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PROFISSIONAL DAS SÉRIES INICIAIS, SUAS

INTER RELAÇÕES E COMPETÊNCIAS


Belmira Schmitz Teles
Prof.: André Bazzanella
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Licenciatura em Pedagogia (PED.4831) Trabalho de Graduação
27/07/2010

RESUMO

Este TG propõe refletir sobre as informações que foram obtidas através de uma pesquisa, com
professores das Séries Iniciais de uma escola, em Porto Alegre. Verificar como elas desenvolvem
suas práticas, o trabalho em equipe, e se as teorias aprendidas são aplicadas no dia a dia, se
existem divergências de opiniões sobre os métodos e formas de desenvolverem suas práticas. A
educação visa o respeito às diferenças de cada profissional, a fim de desenvolver um currículo de
qualidade. Tanto o profissional quanto a escola precisam se reestruturar frente às mudanças que
acontecem na sociedade. Há uma confirmação de que o professor precisa ministrar suas práticas
diárias de acordo com teorias e regulamentos que estão instituídos nos PCNs e nas leis que regem
a educação do País, visando atender as demandas do ensino, estimulando e favorecendo
resultados uniformes. Ao professor cabe a consciência de avaliar suas formas de trabalhar. A ele é
imprescindível procurar novas formas de aprender dando continuidade a desenvolver
competências, progredir intelectualmente e saber desenvolver habilidades, tão necessárias no
contexto de uma escola.

Palavras-chave: Competências; Inter Relações; Formação Continuada;

1 INTRODUÇÃO

Em séculos de história envolvendo a escola, as expectativas sociais, o pensar, as falas e


as práticas de políticos e de intelectuais envolvidos com educação continuam o mesmo. Isso nos
passa a idéia de que a escola caminhou sem realizar o que se espera dela. Até hoje não houve
mudanças, que tenham dado um novo significado, para levar o aluno á escola.

Deparamo-nos ainda com conteúdos mínimos, os dias letivos, a sequência das séries, a
estrutura disciplinar, as classes enfileiradas, a hierarquia dos professores, da direção, a
fragmentação dos conteúdos. O professor realizando um trabalho de forma individualista. E assim
continuam os dissabores na profissão do magistério e aceito como normal. Como nos fala
Imbernón:
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“Em suma, a profissão docente deve abandonar a concepção predominante do século XIX
de mero transmissor do conhecimento acadêmico, de onde de fato provém, e que se tornou
inteiramente obsoleta para a educação dos futuros cidadãos em uma sociedade
democrática: plural, participativa, solitária, integradora.” [...] Imbernón (2009 p.7,8)

Esse trabalho que tem como título Profissional das Series Iniciais, Suas inter relações e
competências, surgiu proveniente de uma pesquisa realizada com profissionais das Séries Iniciais,
em uma escola em Porto Alegre-RS.

Foram entrevistados quatro professores, estes responderam a quatro perguntas


questionando-os sobre o seu trabalho docente. O que pensam a respeito das teorias de ensino. A
continuação da sua capacitação. Como acontecem as relações no contexto da escola. A metodologia
que utilizam, para que desenvolvam um trabalho de qualidade.

É necessário que a escola mude, mas é tão importante também que o professor
modifique sua forma de ser professor. Este precisa integrar à sua prática um trabalho voltado para o
ensino - aprendizagem, que possibilite ao educando novas formas de aprender, novas formas de
conhecimento, que o leve a refletir criticamente, respeitando sua história, suas construções, seus
limites e possibilidades de realização. Escreveu Durkheim:

[...] “O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela.” [...]


[...] “O individuo só poderá agir no momento em que aprender a conhecer o contexto em
que está inserido, a saber, quais são suas origens e as condições de que depende. E não
poderá sabê–la sem ir à escola [...] (Rev. N. Escola p.60/61, 2008)

Os professores precisam preocupar-se em avaliar seu trabalho, refletir sobre sua prática
docente, sobre sua profissionalização. Que se amparem nos PCNs, documentos estes, que
trouxeram uma referencia para orientar o trabalho didático pedagógico, para o Ensino Fundamental.

Trazem recomendações sugestivas e convenientes, mas sem políticas impositivas e


autoritárias, estão de forma aberta e flexível indicando, direcionando critérios de avaliação,
sugerindo conteúdos de ensino, objetivos de todas as áreas da educação do País, os temas
transversais e especificas referencias aos valores, todos para auxiliar no planejamento das aulas.

