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Sumário

7 Primeiras Palavras
Revista evangélica
trimestral da Convenção 13 Palavra do Redator
Batista Fluminense.
15 Biografias
O intuito desta revista
é servir de material de 20 Lição 1 Abraão
educação religiosa acerca
do que é ensinado na
Palavra de Deus, pela
26 Lição 2 José
leitura e interpretação dos
escritores destas lições. 32 Lição 3 Moisés
Esta revista não é um
manual para a vida cristã,
é apenas um material de
36 Lição 4 Josué
auxílio educacional. Antes
de tudo leia a Bíblia, que
é a Palavra de Deus.
42 Lição 5 Davi

46 Lição 6 Elias
Publicada pela Convenção
Batista Fluminense, sob
cuidado do Departamento
52 Lição 7 Eliseu
de Educação Religiosa
e produção do DECOM
(Departamento de
56 Lição 8 Neemias

Comunicação).
62 Lição 9 Ester

66 Lição 10 Isaías

70 Lição 11 Jeremias

74 Lição 13 Daniel

(21) 2620-1515
78 Lição 13 Habacuque
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Ingá, Niterói/RJ - CEP 24210-145 82 Notas Técnicas
Data do estudo Lição 1
Texto base: Gênesis 22.1-19

Abraão
Quando na
Adversidade
Confiamos em Deus
Por Ed. Venância Vargas

O contexto desta lição se encon- no. Sendo assim, o nascimento de


tra em Gênesis 22.1-19, situação em Isaque, no livro de Gênesis, é uma
que Abraão, o pai da fé, entrega o ação sobrenatural, que demarcou a
seu filho Isaque em sacrifício a Deus. confissão de fé do povo israelita. Em
O episódio põe em contradição as sentido paralelo, a morte de Isaque
promessas feitas a Abraão (Gn 12.1- contradiz a promessa, exigindo de
3) de que Isaque, o filho da promes- Abraão confiança total em Deus ao
sa, seria o herdeiro das bênçãos. A sacrificar o próprio filho. Uma prova
história se desenvolve entre fé e a de fogo. Como sacrificar aquilo que
crise do patriarca, ao ponto de ques- foi prometido pelo próprio Deus?
tionar a promessa de Deus, uma vez Como confiar num Deus que põe à
que ele não teria filho nem descen- prova os seus filhos amados? Muitas
dência (Gn 15.2,3). Ainda devemos vezes em nossas vidas, as circuns-
ressaltar o fato de que Sara, espo- tâncias são adversas e encontra-
sa de Abraão era estéril (Gn 16.1) mos provas em nossas jornadas. O
e o próprio Abraão tinha noventa e texto de Gênesis 22.1-19 ensina-nos
nove anos de idade (Gn 17.1). Resu- grandes lições através da vida de
midamente, podemos dizer que a Abraão. Nesta lição, vamos ver algu-
promessa de um filho (Isaque) surge mas delas e observar também como
em situações adversas e de impos- Abraão as superou.
sibilidades do ponto de vista huma-

20
1. Reconhecemos que como expectativas: 1) Gênesis 1-11 – apre-
seres humanos, todos nós sentando o caráter de degeneração
passamos por adversidades. da humanidade, a qual se encontra
no caos familiar e social. 2) Gênesis
Gênesis é o primeiro livro da Bí-
12-50 – focando na família patriarcal
blia, pertencente a um grupo maior,
como elemento unificador e restau-
chamado Pentateuco1, cujo signifi-
rador entre Deus e os seres huma-
cado é origem. O conteúdo históri-
nos. A questão que se levanta nos
co e teológico do livro e do penta-
capítulos 1-11 é a seguinte: diante da
teuco mostra o amor e a fidelidade
obstinação do coração humano es-
de Deus por Israel, ainda que em
taria esgotada a paciência de Deus?
situações de adversidades. No con-
Abraão é a resposta para essa per-
junto da obra, numa perspectiva
gunta.
judaico-cristã, o Pentateuco serve
como orientação, demonstrando a Nesse contexto, podemos en-
soberania e o poder de Deus sobre tender as crises, os problemas e as
os povos e sobre as leis das ciên- provações na vida desse homem. As
cias e dos fenômenos da natureza; lutas enfrentadas têm um sentido de
apresentando os desígnios de Deus missão – restaurar o relacionamento
para a sua criação, em que o pecado divino/humano, o que muda a nos-
atrasa a agenda e o propósito divino, sa perspectiva diante do sofrimento.
mas não anula, uma vez que Abraão Nessa direção, ainda que estejamos
aparece como instrumento de Deus cumprindo um chamado divino, não
para abençoar a humanidade; ainda, passaremos pela vida sem expe-
o Pentateuco apresenta o caráter de rimentar provas. O próprio senhor
Deus e os seus padrões éticos – tan- Jesus nos ensina dizendo: “no mun-
to a sua justiça quanto o seu amor. do tereis aflições” (João 16.33), mas
O Deus que providencia o alimento Ele não deixa a luz da esperança e
(Gn 1, 2) é o mesmo Deus que requer confiança no Senhor esquecida, pois
comportamento moral fundamenta- complementa: “mas tende bom âni-
do nos princípios e valores da fé. (Gn mo, eu venci o mundo”. Olhando para
6-9). a experiência de Abraão, aprende-
mos que essa confiança que nos faz
Todavia, ao contrário do que Deus
vencedores, não elimina as adversi-
esperava, o episódio do dilúvio (Gn
dades que enfrentamos em nossas
6-9) e a Torre de Babel (Gn 11) apre-
vidas, mas, paralelamente, nos con-
sentam a humanidade em oposi-
firma um sentido de propósito diante
ção ao governo absoluto de Deus.
do chamado divino.
De modo que a estrutura de Gêne-
sis, em que está inserida a vida de Nesse chamado, as provas são
Abraão, pode ser resumida em duas úteis para identificarmos o nosso ní-
vel de maturidade espiritual. O sacri-
¹- O Pentateuco (gr. “cinco volumes”) consiste nos
fício de Isaque é o ápice do caminho
cinco primeiros livros da Bíblia, de Gênesis a Deute- da fé desse grande homem de Deus,
ronômio. O termo hebraico é Torah (lei ou instrução).

21
pois amadurecemos nas adversida- zão nem sempre dialogam. Abraão,
des e, nestas surgem as oportuni- quando diante da pergunta do pró-
dades de experimentar o cuidado, prio filho sobre o cordeiro para o ho-
o amor e a proteção de Deus, pro- locausto, responde: “Deus proverá
movendo o nosso desenvolvimento para si o cordeiro para o holocausto,
espiritual e existencial. meu filho” (Gn 22. 8). Loucura para
Sendo assim, os episódios ocor- a razão, orientação para mente de
ridos na vida de Abraão trazem em quem crê, conforme (1 Co 2.14).
si o elemento de provação e não Para tanto, é preciso escolher
tentação. A provação mostra o ca- viver para Deus e obedecer, ainda
ráter pedagógico de Deus em sua que não entendamos todos os pro-
intenção de nos fazer crescer e nos pósitos e desígnios, e jamais envere-
aproximar dele. A tentação, advinda darmos pelos caminhos das trevas,
da nossa natureza pecaminosa, mo- atraindo as maldições. Quando faze-
tivada pelos maus desejos e incli- mos escolhas equivocadas, trocan-
nações (Tg 1.12-15), tem o propósito do as escolhas do Espírito pelas da
de nos afastar da fé. Deus não tenta carne, trocando o certo pelo errado,
ninguém, devemos nas experiências o bem pelo mal, o justo pelo injus-
da vida, diferenciar as palavras ten- to, o espiritual pelo carnal, o amor
tações e provações. No grego, a pa- altruísta pelo egoísmo, incorremos
lavra tentação (gr. peirazo) é a forma no risco de passar por várias adver-
verbal do substantivo traduzido por sidades advindas de nossas próprias
provação (gr. peirasmos) em Tiago más decisões (Gl 5.16-21). As provas,
1.12, mas que apresenta sentidos di- porém, são adversidades que nos
ferentes. Desse modo, Deus traz as fazem crescer. Lembremos sempre
provações a fim de fortalecer a fé que “todas as coisas contribuem
dos cristãos, diferente de tentação, para o bem daqueles que amam a
que é a sedução para o mal 2. Deus” (Rm 8.28).
Entendendo as provações no con- Dessa forma, Abraão é um grande
texto de missão, indagamos: Qual exemplo de que as provações fazem
seria o sentido, por exemplo, do fato parte da experiência humana. Veja-
de Abraão esperar 25 anos por um mos as difíceis provas pelos quais o
filho? Qual a razão de Deus dar um pai da fé passou cumprindo a mis-
filho a Abraão e, depois, pedir para são de restaurar o relacionamento
sacrificá-lo em um altar, como se de Deus com o povo:
fosse um cordeiro? As respostas não a) Orientado por Deus, foi prova-
devem ser dadas à luz da racionali- do, tendo que deixar sua família para
dade ou da lógica humana, mas na ir a um lugar que nem ele mesmo
perspectiva da fé, do lançar-se sob sabia, uma terra desconhecida (Gn
as lentes do sobrenatural. Fé e ra- 11.27-12.5).
b) A provação diante da fome:
² BÍBLIA de Estudo NAA. Notas da carta de Tiago
1.12-15. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil. 2018.
Abraão foi reprovado, pois deixou a

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dúvida ocupar o lugar da confiança Gênesis 22.3-4, Abraão acordou mui-
em Deus e foi para o Egito buscar to cedo, preparou as provisões ne-
ajuda, mentindo sobre sua esposa cessárias à viagem longa e difícil em
(Gn 12.10-13.4). obediência estrita à ordem de Deus.
c) A provação da renúncia de pri- No terceiro dia de viagem, avistou
vilégios ou vantagens: quando ele e de longe o Monte Moriá. Não sabe-
seu sobrinho resolveram separar-se, mos e sequer podemos imaginar os
dando a Ló a oportunidade de fazer sentimentos e pensamentos de um
a escolha do melhor lugar (Gn 13.5- pai que está levando seu filho para
18). o sacrifício. Podemos deduzir que,
d) A provação da coragem, quan- embora sabendo de sua fé e con-
do precisou lutar contra vários reis, fiança no Deus Todo Poderoso, em
pois Ló fora sequestrado e Abraão sua humanidade já demonstrada
lutou para libertar o sobrinho (Gn pela insegurança em momentos do
14.1-16). passado, ele estava com o coração
apertado e triste.
e) A provação diante dos bens
materiais, dizendo não às riquezas É importante ressaltar que esse
de Sodoma, colocando as pessoas ato de obediência e fé teve implica-
acima das coisas (Gn 14.17-24). ções profundas na vida do seu povo
e, Abraão foi elogiado para todo o
f) A provação da paciência, na
Israel por sua atitude de fé. Ademais,
qual foi reprovado, pois, cedeu às
propagou-se, na época, a necessi-
pressões de Sara, tendo um filho
com a Agar, a escrava de Sara (Gn dade da “substituição” como parte
16.1-16). dos sacrifícios expiatórios, prática
recorrente nas celebrações israeli-
g) A provação mais dura que tas (Gn 22.13; Lv 1-7). Logo, nunca é
Abraão teve que vencer (Gn 22.1-2): demais salientar que o sacrifício de
entregar em sacrifício o filho da pro- Isaque deve nos servir de símbolo
messa. Ele foi provado e aprovado! para outras manifestações de obe-
Em todas as circunstâncias, en- diência que não coloquem em risco
tre fé e crise, Abraão foi provado e a vida alheia.
aprovado, constando na lista como
Entendendo isso, o que fica pa-
aqueles que, mesmo tendo bom
tente pelo registro da Palavra de
testemunho por meio da fé, figuram
Deus é que, mesmo com sua fragi-
no rol dos heróis da fé, conforme (Hb
lidade humana, que nos é também
11). Como você tem agido diante das
peculiar, Abraão estava simples-
provações?
mente obedecendo rigorosamente
2. Vencemos as provações às ordens do Senhor. Aprendemos
pela obediência por seu exemplo que, quando obe-
incondicional decemos ao Senhor, sabemos que o
melhor ocorre em nossas vidas, pois
De acordo com os versículos de Deus deseja sempre o melhor para

23
seus filhos. A obediência é tão im- Deus).
portante que Jesus enfatizou: amigo Você tem adorado ao Senhor
de Deus é quem o obedece: “Vós através da obediência incondicio-
sois meus amigos, se praticardes o nal?
que Eu vos mando” (João 15.14).
Abraão creu nas promessas de 3. Vencemos pela fé no Deus
Deus e caminhou na direção que da provisão.
Deus lhe orientou sem murmurar e A narrativa do texto básico desta
sem perguntar nada. Ele simples- lição foi escrita com graça especial,
mente obedeceu! A obediência é sendo um dos mais belos e envol-
um requisito fundamental da fé, pois ventes testemunhos do Antigo Tes-
a própria bíblia nos ensina que “obe- tamento. A fé leva-nos a crer no im-
decer é melhor do que sacrificar” (I possível. Relembramos a fé imensa
Sm 15.22). Pela Bíblia, aprendemos que Abraão tinha, pois foi revelada
que Abraão obedecia a Deus, mes- quando do diálogo que teve com
mo sem saber: a) para onde ir (Hb seus servos dizendo: “havendo ado-
11.8); b) quando a promessa iria se rado, voltaremos” (Gn 22.5). Ele não
cumprir (Hb 11.9-10, 13-16); c) como sabia como, mas sabia que ambos
o milagre aconteceria (Hb 11. 11-12); voltariam após a adoração a Deus.
e d) o porquê de tamanha provação Abraão agia assim porque ele co-
(Hb 11.17-19). nhecia Deus e sabia que de alguma
A obediência é fruto de um co- forma Deus faria algo especial na-
ração adorador e grato. O texto de quela situação.
Genesis 22.5-8 narra toda aquela ex- Abraão e Isaque seguiram para o
periência dolorosa como expressão local designado com quase todos os
de adoração, obedecendo em to- aparatos necessários ao holocaus-
dos os detalhes a vontade de Deus, to. Quando Isaque perguntou “Onde
agradando-o, reinterpretando a sua está o cordeiro?”, respondeu Abraão:
própria história, tendo Deus como “o cordeiro para Si, Deus proverá” (Gn
autor de sua vida e do seu filho. Em 22.7,8). O que sabemos é que Abraão
seu coração, colocou-se como um não duvidou em sua fé, nem mesmo
ofertante a Deus, demonstrando quando Isaque lhe fez essa pergun-
que reconhecia Deus como o dono ta. Ele dependia integralmente da
de nossas vidas por direito de cria- provisão de Deus, pois sabia que, se
ção. Ele recebeu Isaque de Deus e necessário, Deus o ressuscitaria (Hb
estava pronto a demonstrar a sua in- 11.18).
teira gratidão, dando Isaque de volta
para Deus. Isaque era um presente Quando chegou ao local, amar-
que Abraão não colocou no lugar rou Isaque e levantou o cutelo para o
de quem o havia presenteado. A sua sacrificar, sendo impedido pelo anjo
obediência mostra que a dádiva não que disse: “Não lhe faças nada; por-
tomou o lugar do doador (o próprio quanto agora sei que temes a Deus”

24
(Gn 22.12). “Então Abraão viu um car- implicasse a própria morte (Gn 22.3).
neiro preso pelos chifres entre os ar- • Abraão diz a Isaque que o sacri-
bustos e o pegou para o sacrificar” fício será um cordeiro que Deus pro-
(Gn 22.13). Deus não queria que o ato verá (Gn 22:8); Jesus foi identificado
fosse concluído, mas os protagonis- como o “Cordeiro de Deus, que tira o
tas, Abraão e Isaque não sabiam dis- pecado do mundo” (Jo 1.29).
so, ressalta ao nosso entendimento
a grande fé de Abraão e a submissão Uma maravilhosa substituição
de Isaque. ocorrera: o Cordeiro no lugar de Isa-
que, e Jesus em nosso lugar!
A partir daquele momento Abraão
chamou aquele lugar de “O Senhor Você tem confiado na provisão do
Proverá”, pois Deus provê nas nos- Senhor?
sas necessidades as soluções para Para pensar e agir:
os que nele confiam. A provisão de
Deus nunca chega atrasada. O que a. As adversidades fazem parte
era menos provável para Abraão da experiência humana, entretanto o
foi o que aconteceu. A provisão de mais importante é pensarmos: como
Deus vem na hora certa. As adver- temos reagido diante das adversida-
sidades vêm, mas a provisão do Se- des e provações da vida?
nhor supre as nossas necessidades, b. Deus sempre orienta nossas
mas precisamos dar passos de fé. vidas e nos direciona para o lugar
Deus não abandona seus filhos na certo. Temos obedecido incondicio-
adversidade. Creia e confie! Ele nos nalmente?
acompanha em todo o tempo.
c. Aprendemos sobre Deus como
Algo importante a ressaltar nessa aquele que nunca nos faltará. Temos
história é que ela exemplifica a ex- dúvidas e inseguranças dominando
periência do sacrifício de Jesus, pois nossos corações ou estamos con-
Gênesis 22 aponta para Jesus como fiando no Deus da provisão?
o filho que é sacrificado. Podemos
traçar um paralelo entre essa narra-
tiva e a história de Jesus:
Leitura Diária
• Jesus e Isaque são “filhos ama-
dos”, esperados há muito tempo e SEG Salmos 91
nascem como fruto de um milagre TER Salmos 18.1-6
(Gn 22.1).
QUA Hebreus 11.1-3
• Tanto Jesus como Isaque carre-
gam a madeira que seria usada em QUI 1 João 5.13-15
seu sacrifício (Gn 22.6). SEX 2 Coríntios 3.4-5
• Tanto no caso de Jesus como no SÁB Hebreus 11:8-9
de Isaque, ambos foram obedientes
DOM 1 Pedro 1.8-9
à orientação do pai, mesmo que isso

25
Data do estudo Lição 2
Texto base: Gênesis 37.1-50.26

José
Quando a
Adversidade
é a Injustiça
Por Ed. Lindomar Ferreira

Na lição anterior, aprendemos Jacó e também o seu preferido,


o sentido da provação em rela- outorgando direitos que comu-
ção à missão na vida de Abraão. mente eram dados ao primogê-
Vimos que o livro de Gênesis, nito. Na história, o que nos saltam
ao tratar sobre os começos, tem aos olhos em primeira mão são
como objetivo apresentar o modo os atos de injustiça que, grosso
como Deus restaura o relaciona- modo, é a violação dos direitos
mento do homem consigo mes- de alguém. Odiado pelos irmãos,
mo a partir do patriarca Abraão. foi vendido para mercadores de
Podemos aprender três lições do escravos e, mesmo depois de
episódio do sacrifício de Isaque: outras injustiças, emergiu como
as provações são inerentes à vida governador de todo o Egito. Atra-
humana; a obediência incondicio- vés da vida de José, aprendemos
nal, fruto da adoração e da grati- que o sofrimento, não importa
dão, auxilia-nos na superação das quanto seja injusto, desenvolve
adversidades; e, por último, é pre- um caráter forte e uma visão pro-
ciso confiar em Deus. funda. Como filho mais novo, José
A lição de hoje fala sobre José, era autoconfiante em excesso.
o segundo filho mais jovem de Sua autoconfiança, aumentada

