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Corretora: a porta de entrada

Neste texto vou contar como fiz para comprar minhas as


primeiras criptmoedas. A ideia é começar logo, afinal, somente
com a prática você entenderá esse novo mundo.

Como no mundo dos investimentos tradicionais, a primeira


coisa a se fazer para investir é abrir uma conta em uma
corretora (exchange).

Porém, as exchanges de moedas digitais não são reguladas


por nenhum órgão governamental como as tradicionais – algo
natural pela novidade e dinamismo da tecnologia.

Como não existe nenhum indicativo de confiabilidade similar ao


de uma corretora tradicional, vamos considerar apenas as
maiores corretoras brasileiras de acordo com o volume diário
de bitcoins negociados. Não temos nenhum tipo de parecia
com as corretoras aqui citadas.

Para começar, achamos que o ideal é comprar um valor


mínimo exigido pelas corretoras (geralmente, R$ 50), só
para entender como funciona cada uma das etapas de
compra – inclusive a de custódia dos bitcoins, aspecto
fundamental para as criptomoedas e que vamos discutir mais a
frente dessa edição.

Vamos falar especificamente do bitcoin por ser a criptomoeda


mais popular - é sempre bom ter um pouco em nossa seleção
– como o dólar seria em um portfólio de moedas tradicionais.
Além disso, os bitcoins podem ser usados como moeda de
troca para a compra de outras criptomoedas, as chamadas
Altcoins.
As duas corretoras com maior volume de negociações e que
concentram o mercado de plataformas para compra e venda
de bitcoins no Brasil são, segundo o bitValor (site que reúne os
índices de volumes e negociações do País), FoxBit e Mercado
Bitcoin.

Para ajudar você, eu mesmo me cadastrei nas duas corretoras


e vou contar brevemente a minha experiência:

FoxBit: Processo simples. Preenchi meus dados e em seguida


recebi um e-mail com um código de verificação, logo após
seguir os passos indicados minha conta já estava ativa. Porém,
quando enviei meus documentos para aumentar o nível do
meu cadastro, houve uma demora de 10 dias para receber o
retorno.

Mercado Bitcoin: fácil e simples de se cadastrar. Pediu


apenas informações básicas.

Como mencionado anteriormente, é importante ressaltar que,


por motivos de segurança, todas exchanges criaram uma
espécie de “níveis” de cadastro: quanto mais informações o
usuário fornece e precauções ele toma para garantir a
segurança de seus acessos, maior é o limite para transacionar
nas plataformas.

O interessante é que das duas exchanges apenas a Mercado


Bitcoin negocia outra moeda fora o bitcoin, permitindo ao
investidor comprar a Litecoin, Bitcoin Cash e Bitcoin Gold.

A Helena, que já foi sócia de uma corretora de criptomoedas,


me contou que isso pode ter acontecido por uma questão
simples de custo x benefício: há uma dificuldade operacional
grande para se operar várias moedas digitais com tecnologias
distintas ao mesmo tempo e esse trabalho extra geralmente só
compensa se o volume de transações for relevante.

E, como em todas as corretoras, existem taxas para comprar e


vender bitcoins. Você pode comparar abaixo os valores
cobrados pelas exchanges, de acordo com o site Biscoint:
Hora de comprar
No exemplo, utilizei a Mercado Bitcoin, mas você pode optar
pela corretora que mais atende seus objetivos.

O primeiro passo é transferir dinheiro para a conta na


corretora. A Mercado Bitcoin oferece algumas maneiras: por
meio de depósito ou se tornando um “cliente VIP” para fazer
TED e DOC. Para ser VIP basta digitalizar um documento com
Seleção Nacional de Habilitação (CNH).

Como eu não fiz isso, escolhi fazer um depósito em dinheiro


por meio de caixa eletrônico. Depositei R$ 60, mas o mínimo
que a corretora exige é R$ 50.

Após o depósito, tive que registrar meu depósito na plataforma


e anexar um comprovante (foto do depósito que fiz com meu
celular) meu pedido. Eu não li que era necessário fazer
anotação no comprovante, como indicado no e-mail que recebi
registrando o meu pedido de depósito. Fui apressado em
realizar a operação... Três horas depois, recebi uma
mensagem na área “Depósito” da plataforma, onde se
acompanha as transações: “Cancelado: Comprovante sem
identificação.”

Precisei anotar meu CPF, escrever “Depósito para comprar


bitcoin” e tirar nova foto com o comprovante ao lado do meu
rosto – uma verdadeira selfie do comprovante. O prazo
estabelecido para a compensação é de 5 minutos a 24 horas
de acordo com mensagem.

Depois disso, recebi uma mensagem “Cancelado:


Comprovante Irregular”. Consultei a minha caixa de e-mail e
recebi uma mensagem da equipe dizendo que eles haviam
visto a imagem, mas os números não estavam legíveis.

Se você faz transferência sendo VIP, não precisa passar por


isso. Só precisa do comprovante digitalizado. O site informa
que “Transferir valores com centavos (exemplo, R$ 200,14)
facilita a identificação e faz com que o depósito seja liberado
mais rápido.”