Que os governos cumpram os objetivos do ensino, e que direcionem os Estados e


Municípios a cumprirem também suas obrigações com a educação, concretizado, o fundamentado
na Lei de Diretrizes e Bases, esta Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece o direito à
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educação e do dever de educar. Esta lei veio assegurar gratuitamente e de forma obrigatória, o Ensino
Fundamental, até mesmo para aqueles que não tiveram acesso na idade própria, atendimento especial
aos educandos com necessidades especiais, com preferência na rede regular de ensino. Obrigando aos
pais o ingresso e permanência da criança na escola por no mínimo nove anos.

Para isso faz-se necessária uma proposta educacional que tenha em vista a qualidade da
formação a ser oferecida a todos os estudantes. O ensino de qualidade que a sociedade
demanda atualmente se expressa aqui como a possibilidade de o sistema educacional vir a
propor uma prática educativa adequada às necessidades sociais, políticas, econômicas e
culturais da realidade brasileira, que considere os interesses e as motivações dos alunos e
garanta as aprendizagens essenciais para a formação de cidadãos autônomos, críticos e
participativos, capazes de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na
sociedade em que vivem. (PCNS, p.27, 1997).

Do professor é esperado que se relacione pelo menos cordialmente com colegas,


procurando interagir com aqueles que querem mudanças. Trazendo para junto aqueles, que não têm
consciência da necessidade de reformular. Então buscam novas formas, para desenvolver um
trabalho de qualidade, dentro de uma sala de aula.

Mas muitas vezes é observado, que as falas de alguns professores, não se enquadram
com o que realmente desenvolvem, quando fecham a porta de sua sala de aula. Se uns têm
consciência e real compromisso com o que fazem, se esforçando em desenvolver um trabalho de
qualidade. Outros estão afetados pelo cansaço que a profissão origina, ficando apegados ao
conservadorismo, a mesmices e por essas questões acontecem tristezas, amarguras, indignações,
desânimos, desarmonias entre os componentes.

Tem também as questões do salário, falta apoio de políticas de governo, apoio


pedagógico, a escola desorganizada, desestruturada, ambiente ruim de trabalhar, direção menos
atuante, ausência de momentos destinados à discussão do aproveitamento escolar dos alunos, da
falta de reuniões pedagógicas, da ausência da coordenação pedagógica nos momentos de trabalho
coletivo e tudo o que poderá se tornar um fator que estimule ou que aliene o professor em relação
ao seu compromisso com seu oficio.

2 DESENVOLVIMENTO
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2.1 FORMAÇÃO CONTINUADA

É básico ao professor ter a habilidade e fundamental compromisso de auxiliar seu aluno


para que este seja autor de sua própria história, desenvolvendo todo o potencial como um ser
humano único. É imprescindível auxiliá-lo a ser um pensante e questionador de sua vida,
possibilitando-o a participar das transformações da sociedade onde está inserido, e o professor deve
estar preparado para atendê-lo. Também o trabalho em equipe deverá fazer parte de sua realidade a
fim de atender as exigências do mercado de trabalho.

O profissional deve desenvolver novas formas de ministrar suas aulas e atender sua
realidade de vida, como um cidadão. Mudar sua mentalidade, adotar hábitos de aprendizagem
permanente, pois aquele que não se manter atualizado, indo ao encontro de mudanças, estará
defasado, e não acompanhará as transformações do mundo moderno.

O professor deve estar inserido neste contexto de mudanças. Precisa analisar suas
práticas em sala de aula, deve se atualizar, se capacitar, procurar evoluir, buscar trabalhar em
equipe. Usar novas tecnologias, que muitas vezes tem medo de experimentar, pois o mundo
tecnológico esta sempre em mutação e esse mundo exige novas competências.

O professor deve aprender a ser criativo, se desvencilhar do tradicional, que caminhou por
séculos na história da educação e que até os nossos dias, parece não ter havido mudanças.
“É preciso que haja, pois, condições para o letramento”. (Soares. M, 2006, p.58)

O professor está incumbido de descobrir formas mais prazerosas de ensinar e também de


aprender, para que consiga construir um currículo com mais significado. Utilizar métodos que
sejam mais eficazes, para obter bons resultados na aprendizagem do seu aluno.