26
pelo fato de ser o filho predileto bém cuidar dos desamparados
de Jacó e conhecer o desejo de e dos oprimidos (22.2). Sendo o
Deus para sua vida, era insupor- homem e a mulher criados a ima-
tável para seus dez irmãos mais gem e semelhança de Deus (Gn
velhos, que, por fim, conspiraram 1.27), a dignidade humana é valo-
contra ele. rizada e enaltecida nas Escrituras.
No entanto, a autoconfiança Todavia, observamos no tex-
moldada pela dor e aliada a um to em estudo que a injustiça era
conhecimento pessoal de Deus uma constante na vida do nosso
permitiu que José sobrevivesse personagem, contrariando, apa-
e prosperasse, quando a maio- rentemente, a assertiva de que
ria teria falhado. A sabedoria e a Deus não tolera a injustiça (Sl 5.
confiança são marcas indeléveis 4; Dt 16.19; Pv 22. 8). Tal perspec-
que caracterizam a personalidade tiva potencializa a crise e a prova-
de José, ganhando o coração de ção de José – como entender um
todos que o cercavam: Potifar, o Deus justo que permite tamanha
capitão de guarda do palácio, os injustiça com os seus filhos? Em
outros prisioneiros, o rei e, após tempos de pandemia parece ser
muitos anos, também os seus dez este o questionamento da huma-
irmãos. Os que conheceram José nidade. Vejamos sucintamente as
logo perceberam que Deus esta- injustiças sofridas por esse ho-
va com ele em qualquer coisa que mem e o que ele fez para superar.
fizesse ou onde quer que fosse
(Gn 39.2). 1. Injustiçado na família
(Gn 37.1-36)
O tema sobre a justiça é recor-
rente na Palavra de Deus. Em seu Nos dias de José, todos pos-
relacionamento com Israel, Javé suíam uma túnica ou manto. As
age para a salvação de Israel (Êx túnicas eram usadas para aque-
3.8), libertando-o do contexto de cer a pessoa, carregar pertences
escravidão (Êx 1) e promulgando durante uma viagem ou, até mes-
uma lei de amparo aos órfãos e mo, servir como seguro de um
viúvas (Êx 22.21-24). Desse modo, empréstimo. A maioria das túni-
Israel, um povo redimido é esco- cas ia até os joelhos, as mangas
lhido para descrever a atividade eram curtas, era apenas de uma
redentora de Deus, assumindo o cor. Já a túnica de José, provavel-
papel de resgatador (Êx 6.6; 15.13). mente, era do tipo utilizado pela
Tal como Javé, Israel deveria tam- realeza – mangas longas, medin-

27
do até a altura dos tornozelos –, se não havia o meio-termo. José
demonstrando o cuidado “espe- encontrou-se servindo a Potifar,
cial” de Jacó para com José. Ainda um oficial muito rico a serviço do
que o favoritismo familiar seja um Faraó. As famílias ricas possuíam
agravante nas injustiças cometi- casas muito bonitas, de dois ou
das contra José, não justifica ta- três andares. Nesse contexto,
manha atrocidade cometida por José foi absurdamente injustiça-
seus irmãos. do ao ser acusado pela esposa de
José foi vendido ao Egito pelos Potifar de assédio sexual (Gn 39).
seus irmãos (Gn. 37.28), onde, após Diferentemente de Rubém e Judá
uma série de dificuldades, tornou- (Gn 35.22; 38.15-18), José age com
-se ministro do Faraó (Gn. 39. 41) integridade diante do seu senhor
e salvou os próprios irmãos e seu e diante de Deus (Gn 39.6-9). Não
pai da fome, trazendo-os para Gó- usa o poder como oportunidade
sen (Gn. 42 – 47). José morreu com para pecar. Ainda que difamado,
110 anos, e seus ossos foram leva- permanece fiel.
dos a Siquém (Js 24. 32). A difamação é uma injustiça
A família é uma instituição sa- que realmente dói na alma. Quan-
grada para Israel e de igual modo tas vezes também não somos in-
para os cristãos. “No contexto do justiçados pela difamação? E no
antigo Israel, a felicidade consis- trabalho profissional essa prática
tia em ter uma fazenda produtiva, é muito comum. Denegrir a ima-
uma esposa fiel e filhos ao redor gem de uma pessoa é um aten-
da mesa”1. Entretanto, o favoritis- tado contra a dignidade humana,
mo em família pode criar inimiza- trazendo sérios prejuízos à parte
des entre irmãos, sendo fonte de afetada. O respeito é fundamental
estresse para todos os membros, para uma relação amistosa entre
como ocorrera na família de Jacó empregado e empregador e, de
(Gn 37.4). igual modo, entre os empregados.
Talvez isso já ocorrera com você.
2. Injustiçado no trabalho No entanto, aprendemos com
(Gn 39.1-19) José que as circunstancias não
O Egito antigo era uma terra determinam a nossa existência.
de grandes contrastes. As pes- Ao colocar o nosso coração em
soas eram extremamente ricas Deus e ter sempre intenções pu-
ou absurdamente pobres. Qua- ras, somos capazes de adminis-
¹BÍBLIA de Estudo NAA. Nota do salmo 128. Ba- trar as frustrações e redirecionar
rueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil. 2018.

28
a vida, pois assim como o Senhor pensamos, segundo o poder que
esteve com José, ele prometeu em nós opera” (Ef 3.20), atuou na
estar conosco (Mt 28. 18-28). vida de José garantindo o suces-
A presença de Cristo, porém, so em circunstância tão adversa
não é assegurada sem que lhe (Gn 39. 21).
sejamos fielmente obedientes. 3. Injustiçado e esquecido
José demonstrou total confiança na prisão (Gn 39.19-40.3, 8,
em Deus, apesar das tentações e 23; 41.1, 14, 38, 39, 44)
injustiças sofridas no Egito. Você
pode experimentar o mesmo su- As prisões eram lugares horren-
cesso na vida, ministério e lide- dos, em condições desprezíveis,
rança se, como José, seu coração que eram utilizados para abrigar
estiver comprometido com Deus. os que faziam trabalho forçado ou
Entretanto, as definições de Deus para aguardar julgamento. José
para o sucesso não são necessa- ficou na prisão durante dois anos
riamente as mesmas que as nos- até entrar na presença de Faraó,
sas. Mesmo os santos mais fiéis quando foi chamado para inter-
poderão colher relativamente pretar um sonho e não enfrentar
pouco fruto do seu trabalho. En- um julgamento. Enquanto prisio-
tretanto, a presença sobrenatural neiro e escravo, ele poderia ter
do Senhor na sua vida lhe asse- perdido as esperanças na situa-
gurará que seu trabalho honrará o ção em que se encontrava. Po-
nome e o propósito de Deus. rém, deu o melhor de si em cada
tarefa realizada. Sua disposição e
Ainda que em cenário sombrio,
atitude positiva logo foram perce-
a perspectiva de José era que o
bidas pelo carcereiro-mor, que o
adultério era pecado contra Deus.
promoveu a administrador da pri-
Recusando as estratégias de se-
são. Você está enfrentando uma
dução da mulher, demonstrou
situação aparentemente deses-
fé em Deus. Ainda que injustiça-
peradora? No trabalho, em casa
do no trabalho, devemos fugir
ou na escola? Siga o exemplo de
de qualquer coisa que estimule
José, realizando cada pequena
paixões indevidas. A promessa
tarefa da melhor maneira possí-
encontrada em 1 Coríntios 10.13
vel. Lembre-se da reviravolta feita
pode ser de grande ajuda. “Ora,
por Deus na vida desse homem. O
àquele que é poderoso para fazer
Senhor verá seus esforços e po-
tudo muito mais abundantemen-
derá reverter até as piores situa-
te além daquilo que pedimos ou
ções.

29
Quando o assunto eram os so- Seus parentes, vizinhos, cole-
nhos, José voltava a atenção de gas de trabalho e escola vêem-no
todos para Deus. Em vez de usar a como uma pessoa cheia do Espí-
situação para fazer-se grande, ele rito Santo de Deus? José rapida-
transformou os sonhos em po- mente chegou ao topo, dos muros
derosos testemunhos do Senhor da prisão ao palácio de Faraó (Gn.
(Gn. 40.8). Quando o mordomo 41.39,44). Seu treinamento para
do Faraó foi liberto da prisão, ele esta importante posição envolveu
se esqueceu de José (Gn. 40.23). ser primeiro escravo e, depois,
Passaram-se dois anos até que prisioneiro. Em cada situação, ele
José tivesse outra oportunida- aprendeu a importância de servir
de de ficar livre (Gn. 41.1). A fé de a Deus e aos outros.
José, no entanto, era muito gran-
de e ele estaria pronto para a pró- 4. Honrado por Deus em
todas as adversidades
xima chance (Gn. 41.14). Nossas
(Gn 45.4-8;17-20;50.1-26)
oportunidades mais importan-
tes podem ocorrer quando me- Deus usou até as más ações
nos esperamos. José foi trazido dos irmãos de José para cumprir
apressadamente até a presença seu plano definitivo. Ele enviou
do Faraó. Ele não foi avisado de José adiante para preservar vi-
que seria subitamente tirado da das e salvar o Egito (Gn. 45. 4 – 8).
prisão e questionado pelo rei. Ain- Deus é soberano. Seus planos
da assim, José estava com Deus. não são ditados por ações huma-
José assegurou-se de dar todo nas. Quando outros intentarem
crédito a Deus (Gn. 41.16). De- mal contra você, lembre-se de
vemos ter o cuidado de fazer o que eles são apenas ferramentas
mesmo. Tomar a honra para nós é de Deus. Como disse José a seus
uma forma de roubar a honra de irmãos: “Vós bem intentastes mal
Deus. Faraó reconheceu que José contra mim, porém Deus o tornou
era um homem em quem havia o em bem, para fazer como se vê
Espírito Santo de Deus (Gn. 41.38). neste dia, para conservar em vida
Você, provavelmente, não vai in- a um povo grande” (Gn 50. 20).
terpretar sonhos para um rei, mas José foi rejeitado, sequestrado,
as pessoas que te conhecem pre- escravizado e aprisionado. Em-
cisam ver Deus em sua vida, em bora seus irmãos tivessem sido
suas ações e palavras, em seus infiéis para com ele, José gracio-
sábios conselhos. samente os perdoou e compar-

30
tilhou sua propriedade (Gn. 45.17 dade é a injustiça, o amor de Deus
– 20). Essa é uma demonstração prevalece.
de como Deus nos perdoa e nos
cobre de bondade, ainda que te- Para Pensar e Agir
nhamos pecado contra Ele. Se lhe O importante não são as ad-
pedirmos, alcançaremos o mes- versidades ou as injustiças da
mo perdão e as mesmas bênçãos vida, mas é a atitude com rela-
(I Jo 1. 9). José tinha provado ser ção a elas. Com a ajuda de Deus,
um conselheiro confiável do Fa- qualquer situação pode ser usada
raó (Gn. 50. 5). Privilégios e liber- para o bem, mesmo quando as
dade frequentemente são resul- pessoas desejam utilizá-las para
tados do quanto demonstramos o mal.
ser confiáveis, uma vez que a con- Assim como fez com José,
fiança se adquire gradualmen- Deus pode transformar (ou usar)
te. Aproveite cada oportunidade as injustiças e adversidades que
para provar que você é confiável, você tem vivido em bênçãos para
até nos detalhes. sua vida e para todas as pessoas
Agora que o pai Jacó (ou Israel) que convivem com você. Confie e
estava morto, os irmãos temiam a tenha esperança no justo juiz! (Sl
vingança. Poderia José realmente 40. 1).
tê-los perdoado por ter sido ven- Bibliografia:
dido por eles como escravo? José
Bíblia de Estudo – Aplicação Pessoal
não somente perdoara, mas tam- Versão Almeida – Revista e Corrigida.
bém lhes assegurou que cuidaria Edição de 1995 – CPAD.
deles e de suas famílias. O perdão Kaschel, Werner; Zimmer, Rudi. Di-
de José foi completo (Gn. 50.15 – cionário da Bíblia. SBB – 2007.
21).
Por fim, José, com 110 anos, es-
Leitura Diária
tava pronto para morrer. Ele não
tinha dúvidas de que Deus man- SEG Gênesis 37.1-36
teria sua promessa e um dia con- TER Gênesis 39.1-23
duziria os israelitas de volta para QUA Gênesis 40.1-23
sua pátria (Gn 50.24). Que grande QUI Gênesis 41.1-57
exemplo nos deixou José!
SEX Gênesis 45.1-28
O segredo desse tipo de fé é
SÁB Gênesis 46.1-7; 26-34
uma vida inteira de confiança em
Deus. Mesmo quando a adversi- DOM Gn 50.14-21 e Mt 28.20

31
Data do estudo Lição 3
Texto base: Êxodo 4.10-13

Moisés
Quando a
Adversidade é
a Insegurança
Por Ed. Lilia Godoy

Insegurança, segundo o Dicio- nunca saberá. A insegurança pode


nário da Língua Portuguesa, “é a também levar à depressão.
condição, particularidade ou ca- Estamos vivendo, há alguns me-
racterística do que é inseguro; sem ses, adversidades econômicas, sa-
segurança; em que há perigo; sen- nitárias, relacionais, psicológicas e
timento de desamparo; sentimento espirituais que nos trazem insegu-
de isolamento; falta de convicção rança, por causa da pandemia que
ou segurança em si próprio”. tomou conta do mundo, a Covid-19.
Algumas vezes, a insegurança
surge quando a pessoa não con- 1. Situações que geram
segue ter iniciativa diante de ativi- insegurança
dades que gostaria de participar O ser humano é inseguro e de-
ou de exercer. A insegurança pode pendente em várias fases da vida.
ser gerada pelo medo, e algumas Ao nascer, o bebê precisa que lhe
pessoas inseguras são denomina- dêem comida, cuidados, acon-
das equivocadamente de covardes. chego, ou seja, precisa dos outros
A pessoa pode sentir-se insegura, para ficar seguro. A partir de certa
porque não sabe “que sabe” resol- idade, vai adquirindo independên-
ver determinada situação, ou por- cia, aprendendo a se cuidar e a se
que não sabe mesmo e acha que

32
equilibrar num ambiente de insegu- caminhado à casa de Faraó para a
rança, pois “onde está o homem, ali sua mãe adotiva, que deu ao meni-
está o perigo”. Vejamos no caso de no o nome Moisés, pois o “tirara das
Moisés: águas” (Êx 2.10). Como deve ter sido
a) Desafios do nascimento e da um grande desafio para o menino
família Moisés saber que o seu povo era
outro!
No contexto de escravidão dos
hebreus no Egito, foi que Anrão e Num determinado momento da
Joquebede, com seus filhos Arão e sua vida, Moisés não suportou ver
Mirian, passaram pela insegurança um hebreu sendo maltratado e o
de esconder a gravidez do bebê defendeu matando o egípcio agres-
que aguardavam. A Bíblia não con- sor. Porém, no dia seguinte, viu dois
ta detalhes do como foi desafiador hebreus que brigavam e, ao per-
para essa família! No nascimento guntar o motivo da briga, teve como
do bebê, mais insegurança ainda, resposta que ele havia matado um
pois era um menino, condenado a egípcio e não tinha moral para ser
ser morto na hora do parto ou ser juiz deles. Moisés ficou com medo e
jogado para os crocodilos no rio viu que nada estava escondido. De
Nilo (Êx 1.15,16) fato, Faraó soube e procurou matá-
-lo. Moisés fugiu do Egito. A insegu-
Por motivos diversos, vivemos
rança causada pelo seu ato fez com
dias de insegurança também para
que ele tomasse essa decisão por
as grávidas e famílias nesse tem-
correr risco de morte (Êx 2.11-15).
po de pandemia. O que podemos
aprender com essa situação? Que c) Desafio de encarar a vida entre
Deus é o dono da vida, que Ele co- estranhos
nhece cada um antes mesmo de “Porém Moisés fugiu da presen-
ser formado no ventre da mãe (Sl ça de Faraó e se deteve na terra
139.16). Louvado seja o Senhor que de Midiã; e assentou-se junto a um
conhecia o contexto da família do poço” (Êx 2.15b). A fuga já demons-
bebê Moisés e providenciou o es- tra insegurança. Isso acontece hoje
cape para ele, mediante a fé. (Hb também ao fugirmos de problemas,
11.23). ao fugirmos de responsabilidades e
b) Desafios das escolhas na Ju- compromissos assumidos, fugir-
ventude mos de pessoas e de nós mesmos.
No caso de Moisés, assumir que ha-
Moisés recebeu a educação da
via cometido um delito poderia cus-
primeira infância na sua família de
tar-lhe a própria vida. A fuga foi em
origem. Ao ser desmamado, foi en-
consequência do erro. Mas Deus,

