João narra que após a
morte de Jesus um soldado o transpassou com a lança e saiu “sangue e água”, a explicação dos
cientistas é de que a água provavelmente representava fluido pleural e pericárdio seroso e
teria precedido o fluxo de sangue e teria menor volume do que o sangue. Talvez no cenário de
hipovolemia e da insuficiência cardíaca aguda, os derrames pleurais e pericárdicos podem ter
se desenvolvido e teriam sido adicionados ao volume de água aparente. 154

Dr. William D. Edwards, um dos autores do artigo conclui: "Claramente, o peso das evidências
históricas e médicas indica que Jesus estava morto antes que fosse feito o ferimento em seu
lado [...]. Por essa razão, inferências baseadas na pressuposição de que Jesus não morreu na
cruz estão em conflito com o conhecimento médico moderno.” 155

Não existe a mínima possibilidade de alguém sobreviver a essa tortura. Os romanos eram
especialistas na arte de executar suas vítimas, e não correriam o risco de pagarem com a
própria vida de cometer o erro em deixar uma delas viva. Tanto que para ter certeza absoluta
da morte de Jesus, eles o transpassaram com a lança.

Você realmente acredita que jazer horas e horas, sem qualquer assistência médica, sem
comida nem água, num túmulo escavado na rocha, na Palestina à época da Páscoa, quando é
bem frio à noite, após ter sofrido sérios flagelos e ser crucificado com uma enorme perda de

154
Link do artigo completo: godandscience.org/apologetics/deathjesus.pdf
155
William D. EDWARDS et al., On the physical death of Jesus Christ, Journal of the American Medical
Association, 21 Mar. 1986

[Digite texto] Pá gina 75


sangue, iria fazê-lo recuperar os sentidos em vez de provocar o fim inevitável de Sua vida
frágil? Que após tudo isso, ele ainda se levantou no túmulo, empurrou uma pedra pesada,
passou pela guarda romana, andou cambaleante até encontrar alguém?

Até mesmo o cético David Friedrick Strauss, alguém que certamente não acreditava na
ressurreição, desferiu o golpe mortal em qualquer ideia de que Jesus se recuperou de um
desmaio. Estas são suas palavras:

"É impossível que alguém, semimorto, que saiu furtivamente do sepulcro, fraco e enfermo, se
locomovesse com dificuldade por vários lugares, necessitando de tratamento médico, o que
incluiria curativos, fortalecimento físico e atenção, e que ainda havia sucumbido a seus
sofrimentos; sim, é impossível que tal pessoa tivesse dado aos discípulos a impressão de que
era um vencedor sobre a morte e a sepultura, o Príncipe da Vida, uma impressão que ficou no
fundo de seu futuro ministério. Uma ressurreição dessas só poderia ter enfraquecido a
impressão que lhes causou durante a vida e na morte. Na melhor das hipóteses só poderia ter
dado um tom de lamentação a essa impressão. De modo algum poderia ter transformado a
tristeza deles em entusiasmo, a reverência em adoração" 156

O máximo que Jesus inspiraria nos apóstolos seria pena, ao encontrarem aquele homem
desfigurado, completamente ensanguentado e machucado, a visão que Jesus passaria era de
um homem meio morto, completamente derrotado, não o Messias triunfante, que inspirou a
mudança de vida que conhecemos. Não existe absolutamente nenhum dado, nem mesmo
falsificado, fantástico ou imaginativo a respeito de Jesus ter sobrevivido à crucificação, em
nenhuma fonte favorável ou contrária, em qualquer época, seja anterior ou posterior. Um
homem assim, com um passado como o dele, teria deixado rastros.

Podemos concluir com toda certeza que a teoria do desmaio é completamente fantasiosa e
não possui nenhuma evidência em seu favor.

Teoria do roubo do corpo

Essa na verdade foi a primeira teoria criada para explicar o túmulo vazio e a ressurreição. No
evangelho de Mateus, ele faz a seguinte narrativa para informar sobre a teoria prevalecente à
sua época, a qual procurava refutar a ressurreição de Cristo: "E, indo elas, eis que alguns da
guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera. Reunindo-se
eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados,
recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram, enquanto
dormíamos. Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos
poremos em segurança. Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta
versão divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje" 157

156
STRAUSS, David Friedrich. The Life of Jesus for the People p.412
157
Mateus 28:11-15

[Digite texto] Pá gina 76


Nos escritos de Justino Mártir (100 d.C - 165 d.C), Tertuliano 160 d.C - 220 d.C) e outros,
percebe-se que durante algum tempo a teoria do roubo, tal como se encontra registrada em
Mateus, foi popular entre os judeus.

Na obra de Justino Diálogo com Trifo, o judeu fala de "um certo Jesus, um enganador da
Galileia, a quem crucificamos; mas seus discípulos roubaram à noite o corpo do túmulo, onde
fora sepultado depois de ter sido tirado da cruz, e agora enganam as pessoas afirmando que
Ele ressuscitou dos mortos e ascendeu ao céu". 158

"Semelhantemente Tertuliano também diz: “Encontraram o túmulo totalmente vazio, com


exceção dos panos que envolviam o sepultado. Todavia, os líderes dos judeus, que, na prática,
tinham a preocupação tanto de divulgar uma mentira por todos os lados como de manter o
povo, em questões de fé, obedecendo e contribuindo financeiramente, esses líderes
espalharam que o corpo de Cristo fora roubado por seus seguidores!” 159

Isso só demonstra como é verdadeiro o que abordamos anteriormente, o túmulo estava de


fato vazio. A questão era o que aconteceu. Como mostramos, Jesus estava de fato morto,
então só há duas alternativas, ou levaram o corpo, ou ele saiu ressuscitado.

A guarda romana que estava guardando o local foram aos principais líderes judeus relatar o
que tinha acontecido. A reação deles demonstra que eles sabiam que o corpo não havia sido
roubado, mas eles precisavam acreditar nisso, tanto que foi preciso subornar os guardas e
elaborar toda uma explicação.

O professor Albert Roper diz: "Sejamos justos. Estamos diante de uma explicação que, para
pessoas de bom senso, não soluciona. Quando os principais sacerdotes induziram Pilatos a
determinar 'que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia', o registro dos
fatos justifica a conclusão de que, sem dúvida alguma, manteve-se o sepulcro em 'segurança'.
De modo que, raciocinando a partir desse relato, não há como deixarmos de chegar à
conclusão de que as medidas tomadas para evitar que os amigos de Jesus roubassem Seu
corpo constituem agora uma prova irrefutável de que não tinham condições de participar
desse roubo e de que não o fizeram".160

Os judeus alegaram que a guarda estava dormindo, por isso os discípulos puderam levar o
corpo. Mas se os soldados estavam dormindo, como poderiam dizer que os discípulos
roubaram o corpo? Diz Santo Agostinho: “Ou estavam dormindo, ou estavam acordados; se
estavam acordados, por que permitiram que os discípulos roubassem o corpo? Se estavam
dormindo, como poderiam saber que os discípulos o roubaram? Dessa forma, como teriam a
coragem de depor sob juramento que o corpo fora roubado?" 161

O professor David Brown comenta: "Se havia algo que era necessário para completar a prova
da realidade da ressurreição de Cristo, certamente era a tolice da explicação que os guardas
foram subornados a dar. Era bem improvável que todo um destacamento de soldados fosse
dormir durante a vigília; mas era totalmente improvável que isso acontecesse num caso como
158
Justino Mártir, Diálogos com Trifo,108
159
Tertuliano, Apologia
160
Albert Roper. Did Jesus Rise from the Dead? p.34
161
FALLOW, Samuel, ed. The Popular and Criticai Bible Encyclopedia and Scriptural Dictionary p.1452

[Digite texto] Pá gina 77


esses, em que as autoridades se mostravam ansiosas por que o túmulo permanecesse
intacto..." 162

Sobre a teoria forjada pelos judeus Paul Little diz: "Deram dinheiro aos soldados e disseram-
lhes para que explicassem que os discípulos tinham vindo de noite e roubado o corpo enquanto
estavam dormindo. A falsidade dessa história é tão óbvia que Mateus nem se dá ao trabalho
de refutá-la. Que juiz lhe daria atenção caso você dissesse que, enquanto dormia, o seu vizinho
tinha vindo e roubado o aparelho de televisão da sua casa? Um testemunho como esses seria
ridicularizado e rejeitado em qualquer tribunal". 163

Edward Gordon Selwyn, citado por Wilbur Smith, comenta sobre a possibilidade de os guardas
dormirem: "É inacreditável que... todos, sem exceção, tenham dormido quando ali estavam
estacionados com um propósito tão incomum — garantir que um cadáver não fosse roubado. É
inacreditável especialmente quando se considera que esses guardas estavam sujeitos à mais
severa disciplina do mundo. Para uma sentinela romana, dormir no posto significava a morte.
No entanto, esses guardas não foram executados; nem mesmo foram declarados culpados
conforme o regulamento, nem tiveram a sensação de um fracasso deplorável nem se
exasperaram, embora isso fosse de se esperar diante do fracasso do plano deles de guardar o
corpo.... É praticamente evidente por si mesmo que os governantes judeus não acreditaram
naquilo que instruíram e subornaram os soldados a dizer. Se tivessem acreditado, por que os
discípulos não foram imediatamente presos e investigados? Pois um ato desses de que eram
acusados implicava uma ofensa muito séria contra as autoridades existentes. Por que eles não
foram forçados a entregar o corpo? Ou, no caso de serem incapazes de provar sua inocência,
por que não foram castigados por esse crime?... Em lugar algum existe a menor indicação de
que os governantes tenham tentado fundamentar a acusação".164

Além do mais, os discípulos não tinham motivo algum para tirar o corpo, que fora sepultado
com o devido respeito e honra. Nada mais podiam fazer pelo corpo do seu Senhor que já não
tivesse sido feito. José de Arimateia jamais lhes disse para retirarem o corpo do lugar inicial de
sepultamento. Igualmente nenhuma outra pessoa deu essa sugestão. De modo que, se
realmente empreenderam tal tarefa, só pode ter sido para a desonra do corpo de Jesus e para
enganar outras pessoas. Em outras palavras, para impingir nos habitantes da Palestina uma
mentira sobre Jesus. Esses discípulos haviam seguido o Senhor durante três anos, e não
importa o que mais eles possam ter sido, certamente não eram mentirosos. Não eram
indivíduos ignorantes dados a enganar. É inconcebível que os onze, depois de acompanharem
o Santo Filho de Deus, o qual condenou a falsidade e sempre exaltou a verdade, depois de
ouvirem-no pregar um evangelho da mais elevada retidão que já se tinha ouvido até então, é
inconcebível que esses onze discípulos decidissem todos repentinamente participar de uma
maquinação vil como essa. E faz menos sentido ainda, ser torturado e morrer por uma história
que você mesmo ajudou a criar.

Como afirmou o físico e filósofo Blaise Pascal: ” A hipótese de que os apóstolos eram
fraudadores inescrupulosos é totalmente absurda. Levemos esse conceito às últimas
consequências. Esses doze homens teriam se reunido após a morte de Jesus e conspirado para
162
JAMIESON, Robert, FAUSSET, A. R., e BROWN, David, ed. A Commentary Criticai,
163
Paul Little, Você Pode Explicar Sua Fé? p.64
164
Wilbur Smith, Therefore Stand: Christian Apologetics p.578

[Digite texto] Pá gina 78


dizer que ele havia ressuscitado dos mortos. Agindo assim, eles entrariam em choque com os
poderes instituídos da época. O coração do homem é singularmente suscetível à volatilidade, à
mudança, às promessas e aos subornos. Só precisava que um deles fosse levado a negar suas
afirmações, por meio de qualquer desses estímulos ou diante da ameaça de aprisionamento,
tortura e morte, e todos os outros estariam perdidos. Pedimos ao leitor que medite
detidamente sobre essas afirmações.”165

O aspecto mais forte desse argumento é o fato histórico de que ninguém, seja menor ou
influente, santo ou pecador, cristão ou herege, jamais confessou livremente ou sobre pressão,
recebendo subornos ou mesmo tortura, que toda história da ressurreição era uma farsa, uma
mentira, um engano deliberado. Mesmo quando algumas pessoas não suportaram a tortura,
negaram a Cristo e adoraram César, elas nunca mencionaram esse tipo de mentira, nunca
revelaram que a ressurreição havia sido uma conspiração criada pelos discípulos. Isso não era
uma opção. Nenhum cristão acreditava que a ressurreição fosse uma conspiração; caso
contrário, não teriam se tornado cristãos.

Como diz George Hanson: "A fé simples do cristão que crê na Ressurreição não é nada em
comparação com a credulidade do cético que é capaz de aceitar as fantasias mais absurdas e
improváveis para não admitir o testemunho claro de fatos históricos confirmados. As
dificuldades da fé podem ser grandes; os absurdos da incredulidade são maiores". 166

Portanto, a hipótese de que os discípulos passaram pela guarda romana, roubaram o corpo de
Jesus, e saíram proclamando que Ele havia ressuscitado é completamente irreal. Não há o
menor indício de qualquer evidência que leve a essa conclusão, muito pelo contrário, as
evidências mostram o quanto essa teoria é absurda e falsa.

Teoria do plágio

Essa teoria também é popular, mas é uma das que menos tem qualquer tipo de suporte
histórico e é mais rejeitada por qualquer historiador sério. Mas, na maioria das vezes quem a
sustenta não se importa com isso, muito menos se importam em apresentar evidências sólidas
que deem suporte a essa teoria insana, apenas fazem alegações desconexas baseadas em
textos de confiabilidade duvidosa retirado da internet. Quando pressionado por evidências
que confirmem sua afirmação, alguns recorrem ao documentário Zeitgest, que já foi rechaçado
por inúmeras vezes por não fornecer nenhuma base histórica relevante as suas afirmações., ou
a alguns escritores antirreligiosos que constroem argumentos cheio de pressuposições e
conjecturas falsas.

Essa teoria afirma que a vida, morte e ressurreição de Jesus é baseada na mitologia antiga de
deidades de outras religiões (Mitra, Osíris, Hórus e etc), as chamadas religiões de mistério. Por
alegadas similaridades entre as histórias, os entusiastas dessa teoria alegam que a história de
165
Blaise Pascal, Pensamentos 322,310
166
George Hanson. The Resurrection and the Life p.24

[Digite texto] Pá gina 79


Jesus foi copiada, portanto, sendo uma farsa total. Esse galera também se guia pelo famoso
livro O Código Da Vinci, onde o autor faz afirmações parecidas, eles só se esquecem que Dan
Brown não é historiador e o livro é uma obra de ficção, talvez por isso seus argumentos sejam
tão fantasiosos.

Mais quais seriam essas alegações?

Somente para citar alguns exemplos para que você possa entende-los e desmistifica-los:

Mithra:

Nascido de uma virgem, dia 25 de dezembro, tinha doze seguidores, era um grande professor
e foi crucificado.

As semelhanças podem lembrar a Jesus, mas elas seriam verdadeiras?

Não há menção de nascimento virginal no Mithraísmo, de fato, pouco de sabe sobre suas
origens, a não ser o que alguns poucos desenhos descobertos em cavernas podem afirmar.
Nem há nenhum relato dele sendo qualquer tipo de professor ou tendo seguidores, muito
menos tendo sido crucificado.

Attis:

Nascido de uma virgem, dia 25 de dezembro, foi crucificado e ressuscitou.

Quantas coincidências com Jesus não?!

Mas infelizmente para os fantasiosos seguidores dessa teoria, não há nenhuma menção sobre
a data de 25 de dezembro nos mitos de Attis, ele é associado com o retorno anual da
primavera. De acordo com a lenda, Agdistis, um monstro hermafrodita, levantou-se da terra
como um descendente de Zeus. Agdistis gera o rio Sangarius que revelou a ninfa, Nana, que
traz uma amêndoa em seu peito e se torna grávida pela amêndoa, gerando a Attis. Não há
nenhum relato de crucificação no mito de Attis. E em uma das versões do mito, Attis é
transformado num pinheiro.

Hórus:

Nascido de uma virgem, dia 25 de dezembro, tinha doze discípulos, foi crucificado e
ressuscitou.

Aparentemente todos os deuses antigos eram iguais.

Há dois relatos de nascimento relacionados a Hórus (nenhum mostra um nascimento


virginal).E em uma das versões, Ísis sua mãe, praticou magia para ressuscitar Osíris dos mortos
assim ela poderia dar a luz a um filho que pudesse vingar sua morte. Ísis então engravidou do
esperma de seu marido morto. Nunca se disse que Hórus foi crucificado, nem mesmo de ter
morrido. A única conexão que nós podemos fazer de Hórus sendo ressuscitado é se nós
considerarmos a eventual fusão de Hórus e Osíris. Mas tal teoria resulta em um beco sem
saída, aparentemente notado pelos egípcios já que eles posteriormente alteraram suas

[Digite texto] Pá gina 80


crenças para arrumar as contradições. No conto egípcio, Osíris é ou desmembrado por Seth
em uma batalha ou selado em uma arca e afogado no Nilo. Ísis então reúne o corpo de Osíris
novamente e ressuscita Osíris para conceber um herdeiro que irá vingar a morte de Osíris. Não
há nenhum relato de dias de nascimento, nem de seguidores, apenas conjecturas vazias.

Poderíamos perder muito tempo fazendo a mesma coisa. Perceba que todos esses mitos não
tem ligação alguma com o cristianismo, mas claramente eles se apossaram de características
cristãs para atrair fiéis ao seu movimento sincrético. Além do mais, para montar seu “Jesus
mítico”, eles precisam além de distorcer as mitologias, juntar um pedaço de cada mito para
formar um que possa ser usado no caso contra a história de Cristo. A pessoa que acredita
nessas conexões ignora completamente todas as evidências históricas. Não possui nenhum
traço de julgamento crítico e pouco se importa com a verdade.

Chega de invenção, vamos aos fatos!

O primeiro passo para qualquer pessoa que realmente busque entender essas alegações seria
consultar as visões e opiniões dos acadêmicos nas áreas de especialização relevantes. Claro, os
estudiosos diferem em alguns detalhes, mas o que eles têm a dizer sobre essa questão
específica? Hoje, quase todos os estudiosos das especializações históricas relevantes rejeitam
unanimemente a noção de que Jesus é uma cópia dos deuses pagãos. Parece que a evidência
disponível os persuadiu contra esses alegados paralelos. Vejamos algumas opiniões: 167

"Até onde eu sei, não existem qualquer evidência que a morte e ressurreição de Jesus seja uma
construção mitológica." T.N.D Mettinger.

"A ideia de morte e ressurreição de deuses é em grande parte um equívoco baseado em


reconstruções imaginativas em textos tardios e altamente ambíguos." J.Z Smith.

