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Cálculo Avançado

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Organizado por Universidade Luterana do Brasil

Cálculo Avançado

Carmen Teresa Kaiber

Universidade Luterana do Brasil – ULBRA


Canoas, RS
2016
Conselho Editorial EAD
Andréa de Azevedo Eick
Ângela da Rocha Rolla
Astomiro Romais
Claudiane Ramos Furtado
Dóris Gedrat
Honor de Almeida Neto
Maria Cleidia Klein Oliveira
Maria Lizete Schneider
Luiz Carlos Specht Filho
Vinicius Martins Flores

Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil.


Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores
a emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida
por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da
ULBRA.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei
nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.

ISBN: 978-85-5639-202-2
Dados técnicos do livro
Diagramação: Marcelo Ferreira
Revisão: Geórgia Marques Píppi
Apresentação

O estudo do Cálculo Diferencial e Integral vem sendo desenvolvido


ao longo do seu Curso de Matemática - Licenciatura em distintas
disciplinas. Inicialmente, são desenvolvidos estudos referentes ao Cálculo
Diferencial e Integral de Funções Reais de uma variável e, em seguida, o
trabalho é estendido para Funções de várias variáveis. Os estudos, no âm-
bito do Cálculo, prosseguem com Séries Infinitas e Equações Diferenciais, o
que permite discutir modelos matematicamente importantes que envolvem
equações diferenciais, sendo que, na disciplina de Matemática Aplicada, o
trabalho com Equações Diferenciais Parciais permite um aprofundamento
do estudo de tais modelos.

Apresenta-se, aqui, a disciplina de Cálculo Avançado que contempla,


inicialmente, estudos referentes à representação e tratamentos dados a
curvas em coordenadas polares e a parametrização de curvas, destacan-
do onde a utilização das mesmas se mostra necessária. Em seguida, são
abordados tópicos referentes a Funções Vetoriais e ao estudo de Campos
Vetoriais onde, além dos tratamentos, são destacados aplicações e proble-
mas pertinentes. Por fim, abordam-se aspectos da integral de linha e suas
aplicações e o Teorema de Green, o qual permite tratar uma integral de
linha como uma integral dupla.

As temáticas abordadas, por envolverem fortemente representações ge-


ométricas, requerem a utilização de recursos tecnológicos digitais os quais,
além de permitirem realizar tais representações de maneira ágil, possibili-
tam, também, potencializar o entendimento dos fenômenos envolvidos e a
construção dos conceitos. Sugere-se, então, a utilização de softwares livres,
os quais encontram-se disponíveis para download, gratuitamente, na rede
e que serão indicados em momento oportuno.
Sumário

1 Coordenadas Polares.............................................................1
2 Representação Gráfica de Curvas em Coordenadas Polares.. 24
3 Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares e
Comprimento de Arcos........................................................55
4 Integrais Duplas em Coordenadas Polares...........................74
5 Equações Paramétricas de Curvas........................................87
6 Introdução a Campos Vetoriais..........................................102
7 Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente.......119
8 Integrais de Linha..............................................................137
9 Integrais de Linha: Aplicações............................................163
10 Teorema de Green.............................................................177
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 1

Coordenadas Polares1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
2   Cálculo Avançado

Introdução

Nos estudos que realizamos até aqui, tanto no Cálculo como


na Álgebra e na Geometria, especificamos pontos ou repre-
sentamos curvas no plano considerando o sistema de coor-
denadas cartesianas ou retangulares. Agora, vamos estudar
uma forma de representar pontos no plano tomando como re-
ferência um outro sistema: o sistema de coordenadas polares.
Vamos estudar, também, a relação entre coordenadas polares
e cartesianas, bem como a representação de curvas em coor-
denadas polares. Em capítulos posteriores, tópicos envolvendo
representação de curvas em coordenadas polares, cálculo de
áreas de regiões limitadas por curvas em coordenadas pola-
res, comprimento de curvas, integrais duplas em coordenadas
polares, entre outros, serão estudadas.

1.1 Coordenadas Polares

Nossos estudos, até o presente, nos permitem identificar um


ponto P, no plano, a partir de um par de números , cha-
mados de coordenadas, que são distâncias orientadas a partir
de dois eixos perpendiculares, o denominado sistema de co-
ordenadas cartesianas ou retangulares, tal como representado
na Figura 1.1.
Capítulo 1   Coordenadas Polares   3

Figura 1.1  Representação de um ponto em coordenadas


cartesianas.

Porém, um ponto em movimento, como um objeto na tela


de um radar, ou um planeta em uma órbita sob a atração do
sol, tem sua trajetória melhor descrita por sua direção angular
e sua distância a um ponto fixo. No que segue, vamos estudar
um sistema de coordenadas baseado nessa ideia, as coorde-
nadas polares.

Um sistema de coordenadas polares no plano consiste de


um ponto fixo O, chamado polo ou origem, e uma semirreta
que parte do polo, denominada eixo polar. Nesse sistema, po-
demos associar a cada ponto P do plano um par de coorde-
nadas polares onde vamos identificar:

ÂÂum ponto O, denominado polo ou origem;

ÂÂuma semirreta com origem em O, denominada eixo po-


lar;
4   Cálculo Avançado

ÂÂo raio r, que é dado pela distância do ponto O ao ponto


P;

ÂÂ θ, ângulo entre o eixo polar e o raio OP.

Tal sistema é denominado sistema de coordenadas pola-


res e o plano formado será denominado de plano- . Assim,
dado o ponto , distinto de , o mesmo é localizado por
meio de sua distância e direção da origem, sendo que, e
são chamadas coordenadas polares de P respectivamente,
coordenada radial e coordenada polar, tal como apresentado
na Figura 1.2.

Figura 1.2  Representação de no sistema de coordenadas


polares.

Assim, se um ponto P é dado em coordenadas polares,


temos:
Capítulo 1   Coordenadas Polares   5

No sistema de coordenadas polares vamos admitir:

ÂÂo ângulo positivo medido, a partir do eixo polar, no sen-


tido anti-horário e o negativo, no sentido horário;

ÂÂa possibilidade da coordenada radial ser negativa e,


nesse caso, e estão na mesma reta que
passa pelo ponto O, polo ou origem, a mesma distân-
cia , a partir de O, mas em sentidos opostos. Assim,
se >0, está no mesmo quadrante de , se <0
está no quadrante oposto em relação ao polo. Observe-
mos, ainda, que representa o mesmo ponto que
, o que pode ser visto representado na Figura
1.3;

ÂÂque o polo ou origem tem coordenadas (0, ) para


qualquer ;

ÂÂa medida para os ângulos polares em radianos, exceto


quando a medida em graus for mais conveniente (em
muitos casos não importa se é dado em graus ou ra-
dianos, porém, em problemas envolvendo derivadas ou
6   Cálculo Avançado

integrais os ângulos devem ser medidos em radianos


pois as derivadas das funções trigonométricas foram de-
finidas sob esta condição).

Figura 1.3  Representação dos pontos e .

Na Figura 1.4 os pontos a) , b) , c)

, d) , e) e f) estão
representados geometricamente. Vamos analisar as possíveis
relações entre os mesmos.
Capítulo 1   Coordenadas Polares   7

a) b) c)

d) e) f)

Figura 1.4  Representação de pontos em coordenadas polares.

Observemos que, se o eixo polar é o lado inicial, então há


muitos ângulos com o mesmo lado terminal, logo, as coorde-
nadas polares de um ponto não são únicas, o que podemos
observar, por exemplo, nos pontos , , em
destaque na Figura 1.4. Em geral, se um ponto P tiver co-
ordenadas polares , então, e
também são coordenadas polares de P, para todo n inteiro
não negativo. Assim, todo ponto tem um número infinito de
coordenadas polares.

Ainda, conforme já definido, a coordenada radial de um


ponto P é não negativa uma vez que representa a distância de
P ao polo. Porém, por vezes, é conveniente que possa ser ne-
gativo. Assim, seja P o ponto com coordenadas polares
8   Cálculo Avançado

como representado na Figura 1.4 item a. Podemos atingir esse


ponto girando de , a partir do eixo polar e, então, mo-
vendo 3 unidades a partir do polo sobre o lado terminal do
ângulo, ou ainda, atingir P girando de , a partir do eixo
polar, e movendo 3 unidades do polo ao longo da extensão
do lado terminal. Isso sugere que o ponto também pode
ser representado por (Figura 1.4, item d) e o sinal
negativo serve para indicar que o ponto está sobre a extensão
do lado terminal do ângulo, ao invés de estar no próprio lado
terminal do ângulo, ou ainda, que o ponto está no quadrante
oposto em relação ao polo. Outro exemplo dessa situação
pode ser visto na Figura 1.4 item e.

Em geral, o lado terminal de um ângulo de éa


extensão do lado terminal de e, portanto, definimos as coor-
denadas radiais negativas admitindo que e
são coordenadas polares do mesmo ponto.

Como já destacado, no sistema de coordenadas polares,


cada ponto pode ter infinitas representações. Como uma ro-
tação completa no sentido anti-horário é dada por um ângulo
igual a , o ponto representado pelas coordenadas é
também representado por

Assim, de modo geral, um ponto em coordenadas polares


pode ser representado por:

ÂÂ e para todo n inteiro não ne-


gativo considerando os sentidos anti-horário e horário,
Capítulo 1   Coordenadas Polares   9

ou seja, para ou, ain-


da, e para

ÂÂ e para todo n inteiro


não negativo considerando a possibilidade de existência
de coordenadas radiais negativas como extensões do
lado terminal de ou, ainda, combinações de ambas.

Exemplo 1: Representar graficamente os seguintes pontos


dados em coordenadas polares:

a) c) e) 

b) d)  f) 

Solução:

a) A partir do polo, sobre o eixo polar, traçamos o lado


polar e giramos no sentido anti-horário. Em se-
guida, a partir do polo, nos movemos 2 unidades es-
tabelecendo o raio no lado terminal.

b) A partir do polo, sobre o eixo polar, traçamos o lado


polar e giramos no sentido anti-horário. Em
seguida, a partir do polo, nos movemos 3 unidades
estabelecendo o raio no lado terminal.
10   Cálculo Avançado

c) A partir do polo, sobre o eixo polar, traçamos o lado


polar e giramos no sentido horário. Em seguida,
a partir do polo, nos movemos 2 unidades estabele-
cendo o raio no lado terminal.

d) A partir do polo, sobre o eixo polar, traçamos o lado


polar e giramos no sentido anti-horário. Como
a coordenada radial é negativa , o ponto está
sobre a extensão do lado terminal do ângulo (ou no
quadrante oposto em relação ao polo). Assim, a partir
do polo, sobre a extensão do lado terminal, nos move-
mos 3 unidades.
Capítulo 1   Coordenadas Polares   11

e) A partir do polo, sobre o eixo polar, traçamos o lado


polar e giramos no sentido horário. Como a co-
ordenada radial é negativa , o ponto está sobre a
extensão do lado terminal do ângulo (ou no quadrante
oposto em relação ao polo). Assim, a partir do polo,
sobre a extensão do lado terminal, nos movemos 4
unidades.

f) A partir do polo, sobre o eixo polar, traçamos o lado


polar e giramos no sentido horário. Como a co-
ordenada radial é negativa , o ponto está sobre a
extensão do lado terminal do ângulo (ou no quadrante
12   Cálculo Avançado

oposto em relação ao polo). Assim, a partir do polo,


sobre a extensão do lado terminal, nos movemos 2
unidades.

Exemplo 2: Determinar todas as coordenadas polares do


ponto .

Solução: O ponto apresenta infinitos pares de coor-


denadas polares as quais podem ser determinadas conside-
rando tanto coordenadas radiais positivas quanto negativas
e coordenadas angulares no sentido anti-horário e horário,
tomando-se, ainda, voltas completas (na verdade infinitas vol-
tas completas). Então, vamos admitir as coordenadas radiais
e e identificar, para cada uma delas, todas as
possibilidades de coordenadas angulares.

Para , podemos admitir ângulos de valores , ,


, , Nesse caso, ao adicionarmos
a vamos estar considerando as voltas completas no sentido
anti-horário e, ao adicionarmos a
estamos considerando voltas completas no sentido horário.
Capítulo 1   Coordenadas Polares   13

Para , podemos admitir ângulos de valores ,

, , , . Nesse caso, a coorde-

nada angular ) foi tomada no sentido horário e tem ex-


tremidade no terceiro quadrante sendo que sua extensão tem
extremidade no primeiro quadrante no mesmo ponto de extre-

midade de Ainda, se adicionarmos a


estamos considerando as voltas no sentido anti-horário e, ao

adicionarmos a estaremos
considerando voltas completas no sentido horário.

Assim, os pares correspondentes de coordenadas polares


do ponto são dadas por ,
e , , sendo que todas
as possibilidades estão incluídas: considerando os sentidos
anti-horário e horário e infinitas voltas completas. A Figura 1.5
destaca, a título de exemplo, a representação de algumas des-
sas coordenadas.

Por fim, vamos representar alguns dos pontos obtidos, a


saber:

a) c)  e) 

b) d)  f) 
14   Cálculo Avançado

a) b)

c) d)

e) f)

Figura 1.5  Representação de pontos em coordenadas polares.

1.2 Relação entre Coordenadas


Cartesianas e Polares

Sabemos que um determinado ponto do plano pode ser repre-


sentado tanto por coordenadas cartesianas como por coorde-
Capítulo 1   Coordenadas Polares   15

nadas polares. Assim, é pertinente pensarmos em uma relação


entre esses dois sistemas de coordenadas e, para estabelecer
essa relação, vamos construir um sistema no qual o polo (ori-
gem do sistema polar) coincida com o ponto (0,0), origem do
sistema cartesiano e, o eixo polar, coincida com a parte po-
sitiva do eixo das abscissas. Nesse sistema vamos considerar
um ponto P de coordenadas e de coordenadas tal
como apresentado na Figura 1.6.

Figura 1.6  Representação do P em coordenadas cartesianas e polares.

Considerando a figura, temos

  
16   Cálculo Avançado

Logo,

As relações e foram deduzidas para


e , porém são válidas para todos os valores de
e e permitem encontrar as coordenadas cartesianas e
quando e são conhecidos.

Para determinar e quando e são conhecidos, utili-


zamos as relações:

Exemplo 3: Converter os pontos dados em coordenadas


polares para coordenadas cartesianas.

a) b) 

Solução: Vamos utilizar as relações e

a)

As coordenadas cartesianas de P são


Capítulo 1   Coordenadas Polares   17

b)

As coordenadas cartesianas de P são

Exemplo 4: Queremos representar o ponto dado


em coordenadas cartesianas, em coordenadas polares.

Solução: Vamos utilizar as relações e

, o que indica que temos dois valores possíveis para ,


2e-
Temos, ainda que:
18   Cálculo Avançado

Admitindo-se r=2 e considerando que o ponto está no


quarto quadrante (tem, em coordenadas cartesianas, abscis-
sa positiva e coordenada negativa), as soluções possíveis são
tomada no sentido anti-horário ou tomada
no sentido horário.

Vamos lembrar que o ponto P, em coordenadas polares,


tem uma infinidade de coordenadas que podem representá-lo.
Porém, quando não há indicação ou restrição com relação à
apresentação dessas coordenadas, a solução é dada pelo par
de coordenadas tal que e , nos sentidos anti-
-horário e horário.