Para que aconteçam mudanças o professor tem que se empenhar, envolvendo-se para
que ocorram. Ele tem a necessidade de se sentir desafiado a procurar maneiras de mudar, que são
de extrema importância à realidade educacional. Como nos diz Durkheim: “A principal função do
professor é formar cidadãos capazes de contribuir para a harmonia social. ” (Rev. N. Escola p.60, 2008).

Espera-se uma nova atitude do professor, que é a de continuar aprendendo, pois ele é o
mediador do saber, deve ter conhecimento e saber utilizar diversas linguagens, a fim de haver
comunicação entre ele e o seu aluno.
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Esse profissional tem que ter a humildade de olhar criticamente não só na sua proposta
pedagógica, mas também a tudo o que conduz até o aluno. Ele é o espelho desse aluno, por ele são
verificadas suas atitudes, como se mostra pessoalmente, como se dão as relações de afeto,
concordâncias e discórdias entre todos os envolvidos na sua aprendizagem. Podendo assim
contribuir de maneira positiva ou negativa no desempenho emocional, social e educativo desse
aluno.

2.2 COMPETÊNCIAS DOS EDUCADORES

A humanidade está atravessando grandes transformações e muito rapidamente. O


trabalhador está sendo afetado, pois precisa estar em constantes mudanças, no desenvolvimento de
suas habilidades. Ele tem a missão de atuar na sala de aula, com competência e precisa ser hábil, ser
incentivador, estimulador da aprendizagem no seu aluno, ter capacidade imaginativa para criar e
recriar o conhecimento. É preciso que a escola se reformule, dando lugar a atividades
questionadoras, às vivências da comunidade, a realidade onde o aluno está inserido, buscando
soluções de problemas que fazem parte do seu cotidiano.

“Assim esse ensino deve ser difundido de forma popular, mesmo que seja lentamente, em
toda a estrutura escolar, em todos os níveis do ensino, fazendo o aluno avançar seu
conhecimento para outras tecnologias, incluindo-o assim, em uma cidadania plena. [...]
“Quando entro em sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, a
curiosidades, às perguntas dos alunos, às suas inibições, um ser crítico e inquiridor,
inquieto em face da tarefa que tenho- a de ensinar, e não de transferir conhecimento”. [...]
(Freire, p.47, 2007)

O educando precisa ser estimulado para que esteja aberto às experiências, conviver com
incertezas, tornar-se um observador, para romper paradigmas e receitas prontas e só consegue com
o auxílio de um professor que esteja habilitado e com vontade de auxiliá-lo.

Para saber como minimizar e superar as dificuldades e deficiências no ensino-


aprendizagem, os profissionais que estão envolvidos com a educação tem o dever de encontrar
outras formas de desenvolver competências necessárias, para atuar no seu oficio. A educação tem
sido objeto de grande preocupação dos envolvidos, pois sabem que precisam de profissionais com
capacitação para esse serviço dentro do contexto social.

É importante que seja observado, como ocorre a formação do professor. Todo o dia o
mercado de trabalho está à procura de profissionais que apresentem competências, autonomia para
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formar cidadãos, que tenham opinião própria, que sejam questionadores, decisivos.

A educação tem que saber a finalidade do seu sistema educacional. Quais as competências e
habilidades, que ambiciona para o profissional que atua em uma sala de aula. Cabe ao governo o
papel de assegurar que haja investimentos na escola, possibilitando a todos o acesso a educação
com qualidade.

A prática de todo professor, mesmo de forma inconsciente, sempre pressupõe uma


concepção de ensino e aprendizagem que determina sua compreensão dos papéis de
professor e aluno, da metodologia, da função social da escola e dos conteúdos a serem
trabalhados. A discussão dessas questões é importante para que se explicitem os
pressupostos pedagógicos que subjazem à atividade de ensino, na busca de coerência entre
o que se pensa estar fazendo e o que realmente se faz. Tais práticas se constituem a partir
das concepções educativas e metodologias de ensino que permearam a formação
educacional e o percurso profissional do professor, aí incluídas suas próprias experiências
escolares, suas experiências de vida, a ideologia compartilhada com seu grupo social e as
tendências pedagógicas que lhe são contemporâneas. (PCNS, p.30, 1997).