"Todos estes mitos são repetitivos e representações simbólicas da morte e do renascimento da


vegetação. Estes não são figuras históricas..." Edwin Yamauchi,

"Ela está cheia de tantos erros factuais e afirmações bizarras que é difícil acreditar que o autor
é sério." Bart Ehrman

"Alegações de uma dependência cristã sobre o mitraísmo foram rejeitadas em todos os níveis."
Ronald Nash

O historiador Justo Gonzalez explica o motivo das alegadas similaridades:


"Durante as duas ou três primeiras décadas do século vinte, pensava-se que as religiões de
mistério formavam uma unidade baseada em uma “teologia misteriosa” comum, e que o
Cristianismo era simplesmente uma delas, ou quando muito, uma religião distinta na qual a
influência dos mistérios era grandemente sentida. De acordo com os eruditos desta época, o
Cristianismo tomou dos mistérios seu conceito sobre a paixão, morte e ressurreição de deus;
seus ritos de iniciação – o batismo; sua refeição sacramental – a comunhão. Mas desde então,
tem sido feito um estudo cuidadoso sobre os mistérios, e a conclusão obtida por quase todos os
eruditos é que não existiu tal coisa como uma “teologia misteriosa” em comum.

167
Para leitura complete: jamesbishopblog.com/2015/01/19/23-reasons-why-scholars-know-jesus-is-
not-a-copy-of-pagan-religions/

[Digite texto] Pá gina 81


Muito pelo contrário, os cultos de mistério diferiam tanto um do outro, que é até mesmo é
difícil explicar o termo “religião de mistério”. Além disso, essas religiões parecem não ter
alcançado seu pleno desenvolvimento até o segundo e terceiro séculos da era cristã, que é o
período em que a maioria de suas características em comum com o Cristianismo aparecem.

Segue-se que tais características podem ser mais facilmente explicadas como a influência do
Cristianismo sobre elas do que o oposto, mais ainda quando aprendemos que já neste período
os cultos pagãos tentavam imitar algumas das características da nova fé dinâmica." 168

O historiador ainda acrescenta:


“Visto que o politeísmo fazia parte de sua estrutura fundamental, cada religião de mistério se
sentia autorizada a aceitar e a adaptar qualquer coisa que achasse de valor em outras
religiões. Se existe uma característica da religião do período helenista, esta é o sincretismo. Um
culto competia com os outros, não para ser o mais austero, mas para ser o mais amplo, para
incluir as mais diversas doutrinas”.169

Segundo os especialistas, pouco de sabe sobre essas chamadas religiões de mistério, visto que
suas doutrinas e ritos de iniciação eram secretos e suas crenças mantidas entre um grupo
seleto de participantes. Eles não tinham escritos sagrados e muito do que se sabe sobre eles
são frutos de adições posteriores, então é difícil ter certeza sobre qualquer coisa. Como
confirma o professor e Ph.D em Estudos religiosos Merril Tenney: “ Os rituais em si eram
secretos. Isto significa que não estavam abertos ao escrutínio. Além do mais, os dados são
muito escassos e requerem cuidado antes de se poder fazer comparações”[...] “Tal como com
outros cultos, detalhes de origem e doutrina não são totalmente claros.” 170

O acadêmico Edwin Yamauchi escreve que “a suposta ressurreição de Attis só aparece depois
de 150 dC”. E no caso de Mithra, o próprio professor Ronald Nash explica que “o mitraísmo
floresceu depois do cristianismo, não antes, então o cristianismo não poderia ser copiado
Mitraísmo O momento está errado em ter influenciado o desenvolvimento do cristianismo do
primeiro século ”.

Essa é a diferença entre mitos e história, como mostramos no capítulo 3, a Bíblia possui uma
vasta gama que a coloca num patamar completamente diferente dessas alegações mitológicas.

Muitos estudiosos de modo semelhante tem reconhecido durante quase dois milênios uma
clara distinção entre os relatos dos escritores do Evangelho e dos criadores dos mitos das
religiões de mistério.

Por exemplo, Walter Kunneth, professor de teologia sistemática da Universidade de Erlangen,


na Alemanha, declara a respeito da originalidade do evangelho: " A mensagem da ressurreição
não surgiu no mundo contemporâneo para ser mais uma das lendas de culto habituais, em que
Jesus seria um herói de um novo culto, pondo-se harmoniosamente lado a lado com outros
heróis cultuais. Mas sua mensagem foi em termos de uma estrita exclusividade, um único é o
Senhor (kyrios). Aqui, toda a analogia falha. Esse testemunho, em contraste com a

168
Justo Gonzalez, Uma História do Pensamento Cristão Vol 1 p. 41-42
169
Ibid p.43
170
Merril C. Tenney, Enciclopédia da Bíblia, Vol 5, p.162

[Digite texto] Pá gina 82


condescendência do mundo mítico inteiro, chega com uma intolerante reivindicação de
totalidade, que põe em questão a validade e a verdade de toda a mitologia." 171

Os professores Carlidge e Dungan reconhecem o mesmo:


" Se os cristão utilizaram conceitos e termos usuais para comunicar sua fé, eles com frequência
lhe deram uma significação exclusiva. Quando adoraram a Jesus como seu salvador, o
resultado foi um poderosa negação: "Nem César, nem Esculápio, nem Hércules, nem Dionísio,
nem Ptolomeu, nem qualquer outro deus é o salvador do mundo – só Jesus é!" 172

Leia de cabo a rabo os vários mitos gregos e depois leia até o fim os relatos dos evangelhos,
então você verá uma diferença marcante no sabor de todo o seu conteúdo.

O tradutor e estudioso do Novo Testamento J.B Philips, descreve: " Eu havia lido em grego e
latim inúmeros mitos, mas não achei o mais leve sabor de mito aqui [nos evangelhos]. Não há
histeria, nenhuma manipulação para impressionar e nenhuma tentativa de fraude [...]. Há uma
sinceridade e simplicidade quase pueris, e o efeito total é tremendo." 173

Embora a literatura popular esteja cheia dessa baboseira ficcional, a tendência entre os
estudiosos do assunto é contrária. Como enfatiza o acadêmico J.P Moreland:

" Nunca é suficiente enfatizar que tais influências são vistas pelos atuais estudiosos do Novo
Testamento como tendo pequeno ou nenhuma papel na formação da imagem de Jesus no
Novo Testamento, em geral, ou das narrativas da ressurreição em particular. " 174

Mesmo na época que a tese do sincretismo estava em alta, o grande historiador e teólogo
liberal alemão, Adolf Von Harnack, escreveu:
" Devemos rejeitar a mitologia comparativa que acha conexões causais entre tudo e todos, as
quais derrubam sólidas barreiras, saltam sobre abismos como se fosse um jogo infantil, e
engendram combinações a partir de semelhanças superficiais [...]. Através de tais métodos,
pode-se transformar Cristo em um deus do sol num piscar de olhos, ou criar-se lendas acerca
do nascimento de todo deus concebível, ou reunir-se todos os tipos de pombas mitológicas
para fazerem companhia a pomba batismal, e encontra-se todo número de jumentos célebres
para acompanharem o jumentinho no qual Jesus montou em Jerusalém, e assim, com varinha
mágica das "religiões comparadas", triunfalmente eliminar todas característica original em
qualquer das religiões."175

Que podemos concluir de tudo isso?

Que simplesmente essa conjectura fantasiosa deve ser rechaçada, pois além de distorcer a
própria mitologia, adicionando e criando novas explicações para ficarem semelhante aos
evangelhos, suas conjecturas não possuem nenhum fundamento histórico, muito menos
171
Walter Kunneth, The Theology of the Ressurection p.62
172
David Cartlidge, Documents for the study of the gospels p.21
173
J.B Philips, The ring of the truth p.77
174
J.P Moreland, Scaling the secular city. p.181
175
Citado por Ronald Nash, Christianity and the Hellenistic world p.118-119

[Digite texto] Pá gina 83


suporte acadêmico. Esses mito não foram criados para serem reais, por isso eles sempre se
modificavam especialmente nos lugares de culto sincretista. Não é a toa que nenhum
acadêmico leva essas alegações a sério, os “misticistas”, são como os defensores da terra plana
no âmbito do debate histórico. Rejeitam o Novo Testamento e toda sua fundamentação
histórica, mas acreditam em qualquer ilusão popular antirreligiosa.

Teoria da alucinação

Essa teoria afirma que as aparições de Jesus após a ressurreição foram fruto de uma
alucinação dos discípulos, que devido talvez a uma histeria coletiva, todos acharam que tinham
visto seu mestre vivo.

Essa é ainda mais pobre. Se eles alucinaram, então o corpo ainda estava no túmulo, e se estava
lá, porque os judeus simplesmente o exibiram e acabaram com toda aquela histeria?

Além disso, essa teoria é absurda por ser anticientífica. Gary Collins, um Ph.D em psicologia
clínica faz a seguinte análise sobre esse caso: “Alucinações são ocorrências individuais. Pela
própria natureza, apenas uma pessoa pode ver uma alucinação em dado momento.
Alucinações não são algo que possa ser visto por um grupo de pessoas. Também não é possível
que alguém induza outra pessoa a ter uma alucinação. E como uma alucinação só existe neste
sentido subjetivo, pessoal, é óbvio que outros não podem testemunhá-la.” 176 É extremamente
improvável que duas pessoas viessem a ter a mesma alucinação ao mesmo tempo, agora
imagine um grupo tão heterogêneo como era os dos primeiros seguidores de Jesus.

Alucinações geralmente duram alguns poucos segundos ou minutos; raramente duram horas.
O Cristo ressurreto esteve com aquelas pessoas por aproximadamente quarenta dias. E
apareceu em uma série de locais distintos, comeu, falou, ensinou, argumentou...Um produto
de nossa imaginação não poderia fazer todas essas coisas.

Um grande problema para a teoria da alucinação são as testemunhas oculares variadas, pois
temos relatos repetidos de Jesus aparecendo a várias pessoas que contaram a mesma coisa. E
há vários argumentos que demonstram por que alucinações não podem explicar essas
aparições. Os discípulos estavam cheios de medo e dúvidas, em desespero depois da
crucificação, ao passo que pessoas que possuem alucinações têm uma mente fértil, cheia de
expectativa. Pedro era um cabeça-dura, Tiago um cético, Paulo perseguia a igreja, certamente
não eram bons candidatos a alucinações.

Três testemunhas já seriam suficientes para um tipo de “alucinação em massa”; mais de


quinhentas torna o evento tão público quanto possível. E Paulo afirmou na passagem citada (1
Co 15.6) que muitas das quinhentas pessoas que viram o Cristo ressurreto ainda estavam vivas
quando ele escreveu a carta, aptas a testemunhar para qualquer um que desejasse conferir a
verdade sobre esse relato. Caso não fosse verdade, o apóstolo nunca poderia ter afirmado isso

176
Apud. Gary HABERMAS & J. P. MORELAND, Immortality: the other side of death p. 60.

[Digite texto] Pá gina 84


e saído ileso, tendo em vista o poder, os recursos e o número de seus inimigos. Lembremos
que o movimento cristão enfrentou a elite judaica e a força imperial de Roma da época.

O professor Kevan indaga: "Mas se as visões do Salvador ressurreto foram alucinações, por que
elas acabaram tão de repente? Por que, depois da Ascensão, não vemos outras pessoas ainda
tendo a cobiçada visão? De acordo com a lei da progressão, diz o dr. Mullins, 'as alucinações
teriam de ter se tornado crônicas depois de quinhentos indivíduos terem estado sob sua
influência. Mas o que acontece é que as alucinações cedem lugar a um programa claro e
progressivo de evangelização"'.177

O teólogo e historiador Carl Braaten: afirma: "Mesmo os historiadores mais céticos concordam
que, para os primeiros cristãos [...] a ressurreição de Jesus foi um evento real na história, a
própria base da fé, e não uma ideia mítica que brotou da imaginação criativa dos crentes". 178

Vemos que a teoria da alucinação não se sustenta, ela não explica o túmulo vazio, como já
demonstramos ser um fato, e contraria as próprias evidências. Se a história da ressurreição é
baseada numa alucinação de diversas pessoas e mesmo assim eles mudaram o mundo dessa
maneira, isso seria um milagre maior que a própria ressurreição.

Conclusão:

Simon Greenleaf, renomado professor de Direito na Universidade de Harvard, diz: "Tudo o que
o cristianismo pede das pessoas... é que sejam coerentes consigo mesmas; que tratem as
provas que favorecem o cristianismo da mesma forma como tratam as provas acerca de outros
assuntos; e que examinem e julguem as pessoas e testemunhas envolvidas da mesma maneira
como fazem com as pessoas que, nos tribunais humanos, dão testemunho a respeito de
assuntos e ações humanos. Confrontemos as testemunhas umas com as outras e com os fatos
e circunstâncias em que estiveram envolvidas; e examinemos minuciosamente o testemunho
que dão, examinemo-lo tal como, sendo a parte contrária, o faríamos num tribunal,
submetendo o testemunho a um exame bem rigoroso. Crê-se com toda a certeza que o
resultado será uma convicção firme acerca da integridade, capacidade e veracidade de tais
testemunhos". 179

E aqui está o relatório final:

Túmulo de Confúcio — ocupado;

Túmulo de Buda — ocupado;

Túmulo de Maomé — ocupado;

Túmulo de Davi --- ocupado

Túmulo de Jesus – VAZIO. Ele ressuscitou!

177
Ernest Kevan F. The Resurrection of Christ p.11
178
Carl Braaten, History and Hermeneutics, p.24
179
GREENLEAF, Simon. Testimony of the Evangelists, Examined by the Rules of Evidence
Administered in Courts of Justice p. 46

[Digite texto] Pá gina 85


O que isso significa na sua vida?

Toda a religião cristã se apoia sobre um único pilar, a ressurreição de Cristo. Nesse capítulo
foram apresentadas diversas evidências que somadas num conjunto geral, compõe um corpo
excelente que sustentam a afirmação bíblica da ressurreição. Para rejeitar a ressurreição de
Cristo, o cético precisa apresentar sua versão dos fatos, e explicar muita coisa que precisa ser
explicada, não se pode negar pura e simplesmente. Mas não é isso que geralmente acontece.
A ressurreição é negada pelo simples fato de ser uma ocorrência sobrenatural, e para muitas
pessoas, milagres não existem, o mundo material é tudo que há, então não há nenhuma ação
sobrenatural. Mas isso não se baseia em fatos, é um pressuposto tomado pela fé. Mas se Deus
existe, milagres são possíveis e a existência da ações sobrenaturais são reais.

Se Cristo verdadeiramente ressuscitou, então ela da prova de que tudo que disse é verdade e
devemos obedecer a sua vontade, já que Ele demonstra ser o próprio Verbo divino, o Deus
encarnado que desceu ao mundo em benefício dos pecadores.

A fé na ressurreição de Jesus Cristo é o fundamento da mensagem cristã. A fé cristã estaria


morta se lhe fosse retirada a verdade da ressurreição de Cristo. A ressurreição de Jesus são as
primícias de um mundo novo, de uma nova situação do homem. Ela cria para os homens uma
nova dimensão de ser, um novo âmbito da vida: o estar com Deus. Também significa que Deus
manifestou-se verdadeiramente e que Cristo é o critério no qual o homem pode confiar.

A ressurreição de Cristo não é apenas o milagre de um cadáver reanimado. Não se trata do


mesmo evento que ocorreu com outros personagens bíblicos como a filha de Jairo (cf. Mc 5,
22-24) ou Lázaro (cf. Jo 11, 1-44), que foram trazidos de volta à vida por Jesus, mas que, mais
tarde, num certo momento, morreriam fisicamente. A ressurreição de Jesus foi a evasão para
um gênero de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do
transformar-se, mas situada para além disso: uma vida que inaugurou uma nova dimensão de
ser homem. O próprio Jesus dizia: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim,
ainda que morra, viverá;"180

A ressurreição de Jesus em glória é uma das mais maravilhosas manifestações do poder de


Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. O crente pode descansar na certeza de que esse
mesmo poder também está agindo nele, para sua salvação.

A ressurreição de Jesus foi o início de sua exaltação como Senhor e Cristo, o Rei, Profeta e
Sacerdote ungido por Deus, assentado no trono celestial (At 2.29-36, Fp 2.9-11), em
conformidade com a própria declaração de Jesus: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na
terra” (Mt 28.18). Como um sinal da autoridade e senhorio de Jesus, os apóstolos fizeram
milagres, pelo poder e no nome do Salvador ressurreto (At 4.17s.). Não há salvação, a não ser
para aqueles que confessam com sua boca que ele é Senhor e creem com o coração que Deus
o ressuscitou dentre os mortos (Rm 10.9).

Na ressurreição de Jesus, o crente tem a garantia divina de sua justificação e reconciliação. A


base para essas bênçãos fundamentais encontra-se na morte expiatória de Cristo (Rm 5.10,17-

180
João 11:25

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19), que sem a ressurreição, não teria efeito expiatório. A cruz sem a ressurreição significaria
que Deus não ficou satisfeito com a morte de Jesus. A ressurreição é o “amém” de Deus para o
brado de Jesus: “Está consumado” e, portanto, a garantia de que, pela morte de Jesus, o
crente foi de fato reconciliado com Deus e justificado. Por essa razão Paulo pode dizer que o
fato de Cristo ter ressuscitado é mais importante que sua morte (Rm 8.32,33).

Quando Cristo ressuscitou, os crentes, representados por ele em sua morte e ressurreição,
foram ressuscitados com ele (Cl 3.1). Sua morte significou o fim do fardo do pecado que estava
sobre ele; ao ressuscitar, deu início a uma vida livre daquele peso. A partir de então passou a
viver com Deus em liberdade e glória (Rm 6.9-11). Por estar unido a Cristo, o crente deve
considerar-se morto para o pecado e, mortificando todo pecado, deve viver a nova vida em
comunhão com seu Senhor ressurreto (Rm 6.5,6,12-14; Cl 3.5). A ressurreição de Jesus num
corpo glorioso, imortal, poderoso e espiritual garante ao crente sua ressurreição futura, na
qual terá um corpo semelhante ao de seu Mestre (Rm 6.5; ICo 15.47s.; Fp 3.21; 1 Jo 3.2). 181

“ Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” 182

Capítulo 6 – Como o cristianismo criou a alma da civilização ocidental

Aquilo que cremos é fundamental, e tem uma grande influência sobre aquilo que somos e
como enxergamos o mundo, impactando nossa maneira de viver e agir em sociedade. A isso é
atribuído o nome de Cosmovisão. Segundo o professor Ronald Nash: “cosmovisão é um
conjunto de crenças sobre as questões mais importantes na vida. (…). É um esquema
conceitual pelo qual, consciente ou inconscientemente, aplicamos ou adequamos todas as
coisas em que cremos, e interpretamos e julgamos a realidade.”183

Esse esquema de crenças é um compromisso arraigado no coração do homem. Não me refiro


ao coração como comumente se crê nos dias de hoje, como algo sentimental e avesso a razão,
mas como o filósofo holandês Herman Dooyweerd define, como “raiz e centro religioso de
nossa existência e experiência humanas em sua inteireza.” 184

Vamos demostrar que a visão de mundo que o cristianismo provê ao homem é a que melhor
consegue explicar a realidade e os nossos anseios mais inatos, e como isso afetou toda a
sociedade trazendo diversas melhorias e construindo as bases da civilização ocidental.