Recapitulando

Neste capítulo, passamos a admitir, além da possibilidade de


representarmos um ponto no plano por meio de suas coorde-
nadas cartesianas ou retangulares (sistema de coordenadas
cartesianas), a possibilidade de representarmos esse mesmo
ponto considerando outro sistema, o sistema de coordenadas
polares. O sistema de coordenadas polares se revela mais ade-
quado para representar e analisar situações que envolvam um
ponto em movimento, como um objeto na tela de um radar, ou
um planeta em uma órbita sob a atração do sol, que passam
a ter suas trajetórias melhor descritas considerando uma dire-
ção angular e uma distância a um ponto fixo. Enquanto que o
sistema de coordenadas cartesianas nos permite identificar um
ponto P, no plano, a partir de um único par de números ,
chamados de coordenadas, os quais são distâncias orientadas
Capítulo 1   Coordenadas Polares   19

a partir de dois eixos perpendiculares, o sistema de coordena-


das polares, no plano, toma como referência um ponto fixo
O, chamado polo ou origem, e uma semirreta que parte do
polo, denominada eixo polar. Nesse sistema, a cada ponto
P do plano podemos associar infinitos pares de coordenadas
polares onde o r é o denominado raio (coordenada ra-
dial), dado pela distância do ponto O ao ponto P e θ é ângulo
entre o eixo polar e o raio OP (coordenada angular). Como
um mesmo ponto P pode ser representado considerando dois
sistemas distintos, pode-se estabelecer relações entre coorde-
nadas polares e cartesianas. Assim, dado um ponto de coor-
denadas polares , podemos obter as coordenadas carte-
sianas , utilizando as relações e .
Por outro lado, podemos chegar às coordenadas polares de
um ponto dado em coordenadas cartesianas utilizando as re-
lações e . Por fim, a decisão de se tra-
balhar em um ou outro sistema está relacionada à situação ou
ao fenômeno estudado.

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

KAIBER, Carmen Teresa; DALLA VECCHIA, Rodrigo; SCA-


PIN, Dienifer Kiak. A incorporação de Calculadoras
20   Cálculo Avançado

Gráficas na estruturação de conceitos relacionados


a Coordenadas Polares e Equações Paramétricas. In:
GROENWALD, C.L.O; ROSA, M. Educação Matemática e
Calculadoras: teoria e prática. Canoas: ULBRA, 2010.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.

Atividades

1) Represente, graficamente, os seguintes pontos dados em


coordenadas polares.

a)

b)

c)

d)

2) Represente, graficamente, os seguintes pontos dados em


coordenadas polares, estabelecendo outros dois pares de
coordenadas para cada um deles: um com e outro
com .
Capítulo 1   Coordenadas Polares   21

a) b) 

3) Analise as sentenças e indique com ‘V’ se a sentença for
verdadeira e ‘F’ se for falsa.

(  ) Uma coordenada polar do ponto é .

( ) O ponto está localizado no primeiro qua-


drante.

(  ) Um determinado ponto no plano tem infinitas coorde-


nadas polares que o representam.

(  ) A coordenada cartesiana do ponto é .

(  ) Um determinado ponto no plano tem infinitas coorde-


nadas cartesianas que o representam.

Agora assinale a alternativa correta.

a) V – F – F – V – F

b) F – F – F – V – V

c) F – V – V – F – V

d) F – F – V – V – F

e) F – V – F – F – V

4) Represente, graficamente, em um mesmo sistema os se-


guintes pontos dados em coordenadas polares. Em segui-
da, determine todas as possíveis coordenadas polares de
cada ponto.
22   Cálculo Avançado

a)

b)

c)

d)

5) Leia com atenção as sentenças.

I. Considerando e , é uma
coordenada polar do ponto dado em coor-
denadas cartesianas.

II. e são coordenadas de um mesmo


ponto no plano, uma polar e a outra cartesiana.

III. A coordenada polar representa o ponto


em coordenada cartesiana.

IV. Os pares de coordenadas polares e


representam o mesmo ponto.

Com relação a estas sentenças é correto afirmar que:

a) Apenas as sentenças I, II e III são verdadeiras.

b) Apenas as sentenças I e II são verdadeiras.

c) Apenas as sentenças I, II e IV são verdadeiras.

d) Apenas as sentenças II, IV são verdadeiras.

e) As sentenças I, II, III, IV são verdadeiras.


Capítulo 1   Coordenadas Polares   23

6) Determine, em cada caso, as coordenadas cartesianas dos


pontos dados em coordenadas polares.

a)

b)

c)

d)

7) Em cada item, determine as coordenadas polares que sa-


tisfazem as condições dadas para o ponto cuja coordena-
da cartesiana é .

a)

b)

c)

d)
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 2

Representação
Gráfica de Curvas em
Coordenadas Polares1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   25

Introdução

Estudamos, no capítulo anterior, que um ponto no plano pode


ser representado tanto no sistema de coordenadas cartesianas
como no sistema polar e que, o trabalho em um ou outro
sistema está relacionado à natureza das situações estudadas
ou mesmo a algum aspecto de uma situação. Porém, para
além da representação de pontos em um determinado siste-
ma, temos interesse na representação de curvas nesse sistema
para que possamos analisar o comportamento das mesmas
considerando sua representação geométrica. É o que vamos
tratar neste capítulo: representação de curvas em coordenadas
polares.

2.1 Representação de Curvas em


Coordenadas Polares

Um sistema de coordenadas retangulares (ou cartesianas) per-


mite associar um par ordenado de números a cada ponto do
plano. Em tal sistema, o gráfico de uma equação
consiste em todos os pontos que satisfazem a equação dada.
Em coordenadas polares, como já visto, os pontos podem ter
um número infinito de coordenadas. Desse modo, um determi-
nado ponto pode ter coordenadas polares que satisfazem uma
equação dada em coordenadas polares, enquanto que, outras
coordenadas, podem não a satisfazer. Vamos, então, primeiro
definir o que seja uma equação polar.
26   Cálculo Avançado

Uma equação polar é uma equação em r e θ. Uma solução


de uma equação polar é um par ordenado (a, b) que leva a
uma igualdade quando se substitui r por a e θ por b. O gráfico
de uma equação polar é o conjunto de todos os pontos em um
plano-rθ que correspondem às soluções. Assim, define-se o
gráfico de , em coordenadas polares, como todos os
pontos nos quais pelo menos um par satisfaz a equação dada.
São exemplos de equações polares , entre outros:

a) d)  g) 

b) e)  h) 

c) f)  i) 

Vamos considerar, então, a situação de construir o gráfico


de equações da forma , onde é medido em radia-
nos, representando as equações exemplificadas nos itens a),
c), f), h). Para representar uma equação na forma polar vamos
utilizar um sistema polar como o apresentado na Figura 2.1.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   27

Figura 2.1  Sistema Polar.

Nesse sistema, a partir do eixo polar, foram atribuídos


valores à coordenada angular com incrementos de
(30°), pelos quais traçamos retas que passam pelo polo. É im-
portante destacar que esse incremento atribuído não é único
(poderíamos, por exemplo, dar um incremento igual a 15°ou
outro incremento qualquer), mas é conveniente. Por vezes, de-
pendendo da equação polar a ser representada é interessante
fazer passar uma reta, também, na coordenada angular
(45°).
28   Cálculo Avançado

Exemplo 1: Esboçar o gráfico de em coordena-


das polares.

Solução: Vamos, inicialmente, construir uma tabela consi-


derando uma atribuição de valores a com incrementos de
, calcular e, em seguida, marcar esse conjunto de pon-
tos em um sistema polar.

Podemos observar que há treze pontos na tabela, porém,


apenas seis deles são marcados no gráfico em função de que
os pares, a partir de , representam os mesmos pontos
obtidos entre e .

Ainda, observando o gráfico, podemos supor que os pon-


tos estão dispostos em uma circunferência de raio , porém,
necessitamos de uma comprovação, a qual podemos obter
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   29

chegando à equação cartesiana de uma circunferência. Para


tal, vamos proceder da seguinte maneira:

ÂÂmultiplicamos por obtendo

(1)

ÂÂcomo das relações entre coordenadas polares e carte-


sianas temos que

(2)

(3),

vamos substituir (2) e (3) em (1)

ÂÂassim, temos que

ÂÂe igualando a zero obtemos

ÂÂcompletando os quadrados temos


30   Cálculo Avançado

ÂÂque é equação de uma circunferência de centro e


raio no plano .

Como visto, a representação gráfica de uma equação


em coordenadas polares pode ser realizada a partir
da atribuição de valores a com o cálculo do correspondente
valor de , obtendo-se um conjunto de pontos a serem repre-
sentados no sistema polar, como já realizado.

Porém, o fato da equação envolver as variáveis


e não implica, necessariamente, que o gráfico deva ser
representado em coordenadas polares. Em determinadas si-
tuações, podemos nos utilizar da representação cartesiana da
equação para obtermos, por exemplo, informações sobre o
comportamento do gráfico em coordenadas polares. A Figura
2.2 destaca a representação de em coordenadas
cartesianas.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   31

Figura 2.2  Representação cartesiana de

Para analisarmos como, a partir do gráfico cartesiano, po-


demos visualizar como é gerado o gráfico polar, as duas repre-
sentações estão postas, lado a lado, na Figura 2.3.

(a)

(b)

Figura 2.3  Representação (a) cartesiana e (b) polar de .


32   Cálculo Avançado

Observando os gráficos podemos perceber que:

ÂÂem temos e o ponto no gráfico polar


corresponde ao polo;

ÂÂà medida que varia de a , o valor de cresce de 0


para 1 (a) e o ponto move-se ao longo de uma
semicircunferência do polo ao ponto (b);

ÂÂà medida que varia de a o valor de decresce


de 1 para 0 (a) e o ponto move-se ao longo de
uma semicircunferência que vai do ponto ao pon-
to que corresponde ao polo (b);

ÂÂà medida que varia de a , os valores de são


negativos e o ponto move-se ao longo da circun-
ferência duplicando o movimento que ocorre quando
varia de 0 a .

A variação em e o consequente crescimento ou decres-


cimento de pode ser observado a partir de uma tabela, sem
necessidade da construção do gráfico cartesiano, como vamos
observar no próximo exemplo. Assim, se pode construir um
gráfico em coordenadas polares utilizando a análise do com-
portamento da função, a partir da representação cartesiana,
ou utilizar uma tabela, o que se julgar mais conveniente.

Exemplo 2: Esboçar o gráfico de em coorde-


nadas polares.

Solução: Procedendo como no exemplo anterior, vamos,


inicialmente, construir uma tabela considerando uma atribui-
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   33

ção de valores a com incrementos de , calcular e, em


seguida, marcar esse conjunto de pontos em um sistema polar.

Novamente, podemos observar que no intervalo


obtemos coordenadas polares que representam
os mesmos pontos no gráfico como e . Vamos
acompanhar, passo a passo, a análise e construção do gráfico
a partir da Figura 2.4.
34   Cálculo Avançado

varia de 0 a 1 quando varia de 1 a 0 varia de 0 a -1


varia de 0 a quando varia de quando varia de

a a

varia de -1 a 0 quan- varia de 0 a 1 varia de 1 a 0


quando varia de
do varia de a quando varia de
a
a

Figura 2.4  Análise da construção do gráfico de .

A curva , em coordenadas polares, recebe a


denominação de rosácea de três pétalas.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   35

Exemplo 3: Esboçar o gráfico de em coorde-


nadas polares, considerando um incremento de ao ângulo .

Solução: Vamos, inicialmente, construir uma tabela consi-


derando uma atribuição de valores a com incrementos de
como solicitado, calcular e, em seguida, marcar esse
conjunto de pontos em um sistema polar.

Vamos acompanhar a análise e a construção do gráfico


de em coordenadas polares a partir da Figura
2.5. A curva resultante recebe a denominação de rosácea de
quatro pétalas.
36   Cálculo Avançado

varia de 1 a 0 varia de 0 a varia de -1 varia de 0 a 1


quando varia -1 quando a 0 quando quando varia
de a varia de a varia de de a
a

varia de 1 a 0 varia de -1 varia de -1 varia de 0 a 1


quando varia a 0 quando a 0 quando quando varia
de a varia de varia de de a
a a

Figura 2.5  Análise da construção da rosácea de quatro pétalas

Podemos observar que, graficamente, é re-


presentado por uma curva a qual, como já dito, é denominada
de rosácea de quatro pétalas. É possível observar, também,
que essa curva apresenta simetria tanto em relação à reta que
contém o eixo polar, como em relação à reta vertical
que passa pelo polo. Essa simetria pode ser utilizada para ob-
termos informações sobre o comportamento das curvas pola-
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   37

res utilizando os chamados testes de simetria, que passam a


ser enunciados.

Testes de Simetria:

ÂÂUma curva, em coordenadas polares, é simétrica em re-


lação à reta que contém o eixo polar se ao substituirmos
por , obtém-se uma equação equivalente.

ÂÂUma curva, em coordenadas polares, é simétrica em re-


lação à reta vertical que passa pelo polo se ao
substituirmos por , obtém-se uma equação equi-
valente.

ÂÂUma curva, em coordenadas polares, é simétrica em re-


lação à origem se ao substituirmos por , obtém-se
uma equação equivalente.

A Figura 2.6 ilustra, de forma genérica, esses casos de si-


metria.

Substituição de
Substituição de por Substituição de por
por

Figura 2.6  Representação geométrica de casos de simetria.


38   Cálculo Avançado

Exemplo 4: Esboçar o gráfico de em coor-


denadas polares.

Solução: Vamos, inicialmente, construir uma tabela consi-


derando uma atribuição de valores a com incrementos de
, calcular e, em seguida, marcar esse conjunto de pon-
tos em um sistema polar.

Vamos acompanhar a análise e a construção do gráfico


de em coordenadas polares a partir da Figura
2.7. A curva resultante recebe a denominação de cardioide
e podemos identificar que a mesma é simétrica em relação a
uma reta que contém o eixo polar.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   39

varia de 0 varia de 2 a 4 varia de 4 varia de 2


a 2 quando quando varia a 2 quando a 0 quando
varia de de a varia de varia de
a a a

Figura 2.7  Análise da construção da cardioide

Assim, a partir dos exemplos estudados, é possível verificar


que para construir o gráfico de uma curva em coordenadas
polares podemos partir de uma atribuição de valores a con-
siderando um incremento conveniente, calcular o correspon-
dente valor de obtendo-se um conjunto de pontos a serem
representados no sistema polar. Podemos, ainda, utilizar infor-
mações sobre a curva advindas da sua representação cartesia-
na bem como de possíveis relações de simetria.

2.2 Famílias de Curvas em Coordenadas


Polares

Os exemplos estudados permitiram perceber que podem existir


diferentes tipos de curvas representadas em coordenadas po-
lares, as quais podem ser agrupadas em “famílias” em função
de suas características. No que segue, destacam-se famílias
40   Cálculo Avançado

de curvas dadas em coordenadas polares, as quais não são


únicas, porém, são as comumente estudadas.

2.2.1 F
 amílias de retas e raios através do polo
Se for um ângulo fixo, então o ponto , para todo e
qualquer valor de , está sobre uma reta que forma com o eixo
polar um ângulo . Ainda, todo ponto sobre esta reta tem
um par de coordenadas da forma . Assim, a equação
representa uma reta que passa pelo polo formando um
ângulo com o eixo polar. Na Figura 2.8 podemos observar
representações genéricas de reta e raio através do polo bem
como exemplo da representação gráfica da reta .

Reta através do polo Representação da


Raio através do polo reta

Figura 2.8  Representações de retas e raios através do polo.


Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   41

2.2.2 Família de círculos


Vamos considerar, aqui, três famílias de círculos onde é to-
mada com uma constante positiva.

ÂÂA equação representa uma circunferência de cen-


tro no polo e raio . Assim, variando-se o valor de
vamos obter uma família de circunferências com centro
no polo, tal como destacado na Figura 2.9.

ÂÂA equação representa uma circunferência


de raio com centro sobre a reta que contém o eixo
polar e tangente à reta de equação que passa no
polo, sendo que, variações dos valores de produzem
uma família dessas circunferências, tal como destacado
na Figura 2.10.

ÂÂA equação representa uma circunferência


de raio com centro sobre a reta de equação que
passa no polo e que tangencia, no polo, a reta que con-
tém o eixo polar, sendo que, variações dos valores de
produzem uma família dessas circunferências, tal como
destacado na Figura 2.11.
42   Cálculo Avançado

, para a=1, a= 2, a=3


Figura 2.9  Família de circunferências com centro na origem.