33
em sua misericórdia, que tem o po- nhia e poder (vv.4-9). Não precisa-
der de transformar o mal em bem, mos informar a Deus sobre quem
usou essa fuga para trabalhar a vida somos, pois Ele bem sabe. Mas pre-
de Moisés. Ele que já havia recebido cisamos ouvir de Deus quem Ele
tantos conhecimentos, ele que fora quer que sejamos.
preparado para ser, quem sabe, um b) Vivendo dependente de Deus
futuro Faraó, agora precisava ser
Deus tratou Moisés de maneira
tratado por Deus e reconhecer que
extraordinária e decisiva (v.11). En-
na sua insegurança, nos seus me-
viou Moisés para ser seu instrumen-
dos, seria usado por Deus. Moisés
to entre os israelitas e Faraó. Mes-
aprendeu a apascentar as ovelhas
mo assim, Moisés retrucou, insistiu
do seu sogro, o que também o aju-
no seu medo, na sua insegurança
dou a pastorear o rebanho de Deus
(v.13). A paciência de Deus “chegou
(Êx 2.21-22; 3.1)
ao limite” (v.14). Deus mostrou pro-
2. Vencendo a insegurança vidências que ajudariam a superar
com Deus essa insegurança de Moisés (vv.15-
17,19). Deus mostrou e provou a Moi-
a) Reavaliando o comportamen- sés que poderia depender dele e o
to e fugas usaria, juntamente com o seu irmão
Moisés conhecia o Deus dos is- Arão (vv.29-31). Finalmente, Moisés
raelitas. Ele teve um primeiro en- decidiu obedecer a Deus (Êx 4.20),
contro com Deus no Monte Horebe. e foi uma bênção.
Encontro esse que levou Moisés a Como nas experiências de Moi-
tremer, tirar as sandálias, “escon- sés, a insegurança poderá fazer
der o rosto porque temeu olhar parte da nossa história em alguns
para Deus”. Deus lhe deu a missão momentos da nossa vida. Ter inse-
de livrar os israelitas das mãos dos gurança é possível para todos nós.
egípcios, o que era um grande de- Mas vencê-las é o que aprendemos
safio. “Eu Senhor? Quem sou eu na Palavra de Deus – “Não temas
para ir a Faraó e libertar o povo?” (Êx porque eu sou contigo; não te as-
3.11), disse Moisés inseguro de não sombres, porque eu sou teu Deus;
ser aceito pelos israelitas em nome eu te fortaleço, e te ajudo, e te sus-
de Deus. A insegurança de Moisés tento com a destra da minha justiça”
aflorou a sua falta de autoestima (Êx (Is 41.10). Insegurança não pode ser
4.1); o desespero tomou conta dele confundida com humildade, a qual
(vv.2,3). Deus, porém, continuou envolve o reconhecimento das pró-
tratando a insegurança de Moisés prias limitações, mas, ainda assim,
dando-lhe provas da sua compa- mantendo uma boa autoestima. O

34
fato é que o ser humano é emo- temer? Não deixe as preocupações
cionalmente vulnerável e poderá demasiadas tomarem conta da sua
desenvolver reações negativas por vida. Situações adversas poderão
conta da insegurança. Quase sem- surgir como: enfermidades, desem-
pre a insegurança causa isolamen- pregos, violências, catástrofes na-
to. Moisés aprendeu com Deus, em turais ou causados pelos homens
desafios diversos, que poderia de- na natureza, incertezas políticas e
pender e ser usado por Ele para muitos outros motivos, neste mun-
abençoar pessoas, abençoar um do de aflições, entretanto o próprio
povo, uma nação (Êx 12.37). Jesus nos advertiu que vencere-
mos, pois Ele venceu – “No mundo
Conclusão tereis aflições, mas tende bom âni-
Como Moisés, podemos vencer mo, Eu venci o mundo”. (Jo 16.33)
a insegurança. Como Moisés, pode-
Para pensar e agir:
mos depender de Deus e nos apro-
ximar mais dele. Moisés aprendeu a 1. Como você reage diante das
ter intimidade com Deus e não hou- adversidades que trazem insegu-
ve mais profeta em Israel como ele, rança?
“que conversava com Deus face a 2. Que conselhos você daria para
face” (Dt 34.10). alguém vivendo situações de inse-
Aproveitemos esse tempo para gurança?
crescer na intimidade com Deus 3. Cite um versículo que o lembra
pela oração e leitura da Bíblia. Deus sobre a segurança que Deus dá.
colocou esses recursos à nossa dis-
posição pelo seu grande amor por
nós. E podemos fazer isso em nome
de Jesus. Louve a Deus e cante para
afugentar a insegurança e o medo.
Lembre-se: “Seguro estou, não te- Leitura Diária
nho temor do mal, sim guardado SEG Êxodo 1.15-22
pela fé em meu Jesus” (C.C. 324) ou
TER Êxodo 2.1-10
“Que segurança! Sou de Jesus, e já
desfruto as bênçãos da luz. Sou por QUA Êxodo 2.11-15
Jesus herdeiro de Deus, ele me leva QUI Êxodo 4.10-17
à glória dos céus” (H.C.C. 417). SEX João 16.33
Lembre-se que Deus é sobe- SÁB Salmos 125.1
rano, Ele sabe tudo sobre o nosso
DOM Filipenses 4.6-7
passado, presente e futuro. Por que

35
Data do estudo Lição 4
Texto base: Josué 9.3-5

Josué
Quando a
Adversidade
é Decepção
Por Ed. Lina Silvana

O representante de nossa de Num, da tribo de Efraim, de


lição de hoje é Josué, homem acordo com Números 13.8.
escolhido por Deus para ser o
Quando o povo do Egito foi
responsável a liderar o povo
liberto, Josué já tinha mais de
de Israel na conquista da terra
40 anos de idade. No momen-
prometida. Ele sucedeu a Moi-
to em que Moisés recebeu a
sés. Sua história é narrada no
Lei, Josué já era seu auxiliar e o
livro que leva seu nome, mas
acompanhava em seus encon-
em outros textos também en-
tros com o Senhor (Êx 24.13;
contramos fatos importantes.
32.17; 33.11; Nm 21.28).
Em Êxodo 17.8-16 e 33.11, en-
contramos Josué recebendo 1. Aproveite todas as
a função para comandar uma oportunidades para
tropa israelita e sendo esco- aprender
lhido por Moisés como seu as-
Josué pôde aprender mui-
sistente pessoal. Ele era filho
tas coisas com Moisés e com

36
todas as instruções que este tes de entrar em Canaã. Josué
recebia de Deus. Presenciar a passou a ser o novo líder do
espera e a fidelidade de Moi- povo de Israel (Nm 27.12-23).
sés, com certeza transformou
Numa reunião solene, Josué
a vida de Josué e suas atitudes.
recebeu autoridade perante
Moisés foi extremamente usa-
o povo de Israel. Moisés im-
do para desenvolver em Josué
pôs-lhe as mãos e o ordenou
um caráter de paciência, man-
conforme o Senhor havia fa-
sidão e liderança.
lado. Josué foi advertido pelo
Na escolha dos espias para próprio Deus, quanto ao ser
observar a terra de Canaã e corajoso e forte, pois precisa-
todos que lá habitavam, esta- ria de cada um para continuar
va Josué e mais onze homens conduzindo o povo à terra que
(Nm 13.8-14). Dentre todos havia recebido.
que foram enviados para essa
missão, Josué e Calebe foram 2. Confiar traz
os únicos que continuaram segurança e vitória
em defesa da invasão de Ca- na adversidade
naã. Eles puderam perceber o Algo que fica muito claro
quando a cidade era boa. Eles para Josué é a promessa de
demonstraram confiança na que Deus estaria com ele. Ser
promessa de Deus sobre a ter- acompanhado por Deus du-
ra que haviam de conquistar. rante toda missão lhe daria
Quando Moisés percebeu confiança suficiente para con-
que seu tempo na terra esta- tinuar a grande conquista. As-
va acabando, escolheu Josué, sim que Moisés morreu, Deus
de forma oficial, para ser seu lhe encoraja de forma particu-
substituto. Na verdade, Moisés lar (Js 1.1-9).
estava atendendo à ordem do Não foram poucos os obs-
próprio Deus, quando sentiu táculos enfrentados por Josué
que sua liderança acabaria an- logo no início de sua liderança.

37
Mesmo sendo um homem tão assim como a tomada de Jeri-
experiente e vivido um lon- có. Nessa conquista, os sacer-
go tempo de intimidade com dotes e o povo marchavam ao
Deus, Josué não ficou livre das redor da cidade. No sétimo dia,
provações diárias. O que lhe quando os sacerdotes tocaram
exigiu confiança e dependên- as buzinas e o povo gritou com
cia no único que poderia mu- grande brado, as muralhas de
dar os rumos dos resultados Jericó caíram.
adquiridos com essas prova-
Essa próxima provação tem
ções. Alguns exemplos disso
a ver com a conquista da terra
podem ser vistos quando o
dos cananeus. Deus deu uma
povo precisava atravessar o
ordem muito clara: “Mas, das
rio Jordão e enfrentar o exér-
cidades destes povos, que o
cito dos cananeus. No capítu-
SENHOR, teu Deus, te dá como
lo 3 do livro de Josué, temos a
herança, não deixarás com
descrição de como Deus, so-
vida nada que tem fôlego. Pelo
brenaturalmente, interrompeu
contrário, tu os destruirás por
as águas do Jordão quando os
completo: os heteus, os amor-
sacerdotes que levavam a Arca
reus, os cananeus, os perizeus,
da Aliança pisaram nas águas.
os heveus e os jebuseus, con-
Assim, o povo de Israel passou
forme te ordenou o SENHOR,
a seco marchando em direção
teu Deus” (Dt 20.16,17).
a Jericó.
Confiar em Deus era o que 3. Desviar o olhar de
mantinha a liderança de Josué. Deus conduz ao erro
Ele obedecia a cada orienta- As nações que viviam ao
ção que Deus lhe dava e isso redor de Israel deveriam ser
lhe trazia vitória. Algumas táti- destruídas totalmente. Porém
cas eram inacreditáveis, olhos havia uma regra diferente para
humanos nem imaginavam as nações que viviam longe de
que poderiam ser realizadas, Israel:

38
“Quando te aproximares de vessem vindo de muito longe,
uma cidade para combatê- e forjaram uma história para
-la, tu lhe proporás a paz. Se conseguirem uma aliança com
ela te responder em paz e te Israel. Tudo que falavam era
abrir as portas, todo o povo mentira, mas Josué acreditou.
que ali se achar será sujei- Eles receberam a aliança que
to a trabalhos forçados e te tanto queriam. Porém, passa-
servirá como escravo. Mas se dos três dias da aliança, os is-
ela, pelo contrário, não quiser raelitas ouviram que eles eram
a tua paz, mas a guerra, tu a vizinhos e, por causa da sua
sitiarás.” (Dt 20.10,11,15). desonestidade, os gibeonitas
De acordo com a ordem de foram amaldiçoados e passa-
Deus, poderia haver uma alian- ram a ser escravos, lenhadores
ça com o povo que morasse e tiradores de água para a co-
longe, mas de forma alguma munidade.
com aquele povo ao seu derre- Josué acabou fazendo alian-
dor. Tudo isso porque Deus co- ça com seu inimigo, achando
nhecia o tamanho da corrup- que estava tomando a melhor
ção por parte do povo que ali decisão. A precipitação o fez
vivia. Era um povo que andava errar. Tudo foi tão bem armado
longe de Deus, mas conhecia que Josué deixou de consultar
as promessas vindas dele. Eles a Deus e acabou por errar.
tanto conheciam que temiam
por suas vidas. Precisamos tomar muito cui-
dado para não sermos enga-
Os moradores de Gibeão, nados e tomarmos uma deci-
com medo do que lhes po- são que não seja aprovada por
deria acontecer, por morarem Deus. Ao nosso redor teremos
perto, montaram uma ence- mentirosos, falsificadores, ato-
nação para enganar Josué e res, vozes mansas, espertezas
o seu povo. Eles simularam e astúcias que tentarão desviar
uma caminhada, como se esti- nossa atenção da verdade e do

39
motivo para nossa caminhada Deus não dá.
se tornar vitoriosa. É necessá-
4.2 O celular no lugar da Bí-
rio tomar cuidado e procurar a
blia – O celular tem tomado o
direção de Deus a cada passo.
lugar da Bíblia em várias situa-
Devemos buscar o conselho
ções: são mensagens, redes
de Deus mesmo naquelas coi-
sociais variadas, jogos e con-
sas que parecem claras e ób-
teúdos novos o tempo inteiro.
vias.
4.3 A televisão no lugar da
Precisamos tomar cuidado
oração – Faz parte da nossa
com as armadilhas que o inimi-
rotina aquela série, filme ou
go nos apresenta como se fos-
programa, mas foge de nossa
sem as melhores saídas e nos
rotina falar com Deus.
fazem desviar o olhar daquele
que tem poder para suprir as 4.4 Os métodos ilícitos para
nossas necessidades. conquista de um emprego/di-
nheiro – As propostas corrup-
4. Armadilhas para nos tas para alcançar os objetivos
decepcionar profissionais ou financeiros são
Quais são as armadilhas no inúmeras e crescem dia após
dia de hoje? O que pode nos dia.
fazer desviar da presença de 4.5 A falta de compromisso
Deus? O que chega como ami- com o bem mais precioso que
go, mas na verdade está usan- Deus nos deu, a família – A fa-
do uma couraça para disfarçar mília tem ficado em último lu-
o engano e mentiras? Quais as gar na escala de prioridades,
adversidades que enfrenta- enquanto a atenção é voltada
mos todos os dias? para os amigos, emprego, so-
4.1 A falta de tempo para ciais e entretenimentos.
Deus – Temos todo tempo do 4.6 A substituição da comu-
mundo para inúmeras ativi- nhão na congregação – Hoje se
dades, mas para as coisas de ouve em grande escala a frase:

40
não preciso de igreja para ter bem-sucedidos”.
comunhão com Deus. Festas,
Esses são alguns gigantes
viagens, reuniões em família
que enfrentamos e que nos
são uns dos motivos que favo-
fazem perder a direção de
recem o distanciamento com a
Deus. Um descuido pode ser
igreja. Precisamos atentar para:
o responsável por nos tirar do
“Não deixemos de congregar-
prumo e nos fazer pecar. Invis-
-nos, como é costume de al-
ta tempo para voltar-se para o
guns” (Hb 10.25a).
Pai.
4.7 As orientações do mundo
em detrimento às orientações Para Pensar e Agir
dos líderes de Deus – Buscar 1. Quais são os gigantes que
ajuda dos pastores e líderes da estão tendo poder para te des-
igreja fazem toda a diferença. viar do Senhor?
Eles são pessoas separadas
por Deus para cuidar do re- 2. O que tem enganado seu
banho e conduzi-lo à direção coração ao ponto de te fazer
correta. pecar?

4.8 Falta de paciência para Busque, na Palavra de Deus,


esperar o tempo de Deus – A textos que lhe ajudem a en-
Palavra diz que “há tempo para frentar os gigantes do dia a dia.
tudo” (Ec 3). Esperar o tempo
de Deus é a melhor escolha,
Leitura Diária
mesmo que pareça mais difícil
sempre será o meio correto de SEG Josué 9.1-5

alcançarmos o necessário. TER Josué 9.6-10


QUA Josué 9.11-13
4.9 Confiança exagerada QUI Josué 9.14-16
em nós mesmos – Provérbios SEX Josué 9.17-21
16.3 diz: “Entrega tuas obras ao SÁB Josué 9.22-24
SENHOR, e teus planos serão DOM Josué 9.25-27

41
Data do estudo Lição 5
Texto base: 1 Samuel 17.45

Davi
Quando a
Adversidade
é Gigante
Por Ed. Helyane Sarlo

A vida é um enfrentamento diá- e incapazes de superar, aquelas


rio. As adversidades parecem ser adversidades, ali, impostas. Outro
gigantes, sem solução. Elas podem exemplo, porém, nos mostra um
nos cercar por dias, meses, ou até comportamento diferente, em que
anos, tirando o nosso sono, a nos- não houve medo nem fuga. No tex-
sa alegria e paz. Gigantes que nos to de 1 Samuel, capítulo 17, encon-
amedrontam, levando-nos ao de- tramos Davi, um dos personagens
sânimo, medo, insegurança, angús- mais notáveis do Antigo Testamen-
tia e ansiedade; insistindo em nos to. O grande diferencial deste jovem
desafiar a uma espécie de duelo foi o de não ter se acovardado; não
existencial. ter se concentrado no tamanho do
gigante, mas sim, confiado sua vida
A Bíblia Sagrada relata diversas
ao poder do Senhor dos Exércitos!
histórias que nos mostram como
agir diante deste cenário. Encon-
tramos, por exemplo, no livro de
1. O Grande Desafio
Números, capítulo 13, os espias que “Hoje desafio as tropas de
se apavoraram e desistiram da con- Israel.” (1 Samuel 17.10)
quista da terra, pois “ali viram gigan-
tes” (v.33). Logo se autoclassificaram Golias zombou, ameaçou, tentou
como pequenas, insignificantes desestruturar psicologicamente o
exército de Israel. Ele era soldado

42
filisteu, considerado gigante por ter Podemos aprender três lições
quase três metros de altura; usava importantes aqui:
um capacete de bronze e sua arma-
- Davi não se considerou autos-
dura pesava quase sessenta qui-
suficiente. Ele foi dependente de
los! Os “gigantes” que nos afligem,
Deus;
também, fazem o mesmo. Eles nos
provocam, apontam nossas fragili- - Encorajou o povo, mostrando
dades, e assim, tentam nos tornar que o Senhor lutaria por eles;
cada vez mais vulneráveis. O gigan-
te Golias tentava, a cada zombaria, - Derrotou Golias, não aceitando
bloquear a percepção que os israe- palavras de derrota, mas provando
litas tinham de Deus. De igual modo, que havia Deus em Israel.
“o gigante em nós” invade a nossa
mente, através de pensamentos, 2. Concentre-se em Deus
nos fazendo perder essa conexão “Durante quarenta dias o filis-
com Deus, roubando a nossa paz e teu aproximou-se, de manhã e
esperança; dando-nos a sensação de tarde, e tomou posição.” (1
de que estamos sozinhos. Samuel 17.16)
Davi, porém, um simples pastor Golias era um entre milhares de
beduíno, jovem, mais moço de seus outros filisteus. Todos nós temos
irmãos, surge com pedrinhas e uma muitos “gigantes”, e vez ou outra,
funda (v.40). O duelo não é venci- um toma posição de destaque. Dia
do, quando Golias cai no chão ao e noite estão ali, nos perseguindo
ser atingido pela pequena pedra, e com problemas internos e exter-
sim, por armas espirituais e genuína nos. Tudo o que vivemos no nosso
confiança em Deus. Leia os versícu- dia a dia, afeta diretamente o nosso
los de 45 até 47. Davi reconheceu físico, a nossa saúde mental e nos
que aquele filisteu afrontava o Deus confronta espiritualmente. O sofri-
Vivo, que aquela batalha era espiri- mento pode atingir essas três áreas
tual. Por isso, declarou: “Você vem e, muitas vezes, não conseguimos
contra mim com espada, lança e ter o discernimento certo para
dardos, mas eu venho em nome do combatê-lo.
Senhor dos Exércitos, o Deus dos
exércitos de Israel, de quem você Precisamos compreender que,
zomba e a quem amaldiçoa.” (v.45). as adversidades e sofrimentos fa-
O grande segredo para enfrentar o zem parte da vida. Não podemos
gigante, portanto, é manter o foco fugir da realidade, mas enfrentá-la
em Deus, em meio a muitas outras com coragem! Davi não se vitimi-
vozes. zou; ele reconhecia suas limitações,
mas se concentrava em Deus.