Por exemplo, você já parou para se perguntar por que certas coisas aconteceram em um país e
não em outro? Como iremos abortar mais a frente, porque hospitais, universidades, liberdade
feminina e a abolição da escravidão ocorreram em sociedades cristãs? As coisas não são por
acaso, tudo possui uma fundamentação.

181
Enciclopédia da Bíblia Merril C. Teney –Vol 5
182
João 3:16
183
NASH, Ronald Cosmovisões em Conflito p.25
184
DOOYWEERD, Herman. No crepúsculo do pensamento ocidental p. 183

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Com o advento do cristianismo, o mundo mudou. Jesus era um líder pobre, que sempre se
importou com o cuidado dos menos favorecidos e ensinou seus discípulos o mesmo. Não que
ele fosse apenas um reformador social, mas ele quebrou muitas barreiras nesse sentido.

É interessante notar, como veremos a seguir, como mudanças de pensamento podem ter um
impacto gigantesco em uma cultura. O cristianismo trouxe inúmeros avanços, que só foram
possíveis devido à forma estruturada do pensamento cristão enraizado na sociedade.

Por exemplo, se eliminássemos a influência cristã da literatura, não existiria as obras de Dante,
Petrarca, Chaucer, Shakespeare, John Bunyan, J.R.R Tolkien, C.S Lewis, John Milton, T.S Elliot,
Dostoiévski, Tolstoi, Cervantes, François Mauriac, Willian Blake dentre tantos outros.

Se eliminássemos a influência cristã da música, não teríamos as obras de Sebastian Bach,


Handel, Tchaikovsky, Beethoven, Claudio Monteverdi, Mozart, Vivaldi...

Se eliminássemos a influência cristã da arte, não teríamos obras de Rafael, Giotto,


Michelangelo, Caravaggio, Da Vinci, Rembrandt, Velázquez, Veronese...

Que mais o cristianismo influenciou?

Arquitetura, ciência, sistemas econômicos e jurídicos, ética, moralidade, família, filosofia,


instituições de educação e caridade, linguagem...etc e etc.

Toda a base a civilização ocidental foi lançada pelo cristianismo, que soube extrair o que de
melhor os gregos e romanos tinham, e colocaram a serviço de Cristo.

A história nos fornece muitos exemplos disso, iremos analisar alguns.

Os Hospitais

O nome Hospital vem do latim “hospes”, que significa “convidado”. Daí deriva “hospitalis”
(hospitaleiro) e “hospitium”, uma casa de hóspedes ou quarto de hóspedes. Originalmente, o
termo hospital significava um lugar onde estrangeiros ou visitantes eram recebidos e, no
decorrer do tempo, o uso desse termo ficou restrito a instituições destinadas ao cuidado dos
doentes. Esta modificação é incidental devido ao longo desenvolvimento pelo qual os hospitais
passaram, sob as variadas influências de sociais, mudanças nas condições políticas e
econômicas, e ao progresso científico.

No início da era cristã, segundo consta dos relatos históricos, o próprio Cristo deu aos seus
seguidores o exemplo de cuidar dos doentes. Por meio de numerosos milagres ele operou a
cura de diversas formas de doença, incluindo a doença mais repugnante da época, a lepra. Ele
também encarregou os apóstolos de curar os enfermos (Lucas 10:9) e prometeu, para aqueles
que acreditavam nele, que teriam poder sobre a doença (Marcos 16:18).

Dessa forma, o cuidado dos doentes foi desde o início um dever sagrado para cada um dos
cristãos, mas atribuída, de modo especial, a os bispos, presbíteros e diáconos. Os mesmos

[Digite texto] Pá gina 88


auxílios que traziam alívio para os pobres incluíam também atenção aos doentes, os quais
eram visitados em suas casas.

Este foi especialmente o caso durante as epidemias que se alastraram em diferentes partes do
Império Romano, como a de Cartago, no ano 252 d.C, onde São Cipriano, bispo de Cartago,
norte da África, repreendeu a população pagã por não socorrer as vítimas da praga preferindo
saqueá-las. Ele convocou os cristãos chamando-os a socorrer os doentes e enterrar os mortos.
185

Discute-se se existiram na Grécia e em Roma instituições semelhantes aos nossos hospitais.


Muitos historiadores põem-no em dúvida, enquanto outros apontam alguma rara exceção aqui
e acolá, mas mais para cuidar dos soldados doentes ou feridos do que da população em geral.
Parece dever-se à Igreja a fundação das primeiras instituições atendidas por médicos, onde se
faziam diagnósticos, se prescreviam remédios e se contava com um corpo de enfermagem. No
século IV, a Igreja começou a patrocinar a fundação de hospitais em larga escala, de tal modo
que quase todas as principais cidades acabaram por ter o seu. Na sua origem, esses hospitais
tinham por fim hospedar estrangeiros, mas depois passaram a cuidar dos doentes, viúvas,
órfãos e pobres em geral. Como explica Guenter Risse, os cristãos ultrapassaram "a recíproca
hospitalidade que prevalecia na antiga Grécia e as obrigações familiares dos romanos" para
cuidarem de atender "grupos sociais marginalizados pela pobreza, doença e idade". No mesmo
sentido, o historiador da medicina Fielding Garrison observa que, antes do nascimento de
Cristo, “o espírito com que se tratava a doença e o infortúnio não era o de compaixão, e cabe
ao cristianismo o crédito pela solicitude em atender o sofrimento humano em larga escala.” 186

Em um ato de penitência cristã, uma mulher chamada Fabíola fundou o primeiro grande
hospital público em Roma; percorria as ruas em busca de homens e mulheres, pobres e
enfermos necessitados de cuidados. 187

São Basílio Magno, conhecido pelos seus contemporâneos como o Apóstolo das Esmolas
fundou um hospital em Cesaréia no século IV. Era conhecido por abraçar os leprosos
miseráveis que ali buscavam alívio, manifestando uma plena piedade para com esses
proscritos, sentimento que, mais tarde, tornaria famoso São Francisco de Assis. Não é de
surpreender que os mosteiros também desempenhassem um papel importante no cuidado
dos doentes“. De acordo com o mais completo estudo da história dos hospitais feito por
Guenter Risse, Ph.D., historiador da ciência e medicina:

"Após a queda do Império Romano, os mosteiros tomaram-se gradualmente provedores de


serviços médicos organizados, dos quais não se dispôs por vários séculos em nenhum lugar da
Europa. Dada a sua organização e localização, essas instituições eram virtuais oásis de ordem,
piedade e estabilidade, que favoreciam a cura. Para prestar esses cuidados práticos, os
mosteiros tornaram-se também lugares de ensino médico entre os séculos V e X, o período
clássico da assim chamada medicina monástica. Durante o renascimento carolíngio dos anos

185
São Cipriano, "De mortalitate", XIV, in: Migne, PL, IV, 591-593

186
Thomas Woods, Como a Igreja Catolica Construiu a Civilizacao Ocidental
187
William E.H. Lcckv. History of European Morals from Augustus to Charlemagne, vol.I. p.85.

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800, os mosteiros também despontaram como principais centros de estudo e transmissão dos
antigos textos médicos”.188

As ordens militares, fundadas durante as Cruzadas, administravam hospitais por toda a


Europa. Uma dessas ordens, a dos Cavaleiros de São João (também conhecidos como
hospitalários), germe do que mais tarde veio a tomar-se a Ordem de Malta, deixou uma marca
particularmente significativa na história dos hospitais europeus, sobretudo pelas inusitadas
dimensões do seu edifício em Jerusalém. Fundado em torno de 1080, esse hospital procurou
atender os pobres e proporcionar um alojamento seguro aos peregrinos, muito frequentes em
Jerusalém, particularmente após a vitória cristã na Primeira Cruzada. A extensão das suas
operações cresceu significativa mente depois de Godofredo de Bulhões, que doou à instituição
uma série de propriedades.

O primeiro hospital nas Américas foi construído antes de 1524, na Cidade do México, por
Hernán Cortés, em gratidão, como ele declarou em seu testamento "pelas graças e
misericórdias que Deus tinha lhe concedido e permitindo-lhe descobrir e conquistar a Nova
Espanha, e em expiação por qualquer pecado que tivesse cometido”, especialmente aqueles
que ele não lembrava, ou qualquer culpa que pudesse haver em sua consciência, para a qual
ele não poderia fazer uma expiação especial. Foi chamado de Hospital da Puríssima Conceição,
e depois de Jesus Nazareno, devido a um santuário vizinho. Ele ainda existe e seus
superintendentes são nomeados pelos descendentes de Cortes, os Duques de Terranova y
Monteleon. O Papa Clemente VII, na Bula de 16 de abril de 1529, conferiu a Cortes o perpétuo
patrocínio deste e de outras instituições similares fundadas por ele. Dentro da primeira década
após a conquista, o Hospital de São Lázaro foi fundado com acomodações para 400 pacientes e
o Hospital Real, também na cidade do México, foi criado por um decreto de 1540.

O Primeiro hospital do Brasil é a Santa Casa da Misericórdia de Santos, do Estado de São Paulo,
que foi inaugurado em novembro 1543. A construção teve início em 1542, por iniciativa do
português Braz Cubas, líder do povoado do porto de São Vicente, posteriormente Vila de
Santos. Ele teve o auxílio dos próprios moradores da região. Sua data de fundação foi o dia
primeiro de janeiro, conhecido como o dia de todos os santos, e por isso o hospital recebeu o
nome de Hospital de Todos os Santos, também para homenagear o maior hospital de Lisboa,
em Portugal. Desse nome, saiu também o nome da cidade de Santos. Frei Gaspar, em sua
Memórias para a História da Capitania de São Vicente, diz que Braz Cubas, "com esmolas e
ajutórios dos confrades, edificou uma igreja com o título de N. S. da Misericórdia e junto a ela
um hospital". A administração e assistência ao hospital ficou a cargo da Confraria da
Misericórdia, confirmada por D. João III em Almerim, a 2 de abril de 1551.

O hospital prestou atendimento aos colonos, nativos e escravos, passando pelos nobres do
Império Português e do Brasil Imperial, tradicionais monarquistas e republicanos, até patrões,
operários, empregados e desempregados. Serviu para a prática e o ensino da Medicina
durante quase três séculos, antes da fundação da primeira faculdade de Medicina do país.

Poderia encher muitas páginas para falar de como a caridade cristã ajudou a transformar o
mundo e trazer uma pouco mais de amor e cuidado aos mais necessitados. Infelizmente essas
fatos não costumam ser citados com frequência, mas fato é, a caridade cristã transformou o
188
Guenter B. Risse. Mending Bodies, Saving Souls, p.95

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mundo. Como afirmou o escritor Malcom Muggridge: “Passei muitos anos na Índia e na África,
onde encontrei muitos esforços corretos conduzidos por cristãos de todas as denominações,
mas nunca encontrei um hospital ou um orfanato administrado pela sociedade Fabiana (grupo
socialista da Inglaterra do séc. XIX) ou uma colônia humanista (ateia) para leprosos." 189

Dignidade feminina

Contrariando o senso comum, que muitas vezes afiram que o cristianismo é uma religião que
sempre subjugou a mulher, muitos têm a tendência de achar que não havia participação de
mulheres nos movimentos cristãos, principalmente antigamente. Mas desde o início, a
participação de mulheres foi numerosa e importante. Mas essa não era uma condição normal
para a mulher na antiguidade.

Na Palestina do século I, o historiador judeu Flávio Josefo nos mostra que o


testemunho das mulheres não era bem aceito pela sociedade. “Não deixe o
testemunho de mulheres ser aceito.” 190 O mesmo acontecia em Roma. No que diz
respeito à mulher, o essencial deste direito foi brilhantemente exposto pelo jurista
Robert Villers: "Sem exagero nem paradoxo, a mulher em Roma não era sujeito de
direito [...]. A sua condição pessoal, as relações com os parentes ou o marido são da
competência da domus, onde o pai, o sogro ou o marido são os chefes todo-
poderosos[...]. A mulher é unicamente um objeto."191

Mas isso mudou de forma bem radical Em Lucas 8, além dos 12 apóstolos também são
relatadas que mulheres que haviam sido curadas e que seguiam a Jesus, bem como o
sustentavam com seus bens.

Vemos nos capítulos finais da epístola de Paulo aos Romanos, escrita ainda na década de 50
d.C., que Paulo saúda pelo menos 15 mulheres que tinham posição de liderança na
congregação romana. Sem contar Lídia 192, comerciante de púrpura, mulher importante que
abriu a sua casa para receber Paulo e seus companheiros em viagem, sendo uma das primeiras
mulheres batizadas na Europa.

De testemunhas inválidas a sujeição completa ao ‘Pater Familias’, a vida das mulheres


só começou a melhorar após o grande ponto de virada da história. O ponto alto da
relação da mulher com a causa do Evangelho, foi que mesmo no século I, tendo um
testemunho desacreditado perante a sociedade, Deus as colocou como primeiras testemunhas
e responsáveis por dar a notícia do fato mais relevante da história do mundo, a ressurreição de
Cristo.

189
Malcom Muggeride, Jesus Rediscovered p.157
190
JOSEFO, Flávio. Antiguidades Judaicas 4.8.15
191
PERNOUD, Regine. A mulher no tempo das catedrais p.15
192
Atos 16

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Mesmo fontes extra bíblicas como as cartas de Plínio, o jovem, governador da Bitínia no ano
de 110 d.C, que escreveu ao imperador romano Trajano o informando que tinha torturado
duas mulheres chamadas de “diaconisas”.193

Com isso podemos demonstrar como as mulheres estavam presentes em bons números nos
círculos cristãos desde o início e eram engrenagens fundamentais do movimento.

Devido a isso, o grande historiador de Cambridge Henry Chadwick observou: “O cristianismo


parece ter sido especialmente bem sucedido entre as mulheres…” 194

E o grande teólogo e historiador Adolf von Harnack confirma: “A pregação cristã foi adotada
pelas mulheres em particular. A porcentagem de mulheres cristãs entre as classes mais altas
era muito superior que as dos homens.” 195

As mulheres cristãs eram tão numerosas que muitos romanos desprezavam o cristianismo por
considera-lo uma “religião de mulheres.”

A questão que fica é, porque? Porque as mulheres eram tão atraídas ao cristianismo?

Elas eram atraídas porque o cristianismo lhes oferecia uma vida muito superior que elas
normalmente teriam em outras culturas. Na sociedade greco-romana, a vida das mulheres não
era fácil, elas não escolhiam com quem casar, às vezes eram forçadas a abortar ou abandonar
filhos recém-nascidos, principalmente se fosse do sexo feminino, seu marido podia divorciar-se
facilmente ou ter várias amantes, e geralmente elas não possuíam direitos de propriedade
privada. De fato, a disponibilidade de sexo fácil e sem compromisso eliminou a motivação dos
homens para casar. O desprezo pelo casamento se tornou tão evidente, que em 131 a.C, o
censor Quintus Metellus Macedonius propôs que o casamento deveria ser obrigatório. 196

O infanticídio também chocava, como relatado por uma testemunha do século II:

" Eu vejo seus bebes recém-nascidos expostos por vocês aos animais selvagens e as aves de
rapina, ou sendo cruelmente estrangulados até a morte. Há também mulheres entre vocês
que, por tomarem certas drogas, destroem os inícios do futuro do ser humano enquanto este
ainda está no útero., e são culpadas de infanticídio antes de serem mães. Essas práticas
certamente foram dadas a vocês pelos seus deuses." 197

Pode-se ainda ler o testemunho da degradação moral da sociedade romana nos escritos de
Virgílio, Ovídio, Catulo, Marcião, Suetônio e Tácito. Que foram testemunhas oculares dessas

193
Letters of Pliny the Younger and the Emperor Trajan. 112 A.D
194
Chadwick 1967, 56.
195
Harnack 1905, 227.
196
Citado pelo historiador Aulus Gellius em The Attic nights of Aulus.
197
Minucius Felix, 'The Octavius' of Minucius Felix p.83

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fatos.
Com a ascensão do cristianismo, muita coisa mudou. Como já havia escrito o apóstolo Paulo: ”
Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em
Cristo Jesus.” 198 O ideal de igualdade cristão transformou as sociedades e causou grande
impacto na transformação na vida das mulheres.

Por exemplo, a superioridade da mulher cristã começava no nascimento. Toda forma de


infanticídio foi condenada, o que favoreceu mais nascimentos, principalmente de bebês do
sexo feminino.

Jesus já pregava contra o divórcio nos evangelhos, a Igreja e o movimento cristão seguindo
esse ensinamento, condenou o divórcio, proibindo que o marido abandonasse o lar. O que deu
muito mais segurança as mulheres, que muitas das vezes eram simplesmente abandonadas
sem motivos e sem direito a nada. A santificação do matrimônio e a condenação do divórcio
deu estabilidade ao lar, ajudando a criar família sólidas e bem estruturadas. O próprio
historiador Edward Gibbon. que culpava o cristianismo pela queda do Império Romano, foi
obrigado a admitir; "os cristãos restauraram a dignidade do matrimônio.”

Com o passar do tempo, elas passaram formar comunidades religiosas dotadas de governo
próprio, algo inusitado em qualquer cultura do mundo antigo. Elas dirigiam as próprias escolas,
conventos, orfanatos e hospitais.

O cristianismo sim melhorou a vida da mulher, lhe trouxe graça e dignidade, lhe deu valor,
sentido, e lhe proporcionou mais liberdade do que qualquer outro movimento. Ao contrário
dos movimentos ditos "feministas", que lutam pelo abordo, sexo fácil e são contra a família, ou
seja, um retorno às práticas pagãs abolidas desde antigamente, um retrocesso a condição
feminina na sociedade.

A criação das universidades

Talvez em deferência ao politicamente correto de nossos tempos, ou talvez devido a uma


inteira ignorância histórica, tem havido muitos esforços recentes para colocar a criação das
primeiras Universidades na China, na Índia ou na Pérsia. Uma tentativa clara de tentar
desqualificar o cristianismo como uma religião de fundamental importância para a construção
do mundo ocidental. Claro, desde os tempos antigos e em muitos dos antigos impérios, havia
escolas dedicadas ao ensino religioso, cultura, bem como instituições que abrigavam aqueles
dedicados à contemplação e meditação, como havia também no Ocidente. Mas o professor
Charles Haskins, especialista em período medieval afirma: “As universidades, assim como as
catedrais e os parlamentos, são um produto da Idade Média.” 199“

Mas precisamos entender certos aspectos históricos e como as coisas se desenrolaram, o


cristianismo medieval foi o responsável por manter a Europa nos eixos após a queda do
Império romano e o início das invasões bárbaras. A igreja era a única instituição da época que

198
Gálatas 3:28
199
Charles Homer Haskins, A Ascensão das Universidades p.11

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prezava pelo conhecimento, a ordem e o cultivo do saber, em meio a uma civilização em
colapso que estava se desintegrando.