, para diferentes
valores de a
Figura 2.10  Família de circunferências com centro sobre reta que contém
o eixo polar.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   43

para diferentes
valores de a
Figura 2.11  Família de circunferências com centro sobre reta

Valores negativos de produzem famílias de curvas à es-

querda da reta , ou abaixo do eixo polar, conforme esta-

mos representando ou .

2.2.3 Família de rosáceas


Em coordenadas polares as equações da forma,

nas quais e é um número inteiro positivo, representam


famílias de curvas que recebem o nome de rosáceas em fun-
ção da sua forma que se assemelha a de uma flor. As pétalas
44   Cálculo Avançado

de uma rosácea são igualmente espaçadas e seu número está


relacionado ao valor de Assim, as rosáceas são formadas
por pétalas se for ímpar e, por pétalas, se for par.
O valor de determina o raio da pétala, estabelecendo seu
ponto de ápice. A Figura 2.12 apresenta o esboço de algumas
rosáceas em função de suas equações.

Figura 2.12  Esboço de rosáceas.

2.2.4 Famílias de limaçons e cardioides


Em coordenadas polares as equações da forma,

nas quais e , representam curvas denominadas


limaçons e em casos específicos, cardioides. As limaçons
2

2  Do latim limax, referindo-se a algo parecido com uma lesma.


Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   45

admitem quatro formas possíveis que são determinadas pela


razão . Quando a razão é igual a 1 ( ), a limaçon é
chamada de cardioide uma vez que seu traço se assemelha ao
desenho de um coração.

No exemplo 4, representamos uma cardioide,


Nesse caso, e a razão é igual
a 1. Vamos, agora, acompanhar o exemplo da limaçon de
equação em condições a serem estabelecidas.

Exemplo 5: Fazer o esboço da família de limaçons de


equação . Vamos fazer assumir valores iguais
a sendo que, no caso, .

Solução: O esboço da família de limaçons é apresentado


na Figura 2.13, considerando as condições estabelecidas.

(a) (b) (c) (d) (e)

(f) (h)
(g) (j)
(i)

Figura 2.13  Família de limaçons


46   Cálculo Avançado

A partir da Figura 2.13, podemos observar que as lima-


çons evoluem desde um tipo denominado “com laço” até um
tipo “convexo”. A partir de , o “laço” vai ficando cada
vez menor até que em temos a cardioide. O valor de
segue crescendo e o traço da limaçon evolui para o tipo “com
covinha” até o tipo “convexo”.

Assim, a partir da relação , podemos obter diferentes tipos


de limaçons aos quais recebem distintas denominações que
podem ser resumidas como segue:

ÂÂLimaçon com laço inteiro - quando como nos


itens a, b, c do exemplo 4;

ÂÂCardioide – quando , como no item d do exemplo


4;

ÂÂLimaçon fazendo covinha – quando , como


nos itens e, f, g;

ÂÂLimaçon convexa – quando , como nos itens h, i, j.

Assim como nas outras famílias de curvas, é importante


que se estabeleçam relações entre as diferentes equações e os
seus traços no plano, de maneira que, a partir da análise da
equação, já se tenha uma ideia de que curva se trata. Igual-
mente importante é se estabelecer relações entre os valores
de a e b e os pontos onde a curva intercepta os eixos vertical
e horizontal. Desse modo, conhecendo as características das
curvas, passamos a fazer esboços de seus gráficos a partir das
mesmas, abandonando a construção da tabela.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   47

Exemplo 6: Representar a curva em coor-


denadas polares.

Solução: Considerando que , já podemos antecipar


que se trata de uma limaçon com laço, que tem seu laço “de-
senhado” sobre o eixo vertical (em função de envolver um cos-
seno).

Figura 2.14  Representação da curva

Observe os pontos de intersecção da curva com o eixo po-


lar e com a reta , relacionando-os com os valores de a
e b na equação.

2.2.5 Famílias de espirais


Uma espiral é uma curva que se envolve em torno de um ponto
central. No que segue, destacam-se alguns tipos mais comuns
de famílias de espirais dadas por equações da forma:

ÂÂ (Espiral de Arquimedes);

ÂÂ (Espiral Parabólica);
48   Cálculo Avançado

ÂÂ (Espiral Logarítmica);

ÂÂ (Espiral Hiperbólica).

Nas equações apresentadas vamos considerar valores não


negativos para , e . Na Figura 2.15 podemos observar a
representação genérica dessas famílias de curvas.

Figura 2.15  Representação de espirais.

Exemplo 7: Representar, geometricamente, a espiral .

Solução: Vamos, inicialmente, construir uma tabela atribuin-


do valores a , calculando e, em seguida, marcando os pon-
tos em um sistema polar. Observe, aqui, que ao atribuirmos a
o valor , por exemplo, vamos ter .
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   49

É possível observar que as representações de determinadas


curvas demandam um grande trabalho se adotarmos apenas
a tabela como fonte de informações. É importante, além da
tabela, considerar não só informações advindas da sua repre-
sentação cartesiana ou de possível simetria, mas também, e
principalmente, as características de cada família de curvas,
considerando suas equações.

Recapitulando

Nesse capítulo estudamos a representação gráfica de curvas


dadas a partir de sua equação polar. Uma equação polar é
uma equação em r e θ. Uma solução de uma equação polar
50   Cálculo Avançado

é um par ordenado (a, b) que leva a uma igualdade quan-


do se substitui r por a e θ por b. O gráfico de uma equa-
ção polar é o conjunto de todos os pontos em um plano-rθ
que correspondem às soluções. Assim, define-se o gráfico
de , em coordenadas polares, como todos os pon-
tos nos quais pelo menos um par satisfaz a equação dada.
São exemplos de equações polares , entre outros:
, , , ,
, . A representação gráfica de uma equação
em coordenadas polares, pode ser realizada a par-
tir da atribuição de valores a considerando um incremento
conveniente, e o cálculo do correspondente valor de ob-
tendo-se um conjunto de pontos a serem representados no
sistema polar. Porém, o fato da equação envolver
as variáveis e não implica, necessariamente, que o gráfico
deva ser representado em coordenadas polares. Em determi-
nadas situações, podemos nos utilizar da representação carte-
siana da equação para obtermos, por exemplo, informações
sobre o comportamento do gráfico em coordenadas polares.
Podemos, ainda, utilizar informações sobre a curva advindas
de possíveis relações de simetria. Estudamos, aqui, as seguin-
tes famílias de curvas em coordenadas polares: família de
retas e raios através do polo dada por equações da forma
; famílias de circunferências dadas por equações da for-
ma , , famílias de rosáceas
dadas por equações da forma , ; fa-
mílias de cardioides e limaçons dadas por equações da forma
, ; e, por fim, tipos mais co-
muns de famílias de espirais, que são dadas por equações da
forma , , , . Destaca-se que
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   51

em todas as famílias estudadas foram estabelecidos valores e


restrições para , e .

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

KAIBER, Carmen Teresa; DALLA VECCHIA, Rodrigo; SCAPIN,


Dienifer Kiak. A incorporação de Calculadoras Gráfi-
cas na estruturação de conceitos relacionados a Co-
ordenadas Polares e Equações Paramétricas. In: GRO-
ENWALD, C. L. O.; ROSA, M. Educação Matemática e
Calculadoras: teoria e prática. Canoas: ULBRA, 2010.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.
52   Cálculo Avançado

Atividades

1) Em cada caso, estabeleça a equação polar para o gráfico


dado.
a) b) c)

2) Em cada caso, estabeleça a equação polar para o gráfico


dado.
a) b) c)

3) Em cada caso, estabeleça a equação polar para o gráfico


dado.
Capítulo 2   Representação Gráfica de Curvas...   53

a) b) c)

4) Observe os gráficos das curvas, em coordenadas polares,


apresentados na figura e leia com atenção as sentenças.
a) b) c) d)

I. A curva representada no item (a) tem como equação


.

II. É possível que a curva representada no item (b) tenha


como equação

III. A curva representada no item (c) pode ter como equa-


ção

IV. A curva representada no item (d) pode ter como equa-


ção .

V. A curva representada no item (c) pode ter como equa-


ção
54   Cálculo Avançado

Sobre essas sentenças é correto afirmar que:

a) As sentenças I, II, III, IV e V são verdadeiras.

b) Apenas as sentenças I, II, III e V são verdadeiras.

c) Apenas as sentenças I, II, III e IV são verdadeiras.

d) Apenas as sentenças II, III e V são verdadeiras.

e) Apenas as sentenças II, III e IV são verdadeiras.

5) Em cada caso faça um esboço das curvas dadas em coor-


denadas polares.

a) g) 

b) h) 

c) i) 

d) j) 

e) k) 

f) l) 
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 3

Áreas de Regiões
Limitadas por Curvas
Polares e Comprimento
de Arcos1

Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
56   Cálculo Avançado

Introdução

A partir da introdução do sistema de coordenadas polares e da


representação de curvas em tal sistema, vamos estudar, nesse
capítulo, métodos para o cálculo de área de regiões dadas em
coordenadas polares, bem como o cálculo de comprimento de
arcos em tal sistema. Destaca-se, novamente, a pertinência da
representação de curvas em coordenadas polares quando do
estudo de situações relacionadas a um ponto em movimento
cuja trajetória fique melhor descrita tomando como referência
sua direção angular e sua distância a um ponto fixo. Assim, é
pertinente que tenhamos métodos para dar tratamento a pro-
blemas envolvendo tais situações, daí o interesse em calcular-
mos áreas e comprimento de arcos em coordenadas polares.

3.1 Área de Regiões Limitadas por Curvas


em Coordenadas Polares

Vamos considerar a região apresentada na Figura 3.1, limi-


tada pela curva polar e pelas retas e ,
onde é contínua e positiva e . Nosso proble-
ma consiste em determinar a área dessa região. Em coordena-
das cartesianas resolveríamos o problema dividindo a região
em um número crescente de faixas verticais, aproximando-as
por retângulos, calculando um limite. Em coordenadas pola-
res, em analogia aos retângulos obtidos no sistema cartesiano,
vamos dividir a região em cunhas usando raios.
Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    57

Figura 3.1  Região limitada por uma curva polar.

Podemos dizer que a região R se aproxima a um setor cir-


cular de raio e ângulo central , tal como apresentado na
Figura 3.2.

Figura 3.2  Setor circular.

A título de revisão, vamos estabelecer a área desse se-


tor circular tomando como referência a área de um círculo
que é dada por considerando um ângulo central de
.
58   Cálculo Avançado

Retomando o problema de determinar a área da região


R, limitada pela curva polar e pelas retas e
, onde é contínua e positiva e , vamos
dividir o intervalo em subintervalos com extremidades
em e larguras iguais a , de modo que os
raios dividem a região em regiões menores com
ângulo central tão pequeno quanto desejar-
mos, tal como apresentado na Figura 3.3.

Figura 3.3  Divisão da região R em regiões.


Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    59

Assim, escolhendo um intervalo genérico como apresenta-


do na Figura 3.2, temos:

e uma aproximação para a área total será

Considerando a Figura 3.3, parece que a aproximação me-


lhora quando , mas as somas em

são Somas de Riemann para a função , logo:

Assim,

ou
60   Cálculo Avançado

Exemplo 1: Calcular a área limitada por uma pétala da


rosácea .

Solução: Vamos, inicialmente, esboçar o gráfico da curva


(Figura 3.4) e identificar em que intervalo deve
variar para que a região, a qual queremos calcular a área,
fique delimitada em função das condições dadas pelo proble-
ma.

Figura 3.4  Região limitada por .

Considerando a figura, podemos perceber que, por exem-


plo, a região limitada pela pétala, localizada no primeiro qua-
drante (em destaque), é varrida pelo raio que gira de a
.

Aplicando a fórmula , obtemos:


Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    61

Com a ajuda da identidade pode-


mos reescrever a integral que nos fornece a área como:

Observação 1: A integral utilizada para o cálculo da área


não é a nossa única possibilidade. Poderíamos ter utilizado,
por exemplo, ou ,
dentre outras possibilidades.

Observação 2: Note que, nesse exemplo, calculamos a


área de somente uma pétala da rosácea. Como, então, pro-
ceder para calcular a área da superfície de toda a rosácea?
Como é simétrica tanto em relação ao eixo polar
quanto em relação ao polo (sugestão: fazer o teste de simetria
apresentado anteriormente), a área de toda a rosácea pode
ser expressa por:

que nada mais é do que a área de uma pétala multiplicada


por 4.
62   Cálculo Avançado

Exemplo 2: Determinar a área da região situada no segun-


do quadrante dentro da cardioide de equação .

Solução: Inicialmente, vamos fazer o esboço da curva (Fi-


gura 3.5), destacando a região da qual queremos determinar
a área e identificar em que intervalo deve variar para que a
região, a qual queremos calcular a área, fique delimitada em
função das condições dadas pelo problema.

Figura 3.5  Representação da curva .

A área da região sombreada é varrida pelo raio que gira


de a . Assim,

Com a ajuda da identidade pode-


mos reescrever a integral como:
Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    63

Exemplo 3: Determinar a área interna total da cardioide do


exemplo 2.

Solução: Observando o esboço da curva


apresentada na Figura 3.5, o raio deve varrer a cardioide in-
teira devendo variar de a . Porém, aqui temos que ter
o cuidado. Assim, utilizando com e
podemos escrever

, de modo similar ao realizado no


exemplo 2, obtemos:

Outra solução: Como a cardioide é simétrica em relação ao


eixo polar (fazer o teste de simetria), a área pode ser expressa
por:
64   Cálculo Avançado

De modo similar à solução apresentada, obtemos:

3.2 Comprimento de Arco

Para calcular o comprimento de uma curva polar ,


, referimo-nos a como um parâmetro e escreve-
mos as equações paramétricas da curva como:

Usando a Regra do Produto e derivando em relação a ,


obtemos
Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    65

assim, usando , temos

Assumindo que é contínua, podemos enunciar o seguin-


te teorema:

Se uma curva for descrita pelas equações paramétricas


, , , onde e são contínuas em
e for percorrida exatamente uma vez quando aumenta
de até , então o comprimento de é dado por:
66   Cálculo Avançado

Esse teorema nos permite escrever o comprimento de arco


como:

Portanto, o comprimento da curva com equação polar


, é

Exemplo 1: Determinar o comprimento de arco da espiral

representada na Figura 3.6 entre e .

Figura 3.6  Espiral .


Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    67

Solução: vamos utilizar a fórmula

Exemplo 2: Determinar o comprimento da cardioide


.

Solução: Primeiro vamos esboçar o gráfico de uma cardio-


ide fazendo variar de a , conforme figura 3.7.

Figura 3.7  Cardioide .


68   Cálculo Avançado

No intervalo de a , muda de sinal em . Então va-


mos dividir a última integral em uma soma de duas: uma de
a e outra de a . Porém, como a cardioide é simétrica em
relação ao eixo polar, podemos escrever, retomando a última
integral:

Observação: Tanto para o cálculo da área como do com-


primento do arco, sempre que for possível, utilizar as proprie-
dades de simetria, o que, como pode ser visto no exemplo,
não só facilita os cálculos, como é necessário considerar em
função da natureza das funções envolvidas.

Recapitulando

Considerando a pertinência da representação de curvas em


coordenadas polares, bem como de termos e métodos para
Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    69

dar tratamento a problemas envolvendo situações relacio-


nadas a um ponto em movimento, cuja trajetória fique me-
lhor descrita tomando como referência sua direção angular
e sua distância a um ponto fixo, estudamos, nesse capítulo,
o cálculo de áreas e comprimento de arcos em coordena-
das polares. Para calcularmos a área de uma região limita-
da por uma curva dada em coordenadas polares, utilizamos
a fórmula ou
. Já para o cálculo do comprimento de uma curva com
equação polar , utilizamos a fórmula

. Tanto para o cálculo da área quanto

para o do comprimento do arco é importante fazermos uma


representação gráfica da curva, em coordenadas polares, para
que tenhamos uma visão da região a qual se refere o cálculo
da área ou o cálculo do comprimento da curva que a delimita.
Essa representação gráfica é útil, principalmente, para identi-
ficarmos os intervalos de integração das integrais envolvidas.