A importância ao conhecimento é muito antiga, mas para alguns poucos na sociedade.


Felizmente há muito pouco tempo, está deixando de ser um privilégio. Mas ainda é dispensado ao
ensino pouco valor. Vejamos o que Cagliari pontua: A educação no Brasil é tão ineficaz que nem
consegue gerenciar adequadamente a si própria. O que falta não é dinheiro: falta competência em
todos os níveis para melhorar a educação. (Cagliari, 2006, p. 39).

O professor deve refletir sobre o que o levou a ser um profissional da educação. Quais
alegrias ele encontra. Frustrações com que se depara. Preocupações em resolver seus próprios
problemas. A busca de novos conhecimentos.
Alguns professores têm muita dificuldade em olhar para seus alunos e enxergar o que se
passa com eles. Na maioria das vezes, sabem apenas aplicar o que aprenderam nas escolas
de formação ou em livros, sem levar em conta se aquele é o momento adequado para o
que pretendem fazer e se aqueles alunos se enquadram ou não no caso que querem aplicar.
“A insensibilidade dos professores, da escola e dos órgãos públicos com relação ao
processo de aprendizagem é patente e geralmente catastrófica para o ensino.” (Cagliari,
2006, p.38).

No momento em que ele responde a esses e outros questionamentos, quando entende


sua identidade profissional, encontra mais segurança e satisfação indispensáveis para se
posicionar. Contribuindo para que objetivos sejam alcançados junto a funcionários, alunos,
professores, famílias, pois todos fazem parte desse movimento dinâmico.

[...] “As escolas: imensas oficinas, ferramentas de todos os tipos, capazes dos maiores
milagres. Mas de nada valem para aqueles que não sabem sonhar.” Os profissionais da
educação pensam que os problemas da educação se resolverão com a melhoria das
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oficinas: mais verbas, mais artefatos, mais técnicos, mais computadores (Ah! o fascínio
dos computadores!). Não percebem que não é aí que o pensamento nasce. O nascimento
do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor.
[...] (Alves, R., p.102, 1994).

Deve haver uma definição do que o professor deve saber, para conseguir direcionar seu
aluno também a construir competências e ajudá-lo a se integrar no mundo moderno. A formação
continuada dos educadores é apresentada como um artifício que produz competências, pois leva o
profissional a compreender a sociedade e a realidade da educação, tendo como perspectiva a intervir
para que haja transformação.

Bem se sabe que não é fácil para esse profissional com muitas funções, nos dias de hoje. A
ele também, estão destinadas obrigações que não lhe competem, e necessita aprender a equilibrar
sua tarefa de educador.

[...] “Em uma profissão na qual os mesmos problemas são recorrentes, a reflexão também
se desenvolve antes da ação, não só com o objetivo de planejar, construir cenários, mas
com o objetivo de preparar o professor para lidar com imprevistos (Perrenoud, 1999b) e
manter sua máxima lucidez.” [...] (Perrenoud, p.199, 2002).

Sabemos também que o professor não consegue acompanhar as novas tendências; a


ciência e a tecnologia caminham a passos largos. É preciso dominá-las ou corre-se o risco de
ficarmos amedrontados, provocando um desgaste emocional. Essa incapacidade traz incertezas em
sua prática. É preciso correr contra o tempo e ultrapassar as barreiras do conhecimento na busca
pela qualificação para não ficar aquém nessas questões.

2.3 INTER RELAÇÕES

Os ditos do povo dizem que: “O ser humano só pode conhecer a si mesmo quando entra
em contato com o outro”, então o outro é que dá um sentido e que lhe dá um significado. Ao
homem é esperado confrontar idéias, trocar conhecimento precisa estar aberto para interações, há
necessidade dessa comunicação social. Sabbag escreveu:

[...] “Por essa razão, trocar idéias com o outro é tão oportuna. [...] Por exemplo,
selecionamos pessoas com quem temos empatia, solidariedade, com quem é possível
manter um relacionamento espontâneo e respeitoso ou com quem acreditamos na intenção
de apoiar, ensinar ou ajudar. Com elas, podemos compartilhar as idéias em formação, as
criações do nosso pensar. [...] (Sabbag, p.125, 2007).