Devido a uma série de fatores, como perseguições religiosas e a busca por uma vida isolada
para elevação espiritual, a vida monástica começou a surgir no ocidente. E foi posteriormente
nos mosteiros onde se deu boa parte do progresso intelectual e tecnológico daquele tempo
antigo. Os monges desenvolveram técnicas pioneiras de agricultura e metalurgia, bem como a
cópia de textos da literatura clássica greco-romana, como também de manuscritos bíblicos.
Não podemos nos esquecer de que o mais antigo exemplar da Bíblia, o Codex Sinaiticus,
datando do século IV foi encontrado em um mosteiro próximo ao Monte Sinai.

Como afirma o historiador e professor Dr. Mauricio Righi, no prefácio do livro A criação do
ocidente: " Os povos germânicos que invadiram e conquistaram o mundo romano a partir do
século V, embora dominassem a metalurgia, encontravam- se, em termos culturais, sociais e
econômicos, muito próximos às culturas neolíticas (sem escrita, sem vida urbana e sem Estado
organizado). O retrocesso cultural foi simplesmente brutal, e é possível assegurar que a
civilização quase desapareceu. Todavia, três séculos mais tarde, o Império Carolíngio era
formado, o que propiciou um renascimento das letras e do conhecimento; mais quatro séculos
e surgiram as grandes catedrais góticas, as universidades e o pleno desenvolvimento da vida
urbana; mais três séculos e meio, navegação ultramarina, capitalismo e ciência apareciam
para fundar um novo mundo."200

Para falar especificamente sobre as universidades, elas foram a evolução das escolas monacais
e do renascimento carolíngio, que foi movimento de revitalização cultural na literatura, cultura
e arte. Como explica a historiadora francesa Regine Pernoud: " Estas Universidades são
criações eclesiásticas, o prolongamento, de algum modo, das escolas episcopais, das quais
diferem no fato de dependerem diretamente do papa e não do bispo do lugar. A bula Parens
scientiarum de Gregório IX pode ser considerada como a carta de fundação da Universidade
medieval, com os regulamentos promulgados em 1215 pelo cardeal-núncio Roberto de
Courçon, agindo em nome de Inocêncio III, e que reconheciam explicitamente aos professores e
aos alunos o direito de associação. Criada pelo papado, a Universidade tem um carácter
inteiramente eclesiástico: os professores pertencem todos à Igreja, e as duas grandes ordens
que ilustram, no século XIII, Franciscana e Dominicana, vão lá, em breve, cobrir-se de glória,
com um S. Boaventura e um S. Tomás de Aquino; os alunos, mesmo aqueles que não se
destinam ao sacerdócio, são chamados clérigos, e alguns deles usam a tonsura — o que não
quer dizer que aí apenas se ensine a teologia, uma vez que o seu programa comporta todas as
grandes disciplinas científicas e filosóficas, da gramática à dialética, passando pela música e
pela geometria."201

As duas primeiras universidades foram fundadas, em Paris e Bolonha respectivamente, em


meados do séc. XII. As universidades de Oxford e Cambridge foram fundadas por volta de
1200, seguidas por uma onda de novas instituições no séc. XIII: Toulouse, Orleans, Nápoles,
Salamanca, Sevilha, Lisboa, Grenoble, Pádua, Roma, Perúgia, Pisa, Modena, Florença, Praga,
Cracóvia, Viena, Heidelberg, Colónia, Ofen, Erfurt, Leipzig, e Rostock. Há o preconceito que não

200
Christopher Dawson, A criação do ocidente e a civilização medieval p.25
201
Regine Pernoud, Luz sobre a Idade Média p.49

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se tratavam de verdadeiras universidades, tendo apenas três ou quatro professores e algumas
dezenas de alunos. Na realidade, em meados de séc. XIII, Paris, Bolonha, Oxford e Toulouse
tinham entre mil e mil e quinhentos alunos cada, e quinhentos novos alunos entravam
anualmente para a Universidade de Paris. Quanto à qualidade, foi nestas mesmas
universidades que nasceu a ciência. Recorde-se que eram instituições intensamente cristãs:
todos os professores eram ordenados pela Igreja, constituindo a maioria dos primeiros
cientistas famosos.202

E engana-se quem pensa que só se estudava teologia, como a historiadora francesa já


demonstrou, a vida intelectual naqueles lugares era efervescente e radiante, e a busca para
compreender os mistérios da criação era intensa, como o historiador Thomas Woods explica:
"Contrariando a impressão geral de que as pesquisas estavam impregnadas de pressupostos
teológicos, os estudiosos medievais tinham um grande respeito pela autonomia de tudo
quanto se referisse à filosofia natural, um ramo que se ocupava de estudar o funcionamento
do mundo físico, particularmente as mudanças e o movimento nesse mundo. Procurando
explicações naturais para os fenômenos da natureza, esses pesquisadores mantinham os seus
estudos à margem da teologia." 203

Regine Pernoud explica melhor como era o currículo medieval: "O ensino é dado em latim;
divide-se em dois ramos, o trivium, ou as artes liberais: Gramática, Retórica e Lógica, e o
quadrivium, quer dizer, as ciências: Aritmética, Geometria, Música e Astronomia; o que, com as
três Faculdades de Teologia, Direito e Medicina, forma o ciclo dos conhecimentos. Como
método, utiliza-se sobretudo o comentário: lê-se em texto, as Etymologies [Etimologias], de
Isidoro de Sevilha, as Sentences [Sentenças'], de Pedro, o Lombardo, um tratado de Aristóteles
ou de Séneca, segundo a matéria ensinada, e glosava-se o texto, fazendo todas as observações
às quais ele pode dar lugar, do ponto de vista gramatical, jurídico, filosófico, linguístico, etc.
Este ensino é, portanto, sobretudo oral; dá um lugar importante à discussão; as Questiones
disputate, questões na ordem do dia, tratadas e discutidas pelos candidatos na licenciatura,
perante um auditório de professores e alunos, deram, por vezes, lugar a tratados completos de
filosofia ou de teologia, e algumas glosas célebres, passadas a escrito, eram elas próprias
comentadas e explicadas, na continuação dos cursos." 204

Bem diferente do pensamento moderno sobre o período medieval, "As Universidades foram
centros de intensa vida intelectual , onde os maiores espíritos se enfrentavam em discussões
apaixonadas , onde influências complexas provocavam ações e reações , e onde não se
hesitava em abordar frontalmente os grandes problemas , lançando mão dos meios de que
então se dispunha. A fé, bem longe de ser esterilizante , era o fermento que atuava na massa,
obrigando-a a crescer." 205 Bem diferente do espírito que domina as universidades modernas,
onde há notória tendência a um viés ideológico, que é extremamente prejudicial ao debate
acadêmico e a produção do saber.

202
Rodney Stark, A Vitória da Razão p.100
203
Thomas Woods, Como a igreja Católica construiu a civilização ocidental p.55
204
Regine Pernoud, Luz sobre a Idade Média p.51
205
Henri Daniel-Rops, História da Igreja de Cristo Vol 3 p.362

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As universidades medievais foram essenciais na criação do espírito do ocidente e
principalmente para todo o desenvolvimento científico que conhecemos. E o ensinamento
cristão de que o universo tinha um criador, que era ordenado e o homem era racional e podia
conhecer aqueles segredos, deram a base para a construção de toda fundação da ciência
medieval.

Alguns exemplos dos conhecimentos nascidos nas universidades medievais:

Jean Buridan (1300-58), reitor da Universidade de Paris, antecipou a primeira lei de


movimento, de Newton. Copérnico: afirmou que a terra gira sobre o seu próprio eixo. Outro
reitor da Universidade de Paris, Nicolau d'Oresme foi (1125-82) com grandes contribuições em
mecânica e astronomia. O sacerdote Nicolau Steno, considerado o pai da geologia, Athanasius
Kircher, pai da egiptologia, Rogério Boscovich, considerado pai da teoria atômica moderna,
Robert Grosseteste, precursor do método científico, Alberto Magno, com grandes
contribuições no campo da botânica e teologia, Roger Bacon, que aperfeiçoou as teses de
Grosseteste e criou o método científico, William Ockham, Mondino de’Luzzi (1270-1326), que
realizou uma dissecção humana em frente de uma audiência de estudantes e professores da
Universidade de Bolonha, um fato notório até então, impulsionando os estudos na área da
medicina. Dentre tantos outros nomes impossíveis de adicionar, dizem o quanto o cristianismo
contribuiu com a ciência e foi essencial no desenvolvimento do pensamento ocidental.

Não foi a toa que o papa Inocêncio IV (1243 -1254) descreveu as universidades como “rios de
ciência cuja água fertiliza o solo da Igreja universal’’, e o papa Alexandre IV (1254-1261)
chamou-as "lâmpadas que iluminam a casa de Deus".

Sabemos que “até o final da Idade Média, pelo menos oitenta universidades foram fundadas
em diferentes partes da Europa” 206 E se analisarmos os Estados Unidos, que recebeu grande
parte dos imigrantes após o fim da idade média e início das grandes navegações vindos de
toda parte da Europa, vemos que a influência do cristianismo os levou a continuar a buscar
altos padrões de educação. Tanto que instituições de renome internacional como Harvard,
Yale, Darthmouth, Columbia e outras, foram fundadas por movimentos cristãos, em sua
maioria protestantes.

Como afirma um grande historiador especialista em ciência medieval:


A criação das Universidades, o compromisso com a razão e com a argumentação racional e o
abrangente espirito de pesquisa que caracterizou a vida intelectual medieval representaram
"um dom da Idade Média latina ao mundo moderno [...]. ainda que nunca se venha a
reconhecê-lo. Talvez esse dom conserve para sempre a condição de segredo mais bem
guardado que a civilização ocidental teve durante os quatro séculos passados”. 207

A criação das universidades é apenas uma das inúmeras contribuições cristãs para a civilização
ocidental. É impossível negar que a cosmovisão cristã foi essencial nesse processo, não se pode
separar o homem das suas crenças mais fundamentais, como o mundo secularizado de hoje

206
Charles Homer Haskins, A Ascensão das Universidades p.18
207
Edward Grant, God and Reason in lhe Middle Ages p.356

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tentar fazer. Hoje cientistas em renomadas universidades estudam desde os confins do
universo até o interior da célula, escalaram o topo da montanha do progresso, e encontram la
uma cruz, fincada por cristãos devotos que estiveram lá muitos séculos antes.

“Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento. Dedique
alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará.” Provérbios 4 7:8

Ciência e Fé. Amigas ou inimigas?

Algumas pessoas veem conflito entre a ciência e a fé em Deus. Mas o engraçado é que as
pessoas que realmente mudaram os rumos da ciência não tiveram problemas em conciliar a
ciência com sua fé.

Newton, Pascal, Leibniz, Faraday, Galileu, Pasteur, Planck e tantos outros cientistas brilhantes,
foram homens que transformaram a ciência e fizeram contribuições gigantescas em seus
campos de atuação, eles viam a questão da crença em Deus não como algo fútil e
contraditório, mas como a mais sublime manifestação do intelecto.

A ordem, a inteligência, a complexidade e a majestosa beleza da natureza sempre intrigou os


cientistas, e saber como Deus criou tudo isso os impulsionava a descobrir os mecanismos
usado pelo Criador. Pois não haveria o menor interesse em se estudar algo que foi formado
aleatoriamente, sem nenhum propósito ou processo inteligente por trás. Como afirma o
prêmio Nobel de Física em 1981 Arthur Schawlow: “O mundo é tão maravilhoso que não posso
imaginar que tenha sido por puro acaso.”208

Pois se nosso próprio cérebro é formado por apenas moléculas em movimento, como
podemos ter certeza que esse processo produz algo capaz de ser chamado de racionalidade?

A ciência e a fé atuam em áreas diferentes, a ciência atua sobre o natural, com seus limites e
métodos e a fé no campo espiritual, e elas não são mutuamente excludentes, como dizia
Albert Einstein: “Quanto mais eu estudo ciência, mais eu acredito em Deus.“ 209 “A Ciência sem
religião é manca, religião sem ciência é cega." 210

Negar a fé por se dizer em favor da ciência, não faz o menor sentido, pois a própria história
mostra que essa escolha é baseada na ignorância do desconhecimento do que se trata a
verdadeira fé, e do que se trata a ciência e seus limites. A própria história do “nascimento da
ciência” não deixa a menor dúvida, o desenvolvimento da ciência foi enormemente
impulsionado graças à cosmovisão cristã de como o mundo funciona e como Deus criou o
universo.

A ciência tentar explicar "como", e a fé os "porquês", e a conciliação entre os dois é capaz de


abrir a mente e expandir o conhecimento além dos limites naturais, abrindo caminho para

208
Schawlow 1998, Chapter I, Part 5
209
Einstein, as cited in Holt 1997
210
Jammer 2002; Einstein 1967, 30

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novas descobertas e moldando novos padrões. Como afirmou o papa João Paulo II em sua
famosa encíclica Fides et Ratio (Fé e Razão):

" A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para
a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de
conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e
amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio." 211

A ciência não ocorre num vácuo asséptico conceitual quer seja religioso, quer filosófico, quer
cultural. A nossa percepção e ação fundamentam-se em nossos pressupostos os quais sãos
reforçados, transformados, lapidados ou abandonados em prol de outros, conforme a nossa
percepção dos “fatos”.

Por exemplo, A ciência pressupõe que a natureza é ordenada. De fato, para a natureza se
tornar um objeto de estudo ela precisa ser considerada um lugar onde os eventos que nela
ocorrem possua certa estruturas regulares. Sem a crença que nós vivemos em um universo
ordenado, a ciência é impossível.

Por isso, os primeiros brotos da ciência moderna surgiram da crença de que há uma
racionalidade intrínseca ao universo físico, em virtude de sua criação pela própria fonte de
toda razão [Deus]. Se a Razão permeia todo o universo, e nós fomos contemplados com uma
participação nessa razão, podemos esperar compreender, ao menos de um modo limitado,
como o universo funciona. O pano de fundo teísta deu resposta a duas importantes questões.
Por que podemos assumir a regularidade dos processos físicos, sejam ou não eles totalmente
determinados, e por que as nossas mentes são ajustadas para compreendê-los?

O físico Eugene Wagner, prêmio Nobel de Física, confessa que a base matemática da natureza
“é algo que beira o misterioso e não há explicação racional para isso... é um artigo de fé”.

O renomado físico norte-americano Richard Feynman, ganhador do prêmio Nobel em Física, e


ateu, confessa “O porquê a natureza é matemática é um mistério... O fato que afinal há regras
é um tipo de milagre”. A ciência nada pode dizer sobre eventos sobrenaturais, pois isso foge ao
seu escopo de análises, ela simplesmente os ignora e parte destes pressupostos para fazer seu
trabalho, dando um salto de fé.

Dizer que a ciência provou que Deus não existe, ou que milagres são impossíveis é
simplesmente uma grande mentira e falta de conhecimento dos limites da ciência. Assim, a fé
permeia a ciência, a religião e toda a vida humana, todas as pessoas possuem um conjunto de
premissas sustentadas pela fé a respeito das coisas que creem.

A fé está presente na vida de todos, mesmo você sendo um ateu. Pois grande parte das nossas
convicções mais fundamentais sobre as coisas são crenças impossíveis de se justificar para os
que dela não compartilham, e nem são provadas empiricamente, são baseadas na fé. Num
sentido mais amplo, a fé em alguma visão de mundo e da natureza humana está presente na
vida de todos. Todo mundo age e vive a partir de uma identidade narrativa, quer seja
elaborada e objeto de reflexão, quer não.

211
Encíclica Fides et ratio - João Paulo II

[Digite texto] Pá gina 98


O nascimento da ciência

Porque que foi na Europa cristã medieval que a ciência surgiu e não em outros lugares?

Analisando a história, percebe-se que as grandes civilizações como os gregos, os hindus, os


árabes e os chineses desenvolveram conhecimentos e técnicas consideráveis. Dominavam a
astronomia, as navegações, construíam edifícios, catapultas, armas e etc. No entanto, nenhum
desses povos foi capaz de desenvolver a ciência como um movimento progressivo, como
aconteceu na Europa Cristã no final da Idade Média. O conhecimento do mundo e as técnicas
em posse de outras culturas não eram suficientes em si para manter em andamento a ciência
como a conhecemos. O que faltava a esses povos era a estrutura certa que pudesse propiciar a
confiança e a motivação necessárias para que o estudo científico florescesse.

Stanley Jack, historiador da ciência, em seu livro "Science and creation", diz:

“A investigação científica só encontrou solo fértil depois que a fé num criador pessoal, racional,
realmente impregnou toda uma cultura, a partir dos séculos da Idade Média Alta. Essa foi a fé
que forneceu uma dose suficiente de crédito na racionalidade do universo confiança no
progresso e valorização do método qualitativo – todos eles, ingredientes indispensáveis da
investigação científica”212

Assim como o historiador Christopher Dawson: "...as origens da ciência moderna, no período
final da Idade Média, serão encontradas não entre os seguidores de Averróis em Pádua, mas
com os discípulos de Roger Bacon e Guilherme de Ockham, que consideravam a fé religiosa a
fonte suprema do verdadeiro conhecimento." 213

O estudioso Rodney Stark também explica.

O impulso científico foi um fruto do trabalho de estudiosos e cristãos devotos. É importante


reconhecer que a ciência não é só tecnologia. Uma sociedade não tem ciência só porque
consegue construir navios, fundir ferro, ou comer em pratos de porcelana. A ciência é um
método sistemático utilizado em esforços organizados que visam explicar a natureza, que está
sempre pronta a ser modificada e corrigida através da observação sistemática. Em outras
palavras, a ciência consiste de teoria e pesquisas.

Porque foi na Europa cristã e não em outros lugares que a ciência cresceu e prosperou?

A resposta tem a ver com a imagem de Deus no imaginário medieval.