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. V. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.
70   Cálculo Avançado

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.

Atividades

1) Considerando as representações gráficas, estabeleça uma


integral que permita calcular a área das regiões sombrea-
das (não é necessário, aqui, calcular a área).

a) b) c)
Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    71

f)

2) Calcule as integrais obtidas na atividade 1, as quais refe-


rem-se à área da região sombreada, em cada caso.


3) Determine a área da região interna da cardioide
que está localizada no segundo quadrante.

4) Determine a área da região limitada pela rosácea


.

5) Determine a área da região limitada pela espiral


que está localizada no primeiro quadrante.

6) Determine a área da região sombreada considerando


que as equações dadas das mesmas são e
.
72   Cálculo Avançado

7) Observe a região sombreada nas figuras e analise as sen-


tenças:
a) b) c)

I. A área da região sombreada no item a) é possível de


ser calculada pela integral .

II. A área da região sombreada no item b) é possível de


ser calculada pela integral .

III. A área da região sombreada no item c) é possível de


ser calculada pela integral .

IV. A área da região sombreada no item b) é possível de

ser calculada pela integral .


Capítulo 3    Áreas de Regiões Limitadas por Curvas Polares...    73

V. A área da região sombreada no item c) é possível de

ser calculada pela integral .

Sobre as sentenças é possível afirmar que:

a) As sentenças I, II e III são verdadeiras.

b) As sentenças I, III e IV são verdadeiras.

c) As sentenças II, III e V são verdadeiras.

d) As sentenças II, IV e V são verdadeiras.

e) As sentenças II e III são verdadeiras.

8) Determinar o comprimento dos arcos:

a)

b)

c)
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 4

Integrais Duplas em
Coordenadas Polares1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
Capítulo 4    Integrais Duplas em Coordenadas Polares    75

Introdução

Vamos estudar, aqui, integrais duplas nas quais o integrando


e a região de integração são dados em coordenadas polares.
Assim, como determinadas curvas ficam melhor explicitadas
a partir de sua representação polar, muitas integrais duplas
têm sua complexidade reduzida se calculadas considerando a
utilização das equações envolvidas em coordenadas polares.

4.1 Integrais duplas na forma polar

Como já dito, com frequência, é mais conveniente descrever


uma região utilizando a equação que a representa em co-
ordenadas polares , no lugar das coordenadas carte-
sianas . Assim, podemos expressar uma integral dupla
em coordenadas polares a partir da utilização
das equações , escrevendo
como função de e ,

Por exemplo, se , temos


(já que
). Mas e o elemento de área ? Como
tratá-lo em termos de coordenadas polares?
76   Cálculo Avançado

Vamos lembrar que em coordenadas cartesianas o ele-


mento de área é dado por , representado, em
termos geométricos, por pequenos retângulos com lados pa-
ralelos aos eixos e onde é a área de um desses pequenos
retângulos formado por um acréscimo em e um acrésci-
mo em como representado na Figura 4.1.

Figura 4.1  Elemento de área infinitesimal.

Porém, ao trabalharmos com coordenadas polares, vamos


dividir o plano a partir de círculos com centro na origem e
raios passando pela origem. Esses círculos e raios formam o
que é denominado de “retângulos polares” como pode ser
visto na Figura 4.2.
Capítulo 4    Integrais Duplas em Coordenadas Polares    77

Figura 4.2  Retângulo polar.

Já a Figura 4.3 destaca a abordagem a ser utilizada, em


coordenadas polares, para estabelecermos um elemento de
área, análoga à utilizada com coordenadas cartesianas. Como
podemos observar, passa para e para for-
mando-se um retângulo polar cujos lados são (a variação
em ) e (trata-se de um lado polar formado por um pe-
queno arco de circunferência de raio com ângulo central
logo, seu comprimento é dado por ).

Figura 4.3  Representação de um “retângulo polar”.


78   Cálculo Avançado

Assim, a área do pequeno retângulo polar é dada por:

A fórmula estabelecida e que dá o elemento de área em


coordenadas polares nos permite escrever a integral dupla de-
finida na forma polar, a partir da fórmula cartesiana como:

É importante destacar que aspectos formais dedutivos fo-


ram omitidos em nossa explanação, sendo que optamos por
fazer uma aproximação da integral dupla, em coordenadas
cartesianas, já estudada.

Destacamos, ainda, que estamos aqui tratando de regiões


denominadas radialmente simples, ou seja, que podem ser des-
critas em termos das desigualdades ,
onde .

Podemos, assim, escrever a integral dupla em coordenadas


polares como uma integral iterada:
Capítulo 4    Integrais Duplas em Coordenadas Polares    79

E esta fórmula nos diz que passamos de coordenadas re-


tangulares para coordenadas polares, em uma integral dupla,
admitindo e , utilizando limites de inte-
gração adequados para e , substituindo por .

Exemplo 1: Calcular onde é a região


limitada pelos círculos e e situada no
semipleno superior, conforme destacado no gráfico da Figura
4.4.

Figura 4.4  Região R e seus limites.

Solução: Nesse caso, se fôssemos resolver a integral du-


pla utilizando a representação em coordenadas cartesianas,
veríamos que se tornaria bastante complexo. Vamos utilizar,
então, a descrição de em coordenadas polares, admitindo
(pois ) e (pois está no
semipleno superior). Como:
80   Cálculo Avançado

Assim, em , substituindo por e por


e por temos que:

Ainda, considerando

vamos analisar o caso particular tomando ,


e . Nesse caso, a área da região
limitada por , e é dada por
Capítulo 4    Integrais Duplas em Coordenadas Polares    81

A partir dessa fórmula podemos obter ainda

que coincide com a fórmula utilizada no


capítulo 3.

Exemplo 2: Use uma integral dupla polar para calcular a


área compreendida pela rosácea de três pétalas .

Solução: Vamos esboçar a rosácea (Figura 4.5) utilizando


a fórmula e calcular a área de uma
pétala multiplicando por 3.
82   Cálculo Avançado

Figura 4.5  Rosácea .

Como já estudado, uma integral dupla , se


determina o volume do sólido compreendido
abaixo do gráfico e acima da região no plano
, como vamos destacar no próximo exemplo.

Exemplo 3: Determine o volume do sólido limitado pelo


plano e pelo paraboloide .

Solução: Vamos esboçar o gráfico do paraboloide (Figura


4.6) nas condições dadas.
Capítulo 4    Integrais Duplas em Coordenadas Polares    83

FIGURA 4.6  Representação do paraboloide .

Na equação , se tomarmos , obte-


mos , que é uma circunferência de raio 2 no pla-
no , ou seja, o plano intercepta o paraboloide no
círculo e o sólido está abaixo do paraboloide e
acima do círculo , dado por . Em coordenadas
polares, a região é dada por , . Como
(já que ), o volume é dado
por

Nesse caso, se trabalhássemos em coordenadas cartesia-


nas o problema nos conduziria à
84   Cálculo Avançado

O que nos levaria ao cálculo de uma integral bastante


complexa, o que evidencia uma das vantagens de se trabalhar
com coordenadas polares.

Recapitulando

Como já estudado, com frequência, é mais convenien-


te descrever uma região utilizando a equação que a repre-
senta em coordenadas polares , no lugar das coor-
denadas cartesianas . Assim, é necessário sabermos
expressar uma integral dupla em coordenadas
polares, o que é feito a partir da utilização das equações
, escrevendo como função de
e , É importante lembrar que
em coordenadas cartesianas o elemento de área é dado
por , sendo que em coordenadas polares esse ele-
mento é dado por . Assim, podemos
escrever a integral dupla definida na forma polar, a partir da
fórmula cartesiana, .
Como estamos tratando de regiões denominadas radialmen-
te simples, ou seja, que podem ser descritas em termos das
desigualdades , onde
, podemos escrever a integral dupla em coor-
denadas polares como uma integral iterada
Capítulo 4    Integrais Duplas em Coordenadas Polares    85

E esta fórmula nos diz que passamos de coordenadas re-


tangulares para coordenadas polares, em uma integral dupla,
admitindo e , utilizando limites de inte-
gração adequados para e , substituindo por .

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.
86   Cálculo Avançado

Atividades

1) Calcule as integrais iteradas em cada caso:

a)

b)

c)

2) Use uma integral dupla para calcular a área de uma péta-


la da rosácea .

3) Use uma integral dupla para calcular a área da rosácea


.

4) Use uma integral dupla para calcular a área da região da


cardioide de equação e que está localizada

à direita da reta .

5) Calcular a integral , onde R é a região

limitada pela circunferência .


Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 5

Equações Paramétricas
de Curvas1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
88   Cálculo Avançado

Introdução

Até agora estudamos duas formas de representar pontos e cur-


vas no plano: o sistema de coordenadas cartesianas e o siste-
ma de coordenadas polares. Nesse capítulo, vamos pensar em
uma curva como a trajetória de uma partícula em movimento,
cuja posição está constantemente se modificando ao longo do
tempo. Para o tratamento de tal situação, e de outras muitas,
vamos utilizar as denominadas equações paramétricas de uma
curva.

5.1 Parametrização de curvas planas

Em determinados problemas físicos, por vezes, nos interessa


considerar um ponto móvel, o tempo medido a partir do início
do movimento descrito por esse ponto, bem como a direção
do movimento. Um ponto (de coordenadas e ) em movi-
mento descreve, então, uma curva quando o tempo varia em
um determinado intervalo. Temos, assim, não só a descrição
da trajetória desse ponto e sua localização, mas também o
sentido do seu movimento, para distintos valores de . Nessas
condições, há interesse em expressar as coordenadas e em
função da variável , ou seja,

sendo a variável denominada de parâmetro e, e


, denominadas de Equações Paramétricas.
Capítulo 5   Equações Paramétricas de Curvas   89

O parâmetro não representa, necessariamente, tem-


po e, ainda, poderíamos utilizar outra letra para designá-lo.
Porém, como já destacado em muitas aplicações de equa-
ções paramétricas, denota tempo, o que permite interpre-
tar como a posição de uma partícula no
instante .

A Figura 5.1 destaca a trajetória de uma partícula que se


move ao longo de uma curva .

Figura 5.1  Trajetória de uma partícula em uma curva .

No que segue são apresentados exemplos que nos per-


mitem estudar a representação de curvas em equações pa-
ramétricas, bem como expressar determinadas curvas dadas
em equações cartesianas em paramétricas, e curvas dadas em
equações paramétricas em cartesianas.

Exemplo 1: Esboçar a curva definida pelas equações para-


métricas e .

Solução: Inicialmente, vamos construir uma tabela atribuin-


do valores a e calculando os respectivos valores de e e,
em seguida, vamos representar a curva no sistema cartesiano.
90   Cálculo Avançado

Destaca-se que podemos atribuir a um valor real qualquer,


porém vamos atribuir valores que sejam convenientes.

Assim, considerando as equações paramétricas,

e atribuindo valores a , chegamos à Tabela 5.1.


Tabela 5.1  Conjunto de pontos das equações e .
-3 -2 -1 0 1 2 3

-6 -4 -2 0 2 4 6

8 3 0 -1 0 3 8

(-6,8) (-4,3) (-2,0) (0,-1) (2,0) (4,3) (6,8)

Na Tabela 5.1 cada valor atribuído a nos fornece um


ponto da curva. Por exemplo, se , então e e
temos o ponto .

A partir dos dados da tabela vamos representar, grafica-


mente, a curva e no plano. Assim, no grá-
fico da Figura 5.2 marcamos os pontos , determinados
a partir dos valores do parâmetro e os unimos para produzir
a curva.
Capítulo 5   Equações Paramétricas de Curvas   91

Figura 5.2  Representação da curva e .

No que se refere ao movimento, um ponto móvel cuja po-


sição é dada por equações paramétricas se move ao longo
da curva na direção dada pelo aumento do parâmetro, o que
é representado pelas setas no gráfico. Observamos, também,
que embora os pontos consecutivos marcados na curva dada
apareçam em intervalos de tempo iguais, as distâncias não
são iguais, pois a partícula pode acelerar ou desacelerar à
medida que aumenta.

Pela trajetória da curva, apresentada na Figura 5.2, “pare-


ce” que a mesma pode ser uma parábola. Porém, é possível
confirmar essa impressão inicial pela eliminação do parâmetro
, como pode ser visto a seguir.

(1)

92   Cálculo Avançado

(2)

A partir de , podemos obter

(3)

E substituindo em obtemos

Assim, a curva representada pelas equações paramétricas


dadas é a parábola com o vértice em
côncava para cima, com as raízes em e . Isso
significa que para representar geometricamente uma curva,
dada em equações paramétricas, podemos atribuir valores a
calculando os pares correspondentes ou chegar à equa-
ção cartesiana eliminando o parâmetro .

Ainda, no exemplo 1, nenhuma restrição foi colocada ao


parâmetro , o que nos levou a admitir que poderia ser um
número real qualquer. Porém, por vezes, podemos ter interesse
em restringir a um intervalo finito. No caso do exemplo 1,
poderíamos admitir:
Capítulo 5   Equações Paramétricas de Curvas   93

Obtendo a representação destacada na Figura 5.3

Figura 5.3  Representação da curva e ,


.

Assim, de modo geral, a curva com equações paramé-


tricas , e tem ponto inicial em
e ponto final .

Exemplo 2: Determinar a equação em e da curva de


equações paramétricas , com em .
Esboce o gráfico da curva e indique a direção na qual a curva
é traçada quando aumenta.

Solução: Em geral, é possível obter uma descrição mais


clara da curva eliminando o parâmetro, então, inicialmente,
vamos estabelecer a equação em e , eliminando o parâ-
metro . Assim, dados
94   Cálculo Avançado

Vamos isolar em , obtendo e substituir em

De modo que se tem a equação que é


uma parábola, com vértice em e concavidade voltada
para a direita.

Para esboçar o gráfico vamos construir a Tabela 5.2.


Tabela 5.2  Conjunto de pontos das equações e

-2 -1 0 1 2

11 -1 -5 -1 11

-1 1 3 5 7

(11,-1) (-1,1) (-5,3) (-1,5) (11,7)

A partir desta tabela vamos construir o gráfico da Figura


5.4.
Capítulo 5   Equações Paramétricas de Curvas   95

Figura 5.4  Gráfico da equação .

O sentido de um possível deslocamento sobre a curva é


dado pelo aumento do parâmetro de a , o que é apre-
sentado pelas setas, daí a importância de se construir a tabela
observando o aumento de .

Exemplo 3: Identificar a curva de equações paramétricas


apresentadas abaixo e esboçar o seu gráfico.

Solução: Para identificar a curva vamos representá-la em


termos de e , sendo que, para tal, devemos eliminar o
parâmetro . Assim, utilizando a identidade trigonométrica
, temos que:
96   Cálculo Avançado

Assim, quando aumenta de a , o ponto


se move ao longo da circunferência
unitária , do centro na origem, no sentido anti-ho-
rário, partindo do ponto . Observe o esboço do gráfico
dessa curva na Figura 5.5, bem como o sentido do movimen-
to, dado pelas setas.

Figura 5.5  Representação da curva

Exemplo 4: Identificar a curva representada pelas equações


paramétricas , no intervalo .

Solução: Utilizando a identidade trigonométrica


eliminando o parâmetro t, temos que:
Capítulo 5   Equações Paramétricas de Curvas   97

E as equações paramétricas também representam a circun-


ferência de centro na origem e raio 1, . Porém, aqui,
quando varia de a , o ponto
começa em e se move duas vezes (pois o período aqui é
) ao longo da circunferência no sentido horário, o que pode
ser visto na Figura 5.6.

Figura 5.6  Representação da curva .