43
Assim, não podemos estudar a isso bastava. Por isso, diante da-
Bíblia Sagrada como uma espécie quele homem tão grande em esta-
de livro de autoajuda. Ela é o Livro tura, mesmo sem ainda ser soldado
da verdade, que abre o nosso en- de Israel, Davi estava pronto para o
tendimento para vermos a existên- duelo.
cia como de fato é, e conhecer a
Conhecer a Deus é o mais impor-
Deus e Sua ação na história huma-
tante para enfrentar as adversida-
na.
des do dia a dia, pois é necessário,
O fato de conhecer a Deus, po- para enfrentá-las, em condições de
rém, não nos impede de passar por vencer, usar as armaduras espiri-
momentos difíceis, de sentir dor, de tuais (ver 2 Coríntios 10.3-5). Em Efé-
sofrer. Todavia, nos ensina a passar sios 6.10-17, encontramos as armas
por eles, sabendo que Deus está que precisam nos revestir, pois “a
conosco. Ele tem propósitos e pro- nossa luta não é contra o sangue,
messas. Por isso, é preciso confiar nem contra a carne” (isto é, não é
n’Ele! contra seres humanos ou forças
materiais e sociais), ela é espiritual.
Depois deste duelo, Davi pas-
sou por outras situações: angús- Quando nos concentramos no
tia, medo, culpa, tristeza, raiva, os gigante, tropeçamos e caímos,
quais tentavam paralisá-lo. Assim como aconteceu com os dez espias
também é conosco. Identifique os em Números 13, e as consequên-
gigantes que assombram você e cias são altamente danosas (Núme-
encare-os, revestido da coragem e ros 14.21, 23, 29-33). Ao invés disso,
da verdade, que vêm como fruto de devemos ser como Davi, mantendo
analisá-los à luz da Palavra do nos- o foco em Deus, que é maior que
so Todo-Poderoso Deus. qualquer problema, por mais gi-
gantesco que seja (ou pareça ser). É
3. O Triunfo da Fé como diz a famosa e anônima frase:
“Não diga a Deus o tamanho do seu
“E esta é a vitória que vence problema; diga ao seu problema o
o mundo: a nossa fé. Quem tamanho do seu Deus”.
é que vence o mundo, senão
aquele que crê ser Jesus o O nosso desafio hoje é: manter
Filho de Deus?” (1 João 5.4,5). o foco no autor da nossa fé, Jesus
(ver Hebreus 12.1,2). A Bíblia Sagra-
Davi, o jovem pastor de ovelhas, da nos diz que a fé vem pelo ouvir
conhecia os perigos do campo, en- a Palavra (Romanos 10.17). Portanto,
frentando ursos e leões para pro- para nos concentrarmos em Deus,
teger seu rebanho. Ele conhecia precisamos conhecê-Lo, através da
a Deus, e era conhecido por Ele, e oração e estudo da Palavra, bus-

44
cando poder e sabedoria, vindos recem enormes, quando prestamos
d’Ele, para vencer os problemas, mais atenção neles. Concentre-se
não importando o seu tamanho. O em ouvir a voz de Deus! Feito isso,
gigante tenta nos paralisar, nos le- encare o gigante! Fugir, jamais;
var à desistência e ao cansaço físi-
co, mental e espiritual, mas o Se- 03. Cuide da sua saúde física,
nhor nos encoraja a enfrentá-lo e mental e, antes de tudo, da espiri-
vencê-lo, por meio da nossa fé! tual. Afinal, a força exterior depen-
de totalmente da plenitude interior.
Assim como Davi, não deixe o Nosso corpo precisa de alimentos e
medo vencer você; nem mesmo exercícios. Nossa mente precisa de
pensamentos autodestrutivos e
pensamentos esperançosos e posi-
pessimistas desanimarem você.
tivos. E nossa vida espiritual precisa
Nós temos pelo menos um “Golias”,
estar revestida de Deus (cada item
quando não são vários que assom-
bram nossas vidas. Porém, não es- da armadura de Deus de acordo
queça que “o Senhor dos Exércitos com Efésios 6 é uma virtude que
está conosco” (Salmos 46), e Ele nos somente é plena em Deus). Enten-
dará a vitória! da: a armadura é de Deus, porque é
a que Ele mesmo usa (Salmos 17.13;
Para Pensar e Agir 18.35; 35.2; Isaías 59.17), e a replicou
para nós a usarmos;
As adversidades e crises são
inevitáveis. Por isso, é indispensá- 04. Você não é pequeno nem in-
vel termos em mente as seguintes significante. Segundo Deus, você é
convicções: o escolhido d’Ele para vencer todo
e qualquer desafio! É só depender
01. Temos enfrentado “gigantes” d’Ele.
nunca vistos por nós, como por
exemplo: essa pandemia – Covid
19. Todavia, Deus é o mesmo, on-
tem, hoje e será eternamente. Os Leitura Diária
contextos históricos mudam, mas SEG 1 Samuel 17.1-26
não o nosso Deus; TER 1 Samuel 17.27-51
02. Assim como Davi, é preciso QUA 1 João 5.4-14
fazer a escolha de enfrentar ou fu- QUI 2 Coríntios 4.8-18
gir. Não dê ouvidos à voz do gigan-
SEX 2 Coríntios 6.4-10
te, pois ele tenta tirar a sua alegria e
paz, provocar insônia e pensamen- SÁB Romanos 8.31-38
tos depressivos. Os problemas pa- DOM Salmos 46.1-11

45
Data do estudo Lição 6
Texto base: 1 Reis 19.14

Elias
Quando a
Adversidade é a Falta
de Reconhecimento
Por Ed. Zenilda Silva Pinto

O tema deste estudo apre- so personagem de hoje passou


senta dois assuntos muito im- por um momento de adversi-
portantes: adversidade e falta dade e falta de reconhecimen-
de reconhecimento. to. Elias, um grande profeta de
Adversidade: significa contra- Deus, no reino idólatra de Israel,
tempo, obstáculo, dificuldade, nos tempos do ímpio rei Acabe,
infelicidade na vida; a adversi- nasceu na cidade de Tisbe, pro-
dade é um acontecimento ino- vavelmente localizada nas mon-
portuno. tanhas de Gileade. Numa época
em que Baal, o falso deus ca-
Falta de reconhecimento:
naneu da tempestade, da chuva
um estudo feito pela ISMA (In-
e da fertilidade, era adorado por
ternational Stress Management
todo o reino, Elias foi convocado
Association) revelou que, 89%
por Deus para confrontar a ido-
dos profissionais se queixam de
latria do povo de Israel.
estresse por falta de reconheci-
mento no trabalho. Sobre o rei Acabe, no texto de
1 Reis 16.29-30, temos a descri-
Isso também pode acontecer
ção desse rei: “E Acabe, filho de
no trabalho cristão? Sim. O nos-

46
Onri, começou a reinar sobre Is- Deus convoca o profeta Elias
rael no ano trigésimo oitavo de para uma missão árdua. Às ve-
Asa, rei de Judá; e reinou Acabe, zes, nós não entendemos os
filho de Onri, sobre Israel, em propósitos de Deus em meio às
Samaria, vinte e dois anos. E fez adversidades da vida. Conside-
Acabe, filho de Onri, o que era ramos não termos capacidade e
mau aos olhos do Senhor, mais que não conseguiremos realizar
do que todos os que foram an- o que Ele deseja. No entanto,
tes dele.” Importante mencionar devemos lembrar sempre que,
que Onri foi lembrado por duas Deus não nos dá nada além da
coisas: por construir Sama- nossa capacidade de realizar. Ao
ria, fazendo-a capital do reino recebermos Jesus como nosso
do norte (Israel), e por ser o rei único Senhor e Salvador, obti-
mais perverso daquela época, vemos também o privilégio e a
sendo suplantado somente por responsabilidade de realizar Sua
seu filho. O rei Acabe é lembra- obra (2 Coríntios 2.16c; 3.4-6).
do por sua perversidade e seu
casamento com Jezabel, mu- 1. Deus não nos abandona
lher dominadora e religiosa, e Elias sabia que se ficasse em
que se denominava porta-voz Samaria seria morto, pois ele
do casal de deuses cananeus fora o instrumento de Deus para
da fertilidade Baal e Aserá (ver aniquilar os profetas de Baal e
1 Reis 18.19), cujos cultos eram de Aserá, a outra falsa deusa
praticados, segundo os histo- (consorte de Baal), adorada em
riadores e arqueólogos, com Israel naquele tempo. A própria
práticas de prostituição cultual Jezabel o tinha jurado de mor-
(ver Jeremias 2.20 – ARA, NAA, te conforme podemos vem em
NTLH e NVI). Isso a categorizava 1 Reis 19.2: “Então Jezabel man-
como profetisa. Samaria distava dou um mensageiro a Elias, a
treze quilômetros a noroeste de dizer-lhe: Assim me façam os
Siquém, tornando-se centro de deuses, e outro tanto, se de-
culto idolatra (I.Reis 16.32): “E le- certo amanhã a estas horas não
vantou um altar a Baal, na casa puser a tua vida como a de um
de Baal que edificara em Sama- deles.” Elias, temendo por sua
ria”. vida, foge para Berseba, que
Nesse contexto tão adverso, fica no extremo sul da região

47
de Judá, deixa ali seu servo e nhecia suas forças e fraquezas.
vai para o deserto. Ele anda um O Senhor esteve em todo o tem-
dia e bastante deprimido sen- po presente, cuidando de Elias e
ta-se debaixo de um arbusto e suprindo todas as suas necessi-
fala com Deus (1 Reis 19.4): “Já dades (1 Reis 19.5-9).
basta, ó Senhor; toma agora a
minha vida, pois não sou melhor 2. Com Deus, superamos
o medo
do que meus pais”. Sentindo-se
fracassado e solitário, o pro- A impotência do falso deus,
feta Elias desejou a morte. Em Baal, como provedor da chuva
circunstâncias de depressão, e fogo, mostrara que só o Se-
muitas vezes, a pessoa pensa nhor, o verdadeiro Deus, é capaz
em tirar a própria vida. E isso de dominar todas as coisas. Por
também pode acontecer devido isso, Elias não teve medo de en-
ao estado de grande estresse. frentar os 450 profetas de Baal e
Às vezes, quando encontramos os 400 de Aserá, sozinho. Con-
uma pessoa vivenciando um tudo, a aspiração de restaurar
quadro de depressão, ficamos a fidelidade do povo ao Senhor
tentados a pregar sermões ou foi aniquilada diante das ame-
até mesmo julgá-la, pois ainda é aças de Jezabel. O desespero
muito comum algumas pessoas ofuscou a sua fé e, temendo por
confundirem esta doença com sua vida, fugiu. Ele sabia qual
um problema espiritual, demo- era a sua responsabilidade e
nizando-a. que Deus não o abandonaria em
Quem nunca se sentiu só em meio às adversidades, entretan-
algum momento? Mesmo em to, o medo falou mais alto.
meio a uma grande multidão, às Nesse tempo de pandemia,
vezes, nos sentimos sós. Toda- muitas pessoas têm vivenciado
via, não devemos nos esquecer o medo e algumas até experi-
de que temos o Consolador, o mentado a crise de pânico. Iso-
Espírito Santo, que está sempre ladas de tudo e de todos, não
conosco nos ajudando em todos saem às ruas, trancadas em
os momentos da vida. suas casas, temendo por suas
Deus não ficou irado com vidas.
Elias nem foi severo com ele, O cuidado pessoal é necessá-
pois o conhecia muito bem. Co- rio, mas não pode faltar a con-

48
fiança em Deus. Não sabemos Pró Evangelização de Crianças),
plenamente o propósito dessa onde a preletora disse: “Quando
enfermidade, todavia, o futuro você for contar uma história para
nos dirá. Muitas vezes, o medo criança, treine diante do espelho
vem como um ladrão, no intento primeiro”. Assim eu fiz e nunca
de roubar-nos a certeza de que mais deixei de contar histórias
Deus está conosco. Somos fa- às crianças, à luz da Palavra.
lhos, fracos e pensamos, muitas
vezes, não ter condição de reali- 3. A valorização vem
de Deus (v.14)
zar o que o Senhor quer de nós.
Contudo, jamais devemos nos No deserto, Deus não aban-
esquecer que o Espírito San- donou Elias. Muito pelo contrá-
to de Deus está ao nosso lado rio, ali, naquele ambiente ad-
para auxiliar-nos; basta pedir- verso, Deus cuidou, alimentou
mos a Ele em oração. Enquanto e o fortaleceu física, emocional
escrevia esta lição, me veio à e espiritualmente. No entanto,
lembrança algo que aconteceu Elias julgava que Deus o tinha
comigo, há alguns anos, que me abandonado. Foi nesse momen-
fez sentir muito medo. Fui convi- to, convencido de que estava
dada para realizar uma EBF (Es- sozinho naquela caverna, que o
cola Bíblica de Férias) em uma Senhor lhe perguntou: “Que fa-
igreja da minha região Sul Flu- zes aqui, Elias?”. Elias respondeu:
minense. O que eu não sabia é “... Eu tenho sido em extremo ze-
que, teria que contar as histórias loso pelo Senhor Deus dos Exér-
para as crianças ao longo dos citos, porque os filhos de Israel
sete dias de EBF. Quando per- deixaram a tua aliança, derru-
cebi qual seria a missão, entrei baram os teus altares, e mata-
em pânico. Disse a mim mes- ram os teus profetas à espada,
ma: “O que vou fazer?”. Clamei e só eu fiquei; e buscam a minha
ao Senhor e disse: “Meu Deus, vida para ma tirarem”. O profeta,
me ajuda! A igreja que me con- inconformado com a situação,
vidou está contando comigo”. desabafa diante do Senhor, re-
Como Deus sempre ouve a nos- latando ter realizado a Sua obra,
sa oração, Ele trouxe à minha e por esta razão, estava jurado
lembrança um curso que tinha de morte por Jezabel. Esperava
participado na APEC (Aliança Elias receber honra e reconheci-

49
mento pela obra realizada, mas, pelo menos, podemos deixar
para sua surpresa, recebia agora este mundo servindo ao Senhor
tão somente ameaças de morte, com felicidade”.
e isso o entristeceu grandemen- A obra do Senhor é para ser
te. Ainda hoje é assim, visto que feita com amor, sem esperar gló-
alguns trabalham na obra do rias ou conforto. A recompensa
Senhor, porém, objetivando gló- não necessariamente está aqui,
ria pessoal (ou, pelo menos, que mas na eternidade. No trabalho
seu esforço resulte em alguma cristão, nem sempre veremos os
espécie de conforto), esquecen- resultados de imediato. Por isso,
do-se que a glória pertence so- não precisamos nos sentir des-
mente a Deus, e que o conforto valorizados ou deduzirmos que
nem sempre se manifestará de o que fizemos não teve a sua im-
modo material, pois o maior portância. O tempo e o modo de
conforto para um servo fiel é ter agir de Deus não são iguais aos
a convicção de ter servido fiel- nossos.
mente ao Senhor e tirado pes-
Façamos a obra sempre com
soas das trevas espirituais. Ou-
excelência, e os resultados apa-
tros se entristecem, quando não
recerão com certeza, indepen-
recebem um determinado tipo
dente de vê-los ou não. O acla-
de valorização e reconhecimen-
mado músico evangélico João
to público pela obra realizada.
Alexandre, citando o pensador
Max Lucado, no seu livro Mário Sérgio Cortella, definiu: “A
“Você não está sozinho”, narra a excelência é fazer melhor o que
história do casal de missionários eu posso com aquilo que eu te-
Martin e Gracia Burnham que, nho, até que eu possa ter fer-
quando comemoravam dezoito ramentas melhores para fazer
anos de casados, foram feitos melhor aquilo que eu já faço”. É
reféns de uma organização ter- assim que Deus trabalha e é as-
rorista ligada ao então Osama sim que Ele espera que o faça-
bin Laden. Eles passaram 100 mos, também. Acontece que, só
dias lutando por sua sobrevivên- Deus já possui essa excelência
cia. A saúde deles deteriorou, plena em Si mesmo, mas, ainda
mas a fé permaneceu intacta. assim, espera até encontrar en-
“Nós talvez não saiamos desta tre nós as ferramentas melho-
selva vivos”, disse Martin, “mas, res para usar e fazer Sua obra

50
perfeita, prevalecer. Nós somos está distante de Deus, fazen-
essas ferramentas. Por outro do coisas que O desagradam.
lado, nós não possuímos essa Com a pandemia, vieram novos
excelência plena em nós mes- desafios: desemprego em larga
mos, ela vai crescendo mais e escala, aumento da violência
mais. Logo, devemos estar sem- (especialmente a doméstica),
pre buscando em Deus o cres- medo, solidão, e até o sentimen-
cimento, jamais considerando to de desvalorização em alguns
que uma grande vitória obtida casos. Precisamos buscar em
(como a que Elias vivenciara no Deus o consolo e o encoraja-
monte Carmelo) seja o máximo mento necessários, para viver-
a que podemos chegar e, por- mos nesse caos e vencermos.
tanto, devamos parar por ali, ou
já nos darmos por satisfeitos e Para Pensar e Agir
exigir reconhecimento como se 01. Quando você se sente só,
fosse o fim da carreira. o que faz?
Elias havia sido uma ferra- 02. Que tipos de medo você
menta de excelência nas mãos tem experimentado ao longo da
do Senhor, mas ainda não era o pandemia?
fim, ainda não chegara o tempo 03. Você faz a obra de Deus
de ser premiado ou reconheci- por amor à Sua obra ou em bus-
do. Deus ainda tinha grandes ca de algum reconhecimento?
planos para o seu servo Elias e,
a hora havia chegado, mesmo
em meio às incertezas do pro-
feta. Ele não fora rejeitado por
Deus, antes, teve uma nova in-
Leitura Diária
cumbência que lhe permitiu ver
que o propósito divino era mais SEG 1 Reis 16.21-28
amplo do que somente a derro- TER 1 Reis 16.29-34
ta do falso deus Baal. QUA 1 Reis 17.1-7
QUI 1 Reis 18.41-46
Conclusão
SEX 1 Reis 19.1-5
Os desafios desse tempo SÁB 1 Reis 19.6-13
são grandes, como no tempo
DOM 1 Reis 19.14
do profeta Elias. A humanidade

51
Data do estudo Lição 7
Texto base: II Reis 4.38-41

Eliseu
Quando a
Adversidade é a
Falta de Recursos
Por Ed. Marilane Flores

Há um quadro de escassez de seu1, cujo nome significa “Deus é


alimento na terra de Gilgal, gerando salvação”, exercendo seu ministério
fome e dificuldades de encontrar como profeta de Deus ao norte do
alimentos, porque o povo deixou de Reino de Israel, trazendo um gran-
servir ao Deus de Abraão, Isaque e de milagre em Gilgal; removendo
Jacó, para dedicarem-se aos deu- o veneno de um caldo que poderia
tirar a vida de muitos. Ele fazia algo
ses das nações pagãs. Entretanto,
precioso no seu retorno à Gilgal: es-
mesmo diante desse cenário de
tava com seus discípulos, ensinan-
fome, ainda assim, conseguiram vi- do-os a Palavra de Deus e, através
venciar as intervenções divinas me- desses discípulos, a mensagem de
diante sua providência e cuidado. Deus chegaria a todo o povo. Quan-
A pergunta que se impõe é: o que do estava a ensinar, percebe que
fazer diante desse quadro de fome estes estão com fome e pede ao
na terra, onde muitas pessoas são seu servo que coloque uma grande
tentadas a experimentar o mundo, panela no fogo, para que nela fosse
que prepara um alimento veneno- preparado um caldo para saciar a
so, capaz de roubar-lhes a comu- fome. Mesmo diante de um quadro
nhão com Deus? de fome e escassez de alimentos,
o profeta pede que se coloque no
Em II Reis 4.38-41, há uma nar-
rativa em que mostra o profeta Eli- ¹ Davis, John D. Dicionário da Bíblia, 1996, p.183.

