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Professor: Lucimara Stolz Roman Horário da Aula: Sextas – Feiras 7h30

Força Magnética sobre Condutores de Corrente


G . A. R. Distler, G. S. Alonso, S. Negrelli
Universidade Federal do Paraná
Centro Politécnico – Jd. das Américas – 81531-990 – Curitiba – PR - Brasil
e-mail: guilhermedistler@ig.com.br

Resumo. Existe uma relação entre as forças magnética e elétrica, que pode ser
constatada quando se aplica uma corrente elétrica a um condutor imerso em um
campo magnético. Este artigo visa avaliar qualitativamente o comportamento
da força magnética gerada sobre um fio condutor, variando o seu comprimento e
a intensidade da corrente aplicada. Concomitantemente, avaliou-se a
intensidade desta força buscando relacionar dados empíricos com o
comportamento esperado pelo embasamento teórico.
Palavras chave: campo magnético, corrente elétrica, fio condutor

Introdução foram representadas de acordo com a


seguinte equação vetorial 1 [3]:
Os primeiros fenômenos magnéticos
observados associavam-se aos chamados 𝑭 = 𝒒𝒗 ⨉ 𝑩 ou 𝑭 = 𝒒 𝒗 𝑩 𝒔𝒆𝒏𝝓
imãs naturais. Desde 121 d.C. os chineses
já conheciam as propriedades magnéticas Onde q representa as cargas elétricas,
que surgiam ao se aproximar um ferro
𝑣 sua respectiva velocidade, 𝐵 o campo
desmagnetizado de um “imã natural”, e
magnético envolvido e 𝜙 o ângulo entre
desde o século XII têm-se relatos da
utilização da magnetita como 𝑣 e 𝐵.
instrumentos para navegação. [1] Seja qual for o sinal da carga, a força 𝐹
A partir de 1819, a partir dos que age sobre uma partícula é sempre
experimentos realizados por Christian perpendicular a 𝑣 e a 𝐵. Portanto, a força
Oersted, foi observada uma relação entre magnética não muda a velocidade escalar
os fenômenos magnéticos e elétricos[1] . da partícula mas apenas sua direção
Atualmente sabe-se que os campos (trajetória).[3]
magnéticos podem ser produzidos por Quando um fio condutor de
partículas elétricas em movimento comprimento L transporta uma corrente
(eletroímã) ou pelo uso de partículas em um campo magnético, após um
elementares que possuem um campo intervalo de tempo t=L/v, a carga será
magnético intrínseco. [3] dada por: q=iL/v. Assim, a força
Quando uma corrente passa por um magnética que age sobre um trecho do fio
condutor que se encontra na presença de condutor percorrido por uma corrente i e
um campo magnético, forças magnéticas submetido a um campo magnético 𝐵
agem sobre as cargas deste condutor. perpendicular ao fio é dada pela seguinte
Estas forças são transmitidas ao material expressão vetorial 2 [2]:
do condutor que sofre uma forçã
distribuída ao longo de seu comprimento. 𝑭 = 𝒊𝑳 ⨉ 𝑩 ou 𝑭 = 𝒒 𝑳 𝑩 𝒔𝒆𝒏 𝝓
[2] Matematicamente estas considerações
Onde 𝜙 é o ângulo entre 𝐿 e 𝐵.
Neste trabalho serão analisadas as Após essa constatação, o sentido da
forças magnéticas provocadas pela corrente foi invertido através da inversão
interação de correntes elétricas e campos dos terminais de corrente na haste e o
magnéticos, prevendo assim a direção e o mesmo procedimento foi realizado. Ainda
sentido das forças, assim como sua a fim de realizar mais uma constatação no
intensidade. mesmo experimento, inverteu-se os pólos
dos imãs e realizou-se a mesma variação
Procedimento Experimental de corrente, observando sempre o que
ocorria ao arame a cada pequena variação
Este experimento está dividido em 2 de intensidade.
partes. Para a primeira, foi utilizado um Para a segunda parte do experimento,
suporte de metal com uma haste cilíndrica inicialmente foi necessário o nivelamento
presa a ele. A esta haste foram conectadas de uma balança de braços através de um
as duas extremidades de um fio de arame nível de bolha, ajustando os parafusos do
em forma de “U” que possuíam pinos tripé. Em um dos braços dessa balança foi
banana, os quais foram ligados a dois suspensa uma placa isolante com um
orifícios presentes na haste. Ao outro lado condutor em circuito impresso de 12,5
de um desses orifícios, foi ligada uma mm. Um imã em forma de “U”, com uma
fonte de corrente continua através de um peça polarizável em cima de cada braço,
cabo, enquanto o outro orifício teve como foi posicionado de forma que o condutor
intermediário na ligação com a fonte, um impresso na placa interagisse com o
interruptor e dois cabos. Uma base de campo magnético gerado pelos pólos
ferro, em forma de U, foi utilizada a fim de criados nas peças. À placa, foram
posicionar dois imãs de modo que o conectados dois fios flexíveis que por sua
campo magnético gerado por estes vez, estavam conectados a um suporte de
interagisse com a corrente elétrica que terminais, dois dos quais estavam
passaria pelo arame no momento que o conectados à fonte de corrente continua
interruptor fosse ligado. A figura deste por meio de cabos com pinos banana. Esta
procedimento está esquematizada na parte está esquematizada pela figura 2.
figura 1.