Nos exemplos 3 e 4 partimos das equações paramétricas


de uma curva e chegamos a sua equação em e . Em ambos
os exemplos, chegamos à equação de uma circunferência de
raio 1, porém, tratando-se de situações distintas (no caso mo-
vimento de uma e duas voltas), o que evidencia que diferentes
equações paramétricas podem representar a mesma curva.

Exemplo 5: Determine uma equação paramétrica para a


circunferência de centro e raio 2.
98   Cálculo Avançado

Solução: A circunferência de centro e r=2 tem como

equação cartesiana . Como a

equação paramétrica é dada por

Recapitulando

Em determinados problemas físicos, por vezes, nos interessa


considerar um ponto móvel, o tempo medido a partir do início
do movimento descrito por esse ponto, bem como a direção
do movimento. Um ponto (de coordenadas e ) em movi-
mento descreve, então, uma curva quando o tempo varia em
um determinado intervalo. Temos, assim, não só a descrição
da trajetória desse ponto e sua localização, mas também o
sentido do seu movimento, para distintos valores de . Nessas
condições, há interesse em expressar as coordenadas e
em função da variável , ou seja, e sendo
a variável denominada de parâmetro e, e
, denominadas de equações paramétricas. Destaca-se que o
parâmetro não representa, necessariamente, tempo e, ain-
da, poderíamos utilizar outra letra para designá-lo. Porém, em
muitas aplicações de equações paramétricas, denota tempo,
o que permite interpretar como a posição
de uma partícula no instante . No que se refere ao desloca-
mento, um ponto móvel cuja posição é dada por equações
paramétricas se move ao longo da curva na direção dada pelo
aumento do parâmetro que é representado, no gráfico, por se-
Capítulo 5   Equações Paramétricas de Curvas   99

tas. Assim, a direção na qual a curva é traçada é sempre dada


pelo aumento do parâmetro t. Observamos que embora pon-
tos consecutivos marcados em uma curva dada apareçam em
intervalos de tempo iguais, as distâncias não são iguais, pois
a partícula pode acelerar ou desacelerar à medida que au-
menta. Assim, se for de nosso interesse, podemos, a partir da
equação cartesiana de uma curva, expressá-la em equações
paramétricas ou, a partir de equações paramétricas, estabele-
cer a equação cartesiana de uma curva.

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

KAIBER, Carmen Teresa; DALLA VECCHIA, Rodrigo; SCAPIN,


Dienifer Kiak. A incorporação de Calculadoras Gráfi-
cas na estruturação de conceitos relacionados a Co-
ordenadas Polares e Equações Paramétricas. In: GRO-
ENWALD, C. L. O.; ROSA, M. Educação Matemática e
Calculadoras: teoria e prática. Canoas: ULBRA, 2010.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.
100   Cálculo Avançado

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.

Atividades

1) Estabeleça uma equação cartesiana para a curva cujas


equações perimétricas são .
Esboce o gráfico e indique o sentido da curva.

2) Estabeleça uma equação cartesiana para a curva cujas equa-


ções perimétricas são .
Esboce o gráfico e indique o sentido da curva.

3) Estabeleça uma equação cartesiana para a curva cujas


equações perimétricas são +
.
Esboce o gráfico e indique o sentido da curva.

4) Estabeleça uma equação cartesiana para a curva cujas


equações perimétricas são .
Esboce o gráfico e indique o sentido da curva.

5) Leia as sentenças e marque com “V” se verdadeiro e “F” se


falso.

I. ( ) A curva tem equações paramétricas


para qualquer valor real de
.

II. (  ) Uma curva dada em equações paramétricas é sem-


pre uma parábola ou uma reta.
Capítulo 5   Equações Paramétricas de Curvas   101

III. ( ) Um ponto móvel cuja posição é dada por uma


equação paramétrica se move ao longo da curva na
direção em que o parâmetro diminui.

IV. (  ) A equação cartesiana da curva dada pelas equa-


ções paramétricas
onde a > 0 é

V. ( ) Um ponto móvel cuja posição é dada por uma


equação paramétrica se move ao longo da curva na
direção em que o parâmetro aumenta.

Agora assinale a alternativa correta.

a) V – F – V – V – F

b) V – F – V – F – F

c) V – F – F – V – V

d) F – V – F – F – V

e) F – V – V – F – F
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 6

Introdução a Campos
Vetoriais 1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   103

Introdução

Neste capítulo, vamos estudar funções que associam vetores


a pontos no espaço. Essas funções estão envolvidas no estudo
de inúmeras aplicações nas ciências tais como fluxo de fluidos,
campos de força e campos de velocidade, campos gravitacio-
nais e campos de forças eletromagnéticas, os quais se cons-
tituem em campos vetoriais, que serão igualmente definidos.

6.1 Funções Vetoriais

As funções até aqui estudadas são funções a valores reais.


Vamos estudar, agora, funções que possibilitam, por exemplo,
descrever o movimento de objetos no plano ou no espaço,
as funções a valores vetoriais. As funções vetoriais sobre um
domínio plano ou no espaço dão origem, também, a “campos
vetoriais” sendo esse o tema central do nosso estudo.

Uma função a valores vetoriais ou função vetorial é uma


função cujo domínio é um conjunto de números reais e cuja
imagem é um conjunto de vetores. Em particular, há interesse
em funções cujos valores são vetores no espaço tridimensional.

Por exemplo, quando uma partícula se move no espaço,


em um intervalo de tempo , podemos pensar nas coordena-
das da partícula como funções definidas em .

, , com
104   Cálculo Avançado

Os pontos formam uma


curva no espaço que define a trajetória da partícula sendo que
, , são as equações paramétricas
da curva.

Porém, podemos representar essa curva na forma vetorial.


Assim, o vetor , a partir da
origem até a posição da partícula no ins-
tante é o vetor posição da partícula. As funções , e são
as funções componentes do vetor posição e a trajetória da
partícula é dada pela curva traçada por durante o intervalo
de tempo O vetor posição pode ser representado por:

ou por

Utilizamos a letra para indicar a variável independente


em função de que, na maioria das aplicações, a variável inde-
pendente é o tempo.

Exemplo 1: Queremos esboçar a curva cuja equação veto-


rial é dada por

Solução: As equações paramétricas para essa curva são


Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   105

Examinando essas equações podemos inferir que à medi-


da que o parâmetro cresce, cresce o valor de , logo
move-se para cima. Porém, à medida que cresce, o
ponto também move-se sobre a trajetória sobre a cir-
cunferência no plano . A combinação
desses movimentos, para cima e circular, produz uma curva
com um formato similar ao de um saca-rolhas, que envolve
um cilindro circular reto de raio 1. Essa curva é chamada héli-
ce circular e está representada na Figura 6.1. Múltiplos cons-
tantes do parâmetro podem alterar o número de voltas por
unidade de tempo.

Figura 6.1  Hélice circular.


106   Cálculo Avançado

A forma da hélice circular é a mesma da mola e essa mes-


ma forma está presente, por exemplo, no modelo do DNA
(ácido desoxirribonucleico) o qual refere-se ao material genéti-
co de células vivas. A estrutura da molécula de DNA é de duas
hélices circulares paralelas interligadas, como foi mostrado
por James Watson e Francis Crick em 1953 (STWART, 2011).
A Figura 6.2 apresenta essa estrutura.

Figura 6.2  Modelo da estrutura do DNA.


Fonte: http://alunosonline.uol.com.br/biologia/molecula-dna.html

As funções de variável vetorial, como já especificado, es-


tão relacionadas à descrição de trajetórias e movimentos de
objetos que se deslocam no plano ou no espaço. Porém, não
vamos aprofundar, aqui, o estudo dessas funções, uma vez
que, nosso interesse recai sobre campos vetoriais.

6.2 Campos Vetoriais

Buscando contextualizar as ideias matemáticas a serem estu-


dadas nesse, e nos próximos capítulos, vamos analisar uma
série de situações apresentadas a seguir.
Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   107

A Figura 6.3 destaca um campo vetorial de velocidade


do vento mostrando aspectos da dinâmica dos ventos da re-
gião da América do Sul, às 15h (horário de Brasília) no dia
15/08/2015.

Os vetores em destaque representam os vetores velocida-


de, indicando o módulo, direção e sentido da velocidade do
vento. A cada ponto, podemos imaginar um vetor velocida-
de do vento, sendo que, de acordo com os comentários que
acompanhavam o mapa, quanto mais quentes forem as cores
das setas mais intenso será o vento. Note, a partir do mapa
apresentado, que no litoral entre a Bahia e Natal, bem como
no interior do Ceará e Piauí, os ventos estão mais intensos.

Figura 6.3  Campo vetorial de velocidade do vento.


Fonte: http://www.climatempo.com.br/noticia/2015/08/15/vento-se-intensifica-
-no-nordeste-5035.
108   Cálculo Avançado

Outros exemplos de campos vetoriais de velocidade são


apresentados nas Figuras 6.4 e 6.5. A Figura 6.4 destaca um
escoamento de água que flui horizontalmente (um rio ou um
córrego) e, nele, vamos considerar a camada de água em uma
determinada profundidade. Em cada ponto da camada a água
tem uma certa profundidade, que pode ser representado por
um vetor naquele ponto. Essa associação de vetores veloci-
dade com pontos em uma camada bidimensional é chamada
campo de velocidade nessa camada (Anton, 2000, p. 478).

Figura 6.4  Campo de velocidade em escoamento em um rio.

Na Figura 6.5(a) observa-se um campo de velocidade


média de um escoamento em torno de uma curva de 180°,
obtidas a partir da técnica velocimetria média-temporal por
imagens de partículas (Particle Image Velocimetry – PIV). Na
PIV, centenas de partículas são identificadas e fotografadas em
dois intervalos de tempo muito próximos. Os movimentos das
partículas indicam, portanto, vetores de velocidades locais. Es-
sas centenas de vetores são, então, suavizados por repetidas
operações por computador até ser obtido o campo de esco-
Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   109

amento médio no tempo. A Figura 6.5(b) é uma fotografia de


longa exposição obtida com o auxílio de um traçador do esco-
amento em uma curva de 180°. Observa-se que as partículas
formam linhas de emissão, sendo que linha de emissão é a
linha formada por todas as partículas que passaram anterior-
mente por um ponto prescrito (WHITE, 2010, p. 56).

Figura 6.5(a)  Campo de Figura 6.5(b)  Linhas de emissão de


velocidade em escoamento em um escoamento em uma curva de
uma curva de 180°. 180°.

A Figura 6.6 destaca uma representação do campo gra-


vitacional da Terra que se comporta de acordo com a Lei da
Gravitação Universal de Newton: considerando um ponto de
massa unitária localizado em qualquer ponto do universo, a
Terra exerce uma força atrativa sobre essa massa na direção
do seu centro que é inversamente proporcional ao quadrado
da distância que as separa. A associação de vetores de força
com pontos no espaço é chamado Campo Gravitacional da
Terra.
110   Cálculo Avançado

Figura 6.6  Campo gravitacional da Terra.

Vamos definir, agora, o que é um campo vetorial. Primeiro


vamos definir em uma região plana em e, em seguida, no
espaço tridimensional .

Definição 1: Seja um conjunto em . Um campo vetorial em


é uma função que associa a cada ponto em um
único vetor bidimensional .

Considerando um sistema de coordenadas retangulares,


podemos denotar por o vetor associado a um ponto
de coordenadas do e esse vetor terá componentes
que são funções de e . Assim, o campo vetorial pode
ser expresso como:

Ainda podemos denotar na forma vetorial


Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   111

Ou, ainda, de maneira reduzida

que é uma representação simplificada do campo vetorial.

De modo análogo, quando nos referimos ao campo tridi-


mensional , temos:

Definição 2: Seja um conjunto em . Um campo vetorial


em é uma função que associa a cada ponto em
um único vetor tridimensional .

Assim, podemos denotar por o vetor associado a


um ponto de coordenadas do e esse vetor terá
componentes que são funções de , e . Logo, podemos
denotar o campo vetorial como:

ou
112   Cálculo Avançado

ou

6.3 Representação gráfica de campos


vetoriais

Exemplo 1: Descrever o campo vetorial em definido por


desenhando um número suficiente de ve-
tores para caracterizar geometricamente o campo.

Solução: Vamos, inicialmente, estabelecer um conjunto de


pontos, os quais possibilitem desenhar um número suficiente
de vetores para caracterizar o campo, o que pode ser visto
na tabela apresentada na Figura 6.7. Para desenhar =
, iniciamos no ponto (1,0) e marcamos o vetor ; para
desenhar = , iniciamos no ponto (0,1) e marca-
mos o vetor . Continuamos o processo, até o gráfico
sugerir o campo, tal como apresentado na Figura 6.7.
Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   113

Figura 6.7  Representação do campo vetorial

Observe que na Figura 6.7 o campo foi representado a


partir da construção de um determinado número de vetores,
considerando os pontos indicados na tabela. Essa forma de
representação é bastante limitada, pois nos permite represen-
tar um pequeno número de vetores, via de regra, relacionado
com campos que envolvem funções elementares. Porém, com
um recurso tecnológico digital temos condições de melhor vi-
sualizar e analisar o comportamento dos campos vetoriais, o
que pode ser visto na parte inferior da figura.

Exemplo 2: Descrever o campo vetorial em definido por


desenhando um número suficiente de vetores
para caracterizar geometricamente o campo.
114   Cálculo Avançado

Solução: A representação desse campo pode ser vista na


Figura 6.8. Como que refere-se ao componente
do vetor em relação ao eixo , é possível observar que todos
os vetores são horizontais, apontando para a direita, sendo
que seu comprimento é sempre o mesmo e igual a 1.

Figura 6.8  Representação do campo vetorial .

Exemplo 3: Descrever o campo vetorial em definido por


desenhando um número suficiente de veto-
res para caracterizar geometricamente o campo.

Solução: O campo vetorial está representado na Figura


6.9. Observe que os vetores apontam todos na mesma di-
reção e sentido, sendo resultantes entre um deslocamento à
direita do ponto considerado e para cima. Sugere-se, aqui,
construir uma tabela, com número suficiente de pontos que
permita caracterizar o campo.
Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   115

Figura 6.9  Representação do campo vetorial .

Exemplo 4: Apresentamos, na Figura 6.10(a) e 6.10(b),


exemplos de representações geométricas de campos vetoriais
no espaço 3D.

Figura 6.10(a)  Representação Figura 6.10(b)  Representação


do campo do campo
. .
116   Cálculo Avançado

Podemos observar que a representação de campos veto-


riais no espaço 3D é bastante complexa e, quase sempre, só
vamos conseguir realizar tais representações utilizando um re-
curso tecnológico digital. Apenas campos muito elementares,
como o apresentado no exemplo 3, são possíveis de serem
representados sem tais recursos.

Recapitulando

As funções até aqui estudadas são funções a valores reais.


Estudamos, agora, funções que possibilitam, por exemplo,
descrever o movimento de objetos no plano ou no espaço, as
funções a valores vetoriais. Uma função a valores vetoriais ou
função vetorial é uma função cujo domínio é um conjunto de
números reais e cuja imagem é um conjunto de vetores. Em
particular, há interesse em funções cujos valores são vetores no
espaço tridimensional. Por exemplo, quando uma partícula se
move no espaço em um intervalo de tempo podemos pensar
nas coordenadas da partícula como funções definidas em ,
da forma , , com . Os pontos
formam uma curva no es-
paço que define a trajetória da partícula, sendo que ,
, são as equações paramétricas da curva.
Porém, podemos representar essa curva na forma vetorial. As-
sim, o vetor a partir da origem
até a posição da partícula no instante
é o vetor posição da partícula. As funções , e são as fun-
ções componentes do vetor posição e a trajetória da partícula
é dada pela curva traçada por durante o intervalo de tempo
Utilizamos a letra para indicar a variável independente em
Capítulo 6   Introdução a Campos Vetoriais   117

função de que, na maioria das aplicações, a variável inde-


pendente é o tempo. As funções vetoriais estão envolvidas no
estudo de inúmeras aplicações nas ciências tais como fluxo
de fluidos, campos de força e campos de velocidade, cam-
pos gravitacionais e campos de forças eletromagnéticas, as
quais se constituem em campos vetoriais. Um campo vetorial
em é uma função que associa a cada ponto em
em ,um único vetor bidimensional , sendo de-
notado por , onde as
funções e são as funções componentes do
vetor. Do mesmo modo, um campo vetorial em é uma
função que associa a cada ponto em em ,
um único vetor tridimensional sendo denotado por
É de interesse
representar geometricamente os campos vetoriais para estudar
e analisar como esses campos, os quais se referem a impor-
tantes fenômenos, como já indicado, se comportam. O estudo
de campos vetoriais aqui realizado serve de base para os estu-
dos desenvolvidos nos próximos capítulos.