52
fogo uma grande panela, para sa- (Bíblia Almeida Revista e Corrigida).
ciar a fome de todos que ali esta- Aquele discípulo que apanhou
vam presentes, ouvindo a Palavra as ervas venenosas tinha prazer em
de Deus. servir, mas não conhecia o que es-
Há provisões de Deus que, po- tava apanhando para servir. Ele er-
demos receber se olharmos estes rou ao apanhar as ervas daninhas,
versículos e entendermos as ad- por não conhecê-las. Como temos
versidades, as quais surgiram, bem errado POR NÃO CONHECER A PA-
como as provisões de Deus para LAVRA DE DEUS, que é viva e eficaz
cuidar de cada vida preciosa. em nossas vidas. Precisamos dos
Podemos mencionar um bom ingredientes da Palavra de Deus
servo que, foi procurar alguns in- para aplicar em nossas vidas, a fim
gredientes para acrescentar no cal- de evitar que as “ervas daninhas”
do que estava sendo aquecido na tragam escassez espiritual, pois o
panela. Um discípulo corre com boa povo perece porque não tem en-
vontade, encontra uma trepadeira tendimento, comendo do vene-
com uns legumes semelhantes a no, porque não está saboreando o
laranjas amareladas, estende sua Reino de Deus. O discípulo colheu
capa e, logo, as enche com aque- o veneno para cozinhar e aplacar a
les legumes que não conhecia, pois fome daqueles estavam sentindo,
não reconhece que eram colocínti- porém, o veneno que existia na-
das, ervas daninhas, que poderiam quelas plantas, iria matar todos que
fazer mal, mas que convidavam a provassem daquela comida.
saborear. Esse discípulo demonstra Precisamos conhecer a Palavra
prazer em servir, mesmo sem co- de Deus, a qual é alimento para
nhecer o que está servindo. nossas vidas, que nas adversidades
Há também uma fome na terra, nos ajuda a superá-las, trazendo
levando muitos a saborear o que o refrigério diante do sofrimento. Co-
mundo oferece. Não reconhecem nhecer a Palavra de Deus traz ali-
que, ervas daninhas farão mal a sua mento saudável, para saciar a fome
vida, levando-os a saborear um ve- de conhecer o Senhor Jesus, bem
neno que mata a vida cristã. Como como de tirar o ingrediente do pe-
evitar o sabor das ervas perigosas? cado das nossas vidas, por meio de
Seu Sangue derramado na cruz. A
1. Conhecendo a Palavra Palavra de Deus precisa estar em
de Deus nosso coração e na nossa men-
te, para sabermos como proceder
Na Palavra de Deus, em Mateus num mundo que nos chama a não
28.29: “Jesus, porém, respondendo, aceitar a vontade de Deus, trazendo
disse-lhes: Errais, não conhecendo a separação relacional com o Deus
as Escrituras, nem o poder de Deus” que nos ama e deseja nos saciar

53
com sua companhia nesse tempo para vivermos de acordo com a Pa-
de muitas aflições e lutas; mas que lavra de Deus, vencendo as adver-
podemos cantar “Temos por lutas sidades que procuram nos abalar.
passado, umas temíveis cruéis, mas Precisamos saber evidenciar cada
o Senhor tem livrado, delas seus sabor do fruto do Espírito, objeti-
servos fiéis. Força e poder nos tem vando acrescentar cada ingredien-
dado, Ele nos tem sustentado, dan- te na vida de pessoas, que precisam
do-nos sua mão, vida de paz, per- conhecer e confiar no Senhor, num
dão, salvação. Sim, Deus é por nós”2. mundo carente de Jesus, o qual sa-
Como a Palavra de Deus precisa ser cia a fome, por ser Ele o ‘alimento
meditada, a fim de trazer o conhe- inigualável’ a favor da vida.
cer da vontade de Deus para nos-
sas vidas? Como precisamos sa- 3. Trazendo o alimento
borear a Palavra de Deus e, assim, que dá vida
encontrarmos doces palavras para Num dia em que estava a cozi-
o viver? Como precisamos confiar nhar uma sopa, resolvi colocar uma
na provisão de Deus para a vida, colher de pimenta que estava na
sabendo que Ele estará sempre co- geladeira, para dar um sabor mais pi-
nosco, nos ajudando a superar as cante àquela sopa que estava quase
adversidades que vivenciamos no pronta. Coloquei, então, a pimenta e,
cotidiano da vida? logo, provei, e para minha surpresa,
a pimenta era tão forte que mesmo
2. Fruto do Espírito tomando muita água continuava a
Não conhecer o fruto do Espírito; arder demais. E agora? Sopa estra-
não saborear deste manancial para gada para o jantar. Com a boca ainda
vencer as adversidades da vida, ardendo, pensei: vou pesquisar para
pode trazer sérias consequências, saber se há alguma coisa, que retire
que envenenam a vida em comu- essa ardência e possa aproveitar a
nhão. Em Gálatas 6.22,23, o fruto sopa. Pesquisei e encontrei um artigo
é saboroso, abundante em amor, que falava que o açúcar tiraria a ar-
alegria, paz, paciência, amabilida- dência da pimenta. Assim fiz, e quan-
de, bondade, fidelidade, mansidão do provei, a sopa estava boa para co-
e domínio próprio, os quais devem mer, estava saborosa e a pimenta foi
existir em nós, para trazer uma vida neutralizada. Também podemos ler
repleta do sabor de Deus. Nosso no texto que, a sopa estava imprópria
apetite pelo mundo precisa ser re- para comer devido às colocíntidas
que foram postas durante o preparo
freado e governado pelo Espírito
pelo discípulo de Eliseu, o qual não
Santo de Deus, que coloca em nos-
conhecia o que estava colocando no
sa vida o sabor do fruto do Espírito,
cozido. A partir do momento do co-
² SOUZA, Manuel Avelino de; BEAZLEY, Samuel
zido pronto, as pessoas começaram
W. Vitória nas lutas. Hino 454. Cantor Cristão. a comer e, imediatamente, identifica-

54
ram que o caldo de ervas estava en- na panela” muitos clamam por sal-
venenado, pois começaram a passar vação e precisam ser atendidos por
mal e, logo, clamaram ao homem de homens e mulheres de Deus, que
Deus, uma vez que havia morte na estejam prontos a ajudar nas adver-
panela. Eliseu pede que, tragam fa- sidades que surgirem. Quem aceitará
rinha; coloca a farinha com sua mão este desafio?
no caldo de ervas, com o objetivo
de curar a comida3 e, pelo poder de Para Pensar e Agir
Deus, o antídoto neutraliza o efeito do 1. Servos de Deus também sofrem
veneno e todos se alimentam com a as adversidades da vida, mas preci-
sopa. O ingrediente que continha ve- sam estar certos do cuidado de Deus
neno foi retirado da panela, transfor- a cada dia. Muitas vezes, não conhe-
mando este alimento em algo muito cemos o que estamos colocando de
saudável, para ser ingerido num tem- ingrediente em nossa vida espiritual,
po de escassez e fome. negligenciando o conhecimento da
Eliseu colocou o ingrediente ne- Palavra de Deus, a qual traz conforto
cessário para tirar o veneno. A farinha e provisão.
que, para ser farinha, foi esmagada 2. Qual ingrediente é necessário
e moída, pode ser comparada ao para se ter vida em abundância e
Senhor Jesus, o qual foi moído por vencer as adversidades, que estão a
nossos pecados e, com sua morte na bater em sua porta?
cruz, fomos sarados. Jesus é o pão 3. Não deixe que os venenos do
da vida, alimento que sacia a fome, mundo impeçam você de mostrar o
trazendo sustento num tempo de fruto do Espírito, que ajuda você a se
escassez espiritual. Sem o veneno, relacionar num mundo que precisa
a comida é servida e traz a provisão ver Jesus em suas ações e atitudes.
que fortalece. Continue confiando no Senhor Jesus,
Conhecer a Palavra de Deus, mos- mesmo em tempo de adversidades,
trar o fruto do Espírito e levar Jesus, pois Ele sustenta quando seus recur-
que foi moído por nossos pecados sos forem escassos.
trazendo Salvação, é um desafio que
recebemos do Senhor para que, ou- Leitura Diária
vindo Sua voz, possamos Confiar no SEG Deuteronômio 8.3
Cuidado Dele diante das adversida-
TER Salmos 37.18,19
des e da escassez, as quais trazem
fome da Palavra, fome do fruto do QUA Salmos 146.5-7
Espírito e fome de Salvação. O de- QUI Filipenses 4.10-14
safio de Jesus está posto, pois assim
como os discípulos de Eliseu clama- SEX Salmos 33.18-22
ram “Ó homem de Deus, há morte SÁB Habacuque 3.17-19
3 Henry’s Matthew. Comentário Bíblico Antigo DOM João 6.48-51
Testamento, Josué a Ester, p.562.

55
Data do estudo Lição 8
Texto base: Neemias 2.5

Neemias
Quando a
Adversidade
é Reconstruir
Por Ed. Joice Nogueira de Souza

As adversidades da vida nos tuação dos muros de Jerusalém


fazem chorar perante o Senhor. que encontravam em ruínas e
Buscamos a Deus por soluções, as circunstâncias que os judeus
quando algo se desmorona e estavam vivendo, ele percebeu
muros em nossas vidas preci- que algo deveria ser feito.
sam ser reconstruídos, para que O estado em que se encon-
possamos nos erguer e continu- travam os muros de Jerusalém,
ar a glorificar o nome do Senhor. fez com que Neemias sentasse
Neemias era cativo, copeiro e chorasse aos pés do Senhor.
do rei Artaxerxes; possuía uma “Quando ouvi isso, sentei-me
posição de destaque no reino. e chorei. Durante alguns dias,
Era fiel e exercia sua função lamentei, jejuei e orei ao Deus
com zelo, servindo na corte real. dos céus”. (Ne 1.4). Ele se colo-
Ele amava e se importava com cou aos pés do Senhor Deus em
seu povo. Hanani, um dos seus uma profunda oração de humi-
irmãos, lhe deu notícias da cida- lhação e súplica. Na comunhão
de de Jerusalém e dos judeus com Deus, Neemias toma para
que haviam voltado do cativeiro si o compromisso de Recons-
na Babilônia. Ao saber da real si- truir as Muralhas de Jerusalém

56
que, por anos, ficaram no chão. isso, antes de qualquer pedido,
é necessário adorar e cultuar
1. Adoração e Culto a Deus ao Deus dos céus. Dessa forma,
Quantas vezes você passou então, foi que Neemias se colo-
por situações que estavam fora cou na presença do Senhor.
do seu controle? Nas adversi- Quando adoramos ao Se-
dades de sua vida, você, pron- nhor, sentimos Sua presença
tamente, fez diversos pedidos entre nós e percebemos que o
ao Senhor, buscando que fosse nosso Deus é maior que os nos-
atendido? As circunstâncias da sos problemas. Assim, Neemias
vida nos fazem, automatica- adorou ao Senhor e continuou
mente, pedir socorro a Deus. em atitude de oração. Depois de
É relevante observar os en- adorar e reconhecer a grandeza
sinamentos de Neemias para de Deus, Neemias suplicou ao
nossas vidas. Diante das adver- Senhor dos céus por socorro,
sidades que Neemias estava vi- consoante Neemias 1.6: “Ouve
vendo, do sofrimento pelo seu minha oração! Olha do alto e vê
povo, ele entrou na presença do que oro noite e dia por teu povo,
Senhor, não pedindo por socor- Israel”.
ro no mesmo instante. Todavia, A adoração e a súplica de Ne-
ele iniciou sua oração Adorando emias ao Senhor fizeram com
e Prestando Culto ao Deus dos que ele sentisse a presença de
Céus, conforme Neemias 1.5: “Ó Deus em sua vida e o deixou
Senhor, Deus dos céus, Deus confiante, mesmo não saben-
grande e temível, que guardas do o que aconteceria após sua
tua aliança de amor leal para oração. Em nossas vidas, como
com os que te amam e obede- cristãos, também devemos con-
cem a teus mandamentos”. fiar no Senhor. Devemos contar
Assim como Neemias, preci- nossos problemas ao Senhor e,
samos reconhecer que somos ao mesmo tempo, adorar e ser
criação de Deus e a Ele deve- grato por tudo. No Salmos 28,
mos honra e glória. Como cris- encontramos Davi clamando
tãos, em primeiro lugar e inde- a Deus, mas em meio ao seu
pendente da situação da vida, pedido de socorro, ele louva a
devemos reconhecer a grande- Deus e o adora: “O Senhor é mi-
za e a soberania de Deus. Para nha força e meu escudo; confio

57
nele de todo o coração. Ele me foi destruído e esperamos algo
ajuda, e meu coração se enche acontecer do nada. O exemplo
de alegria; por isso lhe dou gra- de Neemias nos mostra que
ças com meus cânticos” (Sl 28.7). não devemos ficar parados, mas
Na confiança em Deus, foi que precisamos tomar uma atitude.
Neemias pôde enxergar com os É necessário buscar ao Senhor,
olhos da fé que apesar das ad- estar revestido do Seu poder
versidades e dos desafios que para assumir uma postura que
ele tinha pela frente de recons- transformará nosso choro em
truir o que já estava destruído, alegria de acordo com Salmos
ele sabia que o Senhor estava 30.5: “O choro pode durar toda a
à frente, dirigindo seus passos e noite, mas a alegria vem com o
dando a vitória. amanhecer”.
O rei Artaxerxes, no mesmo
2. Assumindo uma atitude instante, percebeu que Neemias
Neemias se lamentou e cho- estava triste enquanto o servia.
rou aos pés do Senhor, mas seu Mesmo sendo cativo, Neemias
sofrimento não ficou apenas era fiel ao rei e exercia seu tra-
nas lágrimas. Ele, mesmo triste balho com alegria. Com a aflição
com todas as adversidades que em seu coração e o sofrimento
estava vivendo, assumiu uma pelo seu povo quanto ao fato
atitude, pois não poderia ficar de a cidade de Jerusalém estar
apenas se lamentando dos pro- destruída, Neemias não conse-
blemas. Ele precisava fazer algo guiu esconder seus sentimentos
para sair da situação em que se e, assim, o rei viu a tristeza em
encontrava. seu rosto e se importou com a
Em nossas vidas, muitas ve- sua dor. Sendo assim, por meio
zes, ficamos sentados chorando de suas orações, Neemias assu-
pelos problemas que as circuns- miu uma atitude e pediu ao rei
tâncias da vida nos trazem e não por sua benevolência, para que
nos levantamos para fazer algo ele pudesse ir à cidade onde
específico, a fim de reverter à seus pais estavam enterrados
situação em que nos encontra- em Judá, objetivando a recons-
mos. Oramos, clamamos ao Se- trução, conforme Neemias 2.5:
nhor, mas, algumas vezes, fica- “Se lhe parecer bem, e se o rei
mos paralisados diante do que for favorável a mim, seu servo,

58
peço que me envie a Judá para no sermão do Monte: “Peçam,
reconstruir a cidade onde meus e receberão. Procurem, e en-
antepassados estão sepulta- contrarão. Batam, e a porta lhes
dos”. Com a permissão do rei será aberta. Pois todos que pe-
Artaxerxes, Neemias parte para dem, recebem. Todos que pro-
cumprir o plano da reconstru- curam, encontram. E, para todos
ção das muralhas de Jerusalém. que batem, a porta é aberta”
Aprendemos com Neemias que, (Mt 7.7,8). Neemias pediu a Deus
uma vida de oração ativa envol- pela reconstrução dos muros
ve diretamente atitudes e plane- de Jerusalém, bem como, pela
jamento para reconstruir o que vida dos judeus. Ele procurou a
está destruído. resposta do Senhor. Bateu, para
Diante das adversidades, que a porta fosse aberta e ele
quantas vezes você orou sem pudesse cumprir os seus desíg-
um propósito, sem uma meta nios.
definida, sem saber realmente o 3. Impedimentos na
que desejava e sem saber o que reconstrução
pedir a Deus? Cada pessoa tem
um problema específico, algo Já percebeu que, muitas ve-
em nossa vida que desabou, a zes, quando começamos a co-
saber: o muro do casamento; locar um plano em ação surge
o muro do relacionamento fa- algo que nos tira do foco ou, até
miliar; o muro da saúde física e mesmo, que nos impede de con-
emocional; o muro das finanças tinuar por completo a realização
e, até mesmo, o muro da vida do nosso projeto? Quantos de
espiritual. É importante obser- nós não concluímos nossos ob-
var que não há nada que este- jetivos, só porque obstáculos
ja destruído que o Senhor não aparecem na nossa frente?
possa reconstruir. Aprendemos Após dar início ao seu proje-
com Neemias acerca da de- to, Neemias percebe que algu-
terminação em reconstruir os mas pessoas se levantam para
nossos próprios muros, que fo- impedir o seu plano. Podemos
ram destruídos por algum moti- confirmar em Neemias 2.19:
vo durante a nossa vida. E para “Mas, quando Sambalate, o ho-
isso, podemos ver o que Jesus ronita, Tobias, o oficial amonita,
quis dizer quando nos ensinou e Gesém, o árabe, souberam de