O processo é pouco sofisticado, mas eu deveria ter esperado a


plataforma me liberar como VIP. Mas, no final, consegui validar
meu comprovante de depósito feito – tudo foi resolvido em uma
tarde. A compensação foi feita e houve taxa de R$ 4,09 sobre
a operação, deixando R$ 55,91 para eu investir em bitcoins.

Após isso, foi só comprar:


Os meus R$ 55,91 se tornaram 0,00387 BTC (adquiridos
14/8/17), com a plataforma levando uma comissão de 0,7%
sobre a operação.
Armazenar
Um dos pontos mais importantes das moedas digitais é que em
sua grande maioria as tecnologias não admitem o
cancelamento das transações (o famoso “chargeback”).

Portanto, uma vez que suas moedas digitais sejam enviadas


para outra seleção, apenas o destinatário conseguirá
movimentá-las. Portanto, nunca é demais reforçar: você deve
ser o responsável pela custodia das suas moedas
digitais. Jamais deixe suas criptmoedas na corretora, pois
as exchanges, por mais que se preocupem com a sua
segurança, podem ser alvos de hackers. Isso já aconteceu
algumas vezes (MT. Gox, por exemplo) e pode acontecer
de novo – e nesses casos, não adianta chorar ou
processar a corretora porque mesmo que ela vá a falência,
as criptomoedas não vão voltar para sua seleção.

Ser dono do seu próprio dinheiro também requer


responsabilidade, portanto sempre siga todas as instruções
de segurança que puder.

Para se proteger, você precisa transferir as moedas digitais


compradas na corretora para uma seleção (wallet) própria.
Para fazer isso, é possível criar uma on-line (hot wallet) ou
desconectada, imprimindo em papel ou usando um tipo de
USB (cold wallet). Importante lembrar também que cada
moeda digital requer um tipo específico de armazenamento –
uma carteira de bitcoins não armazena ETH (token emitido
pelo protocolo Ethereum), por exemplo.

Eu usei uma seleção on-line criada no site blockchain.info para


armazenar as bitcoins que comprei. Foi só me cadastrar e
receber por e-mail o ID da minha seleção. Ao entrar em
transações, você pode enviar e receber bitcoins.

Para enviar do Mercado Bitcoin para a minha seleção foi só


clicar no botão “transferir”. O importante aqui é destacar o
campo “Endereço bitcoin de destino”.

Essa informação você encontra na sua wallet, no campo


“receber”. Ao clicar no botão, isso gera um endereço que você
pode compartilhar e preencher no campo “Endereço bitcoin de
destino”.

Em poucos segundos, houve transferência e custo. Eu não


pude transferir o total dos 0,00387 BTC da corretora, porque
não tinha fundos (precisaria ter 0,00448 para transferir o meu
saldo total). Resolvi transferir apenas 0,00200.

Poucos minutos depois a operação estava concluída – com


custo de 0,00061020 BTC. Eu então resolvi transferir meus
0,00200 BTC de volta para a corretora. Foi só clicar na
minha wallet no botão “enviar” e colar o endereço que a
corretora na me deu no botão “receber” e informar o valor. O
custo de fazer isso foi de 0,00043 BTC (o que o sistema
calculou e informou como R$ 5,89).

Eu acabei recebendo 0,00156 BTC na minha conta da


corretora.
Hora de vender
Com os BTCs de volta a corretora, eu decidi vender todos os
meus bitcoins e transformar em dinheiro de novo. Foi só clicar
em “vender” os meus agora 0,00282 BTC restantes. Ao
vender, isso se transformou em R$ 36,96.

O saldo em reais pode ser transferido para conta corrente de


titularidade do usuário. Para isso, via de regra as corretoras
cobram taxa e dão prazo similar ao de depósito de dinheiro.
As altcoins
Uma maneira comum utilizada pelos investidores é comprar as
altcoins por meio de corretoras no estrangeiro, usando
geralmente bitcoins como forma de pagamento, ou, se a
pressa não for tanta, por meio de remessa internacional de
dinheiro para a conta da corretora no exterior.

Aqui cabe um alerta: por mais que o Banco Central já tenha


informado que não regula as moedas digitais, há inúmeras
resoluções vigentes que dispõem sobre as regras de câmbio
para envio de dinheiro e bens para o exterior. Portanto,
sugerimos sempre verificar com seu banco, contador e/ou
advogado qual seria a forma correta de formalizar essas
remessas de maneira legal.

Mas um adendo: apesar de este guia ter sido escrito em 2017,


passou por constantes atualizações e, hoje, a Mercado Bitcoin
já negocia algumas altcoins como Ethereum, Litecoin e Ripple.

Mas as corretoras internacionais ainda oferecem uma maior


variedade de criptomoedas.

Algumas corretoras no exterior onde podem ser negociadas


diversas altcoins e que têm boa reputação são a
GDAX, Binance, Bittrex e Bitfinex.

Um abraço,

André Zara.