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.
118   Cálculo Avançado

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.

WHITE, Frank M. Mecânica dos Fluidos. 6. ed. São


Paulo:McGraw Hill 2010.

Atividades

Trace um número suficiente de vetores para ilustrar o padrão


dos vetores nos campos vetoriais dados:

1)

2)

3)

4)

5)

6)

7)

8)
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 7

Campos Vetoriais:
Gradiente, Rotacional e
Divergente1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
120   Cálculo Avançado

Introdução

Continuando nossos estudos sobre campos vetoriais vamos es-


tudar, nesse capítulo, operações que associam entre si funções
escalares e funções vetoriais: o gradiente, o divergente e o ro-
tacional. A importância dessas operações está relacionada ao
fato que importantes campos vetoriais surgem ou podem ser
estudados a partir da determinação das mesmas.

7.1 Gradiente

O gradiente é determinado aplicando um operador diferencial


vetorial denominado “nabla” ou “del”, cujo símbolo é (ope-
rador nabla ou del), a uma função. O operador é dado por:

Se é uma função escalar de duas variáveis, podemos de-


terminar seu gradiente (ou grad ) aplicando o operador
a uma função :

ou em outra notação
Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    121

Assim, é um campo vetorial em e é denominado


campo vetorial gradiente. Da mesma forma, se for uma
função escalar de três variáveis, seu gradiente é um campo
vetorial em dado por:

ou em outra notação

Exemplo 1: Queremos determinar o campo vetorial gra-


diente de .

Solução: Como o campo vetorial gradiente é dado por

temos que
122   Cálculo Avançado

Exemplo 2: Queremos determinar o campo vetorial gra-


diente de e fazer uma representação do
mesmo.

Solução: O campo vetorial gradiente de é dado


por:

e está representado na Figura 7.1.

Figura 7.1  Representação do campo .


Fonte: Stwart (2011, p. 984)

A Figura 7.1 mostra a representação gráfica do campo


vetorial gradiente (representado pelos vetores) e do mapa de
Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    123

contorno (curvas de nível) da função . Ob-


serve que os vetores gradientes são perpendiculares às curvas
de nível e são mais longos onde as curvas de nível estão mais
próximas umas das outras e mais curtos quando elas estão
mais distantes entre si. Isso se deve ao fato de o comprimento
do vetor gradiente ser o valor da derivada direcional de e a
proximidade das curvas de nível indicar uma grande inclina-
ção da superfície representada.

Assim, em um campo gradiente, os vetores têm direção e


sentido sempre na direção e sentido da maior taxa de varia-
ção, sendo que seu módulo tem maior valor à medida que se
aproxima do ponto onde há taxa de variação máxima.

Um campo vetorial é chamado campo vetorial con-


servativo se ele for o gradiente de alguma função escalar, ou
seja, se existir uma função , tal que . Nesse caso, a
função é denominada de função potencial de .

Embora nem todos os campos vetoriais sejam conservati-


vos, os mesmos aparecem com frequência na Física. Exemplos
importantes de campos vetoriais conservativos são os deno-
minados campos vetoriais quadrados inversos. O campo gra-
vitacional da Terra é um campo quadrado inverso, portanto
conservativo. De acordo com a lei da gravitação universal de
Newton, se uma partícula de massa está localizada na ori-
gem de um sistema coordenado , então a força exercida
sobre uma partícula de massa localizada em é
124   Cálculo Avançado

onde G é uma constante gravitacional, r é o vetor posição do


ponto K (distância entre os objetos), e um vetor unitário.

Outro exemplo de campo quadrado inverso ocorre em


eletricidade, quando se trabalha com a Lei de Coulomb que
expressa, matematicamente, a mesma forma da lei de gravita-
ção universal de Newton.

7.2 Rotacional e Divergente

Vamos definir, agora, duas operações dos campos vetoriais


que são fundamentais nas aplicações do cálculo vetorial em
mecânica dos fluidos e em eletricidade e magnetismo. Essas
operações são denominadas de rotacional e divergente,
sendo que, uma gera um campo vetorial enquanto a outra,
um campo escalar.

7.2.1 Rotacional
Se é um campo vetorial em e as deriva-
das parciais de existem, então o rotacional de é o
campo vetorial em definido por
Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    125

Equação 1

Vamos, agora, chegar ao rotacional usando notação de


operadores. Para tal, vamos utilizar o operador diferencial ve-
torial (nabla ou del) já definido

Sabemos que, quando opera sobre uma função escalar


, produz o gradiente dessa função

Assim, se pensarmos em como um vetor de componentes


, , , podemos considerar o produto vetorial de
pelo campo vetorial como segue:

Podemos, então, expressar o rotacional, a partir do produ-


to vetorial, como:
126   Cálculo Avançado

Equação 1

Exemplo 3: Se , determine
o rotacional de .

Solução: Usando a Equação 2, temos:

Queremos, agora, calcular o rotacional do gradiente de


uma função de três variáveis (lembrando que o gradiente é
um campo vetorial em , de modo que podemos calcular
seu rotacional. O próximo teorema diz que o rotacional gra-
diente de um campo vetorial é 0 (zero).

Teorema 1: Se é uma função de três variáveis que têm


derivadas parciais de segunda ordem contínuas, então
Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    127

Demonstração: Temos

Como um campo vetorial conservativo é da forma ,


o Teorema 1 pode ser reescrito como segue:

Se é um campo conservativo, então

No Exemplo 3, ao determinar o rotacional de


, chegamos a

o que evidencia que e, portanto, considerando o


Teorema 1 temos que não é conservativo.

Em geral, a recíproca do Teorema 1 não é verdadeira, ou


seja não implica, necessariamente, em ser con-
servativo, mas o próximo teorema afirma que, se for definido
em todo o espaço, a recíproca vale (mais especificamente, a
128   Cálculo Avançado

recíproca vale se o domínio é simplesmente conexo, ou seja,


“não apresenta furos”).

Teorema 2: Se for um campo vetorial definido sobre todo


cujas funções componentes tenham derivadas parciais de
segunda ordem contínuas e , então será um campo
vetorial conservativo.

Exemplo 4: Mostre que


é um campo
vetorial conservativo.

Solução: Calculemos o rotacional de :

Como e o domínio de é , é um campo


vetorial conservativo, pelo Teorema 2.

A razão para o nome rotacional é que o vetor rotacional


está associado com rotações. Por exemplo, quando repre-
senta um campo de velocidade em mecânica dos fluidos, as
partículas próximas ao ponto no fluido tendem a rodar
em torno do eixo que aponta na direção de ,eo
comprimento do vetor rotacional é a medida de quão rápido
as partículas se movem em torno desse eixo (Figura 7.2). Se
em um ponto , então o fluido não gira no ponto
Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    129

e é chamado irrotacional em . Em outras palavras, não


existe redemoinho em . Se , uma pequena roda
com pás deslizaria com o fluido, mas não rodaria em torno de
seu eixo. Se , a roda com pás giraria em torno de
seu eixo.

Figura 7.2  Representação do rotacional.

7.2.2 Divergente
Se é um campo vetorial em e existem
, , , então o divergente de é a função
de três variáveis definida por

Equação 2

Observe que é um campo vetorial, mas


é um campo escalar. Em termos do operador gradiente
130   Cálculo Avançado

, o divergente de pode
ser escrito simbolicamente como o produto escalar de e :

Equação 3

Exemplo 4: Se , encontre
.

Solução: Pela definição de divergente temos:

Se é um campo vetorial em , então também é


um campo vetorial sobre . Como tal, podemos calcular seu
divergente. O próximo teorema mostra que o resultado é 0
(zero).

Teorema 3: Se é um campo vetorial


sobre e têm derivadas parciais de segunda ordem
contínuas, então

Demonstração: Usando as definições de divergente e rota-


cional temos
Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    131

pois os termos se cancelam aos pares.

Novamente, a razão para o nome divergente pode ser en-


tendida no contexto da mecânica dos fluidos. Se é
o campo de velocidade de um fluido, então representa
a taxa de variação total (com relação ao tempo) da massa de
fluido escoando no ponto , por unidade de volume.
Em outras palavras, mede a tendência do fluido
divergir do ponto . Se , então é dito in-
compressível.

Recapitulando

Estudamos, nesse capítulo, operações que associam entre si


funções escalares e funções vetoriais: o gradiente, o diver-
gente e o rotacional. O gradiente é determinado aplicando
um operador diferencial vetorial denominado “nabla” ou
“del”, cujo símbolo é (operador nabla ou del), a uma fun-
ção. O operador é dado por . Se é
uma função escalar de duas variáveis, podemos determinar
seu gradiente (ou grad ) aplicando o operador a uma
função : . Assim, é um cam-
po vetorial em e é denominado campo vetorial gradiente.
Da mesma forma, se for uma função escalar de três vari-
áveis, seu gradiente é um campo vetorial em dado por:
132   Cálculo Avançado

. Em um campo gradiente os
vetores têm direção e sentido sempre na direção e sentido
da maior taxa de variação, sendo que seu módulo tem maior
valor à medida que se aproxima do maior valor. Um campo
vetorial é chamado campo vetorial conservativo se ele
for o gradiente de alguma função escalar, ou seja, se existir
uma função , tal que . Nesse caso, a função é de-
nominada de função potencial de . Embora nem todos os
campos vetoriais sejam conservativos, os mesmos aparecem
com frequência e são importantes. Exemplos importantes de
campos vetoriais conservativos são os denominados campos
vetoriais quadrados inversos, sendo que o campo gravitacio-
nal da Terra é um campo quadrado inverso, portanto conser-
vativo. Agora, passamos ao rotacional. Se
é um campo vetorial em e as derivadas parciais de
existem, então o rotacional de é o campo vetorial em
definido por .
Podemos, ainda, expressar o rotacional a partir do produto
vetorial envolvendo o operador diferencial del e o campo ve-
torial, como segue: . Temos, ainda, que o ro-
tacional do gradiente de um campo vetorial é nulo, ou seja,
. Assim, como um campo conservativo advém
do gradiente de uma função , podemos afirmar que se
é um campo conservativo, então Porém, não ne-
cessariamente se o rotacional de um campo é nulo, o cam-
po é conservativo. Assim, com certeza, podemos afirmar que
Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    133

se o campo não é conservativo. Agora se o ro-


tacional for nulo e for definido sobre todo o , então o
campo é conservativo. A razão para o nome rotacional está
associado com rotações. Por exemplo, quando representa
um campo de velocidade em mecânica dos fluidos, as partí-
culas próximas ao ponto no fluido tendem a rodar
em torno do eixo que aponta na direção de ,e
o comprimento do vetor rotacional é a medida de quão rá-
pido as partículas se movem em torno desse eixo. Agora, se
é um campo vetorial em e existem
, , , então o divergente de é a função
definida por: . Observe que é um
campo vetorial, mas é um campo escalar. Em termos
do operador diferencial ,o
divergente de pode ser escrito simbolicamente como o pro-
duto escalar de e : . Assim, pode-se dizer que
o gradiente é um vetor obtido a partir da aplicação do ope-
rador diferencial nabla ou del, o rotacional é um vetor obtido
a partir de um produto vetorial entre um campo vetorial e o
operador diferencial del; o divergente é um escalar obtido a
partir de um produto escalar entre o operador diferencial del e
um campo vetorial. Todas essas operações nos dizem “alguma
coisa” sobre o campo em estudo, que deverá ser interpretado
à luz do fenômeno estudado.
134   Cálculo Avançado

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.

Atividades

1) Dados os campos vetoriais a seguir, determine o rotacio-


nal ( e o divergente (

a)

b)

2) Determine, em cada caso, um campo vetorial conservativo
que tenha o potencial (função potencial) indicado.

a)

b)

Capítulo 7    Campos Vetoriais: Gradiente, Rotacional e Divergente    135

3) Determine o campo vetorial gradiente, em cada caso.

a)

b)

c)

4) Dados os campos vetoriais a seguir, determine o rotacio-
nal ( e o divergente (

a)

b)

c)

d)

5) Determine se os campos vetoriais dados são ou não con-
servativos.

a)

b)

6) Leia com atenção as sentenças identificando com “V” as
sentenças verdadeiras e com “F” as falsas.

I. (  ) Gradiente, rotacional e divergente são operações


sobre campos vetoriais que resultam, todas elas, em
vetores.

II. (  ) Um campo vetorial gradiente se obtém aplicando


o operador diferencial nabla a uma função em ou
136   Cálculo Avançado

III. (  ) Se é um campo conservativo, então .

IV. ( ) Um campo vetorial é chamado conservativo se


houver uma função , tal que

V. (  ) Determina-se o rotacional aplicando-se o operador


diferencial nabla sobre uma função .

Assinale a alternativa correta.

a) V-V-F-F-V

b) V-V-F-V-F

c) F-V-V-V-F

d) F-F-V-V-F

e) F-F-V-V-V
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 8

Integrais de Linha1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
138   Cálculo Avançado

Introdução

Neste capítulo, vamos estudar as integrais de linha, que são


generalizações da integral definida. Nosso objetivo é estabe-
lecer o significado de integrar uma função ao longo de uma
curva e determinar o cálculo de tal integral, sendo que essas
integrais estão relacionadas à resolução de problemas que en-
volvem escoamento de líquidos, forças, eletricidade e magne-
tismo. Porém, algumas aplicações das integrais de linha serão
estudadas no próximo capítulo.

8.1 Integrais de Linha

O conceito de integral de linha é uma generalização da inte-


gral definida (integral unidimensional) já estudada,
porém, enquanto que na integral definida integramos sobre
um intervalo , na integral de linha integramos sobre uma
curva .

Assim, no tratamento dado à integral come-


çamos por dividir o intervalo em subintervalos (tan-
tos quantos desejarmos) de amplitude , , ,...,
. Escolhemos, então, um número , em cada subintervalo, e
tomamos o limite da soma (Soma de Riemann),
quando todos tendem a zero. De forma análoga, vamos
proceder para o estudo das integrais de linha.

Vamos começar considerando uma curva plana dada pe-


las equações paramétricas
Capítulo 8   Integrais de Linha   139

Equação 1

a qual, em sua equação vetorial, é dada por

Vamos supor que a curva seja uma curva lisa ou suave.


Se dividirmos o intervalo do parâmetro em subinter-
valos de igual amplitude, fazendo , então
os pontos correspondentes dividem em subarcos
de comprimento .

Vamos escolher um ponto qualquer no i-ésimo


subarco (o que corresponde a um ponto em ). Se
a função é de duas variáveis cujo domínio inclui a curva ,
vamos calcular o valor de no ponto , multiplicar pelo
comprimento do subarco e somar, obtendo

que é análoga à Soma de Riemann, destacada anteriormente.


Em seguida, vamos tomar o limite dessa soma chegando à
seguinte definição:
140   Cálculo Avançado

Definição 1: Se é definida sobre uma curva lisa dada pelas


equações , , , então a integral de
linha de sobre é

se esse limite existir.

Uma representação da situação apresentada pode ser vista


na Figura 8.1.

Figura 8.1  Representação da Soma de Riemann para integrais de linha.