59
nosso plano, zombaram de nós co sobre Jerusalém”.
com desprezo e perguntaram: Com total entusiasmo e cer-
O que estão fazendo? Estão se to das promessas do Senhor,
rebelando contra o rei?”. Apren- Neemias avança para a recons-
demos com Neemias que não trução dos muros e contagia o
devemos nos intimidar. Sem- povo, uma vez que o projeto que
pre surgirão obstáculos a nos- deu início com a oração, come-
sa frente, no momento em que çou a ser colocado em prática.
desejamos reconstruir algo. A Neemias e o povo estavam jun-
oposição será forte, pois quando tos, com a “mão na massa” para
o cristão desejar reerguer sua a reconstrução dos muros. En-
vida, reconstruir seus muros, o tretanto, como acontecem em
diabo ficará furioso e tentará nos nossas vidas, impedimentos vão
destruir por completo, impe- surgindo quando estamos avan-
dindo a reconstrução da nossa çando. Os opositores, a todo
vida espiritual, conjugal; do re- instante, tentavam tramar con-
lacionamento familiar; da saúde tra ele e impedir a reconstrução
física e emocional; das finanças dos muros; tentaram humilhar
etc., mas não devemos temer, os trabalhadores de várias for-
pois quando Deus decide nos mas. Todavia, Neemias como
usar, Ele age poderosamente servo do Senhor se firmava cada
em nossas vidas, a fim de con- vez mais na presença de Deus
cluir o projeto que Ele mesmo e orava! Ele tinha uma missão
colocou em nossos corações, a cumprir. Diante de vários ata-
nos dando sabedoria, discerni- ques sofridos pelos seus opo-
mento e nos garantindo a vitória. sitores, Neemias intensificava
Como homem temente ao Se- sua oração, pedindo forças e li-
nhor Deus, Neemias respondeu vramento. Dessa mesma forma,
com total confiança e não se nós sabemos que a reconstru-
deixou abalar pelos seus oposi- ção de nossos muros não será
tores, consoante Neemias 2.20: concluída sem desafios, pelo
“O Deus dos céus nos dará êxito. contrário, devemos estar pron-
Nós, seus servos, começaremos tos para enfrentar os obstáculos
a reconstruir este muro. Vocês, do dia a dia. Foi exatamente isso
porém, não têm nenhuma parte, que Neemias fez e, apesar de
nenhum direito legal ou históri- todas as lutas, a obra da recons-

60
trução do muro foi concluída 02. Sejamos como Neemias,
em cinquenta e dois dias. Nesse determinados. Não desanime-
sentido, Neemias ensinou e re- mos e nem desistamos por
construiu também a perspecti- obstáculos que venham surgir.
va de mudança de vida do seu Desafios sempre aparecerão.
povo, pois precisavam ter uma Coloquemo-nos na presença
vida íntegra e tinham que assu- do Senhor em constante oração.
mir um compromisso com Deus. Procuremos sempre a direção
Quando nós assumimos um do Senhor;
compromisso com Deus; quan- 03. Vivamos um relaciona-
do passamos a ter uma grande mento diário com Deus. Bus-
e profunda vida de devoção ao quemos estar na presença de
Senhor; quando confiamos por Deus sempre O adorando. Ado-
completo em Deus; quando nos remos, louvemos ao Deus dos
entregamos e pedimos sabedo- céus. Amemos ao Senhor!
ria, direção e a visão do Senhor,
os muros de nossas vidas co- Bibliografia:
meçam a ser reconstruídos. BARBER, Cyril J. Neemias e a dinâmi-
ca da liderança eficaz. 12.ed. São Paulo:
Para Pensar e Agir Vida, 2001.
Bíblia de Estudo Despertar. Barueri,
01. Como você tem reconstru- SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.
ído muros de sua vida espiritual, Bíblia Sagrada: Nova Versão Trans-
conjugal, do relacionamento fa- formadora: letra grande. São Paulo:
Mundo Cristão, 2016.
miliar, da saúde física e emocio-
nal, das finanças etc.? Chorando
e se lamentando? Ao exemplo
de Neemias, pare de se lamen-
tar e tome uma atitude. Se ale- Leitura Diária
gre no Senhor, pois somente SEG Neemias 1.1-10
Ele que nos fortalece. A alegria TER Neemias 2.1-5
do Senhor é que nos mantém QUA Neemias 2.11-18
motivados a continuar firmes na
QUI Neemias 2.19-20
reconstrução dos muros. Preci-
samos nos alegrar e celebrar a SEX Neemias 4.1-8
glória de Deus independente SÁB Neemias 6.1-15
das circunstâncias; DOM Neemias 8.6-12;12.27,43

61
Data do estudo Lição 9
Texto base: Ester 4.1-17

Ester
Quando a
Adversidade é a
Perversidade Humana
Por Ed.Esmeralda de O. Augusto

O relato da história da rainha Es- sa, também!


ter é cercado por muitas lições para
1. É inevitável que, em nossa
a nossa vida. Uma delas é o maravi-
vida, lidemos com pessoas
lhoso momento em que, Deus sal- más
vou o seu povo das malignas mãos
O livro que conta a história da
do ímpio e invejoso, Hamã. Nesse rainha Ester leva o seu nome. Ele
mundo, é possível que sejamos afli- mostra a história de uma jovem
gidos por pessoas perversas, mas que, além de muito formosa, tinha o
podemos vencer com uma cons- coração voltado para Deus. Ela fora
ciência pura e confiança em Deus. criada pelo seu primo, Mordecai,
que cuida dela desde menina. Não
Desse modo, sempre devemos ter sabemos algo acerca dos pais bio-
em mente algumas lições as quais lógicos de Ester. No entanto, sabe-
nos mostram que, mesmo quando mos que a futura rainha foi ensina-
a adversidade é a perversidade das da a amar a Deus de todo coração e
pessoas más, devemos ser sábios e mostrar o caráter d’Ele às pessoas.
Uma boa índole começa com uma
ter o nosso coração posto em Deus orientação correta dentro do lar, ao
para vencermos. Essa é a experiên- passo que, uma má índole começa
cia da rainha Ester e pode ser a nos- com uma orientação incorreta vinda

62
da própria casa. Vamos enfrentar o mesmo desafio.
Em um concurso para eleger a Mas o propósito de Deus é infa-
nova rainha, Ester é escolhida para lível em nossa vida. Quando o Se-
substituir a sua antecessora e, as- nhor, na sua bondade, nos dá um
sim, começa a habitar no palácio lugar de destaque na sociedade,
real e, ao longo do tempo, a conhe- Ele tem propósitos para a nossa
cer todos os costumes e modos de vida em relação ao seu povo. Assim
agir do palácio, bem como seus foi na vida da rainha Ester. Ela sabia
administradores e frequentadores, dos propósitos de Deus para a sua
dentre eles: um homem chamado vida; sabia que a sua posição era
Hamã. Este se sente desprezado instrumento de Deus para salvar a
pelo estimado primo de Ester e tra- vida do seu povo. Manter-nos em
ma planos contra ele (ler Ester 3.1- foco nos propósitos de Deus, nos
15). Ester assume um grande risco ajuda a superar as perversidades
em defesa do seu primo e do seu humanas. Certamente, Deus quer
povo, e Hamã acaba humilhado e nos usar para abençoar. Precisamos
morto. nos conscientizar de que, para isso
Em algum momento de nossa fomos salvos e temos uma missão.
vida, vamos lidar com pessoas más. Devemos, portanto, nos concentrar
Elas poderão querer nos atingir, em nossa missão!
quer seja por inveja, por ciúmes, O momento no qual estamos
por tentarem competir conosco e, vivendo em nosso país, onde os
até mesmo, por um simples desejo perversos agem mal à luz do dia,
de nos prejudicar. No entanto, de- quando, muitas vezes, a injustiça é
vemos manter o foco de quem nós louvada e o direito negligenciado
somos e sobre o propósito de Deus por pessoas que só pensam em si
em nossa vida. mesmas e em sua própria glória,
o Senhor espera que possamos,
2. É preciso conscientizar- como servos Seus, descobrir o Seu
nos do propósito divino para propósito para cada um de nós e
a nossa vida (v. 12-14) que sejamos luzeiros no mundo.
Nesses versos, descobrimos que Não nos esqueçamos da palavra
estar em uma posição superior a do de Mordecai à Ester: “quem sabe se
seu povo, não leva o servo do Se- para um tempo como este não fos-
nhor a ser intocável. Assim, o fato te a escolhida?” (Et 4.14).
de ser um cristão não nos exime de Assim, não devemos nos calar
enfrentar o peso das malignidades diante da maldade humana, mas,
humanas. Lembremos de outros como servos do Rei, agir com pru-
exemplos da Bíblia Sagrada: José, dência (Et 5.1-3). Precisamos pedir a
Paulo e, até mesmo, o próprio Se- sabedoria de Deus, para enfrentar
nhor Jesus. Não somos diferentes. os dias maus e as pessoas maldo-

63
sas. Muitas vezes, perdemos opor- em que vivemos, precisamos olhar
tunidades valiosas de vitória, não para o perigo que nosso povo passa
por falta de razão, mas por falta de e agirmos com urgência, fé e des-
sabedoria. A rainha Ester nos en- temor. Se nos calarmos, se não nos
sina que, grandes vitórias contra a posicionarmos, o mal vencerá, mas
malignidade das pessoas, exigem se agirmos com a coragem que
grande sabedoria vinda de Deus. A vem do Senhor, as adversidades
coragem e a sabedoria nos levam a serão superadas.
grandes vitórias.
4. Diante da adversidade
3. Quando a adversidade advinda da maldade
é a perversidade humana, humana, devemos buscar o
devemos agir com destemor Senhor (v. 15,16)
Ester amava a Deus. Apesar de Uma terceira lição que aprende-
casada com um rei pagão e tempe- mos com a rainha Ester e sua expe-
ramental, assim que tomou conhe- riência de vitória contra a maligni-
cimento da conspiração para matar dade humana foi(é) o fato de aquela
os judeus, fomentada por Hamã, foi uma vitória da oração. Cantamos
teve um momento de fraqueza e um cântico de um autor desconhe-
pensou no perigo de comparecer cido que afirma: “Aleluia, Deus aten-
diante do seu marido, o rei, arris- de oração. Aleluia, Deus atende
cando sua própria vida (Et 4.9-11). oração, se buscarmos com fé em
No entanto, após ouvir a adver- nome de Jesus. Aleluia, Deus aten-
tência do seu primo Mordecai: “não de oração, atende oração”. A oração
pense que se os judeus morrerem foi a principal estratégia usada por
você escapará, lembre-se que você Ester. O plano usado por ela foi orar
também morrerá” (Et 4.13), ime- com o povo e com suas servas.
diatamente, Ester toma posição e Diferente de nossos dias, quando
declara: “Consagre o povo para o o nosso povo não dá a devida im-
jejum e eu jejuarei com as minhas portância à oração, algumas pes-
servas e irei ter com o rei” e afirma: soas podem considerar que oração
“Se eu tiver que morrer, morrerei” seja gritaria, como se Deus fosse
(Et 4.15-17). Não podemos nos calar surdo; outras amam o momento de
diante da perversidade, ao contrá- louvor no culto da noite e, ainda,
rio, devemos ser agentes e porta- existem aquelas que nunca parti-
dores da justiça. cipam desse momento e querem
Era urgente agir em favor do seu vencer os “perversos” do nosso
povo e lembrar-se de que, a per- tempo com passeatas ou “louvor-
versidade humana precisava ser zão”. Todas essas práticas podem
enfrentada com coragem e fé no até permear resultados positivos,
Senhor. De igual modo, nos dias todavia, poucas permitem mais inti-

64
midade com Deus e vitória, se com- Ester tomou conhecimento dos
paradas à oração. propósitos divinos para sua vida;
Podemos mencionar que, em agiu com determinação e urgên-
alguns lares, perdeu-se o costume cia; buscou ao Senhor com oração
do culto doméstico, onde os pais diante da adversidade. Ao sermos
oram juntos com os filhos. As famí- provocados pela perversidade hu-
lias que desejam vitória na vida, fi- mana, precisamos agir como a ra-
lhos no caminho do Senhor, direção inha Ester.
para todos os momentos da vida,
Para Pensar e Agir
para tudo isso é mister: crer e pra-
ticar a oração, não só em momen- 01. Você tem consciência dos
tos de adversidade, mas termos a propósitos divinos para sua vida,
oração como estilo de vida; como quando Ele o salvou por meio de
instrumento do Senhor para a nos- Cristo?
sa vitória. 02. Você tem uma posição na
sociedade? Na família? Na igreja?
Conclusão Qual é? Como tem usado diante do
Portanto, aprendemos com a ra- povo que está prestes a morrer?
inha Ester que: 03. Você tem agido com prudên-
- Devemos tomar consciência do cia diante das adversidades provo-
propósito de Deus para nossa vida; cadas pela perversidade humana?
- Devemos agir com destemor Você tem agido com coragem dian-
diante da perversidade; te de tais situações?
- Devemos buscar o Senhor, em 04. Qual é o lugar da oração em
oração, diante da adversidade. suas lutas contra a perversidade
humana?
No tocante à oração, a Bíblia
Sagrada ensina em Mateus 21.22:
“E tudo que pedires em oração, Leitura Diária
crendo, vocês receberão”; Lucas SEG Ester 4.1-3
1.13: “Não tenha medo porque a sua
TER Ester 4.4-8
oração foi ouvida…”; Atos 1.14: “To-
dos estes perseveraram unânimes QUA Ester 4.9-14
em oração…”; Efésios 6.18: “Orem em QUI Ester 4.15-17
todo tempo no Espírito com todo SEX Ester 5.1-4
tipo de oração e súplica…” e Colos- SÁB Ester 5.5-14
senses 4.2: “Continuem em oração
com ação de graças”. DOM Salmos 5.1-12

65
Data do estudo Lição 10
Texto base: Isaías 53.1

Isaías
Quando a
Adversidade
é Incredulidade
Por Ed. Nely Soares Ferreira

Na história da raça humana há Deus pode nos enviar provações es-


adversidades, aflições, tribulações. pecíficas para a realização de Seus
Elas nos cercam. São inevitáveis. São santos propósitos. Ele é o Oleiro. E se
variadas em nomes, origens, fontes. Ele colocar um fardo, Ele certamente
O profeta Jeremias perguntou: “De fortalecerá as costas. Quando o ouro
que se queixa, pois, o homem vi- do Senhor está no fogo, Ele, como
vente? Queixe-se cada um dos seus Refinador, não fica longe da boca da
pecados” (Lam. 3.39). O pecado das fornalha. Todavia, a adversidade tam-
pessoas é uma parte relevante da bém pode nos acontecer por causa
resposta do profeta ao problema da da incredulidade.
aflição, da adversidade. Quando o
povo sofre por seus pecados, sofre 1. Em alguns momentos,
por causa do que fez, não porque a adversidade vem do
Deus gosta de puni-lo. Veja o v.33: fato das pessoas não
“Porque não aflige nem entristece de acreditarem em nós
bom grado os filhos dos homens”. Isaías foi um profeta que viveu isso
As adversidades vêm por causa de em seu tempo.
pessoas com quem convivemos. Vem Isaías começa a narrativa do ma-
por causa de injustiças de líderes, de jestoso capítulo 53 com duas pergun-
governantes. Podem, também, nos tas: “Quem creu na nossa pregação?
acontecer por ação de Satanás, com E a quem foi revelado o braço do Se-
permissão de Deus, claro. O próprio

66
nhor?” Spurgeon, o famoso pregador O que foi revelado era verdadeiro,
britânico, descreve o capítulo 53 de mas foi tido como incrível. O Servo foi
Isaías como “uma Bíblia em minia- rejeitado. “Veio para o que era seu,
tura, o Evangelho em sua essência”. e os seus não o receberam” (João
Isaías expõe, vigorosa e magnificen- 1.11). Sem essa revelação, quem
temente, o princípio da substituição acreditaria que esse indivíduo, com
que só pode proporcionar esperança seu nascimento e vida terrenos, sua
ao homem perdido. aparência inexpressiva, era o “braço
Este oráculo o qual Isaías está a do Senhor”? O “braço do Senhor” é o
proclamar é tão maravilhoso que, próprio Senhor em todo o seu poder.
ele começa exclamando: Quem crê
nisso? Quem creu no que prega-
2. A incredulidade impede
mos? Quem creu no que ouvimos e
as bênçãos de Deus sobre
vimos? A verdadeira resposta para
nós e sobre quem amamos
esta primeira pergunta é: Ninguém. A A incredulidade é falta de crença
segunda pergunta se propõe a expli- em Deus ou fé em Deus e em Sua
car, porque é assim. Não pode haver provisão. Ela está na raiz de toda
crença, sem que primeiro aconteça nossa insegurança em relação às
revelação divina. Não há discerni- promessas de Deus. A incredulidade
mento de quem o Servo Sofredor não é falta de compreensão intelec-
realmente é, apenas, pela observa- tual, mas de desobediência face às
ção humana. E o profeta pergunta: ordens claras de Deus.
“A quem foi revelado o braço do Se- Se por um lado a incredulidade
nhor?” O “braço” é uma metáfora que não impede a fidelidade de Deus –
designa o Seu poder e onipotência. A “Se alguns não creram, a increduli-
pergunta é: quem poderia ter imagi- dade deles virá desfazer a fidelidade
nado que o poder libertador do Se- de Deus?” (Rm 3.3), por outro lado,
nhor seria assim? afeta a capacidade individual de re-
A notícia foi propalada. Profetas ceber os benefícios de tal fidelidade.
e homens santos a anunciaram. Ela Lemos que a falta de fé de muitos
estava contida nas Escrituras profé- israelitas, por exemplo, impediu de
ticas. A apresentação da mensagem ver a terra prometida: “Vemos, pois,
foi clara. Entretanto, a mensagem que não puderam entrar por causa
caiu em ouvidos surdos. O povo mos- da incredulidade” (Hb 3.19). Lemos
tra-se rebelde e inflexível. A atitude também que, a incredulidade dos na-
deles era de orgulho e arrogância. O zarenos não permitiu que eles teste-
objetivo deles era acumular riquezas munhassem os milagres de Cristo: “E
e conforto para si. Queriam um cami- não fez ali muitos milagres, por causa
nho que garantisse a vida mais fácil e da incredulidade deles” (Mt 13.58).
negaram-se a confiar em Deus. Con- Os descrentes limitam-se ao que
fiavam nas próprias forças; confiavam podem ver ou conhecer, mas a Bíblia
nas alianças com nações pagãs.