Figura 2 – Procedimento etapa 2

O peso da placa, sem corrente


passando por ela, foi medido através do
equilíbrio dos braços da balança. Após
Figura 1 – Procedimento etapa 1 essa medição, a fonte foi ligada de modo
que passasse 1 A de corrente pela placa, os
A fonte então foi ligada com uma braços da balança foram equilibrados
intensidade de corrente inicial de 0,5 A, novamente, e o valor foi anotado. O
que foi aumentada lentamente em procedimento foi repetido variando a
seguida, sendo que a cada valor de intensidade corrente de 1 a 5 A, com um
corrente, o interruptor foi ligado e foi passo de 0,5 A entre cada medição.
observado o que aconteceu ao arame.
Após todas as medições com a placa que gere uma força vertical dirigida para
de fio de 12,5 mm, as mesmas foram feitas baixo. Foram feitas medidas da massa da
com outras três diferentes placas com fios placa com e sem corrente elétrica
de 25,0 mm, 50,0 mm e 100 mm. passando. Quando passamos alguma
corrente, percebeu-se um aumento no
Resultados e Discussão valor acusado pela balança. Não houve um
aumento de massa, apenas de peso. Isso
Na primeira etapa, um campo ocorre porque a força magnética gerada
magnético com as linhas saindo do pólo pela interação entre o campo e a corrente
norte de um dos ímãs até o pólo sul do está se somando com a força peso.
outro atravessa uma fio pelo qual passa Medimos a massa das placas conforme
corrente. Essa interação gera uma força relatado no procedimento experimental,
que descolou o fio para um dos lados. variando sua espessura e a corrente que
Como sabemos a direção da corrente (que passa por ela. Os resultados estão exibidos
sai do terminal positivo e vai até o na tabela a seguir:
negativo) e podemos observar o sentido da
força, podemos determinar qual o sentido Leitura da balança (g)
do campo utilizando a equação 1, i(A) 12,5mm 25,5mm 50,0mm 100,0mm
determinando assim os pólos norte e sul 0,0 41,44 43,1 51,74 50,21
de cada ímã. 1,0 41,5 43,16 51,85 50,55
1,5 41,53 43,19 51,91 50,7
2,0 41,55 43,2 51,96 50,84
2,5 41,62 43,24 51,97 51,07
3,0 41,67 43,29 52,02 51,24
3,5 41,67 43,31 52,1 51,37
4,0 41,76 43,33 52,16 51,47
4,5 41,81 43,46 52,23 51,56
5,0 41,84 43,49 52,27 51,61
Tabela 1 - Massa de acordo com a corrente e
o comprimento
Figura 3 – Esquema primeira parte
Em cada uma das leituras, pode-se
No desenho acima, a corrente passa da determinar a força magnética exercida
esquerda para a direita e verificou-se que pelo campo, que é corresponde ao peso da
o fio se deslocava para o fundo, assim, placa descontado do peso sem corrente
sabemos que o campo apontava para baixo elétrica, medido inicialmente. Os
e os pólos dos ímãs foram determinados. resultados encontram-se na tabela 2.
Invertendo os dois ímãs, iremos
Força Magnética (N)
inverter a direção do campo, logo o fio se
desloca para o outro lado. No caso do i(A) 12,5mm 25,5mm 50,0mm 100,0mm
desenho: o fio passa a se deslocar para 2,0 1,078 0,98 2,156 6,174
fora do papel enquanto a corrente não 3,0 2,254 1,862 2,744 10,094
mudou de sentido. Usando novamente a 4,0 3,136 2,254 4,116 12,348
equação 1, concluímos que o campo 5,0 3,92 3,822 5,194 13,72
aponta para cima, logo os pólos norte e sul Tabela 2 – Força Magnética de acordo com a
estão invertidos. corrente e o comprimento
Determinar quais são os pólos de cada
ímã foi importante pois agora sabe-se o Percebe-se claramente que, à medida
lado que devem-se colocar os ímãs para que aumentamos a corrente, a intensidade
que o campo tenho o sentido certo para da força magnética também aumenta,
assim como um aumento do comprimento 𝐵. 𝐿
𝑚𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = . 𝑖 + 𝑚𝑝𝑙𝑎𝑐𝑎
do fio também gera o mesmo resultado. 𝑔
Isso se dá ao fato de que a força magnética
gerada pela passagem de campo De acordo com as correlações acima, o
magnético por um fio condutor é coeficiente linear corresponde à massa
diretamente proporcional ao inicial da placa; e o coeficiente angular
comprimento, intensidade da corrente e determina B.L/g , cuja unidade é g/A. O
campo (que se mantém constante), o que gráfico da massa obtida em função da
era esperado de acordo com a equação 2. corrente, para os 4 comprimentos
Para cada fio condutor, pode-se também utilizados está representado no gráfico 1.
fazer um gráfico da massa em função da As respectivas equações da reta
corrente e através dos coeficientes da reta encontradas estão na tabela 3.
pode-se determinar alguns dados:

𝐹𝑚𝑎𝑔 = 𝐵. 𝑖. 𝐿. 𝑠𝑒𝑛𝜙
(𝑚. 𝑔)𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 − (𝑚. 𝑔)𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 = 𝐵. 𝐿. 𝑖

Gráfico 2 - Massa em função da corrente para diferentes comprimentos

Comprimento (mm) Equação da reta R²


12,5 y = 0,0836x + 41,41348 0,97479
25,0 y = 0,0762x + 43,071 0,93255
50,0 y = 0,105x + 51,737 0,98741
100,0 y = 0,920x + 50,273 0,9777
Tabela 3 – Equações de reta e coeficientes de correlação

Como foram feitas medidas com 4 Fazendo uma nova regressão linear
comprimentos diferentes, o ideal é fazer deste dados, encontramos uma reta, cujo
uma nova regressão linear usando os coeficiente angular é B/g. Esta reta está
valores do coeficiente angular para cada representada no gráfico 2. Utilizando o
comprimento. Assim: novo coeficiente angular pode-se
determinar a intensidade do campo
𝐵 magnético. Igualando B/g a 0,0252
𝑎= .𝐿
𝑔 (coeficiente angular) e fazendo as correções
de unidade necessárias, encontramos a
intensidade do campo magnético B = 15
246,9 mT.

Força Magnética (N)


10

5 y = 0,1141x + 0,1002
R² = 0,8965
0
0 50 100 150
Comprimento do fio (mm)

Gráfico 4 – Relação entre força e comprimento do


fio para 4 A

Conclusão
Neste experimento foi possível
Gráfico 2 – Coeficientes angulares em função do observar o comportamento de um fio
comprimento do fio. condutor quando este é percorrido a uma
corrente elétrica estando imerso em um
Essa regressão não apresentou um r² campo magnético. Comprova-se assim a
tão bom, devido a possíveis erros existência de uma força magnética.
cometidos no laboratório, como a falta de Conseguiu-se também comprovar que
familiaridade com a balança (que pode ter o sentido da força magnética gerada segue
acarretado em erros na medida da massa), a direção e o sentido determinados pela
ou então em algumas medidas a placa não equação 2, já que o sentido da força foi
estava alinhada de forma totalmente invertido com a inversão do sentido da
perpendicular com os ímãs, o que altera corrente e do campo magnético.
senθ para um valor diferente de 0. Outra Foi possível constatar também a
possível fonte de erro é a fonte de tensão, intensidade da força magnética gerada, ao
que pode apresentar um corrente que verificar-se o aumento proporcional da
oscilava por alguns momentos, entre leitura da balança, comprovando assim o
outros. Foi possível também determinar a
resultado esperado pela equação 2. A
relação entre o comprimento do fio e a partir da plotagem das medidas feitas, foi
intensidade da força magnética, que possível o ajuste de equação que permitem
deveriam apresentar uma relação linear. determinar quantitativamente o campo
Esta relação apresenta-se no gráfico 3 magnético gerado pelos ímãs.
para a corrente de 2 A e no gráfico 4 para
a corrente de 4 A.
8 Referências
Força Magnética (N)

6
[1]Sears,F.;Zemansky,M.W.; Young,H.D.;
4
y = 0,0616x - 0,2987 “Física 3 – Eletricidade e
2 R² = 0,9474 Magnetismo” , 2ª Ed.,LTC , 1984
0 [2] Tipler, A.P.; Mosca, G. “ Física 2 –
0 50 100 150 Eletricidade, Magnetismo e Óptica”,
Comprimento do fio (mm)
5ª Ed., LTC , 2006
[3]Halliday,D.;Resnick,R.;Walker,Jearl
Gráfico 3 – Relação entre força e comprimento do “Fundamentos de Física 3” 7ª Ed.,
fio para 2 A LTC, 2005