Na Seção 3.2 do Capítulo 3 enunciamos o seguinte teore-


ma, referente ao comprimento de arco:
Capítulo 8   Integrais de Linha   141

Esse teorema nos permite estabelecer que o comprimento da


curva , apresentada na Equação 1, é dado por:

Argumentação semelhante pode ser usada para mostrar


que, se é uma função contínua, então o limite apresentado
na Definição 1 sempre existe e podemos calcular a integral de
linha. Assim, se é uma função definida sobre uma cur-
va lisa , dada pelas equações , , ,
a integral de linha de sobre é dada por:

Equação 2

Observamos que na Equação 2 substituímos e pelas equa-


ções paramétricas e e (que é a variação
142   Cálculo Avançado

da amplitude dos subarcos) pela expressão


(cuja expressão do radical está relacionada ao comprimento
do arco).

Destaca-se que o valor da integral de linha não depende


da parametrização da curva, desde que a curva seja percorri-
da uma única vez quando cresce de para .

Podemos, ainda, obter dois outros tipos de integrais de li-


nha utilizando e em lugar de , que são chamadas
integrais de linha de , ao longo de , em relação à e à
respectivamente. Assim, considerando a Equação 2, obtemos:

Assim, como para as integrais unidimensionais, podemos


interpretar a integral de linha de uma função positiva como
uma área. De fato, se , representa a
área de “cerca” ou “cortina” esboçada no gráfico da Figura
8.2, cuja base é dada pela curva e cuja altura acima do
ponto é dada por .
Capítulo 8   Integrais de Linha   143

Figura 8.2  Representação da integral de linha como área de uma região.

De forma análoga às curvas dadas em duas dimensões, se


for uma curva no espaço tridimensional, parametrizada por

Então a integral ao longo da curva é dada por

Podemos ter, ainda, a situação onde a curva é a união de


um número infinito de curvas lisas , como ilustrado
na Figura 8.3. Embora não seja nossa intenção aprofundar
estudos sobre integrais de linhas em uma curva lisa por par-
tes, é interessante destacar como tratar tal situação. Vamos
144   Cálculo Avançado

supor, então, que seja uma curva lisa por partes, ou seja,
é a união de um número infinito de curvas lisas ,
onde, como ilustrado na Figura 8.3, o ponto inicial de é
o ponto final de .

Figura 8.3  Representação de uma curva lisa por partes.

Nesse caso, definimos a integral de , ao longo de , como


a soma das integrais de , ao longo de cada trecho de .

Exemplo 1: Queremos calcular para dada


por , , .

Solução: Como e já estão expressos por equações pa-


ramétricas, vamos utilizar direto a equação
Capítulo 8   Integrais de Linha   145

Assim, temos que

Exemplo 2: Calcule , onde é a metade


superior do círculo unitário .

Solução: Para usar a equação

necessitamos antes de equações paramétricas que represen-


tem a curva . Como já vimos, o círculo unitário pode ser
146   Cálculo Avançado

parametrizado por meio das equações e


a metade superior do círculo é descrita pelo intervalo do parâ-
metro , conforme representado na Figura 8.4.

Figura 8.4  Representação da curva .

Exemplo 3: Calcule a integral de linha de


a ao longo da curva , que é representada
pelas equações paramétricas
Capítulo 8   Integrais de Linha   147

Solução: Utilizando a Equação 5

temos

Em aplicações que envolvem trabalho, e aí estamos nos


referindo a campos vetoriais, as integrais de linha costumam
aparecer em forma de combinações que podem ser escritas
como:

Nos exemplos 4, 5 e 6 vamos trabalhar com uma integral


desse tipo em diferentes situações.
148   Cálculo Avançado

Exemplo 4: Queremos calcular , onde


consiste em segmentos de reta de a e de a
.

Solução: Vamos representar essa situação, subdividindo


em duas partes. Considerando a Figura 8.5, temos que as
equações paramétricas de e são dadas por:

(referente ao segmento de
a )

(referente ao segmento de
a )

Figura 8.5  Representação da curva .

Observando a Figura 8.5, percebe-se que a integral de


linha ao longo de pode ser expressa como a soma de duas
integrais de linha, a primeira ao longo de e a segunda ao
longo . Sobre temos , e, então,
Capítulo 8   Integrais de Linha   149

Sobre temos , e, portanto,

Finalmente, o valor da integral de linha ao longo de é


.

Exemplo 5: Calcule o valor da integral ,


considerando que é o segmento de reta de a .

Solução: Inicialmente vamos representar a curva no inter-


valo considerado, o que pode ser visto na Figura 8.6.

Figura 8.6  Representação da curva .


150   Cálculo Avançado

A Figura 8.6 ilustra o gráfico de , sendo que sua equação


é (equação da reta que passa por dois pontos),
com . Neste caso, e

Exemplo 5: Calcule o valor da integral , em


que as equações paramétricas de são ,
e .

Solução: A Figura 8.7 apresenta o gráfico de , que nes-


se caso é parte de uma parábola.

Figura 8.7  Representação da curva .


Capítulo 8   Integrais de Linha   151

Com as equações paramétricas ,


e , obtemos , e a integral
curvilínea é igual a

Outra possibilidade de resolução consiste em utilizar a


equação cartesiana para a parábola (obtida a
partir das paramétricas), com , obtendo a integral

Nos Exemplos 4, 5 e 6 obtivemos três valores diferentes


para uma mesma integral de linha ao longo de três diferentes
caminhos, porém, vamos estudar, no que segue, integrais de
linha que têm o mesmo valor independente do caminho.

8.2 Independência do Caminho

Vamos iniciar retomando o Teorema Fundamental do Cálculo


que pode ser escrito como
152   Cálculo Avançado

onde (função do integrando) é contínua em .

Vamos enunciar, agora, um teorema que pode ser conside-


rado como uma versão do Teorema Fundamental do Cálculo
para as integrais de linha.

Teorema 2: Seja uma curva lisa dada pela função vetorial


, . Seja uma função diferencial de duas ou três
variáveis cujo vetor gradiente é contínuo em . Então

No âmbito do teorema enunciado, o vetor gradiente da


função de duas ou três variáveis é considerado como uma
espécie de derivada de . O teorema nos diz que podemos
calcular a integral de linha de um campo vetorial conservativo
(no caso o campo vetorial gradiente da função potencial ) sa-
bendo apenas o valor de nos pontos terminais de . Assim, o
teorema aponta que a integral de linha de (gradiente de )
é a variação total de e é independente do caminho.

Se é uma função de duas variáveis e uma curva plana


com início em e término em , como repre-
sentado na Figura 8.8(a), aplicando o teorema temos
Capítulo 8   Integrais de Linha   153

Se é uma função de três variáveis e uma curva espacial


ligando o ponto ao ponto , como re-
presentado na Figura 8.8(b), então temos

(a) (b)
Figura 8.8  Representação de uma curva no plano e no espaço.

Destaca-se que o teorema, acima enunciado, também vale


para curvas lisas por trechos. Isso pode ser visto subdividindo-
-se em um número finito de curvas lisas e somando as inte-
grais resultantes, como já apontado anteriormente.

Agora vamos apresentar questões específicas que dizem


respeito à independência do caminho. Suponha que seja
uma curva fechada (seu ponto terminal coincide com seu pon-
to inicial, Figura 8.9(a)) e e sejam curvas lisas por trecho
154   Cálculo Avançado

(chamadas caminhos) que têm o mesmo ponto inicial e o


mesmo ponto final , como se pode observar na Figura 8.9(b).
Em decorrência do teorema anteriormente enunciado, temos
que

sempre que for contínuo. Ou seja, a integral de linha de


um campo vetorial conservativo depende somente dos pontos
extremos da curva.

(a) (b)
Figura 8.9  Curva fechada e possíveis caminhos.

Vamos lembrar que um campo vetorial conservativo, já


definido no capítulo anterior, é um campo vetorial que é o
gradiente de um campo escalar.

De modo geral, se for um campo vetorial contínuo com


domínio , a integral de linha é independente do
caminho se
Capítulo 8   Integrais de Linha   155

para quaisquer dois caminhos e em , desde que com


os mesmos ponto iniciais e finais.

No que segue, em todo o nosso trabalho vamos supor regi-


ões abertas e conexas. Isso significa que dois pontos quaisquer
dessas regiões podem ser ligados por uma curva suave intei-
ramente contida na região. Significa, também, que para todo
ponto de uma região plana , existe um círculo de centro
inteiramente contido em . O Teorema, a seguir, nos dá o
resultado que se uma função vetorial é contida em , então
a integral de linha é independente do caminho se e
somente se é conservativo.

Teorema 3: Se é contínua em
uma região aberta conexa, então a integral de linha é
independente do caminho se e somente se
para alguma função .
156   Cálculo Avançado

Teorema 4: Se e são contínuas em uma região aberta


conexa, então a integral de linha

é independente do caminho se e somente se existe uma função


, tal que

Se for possível determinar a função indicada no Teore-


ma acima, então,

e nosso trabalho prévio permite escrever

Equação 6

onde e são coordenadas de e de , respec-


tivamente. Esta fórmula é análoga ao Teorema Fundamental
do Cálculo.

O resultado que segue nos diz mais a respeito da indepen-


dência do caminho.
Capítulo 8   Integrais de Linha   157

Teorema 5: Se e têm derivadas parciais primeiras con-


tínuas em uma região aberta conexa , e se

é independente do caminho em , então

Exemplo 7: Se , mos-
tre que é independente do caminho e calcule

Pelos Teoremas 3 ou 4, a integral é independente do cami-


nho se existe uma função (potencial) , tal que

Integrando (parcialmente) em relação à , obtemos


158   Cálculo Avançado

onde é função apenas de . Diferenciando em relação à e


comparando com , obtemos

Consequentemente, e , para al-


guma constante . Assim,

define uma função do tipo desejado. Aplicando a Equação 6


temos:

Recapitulando

Estudamos, nesse capítulo, as integrais de linha, que são ge-


neralizações da integral definida. Estabelecemos o significado
de integrar uma função ao longo de uma curva e determinar
o cálculo de tal integral. Essas integrais estão envolvidas na in-
terpretação e resolução de problemas envolvendo escoamento
Capítulo 8   Integrais de Linha   159

de líquidos, forças, eletricidade e magnetismo. A seguinte fór-


mula pode ser empregada para calcular uma integral de linha:

. Podemos,
ainda, obter dois outros tipos de integrais de linha utilizando
e em lugar de , que são chamadas integrais de linha
de ao longo de em relação à e à , respectivamen-
te. Assim, temos: e

. Podemos interpretar
a integral de linha de uma função positiva como uma área. De
fato, se , representa a área de “cerca”
ou “cortina”, cuja base é dada por uma curva e cuja altura
acima de um ponto é dada por . De forma análo-
ga as curvas dadas em duas dimensões, se for uma curva no
espaço tridimensional, parametrizada por , ,
, , então a integral ao longo da curva é dada

por: .
Em aplicações que envolvem trabalho, e aí estamos nos re-
ferindo a campos vetoriais, as integrais de linha costumam
aparecer em forma de combinações que podem ser escri-
tas como: . Uma questão impor-
tante, quando se trabalha com integrais de linha, refere-se
à independência do caminho. De modo geral, se for um
campo vetorial contínuo com domínio , a integral de linha
é independente do caminho se
para quaisquer dois caminhos e em , desde que com
os mesmos pontos iniciais e finais. Podemos afirmar, tam-
bém, que uma integral de linha é independente do
caminho se e somente se para alguma
160   Cálculo Avançado

função , ou seja, é um campo conservativo. Se


e são contínuas em uma região aberta conexa, então a
integral de linha é independen-
te do caminho se e somente se existe uma função , tal que
, o que nos permite determinar a função .
Ainda, se e têm derivadas parciais primeiras contínuas
em uma região aberta conexa , e se uma integral de linha da
forma é independente do caminho
em , então , que se toma como condição para veri-
ficar a independência do caminho.

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.
Capítulo 8   Integrais de Linha   161

Atividades

1) Calcule a integral de linha , onde é a curva dada


por , , .

2) Calcule a integral de linha , onde é


a curva dada por entre e .

3) Calcule a integral de linha , onde


é a curva dada por

    

4) Calcule a integral de linha ,


onde é a curva dada por

    


5) Calcule a integral de linha , ao lon-
go de cada curva de a em cada caso. Iden-
tifique, comparando os itens a) e b), a integral de linha
independe do caminho ou não, justificando sua resposta.
162   Cálculo Avançado

a) b)
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 9

Integrais de Linha:
Aplicações1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana o Brasil.
164   Cálculo Avançado

Introdução

As integrais de linha têm ampla aplicação no estudo de pro-


blemas relacionados ao escoamento de fluidos, forças, ele-
tricidade e magnetismo, tendo sido estabelecidas no começo
do século XIX para solucionar tais problemas. Nesse capítulo,
vamos estudar algumas das principais aplicações das integrais
de linha.

9.1 Trabalho como uma Integral de Linha

Uma aplicação importante das integrais de linha refere-se ao


problema de definir trabalho, então o objetivo dessa seção é
apresentar um conceito geral de Trabalho , ou seja, o
trabalho realizado por uma força variável atuando so-
bre uma partícula que se move ao longo de um trajeto
curvo no espaço 2-D ou no 3-D.

Vamos considerar a trajetória de uma partícula no


espaço 3-D (de modo análogo poderíamos pensar em
uma trajetória no espaço 2-D) entre dois pontos A e
B, de modo que essa partícula se move ao longo de
uma curva suave parametrizada. Queremos determinar
o trabalho exercido por essa força ao mover uma par-
tícula ao longo de uma curva C, como já especificado.

De estudos anteriores temos que o trabalho realiza-


do por uma força que move uma partícula de a
até b ao longo do eixo , é dado por .
Capítulo 9   Integrais de Linha: Aplicações   165

Outro resultado obtido, quando do estudo de vetores,


nos leva ao entendimento que trabalho é dado pelo
produto escalar entre um vetor força e um vetor deslo-
camento (

Vamos, aqui, definir o trabalho realizado por um


campo de força como o limite de uma Soma de Rie-
mann, de modo análogo ao realizado para as integrais
de linha. Porém, vamos considerar a presença de um
vetor tangente à curva em cada ponto da mesma, o
que determina o deslocamento, tal como representado
na Figura 9.1.


Figura 9.1  Trajetória de uma partícula entre os pontos A e B.

A Figura 9.1 destaca os elementos pertinentes à Soma de


Riemann mencionada anteriormente, sendo um subar-
co genérico onde podemos ver o vetor tangente ( ), unitário,
atuando no ponto .

Sem nos alongarmos na interpretação da Soma de Rie-


mann, vamos passar a definição do trabalho realizado por um
166   Cálculo Avançado

campo vetorial, considerando uma partícula que se move ao


longo de uma curva.

Definição 1: Se for um campo vetorial contínuo e uma


curva paramétrica suave no espaço 2-D ou no 3-D com
vetor tangente unitário , então o trabalho realizado pelo
campo vetorial na partícula que se move ao longo de , na
direção de crescimento do parâmetro, é

Equação 1

Uma maneira mais conveniente para calcular o tra-


balho pode ser obtida expressando como

Isso sugere que a definição acima pode ser expressa como

na qual é interpretado como

Ou

dependendo se está no espaço 2-D ou no 3-D.


Capítulo 9   Integrais de Linha: Aplicações   167

Exemplo 1: Determine o trabalho realizado pelo campo de


força ao se mover uma partícula ao
longo de um quarto de círculo ,
.