67
Sagrada ensina que “tudo é possível vir, constantemente, a promessa de
ao que crê” (Mc 9.23). Nesta narrativa Deus para contrabalançar as dúvidas
de Marcos 9, acerca da cura do jo- e medos que são naturais em nós.
vem possesso, o pai do menino disse
a Jesus: “Se tu podes alguma coisa, 3. Precisamos perseverar em
tem compaixão de nós e ajuda-nos” nossa fé e vivê-la em nosso
(v.22). “Se tu podes” – sua fé era fraca! dia a dia para que, por meio
E Jesus disse ao pai aflito: “Se podes! de nós, as pessoas venham
Tudo é possível ao que crê”. Jesus in- a conhecer ao Senhor
verte a declaração do homem, mos- Perseverar é: ser constante, per-
trando que não é uma questão da manecer, persistir, continuar, conser-
capacidade de Cristo, pois Ele pode var-se. Fé cristã, bíblica, é a crença
fazer todas as coisas, mas da fé do ou atitude de confiança em relação a
homem. Muito bom quando o ho- Deus, envolvendo o compromisso de
mem disse: “Eu creio! Ajuda-me na alguém com a vontade de Deus.
minha falta de fé” (v.24). Cristo alcan-
çou seu objetivo com o pai do meni- Em Hebreus 11 diz que a fé já es-
no, expondo a batalha interior em seu tava presente na experiência de mui-
coração e levando-o a buscar ajuda tas pessoas no Antigo Testamento,
de Cristo contra a incredulidade. como elemento essencial de sua
vida espiritual. No Novo Testamento,
Incredulidade também denota, a fé engloba vários níveis de com-
invariavelmente, desobediência, re- promisso pessoal. Em Tiago 2.19 está
belião. Em todas as suas formas, ela ilustrada uma mera concordância in-
é uma afronta direta contra a veraci- telectual a uma verdade, quando diz
dade de Deus (cf. I João 5.10), sendo que até os demônios acreditam que
esse o motivo porque é um pecado há um Deus. Certamente, eles não
tão hediondo. Os filhos de Israel não são salvos por este tipo de crença. Fé
entraram no descanso oferecido por salvífica genuína é a união íntima com
Deus por dois motivos: faltava-lhes a Cristo. É uma combinação de espe-
fé (Hb 3.9) e eram desobedientes (Hb rança em Cristo e entrega a Ele. Essa
4.6). fé envolve dependência pessoal na
É na desobediência que a incredu- obra concluída do sacrifício de Cris-
lidade encontra sua expressão práti- to como a única base para perdão de
ca. Entenda: “Tende cuidado, irmãos, pecados e entrada no céu. Contudo,
jamais aconteça haver em qualquer fé redentiva é, também, um compro-
de vós perverso coração de incredu- misso pessoal de vida, no sentido de
lidade que vos afaste do Deus vivo” que alguém segue a Cristo e obede-
(Hb 3.12). As Boas Novas não termi- ce aos seus mandamentos.
nam quando somos convertidos a A fé faz parte da vida cristã do iní-
Cristo. Calvino disse: “Somos par- cio ao fim. E a fé cristã é comunitária.
cialmente não crentes ao longo de Li sobre o depoimento de uma mu-
toda a nossa vida”. Precisamos ou-

68
lher cristã que disse à sua congrega- intercedendo por nós e levando em
ção local: eu preciso também da fé Seu corpo as marcas de nossa re-
de cada um de vocês. A fé é o instru- denção.
mento pelo qual o dom da salvação
é recebido (Ef 2.8,9). A base da sal- Para Pensar e Agir
vação é a graça, distinta do trabalho Paulo exorta os crentes a examinar
externo da salvação, que são as boas sua fé: II Coríntios 13.5.
obras, “as quais Deus de antemão
preparou para que andássemos ne- Examine sua vida pela evidência
las (Ef 2.9). Jesus disse que os salvos da salvação. Essa evidência deve in-
são o sal da terra e a luz do mundo, cluir:
e que a nossa luz deve brilhar diante 1. Confiança em Cristo (Hb 3.6);
dos homens para que eles vejam as 2. Obediência a Deus (Mt 7.21);
nossas boas obras e glorifiquem ao
3. Crescimento na santidade (Hb
Pai Celestial (Mt 5.13,16).
12.14; I Jo 3.3);
A fé deve e precisa crescer a cada
4. O fruto do Espírito (Gl 5.22,23);
dia, à semelhança de um músculo
que se desenvolve quando estica- 5. O amor entre os irmãos (I Jo 3.14);
do, malhado. Ela aumenta pela ora- 6. A influência positiva sobre ou-
ção. Ela é fortalecida pelo estudo da tras pessoas (Mt 5.16);
Palavra. Ela cumpre-se, quando nos 7. O apego aos ensinos dos após-
submetemos diariamente ao Senhor tolos (I Jo 4.2);
Jesus. Vivemos pela fé e a fé vive
pela prática. Billy Graham disse que 8. O testemunho do Espírito Santo
“a fé salvadora tem uma qualidade dentro de você (Rm 8.15,16).
que a distingue: é uma fé que produz
obediência e motiva um estilo de vida”.
Crer e obedecer andam lado a lado.
Nesse prisma, então, testemunhar
não é algo que fazemos, é algo que
somos.
Atenção e cuidado: nesses tem- Leitura Diária
pos que estamos vivendo, a fé tem SEG Isaías 53
tido o seu significado enfraquecido.
Alguns a usam para indicar auto- TER 2 Coríntios 13.5
confiança. No entanto, a fé verdadei- QUA Hebreus 3.6;12.14
ra é confiança em Deus e não em si QUI Mateus 5.16;7.21
mesmo. Recebemos e mantemos
uma forte confiança contemplando a SEX Gálatas 5.22,23
Cristo com a fé que, essencialmente, SÁB 1 João 13.14
medita em Sua glória e seu trabalho DOM Romanos 8.25-16
completado. Sendo assim, Ele está

69
Data do estudo Lição 11
Texto base: Lamentações 3.1-26

Jeremias
Quando a
Adversidade
é o Sofrimento
Por Ed. Marlene Baltazar

No dia 4 de agosto de 2020, o sofrimento. Em Beirute, desobede-


mundo foi surpreendido com uma ceram aos homens; em Jerusalém,
grande explosão que abalou Beiru- desobedeceram a Deus. O estudo
te, capital do Líbano, deixando mais de hoje vai tratar do sofrimento
de uma centena de mortos, mais como resultado da desobediência a
de 5.000 feridos e mais de 300.000 Deus pelo Reino de Judá, com base
desabrigados. Apesar de o diretor no capítulo 3 do livro de Lamenta-
geral da alfândega e o gerente do ções.
porto alertarem, repetidas vezes, Quanto à autoria, este livro não
sobre o perigo de se manter o ni- apresenta o nome do seu autor,
trato de amônio sem as medidas mas tanto judeus como cristãos,
de segurança exigidas, o alerta foi desde tempos antigos, considera-
ignorado. O motivo da explosão foi ram-no como escrito por Jeremias,
o mal armazenamento do nitrato de não muito tempo depois da queda
amônio, que é usado como fertili- de Jerusalém que aconteceu em
zante e na fabricação de explosivo. 586 a.C. Há vários paralelos entre as
Comparando o que aconteceu profecias de Jeremias e o livro de
com as cidades de Beirute e de Je- Lamentações que deixam isso evi-
rusalém, vemos que ambas foram dente (2Cr 35.25).
avisadas do perigo, ambas ignora- O livro foi escrito em forma poé-
ram o alerta e ambas enfrentaram o tica. Não se pode interpretar a poe-

70
sia com as mesmas regras que se ruas. Queimaram e destruíram a
interpretam os livros históricos, os cidade. Quando os babilônicos ata-
Evangelhos ou as cartas de Paulo. caram Judá, os seus vizinhos, que
A forma poética usada é o acrósti- antes o encorajavam a se unir a eles
co, ou seja, cada verso começa com para atacarem Babilônia, agora o
uma letra do alfabeto hebraico, em abandonaram e alguns até mesmo
sua ordem, nos capítulos 1, 2 e 4. se uniram para saquear Jerusa-
Já no capítulo 3, cada três versos lém. O povo levado ao cativeiro se
começam com a mesma letra. No assenta a chorar e dependurar as
capítulo 5 não é usado o acróstico, harpas. Tudo o que estava aconte-
mas o estilo comum do poema he- cendo era castigo de Deus. Não é
braico. O livro está estruturado em de se admirar que este livro tenha
cinco poemas, formando os cinco um tom melancólico, de angústia,
capítulos. de tristeza, de sofrimento. A razão
desse sofrimento estava no peca-
1. O sofrimento como castigo do dos profetas e na iniquidade dos
de Deus sacerdotes (Lm 4.13). A atitude dos
Lamentações corresponde aos líderes religiosos propiciou uma
dias finais do Reino de Judá e a des- profunda crise na fé e esperança
truição de Jerusalém com todos os do povo. Quando o povo de Deus
males que acompanharam o final é derrotado, a causa principal nun-
do cerco à cidade. Por muitos anos, ca é o poder do inimigo, mas a sua
o povo de Judá havia sido instado a própria fraqueza produzida pelo
se arrepender dos pecados, a mu- pecado.
dar de vida, foi alertado da certeza Uma das lições mais evidentes
da destruição que viria, se a nação desse livro é o caráter justo e sobe-
continuasse nos maus caminhos. rano de Deus. Da mesma maneira
Lamentações fala do cumprimen- que Deus é santo, é misericordio-
to do juízo prometido por Deus. so, é amoroso, Ele é justo e fiel em
Praticamente, toda população de todos os seus propósitos. Os poe-
Judá foi arrasada pelos babilôni- mas mostram Deus como a figura
cos, somente os mais pobres foram central do drama da história, e não
deixados, espalhados por todas as o homem. É a partir do caráter de
cidades e regiões rurais, para tra- Deus que o povo é julgado e puni-
balhar, cultivando a terra. O templo do.
foi destruído, o povo ficou sitiado,
as jovens eram forçadas, a comida 2. Deus não nos permite
tornou-se tão escassa que as crian- escolher as consequências
ças desfaleciam nas ruas e corriam Nos primeiros sete versículos do
o risco de serem feitas alimentos capítulo 3, vê-se que o sofrimento
pelas próprias mães. Muitos foram por que passava o povo era conse-
mortos e os corpos jogados pelas

71
quência das suas escolhas. Deus ouve”.
estava usando uma nação incrédu- Abandono – “...me despedaçou e
la, a Babilônia, para punir o pecado. me abandonou” (v. 11). Não há senti-
Essa nação é chamada de “a vara mento mais desolador que se sentir
do seu furor”. Para mostrar o sofri- abandonado e ainda mais quando o
mento do povo, o autor usa expres- motivo é a infidelidade. De um lado,
sões como: “fez andar em trevas” (v. o povo de Judá tinha a lembrança
2), “esmagou os meus ossos” (v. 4), dos atos de Deus em buscar e sal-
“me cobriu de amargura e aflição” var; do outro lado, um futuro incer-
(v. 5), “cercou-me com um muro” to, tenebroso, por causa da deso-
e “prendeu-me com correntes” (v. bediência.
7). Porque Deus não muda, nele
não há nem sombra de variação, o Vergonha – “Transformou-me em
que diz Ele cumpre. O profeta avi- alvo de zombaria para todo o meu
sou, mas o povo não abandonou a povo e para suas canções o dia todo”
idolatria. Deus requer fidelidade e (v. 14). A vergonha é um sentimento
não nos permite escolher as con- que ocorre quando a pessoa vê que
sequências. Os judeus acreditavam seus valores são negados por um
na cidade perene, porque Deus ha- ato errado. Se eu passo minha vida
via feito promessa da segurança e pregando integridade, verdade, e,
da indestrutibilidade da cidade de de repente, faço algo que contraria
Jerusalém. Deus falhou? É claro a minha pregação, passo a sentir
que não! Toda vez, no Antigo Testa- vergonha e ser motivo de escárnio.
mento, que Deus faz uma promes- Falta de paz – “Afastou a paz de
sa a seu povo, essa promessa está mim; esqueci-me do que seja a fe-
condicionada à obediência. Haven- licidade” (v. 17). A paz é uma expe-
do obediência, há bênção; havendo riência que só aquele que vive em
desobediência, há maldição. comunhão com Deus pode explicar.
Vejamos o preço que o povo de Podemos comparar a falta de paz
Judá pagou por afastar-se de Deus. interior com a situação de tempo de
guerra, quando reina a incerteza.
Suas orações não eram mais
respondidas – “Mesmo quando gri- Falta de esperança – “A minha
to e clamo por socorro, ele ignora força já se esgotou, como também a
a minha oração” (v. 8). Isaías 59.1,2 minha esperança no Senhor” (v. 18).
declara: “A mão do Senhor não está Que tristeza, que desolação! O pes-
encolhida para que que não possa simismo tomou conta de muitos. O
salvar; nem o seu ouvido está sur- que o futuro reservava a um povo
do, para que não possa ouvir, mas que experimentou grandes bên-
as vossas maldades fazem separa- çãos de Deus, mas não conseguiu
ção entre vós e o vosso Deus; e os manter o padrão espiritual exigido
vossos pecados esconderam o seu por Ele? Esse é um dos preços do
rosto de vós, de modo que não vos pecado: falta de esperança.

72
3. Mesmo em meio ao pazes de buscar em Deus suas mi-
sofrimento, é possível ter sericórdias. Deus age por meio do
esperança sofrimento para nos ensinar lições
preciosas.
Nem todo sofrimento acontece
por causa do pecado daquele que Para pensar e agir
está sofrendo. A paixão de Cristo
mais do que comprova essa verda- 1. A certeza do cumprimento das
de. No entanto, muitos sofrimentos ameaças de Deus, sobre a desobe-
acontecem por causa do pecado, diência, deveria levar o povo ao ar-
como é o caso do nosso estudo. Em rependimento.
meio ao sofrimento, é importante 2. O problema é que Judá come-
que o cristão faça uma profunda e teu adultério espiritual e cometeu
séria autoanálise diante de Deus: Eu adultério quando buscou seus vizi-
estou longe do Senhor? Tenho des- nhos pagãos, em vez de obedecer a
prezado a sua Palavra? Tenho vivido Deus e clamar a Ele por segurança.
uma vida de pecado? Buscou segurança em mãos huma-
Deus está sempre pronto a per- nas.
doar. Ele foi misericordioso e não 3. Que triste situação de um povo
destruiu por completo o povo de que poderia ter vitória! Colheu os
Judá. É preciso tomar uma decisão. resultados de suas escolhas erra-
O texto de Lamentações 3.21-23 das. Afastou-se do Senhor e perdeu
mostra isso: “Quero trazer à memó- a sua proteção.
ria o que me pode dar esperança.
4. Muitos são infelizes, porque o
As misericórdias do Senhor são a
lugar de Deus em sua vida é ocu-
causa de não sermos consumidos,
pado por valores secundários. Mas
porque as suas misericórdias não
ainda há tempo de se voltar para o
têm fim; renovam-se a cada manhã.
Senhor. Ainda há esperança.
Grande é a tua fidelidade”.
O profeta declara que é melhor
pensar no que traz esperança. Ago-
ra, diz ele, nossa esperança é a mi- Leitura Diária
sericórdia do Senhor. Ele confia em
que Deus terá ainda misericórdia do SEG Lamentações 3.1-7
seu povo. O sofrimento do povo era TER Lamentações 3.8-11
consequência do seu pecado, pois QUA Lamentações 3.12-16
se tratava de um castigo, por isso
não havia do que se queixar; havia, QUI Lamentações 3.17-26
sim, o que ser mudado, porque o SEX Lamentações 3.27-31
Senhor não castiga de bom grado
SÁB Lamentações 3.32-36
(3.33). Se não reconhecermos nos-
sas transgressões, não seremos ca- DOM Lamentações 3.37-39

73
Data do estudo Lição 12
Texto base: Daniel 6

Daniel
Quando a
Adversidade
é Difamação
Por Ed. Elenice Gomes

A vida de Daniel nos inspira pelo saqueia Jerusalém, por volta de 587
seu exemplo de fé, temor, respeito, a.C., Daniel, com idade entre 12 e 16
honestidade, fidelidade a Deus. Uma anos, foi levado cativo como muitos
vida de relacionamento e experiên- outros jovens, também nobres.
cias profundas, permitindo que Deus Na Babilônia, juntamente com ou-
forjasse o seu caráter ao ponto de tros companheiros com qualidades
ser reconhecido como homem ínte- semelhantes a ele, Daniel foi educa-
gro e de espírito excelente. do para o serviço no Império Babilô-
Mesmo estando Daniel inserido nico, sendo instruído sobre a língua
numa cultura pagã, permaneceu fir- e a civilização dos caldeus (Dn 1.4).
me e temente a Deus. Estamos inse- Dentre os companheiros de Daniel
ridos numa sociedade, onde a adver- na Babilônia, o relato bíblico destaca
sidade nos pressiona, mas a exemplo três nomes: Hananias, Misael e Aza-
de Daniel, não devemos renunciar ao rias.
que é correto diante de Deus. Daniel tornou-se muito conhe-
Quem foi Daniel? cido por sua sabedoria e piedade,
Daniel era um Jovem Hebreu, fi- especialmente na observância da lei
lho de pais Hebreus, pertencentes a mosaica (Dn 1.8-16). Viveu mais de
uma linhagem real de Judá, ou pelo noventa anos, viu a queda do reino
menos da alta nobreza de Israel (Dn da Babilônia e o estabelecimento do
1.3). Quando a Babilônia toma Judá e império medo-persa. Ocupou posi-
ções elevadas sob o reinado de Na-