A China, os países muçulmanos, a Índia, e a Grécia e Roma antigas, tinham uma alquimia
evoluída, mas foi só na Europa que essa alquimia se transformou em química. Várias
sociedades desenvolveram sofisticados sistemas de astrologia, mas foi só na Europa que
astrologia virou astronomia.
O filósofo e matemático Alfred Whitehead, durante palestra na universidade de Havard em
1925 explica: " A maior contribuição da idade média para o movimento científico foi a certeza

212
Science and creation, Stanley Jaki p. 8
213
Chrsitopher Dawson, A criação do ocidente e a civilização medieval p.263

[Digite texto] Pá gina 99


que existia um segredo, um segredo que podia ser descoberto. Como essa certeza apareceu no
imaginário medieval? Da insistência na racionalidade de Deus." 214

Whitehead afirma que as imagens da divindade em outras religiões, principalmente na Ásia,


são demasiado impessoais ou irracionais para gerar ciência. Ele concluiu que a China fracassou
em desenvolver a ciência porque muito da sua história não tinha uma convicção firme em um
Criador todo-poderoso. Joseph Needham, historiador marxista que passou a vida investigando
a ciência e a civilização chinesa, confirmou a opinião de Whitehead. Needham fez uma
pesquisa tentando encontrar explicações materialistas para o fracasso da China. Finalmente,
sua integridade venceu sua ideologia. Ele concluiu que não havia boas razões geográficas,
raciais, políticas ou econômicas para explicar o fracasso da China para desenvolver ciência. Os
chineses não desenvolveram a ciência porque nunca lhes ocorreu que esta fosse possível. Eles
não tinham uma ciência porque " a concepção de um legislador divino celestial impondo
ordens a natureza não humana nunca se desenvolveu na China." 215

E a maioria das religiões não cristãs, nem sequer acredita numa criação, para eles, o universo é
eterno, e apesar de apresentar ciclos, não tem propósito. Ou ele é uma entidade
completamente misteriosa, imprevisível, inconsistente e arbitrária. As antigas religiões
animistas como os babilônios e egípcios, criam que cada parte do universo era divina, rios,
árvores, animais e até mesmo pedras possuíam espírito. Nesse universo totalmente
misterioso, imprevisível e incontrolável, era impossível de a ciência criar suas raízes. Para os
que têm estas crenças, a meditação e as experiências místicas são o caminho para a sabedoria,
não há ocasião para celebrar a razão.

Durante séculos, os gregos antigos pareciam estar no limiar da descoberta da ciência.


Interessavam-se em explicar o mundo natural mediante princípios abstratos e gerais. Entre
eles, houve cuidadosos e resistentes observadores da natureza. Apesar de Sócrates considerar
o empirismo, por exemplo as observações astronômicas como “perda de tempo”, e de Platão
concordar, e aconselhar seus alunos a "deixarem paz os céus estrelados".

Eles produziram filosofias especulativas, mas nunca atravessaram a barreira da verdadeira


ciência. Aristóteles por exemplo, nunca deixou que fecundasse sua teorização. Ensinou que a
velocidade de objetos em queda livre era proporcional ao seu peso. Bastaria uma excursão a
qualquer falésia próxima para provar que a tese estava errada. Que a ideia de Demócrito sobre
os átomos tenha sido, por acaso correta, é uma simples coincidência linguística. O seu palpite
não tem mais importância que a "teoria" do seu amigo Empédocles, que afirmou que toda
matéria é composta por fogo, ar, água ou terra.

Nem o famoso filósofo islâmico Averrois e seus seguidores criaram uma visão favorável a
ciência no século XII. Para ele e seus seguidores, que foram aristotélicos intransigentes, a física
era completa e perfeita, e qualquer observação que fosse contrária às ideias de Aristóteles
estavam erradas ou eram uma ilusão.

214
Alfred Whitehead, A ciência e mundo moderno p.27
215
VISHAL MANGALWADI, O livro que fez o seu mundo

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No islã, por exemplo, pode-se pensar que o conceito de Deus seja parecido com o cristão, e
isso poderia permitir o surgimento da ciência. Mesmo Alá sendo representado como o criador
das leis naturais, ele é concebido como um deus extremamente ativo e interferente nessas
leis. Essa visão levou a formação de um pensamento que qualquer esforço para formular leis
naturais, iria contra a liberdade de ação de Alá, portanto, seria uma grande blasfêmia contra
ele.

No oriente por exemplo, apesar de terem desenvolvido tecnologias pioneiras e avançadas para
sua época, eles não foram capazes de desenvolver ciência. A crença budista não prezava pela
busca da verdade, mas o esvaziamento da mente de todo pensamento, desejo e vontade.

O universo, segundo os filósofos chineses, sempre existiu. Não há razão para supor que ele
funcionaria de acordo com certas regras racionais e que poderia sem compreendido em
termos físico em vez de místicos. Portanto, nos últimos mil anos, os intelectuais chineses
procuraram a iluminação mística em vez de explicações. Essa foi a conclusão do historiador da
ciência chinesa Joseph Needham.

O surgimento da ciência não foi uma evolução da sabedoria antiga. Foi à conclusão da doutrina
cristã: a natureza existe porque foi criada por Deus.

Para amar e honrar a Deus, é necessário compreender e apreciar as maravilhas de Sua obra.
Porque Deus é perfeito, sua obra guia-se em princípios imutáveis. E através do poder da razão,
que é um dom de Deus, e da observação, é possível desvendar seus princípios. A ordem, a
inteligência, a complexidade e a majestosa beleza da natureza sempre intrigaram os cientistas,
e saber como Deus havia criado tudo isso, os impulsionava na busca por respostas.

Apenas para ilustrar como a visão de mundo influenciada pela religião pode fazer a diferença
na investigação científica, o filósofo e teólogo Agostinho de Hipona, ainda no século IV, apenas
pela reflexão baseado no livro de Gênesis, chegou a conclusão que a ciência moderna só
chegaria no século XX. Que antes do universo não havia tempo, que o tempo só passou a
existir após a criação do universo. Em suas palavras: " Que tempo poderia existir, se não fosse
estabelecido por ti? De fato, foste tu que criaste o próprio tempo...Mas se antes da criação do
céu e da terra não havia tempo, Não podia existir um “então” onde não havia tempo." 216

Pois Agostinho sabia, baseado em Gênesis 1:1 “No princípio criou Deus o céu e a terra.”, que
houvera uma criação, ou seja, o universo não é eterno e se houve criação, há um criador, e se
há criador antes de existir o tempo, Ele deve ser eterno, fora da dimensão do tempo. Observe
que Agostinho não estava envolvido em especulações teológicas vagas. Ele estava fazendo
uma afirmação radicalmente contra intuitiva sobre a natureza da realidade física.

São essas as ideias principais que explicam o porquê da ciência ter surgido na Europa cristã. 217

Infelizmente muitos não conseguem enxergar esses fatos, pois ainda existe um grande
preconceito contra a Idade média hoje. Devido a sua relação estreita entre religião e Estado,
os iluministas querendo dar destaque a sua época como época “das luzes e razão”, criaram o
termo da idade das trevas, para dizer que aquele período medieval foi um grande retrocesso
216
Santo Agostinho, Confissões
217
Rodney Stark, A Vitória da Razão p.60-65

[Digite texto] Pá gina 101


científico. Infelizmente isso virou um mito popular que se enraizou nos livros de história
escolar. Mas graças ao trabalho de excelentes estudiosos estamos descobrindo as belezas da
idade média e vendo suas contribuições fundamentais.

O historiador Thomas Woods afirma:


As contribuições científicas medievais foram enormes, por exemplo o sacerdote Nicolau Steno,
considerado o pai da geologia, Athanasius Kircher, pai da egiptologia, Rogério Boscovich,
considerado pai da teoria atômica moderna. Os jesuítas que dominaram o estudo sobre os
terremotos e as contribuições na astronomia, poucos conhecem esse fato, apesar de 35
crateras lunares terem sido descobertas por cientistas jesuítas. Roger Bacon, conhecido como
Doutor admirável que introduziu a observação da natureza e a experimentação como
fundamentos do conhecimento natural e William de Ockham, que ajudou a desenvolver o
método científico. A ciência e religião naquela época não eram apenas compatíveis, eram
amigas inseparáveis.218

E especificamente sobre os jesuítas diz:


" Eles contribuíram para o desenvolvimento dos relógios de pêndulo, dos pantógrafos, dos
barômetros, dos telescópios refletores e dos microscópios, e trabalharam em campos
científicos tão variados como o magnetismo, a ótica e a eletricidade. Observaram, em muitos
casos antes de qualquer outro cientista, as faixas coloridas na superfície e Júpiter, a nebulosa
de Andrômeda e os anéis de Saturno. Teorizaram acerca da circulação do sangue, sobre a
possibilidade teórica de voar, sobre a maneira como a lua influi nas marés e sobre a natureza
ondulatória da luz. Mapas estrelares do hemisférios Sul, lógica simbólica, medidas de controle
de enchentes nos rios, introdução de sinais mais e menos na matemática italiana, tudo isso
foram realizações de jesuítas, e cientistas influentes como Fermat, Huygens, Leibiniz e Newton
não eram os únicos a ter jesuítas entre os seus correspondentes mais apreciados.” 219

Não foi a toa, que o surgimento das universidades se deu durante a idade média, como já
abordamos no capítulo anterior. Elas deram todo o impulso necessário para que a ciência
florescesse como nunca antes na história do mundo.

Não tenciono a desmerecer outras culturas e toda sua história e avanços. Mas não podemos
em nome do politicamente correto deixar de reconhecer os fatos.

Nos últimos anos, praticamente todos os historiadores da ciência - entre eles Alistair C.
Crombie, David Lindberg, Thomas Woods, Edward Grant, Stanley Jaki, James Hannam, Thomas
Goldstein, John L. Heilbron, dentre tantos, outros chegaram à mesma conclusão, a ciência foi
um processo que nasceu em berço cristão medieval, graças à visão cristã baseada na razão, a
ciência encontrou um solo fértil ao seu desenvolvimento. Então colocar uma barreira entre
ciência e fé é sempre impossível.
De fato, o embate entre ciência e fé só veio a tona nos últimos anos com o crescimento do
ateísmo militante, que são ateus fanáticos e dogmáticos, mas que ganharam muito espaço na
mídia para espalhar todo seu ódio contra a religião, especialmente o cristianismo. Por ignorar
o que de fato é a ciência, a fé e toda a história do seu desenvolvimento, eles criaram essa
barreira, mas que como vimos, é absolutamente inexistente.
218
Thomas Woods, Como a Igreja Católica criou a civilização ocidental p.10
219
Ibid p.96

[Digite texto] Pá gina 102


O próprio cientista Werner Heisenberg, de ganhador do Nobel de Física de 1932 por suas
contribuições a física quântica disse: “O primeiro gole do copo de ciências naturais vai te
transformar em um ateu, mas no fundo do copo Deus está esperando por você.” 220

Como afirmei no início do capítulo, os maiores nomes da ciência que o mundo já viu eram
pessoas de fé religiosa, em sua maioria cristã. E esse embate entre fé e razão só existe na
mentalidade de quem não sabe o que é nenhum dos dois.

Para confirmar, mais um prêmio Nobel de Química, Derek Barton, fala sobre o assunto:
“Deus é a verdade. Não há incompatibilidade entre ciência e religião. Ambos estão buscando a
mesma verdade. A ciência mostra que Deus existe.” 221

Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia: “Jesus conhece nosso mundo. Ele não nos
desdenha como o deus de Aristóteles. Nós podemos falar com Ele e Ele nos responde. Embora
Ele seja uma pessoa como nós, Ele é Deus e transcende todas as coisas ” 222

Para encerrar, a própria Bíblia afirma um conceito fundamental:

Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Salmos 19:1

A luta contra escravidão

A escravidão é um tema polêmico, mas nem sempre foi visto dessa forma. Ela existe há
milênios e já foi usada por diversas culturas pelo mundo. Na própria Bíblia vemos relatos da
nação judaica e todas as outras ao redor se utilizarem dessa prática. Mas analisadas de modo
imparcial e considerando os períodos históricos ao qual pertence, a escravidão do Antigo
Testamento em comparação com as nações vizinhas era “mais humana” se assim podemos
dizer.
Um equivoco que os críticos fazem é associar a servidão do Antigo Testamento com a
escravidão moderna.

No antigo oriente a pessoa podia se vender como escravo para pagamento de uma dívida. Em
Israel, se tornar um servo voluntário era uma medida comum de prevenção à fome; a pessoa
não tinha nada a não ser ele mesmo, o que significava ou o serviço ou a morte. Enquanto a
maiorias das pessoas trabalhavam nos negócios da família, os servos contribuiriam como
trabalhadores domésticos. Contrário aos críticos, esta servidão não era muito diferente
experimentalmente de um emprego pago em uma economia monetária como a nossa. A Bíblia
também traz diversas leis sobre o tratamento desses servos, proibindo um tratamento
desumano e prometendo a libertação após certo tempo.

220
Heisenberg, as cited in Hildebrand 1988, 10
221
Barton, as cited in Margenau and Varghese 1997, 144
222
Carrel, 1952, cap. 6, Part 7

[Digite texto] Pá gina 103


Então inegavelmente a servidão perpetua era proibida, a menos que alguém amasse o chefe
da família e quisesse se unir a ele (Êxodo 21:5). Os servos – mesmo se eles não tivessem pago
suas dívidas – eram garantidos a libertação a cada sete anos com todos os débitos perdoados
(Deuteronômio 15). O status legal desses servos era singular e eles eram melhores se
comparados aos códigos legais no antigo Oriente próximo. Um estudioso escreve que “O
Hebraico não tem nenhum vocabulário de escravidão, apenas de servidão.” 223

Então vemos que a escravidão era algo comum na antiguidade, mas de acordo com a cultura
de cada povo, ela se tornava perversa ou não. Os gregos, os romanos, os persas, os indianos,
os africanos, todas foram nações escravagistas, pois acreditavam que a história era um ciclo de
dominação do forte sobre o fraco.
Com o advento do cristianismo, com os ensinos de Jesus reforçando a dignidade da condição
humana, e o estabelecimento de uma nova aliança de Deus com todo o povo, essa perspectiva
começou a mudar. Jesus rompeu barreiras socioculturais e baseadas na sua autoridade divina
e elevação moral dos seus ensinos, iniciou o que pode ser considerado o início do fim da
escravidão. Conforme se espalhava pelo império romano, a crença cristã ia moldando a
sociedade. O ponto fundamental é que o Cristianismo, ao abraçar a máxima de amar ao
próximo como a si mesmo, plantou no Ocidente as condições para que pudesse existir a
igualdade jurídica entre as pessoas, numa palavra, a liberdade, o fundamento último de todo o
sistema jurídico, político e econômico construído ao longo dos últimos dois mil anos. Sem a
mensagem salvadora de Cristo ainda estaríamos vivendo formas imperiais e/ou tribais de
organização social.

De acordo com o estudioso sociólogo Rodney Stark, alguns fatores foram essenciais na luta
contra a escravidão na Europa nos início da era cristã:
“Todas as sociedades clássicas eram escravistas - tanto Platão quanto Aristóteles eram
proprietários de escravos, assim como a maioria dos residentes livres da Grécia. De fato, todas
as sociedades conhecidas acima do nível primitivo eram sociedades escravistas - mesmo
muitas das Tribos indígenas americanas tinham escravos muito antes da viagem de Colombo.
Em meio a essa escravidão universal, apenas uma civilização rejeitou escravidão humana: a
cristandade.

E isso foi alcançado por líderes da igreja inteligentes que primeiro estenderam os sacramentos
a todos os escravos, reservando apenas ordenação ao sacerdócio. Inicialmente, as implicações
da cristianização dos escravos passaram despercebidas, mas logo o clero começou a
argumentar que nenhum verdadeiro cristão (ou judeu) deveria ser escravizado. Como os
escravos eram cristãos, os padres começaram a pedir aos donos que libertassem seus escravos
como um “ato infinitamente louvável” que ajudou a garantir sua própria salvação. Muitas
alforrias foram registradas em sobreviventes.

Logo houve outro fator de contribuição: o casamento inter-racial. O mais célebre desses
acontecimentos teve lugar no ano de 649 quando Clovis II, rei dos francos, casou com sua
escrava britânica Bathilda. Quando Clovis morreu em 657, Bathilda ficou como regente até que
seu filho mais velho atingisse a maioridade. Batilda usou sua posição para montar uma
223
J. A. Motyer, The Message of Exodus (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2005), 239.

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campanha para deter o tráfico de escravos e resgatar aqueles na escravidão. Após a sua
morte, a igreja reconheceu Bathilda como uma santa.

No final do oitavo século Carlos Magno se opôs à escravidão, enquanto o papa e muitos outros
clérigos poderosos e eficazes vozes ecoaram St. Bathilda. Quando o nono século amanheceu, o
bispo Agobard de Lyons trovejou: “Todos os homens são irmãos, todos invocam o mesmo Pai,
Deus: o escravo e o senhor, o pobre e o rico, os ignorantes e os eruditos, os fracos e os fortes,
nenhum foi criado acima do outro .[... ]não há escravo ou livre, mas em todas as coisa sempre
há somente Cristo. ” Logo, ninguém “duvidou que a escravidão em si era contra a lei divina”.
De fato, durante o século XI, tanto St. Wulfstan quanto St. Anselmo fizeram campanha com
sucesso para remover os últimos vestígios da escravidão na cristandade europeia.” 224

Como o renomado historiador Christopher Dawson confirma:

" É revelador saber que o "infame" século V foi justamente o período que presenciou, no seio
do que restara da cultura latino-cristã, o esmorecimento agudo da escravidão em massa, o fim
dos combates de morte entre gladiadores e o banimento de infanticídios, ao passo que a
"época de ouro" dos imperadores antoninos ostentara o pleno funcionamento dessas
práticas."225

O cristianismo desde o seu início desencorajou a escravização dos irmãos cristãos. Lemos em
uma das cartas de Paulo que o próprio Paulo intercedeu com um mestre chamado Filemon em
nome de seu escravo fugitivo. "Talvez seja por isso que ele se separou de você por um tempo",
diz Paulo, "para que você possa tê-lo de volta para sempre, não mais como escravo, mas como
irmão." Como pode um escravo também ser um irmão? Os cristãos começaram a ver a
situação como insustentável. A escravidão, a fundação da civilização grega e romana, secou em
toda a cristandade medieval e foi substituída pela servidão, que não era a mesma coisa.
Enquanto os escravos eram "ferramentas humanas", os servos eram seres humanos que
tinham direitos de casamento, contrato e propriedade que eram legalmente aplicáveis. O
feudalismo medieval era baseado em um sistema hierárquico de direitos e deveres recíprocos
entre senhores e servos. O claro ensinamento bíblico de que “não há judeu nem grego,
escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” 226 Derrubou as
barreiras antes existentes. Durantes as celebrações na igreja, servos e senhores sentavam-se
lado a lado para adorar o mesmo Deus e recebiam a mesma comunhão e sacramentos.

Durante as grandes navegações e a conquista do Novo Mundo, a escravidão voltou a mostrar


sua face. Essa é a fase mais conhecida e muitas vezes usada como argumento de que a Igreja
apoiava esse instrumento. Mas nada mais longe da verdade, o cristianismo foi a única força
contra a escravidão.