Na escola os envolvidos com educação têm uma infinidade de formas de aprender uns com os
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outros. Como diz Paulo Freire: “ Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se
educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Freire, p.32, 1994).

Praticamente isto não acontece. Por vezes existem desinteresses, oportunismos,


apropriação do saber, certa onipotência, indiferenças, que não permite haver trocas, não permite
relações de igualdade, de importância com o saber do outro. Esse e outros fatores geram desacatos,
individualismos incômodos, desrespeito, ressentimentos, amarguras entre colegas. Como nos diz
Sabbag (p.149, 2007):

[...] “Organizações formam agrupamentos de indivíduos, mas não representam a mera


reunião de pessoas que individualmente operam e aprendem. Esses grupos possibilitam
não apenas colaborar em tarefas, mas também formar vínculos entre os membros [...] Por
sua vez a qualidade de tais vínculos e os processos derivados dessas relações determinam
a aprendizagem dos indivíduos e o grau em que os grupos formarão competências
coletivas duradouras [...]. [...] em que prosperam vínculos emocionais entre os membros.
[...]

Os momentos dentro da escola deveriam ser significativos para todos, tem que ser um
espaço de colaboração, de reciprocidade enriquecedora e por certo todos ganham. Mas não há só
este espaço fechado, de relações conflitantes. Existe também, entre outros, vínculos de afetividade,
convergência no pensar, uma proximidade maior, espontaneidade nas relações, intimidade entre
estes, há interesses comuns e acabam desprezando os que são diferentes deles, formam assim outro
grupo. Na escola a união é necessária.

Podem ocorrer opiniões diferentes, mas nunca poderiam acontecer desavenças entre os
colegas, que leva ao desinteresse, apatia, indisposições, baixa auto-estima doenças que no professor
geram descrença na sua capacidade criadora.

[...] “Pois ser mestre é isso: ensinar felicidade. “Ah!”“, retrucarão os professores, “a
felicidade não é a disciplina que ensino. “Ensino ciências, ensino literatura, ensino
história, ensino matemática...” Mas será que vocês não percebem que essas coisas que se
chamam “disciplinas”, e que vocês devem ensinar nada mais são do que taças multiformes
coloridas, que devem estar cheias de alegria? Pois o que vocês ensinam não é um deleite
para a alma? Se não fosse, não deveriam ensinar”. [...] (Alves, R, p.11; 12, 1994).
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebi com esse trabalho, a necessidade de repensar o trabalho didático, a importância


das relações dinâmicas e saudáveis entre os envolvidos em efetivar a educação, a seriedade com
que devem ser encaradas as normas e documentos, que orientam a organização do currículo
nacional.

As regras para que a educação seja uma ação eficiente, que tenha o poder de decidir no
que se refere à construção do conhecimento, deve acontecer nas relações de interação, entre as
pessoas que participam da comunidade escolar, sempre em conformidade com a LDB e os PCNs.

Pode se concluir assim, que é aí que acontecem as transformações e desenvolvem-se as


relações interpessoais, entre o que aprende e o que o ajuda a desenvolver a aprendizagem. O
professor precisa ter um olhar mais significativo para o desenvolvimento da própria aprendizagem,
que nunca deverá estar pronta, estagnada. Espera-se que a sua formação não seja encarregada de
defender a escola de todas as enfermidades que a culpam, mas que tenha suma importância para a
intervenção da realidade que acomete a educação no nosso País.

Existe também a necessidade de apoio, técnico, pedagógico, de reciprocidades entre os


colegas, numa constante reformulação da prática educacional, na busca de significados positivos a
todos. As mudanças são importantes e o envolvimento de todos os educadores tornará as atividades
realizadas mais ricas e eficazes.

Sabe-se que todo esse movimento é trabalhoso, é cansativo, mas ao serem atingidos os
objetivos satisfatórios, mesmo que sejam mínimos, é extremamente gratificante e muito especial
para o professor e ao indivíduo que está em formação.

Os professores precisam promover a cidadania, resgatando no seu aluno a auto-estima, o


sentimento de que são capazes, com direitos e deveres e que precisam ser autores, de seus próprios
saberes. Mas para que seja efetivada sua função, é fundamental que o professor tenha consciência
de seu verdadeiro papel, que é o de construir a educação.