74
bucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro. sobre ele e sua conduta era digna de
Desde o cativeiro viveu na Grande honra. O profeta foi um exemplo de
Babilônia, tendo uma vida irrepreen- pessoa, que buscou a excelência em
sível numa corte corrupta. Embora tudo o que fez (Dn 5.12-14).
fosse exilado, um estrangeiro, che- Deus deseja que você tenha uma
gou ao cargo de primeiro-ministro. vida abundante (leia Jo 10.10), mas
O maravilhoso é que sempre perma- para isso, você precisa buscar a ex-
neceu fiel a Deus. celência em todas as áreas de sua
vida. Não se acomode em ser ape-
1. Em meio à difamação, nas um frequentador de igreja ou um
decida ter excelência e funcionário qualquer no seu traba-
caráter lho. Busque crescer, aprender com
Em função do tamanho do novo os erros, buscar ser melhor a cada
Império, Dario escolheu 120 homens dia, pois assim, você colherá frutos
chamados de sátrapas (governado- bons (Pv 22.29). Quem escolhe fazer
res) para governarem o seu reino. O as coisas com excelência, se destaca
rei, também, escolheu três homens entre os outros e, consequentemen-
para serem líderes dos 120 sátrapas. te, é recompensado.
Então, Daniel foi escolhido para ser Deus está procurando pessoas
um desses líderes. que honrem seus compromissos,
O rei Dario observando a fideli- que sejam honestas, justas e de boa
dade de Daniel e que ele era dife- índole. (Sl 101.6). Uma pessoa de ca-
rente dos outros, em função de sua ráter tem palavra (Mt 5.37); é correta
sabedoria, de fazer o que era certo (2 Co 8.21); e sempre honra o nome
e por suas grandes qualidades, quis que tem (Pv 22.1). Você pode perder
nomeá-lo líder sobre os demais. (Dn bens, saúde, família; mas nunca per-
6.3;28). Os supervisores se enfure- ca o seu caráter!
ceram, e tomados pela raiva, inveja,
ódio, decidiram conspirar contra Da- 2. Em meio à difamação,
niel, procurando manchar sua lide- decida manter seu
rança (Dn 6.4,5). Não obtendo resul- relacionamento com Deus
tados, eles resolveram apelar para a A fé revelada nessa provação foi
lei do Deus que Daniel servia, com o gloriosa! Daniel sabia que sua vida
intuito de fazê-lo pecar contra o seu estava correndo risco, mas o que
Criador. esperar de um homem amadureci-
Os sátrapas tramaram uma lei do na comunhão com Deus? Ele já
centralizando a pessoa do rei, como havia experimentado atributos so-
se fosse um deus para prejudicar brenaturais, a saber: entendimento e
Daniel. Valeram-se da religião para sabedoria acima de todos os outros
armar-lhe uma cilada, mas falharam sábios da Babilônia (Dn 1); revelação
no seu propósito. Daniel se manteve dos significados do sonhos (Dn 2);
firme e a boa mão do Senhor estava seus amigos foram milagrosamen-

75
te preservados dentro da fornalha detrair; imputar a (alguém) um fato
ardente (Dn 3); presenciou o poder concreto e circunstanciado, ofen-
de Deus ao tratar com um poderoso sivo de sua reputação, conquanto
monarca pagão, Nabucodonosor (Dn não definido como crime. Falar mal;
4) e interpretou a inscrição feita na detrair”. Daniel era portador de ín-
parede, durante o reinado de Belsa- dole irrepreensível, carisma, caráter.
zar (Dn 5). Mesmo assim, não estava imune às
Ao ter conhecimento que o edito acusações infundadas daqueles que
tinha sido assinado, proibindo qual- queriam a sua morte (Dn 6.13).
quer petição a qualquer ser que não A difamação é uma potente arma
fosse o próprio rei Dario, não se dei- de destruição capaz de aniquilar
xou dominar pelo medo, prostrou-se qualquer relacionamento e gerar
diante do Deus todo poderoso. (Dn marcas severas, podendo causar sé-
6.10). Não mudou seus hábitos – orou rios prejuízos materiais, emocionais,
como de costume. Daniel demons- sociais, espirituais e físicos. Daniel
trou uma disciplina diária a qual o não foi poupado da difamação, pois,
ajudou a discernir que, não existia seus inimigos agiram com maldade,
nada mais importante do encontrar- orquestrando e tramando nos basti-
-se com Deus, ouvir Sua voz e não dores.
temer outras vozes. A vida de Daniel prova que um
De fato, a oração é essencial em homem pode ser íntegro em meio à
todas as áreas de nossa vida. Culti- difamação. Ele não cedeu! Poderia
var essa prática relacional com Deus, até interpelar ao Rei ou se posicionar
tendo uma vida de meditação na Pa- diante dos oficiais, mas a solução foi
lavra e oração é um grande desafio manter-se firme e focado em Deus,
necessário para nos manter de pé desafiando as autoridades humanas,
diante das adversidades. A intimida- consciente de que estava amparado
de com Deus faz com que Ele nos dê pela autoridade do seu Deus. Muitos
livramentos e nos abençoe no tempo fraquejam, quando passam pelo tes-
certo. Veja essas passagens: (Dn 1.9; te da difamação, cedendo ao revide
6.22; 10.12). (aquele ditado: pagar o mal com o
mal), querendo contestar, vingar, de-
3. Em meio à difamação, safrontar.
decida não ceder A calúnia é uma mentira usada
Aqueles homens foram investi- para ofender e difamar outra pessoa.
gar e encontraram Daniel orando e, A Bíblia Sagrada nos afirma que Deus
apressadamente, foram falar com o odeia a mentira e, por isso, o calunia-
Rei. Tudo o que eles queriam era di- dor está em pecado. Mesmo que a
famar Daniel. O verbete difamar sig- outra pessoa nos tenha maltratado
nifica “tirar a boa fama ou o crédito a; ou falado mal de nós, não devemos
desacreditar publicamente; infamar, usar isso como desculpa para ca-

76
luniar. Jesus nos ensina em Mateus 3.2 Confrontar, gentilmente,
5.44 a amar os nossos inimigos e orar o caluniador (face a face)
pelas pessoas que nos perseguem.
É estranho e assustador confron-
Quando falamos mal de outra tar alguém, mas precisa ser feito. A
pessoa, estamos ofendendo a Deus atitude mais amorosa que você pode
em primeiro lugar, porque todo o pe- fazer por todos aqueles envolvidos,
cado é uma transgressão a um man- incluindo o caluniador, é gentilmen-
damento de Deus. Veja o que a Bíblia te confrontá-lo, pois é bom trazer
Sagrada diz: Tito 3.2; Mateus 12.36; um amigo ou pessoas que são de
Provérbios 10.18; Tiago 1.26; Provér- confiança de ambas as partes. É
bios 16.28; Salmos 34.13; Mateus 5.11. pertinente estar com o “espírito de
Daniel não podia administrar a or- mansidão” (Gl 6.1), e não colocar o
questração de seus inimigos, nem outro em uma posição defensiva,
fazer o rei retroceder, nem mesmo buscando por falhas ou com um tom
se recusar a ir para a cova dos leões. de acusação.
Ele não podia tapar a boca dos leões,
mas podia orar e pôr sua confiança Para Pensar e Agir
em Deus. Cabe a nós manter-nos 01. Em suas atitudes diárias, você
fiéis, velar pelo nosso testemunho se julga agir com excelência?
e honrar a Deus com a nossa vida.
Cabe ao Senhor nos livrar das garras 02. Qual a sua reação quando você
do inimigo. Daniel creu em Deus e o é insultado, caluniado ou difamado?
anjo fechou a boca dos leões. (Her- 03. As pressões dessa vida sepa-
nandes Dias Lopes, 2005). ram você de Deus ou empurra você
Aqui estão duas dicas de como para mais perto d’Ele?
responder com sabedoria e graça Bibliografia:
quando somos difamados, segundo LOPES, Hernandes Dias. Daniel: um
Gavin Otlundem in The Gospel Coali- homem amado no céu in Revista Cons-
tion: truindo a Espiritualidade. Hagnos, 2005.
3.1 Confiar sua reputação
ao Senhor Leitura Diária
SEG Daniel 6
Coloque sempre sua preocupa-
ção na verdade, não na aparência, e TER Salmos 27:1-3,5-14
não deixe o medo ser sua motivação. QUA Salmos 42.10,11
Afinal, é no contexto de “difamação”
que Jesus diz: “Não os temais, não há QUI Provérbios 24.15,16
nada encoberto que não haja de ser SEX Tito 3
revelado, e nada oculto que não pos- SÁB 1 Pedro 4:12-16,19
sa ser conhecido” (Mt 10.26).
DOM 1 Pedro 3.12,13

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Data do estudo Lição 13
Texto base: Habacuque 3.17-18

Habacuque
Quando a
Adversidade são
os Tempos Difíceis
Por Ed. Ana Valéria Mesquita Alves de Araújo

E a vida mudou! De forma repen- filhos de Deus e conclama a todos


tina, fomos obrigados a nos acos- a permanecerem firmes na fé, a fim
tumar com o novo que surgiu. En- de que Deus pudesse lhes dar vitó-
tão nos vem à mente: Como será a ria: “O justo viverá pela fé” (Hc 2.4).
vida? Como vai ficar a família? E o Façamos essa oração de Habacu-
trabalho como vai ser? E se chegar que e declaremos a nossa fé e con-
o desemprego? Ainda que a nossa fiança em Deus e tudo vai mudar
vida não esteja como gostaríamos, em nossa vida. Você crê?
não vamos desistir de viver. Ainda Muitos de nós experimentamos
que o nosso relacionamento fami- momentos difíceis na vida, mas a
liar não esteja bom, não vamos de- adversidade não forma o caráter; a
sistir da família. Ainda que a nossa adversidade revela o caráter. É na
fé não esteja firme, não desistire- adversidade que mostramos quem
mos de Deus! realmente somos. Nesse contexto,
Vamos meditar em Habacuque o profeta Habacuque estava viven-
3.17-18 e tentar entender a sua men- do uma adversidade, todos os seus
sagem para nossas vidas. O profe- sonhos se frustraram. Numa época
ta Habacuque, um dos 12 profetas de grandes incertezas morais e es-
menores, provavelmente vivendo pirituais, a adversidade social aba-
nos dias da invasão babilônica de lava a sociedade de seu tempo. Ele,
Jerusalém, trata do sofrimento dos então, nos oferece a jornada espiri-

78
tual de um homem que vai da dúvi- e ele sarou”. As flores geram frutos,
da à adoração, da incerteza à fé, da logo, se não florescessem, não ha-
angústia à segurança em Deus. Ele veria fruto.
demonstra ser uma pessoa cheia A figueira, no Novo Testamento,
de grande senso de justiça que não foi utilizada por Jesus para falar da
o permitia ignorar a violência vigen- esterilidade espiritual e falta de fé
te. Seu desafio era aprender a con- (Mt 21.19; Lc 13.6-9; Mc 11.13,20,21).
fiar naquele que tudo pode e que Ela simboliza a nossa vida espiritual
é fiel. Tudo o que ele plantou, tudo que precisa estar viva e produzin-
aquilo que esperava colher, tornou- do frutos todo o tempo, sob pena
-se decepção. de secarmos, morrermos, sermos
Para esse tempo de incertezas, arrancados da terra. O profeta Ha-
não podemos perder de vista três bacuque, mesmo vendo a falta de
verdades que nos ajudarão a es- fé do povo, não perdia a esperança
perar pacientemente no Senhor: de que Deus poderia transformar
“Não temais; aquietai-vos” (Êx 14.13), aqueles corações.
“Espera.” (Rt 3.18) e “Aquietai-vos e Como vai a sua produção de
sabei que Eu Sou Deus.” (Sl 46.10). frutos para Jesus? Saiba que “ain-
Sempre que nos sentirmos agita- da que a sua figueira não esteja
dos, incomodados, vivendo em afli- florescendo”, continue crendo e
ção, podemos estar certos de que Deus vai honrar a sua fé. Ainda que
necessitamos parar, orar e esperar estejamos vivendo às adversida-
no Senhor, antes de tomar decisões. des destes dias, creiamos no Deus
Vejamos o que o Profeta Haba- que continua no controle de todas
cuque nos ensina para podermos as coisas e nos dá esperança de
vencer as adversidades. dias melhores, como na expressão
“nem haja fruto na vide”, na qual vi-
1. Ainda que [...] (v.17) deira simboliza prosperidade e paz,
a) [...] a figueira não floresça e comércio e renda (Is 5.7). Para nós
nem haja fruto na vide que temos esperança em Deus,
João 15.1-8 apresenta Jesus como a
A figueira tem o símbolo de pros- videira verdadeira, símbolo de ale-
peridade e segurança. “Mas assen- gria.
tar-se-á cada um debaixo da sua
videira, e debaixo da sua figueira, e b) [...] ainda que falhe o produto
não haverá quem os espante...” (Mq da oliveira
4.4). Os figos, frutos da figueira, são A oliveira era nativa da Palestina
remédio para úlceras de acordo e muito comum ali, quando o povo
com 2 Reis 20.7: “Disse mais Isaías: de Israel entrou para tomar posse
Tomai uma pasta de figos. E a to- da terra prometida (Dt 6.11). O fruto
maram, e a puseram sobre a chaga; da oliveira é a azeitona, da qual se

79
produz o azeite que serve para a viesse acontecer, exultarei no Deus
unção, entre outras utilidades. Um da minha salvação” (cf. Hc 3.18). A
fato curioso é que a oliveira é uma nossa alegria vem do Senhor, e de-
das poucas árvores capazes de vemos sempre buscar essa fonte
atingir séculos de vida sem nunca que se encontra na fé, no relaciona-
adoecer. mento com Ele. Habacuque apren-
Daí a associação dela com a deu a confiar no Senhor, mesmo
cura, a saúde, a longevidade. Pode- diante de um coração amargurado
mos dizer “ainda que falhe a saúde”, com as adversidades a sua volta.
todavia podemos confiar em Deus, Depois que os babilônios pas-
pois Ele pode curar todas as nossas sassem por Judá, não restaria muita
enfermidades (Sl 103.1-5). Você está coisa de valor (Hc 2.17). Destruiriam
precisando de cura? Tem alguém as construções, saqueariam os te-
da sua família que está enfermo? souros e devastariam lavouras e
Vamos orar e pedir a Deus a cura! pomares. A economia se desinte-
Deus já curou a nossa alma ao nos graria, e não haveria motivo para
dar o perdão e a vida eterna por cantar. Contudo, Deus ainda estaria
meio de Jesus. assentado em seu trono, cumprindo
c) [...] e os campos não produzam os propósitos divinos para seu povo
mantimento e nos currais não haja (Rm 8.28). Habacuque não podia se
gado alegrar com as adversidades, mas
podia se alegrar com o seu Deus.
Com a invasão do exército babi-
lônico em Jerusalém, toda a criação Ele dá a receita para nos alegrar-
de animais seria levada como des- mos: “eu me alegrarei no Deus da
pojo, e o povo ficaria em completa minha salvação” (v.18). Ele sabia o
pobreza e miséria, passando fome. que aconteceria, toda a terra seria
Não teria mais gado, não teria mais devastada, porém ele tinha certeza
leite para as crianças, e o deses- de que Deus estava no controle de
pero começaria a tomar conta das todas as coisas. Tudo estava ruindo
famílias. Aí o Profeta Habacuque ao seu redor, os ímpios pareciam
convida o povo a continuar crendo prosperar mais do que os justos,
em Deus, “ainda que nos currais não entretanto ele trocou toda aflição
houvesse mais o gado”. E o trigo fal- que sentia por uma esperança ina-
tasse, o melhor alimento ainda seria balável em Deus.
a fé. A nossa alegria deve ser inde-
pendente das adversidades em que
2. Todavia, eu me alegrarei estamos vivendo. A nossa alegria
no Deus da minha salvação não poderá depender de pessoas,
(v.18) coisas ou situações. Alegria que de-
Então, ele disse: “Ainda que isso pende de pessoas, coisas ou situa-
ções será sempre uma alegria mo-

80
mentânea, passageira. Alegria que um vencedor!
depende de mecanismos externos Não importa se estamos em
será sempre deficitária. Nossa ale- necessidade ou fartura, em tem-
gria está em Deus e não nas pes- pestade ou bonança, se em derro-
soas ou objetos que temos, ou nas ta ou vitória, se experimentamos o
situações que vivemos. fracasso ou sucesso, se em juízo ou
Todavia eu me alegro no Senhor. salvação, o que importa mesmo, em
Embora, pelo momento, o profeta qualquer situação, é: “Bem-aventu-
estivesse no abismo da derrota e da rado aquele que teme ao Senhor e
desolação, Habacuque retinha sua anda nos seus caminhos!” (Sl 128:1).
esperança. “Sua certeza jamais de- Deus nos capacitará para todas as
veria ser deixada à mercê das vicissi- situações, por isso podemos confiar
tudes da vida que o circundavam. Ele e descansar!
tinha de encontrar o testemunho de
Deus em seu próprio coração, pois, Para pensar e agir
do contrário, jamais poderia achar 1. As dificuldades são reais e,
esse testemunho” (Howard Thur- muitas vezes, inevitáveis. Como
man). você tem enfrentado às adversida-
des do dia a dia?
Conclusão
2. Em meio às adversidades,
“Mesmo no meio da ruína abso- Deus tem sido o alvo da sua con-
luta e da fome abjeta (que ocorreu fiança?
quando os babilônios capturaram
3. Muitos têm como motivo de
Jerusalém; (Lm 2.12,20; 4.4,9,10 e
alegria coisas, pessoas, bens mate-
5.17,18), o profeta estava preparado
riais ou situações. Qual tem sido o
para confiar em Deus. Ele percebeu
motivo da sua alegria?
a paz interior que ultrapassava todo
o entendimento, que não dependia
da prosperidade externa” (J. Ronald
Blue, in loc.).
O profeta, com toda adversidade Leitura Diária
que estava iminente, declara sua fé, SEG Habacuque 2.1-4
falando que nada o faria abandonar
TER Salmos 103. 1-5
Deus. E ainda que viessem as difi-
culdades, contudo ele confiaria e QUA Lucas 13.6-9
se alegraria no Deus da sua salva- QUI Deuteronômio 6.11-13
ção. E você já fez do Senhor Jesus
SEX João 15. 1-8
o Deus da sua salvação? Ainda que
venham os problemas, declare a SÁB Êxodo 14.13
sua fé e confiança nele e você será DOM Salmos 46.10-11

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Revista da Convenção Batista Fluminense Novo design para a
Ano 16 - n° 67 - 4T2020 revista Palavra
Diretor Executivo: Pr. Amilton Ribeiro Vargas
& Vida
Diretoria da Convenção Batista Fluminense: O Departamento de Co-
Presidente: Pr. Elildes Junio Macharete Fonseca municação da Convenção
Primeiro Vice-Presidente: Pr. Geraldo Geremias Batista Fluminense deu
Segundo Vice-Presidente: Dca. Lindomar Ferreira da Silv uma nova aparência para
Terceiro Vice-Presidente: Pr. Dario Francisco de Oliveira a revista, mais simples e
Primeira Secretária: Lilia Matilde Freichos Godoy moderna, dando um re-
Segunda Secretária: Lina Silvana de Abreu Xavier de Oliveira novo em seus 16 anos de
Terceiro Secretário: Pr. Paulo César Conceição dos Santos caminhada no ensino de
Quarto Secretário: Pr. Ozéas Dias Gomes da Silva nossos irmãos nas esco-
las bíblicas e demais reu-
Redator: Pr. Alonso Colares niões de estudo.
Revisão Bíblico Doutrinária:
“Apega-te à instrução e
Pr. Flávio da Silva Chaves não a largues; guarda-a,
Pr. Isaac Vieira de Araújo porque ela é a tua vida.”
Pr. Ronaldo Gomes de Souza Provérbios 4.13
Pr. Antônio Carlos Mageschi
Pr. Osvaldo Reis do Amaral Barros Queremos a sua opinião
Pr. Euclides Manhães sobre essa mudança.
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