Como nos mostra Rodney Stark:

“ Durante a década de 1430, os espanhóis colonizaram as Ilhas Canárias e começaram a


escravizar a população nativa. Quando a palavra dessas ações chegou ao papa Eugenio IV
(1431-1447), ele emitiu uma bula, Sicut dudum. Nela, o papa não mediu palavras. Com uma
224
Rodney Stark, The Rise of Christianity p.81
225
Christopher Dawson, A Criação do Ocidente, a religião e a civilização medieval p.15
226
Gálatas 3:28

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ameaça de excomunhão, o papa deu a todos envolvidos quinze dias a partir do recebimento da
bula "para restaurar a liberdade anterior a todas as pessoas de ambos os sexos que eram
residentes da Ilhas Canárias…. Essas pessoas devem ser total e perpetuamente livres" . O Papa
Pio II (1458-64) e o Papa Sixtus IV (1471-84) seguiram com bulas adicionais condenando a
escravidão das ilhas Canárias, que, obviamente, continuaram. [...] Em 22 de abril de 1639, o
Papa Urbano VIII (1623-44), no pedido dos jesuítas do Paraguai, emitiu uma bula Commissum
nobis reafirmando a regra de "nosso antecessor Paulo III" que aqueles que reduziram os outros
à escravidão estavam sujeitos a excomunhão.

Nada de ambíguo aqui. O problema não foi que a Igreja não conseguiu condenar a escravidão;
foi que poucos ouviram e a maioria não deu bola. Nesta época, papas tiveram pouca ou
nenhuma influência sobre o espanhóis ou os portugueses, porque neste tempo a Espanha
governava boa parte da Itália, e em 1527, sob a liderança de Carlos V os espanhóis saquearam
Roma. Se o papa tinha pouca influência na Espanha e em Portugal, ele teve quase nenhuma
em suas colônias do Novo Mundo, exceto indiretamente através do trabalho das ordens
religiosas. Na verdade, era ilegal até mesmo publicar decretos papais "nas possessões coloniais
espanholas sem o consentimento real", e o rei também nomeava todos os bispos.

No entanto, a bula de Urbano VIII foi lida em público pelos jesuítas no Rio de Janeiro, com o
resultado de que manifestantes atacaram o colégio jesuíta local e feriram os sacerdotes. Em
Santos, uma turba atropelou o vigário-geral jesuíta quando ele tentou publicar uma bula, e os
jesuítas foram expulsos de São Paulo quando disseminação de seu envolvimento na obtenção
da mesma. Claramente, embora não tenha sido formalmente publicado no Novo Mundo, a
bula de Urbano VIII não era um segredo.

O que esses episódios exibem é a fraqueza da autoridade papal neste momento, não a
indiferença da Igreja ao pecado da escravidão.227”

Também em 1888, o Papa Leão XIII, na encíclica In Plurimis, dirigida aos bispos do Brasil, pediu-
lhes apoio para o Imperador D. Pedro II e a sua filha a princesa D. Isabel, na luta que estavam a
travar pela abolição definitiva da escravidão.

Vários movimentos abolicionistas também surgiram na Grã-Bretanha do século XVIII,


espalharam-se por outras partes da Europa, e depois reuniram força nos Estados Unidos, onde
a economia do Sul era fortemente dependente do trabalho escravo. Na Inglaterra, o anglicano
William Wilberforce encabeçou uma campanha que começou com quase nenhum apoio e foi
impulsionada inteiramente por suas convicções cristãs. Eventualmente, Wilberforce triunfou e,
em 1833, a escravidão foi proibida na Grã-Bretanha. Pressionada por grupos religiosos em
casa, a Inglaterra assumiu a liderança na repressão ao tráfico de escravos no exterior.

O debate sobre a escravidão na América foi essencialmente um debate religioso. Todos os


lados reivindicaram a autoridade da Bíblia e da tradição cristã. Os proprietários de escravos
invocaram Paulo e apontaram para o fato de que a escravidão existia nos países cristãos desde
a época de Cristo. Negros livres que agitavam pela emancipação de seus companheiros negros
invocavam a narrativa da libertação no Livro do Êxodo, na qual Moisés levava os israelitas
cativos à liberdade.
227
Bearing False Witness, Debunking Centuries of Anti-Catholic History, Rodney Stark p.159-161

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Os Quakers foram um dos primeiros grupos na América a se opor à escravidão, e os cristãos
evangélicos logo a seguiram. Esses grupos deram uma interpretação política à noção bíblica de
que todos são iguais aos olhos de Deus. A partir dessa verdade espiritual, eles derivaram uma
proposição política: porque os seres humanos são iguais aos olhos de Deus, nenhum homem
tem o direito de governar outro sem o seu consentimento. Essa doutrina é a raiz moral do
abolicionismo e da democracia. Não foram os filósofos e intelectuais seculares que elaboraram
a condenação moral da escravidão, mas homens e mulheres de intensa fé cristã, que viam a
escravidão como um grave pecado.

A música

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Capítulo 8 - As incoerências das ideologias modernas.

Vamos falar das ideologias modernas. Mas o que é ideologia?

Segundo Russel Kirk, em seu livro A Política da Prudência:

" Ideologia não significa teoria política ou princípio, embora muitos jornalistas e alguns
professores, comumente, empreguem o termo nesse sentido. Ideologia realmente significa
fanatismo político - e, mais precisamente, a crença de que este mundo pode ser convertido
num paraíso terrestre pela ação da lei positiva e do planejamento seguro.

O ideólogo - comunista, nazista, ou de qualquer afiliação - sustenta que a natureza humana e a


sociedade devem ser aperfeiçoadas por meios mundanos, seculares, embora tais meios
impliquem numa violenta revolução social. O ideólogo imanentiza símbolos religiosos e inverte
as doutrinas da religião. O que a religião promete ao fiel num esfera além do espaço e do
tempo, a ideologia promete a todos na sociedade - exceto aos que forem "liquidados" no
processo.[...] A ideologia oferece uma imitação de religião e uma filosofia fraudulenta,
confortando, dessa forma, aqueles que perderam, ou que nunca tiveram uma fé religiosa
genuína e aqueles que não possuem inteligência suficiente para aprender filosofia de verdade.

A razão fundamental porque devemos francamente nos opor a ideologia, é que a ideologia é
contrária a verdade, nega a possibilidade da verdade na política ou em qualquer outro campo,
pondo motivos econômicos e interesses de classe no lugar de normas permanentes. A ideologia
nega até a consciência e o poder de decisão dos seres humanos (...). A ideologia pode atrair os
entediados da classe culta, que se desligaram da religião e da comunidade, e que desejam
exercer o poder. A ideologia pode encantar jovens, parcamente educados, que, em sua solidão,
se mostram prontos a projetar um entusiasmo latente em qualquer causa excitante e violenta.
E as promessas dos ideólogos pode arregimentar seguidores dentre os grupos sociais postos
contra a parede, ainda que tais recrutas possam não entender quase nada das doutrinas dos
ideólogos.(...) A ideologia é a política da irracionalidade apaixonada." 228

Toda ideologia é uma cosmovisão, mas nem toda cosmovisão é uma ideologia. Negando
constantemente tudo que se opõe a suas crenças, os ideólogos sempre acabam descambando
num autoritarismo. Prometem salvar o mundo, mas mal dão conta de si mesmos. As ideologias
acabam sendo uma religião sem Deus, uma forma secular e moderna de cultos e dogmas.

Marxismo

228
Russell Kirk, A Politica da Prudência

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O marxismo não é apenas política e economia. E também uma cosmovisão, uma maneira de
encarar e explicar o mundo. Assim sendo, o marxismo abarca filosofia e religião, embora
paradoxal e vigorosamente afirme o ateísmo e despreze a filosofia. O marxismo tem por base
o materialismo, que é a completa negação do sobrenatural. Para Marx, a eliminação da religião
era parte integrante do seu sistema político. Ele a classificou como "ópio do povo".

Segundo o marxismo, há no Universo inteiro um estado de oposição, de sorte que tudo o que
há no mundo é fruto de forças que se opõem. Exemplo: a morte se opõe à vida, o bem ao mal,
etc. É este conflito que dá dinamismo à vida. Em tudo há sempre duas forças que se opõem; a
força principal chama-se “tese”, e a secundária que reage chama-se “antítese”. Na luta entre
as duas, a tese prevalece e vence a antítese. A isto o marxismo chama “ponto crítico”. O ponto
crítico transforma a quantidade em qualidade, resultando daí a “síntese”.

O marxismo aplica a guerra de classes à humanidade, observando o seguinte raciocínio: A


humanidade está dividida em duas forças que se opõem: operários e patrões ou chefes e
subordinados. O operário é a força chamada “tese”; enquanto os patrões são a força
reacionária, a “antítese”. Há guerra eterna entre estas duas classes. O resultado final será a
tese vencer a antítese, isto é, a classe trabalhista destruir o sistema capitalista.

Marx também era a favor da abolição da propriedade privada e dos valores familiares, que
para ele era apenas um valor burguês ultrapassado, que através da religião, perpetuava o
poder dos ricos sobre os pobres.

O líder comunista soviético Nikolai Lênin mostrou que havia aprendido muito bem com seu
mestre, Marx, quando o desprezo que nutria para com a religião e as pessoas religiosas
produziu atrocidades impublicáveis contra milhares de pessoas inocentes, cuja única culpa era
crerem em Deus. Lênin escreveu:

“Cada ideia religiosa, cada ideia de Deus, cada namorico com a ideia de deus é de uma vileza
indizível... Qualquer pessoa que passa a crer em deus, ou que até mesmo tolere a ideia de que
se creia em um deus, está se rebaixando da pior maneira possível “229

Uma aceitação total das ideias de Marx de materialismo dialético e teorias de luta de classes
conduz inexoravelmente à negação do valor do ser humano como indivíduo. A história e seu
progresso rumo à perfeição constituem o deus marxista. Na luta pela sociedade sem classes,
deve-se eliminar aqueles que estão no meio do caminho. O materialismo absoluto conduz a
uma forma de totalitarismo prático. Conforme Thomas O. Kay adverte:

“ Caso não haja Deus nem qualquer absoluto fora da existência da matéria, então não existe
qualquer fonte de verdade eterna, permanente e absoluta, sobre a qual se possa basear um
sistema objetivo de lei e ordem. Tudo se toma relativo ao tempo e ao locaL O que é útil passa a
ser o bem e a verdade. Em si mesma a matéria é incapaz de oferecer esse absoluto por estarem
constante transformação.

Visto que não existe alma alguma e visto que toda bondade e verdade são relativas ao tempo e
ao espaço, conclui-se que não pode existir qualquer valor permanente atribuído ao homem
229
LÊNIN, Nikolai. Selected Works (Obras Escolhidas). Londres: Lawrence and Wishart, 1939, v. 40, p.
675, 676).

[Digite texto] Pá gina 109


como um indivíduo. Ele não possui qualquer valor em si mesmo. Isso toma o homem uma
ferramenta do ambiente em que vive. Além do mais, leva-o a estar sujeito ao grupo. Num
determinado momento o bem do grupo passa a dominar tudo. Dessa forma o indivíduo pode
ser sacrificado para o bem do grupo.

£ a esta altura que logo se percebe a relação existente entre materialismo e totalitarismo. O
totalitarismo baseia-se na pressuposição de que o indivíduo tem pouca ou nenhuma
importância e de que se pode tornar sua vontade escrava da vontade de um outro indivíduo,
de um grupo ou estado.”230

Tal totalitarismo nega o valor e a liberdade do indivíduo e remove o cerne da mensagem do


evangelho. Para Deus o indivíduo é tão importante que Deus enviou o Seu Filho unigénito para
morrer pelos nossos pecados, para que numa base individual, sejamos reconciliados à
comunhão com Deus. Marx procurou elevar o homem, mas seu sistema só serviu para rebaixar
o indivíduo. Não existe chance de conciliação entre o marxismo e cristianismo. O combustível
marxista é o ódio para a revolução. Além dos erros econômicos que inviabilizam sua aplicação,
a teoria marxista contradiz toda a Palavra de Deus, ignora o conceito de pecado, a liberdade
individual, a propriedade privadas, os direitos básico e despreza o próximo com base na sua
classe social.

O marxismo elimina Deus, mas se utiliza de simbologias religiosas, é classificado como uma
religião secular, que promete o paraíso celeste aqui na terra através dos seus métodos e
esforços, nem que para isso, milhares de pessoas tenham que perecer. E foi exatamente isso
que aconteceu por todo o mundo onde a teoria de Marx foram postas em prática, terror,
totalitarismo e milhões de mortes em nome do paraíso terreno marxista.

230
O. KAY, op. cif., p. 92 Citado por Josh MacDowell, Entendendo as religiões Seculares

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Capítulo 10 – Quem precisa de Deus?
O vazio do homem sem deus

Taxas de suicídio, secularização

Sentido da vida em Deus

Nossa sociedade está doente, isso não é segredo mais para ninguém, após anos levando a
cabo ideologias que prometiam libertar o homem das suas amarradas religiosas, como
Nietzsche, Freud, Karl Marx e seus seguidores se propuseram a fazer, atingimos o resultado
disso. Adoecemos brutalmente!

Ao "matar Deus", o homem perdeu seu absoluto, a noção de transcendência que sempre
esteve presente e passou a divinizar coisas materiais, como dinheiro, sexo e o trabalho. Não
que essas coisas sejam ruins em si, mas como afirma o bispo Fulton Sheen: Uma vez perdido
Deus, perdem os homens a finalidade da vida e quando se esquece a finalidade da vida, torna-
se o universo sem significação. Tenta então o homem esquecer seu vazio pela intensidade da
experiência do momento. " 231

O mundo se tornou cada vez mais secular e materialista ao longo do tempo. O capitalismo
melhorou a vida de milhões de pessoas, isso é fato. Após a revolução industrial, com a maior
oferta de alimento a população, a taxa de natalidade aumentou e a vida começou aos poucos a
melhorar. A crença no progresso foi inevitável. Com o passar dos séculos a vida melhorou
consideravelmente, e hoje temos melhor qualidade de vida e acesso a coisas que nem os mais
poderosos reis tiveram. As dificuldades da vida diminuíram consideravelmente, fazendo o ser
humano focar em se deleitar nos prazeres que a vida proporciona. Isso me fez lembrar o
provérbio bíblico: "não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha
porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é
o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão." 232

231
Fulton Sheen, Angústia e Paz p.10
232
Provérbios 30:8,9

[Digite texto] Pá gina 111


A crença no progresso junto com as ideologias que daí surgiram foram afastando o homem de
Deus, e ao se esvaziar da presença divina, o homem buscou se preencher com outras coisas na
busca pela felicidade. Mas aquilo que não possui raízes, não se mantém de pé por muito
tempo.

Foi um erro fatal crer que o progresso andava ao lado da felicidade. Sempre foi um erro do ser
humano atrelar seu conforto material com a felicidade e a paz da alma.

Hoje, com um "clique" pedimos todo tipo de comida, somos transportados de um lugar ao
outro, nos comunicamos com o outro lado do mundo, aprendemos sobre qualquer coisa e etc.
Nunca na história do mundo o tivemos um acesso tão fácil ao entretenimento, ao sexo, e a
todo tipo de prazer e facilidade que o mundo pode oferecer. Mas nunca na história do mundo
o homem se sentiu tão triste, vazio e incompleto. E isso tem gerado consequências drásticas
na sociedade.

Segundo dados da Anvisa, o consumo brasileiro do princípio ativo do Rivotril, o clonazepam,


em 2007 era de 29 mil caixas por ano. Em 2015, este número atingiu os 23 milhões.

Um estudo de 2015 da OMS (Organização Mundial da Saúde), estimou que mais de 300
milhões de pessoas no mundo tenham depressão, um aumento de 18% comparado ao estudo
de 2005.233

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, o suicídio foi a 10ª principal
causa de morte nos Estados Unidos em 2016, tirando a vida de quase 45.000 pessoas, sendo
mais que o dobro do número de homicídios (19.362). Sendo os homens as maiores vítimas,
com número 3 vezes maior que o das mulheres. E para cada suicídio realizado, há cerca de 25
tentativas.234

Segundo a OMS, o suicídio é uma das três principais causas de morte entre pessoas de 15 a 44
anos em todo o mundo, e é a causa de quase um milhão de mortes a cada ano em pessoas de
todas as idades.235

Sendo que pode ser comum pensar que nos países mais pobres a taxa de suicídio é maior
devido às dificuldades econômicas. Mas essa regra não se aplica. Derrubando o mito popular,
dinheiro e felicidade não andam juntos.

Em relatórios recentes, a Coréia do Sul, Bélgica e França possuem uma taxa de suicídio por 100
mil habitantes maior do que Serra Leoa, Laos e Camboja, países que se encontram entre os
mais pobres do mundo.236

Esses dados são assustadores, e mostram que ao contrário da expectativa materialista, o


progresso tecnológico e o aumento na qualidade de vida não trouxe a felicidade esperada.

233
http://www.who.int/en/news-room/detail/30-03-2017--depression-let-s-talk-says-who-as-
depression-tops-list-of-causes-of-ill-health
234
https://www.nimh.nih.gov/health/statistics/suicide.shtml
235
World Health Organization, The Global Burden of Disease: 2004
236
http://worldpopulationreview.com/countries/suicide-rate-by-country/

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Nós temos vivido como se a civilização, a cultura e o bem-estar fossem produtos apenas de
atividades econômicas, e não ao contrário. A economia, a civilização e a cultura precisam estar
subordinadas a valores morais e espirituais sólidos, senão morrerá. Como nos apresenta em
seu estudo o antropólogo britânico J.D. Unwin, ele estudou oitenta e seis culturas civilizadas e
incivilizadas, abrangendo um período de cinco mil anos e encontrou que as culturas mais
prósperas eram aquelas que mantinham uma forte ética matrimonial. 237

E o historiador Arnold Toynbee revela nas suas pesquisas que, das 21 civilizações que
desapareceram, 16 se extinguiram em decadência da virtude interior. 238

Se analisarmos os dados e comparar com a sociedade de hoje, o que vemos? Que com certeza
não iremos durar muito. O relativismo moral que o mundo moderno está mergulhando será
uma experiência derradeira na história, poderá ser sua primeira e única tentativa.

O afastamento de Deus foi um afastamento de si mesmo. Tudo que chamamos de história


humana, é a terrível e longa tentativa do homem de descobrir a felicidade em outra coisa que
não Deus. Impérios já surgiram, classes dominaram, revoluções aconteceram, guerras
destruíram, acordos foram firmados, mas algo sempre deu errado.

Por quê? Por que a tão sonhada felicidade não chegou se vivemos os "tempos áureos" do
progresso e tecnologia?