Ao professor cabe ultrapassar a forma de despejar conteúdos. Pois está habituado a


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reproduzir a educação, centrada na transmissão de conhecimentos já prontos. Inventados em


verdades inquestionáveis, que são inseridos nos educandos, e estes devem absorver sem reflexão e
questionamentos.

As experiências pedagógicas coletivas, o compartilhar, as construções de ações comuns


e com a colaboração de todos, fortifica os laços de respeito e solidariedade. Nas relações entre os
profissionais dentro da escola precisaria haver um equilíbrio, até mesmo, digo eu, certa
cumplicidade, troca de experiências.

Esses educadores devem ter objetivos comuns, que é o de auxiliar o aluno a desenvolver
todo o seu potencial como ser humano para que este possa atuar na vida com autonomia, dignidade,
confiança criando oportunidades a fim de construir sua história de vida.

Precisa-se que aconteça envolvimento dos professores, de maneira menos individualista


e mesquinha, menos alienante, pois só poderá auxiliar no desenvolvimento de uma escola, com
vínculos saudáveis e amigáveis. Com confiança, é possível haver relações transparentes, sem
intenção de má fé.

A escola precisa ser um lugar de sentimentos e de encontros, um lugar de partilhar


conhecimentos, de confiança, de ética, de lealdade, de honestidade e de acolhimento de pessoas que
convivem por horas ali, mas que tem vivência e valores diferentes.

A principal função da escola é ensinar e aprender. É formar indivíduos críticos,


questionadores, e os professores de todas as áreas, não ficarão de fora disso. Eles têm que se
questionar, sobre como desenvolvem sua prática docente, devem avaliar quando precisam buscar
novos saberes, e é imprescindível que continuem aprendendo.

O professor precisa deixar de só usar o quadro, o mural, o caderno, etc., para um


depositar de conteúdos e assim conseguir vencer todos os objetivos, que estão no planejamento
pedagógico. Impondo a seu aluno a repetição, a cópia, a memorização, os conceitos prontos. Ao
aluno só restando prestar atenção, memorizar, copiar tudo o que está no quadro, e estudar, para se
sair bem nas provas.

Bem sabemos que isso quase não acontece principalmente nas escolas públicas, e o
professor se vê sem autoridade para desenvolver conhecimento. Ainda são ensinadas fórmulas
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prontas, pouco atrativas para o aluno. Para desenvolver competências e habilidades, requer que a
escola mude; que o professor faça um trabalho pedagógico integrado em que sejam definidas
responsabilidades de cada um nessa tarefa.

A competência tem a função de possibilitar, de trazer conhecimentos para que todas as


pessoas saibam como enfrentar uma situação. Precisam ter discernimento e habilidades para
agir em situações que vai se deparar na vida, na sociedade. Apenas saber utilizar regras
aprendidas é pouco, precisa ser criativo e inovador sempre que necessário.

Os professores necessitam desenvolver competências e habilidades para que realizem


bem seu trabalho. Assim como investir na sua contínua formação e acreditar que com boa
vontade, profissionalismo e competência podem superar as mediocridades e os desestímulos
com que às vezes se depara. Tem que se encontrar em um ambiente de realizações positivas,
de calor humano, o seu local de trabalho deve ser de alegrias.

4 REFERÊNCIAS

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CAGLIARI, L.C. Alfabetizando Sem o Bá-Bé-Bi-Bó-Bu. São Paulo: Scipione, 2006.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1994.

IMBERNÓN, Francisco; Formação Docente e Profissional: Formar-se para a mudança e a


incerteza. Francisco Imbernón - 7ª Ed. – São Paulo, Cortez, 2009.

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

PERRENOUD, Philippe; A Prática Reflexiva no Oficio de professor: profissionalização e razão


pedagógica/ Philippe Perrenoud; tradução Claudia Schilling. - Porto alegre: Artmed, 2002.

Revista Nova Escola. Ed. Especial. Grandes Pensadores. São Paulo: Fundação Vitor Civita,
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julho/2008.

SABBAG, Paulo Yazigi, Espirais do Conhecimento: ativando indivíduos, grupos e organizações/


Paulo Yazigi Sabbag. - São Paulo: Saraiva 2007.

Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos


parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,
1997. 126p.

SOARES, M. Letramento: Um tema em três gêneros. 2. Ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.