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O Chapéu de Clementis.

Observações sobre a memória e o esquecimento na enunciação


do discurso político. (Jean-Jaques Courtin)
O texto começa enunciando sobre o que irá ser discutido: o discurso comunista.
Para isso o autor invoca o exemplo do chapéu de Clementis para debater sobre o a
boemia e o discurso comunista. Com esse exemplo o autor vai explorar o estatuto da
memória no campo do discurso político através das materialidades discursivas, ficando
em fatores linguísticos, ou seja relacionados a língua, instável e fluída de um mestre que
não ousa dizer seu nome. A partir disso ele trata o discurso com distintas materialidades
da língua, ao mesmo tempo que faz uma reflexão sobre a ciência da linguística ter que
abrir mão do discurso para se efetivar como ciência em determinado momento histórico.
Passado assim, pelo corte saussiriano, Chomsky e Banveniste refletindo sobre a
enunciação.
Para embasar sua análise sobre memória no discurso político, o autor convida
Althusser para abordar a ideologia e assujeitamento como fatores importantes para a
construção do discurso e da memória. Bem como traz uma obra de Foucault para falar
sobre enunciado e repetição. Entrando no assujeitamento o autor descreve em dois
níveis os domínios da memória; 1) o nível da enunciação; e 2) o nível do enunciado.
Todas embasamento é levantado para chegar até o que foi chamado de
“formulações-origem” que também é do domínio da memória. Vale ressaltar que
também do esquecimento, afinal a memória e o esquecimento estão intrinsicamente
ligados. Como exemplo linguístico para mostrar a formulação-origem o autor utiliza das
citações diretas, não como plágio, mas como o rastro de interesse linguístico no discurso
como espaço de recorrências nas formulações. Todavia, são tratados como fragmentos
afinal a posição-sujeito e as condições de produção (eu, aqui e agora) fazem com que o
discurso não seja igual aos seus antecessores.
Logo após, o autor fala sobre os chamados “rituais discursivos da
continuidade”, que são marcas que “anulam” imaginariamente o processo histórico do
discurso (parágrafo 22) dando a falsa impressão de que a história é imóvel pela
repetição de elementos em extensão. Enfim exemplificando o discurso político com uma
anedota, volta a análise mostrando esses traços de memórias presentes nas formas de
fragmentos e lacunas. E finaliza refletindo sobre o ato de enunciação pela exterioridade
enunciativa e retomando que a memória e o esquecimento são indissociáveis.
Mídia, ruído e silêncio tumular na constituição contraditória da memória em
curso/discurso. (Maria Cleci Venturini)
O texto é aberto com a autora falando no subtítulo “situando as discussões”
sobre o lugar que o PT ocupou durante a ditadura, lugar esse de oposição, fazendo uma
ligação com os efeitos que são materializados pela memória e como é o funcionamento
do sentido. Após esse momento de introdução, a autora aborda sobre a mídia e a
memória em relação com a Análise de Discurso Brasileira explicitando que articulará os
conceitos de discurso de e discurso sobre, ou rememoração e comemoração com o
objetivo de explicitar o funcionamento da memória. As materialidades utilizadas são
três sequencias discursivas (SD) retiradas de um artigo de opinião titulado “Batalha
Interna”.
Após evidenciar as SD’s, a autora retoma começa o subtítulo “funcionamento da
memória na horizontalidade e verticalidade do dizer”, trazendo Pêcheux e Orlandi para
falar sobre a escolha das materialidades discursivas com ressaltando a legitimidade do
discurso pela repetição no que diz respeito a memória. Em seguida, Venturini expõe o
conceito de lugar de memória (Perre Nora, 1984) comentando sobre a noção de
comemoração que incialmente era chamada de crítica.
Então, a autora começa a explicar o conceito de discurso de como o que
estabiliza sentidos e instaura os novos, agindo no interdiscurso (pré-construído) e no
discurso fundante. Depois é explicado o conceito de discurso sobre como o
funcionamento da memória na horizontal (retornar! parágrafo 14). E para finalizar a
autora mostra a intersecção dos dois conceitos juntos relembrando os esquecimentos.
O terceiro subtítulo é intitulado “entremeando discussões teóricas e análises...”.
Nesse, é iniciado com uma contextualização sobre os enunciados selecionado, seguido
de uma reflexão sobre a mudança de sentidos da palavra dependendo da formação
discursiva (FD). Assim começam as análises.
A primeira análise é sobre o título do artigo “batalha interna”, passando em
seguida para a análise da SD1 dita por José Dirceu; junto a uma explicação teórica para
justificar o ressoamento no funcionamento da memória. Depois é analisada a palavra
“regulação” para isso a autora interpreta a posição da mídia sobre o Lula. Passa, assim
para a SD2, o posicionamento do articulista agora entra em análise. Até que chegamos a
SD3, a da presidenta Dilma junto a teoria para justificar a interpretação. Para finalizar as
análises, é feita a análise as sequências “ruído e “silêncio tumular”. Assim é feita uma
reflexão sobre a importância da posição sócio-histórica dos sujeitos.
No quarto e último subtítulo chamado “efeito de conclusão”, a autora percebe de
início a impossibilidade de uma conclusão uma vez que as materialidades analisadas
causam medo constante sendo sempre um discurso atual, no caso medo da ditadura
militar. E complementa que não há um sujeito responsável pelo dizer e finaliza
relembrando o discurso de (rememoração) e discurso sobre (comemoração) e a ligação
deles para refletir a memória.