C.S Lewis faz uma interessante analogia "A razão pela qual essa tentativa não pode ser bem-
sucedida é a seguinte: Deus nos criou como um homem inventa uma máquina. Um carro é feito
para ser movido a gasolina. Deus concebeu a máquina humana para ser movida por ele
mesmo. O próprio Deus é o combustível que nosso espírito deve queimar, ou o alimento do
qual deve se alimentar. Não existe outro combustível, outro alimento. Esse é o motivo pelo
qual não podemos pedir que Deus nos faça felizes e ao mesmo tempo não dar a mínima para a
religião. Deus não pode nos dar uma paz e uma felicidade distintas dele mesmo, porque fora
dele elas não se encontram. Tal coisa não existe." 239

A verdadeira felicidade só pode vir de algo absoluto, transcendente e fonte de todo bem,
Deus. Como diz Santo Agostinho em suas Confissões: " fizeste-nos para ti, e inquieto está o
nosso coração, enquanto não repousar em ti."240

237
Joseph Daniel Unwin, Sex and Culture (London: Oxford University Press, 1934).
238
Arnold J. Toynbee, A Study of History
239
C.S Lewis, Cristianismo Puro e Simples p.44
240
Santo Agostinho, Confissões p. 18

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Capítulo 11 – As seitas e suas heresias.
Nesse capítulo iremos abordar as seitas e seus ensinamentos heréticos. Mas o que é
considerado uma heresia? A heresia é a negação do que é essencial para a salvação, aquilo que
no fim descaracteriza por completo um sólido ensinamento bíblico.

As seitas tem espalhado seus erros heréticos e conseguido ganhar a atenção de muitas pessoas
desiludidas com a fé, que por despreparo intelectual aliado ao desamparo emocional, são
seduzidas pelo engano. O apóstolo Paulo já nos advertira: " Pois virá o tempo em que não
suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus
próprios desejos juntarão mestres para si mesmos." 2 Timóteo 4:3

Vamos tentar de um modo breve e preciso analisar as principais seitas que temos hoje e
demostrar seus erros, e como eles são incompatíveis com o cristianismo.

[Digite texto] Pá gina 114


Espiritismo

O espiritismo é, sem dúvida, uma das heresias que mais cresce no mundo hoje. O Brasil,
particularmente, detém o triste recorde de ser o maior reduto espiritista do mundo. O seu
crescimento se dá, em grande parte, devido ao fascínio que os seus ensinos exercem sobre as
mentes de pessoas desprovidas do verdadeiro conhecimento, e alienadas de Deus. Alheio a
Palavra de Deus, e divorciado de toda a verdade, o espiritismo tem se constituído numa
espécie de “profundezas de Satanás”, pronto a tragar pessoas incautas que estão a buscar a
Deus em todos os lugares e por todos os meios.

Allan Kardec é a principal dos arraiais espiritistas. Léon Hippolyte Rivail (o verdadeiro nome de
Allan Kardec), nascido em Lyon na França, em 1804, filho de um advogado, tomou o
pseudônimo de Allan Kardec por acreditar ser ela a reencarnação de um poeta celta com esse
nome. Dizia Ter recebido a missão de pregar uma nova religião, o que começou a fazer a 30 de
abril de 1856. Um ano depois, publicou o Livro dos Espíritos, que muito contribuiu na
propaganda espiritista.

Notabilizou-se por introduzir no espiritismo a ideia da reencarnação. De 1861 a 1867, publicou


quatro livros: Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, Céu e Inferno e Gênesis.

Ao contrário de outras religiões que usam a Bíblia como regra de fé, e que, portanto, podem
ser facilmente refutadas por meio dela, os espíritas não consideram a Bíblia como fonte de fé e
doutrina, senão como um livro qualquer, com um ou outro ensinamento valioso, mas sem
qualquer qualidade doutrinária. Mas curiosamente, por algumas vezes eles se valem de
“argumentos bíblicos” para embasar alguns de seus ensinamentos.

Ou seja, quando a Bíblia afirma algo que eles não gostam, eles rejeitam, mas quando esta
mesma Bíblia declara algo que lhes parece favorecê-los, então eles aceitam. Isso não somente
é um engano, mas é também desleal, pois não aceitam um debate honesto sobre as Escrituras,
mas usufruem dela quando lhes é conveniente. Eles também quando são contrariados pelas
palavras das Escrituras, apelam para o argumento que “adulteraram a Bíblia” e usam o mesmo
discurso do ateu nesse ataque infundado, curioso é que nunca mostram onde está a
adulteração e como eles podem provar o contrário. Mas sobre a confiabilidade histórica da
Bíblia pudemos analisar no capítulo 3 e ver que essas acusações são sem sentido.

Eles costumam confundir a cabeça das pessoas menos preparadas para resistir as suas
artimanhas, pois acabam usando a figura de Jesus e seu apelo a caridade como fonte de sua
doutrina, sempre de maneira conveniente misturam as palavras de Jesus, as orações e o que é
ensinado na Bíblia com suas doutrinas distorcidas.

Mas não é difícil desmascarar os seus erros:

[Digite texto] Pá gina 115


Incoerências sobre a Bíblia

Sabemos que a Bíblia registra vários milagres operados por Jesus, inclusive ressurreições: A
ressurreição da filha de Jairo (Mc. 5:21-43), a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc. 7: 11-
17) e a ressurreição de Lázaro (Jo. 11). Mas, segundo Allan Kardec, é impossível fazer um
morto reviver e que, portanto, Jesus não ressuscitou ninguém. Kardec afirma que a filha de
Jairo, o filho da viúva de Naim e Lázaro, não estavam mortos, mas apenas em letargia ou
síncope; e que, portanto, eles foram curados, não ressuscitados.241 Allan Kardec claramente
destitui Jesus de seu poder e divindade ao negar seus milagres, e se colocar acima das
testemunhas oculares que relataram esses eventos. Allan Kardec tentou provar ainda, que
Jesus não transformou água em vinho, nem tampouco multiplicou pães e peixes.

A Reencarnação

A teoria da reencarnação se constitui no cerne de toda a discussão espiritista. Destruída esta


teoria, o espiritismo não poderá subsistir. Sobre este assunto, escreveu Allan Kardec: “A
reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição… A reencarnação é
à volta da alma, ou espírito, à vida corporal, mas em outro corpo novamente formado para ele
que nada tem de comum com o antigo” 242

A doutrina da reencarnação é comum a vários sistemas religiosos, todos de fundo gnóstico. Ela
provém de um erro a respeito do problema do mal e da justiça divina. Os reencarnacionistas
defendem a tese de que cada pessoa teria várias vidas, e se reencarnaria para pagar os
pecados de uma vida anterior. Desse modo, cada vida nos seria concedida para expiar erros,
que não conhecemos, de uma vida que teríamos tido. Cada reencarnação seria um castigo
pelos males que praticamos em vidas anteriores. Não haveria inferno. O castigo do homem
seria viver neste mundo material, e não tornar-se puro espírito. Para os reencarnacionistas, "o
inferno é aqui".

Entretanto, essa teoria apresenta falhas lógicas, históricas e teológicas.

Se a alma humana se reencarna para pagar os pecados cometidos numa vida anterior, deve-se
considerar a vida como uma punição, e não um bem em si. Ora, se a vida fosse um castigo,
ansiaríamos por deixá-la, visto que todo homem quer que seu castigo acabe logo.

Se a alma se reencarna para pagar os pecados de uma vida anterior, dever-se-ia perguntar
quando se iniciou esta série de reencarnações. Onde estava o homem quando pecou pela
primeira vez? Tinha ele então corpo? Ou era puro espírito? Se tinha corpo, então já estava
sendo castigado. Onde pecara antes? Só poderia ter pecado quando ainda era puro espírito.
Como foi esse pecado? Era então o homem parte da divindade? Como poderia ter havido
pecado em Deus? Se não era parte da divindade, o que era então o homem antes de ter
corpo? Era anjo? Mas o anjo não é uma alma humana sem corpo. O anjo é um ser de natureza
diversa da humana. Que era o espírito humano quando teria pecado essa primeira vez?

241
Gênese. Federação Espírita Brasileira, 35ª edição, capítulo XV, páginas
331-334
242
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec

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Se a reencarnação fosse verdadeira, com o passar dos séculos haveria necessariamente uma
diminuição dos seres humanos, pois que, à medida que se aperfeiçoassem, deixariam de se
reencarnar. No limite, a humanidade estaria caminhando para a extinção. Ora, tal não
acontece. Pelo contrário, a humanidade está crescendo em número. Logo, não existe a
reencarnação.

Respondem os espíritas que Deus estaria criando continuamente novos espíritos. Mas então,
esse Deus criaria sempre novos espíritos em pecado, que precisariam sempre se reencarnar.
Jamais cria ele espíritos perfeitos?

A reencarnação causa uma destruição da caridade. Se uma pessoa nasce em certa situação de
necessidade, doente, ou em situação social inferior ou nociva -- como escrava, por exemplo,
ou pária – nada se deveria fazer para ajudá-la, porque propiciar-lhe qualquer auxílio seria, de
fato, burlar a justiça divina que determinou que ela nascesse em tal situação como justo
castigo de seus pecados numa vida anterior. É por isso que na Índia, país em que se crê
normalmente na reencarnação, praticamente ninguém se preocupa em auxiliar os infelizes
párias. A reencarnação destrói a caridade.

Se reencarnamos para expiar pecados de vidas anteriores e progredir rumo a perfeição,


porque não vemos o mundo melhorar? O século XX morreram mais pessoas assassinadas do
que todos os outros 19 séculos somados, isso contraria completamente a visão do espiritismo
de “progresso das almas”.

Se a reencarnação fosse verdadeira, o homem seria salvador de si mesmo, porque ele mesmo
pagaria suficientemente suas faltas por meio de reencarnações sucessivas. Se fosse assim,
Cristo não seria o Redentor do homem. O sacrifício do Calvário seria nulo e sem sentido. Cada
um salvar-se-ia por si mesmo. O homem seria o redentor de si mesmo. Essa é uma tese
fundamental da Gnose.

Da perspectiva histórica, os espíritas gostam de afirmar que a reencarnação era uma doutrina
da igreja cristã primitiva, mas que foi modificada no Concílio de Constantinopla em 553 d.C. Se
utilizando de trechos das ideias do teólogo antigo Orígenes, eles afirmam que a reencarnação
foi suprimida por motivos políticos durante o concílio.

Cabe aqui uma pergunta oportuna: onde estão as provas para tal assertiva? Nenhuma fonte
histórica nunca é citada, nem nenhum historiador sequer confirma esse absurdo. Além do que,
nos ensinamentos do próprio Jesus não há o menor indício de ensino reencarnacionista, como
veremos mais a frente.

Mas primeiro, quem foi Orígenes e no que ele cria?

Orígenes (185-254) foi mestre de famosa Escola de Teologia em Alexandria (Egito) no séc. III.
Nessa época, os pensadores cristãos tentavam penetrar nos dados do Evangelho mediante o
instrumento da filosofia ou da sabedoria humana (grega) anterior a Cristo. A teologia ainda
estava em seus primórdios; as fórmulas oficiais da fé da Igreja eram então muito concisas; em
consequência, ficava margem assaz ampla para que o estudioso propusesse sentenças
destinadas a elucidar, na medida do possível, os artigos da fé. Orígenes entregou-se a essa
tarefa, servindo-se da filosofia do seu tempo e, em particular, da filosofia platônica. Ao realizar

[Digite texto] Pá gina 117


isso, Orígenes fazia questão de distinguir explicitamente entre proposições de fé, pertencentes
ao patrimônio da Revelação cristã, e proposições hipotéticas, que ele formulava em seu nome
pessoal, à guisa de sugestões. Note-se bem, muitas das ideias que Orígenes propunha eram
hipóteses, apenas discussão especulativa de teorias filosóficas, como a preexistência das
almas, o que não tem nada a ver com reencarnação. Mas o problema foi que os seguidores de
Orígenes tomaram essas ideias especulativas e transformaram em “dogmas” de sua escola de
pensamento.

Orígenes na verdade chegou a refutar veementemente as ideias reencarnacionistas de um tal


Basilídes que pretendeu basear-se para tal nas palavras de Paulo, “vivi outrora sem lei” (Rm
7:9). Ele chegou a chamar tal doutrina de “fábulas ineptas e ímpias”.243

De fato, há um capítulo do seu “Comentários sobre o Evangelho de Mateus” [Livro XIII, cap. 1]
no qual ele analisa a doutrina da “transmigração das almas” [a reencarnação espírita] aplicada
ao caso de João Batista e Elias [clássico “exemplo” de reencarnação que os espíritas gostam de
inventar nos Evangelhos] e a rechaça absolutamente. “ Mas agora, de acordo com as nossas
habilidades, vamos investigar também as coisas que estão contidas aqui [na passagem onde
Nosso Senhor fala que São João Batista é o Elias que há de vir – Mt 17,10]. Aqui não me parece
que, por “Elias”, se esteja falando da alma dele, uma vez que isto seria cair no dogma da
transmigração, que é estranho à Igreja de Deus, jamais ensinado pelos Apóstolos e nunca
encontrado em lugar nenhum das Escrituras.” 244

Foram as doutrinas dos seguidores de Orígenes chamaram a atenção das autoridades da


Igreja. Em 543, o Patriarca Menas de Constantinopla redigiu e promulgou quinze anátemas
contra Origenes e seus seguidores, o Papa da época, Vigílio (537-555) e os demais Patriarcas da
cristandade deram a sua aprovação a esses artigos, endossando a condenação da heresia.

Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido em
543, e não pelo Concílio ecumênico de Constantinopla II, o qual só se realizou em 553. Neste
Concílio ecumênico, a questão da pré-existência e da sorte póstuma das almas humanas não
voltou à baila; verdade é que Orígenes aí foi condenado juntamente com outros escritores
cristãos por causa de erros concernentes a Cristo. 245

Do ponto de vista teológico, a reencarnação é refutada por todos os lados. Comecemos pelos
pais da igreja. Para quem não conhece, os pais da igreja ocuparam a liderança da igreja
primitiva após da morte dos apóstolos. Clemente de Roma, no ano de 95 d.C escreve a igreja
de Corinto: “Ela consiste na fé nele e no amor por ele, no seu sofrimento e ressurreição.”
“...mas estejais convencidos do nascimento, da paixão e da ressurreição que aconteceram sob
o governo de Pôncio Pilatos...”

“Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor
Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus...” 246

243
Orígenes, Tratado dos primeiros princípios.
244
Orígenes, Comentário ao evangelho de Mateus, Livro XIII, cap. 1
245
Denzinger, Source of Catholic Dogma.
246
Patrística vol. 1 - Padres Apostólicos, Clemente de Roma

[Digite texto] Pá gina 118


Inácio de Antioquia, foi discípulo do apóstolo João, no ano de 107 escreveu uma séria de cartas
a várias igrejas na Ásia menor, falando sobre outras coisas, da ressurreição:

“vivendo física e espiritualmente na paz, por meio da paixão de Jesus Cristo, nossa esperança
de ressuscitar para ele...”

“Ele realmente ressuscitou dos mortos, pois o seu Pai o ressuscitou, e da mesma forma o seu
Pai ressuscitará em Jesus Cristo também a nós, que nele cremos e sem o qual não temos a
verdadeira vida.”247

Policarpo de Esmirna, outro discípulo do apóstolo João escrevendo ainda no primeiro século:

“ Aquele que o ressuscitou dos mortos também nos ressuscitará, se fizermos a sua vontade, se
caminharmos em seus mandamentos...”248

Como pode um espírita ter coragem de dizer que a crença do cristianismo primitiva era a
reencarnação? Clemente, Inácio e Policarpo são cristãos do primeiro século, conheceram
pessoalmente os apóstolos de Jesus e deles aprenderam as doutrinas, e posteriormente
viraram bispos das igrejas de suas comunidades. Nunca o ensino da reencarnação fez parte do
ensino cristão.

Como já foi afirmado, os espíritas não creem na Bíblia, apenas quando convém, mas mesmo
assim vamos mostrar que não há nada na Escritura sobre reencarnação.

O ensino de Jesus sobre o inferno é claro, na verdade Jesus falou mais vezes sobre o inferno
que sobre o Céu.

“É melhor entrar no Reino de Deus com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no
inferno, onde" 'o seu verme não morre, e o fogo não se apaga'. “ 249

Os reencarnacionistas, com uma unanimidade rara, rejeitam decididamente a tradicional


doutrina cristã sobre o inferno. É a razão por que Allan Kardec, num texto expressivo declara
que: “ O dogma da eternidade absoluta das penas é incompatível com o progresso das almas,
ao qual opõe uma barreira insuperável. Esses dois princípios (a eternidade do inferno e o
constante progresso das almas) destroem-se, e a condição indeclinável de existência de um é o
aniquilamento do outro.”250

O dilema proposto é claro e incisivo: ou admitimos a lei do progresso (e, portanto, a


reencarnação), ou admitimos o dogma da eternidade do inferno, os dois são mutuamente
excludentes. Se após a morte reencarnamos para continuar a "pagar pecados" de outras vidas,
o inferno é desnecessário.

247
Patrística vol. 1 - Padres Apostólicos, Inácio de Antióquia
248
Patrística vol. 1 - Padres Apostólicos, Policarpo
249
Marcos 9:43-48

250
Allan Kardec, O céu e o inferno (trad. de Manuel Justiniano Quintão), 61.ª ed

[Digite texto] Pá gina 119


Seria realmente prolixo citar aqui todos os textos dos quatro evangelhos que os evangelistas
colocam na boca do Divino Mestre e que nos falam da possibilidade de uma condenação
“eterna” (cf. Mt 5, 29; 8, 12; 13,50; 22, 13; 25, 30.41; Mc 3, 29; Lc 16, 19-31).

Ressalto apenas que Cristo, de fato, não podia usar de palavras mais evidentes e incisivas para
nos ensinar a existência e a eternidade do inferno. Pois, em quase cada sermão que fazia,
Jesus apontava para os tremendos castigos depois da morte. Basta lembrar que, no juízo final,
a sentença definitiva do Divino Juiz sobre os maus será: “Apartai-vos de mim, malditos, para o
fogo eterno preparado para o diabo e para seus anjos” (Mt 25, 46); e Jesus acrescenta que
“estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.

Portanto, negar a doutrina sobre o inferno é negar as palavras do próprio Cristo.

Outra implicação teológica gravíssima com a reencarnação é sobre a expiação de pecados com
a morte de Jesus. Se reencarnamos para progredir espiritualmente, a morte de Cristo é
totalmente vã, se ele não era o “Cordeiro de Deus” para expiar os pecados, como profetizado
pelo Antigo Testamento e confirmado pela sua morte e ressureição, então ele mesmo mentiu.

Se podemos salvar a nós mesmos através de sucessivas reencarnações, não precisamos de


nenhum salvador. Os espíritas rejeitam completamente a Cristo e negam seu sacrifício e
ressurreição. Inclusive acabam o tendo como completo mentiroso negando palavras de sua
própria boca.

Mais um erro clássico dos espíritas é dizer que João Batista foi a reencarnação de Elias.

João Batista disse abertamente, sobre essa questão, quando lhe perguntaram: “És tu Elias?”,
ele respondeu desembaraçadamente: “NÃO SOU” (João 1:21). Parece que, se a reencarnação
existe, João Batista foi um dos que nunca creu nela.