Solução: Como e , temos que

Sendo

O trabalho realizado é dado por

Observe que o trabalho realizado é negativo, isso


se deve ao fato que o campo impede o movimento ao
longo da curva.
168   Cálculo Avançado

9.2 Massa de um arame como uma


integral de linha

Vamos discutir, agora, como uma integral de linha pode ser


usada para calcular a massa de um arame fino. Para tal, va-
mos considerar um arame fino idealizado no espaço 2-D ou no
3-D curvado com o formato de uma curva . Se a composição
do arame for uniforme de modo que sua massa seja distribu-
ída uniformemente então, diz-se que o arame é homogêneo
e definimos a densidade de massa linear do arame como a
massa total dividida pelo comprimento total. Por exemplo, um
arame homogêneo com massa de e comprimento de
tem densidade de massa linear de . Porém, se
a massa do arame não for distribuída uniformemente, a den-
sidade de massa linear não é uma medida adequada, porque
não considera as variações na concentração de massa. Neste
caso, a concentração de massa num ponto é descrita por uma
função de densidade de massa , que é tomada como um
limite, isto é:

Equação 3

onde e denotam a massa e o comprimento de uma


pequena seção do arame centrada no ponto (conforme Figura
9.2). Observe que é a densidade de massa linear da
pequena seção do arame, assim, a função de densidade de
massa num ponto pode ser vista de modo informal como o
Capítulo 9   Integrais de Linha: Aplicações   169

limite das densidades de massa lineares de pequenas seções


do arame centradas no ponto.

Figura 9.2  Representação de uma pequena seção de arame.

Para expressar essa ideia em uma fórmula, vamos supor


que é a função de densidade de um arame fino
ajustado em no espaço 2-D. Supondo, ainda, que o arame
esteja subdividido em seções pequenas. Novamente, aqui,
a interpretação segue a interpretação genérica dada para in-
tegrais de linha, de modo que o valor de será dado pela
integral de linha

Equação 4

Similarmente, a massa de um arame no espaço 3-D


como função de densidade é dada por
170   Cálculo Avançado

Equação 5

Exemplo 2: Suponha que um arame semicircular tenha a


equação e que sua densidade de massa seja
, conforme representado na Figura 9.3. Fisi-
camente, isso significa que o arame em uma densidade má-
xima de 15 unidades na base e que a densidade do
arame decresce linearmente em relação à para um valor de
10 unidades no topo . Calcule a massa do arame.

Figura 9.3  Representação de um arame semicircular.

Solução: A massa do arame pode ser expressa como a


integral de linha

ao longo do semicírculo . Para calcular essa integral, expres-


samos parametricamente como
Capítulo 9   Integrais de Linha: Aplicações   171

Sabendo que
temos que

9.3 Comprimento de Arco como integral


de linha

Nos casos especiais em que e são iguais a


1, temos que

Equação 6
172   Cálculo Avançado

Equação 7

E essas integrais representam o comprimento de arco


como já estudado. Podemos, assim, chegar ao seguinte resul-
tado:

Teorema 1: Se for uma curva paramétrica suave do


espaço 2-D ou do 3-D, então, seu comprimento de arco
pode ser expresso como

Destaca-se que esse resultado não traz nada de novo do


ponto de vista do cálculo, pois se trata apenas de uma forma
diferente de apresentar as fórmulas de comprimento de arco já
conhecidas. Porém, é importante conhecermos a relação entre
as integrais de linha e o comprimento de arco.

As aplicações da integral de linha estudadas nesse capí-


tulo envolvem certo grau de complexidade uma vez que se
referem a fenômenos de distintas naturezas, como mecânica
dos fluidos, força, trabalho, eletricidade, magnetismo. Porém,
Capítulo 9   Integrais de Linha: Aplicações   173

os aspectos matemáticos aqui desenvolvidos, de fato, ganham


significado, à medida que os aplicamos, motivo pelo qual en-
tende-se pertinente trabalharmos com essas aplicações, mes-
mo que muitos dos aspectos envolvidos não sejam de nosso
total domínio.

Recapitulando

As integrais de linha têm ampla aplicação no estudo de pro-


blemas relacionados ao escoamento de fluidos, forças, ele-
tricidade e magnetismo, tendo sido estabelecidas no começo
do século XIX para solucionar tais problemas. Uma aplicação
importante das integrais de linha refere-se à possibilidade de
se determinar o Trabalho realizado por uma força
variável atuando sobre uma partícula que se move ao
longo de um trajeto curvo no espaço 2-D ou no 3-D.
Assim, utilizando-se uma integral de linha, é possí-
vel definir trabalho nas condições especificadas como
. Outra aplicação importante da integral
de linha refere-se a sua utilização no cálculo da massa
e do centro de massa de um arame em função da den-
sidade dada por ou . Por fim,
utilizamos uma integral de linha para calcular comprimentos
de arcos. Apesar de não trazer nada de novo do ponto de vista
do cálculo, pois se trata apenas de uma forma diferente de
apresentar as fórmulas de comprimento de arco já conheci-
das, é importante conhecermos a relação entre as integrais de
linha e o comprimento de arco. Os temas desenvolvidos nesse
capítulo envolvem certo grau de complexidade uma vez que
174   Cálculo Avançado

se referem a fenômenos de distintas naturezas, como mecâni-


ca dos fluidos, eletricidade, magnetismos. Porém, os aspectos
matemáticos aqui desenvolvidos, de fato, ganham significado
a medida que os aplicamos, motivo pelo qual entende-se per-
tinente trabalharmos com essas aplicações, mesmo que muitos
dos aspectos físicos envolvidos não sejam de nosso total do-
mínio.

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.

Atividades

1) Determine o trabalho realizado pelo campo de força


numa partícula que se move
Capítulo 9   Integrais de Linha: Aplicações   175

ao longo de um quarto de círculo da curva , dada por


.

2) Determine o trabalho realizado pelo campo de força


numa partícula que se move
ao longo da curva C, dada por
.

3) Leia com atenção as sentenças e indique, marcando com


um “X” a alternativa correta.

a) (  ) As aplicações das integrais de linha se restringem a


calcularmos o comprimento de uma curva.

b) (  ) Uma integral de linha só pode ser calculada se for


definida no .

c) (  ) A parametrização da curva é dada por


.

d) (  ) Uma integral de linha permite calcular, por exem-


plo, o trabalho realizado por um campo de força ao
mover uma partícula ao longo de uma curva suave.

e) (  ) Também pode-se obter o trabalho realizado por um


campo de força ao mover uma partícula ao longo de
uma curva usando a derivada primeira da função que
expressa o campo de força.

4) Determine o trabalho realizado pelo campo de força


para movimentar um objeto so-
bre um arco da cicloide
.
176   Cálculo Avançado

5) Determine a massa de um arame fino no formato de um


quarto de círculo se a função
densidade for .
Carmen Teresa Kaiber1

Capítulo 10

Teorema de Green 1

1  Doutora em Ciências da Educação. Professora titular do Curso de Matemática


- Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemá-
tica da Universidade Luterana do Brasil.
178   Cálculo Avançado

Introdução

Neste capítulo, vamos estudar o chamado Teorema de Green,


que recebeu esse nome em homenagem ao matemático e físi-
co inglês George Green (1793 – 1841). O Teorema de Green
fornece a relação entre uma integral de linha ao redor de uma
curva fechada simples e uma integral dupla sobre a região do
plano cercada pela curva. Sua importância reside no fato de
que, por vezes, é mais adequado calcularmos uma integral
dupla no lugar de uma integral de linha.

10.1 Teorema de Green

O Teorema de Green fornece a relação entre uma integral de


linha ao redor de uma curva fechada simples e uma integral
dupla sobre a região , do plano, cercada por . Vamos ad-
mitir que consiste em todos os pontos dentro de uma curva
, além dos pontos sobre , sendo que delimita , confor-
me representado na Figura 10.1. Para enunciar o Teorema de
Green, vamos utilizar a convenção de que a orientação posi-
tiva de uma curva fechada simples se refere a percorrer
no sentido anti-horário apenas uma vez. Assim, se for dada
como uma função vetorial , , então a região
está à esquerda quando o ponto percorrer , como re-
presentado na Figura 10.2 (a) e (b). Para simplificar a notação,
vamos usar os símbolos para denotar os valores
dessas funções em .
Capítulo 10   Teorema de Green   179

Figura 10.1  Região e curva fechada .

(a) (b)
Figura 10.2  Orientações positiva e negativa de .

No que segue, apresentamos o teorema e, em seguida,


atividades de aplicação.

Teorema de Green: Seja uma curva plana simples,


fechada, contínua por trechos, orientada positivamente, e
seja a região delimitada por . Se e têm derivadas
parciais de primeira ordem contínuas sobre uma região
aberta que contenha , então
180   Cálculo Avançado

Exemplo 1: Calcule a integral de linha ,


onde é a curva triangular constituída pelos segmentos de
reta de a , de a e de a .

Solução: Observe a Figura 10.3 e note que a região ,


cercada por , é simples e tem orientação positiva. Consi-
derando e , temos

Figura 10.3  Representação da região .

Utilizando o Teorema de Green, temos:

Exemplo 2: Calcule a integral de linha ,


onde é o quadrado situado no primeiro quadrante limitado
pelas retas e .
Capítulo 10   Teorema de Green   181

Solução: A região está representada na Figura 10.4, as-


sim como a curva limitada por , e os eixos coor-
denados e sua orientação positiva.

Figura 10.4  Representação da curva .

Considerando e e utilizando o Teorema


de Green, temos

Exemplo 3: Calcular a integral de linha


onde é o círculo .

Solução: A Figura 10.5 apresenta o círculo .


182   Cálculo Avançado

Figura 10.5  Representação da curva .

Observe que aqui não foi necessário utilizar a curva no


cálculo. A integral de linha dada é independente do caminho,
sendo assim para toda curva fechada simples (ver teorema).

Exemplo 4: Calcule
, onde é o círculo
.

Solução: A região , delimitada por , é o círculo


, então vamos mudar para coordenadas polares
depois de aplicar o Teorema de Green
Capítulo 10   Teorema de Green   183

Exemplo 5: Calcule a integral de linha ,


onde é a curva fechada limitada por e entre
os pontos e .

Solução: A Figura 10.6 representa a região limitada por


.

Figura 10.6  Representação da curva .


184   Cálculo Avançado

Nos exemplos vistos até aqui foi possível perceber que a in-
tegral dupla era mais facilmente calculada como uma integral
de linha. Porém, às vezes, é mais simples calcular a integral de
linha, e, nesse caso, usaremos o Teorema de Green na ordem
inversa. Por exemplo: se sabemos que
sobre uma curva , então o Teorema de Green nos dá

não interessando os valores das funções e em .

Apesar de termos utilizado o Teorema de Green somen-


te no caso particular onde é simples, podemos estendê-lo
agora para o caso em que é uma união finita de regiões
simples. Por exemplo, se é uma região como mostrado na
Figura 10.7, então podemos escrever onde e
são ambas simples. A fronteira de é e
a fronteira é . Assim, aplicando o Teorema de
Green para e separadamente, obtemos
Capítulo 10   Teorema de Green   185

Figura 10.7  Região .

Se somarmos essas duas equações, a integral de linha so-


bre e se cancelam e obtemos

que é o Teorema de Green para , uma vez que


sua fronteira é .

O mesmo tipo de argumentação nos permite estabelecer o


Teorema de Green para qualquer união finita de regiões sim-
ples, porém, não vamos, aqui, nos aprofundar nessas ques-
tões.
186   Cálculo Avançado

Recapitulando

O Teorema de Green fornece a relação entre uma integral de


linha ao redor de uma curva fechada simples e uma integral
dupla sobre a região do plano cercada por . Vamos ao
Teorema de Green: Seja uma curva plana simples, fecha-
da, contínua por trechos, orientada positivamente, e seja
a região delimitada por . Se e têm derivadas parciais
de primeira ordem contínuas sobre uma região aberta que
contenha , então , onde
ou .

Referências

ANTON, Howard. Cálculo: Um novo Horizonte. v. 2. 6. ed.


Porto Alegre: Bokmann, 2007.

ANTON, Howard; BIVENS, Irl; DAVIS, Stephens. Cálculo. v. 2.


8. ed. Porto Alegre: Bokmann, 2007.

STWART, James. Cálculo. v. 2. São Paulo: Cengage Learning,


2011.

SWOKOWSKI, Earl William. Cálculo com Geometria Analí-


tica. v. 2. São Paulo: Makron, 1994.

THOMAS, George B. Cálculo. v. 2. 12. ed. São Paulo: Pear-


son Education do Brasil, 2012.
Capítulo 10   Teorema de Green   187

Atividades

1) Calcule a integral de linha onde


C é o quadrado limitado pelos pontos (0,0), (1,0), (0,1),
(1,1).

2) Calcule a integral de linha onde C


é a curva limitada por y = x² entre os pontos (0,0), (-1,1).

3) Calcule a integral de linha onde C é


a curva limitada por x = -2, x = 4, y = 1 e y = 2.

4) Calcule a integral de linha onde C


é o círculo .

5) Calcule a integral de linha onde C é a


curva que limita a região D contida no primeiro quadrante
entre os círculos e .

6) Considere a integral de linha onde D é


a região contida no semipleno superior entre os círculos x²
+ y² = 4 e x² + y² = 9, conforme a figura.
188   Cálculo Avançado

Analise as sentenças, todas referindo-se a essa integral de


linha, indicando com “v” as sentenças verdadeiras e com
“f” as falsas.

I. (  ) Em coordenadas polares podemos estabelecer que


a região D está limitada por 4 e0

II. (  ) Em coordenadas polares podemos estabelecer que


a região D está limitada por 2 e0

III. (  ) A integral pode ser igualada a


, sendo .

IV. (  ) A integral pode ser igualada a


.

V. (  ) A integral pode ser igualada a


.

Agora assinale a alternativa correta.

a) V – F – F – V – F

b) V – F – V – F – V

c) F – V – F – V – V

d) F – V – F – F – V

e) F – V – F – V – F
Gabarito  189

Gabarito

Capítulo 1
1)

a) b)

c) d)

2)


190  Gabarito

3) Alternativa correta: d

4)

5) Alternativa correta: c

6)

a)

b)

c)

d)
Gabarito  191

7)

a)

b)

c)

d)

Capítulo 2
1)

a) r=3 b) r=4cos( ) c) r=1+cos( )

2)

a) r= 1+ 2cos( )   b) r= 2sen( )   c) r= -5cos( )

3)

a) r= 4cos( )   b) r= 3+ 2sen( )  c) r=1+sen(t)

4) Alternativa correta: e

5)

a) b) c)
192  Gabarito

d) e) f)

g) h) i)

j) k) l)

Capítulo 3
1)

a) d) 

Gabarito  193

b) e) 

c) f)

2)

a) d) 

b) e) 

c) f) 

3)

Esboço da região:

Área:
194  Gabarito

4)

Esboço da região:

Área:

5)

Esboço da região

Área

6)

Área:

7) Alternativa correta: d

8)

a) L
Gabarito  195

b) L= 2

c) L=16

Capítulo 4
1)

a) Resposta:

b) Resposta:

c) Resposta:

2)

Área=

3)
196  Gabarito

Área=

4)

Área=

5)

Resposta:

Capítulo 5
1)

Resposta:
Gabarito  197

2)

Resposta:

3)

Resposta:

4)

Resposta:
198  Gabarito

5) Alternativa correta: item c

Capítulo 6
Trace um número suficiente de vetores para ilustrar o padrão dos vetores
nos campos vetoriais dados:

1)

2)
Gabarito  199

3)

4)
200  Gabarito

5)

6)
Gabarito  201

7)

8)

Capítulo 7
1)

a) ,

b) ,

2)

a)

b)

3)

a)

202  Gabarito

b)

c)

4)

a) ,

b)  ,

c) ,

d) ,

5)

a) É conservativo.

b) Não é conservativo.

6) Alternativa correta: c

Capítulo 8
1)

Resposta:

2)

Resposta:

3)

Resposta:
Gabarito  203

4)

Resposta:

5)

Respostas: a) b) Nesse caso, a integral de linha não é indepen-


dente do caminho.

Capítulo 9
1)

Resposta:

2)

Reposta:

3)

Alternativa correta: d

4)

Resposta:

5)

Resposta:

Capítulo 10
1)

Resposta:

2)

Resposta:
204  Gabarito

3)

Resposta: zero

4)

Resposta:

5)

Resposta:

Representação da região

6) Alternativa correta: e

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