Quando Jesus fez esta comparação, eles tinham acabado de ver Elias e Moisés no monte da
transfiguração. Se Elias fosse João Batista reencarnado os espíritas entrariam em contradição
com sua própria doutrina, veja:

João nesta altura já havia sido decapitado por Herodes, portanto estava morto. Ora, o próprio
Kardec afirmou que “a reencarnação é a volta da alma à vida corpórea, mas em outro corpo
especialmente formado para ela e que nada tem de comum com o antigo”. Como então, João
Batista, apareceu no velho corpo na transfiguração? Não teria ele que aparecer (de acordo
com a doutrina espírita) com o atual, da ultima reencarnação, isto é, com o corpo de João e
não de Elias?

Ainda, segundo a doutrina espírita, o tal espírito se reencarna para purgar suas faltas do
passado para progredir até ser espírito puro. Diz Kardec: “Toda a falta cometida, todo o mal
praticado é uma dívida contraída que deverá ser paga.” 251 Certamente, Elias mesmo sendo um
profeta de Deus, tendo intimidade com Ele, parece que não havia progredido muito, visto que
passou novamente pelas mesmas “provas” (como João Batista) para “limpar” seu suposto
“carma” do passado. A Bíblia diz categoricamente que “Está ordenado ao homem morrer uma

251
Allan Kardec, O Céu e o Inferno, pág. 88

[Digite texto] Pá gina 120


só vez vindo depois disto o juízo” 252. Não existem várias mortes, mas uma só. Demais disso,
alguns judeus criam que João Batista fosse Elias ressuscitado, não reencarnado.

Se a reencarnação é o ato ou efeito de reencarnar, pluralidade de existência com um só


espírito, é evidente que um vivo não pode ser reencarnação de alguém que não morreu. Fica
claro assim que João não era Elias já que Elias NÃO MORREU, como erroneamente quer fazer
entender e com muita dificuldade nosso amigo espírita, tendo sido arrebatado vivo para Deus
(II Rs. 2:11).

Então porque Jesus disse que João era o Elias que havia de vir? Não precisamos recorrer à
fantasiosa doutrina reencarnacionista para explicar esse ponto.

João Batista iria adiante de Jesus no ESPIRITO E PODER de Elias e não que seria Elias
reencarnado. (Lucas 1:17); Isto tem a ver com o ministério de ambos e não com reencarnação
dos espíritos. Se seguirmos esta linha de pensamento, teremos de admitir que Elizeu e não
João Batista era a reencarnação de Elias, pois diz a Bíblia que “Vendo-o, pois, os filhos dos
profetas que estavam defronte dele em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre
Eliseu” (2 Reis 9:15). Mas um não poderia ser a reencarnação do outro, pois ambos viveram ao
mesmo tempo.

Poderia apresentar ainda mais argumentação tanto histórica quanto teológica mostrando que
o espiritismo é uma fraude. No O livro negro do espiritismo, de Frei Boa Ventura são
apresentados provas de várias sessões espiritas sendo manipuladas para impressionar as
pessoas e as convencer de “atos paranormais”. Como segue: "Muitos (médiuns)" têm sido
desmascarados em plena sessão; alguns já foram colhidos nas malhas de ruidosos processos" 253

Flammarion escreveu: "Posso dizer que nestes quarenta anos quase todos os médiuns célebres
passaram pelo meu salão - e a quase todos surpreendi em fraude"254

“Eis ai a mais importante das "manifestações" que consegui presenciar, em toda a minha série
de visitas a "sessões espíritas", e praticadas por um dos mais conceituados médiuns do Rio de
Janeiro. Pura e completa mistificação!”

Há muito mais a dizer sobre os erros espíritas, que de fato são muitos, mas creio ser suficiente
o que foi apresentado para rejeitar totalmente essa doutrina falsa, que mistura elementos do
paganismo antigo com doutrinas cristãs. A reencarnação nunca fez parte das Escrituras e
muito menos da crença cristã, é completamente falsa em suas alegações e atribuições
teológicas e descaracteriza totalmente a pessoa, obra e redenção de Jesus. Por isso eles
precisam distorcer a história e até mesmo a Bíblia, pois a verdade não está ao lado deles. Se
levada a uma análise coerente, eles tratam Jesus como um fantoche, desacreditado de
palavras que ele falou e preferindo acreditar em Kardec e suas interpretações falsas. Como
vimos no capítulo 3, a história comprova que os eventos do novo testamento tem um suporte
muito grande de testemunhas oculares, tanto amigas quanto inimigas, e possuem evidências

252
Hebreus 9:27
253
No Invisível, 5• ed. p. 401
254
Les forces naturelles inconnues, p. 90

[Digite texto] Pá gina 121


muito sólidas para sua confiabilidade, mas, como eles estão acostumados a negar o que os
desmente, assim o fazem.

Um espírita coerente sabe que em hipótese alguma pode-se dizer cristão, pois ele nega o
próprio Cristo e os princípios básicos da fé cristã que são milenares. Tenho certeza que após
uma análise séria em busca da verdade, o espírita vacilará em suas crenças.

Bem profetizou o apóstolo Paulo a respeito: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas
próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” 2 Timóteo
4:3,4

Testemunhas de Jeová
Oficialmente conhecidas como a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, as
Testemunhas de Jeová são a obra da vida de Charles Taze Russell, nascido em 16 de fevereiro
de 1852 nos Estados Unidos. Em 1870, ainda na adolescência e sem educação teológica formal,
Russell organizou uma classe de estudos bíblicos, cujos participantes posteriormente o
tornaram “pastor”. Até a sua morte em 1916, o “pastor” Russell, de acordo com a Torre de
Vigia, viajou mais de um milhão de quilômetros, proferiu mais de trinta mil sermões e escreveu
livros que totalizaram mais de cinquenta mil páginas.

As Testemunhas de Jeová são zelosas e sinceras, e afirmam aceitar a Bíblia como sua única
autoridade. Porém, a sua teologia nega cada crença fundamental do cristianismo histórico,
incluindo a Trindade, a divindade de Jesus Cristo, a ressurreição do seu corpo, a salvação pela
graça através da fé e o castigo eterno do pecador.

Embora as Testemunhas de Jeová afirmem que as Escrituras são a sua autoridade máxima,
com frequência os encontramos abusando das Escrituras para estabelecer as suas próprias
crenças. Isso é feito principalmente através de citações fora do contexto e pela omissão de
outras passagens pertinentes ao assunto. Não a toa eles precisaram “criar” sua própria versão
bíblica A Tradução do Novo Mundo para acomodar seus erros.

Vamos analisar algumas mais importantes:

No sistema teológico das Testemunhas de Jeová, Jesus Cristo não é o Deus encarnado humano,
mas antes um ser criado. A negação da divindade de Cristo não é algo novo na história da
igreja. É uma reprise da antiga heresia conhecida como arianismo (derivado de Ário, herege do
século IV d.C.). O arianismo ensinava que o Filho era de uma substância diferente do Pai e que,
na realidade, fora criado. Como costumo dizer, não existe heresia nova, geralmente são
ensinos antigos com roupagem moderna. O arianismo foi motivos de calorosos debates desde
o século IV e assunto no Concílio de Niceia em 325 d.C, onde os maiores teólogos da época se
debruçaram sobre o assunto. E um dos grandes heróis dessa época foi Santo Atanásio, que
conseguiu demonstrar que a negação da divindade de Cristo implicaria em todo processo de
salvação.

[Digite texto] Pá gina 122


As Testemunhas de Jeová, numa tentativa de demonstrar que Jesus Cristo não é Deus, apelam
à Bíblia para sustentar suas crenças. No entanto, é a Bíblia que contradiz a sua teologia,
revelando ser esta tanto não-bíblica quanto não-cristã.

Uma das passagens favoritas usadas pelas Testemunhas de Jeová para provar que Cristo é
menos do que Deus está em João 14.28: “o Pai é maior do que eu”. Esse versículo se refere à
subordinação voluntária de Jesus durante a sua vida terrestre, quando Ele, de boa vontade,
colocou-se em submissão ao Pai. Não diz nada sobre a sua natureza, apenas sobre a sua
posição temporária na terra. Assim, o “maior que” refere-se à sua situação, não à sua pessoa.

Santo Agostinho, ainda no século V já explicava:

“A verdade, porém, mostra que neste sentido o Filho é inferior a si mesmo. Como não há de ser
inferior a si mesmo aquele que “esvaziou-se de si mesmo, e assumiu a condição de servo? (Fl
2,7). Recebendo a forma de servo, não perdeu a forma de Deus, na qual era igual ao Pai.
Portanto, revestido da forma de servo, não ficou privado da forma de Deus, pois, tanto na
forma de servo, como na forma de Deus, ele é o Filho Unigênito de Deus Pai, igual ao Pai na
forma de Deus, e mediador de Deus e dos homens, o homem Cristo Jesus, na forma de servo.
[...] Por isso, a Escritura afirma, não sem razão, ambas as coisas, ou seja, que o Filho é igual ao
Pai e o Pai é maior que o Filho. Não há, pois, lugar à confusão: é igual ao Pai pela forma de
Deus, é inferior ao Pai pela forma de servo.” 255

Outro versículo distorcido pelos Testemunhas de Jeová é onde Jesus é chamado “o


primogênito” de toda a criação em Colossenses 1.15. As Testemunhas de Jeová interpretam a
passagem como o “primeiro a ser criado”. Porém, a própria passagem afirma que Cristo é o
Criador de todas as coisas (v. 16 e 17), não um ser criado. O título de primogênito se refere à
sua posição preeminente, não que Ele seja a “primeira criação” de Jeová.

Em Apocalipse 1.5 e Colossenses 1.18, Cristo é chamado “o primogênito dos mortos”. E óbvio
que o sentido literal da palavra não pode ser usado aqui. Também não pode ser entendido
como o primeiro a ser ressuscitado. Pode apenas significar preeminência ou soberania, na qual
Cristo foi o primeiro a voltar dos mortos por seu próprio poder e a ser conduzido à
imortalidade, como o contexto confirma em ambos os casos.

As Testemunhas tentam confirmar a sua doutrina de ser Cristo uma pessoa criada através da
inclusão deliberada de uma palavra para qual não existe nenhuma base no texto grego. Um
exemplo claro ocorre na sua versão bíblica (A tradução do Novo Mundo) de Colossenses
1.16,17, que diz respeito a essa discussão:

Porque mediante ele foram criadas todas as [outras] coisas nos céus e na terra, as coisas
visíveis e as coisas invisíveis, quer sejam tronos, quer senhorios, quer governos, quer
autoridades. Todas as [outras] coisas foram criadas por intermédio dele e para ele. Também,
ele é antes de todas as [outras] coisas e todas as [outras] coisas vieram a existir por meio dele.

A palavra “outras” foi inserida de modo injustificado ao longo de toda a passagem. Não há
nenhuma palavra equivalente no texto grego, e nenhuma tradução respeitável a inclui.

255
Da Trindade, Santo Agostinho

[Digite texto] Pá gina 123


Quando se sabe que as Testemunhas de Jeová assumem que Jesus Cristo é um ser criado, fica
fácil entender por que eles inserem “outras”.

Um das leituras da Tradução do Novo Mundo que causou considerável afronta entre os
eruditos gregos é a sua totalmente insuportável versão da última frase de João 1.1: “o verbo
era um deus'. Essa tradução torna Jesus Cristo menos do que Deus, relegando-o à posição de
um “ser criado”, conforme a teologia da Torre de Vigia. Não existe nenhuma base, qualquer
que seja, para essa versão, embora entre as Testemunhas possa haver pessoas acreditando no
contrário.

A explicação gramatical dada pela Torre de Vigia para a sua tradução de João 1.1 é
insatisfatória. Eles argumentam que theos (a palavra grega para Deus) ocorre em João 1.1 em
duas oportunidades: uma vez com o artigo definido “o” e outra sem. Quando aparece sem o
artigo definido (na última oração de João 1.1), eles consideram justificado traduzi-la por “e o
Verbo era um deus”. Nos primeiros dezoito versos do Evangelho de João, a palavra para Deus -
theos - aparece seis vezes sem o artigo definido (v. 1,6,12,13, e duas vezes no v. 18). Mas, em
cada passagem, é interpretada como Deus (referindo-se a Jeová) com exceção da última
oração do versículo 1, quando se refere a Jesus!

Se as traduções da Torre da Vigia fossem consistentes, o versículo 6 deveria expressar: “Houve


um homem enviado de um deus”. Além disso, no versículo 12 se deveria ler: “[...] deu-lhes o
poder de se tornarem filhos de um deus”, etc. Por que apenas no versículo 1 eles se recusam a
traduzir theos como Deus (significando Jeová)?

Concluímos que não existe nenhum fundamento para se traduzir João 1.1 como “o Verbo era
um deus”, conforme ocorre na Tradução do Novo Mundo. É uma tradução parcial que não
pode ser justificada gramaticalmente.

No oitavo capítulo do Evangelho de João, Jesus é questionado pelos líderes religiosos: “quem
pretendes tu ser?” (v. 53). Ele respondeu: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (v. 58). A sua
resposta é uma referência direta a Êxodo 3.14, onde Deus, do meio da sarça ardente,
identifica-se a Moisés pela designação: “Eu Sou”. Os judeus, entendendo que Jesus afirmava
ser Deus, tentaram apedrejá-lo por blasfêmia (v. 59).

A Tradução do Novo Mundo traduz mal o versículo, fazendo-o significar: “Antes que Abraão
existisse, eu tenho sido”. A nota de rodapé para João 8.58 na edição de 1950 é esclarecedora:
‘“Eu tenho sido’, tradução de ego eimi após uma oração infinitiva aorista e, portanto,
corretamente traduzida no tempo verbal indefinido perfeito”.

Essa afirmação é completamente falsa. Por isso, a Torre de Vigia mudou a nota para indicar: “o
tempo perfeito”, suprimindo a palavra “indefinido” (ver The Kingdom Interlinear Translation of
the Greek Scriptures [A tradução interlinear do Reino das Escrituras Gregas], 1969). No
entanto, isso também está incorreto, visto que o verbo eimi está no tempo presente, modo
indicativo, e, portanto, deveria ser traduzido corretamente: “Eu Sou”. Além disso, no contexto
de João 8.58 (8.42-9.12), o verbo “ser”, ocorre 22 vezes no modo indicativo e a Tradução do
Novo Mundo verte 21 das 22 de forma correta. A única tradução incorreta está em João 8.58.
Por quê?

[Digite texto] Pá gina 124


O Dr. A. T. Robertson, um dos maiores estudiosos gregos que já existiu, após traduzir ego eimi
como “Eu Sou”, disse o seguinte sobre João 8.58: “Sem dúvida nesse ponto Jesus declara sua
existência eterna com a frase absoluta usada por Deus”. 256

Podemos ainda consultar a opinião de outros especialistas em grego sobre a tradução dos
Testemunhas de Jeová.

Dr. Bruce M. Metzger, professor e especialista da Universidade de Princeton.

"Um erro de tradução assustador." "Errôneas", "perniciosas" e "repreensíveis" "Se as


Testemunhas de Jeová levarem essa tradução a sério, elas são politeístas."

Dr. William Barclay da Universidade de Glasgow, na Escócia diz:

"A distorção deliberada da verdade por essa seita é vista em suas traduções do Novo
Testamento. João 1: 1 é traduzido: '... a Palavra era um deus', uma tradução que é
gramaticalmente impossível ... Está bem claro que uma seita que pode traduzir o Novo
Testamento como esse é intelectualmente desonesto ".

Dr. Paul L. Kaufman de Portland, Oregon:

"As Testemunhas de Jeová evidenciam uma ignorância abissal dos princípios básicos da
gramática grega em sua tradução de João 1: 1."

Existem outros vários versículos distorcidos pela mal feita e enganadora tradução bíblica do
Novo Mundo que são refutados um a um por diversos estudiosos e especialistas no assunto.
Mostrei o mais notório, sobre João 1:1 e sua negação da divindade de Cristo. Pois ao se negar a
divindade de Cristo, todo o processo salvação e expiação de pecados é atacado, colocando
toda a Sua vinda em dúvida.

As falsas profecias

“Quando Jesus disse que viria novamente, Ele não quis dizer que voltaria em carne visível aos
homens na terra. Ele deixou aquela vida terrestre como uma redenção e, então, não pode
tomar tal vida de volta. [...] As boas novas hoje são que Cristo Jesus veio novamente, o Reino
de Deus foi por Ele estabelecido e é agora regido nos céus. [...] Todas as evidências mostram
que Jesus tomou o poder do seu Reino e iniciou seu reinado a partir do Céu no ano de 1914”. 257

A ideia de que a segunda vinda de Cristo tenha acontecido em 1914 é importante para a
teologia da Torre de Vigia. Naquela data, eles dizem, o Reino de Deus foi completamente
estabelecido no céu. No entanto, esse nem sempre foi o seu ensinamento. Antes das 1914, a
Torre de Vigia estava predizendo que o Reino de Deus seria estabelecido na terra (não no céu)
em 1914!

256
Robertson, A. T. Word Pictures in the New Testament 5. New York: Harper & Row, 1930-33.
257
“This Good News of the Kingdom. ” Panfleto

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“Os tempos dos gentios” estendem-se até 1914, e o reino celestial não dominará plenamente
até então, mas como uma “pedra” o reino de Deus é estabelecido “nos dias destes Reis” e, ao
consumi-los, torna-se um reino universal - uma “grande montanha e preenche toda a terra”. 258

Charles Taze Russell também declarou que o mundo veria “o pleno estabelecimento do Reino
de Deus na terra em 1914 d.C., o fim dos tempos dos gentios”. 259

As profecias feitas por Russell e pela Torre de Vigia referentes a 1914 falharam totalmente,
porque o Reino de Deus não foi estabelecido na terra. Hoje, como já observado, a Torre de
Vigia ensina que Cristo retornou de forma invisível em 1914 e montou o seu Reino apenas no
céu. No entanto, tal ideia se opõe claramente ao ensinamento bíblico do visível retorno
corporal de Cristo:

Varões galileus, por que ficais aí olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado
para o céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir. (At 1.11).

Jesus advertiu contra esse tipo de falso ensinamento sobre o seu retorno: Portanto, se vos
disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não
acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim
será também a vinda do filho do homem. Mt 24.26,27

As Escrituras também declaram:

Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá. (Ap 1.7)

A Torre da Vigia é culpada de falsa profecia (Dt 18.21,22), ao predizer indevidamente a data de
1914 para o retorno de Cristo. Eles também estão errados ao afirmar que a sua vinda foi
secreta e invisível, pois as Escrituras ensinam exatamente o contrário (Ap 1.7). E o próprio
Cristo afirmou que ninguém saberia o tempo de sua volta: “Entretanto, a respeito daquele dia
e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão exclusivamente o Pai.” 260

Religiões-afro

Nova-era

Maçonaria

258
Watchtower Reprints 1 (March 1880).
259
Russell, Charles Taze. Thy Kingdom Come, 1891
260
Mateus 24:36

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